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Síntese

Unidade 6.1

José Saramago,
O ano da morte
de Ricardo Reis
Síntese - Unidade 6.1
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Representações do século XX:


o tempo histórico
e os acontecimentos políticos
Síntese - Unidade 6.1
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

1936
(ano em que decorre a maior parte da ação)

Período
Períodoconturbado,
conturbado,devido
devidoàs
àscrises
crisesde
denatureza
naturezapolítica
políticaque
queocorriam
ocorriamna na
Europa,
Europa, em
em que
que oscilavam
oscilavam tendências
tendências democráticas
democráticas ee totalitárias,
totalitárias, estas
estas
últimas
últimasde
decaráter
caráterfascista.
fascista.

 O romance irá apresentar o panorama político da maior parte dos principais


países envolvidos nestas crises – que culminarão com a eclosão da Segunda
Guerra Mundial – em especial através das notícias dos jornais portugueses
que serão lidas pelo protagonista, Ricardo Reis.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Espanha
Espanha––Emergem
Emergemos
osconflitos
conflitossociais,
sociais,políticos
políticosee
económicos
económicosque queimpulsionarão
impulsionarãooopovo
povoespanhol
espanholpara
paraaaGuerra
Guerra
Civil,
Civil,sob
soboocomando
comandodo
doGeneral
GeneralFranco.
Franco.

Itália
Itália––Mussolini,
Mussolini,líder
líderfascista,
fascista,ascende
ascendeao
aopoder.
poder.Trava-se
Trava-seaa
guerra
guerracontra
contraaaEtiópia.
Etiópia.
Europa
1936 Alemanha
Alemanha––OOpoder
poderde
deHitler,
Hitler,que
quecompartilha
compartilhados
dosideais
ideais
totalitários
totalitáriosdos
dosnazistas,
nazistas,ééfortalecido.
fortalecido.Intensificam-se
Intensificam-seos
os
ataques
ataquesaosaosjudeus.
judeus.
Portugal
Portugal––Consolida-se
Consolida-seooEstado
EstadoNovo,
Novo,conduzido
conduzidopor
porSalazar.
Salazar.
ÉÉfundada
fundadaaaMocidade
MocidadePortuguesa.
Portuguesa.OOcampo
campode
deconcentração
concentração
do
doTarrafal
Tarrafalentra
entraem
emfuncionamento.
funcionamento.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Portugal
1936

••Equilíbrio
Equilíbriofinanceiro,
financeiro, ••Estabilidade
Estabilidadeforçada
forçada
conseguido
conseguidocomcomoo com
comaacriação
criaçãode
demeios
meios
aumento
aumentodos dosimpostos
impostos de
decontrolo
controloda
da
Estado Novo:
eecom
comaaredução
reduçãode de sociedade:
sociedade:
regime
gastos
gastoscom
comaaeducação,
educação, ditatorial
saúde
saúdeeesalários
saláriosdos
dos Censura
Censura
liderado por
funcionários
funcionáriospúblicos.
públicos. Polícia
Políciapolítica
política
Oliveira
(PVDE,
(PVDE,mais
maistarde
tardePIDE)
PIDE)
Salazar
••Modernização
Modernizaçãodo dopaís,
país, Mocidade
Mocidade
através
atravésda
dapolítica
políticade
de Portuguesa
Portuguesa
obras
obraspúblicas.
públicas. Propaganda
PropagandaNacional
Nacional

Aliança
Aliançacom
comaaIgreja
Igreja(instrumento
(instrumentocapaz
capazdedepersuadir
persuadireemanipular
manipularas
as
populações),
populações),assente
assentenanavisão
visãode
deSalazar
Salazarcomo
comooosalvador
salvadordadamoralidade
moralidadecristã
cristã
eeda
dapátria.
pátria.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

O espaço da cidade.
Deambulação geográfica e viagem literária
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A cidade de Lisboa
(palco da ação)

Metáforas que
remetem para
as circunstâncias
É descrita como um políticas e
labirinto, históricas vividas
monótona, pobre, em Portugal, em
sombria, silenciosa, 1936:
 clima de
chuvosa, de águas  estado de
turvas. ameaça e
estagnação,
perseguição e
miséria e
restrição da
conformismo
liberdade de
em que o povo
expressão
estava
exercidos pelo
mergulhado
regime
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Deambulação geográfica e viagem literária

 No
No seu
seu regresso
regresso àà pátria,
pátria, após
após dezasseis
dezasseis anos
anos de
de exílio
exílio no
no Brasil,
Brasil, Ricardo
Ricardo Reis
Reis
constata
constataque
quepouco
poucomudou
mudouem emPortugal
Portugal––sinal
sinalde
deestagnação
estagnaçãodo dopaís.
país.

