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Viianny 1

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Teresina, promotoria, 09/09/08, 06h49

Existem pessoas que são enigmáticas. Por mais que você olhe fundo em
seus olhos, nunca consegue descobrir com que humor estão naquele instante.
Já outras são mais que transparentes. Basta um olhar, até mesmo passageiro,
pra desvendar todas as órbitas de seus sentimentos. Anny costuma ser um
misto de tudo isso. Só consegue ser transparente aos olhos de quem a adora.
É uma forma de não se manter vulnerável diante de quem pode lhe fazer algum
mal, apesar dela saber exatamente em que grama está pisando.

Foi como se um tornado estivesse passando na recepção térrea da


promotoria. Tornado não no sentido agitado, mas no de afastar tudo que vem
pela frente, abrindo uma fenda até o elevador. Isso foi o que aconteceu quando
Anny e Poncho chegaram de mãos dadas ao prédio. Como já tinha certo
volume de indivíduos por lá, entre eles funcionários e adjacentes do Direito, à
medida que os noivos iam entrando, os outros iam se aglomerando em torno
deles e beirando as paredes da sala, criando um túnel. Os mais curiosos eram
os olhares, principalmente de quem já presenciara algum estranhamento entre
os atuais compromissados. E quem não iria se intrigar?

Quando adentraram o elevador, quase que de imediato começaram a


sorrir. Sabiam que provocariam grandes surpresas, mas a sensação foi ainda
mais inimaginável. Quando as portas se abriram, deram de cara com algumas
das secretárias. Janete já sabia de tudo, por isso nem se espantou, pelo
contrário, sorriu passando apoio e alegria pela atitude. Ada simplesmente ficou
atordoada. Dizia ter um dom para identificar possíveis pares perfeitos, mas
aparentemente não acertara dessa vez. Já Hilda estava chocada. Estava
formulando um plano pra aproximar Poncho de Cláudia e assim ganhar uma
gratificação. Agora o trabalho seria mais difícil, quiçá impossível…

Anahí: bom dia!

Todas: bom dia!

Alfonso: como estão?

Janete: eu estou ótima… — viu as outras sem reação — Acho que elas
também…

Anahí: o que tenho pra hoje, Jay?

Janete: audiência às 10h… reunião às 15h e vários ofícios pra assinar. Ah,
agora a pouco chegou um atestado pra Cláudia se ausentar por uns dias.

Anahí: ausentar por quê?


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Janete: aqui alega problemas de saúde… mas não diz quais são…

Julieta: se não tivesse vendo com meus próprios olhos não acreditaria… e
mesmo assim ainda tô duvidando… — disse ao entrar abismada na recepção
do andar

Anahí: algum problema? — se fazendo de inocente

Julieta: o que significa isso? — apontando pras mãos deles que ainda estavam
unidas

Anahí: ah, isso? — levantou as mãos juntas — Houve um acidente, nossas


mãos ficaram coladas e o médico disse que seria pro resto da vida. Então
resolvemos ficar juntos pro resto da vida, já que não queremos ter de dividir
uma cama com mais gente… deve ser muito desconfortável… — calma

Alfonso: por que não podemos estar juntos, Julieta?

Julieta: será que é porque se odiavam?

Anahí: acha mesmo que a gente se odiou?

Julieta: pedi uma resposta, não outra pergunta…

Anahí: Alfonso também, no entanto você falou em tom interrogativo, ou seja,


outra pergunta.

Julieta: com o Poncho eu me entendo. — séria

Anahí: eu também… nos entendemos tão bem que hoje estamos aqui noivos!
— começando a se irritar

Alfonso: (falando no ouvido de Anny) calma, amor! Isso é só o começo.

Hilda: noivos? — mais perplexa ainda

Julieta: quero ver só a cara da Cláudia…

Anahí: mas o que é isso afinal? Ela é o que pra ser a chave mestra? Ela se
acha superior a todas ou vocês que se colocam inferiores? Fala sério!

Dulce: bom dia, desocupados!

Anahí: oi, docinho!

Alfonso: bom dia, Dulce!

Dulce — provocando Julieta: e aí, dormiram bem ontem?


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Alfonso: muito bem… Dulce, sua amiga acabou comigo no shopping ontem…

Anahí: não exagera também, né?

Dulce: 69 ou 18?

Anahí: tá louca, garota! Lógico que é 18!

Alfonso: tão falando de mim, só que eu não tô entendendo nada…

Janete: são os códigos… — foi interrompida

Anahí: oh, Jay! São secretos, amore! (falando no ouvido de Poncho) Não se
preocupe! Não é nada de mais…

Alfonso: mas agora eu também quero saber!

Dulce: Deixa pra lá, Poncho!

Anahí: ih, já são mais de sete! Dul, vem comigo na minha sala! Tchau, amor!
— deu um selinho em Poncho e saiu com a amiga

Ada: mas tem alguma coisa errada…

Alfonso: o que?

Ada: não, esquece… — Poncho entrou em sua sala

Julieta: Hilda, vem comigo na minha sala… — elas saíram

Janete: eles já foram, agora conta!

Ada: realmente, quando olhei pra eles agora, senti uma energia bem forte…

Janete: e isso significa o que?

Ada: que eles se amam de verdade.

Janete: então qual o problema?

Ada: não sei direito… mas se não percebi isso antes… é porque tá
acontecendo antes do que deveria acontecer…

Janete: como se o rumo das coisas fosse alterado?

Ada: mais ou menos isso…

Janete: e o que acontece nesses casos?


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Ada: tudo pode acontecer… mas geralmente as energias entram em conflito.

Janete: por que?

Ada: porque não estavam tipo maduras uma para a outra. Só que não era pra
eu sentir tanta energia vindo deles…

Janete: é tanta energia que não tô entendendo mais nada!

Ada: a energia aumenta quando estão em um plano estável.

Janete: mas eles estão muito bem, não viu o jeito como tavam?

Ada: mas eles só tão no plano estável quando tão seguindo a linha natural das
coisas.

Janete: e eles não tão?

Ada: não! Ave Maria! Já expliquei isso! É como se eles estivessem vivendo um
amor que só deveria ser vivido mais tarde. Estão num plano instável. Só que
não era pra ter tanta energia daquele jeito. Tenho que estudar mais sobre isso!

Janete: e agora, tá sentindo alguma energia?

Ada: como adivinhou?

Janete: porque é teu celular que tá vibrando bem na tua bunda!

Teresina, sala de Anny, 09/09/08, 07h49

Anahí: essa viagem da Cláudia tá muito estranha…

Dulce: e o pior é que não se pode fazer mais nada… Ela já deve tá tramando
por aí sabe lá o que… — o telefone tocou

Anahí: sim, Jay… — colocou no viva-voz

Janete: Sr. Ferro na linha três.

Dulce: Sr. Ferro?

Anahí: é o Prego. Deve ter alguém na recepção.

Dulce: ah sim…

Anahí: obrigada, Jay. Fala, Prego.


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Prego: encomenda no ponto.

Anahí: certo. Lugar de sempre?

Prego: não. Na seguinte.

Anahí: direita ou esquerda?

Prego: direita.

Anahí: e qual é a da vez?

Prego: roubado.

Anahí: Dulce vai comigo.

Prego: beleza… é melhor com a cabeça de vela…

Dulce: eu ouvi!

Prego: nada que já não saiba. — Anny se acabou de rir

Dulce: cala a boca! Que horas?

Anahí: hoje não posso.

Prego: então tem que ser amanhã de manhã.

Anahí: certo. Que horas pra ti, Dul?

Dulce: às oito tá bom. Só tenho audiência às dez.

Anahí: então chegamos lá depois de oito.

Prego: certo. Até lá… — desligaram

Dulce: isso não vai acabar nunca!

Anahí: fica assim não, bombom… Eu tô dando o máximo de mim, você


também… Um dia chegamos lá!

Dulce: é, tá certa… — saiu da sala

Teresina, promotoria, 10/09/08, 07h50

Anahí: Jay, Dul e eu vamos sair um instantinho. Qualquer urgência me liga.


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Dulce: avisa pra Adinha, viu? Não tá aqui e não podemos esperar.

Janete: certo. Podem ir sossegadas.

Alfonso: vai sair, amor?

Anahí: vou… eu e Dul vamos resolver uns assuntos aí… Tchau, amor! — deu
um selinho molhado nele — Volto logo! — saíram

Alfonso: aonde elas vão, Jay?

Janete: não sei… — séria

Alfonso: certo… Olha, vou voltar em casa pra pegar uns documentos que
esqueci… Se Anny chegar antes de mim, diz que eu não vou demorar e que
vamos almoçar hoje aqui mesmo porque tô cheio de coisas pra fazer…

Janete: pode deixar… — ele saiu

Poncho foi seguir sua amada. Sabia que estava fazendo algo que ele
mesmo repudiava, só que não agüentava mais ficar nessa escuridão de idéias.
Precisava descobrir a verdade. Queria livrar Anny de algum perigo… isso se
ainda tivesse tempo… Pegou seu carro e foi vigiando-a de longe o bastante pra
não ser percebido. Observou que ela parara o carro no acostamento da orla do
Rio Poti. Ela e Dul saíram do carro e caminharam até um trailer. Ele não saiu
do carro, só o aproximou um pouco pra ver o que se passava.

Elas sentaram numa mesinha. Anny olhou sutilmente para os lados,


talvez pra observar a movimentação. Cruzou as pernas por baixo da mesa e
começou a tateá-la na região interna. Certamente procurava algo. Foram só
alguns segundos até levantar sua mão fechada rapidamente e guardar na
bolsa alguma coisa que pegara. Em seguida, pegou um embrulho minúsculo no
bolso do blazer, colocou a mão embaixo da mesa e aparentemente aderiu o
objeto ao móvel. Dulce sempre vigiando a vizinhança. Tomaram uma água de
coco, pra não levantar suspeitas e voltaram pro carro. Quase que
instantaneamente um homem que estava lanchando ao lado se levantou e
ocupou a mesa delas. Pegou a peça em questão sob a mesa, guardou-a e saiu
caminhando. Só então que Anny e Dulce foram embora.

Cancún, restaurante, 10/09/09, 08h28

X: até que enfim, hein?

Y: me desculpe, senhorita! Meu vôo atrasou.

X: certo. Espero que tenha dado tempo de descobrir alguma coisa…


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Y: só algumas.

X: então fala ora!

Y: nome: Marichelo Portillo. Idade: 54 anos. Morena, olhos verdes, estatura


mediana, nem gorda nem magra… — foi interrompido

X: pula essa parte. Que mais? O que ela faz regularmente?

Y: compras e caminhadas.

X: caminhadas… pra onde vai? Quando vai?

Y: ela alterna os parques por segurança. Sai geralmente às 17h.

X: alterna é? — pensou um pouco — Já sei o que vou fazer…

Y: seja o que for, digo logo que ela sempre anda com dez seguranças, três
fardados e sete disfarçados, e uma personal trainer.

X: bom, muito bom… Que mais?

Y: só isso.

X: como só isso?

Y: só tive um dia e ainda tive que vir pra cá, pra te encontrar nesse restaurante
em Cancún…

X: não quero que nos vejam juntos por lá…

Y: e por que tão cedo assim?

X: não te interessa… Agora volta pra capital que hoje começamos tudo…

Y: começamos? Sou investigador profissional, não capacho!

X: pago o dobro.

Y: a que horas?

X: nos encontramos lá pelas 16h. Eu te telefono.

Y: até mais… — saiu apressado

X: idiota…
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Teresina, promotoria, 10/09/08, 12h51

Anahí: é tão bom estar assim… — eles estavam deitados num sofá na sala
dela, sendo ela sobre ele

Alfonso: também acho… te amo!

Anahí: eu que te amo!

Alfonso: só que eu também te amo!

Anahí: isso eu já sei. O que mais importa agora é que eu te amo.

Alfonso: engano seu… homens são mais insensíveis… por isso eu dizer que
te amo é mais importante… e único, viu?

Anahí: mentira! Vagner sempre me diz que me ama!

Alfonso: eu disse homem, não pantera cor-de-rosa…

Dulce: oi, amor! Que bom que me ligou! Tava mesmo querendo ouvir tua voz…

Chris: Dulce Maria romântica? O que houve?

Dulce: que coisa! Não posso ser carinhosa um dia com meu ursinho?

Chris: claro que pode! E eu aprovo! Liguei porque tô com umas idéias na
cabeça.

Dulce: fala!

Chris: Anny e Poncho vão viajar pra Luís Correia…

Dulce: isso mesmo.

Chris: que tal a gente ir também?

