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12 vantagens e desvantagens das privatizações

17 de setembro de 2014Guilherme Alves

O que é Privatização?
É um mecanismo que visa vender as empresas estatais para as empresas privadas.
Geralmente isso ocorre quando a empresa estatal não está gerando o lucro necessário para
competir com o mercado.
Como surgiu o termo Privatização?
Este mecanismo apareceu junto as teorias Adam Smith(Caso você não conheça ele clique
neste link), que dizia que o governo deve intervir minimamente no mercado, pois as
intervenções acabam afetando a economia e a competição as empresas.
Contando um pouco mais sobre as privatizações
As privatizações foram marcas de alguns governos, como EUA(Quando foi governado por
Ford, Carter e Reagan) e gestão Thatcher na Inglaterra, com o mundo vendo que estava
dando certo, escolheram começar a privatizar e diminuir os custos decorrentes dos serviços
e passando para empresas privadas. O primeiro país da America Latina por optar este
mecanismo foi o Chile no governo de Augusto Pinochet em 1973. No Brasil as privatizações
começaram no governo de Fernando Henrique Cardoso, que realizou diversas privatizações
como Telesp, Companhia Vale do Rio Doce, Banespa entre outras.

12 motivos para ser contra as privatizações

1- Soberania Nacional
Ao privatizar determinado serviço, o Estado perde parte de sua soberania, pois entrega de
bandeja ao capital externo o controle e o lucro de determinada finalidade, não podendo o
Estado criar ferramentas para proteger a população da ambição capitalista.
2-Roubo
Ao privatizar uma empresa, o Estado entrega à iniciativa privada uma empresa construida
com dinheiro público. Ou seja, o trabalhador paga com seus impostos ao Estado para que
este invista em determinada empresa e depois o Estado vende a empresa à iniciativa
privada. Logo, dinheiro público é usado para enriquecer a iniciativa privada.
3-Corrupção
Todos sabemos que os políticos privateiros sempre receberão favores das empresas que
porventura façam ganhar as licitações e leilões. Logo, as privatizações servem para
enriquecer e perpetuar no poder o partido privatizador.
4- Desemprego
As privatizações causam desemprego. A iniciativa privada, ao tomar o controle de uma
empresa pública, não pensará duas vezes antes de demitir seus funcionárias. Logo, as
privatizações são ruins para os trabalhadores dessas empresas, que ficarão ameaçados de
perderem seus empregos, sendo muitos deles demitidos.
5- Finalidade
A empresa privada não tem o objetivo de prestar um bom serviço público, o objetivo da
empresa privada é o lucro, não importando como. Logo, o serviço prestado ao cidadão é
piorado.
6-Desigualdade
Com as privatizações, os serviços têm seus preços aumentados e os pobres ficam inaptos
para acessá-los. Logo, só quem tem dinheiro poderá gozar pelo serviço privado e será
aumentado ainda mais o abismo entre os ricos e os pobres.
7- Fuga de capitais
Com as privatizações, grupos estrangeiros passam a comprar as empresas estatais e a
repassar ao exterior os lucros do trabalho do brasileiro. Logo, as privatizações geram fuga
de recursos para o exterior e fazem o Brasil ficar mais pobre.
8- Universalização
Com a privatização, uma empresa pode se negar a oferecer determinado serviço
importantíssimo em determinada localidade por causa de sua baixa viabilidade econômica.
Logo, até os brasileiros com recursos podem ser prejudicados pela falta de serviços.
9- Crise
As crises do capitalismo são cíclicas. Logo, quando o Estado controla determinada atividade,
existe mais segurança de que ela será cumprida e não será abalada por crises. Empresas
estatais não costumam declarar falência, pois se resguardam no Estado.
10- Consequências
O resultado das políticas de privatizações promovida pelos governos neoliberais tornou o
Brasil mais pobre, mais desigual e mais injusto, apenas enriquecendo uma pequena classe
de empresários e políticos. Logo, as privatizações colaboram para que a sociedade seja
mais desigual e aplica o capitalismo selvagem contra nossa sofrida população carente.
11- Constituição
Nossa Constituição é social e democrática de Direito, e determina que o Estado preste
diretamente serviços como o de educação, saúde e assistência social, podendo a iniciativa
privada atuar apenas de forma complementar/suplementar, não sendo possível a concessão
de serviços públicos sociais.
12- Prejuízo
Com as privatizações o Estado perde uma importante fonte de receita. Imagine quantos
hospitais e escolas poderíamos construir com os lucros que as empresas privatizadas estão
obtendo todo o ano. É um roubo bilionário. Dinheiro que deveria ser nosso enriquece
poucos.