NoNoentanto,
entanto,ooespaço
espaçoexterior
exteriorconduz
conduzaaoutro
outrotipo
tipode
dedeambulações,
deambulações,estas
estasde
de
natureza
naturezaliterária,
literária,por
porparte
partededeRicardo
RicardoReis
Reis(e(edo
dopróprio
próprionarrador).
narrador).Assim,
Assim,aacada
cada
passo
passoda
dapersonagem
personagempelaspelasruas
ruasde
deLisboa,
Lisboa,assistimos
assistimosaareferências
referênciasaavários
váriosautores
autores
eetextos
textosda
daliteratura
literaturaportuguesa
portuguesaeemundial.
mundial.
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Deambulação geográfica Viagem literária

Evocação
Evocaçãode detextos,
textos,entre
entre
os
osquais
quaisaaBíblia,
Bíblia,eede
de
Visita
Visitaaalocais
locaiscomo
comoaarua
rua autores
autorescomo
comoFernando
Fernando
do
doComércio,
Comércio,ooTerreiro
Terreirodo
do Pessoa,
Pessoa,Alberto
AlbertoCaeiro,
Caeiro,
Paço,
Paço,aarua
ruadodoCrucifixo,
Crucifixo,oo Ricardo
RicardoReis,
Reis,Álvaro
Álvarode de
Chiado,
Chiado,aaPraça
Praçada
da Campos,
Campos,Camões,
Camões,EçaEçadede
Figueira,
Figueira,aarua
ruado
doAlecrim,
Alecrim, Queirós,
Queirós,Cesário
CesárioVerde,
Verde,
ou
ouooBairro
BairroAlto.
Alto. Almeida
AlmeidaGarrett,
Garrett,Jorge
Jorge
Luís
LuísBorges,
Borges,Dante,
Dante,
Cervantes
Cervantesou ouVirgílio.
Virgílio.

 Os textos evocados, muitas vezes, não são fiéis ao original, surgindo sob a
forma de alusões, paráfrases ou imitações criativas/paródias.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Intertextualidade
José Saramago, leitor de Camões, Cesário Verde e Fernando Pessoa


Paródia
Paródiado
doverso
versode
deOs
OsLusíadas
Lusíadas“Onde
“Ondeaaterra
terrase
seacaba
acabaeeoo
mar
marcomeça”
começa”no
noinício
inícioeeno
nofecho
fechoda
daobra.
obra.

Citação
Citaçãode
deversos
versosde deOs
OsLusíadas
Lusíadascomo
como“esta
“estaapagada
apagadaeevil
vil
tristeza”,
tristeza”,com
comvista
vistaaaridicularizar
ridicularizardeterminadas
determinadassituações.
situações.
Luís de Presença
Presençaconstante
constanteda
daestátua
estátuadedeCamões
Camõeseedo doAdamastor,
Adamastor,
Camões como
como forma
forma dede destacar
destacar aa produção
produção camoniana
camoniana comocomo um
um
marco
marco dede fundamental
fundamental importância
importância na
na literatura
literatura portuguesa
portuguesa
(“todos
(“todosos
oscaminhos
caminhosportugueses
portuguesesvãovãodar
daraaCamões”).
Camões”).

Denúncia
Denúnciadadasubversão
subversãoeedo
doaproveitamento
aproveitamentodas
daspalavras
palavrasee
da
dafigura
figurade
deCamões
Camõespor
porparte
partedo
doregime.
regime.
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Configuração
Configuraçãodo
doespaço
espaçoda
dacidade
cidadede
deLisboa
Lisboacomo
comouma
umarealidade
realidade
confinadora
confinadora ee destrutiva
destrutiva(“Ricardo
(“RicardoReis
Reis atravessou
atravessou oo Bairro
BairroAlto,
Alto,
descendo
descendo pela
pela Rua
Rua do
do Norte
Norte chegou
chegou ao
ao Camões,
Camões, era
era como
como sese
estivesse
estivesse dentro
dentro de
de umum labirinto
labirinto que
que oo conduzisse
conduzisse sempre
sempre aoao
mesmo
mesmolugar”).
lugar”).

 Deambulação
Deambulação geográfica
geográfica como
como ponto
ponto de
de partida
partida para
para outras
outras
Cesário evasões
evasões(viagem
(viagemliterária).
literária).
Verde
Comiseração
Comiseraçãoeeidentificação
identificaçãodo
donarrador
narradorcom
comcertas
certasfiguras
figurasdo
do
povo
povoobservadas.
observadas.

