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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – FDUFBA
CONTEÚDO DO CADERNO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I – 2009.1

Assuntos de Introdução ao Estudo do Direito I

LIVROS RECOMENDADOS PARA A DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I


- Lições preliminares de Direito, Editora Saraiva, Autor: Miguel Reale;
- Curso de Introdução ao Estudo do Direito; Editora Noeses, Autor: Professor Rubem Nogueira;
- Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, Editora Saraiva, Autores: Maria Helena Diniz e
Antônio Luís Machado Neto;
- Introdução ao Estudo do Direito, Editora Atlas, Autor: Tércio Sampaio Ferraz Jr;
- Curso de Introdução ao Estudo do Direito, Editora Juspodium. Autor: Ricardo Maurício Freire
Soares;
- Direito, justiça e princípios constitucionais, Editora Juspodium. Autor: Ricardo Maurício Freire
Soares;
- A Nova Interpretação do Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, Editora Saraiva. Autor:
Ricardo Maurício Freire Soares;
- Devido Processo Legal: uma visão pós-moderna. Editora Juspodium.
- O caso dos exploradores de caverna, Edição de Sérgio Antônio Fobres. Autor: Lon Füller, da
Harvard Law;
- O que é Direito? Editora Brasiliense, Coletânea Primeiros Passos. Autor: Roberto Lyra Filho;
- Para Entender Kelsen, Editora Saraiva. Autor: Fábio Ulhôa Coelho.

ACEPÇÕES DA PALAVRA DIREITO

SUBJETIVA – Enquanto faculdade ou prerrogativa, reconhecida pela lei às pessoas em


suas relações recíprocas;
OBJETIVA – Enquanto conjunto de normas éticas que organizam o Estado e a
sociedade;
NATURAL – Enquanto realização de uma idéia universal;
CIENTÍFICA – Enquanto forma de concepção do fenômeno jurídico.

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

PROPEDÊUTICA – Tudo aquilo que serve de Introdução ao Estudo de uma ciência;


ENCICLOPÉDICA – Visão multidisciplinar do Direito;
EPISTEMOLÓGICA – Estudo crítico da ciência. Problematiza os conceitos;
ZETÉTICA – Perquirir, investigar (atenção: Zetética ≠ Dogmática). Sendo que a
dogmática não é característica da Introdução ao Estudo do Direito.
Direito seria um conjunto de regras necessárias à convivência em sociedade, buscando um
convívio harmônico e pacífico;
Direito é um aparato de idéias, devidamente conservadas em textos jurídicos, que servem para
conduzir a sociedade humana com harmonia, senso de justiça fraterna e responsabilidade
mútua entre seus membros;
Recomendação: Ler e inter-relacionar o Direito com outras ciências. As demais disciplinas
circulam o Direito, no mesmo tempo em que se inter-relacionam.
DIREITO – Sistema de normas de conduta imposto por um conjunto de instituições para
regular as relações sociais. Se relaciona com outras ciências, como Sociologia, Filosofia,
Economia e Política.

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TEORIA DA NORMA JURÍDICA

SOCIEDADE SUB-HUMANA – Formada por animais que apresentam um padrão social


diferente da sociedade humana. São regidas pelo determinismo biológico porque o
comportamento é pré-determinado por suas características biológicas. Não necessitam,
inclusive, da organização de um sistema de normas sociais. Ex.: sociedade das abelhas,
das formigas, dos cupins;
SOCIEDADE HUMANA – Composta por indivíduos da espécie homo sapiens sapiens.
Inexistência do determinismo biológico. O ser humano é essencialmente livre, sendo que
a todo instante ele pode comportar-se de modo novo e imprevisível. A necessidade de
organização e harmonia justifica a criação de normas. Toda e qualquer sociedade
necessita dos padrões de comportamento das normas sociais.
A lógica normativa é a lógica do “dever ser” que difere da lógica “do ser”. Em termos do
“dever ser”, o Brasil tem um dos Direitos mais avançados do globo terrestre. Mas, no
nível “do ser” não é tão bom.

TIPOS DE NORMAS

NORMAS TÉCNICAS – São aquelas normas sociais que regulam de forma neutra o
comportamento humano, buscando otimizar a realização de determinado resultado.
NORMAS ÉTICAS – São aquelas normas sociais que procuram tutelar a dignidade da pessoa
humana, priorizando a busca de meios socialmente legítimos para a realização de
determinadas finalidades. Muitas vezes normas técnicas e éticas entram em conflito.
NORMAS DE ETIQUETA SOCIAL OU DE CORTESIA OU FOLKSWAIS – São aquelas
que disciplinam certos hábitos de educação e polidez no trato com as pessoas e as
coisas. A sua inobservância não fere a estrutura social. O descumprimento configura
uma descortesia, que é punida através de uma sanção difusam, pois ela é aplicada pelo
conjunto da opinião pública (todos os agentes sociais) sem que esteja pré-determinada
pelo sistema social;
NORMAS MORAIS – São aquelas normas ética que regulam aquelas padrões de
comportamento e valores mais relevantes para a vida social. É mais relevante do que a
descortesia quando não-observada. A sanção moral apresenta também natureza difusa,
revelando-se mais contundente que a sanção oriunda da descortesia;
NORMAS JURÍDICAS – São aquelas de maior relevância para a vida social, visto que
tutelam o chamado “mínimo ético”, aquele padrão de valores e condutas que são
indispensáveis para a vida social. Seu descumprimento configura uma ilicitude, punida
através de sanções idealizadas.

ATRIBUTOS DA NORMA JURÍDICA

- Hans Kelsen propôs a hierarquia das normas jurídicas:

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CONSTI
TUIÇÃO

LEGISLAÇÃO

ATOS ADMINISTRATIVOS

CONTRATOS / TESTAMENTOS /
DECISÕES JUDICIAIS

VALIDADE – É a quelidade que diz respeito à pertinência da norma jurídica para o


ordenamento jurídico, seja para requisitos formais seja para requisitos materiais.

VALIDADE

MATERIAL FORMAL

COMPETÊNCIA PROCEDIMENTO

o VALIDADE MATERIAL – Quando há compatibilidade da norma jurídica inferior


com o conteúdo da norma jurídica superior.
o VALIDADE FORMAL – O atributo da norma guarda pertinência com a
competência (quem produz a norma).
 COMPETÊNCIA – É a habilitação para produzir a norma inferior.
 PROCEDIMENTOS – É o conjunto de ritos que devem ser observados
para a produção de uma lei (Artigos 59 a 69 da Constituição Federal de
1988);.
VIGÊNCIA – Se refere à questão temporal da norma. Diz-se que a norma tem “vigência”
no momento em que ela entra em vigor até quando ela é revogada ou acaba seu prazo
de duração.
o VIGÊNCIA DETERMINADA – O próprio termo da lei já determina e especifica o
prazo de duração da lei.
o VIGÊNCIA INDETERMINADA – Só deixa de valer se for revogada.
o Vigência ≠ Incidência.
o Vigência ≠ Vigor.

