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MANUAL DO TRIPULANTE DE AMBULÂNCIA DE TRANSPORTE

MANUAL DO TRIPULANTE

DE AMBULÂNCIA DE TRANSPORTE

MANUAL DO TRIPULANTE DE AMBULÂNCIA DE TRANSPORTE

Manual do Tripulante de Ambulância de Transporte

Terceira Edição 2010

Manual do Tripulante de Ambulância de Transporte

3/2010

© Março de 2010, Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer processo electrónico, mecânico, fotográfico ou outro, sem autorização prévia e escrita do Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P

PREFÁCIO

Tripular uma ambulância de transporte de doentes é um acto cuja especificidade deve ser devidamente realçada, pois o papel do TAT é indissociável da missão fundamental da mesma:

transportar um doente a uma unidade de saúde, em segurança, com rapidez e com capacidade de assistência durante o transporte.

É o processo de selecção e de formação que determinarão o bom desempenho dos profissionais.

Exigem-se aptidões físicas, psicomotoras e comportamentais, bem como conhecimentos e aptidões técnicas.

Acima de tudo, o TAT deve rever-se na ética profissional dos que lidam com os bens mais preciosos do ser humano: a saúde e a vida.

Estes dependem de uma cadeia em que nenhum dos elos pode falhar - a Cadeia de Sobrevivência.

Transportar bem o doente ou sinistrado ao seu destino é uma responsabilidade de todos, um trabalho de equipa.

Ao editar este manual o INEM presta assim o serviço a que está por missão obrigado, promovendo um paradigma de formação de qualidade, que há-de traduzir-se no mais elevado nível dos cuidados ao doente ou sinistrado.

Este é o 1º de vários manuais que estamos a produzir, com a colaboração, elevado profissionalismo e sentido de missão e responsabilidade que caracterizam os trabalhadores do SIEM, do qual o INEM é coordenador.

O Presidente do Conselho Directivo do Instituto Nacional de Emergência Médica Abílio António Ferreira Gomes

Manual do Tripulante de Ambulância de Transporte Departamento de Formação em Emergência Médica

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COORDENAÇÃO TÉCNICA

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

AUTORES

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

Raquel Ramos Médica, Assistente de Anestesiologia, Coordenadora do Centro de Formação de Lisboa, INEM/DRLVT

Luís Meira Médico, Assistente de Anestesiologia, Director Regional do Porto, INEM/DRP

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FICHA TÉCNICA DA TERCEIRA EDIÇÃO

COORDENAÇÃO TÉCNICA

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

AUTORES

Sofia Madeira Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do Centro de Formação de Coimbra, INEM/DRC

Raquel Ramos Médica, Assistente de Anestesiologia, Coordenadora do Centro de Formação de Lisboa, INEM/DRLVT

Luís Meira Médico, Assistente de Anestesiologia, Director Regional do Porto, INEM/DRP

PROCESSAMENTO DE TEXTO E TRATAMENTO DE IMAGEM

Sofia Madeira - Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do CFC, INEM/DRC Ulisses Oliveira - Enfermeiro Graduado, Formador do CFC, INEM/DRC José Soares - Enfermeiro Especialista, Formador do CFC, INEM/DRC Rui Marcelino - Enfermeiro Graduado, Formador do CFC, INEM/DRC Jody Rato - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC José Maleiro - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Henrique Lourenço - Assistente Técnico, Formador do CFC, INEM/DRC Carlos Pereira - Assistente Técnico, Gabinete de Comunicação e Imagem, INEM

REVISÃO DE TEXTO

Sofia Madeira - Médica, Assistente de Medicina Interna, Coordenadora do CFC, INEM/DRC Ulisses Oliveira - Enfermeiro Graduado, Formador do CFC, INEM/DRC Helena Lalanda Castro - Directora do Departamento de Emergência Médica, INEM Marina Salvador - Assistente Técnica, Departamento de Emergência Médica, INEM

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COLABORARAM NA TERCEIRA EDIÇÃO

Amândio Henriques - Médico, Consultor de Medicina Geral e Familiar Ulisses Oliveira - Enfermeiro Graduado, CFC, INEM/DRC José Soares - Enfermeiro Especialista, CFC, INEM/DRC Rui Marcelino - Enfermeiro Graduado, CFC, INEM/DRC José António Maleiro - Assistente Técnico, CFC, INEM/DRC Jody Rato - Assistente Técnico, CFC, INEM/DRC Henrique Lourenço - Assistente Técnico, INEM/DRC Daniel Silva - Assistente Técnico, INEM/DRC Pedro Melo - Assistente Técnico, INEM/DRC Jorge Melo - Assistente Técnico, INEM/DRC Cristina Nunes - Assistente Técnico, INEM/DRC Artur Albino - Assistente Técnico, INEM/DRC Teresa Oliveira - Assistente Técnico, CFC, INEM/DRC

AGRADECIMENTOS:

Aos nossos formandos;

Aos nossos formadores;

Aos nossos filhos:

Sofia Morais Andreia Maleiro Lourenço Porto José Filipe Porto

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ÍNDICE

Capítulo 1 - Anatomia e Fisiologia do Corpo Humano

1

Objectivos

1

1. Introdução e Definições

2

2. Pele

5

3. Sistema Músculo-Esquelético

5

4. Sistema Nervoso

11

5. Órgãos dos Sentidos

13

6. Sistema

Cardiovascular

14

7. Sistema Respiratório

16

8. Sistema Digestivo

18

9. Sistema Urinário

19

10. Sistema Reprodutor

20

Capítulo 2 - Sistema Integrado de Emergência Médica

23

Objectivos

23

1. Conceitos e Definição

24

2. Evolução da Emergência Médica Pré Hospitalar em Portugal

24

3. Fases do SIEM

29

4. Intervenientes do SIEM

30

5. Organização do SIEM

31

Capítulo 3 - Exame da Vítima

37

Objectivos

37

1. Introdução

38

2. Exame Primário

38

3. Avaliação de Sinais Vitais

43

4. Exame Secundário

45

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Capítulo 4 - Suporte Básico de Vida

53

Objectivos

53

Introdução

54

1. A Cadeia de Sobrevivência

55

2. Riscos para o Reanimador

57

3. Suporte Básico de Vida no Adulto

60

4. Posição Lateral de Segurança

75

5. Abordagem da Via Aérea

79

6. Situações Especiais em Suporte Básico de Vida

101

7. Reanimação Pediátrica

104

Capítulo 5 - Oxigenoterapia

129

Objectivos

129

1. Introdução

130

2. Princípios Fundamentais na Administração de Oxigénio

130

Capítulo 6 - Hemorragias

139

Objectivos

139

1. Introdução

140

2. Classificação das Hemorragias em relação à Origem

140

3. Classificação das Hemorragias em relação à Localização

141

4. Sinais e Sintomas das Hemorragias

142

5. Cuidados de Emergência

142

Capítulo 7 - Hipovolemia

145

Objectivos

145

1. Introdução

146

2. Causas de Hipovolemia

146

3. Sinais e Sintomas de Hipovolemia

146

4. Cuidados de Emergência

148

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Capítulo 8 - Traumatologia

149

Objectivos

149

1. Introdução

150

2. A Abordagem da Vítima de Trauma

150

3. Lesões dos Tecidos Moles

152

4. Traumatismos Oculares

158

5. Neurotraumatologia

158

6. Traumatologia dos Membros

161

Capítulo 9 - Técnicas de Extracção e Imobilização de Vítimas de Trauma

165

Objectivos

165

1. Introdução

166

2. Estabilização Cervical com Alinhamento Manual

166

3. Aplicação do Colar Cervical

170

4. Rolamento

172

5. Levantamento

176

6. Imobilização em Plano Duro

181

7. Colete de Extracção

183

8. Extracção Rápida

190

9. Remoção do Capacete

194

10. Imobilização Vertical

196

11. Imobilizações dos Membros Superiores

199

12. Imobilizações dos Membros Inferiores

200

13. Transporte de Doentes

203

Capítulo 10 - O Tripulante e a Ambulância

205

Objectivos

205

1. Introdução

206

2. Normas de Conduta

206

3. A Ambulância

207

4. O Acompanhamento das Pessoas Transportadas

208

5. Considerações sobre Segurança

209

6. A Condução da Ambulância e a sua Segurança

214

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Anexo A - Parto Iminente Noções básicas

217

1. Introdução

217

2. Assistência ao Parto

217

3. Preparação para Assistir ao Parto

218

4. Cuidados ao Recém-Nascido

220

5. Cuidados ao Cordão após o Período Expulsivo

221

6. Cuidados com a Placenta

222

7. Casos Particulares

223

Anexo B - Glossário

229

Bibliografia

261

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ÍNDICE DE FIGURAS

Capítulo 1

Figura 1 - Diversos tipos de células

2

Figura 2 - Planos anatómicos

4

Figura 3 - Estrutura da pele

5

Figura 4 - Ossos do crânio

7

Figura 5 - A coluna vertebral e os diferentes tipos de vértebras das regiões superiores

7

Figura 6 - Caixa torácica

8

Figura 7 - Ossos da bacia ou cintura pélvica

8

Figura 8 - Ossos do membro superior

9

Figura 9 - Ossos da mão

9

Figura 10 - Ossos do membro inferior

10

Figura 11 - Ossos do pé

10

Figura 12 - Sistema Nervoso Central

11

Figura 13 - Medula espinal, no interior do canal raquidiano, protegida pelas vértebras

12

Figura 14 - Corte do coração, com identificação do fluxo do sangue

14

Figura 15 - Células do sangue: vários eritrócitos (1), dois leucócitos (2) e algumas plaquetas (3)

