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Curso de Agronomia

4o Período

RADIAÇÃO SOLAR
Disc.Meteorologia e Climatologia Agrícola

Prof. Danilo Cesar de O.Bastos


RADIAÇÃO SOLAR
Radiação Solar – Meteorologia e Climatologia Agric. Prof. Danilo Cesar 2

INTRODUÇÃO: VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO SOLAR EM NOSSO PLANETA.

 O SOL É A PRINCIPAL FONTE DE ENERGIA PARA A SUPERFÍCIE DA TERRA.

A inclinação faz com que a orientação da Terra em relação ao Sol mude


continuamente enquanto a Terra gira em torno do Sol. O Hemisfério Sul se inclina
para longe do Sol durante o nosso inverno e em direção ao Sol durante o nosso
verão. Isto significa que a altura do Sol, o ângulo de elevação do Sol acima do
horizonte, (ver sistema de coordenadas horizontais na Fig. 2.2) para uma dada
hora do dia (por exemplo, meio dia) varia no decorrer do ano. No hemisfério de
verão as alturas do Sol são maiores, os dias mais longos e há mais radiação solar.
No hemisfério de inverno as alturas do Sol são menores, os dias mais curtos e há
menos radiação solar.

Fig. 2.2 - Coordenadas Horizontais

Fig. 2.3 - Coordenadas Geográficas

A quantidade total de radiação solar recebida depende não apenas da


duração do dia como também da altura do Sol. Como a Terra é curva, a altura do
Sol varia com a latitude (ver sistema de coordenadas geográficas na Fig. 2.3). Isto
pode ser visto na Fig. 2.4. A altura do Sol influencia a intensidade de radiação
solar, ou irradiância, que é a quantidade de energia que atinge uma área unitária
por unidade de tempo (também chamada densidade de fluxo), de duas maneiras.
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Primeiro, quando os raios solares atingem a Terra verticalmente, eles são mais
concentrados. Quando menor a altura solar, mais espalhada e menos intensa a
radiação (Fig. 2.5). Segundo, a altura do sol influencia a interação da radiação
solar com atmosfera. Se a altura do sol decresce, o percurso dos raios solares
através da atmosfera cresce (Fig. 2.4) e a radiação solar sofre maior absorção,
reflexão ou espalhamento, o que reduz sua intensidade na superfície.

Fig. 2.4 - Variação da altura do Sol com a latitude. Se a altura do Sol é pequena, os
raios que atingem a Terra percorrem distância maior na atmosfera.

Fig. 2.5 - Variações na altura do Sol causam variações na quantidade de energia solar
que atinge a Terra. Quanto maior a altura, maior a energia recebida.

RADIAÇÃO ELETROMAGÉTICA

Praticamente toda a troca de energia entre a Terra e o resto do Universo


ocorre por radiação, que é a única que pode atravessar o relativo vazio do espaço.
O sistema Terra-atmosfera está constantemente absorvendo radiação solar e
emitindo sua própria radiação para o espaço. Numa média de longo prazo, as
taxas de absorção e emissão são aproximadamente iguais, de modo que o
sistema está muito próximo ao equilíbrio radiativo. A radiação também tem papel
importante na transferência de calor entre a superfície da Terra e a atmosfera e
entre diferentes camadas da atmosfera.
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A radiação eletromagnética pode ser considerada como um conjunto de


ondas (elétricas e magnéticas) cuja velocidade no vácuo é ( ). As
várias formas de radiação, caracterizadas pelo seu comprimento de onda,
compõem o espectro eletromagnético (Fig. 2.7).

Fig. 2.7 - Espectro eletromagnético

O comprimento de onda ( ) é a distância entre cristas (ou cavados)


sucessivos (Fig. 2.8); a freqüência de onda ( ) é o número de ondas completas (1
ciclo) que passa por um dado ponto por unidade de tempo (s). A relação entre  ,
 e a velocidade c é

c=  (2.1)

Fig. 2.8 - Caraterísticas de uma onda

Embora o espectro eletromagnético seja contínuo, nomes diferentes são


atribuídos a diferentes intervalos porque seus efeitos, geração, medida e uso são
diferentes. Por exemplo, as células da retina do olho humano são sensíveis a uma
radiação num estreito intervalo chamado luz visível, com  entre
e .

