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W.O

!

PRIIIBIIIO IrUIUllfi 1)O SEGUXDO IIE;CI.:INIO

A QUEM LER

IST1-1812

aUn bom pesiodista vale inais, n'estii occasiáo, para se

adjffuridir a verdilde, i10 q~ie'iirnprbgador; náo deve por- atanto causar alliniração o ca escrever muilas cartas, para ((louvar, ariimar e a11cric;oaras follias catliolicas: »estas pala-

vras forain proferidas

péla bocca dc Pio IX, que ullimamen-

'te proliibiil a leitura doi pcriodicos, que le\lámo erro, a des-

familins; por isso, quem

se (li a cssa leitura, ou a urna Ieilur'a qiialqiicr scm saber

0 qtie lt! oil duvidando se essa Icilura B boa, alómde se ex-

pbr ao risco de se crivenonar, transgride um preccilo do melhor dos paes, do primeiro e mais aiictoriçado- mestre da 'verrladcir a doi]trina. 2 verdudc que Iioje clciasi ~lihgucinquer subrnetter a seu

creaca ea dcsrnor:ilis:içfio ao sein das

pensamcrito aos

com direito a pensar e a crer, como entende, e por isso a proceder, segnndo pcnsil ou cri; de modo qiic, sendo di- versos o pensar e a crença dc tilntos, não admira que se-

jam

ciiclames do born sonso. Cada uin julga-se

desonconLrados os proccdirncritos de muitos, resullan-

do d'uma tal divcrçi~ladeessa clesordcm, que esta dominali- do o, n-iiindo, que se diz civilisado. .I$iriuito natural qim OS prelados, imilando o siiccessor

do I'edro, tambem probibam, cada um ao seu robaatio, as mtis leituras, porque elles teempor obrigação imitar o su-

premo

A França leu muito, leu tudo, o tanto leu que trosleu, e em poucos mezes se viu reduziila 4 triste condição de ven-

cida,

quiz

terno, converle contra si rnesmo as arnias, que foram im- potentes para oxpulsir do solo da patria os exorcitos ipva- sores, e com ellas se rasga o proprio seio, fazendo esform 60s incrivcis por se arruinar complclamento : tristes GonSo-

quencias do abuso da liberdade de iniprensal

paslor e ser ecco fiel da siia voz.

accaitando as duras condiçpcs de paz r1ue.a vencedor impor-liio. Ainda não livre clas garras do inimigo ex-

61

LEVUqAB POPJJCARES

Brttre nòs tambem se tgm abusado muito e muito se es-

instituição. Sur-

gçm, como que por encartlo, publiceçõee por toda a p+iri,e9 escriplas e encaminhadas por quem quer que se lembra de escrever o que lhe vem 5r cabeça, quando não é de propo- sito e muito calculadamenla que prelondem levar a des-

crença e a

te,

abusando d'uma

tão santa

e proficua

indifferenç.3 aos incautos que v30 insensivelmen-

e aos quaes

altrafiidos por quem liics afaga as paixões, asrirando o

veneno qug I[l$s Sa de piinar a existençia dos bons sentimen-

deve o ter sido

~ir~ihqmem de bem.

tos, que bebera com 0 leile,

As

mGs l~iturassso tão prejudiciaes como as m$s com-

panhias. $e os paes entendem por obriga-ção desviar seqs:filhos das m;jly compaohias, nqp devem julgar [nonosrigorosa a de Ihes vedarem a leitura de livros e de piiblicaç'?es, cuja pureza da doplrina t: 06 inlengijes não esleja complelamente reta- nhecidq. Ninguem lha seyn saber o que lê, porque pode insqnsi- velmenle envenenar o proprio espirito, ue facilmente se ar-

xuina,

quanto mais saborosos são os acipipes e iguíirias, c04 que

se lisongeia o paladar.

9

ÇOMQ se estrbgq O estopago tan o mais facilmente,

nps daem as tristes consequencias resultaptes do

abusa da liberdade de irqprensa, nos seus tristissirnos ef-

feitos, votdmo-no? 6 çrgsad;i sania da publiçação de boas leituras, que iqstruem pn boa doutrina e que, por issp ro- cream sem offenderem a innoçencia pen: os bons costiimes. Anlielaqdo sempre por dar maior desanvolvimepto ;I cru- zada, santa, $ qual nos ~ubmellemos~qiicr-nos parecer que não e$tqremos longe de vermos realisados os nossos dese- jos e o de todas aqiiellas pessoas que ,se interessam pela vylgarjqaçãn à# leiliij-9s. que ~onkribqempara que a socie- dade 4 a familia se solidiiiquem, repassando-se do cimento d9s pripcipios igaraes e moralisadores,+ uniço elemento de vida g de força par4 s çgnstiluiqb sacial. Talvez que, em breve, ai6 possamos offorecer ao publi- $0 portuguez uni j~rnaldiario, que venha supprir urna fal- i54 tão sensivel. Appel/aremos então para todos os portu- guezos amantes d;is santas ginstituiefies, que teem por ba- so OS sagrad~sEvan~clhos,e estamos ce.rtos da que accu-

Porque

LEITUR+S

POPULARES

dirão todos, cada qual como poder ao nosso charnairrento. Pensando qiie j.l o poderiamos fazer, demorimos atB aqui a publicação d'eçta primeira folha, qiie devia ter appareci- do em maio e sb agora apparece; mas ainda bem quo ap- parece ji conio prenunciadora da realisaçáo da grande idea que 6 misler que se desenvolva em l'orlugal para bem dos portuguezes, que tiveram nome e nacionalidade desde que, tendo por pendão a cruz do Redemptor, começaram a con- quistar, no miindo todo, ospo~os,qtie jaziam na ignoran- cia da luz evangelica, d'essa iinica luz de salvação,. que, n'esses tempos, era descoriliecida e igriorada, e hoje e des- presada e combatitla por outras Iiizes subterrarieas acreiidi- das no infcrno, e que, n'umii lucta de dczenove seculos, ainda n30 poderam extinguir o brillio certo e seguro, que, tendo por horisonle Delem, onde nasceu, e o Calvario, on- de se arvorou em farol de salvação. para totlos que, :ia via- gem ila vida terrestre, tomassern aquelle ftinal, como nor- te da sua derrota, ainda fulgcira Iioje, como tem fulgurado sempre, e ha de continuar a fulgurar, emquanto no mundo as gerações se succederern umas is oi~trase precisarem ser allumiadas por aquella unica luz de salvaçáo. As riijadas violentas e incessantes podem diminuir e dei- xar apenas bruxuleante por momentos, essa luz divina, mas

não podem apagal-a nem extinguil-a,

porqiie ella i: indeled

vel, porque foi acendida por aqiielle que desceu do Ceo. Tào loucos erarn os que pretendiam apagal-a, apenas 01- la se apresentou brilhante no seu llorisonte, corno insensa-

tos tem sido e eçtHo sendo todos,

cessáo dos seculos, e hoje teem igual pretençHo, como lou- cos e iiisensatos hão de ser no clecurso dos tempos todos que se imposerem tarefa tão manifesiamente inulil porsmui- to explorada que taemsido e sempre inulilmerite. Dizemos inulilmento, attendendo a que náo teem podido, não podem, nem poderão jíimais extinguil-a; mas jd não di- remos outro taiito, se, considerando, tivermos qiio iarnentar as victimas que se deixaram fascinar e se perderam ri'çssas luctas seculares e interminaveis; inlerminavcis, porque, tian- tem como hoje, e hoje como Binanli4, a soberba humana suscitara inimigos figadaes dc Jeslis. Mas h50 de passar todos, os iiltirrios como os primeiros,

os que, durante a SUC-

LEITURAS POPULARES

e aT palarras de Jesus, isto 15, a luz da verdade nHo passar5 nunca. Assim o devemos crêr sem perigo de errar. Quasi deze- nove seculos nos servem de giranlia segura a~-~uedeixa- mos dito.

que o muudo estci soffren-

do, teem por origem o abandono das santas maximas evan-

os t70ssos filhos, dae-

lhos com o leite o santo amor e temor de Deus; velae pe!a sua educação, não Ihes deixeis chegar ás mãos esses livros e publicações que apparecem por loda a parte. Aciinse- lhae-os a que náo leiam livros maus, assim como os aùmoes-

gelicas? Máes de familia, que estremeceis

Quem não v4 que os males,

taes para que evitem as más companl~ias. Emquanto não cliega o mal em toda a siia força, é que é dever de lodos trabalhar por ergiier-lhe formidavel bar-

reira,

c para que nâo chegue até nOs.

Todos teein obrigsçáo rigorosissima de tomar parte n'es-

ta empresa láo salular, porque o interesse I5 geral. Reunamo-nos pois em comniiins esforços para propagar e ensinar o bem e combater o mal. De hoje em diante, cada assignstura das LEITU~ASPOPU-

LARES consta de a12 numeros, ou folhas de 32 paginas cada ama, contendo materia eqiiivalente i qiie até aqui se dis- tribuia em 52 numeros cle 8 paginas cada um. A ordem das materias ser4 quasi a mesma. As assignatuaas só se fazem por 12 nameros ou folhas,

receberem 4s follias conforme estas so fo-

rem publicando, quer seja para so receberem em volume

brochado,

o que tudo se deve declarar quando se faz a as-

signalura, cuja [baga é adiantada; e porque não se cumpre

quer seja para

esta condição essencial, se dão as demoras, de que, com justa razão, se queixam os que são pontuaes nos seus pa- gamentos.

ANKOS COBHENTES AS POLIIAS,

Moeda forte e porte franco Portiigal Brazil

Uma

assignatura custa

rbis

360

GOU

N.

B. O assignqnte de dez poder&pagar

D

300

500

Dez nrrsignaturns(comdireito areceber12)

1

88000

4$70(6

Rm

D

1

#

120)

a

298000

46t000

ANNOSFINDOS E CORRENTES, EM VOLUAIES Moedaf ortc e porte

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UROC~IADOS

Portugal

Ijrazil

Cada volume broxado ouata N. B. O assignantq dc dez poderd pngar Dez volumes brochados custam Cem

n

n

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u

u

O

600

450

4t500

700

650

6&200

40fiOOO 57POOO

Todas as remessas silo feitas (porke franco) pelo correio.

Qualquer assignante podo ser nosso correspondente ; e, por carta parliclilar, lhe darernos as necessarias explicações.

Aos pobr.esi~zhos, como lncs hnviiios etjusti/icados, tztuica

dziuz'da~vrnos,dar n obra

A? B. As pessoas qzls niio quizerem fazer pedidos dire- ctos por cccrta (i reilnccllo jlodsnz dirigir-se aos logares c pessoas na segzlints lista indicadas. As assignzluras por folhas seráo todas iemettidas pe- lo correio, logo qiie o podido nos tiver sido feito pelos cor- respondentes. Assigna-se em Lisboa-Livraria Calliolica, nua Nova do %%Rei (Capellistas,) n.O 75 e $2, 4." andar.

dzcvidámos atd hoje, nem jcinznis

GRATUITAlIEKTE.

LISTA DE ALGIJNS CORREliI'ONDES'I'ICç

PARTICULARES

Em Almodovar - O R.nlo P.0 JoXo JosO C!orrí!~e Silva.

Alpedrinha - O Ill.mo Sr. Adririno J. d'Alnieida Pcrraz. Alvarenga - O Ill.mo Sr. Manocl Pinto dc Paiva Madureira.

Amarante- O 111.~0S*,.JosO Ignacio da Fonscca.

Angra do I-Ieroismo - O B.mo Sr. P.c RI.

Arrancada - O R.mo Sr. P.n JosC: Bodi~iguosCravo Branco. Benc te1 -O R.lno Sr. P.0 Joaquim Josi: da Eoclia Espanca.

Rorba -O R.mo Sr. P.@Josi: Antonio Dentes.

Braga - O Ill.m~Sr. h. M. B. 8. Riirnos, Itun dc S. Viccnte, nue63. Cambra da Serra -O B.m* Sr. l'.~JoBo SimOesFigucirinlias.

Carvalhal d'hioeirx - O R.ni~Sr. I'

r

n

n

2

3

F.dc s Snntos Peixoto.

Joaquim Gomcs Duque.

n Coimbra, rua das Cavas n.O 13 - O Ill.mo Sr. RI arpita e Filho.

* @aura- O II1.mn Sr. Manoel Ribeiro dlAguiar.

P.0 Liiiz Anto io Gomes.

D Cotimos - O R.mo S

CovilhL - O 1ll.mo Sr. Liiiz Antonio dc Carvallio. Darque - O 1ll.m~Sr. blanoel JosE hlxria Rodrigucs.

a Evora - O 1ll.m~Sr. Joaqiiim Rl~riaPci-eira Miicedo.

