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Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

TJ-SP
2ª, 3º, 5ª, 6ª, 7ª, 8º, 9ª e 10ª Regiões Administrativas Judiciárias

Escrevente Técnico Judiciário


Edital de Abertura – Concurso Público

DZ107-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - TJ - SP


2ª, 3º, 5ª, 6ª, 7ª, 8º, 9ª e 10ª Regiões Administrativas Judiciárias

Cargo: Escrevente Técnico Judiciário

(Baseado no Edital de Abertura – Concurso Público)

• Língua Portuguesa
• Direito Penal
• Direito Processual Penal
• Direito Processual Civil
• Direito Constitucional
• Direito Administrativo
• Normas da Corregedoria Geral da Justiça
• Atualidades
• Matemática
• Informática
• Raciocínio Lógico

Autores
Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Greice Aline da Costa Sarquis Pinto
Bruna Pinotti Garcia
Evelise Leiko Uyeda Akashi
Carlos Alexandre Quiqueto

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Diagramação
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes

Produção Editoral
Suelen Domenica Pereira

Capa
Joel Ferreira dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1. Análise, compreensão e interpretação de diversos tipos de textos verbais, não verbais, literários e não literários..........01
2. Informações literais e inferências possíveis............................................................................................................................................... 09
3. Ponto de vista do autor..................................................................................................................................................................................... 09
4. Estruturação do texto: relações entre ideias; recursos de coesão.................................................................................................... 10
5. Significação contextual de palavras e expressões.................................................................................................................................. 13
6. Sinônimos e antônimos..................................................................................................................................................................................... 13
7. Sentido próprio e figurado das palavras.................................................................................................................................................... 13
8. Classes de palavras: emprego e sentido que imprimem às relações que estabelecem: substantivo, adjetivo, artigo,
numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção............................................................................................................... 18
9. Concordância verbal e nominal...................................................................................................................................................................... 51
10. Regência verbal e nominal. .......................................................................................................................................................................... 56
11. Colocação pronominal.................................................................................................................................................................................... 63
12. Crase. ..................................................................................................................................................................................................................... 65
13. Pontuação............................................................................................................................................................................................................. 70

Direito Penal

Código Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 293 a 305; 307; 308; 311-A;................... 01
312 a 317; 319 a 333; 335 a 337;........................................................................................................................................................................ 05
339 a 347; 350; 357 e 359...................................................................................................................................................................................... 12

Direito Processual Penal

Código de Processo Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 251 a 258;............................ 01
261 a 267;.................................................................................................................................................................................................................... 01
274;................................................................................................................................................................................................................................. 01
351 a 372;.................................................................................................................................................................................................................... 06
394 a 497;.................................................................................................................................................................................................................... 08
531 a 538;.................................................................................................................................................................................................................... 21
541 a 548;.................................................................................................................................................................................................................... 24
574 a 667..................................................................................................................................................................................................................... 26
Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (artigos 60 a 83; 88 e 89)................................................................................................................................. 34

Direito Processual Civil

Código de Processo Civil - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 144 a 155; 188 a 275; 294 a
311 e do 318 a 538; 994 a 1026;......................................................................................................................................................................... 01
Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (artigos 3º ao 19) e Lei nº 12.153 de 22.12.2009................................................................................... 84
SUMÁRIO

Direito Constitucional

Constituição Federal – com as alterações vigentes até a publicação do Edital: Título II - Capítulos I, II e III; .................... 01
Título III - Capítulo VII com Seções I e II;......................................................................................................................................................... 32
Artigo 92. .................................................................................................................................................................................................................... 45

Direito Administrativo

Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo (Lei n.º 10.261/68) - artigos 239 a 323; ....................... 01
Lei Federal nº 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) – com as alterações vigentes até a publicação do
Edital...........................................................................................................................................................................................................12

Normas da Corregedoria Geral da Justiça

Tomo I – Capítulo II: Seção I – subseções I e II;............................................................................................................................................ 01


Tomo I - Capítulo III: Seções I, II, V, VI, VII;..................................................................................................................................................... 03
Tomo I - Capítulo III: Seção VIII – subseções I, II e III;................................................................................................................................ 09
Tomo I – Capitulo III: Seções IX a XV, XVII a XIX;.......................................................................................................................................... 11
Tomo I – Capítulo XI: Seções I, IV e V;.............................................................................................................................................................. 21
Tomo I – Capitulo XI: Seção VI – subseções I, III, V e XIII.......................................................................................................................... 24

Atualidades

1. Questões relacionadas a fatos políticos, econômicos, sociais e culturais, nacionais e internacionais, ocorridos a partir
do 2.° semestre de 2017, divulgados na mídia local e/ou nacional;.................................................................................................... 01
2. Artigos 1º ao 13; 34 ao 38 da Lei nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência e Resolução nº 230/2016 do
CNJ, com as alterações vigentes até a publicação deste edital............................................................................................................. 23

Matemática

1. Operações com números reais....................................................................................................................................................................... 01


2. Mínimo múltiplo comum e máximo divisor comum. ........................................................................................................................... 07
3. Razão e proporção. ............................................................................................................................................................................................ 08
4. Porcentagem. ....................................................................................................................................................................................................... 10
5. Regra de três simples e composta. .............................................................................................................................................................. 11
6. Média aritmética simples e ponderada. .................................................................................................................................................... 13
7. Juros simples......................................................................................................................................................................................................... 13
8. Equação do 1.º e 2.º graus. ............................................................................................................................................................................. 14
9. Sistema de equações do 1.º grau. ................................................................................................................................................................ 16
10. Relação entre grandezas: tabelas e gráficos. ........................................................................................................................................ 17
11. Sistemas de medidas usuais. ....................................................................................................................................................................... 20
12. Noções de geometria: forma, perímetro, área, volume, ângulo, teorema de Pitágoras. ..................................................... 22
13. Resolução de situações-problema. ........................................................................................................................................................... 37
SUMÁRIO

Informática

MS-Windows 10: conceito de pastas, diretórios, arquivos e atalhos, área de trabalho, área de transferência, manipulação
de arquivos e pastas, uso dos menus, programas e aplicativos, interação com o conjunto de aplicativos MS-Office
2016, ............................................................................................................................................................................................................................. 01
MS-Word 2016: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, parágrafos, fontes,
colunas, marcadores simbólicos e numéricos, tabelas, impressão, controle de quebras e numeração de páginas,
legendas, índices, inserção de objetos, campos predefinidos, caixas de texto. ............................................................................. 10
MS-Excel 2016: estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e gráficos, elaboração de
tabelas e gráficos, uso de fórmulas, funções e macros, impressão, inserção de objetos, campos predefinidos, controle
de quebras e numeração de páginas, obtenção de dados externos, classificação de dados.................................................... 45
Correio Eletrônico: uso de correio eletrônico, preparo e envio de mensagens, anexação de arquivos................................ 69
Internet: navegação internet, conceitos de URL, links, sites, busca e impressão de páginas..................................................... 77

Raciocínio Lógico

Visa avaliar a habilidade do candidato em entender a estrutura lógica das relações arbitrárias entre pessoas, lugares,
coisas, eventos fictícios; deduzir novas informações das relações fornecidas e avaliar as condições usadas para
estabelecer a estrutura daquelas relações. Visa também avaliar se o candidato identifica as regularidades de uma
sequência, numérica ou figural, de modo a indicar qual é o elemento de uma dada posição. As questões desta prova
poderão tratar das seguintes áreas: estruturas lógicas, lógicas de argumentação, diagramas lógicos, sequências........ 01
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Análise, compreensão e interpretação de diversos tipos de textos verbais, não verbais, literários e não literários..........01
2. Informações literais e inferências possíveis............................................................................................................................................... 09
3. Ponto de vista do autor..................................................................................................................................................................................... 09
4. Estruturação do texto: relações entre ideias; recursos de coesão.................................................................................................... 10
5. Significação contextual de palavras e expressões.................................................................................................................................. 13
6. Sinônimos e antônimos..................................................................................................................................................................................... 13
7. Sentido próprio e figurado das palavras.................................................................................................................................................... 13
8. Classes de palavras: emprego e sentido que imprimem às relações que estabelecem: substantivo, adjetivo, artigo,
numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção............................................................................................................... 18
9. Concordância verbal e nominal...................................................................................................................................................................... 51
10. Regência verbal e nominal. .......................................................................................................................................................................... 56
11. Colocação pronominal.................................................................................................................................................................................... 63
12. Crase. ..................................................................................................................................................................................................................... 65
13. Pontuação............................................................................................................................................................................................................. 70
LÍNGUA PORTUGUESA

PROF. ZENAIDE AUXILIADORA Condições básicas para interpretar


PACHEGAS BRANCO
Fazem-se necessários:
Graduada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Le- - Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros
tras de Adamantina. Especialista pela Universidade Esta- literários, estrutura do texto), leitura e prática;
dual Paulista – Unesp - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do
texto) e semântico;

Observação – na semântica (significado das palavras)


1. ANÁLISE, COMPREENSÃO E incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
INTERPRETAÇÃO DE DIVERSOS TIPOS DE tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
TEXTOS VERBAIS, NÃO VERBAIS, gem, entre outros.
LITERÁRIOS E NÃO LITERÁRIOS. - Capacidade de observação e de síntese e
- Capacidade de raciocínio.

Interpretar X compreender
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público,
a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, vão Interpretar significa
aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento de - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
responder às questões relacionadas a textos. - Através do texto, infere-se que...
- É possível deduzir que...
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- - O autor permite concluir que...
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar
Compreender significa
e decodificar ).
- intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
está escrito.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases.
- o texto diz que...
Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz
- é sugerido pelo autor que...
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con-
- de acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. ção...
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que - o narrador afirma...
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma
frase for retirada de seu contexto original e analisada se- Erros de interpretação
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele
inicial. É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
Intertexto - comumente, os textos apresentam referên- - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
cias diretas ou indiretas a outros autores através de cita- texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
ções. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, do entendimento do tema desenvolvido.
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas
na prova. - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias con-
trárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivo-
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: cadas e, consequentemente, errando a questão.
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen-
tais de uma argumentação, de um processo, de uma época Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova
definem o tempo). de concurso, o que deve ser levado em consideração é o
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou que o autor diz e nada mais.
de diferenças entre as situações do texto.
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
com uma realidade, opinando a respeito. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun- Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
dárias em um só parágrafo. pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um prono-
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- me oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se
vras. vai dizer e o que já foi dito.

1
LÍNGUA PORTUGUESA

OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia- QUESTÕES


-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e
do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do 1-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – FCC/2014
verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, conside-
também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor re o texto abaixo.
semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante-
cedente. A marca da solidão
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a
existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de
a saber: penumbra na tarde quente.
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com
mas depende das condições da frase. pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque-
- qual (neutro) idem ao anterior. nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é
- quem (pessoa) capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
o objeto possuído. (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta
- como (modo) negra bazar, 2010. p. 47)
- onde (lugar)
quando (tempo) No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo
quanto (montante) reduzido no qual o menino detém sua atenção é
(A) fresta.
Exemplo: (B) marca.
Falou tudo QUANTO queria (correto) (C) alma.
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria (D) solidão.
aparecer o demonstrativo O ). (E) penumbra.
Dicas para melhorar a interpretação de textos Texto para a questão 2:
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do DA DISCRIÇÃO
assunto;
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
Mário Quintana
a leitura;
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
Não te abras com teu amigo
pelo menos duas vezes;
Que ele um outro amigo tem.
- Inferir;
E o amigo do teu amigo
- Voltar ao texto quantas vezes precisar;
Possui amigos também...
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do
(http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade)
autor;
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor
compreensão; 2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o
questão; poema, é correto afirmar que
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade
é algo ruim.
Fonte: (B) amigo que não guarda segredos não merece res-
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- peito.
gues/como-interpretar-textos (C) o melhor amigo é aquele que não possui outros
amigos.
(D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
(E) entre amigos, não devem existir segredos.

3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – SE-


CRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENITEN-
CIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à
questão.

2
LÍNGUA PORTUGUESA

Casamento 4-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-


PE/2012)
Há mulheres que dizem: O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a
Meu marido, se quiser pescar, pesque, totalidade do universo, toda a sociedade, a história, a con-
mas que limpe os peixes. cepção de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo,
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, que se estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. de alguma maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, todos os seus níveis, uma espécie de segunda revelação do
de vez em quando os cotovelos se esbarram, mundo.
ele fala coisas como “este foi difícil” Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Renasci-
“prateou no ar dando rabanadas” mento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1987, p. 73
e faz o gesto com a mão. (com adaptações).
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo. Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual
Por fim, os peixes na travessa, “O riso”.
vamos dormir. (...) CERTO ( ) ERRADO
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva. 5-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010)
(Adélia Prado, Poesia Reunida) Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atin-
giu pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge
A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que uma explicação oficial satisfatória para o corte abrupto e
(A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não generalizado de energia no final de 2009.
gostam que os maridos frequentem pescarias, pois acham Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elé-
difícil limpar os peixes. trica (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa es-
(B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres tatal Furnas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de
que não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os 900 km que separam Itaipu de São Paulo.
esbarrões de cotovelos na cozinha. Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de in-
(C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozi- vestimentos e também erros operacionais conspiraram para
nhas com seus maridos na cozinha, enquanto limpam os produzir a mais séria falha do sistema de geração e distri-
peixes. buição de energia do país desde o traumático racionamento
(D) as mulheres que amam valorizam os momentos de 2001.
mais simples do cotidiano vividos com a pessoa amada. Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações).
(E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite,
para limpar, abrir e salgar o peixe. Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas
do texto acima apresentado, julgue os próximos itens.
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18
estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
(...) CERTO ( ) ERRADO

6-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMINIS-


TRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a viatura,
com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona norte
de São Paulo.”
Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que,
em sua estrutura sintática, houve supressão da expressão
a) vigilantes.
b) carga.
c) viatura.
d) foi.
e) desviada.

7-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)


Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
— Carta para o 9.326!!!
Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está
em
branco, e um outro pergunta:
— Quem te mandou essa carta?
— Minha irmã.

3
LÍNGUA PORTUGUESA

— Mas por que não está escrito nada? que requerem a interação cooperativa dos membros envol-
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando! vidos. Não pressupõe proximidade física ou temporal: pode-
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adaptações). -se ter a mente e/ou o comportamento influenciado por um
escritor ou por um líder religioso que nunca se viu ou que
O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto viveu noutra época. [...]
acima decorre Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação
A) da identificação numérica atribuída ao louco. do poder de influência do líder, implica dizer que parte desse
B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a poder encontra-se no próprio grupo. É nessa premissa que
carta no hospício. se fundamenta a maioria das teorias contemporâneas sobre
C) do fato de outro louco querer saber quem enviou liderança.
a carta. Daí definirem liderança como a arte de usar o poder
D) da explicação dada pelo louco para a carta em bran- que existe nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para
co. fazerem o que se requer delas, da maneira mais efetiva e
E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele. humana possível. [...]
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza Pinto. Gestão
8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na Administração pública do
Estado de São Paulo, org. Lais Macedo de Oliveira e Maria Cristina Pinto
Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
Galvão, Secretaria de Gestão pública, São Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p.
— Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
290 e 292, com adaptações)
— O senhor tem hora?
O sujeito olha para o relógio e diz: 09-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
— Sim. São duas e meia. CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o
— Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente. texto, liderança
— O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me (A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não
paga o aluguel do consultório... pode ser desenvolvida por aqueles que somente executam
Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adaptações).
tarefas em seu ambiente de trabalho.
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de
No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao heróis da história da humanidade, que realizaram grandes
homem para saber se ele feitos e se tornaram poderosos através deles.
A) verificou o horário de chegada e está sob os cuida- (C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até
dos do dr. Pedro. mesmo adquirida, de conseguir resultados desejáveis da-
B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o paga- queles que constituem a equipe de trabalho.
mento do aluguel. (D) torna-se legítima se houver consenso em todos os
C) tem relógio e sabe esperar. grupos quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá
D) marcou consulta e está calmo. mobilizar esses grupos em torno de seus objetivos pes-
E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cui- soais.
dados do dr. Pedro.
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
(GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO DA NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa
FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Atenção: As claro que
questões de números 09 a 12 referem-se ao texto abaixo. (A) a importância do líder baseia-se na valorização de
Liderança é uma palavra frequentemente associada a todo o grupo em torno da realização de um objetivo co-
feitos e realizações de grandes personagens da história e da mum.
vida social ou, então, a uma dimensão mágica, em que al- (B) o líder é o elemento essencial dentro de uma orga-
gumas poucas pessoas teriam habilidades inatas ou o dom nização, pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta
de transformar-se em grandes líderes, capazes de influenciar ou objetivo.
outras e, assim, obter e manter o poder. (C) pode não haver condições de liderança em algumas
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a equipes, caso não se estabeleçam atividades específicas
maioria das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos para cada um de seus membros.
desenvolver consideravelmente as suas capacidades de lide- (D) a liderança é um dom que independe da participa-
rança. ção dos componentes de uma equipe em um ambiente de
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns trabalho.
que aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjun-
to, formam uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias 11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
algumas habilidades, mas elas podem ser aprendidas tanto CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da
através das experiências da vida, quanto da formação volta- liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
da para essa finalidade. No contexto, inter-relação significa
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en- (A) o respeito que os membros de uma equipe devem
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades demonstrar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por
para serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, resultarem em benefício de todo o grupo.

4
LÍNGUA PORTUGUESA

(B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO –
grupo devidamente orientado pelo líder e aqueles propos- VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
tos pela organização a que prestam serviço. questões de números 14 a 16.
(C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em
equipe, de modo que os mais capacitados colaborem com Férias na Ilha do Nanja
os de menor capacidade.
(D) a criação de interesses mútuos entre membros de Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as
uma equipe e de respeito às metas que devem ser alcan- malas nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo
çadas por todos. faz, pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas,
fissuras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre
12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...
proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo) Meus amigos partem para as suas férias, cansados de
A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra-
(A) a presença física de um líder natural é fundamen- mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver
tal para que seus ensinamentos possam ser divulgados e numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da
aceitos. própria vida.
(B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sem- E eu vou para a Ilha do Nanja.
pre se atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as
autores diversos. férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
(C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo, cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já es-
mesmo se houver distância no tempo e no espaço entre tou vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a
aquele que influencia e aquele que é influenciado. moça à janela a namorar um moço na outra janela de outra
(D) as influências recebidas devem ser bem analisadas
ilha.
e postas em prática em seu devido tempo e na ocasião
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. Adaptado)
mais propícia.
*fissuras: fendas, rachaduras
13-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
FGV PROJETOS/2010)
14-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA-
Painel do leitor (Carta do leitor) LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descre-
ver a maneira como se preparam para suas férias, a autora
Resgate no Chile mostra que seus amigos estão
(A) serenos.
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de (B) descuidados.
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo (C) apreensivos.
de uma mina de cobre e ouro no Chile. (D) indiferentes.
Um a um os mineiros soterrados foram içados com (E) relaxados.
sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum-
primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode 15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos,
– VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen-
que, assim como seus amigos, a autora viaja para
to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E,
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons- (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
trando coragem e desprendimento, desceram na mina para (B) escapar do lugar em que está.
ajudar no salvamento. (C) reencontrar familiares queridos.
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – painel do leitor (D) praticar esportes radicais.
– 17/10/2010) (E) dedicar-se ao trabalho.

Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- 16-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde,
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem um bosque” (último parágrafo), a autora sugere que viajará
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO:
para um lugar
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...”
(A) repulsivo e populoso.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma
mina de cobre e ouro no Chile.” (B) sombrio e desabitado.
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” (C) comercial e movimentado.
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.” (D) bucólico e sossegado.
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des- (E) opressivo e agitado.
ceram na mina...”

5
LÍNGUA PORTUGUESA

17) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL- 5-)


PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão. Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por
“o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora-
ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula,
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação
da oração principal. A construção seria: “do apagão, que
atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”);
quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe,
delimita a informação – como no caso do exercício).

RESPOSTA: “CERTO’.

(Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1. Porto Ale- 6-)


gre: L&PM, 1976. p. 95.) “A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes,
abandonada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.”
A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunis- Trata-se da figura de linguagem (de construção ou sintaxe)
ta mineiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar “zeugma”, que consiste na omissão de um termo já citado
que o tema apresentado é anteriormente (diferente da elipse, que o termo não é ci-
(A) a oposição entre o modo de pensar e agir. tado, mas facilmente identificado). No enunciado temos a
(B) a rapidez da comunicação na Era da Informática. narração de que a carga foi desviada e de que a viatura foi
(C) a comunicação e sua importância na vida das pes- abandonada.
soas.
(D) a massificação do pensamento na sociedade mo-
RESPOSTA: “D”.
derna.
7-)
RESOLUÇÃO
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais
aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah,
1-)
porque nós brigamos e não estamos nos falando”.
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun-
do cabe numa fresta.
RESPOSTA: “D”.
RESPOSTA: “A”.
8-)
2-) “O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se
Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informa- o senhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele
ção contida na alternativa: revelar segredos para o amigo marcou horário e se é paciente do Dr. Pedro.
pode ser arriscado.
RESPOSTA: “E”.
RESPOSTA: “D”.
9-)
3-) Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar
Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a au- à conclusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-
tora narra um momento simples, mas que é prazeroso ao -relação; envolve duas ou mais pessoas e a existência de
casal. necessidades para serem atendidas ou objetivos para se-
rem alcançados, que requerem a interação cooperativa dos
RESPOSTA: “D”. membros envolvidos = equipe

4-) RESPOSTA: “C”.


Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie-
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos 10-)
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”. O texto deixa claro que a importância do líder baseia-
-se na valorização de todo o grupo em torno da realização
RESPOSTA: “CERTO”. de um objetivo comum.

RESPOSTA: “A”.

6
LÍNGUA PORTUGUESA

11-) Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem a


Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresenta- analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem utilizar
das, a que está coerente com o sentido dado à palavra “in- o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se ter algo
ter-relação” é: “a criação de interesses mútuos entre mem- fundamentado e coerente! Assim, a linguagem verbal é a
bros de uma equipe e de respeito às metas que devem ser que utiliza palavras quando se fala ou quando se escreve.
alcançadas por todos”. A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da verbal,
não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O objeti-
RESPOSTA: “D”. vo, neste caso, não é de expor verbalmente o que se quer
dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar de outros
12-) meios comunicativos, como: placas, figuras, gestos, objetos,
Não pressupõe proximidade física ou temporal = o cores, ou seja, dos signos visuais.
aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se Vejamos:
houver distância no tempo e no espaço entre aquele que - um texto narrativo, uma carta, o diálogo, uma entrevis-
influencia e aquele que é influenciado. ta, uma reportagem no jornal escrito ou televisionado, um
bilhete? = Linguagem verbal!
Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de fu-
RESPOSTA: “C”.
tebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança, o
aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identificação
13-)
de “feminino” e “masculino” através de figuras na porta do
Em todas as alternativas há expressões que represen-
banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem não verbal!
tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
enobrece / demonstrando coragem e desprendimento. anúncios publicitários.
RESPOSTA: “B”. Observe alguns exemplos:

14-)
“pensando nas suas estradas – barreiras, pedras sol-
tas, fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos
entre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar
nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos.

RESPOSTA: “C”.

15-)
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta
da própria autora! Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.

RESPOSTA: “B”.

16-)
Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.

RESPOSTA: “D”.

17-)
Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta
observar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
Placas de trânsito – “proibido andar de bicicleta”
RESPOSTA: “A”.

Linguagem Verbal e Não Verbal

O que é linguagem? É o uso da língua como forma de


expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem
não é somente um conjunto de palavras faladas ou escritas,
mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos comuni-
camos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?

7
LÍNGUA PORTUGUESA

ra, quando analisamos a literatura, vemos que o escritor


dispensa um cuidado diferente com a linguagem escrita,
e que os leitores dispensam uma atenção diferenciada ao
que foi produzido.
Outra diferença importante é com relação ao tratamen-
to do conteúdo: ao passo que, nos textos não literários
(jornalísticos, científicos, históricos, etc.) as palavras ser-
vem para veicular uma série de informações, o texto literá-
rio funciona de maneira a chamar a atenção para a própria
língua (FARACO & MOURA, 1999) no sentido de explorar
vários aspectos como a sonoridade, a estrutura sintática e
o sentido das palavras.
Veja abaixo alguns exemplos de expressões na lingua-
gem não literária ou “corriqueira” e um exemplo de uso da
mesma expressão, porém, de acordo com alguns escritores,
Símbolo que se coloca na porta para indicar “sanitário na linguagem literária:
masculino”.
Linguagem não literária:
- Anoitece.
- Teus cabelos loiros brilham.
- Uma nuvem cobriu parte do céu. ...

Linguagem literária:
- A mão da noite embrulha os horizontes. (Alvarenga
Peixoto)
- Os clarins de ouro dos teus cabelos cantam na luz! (Má-
rio Quintana)
- Um sujo de nuvem emporcalhou o luar em sua nascen-
ça. (José Cândido de Carvalho)

Como distinguir, na prática, a linguagem literária da não


literária?
- A linguagem literária é conotativa, utiliza figuras (pa-
lavras de sentido figurado) em que as palavras adquirem
Imagem indicativa de “silêncio”. sentidos mais amplos do que geralmente possuem.
- Na linguagem literária há uma preocupação com a es-
colha e a disposição das palavras, que acabam dando vida
e beleza a um texto.
- Na linguagem literária é muito importante a maneira
original de apresentar o tema escolhido.
- A linguagem não literária é objetiva, denotativa, preo-
cupa-se em transmitir o conteúdo, utiliza a palavra em seu
sentido próprio, utilitário, sem preocupação artística. Ge-
ralmente, recorre à ordem direta (sujeito, verbo, comple-
mentos).

Leia com atenção os textos a seguir e compare as lin-


Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.
guagens utilizadas neles.
Fonte: http://www.brasilescola.com/redacao/lingua- Texto A
gem.htm
Amor (ô). [Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predis-
Linguagem Literária e não Literária põe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa:
amor ao próximo; amor ao patrimônio artístico de sua terra.
Sabemos que a “matéria-prima” da literatura são as pa- 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser
lavras. No entanto, é necessário fazer uma distinção entre a ou a uma coisa; devoção, culto; adoração: amor à Pátria;
linguagem literária e a linguagem não literária, isto é, amor a uma causa. 3. Inclinação ditada por laços de família:
aquela que não caracteriza a literatura. amor filial; amor conjugal. 4. Inclinação forte por pessoa de
Embora um médico faça suas prescrições em determi- outro sexo, geralmente de caráter sexual, mas que apresenta
nado idioma, as palavras utilizadas por ele não podem ser grande variedade e comportamentos e reações.
consideradas literárias porque se tratam de um vocabulário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário da Língua
especializado e de um contexto de uso específico. Ago- Portuguesa, Nova Fronteira.

