Você está na página 1de 101

°' 1·

1
PREFÁCIO
/llJIJlllJllJlllllJ~lllll/I -1

r,

·. 1'
··i
ISBN: 85 - 232-0027-4

·. _- ,-- ,- o e A u.t.i.l.i.zaç.ão do m.i.c.11.o.c1c.Õp.i.o polal!..i.zan.te. é uma c.on~


1~ \- '/ -- JCJ -._; _J .tan.te. daque.le..6 que. .c1e. de.d.i.c.am ã Ge.olog.i.a, upe.c..i.almen.te. no.6
c.ampo.6 de. M.i.ne.Jt.alog.i.a e. Pe..t11.ogJt.a6.i.a.
MJLC(... j~.Al':D~I
f',f;: V::(jl-.'
rU
/io:·"(~
1 :.c ..c'. (' <'.:l /': :. 7~
·..., t. ::1j " Lii...;
u ·-d 7 i l ~ ;.r~h ><cde"
n .1 (1;.... 1

~~~:~~3S,_~d~~Oi~1-~
' - . .. . ...... 1
>'I
A.c1.c1.i.m, o.6 au.toJt.e..6 julga.11.am opo11..tuno lanç.a11. e..6.6a "II:!_
TROVUÇÃO AO USO VO MI CROSCi1PI O PETROGRÁFICO" de..6 .t.i.nada ao.6 ~

f~~~L1:~- ---··· . ç{Y.,,/~/dco.~ i" .tud.i.o.6 0.6 e. pa11.üc.ula11.me.n.te. ao.6 aluno.6 que. .6 e. .i.n.i.c..i.am naq ue.la.c1.

~ ~~r·~·.:·.:.~~=-~J:.: . .... .. '


r( e..6 pe.c..i.à.l.i.zaç.õu onde. a b.i.bl.i.og11.a6.i.a. e.m no.6.6 o .i.d.i.oma é Jt.e.la.t.i.-
vame.n.te. e..6 C.a.6.6 a.
i=: ·:.15~:·· ;~;n
~----~-
Ne..6.6 e. volume. .6 ão de..6 c.11..i..to.6 o.6 pl!..i.nc.1.p.i.o.6 ge.11.a.i..6 de
-~~ 6unc..i.oname.n.to do m.i.c.11.o.c1c.Õp.i.o pe..t11.og11.â6.i.c.o,dando-lhe. um e.unho

@_.JQ~. al._ 'I e..c1.c1-e.nc..i.alme.n.te. p11.â.t.i.c.o, .6 a.c.11..i.6.i_c.ando, ii.6 vêzu, o Jr..i.9011. .te.õ-
_. .. . Jõa :p en ho
. -.,..- Preço I·
1
11..i.c.o de. que. pode.11.â .c1e. .c1a.t.i..c16aze.11., o le..i..toJr. .i.n.te.11.e..c1.c1a.do, na 11.e.
6e.11.ênc..i.a b.i.bl.i.ogJt.â6.i.c.a. .i.nd.i.c.ada.
0.6 a.u.toJt.e..6 ag11.ade.c.e.m ãque.le..6 que. ve.nha.m a. c.11..i.Uc.a.11.
Fujimori, Shiguemi
Introduçio ao uso do microsc6pio petrogri c.on.c1.t11.uüvame.n.te., v.i..6ando o a.pe.Jr.6e..i.ç.oa.me.n.to de..6.6a "H/TROVUÇÃO
F96li fico/Shiguemi Fujimori e Yêda Andrade Fer
reira. ~ l.ed., 3~ tiragem. ~ Salvador! AO USO VO MICROSCi1PIO PETROGRÁFICO".
Centro Editorial e Didático da Univ e rsidade
Federal da Bahia, 1985.
240p. : il. ..! :; . 1· . <' \'. :\ . ': ' .

A 2~
presa,
tiragem,
por um lapso,
publicada em 1979,
cocio 2~
foi
fi..di,_.ão.
im l
1. Minerais ~ Propriedades.~pti c as .

de Andrade, colab. II. Título.


2.
Microscópios ~ Descrição. I. ~erreira,Yêda

CDU - 549.903.5:535.82.004.l
CDD - 549.125
r
!
1
,'1'

...
/:

i fNDICE
:1

.... INTRODUÇÃO ......................................... .


I
1
1.
1.
1.
2.
De~iniçÕes _ •• : •..••.••.••..•.•.....•..•.••.•..
Õtica geometrica •.••••••.••.•...........•....
1. 3. Princfpio da reflexio ....••.••.•.•.•....••..•
1. 4. Princ[pio da refraçio ..•••••.••.•••...•.•....
1. 5. Relaçio entre fndice de refraçio e comprimento
"
~
1. 6.
1. 7 •.
de onda da radiaçio ••.•.•..•••...••••.•••.•..
Ângulo cr[tico e reflexio total . . . . . . . . • . . . . .
Dispersio •..•.•.......•.•••.•.•••..•.•.•.••.•
1. a. Determinaíio do Índice de refraçio .....••.•••
;-· 1. 9. Polatiza_zao da luz ..•.....•.•..•..•••.•.•..••
1. 10. Interferencia •.•.•......•..•...•.••...•....•.
~

INDICATRIZ DOS MINERAIS ••...••.••.......•.••.•••.••.


2. 1.
Minerais isotrópicos .••••.•.•..•. , •••.••..•.•
2. 2. Minerais anisotrópicos uni axiais ...••.••..••.
2. 3. Superfície de velocidade dos raios dos mine-
rais uniaxi9is . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2. 4. Minerais aniso _trÓpicos biaxiais •..•...•••...•

~ MICROSCÕPIO PETROGRÃFICO ....•••.••••.•.•.••......•..


3. 1. Descriçio geral •.••..••••..........•.•......•
3. 2.
Objetiva ..•••.•...•••.•.•..•.••...••.••.•• •.·,
3. 3. Ocular •••.••••.•.••......•••.••....••...••. :. ,
3. 4. Polarizador e analisador ••.••••...•••.......•
3. 5. Lente de Amici-Bertrand •••.•.•...•...••.•••••
3. 6. Condensador ••.•••••.••.•..••••.•...•.....•...
3. 7. Diafragma Íris •.•.•••••..•.•.•.••.•.....•.•••
3. a. Filtros ••..••••••••.••••••••.•..••••...••••.•
3. 9. Acessórios .•.•••••.•.•.••.•.••••..•.••.•••.•.

OPERAÇÕES PRELIMINARES •••••.•.•.•••••.••.••.........


4. l. Observações inlciais ···············•~········
4. 2. Planos de vibraçio do polarizador e do analis~
dor •••••••••..••••...•.•.••••••.•.••• , .•.•.••
4. 3. Centralizaçi6 do microscópio .••••.•..•.••••••
8. 3. Formação das is~giras . . . . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . 141
4. 4. Retificação dos retículos • . . . . . . . . . . . • . . . • . . 51 8. 4. Figura de bissetriz aguda não centrada ..... . 145
4. 5. Focalizalão .•...........•..•.•.••.• · • • • · · · • · 52 8. 5. F~gura de b~sse:r~z obtusa (Bxo) .....•..•... 145
4. 6. Preparaçao das lâminas delgadas ........•.••• 53 8. 6. Figura de eixo otico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
4. 7. PEeparação das amostras em líquidos de imer- 8. 7. Figura de normal Ótica . • . • . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151
sao . . . • . . . . . . . • . . . . . • . . . • • . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 ,.- 8. 8. Figuras do tÍpo pêndulo e leque . . . . . . . . . . . . . 153
4. 8. Montagem permanente de grãos de amostra ....• 58 8. 9. Orientação Ótica dos grãos de um mineral bia-
5. OBSERVAÇÃO DOS MINERAIS COM LUZ NATURAL POLARIZADA .
y\ xial . . . . . . . . . . ·. . . • . . . . . . . . • . . • . . . . . . . . . . . . . . 155
59 8 .10. Determinação do sinal Ótico por meio de bisse
------. 5.
~--.. 5.
1.
2.
Geral .••......•.....•..•.•....•...•.•.....•.
CÔr .•.......••..••.....•.••........•........
59
59
.\ 8. 11.
triz aguda (Bxa) . . • . . . . . . . . . . . • . . . . • . . . . . . . :-
Determinação do sinal Ótico por meio de figu-
158

'
<-..--. 5. 3. PleocroÍsmo e absorção . . . • . . . . • . . • . . . . . . . . . . ra de eixo Ótico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166
60 8. 12. Determinação do sinal Ótico por meio de figu-
5. 4. Relêvo . . . . . . . . . . . . . . . • . . • • • . • • . . . . . . . . . • . . • . 61
5. 5. fndice de refração do mineral em ralação ao ra de bissetriz obtusa (Bxo) . . . . . . . . . . • . . . . . 171
do meio de imersão ...•...•....•.•.•..•.•.... 8. 13. Determinação do sinal Ótico por meio da figu-
63 ra de normal ótica • . . . . . . . . . . . . . • • . . . . . . . . . . 176
5. 6. Clivagem . . . . . • . . • • . . . . . . . . . . . • . . • • . . . . . • . . . . 66
5. 7. P~r7ição · · · : · · · · : · · · · , · · · . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 9. ORIENTAÇÃO DAS INDICATRIZES - DISPERSÃO . . . . . . . . . . . . 179
5. 8. Habito dos minerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
9. 1. Orientação das indicatrizes dos minerais unia
6. OBSERVAÇÃO DOS MINERAIS COM NICÕIS CRUZADOS •.•..•.. 74 xlais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . :- 179
\. 9. 2. Orientação das indicatrizes dos minerais bia-
6. 1. Princípio geral .••.....•.••....•.•...•...•.. 74
I 6.
6.
2.
3.
P~siçÕes ~e extinião_e de mixima luminosidade
Cores de interferencia .•........•..•••......
77 9. 3.
xi ais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Dispersão n~s minerais isotrópicos . . . . . . . . . .
179
183
79 9. 4. Dispersão nos minerais anisotrÕpicos uniaxi-
~ 6. 4. Birrefringência mixima e côr de interferência
ais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184
de maior ordem .••....•••..•......•.•.•.•.•.. 83 \ 9. 5. Dispersão nos minerais anisotrópicos biaxiais
6. 5. 185
Utilização de acessórios . • . . . . . • . . . . . • .•••.. 85
6. 6. Determinação das posições ~os raios lento e
ripido do mineral com acessório . . . . . . . . . . . . . 86
)1 AP!NDICE - Determinação dos Índices de refração com ó-
6. 7. 1 leos de imersão . . . . • . . . • . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . 194
Determinação da posição dos raios lento e ri-
pido do mineral por meio da cunha de quartzo. 91 1
t BIBLIOGRAFIA . • . . . . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
- 1 6. 8. Determinação da côr de interfer~ncia de maior ',..
ordem . . . • • . . • . • . . . . . . . • • . • • . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 1
" 6. 9. T~pos de extinçã~ ...•.........•......•••...• 96 1

6. 10. S i nal de elongaçao ...•...•.....••.••..•..••.. 99


6. 11. Determinação da espessura do mineral ....•... 102
6. 12. Determinação da birrefringência mixima ..... . 104
6 .13. Geminação, zoneamento, côr de interferência a
nômala ..••........•...•..•..•..•........••• :- 105

7. OBSERVAÇÃO CONOSCÕPICA DOS MINERAIS - FIGURAS DE IN-


TERFER!NCIA DOS MINERAIS UNIAXIAIS .••••..•••.•.•... 108
7. 1. Geral •..•. ; ••...•....•••.•..••.••••....•.•.. 108
7. 2. Figura de eixo Ótico centrado ..•....•..••... 110
7. 3. Formação da figura de interferência .•...• • .. 111
1 \
7. 4. Figura de eixo ÕticÔ não centrado •.........• 115 1
7. 5. Figura do tipo relâmpago .•...•.•.• , ..•••.... 116
1

7. 6. Determinação do sinal Ótico por meio de figu- 1

ra de eixo Ótico centrado •....•.•••••..•..•. 118


7. 7. Determinação do sinal Ótico por meio de figu- 1
i 1
ra de eixo ótico não centrado •..•••••....•.. 127
7. 8. Determinação do sinal Ótico pela figura do ti
po relâmpago ..•.••••••••.•••• • ·. • • • • • • · • • • • • 131 n·.
_,
8. OBSERVAÇÃO CONOSCÕPICA DOS MINERAIS - FIGURAS DE IN- ,.
\
TERFER!NCIA DOS MINERAIS BIAXIAIS •.•••••.••••••• • • · 137
8. 1. Geral ., ,, ....•....••••....•••••.•• • • • • • · • • • • 137

6
8. 2.
•/ .:".

..
~·; ' ·'
·\ .
.. .:,~ :~ ..
Figura dé bis'sétriz • aguda \,.llxa) ••...•.•.• · • · 137
~ ... ..
Btt•LIOTECA SETORl'.-.1..
7

· °"" : ~ , ,t.• .. o.,te. d• Geolo&la. UFRlit


u
~ ,1

1

1. INTRODUÇÃO

1;
1

"\.
1.1. Definições
l Luz - é uma forma de energia radiante que causa as
sensações recebidas pelos Órgãos visuais. Alguns fenômenos pr~
<luzidos pela luz são melhor explicados admitindo a luz com na-
,. tureza corpuscular, ao passo que outros só são explicáveis p~
i
i •
la teoria ondulatória da luz. Daí o caráter dual da natureza
da luz.
·- Sendo a luz uma espécie de oscilação periódica, ela
nada mais é, ordinàriamente, que a parte visível de espetro
eletro-magnético mais amplo que vai desde os raios gama até as
ondas longas de rádio (Fig. 1. 1) . -=---==e. ·

LUZ Yll{YE'L

...• i .... X ! ULTUV.OLfU ~


1
..... ·•UMfLNO ! ••••• -Cu•us o< .... ,.

1
~
1
l
1
~
1 '~,~- 1 '
-~ ~
'

'IG . 1.1 - ESPECTRO ELETlltOM~GNETICO

1 Comprimento de onda (Ã) - é a distância entre duas

l
posíçoes consecutivas idênticas na direção de propagação de um
movimento ondulatório. Na Fig. 1.2 a distância entre duas cri~
tas consecutivas mede À. O comprimento de onda da luz varia
1 _1 . _7
),,\.
desde 3 900 Aº ( 1 Aº = 10 mµ = 10 mm) até 7 900 Ao, aproxi
'i
'· 1 q

- ==...:...;:_·~.;..=.;.;__:·
madamente. A luz branca é constituída de tÔdas essas radiações
visíveis e é separada nas seguintes côres fundamentais:
Ã=v
V
T=--º-
",'"
.\ '.
.

o f
( violeta 3 930 Aº - 4 460 Aº
1 Luz monocromática - é a luz · c onstituída de um Único
anil 4 460 - 4 640
comprimento de _onda. Exemplo de uma luz monocromática é a l u z
azul 4 640 - 5 000 amarela de sódio, cujo comprimento de _onda é, aproximadamente,
\ verde 5 000 - 5 780
5 890 Aº.
\,
amarelo 5 780 - Raio - é a linha de propagação da luz a partir do
5 920
ponto de origem a um outro ponto qualquer. Nos meios homogê-
alaranjado 5 920 - 6 200 neos, os raios são retilíneos. · (Fig. 1.3).
vermelho 6 200 - 7 590

Anteparo '"'1

\. r-------~
i A
A
1 Raio

'~.~ :: :. :....
1
FIG . l . 2 - MOVIMENTO ONDULATÓRIO SENOIDAL ~ · .·.:

Período (T) - é o tempo gasto para uma oscilação co~


pleta, isto é, o tempo necessário para percorrer uma distância FIG. 1. 3 - RAIO DE LUZ
lgual a um comprimento de onda.

Freqttência (f) - é o número de oscilações completas


Feixe - é um conjunto de raios que partem de uma fo~
na unidade de tempo (segundo). A frequência é expressa em ci te de dimensão finita.
elos. A frequência da luz é extremamente alta, da ordem de
11+ .,.. .. ' 1
5,1.10 ciclos por segundo. L o inverso do periodo, f = _ Superfície de onda - a partir de um ponto luminoso,
T infinitos raios são emitidos em tôdas as direç ões. Depois de
Velocidade da luz ( V ) - a velocidade da luz no um certo tempo, êsses raios terão percorrido uma certa distân-
o
vacuo é·igual para tÔdas as côres e é dada por: cia a partir daquela origem. As extremidades de todos êsses
\• ·- ·- --· raios formam, num determinado instante, uma superfície chamada
\ ~
jV : 299 776 (~ 4) Km/seg. ~ (_ superfície de onda.
0

Entre o período (T) (ou frequência f), a velocidade \\ No meio isotrÓpico, essa superfície é esférica, pois
(v 0 e o comprimento de onda de uma radiação (Ã), existe a se-
)
• os raios possuem a mesma velocidade em tôdas as direções (sub~
guin~e relação: tâncias amorfas e cristalinas do sistema isométrico) (Fig.
1.4). ·'''
10
11

' /
;(
Nos meios ~~~~~cos (maioria das substâncias
dos eixos principais.
cristalinas) os raios de luz se propagam com velocidades dif~
rentes conforme a direção. As superfícies de onda, nesses c~ Uma onda particular propaga· na direção do raio, mas a
sos, são elipsóides. Na Fig. 1.5 vê-se uma seção através des- frente de onda avança na direção da normal à onda.
sas superfícies.

'<Normal Normal
1
Frente de onda
/.-"
Frente de
onda ,,,..,,,...~Normal

-,--
;\lormol

~\.
1
i Normol--1
1

de o ndo
1
1
i--Norrno 1

Fig . I. 5-SUPERFÍ CIE DE DNoA DE SUBS-


Fig . 1.4- SUPERFÍCIE DE ONDA E S FE- TÂNCIAS ANISOTRÓPICAS .
RICA .

Frente de onda - é o plano tangente à superfície de


onda no ponto tocado por um raio qu~lquer. No caso da superfí-
1.2. Õtica geométrica
cie de onda esférica, o plano tangente à superfície é perpendi
cular ao raio que teca na superfície no respectivo ponto de A Ótica geométrica estuda fenômenos Óticos simples
tangência (Fig. 1.4). baseada em princípios que são os seguintes:

Quando a superfície de onda não é esférica, o pl~ a) princípio da propagação retilínea da luz nos mei-
no tangente não é perpendicular ao raio que toca no respecti vo os homogêneos;
ponto de tangência, exceto aos raios que propagam na d i reção b) princípio da reflexão;
dos eixos principais de elipsóide (Fig. 1.5).
c) princípio da refração;
Normal à onda - é a perpendicular à fren~e de onda,
ou seja, ao plano tangente à superfície de onda. S~ a superfí- d) princípio da independência dos raios.
cie de onda é esférica, essa normal coincide com a direção do )~
O primeiro princípio pode se resumir da seguinte m~
raio (Fig. 1.4), porém, se é elipsóide, ela não coincide neira: a luz se propaga em linha reta nos meios homogêneos.
~;ma direção do raio l~ino'o (Fig. l.S), exceto ~ di~ção Quando o meio não é perfeitamente homogêneo, como é o caso da

1 13

L'
~'.
. :::-r== ~--
r--;7
' ( ,

massa atmo sférica que rodeia a Terra, o raio da luz apresenta 1.3. Princípio da reflexão
Q~a curvatura, como indica a Fig. 1.6.
Dois meios homogêneos, m1 e m2 são separados por uma
superfície S. Um raio de luz AP,que se propaga no meio m ,após
1
LUZ
-- ATMOSFERA
atingir a superfície S em P é devolvido ao meio, segundo
raio PS. O raio AP é o incidente e PS o refletido. Seja PN
0
a
normal à superfície S no p·onto P. A lei da reflexão estabelece
.. que os raios incidente, refletido e a normal à superfície no
TERRA ponto de incidência estão no mesmo plano e o ângulo formado p~
lo raio refletido e a mesma normal, (r ), são iguais.
1
O ângulo i 1 é o ângulo de incidência e o ângulo r ,o
FIG . 1 6-TRAJETÓRIA DA LUZ DE SOL NA ATMOS- ângulo de reflexão. 1
FERA D~ T ERRi'.
Naturalmente, o fenômeno é muito mais complexo, se
se leva:r- em consideração a porção de raio que penetra no ou-
tro meio, m2 , a distribuição energética dêsses · raios, ou mudan
ça na estrutura de vibração dêsses raios (polarização).

N
A 8

~
1.4. Princípio da refração

-·/ ml
yme;o
Conforme foi dito na seção anterior, uma parte
luz incidente penetra no mejo m , geralmente apresentando
2
desvio na direção de propagação.
da
um

p
O raio PC, que penetrou no segundo mei~ é o raio re-
fratado (Fig. 1.7), e o ângulo i 2, formado por êsse raio e a
si normal à superfície S de separação no ponto de incidênci~ é o
i2 \ . meio m
ângulo de refração.
2

De acÔrdo com o princípio da refração, o raio inci-


\e dente, ·o raio refratado e a normal à superfície de separação
dos dois meios no ponto de incidência estão no mesmo plano; a
relação entre o seno do ângulo de incidência e 'o s~no do ângu-
lo de refração é constante (Lei de Snell).

FÍ9.1 7- LEI DE REFLEXA O E REFRAÇAO . seno i 1


seno i = n 1 2 = Constante \"1 1'J"" ""'· : "t11 1'>t-.J::' .,
2
n 1 2 é o {ndiae de refração relativo do segundo meio em relação
ao primeiro.

o Índice de refração de um meio em re•lação ao vacuo


se chama {ndiae absoluto ou, simplesmente, {ndiae de refração.
14
15
(,<.J

1 • Se n 1 e n 2 forem Índices absolutos de refração dos sendo T o período da luz monocr6mática igual em todos os meio~
.meios m1 e m2 , respectivamente, de acÔrdo com os conceitos de propagação por ondas •

~ sen i1 ou n .sen i Da relação acima verifica-se que o comprimento de o~


nI 2 = 1 1 n 2 • sen i 2
nl sen i 2 da de uma radiaçã'o monocromática varia de um meio para outro,
De acôrdo com o princípio de Fermat (O trajeto da na razão inversa dos Índices de refração.
luz entre dois pontos quaisquer é feito num tempo de valor ex-
remo), e~pela te~ria ondulató~ia da luz,sabe~se que_º. Índic~
G de refraçao relativo nI 2 do meio m2 para o meio m
1
e igual a 1.6. Ãngulo crítico e reflexão
relação entre os inversos das velocidades de propagação da luz total
nos respectivos meios, vI e v •
2 Sejam dois meios, por exemplo, ar e água, sendo o Ín
n2 Vl dice da água maior que o do ar (Fig. 1.8).
n I2 - ounI.vI= n 2 .v 2 =const. =n0 v
nI Vz 0

sendo v 0 velocidade de propagação da luz no vãcuo e n =1, Índi N


0 N
ce de refração absoluto para vácuo.
o
Então, o Índice absoluto de refração de um meio qual o
quer sera:
b
V i>
n = --º~
V

Esta relação permite calcular a velocidade de propa-


, 1 e .~
gação da luz num meio qualquer,cesde que se conheça o seu Índi /
ce de refração e a velocidade de propagação de luz no vácuo.
1 d'
O Ínàice de refração pode ser medido experimentalmente. e'
Pela relação nI.sen i 1 = n 2 .sen i , verifica-se que,
2
quando um raio de luz atravessa de um meio de Índice de refr2
ção n I para outro de Índice n 2 maior ( n: < n ), o raio refrata- N
1
a'
2 o'
do se aproxima da normal, pois, serido nI < n 2 , sen iI > sen i , tem- N'
2
se i 2 < iI (Fig. 1.7).
FIG. 1. 8 .-ÂNGULO CRÍTICO
FIG. 1. 9.- ~.Ef;LEXÂO TOTAL
\-:
1 . 5. Relação entre Índice de
refração e comprimento de O raio incidente, ao passar do ar para a água, se refrata, dando
onda da radiação o raio refratado a• que se aproxima da normal à superfície d~

Sendo n I e n,- os Índices de refração de dois meios, e separação, de acÔrdo com o que se viu no princípio da refração.

v 1 e v 2 as velocidades respectivas de uma radiação monocromáti Aumentando o ângulo de incidência, tem-se, para cada raio inci-
ca, tem-se: dente ( b, etc. ),um raio (b' ... ) cujo ângulo de refração
n2
cresce correspondentemente. Ao ângulo de incidência, igual a
VI TV ÀI
-- = ---- = -...,,- L = -- 90°, corresponde um raio incidente rasante (c), cujo ângulo de
n1 Vz -· Vz Ãz
l6 17

./'.
refração ic é o ângulo máximo de refração. ~ste ângulo de re-
fração chama-se ângulo aritiao ou ângulo limite. Para essa in
cidência rasante resulta: D = nviol. - nverm.

n sen 90° 1 Outros tipos de dispersão serão estudados no Cap. 9.


e portanto ten-se
sen i sen i c
c
1
sen i c
n Prisma
No caso de água, onde n é 1,3 , ic = 48°31'. Se o raie de luz
se propaga de um meio de Índice de refração maior para outro de
menor Índice, da água para o ar, por exemplo (Fig, l.9h o raio Luz Branca

refratado se afasta da normal PN. Ao ângulo crítico de inci- Incidente

dência ic = 48° 31', do raio incidente c', corresponde um raio Vermelho

refratad~ ra s ante paralelo à superfície de separação dos dois


meios.

Para qualquer out~o raio (d', c' ... ) do ângulo de


incidência maior que o ângulo crítico i , não há nenhum raio
c
refratado ao ar, mas sim raios refletidos (d, c ... ) para o
primeiro meio. ~ o fenômeno da reflexão total. As aplicações
dêsse fenômeno são numerosas. FIG. 1.10 - PRISMA OE DISPERSÃO

1.7. Jispersão 1.8. Determinaçã~ do índice de


O Índice de refração absoluto de um meio varia com o refração
comprimento de onda da luz, isto é, é função da côr da luz. ~~
Existem vários proce'ssos para determinar o Índice de
se fenômeno é a dispersão do {ndiae de refração ou aromatis-
refração. Os principais métodos são os seguintes:
mo.
a) métodos baseados nos ângulos críticos de refração,
A luz branca, composta de várias cores, ao atraves-
com duas variantes principais: a que se baseia na reflexão to-
sar um meio transparente, sofre refração. Mas, como as diversas
tal e a dos raios rasantes;
côres que compõem essa luz apresentam Índices de refração dif~
rentes, o ângulo de refração será diferente para cada côr, e, b) método do prisma, que se baseia no princípio do
como conseqüência, haverá uma separação de côres. Isso é demon~ desvio mínimo ou no princípio da incidênciá· ·perpendicular;
trado pela clássica experiência do prisma (Fig. 1.10). c) método de imersão. A prática dêsse ~étodo
Quando a luz incidente é monocromática, não há
1 explicada com detalhes no Cap. s . e se baseia na
sera
iluminação
dispersão, pois ela é con~tituÍda de um Único comprimento de on central ou na iluminação oblíqua.

da.

A dispersão D de um meio qualquer ~ definida pela di


1.9. Polarização da luz
ferença entre os Índices de refração para violeta e vermelho.
Uma luz não polarizada vibra perpendicularmente à
18 direção de propagação da luz em tôdas as direções (Fig. 1.11).
19
Quando se restringe essa vibração a ur:. ;i e c;_ ueno numero de pla- ângulo de incidência, do Índice de refração da superfície re-
fletora e da qualidade dessa superfície, e é máximo quando o
nos, tem-se a luz polarizada.
raio refratado e o refletido são perpendiculares entre si, de~
Obtém-se luz polarizada de vá~'ias maneiras, sendo os
côrdo com a lei de Brewster.
principais pro~essos os seguintes:
Nas condições da lei de Brewster, tem-se:
a) por reflexão numa superfície polida;
b) por refração sucessiva em placas finas de vidro;
n = seni sen i sen i
= tg i
sen r s en ( 9Õ -- 1 ) cos i
c) por absorção por cristais como turmalina ou por
Polarização por absorção - emprega-se comumente ap~
substâncias artificiais como herapatita (polarÓide); ca de turmalina cortada paralelamente ao eixo cristalográfico
d) por dupla refração em cristais de calcita; e e o polaróide (herapatita).

e) por difusão. A turmalina apresenta a propriedade de absorver os


raios que vibram normalmente ao eixo cristalográfico e, e peE
Polarização por reflexão e refração - o raio refleti
mite a passagem daqueles que vibram paralelamente ao eixo c.
do é polarizado e vibra no plano perpendicular ao plano de in- Assim, o raio que atravessar uma lâmina de turmalina está pol~
cidência, ao passo que o refratado o é no plano paralelo ao de
}
j incidência (Fig. 1.11).
rizado (Fig. 1.12).

N Eixo C

-90 .

#
"'º~'º'°01,'""1Q:
o,. . el}1
'-.... '<o e
O'a ,,,,,''·oºx Luz Natural Luz Polarizada

.o
~,,,
. o

~o' (,.,,.
<?º'º
s *r------- -
.',()~·
o "<>
"'"',..}·~
Placa de Turmalina

>Q °ó o,..e>.
% FIG . l . 12-POLARIZAÇAO DA LUZ.

Polarização por dupla refração - um raio de luz, ao~


travessar um meio anisotrópico transparente, se refrata, desdQ
brancb-se em dois raios que vibram em planos perpendiculares en-
FIG. 1.11- POLARIZAÇÃO DA LUZ POR REFLEXÃO E REFRAÇÃO tre si. A calcita apresenta êsse fenômeno de uma maneira parti
INCIDÊNCIA BREWSTERIANA cularmente notável. Um dos raios refratados pela calcita vibra
no plano que contém o eixo cristalográfico e e é chamado raio
extraordinário, e o outro raio refratado vibra no .plano perpe~
O grau de polarização do raio refl~tido é função de
21
20

V
dicular ao primeiro (Fig. 1.13), e é o ordinário.
l
1
1. 10. Interferência
Seja feita a analogia de fenômenos da interferência
da luz
com o deslocamento de um ponto P qualquer,simultâneame~
te, por duas ondas emitidas pelas fontes S1 e S2 (ou por uma
~ e
mesma fonte) (Fig. 1.14).

A onda proveniente da fonte S , apos um percurso r ,


1 1
atinge o ponto P, provocando seu
deslocamento, o mesmo se dando
com a onda proveniente da fonte S2.

As duas ondas estão em fase na fonte e, sendo À o com


primento de onda das mesmas, o número de ondas
rl r em r2 sera
N1 = - - e em r - N
sera = 2
-À--
À 2 2

As fases das duas ondas em P serão:


)
rJ> 1 = r
_..:..i_ 2 rr e $ = _r2_ 2 rr
/ FIG. 1.13 - PRISMA DE NICOL À 2 À
' E a diferença de fase será:
rJ> = rJ>1 - rJ>2= ~ <r1 - r2)
, ~'aio extraordinário na calei ta possui Índice de re O deslocamento máximo do ponto P (interferência con~
fração ne = 1,486 e o ordinário, n 0 = 1,658. ~ rutiva) se dá quando a diferença de fases fôr número inteiro
de 2 rr.
Um cristal de calei ta Õti :camente claro é cortado con '
,-
v en i entemente em duas partes , coladas entre si por bálsamo de rj> rJ>i-h 2 m rr = -1..2.._ (r1 r2,> . . r 1 - r 2 =
À
Canadá, cujo Índice de refração é n = 1,537. m À

O raio de luz que incide sôbre a face AB do cri'stal


de calei ta se desdobra em raio ordinário e extraordinário (e', s,
uma componente do valor máximo e). O raio ordinário (o) ·vibra
perpendicularmente ao plano da figura,ao passo que o extraor~

nário o faz nesse plano. tsses dois raios incidem sôbre a cam~
p
da de bálsamo de Canadá. O Índice do raio ordinário, sendo mai
or que o do bálsamo, e sua incidência sôbre êsse se fazendo
sob ângulo crítico, êle sofre reflexão total e é absorvido pe- ~
"1 s2
las paredes enegrecidas do prisma.

O raio extraordinário e' possui Índice de refração


proximo do bálsamo e não sofre praticamente desvio apreciável, FIG . 1.14- INTERFERÊNCIA.
ao atravessar a camada do bálsamo, de modo que o raio, após a-
travessar o prisma,está polarizado segundo o plano de vibração
do raio extraordinário, cctlncidente com o plar:o da figura. ::'or·tanto , para se ter uma interferência construtiva,
a diferença de caminhamento deve ser um número inteiro de com

22 23
primento de onda.

O deslocamento mínimo do ponto P (interferência des- 2. INDICATRIZ DOS MINERAIS


trutiva) se dá quando a diferença de fases entre as duas ondas
fÔr múltiplo Ímpar de ir.

qi = q, 1 -_cp 2 = (2m+ 1) ir=~ (r 1 - r


2
)

r - r = ( 2m + 1 ) __
À_
1 2 2

Portanto, a diferença de caminhamente entre duas on-


das deve ser igual a um número Ímpar de semi-comprimento de o~
da (_À_). ..,
2 •'>'

~-·
,_ '·
/

2. 1. Minerais isotrÕpicos
Num mineral isotrÓpico,os raios de luz se propagam
com igual velocidade em tôdas as direçõe's, de modo que os seus
Índices d~ __l'e_fração permanecem os mesmos para qualquer dire-
ção. 1

Tomando-se, a partir de um ponto qualquer do mineral


isotrópico, em tôdas as direções, segmentos proporcionais aos
Índices de refração dos raios que vibram nessas mesmas dire-
ções, a superfície externa das extremidades dêsses segmentos é
uma superfície esférica (Fig. 2.1). Essa superfície é a indica
triz dos minerais isotrÓpicos.

