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Questões Legais

e

Fiscais

Manual Nº 4

Curso de Microcrédito Financiado por

Questões Legais e Fiscais Manual Nº 4 Curso de Microcrédito Financiado por Parceria com Millennium BCP

Parceria com Millennium BCP

Produção da

Questões Legais e Fiscais Manual Nº 4 Curso de Microcrédito Financiado por Parceria com Millennium BCP

e

Questões Legais e Fiscais Manual Nº 4 Curso de Microcrédito Financiado por Parceria com Millennium BCP

FICHA TÉCNICA

Origem

Este manual faz parte de uma série de manuais concebidos em 2006 para preparar empresários que trabalham com apoio a Microcrédito.

Orientação da

colecção

Esta colecção é orientada pela UNIAUDAX, e pela FORMEDIA.

Liderou os trabalhos Eduardo Cruz

UNIAUDAX

AUDAX – Empreendedorismo e Empresas Familiares

Criado em Julho de 2005 pelos Associados Fundadores INDEG/ISCTE e ICAT/FCUL, o AUDAX teve a sua origem na Pós-graduação Empreendedorismo e Criação de Empresas, actualmente na sua 5ª Edição, e tem como missão estudar e promover o espírito empreendedor e intervir junto de potenciais empreendedores e empresários de organizações de natureza familiar. As principais actividades do Centro abrangem áreas como a investigação, consultoria, eventos, publicações, formação e promoção e acompanhamento de veículos de investimento, como é o caso do fundo de capital de risco FIQ Universitas.

http://www.audax.iscte.pt

FORMEDIA

FORMEDIA – Instituto Europeu de Formação de Empresários e Gestores, é uma empresa de formação de executivos, especializada em e-Learning, especialmente vocacionada para o mundo de língua portuguesa, com os melhores programas internacionais.

Tem actividades regulares em Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, em regime presencial e a distância, Online, com recurso à Internet e Multimédia. Em 2006 iniciou também actividades no Brasil.

Funciona com parceiros de elevada qualidade, oriundos dos diversos continentes.

Criada em 1988, a FORMEDIA definiu a sua missão como um centro de desenvolvimento de gestão, que visa implementar o espírito empresarial nos países de língua portuguesa, utilizando de forma inovadora as mais modernas tecnologias.

Propriedade e

direitos de

autor

Autoria

A propriedade e os direitos de autor são cedidos à Fundação Calouste Gulbenkian.

A autoria do manual é de:

Dr.ª Serena Cabrita Neto

Dr.ª Constança Maltez

Índice

Objectivos de Aprendizagem do Manual

7

Capítulo 1 – Constituir uma Empresa e mantê-la

9

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

9

SECÇÃO 1

11

Cenário

11

Estratégia

13

Quais as Diferenças entre prosseguir uma Actividade como Profissional Liberal

e através de uma Sociedade Comercial?

13

Solução para o Cenário

17

SECÇÃO 2

19

Cenário

19

Estratégia

21

Qual o Capital mínimo para constituir uma Sociedade Comercial?

21

Deve cada participação social ser realizada em dinheiro?

21

Qual o nome que deve ter uma sociedade comercial?

21

Quais as disposições estatutárias mínimas?

22

Qual o número mínimo de sócios?

23

Como se constitui uma sociedade?

23

O que é a “Empresa na Hora”?

25

Solução para o Cenário

29

SECÇÃO 3

31

Cenário

31

Estratégia

33

Quais as Obrigações Legais que se impõem no decurso do ano pelo facto de manter a Sociedade em Actividade?

33

Solução para o Cenário

35

Exercícios para Resolver

37

BIBLIOGRAFIA

39

WEBGRAFIA

39

Capítulo 2 – Contratar Funcionários

41

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

41

SECÇÃO 1

43

Cenário

43

Estratégia

45

Solução para o Cenário

51

SECÇÃO 2

53

Cenário

53

Estratégia

55

Solução para o Cenário

59

SECÇÃO 3

61

Cenário

61

Estratégia

63

Solução para o Cenário

65

Exercícios para Resolver

67

BIBLIOGRAFIA

69

WEBGRAFIA

69

Capítulo 3 – Cumprir Obrigações Contabilísticas e Fiscais

71

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

71

SECÇÃO 1

73

Cenário

73

Estratégia

75

Como inscrever a sociedade junto das Finanças?

75

Que alterações devem ser comunicadas às Finanças ao longo da vida da empresa?

76

A

cessação de actividade deve ser comunicada às Finanças?

76

Solução para o Cenário

79

SECÇÃO 2

81

Cenário

81

 

Estratégia

83

Quais as obrigações periódicas de tributação sobre o rendimento que devem ser

observadas no caso das empresas constituídas sob a forma de sociedades?

Quais as obrigações periódicas de tributação sobre o rendimento que devem ser

observadas no caso das empresas serem de uma pessoa singular (empresário em

83

nome individual)?

84

Quais os factores a ter em conta na opção entre o regime geral e o regime simplificado no IRC/IRS?

86

O único pagamento de imposto é aquele feito após a entrega da declaração anual

no IRS/IRC?

87

Solução para o Cenário

89

SECÇÃO 3

91

Cenário

91

Estratégia

93

Que obrigações periódicas existem a nível de IVA para os empresários?

93

Quando deve ser pago o IVA e como quantificar o montante a pagar ao Estado?

 

94

Solução para o Cenário

95

Exercícios para Resolver

97

BIBLIOGRAFIA

99

WEBGRAFIA

99

Capítulo 4 – Cumprir Obrigações Fiscais para com Clientes e Fornecedores

101

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

101

SECÇÃO 1

103

Cenário

103

Estratégia

105

Como emitir legalmente uma Factura?

105

Onde poderei obter os impressos das Facturas?

106

Em que situações é possível emitir um talão de venda em vez de uma Factura?

 

107

Solução para o Cenário

109

SECÇÃO 2

111

Cenário

111

Estratégia

113

Quando deve o empresário emitir a Factura ou o Talão de Venda?

113

Solução para o Cenário

115

SECÇÃO 3

117

Cenário

117

Estratégia

119

É obrigatória a nomeação de um Técnico Oficial de Contas?

119

Em que prazo deve ser garantida a contabilização dos movimentos da empresa?

120

Deve o empresário ter uma conta bancária afecta exclusivamente à empresa? 120 Por quanto tempo devem ser guardados os documentos contabilísticos e fiscais?

 

121

Solução para o Cenário

123

Exercícios para Resolver

125

BIBLIOGRAFIA

127

WEBGRAFIA

127

GLOSSÁRIO

129

Capítulo I

129

Capítulo

II

131

Capítulo III

131

Capítulo IV

131

Nota de Advertência

133

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6

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7

Objectivos de Aprendizagem do Manual

Após o estudo do presente Manual, o formando deverá saber 1 :

Constituir a sua empresa e mantê-la em actividade, observando as obrigações legais em vigor;

Contratar

funcionários

contratação;

e

observar

as

normas

laborais

e

fiscais

inerentes

a

essa

Conhecer as obrigações contabilísticas e fiscais a que a empresa está sujeita, no início, no decurso e na cessação de actividade;

Conhecer as principais obrigações fiscais a observar no relacionamento com fornecedores e clientes, designadamente as relacionadas com a facturação da empresa.

1 Ver a “Nota de Advertência” feita no final do presente Manual.

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9

Capítulo 1 – Constituir uma Empresa e mantê-la

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

Após o estudo do presente capítulo, o formando deverá saber:

O que é uma sociedade comercial;

Constituir uma sociedade;

Cumprir as obrigações legais que se impõem no decurso do ano pelo facto de manter a sociedade em actividade.

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11

SECÇÃO 1

Cenário

A Dra. Maria José Pires acabou de se licenciar em veterinária. Pretende abrir um consultório veterinário junto com mais 2 colegas recém-licenciados.

Quer saber se deve constituir uma sociedade com os colegas ou se devem proceder a actividade juntos, cada um como profissional liberal

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12

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13

Estratégia

Quais as Diferenças entre prosseguir uma Actividade como Profissional Liberal e através de uma Sociedade Comercial?

O profissional liberal (bem como o empresário em nome individual) exerce a sua actividade sem

que esta, em particular os seus riscos, seja autonomizável face à sua esfera privada.

Por outras palavras, o património pessoal do profissional liberal responde pelas dívidas que ele possa contrair no exercício da profissão. E, por outro lado, os rendimentos que ele aufira na sua actividade pertencem-lhe imediatamente, sendo tributados em IRS (declaração Mod. B).

Quando os vários colegas exercem em conjunto a sua profissão liberal podem dividir entre si as despesas (que em princípio se presume terem sido suportadas em partes iguais) mas, quanto aos rendimentos, cada um deverá passar os seus recibos verdes referentes ao que auferiu.

O profissional liberal pode optar, para efeitos de tributação em IRS, pelo regime simplificado

(caso em que se presumirá ter tido um montante de despesas correspondente a certa percentagem

da sua facturação) ou por ter contabilidade organizada (caso em que se deduzirão as despesas que legalmente forem dedutíveis de entre as efectivamente feitas) 2 .

Já uma sociedade comercial – seja unipessoal e plural, por quotas ou por acções – constitui um

património independente, afecto a uma actividade que é prosseguida com limitação da responsabilidade de cada sócio ao valor da sua participação social (do valor da sua quota ou das suas acções).

2 ver Secção II do Cap. III deste manual

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14

Apenas as sociedades por quotas (unipessoais ou plurais) com facturação comercial não superior a 149.639,37 Euros podem optar pelo regime simplificado, para efeitos de tributação em IRC 3 .

O profissional liberal que opte pelo regime simplificado não necessita de ter as suas declarações fiscais subscritas por um Técnico Oficial de Contas (TOC), ao passo que qualquer estrutura societária implica a obrigação de ter a sua contabilidade entregue a um TOC ou mesmo um Revisor Oficial de Contas (ROC).

3 vd. idem

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17

Solução para o Cenário

Caso a Dra. Maria José Pires pretenda que o seu património pessoal seja absolutamente distinto do património e recursos afectos à sua actividade profissional, é então aconselhável a constituição de uma sociedade comercial de responsabilidade limitada.

Esta é também uma opção que lhe permitirá regular, desde o início, através dos estatutos, o funcionamento dessa actividade e a responsabilidade e função de cada sócio (desde o valor da quota ou participação social de cada sócio até quem tem poderes de gerência, etc.).

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19

SECÇÃO 2

Cenário

O Sr. Manuel Fernandes e mais alguns colegas de escola pretendem constituir uma empresa para se dedicarem à tradução e retroversão de documentos e prestação de serviços de tradução em conferências e outros eventos.

Todos vão entrar com o mesmo valor de capital, mas no caso do Sr. Manuel Fernandes, este pensava realizar a sua quota-parte em espécie (com diverso material de escritório) em vez de dinheiro.

Ainda não pensaram no nome que pretendem para a sociedade.

Pretendem uns estatutos simples, sem quaisquer particularidades especiais.

Querem saber quais os passos a percorrer para constituírem a sua sociedade.

Querem saber se podem constituir a chamada “Empresa na Hora”.

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21

Estratégia

Qual o Capital mínimo para constituir uma Sociedade Comercial? Deve cada participação social ser realizada em dinheiro?

Numa sociedade por quotas, mesmo unipessoal, o capital social mínimo é de 5.000,00 Euros 4 e

as

entradas podem ser realizadas em dinheiro ou em espécie.

numa sociedade anónima, o capital social mínimo, constituído por acções nominativas ou ao

portador, é de 50.000,00 Euros e as entradas de capital também podem ser realizadas em dinheiro ou em espécie.