11 motivos para ser a favor das privatizações


1- Melhora nos serviços
Felizmente a realidade por si só já advoga a favor das privatizações. Experimente andar
numa estrada controlada pela iniciativa privada e numa controlada pelo governo. Verifique a
eficiência das empresas públicas e a das privadas.
O que podemos concluir é que as empresas privadas, por estar a todo momento sob risco e
contra uma feroz concorrência, são obrigadas a buscar saídas e soluções para gerar
dinamismo e optimizar suas funções – diferente das empresas públicas.
2- Corrupção
Diferente de uma empresa pública, os funcionários de uma empresa privada sabem muito
bem quem é o dono da empresa e para quem trabalham. Os desvios de recursos nas
empresas privadas são bem inferiores ao das empresas públicas, pois, diferente das
empresas públicas, as empresas privadas não se capitalizam com apenas dinheiro público.
Logo, com as privatizações a corrupção nas empresas será reduzida. Prova disso é que
pagar a mensalidade de um aluno no serviço particular geralmente é mais barato do que
sustentar o mesmo aluno no ensino público.
3- Cabide de emprego
Todos sabemos que as estatais servem apenas de cabide de empregos para que políticos
indiquem pessoas desqualificadas para cargos altamente gabaritados. Até a Dilma foi
indicada para um cargo na Petrobrás com salário de 100 mil reais.
Logo, as estatais abrigam muito mais funcionários do que deveriam para, às custas dos
nossos impostos, empregar apadrinhados do partido do poder, que irão desviar recursos
das empresas públicas para seus partidos, que assim se perpetuarão no poder.
4- Crescimento
Numa empresa privada, os funcionários são promovidos através do mérito e esforço. Logo, o
profissional evolui ou regride na sua carreira de acordo com seu desempenho. Numa
empresa pública, é muito difícil demitir um funcionário improdutivo e há como evoluir na
carreira através de um generoso plano de carreira ou de um apadrinhamento político.
Situações com essa desvalorizam o profissional que quer trabalhar e premiam os canalhas,
pois no serviço público a diferenciação entre a remuneração é inferior a do serviço privado.
Logo, um ótimo professor do ensino público acaba ficando desmotivado com as péssimas
condições de trabalho e de remuneração, acabando oferecendo um serviço pior do que o
oferece no serviço privado.
5- Concorrência
Vejamos o exemplo da Vale. Não havia dinheiro para os investimentos necessários para a
empresa crescer e se manter competitiva. Os balanços da empresa estavam sempre no
vermelho. Depois de privatizada, a Vale cresceu, emprega mais brasileiros e paga muito
mais impostos do que antes.
Antes das privatizações, só ricos podiam contar com uma linha telefônica. As privatizações
aumentaram a concorrência e entre as companhias, que passaram a oferecer um serviço
cada vez mais acessível ao cidadão comum. Por pior que seja o serviço de algumas