FIG. 2.1-INDICATRIZ DE MINERAL ISOTRÓPICO

24 1 25

~
Uma das v~brações ao raio refratado o faz no plano

--··-
•são isotrÓpicos os minerais que se cristalizam :10

sistema isométrico e os mineralÓides. Essas substâncias pos- que contém o eixo ~tico, isto é, na seção principa~ e consti-
~-- ~ ~- -
suem sÕmente um Índice de refração, e o raio de luz que as atr~ tui o raio extraordinário de Índice de refração n e e velocida
-
vessa não sofre o fenômeno de dupla refração, isto é, não des de de propagação ve' quando o raio caminha perpendicularmente
dobra em dois outros de Índices diferentes. ao eixo ótico. A outra vibração, perpendicular à primeira, é o
raio ordinário de Índice n e velocidade de propagação v .
o o

2.2. Minerais anisotr6picos


uni axiais
Em geral, um raio de luz que incide sôbre a superfi
cie de um mineral anisotrÓpico transparente se refrata, dando 'j

dois raios que vibram em planos perpendiculares entre si. ~s­


ses dois raios refratados se propagam através do mineral, com
Se~;o principal
velocidades diferentes e possuem, portanto, Índices diferen-
tes. r o fenômeno de dupla refração. Os minerais dos sistemas
ti;iggp.a:l,, hexagonal e tetragonal possuem uma direção segundo
a qual não se v;rifica ê;se fenômeno de dupla refração, e todos
e; r e ui ar
os raios que vibram perpendicularnente a essa direção têm a
mesma velocidade de propagação. São os minerais chamados unia
:r:iais. A direção do mirreral com essa propriedade é o eixo Óti- ---·-
ao e é paralelo ao eixo cristalográfico e. Os raios que se prQ
pagam paralelamente ao eixo Ótico e que vibram perpendicular-
mente a êste, possuindo a mesma velocidade de propagação, têm
0

também Índices de refração iguais.

A indicatriz dos minerais uniaxiais é um elipsóide


de revolução, cujo eixo coincide com o eixo Ótico e,portanto,p~
ralelo ao eixo cristalográfico e do mineral (Fig. 2.2). Fig.2.2-tndico1riz de rn~nerol uniaxial pos;t;vo
Os minerais uniaxiais possuem dois Índices de refr~
çao principais, chamados Índices de refração do raio ext~aprdi
nário n , e Índice de refração do raio ordinário n . tsses Ín- Quando a velocidade de propagação do raio extraordi
e - ------ o
dices são os raios principais do elipsóide -d~- revolução' sendo nário fÔr menor que a velocidade do raio ordinário ( ve < v0
que n e é ~ornado ao longo do eixo Ótico, e n o perpendicularmen-
no mineral, êste é uniaxial positivo; no caso inverso, ve > v0 ,
te a êsse eixo.
tem-se um mineral uniaxial negativo. Consequentemente, no caso
TÔda seção perpendicular ao eixo Ótico é ~~a seção
de mineral uniaxial positivo, o Índice do raio extraordinário
airauia~ ou equatorial, e qualquer ouTra,através da inciçatriz,
é maior que o do ordinário, e a indicatriz é alongada segundo
é uma elipse, sendo a seção máxima aquela que contém o eixo óti
o eixo ótico (Fig. 2. 2). Para ~ineral uni axial .neg~tjyo '· _ o
co. Essa seção máxima que contém o eixo Ótico é chamada seção
rndice de refração do raio extraordinário é menon_ que o do
prinaipal.
r··• i ,, ordinário, e a indicatriz é achatada ao longo do eixo ót;L-

27
26
( ( '

co (Fig. 2. 3) . dois extremos.

~t ic o (e)
2.3. Superfície de velocidade
dos raios dos minerais
'~ ~ --- - ===-1
--=- ~-
.. ··- ·
uni axiais
Sec~o pr i nc;pol
As superfícies de velocidade dos raios extraordiná-
rios e ordinário de um mineral podem ser construídas tomando-
s ~ a parrir de um ponto, segmentos proporcionais às velocidades
de propagação dêsses raios em tôdas as direções. Como a veloci
dade de propagação do raio ordinário é constante, qualquer que
seja a direção de propagação do raio, a sua superfície de velo
cidade é uma superfície esférica (Fi g. 2.4).

"\- Fig . 2.3-lndicotr"iz de mineral uniox;al negativo V0 :1/N 0


-r-=--
]
1

Supondo o caso de um mineral positivo (Fig. 2.2), o


raio de luz que o atravessa na direção OR se refrata, dando o
raio extraordinário que vibra no plano principal OBRC,e o seu
Índice n~ é medido pelo raio OE, da seção principal, tomado I

perpendicularmente ao raio OR. O raio ordinário vibra perpendi '··


cularmente à seção principal anterior que contém o raio OR, e Ve:t/Ne
V
o seu Índice de refração é medido pelo raio OA da seção circu o

lar ou equatorial.

Variando a direção de propagação do ràio de luz atr~


ves do mineral, o Índice de refração do raio extraordinário v~
ria de um certo valor máximo a um mínimo, ao passo que o do
raio ordinário é sempre constante e dado pelo raio da seção
circular.

A diferença entre os Índices das duas vibrações do


raio extraordinário e ordinário é máxima para os raios que se FIS . 2-4 - SUPERF(CtES OE VELOCIDADES DOS MI-
propagam perpendicularmente ao eixo Ótico, pois, neste caso, tem- NERAIS UNIAXIAIS POSITIVOS .

se ne - n 0 , n0 - ne. Os raios que se propagam paralelamente ao


eixo Ótico têm essa diferença igual a n - n0 , portanto, nulos.
0
Os outros raios,que se propagam em direções intermediárias, A superfície de velocidade do raio extrpordinário é
possuem diferença entre os Índices, compreendida entre êsses elipsóide de revolução, porque o Índice de refração do mes
.· 29
28
mo varia com a direção de propagação do raio.
triclínico apre~e:_nta~ o z~?.!!!~no de dupla refração, mas pos-
1
Essas. superfícies podem ser construídas a partir da
- ·-- ~ -- - - --- --- - -- ----
suem 9u~s ~ireções segundo as quais os raios de _lu 2i,_~º- ~~
- - - - - .-
indicatriz dos Índices, pois a velocidade de propagação dos ês7e fenômeno. Í:sses minerais possuem, portan.to, doi13 ~.ixos ó-
raios é inversamente . proporcional a êsses Índices. ticos, e são chamados min~rais biaxigi~·
No caso dos minerais uniaxiais positivos, a superfí- A i~dicatriz dos Índices de minerais biaxiais é um
cie do raio extraordinário está inscrita na superfície esféri elipsóide de 3 eixos, cujos comprimentos são proporcionais aos
ca do raio ordinário (Fig. 2.4), pois a velocidade de propag~ índices das vibrações principais Z, Y e X. O eixo maior do eJ..i.E.
ção do primeiro raio é menor que a do segundo. sÓide é proporcional a nz' Índice da vibração Z do mineral; o
·: eixo intermediário é proporcional a n , da vibração Y, e o ei-
Y
xo menor é proporcional ao Índice nx,da vibração X do mine-
ral. Nos minerais biaxiais tem-se, portanto, sempre,a relação
n > n > n (Fig. 2. 6) •
Z Y X

Nq seção do elipsóide definida pelos Índices nz (má-


ximo) e n X (mínimo), existem dois raios OC e OD,cujos val~res
}
~.,
lfN •Vt

•v
correspondem
.
ao Índice de refração intermediário n y . Então, na
superfÍcie,existem,pelo menos,os pontos C, D, E, F, distanci~
dos igualmente do seu centro, de um valor igual a ny. Pelos
pontos E, C e F passa uma circunferência, e pelos pontos E, D
e F, uma outra circunferência, ambas de raio n . Através, por-
Y
tanto, da indicatriz,passam duas seções que determinam,na sua
superfície, duas circunferências. Essas duas seções são chama-
FIG. 2. ~ - sup E R f 1e1 E s DE V E Lo e 1D A DE s Do s M 1N E -
das seções circulares de raio n .
RAIS UNIAXl .. IS NEGATIVOS . y
As perpendiculares às duas seções circulares, OA e
OB, correspondem aos dois eixos Óticos, pois os raios que se
Para minerais uniaxiais negativos, a superfície
de propagam segundo essas direções possuem todos o mesmo Índice
velocidade do raio extraordinário envolve a de raio ordinário, de refração ny e, portanto, a mesma velocidade. Í:sses dois ei-
porque a velocidade de propagação do ordinário é menor que a xos Óticos estão contidos na seção definida por n e n , das
Z X
do raio extraordinário. vibrações Z e X, respectivamente.
As duas superfícies de velocidade do rai o ordinário O plano que con~ém as vibrações principai~ . z e X e
e extraordinário possuem dois pontos em comum que são na dire- os dois eixos Óticos é chamado plano Ótico, e o ângulO' formado
l\ •l
ção do eixo Ótico, segundo a qual os raios se propagam com .i- pelos dois eixos Óticos é o ângulo ático,representado por 2V.
gual velocidade. Toma-se normalmente para ângulo Ótico o ângulo agudo formado
pelos eixos Óticos (Fig. 2.6).

Quando a vibração Z do mineral coincide com a bis-


2.4. Minerais anisotrõpicos
setriz do ângulo agudo formado pelos eixos Óticos, o mineral é
biaxiais
biaxial positivo (Fig. 2.7), e,quando essa bissetriz coincide
Os min~~~_hs_d0$3isteroas _ _o_r:ç_o.!'rômbico, m~::i.?c1:_inic_~ e com a vibração X, o mineral é biaxial negativo (Fig. 2 .8).

30
31
Bxa =Z biaxial positivo
Bxa =X biaxial negativo
Perpendicularmente ao plano Ótico tem-se a normal
ótica Y, de Índice intermediário n .
y
A bissetriz do ângulo obtuso formado pelos eixos óti
cos coincide com a vibração X no caso dos minerais positivos,
Z (Bxa)
e com Z, quando o mineral fôr negativo.

A(EIXO Bxo Z biaxial negativo

Bxo =X biaxial positivo


PLANO dnco

Bxa

nx 1 X
BXO

Seção Cir cu lar

\
\
\
...\.
-

FIG 2 .7-PLANO Ó'"ICO.MINERAL


BIAXIA L POSITIVO.

·FIG.-2.6-INDICATRIZ 00 MINERAL BIAXIAL

32
33
:~
1

3. MICROSCÕPIO PETROGRÃFICO

Bxo

\
\
\
"y~,
\
\

j ~nx )2v j X Bxo

'. 3.1. Descrição geral


~ um sistema de observação Ótico ao qual se adicio-
naram dois prismas ou placas de polarização.

As diversas partes constituintes de um microscópio


petrográfico comum fazem parte do sistema Ótico centrado, do
sistema mecânico, e acessórios. ~sses constituintes são, prin-
cipalmente, os seguintes:

sistema Ótico centrado:


\ ocular
FIG 2.8-PLANO ÓTICO. MINERAL
' lente de Amici-Bertrand
BIAXIAL NEGATIVO.
analisador
objetiva
cond~nsador móvel
diafragma
condensador fixo
filtro
polarizador
espelho

sistema mecânico de suporte: ·

canhão
braço
platina ou estágio móvel
parafus.os macrométrico e mic~ométrico
base
34
i
35
acessórios:
placa de mica
i
placa de gipsita ou de quartzo
cunha de quartzo
LUZ NATURAL ' SISTEMA SISTEMA
, pinos para centralização da objetiva
POLARIZADA O R TOS C O P 1CO CONOSCOPI CO
compensador de B~rek.

A posição relativa dos constituintes do sistema Óti-


co está esquematizada na Fig. 3.1. Os acessórios acima enumer~
r dos se introduzem entre a objetiva e o analisador, salvo os Pi
OCULAR
,·,, 1
1
1
~ nos de centralização.

O microscópio, com todos os elementos Óticos introdu-


LENTE DE
BERTRAND
--CJ
l
--P zidos no circuito Ótico, constitui o · sistema de observação eh~
mado conascópico. Retirando-se a lente de Amici-Bertrand,a OQ
1

i'
servação é feita ortoscÕpicamente. Quand~ se faz a observação
ANALISADOR -f--==1

ACESSORIO ~~r---:c=:J
1
1
1

t=
t ~~t=J
t
1
1
1 '
1
1'

t=
:
1
1

=~r=:J
microscópica sem o analisad9r e a lente_ de Amici-Bertrand, tem-
se a observação sob Zuz natural ou com nicÓis não cruzados.

1 1 1 1 1
1 . 1 1 1
1 1
' 1 3.2. Objetiva
~ ~ !
OBJETIVA ~ uma lente ou uma associação de lentes que fornecem
uma imagem real do objet~ observado. Acha-se localizada na e~

tremidade inferior do canhão, e, para facilidade de mudança de


MINERAL
uma objetiva para outra, alguns microscópios petrográficos são
PLATINA ,
1
1

1
dotados de um dispositivo - o revólver.
1 1
CONOE,NSADOR :r.._,_ : ~ As objetivas são caracterizadas por algumas proprie-
i>-J
d d '

MOVEL 1 •)>...} 1
1 1,~ •V dades, tais como: aumento linear, abertura numérica, limite de
CONDENSA D O R resolução, poder de resolução, distância de trabalho.

POLARIZA DOR 1 n,:/: ~:


:/': Aumento linear - é,a relação y 1 / y entre a imagem
real yl' fornecida pela objetiva, e o objeto y. S~o os aumentos
L UZ , ----::};f" marcados na própria armação metálica da objetiva (3,2 X, 10 X,
ESPELHO 7 20 X, 40 X, 100 X).

A!Jertura numérica - é a medida da quantidade de luz


que efetivamente penetra na objetiva do microscópio. Ela é da-
FIG . 3.Í-ESQUEMAS DE SISTEMAS DE
da pelo produto n.sen e entre o Índice de refração do meio, i~
OBSERVAÇÃO MICROSco'P1CA.
terposto entre a objetiva e o objeto, n, e o seno da semi-abeE
tura do cone de luz que penetra na objetiva.

3G
37
aumenta a abertura numérica da obje~iva e, portanto, as suas qu~
A abertura numérica indica a qualidade da objetiva, lidades Óticas, tais como,a iluminação, o poder separador.
t ·1 pois, para um dado aumento e mantendo-se os demais fatôres cons
tantes, tem-se:

a intensidade da imagem é proporcional à abertura nu 3. 3. Ocular


mérica;
r uma lente ou uma associação de lentes que permitem
o poder de resolução é diretamente proporcional à a- conservar a imagem real do objeto fornecida pela objetiva. As
bertura numérica; lentes da ocular se acham fixas num tubo metálico e aquel~- ~ue
está mais próxima do Ôlho do observador recebe o nome de Lente
a profundidade do foco é inversamente proporcional à
abertura numérica. de .. ~Lho, e a que rec~be o raio de {uz prov~niente da objetiva é
a Lente de campo ou Lente coletora.
Para duas objetivas de mesma distância focal e de As oculares comuns possuem, além disso, uma placa de
mesmo aumento, portanto, aquela de maior abertura numérica te-
vidro com dois retículos finos perpendiculares entre si e que
rá um cone de luz maior que penetra na objetiva, e a sua imagem
é mais brilhante. pode estar entre as lentes coletora e de Ôlho (ocular de Huy-
gens), ou antes da lente coletora (ocular de Ramsden) (Fig.
"'.' Normalmente, as objetivas trazem graduadas, na sua ar- 3.2).
maçao, os valÔres do aumento linear e da abertura numérica.
As oculares podem ser positivas ou negativas. Nas o-
Limite de resolução - 6 y é a menor distância entre culares positivas, o primeiro foco do sistema ocular está antes
dois pontos para os quais a objetiva dá imagens nítidas. r da- (acompanhando o sentido de propagação do raio da luz) da lente
do pela fórmula de Abbe:
coletora, como no caso das oculares Ramsden; nas negativas, ês-
6 y ÀÜ,6
n.sen e se foco se acha depois da lente coletora, como nas oculares ti
po Huygens. Pode-se verificar êsses tipos de oculares,observan
onde À é o comprimento de onda da radiação empregada na forma do-se uma página qualquer escrita. Com as oculares positivas, po-
ção da imagem e n.sene é a abertura numérica.
de-se ler essa página, ma~ com as negativa~ não se pode ler a
Quanto maior a abertura numérica, menor serã a distân página.
eia entre os dois pontos resolvidos, portanto.
O aumento visual A 2 da ocular é dado pela expres-
Poder de résolução - é o inverso do limite de resolu sao
çao.
250
A2
f'2
Distância de trabalho ou distância frontal - é a dis
tância entre a face inferior da objetiva e a face superior da onde f' é a segunda distância focal do sistema ocular. As oc~
2
lamínula ou cobre objeto. Quanto maior o aumento linear da ob- lares possuem aumentos visuais comuns de SX, 6X, 8X,10X,12,5X,
jetiva, menor é a distância frontal da objetiva. gravados na sua armação.
Objetivas sêcas e de imersão - nas objetivas sê~as, O aumento visual total do microscópio é dado pelo
entre a face inferior da objetiva e o tôpo da lamínula, existe produto do aumento linear da objetiva pelo aumento visual da ~
o ar, ao passo que,nas objetivas de imersão,êsse espaço é ocu- cular.
pado por um líquido de Índice de refração adequado.
A ocular comum dispõe de dois retículos perpendicul~
A presença dêsse líquido entre o objeto e a objetiva
39
38
res ent r e si , mas existem alg un s t ipos espec i ais que sao uti li-
z ad os p a r a de t erminadas operações . São as ocul ares micrométr i
cas , ocul ares contadoras de pon tos , e t c . .

11111111111

lente de

·.· . · ·.·.· . . . . FIG. 3.3- OCULAR MICROMÉTRICA


Retículo '

"\.

I A
Lente Coletora

8
FIG. 3. 2 - ESQUEMAS DE OCULARES

A- OCULAR OE HUYGENS (NEGATIVA)


8 - OCULAR OE RAMSOEN (POSITIVA)

A ocular micrométrica - é uma oc u lar com uma escala


micrometrica ( Fig . 3 . 3) ou uma rêde micrométrica em vez de FIG. 3 . 4-0CULAR CONTADORA DE PONTOS
dois retículos nor ma is . A oc u lar com uma escala micrométrica é
utilizi;lda para medir dimensões lineares do objeto observado.
A ocular com rêde micromét?'ica permite também medir dimensõe s As oculares comuns dispõ e m de pinos que encaixam em
l i:'leares do objeto observado bem como a área , além de fixar a ranhuras existentes no tubo do canhão, de modo que os retícu-
posição dos objetos no campo do microscópio . los se fixam na posição exata norte-sul do campo do microsc2
.
pio, ou a 45 o dessa posiçao.
. - -
Alem .
disso, -
ess,es, .,
reticulo s podem
A ocular cont adora d e ponto s - é uma ocular çue ap r~ ser foc a lizados exatamente por meio de um dispo ~ itivo de rot~
senta, ea vez de retículos normais, vários pontos equidistan-
tes, distribuídos em retas paralelas também ig·1almente espaç~ ção.

das (Fig. 3 . 4) . Normalmente são 25 pontos regularmente dispos -


tos no campo do microscópio, e êsse tipo de ocular é utilizado
3.4. Polarizador e analisador
tagem se
par.a . fazer a análise modal das rochas pelo método da con
/1
... O polarizador e o anal i sador s ã o prismas de nicol ou
1'
placas de polarÓide.
' 1 -
~; r; :o polarizado r fornece a l uz q u e vibra num Únic o pl~
41

---- - ·_
'71

no que é coincidente com o retículo norte-sul ou leste-oeste

de iluminação.
------·
da ocular. O polarizador está localizado logo após

, ......__ ....__.. _.- --:-:~ ..·-.!-·-· -----


- ----- -·--
o espelho
.
quer obter uma figura de interfe.i:>ência, isto e, numa
ção conoscópica.
observa-

O analisa~c:r ; analisa a luz proveniente do polariza-


dor e que atravessou o mineral. O seu plano de vibração é peE
pendicular ao plano de vibração do polarizador, de modo que coi!l 3.7. Diafragma íris
cide com um dos retículos leste-oeste ou norte-sul da ocular. t um dispositivo que limita a quantidade de luz que
r móvel,podendo ser introduzido ou retirado do sistema Ótico penetra no microscó~io e se localiza geralmente sôbre o
con-
do microscópio, por rotação ou translação. Além disso, o anali- densador fixo. A diminuição do feixe de luz por meio do
di a-
fragma permite realçar o contôrno dos minerais ou outro objeto
sador pode ser girado em tôrno do eixo do microscópio, e está
localizado observado, bem como determinar Índice de refração dos mine-
- ...... ...__ ''-. entre
~ ~~.. a objetiva
.
,......,.._-
e a lente de Amici-Bertrand.
·--···~-
rais por comparação.
Quando o analisado~ e o polarizador são feitos de
placas de polarÓide, constituem peças delicadas do microscópio
e, num clima úmido e quente, perdem, com relativa facilidade, o
seu caráter polarizante, de modo que os microscópios petrográ-
3. 8. Filtros
'.
ficos deverão ser guardados em ambiente de temperatura e umida Os filtros são fÔlhas de gelat~na coloridas e cimen-
J de controladas. tadas entre duas placas de vidro transparentes, ou são vidros
coloridos, cuja finalidade mais geral é absorver certas radia
ções indesejáveis da luz branca utilizada. Corno consequência,

3.5. Lente de Amici-Bertrand a sua utilização apropriada permite aumentar o contraste de i-


ma.gens e melhorar a resolução.
r uma lente cuja finalidade é_!E~Zer~_ !:i:g_ura _ de in
t~rferência ~a~~ o plano focal da ocular. Está localizada en- Um dos filtros de ernprêgo geral é o azul que torna a
tre a ocular e o analisador e pode ser
·- · ------ --·--·· ~
introduzida ou retirada
-
luz artificial amarelada de urna lâmpada de tungstênio, bem pr2
xirna da luz branca natural.
do sistema Ótico por rotação ou translação, dependendo do mi-
croscÓpio. Na maioria dos microscópios petrográficos, a lente Empregam-se também filtros de
cor verde amarelada
de Amici-Bertrand dispõe de _um diafragma. que apresentam vantagens quando se utilizam objetivas acrornáti
cas, e permitem observar finos detalhes.

~sses filtros são colocados entre a fonte de luz e o


3.6. Condensador
objeto, normalmente, logo após a lâmpada no seu suporte, ou irne
Existem dois condensadores no microscópio petrográfi diatamente, sob ou sÔbre o polarizador.
co comum. Um é fixo e está localizado entre o polarizador e a
Além dêsses filtros normais, em certas ' . observações
platina Jo microscópio; o outro é móvel e se introduz sôbre o
corno a s da figura de interferência, a utilização de um vidro
conde~sador fixo e imediatamente sob a platina. O condensªdo!'._ branco fôsco, juntamente com o filtro, evita alguns efeitos no
Il\9_J[_el é introduzido ao sistema Ótico do microscópio para con- civos.
centrar a luz sôbre o objeto que se examin~ de modo que haja
il_!llllinação mais ~ntensa, e também para se te~ através do mine-
3.9. Acessõrios
ra~ 1,llll feixe de luz divergente. O seu emprêgo torna-se necess~
Os acessórios de um microscópio petrográfico comum
ri~ quando se utiliza objetiva de grande aumento, ou quando se
sao a cunha de quartzo, placa de mica e de gipsita ou de
42
. . .. .. 43
~· i ., ~·· . :; .
BIBLIOTECA SETOfo(IA1-
:11t ·. .......... •.
o.pte. d• Gfflolla - UFRN
quartzo (Fig. 3.5), compensador de Berek (Foto 1) e os pinos
de centralização da objetiva. Em alguns microscópios, a centr~
lização da objetiva é feita por meio de duas roscas que movi-
mentam um dispositivo excêntrico, dispensando o uso de pinos.

O t
•1- ;e
>- g. Placa de Mica

....
l o t ;_ f """ de Gipsita ou de Quartzo

[[ 1z 1 1rn1 e"'' •••,...,,

FIG. 3 .5 - ACESSÓRIOS

FOTO 1- COMPENSADOR DE BEREK


(Cortesia da E. LEITZ)

44 45

.J
).

FOTO 2 - M 1CROSCÓPICO PETROGRÁFICO


(Cortesia da E. L E ITZ) ,
FOTO 3- M ICROSCOPICO PETROGRAFICO
(Cortesia da E. LEITZ)
47
46
4. OPERAÇOES PRELIMIN~RES
gem. Quando os traços dessa clivagem forem trazidos paralela-
i mente ao plano de vibração do polarizador, a biotita se apres e~
ta com uma côr escura, devido à absorção do raio proveniente do
polarizador, como é indicada pela posição 1 da Fig. 4.1.

Vibração do
Vibração
do
Pola -rizo dor
4. 1. Observações iniciais ( l)
\- Ao examinar as propriedades Óticas dos minerais com
] microscópio petrográfico, êsse deve apresentar as seguintes
condições essenciais:

a objetiva deve estar centralizada;


Fi"9.4J- OeterminofÕo da 't'ÍbraçÕo
o polarizador e o analisador devem possuir seus pla- Fig.4.2-0etermin ação do vibraGÕo
do polarizador com do poloriz.ad~r com
nos de polarização perpendiculares entre si; b i o 1i ta
tu r"' o 1i na.
1 . Posi~ão escuro l · Posição · escuro
os retículos da ocular, norte-sul e leste-oeste, de-
2 . Posição cláro
2 . Po s i f Ó o e 1a r o
vem ser paralelos aos planos de polarização anteriores.

O mineral é estudado por transmissão da lu~ de modo


que êle deve sofrer uma preparação preliminar. Existem duas ~ Quando o raio que provém do polarizador vibra per-
neiras principais de se preparar um mineral ou rocha para ob- pendicularmente à clivagem da biotita,verifica-se uma absorção
servação num microscópio petrográfico: montagem permanente em relativamente pequena do J11esmo, e o mineral se apresenta com
seções ou lâminas delgadas e montagem não permanente em lÍqui uma coloração bem mais clara que a anterior (Fig. 4.1, posição
2).
dos de imersão.

Assim, se se traz um grão de biotita que mostre os


traços de clivagem à posição de máxima absorção pe~a rotação
4.2. Planos de vibra~ão da platina do microscópio, . êsses traços indicam plano de vibr~
do polarizador e ção do polarizador que lhes é paralelo.
do analisador
Uma lâmina que contém grãos de turmalina colorida
O plano de vibração do polarizador pode ser determi- cortados paralelamente ao eixo cristalográfico e, e cuja posi
nado por meio da biotita ou da turmalina. ção é conhecida pelo formato prismático alongado do mineral,
A bioti ta apresenta a propriedade de absorver, em grande também permite determinar a direção de vibração do polariza-
parte, os raios que vibram paralelamente à direção de sua cliv~ dor. A turmalina absorve bastante os raios que vibram perpendi
48
49

.,,
cularmente ao eixo ótico (eixo cristalográfico e) e apresenta
pouca absorção para os raios que vibram paralelamente a esse Neste caso, o micros_cópio não está centralizado
e a
eixo. sua centralização se torna necessária.

Para um grão de turmalina prismático alongado, o ei- Traz-se um ponto pequeno qualquer da lâmina ao cruz~
xo Ótico é normalmente paralelo ao comprimento maior do grão. mento dos retícrilos (1) e gira-se a platina até que êsse pon-
to atinja a posição (l'), mais afastada da original, isto é, p~
Trazendo um dêsses grãos com o seu eixo Ótico perfei
ra a extremidade ' oposta do diâmetro da circunferência descrita
tamente determinado à posição de côr mais escura corresponden
pelo ponto (Fig. 4.4). Por meio de rotação dos dois pinos ace~
te à máxima absorção, o plano de vibração do polarizador é peE
sérios que acompanham o microscópio, ajustáveis nas duas sali-
pendicular ao eixo Ótico ou cristalográfico e (Fig. 4.2, posi-
ências da objetiva, ou por rotação conveniente de duas
ção 1). roscas
embutidas na própria objetiva, como
em alguns tipos de microsc2
O plano de vibração do polarizador é paralelo a um pio, traz-se o ponto 1 1 para
o centro da circunferência descri
dos retículos do microscópio, norte-sul ou leste-oeste.
ta pelo ponto. Deslizando-se a lâmina, coincide-se novamente o
A vibração do ~•alisador é perpendicular à do polari ponto l' com o cruzamento dos retículos e verifica-se se ainda

li
1
zador. A verificação dessa perpendicularidade é feita introdu-
zindo-se o analisador ao circuito Ótico do microscópio
o mineral na platina, o campo do microscópio deve estar compl~
e, sem
o microscópio não está centrado, pela rotação da platina. Se a
centralização não foi perfeita, repete-se a operação anterior,
até que ela seja perfeita.
tamente escuro ou extinto. Quando não se verifica essa extin
ção completa, e estando tanto o a.~alisador como o polarizador
em perfeitas condições, os seus planos de vibração não são ex~
tamente perpendiculares entre si. Gira-se, então, o polarizador
ou o analisador até se ter o campo do microscópio completamen- ·~

I
/
/·--,,...
- .....
......_

\
1\-
/ ....

te escuro. .... \ 1
I I 'li \ \ '

J I
\
, ___ ,,
,\ '--...__/ I ' / 11
\ /
4.3. Centralização do microscõpio 1
O eixo da objetiva deve ser coincidente com o eixo
"'~ /

do sistema Ótico do microscópio e o de rotação da platina. Ve-


rificando-se essa conGição, um ponto focalizado numa lâmina
delgada e coincidente com o cruzamento dos retículos, ao gi-
Fig.4.3- Microscópio centrado
rar a platina, permanece imóvel, e os demais pontos, fora dêsse Fig . 4.4- MÍcrôsc;E;º descentrado

cruzame~to, descrevem circunferências concêntricas em relação a


êsse cruzamento (Fig. 4.3).

Quando não se verifica aquela condição de coincidên 4.4. Retificação dos ret1culos
eia dos eixos, um ponto no cruzamento dos retículos vai descr~ Os retículos da ocular devem ser exatamente parale-
ver uma circunferência quando se gira a platina, e os demais los aos planos de vibração do polarizador e do analisador. NoE
malmente as oculares dispõem de saliências que encaixam no t~
pontos, circunferências que não são concêntr·icas em relação ao
cruzamento dos retículos (Fig. 4.4). bo do microscópio,de modo que essa condição é satisfeita. En-
tretanto, a sua verificação pode ser feita ocasionalmente,utili
50
51
zando-se lâmina que contenha cristais aciculares ou prismáti-
cos de natrolita ou qualquer outro mineral prismático euedral 4.6. Preparação das lâminas
com extinção paralela (turmalina, por exemplo). Observando-se a
delgadas
natrolita com nicóis cruzados, tem-se extinção completa da me~ Os minerais e as rocha~ para serem examinados com mJ:.
ma, quando a agulha ou a aresta alongada reta do mineralestáp~ croscópio, devem ter uma espessura suficientemente fina para
ralela ao plano de vibração do polarizador ou do analisador. que a luz possa atravessá-los.
; 1
Nessa posição, um dos retículos da ocular deverá ser paralelo Consegue-se essa espessura adequada, fazendo-se as se
à agulha da natrolita ou à sua aresta retilínea. Não se verifi ções ou lâminas delgadas dos minerais ou rochas.
cando êsse paralelismo, os retículos deverão ser retificados
.1 O equipamento necessário para a confecção de uma lâ-
por especialistas ou, se o polarizador e analisador dispõem de
mina delgada consta essencialmente do seguinte:
movimento de rotação, os seus planos poderão ser trazidos à P2
sição dos retículos. serra para cortar rocha ou mineral

politrizes petrográficas

placa aquecedora,
4.5. Focalização
f A focalização de un. objeto com objeti~as de pequeno
abrasivos em p? de várias granulações como as de nu-
mero 180, 500, 600, etc.
aumento nao oferece, geralmente, maior dificuldade, pois a di~

tância frontal é grande. A objetiva é aproximada à lamina pelo lâminas de vidro lmm x 25mm x 45mm

I' abaixamento da objetiva, ou elevação da platina, até uma


tãncia mínima, por meio do parafuso macrométrico. A seguir, o
dis- lamínulas de vidro de tamanhos variáveis:
22mm x 4Dmm, 22mm x 35mm, 22mm x 22mm
afastamento é feito, observando-se a lâmina através da ocular,
bálsamo de Canadá ou Caedax
até se ter uma imagem nítida do objeto focalizado da l âmina.
cimento termoplástico tipo Lakeside n9 70
Para objetivas ce grande aumento, a sua aproximação
à lâmina deve ser feita com muito cuidado, porque a distância pinça metálica
~ 1 frontal é bastante pequena. Essa aproximação deve ser f eita o!2, papel lenço
servando-se lateralmente a objetiva e não através da ocular,
xilol e álcool ou éter
para evitar que a objetiva danifique a l âmina. lhna vez bem prÓxi
ma da lâmina, a objetiva é afastada lentamente,enquantq se ob- lâmina de barbear ou canivete.
serva através da ocular, até se obter uma imagem nítida do o~
As etapas principais na confecção de uma lâmina del-
jeto da lâmina. O ajuste final de focalização é feito por meio gada são as seguintes:
do parafuso micrométrico.
1. cortar uma fatia da rocha ou do mineral ' de espe~
~ essencial,quando se utilizam objetivas de grande
sura a menor possível, dependendo da coesão da rocha, e aparar
aumento, que a lamínula ou cobre objeto esteja voltado para ci-
com serra para um tamanho aproximado de 22mm x 40mm;
ma, por causa da pequena distância de trabalho. Em alguns c~
sos,não se consegue focalização devido à espessura do bálsamo, 2. biselar as quatro arestas da fatia na politriz
com po abra&ivo grosso (n9 180, por exemplo), de modo que uma
que é relativamente grande, necessitando aquecer a lâmina e
das faces apresente uma área maior (Fig. 4.5);
pressionar a lamínula.