Qual o nome que deve ter uma sociedade comercial?

O nome, ou firma, de uma sociedade por quotas deve ser formado, com ou sem sigla, pelo nome

ou firma dos ou de alguns dos sócios, e/ou por denominação particular, e concluir por “Limitada”, devendo ainda conter a indicação de algum dos objectos sociais da sociedade 5 e, caso seja uma sociedade unipessoal por quotas, deve conter a expressão “sociedade unipessoal”

ou “unipessoal, Limitada” 6 .

O nome ou firma de uma sociedade anónima é formado do mesmo modo, mas termina com a

expressão “S.A.” ou “Sociedade Anónima” 7 .

4 art.º 201.º e 270.º-G do Código das Sociedades Comerciais (CSC)

5 art.º 200.º CSC

6 art.º 270.º CSC

7 art.º 275.º CSC

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22

Em qualquer caso, a firma de uma sociedade deve ser requerida ao Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC), que a autorizará se preencher os referidos requisitos, e não deve ser confundível com nenhuma outra já autorizada.

Quais as disposições estatutárias mínimas?

Ainda que possam ser muito simples, os estatutos de uma sociedade deverão obrigatoriamente existir e serem aprovados aquando da sua constituição.

Dos estatutos de qualquer sociedade deve constar 8 :

a) A identificação dos sócios ;

b) O tipo de sociedade ;

c) A firma, o objecto, a sede e o capital social ;

d) As entradas de capital e a identificação das entradas em espécie, e os pagamentos efectuados por conta das quotas a realizar ;

e) O exercício anual (se diferente do ano civil).

Numa sociedade por quotas, mesmo unipessoal, deve mencionar-se também o montante de cada quota e o seu titular 9 .

No caso de uma sociedade anónima, dos estatutos devem constar também 10 :

a) o valor nominal e o número de acções;

b) qualquer especificidade na transmissão de acções;

c) as categorias de acções e respectivos direitos;

d) se as acções são nominativas ou ao portador e como se processam as conversões;

8 art.º 90 CSC

9 art.º 199.º CSC 10 art.º 272.º CSC

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e) o montante do capital realizado e o prazo para a realização do resto;

f) qualquer autorização para a emissão de obrigações;

g) a estrutura da administração e da fiscalização da sociedade.

Para além destes elementos essenciais, é usual referir a existência de direitos especiais de certos sócios, as regras de funcionamento da sociedade, a forma de exercício do direito de voto pelos sócios e o processo de liquidação e partilha em caso de dissolução da sociedade.

Qual o número mínimo de sócios?

Uma sociedade por quotas deve ter um mínimo de 2 sócios, mas é admitida legalmente a sociedade unipessoal por quotas.

Já uma sociedade por acções deve ser constituída por pelo menos 5 sócios 11 , havendo contudo casos ou situações em que se admite um número inferior de sócios.

Como se constitui uma sociedade?

O procedimento usual inclui os seguintes passos:

1. Pedido de certificado de admissibilidade de firma ou denominação de pessoa colectiva, junto do RNPC 12 , para aprovação da firma, que será válido por 3 meses;

O uso de uma firma sem prévia obtenção deste certificado constitui contra-ordenação punível com coima.

2. Pedido de cartão provisório de pessoa colectiva, junto RNPC 13 , o que pode ser feito em simultâneo com o anterior, para poder iniciar a actividade mesmo antes de estar constituída a empresa, e enquanto não se tem o cartão definitivo;

11 art.º 273.º/1 CSC

12 preenchendo-se o mod. 31 RNPC, indicando-se até 3 firmas possíveis, por ordem de preferência

13 preenchendo o mod. 10 RNPC

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24

3. Elaboração do contrato de sociedade, ou estatutos de sociedade (vd. atrás);

4. Declaração de inicio de actividade, que deve ser apresentada no serviço de finanças competente no prazo máximo de 90 dias desde a emissão do cartão provisório de pessoa colectiva, assinado pelo representante legal da sociedade e pelo seu TOC ou ROC 14 ;

5. Depósito do Capital Social, consoante o que tiver ficado decidido – e assim conste da constituição da sociedade – quanto à parte do capital realizado em dinheiro e cuja entrada é realizada desde logo, i. e., não é diferida;

Pode ser feita em qualquer instituição bancária, em nome da sociedade a constituir.

Aquando da constituição da sociedade os sócios declaram sob compromisso de honra que fizeram tal depósito, não lhes sendo exigida a exibição do documento comprovativo.

Este dinheiro pode ser movimentado apenas após o registo de constituição da sociedade na Conservatória do Registo Comercial ou, caso os sócios o tenham autorizado, logo após a assinatura do contrato de constituição da sociedade.

6. Assinatura do contrato de constituição de sociedade

Que actualmente, face à alteração legislativa do DL 76-A/2006 de 29/3, apenas se impõe que seja por escritura pública caso essa seja a forma exigida para a transmissão dos bens com que algum sócio entre para a sociedade, por exemplo, um imóvel 15 .

7. Registo da constituição da sociedade na Conservatória Registo Comercial, incluindo, e em simultâneo, o pedido de publicação dessa constituição no Diário da República.

8. Cumprimento das obrigações inerentes à qualidade de entidade patronal:

- Inscrição na Segurança Social quer da sociedade quer do administrador, directores e gerentes 16 salvo 17 :

a) sócios gerentes por força dos estatutos mas que não exerçam de facto a gerência nem recebam retribuições;

14 vd Secção I do capitulo III deste manual

15 art.º 80.º/2 e) do Código de Notariado

16 Com a entrega do Mod. RV 1011/2003 – DGSSS, disponível em http://www.seg-social.pt

17 vd DL 327/93 de 25/9 e DL 103/94 de 20/4

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b) gerentes/directores/administradores que sejam também empregados da sociedade

e que já estejam abrangidas pelo registo de protecção social;

c) os que nunca receberam e que já estejam abrangidos por outro lado ou sejam

pensionistas por invalidez ou velhice.

- Comunicação à Inspecção-Geral do Trabalho dos elementos de identificação da empresa recém-constituída, bem como dos seus corpos gerentes 18

- Notificação

da

modalidade adoptada para a organização dos respectivos serviços na empresa (internos, interempresas ou externos) 19

do

Instituto

para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

- Notificações ao Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho e à Direcção-Geral de Saúde dos elementos identificadores dos serviços externos ou interempresas contratado 20

O que é a “Empresa na Hora”?

Hoje é já possível constituir uma sociedade num único dia 21 .

É a chamada “Empresa na Hora”, que permite constituir uma empresa numa qualquer Conservatória do Registo Comercial (actualmente apenas em Aveiro, Coimbra, Moita e Barreiro) e nos Centros de Fiscalidades de Empresas (actualmente só nos Centro de Formalidade de Empresas de Aveiro e Coimbra).

Este procedimento tem contudo as seguintes restrições:

- Não se aplica a sociedades com o capital realizado com entradas em espécie;

18 Minuta da comunicação está disponível em http://www.igt.gov.pt/default.aspx

19 Mod. 1360 INCM - Consultar: http://www.ishst.pt/

20 Consultar: http://www.ishst.pt/

21 Com a entrada em vigor do Decreto Lei nº 14/2005 de 8 de Julho (alterado pelo Decreto Lei nº 76- A/2006 DE 29 de Março)

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- Obriga à adopção de uma firma com expressão constante da lista de nomes registados a favor do Estado ou (num futuro próximo) à apresentação de certificado de admissibilidade de firma já emitido (e válido).

- Obriga à adopção de uns estatutos de modelo aprovado pelo Director Geral dos Registos e Notariado.

- Obriga ao depósito das entradas em dinheiro antes do acto de constituição da empresa ou até 5 dias úteis depois.

O serviço em causa fará ou promoverá todos os passos acima referidos até ao registo da

constituição da sociedade ao longo de um único dia e, após concluir este procedimento, no prazo

de

24 horas, promoverá as publicações legais, remeterá para o serviço de finanças a declaração

de

inicio de actividade, e disponibilizará aos serviços competentes os dados necessários para as

comunicações à IGT e à segurança social 22 .

22 art.º 13.º idem

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Solução para o Cenário

O Sr. Manuel Fernandes não vai poder recorrer aos serviços rápidos da Empresa na Hora, por realizar parte da sua entrada em espécie.

Vai contudo poder constituir a empresa sem necessidade de uma escritura pública, já que a lei não impõe uma escritura publica para a transmissão dos bens com que irá realizar a sua entrada.

Quanto aos estatutos, ele e os futuros sócios terão de os elaborar, ainda que sejam o reflexo da simplicidade pretendida, ou adoptar um dos tipos de estatutos disponibilizados pela Direcção Geral de Registos e Notariado.

Vão ter também de determinar quais – ou se até todos – sócios irão ser gerentes da sociedade, e quais as suas remunerações, uma vez que dessa decisão resulta o seu enquadramento, ou não, na segurança social.

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31

SECÇÃO 3

Cenário

A Sra. D. Cristina Faria é gerente de uma sociedade que se dedica à prestação de serviços de manutenção de jardins.

A sociedade foi já constituída e iniciou actividade no início do ano.

Quer saber quais as obrigações que a partir de agora terá que garantir que sejam cumpridas, referentes à sociedade e à sua actividade.

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33

Estratégia

Quais as Obrigações Legais que se impõem no decurso do ano pelo facto de manter a Sociedade em Actividade?

Adiante, no capítulo II deste manual (secção II e III) indicam-se as obrigações legais, fiscais e parafiscais que se impõem no decurso do ano pelo facto de a sociedade manter ao serviço os seus empregados, e também relativas ao próprio empresário, na qualidade de gerente.

Igualmente adiante, no capítulo III deste manual, são indicadas as obrigações periódicas que ao longo do ano deverão ser cumpridas referentes aos impostos mais importantes (IRS, IRC e IVA).

Para além destas obrigações, importa à gerência cuidar de cumprir o seu dever de relatar a gestão e apresentar contas perante a assembleia geral dos sócios, dever anual 23 .

Trata-se de um relatório sobre a gestão do ano transacto e das contas respectivas, acompanhado dos documentos de prestação de contas, elaborado e assinado pelos gerentes ou administradores que estiverem em funções ao tempo da apresentação, mas aqueles que tenham estado em funções durante o exercício em causa têm o dever de prestar todas as informações que lhes forem solicitadas.

O relatório e as contas (e os documentos) devem ser apresentados para aprovação em assembleia geral até ao dia 31 de Março do ano seguinte ao ano civil a que dizem respeito 24 , e depois depositados na Conservatória do Registo Comercial.

23 Artº 65º e seguintes do CSC 24 Artº 65º nº 2 idem

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Solução para o Cenário

A Sra. D. Cristina Faria deve cuidar que sejam cumpridas:

a) As obrigações fiscais da sociedade, incluindo as declarações (mensais ou trimestrais) de Iva, as declarações anuais de IRC, os pagamentos por conta e especiais por conta de IRC e as entregas das retenções na fonte de IRS;

b) As obrigações parafiscais da sociedade, incluindo os pagamentos à segurança social das contribuições e as declarações de inscrição e de alteração relativas aos empregados e aos próprios gerentes;

c) As demais obrigações declarativas da sociedade decorrentes do facto de ter empregados ao seu serviço, incluindo as declarações à IGT;

d) A elaboração e aprovação do relatório de gestão e contas, e respectivo depósito na Conservatória do Registo Comercial.

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Exercícios para Resolver

O Sr. Paulo Gomes era futebolista de profissão, e pretende constituir uma sociedade em conjunto com outros 4 antigos colegas de profissão para fazer uma escola de futebol para crianças.