8
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto B Paráfrase

Amor é fogo que arde sem se ver; Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
É ferida que dói e não se sente; Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
É um contentamento descontente; Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
é dor que desatina sem doer. Eu tão esquecido de minha terra...
Luís de Camões. Lírica, Cultrix.
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
Você deve ter notado que os textos tratam do mesmo
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
assunto, porém os autores utilizam linguagens diferentes.
No texto A, o autor preocupou-se em definir “amor”,
usando uma linguagem objetiva, científica, sem preocupa- Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é mui-
ção artística. to utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia. Aqui
No texto B, o autor trata do mesmo assunto, mas com o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto pri-
preocupação literária, artística. De fato, o poeta entra no mitivo conservando suas ideias, não há mudança do senti-
campo subjetivo, com sua maneira própria de se expres- do principal do texto, que é a saudade da terra natal.
sar, utiliza comparações (compara amor com fogo, ferida,
contentamento e dor) e serve-se ainda de contrastes que Paródia
acabam dando graça e força expressiva ao poema (con- A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
tentamento descontente, dor sem doer, ferida que não se outros textos, há uma ruptura com as ideologias impos-
sente, fogo que não se vê). tas e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da
língua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de interpre-
tação, a voz do texto original é retomada para transfor-
2. INFORMAÇÕES LITERAIS E INFERÊNCIAS mar seu sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de suas
POSSÍVEIS. verdades incontestadas anteriormente. Com esse processo
3. PONTO DE VISTA DO AUTOR. há uma indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma
busca pela verdade real, concebida através do raciocínio e
da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo
dessa arte. Frequentemente os discursos de políticos são
Intertextualidade acontece quando há uma referên- abordados de maneira cômica e contestadora, provocando
cia explícita ou implícita de um texto em outro. Também risos e também reflexão a respeito da demagogia praticada
pode ocorrer com outras formas além do texto, música, pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado ante-
pintura, filme, novela etc. Toda vez que uma obra fizer alu- riormente, teremos, agora, uma paródia.
são à outra ocorre a intertextualidade.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o
Texto Original
objeto de sua citação. Num texto científico, por exemplo,
o autor do texto citado é indicado; já na forma implícita, a
indicação é oculta. Por isso é importante para o leitor o co- Minha terra tem palmeiras
nhecimento de mundo, um saber prévio, para reconhecer e Onde canta o sabiá,
identificar quando há um diálogo entre os textos. A inter- As aves que aqui gorjeiam
textualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias da Não gorjeiam como lá.
obra citada ou contestando-as. Há duas formas: a Paráfrase (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
e a Paródia.
Paródia
Paráfrase
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia Minha terra tem palmares
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre onde gorjeia o mar
para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do os passarinhos daqui
texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito.
não cantam como os de lá.
Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna
(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”).
em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23):

Texto Original O nome Palmares, escrito com letra minúscula, subs-


titui a palavra palmeiras, há um contexto histórico, social
Minha terra tem palmeiras e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por
Onde canta o sabiá, Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma inversão do sentido
As aves que aqui gorjeiam do texto primitivo que foi substituído pela crítica à escravi-
Não gorjeiam como lá. dão existente no Brasil.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).

9
LÍNGUA PORTUGUESA

Diferença entre fato e opinião Fato:


Vive-se um momento de um crescente e irrefreável con-
Distinguir “fato” de “opinião” é fundamental na hora sumismo.
de desenvolver um texto dissertativo. A dissertação é as-
sim caracterizada por apresentar a predominância da opi-
nião. Deixar que o fato prevaleça num texto que se quer Opinião:
opinativo é cometer um sério equívoco, pois isso levará à As pessoas são levadas a acreditar que só poderão ser
produção de outra tipologia textual. No caso, uma narra- plenamente felizes se consumirem cada vez mais. Não per-
ção, motivo de sobra para se eliminar o candidato. Ou seja, cebem que a felicidade e a realização pessoal nada têm a ver
trocar fato por opinião é trocar dissertação por narração. com a posse material e o ter mais e mais.
Leia atentamente os exemplos abaixo e veja que não é tão
difícil fazer essa diferenciação. Fonte:
http://lingua-agem.blogspot.com.br/2011/06/fato-al-
Conceituação go-cuja-existencia-independe-de.html
Fato: algo cuja existência independe de quem escreve.

Opinião: maneira pessoal de ver o fato. A depreensão


de conceitos e valores a partir de algo pré-existente, que é 4. ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO:
o fato RELAÇÕES ENTRE IDEIAS;
RECURSOS DE COESÃO.
Alguns exemplos de ‘fato’ e ‘opinião’:

Fato:
A educação brasileira patina no atraso e na defasagem, Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a ca-
em relação à dos países desenvolvidos. pacidade que temos de pensar. Por meio do pensamento,
elaboramos todas as informações que recebemos e orien-
Opinião: tamos as ações que interferem na realidade e organização
Equacionar a problemática da educação no país é ina- de nossos escritos. O que lemos é produto de um pensa-
diável. mento transformado em texto.
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen-
Fato: sar, quando escrevemos sempre procuramos uma maneira
Novamente, a discussão acerca da redução da maiori- organizada do leitor compreender as nossas ideias. A fina-
dade penal ocupa lugar de destaque no congresso. lidade da escrita é direcionar totalmente o que você quer
dizer, por meio da comunicação.
Opinião: Para isso, os elementos que compõem o texto se sub-
Como em todo tema polêmico, discutir a maioridade dividem em: introdução, desenvolvimento e conclusão. To-
penal requer, pela gama de aspectos envolvidos, sensatez e dos eles devem ser organizados de maneira equilibrada.
muita responsabilidade dos legisladores.
Introdução
Fato:
Volta à pauta de discussões da câmara a possibilidade Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen-
de se liberar a maconha. tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa
etapa. Entretanto, essa apresentação deve ser direta, sem
Opinião: rodeios. O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo
A liberação da maconha, no Brasil, não pode ser levada o texto. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não
a cabo antes de se promover um amplo, objetivo e transpa- é equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio títu-
rente debate com toda a sociedade brasileira. lo. Já nos textos mais longos, em que o assunto é exposto
em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um capítulo
Fato: ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa situação,
O progresso célere e a qualquer custo tem levado à pode ter vários parágrafos. Em redações mais comuns, que
exaustão dos recursos naturais do planeta. em média têm de 25 a 80 linhas, a introdução será o pri-
meiro parágrafo.
Opinião:
O homem moderno, sempre ávido por progresso, preci- Desenvolvimento
sa, agora mais do que nunca, rever sua postura no tocante
à maneira como lida com os recursos naturais ainda dispo- A maior parte do texto está inserida no desenvolvi-
níveis no planeta, sob pena de colocar em xeque o próprio mento. Ele é responsável por estabelecer uma ligação entre
futuro da humanidade. a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são elabora-
das as ideias, os dados e os argumentos que sustentam e

10
LÍNGUA PORTUGUESA

dão base às explicações e posições do autor. É caracteriza- Em relação à abertura para novas discussões, a con-
do por uma “ponte” formada pela organização das ideias clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguintes
em uma sequência que permite formar uma relação equili- fatores:
brada entre os dois lados.
O autor do texto revela sua capacidade de discutir um → Para não influenciar a conclusão do leitor sobre te-
determinado tema no desenvolvimento. Nessa parte, ele mas polêmicos, o autor deixa a conclusão em aberto.
se torna capaz de defender seus pontos de vista, além de → Para estimular o leitor a ler uma possível continuida-
dirigir a atenção do leitor para a conclusão. As conclusões de do texto, ou autor não fecha a discussão de propósito.
são fundamentadas a partir daqui. → Por apenas apresentar dados e informações sobre
Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja concluir o
assunto.
escritor já deve ter uma ideia clara de como vai ser a con-
→ Para que o leitor tire suas próprias conclusões, o au-
clusão. Por isso a importância do planejamento de texto.
tor enumera algumas perguntas no final do texto.
Em média, ocupa 3/5 do texto, no mínimo. Já nos tex-
tos mais longos, pode estar inserido em capítulos ou tre- A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o au-
chos destacados por subtítulos. Deverá se apresentar no tor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técnica
formato de parágrafos medianos e curtos. é um roteiro, em que estão presentes os planejamentos.
Os principais erros cometidos no desenvolvimento são Nele devem estar indicadas as melhores sequências a se-
o desvio e a desconexão da argumentação. O primeiro está rem utilizadas na redação. O roteiro deve ser o mais enxuto
relacionado ao autor tomar um argumento secundário que possível.
se distancia da discussão inicial, ou quando se concentra Fonte: http://producao-de-textos.info/mos/view/Caracter%-
em apenas um aspecto do tema e esquece o seu todo. O C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/
segundo caso acontece quando quem redige tem muitas
ideias ou informações sobre o que está sendo discutido, Não basta conhecer o conteúdo das partes de um tra-
não conseguindo estruturá-las. Surge também a dificul- balho: introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de
dade de organizar seus pensamentos e definir uma linha saber o que se deve (e o que não se deve) escrever em
lógica de raciocínio. cada parte constituinte do texto, é preciso saber escrever
obedecendo às normas de coerência e coesão. Antes de
Conclusão mais nada, é necessário definir os termos: coerência diz res-
peito à articulação do texto, à compatibilidade das ideias,
à lógica do raciocínio, a seu conteúdo. Coesão refere-se à
Considerada como a parte mais importante do texto,
expressão linguística, ao nível gramatical, às estruturas fra-
é o ponto de chegada de todas as argumentações elabo- sais e ao emprego do vocabulário.
radas. As ideias e os dados utilizados convergem para essa
parte, em que a exposição ou discussão se fecha. Coerência e coesão relacionam-se com o processo de
Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma produção e compreensão do texto. A coesão contribui para
brecha para uma possível continuidade do assunto; ou a coerência, mas nem sempre um texto coerente apresenta
seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve ser coesão. Pode ocorrer que o texto sem coerência apresente
encerrada com argumentos repetitivos, sendo evitados na coesão, ou que um texto tenha coesão sem coerência. Em
medida do possível. Alguns exemplos: “Portanto, como já outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente bem
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão...”. construído, com frases bem estruturadas, vocabulário cor-
Sua proporção em relação à totalidade do texto deve reto, mas apresentar ideias sem nexo, sem uma sequência
ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das lógica: há coesão, mas não coerência. Por outro lado, um
características de textos bem redigidos. texto pode apresentar ideias coerentes e bem encadeadas,
Os seguintes erros aparecem quando as conclusões fi- sem que no plano da expressão as estruturas frasais sejam
cam muito longas: gramaticalmente aceitáveis: há coerência, mas não coesão.
A coerência textual subjaz ao texto e é responsável pela
→ O problema aparece quando não ocorre uma explo- hierarquização dos elementos textuais, ou seja, ela tem ori-
gem nas estruturas profundas, no conhecimento do mundo
ração devida do desenvolvimento. Logo, acontece uma in-
de cada pessoa, aliada à competência linguística. Deduz-se
vasão das ideias de desenvolvimento na conclusão.
que é difícil ensinar coerência textual, intimamente ligada
→ Outro fator consequente da insuficiência de funda- à visão de mundo, à origem das ideias no pensamento. A
mentação do desenvolvimento está na conclusão precisar coesão, porém, refere-se à expressão linguística, aos pro-
de maiores explicações, ficando bastante vazia. cessos sintáticos e gramaticais do texto.
→ Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no tex- O seguinte resumo caracteriza coerência e coesão:
to em que o autor fica girando em torno de ideias redun-
dantes ou paralelas. Coerência: rede de sintonia entre as partes e o todo de
→ Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita- um texto. Conjunto de unidades sistematizadas numa ade-
mente dispensáveis. quada relação semântica, que se manifesta na compatibi-
→ Quando não tem clareza de qual é a melhor con- lidade entre as ideias. (Na linguagem popular: “dizer coisa
clusão, o autor acaba se perdendo na argumentação final. com coisa” ou “uma coisa bate com outra”).

11
LÍNGUA PORTUGUESA

Coesão: conjunto de elementos posicionados ao longo O emprego de vocabulário inadequado prejudica mui-
do texto, numa linha de sequência e com os quais se es- tas vezes a compreensão das ideias. É importante, ao redi-
tabelece um vínculo ou conexão sequencial. Se o vínculo gir, empregar palavras cujo significado seja conhecido pelo
coesivo faz-se via gramática, fala-se em coesão gramatical. enunciador, e cujo emprego faça parte de seus conheci-
Se se faz por meio do vocabulário, tem-se a coesão lexical. mentos linguísticos. Muitas vezes, quem redige conhece o
significado de determinada palavra, mas não sabe empre-
Coerência gá-la adequadamente, isso ocorre frequentemente com o
- assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do emprego dos conectivos (preposições e conjunções). Não
texto; basta saber que as preposições ligam nomes ou sintagmas
- situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão nominais no interior das frases e que as conjunções ligam
frases dentro do período; é necessário empregar adequa-
conceitual;
damente tanto umas como outras. É bem verdade que, na
- relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o
maioria das vezes, o emprego inadequado dos conectivos
todo, com o aspecto global do texto; remete aos problemas de regência verbal e nominal.
- estabelece relações de conteúdo entre palavras e fra- Exemplos:
ses.
“Estar inteirada com os fatos” significa participação, in-
Coesão teração.
- assenta-se no plano gramatical e no nível frasal; “Estar inteirada dos fatos” significa ter conhecimento
- situa-se na superfície do texto, estabelece conexão dos fatos, estar informada.
sequencial;
- relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as “Ir de encontro” significa divergir, não concordar.
partes componentes do texto; “Ir ao encontro” quer dizer concordar.
- Estabelece relações entre os vocábulos no interior das
frases. “Ameaça de liberdade de expressão e transmissão de
ideias” significa a liberdade não é ameaça;
Coerência e coesão são responsáveis pela inteligibili- “Ameaça à liberdade de expressão e transmissão de
dade ou compreensão do texto. Um texto bem redigido ideias”, isto é, a liberdade fica ameaçada.
tem parágrafos bem estruturados e articulados pelo enca-
Quanto à regência verbal, convém sempre consultar
deamento das ideias neles contidas. As estruturas frasais
um dicionário de verbos, pois muitos deles admitem duas
devem ser coerentes e gramaticalmente corretas, no que
ou três regências diferentes; cada uma, porém, tem um sig-
diz respeito à sintaxe. O vocabulário precisa ser adequado nificado específico. Lembre-se, a propósito, de que as dúvi-
e essa adequação só se consegue pelo conhecimento dos das sobre o emprego da crase decorrem do fato de consi-
significados possíveis de cada palavra. Talvez os erros mais derar-se crase como sinal de acentuação apenas, quando o
comuns de redação sejam devidos à impropriedade do vo- problema refere-se à regência nominal e verbal.
cabulário e ao mau emprego dos conectivos (conjunções, Exemplos:
que têm por função ligar uma frase ou período a outro). Eis
alguns exemplos de impropriedade do vocabulário, colhi- O verbo assistir admite duas regências:
dos em redações sobre censura e os meios de comunica- assistir o/a (transitivo direto) significa dar ou prestar
ção e outras. assistência (O médico assiste o doente):
Assistir ao (transitivo indireto): ser espectador (Assisti
“Nosso direito é frisado na Constituição.” ao jogo da seleção).
Nosso direito é assegurado pela Constituição. = correta
Pedir o =n(transitivo direto) significa solicitar, pleitear
“Estabelecer os limites as quais a programação deveria (Pedi o jornal do dia).
estar exposta.” Pedir que =,contém uma ordem (A professora pediu
Estabelecer os limites aos quais a programação deveria que fizessem silêncio).
Pedir para = pedir permissão (Pediu para sair da clas-
estar sujeita. = correta
se); significa também pedir em favor de alguém (A Diretora
pediu ajuda para os alunos carentes) em favor dos alunos,
“A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.” pedir algo a alguém (para si): (Pediu ao colega para ajudá-
A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias sensa- -lo); pode significar ainda exigir, reclamar (Os professores
cionalistas ou punir os meios de comunicação que veiculam pedem aumento de salário).
tais notícias. = correta
O mau emprego dos pronomes relativos também pode
“Retomada das rédeas da programação.” levar à falta de coesão gramatical. Frequentemente, empre-
Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no ga-se no qual ou ao qual em lugar do que, com prejuízo da
que diz respeito à programação. = correta clareza do texto; outras vezes, o emprego é desnecessário
ou inadequado.

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para


mim no qual estava sem remetente”. (Chegou com um en- 5. SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL
velope que (o qual) estava sem remetente). DE PALAVRAS E EXPRESSÕES.
6. SINÔNIMOS E ANTÔNIMOS.
“Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da
sensibilidade...” 7. SENTIDO PRÓPRIO E FIGURADO
Encontrei belas palavras e não duvido da sensibilidade DAS PALAVRAS.
delas (palavras cheias de sensibilidade).

Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação


das frases, aconselha-se levar em conta as seguintes suges- Consideremos as seguintes frases:
tões para o emprego correto dos articuladores sintáticos Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja!
(conjunções, preposições, locuções prepositivas e locuções Vamos! Coloque logo a mão na massa!
conjuntivas). As crianças estão com as mãos sujas.
- Para dar ideia de oposição ou contradição, a articu- Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi.
lação sintática faz-se por meio de conjunções adversativas:
mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto. Po- Chegamos à conclusão de que se trata de palavras
dem também ser empregadas as conjunções concessivas idênticas no que se refere à grafia, mas será que possuem
e locuções prepositivas para introduzir a ideia de oposição o mesmo significado?
aliada à concessão: embora, ou muito embora, apesar de, Existe uma parte da gramática normativa denominada
ainda que, conquanto, posto que, a despeito de, não obs- Semântica. Ela trabalha a questão dos diferentes significa-
tante. dos que uma mesma palavra apresenta de acordo com o
- A articulação sintática de causa pode ser feita por contexto em que se insere.
meio de conjunções e locuções conjuntivas: pois, porque, Tomando como exemplo as frases já mencionadas,
como, por isso que, visto que, uma vez que, já que. Também analisaremos os vocábulos de mesma grafia, de acordo
podem ser empregadas as preposições e locuções preposi- com seu sentido denotativo, isto é, aquele retratado pelo
tivas: por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, dicionário.
em consequência de, por motivo de, por razões de. Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade,
- O principal articulador sintático de condição é o “se”: eficiência diante do ato praticado. Nas outras que seguem
Se o time ganhar esse jogo, será campeão. Pode-se também o significado é de: participação, interação mediante a uma
expressar condição pelo emprego dos conectivos: caso, tarefa realizada; mão como parte do corpo humano e por
contanto que, desde que, a menos que, a não ser que. último simboliza o roubo, visto de maneira pejorativa.
- O emprego da preposição “para” é a maneira mais Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo per-
comum de expressar finalidade. “É necessário baixar as ta- cebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de
xas de juros para que a economia se estabilize” ou para a algo. Possibilidades de várias interpretações levando-se em
economia estabilizar-se. “Teresa vai estudar bastante para consideração as situações de aplicabilidade.
fazer boa prova.” Há outros articuladores que expressam Há uma infinidade de outros exemplos em que podem-
finalidade: a fim de, com o propósito de, na finalidade de, os verificar a ocorrência da polissemia, como por exemplo:
com a intenção de, com o objetivo de, com o fito de, com o O rapaz é um tremendo gato.
intuito de. O gato do vizinho é peralta.
- A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
dos articuladores: assim, desse modo, então, logo, portanto,
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
pois, por isso, por conseguinte, de modo que, em vista disso.
sobrevivência
Para introduzir mais um argumento a favor de determinada
O passarinho foi atingido no bico.
conclusão emprega-
-se ainda. Os articuladores aliás, além do mais, além
Polissemia e homonímia
disso, além de tudo, introduzem um argumento decisivo,
cabal, apresentado como um acréscimo, para justificar de
forma incontestável o argumento contrário. A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
- Para introduzir esclarecimentos, retificações ou de- comum. Quando a mesma palavra apresenta vários signifi-
senvolvimento do que foi dito empregam-se os articu- cados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado,
ladores: isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. A quando duas ou mais palavras com origens e significa-
conjunção aditiva “e” anuncia não a repetição, mas o de- dos distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma
senvolvimento do discurso, pois acrescenta uma informa- homonímia.
ção nova, um dado novo, e se não acrescentar nada, é pura A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
repetição e deve ser evitada. significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é
- Alguns articuladores servem para estabelecer uma polissemia porque os diferentes significados para a palavra
gradação entre os correspondentes de determinada escala. manga têm origens diferentes, e por isso alguns estudiosos
No alto dessa escala acham-se: mesmo, até, até mesmo; no mencionam que a palavra manga deveria ter mais do que
plano mais baixo: ao menos, pelo menos, no mínimo. uma entrada no dicionário.

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LÍNGUA PORTUGUESA

“Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido
o elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou próprio, comum, usual, literal.
a caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os
diferentes significados estão interligados porque remetem MINHA DICA - Procure associar Denotação com Di-
para o mesmo conceito, o da escrita. cionário: trata-se de definição literal, quando o termo é uti-
lizado em seu sentido dicionarístico.
Polissemia e ambiguidade
- Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na com o seu significado secundário, com o sentido amplo (ou
interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode
simbólico); usada de modo criativo, figurado, numa lingua-
ser ambíguo, ou seja, apresenta mais de uma interpre-
gem rica e expressiva. Veja este exemplo:
tação. Essa ambiguidade pode ocorrer devido à colocação
específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes
uma frase. Vejamos a seguinte frase: Pessoas que têm uma que seja tarde demais.
alimentação equilibrada frequentemente são felizes. Neste Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma
caso podem existir duas interpretações diferentes. As pes- figurada, fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle
soas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são de ações; disciplina, limitação de conduta e comportamen-
felizes porque têm uma alimentação equilibrada. to.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma inter- Fonte:
pretação. Para fazer a interpretação correta é muito impor- http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de-
tante saber qual o contexto em que a frase é proferida. -justica-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figu-
rado-das-palavras.html

Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabo- Questões sobre Denotação e Conotação
la, que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser de-
finida como sendo um conjunto de letras ou sons de uma 1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
língua, juntamente com a ideia associada a este conjunto. LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) O
sentido de marmóreo (adjetivo) equivale ao da expressão
Sentido Próprio e Figurado das Palavras
de mármore. Assinale a alternativa contendo as expressões
Pela própria definição acima destacada podemos per- com sentidos equivalentes, respectivamente, aos das pala-
ceber que a palavra é composta por duas partes, uma delas vras ígneo e pétreo.
relacionada a sua forma escrita e os seus sons (denominada (A) De corda; de plástico.
significante) e a outra relacionada ao que ela (palavra) ex- (B) De fogo; de madeira.
pressa, ao conceito que ela traz (denominada significado). (C) De madeira; de pedra.
Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdivi- (D) De fogo; de pedra.
dem-se assim: (E) De plástico; de cinza.
- Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o senti-
do comum que costumamos dar a uma palavra. 2-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
- Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figura- LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013
do”, que podemos dar a uma palavra. - ADAPTADO) Para responder à questão, considere a se-
Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes guinte passagem: Sem querer estereotipar, mas já estereoti-
contextos: pando: trata-se de um ser cujas interações sociais terminam,
1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento) 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagra-
dável, que adota condutas pouco apreciáveis)
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que conhe-
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
ce muito sobre alguma coisa, “expert”)
No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido co- (B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido
mum (ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado dela.
em sentido figurado. (C) adotar como referência de qualidade.
Podemos então concluir que um mesmo significante (D) julgar de acordo com normas legais.
(parte concreta) pode ter vários significados (conceitos). (E) classificar segundo ideias preconcebidas.

Denotação e Conotação 3-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-


LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 -
- Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra ADAPTADA) Para responder a esta questão, considere as
com o seu significado primitivo e original, com o sentido palavras destacadas nas seguintes passagens do texto:
do dicionário; usada de modo automatizado; linguagem Desde o surgimento da ideia de hipertexto...
comum. Veja este exemplo: Cortaram as asas da ave para ... informações ligadas especialmente à pesquisa aca-
que não voasse mais. dêmica,

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LÍNGUA PORTUGUESA

... uma “máquina poética”, algo que funcionasse por No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido
analogia e associação... figurado é
Quando o cientista Vannevar Bush [...] concebeu a ideia (A) menino.
de hipertexto... (B) chão.
... 20 anos depois de seu artigo fundador... (C) testa.
(D) penumbra.
As palavras destacadas que expressam ideia de tempo (E) tenda.
são:
(A) algo, especialmente e Quando. 7-) (UFTM/MG – AUXILIAR DE BIBLIOTECA – VU-
(B) Desde, especialmente e algo. NESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder à
(C) especialmente, Quando e depois. questão.
(D) Desde, Quando e depois.
(E) Desde, algo e depois. RIO DE JANEIRO – A Prefeitura do Rio está lançando a
Operação Lixo Zero, que vai multar quem emporcalhar a ci-
4-) (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) dade. Em primeira instância, a campanha é educativa. Equi-
A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o mo- pes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana estão per-
vimento cordelista pode ser comparada à de outros dois correndo as ruas para flagrar maus cidadãos jogando coisas
grandes nomes... onde não devem e alertá-los para o que os espera. Em breve,
Sem qualquer outra alteração da frase acima e sem com guardas municipais, policiais militares e 600 fiscais em
prejuízo da correção, o elemento grifado pode ser subs- ação, as multas começarão a chegar para quem tratar a via
tituído por: pública como a casa da sogra.
(A) contrastada. Imagina-se que, quando essa lei começar para valer, os
(B) confrontada. recordistas de multas serão os cerca de 300 jovens golpistas
(C) ombreada. que, nas últimas semanas, se habituaram a tomar as ruas,
(D) rivalizada. pichar monumentos, vandalizar prédios públicos, quebrar
(E) equiparada.
orelhões, arrancar postes, apedrejar vitrines, depredar ban-
cos, saquear lojas e, por uma estranha compulsão, destruir
5-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
lixeiras, jogar o lixo no asfalto e armar barricadas de fogo
NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) No verso – Não te
com ele.
abras com teu amigo – o verbo em destaque foi emprega-
É verdade que, no seu “bullying” político, eles não estão
do em sentido figurado.
nem aí para a cidade, que é de todos – e que, por algum
Assinale a alternativa em que esse mesmo verbo “abrir”
motivo, parecem querer levar ao colapso.
continua sendo empregado em sentido figurado.
Pois, já que a lei não permite prendê-los por vandalis-
(A) Ao abrir a porta, não havia ninguém.
(B) Ele não pôde abrir a lata porque não tinha um abri- mo, saque, formação de quadrilha, desacato à autoridade,
dor. resistência à prisão e nem mesmo por ataque aos órgãos
(C) Para aprender, é preciso abrir a mente. públicos, talvez seja possível enquadrá-los por sujar a rua.
(Ruy Castro, Por sujar a rua. Folha de S.Paulo, 21.08.2013. Adap-
(D) Pela manhã, quando abri os olhos, já estava em
casa. tado)
(E) Os ladrões abriram o cofre com um maçarico.
Na oração – ... parecem querer levar ao colapso. – (3.º
6-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – parágrafo), o termo em destaque é sinônimo de
FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques- (A) progresso.
tão, considere o texto abaixo. (B) descaso.
(C) vitória.
A marca da solidão (D) tédio.
(E) ruína.
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a 8-) (BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN-
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de DES/2012) Considere o emprego do verbo levar no trecho:
penumbra na tarde quente. “Uma competição não dura apenas alguns minutos. Leva
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den- anos”. A frase em que esse verbo está usado com o mesmo
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com sentido é:
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque- (A) O menino leva o material adequado para a escola.
nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é (B) João levou uma surra da mãe.
capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a (C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo.
marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. (D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta (E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar
negra bazar, 2010. p. 47) a prova.

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LÍNGUA PORTUGUESA

RESOLUÇÃO (D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso. =


direciona
1-) (E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar a
Questão que pode ser resolvida usando a lógica ou as- prova = duração/tempo
sociação de palavras! Veja: a ignição do carro lembra-nos
fogo, combustão... Pedra, petrificado. Encontrou a respos- RESPOSTA: “E”.
ta?
- Sinônimos
RESPOSTA: “D”. São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto
- abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
2-) Observação: A contribuição greco-latina é responsável
Classificar conforme regras conhecidas, mas não con- pela existência de numerosos pares de sinônimos: adver-
firmadas se verdadeiras. sário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e he-
miciclo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e
RESPOSTA: “E”. diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antítese.

