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Sermão do Monte XXII: O amor ao próximo (Mateus 5.43-48)

Sermão do Monte XXII: O amor ao próximo (Mateus 5.43-48)

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Capítulo XXII O Amor ao Próximo
Alejandro G. Frank

Introdução
Neste novo capítulo estamos encerrando a segunda parte do Sermão do Monte 1. Em toda esta segunda parte abordamos o sentido espiritual da Lei do Antigo Testamento. Iniciamos com Jesus declarando ter vindo a cumprir a Lei e os profetas, não a revoga-los (Mateus 5.17-19). Logo a seguir abordamos o ponto central de toda esta parte, na qual o Senhor afirmou que a nossa justiça deve ser muito superior àquela falsa imagem de justiça aparente demonstrada pelos religiosos da época, os fariseus e escribas (Mateus 5.20). A partir disso, o Senhor passou a ilustrar por meio de vários exemplos (Mateus 5.21-48) a forma errada em que os fariseus e escribas interprestavam a lei de Deus, mostrando também como é que nós, discípulos de Jesus, devemos encarar os ensinamentos de Deus. Assim sendo, chegamos ao final desta seção com a chave de ouro do ensinamento de Jesus, sintetizado na seguinte declaração:
“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, 2 que está nos céus”. (Mateus 5.43-48)

Note que todos os ensinamentos anteriores sobre homicídio (versos 21-26), sobre o adultério e o divórcio (v.27-32), sobre os falsos juramentos (v.33-37) ou sobre a vingança (v.38-42), se resumem nisto: o amor ao próximo. O próprio Senhor Jesus ensinou, em outra ocasião, que a lei e os profetas se resumem em duas coisas: amar a Deus por sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Marcos 12.33). Se tivermos verdadeiro amor não precisamos de instruções detalhadas sobre como agir com as pessoas. É por isto que o amor é a lei de Cristo (João 15.12), a centralidade do evangelho do novo testamento. Pense em qualquer pecado que você possa imaginar e eu lhe asseguro que você não encontrará sequer um que não esteja vinculado com falta de amor a Deus ou a seu próximo. Mas no texto que acabamos de ler o ensinamento vai muito mais longe ainda. Nós geralmente amamos ao próximo, mas quando isto está vinculado ao nosso próprio benefício. Porém, quando alguém nos faz mal dificilmente conseguimos amar essa pessoa. Nesse caso nos sentimos tentados a pensar que o ensinamento de Jesus é apenas uma utopia e nada mais.
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Vide a estrutura do Sermão do Monte em http://base-biblica.blogspot.com/2011/03/sermao-domonte-mateus-5-6-e-7-capitulo.html 2 Note que desta vez estarei utilizando a versão Almeida Revista e Corrida, pois ela considera a versão completa do verso 44. Outras traduções, como a Revista e Atualizada, considera outros manuscritos mais simplificados deste verso: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”.

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Muitos até conseguem resistir o perverso e não lhe retribuir com mal em forma de vingança, como ensinou Jesus nos versos anteriores do mesmo capítulo (Mateus 5.38-42). Porém amar implica em algo muito mais difícil ainda, não é? Parece ser algo demais exigido ao crente! Mas é isto o que o Senhor nos ensinou e portanto vamos a considerar este ponto para entendermos corretamente a doutrina que está por trás deste ponto do Sermão do Monte.