Anahí: não fala mal do Vagner! — rindo, até que seu celular tocou

Celular: ¡Préstame atención! Yo te lo pido, que va hablarte un corazón. Llevo


una ilusión, que me persigue y que me alcanza como un sereno amor eterno.
Sólo Dios sabe cuánto soy capaz de darte. Sólo Dios sabe que así nadie puede
amarte.

Alfonso: atende, Anny!


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Anahí: não! Deixa tocar mais um pouquinho… Adoro essa música!

Celular: ¿Quién diría que daría mi vida por ti? ¡No me dejes así! ¿Quién diría
que no puedo estar sin tu amor? Que yo te sueño, que de verás siento que te
voy a amar el resto de mis días, así…

Alfonso: a pessoa vai desistir, amor!

Anahí: deixa eu ver quem é… Ah! É a May! Pode deixar que essa não
desiste…

Celular: Cada amanecer siempre termino consolando el corazón. Porque


despertar es una batalla siempre perdida noche tras noche por tu ausencia.
Sólo Dios sabe cuánto sueño con tenerte. Sólo Dios sabe que me calmo sólo al
verte.

Alfonso: ele viajou nessa letra, viu? Agora sei de onde tira as lorotas que anda
falando às vezes…

Anahí: cala a boca que eu tô escutando!

Celular: ¿Quién diría que daría mi vida por ti? ¡No me dejes así! ¿Quién diría
que no puedo estar sin tu amor? Que yo te sueño, que de verás siento que te
voy a amar el resto de mis días, así… [¿Quién diría? – Luis Fonsi e Olga
Tañón]

Alfonso: agora atende, vai! — quase implorando

Dulce: não posso, Chris! Tenho que tomar de conta de tudo aqui! — já séria

Chris: a gente vai sábado e volta domingo mesmo! Não vai te atrapalhar em
nada!

Dulce: eu já disse! Não dá, Chris…

Chris: por que? Só me responde isso…

Dulce: já disse a resposta. Tu que não quer aceitar. — bem fria

Chris: o que tá acontecendo? Atendeu toda alegre e agora tá aí falando à


forca!

Dulce: não tá acontecendo nada… — segurando o choro

Chris: lógico que tá acontecendo. Me diz, quem sabe… — foi interrompido


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Dulce — gritando: não tá acontecendo nada! — bateu o telefone

Anahí: alô, Mayzinha!

Mayté: Anny do céu! Que história é essa de noivado?

Anahí: noivado? — olhou pra Poncho

Alfonso: ih, tô vendo que vai rolar fofoca… Vou pra minha sala. Depois eu
volto! — deu um beijo na testa dela e saiu — Falando em telefone, faz tempo
que não falo com Oscar… Vou aproveitar e ligar pra ele… — entrou na sua
sala

Mayté: eu vi no jornal e na televisão.

Anahí: jornal? Televisão? — espantada

Mayté: é! Agora me conta!

Anahí: lembra aquele dia que sai do shopping apressada pra encontrar uma
pessoa na promotoria?

Mayté: no dia do tapete? Que perdeu por sinal… — segurando o riso

Anahí: pois é… naquele dia eu ia encontrar com ele…

Mayté: aí vocês já foram se pegando à primeira vista?

Alfonso: e aí, Oscar! — trancou a porta da sala

Oscar: Poncho! Tava mesmo querendo falar contigo… Mamãe me falou da


Anny…

Alfonso: e aí? O que achou?

Oscar: cara, ela é linda! E muito sexy… Na cama deve acabar com qualquer
um… — rindo

Alfonso: mais respeito com minha noiva! — fingindo estar bravo

Oscar: é séria essa história de noivado?

Alfonso: com certeza!


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Oscar: mas nunca te vi tão apressado assim com uma mulher… mulher atrás
de ti aí é o que não deve faltar… O que tá acontecendo?

Dulce — atendendo o celular: desculpa, Chris… Eu tô muito nervosa…

Chris: juro que não te entendo, Dul! Não dá pra confiar em mim?

Dulce: tenho medo, muito medo… Medo por nós, medo por mim, por ti…

Chris: medo de que? De quem?

Dulce: de mim… E não me pergunta mais nada, por favor! — limpando


algumas lágrimas

Chris: tá certo. Só que se for querer que continuemos juntos, vai ter que me
contar o que tá acontecendo…

Dulce: isso é um aviso? Ou uma tentativa de me intimidar?

Chris: não, só que acho que um namoro sem confiança não tem futuro…

Dulce: namora comigo ou com meus pensamentos?

Anahí: não exatamente… alguns dias depois… aí sim…

Mayté: quando li sobre essa história pensei que era mentira. Como pode Anahí
Giovanna Puente Portillo noiva?

Anahí: nem eu acredito. — rindo

Mayté: Riva disse que achou vocês lindos juntos…

Anahí: lá vem o mão-mole…

Mayté: oh, Anny! Ele é meu amigo! É gente boa, é porque tu nunca quis sair
com a gente!

Anahí: não, muito obrigada! De pink basta o Vagner…

Mayté: quando vai entregar os convites do casamento?

Alfonso: de verdade, amo muito aquela mulher, mas tem outra coisa sim.
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Oscar: o que?

Alfonso: ela tá metida em alguma coisa bem grave…

Oscar: e o que é?

Alfonso: não sei…

Oscar: e o que vai fazer?

Alfonso: ainda não sei direito, só tô tentando descobrir…

Oscar: Poncho, essa história de noivado é só pra vigiar ela?

Chris: lógico que contigo! Mas se for ficar me escondendo coisas e mais coisas
não vai dar certo…

Dulce: o fato de sermos namorados não garante que temos que dividir até
focos de pensamentos…

Chris: não garante, mas é uma questão de confiança.

Dulce: isso não é questão de confiança! Eu tenho que ter um espaço só pra
mim… assim como eu também te dou um espaço… Se não der certo não é
porque não te conto coisas só minhas, mas porque tu insiste em se meter
aonde não é bem vindo! — perdendo a paciência

Chris: é isso o que pensa?

Dulce: o que eu penso, o que outras mulheres pensam, o que homens também
pensam…

Chris: só que eu não penso assim.

Dulce: sinto muito… O que pensaria se chegasse no teu consultório e quisesse


me meter na forma como trata teus pacientes?

Anahí: convites?

Mayté: é! Riva disse até que vai fazer a cobertura do casamento…

Anahí: por isso que não gosto de biba jornalista… se é que ele é mesmo
jornalista…

Mayté: claro que é, Anny! Então não tem casamento?


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Anahí: por enquanto não, coração…

Mayté: quando viaja?

Anahí: amanhã de tarde. Vou voltar domingo porque Alfonso vai ser executado
na segunda.

Mayté: executado? — assustada

Anahí — se acabando de rir: é! Contratei um pistoleiro que vai fazer o


serviço…

Alfonso: claro que não, né! Realmente eu quero ficar mais perto dela, mas pra
protegê-la…

Oscar: de que?

Alfonso: não sei! Eu tô tentando descobrir… Quero ajudá-la a se livrar do que


for… Não quero que nada de mal lhe aconteça! Entende?

Oscar: entendo. Mas cuidado pra não acabar se machucando nessa história.
Não sabe no que tá se metendo… vai com calma…

Alfonso: certo. Eu tenho medo por ela, não por mim… Se pudesse a levava
pra longe disso tudo, só que essa não é a solução correta.

Oscar: por que não?

Alfonso: tá me sugerindo isso?

Oscar: só digo que tem que ver todas as possibilidades…

Alfonso: mas e se não for nada errado, ilícito, ilegal, mas pelo contrário? E se
ela tiver ajudando algo, alguém?

Chris: uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.

Dulce: isso porque não te convém. Mas e se eu chegasse na tua roda de


amigos e quisesse saber o que tavam conversando? Sobre que peituda tavam
tricotando?

Chris: e o que isso tem a ver?

Dulce: responde, Chris!


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Chris: isso não vem ao caso.

Dulce: claro que vem! Responde! Falaria sobre a mulher que estaria nas
mentes brilhantes de vocês?

Chris: ah… então tem homem na história? — irritado

Dulce: claro que tem!

Mayté: não brinca com uma coisa dessas, Anny!

Anahí — não se agüentando de rir: adoro conversar contigo, May!

Mayté: claro, fica rindo da minha cara… Tô me sentindo o pontinho rosa da


piada…

Anahí — ainda rindo: oh, meu amor! Fica assim não! Só não vou no teu apê
hoje porque o Alfonso tá lá em casa.

Mayté: vai me trocar por uma sessão de free sex?

Anahí: tem dúvida?

Mayté: eu quero conhecer ele… é muito gato? Riva tava dizendo que é…

Anahí: Mayté, repete esse nome de novo que eu não te convido pro meu
casamento!

Mayté: então vai ter casamento?

Oscar: pensando assim… é melhor mesmo investigar…

Alfonso: que é o que eu tô fazendo.

Oscar: e já descobriu algo?

Alfonso: nada concreto. Só que ela sai com Dulce, uma amiga dela, pra trocar
algumas coisas com homens suspeitos… que ela sabe muito de armas… que
tá envolvida de alguma forma com um criminoso chamado Tony Monford…

Oscar: nossa! É de se suspeitar mesmo…

Alfonso: muito estranho…


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Oscar: já tentou conversar com ela sobre isso? Ela tem cúmplices ou algo do
tipo?

Alfonso: com ela nem pensar… não quero que desconfie… de cúmplices tem
a Dulce, Janete, que é a secretária dela…

Oscar: ela tem antipatia por alguém na promotoria?

Chris: o que?

Dulce: claro que tem homem! Tu é o que por acaso?

Chris — aliviado: falo de outros homens…

Dulce: acha que eu seria capaz? — ele ficou calado — Responde, Chris! — ele
não respondeu, então ela bateu o telefone de novo na cara dele

Anahí: não, May! Tô me sentindo a Raven, contigo sendo a Chelsea do


seriado…

Mayté: foi mal… Mas então, quando vou conhecê-lo?

Anahí: olha, amanhã tenho que ir numas lojas pra experimentar umas roupas
pra viagem. Vou tentar arrastar o Alfonso pra ir comigo. Se quiser ir também…

Mayté: fechado! — animada — Que horas?

Anahí: às 8h. Já sabe como demoro em compras…

Mayté: mas essa hora as melhores boutiques do shopping ainda não tão
abertas.

Anahí: amorzinho, só recapitulando… você tá falando com Anahí Giovanna…


acha que eles vão recusar um pedido meu sendo que isso significa uma venda
na certa?

Mayté: infeliz comentário… eu admito! Nos encontramos lá então, né? Muitos


beijos! Te amo, migona! Até amanhã!

Anahí: Tchau, May… Também te amo… Beijos! — desligaram

Alfonso: por várias pessoas… e a recíproca é verdadeira.


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Oscar: e essas pessoas não notam nada diferente nela? Algo suspeito?

Alfonso: já conversei com algumas dessas pessoas… me mandaram abrir o


olho com ela… só que isso é meio relativo. Se elas se odeiam, lógico que iam
falar mal uma da outra… em quem acreditar afinal? Eu tanto acreditar na Anny,
mas sem desconsiderar o outro lado… investigo pra ver qual a verdade por trás
disso tudo.

Oscar: já chegou a alguma verdade?

Alfonso: acho que sim…

Oscar: como acha que sim? Nunca pensei em dizer isso, mas seja homem,
Poncho! Seja lá o que for, não se engane! Isso só piora as coisas…

Alfonso: tem razão. Tenho que admitir pra mim mesmo o que sou, o que
penso…

Oscar: e então? Qual é essa verdade?

Alfonso: eu a amo acima de tudo…

Chris — ligou novamente pra ela: atende, Dul! — ela demorou, mas atendeu
— Lógico que não seria capaz de me trair! Desculpa ter duvidado…

Dulce: acha mesmo que merece esse pedido de desculpas?

Chris: na verdade, não… Mas eu tô arrependido de ter duvidado de ti… de


coração…

Dulce — respirou fundo: tá bem… — disse sem vontade — O que vai


acontecer agora com a gente?

Chris: não vai acontecer nada… vamos continuar do jeito que estávamos…
esquece essa ligação! Finge que ainda nem nos falamos hoje. Mais tarde te
ligo. Te amo, minha ruivinha… Beijos, muitos beijos…

Dulce: tá… tchau, Chris… — desligaram — Será mesmo que vamos continuar
como antes? — triste

Chris: ai, minha Dulce! Sei que ainda vamos brigar muito, mas prefiro continuar
do seu lado enquanto ainda conseguir…

Oscar: então, brother, não a deixe escapar…


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Alfonso: eu já tenho consciência disso.

Oscar: e ela? Te ama também?