operadoras, certamente é melhor e mais barato aos nossos bolsos do que seria se elas
fossem estatizadas.
6- Privilégios
Enquanto que a maioria esmagadora dos brasileiros que pagam impostos trabalham na
iniciativa privada, não contando com nenhum privilégio, muitos trabalhadores da estatais
têm estabilidade em seus cargos. Como pode o cidadão acabar sustentando via imposto o
BNDES para que esse financie empresas onde os trabalhadores contam com privilégios?
7- Inchaço
Ao privatizar estatais, o Estado passa a contar com os recursos da compra e assim poder
focar mais nas suas funções essenciais, as quais a iniciativa privada não pode atuar: defesa
do país, segurança, saúde, infraestrutura, educação, etc. O Estado deve fazer menos e fazer
melhor. De nada adianta o Estado atuar em todas as áreas se ele atua de forma ineficiente
com o dinheiro do contribuinte.
8- Risco
A forte atuação do governo em empresas estatais acaba fazendo com essas empresas
percam valor no mercado, como é o caso da Petrobrás.
O investidor internacional fica receoso de investir numa empresa onde o objetivo não é só
lucrar, mas também regular inflação e apadrinhar pessoas nos altos cargos. Como resultado
disso, todo o país perde, pois o Brasil investe seus investimentos de longo prazo comprando
ações da Petrobrás. Logo, a má gestão do governo acaba afetando até o brasileiro comum,
que não investe na bolsa.
9- Prejuízo
Nas empresas privadas, quando uma fraude acontece, quem sai prejudicado é o acionista.
Nas empresas públicas é o contribuinte, ou seja, todos os cidadãos. Quem manda nas
empresas privadas são os acionistas controladores. Nas empresas púbicas os funcionários
mandam e desmandam através das corporações.
10-Contratação
Nas empresas privadas a área de recrutamento de pessoal existe para contratar os
melhores para o desempenho das atividades sempre muito competitivas. Nas públicas a
contratação é feita: 1- concurso (que só identifica a inteligência, mas não a produtividade);
2- por definição política (onde a técnica é desconsiderada); e, 3- por indicação de pessoas
ligadas ao governo, para ocuparem os perigosos CCs;
11-Descontinuidade devido às eleições
As empresas privadas podem escolher o caminho da Governança Corporativa. As empresas
públicas só podem esperar o resultado das eleições para que seja definido como será feita a
administração das mesmas mais adiante;
Fonte: http://www.fee.org/the_freeman/detail/the-problem-with-privatization
http://acidblacknerd.wordpress.com
Disponível em: http://descomplicandoaeconomia.com.br/12-motivos-para-voce-apoiar-ou-ser-contra-as-privatizacoes/,
Acesso: 21.09.2017.
Pacote de privatizações de Temer é o maior em duas décadas, mas corre risco de não decolar
Projeto de vender 57 empresas, incluindo Eletrobrás, tem pouco tempo para ser implementado
HELOÍSA MENDONÇA São Paulo 28 AGO 2017 - 12:24 BRT
Presidente Michel Temer em evento em Brasília. ADRIANO MACHADO REUTERS

