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Ministério Público do Estado de Goiás Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente
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Perícia Ambiental

LAUDO TÉCNICO PERICIAL

LTPA 023/2007 – PRC 09/07

AVALIAÇÃO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL (EIA) DA USINA VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS, MUNICÍPIO DE GOIATUBA

1. INTRODUÇÃO

Por determinação da Promotora de Justiça Miryam Belle Moraes da Silva, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Goiás, em atendimento à requisição do Promotor de Justiça Rodrigo Sé Patrício, da Comarca de Goiatuba, o Perito Ambiental subscrito, depois de realizar vistoria in loco, apresenta o seu laudo.

2. OBJETIVOS

2. OBJETIVOS Ministério Público do Estado de Goiás Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio
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Realizar avaliação do EIA/RIMA do empreendimento Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda,

3. ANÁLISE E DISCUSSÕES

O Estude de Impacto Ambiental (EIA) e seu Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) foi elaborado pela empresa DBO Engenharia Ltda. Ao Ministério Público foi encaminhado apenas o EIA.

No capítulo 3 do EIA é apresentada a localização do empreendimento. Informa que a indústria será instalada em uma gleba de 50 hectares (ha) da Fazenda Conquista, situada à margem esquerda da rodovia GO-210, sentido Goiatuba- Porteirão. O EIA informa que tal área está inserida na sub-bacia do córrego D’Antas, afluente do ribeirão Bom Sucesso e, segundo o EIA “afluente da margem esquerda do rio dos Bois, todos contribuintes do rio Paranaíba.” (EIA, p. 16). No entanto, a figura 5 (EIA, p. 73) mostra o ribeirão Bom Sucesso desaguando no rio Santa Bárbara. Esta figura apresenta tamanho extremamente inadequado, incluindo área ilustrada, o que torna a leitura da bacia hidrográfica extremamente prejudicada. De qualquer forma, pelo pouco que se pode ver na referida figura fica evidenciado a primeira omissão do referido EIA, ao ignorar (no texto) o rio Santa Bárbara, no qual o ribeirão Bom Sucesso deságua, segundo a figura 5 do EIA, sendo o rio Santa Bárbara, portanto, o rio a desaguar no rio dos Bois – depois de receber as águas do ribeirão Bom Sucesso. Como a figura não permite uma adequada leitura da região, fica a dúvida: quem é tributário de quem?

Da forma que foi feita, fica comprometido o cumprimento do artigo 5º Resolução CONAMA nº 01/1986, o qual determina:

da

“Artigo 5º - O estudo de impacto ambiental, além de atender à legislação, em especial os princípios e objetivos expressos na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, obedecerá às seguintes diretrizes gerais:

I - Contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto; II - Identificar e avaliar sistematicamente os impactos ambientais gerados nas fases de implantação e operação da atividade ;

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III - Definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza;” (Res. CONAMA nº 01/1986) (grifamos)

A atividade da empresa é a produção de álcool e açúcar-cristal, a partir do

processamento da cana-de-açúcar. E para que isso ocorra é imprescindível que se plante cana-de-açúcar (e em grande quantidade), portanto o plantio da cana é inerente e imprescindível à operação da empresa. Assim, é descabido de qualquer lógica não considerar no EIA as áreas plantadas, e todos os impactos relacionados ao plantio, irrigação e colheita da cana. Outra omissão, ainda na localização, é a proximidade de outras cidades, como Porteirão. Há referência apenas à cidade de Goiatuba, sede do Município onde insere-se o empreendimento, mas uma das mais afastadas da área da Fazenda Conquista. A figura 01 (p. 17) traz um recorte do Mapa Rodoviário do Estado de Goiás, em uma escala, e tamanho, que dificulta a adequada visualização da região e das distâncias entre a área e cidades e povoados/distritos próximos. Assim, esta figura é totalmente inútil.

Na referida figura há, também, um croqui, onde são identificados os povoados de Santo Antônio (distante 8Km da Faz. Conquista), Venda Seca (20Km) e São Domingos (40Km). A sede do Município de Goiatuba dista 59Km da Faz. Conquista. Demais municípios e distritos são ignorados. Quanto à presença de outras usinas, este empreendimento estará distante apenas 25Km da Usina Fortaleza (Mun. de Porteirão), e 28Km da Usina Goiasa (Mun. de Goiatuba e outra prevista para o Mun. de Itumbiara). Na verdade, para Itumbiara, além de grande quantidade de áreas já plantadas com cana para a Usina Alvorada (de Minas Gerais), estão previstos mais seis empreendimentos, destacando-se nova unidade da Goiasa, e a Usina Panorama, que foi inaugurada recentemente. Esta proximidade leva ao sinergismo dos impactos destes empreendimentos, tanto dos impactos ambientais, quanto dos impactos sociais. E em nenhum dos casos, o EIA trata desta problemática.

O item “3.2 Natureza e porte” mostra que o objetivo do empreendimento em tela

é a produção de açúcar-cristal e álcool etílico a partir da cana-deaçúcar. O processamento inicial de cana-de-açúcar será de 1 milhão de toneladas (não define quanto de cada produto, açúcar e álcool, será produzido) evoluindo até 3 milhões de

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toneladas de cana-de-açúcar processada (sem ser definido em quantos anos será atingida esta produção). No item “3.3 Objetivos e importância do empreendimento” (p. 18) o EIA informa

que

“A lavoura de cana-de-açúcar será implantada através da conversão de outras culturas tradicionais na região como soja, milho e algodão e de pastagens, algumas das quais degradadas, não representando inserção de novas áreas produtivas, isto é, sem necessidades de desmatamentos para o cultivo da matéria prima para a indústria.” (EIA, p. 18).

Nenhuma análise das perdas geradas para estes setores é feita pelo EIA.

O EIA trata da questão como que se quisesse dar a impressão que haverá apenas

um processo de parar o plantio de soja, milho e algodão e de criação de gado,

substituindo estas atividades pelo plantio de cana-de-açúcar. Esta não é a verdade.

O que ocorrerá é a migração do plantio de soja, milho, algodão entre outras

culturas, assim como da pecuária, para áreas mais baratas, ainda não atrativas para o cultivo da cana. Muitas destas áreas com vegetação nativa. Deve-se lembrar que os grandes produtores rurais são, normalmente,

arrendatários (e não proprietários) das terras. Assim, irão continuar produzindo soja, milho, algodão ou outras culturas, em novas áreas.

É muito provável que nenhuma área será desmatada para o plantio de cana na

região. Mas é muito provável que novas áreas serão desmatadas, seja para a agricultura

ou a pecuária deslocadas.

Ainda na página 18 o EIA revela uma grande deficiência do empreendimento, qual seja, a co-geração de energia elétrica a partir da queima do bagaço de cana somente será implantada em um futuro indefinido. Diante da grande quantidade de empreendimentos de usinas de álcool e açúcar querendo se instalar em Goiás, é imprescindível que se priorize aqueles que pretendam se instalar já de forma a mais eficiente possível, ou seja, imprescindivelmente a imediata implantação de sistema de co-geração de energia elétrica a partir da queima do bagaço da cana-de-açúcar.

A implantação de inúmera usinas hidrelétricas em Goiás tem trazido ao Estado

uma significativa depauperação da qualidade ambiental. As usinas de álcool e açúcar são

grandes consumidores de energia elétrica e, também, responsáveis por grandes impactos

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ambientais. A co-geração de energia pelas usinas de álcool e açúcar, com a queima do bagaço é uma forma de maximizar os pontos positivos destes empreendimentos, ao mesmo tempo em que pode contribuir para a redução na implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH´s), empreendimentos que geram imensos impactos ambientais e, via de regra, não geram energia no período de seca – exatamente na época em que as usinas sucro-alcooleiras podem gerar energia.

No item 3.5 (p. 20) o EIA trata da “Mão-de-obra e regime de funcionamento”, onde informa sobre o período de operação do empreendimento

“Na etapa final de implantação, este período será de 227 dias com eficiência de tempo aproveitado de 90%. Disso resultam aproximadamente 180 dias de operação efetiva durante 24 horas por dia, divididas em três turnos fixos de 8 horas cada um. No período de entressafra (novembro a abril), a Unidade estará em processo de manutenção.” (EIA, p. 20, grifamos)

Neste item chama a atenção os cálculos feitos, onde 90% de 227 é dado como 180 (o correto são 204). Deve-se considerar, no entanto, que a operação da empresa se dará durante os 227 dias informados (mais à frente será mostrada a contradição desta informação).

Com relação à geração de empregos, chama a atenção a quantidade que informa- se que serão gerados:

1. Fase de Implantação:

- 300 trabalhadores diretos, que trabalharão na montagem da usina;

2. Fase de Operação:

- 1900 trabalhadores:

- 80 na administração;

- 320 na indústria;

- 1500 na área agrícola.

Este grande quantitativo na área agrícola deve-se ao fato da empresa propor a mecanização de apenas 30% de sua área plantada – a extensão desta área (plantada) não é dada com precisão pelo EIA. Embora neste item não seja tratado, a produção de cana será de responsabilidade dos produtores rurais, que formaram uma cooperativa com este fim. Deve-se destacar que este processo favorece o descumprimento da legislação trabalhista e ambiental. Outra questão que não pode ser esquecida é que está nas plantações de cana-de-açúcar

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e nas carvoarias a quase totalidade dos casos de mão-de-obra escrava no Brasil. O EIA nada trata desta questão.

No item “3.7.1 Cultura Agrícola” (EIA, p. 23) consta que a previsão de produção e previsão de crescimento do empreendimento é de:

- 1 milhão de toneladas de cana para a safra de 2008;

- 1,5 milhão de toneladas de cana para a safra de 2009;

- 1,9 milhão de toneladas de cana para a safra de 2010;

- 2,4 milhões de toneladas de cana para a safra de 2011, e

- 3 milhões de toneladas para o horizonte – não é definido quando.

Rapidamente o EIA informa que o “empreendimento envolverá o plantio de

36.000 hectares de cana-de-açúcar (

simples fornecimento”, sem maiores detalhes através do EIA. Não é possível saber se os 36.000 ha serão necessários para a produção de 1 milhão de toneladas de cana ou se suficientes para a produção dos 3 milhões de toneladas de cana. Também não informa se nesses 36.000 ha já está inclusa a área para renovação anual – que gira, normalmente, em torno de 20% do total da área. Considerando-se a produtividade média nacional de 68,7 toneladas de cana por hectare (conforme MACEDO et al., 2004, citado por OMETTO et al., 2005 1 ), para a produção de 3 milhões de toneladas de cana seriam necessários 43.668,12 ha, aos quais ainda deve-se somar as áreas de renovação dos plantios, além das áreas inseridas nas propriedades rurais impedidas de uso, como Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais. O EIA não informa qual a produção média da região, daí o uso da média nacional.

em regime de parceria, arrendamento ou

)

Informa, ainda, que foi adotado o uso de “Tecnologia convencional e testada, porém de alta eficiência”. Provavelmente esta eficiência refere-se apenas ao aspecto financeiro, visto que quanto à eficiência ambiental, o uso proposto de fogo para 70% da produção é algo totalmente incompatível a uma mínima responsabilidade ambiental. Nenhuma usina de álcool pode argumentar qualquer preocupação ambiental tendo em suas propostas a meta de queimar 70% de sua produção de cana, ao mesmo tempo em que não contempla a co-geração de enrgia.

1 OMETTO, A.R., et al. Mapeamento de potenciais de impactos ambientais da queima de cana-de-açúcar no Braasil. Anais XII Simp. Bras. Sens. Remoto, Goiânia, 16-21 abril 2005, INPE, p. 2297-2299. Disponível em

<http://marte.dpi.inpe.br/col/ltid.inpe.br/sbsr/2004/11.19.16.07/doc/2297.pdf>.

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A queima da cana é indicada, ainda, como forma de controle de pragas, como é

visto no item “3.7.1.6 Controle de Pragas” (EIA, p. 27) onde a cigarrinha-da-cana

(Manharva fibriolata sic [o correto é Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854)]) é identificada como a principal praga da cana-de-açúcar. O EIA aponta como “alternativa mais

econômica para o seu controle (

dispensando-se a aplicação de inseticidas.”. Esta indicação levanta suspeita até sobre a intenção de se realizar a queima para “apenas 70%” da área plantada, pois não é indicada nenhum outro método de combate a esta praga para a área que, teoricamente, terá corte mecanizado – portanto sem queima.

A extensão da área que inicialmente estará sujeita ao corte mecanizado está

definida no item “3.7.1.7 Queima, colheita e operações pós-colheita” (EIA, p. 28), onde o

EIA afirma que “A VALE VERDE GOIATUBA adotará inicialmente colheita mecanizada de cana crua em 30% dos canaviais, com aumento gradativo do percentual de cana picada a cada ano.” Não há um cronograma com o percentual a ser incrementado a cada ano nas áreas de corte mecanizado.

)

a queima da plantação antes da colheita,

Com relação à pretensão do empreendedor em fazer uso da queima da cana, é interessante destacar as conclusões da tese de doutorado do médico Marcos Abdo Arabex, “Avaliação dos efeitos do material particulado proveniente da queima da plantação da cana-de-açúcar sobre a morbidade respiratória na população de Araraquara – SP”, da Universidade de São Paulo:

“O estudo conclui que:

1. Há uma associação causal entre o material particulado decorrente da queima

de plantações de cana-de-açúcar e um indicador de morbidade respiratória na cidade de Araraquara.

2. A relação entre poluição atmosférica e efeitos sobre a saúde da população mostrou ter um efeito agudo após curto período de exposição, com um tempo de defasagem de dois dias.

3. A associação causal é dose-dependente.” (ARABEX, 2001) 2

Outro trabalho que merece atenção é o que foi desenvolvido por pesquisadores da UNESP/Araraquara e da Universidade de Birmingham. PATERLINI et al. (2006) 3 Mostraram que a queima da cana contribui para aumento significativo da concentração de material particulado na atmosfera, principalmente das partículas finas (aquelas com

2 Disponível em:

<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5144/tde-07042003-231607/publico/Arbexteseinicio.pdf>.

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diâmetros menores que 2,5µm), exatamente as partículas associadas a doenças respiratórias. Conforme resultados destes pesquisadores, “a média de partículas totais é de 40,57µm m -3 na época da safra e 18,96µm m -3 na entressafra” e para “partículas finas (MP 2,0 ) a média é de 28,11µm m -3 na safra e 13,7µm m -3 na entressafra”. Os autores ainda chamam a atenção para o fato que:

“Considerando-se que a única mudança significativa de atividade que ocorre no período é a queima da palha e que mudanças climáticas apenas não são suficientes para explicar mudanças no MP [material particulado], acreditamos ser esta atividade a principal causa desta variação” (PATERLINI et al., 2006).

Por fim, os autores concluem que:

a queima da cana resulta em contribuição significativa na constituição do MP

[material particulado] atmosférico da região central do Estado de São Paulo, aumentando mais de 100% a concentração de partículas em todas as faixas de tamanho inclusive partículas finas que são potencialmente perigosas ao homem.” (PATERLINI et al., 2006).

“(

)

Estes dois trabalhos são suficientes para mostrar os malefícios à saúde humana (além dos danos ao meio ambiente) causados pela queima da cana-de-açúcar. Deve-se destacar, ainda, que todos os custeios de diagnóstico e tratamento das doenças causadas à população pelas atividades das usinas sucro-alcooleiras, recaem sobre o poder público (municipal e estadual).