Alfonso: ela fala, mas pra mim o mais importante é que eu sinto que sim.

Oscar: eita situação complicada! Mas o que é melhor: não ter um amor e ser
tranqüilo ou ter um amor e não ser tranqüilo?

Alfonso: não seria ser tranqüilo, mas estar tranqüilo. Quando estamos juntos,
paz é algo que sinto à flor da pele…

Oscar: então amarra ela na tua cintura! — os dois riram

Alfonso: vou pensar no caso. Agora tenho que desligar… vou curtir os últimos
minutos que tenho de folga com a minha adorada. Tchau, Oscar! Se cuida…

Oscar: digo a mesma coisa… Pensa direito em tudo que for fazer… Vou estar
sempre aqui, viu? Pode ligar qualquer hora… Tchau! — desligaram

Cidade do México, parquinho, 10/09/08, 17h23

Marichelo: Nanda, não agüento mais!

Fernanda: só mais vinte flexões e acabamos.

Marichelo: vinte? Minha cara, eu quero ficar linda pra viver, não pra morrer!

Fernanda: dez e não se fala mais no assunto.

Marichelo: cinco e te apresento meu sobrinho gato…

Fernanda: fechado! Agora vamos…

Com muita reclamação e impaciência, Mari fez as tais cinco flexões.


Estava tão cansada que nem se deu ao trabalho de se levantar. Só se jogou no
chão, esperando a respiração se acalmar. Com muito custo, Fernanda a
levantou para irem comprar água. Eram de verdade muito amigas. A personal a
tratava como sua mãe e recebia o mesmo afeto em troca. Contava-lhe seus
segredos, pedia conselhos, compartilhavam vitórias e derrotas… A mãe de
Anny tinha um coração enorme e encontrava em Fernanda a filha que não
tinha por perto.

Fernanda: mas e aí? Cumpri minha parte do trato, agora quero só ver a sua…

Marichelo: não quebro meus acordos. Aliás, ele deve tá lá em casa agora.
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Fernanda: então vamos voltar! — animada

Marichelo: não, essa hora ele deve tá mamando… — começou a rir

Fernanda: quê? Me enganou, né? Deixa chegar a próxima sessão…

Marichelo: não vai judiar dessa pobre velha, vai? — fazendo drama

Fernanda: ah, agora é pobre velha? Vou te mostrar quem é a pobre velha!

Elas conversavam animadamente quando, de repente, ouviram um


choro ali por perto. Era uma mulher que estava aos prantos num dos bancos. A
aparência não era de alguém desfavorecido economicamente. Pelo contrário,
vestia roupas até elegantes e estava bem maquiada e penteada. Talvez
fossem problemas familiares.

Fernanda: vamos lá falar com ela?

Marichelo: nem pensar! Vai que ela tá com um canivete e me fura bem no
lugar da última lipo? Ainda não tô totalmente recuperada!

Fernanda: olha! Perece que aquela mulher tá indo lá!

Marichelo: tomara que ela não tenha feito uma lipo! — ficou apreensiva

Realmente uma senhora se aproximou da mulher em questão. Sentou-


se ao seu lado e lhe ofereceu apoio. Ela aparentemente deu alguma desculpa
e se retirou.

X: droga! Não foi dessa vez! Mas amanhã eu volto! — entrou apressada no
carro e partiu

Marichelo: mulher esquisita… oferecem ajuda e ela vai é embora… Muito


estranho! Vamos embora?

Fernanda: claro…

Marichelo: hoje a Grace vai me matar por tua culpa!

Fernanda: minha culpa?

Marichelo: é! Meu cabelo tá encharcado de suor… Que nojo!

Fernanda: não tenho culpa de teus poros se abrirem mais hoje… — rindo

Teresina, shopping, 11/09/08/ 08h03


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Alfonso: não sei ainda como me convenceu a vir aqui…

Anahí: já se esqueceu da noite de ontem? — fazendo voz de bebê e bico

Alfonso: ah é… foi por isso…

Anahí: oh, meu amor! Temos que comprar roupas a caráter pras festas dessa
viagem… Vem, May deve tá procurando a gente. Olha lá ela! — caminharam
até uma vitrine — Oi, Mayzinha! — sorrindo

Mayté: esse é o gatão? — impressionada

Alfonso — sem graça: prazer, May…

Mayté: não sabe o quanto… — ainda nas nuvens encarando Poncho

Anahí: estamos perdendo tempo! Vamos! — entraram numa loja — Oi, Carla!

Carla: tava te esperando… Já separei até alguns modelos exclusivos que acho
ser do teu estilo.

Anahí: ótimo! Vamos ver então… Alfonso, fica aqui esperando…

Alfonso: ficar aqui esperando? Só me faltava essa… — indignado

Anny nem ligou pras reclamações dele. Entrou com Mayté e a


vendedora em uma sala cheia de espelhos, própria pra experimentar roupas.
Poncho ficou na primeira sala, uma espécie de recepção. Sentado, olhava pra
todos os lados e só via quadros e manequins vestidos de forma bem
requintada. Ao seu lado tinha uma almofada em forma de poodle. Pegou-o e
ficou encarando-o.

Alfonso: é, só sobrou a gente… — colocou o bichinho ao seu lado e ficou


passando a mão em seus pêlos macios

Anny vestiu vários modelos, das cores mais variadas possíveis.

Mayté: não tá muito simples pra black tie, Anny?

Anahí: Simples até demais… só que não é black tie, May… Carla, pega
alguma coisa pra eu prender meu cabelo?

Carla: claro! — saiu da sala

Anahí — falando baixinho: cala a boca, May! É black tie, só que eu pedi
mammy pra escolher um e mandar pra mim…

Mayté: ah sim… Vai arrasar, hein?


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Anahí: lógico! Eu e meu gatão vamos arrasar… Também pedi um smoking pro
Alfonso… — rindo

Mayté: e o que vai comprar então?

Anahí: ora! Tem mais festas além da principal… E também vamos sair pra
outros lugares…

Mayté: não perde tempo, hein? — Carla voltou

Carla: esse serve?

Anahí: acho que sim… — prendeu os cabelos

Mayté: já decidiu, Anny?

Anahí: vou levar esse branco e esse colorido. — se trocou e foi encontrar
Poncho — Voltei, amor!

Alfonso: eu devo tá sonhando…

Anahí: só mais um instantinho e vamos…

Entraram em mais de dez lojas no total. Sempre Anny comprava alguma


coisa. Obrigou inclusive Poncho a comprar várias pra ele, de roupas básicas a
ternos. Ainda fez questão de escolher pessoalmente as gravatas que
combinavam com cada conjunto. Ele aceitou todos os pedidos, até porque não
tinha como negar devido à insistência firme de sua noiva, exceto uma regata
Pink que ela gostara. Ali ultrapassava o limite. Só que Anny gostou tanto da
peça que resolveu comprar pra ela mesma.

Alfonso: Anny, não tô acreditando numa coisa dessas…

Anahí: que foi? Se Victoria Beckham pode usar um jeans folgado, rasgado e
velho do David, por que eu não posso comprar uma regata pra mim?

Alfonso: tá bom! Compra logo essa coisa e vamos embora…

Mayté: é, Anny! Eu tenho que voltar logo pra casa.

Anahí: certo. Saindo daqui vamos pra promotoria acertar últimos detalhes e
vamos pra casa arrumar malas e descansar pra pôr os pneus na estrada.

Mayté: nesse caso eu já vou indo. Boa viagem pra vocês! — abraçou os dois
— Curtam muito essa lua-de-mel antecipada! E não exagerem, tá, amores? —
foi embora
Viianny 21

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Teresina, promotoria, 11/09/08, 11h22

Julieta: Poncho, é rapidinho! É que tô precisando seriamente da tua opinião…


Se não quiser ir até minha sala por causa da tua noiva a gente conversa na
recepção, na frente da secretária dela inclusive!

Alfonso: não é isso, Julieta! È que eu tenho algumas coisas pra resolver antes
de viajar!

Julieta: aposto que não são tão importantes quanto um caso aparentemente
sem solução…

Alfonso: caso sem solução?

Julieta: (pensando) sabia que assim ia me dar atenção… se bem que é


verdade mesmo… (falando) Na recepção, vem? — quase implorando

Alfonso: tá! Vamos lá.

Julieta: é isso… — mostrou a ele um papel que acabara de pegar em sua sala

Alfonso: mas o que é isso?

Julieta: foi a única mensagem que conseguiram recuperar de uma velha


câmera de segurança, antes de ser derrubada do teto. Houve uma denúncia
anônima de civis. A polícia foi no local e encontrou somente um cômodo
abandonado, mas com manchas de sangue antigas. Um nome foi citado pelo
denunciante, mas sem esclarecer de fato qual o motivo da denúncia. A
população local nega tal fato.

Alfonso — lendo alto com cara de intrigado: “Prefere morrer de ciúme ou


engolir lágrimas?” — Anny apareceu

Anahí: Alfonso, já terminei. O que tá fazendo? — ficou do lado dele e sem


querer leu o papel — Eita que esse aí tá lascado… escolher entre uma Gamo
Compact e uma Taurus .38 Special não é mole não… — falou sem querer, se
tocando logo em seguida

Alfonso: como é que sabe disso? — espantado

Anahí — despistando: trabalho com isso Alfonso… até demais por sinal…

Alfonso: então são códigos?

Anahí: (pensando) oh, burrada, Anahí Giovanna! Agora vai ter que explicar e
enrolar pra não deixar dúvida… (falando) São.

Alfonso: tem certeza?


Viianny 22

♥ Sólo déjate
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Anahí: (pensando) será que eu devo negar? Não. Tá muito na cara… Depois
ele ia descobrir alguma coisa e só ia sobrar pra mim… (falando) Absoluta.
Como eu disse, trabalho muito com isso.

Alfonso: e como sabe que significam esses modelos?

Anahí: porque fui eu que decifrei. O assassino quis brincar comigo, me


mandando mensagens desse tipo, me subestimando. Quando viu que era
presa fácil na minha mão, forjou a própria morte e o caso foi arquivado. Eu falo
forjou porque não acredito que esteja morto, só que não tive mais notícias dele,
então não tive como provar minha tese. (pensando) Será que ele acreditou
nisso? Tomara!

Alfonso: e como decifrou?

Anahí: segredo de justiça.

Alfonso: vem cá? — arrastou ela pra sala dele — Julieta não tá mais aqui,
agora fala…

Anahí: simples. Gamo Compact é uma arma de competição, quer competição


maior do que a provocada pelo ciúme? Taurus é uma arma de caça. Pros
assassinos, a vítima é uma caça, que deve derramar bastantes lágrimas assim
como um touro derrama sangue.

Alfonso: nossa… — admirado — E como chegou a isso?

Anahí: isso sim encare como uma espécie de segredo de justiça… — piscou
pra ele — Já arrumou tudo por aqui?

Alfonso: não, ainda faltam alguns documentos.

Anahí: então eu vou indo na frente. — se beijaram e logo ela saiu

Alfonso: se é segredo de justiça, provavelmente não deve tá arquivado como


disse… Mas ela é muito esperta… não deixaria essa informação passar
assim… A não ser que queira que eu saiba de alguma coisa…

Teresina, apartamento de Anny, 11/09/08, 14h42

Anahí: vamos em qual carro?

Alfonso: no meu. Qual é a distância?

Anahí: são mais ou menos 350 km, por quê?


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Alfonso: tô meio cansado, fui dormir tarde ontem.

Anahí: então deixa que eu dirijo. Adoro dirigir! — animada

Alfonso: tá certo… — arrumaram a bagagem no carro de Poncho — Falta o


que?

Anahí: só chegar à praia. Vamos que tô com pressa!

Alfonso: baixa a bola, apressadinha… nada de correr muito… Vou ficar


vigiando o velocímetro.

Saíram no carro de Poncho beirando as 15h. No primeiro posto fiscal


que passaram, tava ocorrendo uma blitz de fiscalização.

Anahí: logo hoje! — um policial federal se aproximou e pediu os documentos


de Anny e do carro

Policial 1: esse carro não é da senhora.

Alfonso: não. É meu. — Poncho deu seus documentos

Outro policial de longe viu aquela loira no volante e logo reconheceu que
era Anny. Na mesma hora foi até o carro.

Policial 2: vai viajar, Anny?

Anahí: oi, Evandro! Vou viajar sim… mas e aí, tudo bem? Como vai a pequena
Gaby?

Evandro: muito bem… só chora a noite toda, mas isso a gente releva…

Anahí: Evandro, esse aqui é o Alfonso, meu noivo.

