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Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Centro de Saúde de Sussundenga, na

Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Centro de Saúde de Sussundenga, na província de Manica.

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INQUÉRITO SOBRE

MAU ATENDIMENTO, CORRUPÇÃO E SUBORNOS

NAS MATERNIDADES SANITÁRIAS

CENTRO DE SAÚDE DE SUSSUNDENGA, PROVÍNCIA DE MANICA

Documento O1/2017

Abril 2017

Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Centro de Saúde de Sussundenga, na província de Manica.

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Abreviaturas

CSS: Centro de Saúde de Sussundenga.

ACS: Actores Comunitários de Sussundenga.

RCS: A Rádio Comunitária de Sussundenga.

Fundação MASC – Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil.

IPAJ: Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica.

PRM: Polícia da República de Moçambique.

Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Centro de Saúde de Sussundenga, na província de Manica.

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ÍNDICE

Tabela de conteúdos

AGRADECIMENTOS

5

INTRODUÇÃO

6

CONTEXTUALIZAÇÃO

7

JUSTIFICAÇÃO

8

OBJECTIVOS DO INQUÉRITO

10

Objectivos específicos

11

METODOLOGIA

11

RESULTADOS

12

CONCLUSÕES

21

RECOMENDAÇÕES

21

LISTA DE ENTREVISTADOS

22

BIBLIOGRAFIA

23

Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Centro de Saúde de Sussundenga, na província de Manica.

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AGRADECIMENTOS

A Associação Sucesso expressa o seu profundo agradecimento aos Actores

Comunitários de Sussundenga (ACS), à Direcção do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social local, ao Governo Distrital de Sussundenga, aos Líderes

Comunitários, à Procuradoria Distrital do Ministério público em Sussundenga, pelas suas colaborações no trabalho deste inquérito.

Este agradecimento é também extensivo aos cidadãos, utentes e munícipes da Vila de Sussundenga que aceitaram partilhar as suas experiências no uso de serviços de maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga em referência.

O Sucesso Manica estende os seus agradecimentos à Fundação MASC, pelo

fornecimento de apoios técnico e financeiros nesta actividade.

O nosso muito obrigado!

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INTRODUÇÃO

Associação Sucesso Manica criada em 2016, abreviadamente designada por SUCESSO, é uma pessoa colectiva de direito privado, sem fins lucrativos que actua na promoção e defesa dos Direitos Humanos, Boa Governação e Cidadania.

Neste momento o Sucesso, em colaboração com parceiros locais pretende contribuir no combate à corrupção no sector de saúde para melhorar o acesso e qualidade deste serviço ao nível local.

O presente inquérito visa averiguar os mecanismos da corrupção na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga, na província de Manica, região centro de Moçambique.

https://www.significados.com.br Corrupção é o efeito ou acto

de corromper alguém com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos. Também o mesmo site define o suborno como: A acção de corromper, dando dinheiro ou presentes para alguém em troca de benefícios especiais de interesse próprio. De acordo com o site acima mencionado existem dois tipos de corrupção nomeadamente:

Segundo o site

Corrupção activa: quando um indivíduo oferece dinheiro a um funcionário público em troca de benefícios próprios ou de terceiros; e outro é Corrupção passiva: quando um agente público pede dinheiro para alguém, em troca de facilitações para o cidadão.

Para perceber melhor o que está acontecendo na maternidade local, o inquérito registou os seguintes depoimentos dos utentes entrevistados:

Depoimento número 1 – uma jovem de 30 anos residente em Sussundenga.

“ O atendimento foi muito mau, a parteira que estava atender-me pediu dinheiro, eu não tinha, foram mais de 5 horas de dor, finalmente o bebé saiu morto. Eu achei não correcto aquele atendimento. Metí queixa no comando da PRM local. Acho que a direcção de saúde tomou medida porque aquela parteira perdeu emprego ou foi

transferida.” (caso confirmado pela autoridade local)

Depoimento número 2 – uma jovem de 17 anos residente em Sussundenga

“Para mim, nada de reclamar. O atendimento foi bom. Antes de deslocar ao Centro de Saúde local para dar parto, a minha mãe disse-me para colocar uma nota de 100,00Mt na ficha pré-natal. Feito isto, quando chegamos na maternidade, no período

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de manhã, entreguei aquela ficha à parteira em serviço, antes de ser atendida. Fui bem atendida e dei parto sem complicação.”