LI Farminlilio - O Ill.mii Sr. I'P Manocl Eibeiro Mnchndo.

3 Favejitthas - O Ex

m Felgueiras - O R.nlo Sr. l'.~Antonio Dias Pereira Ribeiro. D Franoellia - O Ill.mo Sr. JosC Joaquim de Figueircdo.

Sr. Nirolr~uPereira de Rfendonga Galcb,

40

LEITURASPOPULARES

Em Funchal (Aiadeira)-O

Ul,moeRamoSr.P-e JosB Francode Cazitro*

a Giilo (Santo Estevilo de) - O Illm.oSr. Manoel José Maia.

3 Grandola - O R.mi Sr. P.0 J ,e6 F. Parreira.

II Guarda, - O R.ulo Sr. 13.e Jacinto Ferrrira da Cunha Leal.

P Larnego - O 1ll.n'" R.mo Sr. P.cAntonio Coelhi Diniz.

3 Leiria - O Ill.m* Sr. JoatS Mnria Diris.

3 Longa - OIl1m.o e R.mo Sr. PmEManoel Xavíer Lopes de RIoraes. Nanique do hknùrnto-0 Ill.mo Sr.Joãl, T ixeira de Figueiredo.

Y Mondim de Basto - O ExmPSr. Rernnrdo Gonpalvea de Mattos.

Y Niza - O Iil.00 Sr. Braz nliguens Brato.

B Penafiel - O 111.m0 e R.mo Sr. P.c Antonio Ferreira de Soiisa. Penamacor - O Ill.mo Sr. Ago~tinhoda Costa. Nogu ira.

2 P~niche- O Ill.mo Sr. JoZo B~ptistaRibeiro Guizado.

s Ponta de Lima - O Rema SI P.8 Antonio Jose de 3Iattos.

D Po~tnlegre- O 111.mo Sr. P.e Domingos Antonio Callado Br~nco.

r Porto- 0 Sr. P.c José Antonio da Rocha.

i i

-O

Ill.mo Sr. Manoel Malbeiro.

3 Xoriz- O R.mo Sr. P Antonio Carneiro Lego Queiroz.

2

Sabrosa -O

R.mo Sr I?.@ Manuel Pereira da Silve.

B Santarem - O Ill.muSr. Fraaci~coAuguqto l>ortug(il.

B Serpa - O RamoSr. P.8 JoZo Pinto.

i Torres Novns-0Ill.m~Sr.Manut~l Rodrigues dos Snntqs Menr?rico. Vairão - O %.""r. P.cJoão Alekandre da Silve e Carvalho.

D Varzea (c~ncelhode Ealthar)-O 1t.mo Sr. P.° Frnncisc J de Jesu~i.

Ill.ll10 Sr. Andr6 Avellino de Biito Simoeg.

Y Veiros-O

D Villa Fernandu - O 1ll.mo Sr. Manoel Tlioxaz Fereaiidos Capello.

Villa Nova deFamalie20 - O Ill.moSr. Josk Gorigalves d'oliveire.

D Villarinho de S. Christovlo-UR.m~ Sr. P.e M. Marquasd'Almeida.

Serlo indicados como corrcspoildentrs e incluidos n'esta lista todos oa senhores, que para isso nos auctoris~reni,

AOS NOSSOS CORRESPONDENTES E ASSIGNANTES

Faltariamos ao cumprimento deum dever sagrado, se n30

que,

agradecessemos aqui Bquellas senhoras e senhores,

accedepdo ao nosso convile, solicitarap e conseguiram ou- tros novos ssqignantes; e ainda ficamos gsperando que qquel-

les que ainda o nãofizeram, eertamenle o farãoainda, quan- do virem que a nossa publicação voe por diante e cada vez em melhores condições.

Quem,

conheçenpo-o corq uma vida qe dez annos tão

trabalhados 0 cheios de diffiauldacles,não hade recommendar no jornalainho para qus as faplilias se instvuam e recreiorn?

u#ftbbad

A tua protecção nos entregAmos nós todos que trabalhãi- mos, e se entregaram todos que nos leom guiatlo, e se teem empregado na leitura e propagação das LEITURASPOPULA~

RES.

A tua protecc,;O se entregam ainda Iidje, coizi a mesma, ou ainda maior confiança, todos ailuelles que vão por dian- te com a santa empresa dci instr'uir o recrear as familias, por meio d'esta publicação, que attingo o seu undecimo anno. O?LVirgem prz~dentissinta,db-nos da tua prudencia a que n6s precisamos, para navegar no mar tormentoso da nossa derrota. DA-nos prudencia papa que n30 nos exponhamos a ir d'encontro aos e~colhose recifes, que facilmente despe- daçariam o nosso fragil baixel, que ja conta dez annos de feliz mas custosa navegação. Feliz, porque tem sido assaz longa, sem soçobrarmos; custosa, porque o lrabalbo tem sido insane, porque as ùil- ficuldades têem sido succe~si\~as. Mas com a tiia protecção tudo2 se tcni venciilo, oh Irir- gern uane~*anda;e, confiados no teu valiinento, iremos ain- da mais dlBm, oh Virgenzlot~vuvel. Ao teu poiier imniuriso, e qiiasi divino, nos abandona- mos, Vi~*gempoderosa,porqlic a ti~abondade não tem li-

mites, vamos seguros

dores,

do que, apesar itc inisera\+eispecca-

nos acolhorAs, Virgem bcjfigna rio regaço do leu man-

to, com o qual, Virgem fiel, nos defendertis dos novos peri- gos, a que vamos expor-110s. A caiisa não 6 s6 nossa, é de todos, étambcni lua; o não deixar.As, oh Espellbo de jzlstiça, sem advogada tão santa e justa caiisa. , Sendo a creatura privilegiacla, que occupas o primeiro logar, junto de Deus, cerlos flcanios de qae inais facilmen- te faltarti o sol na sua cari+eir-'a, do que dos faltar4 O teu auxilio.

Eia pois, os

donamos.

teus olhos t4bl\irj 4 nOs, que a ti nos aban-

ROSA

MYSTICA

Na garganta tenebrosa D'ilm vulc3o. excandescenle Cahiu do Ceo uma Roza Atravez do fumo ardente. Na cratera sulfurosa Caliiu do Ceo uma Rosa!

No calios

Suave luz espargindo, Branca Rosa adormecida Sentia as lavas rugindo. Sem temer o fogo homecida Branca Bosa adormecida.

N'aquelle momenlo o ahysmo Solfureas onde lançou, E a Rosa do Clirislianismo Serena. intacta Ecou Sobranceira ao cataclismo, A Rosa do Christianismo.

,

ali

pendida

CIm seu perfume sublil Qual flor d'eterna eleiçao, A minha Rosa gentil Apagou negro viilcão. Foste escolhida entre mil O minha Rosa genlil.

Yre2ita por Esaias Fòra esta flor de Jessé, E a Rosa das profecias Entre nós, em fim, jP 6. Vem trazer serenos dias A Rosa das profecias.

D'entre os Videntes, um só, Ho Calvario, ao longe, via

LEITUHIS l'OPULAl\Ch

A Rosa de Jericci Que horriilel seiida subia Coberta de sangue e pó A Rosa de Jericb!

0 ílUr, de d'onde vieste -4estas plagas d'borror? Candida Rosa, nascesle Li nos hortos do Senhor? N'essa campina celeste, Candida Rosa, nasceste?

Ou nasceste embalsam:itla Nos pcrfumes do Oriente Minha Rosa immaculada, N'iim jardim sempre virente Pelas auras embalada? Miril-ia Rosa immaculada.

Que pranto, qu'incrivel dôr Te inunda a face mimosal Oh Rosa do meu amor. Mesmo assim 6s 180 formosa Velada pelo terror, Oh Rosa do meu amor?

Corno Llôr do redempção Espargindo pura luz, !asa do meu coraçáo, Es plantada ;o pi? da Cruz. Emmorgida em afíiicção, Rosa do meu coração.

E, ali, Rainha ès chainada Dos martyres da nova lei:

Rosa do rosas coroada, A0 lado do Excelso Rei Pelos Anjos acclamada. Rosa de rosas coroada.

114.

LEI~RASPOPULARES

Erguida Q face de Deus,

Li na mansão d'hlegria, Rosa dos affectos meus, Eleva-me ao Cbu, um dia, Segura nos braços teus,

Rosa dos affectos meus.

D. Maria Candida Collaço JblcQo,

DEUS

O homem é dotado de tanta soberba, que nem por 80 me dizer, ha tantos mil annos, que existe um creador da todas as cousas, deixa de par em duvida, quando não nega abertamente, uma verdade tão velha, tão contestada e tão verdadeira e cabalmente demonstrada. Mas por isso mesmo que o homem 6 teimoso por sua soberba e para seu mal, e que não quizemos dar comeco a este segundo decennio do nosso jornal, sem rebatermos, ainda mais uma vez, a soberbia petulante, corri que uma vil creatura se atreve a dizer não ha Deus! Pois bem, não ha Daiis, senhor homem ; açsim o quer

assim o tenlia ; mas vamos fazer umas averiguações, se me faz favor.

quorn procedeu, de quem nasceu, d'onde veiu o

seahor homem; faz obsequio de me dizer? -De meu pae e de minha mãe, ou de minha m3e e de mu pae, 18 isso como quizer. -8im senhor, muito bem; não quero fazer questão, E seu pae e sua mãe d'onde vieram, de quem nasceram?

-De

-De meus dois avbs e de minhas duas avós.

qua riada menos de Seis pessoas tiveram

parto na existencia sua pessoa; mas os seus av0s todos

quatro

-Quer dizer

-Dos

-E

d'onde vieram ? meus oito bisavós.

os seus oila bisavbs?

1 D'estx. mesma Senhbra b A NULHERIIIm CELEDREquO ComqsmW a publicirr, Folgamos poder mimoscar se nossas leitora8 com urn* obrinha, que tto juatamentctom merecido os maiores elogioe. Mvlb guilcermos ter nempre mimos t3o delicados para offorecer.

-Ora P isso não tem resposta ; mas em13m sempre direi qrie nasceram dos paes d'elles e assim ascendentemente atb -AtB ao primeiro homem e ii 11rirneira mulher, qnc sai- rarn das mãos de Deus aptos para se irem i'eproduzindo nos seus filhos, nos seus netos e nos seus bisrielos atb el~egar ao senhor liomem, que não quer que os seus primeiros paes l;aiasem das mãos de Deus.

isso é uma liistoria; a natureza sempre es-

teve assim constituida; a natureza 6 turlo, porque ella tudo

cria e reproduz: assim tein sido sempre e assim continuari a ser até

-Certamente

-Ate

-Ack

ao fim,náo é verdade7 ao fim, sim senhor.

-8iuito bem ; o Ljm jd nós ci temos, talvez qno agora possa achar o principio do senhor liomem. -Qual principio, nem meio, nem fim?! Isto sempre as- sin: foi, como 8, e sempre assim ha de ser.

-Foi, 6, ha de ser e eu então digo: não ha de deixar de ser.

maravilha que não fui, sou, e hei de rleixar ds

ser! sim; mas isso 6 que C a natureza a fazer as suas fraw- cões de crear, reproduzir e aniquilar, o11 secliizir a nada. -A natureza a crear e aniquilar! mas a que é EIUC O Se- nhor homem chama natureza?

-A esta força que cria e conserva para depois aniqui- lar e que estil sempre exercendo estas iuncr$?s, como sem-

pre tem estado, e -Atè onde?

se

fi~i,6, mas

-Porte

coiitinuarii a exercer a\&

-Constantemente, sem cessar', por quanto, na natureza,

-I[-,

ella, a natureza, tem crn si urna

tudo se move, pois que

causa primaria do universal movimenlo de todas as cousas.

essa causa do universal movimento de todas as cou-

sas como se cliama? -Chame-lhe como quizcr, e11 chamo-lho nalurozn. -Mas a natureza 0 todo isto que se movo, apparecendo 0 desapparocendo, nascendo e morrendo, o11 B a to\ força ou causa primaria d'esse movimento universal? -Eu entendo que tudo I$ o mesmo, porque são cousas que estão unidas e combinadas para osse fim; tiiclo mais 6

qnestãa ds nome

-Não senhor, não 8 questão de noma; todo a etfoitot

46

LPITCBAS POPULARES

suppue uma causa; ora este universo visiveil evidentemente

6 effeito, logo suppõe uma causa: esta causa é produ-

Se 6 produzida, certamente que o foi por ou-

tra, e esta por outra, e est'outra ainda por outra

que

zida ou não.