O ensinamento da Lei e a interpretação farisaica
Os mestres da época de Jesus (fariseus e escribas) ensinavam o seguinte: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Ora o interessante deste ensinamento é que a primeira parte dele estava na Lei, mas a segunda não. Não existe nenhum texto do Antigo Testamento que afirme que os judeus deviam odiar seus inimigos. Este ponto é muito importante se queremos demonstrar como todas as contraposições que Jesus faz ao longo do capítulo 5 de Mateus não é a respeito da Lei em si mesma, mas a forma em que ela era ensinada pela tradição dos anciãos do povo de Israel. Muitos afirmam erradamente que Jesus trouxe um novo ensinamento que contrapõe ao que estava escrito na Lei, mas na verdade quando Ele disse “ouvistes que foi dito” referia-se aos ensinamentos que tinham sido estriados e interpretados daquilo que estava escrito na Lei. Os mestres estavam interpretando que se devia odiar ao inimigo, embora a Lei não dissesse isso. É algo similar ao que acontece na Igreja Católica, quando estabelece, pela tradição e convenção das suas autoridades algumas doutrinas que não estão na Bíblia e no ensino apostólico da Igreja primitiva, mas que eles interpretam como algo apropriado, por exemplo: a co-redenção, mediação e a ascensão de Maria. Voltemos ao assunto e consideremos o texto de onde tinha sido extraída parte deste ensinamento sobre o amor ao próximo:
“Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado. Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 19.1718)

Os mestres da época pensavam assim a respeito deste texto: “como o texto fala de não se vingar nem guardar ira contra os filhos do povo, mas que se deve amar o próximo, então o próximo é apenas o filho do meu povo”. A consequência disto é que nem estrangeiros nem inimigos deviam ser considerados como próximos. Esta interpretação era interesseira e totalmente parcial a respeito da Lei, pois existiam outros pontos acerca do trato aos estrangeiros e inimigos:
“Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra.” (Deuteronômio 23.7) “Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo.” (Êxodo 23.4-5)

No primeiro desses textos fala de povos que eram inimigos explícitos do povo de Israel. Esses povos aborreciam Israel. Porém Deus lhes disse que eles não deveriam ter o mesmo sentimento. O segundo texto trata sobre a compaixão com a situação do inimigo, nesse texto é

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muito claro que não há nada na Lei que incentive a odiar ao inimigo, mas amá-lo com compaixão. No entanto, fariseus e escribas não pensavam assim, eles consideravam até uma honra a Deus o fato de desprezar e odiar os inimigos do povo de Israel. De onde eles tiraram tais conclusões? Segundo Lloyd-Jones, elas podem ter sido baseadas em dois aspectos principais da lei do Antigo Testamento: a) Motivos históricos: No livro de Josué, por exemplo, encontramos ordens de Deus para que os judeus aniquilassem os povos que habitavam na terra de Canaã. b) Os salmos imprecatórios: São aqueles nos quais o salmista clama pela justiça e ira divina sobre os seus inimigos. Como por exemplo, o salmo 69. 24-26: “Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance. Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas. Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste”. Estes dois pontos eram justificativas para que eles pensassem desta maneira. Que resposta se pode dar a estas justificativas? Primeiro, os atos históricos descritos no ponto (a) e os salmos imprecatórios do ponto (b) devem ser considerados como injunções judiciais e não aplicadas aos indivíduos. Ambos os pontos descritos visavam glorificar a Deus e não honrar um indivíduo. Por exemplo, tomando o ponto (a), a ordem de aniquilar aos povos de Canaã foi dada por Deus como castigo, como uma sentença sobre esses povos, pois eles estavam completamente corrompidos e a maldade deles era extremamente grande. Veja em Deuteronômio 9.4-5 o que Deus disse a Israel:
“Quando, pois, o SENHOR, teu Deus, os tiver lançado de diante de ti, não digas no teu coração: Por causa da minha justiça é que o SENHOR me trouxe a esta terra para a possuir, porque, pela maldade destas gerações, é que o SENHOR as lança de diante de ti. Não é por causa da tua justiça, nem pela retitude do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela maldade destas nações o SENHOR, teu Deus, as lança de diante de ti; e para confirmar a palavra que o SENHOR, teu Deus, jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó”.