Cada um dos futuros sócios vai entrar apenas com dinheiro.

Só dois dos sócios irão ser remunerados pela gerência, se bem que todos irão ser gerentes, porque os outros dois sócios trabalham para uma entidade patronal diferente, e fazem aí os seus descontos para a segurança social.

I

Pode o Sr. Paulo Gomes constituir a sua empresa através do sistema “Empresa na Hora”?

II

Quais os passos a percorrer caso o Sr. Paulo Gomes prefira não constituir a sociedade através do sistema “Empresa na Hora”?

III

Qual o nome que a sociedade poderá adoptar se for uma sociedade por quotas? E se for uma sociedade anónima? E se fosse uma sociedade unipessoal, apenas constituída pelo Sr. Paulo Gomes?

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BIBLIOGRAFIA

Código das Sociedades Comerciais – várias edições disponíveis no mercado;

Código do Notariado – várias edições disponíveis no mercado;

WEBGRAFIA

Sítio Portal do Cidadão: www.portaldocidadao.pt;

Sítio

da

financas.pt;

Direcção-Geral

das

Contribuições

e

Impostos:

http://www.dgci.min-

Sítio da segurança social: http://www.seg-social.pt

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Capítulo 2 – Contratar Funcionários

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

Após o estudo do presente capítulo, o formando deverá saber:

Cumprir as obrigações legais referentes à contratação dos seus funcionários;

Cumprir as obrigações legais, fiscais e parafiscais que se impõem no decurso do ano pelo facto de manter ao serviço os seus empregados;

Cumprir as obrigações legais, fiscais e parafiscais do próprio empresário, na qualidade de gerente.

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SECÇÃO 1

Cenário

O Sr. António Silva é empresário em nome individual, no âmbito do qual gere uma sapataria, sendo que está apenas agora a iniciar esta sua actividade.

Quer contratar um empregado para o ajudar na loja nesta fase de arranque.

Quer saber que tipo de contrato deve ou pode escolher (a termo ou sem termo), e quais as formalidades do contrato de trabalho que deve cumprir.

Quer ainda saber se deve inscrever o trabalhador na segurança social.

Quer também saber se há mais algum dever que deva cumprir em virtude de contratar um trabalhador.

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Questões Legais e Fiscais

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Estratégia

Comecemos por apurar em que situações pode o empresário admitir ao seu serviço empregados a termo (certo ou incerto), e em que situações apenas os poderá admitir sem termo.

Nos termos do disposto na lei 25 , o contrato de trabalho apenas poderá ser celebrado a termo quando vise satisfazer necessidades temporárias da empresa e apenas pelo período estritamente necessário à satisfação de tais necessidades. A lei dá como exemplo de necessidades temporárias:

a) a substituição de trabalhador ausente ou temporariamente impedido de prestar serviço (por exemplo, por doença) ou que esteja temporariamente em “part-time”;

b) a substituição de trabalhador que esteja em tribunal a discutir o seu despedimento (porque caso o despedimento seja declarado ilícito o trabalhador pode vir a ser reintegrado);

c) actividade sazonal ou de produção por natureza irregular;

d) acréscimo excepcional de actividade da empresa;

e) execução de tarefa ocasional ou serviço determinado não duradouro, ou de obra, projecto ou actividade temporária.

Para além da satisfação de necessidades temporárias, a lei admite a celebração de contratos de trabalho a termo apenas em outros dois casos:

a) lançamento de uma nova actividade de duração incerta, ou início da actividade de uma empresa ou estabelecimento;

b) contratação de trabalhadores à procura de primeiro emprego ou de desempregados de longa duração (ou outras situações previstas em legislação especial)

25 artº 129º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei 99/2003 de 27 de Agosto (CT)

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Em todos os casos de satisfação de necessidades temporárias, mas só nesses casos, o contrato pode ser celebrado a termo incerto, durando então todo o tempo da ausência do trabalhador substituído ou todo o tempo necessário para a conclusão da actividade ou tarefa que justifica a sua celebração 26 .

Caso seja celebrado a termo certo, o contrato durará o prazo que for estipulado. Contudo, só poderá ser estipulado prazo inferior a 6 meses em caso de satisfação de necessidades temporárias, e só para essas, excepto em caso de obra, projecto ou actividade temporária, caso em que o contrato deverá ser celebrado pelo prazo previsto para a tarefa ou serviço a realizar 27 .

Em todos os outros casos, não é permitida a contratação de um trabalhador a termo, seja certo ou incerto, devendo portanto o trabalhador ser contratado sem termo.

Vejamos agora quais as formalidades que o empresário deverá cumprir, ao contratar um trabalhador.

A lei não impõe, como regra, que o contrato de trabalho seja reduzido a escrito, salvo em alguns casos particulares, como, p.exº:

- Contrato-promessa de trabalho;

- Contrato de trabalho a termo (certo ou incerto);

- Contrato de trabalho com trabalhador estrangeiro;

- Contrato de trabalho a tempo parcial;

- Contrato de trabalho com isenção de horário.

26 artºs 143º e 144º CT 27 artºs 139º nº 1 e 142º do CT

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47

Nos casos em que se estabelece um termo para o contrato de trabalho, seja certo ou incerto, o motivo justificativo desse termo deve ser também indicado por escrito no contrato, mencionando-se em concreto o facto que se entende enquadrar um dos motivos que a lei aceita para o termo (exº para substituir a Sra. D. Violeta Cruz, que se encontra ausente por baixa por doença, pelo prazo que esta baixa durar).

A falta (ou insuficiência) desta menção do motivo justificativo do termo, bem como a falta da redução a escrito do contrato, ou das assinaturas no contrato, implica que o contrato se deva considerar feito sem termo 28 .

Contudo, mesmo nos casos em que não há a obrigação legal de ter o contrato de trabalho escrito, a lei obriga o empresário a informar, por escrito, o trabalhador (que deve assinar a informação) os seguintes aspectos 29 :

a) a identificação da entidade patronal;

b) a categoria do trabalhador e a caracterização das suas funções;

c) a data de celebração do contrato, e do seu início;

d) a duração das férias ou os critérios usados para determinar essa duração;

e) o prazo de aviso prévio para a cessação do contrato que deverá ser cumprido pelo trabalhador e pelo empregador;

f) o valor da retribuição e a sua periodicidade;

g) o período normal de trabalho diário e semanal;

h) o contrato colectivo de trabalho aplicável, quando haja;

Assim, a redução a escrito de todo e qualquer contrato de trabalho assegurará ao empresário que está a cumprir a lei, de forma literal e rigorosa nos casos em que essa obrigação é imposta, e por excesso de forma nos casos em que “apenas” é imposta a informação escrita que se referiu atrás.

28 Artº 131º CT 29 Artºs 98º e 99º do CT

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48

Quanto à segurança social, é efectivamente, nos termos da lei 30 , obrigação do empresário o preenchimento e entrega nos respectivos serviços da declaração de inscrição do trabalhador admitido.

A referida declaração faz-se preenchendo o formulário legal 31 , que é entregue em suporte de papel nos serviços da Segurança Social competentes ou através da Internet.

Note-se que a taxa contributiva que impenderá sobre o empresário será em princípio de 23,75% (cabendo ao trabalhador o pagamento de uma taxa contributiva de 11%), havendo contudo casos em que essa taxa é diminuída (p. exº na contratação de desempregados de longa duração, de empregados à procura do 1º emprego, deficientes, em caso de sectores economicamente débeis, etc.) 32 ou mesmo total ou parcialmente isenta (p. exº na reinserção social de reclusos, etc) 33 ou, pelo contrário, agravada (p. exº em função do número de trabalhadores contratados na empresa e da respectiva duração dos seus contratos de trabalho) 34

Finalmente, em relação a outras obrigações resultantes do facto de se contratar um trabalhador, cabe sublinhar que o empresário deverá promover a realização de exames de saúde, com vista a verificar a aptidão física e psíquica do trabalhador para o exercício da actividade, bem como a repercussão desta, e das condições em que é prestada, na saúde do mesmo 35 .

Assim, a entidade patronal está obrigada a promover e custear exames de saúde de admissão, que deverão ser feitos antes do início da prestação de trabalho ou, se a urgência da admissão o justificar, nos 15 dias seguintes.

30 Decreto Lei nº 8-B/2002, de 15 de Janeiro

31 Mod. RV1009/2003– DGSSS, disponível em http://www.seg-social.pt

32 Artºs 3º e 6º do Decreto Lei nº 199/99 de 8 de Junho

33 Artº 7º do Decreto Lei nº 199/99 de 8 de Junho

34 Artº 8º do Decreto Lei nº 199/99 de 8 de Junho e artº 138º do CT e artº 172º da Lei 35/2004 de 29 de Julho

35 art.º 245.º, da Lei 35/2004 de 29 de Julho – Regulamentação do Código de Trabalho (RCT)

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Em certos casos específicos, como por exemplo de contratação de trabalhadores estrangeiros ou em regime de isenção de horário de trabalho, impõe-se também a informação à Inspecção Geral do Trabalho.

Deve ainda o empresário cuidar de informar a contratação do novo empregado quer à seguradora onde tenha contratado o seguro de acidentes de trabalho obrigatório, quer à empresa que lhe preste os serviços impostos pela legislação de segurança, higiene e saúde no trabalho.

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Solução para o Cenário

O Sr. António Silva, empresário em nome individual, apenas agora a iniciar a sua actividade de sapataria, pode contratar um empregado para o ajudar na loja nesta fase de arranque através de um contrato de trabalho.

Pode adoptar um contrato de trabalho a termo certo, mas por prazo não inferior a 6 meses, caso em que terá de reduzir o contrato a escrito, mencionando o facto de o termo se justificar pelo arranque da sua actividade de sapataria.

O trabalhador deve ser inscrito na segurança social, e deve também ser sujeito a exames médicos de admissão.

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SECÇÃO 2

Cenário

A Sra. D. Teresa Almeida é sócia gerente de uma sociedade por quotas, que gere um estabelecimento de restauro de móveis antigos, tendo a trabalhar para si 5 empregados, 4 dos quais contratados sem termo e 1 a termo certo, e mais 2 pessoas ocasionalmente a colaborar em regime de prestação de serviços (a “recibo verde”).

Quer saber quais as obrigações legais, fiscais e parafiscais que devem ser cumpridas pela sociedade no decurso do ano pelo facto de manter ao serviço os seus empregados.

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Estratégia

Antes de mais, note-se que os colaboradores “a recibo verde” não são empregados da sociedade,

não têm qualquer contrato de trabalho com ela. Pelo contrário, a sociedade é sua cliente,

recebendo e pagando os seus serviços.

As únicas obrigações fiscais que a sociedade tem para com estes prestadores de serviços são de

lhes reter o IRS, à taxa legal de 20% (calculado sobre o valor líquido de iva facturado) sempre

que lhes faz algum pagamento, retenção que é entregue ao fisco até ao dia 20 do mês seguinte e,

no início do ano civil seguinte, entregar a cada colaborador uma declaração dos valores totais

pagos e retidos ao colaborador no ano anterior.

