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MANUAL DA

HOLDING FAMILIAR
As vantagens da realização de um
planejamento sucessório

João de Souza

12 de fevereiro de 2017
João de Souza

MANUAL DA HOLDING FAMILIAR:


As vantagens da realização de um planejamento sucessório

Vitória

2017
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO………………………………………………………………………04

1 O PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO………………………………………….. 05

2 A HOLDING FAMILIAR…………………………………………………………..06

2.1 ESPÉCIE E TIPO SOCIETÁRIO………………………………………………06

2.2 DA SOCIEDADE LIMITADA……….……………………………………….…07

2.3 DA INTEGRALIZAÇÃO DOS BENS.…………………………………………07

2.4 Conferências de bens pelo cartório de registro de imóveis .................08

2.5 DA DOAÇÂO DAS QUOTAS .................................................................... 09

2.5.1 Cláusulas restritivas ............................................................................. 09

2.5.1.1 Cláusula restritiva de inalienabilidade…………………………………09

2.5.1.2 Cláusula restritiva de incomunicabilidade ....................................... 09

2.5.1.3 Cláusula restritiva de impenhorabilidade……………………………..10

2.5.1.4 Cláusula restritiva de reversão………………………………………….10

2.6 OBJETO SOCIAL E REGIME TRIBUTÁRIO ............................................. 10

2.6.1 Locação de imóveis…………………………………………………………11

2.6.2 Alienação de imóveis........................................................................... 12

2.7 ASPECTOS TRIBUTÁRIOS.......................................................................12

2.7.1 ITCMD………………………………………………………………………….12

2.7.2 ITBI ......................................................................................................... 14

CONCLUSÃO…………………………………………………………...…………...16

CONTRATO SOCIAL - PRÉVIA ...................................................................... 17

CONTRATO SOCIAL……………………………………………………………….18

ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL………………………………………....22

REFERÊNCIAS................................................................................................ 25
INTRODUÇÃO

Atualmente, uma das maiores preocupações de quem possui patrimônio é a


forma de preservá-lo durante as gerações. Por mais complicado que seja
pensar na própria morte, a preparação em vida de sua sucessão gera
importantes reflexos, tal qual a preservação do vínculo e do patrimônio familiar.

Neste contexto, o planejamento sucessório surge como excelente alternativa


ao processo de inventário, vez que o último tende a ser longo e oneroso,
principalmente diante da inexistência de acordo entre os herdeiros. Assim, com
a doação em vida, é possível minimizar os conflitos e realizar a transmissão do
patrimônio de modo pacífico e eficaz.

É importante destacar, que, no aspecto econômico, o planejamento sucessório


ainda possibilita uma enorme economia sobre os recursos da família. Enquanto
no inventário se gasta em média 15% do patrimônio envolvido, avaliado sobre
valor de mercado, com o planejamento é possível reduzir os custos para 5%,
avaliados sobre valor histórico, o que pode representar uma economia de
milhões de reais.

Para tanto, um dos meios mais buscados para a realização deste planejamento
tem sido a criação de empresas conhecidas como Holdings Familiares,
Holdings Patrimoniais ou Administradora de Bens Imóveis Próprios, que, a
partir da integralização do patrimônio como capital social da sociedade, doam-
se, na mesma proporção, as quotas de participação na sociedade aos
herdeiros.

Dessa forma, a partir do exposto e diante da constatação das diversas


vantagens na realização do planejamento sucessório é que será abordado,
neste trabalho, os aspectos sucessórios, tributários e econômicos na criação
de uma HOLDING FAMILIAR, além dos materiais complementares de auxílio
em sua criação.
1) O PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO

Primeiramente, é importante destacar que o planejamento sucessório é uma


ferramenta que visa à divisão antecipada do patrimônio entre os herdeiros
ainda em vida. As razões para utilização desse instituto são inúmeras, entre
elas, é possível destacar a prevenção de disputas familiares e a redução das
despesas comuns ao processo de inventário.

Neste sentido, o instituto impõe responsabilidades aos herdeiros na


preservação dos bens, evitando conflitos futuros e possibilitando a criação de
mecanismos familiares, societários ou tributários para a perpetuação do
patrimônio.

Para a execução de um planejamento sucessório bem sucedido, faz-se


necessário, alguns requisito, tais quais:

I. Realização de um Genograma (identificação da família e herdeiros)

II. Conhecimento do patrimônio

III. Reuniões Familiares em grupos e individuais (conciliar os conflitos de


interesses)

A partir do levantamento dessas informações, é possível avaliar a


complexidade de bens e valores envolvidos, para então determinar com clareza
a forma de transmissão da herança, utilizando-se, concomitantemente, de um
planejamento um tributário capaz de propiciar uma relevante economia ao
procedimento em questão.