3. polir a face maior da fatia com pó abrasivo gros-

52
53
sobre urna fÔlha de papel na mesa, com a rocha ou mineral voltado para
so até desaparecerem marcas da serra; baixo, e pressionar a lâmina até desaparecimento total das bÔ-
lhas de ar;

11. apõs resfriamento, desbastar a rocha com po abr~


sivo grosso ou serrar com cuidado com serra de diamante, de mo
do que a espessura da fatia da amostra seja da ordem de lrnrn;

12. lavar a lâmina e as mãos e a politriz quando é


utilizada novamente, e desbastar a amostra com pó intermediá-
nr , rio (n9 4uu ou 500), até urna espessura da ordem de 70 ou 80 mi
era (2,5X a espessura das lâminas petrográficas) com os grãos
de quartzo apresentando côr de interferência igual a azul de
BISELADAS segunda ordem;
FIG . 4 . 5-FATIAOA ROCHA COM ARESTAS
-13. lavar a lâmina, as mãos e a politriz e desgastar
a amostra com pó abrasivo fino (n9 600) até urna espessura da
4. lavar a fatia e as maos com água, e depois polir ordem de 40 micra, com os grãos de quartzo apresentando côr a-
(n9
essa face maior com abrasivo de granulação intermediária marela brilhante de interferência;
novamente a fatia e depois polir a f a
500, por exemplo); lavar 14. lavar a lâmina, as mãos e a politriz e finalizar
ce com abrasivo fino (n9 600); a lâmina com pó muito fino (n9 800), ou, se desejar, numa placa
5. lavar a amostra com sabão e água, utilizando urna
de vidro perfeitamente plana;
escova mole; 15. secar a lâmina naturalmente e raspar o excesso do
6. eliminar o excesso de água com papel lenço e col2 cimento terrnoplástico com urna lâmina de barbear ou com um cani
cara fatia sôbre a placa aquecedora, com a face polida voltada vete, e verificar o tamanho adequado da lamínula a se utilizar
para baixo; e que deve ser perfeitamente limpa com papel lenço e álcool ou
7. marcar a i.âmina de vidro com numeração correspog xilol, se necessário;
dente da amostra, utilizando a ponta de diamante, limpar perfei 16. lavar a lâmina com sabão e escova mole e, apos se-
tamente com papel lenço e xilol, se necess~rio, e colocá-la sô- ca, colocar sôbre urna outra placa de aquecirnent~ cuja ternper~
bre a placa aquecedora, com a face marcada para baixo. A temp~ tura não exceda 60 a 70°C;
ratura da placa aquecedora deverá ser da ordem de 150°C;
17. sÔbre a lamínula colocada em cima da placa aquec~
8. quando a temperatura da lâmina estiver suficient~ dora, cuja temperatura deve estar a 150°C, gotejár , bálsamo de

mente alta, fundir sôbre ela o cimento termoplástico tipo Lak~ Canadá por meio de urna bagueta, numa quantidade tal que pelo
s ide, de modo que cubra quase ·tôda a lâmina, sem contudo derramar menos 3/4 da área da lamínula fique coberta de bálsamo. tsse
sôbre a placa, e esperar que desapareçam tôdas as rÔlhas; bálsamo deve ser aquecid.o até um ponto exato de cozimento que
9. colocar a fatia de rocha suficientemente quente pode ser verificado da seguinte maneira: introduz-se a ponta
sôbre a lâmina, com a face polida voltada para baixo, por meio de um palito no bálsamo e resfria-se ràpidarnente pela imersão
de urna pinça, e pressioná-la ligeiramente, de modo que as bÔ- dentro dágua contida num béquer; imediatamente depois, verifi
ca-se,com as unhas, se o bálsamo está quebradiço ou ~lástico .
lhas de ar sejam expulsas;
colocá-la Quando plástico, o bálsamo não está ainda no ponto de
10. retirar a lâmina da placa aquecedord e
S5

54

e1euo1'EC~ SETORl~L ____...


~~

...
• ""\e• ...~ ._

" · - UFRN
cozimento desejado, e mais aquecimento se torna necessário.
4.7. Preparação da amostra em
Quando o bálsamo se torna quebradiço, êle est.á suficientemente
!
1 cozido e pronto para a cobertura da lâmina;
I liquidos de imersão
Um método de preparação de amostras nao permanente é
18. com o bálsamo cozido devidamente, colocar a lâmi- a montagem das mesmas em Óleo de imersão.
na sôbre urna ou algumas fÔlhas de papel lenço, em cima da placa
Nesse método, a amostra, seja de rocha ou de mineral,
aquecedora, com a parte da rocha voltada para cima.
é pulverizada num almofariz e peneirada, utilizando-se as peneiras
Por meio de urna pinça, a lamínula é emborcada sobre de 100 "mesh" e 150 "rnesh" Tyler, de preferência. A fração r~
a lâmina,o::ilocando-se inicialmente uma- das suas arestas maiores. tida na peneira 150 é conveniente para a montagem em Óleos de
O próprio pêso da lamínula com bálsamo fará com que ela se as- imersão. Eventualmente utilizam-se frações menores, dependendo
sente sôbre a lâmina, e urna pequena pressão com urna ponta de dos problemas específicos a serem estudados.
borracha elimina as bÔlhas de ar por acaso existentes;
A amostra pulverizada e selecionada entre os tama-
19. retirar a lâmina da placa aquecedora com urna pi~
nhos correspondentes àquelas peneiras é lavada com agua desti
ça e colocar sÔbre urna fÔlha de papel lenço posta sÔbre uma s~
lada, e, por processo de decantação, eliminada a fração pulveru-
perfÍcie plana, de preferência metálica; pressionar a lamínula
lenta em suspensão. tsse processo de lavagem e decantação é r~

l1 ligeiramente, de modo que ela seja exatamente paralela à


na, e, se fÔr o caso, ajustar a sua posição sÔbre a
brindo-a completamente;
lâmi-
rocha, co
petido várias vêzes, até que a água que sobrenada
tamente limpa. Lava-se por Último com álcool e seca-se
forno a 105°C, aproximadamente.
seja comple-
num

20. após o resfriamento, raspar o excesso de bálsamo


Para montagem dos grãos em Óleo, necessitam-se de o-
com uma lâmina de barbear ou urr. canivete, tendo o cuidado
leos de imersão de Índices de refração conhecidos, lâminas e
de fazê-lo de dentro para fora da lamínula, para evitar que ela
seja descolada;
l~Ínulas, estilete metálico fino, papel lenço, álcool, haste
de vidro.
21. limpar a lâmina com papel lenço umedecido em xi-
A lâmina e a lamínula são inicialmente limpas com
lol e, a seguir. lavar com água e sabão.
papel lenço e álcoo~ se fôr necessário.
Para alguns tipos especiais de rocha, tais corno, ro-
SÔbre a lâmina goteja-se o Óleo de imersão por meio
chas pouco coerentes ou porosas, rcchas argilosas, rochas com
de urna haste de vidro que geralmente acompanha a tampa do vi-
minerais solúveis em água, etc., deve-se tomar certas precau-
dro que contém o Óleo. O Óleo,por gravidade, forma, na extremid~
çoes.
de dessa haste, uma gÔta,e a parte inferior dela é tocada ligei
As rochas pouco coerentes ou muito porosas devem ser ramente na superfície da lâmina,,transferindo~l~e,assim,a mai-
cozidas com bálsamo de Canadá, num recipiente, durante certo te~ or parte do Óleo, e evitando que a haste de vidr~ _ toque na lâ
po, e depois resfriada& O bálsamo penetra r.as fraturas e poros mina (Fig . . 4. 6 A).
da rocha e produz a sua cimentação. A seguir,é cortada e serr~
No estilete metálico, com os grãos de amostra na sua
da, seguindo o método anteriormente descr~to.
extremidade e imediatamente sÔbre a gÔta de Óleo, sem contudo
Para rochas que contenham minerais solúveis em água, tocá-la, dão-se pequenas batidas, de modo que os grãos do mate-
a lâmina é feita seguindo o método visto, mas todos os proce~ rial caiam sôbre o Óleo (Fig. 4.6 B). Não se deve introduzir
sos de serragem até as diversas Javagens durante o polimento no Óleo uma quantidade muito grande de material.
devem ser feitos com querosené em vez de água.
Introduzidá urna quantidade adequada de grãos no Óleo,

56
57
cobre-se com a lamínula, cujo tamanho deve abranger completame~
te a gÔta de Óleo com os grãos de amostra (Fig. 4.6 C). Pressi
ona-se muito ligeiramente a lamínula com urna ponta mole de 5. OBSERVAÇÃO DOS MINER AIS ~OM
borracha, a fim de eliminar as bÔlhas de ar e tornar a lamínula LUZ NATURAL POL ARIZ ADA
paralela à lâmina.

H ASTE DE VIDRO
M E TÁ L I C A

GRÃOS DE
M 1N E R A L -....._.~.ê.
LAM ( NU L A,
LÂMINA :··.::.. ._O' LEO
orTTnr1r1r1~s,.,,,.,,,.i.,~.
1
v 7 !Zi7õa
;.,.::,~.. ZA ~+- OLEO
rzz ;111 5. 1. Ger á!
São estudadas, nesse capítulo, propriedades dos mine-
FIG . U - MONTAGEM DOS GRÃOS NO ÓLEO DE IMERSÃO rais que se observam no microscópio petrográfico com luz nat~
ral ou nicóis não _cr..u.zados.
- 'f'{::..rv..
1 '·' •').f
O analisador e a lente de Arnici-
Bertrand estão fora do sistema Ótico do microscópio .
(
4. 8 . Mon t age m pe r mane nt e de Essas propriedades são a côr, o pleocroísmo, a absor
grã os de amo s tr a ~ ..,.......___._ -
ção, ...
~ - -·
o relêvo, o Índice de refração em relação ao meio, a cli-
Os grãos de minerais podem ser montados numa lâmina vagem, o hábito, etc ..

permanen~emente . SÔbre uma lâmina de vidro, colocada numa placa


aquecedora, esparrama-se um filme de cimento termoplástico ti
po Lakeside n9 70 e os grãos de mineral de tamanho adequado - ...___ _________5.2.
_ Côr
são espalhados uniformemente nesse filme. Retira-se a lâmina A cor do mineral transparente, numa lamina delgad~ d~
da placa ~ após o resfriamento, os minerais estarão fixos nela. pende da absorção pelo mineral das radiações
que compõem a luz
Essa lâmina é coberta posteriormente com uma lamínula e báls.§: branca. Um mineral que, ao transmitir
a luz branca,não absorve
mo, seguindo o método geral de confecção de lâminas (etapa 17 nenhuma radiação visível é um mineral incolor. A absorção de
em diante, 4.6) delgadas. algumas radiações e transmissão de outras faz c~m q~e as côres
Não se dispondo de cimento termoplástico, a fixação dos minerais sejam as das transmitidas. Assim, um mineral que
dos grãos pode ser feita por meio de bálsamo de Canadá, que de- transmite a radiação verde e absorção das demais, se apresenta
ve sei cozido até o ponto adequado. com a côr verde. Os minerais fortemente coloridos em am~ "~ras
de mão o são normalmente em lâminas delgadas, ao contrário da-
queles de coloração clara.

No microscópio petrográfico a luz que atravessa o mi


neral é polarizada.

58

59
~;
i' ( '
-..'\
)'> 5.3. Pleocroísmo e absorção ' y azul claro
Para minerais coloridos,. a côr põae variar ou não, CO!!_ Z = azul escuro
forme a direção de vibração da ~:.:..~iação que os atravessa.
E a correspondente tuJ:'rnula de absorção é
Urna radi , ' ão, ao transmitir-se através do minera~ po- X , _- 15
absorção fraca
de ser diferentemente absorvid~ conforme a direção de sua vi
bração e ao mineral resultam côres diferentes. g_ _o ._pZ.eoa~o,:.S- Y = absorção intermediária
1/1.Q. Z = absorção forte
Q.:iando o mineral é pleocróico, girando-se a platina que pode ser. escrita também X < Y < z.
do microscópio, êle muda de coloração. Na direção de vibração
Para determinar as fórmulas de pleocroísmo e de abSOE
para a qual se verifica maior absorção, a côr do mineral é es-
çao, e necessário conhecer exatamente as posições das vibrações,
cura e,na de absorção menor,a côr é clara.
tanto nos minerais uniaxiais corno nos biaxiais e isso se cons~
Os minerais isotrópicos não apresentam fenômeno de gue por meio de figuras de interferência (Caps. 7 e 8). As se-
pleocroísmo, de modo que, para todos os grãos, a côr do mineral 4, ções de rnin~rais perpendiculares aos eixos Óticos, sejam dos
)- não muda com a rotação da platina. minerais uniaxiais corno dos biaxiais, apresentam pleocroísrno
nulo.
1 Q§._minerai~an:trÓpicos u~ coloridos apre-
sentam duas côres extremas de pleocroísmo, uma na direção de
vibração do raio extraordinário e outra na direção do raio ºE
dinário. ~ o diaro{smo . 5.4. Relêvo
A fórmula de pleocroÍsrno para os minerais uniaxiais Quando o Índice de refração do mineral é igual ou
é expressa pelas côres do mineral naquelas direções.' muito próximo do Índice do meio que o envolve, o contôrno dês-
se mineral se torna invisível ou pràticamente invisível. Se o
Para turmali~a, por exemplo, pode-se ter a seguinte
Índice do mineral se afasta muito do Índice do meio circundan-
fórmula de pleocroísmo: - ----- .
te, o seu contôrno se torna salient~, ~quanto maior a difere!!_
E = azul claro ça entre os dois Índices, maior é o contraste do mineral. A ê~
O = azul escuro se maior ou menor contraste que adquire um mineral em relação
ao meio envolvente se dá o nome de relêvo.
A absorção correspondente a essa turmalina sera, se-
gundo E, absorção fraca e, segundo O, absorção forte, e a sua O relêvo do mineral varia, portanto, com o meio de
fórmula pode ser escrita simplesmente E < O. imersão, podendo ser relêvo positivo ou negativo, conforme o ÍE
dice do mineral seja maior ou menor que o do meio de ' tmersão.
Os minerais biaxiais coloridos podem apresentar três
Pode-se es~abelecer,para um certo meio de imersão, uma esca~a
cores de pleocroísrno e êsse fenômeno é chamado de triaro{smo.
de relêvo. Norrnalment~ as lâminas delgadas são montadas em bá1
Essas três côres correspondem às direções'principais de vibr~
sarno de Canadá, cujo Índice de refração é da ordem de 1,54, e o
ção X, Y e Z do mineral, e a fórmula de pleocroísmo é expressa
relêvo dos minerais será uma função da diferença entre os seus
pelas côres adquiridas pelo mineral, segundo essas direções. No
Índices e o do bálsamo. Nesse caso, a seguinte escala pode ser
caso de safirina de Salvador, por exemplo, a fórmula de pleo- empregada:
croísmo é:
1. relêvo distinto negativo
X rosa claro Índice do mineral bem infer·ior a 1, 54;
60
61
~- ---------~ \
,_
5. 5. Tndice de refração c!0
exemplo: fluorita; mineral em relação ao ·do
' meio de imersão .~ -
2. re "º fraco negativo

:-:::".'n ~ fracamente visível, clivagem in-


~-- .....
A verificação do Índice de- ;"'êfração de um mineral em
--
relação ao do meio de imersão, por meio de microscópio petrogr~
superfície lisa e Índice do min~
"l '~: l f:.
fico, se faz, principalmente, pelo método de iluminação verti-
ra~ ~~6eiramente inferior a 1,54;
cal e de iluminaç~o oblíqua ou inclinada.
exemplo: leucita, ortoclásio, microclina;
Método de iluminação vertical. Nesse método,empreg~
3. relêvo baixo positivo
se objetiva de grande aumento (40X) e diafragma parcialmente
contôrno do mineral fracamente visível, fechado. Focaliza-se perfeitamente um grão de mineral em cont~
clivagem indistinta a distinta, superfí- to com o bálsamo óu outro meio qualquer em relação ao qual se
cie ligeiramente lisa; deseja verificar se o Índice do mineral é maior ou menor. No
i:rH:. _;_,- _, ,'._0 mineral 1, 54 - 1, 6 O; contôrno d~ grão, observa-se uma linha luminosa fina,que é eh~
\. mada linha de Becke.
1 exeffi~lu: quartzo, labradorita, etc.;
1 Afastando-se a-objetiva da lâmina por meio de paraf~
4. relêvo moderado positivo
so micrométrico, essa linha de Becke move-se para o meio de
contôrno dos minerais, clivagem e fratura maior Índice de refração (Fig. 5.1).
distintos, superfície com textura;

Índice do mineral entre 1,60 - 1,70;


-----r ---_.. OE BECKE
LINHA OE
exemplo: apatita,
etc.;
wollastonit~, biotita,
->~</": ·: . .-~ '---~--- . :;_.·
:..-:-· ·.. ·.. BECKE

5. relêvo alto a muito alto positivo


~
.. n _<'(./ .n ÓI eo
\ ....
contôrno dos minerais, clivagem e fratura ~~ - . / ·

fortes e escuros, superfície de aspecto as


pero; n > "óleo
n<n&leo
' 1 •
Índice do mineral maior que 1,65; ( ,1. -

exemplo: olivina, cianita, epidoto, grana- FIG . 5 . l - MOVIMENTO DA


l.INHA OE BECKE QUANOO SE ~FA~TA
da, zircão, esfênio, etc.
A OBJETIVA .

O relêvo dos minerais, tal como foi discutido, pode v~


riar com os meios de imersão. Um mineral pode ter relêvo muito
baixo num meio, mas um relêvo muito alto num outro meio de i- Quando o contato E!ntre o mineral e o meio de imersão
mersao. é normal ao estágio do microscópio, o movimento da linha de
Becke pode ser explicado conforme Hotchkiss (Fig. 5.2).
Por outro lado, o relêvo dos minerais pode ser alte-
rado por vários fatôres. Entre êsses fatôres estão as inclu- O mineral de Índic:e de refração n 2 está
em contato
sões, as alterações, as fraturas, e a cdr do mineral. ~sses fa com o meio de Índice n 1 , sendo o do mineral maior que o do
tÔres aparentemente aumentam o relêvo do mineral.

62 63
meio, por exemplo. O contato entre os dois meios é perpendic~
raios refratados, nos bordos do mineral, formam um feixe diveE
lar à superfície da lâmina.
gente, de modo que, afastando-se a objetiva da posição a para
b, a linha luminosa de Becke sai, aparentemente, do mineral para
4 3 2 o meio envolvente (Fig. 5.3, A).

Quando o Índice do mineral é maior que o do meio,


o feixe luminoso converge para a parte central do mineral,~~
fastando a objetiva da posição a para b, tem-se a impressão de
"1
que a linha de Becke luminósa se move para dentro do mineral
(Fig. 5.3, Bl.

-b

',.
..
I
"
4 Mineral

H< n H>n
FIG. !5 . 2 - ORIGEM DA LINHA DE B~CKE (Hotch-h ti.

O raio 1 penetra no meio de Índice n 1 e atravessa a


fl8.5.1- •LINHA DE IUCKE" EM MINERAIS LENTICULARES.
superfície de contate, penetrando no mineral. Os raios 2, 3,que
~trav~ ~ sam o mineral, ao incidirem na superfície de contato, o
fa.z.em igob ângulo de incidência maior que o ângulo limite, e,
Falsa linha de Becke - quando o grão de mineral pos-
portanto1 ·sofrem reflexão total, conc entrando-se maior quantid~
sui uma espessura relativamente grande, e o contato com o meio
de de luz no lado do mineral.
de imersão é inclinado em relação à platina, aparece, além da
Focalizando-se o microscópio e afastando, por exemplo, linha de Becke, uma outra linha igualmente luminosa nos contor-
a objetiva da posição A para B, tem-se. a impressão de que a li nos do grão. Essa Última linha, quando se afasta a objetiva do
nha luminosa, produzida por aquela concentração de luz, se move mineral, move-se em sentido contrário ao da ve~d~d~ira linha
para dentro do mineral. de Becke. r a falsa linha de Becke e resulta da reflexão dos
Quando o contato entre o grão de mineral e outro meio raios na superfície de contato e das reflexões internas.
formar uma cunh~ resulta um movimento da linha luminosa seme- r difícil diferenciar a linha de Becke verdadeira da
lhante ao da linha de Becke e que pode ser explicado acomp~ falsa, de modo que, num grão de mineral com êsse fenômeno,deve-
nhando o percurso dos raios que incidem nos contornos do grão se testar o seu Índice na parte mais fina do seu contôrno,onde
(Fig. 5.3). normalmente é menor o efeito dessa falsa linha de Becke.
No caso do Índice do mineral menor que o do meio, os Método de iluminação obliqua - a determinação de Ín-
dice de refração do mineral pelo método da iluminação oblíqua
64
65
é feita, de preferência, com objetiva de pequeno aumento a in-
-1 1
termediário, e interceptando parcialmente o feixe luminoso gundo planos paralelos ãs faces ou possíveis faces do cristal.
que atravessa o microscópio. Essa interrupção do feixe lumino- Em lâmina delgada, as clivagens se apresentam corno ·linhas finas
so pode ser feita, introduzindo parcialmente um acessório qua_! e retilíneas, nem sempre con_tínuas, e paralelas entre si.
quer na cavidade correspondente do microscópio, ou colocando a
Quando os planos de clivagem são perpendiculares à
própria mão ou um cartão em frente do espelho de iluminação,
pla~ina do microscópio, êles se apresentam como urna série de
de modo que se corte, aproximadamente, metade do campo lumino-
linhas muito finas que permanecem imóveis, quando se afasta a
so.
objetiva ligeiramente da posição B para A (Fig. 5.5). Isso PºE
Essa eliminação parcial da luz produz um escurecirne!l que a objetiva focaliza pontos situados na mesma vertical.
to de urna parte do campo do microscópio (Fig. 5.4). Os grãos
localizados na parte iluminada do campo apresentam escuras as
bordas voltadas para a parte escura do campo, quando o Índice
I
do mineral é maior que o do meio envolvente (Fig. 5.4, A).

'
I
I I
/---A(Focalizada em o
'u_j;'
'

l --\.
',
/
J
/
I
/

"\. \ 1 I \ 1 I
\--.-~--_,,-----8 b l ----'----1--- 1
l 1
1
(Focalizada em
1

"m
"m zzzâ?ac-;,.,,7 11111,1111111 CLIVAliiEM
b, o

~
a'

~
"i Traço da C~ivo9e~.
1 ...---- Vis to no M1craseopeo
1 Traço da Clivo-
1
1 no Mie ros cÓf>io
1
1

l B

FIG. 5. 5.-VERIFICAÇAO DA INCLINAÇÃO DOS PLANOS OE CLIVAGEM


Fi9. 5 . 4.- Determinação do rndice por iluminação ctblÍquo.

o' Esquerdo - Planos de Clivo9em Inclinados

o' Direito - Plon• de Clivo91m Ver! icois


Quando -o Índice do mineral é menor que o do meio,
sao as bordas opostas à parte escura do campo do microscópio
que se apresentam escuras (Fig. 5.4, B).
Quando os planos de clivagem são inclinados em re-
~ um método que tem a vantagem de poder observar vá- lação à platina do microscópio, ao se afastar a objetiva do ~
·.os grãos simultâneamente. neral, as linhas de clivagem aparentam mover-se lateralmente,
porque, à medida que se afasta a objetiva,vão sendo focalizados
-----~- . . _""-> pontos superiores localizados num plano inclinado, e, portanto,
·,,
5.6. Clivagem deslocados da vertical que passa pelo ponto origem (Fig. 5.5).
Clivagem é a propriedade dos rnineraiS<;e-par~Tr~;- se As clivagens podem ser classificadas em perfeitas,
66 boas, distintas e imperfeitas ou pobres,conforrne a natureza
67
dos p l anos de clivagem e a facilidade com que os minerais se 0 que acontece quando se faz a montagem de minerais micáceos
clivam ao longo dêsses planos . As clivagens basais das micas , em Óleos de imersão, pois êsses minerais assentam segundo os
a clivagem {001} dos feldspatos, a clivagem basal do topázio, planos de clivagem. Mas, nos bordos ou próximo dos bordos, podem
etc. , podem ser consideradas perfeitas. A clivagem prismática se observar vários degraus, denunciando planos paralelos à pla-
dos piroxênios é boa , ao passo que a clivagem prismática {110} tina (Fig. 5.7) .
da andalusita, a clivagem pinacoidal {010} da silimanita sãc
Cli vag e m em d uas direções - os feldspatos, os pirox~
distintas. A olivina tem uma clivagem imperfeita.
nios, os anfibÓlios, etc. apresentam clivagem em duas dire-
Os traços das clivagens perfeitas e boas sao, geral- ções . Numa lâmina delgada, nem todos os grãos de um mesmo mine
ment~ visíveis no microscópio , mas as imperfeitas são pouco vi ral que possui duas direções de clivagem mostram essas dire-
síveis. ções. Os piroxênios ou anfibÓlios, por exemplo, sÕmente mos
As clivagens podem ser classificadas, também, conforme tramas duas direções de clivagem, quando sao cortados paral~
o n umero de direções de planos de clivagem . Existem minerais lamente ou quase paralelamente à sua seção basal. Em seções
que não apresentam nenhuma clivagem . Outros apresentam uma Úni longitudinais dêsses minerais, aparecem sõmente uma série de li
ca direção de clivagem, cu duas direções, três direções, qua- nhas paralélas , que uma observação cuidadosa, com objetiva de
grande aumento, porém , indica que êsses planos mergulham em
J
.,_._
tro o u seis d i reções de c l ivagem .

Clivagem em uma d i reção - é o caso das micas, dos t2


sentidos opostos ( Fig . 5 . 8 ).

pázios , etc . , que, nas lâminas delgadas, apresentam uma série de


linhas finas paralelas ( Fig . 5 . 6) .

li o

FIG. 5 . 6 - CLIVAGEM EM UMA DIREÇÃO FIG . 5 . 7-C LI VAGEM EM UMA


FIG . 5 . 8 - CLIVAGEM EM DUAS DIREÇÕES
DIRE ÇÃO PARALELA À PLATINA

O ângulo _enj::re_ as dir~Q_~~-çJj_v-ªgem é uma propri~


Quando o plano de clivagem do mine~al é paralelo à dade característica de certos minerais, como nos piroxênios e
platina do microscópio, as linhas de clivagem não aparecem. ~
nos anfibÓlios . A medida dêsse ângulo se faz, coincidindo uma
68
69
das clivagens com o retículo norte-sul, por exemplo, do micro~ nerais como abarita e a celestita,cujos planos de élivagem sao
cópio e lendo o ângulo correspondente na sua platina; depois, paralelos a {001} e {110}. Portanto,tem-se dois ângulos entre
as clivagens iguais a 90° e um diferente de 90°.
gira-se essa platina até que a outra clivagem venha coincidir
exatamente com o mesmo retículo e lê-se nôvo ângulo correspon-
dente na platina. A diferença entre a primeira leitura e a se
gunda é o ângulo formado entre as duas direções de clivagem.

Clivagem em três direções - os minerais com três di


reçoes de clivagem se enquadram em vários grupos: clivagem cu-
bica, clivagem romboédrica, clivagem retangular, clivagem or
torrômbica.

A clivagem cúbica apresenta os planos de clivagem p~


ralelos às faces do cubo. Na lâmina delgada, os grãos de mine-
rais com êsse tipo de clivagem apresentam figuras triangulares
ou quadradas. Essa clivagem é restrita aos minerais do sistema
isométrico (Fig. 5. 9).

FIG.!5.10- CLIVAGEM . ROMBOÉDRICA,

~ I/ '_.· ·. ::_ /JR·· :·.:


Clivagem em quatro direções - a fluorita
quatro direções .de clivagem paralelas às faces . do
apresenta
octaedro,

v [J º .... . ..::.:.: ·. ....


.· · ... daí a denominação de clivagem octaédrica a
gem. Na lâmina delgada, a fluorita apresenta figuras
res ou romboédricas (Fig. 5.9 A).
êsse tipo de cliva-

Clivagem em seis direções - essa clivagem é apreseg


triangul~

tada pela esfalerita e sodalita,em que os planos de clivagem


são paralelos às faces do dodecaedro rÔmbico {110}.
A B

~ ~

FIG. 5.9- A . CLIVAGEM OCTAEDRICA. B . CLIVAGEM ~llBtCA.


5.1 : , Partição
A pa~tição é uma superfície de fratura plana que mui
Na clivagem ro~~oêdrica os planos de clivagem sac p~ tas vêzes se confunde com clivagem. Freqüentemente, porém, os
ralelos às faces do ronilioedro, e os exemplos típicos de mine planos de partição são muito irregularmente espaçados (Fig.
ral com essa clivagem são a calcita e a dolomita (Fig. 5.10). 5.11) e muito grossos os seus traços, além de não ser consta~
te o seu aparecimento entre os grãos da mesma espécie mineral.
A clivagem retangular ocorre em certos minerais do
sistema ortorrÔmbico, como a anidrita, cujas direções de cliva- Os minerais que apresentam pa~tição típica são os Pi
gem formam entre si ângulo reto. roxênios, os anfibÓlios, o córindon, o espinélio, etc.... Os
piroxênios podem apresentar partição paralela a {100} ou {001},
A clivagem ortorrÔmbica é apre s entada por alguns mi

70 71

'
..-r/í
o mesmo se dando com os anfibÕlios. O córindon apresenta parti
ção basal {0001} e romboédrica, o espinélio partição octaédri-
ca.

"-C.::><:I I• A N FI B ÓLI O

a
Porti<;iio

FI G. l5.12- HÁBITO EUfORÁL.


... FIG. !1.13·. HÁBITO ANEbRAL.
ANFIBOLIO .
...,.
li
j A
Os agregados cristalinos podem ser fibrosos, foliá-
ceos ou micáceos, radiados, granulares, esferulÍticos, etc ••
(Fig. 5.14 e 5.15).
F'IG . :S.11. PARTIÇÃO. A. PA.RTIÇAO NOS PIROJl.ÊNIOS.

B . PARTIÇÃONO CÓRl"iOON.

5.8. Hibito dos minerais


O hábito dos mine1'ais pode ser Útil na sua identif_i
cação. A descrição do hábito dos minerais pode ser feita toman
do os seus grãos individualmente ou formando agregados.

Os grãos individuais podem apresentar formas caracte


rísticas e apresentar ou não faces cristalinas.

Quanto à presença de faces cristalinas, os minerais


podem ser auedrais, subedrais ou anedrais. Minerais euedrais
são aquêles limitados por faces cristalinas (Fig. 5.12); sub~
FIG. !1 . 14· HÁBITO ACICULAR E
...
FIG.l5 . 1!1- HABITO FIBROSO.
drais, quando parcialmente limitados por faces cristalinas, e
P.AOIAOO. SILIMANITA •
anedrais, se os minerais não apresentam nenhuma face cristalina
(Fig. 5.13).

Quanto à forma dos grãos dos minerais, o hábito pode


ser acicular, capilar, r~filiforme, prismático, lamelar, tÇ1.bu-
lar, equidimensional, etc ..

72 73
6. OBSERVAÇÃO.DOS MINERAIS A = e Cn 1 - n 2 ), que é fÓrm_ula de cam.inhamento.
COM NICGIS CRUZADOS
\ ; Pode-se explicar os dois raios de velocidades vx e
vz como resultantes da decomposição vetorial do raio provenie~
te do polarizador,segundo os dois planos de vibração do mine-
ral,perpendiculares entre si (Fig. 6.1, 1.2).

Cada um dêsses raios, ao atr~vesse.r o analisador, se


decompõe, por sua vez, em dois componentes, um na direção do
plano-ele ; ibração do analisador (leste-oeste) e outro na dire-
ção perpendicular (norte-sul) (Fig. 6.1, 1.3). Atravessarão o
analisador sõmente os componentes dos dois raios que vibram no
plano de vibração do analisador e eliminados aquêles que vi-
bram no plano perpendicular ao primeiro.
6. 1. Princípio geral Resultam, pois, dois raios com diferença de caminh~

l Serão estudada~nesse capítul~ as propriedades obser


vadas ortoscÕpicamente no microscópio petrográfico.
mento A, após atravessarem o analisador e que vibram num
plano. ~sses dois raios estão em condições de se interferirem.
mesmo

Um mineral observado com nicóis cruzados se comporta O analisador, como se observa na Fig. 6.1, além de
em relação à luz que o atravessa, conforme o esquema indicado reduzir as vibrações do mineral aos componentes v' e v' num
X Z
na Fig. 6 .1. único plano, produz uma defasagem entre êles de li radianos
(180°·), que equivalem a meio (1/2) comprimento de onda na dife-
A luz proveniente de uma fonte é polarizada, ao atra-
rença de cam.inhamento.
vessar o polarizador do microscópio. Essa luz polarizada que
vibra, por exemplo, nesse caso, segundo a direção norte-sul, i~ Resulta uma interferência construtiva dos dois raios
cide sôbre um mineral anisotrÓpico colocado na platina e,ao a- v~ e v~,após atravessarem o analisador, quando a diferença de
travessá-lo, se desdobra em dois raios que vibram em planos pe!: caminhamento total D, igualà soma das diferenças. de caminhame~
pendiculares entre si. tsses dois raios, no caso mais geral, to produzidas pelo mineral (A) e pelo analis~áor (À/2), é
possuem velocidades de propagação difepentes ~x e vz ~ Índices um múltiplo inteiro (p) de comprimento de ondá.
de refração respectivos n 2 e n 1 e, ao atravessarem o mineral D =6 + À/2 p À portanto:
de espessura e, lhes resultam uma , diferença de caminhamento À
A = (2p - 1)
ou retardação A, e um atraso no ~~mpo A t. O raio de velocida- 2
de menor constitui o raio l.ento;' e o de meFJ:s-r velocidade, o Assim, haverá interferência constru·fiva entre os
. 1Vjf.j 18 1,
raio rápido. O atraso no tempo existente entre os dois raios, '
dois raios emergentes do analisador, quando a diferença de ca-
rápido e lento, é dado pela expressão minhamento produzida pelo mineral (A) fôr um múltiplo Ímpar
e - _e_ de meio comprimento de onda.