Quanto aos trabalhadores, a sociedades deve respeitar as seguintes obrigações:

1. Deve naturalmente, a todo o tempo, cumprir os deveres laborais que lhe são

impostos enquanto entidade patronal na relação laboral, isto é, deve pagar

atempadamente a retribuição aos trabalhadores, deve respeitar e garantir-lhes o

efectivo gozo do seu direito a férias, deve garantir-lhes a efectiva ocupação do seu

posto de trabalho, deve respeitar e fazer respeitar as regras de segurança, higiene e

saúde no trabalho, etc. 36

2. Até dia 15 de cada mês deverão ser enviados, em suporte de papel ou através da

Internet, à Segurança Social, os Mapas de Remunerações relativos ao mês

anterior 37

3. Até dia 20 de cada mês deverão ser entregues no Serviço de Finanças os Mapas

de IRS e as retenções efectuadas aos trabalhadores 38

36 Artº 120º do CT 37 Mod. 1742, INCM, disponível em http://www.seg-social.pt - Art.º 6.º do Decreto Regulamentar nº 26/99, de 27 de Outubro

38 Consultar: http://www.e-financas.gov.pt/de/jsp-dgci/main.jsp - Artº 13º do Decreto Lei nº 42/91 de 22 de Janeiro

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4. Em Janeiro e Julho de cada ano deverá ser enviada à Inspecção-Geral do Trabalho a relação nominal dos trabalhadores que prestaram trabalho suplementar durante o semestre anterior 39

5. Trimestralmente

a

contratação de trabalhadores a termo, o fundamento legal do termo constante do contrato e a sua cessação 40

deverá

ser

comunicado

à

Inspecção-Geral

do

Trabalho

6. Até 31 de Março de cada ano deverá ser enviado à Inspecção-Geral do Trabalho o relatório anual de formação contínua da empresa 41 .

7. Até 30 de Abril de cada ano deverá ser enviado à Inspecção-Geral do Trabalho o Relatório Anual de Higiene e Segurança no Trabalho 42 .

8. Até 15 de Maio de cada ano deverá ser enviado à Inspecção-Geral do Trabalho o Balanço Social da empresa. O balanço social é elaborado até 31 de Março, em seguida é submetido a parecer dos representantes dos trabalhadores (se existirem) e remetido até 15 de Maio à administração do trabalho (DGEEP- Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento) e IGT 43 .

9. Até 30 de Novembro de cada ano deverão ser enviados à Inspecção-Geral do Trabalho os Mapas de Pessoal 44 .

39 Art.º 204º nº 6 do CT

40 Art.º 133º nº 2 do CT

41 Poderá ser apresentado em suporte digital ou correio electrónico e, no caso de microempresas (até 10 trabalhadores), em suporte de papel - Artº 170º do RCT

42 A entrega por meio informático (Correio Electrónico, Disquete ou CD-ROM) é obrigatória para os empregadores com mais de 10 trabalhadores. A aplicação informática do relatório, assim como os respectivos manuais de operação para o preenchimento e entrega por meio informático, estão disponíveis para download na página Internet da Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento em http://www.dgeep.mtss.gov.pt/destaques/shst/shst2005.php - Artº 259º do RCT

43 A DGEEP disponibiliza, apenas para consulta, o Modelo (Decreto Lei 9/92, de 22 de Janeiro) e as respectivas Instruções de Preenchimento, devendo estes ser adquiridos na INCM:

http://www.dgeep.mtss.gov.pt/destaques/bsocial/bs2005.php - Artº s 458º e seguintes do RCT

44 A entrega por meio informático (Correio Electrónico, Disquete ou CD-ROM) é obrigatória para os empregadores com mais de 10 trabalhadores. Consultar o site da DGEEP – Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento - Artº 452º do RCT.

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10. Até 48 horas antes da sua entrada em vigor deverá ser enviado à Inspecção-Geral do Trabalho o mapa de horário de trabalho, o que poderá ser feito por correio electrónico 45 .

11. Nos prazos constantes dos respectivos contratos que a sociedade tenha celebrado deverá ser comunicado à empresa prestadora de serviços de Saúde no Trabalho o mapa de baixas do mês imediatamente anterior e, à empresa seguradora (seguros de acidentes de trabalho), os mapas de férias do mês imediatamente anterior.

Em relação ao dever de garantir a formação contínua dos trabalhadores, impõe a lei que a cada trabalhador deve ser assegurado um número mínimo de 35 horas anuais de formação certificada 46 , em área coincidente (ou afim) com a actividade desenvolvida pelo trabalhador, e deve abranger, em cada ano, pelo menos 10% dos trabalhadores com contrato sem termo.

O dever de formação abrange igualmente os trabalhadores contratados a termo, cuja duração do

contrato, inicial ou com as renovações, exceda 6 meses.

Se o contrato durar menos de 1 ano, a formação corresponde a um número de horas igual a 1%

do período normal de trabalho; se o contrato durar entre 1 e 3 anos, a formação corresponde a um

número de horas igual a 2% do período normal de trabalho; e se o contrato durar mais de 3 anos,

a formação corresponde a um número de horas igual a 3% do período normal de trabalho.

A violação deste direito do trabalhador constitui contra-ordenação grave, punível com coima,

sendo que ao trabalhador a quem não foi prestada a formação imposta por lei será devida uma

indemnização específica aquando da cessação do contrato de trabalho.

45 Artºs 179º e 181º do CT. 46 20 horas em 2006 e 35 horas daí em diante (artº 125º nºs 3 e 4 do CT)

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Solução para o Cenário

A Sra. D. Teresa Almeida, na qualidade de gerente, deve garantir que, em relação aos colaboradores da sociedade (prestadores de serviço “a recibos verdes”), se efectuem as retenções de IRS em cada pagamento, que tais retenções sejam entregues ao fisco e que sejam enviadas aos colaboradores as declarações anuais referentes aos pagamentos e retenções que lhes foram feitos.

Quanto aos empregados, deve cumprir, para além dos deveres gerais impostos à entidade patronal, as obrigações declarativas perante o fisco (referente às retenções), a IGT (referente a trabalho suplementar, formação contínua, trabalhadores a termo, horários de trabalho, mapas de pessoal, e segurança, higiene e saúde e ao Balanço Social), a segurança social (entregas das contribuições) e a entidade prestadora dos serviços no âmbito da segurança, higiene e saúde, e ainda a seguradora de acidentes de trabalho.

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SECÇÃO 3

Cenário

O Sr. Filipe Correia é gerente e sócio único de uma sociedade comercial unipessoal, que prossegue a actividade de mediação na compra e venda de obras de arte, exerce a sua actividade de gerente, de forma remunerada, a tempo inteiro e em exclusividade, ajudado por um empregado com contrato de trabalho sem termo.

Quer saber quais são as suas obrigações legais, fiscais e parafiscais, na qualidade de gerente.

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Estratégia

Em relação aos empregados, as obrigações que o empregador tem para com estes são diversas, e foram já identificadas acima na secção anterior, para a qual se remete.

Já em relação ao gerente, a sociedade (seja unipessoal ou não) deve antes de mais deliberar se ele é ou não remunerado 47 .

Caso o gerente seja remunerado, então tudo se processará com grande semelhança com o regime aplicável aos trabalhadores por conta de outrem, no que respeita designadamente à necessidade de proceder a retenção de IRS nos pagamentos, e a proceder a contribuições para a segurança social.

Contudo, e ainda que o gerente não seja remunerado, deve a sua nomeação ser informada à segurança social, devendo a empresa proceder a contribuições para a segurança social, optando pelo escalão remuneratório que para o efeito mais lhe convenha.

Apenas estará isento da contribuição para a segurança social o gerente que demonstre que já contribui por outro vínculo para a segurança social e que opta por tal isenção.

47 Deliberação em regra constante de acta da assembleia geral, mas que poderá desde logo constar dos próprios estatutos da sociedade.

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Solução para o Cenário

O Sr. Filipe Correia, dado que não exerce mais nenhuma outra actividade, deve inscrever-se na segurança social e proceder aos descontos com referência à sua remuneração, que deve cuidar de ter sido deliberada em acta da assembleia geral ou nos estatutos da sociedade.

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Exercícios para Resolver

A Sra. D. Amélia Fonseca é gerente de uma empresa de engomadoria, mas trabalha também por

conta de outrem num consultório médico, onde é remunerada e por onde faz descontos para a segurança social.

A

engomadoria tem 4 empregadas contratadas sem termo. Uma destas empregadas foi atropelada

e

encontra-se neste momento hospitalizada, sem ser possível ainda prever por quanto tempo

estará ausente do trabalho.

I

Pode a Sra. D. Amélia Fonseca contratar a termo alguém para substituir a empregada ausente?

II

Tem a Sra. D. Amélia Fonseca a obrigação de facultar formação profissional a essa pessoa que irá contratar?

Que obrigações declarativas tem de cumprir perante a IGT relativamente a essa pessoa?

III

Deve a Sra. D. Amélia Fonseca fazer contribuições para a segurança social na qualidade de gerente da sociedade?

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BIBLIOGRAFIA

Código do Trabalho – várias edições disponíveis no mercado;

Regulamentação do Código de Trabalho – várias edições disponíveis no mercado;

WEBGRAFIA

Sítio Portal do Cidadão: www.portaldocidadao.pt

Sítio

da

financas.pt

Direcção-Geral

das

Contribuições

e

Impostos:

http://www.dgci.min-

Sítio da segurança social: http://www.seg-social.pt

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Capítulo 3 – Cumprir Obrigações Contabilísticas e Fiscais

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

Após o estudo do presente capítulo, o formando deverá saber:

Cumprir as obrigações fiscais no início, alteração e cessação de actividade;

Cumprir as obrigações periódicas referentes ao pagamento de impostos sobre o rendimento (IRS ou IRC);

Cumprir as obrigações periódicas referentes ao pagamento do IVA;

Observar prazos de declaração dos citados impostos.

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SECÇÃO 1

Cenário

O

Sr. António Ferreira é sócio-gerente de uma sociedade por quotas que se dedica à exploração

de

uma lavandaria aberta ao público.

Como acabou de constituir a sociedade, o Sr. António Ferreira pretende saber que procedimentos deve seguir para inscrever a empresa junto das Finanças, bem como quais as ocorrências da vida da sua empresa que deve comunicar àquela autoridade.

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Estratégia

Como inscrever a sociedade junto das Finanças?

Antes de mais, cumpre referir que, para a generalidade das empresas, quer sejam individuais, quer sejam sociedades, existe a obrigação de inscrição para efeitos de Imposto sobre o Valor Acrescentado (“IVA”), para serem tributadas como sujeitos passivos deste imposto.

A actividade empresarial será tributada, quanto aos rendimentos gerados, a nível de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (“IRC”), se a empresa for uma sociedade comercial, ou de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (“IRS”), se se tratar de um empresário em nome individual.

Para que a referida tributação ocorra, é necessária e obrigatória, a inscrição no cadastro das Finanças, vulgarmente apelidada de “início de actividade”.

Assim, a empresa, quando seja constituída sob a forma de uma sociedade comercial, só pode iniciar a sua actividade após a respectiva inscrição junto das Finanças, para além dos passos obrigatórios referidos no Capitulo I deste Manual.

De igual forma, também os empresários em nome individual, que não sejam sociedades comerciais, deverão proceder a essa inscrição.

A inscrição nas Finanças (a efectuar no Serviço de Finanças do local onde funciona a sede da empresa) deve ocorrer no prazo máximo de 90 dias após a emissão do cartão provisório de Pessoa Colectiva (ver Capítulo I deste Manual), sob pena de aplicação de uma coima.

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Essa inscrição é feita em simultâneo para efeitos de IVA e IRC e na mesma deve constar o nome do Técnico Oficial de Contas (“TOC”) nomeado (que deve também assinar a declaração e colocar a sua vinheta) e implica o preenchimento de diversos campos, referentes ao regime de tributação a adoptar para efeitos de IVA e IRC, os quais devem ser preenchidos com o auxílio do TOC nomeado.

Que alterações devem ser comunicadas às Finanças ao longo da vida da empresa?