O Senhor foi muito claro que não se tratava da justiça de Israel, como uma vingança própria, mas que se tratava de uma condenação que Deus tinha imposto a esses povos por terem se esquecido dEle. Israel tinha que lembrar que eles não eram merecedores de coisas melhores que os povos que iriam ser destruídos. Eles tinham que ser cientes que era um juízo de Deus e não uma vingança própria. Por outro lado, quando consideramos os salmos imprecatórios, do ponto (b), parece mais sensato entender que o salmista estava falando como si o fizesse em nome do povo de Deus, olhando e descrevendo as injustiças sofridas pelo povo e a esperança na justiça vindoura. Isto fica mais claro quando olhamos para a vida de Davi. Embora ele tenha escrito muitos desses salmos não vemos tal atitude na sua vida pessoal. Quando Davi teve a oportunidade de matar o rei Saul, seu perseguidor, ele preferiu usar de misericórdia. O juízo, segundo Davi, pertencia ao Senhor e não a ele. Vemos isto quando ele disse ao rei Saul o seguinte:
“Pague, porém, o SENHOR a cada um a sua justiça e a sua lealdade; pois o SENHOR te havia entregado, hoje, nas minhas mãos, porém eu não quis estendê-las contra o ungido

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do SENHOR. Assim como foi a tua vida, hoje, de muita estima aos meus olhos, assim também seja a minha aos olhos do SENHOR, e ele me livre de toda tribulação”. (1.Samuel 26.23-24)

Desta maneira, sempre que lemos a Bíblia, especialmente o Antigo Testamento, devemos lembrar-nos da diferença entre o juízo de Deus e a vingança própria. Há muitos exemplos dessa diferença, mas a seguir quero citar dois deles: a) O Senhor Jesus ensinou sobre o amor ao inimigo e ele não tomou revide quando o feriram e cuspiram. Porém, quando se tratava de defender a glória de Deus ele o fez firmemente. Podemos ver isto, por exemplo, em Mateus 23, onde ele faz uma forte acusação aos fariseus pela hipocrisia religiosa que eles viviam. Ele estava defendendo a verdade das Escrituras, a qual os fariseus estavam distorcendo. Mas Jesus nunca defendeu a si mesmo nem se preocupou com sua própria honra. b) A Bíblia nos fala também que Deus faz esta diferença entre justiça e vingança. A Bíblia nos diz que a sua graça comum faz com que justos e injustos gozem de muitos dos seus benefícios como, por exemplo, disfrutar do sol e da chuva ou de outras bençoes da natureza. Até a pessoa mais miserável goza de alguns dos benefícios das bençoes de Deus. Contudo, o Senhor, depois de advertir constantemente sobre a consequência do pecado, tem aplicado muitas vezes juízos severos sobre a terra, dentre eles: o dilúvio nos tempos de Noé, a destruição de Sodoma e Gomorra e a deportação de Judá a Babilónia. Mas Ele disse por meio dos profetas: “Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, converteivos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33.11). O Senhor não se agrada em ter que aplicar os seus justos juízos. Isto os fariseus e escribas da época de Jesus tinham esquecido completamente.

O ensinamento de Jesus
Consideremos agora a resposta de Jesus sobre esta interpretação dos fariseus e escribas:
“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus”. (Mateus 5.44-48)

No capítulo anterior do Sermão do Monte tínhamos considerado a questão da vingança. Nesse capítulo vimos que o Senhor ensinou a devolvermos com bem àqueles que procuram o nosso mal (Mateus 5.38-42). Mas aqui o Senhor vai mais longe ainda dizendo o seguinte: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5.44). Ao invés de odiarmos, como o faziam os religiosos daquela época, Ele nos manda a amar os inimigos. Não nos compete apenas fazermos o bem aos inimigos, mas também amá-los com compaixão.