A t = V V
= e cV l _L)
vx
z X z
A interferência destrutiva entre os dois raios v' e
X
Multiplicando ambos os membros por e =. velocidade dos raios no v~,após atravessarem o analisador, se verifica quando a difere~
vácuo, tem-se ça de caminhamento total D ê igual a múltiplo Ímpar de meio
r
( _s:_ - ~)
comprimento de onda, isto é:
c. A t =A =e V V
Z X

H 75
D = 6 + Ã/2 = (2p -: 1) Ã/2

portanto: 6 = p À

De modo que haverá interferência destrutiva, quando


a diferença de caminhamento produzida pelo mineral (6) fÔr
um múltiplo inteiro de comprimento de onda

1----l----Z Sendo 6 =e (n1 - n 2 ), a condiçâo de interferência


construtiva sera
À
e ( n1 - n2) (2p - 1)
2
1.3 2 .3 3.3
e a interferência destrutiva

e (n
1
- n
2
) = pÀ

1
ANALISADOR Para uma certa orientação ou corte do mineral, a di-
l ferença (n 1 ~ n 2 ) será constante. Um minera~ com uma certa e~
! pessura constante e 0 , tal que os dois raios, após o percorrerem,
\}
estiverem em condição de interferência destrutiva, apresenta-se
11 esçuro, quando observado ortoscÕpicamente. Se o mineral tem
,~
i----r-----1 z
uma espessura variável, naqueles pontos onde a sua esp~ssura

satisfaz à condição e (n 1 - n 2 ) = p Ã, aparece a côr escura,d~


vido à interferência destrutiva. Nos demais pontos, o mineral
1.2 2.2 3.2
se apresenta iluminado de uma maneira geral.
MINERAL
. ANISOTRÓPICO .
/
6.2. Posições de extinção e
de mãxima luminosidade
Quando os planos de vibração do mineral coincidirem

1.1
POLARIZADOR
EB 2. 1 3.1
com os do polarizador e analisador, a luz polarizada que pene-
tra no mineral se decompõe em dois componentes, mas o
te, segundo o plano perpendicular ao do polarizador, tem
-
de -nula (Fig. 6.1, 3.2). O outro componente que atravessa o
-

neral _':l'ipra paralelamente ao plano de vibração do p o larizador,


e,ao -penetr~r no analisador, se decompõe em dois outros ~ .sendo
compone~
amplit~

mi

que o co~ponente, segundo o plano de vibração do analisador, é


LUZ NÃO POLARIZADA nulo. O outro vibra perpendicularmente à vibração do analisa-.
dor,de modo que é absorvido pelo mesmo.

FIG . 6.1 - ESQUEMA DOS PERCURSOS DOS RAIOS O mineral,nessa posição, se apresenta escuro ou extin
- ,, to.
DE LUZ COM NICOIS CRUZADOS.
. Então, para se localizar as posições dos dois planos
'
77
76
de vibração do mineral, êste é trazido à posição de extinção ~­ dI
2
_A
_ _ sen 2 a cos 2 a) 2
pela rotação da platina do microscópio. Nessa posição, os pla-f'\ • da 2 A sen 4 a
no s d e vibração do mineral são paralelos ao do polarizador e !
2
analisador. ~ = _A_ • sen 4 a = O
da 4
Numaoutra posição qualquer (Fig. 6.1, 1.3, 2.3), e-
xistem componentes segundo o plano de vibração do analisador 4 a = O ou 180° a = 45°

e, portanto, uma certa luz sempre o atravessa. O mineral esta- Girando-se a platina de 45°, a parti_r da posição de
rá i l uminado, quando observado com nicÓis cruzados. extinção, têm-se as direções de vibração do mineral, fazendo um
ângulo de 45° em relação aos planos de vibração do polarizador
e analisador, e é a posição de máxima l'uminosidade.
/
.1
' \
('

/
/
/

A
'' í~ Em outras posições, entre êsses dois casos extremos
'' \.J~ de extinção e máxima luminosidade, verifica-se uma iluminação
intermediária do mineral no microscópio (Fig. 6.1, 2.3).

6.3. CÕres de interferência


Utilizando-se uma luz monocromática, um mineral ani-
sotrópico, na pQsição_ çle máxima lwni~osidade, isto é, com os
seus dois planos de vibração a 45° dos planos de vibração dos
polarizadores, se apresenta escuro, quando a diferença de cami-
FIG. 6. 2 - POSIÇÃO DE MlXIMA LUMINOSIDADE. .. nhamente 6 produzida pelo mesmo é um múltiplo inteiro de co~
primento de onda, e iluminado com a côr da luz utilizada, qua~
do essa diferença não é um múltiplo inteiro de comprimento
Essa iluminação será má~ima,quando os dois planos de de onda. Isso, para uma espessura constante do mineral.
vibração do mineral formarem um ~1gulo de 45° com os planos de
Um mineral anisotrópico com a forma aproximada de
vibração do polarizador e analisador.
uma semi-esfera, por exemplo, (Fig. 6.3) e cujo eixo Ótico não
Realmente, a luminosidaje é proporcional ao quadrado seja perpendicular à platina do microscópio, possui uma espes-
da amplitude do raio que atravess~ o analisador, ~nde A, a ~ sura que varia desde zero até um valor máximo e no centro. ~~
plitude ·do raio polarizado que ~~ovém do polarizador ( Fig. se mineral é colocado na platina do microscópio e observado
6. 2 ), A 1,a amplitude de uma das vibrações que atravessa o min~ com uma luz monocromática (amarela, por exemplo), 'c om nicÔis
ral e A 2 , a do componente que consegue atravessar o analisador, cruzados.
e ~ o ângulo formado pela direção de vibração do mineral com o
Não estando o mineral na posição de extinção, êle ~
do polarizador, tem-se
presenta uma série de cincunferências concêntricas escuras, al-
A 2 = A 1 sena = Acosa sena ternadas com outras de côr amarelo brilhante.
2 2 2
A luminosidade será I " A22 A cos ·a sen a = Onde a espessura do mineral fÔr suficiente para pr2
2 1 2 A2 2
= A ( -- sen2a) sen 2a duzir uma diferença de caminhamente igual a um ·múltiplo intei-
2 4 ro de comprimento de onda da radiação amarela, vai ocorrer urna

78
79
radidção amarela, a côr de interfe~ência apresentada pelo mine
destruição pela interferência, aparecendo o mineral escuro ne~ ral é vermelho arroxeado (vermelho sensível) que é a cor com-
ses lugares. Nas posições intermediárias, o mineral se aprese!!. plementar do amarelo.
ta com a côr da luz monocromática utilizada.
Normalmente, a espessura do mineral não é constante,
de modo que as diferenças de caminhament~produzidas pelo min~
ra.l, variam de ponto para ponto. Para um grão de mineral, a sua
orientação Ótica sendo constante, aquêles pontos de igual dif~
Faixas Escuras
rença de caminhamente se apresentam com a mesma côr de interf~
rência, e, portanto, coincidem com o lugar de igual espessura
do mineral. Um mineral, anisotrópico, que geralmente possui e~
pessura variável, apresenta várias côres de interferência. No
MINERAL visto em Microscópio
caso mais geral, essa côr de interferência .'LaI!Ía-COID-a.--diferen.,-
ça à~- ~~j nhC1J1lento produzida pelo mineral, e essa diferença é
! unção ~~ _:_spessura d~ m~n~~~~~ da orientação e natureza do mi
neral, conforme se pode concluir da fórmula da diferença 6.

As côres de interferência produzidas por uma difere!!.


~;,.,,, ça de caminhament~ que varia de zero micron a 560 milimicra
•2 •3 •2 (0 - 560mµ), são chamadas côres de interferência de primeira
1
1 ordem; aquelas produzidas por uma diferença que varia de 560
milimicra a 1120 ~ilimicra, são as de segunda ordem; as cô-
1 1
res de terceira ordem são produzidas pelas diferenças de cami
flG. 6. 3- EFEITO DA INTERFERÊNCIA DE LUZ MONOCROMÁTICA nhamento que variam de 1120 milimicra a 1680 milimicra, etc ..
Essa sequência de côres de interferência,produzidas pelos va-
NUM MINERAL LENTICULAR.
lÔres crescentes de 6, constitui a carta de côres de interfe
rência de Newton (Fig. 6.4).
Se em vez da luz monocromática é empregada a luz Nessa carta, observa~se que uma mesma cõr de interf~
branca, verificam-se as condições de interferências destrutivas rência se repete várias vêzes. Assim, existe um amarelo de pri
e construtivas para cada uma das radiações que compõe a luz meira ordem, amarelo de segunda ordem, etc., o mesmo se dando
branca, mas nem tôdas simultâneamente. 'r com algumas outras côres. Não existe côr de interferência veE
Quando o mineral tem uma certa espessura constante de ou azul de primeira ordem, mas, em compensação, as côres
, '
e uma orientação tal que se verifique a destruição de uma de- cinza ou cinza esbranquiçado · ou azulado são de . pr~meira ordem
terminada côr, êle se apresenta com uma coloração que é a co~ sÕmente. Essa repetição de côres da interferência se deve ao
plementar daquela destruída. Essa côr é ~~~!fe~ia fato de que a interferência é destrutiva quando a diferença de
do mineral visível, naturalmente quando o mineral não está na caminhamento é um múltiplo inteiro de comprimento de onda.
posição de extinção. No caso, por exemplo, de se considerar a raàiação amarela do modo
anterior, quando a diferença de caminhamente produzido pelo mi
Por exemplo, se o mineral tem uma espessura e ori-
n eral ~ i6ual a 56 0 milir.,icra (um comprimento de onda da ra-
entação tais que a diferença de caminha.J:1~nto produzido seja um
di c.ç::?.:: a ;:;c.r e lc. ), a :;:i arece a cê::-· ;rroxeada. que é o complemento de
múltiplo inteiro de 560 micra, que é o comprimento de onda da

31
80
amarelo e . é de primeira ordem. Quando a espessura e orientação
dêsse mesmo mineral são tais que a diferença produzida pelo
ESPESSUllA
mesmo · é 1120 milimicra (duas vêzes o comprimento . de onda da

o j j ClllZA 1 l'lfETO
.~
o
l i'
:t
radiação amarela), aparece uma côr de interferência arroxeada,
porém de segunda ordem, e assim por diante, também para as de
'- mais côres.


i ···
CINZAI alfAH<;O
~ Birrefringência mãxima e
...•
li cõr de interferência de
maior ordem
ALAllANJADO
Como foi visto anteriormente, a côr de interferência
....

t
V 1 ~ depende da diferença de caminhamente A,expressa por
G)
..."'o VEIU,ELHO SEHSIVEL -------1~

I~
!" A = e (n 1 - n2)
~
1 v~
n
>
:11
.• VElfOE AllAlfELADO
ESVElfDEADO

1 QI
~ ---- -----
Para grãos de espessura constante, o valor de
ria com a difer~nça entre os Índices de refração dos
- - ---
A
dois rai
-i
>
...~
• ..."'""
os •
li .
1 - n 2 chama-se birrefringência.
e
"'n
"'
~
Essa diferença n
A
v·ElfllELHO ALA/tAHJADO
o ... . birrefringencia -
do mineral varia de zero até um va
~·~·
...

t
º' lor máximo aos quais correspondem os valôres de A mínimo e má-
:11 1 ~ ( c~

-
ximo, respectivamente. A êsse valor máximo de diferença de
"'
UI
o
V ElfllELHO
lt: minhamento corresponde uma côr de interferência de maior or-
e 1
ESVElfDEADO ~-
"'z ~
~
dem. A birrefringência correspondente _é a birrefringência máxi
..... ... ma •

"'.... • 1 A diferença n 1 - n 2 varia com a orientação do grão


.111 ' :11
...•~ VE/fDE AMARELADO do mineral •
"'·
:11
li
Para minerais uniaxiais, a birrefringência é máxima,
"''
z o à
,.
2 a quando o mineral é cortado paralelamente
Portanto, os grãos de minerais uniaxiais, cUjo eixo cristalogri
seção principal.

é paralelo à platina do microscópio, ..;ipresentam côres

1r
VEllllEHO lfOSA fico c
de interferência de maior ordem, admitindo-se espl'!'s~ura cons-
tante para todos· os grãos. Essa birrefringência máxima é dada
•• pelas diferenças ne - n ou n - ne, conforme o mineral seja
t• 0 0
uniaxial positivo ou negativo (Fig. 6.5), respectivamente .
1
1 1 Os grãos ie minerais uniaxiais, cujos eixos Óticos

~ L--'-~~~~~~~~--''----'~~~~~--o
~


' sao perpendiculares ; platina do microscópio, apresentam birr~
fringência nula (n - n = O), e a côr de interferência é pre-
e. o o

'92 83
, ..

~ t.;, ~
s\euo•ECA SETOf<I'"' . .
oepte. ô• G~l\a · UF~
f ·• •"' I '.;;,.·

·-·~ ;1 ,· ••

~
Os minerais biaxiais apresentam côr de interferência
ta, independente da espessura e da posição em re~ação ao pola-
de maior ordem para grãos de minerais cortados paralelamente
rizador e analisador (Fig. 6.6).
ao plano Ótico, porque nesse plano estão as vibrações X e z
de índices nx e nz, respectivamente, extremos (Fig. 6. 8) .
e

c z
EO EO
I
"• '
\
nz I
n. /
1 /
1 I
no no \ I
1

\ I
\ I nr;
X
y I \
I 1
I \
I 1
I \
B I 1
/ 1
I \
I \
A / 1

FIG. 6. 5 - SEÇAO PRINCIPAL DA INDICATRIZ DOS MINERAIS UNIAXIAIS

POSITIVOS (A) E NEGATIVOS ( BJ. FIG.6.B- PLANO ÓTICO DE MINERAL


BIAXIAL POSITIVO

Os outros grãos, cujos eixos Óticos estão em posição


intermediária entre êsses extremos, apresentam, para uma espe~ Um grão de mineral, portanto, cujo plano Ótico é p~
sura constante, côres de interferência intermediárias entre a ralelo à platina do microscópio, apresenta côr de interferê~
máxi~a e a côr escura (Fig. 6.7). eia de maior ordem, porém, um outro que possui a sua seção ciE
cular paralela à platina (com um dos eixos Óticos perpendic~
lar à platina do microscópio), se apresenta escuro.

no
c
n.
6.5. Utilização dê ácessõrios
no
- · -- -~º Os acessórios mais comuns do microscópio petrográfi-
c
co são a placa de mica, a placa de gipsita ou de quartzo e a

· ~~ cunha de quartzo. Entre acessórios especiais, está o


dor de Berek.
compensa-

Todos os acessórios comuns possuem, por construção,


as posições de vibração dos raios lento e rápido, conhecidas e
FIG,66 - SEÇAO EQUATORIAL DA FIG.6 .7- SEÇÃO INTERMEDIÁRIA DA INDICA gravadas no suporte da placa. Normalmente, a direção de vibra-
INDICATRIZ DE· MINERAL UNIAXIAL TRIZ DE UM MINERAL UNIAXIAL NEGATIVO.

84 BS

_..
ção do raio lento é paralela à dimensão menor da placa, mas o
contrário também se verifica em alguns tipos de microscópio.

Também por construção, a espessura uniforme das pl~


cas de mica e de gipsita ou de quartzo é ta~ que a diferença o
de caminhamento ou retardação produzida por essas placas entre
os raios lento e rápido que a atravessam é conhecida :? constan-
"'
·o

..."'"'
.
"'
te.
A placa de mica produz uma diferença de caminhamento
.
u

+
+ _,
C(
:a
igual a l/4ÀNa' isto é, aproximadamente 140 milimicra; a de
quartzo ou gipsita produz uma diferençá aproximada de 560 mi l i ..
_,
..."'z
... "'
:a
_,
micra ou lÀNaº
:a
A cunha de quartzo possui uma espessura variável de
um mínimo até um certo valor ta~ que produz uma diferença de o
caminhamento variável de muito pequena até 1700 milimicra, cor
respondente às côres de interferência até de terceira ordem.
-:----i---
'
: . C(
·o"'
"'"'
w
u

f
C(

~sses acessórios auxiliam na determinação das


ções dos raios lento e rápido do mineral, da ordem das
de interferência do mineral, do sinal Ótico dos minerais unia-
posi-
côres
o
"'
·o
$_; __ ; e
"'
o
u
o
>
:a

"'..."'u
;::
xiais e biaxiais, etc .. 1___ } . ..
õ
_,

L
A placa de mica se utiliza.de preferência.para mine ,_
o

rais cuja côr de interferência é baixa; a de gipsita ou de .....,...


quartzo, para minerais de côres de interferência muito baixas a ~
intermediárias e a cunha de quartzo é utilizada quando a côr .,;

de interferência do mineral fÔr muito alta.

r- ---j----
6.6. Determinação das posições :
' ..
:a
dos raios lento e rãpido
do mineral, com acessõrio ....._, ~[-- -ar--- : ."'
:a

"'z
Um raio de luz polarizada, ao atravessar
anisotrÓpic~ se desdobra, como foi visto, em dois raios que vi
um mineral
:a
; .tP ~ :: 1

bram em planos perpendiculares e se propagam através do mine- -~

~
ral, com velocidades diferentes, v1 e V2. O raio que se propaga.
com velocidade maior no mineral é o raio rápido e o de vel0ci-
dade menor é o raio lento. Após atravessarem o mineral de e~
pessura e, êsses dois raios apresentam uma diferença de cami-
nhamento fl = e (n 1 - n2) ( 6. 1 ) .
~~ 7
86
Quando as duas direções de . vibração do mineral sao
paralelas aos planos de vibração do polarizador e do analisa-
dor, êle está extinto, mas, girando-se a platina do microscópio
de 45° a partir dessa posição de extinção, o mineral se aprese~
ta na máxima luminosidade.

~ ~essa po~ição_de máx~ma lumi~osidade do m~neral, as

l
duas direçoes de vibraçao do mineral sao paralelas as do raio
lento e rápido do acessório, quando introduzido no microscópio.

l:
~I ___~_:_(
~ Duas coisas podem acontecer com a introdução do ace~
...ii\ sério: a) adição das diferenças de caminhamente produzidas p~
J' lo mineral 6 e pelo acessório 6 1 , dando uma diferença de cami
m • -
"'o.... nhamento total final 6f = 6m + 6 1 • A côr de interferência r~
1
sultante do mineral será de ordem superior, e houve, portanto,
"'.., :- -- - adição nas- côres de interferência; b) subtr~~ã9 das dife~ença~_
"'=< 1
o 1
de caminhall!_~Qto,dando uma diferença total final 6f igual a
1
C/I
e '
a>
_, 6f = 6m - 6 1 , e a côr de interferência resultante do mineral
;o
I> será de ordem inferior à original. Houve, portanto, uma sub-
::!
tração nas côres de interferência.
..,,....
o<
1' o
o
;!:
;o
i' A adição das côres de interferência ocorre quando a
-~_::5ã~ _d9 raio lento do mineral

r~lJ
..,ª·
. "' é
paralela à direção do·
o

"'"'
1/1
o-
.
a.
o "'º-
"'
o
J raio lento do ~cessório. Nesse caso, o raio lento e o rápido,
ao sairem do minera~ apresentam uma diferença de caminhamento
6.9);~p_:p~ne~rarem lento,pr~~~
;o ::o
I>
o 1
6 m (Fig. no ac-;;sório, o raio
niente do minera~ se propaga, vibrando paralelamente à vibração
- - - · -..L do raio lento do acessório, e, portanto, percorre uma distância
'
' ;;;;~ que o outro raio r~pido"numdeterminado tempo. A difere~

--T. 1~
ça de caminhamente produzida pelo acessório se adiciona
la produzida pelo mineral.
àque-

.
r- .
:ii
E I~.. Quando se verifica subtração nas côres de interferên
ci~ do min;;al, os raios lento e rápido do minerai 'são paral~
r-
J: J: •
..,,....
+
+
.. .. ..
r
l~s__respectivamente
(Fig. 6.10).
aos raios rápido e lento do ' acessório

..
::o
_.
i --~~---_
--- -
_l O raio lento proveniente do mineral atravessa o
sério mais ràpidament~ por se propagar vibrando
ao raio rápido do aces .s ório, do que o raio rápido
paralelamente

do mineral. tste Últim~ por vibrar paralelamente ao raio lento


ace~

proveniente

do acessório, o atravessa lentamente, de modo que a diferença

88 89
de caminhamente total final âf é igual à diferença produzida
p elo mineral e aquela produzida pelo acessório. Quando a dife-
rença de caminhamente produzida pelo mineral de espessura con~
!> tante fÔr exatamente igual à diferença produz ida pelo acessó-
.,, "'...
X ri o , a diferença total final será igual a zero, e diz-se que
!"
......
!"
1
-o
..
z
o
':·:.;.:::·::..::»"·:J::::-"-:"::":.'·'··
-: ~·-.: i-;:. ·:-:.:·.:}:".:".:·_.'. :>.
houve c ompensação das côres de interferênc i a, e o mineral se
apresenta prêto ou escuro .
,......___--- - - - --·-------·--
o o o
"'-< \ Na prática, a determinação da posição dos rai os len-
"'e
J>
o r "':e"' --------...:
to e rápido do mineral é feita girando- s e a platina do micro~
l\
"'-< ~I f'Tl
o z z cópio até a posição de extinção completa -·do mineral (nessa po-
"'
J>
--<>
-<
o
J>
-(')

J>• o J>.
o sição, as vibrações do mineral são paralelas às vibrações do
o J>

o
"' "' ol>
polarizador e analisador). A seguir, gira-se essa platina de
z,. o l>'
V>
n
O>

"'
,.,
"'O
o "'O
45°, até_a posição de máxima luminosidade do mineral, quando as 1
o !"
O> V'1 O
... vibrações do mineral são paralelas às do acessório (Fig.
"'"'
"'
o
o
"'
o
o
..."'
..(;
o
"'
:e'º
1
I 6.ll,B).
~- 1 Introduz-se um acessório e verifica-se se houve adi
z ~ o i
z -< z o J>
-< "' "' "' r çao ou subtração das côres de interferência do mineral. A adi-
"' "' "' "'
"' .,, J>
e
:e
~ ~ ,... J>
z ção das côres de interferência do mineral indica que o raio
"' ,,,. o
m> z o lento do minerai é paralelo ao lento do acessório, e, portanto,
z
!:?
o
;
"' "'o L <>
J> J> o raio rápido do mineral será paralelo ao rápido do acessório
:._~J
o
"' (Fig. 6.11,C). Por outro lado, a subtração das côres de inter-
ferência indica que os raios rápido e lento d~ mineral são _P~
1 ralelos, respectivamente, aos raios lento e rápido do ace s só-
?
....... rio (Fig. 6.11,D). Obtém-se essa posição de subtração, girand~
1

/u:> 1
""" ... p
... 1
1 se a platina de 90°,a partir da posição em que h o uve adição
das côres de interferência.

( Yk/~
J>
n "'o
"'"' "'
o"' . J>
o 1
õ"' "'"'
"'O,, , 6.7. Determinação da posição
o
dos raios , lento e ripido
do mineral po~ meio de
cunha de quartzo
1
A ci.mhü de quartzo, devido à sua espessura variável,
ao ser introduzida no microscópio, adiciona ou subtrai de uma
maneira contínua uma diferença de caminhamente crescente, con-
forme seus raios lento e rápido sejam ou não paralelos re~
pectivamente ao lento e rápido do mineral.

90 Geralmente, a forma do grão de mineral é lenticular e

91
a sua espessura varia de um mínimo nos bordos até um valor ma-
ximo e 3 (Fig. 6.12,1).

A orientação de um mesmo grão sendo a mesm~ a dife- 5. MÍ nera 1tvis10 nomicroscópi·o l.As tÔ res
de in1•rferência 'saem' do minerar com
rença de caminhamento que o mineral produz será proporcional à
a introdução paula1 i na da cunt1a de
sua espessura. Tem-se, entã~ uma curva para diferença de cami quartzo. Adiç•ott.fal
nhamento óm que o mineral produz (Fig. 6.12,3),paralela ao pe~

fil superior do mineral.

A cunha de quartz~ que, por construçã~ apresenta uma


espessura variável e orientação Ótica constante, introduz uma
4, Mineral (visto no microsoópiolAs cô_
diferença de caminhamento proporcional à sua espessura, tam-
res de interf~rênc.ia'entram"para o
bém, pois ó q =e!i (n e - n)
o
= K. e!.
i mineral tom a Ínfroduç•o paula ti na
da cunha de quar-1zo Sub1r-açiio(t.tsl
Quando a vibração do raio lento do mineral é par~

k lela ao lento da cunha de quartzo, há adição das


de caminhamento produzidas pelo mineral e pela cunha. Em
diferenças

ponto do mineral, a diferença de carninharnento final total é pr.2_


cada

i1 porcional à sorna das espessuras do mineral e da cunha, e a sua


curva final será ófa (Fig. 6.12,3).
1
Uma certa côr de interferência do mineral correspo~ 3. Dite r-en ças de caminha me nfo.
dente a uma certa diferença óml' que aparece no ponto A da cur- t.1 r ,. r -···1 --:::::.......
'I va de diferença de caminharnent0 produzida pelo mineral, após a !._
ti.m: dÍ1erença produzida pelo miner-al
ti.fa:dÍfere nç., prOduzÍda pelo miner"I
>-! introdução da cunha em posição que haja adição, se desloca pa-
mais d Ífer•nfa produz Íd" p11 Ia
e.unha.~
ra o ponto B, na curva final da diferença de caminhamento.
ti.fs:dihrenç" produzid" pelo mineral
t:sse deslocamento de côres se verifica de maneira se menos dÍfer-ença pr-oduzid" pela
eu n h a . S u b t r" ç ão
melhante para tôdas as demais côres de interf~rência do mine-
ral.

A introdução da cunha de quartzo ser.do gradual, ap~ ~


li: 2. eu n h a d e q u" ,. t z o.
rentemente as côres se rnovimenTam para fora do mineral (Fig. •1 •2 e l ·~
6.12,5).
,, Quando as vibrações do raio lento e rápido do mine-

~
ral são paralelas às do raio rápido e lento do acessório,
respectivamente, há uma subtração das diferenças de caminhame~ 1. Miner-al len1icul.,r(vÍs10 em cariei
•1 •2 •3 •4
to. Essas diferenças sendo proporcionais às espessuras do min~
ral e da cunha, a diferença de caminhamento fina~ após a intr.2_
dução da cunh~ será proporcional à diferença entre as espess~ ,_ - - A
FIG.6 . 12·-VERIFICAÇAO DAADICAO E SUBTRACAO DAS CO-
ras do mineral e da cunha,num certo ponto, e a curva final cor i RES DE INTERFERÊNCIA COM CUNHA DE QUARTZO
respondente será ófs (Fig. 6.12,3). f
Uma certa côr de interferência do mineral correspo~
·,1.
93
J, __

riam paralelamente, no mesmo sentido, segundo as cores da caE


ta de Newton. A observação dessas côres de interferência do
dente a uma certa diferença de caminhamente indicada pelo po::.!_ bordo para o centro do minera~ e comparando-as com a sequência
1 to D na curva Am' com a introdução da cunha de quartzo, se m2 das côres da carta de Newton, permite dizer a ordem exata da
ve para C,na curva final Afs" A introdução da cunha sendo côr de interferência de maior ordem dêsse grão e, portanto, do
gradual, as côres de interferência se movem aparentemer.te para mineral.
dentro do mineral (Fig. 6.12,4). Freqaentemente a ordem exata da côr de interferência
O uso da cunha de quartzo consiste, portanto, em, ini
i• é determinada sômente com auxílio de acessórios. O acessório
cialmente, trazer o mineral à posição de extinção perfeita pela mais adequado para essa determinação depende da birrefringên-
rotação da platina, localizando assim as posições das duas di-
.1i· cia do mineral. Para minerais de baixa birrefringência ou mui
1 reções de vibração do mineral. Então, gira-se a platina de to baixa birrefringência,utiliza-se a placa de gipsita ou de
45º, de modo que o mineral apresente côres de interferência na
de quartzo e,para os de alta ou muito alta birrefringência,a cu-
máxima luminosidade. Nessa posição, introduz-se a cunha nha de quartzo.
i~
1 1
quartzo paulatinamente, observando o movimento das côres de

( 'l \ terferência do mineral: quando essas côres saem aparenteme~ Seja, por exemplo, um mineral que apresente cor de

minera~
~. k' 1
interferência vermelha cuja ordem se deseja saber utilizando a
te do verifica-se adição, e, portanto, o raio lento do
placa de quartzo ou de gípsita. O mineral é trazido à posição
mineral é paralelo ao lento da cunha, e, naturalmente, o rápido
do minera~ paralelo ao rápido do acessório; quando as côres de
de extinção e depois girado de 45° até a máxima luminosidade.
t introduzida a placa e verifica-se se ocorreu adição ou sub-
interferência do mineral dirigem-se para dentro do mineral, é
1 tração. No caso de se verificar adição, o mineral é girado de
subtração das côres que se está verificando, e os raios lento
e rápido do mineral são paralelos, respectivamente, aos raios r~ 90º pela rotação da platina, de modo que haja subtração das c2
res de interferência, com a introdução da placa. Nessa posição,
pido e lento do acessório. se o vermelho original do mineral passa para cinza escuro com
a introdução da placa, êle é de lª ordem (vermelho sensível).
1
6. 8. Determinação da cor de
I' ,·1 interferência de maior
Quando a côr de interferência do mineral é cinza
ou cinza amarelado de baixa ordem,que corresponde à diferença
11 . l ordem de caminhamente aproximada de 200 milimicra, a introdução da
1 i Numa lâmina delgada ou numa montagem em Óleo, em que
placa de gipsita ou de quartzo (1 Ã) transforma essa côr em a-
laranjado ou verde azulado. No primeiro caso, há subtração
a espessura dos grãos de um mesmo mineral é a?roximadamente
das côres de interferência,pois de 560 milimicra da placa se
constante, as côres de interfe·rência apresentadas pelo mineral
subtraem 200 milimicra do mineral, resultando, apro~imadamen­
variam de grão para grão, devido às orientações óticas diferen-
te, 360 milimicra que correspondem à côr alaranjada. se' ·a côr
tes dos mesmos. t escolhido um grão que apresente côr de inteE
de interferência do mineral passa para azul, é adição que se
ferência mais alta. A côr de interferência de mais alta orden
verifica, porque sôbre 560 milimicra se somam 200 milimicra
está nor1nalmente na parte mais espêssa dêsse grão e a ordem
do mineral, resultando 760 milimicra que é verde azulado.
dessa deve ser determinada com exatidão.
11\l Quando o grão possui uma forma lenticular, a sua es-
Portanto.quando se utiliza a plàca de gipsita ou de
quartzo (1 Ã),é a diferença de caminhamento produzida pelo mi-
pessura varia de um certo mínimo nas bordas até um valor máxi
neral (ou o que é o mesmo, as côres de interferência do min~
mo, geralmente na parte central, e a diferença de caminhamento
ral) que se adiciona ou subtrai da diferença de caminhamente
produzida cresce gradualmente da periferia do mineral para a
parte central do mesmo. Portanto, as côres de interferência v~ 95

94
,.,.
da placa (cuja côr de interferência é vermelho sensível).

Com a cunha de quartzo, o método é como segue. Da me~ a natureza exata da vibração, normalmente mede-se o ângulo de
ma maneira, o mineral é trazido à posição de extinção pela ro- extinção de um mineral em relação ao raio lento.

tação da platina, e registra-se o ângulo correspondente na gr~ Para se medir o ângulo de extinção de um
mineral em
duação da platina do microscópio. Gira-se a platina de 45°,tr~ relação à clivagem, por exemplo, o mineral é
trazido ao cruza
zendo o mineral à posição de máxima luminosidade, introduz-s~ mente dos retículos
e depois gira-se a platina do microscópio
a cunha de quartzo. Se se verificar adição das côres de inteE até a extinção completa do minera~registrando a seguir o âng~
ferência, gira-se a platina de 90°, de modo que haja subtração lo correspondente na escala da platina. Nessa posição de extin
quando se introduz a cunha de quartzo. A introdução é feita ção do minera~ uma das direções de vibração do mesmo é
paral~
paulatinamente pela sua parte mais fina, até que a côr de in- la ao retículo norte-sul do microscópio. Pela
rotação da plati
terferência do mineral de maior ordem se torne escura. Isso se na faz-se coincidir a direção de clivagem com o mesmo retículo
verifica quando a diferença de caminhamente, introduzida pel .;i. norte-sul, e feita a leitura do ângulo correspondente na plati
cunha, é exatamente igual à diferença produzida pelo mineral na. A diferença entre essa leitura e a anterior é o ângulo de
correspondente à côr de interferência cuja ordem se determina, extinção30 mineral em relação a essa direção de vibração par-
porém de sinal contrário. Houve compensação das côres de inteE ticular e o traço da clivagem.
ferência. Retirando a lâmina do mineral da platina do microsc2
A coincidência da clivagem com o retículo se faz me-
pio, ou sem retirá-la, gira.~do a platina até a posjção pri- lhor com os nic~is não cruzados.
- ----....e
ginal de extinção cujo ângulo foi registrado, observa-se, no 1--r-, ·;
campo do microscópio, côr de inter·ferência produzida pela cu-
nha, que é exatamente igual àquela que o mineral apresentava
originalmente . . Retirando-se cuidadosamente a cunha, pode-se OQ
servar tôda a seqüência de côres de interferência, a partir da (_
·,
côr mais alta que o mine.ral apresentava, até a côr cinza escuro,
seguindo a carta de Newton. Por comparação com essa carta.pod~
se dizer exatamente a ordem da. côr de interferência do mine-
ral.