3-) - Antônimos
As palavras que nos dão a noção, ideia de tempo são: São palavras de significação oposta: ordem - anarquia;
desde, quando e depois. soberba - humildade; louvar - censurar; mal - bem.
Observação: A antonímia pode originar-se de um pre-
RESPOSTA: “D”. fixo de sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer;
simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e dis-
4-) córdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e an-
Ao participar de um concurso, não temos acesso a di- ticomunista; simétrico e assimétrico.
cionários para que verifiquemos o significado das palavras,
por isso, caso não saibamos o que significam, devemos O que são Homônimos e Parônimos:
analisá-las dentro do contexto em que se encontram. No - Homônimos
exercício acima, a que se “encaixa” é “equiparada”. a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferen-
tes na pronúncia:
RESPOSTA: “E”. rego (subst.) e rego (verbo);
colher (verbo) e colher (subst.);
5-) jogo (subst.) e jogo (verbo);
Em todas as alternativas o verbo “abrir” está emprega- denúncia (subst.) e denuncia (verbo);
do em seu sentido denotativo. No item C, conotativo (“abrir providência (subst.) e providencia (verbo).
a mente” = aberto a mudanças, novas ideias).
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e di-
RESPOSTA: “C”. ferentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir);
6-) concertar (harmonizar) e consertar (reparar);
Novamente, responderemos com frase do texto: seu cela (compartimento) e sela (arreio);
rosto formando uma tenda. censo (recenseamento) e senso ( juízo);
paço (palácio) e passo (andar).
RESPOSTA: “E”.
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São
7-) palavras iguais na escrita e na pronúncia:
Pela leitura do texto, compreende-se que a intenção do caminho (subst.) e caminho (verbo);
autor ao utilizar a expressão” levar ao colapso” refere-se à cedo (verbo) e cedo (adv.);
queda, ao fim, à ruína da cidade. livre (adj.) e livre (verbo).

RESPOSTA: “E”. - Parônimos


São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e
8-) couro; cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede
No enunciado, o verbo “levar” está empregado com o e cede; comprimento e cumprimento; tetânico e titânico; au-
sentido de “duração/tempo” tuar e atuar; degradar e degredar; infligir e infringir; deferir
(A) O menino leva o material adequado para a escola. e diferir; suar e soar.
= carrega
(B) João levou uma surra da mãe. = apanhou http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-antonimos,-
(C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo. = arrasta -homonimos-e-paronimos

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Significação das Palavras 04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP – 2013). Analise as afirmações a seguir.
01. Assinale a alternativa que preenche corretamente I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
as lacunas da frase abaixo: por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí-
Da mesma forma que os italianos e japoneses _________ do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”.
para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________ II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode
para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; ser reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à
internamente, __________ para o Sul, pelo mesmo motivo. libertação.
a) imigraram - emigram - migram III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma dife-
b) migraram - imigram - emigram rente aqui no presídio devido ao bom comportamento. –
c) emigraram - migram - imigram. pode-se substituir a expressão em destaque por “em razão
d) emigraram - imigram - migram. do”, sem alterar o sentido do texto.
e) imigraram - migram – emigram De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
está correto o que se afirma em
Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013 A) I, II e III. B) III, apenas.
- Leia o texto para responder às questões de números 02 C) I e III, apenas. D) I, apenas.
e 03. E) I e II, apenas.

Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica 05. Leia as frases abaixo:
1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu 2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em
celular antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo Marte.
para alguns pode ser matéria-prima para outros. O CMID 3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas
– Centro Marista de Inclusão Digital –, que funciona junto de humor.
ao Colégio Marista de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, 4 - ___________ dias que não falo com Alfredo.
ensina os alunos do colégio a fazer robôs a partir de lixo
eletrônico. Escolha a alternativa que oferece a sequência correta
Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo, de vocábulos para as lacunas existentes:
constroem carros com sensores de movimento que respon-
a) concerto – há – a – cessões – há;
dem à aproximação das pessoas. A fonte de energia vem de
b) conserto – a – há – sessões – há;
baterias de celular. “Tirando alguns sensores, que precisa-
c) concerto – a – há – seções – a;
mos comprar, é tudo reciclagem”, comentou o instrutor de
d) concerto – a – há – sessões – há;
robótica do CMID, Leandro Schneider. Esses alunos também
e) conserto – há – a – sessões – a .
aprendem a consertar computadores antigos. “O nosso pro-
jeto só funciona por causa do lixo eletrônico. Se tivéssemos
06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
que comprar tudo, não seria viável”, completou.
Em uma época em que celebridades do mundo digital NESP – 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para res-
fazem campanha a favor do ensino de programação nas es- ponder à questão.
colas, é inspirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da Adolescentes vivendo em famílias que não lhes trans-
turma avançada de robótica do CMID que, aos 16 anos, já mitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não
sabe qual será sua profissão. “Quero ser programador. No lhes impuseram limites de disciplina.
início das aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse
interessando”, disse. trecho, é:
(Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013. A) de desprendimento. B) de responsabi-
Adaptado) lidade.
C) de abnegação. D) de amor.
02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns E) de egoísmo.
sensores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... –
pode ser substituída, sem alteração do sentido da mensa- 07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser
gem, pela seguinte expressão: preenchida com a primeira alternativa da série dada nos
A) Pelo menos B) A contar de parênteses:
C) Em substituição a D) Com exceção de A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das en-
E) No que se refere a chentes. (afim- a fim).
B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (in-
para o termo destacado em – …“No início das aulas, eu flingirem - infringirem).
achava meio chato, mas depois fui me interessando”, disse. D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos.
A) Estimulante. B) Cansativo. (concelhos - conselhos).
C) Irritante. D) Confuso. E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cer-
E) Improdutivo. ca de - acerca de).

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LÍNGUA PORTUGUESA

08. Assinale a alternativa correta, considerando que à tropia. No sentido comum do termo, é muitas vezes per-
direita de cada palavra há um sinônimo. cebida, também, como sinônimo de solidariedade. Esse
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as incli-
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) nações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar coletivas).
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação 7-)
A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados das
GABARITO enchentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para in-
dicar que uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas
01. A 02. D 03. A 04. A que têm temperamentos afins, ou seja, parecidos)
05. D 06. E 07. E 08. A B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar
arreio no cavalo)
RESOLUÇÃO C) Serão punidos os que infringirem o regulamen-
to. (inflingirem = aplicarem a pena)
1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses D) São sempre valiosos os conselhos dos mais ve-
imigraram para o Brasil no século passado, hoje os bra- lhos; (concelhos= Porção territorial ou parte administrativa
sileiros emigram para a Europa e para o Japão, à busca de um distrito).
de uma vida melhor; internamente, migram para o E) Moro a cerca de cem metros da praça principal.
Sul, pelo mesmo motivo. (acerca de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.).

2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos 8-)


comprar, é tudo reciclagem”... b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) =
significados invertidos
3-) antônimo para o termo destacado : “No início das c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = signifi-
aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me interes- cados invertidos
sando” d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = signifi-
“No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas cados invertidos
depois fui me interessando” e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação =
significados invertidos
4-)
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí- 8. CLASSES DE PALAVRAS: EMPREGO E
do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”. = correta SENTIDO QUE IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES QUE
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser
ESTABELECEM: SUBSTANTIVO, ADJETIVO,
reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à liberta-
ção. = correta ARTIGO, NUMERAL, PRONOME, VERBO,
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma dife- ADVÉRBIO, PREPOSIÇÃO E CONJUNÇÃO.
rente aqui no presídio devido ao bom comportamento. –
pode-se substituir a expressão em destaque por “em razão
do”, sem alterar o sentido do texto. = correta
Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs-
5-) tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais
1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi; denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenôme-
2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe) nos, os substantivos também nomeiam:
vida em Marte. -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
3 – As sessões da câmara são verdadeiros pro- -sentimentos: raiva, amor...
gramas de humor. -estados: alegria, tristeza...
4- Há dias que não falo com Alfredo. (= -qualidades: honestidade, sinceridade...
tempo passado) -ações: corrida, pescaria...

6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes Morfossintaxe do substantivo


transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e
não lhes impuseram limites de disciplina. Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse geral exerce funções diretamente relacionadas com o ver-
trecho, é de egoísmo bo: atua como núcleo do sujeito, dos complementos ver-
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado bais (objeto direto ou indireto) e do agente da passiva. Pode
nos seres humanos e outros seres vivos, em que as ações ainda funcionar como núcleo do complemento nominal ou
de um indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filan- do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do ob-

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LÍNGUA PORTUGUESA

jeto ou como núcleo do vocativo. Também encontramos Os substantivos abstratos designam estados, qualida-
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser
adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempe- abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado),
nhadas por grupos de palavras. rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento).

Classificação dos Substantivos 3 - Substantivos Coletivos

1- Substantivos Comuns e Próprios Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, ou-
Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, tra abelha, mais outra abelha.
com muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
(no Brasil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
uma cidade (em oposição aos bairros).
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
mais outra abelha...
e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plu-
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
ral.
comum.
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de singular (enxame) para designar um conjunto de seres da
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, mesma espécie (abelhas).
homem, mulher, país, cachorro. O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Estamos voando para Barcelona. Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de seres
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es- da mesma espécie.
pécie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Pró-
prio: é aquele que designa os seres de uma mesma espécie Substantivo Conjunto de:
de forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. coletivo
assembleia pessoas reunidas
2 - Substantivos Concretos e Abstratos alcateia lobos
acervo livros
LÂMPADA MALA antologia trechos literários selecionados
arquipélago ilhas
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com banda músicos
existência própria, que são independentes de outros seres. bando desordeiros ou malfeitores
São substantivos concretos. banca examinadores
batalhão soldados
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que cardume peixes
existe, independentemente de outros seres. caravana viajantes peregrinos
Obs.: os substantivos concretos designam seres do cacho frutas
mundo real e do mundo imaginário. cáfila camelos
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, cancioneiro canções, poesias líricas
Brasília, etc. colmeia abelhas
chusma gente, pessoas
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas-
concílio bispos
ma, etc.
congresso parlamentares, cientistas.
elenco atores de uma peça ou filme
Observe agora:
esquadra navios de guerra
Beleza exposta enxoval roupas
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual. falange soldados, anjos
fauna animais de uma região
O substantivo beleza designa uma qualidade. feixe lenha, capim
flora vegetais de uma região
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que frota navios mercantes, ônibus
dependem de outros para se manifestar ou existir. girândola fogos de artifício
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser horda bandidos, invasores
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa junta médicos, bois, credores, examinadores
ou coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para júri jurados
se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo legião soldados, anjos, demônios
abstrato. leva presos, recrutas

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LÍNGUA PORTUGUESA

malta malfeitores ou desordeiros Flexão de Gênero


manada búfalos, bois, elefantes,
matilha cães de raça Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar
molho chaves, verduras sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há
multidão pessoas em geral dois gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero
ninhada pintos masculino os substantivos que podem vir precedidos dos
nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.) artigos o, os, um, uns. Veja estes títulos de filmes:
penca bananas, chaves O velho e o mar
pinacoteca pinturas, quadros Um Natal inesquecível
quadrilha ladrões, bandidos Os reis da praia
ramalhete flores
rebanho ovelhas Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
récua bestas de carga, cavalgadura podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
repertório peças teatrais, obras musicais A história sem fim
réstia alhos ou cebolas Uma cidade sem passado
romanceiro poesias narrativas As tartarugas ninjas
revoada pássaros
sínodo párocos Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
talha lenha
tropa muares, soldados Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar no-
turma estudantes, trabalhadores mes de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está re-
vara porcos lacionado ao sexo do ser, havendo, portanto, duas formas,
uma para o masculino e outra para o feminino. Observe:
Formação dos Substantivos gato – gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito -
prefeita
Substantivos Simples e Compostos
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam
terra.
uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto
O substantivo chuva é formado por um único elemento
para o feminino. Classificam-se em:
ou radical. É um substantivo simples.
- Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a
cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré
Substantivo Simples: é aquele formado por um único
fêmea.
elemento.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja - Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pes-
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- soas: a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio,
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto. o ídolo, o indivíduo.
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou - Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pes-
mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. soas por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a
doente, o artista e a artista.
Substantivos Primitivos e Derivados
Meu limão meu limoeiro, Saiba que: Substantivos de origem grega terminados
meu pé de jacarandá... em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o
sistema, o sintoma, o teorema.
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou - Existem certos substantivos que, variando de gêne-
de nenhum outro dentro de língua portuguesa. ro, variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor)
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de e a rádio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital
nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. O (cidade)
substantivo limoeiro é derivado, pois se originou a partir
da palavra limão. Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
Substantivo Derivado: é aquele que se origina de ou-
tra palavra. - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
- aluna.
Flexão dos substantivos - Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
masculino: freguês - freguesa
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- - Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por de três formas:
exemplo, pode sofrer variações para indicar: - troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
Plural: meninos Feminino: menina - troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona

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LÍNGUA PORTUGUESA

Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão A distinção de gênero pode ser feita através da análise
- sultana do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti-
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem
- Substantivos terminados em -or: - uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran-
- acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora cês - repórter francesa
- troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz - A palavra personagem é usada indistintamente nos
dois gêneros.
- Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: côn- a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada
sul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens
- duquesa / conde - condessa / profeta - profetisa os personagens dos contos de carochinha.
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o femini-
- Substantivos que formam o feminino trocando o -e no: O problema está nas mulheres de mais idade, que não
final por -a: elefante - elefanta aceitam a personagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculi- fotográfico Ana Belmonte.
no e no feminino: bode – cabra / boi - vaca Observe o gênero dos substantivos seguintes:

- Substantivos que formam o feminino de maneira es- Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: (pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
czar – czarina réu - ré maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis.
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
Epicenos: cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido,
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).

Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso - São geralmente masculinos os substantivos de ori-
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
para indicar o masculino e o feminino. grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver ma, o hematoma.
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras
macho e fêmea. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. Gênero dos Nomes de Cidades:

Sobrecomuns: Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.


Entregue as crianças à natureza. A histórica Ouro Preto.
A dinâmica São Paulo.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas- A acolhedora Porto Alegre.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem Uma Londres imensa e triste.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
A criança chorona chamava-se João. Gênero e Significação:
A criança chorona chamava-se Maria.
Muitos substantivos têm uma significação no masculi-
Outros substantivos sobrecomuns: no e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa à frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
criatura. em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco,
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que
Marcela faleceu marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe),
a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa, dissi-
Comuns de Dois Gêneros: dência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinhei-
ro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma

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LÍNGUA PORTUGUESA

(sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de - Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície o látex - os látex.
de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (docu-
mento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de Plural dos Substantivos Compostos
peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa
(recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente -A formação do plural dos substantivos compostos de-
(vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, pende da forma como são grafados, do tipo de palavras
bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a que formam o composto e da relação que estabelecem en-
nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva tre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se
a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala como os substantivos simples: aguardente/aguardentes,
(poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa- girassol/girassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malme-
ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação emissora), o queres.
voga (remador), a voga (moda, popularidade). O plural dos substantivos compostos cujos elementos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e
Flexão de Número do Substantivo discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados
Em português, há dois números gramaticais: o singular, de:
que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
do plural é o “s” final. feitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
Plural dos Substantivos Simples mens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon
formados de:
- cânones.
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
alto- -falantes
em “ns”: homem - homens.
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plu-
- Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando
ral pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
formados de:
Atenção: O plural de caráter é caracteres. substantivo + preposição clara + substantivo = água-
-de-colônia e águas-de-colônia
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- substantivo + preposição oculta + substantivo = cava-
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; ca- lo-vapor e cavalos-vapor
racol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul substantivo + substantivo que funciona como deter-
e cônsules. minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo
do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de -relógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba,
duas maneiras: homem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada.
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. - Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada). -rolhas
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
duas maneiras: - Casos Especiais
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o o louva-a-deus e os louva-a-deus
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses o bem-te-vi e os bem-te-vis
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam inva- o bem-me-quer e os bem-me-queres
riáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. o joão-ninguém e os joões-ninguém.

- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural Plural das Palavras Substantivadas


de três maneiras.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos no plural, as flexões próprias dos substantivos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pese bem os prós e os contras. fogo fogos


O aluno errou na prova dos noves. forno fornos
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos. fosso fossos
imposto impostos
Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou olho olhos
“z” não variam no plural: Nas provas mensais consegui mui- osso (ô) ossos (ó)
tos seis e alguns dez. ovo ovos
poço poços
Plural dos Diminutivos porto portos
posto postos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final tijolo tijolos
e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
pãe(s) + zinhos = pãezinhos Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
animai(s) + zinhos = animaizinhos sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
botõe(s) + zinhos = botõezinhos Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne),
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos de molho (ó) = feixe (molho de lenha).
farói(s) + zinhos = faroizinhos
tren(s) + zinhos = trenzinhos Particularidades sobre o Número dos Substantivos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
flore(s) + zinhas = florezinhas - Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
mão(s) + zinhas = mãozinhas norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
papéi(s) + zinhos = papeizinhos - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
funi(s) + zinhos = funizinhos - Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade,
pai(s) + zinhos = paizinhos bom nome) e honras (homenagem, títulos).
pé(s) + zinhos = pezinhos - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas
pé(s) + zitos = pezitos com sentido de plural:
Aqui morreu muito negro.
Plural dos Nomes Próprios Personativos Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
improvisadas.
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
sempre que a terminação preste-se à flexão. Flexão de Grau do Substantivo
Os Napoleões também são derrotados.
As Raquéis e Esteres. Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
Plural dos Substantivos Estrangeiros - Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera-
do normal. Por exemplo: casa
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser es-
critos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto - Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. do ser. Classifica-se em:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje-
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acor- tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
do com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os ré- cador de aumento. Por exemplo: casarão.
quiens.
Observe o exemplo: - Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
Este jogador faz gols toda vez que joga. do ser. Pode ser:
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Plural com Mudança de Timbre Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
cador de diminuição. Por exemplo: casinha.
Certos substantivos formam o plural com mudança de
timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou
fonético chamado metafonia (plural metafônico). característica do ser e se relaciona com o substantivo.
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per-
Singular Plural cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode
corpo (ô) corpos (ó) ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso,
esforço esforços moça bondosa, pessoa bondosa.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Já com a palavra bondade, embora expresse uma qua- Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas-
lidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: ho- culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
mem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade, mau e má, judeu e judia.
portanto, não é adjetivo, mas substantivo. Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento. Por exemplo: o moço
Morfossintaxe do Adjetivo: norte-americano, a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino
como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
ou do objeto). feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença
político-social.
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser.
Número dos Adjetivos
Observe alguns deles:
Plural dos adjetivos simples
Estados e cidades brasileiros: Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acor-
Alagoas alagoano do com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Amapá amapaense substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli-
Aracaju aracajuano ou aracajuense zes, ruim e ruins boa e boas
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
Brasília brasiliense função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
Cabo Frio cabo-friense que estiver qualificando um elemento for, originalmente,
Campinas campineiro ou campinense um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo:
a palavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se
Adjetivo Pátrio Composto estiver qualificando um elemento, funcionará como adje-
tivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro cinza.
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru- Veja outros exemplos:
dita. Observe alguns exemplos: Motos vinho (mas: motos verdes)
Paredes musgo (mas: paredes brancas).
África afro- / Cultura afro-americana Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
Alemanha germano- ou teuto-/Competições
teuto-inglesas Adjetivo Composto
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses É aquele formado por dois ou mais elementos.
China sino- / Acordos sino-japoneses Normalmente, esses elementos são ligados por hífen.
Espanha hispano- / Mercado hispano-português Apenas o último elemento concorda com o substantivo a
Europa euro- / Negociações euro-americanas que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular.
Caso um dos elementos que formam o adjetivo composto
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
ficará invariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
um substantivo, porém, se estiver qualificando um
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros é um substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro
ficará invariável. Por exemplo:
Flexão dos adjetivos Camisas rosa-claro.
Ternos rosa-claro.
O adjetivo varia em gênero, número e grau. Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Gênero dos Adjetivos Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre
substantivos, classificam-se em: invariáveis.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de


têm os dois elementos flexionados. um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre-
senta-se nas formas:
Grau do Adjetivo Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala-
vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo:
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten- O secretário é muito inteligente.
sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o Sintética: a intensificação se faz por meio do acrésci-
comparativo e o superlativo. mo de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
Observe alguns superlativos sintéticos:
Comparativo benéfico beneficentíssimo
bom boníssimo ou ótimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri- comum comuníssimo
buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi- cruel crudelíssimo
cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de difícil dificílimo
igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe doce dulcíssimo
os exemplos abaixo: fácil facílimo
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade fiel fidelíssimo
No comparativo de igualdade, o segundo termo da
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto ou Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de
quão. um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres.
Essa relação pode ser:
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Supe- De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
rioridade Analítico De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
No comparativo de superioridade analítico, entre os
dois substantivos comparados, um tem qualidade supe- Note bem:
rior. A forma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do 1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
que” ou “mais...que”. dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
etc., antepostos ao adjetivo.
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe- 2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob
rioridade Sintético duas formas : uma erudita, de origem latina, outra popular,
de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de su- radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
perioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: ou érrimo. Por exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A
bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, forma popular é constituída do radical do adjetivo portu-
grande/maior, baixo/inferior. guês + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
Observe que: 3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, preca-
a) As formas menor e pior são comparativos de supe- riíssimo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual,
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, res- as formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o de-
pectivamente. sagradável hiato i-í.
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações fei- Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo,
tas entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou
usar as formas analíticas mais bom, mais mau,mais grande indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o
e mais pequeno. Por exemplo: gênero e o número dos substantivos.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele-
mentos. Classificação dos Artigos
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
duas qualidades de um mesmo elemento. Artigos Definidos: determinam os substantivos de
maneira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In- Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de
ferioridade maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei
Sou menos passivo (do) que tolerante. um animal.

Superlativo Combinação dos Artigos

O superlativo expressa qualidades num grau muito É muito presente a combinação dos artigos definidos
elevado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por
absoluto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades: essas combinações:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Preposições Artigos Este é o homem cujo amigo desapareceu.


o, os Este é o autor cuja obra conheço.
a ao, aos
de do, dos - Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no
em no, nos sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme),
por (per) pelo, pelos a menos que venham especificadas.
a, as um, uns uma, umas Eles estavam em casa.
à, às - - Eles estavam na casa dos amigos.
da, das dum, duns duma, dumas Os marinheiros permaneceram em terra.
na, nas num, nuns numa, numas Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
pela, pelas - -
- Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata-
- As formas à e às indicam a fusão da preposição a mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa
com o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria.
conhecida por crase.
- Não se une com preposição o artigo que faz parte do
nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O
Constatemos as circunstâncias em que os artigos se
Estado de S. Paulo.
manifestam:
Morfossintaxe
- Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas
das olimpíadas. relações com o substantivo. Assim, nas orações da língua
portuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal
- Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso do substantivo a que se refere. Tal função independe da
do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza, função exercida pelo substantivo:
A Bahia... A existência é uma poesia.
Uma existência é a poesia.
- Quando indicado no singular, o artigo definido pode
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem. Numeral é a palavra que indica os seres em termos
numéricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os
- No caso de nomes próprios personativos, denotando situa em determinada sequência.
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco.
do artigo: O Pedro é o xodó da família. [quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Eu quero café duplo, e você?
- No caso de os nomes próprios personativos estarem ...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
os Incas, Os Astecas... ...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequên-
cia de “fila”]
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o ar- Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que
tigo), o pronome assume a noção de qualquer. os números indicam em relação aos seres. Assim, quando
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se
trata de numerais, mas sim de algarismos.
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a
dos. (qualquer classe)
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala-
vras consideradas numerais porque denotam quantidade,
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década,
facultativo: dúzia, par, ambos(as), novena.
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo.
Classificação dos Numerais
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter Cardinais: indicam contagem, medida. É o número bá-
é uns vinte anos. sico: um, dois, cem mil, etc.
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série
- O artigo também é usado para substantivar palavras dada: primeiro, segundo, centésimo, etc.
oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a
tudo isso. divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome re- seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumenta-
lativo cujo (e flexões). da: dobro, triplo, quíntuplo, etc.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Leitura dos Numerais


Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no
início, também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”.
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte e seis.
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte.

Flexão dos numerais


Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas
em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número:
milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
primeiro segundo milésimo
primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
primeiras segundas milésimas

Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e con-
seguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do
medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças
partes
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego dos Numerais

*Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo
e a partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo:

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

*Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são lar-
gamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância da solidariedade. Ambos agora participam das atividades
comunitárias de seu bairro.
Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo
- nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o de
alguma forma.

A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!


[substituição do nome]
A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
[referência ao nome]
Essa moça morava nos meus sonhos!
[qualificação do nome]

Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de
um contexto, o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que está sendo colocado por meio dos pronomes no
ato da comunicação. Com exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os demais pronomes têm por função prin-
cipal apontar para as pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em
virtude dessa característica, os pronomes apresentam uma forma específica para cada pessoa do discurso.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] como complementos verbais na língua-padrão. Frases
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
fala] evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
se fala] -me até aqui”.

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro-
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme- nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as pró-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência prias formas verbais marcam, através de suas desinências,
através do pronome seja coerente em termos de gênero as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
boa viagem. (Nós)
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto,
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Pronome Oblíquo
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nos-
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
sa escola neste ano. sentença, exerce a função de complemento verbal (objeto
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância direto ou indireto) ou complemento nominal.
adequada] Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
[neste: pronome que determina “ano” = concordância
adequada] Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- variante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação
dância inadequada] indica a função diversa que eles desempenham na oração:
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. marca o complemento da oração.
Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
Pronomes Pessoais a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
tônicos.
São aqueles que substituem os substantivos, indicando
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve Pronome Oblíquo Átono
assume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”,
“vós”, “você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
“ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa ou são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
às pessoas de quem fala. fraca: Ele me deu um presente.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto figurado:
ou do caso oblíquo. - 1ª pessoa do singular (eu): me
- 2ª pessoa do singular (tu): te
Pronome Reto - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
- 1ª pessoa do plural (nós): nos
- 2ª pessoa do plural (vós): vos
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
tença, exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito.
Nós lhe ofertamos flores.
Observações:
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gê- apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união en-
nero (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a tre o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por
principal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. acompanhar diretamente uma preposição, o pronome
Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é assim confi- “lhe” exerce sempre a função de objeto indireto na oração.
gurado: Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos
diretos como objetos indiretos.
- 1ª pessoa do singular: eu Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como
- 2ª pessoa do singular: tu objetos diretos.
- 3ª pessoa do singular: ele, ela Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem com-
- 1ª pessoa do plural: nós binar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for-
- 2ª pessoa do plural: vós mas como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha,
- 3ª pessoa do plural: eles, elas lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las.
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem:

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Trouxeste o pacote? Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.


- Sim, entreguei-to ainda há pouco. Não vá sem eu mandar.
- Não contaram a novidade a vocês?
- Não, no-la contaram. - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
No português do Brasil, essas combinações não são conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
é muito raro. companhia.
Ele carregava o documento consigo.
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o - As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
é suprimida. Por exemplo: todos, ambos ou algum numeral.
fiz + o = fi-lo
Você terá de viajar com nós todos.
fazeis + o = fazei-lo
Estávamos com vós outros quando chegaram as más
dizer + a = dizê-la
notícias.
Ele disse que iria com nós três.
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as-
sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
viram + o: viram-no Pronome Reflexivo
repõe + os = repõe-nos
retém + a: retém-na São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
tem + as = tem-nas nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
Pronome Oblíquo Tônico expressa pelo verbo.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configura-
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos do:
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função Eu não me vanglorio disso.
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
forte.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con- - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
figurado: Assim tu te prejudicas.
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo Conhece a ti mesmo.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco Guilherme já se preparou.
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Ela deu a si um presente.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas Antônio conversou consigo mesmo.
- 1ª pessoa do plural (nós): nos.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- Lavamo-nos no rio.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto.
- 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- As preposições essenciais introduzem sempre prono-
Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
forma: Eles se conheceram.
Não há mais nada entre mim e ti. Elas deram a si um dia de folga.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Não há nenhuma acusação contra mim. A Segunda Pessoa Indireta
Não vá sem mim.
A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se
Atenção: Há construções em que a preposição, apesar quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem
de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir nosso interlocutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam
uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados prono-
verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro- mes de tratamento, que podem ser observados no quadro
nome, deverá ser do caso reto. seguinte:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e
oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores
de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento
cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a
3ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar
na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa
possuída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Note que: A forma do possessivo depende da pessoa Reafirmamos a disposição desta universidade em parti-
gramatical a que se refere; o gênero e o número concor- cipar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universi-
dam com o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua con- dade que envia a mensagem).
tribuição naquele momento difícil.
No tempo:
Observações: Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar refere ao ano presente.
da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
seu José. refere a um passado próximo.
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam está se referindo a um passado distante.
posse. Podem ter outros empregos, como:
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
anos. aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela. - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
- o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
trouxe sua mensagem? Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
que te indiquei.)
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
- mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e
que o procuraram ontem.
anotações.
- próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais
o problema.
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-
-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)
- semelhante(s): Não compre semelhante livro.
Pronomes Demonstrativos - tal, tais: Tal era a solução para o problema.
Os pronomes demonstrativos são utilizados para ex- Note que:
plicitar a posição de uma certa palavra em relação a outras - Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de construções redundantes, com finalidade expressiva, para
espaço, no tempo ou discurso. salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa
é que dera em cheio casando com o José Afonso. Desfrutar
No espaço: das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o
carro está perto da pessoa que fala. - O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi-
pessoa que fala. cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que pressentiam.
o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com
quem falo. - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente
expresso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que
quanto por meio de correspondência, que é uma moda- faz as vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que
lidade escrita de fala), são particularmente importantes o ela o fizesse.
este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa
pode causar ambiguidade. mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da univer- amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este
sidade destinatária). solteiro, aquele casado]

32
LÍNGUA PORTUGUESA

- O pronome demonstrativo tal pode ter conotação São locuções pronominais indefinidas:
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que),
- Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele
com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro,
disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no uma ou outra, etc.
= naquilo) Cada um escolheu o vinho desejado.