Alfonso: oi, Evandro. — se cumprimentaram com um aperto de mãos

Evandro: noivo? Conta outra… — rindo — Augusto, devolva os documentos


deles.

Augusto: sim, senhor! — devolveu os documentos e saiu

Evandro: desculpe, gente! É novo aqui…

Anahí: tem nada não… ele tava só fazendo o trabalho dele…

Evandro: boa viagem!

Alfonso: obrigado. — saíram no carro


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♥ Sólo déjate
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Evandro: Augusto, se toca, cara! Eles são federais também! Não reconheceu a
Anny? — bravo

Augusto: eu não reconheci, senhor! Mas eu não tive a intenção… — foi


interrompido

Evandro: ah, me poupe! — saiu zangado

Anahí: tá com sono, amor?

Alfonso: um pouco…

Anahí: então deita o banco e dorme um pouco…

Alfonso: posso mesmo?

Anahí: lógico! Descansa aí à vontade que eu cuido da viagem sem


problemas…

Alfonso: brigado… — se ajeitou e logo dormiu

Anahí: tava com sono mesmo… melhor pra mim… — começou a acelerar o
carro — Agora sim… ninguém segura Anahí Giovanna!

Ficou dirigindo com média de 130 km/h. Conhecia todos os riscos da alta
velocidade, mas mesmo assim não deixava de praticá-la, até porque tinha uma
capacidade motora muito aguçada e sabia lidar com situações usando um
elevado grau de racionalidade. A cada nova cidade, reduzia a velocidade.
Numa dessas ocasiões, avistou uma propaganda enorme de uma padaria.
Quando viu aquele enorme pedaço de bolo de chocolate no anúncio, parou na
mesma hora. Estacionou o carro e tentou acordar Poncho pra ver se também
queria comer alguma coisa.

Anahí: amorzinho? — mexendo nele

Alfonso: que foi? — falando dormindo

Anahí: quer lanchar?

Alfonso: amanhã…

Anahí: tá bom…

Anny saiu do carro e foi comprar seu lanche. Fartou-se com dois
enormes pedaços de torta de chocolate e refrigerante light, logicamente. Tava
se sentindo uma criança ganhando um presente. Pro resto da viagem, ainda
comprou vários docinhos e salgadinhos. De volta ao carro, notou que Poncho
nem mesmo se mexeu enquanto se ausentara. De olho na estrada, recomeçou
a correr com o veículo. Só mais cem quilômetros pra chegar ao destino final.
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♥ Sólo déjate
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Mas Anny não contava com um pequeno imprevisto. Saciou-se por completo
com o tal lanche que nem se tocou que uma hora ou outra ia ficar com vontade
de ir ao banheiro.

Anahí: ah, não! É só o que me faltava! Calma aí, bexiguinha linda… espera só
mais meia horinha vai…

Quanto mais era dirigia, mais ficava impaciente. Chegou a dirigir a


160km/h, mas nada da cidade chegar. Não tava mais agüentando aquilo. Seu
ventre já estava duro e dolorido de tão cheia que estava sua bexiga. Tinha que
manter as pernas bem juntinhas pra não cometer uma besteira ali mesmo.

Anahí: sabe de uma coisa… — estacionou o carro — Eu é que não vou ficar
aqui nesse aperreio… Quase não passa carro mesmo…

Simplesmente ela saiu do carro e foi esvaziar sua bexiga atrás de um


arbusto escondido. Depois de tudo, ficou mais que aliviada. Enquanto se dirigia
ao carro, imaginava a cena dela contando isso pra Dulce. E certamente ia fazê-
lo. Compartilhavam até os vexames. Seria uma eternidade de gozações, mas
não se importava. Tinham um pacto sólido de amizade, tanto que se sentiam
na obrigação de confessar todas as experiências vividas. Retornando ao
trajeto, chegaram a Luís Correia em menos de 3h. A casa de Anny era em
Parnaíba, cidade colada a Luís Correia. Só que ela queria ir primeiro ver o seu
adorado mar, mais bonito nessa cidade do que na vizinha, pensava.

Anahí: Alfonso! Alfonso, meu amor! Acorda… — aos poucos ele foi
despertando

Alfonso: chegamos?

Anahí: já! Vem! Vamos andar pela praia…

Alfonso: praia? — olhou em sua volta e viu o mar — Que horas são?

Anahí: são 17h41…

Alfonso: menina levada! — sorrindo — Correu muito, né?

Anahí: eu tinha quer ver o mar ainda de dia… Vem! Antes que escureça…

Eles saíram do carro e ficaram sentados na areia, olhando pro mar.


Anny tinha paixão assumida por aquela imensidão. Certamente porque isso a
lembrava sua infância pelas praias de Cancún. Podia ficar o dia inteiro mirando
o encontro do céu com as águas no horizonte. Calma e paz eram até pouco
diante de tanta emoção. Lembrava-se das brincadeiras, das corridas, dos
abraços apertados… e, principalmente, de caminhar de mãos dadas com sua
mãe pela praia.

Anahí: queria que minha mãe tivesse aqui agora…


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Alfonso: saudade?

Anahí: também… queria mesmo era jogar areia no cabelo dela… — rindo
muito — Adorava fazer isso…

Alfonso: era muito levada?

Anahí: demais… Eu sempre fui a mais danada, na verdade eu era uma


pestinha… Sophie era ajuizada, quietinha, não dava nenhum trabalho… Olha
como as coisas são… È como se tivéssemos trocado de lugar.

Alfonso: as coisas mudam… — ele encheu a mão de areia — mudam


mesmo… — jogou a areia no cabelo dela

Anahí: Poncho! — gritando — Agora me paga!

Anny começou a correr atrás dele. Ele entrou no mar correndo e ela o
seguiu… Poncho então jogou água nela, molhando todo seu cabelo. A essa
altura, Anny nem se importava mais. Sabes no pido nada más que estar entre
tus brazos... [Sabes – Reik] Em poucos segundos já estavam lá, abraçados,
unidos por um beijo sincero e apaixonado. Saíram ainda se beijando e se
jogaram na areia. Ficaram rolando, como que brigando pelo controle da
situação. Como ela já estava bem cansada, deixou que ele comandasse por
fim. Só que ele também estava cansado, então se deixou cair por cima dela.
Depois se deitou ao seu lado, segurando firme sua mão, como a um troféu.
Mas esse era um troféu diferente… porque estava marcado no coração.

Anahí: meu cabelo tá um lixo…

Alfonso: mas valeu a pena… pela primeira vez me chamou de Poncho.

Anahí: sério? Sabe que não tinha percebido isso… — pensando

Alfonso: nunca questionei isso porque queria te dar todo o espaço que
precisasse… Acho que agora sim tá me aceitando como parte da tua vida…

Anahí: será?

Alfonso: testa aí.

Anahí: testar o que, Poncho? — sem entender

Alfonso: isso… me chamou de Poncho de novo.

Anahí: isso é muito complicado! — sorrindo — Vamos embora? Tenho muita


coisa pra estudar hoje…
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Alfonso: eu também. Vamos então. — ela a ajudou a se levantar — Espera
aí… Meu carro limpinho vai ficar imundo!

Anahí — se acabando de rir: claro que não, né? Sou uma mulher precavida…
— pegou uma bolsa de praia com dois roupões — Agora é só a gente se lavar
naquele chuveiro ali e colocar o roupão.

Primeiro foi Anny. Ela se banhou com a roupa mesmo, tirando toda a
areia do corpo. Depois tirou a roupa, ficando somente de calcinha e sutiã.
Vestiu o roupão rapidamente e deu o lugar pra Poncho. Ele já tinha tirado a
camisa, então tirou a bermuda e se lavou só de cueca box preta. Ele foi mais
rápido, até porque Anny demorou mais foi tirando areia do cabelo. Depois de
também pôr o roupão, eles entraram no carro e partiram. Voltaram pra
Parnaíba.

Dessa vez, Poncho veio dirigindo. Adentraram a Avenida São Sebastião,


na qual ficava a casa dela. Era uma casa muito luxuosa. Aparentava ser de
algum habitante mesmo da cidade, tamanho era o zelo. Tinha uma textura alva,
combinando com a arquitetura romântica. A entrada era valorizada por um
requintado jardim. Não era uma habitação muito grande, mas com certeza era
muito confortável. A garagem dava espaço a quatro veículos. Entraram.
Retiraram todas as malas e foram se acomodar. Por dentro, parecia uma
residência em estilo clássico. Os sofás eram enormes e todos brancos, assim
como as paredes, fornecendo uma claridade a mais ao ambiente.
Proporcionalmente no centro do andar tinha um trabalhado jardim de inverno,
por onde entrava mais luz no lugar. O piso de toda a moradia era em mármore
impecavelmente polido. No andar superior ficavam os quartos. Era um total de
cinco suítes, cujas entradas convergiam para a sacada do citado jardim interno.
O dormitório de Anny, logicamente o principal, era o mais distante do acesso à
escada, tal como rezam os arcaicos conceitos de distribuição de espaços. A
decoração era em tons de turquesa. Sua gigantesca cama tinha a cabeceira
voltada para uma parte da parede feita em cristal blindado, evidenciando um
jardim enorme com piscina e academia.

Alfonso: há quanto tempo tem essa casa? — surpreso

Anahí: há uns cinco anos… Magnífica, né?

Alfonso: demais… Vamos jantar aqui mesmo ou fora? Já vi que tem uma
belíssima cozinha gourmet lá embaixo…

Anahí: só de enfeite, amor… Não sei fazer nada! — rindo

Alfonso: eu até sei algumas coisas, mas hoje tô sem saco pra isso. Vamos ter
que sair mesmo…

Anahí: ah, já sei aonde vamos…


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Alfonso: então é só tomar um belo banho e sair. Juntos ou separados? — com
cara de safado

Anahí: agora nem pensar… Pode até ser juntos, mas nada além disso. Ouviu,
né? Nada além!

Alfonso: se não tem outro jeito…

Foram pro banheiro. Havia três chuveiros num enorme box. Anny ficou
em um num canto e obrigou Poncho a ficar no outro canto e de costas pra ela,
evitando uma possível animação. Fez isso porque estava meio fadigada e se
conhecia o bastante pra saber que naquele estado não faria nem uma formiga
chegar ao orgasmo. Depois do banho, cada um foi caçar suas roupas pra sair.
Começou então uma verdadeira bagunça, já que as malas não foram ainda
desfeitas. Tinha roupa em tudo que era canto do quarto, principalmente de
Anny que as jogava pra fora das bolsas como a uma bola. Ela, por fim, colocou
um short jeans bem curto e uma batinha azul claro, calçou uma rasteira
vermelha e deixou os cabelos cacheados ao natural. Poncho vestiu uma
bermuda azul e uma regata vermelha, pôs tênis esportivos e deixou o cabelo
espetado com gel.

Alfonso: pronta? — já estava há meia hora na sala, esperando-a

Anahí: sim. Cadê a chave da casa?

Alfonso: aqui comigo, já peguei… — se levantou

Anahí: e o que faz com a chave do carro?

Alfonso: ah é… ia me esquecendo, o carro liga com o dedo… — irônico

Anahí — sorrindo: não, Poncho! Vamos a pé…

Alfonso: e é perto?

Anahí: um pouquinho… é bom porque assim conversamos no caminho sob a


luz da lua e o vento nos nossos rostos coladinhos…

Alfonso: romântico isso… — saíram abraçados

Não era realmente muito longe, especialmente pra eles que foram
conversando e namorando o caminho todo. Chegaram a uma churrascaria e
pizzaria enorme e cheia de gente. Carne… Anny estava sedenta por carne
assim como a maioria dos humanos de sangue O Rh+. Fizeram os pedidos e
ficaram conversando sobre a vida antes de se conhecerem e suas famílias.

Anahí: quero conhecer seus pais, Poncho. E quero que conheça os meus
também…
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Alfonso: também penso assim… Vamos fazer um tour então… primeiro vamos
aos EUA e depois ao México…

Anahí: me fala da sua família! Seus pais… irmãos não têm, né?

Alfonso: de sangue não…

Anahí: como assim?

Alfonso: há alguns anos, teve um acidente com uma tia minha e o marido
dela… não lembro direito como foi… Os dois morreram, deixando um filho…
Meus pais então passaram a cuidar de Oscar, que é como se fosse meu
irmão… é mais velho que eu três anos… trata meus pais como pais dele…
somos muito unidos…

Anahí: que triste! Pelo menos ganhou um irmão…

Alfonso: pensando assim… E a minha sogrinha? É que nem nos contos?

Anahí: que nada… vai achar minha mãe uma figura… essa hora ela deve tá
em alguma sessão de massagem, pra depois fazer o cabelo. E isso tudo em
casa… Ela é sempre muito alegre, brincalhona, mas não toque no cabelo dela
recém arrumado… ela vira uma fera! — rindo

Alfonso: vocês se dão bem?