-Até

-Até chegar a uma causa suprema, não produzida, ne- cessaria, independente de tudo, só dependente de si mes-

mo pois que uma serie iofinita de causas produzidas 12im- possivel, é um absurdo admittil-a. Para haver machina foi

; para haver geração, foi

mister que houvesse machinista

mister que houvesse gerador; para haver creação, foi mis- ter que houvesse creador; para haver producção, foi neces- sario que liouvesse quem produzisse. Se a esse principio eterno, a esse ente necessario, crea- dor, que tudo creou e que tudo póde, não querem chamar Daus, dêem-lhe o nome que quizerem, mas confessem que

a mal que nós lhe chamemos DEUS.

elle existe, e não levem

Tambem outros lhe chamam Providencia; outros o Ser

Infinito;

outros o Ente Supremo; outros a Natureza, porém

esses confundem o creador com a creatura, o producto com

o productor; outros lhe cl~amamtambem o Szcpremo Ar-

chitecto: o que tudo vem a dar na mesma,

que existe uma causa

sentimos, ouvimos, percebemos e apalpamos, uma causa sem causa, uma causa necessaria, principio eterno e immu- tavel, que alem de ser creador de tudo, B premisdor dos que fazem Bem, como 6 castigador inexoravel dos que fa-

zem mal e não se arrependem. Ora eis aqui

est8 porque ha

e tudo prova

de todos os effeitos que nós vemos,

tanto quem queira que não Iia,ia Deus, porque lhe repugna

a id6a de que as suas maldades podem ser punidas ; ne-

gam por

meem. Bois era bem melhor que o ser\-issem e amassem, que ji O,R%O temiam.

esth provada em termos bem da-

isso o que temem, e temem-n'o porque n'elle

Parece-me que assim ros a existencia de Deus.

senlipr ; mas o que isso significa é qus

sabe mais do que eu, a por isso me confunde e embrulha

com os seus argumentos, a que eu não sei responder. ---Pciis n3o se fie nos meus argumentos, 0i.a todos os homens, Ida todos os livros, qae teem tratado da materia

-Parece, sim,

LEITUIIAS IJOPULAnES

17

a favor e contra, e depois compare, avalie e tire uma con- clusão ; que isto 6 negocio milito serio, e bem merece as iallimas investigações. -Fallare~iios corn mais vagar.

A IULIIER MAIS CELEBRE

Havera mil oitocentos e tantos nnnos, jinte seculos qiiasi,

que uma joven menina recolliicla c sU na sua hiirriilrle casi-

e orava, quando um mancebo resplandecente

nha, meditava

de formosura e de luz, rnas menos formoso que ella, lhe

de Graça. -

Algiim tempo depois,

Todas as gerações me clianiar5o hemavenlurada.-Acaso se enganaria a joyeri proplielisa ? ou engarial-a-ia o Deus que lhe segredou os futuros triiitnplios I

esta inesrna donzella dizia de si :-

appareceu e a saudou cllamando-ltie :-Cheia

Que pliraçe se repete hoje, de nin polo a'outro polo por

christãs, rias vastas plagas que banliam

milhares de boccas

todos os oceanos 7 Que liyrnno urrivessal se casou com as harmonias da natureza para repetir coin o bello Archanjo :

-Cheia de Graca?! Quem podera duvidjr, 3 dupla luz da piedade e da liis- toria, que a propliecia da Virgem leve uma realisação com- pleta ? Hoje toclos as nomeiam, todos a invocam, todos 3 reco- nhecem como- a Bemaventurada- a Clieia cle Graça.-A mullier promeltida dcsde o principio (10 inundo para es,ma- gar a cabeça da serpente symbolisarlora do mal; prira ser a collaboradora da redernpcão ; e para accumolas eni sua honra as Iiomcnagons do todns os soculosl

Apenas começara ella a apparecer na ~icla,e no meio do mais sumptuoso templo da terra, a siia presença fez brotar flores de uma vara irifecunda e secca. Deisa de exis- tir: sobre o seu tumulo operam-se prodigiasl Vão correndo

os tempos: o

cios e dos seus milagres. Qual 6 o paiz em que se Ilie não Lenham erigiclo templos e altares? Se ria Africa, Europa e Asia se lhe levantaram vastos monumentos de marmore e de Iwonze, aonde os Appelles, e os Pliidias da arte clirislã esgotaram para de-

seii ciilto consolida-se a par dos seus benefi-

48

LEJTURAS POPUL9N!X

coral-os, todas as maravilhas do seu genio ; tambem nos novos continentes se lhe edificam capellas alpestres forma-

das

sima flora, as pennas das suas formosas aves, as conchas multicores dos seus mares, suhstitaem para ellas, as obras primas de Raphael, de ,&Iurillo, de Rubens e de Mignel

Angelo. Em toda a parte aonde orna cruz se eleva, estandarte de salvação e de paz, ou seja em magnificas nietropoles, nu-

ou ein pobrissimas

aldeias; no centro de inexplarados ermos, ou no cume dos penhascos A beiramar, sempre a imagem ou a idba de Ma- ria se edenlifica ao moriumento sagrado. Que lingiia no universo a não celebrou ainda? Canta. ram-n'a nas rjdenles margens da Grecia os descandentes dos Pelasgos na siia ling~aemharmoniosa e classica; can- tam-na egiialmente, nas regioes (10s novos mundos, os fi- lhos das florestas nos trenos incaltos da sua lingua des- ~~nhecida. Os pobres selvagens da Australia, monstros semi-nús, que eram antropophag~santes de ouvirem pronunciar esse nome de todas as docuras, apenas aprenderam a balbuciar o dulcissimo nome de Maria, mudaram em canticos os seus;

cleos de toda a riqueza e civilisação,

de colnio e juncos, aonde as riquezas da saa variadis-

rugidos, em suavidade a sua braveza, e em ternura todos os seus furores. Para sulemnisar o culto da Virgem-rzinba, abriu a terra as suas entranhas, e o mar os seus abgsmos. Os rnarniores

de Paros e de Carrara, a prata, o coral, o marfim e o jas- pe., fornrcem o material As suas estaluas, que os ricos da torra cobrem de uiro, de perolas s de diamanles ; os po-

bros, de fitas e

de flores,--e todos, em todos os tempos, a

pbr toda a parte, correm a involver a imagem adorada em nuvens de ipcenso, de luz, de seda, o de perfumes.

A litteratilra antiga, assirn como a mod.erna, niincr? ces-

saram de prestar

i Virgem explendjdn bamenaeetn, Ainda

ha poaco,,iim notavel monuinento de linguistica lhe foi consagrado: todos os idiorrias conhrcidofi no aaligo e novo

mundo, capcorreram n'este preito unirorsal. $ãa inoumerasais as livfios oscriptos em seu louvor, B SBD canto, os grandes sabio's, e os grandes santos, que nog

LEPIURAS

POPULAFES

i!)

fallam de suas excellencias. - A scicncia unida L\ arte, pa- rece ter esgotado todos os meios de preconisa1.a. Em lionra de Maria, a eloqoencia produziu os seus mais sublimes rasgos. A rhelorica, engenhosos e delicados sinni- 10s. A pl~ilosophiaactiou a ras3o da sua existencia. A aslro- nomia forneceu~lheum diadoma do estrellas. Coroou.a a theologia rainha dos doutores. h pintura sonliou para Ella, o ideal da belleza kiumiina. h miisicri elevo11 iis niivens o seu noine em ondas de melodia. E todas as artes arrojaram

a seus pés assombrosas rnaravillias I! Qual famoso bardo a não teri sonhado na inspir?çZo de seus cantos? à'ntit ns poetas clirislãos :>penasalgiim a teri esquecido. hlas tel-a iam ignorar10 os poetas latirios, gre-

gos e

mero na sua apopea iininoittnll ou dar-se-lia o caso, que ELLAesteja alli miiito e~con~ditladebaiso do veo de obscu-

ros niylhos, ~elaClapor grosseiros erras,

do-sc a sua sombra alratbs das velli:\s tradicões da primi- tiva Iiuinar~idii~le! Se a silicncia sagr:itla a vili nas proimos-

sas de Deus ao primeiro liornem, rias predicqóes dos anti-

gos proplieias de Israel,

celebres da Esc1 i1)tiir:i: a sciericia 1~~)f;iri:iericoritroii os seus vestigios nos niysticisrnos grego, druyilico, scanclinav0 O

persa; nos segredos da 1ilteraiur:i saiisl\i*ipta,c nos liiero- gliphicos da petreficada litteralorn cggpcia. Não a recoiiliecemos tios na Virgeub111.edcstinadade Vir- gilio ? Não darii d'ella uma vaga itlba-A ~nùedo um IJetls, vrzcnino e ovnola/iorj/roso? a tnãc das graças encantadoras, triplico symùolo, tolvtz qiiem sabe? das tres tnai'imds vir-tudes clirislás, unidas Prn inilissnl~i~clabrace? Não sc:rd um vcsligio tl'Ella a ce1el~t.eI'rakrit, diviridacla indiana que, fecundatia pela terceira pessoa da sua trioda- de, (ia ao rnunrio o ~rzcninosa/z~aclor? Não ser6 lambem a.Virgem qlia os drdydas acreditavam havia de roncehcr? E qiianilo o buddismo nos assevera que dma crnana$l6 da divindade nascera sotm a terra de iima donzclla redl, n3o julgamos rcconliecer a fillia do Ihvi(l? Mas, o que ficiim !;endo, ao aspocto de Maria, 8s oxtrn- tragantes mysliflcaçõcs das c1ivirid:ides iddicas, 0s gracinBr)LI mythos claç ttieúgoniau grcgds ? Usa cliusrua dc riytulphas,

asiaticos? O celehrc cantor de IZnkas, e 0 uellio IIo-

enlreven-

è ligiir:~da e111 algumas rniillieres

nereidaç, silphides e driadcs que roubam a :nagostade aos mares. a transparencia ao ar, e aos bosqi!es o sei1 prophe- tico silencio? Essa Venus, com a sua perigosa formosura a o seu ciuto; a Niiierra pretenciosa e soherba ; a Ceses va- gabunda; a Diana falsarncrite casta 9 Como toda essa turba

de ignobeis tlciis:is foge, e des;ipparece diarite da imagem

candida e deslumbrante da

llesrno f~lland0segnnrlo as iiléas menns piedosas e mais profanas, isto 6, confronlarido Naria coin outras quaesquer celebridades femiiiiiias : que v~iltolia ahi na vellia liistoria (porrliie ria liistoria rn;iis moderna o vulto 6 ELIA) que possa susterjiar um tal confronto? Rastejam no pb as Semiraiilis, as llelenas, as l)erielopes, as Saplios, as Zenobias, e todas as mullier-es famosas que tem csistido, indigrias, mesmo de

longe, de tocarem a rinibria c10 seu vestido. I3 SG ao scii nome que se tem associado toda a idba pos- sivel cle niagoificencia, de virturle, de gloria e (18 Iielleza. Fada lia rio inunclo, nem rilesino no que se sunlia para alem dc toclos os mundos, de esplenilido, de sublime, e de irieiiavel, que não tenlia servido de termo de comparaçáo para engi'andecel-a; e a natureza, assim como a Iiiiguagem, nada produzcrii de suave, attralienta e sgrnpatliico, que se não honre nos titulos enleriiecedores com que a iiivoca, en- tre lagrimas ou sorrisos, a de~oçáodos po~os. ihlgiins incredulos mesmo, mergulliaclos na impiedade ; perdidos no vacuo d'entre uiii passado seni crencas, e de uiil fiituro sem luz-qrianilo, com difficuldride percebem- li muito ao longe, vagamente desenl~ailaem pailido ci'epus- culo) a imagem cle i'vIaria parece que, repentiiiamcnle, vi- bra na sua alnia csmorecida e sem eccos, uma corda bar-

Virgem do Christiaiiismo !l

E, quer. a c,onside-

rem coino um ?n!jthc, um sj)i~bulo, OU simples miillier, acham para designal-a pals~rasencantadoras: l2a dei/icagüo da lizulher; a idealisaçiio da p~c?~~~n;n cllvina ci.ea$úo dic w~aisaltcc poesia-e, segundo elles dizem:-n itizcrginaçiio, nos setis ~tzuiscrrrojados vios, nalia pdde produzi^. ds mais bello !

moniosa tocaria por descoriliecida

Os desgraçados

apesar dos e'ilravios

do seu espirito,

seu corac)ão sympalliisa com o odorave1 ol~joctode tantos

cultos.-fi que os christáos it~oenla~-aoztão iormoça a sua

tantas

Virgem dilecta

lla tanto perdáo no seu olhar

6 ti0 luminosa a aureola de

immortalidade que scintilla d'aquella

guslal Como são bonitos os h~.i.i~nosquo lhe consagra a EgrejaT Com que doces e palheticos nomes a chama o mundo I Que grandiosa poesia nas imagens que a idealisam!

promessas

no seu sorriso

fronte candida e au-q

(Continha.)