Depoimento número 3 – uma parteira em serviço, no Centro de Saúde de Sussundenga “Em nenhum momento os utentes devem pagar pelos serviços prestados. O que sei é que na maternidade não se paga nenhum valor, mas algumas mulheres satisfeitas com serviço prestado têm dado incentivos aos profissionais, como agradecimento. Para mim, isto não é corrupção”

Neste sentido, o inquérito investigou a existência destes actos ilícitos na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga. Também inteirou-se sobre o tempo de espera para atendimento, valores pagos em troca de serviços, conhecimento da autoridade local sobre os casos em referência, para além de experiencias dos utentes em termos de atendimento entre outros factos sobre o acesso e funcionamento da maternidade local.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Este inquérito foi realizado no Município de Sussundenga, sede Distrital do mesmo nome, na Província de Manica, região centro do país, com os cidadãos que utilizam os serviços da maternidade do Centro de Saúde local.

O inquérito apurou que a maternidade local tem a capacidade de atender mais de 100 mulheres por mês. As mesmas são assistidas por equipa de 24 profissionais, composta por 6 parteiras e 18 serventes por cada dia, divididas da seguinte maneira:

 

Manhã

Tarde

Noite

Parteiras

2

2

2

Serventes

8

8

2

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A mesma equipa é reforçada por 2 médicos disponíveis em qualquer momento para intervir nos casos graves.

em qualquer momento para intervir nos casos graves. JUSTIFICAÇÃO O inquérito surge na sequência da

JUSTIFICAÇÃO

O inquérito surge na sequência da realização das actividades da Fundação MASC naquele distrito da Província de Manica, região centro do País. Primeiro foi em 2016, durante uma capacitação dos actores de Sussundenga (ACS) em matéria de produção de conteúdos em Advocacia para boa Governação, quando o Agente Facilitador daquela Fundação questionou os formandos sobre os problemas comuns que afectam os cidadãos naquele Distrito.

Por sua vez, os formandos denunciaram a existência dos casos de corrupção na maternidade local. A denúncia foi apresentada nas cartolinas na presença

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da Directora de saúde que estava como convidada especial em representação da Sra. Administradora distrital naquela formação.

da Sra. Administradora distrital naquela formação. Foto: Formandos divulgando corrupção no sector de saúde

Foto: Formandos divulgando corrupção no sector de saúde em Sussundenga.

De acordo com os formandos, para receber melhor atendimento as mulheres são obrigadas a colocar um valor monetário que varia de 100,00 a 150,00 , nas fichas pré-natais.

Por seu turno, a Directora Distrital de saúde, 1 Olívia Semente, reagiu a posição dos formandos apelando pela denúncia imediata de qualquer acto de corrupção naquele sector. A mesma encorajou aos formandos para apoiar no combate à corrupção.

Este encorajamento motivou os actores comunitários para realizar actividades de combate a corrupção naquele sector de Saúde.

Ainda em 2016 no Bairro Buapua, em Sussundenga, numa sessão de diálogo directo, entre os cidadãos e autoridades locais também uma iniciativa da Fundação MASC, a corrupção foi denunciada pela segunda vez, pelas mulheres e homens participantes nesta sessão. Os mesmos testemunharam ao público as suas experiencias e sofrimento na maternidade local. Também os actores comunitários realizaram peças teatrais mostrando o que de facto acontece naquele sector público.

