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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA PÁGINA 1

FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – FDUFBA


CONTEÚDO DO CADERNO DE METODOLOGIA DA PESQUISA JURÍDICA – 2009.2

Assuntos de Metodologia da Pesquisa Jurídica

- Obra recomendada para estudo: (Re)pensando a pesquisa jurídica, Miracy B. S. Gustin e


Maria Teresa Fonseca Dias, 2. ed. Editora Del Rey.

- A lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional – LDB (Lei nº. 9.343/96), alicerçada nos
fundamentos do ensino universitário, quais sejam, o da indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão, prevê que a educação superior tem como finalidades “[...] estimular a
criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo” e, ainda,
“[...] incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da
ciência” (art. 43, incisos I e III) (BRASIL, 1996);
- Cabe ao cientista do Direito, um papel de reflexão sobre o objeto de suas investigações, no
sentido de transformar e redefinir o papel do Direito na sociedade;
- Ciência, consciência da realidade e racionalidade crítica são hoje indispensáveis para todos
aqueles que desejam se dedicar à produção do conhecimento;
- A metodologia científica deve envolver desde as abordagens teóricas que vêm sendo
utilizadas nos trabalhos científicos – o que exigiria retorno histórico às variadas dimensões
epistemológicas sobre a ciência e sua relação com o senso comum – até as técnicas e
procedimentos utilizados na produção do conhecimento das Ciências Sociais Aplicadas e,
dentre elas, a esfera de produção do conhecimento jurídica;
- A definição mais simples de pesquisa poderia ser formulada como a procura de respostas
para perguntas ou problemas propostos que não encontram solução imediata na literatura
especializada sobre o assunto;
- Não se pretende afirmar, no entanto, que a pesquisa científica é o único caminho para a
produção de conhecimento ou de verdades;
- As investigações no campo do Direito estarão, portanto, sempre voltadas à procura de
possibilidades emancipatórias dos grupos sociais e dos indivíduos e pelo conteúdo moral
dessa emancipação.

JUS EXEGESE
Teológico Legalismo
Autoridade Interpretação
Vontade Gramatical / Histórico / Teleológico /
Sistemático (final do Séc. XIX)
Deus Vontade do Legislador

- O espaço da autoria. Metodologia é escolha e explicação.


- COMO ELABORAR UM SEMINÁRIO:
O seminário não tem como objetivo: demonstrar à professora que leu o texto; apresentar à
professora, mas sim aos colegas.
As formas de elaboração são: Apresentação lógica; Mapa conceitual (escolher e destacar
conceitos importantes do texto e fazer uma justificativa); Problemática (quais foram os
problemas do autor?) (quais foram os problemas do grupo?);

DIRETRIZES PARA A REALIZAÇÃO DE UM SEMINÁRIO, METODOLOGIA DO TRABALHO


CIENTÍFICO, ANTONIO JOAQUIM SEVERINO.

- O objetivo último de um seminário é levar todos os participantes a uma reflexão aprofundada


de determinado problema, a partir de textos e em equipe;