BOA E MA VENTURA

Todos sabem que o Grã-Senhor toma por dirertimento

andar, algumas vezes

Constantinopla, como, n'oulro tempo, costciinaila fazer Ba- roun-al-Raschid em Bagdad. N'uma linda noite de luar, o Sult5o acompanhado do seu grã-visir, tinha percorrido muitas das principaes ruas da

cidade, sem encontrar cousa que lhe despertasse a atlenção, quando, ao* passar por' defronte d'uma loja de cordoeiro, lembrou-se do conto arabe de Cogia-I-Iassan-al-I-IIabal, o cor- doeiro e dos seus dois amigos Saad e Saacli, que tinhain opiniões tão oppostas a respeito da fortuna nos negocios humanos.

e qual 6 o vosso parecer ? pergun-

tou o sultão ao seu grnn,vizir. -Eii inclino-me a crer, sal~oo acertado parecer de vossa

magestade, que n'estc qiindo o bom exilo das cousas de- pende mais da prudencia do quo d'isso, a que se chama a boa ou md fortiina. -E eu, replico11 o sultzo, estou con\~cncidoqae os 110- mens alcançam mais pela fortuna, do que pela prudencia.

dc noite, disfarçado

pelas roas de

-Que dizeis a isto,

Não se ouve dizer, todos os (lias,

feliz ou iiifeliz ? E como so poderia cslabelccer geralmente esta opinião, se ella não fosse comprovada pela ex[ieriencia?

não ouso contradizer a vossa mageslado, replicou

O vizir. -Dizei com franqueza o vosso parecer ; desejo e quero sabel-o, disso o sultão. , -Pois bem ; parece-me, continriou o vizir, que muitas

pessoas se persuadem de que os felizes oii inrelizes o são,

porque

rja, e porquo se ignoram as circumstancias da sua vida, om

que tal

ou

tal pessoa

é

-Eu

nSo se conhecem os ponlos priticipacs da sua liisto-

22

LEITWAS POPULARES

qae teem dado provas de prudencia, ou do imprudencia. Tenho ouvido dizer, por exemplo, que actiialmente existem n'esta cidade dois homens notaveis pela sua tjoa e pela sua fortuna: um chama-se Mo?trud o JvfelU, o 0utt.o Sàladifi o Feliz. Ora, eu imagino que, se conhecessefnos toda a sua vida, achariamos qiie um é d'iim caracter grave

e clrcumspecto, o o11ti.o imprudente e inepto. -Onde moram esses homens, ii~lerrompeuo sultão, quero ou~irde sua propria bocca a sua historia antes da entrar no serraltio. -!Mourad o Infeliz, mora na praça visinha, respondeu o vizir. No mesmo instante, dirigiu-se para ali o sultão. Apenas

tinba chegado

tos e rilidosos larnentos. Guiados pelo som chegaram de-

fronte rl'uma casa, qiie tinlia a porta aberta ; viram ali um homem entregue 6 desesperação, que rasgava o seu tur- bante e derramara torrentes do lagrimas. Perguntam-lhe pela causa de tão grande desgosto, e esle Iiomem aponta- llie para o cháo, onde jaziam alguns fragmentos d'uma jarra de porcelana.

i praça, logo soaram aos SOdS ouvidos gri-

-Na

verdade, era um vaso magnifico, disse o sullão,

apanhando um dos bocados, mas porque motivo ha de uma jarra de porcelana ser causa de tamantia descspertição? -Ali ! senhores, disse o dono do \mo, interrompendo as suas IarneiiEaçÕas, pelo vosso traje vejo que sdis corn- rherciantes eslrangeiros: por isso igrioraes quantos motivos tenho para me desesperar! NGo sabeis que fallaes a Mou- r%d,o Infeliz. Se soubesseis quantas infelicidades mo perse- guem ~desrleqiie vim a este mundo até este momento, tal- vet vos coudoesseis de tniin e desseis razão ao meu deses- ijoro. Estas palavras ainda excitaram mais a curiosidade do sdltão, e Mourad, esperando encontrar alguma sy~npatliia por causa do suas penas, decidiu-se a satisfszer-lhe esla du- flosidade, narrando-lhe as suas aventuras. -Senlioi*es, se 170s quereia sujeitar a entrar em casa do dm ente t3o infeliz, como eu sou, e u passar uma noite de- bdirio das minhas telhas, ouvireis, i vossa vontade, a his- tória dos meus infoi-tunios. O sultão e o vizir desculparam-se de não pdder passar

LEITURAS POPULXLES

23

a aoite com Mourat, dizendo que se viam obrigados a vol- tar para o seu Irhar (logar da venda) onde, sem duvida, os esperavam os seus companheiros. Pediram lho que os dei- xasse descançar ali só rinia hora, e que, rloranlo ella, lhgs contaria a hisioria da sua vida, se comiudo esta lembrança não lhe renovasse muito os seus desgostos. Poucos liomens lia, por muito infelizes que seajam,que não goslem de fallar nas suas desgrüças, quando elles teem, ou julgam ter a certeza de qua alguem se interessa n'ellas. Por isso logo que os suppostos negociantes se seritaram, Maurad principioi~a sua Iiistoria pelo morlo seguinte aRleu pae era mercador d'esta cidade. Na noite, qiie pre- cedeu o meu nascimanto, sonhou que e11 vinha ao muqdo com cabeça de c30 o cauda de drapuo, e que, procurando occullar a todos a minha disformidnde, me embrulhava em um pedaço de pano, que desgraçadamenio se corilieceu ser o turbante do gran-senlior, o qual despeilado por causa d8 insolencia do profanador do seu tnrbante, mandou quo irn. mediatamcnto Ilie cortassem a cabeça. aMeu pae acordoii antes de ter perdido a cabeça, Pilas não sem ter perdido parte do juizo em conseqiiencia tlo terror, que Ilie causoii este sonho extraordinario. Era um acerrimo crente do dngma da predistinação c por isso per- suadiu-se que ep seria para elle a causa de grandes des- graças, e isto fez com qiie elle me tivesse aversão, mesrn9 antes de eu nascer. Tinha este sonlio como uma adverten- cia do ceu; nunca me quiz ver; nem mesrno se qutz certi-

Linha vipdo mundo com tima cabeça de cão

e cai-idri de dragão, e no dia seguinte do rncw nascimento partiu para Alepo. aEslevo ausente mais dc. sete annos e cluranle csle tcmp0

a minha educação esteve totalmente desprezada. Perguntei

um dia a minha mas, porqiie motivo me tinhain poslo o noine de Rlourad-o-Tnfcliz. Ilespondeu-me que esto nomq provinha do sonho de meu pae; mas accrescentou, que ,$a- ria facil fazel-o escluecer tornando-me fcliz; no decurso cla minha vida. A mirilia velha ama, que se acliava proseate, desta occasião, abanou a eaheça com iim niodo do que ep nunca me esquecerei, e fallou em voz baixa a minha mgp,

ficar se eu

qias não lão baixo qiie eu náo oiiviçsa:-Ello foi, e, 8 ser& sempra infeliz. Aquolles que nascem sob a inllilencia (l'urna

24

LEITURAS POPULARES

mi estreita, nunca podem conseguir nada, e não ha nin-

guem no niando, ainda mesmo que fosse o grande propheta &Iahomet, que resista a esta influeccia. I3 uma loucura de uma pessoa infeliz o querer lular contra o seu destino ; é

melhor ceder logo. @Estaspalavras fizeram uma impressão terrirel no meu

espirito, ainda que então era muito creaoça ; e cada acci- denle que depois me aconteceu, confirmou a minha crença no prognostico da minha ama. Contava oilo annos, quando meu pae regressou das suas viagcns. No anno seguinte nas-

ceu o meu irmáo Saladin, a quem pozeran? o nome de Sa- ladin-o.i?eliz, porque no dia do seu nascimento entrou fe- lizmente no por10 um navio carregado de ricas mercadorias para meu pae. aNáo vos relatarei a serie de todos os acontecimentos menos importantes, que fizeram brilhar a feliz eslrella de meu irmão, mesmo na sua primeira infancia. A medida que crescia em idade, todas as cousas que emprebendia sarliam

táo bom efftito, como era mio o de lcidas aquellas que eu

tentava fazer. Desde a chegada do navio que viviamos na abundancia, e a supposla prosperidade de meu pae era na- t~lralrnente attribuida ri influericia da feliz eslrella de meu irrriIo Saladin.

(~Saladintinha yuasi vinte annns, quando meu pae adoe- ceu perigosamente : coino conlleceu que se aproximava o termo da sua vida, mandou chamar meu irrnão para perto

do seu Icilo, e corn grande surpresa para elle Ilie declaroil

que a inagnificericia em qoe viviamos tinha esgotado as soas

riquezas ; que os seus negocios estavam em grande confu- são, porque se tinha Gado na esperança d'uma continuidade de fortuna, e tinha enlrado em especulaçGes superiores aos seus meios. aEm summa, para dizer tudo em poucas palavras, deixava a seus filhos duas grandes jarras de porcelana, no- taveis pela sua bellezs, porem o qne llies dava maior apre- ço eram uns cerlos versos escriplos na superficie em cara- cteres desconhecidos, e que elle suppunlia terem uma vir- tude, OU uin enkanto mysterioso ern fdvor dos seus possui- dores. aitIeii pae legou estas duao jarras a meu irmão Saladin,

declarando que não poùia deixar este proo,ioso deposito em

LEITORAS POPGLARES

2s

meu poder, porque, como eu era tão infeliz, corria o risco de se quebrarem em minhas máos. Comtudo depois da sua morte, meu irmão Saladin. que era dotado d'um generoso oaracler, dei]-me a cscolha d'uma das jarras, e fez todos

militas vezes, que

não tinha&, nem acreditava na boa ou wzri uentzwn.

os esforços para me animar, repetiudo

(Continha.)

OS ALIENISTAS

Tal era o titulo de um artigo do sr. Francisquí? Parcey, o qual póde resumir-se em poucas palavras. Fallando dos insurgentes de Paris, empregados na triste tarefa de tudo alienar, oii aniquilar, se expressava assim: «Os insurgentes não teem o seu livre arbitrio, são impellidos por uma lou-

cura contagiosa; em

se empregavam em andar deitando petroline por toda a parte), ellas obram sob a influencia de uma doença epide- mica da nionomania incendiaria.)) Parece que o arbiciilisla queria chegar a esta conclusão:

Se os insurgentes estavam loucos náo podiam ler culpabi-

lidade pelos seiiç actos; se as mulheres estavam debaixo da influencia de uma doença epidemica, era uma barbaridade fuzilal-as, oir atolliar d'ellas as prisões. Tambem por cá temos quem desculpe e defenda os com-

munistas e ate os

para cA a epidemia ou triste mania. O sr. de Skgoyer, cornmandante de caçadores n.O 26, dis- poz o seu batalli80, á esquina da rua de Santo Antonio de modo que ficasse a coberlo dos fogos da primeira barricada' da praça da bastilha. Antes de mandar atacar, avançou elle sbsinho a fim de reconhecer as posiçóes do inimigo. Seguia pela rua adiante, fumando o seii charuto, e em tlirecçáo á praça; mas apenas tinha saido debaixo das vistas do bata-

lhão,

laleraes, e O levar10 preso. Conduziram-n'o at8 ao c:inal de

S. Martinho, untaram-n'o muito bem de pelroleo e o quei- maram. llabilidades dos alienistas! ou eifeilos de uma ter- rivel doença epidemical! Os habilantes d'aguelle sitio 6 que presenciaram e refe- riram o caso.

quanto 9s petroleadoras (mulheres que

incendiarios; Deus queira que não passe

8 acommettido pelos insurgentes, que saem das ruas

26

LIIITURAS POPULARES

Diz-nos uma senhora muito affecta á medecina homcepa- thica que para a terrivel moleslia do aniel tismo é remedio lahilivel a hontrepcrtkia, e que, applicando a aos enfermos de t;il doença, dando-lhes banhos de petroleo e pondo.lhes fogo, ficam completameiite Livres.

BOH COMMUNISTA

Em ofHcinl da guarda nacional se apresenta, de rnadxiu- @da, em certa cornmunirlade. Pergunta por frei X. O res- ip'eí'%vgl frade se apressa a receber a visita. --Meu IrrnSo, diz o oficial, denlro n'nma hora virão

parte cerla. Eu que es-

tou incumbido de desempenhai' esta importante diligencia. É nccessario fugir e qual110 antes. -Como poilerei faze1.0 ? clisse o frade ; não serei capaz de dar quatro passos que não seja logo preso, por causa do meu liabito. -Aqui eçli outro fato, que eu vos trago; ú veslil-o quanto

prender-vos. Tenho esta noticia de

antes. -filas para onde hei de fugir? -Por tal porla; aqui esta urn passaporte em fhrma, que

é o nneu. Assim que tiverdes transposto a porta da cidade,

dirigi-vos

pulos vossos.