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EFICÁCIA – É a possibilidade concreta de produção do efeito jurídico, seja porque a


norma jurídica não depende de outra norma jurídica (aplicabilidade) seja porque seus
efeitos se produzem no campo da realidade social (efetividade).
LEGITIMIDADE – É o atributo normativo que designa a compatibilidade vertical da
norma jurídica com o valor social do justo. Sendo assim, norma jurídica legítima é
aquela considerada justa pelos agentes sociais.
INCIDÊNCIA – O nexo entre a data da publicação e o início da vigência da lei.
o INCIDÊNCIA MEDIATA – Há um espaço entre a data da publicação e o início da
vigência da lei. Por exemplo, o Novo Código Civil.
o INCIDÊNCIA IMEDIATA – A incidência ocorre logo após a publicação. Ex.:
Constituição de 1989.
o Quando a lei não expressar o período de vacatio legis, este será de 45 dias. Se
for de vigência no exterior, será de 3 meses o vacatio legis.
VIGOR – Diz-se que a norma tem vigor enquanto a força impositiva vigora. Se após
certo tempo uma lei mudar e um fato ter ocorrido naquele tempo em que ele ainda
vigorava, esse fato será julgado com base naquela lei anterior.
o LEI EXCEPCIONAL – É aplicada em razão de calamidade pública. Em enchentes,
por exemplo.
o LEI TEMPORÁRIA – Tem um tempo pré-estabelecido. Por exemplo, a
Regulamentação Orçamentária Anual.
o ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL (Art. 3º) – Exceção aplicada à lei do vigor da
norma. Dispõe a adequação à lei penal mais benéfica ao réu.
o Recomendações de filmes: “As duas faces de um crime”; “Náufrago”, com Tom
Hanks.
o Os comportamento sociais, em sua grande maioria, são lícitos porque a vida é um
contínuo de licitudes e um descontínuo de ilicitudes. Logo, tudo que não está
juridicamente proibido está jurdicamente permitido. Sendo assim, muitas
descortesias e imoralidades se enquadram no campo da licitude.
REVOGAÇÃO – Pode ser feita por lei de igual ou superior hierarquia (nunca de inferior).
Pode ser classificada em expressa ou tácita, e em total ou parcial.
o REVOGAÇÃO EXPRESSA – A revogação está escrita na nova lei.
o REVOGAÇÃO TÁCITA – Dá para perceber a partir da análise teleológica. É
implícita. Observa-se que a frase “Revoga-se as disposições em contrário”,
constitui exemplo de revogação tácita.
o REVOGAÇÃO TOTAL – Quando modifica plenamente o sistema normativo
anterior.
o REVOGAÇÃO PARCIAL – Quando somente alguns trechos sofrem alteração
significativa.
o Revogação ≠ Repristinação.
REPRISTINAÇÃO – É a restauração dos efeitos jurídicos de uma norma revogada pela
renovação da norma revogadora. É um dispositivo que fere a segurança jurídica.
Exemplo: A lei 1 foi revogada por uma lei 2. Contudo, a lei 2 foi, posteriormente,
revogada por uma lei 3. Assim, a lei 1 retorna com seus efeitos jurídicos.
o REPRISTINAÇÃO EXPRESSA – A repristinação está escrita na lei mais nova.
Admitida no Brasil.
o REPRISTINAÇÃO TÁCITA – Represtinação que é perceptível com uma análise
teleológica. Caso que não existe no Brasil.
QUÓRUM DE APROVAÇÃO – Número mínimo de pessoas presentes exigido por lei ou
estatuto para que uma lei seja aprovada.
o LEI ORDINÁRIA – É aprovada com a decisão da maioria simples dos presentes.

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o LEI COMPLEMENTAR – É aprovada com a decisão da maioria absoluta


(ausentes e presentes).
RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA – João, casado com Maria, pratica
adultério com Joana em 2000, quando essa ação constituía crime. Em 2009, ao ser
julgado, vigora a lei 2, na qual adultério não é crime. Assim, se aplicará a lei 2 a João,
mesmo que o “crime” ocorrera no vigor da lei 1. Isso porque a lei 2 é mais amena, mais
benéfica ao réu do que a lei 1.

DIFERENÇAS ENTRE DIREITO E MORAL

O Direito não é algo diverso da Moral, mas é uma parte desta, armada de garantias
específicas. Há um campo de ação comum a ambos, pelo mínimo ético.

DIREITO MORAL
BILATERALIDADE – As normas jurídicas UNILATERALIDADE – O dever moral se dirige
disciplinam sempre as relações inter- à consciência do indivíduo isolado, sem que
subjetivas, pois em toda e qualquer situação houvesse a possibilidade de exigir-se
jurídica pode-se visualizar um sujeito ativo institucionalmente ao cumprimento do dever
(titular de um direito subjetivo) e de outro lado moral.
um sujeito passivo (obrigado ao cumprimento
de um dever jurídico). Logo, o dever jurídico
pode ser exigido institucionalmente.
EXTERIORIDADE – A aplicação de normas INTERIORIDADE - O descumprimento das
jurídicas demanda a exteriorização do normas morais poderia convenientemente
comportamento humano no mundo concreto. ocorrer na dimensão psíquica do próprio
sujeito ético, independentemente de qualquer
conduta manifestada no plano das relações
sociais.
HETERONOMIA – As normas jurídicas, em AUTONOMIA – Preceitos morais seriam
sua maioria, são impostas por uma instituição livremente aceitos pelos sujeitos,
distinta dos indivíduos (o Estado), independentemente da imposição de um ente
independentemente da sua vontade. exterior aos indivíduos
MAIOR COERCITIVIDADE – O temor de MENOR COERCITIVIDADE - O temor de
aplicação de uma sanção emanada pelo aplicação de uma sanção difusa advinda das
direito seria maior do que o medo emanado normas morais seria menor do que o medo
das normas morais nas sociedades ocidentais emanada por uma sanção do direito nas
contemporâneas. sociedades ocidentais contemporâneas.

CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS


QUANTO AO SISTEMA
NORMAS JURÍDICAS INTERNAS – São NORMAS JURÍDICAS ESTRANGEIRAS – São
normas jurídicas produzidas no âmbito do normas jurídicas produzidas no âmbito da
ordenamento jurídico nacional. Por comunidade jurídica internacional. Por exemplo:
exemplo, a Constituição Federal de 1988. Protocol de Kyoto.

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As normas jurídicas nacionais, sustentam os


tratados internacionais através de suas
constituições, sendo que o ápice das normas
internacionais são os costumes internacionais.
QUANTO À SISTEMATIZAÇÃO LEGAL
NORMAS NORMAS CONSOLIDADAS NORMAS CODIFICADAS –
EXTRAVAGANTES – – Normas jurídicas que Normas jurídicas que empregam o
Normas jurídicas que integram uma consolidação, conceito de Código, que expressa
disciplinam um campo a qual pode ser entendida uma lei dotada de grande
específico da convivência como uma reunião sistematização lógica. Por
humana. assistemática de leis exemplo, o Código Civil e o
extravagantes e esparsas. Código Penal. O Século XIX foi a
Por exemplo a era das grandes codificações,
Consolidação das Leis tendo, por exemplo, o Código
Trabalhistas (CLT). Napoleônico de 1804. O Século
XX, contudo, marcou a era da
descodificação com o surgimento
de um número expressivo de leis
extravagantes, inclusive no Brasil,
formando as chamadas minorias
jurídicas. O Código é a obra-prima
da racionalidade jurídica.
QUANTO À RELAÇÃO COM A VONTADE DAS PARTES
NORMAS COAGENTES – Normas NORMAS DISPOSITIVAS – São aquelas normas
jurídicas que restringem a liberdade jurídicas que admitem a modulação de seus
individual, devendo ser obedecidas efeitos pela vontade dos cidadãos. Exemplo: o
independentemente da vontade dos regime legal é o regime parcial de bens, ao que
cidadãos. Por exemplo: artigo 14 da diz respeito ao casamento; mas este pode ser
Constituição Federal, que refere-se à mudado com o consentimento de ambas as
obrigação do voto. partes.
QUANTO À RELAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS ENTRE SI
PRIMÁRIAS – São aquelas normas SECUNDÁRIAS – São aquelas normas jurídicas
jurídicas que disciplinam diretamente o que disciplinam o modo de criação, interpretação
comportamento humano, proibindo ou e aplicação de outras normas jurídicas.
permitindo uma dada conduta. Por Atingem, portanto, indiretamente o
exemplo: a norma do Artigo 121 do Código comportamento humano em sociedade. Por
Penal, que estabelece que matar alguém exemplo, a lei de Introdução do Código Civil, na
constitui crime de homicídio. parte que expressa a obrigatoriedade de aplicar
as normas almejando o bem-comum. Miguel