Pronomes Indefinidos Indefinidos Sistemáticos

São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- Ao observar atentamente os pronomes indefinidos,
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando percebemos que existem alguns grupos que criam oposi-
quantidade indeterminada. ção de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém- sentido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm
-plantadas. sentido negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade
afirmativa, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa negativa; alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza,
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- e qualquer, que generaliza.
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Essas oposições de sentido são muito importantes na
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- de que fazem parte:
guém, outrem, quem, tudo. Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
Algo o incomoda? prático.
Quem avisa amigo é. Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
pessoas quaisquer.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade Pronomes Relativos
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
Cada povo tem seus costumes. São aqueles que representam nomes já mencionados
Certas pessoas exercem várias profissões. anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
as orações subordinadas adjetivas.
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
ora pronomes indefinidos adjetivos: um grupo racial sobre outros.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), (afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou-
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, tros = oração subordinada adjetiva).
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. “sistema” é antecedente do pronome relativo que.
Menos palavras e mais ações. O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
Alguns se contentam pouco. me demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
riáveis e invariáveis. Observe: expresso.
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, Quem casa, quer casa.
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, Observe:
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne- Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, quantas.
outras, quantas. Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
algo, cada. Note que:
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
antecedente for um substantivo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual) - Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a numa só frase.
qual) O futebol é um esporte.
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os O povo gosta muito deste esporte.
quais) O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
quais) - Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente gente que conversava, (que) ria, (que) fumava.
pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que Pronomes Interrogativos
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. To-
dos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por São usados na formulação de perguntas, sejam elas di-
motivo de clareza ou depois de determinadas preposições: retas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual referem- -se à 3ª pessoa do discurso de modo
me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, geraria impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e
ambiguidade.) variações), quanto (e variações).
Essas são as conclusões sobre as quais pairam mui- Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
tas dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.) Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
preferes.
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quan-
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou tos passageiros desembarcaram.
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
Sobre os pronomes:
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antece-
dente, mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, O pronome pessoal é do caso reto quando tem função
dos quais, das quais. de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas. quando desempenha função de complemento. Vamos en-
(antecedente) (consequente) tender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na
frase e que função exerce. Observe as orações:
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antece- 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo: 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
Emprestei tantos quantos foram necessários. lhe ajudar.
(antecedente)
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
Ele fez tudo quanto havia falado. exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
(antecedente) reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
exercendo função de complemento, e, consequentemente,
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre é do caso oblíquo.
precedido de preposição. Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso,
É um professor a quem muito devemos. o pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
(preposição) a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se
devia ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an-
tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A Importante: Em observação à segunda oração, o em-
casa onde morava foi assaltada. prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do ver-
bo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo
ou em que. principal (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio.
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos Eu desejo lhe perguntar algo.
no exterior. Eu estou perguntando-lhe algo.

- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
lavras: tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo diferentemente dos segundos que são sempre precedidos
como você agiu semana passada. de preposição.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando po- - Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que
díamos jogar videogame. eu estava fazendo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim - Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera-
o que eu estava fazendo. ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei fi-
zesse.
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pes- - Defectivos: são aqueles que não apresentam conju-
soa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros gação completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais
processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover); e pessoais:
ocorrência (nascer); desejo (querer). * Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor-
O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os
os seus possíveis significados. Observe que palavras como principais verbos impessoais são:
corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo ** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
zar-se ou fazer (em orações temporais).
ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)
porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
possuem. Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão)
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz)
Estrutura das Formas Verbais
Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode ** fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
apresentar os seguintes elementos: Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
- Radical: é a parte invariável, que expressa o significa- Era primavera quando a conheci.
do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. Estava frio naquele dia.
(radical fal-)
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que in- ** Todos os verbos que indicam fenômenos da nature-
dica a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: za são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, ama-
fala-r nhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Ama-
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (fa- nheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “amanhecer”
lar), 2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal, emprega-
- I - (partir). do em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser
- Desinência modo-temporal: é o elemento que de- pessoal.
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
- Desinência número-pessoal: é o elemento que de- ** São impessoais, ainda:
signa a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (sin- 1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando
gular ou plural): tempo: Já passa das seis.
falamos (indica a 1ª pessoa do plural.) 2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
falavam (indica a 3ª pessoa do plural.) de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blas-
fêmias.
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados 3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está
(compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem re-
pois a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, ferência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda,
apesar de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-
algumas formas do verbo: põe, pões, põem, etc. -se, tais verbos, então, pessoais.
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas “ser possível”. Por exemplo:
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura Não deu para chegar mais cedo.
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- Dá para me arrumar uns trocados?
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
* Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conju-
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por
gam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai
plural.
no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende- A fruta amadureceu.
rão, nutriríamos. As frutas amadureceram.
Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como
Classificação dos Verbos verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadu-
Classificam-se em: receu bastante.
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências
normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca alte- Entre os unipessoais estão os verbos que significam
rações no radical: canto cantei cantarei cantava vozes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodi-
cantasse. lo, cacarejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os principais verbos unipessoais são:


1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário, etc.):
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante.)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)

2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fumar.)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.

* Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
- verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que
provavelmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.
- verbo computar. Este verbo teria como formas do presente do indicativo computo, computas, computa - formas de
sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o uso efetivo de
formas verbais repudiadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que, com o desenvolvimento
e a popularização da informática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.

- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma
ocorrer no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas
(particípio irregular). Observe:

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar as moscas.
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

36
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

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LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater- -se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade
já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia refle-
xiva expressa pelo radical do próprio verbo.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen-
respectivos pronomes): te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por
Eu me arrependo exemplo:
Tu te arrependes É preciso ler este livro.
Ele se arrepende Era preciso ter lido este livro.
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis - Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três
Eles se arrependem pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im-
- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o obje- 2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
to representado por pronome oblíquo da mesma pessoa 1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)
do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre 2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou tran- 3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)
sitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma
pronomes mencionados, formando o que se chama voz boa colocação.
reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode - Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo
ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo: ou advérbio. Por exemplo:
Maria penteou-me. Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad-
vérbio)
Observações: Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes adjetivo)
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem
função sintática. Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em
- Há verbos que também são acompanhados de pro- curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exem-
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente plo:
pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos refle- Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
xivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pes- Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
soa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por
exemplo: - Particípio: quando não é empregado na formação
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gê-
nero, número e grau. Por exemplo:
Modos Verbais Terminados os exames, os candidatos saíram.

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas Quando o particípio exprime somente estado, sem
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis- nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
tem três modos: função de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu aluna escolhida para representar a escola.
sempre estudo.
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Tempos Verbais
Talvez eu estude amanhã.
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda Tomando-se como referência o momento em que se
agora, menino. fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos. Veja:
Formas Nominais
1. Tempos do Indicativo
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for-
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas colégio.
nominais. Observe: - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
num momento anterior ao atual, mas que não foi comple-
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do ver- tamente terminado: Ele estudava as lições quando foi inter-
bo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função rompido.
de substantivo. Por exemplo: - Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
Viver é lutar. (= vida é luta) momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) Ele estudou as lições ontem à noite.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as
lições quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
- Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se eu ti-
vesse dinheiro, viajaria nas férias.

2. Tempos do Subjuntivo

- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o
jogo.
Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por
exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.
- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.
Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à
loja, levará as encomendas.

Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.

CANTAR VENDER PARTIR


cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

40
LÍNGUA PORTUGUESA

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação

CANTAR VENDER PARTIR


cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de nú-
mero e pessoa correspondente.

41
LÍNGUA PORTUGUESA

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

42
LÍNGUA PORTUGUESA

Infinitivo Pessoal
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (Agente Polícia Vunesp 2013) Considere o trecho a seguir.


É comum que objetos ___________ esquecidos em locais públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as
pessoas _____________ a atenção voltada para seus pertences, conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
(A) sejam … mantesse
(B) sejam … mantivessem
(C) sejam … mantém
(D) seja … mantivessem
(E) seja … mantêm

02. (Escrevente TJ SP Vunesp 2012-adap.) Na frase –… os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas
sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque expressa ação
(A) concluída.
(B) atemporal.
(C) contínua.
(D) hipotética.
(E) futura.

03. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013-adap.) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas inte-
rações sociais terminam, 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
(C) adotar como referência de qualidade.
(D) julgar de acordo com normas legais.
(E) classificar segundo ideias preconcebidas.

04. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa contendo a frase do texto na qual a expressão verbal desta-
cada exprime possibilidade.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sistema capaz de disponibilizar um grande número de obras lite-
rárias...
(B) Funcionando como um imenso sistema de informação e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo
virtual.
(C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por associação, e não mais por sequências fixas previamente estabe-
lecidas.
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse conceito está ligado a uma nova concepção de textualidade...
(E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponibilizar toda a literatura do mundo...

05.(POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) No trecho: “O cresci-
mento econômico, se associado à ampliação do emprego, PODE melhorar o quadro aqui sumariamente descrito.”, se passar-
mos o verbo destacado para o futuro do pretérito do indicativo, teremos a forma:
A) puder.
B) poderia.
C) pôde.
D) poderá.
E) pudesse.

43
LÍNGUA PORTUGUESA

06. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alterna- Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este
tiva em que todos os verbos estão empregados de acordo pelo verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente:
com a norma- -padrão. A) Existia – Haviam – Existiam
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da B) Existiam – Havia – Existiam
impressão definitiva. C) Existiam – Haviam – Existiam
(B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em D) Existiam – Havia – Existia
silêncio. E) Existia – Havia – Existia
(C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a tra-
balhar no feriado. GABARITO
(D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga...
(E) Se você quer a promoção, é necessário que a reque- 01. B 02. C 03. E 04. B 05. B
ra a seu superior. 06. A 07. C 08. B 09. C 10. D

RESOLUÇÃO
07. (Papiloscopista Policial Vunesp 2013-adap.) Assina-
le a alternativa que substitui, corretamente e sem alterar o
1-) É comum que objetos sejam esquecidos em
sentido da frase, a expressão destacada em – Se a crian-
locais públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evi-
ça se perder, quem encontrá-la verá na pulseira instruções
tados se as pessoas mantivessem a atenção voltada para
para que envie uma mensagem eletrônica ao grupo ou seus pertences, conservando-os junto ao corpo.
acione o código na internet.
(A) Caso a criança se havia perdido… 2-) os níveis de pessoas sem emprego estão apresen-
(B) Caso a criança perdeu… tando quedas sucessivas de 2005 para cá. –, a locução ver-
(C) Caso a criança se perca… bal em destaque expressa ação contínua (= não concluída)
(D) Caso a criança estivera perdida…
(E) Caso a criança se perda… 3-) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando:
trata-se de um ser cujas interações sociais terminam, 99%
08. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013- das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
adap.). Assinale a alternativa em que o verbo destacado Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
está no tempo futuro. classificar segundo ideias preconcebidas.
A) Os consumidores são assediados pelo marketing …
B) … somente eles podem decidir se irão ou não com- 4-) (B) Funcionando como um imenso sistema de infor-
prar. mação e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enor-
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de neces- me arquivo virtual. = verbo no futuro do pretérito
sidades”…
D) … de onde vem o produto…? 5-) Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… do Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós po-
deríamos, vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração
09. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina- é crescimento econômico (singular), portanto, terceira pes-
le a alternativa em que a concordância das formas verbais soa do singular (ele) = poderia.
destacadas se dá em conformidade com a norma-padrão
da língua. 6-)
(B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em
(A) Chegou, para ajudar a família, vários amigos e vi-
silêncio.
zinhos.
(C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a
(B) Haviam várias hipóteses acerca do que poderia ter
trabalhar no feriado.
acontecido com a criança.
(D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
(C) Fazia horas que a criança tinha saído e os pais já (E) Se você quiser a promoção, é necessário que a re-
estavam preocupados. queira a seu superior.
(D) Era duas horas da tarde, quando a criança foi en-
contrada. 7-) Caso a criança se perca…(perda = substantivo:
(E) Existia várias maneiras de voltar para casa, mas a Houve uma grande perda salarial...)
criança se perdeu mesmo assim.
8-)
10. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- A) Os consumidores são assediados pelo marketing =
NESP – 2013-adap.). Leia as frases a seguir. presente
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de ma- C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessi-
deira no animal. dades”… = pretérito do Subjuntivo
II. Existiam muitos ferimentos no boi. D) … de onde vem o produto…? = presente
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… =
movimentada. pretérito perfeito

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LÍNGUA PORTUGUESA

9-) - Pode acontecer ainda que o agente da passiva não


(A) Chegaram, para ajudar a família, vários amigos e esteja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
vizinhos. - A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
(B) Havia várias hipóteses acerca do que poderia ter (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transforma-
acontecido com a criança. ção das frases seguintes:
(D) Eram duas horas da tarde, quando a criança foi en- a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
contrada. O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi-
(E) Existiam várias maneiras de voltar para casa, mas a cativo)
criança se perdeu mesmo assim.
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
10-) I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo)
de madeira no animal.
II. Existiam muitos ferimentos no boi. c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
movimentada.
Haver – sentido de existir= invariável, impessoal; - Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume
existir = variável. Portanto, temos: o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
I – Existiam onze pessoas... Observe a transformação da frase seguinte:
II – Havia muitos ferimentos... O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
III – Existia muita gente... As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

Vozes do Verbo Obs.: é menos frequente a construção da voz passi-


va analítica com outros verbos que podem eventualmente
Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo funcionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou mar-
para indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente cada pela doença.
da ação. São três as vozes verbais:
2- Voz Passiva Sintética
- Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com
ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE.
Ele fez o trabalho.
Por exemplo:
sujeito agente ação objeto (paciente)
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
- Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
ação expressa pelo verbo. Por exemplo:
sintética.
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la-
tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio-
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen- nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem
te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo: o significado de voz passiva como sendo a voz que expres-
O menino feriu-se. sa a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois
elementos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com e AGENTE DA PASSIVA.
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao
outro) Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

Formação da Voz Passiva Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
tancialmente o sentido da frase.
A voz passiva pode ser formada por dois processos: Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
analítico e sintético. Sujeito da Ativa objeto Direto
1- Voz Passiva Analítica
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particí- A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
pio do verbo principal. Por exemplo: Sujeito da Passiva Agente da Passiva
A escola será pintada.
O trabalho é feito por ele. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o
sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a Observe mais exemplos:
preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de solda- - Os mestres têm constantemente aconselhado os alu-
dos. nos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos 03. (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
mestres. ... valores e princípios que sejam percebidos pela socie-
dade como tais.
- Eu o acompanharei. Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo pas-
Ele será acompanhado por mim. sará a ser, corretamente,
(A) perceba.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, (B) foi percebido.
não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: (C) tenham percebido.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado. (D) devam perceber.
(E) estava percebendo.
Saiba que:
- Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle- 04. (TJ/RJ – TÉCNICO DE ATIVIDADE JUDICIÁRIA SEM
xivos, são chamados neutros. ESPECIALIDADE – FCC/2012) As ruas estavam ocupadas
O vinho é bom. pela multidão...
A forma verbal resultante da transposição da frase aci-
Aqui chove muito.
ma para a voz ativa é:
(A) ocupava-se.
- Há formas passivas com sentido ativo:
(B) ocupavam.
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
(C) ocupou.
Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nas- (D) ocupa.
cido.) (E) ocupava.
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
05. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
- Inversamente, usamos formas ativas com sentido A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva
passivo: está em:
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas) (A) Quando Rodolfo surgiu...
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado) (B) ... adquiriu as impressoras...
(C) ... e sustentar, às vezes, família numerosa.
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido (D) ... acolheu-o como patrono.
cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o (E) ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do
sujeito é paciente. Recife ...
Chamo-me Luís.
Batizei-me na Igreja do Carmo. 06. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
Operou-se de hérnia. FCC/2010) O engajamento moral e político não chegou a
Vacinaram-se contra a gripe. constituir um deslocamento da atenção intelectual de Said ...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for-
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ ma verbal resultante é:
morf54.php a) se constituiu.
b) chegou a ser constituído.
Questões sobre Vozes dos Verbos c) teria chegado a constituir.
d) chega a se constituir.
01. (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI- e) chegaria a ser constituído.
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) Em “Os dados foram divulgados
07. (METRÔ/SP – TÉCNICO SISTEMAS METROVIÁRIOS
ontem pelo Instituto Sou da Paz.”, a expressão destacada é
CIVIL – FCC/2014 - ADAPTADA) ...’sertanejo’ indicava indis-
(A) adjunto adnominal.
tintamente as músicas produzidas no interior do país...
(B) sujeito paciente.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for-
(C) objeto indireto.
ma verbal resultante será:
(D) complemento nominal. (A) vinham indicadas.
(E) agente da passiva. (B) era indicado.
(C) eram indicadas.
02. (FCC-COPERGÁS – Auxiliar Técnico Administrativo - (D) tinha indicado.
2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. Trans- (E) foi indicada.
pondo- -se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante será: 08. (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO –
(A) era abatido. (B) fora abatido. PROCON – AGENTE ADMINISTRATIVO – CEPERJ/2012 -
(C) abatera-se. (D) foi abatido. adaptada) Um exemplo de construção na voz passiva está
(E) tinha abatido em:

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LÍNGUA PORTUGUESA

(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” C = família numerosa é sustentada...


(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do di- D – foi acolhido como patrono...
nheiro” E – a primeira grande folhetaria do Recife foi montada...
(C) “enviar o brinquedo por sedex”
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de De- 6-) O engajamento moral e político não chegou a cons-
fesa do Consumidor” tituir um deslocamento da atenção intelectual de Said =
(E) “A empresa fez campanha para recolher” dois verbos na voz ativa, mas com presença de preposição
e, um deles, no infinitivo, então o verbo auxiliar “ser” ficará
09. (METRÔ/SP –SECRETÁRIA PLENO – FCC/2010) no infinitivo (na voz passiva) e o verbo principal (constituir)
Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde ficará no particípio: Um deslocamento da atenção intelec-
vim a entender a tradução completa, a forma verbal resul- tual de Said não chegou a ser constituído pelo engajamen-
tante será: to...
(A) veio a ser entendida.
(B) teria entendido. 7-)’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas pro-
(C) fora entendida. duzidas no interior do país.
(D) terá sido entendida. As músicas produzidas no país eram indicadas pelo
(E) tê-la-ia entendido. sertanejo, indistintamente.

10. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL 8-)


PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011 - ADAP- (A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” = voz ativa
TADA) (B) “o consumidor pode solicitar a devolução do di-
... ele empreende, de maneira quase clandestina, a série nheiro” = voz ativa
Mulheres. (C) “enviar o brinquedo por sedex” = voz ativa
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a for- (D) “A empresa também é obrigada pelo Código de De-
ma verbal resultante será: fesa do Consumidor” = voz passiva
(A) foi empreendida. (E) “A empresa fez campanha para recolher” = voz ativa
(B) são empreendidos.
(C) foi empreendido. 9-)Mais tarde vim a entender a tradução completa...
(D) é empreendida. A tradução completa veio a ser entendida por mim.
(E) são empreendidas.
10-) ele empreende, de maneira quase clandestina, a
GABARITO série Mulheres.
A série de mulheres é empreendida por ele, de maneira
01. E 02. D 03. A 04. E 05. A quase clandestina.
06. B 07. C 08. D 09. A 10. D
O advérbio, assim como muitas outras palavras exis-
RESOLUÇÃO tentes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas.
Assim sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a
1-) No enunciado temos uma oração com a voz passiva ideia de proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz
do verbo. Transformando-a em ativa, teremos: “O Instituto referência ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo,
Sou da Paz divulgou dados”. Nessa, “Instituto Sou da Paz” ou seja, indicando as circunstâncias em que esse processo
funciona como sujeito da oração, ou seja, na passiva sua se desenvolve.
função é a de agente da passiva. O sujeito paciente é “os O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sen-
dados”. tido de caracterizar os processos expressos por ele. Contu-
do, ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos),
2-) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. = pois também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Se-
Ele foi abatido... guem alguns exemplos:
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
3-) ... valores e princípios que sejam percebidos pela você está até bem informado.
sociedade como tais = dois verbos na voz passiva, então Temos o advérbio “distantemente” que modifica o ad-
teremos um na ativa: que a sociedade perceba os valores jetivo alheio, representando uma qualidade, característica.
e princípios...
O artista canta muito mal.
4-) As ruas estavam ocupadas pela multidão = dois Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifi-
verbos na passiva, um verbo na ativa: ca outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos
A multidão ocupava as ruas. pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra
funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar
5-) demarcado por mais de uma palavra, que mesmo assim
B = as impressoras foram adquiridas... não deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chama-

47
LÍNGUA PORTUGUESA

mos de locução adverbial, representada por algumas ex- Locução adverbial


pressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de
modo algum, entre outras. É reunião de duas ou mais palavras com valor de
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér- advérbio. Exemplo:
bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
expressas por: Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pres-
sas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres-
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior apressadamente.
parte dos que terminam em -”mente”: calmamente, triste-
mente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de
docemente, escandalosamente, bondosamente, generosa- modo são flexionados, sendo que os demais são todos in-
mente variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau:
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe
excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, - longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, inconstitucionalissimamente, etc.;
de todo, de muito, por completo. Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto -
pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, Preposição é uma palavra invariável que serve para
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en- ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece,
fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata- normalmente há uma subordinação do segundo termo em
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às relação ao primeiro. As preposições são muito importantes
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de e possuem valores semânticos indispensáveis para a com-
tempos em tempos, em breve, hoje em dia preensão do texto.

de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, Tipos de Preposição
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, 1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusi-
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, vamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter- contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás,
namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em atrás de, dentro de, para com.
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta 2. Preposições acidentais: palavras de outras classes
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, gramaticais que podem atuar como preposições: como,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valen-
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, do como uma preposição, sendo que a última palavra é
provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem uma delas: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a res-
sabe peito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente
a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de,
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe- por cima de, por trás de.
tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi-
tavelmente (=sem dúvida). A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto
pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concor-
de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so- dância em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por
mente, simplesmente, só, unicamente + a = pela.
Vale ressaltar que essa concordância não é caracterís-
de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- tica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
bém Esse processo de junção de uma preposição com outra
palavra pode se dar a partir de dois processos:
de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
1. Combinação: A preposição não sofre alteração.
de designação: Eis preposição a + artigos definidos o, os
a + o = ao
de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan- preposição a + advérbio onde
do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade), a + onde = aonde
para quê? (finalidade) 2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Preposição + Artigos Cheguei a sua casa ontem pela manhã.


De + o(s) = do(s) Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para pro-
De + a(s) = da(s) curar um tratamento adequado.
De + um = dum
De + uns = duns - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
De + uma = duma lugar e/ou a função de um substantivo.
De + umas = dumas Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como
Em + o(s) = no(s) parte da família
Em + a(s) = na(s) Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém.
Em + um = num / Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
Em + uma = numa
Em + uns = nuns 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
Em + umas = numas das preposições:
A + à(s) = à(s) Destino = Irei para casa.
Por + o = pelo(s) Modo = Chegou em casa aos gritos.
Por + a = pela(s) Lugar = Vou ficar em casa;
Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Preposição + Pronomes Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
De + ele(s) = dele(s) Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
De + ela(s) = dela(s) Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-
De + este(s) = deste(s) tamento.
De + esta(s) = desta(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + esse(s) = desse(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + essa(s) = dessa(s)
Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + aquele(s) = daquele(s)
Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + aquela(s) = daquela(s)
Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + isto = disto
Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + isso = disso
Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquilo = daquilo
Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + aqui = daqui
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + aí = daí
Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + ali = dali
De + outro = doutro(s)
De + outra = doutra(s) Fonte:
Em + este(s) = neste(s) http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
Em + esta(s) = nesta(s)
Em + esse(s) = nesse(s) Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações
Em + aquele(s) = naquele(s) ou dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por
Em + aquela(s) = naquela(s) exemplo:
Em + isto = nisto A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as
Em + isso = nisso amiguinhas.
Em + aquilo = naquilo
A + aquele(s) = àquele(s) Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
A + aquela(s) = àquela(s) 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu
A + aquilo = àquilo as amiguinhas

Dicas sobre preposição Cada informação está estruturada em torno de um ver-


bo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três ora-
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome ções:
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” 1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e
seja um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá mostrou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
para determiná-lo como um substantivo singular e femi- A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e
nino. a terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”.
A dona da casa não quis nos atender. As palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações.
Como posso fazer a Joana concordar comigo? Observe: Gosto de natação e de futebol.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são
- Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. “e” está ligando termos de uma mesma oração.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Morfossintaxe da Conjunção - CONFORMATIVAS


Principais conjunções conformativas: como, segundo,
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer- conforme, consoante
cem propriamente uma função sintática: são conectivos. Cada um colhe conforme semeia.
Classificação Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor-
- Conjunções Coordenativas midade.
- Conjunções Subordinativas
- CONSECUTIVAS
Conjunções coordenativas Expressam uma ideia de consequência.
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”,
Dividem-se em: “tanto”, “tão”, “tamanho”).
- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gos- Falou tanto que ficou rouco.
to de cantar e de dançar.
- FINAIS
Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas
Expressam ideia de finalidade, objetivo.
também, não só...como também.
Todos trabalham para que possam sobreviver.
Principais conjunções finais: para que, a fim de que,
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo-
porque (=para que),
sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contu- - PROPORCIONAIS
do, todavia, no entanto, entretanto. Principais conjunções proporcionais: à medida que,
quanto mais, ao passo que, à proporção que.
- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.
Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, - TEMPORAIS
quer...quer, já...já. Principais conjunções temporais: quando, enquanto,
logo que.
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora- Quando eu sair, vou passar na locadora.
ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois Diferença entre orações causais e explicativas
(depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais
É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá (OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de-
fora. paramos com a dúvida de como distinguir uma oração
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois causal de uma explicativa. Veja os exemplos:
(antes do verbo), porquanto. 1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser
atropelado”:
Conjunções subordinativas a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati-
va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior.
- CAUSAIS b) As orações são coordenadas e, por isso, indepen-
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, dentes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as
uma vez que, como (= porque). orações que vêm marcadas por vírgula.
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
Outra dica é, quando a oração que antecede a OC
(Oração Coordenada) vier com verbo no modo imperativo,
- COMPARATIVAS
ela será explicativa.
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo im-
como, mais...do que, menos...do que. perativo)
Ela fala mais que um papagaio.
2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra
- CONCESSIVAS cidade porque não havia cemitério no local.”
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada
mesmo que, apesar de, se bem que. (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é
um fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de como - o que não ocorre com a CS Explicativa.
estar cansada)
Apesar de ter chovido fui ao cinema.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar Observação:


os mortos em outra cidade. - No caso da referida expressão aparecer repetida ou
b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente associada a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo,
dependentes uma da outra. necessariamente, deverá permanecer no plural:
Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram
na campanha de doação de alimentos.
Mais de um formando se abraçaram durante as soleni-
9. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL. dades de formatura.