-Mas, querido senhor meti, este passaporte dá os vos- sas signaes. Os vossos cabellos são pretos e os meus s20 brancos. -Aqui temos com que os tingir, e hareis de permittir

qus vos faça esta serviço. Em policos minutos, se faz a operação e o bom frade se apresenton desconliecido, Parte, e o oficial foi para o seu poSto. D'ahi a uma hora, voltou á frenle da sua escoltd, deu

busca ri1 casa deSda a disperisa at6 ao cèleiro, gritou, ber- rerr COMI grandd 6scandalb1e Su8t0 dos visinhos{ e se foi

embora tão furioso quanto

Entre tanto o nosso fugitivo chegava a' casa da mãe do

a casa de; madame P., mãe de dois antigos disci-

Ella esta prevenida, o espera por v6s.

lhe foi possivel.

commandante da força. Nunca bem desempenhada.

houve uma diligencia tão

Os males, que esinagam a França, tambem algum dia pe-

sarão sobre Porlogi~l,e pezarão

fizermos por aproveitar os avisos que o c60 nos dB, os exenii-

plos que nos apresenta, castigando os riossos irmáos dos outros povos. Os dias succederri.se, como se siiccedem os

seria qiie todos ponderassem, com

tanto mais quanto menos

acontecimentos, que bom

madiires;) e reíit:xão, que as iilbas libertinase impias, ensi-

nadas e adoptatlas em França, fizeram, em poucos mezes, da primeiro nação do mundo o escai-mento, o espellio em que devem mirar-se os outros povos que t5o cegamente deram em pensar ai frpanceza,para proceder e obrar em har- monia com o pensamerito. Do muito bem que Iiavia em França só tem viiido para nbs iniiito pouco e isso mesino como objecto de contrabando; do immenso mal que por 16 havia tem vindo e penetradc a jorros; por toda a parte e scm rebiiço riem obstac~ilo Se n;io oltiarmos para Deus a tem-

p,o, os dias tristes da França clirislianissima virão at6 n4sl Misericordia de Deus! Não 4 somente o triiimpho simples de uni partido qilie os federaes prociiram; o que elles protondern 6 a mudança

absoluta na ordem das

texto; o nivelamento 6 o fim unico. Hoje cornineitem-2e em Paris mais crimes n'um sb dia, do qile se cornmettjarn n'iirn anno, antes de começar a guerra; mas nunca se rsgistaram menos (19 que actualrnon- te, e assim devo ser, porque, aslantlo o porler na mãodos criqinosos, não seriam elles tão tolos que rogistasscni os seus actos, ou se fossem entregar d jusliça e rnetter-se na ç;id$a, pelo conlrario roubam os individiios e os prendem. Contam-se alistados pelo americano Clascret nas fileiras do exercilo da Communa de Paris 40,000 estrangeiros, aveR- turgiras de nações diversas, que se reservam para o nio- monto decisivo dispostos a fazer saltar Paris pelos ares. São 48,000 garibaldirios sem ùistincção de nacionalidade, 7 000

cousas. A communa pode ser o

pro-

28

LEITCRAS POPULARES

inglezes e fenianos irlandezes, 1,200 gregos, 600 america- nos e outros tantos liespanhoes, aliemães etc. O qce porém faz pasmar 6 que todos acham in~possivel um tal esiado de cousas, mas todos se submettem de bra- r,os crusados i anarcliiat Assaz critico e perigoso tem sido o estado cle Paris. N'al- guos bairros, por muitas e repetidas vezes, se tcm feito caça aos homens, como se fosse As feras, para os obrigarem ao serviço militar da commilna. Tem-se feito batirlns pelas ruas

e buscas petas casas, e coitado de quem resisiir, Ka rija de Trevise, foi aparil.iado um çugeilo pelos sol- dados do sr. Delescluse; prelendendo escusar-se, alloga que ji passa da idade para servir na guarda iiaciorial. A rt?s- posta quc tevc foi ser atravessado de lado a lado e prega- do na parede pela hayonela d'um soldado. Houve um grito de liorror geral; mas os soldados nem por isso deixaram de continuar com a sua rnisersvel tarefa. -Na ogreja di: S. Pcdro, em Rlontmarlre, a5 vendedei- ras de viritio e licores fizeram dos altares balcão, servindo- se rlos vasos sagrados, para medirem e venclerem as be- bidas. -Anda-se em continuo perigo ; exige se com torlo o ri- gor a qualq~iero seu titulo de identidade de pessoa, nas roas, nas prLicas e ale nos omnihus; o primeiro iniliviiluo, que appareco, prende e exige o titulo ou passaporte a qucrn 1Iie parece. -Nas reuniões turbulentas, que houve na egr'eja de S. Sulpicio, siibiu iim tiinante a duas cadeiras, coin iini pi! em cadauma e berrava como um demonio:-Abnixoo Cliristol Urna bi-etã; de baixa eslalura, fez signal a outras rnullic- 1lieres;'tiraram ao mesmo tempo arnbas as cadeiras r. o mi- seravel deu com as costas em tdrra, o que fez rir rnuito a riiultidão. -A egi'eja de Nossa Senhora das Victorias foi irivadida pelos fedaradas da communa, que tudo roubaram, saqiioa- ram, destruirairi' e despedaçaram. ,A ihagem de S. Pedro foi ignoùilmento rnulilada.'Só as imagens de Nossa Seriliora

e S. $os6 foram poupadas. A índigna~iíodos' fieis não podia ser maior, mas não pü- dia impedir os sacrilegos allentados.

I.BI1UllhS

POPULhliu-

Sf

o os reis trocarem as insignias da realeza pelo cilicio, e pe. lo burel. O mundo reconhecia na voluptuosidsde a lei suprcrn,i.

-Appcrrece Maria-a ~mmaculada;'- e os suaires encaulos da virgindade que livrernerile se consagra, os inaudilos triurn- phos do espii3itosobre a inateria povoam o muudo de to- das as caslitlades. Virginea turba vae, louca d'alegria, de- por sobre os altares d3 Virgem as suas corôas de brancas grinaldas.-Muitos esposos mcsino, desatando os terrestres laços da sua união, váo aos pés d'aqnella que fora Virgem- esposa, e Esposa-virgern, trocar o affecto conjugal pelos dul- eissimos enlovos d'um anior todo celeste. Deis:irn enião de

ser esposos como o enterido o rnuridu-sZo

que \Tio celebrar no ceo suas eternas riu[)cias.

A naialia 110s R1aistyres soll'rera junto a cruz todas as do-

res de

seti Fillio.-esgolira todas as amarguras do seu ca-

Tix: dcsdc logo, as grutas da Libia e da Thebaida, as soli- dõus c os clniitros, os palacios e as cabanas, se povoilm de

cruci9caùas virliinas, que expiam com austeras penitencias os peccados dos Iiorriens qiic Jesus resgalii-a com todo o seu sangue, e Maria clioriira com todas as suas Iagriinasf

lii que prodigios de caridade n17o refiilgcrii c10 seu cora-

@o, sul~limeirilerineilio entre a rniscricordia de Dcos, e a miseria do lionicm! De toda a ctiristaridade se 1l.ie dirige, sem cessar, iim brado iriestinguivel. 1;:o conjiincto de to- dos os gritos da hunianidade culpada, rebelde, criminosa, aviltada, que percorreu infiscrie a escala cle todos os crimes, desde o mair pensamento e o roubo, a16 i blas1)liemia e ao Deicicliol

E o lamento sem fim da Ilnmani(1ado soffrente, mise-

ranila, lacrimosa, esmagntla e despedíi~ada por todo o gc- nei'o cle Lortoras desde ii enfermidade e a fome, atin ao mais in'çnndavcl abysmo da dôr inoral.

14 a desesperaqão da máe, essa rainha dos affectos, que, junto ao leilo do fillio agonisante pede, em ptirases iricobe- rentes, impossiveis, loucas a rida a vida de seu unico filho, unico esteio da sua viuvez, unico amor do seu cora-

Anjos de Dccis

cão,

E a prece da esposa, a quem atrozpolitica roiibdra o es- poso que se clefinlia no desberro.

83

LCITUilAS

POPULAIIES

ll a oracão da pobre orpbã abandonada e sb, pedindo o

repouso eterno

ll o suspirar ardente do mancebo, conlemplando, qual

flor pendida i beira do sepulchro, a joven esposa que lhe for? dulcissimo c desafortunado amor.

do filho pedindo vida e força para ser o sus9

tentaculo de sua valha mãe.

E são tambem os clamores dos naufragas, luctando coa

para a alma de seu pae.

E a supplica

a procella no furor das tempestades.

E

as preces da piedade que bemdiz e perdoa.

E

os gritos do romorso terrificado e pavido.

E

as vozes d'uns pedindo o repouso na vida; oulros, a

paz da sepultura.

E são os lamentos das victimas de todas as revolur,ões

sociaes, As queixas dos pov'os opprimidos, e espoliados.

Os gemidos

dos reis,

São

que se santiliçam no exilio - c

tambem dos reis, que deixaram sobre o throno um rasto de

lagrimas.

os queisumes de torlos os desterrados. - As saudar

des de todas as palrias. E os prantos de tantos pobres. O eçtertor de tanlos agonisantes ! E finalmonte o calaclysmo permanénte e incalculavel de, todas as dores humanas, eccoando unisonas em milhares d~ idiomas: -!SIarial-Maria santissima-Mãe de misericordia,

vida, docura, esperança iiossalll 6 eis que, do seu radiante ceo, desce a nós a especiosa

o que vem Ella fazer fi terro?Qnel o ser mais

Virgem!-Mas,

form~soda creaçáo-a qu~d'ella surgira perfeitampnts pil-

ra, poder4 Gxar um quadro de tanta deforniidadel Não te-

merá tocar com

ignobcisl A sanba, por- excçllencia!-t5o santa que chegou a ~apti- vqy o coração dq suntidcccls increada- qJo fugirti horrori-

o delicado pB o lodac,al de tantas priixóes

sada ao

tio bells, $50prodjgi~sa,tão pura, é egualcgente a mais tcn- na de todas as mães.

Ella vem trazer aos dçsg~açadosa consolaç%oe. a espe- rança.

aspectQ de tanto$ peccaclos? Nãol que essa inuiber

LCITUnAS

POPULAnCS

39

Vem transformar em perolas de eterno valor as lagrii1i;is da mae, da viuva, da donzella e do orphão.

a onda embravecida, e

serenar os furores da tormenta. Vem segredar ao ouvido do agonisante um nome queri- do e salvador. Vem offerecer perdão ao remorso, e sorrisos á piedade. Vem collocar-se, como escudo impenetravel, entre a jus- tiça de Deus e os peccados (10s homens. E qual arvore de fi.ondosa ramagem, estender sobre n6s, ali? d consummaç'\o

dos seculos, a sua sombra protectora. E quando n'essc terrivcl dia, cuja lembrança basta pa- ra nos gelar de teri-orl-N'esse dia cuja noite, será a noite

eterna do abysii!ol-Quando

res-o liorror do passado, o liorror do futuro! 06s vir-

o sol-agonisar a

natureza-cliorar a creaflo - rugirem os n;iinrlos revoltos, pasniados de voltar ao cahosf Qiian~lovirmos a morte surgir visivel e nua c10 seu an- tro desconhecido, patentear A nossa intelligencia espavorida

o mysterio da sua cxislencia levantar corno lropheo a foi- ce amcaçatlora mil vezes miiis terrivel, porque clla scnte

a morte, que tnmbem vae mori~er! Quando, contemplaritlo o ala1 na sua essencia multifor- me, a fiente da sua hedionda pt~nlangede crimes, jd sem vkos, nem disfarces, nem sophismas, nbs conhecermos a inex- plicat7el origem do sei1 ser! Quando nos for revelado o caracler d'esses mesmos cri- mes

mos enlenehrecerem-se os astros-fugir

iinmoveis entre dois liorrn-

Vem tocar com a mão formosa

Quando conhecermos que o

orgullio,

a impiedade,

e a

heresia, sáo a revolta sacrilega, segredada pelo espirito da

soberba, contra a lei de submissão imposta pelo Ci8eador. Quando virmos que os excessos commettidos pela ctile-

ra, pela avareza, pela intomperaiiça,

nua e cruel sobre os jii flagellados mcmbros do Iiedein- ptor.

são a ilagollação conti-

Quando virmos como a vaidade e a inveja poderam trlins.

irradiado do coração de

Quando coriliecermos que 3 impiiroza 6 a 1)rofanação da

cousa horri-

formar ern odio o ineffavel amor DOus para felicitar o mundo.

imagem de Deus esciilpida r.a nossa alma; i?