1 Directora de Saúde Olívia Simente já foi transferida para outro distrito

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Sessão de diálogo directo entre os cidadãos e autoridades locais em Baupua - Sussundenga Porém,

Sessão de diálogo directo entre os cidadãos e autoridades locais em Baupua - Sussundenga

Porém, é neste contexto que a Associação Sucesso Manica em colaboração com os Actores Comunitários de Sussundenga (ACS) e com apoio da Fundação MASC realizou este inquérito entre dias 13 e 18 de Abril de 2017, para investigar o grau de corrupção e subornos no sector de saúde local, com maior enfoque na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga.

OBJECTIVOS DO INQUÉRITO

O objectivo principal deste inquérito é contribuir para perceber o nível da existência de corrupção no sector de saúde local, com maior enfoque na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga.

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Objectivos específicos

Identificar as causas de corrupção e subornos apontados pelos utentes e usuários da maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga; Contribuir no combate à corrupção na maternidade local; Sugerir melhorias ou soluções nos pontos negativos apresentados pelos cidadãos; Contribuir para uma maior adesão da comunidade na maternidade local e na solução dos problemas locais. Contribuir na melhoria de atendimento na maternidade local Divulgar os direitos e deveres dos utentes Contribuir para melhorar o relacionamento entre os profissionais da saúde e utentes do Centro de Saúde de Sussundenga. Contribuir para acesso de serviços de qualidade de saúde ao nível local.

METODOLOGIA

Este inquérito foi realizado pela Associação Sucesso Manica com a participação de 10 Actores Comunitários de Sussundenga (ACS)e por meio de entrevistas directas aos 10 profissionais do sector de saúde local e 90 cidadãos residentes dos Bairros do Município de Sussundenga, na área de abrangência do Centro de Saúde local. Também foi contactado o Procurador Distrital do Ministério Público em Sussundenga para ouvir, na parte dele, sobre a corrupção no sector de Saúde.

Os inquiridores usaram um questionário que abordou os seguintes dados:

a) Tempo de espera para ser atendido na maternidade local;

b) Grau de cobranças ilícitas – em que momento, quais são os actores e quais são os valores pagos?;

c) A classificação de atendimento;

d) Relacionamento entre os profissionais e utentes; entre outros aspectos.

Neste inquérito os inquiridores também traduziram o guião em língua local para permitir que os utentes, amigos e suas famílias percebam, partilhem e

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expressem sem limites as suas experiências em relação aos serviços prestados pela maternidade local.

RESULTADOS

No

classificações:

total

foram

contactados

100

inqueridos,

na

base

das

seguintes

 

1.

Idade

Tabela 01

Idade

 

Quantidade

≤ 17 anos

6

18

– 30 anos

50

31

– 40 anos

25

41

– 55 anos

13

56

– 65 anos

4

≥ 66

 

2

Total

 

100

 

2.

Estado Civil

Tabela 02

Estado civil

Quantidade

Solteiro/a

55

Casado/a

26

Divorciado/a

11

Viúva/o

8

Total

100

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3.

Género

Gráfico 01

3. Género Gráfico № 01 4. Ocupação Profissional Tabela № 03 Ocupação Quantidade Médico 2

4. Ocupação Profissional

Tabela 03

Ocupação

Quantidade

Médico

2

Enfermeiro

1

Parteira

4

Servente

3

Outras Ocupações

13

Camponês

32

Funcionário Público

8

Trabalhador por conta própria

28

Trabalhador por sector privado

2

Estudante

7

Total

100

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Uso dos serviços da matern idade local

No que refere ao uso da m aternidade do Centro de Saúde de Sus sundenga baseado na pergunta núm ero 1 do questionário: Alguma vez já u sou os serviços da maternidade lo cal?