Anahí: sim, com certeza… Já brigamos muito, quando eu era adolescente e


morava aqui… Essa casa daqui foi presente dela… Tá disposto a ouvir a
história?

Alfonso: com certeza…

Anahí: eu tava com dezessete anos, no último ano do ensino médio. Então, ela
começou a falar em me levar de volta pro México. Só que eu não queria…
Falava que ia fugir, que ia arranjar um velho pra me sustentar se fosse o
caso… essas loucuras de jovem… mas era só ameaça… Passei no vestibular,
fui pra lá pra comemorar, só que ela não queria me deixar voltar… Na verdade,
só consegui voltar por milagre. Fiquei uma fera com ela. Me revoltei e disse
que não queria mais receber presente nenhum, nem no meu aniversário, que
se ela mandasse, eu devolvia. Essa briga aconteceu nos meus dezoito,
dezenove e vinte anos.

Alfonso: mas por que não receber presente?

Anahí: foi uma forma protestar por ela não me deixar morar aqui… enquanto
ela não aceitasse, eu não voltaria atrás… não tá entendendo porque não
conhece minha mãe… ela ama comprar presentes… toda semana recebo
vários…
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Alfonso: e deu certo?

Anahí: três anos… mas deu certo… Então, como ela ficou três anos sem me
dar nenhum regalo, resolveu me dar essa casa em grande estilo… até porque
significava que estava disposta a aceitar minha decisão mesmo… ela nunca
que iria comprar aquela casa só pra me enganar.

Alfonso: então o problema foi resolvido?

Anahí: completamente…

Alfonso: ela já veio aqui?

Anahí: já… Ela que decorou pessoalmente a casa… E a sua mãe?

Alfonso: pelo que tô vendo, elas vão se dar super bem… — eles riram — Ela
tem um coração enorme, mas simplicidade nem pensar… Acredita que ela usa
maquiagem pra ir pra piscina?

Anahí: e daí? — sem entender — Eu também uso…

Alfonso: esquece… falei para pessoa errada…

Cidade do México, parquinho, 11/09/09, 17h11

Marichelo: ah, Fê! Tô tão feliz que nem vou reclamar de cansaço hoje…

Fernanda: e por que tanta felicidade?

Marichelo: tô feliz pela Anny… parece que finalmente vou ter um genro! —
vibrando de alegria

Fernanda: verdade? E ele é gatão?

Marichelo: muito! Meus netos vão ser lindos de morder!

Fernanda: já tá falando em netos? Então o negócio é sério mesmo…

Marichelo: claro que é… eles tão noivos… será que eu já devo começar a
preparar o casamento?

Fernanda: ela te pediu isso?

Marichelo: não… é coisa minha… não tem nem data ainda…

Fernanda: mas isso é o de menos… só que eu acho que deve esperar eles te
pedirem… desse jeito eles até desistem de casar.
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Marichelo: vira essa boca pra lá!

Fernanda: tem foto deles aí?

Marichelo: tenho! — entregou-lhe seu celular — Olha aí enquanto eu vou


comprar água. — saiu

Marichelo saiu andando pelo parque. Da experiência que já tinha, a


melhor água de coco era vendida numa lanchonete dos arredores dali. Afastou-
se então um pouco de Fernanda, mas obviamente com seguranças.
Rapidamente comprou as bebidas. Ao retornar, viu uma figura que lhe parecia
familiar. Era uma mulher bem afeiçoada, encostada num carro, colocando algo
nos olhos, aparentemente algum colírio. Depois, ela guardou o frasco na bolsa,
ligou o alarme do carro e caminhou rumo à praça. A mãe de Anny resolveu
ignorar o fato e voltar de vez pra onde estava sua personal.

Fernanda: Mari! Eles são muito lindos!

Marichelo: te disse… — entregou-lhe a água de coco

Fernanda: quando eles vêm aqui? Quero conhecer pessoalmente…

Marichelo: nem vem botar olho gordo na minha filha! — rindo

Fernanda: que olho gordo! Tu sabe que tenho meus pretendentes…

Marichelo: ainda não escolheu? — indignada

Fernanda: pior que não…

Marichelo: fica com o Pepe!

Fernanda: Mari! O Pepe tem mais de setenta anos!

Marichelo: e daí? É só fazer um boquete por semana que ele fica satisfeito…
— falou calmamente

Fernanda: mulher, cadê teu juízo? — chocada

Marichelo: tô pisando nele… — riram

Fernanda: vem cá… que conselhos dá pra Anny?

Marichelo: de quatro só se ele for bem dotado, só deixe ele comandar tudo se
não tiver outro jeito, oral é bem melhor antes…

Fernanda: eu falo de outros conselhos… — incrédula


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Marichelo: ah sim… sempre digo pra ela seguir o coração…

Fernanda: tá vendo! Como quer que eu fique com um velho babão?

Marichelo — irônica: não tem pena dele, Nanda? Ele lá… sozinho… louco por
mais um último segundo de prazer… — voz bem melosa

Fernanda: chega… chega… chega…

De repente escutam um choro bem agudo e desesperado. Marichelo


olha bem fixamente e logo reconhece a mulher. Era a mesma de ontem, só que
em outro parque, e a mesma que vira alguns minutos atrás.

Fernanda: olha! — admirada — Aquela mulher de novo…

Marichelo: tô sentindo que isso é comigo…

Fernanda: acho que não, Mari… Isso já é mania de perseguição, sabia?

Marichelo: mas é muita coincidência… E nem te conto, isso é tudo


fingimento… Vi quando ela chegou e encheu os olhos de colírio.

Fernanda: mentira… — surpresa

Marichelo: verdade! Ela quer alguma coisa comigo… Eu sinto isso…

Fernanda: e o que vai fazer?

Marichelo: hoje nada… vamos ver até onde ela vai…

Ela ficou observando de longe a atuação da tal mulher. Várias pessoas


tentaram ajudar, mas nenhuma aparentemente conseguia, aumentando ainda
mais as suspeitas de Marichelo. Ficaram lá mais uns minutos. Fernanda estava
apreensiva, não sabia o que fazer. Tava se sentindo uma própria presa na
iminência de sua caçada. Não conseguia acalmar seus nervos. Tremia muito.
Já a mãe de Anny lhe era cópia. Isso se não fosse o contrário. Mostrava-se fria
e pensativa. Não queria tornar perceptível sua descoberta. Queria ficar ali o
máximo que pudesse pra analisar a situação, mas vendo o estado de sua
amiga e funcionária, resolveu deixar pra outra oportunidade. Se estivesse
certa, não faltariam certamente. Saíram quase que normalmente em direção à
casa de Marichelo.

X: será possível que ainda não consegui enganar aquela velha! Tá mais difícil
do que eu pensava…

Sob muita indignação, X voltou pra seu carro. Chegando lá flagrou um


menino de rua que ia jogar uma pedra no pára-brisa dele.

X: ei, moleque! — gritou — Nem pense em fazer isso…


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

O menino correu, pra imediato alívio de X. Só que ao se afastar, jogou a


pedra, acertando um dos faróis. Depois de moveu bem rápido, a fim de não ser
pego.

X — com muita raiva: muito escroto mesmo esse filho de uma égua! —
gritando

Fernanda — nervosa: Mari, eu quero minha demissão…

Marichelo: nem pensar… Agora é que temos que vir mais vezes… Vamos
aumentar os exercícios pra cinco vezes na semana.

Fernanda: tá louca ou o que? E se ela quiser te matar? Ai, meu Deus! My God!
Eu não quero morrer! — começou a choramingar

Marichelo: ainda mais essa… Tu não vai morrer! Ninguém aqui vai morrer!
Nós só temos que descobrir o que ela quer com a gente…

Fernanda: e enquanto isso ela pega uma metralhadora e transforma a gente


numa peneira! Grande coisa! Eu vou me mudar… Isso! Eu vou pra bem longe!

Marichelo: não vai mesmo… E digo logo, a partir de hoje tu mora lá em casa…
E vai ser exclusivamente minha personal e filha emprestada…

Fernanda: isso não vai dar certo…

Marichelo: vai sim! Eu vou pedir uns conselhos pra Anny… — ligou pra filha —
Anny, meu amor?

Anahí: mãe? Que surpresa boa! Tô aqui me deliciando com um belo churrasco
na companhia do Poncho… — feliz

Marichelo: cala a boca que eu tô de dieta… Liguei pra te perguntar umas


coisas…

Anahí: posso colocar no viva-voz?

Marichelo: pode. Quem sabe o Poncho me ajuda, né?

Alfonso: e aí, sogrinha? Tudo bem?

Marichelo: mais ou menos… e é sobre isso que eu quero falar…

Anahí: fala mãe… — preocupada

Marichelo: é que eu tava vendo um desses filmes de perseguição aí tô com


umas dúvidas…
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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
Anahí: sim… estamos ouvindo…

Marichelo: quando o bandido prepara alguma armadilha e você descobre, qual


a atitude certa?

Anahí: tu quer saber a atitude politicamente correta ou a eficiente?

Marichelo: a eficiente…

Anahí: matar ele… — Poncho olhou assustado pra Anny

Marichelo: entendi… era só uma dúvida que eu tinha… Gracias, mi hija del
corazón!

Anahí: de nada, mammy! Se tiver mais alguma dúvida me liga, viu? Qualquer
hora! Ah, manda um beijo pra Nanda.

Marichelo: tá, eu mando! Te amo! Um beijo bem grande, meu amor!

Anahí: outro, mãe! — desligaram — E aí? O que achou?

Alfonso: primeiro que tu tá completamente louca de dizer uma coisa dessas


pra tua mãe. Segundo que das duas uma: ou ela tá armando pra alguém ou tão
armando pra ela…

Anahí: tão armando de novo pra ela… — discou outro número no celular —
Cortez? Aqui é Portillo. Nível 5. Ok?

Cortez: ok… — desligaram

Alfonso: fez o que?

Anahí: acabei de triplicar a segurança da minha mãe…

Alfonso: vai contar pra ela?

Anahí: não. Ela não sabe que eu contratei há anos uma equipe extra de
segurança. Ela pensa que só tem os dez dela, mas na verdade, os parquinhos
que ela freqüenta são cheios só de segurança…

Alfonso: e por que ‘de novo’?

Anahí: Dul te contou a história de Sophie, né?

Alfonso: contou…

Anahí: só que ela não disse a parte mais complicada.

Alfonso: e o que tem mais?


Viianny 35

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Anahí: o acidente foi uma tentativa mal sucedida de seqüestro…

Alfonso: tá brincando, né?

Anahí: quem dera!

Alfonso: mas e por que isso? Foi só por dinheiro mesmo?

Anahí: não há uma certeza… Até porque depende de quem seria o alvo de
verdade…

Alfonso: e quem poderia ser?

Anahí: tem gente que sabe demais, Ponchito…

Alfonso: vai dizer que tua mãe é uma chefa de gângsteres ou teu pai é um
caçador de skinheads?

Anahí: não, eles são pessoas super pacíficas… — falava calmamente


enquanto o olhava fixamente

Alfonso: ah, então a sujeira pode ser contigo?

Anahí: não tô falando nada… — continuou a olhá-lo da mesma forma de antes

Alfonso: tá… e se tu for o alvo… ainda estaria sendo caçada… Como teve
coragem de vir até aqui caminhando?

Anahí: me dá um beijo… — eles se aproximaram, ela o beijou levemente e,


ainda juntinhos, lhe falou — Mesa perto da saída… meus seguranças…

Alfonso: os barriga de cerveja? — espantado

Anahí — rindo: esses mesmo… Só que ali só é disfarce…

Ficaram mais uma hora por lá e voltaram pra casa. Aquele friozinho da
brisa só provocava mais sensações, trazendo-as à flor da pele. Chegaram até
a apostar uma corrida. Só que foi uma disputa diferente. Não queriam competir
um contra o outro, então resolveram entrar no páreo com algo qualquer, seja
uma folha arrastada pela brisa ou mesmo a própria ventania. Desejavam se
sentir vitoriosos juntos, assim como pretendiam pro resto das gerações. Porque
mesmo passando décadas e mais décadas, a felicidade estaria impregnada no
sangue de seus descendentes… e dessa forma sempre estariam vivos. Existe
maior prova de amor do que esta?