A maior parte da energia radiante do sol está concentrada nas partes visível
e próximo do visível do espectro. A luz visível corresponde a ~43% do total
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emitido, 49% estão no infravermelho próximo e 7% no ultravioleta. Menos de 1%


da radiação solar é emitida como raios X, raios gama e ondas de rádio.

Apesar da divisão do espectro em intervalos, todas as formas de radiação


são basicamente iguais. Quando qualquer forma de energia radiante é absorvida
por um objeto, o resultado é um crescimento do movimento molecular e um
correspondente crescimento da temperatura.

LEIS DE RADIAÇÃO (PARA CORPOS NEGROS )

Um corpo negro é um corpo hipotético que emite (ou absorve) radiação


eletromagnética em todos os comprimentos de onda, de forma que:

toda a radiação incidente é completamente absorvida, e

emtodos os comprimentos de onda e em todas as direções a máxima radiação


possível para a temperatura do corpo é emitida.

A radiação do corpo negro é isotrópica, isto é, não depende da direção.

O Sol e a Terra irradiam aproximadamente como corpos negros. Portanto, as


leis de radiação dos corpos negros podem ser aplicadas `a radiação solar e
terrestre com algumas restrições.

DISTRIBUIÇÃO DA RADIAÇÃO

A radiação monocromática incidente sobre qualquer superfície opaca (como


a superfície da Terra) é ou absorvida ou refletida:

Dividindo cada termo nesta expressão pela irradiância monocromática incidente obtemos:

(2.13)

onde é a absortividade e é a refletividade (ou albedo) da superfície. Em


quaisquer comprimentos de onda, fortes refletores são fracos absorvedores (por
exemplo, a neve fresca no intervalo visível) e vice-versa (por exemplo, asfalto no
intervalo visível). As refletividades de algumas superfícies para o intervalo de
comprimentos de onda da radiação solar (intervalo visível) estão na Tabela 2.1.
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Albedo para algumas superfícies no intervalo visível ( % )

Solo descoberto 10-25

Areia, deserto 25-40

Grama 15-25

Floresta 10-20

Neve (limpa, seca) 75-95

Neve (molhada e/ou suja) 25-75

Superfície do mar (sol > 25° acima do horizonte) <10

Superfície do mar (pequena altura do sol) 10-70

Nuvens espessas 70-80

Nuvens finas 25-50

Tab.2.1

RADIAÇÃO SOLAR INCIDENTE

Embora a atmosfera seja muito transparente à radiação solar incidente,


somente em torno de 25% penetra diretamente na superfície da Terra sem
nenhuma interferência da atmosfera, constituindo a insolação direta. O restante é
ou refletido de volta para o espaço ou absorvido ou espalhado em volta até atingir
a superfície da Terra ou retornar ao espaço (Fig. 2.10). O que determina se a
radiação será absorvida, espalhada ou refletida de volta? Como veremos, isto
depende em grande parte do comprimento de onda da energia que está sendo
transportada, assim como do tamanho e natureza do material que intervém.

a) ESPALHAMENTO

Embora a radiação solar incida em linha reta, os gases e aerossóis podem


causar seu espalhamento, dispersando-a em todas as direções - para cima, para
baixo e para os lados. A reflexão (veja mais adiante) é um caso particular de
espalhamento. A insolação difusa é constituída de radiação solar que é espalhada
ou refletida de volta para a Terra. Esta insolação difusa é responsável pela
claridade do céu durante o dia e pela iluminação de áreas que não recebem
iluminação direta do sol.