6) Quando o sujeito for composto da expressão “um


dos que”, o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos um dos que atuaram na Copa América.
nos referindo à relação de dependência estabelecida entre
um termo e outro mediante um contexto oracional. Desta 7) Em casos relativos à concordância com locuções
feita, os agentes principais desse processo são representa- pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
dos pelo sujeito, que no caso funciona como subordinante; quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
e o verbo, o qual desempenha a função de subordinado. nos atermos a duas questões básicas:
Dessa forma, temos que a concordância verbal carac- - No caso de o primeiro pronome estar expresso no
teriza-se pela adaptação do verbo, tendo em vista os que- plural, o verbo poderá com ele concordar, como poderá
sitos “número e pessoa” em relação ao sujeito. Exemplifi- também concordar com o pronome pessoal: Alguns de nós
cando, temos: O aluno chegou atrasado. Temos que o verbo o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
apresenta-se na terceira pessoa do singular, pois faz refe- - Quando o primeiro pronome da locução estiver ex-
rência a um sujeito, assim também expresso (ele). Como presso no singular, o verbo permanecerá, também, no sin-
poderíamos também dizer: os alunos chegaram atrasados. gular: Algum de nós o receberá.

Casos referentes a sujeito simples 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo


pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa
1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com do singular ou poderá concordar com o antecedente desse
o núcleo em número e pessoa: O aluno chegou atrasado. pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para
ela. / Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
2) Nos casos referentes a sujeito representado por
substantivo coletivo, o verbo permanece na terceira pes- 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
soa do singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos. palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós que toma-
Observação:
mos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto
adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular ou
10) No caso de o sujeito aparecer representado por ex-
poderá ir para o plural:
pressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão
da diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
3) Quando o sujeito é representado por expressões
partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte
Observações:
de, a metade de, uma porção de” entre outras, o verbo tanto - Caso o verbo apareça anteposto à expressão de por-
pode concordar com o núcleo dessas expressões quanto centagem, esse deverá concordar com o numeral: Aprova-
com o substantivo que a segue: A maioria dos alunos resol- ram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.
veu ficar. A maioria dos alunos resolveram ficar. - Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no sin-
gular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da dire-
4) No caso de o sujeito ser representado por expres- toria.
sões aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”, - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de
o verbo concorda com o substantivo determinado por elas: determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural:
Cerca de mil candidatos se inscreveram no concurso. Os 50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.

5) Em casos em que o sujeito é representado pela ex- 11) Nos casos em que o sujeito estiver representado
pressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais por pronomes de tratamento, o verbo deverá ser empre-
de um candidato se inscreveu no concurso de piadas. gado na terceira pessoa do singular ou do plural: Vossas
Majestades gostaram das homenagens. Vossa Majestade
agradeceu o convite.

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LÍNGUA PORTUGUESA

12) Casos relativos a sujeito representado por substan- a) Um adjetivo após vários substantivos
tivo próprio no plural se encontram relacionados a alguns - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o
aspectos que os determinam: plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do ver- - Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
bo ser, este permanece no singular, contanto que o predi- - Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
cativo também esteja no singular: Memórias póstumas de
Brás Cubas é uma criação de Machado de Assis. - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo tam- masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
bém permanece no plural: Os Estados Unidos são uma po- - Ela tem pai e mãe louros.
tência mundial. - Ela tem pai e mãe loura.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que
ele nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados - Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoria-
Unidos é uma potência mundial. mente para o plural.
- O homem e o menino estavam perdidos.
Casos referentes a sujeito composto - O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.

1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, es- - Adjetivo anteposto normalmente concorda com o
tando relacionado a dois pressupostos básicos: mais próximo.
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as Comi delicioso almoço e sobremesa.
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. Provei deliciosa fruta e suco.
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar
na 2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
primos. concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer an- Estava ferido o pai e os filhos.
teposto ao verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus
dois filhos compareceram ao evento. c) Um substantivo e mais de um adjetivo
- antecede todos os adjetivos com um artigo.
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao ver- Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
bo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus - coloca o substantivo no plural.
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.

4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém d) Pronomes de tratamento


com mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no - sempre concordam com a 3ª pessoa.
singular: Meu esposo e grande companheiro merece toda a Vossa Santidade esteve no Brasil.
felicidade do mundo.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinô- - Concordam com o substantivo a que se referem.
nimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo As cartas estão anexas.
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha A bebida está inclusa.
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de Precisamos de nomes próprios.
meu esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha pre- Obrigado, disse o rapaz.
miação é fruto de meu esforço.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos - Após essas expressões o substantivo fica sempre no
demais termos da oração para que concordem em gênero singular e o adjetivo no plural.
e número com o substantivo. Teremos que alterar, portan- Renato advogou um e outro caso fáceis.
to, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso, Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira.
Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o prono- g) É bom, é necessário, é proibido
me concordam em gênero e número com o substantivo. - Essas expressões não variam se o sujeito não vier pre-
- A pequena criança é uma gracinha. cedido de artigo ou outro determinante.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático. Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A
regra geral mostrada acima. entrada é proibida.

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LÍNGUA PORTUGUESA

h) Muito, pouco, caro Questões sobre Concordância Nominal e Verbal


- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem. 01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con-
Pouco arroz é suficiente para mim. cordância verbal e nominal está inteiramente correta na
Os sapatos estavam caros. frase:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores
- Como advérbios: são invariáveis. que determinam as escolhas dos governantes, para confe-
Comi muito durante a viagem. rir legitimidade a suas decisões.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha. (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem
Comprei caro os sapatos. ser embasados na percepção dos valores e princípios que
regem a prática política.
i) Mesmo, bastante (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro
- Como advérbios: invariáveis regime democrático, em que se respeita tanto as liberda-
Preciso mesmo da sua ajuda. des individuais quanto as coletivas.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego. (D) As instituições fundamentais de um regime demo-
crático não pode estar subordinado às ordens indiscrimina-
das de um único poder central.
- Como pronomes: seguem a regra geral.
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
para o momento eleitoral, que expõem as diferentes opi-
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. niões existentes na sociedade.
j) Menos, alerta 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de con-
- Em todas as ocasiões são invariáveis. cordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas
Preciso de menos comida para perder peso. em:
Estamos alerta para com suas chamadas. A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa
leitura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimo-
k) Tal Qual ramento intelectual, estão na capacidade de criação do au-
- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda tor, mediante palavras, sua matéria-prima.
com o consequente. B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre
As garotas são vaidosas tais qual a tia. delineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. ao ultrapassar os limites da época em que vivem seus au-
tores, gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
l) Possível C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “me- lhe permitem criar todo um mundo de ficção, em que per-
lhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as ex- sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os
pressões. leitores, numa verdadeira interação com a realidade.
A mais possível das alternativas é a que você expôs. D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei-
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da em- tor somente se realiza plenamente caso haja afinidade de
presa. ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o
As piores situações possíveis são encontradas nas fave- crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura.
las da cidade. E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que
constitui leitura obrigatória e se tornam referências por seu
m) Meio conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de época.
- Como advérbio: invariável.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para
Estou meio (um pouco) insegura.
responder à questão.
_________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro,
- Como numeral: segue a regra geral. não está claro até onde pode realmente chegar uma políti-
Comi meia (metade) laranja pela manhã. ca baseada em melhorar a eficiência sem preços adequados
para o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a
n) Só terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do
- apenas, somente (advérbio): invariável. carbono e da água em si ___________diferença, as compa-
Só consegui comprar uma passagem. nhias não podem suportar ter de pagar, de repente, digamos,
40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer prepara-
- sozinho (adjetivo): variável. ção. Portanto, elas começam a usar preços- -sombra.
Estiveram sós durante horas. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira
de quantificar adequadamente os insumos básicos. E sem
Fonte: eles a maioria das políticas de crescimento verde sempre
http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-verbal.htm ___________ a segunda opção.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)

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LÍNGUA PORTUGUESA

De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, (D) O grosso dos folheteiros


as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res- (E) Cada um dos folheteiros
pectivamente, com:
(A) Restam… faça… será 07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
(B) Resta… faz… será FCC/2012) Todas as formas verbais estão corretamente fle-
(C) Restam… faz... serão xionadas em:
(D) Restam… façam… serão (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel
(E) Resta… fazem… será sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir
dessas criações poéticas tão originais.
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alterna- (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
tiva em que o trecho atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
– Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma- nas melhores universidades do país.
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.– (C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que
está corretamente reescrito, de acordo com a norma-pa- a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles
drão da língua portuguesa. mesmos requizessem o respeito que faziam por merecer.
(A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encon- (D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e
trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser
insumos básicos. resultado do puro e simples desconhecimento.
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- (E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os proble-
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási- mas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de
cos ser quantificados. representatividade.
(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou
até agora uma maneira adequada para que os insumos bá- 08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
sicos sejam quantificado. FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de con-
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon- cordância verbal e nominal em:
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como
trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica-
mos básicos seja quantificado.
das às mais humildes, são cada vez mais comuns nos dias
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
de hoje.
trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
b) A importância de intelectuais como Edward Said e
os insumos básicos.
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
polêmicas de seu tempo, não estão apenas nos livros que
05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATIVO
escreveram.
- VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto: c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre
I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota nega- árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto so-
tiva... frimento, estejam próximos de serem resolvidos ou pelo
II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classi- menos de terem alguma trégua.
ficação do continente americano (2,0)... d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo
II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem dos ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores
exemplos, em: que admiradores.
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o e) No final do século XX já não se via muitos intelec-
próximo ano. Será que alguém tem opinião diferente da tuais e escritores como Edward Said, que não apenas era
maioria? notícia pelos livros que publicavam como pelas posições
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. que corajosamente assumiam.
Vêm pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase 09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia. O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propos-
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas tas para o segmento grifado, deverá ser colocado no plural,
também existem umas que não merecem nossa atenção. está em:
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. (A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas)
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do pla-
06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) neta)
Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O
peregrinação. consumo mundial de barris de petróleo)
O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plu- (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se
ral caso o segmento grifado seja substituído por: no custo da matéria-prima... (Constantes aumentos)
(A) Há folheteiros que (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
(B) A maior parte dos folheteiros forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
(C) O folheteiro e sua família climáticas)

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LÍNGUA PORTUGUESA

10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi- E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que
nale a alternativa em que a concordância das formas ver- constituem leitura obrigatória e se tornam referências por
bais destacadas está de acordo com a norma-padrão da seu conteúdo que ultrapassa os limites de tempo e de épo-
língua. ca.
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higie-
nização subterrânea. 3-) _Restam___dúvidas
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da
trabalhadores da área de limpeza. água em si __faça __diferença
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos a maioria das políticas de crescimento verde sempre
riscos de se contrair alguma doença. ____será_____ a segunda opção.
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tan-
sete da manhã, eu já estava fazendo meu serviço. to no plural quanto no singular. Nas alternativas não há
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, “restam/faça/serão”, portanto a A é que apresenta as op-
começou a adotar medidas mais rigorosas para a proteção ções adequadas.
de seus funcionários.
4-)
(A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
GABARITO
trou até agora uma maneira adequada de se quantificar os
01. A 02. A 03. A 04. E 05. A
insumos básicos.
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
trou até agora uma maneira adequada de os insumos bási-
RESOLUÇÃO cos serem quantificados.
(C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
1-) Fiz os acertos entre parênteses: trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores mos básicos sejam quantificados.
que determinam as escolhas dos governantes, para confe- (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
rir legitimidade a suas decisões. trou até agora uma maneira adequada para que os insu-
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes de- mos básicos sejam quantificados.
vem (deve) ser embasados (embasada) na percepção dos (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encon-
valores e princípios que regem a prática política. trou até agora uma maneira adequada de se quantificarem
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver- os insumos básicos. = correta
dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei-
tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas. 5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos
(D) As instituições fundamentais de um regime demo- aos itens:
crático não pode (podem) estar subordinado (subordina- (A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém
das) às ordens indiscriminadas de um único poder central. tem (singular)
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol- (B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- (C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quise-
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade. ram (plural)
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem
2-) umas (plural)
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas
leitura, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimo- as formas estão no plural)
ramento intelectual, estão na capacidade de criação do au-
6-)
tor, mediante palavras, sua matéria-prima. = correta
A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto
B) Obras que se consideram clássicas na literatura sem-
“folheterios”)
pre delineiam novos caminhos, pois são capazes de encan-
B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional)
tar o leitor ao ultrapassarem os limites da época em que
C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto)
vivem seus autores, gênios no domínio das palavras, sua D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional)
matéria-prima. E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas,
lhes permite criar todo um mundo de ficção, em que per- 7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta:
sonagens se transformam em seres vivos a acompanhar os (A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a conside-
leitores, numa verdadeira interação com a realidade. rar o cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capa-
D) As possibilidades de comunicação entre autor e lei- zes de fruir dessas criações poéticas tão originais.
tor somente se realizam plenamente caso haja afinidade (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status
de ideias entre ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o atribuído à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje
crescimento intelectual deste último e o prazer da leitura. nas melhores universidades do país.

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LÍNGUA PORTUGUESA

(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que


a situação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles 10. REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL.
mesmos requizessem (requeressem) o respeito que faziam
por merecer.
(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desva-
lorização e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
só pode (podem) ser resultado do puro e simples desco- que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus comple-
nhecimento. mentos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as pala-
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que vras, criando frases não ambíguas, que expressem efetiva-
os problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados mente o sentido desejado, que sejam corretas e claras.
à falta de representatividade.
Regência Verbal
8-) Fiz as correções entre parênteses:
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como Termo Regente: VERBO
entre os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofistica-
das às mais humildes, são (é) cada vez mais comuns (co- A regência verbal estuda a relação que se estabelece
mum) nos dias de hoje.
entre os verbos e os termos que os complementam (obje-
b) A importância de intelectuais como Edward Said e
tos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos
Tony Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões
adverbiais).
polêmicas de seu tempo, não estão (está) apenas nos livros
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nos-
que escreveram.
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio en- sa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de
tre árabes e judeus, responsável por tantas mortes e tanto conhecermos as diversas significações que um verbo pode
sofrimento, estejam (esteja) próximos (próximo) de serem assumir com a simples mudança ou retirada de uma pre-
(ser) resolvidos (resolvido) ou pelo menos de terem (ter) posição. Observe:
alguma trégua. A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar,
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a contentar.
verdade, ainda que conscientes de que esta é até certo A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar
ponto relativa, costumam encontrar muito mais detratores agrado ou prazer”, satisfazer.
que admiradores. Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos “agradar a alguém”.
intelectuais e escritores como Edward Said, que não apenas
era (eram) notícia pelos livros que publicavam como pelas Saiba que:
posições que corajosamente assumiam. O conhecimento do uso adequado das preposições é
um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver-
9-) bal (e também nominal). As preposições são capazes de
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = modificar completamente o sentido do que se está sendo
“há” permaneceria no singular dito. Veja os exemplos:
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do pla- Cheguei ao metrô.
neta) = “sabe” permaneceria no singular Cheguei no metrô.
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O
consumo mundial de barris de petróleo) = “dá” permane- No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se-
ceria no singular gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se oração “Cheguei no metrô”, popularmente usada a fim de
no custo da matéria-prima... Constantes aumentos) = “re-
indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da lín-
flete” passaria para “refletem-se”
gua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem di-
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os es-
vergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns
forços mundiais... (a preocupação em torno das mudanças
verbos, e a regência culta.
climáticas) = “pressiona” permaneceria no singular
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos
10-) Fiz as correções: de acordo com sua transitividade. A transitividade, porém,
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular) não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de
(B) Ainda existe muitas pessoas = existem diferentes formas em frases distintas.
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos ris-
cos Verbos Intransitivos
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era
sete da manhã = eram Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
começou = começaram aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Chegar, Ir presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos


Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver- de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para lhe, lhes.
indicar destino ou direção são: a, para. Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Fui ao teatro. - Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-
Adjunto Adverbial de Lugar posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direi-
tos iguais para todos.
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
mentos introduzidos pela preposição “a”:
- Comparecer Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Eles desobedeceram às leis do trânsito.
em ou a.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o - Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
último jogo. posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
quem” ou “ao que” se responde.
Verbos Transitivos Diretos Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas.
Os verbos transitivos diretos são complementados por Respondeu-lhe à altura.
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
gar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes oblí- quando exprime aquilo a que se responde, admite voz pas-
quos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses prono- siva analítica. Veja:
mes podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas O questionário foi respondido corretamente.
verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamen-
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e
te.
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abando-
- Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
nar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, ad-
tos introduzidos pela preposição “com”.
mirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar,
Antipatizo com aquela apresentadora.
castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender,
Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
nam para uma minoria privilegiada.
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
como o verbo amar: Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a. Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompa-
Amam aquele rapaz. / Amam-no. nhados de um objeto direto e um indireto. Merecem desta-
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. que, nesse grupo: Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos
que apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses ver- indireto relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
bos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Agradeço aos ouvintes a audiência.
adnominais). Objeto Indireto Objeto Direto
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car- Paguei o débito ao cobrador.
reira) Objeto Direto Objeto Indireto
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu-
mor) - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
com particular cuidado. Observe:
Verbos Transitivos Indiretos Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
gem uma preposição para o estabelecimento da relação Paguei minhas contas. / Paguei-as.
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter- Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são
o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam Informar
os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos - Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re- indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Informe os novos preços aos clientes. Mudança de Transitividade X Mudança de Signifi-


Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos cado
preços)
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivi-
- Na utilização de pronomes como complementos, veja dade, apresentam mudança de significado. O conhecimen-
as construções: to das diferentes regências desses verbos é um recurso lin-
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. guístico muito importante, pois além de permitir a correta
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou so- interpretação de passagens escritas, oferece possibilidades
bre eles) expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os principais,
estão:
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada
para os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, pre- AGRADAR
venir. - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
nhos, acariciar.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
Comparar
quando o revê.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
indireto.
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma - Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
criança. agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
introduzido pela preposição “a”.
Pedir O cantor não agradou aos presentes.
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na O cantor não lhes agradou.
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de
pessoa. ASPIRAR
Pedi-lhe favores. - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspi-
Objeto Indireto Objeto Direto rar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)

Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
Objetiva Direta (Aspirávamos a elas)

Saiba que: Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é


- A construção “pedir para”, muito comum na lingua- pessoa, mas coisa, não se usam as formas pronominais áto-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua nas “lhe” e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela
culta. No entanto, é considerada correta quando a palavra (s)”. Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
licença estiver subentendida. Aspiravam a ela)
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz ASSISTIR
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infini- - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
tivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). tar assistência a, auxiliar. Por exemplo:
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
- A construção “dizer para”, também muito usada po-
pularmente, é igualmente considerada incorreta.
- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
ciar, estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
Preferir Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto in- Essa lei assiste ao inquilino.
direto introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
Prefiro trem a ônibus. intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado conturbada cidade.
sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil
vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo CHAMAR
prefixo existente no próprio verbo (pre). - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar,
solicitar a atenção ou a presença de.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá cha- - Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo-
má-la. sição” de”) e fazer, executar (rege complemento introduzi-
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes. do pela preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode Procedeu-se aos exames.
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predi- O delegado procederá ao inquérito.
cativo preposicionado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário. QUERER
A torcida chamou ao jogador mercenário. - Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
A torcida chamou o jogador de mercenário. vontade de, cobiçar.
A torcida chamou ao jogador de mercenário. Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.
CUSTAR
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado - Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: estimar, amar.
Frutas e verduras não deveriam custar muito.
Quero muito aos meus amigos.
Ele quer bem à linda menina.
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
Despede-se o filho que muito lhe quer.
ou transitivo indireto.
Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Oração Subordinada Substantiva VISAR
Subjetiva - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi-
Intransitivo Reduzida de Infinitivo rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela O gerente não quis visar o cheque.
atitude.
Objeto Oração Subordinada Substantiva - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
Subjetiva objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Indireto Reduzida de Infinitivo O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções público.
que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado
por pessoa. Observe: ESQUECER – LEMBRAR
Custei para entender o problema. - Lembrar algo – esquecer algo
Forma correta: Custou-me entender o problema. - Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronomi-
nal)
IMPLICAR
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
implicavam um firme propósito. No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e
b) Ter como consequência, trazer como consequência, exigem complemento com a preposição “de”. São, portan-
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadure- to, transitivos indiretos:
cimento político de um povo. - Ele se esqueceu do caderno.
- Eu me esqueci da chave.
- Como transitivo direto e indireto, significa compro-
- Eles se esqueceram da prova.
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões
- Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
econômicas.

Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é tran- Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
sitivo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
quem não trabalhasse arduamente. alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
PROCEDER clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, - Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e
como refutá-las. indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de al-
Você procede muito mal. guma coisa).

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LÍNGUA PORTUGUESA

SIMPATIZAR
Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não simpatizei com os jurados.

NAMORAR
É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Maria namora João.

Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.

OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.

Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.

VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um
verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes
correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atenta-
mente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

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LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Regência Nominal e Verbal 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alter-
nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa
01. (Administrador – FCC – 2013-adap.). Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência
... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras nominal e à pontuação.
ciências ... (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida-
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço
o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo,
A) ...astros que ficam tão distantes ... do que em outros.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... (B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam ra-
C) ...que nos proporcionou um espírito ... pidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
D) ...cuja importância ninguém ignora ... avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ... exemplo!, do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra-
02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
adap.). avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos exemplo, do que em outros.
filhos do sueco. (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de com- mente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço
plementos que o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo
A) ...que existe uma coisa chamada exército... – do que em outros.
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapida-
C) ...compareceu em companhia da mulher à delega- mente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avan-
cia...
ço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exem-
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
plo) do que em outros.
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atre-
vimento.
06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina-
le a alternativa correta quanto à regência dos termos em
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.).
destaque.
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
partes desiguais...
responsabilidade pelo problema.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que
(B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter
o grifado acima está empregado em:
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a se perdido.
extremos de sutileza. (C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho
B) ...eram comumente assinalados a golpes de macha- de um índio na porta do prédio.
do nos troncos mais robustos. (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso- perdido de sua família.
rientam, não raro, quem... (E) A família toda se organizou para realizar a procura
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho à garotinha.
na serra de Tunuí...
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale
gentio, mestre e colaborador... a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
lacunas do texto, de acordo com as regras de regência.
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
o da frase acima se encontra em: A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que
A) A palavra direito, em português, vem de directum, a mídia pode exercer sobre os jovens.
do verbo latino dirigere... A) dos … na
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das B) nos … entre a
sociedades... C) aos … para a
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado D) sobre os … pela
pela justiça. E) pelos … sob a
D) Essa problematicidade não afasta a força das
aspirações da justiça... 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão
sentimento de justiça. da língua, assinale a alternativa em que os trechos desta-
cados estão corretos quanto à regência, verbal ou nominal.

61
LÍNGUA PORTUGUESA

A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho
dez mil tomadas. na serra de Tunuí... = transitivo direto
B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé. gentio, mestre e colaborador...=transitivo direto
C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de
criar logotipos e negociar. 4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
D) O taxista levou o autor a indagar no número de Lidar = transitivo indireto
tomadas do edifício. B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor repa- sociedades... =transitivo direto
rasse a um prédio na marginal. C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
pela justiça. =ligação
09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). As- D) Essa problematicidade não afasta a força das
sinale a alternativa que substitui a expressão destacada na aspirações da justiça... =transitivo direto e indireto
frase, conforme as regras de regência da norma-padrão da E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o
língua e sem alteração de sentido. sentimento de justiça. =transitivo direto
Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de
direitos dos trabalhadores domésticos. 5-) A correção do item deve respeitar as regras de pon-
A) da tuação também. Assinalei apenas os desvios quanto à re-
B) na gência (pontuação encontra-se em tópico específico)
C) pela (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam,
D) sob a (B) Não há dúvida de que (erros quanto à pon-
E) sobre a tuação)
(C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto
GABARITO à pontuação)
01. D 02. D 03. A 04. A 05. D (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapi-
06. A 07. C 08. A 09. C damente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o
avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
RESOLUÇÃO exemplo) do que em outros.
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das ou-
6-)
tras ciências ...
(B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por
Facilitar – verbo transitivo direto
ter se perdido.
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de ligação
(C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo de
um índio na porta do prédio.
ligação
(D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se per-
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo transi-
dido de sua família.
tivo direto e indireto
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = (E) A família toda se organizou para realizar a procura
verbo transitivo indireto pela garotinha.

2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se re-
nos filhos do sueco. portou já assinalavam uma relação entre os distúrbios da
Pedir = verbo transitivo direto e indireto imagem corporal e a exposição a imagens idealizadas pela
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = tran- mídia.
sitivo direto A pesquisa faz um alerta para a influência negativa
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de que a mídia pode exercer sobre os jovens.
ligação
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... 8-)
=verbo intransitivo B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de ha-
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevi- ver um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
mento. =transitivo direto C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em
criar logotipos e negociar.
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de
em partes desiguais... tomadas do edifício.
Constar = verbo intransitivo E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor re-
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado parasse em um prédio na marginal.
nos troncos mais robustos. =ligação
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso- 9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de
rientam, não raro, quem... =transitivo direto direitos dos trabalhadores domésticos.

62
LÍNGUA PORTUGUESA

- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre-


posição “a”:
11. COLOCAÇÃO PRONOMINAL. Naquele instante os dois passaram a odiar-se.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente.

A colocação pronominal é a posição que os prono- - O verbo estiver no gerúndio:


mes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de des-
ao verbo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: preocupada.
me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos. Despediu-se, beijando-me a face.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições
na oração em relação ao verbo: - Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
1. próclise: pronome antes do verbo Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no
2. ênclise: pronome depois do verbo mesmo instante.
3. mesóclise: pronome no meio do verbo Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.

Mesóclise
Próclise
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
- Palavras com sentido negativo: A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (=
Nada me faz querer sair dessa cama. ela se realizará)
Não se trata de nenhuma novidade. Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
- Advérbios: proposta a você)
Nesta casa se fala alemão.
Naquele dia me falaram que a professora não veio. Questões sobre Pronome

- Pronomes relativos: 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012).


