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SEGURANÇA

Determinação
A segurança das equipes de
do risco de arco manutenção e operação é
discutida aqui, a partir da
análise teórica dos métodos de
elétrico em cálculo existentes para
determinar o risco de arco
elétrico, da avaliação de
instalações sistemas de proteção e da
consideração da importância
do projeto elétrico. Também se
industriais apresenta um estudo de caso
sobre os riscos de um arco
voltaico em uma instalação
industrial e as medidas e
tecnologias de proteção para
Alexandre Mettegang Diener, da Gaesan Manutenção Industrial e controle da falha.
UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, e
Jayme Passos Rachadel, da UTFPR

arco elétrico é um fenômeno controlada, em casos de falhas de isola- tores podem sofrer sérias lesões na

O físico inerente ao funcionamen-


to do sistema elétrico. Consiste
em um curto-circuito que ocorre por
mento em equipamentos elétricos.
Quando o isolamento entre conduto-
res energizados sob diferentes poten-
ocorrência da falha elétrica.
As falhas elétricas são fenômenos
indesejáveis em uma instalação e po-
meio do ar, gerando calor de forma con- ciais elétricos, é rompido, gera-se um dem liberar quantidades significativas
trolada, como nos casos de solda elétri- arco elétrico. Os trabalhadores expostos de energia, principalmente em forma
ca e fornos industriais, ou de forma in- diretamente ou próximos a estes condu- de calor. A temperatura em um arco
elétrico pode facilmente ultrapassar
Fotos: Gaesan 3000°C, criando um flash brilhante e
um intenso e instantâneo deslocamento
de ar. Uma enorme quantidade de ener-
gia radiante explode do equipamento
elétrico, liberando gases quentes e tóxi-
cos, além de metal incandescente, po-
dendo causar a morte ou severas quei-
maduras. As ondas de pressão e a luz
ultravioleta criadas pelo arco podem
prejudicar seriamente a audição e a vi-
são. O rápido movimento da onda de
choque pode lançar pedaços do equipa-
mento sobre as pessoas que estiverem
nas proximidades.
O arco elétrico pode aparecer como
consequência de diversos fatores, sen-
do os mais comuns a operação indevi-
da de equipamentos, projetos elétricos
mal elaborados, manutenções inade-
quadas, influências externas, sobreten-
Instalação de analisador de energia em painel energizado e o painel de baixa sões de origem atmosférica ou de ma-
tensão onde deve ser instalado o microswitch para seleção dos grupos de ajuste nobra, ferramental inadequado, esqueci-
do relé de entrada. Quando a porta está aberta, o tempo de atuação em caso de mento de ferramentas dentro de equi-
arco é reduzido
pamentos, depreciação do isolamento,
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Fig. 1 – Diagrama unifilar geral da instalação

entre outros fatores causadores de curto- eletromagnéticas, tornando obrigatória da energia emitida, e a utilização de sis-
circuitos. a utilização de roupas resistentes às temas de detecção e eliminação rápida
Levando-se em consideração a gran- emissões de energia provenientes de do arco elétrico.
de quantidade de energia liberada em arcos elétricos. (BRASIL, 2004).
um diminuto espaço de tempo, torna-se Existem diversos modos e procedi- Metodologia
imperativo o estudo da melhoria das mentos para reduzir as consequências O trabalho teve como escopo:
condições de segurança das equipes de decorrentes de um arco elétrico, incluin- 1) realização de pesquisa bibliográfica
manutenção e operação de equipamen- do o uso de roupas especiais, painéis para oferecer suporte teórico ao desen-
tos elétricos. As normas atuais requerem resistentes ao arco, controle remoto das volvimento do estudo;
o cálculo da energia incidente de arco operações, entre outros. Atualmente, é 2) elaboração de diagrama unifilar (fi-
sobre os profissionais que trabalham imperativo que esta redução das conse- gura 1) da instalação, juntamente com
diretamente com o sistema elétrico. quências oriundas do arco elétrico ocor- todos os dados pertinentes aos cálculos;
Os cálculos de energia emitida du- ra também por meio de soluções de 3) determinação da corrente de curto-
rante um arco elétrico são uma análise engenharia, como a parametrização dos circuito mediante aplicação da norma
de risco aplicada sobre os trabalhadores relés de proteção com foco na redução IEC 60909;
do sistema elétrico. A NR-6 4) determinação das ativida-
estabelece o uso de equipa- des típicas frente aos equipa-
mentos de proteção indivi- mentos elétricos da instala-
dual para proteção dos traba- ção;
lhadores contra os riscos sus- 5) determinação dos tempos
cetíveis de ameaça à seguran- de operação dos relés de pro-
ça e à saúde no trabalho. A teção, fusíveis e disjuntores
NR-10 versa acerca da ade- de proteção;
quação das vestimentas de 6) realização dos cálculos da
trabalho às respectivas ativi- energia incidente por meio da
dades elétricas, que devem norma internacional IEEE
contemplar condutibilidade, 1584-2002;
inflamabilidade e influências 7) estudo dos tempos de

