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Do Judaísmo Nazareno ao Cristianismo Pagão

20/08/2013 02:07

DO JUDAÍSMO NAZARENO AO CRISTIANISMO


PAGÃO

Por Tsadok Ben Derech

Os três pilares centrais do paganismo, conforme destacado


em artigo anterior sobre a apostasia, foram Inácio de
Antioquia, Marcião e Tertuliano, cujas doutrinas até hoje
se fazem presentes no Cristianismo.
Inácio rebelou-se contra a autoridade israelita dos
netsarim (nazarenos), promovendo a primeira grande cisão
entre os seguidores de Yeshua. Criou a religião chamada
Cristianismo, abalizada nas seguintes características: a)
distanciamento total do Judaísmo de Yeshua e dos
nazarenos; b) revogação da Lei (Torá); c) substituição do
sábado (shabat) pelo domingo; b) concentração do poder
nas mãos de um homem, reputado o representante de
Deus na terra. Em sequência, Marcião reforça o
paganismo, ao lecionar: a) que existem dois deuses em
conflito no universo; b) o deus dos judeus é malvado e
perverso, logo, deveriam os cristãos rejeitar tudo o que
proviesse da religião judaica; c) anulação da Lei (Torá); d)
divisão entre “Velho Testamento”, repleto de regras ímpias
instituídas pelo deus dos judeus, e “Novo Testamento”,
que revela o deus bom e amoroso, o Pai de Jesus. Para
engrossar as fileiras da heresia, Tertuliano cria a doutrina
da Trindade e lança para dentro do Cristianismo o
politeísmo idólatra. Tudo isto foi chancelado pela Igreja
Católica e, posteriormente, encontrou eco na teologia
protestante, filha de Roma.
A partir de então, o Cristianismo foi afundando na areia
movediça dos absurdos.
movediça dos absurdos.
Justino Mártir (100 a 165 D.C) cresceu em meio a uma
família pagã e, durante seus estudos, adotou o platonismo.
Após se tornar cristão, lecionou acerca da eucaristia
(“santa ceia”), prescrevendo que o pão e o vinho servidos
eram literalmente o corpo e o sangue de Cristo (teoria da
transubstanciação):
“Pois não tomamos estas coisas como pão ou
bebida comuns; senão que assim como Jesus
Cristo, feito carne pela palavra de Deus, teve
carne e sangue para salvar-nos, assim
também o alimento feito eucaristia (...) é a
Carne e o Sangue de Jesus encarnado.”
(Primeiro livro das Apologias de Justino,
páginas 65-67).

Tal como os outros “Pais” da Igreja, Justino Mártir divulgou


a separação total entre cristãos gentios e judeus
(nazarenos ou não), sob o fundamento de que a Lei foi
anulada por Cristo.
No livro “Diálogo com Trifão”, assevera Justino que o
Cristianismo é a nova lei para todos os homens. Já que na
Lei (Torá) existem várias promessas aos filhos de Israel,
Justino advoga a tese de que os cristãos são o Verus
Israel(Verdadeiro Israel), ou seja, o povo eleito do
SENHOR deixa de ser o Israel propriamente dito
(descendentes carnais de Ya’akov/Jacó) e passa a ser a
Igreja. Poderiam os cristãos desfrutar das bênçãos do
ETERNO sem a necessidade de obediência à Torá (Lei).
Escreveu Justino:
“Com efeito, ó Trifão, eu li que deveria vir
uma lei perfeita e uma aliança soberana em
relação às outras, que agora devem ser
guardadas por todos os homens que desejam
a herança de Deus.A Lei dada sobre o
monte Horeb já está velha e pertence
apenas a vós. A outra, porém, pertence a
todos. Uma lei colocada contra outra lei anula
a primeira; uma aliança feita posteriormente
também deixa sem efeito a primeira.”
(Diálogo com Trifão, 11:2).

