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JANNUZZI, Gilberta de Martino.

A Educação do Deficiente no Brasil dos primórdios


ao início do século XXI. Campinas. SP: Autores Associados. 2017.
JANNUZZI, Gilberta. Algumas concepções de educação do deficiente. Revista
Brasileira, Ciência, Esporte. v.25 n.3. Campinas. 2004

Em Jannuzzi (2004) apresenta uma síntese das propostas de educação das pessoas com
deficiência desde o século XVI ao começo do XXI.

A autora divide as concepções em três grandes blocos:

Concepções médico-pedagógica Esta concepções tem como foco as manifestações


orgânicas da deficiência e tiveram início com a medicina. Foram os médicos que
inicialmente se preocuparam com a educação do deficiente e teorizaram sobre o
assunto. Jannuzzi (2017) aponta que o interesse da medicina na educação dos
deficientes “pode ser interpretado como procura de respostas ao desafio apresentado
pelos casos mais graves”. Com os médicos houve uma preocupação em classificar as
deficiências, principalmente a mental. Essa classificação dividia os ditos “anormais”
segundo parâmetros tais como a inteligência. A educação deveria acontecer em classes
separadas com metodologias que visavam corrigir as deficiências. É importante ressaltar
que dentro do conceito de anormalidade, que teve inicio nas reflexões de teóricos, em
sua maioria franceses, nos quais o nosso país mantinha relação, estava incluso todos os
marginalizados que poderiam por em perigo a segurança da burguesia.

Tentativas de institucionalização
Brasil- fim do século XVIII e começo do século XX. Tem relação com as ideias liberais
que se apresentavam na Europa. Embora, tenha sido um liberalismo da elite, com
interesses em manter os seus privilégios, este criticou o dogmatismo, a interferência do
Estado na Economia e defendeu a liberdade de expressão a propriedade privada.
A educação primária para o povo estava entre os projetos desta elite.
Segundo a autora, numa sociedade iletrada, pouco urbanizada, “apoiada no setor rural,
primitivamente emparelhado, provavelmente poucos eram considerados deficientes;
havia lugar, alguma tarefa que muitos deles executassem”. P. 31 “Certamente só as
crianças mais lesadas despertavam atenção e eram recolhidas em alguma instituição” p.
31
“A aristocracia rural não precisava favorecer a educação, pois que esta economia
agrária, baseada em instrumentos rudimentares, enxada sempre, arado às vezes, não a
requeria”. 41
“A vinculação das classes e escolas ao Estado insere-se na própria organização do
Estado liberal, que se manifestou intervencionista, principalmente sobre os aspectos não
lucrativos, como a escola, e protecionista com relação as obras de infraestrutura, que
não eram asseguradas pela aristocracia, governante, mas que lhe interessavam”. 39
A aristocracia rural não precisava favorecer a educação, pois
Segundo a autora, as primeiras iniciativas formais registradas foi a proposta do
Deputado Cornélio França, de 1835, que propunha o ensino das primeiras letras para
estudantes surdos-mudos, que foi logo engavetada.
Em 1854 é criado no município da Corte o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. A
criação deste instituto está ligado “ao cego brasileiro José Álvares de Azevedo que
estudara em Paris no Instituto dos Jovens Cegos, fundado no século XVIII por Valentin
Haüy” e que ao ver a condição do cego no Brasil publicou um livro. P.11.
Posteriormente, o médico do imperador José Francisco Xavier Sigaud, pai de uma
criança surda, ao tomar conhecimento da obra de José Alvares, o convidou para
alfabetizar sua filha.
O Imperial Instituto dos Meninos Cegos “destinava-se ao ensino primário e alguns
ramos do secundário, ensino de educação moral e religiosa, de música, ofícios fabris e
trabalhos manuais, O regime era de internato”. P.12. Segundo a autora, neste Instituto
os alunos tinham a oportunidade de serem repetidores e após o exercício de 2 anos nesta
função garantiam o direito de serem professores no próprio instituto. Havia uma certa
preocupação em manter os alunos cegos que eram aptos trabalhando no instituto, pois
mesmo quando era preenchido o número de professores, “o governo poderia manter o
aluno com o respectivo vencimento”. P.12
Em 1857, foi criado o Instituto de Surdos-mudos, que teve com a denominação mudada
posteriormente para Instituto Nacional dos Surdos-Mudos (INSM) em 1957.
Em 1981 foi decretada a reforma Benjamin Constant- Decreto 981/novembro. Em
razão deste decreto o “regulamento do IBC incluía disciplinas científicas e assim
aproximava esse ensino do proposto para o âmbito nacional. Todavia, a ênfase no
ensino profissional mantinha características dessa instituição desde a sua criação. Essa
profissionalização defendida em nome da subsistência do cego e de sua família,
abrangia sobretudo as profissões manuais: torneiros, charuteiro, cigarreiro,
empalhador[..]” entre outros. 32. Segundo a autora isso acontecia na casa de Asilo, em
Portugal no século XIX, “a preocupação era dar-lhe os ‘meios de trabalho’ para o
futuro”. 32
“Assim, nota-se que o ISM do Rio de Janeiro vai patrocinar o ensino profissionalizante
ao lado do literário. Em 1874, paralelamente à escolaridade, implantaram-se oficinas de
encardenação”. 32