Quando o EIA trata de questões como “preparo do solo” (p. 24), “calagem e adubação química” (p. 25), “irrigação” (p. 25), “adubação orgânica com subprodutos do processamento industrial” (p. 26), “plantio” (p. 27), “controle de pragas e ervas daninhas” (p. 27), “queima, colheita e operações pós-colheita” (p. 28) e “transporte” (p. 28), fica evidenciada que é totalmente incongruente considerar como objeto do EIA apenas a área da indústria. É como considerar no EIA de uma usina hidrelétrica apenas a área destinada à instalação da casa de força, desconsiderando a área do reservatório. Assim como na usina hidrelétrica os grandes impactos ambientais e sociais não estão na reduzida área destinada à casa de força, mas na área do reservatório e seus arredores, incluindo as cidades e distritos próximos (podendo estender-se em muitos quilômetros além deste), o parque industrial da usina sucro-alcooleira é o menor dos problemas. A problemática mesmo, refere-se à área plantada, aos municípios que irão abrigar a mão-de-obra vinda

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de fora, e estas devem, obrigatoriamente, ser objetos do EIA/RIMA – e tratadas como AID. Em não sendo, o EIA torna-se um documento falso, incapaz de revelar os problemas que serão advindos daquela atividade.

No item “3.7.3 Sistema de águas” (EIA, p. 40) informa que a captação será de até 720m 3 /h (ou 200 l/s), feita no córrego D’Antas, com licença e outorga. Entretanto não apresenta o histórico da vazão deste córrego – informações imprescindíveis para se saber se o referido córrego comporta tamanha demanda.

Os processos e destinação da água na industria são quantificados sem, no

entanto, informar se já é considerada a produção máxima da empresa (3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar) ou a produção inicial (de 1 milhão de ton).

O mesmo vale para a geração de resíduos sólidos (p. 41):

- sobra de bagaço: estimado em 50 t/h,

- torta de filtro: estimada em 10 t/h,

- cinzas e fuligens da água de lavagem dos gases da caldeira: 5 t/h,

- terra proveniente da água de lavagem de cana: estimada em 5 t/h.

Não há explicação para estes valores, apenas são citados, sem nenhuma referência a como se chegou aos mesmos.

O EIA reconhece que haverá “sobra significativa de bagaço” (EIA, p. 42), e sugere

que:

“(

excedentes de energia elétrica para venda no futuro. Outra forma é proceder à

venda do bagaço para outras empresas na região.” (EIA, p. 42)

pode-se pensar em utilizar este bagaço para a produção de vapor visando

)

A sugestão de venda do bagaço para outras empresas da região é feita sem

nenhum indicador de mercado e econômico. Ou seja, é apontada uma possibilidade de destinação sem garantia de viabilidade executiva. Impondo-se a obrigatoriedade de imediata implantação da co-geração de energia elétrica, pela queima do bagaço da cana, garante-se adequada destinação a este resíduo (bagaço da cana).

A quantificação de efluentes líquidos a serem gerados pelo empreendimento carece da mesma falta de informação no EIA: estes valores referem-se ao processamento de 1 milhão de toneladas de cana ou 3 milhões de toneladas de cana-de- açúcar processadas?

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“Excedente da água de lavagem de cana, estimada em 1.680 t/h (variando de 1.635 a 1.707 t/h); Águas residuárias, estimadas em 64,1 t/h (variando de 58,5 a 69,7 t/h); Vinhaça, estimada em 200 t/h (variando de 150 a 250 t/h).” (EIA, pp. 42-3).

Há uma tabela (Quadro 04, p. 43) onde é mostrado que o fator relacionado com a variação na produção dos três efluentes líquidos está relacionado com o MIX (percentual de açúcar). Não há, no entanto, nenhuma referência ao volume de cana-de-açúcar processada. Mais uma vez, omite-se se estes valores referem-se ao processamento de 1 milhão de ton de cana ou a 3 milhões de toneladas.

Embora seja comum (apesar de totalmente errada) a propositura de se implantar sistemas para se trabalhar com valores médios, deve-se implantar, na verdade, sistema para os valores máximos, visto que em algum momento (mesmo que seja em menor espaço de tempo) haverá aquela produção máxima. Assim, para a produção de vinhaça deve-se considerar o Mix de 40% de açúcar (aceitando-se os índices apresentados no Quadro 04, EIA p. 43), enquanto para águas residuárias e excedente de água de lavagem de cana deve-se considerar o maior índice de mix açúcar (60%). E, ainda, deve-se dimensionar o sistema para o processamento de 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Além disso, deve-se considerar as contribuições pluviométricas ao(s) sistema(s). Voltando-se ao item 3.7 do EIA, observa-se que, como não há informação de quanto de açúcar e/ou álcool será produzido pela empresa (para cada ano), mas apenas do crescimento da quantidade de cana processada (iniciando-se com 1 milhão de ton e chegando a 3 milhões de ton), percebe-se que a quantificação de efluentes líquidos apresentada é totalmente desprovida de valor real. Ainda, o Quadro 04 não informa com qual quantidade de cana são feitas as contas (1 milhão de ton ou 3 milhões de ton). Não é demais repetir que todos os sistemas de contenção/tratamento de efluentes devem estar dimensionados para os valores máximos. Para cada litro de álcool são produzidos de 10 litros a 18 litros de vinhaça (SILVA et al., 2007) 4 . Uma tonelada de cana produz aproximadamente 113 litros de álcool, o que resulta em 2.034 litros de vinhaça, considerando-se uma produção de 18 litros de vinhaça por litro de álcool. Se considerarmos que a produção será somente de álcool, com 1 milhão de toneladas de cana tem-se 113 milhões de litros de álcool, com produção

4 SILVA, M.A.S. et al. Uso de vinhaça e impactos nas propriedades do solo e lençol freático. Rev. Bras. Eng. Agr. E Ambiental, v. 11, n.1, p.108-114, 2007.

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de 2,034 bilhões de litros de vinhaça. Com 50% da cana destinada à produção de álcool, serão produzidos 1,017 bilhão de litros de vinhaça.

Segundo SILVA et al. (2007) 4 a

“(

e alto valor fertilizante; o poder poluente, cerca de cem vezes maior que o do

esgoto doméstico, decorre da sua riqueza em matéria orgânica, baixo pH, elevada corrosividade e altos índices de demanda bioquímica de oxigênio (DBO), além de elevada temperatura na saída dos destiladores; é considerada altamente nociva à fauna, flora, microfauna e microflora das águas doces” (SILVA et al., 2007) (grifamos)

vinhaça é caracterizada como efluente de destilarias com alto poder poluente

)

Diante destes dados fica evidente a necessária precisão na quantificação e destinação deste poluente.

No item “Emissões atmosféricas e ruído” (EIA, p. 43) informa que “está prevista a

instalação de um lavador de gases, via úmida com eficiência aproximada de 97%.” e, ainda, que os efluentes gerados neste processo serão enviados para tanques de sedimentação, e daí para caixa de águas residuárias e posterior uso na fertirrigação. Para a cinza úmida, é informado que a mesma será destinada à lavoura (sem maiores

detalhes). Afirma, ainda, que:

será estabelecido um controle diário, através da análise da cor dos gases da

chaminé e um controle mensal através de análise de emissão de CO2, CO e Nox para monitoramento das emissões.” (EIA, p. 43)

“(

)

Contradizendo a afirmação feita na p. 20, onde o EIA afirma que a empresa teria “aproximadamente 180 dias de operação efetiva durante 24 horas por dia”, no último parágrafo da p. 43 lê-se:

“No que tange às fontes de ruídos e vibrações gerados pelo funcionamento da indústria, estes equipamentos estarão em operação 24 horas por dia durante os 227 dias de safra.” (EIA, p. 43, grifamos)

O Quadro 06 (EIA, p. 44) apresenta uma relação de insumos que serão

consumidos pela indústria, com o processamento de 2,4 milhões de toneladas de cana, e produção de 3.739.919 sacos de açúcar e 123.829 m 3 de álcool. A relação de insumos contidas neste quadro deveria compor tabelas diferentes para cada produção prevista (ou seja, quantidade de insumos para 1 milhão de tca, 1,5, 1,9, 2,4 e 3 milhões tca). Se é que há a intenção verdadeira da empresa em iniciar sua

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produção com o processamento anual de 1 milhão de toneladas de cana, com o aumento gradativo apresentado no item 3.7.1 (EIA, p. 23).

O Quadro 07 (EIA, pp. 45-52) relaciona os equipamentos necessários para

atender à demanda de processamento de 2,4 milhões de toneladas de cana por ano, o que é estimado em 440 t/h. Com este quantitativo o EIA informa que serão produzidos 10.000 sacos de açúcar/dia, 300m 3 de álcool hidratado/dia e 100m 3 de álcool anidro/dia (EIA, p. 45).

Aqui fica evidenciada a dificuldade do EIA em apresentar dados corretos (principalmente no que se refere a dados quantitativos). Veja que o EIA (na p. 44) informa que serão processadas pela empresa 2,4

milhões de toneladas de cana/ano (tca), com produção de 123.829m 3 de álcool e 3.739.919 sacos de açúcar. Logo em seguida o EIA afirma que com o processamento das mesmas 2,4 milhões de tca serão produzidos 10.000 sacos de açúcar/dia e 400m 3 de álcool/dia. Como foi informado pelo EIA que a empresa irá trabalhar:

- 180 dias com regime de 24 horas por dia (EIA, p. 20);

- 227 dias com regime de 24 horas por dia (EIA, p. 44).

(Aliás, qual é a informação verdadeira??) Se considerarmos 180 dias, teremos apenas 1.800.000 sacos de açúcar. Considerando-se 227, serão produzidos 2.270.000 sacos de açúcar/ano. Ambos, valores bem inferiores aos 3.739.919 sacos informados pelo próprio EIA na p. 44. Para os valores de álcool, temos os mesmos problemas, agravados pela variação (para mais) que ocorrerá na produção de vinhaça.

Como é evidente que “180 dias de operação efetiva durante 24 horas por dia” (EIA, p. 20) é uma informação falsa (evidenciada pelo próprio EIA na p. 44), serão feitos novos cálculos apenas para os 227 dias.

Se serão produzidos 123.829m 3 de álcool em 227 dias, a média diária é de 545,5m 3 de álcool/dia e não apenas 400m 3 /dia.

No entanto, se forem produzidos apenas 400m 3 de álcool/dia, para a produção de

123.829m 3 de álcool/ano, serão necessários 309,5 dias com regime de 24 horas.

QUAIS SÃO OS VALORES VERDADEIROS?

Assim, 400m 3 álcool/dia x 227 = 90.800m 3 álcool/ano, ou 33.029m 3 de álcool a menos que o valor de 123.829m 3 informados na p. 44 do EIA. Esta diferença representa 594.522m 3 de vinhaça/ano que são ignorados.

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Considerando-se que MEDINA & BRINHOLI (1998) 5 obtiveram bons resultados no aumento da produtividade, número e tamanho dos colmos e concentração de sacarose, com aplicação de 45m 3 /ha de vinhaça, associada à aplicação de calcário e gesso, aquela quantidade de vinhaça desconsiderada pelo EIA, seria suficiente para irrigar 13.211,6 ha. Se considerarmos os valores indicados por CASARINI (1989) 6 , 150m 3 /ha/ano, a mesma quantidade de vinhaça desconsiderada pelo EIA será suficiente para irrigar 3.963,48 ha.

Considerando-se a produção de 400m 3 /dia de álcool, e tendo-se 18 l de vinhaça por litro de álcool produzido, tem-se 7.200m 3 de vinhaça produzidos por dia, ou 300m 3 /hora. Na p. 43 o EIA refere-se à produção máxima de 250 t/h. Esta quantidade (250 t/h) de vinhaça produzida a partir da produção de 400m3 de álcool equivaleria à geração de 1 ton de vinhaça para cada 1,6m 3 de álcool produzido, ou para cada m 3 de álcool, teria a geração de 0,625 ton de vinhaça. As estimativas mais otimistas consideram como sendo a produção mínima de 10 litros de vinhaça para cada litro de álcool produzido. Assim, este quantitativo apresentado no EIA é totalmente falso. O EIA não informa a densidade da vinhaça (o EIA sempre informa os valores da vinhaça em toneladas), o que impede a conversão de litros para toneladas. Esta conversão permitiria aferir os valores apresentados no EIA. Entretanto, se considerarmos que a densidade da vinhaça seja igual a 1g/cm 3 (a mesma da água), teríamos, para os 300m 3 /h de vinhaça (conforme os cálculos apresentados acima), 300 t/h, valor bem superior ao valor máximo informado pelo EIA – de 250 t/h. Considerando-se que para a produção de 123.829m 3 de álcool/ano, em 227 dias de trabalho, será necessário que se produza 545,5m 3 de álcool/dia, a verdadeira produção de vinhaça será de 9.819m 3 de vinhaça/dia ou 409m 3 vinhaça/hora. Desprezando-se a quantidade de dias trabalhados, e considerando apenas o valor total apresentado da produção anual de álcool, 123.829m 3 , e considerando-se uma geração de 18 litros de vinhaça/litro de álcool produzido (conforme SILVA et al., 2007), serão produzidos 2.228.922m 3 de vinhaça por ano. Se adotarmos os mesmos valores adotados por MEDINA & BRINHOLI (1998), esta vinhaça será suficiente para ser aplicada em 49.531,6 ha – área bem maior que a indicada pelo EIA como a que será utilizada pela empresa.

5 MEDINA, C.C.; BRINHOLI, O. Uso de resíduos agroindustriais nas praduções de cana-de-açúcar, açúcar e álcool.

Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília - DF, v. 33, n. 11, p. 1821-1825, 1998.

6 CASARINI, D.C.P. Efeito da fertirrigação com vinhaça nas propriedades químicas e microbiológicas do solo em um sistema de disposição de efluentes industrial. USP/São Carlos: 1989. Tese.

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A real e precisa quantidade de vinhaça que será produzida é extremamente importante, assim como a extensão total, real e precisa, das áreas a serem plantadas, e, ainda, as características físico-químicas do solo de cada área. Hoje todos os empreendimentos sucro-alcooleiros, e seus EIA´s, apresentam como destino para toda vinhaça gerada no processo industrial a fertirrigação – quase sempre afirmam que a quantidade de vinhaça que será gerada não será suficiente para irrigar todas as áreas plantadas. O EIA em tela não é diferente:

“Cabe destacar que o volume de vinhaça a ser disponibilizado para ferti-irrigação será insuficiente para as áreas de culturas agrícolas próprias. A demanda será complementada por processos de irrigação.” (EIA, p. 26)

Entretanto, muitos estudos têm mostrado que a fertirrigação pode causar sérios danos ao solo e ao lençol freático, além do forte odor que pode comprometer a qualidade de vida da população, quando aplicado em áreas próximas à zona urbana. A própria irrigação simples (apenas água) já tem-se revelado como potencialmente causadora de danos ambientais. Bernardo (s.d.) 7 chama a atenção para a gravidade deste problema:

“Existem muitas evidências no mundo de áreas, que após os benefícios iniciais da irrigação, têm-se tornado impróprias à agricultura. Apesar de seus imensos benefícios, ela tem criado impactos ambientais adversos ao solo, à disponibilidade e qualidade da água, à saúde pública, à fauna e flora, e, em alguns casos, chegando a prejudicar às condições sócio-econômicas da população local.” (Bernardo, s.d., p.

1)

e, mais à frente, salienta que “A irrigação no Brasil, infelizmente, ainda não está sendo praticada com boa eficiência.” (Bernardo, s.d., p. 2, grifamos). Ainda segundo este autor, o ciclo de desenvolvimento da cana é dividido em quatro estágios:

1. germinação e emergência: 1 mês;

2. perfilhamento e estabelecimento da cultura: 2 a 3 meses;

3. desenvolvimento da cultura: 6 a 7 meses;

4. maturação: 2 meses.