Ao chegarem, se trocaram, colocando roupas leves. Foram pra sala,


cada um com seu notebook. Sentaram-se no sofá maior, um em cada
extremidade e de frente pro outro com o microcomputador no colo. As pernas
Viianny 36

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
de ambos estavam misturadas. De vez em quando, Anny o provocava,
fazendo-lhe movimentos sensuais nas coxas. Até que uma hora ele não
agüentou mais. Levantou-se de uma vez, pôs os dois eletrônicos na mesinha e
se lançou por cima dela. Beijar não era a palavra correta. Estava praticamente
sugando os lábios de sua amada. Enlaçou as pernas dela em sua cintura,
levantou-a e seguiu pela escada. Queria ver-lhe a fisionomia de prazer sob a
bênção da lua.

Ao entrarem no quarto, ela se desvencilhou e pulou em cima da cama.


Olhando-o profundamente, começou a abrir os botões de sua blusa. Poncho se
acomodou num sofá bem em frente, pra admirar aquele espetáculo único e
exclusivo numa visão privilegiada. A opacidade do ambiente provocada pela
iluminação somente da lua dava um ar a mais de desejo, de desafio ao rever
cada detalhe daquele corpo já visto, porém nunca abusado. Lembrar de uma
mulher por suas qualidades entre quatro paredes é uma coisa. Recordar-se
dela pelo amor que compartilham nas mesmas quatro paredes é outra
totalmente distinta. Isso o orgulhava. Saber que o mínimo de recordação que
instantaneamente lhe pousava a cabeça se referiam às emoções mais plenas e
eternas que poderia imaginar.

Anny deixou sua blusa cair na cama. Então, fez menção em abrir seu
short para tirar. Mas Poncho a impediu. Ele se aproximou, segurou-lhe as mãos
e iniciou uma sessão de beijos molhados por sua cintura. Dava também umas
ousadas lambidas e mordidas, demonstrando o quanto já sentia falta daquela
sensação de liberdade. Enquanto se perdia por entre aqueles pequenos atos,
desabotoava-lhe a peça inferior suavemente. Ao terminar a ação, seguida da
abertura do zíper, enfiou sutilmente suas mãos por cima das nádegas, a fim de
descer a peça em questão, que também caiu sobre a cama. Ela já estava mais
que enlouquecida. Tentava se controlar o quanto pudesse pra evitar um ataque
de euforia, no qual com certeza o lançaria no chão e se satisfaria de imediato.
Só que Poncho parecia querer exatamente isso. Que ela por um instante se
deixasse levar por seu instinto natural de fêmea ansiada de prazer. Foi assim
que num momento de descontrole lhe arranhou o braço, deixando evidentes
marcas de unhas bem serradas e afinadas. E isso porque estava só no iniciar
do processo.

Ela o afastou bruscamente, mirando-lhe de forma bem selvagem e


inusitada. Desceu da cama e lhe arrancou um beijo quase à força. A fúria os
derrubou por cima do sofá. Anny aproveitou e começou a tirar-lhe a roupa. E o
fez tão rapidamente que ele mal percebera. Quando se deu conta, já estava
sob os efeitos da boca dela em seu membro já ereto. Ela sabia fazer aquilo
como ninguém… talvez até uma profissional não fizesse melhor… mas isso
não era uma questão de prática… era uma questão de amor… Aqui se deve
mais uma vez lembrar. Ali não estão somente dois corpos se revelando numa
noite de prazeres, mas dois espíritos se completando em mais um ato de
nobreza, companheirismo e, principalmente, amor verdadeiro.

Vendo que não iria suportar por muito tempo e que esta noite queria,
sobretudo, dividir os mais ínfimos sentimentos com ela, Poncho a agarrou pela
Viianny 37

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
cintura, lançando-lhe novamente sobre a cama. Num ato quase feroz,
arrancou-lhe o sutiã. Saber que estava sob o controle com a mulher que mais
amava dentre todas lhe proporcionava uma paz celestial. Mas isso era o que
ele pensava. Enquanto tinha seus seios sendo quase engolidos por Poncho,
Anny brincava com o membro dele usando as mãos e até os joelhos. Sabia
seduzir um homem. Conhecia bem os homens… Isso só a ajudava. Lidar com
eles em situações das mais corriqueiras revelava detalhes surpreendentes pra
quem soubesse captar os sinais. Ela tinha esse domínio. No entanto, agora
não estava com qualquer um. Estava simplesmente nos braços do que amava
sinceramente, sin precedentes…

Anahí: por que não tira isso? — com voz ofegante, se referindo à calcinha

Alfonso: não, ainda não… Se eu tirar não me controlo… — falava entre uma
sugada e outra no seio dela

Anahí: e quem disse… que… é pra… se contro… la…r? — quase não


terminava a frase

Alfonso: por enquanto sim…

Anahí: eu não agüento mais, amor! — falou quase gritando por entre os dentes

Alfonso: agüenta sim… te conheço… quero te levar ao máximo hoje…

Anahí: outro dia, vai? — praticamente implorando

Alfonso: não… hoje…

Num rápido movimento, ele a virou de costas. Agora sim ela estava à
mercê dele. Poncho a conhecia muito bem. Se a deixasse naquela posição por
mais tempo, ela daria um jeito de virar o jogo. Isso não iria permitir. Por isso
deitou-a de bruços, se posicionando em cima dela. Afastou-lhe o cabelo para o
lado, adquirindo total acesso à nuca, bem delineada por sinal. Posicionou suas
pernas ao redor das dela, para obter mais controle. Parece até que ela estava
tentando fugir tamanha lhe era a precisão dos procedimentos. Enfiou as mãos
por baixou dela, segurando-lhe os seios com imperatividade e destreza.
Pronunciando palavras românticas e bem tentadoras sob uma voz falha e
sedutora, Poncho foi introduzindo seu membro entre as coxas dela, logo abaixo
do bumbum, num movimento a princípio devagar e cuidadoso. Aquilo sim a
estava deixando num nível superior de excitação. Já estava tão úmida que o
líquido ultrapassava a calcinha e ajudava na movimentação de Poncho.
Velozmente, ele se afastou um pouco, retirou-lhe a calcinha e voltou para a
ação de antes. Aquilo provocava uma sensação de sufoco e extremo prazer em
ambos, já que agora estavam em pleno contato um com o outro. Poncho em
momento sequer deixava de dizer o quanto a amava, o quanto a queria bem, o
quanto a desejava, o quanto dependia dela, o quanto a faria feliz… E ela cada
vez mais apertava e amassava o travesseiro. Se não o tivesse, com certeza já
teria enlouquecido de vez. Então, ele a virou novamente, separou bem suas
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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
pernas, se posicionou entre elas, passou o dedo sobre seu clitóris, se abaixou
no sentido de lhe dar um beijo na boca e a penetrou de uma só vez. Ela
simplesmente se segurou nos antebraços dele, pra ter mais estabilidade, e se
deixou levar pelas estocadas já bem fortes. Poncho via uma paisagem
cinematográfica bem em sua frente. Lá estava sua amada e idolatrada sorrindo
de satisfação, com os olhos limpidamente celestes e um manto de luz da lua
lhes protegendo e enfeitiçando. Gravaria essa cena em sua mente até o resto
de seus dias. O dia em que mais uma vez tinha a certeza de que se tratava
apenas do começo de uma longa caminhada em nome do amor… When you
look me in the eyes and tell me the you love me, every things alright. When
you're right here by my side, when you look me in the eyes, I catch a glimpse of
heaven, I will find my paradise. When you look me in the eyes… (Quando você
me olha nos olhos e diz que me ama, tudo fica bem. Quando você está bem
aqui do meu lado, quando você me olha nos olhos, eu tenho uma visão do céu,
eu encontro o meu paraíso. Quando você me olha nos olhos…) [When you look
me in the eyes – The Jonas Brothers] Poderia ser uma mensagem de algum
som insipiente pela rua ou mesmo algum celular vizinho tocando, mas
preferiram acreditar que se tratava dos corações sinceros que comemoravam a
magnitude do amor que sentiam e a cada dia só se conservava.

Não foi difícil alcançarem o clímax. Poncho se jogou sobre ela. Sua
respiração estava muito acelerada. De um jeito ou de outro, precisava dar uma
pausa. Pelo menos isso, uma pequena pausa… Minutos depois, ele se
levantou, saindo de dentro dela. Agarrou-a pela cintura e a apoiou na parede
de cristal na cabeceira da cama. Afastou suas pernas ainda bambas e a
penetrou novamente. O simples toque das costas suadas de Anny provocou
um ofuscamento limítrofe na parede. As fortes estocadas dele faziam-na
deslizar o corpo freneticamente, às vezes até escapando do seu domínio.

O orgasmo seguinte veio mais rapidamente. Talvez até porque os


corpos já latejavam sem limites. Caíram abraçados sobre a cama, com a
respiração extremamente alterada e a satisfação estampada nos rostos. O
sono se seguiu de imediato. Não agüentavam se mover mais para nada.

Horas depois, Anny acordou. Estava sobre Poncho. Ambos nus.


Afastou-se um pouco para admirar a paisagem. Adorava acordar de
madrugada e se deparar com o amor de sua vida lhe fazendo companhia.
Felicidade era a primeira palavra que lhe servia para descrever tal cena. Só
que aqui era uma circunstância diferente. Figurava-se de mera espectadora ao
sentir a feliz arte de amar e ser amada. Levantou-se e vestiu somente um
lingerie. Foi até o térreo pegar seu notebook e voltou pro quarto. Sentou-se no
sofá de frente pra cama e começou a remexer seus arquivos.

Anahí: vamos ver o que consigo hoje… — colocou os fones — Interessante…


Mil homens… em 50 covas brancas… Não deve ser uma metralhadora, seria
muito óbvio. Pelo jeito é algo recente. O que seria uma cova branca? Até agora
não vi nada relacionado a racismo… Se tiver alguma relação com os Estados
Unidos… só que o Tony não me disse nada disso… Tenho que tomar cuidado
com aquele idiota… Aquela cara de safado não me engana.
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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Poncho então se mexeu, mas estava tão cansado que nem percebeu a
ausência dela na cama. Acabou por se virar, ficando deitado nu de bruços.
Anny deu uma olhadinha por cima e ficou admirando a paisagem…

Anahí: mas que bunda tentadora… Vontade de ir lá e dar um beliscão… Pára,


Anahí! Você tem que se concentrar… Voltando… Tony… o cachorro tá se
achando… cuida não… que eu te boto no xadrez rapidinho… Já pensou nós no
xadrez, senhora bunda? Ah se eu tivesse acesso a uma… Cala a boca, Anahí!
Tá louca ou o que? Eu diria o que… Te comporta senão vamos lá pra baixo…
E perder essa visão maravilhosa daqui? Nem pensar… Então trabalha, mulher!
Esse é um assunto muito sério! Já sei… Infelizmente… Voltando aos mil
homens… A não ser que seja uma parada gay ou uma revolução de cornos, o
cabaré aqui tá cheio… — rindo — 20 covas… não devem ser covas… o que é
uma cova? Um buraco, é óbvio… Bang, bang… Isso aí! E se eu enterrar 20
homens em cada cova, eu tenho mil homens… O que me leva a uma USAS-
12… Será? Mas foi tão fácil? Tenho que conferir… Assim como conferir essa
coisa linda na minha frente… Lá vem de novo! Sossega, minha filha! Ele é
todinho seu… deixa pelo menos ele recuperar as forças… Ai! Vocês duas já
tão me estressando… Vou colocar uma música pra ver se vocês calam a boca!
— ela ligou o som do quarto, num volume baixinho — Ah, não! Ninguém
merece ouvir a trilha sonora de “A chave mestra” uma hora dessas…
Caroline… Caroline… — falou com voz de suspense, do jeito que era
pronunciado no filme

Alfonso: quem?

Anny levou um enorme susto. Estava perdida por entre suas


personalidades conflitantes que nem percebera a presença de Poncho já
acordado.

Anahí: já acordou, amor? — desligando o notebook rapidamente e se


recuperando do susto

Alfonso: tava tentando entender com quem tu tava falando… Mas quem é
Caroline?

Anahí: personagem do filme. Mas isso não interessa… deixa pra lá…

Alfonso: e quem tanto tava falando aí?

Anahí: as várias Annys que existem nesse corpo.

Alfonso: e qual delas vem agora pra essa cama?

Anahí: podem ser todas?

Alfonso: se não tiver briga, estou à disposição… — deu uma piscada pra ela
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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
Ela se levantou e deitou do lado dele também de bruços. Poncho então
ficou dando vários beijos nas costas dela, sem nenhuma malícia. Amava sentir
sua pele, seu cheiro, suas sensações em cada toque, sua respiração…
Chegou até a desabotoar o fecho de seu sutiã. Pousou seu corpo sobre o dela,
no intuito de ficarem mais próximos e se sentirem mutuamente, sentirem essa
troca de energias das mais cintilantes que existiam…

Anahí: que claridade é essa? — olhou pela parece de cristal — Olha, amor!