40

LEITURAS

POPULARES

xfel!! atirar com punhados rle lodo infecto á face puridsi- ma do Salvador! Quando virmos, que horrivel transtorno operou na ordem da creaçáo a ferocidade, a malvadez, a ambição e o roubo, reganrlo com sangue e lagrimas a terra, que Deus regira de fecundante orvalho-devastando o solo, que Elle, com tan- ta complacencia, alcatifira de fructos e de flores. Quando, finalmente, ld no grande dia da ira, a humani- dade de todas as eras comparecendo janta, compacta, petre-

a tremendissima justiça de Deus, clamar, com sem nome na lingua humana1 sem idCa entre

esse pavor

ficada perante

todas as idéas possiveis! hrlolztaJns cai solr~~sndsl E enláo

que conheceremos quanto nos foi valiosa a protec~áoda nossa celosto Amiga. Se Ella fard ainda valer o seu duplo poder de Rainha e de Mge; se dirá ao Eterno: perdão pa-

ra os

rependeram.-Para

em troca de lcdas as minhas lagrimas Salvel tres vezes, salve1 O sublime fonte do amor mais puro!-Consoladora dos desgraçados-hjãe dos orpligos- Balsamo para todas as feridas - Refugio contra Lodos os naufragios-E'em teu seio, ó Snntal quo as lagrimas do 110-

mem culpado se transformam em perfumadas rosas com que, um dia, formards a coroa promettida ao seu arrepea- dimenlo! Avança pois no teu caminho sublime-Faze cl-iover sobre as nossas cabeças criminosas torrcntes de perdão e de graça-Depõe aos p6s do excelso Tlirono os nossos co- raçfies involvidos em tado o sangue, em todas as lagrimas do Calvariol-Divina Missionaria, progride na tua missáo

grandiosa; exerce, em nosso favor, o te~itriplice poder de Filha, Esposa e Mãe de Deiis -Entre a Sua grandeza que nos espanta, e a nossa miseria que nos aniquila, a suavis-

meus amigos, perdáo para os meus tilhos, que se ar-

elles a eternidade a eternidade feliz,

sima transição

-0' sempre Virgem Maria!

6s tu

O' Clemente-O' Piedosa-o' doce:

Encontramos na Semaijze Rcliqieusa de Tournai o segnin- te curioso dialogo, que nos parece bem digno de transcre- ver-se. Ei1.o :

LEITURAS POPULARES

41

áNo anno 44 da era vulgar, um pobre viajante percorria o caminho Aurelianno e aproximava-se dos muros de noriia. Chamava-se l1edro e vinha tomar posse da cidzde Eterna.

Não era portador

de garantias.

nem de notas diplomaticas, nem ila leis

Não tinha exercitos, nem podia dar banquetes

sumptuosos. Trazia uma simples cruz. Um padre da Egreja nos apresenta Pedro encontrando

am pagão 8 porta Janicula, e põe em sua boca o seguinte dialogo:

Pagão-Onde vaes tu, estrangeiro 7 Ped1.0-Venhoprhgar em Ronia tim Deus desconhecido c desiruir o tlirono de Satanoz. Pagão-E: quem 6s tu? Ped~o-Um d'aquelles Judeus que tanto detestaes. Pagão-Tu és sem du~lidnalgum grande e rico Judeu? Pedro-Sou um pobrissimo pescador. Pagcío-&Ias tu ks um homem sabia? Bedvo-Nunca estudei. Pagão-N'esse caso deve ter muitos attractivos o Deus, aja religião vens pregar aos Romanos! Pedro-B' um Deus, qiie morreii por todos os homens, e foi criicificado entre dois ladrões. Pagão-E quo vens tu pregar em nome d'esse Deus? Pedro-Ilumildaile e sacrificio; guerra ao orgulho e 5 carne.

Pagão-E

insensata?

pretendes estabelecer em Roma essa doutrina

Pedro-Em Roma o em toda a parte da terra. Pagão-R por quanto tempo? Pedro-Por todos os seculos. Pagão-Mas tens a Cezar pai. ti?

Pedro-Cezar?

Venho despojal-o do soberano pontifi-

eslabclecer minlia s8de n'esta Roma, que d'aqui em

cado e

diante ser8 rninhn Roma. Pagão-Elle far-te-ha morrer. Pedro- llorreroi por Jesu-Christo. Paglio-Vae, pobre insensato; nGo se pode imaginar mais solemne loticura. Pedro continua seu caminho e põe se a pregar o Evanga- lho. Passados vinte e cinco annos de pontificado, foi cruci-

ficado; mas ~uccedeu-lheum outro Pedro, que se chamava

42

LEITURAS POPULABEQ

Lino, depois um outro, e Um outro ainda por uma serie

nunca interrompida ate Pio Q. E os Cezares de~appareçe-, ram, desappareceu o Imperio, desappareceram cem dynas-s tias; o Papa ficou Rei de Roma.

Esta realeza durava desde ha doze seculos, e eis

quequm

rei piemontez se introduz na Cidade Eterna para deEnitiua3, vamente despojar o siiccessor de S. Pedro. A sua entrada na cidade, este novo rei deixa escapar uma pal8vra de sq-, tisfa'ação; um catholico lhe responde, e trava-so o seguiqt@

dialogo: Rei-Eis-me finalmente em Roma. Prornetti

do chegar

que meios vos serlriates piira entrar? Por

61-1os3 justifica. Estou

em Roma, e a throno de Italia, urna e indivisivel, aqlli per- manecerá ate ao fim dos tempos. Ccrtholico-Estaes d'isso bem convencido? Rei-Muitissimo. A Italia esti completa. Desgraçado d'a- qu~lleque lhe tocar1 C~tlio[ico-E que quercis v6s fazer em Roma?

aqui no dia

"Le jiilho, e aqui estou.

Crilholico-De

quanto tempo vos deporgreis aqui?

Rci-Que

importam os meios?

Rei-Refazer

o que desfq S. Pedro.

Catholico-E julgaes-vos com forga para isso, o11 s,enRor?P Rei.jim, tenh~cem causas que falkaviim, a S. Pedr~. Catholico-Cem cousas I

Rei-Tanb~ dinheiro, a S. Pedro não o tinha. Tenho po- ças d'artiliieria, espingardas e soldados, e S. Peclro não o$ tinha. Tenho guardas civis, jorn$list8s, empregaclos,' depu-

tados, senadores

e plebiscitos; o S. Pe0ri.o nada tinha & Eu-

mais tendes, mui podepsa prinoipe?

do isto.

Catholico-E nada

$ei-lle~lio toclos qs ifanc-rnaçons d9 unluerso que; me qpplaildem e a,uxiliarq. Cntlbolico-E que mais? Rei-Tenho' os governos ; uns cqnplices, clutros indiflo- rentes ou que nada podem fgirep. Cntboljcor;.E nqda mais? Rci-Ainda não 6 tudo; tenho a estreltn d'Italia, OO~V. mendac?ores e cavalheir~s; tenho sgenL'etF9 d$ p~iicia;tenho

por ~itptodas as paixõcs humanas, tenho tadas os royolq? cJgni(rios mgrtgs, e vivos.

LUITURIB POPULARES

43

Catholico-Mas tendes a Dous pela vossa parte?

Rei-Não;

deixo Deus ao Papa.

Cafholico-Muito hem, senhor, ((fareis fiasco,»-sallireis

hjal da empresa. Rei-Tenho

361-0.

sido bem succedido até aqui; continuarei a

Cntholico-Não vos saireis bem; eia. vol-o assegiiro. S. Pedro pode occupar o logar dos Cezares, porque, privado de todos os meios l-iilnianos, tinl.15 a Dous por si. Vós não

occuparcis o logar dos I'aprts, porqile, apesar de terdcs to-

auxilio de

Deus. Ouvindo esta reíiexzo, o rei se poz a rir e desappareceu,

S. k3ediboparecia

urna impossibilidade, quanto lhe parece facil a sua con-

quisla. E todavia o mau exilo go excommungado 6 tão cerlo, co- mo è innegavel o triumpho de S. I'edro. O governo ilalia- no crê que a sua obra recebeu o coroarnerito no primeiro de jullio; do primeiro dc jullio, ao contrario, d;itarA a sua ruina. Escrevemos islo n'uin dia, eni que escresel-o pare- ce uii~aloiiciii3a.filas as nossss pala\rras ficaráo, e cilal-as- hemos mais tarde. O hymno para a tomada de posse de Roma estíi ji composto, desde Iiri muito tempo: e o Iigm- no que os rOpohros repetcni nos abysmos: Nds insctzsati! «In$cnsatos que 116s eramos))! Nero e Napoleao o cantaram blaspliemanllo; o novo Cezar de Iloma sc 8isp6c a repetil-o.

porque tanto a conquista de Boma

dos os meios t~urnanos,falta-vos o principal,-o

por

PALAVRAS DE PIO IX

Repelimos un~aspalavras que nos foram ditas pelo sr. abbade da de hlraga, e que p0r elle, mais tl'oina vez, forarn ouvidas da psopria boca de Pio 4X: Uniiio, o~~açdo; o Lrizl?,zplio é certo, e czt hei de vcl-o; iuas o di(6 77iFo o sei. É de suppor e miiito para crer que o Sarilo Padre qui- zesse dizer que, cslando elie ainda na terra \,cri o ilcsoja- do e ccrto triumplio cla Enrejii; mas t;iml)etn pode scr que do cco é quc clle coiito \JC~a Egreja lriurnphanie na terra. Uliidos em oraçao c siicriIicio n3o cesseinos c10 implorar> a fnisericordia do Sacordolo eterno, Victima pura d'uiu podd

44

LCITUR.AS

POPULIRES

vo ingrato, para o seu Vigario, victima expiatoria, martyr de espirito, e para a sanla Egreja, esposa do Cordeiro. As- sim unidos venceremos. Kão lia ariilheria, nem macbina alguma de guerra, nem

embustes nem

sam vencer as duas armas do christão: a prece e o sucr.ific90.

ca~ilac,ão.nem força ou malvadez, que pos-

Orar, soffrer e esperar, para triumphar.

A ECREJA EDIFICADA

Emprehendeu uin rei virtuoso levantar uni templo 5 Vir- gem, e como queria clle sO ter os merecimentos e a fama, fez annunciar por todo o reino qiie nenhum dos subditos

estava aiictorizado para concorrer nos gastos d'aqiiella fa-

])rica.

Edificoa se pois a Egreja de exclusivo bolsinl~odo so- berano ; e construida, ella designo11por uma inseripçáo ds letras de ouro que a dcspeza toda correra apenas por sua conta. A noite immediata, mão, qiie ningriem distingue, apaga o nome do rei, e substitue-o pelo nome de uma po- bre, de extrema niiseria; pela manbá cedo accorrem a con- tar ao soberano, que se apresta a restituir o seu nome na jnscripção de letr~sile ouro. O dia seguinte igual troca, e identico reparo, e assim tres dias da enfiada. Inquieto de co- lera, ordena o Rei que lhe conduzam a pobre, que era uma velha, bem velha, a quem exprobra a violação do decreto.

- Senhor, responde a pobre a tremer, respeitei os vos- sos decretos, Deus bem sabe quanta pena qtie eii tinha de não poder dar lambem a minha esmola em honra de Nos- sa Senhora; mas como eu me senti desconsolada e triste por nHo poder nada, e me pareceu que assim não desobe- decia a Vossa mrigestade, diminui na minlia comida para

(le feno, que levava ás escondidas aos

animaes, que acarretavam as pedras para as obras do templo.

O rei então respondeii-lhe que o merecimento d'elle era

maior, e que o seu

noma mais que o d'elle merecia ser

collocado na inscripção de letras de ouro. Mas a noite immediata a mão invisivel escreveu de novo 0 nome do rei; e então 4, que elle ficou escripto para sempre,

.4 proliibição era atS concebida no tom mais ahsoluto.

comprar um pouco

LEITURAS

POPULARES

48

VIET03 HUGO E OS FRADES

Um aucthor celebre disse:

~Izeunem-sealguns homens e vivem em conimurn, em virtudc de que direito? Eni virlude c10 direito do associa- ção. Encerram-se em sua casa e com que direito? Eni virtucle do direito que tem todo o homem dc abrir ou de fechar a sua porta. Não saem, e com que clireito? Em virtude ilo direito que cada um tem ile sair ou n30 sair e que lhe dh o direito de ficar etn casa quando 1110 parecer. «E alli em suas casss o que Smm? Fallam em voz baixa, abaisam os olhos e traball-iain. Renrinciam ao munclo, as cidades, 4s sensualidades, is ~laitlades,aos orgulhos, aos interesses. Vestem-se de grossa I4 ou d'ouira qualqiier Ia- zend~ordinaria. Nenlium d'ellos possuo corrro seu seja o que for. Entrando alli o que era rico, faz-se pobre. O quu tem (ia o a todos. a0 yue era, o cjoe se chama iiolire, fidalgo ou senlior, 6 egual aquelle que cra carnponcz. çella S a iriesrna para todos. Todos passam pcla tiriesma tonaura, usam do mesmo hahito, comem do nicsmo pão negro, dormem na mesrna palha, morrem sobre a mesma cinza. Teem o rnesino saco ds costas, a mesma corda A cintiira. «§c rcsolvem ir com os pés clescalços, todos ~ãodescal-

ços. Se entre

pe 6 o mesmo que os outros, aqi~inão 113 litulos. Ate OS agpellidos de fainilia estão riscados. Elles riZo toem senão os sobre-nomes. Todos se conforrnaiii com os norries que receberam no baptismo. Dissolvei'am a familia carnal e coris- lituiram na sua communidade a faiiiilia espiritual.