As características do espalhamento dependem, em grande parte, do


tamanho das moléculas de gás ou aerossóis. O espalhamento por partículas cujo
raio é bem menor que o comprimento de onda da radiação espalhada, como o
caso do espalhamento da luz visível por moléculas de gás da atmosfera, é
dependente do comprimento de onda (espalhamento Rayleigh), de forma que a
irradiância monocromática espalhada é inversamente proporcional à 4ª potência
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do comprimento de onda ( ). Esta dependência é a base para explicar o


azul do céu.

Conforme mencionado anteriormente, grande parte da energia da radiação


solar está contida no intervalo visível, entre o vermelho e o violeta. A luz azul
( ) tem comprimento de onda menor que a luz vermelha ( ).
Conseqüentemente, a luz azul é aproximadamente 5,5 vezes mais espalhada que
a luz vermelha. Além disso ela é mais espalhada que o verde, amarelo e laranja.
Assim, o céu, longe do disco do sol, parece azul. Como a luz violeta ( )
tem um comprimento de onda menor que a azul, por que o céu não parece
violeta? Porque a energia da radiação solar contida no violeta é muito menor que
a contida no azul e porque o olho humano é mais sensível à luz azul que à luz
violeta. Como a densidade molecular decresce drasticamente com a altura, o céu,
visto de alturas cada vez maiores, iria gradualmente escurecer até tornar-se
totalmente escuro, longe do disco solar. Por outro lado, o Sol apareceria cada vez
mais branco e brilhante. Quando o Sol se aproxima do horizonte (no nascer e por
do Sol) a radiação solar percorre um caminho mais longo através das moléculas
de ar, e portanto mais e mais luz azul e com menor comprimento de onda é
espalhada para fora do feixe de luz, e portanto a radiação solar contém mais luz
do extremo vermelho do espectro visível. Isto explica a coloração avermelhada do
céu ao nascer e por do Sol. Este fenômeno é especialmente visível em dias nos
quais pequenas partículas de poeira ou fumaça estiverem presentes.

Fig. 2.10 - Distribuição percentual da radiação solar incidente


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Quando a radiação é espalhada por partículas cujos raios se aproximam ou


excedem em aproximadamente até 8 vezes o comprimento de onda da radiação,
o espalhamento não depende do comprimento de onda (espalhamento Mie). A
radiação é espalhada igualmente em todos os comprimentos de onda. Partículas
que compõem as nuvens (pequenos cristais de gelo ou gotículas de água) e a
maior parte dos aerossóis atmosféricos espalham a luz do Sol desta maneira. Por
isso, as nuvens parecem brancas e quando a atmosfera contém grande
concentração de aerossóis o céu inteiro aparece esbranquiçado.

Quando o raio das partículas é maior que aproximadamente 8 vezes o


comprimento de onda da radiação, a distribuição angular da radiação espalhada
pode ser descrita pelos princípios da ótica geométrica. O espalhamento de luz
visível por gotas de nuvens, gotas de chuva e partículas de gelo pertence a este
regime e produz uma variedade de fenômenos óticos como arco íris, auréolas,
etc...

b) REFLEXÃO

Aproximadamente 30% da energia solar é refletida de volta para o espaço


(Fig. 2.10). Neste número está incluída a quantidade que é retroespalhada. A
reflexão ocorre na interface entre dois meios diferentes, quando parte da radiação
que atinge esta interface é enviada de volta. Nesta interface o ângulo de
incidência é igual ao ângulo de reflexão (lei da reflexão). Conforme já
mencionamos, a fração da radiação incidente que é refletida por uma superfície é
o seu albedo. Portanto, o albedo da Terra como um todo (albedo planetário) é
30%. O albedo varia no espaço e no tempo, dependendo da natureza da
superfície (ver Tab. 2.1) e da altura do Sol. Dentro da atmosfera, os topos das
nuvens são os mais importantes refletores. O albedo dos topos de nuvens
depende de sua espessura, variando de menos de 40% para nuvens finas (menos
de 50m) a 80% para nuvens espessas (mais de 5000m).

c) ABSORÇÃO NA ATMOSFERA

O espalhamento e a reflexão simplesmente mudam a direção da radiação.