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panorama atual, con- ra mais duas cabines, sendo uma ex-


ceito do risco de arco clusiva para bomba de incêndio, e a outra,
elétrico, avaliação da denominada transformação, responsável
intensidade do arco, pela alimentação da indústria, contendo
metodologias de cál- dois transformadores isolados a seco de
culo, medidas de con- capacidade 1500 kVA, 13,8 kV/410 V
trole do risco, vesti- cada. Estes transformadores estão liga-
mentas e sinalização. dos a dois painéis, contendo disjuntores
gerais de baixa tensão para sua proteção.
Visão geral da
instalação Atividades nos
A instalação indus- equipamentos elétricos
operação dos equipamentos de prote- trial analisada possui características Foram verificadas as principais ativi-
ção (relés, fusíveis e disjuntores), verifi- típicas de uma indústria média brasi- dades executadas no sistema elétrico da
cando o aumento ou diminuição da ener- leira, atendida por uma rede de alta ten- indústria, imperativas para a análise de
gia incidente; são 13,8 kV interna, instalada por meio risco da instalação:
8) dimensionamento dos equipamentos de painéis resistentes a arco, localiza- • operação de ligamento e desligamento
de proteção individual (EPIs) para os dos na subestação de medição e prote- dos sistemas de alta e baixa tensão;
eletricistas; e ção. Neste painel ocorre a proteção ge- • serviço de inspeção visual com aber-
9) realização de estudo para redução dos ral do sistema, através de um relé de tura de tampas (violação de invólucro)
níveis de energia incidente através do sobrecorrente digital, modelo SEPAM do sistema de baixa tensão;
uso de relés de proteção com dois grupos 10, Schneider, funções 50/51 e 50/51N. • serviço de inspeção termográfica
de ajuste (normal e modo manutenção, Destes painéis partem alimentação pa- com abertura de tampas (violação de
para quando os eletricistas estiverem
dentro da zona de risco do arco elétrico).
A inexistência de documentação téc-
nica relativa à análise do risco elétrico
da instalação torna imperativa a identifi-
cação e classificação das fontes de ener-
gia elétrica para identificação de risco
de arco elétrico.
A constatação da ausência de docu-
mentação técnica evidenciou que o cum-
primento das normas vigentes é fun-
damental para a identificação do risco
elétrico proveniente dos equipamentos,
de acordo com os níveis de emissão de
energia em cal/cm2 para que, a partir daí,
possam ser realizados os dimensiona-
mentos dos EPIs, procedimentos de tra-
balho, classificação dos equipamentos e
busca de alternativas técnicas para redu-
ção e controle dos riscos.
O estudo foi dividido em cinco frentes:
• referencial teórico;
• visão geral da instalação;
• atividades nos equipamentos elétricos;
• cálculos das correntes de curto-circuito;
• sistema de proteção;
• determinação do nível de emissão de
energia (cal/cm2); e
• alternativas de engenharia para redu-
ção do risco.