Para tanto, um dos instrumentos mais utilizados para o planejamento


sucessório é a constituição de uma Holding Familiar, tema que será abordado
no próximo tópico.
2) A HOLDING FAMILIAR

A Holding, segundo Mendes (2015), “nada mais é do que uma espécie de


sociedade, cujo objetivo é deter o controle e a propriedade de um determinado
patrimônio. Em termos práticos, o objeto social da empresa pode prever a
compra, a venda e a locação de bens diversos, tangíveis ou não”.

A constituição dessa sociedade, conforme já citado, pode representar uma


importante forma de organização patrimonial, garantindo benefícios tributários e
facilitando o planejamento sucessório. De modo geral, as pessoas físicas
integralizam o capital da sociedade, transferindo seus bens e direitos à holding,
e, após, realizam a doação das quotas de participação da sociedade, em igual
proporção, aos seus herdeiros.

É importante mencionar, que, apesar da doação das quotas, os patriarcas ainda


terão total controle e gestão sobre a sociedade e seu patrimônio, uma vez que
ingressarão na sociedade como usufrutuários e administradores. As quotas
doadas da empresa, portanto, serão gravadas de usufruto vitalício, além de
cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade, incomunicabilidade e reversão,
que serão explicadas no próximo tópico deste trabalho.

2.1 ESPÉCIE E TIPO SOCIETÁRIO

Inicialmente, vale frisar que o ordenamento prevê duas espécies de sociedade: a


Sociedade Simples e a Sociedade empresária. Quanto aos tipos societários, a
Holding Familiar poderá ser constituída sob qualquer um deles, sendo mais
comum sob as seguintes espécies de Sociedades Empresárias: Sociedade
Anônima, EIRELI e Sociedade de Responsabilidade Limitada (ltda).

Apesar do fato, a forma social limitada é a mais adequada por demandar


menores formalidades, bem como as publicações exigidas nas Sociedades
Anônimas. Além disso sua constituição é indicada quando se pretende impedir
que terceiros estranhos à família participem da sociedade. Essa “blindagem” é
caracterizada e representada pelo princípio da Affectio Societatis, inerentes as
sociedades empresárias limitadas.

Deve-se, entretanto, atentar ao fato de que cônjuges casados sob o regime da


comunhão universal de bens não poderão constituir sociedade, conforme se
extrai do art. 977 do CC e motivo pelo qual, a depender do caso concreto, torne
a EIRELI uma interessante opção.

Art. 977: Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com


terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão
universal de bens, ou no da separação obrigatória.

2.2 DA SOCIEDADE LIMITADA

A Sociedade Limitada, conforme explica Silva (2015), é aquela formada por duas
ou mais pessoas, com atos sociais registrados na Junta Comercial competente,
cuja a responsabilidade dos sócios fica limitada ao valor total das quotas
subscritas.

Dessa forma a constituição da “ltda” só se dá mediante a existência de dois ou


mais sócios no Contrato Social e o seu registro no órgão competente (Junta
Comercial Estadual). É importante dizer, entretanto, que não é permitido a figura
do sócio de indústria (art. 1053, CC), ou seja, o sócio cuja contribuição se dá
apenas em serviço.

Quanto ao nome da sociedade, vale mencionar que os sócios poderão se utilizar


da firma social ou denominação particular, sendo que, em qualquer hipótese, ao
nome deve ser acrescido a palavra “ltda”.

Ademais, é importante destacar que deverão constar no contrato social de uma


sociedade limitada: a declaração da atividade empresarial; capital social (com a
forma e o prazo de integralização dos bens, bem como a participação de cada
sócio); a extensão da responsabilidade dos sócios; nome e qualificação dos
administradores; nome da sociedade empresária; endereço da sede e filiais (se
houver) e a duração da sociedade.

2.3 DA INTEGRALIZAÇÃO DOS BENS

Inicialmente, vale frisar que a Pessoa Jurídica criada goza de autonomia


patrimonial, ou seja, há uma separação entre os recursos do sócio e sociedade,
considerando-os como sujeitos distintos, com seus próprios direitos e deveres
(COELHO, 2003).

Dessa forma, pode se dizer que o patrimônio da empresa, no momento de sua


abertura, é definido pelo seu capital social, que deverá ser integralizado pelos
sócios, onde os mesmos transferem os bens que vão compor a sociedade de
seu nome para o da pessoa jurídica.

Conforme explicitado, vale lembrar que a sociedade limitada dispensa a


apresentação de laudo de avaliação para comprovação dos valores dos bens
declarados na integralização de seu capital social. Desse modo, o valor do bem
imóvel a ser integralizado poderá ser o valor constante na Declaração de
Imposto de Renda da Pessoa física, não havendo necessidade de atualização
para valor de mercado (hipótese em que a tributação seria mais onerosa, como
será visto a seguir).

Não obstante ao fato, cabe dizer que bens de qualquer espécie podem servir
como meio de integralização de capital subscrito (móveis e imóveis, corpóreos e
incorpóreos), desde que suscetíveis de avaliação em dinheiro (CC, art. 997,
inciso III).