6.9. Tipos de extinção


A
e
O ângulo de extinção é o ângulo formado por uma dir~
ção qualquer tais como: traço de clivagem, face do cristal, FIG.6.13- Extinção inclinada ou obl;qua.
plano de composição de geminação, eixos cristalográficos, co_!!!
primento do grão de mineral e uma direção de vibração do mine
ral. Normalment~ essa direção de vibração sendo a do raio
Essa vibração é o raio extraordin~rio ou ordinário lento, deve-se inicialmente localizar a posição do raio
lento
pelo método visto anteriormente (6.6 e 6.7).
para os minerais uniaxiais e, para os biaxiai~ a vibração X,Y,
ou z. A posição exata dessa vibração é localizada por meio de A extinção é inclinada ou obZ{qua quando o ângulo de
figuras de interferência (Caps. 7 e 8). Quando não se conhece extinção é 'diferente de oº ou 90° (Fig. 6.13). Os minerais que
se cristalizam nos sistemas monoclínico et~iclÍnico apresentam
96

~7
geralmente extinção inclinada, salvo en algumas seções do mine-
ral.
(Cap. 9). O mineral está extinto para algumas . radiações da luz
A extinção é paralela ou reta quando o ângulo de e~ mas não está para outras, de modo que êle se apresenta parcial
tinção é Oº ou 90° (Fig. 6.1~). O mineral está extinto quan- mente iluminado, mesmo na posição de máxima extinção. ~ o que
do a clivagem ou qualquer outra direção cristalográfica é p~ acontece, por exemplo, com algum piroxênio, esfênio, etc .•
ralela a um dos planos de vibração do microscópio (norte-sul
ou leste-oe ste ).
ESTÁ EXTINTO

ESTÁO EXTIN10S

<J:> Jt·l:'•J:: ll
_:rf,_,:i: ·i::i:
.i:,-\~'.Ç
1
····r··
·:··1· '·

FIG.6 . l5 - EXTINÇÃO SIMETRICA

FIG . 6 .1 4- EXTINÇÃO PA~ALELA

6. 10. Sinal de elongação


Os minerais dos sistemas tetragonal, trigonal, hex~
Certos minerais apresentam hábito alongado, ou se a-
presentam alongados quando se quebram, devido à disposição das
'I gonal e ortorrÔmbico apresentam geralmente
la. Em algumas seções dêsses minerais que cortam os três eixos
extinção parale-
clivagens.
.,, cristalográficos a extinção é inclinada .
Quando, num mineral alongado, a sua direção de vibr~
çao do raio lento é paralela ou sub-paralela ao comprimento
Quando o grão de mineral apresentar duas direções de do mineral, tem-se elongação positiva ou comprimento lento p~
clivagem ou qualquer outro tipo de direção cristalográfica, a ra o mineral. Se é o raio rápido que vibra na diréção do com-
extinção pode se verificar quando o retículo do microscópio primento do mineral' a elongação é negativa ou cromprimento
norte-sul ou leste-oeste fÔr bissetriz do ângulo formado entre rápido (Fig. 6.16). Como o hábito dos minerais é freqaenteme~
aquelas direções. As direções de vibração do mineral formrun ~ te característico dos mesmos, o sinal de elongação é Útil para
\
gulos igu.:ds com as duas clivagens. ~ a extinção simétrica a identificação dos minerais.
(Fig. 6.15), que se verifica nos anfibÓlios, piroxênio~ etc .•
A determinação do sinal de elongação se resume, PºE
Nem sempre é possível determinar exatamente a posi- tanto, na deter·minação das posições dos raios lento e rápido
çao de extinção do mineral, devido a o fenômeno de dispersão do mineral, em relação ao comprimento do mineral.
O sinal de elongação se determina também em relação
98 à clivagem do mineral. O raio que vibra paralelamente à cliva-
99
gem pode ser o raio lento (Fig. 6.17,A) ou o raio rápido (Fig. que o hábito do mineral pode variar. Além disso, o alongamento
pode depender da direção de corte do mineral. Assim, num mine-
6.17,B), dependendo do mineral.
ral uniaxial com hábito da Fig. 6.18, o raio extraordinário
vibra paralelamente ao eixo cristalográfico c e o ordinário,
perpendicularmente a êsse eixo. Uma fatia dêsse minera~ corta-
da paralelamente à face A, que repousa sÔbre a platin~ do mi-
croscópio apresenta o raio extraordinário com vibração paral~
la ao comprimento da fatia ~ portant~ apresenta elongação po-
sitiva, se o mineral é uniaxial positivo. Já na outra fatia
do mesmo minera~ cortada paralelamente à face B, que repousa e~
tão sÔbre a platina do microscópio, o raio extraordinário vi
bra perpendicularmente ao comprimento do mineral, de modo que
o sinal de elongação é negativo.

B
Num mineral biaxial ocorre o caso de um mesmo grão
A
apresentar ora elongação negativa, ora positiva, se a vibração
Y intermediária fÔr paralela ao comprimento do mineral (Fig.
FIG. 6 . 16- SINAL OE ELONGAÇAO. A . ELONGAÇÃO POSITIVA,
6.19).
B. ELONGAÇAO NEGATIVA.

!..

1 t o
A

FIG.6.18 - SINAL OE " ELONGAÇAO EM


B
A FUNÇÃO DO CORTE E HÁBITO

DE UM MINERAL UNIAXIAL.

FIG . 6.17- ELONGAÇÃO EM RELAÇAO A CLIVAGEM.


A . ELONGAÇAO POSITIVA. B · ELONGAÇiiO NEGATIVA.
Numa fatia do mineral paralela à face A, tem-se as vi
brações Z e Y paralelas à platina do microscópio. Y sendo a vi

O sinal de elongação é uma característica Útil do mi:_ bração do raio rápido em relação à vibração Z, e paralela ao
comprimento do mineral, o sinal de elongação é negativo. Numa
neral, mas nem sempre é constante para uma espécie mineral,poE
101
100
pelo míneral 6 é uma função linear da · sua espessura, e resul-
ta uma reta como a indicada na Fig. 6.20, para cada espécie
fatia dr mesmo minera~ paralela à face C, que repousa sôbre a
mineral. A inclinação dessa reta é dada pela birrefringência
platina do microscópio, as vibrações que nela aparecem são X
máxima.quando se toma nas abcissas valôres de 6 e nas ordena-
e Y, sendo que Y vibra paralelamente ao comprimento do mine-
das valÔres da espessura. ~sse gráfico, com as côres de interfe
ral. Como nesse caso o raio de vibração Y é lento em relação
i -·' rência correspondentes a cada 6, constitui a carta de cores de
I..! a X, o sinal de elongação do mineral é positivo. Wollastonita
Newton (6.3).
é exemplo de mineral que apresenta essa particularidade.
Para se determinar a espessura da lâmina, identifica-
se a cor de interferência de maior ordem apresentada pelo
quart~o (ou de outro mineral, caso não exista quartzo na lâmi-
na), examinando todos os grãos do mesmo existentes na lâmina. A
e
ordem exata da côr de interferência do grão que a apresentar é
y
determinada com auxílio de acessórios, se necessário. A essa
/ A côr de maior ordem corresponde uma diferença de caminhamento
X máxima 6. Na carta de côres de Newton, a vertical corresponde~
te a essa côr determina um ponto sÔbre a reta da birrefringê~
eia máxima do quartzo, cuja ordenada e é a espessura procurada
(Fig. 6.20).
FIG·•·l9-SINAL DE ELONGAÇÃO EM FUNÇAO DA
ORIENTAÇÃO DE UM MINERAL BIAXIAL.

e Cm m)

6.11. Determinação da espessura o


......"v.
do mineral o

Quando se conhece a diferença de caminhamento produ-


,. ->.

z ida por um mineral de birrefringência máxima também conheci


da, pode-se determinar a espessura dêsse mineral, valendo-se da o"'
o

equação fundamental
.,"'
6 = e Cn 1 - n2 ) I
.,~

Quando uma lâmina delgada possui quartzo, normalmen-


te esse mineral é utilizado para determinar a espessura da l~
mina, porque quartzo é um mineral bastante resistente à alter~ Aq A ( m )' )( cõr de interferência)

ção e EUa birrefringência máxima da ordem 0,009 é constante.


Na ausência de quartzo numa lâmina, pode-se utilizar o feldsp~ ~
FIG.6.20- DETERMINAÇÃi DA ESPESSURA DE UMA LÂMINA .
to ou qualquer outro mineral cuja birrefringência máxima seja
conhecida com precisão.
A birrefringência máxim~ de um mineral sendo, aproxi
madamente, uma constante, a diferença de caminhamento produzida :_ r: 3

102
t:. m_
__ t:. m_
_
n1 - n2
e o ,03
6.12. Determinação da birrefringência
no caso de lâmlnas delgadas de espessura padrão. Naturalmente,
mãxima
t:. m deve ser medida na mesma unidade da espessura.
Conhecendo-se a espessura da lâmina delgada, e obseE
vando-se a côr de interferência de maior ordem de um mineral, pod~
se determinar a sua birrefringência máxima.
6. 13 . Geminação, zoneamento, cõr
A espessura padrão das lâminas delgadas é de 0,03mm. de interferência anômala
Cbservando-se todos os grãos de um mesmo mineral existente na l~
Muitos minerais apresentam-se geminados e essa gemi-
mina, determina-se a côr de interferência de maior ordem apre- naçao e freqüentemente visível, quando são observados com ni
sentada, à qual corresponde uma diferença de caminhamento máxi cÓis cruzados. Os indivíduos geminados de um minerak com gemi
ma t:.m'produzida pelo mineral. A vertical correspondente a e~
nação simples ou múltipla, possuem orientação Ótica diferente
sa diferença de caminhamento máxima, na carta de côres de New- e, portanto, não se extinguem todos simultâneamente. Os indiví-
ton (Fig. 6.21), determina um ponto B na intersecção com a hori duos de um grão de mineral que possuem as direções de vibração
zontal correspondente à espessura da lâmina. A reta que passa paralelãs aos planos do polarizador e analisador estão extin-
pela origem e pelo ponto B possui coeficiente angular igual à tos, porém, os demais, que não apresentam êsse paralelismo, não
birrefringência máxima do mineral. o estão (Fig. 6.22) .

.Cmm)

, ..'!-\
\. .....
0,03 B
1ª"'.'ª'
o'
• f::-~\
~~

'o~...~~
~
·o
r t-~'
,,,~
"'~
;,Q,,,• A B

Am

A lm)' )( cÔr es de Ínlerferincia) FIG.6. 22 -GEMINAÇÃO


,
FIG.6.21- OETERMINAÇÁO DA BIRREFRíNGÉNCI~ MAXIMA, A -8 E MINAÇÀO POLISSINTÉTICA .

1 -GE MIN·AÇAO CÍCLICA .

Pode-se calcular essa birrefringência máxima aproxi-


mada do minera~ uma vez determinada a côr de interferência de Os minerais que se apresentam freqüentemente gemina-
maior ordem correspondente a uma certa diferença de caminhamen
105
to t:.m, pela fórmula fundamental
104
dos são: ortoclásio (geminação simples), plagioclásio (gemin~
ção múltipla polissintética, etc.), microclina (geminação com-
plexa), piroxênios, anfibÓlios, calcita, cordierita, etc .. O Minerais que apresentam zoneamento sao: plagioclá-
quartzo se apresenta freqüentemente geminado em a natureza sio, zircão, piroxênios, etc .•
mas, em lâminas delgadas, a sua geminação é dificilmente obseE
Quando um mineral anisotrÓpÍco se comporta isotrÕpi-
vada. camente para determinadas radiações da luz branca, essas são ~
O zoneamento dos minerais é uma consequência da va- liminadas quando o mineral é observado com nicóis cruzados. R~
1iJ.
riação da composição química dentro do próprio grão, ou e tam sulta uma côr de interferência anômala, que não consta na car-
1

lfi, li bém da diferença na coloração, ou pode ser devido, também, à


ta de côres de Newton. A côr de interferência anômala pode re


disposição de inclusões. sultar também da forte absorção de certos minerais.
Quando o zoneamento é devido à variação na composi-
Algumas variedades de clorita possuem uma cor de in-
ção, como nos plagioclásios, resulta urna ligeira diferença na terferência anômala arroxeada a azul de Berlim. A zoisita não
orientação Ótica das diversas lâminas do mineral. Como conse- ferruginosa também apresenta um azul anômalo escuro, o mesmo
qüência, essas zonas não extinguem tôdas simultâneamente. se daRdo com a melilita.
Nas zonas de uma determinada composição, onde as di
reções de vibração são paralelas ao polarizador e analisador,
há extinção, mas as outras, que possuem outra orientação óti
ca, não estão extintas (Fig. 5.23).
No caso dos plagioclásio~ é comum ocorrer, entre as
diversas zonas aproximada~ente concêntricas, inclusões de min~
rais ou vazios, que tornam o zoneamento visível, mesmo quando
observados sem os nicóis cruzados, e o campo de microscópio,
parcialmente escurecido.

·~.1 1 / Zona em Extinção

FIG.6.23- ZONEAMENTO OEVIOO À llARIAÇAO NA

COMPOSIÇAO.

106

107
7. OBSERVAÇÃO CONOSCÕPICA DOS mas divergentes (Fig. 7.1), devido à concentração dos mesmos,
MINERAIS - FIGURAS DE INTERFE produzida pelo qondensador móvel.
RtNCIA DOS MINERAIS UNIAXIAIS

'I! MINERAL

CONDENSADOR MOVEL

7.1. G~ral

Nesse capítulo e nos dois que se seguem, são estuda-


das propriedades dos minerais _ ~ranppar~ntes, conoscÕpicamente,
no microscópio petrográfico, isto é, com nicóis cruzados, .E.QE.
densador móvel introduzido àiretarr.ente sob a platina, lente de
Amici-Bertrand e objetiva de grande aumento (40X ou 60X). Ob-
tém-se as figuras de interferênaia que permitem determinar: RAllDS

r caráter isotrópico e anisotrópico dos minerais;

:r caráter uniaxial e biaxial;

sinal Ótico 1positivo e ~egativo dos minerais unia-


xiais e biaxiais; FIG. 7.l PERC.URSO ESQUEMÁTICO DOS RAIOS

PELA INTROOUÇAD DO CONDENSADOR MÓVEL


- birrefringência dos minerais;
valor aproximado do ân~ulo _§ti:_co 2V dos minerais bi.9;
xiais; Assim, mesmo para uma igual espessura do mineral, os
raios que o atravessam caminham uma espessura dif~rente, resul
• orientação Ótica dos minerais: posição dos raios e~
traordinário e oràinário dos minerais uniaxiais, e as posições
tando,em Última análise, a formação das fi~~ra~ de - i~~erferên­
cia.
X, Y e Z dos minerais biaxiais;
Os minerais Õticamente isotrÓpicos não apresentam
• tipos de dispersão.
qualquer tipo de figura de interferência. Os minerais anisotr2
Essas figuras podem ser obtidas também sem a introd~
picos,quando observados conoscÕpicarr~nte,apresentam figuras de
ção da lente de Amici-Bertrand e retirando-se a ocular, embora
interferência de vários tipos, conforme a orientação dos grãos
o seu tamanho seja reduzido. observados.
No sistema conoscópico,os raios de luz incidentes s~
Os minerais uniaxiais apresentam os seguintes tipos
bre o mineral proveniente do polarizador não são paralelos,

108 109
N N
lsocromÓtico
principais de figuras de interfe:rência que serão estudadas nes
s e capítulo:
figura de eixo Ótico centrado;

figura de eixo Ótico não centrado; w


w E E
figura do tipo relâmpago.

7.2. Figura de eixo Õtico


centrado s s
Um grão de mineral uniaxia~ com seu eixo Ótico per-
pendicular à platina do microscópio durante a sua rotação,
senta-se sempre extinto,quando observado ortoscôpicamente.
se grão, quando é observé:.do coroscÕpicamente, apresenta
apr~

figura
~~ f'f:···;···:/J?•••>O.YJ Ps,.,.;•·· H?· i}i]
de interferência tipo eixo Ótico centrado . FIG.7.2-FIGURA DE EIXO OTICO CENTRADO FIG . 7.3- FIGURA OE EIXO. OTICO CENTRADO

Essa figura consiste de uma cruz escura e nítida, que


permanece imóvel, quando se gira a platina (Fig. 7.2). O centro
7. 3. Formação da figura de
da cruz corresponde ao ponto · de emergência do eixo Ótico
interferência
(que coincide com o eixo cristaiográfico c) e os ramos da cruz
são as isógi·ras. As isÓgiras dete!:'minam os quatro quadrantes A origem dessa figura de interferência pode ser ex-
da figura de in~erferência, que são denominados quadrantes plicada elementarmente por meio de construção de direções de
NE, SE , SW e NW, e nãc _devem ser confundidos com os q uadrar.tes vibração, embora a explicação dada por W. B. Kamb e mesmo os
do campo do microscópio, determinados pelos seus retículos nor equiodromas sejam mais precisos para o fenômeno. Os raios que
te-sul e leste-oeste. atravessam o mineral no sistema conoscÓpico são divergentes e
pode-se considerá-los formando várias superfícies cônicas concê~
Quando a birrefringência do mineral e. bastante al-
tricas em relação ao eixo Ótico do mineral, perpendicular à pl~
t~ ou s e a sua espessura é grande, aparecem, na figura de in
tina do microscópio (Fig. 7.4)-. Os raios que formam uma mesma
terferênc ia, concêntricamente ao eixo Ótico, linhas coloridas
superfície cônica como 2, 3, 4 , . etc. , ou 5, 6, 7, 8, 9,. . . da
denominadas linhas isocromáticas, se a luz empregada é a
Fig. 7.4 atravessam espessuras iguais do mineral, mas, para os
branca (Fig. 7. 3). Se a birrefringência do mineral é baixa,
raios que formam superfícies diferentes, as espessu~à~ ('lo mine-
ou a espessura muito pequena, essas linhas isocromáticas são
ral percorridas crescem, à medida que aumenta a incl'inação
reduzidas, aparecendo,nos quadrantes da figura, côre~ de inteE
dêsses raios em relação ao eixo Ótico. A espessura atravessada
ferência de baixa ordem (Fig. 7.2). Se a luz empregad~ é mo- pelo raio 2, etc. é menor que a do raio 5, ~c ..

1'
nocromática, essas linhas isocromáticas se reduzem a curvas co~
Cada um dêsses raios, ao atravessar o mineral, sofre o
cêntricas,alternadamente escuras e claras, de côr da luz empr~
fenômeno de dupla refração, resultando duas vibrações cujos Íg
gada.
dices de refração são geralmente diferentes e, portanto, possuem
) A presença ou não das linhas isocromáticas numa figu
) ra de interferência é uma indicação da birrefringência do min~
\ velocidades de propagação diferentes. Uma das direções de vi

111
J ral, quando se conhece a sua espessura.

llO
no plano que contém o eixo Ótico (eixo cristalo- 7.4), os traços das vibrações de úm raio qualquer, 6, por exe~
bração o faz o raio, e perpendicularmente ã direção de propag~ plo, no seu ponto de emergência, são e' e o, perpendiculares en
gráfico c) e
ção do raio. Mais corretamente, essa vibração se faz paralel~ tre si, sendo que o do raio extraordinário passa pelo ponto de
mente ã frente de onda. r a direção de vibração do raio ex emergência do eixo Ótico.
a primeira
traordinário (e'). A outra vibra perpendicularmente Segundo essa construção, os raios 2, 5, 4, 9, 3, 7,
ótico e a
e, portanto, perpendicular ao plano que contém o eixo contidos nos planos paralelos aos de vibração do polarizador
direção de propagação do raio e constitui o raio ordinário e analisador, OCN e OWE, têm as suas direções de vibração par~
,l'li lelas a êsses planos, e estão, portanto, extintos. Todos os pon
(o).
\:. tos de emergência de raios sÔbre os retículos norte-sul e le~
te-oeste estão extintos, formando a cruz escura da figura de in
11!
terferência - a isÓgira.

O eixo das superfícies cônicas dos raios, coinciden


te com o eixo Ótico do mineral, sendo perpendicular à platina
do micrõscópio, a rotação desta não causa o deslocamento da
'I
cruz escura que permanece, portanto, imóvel.

Os demais ~aios não contidos nos dois planos anteri2


1 res possuem as duas direções de vibração inclinadas em rela-
Íi ção aos retículos norte-sul e leste-oeste e, nos seus pontos de
1 SOCRO MATICA emergência, aparecem côres de interferência.

11 Os raios 6, 8, etc., contidos numa mesma superfície

! 1
cônica, ao emergirem do mineral, tendo percorrido a mesma espe~
sura, apresentam a mesma diferença de caminhamento e, nos seus
pontos de emergência, a mesma côr de interferência, formando uma
linha isocromática.
\\
As linhas isocromáticas são,então, o lugar geométri
co plano de igual diferença de caminhamento. Aos pontos de e-
;;!(::'5".:'2..~ ... ... .. A E mergência dos raios que formam superfícies cônicas de maior ~
w L.. ..... ~ ,~'0~ bertura correspondem os lugares de maior diferença de caminha-
MINERAL
mento e, portanto, linhas isocromáticas de maior or,d em.

Tem-se, assim, várias linhas isocromáticas concêntri


cas em relação ao ponto de aparecimento do eixo Ótico, onde a
diferença de caminhamento é nula e cresce de ordem para a
DE INTER FE REºN CI A . periferia da figura.
FIG. 7.4- FORMAÇÃO DA FIGURA

MINERl!.15 UNIAXIAIS.
O lugar geométrico, no espaço de igual diferença de
caminhamente dos raios que atravessam o mineral. no sistema co-
noscôpio, ·são superfícies denominadas de Bertin (Fig. 7.5).

~
da Fig.
Na figura de interferência (parte superior Essas superfícies são concêntricas em relação ao ei

113
112
e xo Ótic~ mas não coincidem com as superfícies cônicas dos
raios vistas anteriormente, isso porque, mesmo para um mesmo
raio, à medida que se penetra no mineral,a diferença de caminh~
Eixo Ótico
mento aumenta paulatinament~ pois é função do espaço percorri-
6.1 do.
Ligando-se os pontos de todos os raios, onde a dif e-
rença de caminhamento tem um mesmo valor, obtém-se uma superfI
cie de Bertin para êsse valor particular de diferença de cami
nhamento.
As linhas isocromáticas que aparecem nas figuras de
interferência podem ser consideradas como intersecção dessas
superfÍci~s de Bertin com a face superior do mineral.

7.4. Figura de eixo Õtico


não centrado
Quando o eixo Ótico do mineral não é exatamente
perpendicular à platina do microscópi~ obtém-se uma figura de
eixo Ótico não centrado (Fig. 7.6).
!..,

1 1
1 1

,,
1 1
1
1
1
1 1
- - - - .J

---- T 1
: 1
I 1
1 1
I
1 1
I 1

c c

FIG. 7 . 5
-ESqUEMA DAS SUPERFÍCIES DE BERTIN (IQUAL Dlf[R[NÇA
f'.ii~&'"rt~~•t~1J'i~m~@ii:'.~~~ i;("if:(~[jf~~1·~1~~~
A B
DE CAMINHAMENTO) ftARA MINERAIS UNIAXIAIS.

FIG. 7.6- FIGURA OE INTERFERÊNCIA OE EIXO ÓTICO NAO CENTRADA.


lH
11 5
Girando-se a platina do microscópio, o ponto de eme~
gência do eixo Ótico descreve uma circunferência concêntrica
l
, rigem para os quadrantes do campo do microscópio, para onde se
dirige o eixo Ótico ou eixo cristalográfico e. Assim, pelo es-
em relação ao cruzamento dos retículos, permanecendo os braços
da cruz paralelos aos planos de vibração do polarizador e ana- tudo do movimento dos ramos e da rotação da platina imprimida,
pode-se localizar, exatamente, a posição do eixo Ótico. Na Fig.
lisador, isto é, aos dois retículos norte-sul e leste-oeste.
7.7, os ramos escuros foram para quadrantes noroeste e sudeste
Quando a inclinação do eixo Ótico é pequena, o seu
C.o campo do microscópio, com a rotação de platina no sentido hE
ponto de emergência cai dentro do campo do microscópio (Fig.
rário. A posição original do eixo Ótico coincide com o retícu-
7.6,A), mas, se a inclinação é muito grande, o ponto de emer- lo leste-oeste.
gência do eixo Ótico pode cair fora do campo do microscópio
(Fig. 7.6,B). Neste caso, aparece no campo sÕmente um braço es- Numa lâmina delgada ou numa montagem em Óleo de imeE
curo da isÓgira (Fig. 7.6,B). A rotação da platina desloca o sao, onde ocorrem vários grãos de um mesmo mineral, é relativ~
ponto de emergência do eixo Ótico, segundo uma circunferência mente fácil localizar o grão que forneça êsse tipo de figura
de raio maior, também concêntrica em relação ao cruzamento dos de interferência. A birrefringência dêsse grão, sendo a máxima,
retículos, e os braços ãa cruz, um de cada vez, se movem parale localiza-se o grão que apresente côr de interferência de maior
lamente a êsses mesmós I'etículos norte-sul e leste-oeste. ordem, utilizando-se objetiva de pequeno aumento e observando-se os
grãos ortoscÕpicamente.

7.5. Figura do tipo relâmpago


Quando um grão de mir.eral apresenta seu eixo ótico
paralelo à platina do microscópio, obt~m-se uma figura de in-
terferência do tipo relâmpago. ~sse grão possui, paralelamente '
à platina. os dois Índices de refração extremos ne e n 0 , de mo-
do que apresenta birrefringência máxima e, portanto, côr de in-
terferência de maior ordem, para espessura constante da lâmina
delgada.

Essa figura, quando o eixo Ótico está paralelo a um


dos plar.os de polarização, consiste em uma cruz escura larga e
de contornos não muito nítidos (Fig. 7.7,A). Essa posição é d~

ir2;;~t~i)'~:;:~;~10r~;11[.f1 ~:"1zn:,;~~1.'.ii1~1r·~:;~\i$;!~
nominada posição de cruz. Girando-se ligeira~ente a platina em
qualquer sentido, essa cruz se desfaz em dois ramos escuros
(Fig. 7.7,B) que se dirigem para quadrantes opostos do micro~
cópio e desaparecem do campo, com uma rotação maior da plati- "' B
na. Fig. 7.7- Figura de interferêncio tipo
relâmpago

Geralmente, uma rotação de platina de cerca de 7 a


10º,no máximo, é suficiente para que os dois ramos escuros desa
pareçam completamente do campo do mieroscÓpio.

Durante a rotação da platina, os ramos escuros se di-

116
117
ção do raio extraordinário é maior que o do raio ordinário
(ne > n0 ) e, portanto, a velocidade do primeiro é menor que a
do segundo. O raio extraordinário é,então, o raio lento e o or-
7. 6. Determinação do sinal Õtico
por meio de figura de eixo dinário, o rápido. Com a introdução do acessório, corno o raio
extraordinário, que é lento, nos quadrantes NE e SW da figura,
Õtico centrado
é paralelo ao lento do acessório e o ordinário, que é rápido,p~
Numa figura de interferência de eixo Ótico, o traço ralelo ao raio rápido do acessório, vai-se verificar adição
de vibração do raio extraordinário (c') de um raio que emerge nas côres de interferência, nesses quadrantes da figura. Nos o~
num ponto qualquer da figura passa pelo ponto de emergência tros dois quadrantes NW e SE da figura, vai-se verificar subtr~
do eixo ótico. A vibração do raio ordinário é perpendicular à ção nas côres de interferência, pois o raio extraordinário le~
primeira (Fig. 7.8). to é aproximadamente paralelo ao raio rápido do acessório.

Quando se quer determinar o sinal Ótico de um mine-


ral desconhecido, por meio da figura, introduz-se o acessório
mais adequ~do e verifica-se se houve adição ou subtração nas
côres de interferênciá,num q~adrante da figura de interferên-
cia bem determinado. Se, por exemplo, ocorre subtração das CQ
res no quadrante NE da figura, o raio ordinário, que emerge
nesse quadrant~ sendo aproximadamente paralelo ao raio rápido
do acessório, é o raio ~-ento, e o extraordinário, naturalmente,
o rápido. Sendo a velocidade do raio extraordinário maior que
a do ordinário, o Índice de refração do extraordinário é menor
que o do raio ordinário e o mineral é negativo.

a. Determinação do sinal Ótico com placa de mica


( 1/4 À)

Nos minerais uniaxiais positivos, quando se introduz


~- a placa de mica, que produz uma diferença de caminhamente igual
a um quarto de comprimento de onda da radiação amarela, verifi
Fig.7. 8- Fº19uro de

de vibrafÓO·
eix.o ótico e dírerões
1 ca-se adição nas côres de interferência, nos quadrantes NE e SW
da figura de interferência, e subtração nos outros dois. Nos
quadrantes NW e SE da figur~ onde, inicialmente, apa~eqiam côres
Introduzindo-se um acessorio qualquer, geralmente na cinzentas de primeira ordem, com a introdução da placa, apare-
direção noroeste-sudeste do microscópio, as vibrações extraor- cem manchas escuras, devido à compensação (Fig. 7.9). Iss~,qu~
dinária e ordinária dos raios que emergem nos quadrantes NE e do o raio lento da placa de mica é paralelo à dimensão menor
SW da figura de interferência são paralelas ou aproximadamente da mesma.
paralelns aos raios lento e rápido do acessório, respectivame~ Nos minerais negativos, após a introdução da placa Ga
te. Nos quadrantes NW e SE da figura de interferência, verifi- mica, as manchas escuras de cornpensaç-ão aparecem nos quadran-
ca-se o contrário, pois as vibrações dos raios extraordinário e tes NE e SW da figura, pois é aí que se verifica a subtração
ordinário são paralelas ou aproximadamente paralelas às vibr~ (Fig. 7 .10).
çSes rápida e lenta do acessório, respectivamente.
119
Para um mineral uniaxial positivo, o Índice de refra-

118
Quando a posição das vibrações dos raios lento L e
1 I
1 l rápido R da placa de mica é inversa, os resultados observ~
1
1
1 dos na figura são inversos, sem, contudo, alterar o sinal Ótico

________ Jli\ ~----- do mineral.

-----~
1
r-.----

b. Detenninação do sinal Ótico com a placa de quart-
zo ou de gipsita ( 1 A
Nos minerais positivo~ a introdução da placa produz,
1
1
\1 nos quadrantes NW e SE da figura, subtração nas côres de in'i:eE

o
1
I
I 1 ferência e,naturalmente, adição nos outros dois. Nos quadran-
A
B tes em que houve subtração, aparece a côr amarela, onde origi
nalmente ocorria côr de interferência cinza de lª ordem. Nos
quadrantes NE e SW da figura 1 em que se verifica adição nas c~
res, aparece a côr azul, onde, originalmente, ocorria a cor
OeterminoçÕo do s;nol ótic.o
com ploco de
Fi 9. 7. 9 - cinza de lª ordem (Fig. 7.11).
mico. Minerais positivos.

A posição e tamanhos relativos dessas manchas, no c~


po do microscópio, vão depender, para a espessura padrão do mi
neral, da sua birrefringência. Quanto menor a birrefringência
do mineral, mais afastadas do centro do microscópio e maiores
as manchas escuras de compensação, podendo, eventualmente, não (_
aparecerem no campo do microscópio.

L\l~-
______ , fl G. 7.11- OETERMINAÇAO 00 SINAL OTICO COM PLACA

Q
1 DE . 1 J... MINERAIS POSITIVOS

~J
'

·V
I Nos minerais negativos, a introdução da placa produz
subtração nas côres de interferência, nos quadrantes NE e SW
A
da figura, aí aparecendo, portanto, a côr amarela, onde, ori-
ginaln1ente, havia cinza de lª ordem.
OTICO COM PLACA'
FIG. 7.10-0ETERMINAÇAO 00 SINAL
Nos quadrantes NW e SE da fi g ura, verifica-se adi-
M 1 CA. MINERAIS NEGATIVOS . ção, aparecendo a côr azul, onde ocorria antes cinza de lª or

121
120
s1eL10TEC~ SiT~"l•L.
~~·da Uf~.
, r
' "··
Geolo&I& •
dem (Fig. 7.12).
~sse movimento aparente das côres de interferência
pode ser explicado, traçando a curva das diferenças de carninh~
mente produzidas pelo mineral, para os ·raios que se propagam na

, o
~ >
e ·-
o -
o
E o..
o
"
8 M
o
e
::>
o
e -o

'O
~

o
.
• -
e
:li
o
'º oN
<>-
eo
-E
-~
~
,
"'A
... ..
a

FIG . 7. 12-0ETERM I NAÇAO o·o SINAL ÓT 1e o co M p LAe A


o 'O

~
J... MINERAIS NEG ATiVOS.
DE 1
"',;.
I-- .o

. !;

c. Determinação do sinal Ótico com cunha de quartzo --- 2

O uso da cunha de quartzo caracteriza-se pela int r o - 'º


e.." -- t>'

~/
1
dução gradual crescente das diferenças de caminhamente, devid·:l 1
à sua forma de cunha. A vibração do raio lento da cunha de
t:-"" 1 '

quartzo é, normalmente, paralela à dimensão menor da cunha, co '"'


mo nos outros acessórios.
~
Nos minerais uniaxiais positivos, as côres de interfe
rência se movem apkrentemente para o centro da figura, nos qua
1
drantes NE e SW, e saem nos outros quadrantes da figura de
-
i~
V t>
terferência (Fig. 7.13), quando se introduz, gradualmente, a
cunha de quartzo. 1
1

Nos quadrantes NE e SW da figura, verifica-se adição [


nas cores de interferência, ao passo que, nos outros dois, é su~
tração que se verifica.
1
No caso de minerais negativos, as cores de interfe-
rência saem, aparentemente, nos quadrantes NE e SW da figura
de interferência, e entram nos outros dois, quando se introduz i
a cunha de quartzo (Fig. 7.14). 1

122
123
seção principal, situada na direção NE-SW e na seção NW-SE,peE
pendicular à primeira (Fig. 7.14). ...
o o o
N
o >'-
;:: a:
Os raios contidos na seção principal, com direção ...cr
Ili
-o
"'
:::>
d
<D o ..,
NE-SW, possuem diferenças de camirihamento que variam da manei- o ><
ra que a seguir se descreve. Ili .