Qualquer alteração que ocorra em relação aos elementos declarados na declaração de início de actividade, quer digam respeito ao IVA, quer digam respeito ao IRC (ou IRS se se tratar de um empresário em nome individual), ou a ambos os impostos – quer, por exemplo, a mudança de TOC, de sede da sociedade, do nome dos gerentes, etc. – obriga o empresário a apresentar uma “declaração de alterações” nas Finanças, dando conta das alterações efectuadas.

Essa declaração deve ser apresentada no prazo de 15 dias a contar da verificação da alteração, sob pena de aplicação de uma coima.

A cessação de actividade deve ser comunicada às Finanças?

Nos termos do Código do IVA, a cessação da actividade deve ser comunicada às Finanças sempre que se esgote o activo da empresa, ocorra cessação do exercício da actividade ou se transmita a propriedade do estabelecimento. Se o empresário não estiver a exercer a actividade, e a mesma não tenha sido declarada cessada, oficiosamente, pelas próprias Finanças, o mesmo deverá entregar a sua declaração periódica de IVA (ainda que não haja montantes a declarar, nem a pagar), sob pena de lhe serem aplicadas “presunções de rendimentos” com liquidações de imposto oficiosas, baseadas em estimativas.

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Para efeitos de IRC, tratando-se de uma sociedade comercial a mesma deverá ser declarada em 30 dias após o encerramento da liquidação da empresa e da sua apresentação a registo, uma vez que é esse o acto que determina a extinção da sociedade.

Se se tratar de um empresário em nome individual, pessoa singular, o Código do IRS determina que a cessação seja declarada no prazo de 30 dias após a cessação dos actos da actividade empresarial.

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Solução para o Cenário

O Sr. António Ferreira, enquanto gerente da sociedade, deve promover a declaração de início de actividade junto do Serviço de Finanças onde se situa a sede da sua empresa, no prazo de 90 dias a contar da emissão do cartão provisório de Pessoa Colectiva (NIPC). Nessa declaração, o Sr. António Ferreira deve identificar o TOC da sua empresa, que deverá assinar a declaração, apondo na mesma a respectiva vinheta. O Sr. António Ferreira deverá pedir auxílio ao seu TOC no preenchimento da declaração de início de actividade, designadamente quanto aos elementos respeitantes ao regime de tributação e dados contabilísticos.

Sempre que ocorrerem alterações na vida empresarial que impliquem modificações dos dados

declarados no início de actividade, o Sr

em 15 dias, a alteração desses elementos junto das Finanças.

António Ferreira ou outro gerente, deverá promover,

Quando cessar a actividade da sua sociedade, deverá comunicar o mesmo às Finanças, quer para efeitos de IVA, quer para efeitos de IRC, evitando assim a ulterior liquidação oficiosa de impostos.

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SECÇÃO 2

Cenário

Iniciada a actividade da sua lavandaria, o Sr. António Ferreira, quer saber que obrigações periódicas tem para efeitos de tributação do rendimento gerado pela empresa, e em que prazos as mesmas devem ser cumpridas.

Quer ainda saber se tem de pagar alguma quantia a título de imposto no decorrer do primeiro ano de actividade, atendendo que só prevê obter 50.000 Euros de volume de negócios (facturação).

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Estratégia

Quais as obrigações periódicas de tributação sobre o rendimento que devem ser observadas no caso das empresas constituídas sob a forma de sociedades?

No caso das sociedades e demais pessoas colectivas, a lei determina que a tributação do rendimento gerado na actividade da empresa seja efectuada através do pagamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC).

O IRC tem dois regimes:

o geral, em que a taxa de 25% é aplicada sobre o resultado que resultar da contabilidade da empresa, sujeita a determinadas correcções decorrente da aplicação das regras constantes do Código do IRC;

o simplificado, ao qual apenas podem aceder as empresas com uma facturação anual não superior a 149.639,37 Euros, as chamadas “micro-empresas”, em que a taxa é de 20%, sobre o resultado da aplicação de uma dedução percentual ao volume de negócios (variável consoante se trate de prestações de serviços ou de vendas de bens).

As opções pelo regime obedecem a regras próprias e complexas, pelo que o empresário deve acautelar-se todos os anos (e no início de cada ano, pois as opções de alteração devem ser comunicadas até 31 de Março) junto do seu TOC e também do serviço de finanças, que está inserido no regime de tributação que efectivamente pretende.

Seja qual for o regime adoptado, o apuramento desse imposto é feito numa base anual – verificando qual o rendimento auferido durante um ano pela empresa, e sujeitando-o a tributação, após a aplicação das regras do imposto, sejam as do regime geral, sejam as do regime simplificado.

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O IRC é um imposto “auto-liquidado”, ou seja, o apuramento do imposto é feito pelo próprio contribuinte, na Declaração anual desse imposto (Declaração Modelo 22), que é apresentada pelo Técnico Oficial de Contas (TOC) da empresa (ver Capítulo IV deste Manual). Depois de apresentada a declaração, se houver imposto a pagar, o mesmo deve ser pago por iniciativa da empresa, uma vez que não irá receber qualquer nota de liquidação do serviço de finanças.

Na supracitada declaração, a apresentar via Internet até ao último dia do mês de Maio de cada ano (referente ao ano anterior), o TOC declarará os elementos necessários, retirados da contabilidade da empresa, e promoverá aos ajustamentos decorrentes do Código do IRC, apurando o imposto a pagar.

No caso de haver prejuízos, não existindo imposto a pagar, os mesmos serão deduzidos nos seis exercícios seguintes, aos eventuais lucros a auferir, até se esgotar o saldo, mas apenas se o empresário se encontrar no regime geral, uma vez que no regime simplificado esta dedução não é possível.

Depois, até ao final do mês de Junho, e com referência a cada ano, a empresa deverá apresentar a declaração anual contabilística e fiscal, com os respectivos mapas e anexos, que serve para controlar as eventuais retenções efectuadas, bem como dados referentes aos clientes e fornecedores da empresa. Esta declaração também deverá ser preenchida pelo TOC da empresa.

Quais as obrigações periódicas de tributação sobre o rendimento que devem ser observadas no caso das empresas serem de uma pessoa singular (empresário em nome individual)?

No caso das pessoas singulares que exerçam uma actividade empresarial, a lei determina que a tributação do rendimento gerado na actividade seja efectuada através do pagamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), sendo os rendimentos auferidos declarados como rendimentos da Categoria B.

Questões Legais e Fiscais

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O IRS, à semelhança do IRC, também tem dois regimes:

o geral, em que a taxa do imposto (que é progressiva, por escalões sendo a mínima de 10,5% e a máxima de 42%, consoante o montante de rendimentos) é aplicada sobre o resultado apurado da contabilidade do empresário (que é somada aos demais rendimentos auferidos pelo agregado familiar do empresário), sujeita a determinadas correcções decorrente da aplicação das regras constantes do Código do IRC (que também é aplicável nestes casos) e do IRS;

o simplificado, ao qual apenas podem aceder os empresários com uma facturação anual não superior a 149.639,37 Euros, no caso de venda de produtos, ou de 99.759,58 Euros, no caso de prestação de serviços, em que a taxa de imposto (igual à do regime geral) é aplicada sobre o resultado de uma dedução percentual ao volume de negócios (variável consoante se trate de prestações de serviços ou de vendas de bens).

Também no caso do IRS as opções pelo regime (geral ou simplificado) obedecem a regras próprias e complexas, pelo que o empresário deve acautelar-se todos os anos (e no início de cada ano, pois as opções de alteração devem ser comunicadas até 31 de Março), junto do seu TOC, e também do serviço de finanças, que está inserido no regime de tributação que efectivamente pretende.

Seja qual for o regime adoptado, também no caso do IRS o apuramento do imposto é feito numa base anual, embora ao rendimento auferido, durante um ano, pelo empresário, sejam ainda aditados os demais rendimentos do agregado familiar deste, bem como as deduções aplicáveis, sendo a tributação do empresário, nesse caso, feita em conjunto com os rendimentos familiares.

Ao contrário do IRC, o IRS não é um imposto “auto-liquidado”, ou seja, o apuramento do

imposto é feito pelas autoridades fiscais que, após a entrega da Declaração anual desse imposto (Declaração Modelo 3), envia a liquidação do imposto para o domicílio fiscal do agregado familiar do empresário. A declaração será apresentada pelo empresário, embora se aconselhe que

o preenchimento do Anexo respectivo à actividade empresarial, ainda que inserida no regime

simplificado, seja preenchida com auxílio do TOC da empresa (ver Capítulo IV deste Manual).

Questões Legais e Fiscais

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A declaração Modelo 3 deve ser entregue anualmente pelo empresário, via Internet, até ao dia 30 de Abril.

No caso de haver prejuízos, não existindo imposto a pagar, os mesmos serão deduzidos nos seis exercícios seguintes, aos eventuais lucros a auferir, até se esgotar o saldo, mas apenas se o empresário se encontrar no regime geral, uma vez que no regime simplificado esta dedução não é possível.

Para os casos de opção pelo regime geral, os empresários deverão também apresentar, até ao final do mês de Junho, e com referência a cada ano, a declaração anual contabilística e fiscal, com os respectivos mapas e anexos, à semelhança do que sucede no IRC.

Quais os factores a ter em conta na opção entre o regime geral e o regime simplificado no IRC/IRS?

A opção pelo regime geral ou pelo regime simplificado obedece a algumas variáveis que cumpre considerar, e essa opção deve ser ponderada com aconselhamento do TOC da sociedade ou do empresário em nome individual.

Em geral, haverá que ter em conta, nessa opção, o seguinte:

só poderão estar inseridas (e, portanto, optar por qualquer dos regimes) as empresas que não ultrapassem os limites de facturação expostos supra. As empresas que ultrapassarem esses limites, ficam obrigatoriamente sujeitas ao regime geral;

para actividades com muitos custos dedutíveis, documentados, de montante superior às deduções efectuadas no regime simplificado, será aconselhável, em princípio, o regime geral de tributação;

Questões Legais e Fiscais

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O único pagamento de imposto é aquele feito após a entrega da declaração anual no IRS/IRC?

Quer estejamos perante uma sociedade (pessoa colectiva), quer estejamos perante um empresário em nome individual (pessoa singular), para além do imposto a pagar anualmente, a empresa pode:

ter de efectuar retenções na fonte (de IRS ou IRC) a rendimentos pagos a outras entidades, devendo entregar as respectivas quantias ao Estado;

ter de suportar retenções na fonte feita por entidades que lhe pagam rendimentos;

ter de efectuar pagamentos por conta, do imposto devido a final (IRC ou IRS); e ainda,

no caso das sociedades tributadas pelo regime geral do IRC, ter de efectuar um pagamento especial por conta do imposto devido a final.

Qualquer das situações acima expostas carecem de acompanhamento do TOC da empresa, uma vez que têm implicações quer na contabilidade e facturação, quer a nível das declarações que é preciso apresentar (designadamente no caso de retenção na fonte sobre outras entidades), e ainda a nível de cumprimento de prazos.

As retenções na fonte, que ocorrem em IRS e também em IRC (apenas em certos casos), determinam que uma percentagem dos pagamentos feitos pelo empresário a terceiros (por serviços prestados) é retida pelo empresário que a vai posteriormente entregar ao Estado, em nome da pessoa que auferiu o rendimento (o pagamento).

Da mesma forma, se o empresário auferir rendimentos sujeitos a retenção na fonte, a entidade que lhos pagar terá de proceder a essa retenção, entregando-a em nome do empresário ao Estado. O empresário que sofreu a retenção, deduzirá os montantes retidos na fonte na Declaração anual que apresentar no ano seguinte, com referência ao exercício em que foi feita a retenção.