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Reale as chama de norma de organização e


Tércio Sampaio as chama de normas
dependentes.
QUANTO À VALIDADE
QUANTO À VALIDADE ESPACIAL
NORMAS GERAIS – Normas jurídicas que NORMAS ESPECIAIS - Normas jurídicas que
são válidas na totalidade do território de um são válidas em parcelas específicas do território
estado soberano. Por exemplo, as leis de um estado soberano. Por exemplo, leis
federais, no Brasil. estaduais e leis municipais.
QUANTO À VALIDADE TEMPORAL
NORMAS DE VIGÊNCIA DETERMINADA NORMAS DE VIGÊNCIA INDETERMINADA –
– Normas jurídicas que apresentam um Normas jurídicas que não apresentam um tempo
tempo de validade pré-estabelecido. de validade pré-estabelecido.
NORMAS DE VIGÊNCIA IMEDIATA – São NORMAS DE VIGÊNCIA MEDIATA – Normas
normas jurídicas que as quais o início de jurídicas que prevêem caso de vacatio legis.
sua vigência ocorre na data de publicação.
NORMA JURÍDICA RETROATIVA – São NORMA JURÍDICA IRRETROATIVA – São
aquelas normas jurídicas que alcançam os aquelas normas jurídicas que não alcançam as
fatos ocorridos antes do início de sua situações ocorridas antes da sua vigência,
vigência. Exemplo: Retroatividade da lei respeitando-se, em nome da segurança jurídica, o
penal mais benéfica. direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada.
QUANTO À VALIDADE MATERIAL
PÚBLICO – São aquelas normas jurídicas PRIVADO – Normas jurídicas que disciplinam as
que disciplinam as relações entre o Estado relações entre particulares. Priorizam a busca da
e a sociedade, bem como a relação entre supremacia da vontade e dos interesses
os órgãos estatais, buscando realizar a individuais. Exemplo: normas contratuais, civis,
supremacia do interesse coletivo sobre os trabalhistas. Inclusive, verifica-se hoje o
interesses individuais. Por exemplo: fenômeno da publitização do Direito Privado que
normas de direito tributário, de direito passa a ser regido pelo princípio da supremacia
administrativo, de direito constitucional. do interesse coletivo.
As normas de direito público são,
literalmente, coagentes. Hoje verifica-se o
fenômeno da privatização do Direito
Público. Por exemplo, a Lei que criou o
PPP (Parceria Público Privada).
QUANTO À VALIDADE PESSOAL
NORMAS GENÉRICAS – São aquelas NORMAS INDIVIDUALIZADAS – São aquelas
normas jurídicas que se dirigem à normas jurídicas que se dirigem a destinatário
totalidade da comunidade jurídica. Por específico. Por exemplo, contrato de compra e
exemplo, as leis. venda e o contrato de trabalho.

ATO JURÍDICO PERFEITO – Qualquer negócio jurídico celebrado à luz de um sistema


jurídico anterior.
COISA JULGADA – É aquela decisão judicial que não admite mais recurso.

REGRAS JURÍDICAS – São aquelas que regem situações específicas e determinadas.


Impõem, previamente, as conseqüências advindas de sua aplicação no mundo do Direito.
Concedem segurança e previsibilidade ao Direito. As regras são aplicadas de modo quase

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mecânico e automático pelos operadores do Direito. Por exemplo: “Brasília é a capital Federal”;
“A língua portuguesa é o idioma oficial”.

PRINCÍPIOS JURÍDICOS – São aqueles que corporificam um dos mais altos fins e valores do
Direito. Desempenham os princípios jurídicos a função de poder se habilitar a tomada de
decisões mais justas. Pela sua maleabilidade e abertura semântica o princípio requer uma
atividade de concretização pelo intérprete do Direito. A aplicação destes exige a valoração e a
construção do significado mais justo da norma jurídica, à luz do caso concreto.
Embora os princípios jurídicos possam ser aplicados autonomamente num dado caso concreto,
podem também servir de vetores interpretativos para a aplicação das regras jurídicas,
propiciando a construção de opções hermenêuticas mais justas. Logo, embora não haja uma
hierarquia formal entre regras e princípios que estejam no mesmo patamar do sistema jurídico,
prode-se dizer que os princípios são superiores às regras no sentido valorativo.

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO

Pensar dogmático: Inegabilidade dos pontos de partida e proibição do ”non liquet” (não-
decisão);
“Decidibilidade do conflito”;
COERÊNCIA – Esse método pressupõe que se deve almejar a melhor interpretação da
norma. Em que há coesão, ligação ou adesão recíproca, que procede com lógica,
conseqüente.
CONSENSO – A busca do sentido funcional da norma. Deve haver um respaldo social
através da interpretação da norma.
JUSTIÇA – Busca o sentido justo da norma para atender ao pressuposto axiológico do
Direito – a Justiça.

MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO GRAMATICAL – É o mais antigo dos métodos de


interpretação, já usado no tempo do Corpus Juris Civilis. Propõe a interpretação da
norma a partir do entendimento das palavras que a compõe. No entanto, há certos
incovenientes, pois esse método analisa cada uma das palavras especificamente, sem
atender ao todo. Além disso, ele se despreende da questão ideológica da norma, ou
seja, da realidade prática. Serve mais como análise do que como solução de problema.

MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO LÓGICO – Ainda se prende ao sentido textual da


norma e baseia-se na razão das leis “axio legis”. Pode criar uma série de retóricas. Por
exemplo, as qualificações de posse e as classificações de princípios.

MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICO – Deve-se fazer uma compreensão


paralela entre a teoria das fontes do Direito e a teoria da Interpretação. Ademais, deve-
se interpretar o artigo com os incisos e as alíneas, concatenando-as.

MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO HISTÓRICO – Trabalha com a ideia de respaldo da


norma, em conformidade com o momento histórico na qual foi criada.

MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO SOCIOLÓGICO – Privilegia, outrossim, os fatos,


concatena a lei com a realidade na qual ela está inserida. Baseia-se nas ideias de Émile
Durkheim, em sua obra “As regras do método sociológico”. Leva em conta análises
culturais e sociais, não fazendo uma análise unicamente textual.