"'o
;;;
..,
o
.
o

%
z
O raioc, que se propaga · paralelamente ao eixo Ótico,
...zo "' :::>
o
ppssui uma diferença de caminharnento nula, pois ...:E "':::>
...!:! "'
À
e
e
o
(n
o
n
o
) o, ·sendo e
0
a espessura do mine- >
o
1:::>
N
:::> o
:E o ~
o .....
:ral. o
o
ü ~ z
..
.z a:
..,"'"'
.....
O raiol, inclinado de um ângulo a1 em relação ao
xo Ótico, tem uma diferença de ci:i.minhamento dada pela expres-
ei
....
o z ..,
,..,
,,. ..,a: "' _,
... oo a:"'
são: ..." ....."'a: :::>z "'z
::;

A1= e 1 (n 0 - n1), onde ..e 1 é a espessura do mineral


... ~ "' :E
X
a
!
atravessado pelo raio, S·endo e 1 maior que e , naturalmente; n 1 ,.:
.....
0
é o Índice de refração do raio que vibra no plano da seçãopri~

': Ir
~ 1

cipal,e é medido pelo raio da elipse,perpendicular à direção


de propagação do raio; n é o Índice do raio que vibra perpe~
' '
1

'
1 • o
."
0
dicularmente a êsse plano e é medido p~lo raio da seção circ~
': 11 !>'
'(>-
:i:
1
P_., 1 1
lar (raio ordinário). !. - - - - - - - _.si_-' '---
-...
De maneira semelhante, o raio 2, •com uma inclinaç ão
a 2 em relação ao eixo Ótico, possui uma diferença de caminhame n 9'"'

to: t>\
6. 2 =e2 (n
0
-
2
n ~ onde e
2
é maior que e 1 , o qual é i
maior que e , e n é menor que n , e n 1 menor que n ,para êsse
0 2 1 0
caso de mineral negat i vo.
' ~
Resulta, portanto A2 > A1 > Ac
li'
Tomando, nos pontos de emergência dêsses raios, or d e n~
das proporcionais a essas diferenças de caminhamento, ob tém-
se uma curva ~m,indicada na figura, que cres ce, do p o nto de eme~

gência do eixo Ótico, onde o seu valor é nul o , para a periferia,


radialmente.

Para os raios c o ntidos na seção principal, de dire ç ã o


NW-SE, obtêm-se, p e r c álculos semelhantes, uma curva de diferen -
ças de caminhamento igual àquel a determi n ada ant e rior mente, e
que está indicada na figura.

124
1 25
A introdução d .=. c;.:.::-.ha de quartzo produz súbtraçã.:i 7.7. Determinação do sinal Õtico
nas diferenças de c.::..minharaento (e,portanto,nas côres de inter-
1 por meio da figura de eixo
Õtico não centrado
ferência), nos quadrant es NE e SW da figura de interferência
edição nos outros dois. t. cur-lil. fi::'.al da diferença de éaminha-
mento fif' após a introdução da c~nha nos quadrantes NE e SW,se
e
[ Para figuras de interferência de eixo Ótico nao cen
n·ado, mas êste emergindo dentro do campo do microscópio, a r~
apre8enta co8 a curva da dif ere nça do mineral fim' pois gra, para se determinar o sinal Ótico, é a mesma que se viu
fif =fim - ficunha'sendo ficunha a diferença de ca. él.nteriormente ( 7 • 6).

minh amento introduzida pela cunha. Quando o eixo Ótico aparece fora do campo do micros-
As côres de interferência do mineral corresponda·tes cópio, a regra de determinação do sinal Ótico é ainda a mesma,
as diferenças de caminr.amento representadas pelos P':int-os l, 2, etc ., mas é preciso determinar, exatamente, o quadrante da figura de
com a introduçãc da cunha. se deslocam para os interferência.
na s ua curva fi m'
pontos l' , 2' , e1:c. , r.a ca::."Ja final ti f e, corno essa :_:-,tradução Ni:ma figura dêsse tipo, aparece, no campo do microscó-
é gradual, tem-se a imp"essão aparente de que c:.s cô1··es se mo- pio, geralmente, um braço da cruz (Fig. 7.15), e o ponto de ~
'
ili
1.
vem para fora da f igura de interferência. mergência do eixo Ótico está no prolongamento de uma de suas
l (i Nos oatros dois quadrantes NW e SE da figura de in extremidades. Por exemplo, na Fig. 7.15,A, o ponto de emergên-
br~
1

terferência. verifica-se adição nas côres de interferência. A cia do eixo ético pode estar no prolongamento superior do
curva final da diferença de caminhamento '' f se acha sôbre a ço ou no prolongamento inferior do mesmo. Da mesma maneira, o
curva do mineral, com a introdução da cunha de quartzo. As cô- ponto de emergência do eixo Ótico.na Fig. 7.15,B, pode estar à
res de interferência do mineral, correspondentes à:: difei·en<sas ', esquerda ou à direita do braço.
de cami nha;nento representadas pelos pontos 4, 5, etc . , na CU_!' ( Determinada a posição exata do ponto de emergência
va dv minc::;raJ !l~m, sa.o Tr.::.ns;-;ortadas para os pontos 4-', 5',
do eixo Ótico,está determinado o quadrante exato da figura de
:-~::vimcnt o
('() -
etc., na cur-va final, "t"csul tc......--..dc 1.:::'... apa:i.:'13nte das interfer·ência, e isso é fEtito, girando a platina do microscópio
res pa1··a dentro da figu1'a de interferência (Fig . 7. 14). e observando o movimento dos braços da cruz (Fig. 7.15),

Quando o mineral e positivo, uma const.'ução an.::Ílo - Girando a platina no sentido horário, o braço verti
ga das cUI'Vas de diferenças de c .:::..rni:-.h.:-.J;1ento 0xp lica o movimer: cal da c1~uz move-se para a direi ta de campo do microscópio, se o
to aparente das côres de interferência., com a int:r•odução da cu- ponto de emergência do eixo Ótic9 está no prolongamento su-
nha de quartzo. Para os rnir.el'.'ai': p-::isitivos, vs1,ifi.~a-se adiç:v:> perior do braço (Fig. 7.15,A). Se êsse ponto está no prolo~
nas côres de interferência, nos c,·.jadrantes NE e C:'.I d<>. figur3. .Cp gamento inferior do braço, êste se move para a esquerda., quando a
interferência e subtraç2.o TI0'.: ::. ..J.tros <b is quadr·anteS !-'W e Sf · platina do microscópio é girada no sentido horário (Fig. , 7 .15, C).
Introduzindo-se gradualmentP =- c'.l:'Jha de qua1°tzo, as côres de i~
Com o movimento do braço horizontal da cruz, também
terferência Jl'Ove;n-se, aparente2e!1te, para dentro da figura, n os qu~
se pode localizar o ponto de emergência do eixo Ótico. Girando
drantes NE e SW, e saem, aparentemente, nos quadrant-es Nl.J e SE
a platina do microscópio no sentido horário, o braço horizon-
(Fig. 7.13). tal se move para a parte inferior do campo do microscópio, se o
ponto de emergência do eixo ótico está à direita, no prolon-
~' gamento de braço (Fig. 7.15,B) , fsse braço se move para a
parte superior do campo, com a mesma rotação da platina, se o
eixo Ótico aparece à esquerda, no prolongamento do braço da
L.I
1 127
.\ 126
)
1
1
1
-----JIL----- 1
1 1
1 1
( 1
1 1
1 1 1
1.. 1

~I 111L-
1 '
1


1
1
1 1
1
1 __ !
'---
'•e
- - - -- - - - - - - - - - , r-- -- - -
--~ - -·
1. NW 1 1
1. NE
PLACA DEMfCAl1/4)d
PLACA OE MICAll/4Àl

A
B

__, 1

------- ---- ---r


2 . NW
-, 1-- - - ---- ------

- - .....! PLACA .DE GIPSITAl1ÀI


1 1
' 2 . NE
PLACA DE GIPSITA11). 1

~
- --.1
1

1 /

----, 1 r-----

1 \

;~:.- ....... Q •• J .1 /
FIG. 7.1.~- FIGURA OE EIXO ÓTICO NÃO CENTRADO • .
----------- - --, .- -- -: 'é'r-----------
3.NW 1
, 3. NE
LOCALIZAÇÃO 00 QUADRANTE O.l FIGURA PELO
CUNHA DE QUARTZO CUNHA OE QUARTZO
MOVIMENTO DOS BRAÇOS DA 1SÓG1 RA.

FIG.7.16-MINERAIS POSITIVOS

128 129
cruz (Fig. 7.15,D).

Determinado o quadrante exato da figura de interfe-


rência, o sinal Ótico do mineral é determinado com a introdu
ção de um acessório adequado. Observando se h o uve adição ou
subtração nas côres de interferência, num determinado quadrante,
e, seguindo o método discutido em 7.6, determina-se o sinal óti
co do mineral.

Nas Fig. 7.16 e 7.17, acham-se resumidos os resu_.!


1 /
tados observados nos quadrantes NW e NE das figuras de interf~
L_
)-'~ - -~·~-=-·.·:·.J ...... :·.·la:>,,,,..
·é. rência dos minerais positivos e negativo~ quando se utilizam
----------i .------------ os três principais acessórios, as placas de mica e de quartzo
1. NW 1 ' 1. NW
PLACA DE Ml_CA (1/4 À) PLACA DE MICA ll/4 Àl ou de gipsita e a cunha de quartzo.

7.8. Determinação do sinal Õtico


pela figura do tipo relâmpago
Identificada com precisão a figura do tipo relâmpa-
go, ela pode ser utilizada para a determinação do sinal Ótico
do mineral.

O eixo ótico ou cristalográfico e do mineral repousa


paralelamente sÔbre a platina e, na posição de cru~ êle coinci
de com um dos planos de vibração dos nicÓis, analisador ou P2
--------------, larizador do microscópio. Urna pequena rotação de platina pro-
2. NW 1

PLACA DE GIPS1TA11 À) duz o desdobramento dessa cruz difusa em dois ramos escuros,
que se dirigem para onde se dirige o eixo Ótico. Urna vez dete~
minada a posição do eixo Ótico, deve-se verificar se o raio ex-
traordinário, que vibra paralelamente ao eixo Ótico, é o rápido
ou o lento.

Para isso, gira-se a platina de 45°, a pd.rt'ir da posi


çao de cruz, de modo que o raio extraordinário seja pa~alelo ao
I'
1 r aio lento ou rápido da placa de acessório. Introduz-se o aces
1 1
1 1
1 1 sório e verifica-se o efeito aditivo ou subtrativo nas cores
1 1 /
/ de interferência.
L- _J
Y---'""" · ._._._._.J ....__.__-..~--
- ------- --- ----, -., ·é,--•--- _..._ _____ _ Se o raio extraordinário é trazido à posição para-
1 1
3.NW : 3 . NE lela ao raio lento do acessório (Fig. 7.18), e se verifica ~
CUNHA DE QUARTZO CUNHA DE QUARTZO
dição,por exemplo, nas côres de interferência, com a introdução
FIG. 7.17-MINERAIS NEGATIVOS de um acessóri o , então, o raio extraordinário é o raio lento, e

130 131
menor que a do raio ordiná caminhamento,produzidas pelo mineral, para os raios que se pr2
a sua velocidade de p ropagaçao e
ma i o r
rio. O Índice de refração do raio extraordinário sera pagam na seção principal que contém o eixo Ótico e no plano
que o do raio ordinário, e o mineral é positivo. perpendicular a êsse eixo (Fig. 7.19).

Para um mineral negativo, verificam-se, para essas P2 Sejam os raios 1, 2, 3, etc., que se propagam na seção
sições dos elementos Óticos, efeitos contrários. principal que contém o eixo Ótico de um mineral negativo.

Quando se utiliza a cunha de quartzo, observa-se o m2 O raio l, que atravessa perpendicularmente a fatia de
das côres de interferência. Para uma figura de interf~ mineral de espessura e 1 ,apresenta uma diferença de caminhamen
vimento
com eixo ótico no quadrante NE, o movimento das c§ to
rência,
o mineral positivo e negativo, é a in 61 = e 1 (n 0 - ne), porque uma direção de vibra-
res de interferência,para
dicada na Fig. 7.18. Para um mineral positivo, as côres entram ção é paralela ao eixo Ótico e corresponde ao raio extraordin~
perpendicularmente e saem paralelamente ao eixo ótico do mine- rio de Índice ne,e a outra é perpendicular à primeira e consti
ral, e, para um mineral negativo, as côres de interferência e~ tui o raio ordinário de Índice n •
0
tram paralelamente e saem perpendicularmente ao eixo Ótico. N~
Um outro raio qualquer 2 atravessa o mineral obliqu~
turalmente,para outra posição do eixo Ótico, no quadrante NW,
mente, caminhando uma espessura e 2, e apresenta uma diferença de
os efeitos são contrários a êsses indicados na Fig. 7.18.
caminh~ento

6 2 = e 2 (n 0 - n ), onde n 2 é o Índice de refra-


2
ção do raio que vibra na seção principal e é dado pelo raio da
e
espe~

~o/\ ~\//
elipse,perpendicular à direção de propagação do raio. A
sura do mineral atravess·ada pelo raio 2 é, naturalmente, maior
que a espessura real do mineral, mas a diferença (n - n ) é
0 2
menor que (n 0 - ne), pois esta é a birrefringência máxima do mi

///""~/ /Í/ ""~


neral.

O raio 3 possui, anàlogamente,

"~ >;/~ 63 = e 3
(n
0
- n ),em que e 3 é maior que e 2
3
, e

V
/ 1 /
n é maior que n 2 • Portanto, (n n 3 ) é menor que (n n

·V
- - ).
3 0 0 2

Verifica-se, então, que os raios 1, 2, 3, etc. atr~


vessam espessuras crescente~ à medida que aumenta a inclina-
ção, mas, simultâneamente, apresentam birrefringênciás que dimi
nuem de valor, à medida que aumenta essa mesma inclinàç.ão.
p e 1o
Fi9.7.18-0eterminoçâo do sinal Ó11co dos m1nera1s
Como, geralmente, o cone dos raios que penetram na o~
figura relÔmpcgo e cunho de quartzo
A. M í nero 1 u n; o xi" o 1 p o s i ti v o jetiva do microscópio é de pequena abertura, a influência da
B. Mineral uniox;ol n tQGtivo
variação na espessur~ sÔbre o valor da diferença de caminhame~
to,é menor que a influência do decréscimo da birrefringência,
sôbre essa mesma diferença de caininhamento.
O movimento aparente das cores de interferência, com
a introdução da cunha de quartzo,pode ser explicado de maneira Assim, à medida que aumenta a inclinação dos raios,
a diferença de caininhamento dos mesmos vai decrescendo, istc
semelhante à anterior, construindo as curvas de diferenças de
133
132
é, 6 l < 62 < 6 3 ..•..•

Tomando nos pontos correspondentes aos raios 1, 2,


3, etc., ordenadas proporcionais aos valôres das diferenças de
caminhamente respectivas 6 1 , 6 2 , 6 3 , etc., obtém-se a curva 6m
do mineral,que é decrescente, à medida que se afasta do centro
da figura.

Da mesma maneira, pode-se calcular as diferenças de


caminhamento produzidas pelo mineral aos raios 1, 4, 5, etc.,
que se propagam no plano perpendicular ao eixo Ótico, e cujo
traço aparece na direção noroeste do campo do microscópio
4
(Fig. 7.19).

O raio l,que atravessa perpendicularmente o mineral

....,., .,.
"~
de espessura e 1,possui diferença de caminhamente calculada an-
-..."'
~ teriormente
o,
!. 61 = el (no - ne)
..
~

Os raios 4, 5, etc. possuem respectivamente as dife

//~~ !t
renças de caminhamente 6 4 , 6 5 , etc., dadas por

64 e4 (n o - n
e
)

;:::
.
~

o
· º
PI
,.
o
65 • es (no - ne)

:::! ...
.., n
n '!E. o o> Como a birrefringência permanece constante para to-
;· ~
:D
PI dos os raios, mas a espessura é crescente, à medida que aumenta
~
.
3
~
:D
PI
,.- n
...
a inclinação dos raios, as diferenças de caminhamente vão au-
o >> ·o
z mentando paralelamente, e resulta uma curva 6m para o mineral,
,....
;i::
: crescente, à medida que se afasta do centro da figura.
"'o ~·,.:z:
A introdução da cunha de quartzo nessa posição da fi
e
z
;; o gura produz subtração nas côres de interferência. d~· n:oÇo que a
,.,.- "'
)(
curva 6f,final das diferenças de caminhamento,se acha sob as
o curvas determinadas pelo mineral 6 • As côres de interferência
é m
z JI correspondentes aos raios 1, 2, 3, etc., que se acham sôbre a
"'"',.
-1

-1
~.
curva 6 do minera1,se deslocam para l ' , 2', 3 1 , etc., sôbre a
m
<
~
" curva final 6f' de modo _que, aparentemente, se uovem para dentro
do campo, segundo a direção do eixo ótico, quando se introduz
z
e .a cunha.
,.
z
Por outro lado, as cõres correspondentes aos raios

135
134
I~{jl 4, 5, etc., que se propagam no p,lano perpendicular ao eixo .ótic 0,
se deslocam para · 4 1 , S', etc., sÔbre a curva final das difere~ 8. OBSERVAÇÃO CONOSCOPICA DOS MINf
1

fl f, ':.' I; ças de caminhamcnto e o movimento aparente das mesmas é para fo- RAIS - FIGURAS DE INTERFERtNCIA
[ti .
-.t.
.
,. , !.

1 ra da figura, perpendicularmente ao eixo ·ótico. DOS MINERAIS BIAXIAIS


Se o mineral é positivo, para essas mesmas posi-
ções Óticas, o movimento das côres é o inverso (Fig. 7.18,A),

Às vêzes,é conveniente determinar o sinal Ótico dos


minerais com eixo Ótico paralelo à pl.atina, observando o grão
ortoscÕpicamente. Depois de localizada exatamente a posição do
eixo ótico por meio de figura de interferência e trazido à po-
sição de 45°, retira-se a lente de Amici-Bertrand e, com nicóis
cruzados, introduz-se o acessório adequado, cbservando o efeito
aditivo ou subtrativo verificado nas côres de interferência do
mineral. Seja, po:i' exemplo, o eixo Ótico trazido paralelamente
8. l. Geral
ao raio lento do acessério e, com a introdução dê.sse, se tenha Os minerais biaxiais, quando
são observados conos-
verificado efeito aditivo nas côres de interferência do mine- cÕpicamente,apresentam vários tipos
de figura de interferência,
ral. O raio extr·aordinerio que vibra paralelamente ao eixo Ót_i confol'llle a seção segundo a qual o
mineral é cortado.
co é o lento, então, e o seu Índice de ref~ção ne é maior que
Os principais tipos de figura dêsses minerais são:
o do re.;.o n , e o mineral é positive.
~- figura de bissetriz aguda (Bxa);
0

,1 ·r figura de bissetriz obtusa (Bxo);


" figura de eixo Ótico (EO);

·ffigura de normal Ótica (NQ);


""I
~ figura do tipo pêndulo;

-~ figura do tipo leque. (


.:::
As duas Últimas figuras podem ser consideradas fig~
ras intermediárias.

8.2. Figura de bissetriz


aguda (Bxa)
Um mineral biaxia~ cortado perpendicularmente à bis
setriz do ângulo agudo formado pelos dois eixos Óticos
(Fig.
8.1), quando observado conoscÕpicamente, fornece urna fi~ura de
interferência do tipo bissetriz aguda.

Essa figura é constituída de uma cruz escura, como

136
137
no caso dos minerais uniaxiais, mas, pela ro.~ção da platina do
microscópio, ela se desdobra em dois ramos escuros, que se movem
para quadrantes opostos (Fig. 8.2). tsses ramos escuros consti
tuem as isÓgiras. A posição de cruz se obtém quando o traço do
plano Ótico, que contém os dois eixos Óticos e as b i ssetrizes,
é paralelo a um plano de vibração dos nicóis.
~ Quando o ângulo formado pelos
!" dois eixos Óticos
(2V) é muito grande, os ramos escuros, que se movem para qua-
~ drantes opostos, com a rotação da platina, saem fora do campo
,.,z,, de microscópio na posição de 45°,a partir da cruz (Fig. 8.3).
J>
r Se êsse ângulo 2V é pequeno (geralmente, quando 2V é menor
C1
,,
o
....
."'
o
que 55°, dependendo do microscópio), na posição de 45°,os dois
J> X
ramos _escuros aparecem no campo do microscópio (Fig. 8.2) .
o
o

...,.,
,,
...
.,,o
1:

"'z :' ·1·.·:.


)/?~
o
õ
e
r
,,
J>
.-~. ~ ::.:.
., ··
~

"'z....
"'
J>'
~~e~ i~~ BXO

"' :.·.. :: ...., B


,.,"'"'.... ,.,
,, o . : :.: ~ ..
;:;; . ...
...e
J>
A B
o
J> 1 ')lif.º ·:. : ·:.'l:C : º:1~a
Fl~.8.2-
X
FIGURA DE INTERFERÊNCIA DE BISSETRIZ AGUDA .
MINERAL DE BAIXA BIRRE.FRINGÊNCIA ,
,,,o A - POSIÇAO DA CRUZ OU PARAL·EL' A.
B . POSIÇAO DE 4!5° .

. ; .. Na posição de 45°, os vértices dos dois ramos escu-


..• ! ;_
A r~
.
Cll

o
ros suo o ponto de emergência dos dois eixos do mineral.
ta que os une é o traço do plano Ótico e,sôbre êsse traço, e ~
N
xatamente no meio, está o ponto de emergência da bissetriz agu-
da (Bxa). Coincidente com o traço do plano Ótico, aparece a bi~
setriz obtusa (Bxo), e,perpendicularmente ao plano ótico,a nor
138 1 39
mal Ótica Y.
Quando a birrefr·ingênc ia do mine r al
e a~L~ ou se a
As duas áreas da figura, na posição de 45°, localiza-
espessura do mesmo é grande, aparece, na figur~ uma série d e
.as nas partes côncavas das isógiras (A), possuem comportamento
linha s coloridas, contornando os pontos d e emergência dos eixos
,) tico inverso ao da área compreendida entre as duas isógiras (B)
óticos, se a lu z empregada é luz branca. Essas linhas colori
(Fig. 8. 2). das são :isocromática ~ (Fig.8. 3). Se a luz t:tilizada é mono
O afastamento entre os dois pontos de emergência dos cromátic~ essas linhas são substituídas por uma suces são de li
e ixos Óticos é proporcional ao ~vlo Ótico 2V. tsse ângulo nhas escuras e claras, da côr da luz empre gada.
visto no ar, 2E, é aparentemente maior do que o verdadeiro valor
Se a bir·refringência do mineral é baixa, ou se a
de 2V (Fig. 8.4). Entre êsse• dois ângulos, existe a seguinte
sua espessura é muito pequena, nao aparecem linhas isocromá-
relação: ticas, e aparece, no campo, côr de interferência cinza de primei
K. sen E ra ordem (Fig. 8.2).
sen V
ny

onde K é uma constante do microscópio e pode ser determinada


pela relação de Mallard

D = K. sen E e D é a metade da distância en-


tre os dois pontos de emergência dos eixos Óticos.

y ótico ·

Mi~era'1

~~- k.:.§i:à;'f'.t:~;t_'\k=.~::.-.:«';~_:;:~:.';_ ~s4 EO

FIG.8 . 4-RELAÇÁO ENTRE OS ÂNGULOS Eel/.

e 8. 3. Formação . das i sõgi ras


A

A formação da cruz e ramos escuros das fi~uras de i~


terferência dos minerais biaxiais é explicada, elementarmente, a-
plicando o processo gráfico que determina os traços de vib :~
Fig. 8 . 3.-FÍguro de bissetriz aguda d1 M intra is ção. Para se obter êsses traços de vibração de um raio qual-
de citto birrefrin9inc i a.
que".', aplica-se a regra de Biot-Fresnel: "os planos de vibração
A. Pos;~ão de crut ou porolelc .
d.e um raio bissecta o ângulo diedro formado pelos planos que
e. POl!fÔO de 45!!.
contêm o raio (ou normal à frente de onda) e os dois e·ixos óti
cos""CFig. 8. 5).

Numa figura de interferência, obtém-se o traço de uma


1 40
~. 41
as cç•~~ de interferência. Mas, nessa mesma posição da figura,
das vibrações de um raio qualquer que emerge no campo, traç~
os raios que aparecem nos pontos 2, 4, 6, 8, etc. possuem di-
do-se a bissetriz do ângulo formado pelas retas que unem o po~
reções de vibração que são paralelas aos planos de vibração do
to de emergência do raio e os dois pontos de emergência dos ei
microscópio, de modo que ocorre extinção nesses pontos, formando
xos Óticos (Fig. 8.6). A outra é perpendicular à primeira. as isógiras escuras da figura.

Bxo
''
EO EO

r.::-.-::~

A
B

Fig. 8 . 6- Formaç~o das is~9iros . Direções de vibrações


( !._ segundo reora de Biot-Fresnel.

A. Posi~Õo de cruz ou paralela.


8 . Posi~Ôo de 45~
flG.8.5- REGRA DE BIOT- fR ESNEL .

Aplicando essa construção para os outros raios que As linhas isocromáticas que aparecem na figura são o
emergem no campo da figura de interferência, obtém-se uma dis- lugar geométrico plano de igual diferença de caminhamente, co-
tribuição de vibrações indicada na Fig . 8.6. mo no caso dos minerais uniaxiais. Ma~ como existem dois eixos
Óticos, a disposição dessas linhas não é concêntrica em rela-
Quando o plano Ótic~ coincide com um dos planos de
çao aos mesmos, mas formam curvas denominadas cassinianas
vibração do microscópio, os raios de luz que emergem sôbre os
(Fig. 8. 3).
retículos norte-sul ou leste-oeste, 1, 3, 5, 7, etc., possuem
direções de vibração paralelas aos planos do polarizador e an~ O lugar geométrico,no espaço de igual diferença de
lisador e se apresentam extintos. Fcrma-se, dessa maneira, a caminhamento dos raios, constitui as superfícies de Bertin dos
cruz escura da figura de interferência (Fig. 8.6,A). minerais biaxiais (Fig. 8.7). Como nos minerais uniaxiais, uma
... superfície de Bertin se obtém ligando todos os pontos no inte-
Girando a platina do microscópio de 45°,os raios que
rior do mineral, onde os raios apresentam igual diferença de ca
emergem sôbre o retículo norte-sul e leste-oes-ce já não pos-
minhamento.
suem suas vibrações paralelas aos planos de vibração do polari
zador e analisador e, portanto, não estão extintos. Aparecem, aí, As linhas isocromáticas de uma figura de interferên
143
142

___...
eia do tipo bissetriz aguda podem ser consideradas como as in-
tersecções dessas superfícies de Bertin com a superfície sup~
rior da fatia do mineral, cortado perpendicularmente à bisse-
triz aguda.

As cõres de interferência que constituem essas li-


"B X a nhas isocromáticas aumentam, à medida que os pontos de emergê~
Eixo ótico Eixo Ótico
eia dos raios se afastam dos eixos Óticos. Onde aparecem os eixos
1 Óticos, há extinção, de modo que, aí, aparece côr preta.

8.4. Figura de bissetriz aguda


não centrada
Quando o mineral nao e cortado exatamente perpendic~
lar a bissetriz aguda, obtém-se figura de interferência do t i
po. bissetriz aguda não centrada. Resultam várias situações, co~
forme a inclinação do corte do mineral. O mineral pode ser co~
tado obllquamente ao plano Ótico, mas é paralelo à bissetriz ob
tus a (Fig. 8 .si) . O grão de mineral pode ser cortado obliq uame~

y
/ te ao plano Ótico e à bissetriz obtusa (Fig. 8.9), ou o corte
do mineral pode ser(perpendicular ao plano Ótico, mas não exata
mente à bissetriz aguda, Jetc • • ~)

Em qualquer um dêsses casos, o traço do plano Ótico


nao coincide exatamente com o retículo norte-sul ou leste-oe~
te, na posição de cruz, de modo que ela se apresenta descentr~
- -- ~
-----------.
----
---
..
----:--------._
- - ~--
-
- - ·-=---:::
·-
---
...-----.......-·
~
~
da. Na posição de 45°, uma das isÓgiras pode cair fora do e~
po,permanecendo sÕmente uma delas, cuja
posição da outra.
convexidade indica a

8. 5. Fi . ~u.ra de bissetriz
i obtusa (Bxo)
111
Essa figura se obtém quando o mineral é cortado perpe~
FIG .8.7-ESQUEMA DAS SUPERFÍCIES DE BERTIN dicularmente à bissetriz obtusa do mineral, e, portanto, normal
<LUGARES DE IGUAL DIFERENÇA DE CA- ao plano Óti~o (Fig. 8.10).
MINHAMENTOl PARA MINERAIS BIAXIAIS.
O mineral cortado des.sa maneira, quando observado co-
noscÕpicamente, dá uma cruz escura.semelhante à figura de biss~
triz aguda, porém de contornos geralmente mais difusos e lar-

J t;. 4
145
.o,.
" y' o.,
o

Plano

ºJ.
"e o
o.;.
'e-o

4 !! o
4!! o

{__

lllll l NERAL ;n e rol

FIG. 8 . 8-FIGURA OE BISSETRIZ AGUDA MAO CENTRADA,


FIG . 8 . 9 - FIGURA DE BISSETRIZ AGUDA NÃO CENTRADA.

146 147
gos. Isso, quando o plano Ótico é paralelo a um dos planos de
vibração do microscópio (norte-sul ou leste-oeste), e consti BXA ,,
tui a posição de cruz ou paralela (Fig. 8.11). ~~
y ''-.-.:-

=::: ,,
A
,,
.... .

1' ' ' - .· . . " -.· "·J';;p·tê'<'V" f ._.,. · · - .. _., Bx a


\\ e
"

Fig. 811- Fiquro d• b;sse1r:z obtuso.

A. Posifàa de cruz ou parale l a

e. Posição de 45~

Fi9. 8.10 - S~~~o do tnÍnerol perpendicular o Bxo


Paralelamente à platina, aparecem, então, a vibração Y
e Bxa,que pode ser coincidente com a vibração X ou z, conforme
o mineral seja biaxial negativo ou positivo.

Girando-se a platina do microscópio, essa cruz se de~


dobra em dois ramos escuros, que fogem para quadrantes opostos,
de uma maneira relativamente ligeira , de modo que, na posição 8.6. Figura de eixo Õtico
de 45°, as isógiras estão completamente fora do campo do mi- Um mineral cortado perpendicularmente a um dos eixos
croscópio (Fig. 8.11). Essa rotação da platina transporta o Óticos (Fig. 8.12) apresenta figura de interferência tipo ei
plano ótico para . os quadrantes, para onde se dirigem os ramos xo Ótico,quando é observado conoscÕpicamente.
escuros. Quando o plano Ótico é paralelo a um ,_dos planos de
O plano Ótico é localizado pelo movimento das isÓgi- vibração do microscópio, essa figura consiste em uma c b~rra es-
ras, cura (isógira), paralela a um dos retículos norte-sul ou leste-

Localizado o plano Ótico, a normal Ótica Y lhe é perpe_!! oeste do microscópio. ta posição paralela da figura e corre~ ­
ponde ·à posição de cruz das figuras de interferência.
dicular, a bissetriz obtusa está contida no traço do plano óti
co e aparece no centro da figura, quando esta está perfei t~ Na posição paralela, o plano Ótico é paralelo à barra
mente centrada. A bissetriz aguda é .perpendicular a Y e à bi~ e s cura da figura (Fig. 8.13).
setriz obtusa e, portant~ se confunde com o traço do plano ó- Girando a platina de 45°, êsse braç o escuro vai . so-
tico. frer uma rotação, adquirindo uma curvatura (Fig. 8 .13), cujo
1 148
1 j lll9
a isÓgira é uma barra escura reta . À .medida que se diminui o
v~rtice é o ponto de emergência do eixo Ótico, e a sua convexi ângulo Ótico, vai aumentando a sua curvatura (Fig. 8.15),
dade indica a posição dQ ponto de emergência da bissetriz ag~
da. O plano Ótico, na posição de 45° da figura, passa pelo vérti
-
ce da isÓgira e pelos pontos de emergência da bissetriz aguda "f B xa

e do outro eixo Ótico, que estão normalmente fora do campo do Bxo


,~
microscópio (Fig. 8.13). y

~ti co
v I• r·r..1-'
_;_,,,,
1

::..·:'-~·:
::1::

..·:
'
o'º
e: U
-
o ,--
Q.
,-
, ...

FIG.8.13-FIGURA OE INTERFERÊNCIA OE EIXO OTICO .

!.. MINERAL OE BAIXA BIRREFRINGÊNCIA.

Fig 6.12 - SefÓO do minera l p1rpendic:ula_r Pela curvatura da isÓgira,na posição de 45° de uma
ao eb1.o ótico figura de eixo Ótico, pode-se estimar o valor do ângulo Ótico
2V.

A normal Ótica Y é perpendicular ao plano Ótico. As


linhas isocromáticas aparecem aproximadamente concêntricas, em 8.7. Figura de normal Õtica
relação ao eixo Ótico. ó número dessas linhas i socromáticas d~
pende da birrefringência do mineral e da espessura.