Questões Legais e Fiscais

88

O imposto assim deduzido, será descontado do imposto final a pagar, sendo que, caso o imposto

retido seja superior ao imposto a pagar, o empresário será reembolsado.

Caso o empresário não aufira rendimentos anuais superiores a 10.000 Euros, estará sempre dispensado de sofrer retenção na fonte.

Quanto aos pagamentos por conta, os mesmos ocorrem quer no caso do IRC, quer no caso do IRS e consistem na antecipação de um montante, a pagar por três vezes durante o ano – Julho, Setembro e Dezembro – correspondentes ao resultado de um cálculo que tem por referência o imposto liquidado no exercício anterior, podendo ser limitado em certos casos. Esta antecipação de imposto, à semelhança do que se passa com as retenções na fonte suportadas pelo empresário, será descontado do imposto final a pagar, sendo que, caso o imposto retido seja superior ao imposto a pagar, o empresário será reembolsado.

O pagamento especial por conta – apenas aplicável a empresários sujeitos ao regime geral do

IRC – é efectuado duas vezes por ano (Março e Outubro) e corresponde a 1% do volume de negócios do ano anterior, com o limite mínimo de 1250 Euros (em suma, todos os empresários sujeitos a este regime terão de efectuar este pagamento). Também este pagamento é descontado do imposto pago a final, à semelhança do pagamento por conta acima referido.

Questões Legais e Fiscais

89

Solução para o Cenário

Como se trata de uma sociedade, o Sr. António Ferreira tem de declarar anualmente, para efeitos

de IRC, os rendimentos da sociedade (quer esteja inserido no regime simplificado, quer esteja

inserido no regime geral), através da Declaração Modelo 22, a entregar até dia 31 de Maio do ano seguinte, que deverá ser preenchida pelo TOC da empresa, procedendo ao pagamento do imposto que houver eventualmente a pagar.

Como se trata do primeiro ano de actividade, a empresa do Sr. António Ferreira está dispensada

de efectuar o pagamento especial por conta, o qual só é devido a partir do 3º ano de actividade.

Também por se tratar do 1º ano de actividade, a empresa está dispensada de efectuar os pagamentos por conta de IRC, uma vez que no exercício anterior não houve actividade.

O Sr. António Ferreira tem de proceder à retenção na fonte dos rendimentos que pagar a

entidades sujeitas a essa retenção, que para o efeito lhe deverão comunicar essa situação e a taxa aplicável.

Questões Legais e Fiscais

90

Questões Legais e Fiscais

91

SECÇÃO 3

Cenário

O Sr. António Ferreira quer saber quando deve pagar o IVA liquidado aos Clientes da lavandaria pelos serviços prestados e ainda como deve proceder para quantificar o imposto a pagar ao Estado.

Por outro lado, o Sr. António Ferreira quer saber se pode deduzir o IVA suportado com a aquisição de detergentes e maquinaria para a lavandaria.

Questões Legais e Fiscais

92

Questões Legais e Fiscais

93

Que

empresários?

obrigações

Estratégia

periódicas

existem

a

nível

de

IVA

para

os

O Imposto sobre o Valor Acrescentado (“IVA”), ao contrário do IRS e do IRC, é um imposto que visa tributar o consumo e não o rendimento. Quem é visado pelo imposto é o Cliente do empresário, que é quem suporta economicamente esse imposto, mas a entidade encarregue de proceder à cobrança do imposto e à sua entrega ao Estado é a empresa.

São, portanto, sujeitos passivos de IVA os empresários, em nome individual ou sob a forma de sociedades, que aufiram um volume de negócios anual superior a 10.000 Euros. Os empresários que não facturem este montante ficarão isentos de cobrar o IVA aos seus Clientes.

Há várias actividades e entidades que estão igualmente isentas de imposto, ou sobre as quais recai a aplicação de taxa reduzida, devendo o empresário procurar informar-se sobre se a sua actividade é isenta (ou beneficia da taxa reduzida) antes de iniciar a sua actividade.

Assim, no caso de a actividade não ser isenta, o empresário fica obrigado a cobrar o IVA à taxa aplicável ao seu produto ou serviço (no Continente as taxas são 5%, 12 % ou 21% e nos arquipélagos da Madeira e Açores de 4%, 8% e 15%, consoante os produtos/serviços), o qual deverá ser mencionado na factura ou talão de pagamento a emitir (ver capítulo IV deste Manual).

Por outro lado, o empresário tem de pagar o IVA relativo aos bens e serviços que adquirir a terceiros, devendo solicitar a emissão da Factura contendo a indicação do montante de IVA e a respectiva taxa. Com esse documento, o empresário poderá deduzir a despesa suportada, desde que esta diga respeito a aquisições para a actividade e não seja excepcionada a dedução por lei (o Código do IVA excepciona a dedução, por exemplo, do IVA suportado com despesas de aquisição e utilização de veículos, em certos casos, e muitas outras excepções que cumprirá esclarecer com o TOC da empresa).

Questões Legais e Fiscais

94

Se o empresário tiver actividades que beneficiam da isenção e outras que são sujeitas a IVA, a dedução do imposto suportado é parcial, ou seja, será feita proporcionalmente à parte que não está isenta. Mesmo no caso de actividades isentas, o empresário deve fazer essa menção na Factura que emitir (ver capítulo IV deste Manual).

Quando deve ser pago o IVA e como quantificar o montante a pagar ao Estado?

O empresário fica obrigado a declarar, trimestralmente ou mensalmente (consoante tenha um

volume de negócios anual inferior ou superior a 498,797,90 Euros), em Modelo próprio a preencher pelo TOC da sociedade, quer o IVA cobrado aos seus Clientes (nas operações de venda e de prestação de serviços que efectuar), quer o IVA suportado pela empresa, que será deduzido ao imposto cobrado aos Clientes. O IVA a entregar ao Estado resultará da diferença entre o imposto cobrado e o imposto suportado nas aquisições de bens e serviços, que sejam dedutíveis.

Se o empresário estiver inserido no regime trimestral, a declaração será entregue até dia 15 do 2º

mês seguinte ao final do trimestre em causa (assim será entregue em Maio, referente ao 1º trimestre do ano, em Agosto, referente ao 2º trimestre do ano, em Novembro, referente ao 3º trimestre do ano e, por fim, em Fevereiro do ano seguinte, referente ao último trimestre do ano).

Se estiver inserido no regime mensal, a declaração será entregue até dia 10 do 2º mês seguinte àquele a que disser respeito (por exemplo, a declaração referente a Janeiro, será entregue até dia 10 de Março).

No caso do imposto suportado, em determinado período, ser superior ao imposto cobrado aos Clientes, e o saldo for favorável ao empresário, o mesmo poderá deduzir esse saldo na próxima declaração periódica. Se passados 12 meses existir um saldo a favor do empresário, superior a 249,40 Euros, este poderá solicitar o seu reembolso ao Estado, podendo, nesse caso, ser-lhe exigida a prestação de caução, se a quantia a reembolsar for superior a 1.000 Euros.

Questões Legais e Fiscais

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Solução para o Cenário

O Sr. António Ferreira deve cobrar aos Clientes IVA à taxa máxima (21% no Continente e 15% nos Açores e Madeira), o qual deverá ser inserido na Factura ou talão de venda emitido.

Como está inserido no regime trimestral do IVA, o IVA cobrado aos Clientes deve ser declarado até ao dia 15 do 2º mês seguinte ao final do Trimestre em que foi exigido o imposto. Nessa declaração, será deduzido o IVA suportado com a aquisição de detergentes e também de maquinaria para a lavandaria, uma vez que esse imposto é dedutível, tendo o Sr. António Ferreira apenas que entregar ao Estado a diferença entre o IVA cobrado e o IVA suportado.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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Exercícios para Resolver

I

A

Sra. D.ª Marta Costa é costureira em Braga, estando inserida na Categoria B do IRS. No ano

de 2005 facturou às suas Clientes 45.000 Euros. A Sra. D.ª Marta Costa quer saber se pode estar inserida no regime simplificado do IRS e se é obrigada a apresentar a Declaração anual de

rendimentos.

II

A

sociedade Um, Dois, Três Lda., com o capital social de 15.000 Euros, dedica-se à prestação de

serviços de limpeza, em Elvas.

No decorrer do ano de 2006, a sociedade resolveu passar a vender produtos de limpeza, passando

a prosseguir ambas as actividades. Para além disso, a sociedade alterou a sede para a cidade de Évora, onde se situavam a maior parte dos seus Clientes.

A empresa deve comunicar a alteração do seu objecto social e sede às Finanças?

III

O Sr. Daniel Santos, empresário em nome individual no ramo da venda de móveis, residente na

cidade do Funchal, efectuou as seguintes operações no exercício da sua actividade, no 1º trimestre de 2006:

- vendeu móveis a uma empresa, que em seguida os vai revender a outros Clientes, por 50.000

Euros;

- vendeu uma mesa à Sra. Dª Isabel Ferreira, por 1.000 Euros;

- comprou móveis para revenda, a uma sociedade, por 5.000 Euros.

Questões Legais e Fiscais

98

Perguntas:

1. O Sr. Daniel Santos tem de pagar IVA quanto ao 1º Trimestre de 2006?

2. Em caso afirmativo, qual o valor a entregar?

IV

A sociedade Bolinhos Lda., que se dedica ao ramo da pastelaria e padaria, em actividade desde 2004, obteve no exercício de 2005 um volume de negócios de 45.000 Euros e pagou de IRC a quantia de 2.500 Euros.

Perguntas:

1. A sociedade tem de efectuar algum pagamento por conta em 2006?

2. A sociedade tem de efectuar o pagamento especial por conta?

Questões Legais e Fiscais

99

BIBLIOGRAFIA

Código do IRS (ver em especial os artigos 28º, 31º, 33º, 37º, 57º a 61º, 77º, 97º a 102º e 113º) – várias edições disponíveis no mercado;

Código do IRC (ver em especial os artigos 17º a 25º, 47º, 53º, 82º a 90º, 96º a 105º, 112 e 113º) – várias edições disponíveis no mercado;

Código do IVA (ver em especial os artigos 1º, a 6º, 9º a 15º, 18º, 19º a 22º, 40º 53º) – várias edições disponíveis no mercado;

WEBGRAFIA

Sítio Portal do Cidadão: www.portaldocidadao.pt;

Sítio

da

financas.pt;

Direcção-Geral

das

Contribuições

e

Impostos:

http://www.dgci.min-

Sítio da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas: www.ctoc.pt

Sítio do Instituto de Apoio à Pequena e Média Empresas e ao Investimento (IAPMEI) www.iapmei.pt

Sítio

da

Associação

das

www.pmeportugal.com.pt/

Pequenas

e

Médias

Empresas

de

Portugal

-

Sítio da Associação Nacional dos Jovens Empresários www.anje.pt

Questões Legais e Fiscais

100

Questões Legais e Fiscais

101

Capítulo 4 – Cumprir Obrigações Fiscais para com Clientes e Fornecedores

Objectivos de Aprendizagem do Capítulo

Após o estudo do presente capítulo, o formando deverá saber:

Cumprir as obrigações legais referentes à emissão de uma factura e de documentos equivalentes;

Observar o prazo de emissão de uma Factura;

Cumprir os requisitos legais quanto à sua contabilidade e seleccionar os documentos contabilísticos/fiscais que deve conservar.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

103

SECÇÃO 1

Cenário

A Sra. D.ª Maria Santos é empresária em nome individual, no âmbito do qual gere uma papelaria/livraria e pretende saber se é obrigada a passar factura aos seus Clientes, pelos bens que vender.