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- O seminário deve levar todos os participantes: a um contato íntimo com o texto básico; à
compreensão da mensagem central do texto; à interpretação desse conteúdo e à discussão da
problemática presente explícita ou implicitamente no texto;
- Para facilitar a participação de todos o coordenador do seminário deve fornecer um texto-
roteiro, apostilado. Neste deve constar:
- Apresentação temática do seminário;
- Breve visão do conjunto da unidade;
- Esquema geral do texto (toma a forma de um índice dos vários tópicos abordados);
- Situação da unidade estudada no texto de onde é tirada, na obra do autor, assim como no
pensamento geral do autor e no contexto histórico cultural em que o autor estudado se
encontrava;
- Elaboração dos principais conceitos, idéias e doutrinas que tenham relevância no texto;
- Roteiro de leitura com síntese dos momentos lógicos essenciais do texto. Compõem-se
fundamentalmente da exposição sintetizada do raciocínio do autor;
- A problematização que levanta questões importantes para a discussão de idéias veiculadas
pelo texto;
- Orientação bibliográfica (acrescenta informações sobre o conteúdo dos livros). Não constam
dessa bibliografia as obras de referência geral;
- Material a ser apresentado no dia da realização do seminário: um texto com suas reflexões
pessoais sobre o tema que estudou de maneira aprofundada;
- Pode-se elaborar igualmente o que se chama aqui de texto-roteiro interpretativo, como forma
alternativa para condução do seminário;
- O responsável pelo seminário dedica-se à elaboração de um texto-roteiro no qual
desenvolveu intencionalmente uma reflexão que, quanto mais pessoal for, maior contribuição
dará ao grupo;
- Os participantes devem vir literalmente municiados de compreensão e interpretação do texto
básico ou de posições definidas acerca do problema para que possam confrontar-se com o
expositor do seminário, que será, então, questionado pelo grupo;
- Geralmente nos simpósios que adotam este esquema de seminário, mas partem tão-somente
de problemas e não de textos, ocorre uma variação nesta questão de distribuição de roteiro;
- Há também um outro tipo de roteiro para se conduzir o seminário: Trata-se da criação, por
parte do coordenador, de questões formadas num contexto de problematização em que é posta
uma dificuldade que exigirá pesquisa e reflexão para que as mesmas sejam corretamente
respondidas e debatidas;
- O seminário não se reduz a uma aula expositiva apresentada por um colega e comentada
pelo professor – é um círculo de debates para o qual todos devem estar suficientemente
equipados;

- A ideia de método surge com a modernidade com a necessidade de um método que leve à
verdade. Assim, a verdade se desvincula da autoridade (o discurso da verdade, o fundamento,
independe de quem e sim do método);
- Para o Direito a validade de uma norma independe da autoridade e depende, isso sim, da
verdade;
- No Direito não se busca uma verdade ontológica (fruto do ser, da transcendência) e sim uma
verdade metodológica (âmbito do dever ser, anteriormente era o âmbito do ser);
- Método da Lógica Formal;
- Os cientistas se distanciam do senso comum das autoridades, dos valores que estas pregam;
- O raciocínio metodológico exige um raciocínio lógico (tudo o que for dito deve voltar o
contrário);

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- Ao fim do século XVIII, houve a necessidade de que a sociedade também fosse crivo da
ciência, entretanto não havia ciência social;
- Discussão acerca dos métodos que buscam a neutralidade;
- O Direito positivo surge junto com o Estado Moderno, enquanto as autoridades e legisladores
determinam as leis (os valores);
- Vale, então, a vontade do legislador – Método – Interpretação Gramatical;
- Para Hans Kelsen não se deve contar com a vontade do legislador, porque esse sistema
democrático é plural e a vontade do legislador é uma;
- Busca do estabelecimento do método – exatidão;
- O método tem como objetivo principal o controle do discurso, dos valores, do campo
ideológico;
- Discursibilidade – Demarcação científica;
- Se dizia que a verdade era filha do método. Entretanto, isto não é válido pois se pode
estabelecer outros métodos, chegando-se a uma conclusão possível, levando à crise do
sistema metodológico ao positivismo metodológico;
- O cientista não pode deixar lacunas no caminho (este é o objetivo do método). A ciência
sonha prever o que irá acontecer;
- Crítica atual: Não existe o caminho, é uma criação do cientista;
- Método – Prever regularidades para se evitar certos acontecimentos. O futuro vai repetir o
passado – não é uma verdade, só um pressuposto lógico que vem se mostrando não válido;
- Trabalhar incluindo o Direito às Ciências Sociais Aplicadas;
- Se no Brasil não se ligar o Direito Social às ciências sociais aplicadas, o Direito será somente
baseado no discurso moral (cristão), o que se objetiva não fazer, ele não pode só ser
subdiscurso de uma filosofia. O objetivo é que o Direito seja uma ciência, um discurso
discutível, que não se tenha uma postura dogmática;
- O conhecimento vem “de dentro para fora”.