Mais um Fla X Flu entra em campo no Brasil com o anúncio de que empresas estatais, como
Eletrobras, serão privatizados. De um lado, um Governo que precisa fazer caixa e um mercado
financeiro que apoia a onda privatista, mas desconfia do sucesso da implementação em curto prazo.
De outro, servidores públicos e uma oposição ao presidente Michel Temer que enxergam oportunismo
e desespero em fazer anúncios tão relevantes com tão pouco debate à luz do dia. No meio uma
população que ainda digere as notícias econômicas que se amarram ao cenário político e suas
eventuais consequências para o dia a dia. A dúvida sobre o que acontecerá com a conta de luz se a
Eletrobrás for privatizada, por exemplo, é uma das principais.
Mas por ora, o único que se pode afirmar até o momento é que o pacote de privatizações
anunciado esta semana pela gestão de Michel Temer é o maior desde o Governo Fernando Henrique
Cardoso (1995-2003), responsável pela maior onda de desestatização do país. Há, entretanto, poucos
detalhes sobre o plano de privatizar 57 projetos e empresas estatais, entre elas a Casa da Moeda e o
aeroporto de Congonhas.
Vários analistas ponderam que o prazo de tirar o pacote de papel até o fim de 2018 é bastante
ambicioso diante de uma perspectiva econômica do país que não facilita o processo. "A economia
atual pode ser um entrave. E depende muito das regulações dos projetos. Se for pró-mercado, os
agentes estarão mais interessados. Mas, se for uma legislação que não é clara e gera incerteza, os
investidores terão receio. O Brasil tem um problema muito sério quanto a isso", explica Alexandre
Galvão, professor da Fundação Dom Cabral. O economista pondera que, por outro lado, há uma
equipe econômica pró-mercado liderada por Henrique Meirelles que pode facilitar os processos de
privatizações.
Na opinião de Mauro Rochlin, economista da FGV, o entrave maior que o Governo deve enfrentar
não será o de natureza legislativa nem jurídica e sim política. "Hoje as estatais são, em sua maioria,
um cabide de empregos para políticos. O processo também pode encontrar resistência do lobby de
corporações que querem manter seus privilégios. Há uma presença forte de interesses políticos e de
acordos entre empresas".
Ainda segundo o economista, o pacote está mais para uma "peça de marketing" pois não há
detalhamento nenhum sobre os programas, apenas uma manifestação de vontade. "Todos esses
processos de modelagem de venda demandam tempo. Muito difícil que eles gerem impacto nas
contas do Governo como espera a equipe econômica", diz.
Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, também concorda que há mais expectativa que
realidade envolvida no plano. [O Governo] tirou da gaveta um lote grande de outras coisas que me
dá, sim, a sensação de que não vai ter tempo de fazer e é mais um anúncio, propriamente mais uma
declaração de intenção, do que a realidade da coisa em si", afirmou durante um congresso em
Campos do Jordão nesta sexta-feira segundo a Folha de S. Paulo.
O imediatismo do anúncio visando aumentar o caixa do Governo – que enfrenta um rombo
bilionário nas contas – e a falta de um plano mais estratégico podem também prejudicar o processo
de desestatização na opinião de Rochlin. "O programa de privatizações não poderia focar apenas na
dívida e na meta fiscal. É um equívoco pensar em se livrar das estatais para ajudar a diminuir a dívida
do país".
O economista ressalta que parte do sucesso de algumas privatizações realizadas no Governo de
FHC foram acompanhadas de mudanças de marcos regulatórios importantes, como a do petróleo. Até
1997, a Petrobras era a companhia que detinha o monopólio de exploração. "No caso do Fernando
Henrique, as privatizações foram pensadas para ajudar na dívida, mas também para possibilitar
novos atores de segmentos importantes a alavancar a economia. Por enquanto, o plano de Temer não
se mostra um projeto consistente", diz.
Era da privatização
Durante a gestão de Fernando Henrique (1995-2003), foi criado o Conselho Nacional de
Desestatização que acelerou bastante os processos de venda de estatais. Só no primeiro mandato,
foram privatizadas mais de oitenta empresas, como a Vale do Rio Doce, a gigante de minério de ferro
e pelotas, e o sistema Telebrás, que até então era o monopólio estatal (e insuficiente) do setor de
telecomunicações. A empresa de telefonia foi desmembrada em 12 companhias. A venda de
empresas foi uma tentativa do Governo, assim como agora propõe Temer, de conter o agravamento
da dívida pública.
Há um certo consenso de que a privatização das teles foi um sucesso, mas que outras foram feitas
a toque de caixa, gerando forte crítica de parte da sociedade sobre as privatizações. Muitos analistas
avaliaram, na época, que a Vale, por exemplo, acabou sendo vendida abaixo do preço de mercado.
Outra crítica levantada contra as privatizações de FHC foi a atuação do BNDES, o banco público de
desenvolvimento brasileiro, que financiou boa parte das compras de ativos públicos.
Com a chegada de Lula, a política de privatização foi freada. O Governo petista acabou dando uma
ênfase diferente à relação com o setor privado e focou em fazer apenas concessões com prazos de
validade renováveis de atividades do Estado para a iniciativa privada, principalmente de rodovias e
hidrelétricas. O Governo Dilma Rousseff deu continuidade ao modelo implementado por Lula,
estendendo as concessões para outros setores importantes, como os aeroportos. Pouco antes do
processo de impeachment, a ex-presidenta chegou a anunciar um novo programa de concessões que
incluía aeroportos, portos e ferrovias, com a expectativa de gerar 198 bilhões de reais. Grande parte
do programa nunca saiu do papel. Diante de anúncios diários de medidas pouco debatidas às
vésperas de um ano eleitoral, o novo pacote de Temer poderia ter o mesmo destino.
Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/26/economia/1503758227_512966.html, acesso em 22.09.2017.