A Sra. D.ª Maria Santos quer ainda saber que documento deve exigir ao seu fornecedor habitual de livros, para poder garantir a dedução desse custo, e dos demais suportados na sua actividade, a nível fiscal.

Questões Legais e Fiscais

104

Questões Legais e Fiscais

105

Estratégia

Como emitir legalmente uma Factura?

Em matéria de facturação das empresas e dos empresários em nome individual, aplicam-se as regras do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (“Código do IVA”).

Nos termos daquele Código, todos os sujeitos passivos de IVA (ou seja, todos os empresários em nome individual e sociedades comerciais que tenham registado o seu “início de actividade”, de natureza comercial industrial ou agrícola, junto das autoridades fiscais) devem emitir uma factura ou documento equivalente, em duplicado (destinando-se o original para o cliente) por cada transmissão de bens ou prestação de serviços que efectuarem, bem como pelos pagamentos que lhes sejam efectuados antes da data da transmissão de bens ou da prestação de serviços.

As facturas e os documentos equivalentes devem obedecer, obrigatoriamente, aos seguintes requisitos:

devem ser datados e numerados sequencialmente (não podem existir números repetidos);

devem conter o nome, firma ou denominação social e a sede ou domicílio do fornecedor de bens ou prestador de serviços, bem como a indicação do número de contribuinte fiscal;

devem conter o nome, firma ou denominação social e a sede ou domicílio do adquirente de bens ou de serviços, bem como a indicação do número de contribuinte fiscal;

devem conter a quantidade de bens/serviços fornecidos, com a especificação necessária à correcta determinação da taxa aplicável;

devem conter a menção, em separado, da mercadoria eventualmente devolvida;

devem conter o preço, líquido de imposto, e os outros elementos incluídos no valor tributável (descontos etc.) ou, se se tratar de um retalhista ou prestador de serviços, o preço total com menção de “IVA incluído”;

Questões Legais e Fiscais

106

devem conter as taxas aplicáveis e o imposto devido, e se forem várias as taxas a aplicar, a menção das mesmas deve ser separada;

devem conter as razões da não aplicação do imposto, se for caso disso (por ex. actividade isenta de IVA);

devem indicar a data em que os bens ou serviços tiverem sido colocados à disposição do adquirente, ou realizados, se essa data não coincidir com a emissão da factura.

O empresário (em nome individual ou sociedade) deve optar por emitir “facturas” contendo os

requisitos acima indicados, destinando-se os denominados “recibos verdes”, em regra, aos

profissionais liberais ou trabalhadores independentes (médicos, advogados, etc.).

Onde poderei obter os impressos das Facturas?

Para tanto, o empresário deverá contratar a impressão de facturas, com os requisitos acima indicados, em tipografias licenciadas para o efeito (assegurar-se que a mesma tem esse licenciamento, sob pena de a factura não ser aceite fiscalmente), ou, em alternativa, o mesmo poderá adquirir um programa informático que lhe permita emitir as facturas por essa via (caso em que acresce o requisito da menção de que o documento foi “processado por computador”).

As facturas devem ainda mencionar quantos exemplares foram emitidos e se o documento é o “original” ou o duplicado.

NOTA: ver programa informático fornecido com o curso e também o Manual de Tecnologias de Informação deste curso.

A falta de qualquer dos requisitos acima indicados determina que a Factura não sirva para a

respectiva dedução fiscal, quer para efeitos de IVA (onde o IVA suportado na aquisição é recuperado pelo empresário), quer para efeitos de IRC, onde a despesa inerente à factura ilegal

será considerada como “despesa não documentada”, implicando ainda uma penalização na tributação (em 50% do valor da despesa).

Questões Legais e Fiscais

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Em suma, a correcta emissão de uma factura é muito importante para o empresário, quer do ponto de vista de “fornecedor de bens ou serviços” a terceiros, quer do ponto de vista de “adquirente de bens e serviços” para poder levar a cabo a sua actividade.

Em que situações é possível emitir um talão de venda em vez de uma Factura?

O

Código do IVA vem excepcionar do princípio da obrigatoriedade de emissão de Factura,

as

situações em que o cliente é um particular, que aja enquanto consumidor final e que pague

a aquisição em dinheiro 48 , as quais ficam apenas adstritas à emissão do chamado “talão de

venda”, desde que sejam:

transmissões de bens efectuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes;

transmissões feitas através de máquinas de venda automática;

prestações de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhete, senha ou ingresso, ao portador, comprovativo do pagamento;

e prestações de serviços cujo valor seja inferior a 9,98€ 49

Nestes casos, há dispensa de emissão de factura, mas é obrigatória a emissão de talão de venda. O talão, que poderá ser previamente numerado (com duplicado) ou emitido através de máquina registadora com rolo interno, deverá conter os seguintes elementos:

48 Entende-se por “dinheiro” mesmo os pagamentos por cheque, cartão de débito e crédito. 49 As autoridades fiscais têm entendido incluir-se no conceito de “prestações de serviços” as actividades

de hotelaria e restauração, pelo que, a partir do valor de 9,98€ é obrigatória a emissão de facturas pelos

prestadores destes serviços; porém, foi também esclarecido pela Administração fiscal (em 2006) que

nessas facturas, quando se destinem a Clientes particulares, ou seja, que não se destinem a ser utilizadas

para serem deduzidas a nível fiscal pelos adquirentes dos serviços, não é obrigatória a menção da

identificação e do número fiscal do mesmo.

Questões Legais e Fiscais

108

data, número sequencial;

denominação e número de identificação fiscal do fornecedor;

denominação usual dos bens ou serviços em causa;

o preço líquido de imposto, as taxas de IVA aplicáveis e o montante de imposto devido.

Questões Legais e Fiscais

109

Solução para o Cenário

A Sra. D.ª Maria Santos, enquanto empresária em nome individual que exerce uma actividade comercial, é obrigada a emitir factura, contendo os requisitos legais, se vender bens a um Cliente que não seja um consumidor final.

Se os seus bens forem vendidos a um consumidor final, a Sra. D.ª Maria Santos poderá emitir apenas um talão de venda, contendo os requisitos legais, desde que o pagamento seja efectuado em dinheiro, uma vez que a mesma está a agir enquanto retalhista.

Para garantir a recuperação do IVA suportado e ainda a dedução, a nível de IRC, do custo de aquisição dos livros, a empresária deve exigir ao fornecedor a emissão de uma factura que contenha os requisitos legais, previstos no art. 35º do CIVA.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

111

SECÇÃO 2

Cenário

A Sra. Dª Maria Santos quer saber se deve emitir a factura logo que seja efectuada a encomenda de bens pelos seus Clientes ou apenas aquando do seu pagamento ou entrega das encomendas.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

113

Estratégia

Quando deve o empresário emitir a Factura ou o Talão de Venda?

Nesta matéria aplica-se, mais uma vez, o disposto no Código do IVA o qual determina que a factura ou documento equivalente deverá ser emitido, o mais tardar, até ao 5º dia útil seguinte a contar das seguintes ocorrências:

se se tratar de uma venda de bens, o momento em que os bens são postos à disposição do adquirente e, se implicarem instalação, quando estiverem instalados;

se se tratar de uma prestação de serviços, o momento da sua realização (conclusão).

Há excepções a estas regras que cumpre notar:

se houver adiantamentos de pagamentos, totais ou parciais, a factura deverá ser emitida logo que recebido o montante;

se se tratarem de facturas globais, por períodos (por ex. fornecimentos do mês de Março) o seu processamento não pode ir para além de 5 dias úteis do termo do período a que respeitam.

Para assegurar que a factura é emitida dentro do prazo legal exige-se aos emitentes de facturas, como vimos, a indicação da data em que os bens ou serviços tiverem sido colocados à disposição do adquirente, ou realizados, se essa data não coincidir com a emissão da factura.

É que a obrigação de entrega do IVA ao Estado nasce com a emissão da factura, ainda que o empresário não tenha recebido efectivamente o pagamento do preço e do imposto, dos seus Clientes.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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Solução para o Cenário

Em regra, como se trata de uma venda de bens que não carecem de instalação, nem de encomenda, a Sra. Dª Maria Santos terá que emitir a factura no prazo máximo de 5 dias úteis a contar da data em que coloque os bens à disposição dos Clientes.

Porém, se houver adiantamentos de preço por parte dos Clientes, a factura deverá ser emitida na data do recebimento desse pagamento, ainda que não tenha havido entrega dos bens.

Se se tratar de uma encomenda de bens, sem adiantamento do preço, não haverá lugar à emissão de factura, que só surgirá no prazo máximo de 5 dias úteis a contar do dia em que os bens forem colocados à disposição do Cliente.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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SECÇÃO 3

Cenário

A Sra. D.ª Maria Santos quer saber como organizar a contabilidade da empresa, como manter a mesma, e ainda que obrigações contabilísticas tem de cumprir.

A citada empresária quer ainda saber se tem de conservar todas as facturas e outra documentação referente a aquisições e vendas e por quanto tempo.

Questões Legais e Fiscais

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119

A

empresário?

que

obrigações

Estratégia

contabilísticas

e

fiscais

deve

obedecer

o

Tratemos, neste caso, das obrigações contabilísticas e fiscais do empresário que exerça uma actividade comercial, industrial ou agrícola, cujas regras estão previstas no Código do IVA e ainda no Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (“Código do IRC”).

O Código do IVA determina que a contabilidade deve ser organizada de forma a possibilitar o

conhecimento claro e inequívoco do elementos necessários ao cálculo do IVA. Por sua vez, o Código IRC determina que a contabilidade deve ser organizada de forma a permitir apurar o lucro tributável em sede de IRC, contendo os lançamentos organizados por data (cronológicos), e que os mesmos devem ser suportados por documentos de suporte (facturas, talões de venda, etc).

Em Portugal as regras de contabilização das empresas estão previstas no Plano Oficial de Contabilidade (“POC”), que deve ser obrigatoriamente observado pelos empresários na sua contabilização.

É obrigatória a nomeação de um Técnico Oficial de Contas?

É também obrigatória a nomeação de um Técnico Oficial de Contas (“TOC”), devidamente

acreditado pela Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, que ficará responsável pela

organização, escrituração e manutenção da contabilidade do empresário.

A contabilidade deverá estar localizada na sede da empresa ou noutro local situado em território

português, sendo obrigatória a indicação na declaração de início de actividade, do local onde se

centraliza a contabilidade.

Questões Legais e Fiscais

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Em que prazo deve ser garantida a contabilização dos movimentos da empresa?

A escrituração da contabilidade não pode ter atrasos superiores a 90 dias, pelo que o empresário deve cuidar de remeter todos os documentos que impliquem custos, proveitos ou outros movimentos na esfera da actividade, num prazo razoável, ao seu TOC, para que o mesmo possa cumprir o prazo de escrituração.

Aconselha-se a aquisição de um programa informático para a contabilidade, evitando-se assim a escrituração manual dos livros de contabilidade. Esse programa deve ser credenciado pelas autoridades competentes, como aquele fornecido com este curso (ver Manual de Tecnologias de Informação deste curso).

Deve o empresário ter uma conta bancária afecta exclusivamente à empresa?

Aconselha-se ainda que exista uma conta bancária afecta unicamente à actividade do empresário, ainda que a actividade seja exercida em nome individual, nela se efectuando apenas movimentos referentes à actividade prosseguida, e não a título pessoal. Esta solução permite não só efectuar uma contabilização correcta das operações da actividade, e uma correcta tributação, como protegerá melhor o empresário contra eventuais presunções de lucros encobertos, por parte da administração tributária, em caso de inspecção da actividade.