~Ellesnão teem outros parentes sonso Lodos os homens. Soccorrem os pobres, tratam dos doentes. Elegem aquelles a quem obedecem. Chamam uns aos outros: «Jleu irmão., r0ram. A quem? a Deus.

elles se encontra algum principe, esie princi-

uAs pessoas

de pozcca

ro/lexÜo,

os estozcvados, ilizem:

De que servem estas

figuras imrnovois do lado c10 mgsto-

rio? De que ser~;enz?o que fazem? - Niio Ira t~lreu.odni

mais sz~blimedo gzhe n que [aze~nestas abllas. Talvez quo não haja trabalho mais util. Fazem muito bem aquelles que oram sempre por aquellcs que nunca rezam.,, Quem 6 que fala assim?

46

LCITUR~SPOPULARES

Viclor 1-Iugo. De quuni fala elle? Dos frades, dos monges.

Um monge é um christáo que foge do mundo, para tra-

balhar com

homem que se retira dos outros Iiomens, n2o por odio, ou porque os despreze, mas por amor de Deus e do proximo, e para melhor os servir conforme melhor tiver regulado

e disposto a sua alma. Esta idéa de retiro, de solidão, é mesmo a raiz da pala- vra monge, que [em d'uma palavra grega que significa so- litario. Mas como muitos cbristáos toem em todos os tem- pos obedecido ao mesmo impulso, estes solitarios tem-se encontrado; deste modo toem reconstitiiido a vida commum a que pareciam fiigir, e esta vida, fundada sobre uma com- rnunidade absoluta np pensamento e na acçso, fez a baze o

a força do estado monastico, diz o conde de Montalembert. Mas não hasta só ao monge o separar-se do miicdo, e preciso tambem que elle se abstei~tiado que e licito no mundo. O monge e pois essencialmente um homem que se priva do que poderia gosar sem o mais leve escrupulo. Toma do Evangelbo não só o preceito, mas tambem o con- selho. Para evitar o que é prohibiclo, renuncia an que 6 permitido; para conseguir o bem, aspira 4 perfeição; para estar mais certo da sua salvação, quer fazer mais clo que 0 preciso para se salvar. Submette-se a um genero de cast,i- dade, de submissão e de pobreza, que não se exige a todos

os cliristãos. Reguncia por um esforço generoso do seu li- vre arbilrio aos vinculos do matrjmonio e da familia, á proa

priedade individiial e .ti voutade pessoal,

plice sacrificio sob a protecçiío d'urna promessa irravoga-

vei, d'um voto. Tendo assim triumphado r10 seu corpo pc- la conlineacia, da sua alma pela obediencia, o do mundo

pobrcza voluntaria, vem, tres vezes vencedor, entregar-

pela

$e a Deus e tomar logar na flar desto exercito que se cha- ma Egreja. Mas é ao Evangolbo que llerlenca fecundar e perpetuar estes exemplos, As palavras do Redemptor, Filho de Daus, eram formaes. Ella tinha dito iqoelle rnallcebo a quem ti- nha amado, tendo-o visto s6 uma vez e que Ilie perguntam .qual era o caminho para a vida etsrna: ((Urna cousa, te

mais segilrança na stia salvação eterna. E um

e póe este lri-

1,CITVRAS POPULARCJ

42'

falta para seres perfeito: vende tudo o que poçsues e da-o

um theçouro no ceo; depois \.em e se-

gue-mo.» E ainda mais: «Todo aquelle que abaodonar por

mim,

suas irmás, o seu pae, a sua m'ie, os seus filhos, e os seus bens, será recompensado com o centuplo; desde logo acha- ra cem vezes tantas casas, irmãos, irmns, filhos, bens, com persegzci~ões,e depois possuir$ a vida eterna.^ Desde que esta palavra divina se espallloii pelo nniverso, tem-se visto lioinens, que, longe dc se descorçoarem pela .força d'esta linguagem, ou co~itristncloscomo aqaelle que primeiro ri ouviu, leem pelo contrario acliado n'ella uma suavidade e um attractivo, que escedg todas as sedtlc~õcsd'cste milndo, e qile, correndo apressurados no estreilo caminho, se Icem encarregado de clemonstrnr que nada ha 110s consellios da perfeição cvangelica impralicavel a fraqueza liumalia.

aos pobres, terás

e pelo meu Evangeltio, a sua casa, os seus irm3os,

A ESTBELLA VESPER E A VISÃO IPSTIGA

LENDA DE

SANTA 1ilNV.Z

Em linilas larclcs ile maio florido, Quantlo mais fulgido se esconde o sol E (qi~alda aurora Sbra o crcpusculo) Com longo encanta-nos vivo arrebol.

De estirpe egregia d'altiva Roma Tenra vergontea, forinosa Ignez 1 Ein banco rustico do soii eiraclo, QuBda sentara-se mais de uma vez.

Longe expulsava lembranças frivolas, Que em alma angelica cleixam lal16o:

Seus ppnsamenbos oram altivolos, Toclos virgineos, todos do céo.

"~anta Igncz, nobre donzolla 'ornana qiio, tendo couangrado por voto a Deus a 8Uai virgiudsde, padeceu corn sobre1iuman:t í'ortalcra o niartyrio, ns perqoguiyC~(Ic Dioclcciitno. Aiites de llie seivdecepzdn a cabeya, fora miraciilosanicnte prcscrvada do gr:~vinoimoperigo a, que so allude n'esta poesia, A Egrcja cornrnemoi'u. o seu glorioso triumpho em 21 de janeiro.

Um dia as vistas na eslrella Vespero Fitando placidas, a Deus bemdiz; Toda enlevada 00 seu reverbero, Cerra os ceruleos olhos genlis.

(Accende o Vespero. dizem os vates, Em nossos animos prolano ardor Em me,nte ascetica nutrem seus raios Chamma purissima de santo amor).

A Ignez antolha-se, n'um sonho mystico, I-Iorto odorifero com flôres mil, N'elle, pastando, na relva rorida, Cordeiro candido, meigo e gentil.

D'elle aproxima-se: vê-lhe pintado No peito alvissimo vermelha cruz; Prestes occorre-lhe que se lhe mostra, Sob tal symbolo, Christo Jesus.

Sallêam subito seu casto espirito Ternas, vivissimas, mil impressões, [Juaes excital-as soe o Paracljto &os seus mais intimos nos coraç6es.

Adora, estatica, na visão fausla, .Ao Deus altissimo, com viva fé, E Ièda, huniillima, do cordeirinho Brnprime um osculo no niveo pb.

Elle as caricias da jovon timida, Grato e benevolo, mostra aceilar:

Ignez aff:jga-o, mais e mais fervida, O seio inunda-lhe goso sem par.

Eis voz dulcissima, que sao dos ramos De rima das arvores do almo jardim (Celeste musica, não de ave ou de homem) Ouvir parece-lhe, que diz assim:

LEITUBAS

POPULARES

<Esse Cordairo, manso e pulcherrirno, Que piza os cespedes d'este vergel, Figura e mystica do Aulio sem macula, Que doma as furias do vil Lusbel.

a0 ver0 archetypo, txes vezes santo, D'esse Agno typico que vês aqui, Reina no Empyseo, remiu o inundo, Folga, benefico, de unir-se a li.

Liinpo conserva, qual branco lirio, De toda a nodoa teu coração; Tel-o-lias Esposo. Toila consagra-lhe, Como a Bem unico, tua affeição.*

Clieia de jubilo por tal convite,

Do sonho, ou

Vê inda o Vespero, sente em seu peito

Vigor insolito, náo languidez.

estase, desperta Ignez:

Logo um seu prisco, firme, proposito Com voto explicito quer confirmar:

De Christo h Esposa Santo Pontiíice Lança v60 candido, junto do altar.

Em tanto, rabido, do inferno o despota De Roma ao despota i fliror inspira; Tudo conspii-a, com sanlia horrifica, Contra a pacifica turba fiel.

Todo o que aos idolos culto não presta, Que ser protesta da Cruz discipulo, Padece (e ufana-se do sacrificio) Lento supplicio, morte cruel.

'Sem medo ao barbaro furor satanico, Ignez, dos deoses delesta o culto,

3 O imperador Dioclecinno.

50

1,EITUnhS P OPULAnIiS

Mas torpe insullo causa em seu animo RIngoa maig rivida c~ucqualquer dbr.

Empóem-na a Iqbricos em UM prostibul~ , De traios horridos, serena, zomba; Mas entre abutres, candida pomba Que fhra angustia, sanlo pudor!

Ouve-lho as supplicas o eterno Esposo, E, em 120 riscoso lsgce fatal, Protege a viclima, que intacta, incolume, Vence o tartareo ge~iod~ mal,

Ignez ao gladio subrnette o collo, E deixa o solo, de praritos val:

Com palma duplice, virgem e martyr, Gosa no Ernpyreo dita immortal, A. J, Viale.

<-

BOA E nlk vENauRn (Contisi1ado dq pagina Q5)

aEii não podia partilhar a sue opirliáo, ainda que cstava possuido do maior reconliecimepto pela bondade coin clue

elle se esforçava phra di~si~ara miriha coslurnada rnelan- colia. Eu ]?em via que tudo isto era inulil, porque, fizesse o quc fizesse, sempre liavia de sQr Mourail-o-Infaljz. hlcn ir- mão, pelo conlraris, 1-60 se dcsaniinoii mesmo vendo-se no

estado de pobreza,

tinha a certeza de achar rgei~s~4~4se manter, e tinha razão- a Examinando as nossas jarras do porcelana, encontrou no

fundo um pó de ama brilbanta çor ascarlate, Q logo lhe veiu ao pensamento que o poderia cqqregar para fazer um?boa

tinta.

conseguiu felizmente o que desejava.

pae .tivia com esplendor, minha

mãe comprava

em que nos cleixou meli pae : dizia qu@

Fez uma esperionçia, e depois C\;e algamas tenlati~las,

(i No tempo em que meu

os saus ricqg vqslidos e111 casa yrn mar-

cador que fornecia o bargm imperial. Mau irmio tisha feito alguns insignificantes obsequias a eslo homem, e quando se dirigiu a elle, este lhe promelleu que liavia recotnmeedar a sua nova tintura escarlate, E na verdade ella era tão bo-

LEITUBAS

POPULhiiCS

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niita, que 6 primeira vista deslumbrava outra qualquer cor. ,A loja cle Saladin encheu-se de freguezcs, e as suas manei- ras affaveis, zssiili como a suri agradavel conversagão, lhe crearam lama, assim como A sua cBr escarinte. Notei pelo contrario que a minlia pbysionomia triste e carregada era Iiastante para afastar de mim todos os que apenas me viam. Cada vez me convenci mais, e rnais me confirmei 1iacrença do meu f~~ueslodeslino. a Aconteceu, um dia, que urna sentiora ricamente vestida acompanhada por dilas cscr;isas entrou na loja de meu ir-

mão para fazer algumas cornpsas. i<lle tinti:~saido c eu linha

ficado para aviar os

gumas fazendas, a dama reparou na minha jarra que estava na loja, mostrou extraordinririo desejo cle rri'a coinprar, e

loffereceu-me por ella un~asomrna consideravel, se eu Ih'a quizesse ceder; porem eu recusei decedidamente, na iiitiinb couviccão de que alguma terrivel clilaniiidacle me ;lersegui- ria, se voluntariamente perdesse n posse cl'cste precioso ta* lisman. Despeitada por cst:i recusa, a sonl.iora, como 6 na. tural em todo,, maior desejo niiostrou do possuir a jarra; mas nem as siipplicas, nem aç seducçcies, foram capazes de me fazer mudar de resolu~áo.Exasl~cradano mais :ilto ponto

pelo

que ella chamara a minha estupida teima, a darna saiu

freguezes. Depois de ter cxamiiiado al-

ernflrn da loja.