Contudo, através da absorção, a radiação é convertida em calor. Quando uma
molécula de gás absorve radiação esta energia é transformada em movimento
molecular interno, detectável como aumento de temperatura. Portanto, são os
gases que são bons absorvedores da radiação disponível que tem papel
preponderante no aquecimento da atmosfera.

A Fig. 2.11 fornece a absortividade dos principais gases atmosféricos em


vários comprimentos de onda. O Nitrogênio, o mais abundante constituinte da
atmosfera é um fraco absorvedor da radiação solar incidente, que se concentra
principalmente nos comprimentos de onda entre 0,2 e 2 .

A fotodissociação do oxigênio (entre 50 a 110 km de altitude)


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(2.15)

absorve virtualmente toda radiação solar ultravioleta para . O oxigênio atômico


assim obtido é altamente reativo, sendo de particular importância a reação

(2.16)

que é o mecanismo dominante para a produção de ozônio na atmosfera (M é uma


3ª molécula necessária para retirar o excesso de energia liberada na reação).
Como a probabilidade de ocorrência desta reação cresce com o quadrado da
densidade do gás, o oxigênio atômico é estável na alta mesosfera e termosfera,
enquanto na estratosfera ele se combina rapidamente para formar o ozônio.

A radiação ultravioleta para é absorvida na reação de fotodissociação do


ozônio (na estratosfera, entre 20 a 60 km)

(2.17)

O átomo de oxigênio combina rapidamente com para formar outra


molécula de , pela (2.16). Quando (2.17) e (2.16) ocorrem seqüencialmente
não há mudança na estrutura química, mas somente absorção de radiação e
resultante entrada de calor e aumento de temperatura na estratosfera.

O único outro absorvedor significativo da radiação solar incidente é o vapor


d'água que, com o oxigênio e o ozônio, respondem pela maior parte dos 19% da
radiação solar que são absorvidos na atmosfera.

RADIAÇÃO TERRESTRE

Aproximadamente 51% da energia solar que chega ao topo da atmosfera


atinge a superfície da Terra. A maior parte desta energia é reirradiada para a
atmosfera. Como a Terra tem uma temperatura superficial bem menor que a do
Sol, a radiação terrestre tem comprimentos de onda maiores que a radiação solar,
situados no intervalo infravermelho, entre 1 m e 30 m. Da Fig. 2.11 conclui-se
que a atmosfera é um absorvedor eficiente de radiação entre 1 m e 30 m. O
vapor d'água e o dióxido de carbono são os principais gases absorvedores neste
intervalo. O vapor d'água absorve aproximadamente 5 vezes mais radiação
terrestre que todos os outros gases combinados e responde pelas temperaturas
mais altas na baixa troposfera, onde está mais concentrado. Como a atmosfera é
bastante transparente à radiação solar (ondas curtas) e mais absorvente para
radiação terrestre (ondas longas), a Terra é a maior fonte de calor para a
atmosfera. A atmosfera, portanto, é aquecida a partir da superfície, o que é
evidente no perfil vertical médio de temperatura na troposfera, que mostra um
decréscimo (~6,5 C/km) de temperatura com a altitude (Fig. 1.3).
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É interessante notar que a radiação terrestre pode atravessar a atmosfera em


2 janelas estreitas próximas a 10 m (Fig. 2.11).

Quando a atmosfera absorve radiação terrestre ela se aquece e


eventualmente irradia esta energia, para cima e para baixo, onde é novamente
absorvida pela Terra. Portanto, a superfície da Terra é continuamente suprida com
radiação da atmosfera e do Sol. Esta energia será novamente emitida pela
superfície da Terra e uma parte retornará à atmosfera que, por sua vez, reirradiará
uma parte para a Terra e assim por diante. Este jogo entre a superfície da Terra e
a atmosfera torna a temperatura média da Terra ~ 35 C mais alta do que seria.
Sem os gases absorvedores da nossa atmosfera, a Terra não seria adequada
para a vida humana e muitas outras formas de vida.