16

Figura 16 - Principais constituintes do sistema respiratório

17

Figura 17 - Principais constituintes do sistema digestivo

18

Figura 18 - Principais constituintes do sistema urinário

19

Figura 19 - Principais constituintes do sistema reprodutor feminino

20

Figura 20 - Principais constituintes do sistema reprodutor masculino

21

Capítulo 2

Figura 21 - Estrela da Vida com as diversas fases do SIEM

29

Capítulo 3

Figura 22 - Avaliação do estado de consciência

39

Figura 23 - Permeabilização da via aérea

40

Figura 24 - Pesquisa de ventilação

40

Figura 25 - Reactividade das pupilas

42

Figura 26 - Palpação da artéria radial

44

Figura 27 - Avaliação rápida da temperatura

45

Figura 28 - Observação e palpação da cabeça e face

47

Figura 29 - Observação e palpação dos ombros e clavícula

48

Figura 30 - Observação e palpação do tórax e abdómen

49

Figura 31 - Observação e palpação da coluna dorso e lombar

49

Figura 32 - Observação e palpação muito suave da cintura pélvica

50

Figura 33 - Observação e palpação dos membros inferiores

50

Figura 34 - Observação e palpação dos membros superiores

51

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Capítulo 4

Figura 35 - Cadeia de sobrevivência da vítima adulta

55

Figura 36 - Avaliação do estado de consciência

62

Figura 37 - Primeiro pedido de ajuda

63

Figura 38 - Pesquisa de corpos estranhos na cavidade oral

64

Figura 39 - Extensão da cabeça e elevação do queixo

64

Figura 40 - A avaliar os sinais de circulação durante 10 segundos

65

Figura 41 - Activação do sistema de emergência

67

Figura 42 - Posicionamento / compressões torácicas

68

Figura 43 - Colocação da máscara de bolso (pocket mask) / Ventilação boca-máscara

69

Figura 44 - Manobras de SBV a 2 reanimadores (com máscara de bolso e com insuflador manual)

70

Figura 45 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

76

Figura 46 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

77

Figura 47 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

77

Figura 48 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

77

Figura 49 - Colocação em Posição Lateral de Segurança (PLS)

78

Figura 50 - Desfazer a Posição Lateral de Segurança (PLS)

79

Figura 51 - Obstrução da via aérea

80

Figura 52 - Desobstrução da via aérea, Aplicação das pancadas interescapulares

82

Figura 53 - Desobstrução da via aérea, Colocação das mãos na Manobra de Heimlich

83

Figura 54 - Desobstrução da via aérea, Manobra de Heimlich

83

Figura 55 - Desobstrução da via aérea, Manobra de Heimlich

84

Figura 56 - Extensão da cabeça e elevação da mandíbula

88

Figura 57 - Sub-luxação da mandíbula

89

Figura 58 - Tubos orofaríngeos (tubos de Guedel), escolha do tamanho e introdução do tubo

90

Figura 59 - Tubo nasofaríngeo. Escolha do tamanho e colocação do tubo

92

Figura 60 - Aspiração de secreções

93

Figura 61 - Máscara de bolso (pocket mask)

94

Figura 62 - Ventilação com máscara de bolso em posição lateral

95

Figura 63 - Ventilação com máscara de bolso em posição cefálica

96

Figura 64 - Insuflador manual (“ambu”), máscaras faciais e garrafa de oxigénio

97

Figura 65 - Ventilação com insuflador manual

98

Figura 66 - Cadeia de sobrevivência pediátrica

106

Figura 67 - Avaliação da resposta

108

Figura 68 - Grito de ajuda

108

Figura 69 - Pesquisa de corpos estranhos

109

Figura 70 - Permeabilização da via aérea com extensão da cabeça e elevação da mandíbula

109

Figura 71 - “posição neutra”na extensão da cabeça no lactente

109

Figura 72 - Pesquisa de respiração normal (VOS)

110

Figura 73 - Posição de recuperação

110

Figura 74 - Ventilação boca-máscara na criança

111

Figura 75 - Ventilação boca-a-boca e nariz no lactente

111

Figura 76 - Ventilação com máscara de bolso

112

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Figura 77 - Pesquisa de sinais de circulação

113

Figura 78 - Compressões torácicas no lactente

114

Figura 79 - Compressões torácicas na criança

115

Figura 80 - Ventilação na criança

115

Figura 81 - Ventilações sem perder a referência do ponto das compressões torácicas

116

Figura 82 - Ventilações e compressões torácicas com dois reanimadores

116

Figura 83 - Pancadas interescapulares no lactente

125

Figura 84 - Compressões torácicas no lactente

126

Figura 85 - Pancadas inter-escapulares e compressões abdominais na criança

127

Capítulo 5

Figura 86 - Dispositivos para administração de oxigénio por inalação

132

Figura 87 - Manómetro. Neste exemplo, a pressão da garrafa é de 200 bar

136

Figura 88 - Debitómetro. Neste exemplo, o débito é de 3 litros / minuto

136

Capítulo 6

Figura 89 - Diferentes tipos de hemorragias, conforme a origem

141

Capítulo 8

Figura 90 - Cálculo da área queimada. Regra dos nove

156

Figura 91 - Fracturas (fechada e exposta) do fémur

161

Capítulo 9

Figura 92 - Estabilização cervical: abordagem posterior com a vítima sentada

167

Figura 93 - Estabilização cervical: abordagem lateral com a vítima sentada

168

Figura 94 - Estabilização cervical: abordagem anterior com a vítima de pé

169

Figura 95 - Estabilização cervical: abordagem com a vítima em decúbito dorsal

170

Figura 96 - Escolher o tamanho do colar cervical

171

Figura 97 - Aplicação da peça anterior, Introdução da peça posterior

171

Figura 98 - Centrar a peça posterior, Aperto da peça posterior

172

Figura 99 - Alinhamento e imobilização segundo o eixo nariz-umbigo-pés

172

Figura 100 - Posicionamento para rolamento de vítima em decúbito dorsal

173

Figura 101 - Posicionamento do plano com a vítima rolada até próximo do ângulo recto

173

Figura 102 - Posicionamento da vítima no final do rolamento

174

Figura 103 - Colocação dos apoios de cabeça, fase final da imobilização no plano rígido

175

Figura 104 - O chefe da equipa mandará “colocar mãos”

176

Figura 105 - O chefe da equipa mandará “introduzir mãos”

177

Figura 106 - O chefe da equipa mandará levantar ao dizer “três”

177

Figura 107 - O chefe da equipa mandará “introduzir o plano duro”

178

Figura 108 - O chefe da equipa mandará “baixar a vítima centrada no plano duro”

178

Figura 109 - O chefe da equipa manterá o alinhamento e a imobilização em posição neutra

179

Figura 110 - Adaptação à altura, divisão em duas partes e colocação de uma de cada lado

179

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Figura 111 - Introdução de cada uma das partes da maca através de pequeno rolamento

180

Figura 112 - Fecho das partes da maca na cabeça depois nos pés

180

Figura 113 - Colocação em local definitivo, abertura da maca e remoção das partes e imobilização

181

Figura 114 - Preparação do plano e imobilização cervical

182

Figura 115 - Vítima correctamente imobilizada em plano duro, com ‘aranha’ e imobilizadores de cabeça . 182

Figura 116 - Imobilização cervical

184

Figura 117 - Colete de extracção

184

Figura 118 - Colocação e adaptação às axilas do colete de extracção

185

Figura 119 - Colocação das precintas do tórax

185

Figura 120 - Colocação da almofada cervical

186

Figura 121 - Colocação dos cabrestos

186

Figura 122 - Manutenção da estabilização e colocação das precintas dos membros inferiores

187

Figura 123 - Colocação da precinta superior do tórax

187

Figura 124 - Rodam, colocam, deslizam sobre o plano duro

188

Figura 125 - Mantém os membros inferiores flectidos

188

Figura 126 - Centrada no plano, reajustadas as precintas segue-se a imobilização

189

Figura 127 - Devem ser aplicadas as precintas da maca da ambulância

189

Figura 128 - O socorrista faz a imobilização possível da vítima contra o seu corpo

191

Figura 129 - Colocada no solo, faz o apoio possível à coluna dorsal, até decúbito dorsal

191

Figura 130 - O socorrista coloca-se junto à nuca da vítima

192

Figura 131 - O socorrista faz a imobilização possível da coluna cervical

192

Figura 132 - O socorrista rola a vítima até à posição de decúbito dorsal, sem perder a atenção à coluna

cervical

192

Figura 133 - Imobilização do capacete e da cabeça e abertura da viseira

195

Figura 134 - Abertura da precinta e imobilização cervical

195

Figura 135 - Retira suavemente o capacete e avisa da saída

196

Figura 136 - Substitui a imobilização cervical

196

Figura 137 - Posição do segundo elemento que, na foto, encobre o primeiro elemento

197

Figura 138 - Posição dos dois elementos e descida do plano e da vítima

198

Figura 139 - Posição dos dois elementos e descida do plano e da vítima

198

Capítulo 10

Figura 140 - Os principais passos da limpeza higiénica das mãos

213

Anexo A

Figura 141 - Posição da grávida para o parto

218

Figura 142 - Fases do parto

220

Figura 143 - Aspiração da boca e nariz do recém-nascido

221

Figura 144 - Laqueação do cordão umbilical

222

Figura 145 - Parto com apresentação pélvica

224

Figura 146 - Manobra para libertação da cabeça num parto pélvico

224

Figura 147 - Prolapso do cordão umbilical

225

Figura 148 - Apresentação de um membro

226

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ESQUEMAS

Capítulo 4

Esquema 1 - Algoritmo de SBV Adulto

72

Esquema 2 - Algoritmo de SBV Adulto - Excepção

73

Esquema 3 - Algoritmo Desobstrução da Via Aérea

86

Esquema 4 - Algoritmo de SBV Pediátrico

118

Esquema 5 - Algoritmo de SBV em Neonatologia

123

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CAPÍTULO 1- ANATOMIA E FISIOLOGIA DO CORPO HUMANO

OBJECTIVOS

No final desta unidade modular, os formandos deverão ser capazes de:

1.