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A- Filhos do Pai perfeito A primeira pergunta que gostaria colocar a respeito desta instrução de Jesus é a seguinte: no que jaz esta atitude que o crente deve ter? A resposta se encontra no verso 48: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. O Senhor está colocando um padrão elevadíssimo, um alvo a ser imitado. A atitude do cristão com os inimigos não deve estar baseada em qualquer tipo de afeto, afinidade ou emoções, sejam elas positivas ou negativas, mas deve estar baseada na imitação do caráter de Deus. Claro que nunca chegaremos a ser perfeitos como Deus, estamos infinitamente longe da perfeição dEle. Porém, aqui o Senhor coloca o nosso verdadeiro padrão de comparação. Muitas pessoas têm o costume de comparar suas obras com aquelas que os outros fazem. Então elas dizem: “eu não sou tão ruim quanto fulano” (uma comparação com o próximo), “todo o mundo age assim” (uma comparação com o padrão geral do mundo) ou “já não sou tão ruim quanto eu era antes” (uma comparação comigo mesmo). A resposta a estas pessoas, em base a este texto, seria a seguinte: “ok, mas você é perfeito como Deus? Você já se comparou com Deus? Já viu quão longe você está da verdadeira perfeição? Sabe quanto ainda lhe falta?”. Percebem a diferença? O nosso foco deve estar em olhar para cima, para o céu, e não para o lado ou para nós mesmos. Esta perfeição de Deus é descrita por Jesus da seguinte maneira: “ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos...” (verso 45b). A perfeição de Deus pode ser vista no seu amor, naquilo que denominamos como “graça comum”. Esta graça comum é o dom da vida, as bençoes da natureza e todos os presentes que Deus dá a todos os homens, sejam eles justos ou injustos. Talvez hoje não percebamos isto, talvez hoje muitos acreditem que seja normal ter todas essas as boas que disfrutamos dia após dia. Mas no inferno será muito claro o que significa graça comum. Lá não haverá mais sol radiante nem chuva que faz crescer as plantas. Também não haverá canto das aves ou o rir de uma criança. Tudo será choro e ranger de dentes (Mateus 8.12). Talvez hoje as pessoas nem valorizem a bondade de Deus quando Ele nos dá tantas coisas com tanto amor e misericórdia, mas naquele dia aqueles que o desprezaram sentirão uma saudade eterna da graça de Deus que disfrutavam sobre esta terra. Que dia tão triste para essas pessoas! Tomara você não seja uma delas! O Senhor ainda acrescenta: “para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste...” (verso 45). O nosso Pai é perfeito e nós devemos nos tornar filhos do nosso Pai. O sentido aqui não é de nos tornarmos cristãos, pois a mensagem está sendo dirigida aos cristãos, aos discípulos de Jesus. Além disso, se assim fosse, estaríamos considerando salvação por boas obras, algo que é totalmente contrário às Escrituras (Efésios 2.8-9). O que Jesus está dizendo aqui é que nos tornemos “como filhos”, isto é, agirmos como filhos. Seria como dizer “se vocês agem desta maneira vocês mostrarão que são filhos do Pai celeste...”. Ora um filho correto que tem um pai exemplar sempre tenta imitá-lo. Esse também deveria ser o nosso desejo como filhos de Deus, querer ser imitadores dele. Como disse Paulo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Efésios 5.1-2). Devemos imitar ao Pai e andar no amor de Cristo. Como é esse amor? É um amor de entrega, um amor que nos foi manifesto quando nós ainda éramos pecadores. (Romanos 5.8). Nos fomos amados sendo ainda inimigos de Deus, portanto Deus pretende que nos amemos outros embora eles ainda sejam inimigos nossos.