- Pesquisa em Direito;
- Concepção tradicional de pesquisa:
a) Critérios lógico-formais: Dogmáticos, Quantitativos e Estatísticos;
b) Unidisciplinaridade;
c) Método Dedutivo-Demonstrativo;

- O Direito é uma ciência aplicada;


- O Direito é um campo de “auto-suficiência” metodológica;
- Positivismo legalista;
- Positivismo normativista;
- Cientista – descreve; Aplicador – prescreve;
- Discutibilidade e Intersubjetividade;
- A Ciência trabalha com hipóteses e tenta comprová-las. Contudo o mais difícil não é
comprovar uma hipótese, mas refutá-la;
- Karl Popper – Neopositivismo;

- Discussão: A crise na Universidade, por Boaventura de Sousa Santos;


- Pesquisa na Universidade – falta de valorização;
- Critérios que Boaventura usa para qualificar uma instituição de ensino com o termo
“Universidade”;
- A dialética da pesquisa da crise na Universidade;

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Estado do Bem-Estar
Social

Neoliberalismo

Questão Econômica Questão Cultural Redefinição das


Prioridades de
Pesquisa

Descapitalização Hipertrofia do Universidade –


da Universidade Ensino “Centro de
Pública Excelência”.

Desestímulo da Desvalorização da
Pesquisa Pesquisa

- “A pesquisa é parte fundamental do desenvolvimento científico em qualquer área do


conhecimento humano. [...] permite um maior aprofundamento em determinado assunto, bem
como um maior acesso a informações atualizadas e novos entendimentos sobre o mesmo.
Outrossim, estas atividades despertam o gosto pela investigação científica”; Alexandre Leal,
estudante de Medicina (UFBA);
- “Pessoalmente falando, [a pesquisa] fez com que, sem dúvida, eu passasse a enxergar os
fenômenos de outra forma, por outro viés, além de me fazer perceber que ainda há muito a ser
pesquisado, muito que ser estudado”; Clara Dominguez, estudante de Psicologia (UFBA);

CONTEXTO SOCIAL E PESQUISA


- Positivismo Jurídico;
- Relevância Social;
- A Política na Era da Indeterminação;
- Ditadura Militar (aspectos políticos e sócio-econômicos);
- Pós-ditadura (Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula);
- Importação de pesquisas alheias;
- Falta de infra-estrutura no Brasil;
- Indeterminação: por quê?
- Pluralidade de interesses e diálogos ideológicos num só corpo político;
- Dica de obra: “Como fazer uma tese”, de Humberto Eco;

O MEDO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, de Vera Batista


- Vera Batista, a autora;
- O contexto social e temporal da obra;

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- Levantamento do problema: Exposição das questões mais relevantes;


- A exacerbação da ameaça;
- Medo como arma de dominação e mortificador da segurança;
- O medo no contexto atual;
- Os fatores do medo contemporâneo;
- Reflexos na educação, básica e superior;
- O medo e a metodologia;
- As interferências direta ou indireta;
- O papel da pesquisa;
- O que já foi feito;
- Considerações finais.

DICAS DE OBRAS – PROFESSOR RÁTIS, DIREITO CONSTITUCIONAL:

- Código da Vida – Saulo Ramos;


- Mauá: Empresário do Brasil – Jorge Caldeira;
- 1808 – Laurentino Gomes;
- Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez;
- Revolução dos Bichos – George Orwell;
- Uma gota de sangue – Demétrio Magnoli.

ARGUMENTO DE AUTORIDADE E NEUTRALIDADE NA PESQUISA CIENTÍFICA

- Discursos de autoridade, em livros;


- Teoria dos livros e pesquisa da prática jurídica;
- Onde há muita verdade há mais autoridade do que ciência;
- A ciência, sem erro, se torna um simples dogma;
- Ciência utilizada diversas vezes para fins abusivos;
- Os estudantes de Direito, ao invés de criar conceitos para idealizar melhorias sociais, passam
a maior parte do tempo reproduzindo conceitos já formulados, sob o argumento de autoridade.