Referencial teórico
Para um maior conhecimento do te-
ma abordado no estudo, é necessário
Fig. 2 – Diagrama de impedâncias e correntes CC
um aprofundamento sobre os temas:

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Fig. 3 – Coordenograma para situação


de falha no ponto 3 (a montante do
disjuntor BT). A corrente de arco
determina o tempo de atuação para os
modos Normal e Manutenção do relé
geral, proporcionando emissões de
energia diferenciadas

NR-10 (instalação de aterramento) nos


painéis de alta e baixa tensão; e
• instalação ou retirada de cabos de bai-
xa tensão somente com o desligamento
do disjuntor do circuito, sem o proce-
dimento de desenergização completo
do painel.

Cálculos das correntes


de curto-circuito
O conhecimento sobre as correntes
de curto-circuito da instalação é neces-
sário para a determinação dos níveis de
emissão de energia em cada equipamen-
to. As correntes necessárias para os cál-
culos são as trifásicas simétricas, que
podem ser determinadas através da
metodologia proposta pela IEC 60909.
Os cálculos foram realizados via soft-
ware (ETAP), para garantir a precisão e
confiabilidade nos resultados, mostra-
dos na tabela I.
Com as correntes de curto-circuito
determinadas, deve-se também conhe-
cer as correntes de arco elétrico, sendo
invólucro) do sistema de alta tensão; de energia para monitoramento da sua magnitude determinada principal-
• serviço de inspeção termográfica com qualidade de energia dos circuitos de mente pelas características físicas do
abertura de tampas (violação de invólu- baixa tensão; equipamento. Esta corrente de arco é
cro) do sistema de baixa tensão; • procedimentos de desenergização e determinada através da metodologia
• serviço de instalação de analisador energização conforme procedimentos proposta pela IEEE 1584. Esta mesma

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ta, a energia emitida em determinados


pontos da instalação, já que esta emis-
são é dependente do tempo.

Determinação do nível de emissão


de energia (cal/cm2)
Definidas as variáveis necessárias pa-
ra o cálculo da emissão de energia
durante um arco elétrico, torna-se viá-
vel dimensionar o risco elétrico presen-
te nos equipamentos, sob as diversas
condições operacionais já verificadas.
O resultado da emissão de ener-
gia é dado em cal/cm2. De acordo com
o nível de energia, pode-se classificar
norma versa também sobre a metodo- Schneider M25H1, controlado por relé a condição como sendo risco 1, 2, 3
logia do cálculo do nível de emissão termomagnético ajustável STR38S pa- ou 4, conforme NFPA70E. Níveis de
de energia, em cal/cm2. Os resultados ra proteção geral do transformador 1/ energia acima de 41 cal/cm2 (risco 4)
são mostrados na tabela II. A figura 2 1500 kVA; e não possuem EPIs como medida de
mostra o diagrama de impedâncias da • disjuntor de baixa tensão com capa- controle, ou seja, não existe proteção
instalação. cidade nominal de 2500 A, modelo suficiente capaz de proteger o profis-
Schneider M25H1, controlado por relé sional.
Sistemas de proteção termomagnético ajustável STR38S pa- Além do nível de energia e da classi-
Além do conhecimento sobre o tipo ra proteção geral do transformador ficação de risco, pode-se determinar o
de equipamento, das atividades e das 2/1500 kVA. limite de ação do arco elétrico, também
correntes de curto-circuito, para deter- Verifica-se que, principalmente no chamado de limite de proteção do arco,
minar o risco elétrico também é neces- relé da proteção geral (SEPAM 10), os que é a distância medida do ponto de
sário verificar o sistema de proteção con- parâmetros de proteção estão ajustados arco até o limite onde se faz necessário
tra sobrecorrentes da instalação, junta- de acordo com as correntes de curto-cir- o uso de EPIs. O cálculo do nível de
mente com suas curvas de atuação tem- cuito trifásicas sólidas, e não para as emissão de energia, em cal/cm2, foi ba-
po vs. corrente, que fornecem os tempos correntes de arco. Esta condição eleva seado na IEEE 1584, e realizado atra-
de atuação para as condições estudadas. os tempos de abertura da proteção de vés do software ETAP.
Estes tempos de operação, frente às alta tensão e aumenta, em grande mon- Para este cálculo foram levados em
situações de falha que determinam, jun-
tamente com os fatores supracitados, o
nível de energia emitido em cada equipa-
mento ou ponto de operação.
O sistema de proteção da instalação
é composto por:
• disjuntor religador da concessionária
de energia;
• relé de proteção secundário digital
SEPAM 10, com funções 50/51 e 50N/
51N, que aciona disjuntor de alta tensão
SF6 Schneider;
• fusível HH 16 A, instalado na deriva-
ção para transformador 150 kVA (com-
bate a incêndios);
• fusível HH 100 A, instalado no cubí-
culo SM6 na subestação transformação
para proteção geral do transformador
1/1500 kVA;
• fusível HH 100 A instalado no cubí-
culo SM6 na subestação transformação, Fig. 4 – Parametrização dos grupos de ajustes (A – Normal; B – Manutenção): o
grupo A tem uma curva inversa parametrizada (IEC EIT/C - Extremamente
para proteção geral do transformador Inversa IEC), e o B tem uma característica de tempo definido, ou seja, no grupo A
2/1500 kVA; as atuações ocorrem de maneira temporizada para correntes acima de 130 A; e
• disjuntor de baixa tensão com capa- de forma instantânea no grupo B para o mesmo nível de corrente, limitando a
cidade nominal de 2500 A, modelo potência de arco elétrico fornecida à instalação