Quando o mineral é cortado perpendicula_r mente à no!'.
mal Ótica Y e, portanto, paralelo ao plano ótico, obtfm~se uma
Para uma certa espessura, qu~to maior a birrefrin-
figura de interferência do tipo normal Ótica. ~sse grão A pos-
gência do mineral, maior é o número das isocromáticas (Fig.
sui, paralelamente à platina do microscópio, os eixos Óticos e
8.14). O mesmo se verifica quando a espessura do mineral é mui as bissetrizes aguda e obtusa.
to grande. Quando a birrefringência do mineral é muito pequena,
Quando essas bissetrizes são paralelas aos planos
aparecem, na figura, sÕmente côres de baixa ordem, geralmer.te
cinza de primeira ordem (Fig. 8.13).
de vibração do- microscópio, a figura de normal Ótica é uma
cruz escura difusa que, às vêzes,ocupa todo o campo do microsc2
A curvatura d.a isÓgira, na posição de 45°, é uma fur,-
çao do ângulo Ótico 2V. Quando o.ângulo Ótico é igual a 90 °.
151
150
y pio (Fig. 8.16). Essa posição de cruz ou paralela da figu-
ra é muito semelhante à figura tipo relâmpago dos minerais ~
·niaxiais.

BXA
BXA
~ ..'... '.. p;<. . '·· ·: .. :\__P_l~no
o't ico

. . . . I Y.·
1: .· ..... · · <I Bxo
8xo

FIG. 8.14- FIGURA OE INTERFERENCIA OE EIXO ÓTICO.

MINERAL DE ALTA 81RREFRINGÊNCIA (OU ESPESSO).


A
B

Fig. 8.16 - Figuro de normal O1 i e o .


A . Posição de cruz ou paralelo.

-f ! 8. Rotação de poucos ~rous de platino.

Uma pequena rotação da platina faz com que a cruz se

:~'- ~ l desdobre em dois ramos escuros que fogem muito ràpidamente do

'~o r ~:~::
o
o - --0 o campo do microscópio. ~sses ramos se dirigem para quadrantes
l'\r opostos, para onde vai a bissetriz aguda (Fig. 8 .16).
-- 40
Geralmente, os ramos escuros desaparecem do campo com
··55°
uma rotação de platina de 5 a 7°, de modo que, na posição de 45~
estão completamente desaparecidos do campo.
A B

A
8.8. Figuras do tipo pêndulo
FIG, 8.15- ESTIMATIVAS 00 ANGULO OTICO,
e 1 eq ue
A. PELA FIGURA CE INTERFERÊNCIA DE BIS-
SETRIZ AGUDA -CENTRADA •
Essas figuras são do tipo não centrado. A figura de
pêndulo se obtém para grão de mineral cortado obliquamente à
B. PELA FIGURA DE INTERFERÊNCIA OE
bissetriz .aguda ou obtusa e a um dos eixos Óticos (Fig. 8.17).
EIXO ÓTICO.
Quando o plano ótico do mineral é paralelo a uma das vibra-

152 153
.!
' .1,t

ções do micro$cópio, essa figura · consiste em uma barra escura


(isógira), paralela a um dos retículos norte-sul ou leste-oeste
1, do microscópio. Quando se imprime à platina pequenos movimen-
tos alternados, em sentidos opostos, essa isÓgira se movimenta
I' a>
como se fÔsse um pêndulo, segundo as flechas indicadas na Fig.
1
"
~
8.17. As linhas isocromáticas, quando aparece111i sãogeralmente
~
~ de côres vivas e possuem curvaturas acentuadas, em relação à i-
sógira, e concêntricas ao ponto de emergência do eixo ótico.
Pela curvatura das isocromáticas, pode-se localizar, então, a
posição do eixo Ótico. A bissetriz aguda ou obtusa está na o~
tra extremidade da isÓgira paralela ao plano Ótico, nessa posi-
ção de cruz ou paralela.
1 X ·:71~
\. . o

""Ç>
l> s Quando o mineral é cortado obl'iquamente à normal
Ótica e à bissetriz aguda ou obtusa (Fig. 8.18,A), obtém-se uma
CD
figura do tipo leque. Na posição paralela, essa figura consiste
-..... em um braço de isógira,paralelo a um dos retículos norte-sul
1
!D > ou leste-oeste do microscópio, que, por pequenos movimentos al
1
o
1 ""-
G) ternados, em ~8ntido oposto da platina, se movimenta como se
::'.!
"'"'::u ...,, -o"'º'
CJ)
r- e
:;o
5· fÔsse um lequ, ·conforme as flechas indicadas na Fig. 8.18,B.
r- e
J> ;.. •
~

o
> "''"'
z 1/1 As linhas isocromáticas que aparecem são de alta or-
o
....
,,
"''
:z
o
co
ro
~ ;i:

.....,,z
z
~

"'
:;o
I .,
'--· .....
I dem e perpendiculares à isÓgira,quando a seção do mineral
feita obliquamente à normal Ótica e à
é
bissetriz aguda. Quando
o
e
r- >... "'' "':u"" o corte do mineral é oblíquo à normal Ótica e à bissetriz obt~

o sa, as linhas isocromática~ que são também de alta ordem, são


z .() z
e o aproximadamente paralelas à isógira.
,,
J>

o
U>
"'o
>•
j;
o
.
o
n
o
<>!>< J>
Ili
o3
o
,, ...;n "V
1111
z
o.. 8.9. Orientação Õtica dos grãos
J>
:u e.,, o de um mineral biaxial
J> e
J> r ::!:!
' o o Numa lâmina delgada ou numa montagem em Óleo de imeE
"o são, onde ocorrem vários grãos de um mesmo miner~l, é importan-
~­ te localizar o grão que dê uma das figuras anteriol?lllente de~
~ ··· '··· · ' ·' l.lg· critas. A observação da côr de interferência apresentada pelos
aJ · ~ -~.
"'::;o · grãos indica, com boa probabilidade, o grão que fornece a figura
desejada.
Um grão de mineral que apresenta um de seus eixos o-
ticos perpendicular à platina do microscÓpio,quando observado
ortoscõpicamente,apresenta-se extinto durante a rotação da pl~

155

151!
tina, porque a sua birrefringência é nula. Paralelamente à
platina possui sõmente a vibração intermediária Y, e êsse grão
fornece uma figura de interferência de eixo Ótico. Quando, e~
tão, se deseja obter uma figura de eixo Ótico, procura-se ·um
grão que se apresente extinto durante a rotação da platina, ou que
-< apresente côr de interferência baixa, ou que mantenha uma côr
constante, qua.1do se gira a platina. Essa verificação se faz ob
servando a lâmina ortoscÕpicamente .

O grão dêsse mineral que apresenta figura de bisse-


triz aguda possui, paralelamente à platina, os Índice s :i e :1
y X

(ou nz), conforme o mineral seja positivo ou negativo. A birre -


fringência do grão será n y . - n,
X
se o mineral fÔr positivo, ou
n z - n y , no
-
caso de mineral negativo, e a côr de interferência
é intermediária.
Um outro grao que apresenta uma figura do ti~o biss~

triz obtusa possu~ paralelamente à platina, os Índi ces n e n ,


y z
para minerais positivos, ou n
y
e n , se o mineral
X
é negativo .
A birrefringência apresentada pelo grão é n - n ou n - n ,
Z y y X
conforme o mineral seja positivo ou negativ o .

Nos minerais biaxiais positivos, o valor de n está


y
mais próximo de nx do que de nz, de modo que a birrefringência
nz - ny, apresentada pelo .grão, que dá uma figura do tipo biss~
triz obtusa, é maior que a birrefringência ny - nx' apresent~
da por um outro grão do mesmo mineral, que fornece figura do ti
po bissetriz aguda.

Da mesma maneira, nos minerais biaxiais negatives, o


valor de n está mais próximo do valor de n do que n , e, por
Y Z X -
tanto, a birrefringência n - n do grão que apresenta a fi-
Y x
gura do tipo bissetriz obtusa é maior que a birrefringência
n z - n,
y
apresentada por um outro grão do mesmo ~~~eral,que
e
a-
presenta figura do tipo bissetriz aguda. A côr de ihterferê~

eia apresentada pelo grão que fornece uma figura de interferên


eia do tipo bissetriz obtusa é de ordem maior que a do grão
que apresenta uma figura 'de bissetriz aguda .

O grão que apresenta figura do tipo normal .Stica po.§.


sui, paralelamente à .platina, os Índices n e nx das vibrações
' z
extremas Z e X, de modo que a birrefringência ~presentada pelo

15é 157

____.il
de interferência dês se
mesmo é máxima (nz - nx)' e a cor
tarn idênticamente, sob o ponto de vista Ótico, mas de uma manei-
grão é de ordem mais alta.
ra inversa dos outros dois quadrantes opostos SE e NW, onde os
Essas observações são válidas no caso de se admitir a
efeitos Óticos são também idênticos.
espessura dos grãos aproximadame nte constante em tôda a lâmi
na. No caso em que essa espessura é variável, deve-se levar em Um raio qualquer que emerge em 4, por exemplo, pela
construção de Biot-Fresnel, apresenta as vibrações v e v peE
consideração êsse fator também. 1 2
pendiculares entre si, seguindo a primeira, aproximadamente, a
direção da vibração Y e a da vibração do raio rápido do acess~
8.10. Determinaçio do sinal Õtico rio, e seguindo a segunda vibração a direção sub-paralela da
por meio de bissetriz aguda bissetriz obtusa do mineral e da vibração do raio lento do a-
(Bxa) ces s Ório.

O sinal Ótico do mineral pode ser determinado com e~ Introduzindo-se o acessório, verifica-se efeito adi

sa figura na posição paralela ou de cruz, ou na posição de 45~ tivo nas ~Ôres de interferê~cia, em dQiS quadrantes opo~tos da
figura, e subtrativo nos outros dois. Supondo que se verificou
de preferência, nesta Ú.ltima posição.
subtração nos quadrantes SE e NW, a vibração v 1 do raio 4, su!?.
paralela a Y, é um raio lento, pois é aproximadamente paralela
45° ao raio rápido do acessório.A vibração v 2 do rnesrro raio, perpendi~
Paralela
lar à primeira, é o raio rápido e é sub-paralela à bissetriz o~
tusa. Corno nos minerais biaxiais v v
v , a vibração se-
> >
x y z
NW gundo a bissetriz obtusa dêsse mineral só pode ser a vibração
X, e,portanto,segundo a bissetriz aguda, se tem a vibração Z, e
'(
( .... o mineral é positivo.

Na posição de 45° da figura de interferência, verifi


l~~)f~"?,.,l!j;J:(~~f':11.;f~;~t;z:; tJfi~;f;,~ B x O B 'º ca-se melhor paralelismo das vibrações do mineral com as do a-
cessório (Fig. 8.19). Na figura, a vibração Y é paralela ao
® raio lento do acessório, e aquela correspondente à bissetriz
obtusa é paralela ao raio rápido do mesmo acessório.
SW
'( A determinação do sinal ótico do mineral pode ser
feita observando-se o efeito da placa do acessório na área A
ou na área B da figura de interferência, de prefé~ência nessa
Fig. 8 . 19- FIGURA DE BISSETRIZ AGUDA. OETERMINA~AO DO
Últirna,entre as isÓgiras. '

SIN~L ÓTICO . Localizados os elementos Óticos do mineral, o plano


Ótico, a normal Ótica Y, a bissetriz aguda e a obtusa, intro-
duz-se o acessório, podendo se verificar adição nas côres de
Na posição paralela ou de cruz (Fig. 8.19), inicia~­ interferência em B e subtração em A, ou o contrário, subtraçãc
rnente, as posições do plano ótico e a normal ótica são determi em B e adição em A.
nadas exatamente. Verificando-.se ~ por exemplo, adi.c;rão em B, com o pla-
campo_!'.
Os quadrantes opostos da figura, NE e SW, se
no Ótico na posição indicada na Fig. 8.19, a vibração Y,que
158
1S9
é paralela ao raio lento do acessório, é o raio l ento e , se- dem.
gundo a direção da bissetriz obtusa (bxo), que é paral€la ao r~
pido do acessório, vibra o raio rápido do mineral . Como nos mi Os resultados obtidos com a placa de mica, com os Ili,!
nerais biaxiais v X > v > v , segundo a bissetriz obtus~vibra,
nerais biaxiais positivos e negativos nas posiç ões de ~sº, es-
y Z
necessàriamente~o raio X e, portanto, par alelainente à bissetriz tão resumidos na Fig. 8.20.
aguda, o r aio Z, e o mineral é positivo .

O raciocínio pode ser ap l ica do à ãrea A da figura ,


o que é feito em 8 . 11.

De t e rminaç ão do sinal Óti co com a placa de mi ca


(1/4 À Na) - o acessório de mica produz uma diferença de cami A
nhamento igual a 1/4 À Na (aproximadamente 140 milimicra). N~
ma figura de interferência do tipo bissetriz ag u da, onde se ve -
rifica uma cor de interferência igual à cinza de pri meira or MINERAIS
POSITIVOS
dem ( q ue correspond~ a?roximadamente, a uma diferença de cami
nhamentc de 140 a 200 milimicra), geralmente per to dos pontos
de emergência dos eixos 0ticos , se há subtração nas cores
de interferência, com a j_nt r ·odução de mica, aparecem, nesses
lugares, manchas escuras de compe nsação (Fig. 8.20) . De modo
que a posição des-sas manchas escuras permite dizer a ocor-
rên~ia do efeito subtrativo ou adi t ivo nas á reas ]._ e B da fig~
ra de interferência , e, daí, dedu zir o sinal Ótico do mineral
pela regra discutida. anteriormen-te.

Nas á.reas da figura de interferênci~ onde se verifi-


:1 ca subtração com o acessóri~ tôdas as côres de interferência
que aí aparecem sofrem, simultâneamente, subtração, na diferença 8
de caminhamento, de 1/4 do comprimento de onda da radiação do
MIH ERAI S
sódio, resultando as côres correspondentes . Assim, por exem- NEGÁTI VOS
plo, a cor vermelha de primeira ordem, após a introdução da
placa de mica, se há subtração, passa para côr alaranjada
de primeira ordem .
Paralelamente, nas ãreas da mesma figura de interfe-
rência, onde se verifica adição, tôdas as côres que aí apare FIG. 8 . 20 - DETERMINAÇÃO DE SINAL COM MICA NA FIGURA OE
cem sofrem, simul tâneamente, adição de uma diferen ça de caminha - BISSETRIZ AGUDA { lu}
mento, introduzida pela placa de mica , resultando as côres e~~
respondentes de interferência . Por exemplo, as côres cinza e
vermelha de primeira ordem da área onde se verifi ca adição , com Determina9ão do sinal Ótico C0111 placa de qipaita ou
a introdução da placa, passam, respectivamente , para verme lho~ quartzo (l A) - introduzindo-se uma placa de quartzo ou de gi~
laranjado de primeira ordem e azu l esverdeado de segunda or sita no microscópio, com a figura de int e r ferência na posição
160
l.61
BIBLIOTECA SETORl•L
,, .. n
o.pt-. de Geolo&W. • UFRfi'
subtração . nas côres de interferência,nas diversas áreas da fi
de 45º, verifica-se efeito aditivo numadas áreas da figura e
gura de interferência. Verificado êsse efeito aditivo ou su!!_
subtrativo na outra. trativo, um raciocínio análogo, seguido ante~iormente, permite
determinar o sinal ótico do mineral.

AMARELO A Fig. 8.21 resume os diversos efeitos verificados


com a placa de gipsita ou de quartzo, para minerais positivos
e negativos, nas diversas posições de 45°.
,IH A
Determinação do sinal Ótico com cunha de quartzo -
quando se utiliza a cunha de quartzo, introduzem-se, gradualme~

te, diferenças de caminhamento crescentes. Essa introdução pa~


MINERAL
latina produz movimento das linhas isocromáticas da figura de
POSITIVO
interferência. Nos pontos de emergência dos eixos Óticos, a
birrefringê!:lcia é nula e, quando se veri·fica adição numa certa
área da figura, as linhas isocromáticas dessa área se movem ~
parentemente para os pontos de emergência dos eixos Óticos
(Fig. 8.22). Ao contrário, nas áreas da figura onde ocorre su!!_
tração, as linhas isocromáticas se afastam aparentemente dos
pontos de emergência dos eixos Óticos. Na Fig. 8.22 acham-se
AMARELO indicados os .movimentos aparentes das linhas isocromáticas n~
AZUL
ma figura de interferência, na posição de 45°,em que se verifi-
1 ca adição, na área entre os ramos da isÓgira,e subtração, nas
1 ·~ .....
partes côncavas dessas isÓgiras, quando se introduz a cunha de
B quartzo.

O movimento aparente dessas linhas isocromáticas P2


MINERA L
de ser explicado traçando-se as curvas de diferenças de cami-
NEGATIVO
nhamente dos raios que se propagam no plano Ótico e dos raios que
caminham num plano perpendicular ao plano Ótico e que contém a
normal Ótica e a bissetriz aguda (Bxa).

Tomando-se como exemplo um mineral negativo, os rai


FIG . 8.21 - OETERM INAÇAO OE SINA L ÓTICO COM PLACA OE GIPS I TA
os contidos no plano Ótico caminham esp:ssuras cres,ée~~.es d~
OU DE QUARTZO ( 1 k) .COM FIGURA DE Bao.
minerak à medida que inclina a sua trajetória (Fig. 8.22). Ca-
da um dêsses raios se acha desdobrado em duas vibrações perpe~
Na área em que se verifica adição, a cor de interfe- diculares entre si, uma paralela a Y, cujo Índice de refração é

rência cinza ou alaranjada de primeira ordem que aí aparece n , e a outra perpendicular a Y e


y
à direção do raio, e o seu

passa para azul ou azul esverdeado de segunda ordem, ao passo Índice é medido pelo raio da elipse da seção principal, per-

que, na área onde se verifica subtração, aquelas mesmas côres pendicular à direção de propagação do raio.
amarelo de primeira ordem (Fig. Tem-se, assim,para os raios O (que se propaga paral~
passam para alaranjado ou
adição ou
8.21). Essas côres permitem, então, dizer se houve
163
162
~
,,,.1·

lamente à direção de bissetriz aguda), 1, 2, •••• , os seguintes


valÔres de diferença de caminhamento:

Ao = eo (n
z - ny >;

f Al

A2
el

=e2
(nl ny);

(n? - nv);

A
e = ee (n
y ny) = O,
sendo e 0 < e < e2 ........ e nz " n 1 > n 2 ........... •
4 1
A variação na espessura do mineral é muito pequena,
porque os raios são muito pouco inclinados, e a sua influência
na difere~ça de caminhamento é desprezível, comparando-se com

/.~
a da birrefringênci?. Essa birrefringência varia de um valor
máximo (n z - n y ) até um valor nulo, que corresponde ao raio
q ue se propaga se~undo o eixo ótico (n - n ). Portanto. a dife
y y -
rença de caminhamento decresce de um valor máximo corresponde~

z:
." .r..
".-,
<#4
// te ao raio
até o valor zero.
que caminha segundo a bissetriz aguda (raio O),

Q
º.c-. Os raios 3, 4 •••• que se propagam nesse mesmo plano,
ºo (
Yy.~k:::-...'/A ... mas que emergem na parte côncava da figura de interferência, ~
presentam diferenças de caminhamente dadas por:

A3 = e 3 (ny - n3);
..o;.·~
Fo• , .• -~ .. :!!
o ºo ~
.
!" 6~ =e~ Cnv - n~); etc •• onde e 3 < e 4

~\\ N
1 portanto, (n y - n 3 ) < (ny - n 4 ) •••• ,

~o/
n
e o
z '" de modo que se tem A3 >A~ ••••••••• ., e a curva das diferen-
Ili ,. '"
% ....
:JJ ças de caminhamente é crescente, com inclinação dos raios. ~
.-'~o V - IC
:: ~ i
/ " "' o ,.
~ e: ~i
-N ,.
...
:JJ
o
a curva m, traçada na Fig. 8.22.

Para os raies que se propagam num plano perpendicular


ao primeiro e que contém a normal Ótica e a bissetriz aguda
... ~ 8
G> • "' (Bxa), cálc·u los semelhantes permitem construir a curva das di
e z -
~
.i e
~ ,.. ferenças de caminhamente. Os raios o. 5, 6, •••• apresentam as
e,
.... ~
diferenças seguintes:
- n
~ o AO = eO (nY - n X >··>
:li
,.. n
o
~ s 5 = es (ns - n:.:);
A& = e6 (n6 - nx); etc. .... , onde
165
1S4
e0 < e 5 < e6 .... , e ny < n .5 < n 6 , portanto,/ vo verificado nas cores de interferênci~ na parte convexa da _!
tem-se (n - n) < (n - n) < (n 6 - n ) •••• sÓgira e, por um raciocínio semelhante ao emp~egado em 8.10,
Y X 5 X X
determina-se o ~inal Ótico do mineral. Assiml seja o exemplo
Tem-se, então, l!. 0 < ll .5 < l!.5° • •, e a curva das dife- de uma figura em que a normal Ótica Y é paralela ao raio lento
fenças de caminhamento é crescente . (6m), do acessório e, portanto, a bissetriz obtusa, paralela ao rápi-
Introduzindo-se a cunha de quartzo.. numa figura dei~ do do mesmo acessório. Verifica-se adi.ç ão nas côres de inte.!:
terferência,na ~osição de 45°, e com os ele111entos Óticos nas ferência, na parte convexa da figura, Com a introdução de um acess2
posições indicadas na Fig. 8 , 22, verifica-se adição nas c2 rio, o raio Y, .paralelo ao lento do acessório, é o raio lento,
res de interferência, na parte .convexa da figura (mtre ós c;lo:i,S r~ em comparação ao raio que vibra paralelamente à bissetriz o~
mos das isÓgiras) e subtração, nas pa.r tes côncavas. A curva fi- tusa que é, então, um raio rápido. Como nos minerais biaxiais se
nal das diferenças de caminhamento llf, aJllós a introdução da c~ tem a relação vx > vy > vz' segundo a bissetriz obtusa vibra,
nha, está sÔbre a curva determinada pelo mineral 6"" na parte necessàriamente,o raio X, e, portanto, segundo a bissetriz ag~
convexa das isÓgiras, e, sob essa curva, nas outras áreas situa- da, a vibr.a ção Z, e o mineral é positivo.
das na parte côncava das· ·isógiras. Pode-se determinar o sinal Ótico do mineral, também,
De modo que, quando se introduz a cunha.tem-se a im observando o efeito aditivo ou subtrati~o na parte côncava da
figura de interferência.
pressão de as côres s~ moverem.conforme as setas indicadas na
Fig. 8.22. No caso do exemplo anterior (Fig. 8.23), o raio 1,
que atravessa o mineral e emerge na parte côncava da figura,
desdobra-se em dois outros, que. vibram em planos perpendicula-
8.11. Determinação do sinal Õtico ., res entre si. Um dos raios é a vibração Y, perpendicular ao
por meio de figura de eixo !.. P lano Ótic~ e de Índice n ,dado pelo raio da indicatri~ perpen
y -
Õtico. dicularmente ao seu plano Ótico. O outro raio vibra no plano §
Pode-se considerar essa figura de eixo Ótico como u- tico, e é de Índice n 1 , J!ledido pelo raio da indicatriz, perpendi-
ma parte da figura de interferência de bissetriz aguda, na cularmente à direção de propagação do raio, e nesse plano Ôt_!
qual sômente aparece um dos eixos Óticos. co. Verifica-se que n 1 é mais sub-paralelo à bissetriz aguda
do mineral do que à sua bissetriz obtusa. Assim, o raio que e·-
A determinação do sinal Ótico por meio dela e, por-
merge na parte côncava da figura apresenta, ao longo do traço do
tanto, igual à que se discutiu anteriormente (8.10).
plano Ótico,uma vibração que é sub-paralela à bissetriz agucta
A partir da .posição de cruz ou paralela, em que a is§ do mineral ~portanto, como tal se comportando.
gira é paralela a um dos retículos norte-sul ou leste-oeste do
Supondo que a vibração Y seja paralela'; na,_ posição
microscópio, a figura é girada de 45°, a fim de localizar a
de 45° da figura, ao raio lento do acess§rio, a outra vibração,
bissetriz aguda, a normal Ótica, etc •• A bissetriz aguda está
sub-paralela à bissetriz aguda, é paralela ao rápido do acessó-
localizada na parte convexa da isÓgira,e a normal Ótica Y é
rio. Com a introdução de um dêsses acessórios, verificando-se
perpendicular ao plano Ótico. Quando o ângulo Ótico 2V é i-
adição das côres de interferência na parte convexa da figura,
gual a ·90~ é difícil determinar o sinal Ótico do mineral com
dá-se subtração na sua parte côncava. A vibração Y e rápida
essa figura.

Localizados todos os elementos Óticos, introduz-se o


em relação à outra, que sÕmente pode ser a vibração z 1 sub-p~
ral~la à bissetriz aguda, e o mineral é positivo, conforme
. se
acessório conveniente, observando o efeito adi.tive ou subtrat,! havia determinado anteriormente.

166
167
'°o-,'oo.

EFEITOS COM PLACA DE

Mine rol
~ ~
B

""" "~"" '""

J 1 ~ 1
"ª. 1.n- ,..URA OI EIXO ÓTIGO NA POSlçio
DE 45• E SEÇIO PRINÇIPAL DA INDleATRIZ

e
Quando se utiliza a cunha de quartzo, o efeito aditi
vo ou subtrativo se observa através dos movimentos aparentes
das côres de interferência.
Nas Fig. 8.24 e 8.25, estão resumidos os efei tos
verificados, com a utilização dos diversos acessórios, em figu- EFEITOS

ras de interferência dos minerais positivos e negativos, nas di


verSas posições de 45°.
FIG . 8 . 24·FIGURAS DE EIXO ÓTICO OE MINERAIS POSITIVOS
No caso da figura de bissetriz aguda, o sinal Ótico
168
169
pode ser determinado pela observação do efeito aditivo ou sub-
trativo na parte côncava da figura, seguindo o método observado
para a figura de eixo Ótico.

8. 12. Determinação do sinal Õtico por


A meio da fi~ura de bissetriz
obtusa (Bxo)
Uma vez identificacb seguramente êsse tipo de figura,
os elementos Óticos são localizados, e o plano Ótico é trazido
à posição de 45° pela rotação da platina. O traço dêsse plano
HE>T~DEM•OAU'~ Ótico está no quadrante para onde se dirigem os ramos escuros
da isógira.

-Numa figura bem centrada, a bissetriz obtusa aparece


n o centro do campo do microscópio, e a normal Ótica,perpendicu-
larmente ao traço do plano Ótico. A bissetriz aguda está cont~
da -no plano Ótico e é perpendicular à normal Ótica e à bisse-
triz obtusa. A normal Ótica Y e a bissetriz aguda são,
Pº!:
tanto, paralelas à platina do microscópio.

Introduz-se um acessório, com a figura na posição de


45~ e verifica-se se no campo encre as isÓgiras houve efeito ~
ditivo nas côres de interferência ou efeito subtrativo. Supon-
do os elementos Óticos na posição indicada na Fig. 8.26, e
que se verificou adição na área entre as isógiras, Y, que é p~
ralelo à vibração rápida do acessório, é o raio rápido,~ seg~
d o a direção da bissetriz agud~ tem-se uma vibração lenta, i~
to é, a vibração Z, porque v < v < v , Se a vibração Z
Z y X
coincide com a bissetriz aguda, o mineral é positivo.

Quando a birrefringência do mineral é baix~ observa-


se com facilidade o efeito aditivo ou subtrativo•. nas côres de
e interferênci~ empregando-se a placa de mica ou de gipsita ou
quartzo. Entretanto, se a birrefringência do mineral é alta,
o efeito de adição ou subtração, quando se introduz o acessório,
é mais difícil de se observar, e o uso da cunha de quartzo se
torna aconselhável. O movimento aparente das côres de interfe-
CUNHA DE QUARTZO
rência, em relação às isógiras, indica se houve adição ou subtra
ção com a introdução da cunha de quartzo.

FIG.8.25-FIGURAS DE EIXO ÓTICO OE MlNERAIS NEGATIVOS A Fig. 8.27 indica os diversos casos de adição e
171
170
tra vibração, Ín~ices n 1 , n 2 , ••• , conforme a inclinação dos rai
subtração nas côres de interferência, cujos movimentos são rel~
os.
cionados com as diferentes posições do plano Ótico, quando se
usa a cunha de quartzo.

~
MINERAIS
POSITIVOS
A

~
FIG. 8. 28- FIGURA OE BISSETRIZ OBTUSA.

MINERAIS
tsse movimento aparente das linhas isocromática~ com NE6ATIVOS
B
a introdução da cunha de quartzo, torna-se compreensível traç<l!!.
do-se 3s curvas de diferenças de caminhamento para os raios
que se propaga.~ através do mineral, segundo o plano Ótico, e dos
raios que se propagam num plano que lhe é perpendicular e que
contém a normal Ótica e a bissetriz obtusa (Fig. 8.28) do mine
ral.
Na Fig. 8.28, está representada a figura de interf~
rência de bissetriz obtusa de um mineral negativo, na posição
de 1\5 °. As duas seções da sua indicatriz, nela representadas, FIG. 8.27-0ETERMINACÃO DO SINAL COM CUNHA DE 0Ulll.RTZO
NA Fl6URA DE BISSETRIZ OBTUSA. .
são: a que contém o plano Ótico e a que lhe é perpendicula~.
Os raios O, l, 2, •..• que se propagam no plano Óti- As diferenças de caminhamente dos raios O, 1, 2, ••• ,
co, ao atravessarem o mineral de espessura e 0 , sofrem o fenôm~ contidos no plano Ótico, são:
no de dupla refração,dando uma vibração no plano Ótico e outra
ll
o
= eo (n
y
n );
perpendicular a êsse plano e à direção de propagação do raio. X

Essa Última vibração, que é igual para todos os raios que se prop~ ll 1 • e 1 (n - n );
y 1
gam no plano ótico, possui Índice de refração ny, e aquela o~

172 173

~
6
2
= e2 ( ny - n 2 ), "'
o
e
:e
z
:>
sendo e < e < e ••• , e n < n2 < n3 •••• , portanto, u
0 1 2 1
e
::E ln ci
Cn - n ) > (n - n ) > (n n2) ••• o :>
y X y l y
u
.... ....>
Ili
À medida que os raios se inclinam, a espessura per- o c /. ..
corrida do mineral pelos mesmos aumenta, porém a birrefringê~
c
<J
N "'"'z
eia vai diminuindo. Como a inclinação dos raios é pequena, a i~
z
(Ili
....a: .J
., e
...a:"' .,"' "'za:
a:
fluência da espessura no valor das diferenças de caminhamento
é reduzida, em comparação com a da birrefringência. Tomando-se, iD -
"' ...
z
.... :z
nas ordenadas, os valÔres dessas diferenças de caminhamento, nos o
pontos de emergência dos raios correspondentes, tem-se a curva
"'
o e
6m' que é decrescente com a inclinação dos raios. ., a:
:>

Para os raios que se propagam através do mineral, num "'


a:
(0
C!I
ii::
u
plano perpendicular ao plano Ótico, pode-se fazer cálculos se ., e o o.,
::E " ·~

•,.~//
melhantes para traçar a curva das diÍerenças de caminhamento. e :>
o z
Assim, para os raios O, 3, 4, ... tem-se os seguin- ....oz o
N
tes valôres de direrenças de carr.inhamento: "'
::E ....
a:
> e
6 = e 0 (ny - nx); ., o ::> !.__
0 li CJ

63 = e3 n3 nx) ;
1
t .~ ....
"'
64 = e4 (n4 - nx);
( -
'
...... ..............
onde e < e < e •••• e ny < n 3 < n4 •••• , e, portanto,
0 3 4

(n - n ) < (n n ) < (n - n )
y X 3 X 4 X

A curva das diferenças de caminhamento para esses


raios é crescente com a inclinação dos raios.
Com a figura de interferência, indicada na Fig'.
8.28, de mineral negativo, com a introdução da cunha, resulta
subtração nas côres,no campo do microscópio, e resultam as CUE
vas finais 6f sob a curva das diferenças de ca!ninhamento pr2
duzidas pelo mineral 6m. Resulta, então, pela introdução gr~
dual da cunha, um movimento aparente das côres de interferência,
indicado pelas setas.
1
,.1 No caso de uma figura de intez•ferência em que o efei

174 175
to do acessório é duvidoso, pode-se determinar o sinal óti
co do mineral observando ortoscÕpicamente , depois de determin~ do microscópio, vibrações paralelas à bissetriz aguda e à bis-
das tôdas as posições Óticas por meio de figura de interferên- setriz obtusa. Com uma pequena rotação de platina de 5º a 7°,
cia. Localizadas as posições do plano Ótico e da normal Ótica os ramos escuros da cruz desaparecem do campo do microscópio,
Y , o mineral é trazido à posição de 45° e, após retirar-se a nos quadrantes para onde se dirige a bissetriz aguda. Pelo m2
lente de Amici-Bertrand, introduz-se o acessório. Na posição
vimento de fuga das isÓgiras, então, se pode determinar exata-
indicada do mineral (Fig. 8.29), se se verifica adição nas co- mente a posição da bissetriz aguda e obtusa. Perpendicularme_!!
res de interferência do mineral, a normal ótica, que é paral~ te à platina, está a normal Ótica Y.
la ao raio rápido do acessório, é rápida e, segundo a bis se-
Localizadas as posições de bissetriz aguda e biss~
triz aguda do mineral, vibra o raio lento, ou seja, a vibr ação
triz obtusa, é preciso saber o paralelismo dessas direções com
Z do mineral. O mineral é, então, positivo.
as vibrações X e Z do mineral, que são também paralelas à pl~
tina do microscópio. Sendo Z o raio lento e X o raio rápido,
resta s~ber, então, a posição dos raios lento e rápido, utili-
zando-se um acessório adequado.