Ressalte-se, todavia, que, enquanto a transferência de bens móveis ao capital


social da empresa completa-se pela simples tradição (entrega), na
transferência de bens imóveis, a lei exige, como substância do ato, a transcrição
do título no Registro de Imóveis.

2.4 CONFERÊNCIA DE BENS PELO CARTÓRIO DE REGISTRO


DE IMÓVEIS

Após o arquivamento perante a Junta Comercial, o contrato social deverá ser


levado, juntamente com a guia de isenção ou recolhimento do ITBI perante os
Cartórios de Registro de Imóveis para ser promovida a averbação transmitindo a
titularidade dos bens imóveis para a sociedade.

Neste sentido, cabe citar a regra prevista na Lei 8.934/94, art. 64, em que
considera o próprio contrato social como documento hábil para efetuar o registro.

Art. 64. A certidão dos atos de constituição e de alteração de


sociedades mercantis, passada pelas juntas comerciais em que foram
arquivados, será o documento hábil para a transferência, por
transcrição no registro público competente, dos bens com que o
subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital
social.

2.5 DA DOAÇÃO DAS QUOTAS

Conforme exposto anteriormente, a sucessão patrimonial ocorre através da


doação das quotas de participação da sociedade criada. Entretanto, visando uma
proteção desse patrimônio e a manutenção de sua gestão pelo doador, é que a
doação será gravada com usufruto e cláusulas de restrições, permitindo que o
patriarca, ou matriarca, tenha total controle sobre o patrimônio doado até a sua
falta.

O usufruto, conforme Viscardi (2016, p.1), é o direito real conferido para que
possa retirar, da coisa alheia, os frutos e utilidades que ela produz,
permanecendo o donatário, tão somente, com a nua-propriedade.
O usufruto é o direito real conferido a alguém para retirar,
temporariamente, da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz,
sem alterar-lhe a substância, ou seja, o usufrutuário detém os poderes
de usar e gozar do bem, explorando-o economicamente. A partir do
momento em que o patriarca efetua a doação de quotas para os
herdeiros automaticamente se instituirá como usufrutuário das quotas
sociais, e possuirá direito aos rendimentos que essas quotas vier a
proporcionar, ou seja, terá direito aos dividendos que a holding familiar
distribuir aos sócios. O usufrutuário também terá resguardo os direitos
políticos referentes às quotas doadas, ou seja, não será a vontade do
herdeiro que irá prevalecer em eventual votação, mas sim o voto do
patriarca.

Dessa forma, com a instituição do usufruto, é como se nenhuma doação tivesse


ocorrido, visto que houve apenas a doação da nua-propriedade, reservando para
si o uso e gozo das quotas, bem como a administração da empresa.

2.5.1 Cláusulas restritivas

As cláusulas restritivas, impostas por ato de liberalidade, são limitações


voluntárias ao direito de propriedade.

2.5.1.1 Cláusula restritiva de inalienabilidade

A inalienabilidade permite instituir uma vedação aos herdeiros de alienar as


quotas recebidas. Esse gravame sobre as quotas impede a dilapidação do
patrimônio do patriarca após sua morte, quando instituída de maneira vitalícia.

2.5.1.2 Cláusula restritiva de incomunicabilidade


A incomunicabilidade possui a função de impedir que as quotas doadas se
comuniquem com os cônjuges dos herdeiros. Dessa forma, as quotas doadas
aos herdeiros serão de sua exclusiva propriedade, ainda que casados sob
qualquer regime de comunhão de bens.

2.5.1.3 Cláusula restritiva de impenhorabilidade

A cláusula de impenhorabilidade tem como finalidade a proteção do patrimônio


do herdeiro, pois não permite que o bem recebido seja penhorado. Dessa forma,
caso o herdeiro venha a contrair dívidas, ou até mesmo se já possuir algum
passivo, não poderão ter suas quotas penhoradas.

2.5.1.4 Cláusula restritiva de reversão

A cláusula de reversão, prevista no art. 574 do Código Civil, permite que, em


caso da morte do donatário antes do patriarca, os bens (as quotas doadas)
retornem ao patrimônio do doador sem nenhum ônus.

2.6 OBJETO SOCIAL E REGIME TRIBUTÁRIO

O objeto social da empresa nada mais é que a atividade a ser desenvolvida pela
empresa, sua finalidade, seu foco. Neste sentido, destaca-se que na criação de
uma Holding Familiar devem ser observadas as peculiaridades da sociedade,
bem como o seu escopo, para que determine com clareza seu objeto social.