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O segredo deste amor de Deus através de Cristo esteve no desinteresse próprio. O Senhor não tinha o interesse nEle mesmo, Ele gozava de alegria perfeita na comunhão do Deus trino. Porém, ele quis compartilhar esse gozo conosco. Isso foi um ato de compaixão para conosco. Ele nos viu como títeres nas mãos de Satanás, controlados pelo rei deste mundo, escravos dos nossos próprios pecados. Foi assim que ele nos viu. É desta maneira que também nós devemos enxergar alguém que está agindo como inimigo nosso, pois essa pessoa está sendo controlada pelo inimigo. Quando alguém está nos atacando deveríamos pensar: “Na verdade quem está tentando esse mal contra mim é o próprio inimigo de Jesus Cristo, Satanás, e eu sou alvo por causa de ser um servo dele. Então, preciso ter compaixão dessa pessoa usada pelo inimigo. Ela está presa nas mãos de Satanás e precisa ser liberta pela graça de Deus e pela obra do Espírito Santo”. Eis aqui o segredo para podermos amar os inimigos. Se não os enxergarmos com esta perspectiva acabaremos nos colocando apenas como vítimas e lamentando a nossa situação ao invés de lamentarmos pela situação de quem está nos fazendo mal. Além disso, há aqui uma intimidade destacada por Jesus, pois devemos agir como filhos do nosso Pai e não apenas como servos do nosso Deus. Há uma grande diferença nisto, entre o deus dos judeus de hoje e o Pai dos cristãos ou entre o deus dos islâmicos e Pai dos cristãos. Nós temos um Pai amoroso, que nos cuida, nos ama, se regozija em nós, sofre com nossas dores e lamentos, nos entende, tem compaixão, nos aconselha, nos repreende, nos corrige e nos dá uma herança eterna. Isto faz toda a diferença frente às outras religiões! Nosso Deus nos conhece no íntimo e nos ama. Por acaso outra religião tem essa ousadia de tratar seus deuses como um Pai? Graças ao Senhor Jesus Cristo que através dEle nós sim podemos tratar a Deus como nosso Pai, pois fomos adotados como filhos! B- Um amor prático Um segundo ponto que precisamos considerar é a questão de como é esse amor. Muitos podem pensar assim: “é ridículo esperar sentir emoções positivas pelo meu inimigo, tal como gostar dele ou até sentir saudade dele”, bem, se você pensa assim eu lhe digo que concordo com você. Mas veja que o Senhor não nos disse: gostai dos vossos inimigos, mas amai-os. Em primeiro lugar, amar desta maneira é algo que somente pode vir do Espírito Santo, do poder dele. É por isso que a Bíblia nos ensina que somente os cristãos podem amar de verdade (1.João 4.8). Por outro lado, esse amor não é sentimental, mas prático. Há uma grande diferença nisto. A Bíblia sempre coloca o amor em termos práticos: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (João 15.10), disse Jesus. Ou também: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). O amor bíblico consiste em dar, fazer, cumprir, etc. É um amor ativo e desinteresseiro, como aquele que Deus teve por nós. Portanto, amar os nossos inimigos consiste em agir com eles positivamente de maneira que eles se sintam “gostados”, o que não significa que nós sintamos exatamente isso. Eu posso estar sentindo “compaixão” enquanto ele está se sentindo “gostado” ou “amado” por mim. Isto não implica que eles necessariamente vão mudar a maneira de agir conosco. Pelo contrário, muitas vezes podemos até ser mais rejeitados ainda por estarmos agindo assim. Algumas pessoas pensam que devem agir com bondade para mudar o inimigo. Basicamente o pensamento psicológico moderno é assim. Eles dizem: “se você agir com bondade com o seu