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consideração os seguintes pontos de


operação na instalação:
• painéis de alta tensão SE Medição/
Proteção, com tampas abertas;
• painéis de alta tensão SE Trans-
formação, com tampas abertas;
• painéis de baixa tensão TGBT 1 (fal-
tas a jusante e a montante do disjuntor
geral); e
• painéis de baixa tensão TGBT 2 (faltas
a jusante e a montante do disjuntor geral).
Os pontos a montante dos disjunto-
res gerais dos painéis TGBT 1 e 2 são
considerados, pois existe a possibili-
dade de se gerar uma falha nos termi-
nais superiores do disjuntor, bem como
nos seus cabos de entrada, já que estes
estão dentro do painel. Neste caso, a
proteção atuante será somente o relé de
proteção geral, que possui parâmetros
muito elevados, não provendo uma
proteção adequada.

Alternativas para redução do risco


Um dos meios mais efetivos para
reduzir o risco associado aos arcos elé-
tricos de baixas correntes nos equipa-
mentos de baixa tensão é modificar os
ajustes dos dispositivos de proteção,
reduzindo o tempo de eliminação da
falha. Tipicamente, os disjuntores gerais
não têm seus elementos instantâneos
ativos no modo de operação normal, ou
possuem valores muito elevados. No
coordenograma apresentado na figura 3,
verifica-se que a corrente de arco elétri-
co nos pontos P3 e P4, para falhas a
montante do disjuntor de baixa tensão,
não atinge o elemento instantâneo da
proteção geral, provocando um alto tem-
po de eliminação da falha.
Para que seja possível trazer estes
níveis de emissão de energia para níveis
aceitáveis, é necessário que o tempo de
atuação da proteção na alta tensão seja
reduzido, porém, sem causar desliga-
mentos intempestivos do relé durante a
operação normal da fábrica.
Para que esse nível de energia seja
reduzido, uma estratégia que pode ser
utilizada é o emprego de um relé capaz
de fornecer dois grupos de ajustes dis-
tintos, dependendo da condição opera-
cional (modo Normal ou Manutenção).
Um relé capaz de executar esta função é
o SEPAM S20, também da marca
Schneider. A seleção do grupo de ajuste
pode ser realizada por meio de uma