Este fenômeno extremamente importante tem sido denominado efeito estufa,


porque pensava-se que as estufas fossem aquecidas da mesma forma. O vidro
em uma estufa permite a entrada de radiação de onda curta, que é absorvida
pelos objetos no interior. Estes objetos reirradiam, mas em ondas longas, para as
quais o vidro é quase opaco. O calor, portanto, é retido na estufa. A retenção da
radiação infravermelha pelo vidro, contudo, é apenas parte da razão pela qual
uma estufa retém calor interno. Já foi demonstrado que as estufas atingem altas
temperaturas porque o vidro protege do vento, restringindo as perdas de calor por
convecção e advecção (ver próxima seção).

A importância do vapor d'água e dióxido de carbono em manter a atmosfera


aquecida é bem conhecida em regiões montanhosas. Topos de montanhas
recebem mais radiação que os vales durante o dia, porque há menos atmosfera a
atravessar. A noite, porém, a atmosfera menos densa também permite maior
perda de calor. Este fator mais que compensa a radiação extra recebida e, como
resultado, os vales permanecem mais quentes que as montanhas adjacentes,
mesmo recebendo menos radiação.

As nuvens, assim como o vapor d'água e o , são bons absorvedores de


radiação infravermelha (terrestre) e tem papel importante em manter a superfície
da Terra aquecida, especialmente à noite. Uma grossa camada de nuvens pode
absorver a maior parte da radiação terrestre e reirradiá-la de volta. Isto explica
porque em noites secas e claras a superfície se resfria bem mais que em noites
úmidas ou com nuvens. Mesmo uma cobertura fina, através da qual a lua é visível,
pode elevar a temperatura noturna em torno de 5  C.

MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

Há três mecanismos conhecidos para transferência de calor: radiação,


condução e convecção (Fig. 2.13).

Como vimos, a radiação consiste de ondas eletromagnéticas viajando com a


velocidade da luz. Como a radiação é a única que pode ocorrer no espaço vazio,
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esta é a principal forma pela qual o sistema Terra-Atmosfera recebe energia do


Sol e libera energia para o espaço.

A condução ocorre dentro de uma substância ou entre substâncias que estão


em contato físico direto. Na condução a energia cinética dos átomos e moléculas
(isto é, o calor) é transferida por colisões entre átomos e moléculas vizinhas. O
calor flui das temperaturas mais altas (moléculas com maior energia cinética) para
as temperaturas mais baixas (moléculas com menor energia cinética). A
capacidade das substâncias para conduzir calor (condutividade) varia
consideravelmente. Via de regra, sólidos são melhores condutores que líquidos e
líquidos são melhores condutores que gases. Num extremo, metais são
excelentes condutores de calor e no outro extremo, o ar é um péssimo condutor
de calor. Conseqüentemente, a condução só é importante entre a superfície da
Terra e o ar diretamente em contato com a superfície. Como meio de transferência
de calor para a atmosfera como um todo a condução é o menos significativo e
pode ser omitido na maioria dos fenômenos meteorológicos.

A convecção somente ocorre em líquidos e gases. Consiste na transferência


de calor dentro de um fluído através de movimentos do próprio fluído. O calor
ganho na camada mais baixa da atmosfera através de radiação ou condução é
mais freqüentemente transferido por convecção. A convecção ocorre como
conseqüência de diferenças na densidade do ar. Quando o calor é conduzido da
superfície relativamente quente para o ar sobrejacente, este ar torna-se mais
quente que o ar vizinho. Ar quente é menos denso que o ar frio de modo que o ar
frio e denso desce e força o ar mais quente e menos denso a subir. O ar mais frio
é então aquecido pela superfície e o processo é repetido.

Desta forma, a circulação convectiva do ar transporta calor verticalmente da


superfície da Terra para a troposfera, sendo responsável pela redistribuição de
calor das regiões equatoriais para os pólos. O calor é também transportado
horizontalmente na atmosfera, por movimentos convectivos horizontais,
conhecidos por advecção. O termo convecção é usualmente restrito à
transferência vertical de calor na atmosfera.