Sendo os dois primeiros estágios (de 3 a 4 meses) “os mais críticos ao déficit hídrico”, ou seja, são os períodos em que se deve fazer a irrigação e/ou fertirrigação.

7 Bernardo, S. Manejo da irrigação na cana-de-açúcar. Disponível em:

<http://www.agronegocio.goias.gov.br/docs/portal/seminarioIII.pdf>.

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No sítio eletrônico do Jornal da Cana 8 encontra-se uma reportagem que divulga o lançamento de um pivô adequado/resistente para aplicação da vinhaça da cana, onde pode-se constatar o risco da aplicação inadequada deste efluente na lavoura:

“A aplicação de vinhaça nas lavouras de cana-de-açúcar é uma prática comum mas que ainda não havia sido viabilizada por meio dos pivôs de irrigação, em função do alto poder corrosivo do produto.” (Jornal da Cana, 18/05/2006, grifamos)

LYRA et al. (2003) 9 realizando experimentos para avaliar a qualidade do lençol freático em áreas de fertirrigação com vinhaça, no Município de Ipojuca, Pernambuco, com 19 poços de monitoramento, apresenta os seguintes resultados:

“Como a avaliação de água engloba uma série de parâmetros a serem contemplados com as devidas concentrações permitidas pela legislação, o impacto sobre a qualidade de água do lençol freático foi consideravelmente minimizado, mas não o suficiente para garantir o atendimento a todas as exigências dos parâmetros ambientais. O comportamento dos poços de monitoramento em cada classe de solo sofreu influência da classe textural, da quantidade de matéria orgânica no solo, da quantidade de efluente fertirrigado e residual e da direção de fluxo das águas subterrâneas.” (LYRA et al., 2003:531) (grifamos).

E dentre as conclusões apresentadas, destaque para a seguinte:

“4. A aplicação de vinhaça na fertirrigação de canaviais, apesar de minimizar seu potencial poluidor, não garante o atendimento a todos os parâmetros de qualidade exigidos pelo CONAMA para rios Classe 2, afetando a qualidade da água do lençol

freático (

)”

(LYRA et al., 2003:531).

Nas áreas estudadas por LYRA et al. (2003), a quantidade de vinhaça aplicada foi de 300m 3 /ha/ano.

CASARINI (1989) 10 avaliando os efeitos da fertirrigação nas propriedades químicas e microbiológicas do solo, em áreas com taxas de aplicação de 150m 3 /ha/ano e 600m 3 /ha/ano de vinhaça, concluiu que os melhores resultados (melhoria da qualidade do solo para o cultivo da cana) foram obtidos nas áreas submetidas à aplicação de 150m 3 /ha/ano.

8 Jornal

<http://www.jornalcana.com.br/conteudo/noticia.asp?area=Mercado+Fornecedor&secao=Empresas+%26+Produtos&i

d_materia=21982>

9 LYRA, M.R.C.C. et al. Toposseqüência de solos fertirrigados com vinhaça: contribuição para a qualidade das águas do

lençol freático. Rev. bras. eng. agríc. ambient. vol. 7, nº 3. Campina Grande sept./dec. 2003. Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-43662003000300020&script=sci_arttext&tlng=em>.

10 loc. cit.

da

Cana.

Lindsay

lança

pivô

para

aplicar

vinhaça

na

cana.

18/05/2006.

Disponível

em:

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Estes dois trabalhos, mais o de MEDINA & BRINHOLI (1998) 11 citado anteriormente, mostram que para cada área há variações significativas na quantidade de vinhaça que poderá ser aplicada sem causar danos ao solo. E esta quantidade só será definida a partir de estudos detalhados das características do solo das áreas plantadas. Como o EIA não faz esta análise, não pode dar precisão na adequada destinação da vinhaça gerada pela indústria.

A quantificação é dada apenas para a irrigação, sendo que não é informado se o valor referido está incluso o valor da fertirrigação. No item “3.7.1.3 Irrigação” (EIA, pp. 25-6) o EIA informa que:

“O plantio da cultura e cana-de-açúcar é feito em duas épocas, uma das quais coincide com o período de seca na região. Por isso, torna-se necessária a irrigação denominada “de salvamento”, que será feita em 30% da área plantada. Da área total de cana-de-açúcar 36 mil hectares, tem-se uma previsão de uma área total irrigada da ordem de 10 mil hectares.

No período seco, a demanda por água

A lâmina bruta a ser aplicada de 60 mm. (

é alta, pois a evapotranspiração é elevada, mas a aplicação proposta deverá ser

suficiente para atender às necessidades da cultura.”

)

O valor estimado (60mm) corresponde a 600m 3 /ha, o que representará um volume de 6 milhões de m 3 para os 10 mil hectares informados. Entretanto, se considerarmos que este índice de 30% não é explicado, apenas indicado, pode-se supor que o mesmo chegue a 50%, ou seja, serão 18 mil hectares (e não 10 mil), o que elevaria o consumo de água para 10,8 milhões de m 3 . Isto considerando-se que sejam “apenas” 36.000 ha, visto que, como já foi abordado anteriormente, não há detalhes para a extensão da área.

No item “7.1.1.4 Impactos sobre os recursos hídricos e o solo” (EIA, p. 276) o EIA chama a atenção para o risco de contaminação do solo, mas não vai além da informação:

“Existe a possibilidade de alteração da qualidade das águas subterrâneas nas áreas plantadas com cana-de-açúcar, tendo em vista que o resíduo líquido do processo industrial é lançado diretamente no solo, servindo como adubo.”

Informa, ainda, sobre a possibilidade de contaminação das águas superficiais:

“Também poderá ocorrer a alteração da qualidade das águas superficiais, pelo mesmo motivo acima exposto, caso o resíduo líquido atinja os cursos d’água.” (EIA, p. 276).

E, na página seguinte, mostra que este risco é agravado pela situação das matas ciliares:

11 loc. cit.

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“A área encontra-se com a cobertura vegetal natural descaracterizada, com o solo sendo utilizado para plantio de soja e pastagens. A vegetação ciliar encontra-se bastante degradada.” (EIA, p. 277).

Voltando-se ao item “3.7.4.2 Efluentes líquidos” (EIA, p. 43), onde o EIA faz a referência aos efluentes domésticos “gerados pela Unidade Industrial e das estruturas de apoio”, que é estimado em 40m 3 /dia, considerando apenas 400 pessoas. E as previstas 1500 pessoas que estarão trabalhando no campo? Se considerarmos que as 400 pessoas da unidade industrial irão gerar 40m 3 /dia de efluentes, 1500 pessoas, na mesma proporção, irão gerar 150m 3 /dia de efluentes. O EIA não prevê nenhuma destinação a estes efluentes – na verdade ignora sua geração.

Diante do que foi posto, fica evidente que todos os valores quantitativos para a geração de:

- sobra de bagaço (50 t/h);

- torta de filtro (10 t/h);

- cinzas e fuligens da água de lavagem dos gases da caldeira (5 t/h);

- terra proveniente da água de lavagem de cana (5 t/h);

- água de lavagem de cana (1.680 t/h: variando de 1.635 a 1.707 t/h);

- águas residuárias (64,1 t/h: 58,5 a 69,7 t/h);

- vinhaça (200 t/h: 150 a 250 t/h);

- além de CO 2 , CO e Nox que não são sequer estimados;

são totalmente desprovidos de qualquer confiabilidade. E assim sendo, todos os programas para controle e monitoramento destes resíduos são comprometidos, visto que

destinam-se ao tratamento de quantidade muito aquém do que realmente será gerado. Destaque para a geração de vinhaça.

O item 5 do EIA trata da Metodologia adotada. Destaca-se a seguir alguns sub-

itens:

“5.2 Áreas de Influência” (EIA, p. 72): Neste item são definidas as Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII) do empreendimento. Como já foi abordado neste Laudo Pericial (p. 02), trata-se de uma interpretação totalmente errada, pois a produção de açúcar e álcool, a partir da cana-de-açúcar, não pode ser dissociada do plantio da referida cana.

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Como também já foi mostrado neste Laudo, mesmo que se considerasse como AID a área pretendida pelo EIA, a delimitação da AII estaria errada. Portanto, o EIA não atende à legislação quanto à identificação e análise da Área de Influência do empreendimento. A já citada figura 5 do EIA (p. 73), de tamanho e abrangência totalmente inadequados, em nada contribui para uma identificação adequada da área. A escala da figura é adequada, mas a mesma deveria ter tamanho mínimo de 60cm x 80cm, o que implicaria em maior área de abrangência, que por sua vez permitiria melhor visualização da região, proximidade das sedes dos municípios, vilas, distritos, além dos cursos d’água. Figura tão importante, com recorte e tamanho tão inadequados, só pode significar a intenção de dificultar a análise da região, por parte de quem avalia o EIA.

Na p. 72, o EIA explicita como Área de Influência Direta (AID) apenas os 50 ha da Fazenda Conquista, onde será instalado o parque industrial:

“A AID está totalmente inserida na Fazenda Conquista. Esta concepção de AID se aplica aos fatores ambientais dos meios físico, biótico e socioeconômico” (EIA, p. 72).

Entretanto, logo em seguida, na p. 74, traz uma informação diferente:

“Área de Influência Direta (AID), constituída pelo entorno imediato ao empreendimento, composta pelos estabelecimentos rurais vizinhos que receberão impactos diretos e imediatos, tanto na fase de instalação, quanto de operação, e pelo Município de Goiatuba em cujo território se localiza o empreendimento e, conseqüentemente, onde se incidirá impactos diretos, negativos ou positivos. A sede urbana dista cerca de 60 km do empreendimento. Outros núcleos urbanos dentro do município de Goiatuba, no entanto, poderá ser também diretamente impactados, como os distritos de Venda Seca e Marcianópolis, distantes cerca de 20 quilômetros, do futuro local da indústria. Área de Influência Indireta (AII) é composta, ainda, pelos municípios de Joviânia e Vicentinópolis, abrangidos pelo raio de 25 km do empreendimento, considerados economicamente viáveis para a produção da matéria prima, a cana-de-açúcar. As sedes destes dois municípios distam entre 20 e 22 quilômetros do local, portanto é provável que suas sedes municipais sejam impactadas.” (EIA, p. 74).

Ignora os Municípios de Porteirão (cuja sede está distante aproximadamente 35Km), Bom Jesus de Goiás (com sede distante aproximadamente 30Km, mas cuja divisa com o município de Goiatuba distando apenas cerca de 8Km da Fazenda Conquista), Maurilândia (a divisa do município dista aprox. 37Km da Faz. Conquista),

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Panamá (com divisa de município com Goiatuba distante aprox. 40Km da Faz. Conquista) e o município de Quirinópolis, com sede municipal distante cerca de 80Km, mas com divisa (com município de Bom Jesus de Goiás) distante da Faz. Conquista apenas 37Km.

Entretanto, quando é da conveniência do empreendimento, o EIA considera como área de influência até os municípios de Paraúna, Itumbiara e Morrinhos (EIA, p. 90) – figura 08 “Precipitação mensal na área de influência indireta” e Quadro 14 “Anomalias pluviométricas na área de influência”.

Metodologia No item “5.3.1. Meio Físico” (EIA, p. 75): informa que “a caracterização climática regional apoiou-se em cinco estações pluviométricas existentes na área” (grifamos). Relaciona estas estações no Quadro 10 (p. 76), onde observa-se que todas encontram-se fora do município de Goiatuba (Fig. 01 deste Laudo).

Item “5.3.2. Meio Biótico”: Aqui informa que o esforço amostral para levantamento dos vertebrados terrestres foi de duas campanhas, com total de cinco dias (EIA, p. 78), sem especificar as datas. Deve-se lembrar que qualquer trabalho de caracterização ambiental, seja da fauna, flora ou qualidade das águas só é capaz de conferir qualquer confiabilidade se for feito em pelo menos duas estações do ano (para a região dos Cerrados, estações seca e chuvosa).

A caracterização da ictiofauna foi feita em apenas três dias de campo (EIA p. 79). Não informa se em apenas uma campanha (muito provavelmente).

Diagnóstico ambiental (EIA, item 6, p. 85)

Neste item são abordados os diferentes temas, divididos em sub-itens. A seguir destaca-se alguns. Deve-se chamara a atenção para as figuras: na figura 13 o rio Santa Bárbara (da Fig. 05) é identificado como Ribeirão Santa Bárbara, na figura 20 volta a ser denominado Rio Santa Bárbara – ou seja, as figuras não contribuem para a leitura e compreensão de como é a região, quais são os rios e ribeirões existentes e quem é tributário de quem.

Flora (EIA, item 6.2.1, p. 135)

Falta uma figura que mostre a área de influência do empreendimento – imagem de satélite na escala 1:10.000 –, a qual permitiria visualizar bem a situação das matas

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ciliares, remanescentes vegetais, destacando-se as reservas legais. Naturalmente esta figura deveria ser impressa em tamanho bem maior que as figuras contidas no EIA. O levantamento florístico foi feito apenas nos 50 ha da Fazenda Conquista (“6.2.1.2 Flora ao longo da AID”, EIA, p. 137). Este levantamento deveria ser feito ao longo da Área de Influência Indireta, e não apenas da AID – naturalmente não em toda a extensão da área, mas em pontos amostrais em quantidade suficiente para fornecer subsídios para se ter uma boa ‘leitura’ da espécies ocorrentes na região. Os resultados destes levantamentos são apresentados através de tabelas com a relação de espécies para cada fitofisionomia (Quadros 28 a 33, pp. 142-4), falta, porém,

uma tabela com a relação de todas as espécies ocorrentes e identificadas na região, visto que as tabelas supra-citadas não permitem esta leitura, visto que muitas espécies ocorrem em mais de uma fitofisionomia. Assim, os resultados apresentados não permitem ao leitor/avaliador saber quantas espécies foram identificadas para a região. Este levantamento florístico é importante/imprescindível para os trabalhos de recomposição de vegetação. Daí a importância da adequada identificação e um levantamento mais abrangente.

A importância de um preciso levantamento florístico está diretamente associada

aos programas de recomposição das matas ciliares e reservas legais. Sem um amplo levantamento florístico, corre-se o risco de se fazer a recomposição da vegetação de

diversas áreas utilizando-se um número insignificante de espécies vegetais.

Fauna (EIA, item 6.2.2, p. 145)

É interessante que neste item faz-se uma caracterização do bioma cerrado muito

melhor do que a do item flora, o qual deveria trazer esta caracterização. De qualquer

forma, o mesmo tema sendo tratado em dois itens diferentes do EIA mostra certa falta de interação entre as equipes de cada tema do EIA. Chama a atenção, ainda, a diversidade de espécies da fauna identificadas para a região, contrastando com os resultados dos levantamentos florísticos.

No item “6.2.2.2.10 Comunidade do perifíton e bentônica” a figura 36 (p. 189) traz em sua legenda a referência à data de amostragem: setembro/2006. Esta é a única referência à data de trabalhos de campo. Não é possível, portanto, saber se nesta data foram feitas todas as demais campanhas (fauna e flora). De qualquer forma, setembro caracteriza o período de seca, assim não há campanhas para caracterização do período chuvoso. E a variação das condições/características da qualidade das águas são

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extremamente diferentes nas duas estações, assim, uma amostragem de uma estação não retrata a realidade.

Meio sócioeconômico (EIA, item 6.3, p. 206)

Este item deve ser objeto de avaliação por parte da Perícia em Serviço Social do Ministério Público. Aqui destaca-se apenas alguns pontos. Com relação à análise dos impactos sociais, não explica porque considera os municípios de Joviânia e Vicentinópolis, e ignora os municípios de Porteirão, Castelândia, Bom Jesus de Goiás, além dos distritos vizinhos.