Identificar os principais planos anatómicos;

2.

Listar e descrever as principais funções da pele;

3.

Identificar e localizar os principais ossos do corpo humano mencionando as respectivas referências anatómicas;

4.

Listar, descrever e localizar os principais constituintes anatómicos e conhecer as funções do sistema nervoso (central e periférico);

5.

Enumerar os órgãos dos sentidos e conhecer as suas funções;

6.

Listar, descrever e localizar os principais constituintes anatómicos e conhecer as funções do sistema cardiovascular;

7.

Listar, descrever e localizar os principais constituintes anatómicos e conhecer as funções do sistema respiratório;

8.

Listar, descrever e localizar os principais constituintes anatómicos do sistema digestivo;

9.

Listar, descrever e localizar os principais constituintes anatómicos do sistema urinário;

10.

Identificar os principais constituintes anatómicos do sistema reprodutor (feminino e masculino).

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1. INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES

O tripulante de ambulância lida directamente com situações de doença ou acidente. Por este

motivo, deve possuir conhecimentos básicos de anatomia e fisiologia e compreender o significado das expressões e termos normalmente utilizados por técnicos de saúde.

Anatomia é a ciência médica que estuda a forma e o relacionamento dos diversos componentes do corpo humano e Fisiologia a ciência que estuda o seu funcionamento.

O corpo humano é composto por uma infinidade de pequenas estruturas denominadas células.

As células são elementos microscópicos e representam a unidade anatómica e fisiológica

fundamental à vida. Existem diferentes tipos de células, cada uma com características particulares e adaptada a um tipo específico de funções (Capítulo 1. Figura 1).

um tipo específico de funções (Capítulo 1. Figura 1) . Capítulo 1. Figura 1 - Diversos

Capítulo 1. Figura 1 - Diversos tipos de células.

Tecido é um conjunto de muitas células com características semelhantes, agrupadas para desempenhar uma função específica. Existem quatro grupos primários de tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. O tecido epitelial tem funções de protecção, secreção e absorção e encontra-se, por exemplo, na pele (epiderme) ou a revestir o estômago. O tecido conjuntivo tem funções de suporte e protecção e encontra-se, por exemplo, nos tendões, ossos e cartilagens. O tecido muscular tem como principal função a contracção e encontra-se nos músculos esqueléticos, no músculo cardíaco e em alguns órgãos contrácteis como, por exemplo, o estômago ou o intestino. O tecido nervoso responde a diferentes tipos de estímulos e permite a comunicação entre diferentes zonas do corpo, através da transmissão de impulsos nervosos e encontra-se, por exemplo, no encéfalo, na medula e nos nervos.

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Órgão é uma estrutura formada por vários tecidos que, em conjunto, contribuem para a execução de uma função específica. São exemplos de órgãos o coração, os pulmões ou o fígado.

Sistema é um grupo de órgãos relacionados entre si e que, actuando de forma coordenada, desempenham uma função essencial. São exemplos o sistema nervoso, o sistema cardiovascular, o sistema respiratório, o sistema digestivo, o sistema urinário ou o sistema reprodutor. O termo aparelho pode ser utilizado como sinónimo de sistema.

Por organismo entende-se o conjunto de todos os órgãos, nas respectivas posições anatómicas, trabalhando coordenadamente para assegurar a execução das funções vitais. O corpo humano é um exemplo de um organismo. A sua divisão em cabeça, tronco e membros é conhecida.

Posição anatómica (Capítulo 1. Figura 2), significa o corpo humano na vertical, olhando em frente e com as palmas das mãos viradas para a frente. Posição erecta é a posição do corpo de pé, na vertical. Posição de decúbito dorsal é a posição do corpo humano deitado, com as costas para baixo. Posição de decúbito ventral é a posição do corpo humano deitado sobre o abdómen (costas para cima). Posição de decúbito lateral é a posição do corpo humano deitado sobre o lado esquerdo (DLE - decúbito lateral esquerdo), ou direito (DLD - decúbito lateral direito).

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Departamento de Formação em Emergência Médica Capítulo 1. Figura 2 - Planos anatómicos. Linha média é

Capítulo 1. Figura 2 - Planos anatómicos.

Linha média é uma linha vertical imaginária que divide o corpo em lado direito e esquerdo. Em anatomia, estes termos referem-se aos lados correspondentes do corpo quando este está virado para nós, isto é, quando estamos frente a frente com a vítima, o lado esquerdo desta está à nossa direita e vice-versa. Os termos medial e lateral referem-se a posições mais próximas ou mais afastadas da linha média, respectivamente.

Anterior e posterior significam respectivamente, à frente e atrás. Por exemplo, na cabeça, a face é anterior e a nuca posterior. Superior e inferior significam acima de e abaixo de, respectivamente. Por exemplo, o nariz está numa posição superior em relação à boca.

Proximal e distal significam respectivamente, próximo e afastado de um ponto de referência e, habitualmente, usam-se para os membros superiores e inferiores, relativamente ao ombro ou à anca. Por exemplo, o cotovelo está numa posição proximal relativamente à mão.

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Os planos anatómicos referem-se a planos imaginários localizados em posições específicas, possibilitando a divisão do corpo humano em duas partes (Capítulo 1. Figura 2). O plano sagital divide o corpo humano em duas partes, direita e esquerda. O plano horizontal divide o corpo humano em duas partes, superior e inferior. O plano frontal divide o corpo humano, permitindo determinar as localizações anterior e posterior.

2. PELE

A pele é o órgão de revestimento do corpo que assegura a relação entre o meio interno e o externo tendo funções de protecção, regulação da temperatura, excreção (de suor e gorduras) e sensitiva (fornecendo informações sobre o frio, o calor e a dor) (Capítulo 1. Figura 3).

sobre o frio, o calor e a dor) (Capítulo 1. Figura 3) . Capítulo 1. Figura

Capítulo 1. Figura 3 - Estrutura da pele.

A epiderme é a camada mais externa da pele. Na derme encontram-se as glândulas sudoríparas e sebáceas, os folículos pilosos, os vasos sanguíneos e as terminações nervosas sensitivas.

3. SISTEMA MÚSCULO-ESQUELÉTICO

Embora o sistema muscular e o sistema esquelético constituam sistemas específicos, frequentemente são descritos em conjunto: sistema músculo-esquelético.

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Fundamentalmente, o sistema músculo-esquelético garante o suporte e o movimento. Além das funções de suporte e locomoção, este sistema protege vários órgãos vitais e alguns ossos têm no seu interior a medula óssea, onde são produzidas células do sangue (os glóbulos vermelhos e a maior parte dos glóbulos brancos).

A Miologia é a parte da anatomia que estuda os músculos.

Existem três tipos de músculos:

Músculo esquelético, constituído por fibras longas que se fixam aos ossos directamente ou por tendões. Os seus movimentos são voluntários. São estes os músculos que integram o sistema músculo-esquelético.

Músculo liso, constituído por fibras curtas. Este tipo de músculo localiza-se em vários órgãos e os seus movimentos são involuntários. Como exemplo da acção dos músculos lisos temos os movimentos do estômago durante a digestão.

Músculo cardíaco, constituído por fibras ramificadas umas nas outras. Os seus movimentos são involuntários e rítmicos.

A Artrologia é o ramo da Anatomia que estuda as articulações.

As articulações são junções de dois ou mais ossos e podem ser:

Imóveis, como são todas as articulações da cabeça, com excepção das do maxilar inferior.

Semi-móveis, como são as articulações entre os corpos vertebrais.

Móveis, em que os topos ósseos, juntos por ligamentos, são lubrificados pelo líquido sinovial e envolvidos por uma cápsula articular. As articulações móveis permitem os movimentos, através da acção dos músculos esqueléticos. Os movimentos podem ser de flexão, extensão, adução, abdução e rotação.

A Osteologia é o ramo da Anatomia que estuda os ossos.

Quanto à sua forma, os ossos dividem-se em curtos, compridos, planos e irregulares.

Os ligamentos ligam ossos entre si, nas articulações.

Os tendões ligam os músculos aos ossos.

O esqueleto é composto pelos vários ossos, unidos pelas articulações e pode dividir-se em cabeça, coluna, tórax, bacia, membros superiores e membros inferiores.

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A cabeça é formada pelo crânio e pela face. O crânio é uma caixa óssea que alberga e protege

o encéfalo e a face. Além de essencial na vida de relação (expressividade e por albergar vários órgãos dos sentidos) é onde se encontram as portas de entrada do sistema respiratório e digestivo.

Os ossos do crânio são oito e os da face catorze. O único osso móvel da cabeça é o maxilar inferior ou mandíbula (Capítulo 1. Figura 4).

o maxilar inferior ou mandíbula (Capítulo 1. Figura 4) . Capítulo 1. Figura 4 - Ossos

Capítulo 1. Figura 4 - Ossos do crânio.