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MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICO – Vem de “telos” (fim). É um método


diretamente ligado ao aspecto prático da decisão. Toda norma tem um propósito, o qual
deve ser almejado numa interpretação.

QUESTÕES PROPOSTAS DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

1 – POR QUE SE DIZ QUE A DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO


APRESENTA NATUREZA ZETÉTICA? FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
A disciplina Introdução ao Estudo do Direito se propõe a questionar os fenômenos jurídicos nas
suas mais variadas dimensões na procura da legitimidade do ato jurídico em busca do justo, e
não em descrever objetivamente a normatização do sistema de direito. Ex. Análise do roubo
famélico; aborto de fato anencéfalo.

2 – AS NORMAS TÉCNICAS E AS NORMAS ÉTICAS PODEM ENTRAR EM CONFLITO NA


REGULAÇÃO DA CONDUTA HUMANA. FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
Sim. Isso porque as normas técnicas são normas sociais que regulam de forma neutra o
comportamento humano, buscando otimizar a realização de determinados resultados, ou seja,
priorizando-se os fins em detrimento dos meios, logo podem permitir meios que não são
legítimos e que atentem à dignidade humana. Ex.: Bomba atômica lançada em Hiroshima e
Nagasaki.
As normas éticas são normas sociais que procuram meios legítimos para preservar a dignidade
humana, regulamentam a conduta humana sob o alicerce da moral para realização de
determinadas finalidades. Exemplo: análise de pesquisas bio-moleculares.

3 – POR QUE SE AFIRMA QUE O DIREITO, DIFERENTEMENTE DA MORAL, É UM


FENÔMENO ÉTICO BILATERAL? FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
O Direito é um fenômeno bilateral porque (para alguns pensadores) as normas jurídicas
disciplinam sempre as relações intersubjetivas. Em toda e qualquer situação jurídica pode-se
visualizar um sujeito ativo titular de um direito subjetivo e de outro um sujeito passivo obrigado
ao cumprimento de um dever jurídico, logo o dever jurídico pode ser exigido institucionalmente.
No caso da moral, tal fenômeno é unilateral, haja vista que o dever moral está relacionado à
consciência do indivíduo isolado, sem que houvesse possibilidade de exigir-se
institucionalmente o cumprimento deste dever. Exemplo: Mau pensamento de matar. “O
indivíduo isolado pode cometer imoralidade, mas sozinho não pode cometer ilicitudes” Em
resumo: o dever moral não pode ser exigido institucionalmente, mas o Direito pode ser cobrado
judicialmente, isto porque a bilateralidade faz parte da essência do fenômeno jurídico.

4 – O DIREITO É SEMPRE MAIS COERCITIVO QUE A MORAL? FUNDAMENTE E


EXEMPLIFIQUE.
Não, dentro do campo particular. Do ponto de vista contemporâneo tanto as sociedades
orientais quanto ocidentais são bons exemplos. No caso das sociedades orientais
contemporâneas a moral e a ética religiosa são mais fortes que o Direito (Ex. O adultério tem
pena de morte). Nas sociedades ocidentais, em algumas comunidades, o código de ética e
moral contra um estrupador é a pena capital por meio de linchamento, embora o Código Penal
preveja pena privativa de liberdade.
Vale ressaltar que saindo deste universo particular, no geral, as normas jurídicas são mais
coercitivas que as normas morais porque o temor da aplicação de uma sanção gerada pelo
Direito infunde no sujeito uma ação social reguladora de seus atos, iso porque as normas
jurídicas causam “dor” quando infligidas.

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5 – DIFERENCIE VALIDADE MATERIAL DA VALIDADE FORMAL NA TEORIA DAS NORMAS


JURÍDICAS. FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
A validade é a qualidade da norma jurídica que designa a pertinência da norma jurídica para o
ordenamento jurídico seja para requsitos formais seja para requisitos materiais.
A validade material é um atributo normativo que exprime a relação de hierarquia da norma
jurídica, ou seja, a compatibilidade da norma jurídica inferior com a norma jurídica superior.
Refere-se à matéria.
A validade formal é quando a norma cumpre os requisitos do processo de elaboração e de
competência de quem elabora. Refere-se à forma dividindo-se entre competência (quem
produz) e procedimento (ritualística [como]).
Por exemplo – Competência: “Um juiz da vara de execução penal não pode acolher uma
petição de divórcio”;
Por exemplo – Procedimento: “Um juiz da vara de execução penal decide um crime doloso sem
convocar o tribunal do júri”.
Em resumo: a validade relaciona-se com três perguntas básicas: O quê? (matéria contida na
norma – pertinência); Quem? (competência de quem elabora a norma); Como? Procedimento
para elaboração da norma). Podemos nos valer da pirâmide kelseniana, na qual a Constitução
Federal está no ápice, subordinando as Leis (ordens, complementos), as quais subordinam os
Atos Administrativos que, por sua vez, são hierarquicamente superiores às sentenças, aos
contratos e aos testamentos.

6 – DIFERENCIE OS ATRIBUTOS JURÍDICOS DA VIGÊNCIA E DA INCIDÊNCIA.


Vigência refere-se ao aspecto temporal da norma (data da publicação). Esta se inicia no
momento em que entra em vigor até quando ela é revogada ou acaba seu prazo de duração.
Neste caso, a vigência pode ser determinada (quando no próprio corpo da lei já vem
especificado seu prazo de duração, por exemplo, nas medidas provisórias (60+60 dias), e na
Lei Orçamentária Anual); ou indeterminada (quando o próprio corpo da lei não especifica o
prazo de duração, por exemplo a Constituição Federal de 1988).
Incidência refere-se à data do cumprimento da norma. A incidência pode ser imediata
(sincronização entre data de publicação – vigência – e data do seu cumprimento – por
exemplo, a Constituição Federal de 1988) ou mediata (diferenciação entre a data da publicação
– vigência – e a data do seu cumprimento, ocorrendo vacatio legis).

7 – PODE UMA NORMA JURÍDICA PERDER A VIGÊNCIA E CONTINUAR EM VIGOR?


FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
Sim. Nas hipóteses de ultratividade da lei penal (art. 13) (norma vigente anterior continua
produzindo seus efeitos, perfeitamente aplicável nos casos de lei excepcional temporária. Ex.
Improbidade Administrativa durante a vigência da Lei Orçamentária de 2008, cujo julgamento
será em 2009), o que corrobora com o conceito de vigor: “o tempo rege o ato”. Temos uma
exceção: retroatividade da lei penal em benefício ao réu.

8 – PODE UMA NORMA JURÍDICA SER EFETIVA SEM APRESENTAR LEGITIMIDADE?


FUNDAMENTE E EXEMPLIFIQUE.
Sim, bata que a norma seja observada pelos agentes sociais dentro dos preceitos do “ser”
ainda que não sejam justos no plano do “dever ser”. Por exemplo, cobrança da CPMF, voto
obrigatório.
A eficácia é a possibilidade concreta de a norma jurídica produzir seus efeitos seja porque
independe de outra norma – aplicabilidade, por exemplo, Constituição Federal de 1988 –, seja
porque seus efeitos se produzem na vida social (efetividade, por exemplo, Lei Seca – 2008).
Embora a efetividade possa ser negativa como é o caso do não-cumprimento da lei municipal

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dos 15 minutos em estabelecimentos bancários e da lei municipal concernente a ceder o lugar


para idosos em ônibus. A legitimidade é o atributo jurídico que designa a relação da norma
jurídica com o valor justiça.
A norma jurídica pode não ser efetiva nem legítima. Exemplo: aborto em clínicas clandestinas.