Eles se viraram em direção à parede e ficaram desvendando o nascer


do sol em sua iminência. Estavam sentados abraçados, Anny na frente de
Poncho, que lhe repousara a cabeça no ombro.

Alfonso: te amo…

Anahí: te amo…

¿Cómo aprender a estar perdido? ¿Cómo empezar a echar de menos


cuando estreno corazón? Y si es mi suerte que sea fuerte, que me queme todo
entero y de una vez... […] En cada mirada se me va. Cada abrazo un laberinto
que nunca desharé. Cada silencio, eternidad. En cada noche hay un secreto
que me da… [Si puedo volverte a ver – Benny Ibarra e Miguel Bosé]

Teresina, promotoria, 12/09/08, 07h13

A: bom dia, Jay!

Janete: bom dia… E a senhorita faz o que aqui uma hora dessas?

A: é que tenho muito trabalho hoje… só poderia vir agora…

Janete: só que a Anny tá viajando…

A: não vim falar com Annyzinha… Vim ver Dulce…

Janete: quê? — fez uma cara de assustada — Por favor, nada de confusão…

A: que é isso, Jay? O que pensa de mim? — irônica

Janete: não penso, eu tenho certeza… — disse hesitante — Além disso,


Adinha tá de folga… Ela não vai poder te anunciar…

A: então tu anuncia aí! Tenho certeza que ela vai adorar receber a visita da
cunhadinha… — rindo — Faz assim… Diz só que é a cunhada dela…

Janete: não sei se devo.


Viianny 41

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
A: pois então eu me anuncio… — pegou o telefone

Janete: não, não… Deixa que eu faço isso… Não vai querer estragar a
surpresa, né? — rindo sem graça

A: isso, minha diva!

Jay anunciou a chegada da visita a Dulce. Na mesma hora, a ruiva


saltou da mesa e se encaminhou à porta, no intuito de receber bem a amiga.
Quando a abriu, realmente encontrou sua cunhada lhe sorrindo, só que era a
cunhada errada. O que era pra ser um abraço apertado se transformou num
olhar fuzilante.

Dulce: o que faz aqui, Lawyse?

Lawyse: não me convida pra entrar?

Dulce: claro! — se deu por vencida logo, caminhando de volta pra sua
escrivaninha — A que devo a honra de sua ilustre visita? — irônica

Lawyse: esqueçamos as diferenças por um instante, sim?

Dulce: só se você for embora, querida…

Lawyse: (pensando) querida uma ova! Calma… é pelo Chris… (falando) Vim
falar sobre o Chris…

Dulce: Chris? Aconteceu alguma coisa? — assustada

Lawyse: aconteceu sim… — Dul fez uma cara de choro — Aconteceu que ele
tá gostando de verdade de uma pessoa que não merece…

Dulce — aliviada: escuta aqui, Nostradamus… Eu não vou ficar perdendo meu
precioso tempo com essa ladainha… — se levantou

Lawyse: vai sim… E pode se sentar, porque daqui eu não saio. — decidida

Dulce: era só o que me faltava… Não posso mandar mais nem na minha sala!
— se sentou

Lawyse: vou ser direta. O que quer com o meu irmão? Já não bastou o estrago
que fez da outra vez?

Dulce: estrago? Você não sabe de nada pra poder me julgar…

Lawyse: sei que quando se ama uma pessoa, se quer ficar ao seu lado… E
não chutá-la como a uma bola velha! Isso basta? — irônica

Dulce: basta sim… basta pra você levantar o traseiro e ir embora…


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Lawyse: se me responder eu vou embora com maior prazer.

Dulce: e por que eu responderia?

Lawyse: o Chris é razão suficiente?

Dulce: não meta o Chris nas suas viagens!

Lawyse: não são viagens minhas. Assim como não foi viagem a crise de choro
que nunca o vi ter… Acha mesmo que eu ia vir aqui por qualquer coisa? Eu tô
preocupada com meu irmão poxa!

Dulce: tá… o que você quer afinal?

Lawyse: vocês brigaram?

Dulce: só uma discussão besta…

Lawyse: acho que não foi tão besta. O que tu aprontou dessa vez?

Dulce: eu? Nada! Todo casal briga, sabia?

Lawyse: só que da outra vez foi a mesma coisa. Todo casal briga… E toda
mulher trai, não é mesmo?

Dulce — zangada: eu errei, tá certo? Eu sei que errei! Só que eu sofri muito!
Isso você sabia também?

Lawyse: ah, claro! Sofreu porque os chifres não foram tão grandes…

Dulce: oh aqui você me respeite, hein? — alterada

Lawyse: dê-se um mínimo de respeito primeiro…

Dulce já tava preparada pra responder Lawyse com todas as pedras que
tivesse em mãos, mas o toque do celular a parou.

Dulce: Anny! — sorriu em meio à raiva — Quanta saudade, minha loira!

Anahí: é mesmo, Dul! Tô morrendo de saudade…

Lawyse: deixa eu falar com ela…

Dulce: cala a boca!

Anahí: quem tá aí, Dul?

Dulce: sua amiga… — com voz de desgosto


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Anahí: com essa voz só pode ser Lala! — muito animada — Passa pra ela!

Dulce: nem pensar!

Anahí: vai, ruiva! Os créditos são meus mesmo!

Dulce: tá! — entregou o celular

Lawyse: oi, maninha!

Anahí: oi, amorzinho da minha vida! Temos tantas coisa pra conversar, né?

Lawyse: isso mesmo… Quero saber tudo sobre o casamento! Eu que vou
organizar mesmo…

Anahí: ah é? E ia me dizer quando? — rindo

Lawyse: acho que no dia serve… Pra tu não desistir…

Anahí: acha mesmo que vou largar meu gatão?

Lawyse: largar não… mas digamos que casar não era sua meta de vida…

Anahí: nisso eu concordo… E o que faz aí?

Lawyse: vim conversar… — foi interrompida pelo riso de Anny — Que foi?

Anahí: nada… é que tu ir conversar com a Dul não é uma coisa que eu
imagino… mas continua…

Lawyse: é que tô preocupada com o Chris…

Anahí: aconteceu alguma coisa?

Lawyse: nada de mais… mas eu precisava vir aqui abrir o jogo com ela…

Anahí: tá certo! Não briguem, hein? Não quero ceninha nas minhas
instalações…

Lawyse: tá certo, Brasil…

Anahí: te amo, maninha! Muitos beijos!

Lawyse: pra ti também… — devolveu o celular

Dulce: como tá a viagem?


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Anahí: maravilhosa! Quando voltar vou te passar um relatório completo!
Notícias do Robin Wood?

Dulce: nada… e acho até melhor… não aturo aquilo…

Anahí: pra falar a verdade nem eu… Tenho que desligar… Vou me arrumar pra
um passeio no delta. — desanimada

Dulce: mas não tá cedo? Eles costumam ser lá pelas onze…

Anahí: hoje vai sair mais ou menos nove e meia… Porque depois vai ter um
encontro na praia, no final da tarde…

Dulce: ah sim… Pois vai te arrumar que eu cuido daqui direitinho…

Anahí: olha como vai falar com a minha maninha, Dulce Maria!

Dulce: eu sou uma anjinha, Barbie! — cínica

Anahí: sei… Então, até mais, amore… beijo… — desligaram

Dulce: agora somos só nós duas… — ficaram se encarando

Lawyse: eu não confio em ti… e sei que não confia em mim… só que vou te
dar um voto de confiança… O Chris vem aqui hoje, talvez à tarde… Se não o
ama, o deixe, mas o deixe de vez, sem volta, sem promessas, esqueça-o de
vez… Agora se o ama, lute por esse amor… — Dulce ficou com vontade de
chorar, mas se segurou — Mostre a cara pros problemas, viva esse amor! Não
se faça de covarde porque eu sei que não é!

Dulce: é só isso? — fria

Lawyse: falta só eu me despedir, mas vou te poupar esse sacrifício… — se


levantou e saiu

Dulce ficou pensando em tudo que Lawyse lhe dissera. Sem querer
deixou uma lágrima escapar de seu domínio, pelo menos já estava sozinha…
Olhou minuciosamente tudo que lhe cercava. Ali representava todas as suas
conquistas em toda sua vida… Só que não tinha ali ao seu lado sua maior
conquista… Seu grande amor… Mas o que fazer quando sua maior vitória lhe
lembra sua maior derrota?

Parnaíba, casa de Anny, 12/09/08, 09h14

Alfonso: vamos, Anny! — gritando da sala

Anahí — aparecendo no cômodo: já tô aqui! Calma!


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Alfonso: certo… — olhou para o relógio — Agora é só voltar lá e trocar de


roupa em dez minutos…

Anahí: mas eu já estou pronta… — falou pausadamente

Realmente o incômodo de Poncho tinha certo fundamento. Anny usava


um biquíni branco sob um vestido comprido, também branco, um pouco
revelador por sua transparência, que lhe seguia as molduras do corpo. Era um
pouco solto à silhueta, somente mais justo no busto, no qual acompanhava o
decote atrevido do sutiã. Com certeza se tratava de uma peça bem elegante,
não só por sua delicadeza e maestria do corte, mas pela simplicidade ousada e
chamativa. Não era fácil de explicar, mas a sensação que advinha da imagem
de Anny com aqueles trajes alternava entre o perfeito e o exclusivo. Como se
somente naquelas curvas ele completasse sua magnitude. Fora delas era só
mais um pedaço de tecido. A loira ainda pôs as madeixas num perfeito rabo-
de-cavalo, deixando as pontas com cachos bem delineados, e a franja solta e
armada no lado direito. A maquiagem proporcionava uma leveza extra na obra
completa. Quem parasse para analisar melhor, perceberia que todos os
detalhes convergiam para um maior realce do vestido, inclusive uma finíssima
corrente em ouro branco com um delicado diamante de pingente.

Alfonso: não se esqueceu de nada não?

Anahí: o que?

Alfonso: a vergonha, por exemplo…

Anahí — rindo: se eu sou linda, gostosa, maravilhosa… — ele cruzou os


braços — E tenho um noivo gato, tenho que estar à altura… — sorriu
docemente

Alfonso: mas não tá muito exagerado?

Anahí: digamos que estou a la Anny… Mas você tá um gato, Ponchito! —


enlaçou os braços no pescoço dele — Muito gato…

Um beijo era inevitável. Os lábios se encontraram numa calma


experiente… a calma de dois corações na certeza de serem igualmente
correspondidos. Toques sutis entre os corpos só proporcionava uma segurança
ainda maior. A cena era única. Estavam lá… corpos colados suavemente…
lábios em total encaixe e sintonia… a brisa entrando pelo jardim de inverno e
inundando todos os cômodos… o barulho do movimento dos coqueiros por
toda direção… flashes de raios solares sobre o piso límpido… César Polvilho
violando o ambiente com seu “escuta, vagabundo!”… Espera, aí… Ah é… O
celular de Anny começou a tocar…

Alfonso: escuta o que? — aturdido


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♥ Sólo déjate
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Anahí: vagabundo… É o Vagner… Fala, Vag!

Vagner: só pra avisar que o nosso cruzeiro sai em vinte minutos…

Anahí: ah, muito obrigada! — irônica — Eu ainda tinha esperanças de perder


esse passeio maravilhoso… Beijo!

Vagner: outro! — desligaram

Alfonso: quanto tempo temos?

Anahí: vinte minutos… — com cara de tédio

Alfonso: então vamos! — puxou ela pra fora da casa

Anahí: não sei por que tanta empolgação…

Alfonso: quero conhecer o delta! — ela começou a rir muito — Que foi?

Anahí: nada… — entraram no carro e saíram

Durante todo o percurso, Poncho ficava falando de sua primeira


impressão sobre a cidade. Estava realmente adorando porque não tinha toda
aquela movimentação de cidades litorâneas muito grandes. Em quinze minutos
chegaram ao porto. Não era muito longe, ainda mais que o trânsito estava
calmo àquela hora. O local já estava cheio. Havia políticos, ricos ociosos,
assessores, outras figuras importantes e bastantes repórteres. Tudo estava
reformado exatamente para esta ocasião. Parecia até que a vida piauiense
parara só para assistir àquele embarque. Muito entediante, segundo Anny. No
momento em que puseram os pés num tapete vermelho hollywoodiano, todos
os flashes se lhe voltaram. Afinal, era o casal mais interessante da época,
tendo repercussão além Brasil, dadas as nacionalidades e, sem dúvida, o
poder das famílias.