A coluna vertebral é constituída por uma série de ossos independentes, denominados vértebras, unidos entre si por diversos ligamentos, permitindo obter uma coluna semi-flexível com curvaturas, formando uma estrutura excepcionalmente forte, protectora do sistema nervoso (medula espinal). É composta por trinta e três vértebras: sete cervicais (a base do crânio está apoiada na primeira), doze torácicas ou dorsais, cinco lombares, cinco sagradas e quatro coccígeas (Capítulo 1. Figura 5). As primeiras 24 vértebras estão separadas por discos intervertebrais.

24 vértebras estão separadas por discos intervertebrais. Capítulo 1. Figura 5 - A coluna vertebral e
24 vértebras estão separadas por discos intervertebrais. Capítulo 1. Figura 5 - A coluna vertebral e
24 vértebras estão separadas por discos intervertebrais. Capítulo 1. Figura 5 - A coluna vertebral e
24 vértebras estão separadas por discos intervertebrais. Capítulo 1. Figura 5 - A coluna vertebral e

Capítulo 1. Figura 5 - A coluna vertebral e os diferentes tipos de vértebras das regiões superiores.

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O tórax assemelha-se a uma caixa que protege, entre outras estruturas, os pulmões, o coração, os grandes vasos e parte do tubo digestivo. É constituído por doze pares de costelas (sete verdadeiras, três falsas e duas flutuantes) que se articulam posteriormente com as doze vértebras torácicas. Na região anterior do tronco, as primeiras dez costelas articulam-se com o esterno, através de ligações cartilagíneas. O esterno é o osso vertical oposto à coluna, localizado na linha média (Capítulo 1. Figura 6).

localizado na linha média (Capítulo 1. Figura 6) . Capítulo 1. Figura 6 - Caixa torácica.

Capítulo 1. Figura 6 - Caixa torácica.

A bacia, também designada por cintura pélvica, é composta pelos ossos ilíacos e, na região posterior, pela coluna sagrada e coccígea (Capítulo 1. Figura 7).

pela coluna sagrada e coccígea (Capítulo 1. Figura 7) . Capítulo 1. Figura 7 - Ossos

Capítulo 1. Figura 7 - Ossos da bacia ou cintura pélvica.

A coluna lombar e a bacia limitam, em conjunto com músculos próprios, o abdómen. A região abdominal é também um espaço de protecção de órgãos importantes.

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Os membros superiores (Capítulo 1. Figura 8) articulam-se com a região superior do tórax através da cintura escapular. Têm uma importância fundamental no apoio às funções vitais e dividem-se em braço, antebraço e mão.

funções vitais e dividem-se em braço, antebraço e mão. Capítulo 1. Figura 8 - Ossos do

Capítulo 1. Figura 8 - Ossos do membro superior.

A articulação do ombro ou escápulo-úmeral, entre a cintura escapular e o braço, articula a clavícula e a omoplata (ossos da cintura escapular) com o úmero (osso do braço). A articulação do cotovelo, entre o braço e o antebraço, articula o úmero com os ossos do antebraço (rádio e cúbito). A articulação do punho articula os ossos do antebraço com os ossos da mão, ao nível do carpo. No carpo existem oito ossos, no metacarpo cinco e nas falanges catorze (Capítulo 1.

Figura 9).

cinco e nas falanges catorze (Capítulo 1. Figura 9) . Capítulo 1. Figura 9 - Ossos

Capítulo 1. Figura 9 - Ossos da mão.

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Os membros inferiores (Capítulo 1. Figura 10) articulam-se com a cintura pélvica. Têm funções de locomoção e dividem-se em coxa, perna e pé.

funções de locomoção e dividem-se em coxa, perna e pé. Capítulo 1. Figura 10 - Ossos

Capítulo 1. Figura 10 - Ossos do membro inferior.

A articulação da anca ou coxo-femural, entre a bacia e a coxa, articula o osso ilíaco com o fémur (osso da coxa). A articulação do joelho, entre a coxa e a perna, articula o fémur e a rótula com os ossos da perna (tíbia e perónio). A articulação tíbio-társica articula os ossos da perna com os ossos do pé, ao nível do tarso. Os ossos do tarso ou tornozelo são sete, os do metatarso são cinco e os das falanges são catorze (Capítulo 1. Figura 11).

C a p í t u l o 1 . F i g u r a

Capítulo 1. Figura 11 - Ossos do pé.

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4. SISTEMA NERVOSO

O sistema nervoso regula as diferentes funções do organismo e estabelece a relação entre

este e o meio ambiente.

O sistema nervoso divide-se em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico

(SNP). O SNC é constituído pelo encéfalo e pela medula espinal (Capítulo 1. Figura 12) e o SNP

pelos diferentes nervos.

(Capítulo 1. Figura 12) e o SNP pelos diferentes nervos. Capítulo 1. Figura 12 - Sistema

Capítulo 1. Figura 12 - Sistema Nervoso Central.

O

encéfalo localiza-se no interior da caixa craniana e é constituído pelo cérebro, pelo cerebelo

e

pelo tronco cerebral. A medula espinal por sua vez, localiza-se no canal raquidiano, no

interior da coluna vertebral. O SNC está protegido por estruturas ósseas (crânio e vértebras) e por três superfícies membranosas que constituem as meninges:

Duramáter, que reveste a face interna do crânio;

Aracnoideia;

Piamáter, que está em contacto directo com o tecido nervoso.

Entre a aracnoideia e a piamáter circula um líquido claro e límpido, denominado líquido céfalo-raquidiano (LCR), com funções de protecção. As meninges e o LCR funcionam como um verdadeiro “amortecedor” mecânico entre as estruturas ósseas e o sistema nervoso central.

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Essencialmente o cérebro desempenha três tipos de funções:

Sensitivas (olfactiva, auditiva, visual, gustativa e táctil);

Motora (relacionada com os movimentos e seu controlo);

De integração (ligadas à actividade mental).

O

cerebelo tem por principal função a coordenação dos movimentos voluntários.

O

tronco cerebral é um conjunto de estruturas responsáveis pela ligação entre o encéfalo e a

medula espinal.

No tronco cerebral existem agrupamentos de células que formam os núcleos de origem da maior parte dos nervos cranianos. Estes nervos são de grande importância, sendo responsáveis por funções fundamentais de que são exemplos as contracções cardíacas, o controle da respiração ou a regulação da deglutição, entre outras.

Como já foi referido, a medula espinal é protegida pela coluna vertebral localizando-se no interior do canal raquidiano (Capítulo 1. Figura 13). As lesões da coluna, abaixo da 1ª vértebra dorsal ou torácica, podem produzir paraplegia (paralisia dos membros inferiores). As lesões acima ou seja, a nível cervical, podem causar paralisia dos quatro membros, situação denominada tetraplegia.

dos quatro membros, situação denominada tetraplegia . Capítulo 1. Figura 13 - Medula espinal, no interior
dos quatro membros, situação denominada tetraplegia . Capítulo 1. Figura 13 - Medula espinal, no interior

Capítulo 1. Figura 13 - Medula espinal, no interior do canal raquidiano, protegida pelas vértebras.

O sistema nervoso periférico é constituído pelos nervos cranianos, cuja maioria emerge da

base do crânio (tronco cerebral) e pelos nervos raquidianos que se originam na medula.

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Quanto à sua fisiologia, o sistema nervoso pode ser classificado em sistema nervoso voluntário (funções que podem ser controladas pela vontade) e sistema nervoso autónomo (SNA) ou neuro-vegetativo.

O SNA controla várias funções de órgãos e aparelhos do organismo de forma automática sem

que seja necessário ou, na maior parte das vezes, possível qualquer intervenção consciente. São exemplos a respiração, a pressão arterial, a motilidade e secreção digestiva, a micção, a sudação e muitas outras funções.

5. ÓRGÃOS DOS SENTIDOS

A visão é o sentido que nos permite construir imagens do que nos rodeia. A luz reflectida (ou

emitida) pelos objectos é captada pelos olhos e após atingir as células fotossensíveis da retina,

é convertida em impulsos nervosos que são transmitidos ao cérebro, através dos nervos

ópticos. No cérebro, os impulsos nervosos são interpretados de modo a formar a imagem que

lhes deu origem.

A audição é o sentido que permite captar o som do ambiente que nos rodeia. As ondas

sonoras são transformadas em impulsos nervosos no ouvido que são conduzidos ao cérebro

através dos nervos auditivos onde são identificados como sons.

O olfacto é o sentido que permite através de receptores específicos, detectar as substâncias

voláteis transportadas pelo ar até às fossas nasais e identificá-las no cérebro como odores.

O gosto é o sentido que permite através da estimulação das papilas gustativas localizadas na

língua, detectar e identificar os paladares básicos: amargo, doce, ácido, salgado e um quinto paladar, associado a alimentos como a carne e recentemente identificado, que recebeu a

designação de umami (termo Japonês que significa “delicioso”).

O tacto é o sentido que nos permite obter as sensações de temperatura e textura das superfícies, através das terminações nervosas que existem na pele. Estas terminações nervosas existem em maior número ao nível da ponta dos dedos e a sua estimulação gera impulsos nervosos, posteriormente identificados pelo cérebro.

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6. SISTEMA CARDIOVASCULAR

O coração é o órgão que bombeia o sangue, mantendo-o constantemente em circulação através da sua contracção rítmica.

O coração é composto por duas metades não comunicantes, a direita e a esquerda, cada uma das quais constituída por uma aurícula e um ventrículo que comunicam entre si através de válvulas unidireccionais.

comunicam entre si através de válvulas unidireccionais. Capítulo 1. Figura 14 - Corte do coração ,

Capítulo 1. Figura 14 - Corte do coração, com identificação do fluxo do sangue.