Fig. 2.13 - Mecanismos de Transferência de Calor


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Na atmosfera, o aquecimento envolve os três processos, radiação, condução


e convecção, que ocorrem simultaneamente. O calor transportado pelos
processos combinados de condução e convecção é denominado calor sensível.

BALANÇO GLOBAL DE CALOR

Existe um balanço quase perfeito entre a quantidade de radiação solar


incidente e a quantidade de radiação terrestre (sistema Terra-atmosfera)
retornada para o espaço; caso contrário, o sistema Terra-atmosfera estaria
progressivamente se aquecendo ou resfriando. Vamos examinar este balanço na
Fig. 2.14, usando 100 unidades para representar a radiação solar interceptada no
topo da atmosfera.

Fig. 2.14 - Balanço de Calor da Terra e atmosfera

Da radiação total interceptada pela Terra (sistema Terra-atmosfera),


aproximadamente 30 unidades são refletidas de volta para o espaço. As restantes
70 unidades são absorvidas, 19 unidades pela atmosfera e 51 unidades pela
superfície da Terra (Terra-oceano). Se toda a energia absorvida pela Terra fosse
reirradiada diretamente para o espaço, o balanço de calor da Terra seria muito
simples. Contudo, conforme vimos anteriormente, certos gases na atmosfera
atuam no sentido de retardar a perda de radiação terrestre, absorvendo uma boa
parte dela e reirradiando grande parte desta energia de volta para a Terra. Como
resultado deste processo, a superfície da Terra recebe uma grande quantidade de
radiação de onda longa da atmosfera (95 unidades). (A atmosfera na realidade
emite mais energia que a quantidade de energia solar absorvida pela Terra,
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devido ao efeito estufa) A superfície da Terra, por sua vez, irradia 116 unidades de
energia de onda longa para a atmosfera. Portanto, nesta troca (em onda longa) a
atmosfera tem um ganho líquido de 15 unidades, enquanto a Terra tem uma perda
líquida de 21 unidades. As restantes 6 unidades passam diretamente através da
atmosfera e são perdidas no espaço. A radiação entre 8 a 11 escapa mais
facilmente porque o vapor d'água e o dióxido de carbono não absorvem estes
comprimentos de onda (ver Fig. 2.11).

Até agora contamos uma perda de 21 das 51 unidades de radiação de onda


curta absorvidas pela superfície da Terra. E as 30 unidades restantes? Parte
desta energia é transferida da superfície da Terra para a atmosfera através de
calor latente, por moléculas de água durante o processo de evaporação (23
unidades). O calor latente refere-se à quantidade de calor envolvida em mudanças
de fase da água. Por exemplo, a mudança da água líquida para vapor exige
fornecimento de calor latente, enquanto a transformação de vapor para líquido
libera calor latente. Outra parte das 30 unidades é transferida da superfície da
Terra para a atmosfera por calor sensível (condução e convecção -7 unidades).

Um balanço geral é obtido porque a atmosfera emite 64 unidades de energia


para o espaço como radiação de onda longa, fechando o balanço entre radiação
incidente e radiação emitida.

MEDIDA DE RADIAÇÃO

O piranômetro é o instrumento padrão para medida de intensidade da radiação solar


que atinge uma superfície horizontal. O instrumento consiste de um sensor encerrado num
hemisfério transparente que transmite a insolação total (direta mais difusa) em onda curta (<
3,5 ). O sensor é um disco que consiste de setores alternados brancos e pretos. Os
setores pretos são altamente absorvedores e os setores brancos altamente refletivos da
radiação solar. Diferenças na absortividade e albedo significam que as temperaturas dos
setores brancos e pretos do sensor respondem de forma diferente a mesma intensidade de
radiação solar. O contraste de temperatura entre os segmentos branco e preto é calibrado
em termos de irradiância. Um piranômetro pode ser ligado eletronicamente a um traçador de
gráfico que registra continuamente a insolação, ou a saída pode ser gravada sobre uma fita
magnética.