Para tanto, são exemplos de objetos possíveis para Holdings familiares os


seguintes CNAE’s (Classificação Nacional de Atividade Econômica):

 6810-2/01: COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS;


 6810-2/01: LOTEAMENTO E VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS;
 6810-2/02: ALUGUÉIS DE IMÓVEIS PRÓPRIOS, RESIDENCIAIS E NÃO
RESIDENCIAIS;
 6462-0/00: PARTICIPAÇÃO E GESTÃO EM OUTRAS SOCIEDADES

Para tanto, a sociedade constituída com os objetos sociais anteriormente


descritas, em regra, estará vedada a opção pelo regime tributário do Simples
Nacional, a não ser que restrinja seu objeto social a, tão somente, compra e
venda de imóveis. Apesar disso, a sociedade poderá apurar suas receitas na
forma do lucro presumido, regime mais indicado para o perfil das holdings (muito
embora também possam adotar o lucro real ou arbitrado).

O lucro presumido é a forma de tributação simplificada do Imposto de Renda das


Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL),
regulamentada pelos artigos 516 a 528 do Regulamento do Imposto de Renda.
Por meio dessa sistemática, pressupõe-se que o lucro, base de cálculo do IRPJ
e da CSLL, corresponde a 32% da receita bruta (art. 15, III, ‘c’, da Lei. Nº
9.249/95, aplicando se as seguintes alíquotas:

 IRPJ – 15% sobre o lucro, acrescido do adicional de 10% sobre os


valores que ultrapassarem R$ 20.000,00 mensais (art. 3º e § 1º da Lei nº
9.249/95);
 CSLL – 9% sobre o lucro (art. 3º, II, da Lei nº 7.689/88).
 PIS – 0,65% da receita bruta (art. 8º da Lei nº 9.715/98);
 COFINS – 3% da receita bruta (art. 8º da Lei nº 9.718/98).

Desta forma, é possível observar que a constituição de pessoa jurídica, com


vistas ao planejamento patrimonial e sucessório, pode trazer relevantes
economias tributárias no exercício das atividades empresariais, se comparada à
tributação dos rendimentos na pessoa física dos sócios.

2.6.1 LOCAÇÃO DE IMÓVEIS

Na atividade de locação de imóveis, a PESSOA JURÍDICA terá seus


rendimentos tributados pela alíquota de 11,33% conforme tabela abaixo.

IMÓVEIS no Não Circulante – Aluguel de imóveis próprios


Tributo Base de cálculo Alíquota Custo Tributário Final
IRPJ 32% do 15% 4,80%
faturamento
CSLL 32% do 9% 2,88%
faturamento
PIS 100% do 0,65% 0,65%
faturamento
COFINS 100% do 3,00% 3,00%
faturamento
TOTAL 11,33%

Já em caso da tributação incidente sobre as receitas de aluguéis auferidas


por pessoa físicas é importante mencionar que se deve observar a
Tabela Progresiva. A alíquota para pessoas físicas é de até 27,5%.
Locação de Imóveis - Tributação
Pessoa Jurídica 11,33%

Dessa forma, com uma redução de até 16,17% na tributação, torna-se


insustentável que uma pessoa física que receba valores razoáveis a título
de aluguéis ou arrendamento não constitua uma pessoa jurídica para
tributar tais receitas. A diferença mencionada com o imposto de renda
pode gerar uma economia de até R$ 1.940,00 (mil, novecentos e quarenta
reais) por ano, a cada R$ 1.000,00 (mil reais) de aluguel recebido ao mês.

Aluguel (mês) Economia mensal Economia anual


R$ 1.000,00 R$ 161,70 R$ 1.940,40
R$ 2.000,00 R$ 323,40 R$ 3.880,80
R$ 4.000,00 R$ 646,80 R$ 7.761,60

2.6.2 ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS

Com a alteração da Lei 8.981/1995, observa se as seguintes cargas


tributárias na venda de um imóvel:

Alienação de Imóveis – Ganho de Capital


Pessoa Física 15% a 30%
Pessoa Jurídica 6,74%

2.7 ASPECTOS TRIBUTÁRIOS

2.7.1 ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação)

Primeiramente, cabe dizer que sobre a doação de quotas há a incidência do


ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), tributo de
competência dos Estados e do Distrito Federal, cujo fato gerador é a
transmissão causa mortis e a doação de quaisquer bens ou direitos, conforme
art. 155 da Constituição Federal.

Vale frisar que, se tratando de um tributo de competência Estadual, é possível


observar diferentes alíquotas entre os Entes Federativos, respeitado é claro os
limites estabelecidos pela CF (alíquotas entre 1% a 8%).
ESTADO ALÍQUOTA
Minas Gerais 5%
São Paulo 4%
Espírito Santo 4%
Roraima 4%

Dessa forma, é certo dizer que, independente se houve planejamento sucessório


ou mesmo o processo de inventário, haverá a incidência do ITCMD, uma vez
que este incide tanto sobre a causa mortis quanto à doação.