No coração direito circula sangue venoso carregado de produtos que é necessário eliminar e que resultam da actividade das células. Este sangue é conduzido à aurícula direita através das veias cava inferior e superior, passando depois através da válvula aurículo-ventricular direita (válvula tricúspide) para o ventrículo direito que, dando início à circulação pulmonar (pequena circulação), o bombeia através das artérias pulmonares para os pulmões onde é oxigenado.

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No coração esquerdo circula sangue arterial, rico em oxigénio. Na aurícula esquerda é recebido o sangue oxigenado que vem dos pulmões (da circulação pulmonar), conduzido pelas veias pulmonares. Este sangue passa depois através da válvula aurículo-ventricular esquerda (válvula mitral) para o ventrículo esquerdo que, dando início à circulação sistémica (grande circulação), o bombeia através da aorta para todo o corpo (Capítulo 1. Figura 14).

O pericárdio é a membrana que envolve o coração. Tem dois folhetos, um parietal e outro

visceral, existindo entre ambos um líquido lubrificante.

O miocárdio é o músculo que forma as paredes do coração.

A contracção dos ventrículos designa-se sístole e o seu relaxamento diástole.

No adulto médio, em cada contracção cardíaca, são expelidos cerca de setenta mililitros de sangue, o que corresponde a cerca de cinco litros por minuto.

A

frequência cardíaca é o número de contracções do coração durante um minuto.

O

pulso é a força exercida na parede das artérias pelas ondas de sangue, provocadas pelas

contracções cardíacas que fazem o sangue chegar a todas os tecidos do corpo (circulação). O pulso pode ser sentido em várias zonas, quando se palpa uma artéria que se localiza perto da superfície. Em condições normais, o pulso tem uma frequência de sessenta a cem pulsações por minuto no adulto e mais de cem na criança. Pode ser rítmico ou arrítmico e forte ou fraco. As artérias, que levam o sangue para os vários tecidos do corpo, subdividem-se em arteríolas

e estas em capilares.

As veias, que trazem de volta o sangue ao coração, resultam da junção de vénulas que, por sua vez, são o resultado da reunião dos capilares.

Um adulto normal tem cerca de cinco litros e meio de sangue. O sangue é constituído por um líquido que se chama plasma e por três tipos de células: os eritrócitos (glóbulos vermelhos) que vivem cerca de cento e vinte dias transportando oxigénio, os leucócitos (glóbulos brancos) que actuam em defesa do organismo e os trombócitos (plaquetas) com um papel importante na coagulação sanguínea.

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2 3 1
2
3
1

Capítulo 1. Figura 15 - Células do sangue: vários eritrócitos (1), dois leucócitos (2) e algumas plaquetas (3).

Num centímetro cúbico de sangue existem cerca de cinco milhões de glóbulos vermelhos, sete mil glóbulos brancos e duzentas mil plaquetas.

7. SISTEMA RESPIRATÓRIO

O corpo humano pode ser privado de alimentos e de água durante algum tempo mas todas as

células do organismo carecem de oxigénio para viver e funcionarem com eficiência. O oxigénio

é essencial para que as células possam extrair dos alimentos a energia de que necessitam.

A respiração é o processo utilizado para assegurar as trocas de oxigénio e de dióxido de

carbono a nível dos pulmões.

As portas de entrada do ar com o oxigénio necessário à função respiratória são a boca ou as fossas nasais, a que se segue a faringe. A faringe, que é comum ao aparelho digestivo e respiratório e se inicia ao nível da 4ª vértebra cervical, tem duas aberturas inferiores, uma para

o esófago (a digestiva) e uma anterior para a laringe. Esta tem uma estrutura, a epiglote, que

baixa no início e durante a deglutição, encerrando a glote e impedindo os alimentos de entrarem para a traqueia. A laringe situa-se ao nível da “maça de Adão” e no seu interior estão as cordas vocais. Estas são responsáveis pelos sons que emitimos, desempenhando um papel fundamental na fala.

No interior do tórax, a traqueia bifurca-se em dois brônquios principais que penetram nos pulmões ao nível da 4ª/5ª vértebras dorsais.

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Nos pulmões, os brônquios dividem-se por diversas vezes originando sucessivamente, os brônquios segmentares e os bronquíolos que, finalmente, terminam nos alvéolos (Capítulo 1. Figura 16). É nos alvéolos que o oxigénio do ar passa para o sangue e o dióxido de carbono é eliminado.

ar passa para o sangue e o dióxido de carbono é eliminado. Capítulo 1. Figura 16

Capítulo 1. Figura 16 - Principais constituintes do sistema respiratório.

Cada pulmão tem cerca de trezentos milhões de alvéolos, constituindo no total uma superfície de cerca de cem metros quadrados para se efectuarem as trocas gasosas.

A capacidade pulmonar total, após inspiração forçada, é de cerca de cinco litros de ar. O

volume de ar corrente que corresponde ao volume de ar expirado após uma inspiração ou uma

expiração normais (não forçados), é de cerca de meio litro de ar.

A via aérea pulmonar é acompanhada de duas outras redes vasculares, a arterial e a venosa,

que diminuem de calibre na mesma direcção, terminando na rede de capilares perialveolares.

Os dois pulmões estão separados entre si pelo mediastino, espaço onde se encontra o coração e onde passam o esófago e os grandes vasos.

A pleura é a membrana que envolve os pulmões, tem dois folhetos, um parietal e outro

visceral, existindo entre eles, um líquido lubrificante.

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Com excepção da expiração normal, os movimentos respiratórios resultam da acção de vários músculos. A expiração normal é um processo completamente passivo que resulta da elasticidade dos pulmões, assemelhando-se ao esvaziar de um balão de borracha cheio de ar.

A frequência respiratória média, em repouso, é de cerca de dezasseis ciclos por minuto no adulto, vinte no adolescente, vinte e cinco na criança e quarenta e cinco no recém-nascido.

8. SISTEMA DIGESTIVO

Os órgãos do aparelho digestivo (Capítulo 1. Figura 17) têm como função essencial a preparação dos alimentos para serem absorvidos e utilizados pelas células do corpo humano.

absorvidos e utilizados pelas células do corpo humano. Capítulo 1. Figura 17 - Principais constituintes do

Capítulo 1. Figura 17 - Principais constituintes do sistema digestivo.

O processo de alteração da composição química e física dos alimentos de maneira a que possam ser absorvidos e utilizados pelas células do corpo é conhecido como digestão e constitui a principal função do sistema digestivo.

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Os alimentos são ingeridos pela boca onde se inicia o processo digestivo. Esses alimentos progridem ao longo do tubo digestivo passando sucessivamente pela faringe, esófago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Finalmente, os restos alimentares não absorvidos, são excretados através do ânus.

São órgãos ou estruturas anexas ao tubo digestivo os dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas.

9. SISTEMA URINÁRIO

O sistema urinário é constituído pelos rins, os ureteres, a bexiga e a uretra (Capítulo 1. Figura

18).

( C a p í t u l o 1 . F i g u r

Capítulo 1. Figura 18 - Principais constituintes do sistema urinário.

O sistema urinário tem por função formar e excretar a urina, mantendo o nível de água do

corpo e regulando a composição química do meio interno para além de possibilitar a eliminação de substâncias nocivas ao organismo, filtrando e purificando o sangue.

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10. SISTEMA REPRODUTOR

A reprodução não é essencial à sobrevivência individual. No entanto, é essencial para a

continuação de qualquer espécie.

Na espécie humana, à semelhança de outras espécies animais, existem dois seres de características distintas, macho e fêmea e só pela junção de elementos existentes apenas em cada um deles é possível a reprodução. Assim, só com a fecundação de um óvulo (produzido pela fêmea) por um espermatozóide (produzido pelo macho) é possível a criação de um novo ser, semelhante aos progenitores.

O sistema reprodutor feminino está situado na parte inferior do abdómen, entre a bexiga e o

recto e é constituído pelos ovários, as trompas de Falópio, o útero e a vagina (Capítulo 1.

Figura 19).

, o útero e a vagina (Capítulo 1. Figura 19) . Capítulo 1. Figura 19 -

Capítulo 1. Figura 19 - Principais constituintes do sistema reprodutor feminino.

O sistema reprodutor masculino é constituído pelos testículos, os canais deferentes, as

vesículas seminais, a próstata, a uretra e o pénis (Capítulo 1. Figura 20).

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Departamento de Formação em Emergência Médica Canal deferente Pénis Testículos Uretra Bexiga Vesícula

Canal deferente

Pénis

de Formação em Emergência Médica Canal deferente Pénis Testículos Uretra Bexiga Vesícula Seminal Próstata

Testículos

Uretra

Médica Canal deferente Pénis Testículos Uretra Bexiga Vesícula Seminal Próstata Capítulo 1. Figura 20 -

Bexiga

Vesícula

Seminal

Próstata

Capítulo 1. Figura 20 - Principais constituintes do sistema reprodutor masculino.

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CAPÍTULO 2 - SISTEMA INTEGRADO DE EMERGÊNCIA MÉDICA

OBJECTIVOS

No final desta unidade modular, os formandos deverão ser capazes de:

1. Descrever a organização e o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica.

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1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES

1.1. Emergência Médica

É a actividade na área da saúde que abrange tudo o que se passa desde o local onde ocorre uma situação de emergência até ao momento em que se conclui, no estabelecimento de saúde adequado, o tratamento definitivo que aquela situação exige.