HELIÓGRAFO PIRANÔMETRO
Instrumento registrador que mede unicamente a Instrumento que mede a radiação solar
duração da insolação (horas de brilho solar) em (radiação global) recebida de todo o hemisfério
horas e décimos. celeste sobre uma superfície horizontal
terrestre. A unidade usada é (cal.cm-²).


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IMPORTANTE: Para não esquecer!

RADIAÇÃO SOLAR
PROCESSOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR NA ATMOSFERA

1. CONDUÇÃO: ENERGIA TRANSFERIDA DE UMA MOLÉCULA PARA OUTRA;


2. CONVEÇÇÃO: OCORRE MOVIMENTAÇÃO DE UMA MASSA FLUIDA (AR, ÁGUA)
PROVOCADA POR UMA DIFERENÇA DE DENSIDADE.

a. O AR É AQUECIDO POR CONDUÇÃO DE UMA SUPERFICIE QUALQUER;


b. O AR SE EXPANDE E SE TORNA MENOS DENSO
c. A MASSA DE AR QUENTE É SUBSTITUÍDA POR AR MAIS FRIO

A CONVECÇÃO É UM DOS PRINCIPAIS MEIOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR NA


ATMOSFERA (1500 – 3000m).
PODE SER HORIZONTAL OU VERTICAL

3. RADIAÇÃO: TRANSFERÊNCIA DE CALOR (ENERGIA) DE UM OBJETO PARA


OUTRO SEM HAVER NECESSIDADE DE UM MEIO DE CONEXÃO, OU SEJA, POR
MEIO DE ONDAS.

CONCEITOS LIGADOS À RADIAÇÃO SOLAR

CORPO NEGRO – MATERIAL HIPOTÉTICO QUE APRESENTA UM ESPECTRO DE


RADIAÇÃO CONTÍNUO EM TODOS OS COMPRIMENTOS DE ONDA E É CAPAZ DE
ABSORVER, POR OUTRO LADO, TODA A ENERGIA RADIANTE QUE INCIDE SOBRE ELE.

ABSORVICIDADE (a) – FRAÇÃO DA RADIAÇÃO INCIDENTE QUE É ABSORVIDA PELO


MATERIAL. VARIA DE 0 a 1.

REFLETIVIDADE (r) – FRAÇÃO DA RADIAÇÃO INCIDENTE QUE É REFLETIDA PELO


MATERIAL.

TRANSMISSIVIDADE (t) – FRAÇÃO DA RADIAÇÃO INCIDENTE QUE É TRANSMITIDA


PELO MATERIAL.

a+r+t=1

ALBEDO – É UM TERMO QUE EXPRIME A REFLETIVIDADE DE UM


MATERIAL. É O COEFICIENTE DE REFLEXÃO.

PROCESSOS SOFRIDOS PELA RADIAÇÃO SOLAR AO ATRAVESSAR A


ATMOSFERA

1 – ESPALHAMENTO OU DISPERSÃO
Partículas de impurezas e moléculas de gases causam o processo de
espalhamento. Este fenômeno causa a cor azul do céu, pela dispersão, na
alta atmosfera, das moléculas de gases na faixa do azul, principalmente o
ozônio.
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Raios luminosos de comprimento de onda mais curtos são mais facilmente


dispersos;
Raios de comprimento de ondas mais longos chegam diretamente ao solo.

2 – ABSORÇÃO
Quantidade de radiação absorvidas pela atmosfera, seletiva por certos
constituintes da atmosfera e para certos comprimentos de ondas.
Oxigênio, ozônio, gás carbônico e vapor de água, principais absorvedores.
A radiação ultravioleta é praticamente absorvida pelo O², O³. A radiação
infravermelho é absorvida em várias faixas pelo vapor de água e o CO².

3 – REFLEXÃO
Quantidade de radiação que ao incidir sobre um corpo é devolvida sem
modificar suas características, a reflexão e a dispersão dão como resultado
a radiação solar difusa.