Na “discussão” sobre Patrimônio Cultural e Turismo, o EIA vergonhosamente transcreve reportagens do jornal Diário da Manhã. O objetivo de um Estudo de Impacto Ambiental é muito maior do que apenas transcrever reportagens de jornal.

Avaliação dos Impactos Ambientais (EIA, item 7, p. 271)

Mostrando que não se sustenta a proposta de se fazer o EIA apenas do parque industrial, o próprio EIA não consegue manter esta proposta. Esta incoerência é explicitada na p. 271:

“(

empreendimento: a de implantação e a de funcionamento ou operação. ( ) Na fase de operação foram incorporadas todas as atividades de desenvolvimento agrícola, do preparo do solo até a colheita e armazenamento do produto, enquanto na Unidade Industrial estaria iniciando o processo de produção até o tratamento de efluentes e resíduos finais. Todas essas ações passariam por manutenção preventiva, tanto na indústria como no setor agrícola.” (EIA, p. 271) (grifamos)

O tratamento dos impactos será considerado nas duas principais fases do

)

Distante disto, volta-se a questionar o EIA da “Unidade Industrial”, quando deveria ser de todo o processo de produção do açúcar e do álcool, o que, imprescindivelmente englobará as áreas a serem plantadas e onde se instalará o parque industrial.

No item “7.1.1.1.1 Erosão eólica” o EIA classifica este problema como “impacto efetivo, adverso, fraco, indireto, imediato, temporário, irreversível, local e de pequena condição de mitigação” e o considera apenas na fase de implantação. Deve-se lembrar

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que todas as áreas plantadas, com intervalos de cinco anos, têm suas plantações renovadas – ou seja, este impacto é cíclico, repetindo-se sempre que houver renovação da cultura – via de regra, 20% do total da área plantada a cada ano tem suas culturas renovadas.

No item “7.1.1.2.1 Impactos decorrentes da atividade agrícola”, novamente reforçando a incoerência de se ignorar as áreas plantadas como áreas de influência direta do empreendimento, o EIA afirma:

“(

modalidades de movimentação de terras, e é onde os impactos de maior

manifestação sobre o solo ocorrem.” (EIA, p. 273, grifamos)

é na implantação das atividades agrícolas que ocorrem diferentes

)

Ainda neste item o EIA trata da abertura de canais para transporte da vinhaça, mas nenhuma referência faz a como serão estes canais – provavelmente como têm sido feitos tradicionalmente, sem nenhuma proteção. Deve-se garantir que estes canais sejam todos revestidos com manta de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) de 1mm, assim como os tanques onde serão armazenadas. Chama a atenção, ainda, para os cuidados necessários para a adequada aplicação de agrotóxicos.

O item “7.1.2.1.4. Seqüestro de carbono” trata de uma questão que todos os empreendimentos de usinas de álcool e açúcar insistentemente apresentam como grande vantagem deste tipo de empreendimento: o seqüestro de carbono. Deve-se deixar claro que todo o processo do álcool (do plantio da cana até a queima deste combustível nos veículos automotres) não contribui para aumento da concentração de carbono na atmosfera, mas também não contribui para sua redução. Todo carbono seqüestrado durante o crescimento da cana é devolvido à atmosfera em diferentes etapas dos processos de produção e consumo – o seqüestro é apenas temporário. A vantagem significativa em relação ao petróleo é que este último traz para a atmosfera carbono que estava armazenado a grandes profundidades do solo ou sub- solo oceânico.

No item “7.1.2.2 Impactos sobre o solo na operação da atividade agrícola” (EIA, p. 280), afirma-se que

“O uso da queima da cana antes da colheita é prática corriqueira (

)

No entanto,

esta prática destrói a matéria orgânica do solo, suprimi (sic) os insetos úteis,

elimina os microorganismos do solo e causa volatilização de elementos essenciais às plantas. Também há produção de fuligem que pode provocar irritação no

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aparelho respiratório e liberação de monóxido de carbono, que é altamente tóxico. Diante do exposto as conseqüências ambientais da queima da cana traduzem-se em impacto efetivo, adverso, acentuado, direto, imediato, cíclico, reversível, local e de médias possibilidades de mitigação.” (EIA, p. 281)

É incompreensível ver que o EIA reconhece boa parte da adversidade dos danos causados pela queima da cana e, ainda assim, manter a proposta de queima de 70% da área plantada. É algo extremamente incoerente. No entanto, ao contrário do que afirma o EIA, a destruição da fauna vai muito além da supressão de insetos e eliminação de microorganismos do solo. Mamíferos de grande porte (como tamanduás, lobo-guará e até veados) são encontrados carbonizados nos canaviais, além de muitas espécies de aves que ali fazem seus ninhos.

No item “7.2.1.1 Impactos decorrentes da implantação da atividade agrícola” (EIA, p. 282), o EIA evidencia o déficit de áreas com vegetação nativa para a região, destacando as Áreas de Preservação Permanente (APP’s). Chama a atenção, também, para a supressão destes remanescentes de APP´s para formação de represas para garantir a irrigação das plantações de cana. Deve-se destacar que a SEMARH exige o construção de barramentos para liberar projetos de irrigação, assim em todas as propriedades onde serão feitos o plantio de cana haverá supressão de vegetação ciliar por conta da formação dos barramentos (reservatórios). Como o EIA trata apenas da área da bacia do ribeirão Bom Sucesso, fica evidenciado que a grande parte das fazendas que serão objeto do plantio de cana não têm suas áreas caracterizadas quanto às condições ambientais, assim este impacto não é possível de ser dimensionado com precisão (mínima que seja) – o que é imprescindível. Como os levantamentos florísticos foram restritos à AID, não será possível, a partir do EIA, a elaboração de projetos de recomposição das APP´s com a indicação de número significativo de espécies e de ocorrência local.

Item “7.2.2.2.1 Efeitos sobre o ecossistema terrestre”, aborda superficialmente o impactos sobre a fauna terrestre. Deve-se destacar que, além do citado neste tópico, a substituição de outras culturas pela cana, suprime da fauna fonte de alimento, visto que muitas culturas servem de alimento para muitas espécies da fauna (destacando-se aves), como a cana não propicia esta oferta de alimento, haverá um impacto significativo que não é adequadamente avaliado pelo EIA.

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Outro problema é a queima, que provoca grande mortandade de animais, que se abrigam no meio dos canaviais, visto que se estes não oferecem alimento, permitem que muitos animais ali se alojem. É comum encontrar grandes animais mortos após a queima.

No item “7.2.2.2.2 Efeitos sobre o ecossistema aquático” (p. 285) o EIA trata de vários riscos, mas ignora outro problema extremamente significativo: a implantação das barragens irá impedir a migração da ictiofauna. Como esta foi apenas parcialmente levantada, não é possível, a partir de dados do EIA, avaliar a extensão deste impacto.

Item “6.2.2.4.1 Caracterização ambiental dos pontos de amostragem”, destaque para o seguinte trecho do EIA:

“Hoje, em geral, todas as fitofisionomias, inclusive as matas ciliares, estão bastante alteradas e pouco podem cumprir a importante função de barreira natural para o aporte de materiais aos cursos d’água.” (EIA, p. 196)

Esta constatação é para a áreas no entorno da Fazenda Conquista, mas muito provavelmente revela a situação de toda a bacia (o que pode ser parcialmente observado na figura 5). Assim, é imprescindível que se determine a imediata implantação de projeto de recuperação de todas as APP´s das fazendas que promoverão o plantio de cana (ou que já o fazem), além da área da Fazenda Conquista.

É importante destacar que esta empresa pertence ao grupo proprietário da Vale Verde de Itapaci, onde já foi constatado uma série de problemas, como:

- plantio em 100% da área de algumas propriedades rurais (não respeitando a área da Reserva Legal);

- plantio em Área de Preservação Permanente;

- plantio e queima dentro das áreas de segurança das redes elétricas da CELG, promovendo prejuízos à coletividade, visto que danificam a rede de distribuição de energia;

Programas (item 9, p. 311) São apresentados 13 programas, a seguir comentados.

01. Programa de Prospecção arqueológica:

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É indicado apenas para a área da Fazenda Conquista, onde será instalado o parque industrial. Entretanto, deve-se estender a todas as áreas onde serão feitos plantios de cana, visto que muitos sítios arqueológicos são destruídos pela agricultura – que estranhamente nunca foi obrigada à realização de avaliações de seus impactos sócio- econômico-ambientais.

02. Programa Controle ambiental de implantação

2.1 Emissões atmosféricas e ruídos

2.2 Controle de erosão e sedimentação

2.3 Controle de resíduos, efluentes e produtos químicos

Neste programa assume o compromisso de instalar imediatamente uma estação meteorológica. Deve explicitar quais análises irão compor o “Monitoramento periódico de qualidade de águas superficiais” (EIA, p. 313) e quantos serão e onde estarão localizados os pontos de amostragem – devem, necessariamente, contemplar, além da área da indústria, as áreas plantadas. Deve-se, ainda, exigir uma periodicidade bimestral para tais análises durante a instalação do parque industrial, e trimestral a partir da operação do empreendimento. Nas áreas plantadas apenas trimestral. Deve-se contemplar, ainda, análise das águas subterrâneas. Informa que os “resíduos sólidos domésticos serão encaminhados para aterros sanitários” (EIA, p. 313), entretanto não existem aterros sanitários na região, e considerando-se que as indústrias devem dar a devida destinação aos seus resíduos, deve-se exigir que a empresa instale em sua área (Fazenda Conquista) um aterro sanitário para seu uso exclusivo, ou colabore com o poder público municipal para a instalação, operação e manutenção de um aterro sanitário para o município.

03. Programa Controle de paralisações de obras da unidade industrial

Provavelmente não será necessário ser executado. Trata-se de um programa preventivo, que visa mais a minimizar prejuízos financeiros ao empreendedor (protegendo as infra-estruturas já instaladas) do que garantir proteção e recuperação ambiental.

04. Programa Controle ambiental de operação

3.1 Emissões atmosféricas e ruídos

3.2 Controle de erosão e sedimentação

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3.3 Controle de resíduos, efluentes, subprodutos e produtos químicos

Idêntico ao Programa Controle ambiental de implantação, a ser executado durante a operação do empreendimento. Aplica-se todas as recomendações apresentadas ao programa supra-citado, destacando-se a necessária abrangência das áreas plantadas. Ainda, deve-se inserir um cadastro de todas as propriedades rurais onde haverá

plantio de cana para este empreendimento. Este cadastro deve ser feito em base digital, georeferenciada, com detalhamento de:

- Identificação da propriedade rural;

- tamanho da propriedade rural;

- tamanho da área plantada;

- número da matrícula da reserva legal e tamanho desta;

- localização georeferenciada da reserva legal;

- identificação de todos os corpos hídricos existentes na propriedade;

- existência/quantidade/localização georeferenciada de barramento(s) na propriedade;

- condições das áreas de preservação permanente da propriedade;

- topografia da área plantada;

- variedade de cana plantada nesta propriedade;

- época prevista para colheita desta propriedade.

05. Programa Saúde e segurança ocupacional

Mais do que apenas “Manter equipamentos de primeiros socorros, e pessoal interno habilitado para prestá-los” (EIA, p. 317), deve-se manter ambulância a postos nas frentes de trabalho, com equipe técnica (enfermeiro ou técnico em enfermagem) a postos.

Também deve ser analisado pelo Serviço Social do MP.

06. Programa Assistência e comunicação social Deve ser analisado pela Perícia em Serviço Social do Ministério Público.

07. Programa Articulação institucional Deve ser analisado pela Perícia em Serviço Social do Ministério Público.

08. Programa Ambiental para a capacitação de técnicos

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Apesar do título, o programa é voltado para os trabalhadores em geral. Entretanto, deveria sim haver um sub-programa especial de formação de profissionais para serem referências nas diferentes frentes de trabalho, destacando-se aqueles trabalhadores com forte liderança natural – independentemente do grau de escolaridade. Deve-se destacar, ainda, que este programa deve ter seus resultados avaliados por uma empresa terceirizada (auditoria) visando garantir seus resultados. Isto se justifica pelo fato de em muitos empreendimentos (independentemente do setor) haver este programa e ser constatado que o mesmo não conseguiu fazer com que os trabalhadores incorporassem em sua rotina a prática que era esperada a partir da execução deste programa.

09. Programa Educação ambiental

Voltado para as comunidades locais, deve ter abrangência tanto às escolas das cidades, quanto às rurais – caso existam. E deve contemplar todos os municípios envolvidos com o empreendimento (do parque industrial e com áreas utilizadas para

produção de cana para o empreendimento em tela).

10. Programa Recuperação florestal

Este programa é imprescindível, entretanto seu sucesso depende de eficiente e amplo levantamento das espécies ocorrentes no local, visto que o objetivo não é o de

reflorestamento, mas de recomposição da vegetação nativa (o que são ações totalmente diferentes). Apresenta uma tabela com a relação de 19 espécies (EIA, p. 324), onde informa que “Das espécies listadas à (sic) seguir, serão algumas utilizadas” (grifamos). Não se justifica apresentar uma lista de espécies onde se tem o propósito de se utilizar apenas algumas espécies da lista. A seguir faz-se uma discussão sobre as espécies apresentadas para este programa. Nesta tabela são listadas apenas duas espécies que constam nos quadros 28 a 33 (EIA, pp. 142-4), são:

- sangra d’água (Croton urucurana Baill.) e

- gameleira-branca (Ficus hispida Roxb. ex Wall.).

Oito espécies da tabela da p. 324, tem o mesmo nome popular de espécies que constam nos quadros 28 a 33, mas são identificadas com nomes científicos diferentes. A tabela 01 mostra esta diferença:

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Tab. 01: Relação das espécies cujos nomes populares coincidem, mas divergem os nomes científicos, de espécies listadas no EIA

Nome popular

Nome científico que consta na tabela da p. 324 do EIA

Nome científico que consta nos quadros 28 a 33 do EIA

Angelim-morcego

Andira cuiabensis (sic)

Andira fraxinifolia

Pata-de-vaca

Bauhinia sp.

Bauhinia longifolia

Maria-mole

Dendropanax cuneatum

Dendropanax sp.

Mamoninha

Dilodendron bipinnatum

Esenbeckia febrifuga

Gameleira

Ficus sp.

Ficus gardneriana

Pau-pombo

Tapirira guianensis

Hirtella ciliata

Açoita-cavalo

Luehea paniculata

Luehea speciosa

Aroeira

Lithraea brasiliensis

Myracroduom urundeuva

Andira cuyabensis Benth., conhecida como morcego ou angelim-do-cerrado (entre

outros nomes) chega a 6 metros de altura no máximo, enquanto Andira fraxinifolia

Benth. (popularmente denominada de angelim-doce, angelim-rosa, angelim-do-mato e

pau-de-morcego – mas não angelim-morcego) alcança 12m de altura. Além da altura

divergem nas áreas de ocorrência, aspectos de flores, frutos, sementes e caule.

Dilodendron bipinnatum Radkl. pertence à família Sapindaceae, e é conhecida

popularmente como maria-pobre, farinha-seca, mamona-pobre, puta-pobre, entre outros

nomes. Esenbeckia febrifuga (St. Hill.) A. Juss. ex Mart. pertence à família Rutaceae, e

seus nomes populares mais comuns são crumarim, mamoninha-do-mato, mamoninha,

entre outros.

Tapirira guianensis Aubl. (pertencente à família Anacardiaceae) tem como nomes

populares tapiriri, copiúva, peito-de-pombo, fruto-de-pombo e pau-pombo entre outros.