1.2. Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)

‘Conjunto de meios e acções extra-hospitalares, hospitalares e inter-hospitalares, com a intervenção activa dos vários componentes de uma comunidade, logo pluridisciplinar, programados de modo a possibilitar uma acção rápida, eficaz e com economia de meios, em situações de doença súbita, acidentes ou catástrofes, nas quais a demora de medidas adequadas, diagnóstico e terapêutica, pode acarretar graves riscos ou prejuízo ao doente’.

2. EVOLUÇÃO DA EMERGÊNCIA MÉDICA PRÉ HOSPITALAR, EM PORTUGAL

2.1. O início do Socorro a Vítimas de Acidente na Via Pública, em Lisboa.

Em 1965 iniciou-se o socorro a vítimas de acidente na via pública, em Lisboa. As ambulâncias eram activadas através do número de telefone ‘115’, a tripulação era constituída por elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e o transporte efectuado para o hospital. O serviço estendeu-se de seguida às cidades do Porto, Coimbra, Aveiro, Setúbal e Faro.

2.2. O Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA)

Com o objectivo de ‘assegurar a orientação, a coordenação e a eficiência das actividades respeitantes à prestação de primeiros socorros a sinistrados e doentes e ao respectivo transporte’ foi criado em 1971, o Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA). Este serviço constituiu os chamados ‘Postos de Ambulância SNA’, dotados de ambulâncias com equipamento sanitário e de telecomunicações, sedeadas na PSP (nas cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal), na GNR e em Corporações de Bombeiros, numa uma rede organizada que abrangia todo o país.

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2.3. O Gabinete de Emergência Médica (GEM)

No ano de 1980, após um ano de trabalho desenvolvido por uma Comissão de Estudo de

Emergência Médica e que culminou com a apresentação de uma proposta de desenvolvimento

de um Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), foi constituído o Gabinete de

Emergência Médica (GEM) que tinha como principal atribuição a elaboração de um projecto de

organismo que viesse a desenvolver e coordenar o Sistema Integrado de Emergência Médica

(SIEM).

2.4. O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

Como resultado do trabalho desenvolvido pelo GEM, em 1981 foi criado o Instituto Nacional de

Emergência Médica (INEM) sendo extintos o SNA e o GEM.

Dispondo o INEM à partida dos meios de socorro/transporte (instalados pelo SNA na PSP e em

Quartéis de Bombeiros), das centrais 115 e de uma rede de avisadores SOS colocados em

estradas nacionais e tendo como principal objectivo o desenvolvimento e coordenação do

SIEM, reorganizou e desenvolveu as Centrais de Emergência e os Avisadores SOS e

remodelou os Postos de Ambulância, estabelecendo acordos com Bombeiros, Polícia e Cruz

Vermelha para a constituição de Postos de Emergência Médica (PEM) e Postos Reserva.

2.4.1. O Centro de Informação Antivenenos (CIAV)

Logo no ano seguinte, em 1982, o INEM põe em funcionamento na sua sede, a primeira

Central medicalizada de informação toxicológica, o Centro de Informação Antivenenos (CIAV).

2.4.2. O Centro de Formação de Lisboa

Nos anos seguintes, o INEM põe em funcionamento o Centro de Formação de Lisboa que tem

como finalidade a formação de Médicos, Enfermeiros, Operadores de Central e Tripulantes de

Ambulância em Técnicas de Emergência Médica.

Actualmente existem Centros de Formação em Lisboa, Porto e Coimbra e, na dependência do Centro de Formação de Lisboa, está em funcionamento um Núcleo de Formação em Faro.

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2.4.3. Os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)

Em 1987 o INEM desenvolve e põe a funcionar em Lisboa, o primeiro Centro de Orientação de

Doentes Urgentes (CODU), uma nova central medicalizada para atendimento das chamadas

de emergência médica, triagem telefónica, aconselhamento e accionamento dos meios de

emergência adequados.

Na actualidade, quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, fazem a cobertura de todo o território do continente, medicalizando o alerta (os pedidos de socorro da área da Emergência Médica feitos através do 112, o Número Europeu de Emergência).

2.4.4. O subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco

Ainda em 1987, com o objectivo de uma melhor e mais adequada assistência e transporte

medicalizado a prematuros e outros recém-nascidos em risco, para uma unidade de saúde com

neonatologia, o INEM implementa o subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto

Risco.

O INEM mantém este subsistema de assistência e transporte com a colaboração dos Hospitais Pediátricos de Lisboa, Porto e Coimbra.

2.4.5. As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER)

Complementando e melhorando a medicalização do socorro e do transporte, o INEM

implementa em 1989, um sistema que consiste na deslocação de uma viatura ligeira com uma

equipa médica e equipamento adequado, chamada Viatura Médica de Emergência e

Reanimação (VMER) que, sob orientação do CODU Lisboa, não só pode acorrer a situações

de extrema urgência no domicílio ou na via pública, medicalizando o seu transporte, como pode

acorrer e apoiar o socorro/transporte de doentes que se desloquem para unidades de saúde

em ambulâncias de socorro, medicalizando-as.

Na actualidade, este tipo de socorro medicalizado estende-se a todo o território do continente, também com colaboração dos Hospitais das áreas geográficas de referência, com equipas médicas formadas pelo INEM e coordenadas pelos CODU.

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2.4.6. O Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar (CODU MAR)

De modo a permitir o aconselhamento médico, o eventual accionamento de meios de

evacuação e o encaminhamento hospitalar de situações de emergência que se verifiquem em

inscritos marítimos, o INEM implementou em 1989, o Centro de Orientação de Doentes

Urgentes Mar (CODU MAR).

2.4.7. O Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM)

Tendo como objectivo a melhoria da assistência e do transporte de doentes críticos para as

unidades de saúde mais adequadas, em Julho de 1997, o INEM implementou o Serviço de

Helicópteros de Emergência Médica (SHEM), colocando em serviço dois aparelhos dedicados

em exclusivo à Emergência Médica, o Heli 1 no aeródromo de Tires (em Cascais) e o Heli 2 no

aeródromo de Espinho. Actualmente, o Heli 2 está sedeado no Hospital de Pedro Hispano, em

Matosinhos.

Estes helicópteros, inicialmente a funcionar apenas durante o período diurno, a partir de

Outubro de 2002 passaram a funcionar 24 hora por dia.

Durante o ano de 2000, em colaboração com o antigo Serviço Nacional de Bombeiros,

actualmente Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), foi iniciado o Helitransporte

nocturno de doentes críticos através da medicalização do Helicóptero de Santa Comba Dão.

Para isso, além de garantir o material necessário, o INEM passou a assegurar a presença

física de uma equipa médica durante a noite na Base de Santa Comba Dão.

Actualmente, o Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM) funciona vinte e quatro horas por dia, fazendo a cobertura de todo o território do continente e a sua actuação é coordenada pelos CODU.

2.4.8. O Serviço de Ambulâncias de Emergência (SAE)

Com a mobilização nacional motivada pela realização do Campeonato da Europa de Futebol

de 2004, o maior evento desportivo até aí realizado em Portugal, integrado nos preparativos

necessários para garantir que esse evento viesse a ser um êxito e onde o INEM teve um papel

preponderante, foi criado o Serviço de Ambulâncias de Emergência (SAE), inicialmente em

Lisboa e no Porto. Assim, a partir do ‘Euro 2004’, o INEM passou a dispor de ambulâncias de

Suporte Básico de Vida (SBV) com a valência de Desfibrilhação Automática Externa (DAE),

tripuladas por Técnicos de Ambulância de Emergência (TAE), devidamente qualificados.

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No âmbito do SAE, foram ainda implementados em Lisboa e no Porto, os Motociclos de Emergência Médica. Tripulados por um TAE, estes meios permitem um socorro particularmente rápido em situações onde o intenso trânsito citadino pode condicionar algum atraso.

A partir de 2007, com o enquadramento proporcionado pela Reestruturação da Rede de

Urgências planeada pelo Ministério da Saúde, o SAE estendeu-se a todo o território nacional.

Ainda no âmbito da Reestruturação da Rede de Urgências, foram criadas as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), tripuladas por um TAE e um Enfermeiro.

2.4.9. O Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC)

Também desde 2004, o INEM dispõe de Psicólogos que contribuem para uma melhoria na

qualidade da resposta dada em diversas situações de emergência. Para atingir este objectivo,

foi criado o Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC).

Os psicólogos do CAPIC garantem, 24 horas por dia, o apoio psicológico das chamadas telefónicas recebidas nos CODU que o justifiquem e, através das UMIPE (Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência), podem ser accionados para o local das ocorrências onde a sua presença seja necessária.

O CAPIC assegura ainda a prestação de apoio psicológico aos operacionais do SIEM, em

todas as situações em que estes são confrontados com elevados níveis de stress.

2.4.10 Outros Meios do INEM

Além dos serviços e dos meios de intervenção já referidos, o INEM dispõe ainda de vários meios com capacidade de intervenção em situações excepcionais, nomeadamente catástrofes

ou acidentes graves de que resultem vítimas em número elevado.

Entre estes meios podem ser referidas as Viaturas de Intervenção em Catástrofe (VIC), as Viaturas para Intervenção em situações envolvendo agentes NRBQ (Nuclear & Radiológicos, Biológicos e Químicos) e o Hospital de Campanha. As VIC estão sedeadas em cada uma das quatro Delegações Regionais do INEM (Lisboa, Porto, Coimbra, e Faro) e podem ser accionadas a qualquer momento. Estas viaturas permitem a montagem de Postos Médicos Avançados, melhorando as condições em que as equipas dos

vários meios de socorro intervêm, permitindo a prestação de melhores cuidados de emergência

no local das ocorrências.