ESPECTRO SOLAR E BIOLOGIA

ENERGIA SOLAR:
CONJUNTO DE RADIAÇÕES
COMPRIMENTOS DE ONDA VARIÁVEIS
0,2 A 4 MICRAS
CONSTITUEM O ESPECTRO SOLAR

ESPECTRO SOLAR
0,2 a 0,4 mícron – ULTRAVIOLETA – 9%
0,4 a 0,7 mícron – PARTE VISÍVEL – 41%
Radiações azuis, verdes e parte das vermelhas
0,7 a 4 micra – INFRAVERMELHO – 50%

INFRAVERMELHO
RADIAÇÃO TERMAL
LONGO COMPRIMENTO DE ONDA
ABSORVIDAS PELO VAPOR D’AGUA E GÁS CARBÔNICO
ATMOSFÉRICOS
PARTÍCULAS SÓLIDAS PROVOCAM DISPERSÃO

ULTRAVIOLETA
ABSORVIDAS NAS CAMADAS SUPERIORES DA ATM.
OXIGÊNIO E OZÔNIO ATUAM
PROTEÇÃO CONTRA A NOCIVIDADE DESTA RADIAÇÃO
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BALANÇO DA RADIAÇÃO NA BIOSFERA

A RADIAÇÃO SOLAR RECEBIDA NA SUPERFÍCIE DA TERRA CONSISTE EM


DUAS PARTES:
RADIAÇÃO SOLAR DIRETA + RADIAÇÃO DIFUSA = RADIAÇÃO SOLAR GLOBAL

BANDAS DO ESPECTRO SOLAR QUE AFETAM

O CRESCIMENTO VEGETAL

1ª BANDA (_ > 1,0 μ): NÃO CAUSAM DANOS E SÃO ABSORVIDAS PELA
PLANTA.

2ª BANDA (1,0 > _ > 0,72 μ): É A REGIÃO QUE EXERCE EFEITO SOBRE O
CRESCIMENTO DAS PLANTAS. O TRECHO PRÓXIMO À 1,0 μ É IMPORTANTE
PARA O FOTOPERIODISMO, GERMINAÇÃO DE SEMENTES, CONTROLE DA
FLORAÇÃO E COLORAÇÃO DOS FRUTOS.

3ª BANDA (0,72 > _ > 0,61 μ): REGIÃO ESPECTRAL FORTEMENTE


ABSORVIDA PELA CLOROFILA. GERA FORTE ATIVIDADE
FOTOSSINTÉTICA, APRESENTANDO EM VÁRIOS CASOS TAMBÉM FORTE
ATIVIDADE FOTOPERIÓDICA.

4ª BANDA (0,61 > _ > 0,51 μ): REGIÃO ESPECTRAL DE BAIXO EFEITO
FOTOSSINTÉTICO E DE FRACA AÇÃO SOBRE A FORMAÇÃO DA PLANTA.
CORRESPONDE A REGIÃO VERDE DO ESPECTRO VISÍVEL.

5ª BANDA (0,51 > _ > 0,40 μ): É A REGIÃO DE MAIOR ABSORÇÃO PELA
CLOROFILA E PIGMENTOS AMARELOS (CAROTENÓIDES). CORRESPONDE
AO AZUL VIOLETA E É TAMBÉM REGIÃO DE GRANDE ATIVIDADE
FOTOSSINTÉTICA, EXERCENDO AINDA VIGOROSA AÇÃO NA FORMAÇÃO
DA PLANTA.

6ª BANDA (0,40 > _ > 0,315 μ): ESTA FAIXA EXERCE EFEITOS
DEFORMATIVOS NAS PLANTAS, QUE TORNAM-SE MAIS BAIXAS E COM
FOLHAS MAIS ESPESSAS.

7ª BANDA (0,315 > _ > 0,28 μ): É PREJUDICIAL À MAIORIA DAS PLANTAS,
MATANDO-AS DEPOIS DE ALGUM TEMPOR DE EXPOSIÇÃO.

8ª BANDA (_ > 0,28 μ): RADIAÇÃO QUE MATA RAPIDAMENTE AS PLANTAS.