DA CIÊNCIA MODERNA AO SENSO COMUM

RETÓRICA

ARGUMENTOS

PREMISSAS AUDITÓRIO (Auditório relevante é o


conjunto de espíritos a serem
influenciados, ele pode ser específico,
individual ou, segundo Perelman,
universal.

FATOS E VERDADES TOPOI (Pontos de vista amplamente


aceitos com conteúdo inacabado)

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- Emancipação e Regulação;
- Comunidade / Estado / Mercado;
- Intervenção e Conseqüências da Intervenção;
- Intervenção e Pretensão;
- Conhecimento Prudente para uma vida decente.

- O positivismo jurídico de Bobbio;


- Leitura do Capítulo VIII obra de Hans Kelsen – “Teoria Pura do Direito”;
- A pesquisa deve ser autêntica, não somente copiando;
- Idéias de Chaïm Perelman sobre pesquisa;
- Idéias de Hans Kelsen sobre pesquisa;
- Hierarquia e forma (moldura), raciocínio lógico-formal, idéias de Hans Kelsen;
- A dialética, prisma de análise de Perelman;
- Eficácia da norma – Jurisprudência;
- Interpretação (teoria) ou normatização (lógica); interdisciplinariedade.

PESQUISA EM QUE DIREITO?


- As 5 balisas da “Nair” (Nova Escola Jurídica Brasileira) – Roberto Lyra Filho;
- O que não é a NAIR (Nova Escola Jurídica Brasileira);
- Contexto;
- Combate às cinco inversões do positivismo;
- As 5 balisas da NAIR (Nova Escola Jurídica Brasileira);

- O direito encontra-se no rol das ciências sociais aplicadas;


- Não se restringir à interpretação formal da normatividade;
- Explicar a realidade de forma compreensiva e crítica;
- Evitar juízos que não consideram a complexidade social;
- Segundo Miguel Reale os valores, que vão mudando na sociedade, incidem sobre o fato
social e produzem normas;
- Nem todos os valores – ou princípios – podem ser classificados como “bons”;
- Tentar se desfazer ao máximo dos maniqueísmos, dos preconceitos;
- Como enfrentar problemas novos em uma racionalidade antiga?
- Buscar referências bibliográficas que discutam as conseqüências e as causas;
- Insuficiência da formação profissional de um jurista somente focalizado nas normas para
tomar decisões tão vastas e singulares na realidade atual;
- Organização Social:
- Estado Liberal (garantia) – Providência (promoção). Democrático de Direito;
- Complexidade crescente;
- Explosão da litigiosidade (crise da administração da justiça);
- “O Brasil seria um Estado desenvolvimentista”;
- Não vivemos num estado do bem-estar social;
- Estado do Bem-estar social – Conceito;
- Social Democracia;
- Socialismo revolucionário;
- Exercício de Direitos – Direitos de Democracia, Direitos de Exercício;
- Sociologia da Justiça;
- Tipos de Racionalidade, por Boaventura de Sousa Santos;
- Superar a passividade científica;

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- Indignação, desconforto, inconformismo;


- Fundar a Ciência em Concepção Crítica;
- Não se satisfazer com as fronteiras da ciência;
- Não aceita somente a racionalidade técnico-instrumental;
- (Re) pensamento da pesquisa jurídica (novos fundamentos epistemológicos);
- EM LUGAR OU ALÉM:
DA ETERNIDADE – A história;
DO DETERMINISMO – A imprevisibilidade;
DO MECANICISMO – A Espontaneidade; a auto-organização.
DA ORDEM – A desordem;
DA NECESSIDADE – A criatividade; o acidente.
(Ilya Prigogine)

CONJUNTO DE TESES DA ATUALIDADE CIENTÍFICA

1- Todo conhecimento científico-natural é científico-social;


- Ultrapassa a dicotomia “ciências naturais X ciências sociais”;
2 – Todo conhecimento é local e total;
- Sendo total não é determinístico, sendo local não é descritivista;
3 – Todo conhecimento é auto-conhecimento;
- O conhecimento científico pressupõe um sistema de referências;
4 – Todo conhecimento científico visa tornar-se em senso comum.