A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro,
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. não está claro até onde pode realmente chegar uma políti-
ca baseada em melhorar a eficiência sem preços adequados
- Pronomes indefinidos: para o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a
Quem me disse isso? terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. carbono e da água faça em si diferença, as companhias não
podem suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dóla-
- Pronomes demonstrativos: res por tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Por-
Isso me deixa muito feliz! tanto, elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim,
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria
- Preposição seguida de gerúndio: das políticas de crescimento verde sempre será a segunda
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais opção.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
indicado à pesquisa escolar.
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-
- Conjunção subordinativa:
ferem- -se, respectivamente, a
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
(A) dúvidas e preços.
(B) dúvidas e insumos básicos.
Ênclise (C) companhias e insumos básicos.
(D) companhias e preços do carbono e da água.
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta (E) políticas de crescimento e preços adequados.
não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto-
nos. A ênclise vai acontecer quando: 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho gri-
Amem-se uns aos outros. fado está corretamente substituído por um pronome em:
Sigam-me e não terão derrotas. A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-
- O verbo iniciar a oração: -lhes desalentado
Diga-lhe que está tudo bem. C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem
Chamaram-me para ser sócio. de conhecê-lo?
D) ...não parecia ser um importante industrial... −
não parecia ser-lhe
E) incomodaram o general... − incomodaram-no

63
LÍNGUA PORTUGUESA

03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). ______alguns anos, num programa de televisão, uma jo-
A substituição do elemento grifado pelo pronome cor- vem fazia referência______ violência______ o brasileiro esta-
respondente, com os necessários ajustes, foi realizada de va sujeito de forma cômica.
modo INCORRETO em: A) Fazem... a ... de que
A) mostrando o rio= mostrando-o. B) Faz ...a ... que
B) como escolher sítio= como escolhê-lo. C) Fazem ...à ... com que
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes. D) Faz ...à ... que
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = E) Faz ...à ... a que
nada lhes acrescentariam.
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas. 09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014)
As sereias então devoravam impiedosamente os tripu-
04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a lantes.
alternativa em que o pronome destacado está posicionado ... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a ca-
de acordo com a norma-padrão da língua. beça...
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. grifados acima foram corretamente substituídos por um
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha. pronome, na ordem dada, em:
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alter- (C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
nativa cujo emprego do pronome está em conformidade (D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
com a norma padrão da língua. (E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- 10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP –
lada. 2013- adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks. dos estabelecimentos felizmente comprovam os aconteci-
(D) Conformado, se rendeu às punições. mentos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investiga-
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. ção. – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que
substituem, corretamente, os termos em destaque são:
06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assina- A) os comprovam … ajudá-la.
le a alternativa correta quanto à colocação pronominal, de B) os comprovam …ajudar-la.
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. C) os comprovam … ajudar-lhe.
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
eles sejam sempre trazidos junto ao corpo. E) lhes comprovam … ajudá-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa-
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. GABARITO
(C) Nos sentimos impotentes quando não consegui-
mos restituir um objeto à pessoa que o perdeu. 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
que abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma RESOLUÇÃO
tendência natural das pessoas em devolvê-los a seus do-
nos. 1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primei-
ro, não está claro até onde pode realmente chegar uma
07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). política baseada em melhorar a eficiência sem preços ade-
Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ- quados para o carbono, a água e (na maioria dos países
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______ pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos
prazo. preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di-
e respectivamente, considerando a norma culta da língua. gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
A) a que … acaba … à B) com que … acabam … à preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som-
C) de que … acabam … a D) em que … acaba … a bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
E) dos quais … acaba … à neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.
E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – sempre será a segunda opção.
2013-adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e
respectivamente, as lacunas do trecho.

64
LÍNGUA PORTUGUESA

2-)
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los 12. CRASE.
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
desalentado
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
conhecê-las ? A palavra crase é de origem grega e significa “fusão”,
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não “mistura”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à
parecia sê-lo “junção” de duas vogais idênticas. É de grande importân-
cia a crase da preposição “a” com o artigo feminino “a”
3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las (s), com o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela (s),
aquilo e com o “a” do relativo a qual (as quais). Na escri-
4-) ta, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O
(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. uso apropriado do acento grave depende da compreensão
(B) A menina tinha se distanciado muito da família. da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança nomes que exigem a preposição “a”. Aprender a usar a cra-
se, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência
5-) simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome.
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. Observe:
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba- Vou a + a igreja.
lada. Vou à igreja.
(D) Conformado, rendeu-se às punições.
(E) Todos querem que se combata a corrupção. No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição
“a”, exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência
6-) do artigo “a” que está determinando o substantivo femini-
(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situa- no igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. elas se unem, a união delas é indicada pelo acento grave.
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos Observe os outros exemplos:
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. Conheço a aluna.
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram Refiro-me à aluna.
que abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma ten- No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (co-
dência natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. nhecer algo ou alguém), logo não exige preposição e a
crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é
7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram transitivo indireto (referir--se a algo ou a alguém) e exige
produtos de que não necessitam e acabam tendo a preposição “a”. Portanto, a crase é possível, desde que o
de pagar tudo a prazo. termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino
“a” ou um dos pronomes já especificados.
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma
jovem fazia referência à violência a que o brasileiro Casos em que a crase NÃO ocorre:
estava sujeito de forma cômica.
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no sin- - diante de substantivos masculinos:
gular Andamos a cavalo.
Fomos a pé.
9-) Passou a camisa a ferro.
devoravam - verbo terminado em “m” = pronome Fazer o exercício a lápis.
oblíquo no/na (fizeram-na, colocaram-no) Compramos os móveis a prazo.
impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
“lhe” é para objeto indireto - diante de verbos no infinitivo:
convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire- A criança começou a falar.
to; “lhe” é para objeto indireto Ela não tem nada a dizer.
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos
exemplos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá
10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabeleci- crase.
mentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste-
munhas vão ajudar a polícia na investigação. - diante da maioria dos pronomes e das expressões
felizmente os comprovam ... ajudá-la de tratamento, com exceção das formas senhora, se-
(advérbio) nhorita e dona:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Diga a ela que não estarei em casa amanhã. Crase diante de Nomes de Lugar
Entreguei a todos os documentos necessários.
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de on- Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do
tem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos. artigo “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo
que diante deles haverá crase, desde que o termo regente
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pro- exija a preposição “a”. Para saber se um nome de lugar ad-
nomes podem ser identificados pelo método: troque a pa- mite ou não a anteposição do artigo feminino “a”, deve-se
lavra feminina por uma masculina, caso na nova construção substituir o termo regente por um verbo que peça a prepo-
surgir a forma ao, ocorrerá crase. Por exemplo: sição “de” ou “em”. A ocorrência da contração “da” ou “na”
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo in- prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por isso,
divíduo.) haverá crase. Por exemplo:
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a]
senhor.) França.)
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
próprio Cláudio para sair mais cedo.) Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Por-
- diante de numerais cardinais: to Alegre.)
Chegou a duzentos o número de feridos.
Daqui a uma semana começa o campeonato. *- Dica da Zê!: use a regrinha “Vou A volto DA, crase
HÁ; vou A volto DE, crase PRA QUÊ?”
Casos em que a crase SEMPRE ocorre: Ex: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
Vou à praia. = Volto da praia.
- diante de palavras femininas:
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega. - ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especifi-
Sempre vamos à praia no verão. cado, ocorrerá crase. Veja:
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores. Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
Sou grata à população. que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Fumar é prejudicial à saúde. Irei à Salvador de Jorge Amado.
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele
- diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda (s), Aquela (s), Aquilo
de” (mesmo que a expressão moda de fique subentendida):
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé. Haverá crase diante desses pronomes sempre que o
Usava sapatos à (moda de) Luís XV. termo regente exigir a preposição “a”. Por exemplo:
Estava com vontade de comer frango à (moda de) pas- Refiro-me a + aquele atentado.
sarinho. Preposição Pronome
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro. Refiro-me àquele atentado.

- na indicação de horas: O termo regente do exemplo acima é o verbo transi-


Acordei às sete horas da manhã. tivo indireto referir (referir-se a algo ou alguém) e exige
Elas chegaram às dez horas. preposição, portanto, ocorre a crase. Observe este outro
Foram dormir à meia-noite. exemplo:
Aluguei aquela casa.
- em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas
de que participam palavras femininas. Por exemplo: O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não
exige preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja
outros exemplos:
à medida
à tarde às ocultas às pressas Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
que
Quero agradecer àqueles que me socorreram.
à noite às claras às escondidas à força Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
à vontade à beça à larga à escuta Não obedecerei àquele sujeito.
Assisti àquele filme três vezes.
à imitação Espero aquele rapaz.
às avessas à revelia à exceção de
de Fiz aquilo que você disse.
à esquerda às turras às vezes à chave Comprei aquela caneta.
à direita à procura à deriva à toa
à sombra à proporção
à luz à frente de
de que
à seme-
às ordens à beira de
lhança de

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LÍNGUA PORTUGUESA

Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
- diante de nomes próprios femininos:
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a Observação: é facultativo o uso da crase diante de no-
qual e as quais depende do verbo. Se o verbo que rege es- mes próprios femininos porque é facultativo o uso do ar-
ses pronomes exigir a preposição “a”, haverá crase. É possí- tigo. Observe:
vel detectar a ocorrência da crase nesses casos utilizando a Paula é muito bonita. Laura é minha amiga.
substituição do termo regido feminino por um termo regi- A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga.
do masculino. Por exemplo:
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade. Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo
O monumento ao qual me refiro fica no centro da ci- feminino diante de nomes próprios femininos, então pode-
dade. mos escrever as frases abaixo das seguintes formas:
Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Ro-
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a berto.
crase. Veja outros exemplos: Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Ro-
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. berto.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou.
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam - diante de pronome possessivo feminino:
responder nenhuma das questões. Observação: é facultativo o uso da crase diante de pro-
A sessão à qual assisti estava vazia. nomes possessivos femininos porque é facultativo o uso do
artigo. Observe:
Crase com o Pronome Demonstrativo “a” Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperan-
do por você.
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está es-
“a” também pode ser detectada através da substituição do perando por você.
termo regente feminino por um termo regido masculino. Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de
Veja: pronomes possessivos femininos, então podemos escrever
Minha revolta é ligada à do meu país. as frases abaixo das seguintes formas:
Meu luto é ligado ao do meu país. Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
As orações são semelhantes às de antes. Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Suas perguntas são superiores às dele. - depois da preposição até:
Seus argumentos são superiores aos dele. Fui até a praia. ou Fui até à praia.
Sua blusa é idêntica à de minha colega. Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o
Seu casaco é idêntico ao de minha colega. até à porta.
A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A
A Palavra Distância palestra vai até às cinco horas da tarde.

Se a palavra distância estiver especificada, determina- Questões sobre Crase


da, a crase deve ocorrer. Por exemplo: Sua casa fica à dis-
tância de 100km daqui. (A palavra está determinada) 01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as dis-
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A cussões sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos ju-
palavra está especificada.) rídicos ou policiais. É como se suas únicas consequências
estivessem em legalismos, tecnicalidades e estatísticas cri-
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase minais. Raro ler ____respeito envolvendo questões de saúde
não pode ocorrer. Por exemplo: pública como programas de esclarecimento e prevenção, de
Os militares ficaram a distância. tratamento para dependentes e de reintegração desses____
Gostava de fotografar a distância. vida. Quantos de nós sabemos o nome de um médico ou
Ensinou a distância. clínica ____quem tentar encaminhar um drogado da nossa
Dizem que aquele médico cura a distância. própria família?
Reconheci o menino a distância. (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo,
17.09.2012. Adaptado)
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambi-
guidade, pode-se usar a crase. Veja: As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e
Gostava de fotografar à distância. respectivamente, com:
Ensinou à distância. (A) aos … à … a … a (B) aos … a … à … a
Dizem que aquele médico cura à distância. (C) a … a … à … à (D) à … à … à … à
(E) a … a … a … a

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LÍNGUA PORTUGUESA

02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia 06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
o texto a seguir. LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, cor- Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho a
reu ______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira seguir, empregando o sinal indicativo de crase de acordo
causa do procedimento de Camilo. Vimos que ______ carto- com a norma-padrão.
mante restituiu--lhe ______ confiança, e que o rapaz repreen- Não nos sujeitamos ____ corrupção; tampouco cedere-
deu-a por ter feito o que fez. mos espaço ____ nenhuma ação que se proponha ____ preju-
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de dicar nossas instituições.
Janeiro: Globo, 1997, p. 6) (A) à … à … à
(B) a … à … à
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na (C) à … a … a
ordem dada: (D) à … à … a
A) à – a – a B) a – a – à (E) a … a … à
C) à – a – à D) à – à – a
E) a – à – à 07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU-
NESP – 2013-adap) O acento indicativo de crase está corre-
03 (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU- tamente empregado em:
NESP/2013) De acordo com a norma-padrão da língua A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
portuguesa, o acento indicativo de crase está corretamente com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
empregado em: desejos.
(A) A população, de um modo geral, está à espera de B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
nos mecanismos biológicos de controle emocional.
que, com o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes.
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à re-
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunida-
pensarem a sua postura.
de alimentam a violência crescente nas cidades.
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
punições muito mais severas. dade atinge os mais vulneráveis.
(D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a
vida dos demais motoristas e de pedestres. 08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento O sinal indicativo de crase está correto em:
da nova lei para que ela possa funcionar. A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
área de biotecnologia.
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.) Claro que não B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar
me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e à educação dos filhos.
efervescente. C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase as instalações do prédio.
se o segmento grifado for substituído por: D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
A) leitura apressada e sem profundidade. detalhe que envolva a segurança das pessoas.
B) cada um de nós neste formigueiro. E) É função da política é dedicar-se à todo problema
C) exemplo de obras publicadas recentemente. que comprometa o bem-estar do cidadão.
D) uma comunicação festiva e virtual.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público. 09. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é um ho-
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- mem de face corada, muito afeito ...... frases inteligentes e
NESP – 2013). citações dos clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e
O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) sossegada, fica sentada tricotando tranquilamente, impassí-
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______ resso- vel ...... propensão de seu marido ...... investigar assassinatos.
(Adaptado de P.D.James, op.cit.)
cialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
-lo para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em
ordem dada:
liberdade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e (A) à - à - a
uma vida digna. (B) a - à - a
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/qual_e_a_im-
(C) à - a - à
portancia_da_ressocializacao_de_presos. Acesso em: 18.08.2012.
(D) a - à - à
Adaptado)
(E) à - a – a
Assinale a alternativa que preenche, correta e respec-
10. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO
tivamente, as lacunas do texto, de acordo com a norma- SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) Em qual das op-
-padrão da língua portuguesa. ções abaixo o acento indicativo de crase foi corretamente
A) à … à … à B) a … a … à C) a … à … à indicado?
D) à … à ... a E) a … à … a A) O dia fora quente, mas à noite estava fria e escura.

68
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Ninguém se referira à essa ideia antes. - quem cede, cede algo A alguém, então teremos ob-
C) Esta era à medida certa do quarto. jeto direto e indireto;
D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. - quem se propõe, propõe-se A alguma coisa.
E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. Vejamos:
Não nos sujeitamos À corrupção; tampouco cedere-
GABARITO mos espaço A nenhuma ação que se proponha A prejudicar
01. B 02. A 03. A 04. A 05. D nossas instituições.
06.C 07. E 08. B 09.B 10. D * Sujeitar A + A corrupção;
* ceder espaço (objeto direto) A nenhuma ação (objeto
RESOLUÇÃO indireto. Não há acento indicativo de crase, pois “nenhu-
ma” é pronome indefinido);
1-) limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais. * que se proponha A prejudicar (objeto indireto, no
Raro ler __a__respeito (antes de palavra masculina caso, oração subordinada com função de objeto indireto.
não há crase) Não há acento indicativo de crase porque temos um verbo
de reintegração desses_à_ vida. (reintegrar a + a no infinitivo – “prejudicar”).
vida = à)
o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar en- 7-)
caminhar um drogado da nossa própria família? (antes de A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas
pronome indefinido/relativo) com as dificuldades para lidar com as frustrações de seus
2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la desejos. (antes de verbo no infinitivo não há crase)
sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vi- B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações
mos que _a__cartomante (objeto direto)restituiu-lhe ___a___ nos mecanismos biológicos de controle emocional. (se
confiança (objeto direto), e que o rapaz repreendeu-a por o “a” está no singular e antecede palavra no plural, não há
ter feito o que fez. crase)
C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
3-) (artigo indefinido)
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunida-
para substituir por “esperando”) de que de alimentam a violência crescente nas cidades. (palavra
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à re- masculina)
pensarem (antes de verbo) E) Um ambiente desfavorável à formação da personali-
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à dade atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nomi-
punições (generalizando, palavra no plural) nal: desfavorável a?)
(D) À ninguém (pronome indefinido)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido) 8-)
A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressa- área de biotecnologia. (artigo indefinido)
da e sem profundidade. B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar
a cada um de nós neste formigueiro. (antes de prono- à educação dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
me indefinido) C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra as instalações do prédio. (verbo no infinitivo)
masculina) D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer
a uma comunicação festiva e virtual. (artigo indefini- detalhe que envolva a segurança das pessoas. (pronome
do) indefinido)
a respeito de autores reconhecidos pelo público. (pa- E) É função da política é dedicar-se à todo problema
lavra masculina) que comprometa o bem-estar do cidadão. (pronome in-
definido)
5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional
(INAP) também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__ 9-) Afeito a frases (generalizando, já que o “a” está
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepa- no singular e “frases”, no plural)
rá--lo para o retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando Impassível à propensão (regência nominal: pede pre-
em liberdade, ele estará capacitado__a___ ter uma profissão posição)
e uma vida digna. A investigar (antes de verbo no infinitivo não há acen-
- Apoio a ? Regência nominal pede preposição; to indicativo de crase)
- retorno a? regência nominal pede preposição; Sequência: a / à / a.
- antes de verbo no infinitivo não há crase.
10-)
6-) Vamos por partes! A) O dia fora quente, mas à noite = mas a noite (artigo
- Quem se sujeita, sujeita-se A algo ou A alguém, por- e substantivo. Diferente de: Estudo à noite = período do
tanto: pede preposição; dia)

69
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Ninguém se referira à essa ideia antes.= a essa (antes Ponto de Exclamação


de pronome demonstrativo) 1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, sus-
C) Esta era à medida certa do quarto. = a medida (artigo to, súplica, etc.
e substantivo, no caso. Diferente da conjunção proporcional: - Sim! Claro que eu quero me casar com você!
À medida que lia, mais aprendia) 2- Depois de interjeições ou vocativos
D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. = correta (advér- - Ai! Que susto!
bio de modo = apressadamente) - João! Há quanto tempo!
E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. = pa-
lavra masculina Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)
13. PONTUAÇÃO
Reticências
1- Indica que palavras foram suprimidas.
- Comprei lápis, canetas, cadernos...
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que ser-
vem para compor a coesão e a coerência textual, além de res- 2- Indica interrupção violenta da frase.
saltar especificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
principais funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo
uso da língua portuguesa. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Este mal... pega doutor?
Ponto
1- Indica o término do discurso ou de parte dele. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em - Deixa, depois, o coração falar...
que se encontra.
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. Vírgula
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. Não se usa vírgula
*separando termos que, do ponto de vista sintático, li-
Ponto e Vírgula ( ; ) gam-se diretamente entre si:
1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma - entre sujeito e predicado.
importância. Todos os alunos da sala foram advertidos.
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão Sujeito predicado
a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de
nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) - entre o verbo e seus objetos.
O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas. V.T.D.I. O.D. O.I.
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, montanhas,
frio e cobertor. Usa-se a vírgula:
- Para marcar intercalação:
3- Separa itens de uma enumeração, exposição de moti- a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abun-
vos, decreto de lei, etc. dância, vem caindo de preço.
- Ir ao supermercado; b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão pro-
- Pegar as crianças na escola; duzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
- Caminhada na praia; c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias
- Reunião com amigos. não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem
abrir mão dos lucros altos.
Dois pontos
1- Antes de uma citação - Para marcar inversão:
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto: a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
2- Antes de um aposto b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
- Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
tarde e calor à noite. c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
maio de 1982.
3- Antes de uma explicação ou esclarecimento - Para separar entre si elementos coordenados (dispos-
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo tos em enumeração):
a rotina de sempre. Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
4- Em frases de estilo direto A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão? - Para marcar elipse (omissão) do verbo:

70
LÍNGUA PORTUGUESA

Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
- Para isolar: b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da transa-
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, ção.
possui um trânsito caótico. c) Maria, você trouxe os documentos?
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimenta-
Fontes: ção estranha.
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm 05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). As-
sinale a alternativa em que a frase mantém-se correta após o
Questões sobre Pontuação acréscimo das vírgulas.
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na pul-
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alterna- seira instruções para que envie, uma mensagem eletrônica ao
tiva em que a pontuação está corretamente empregada, de grupo ou acione o código na internet.
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. (B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- o código foi acionado.
bora, experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. criança foi encontrada.
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, em- (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega pri-
bora experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, meiro às, areias do Guarujá.
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefo-
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. ne de quem a encontrou e informar um ponto de referência
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em-
bora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, 06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramaticalmen-
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. te correto, é necessário inserir sinais de pontuação. Assinale a
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, em- posição em que não deve ser usado o sinal de ponto, e sim
bora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, a vírgula, para que sejam respeitadas as regras gramaticais.
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo Desconsidere os ajustes nas letras iniciais minúsculas.
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A) o
bora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade, programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B) os alunos
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. ajudam a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre
cidadania e reciclagem(C) as escolas participantes se tornam
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAPTA- também centros de descarte de garrafas PET(D) destinadas de-
DA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em campo pois para reciclagem(E) o programa possibilitará o retorno das
em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Campeonato bicicletas pela saúde das crianças e transformação das comuni-
Nacional em apoio à campanha que visa 4 reduzir o número dades em lugares melhores para se viver.
de pessoas que não possuem o nome do pai em sua certidão (Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117)
de nascimento. (...) a) A
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai b) B
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula c) C
porque tem natureza restritiva. d) D
( ) Certo ( ) Errado e) E
03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BNDES/2012)
Em que período a vírgula pode ser retirada, mantendo-se o 07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – VU-
sentido e a obediência à norma-padrão? NESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da
(A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino. pontuação.
(B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos espor- (A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas cir-
tes? cunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada.
(C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre- (B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque
para para o evento. você está junto; com os outros motoristas cujos comporta-
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimora- mentos, são desconhecidos.
mento do desportista. (C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: ser uma extensão de nossa personalidade.
judô, natação e canoagem. (D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; au-
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas.
04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012) (E) Os congestionamentos e o número de motoristas
Assinale a alternativa em que a pontuação está correta. na rua, são as principais causas da ira de trânsito.

71
LÍNGUA PORTUGUESA

08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da tran-
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- sação.
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo c) Maria, você trouxe os documentos?
econômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
você aí desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma movi-
para te dizer, agora afasta que abriu o sinal.” mentação estranha.
No período acima, as vírgulas foram empregadas em “Pa-
ciência, minha filha, este é [...]”, para separar 5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inade-
(A) aposto. quadas
(B) vocativo. (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá
(C) adjunto adverbial. na pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem
(D) expressão explicativa. eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais
GABARITO de onde o código foi acionado.
01. C 02. C 03. D 04. C 05. E (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados
06. D 07. A 08. B , (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem dizendo
que a criança foi encontrada.
RESOLUÇÃO (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega
primeiro às , (X) areias do Guarujá.
1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- 6-)
bora, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma intimi- O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A). O
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. programa desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças
(B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa e, utilizarem a bicicleta de forma segura e correta(B). Os alunos
embora experimentasse a sensação , (X) de violar uma intimi- ajudam a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre
dade, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar cidadania e reciclagem(C). As escolas participantes se tornam
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. também centros de descarte de garrafas PET(D), destinadas de-
(D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa e, pois para reciclagem(E). O programa possibilitará o retorno das
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, bicicletas pela saúde das crianças e transformação das comuni-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar dades em lugares melhores para se viver.
algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posição
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, em- (D), pois antecipa um termo explicativo.
bora , (X) experimentasse a sensação de violar uma intimida-
de, procurou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encon- 7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas:
trar algo que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. (A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas cir-
cunstâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada.
2-) A oração restringe o grupo que participará da cam- (B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse,
panha (apenas os que não têm o nome do pai na certidão porque você está junto; (X) com os outros motoristas cujos
de nascimento). Se colocarmos uma vírgula, a oração tor- comportamentos, (X) são desconhecidos.
nar-se-á “explicativa”, generalizando a informação, o que (C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros po-
dará a entender que TODAS as pessoa não têm o nome do dem ser uma extensão de nossa personalidade.
pai na certidão. (D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X)
RESPOSTA: “CERTO”. aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas.
3-) (E) Os congestionamentos e o número de motoristas na
(A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino. rua, (X) são as principais causas da ira de trânsito.
= mantê-la (termo deslocado)
(B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos espor- 8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado
tes? = mantê-la (vocativo) para se dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo.
(C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se pre-
para para o evento.
= mantê-la (explicação)
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimora-
mento do desportista.
= pode retirá-la (advérbio de tempo)
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda:
judô, natação e canoagem.
= mantê-la (enumeração)

4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou faltante:


a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem!

72
DIREITO PENAL

Código Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 293 a 305; 307; 308; 311-A;................... 01
312 a 317; 319 a 333; 335 a 337;........................................................................................................................................................................ 05
339 a 347; 350; 357 e 359...................................................................................................................................................................................... 12
DIREITO PENAL

PROF. GREICE ALINE DA COSTA SARQUIS PINTO. Os sujeitos do crime são: Sujeito ativo: é qualquer pes-
soa; quando este for praticado por funcionário público, po-
Bacharel em Direito - Faculdade de Direito da Alta Pau- derá incidir a qualificadora do art. 295, do Código Penal. O
lista - FADAP/FAP. Advogada inscrita na OAB/ SP sob nº sujeito ativo é o que pratica a conduta descrita na lei.
298.596. Membro da Comissão do Jovem Advogado na 34ª Sujeito Passivo: é o Estado, e secundariamente qualquer
Subseção de Tupã/SP. pessoa sendo físicas ou jurídicas, que seja efetivamente pre-
judicada pela conduta do agente. Sendo o sujeito passivo do
crime o titular do bem jurídico danificado ou ameaçado.
ARTIGOS 293 A 305; 307; 308; 311- A - No que concerne ao tipo, a conduta típica consiste em
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA. falsificar, fabricando ou alterando: I- selo destinado a con-
trole tributário (selo adesivo que comprova o pagamento),
papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinada
à arrecadação de tributos; papel de crédito público, títulos
da dívida pública, como apólices; III- Vale postal; IV- titulo
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA de crédito referente a objeto empenhado e comprovante de
depósito; V- papéis que têm relação com a receita estatal, ou
Os crimes contra a fé pública são crimes de perigo abs- seja, de ordem tributária; VI- bilhete, passe, ou conhecimento
trato, porque neles o tipo não faz referência ao perigo. As- de empresa de transporte de administração federal, estadual
sim, há de se questionar, por exemplo, o seguinte: alguém ou municipal, Pune-se, ainda, aquele que: a) usa; b) suprime,
falsificou uma cédula, mas é uma cédula de três reais, exis- em qualquer desses títulos, quando legítimos, carimbo ou si-
tiu o crime de falso de moeda? nal que indica a sua inutilização ou os usa novamente.
Poderia se levar a pensar que sim, o legislador não fala
que a moeda tenha que ser essencialmente corresponden-
Dispõe o Código Penal acerca do tema:
te a uma que exista. Mas a resposta seria não, inclusive a
súmula 73 do STJ nos auxiliaria a dizer isto. A súmula 73 diz
assim: o papel moeda grosseiramente falsificado não con- Art. 293. Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
figura crime de moeda falsa, mas sim estelionato em tese, I- Selo destinado a controle tributário, papel ou qualquer
de competência da JE. Qual o raciocínio que se emprega? papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo
Apesar de ser um crime de perigo abstrato, a conduta (alterado pela lei n° 11.305/2004);
praticada não dispensa a idoneidade para a demonstração II - papel de crédito público que não seja moeda de cur-
da possibilidade de o perigo acontecer. As condutas têm so legal;
que ter idoneidade suficiente a produzir perigo, o que não III - vale postal;
significa dizer que o perigo seja exigido, são coisas diver- IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa
sas. Há como descaracterizar a idoneidade em termos abs- econômica ou de outro estabelecimento mantido por enti-
tratos, e não concretos, como seria o caso. dade de direito público;
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro docu-
DA FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚ- mento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a de-
BLICOS pósito ou caução por que o poder público seja responsável;
VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de trans-
Falsificação de papéis públicos porte administrada pela União, por Estado ou por Município;
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.
O crime de falsificação de papéis públicos é um crime § 1º Incorre na mesma pena quem: (alterado pela lei n°
comum, tratando de crime contra a fé pública, tanto no que 11.305/2004);
diz respeito ao sujeito ativo e ao sujeito passivo. É um crime I - usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis fal-
doloso que não prevê a modalidade culposa. sificados a que se refere este artigo;
II - importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, em-
Conceito presta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado
Trata-se de crime contra a fé pública, que tem como destinado a controle tributário;
alvo punir falsificação de papéis públicos por meio de al- III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda,
teração ou fabricação do título. Este crime configura-se mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, forne-
como sendo uma ofensa à fé pública e os institutos pú- ce, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio
blicos como um todo. É passível de repreensão penal por ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial,
meio de reclusão e admite causa de aumento de pena. Há produto ou mercadoria:
que se falar também na figura da suspensão condicional do a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a con-
processo em condutas de pouco poder lesivo, tendo que trole tributário, falsificado;
ser a falsificação potencialmente lesiva.
O crime de falsificação de papéis públicos é um crime b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributá-
comum, tratando de crime contra a fé pública, tanto no que ria determina a obrigatoriedade de sua aplicação.
diz respeito ao sujeito ativo e ao sujeito passivo. É um crime § 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legí-
doloso que não prevê a modalidade culposa. timos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo
O bem jurídico protegido é a fé pública. A fé públi- ou sinal indicativo de sua inutilização:
ca é quando se presume que o conteúdo dos documen- Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
tos emitidos por autoridades públicas no cumprimento de § 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de al-
suas funções são apresentados como verdadeiros. Sendo a terado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo an-
verdade presumida. terior.