Gráfico 02

u sou os serviços da maternidade lo cal? Gráfico № 02 SIM NÃO 9(10%) 0%0% 81
SIM NÃO 9(10%) 0%0% 81 (90%)
SIM
NÃO
9(10%)
0%0%
81 (90%)
lo cal? Gráfico № 02 SIM NÃO 9(10%) 0%0% 81 (90%) Uso dos se rvicos da

Uso dos se rvicos da maternidade em Sussundenga

Relativamente à esta p ergunta, pode-se observar que 90%

das

pessoas

entrevistadas já utilizaram

os serviços, sendo que apenas 10%

referem não

usaram e nem têm exper iência em termos de atendimento na local, como mostra o gráfi co o2.

maternidade

Na pergunta 2 do inquér ito foi pedido aos entrevistados a p artilhar a sua experiência em termos de atendimento na mesma maternidade. Das respostas recolhidas conclui-se que:

Mau atendimento, Corrupção e Subornos nas maternidades sanitárias do Cen tro de Saúde de Sus sundenga, na província de Manica.

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11 (12%) das respostas avaliam muito bom o atendimento. 22 (24) das respostas classificam bom o atendimento. 19 (21%) das respostas consideram normal o atendimento. 17 (19%) das respostas qualificam mau o atendimento. 12 (13%) das respostas consideram muito mau o atendimento. 9 (10%) das respostas referem não usar e não ter experiência dos serviços da maternidade, conforme o gráfico em baixo:

Gráfico № 03 Classificação de atendimento pelos utentes Não sabe 9 (10%) Muito mau 12
Gráfico № 03
Classificação de atendimento pelos utentes
Não sabe
9 (10%)
Muito mau
12 (13%)
Mau
17 (19%)
Normal
19 (21%)
Boa
22 (24%)
Muito boa
11 (12%)

Já na parte dos 10 profissionais do sector da Saúde entrevistados sobre o atendimento na maternidade local, responderam da seguinte maneira:

2 (20%) Consideram muito bom o atendimento. 8 (80%) Classificam bom o atendimento

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Gráfico № 04 Classificação de atendimento pelos professionais da saúde Muito boa 2 (20%) boa
Gráfico № 04
Classificação de atendimento pelos
professionais da saúde
Muito boa
2 (20%)
boa
8 (80%)

Quando questionados os utentes sobre as razões da sua satisfação (muito bom, boa, normal o atendimento) justificaram da seguinte maneira:

Os profissionais são rápidos e atendem os pacientes de boa maneira; Há humanização e consideração no atendimento; Não houve complicações quando estavam dar parto; Não há descriminação por parte dos profissionais.

No outro lado alguns utentes justificam que o atendimento na maternidade é mau e muito mau por seguintes razões:

Atraso no atendimento; Há cobranças ilícitas em troca de serviços; Há descriminação por parte de alguns profissionais e oferecem mais prioridade aos mais conhecidos no atendimento; Algumas parteiras insultam e batem nos pacientes.

No que se refere à pergunta número 4 do inquérito: “ Quanto tempo que leva para ser atendida?

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35 (39%)das respostas anotam que são atendidas em menos de 1 hora 29(32%) das respostas apontam que são atendidas entre 1 a 2 horas . 12 (13%) das respostas declaram que são atendidas em mais de 3 horas. 5 (6%) Dos entrevistados dizem que são atendidos em mais de 5 horas. 9 (10%) Pessoas dizem não saber do tempo de espera na maternidade .

Gráfico № 05 – Tempo de espera para ser atendida. 40 35 0 35 (39%)
Gráfico № 05 – Tempo de espera para ser atendida.
40
35
0 35 (39%)
30
0 29 (32%)
25
20
15
12 (13%)
0
9 (10%)
10
0
5 (6%)
5
0
0
Menos de 1 hora
Entre 1 a 2 horas
Mais de 3 horas
Mais de 5 horas
Nao sabe nada

Por seu lado, 10 (100%) dos profissionais de saúde entrevistados em Sussundenga apontam que o tempo de espera para ser atendida é menos de 1 hora.

Em relação a pergunta número 6 deste inquérito: Foi preciso pagar algum valor para ser atendida? Das respostas recolhidas conclui-se que:

37 (41%) das respostas afirmam já ter sido cobrados valores monetários

entre 100,00 a 300,00 Mt iniciados pelas Parteiras e Serventes. 53 (59%) dos entrevistados dizem que ainda não foram cobrados os valores monetários em troca de serviços na maternidade local.