“A INTERPRETAÇÃO”, CAPÍTULO VIII DA OBRA “TEORIA PURA DO DIREITO”, DE HANS


KELSEN; e “A TEORIA PURA DO DIREITO E A ARGUMENTAÇÃO”, DE CHAÏM PERELMAN

- Kelsen se posiciona a favor do isolamento do Direito e esse posicionamento culminou na sua


teoria pura do Direito;
- A teoria de Perelman insere-se em um contexto de gênese de correntes acerca da razão
prática, como a argumentação e a hermenêutica crítica, com a tentativa de superação do
positivismo. [...] Na Nova Retórica há o predomínio da razão nos processos argumentativos;
estes não se limitam mais à persuasão de outrem, abrangendo outras áreas, como o Direito.
[...] O eixo fundamental da sua preocupação atinge o raciocínio jurídico. [...] Perelman inovou
com suas contribuições, em matéria jurídica, acerca da lógica, da ética e do Direito. [...] O autor
se esforça para definir as bases de uma lógica jurídica específica, procurando identificar a não
redução do raciocínio jurídico, principalmente o judicial, ao raciocínio dedutivo. [...] O
pensamento de Peralman volta-se mais para a prática do Direito do que para a sua estrutura
formal. [...] A argumentação possui um papel mais considerável na prática jurídica. [...] A
argumentação seria uma maneira de gerar convencimento e produzir uma persuasão nos
meios jurídicos, e seria através do discurso que se atingiria a consciência do juiz;
- Perelman aponta que Kelsen negligencia o papel da Interpretação;
- Para Chaïm Perelman a pesquisa tem como função fundamental a argumentação.

SANTOS, Boaventura de Sousa. PARA UM NOVO SENSO COMUM: A CIÊNCIA, O DIREITO


E A POLÍTICA NA TRANSIÇÃO PARADIGMÁTICA. 5. ED. SÃO PAULO: EDITORA CORTEZ,
2005.

- O texto de Boaventura propõe analisar a epistemologia dominante com a intenção de abrir


caminho à nova forma de fazer ciência – mais atenta às humanidades e ao senso comum;

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- Problema essencial do modelo dominante: o descompasso entre o produzir e a previsão dos


efeitos das intervenções humanas;
- As ciências sociais só alcançaram definitivamente o status científico no início do século XIX,
quando o modelo de racionalidade das ciências naturais foi estendido às sociais;
- No conhecimento-regulação o estado de ignorância (caos) progride para um estado de saber
(ordem); já no conhecimento-emancipação o estado de ignorância (colonialismo) progride para
o estado de saber (solidariedade); O novo paradigma almeja revalorizar o conhecimento-
emancipação;
- “A ciência moderna é ocidental, capitalista e sexista;
- É preciso, no novo paradigma, falar várias línguas, conhecer diferentes culturas, a ciência
pós-moderna não é pragmática nem dogmática, ela representa a desdogmatização da ciência;
- Retórica – Argumentos – Premissas (Fatos e Verdades; Topoi) e Auditório;
- Dois tipos de adesão almejadas pela argumentação: persuasão e convencimento;
- A primeira ruptura epistemológica – a distinção entre ciências e senso comum que se dividiria
em conhecimento verdadeiro e senso comum;
- O autor propõe a transformação do conhecimento científico em um novo senso comum
conservador, mistificador e mistificado.

DIREITO E PESQUISA – “PESQUISA EM QUE DIREITO?”