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inimigo ele se tornará bom, pois no interior todos tem bondade, basta que eles enxerguem o bom em outros para serem assim também”. Mas o que ensinou Jesus aqui é outra coisa: a Bíblia diz que o homem no fundo sempre é mau e que não pode mudar por conta própria. Porém, através de nossos atos de amor podemos estar mostrando o amor de Deus e dizendo: é assim que Deus me amou e portanto eu também amo o você desta maneira. O propósito disto é fazer com que eles meditem acerca do Deus que nós servimos, o qual ama aos perdidos. Esta é uma potente arma do Evangelho para ganhar os nossos inimigos para Cristo! O Senhor Jesus ainda colocou três ilustrações práticas de como esse amor se manifesta na prática3: a) “Bendizei aos que vos maldizem”: Isto significar responder bem quando nos falam mal. Não devemos dar revide aos insultos e grosserias dos outros, mas devemos responder gentilmente e com muita paciência. O primeiro passo para chegar a uma briga intensa é a forma em que reagimos com as nossas palavras diante das ofensas do próximo. Portanto, o Senhor coloca este como o primeiro passo que devemos cuidar ao tratar com os inimigos. Neste sentido há um erro no qual facilmente podemos cair: consiste em falarmos benevolentemente com eles, mas realizarmos críticas por trás, quando estamos com outras pessoas. Observe que esta instrução de Jesus é bem abrangente e inclui tanto o momento em que os nossos inimigos estão presentes como também quando não estão. O Senhor demanda que os amemos e não que “aparentemos amar eles”. Portanto, é em todo momento que devemos bendizer aqueles que nos maldizem, principalmente quando eles não estão presentes, pois é nesse momento que a nossa sinceridade é testada diante de Deus. O apóstolo Pedro também lembrou à Igreja estas instruções do Senhor Jesus, expressando-as da seguinte maneira:
“Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.” (1Pedro 3.8-12)

b) “Fazei bem aos que vos odeiam”: O segundo passo colocado pelo Senhor é a questão dos nossos atos aos que nos odeiam. Não só nos compete falarmos bem deles e a eles, mas também fazermos o bem a eles. Note como o amor é ação em todos os sentidos: primeiro a língua, depois as ações. Um exemplo disto encontramos num dos textos que já tínhamos considerado anteriormente na lei do Antigo Testamento:
“Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho reconduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua carga o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-ás a erguê-lo”. (Êxodo 23.4-5)

c) “Orai pelos que vos maltratam e perseguem”: O terceiro passo que devemos avançar, conforme ensinado pelo Senhor Jesus é mais difícil ainda, pois inclui orar por aqueles que são
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Vide nota número 2.

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os nossos inimigos. Esta ação refere-se a orar pelo bem deles, pelo arrependimento deles, por misericórdia para eles, assim como Jesus o fez na cruz ou quando Estevão orou antes de morrer apedrejado. Considero que isto seja mais difícil ainda do que os pontos anteriores pelo fato de que inclui lembrar-se dos inimigos também quando estamos sozinhos. A tendência natural do ser humano é querer esquecer-se dos seus inimigos e não lembra-los nas orações. Além disso, geralmente ao orarmos sentimos que deveríamos orar por nós mesmos e não por eles. O mesmo ocorre quando algum amigo nosso sofre alguma injustiça. Sempre tendemos a orar mais pela vítima e oramos muito pouco pelo culpado. Mas Jesus nos ensina aqui que devemos orar também pelo culpado, pelo inimigo, de maneira que ele possa ser alcançado pela graça de Deus. Esta é a forma correta de amar ao inimigo como Cristo nos amou.

Considerações finais
Talvez chegando a este ponto muitos de vocês possam pensar que estou falando uma utopia. “Ninguém pode fazer isso!” é o que responderiam alguns céticos. Você acha difícil amar assim? Pois bem, deixe-me lhe dizer que de fato é difícil, muito difícil, tão difícil que sem a ajuda do Espírito Santo é impossível que possamos fazê-lo. Talvez você ache que já está fazendo grande coisa por apenas amar e se relacionar de uma boa maneira com aquelas pessoas que não o fizeram nenhum mal, mas que amar os inimigos seria um exagero. Se for esse seu pensamento, considere as seguintes palavras de Jesus:
“Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. (Mateus 5.46-48)

Como crentes sempre devemos caminha a segunda milha, irmos muito além daquilo que os outros esperam. Isso foi o que nos ensinou o Senhor Jesus. Além disso, fomos capacitados com o Espírito Santo para podermos viver assim. Lembre, não é você quem conseguirá fazer isso. Clame ao Senhor, peça-lhe ajuda para viver desta maneira e certamente ele lhe responderá! “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. Que o Senhor nos ajude para sermos imitadores dEle somente! Amém.

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