Ocorrem em ambientes de solo úmido, como as matas ciliares e de galeria.

Hirtella ciliata Mart. & Zucc. (pertencente à família Chrysobalanaceae) é popularmente

conhecida como pau-pombo, chorão, murtinha entre outros nomes. Ocorre apenas em

solos bem drenados – portanto, nunca em mata ciliar ou mata de galeria.

Luehea paniculata Mart. conhecida como açoita-cavalo, é espécie de solos bem

drenados. Luehea speciosa Willd. é nome invalidado, sinonímia, de Luehea divaricata

Mart. – ou seja, não existe L. speciosa Willd. Considerando-se Luehea divaricata Mart.,

esta espécie é conhecida como açoita-cavalo-miúdo, e é típica de matas ciliares e de

galeria.

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Lithraea brasiliensis March. conhecida popularmente como bugreiro, aroiera- braba, aroiera, aroeira-negra, tem ocorrência bastante ampla em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Alto Uruguai. Myracrodruon urundeuva Fr. All. é a famosa aroeira (também conhecida por aroeira-do-campo, aroeira-da-serra), de Goiás e Mato Grosso, a quem antigamente as pessoas do interior diziam que “dura até acabar e mais cem anos”. É espécie de terrenos secos e rochosos, bem drenados, portanto longe de corpos d’água. Ambas as espécies pertencem à família Anacardiaceae, porém divergem bastante tanto no porte, folhas, flores, frutos e distribuição geográfica.

Constam, ainda, na tabela da p. 324, nove espécies que não são listadas nos quadros 28 a 33 do EIA:

1. Angico (Anadenanthera peregrina (L.) Speg.) - ocorre sempre em solos bem drenados.

2. Antúrio (Anthurium sp)

3. Landi (Calophyllum brasiliense Camb.)

4. Canela-branca (Ocotea sp)

5. Pimenta-longa (Piper aduncum L.)

6. Canzileiro (Platypodia elegans sic – Platipodium elegans Vogel.

7. Goiaba-d’água (Psidium guianense Pers.)

8. Chichá (Sterculia striata St. Hill. et Naud.) – espécie de solos bem drenados

9. Guariroba (Syagrus oleraceae (sic) – Syagrus oleracea (Mart.) Becc.) – espécie de solos bem drenados

Além destas 19 espécies listadas na referida tabela, o EIA (p. 324) relaciona mais seis espécies a serem incluídas. Estranha o fato de serem citadas a parte e não constarem na referida tabela.

1. Schinus terebinthifolius Raddi (aroeira-mansa, bálsamo, cambuí)

2. Eugenia uniflora L. (pitanga)

3. Psidium catleianum (sic) – Psidium cattleianum Sabine (araçá)

4. Vitex megapotamica (Spreng.) Mold. nome inválido, sinonímia de Vitex montevidensis Cham. (tarumã)

5. Luehea divaricata Mart. – como já foi mostrado acima é o nome correto para o citado Luehea speciosa Willd. que consta na tabela da página 324. Este caso específico explicita que para o autor desta parte do EIA, trata-se de duas espécies distintas, visto que cita ambas para o plantio.

6. Cupania vernalis Cambess. (camboatá)

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Todos estes erros mostrados são típicos de trabalhos feitos a partir de consulta bibliográfica e por quem não é especialista em botânica. Para um botânico, são erros primários, mas que comprometem toda a qualidade do trabalho. Estes erros são suficientes para invalidar todo a parte botânica deste EIA e , naturalmente, o Programa de Recuperação Florestal.

Como o EIA indica áreas para soltura de animais, estas áreas devem ter suas condições ambientais avaliadas e, conforme resultados desta avaliação, deverão ser objetos de recuperação (ou incremento) de sua vegetação, visando melhor adensamento vegetal, aumento da disponibilidade de alimentos para os animais que ali serão soltos.

11. Programa Monitoramento e preservação da fauna Para este programa deve-se explicitar algumas recomendações:

1. deve ser estendido não apenas à área da Fazenda Conquista, mas à verdadeira Área de Influência Direta do empreendimento, o que, naturalmente, implica na Faz. Conquista mais todas as fazendas onde haverá plantio de cana para a Vale Verde Goiatuba;

2. deve iniciar antes da entrada em operação do empreendimento;

3. deve se estender enquanto durar as atividades do empreendimento;

4. deve haver um sub-programa especial para as áreas onde for (se for) permitida a queima da cana, visando minimizar a morte de animais durante este processo. Este sub-programa deverá, ainda, constar de um levantamento quali e quantitativo das espécies mortas por esta prática.

5. Deve ser sub-dividido em áreas: aves, ictiofauna, mamíferos, répteis e

anfíbios.

12. Programa Responsabilidade sócioambiental Deve ser analisado pela Perícia em Serviço Social do Ministério Público.

13. Programa Gestão ambiental de transporte

Trata-se de um programa que visa combater um problema sério provocado pelo transporte de cana. Deve-se garantir a sua fiel execução, com indicação dos locais onde serão instalados todos os pontos de paradas obrigatórias.

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Embora o EIA apresente uma série de programas para compensar os danos causados pela implantação e operação do empreendimento em tela, deve-se destacar que isto não é garantia de os mesmos serem capazes de garantir efetivamente os resultados pretendidos, principalmente considerando-se as falhas apontadas neste Laudo na parte de diagnóstico do EIA. E, ainda, é preciso chamar a atenção, de forma muito especial, para o trabalho de PIACENTE (2005) 12 . Trata-se de uma dissertação de mestrado na área de Economia, desenvolvida na UNICAMP, onde o autor destaca os principais impactos gerados pelas indústrias de álcool e açúcar:

“(

contaminação das águas e do solo pela aplicação de agroquímicos e resíduos; a emissão de fuligem e gases tóxicos na queima; e o consumo intensivo de água.” (p.

155).

a redução da biodiversidade pela ocupação extensiva das lavouras; a

)

Chamando a atenção para a região de Piracicaba (SP) o autor destaca:

“(

agroindústria tem colaborado significativamente para a sua degradação ambiental, acumulando durante anos graves passivos. Não é difícil fazer essa constatação, poluição de mananciais, desmatamento e queimadas são exemplos atuais.” (p. 156)

por se tratar de uma das regiões canavieiras mais tradicionais do país, essa

)

No mesmo parágrafo o autor chama a atenção para o comportamento de tais indústrias:

e, ainda:

“(

esses impactos ou de se adequar ambientalmente. Muito pelo contrário, nesse trabalho concluiu que, o setor canavieiro se apresenta pouco reativo e muitas vezes à margem do cumprimento das legislações ambientais desse país.” (p. 156, grifamos)

pouco se tem visto de ações concretas desse setor a fim de minimizar

)

“Atualmente, ostentar um SGA certificado ou não, é visto como um diferencial competitivo, uma vez que a preocupação com o meio ambiente passou a ser vista como uma vantagem comercial importante. Além de possibilitar a redução de custos, fomentando a adoção de novas tecnologias, que permite a redução do consumo de insumos e do desperdício nos processos de produção.

12 PIACENTE, F.J. Agroindústria canavieira e o sistema de gestão ambiental: o caso das usinas localizadas nas bacias hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Campinas/SP, Inst. Economia/Unicamp, 2005. Dissertação mestrado. Disponível em: <http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000386200>.

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Trata-se de um instrumento de marketing que atesta ao público alvo e a outros interessados que o sistema gerencial da empresa possui um adequado desempenho, pois está respeitando as normas impostas por ele.”

E continua:

 
 

“(

)

o SGA está sendo utilizado como uma ferramenta comercial focado na

ampliação de mercados.”

Na p. 57:

 

“Uma outra constatação importante, e que reforça as críticas quanto a esse sistema, diz respeito fundamentalmente aos passivos deixados historicamente por essas usinas. A pesquisa realizada deixou evidente que as usinas localizadas nas bacias [dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí] vêem sistematicamente descumprindo suas obrigações quanto às legislações ambientais, principalmente no tocante a obrigatoriedade das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. É fato que a expansão canavieira nos períodos de prosperidade do setor foi responsável pela destruição de florestas e que o processo de recomposição dessas áreas ainda não é levado a sério pelos usineiros.”

Na

p. 159 o autor chama a atenção para a norma técnica P.4231 da CETESB, que

disciplina a aplicação da vinhaça na fertirrigação, destacando as recomendações para “readequação dos tanques de depósitos de vinhaça, impermeabilização dos canais de escoamento, entre outros.”.

O Anexo

I

deste Laudo

traz

a

citada

norma técnica da CETESB, P4.231,

homologada pela Decisão de Diretoria 35, de 09 de março de 2005, da Companhia de

Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB). Destacamos, a seguir, algumas das exigências desta norma:

“5. Critérios e Procedimentos para o Armazenamento, Transporte e Aplicação no Solo ( )

5.1.6 Estar afastada, no mínimo, 1.000 (um mil) metros dos núcleos populacionais

ser

compreendidos na área do perímetro urbanos. Essa distância (

ampliada quando as condições ambientais, incluindo as climáticas, exigirem tal ampliação.

5.1.7. Estar afastada, no mínimo, 50 (cinqüenta) metros das Áreas de Proteção Permanente – APP, e com proteção por terraços de segurança.

)

poderá (

)

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5.1.8 – A profundidade do nível d’água do aqüífero livre, no momento da aplicação de vinhaça deve ser, no mínimo, de 1,5m (um metro e cinqüenta centímetros) conforme a Norma NBR 7229 – Projeto, Construção e Operação de Sistemas de Tanques Sépticos, da ABNT ( ( )

Embora os usineiros apregoem que a aplicação da vinhaça no solo, a fertirrigação, não gere nenhum problema, o rigor da norma P4.231 mostra que há um grande risco de contaminação sim, tanto do solo quanto do lençol freático. Assim, independente de haver legislação em Goiás que trate do tema, deve-se exigir o cumprimento daquela norma, visto que trata-se de uma norma estritamente técnica, para todas as áreas onde se pretende fazer a fertirrigação.

5. CONCLUSÕES

Ao longo deste Laudo mostrou-se a incoerência em se tratar no EIA/RIMA de qualquer usina de álcool, apenas da área onde será instalada a indústria. No caso da Vale Verde Empreedimentos Agrícolas de Goiatuba, seu parque industrial estará em uma área de 50 ha, enquanto serão utilizados 36.000 ha para o plantio de cana (embora não se saiba – e o EIA não fornece subsídios para se esclarecer esta questão – se serão “apenas” estes 36.000 ha ou haverá aumento da área plantada, visto que é prevista a triplicação da produção inicial, embora sem data definida).

Outro problema, extremamente grave, observado no EIA, é a total ignorância dos demais empreendimentos de usinas de álcool e açúcar existentes (já em operação e/ou em implantação) e previstos para a região. Ou seja, nenhuma avaliação dos efeitos cumulativos e sinérgicos entre tantos empreendimentos para a mesma região, é avaliado pelo EIA em tela. É totalmente diferente os impactos provocados por um único empreendimento em uma região da situação observada atualmente na região, qual seja, a inserção de novos empreendimentos onde já existem outros empreendimentos do mesmo setor. Haverá um gradativo aumento dos impactos sócio-econômicos e ambientais que o EIA ignora totalmente.

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Segundo LANNA (apud OLIVEIRA, 2003) 13 , “Tudo o que se conhece é o passado e tudo o que importa no processo decisório é o futuro”, em assim sendo, fica evidente que a real e precisa caracterização da região, com a identificação, também precisa, dos potenciais impactos a serem causados pelo empreendimento, e a interação e soma destes impactos com os provocados pelos empreendimentos do mesmo setor já existentes e previstos para a região, são imprescindíveis para se poder buscar a implantação de medidas que visem minimizar os impactos negativos advindos com o referido empreendimento. Dentro desta ótica, o EIA não cumpre sua função.

6. RECOMENDAÇÕES

O EIA deve ser refeito, contemplando todos os problemas apontados ao longo deste Laudo e, ainda:

- estabelecer tamanho adequado para mapas e imagens de satélite. Isto influi não apenas a escala, mas a área abrangida pela figura. O tamanho deve ser de no mínimo 60cm x 80cm – ou valor proporcional ao formato do mapa ou da imagem de satélite;

- levantamento do histórico de ocorrências de doenças respiratórias em todos os municípios (sedes e vizinhos) às fazendas onde haverá plantio de cana. Deverá constar, também, neste levantamento pesquisa aos hospitais de Goiânia, visto ser comum o encaminhamento de pessoas do interior à capital para tratamento. Este levantamento visa mostrar se estes casos sofrerão aumento caso seja permitida a queima da cana.

Para o empreendimento, deve-se exigir, quando de sua implantação, que:

- a imediata implantação do sistema de co-geração de energia, a partir da

queima do bagaço da cana-de-açúcar;

- todos os canais de condução da vinhaça deverão ser revestidos com manta de PEAD (polietileno de alta densidade) de 1mm;

- todas as propriedades onde se pretende plantar cana apresentem:

1. comprovante de averbação da reserva legal;

13 OLIVEIRA, L.C.K. O Papel do Monitoramento e da Previsão de Vazões no Gerenciamento de Bacias Hidrográficas. COPPE/UFRJ, Dissertação M.Sc., Engenharia Civil, 2003.

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2. planta da área da fazenda, sobreposta em imagem de satélite com resolução suficiente para visualizar córregos, app, reserva legal, sedes, áreas cultivadas (escala 1:10.000);

3. planta topográfica;

4. condições das áreas de preservação permanente;

5. programa de recuperação das APP’s (quando for o caso);

6. programa de recuperação da Reserva Legal (quando for o caso).

Este é o parecer, contendo trinta e seis (36) laudas, todas rubricadas,

um

apêndice com uma (01) figura e um (01) Anexo, e ao final assinado pelo Perito Ambiental. Perícia Técnica Ambiental, Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, do Ministério Público do Estado de Goiás, aos dezesseis (16) de maio de 2007.

Rogério César

Perito Ambiental

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Fig. 01: Municípios próximos ao empreendimento Vale Verde Goiatuba, mostrando a proximidade de um vários aglomerados urbanos, proximidade com limites de municípios e a localização das estações meteorológicas – nenhuma dentro do Município de Goiatuba.