9 – CLASSIFIQUE ATO À RELAÇÃO DA NORMA JURÍDICA ENTRE SI O ART. 5, CAPUT, DA


CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, SE É PRIMÁRIA OU SECUNDÁRIA.
“Art 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes [...]”.
Trata-se de norma primária, pois regula diretamente o comportamento humano sem precisar de
outra norma.

10 – CLASSIFIQUE QUANTO AO GRAU DE APLICABILIDADE O ARTIGO 2º DA


CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.
“Art. 2º - São poderes da União, independentes e harmônicos entre si: o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário”.
Norma plena, pois produz amplos efeitos – ainda que, neste exemplo específico, de efetividade
duvidosa.

TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO

Campo da Teoria Geral do Direito que discute as condições de sistematização do


conhecimento jurídico. Busca-se, assim, a aplicação da noção de sistema ao estudo do Direito.
Entende-se por sistema o conjunto ordenado de elementos. Todo sistema se compõe de um
repertório e de uma estrutura.
- Recomendação de autores a serem analisados: Puchta, da Escola de Savigny; e Merkel,
discípulo de Hans Kelsen.

SISTEMA

REPERTÓRIO – Conjunto de ESTRUTURA – Padrão de


elementos do sistema. organização dos elementos do
sistema.

A NOÇÃO DE SISTEMA JURÍDICO – No que se refere ao sistema jurídico, a visão mais


utilizada e difundida na Ciência Jurídica é aquela oferecida por Hans Kelsen, para quem o
sistema jurídico seria uma pirâmide de normas organizadas hierarquicamente, relacionando-se
através de laços de validade formal e material. O repertório do Sistema Jurídico é composto de
normas jurídicas.

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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – FDUFBA
CONTEÚDO DO CADERNO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I – 2009.1

O DOGMA DA COMPLETUDE

Todo sistema racional precisa ser considerado completo. O sistema jurídico seria completo
caso pudesse oferecer respostas para todos os problemas da vida social. Discute-se, assim,
sobre a completude do sistema jurídico.
ARGUMENTOS EM PROL DA COMPLETUDE
o O sistema jurídico seria completo porque se poderia sempre aplicar o axioma
lógico – “Tudo o que não está proibido está juridicamente permitido”.
o O sistema jurídico seria completo porque o juiz, em última análise, não poderia
deixar de julgar alegando a falta ou obscuridade da lei. No momento em que
decide a norma jurídica individualizada - a decisão judicial – oferece resposta
para os problemas da vida.
- Recomendações de consulta na legislação: Artigo 4 da Lei de Introdução ao Código Civil e
Artigo 126 do Código de Processo Civil.
ARGUMENTOS CONTRÁRIOS À COMPLETUDE
o O Direito é incompleto e, portanto, lacunoso, porque não logra regular todas as
situações da vida social, pois a sociedade se transformaria sempre num ritmo
mais célere que o Direito. Conforme dizia o pensador Condorcet – “O Direito é o
último vagão do comboio das transformações sociais”.
o O sistema jurídico seria aberto e lacunoso porque a ordem jurídica preveria
instrumentos de integração ou de preenchimento de lacunas (analogia, costumes,
princípios gerais e equidade).

Salvo o melhor juízo, o sistema jurídico é completável, porque a todo instante os profissionais
do Direito estariam preenchendo as suas lacunas provisórias.

TIPOS DE LACUNAS JURÍDICAS – Lacunas jurídicas são vazios que comprometem a


totalidade do Sistema Jurídico.
LACUNAS NORMATIVAS – São as lacunas jurídicas propriamente ditas, que se
evidenciam toda vez que as situações sociais carecem de regulação normativa
expressa. Por exemplo, não existe legislação acerca do Comércio Eletrônico.
LACUNAS FÁTICAS – Se verificam toda vez que as normas jurídicas vigentes não
estiverem sendo cumpridas no plano dos fatos sociais (perda de efetividade). Por
exemplo, o art. 229 do Código Penal.
LACUNAS VALORATIVAS – Se verificam toda vez que a norma jurídica ferir a ideia de
justiça, consensualmente aceita (perda de legitimidade). Por exemplo, o artigo 14 da
Constituição, que trata da obrigatoriedade do direito do voto; e a legislação tributária
brasileira que ordena o imposto de renda.

INTEGRAÇÃO DO DIREITO – É o processo de preenchimento das lacunas jurídicas


(normativas, fáticas e valorativas). Existem quatro tipos de Integração do Direito:
A ANALOGIA – Consiste na busca da correlação de uma norma jurídica vigente com
uma situação jurídica semelhante que não está expressamente regulada pelo Direito.
Ela não é somente lógica, mas também axiológica. Não confundi-la com a interpretação
extensiva, que amplia o sentido e o alcance de uma dada norma jurídica.
OS COSTUMES – São práticas sociais reiteradas que estabelecem elementos jurídicos
capazes de servir para o preenchimento das lacunas do Direito.
OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS – São preceitos éticos expressos ou implícitos no sistema
jurídico que podem ser utilizados para o preenchimento de lacunas jurídicas a fim de
potencializar decisões mais justas.

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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – FDUFBA
CONTEÚDO DO CADERNO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I – 2009.1

A EQUIDADE – A aplicação da justiça particular do intérprete à luz do caso concreto.


Uma espécie de aplicação do sentimento do justo. A lei de arbitragem no Brasil prevê a
possibilidade de uma solução extra-judicial pela equidade.

A VONTADE DO LEGISLADOR E A VONTADE DA LEI

A hermenêutica jurídica pode ser sintetizada através do grande debata que se estabelece entre
a vontade do legislador e a vontade da lei.
SUBJETIVISMO - Para os subjetivistas, na interpretação do Direito e especialmente na
interpretação da lei, caberia ao intérprete do Direito reproduzir a vontade originária do
legislador. Sendo assim, a interpretação jurídica deve privilegiar a utilização do método de
interpretação gramatical, com a redução do intérprete no processo hermenêutico. Resulta num
sistema jurídico fechado e estático. Foi o modelo hegemônico durante a Era positivista do
Direito (Séc. XIX à primeira metade do Séc. XX).
VANTAGENS DO SUBJETIVISMO
o Preservação da legalidade e do valor da segurança jurídica.
o Manutenção do princípio da separação de poderes.
DESVANTAGENS DO SUBJETIVISMO
o Impede a adaptação do sistema jurídico aos novos fatos e valores sociais, pois a
valorização da vontade do legislador “petrifica” o sistema jurídico.
o Alguns aplicadores do Direito asseveram que não existiria uma “vontade” do
legislador, pois este é, concretamente, um colegiado formado por diversas
pessoas, com interesses, valores e visões de mundo distintos.