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DIREITO PENAL

§ 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo Dispõe o Código Penal:


de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a
que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer Falsificação do Selo ou Sinal Público
a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6
(seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa. Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
§ 5º Equipara-se a atividade comercial, para os fins do I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da
inciso III do § 1º, qualquer forma de comércio irregular ou União, de Estado ou de Município;
clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito
logradouros públicos e em residências. (alterado pela lei n° público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:
11.305/2004). Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
Apenas o inciso I foi alterado pela Lei 11.305/2004, mas I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
nada de novo foi acrescentado, somente foi feita a corre- II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verda-
ção na redação do texto. Os demais incisos do caput per- deiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou
maneceram inalterados, inclusive a sanção não foi alterada. alheio.
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de mar-
O texto revogado já pretendia, equivocadamente, punir
o exaurimento do crime, com a criminalização da conduta cas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utiliza-
de quem usasse qualquer dos documentos falsificados re- dos ou identificadores de órgãos ou entidades da Adminis-
feridos no art. 129. O § 1° foi transformado em três incisos, tração Pública.
acrescendo, no inciso I, além do uso, a criminalização da § 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o
guarda, posse ou detenção de qualquer dos documentos crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de
referidos no dispositivo. sexta parte.

Petrechos de falsificação O objeto jurídico é fé pública.


O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, pois é crime
Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guar- comum. Já o sujeito passivo é o Estado.
dar objeto especialmente destinado à falsificação de qual- A Conduta típica é Falsificar, por fabricação ou altera-
quer dos papéis referidos no artigo anterior: ção, as matérias referidas no tipo. selo ou sinal.
Elemento subjetivo do tipo é o dolo, pois, consistente
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. na vontade livre e consciente de fabricar ou alterar, assim
falsificando-os, os objetos materiais referidos no tipo.
Art. 295 - Se o agente é funcionário público, e comete Consuma-se com a fabricação ou alteração do objeto
o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de material.
sexta parte. A tentativa é admissível.
A objetividade jurídica neste crime é a proteção da Fé Falsificação de Documento Público (art. 297)
Pública.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, caso seja Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento
funcionário publico e venha cometer o crime prevalecen- público, ou alterar documento público verdadeiro:
do-se do cargo, aplica-se o dispositivo do art. 295 Código
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Penal, aumentando a pena em um sexto. O sujeito passivo
por sua vez é a coletividade. As condutas típicas são fabri-
car, adquirir, fornecer, possuir, guardar. São requisitos da falsificação:
O objeto material de crime deverá ser objeto especial- a) Que ela seja idônea: é a falsificação apta a iludir,
mente destinado à falsificação de papéis, carimbos, máqui- capaz de enganar qualquer pessoa normal; para a jurispru-
nas, matrizes, etc. dência, a falsificação grosseira não constitui crime, pois não
É um crime doloso, admitindo-se assim a tentativa. é capaz de enganar as pessoas em geral. Poderia ser, no
máximo, estelionato;
DA FALSIDADE DOCUMENTAL b) Que tenha capacidade de causar prejuízo a al-
guém:
Falsificação do Selo ou Sinal Público Disquete, cd, xerox etc. não são documentos. Docu-
mento é toda peça escrita que condensa o pensamento de
No crime de Falsificação do Selo ou Sinal Público alguém, capaz de provar um fato ou a realização de um ato
Há a existência de dolo, ou seja, a intenção do agente de relevância jurídica.
em praticar a falsidade, a vontade e consciência do agente
em buscar a falsificação para atingir propósitos ilegais. Requisitos do Documento Público
A prática do delito pode ser realizada por qualquer a) Deve ser elaborado por agente público;
pessoa, sendo que, caso o sujeito ativo seja funcionário pú- b) O agente público deve estar no exercício da fun-
blico, a pena é aumentada até a sexta parte. ção, tendo atribuição para tanto;
O sujeito passivo do referido crime é o Estado, e, neste c) Deve obedecer às formalidades legais exigidas
aspecto, há a ocorrência de outros crimes, dentre eles, a para a validade do documento.
prática de crime contra a administração pública (quando Pode um documento estrangeiro ser considerado pú-
a prática do delito é realizada por funcionário público) e blico? Sim, desde que seja considerado público no país de
crime contra o patrimônio ( já que a fauna brasileira é con- origem e que satisfaça os requisitos de validade previstos
siderada patrimônio público). no ordenamento brasileiro.

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DIREITO PENAL

Documentos Públicos por Equiparação (art. 297, § 2º) Trata-se de um crime formal, bastando a possibilidade
Trata-se de documentos particulares que, pela sua impor- de dano para ser punível.
tância, foram equiparados pela lei a documento público. São A falsidade ideológica é voltada para a declaração que
eles: compõe o documento, para o conteúdo do que se quer
a) Documentos emitidos por entidade paraestatal; falsificar. Nela, o documento é formalmente perfeito e
b) Título ao portador ou transmissível por endosso; falso seu conteúdo intelectual. O agente declara e faz
c) Livros mercantis; constar no documento algo que sabe não ser verdadeiro.
d) Testamento particular. Na falsidade material o vício incide sobre a parte ex-
terior do documento, recaindo sobre o elemento físico do
Consumação e Tentativa papel escrito e verdadeiro. O sujeito modifica as caracterís-
A consumação ocorre quando realizada a falsificação ou ticas originais do objeto material por meio de rasuras, bor-
alteração. É um crime formal, bastando o resultado jurídico, rões, emendas, substituição de palavras ou letras, números,
sendo perfeitamente possível a tentativa. etc. Na falsidade ideológica (ou pessoa) o vício incide sobre
as declarações que o objeto material deveria possuir, sobre
Concurso de Crimes o conteúdo das ideias. Inexistem rasuras, emendas, omis-
a) Falsificação de documento público e estelionato: sões ou acréscimos. O documento, sob o aspecto material
para o STF, ambos os crimes coexistiriam, mas em concurso é verdadeiro; falsa é a ideia que ele contém. Daí também
formal. Para o STJ: chamar-se ideal
b) Falsificação e uso de documento falso (art. 304): o
uso será absorvido, já que é mero pós fato impunível. Isso, Requisitos para a Configuração, Conforme Juris-
entretanto, se o falsário for a mesma pessoa que usa o do- prudência
cumento a) Que a declaração tenha valor por si mesma: se a
declaração tiver de ser investigada pela autoridade públi-
Causas de Aumento de Pena (art. 297, 13º) ca, não há crime (v.g., declaração de pobreza falsa). Nesse
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime sentido:
prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. b) Que a declaração faça parte do objeto do docu-
mento: as declarações irrelevantes, como o endereço da
testemunha num contrato, não caracterizam o crime
Falsidade de Documento e Sonegação Fiscal
Nos crimes de sonegação fiscal há causas extintivas de Casuísticas
punibilidade, assim como também há o entendimento do STF a) Se alguém pega a assinatura de um amigo em
no sentido de que eles são sujeitos a uma condição objetiva uma folha em branco e preenche como confissão de dívida,
de punibilidade, que significa o esgotamento da via adminis- pratica o crime de falsidade ideológica;
trativa. b) Pegar uma folha e falsificar a assinatura de outrem
é falsidade material;
Falsificação de Documento Particular (art. 298) c) Se, em um B.O., o escrivão inserir fatos que não
foram narrados, haverá falsidade ideológica;
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento par- d) A cópia sem autenticação não pode ser considera-
ticular ou alterar documento particular verdadeiro: da documento para fins penais.
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
O conceito de documento particular é dado por exclusão. Elemento Subjetivo, Consumação e Tentativa
Particular é todo documento que não é público. São exem- O crime exige o especial fim de prejudicar direito ou
plos: criar obrigação, ou ainda, alterar a verdade sobre fato juri-
a) Cheque devolvido pelo banco: é documento parti- dicamente relevante.
cular, pois após devolvido o cheque, não mais poderá ser Na MODALIDADE OMISSIVA, consuma-se com a omis-
transmitido por endosso. são e não cabe tentativa.
b) Documento endereçado à autoridade pública: não é Na comissiva, ocorre quando o agente insere ou faz
documento público, já que não foi feito por autoridade pú- terceiro inserir, sendo a tentativa perfeitamente possível.
blica.
Causa de Aumento de Pena
Falsidade Ideológica (art. 299) Parágrafo único - Se o agente é funcionário público,
e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a fal-
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, sificação ou alteração é de assentamento de registro civil,
declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer in- aumenta-se a pena de sexta parte.
serir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com
o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verda- Falso reconhecimento de firma ou letra
de sobre fato juridicamente relevante:
Art. 300 - Reconhecer, como verdadeira, no exercício
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o docu- de função pública, firma ou letra que o não seja:
mento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o do-
documento é particular. cumento é público; e de um a três anos, e multa, se o do-
cumento é particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público,
e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a fal- A pena do presente crime é de reclusão de 1 a 5 anos +
sificação ou alteração é de assentamento de registro civil, multa, em caso de documento público ou ainda, 1 a 3 anos
aumenta-se a pena de sexta parte. + multa , se o documento é particular.
Para tal crime, inexiste modalidade culposa.

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DIREITO PENAL

No que concerne ao sujeito ativo, trata-se de crime Trata-se de crime com preceito penal secundário re-
próprio, praticado por funcionários públicos, metido.
O sujeito Passivo é a coletividade ou eventual pessoa Fazer uso é utilizar documento falso como se verdadei-
que sofra algum dano. O elemento subjetivo por sua vez é ro fosse. O uso deve ser efetivo, não bastando mencionar
o Dolo. que possui o documento. Se o agente falsifica e usa docu-
O crime consuma-se no momento em que o sujeito mento, há simplesmente progressão criminosa, e o uso se
ativo reconhece o crime. torna um post factum impunível.
Não haverá o crime se o documento for encontrado
Certidão ou atestado ideologicamente falso pela autoridade em revista pessoal do agente; se o docu-
mento é apresentado mediante solicitação ou exigência da
Art. 301 - Atestar ou certificar falsamente, em razão de autoridade policial, há controvérsia.
função pública, fato ou circunstância que habilite alguém
a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de Competência
caráter público, ou qualquer outra vantagem: Se o documento utilizado for passaporte, a competên-
Pena - detenção, de dois meses a um ano. cia será da Justiça Federal do lugar onde apresentado:
No crime de Certidão ou atestado ideologicamente Supressão de documento
falso, o sujeito passivo é a coletividade. O elemento Sub-
jetivo é o dolo , tendo fato ou circunstancia que beneficie Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício
alguém. próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento
O crime consuma-se no momento da falsificação. público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o docu-
Falsidade material de atestado ou certidão mento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e multa, se
§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certi- o documento é particular.
dão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadei-
ro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém Crime que consiste em destruir, suprimir ou ocultar do-
a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de cumento.
caráter público, ou qualquer outra vantagem: O Sujeito ativo deste crime é comum, uma vez que pode
Pena - detenção, de três meses a dois anos. ser praticado por qualquer pessoa, inclusive pelo dono do
documento, quando dele não podia dispor. Ojá o sujeito
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica- passivo é o Estado.
-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa. O documento deve ser verdadeiro para que ocorra o
presente crime.
Falsidade de atestado médico O crime só é punível a título de dolo, vontade livre e
consciente dirigida a destruir, suprimir ou ocultar o objeto
Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, material.
atestado falso: O delito é formal e a tentativa: é admissível
Pena - detenção, de um mês a um ano.
CAPÍTULO IV
Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de DE OUTRAS FALSIDADES
lucro, aplica-se também multa.
Falsificação do sinal empregado no contraste de
A pena deste crime é detenção, de 1 mês a 1 ano. O metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou para
sujeito ativo é o próprio médico. Já o sujeito passivo é a outros fins
coletividade.
O elemento subjetivo é o dolo, com a intenção de be- Art. 306 - Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, mar-
neficiar alguém. O crime consuma-se no momento da fal- ca ou sinal empregado pelo poder público no contraste de
sificação metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou usar mar-
ca ou sinal dessa natureza, falsificado por outrem:
Reprodução ou adulteração de selo ou peça filaté-
lica Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Art. 303 - Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica Parágrafo único - Se a marca ou sinal falsificado é o que
que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodução usa a autoridade pública para o fim de fiscalização sanitária,
ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no ver- ou para autenticar ou encerrar determinados objetos, ou
so do selo ou peça: comprovar o cumprimento de formalidade legal:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para
fins de comércio, faz uso do selo ou peça filatélica. O objeto jurídico é a fé pública.
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. Já sujeito pas-
Uso de Documento Falso (art. 304) sivo é o Estado.
As condutas típicas são: falsificar, fabricando-o ou alte-
Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados rando-o, marca ou sinal; usar (empregar, utilizar) marca ou
ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: sinal falsificado por terceiro.
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

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DIREITO PENAL

Crime doloso que consistente na vontade livre e cons- Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
ciente de falsificar ou usar a marca ou sinal nas condições
descritas no tipo. § 1º Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita,
Consuma-se com a fabricação, a alteração ou o uso da por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às
marca ou sinal. informações mencionadas no caput.
Não é admitida tentativa na conduta de usar; porém, na § 2º Se da ação ou omissão resulta dano à administração
de fabricar ou alterar, é admissível. pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
Falsa Identidade (art. 307 - 308) § 3º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é co-
metido por funcionário público.
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identida-
de para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou
para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o ARTIGOS 312 A 317; 319 A 333; 335 A 337-
fato não constitui elemento de crime mais grave. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de
eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de
identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize, O Capítulo I do Título XI do Código Penal trata dos crimes
documento dessa natureza, próprio ou de terceiro: funcionais, praticados por determinado grupo de pessoas no
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, exercício de sua função, associado ou não com pessoa alheia
se o fato não constitui elemento de crime mais grave. aos quadros administrativos, prejudicando o correto funciona-
mento dos órgãos do Estado.
Trata-se de um delito formal e expressamente subsidiá- A Administração Pública deste modo, em geral direta, in-
rio. direta e empresas privadas prestadoras de serviços públicos,
Identidade se refere às características que uma pessoa contratadas ou conveniadas será vítima primária e constante,
possui capazes de a individualizarem na sociedade. Está li- podendo, secundariamente, figurar no polo passivo eventual
gada intimamente à noção de estado civil. administrado prejudicado.
A falsidade tem de ser idônea e deve haver relevância
jurídica na imputação falsa, capacidade de causar dano. O agente, representante de um poder estatal, tem por
O silêncio não pode configurar falsa identidade, já que
o crime é comissivo. função principal cumprir regularmente seus deveres, confia-
dos pelo povo. A traição funcional faz com que todos tenham
Falsa Identidade e Autodefesa interesse na sua punição, até porque, de certa forma, todos
são afetados por ela. Dentro desse espírito, mesmo quando
Para concursos de Defensoria Pública, o preso em fla- praticado no estrangeiro, logo, fora do alcance da soberania
grante ou interrogado em juízo que se dá outro nome para nacional, o delito funcional será alcançado, obrigatoriamente,
se eximir da condenação simplesmente exerce a autodefesa, pela lei penal.
em seu sentido mais amplo, aplicando-se o brocardo nemo
tenetur se detegere. Não bastasse, a Lei 10.763, de 12 de novembro de 2003,
Para o MP, evidentemente que não se trata de autodefe- condicionou a progressão de regime prisional nos crimes con-
sa, já que a conduta do agente é comissiva, tentando enga- tra a Administração Pública à prévia reparação do dano cau-
nar a autoridade pública, se afastando em muito do simples sado, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os
direito à não autoincriminação acréscimos legais.
Fraude em Certames de Interesse Público. A lei em comento não impede a progressão aos crimes
Certames de interesse público. Certame é disputa, con- funcionais, mas apenas acrescenta uma nova condição objeti-
corrência, discussão. Interesse público é o interesse da socie- va, de cumprimento obrigatório para que o reeducando con-
dade de um modo geral, ou seja, algo que interessa a todos, quiste o referido benefício.
indistintamente. Portanto, certame de interesse público é a
concorrência que interessa à sociedade e que, por isso, pre- Crimes Funcionais
cisa de credibilidade. Espécies
Os núcleos do tipo são utilizar e divulgar. Os delitos funcionais são divididos em duas espécies: pró-
Podem incorrer no crime o candidato do certame (uti- prios e impróprios.
lizar) ou quem faz parte da estrutura que o organiza e que, Nos crimes funcionais próprios, na qualidade de funcio-
por isso, tem acesso ao conteúdo sigiloso (divulgar). A ele- nário público ao autor, o fato passa a ser tratado como um tipo
mentar indevidamente implica falta de justa causa para a di- penal descrito.
vulgação, ou seja, se houver permissão em lei para divulgar Já nos impróprios desaparecendo a qualidade de servidor
conteúdo sigiloso, não há crime. publico, desaparece também o crime funcional, desclassifican-
do a conduta para outro delito, de natureza diversa.
Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o
fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a Conceito de Funcionário Público para Efeitos Penais
credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos; Art. 327. Considera-se funcionário público, para os efeitos
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou penais, quem, embora transitoriamente ou sem remunera-
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei: ção, exerce cargo, emprego ou função pública.

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DIREITO PENAL

§ 1º Equipara-se a funcionário público quem exer- Peculato Furto


ce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e
quem trabalha para empresa prestadora de serviço contra- Previsto no Art. 312 CP., aqui o funcionário público não
tada ou conveniada para a execução de atividade típica da detêm a posse, mas consegue deter a coisa em razão da fa-
Administração Pública. cilidade de ser servidor público. Ex: Diretor de escola públi-
§ 2º A pena será aumentada da terça parte quando ca que tem a chave de todas as salas da escola, aproveita-
os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocu- -se da sua função e facilidade e subtrai algo que não estava
pantes de cargos em comissão ou de função de direção sob sua posse, tem-se o peculato furto.
ou assessoramento de órgão da administração direta, so-
ciedade de economia mista, empresa pública ou fundação Peculato Culposo
instituída pelo poder público.
Aproveitando o exemplo da escola, neste caso o di-
Contudo, ao considerar o que seja funcionário público retor esquece a porta aberta e alguém entra no colégio e
para fins penais, nosso Código Penal nos dá um conceito subtrai um bem. A consumação se dá no momento em que
unitário, sem atender aos ensinamentos do Direito Admi- o 3o subtrai a coisa. Não admite-se a tentativa.
nistrativo, tomando a expressão no sentido amplo.
Dessa forma, para os efeitos penais, considera-se fun- Peculato Mediante Erro de Outrem
cionário público não apenas o servidor legalmente investi-
do em cargo público, mas também o que servidor publico Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilida-
efetivo ou temporário. de que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:

Tipos penais Contra Administração Pública Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

O crime de Peculato, Peculato apropriação, Peculato Art. 313 C.P., o seu objeto jurídico é a probidade admi-
nistrativa. Sujeito ativo: funcionário público; sujeito passi-
desvio, Peculato furto, Peculato culposo, Peculato mediante vo: Estado e o particular lesado. A modalidade de peculato
erro de outrem, Concussão, Excesso de exação, Corrupção mediante erro de outrem, é um peculato estelionato, onde
passiva e Prevaricação, são os crimes tipificado com prati- a pessoa é induzida a erro. Ex: Um fiscal vai aplicar uma
cados por agentes públicos. multa a um determinado contribuinte e esse contribuinte
paga o valor direto a esse fiscal, que embolsa o dinheiro.
PECULATO Na verdade nunca existiu multa alguma e esse dinheiro não
tinha como destino os cofres públicos e sim o favorecimen-
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinhei- to pessoal do agente.
ro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particu- É um crime doloso e sua consumação se dá quando ele
lar, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, passa a ser o titular da coisa. Admite-se a tentativa.
em proveito próprio ou alheio:
Inserção de dados falsos em sistema de informa-
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. ções

§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado,
público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente
bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de
proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que dados da Administração Pública com o fim de obter vanta-
lhe proporciona a qualidade de funcionário. gem indevida para si ou para outrem ou para causar dano:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Previsto no artigo 312 do C.P., a objetividade jurídica
do peculato é a probidade da administração pública. É um Trata-se de crime próprio. O sujeito ativo é funcionário
crime próprio onde o sujeito ativo será sempre o funcioná- público autorizado e o sujeito passivo poderá ser qualquer
pessoa (pública ou privada).
rio público e o sujeito passivo o Estado e em alguns casos È denominado como crime doloso, tratando-se de dolo
o particular. Admite-se a participação. específico, ou seja, com especial fim de agir, que é obter
vantagem indevida para si ou para outrem ou causar dano.
Peculato Apropriação A inserção de dados falsos prevista no art.313-A é um
crime cibernético e como tal exige a perícia para que pos-
É uma apropriação indébita e o objeto pode ser di- sa haver a devida identificação de autoria e consequente
nheiro, valor ou bem móvel. É de extrema importância que condenação, contudo, esta não tem sido a prática no país.
o funcionário tenha a posse da coisa em razão do seu car- O art. 313-A é crime próprio e formal. Exige que seja
go. Consumação: Se dá no momento da apropriação, em praticado por funcionário público autorizado e basta que
que ele passa a agir como o titular da coisa apropriada. se dê a inserção ou modificação dos dados para que seja
Admite-se a tentativa. consumado. Por ser formal, a intenção do agente é presu-
mida a partir de seu próprio ato.
Peculato Desvio
Modificação ou alteração não autorizada de siste-
O servidor desvia a coisa em vez de apropriar-se. Aqui ma de informações
o sujeito ativo além do servidor pode tem participação de
uma terceira pessoa. Consumação: No momento do desvio Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema
e admite-se a tentativa. de informações ou programa de informática sem autoriza-
ção ou solicitação de autoridade competente:

6
DIREITO PENAL

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e Prefeito ou Vereador – Crime de Responsabilidade –
multa. Decreto Lei 201/67, I a V.
Consumação – Empregar; Administrar, Consagrar ou
Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço Destinar irregularmente as verbas ou rendas. É necessária
até a metade se da a existência de uma lei regulamentando o emprego dessas
verbas ou rendas.
O bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa Rendas públicas: São aquelas constituídas por dinheiro
O sujeito ativo é funcionário público autorizado ou não recebido pela Fazenda Pública a qualquer título.
e o sujeito passivo poderá ser qualquer pessoa (pública ou Verbas públicas: São aquelas constituídas por dinheiro
privada). destinado para execução de determinado serviço público
Classificação crime próprio. ou para outra finalidade de interesse público. O termo Lei
Quando o sistema foi intencionalmente modificado inclui, além das leis comuns e orçamentárias, os Decretos e
para que a ação criminosa pudesse ser realizada, o crime demais Normas equivalentes.
está previsto no art.313-B.
No artigo 313-B não se previu um fim especial do Concussão
agente, mas, evidentemente, como também não se previu
a figura em sua modalidade culposa, resta claro que a in- Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indi-
tenção do agente poderá ser de qualquer natureza, inclusi- retamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la,
ve com o fim de obter vantagem indevida, de causar dano, mas em razão dela, vantagem indevida:
de paralisar todo o sistema de processamento de dados de
uma repartição, da Unidade Fiscal, da Receita Federal etc., Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
seja por espírito de vingança, seja para ocultar amigos con-
tribuintes, seja para obter vantagem pecuniária. O artigo 316 Código Penal é uma espécie de extorsão
Frise-se que os tipos penais dos artigos 313-A e 313-B, praticada pelo servidor público com abuso de autoridade.
são delitos próprios e, portanto, chamados de crimes fun- O objeto jurídico é a probidade da administração públi-
cionais, já que são praticados pelas pessoas físicas que se ca. Sujeito ativo: Crime próprio praticado pelo servidor e o
entregam à realização das atividades do Estado. Dentro da seu jeito passivo é o Estado e a pessoa lesada. A conduta
classificação geral dos delitos, os crimes funcionais estão é exigir. Trata-se de crime formal pois consuma-se com a
inseridos na categoria dos crimes próprios, porque a lei exigência, se houver entrega de valor há exaurimento do
exige uma característica específica no sujeito ativo, ou seja, crime e a vítima não responde por corrupção ativa porque
ser funcionário público. foi obrigada a agir dessa maneira.
Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou do- Excesso De Exação
cumento
(...)
Art. 314 - Extraviar livro oficial ou qualquer documen-
to, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou § 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição
inutilizá-lo, total ou parcialmente: social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando
Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso,
constitui crime mais grave. que a lei não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de
27.12.1990)
O artigo traz 3 condutas, pois há mais de uma forma de Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
execução do delito, mais de um núcleo ou verbo do tipo: § 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou
Tipo penal é Extraviar – Descaminhar, desaparecer. de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos
Sonegar – Não apresentar; ocultar com fraude; escon- cofres públicos:
der. Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
Inutilizar – Tornar imprestável; destruir; danificar.
O crime de ser praticado pelo funcionário público (su- A exigência vai para os cofres públicos, isto é, recolhe
jeito ativo) que tenha incumbência de guardar o livro ofi- aos cofres valor não devido, ou era para recolher aos cofres
cial ou qualquer documento (oficial ou particular). O sujeito públicos, porém o funcionário se apropria do valor.
passivo é o Estado.
Não se admite tentativa na modalidade omissiva e é Corrupção Passiva
um delito subsidiário, ou seja, elemento de outro tipo de
crime diverso de maior gravidade. Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:
Art. 315 - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação
diversa da estabelecida em lei: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
Sujeito Ativo é o Funcionário Público que tem o poder § 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conse-
de dispor das verbas públicas e rendas públicas. qüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda
Presidente da República – Crime de Responsabilidade ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica
– Lei 1.079/50. infringindo dever funcional.