Na visão de Justino, a Lei (Torá) não deveria ser cumprida,


pois se tornou velha. Porém, o próprio ETERNO ordenou
que sua palavra (a Torá, in casu) iria durar para
sempre(Tehilim/Salmos 119:160), e Yeshua testificou que
não veio revogar a Torá (Matityahu/Mateus 5:17-19).
Para justificar o motivo pelo qual os cristãos não guardam
o sábado (o quarto dos Dez Mandamentos; Ex: 20:88-11),
Justino tem a ousadia de declarar que o mandamento
Justino tem a ousadia de declarar que o mandamento
criado pelo ETERNO deriva da iniquidade do povo judeu:
“Também nós observaríamos essa circuncisão
carnal, guardaríamosos sábados e todas as
vossas festas se não soubéssemos o motivo
pelo qual vos foram ordenadas, isto é, por
causa de vossas iniquidades e da vossa
dureza de coração.”
(Diálogo com Trifão, 18:2).

Objetivando causar a separação total entre judeus e


gentios, que outrora viviam em comunhão nas
comunidades do Caminho, Justino acusa os judeus de
serem responsáveis pela morte de Cristo. Escreveu o
historiador Juan Pablo Sena Pera:
“Mais uma vez, Justino retoma o discurso
rotulante e estigmatizante, ao afirmar que
nem toda água do mar seria suficiente para
apagar os assassinatos cometidos pelos
judeus, e ainda caracteriza os rituais
prescritos na Lei como incapazes de remover
estes pecados, que somente poderiam ser
removidos pela morte de Cristo. Há uma clara
intenção de circunscrever a Lei ritual ao povo
judaico, caracterizado como povo de
assassinos, praticantes de rituais que em si
mesmos seriam vazios, mas que
encontrariam sua razão de ser apenas se
entendidos como tipos proféticos de Jesus
Cristo.”
(O Antijudaísmo de Justino Mártir no Diálogo
com Trifão, Mimeografado, Vitória, 2009,
página 85).

Responsabilizar os judeus pela morte do Messias se tornou


um dos grandes slogans do Cristianismo, resultando em
milhões de mortes ao longo da história, principalmente
durante as Cruzadas, a Inquisição e o holocausto nazista –
este último evento levou o extermínio covarde de seis
milhões de judeus.
Muitos protestantes e evangélicos lavam suas mãos
achando que suas Igrejas não participaram da chacina,
não sabendo que Martinho Lutero incentivou o assassinato
de judeus, e sua obra foi usada por Adolph Hitler ao
propagar o antissemitismo no livro “Mein Kampf” (Minha
Luta). Hitler citou expressamente a teologia de Lutero para
sustentar o extermínio de judeus!!!
Enquanto seis milhões de pessoas estavam sendo
dizimadas pelo nazismo, apoiado pela Igreja Católica, a
Igreja Protestante se calou. Preciosa e verídica a parêmia
popular: “quem cala consente”.
Igreja Protestante se calou. Preciosa e verídica a parêmia
popular: “quem cala consente”.
Prosseguindo na manchada história da Igreja Cristã, Irineu
de Lyon (130 a 202 D.C) divulga o dogma de que Maria
permaneceu perpetuamente virgem e é corredentora e
salvadora ao lado de seu filho Jesus (Yeshua). Inicia-se a
adoração à “Virgem Maria”, que passa a ser considerada a
“mãe de Deus”:
“... Maria, embora tivesse marido, ainda era
virgem e, obedecendo, tornou-se causa de
salvação para si e para toda a raça
humana.”
(Irineu de Lyon, Contra as Heresias, 3:22).

“A Virgem Maria... sendo obediente à sua


palavra, recebeu do anjo a boa nova de
que ela daria à luz Deus.”
(Irineu de Lyon, Contra as Heresias, V, 19:1).