OBJETIVISMO – Para os defensores da vontade da lei (objetivistas), a lei se destacaria do


legislador para adquirir uma vida própria através da mediação interpretativa. Valoriza-se o
papel criativo e construtivodo intérprete do Direito na adaptação constante do sistema jurídico
na realidade social. Priorizam-se os métodos sociológicos e teleológicos de interpretação do
Direito. Daí advém a visão prospectiva de um sistema jurídico aberto e dinâmico.
VANTAGENS DO OBJETIVISMO
o Conciliação da norma jurídica com os atributos da legitimidade e da eficácia
social. Um tratamento mais realista e axiológico.
o A busca da vontade da lei potencializa o desenvolvimento de interpretações de
origens mais justas e condizentes com os anseios sociais.
DESVANTAGENS DO OBJETIVISMO
o Gera a insegurança jurídica, exigência fundamental do Estado Democrático do
Direito.
o Ampliação dos riscos de interpretação arbitrária.
o O conceito de “vontade da lei” é ilusório, pois quem detém essa “vontade” é o
intérprete.

O DOGMA DA COERÊNCIA

Exigência racional de que o sistema jurídico resolva as contradições internas da ordem jurídica.
Nesse sentido a Ciência do Direito busca oferecer mecanismos capazes para a solução das
chamadas “antinomias jurídicas”.

ANTINOMIAS JURÍDICAS – Contradições normativas existentes no sistema jurídico, seja


porque uma norma permite um dado comportamento social, seja porque outra norma proíbe o

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mesmo comportamento social. Diante dessas ocorrências serão chamados os juristas para
restaurar a racionalidade do sistema jurídico.
PRÓPRIAS – Se verificam quando ocorre uma contradição direta entre uma norma que
proíbe e outra norma que permite uma conduta humana.
IMPRÓPRIAS – Não expressam uma contradição interna entre uma norma que proíbe e
outra norma que permite a conduta humana. A contradição envolve valores, fins e
terminologias dos modelos normativos.
o ANTINOMIA IMPRÓPRIA VALORATIVA – Não confundir com “lacuna valorativa”.
Ocorre toda vez que um sistema jurídico pune severamente uma conduta menos
grave e, ao mesmo tempo, pune de forma mais branda uma conduta mais lesiva
à sociedade.
o ANTINOMIA IMPRÓPRIA TELEOLÓGICA – Se verifica toda vez que uma norma
jurídica não logra oferecer os meios para a realização dos fins de outra norma
jurídica.
o ANTINOMIA IMPRÓPRIA SEMÂNTICA – Quando um vocábulo é utilizado com
sentidos diversos, a depender da norma do determinado ramo jurídico. Diz
respeito ao conflito semântico.
o ANTINOMIA IMPRÓPRIA PRINCIPIOLÓGICA – Assim que há conflito entre
princípios jurídicos que sinalizam para soluções hermenêuticas diversas.

CRITÉRIOS DE SOLUÇÃO DAS ANTINOMIAS JURÍDICAS


CRITÉRIO HIERÁRQUICO – Havendo conflitos entre normas de diferentes hierarquias,
prevalecerá a norma jurídica superior em face da norma jurídica inferior. Por exemplo, a
revogação da lei de Imprensa, que foi produzida no contexto da ditadura militar
brasileira.
CRITÉRIO CRONOLÓGICO – Havendo conflitos de normas de mesma hierarquia,
prevalecerá a norma jurídica anterior.
CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE – Havendo norma de mesma hierarquia em conflito,
prevalece aquela que trata mais especificamente do tema, em detrimento daquela outra
mais abrangente.
CRITÉRIO DE NUMERAÇÃO DE BENS E INTERESSES – Nova técnica hermenêutica,
aplicada em hipóteses de contradição entre diversos princípios jurídicos. Caberá ao
intérprete do Direito estabelecer uma prioridade concreta entre as normas
principiológicas, a fim de aplicar aquele princípio que se revele mais justo.

ANTINOMIA DE SEGUNDO GRAU – Se verifica toda vez que há um conflito entre uma norma
jurídica anterior especial e outra norma jurídica posterior geral (choque entre critérios
cronológico e de especialidade). Usualmente resolve-se em favor do critério de especialidade.
Contudo, realmente, vai depender das circunstâncias de cada caso concreto.

O DOGMA DA UNIDADE

É a exigência racional de que o sistema jurídico ofereça um ponto de convergência para os


seus elementos normativos. Trata-se do debate acerca da existência de uma norma jurídica
fundamental. Assim, o sistema só será completo se for coerente e uno em seu ponto de
convergencia.
A solução de Hans Kelsen foi a construção da teoria da norma hipotética fundamental,
também chamada de “Grundnorm”. Segundo ele, os juristas deveriam pressupor uma norma
jurídica hipotética que estivesse a par de fundamentar toda a ordem jurídica, que fosse
axiologicamente neutro e desvinculado da realidade social.

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A norma hipotética estabeleceria, assim, a aceitação dogmática do Sistema Jurídico,


independentemente de sua coloração político-ideológica.
Os críticos de Kelsen sustentam que a norma hipotética fundamental seria um excesso
metafísico da Teoria Pura do Direito, pois, em realidade, ela seria uma criação dos juristas,
sem respaldo concreto.
Um dos críticos é Norberto Bobbio, jurista italiano, para quem dever-se-ia buscar o
fundamento mais concreto para a ordem jurídica. Segundo ele, seria a norma fundamental o
ato de vontade do poder constituinte originário, que cria a ordem jurídica a partir do nascimento
de uma Constituição.
Salvo o melhor juízo, o ponto de unidade do Sistema Jurídico pode ser representado
pelo conjunto de valores corporificados nos princípios constitucionais fundamentais de cada
constituição. Essa é a tese preconizada por autores pós-positivistas, como Canaris e Larenz
acerca do conceito de unidade axiológica da Constituição.
Cada Constituição traria um princípio fundamental que mediaria a relação do sistema
jurídico com a realidade dos fatos nos sistemas sociais, espelhando as circunstâncias
históricas que justificam a ordem jurídica. No Direito brasileiro, esta poderia ser o Princípio de
Dignidade da Pessoa Humana.

FONTES DO DIREITO

Remete à raiz, ao local de onde advém o Direito, saber o que é e o que não é Direito. Podem
ser classificadas em: materiais e formais, estatais e não-estatais.

MATERIAIS – Externo do estudo jurídico em si, mas servem de material ao Direito. São
o conjunto de valores e circunstâncias sociais que contribuem para a formação do
conteúdo das normas jurídicas (segundo Maria Helena Diniz). Tudo aquilo que está no
externo, mas gravita em torno do Direito.
FORMAIS – É a forma como o Direito se manifesta. Indispensavelmente deve haver um
centro de poder que sirva de sustentáculo para a manifestação do direito formal.
o ESTATAIS – Emanam do Estado e têm esse centro de poder. A legislação e a
jurisprudência são bons exemplos.
 LEGISLAÇÃO – Fonte primordial do ordenamento jurídico. Tem as
características de abstração e impessoalidade. Sua elaboração é
competência do Poder Legislativo, com exceção de alguns casos em que o
poder Executivo pode criar Medidas Provisórias. Abaixo denota-se os tipos
de legislação:
Emendas Constitucionais
Leis Ordinárias
Leis Complementares
Leis Delegadas
Resoluções Legislativas
Medidas Provisórias
Decretos Legislativos
Ainda assim, pode ser idealizada em conformidade com a “civil law”, de
origem romano-germânica, cuja fonte primária é a lei; ou com a “common
law”, a qual vigora nos EUA e na Inglaterra, cuja fonte primária são os
costumes e precedentes judiciais. Hoje estuda-se a possibilidade de
“simbiose” da common law com a civil law.
 JURISPRUDÊNCIA – Conjunto de decisões reiteradas dos juízes e
tribunais. Súmulas são entendimentos reiterados, com valor vinculante,

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CONTEÚDO DO CADERNO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO I – 2009.1

sujeitas a um processo específico dentro do Supremo Tribunal Federal.