Privatização? Concessão? Não é tudo a mesma coisa?


Não! Você pode até argumentar que em ambos os casos o Estado não manda mais. Mas não é bem assim. Existem
grandes diferenças (inclusive sobre “palpitar”) e vamos vê-las de forma bem simples.
– Privatização: A privatização é a mais simples. Trata-se da venda de algum ativo, empresa estatal ou mesmo
equipamento à iniciativa privada. Normalmente através de leilões 100% confiáveis (hahaha), o Estado vende seu
“produto” tal qual você venderia seu carro, por exemplo, lucraria com essa venda inicial e deixaria seu produto
definitivamente em posse de outro.
Há casos e casos no Brasil que se referem à privatização.
As notícias recentes tratam principalmente a respeito da
Eletrobrás e da Casa da Moeda (o pacote é bem maior
como veremos abaixo). Pelo menos no que se tem sido
divulgado a respeito da Eletrobrás, o plano do governo
não é vende-la a um particular específico. Como a estatal
já tem ações divididas, o governo se propõe a
gradativamente abrir mãos das suas (vender) até que
100% delas estejam em mãos de diferentes grupos privados. O governo ainda promete se basear em modelos já vistos
em outros países com cláusulas em contrato anteriormente definidas onde, se ele não pode opinar nas decisões da
empresa, ao menos tem o poder de veto quando entender que o interesse do país é prejudicado.
No papel as coisas sempre parecem melhor do que são né… Abaixo o resumo do pacotão que o governo pretende
colocar à disposição.
– Concessão: A concessão seria um aluguel ou arrendamento,
grosseiramente falando, de algo ou serviço de responsabilidade do
governo para ser explorado ou executado por um terceiro (a
concessionária). O normal é de que previamente seja estabelecido o
tempo de concessão e os requisitos mínimos que devem ser atendidos
pela concessionária para ter direito a essa exploração.

O exemplo clássico para esse caso são as concessões de rodovias. O


governo por tempo determinado permite que alguma empresa explore a
rodovia X. A empresa (concessionária) assume o compromisso de
manutenção, segurança e melhorias dessa rodovia (previamente definidos
em contrato) e em contrapartida também assume os lucros dessa rodovia
através da cobrança de pedágios e publicidade.
Diferentemente da privatização, o bem (no caso a rodovia) ainda pertence
ao governo, que caso se sinta prejudicado (com um contrato bem feito) ou
entenda que a concessionária não cumpre com os requisitos
estabelecidos, pode revogar a concessão, a recebendo de volta. Algo que não ocorre na privatização. Por outro lado, o
governo também garante a concessionária alguns privilégios, como por exemplo o monopólio de determinado serviço,
não permitindo durante o tempo de concessão que serviços concorrentes prejudiquem os ganhos da concessionária
(novamente, depende do contrato).
Além das rodovias podemos citar aeroportos, ou como recentemente o prefeito de São Paulo têm feito, até parques e
(isso mesmo!) cemitérios.
– PPP: Apesar de não estar incluso nesse pacotão do Temer, ainda existe uma terceira categoria, as chamadas Parcerias
Público Privadas. A PPP é mais próxima da concessão do que da privatização. É feito um contrato por serviço ou mesmo
obra (melhoria) por tempo e valores determinados. Diferentemente da concessão em que a empresa obterá seus lucros
através da cobrança ao usuário, nesse caso é o governo quem arca com esse pagamento, podendo ser feito 100% por ele
ou parcialmente através de subsídios.
Disponível em: http://blog.maxieduca.com.br/privatizacao-concursos-nacional/, acesso em 22.09.2017.