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As viaturas NRBQ dispõem dos equipamentos adequados à intervenção em situações envolvendo radioactividade, agentes biológicos ou agentes químicos.

O Hospital de Campanha garante ao INEM a capacidade de montar rapidamente uma estrutura

provisória de tipo hospitalar que permite receber, assistir e, se necessário, manter em regime de internamento, um número considerável de doentes. Constituído por vários módulos que

permitem dimensionar o Hospital de Campanha em função de necessidades específicas, além de várias enfermarias, dispõe de um Bloco Operatório e de uma Unidade de Cuidados Intensivos além de possuir capacidade para realização de várias análises e radiografias.

3. FASES DO SIEM

Tendo como base o símbolo da ‘Estrela da Vida’, a cada uma das suas hastes corresponde uma fase do SIEM.

a cada uma das suas hastes corresponde uma fase do SIEM. Capítulo 2. Figura 21 -

Capítulo 2. Figura 21 - Estrela da Vida com as diversas fases do SIEM

3.1. Detecção

Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais vítimas de doença súbita ou acidente.

3.2. Alerta

É a fase em que se contactam os serviços de emergência, utilizando o Número Europeu de

Emergência - 112.

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3.3. Pré-socorro

Conjunto de gestos simples que podem e devem ser efectuados até à chegada do socorro.

3.4. Socorro

Corresponde aos cuidados de emergência iniciais efectuados às vítimas de doença súbita ou

de acidente, com o objectivo de as estabilizar, diminuindo assim a morbilidade e a mortalidade.

3.5. Transporte

Consiste no transporte assistido da vítima numa ambulância com características, tripulação e

carga bem definidas, desde o local da ocorrência até à unidade de saúde adequada,

garantindo a continuação dos cuidados de emergência necessários.

3.6. Tratamento na Unidade de Saúde

Esta fase corresponde ao tratamento no serviço de saúde mais adequado ao estado clínico da

vítima. Em alguns casos excepcionais, pode ser necessária a intervenção inicial de um

estabelecimento de saúde onde são prestados cuidados imprescindíveis para a estabilização

da vítima, com o objectivo de garantir um transporte mais seguro para um hospital mais

diferenciado e/ou mais adequado à situação.

4. INTERVENIENTES NO SIEM

São intervenientes no sistema:

O público;

Operadores das Centrais de Emergência 112;

Operadores dos CODU;

Agentes da autoridade;

Bombeiros;

Tripulantes de ambulância;

Médicos e enfermeiros;

Pessoal técnico hospitalar;

Pessoal técnico de telecomunicações e de informática.

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5. ORGANIZAÇÃO DO SIEM

A capacidade de resposta adequada, eficaz e em tempo oportuno dos sistemas de emergência médica às situações de emergência é um pressuposto essencial para o funcionamento da cadeia de sobrevivência (Capítulo 4).

O INEM

O INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica é o organismo do Ministério da Saúde ao

qual cabe coordenar o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), no território de Portugal Continental, de forma a garantir às vítimas em situação de emergência, a pronta e correcta prestação de cuidados de saúde. A prestação de socorros no local da ocorrência, o transporte assistido das vítimas para o hospital adequado e a articulação entre os vários intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia, etc.), são as principais tarefas do INEM.

A organização da resposta à emergência, fundamental para a cadeia de sobrevivência,

simboliza-se pelo Número Europeu de Emergência - 112 e implica, a par do reconhecimento da situação e da concretização de um pedido de ajuda imediato, a existência de meios de comunicação e equipamentos necessários para uma capacidade de resposta pronta e adequada.

O INEM, através do Número Europeu de Emergência - 112, dispõe de vários meios para

responder com eficácia, a qualquer hora, a situações de emergência médica.

As chamadas de emergência efectuadas através do número 112 são atendidas em Centrais de Emergência da PSP/ GNR. Actualmente, no território de Portugal Continental, as chamadas que dizem respeito a situações de saúde são encaminhadas para os CODU do INEM em funcionamento no Lisboa, Porto, Coimbra, e Faro.

CODU

Compete aos CODU atender e avaliar no mais curto espaço de tempo, os pedidos de socorro recebidos, com o objectivo de determinar os recursos necessários e adequados a cada caso. O funcionamento dos CODU é assegurado em permanência por médicos e operadores de central, com formação específica para efectuar:

O atendimento e triagem dos pedidos de socorro;

O aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;

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A selecção e accionamento dos meios de socorro adequados;

O acompanhamento das equipas de socorro no terreno;

O contacto com as unidades de saúde, preparando a recepção hospitalar dos doentes.

Em caso de acidente ou doença súbita ligue, a qualquer hora, o 112. A sua colaboração é fundamental para permitir um rápido e eficaz socorro às vítimas pelo que é fundamental que faculte toda a informação que lhe seja solicitada.

Ao ligar o 112 deverá estar preparado para informar:

A localização exacta da ocorrência e pontos de referência do local, para facilitar a chegada dos meios de socorro;

O número de telefone de contacto;

O que aconteceu (ex. acidente, parto, falta de ar, dor no peito etc.);

O número de pessoas que precisa de ajuda;

A condição em que se encontra(m) a(s) vítima(s);

Se já foi feita alguma coisa (ex. controlo de hemorragia);

Qualquer outro dado que lhe seja solicitado (ex. se a vítima sofre de alguma doença ou se a(s) vítima(s) de um acidente está(ão) encarcerada(s)).

AO LIGAR 112, ESTEJA PREPARADO PARA RESPONDER A:

- ‘O Q?’

- ‘ONDE?’

- ‘COMO?’

- ‘QUEM?’

Siga sempre as instruções que lhe derem, pois estas constituem o pré-socorro e, muitas vezes, são fundamentais para ajudar a(s) vítima(s). Apenas desligue o telefone quando lhe for dito para o fazer e esteja preparado para ser contactado posteriormente para algum esclarecimento adicional.

Os CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de actuação no terreno, como sejam as Ambulâncias INEM, os Motociclos de Emergência, as VMER e os Helicópteros de Emergência Médica. Através da criteriosa utilização dos meios de telecomunicações ao seu dispor, têm capacidade para accionar os diferentes meios de socorro, apoiá-los durante a prestação de socorro no local da ocorrência e de acordo com as informações clínicas recebidas

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das

envolvida(s).

equipas

no

terreno,

seleccionar

e

preparar

a

recepção

hospitalar

da(s)

vítima(s)

AMBULÂNCIAS

As ambulâncias de socorro coordenadas pelos CODU estão localizadas em vários pontos do país, associadas às diversas delegações do INEM, sedeadas em Corpos de Bombeiros ou Delegações da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). A maior parte das Corporações de Bombeiros estabeleceu com o INEM protocolos para se constituírem como Postos de Emergência Médica (PEM) ou Postos Reserva. Muitas das Delegações da CVP são Postos Reserva.

As Ambulâncias dos Postos de Emergência Médica (PEM) são ambulâncias de socorro do INEM colocadas em corpos de Bombeiros, com os quais o INEM celebrou protocolos. Destinam-se à estabilização e ao transporte de doentes que necessitem de assistência durante o transporte e a sua tripulação e equipamento permitem a aplicação de medidas de Suporte Básico de Vida. A tripulação é constituída por dois elementos da corporação e, pelo menos um deles, deve estar habilitado com o Curso de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro). O outro tripulante, no mínimo, deve estar habilitado com o Curso de TAT (Tripulante de Ambulância de Transporte).

à

As

estabilização e transporte de doentes que necessitem de assistência durante o transporte,

permitindo a sua tripulação e equipamento, a aplicação de medidas de Suporte Básico de Vida

e Desfibrilhação Automática Externa. São tripuladas por 2 TAE do INEM, devidamente

habilitados com os Cursos de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro), Condução de Emergência e DAE (Desfibrilhação Automática Externa).

ambulâncias

Ambulâncias

SBV

do

INEM

são

de

socorro

igualmente

destinadas

As Ambulâncias SIV do INEM constituem um meio de socorro em que, além do descrito para as SBV, há possibilidade de administração de fármacos e realização de actos terapêuticos

invasivos, mediante protocolos aplicados sobre supervisão médica. São tripuladas por um TAE

e um Enfermeiro do INEM, devidamente habilitados. Actuam na dependência directa dos

CODU, e estão localizadas em unidades de saúde. Têm como principal objectivo a estabilização pré-hospitalar e o acompanhamento durante o

transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência.

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MOTAS

As Motas de Emergência, tripuladas por um TAE, graças à sua agilidade no meio do trânsito citadino, permitem a chegada mais rápida do primeiro socorro junto de quem dele necessita. Reside aqui a sua principal vantagem relativamente aos meios de socorro tradicionais. Naturalmente limitada em termos de material a deslocar, a carga da moto inclui Desfibrilhador Automático Externo, oxigénio, adjuvantes da via aérea e ventilação, equipamento para avaliação de sinais vitais e glicemia capilar, entre outros. Tudo isto permite ao TAE a adopção das medidas iniciais necessárias à estabilização da vítima até que estejam reunidas as condições ideais para o seu eventual transporte.

UMIPE

As Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE) são veículos de intervenção concebidos para transportar um psicólogo do INEM para junto de quem necessita de apoio psicológico, como por exemplo, sobreviventes de acidentes graves, menores não acompanhados ou familiares de vítimas de acidente ou doença súbita fatal. São conduzidas por um elemento com formação em condução de veículos de emergência. Actuam na dependência directa dos CODU, tendo por base as Delegações Regionais.