- NAIR (Nova Escola Jurídica Brasileira);


- Apresentação do Grupo de Pesquisa criado por Roberto Lyra Filho, vulgo “NAIR” (Nova
Escola Jurídica Brasileira), que tem como grande objetivo a reinvenção do Direito como objeto
de pesquisa e a quebra de velhos paradigmas reinantes no Direito da época;
- O professor faz um discurso que, dentro do ideal socialista, tenta retomar o debate em torno
da pesquisa e do Direito enquanto fator de mudança da sociedade;
- O que a NAIR (Nova Escola Jurídica Brasileira) não é: sistema de dogmas; uma revolução
copernicana; uma simples adaptação ao modelo; um partido político; um conjunto de
intelectuais narcisistas ou um grupo de gabinete;
- O pensamento da NAIR (Nova Escola Jurídica Brasileira) se baseia nas idéias de Hegel,
Marx, Habermas e Gadamer. Contudo eles não são meros reprodutores de idéias, mas servem
de ponto de partida;
- A Nova Escola Jurídica Brasileira detém abertura ideológica e pode fundar-se em preceitos
como o humanismo, o socialismo democrático, a dialética e o movimento anti-imperialismo;
- O autor insere a possibilidade de o socialismo ser na verdade uma globalização da
democracia;
- Distorção da corrente jusfilosófica positivista: Não tomamos a norma pelo Direito; Não
definimos a norma pela sanção; não reconhecemos apenas ao Estado o poder de normatizar e
sancionar; não nos curvamos ante o fetichismo do chamado Direito positivo, seja ele
costumeiro ou legal; não fazemos do Direito um elenco de restrições à liberdade;
- AS 5 BALISAS DA NOVA ESCOLA JURÍDICA BRASILEIRA:
- 1ª – A primeira proposição procura afirmar o Direito como um processo histórico-social, o qual
evolui a partir do convívio dos indivíduos;
- 2ª – A segunda proposição consiste em determinar ao Direito um critério objetivo, afirmando
que a justiça histórica e concreta se determina através de um processo gradual de
estabelecimento de porções crescentes de liberdade conscientizada;
- 3ª – A terceira proposição busca fundamentar a legitimidade das normas baseando-se no seu
vetor histórico;
- 4ª – A quarta proposição atenta para a existência de limites do processo de libertação;

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- 5ª – A quinta proposição procura esclarecer que a positivação dialética do Direito consiste em


um processo de transformação continuada;
- A Nova Escola Jurídica Brasileira tem como missão filosófica e política básica restituir a
dignidade política ao Direito, dentro de uma visão dialética do mundo. Além disso, visa instituir
uma nova dignidade jurídica da política.

- Apresentação de vídeo com entrevista a Pedro Demo;


- Ditadura do Método – Edgar Morin;
- Pedagogia do Oprimido – Paulo Freire;
- Conhecimento como uma dinâmica do Poder;
- “Toda crítica só é crítica se for antes auto-crítica”;
- Aparências empíricas não traduzem a verdade;
- “Verdade é uma pretensão da realidade” – Habermas;
- A realidade é dinâmica;
- Dialética da Natureza – Engels;
- Interesse – níveis específicos da realidade.

OPÇÃO METODOLÓGICA

1 – Linhas metodológicas
- Tecnologia Social;
- Sentido jurisprudencial;
- Crítico Metodológico.
2 – Vertentes
- Dogmático-jurídico (Estado/Direito) Campo Empírico, Decisões Judiciais;
- Sociológico-jurídico (Direito/Sociedade);
- Jurídico-teórico.
3 – Tipos de pesquisa em Direito
- Histórico-jurídica;
- Jurídica Exploratória (não precisa necessariamente de hipótese);
- Jurídico Comparativa (pode comparar com o próprio ou com outros países);
- Jurídico Descritiva;
- Projetiva;
- Propositiva.
Modelos
- Analítico;
- Hermenêutico;
- Argumentativo;
- Empírico.
Tipos de Pesquisa
1 – Básica;
2 – Aplicada;
3 – Intervenção.
Técnicas e Procedimentos de Pesquisa:
PESQUISA TEÓRICA – Fonte indireta; campo empírico; dados secundários;
PESQUISA DE CAMPO – Fonte direta; campo empírico; dados primários.