Apesar de ser óbvio, lembra-se que Miryam (Maria), após


o nascimento de Yeshua, teve relações sexuais com Yosef
(José), nascendo da união vários filhos e filhas
(Matityahu/Mateus 13:53/56). E mais: o ETERNO é o
Criador e não uma criatura, donde se conclui que não
existe a figura da “mãe de Deus”, e tão somente a mãe
terrena de Yeshua enquanto homem.
Outro grande problema da Igreja Gentílica diz respeito ao
abuso da interpretação alegórica. Os cristãos, que eram
oriundos do paganismo, tentaram conciliar o pensamento
semita contido no Tanach (Primeiras Escrituras/“Antigo
Testamento”) com a filosofia grega, usando um método de
exegese que extrapola a literalidade do texto. Eis alguns
exemplos:
“Justino afirmava que Lia representava os
judeus, Raquel simboliza a igreja e Jacó é
Cristo, que serve a ambos. A atitude de Arão
e Hur de sustentar as mãos de Moisés
simboliza a cruz. Justino afirmava que o
Antigo Testamento era pertinente aos
cristãos, mas essa pertinência, dizia ele, era
percebida por meio de alegorização.
(...)
Irineu morou em Esmirna... Ele [Irineu]
afirmou, por exemplo, que os três espias (e
não dois!) que Raabe escondeu representam
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
(...)
Em sua excessiva alegorização, Clemente
ensinava que as proibições mosaicas de comer
Em sua excessiva alegorização, Clemente
ensinava que as proibições mosaicas de comer
porco, falcão, águia e corvo (Lv 11.7, 13-19)
representavam respectivamente a ânsia
impura pela comida, a injustiça, o roubo e a
cobiça. No episódio em que 5000 pessoas
foram alimentadas (Lc 9.10-17), os dois
peixes simbolizam a filosofia grega (As
Miscelâneas, 6.11).
(...)
Mediante a alegorização, Orígenes ensinava
que a arca de Noé simboliza a igreja e que
Noé simbolizava Cristo. O episódio em que
Rebeca tirou água do poço para os servos de
Abraão significa que devemos recorrer
diariamente às Escrituras para ter um
encontro com Cristo. Na entrada triunfal de
Jesus, a jumenta representa o Antigo
Testamento, o jumentinho o Novo
Testamento e os dois apóstolos os
aspectos moral e místico das Escrituras.
Orígenes desconsiderou a tal ponto o sentido
literal e normal das Escrituras que seu estilo
alegórico passou a ser caracterizado por um
exagero incomum. Como disse certo autor,
era ‘fantasia desmedida’.”
(A Interpretação Bíblica, Roy B. Zuck, Vida
Nova, 2008, páginas 39, 41 e 42).