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Id: 2464 Autor: Casarini, Dorothy Carmen Pinatti. Título: Efeito da fertirrigaçao com vinhaça na propriedades químicas e microbiológicas do solo em um sistema de disposiçao de efluentes industrial. Fonte: Sao Carlos; s.n; 1989. 192 p. Idioma: Pt. Tese: Apresentada a Universidade de Sao Paulo. Escola de Engenharia de Sao Carlos para obtenção do grau de Doutor em Hidráulica e Saneamento. Resumo: Foram avaliados os efeitos da aplicaçao da vinhaça nas propriedades químicas e microbiológicas de um solo Vermelho-Amarelo, textura média, que esteve sob o cultivo de cana-de-açúcar durante os últimos dez anos, tendo recebido até o início do período experimental fertilizantes industrializados. O experimento foi conduzido em canteiros no campo, onde foram efetuados dois tratamentos caracterizados pelas taxas de aplicaçao de vinhaça de 150 m3/ha e 600 m3/ha. De cada tratamento, bem como do canteiro testemunho, as amostras de solos coletadas nas profundidades 0-15 cm e 15-30 cm, foram transferidas para posterior análise em laboratório. Em relaçao de vinhaça no solo, provoca um aumento no pH, no teor de cátions Ca2+, Mg2+ e K+ e de nitrogênio total. Em relaçao ao potássio, ocurreu uma lixiviaçao no perfil do solo, mostrando ser mais adequada a taxa de aplicaçao de vinhaça de 150 m3/ha. O teor de carbono do solo nao aumentou significativamente. Foi verificado, em relaçao aos microrganismos totais do solo, um efeito estimulante sobre as bactérias para as duas taxas de aplicaçao de vinhaça estudadas. Fungos foram estimulados em ambas taxas de aplicaçao, pórem, só na superfície. Observou-se uma inibiçao na populaçao dos actinomicetos, para ambas as taxas de aplicaçao, e ambas as profundidades, retornando a valores normais no final da descomposiçao do resíduo. Os microrganismos amonificantes, nao se qualificaram com indicadores dos efeitos da vinhaça nas propriedades microbiológicas do solo. A vinhaça causou em ambas as taxas de aplicaçao, em ambas as profundidades, uma inibiçao aos microrganismos celulíticos aeróbios e um pequeno efeito estimulatório aos celulíticos anaeróbios. Os efeitos da aplicaçao da vinhaça, nas propriedades químicas e microbiológicas do solo, sao contundentes e passageiros, com exceçao da lixiviaçao de potássio. Em locais onde a vinhaça esteja sendo aplicada com a presença da cana planta, a taxa de aplicaçao deve ser definida, considerando-se o teor de potássio, outros locais, tais como, área de sacrifício, lagoas de armazenamento e canais de distribuiçao, os mecanismos em relaçao ao nitrato, requerem um monitoramento mais específico. Descritores: Efluentes Industriais Indústria do Álcool Uso de Águas Residuais Irrigação (Agricultura) Poluição do Solo Análise do Solo Química do Solo

-Controle

CETESB

Responsável:

USP-EESC

http://bases.bireme.br/cgi-

bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=REPIDISCA&lang=p&nextAction=lnk&exp

rSearch=2464&indexSearch=ID

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Os Estudos Ambientais Sobre a Fertiirrigação da Vinhaça no Solo e na Água Subterrânea, ênfase na EDR - Ribeirão Preto

Profª. Sueli Y. Pereira – IG

Linha de Pesquisa: Meio Ambiente (aterros, recursos hídricos, poluição, limpeza urbana).

Palavras Chave: Água Subterrânea, Vinhaça, Entreposto de Destinação de Resíduos, Ribeirão Preto.

Objetivo: A proposta apresenta como objetivo principal a elaboração de um modelo de gestão hídrico- ambiental para a região agrícola de Ribeirão Preto, visando proporcionar soluções. Para o alcance desse objetivo maior, elaboraram-se objetivos específicos de acordo com cada área de conhecimento envolvido. São eles:

Desenvolver uma análise ambiental de todo o meio físico e sócio-econômico, visando o entendimento da dinâmica da região, apresentando diversos cenários.

Caracterizar a influência das atividades agrícolas (em especial as sucro-alcooleiras) na dinâmica do meio físico e humano.

Executar estudos complementares e de detalhe para avaliação do comportamento de contaminantes de fontes agrícolas no solo e na água subterrânea.

Desenvolver metodologias de integração de dados, por meio de estudos multidisciplinares e interdisciplinares.

Avaliar, adaptar e/ou desenvolver metodologias de gestão ambiental em áreas de grande desenvolvimento agrícola.

Criação de um banco de dados informatizados, de atualização contínua.

Fornecer subsídios e critérios para a certificação sócio-ambiental de agroindústrias, normas ambientais.

Motivação: A região rural de Ribeirão Preto é caracterizada pela existência de um aqüífero de grande importância para o abastecimento humano – Guarani livre - de alta fragilidade e risco potencial de contaminação e das rochas da Formação Serra Geral, cujo comportamento ainda é pouco conhecido. Ainda, as indústrias sucro-alcooleiras se concentram na região, onde há situação da disposição da vinhaça por fertirrigação, por suas diversas formas, haja vista a monocultura de cana de açúcar na região. Hoje, a produção brasileira é estimada em cerca de 14 bilhões de litros de álcool por ano, com perspectivas de crescimento de sua produção no mercado interno pelo incentivo do uso como combustível e como aditivo em gasolina (em relação ao MTBE em outros países). O estado de São Paulo concentra 62% do total de cana de açúcar, 76% da produção de açúcar e 71% do álcool. Isso

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significa uma estimativa de cerca de 130 bilhões de litros de vinhaça geradas por ano, cuja grande parte é disposta por fertirrigação. A cultura da cana-de-açúcar é a atividade agrícola que possui a maior a área cultivada no estado de São Paulo.

Incorporação da vinhaça ao solo: efeitos sobre as características

de resistência do material obtido. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia Agrícola – Unicamp. 1992. ALMEIDA, J.R. O problema da vinhaça em São Paulo. Instituto Zimotécnico da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP. Boletim 3. 1952. CASARINI, D.C.P.; CUNHA, R.C.A. & MASEI FILHO, B. Effects of irrigation with vinasse and the dynamics of its constituents in the

soil: II – microbiological aspects. Wat. Sci. Tech. vol 19, nº 8. 1987. COELHO, R.M. Influência da vinhaça, da fertilização mineral e do cultivo em características químicas da matéria orgânica e da fração mineral de um Latossolo Vermelho-Escuro. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Viçosa. 1991. COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL (CETESB). A produção mais limpa (P+L) no Setor Sucroalcooleiro – Informações Gerais. 2003. http://www.cetesb.sp.org.br. CUNHA, R.C.A., COSTA, A.C.S., MASET FILHO, B., CASARINI, D.C.P. Effects of irrigation with vinasse and the dynamics of its constituents in the soil: I – physical and chemical aspects. Wat.Sci.Tech. vol.10, n°8, 1987, p. 155-165. CORAZZA, R.I. Reflexões sobre o papel das políticas ambientais e de ciência e tecnologia na modelagem de opções produtivas “mais

limpas” numa perspectiva evolucionista: um estudo sobre o problema da disposição da vinhaça”. http://nepam.unicamp.br/ecoeco/artigos/ encontros/ download/mesa3/6.pdf. GLOEDEN, E.; CUNHA, R.C.A.; FRACCAROLLI, M.J.B. & CLEARY, R.W. The behaviour of vinasse constituents in the unsaturated and saturated zones in the Botucatu Aquifer recharge área. Wat. Sci. Tech. vol. 24, nº 11, 1991. HASSUDA, S. Impactos da infiltração da vinhaça de cana no aqüífero Bauru. Dissertação de Mestrado. IGC-USP. 1989. LONGO, R. M. Efeito da vinhaça in natura e biodigerida em propriedades de um solo cultivado com cana de açúcar. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Engenharia Agrícola – Unicamp. 1994. LUDOVICE, M.T.F. Estudo do efeito poluente da vinhaça infiltrada em canal condutor de terra sobre o lençol freático. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Engenharia Civil – Unicamp. 1997. RAMALHO, J.F.G.P. & AMARAL SOBRINHO, N.M.B.A. Metais pesados em solos cultivados com cana de açúcar pelo uso de resíduos agroindustriais. Floresta e Ambiente. V.8, n° 1, 2001. ABADIA, J.A.B. Impactos da estocagem de vinhaça e das águas de lavagem da cana de açúcar nos domínios do Aqüífero Bauru - Dobrada, São Paulo. Dissertação de Mestrado. IGC-USP.

1994.

Experiência Anterior: AGUIAR, M.A

Metodologia: FASE 1 – Caracterização Geral e Dimensionamento do Problema. Consiste de levantamentos regionais de cada área do conhecimento visando obter uma caracterização hídrica – ambiental da área de estudo e o dimensionamento do problema. Estes estudos pretendem ser interativos e integrados. Esta fase visa um diagnóstico e prognóstico ambiental através do

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reconhecimento físico e sócio-econômico da área e análise de cenários futuros, para identificação da dinâmica histórico-evolutiva e atual dos problemas decorrentes e definição de estratégias para as fases seguintes; identificados os problemas, serão definidos quatro estudos de caso para aprofundamento de temas considerados relevantes para esclarecimentos de questões relativas ao comportamento de alguns tipos de contaminantes comuns na região, e seu potencial nos sistemas aqüíferos Guarani e Serra Geral.

FASE 2 – Estudos de casos definidos com base nos resultados e nas estratégias produzidas na fase 1. Estes estudos de detalhe têm como objetivo principal buscar uma resposta mais acurada de problemas detectados na fase 1 de modo a contribuir para a elaboração do modelo de gestão na região. Especificamente os estudos visam: a análise do comportamento de contaminantes no solo e na água subterrânea; subsidiar a criação de normas ambientais de controle desses contaminantes no estado; avaliar a situação dos sistemas aqüíferos afetados; propor tecnologias de remediação e programas de prevenção na região de estudo. Nesta etapa estão previstos dois estudos de detalhe, visando cobrir temas destacados na fase 1. A definição do período de execução do trabalho dependerá da adoção do período representativo: se ano agrícola e/ou ano hidrológico.

Benefícios: Políticas públicas para o gerenciamento ambiental de áreas agrícolas (cana de açúcar). Regulamentações ambientais (com base nos resultados dos estudos). Recomendações para procedimentos de manejo mais adequado a disposição da vinhaça por fertirrigação.

Resultados: Avaliação da possibilidade de contaminação da água subterrânea. Avaliação da variação da qualidade da água subterrânea na área. Determinação de procedimentos e recomendações para o manejo adequado deste efluente a ser disposto no solo. Bases concretas para a certificação ambiental em usinas sucroalcooleiras.

http://www.inova.unicamp.br/inovanosmunicipios/proj_unicamp_detail.php?id=38

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Brassicaceae Schrankia Medik. -- Pflanzeng. 42 (1792). (IK) Brassicaceae Schrankia divaricata Moench -- Suppl. Meth. (Moench) 86. 1802 [2 May 1802] (IK) Brassicaceae Schrankia rugosa Medik. -- Pflanzeng. 44. (IK) Brassicaceae Schrankia sulcata Moench -- Suppl. Meth. (Moench) 87. 1802 [2 May 1802] (IK)

Leguminosae Schrankia Willd. -- Sp. Pl. iv. 1041 (1806). (IK) Leguminosae Schrankia aculeata Willd. -- Sp. Pl. iv 1041. (IK) Leguminosae Schrankia angustata Torr. & Gray -- Fl. N. Am. i. 400. (IK) Leguminosae Schrankia angustisiliqua (Britton & Rose) F.J.Herm. -- J. Wash. Acad. Sci. xxxviii. 237 (1948). (IK) Leguminosae Schrankia argentinensis Burkart -- Legumin. Argent., ed. 2, 542 (1952). (IK) Leguminosae Schrankia berlandieri (Britton) Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist., Chicago, Bot. Ser., xi. 159 (1936). (IK) Leguminosae Schrankia brachycarpa Benth. -- in Hook. Journ. Bot. ii. (1840) 130. (IK) Leguminosae Schrankia chapmanii (Small) F.J.Herm. -- J. Wash. Acad. Sci. xxxviii. 237 (1948). (IK) Leguminosae Schrankia confusa Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia diffusa Rose -- Contr. U. S. Natl. Herb. i. 327 (1895). (IK) Leguminosae Schrankia distachya ex DC. -- Prodr. (DC.) 2: 443. 1825 [mid Nov 1825] (IK) Leguminosae Schrankia elata M.Martens & Galeotti -- Bull. Acad. Brux. x. II. (1843) 309. (IK) Leguminosae Schrankia floridana Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 2 Suppl. 2, 683; ed. 3, 127 (1897); vide Merrill in Castanea, 13: 69 (1948). 1892 (IK) Leguminosae Schrankia floridana Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 3 127. 1897 (IK) Leguminosae Schrankia glabra Benth. -- London J. Bot. v. (1846) 94. (IK) Leguminosae Schrankia halliana Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia hamata Humb. & Bonpl. ex Willd. -- Sp. Pl. iv. 1042. (IK) Leguminosae Schrankia heterocarpa Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist., Chicago, Bot. Ser., xxii. 31 (1940). (IK) Leguminosae Schrankia horridula Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 2 Suppl. 2, 683; ed. 3, 127 (1897); vide Merrill in Castanea, 13: 69 (1948). 1892 (IK) Leguminosae Schrankia horridula Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 3 127. 1897 (IK) Leguminosae Schrankia hystricina Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK)

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Leguminosae Schrankia intsia (Walter) Branner & Coville -- Rep. (Annual) Arkansas Geol. Surv. 1888(4): 178. 1891 [Jul 1891] (IK) Leguminosae Schrankia jaliscensis (Macbr.) McVaugh -- Fl. Novo-Galiciana, 5: 247 (1987):. (IK) Leguminosae Schrankia leptocarpa DC. -- Prodr. (DC.) 2: 443. 1825 [mid Nov 1825] (IK) Leguminosae Schrankia macrostachya Benth. -- in Hook. Journ. Bot. iv. (1842) 414. (IK) Leguminosae Schrankia mexicana Raf. -- New Fl. (Rafinesque) i. 43. (IK) Leguminosae Schrankia microphylla Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia microphylla Macbride -- in Contrib. Gray Herb. n. s. lix. 9 (1919). (IK) Leguminosae Schrankia microphylla Standl. var. floridana (Chapman) D.Isely -- Castanea 51(3): 204 (1986):. (IK) Leguminosae Schrankia mimosoides (Small) Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist., Chicago, Bot. Ser., xi. 159 (1936). (IK) Leguminosae Schrankia nova Steud. -- Nomencl. Bot., ed. 2 (Steudel) 2: 535 (Quid ?). 1841 (IK) Leguminosae Schrankia nuttallii Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia nuttallii Standl. var. hystricina (Small ex Britt. & Rose) D.Isely -- Castanea 51(3): 205 (1986):. (IK)

Leguminosae Schrankia occidentalis Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia palmeri Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 14 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia paucijuga Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist. Chicago, Bot. Ser. viii. 13 (1930). (IK) Leguminosae Schrankia pilosa Macbride -- in Contrib. Gray Herb. n. s. lix. 11 (1919). (IK) Leguminosae Schrankia platycarpa A.Gray -- Boston J. Nat. Hist. vi. (1850) 183. (IK)

*

Leguminosae Schrankia portoricensis Urb. -- Symb. Antill. (Urban). ii. 267. (IK)

*

Leguminosae Schrankia potosina (Britton & Rose) Standl. -- in Publ. Field Mus. Nat. Hist., Chicago, Bot. Ser., xi. 159 (1936). (IK)

*

Leguminosae Schrankia quadrivalvis Merr. -- in Philipp. Journ. Sci. v. 30 (1910). (IK)

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Leguminosae Schrankia rhodostachya Benth. -- in Hook. Journ. Bot. iv. (1842) 414. (IK)

*

 

Leguminosae Schrankia sellowii Benth. -- in Hook. Journ. Bot. iv. (1842) 415. (IK)

*

 

Leguminosae Schrankia subinermis S.Watson -- in Proc. Am. Acad. xvii. (1882) 350. (IK)

*

 

Leguminosae Schrankia trijuga Goyena -- Fl. Nicarag. i. 379 (1911). (IK)

*

 

Leguminosae Schrankia uncinata Willd. -- Sp. Pl. iv. 1043. (IK)

*

Leguminosae Schrankia uncinata Pritz. -- Ic. Ind. ii. 254, sphalm. (IK)