Entretanto, a opção pela instituição de uma Holding Familiar pode apresentar


uma série de vantagens no pagamento do referido imposto. Vale mencionar que
a maioria dos Estados permite, em sua legislação, o pagamento segregado do
ITCMD quando instituído sob o gravame do usufruto (paga-se metade no
momento da doação e a outra com a extinção do usufruto).

Além disso, a depender da Receita Estadual, o pagamento do ITCMD sobre a


doação das quotas da Holding Familiar pode apresentar um enorme benefício,
uma vez que, muitas vezes, o imposto é recolhido e tributado sem nenhuma
reavaliação por parte do Estado, incidindo a alíquota sobre o valor histórico
(declarado) dos bens (lembre-se que o capital social da empresa pode ser
formado por bens imóveis em seu valor declarado). Em contrapartida, quando
pago no processo de inventário, é importante lembrar que a alíquota incide sobre
os valores atualizados (preço de mercado) dos bens, recolhendo-se, a título de
imposto, um valor muito maior.

Exemplo: José possui 2 imóveis com valores declarados no imposto de renda


em R$ 100.000,00, totalizando R$ 200.000,00 reais declarados. Entretanto,
sabe-se que seus imóveis valem, na verdade, R$ 500.000,00 cada (em valor de
mercado, totalizando R$ 1.000.000,00.

Levando em conta que sempre haverá a incidência do ITCMD e considerando a


alíquota de 4% no Estado em que José mora, caso este opte por um
planejamento sucessório, pode se dizer que a referida alíquota incidirá sobre o
valor de R$ 200.000,00 (R$ 8.000,00 de ITCMD). Por outro lado, no processo de
inventário é certo dizer que a alíquota incidirá sobre os R$ 1.000.000,00,
totalizando R$ 40.000,00 de imposto.
2.7.2 ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis)

O ITBI é a sigla para o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis. É um


tributo municipal que possui como fato gerador a transmissão, inter vivos, a
qualquer título, de propriedade ou domínio útil de bens imóveis (art. 156, II, CF):

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:


II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens
imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre
imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua
aquisição;
§ 2º O imposto previsto no inciso II:
I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao
patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a
transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação,
cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a
atividade preponderante do adquirente for a compra e venda
desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou
arrendamento mercantil;

Neste sentido, conforme se observa da própria leitura do artigo, o referido


imposto não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao
patrimônio de pessoa jurídica, salvo se, nesse caso, sua atividade
preponderante for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens
imóveis ou arrendamento mercantil.

Desse modo, muito embora surjam dúvidas quanto à sua incidência ou não na
criação de uma Holding Familiar, é certo dizer que, de modo geral, o ITBI não
incidirá, salvo se a atividade preponderante da Holding seja a compra e venda
ou locação de seus imóveis.

Cumpre salientar a definição de atividade preponderante, extraída do art. 37 do


CTN (Código Tributário Nacional):

Art. 37. O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa


jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou
locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à
sua aquisição.

§ 1º Considera-se caracterizada a atividade preponderante


referida neste artigo quando mais de 50% (cinqüenta por cento) da
receita operacional da pessoa jurídica adquirente, nos 2 (dois) anos
anteriores e nos 2 (dois) anos subseqüentes à aquisição, decorrer de
transações mencionadas neste artigo.

§ 2º Se a pessoa jurídica adquirente iniciar suas atividades após a


aquisição, ou menos de 2 (dois) anos antes dela, apurar-se-á a
preponderância referida no parágrafo anterior levando em conta os 3
(três) primeiros anos seguintes à data da aquisição.

§ 3º Verificada a preponderância referida neste artigo, tornar-se- á


devido o imposto, nos termos da lei vigente à data da aquisição, sobre
o valor do bem ou direito nessa data.

Desse modo, ainda que no objeto social da empresa constem os CNAEs 6910-
2/01 (compra e venda de imóveis próprios) e 6810-2/02 (aluguel de imóveis
próprios, residenciais e não residenciais) como atividade principal, a incidência
do tributo supracitado só se dará após a verificação de sua receita (nos casos
em que as atividades sejam responsáveis por mais de 50% da receita
operacional da empresa).

Portanto, é importante que, antes da constituição da empresa, sejam verificados


todos os bens envolvidos e suas destinações, de modo que, a depender da
receita proveniente de aluguel da pessoa, seja interessante, em um primeiro
momento, não incluir os bens circulantes, a fim de evitar a incidência do ITBI.

Por fim, ainda nos casos em que se tenha a incidência do imposto municipal, a
constituição da HOLDING FAMILIAR é viável e vantajosa, uma vez que a
tributação sobre a locação de bens imóveis da pessoa jurídica é de 11,33%
enquanto a da pessoa física chega a 27,5%. Assim, é possível que o valor pago
a título de ITBI seja compensado em poucos meses, com a redução do
pagamento de Imposto de Renda.
CONCLUSÃO

A partir do exposto, é possível observar grandes vantagens na constituição de


uma HOLDING FAMILIAR. Enquanto no processo de inventário os custos giram
em torno de 15%, considerando os honorários advocatícios, taxa judiciária e o
ITCMD, na constituição da HOLDING e doação de suas quotas, é possível
reduzir para 5%, considerando o ITCMD (4%) e os custos para sua criação e
manutenção (1%).