Apesar de a interpretação judaica admitir algum tipo de


alegorização, esta possui limites estabelecidos e não pode
se constituir um “cheque em branco” a ser preenchido ao
alvedrio do intérprete. O Cristianismo pagão, fundado na
filosofia grega, passou a deturpar as Escrituras Sagradas,
criando fantasias que até hoje se encontram presentes.
Atualmente, vários textos bíblicos são distorcidos, por meio
de alegorias, para sustentar a maligna teologia da
prosperidade, que prega o acúmulo de riquezas materiais
na terra por meio da “fé em Jesus”. Famosos pregadores
proclamam: “Jesus morreu para você ficar rico”; “Você é o
Senhor e Deus é Servo para lhe dar prosperidade”; “Muitas
riquezas são sinais de muita unção”; “O pobre está
vivendo debaixo de maldição”. Todas estas afirmativas
absurdas são extraídas de interpretações equivocadas das
Escrituras, pautadas em abuso manifesto da interpretação
alegórica.
Já que o Tanach e a B’rit Chadashá narram inúmeras
promessas do ETERNO ao povo de Israel, a solução dada
pelos teólogos cristãos é alegorizar o texto e dizer que
onde está escrito “Israel” deve ser lido “Igreja”. Esta
técnica aniquiladora das Escrituras tem por objetivo
legitimar o Cristianismo como religião criada pelo homem,
bem como a manutenção do poder social, político, religioso
bem como a manutenção do poder social, político, religioso
e econômico das Igrejas.
O vendaval pagão também exerceu influência sobre
aspecto medular do Cristianismo: a liturgia. Inicialmente,
surgiu a liturgia católica em meio ao ambiente idólatra.
Posteriormente, a liturgia protestante também se valeu
dos mesmos elementos pagãos. Tanto a missa católica
quanto o culto protestante possuem idêntica fórmula: a)
cânticos; b) sermão e c) oração ou cântico no final. No
sermão, somente o Padre ou o Pastor podem pregar, todos
ficam calados e nenhuma pergunta pode ser feita. Este
não era e nunca foi o modelo adotado pelos netsarim
(nazarenos)! Nas reuniões do Caminho, todos os membros
participavam de forma espontânea, livre e aberta,
podendo ler as Escrituras, ensinar e formular perguntas.
Os encontros eram participativos e todos eram
considerados iguais, inexistindo a hierarquia eclesiástica
que torna um homem superior ao outro. Atualmente, o
Padre, o Pastor e o Rabino são reputados, na prática, como
pessoas mais importantes do que os membros de suas
congregações, o que é totalmente incompatível com as
Escrituras.
Nossas colocações são endossadas pelo autor cristão Frank
Viola:
“Os pastores falam rotineiramente a suas
congregações, ‘fazemos tudo conforme a
Bíblia’, contudo, praticam esta férrea liturgia.
Eles não agem corretamente. (Acredito que
esta falta de veracidade deve-se mais à
ignorância do que à má fé).
Verifique sua Bíblia do começo ao fim, você
não encontrará nada semelhante a isso. Os
cristãos do século I nada sabiam sobre tais
coisas. Na realidade, essa liturgia protestante
tem tanto apoio bíblico quando à Missa
católica!Nenhuma das duas têm qualquer
ponto de contato com o N.T.”
(Cristianismo pagão, 2005, página 14).

“Pior que isso, embora Lutero falasse muito


sobre ‘sacerdócio de todos os crentes’, ele
nunca abandonou a prática de ordenação do
clero. De fato, sua crença era tão forte em um
clero ordenado que escreveu: ‘O ministério
público da Palavra deve ser estabelecido pela
ordenação santa como a mais importante das
funções da igreja’. Sob a influência de Lutero,
o pastor protestante simplesmente substituiu
o sacerdote católico.”
(Ob.Cit., página 18).
Após comparar a liturgia católica com a
protestante/evangélica, ambas inspiradas no paganismo,
Frank Viola conclui:
“Enfim, a liturgia de Lutero era nada menos
que uma versão truncada da Missa Católica! A
Missa de Lutero detinha os mesmos
problemas da Missa Católica: Os paroquianos
continuaram sendo espectadores passivos
(com a exceção de poderem cantar), e toda
liturgia era dirigida por um clérigo ordenado
(o pastor tomando o lugar do sacerdote).”
(Ob.Cit. página, 17).

O modelo do sermão vigente é antibíblico, porque é


estruturado da seguinte forma: a) é pregado de cima do
púlpito sempre por uma mesma pessoa (Padre, Pastor ou
Rabino); b) trata-se de um monólogo dirigido a uma
plateia passiva; c) contém uma introdução, o
desenvolvimento (dois ou três tópicos) e uma conclusão.
Nas sinagogas do primeiro século, frequentadas pelos
netsarim (nazarenos), havia liberdade para que qualquer
membro pudesse pregar a Torá, e todos poderiam formular
perguntas e debater os temas examinados (David C.
Norrington, To Preach or Not to Preach? The Church’s
Urgent Question,.Carlisle: Paternoster Press, 1996, página
4).
Se no primeiro século não existia a figura do “sermão” tal
qual hoje é conhecido, visto que a participação era
coletiva, de onde surgiu o sermão cristão? Recorre-se ao
magistério de Frank Viola:
“O sermão cristão foi adotado
diretamente da fonte pagã da cultura
grega!”
(Ob.Cit., página 35).