(_, l
~
,.•. 8. H - DETEIUUNAC:ÃO 00 SINAL ÓTICO DO

MINERAL PELA OBSERVAÇiO O"TOSCÓPICA


QUANDO A SUA OIUEN TAÇÃO Dl llSSE TltlZ
,
~
FiCJ. 8. 30-Determinaç:ão do sinal ·-Ótico
OITUIA E CONHECIDA· de mineral pela observação
ortoscópica quando a posi -
ç5o da normal Ótica é co-
8. 13. Determinação do sinal Õtico
nhecida.
por meio da figura de normal
Õtica
Com as bissetrizes aguda e obtusa nas posi_ções áe
Um grão de mineral que ap;resenta uma figura de inte!'.
45°, sendo, por exemplo, a obtusa paralela ao lento do acess2
ferência do tipo normal Ótica possui, paralelamente à platina
rio, introduz-se essa placa. Se se verifica adição nas côres
176
177

'•
~
. -~ .

"
9: ORIENTAÇÃO DAS INDICATRIZES
de interferência, o raio que vibra paralelamente àquela bisse- DISPERSÃO
triz . obtusa é o raio lento e, portanto, Z, e o raio, segundo a
bissetri·z aguda, é o raio rápido, isto é, o raio X, e o mine
ral é negativo.
Quando o efeito aditivo ou subtràtivo nas cores da
figura de int~rferência, com a introdução do acessório, é pou-
co observável, pode-se determinar a posição dos raios rápido e
lento do mineral observando-o ortoscÕpicamente, uma vez locali
zadas prêviamente as posições da bissetriz· aguda e obtusa, por
meio .de figura de interferência (Fig. 8.30).

No caso do mineral indicado na Fig. 8.30, em que a


bissetriz aguda {oi trazida à posição paralela ao raio lento 9. 1. Orientação das indicatrizes
do acessório, se ocorre, por exemplo, efeito aditivo nas co- dos minerais uniaxiais
res de interferência do mineral, observado sem a lente de Ami
A indicatriz dos minerais uniaxiais é um elipsóide
ci-Bertrand (ortoscÕRicamente), o raio que vibra paralelamente
de revolução. A sua simetria deve satisfazer à simetria crist~
à bissetriz aguda é o raio lento e, portanto, o raio Z, e, se-
lográfica, de modo que o seu eixo Ótico,que é o eixo de revol~
gundo a bissetriz obtusa, o raio rápido, ou seja, a vibração
ção,coincide com o eixo cristalográfico e dos sistemas tetra-
X, e o mineral é positivo.
gonal, trigonal e hexagonal (Fig. 9.1.).
Quando se utiliza a cunha de quartzo, o efeito aditi .'
vo ou subtrativo, causado pela mesma, é observado pelo movime~ (
to das linhas isocromáticas da figura de interferência. 9.2. Orientação das indicatrizes
dos minerais biaxiais
A indicatriz dos minerais biaxiais é um elipsóide de
3 eixos, que correspondem às direções principais de vibração
X, Y, e Z, e possui três planos de simetria, determinados por
êsses eixos: XY, YZ e ZX.

Os planos de simetria da indicatriz devem satisfazer


a simetria cristalográfica dos sistemas ortorrômbico, monoclÍ
' '
nico e triclínico.

No sistema ortorrÔmbico,os eixos cristalográficos c~


incidem com as direções principais da indicatriz. Existem,
portanto, 6 orientações possíveis dessa indicatriz:

a = X; b : Y ou Z; c : Z ou Y;
a : Y; b =z ou X; c : X ou Z;
a : Z; b : X ou Y; c : Y ou X.

179
178
Essas orientações estão resumidas na Fig. 9.2.

Nos minerais do sistema monoclínico, o plano deteriaj,


nado pelos eixos cristalográficos a e e é, no caso geral, o
plano de simetria cristalográfico, e o eixo b coincide com o
eixo binário de simetria do mineral, e é perpendicular ao pla-
no de simetria ac.

/
EIXO OTICO
z ou
X ou
y

1
-

y

' •
º"

l
•,, :. ' •• 1 ' "
Y ·o•
z

FIG - 9 . 2- ORIENTAÇÃO CRISTALOGRAFICA E ÓTICA . SISTEMA OR-


TORRÔMBICO.

Um dos planos de simetria da indicatriz ..de ye coinci-


dir com o plano de simetria cristalográfico, e o eixo - cristal~
FI G .9 . 1. ELIPSÓIDE !JE REVOLUÇfo. MINE- gráfico b coincide, necessàriamente, c o m uma da s direções
principais da indicatriz. Existem, então, as seguintes orienta-
RAL UNIAXIAL POSITIVO,
çoes da indicatriz,no sistema monoclínico:

b = X; Y e Z no plano ac;
b = Y; Z e X no plano ac;
b = Z; X e Y no plano ac.
lB O
181
/ Eventualmente, uma das direções principais da indica-
triz, mas sÕmente uma, coincide com um dos eixos cristalográfi
.,, cos a e c, porque o ângulo entre êsses eixos cristalográfi-
... os é diferente de 9 O0 • •
"
"'
r o
"' Duas possíveis orientações estão Pepresentadas nas
o"' Fig. 9. 3 e 9. 4.
"' ;;;
"'
,., z
:'.! .., Nos minerais do sistema triclínico não há nenhum ele
)> 1 - ~·
n
)>
,.,
n mento de simetria, a não ser o centro de simetria na sua classe
o
z holoédrica. A indicatriz possui orientação qualquer em relação
o
o, aos eixos cristalográficos.
:;:: -i
o o)>
z
o
n
r,.,
i'
e:; n 9.3. Dispersão nos minerais
o ~
isotrõpicos
"'-i
)>
O Índice de refração de um mineral varia com o com-
primento de onda da radiação, sendo maior o Índice para radia
ções de comprimento de onda menor.

1 Os minerais Õticamente isotrópicos nao apresentam o

..,, 1..
r fenômeno de dupla refração e possuem sõmente um Índice de re
fração n, ::{ue varia com o comprimento de onda da radiação .
"' 1
..."'
r o
o

~,~
:o
"';a "'-
:'.! ,,
r-~~- N

fil'iL . •~, , ..,';(ç•.


n n
)> 1>1 ·-.:
~.

o .... .:
z ~

o '""'.,------t-- o

o o
z
o
o,
:;:: ::!
)>
----<il~ n
VIOLETA

~
o r z
r,., ' o
i' O,
o o
o ,, ~~o
(ti'---

"'-i
)> -<
7
r•
,,
-1
)>

FIG. 9 . 5- DISPERSÃO NOS MINERAIS ISOTRÓPICOS.

OISPERSAO OE ÍNDICE~.
182
183

-=---- -- - - -·-----
·.···~. ..............~~----~~~~~~--·-AJ~.~~~~~~~~~~~~~~~~----------------------
llliliilll.......................................................................................................... -
....
lii:I
Os minerais uniaxiais apresentam, então, dispersão
A dispersão que os minerais isotrópicos apresentam de indicatriz dos {ndices de refração.
e, então, dispersão dos {ndices de refração. A indicatriz de Eventualmente, a indicatri~para uma radiação de cer
índices dos minerais isotrópicos sendo uma esfera, esta vai v~ ta côr, pode ser uma superfície esférica, e o mineral se compoE
riar de diãmetro,conforme o comprimento de onda da luz empreg~ ta isotrÕpicamente em relação a essa côr, dando origem a cer-
da (Fig. 9.5.). tos fenômenos, como côr de interferência anômala.

A Fig. 9.6 é o caso extremo em que o mineral é PQ


sitivo para a radiação de comprimento de onda À , mas se tran~
9.4. Dispersão nos minerais 1
forma em negativo para uma outra radiação de comprimento de onda
anisotrõpicos uniaxiais
Àz·
Os minerais uniaxiais possuem dois Índices princi-
pais de refração, ne e n
0
, do raio extraordinário e do ordin~
rio, respectivamente. Cada um dêsses Índices vai variar com o 9.5. Dispersão nos miner.ais
comprimento de onda da radiação, de modo que resulta uma indic~ anisotrÕpicos biaxiais
triz para cada comprimento de onda da luz. txistem, portanto,
Nos minerais biaxiais ocorre, também,dispersão de Í~
inúmeras indicatrizes, mas tôdas elas possuem em comum o eixo
dices de refração e de indicatrizes, mas, por possuírem três Í~
mineral
Ótico,que é paralelo ao eixo cristalográfico c do
dices de refração diferentes, observam-se outros tipos de dis-
(Fig. 9. 6) . persão, dependendo do sistema de cristalização, e que são o~
servados em figuras de interferência de bissetriz aguda e de
eixo ótico.
1' 1 Sistema ortorrôrnbico - no sistema ortorrÔmbico, con-
forme se estudou anteriormente, os planos de simetria e os ei
xos principais da indicatriz de Índices coincidem, necessària-
mente, com os planos e eixos de simetria cristalográficos, qua1
quer que seja o comprimento de onda da radiação empregada. Mas,
as dimensões relativas dessas indicatrizes variam com o com-
primento de onda da luz e,como consequência.tem-se variação na
No2
posição dos eixos Óticos dentro do plano Ótico, resultando val~
res diferentes de ângulo Ótico 2V para as diversas , ,radiações
que compõem a luz branca. !'. a dispersão ortorrômbica dos ei-
xos Óticos 2V (Fig. 9. 7).
Para um extremo da radiação visível, vermelho, por ~
xemplo, o ângulo Ótico 2V pode ser maior ou menor que o ângulo
Ótico da radiação do outro extremo, violeta.
Nos pontos de emergência dos eixos Óticos da radia-
"' çao vermelha, esta côr está extinta, aparecendo, em seu lugar,o
F!f.9 . 6- DISPERSAO DAS INDICATRIZES DOS MI- seu complemento azulado. E,nos pontos qe emergência dos eixos
NERAIS UNIAXIAIS.
185

184
Óticos da outra côr extrema,violeta, há extinção desta e apar~ :· .. ,.,
t: . ·., ,
cimento, em seu lugar, da ·sua côr complementar, que é alaranja- ,,.. ·;.;+..EO
do. -:
1 :. ~ 1 virfnelho
1. :::: 1
E O --_,. • :·:1

e ·. ~-~~í~~·~:.~. J~:~W~-7~:~:~~=· ·
·:;,:~::.:_:_::_,"'.:.1,
y


e,f Ao 1 A ).e f
. E O.:=-f': . <
' 1
\
v1ol.,a (_ :-;•vermelho
\\ ~ : ·4-EO
.4 L·.·.·H
..

'· .:~· ·;··~ :: ··:"?'.: ';'.p ·:= '":'·'·; ·~·:.:·:<<.


1
.. Fi9'9 . 8- DISPERSÃO ORTORROMBICA DE EIXOS ÓTICOS.

a
Quando o ângulo entre os eixos Óticos da radiação
vermelha é maior que o da violeta, escreve-se a seguinte fÓr
mula de dispersão:

r ("red") > v ("violet")

e quando se verificar o contrárió: r < v.


Para certos minerais do sistema ortorrômbico, como
goethita e brookita, o plano Ótico para determinada radiação
FIG.9.7- DISPERSAO ~RTORRÔMBICA DE EIXOS Óncos.
é perpendicular ao plano Ótico para outra radiação da luz bran
ca. ~ a dispersão ortogonal dos planos Óticos (Fig. 9.9).

Essas cores de dis?ersão são observadas melhor numa Na goethita, por exemplo, numa figura de interferên-
figura de interferência do tipo bissetriz aguda ou do tipo ei- cia de bissetriz aguda, aparecem os dois planos Óticos para r~
xo 5tico, na posição de 45°. llum lado e nout:I'o dos pontos de ~ diações extremas da luz branca, em posições perpendiculares,de
mergência d o s eixos óticos n o rrnai~ indicados pelos vértices modo que,na posição de 45°, aparece a côr esverdeada,onde oco.E.
das isÓgiras , nos minerais que apresentam urna dispersão apre- rem os eixos Óticos da radiação vermelha, e a av·e r l!le lhada, o_g
ciável, aparece uma ligeira tonalidade azulada e alaranjada, de aparecem os eixos Óticos da radiação do outro extrema (Fig.
1\ .t onde normalmente deveriru~ aparecer as côres de interferência 9. 9).
de baixa ordem cinza escura ( Fig. 9.8) .
Sistema monoclínico - os minerais que se cristalizam
Nesse caso de dispersão de eixos óticos, as cores de no sistemamonoclÍnico apresentam três tipos de dispersão: dis
dispersão se dispõem simêtricamente no traço do plano Ótico, persão inclinada, dispersão cruzada e dispersão horizontal.
tanto em relação a êsse plan~ corno em relação ao plano que lhe
A dispersão inclinada se verifica quando 0 plano o
é perpendicular e que contém a normal Ótica e a bissetriz agu-
tico coincide com o plano de simetria do sistema,defi.nido pe-
da. los eixos crist~lográficos a e c. A normal Ótica Y é par~
186 187

.; -~
lela ao eixo cristalográfico b que, no caso mais gera~ é, tam-
bém, o eixo de rotação binário do mineral.

Os eixos Óticos das diversas radiações, contidos no


plano Ótico,podem sofrer uma ligeira rotação em tôrno dessa
-< "'
normal Ótica ~ resultando a dispersão inclinada (Fig. 9.10) .
Nesse tipo de dispersã~ os pontos de emergência dos
eixos Óticos estão sÔbre o traço do plano Ótico, mas as côres
de dispersão não se apresentam simetricamente em relação ao
plano perpendicular ao plano Ótico e que contém a normal Ótica
e a bissetriz aguda. Essas côres de dispersão normalmente se
.., dispõem em posições alternadas, por exemplo, a côr azulada de
Cl dispersão pode aparecer na parte convexa de uma isógira e côn-
cava da oútra isógira (Fig. 9.11).
"'"'1
o

,.,.,,
Ili

"'
Ili
l>I
o
o
:o
....
o -<
Cl
o
"'"

z
l>
l>
;;-
r

o
"'.,, .,, r.,,
"' ...r.,,
l>
r :o l> l>
l> l> z o
o :; z
z
o
Ili

- -o
:o
l>
o
;;
o.
....
o
...
-<>
o
o

o. o
....
-o
o
!"

FIG. 9.10- OISPERSAO INCLINADA

Entretanto, dependendo da rotação e dos ângulos 2V

188 189

- ------··-=--~=-==~-----·--llli·-c------------------------&.J
das radiações extremas, pode acontecer uma disposição das co-
res de dispersão semelhante à verificada no caso do sistema o~
torrÔmbico, mas o afastamento entre as côres em tôrno de uma
isÓgira e em tôrno da outra é diferente.

A dispersão cruzada se verifica quando a bissetriz


aguda do mineral coincide corno eixo cristalográfico b e em
tôrno do qual o plano Ótico para as diversas radiações sofre
uma rotação.

Assim, os planos Óticos das diversas radiações foE


marn diedros, cuja aresta comum é a bissetriz aguda.

Na figura de interferência do tipo bissetriz aguda


de um mineral que apresenta essa dispersão, na posição parale-
FIC· 9.U-DISPERSAO INCLINADA
la da figura, côres de dispersão iguais aparecem em quadrantes
opostos (Fig. 9.13).

:-.1:: .
..:. ... :
·:~

exo (vERM.l ERM)

Eo(v.

EO (Az~
.··1·· .
..:/.: :·~~:· EO(v
··.1 .,- ·'.·;
ÓTI co (AzuLl

Y (vERM. CRUZ 45°

FIG. 9.13 - DISPERSAO CRUZADA Ir< v) .

. ,' Na posição de 45° da figura de interferêncÍ.a-, essas


,
/. cores iguais de dispersão aparecem ou na parte convexa da fig~
·... ·•'
Ira, ou nas partes côncavas, mas, dispostas assirnêtricamente (Fig.
9 .13).

A dispersão horizontal se verifica quando a bisse-


triz obtusa do mineral é coincidente com o eixo cristalogr~
FIG. 9 . 12 - DISPER SAO CRUZADA· fico b. Os planos Óticos das diversas radiações podem sofrer

191
190
rotação variáve l em tôrno dessa b issetriz obtusa ( Fig. 9.14 ) .
do centro de simetria.

A dispersão pode s er classificada também, de


B•o ( VER M.) ac_Ôrdo
com a inte nsidade das côres d e dispersão .
EO ( v ERM . ) Tem-s e dispersão
fraca, moderada, forte, extremamente forte, dependendo da mai
or ou me nor facilidade
com que se pode observar essas côres
PLA NO ÓTI CO de dispersão.
( v ERM . )
No caso do mineral com dispersão extremamente forte,
as cores de dispersão o cupam quase todo o campo da figura
de
interferência ,

B xo O estudo da dispersão permite determinar, então, o sis


tema d e cristalizaç ão d e um mineral que apres e nta dispersão,
além de ser Útil ria identificação do mineral .

..:;::_:

~ ..; RMELHO)

Eo!v-,
'
'
FI G. 9 . 14- DIS PER SÃ O HORI Z ONI A L

A seçao C.o minera l que apresenta uma fig u ra de inteE


ferên-::i a de bissetriz agu da vai apresentar os traços de plar,os
Óticos das diversas radiações paralelas (Fig . 9 . 15) . FIG . 9.15 - DISPERSÃO HORIZONTAL NA FIG.9 . 16- DISPERSAO HORIZONTA L NA

As côres de dispersão, na figura de int erferência em FIGURA DE BISSETRIZ AGUDA NA FIGURA DE BISSETRIZ AGUDA NA

posição· parale l a ou de cruz, dispoêm-se em quadrant es não opos- POSIÇAO DE CRUZ . POSlfÃO OE ~5°.
tos . Com a figura na posição de 1~5º , as mesmas côres de dis p eE
sao se colocam do mesmo lado das isÓgiras , por exem-
plo , a l aranjado na parte convexa e azul ado na parte concava
das isógiras , ou vice- versa ( fig . 9 .16).
Sistema triclínico - os mi n e r ais do sis t eJT.a t r i c lÍni
co podem ap r es e nt ar o feHÔme n o de d i s p ersão, mas as suas côres
não apresentam nenhu ma disposição simétri ca o u re g ular , por c a~
s a da a u sência de ele~os de s i me tria cri s tal ográfi cos além

1 92 193

. • !!'• .::\ ,..... -~ .•. ."'


, BIBLIOTECA SETORIAL.
··; ;.. .:. i ~· 1:-c..·":..• :~ . Oepr. d• GNl. .la • UFRH
___,,;z
- - --
APtNDICE
do mineral o seja em relação ao Óleo anterior. Se o relêvo do
DETERMINAÇÃO DOS TNDICES
mineral é alto, o seu Índice é bem afastado_ do Índice do o
DE REFRAÇÃO COM OLEOS DE
leo, e o seguinte a se escolher deve estar bem acima ou abaixo
IMERSÃO
do Óleo inicial, conforme o mineral possua Índice maior ou m~
nor que o do Óleo anterior. Com o Óleo escolhido dessa maneira,
faz-se nova montagem do mineral e determina-se o Índice do me~
mo em relação ao do Óleo da maneira anterior, e assim sucessi-
vamente, até se obter igualdade entre os Índices do mineral e
do Óleo.

Quando se utiliza a luz monocromática., o relêvo do


mineral é nulo, e o contôrno do grão desaparece, quando o Índice
do mineral é exatamente igual ao do Óleo. Quando se utiliza,
O niimero de Índices de refração de um mineral, a ser porém, uma -luz branca, se o Índice do mineral é próximo do Ín
determinado de uma maneira ·completa, depende dos minerais. Os dice do Óleo, aparecem duas linhas de Becke coloridas, uma azulada e
minerais isotrÓpicos possuem um Único Índice de refração, n. outra amarelada. Essas l inhas se movimentam em sentidos opos-
Os miner~is anisotrÓpicos uniaxiais possuem dois Índices prin- tos, quando se afasta a objetiva do minera~ e são uma consequêg
cipais, ne e n , dos raios extraordinários e ordinário~ respe~ eia da dispersão dos Índices de refração. A verificação cuida-
0
tivamente, e os minerais biaxiais, três Índices de refração, dosa das côres dessas linhas permite dizer se o Índice do mine
nx' ny e nz. ral é igual, maior ou menor que o Índice do Óleo (marr>cado no
vidro que o contém).
A determinação de cada um dos Índices do mineral é ? ,
mesma, devendo inicialmente se dispor de umd coleção de Óleoi·- Quando as côres das linhas de Becke sao amarelo m~
de imersão, cujos Índices sejam perfeitamente conhecidos. Exi~ dio e azul médio, o Índice de refração do mineral é aproximad~
tem várias coleções, cu]o intervalo entre dois Índices de Óleo mente igual ao Índice do Óleo.
consecutivos pode ser 0,002 ou 0,004, ou maior, conforme o fim Quando essas côres sao azul nítido e amarelo muito
destinado. pálido, o Índice de refração do mineral é ligeiramente supe-
Minerais isotrópicos. A determinação dos Índices de rior ao do Óleo.
refração dos minerais isotrÓpicos se res~me no estudo de um
Quando se tem amarelo alaranjado ou mesmo vermelho
grão de mineral em cada montagem no Óleo. O mineral, pulveriz~
e um azul pálido, o indice de refração do mineral é ligeirameg
do a uma granulação adequada, é montado, segundo o método estud~ te inferior ao do Óleo.
do anteriormente (Cap. 4), num Óleo de imersão de Índice conh~
Essas regras são bastante út;is na determin~ção do
cido, por exemplo, 1,540. Nessa primeira montagem, determina-se
Índice, quando se utiliza a luz branca.
o Índice do mine~al em relação ao do Óleo,por meio do teste da
linha de Becke ou da iluminação oblíqua, observando simultâne~ O Índice de refração varia com o comprimento de onda
mente o seu relêvo,com diafragma parcialmente fechado. Se o r~ da radiação. tle decresce com o incremento do comprimento de
lêvo do mineral é mui to baixo, o Índice do mineral está bem oP.da da luz. Geralment~ êsse decréscimo é maior para os Índi-
próximo do írrlice do Óleo, e, naturalmente, deve-se escolher o Óleo s~ ces dos líquidos, como os Óleos de imersão, e menor para os das
guinte bem próxim::> do primeiro, maior ou menor, conforme o índice substâncias sólidas, como o são os minerais. Marcando-se, num

194
195

,
li~~~~==:========:::::::::::::i::==-=-=..-=-=-=-=--....-=-=----'""""";;;;;iliii::iiiiõiiiiõiiiiõiiiiõ~"'"--~..~~~~~..............~~....~..........................................__ :...,-..,.. ..,
gráfico, os valôres dos Índices de refração do Óleo, em função
dos comprimentos de onda das radiações, obtém-se urna curva, 0 leo nD. Há separação de radiaçõe~ vermelho, etc., de um lado,
mesmo se dando para os Índices de um mineral (Fig. A,l). As e amarelo, verde, azul, violeta, do outro lado, e uma côr azul
duas curvas geralmente se cruzam, e o cruzamento corresponde à muito pálida surge como resultado desta mistura.

igualdade entre os Índices do Óleo e do mineral_para a radia- Para radiações de menor comprimento de onda que aqu~
ção lida no eixo correspondente (abcissas). Normalmente, o Índi la para a qual se verifica a identidade dos Índices, o Índice
ce de refração registrado no vidro de Óleo é em relação à ra- do mineral é menor que o do Óleo, e, para radiações de compri-
diação amarela, e,quando o Índice do mineral é igual ao do ·mento de onda maior que aquela, o Índice do mineral é maior
Óleo, sÕmente o é para essa radiação. que o do Óleo.

Quando o Índice de refração do mineral é igual ao Com afas.tamento da objetiva do mine:r;>al, a franja am~
do Óleo, para a radiação amarela (Fig. A.l, mineral B), -e se a rela se move para dentro do mesmo, ao passo que a azul se di-
luz empregada é a branca, aquela radiação amarela não sofre rige para fora.
desvio algum,ao atravessar o Óleo e mineral, mas as demais r~
Minerais uniaxiais. Os minerais uniaxiais possuem
diações,de comprimento de onda maior,como alaranjado, verme-
d:>isÍndices de refração a serem determinados, ne e n
lho, e as de comprimento menor,como verde, azul, violeta, ao o
atravessarem o mineral, sofrem um desvio, causando urna separa- A determinação dêsses Índices requer, inicialmente, a
ção em duas franjas col0ridas. A mistura das côres alaranjado, escolha de um grão de mineral com orientação adequada, e isso
vermelho, etc. origina a franja de côr amarelada, ao passo se consegue pela observação das côres de interferência dos di
que as radiações verde, azul, violeta formam a franja colorj. versos grãos.
da de azul. Essas duas côres têm intensidades aproximadamente O grão de um mineral uniaxial, com eixo Ótico e, pa-
iguais na sua tonalidade. ralelo à platina do microscópio, apresenta côr de interferên-
Quando o Índice de refração do mineral é igual ao cia de maior ordem e dá uma figura de interferência tipo rel~
do Óleo, para uma outra radiação, verde, por exemplo (Fig. A.1. pago. O Índice ne do raio extraordinário é paralelo ao eixo e,
Mineral A), e de valor n, correspondente à intersecção das e n 0 , perpendicular a êle.
duas curvas, o seu Índice n é maior que o do Óleo nD. Localizados esses elementos por meio de figura de i~
O Índice do mineral sendo igual ao do Óleo, para a r~ terferência, o mineral é trazido,pela rotaç~o da platina, à p~
diação verde, esta não sofre desvio, separando de um lado as sição de ext~nção, de modo que um dos Índices seja paralelo ao
côres azul , violeta, de comprimento de onda menor que o de veE plano do polarizador. Após retirar o analisador, êsse Índice é
de, e,de outro lado, as côres amarelo, alaranjado, vermelho, testado, em relação ao Índice do Óleo, pelos métodos comuns. Gi
etc .. Resultam, então, urna franja azul forte e que é a mistura ra-se a platina de 90° e traz-se o outro Índice à. _posição par~
de azul, violeta, e uma franja amarelo pálido de outro lado, lela ao polarizador, testando-o de maneira semelhante;.
que é uma mistura mais ampla de côres como amarelo, alaranja- Os Óleos sucessivos são escolhidos de acôrdo com o
do, vermelho, etc •• relêvo apresentado pelo mineral.
Quando o Índice de refração do mineral é igual. ao Minerais biaxiais. A verificação dos três Índices nx,
do Óleo, para uma radiação de comprimento de onda maior que o da ny e nz de um mineral biaxial necessita de, pelo menos, dois
radiação amarela, por exemplo, alaranjado (Fig. A.I, Mineral grãos convenientemente orientados, de preferência, um que apr~
C) , e de valor n, correspondente ao cruzamento das duas cur- sente uma figura de interferência de normal ótica e outro que
vas, êsse Índice n é menor que o valor real do Índice do Ó dê uma figura de eixo Ótico. tsses grãos são relativamente fá
196
197
ceis de serem localizado s numa rrontage m, observando-se as co
res de interferência apres entad as p elo s grãos.
O grão que fornece uma figura de normal Ótica apre-
senta birrefringência e côr de interferência máximas e possui
os Índices n e n paralelos à platina do microscópio. E o N
X Z
grão que fornece a figura de eixo Ótico apresenta birrefri~
gP.ncia nula e côr de interferência de baixa ordem, ou se apr~
senta escuro, e o seu Índice n , paralelo à platina do micros-
Y
cÓpio.
Naturalmente, outros graos podem ser utili·zados na d~

terminação dos Índices, como os que apresentam figura de inteE
ferência de bissetriz aguda ou obtusa. O grão que apresenta ------------ N "''"•ro1 AI

uma figura de bissetriz aguda permite verificar os Índices


e nx ou nz' conforme o mineral seja positivo ou negativo.
n
y
"Ao --~==~-2-::::.::::::_
Localizadas pe~feitamente as posições dos Índices,
i

--~------~---
'

1
-----.____
-- 8
--..__ __ -.-._

por meio de figura de interferêflcia, cada um dêles é testado ----------~ --------------1----


------':':'2
.

de maneira semelhante à ante~io~.

As observações com os diversos Óleos podem ser sin


----
Ij
tetizadas numa tabela como a que segue.

n (N ) n (N ) n
X e y o z
ÕL:EO n
nX > = < RELt:vo N >
y = < RELt:VO z
> :e. < REL!:VO

1. 540 > Moderado > Moderado > Alto


!100
1. 600 > Baixo > Baixo > Moderado
v•rd1 o•.,•lo
ªºº º'•ronJado
700 "')'

FIG.A . 1- CURVAS DE
8 e C e 00
-
OISPER~AO DOS MINERAIS
OLE O.
,
ISOT .. OPICOS A

198 199

______/ ~
BIBLIOGRAFIA
KERR, P. F. Optiaal Mineralogy. Ja. ed. Nova York, McGraw
Hill Book Co., 1959.
LARSEN, E. S. e BERMAN, Harry. The Microscopic Determination
of the Nonopaque Minerals. U. S. Geol. Surv~. BuZl. 848,
1934.
MALLARD, F. Explication des Phenomenes Optiques Anomaux., qui
présentent un grand Nombre de Substances Cristallis~•·
Am. Miner. 10. 1876.
MARSHALL, C. E. e JEFFRIES, C. D. Gelatin Slide Method for
Mounting Soil Separates for Microscopic Study. Soil Sai.
Soa. Am. Proa . .!.Q: 397-405, 1945.
MERTIE JR., John B. Nomogram of Optic Angle Formulae. Am.
Miner. J:.]_: 538-51, 1942.
MEYER, Charles. Notes on the Cutting and Polishing of thin
Sections. Econ. Geo"l . .i.!= 166-72, 19·46.
MEYROWITZ, Robert. A Compilation and Classification of Immer-
ALLEN, Roy M. Praaticai Refratometry by means of the Micros- sion-Media of High Index of Refraction. Am: Miner.
398-409, 1955. 40:
aope. R. P. Cargi l le Lab., Inc., 1954.
BAUMANN JR., Henry N. The Preparation of Petrographic Sec- _.A New Series of Immersion Liquida. Am. Miner. 37: 853-6,
Am. Miner. ~: 416-21, 1952.
tions with Bonded Diamond Wheels.
_.Solvents and Solutes for the Preparation of· Immersion LÍ-
19 5 7; quids of High Ind~x of Refraction. Am. Mi ner. 41: 49-59,
BUTLER, Robert D. Immersion Liquids of Intermediate Refrac- 1956. -
tion (1,450 - 1,630). Am. Miner • .!.!!.: 386-401, 1933.
MEYROWITZ, Robert e LARSEN JR., Esper S. Immersion Liquids of
DODGE, Nelson B. The Dark-fieid Color Immersion Method. Am. High Refractive Index. Am.· Miner. 1.§_: 746-50, 1951.
Miner. 11: 541-49, 1948·. REED, Frank S. e MERGNER, John L. Preparation of Rock thin
EMMONS, R. C. e GATES, R. M, The use of Becke Line Colors in Sections. Am. Miner. ~: 1184-203, 1953.
Refractive Index Determination. Am. Miner. 33: 612-18,
ROGERS, A. F. e KERR, P. F. Optical Mineralogy. Nova York,
1948. McGraw-Hill Book Co., Inc., 1942.
FAIRBAIRN, H. W. Gelatin-coated Slides for Refractive Index
lmmersion Mounts. Am. Miner. 28: 396-7, 1943. ROSENFELD, John L. Determination of all Principal Indices of
Refraction on Difficultly Oriented Minerals by Direct Mea
GRAVENOR, C. P. A Graphical Simplification of the Relation- surement. Am. Miner. _22: 902-5, 1950.
ship between 2V and N , Ny an d Nz. Am., Mi n er. ~: 162-4,
1951. X
SLAWSON, Chester B. e PECK, A. B. The Determination of the Re
fractive Indices of Minerals by the Immersion Method. Am-:
HALLIMOND, Arthur F. Manual of t he Po "larizing Micros cop e. Miner. ~: 523-8, 1936.
2a. ed. York, Inglaterra, Cooke, Throughton and Simms,
SMITH, Harold T. V. Simplified Graphic Me'hod of Dete=mining
1953. Approximate Axial Angle from Refractive Indices of Biaxial
HARRINGTON, V. F. e BUERGER, M. J, Immersion Liquids of Low Minerals. Am. Miner. ~: 675-81, 1937.
Refraction. Am. Miner. 16: 45-54, 1831. 0

TOB, A. C. A chart for Measurement of o;tic Axiál Angles. Am.


HARTSHORNE, N. H. e STUART, A. Crysta"ls and the Polarizing Miner. 41: 516-9, 1956. \
Microscope. 2a. ed. Londres_, Edward Arnold (Pub lishers)
WAHLSTROM, Ernest E. Opticai Crystall~hy. 3a. ed . Nova
Ltda., 1950. York, John Wiley & Sons, lnc., 1960.
HEINRICH, E. Wm. Microscopia Petrograplzy. Nova York, McGraw
WILCOX, Ray E. Immersion Liquids of Relatively Strong Disper-
Fill Book Co., 1956.
sion in the Lo~ R2fractive Index Range (1,46-1,52). Am.
KAISER, E. P. e PARRISH, William. Preparation of Immersion Li Miner. 49: 683-8, 1964.
quids .for the Range nD = 1,411-1, 785. Ind. En..!!_. Chem-:
WINCHELL, A. N. e WINCHELL, H. Elements of Optica Z Miner>aZogy.
11: 560-2, 1939. Nova York, John Wíley & Sons, Inc., 1956. Part 1.
KAMB, W. Barclay. Isogyres in Interference Figures. Am. Mi-
WINCHEL, H. A Chart for Measurement of Interference Figures.
ner. 43: 1029-67, 1958. Am.Miner. 1.!= 43-50, 1946.

2 'l0 201
WOLFE, e. W. e FRANKLIN, Virgínia. Refractive Indices of
High Index Liquida by the Prism Method on the Two-circle
Goniometer. Am. Miner. 1.i= 893-5, 1949.
WRIGHT, Fred E. Computation of the Optic Axial Angles from
the Three Principal Refractive Indices. Am. Miner. 36:
543-56, 1951.

~
-J>
.'Impresso na -
.Gr6fica Universitúia
202 Salvador - Bahia