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O inquérito apurou q ue nestes 41% das respostas que afirma m ter cobrados as vitimas foram cobradas 66 vezes, destes 54 co metidos pelas parteiras e 12 p pelo serventes.

Contrariamente ao que diz em os utentes, os10 (100) profissionais r esponderam

que em nenhum momento o utente deve pagar, porque o serviço maternidade é gratuito.

na

Gráfico 06 – Cobranças ilícitas

Foi preciso pagar algum valor para ser atendida? 5 3 (59%) 37 (41%) SIM N
Foi preciso pagar algum valor para ser
atendida?
5 3 (59%)
37 (41%)
SIM
N
ÃO

Em resposta a pergunta: Acha que é correcto pagar desta form a?

81 (90%) dizem qu e não é correcto pagar os serviços públ icos.

9 (10) são aqueles

que disseram que ainda não utilizaram

os serviços

da maternidade lo cal. Nesta pergunta ni nguém disse que os utentes devem pag ar aos profissionais em tro ca de serviços.

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Gráfico № 07– É correcto pagar o serviço público prestado? Acha que é correcto pagar
Gráfico № 07– É correcto pagar o serviço público prestado?
Acha que é correcto pagar desta forma?
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
SIM
NÃO
NÃO RESPOND.

Em relação a pergunta: Alguma vez já queixou sobre os serviços da maternidade? Os inqueridos responderam da seguinte maneira:

Tabela 04

Respostas

Já meteram

Onde submeteu a queixa

Qual foi a resposta

queixa

   

a) Comité de gestão de saúde local;

a) Prometeram a resolver o problema

11

(12%)

SIM

b) A Sra. Directora da Saúde;

c) No comando da PRM;

 

b) Prometeram investigar

d) Na Rádio Comunitária de Sussundenga;

e)

Ao médico chefe

Porquê nunca submeteu uma queixa?

 
   

a) Não saber onde queixar.

 

70

(78%)

NÃO

b) Não há razão de queixa devido o bom atendimento.

 

c) Por ter medo de perseguição .

d) Por medo de não ser atendido nas próximas vezes.

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e) Por medo de perder o bebé.

9(10%)

Não responderam

 

De que maneira você acha que pode queixar-se?

a) Via denúncia através de caixas de reclamação.

b) Via órgão de comunicação social.

c) Via realização de peças teatrais.

 

d) Via linha verde.

Nesta questão, também os 10 profissionais entrevistados apelaram o uso de caixas

de reclamação, linha verde e via órgãos de comunicação social.

Aonde você acha que pode se queixar?

 

Os inquiridos indicaram os seguintes instituições:

a) 41 (46%) Respostas indicaram o Gabinete da Sra. Directora de Saúde / Sra. Administradora do Distrito de Sussundenga

b) 5 (6%) Das respostas são a favor do líder Comunitário.

c) 1 (1%) Indicou o gabinete da Procuradoria Distrital do Ministério Público.

d) 1 (1%)

No IPAJ.

 

e) 7 (8%) À favor do Comando da PRM – Gabinete de Atendimento.

f) 5 (6%) Na Rádio Comunitária Local.

g) 30 (33%) Sem opção. Também os profissionais de saúde apelaram para deixar queixa nos dirigentes superiores daquele sector.

Também o inquérito procurou saber do Procurador Distrital – Remigy Domingos Guiamba, do Ministério Público em Sussundenga, se o mesmo tem ou não conhecimento de casos de corrupção no sector de Saúde local. O magistrado confirmou haver problemas sérios de subornos por parte dos utentes e cobranças ilícitas por alguns profissionais. A nossa fonte disse ainda que já recebeu queixas sobre corrupção na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga, mas as mesmas denúncias não foram feitas pelas vítimas. Segundo o procurador distrital as vítimas têm medo de queixar e pensam que não vão ser bem atendidos nas próximas vezes. Neste sentido, o magistrado avançou que já chamou atenção os supostos actores e o seu sector está criar núcleos de combate à corrupção ao nível do Município e dos Postos Administrativos locais. Por fim, o magistrado louvou a iniciativa da Associação Sucesso em colaborar com os grupos comunitários e o Governo local no combate à corrupção.