“O sermão do púlpito não é o equivalente à


pregação encontrada nas Escrituras. A prática
do sermão não é encontrada no Judaísmo do
AT. Não é encontrada no ministério de Jesus,
nem na vida da Igreja Primitiva. Além disso,
Paulo disse aos gregos convertidos que ele
próprio recusou ser influenciado pelas formas
de comunicação utilizadas pelos pagãos de
seu tempo.
O sermão é uma ‘vaca sagrada’ concebida no
ventre da retórica grega. Nasceu na
comunidade cristã quando os ex-pagãos
(agora cristãos) começaram a levar seus
estilos de oratória para a igreja. No século III
estilos de oratória para a igreja. No século III
era comum o líder cristão proferir sermões. No
século IV virou norma.
O cristianismo absorveu sua cultura
circundante. Quando o pastor sobe ao púlpito
exibindo sua veste clerical e proferindo seu
sermão sagrado, ele exerce o papel do antigo
orador grego.”
(Ob.Cit., página 42).

Também deriva do paganismo a obsessão cristã pelo


edifício da Igreja como sendo “a Casa de Deus”[1]. Milhões
de cristãos acham que precisam ir à Igreja para serem
abençoados, porque “Deus opera na Igreja, que é a Sua
Casa”. Este não é o pensamento dos netsarim (nazarenos),
porquanto Estevão discursou que o ETERNO “não habita
em lugares feitos por mãos humanas” (Ma’assei
Sh’lichim/Atos 7:48), e Sha’ul (Paulo) declarou:
“O Elohim que criou o Universo e tudo o que
nele há, que é Senhor do céu e da terra, não
habita em templos erigidos por mãos
humanas.”
(Ma’assei Sh’lichim/Atos 17:24).

Com a oficialização do Cristianismo no século IV pelo


Imperador Constantino, este começou a construir edifícios
de Igrejas nos mesmos moldes do paganismo.
Proliferaram-se as igrejas ao longo do Império Romano,
seguindo-se a metodologia pagã de “erigir templos para
adorar aos deuses”. Curioso que Constantino designou
suas Igrejas com nomes de santos, tal como os pagãos
nomeavam seus templos com os nomes de seus deuses.
Os edifícios tornaram-se lugares “sagrados”, dotados de
uma aura mística que abençoaria seus frequentadores.
Tal noção profana subsiste até hoje no âmbito das
denominações cristãs (católicas e
protestantes/evangélicas), explícita ou implicitamente.
Quem nunca ouviu Pastores falando na televisão: “Venham
para o culto da nossa Igreja e você sairá abençoado”?
Aliás, certa vez ouvi um evangélico dizendo a outros:
“vocês não devem orar em casa, porque a bênção não está
lá; vocês devem vir para orar nos cultos da Igreja”. Isto é,
nada mais nada menos, do que idolatria ao local de culto!
Se de um lado líderes católicos e evangélicos constroem
faraônicos Templos, por outro, esta prática nunca foi
adotada pelos netsarim.
Reconhecido como um dos maiores estudiosos da História
do Cristianismo, Philip Schaff escreveu que os discípulos
originais de Yeshua não edificaram Igrejas, concluindo:
“O Salvador do mundo nasceu em um
“O Salvador do mundo nasceu em um
estábulo e subiu aos céus desde um monte.
Seus Apóstolos e sucessores até o século III
pregaram nas ruas, mercados, montes,
barcos, sepulcros, cavernas, desertos e nas
casas dos seus convertidos.
Contudo, milhares de igrejas e capelas caras
foram e continuam sendo construídas em todo
mundo para honrar o Redentor crucificado que
nos dias de sua humilhação não possuiu
nenhum lugar onde repousar a cabeça!”.

Considerando que este artigo não tem como objeto a


História do Paganismo Cristão e diante da impossibilidade
de se analisar dois mil anos de história em poucas páginas,
coloca-se uma pausa na narrativa. Aliás, é desnecessário
relatar todas as características pagãs do Cristianismo neste
trabalho, uma vez que as marcas heréticas descritas acima
vigoram até os dias de hoje, sendo facilmente constadas
por qualquer pessoa. Coloquemos apenas algumas
palavras finais.
Todos os elementos pagãos referidos estão presentes tanto
na teologia católica quanto na protestante/evangélica. Já
que os gentios cristãos se afastaram dos netsarim
(nazarenos), perderam a oportunidade de aprender com os
homens que receberam instruções pessoais e diretas de
Yeshua ou de seus sh’lichim (emissários/ “apóstolos”).
Todos os fundadores do Cristianismo pregaram a
separação entre gentios e judeus, porquanto, se a união
permanecesse, seria extremamente difícil que heresias se
alastrassem. No final, o Judaísmo de Yeshua e de seus
talmidim (discípulos) foi substituído pelo Cristianismo
pagão, cujas doutrinas são estranhas à correta
interpretação das Escrituras.
Atualmente, muitas pessoas estão descobrindo a verdade e
retornando à verdadeira fé de Yeshua e de seus sh’lichim
(emissários), descartando toda a contaminação espiritual
pagã que se infiltrou no corpo do Messias. Que as palavras
do professor Andrew Gabriel Roth e a profecia de
Yirmeyahu/Jeremias possam tocar a vida dos leitores:
“O Cristo-Paganismo denota a
assimilação do paganismo dentro do
Cristianismo, introduzido no mundo das
igrejas pelos ante mencionados e altamente
venerados pós-apostólicos fundadores do
Cristianismo Gentílico.
(...)
Estes ‘fundadores” da Igreja nunca
conheceram os originais Shlichim
[emissários/‘apóstolos’], nenhum deles teve
as instruções de YHWH sobre justiça escritas
em seus corações. De fato, estes prematuros
em seus corações. De fato, estes prematuros
filósofos cristãos e oportunistas não tiveram
mais conhecimento em primeira mão dos
ensinos de Yeshua e Paulo do que os teólogos
de hoje. Porém, atualmente, acessando os
Escritos em Aramaico [do ‘Novo Testamento’],
podemos comparar por nós mesmos os
escritos dos pós-apostólicos fundadores do
‘Evangelho Cristão’ e ver queestão muito
longe da original Fé Nazarena
(...)
Apesar do rude, cruel e odioso ataque contra
a Fé Nazarena pela multidão de opositores,
que são ignorantes nas Escrituras, está
crescendo o número de Judeus e Gentios que
estão retornando para YHWH e vivendo a Fé
em Yeshua, o Messias, que foi entregue para
os justos. Claramente há uma forte diferença
entre o que os pós-apostólicos fundadores da
Igreja Gentia ensinaram e o que os originais
Shlichim (emissários) do Messias viveram e
ensinaram. O movimento Nazareno nos
dias de hoje é o cumprimento da
seguinte profecia:
YHWH, minha força e fortaleza, meu refúgio
no dia da aflição, os Gentios virão a ti desde
os confins da terra, e dirão: ‘Nossos
antepassados herdaram
mentiras, vaidade, e coisas sem nenhum
proveito. Porventura fará um homem deuses
para si, que contudo não são deuses?
Portanto, Eu lhes farei conhecer de uma vez
por todas, Eu os farei conhecer minha mão e
meu poder; e eles saberão que meu nome é
YAHWEH’(Jeremias 16:19-21)”.

[1] Não há nada de errado em se reunir em um local, como, por exemplo, uma
congregação. O que é deplorável é o pensamento de que o ETERNO somente
irá abençoar o homem caso este esteja em um local específico, a Igreja. Os
netsarim se reuniam em sinagogas e em casas, porém, não supervalorizavam
o lugar em si.