Mimosaceae Schrankia Willd. -- Sp. Pl., ed. 4. 4: 888, 1041. 1806 [Apr 1806] (GCI) Mimosaceae Schrankia sect. Rhodostachya Benth. -- J. Bot. (Hooker) 4: 414. 1842 (GCI) Mimosaceae Schrankia aculeata Willd. (GCI) Mimosaceae Schrankia angustata Torr. & A.Gray -- Fl. N. Amer. (Torr. & A. Gray) 1: 400. 1840 (GCI) Mimosaceae Schrankia angustata var. brachycarpa Chapm. -- Fl. South. U.S. 116. 1860 (GCI) Mimosaceae Schrankia angustata Torr. & A.Gray var. brachycarpa Chapman (GCI) Mimosaceae Schrankia angustisiliqua (Britton & Rose) J.Herm. (GCI) Mimosaceae Schrankia angustisiliqua (Britton & Rose) F.J.Herm. -- J. Wash. Acad. Sci. 38: 237. 1948 (GCI) Mimosaceae Schrankia argentinensis Burkart -- Legum. Argent., ed. 2 542. 1952 (GCI) Mimosaceae Schrankia berlandieri Standl. -- Field Mus. Nat. Hist., Bot. Ser. 11: 159. 1936 (GCI) Mimosaceae Schrankia chapmani (Small ex Britton & Rose) F.J.Herm. -- J. Wash. Acad. Sci. 38: 237. 1948 (GCI) Mimosaceae Schrankia chapmanii (Small) F.J.Herm. (GCI) Mimosaceae Schrankia confusa Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI) Mimosaceae Schrankia confusa (Britton & Rose) Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8:

13. 1930 (GCI)

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Mimosaceae Schrankia diffusa Rose -- Contr. U. S. Natl. Herb. 1: 327. 1895 (GCI) Mimosaceae Schrankia distachya -- Prodr. (DC.) 2: 443. 1825 (GCI) Mimosaceae Schrankia distachya Moc. & Sessé (GCI) Mimosaceae Schrankia floridana Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 2 ed. 2, Suppl. 2: 683. 1892 (GCI) Mimosaceae Schrankia floridana Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 3 ed. 3, 127. 1892 (GCI) Mimosaceae Schrankia halliana Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI) Mimosaceae Schrankia hamata Humb. & Bonpl. (GCI) Mimosaceae Schrankia hamata Humb. & Bonpl. ex Willd. -- Sp. Pl., ed. 4. 4: 1042. 1806 (GCI) Mimosaceae Schrankia heterocarpa Standl. -- Publ. Field Mus. Nat. Hist., Bot. Ser. 22, no. 1: 31. 1940 (GCI) Mimosaceae Schrankia horridula (Michx.) Chapm. (GCI) Mimosaceae Schrankia horridula Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 2 ed. 2, Suppl. 2: 683. 1892 (GCI) Mimosaceae Schrankia horridula Chapm. var. angularis Chapm. -- Fl. South. U.S., ed. 3 127. 1897 (GCI) Mimosaceae Schrankia hystricina ( ex Britton & Rose) Standl. (GCI) Mimosaceae Schrankia hystricina Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI) Mimosaceae Schrankia intsia (Walter) Branner & Coville -- Rep. (Annual) Arkansas Geol. Surv. 1888(4): 178. 1891 [Jul 1891] (GCI) Mimosaceae Schrankia jaliscensis (J.F.Macbr.) McVaugh -- Fl. Novo-Galiciana 5: 247. 1987 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia latidens (Small) K.Schum. (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia latidens K.Schum. -- Bot. Jahresber. (Just) 29, pt. 1: 540. 1903 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia leptocarpa DC. -- Prodr. (DC.) 2: 443. 1825 [mid Nov 1825] (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia macrostachya Benth. -- J. Bot. (Hooker) 4: 414. 1842 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia microphylla J.F.Macbr. -- Contr. Gray Herb. n. ser. 59: 9. 1919 (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia microphylla var. floridana (Chapm.) Isely -- Castanea 51: 204. 1986 (GCI)

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*

 

Mimosaceae Schrankia mimosoides Standl. -- Field Mus. Nat. Hist., Bot. Ser. 11: 159. 1936 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia nuttallii Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia nuttallii (DC.) Standl. (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia nuttallii var. hystricina (Britton & Rose) Isely -- Castanea 51: 205. 1986 (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia nuttallii (DC.) Standl. var. hystricina ( ex Britton & Rose) Isely -- Castanea 51: 205. 1986 (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia nuttallii (DC.) Standl. var. hystricina (Small ex Britton & Rose) Isely -- Castanea 51: 205. 1986 (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia occidentalis (Wooton & Standl.) Standl. (GCI)

*

Mimosaceae Schrankia occidentalis Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia palmeri Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI)

*

 

Mimosaceae Schrankia paucijuga (Britton & Rose) Standl. (GCI)

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Mimosaceae Schrankia paucijuga Standl. -- Publ. Field Columbian Mus., Bot. Ser. 8: 13. 1930 (GCI) Mimosaceae Schrankia pilosa J.F.Macbr. -- Contr. Gray Herb. n. ser. 59: 11. 1919 (GCI) Mimosaceae Schrankia platycarpa A.Gray -- Boston J. Nat. Hist. 6: 183. 1850 (GCI) Mimosaceae Schrankia portoricensis Urb. -- Symb. Antill. (Urban). 2: 267. 1900 (GCI) Mimosaceae Schrankia potosina (Britton & Rose) Standl. (GCI) Mimosaceae Schrankia potosina Standl. -- Field Mus. Nat. Hist., Bot. Ser. 11: 159. 1936 (GCI) Mimosaceae Schrankia quadrivalvis Merr. -- Philipp. J. Sci., C. 5: 30. 1910 (GCI) Mimosaceae Schrankia quadrivalvis var. jalicensis J.F.Macbr. -- Contr. Gray Herb. n. ser. 59: 10. 1919 (GCI) Mimosaceae Schrankia quadrivalvis var. jaliscensis J.F.Macbr. -- Contr. Gray Herb. n.s. 59: 10. 1919 (GCI) Mimosaceae Schrankia rhodostachya Benth. -- J. Bot. (Hooker) 4: 414. 1842 (GCI) Mimosaceae Schrankia roemeriana (Scheele) Blank. (GCI) Mimosaceae Schrankia roemeriana Blank. -- Rep. (Annual) Missouri Bot. Gard. 18: 168. 1907 (GCI) Mimosaceae Schrankia subinermis S.Watson -- Proc. Amer. Acad. Arts 17: 350. 1882 (GCI) Mimosaceae Schrankia subinermis S.Watson -- Proc. Amer. Acad. Arts 17: 350. 1882 (GCI) Mimosaceae Schrankia trijuga Ram.Goyena -- Fl. Nicarag. 1: 379. 1909 (GCI) Mimosaceae Schrankia uncinata Willd. (GCI)

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Brazil Mimosaceae Schrankia macrostachya Benth. -- J. Bot. (Hooker) 4: 414. 1842 (GCI) Mimosaceae Schrankia rhodostachya Benth. -- J. Bot. (Hooker) 4: 414. 1842 (GCI)

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ANEXO I

DECISÃO DE DIRETORIA 35, DE 09 DE MARÇO DE 2005.

Dispõe sobre a homologação da Norma Técnica P4.231 - Vinhaça - Critérios e Procedimentos para Aplicação no Solo Agrícola - jan/2005

A Diretoria Plena da CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, à vista de tudo quanto consta do Processo nº E/052/05 e considerando o contido no Relatório à Diretoria nº 008/2005/E, que acolhe, Decide:

Artigo 1º - Homologar a Norma Técnica P4.231 - Vinhaça - Critérios e Procedimentos para Aplicação no Solo Agrícola - jan/2005 - constante do Anexo Único que integra esta Decisão de Diretoria.

Artigo 2º - Esta Decisão de Diretoria entra em vigor na data de sua publicação.

ANEXO ÚNICO A QUE SE REFERE O ARTIGO 1º DA DECISÃO DE DIRETORIA

Nº 035/2005/E, DE 9-3-2005.

NORMA TÉCNICA CETESB - P4.231

(Versão Janeiro/2005)

Vinhaça - Critérios e Procedimentos para Aplicação no Solo Agrícola

Sumário

1. Objetivo

2. Documentos Complementares

3. Definições

4. Considerações Específicas

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6. Plano de Aplicação de Vinhaça: Instruções

7. Caracterização do Solo

8. Bibliografia

1. Objetivo

Esta norma tem como objetivo dispor sobre os critérios e procedimentos para a aplicação da vinhaça, gerada pela atividade sucroalcooleira no processamento de cana de açúcar, no solo do Estado de São Paulo.

2. Documentos complementares

Na aplicação desta norma é necessário consultar:

2.1.

Legislação Federal

a.

Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal.

b.

Portaria do Ministério do Interior nº 158, de 03 de novembro de 1980 - Dispõe sobre o lançamento de vinhoto em coleções hídricas e sobre efluentes de destilarias e usinas de açúcar.

c.

Portaria do Ministério do Interior nº 124, de 20 de agosto de 1980 - Normas para localização e construção de instalações que armazenem substâncias que possam causar poluição hídrica.

d.

Portaria do Ministério do Interior nº 323, de 29 de novembro de 1978 - Proíbe lançamento de vinhoto em coleções de água.

e.

Resolução do CNRH nº 15, de 01 de junho de 2001- Diretrizes para a gestão integrada das águas superficiais, subterrâneas e meteóricas.

f.

Portaria do Ministério da Saúde nº 518/04, de 25 de março de 2004 - Estabelece procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá outras providências.

2.2.

Legislação Estadual

a.

Constituição do Estado de São Paulo de 05 de outubro de 1989 (Dispositivos constitucionais de interesse para a área ambiental).

b.

Lei nº 997, de 31 de maio de 1976 - Dispõe sobre o controle da poluição do meio ambiente.

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c. Lei nº 7.641, de 19 de dezembro de 1991 - Dispõe sobre a proteção ambiental das bacias dos Rios Pardo, Mogi-Guaçú e Médio Grande e estabelece critérios para o uso e ocupação do solo.

d. Lei nº 6.134, de 02 de junho de 1988 - Dispõe sobre a preservação dos depósitos naturais de águas subterrâneas.

e. Lei nº 6.171, de 04 de julho de 1988 - Dispõe sobre o uso, conservação e preservação do solo agrícola.

f. Decreto nº 8.468, de 08 de setembro de 1976 - Aprova o regulamento da Lei nº 997 de 31 de maio de 1976 - Controle da poluição das águas, ar, resíduos, padrões, exigências, licenciamento, penalidades.

g. Decreto nº 32.955, de 07 de junho de 1991- Regulamenta a Lei nº 6.134, de 02 junho de 1988 que dispõe sobre a preservação dos depósitos naturais de águas subterrâneas.

h. Decreto nº 41.719, de 16 de abril de 1997 - Regulamenta a Lei nº 6.171, de 04 de julho de 1988 que dispõe sobre uso, conservação e preservação do solo agrícola.

i. Decisão de Diretoria da CETESB nº 023/00/C/E, de 15 de junho de 2000 - Aprova a implantação de procedimento para a atuação em áreas contaminadas, tendo como base o documento intitulado "Procedimentos para Gerenciamento de Áreas Contaminadas".

j. Decisão de Diretoria da CETESB nº 014/01/E, de 26 de julho de 2001 - Aprova o Relatório sobre Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e Águas Subterrâneas no Estado de São Paulo e a aplicação dos valores orientadores pela CETESB.

2.3. Normas Técnicas

2.3.1. ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas:

a. NBR 7229 - Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos.

b. NBR 13969 - Tanques Sépticos / unidade de tratamento complementar e disposição final de efluentes líquido - Projeto, construção e Operação.

c. NBR 13.895 - Construção de poços de monitoramento e amostragem / Procedimento.

2.3.2. CETESB:

a. O6.010: - Construção de Poços de Monitoramento de aqüífero freático: Procedimento.

b. Guia de Coleta e Preservação de Amostras de Água.

3. Definições

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Para efeito desta norma foram adotadas as seguintes definições:

Vinhaça: líquido derivado da destilação do vinho, que é resultante da fermentação do caldo da cana de açúcar ou melaço. Solo: material que ocorre a partir da superfície do terreno, constituído por horizontes gerados pela alteração do material original (rocha, sedimento ou outro solo) por ação do intemperismo. São partes integrantes do solo as partículas minerais, o ar, a água intersticial das zonas não saturadas e saturadas, a fração orgânica e a biota. Solo agrícola: superfície de terra utilizada para a exploração agro-silvo-pastoril. Aqüífero: toda formação geológica que armazena e transmite água subterrânea natural ou artificialmente captada. Águas subterrâneas: águas que ocorrem natural ou artificialmente no subsolo, de forma suscetível de extração e utilização pelo homem ( Decreto Estadual nº 32.955, de 7 de junho de 1991); ou as águas que ocorrem naturalmente ou artificialmente no subsolo (Resolução CNRH n.º 15, de 1º de junho de 2001). Nível d'água: altura em determinado tempo e local, da superfície freática ou potenciométrica de um aqüífero. Superfície potenciométrica livre ou lençol freático: superfície superior da zona saturada, ao longo da qual a pressão é igual à pressão atmosférica.

4. Considerações Específicas

Para efeito de elaboração e cumprimento desta norma, considerou-se:

A necessidade de estabelecer normas para o armazenamento transporte e disposição no solo

da vinhaça gerada no processamento da cana de açúcar no Estado de São Paulo para evitar a ocorrência de poluição.

A aplicação de vinhaça no solo não se constitui em atividade passível de licenciamento no

âmbito da CETESB nos termos do Artigo 57 do Regulamento da Lei 997, de 31 de maio de 1976, aprovado pelo Decreto 8.468, de 08 de setembro de 1976.

As portarias do extinto Ministério do Interior nº 323, de 29 de novembro de 1978 e nº 158 de 03 novembro de 1980 que proíbem o lançamento direto ou indireto da vinhaça em qualquer coleção hídrica e nº 124, de 30 de agosto de 1980 que dispõe sobre o armazenamento de substâncias capazes de causar poluição hídrica.

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O estabelecido no artigo 193 da Constituição do Estado de São Paulo, que determina a

necessidade de se adotar medidas, nas diferentes áreas de ação pública e junto ao setor privado,

para manter e promover o equilíbrio ecológico e a melhoria da qualidade ambiental, prevenindo a degradação em todas as suas formas e impedindo ou mitigando impactos ambientais negativos.

O artigo 3º do Regulamento da Lei Estadual nº997, de 31 de maio 1976, aprovado pelo

Decreto nº 8468, de 08 de setembro de 1976, que considera poluente toda e qualquer forma de matéria ou energia lançada ou liberada nas águas, no ar ou no solo, com intensidade, em quantidade

e concentração, em desacordo com os padrões de emissão estabelecidos neste Regulamento ou normas dele recorrentes.

O artigo 17 do Regulamento da Lei Estadual nº 997, de 31 de 05 1976, aprovado pelo

Decreto nº 8468, de 08 de setembro de 1976, que estabelece que os efluentes de qualquer natureza somente poderão ser lançados nas águas interiores ou costeiras, superficiais ou subterrâneas, situadas no território do Estado, desde que não sejam consideradas poluentes.

O disposto na Lei Estadual nº 6.134, de 02 de junho de 1988, que dispõe sobre a

preservação dos depósitos naturais de águas subterrâneas do Estado.

A Lei Estadual nº 6.171, de 04 de julho de 1988, regulamentada pelo Decreto nº 41.719, de 16 de

abril de 1997, que dispõe sobre o uso, conservação e preservação do solo agrícola.

A Lei Estadual nº 7.641, de 19 de dezembro de 1991, que dispõe sobre a proteção ambiental das bacias dos Rios Pardo, Mogi Guaçú e Médio Grande, estabelecendo critérios para uso e ocupação do solo.