Venda da Eletrobrás, um mar de incertezas na onda privatizadora de Temer


HELOÍSA MENDONÇA São Paulo 24 AGO 2017 - 12:59 BRT
Encurralado pelo rombo das contas públicas e pelas dificuldades políticas para avançar seu plano de reformas liberais, o
Governo de Michel Temer lançou uma bomba de efeito que agradou os investidores do mercado financeiro nesta semana e
enfureceu a oposição à esquerda. A gestão decidiu lançar uma versão turbinada do pacote de privatização e concessões, em
parte já anunciados pelo próprio Planalto e até pelo Governo anterior. Além da lista dos mais de 50 ativos estatais que estarão
à venda ou que serão concedidos ao setor privado, que inclui até mesmo a centenária Casa da Moeda, chama a atenção a
inclusão de uma novidade: a proposta de venda da Eletrobrás, a maior empresa de energia da América Latina. A joia da coroa
do programa privatizador de Temer provocou comoção na Bovespa, mas o consenso entre especialistas ouvidos pelo EL PAÍS é
que os detalhes sobre a operação especial planejada para as mudanças na estatal ainda são pouquíssimos. Um verdadeiro mar
de incertezas ronda a possível venda da empresa, hoje responsável por 31% da capacidade da geração de energia do país e por
47% das linhas de transmissão.
A volta da discussão sobre as privatizações na agenda econômica brasileira contrapôs reações no meio político e provocou
uma verdadeira euforia no mercado financeiro no caso da Eletrobrás. As ações da Eletrobrás chegaram a disparar quase 50%
na terça-feira, dia do anúncio, e fizeram a Bolsa brasileira fechar no maior patamar em mais de seis anos e meio. "Ainda que
não haja detalhes, a intenção do Governo caiu bem aos ouvidos do mercado, que está precificando (avaliando o impacto no
preço) da Governança dessa empresa agora sem o uso político da companhia. A Eletrobrás tem ativos importantes, só
precisam ser melhor utilizados e geridos", explica Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, maior gestora de energia do
país. Enquanto isso, o ex-presidente da empresa sob Lula, Luiz Pinguelli, pregava contra a proposta: "A Eletrobrás tem um papel
muito grande a cumprir. Isso dentro de uma visão de uma empresa estatal eficiente, coisa que ela não é. No momento, ela está
esvaziada, mas a solução não é a privatização", disse ele ao Nexo Jornal.
De certo até agora, só sabe se que a companhia passaria para o controle privado, mas a União permaneceria como uma das
acionistas da companhia - recebendo dividendos - e com poder de veto na administração, garantindo que decisões estratégicas
no setor sejam preservadas ( o chamado golden share). Também já está definido que ficarão de fora da privatização as usinas
nucleares do complexo de Angra, a hidrelétrica de Itaipu, cuja propriedade é dividida com o Paraguai, e programas sociais
como o Luz para Todos, de fornecimento de energia às famílias mais pobres.
Apesar do conselho do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI), colegiado que analisa as concessões e privatizações
do Governo, ter aprovado a proposta de venda da Eletrobrás nesta quarta-feira, vários estudos ainda serão realizados para
definir as regras. Possivelmente, o Estado emitiria novas ações ordinárias e diminuiria sua participação na companhia. Hoje a
União detém 40,99% das ações da empresa, o BNDES 18,75% e fundos federais cerca de 3,4%. Segundo o ministro do
Planejamento, Dyogo Oliveira, a ideia inicial é que a privatização seja pulverizada, vetando a possibilidade que um único grupo
adquira a maioria das ações, como aconteceu com a Vale. A equipe econômica acredita ainda que todo o processo consiga ser
concluído em 2018.
Ao justificar a venda da estatal, o Ministério de Minas e Energia alegou que o objetivo é recuperar a eficiência da estatal,
que acumula hoje uma dívida de 23,4 bilhões de reais. “Os problemas decorrem de ineficiências acumuladas nos últimos 15
anos, que impactaram a sociedade em cerca de um quarto de trilhão de reais [250 bilhões], concorrendo pelo uso de recursos