Servem como fundação da convicção do juiz. Súmulas vinculantes são
sujeitas a um processo específico dentro do Supremo Tribunal Federal.
São objetos de discussão, pois dificultam a livre expressão e decisão do
juiz.
o NÃO-ESTATAIS – Não emanam diretamente do estado. Os costumes, a doutrina,
os negócios jurídicos e o poder normativo dos grupos sociais.
 DOUTRINA – Conjunto de obras e pareceres daqueles que são os
pensadores do Direito. Constitui toda a produção teórica do Direito. Serve
para a elaboração de conceitos, com uma importante função crítica.
Contudo são a última fonte, hierarquicamente, no que diz respeito à
importância. Serve para elaboração de conceitos. Tem uma importante
função crítica, não obstante.
 COSTUME JURÍDICO – São práticas sociais que, uma vez reiteradamente
ocorrentes na sociedade, são acrescidas da convicção da sua necessidade
jurídica, servindo para a disciplina bilateral das relações humanas.
SECUNDUM LEGEM – Oferece suporte para a criação e a interpretação
do Direito.
PROETER LEGEM – Visam suprir as lacunas da lei. Coexistem com o
nosso ordenamento jurídico.
CONTRA LEGEM – Ferem frontalmente a lei. Podem produzir um desuso.
No âmbito do Direito Internacional e do Direito Comercial o costume tem
uma importância bem mais relevante.
 NEGÓCIO JURÍDICO – São normas particulares individualizadas que
ocorrem de acordos de vontades e que geram direitos e deveres.
 PODER NORMATIVO DOS GRUPOS SOCIAIS – São prerrogativas que o
ordenamento jurídico estatal assegurou para criação de legislação própria
em determinados grupos de pessoas, como condomínios e sindicatos.

- A intervenção da política e da economia na “confecção” de normas de Direito;


- Fontes materiais e fontes formais;
- Jurisprudência: conceitos e exemplos;
- A jurisprudência cria um sistema “vivo” e concreto. Ela recebe críticas de autores que
idealizam algo mais conservador. Embora haja essas críticas, a jurisprudência é bastante
utilizada;
- Súmulas são enunciados escritos que dão maior clareza às decisões dos tribunais. Elas
simplificam a própria atuação do intérprete do Direito (seja advogado, promotor, juiz,
procurador, doutrinador). Ela robustece o entendimento, concedendo forças de convencimento;
- Diferenciação entre súmula vinculante e súmula não-vinculante;
- Doutrina – Conjunto das obras de tradutores jurídicos. Pode ser utilizada para embasar peças
processuais. Configura o chamado “argumento de autoridade”;
- Costumes – Práticas sociais repetidas, acrescidas da concepção de sua importância jurídica.
Por exemplo, o cheque pré-datado, que transformou o cheque comum – à vista – numa
garantia de dívida;
- Negócios jurídicos;
- Poder normativo dos grupos socias.

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RELAÇÃO JURÍDICA

O DIREITO COMO FENÔMENO BILATERAL – O estudo da relação jurídica no plano da


Teoria Geral do Direito pressupõe a diferenciação entre Direito e Moral. Enquanto o
fenômeno jurídico só se manifesta com base na existência da intersubjetividade
humana, conferindo exigibilidade ao dever jurídico, os preceitos morais podem ser
internalizados pelo indivíduo isolado, sem que possa falar da exigibilidade do dever
moral.
Sendo o Direito uma instância ética marcada pela bilateralidade dos comportamentos
humanos, apresentará sempre um caráter relacional.
O CONCEITO DE RELAÇÃO JURÍDICA – É o vínculo bilateral atribuído pelo sistema
normativo do Direito que enlaça o sujeito ativo, titular do direito subjetivo e o sujeito
passivo, obrigado ao cumprimento de um dever jurídico, possibilitando, assim, a
exigibilidade institucional desse dever jurídico, englobando, ainda, na hipótese de
descumprimento do dever jurídico pela ilicitude, a possibilidade de aplicação da sanção
jurídica.

Hipótese normativa Situação Ativa (direitos)

Fato Fato Jurídico Relação Jurídica

Situação Passiva (deveres)

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA RELAÇÃO JURÍDICA

FATOS JURÍDICOS – É o acontecimento natural ou humano capaz de realizar um


suposto normativo produzindo conseqüências no indivíduo. Tanto pode criar, como
modificar, como extinguir uma parcela do Direito posta ao indivíduo. São três as
características.
1. Manifestar no plano exterior para que ocorra a relação de intersubjetividade;
2. Afetar duas ou mais pessoas;
3. Podem ser naturais ou humanos.

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FATOS JURÍDICOS
Produz conseqüências

NATURAIS HUMANOS
Advindo da natureza Advindo do ser humano

ORDINÁRIO EXTRAORDINÁRIO VOLUNTÁRIO INVOLUNTÁRIO


Previsíveis Imprevisíveis Feito com discernimento Feito sem discernimento

LÍCITOS ILÍCITOS
Conformes à lei Não-conformes à lei
vigente

MERAMENTE LÍCITOS NEGÓCIOS JURÍDICOS


Inexiste intuito Existe intuito negocial
negocial

- CONCEITO DE FATO JURÍDICO NATURAL;


- CONCEITO DE FATO JURÍDICO NATURAL ORDINÁRIO – Quando são previsíveis e que
geram conseqüências para o direito: vida, morte, tempo;
- CONCEITO DE FATO JURÍDICO NATURAL EXTRAORDINÁRIO – São resultados de “caso
fortuito” ou “força maior”, como terremotos, temporais;
- CONCEITO DE FATO JURÍDICO HUMANO – Produzido por pessoas – podem ser voluntários
ou involuntários, conforme realizados ou não com liberdade, discernimento e vontade.
- CONCEITO DE JURÍDICO HUMANO VOLUNTÁRIO – Podem ser classificados em atos
lícitos e atos ilícitos.
- CONCEITO DE JURÍDICO HUMANO INVOLUNTÁRIO – Não produzem efeitos na ordem
jurídica, salvo algumas situações específicas, como hipnose, sonambulismo, entre algumas
outras. As demais formas de manifestação involuntária não são classificadas como pertinentes
ao âmbito dos fatos jurídicos.

“Alguns autores distinguem os fatos jurídicos em fatos naturais ou exteriores, em que a vontade
não tem parte, como disse Teixeira de Freitas, ou fatos jurídicos em sentido estrito, e atos
humanos, os quais são constituídos pelos fatos lícitos e ilícitos, sendo os lícitos subdivididos
em meramente lícitos e negócios jurídicos. Os atos humanos meramente lícitos são aqueles

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nos quais inexiste intuito negocial. O agente alcança aí um efeito jurídico vantajoso que não
tinha em mira obter. Os atos lícitos providos do intuito negocial são os negócios jurídicos. O
núcleo central do negócio jurídico é uma declaração de vontade”. Trecho das páginas 108-109
do Curso de Introdução ao Estudo do Direito, de Rubem Nogueira, 2ª Edição.