5. Critérios e Procedimentos para o Armazenamento, Transporte e Aplicação no Solo

5.1. A área a ser utilizada para a aplicação de vinhaça no solo deve atender às seguintes condições:

5.1.1. Não estar contida no domínio das Áreas de Preservação Permanente - APP ou de reserva legal, definidas no Código Florestal - Lei Federal nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, modificada pela Lei Federal nº 7.803, de julho de 1989, nem nos limites da zona de amortecimento definidos para as unidades de conservação de proteção integral.

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5.1.2. No caso de a área estar localizada no domínio de Área de Proteção Ambiental - APA, a

aplicação de vinhaça não poderá estar em desacordo com os seus regulamentos.

5.1.3. No caso de a área estar localizada no domínio de APA estadual não regulamentada, a

aplicação de vinhaça deverá ser aprovada pelo seu órgão gestor.

5.1.4. Não estar contida no domínio de área de proteção de poços.

5.1.5. Estar afastada, no mínimo, 15 (quinze) metros da área de domínio das ferrovias e rodovias

federais ou estaduais.

5.1.6. Estar afastada, no mínimo, 1.000 (um mil) metros dos núcleos populacionais compreendidos na área do perímetro urbano. Essa distância de afastamento poderá, a critério da CETESB, ser ampliada quando as condições ambientais, incluindo as climáticas, exigirem tal ampliação.

5.1.7. Estar afastada, no mínimo, 50 (cinqüenta) metros das Áreas de Proteção Permanente - APP, e

com proteção por terraços de segurança.

5.1.8. A profundidade do nível d'água do aqüífero livre, no momento de aplicação de vinhaça deve

ser, no mínimo, de 1,50m (um metro e cinqüenta centímetros) conforme a Norma NBR 7229 - Projeto,

Construção e Operação de Sistemas de Tanques Sépticos, da ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas.

5.1.9. No caso de áreas com declividade superior a 15%, deverão ser adotadas medidas de

segurança adequadas à preservação de erosão.

5.1.10. Nas áreas com declividade superior a 15%, além das práticas conservacionistas, deverá ser efetuada a escarificação do solo. Se, após a escarificação, a dosagem de aplicação de vinhaça for superior à capacidade de infiltração do solo, a aplicação deverá ser parcelada.

5.2. Deverá ser imediatamente suspensa a prática de armazenamento e/ou disposição de vinhaça ou lodo em áreas de sacrifício, eliminando-se aquelas que ainda estão sendo utilizadas nas unidades produtoras, estando qualquer aplicação no solo agrícola sujeita à observância desta Norma.

5.2.1. Essas áreas deverão ser avaliadas pelo responsável quanto a uma possível contaminação de

solo e águas subterrâneas, conforme procedimentos estabelecidos na Decisão de Diretoria da CETESB nº 023/00/C/E, de 15/06/2000. Os resultados analíticos deverão ser comparados com os

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valores orientadores estabelecidos na Decisão de Diretoria da CETESB nº 014/01/E, de 26/07/2001 e com os padrões de potabilidade estabelecidos na Portaria do Ministério da Saúde nº 518/04, de

25/03/2004.

5.3. Os tanques de armazenamento de vinhaça deverão ser instalados em áreas que atendam ao

disposto no ítem 5.1 desta Norma e deverão ser impermeabilizados com geomembrana impermeabilizante ou outra técnica de igual ou superior efeito. Os prazos para impermeabilização dos tanques de armazenamento já instalados serão fixados em regulamento específico.

5.4 Deverão ser instalados nas áreas dos tanques, uma quantidade mínima de 04 (quatro) poços de monitoramento, sendo 01 (um) à montante e 03 (três) à jusante, localizados de acordo com o mapa potenciométrico e construídos conforme as Normas NBR 13.895 - Construção de Poços de Monitoramento e Amostragem, da ABNT.

5.4.1 Na água coletada dos poços de monitoramento, deverão ser determinados os seguintes parâmetros, devendo os mesmos atender aos padrões da legislação pertinente:

pH; dureza; sulfato; manganês; alumínio; ferro; nitrogênio nitrato; nitrogênio nitrito; nitrogênio amoniacal; nitrogênio Kjeldhal total; potássio; cálcio; cloreto; sólidos dissolvidos totais; condutividade elétrica e fenóis. Observações:

a) A freqüência da amostragem para análise será semestral.

b) As metodologias de análises, para os parâmetros assinalados acima, são aquelas contidas em Normas e/ou procedimentos consagrados para tal, nas suas versões vigentes.

c) Os resultados analíticos deverão ser comparados com os valores orientadores estabelecidos na Decisão de Diretoria da CETESB nº 014/01/E, de 26/07/2001 e com os padrões de potabilidade estabelecidos na Portaria do Ministério da Saúde nº 518/04, de 25/03/2004.

5.4.2. A instalação dos poços de monitoramento poderá ser dispensada se forem implantados drenos testemunha.

5.5. Os canais mestres ou primários de uso permanente para distribuição de vinhaça durante o

período da safra deverão ser impermeabilizados com geomembrana impermeabilizante ou outra técnica de igual ou superior efeito. Os prazos para impermeabilização dos canais mestres ou primários já instalados serão fixados em regulamento específico.

5.6. Ao término de cada safra, deverá ser promovida a limpeza da vinhaça nos tanques e nos canais

mestres, sendo que a vinhaça eventualmente remanescente deverá ser neutralizada.

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5.6.1. A vinhaça remanescente nos tanques e canais mestres ou primários deverá ser aplicada,

conforme os procedimentos estabelecidos nesta Norma, em solos agrícolas para uso da cultura

canavieira.

5.7. Anualmente deverá ser realizado ou atualizado o Plano de Aplicação de Vinhaça, o qual deverá ser elaborado conforme instruções contidas no ítem 6 e assinado por profissional devidamente habilitado junto ao CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que deverá recolher a ART (Anotação de responsabilidade técnica) específica.

5.7.1. Até a data de 2 (dois) de abril de cada ano, o empreendimento deverá encaminhar à CETESB

o Plano de Aplicação de Vinhaça, observadas as instruções contidas no ítem 6 desta Norma.

5.7.2. O Plano de Aplicação de Vinhaça será utilizado pela CETESB para fins de acompanhamento e

fiscalização.

5.8. A dosagem para a aplicação de vinhaça para enriquecimento do solo agrícola, deverá ser calculada, considerando a profundidade e a fertilidade do solo, a concentração de potássio na vinhaça e a extração média desse elemento pela cultura, conforme fórmula constante do ítem 6 desta Norma.

5.8.1. A concentração máxima de potássio no solo não poderá exceder 5% da Capacidade de Troca

Catiônica - CTC. Quando esse limite for atingido, a aplicação de vinhaça ficará restrita à reposição desse nutriente em função da extração média pela cultura, que é de 185kg de K2O por hectare por

corte.

5.8.2.

Nos casos em que houver necessidade de expansão na área de aplicação de vinhaça, para o

atendimento ao disposto neste artigo, o Plano de Aplicação de Vinhaça deverá ser atualizado e

reapresentado à CETESB.

5.9. A caracterização, para fins de fertilidade do solo agrícola, das áreas que receberão a aplicação da vinhaça, deverá ser realizada antes do início da safra e de acordo com os procedimentos descritos no ítem 7 desta Norma.

5.10. A partir da primeira safra, após a publicação desta Norma, as agroindústrias do setor sucroalcooleiro no Estado de São Paulo deverão, por meio de suas entidades representativas e com

a participação de entidades de pesquisas científicas, promover estudos para a avaliação da qualidade

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das águas subterrâneas em áreas de aplicação de vinhaça e que serão previamente indicadas pela

CETESB.

5.10.1. A indicação das áreas de avaliação, as instalações dos poços de monitoramento, as metodologias de amostragem serão estabelecidas, observadas as respectivas Normas técnicas:

a. Norma Técnica da ABNT, NBR 13895 - Construção de poços de monitoramento e amostragem / Procedimento.

b. Norma Técnica CETESB O6.010 - Construção de Poços de Monitoramento de aqüífero freático:

Procedimento.

c. Guia de Coleta e Preservação de Amostras de Água. CETESB.

5.10.2. Os resultados analíticos deverão ser comparados com os valores orientadores estabelecidos na Decisão de Diretoria da CETESB nº 014/01/E, de 26/07/2001 e com os padrões de potabilidade estabelecidos na Portaria do Ministério da Saúdenº 518/04, de 25/03/2004.

5.11. Ocorrendo alterações prejudiciais ao solo agrícola, deverá ser suspensa a aplicação de vinhaça

e a CETESB deverá comunicar à Coordenadoria de Defesa Agropecuária, da Secretaria de

Agricultura e Abastecimento, em atendimento à Lei Estadual nº 6.171,de 04 de julho de 1988, sem

prejuízo de suas atribuições legais.

5.12. Na ocorrência de contaminação das águas subterrâneas, deverá ser suspensa a aplicação de

vinhaça e a CETESB deverá comunicar à Vigilância Sanitária, quando da existência de poços de abastecimento no entorno, em atendimento à Lei Estadual nº 6.171, de 04 de julho de 1988, sem prejuízo de suas atribuições legais.

6. Plano de Aplicação de Vinhaça: Instruções

O Plano de Aplicação de Vinhaça no solo será constituído de memorial descritivo da prática de aplicação pretendida, acompanhado de planta na escala de 1:20.000, ou superior, contendo as

taxas indicativas de dosagem a serem aplicadas, em m3/ha, diferenciadas em cores, com intervalos

de aplicação a cada 150m3. Essa planta ou planilha complementar deverá também, no mínimo, indicar:

i. a localização dos tanques de armazenamento e dos canais mestres ou primários de uso permanente de distribuição;

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iii. poços utilizados para abastecimento;

iv. dados de geologia e hidrogeologia local;

v. resultados analíticos dos solos;

vi. as áreas de interesse ambiental; e

vii. forma e dosagem de aplicação de vinhaça.

6.1 Caracterização da vinhaça a ser utilizada nas aplicações no solo

6.1.1 Caracterização:

A vinhaça deverá ser caracterizada quanto aos seguintes parâmetros:

pH; resíduo não filtrável total; dureza; condutividade elétrica; nitrogênio nitrato; nitrogênio nitrito; nitrogênio amoniacal; nitrogênio Kjeldhal total; sódio; cálcio; potássio; magnésio; sulfato; fosfato total; DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio).

Observação: Outros parâmetros poderão ser solicitados à critério da CETESB. Essa caracterização deverá ser resultado de, no mínimo, duas amostragens realizadas no local de geração da vinhaça, durante a safra anterior à apresentação do plano de aplicação.

6.1.2 Determinação do teor de K2O na vinhaça:

Semanalmente, será determinado o teor de K2O da vinhaça, expresso em kg/m³.

Essa determinação irá indicar a dosagem de vinhaça a ser aplicada no solo.

6.1.3 Dosagem:

A dosagem máxima de vinhaça a ser aplicada no tratamento de solos agrícolas em cultura de cana de açúcar será determinada pela equação:

m³ de vinhaça/ha = [(0,05 x CTC - ks) x 3744 + 185] / kvi

onde:

0,05 = 5% da CTC CTC = Capacidade de Troca Catiônica, expressa em cmolc /dm3 a pH 7,0, dada pela análise de fertilidade do solo realizada por laboratório de análise de solo e utilizando metodologia do Instituto Agronômico de Campinas de Análise de Solo, devidamente assinado por responsável técnico.

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ks = concentração de potássio no solo, expresso em cmolc /dm3 , à profundidade de 0,80 metros, dada pela análise de fertilidade do solo realizada por laboratório de análise de solo utilizando metodologia de Análise de Solo do Instituto Agronômico de Campinas, devidamente assinado por

responsável técnico. 3744 = constante para transformar os resultados da análise de fertilidade, expressos em cmolc/dm3 ou meq /100cm3 , para kg de potássio em um volume de um hectare por 0,80 metros de

profundidade.

185 = kg de K2O extraído pela cultura por ha, por corte. kvi = concentração de potássio na vinhaça, expressa em kg de K2O /m3, apresentada em boletim de

resultado analítico, assinado por responsável técnico.

7. Caracterização do Solo

7.1 Caracterização da qualidade do solo que receberá aplicação de vinhaça

7.1.1 Amostragem do solo:

Será utilizada uma amostra composta, constituída de quatro sub-amostras, coletadas em gleba homogênea de, no máximo, 100 (cem) hectares. As sub-amostras deverão ser coletadas, uma no centro de um círculo com raio de 10 metros e as outras três ao longo do perímetro, distanciadas cerca de 120 graus uma da outra. Essa amostragem deverá estar geo-referenciada com suas

coordenadas.

As amostras deverão ser coletadas com trado, de maneira contínua, até a profundidade de 0,80 metros. O solo deverá ser colocado em recipiente limpo, específico para essa finalidade. Após a coleta das quatro sub-amostras, homogeneizar e, por quarteamento, retirar uma amostra de 500 gramas, que será encaminhada para análise em laboratório integrado ao Sistema do Instituto Agronômico de Campinas de análise de solo.

7.1.2 Caracterização da qualidade do solo:

Deverão ser determinados nas amostras compostas, conforme descrito acima, os seguintes parâmetros:

i. Al - alumínio total;

ii. Ca - cálcio;

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iv. SO4- sulfato;

v. Hidrogênio dissociável;

vi. K - potássio;

vii. Matéria orgânica;

viii. CTC - capacidade de troca iônica;

ix. pH - potencial hidrogeniônico;

x. V% - saturação de bases.

8. BIBLIOGRAFIA

AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Microbiological examination, In: Standard methods for the examination of water and wastewater. 20th Washington : APHA: AWWA: WEF, 1998.

BOHN, H.; O'CONNOR, G. Soil Chemistry. A Wiley - Interscience Publication. John Wiley Sons. Toronto. 1979.

CAMARGO, O.A.; VALADARES J.M.S., GERALDI, R.N. Características físicas e químicas de solo que recebeu vinhaça por longo tempo. Boletim técnico do IAC, n.76, p.1-30. 1983.

COMISSÃO DE SOLOS. Levantamento de solos do Estado de São Paulo. Boletim 12. Embrapa. Rio de Janeiro.

1960.

DYNIA, J.F. Nitrate retention and leaching in variable change soils of a watershed in São Paulo State, Brazil. Embrapa Meio Ambiente, Commun. Soil SCl, Plant Anal, 31(5&6), p. 777-791.2000.

EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Mapa de Solos do Brasil. Rio de Janeiro. Ministério da Agricultura. 1981.

KLAR, A. E. A água no sistema solo - planta- atmosfera. Ed. Nobel. São Paulo. 1988.

KOFLER, N.E. A profundidade do sistema radicular e o suprimento de água das plantas no cerrado. Piracicaba. POTAFOS, Info rmação agronômica, 33.1986.

MORELLI, J.L; NELLI. E.J.; DEMATTE. J.L.I.; DALBEN, A.E. Efeito do gesso e do calcário nas propriedades químicas de solos arenosos álicos e na produção de cana-de-açucar.

STAB - Açucar e Álcool e Subprodutos, v.6, p. 24-31, 1987.

MORELLI, J.L; DALBEN,A.E.; ALMEIDA, J.O.C; DEMATTE, J.L.I. Calcário e gesso na produtividade da cana-de- açúcar e nas características químicas de um latossolo de textura média álicos. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v.6, p. 187-194, 1992.

ORLANDO FILHO, J.; ROSSETOR, R.; GERALDI, R.N. Adubação potássica em cana-de-açúcar: II Análise química do solo e diagnose folia. In: CONGRESSO NACIONAL DA STAB, 5., Águas de São Pedro, 1993. Anais, Piracicaba: Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Álcooleiros do Brasil, p. 50-54. 1994.

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Perícia Ambiental

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Disponível em:

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Ministério Público do Estado de Goiás Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente