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Disciplina: Ciência Política


Curso: Direito
Tema da aula: Formas de Governo/ Sistema de Governo/Regime de Governo
Professora: Dra. Tânia Maria Gomes da Silva

Em Ciência política, chama-se forma de governo o conjunto de instituições por meio


das quais um Estado se organiza e exerce o poder sobre a sociedade. Até mesmo governos
considerados ilegítimos e despóticos são formas de governo.
Montesquieu (1689-1755) estabeleceu uma divisão tríplice das formas de governo:
Monarquia, República e Despotismo, fazendo destes os três momentos fundamentais do
progresso histórico. Hegel, ampliando a tese de Montesquieu, defendeu que o despotismo
era a forma de governo típica do mundo oriental; a república, do mundo romano e a
monarquia, do mundo moderno.
Embora Montesquieu, Hegel e outros filósofos tenham se ocupado deste tema, o
grande estudioso das formas de governo foi o italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527),
autor de “O príncipe”. Maquiavel é considerado o fundador do pensamento político
moderno e, ainda hoje, tem seus escritos continuamente revisitados.
A grande preocupação de todas as obras de Maquiavel foi sempre o Estado. Mas o
Estado real, capaz de impor e manter a ordem e não o Estado idealizado. Por isso, rejeitava
a tradição dos idealistas, como Platão, Aristóteles e São Tomás de Aquino, baseando-se,
especialmente, nos autores da antiguidade clássica, como Tácito, Políbio, Tucídides e Tito
Lívio (SADEK,2006).
Embora afirmasse que o mundo da política não levava ao céu, Maquiavel sustentava
que sua ausência era o pior dos infernos, daí ter dedicado muito de sua vida a escrever
sobre o Estado, o poder e as formas de governo. O poder político, segundo ele, resultava da
própria “malignidade” intrínseca à natureza humana (MAQUIAVEL, 2004). Portanto, para
esse pensador, o poder aparece como a única possibilidade do homem enfrentar os
conflitos.
Em sua obra máxima, “O Príncipe”, escrita no século XVI, Maquiavel buscou
ensinar não apenas a melhor maneira de atingir e exercer o poder, mas a de conservá-lo. É
bastante célebre a sua frase “os fins justificam os meios”, em que deixa claro que o
governante, muitas vezes, deve agir de maneira “inapropriada”, visando alcançar, ao final,
um resultado que seja o melhor e o mais adequado para o seu povo. Daí o termo
maquiavélico ter passado para a história com o significado de “esperto”, “velhaco”.
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Com Maquiavel começam muitas coisas importantes na história do pensamento


político, inclusive uma nova classificação das formas de governo, que ele também discutiu
no seu livro “Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio (Os discursos)”.
Segundo Maquiavel, “Todos os Estados que existem e já existiram são e foram
sempre repúblicas ou monarquias” (apud BOBBIO, 1981).
Voltando a Montesquieu, que se ocupou intensamente de analisar as formas de
governo, destacamos sua obra prima “Do Espírito das Leis”, que se tornou referência
mundial para advogados, legisladores e outros cientistas sociais. O livro faz um vasto
estudo nas áreas de direito, história, economia, geografia e teoria política.
Segundo este autor, o poder deve ser dividido em três instâncias:
o Poder Executivo (órgão responsável pela administração do território e
concentrado nas mãos do monarca ou regente);
o Poder Legislativo (órgão responsável pela elaboração das leis e
representado pelas câmaras de parlamentares);
o Poder Judiciário(órgão responsável pela fiscalização do cumprimento das
leis e exercido por juízes e magistrados).

Montesquieu foi um grande defensor da Monarquia, porém não aquela em que o rei
governasse a seu bel prazer. Para ele o regime ideal era a Monarquia parlamentar, isto é, o
rei era assessorado por um parlamento que evitava o autoritarismo e o despotismo.
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Retornando à nossa discussão sobre formas de governo, destacaremos a Monarquia e
a República, por serem os modelos mais frequentemente encontrados na sociedade atual.
Elas se subdividem em: Repúblicas presidencialistas, Repúblicas parlamentaristas,
Monarquias parlamentares, Monarquias absolutas, etc.

a) Monarquia: sistema de governo em que o chefe de Estado é um monarca (rei),


cujo poder é hereditário, isto é, transmitido de pai para filho, ou, eventualmente,
filha. Portanto, não há eleições para a escolha do monarca, cujo governo é
vitalício, ou seja, só termina em caso de morte ou de abdicação do rei/rainha. A
monarquia esteve em alta durante a Idade Média e Moderna (séculos V ao XVII),
quando os monarcas governavam com poderes ilimitados durante o que se
convencionou chamar de período absolutista ou governo absolutista. Nesta época,
o rei tinha poderes absolutos e sobrepunha-se ao parlamento. Com a Revolução
Francesa (1789), este sistema de governo entrou em decadência, sendo
substituído pela República, em grande parte dos países europeus. Atualmente,
poucos países são monarquias e, quando o são, os poderes reais são
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extremamente limitados pelo Parlamento, sendo o rei apenas uma figura


decorativa e que atende mais ao tradicionalismo. Como exemplifica o caso da
Inglaterra.

b) República – A palavra vem do latim (res publica) e significa coisa pública. Daí
ser uma forma de governo na qual o chefe de Estado é eleito pelos cidadãos ou
pelos seus representantes, tendo seu poder limitado por um período de duração
que é previamente determinado. Na República, o chefe de Estado é geralmente
denominado presidente, cuja escolha se dá através do voto livre e secreto.
Dependendo do sistema de governo (parlamentarista ou presidencialista), o
presidente da República pode ou não acumular o poder executivo. Esta forma de
governo está muito associada às cidades-estados da Antiguidade clássica, como
as cidades de Atenas e Esparta, na Grécia Antiga. Contudo, a estrutura e o modo
de governo desses estados eram diferentes do que chamamos hoje de República e
até mesmo do que a Idade Moderna entendeu como República. Para alguns
autores há uma continuidade entre as Repúblicas clássicas e a República
moderna, apesar de ambas apresentarem características não exatamente idênticas,
mas tão somente próximas. Há também historiadores que defendem ideia
contrária, argumentando que as repúblicas clássicas tinham uma forma de
governo com poucas semelhanças com a de qualquer república moderna.

Vamos ainda citar os sistemas de governo e os regimes de governo:

Sistemas de Governo:

a) Presidencialismo - Nesta forma de governo o presidente, escolhido pelo voto para


um mandato regular, acumula as funções de Chefe de Estado e chefe de governo.
Nesse sistema, para levar a cabo seu plano de governo, o presidente deve barganhar
com o Legislativo caso não possua maioria;

b) Parlamentarismo - Neste caso o presidente apenas responde à chefia de Estado,


estando a chefia de governo atribuída a um representante escolhido de forma
indireta pelo Legislativo, normalmente chamado "premier", "primeiro-ministro" ou
"chanceler”.

Regime de Governo:

Democracia: é um regime de governo em que o poder político está, ainda que


teoricamente, nas mãos do povo, que escolhe seus representantes por meio do voto
Há duas formas de democracia: a direta, também chamada pura, quando o povo
expressa sua vontade através do voto direto, e a democracia representativa, também
chamada indireta, quando o povo expressa sua vontade por meio da eleição de
representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.

1. Ditadura: é a designação de regime não democrático, ou seja, aquele em que não


há participação popular ou, quando há, é de maneira muito restrita. Na ditadura o
governo se faz em apenas uma instância, ao contrário da democracia, em que o
poder está dividido entre os três poderes: executivo, legislativo e judiciário.
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Normalmente uma ditadura se estabelece através de um golpe. Regimes ditatoriais


até podem admitir oposição, mas esta é rigidamente controlada e a manutenção do
poder se dá, quase sempre, pelo uso da força ou, ao menos, do medo.

Resumo extraído de:

BOBBIO, Norberto.Teoria das formas de governo. Tradução de Sérgio Bath. 10 ed. Brasília: Editora UNB,
1997, disponível em http://ntnews.com.au/. Acesso em 10 de maio de 2012. Enviado no e-mail da turma
BONAVIDES, Paulo. Ciência política. Rio de Janeiro: Forense, 1978. Disponível na Biblioteca
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Disponível na Biblioteca
MONTESQUIEU. Do Espírito das leis. São Paulo: Edições e Publicações Brasil, 1960. Disponível na
Biblioteca
SADEK, Maria Tereza. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtú. In: Os clássicos da
política. Francisco C. Weffort (org). 14 ed. São Paulo: Ática, 2006, p. 11-25. Disponível na biblioteca