Além disso, é relevante lembrar que na ocorrência da Causa Mortis o espólio


será reavaliado pelo Estado e tributado sobre o valor de mercado. Dessaforma,
extrai-se que o valor economizado, na verdade, não é da diferença de 15% para
5%, mas sim um valor muito maior.

A exemplo disso, podemos citar o caso de um patriarca que possui o


patrimônio de R$ 1.370.000,00 declarados e que, na verdade, representaria,
aproximadamente, R$ 4.100.000,00 avaliados sobre o valor de mercado.

ECONOMIA HOLDING FAMILIAR


Custas Patrimônio Total
Processo de inventário 15% R$ 4.100.000,00 R$ 615.000,00
(valor de mercado)
Holding Familiar 5% R$ 1.370.000,00 R$ 68.500,00
(valor declarado)
ECONOMIA R$: 546.000,00

Não obstante, a constituição de uma Holding Familiar irá propiciar amplos


benefícios no pagamento do Imposto de Renda sobre as receitas auferidas
pela locação e venda de imóveis, pois suas alíquotas serão infinitamente mais
vantajosas que a tributação das pessoas físicas.

Diante de tudo o que foi exposto, conclui-se que a constituição de uma


sociedade com fins sucessórios é uma ferramenta extremamente viável e
necessária no mundo atual, pois traz mecanismos e cláusulas que visam evitar
a dilapidação do patrimônio, bem como proporcionar uma alta redução na
carga tributária.
CONTRATO SOCIAL - PRÉVIA

Primeiramente, vale dizer que o Contrato Social é, basicamente, o documento


que regula as relações entre os sócios e a sociedade, sendo de indispensável
para o seu registro junto à Junta Comercial.

Neste sentido, considerando que a Holding Familiar operará nos moldes de uma
sociedade limitada é que se expõe o seguinte modelo de contrato social. Antes,
entretanto, convém lembrar que neste processo deverá ser criada uma
sociedade, onde o patriarca (ou matriarca) integraliza seus bens como capital
social da empresa e, após, realiza a doação por meio de suas quotas de
participação, auferindo as mencionadas vantagens tributárias.

No caso em questão, note que há um CONTRATO SOCIAL, onde o patriarca


constitui a sociedade formada por seus bens imóveis e uma ALTERAÇÃO DE
CONTRATO SOCIAL, sendo o momento em que, efetivamente, ocorre a doação
das quotas da sociedade com a reserva de usufruto, entre outras cláusulas
explicadas.
CONTRATO SOCIAL

PATRIARCA, brasileiro, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão universal


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO A, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO B, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO C, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

Tem entre si, justo e contratado a constituição da sociedade limitada


PATRIARCA PARTICIPAÇÕES LTDA com sede estabelecida na Rua X,
Edifício, sala, CEP.

CLÁUSULA PRIMEIRA

A sociedade gira sob o nome empresarial PATRIARCA PARTICIPAÇÕES


LTDA e nome fantasia PATRIARCA PARTICIPAÇÕES.

CLÁUSULA SEGUNDA

A sociedade tem sede à Avenida X, nº, Edifício, sala, Bairro, Cidade, Estado,
CEP e poderá, a qualquer tempo, abrir ou fechar filial ou outra dependência,
mediante alteração contratual, desde que aprovado pelos votos correspondentes
dos sócios, no mínimo, a três quartos do capital social, nos termos do art. 1.076
da Lei nº 10.406/2002.

CLÁUSULA TERCEIRA

A sociedade tem por objeto social:

HOLDINGS DE INSTITUIÇÕES NÃO-FINANCEIRAS.

CODIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS (CNAE): 6462-0/00


CLÁUSULA QUARTA

A empresa iniciará suas atividades a partir da data do arquivamento e seu prazo


de duração é indeterminado.