a Quando voltou meu irmzo, contei-ltie o quo me tinha acontecido, esperando receber os elogios, que nierecia a mi- nha prudencia. Mas, pelo co~itrario,elle metiou a ridiculo

o supersticioso valor que eu ligava aos versos escriplos na zninlia jarra, e disse-me que era a maior loucuru trocara oc-

casião certa de augmentar

os meus liaveros, pela esperança

incerla de uma mystcriosa prolccçãu. Não pude tot~forrndr* me com a sua opinião, e não tive valor para seguir o con- sellio que elle me dcu. No dia seguinte, voltou n darias, O meu irmão vendeii-llie a sua jarra por dez mil pocns de oui'o. Empregou este dinheiro do modo mais 'vantajoso, coinprahao um novo sortiznento de ricas fazendas, Arre[)sritlí-rae, mas ji não era tempo ; ou estou persuadido que b urri dos effoitos

da fatalidade (JUG persegue

não possam decidir quando se Ilies oll'eseco uma 0ccdsiã0 OQporluna. Tinlia perdido a occasiãa e senliti h50 EBr feito a contrario do que antes tit~hlit'csolvido; e acontcccu rIUo,

certas

pessoas,

quo ollas 'so

52

ICITURIS

POPULARES

em quanto eu hesitava, fugia a occasião antes que eu meti- vesse decidido. Ernfim, B isto o clue eu chamo ser infeliz. Mas, continuemos com a mirilia historia. a A dama, que tinha comprado a jarra de meu irmão, era

a sultana favorita e a que tinlia toda a influencia e poder no barem. Concebeu i11n odio tão violento contra mim por causa da minha teimosa recusa, que protestou que não poria os

li estivesse. §a-

ladin não se queria separar de mim, mas eu não podia sup-

portar a idba de ser a causa da rnina de um tão bom irmáo,

e abandonei a sua casa sem lhe dizer nada, e sem me impor- tar com o que me podia acontecer. Dentro em pouco, a fome me adrertiu de que era preciso cuidar nas meios de pro- curar a minha subsiçtencirr. Assentei-men'uma pedra, Aporta

e pedi

esmola com uma FOZ fraca, e [remendo. a O dono do padejo deu-me quanto pão eu podia comer, mas com a condiçHo que havia de mudar de fato e que me havia de enipregar, todo o dia, em levar os pãesinlios aos seus freguezes da cidade. Consenti sem hesitar, mas não se

passou muito tempo que não se me offerecesse occasião do

me arrepender, porque, se a minha ma sina ri20 me tivesse, como de costume, transtornado o juizo e a rnemoria, nurica eu teria accitado a insidiosa ofkrta do padeiro. Havia jA algum tempo que o povo de Constantinopla se queixava do peso e da qualidade do pão que se lhe vendia. Este surdo descon-

tentamento tinha, muitas

17ezes, sido o prenuncio certo do

uma insurreição, e os padeiros tinham mais de uma vez per- dido a vida no meio d'estas desordens populares. Eu muito bem sabia isto ; mas n'esta occasião tão critica, riem tal cousa me passou pela idéa. a Troquei o traje com o padeiro ; mas apenas tinlia co-

meçado a percorrer as ruas visinhas com os meus pãesi- D~OS,quando o povo começou a aglomerar-se e a dirigir-me vaias e insultos. Perseguiram-me ali: a porta c10 serralho, e

o grão-visir asstistaclo com este grande tumulto, deu ordem

para

qlie me cortassem a cabeça ; B o rernedio ordinario que

pés em casa de meu irmão, em quanto eu

de um padeiro ; o cheiro do pão quenle

se applica n'estes casos. r Prostrei-me dejoelhos, e protestei, com toda a vel~cmen-

cia, que eu não era o padeiro que julgavam ; que nada tinha com elle, e que nunca tinha fornecido ao povo de Constan-

LC~TUBAS POPULARES

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tinopla pão com falta de peso. Declarei que a unica culpa, que tinha, era ter trocado o traje com o padeiro culpado, por um dia, e que tinha cahido n'esta falta em consequen- cia da sorte que me perseguia. Alguns dos mais furiosos, gritaram -que eu merecia ter a cabeça cortada por causa

exiravagancia ; mas outros tiveram d6 de mim, e

em quanto o official mandado para executar a ortlem do visir se dirigiu aos mais turbulentos, aquelles que se tinham com- padecido do meu infortunio, abriram caminho por entre elles e favoreceram a minha fuga.

da minha

a Abandonei logo Constantinopla, deixando a minha jarra

em poder de meu irmão. A algumas milhas de distancia da

cidade, encontrei um pelolão de

e sabenclo que iam embarcar para o Egypto com o exercito do grão-senhor, resolvi acompailhal-os. - Se i? da ~ontade de Mahomet que ea morra, disse eu, quanto mais depressa melhor ! A desesperação que me opprimia, estava ligada com tanta apatliia, qiie apenas tomava as precauções necessarias

para conservar a exislencia. Durante a viagem, n7 me oc- cupei n'outra cousa senão ern fumar no meu cackiimbo : dei- tado sohre o coriv8s do navio, parece-me qiiu, sn se tivesse levantado uma tempestade, como eu esperava, rião me teria dado ao trabalho nem ao menos de tirar o cacliimbo da boca, nem de deitar a [não a urna corda para me salvar do nau- fragio : tão profunda era a resignação, oii para melhor di- zer, o torpor a que a minha crença na futnlidade tinhasub- jugado o meu espirito.

a Desembarclmos sem novidade apesar dos meus som-

Por cama da minha iridolericia, fui o

brios presentimentos.

ultimo do navio que saltei em terra, e quando clieguei ao campo d'El-Arich era noite fechada. Fazia luar e com uma vista d'olhos podia ver toda a scena do acampamento. Era um numero immenso de pequenas barracas espalhadas so- bre a areia branca do deserto ; viam-se em distaricia algu- mas palmeiras ; tiido estava sombrio e quieto ; o profundo silencio sO era interrompido pelos camellos qrie passavam em frente das barracas, e no meu caminlio nHo encontrei

uma unica creatura humana. c Tinlia-se apagado o meu cachimbo, e foi para accendcl-o n'uma fogueira que estava 9 porta d'uma barraca. Quando me aproximei, dei com os glhos n'um objecto, que brilbava

soldatjos.

.Juntei-me a elles,

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LEITURAS

POPULARES

na areia : era um anel. Apanhei-o e metti-n no der10 com tenç2o de o entregar, no outro dia, ao pregoeiro, para que este descobrisse o seu ligitimo ilono. M:IS, por clesgraça, metti-o no dedo miriimo e, como era miiilo largo, aproxi- mando-me da fogueira, deixei cair o ancl. Tintia-rnc abai- xado para o apanhar entre o r;islolho que estava comcnùo uma rriula, quando o maldito animal Ine clespediu tal coucc na cabeca, que não pucle deixar (10 gritar coin a dor. C Os soldados que dormiam na barraca logo acorclaram,

s muito zanga~loscontra o imprudcnlc, que Ilics ~~crlurbnva o seu prirrieito somno, coi~spirararn-seconlrii IYI~III,o fui

considerado por elles como um ladráo, cluci tinbii roiibado o ancl, que eu dizia ter perdi~lo.Tiraram-rn'o, e rio (lia se- guinte um oficial mandou ine aplilicar iiina boi1 iloso 110 bastonadas, na esperança do que este castigo rric Sai-iii con-

fessar onde estalam escondidos certos

bem tinham desapparecido no acampaincnto. Tiltlo isto rno acontece11porvter tido tamai-ilia pressa em aceiirler o ii~cu cacliirnbo e por ter mettido o anel n'iirn tlcclo tiio dclg:ido :

todas cslas cousas só para mini estavam resci'vndas I u Logo CJIICme scslaheleci das coritiiscics e rliio piiilc ali- dar, encamiiiliei-me para uma biirr:ica, onilc fl~ictiiavacima bandeira encarnada, signal dislinctivo dos c:ifCs piililicos. Ein .

qua~itotoinava o meu aafk, oiivi iim indivitliio, qiic sc quci- xava do ler perdido um anel de valor, e (li10,jii clri 11.c~dias oonsecutivos linlia mandado ani~~inciarpelo 1)regooii'o (lu(:

daria duzentos sequins ;i qucm lhe nprcs~iitiisseo seir :iii@l. Logo conheci que sc tratava do aricl qiic c11 1)or niiiili:i dcs- graça tinlia achado. Dii'igibmo no csli~~in~t:iro,(? 111-omc1tiiri- dicaP~lliea pcssoa cjue me lirilia tiredo o soii aiiol. 11: com efleilo cncolilrou esla pessoa o coiivcriciilo tl;i rniiilia Iion- radoz, deu-me os dnzcntos seqiiiris, corrio iiiriii itideninisn- (20 do irijiisto castigo que tinha soll'iSitlo por ca1is:i cl'ollu. 'a'alvez irnligiheis qiie esln 1)olu:i du oiiro li)i urna í(!lici- dade para mim? Pelo conlrario, foi a origern do novas das- graças. « Uma noite, ponsando c11 qc~cos soltlados, qiio iiíoríivam na rnesina barraca, tinham ridorniocicto, quii, tor o Iii3cizor de contar as minhas aiaodas dc oiiro. No dia 9~lq1lirll,c,OS meus camaradas contliilaram-tnu para ir torniir iitri sai-votb Coa elles. Não sei qcie droogiideilaram rio sorveto rluo 1110

objoclos, quc, laril-

LEITURAS

POPULARES

$h

fizeram beber, o certo é que fui acommetlido de uni somno, que eu não pude vencer. Adormeci profupdanlente, e quan- do acordei achei-me estendido clebaiso de uma palmeira a alguma distancia do acampamento.

a A primeira cousa que me veiu i idba foi a minha bolsa de seqiiins. A bolsa, è verdade, que a tinha á cintura, maq cheia de seisos e sem iim unico seyuim clentro. Logo me

convenci

vete, me tinham roubado, e que alguns d'elles não dormiam em quanto eu contava o meu dinhciro. D'oiitra forma, coma vão tinha confiado o meu segredo a ninguem, como porliam elles suplior que eu possuia este ouro, eu, que, ùestle cfuo vivia em companhia d'elles, parecia sempre na mais pi'or

funda indigencia 7 a Debalde me dirigi aos officiaes superiores para que ine fizessem jiistica ; as soldados fizeram protestos dasua inno- cencia ; eu não tinha provas, o que ganliei foi torriar-meri- diculo e ocliado de todos. No primeiro transporte da ininlia afflicção, lembrou-me o nome que eii tinlia evitado dar-me desde que tinha cliegado ao Egypto; e exclamei, dizendo

que, na verdade,

O meu nome e a minha historia divolgaram-se por todo o acampamento e fui por muitas vezes alciinhado com, este nafaslo nome. Ate algiins levaram mais longe a sua zomba-

ria, cliamando-me Mourad da bolsa cle pedras. a Pois bem, tudo o que tinlia sofí'rido nãa era nada em comparação das infelicidades que me esperavam. (Coptiniia.)

de que os soldaclos, com quem tinlia tomado o sor~

merecia bem o nome de Mourad-o-Iqfeliz.

MUITO E@ POUÇO

Talvez que nunca fosse pregado iim scrrqZ,omais conciso

e mais completo, e que bem pocla dizer-se que é a esscn- cia da essencia dos sermões.

homom nasce para o trabalho ao a &vepnrn voar.

(Job, cap. v, v. 7).

« $orvindo-me cl'este texto, dividirei o meu cliscurso em tres pqrtes:

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LEITIIRAS

POPULARES

4.51 entrada do homm no mundo. I."A passagem do homem no mundo. 3.a A sahida do liomem d'este mundo. A sua entrada no mundo e nua. A sua passagem n'este inundo 6 cuidado e inquieta- cão. A saliida do liomem d'este mundo o coriduz ninguem sa- be aonde. Em summa, para concluir, se nds fizermos bem cá n'es- te mundo, bem havemos de receber IA no outro. Ainda que eu aqui vos estivesse pregando, um anno in- teiro, não seria capaz de vos dizer mais nem melhor, e disse.

FAIA E INFAMIA

PrBgava na capella real, em 4055, o padre Antonio Viei- Ta. Dizia elle: o prégador ha de saber prégar com fama e sem fama. Mais diz o Apostolo: Ra de prégar com fama e com infamia. Pregar o prógador para ser afamado, isso 6 mundo: mas

para ser

infamado e pregar o que convem, ainda que seja

em descredito, isso

0h1

que advertencia tão digna! Qual o medico, que repára no

gosto

e não gostem; salvem-se e