Rivanildo já foi se acercando deles. Não estava como repórter, mas


como figura importante, quem diria… Um papo com o casal fenômeno além de
merchandising também oferecia certas informações até relevantes para o seu
programa. Só que Poncho foi mais rápido e puxou Anny pra uma roda de gente
que ele nem conhecia, mas ela certamente sim.

Anahí: oi, Helen! Edu, tudo bem? Esse é Alfonso, meu noivo…

Alfonso: prazer…

Anahí: (falando baixinho) Por que me puxou assim?

Alfonso: não quero que aquele marica fique na nossa cola…


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♥ Sólo déjate
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Anahí — rindo: certo, amor… — deu um selinho demorado nele, que
logicamente foi recheado de flashes

Em mais alguns minutos, o governador iniciou um breve discurso sobre


a obra em questão, só mesmo como forma de convenção pela abertura do
evento. Todos então se dirigiram à embarcação, que estava elegantemente
posta para somente cem convidados, ou seja, só crème de la crème.

Anahí: odeio essa banheira…

Alfonso: mas é bom gostar porque vai passar aqui várias horas… —
acariciando a mão dela

Anahí: pois é, né…

Algum tempo se passou com eles em alto mar. Todos estavam se


divertindo. Buffet para todos os gostos… Drinques delicadamente preparados
para cada convidado… Música ao vivo… Anny tentava ficar à vontade, apesar
de suas birras, mas não estava bem… Não queria preocupar Poncho, mas não
estava se sentindo bem… Talvez fosse o receio pelo local onde estava. Sentia-
se sobre um pedaço de madeira encharcado no meu do oceano. Enjôo era o
mínimo que observava. Procurava manter a vista longe das extremidades.
Também se sentia sufocada. Ainda mais que a cada dez minutos chegavam a
sua mesa eternos galantes da high society. Ao contrário do que era esperado,
Poncho nem se importava. Sabia que sua amada lhe correspondia da mesma
forma, então não teria que se preocupar com picuinhas. De certa forma, se
mostrava até orgulhoso de estar ali do lado de uma mulher tão ansiada. Seus
pensamentos foram despertos por um toque frio em sua mão.

Alfonso: o que você tem, Anny? — já muito preocupado

Anahí: não sei… Vamos pra uma das cabines interiores, por favor…

Alfonso: vamos sim! Me diz que eu te levo…

Seguiram então até o interior. Adentraram uma cabine reservada.


Poncho imediatamente a guiou até uma cama. Era bem ventilada, não teria
problemas.

Anahí: deita aqui comigo? — com a voz dengosa

Alfonso: claro, meu amor! — se aconchegou ao lado dela — Mas o que você
tá sentindo?

Anahí: essa viagem que tá me deixando enjoada…

Alfonso: já tomou algum remédio?

Anahí: já… antes de sair de casa… sabia que isso ia acontecer…


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Alfonso: então cochila um pouquinho que vai passar… — ela acenou que sim

Poncho a deixou relaxar por mais ou menos uma hora. Depois foi
despertando-a com afagos no cabelo e beijos do rosto. Anny aparentava já
estar melhor se sua indisposição. Acordou com um sorriso lindo e transparente,
como quem passa uma noite de sonhos os mais belos possíveis.

Anahí: canta uma música pra mim? — acariciou o rosto dele

Alfonso: Find me there and speak to me. I want to feel you, I need to hear you.
You are the light that's leading me to the place where I find peace… Again…
You are the strength that keeps me walking. You are the hope that keeps me
trusting. You are the life to my soul. You are my purpose. You're everything. […]
You calm the storms and you give me rest. You hold me in your hands. You
won't let me fall. You steal my heart and you take my breath away… […] 'Cause
you're all that I want. You're all I need. You're everything, everything. You're all I
want. You're all I need. You're everything, everything. You're all I want. You're
all I need. You're everything, everything. You're all I want. You're all I need.
Everything, everything… (Me encontre aqui e fale comigo. Eu quero te sentir,
eu preciso te ouvir. Você é a luz que está me guiando para o lugar onde
encontrarei paz... novamente… Você é a força que me faz andar. Você é a
esperança que me faz confiar. Você é a vida pra minha alma. Você é meu
propósito. Você é tudo. Você acalma as tempestades e você me dá repouso.
Você me segura em suas mãos. Você não vai me deixar cair. Você roubou meu
coração e me deixou sem fôlego… Pois você é tudo que eu quero. Você é tudo
que eu preciso. Você é tudo, tudo. Você é tudo que eu quero. Você é tudo que
eu preciso. Você é tudo, tudo. Você é tudo que eu quero. Você é tudo que eu
preciso. Você é tudo, tudo. Você é tudo que eu quero. Você é tudo que eu
preciso. Tudo, tudo…) [Everything – Lifehouse]

Anahí: vamos sair daqui? — fez menção em se levantar

Alfonso: calma aí! Tá tudo bem mesmo?

Anahí: tô ótima! E é bom a gente voltar logo… devem tá pensando que a gente
se matou numa sessão de sexo selvagem… — rindo muito

Alfonso: se bem que não é uma má idéia… — ficou com um semblante


malicioso

Anahí: nem pensar! — se levantou de uma vez — Não quero ficar mal falada…
se bem já devo tá, né? Mas mesmo assim não quero piorar ainda mais…
Vamos, Herrera…

Eles se dirigiram novamente ao local da festa. Olhares curiosos se


direcionaram a eles, que nem ligaram. Só se sentaram novamente e ficaram
conversando entre si.
Viianny 49

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
Alfonso: já veio aqui antes?

Anahí: eu não… Dulce já… Mas eu não…

Alfonso: e por que não?

Anahí: primeiro por essa banheira aqui… — fez cara de nojo — Sabia que aqui
tem cerca de 30 pessoas a mais do que o recomendado?

Alfonso: quê?

Anahí: isso mesmo… Além disso, amor do meu coração, nós não vamos ao
delta.

Alfonso: como que não vamos?

Anahí: em certo ponto, eles dizem que é o delta, só que não é ainda… Seria
um pouco mais adiante… Só que lá, isso aqui — bateu de leve na mesa —
seria tragado pela força das águas…

Alfonso: e só veio me dizer agora? Quando estamos na porta da eternidade?

Anahí: é que eu queria ver essa sua carinha linda com essa expressão de
horror… — segurou o rosto dele com as mãos — Amo todas as caras que
faz…

Alfonso: é mesmo? — aproximou os dois rostos — E os beijos que eu dou?


Também ama?

Anahí: eu tenho que testar…

Essa foi a deixa suficiente pros dois colarem os lábios. E não perderam
tempo. As línguas brincavam naturalmente. Sem perceber já estavam um
pouco excitados. Parar era a melhor saída. Em mais algumas horas e lá
estavam eles de volta ao porto. Só que a festa ainda não acabava ali. Todos
agora partiriam rumo à praia de Atalaia, na qual seria prolongada a primeira
parte do evento.

Lá, foi reservada uma área somente para os convidados. Estava repleta
por barracas de palha de carnaúba, regionalizando a comemoração. Os mais
acomodados se refrescavam com banhos de sol ou mar, aproveitando a época
de imenso calor. Poncho resolveu dar um mergulho. Insistira, mas a loira não
quis ir de jeito nenhum. Pra não deixá-la sozinha cercada pelo bando de
repórteres presentes e convidados atrevidos, literalmente só deu um mergulho.
Ao retornar, só não se descontrolou por mera sorte. Anny estava tomando
banho de sol, deitada de bruços e sem o vestido. A situação pareceria até
normal, se o biquíni não fosse tão minúsculo aos olhos de Poncho e o sutiã não
estivesse desamarrado. Rapidamente ele arrumou novamente o sutiã e a
cobriu com seu próprio corpo, num beijo bem selvagem.
Viianny 50

♥ Sólo déjate
déjate amar ♥

Alfonso: quer terminar isso lá em casa?

Anahí: pode ser… — puxou ele pra mais um beijo

Minutos depois lá estavam eles no carro, voltando pra casa de praia. O


que Poncho queria mesmo era tirá-la dali. Era muito ciumento, já sofrera muito
com isso. Não queria estragar essa maravilhosa relação com esse seu defeito.
Ao chegarem, Poncho já tratou de agarrá-la, só que ela queria algo diferente.

Anahí: calma… — se afastou — Vamos comemorar… — pegou uma garrafa


de champanhe e duas taças no bar

Alfonso: e a que brindamos?

Anahí: ao nosso amor… Wise men say only fools rush in, but I can’t help falling
in love with you… […]Take my hand. Take my whole life, too… For I can’t help
falling in love with you! (Homens sábios dizem, que só os tolos são
precipitados. Mas eu não posso evitar me apaixonar por você. Pegue minha
mão. Pegue minha vida inteira também. Porque eu não posso evitar me
apaixonar por você!) [Can't help falling in love – Elvis Presley]

E nisso foram aparecendo uma, duas, três, quatro garrafas… Em outras


palavras, eles já estavam completamente bêbados e esparramados no chão…

Anahí: Pooncho?

Alfonso: ooiiiiii........

Anahí: eu quero transar.

Alfonso: é? Pois va…va…vamoos lá lá pro quarto… — se levantou


cambaleando

Anahí: me leva nos braços? Eu sou a bruxa do 71… Se não me… me levar…
vou te transformar em sapooooo!

Alfonso: E vai transar com um… com um saaapo?

Anahí: não, amorrrrrr! Depois que… que a gente se pegar eu te… te


transformo. Vem! Me pega! — levantou os braços

Só que Poncho tava muito tonto. Ela mostrava os braços em uma


direção e ele tentava pegar de outra. Numa dessas é que ele acabou caindo no
chão ao lado dela. Aproveitando a oportunidade, ele a puxou com tudo, lhe
beijando ardentemente.

Anahí: pera aí, Poncho! — afastando ele a todo custo


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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
Alfonso: que foi? — indignado

Anahí: mamãe… tá olhando pra gente…

Alfonso: é? E cadê ela? —olhando pros lados

Anahí: aqui… olha… — pegou um porta-retratos numa mesinha — Né linda a


minha ma… mammy? — beijando a foto — Olha, mama… a partir de agora,
quando eu gritar ‘ai, meu Deus’ é q eu tô… tô rezando, viu? Num é nada do
que tu tá pensando… — colocou a fotografia de volta com muita força

Poncho voltou então a beijá-la. Ficou acariciando suas coxas levemente,


sabia que assim a deixaria louca… Anny desviou o beijo para a nuca dele,
queria sentir aquele perfume que tanto a encantava… Na verdade, aquele
aroma já estava impregnado em sua mente, em sua alma… poderiam passar
anos e mais anos, mas não o esqueceria…

Anahí: espera, espera, espera… — Poncho saiu de cima dela contrariado

Alfonso: que foi agora?

Anahí: mamãe… — se arrastou até a mesinha e virou a foro pra outra direção
— Ela tem muito fogo no rabo… Se deixar ela vem aqui e te estu… estru… es-
tu-praaaaa!

Alfonso: pronto? — impaciente

Anahí: prontaaaaaa!

Poncho a calou de vez com um beijo molhado. Como eram poucas as


roupas, em alguns instantes já estavam totalmente nus nos braços um do
outro. Preliminares não se faziam necessárias agora. Já estavam excitados
desde a cena na cabine. Era como se toda a excitação fosse se acumulando.

Alfonso: vai querer o que hoje? — sugando um dos seios dela

Anahí: papai e mamãe… — rindo muito

Rapidamente, Poncho colocou as pernas dela em volta de sua cintura e


a penetrou de uma vez. Não agüentava mais… Na mesma hora, Anny
começou a gemer… Não se sabia se de prazer ou alívio. Ele dava estocadas
fortes, mas executadas bem lentamente. Isso causava certa angústia nela, que
ao mesmo tempo em que gostava, queria se ver livre daquela sensação de
ânsia. A única alternativa que encontrava era enterrar suas impressões em
gemidos e gritos sem nexo… provocando ainda mais seu amado… Assim
conseguiram chegar a vários clímaces juntos. Já estavam mais que esgotados,
mas a fúria dentro de seus íntimos era maior que qualquer estado de cansaço.
Continuaram então a jornada… eles rolavam pelo chão, como que disputando
o domínio do lance. Com essa brincadeira, foram parar nos seixos do jardim de
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♥ Sólo déjate
déjate amar ♥
inverno. Para sorte de Anny e azar de Poncho, nessa hora ele estava por
baixo. A dor foi instantânea, mas o prazer em sentir a frieza das pedras em
contraste com o que senta por dentro, só prolongou o orgasmo que vinha pela
frente. Relaxaram então ali, sob o eminente crepúsculo vespertino…