CLÁUSULA QUINTA

O capital social subscrito será de R$ 1.370.000,00 (um milhão trezentos e


setenta mil reais) dividido em 1.370.000 (um milhão e trezentos e setenta mil)
quotas de valor nominal R$ 1,00 (um real) cada uma, integralizado neste ato da
seguinte forma:
O capital é de R$ 1.370.000,00, sendo R$ 15.000 integralizado em moeda
corrente do país e R$ 1.355.000,00 formado pelos seguintes bens imóveis:
Apartamento XX, possui hall, varanda, sala, 02 quartos, banheiro, suite, cozinha
e área de serviço com área de construção de 115,949m², área real de 131,69m²,
e fração ideal de 0,01821; E duas vagas de garage números XX, no térreo, com
área de construção de 18,770m², área real de 33,02m², e fração ideal de
0,00295, do edifício XX, situado na avenida XX, Bairro, Cidade, Estado, imóvel
devidamente registrado no cartório do registro geral de imóveis de XX, X ZONA,
no LIVRO 02. Matrícula XX. VALOR R$ 1.000.000,00.
Apartamento YY, possui hall, varanda, sala, 02 quartos, banheiro, suite, cozinha
e área de serviço com área de construção de 115,949m², área real de 131,69m²,
e fração ideal de 0,01821; E duas vagas de garage números XX, no térreo, com
área de construção de 18,770m², área real de 33,02m², e fração ideal de
0,00295, do edifício XX, situado na avenida XX, Bairro, Cidade, Estado, imóvel
devidamente registrado no cartório do registro geral de imóveis de XX, X ZONA,
no LIVRO 02. Matrícula XX. VALOR R$ 355.000,00.

PARÁGRAFO ÚNICO: O capital social fica assim distribuído entre os sócios:


PATRIARCA, com 1.355.000,00 (um milhão e duzentos e cinquenta e cinco mil)
quotas, perfazendo um total de R$ 1.355.000,00 integralizado;
FILHO A, com 5.000 quotas, perfazendo um total de R$ 5.000,00 integralizado;
FILHO B, com 5.000 quotas, perfazendo um total de R$ 5.000,00 integralizado;
FILHO C, com 5.000 quotas, perfazendo um total de R$ 5.000,00 integralizado;

CLÁUSULA SEXTA

As quotas são indivisíveis e não poderão ser cedidas ou transferidas a terceiros


sem o consentimento dos outros sócios, a quem fica assegurado, em igualdade
de condições e preço o direito de preferência para sua aquisão, se postas à
venda, formalizando, se realizada a cessão delas, a alteração contractual
pertinente.

CLÁUSULA SÉTIMA

A responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos


respondem solidariamente pela integralização do capital social.

CLÁUSULA OITAVA

A administração da sociedade caberá ISOLADAMENTE ao sócio PATRIARCA,


com os poderes e atriuições de representação ativa e passive na sociedade,
judicial e extrajudicialmente, podendo praticar todos os atos compreendidos no
objeto social, sempre de interesse da sociedade, autorizado o uso do nome
empresarial, vedado, no entanto, faze-lo em atividades estranhas ao interesse
social ou assumer obrigações, seja em favor de qualquer dos cotistas ou de
terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem
autorização dos outros sócios.
PARÁGRAFO ÚNICO: No exercício da administração, o administrador terá
direito a uma retirada mensal a título de pro labore, cujo valor será definido em
comum acordo entre os sócios.

CLÁUSULA NONA

Ao término de cada exercício social, em 31 de dezembro, o administrador


prestará contas justificadas de sua administração, procedendo à elaboração do
inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico,
cabendo aos sócios, na proporção de suas quotas, os lucros ou perdas
apurados.

CLÁUSULA DÉCIMA

O administrador declara, sob pena da lei, que não está impedido de exercer a
administração da sociedade, por lei especial ou em virtude de condenação
criminal, ou por se encontrar sob os efeitos dela, a pena que vede, ainda que
temporariamente, o acesso a cargos públicos, ou por crime falimentar, de
prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato ou contra a economia
popular, contra o Sistema financeiro nacional, contra normas de defesa da
concorrência, contra as relações de consume, fé pública ou propriedade.

CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA


Os casos omissos no presente contrato serão resolvidos pelo consenso dos
sócios, com observância da Lei nº 10.406/2002

CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA

Fica eleito o foro de XX para o exercício e o cumpriemnto dos direitos e


obrigações resultants deste contrato.
E por estarem assim justos e contratados, lavram este instrumento.
Cidade, data

ASSINATURA PATRIARCA
ASSINATURA MATRIARCA
ASSINATURA FILHO A
ASSINATURA FILHO B
ASSINATURA FILHO C
VISTO DO ADVOGADO
1º ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL

PATRIARCA, brasileiro, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão universal


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO A, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO B, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

FILHO C, nacionalidade, nascido em XX/XX/XX, casado em comunhão parcial


de bens, profissão, CPF, residente e domiciliado a Rua X, nº X, Bairro, Cidade,
Estado, CEP.

Tem entre si, justo e contratado a alteração do contrato da sociedade limitada


PATRIARCA PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede estabelecida na Avenida X, nº,
sala, Bairro, Cidade, Estado, CEP.

CLÁSULA 1º - DO CAPITAL SOCIAL

O sócio PATRIARCA, já qualificado, transfere por doação, em igual proporção,


aos sócios desta empresa, seus filhos e únicos herdeiros necessários:

a) 1.355.000 (um milhão e trezentos e cinquenta e cinco mil) quotas no valor de


R$ 1.355.000,00 (um milhão e trezentos e cinquenta e cinco mil reais),
gravadas com incomunicabilidade, inalienabilidade, impenhorabilidade e
usufruto.