públicos que poderiam ser investidos em segurança, educação e saúde”, disse em nota.
Corrida fiscal
Para especialistas ouvidos pela reportagem, a decisão de privatizar foi acelerada por conta da situação econômica do país e
também pelo tamanho do déficit das contas públicas. "Toda a motivação é a necessidade de recurso para o Tesouro Nacional. A
Eletrobrás já não vinha desempenhando um papel importante ou estratégico no setor elétrico, muito por conta dos problemas
financeiros que ela enfrentava", explica Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do
Instituto de Economia da UFRJ.
O professor pondera, entretanto, que há riscos quando o Estado brasileiro perde um instrumento de política energética.
"Uma coisa é você estar em um país desenvolvido, outra é estar em um país como o Brasil com uma heterogeneidade
econômica e regional muito grande, com muitos lugares com necessidade de crescimento e mais capacidade de transmissão.
No futuro, você pode correr o risco de ficar refém do privado", afirma Castro.
O analista econômico Miguel Daoud também considera que a notícia da privatização mostrou certo desespero do Governo,
que acabou não sendo claro em seu plano. "A privatização é positiva, mas ela não foi decidida em um plano estratégico. A
intenção é boa, mas a forma foi atribulada em um momento que o país passa por um ambiente complicado.", explica. Daoud
também explica que a teoria do ministro de Minas e Energias, de que a privatização pode reduzir a conta de luz, é equivocada.
O efeito, segundo o economista, deve ser justamente o inverso: o aumento nas tarifas."
Na avaliação de Edmilson Moutinho, especialista do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a redução do peso do Estado
acompanhada de uma melhoria da governança corporativa são boas notícias, mas não garantia de que os problemas da
companhia serão todos resolvidos. "Do lado da distribuição, por exemplo, Estados menos favorecidos continuarão sendo
custosos. Não significa que, ao privatizar, você irá torná-los rentáveis", diz. Moutinho ressalta ainda que todas as grandes obras
feitas no setor elétrico do país a presença do Estado se mostrou necessária. "Com a saída do Governo, será que vamos
conseguir novas grandes obras para fazer os investimentos expansões necessárias?", questiona.
Guinada sob Dilma e tarifas
Não é a primeira vez que a empresa, criada na década de sessenta para promover estudos construir usinas de energia
elétrica, sofreu mudanças. Na Governo de Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), a companhia chegou a privatizar algumas
distribuidoras. O plano inicial de Temer era seguir com essas vendas pulverizadas, mas o modelo final anunciado acabou sendo
outro.
Nos últimos anos, a estatal começou a registrar perdas devido à crise e também às suspeitas de irregularidade em projetos.
A companhia é alvo, por exemplo, da Operação Lava Jato por suspeita de desvio nas obras da usina de Angra 3. A alteração das
tarifas de eletricidade no Governo Dilma, que reduziu o valor em 20%, também ajudou a cair ainda mais os ganhos da estatal,
que no ano passado começou a adotar medidas de ajuste na companhia. Especula-se que parte do plano da gestão Temer seja
justamente reverter as regras criadas por Dilma, o que envolve renegociar contratos de venda da energia produzida pelas
hidrelétricas mais antigas do sistema. Se isso acontecer, pode haver aumento das tarifas, disse à Reuters o diretor da Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Tiago Barros. Não à toa a reação da ex-presidenta, vista por seus críticos como uma das
responsáveis pelos problemas da Eletrobrás, foi a mais contundente: "Como ocorreu em 2001, no Governo do FHC, significa
deixar o país sujeito a apagões. O resultado é um só: o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica por uma energia
que não terá fornecimento garantido".
Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/24/politica/1503529063_412380.html, acesso em 22.09.2017.