Estando nomeado o TOC, o empresário, para além de assegurar o envio atempado da documentação acima referida, deverá assegurar-se que o mesmo cumpre os prazos legais de contabilização e ainda de entrega das declarações periódicas de impostos (designadamente de IVA e IRC). Deverão ainda ser comunicadas ao TOC quaisquer alterações na actividade, uma vez que as mesmas implicam, muitas vezes, alterações ao regime de IVA e de IRC, que carecem de ser comunicadas em 15 dias às autoridades fiscais.

Questões Legais e Fiscais

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Por quanto tempo devem ser guardados os documentos contabilísticos e fiscais?

Os documentos contabilísticos e fiscais e a própria contabilidade, devem ser mantidos em bom estado de conservação pelo período de 10 anos.

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Questões Legais e Fiscais

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Solução para o Cenário

A Sra. D.ª Maria Santos deve começar por nomear um TOC, que deverá assegurar que a organização e manutenção da contabilidade e das obrigações declarativas fiscais é efectuada nos termos da lei.

Depois, a empresária deverá remeter periodicamente (por exemplo numa base mensal), ao TOC, toda a documentação susceptível de implicar operações da actividade da empresa, ou outras com implicações contabilística, como facturas, recibos, contratos, notas de encomenda, talões de caixa, etc.

Deverão ainda ser remetidos ao TOC todos os duplicados de facturas/recibos emitidos, ou uma listagem actualizada desses documentos e os extractos bancários da conta afecta à actividade.

A Sra. D.ª Maria Santos deverá assegurar que o TOC mantém a contabilidade actualizada, sem atrasos de escrituração superiores a 90 dias, e que as declarações periódicas de IVA e IRC são entregues atempadamente, bem como o respectivo pagamento (ver Capítulo 5 deste Manual).

A Sra. D.ª Maria Santos deve conservar os registos contabilísticos, bem como toda a documentação de suporte da contabilidade pelo prazo de 10 anos.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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Exercícios para Resolver

I

Carlos é carpinteiro em Viana do Castelo. Como recebeu uma encomenda da empresa X, para fabricar 10 estantes para os escritórios desta, a 1.000€ cada, Carlos quer saber:

1. se tem de emitir factura, e quando, ou se basta um talão de venda;

2. a que requisitos deve obedecer o documento a emitir.

II

A sociedade ABC, Unipessoal Lda., com o capital social de 5.000 €, dedica-se à prestação de serviços de tradução, em Faro.

No âmbito da sua actividade, a sociedade cobra 10% do preço do serviço logo com a adjudicação, recebendo os restantes 90% aquando da entrega do texto traduzido.

Perguntas:

1. deve a ABC passar factura aos seus Clientes e, se sim, com que montante?

2. em que momento deve a factura ser emitida?

III

Marta, empresária em nome individual no ramo do agenciamento de viagens, efectuou as seguintes operações no exercício da sua actividade:

- celebrou um contrato de arrendamento de uma loja para instalar a sua agência, com uma renda de 500€/ mês;

- adquiriu 5 computadores pelo preço de 1.000€ cada;

- vendeu 8 pacotes de viagens à empresa Y, pelo valor de 5.000€, que os vai oferecer aos seus melhores Clientes;

Questões Legais e Fiscais

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- vendeu 1 pacote de viagem ao Sr. Z, para umas férias em família na Madeira, pelo valor de 1.000€;

- procedeu ao pagamento do seu próprio ordenado, de 750€, através da emissão de um cheque.

Perguntas:

1. Das operações acima descritas, quais deve Marta dar conhecimento ao seu TOC?

2. Que documentos deve Marta remeter ao TOC para comprovar cada uma das operações que lhe deve dar conhecimento?

IV

A sociedade 123 Lda., que se dedica ao ramo da venda de produtos naturais, adquiriu um programa informático para a sua contabilidade e facturação, substituindo assim a contabilização e facturação manuais.

Pergunta-se:

1. Por quanto tempo tem a empresa que guardar os suportes da contabilidade (livros de escrituração e facturas) manuais?

2. E quanto aos suportes contabilísticos informáticos, também está obrigada a mantê-los?

Questões Legais e Fiscais

127

BIBLIOGRAFIA

Código do IRS (ver em especial os artigos 115º a 118º) – várias edições disponíveis no mercado;

Código do IRC (ver em especial 115º a 117º) – várias edições disponíveis no mercado;

Código do IVA (ver em especial os artigos 28º, 35º, 39º e 44º, 52º e 53º) – várias edições disponíveis no mercado;

Plano Oficial de Contabilidade (aprovado pelo Decreto-Lei n.º44/99, de 12 de Fevereiro, com alterações subsequentes) – várias edições disponíveis no mercado;

WEBGRAFIA

Sítio Portal do Cidadão: www.portaldocidadao.pt;

Sítio

da

financas.pt;

Direcção-Geral

das

Contribuições

e

Impostos:

http://www.dgci.min-

Sítio da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas: www.ctoc.pt

Sítio do Instituto de Apoio à Pequena e Média Empresas e ao Investimento (IAPMEI) www.iapmei.pt

Sítio

da

Associação

das

www.pmeportugal.com.pt/

Pequenas

e

Médias

Empresas

de

Portugal

-

Sítio da Associação Nacional dos Jovens Empresários www.anje.pt

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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Capítulo I

GLOSSÁRIO

Profissional liberal – genericamente, designa-se assim qualquer actividade lucrativa por conta própria, que não seja de natureza comercial nem industrial, e cuja facturação é titulada pelo chamado “recibo verde”.

Empresário em nome individual – forma de prosseguir, individualmente e por conta própria, uma actividade comercial ou industrial, que é tributada em sede de IRS mas seguindo em geral as regras do IRC (vd. artºs 31º e 32º Código de IRS)

Património – conjunto de todos os bens, direitos e obrigações susceptíveis de avaliação pecuniária, de que uma pessoa (singular ou colectiva) é titular

Tributados – sujeitos a enquadramento, liquidação e eventual pagamento de determinado imposto

Regime simplificado – sistema segundo o qual se dispensa a efectiva contabilização das despesas reais incorridas, presumindo-se, para efeitos de tributação em IRS ou em IRC, isto é, para calcular o lucro, que o contribuinte tenha tido um montante de despesas correspondente a certa percentagem da sua facturação

Contabilidade organizada – organização da contabilidade de uma actividade ou de uma empresa de acordo com a normalização contabilística e outras disposições legais em vigor para o respectivo sector de actividade, que deve distinguir claramente as operações que são sujeitas a IRS e IRC das restantes (vg. artº 17º Código IRC)

Dedutíveis - que se podem deduzir a

Sociedade comercial – resulta da associação de duas ou mais pessoas (salvo no caso da sociedade unipessoal, em que basta uma só pessoa) que se comprometem a pôr em comum determinados bens ou serviços para o exercício de uma actividade económica e com o fim de repartirem entre si os respectivos lucros

Sociedade unipessoal – aquela em que existe apenas um sócio, que detém portanto a totalidade do capital social

Questões Legais e Fiscais

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Quotas e acções – forma de dividir o capital social de uma sociedade comercial: em quotas no caso das sociedades de responsabilidade limitada (cujas denominações terminam em “Lda.”) e em acções no caso das sociedades anónimas (cujas denominações terminam em “S.A.”)

Participação social – parte do capital social de uma sociedade que é detido por um sócio, e que corresponde ao limite da sua responsabilidade

Estatutos – contrato que define as regras de funcionamento de uma sociedade, e que é aprovado aquando da constituição da sociedade, podendo posteriormente ser alterado pelos sócios

Objecto – finalidade prosseguida pela sociedade

Capital social – somatório das participações sociais dos vários sócios, expresso em dinheiro, e que pertence e está inteiramente afecto à sociedade

Exercício anual – período anual durante o qual se exerceu uma actividade económica, e que em regra é coincidente com o ano civil (em regra começa em 1 de Janeiro e termina em 31 de Dezembro), com referência ao qual se fala de balanço do exercício, de lucros do exercício, etc.

Valor nominal – valor da participação social, que ela tem formalmente (valor que consta da acção ou valor que teve a quota quando foi inicialmente constituída a sociedade), mas que, em função dos resultados da actividade da sociedade, pode ou não ser coincidente com o valor real que a correspondente proporção da sociedade tem

Contra-ordenação – infracção à lei

Coima – penalidade que consiste num pagamento em dinheiro aplicada em caso de contra- ordenação

Certificado de admissibilidade de firma – certificado emitido pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas autorizando o uso de determinada firma ou denominação

Pagamentos por conta – entregas em dinheiro, ao fisco, por conta do posterior pagamento de um imposto (IRS ou IRC)

Retenções na fonte – montantes retidos pela pessoa que paga a quem se faz um pagamento, que são entregues ao fisco, em nome da pessoa a quem se reteve esses montantes, por conta do posterior imposto de rendimento (IRS ou IRC) dessa pessoa

Parafiscais – com carácter aparentado ao fiscal, sem contudo se referirem a impostos (ex. contribuições para a segurança social)

Questões Legais e Fiscais

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Capítulo II

Contrato a termo/ sem termo – contrato de trabalho em que está desde logo previsto o seu fim ou em que não está previsto qualquer fim

Celebração – assinatura, outorga

Cessação do contrato – fim do contrato, acto de cessar o contrato

Capítulo III

Sujeitos passivos – entidade individual ou colectiva que tem a obrigação de cumprir as obrigações fiscais de determinado imposto, incluindo as obrigações declarativas, coincidindo normalmente com a entidade vulgarmente denominada de “contribuinte”;

Contribuinte – entidade singular ou colectiva que suporta economicamente o imposto;

Activo – todos os valores materiais (por exemplo, o seu equipamento ou mercadoria) ou imateriais (por exemplo, uma licença de exploração de uma determinada marca) que uma empresa possui, lhe devem ou tem a receber.

Número de Identificação de Pessoa Colectiva (NIPC) – corresponde ao vulgarmente denominado “número de contribuinte” das pessoas singulares, mas atribuído às pessoas colectivas (sociedades). È atribuído pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC) e não pelo Serviço de Finanças.

Exercício anual – período anual durante o qual se exerceu uma actividade económica, e que em regra é coincidente com o ano civil (em regra começa em 1 de Janeiro e termina em 31 de Dezembro), com referência ao qual se fala de balanço do exercício, de lucros do exercício, etc.

Capítulo IV

Lucro tributável – lucro da empresa que vai ser sujeito ao imposto, por aplicação de uma taxa.

Lançamentos – inscrição dos movimentos efectuados na contabilidade.

Questões Legais e Fiscais

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Questões Legais e Fiscais

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Nota de Advertência

Os ensinamentos e referências acima efectuados referem-se às regras gerais, aplicáveis à generalidade das empresas, a nível jurídico (normas comerciais, societárias, fiscais e contabilísticas), sendo que as mesmas não esgotam todas as obrigações do empresário, mas apenas as principais.

Assim, dada a complexidade técnica, as especificidades de cada sector de actividade, a existência de regimes especiais e a constante alteração das leis aplicáveis, é também aconselhável a obtenção de apoio jurídico (prestado por Advogado) e também contabilístico (prestado por Técnico Oficial de Contas ou Revisor Oficial de Contas), para permitir quer a correcta análise do caso concreto de cada empresário, quer ainda para precaver o cumprimento de todas as normas legais e consequentes alterações.

Deverão ainda ser consultadas as associações empresariais de cada sector específico de actividade (informações disponíveis em vários sítios da Internet), as quais poderão fornecer ao empresário as indicações pormenorizadas e específicas de cada ramo de actividade.