Parágrafo Primeiro – A Sra. MATRIARCA, casada sob o regime da comunhão


universal de bens com o sócio PATRIARCA, assina o presente instrumento,
dando sua outorga para esta doação das quotas aos sócios donatários,
prevista no art. 1647, I, do Código Civil.

Parágrafo Segundo – O doador reserva para si e sua cônjuge o usufruto


vitalício sobre as quotas doadas, no total de quotas, no valor de R$
inclusive dos frutos vindouros.

Parágrafo Terceiro – O Usufruto ora reservado somente se extinguirá por


renúncia ou morte dos usufrutuários, cabendo, no caso de morte de qualquer
deles, a totalidade do usufruto ao usufrutuário sobrevivente.
Parágrafo Quarto – As quotas doadas e as correspondentes que vierem a ser
futuramente criadas por capitalização de reservas ficam também clausuradas
por impenhorabilidade e incomunicabilidade, esta ultima eficaz tanto para o
matrimônio, como para a hipótese de os Donatários passarem a conviver em
união estável ou sociedade conjugal de fato.

Parágrafo Quinto – Compete aos usufrutuários usar e fruir das quotas


clausuradas por usufruto, inclusive as correspondentes que forem futuramente
criadas por capitalização de reservas, percebendo lucro e exercendo o direito
de voto na proporção das quotas doadas, em assembleias, reuniões e outros
eventos decisórios envolvendo a Sociedade e, ainda, poderão os Usufrutuários
subscrever alterações contratuais desta Sociedade e exercer todos os demais
direitos inerentes à condição de sócio, restando ao donatário somente a nua-
propriedade.

Parágrafo Sétimo – As quotas doadas também ficam sujeitas à cláusula de


reversão, pois em caso de morte, impedimento ou incapacidade de qualquer
um dos donatários, as respectivas quotas retornam ao doador.

Parágrafo Oitavo – É vedado aos sócios caucionar ou dar suas quotas em


garantia.

Parágrafo Nono - Em decorrência da alteração contratual, altera se o


parágrafo único da Cláusula 5º do Contrato Social, passando a viger com a
seguinte redação:

PARÁGRAFO ÚNICO: O capital social fica assim distribuído entre os sócios:


FILHO A, com 461.666 quotas, perfazendo um total de R$ 461.666,00
integralizado;
FILHO B, com 461.666 quotas, perfazendo um total de R$ 461.666,00
integralizado;
FILHO C, com 461.666 quotas, perfazendo um total de R$ 461.666,00
integralizado;

CLÁUSULA 2º - DA ADMINISTRAÇÂO DA SOCIEDADE E DO PRO


LABORE

A administração da sociedade caberá ISOLADAMENTE ao administrador não


sócio PATRIARCA, com os poderes e atriuições de representação ativa e
passive na sociedade, judicial e extrajudicialmente, podendo praticar todos os
atos compreendidos no objeto social, sempre de interesse da sociedade,
autorizado o uso do nome empresarial.

E por estarem assim justos e contratados, lavram este instrumento.


Cidade, data

ASSINATURA PATRIARCA
ASSINATURA MATRIARCA
ASSINATURA FILHO A
ASSINATURA FILHO B
ASSINATURA FILHO C
VISTO DO ADVOGADO
REFERÊNCIAS

BRASIL. Código Civil. Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002.

BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1996.

BRASIL. Constituição Federal de 1988.

BRASIL. Lei n° 8.934 de 18 de novembro de 1994. Lei do Registro Público de


Empresas Mercantis e Atividades Afins.

BRASIL. Lei n° 9.249 de 26 de dezembro de 1995. Lei que altera a legislação


do imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como da contribuição social
sobre o lucro líquido, e dá outras providências.

MENDES, Gidelle Niemann. As vantagens tributárias na constituição de


holdings patrimoniais. 2015. Visto em: 25 de outubro de 2016. Disponível em:
<http://www.portugalvilela.com.br/vantagens-tributarias-na-constituicao-de-
holdings-patrimoniais/>

SILVA, Fabio Pereira da. Holding Familiar: Visão jurídica do planejamento


societário, sucessório e tributário. São Pauço: Editora Trevisan, 2015.

COELHO, Fabio Ulhoa. A Sociedade limitada no novo Código Civil. São


Paulo: Saraiva, 2003.

VISCARDI, Diego. Holding Familiar: doação de quotas com reserva de usufruto


e cláusulas restritivas. 2016. Visto em: 25 de outubro de 2016. Disponível em:
<http://holdingfamiliar.adv.br/2016/04/27/holding-familiar-doacao-de-quotas-com-reserva-
de-usufruto-e-clausulas-restritivas/>