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CONCLUSÕES

Contudo, de acordo com os dados colhidos no Município de Sussundenga ao longo deste inquérito ficamos a saber que no Distrito de Sussundenga há actos de corrupção na maternidade do Centro de Saúde local. As entrevistas declaram ainda que os actores deste crime são algumas parteiras, serventes e os próprios utentes que colocam sozinho dinheiro nas fichas pré-natais com a expectativa de receber um bom atendimento. O inquérito apurou ainda que em Sussundenga existe uma percepção generalizada de que pagar valores monetários ao funcionário resulta em um bom tratamento. Nota – se que nem sempre e nem são todos os profissionais de saúde exigem dinheiro aos seus pacientes. Nota – se, igualmente que os cidadãos têm falta de conhecimentos dos seus direitos e deveres, por exemplo, no acesso aos serviços públicos. De facto eles consideram corrupção como acto normal.

“ Mesmo o funcionário negar as ofertas dos pacientes, há outros pacientes que lançam dinheiro na mesa deste” confirmou o magistrado do Ministério Público naquele Distrito.

De igual modo, há outros funcionários de sector da saúde local que consideram pagamentos como ofertas normais feitas pelos pacientes satisfeitos com serviço prestado.

RECOMENDAÇÕES

Face a este problema de corrupção activa e passiva na maternidade do Centro de Saúde de Sussundenga o Sucesso recomenda as seguintes acções:

Capacitar os actores locais para monitorar os serviços de saúde . Sensibilizar os cidadãos sobre os seus direitos e deveres no acesso aos serviços saúde; Realizar palestras semanalmente nos bairros contra corrupção em colaboração com a equipa da Procuradoria Distrital entre outros actores interessados na área; Realizar debates públicos e linhas abertas na rádio local sobre combate à corrupção;

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Produzir e divulgar em língua local os direitos do utente, spots, mensagem chaves e alguns apelos de combate a corrupção na rádio Comunitária de Sussundenga, Reforçar a iniciativa da Direcção do Centro de Saúde em colocar nas paredes ou nos locais do crime, mais avisos ou postais com desenhos contra corrupção para permitir o acesso a informação para todos; Realizar peças teatrais em línguas locais contra corrupção nos espaços públicos e gravação das mesmas para partilhar nas redes sociais e nas barracas locais de vídeos; Realizar o inquérito trimestralmente para medir a situação do problema; Realizar conferências de imprensa e divulgar nas midias, redes sociais todos casos de corrupção no sector de saúde. Partilhar os actos de corrupção com o Gabinete de Combate a Corrupção, Direcção Provincial de Saúde, Procurador Distrital, Governo Distrital, Serviço Distrital de Saúde de Sussundenga, Fundação MASC entre outros parceiros.

LISTA DE ENTREVISTADOS

Neste inquérito foram entrevistados um total de 100 pessoas, e o magistrado do ministério público em Sussundenga a saber:

Inquiridos

Quantidade

Camponeses

32

Funcionários Públicos

8

Trabalhadores por conta própria

28

Trabalhadores por sector privado

2

Estudantes

7

Outras ocupações

13

Serventes da maternidade de Sussundenga

3

Parteiras

4

Enfermeiros

1

Médico

2

Procurador Distrital do Ministério Público

1

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BIBLIOGRAFIA

Ministério de Saúde -Plano Estratégico do Sector da Saúde PESS 2014 – 2019

Centro de Integridade Pública – A corrupção no sector da saúde em Moçambique, documento 04 por Marcelo Mosse e Edson Cortez

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Inquérito sobre a corrupção no sector de saúde em Sussundenga Com apoio da Fundação MASC

Inquérito sobre a corrupção no sector de saúde em Sussundenga

Com apoio da Fundação MASC

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