Remissão
Remissãopara
paraaaevocação
evocaçãode
deum
umpassado
passadoglorioso
gloriosocontrastante
contrastante
com
comaaestagnação
estagnaçãode
deum
umpresente
presentemoribundo.
moribundo.

 Visualismo
Visualismo de
de pendor
pendor impressionista
impressionista ee convergência
convergência dos
dos
sentidos.
sentidos.
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 Construção
Construção da
da personagem
personagem Ricardo
Ricardo Reis
Reis àà luz
luz das
das
características
características físicas,
físicas, psicológicas
psicológicas ee literárias
literárias fixadas
fixadas pelo
pelo seu
seu
Fernando criador,
criador, patentes,
patentes, por por exemplo,
exemplo, nas nas conversas
conversas entre
entre oo
heterónimo
heterónimoeeooortónimo.
ortónimo.
Pessoa
Citações,
Citações,alusões,
alusões,paródia
paródiaeeparáfrases
paráfrasesde
deversos
versosdo
doortónimo
ortónimo
eedos
dosprincipais
principaisheterónimos.
heterónimos.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

A personagem principal:
Ricardo Reis
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Ricardo Reis
A imagem traçada por Saramago coincide com a projetada por Fernando
Pessoa na criação deste heterónimo:

“seco de carnes” (na carta


“homem grisalho” (uma a Adolfo Casais Monteiro,
vez nascido em 1887, em Fernando Pessoa afirma
1936 teria 49 anos) que ele é um homem
forte, mas seco)

Esteve emigrado no Brasil


(Saramago parte deste
pressuposto e coloca Reis É poeta e médico.
de regresso à pátria, ao fim
de 16 anos)
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Ricardo Reis

Permanecem também alguns traços da filosofia de vida e do credo


poético do heterónimo:

 dificuldade em tomar decisões ou avançar explicações, dado acreditar


no peso do destino;

 enorme autodisciplina, evitando as paixões e a inquietude da alma;

 rigor, enquanto poeta, nas formas estróficas e métricas.


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Representações do amor
Marcenda e Lídia
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Marcenda

Jovem com cerca de 20 anos,


Retrato físico

delgada, de pescoço esguio, queixo


fino e de contornos pouco definidos.
Sofre de paralisia na mão esquerda, o
que condiciona muito a sua postura.

Mulher virgem e inexperiente,


passiva, sem grandes convicções e
psicológico

sem vontade própria (está disposta a


Retrato

ir a Fátima simplesmente para


agradar ao pai), que anula os projetos
futuros (desiste de ser feliz,
recusando o pedido de casamento de
Ricardo Reis).
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Lídia

Tem cerca de 30 anos, é bonita,

Retrato físico
morena, relativamente baixa e de
formas bem feitas.

Mulher emancipada, perspicaz e


questionadora. Apesar de ser
psicológico
Retrato

simples, humilde e pouco letrada, é


uma pessoa informada e preocupada
com o mundo que a rodeia,
revelando ter espírito crítico. É ainda
uma mulher ativa, trabalhadora e
lutadora.
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Marcenda Lídia

Contrasta com a Lídia das odes,


Etimologicamente, o seu nome
caracterizada pela serenidade,
significa “aquela que murcha”,
pureza, passividade e não
que não é eterna – contrasta com
envolvência em paixões ou
as musas das odes.
problemas.

Representa a possibilidade de
Ricardo Reis vingar sem o seu
Representa a inércia, a apatia, a
criador, transformando-se num
desistência de Ricardo Reis.
agente ativo e não num mero
espetador do mundo.
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José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Estrutura, linguagem e estilo


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Estrutura da obra

Externa Interna
 19 capítulos Estrutura circular:

 uso paródico do verso de


Camões “Onde a terra se acaba
e o mar começa”;

 viagem de Reis para Lisboa e,


depois, em direção ao
cemitério dos Prazeres.
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Linguagem e estilo
Tom oralizante Estilo/pontuação
Marcas de coloquialidade. Ausência de pontuação convencional:
uso exclusivo do ponto final e da vírgula,
Diálogo entre o narrador e o narratário.
que funciona como o sinal de maior
Comentários do narrador. relevância, já que marca as intervenções
das personagens, o ritmo e as pausas.
Estruturas morfossintáticas simples.
(É o contexto que ajuda o leitor a
Provérbios e expressões populares com perceber quando se trata de uma
ou sem variações. declaração, de uma exclamação ou de
uma interrogação).
 Mistura de vários modos de relato do
discurso. Uso de maiúscula no interior da frase.

Coexistência de segmentos narrativos e


descritivos sem delimitação clara.

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