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Fig. 5 – Parametrização da seleção do grupo de ajuste via entrada digital

entrada digital no relé, de forma que, proteção adequada aos profissionais da


quando ativada, seleciona o grupo de área elétrica.
ajuste B, chamado de grupo de ajuste É evidente que as condições de falha
modo Manutenção (figura 3). estudadas para os pontos P3 e P4, com
Este modo Manutenção deve então arco elétrico sendo gerado a montante
ser selecionado a cada vez que as portas do disjuntor, são raras, porém, o risco é
dos painéis TGBT-1 e TGBT-2 forem muito elevado caso ocorram. Não são
abertas, expondo os profissionais ao ris- raros também os casos de falha de dis-
co de arco elétrico. Com as portas fe- juntores ou agentes externos que
chadas, o grupo de ajuste selecionado venham a causar esse tipo de problema
continua sendo o Normal. (como animais dentro do painel, sobre
No coordenograma também verifi- os terminais do disjuntor, por exemplo).
cam-se a curva do grupo de ajuste Nor-
mal e a do modo Manutenção. Observa- Conclusões
se que, para a corrente de arco no ponto O desenvolvimento deste trabalho
P3, o tempo de atuação da proteção é teve como principal objetivo identificar
muito inferior para curva modo Manu- os riscos elétricos a partir da emissão de
tenção, que para curva de ajuste Normal. energia oriunda da formação de arco
elétrico em diversos pontos de uma ins-
Resultados talação industrial típica. O trabalho mos-
Sérias restrições devem ser feitas tra a importância do desenvolvimento
para não permitir a manutenção ou a dos cálculos para a segurança e saúde
operação energizada em equipamentos dos trabalhadores da área elétrica.
com alto risco de arco elétrico e que Verificou-se que todos os elementos
dependem de dispositivos de proteção de proteção, como o relé de proteção
de sobrecorrente para eliminar alguma geral, os disjuntores e os fusíveis, fo-
falha, exceto se houver a utilização de ram dimensionados para prover uma
algum método para minimizar o risco. proteção adequada aos equipamentos,
Esta estratégia para reduzir a energia porém, em nenhum momento, a segu-
incidente é somente uma das diversas rança dos profissionais que trabalham
viáveis para reduzir ou eliminar o risco nestes equipamentos parece ter sido
de um potencial acidente fatal devido a levada em conta.
um arco elétrico. Comumente, no Brasil, os projetos
Neste estudo de caso, ficou claro que de proteção levam somente em conside-
os parâmetros atualmente utilizados no ração as premissas clássicas de parame-
relé geral, para proteção de sobrecorren- trização dos sistemas de proteção, que
te, não são suficientes para prover uma podem levar a riscos inadmissíveis para

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cionando, mesmo que de maneira tími-


da, a questão da inflamabilidade das
roupas utilizadas pelos profissionais da
área elétrica.
Um passo importante à segurança e
à saúde do trabalhador da área elétrica
seria uma normalização nacional da
emissão de energia durante um arco
elétrico, difundindo, de maneira mais
clara, a importância na determinação
dos riscos presentes em uma instalação
elétrica.

Referências
[1] Bizzo, A.; Goecking, R. K.: Manual técnico sobre
vestimentas de proteção ao risco de arco elétrico e fogo
repentino. Rio de Janeiro. Publit Soluções Eitoriais, 2009.
[2] Davis, C. et al. Practical solution guide to arc flash
ha zards. ESA, Inc., 2003.
[3] ETAP Enterprise Soft ware Solution for Power Systems.
Version 7.5. Operation Technology, Inc. EUA, 2010, CD-
ROM.
[4] IEC International Electrotechnical Commission. IEC 60909:
Fig. 6 – Diagrama de comando para seleção do grupo de ajuste através de Shor t-circuit currents in three-phase a.c. systems. 2001.
entrada lógica do relé de proteção SEPAM S20 [5] IEEE Institute of Electrical and Electronic Engineers.
Standard 1584-2002: IEEE Guide for Performing Arc
Flash Ha zard Calculations. 2002.
[6] Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regu -
os profissionais eletricistas, como se ve- como uma de suas principais premis- lamentadora No 10, Norma Técnica. Disponível em:
rificou neste trabalho. sas, a proteção das pessoas. A revisão w w w.mte.gov.br/legislacao/nor mas_regula-
mentadoras/nr_10.pdf. Acesso em 03/11/10.
Os projetos elétricos e de proteção da NR-10 em 2004, trouxe uma nova [7] NFPA - National Fire Protection Association. NFPA70E:
devem ser levados a outro nível, tendo, visão para as instalações elétricas, adi- Standard For Electrical Safet y in the Workplace. 2009.