VMER

As Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) são veículos de intervenção pré- hospitalar, concebidos para o transporte de uma equipa médica ao local onde se encontra o doente. Com equipas constituídas por um médico e um enfermeiro, dispõem de equipamento para Suporte Avançado de Vida em situações do foro médico ou traumatológico.

Actuam na dependência directa dos CODU tendo uma base hospitalar, isto é, estão localizadas num hospital. Têm como principal objectivo a estabilização pré-hospitalar e o acompanhamento médico durante o transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência.

HELICÓPTEROS

Os Helicópteros de Emergência Médica do INEM são utilizados no transporte de doentes graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde. Estão equipados com material de Suporte Avançado de Vida sendo a tripulação composta por um médico, um enfermeiro e dois pilotos.

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Os CODU coordenam:

AMBULÂNCIAS DE SOCORRO DOS BOMBEIROS E DA CVP

AMBULÂNCIAS SBV E SIV DO INEM

MOTOCICLOS DE EMERGÊNCIA

UMIPE

VMER

HELICÓPTEROS

O INEM presta também orientação e apoio noutros campos da emergência tendo, para tal,

criado vários sub-sistemas:

CODU MAR

O Centro de Orientação de Doentes Urgentes Mar (CODU MAR) tem por missão prestar

aconselhamento médico a situações de emergência que se verifiquem em inscritos marítimos. Se necessário, o CODU MAR pode accionar a evacuação do doente e organizar o acolhimento em terra e posterior encaminhamento para o serviço hospitalar adequado.

CIAV

O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) é um centro médico de informação toxicológica.

Presta informações referentes ao diagnóstico, quadro clínico, toxicidade, terapêutica e

prognóstico da exposição a tóxicos em intoxicações agudas ou crónicas.

O CIAV presta um serviço nacional, cobrindo a totalidade do país. Tem disponíveis médicos

especializados 24 horas por dia, que atendem consultas de médicos, outros profissionais de saúde e do público em geral.

Em caso de intoxicação ligue:

CIAV 808 250 143

Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco

O Subsistema de Transporte de Recém-Nascidos de Alto Risco é um serviço de transporte

inter-hospitalar de emergência, permitindo o transporte de recém-nascidos em situação de

risco e bebés prematuros para hospitais com Unidades de Neonatologia e/ou determinadas especialidades ou valências.

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As ambulâncias deste Subsistema dispõem de um médico especialista, um enfermeiro e um TAE, estando dotadas com todos os equipamentos necessários para estabilizar e transportar o recém-nascido.

Este serviço funciona 24 horas por dia, durante todo o ano.

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CAPÍTULO 3 - EXAME DA VÍTIMA

OBJECTIVOS

No final desta unidade modular, os formandos deverão ser capazes de:

1. Listar e descrever as medidas gerais de segurança da tripulação e da vítima;

2. Listar e descrever os passos da realização do exame primário da vítima, utilizando a nomenclatura ABC;

3. Listar e descrever os passos para a realização do exame secundário sumário;

4. Identificar as situações de perda de conhecimento;

5. Identificar as situações de Paragem Cardio-Respiratória (PCR);

6. Listar e descrever os passos para a permeabilização da via aérea (sem recurso a técnicas invasivas).

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1. INTRODUÇÃO

O exame de uma vítima, seja qual for a sua origem (súbita ou traumática), compreende uma

avaliação primária que tem como objectivo identificar e corrigir situações que coloquem a vítima em perigo vida imediato, avaliação e registo dos sinais vitais e uma avaliação secundária onde situações que não colocam a vítima em perigo imediato de vida, podem porém agravar a sua situação clínica, se não forem prestados cuidados de emergência adequados.

Antes de qualquer procedimento relacionado com o exame da vítima, torna-se fundamental e prioritário garantir as condições de segurança ou seja, certificarmo-nos que não existe perigo para a equipa de socorro ou para a vítima.

Asseguradas as condições de segurança e garantindo que a nossa intervenção não vai resultar perigo para a vítima e/ou equipa de socorro, devemos então iniciar a avaliação da vítima, abordando-a, nunca esquecendo que uma situação detectada deve ser corrigida.

Podemos então concluir que o Exame da vítima compreende:

Verificar e garantir as condições de segurança;

Exame Primário - Identificar e corrigir as situações que coloquem a vítima em perigo imediato de vida;

Exame Secundário - Identificar e corrigir as situações que não colocam a vítima em perigo imediato de vida mas se não forem prestados cuidados de emergência adequados podem agravar a situação clínica;

Avaliação e registo dos parâmetros vitais.

2. EXAME PRIMÁRIO

O Exame Primário assenta numa nomenclatura internacional, o A B C D E, que deriva da

língua inglesa (A-airway, B-breathing, C-circulation, D-disability e E-exposure que significam, respectivamente, via aérea, ventilação, circulação, disfunção neurológica e exposição).

O objectivo do exame primário é identificar e corrigir situações que coloquem a vítima em

perigo imediato de vida, isto é, situações que comprometam as funções vitais.

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Nesta fase, o Tripulante de Ambulância deve efectuar um exame rápido e eficaz, sendo o mais objectivo possível, tentando não perder tempo e procurando alterações/lesões que possam comprometer as funções vitais levando-a a um perigo imediato de vida.

Para isso, o Tripulante de Ambulância deve:

Avaliar o estado de consciência;

Avaliar ventilação;

Detectar hemorragias externas graves;

Detectar sinais evidentes de hipovolémia;

2.1. Avaliação do Estado de Consciência:

1. Avaliar se a vítima se encontra consciente isto é, se responde quando estimulada. Para tal, abana-se suavemente nos ombros e pergunta-se em voz alta: ‘Está bem? Sente-se bem?’;

Está bem? Sente-se bem?
Está bem?
Sente-se bem?
AJUDA! Está aqui uma pessoa desmaiada!
AJUDA!
Está aqui uma pessoa
desmaiada!

Capítulo 3. Figura 22 - Avaliação do estado de consciência.

2. Perante uma vítima inconsciente deve de imediato e sem abandonar a vítima, gritar por ajuda pois é provável que necessite do auxílio de mais alguém;

3. Na ausência de resposta, a vítima é considerada inconsciente, correndo perigo de vida.

Em caso de acidente e numa situação desconhecida com vítima inconsciente, devemos suspeitar sempre que a vítima possa ter lesões crânio-encefálicas e/ou vértebro-medulares.

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2.2. Permeabilização da Via Aérea

A obstrução da via aérea por queda da própria língua (devido ao relaxamento muscular) ou pelo acumular de secreções, vómito, sangue ou mesmo por existência de objectos estranhos, tais como dentes, próteses dentárias, comida, etc., é uma situação muito grave que pode ocorrer nas vítimas inconscientes. Assim, a permeabilização da via aérea é fundamental.

Assim, a permeabilização da via aérea é fundamental. Capítulo 3. Figura 23 - Permeabilização da via
Assim, a permeabilização da via aérea é fundamental. Capítulo 3. Figura 23 - Permeabilização da via

Capítulo 3. Figura 23 - Permeabilização da via aérea.

2.3. Pesquisa de Ventilação Espontânea

Após ter efectuado a permeabilização da via aérea (Capítulo 3. Figura 23), o Tripulante de Ambulância deve iniciar a pesquisa de ventilação espontânea, aproximando a sua face da face da vítima, observando o tórax e mantendo a via aérea aberta, verificando se esta ventila.

Assim, durante 10 segundos, (Capítulo 3. Figura 24) deve:

VER - se existem movimentos torácicos;

OUVIR - se existem ruídos de saída de ar pela boca ou nariz da vítima;

SENTIR - o ar que sai da boca ou do nariz da vítima a bater na sua face.

que sai da boca ou do nariz da vítima a bater na sua face. Capítulo 3.

Capítulo 3. Figura 24 - Pesquisa de ventilação.

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Perante a ausência de ventilação, o Tripulante de Ambulância deve actuar de acordo com o algoritmo de Suporte Básico de Vida (SBV), como descrito no Capítulo 4.

2.5. Detecção de Hemorragias Externas Graves

Após ter verificado que a vítima respira normalmente, observe-a como um todo e procure a existência de hemorragias externas graves. As hemorragias externas graves são facilmente identificáveis. Uma hemorragia abundante vai colocar em risco a vida da vítima pelo que é fundamental proceder ao seu controlo de imediato.

2.6. Detecção de Sinais Sugestivos de Hipovolemia

A hipovolemia é a diminuição do volume sanguíneo em circulação. Tem várias causas mas é sempre uma situação grave que pode conduzir à morte. Além de eventuais sinais de hemorragia externa (que podem não existir), repare especialmente na face da vítima e procure sinais como:

Palidez;

Sudorese (suores);

Cianose (cor azulada / roxa).

Se estiverem presentes, suspeite de hipovolemia e aplique de imediato os cuidados de emergência com vista a controlar ou minimizar a situação.

2.7. Caracterização do Estado de Consciência

Para o Tripulante de Ambulância, recomenda-se a quantificação da resposta da vítima de acordo com a escala AVDS, em que:

A

Alerta;

V

Responde a estímulos Verbais;

D

Responde a estimulação Dolorosa;

S

Sem resposta.

Por exemplo, perante uma vítima que não reage à estimulação verbal (quando se fala com ela) mas esboça movimentos quando se belisca a pele, dizemos que ela apresenta um estado de consciência D na escala AVDS. Existem outras formas de avaliar o estado de consciência utilizadas por equipas médicas.

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