“A expressão fato jurídico aplica-se ora no sentido lato, para designar todo e qualquer suposto
de direito, ora no sentido restrito, para designar apenas as hipóteses normativas constantes de
um acontecimento natural e, pois, independentes da vontade humana. No primeiro sentido, a
expressão fato jurídico abrange os chamados atos jurídicos, nos segundo, é a sua antítese.
Temos aí a mais antiga e tradicional classificação dos fatos jurídicos: se acontecimentos
naturais e, pois, independentes da vontade humana, são fatos jurídicos (strictu sensu), se
decorrentes da vontade humana, atos jurídicos”. Trecho da página 167 do Compêndio de
Introdução à Ciência do Direito, de Antônio Luís Machado Neto.

SUJEITOS DE DIREITO

Podem ser ativos ou passivos, de acordo com a situação na qual o indivíduo está inserido
numa forma de “aliança” jurídica.

SUJEITO DE DIREITO =
PESSOAS

INDIVIDUAIS (Pessoa COLETIVOS (Pessoa


Natural) – ou (pessoa física) jurídica)

- PESSOA NATURAL – É o ser humano ou o indivíduo. Segundo o artigo 2º do Código Civil, o


surgimento se dá com o nascimento com vida.
- PESSOA JURÍDICA – São associações ou sociedades que são realidades às quais o mundo
jurídico atribui personalidade. São pessoas constituídas para realização de fins coletivos e
permanentes a quem a ordem jurídica reconhece capacidade de Direito. As pessoas jurídicas,
assim como as pessoas físicas, têm começo e fim. Elas surgem com a inscrição do registro de
seus atos institutivos e findam em hipótese de falência, fusão.

ATIVO – O indivíduo está na situação de detentor de direitos.


PASSIVO – O indivíduo está na situação de detentor de deveres.

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PESSOAS JURÍDICAS
(duas classificações)

DIREITO PRIVADO – Algumas UNIVERSITAS BONORUM –


com fins econômicos e outras não Composta por reunião de bens
(associações). com um fim específico. Por
exemplo, as Fundações.

DIREITO PÚBLICO INTERNO – A UNIVERSITAS PERSONARUM –


União, os Estados-membros, os Composta por reunião de pessoas
Municípios. (Associações ou Sociedades)

DIREITO PÚBLICO EXTERNO –


São, por exemplo, a União, a
ONU, a Santa Sé.

DIREITO SUBJETIVO – É a faculdade conferida ao sujeito ativo de uma relação jurídica para
exigir o cumprimento do dever jurídico pelo sujeito passivo, dentro da própria bilateralidade
inerente ao fenômeno jurídico. Discute-se muito sobre a natureza do Direito Subjetivo, havendo
quatro posições fundamentais de discussão sobre a matéria:
1. O fundamento do Direito Subjetivo seria a vontade humana;
2. O Direito Subjetivo repousaria na ideia de interesse;
3. O Direito Subjetivo seria um misto de interesse e vontade;
4. O Direito Subjetivo é uma decorrência pura e exclusiva da norma jurídica, não existindo
como uma realidade estanque. Segundo Hans Kelsen, ele seria como o direito
objetivamente previsto no sistema normativo.
5. O Direito Subjetivo atua como manifestação da liberdade humana no campo do
juridicamente permitido.
No que se refere à conduta que concretiza o Direito Subjetivo:
o AÇÃO – Comportamentos positivos (fazer algo);
o OMISSÃO – Comportamentos negativos (não fazer algo).
No que se refere à classificação de oponibilidade:
o ABSOLUTOS – Oponíveis perante toda a comunidade jurídica. Aqui o
sujeito passivo é indeterminado. O dever passivo correlato é o de omissão.
Geralmente possuem natureza extra-patrimonial.
o RELATIVOS – Oponíveis perante um sujeito de Direito especificamente
considerado. Corresponde a deveres jurídicos de ação diante de sujeitos
passivos determinados.
DEVER JURÍDICO – Conduta realizada pelo sujeito passivo da relação jurídica a fim de
satisfazer o conteúdo do Direito Subjetivo titularizado pelo Sujeito Ativo. Nesse sentido, pode-
se afirmar que o objeto do dever do Direito Subjetivo é a materialização de um dever jurídico. O
dever jurídico pode consistir numa obrigação de fazer, dar, ou não fazer um determinado
comportamento. Por exemplo de relação “de fazer”: um pintor contratado a pintar um quadro;
“de dar”: o contribuinte é obrigado a recolher o Imposto de Renda ao Fisco; “de não fazer”:

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“deve-se respeitar a vida humana, ou seja, não fazer algum mal que possa comprometê-la”.
Diferentemente dos deveres morais, os deveres jurídicos podem ser exigidos
institucionalmente. Isso ocorre usualmente através da propositura de uma ação judicial perante
o Poder Judiciário, cabendo ao Estado-Juiz exigir compulsoriamente a realização do dever
jurídico ou o seu correspondente pelo infrator.
ILÍCITO – É o comportamento que o sujeito passivo expressa toda vez que descumpre um
dado dever jurídico. Nesse sentido, enquanto agente livre, poderá o infrator ingressar na zona
mais restrita dos comportamentos proibidos juridicamente. A ilicitude se apresenta, pois, como
a mais grave modalidade de infração ética, quando comparada com a descortesia e a
imoralidade. A ilicitude pode se concretizar quando através de uma ação contrária ao Sistema
Normativo, quando mediante o exercício dessarazoado de um Direito Subjetivo. Nesse último
caso, verifica-se uma forma muito peculiar de ilicitude: o abuso de Direito. Por exemplo: o
credor de uma dívida exigindo que o devedor saia de casa, com batidas fortes na casa e
gritarias, para efetuar o pagamento da dívida.
SANÇÃO – É a conseqüência imputada pelo Sistema Normativo à ilicitude. Caso o sujeito
passivo da relação jurídica descumpra um dever jurídico, deve ser aplicada uma sanção.
Diferentemente das oriundas de uma descortesia, que seria uma sanção difusa, as sanções
jurídicas apresentam, nas socieades ocidentais contemporâneas, uma natureza organizada. A
sanção jurídica é organizada porque a sua natureza e os critérios de sua aplicação estão pré-
determinados pela primazia do Estado na sua criação e também na sua aplicação aos
infratores, uma vez observado o devido processo legal.
A sanão jurídica pode acarretar, basicamente, duas espécies de constrangimento:
PESSOAL – Quando afeta diretamente o “ser” do indivíduo, como na hipótese de
aplicação da pena de morte ou de uma pena privativa de liberdade.
PATRIMONIAL – Quando afeta o seu patrimônio financeiro. Atualmente verifica-se uma
progressiva substituição da feição repressiva pela função restituitiva do Direito
(valorização das sanções patrimoniais em detrimento das sanções penais), algo tratado
por Émile Durkheim.
O termo “sanção” é também empregado das seguintes maneiras no plano da Ciência Jurídica:
Ato de aprovação de um projeto de lei pelo Chefe do Poder Executivo;
Conjunto de prêmios, recompensas ou estímulos oferecidos pela ordem judicial para
induzir comportamentos socialmente aceitos. São as chamadas “sanções premiais”, a
exemplo das isenções fiscais, do livramento condicional e da delação premiada”.

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