7
DIREITO PENAL

§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou nado que cometeu infração no exercício do cargo, ou deixa
retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, de levar o fato ao conhecimento da autoridade competen-
cedendo a pedido ou influência de outrem: te, quando lhe falte autoridade para punir o funcionário
infrator.
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. O sujeito ativo do delito somente pode ser funcionário
público, e que possui posição hierarquicamente superior à
O objeto jurídico é a probidade administrativa. Sujeito do infrator, sendo possível, em tese, a participação de não-
ativo: funcionário público. A vítima é o Estado e apenas na -funcionário, mediante induzimento ou instigação. Para o
conduta solicitar é que a vítima será, além do Estado a pes- Direito Penal, considera-se funcionário público, quem, em-
soa ao qual foi solicitada. bora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo,
emprego ou função pública. Além disso, equipara-se a fun-
Condutas: Solicitar, receber e aceitar promessa, aumen- cionário público quem exerce cargo, emprego ou função
ta-se a pena se o funcionário retarda ou deixa de praticar em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa
atos de ofício. Não admite-se a tentativa, é no caso de pri- prestadora de serviço contratada ou conveniada para a
vilegiado, onde cede ao pedido ou influência de 3a pessoa. execução de atividade típica da Administração Pública.
Só se consuma pela prática do ato do servidor público. O sujeito passivo é sempre o Estado, ou seja, União, Es-
tados, Municípios, autarquias, entidades paraestatais, bem
(...) como qualquer entidade de direito público enquanto titu-
lar e responsável pela Administração Pública.
Prevaricação São duas as condutas delitivas previstas, ou seja, deixar
de responsabilizar subordinado que cometeu infração no
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamen- exercício do cargo, e ainda, não levar o fato ao conheci-
te, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa mento da autoridade competente, quando lhe falta com-
de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: petência. Ambas as condutas são omissivas próprias e têm
como pressuposto a prática de infração penal ou adminis-
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. trativa pelo funcionário no desempenho de suas funções1
A pena é detenção, de quinze dias a um mês, ou multa,
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agen- de competência do Juizado Especial Criminal. A ação penal
te público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o aces- é pública incondicionada.
so a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente exter- Advocacia Administrativa (Art. 321)
no: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interes-
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. se privado perante a administração pública, valendo-se da
qualidade de funcionário:
O Art. 319 C.P., aqui também tutela-se a probidade ad- Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
ministrativa. É um crime próprio, cometido por funcioná- Patrocinar significa advogar, facilitar, favorecer, inter-
rio público e a vítima é o Estado. A conduta é: retardar ou mediar em favor de alguém. O patrocínio não se confunde
deixar de praticar ato de ofício. O Crime consuma-se com com a execução do ato favorável ao particular, sendo nota
o retardamento ou a omissão, é doloso e o objetivo do marcante desse crime a intermediação de um funcionário
agente é buscar satisfação ou vantagem pessoal. no sentido de que o ato seja praticado por outro.
Os crimes contra a Administração Pública são dema- Não se caracteriza o crime pelo mero pedido de prefe-
siadamente prejudiciais, pois refletem e afetam a todos os rência, para que se dê andamento a um determinado pro-
cidadãos dependentes do serviço publico, colocando em cedimento em favor do particular, sem adentrar no mérito
crédito e a prova a credibilidade das instituições públicas, da discussão; no simples ato de prestar informações.
para apenas satisfazer o egoísmo e egocentrismo desses Para que ocorra o delito, necessário que o funcionário
agentes corruptos. se valha de facilidade que a qualidade de funcionário pú-
Tais mecanismos de combate devem ser aplicas com blico lhe proporciona.
rigor e aperfeiçoados para que estes desviantes do servi- O patrocínio pode ser exercido de forma direta, pelo
ço público, tenham suas praticas de errôneas coibidas e próprio funcionário, ou indireta, por interposta pessoa,
extintas, podem assim fortalecer as instituições publica e também conhecida como testa de ferro.
valorizar os servidores.
Exercício Regular de Direito
Condescendência Criminosa O RJU permite ao servidor público federal atuar como
procurador ou intermediário junto a repartições quando se
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de res- tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de pa-
ponsabilizar subordinado que cometeu infração no exercí- rentes até o 2º grau, e de cônjuge ou companheiro.
cio do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o
fato ao conhecimento da autoridade competente: Consumação e Tentativa
O crime é formal, se consumando com o patrocínio,
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. ainda que nenhuma vantagem dele advenha.

Disposto no artigo 32º, a Condescendência Criminosa Forma Qualificada


é um crime contra a Administração Pública, praticado por Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo:
funcionário público que, por clemência ou tolerância, deixa Pena - detenção, de três meses a um ano, além da mul-
de tomar as providências a fim de responsabilizar subordi- ta.
1 BITENCOURT, 2012, p. 149.

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DIREITO PENAL

Violência arbitrária O elemento subjetivo do crime é o dolo genérico. Não


se exige uma finalidade específica.
Art. 322 - Praticar violência, no exercício de função ou O crime consuma-se com a execução do primeiro ato
a pretexto de exercê-la: de ofício.
No crime em questão é admitida a tentativa
Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da
pena correspondente à violência. Violação de sigilo funcional

O tipo penal do artigo 322 tutela o bem jurídico Ad- Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do
ministração Pública, sobre tudo no que diz respeito à mo- cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe
ralidade do serviço, bem como o bem jurídico integridade a revelação:
física. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa,
O funcionário público é o sujeito ativo do delito, admi- se o fato não constitui crime mais grave.
tindo-se a coautoria do particular § 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
È importante esclarecer que o emprego da violência I – permite ou facilita, mediante atribuição, forneci-
mento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o
deve ser arbitrária não se englobando situações, como por acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informa-
exemplo, de legitima defesa ou estrito cumprimento do ções ou banco de dados da Administração Pública;
dever legal. II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
O crime admite a prática comissiva por omissão, vez § 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administra-
que “o delito pode ser praticado via omissão imprópria ção Pública ou a outrem:
quando o agente, garantidor, dolosamente, podendo, nada Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
fizer para impedir a prática do delito.
É um crime expressamente SUBSIDIÁRIO: “se o fato não
Abandono de função constituir crime mais grave”.
Se servir para o cometimento de estelionato, será ab-
Art. 323 - Abandonar cargo público, fora dos casos sorvido pelo crime de estelionato.
permitidos em lei: Se prestar-se para o crime de homicídio, será absorvido
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. pelo crime de homicídio.

§ 1º - Se do fato resulta prejuízo público: Sujeito ativo: é considerado crime próprio praticado
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. por funcionário público que tem ciência em razão do cargo.
Essa ciência tem que ser a oficial, tem que ser uma in-
§ 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa formação que passou por ele e que ele divulgou. Não se
de fronteira: presta a este tipo a informação obtida pelo funcionário que
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. ouviu atrás da porta.
Admite-se tentativa, exceto se a revelação for oral e
Na verdade, trata-se de abandono de CARGO, e não pessoal.
de função. O crime ainda admite coautoria e participação.
É um crime de mão própria, e não admite-se coautoria,
Violação do sigilo de proposta de concorrência
admitindo-se no entanto, a participação. O Sujeito Passivo
por sua vez, é o Estado. Art. 326 - Devassar o sigilo de proposta de concorrên-
Este artigo abrange os cargos na administração dire- cia pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-
ta, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia -lo:
mista e fundações. Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa.
Na forma omissiva, a tentativa é impossível.
Vantagem na Licitação. Porém tem lei de licitação ocor-
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou pro- re o Princípio da Especialidade
longado
Funcionário público
Art. 324 - Entrar no exercício de função pública antes
de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os
sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exo- efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem re-
nerado, removido, substituído ou suspenso: muneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. § 1º - Equipara-se a funcionário público quem exer-
ce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e
Não é crime habitual. quem trabalha para empresa prestadora de serviço contra-
É cometido por ato de ofício, basta um só. tada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Sujeito ativo: trata-se de crime de mão própria, somen- Administração Pública.
te podendo ser cometido por aquele que foi nomeado, § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando
convocado, mas não tomou posse; ou foi removido, sus- os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocu-
penso, e continua exercendo suas funções. pantes de cargos em comissão ou de função de direção
È admitida participação na forma particular, por indu- ou assessoramento de órgão da administração direta, so-
zimento e auxílio; de funcionário público que tenha outra ciedade de economia mista, empresa pública ou fundação
função. instituída pelo poder público.

9
DIREITO PENAL

O agente público pode ser entendido aqui como toda Se o agente resistir a a quatro ou cinco funcionários
pessoa física que possui a incumbência de exercer alguma que foram praticar o ato legal, haverá somente um crime,
atividade em prol do Estado e das pessoas jurídicas com- já que o sujeito ativo é a Administração como um todo. No
ponentes da administração indireta. entanto, se o funcionário público comparece ao lugar para
a prática de diversos atos independentes, o agente poderá
Leciona Damásio que: responder por crime continuado ou concurso formal, a de-
“O que caracteriza a figura do funcionário público, per- pender do caso concreto.
mitindo distinção em relação aos outros servidores, é a ti- As lesões corporais leves são absorvidas, assim como
tularidade de um cargo por lei, com especificação própria, o desacato.
em número determinado e pago pelos cofres da entidade Perceba que o § 2º impõe que sejam aplicadas, em
estatal a que pertence”2 concurso formal impróprio, as penas correspondentes à
violência aplicada.
CAPÍTULO II
DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CON- Resistência Qualificada
TRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL § 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena - reclusão, de um a três anos.
Usurpação de função pública
Desobediência
Art. 328 - Usurpar o exercício de função pública:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário
Parágrafo único - Se do fato o agente aufere vantagem: público:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa. Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa.

O tipo penal faz com que o crime se consume median-


Usurpar significa alcançar algo sem o regular direito. O
te qualquer ordem LEGAL dada por qualquer pessoa tida
sujeito ativo do presente crime é qualquer pessoa, inclusive por FUNCIONÁRIO PÚBLICO. Logo, não se restringe a or-
o funcionário público. Já o sujeito passivo é a Administra- dens de juízes.
ção Pública. A principal discussão nesse crime se refere à possibili-
É denominado crime comum, formal, comissivo, ins- dade ou não de ser o agente da desobediência funcionário
tantâneo, unissubjetivo, plurissubsistente. público. A corrente predominante entende que sim, que
A forma qualificada está prevista no parágrafo único ele pode perfeitamente ser responsabilizado, não obstante
do artigo e se refere ao fato de auferir vantagem da função o crime esteja previsto no capítulo daqueles praticados por
pública usurpada. particular contra a Administração.
Desobedecer é não aceitar, não acatar, não cumprir
Resistência uma ordem legal de funcionário público, podendo ser pra-
ticada de forma comissiva ou omissiva.
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante Em sendo a ordem legal, não cabe a quem a recebe
violência ou ameaça a funcionário competente para execu- discutir seu acerto. O juízo de legalidade da ordem, espe-
tá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: cialmente a judicial, não é de quem a recebe.
Pena - detenção, de dois meses a dois anos.
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo Desacato
das correspondentes à violência.
Trata-se de crime que pode ser cometido por qualquer Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da
pessoa, ainda que não seja o destinatário do ato. função ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Tipo Objetivo
Opor-se é colocar obstáculo, resistir. A violência ou O delito do art. 331 do Código Penal pune o crime de
ameaça há de ser concomitante ou anterior à prática do desacato a funcionário público, no exercício da função ou
ato; se ela for posterior ao ato praticado, não se configura em razão dela, exigindo-se dolo específico, consistente na
o crime. vontade livre e consciente de desprezar ou humilhar servi-
A violência tem que ser física e real contra a pessoa que dor público, no exercício de sua função, de desprestigiá-lo,
executa o ato ou quem lhe presta auxílio, não configurando com palavras ou ações, em razão da função pública por ele
o crime a violência contra a coisa. Ela pode ser por meras exercida.
vias de fato, ou seja, ação física contra a pessoa que não Consuma-se esse delito com a prática da ofensa no
chega a ponto de causar lesão, como um empurrão, ou al- momento e lugar em que o agente pratica o ato ofensivo
cançar consequências mais graves. ou profere palavras ultrajantes a funcionário que esteja no
A ameaça pode ser verbal ou gestual, como o ato de exercício da função pública ou praticando ato relativo ao
exibir uma faca ou uma arma de fogo. ofício, dentro ou fora da sede de sua repartição, desde que
Não configura o crime uma oposição passiva, tal qual percebida a ofensa por este.
deixar de realizar um ato, deixar de abrir uma porta tran- Muitas vezes o desacato é realizado quando o agres-
cada etc. sor está embriagado. Evidenciada a ingestão voluntária de
Além disso, o ato do funcionário há de ser legal; se bebida alcoólica, culminando em desacato, não se exclui a
ilegal, descaracteriza o crime. imputabilidade (art. 28, II, CP), pois a embriaguez somente
isenta de pena quando resultante de caso fortuito ou força
2 JESUS, Damásio Evangelista. Direito Penal, vol. IV. 2ª Ed. Sa- maior (art. 28, § 1º, CP).
raiva. SP/SP. 1989; p. 101.

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DIREITO PENAL

Tráfico de Influência Consumação e Tentativa


O crime de corrupção ativa é crime formal de consu-
Art. 332 - Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou mação antecipada, bastando oferecer ou prometer; será
para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pre- consumado ainda que o funcionário público recuse a van-
texto de influir em ato praticado por funcionário público no tagem indevida.
exercício da função: As corrupções ativa e passiva não dependem uma da
outra para existir, pois, se o funcionário público recusa a
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. oferta não pratica a corrupção passiva, mas aquele que ofe-
receu pratica a corrupção ativa.
Parágrafo único - A pena é aumentada da metade, se Porém, como já visto, no caso da corrupção passiva
o agente alega ou insinua que a vantagem é também des- mediante receber ou aceitar, sempre haverá a correspon-
tinada ao funcionário. dente corrupção ativa.
Tentativa: dependendo da maneira de realização da
É um delito praticado por particular contra a adminis- conduta, se for de maneira subsistente ou plurissubsisten-
tração pública, onde determinada pessoa, usufruindo de te, podendo ser citado como exemplo a carta interceptada.
sua influência sobre ato praticado por funcionário público
no exercício de sua função, solicita, exige, cobra ou obtém Causa de Aumento de Pena
vantagem ou promessa de vantagem, para si ou para ter- Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se,
ceiros. em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda
A pena para este crime é a reclusão, de 2 a 5 anos, ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever fun-
e multa, devendo a pena ser aumentada da metade nos cional.
casos em que a vantagem vise beneficiar também o fun- O mero exaurimento do crime está previsto como cau-
cionário. sa de aumento de pena.

Corrupção Ativa (...)

Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a Impedimento, Perturbação ou Fraude de Concor-
funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou rência
retardar ato de ofício:
Art. 335 - Impedir, perturbar ou fraudar concorrência
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. pública ou venda em hasta pública, promovida pela admi-
Também é crime cuja conduta é repugnada pela Con- nistração federal, estadual ou municipal, ou por entidade
venção de Palermo, já que a corrupção de agentes públicos paraestatal; afastar ou procurar afastar concorrente ou lici-
está intimamente ligada ao crime organizado. tante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou ofe-
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, inclusive fun- recimento de vantagem:
cionário público, quando não estiver no exercício da fun-
ção. Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa,
Exceção pluralista à teoria monista, uma vez que, no além da pena correspondente à violência.
concurso dos agentes, cada um pratica um crime distinto
(corrupção ativa e corrupção passiva). O pluralismo retira o Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem se abs-
concurso de pessoa? NÃO, continua havendo o concurso tém de concorrer ou licitar, em razão da vantagem ofere-
de pessoas, porque o pluralismo é uma teoria dentro do cida.
concurso de pessoas.
Sujeito passivo: é o Estado-Administração e o funcio- O Tipo penal é Impedir, perturbar ou fraudar concor-
nário público, desde que não aceite a promessa ou a van- rência pública ou venda em hasta pública, promovida pela
tagem. Se o funcionário público aceitar a promessa ou a administração federal, estadual ou municipal, ou por enti-
vantagem será autor da CORRUPÇÃO PASSIVA e não vítima dade paraestatal; afastar ou procurar afastar concorrente
da corrupção ativa. ou licitante, por meio de violência, grave ameaça, fraude ou
oferecimento de vantagem.
Tipo Objetivo: Oferecer é exibir, expor, mostrar; prome-
ter é afirmar entrega futura. Inutilização de Edital ou de Sinal
A corrupção ativa, diferentemente da passiva, somen-
te pode ocorrer anteriormente à prática do ato, já que a Art. 336 - Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou
vantagem deve ser entregue como motivo determinante conspurcar edital afixado por ordem de funcionário públi-
da prática do ato ou de seu retardamento ou omissão pelo co; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por deter-
funcionário público. minação legal ou por ordem de funcionário público, para
Não existe natureza específica da vantagem, podendo identificar ou cerrar qualquer objeto:
ser paga de outras formas que não a pecuniária.
Como visto, o crime não se configura quando o fun- Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
cionário público solicita a vantagem e o particular apenas
a entrega, já que esse tipo penal pressupõe uma iniciativa Subtração ou inutilização de livro ou documento
do particular. Porém, se o particular estava ciente da irregu- O tipo penal é rasgar ou, de qualquer forma, inutili-
laridade da solicitação, entregando a vantagem com o real zar ou conspurcar edital, afixado por ordem de funcionário
intento de obter o ato de ofício, ele deverá ser considerado público, violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por
partícipe do crime de corrupção passiva, na modalidade determinação legal ou por ordem de funcionário público,
receber. para identificar ou cerrar qualquer objeto.

11
DIREITO PENAL

O sujeito ativo é qualquer pessoa e o sujeito passivo é Tipo Subjetivo


o Estado. É o dolo direto, com a vontade conscientemente di-
O elemento subjetivo do tipo, é o dolo, não há forma rigida à provocação de investigação ou processo contra
culposa. alguém. Assim, o ato de comunicar um fato criminoso à
È crime comum. polícia e apontar um suspeito não caracteriza, necessaria-
mente o crime.
Art. 337 - Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, Ademais, se a pessoa faz a denunciação e apresenta in-
livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de dícios do que diz, não há crime. A má fé deve ser evidente.
funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço Se o fato imputado for crime já prescrito, não há de-
público: nunciação caluniosa. Se a pessoa imputa um fato a alguém
que pensa ser inocente e depois se descobre que era cul-
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não pado, não há crime, já que a denunciação há de ser subje-
constitui crime mais grave. tiva e objetivamente falsa.
Tem prevalecido o entendimento de que se a imputa-
O tipo penal deste crime é subtrair ou inutilizar, total ção se dá como forma de autodefesa, não há crime.
ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento con-
fiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de Consumação e Tentativa
particular em serviço público. Consuma-se o crime não com a denunciação, e sim
O sujeito ativo é qualquer pessoa e o sujeito passivo é com o início do procedimento, ou seja, com a expedição da
o Estado e secundariamente, a pessoa prejudicada. Portaria, no caso do inquérito policial, não sendo necessá-
Já elemento subjetivo do tipo é o dolo, e não há forma rio o indiciamento do acusado.
culposa. A tentativa é, em tese, possível, quando o indivíduo
narra o fato, imputando o crime, mas por circunstâncias
alheias à sua vontade o inquérito ou o processo não são
ARTIGOS 339 A 347; 350; 357 E 359 - instaurados.
A denunciação admite arrependimento eficaz, quando
DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA v.g., o indivíduo noticia o delito, lavra-se o BO, mas, depois,
JUSTIÇA. ele se arrepende e conta a verdade antes que a investiga-
ção tenha início.

Diferença com Tipos Afins


DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA (ART. 339) a) Denunciação caluniosa e calúnia: no primeiro, o
agente deve fazer a imputação de um crime ou contra-
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação poli- venção que deve dar causa à instauração de investigação
cial, de processo judicial, instauração de investigação admi- ou processo. Na calúnia, o objetivo do agente é ofender a
nistrativa, inquérito civil ou ação de improbidade adminis- honra. Os dois crimes não ocorrem conjuntamente: ou há
trativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe calúnia ou denunciação, a depender da intenção do agente.
inocente. b) Denunciação caluniosa e comunicação falsa de cri-
Pena - reclusão, de 2(dois) a 8(oito) anos, e multa. me ou contravenção (art.340): neste, o agente não acusa
§ 1º A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se uma pessoa determinada, apenas faz o mero relato da
serve de anonimato ou de nome suposto. ocorrência de crime que não existiu.
§ 2º A pena é diminuída de metade, se a imputação é
de prática de contravenção. Competência
O bem jurídico tutelado pelo tipo penal da denuncia-
Esse crime também é chamado de calúnia qualificada ção caluniosa (CP, art. 339) é a Administração da Justiça.
ou calúnia judiciária, no qual se protege a administração da Desse modo, se a conduta ensejou a deflagração de um
justiça, evitando-se a movimentação dos órgãos de perse- procedimento investigatório em órgão público federal
cução penal de forma enganosa ou por motivos escusos, (MPF ou PF), a competência para processar e julgar o cri-
como a vingança e a honra do indivíduo. me de denunciação caluniosa será da Justiça Federal (CF,
Tipo Objetivo: o agente tem que saber que a imputa- art. 109, IV), ainda que a injusta acusação tenha se voltado
ção é falsa. Ademais, o fato imputado deve ser crime, sen- contra um particular - a honra individual é apenas reflexa-
do que a simples contravenção causará a desclassificação mente protegida pelo tipo penal em foco.
para o § 2º.
A falsidade pode recair sobre a autora, imputando-se Comunicação Falsa de Crime ou de Contravenção
um fato efetivamente ocorrido a quem não foi o seu autor,
ou sobre a existência do fato, que não ocorreu. No crime de comunicação falsa, disposto no Código
A imputação deve recair sobre pessoa certa; é irrele- Penal, o agente se limita a comunicar falsamente a ocor-
vante a motivação do agente para a prática do ilícito. rência de crime ou contravenção, não apontando qualquer
A denunciação pode ser direta, quando o próprio pessoa como responsável por eles ou então apontando
agente comunica o crime à autoridade, ou indireta, quan- pessoa que não existe.
do o agente faz com que a notícia chegue à autoridade por
qualquer meio. Na lição de Paulo José da Costa Jr.(obra citada, pág.
Ademais, para que se consume, não basta a denuncia- 546) “indispensável que se trate de delação de crimes ine-
ção caluniosa: é imprescindível que do ato reste instaurada xistentes ou imaginários”. Indispensável que não seja apon-
investigação policial, processo judicial, investigação admi- tado o nome de ninguém, pois, caso contrário, ter-se-á o
nistrativa, inquérito civil ou ação de improbidade adminis- crime de denunciação caluniosa. Mas poderá se apresentar
trativa. o crime caso a delação for de crime imaginário, apontan-

12
DIREITO PENAL

do como autor pessoa igualmente inexistente e, portan- por escrito. Intérprete é aquele que serve de veículo de co-
to, indeterminável. Por sua vez, o crime não deixará de ser municação entre pessoas que não falam a mesma língua.
imaginável quando for absolutamente diverso de como é Contador é o técnico especializado em cálculos.
denunciado. É irrelevante a finalidade que provoca a falsa
comunicação. Para Nelson Hungria, não deixa de ser este Tipo Objetivo
o crime, porém, quando a pessoa indicada é imaginária ou Há três modalidades de conduta: afirmar o falso, negar
indeterminável. ou calar a verdade em processo judicial, ou administrativo,
inquérito policial ou juízo arbitral. Afirmar o falso consiste
Dispõe o Código Penal: em narrar fato em desacordo com a verdade. Negá-la é
não reconhecer a existência do verdadeiro ou se recusar a
Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunican- admiti-lo. Calar a verdade significa não responder às per-
do-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe guntas. É a chamada reticência. Destaque-se que falsidade
não se ter verificado: praticada quanto à qualificação das testemunhas não con-
figura o tipo.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. No concernente ao que se deva compreender como
falso, há duas teorias: a objetiva e a subjetiva. De acordo
Autoacusação Falsa com a primeira, falsa será a declaração incompatível com
o que realmente sucedeu. Para a segunda, nascerá a falsi-
É um crime praticado contra a Administração da Jus- dade quando a declaração for discrepante do sabido pelo
tiça. agente. A falsidade residirá, portanto, não na dissensão
O crime de autoacusação falsa consiste em acusar-se, entre a afirmação e a realidade objetiva, mas entre o de-
perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por poimento e a representação do real feita pela testemunha.
outrem. Predomina a corrente subjetiva. É a melhor posição. A
realidade é sempre apreendida de acordo com os aspectos
Art. 341 - Acusar-se, perante a autoridade, de crime pessoas do sujeito que a apreende. Não existe, portanto,
inexistente ou praticado por outrem: percepção da realidade objetiva, vez que sempre que per-
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa. cebida deixa de sê-lo, tornando-se subjetiva. No dizer de
Nucci, “a verdade é apenas uma representação ideológica
Falso testemunho ou falsa perícia
que se desenha na menta de alguém que passa a acreditar
Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a ver- na existência de algo”
dade como testemunha, perito, contador, tradutor ou in- Se a testemunha proferir falsa opinião, crime não have-
térprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito rá. Deve depor sobre fatos e não sobre sua posição pessoal
policial, ou em juízo arbitral: acerca de algo. Evidente que o mesmo não pode se aplicar
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. o perito, pois ele tem a obrigação de opinar.
§ 1º As penas aumentam-se de um sexto a um terço, Testemunha não tem direito de mentir ou calar, salvo se
se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido o fizer para esquivar-se de provável imputação. Prevalece
com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em seu direito ao silêncio e o de não ser obrigada a produzir
processo penal, ou em processo civil em que for parte enti- prova contra si.
dade da administração pública direta ou indireta. O crime é formal, consumando-se na entrega do laudo
§ 2º O fato deixa de ser punível se, ANTES DA SEN- ou da tradução para o perito ou tradutor, ao fim do depoi-
TENÇA no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se mento para a testemunha e quando se faz a interpretação
retrata ou declara a verdade. falsa para o intérprete.
Logo, o crime é de competência do juízo deprecado,
Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qual- independentemente de manifestação do deprecante. Po-
quer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tra- rém, há quem defenda a necessidade do juízo deprecante
dutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou declarar que o testemunho foi falso, pois, se o deprecado
calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução assim o fizesse, estaria adiantando julgamento e, logo, sen-
ou interpretação: do suspeito.
Pena - reclusão, de três a quatro anos, e multa.
Há divergência quanto à possibilidade de tentativa. A
Parágrafo único. As penas aumentam-se de um sexto maioria não admite, argumentado ser o ato unissubsisten-
a um terço, se o crime é cometido com o fim de obter pro- te. Em sentido contrário, Luis Régis Prado, Fragoso e Hun-
va destinada a produzir efeito em processo penal ou em gria, que defendem plurissubsistência.
processo civil em que for parte entidade da administração Se o agente em fase diversas do processo depõe falsa-
pública direta ou indireta. mente mais de uma vez , haverá um só delito.

O sujeito ativo é a testemunha, perito, contador, tradu- Compromisso


tor ou intérprete. O delito há de ser diretamente cometido Quanto à testemunha, é essencial que tenha prestado
por eles, razão pela qual é classificado como crime de mão compromisso para que haja crime? Há grande divergência
própria. doutrinária e jurisprudencial, inexistindo posição dominan-
Testemunha é o chamado a depor no processo perante te. Fragoso, Guilherme Nucci e Espínola Filho, entre outros,
autoridade a fim de declarar o que viu ou ouviu acerca do afirmam ser indispensável o compromisso. Defendendo o
tema em investigação. Perito é o especialista em certo as- contrário encontram-se Hungria, Luiz Régis Prado, Maga-
sunto que se pronunciará sobre questões técnicas. Tradutor lhães Noronha, Tornagui e Tourinho.
é quem traslada algo de um idioma para outro, fazendo-o

13
DIREITO PENAL

A última corrente foi consagrada pelo STF e é a que pelo. 342 for instaurado quando ainda em curso o proces-
predomina. O argumento utilizado é que todos têm o de- so em que foi praticado o crime, a decisão daquele deve
ver de dizer a verdade em juízo e a formalidade do com- aguardar a desse. Se ambos forem penais, correrão juntos
promisso não mais integra o tipo. em virtude da conexão.
Os que fazem do compromisso exigência indeclinável A retratação constitui causa extintiva de punibilidade
afirmam que o compromisso é ato solene que concretiza o (art. 107, VI). Para a maioria da doutrina, é circunstância de
dever da testemunha de dizer a verdade , sob pena de ser caráter pessoal sendo portanto, incomunicável (Luiz Régis
processado por falso testemunho. Prado, Fragoso e Hungria, vg.). Nesse sentido já decidiu o
À luz da tipicidade de Zaffaroni, temos que a razão está STF. Corrente contrária (Nucci) aduz que a retratação exclui
com os que defendem ser imprescindível o compromisso. a tipicidade, pois a lei afirma que “o fato deixa de ser puní-
Em regrra, as pessoas eximidas da obrigação de depor vel”. Por essa razão, seus efeitos seriam comunicáveis, pois
(art. 205 do CPP) guardam grande vinculação afetiva ou não há juridicidade em punir alguém por fato atípico.
de parentesco com o acusado. Parece-nos evidente que o
ordenamento busca preservar tais vínculos. Aliás, o orde- Competência
namento os fomenta. Basta atentar para as vantagens con- Cabe à Justiça Estadual se competente para o processo
cedidas aos casados e à família, como a possibilidade de se em que o falso foi produzido. O mesmo se diga quanto à
instituir o bem de família, o direito à sucessão, o direito a Justiça Federal. Essa também julgará os crimes ocorridos
alimentos, etc. Ora, se o ordenamento estimula o vínculo, em processo eleitoral. Destaque-se que havendo precató-
não pode ser incoerente a ponto de tipificar o ato de quem ria, o foro competente para o julgamento é da consumação
busca preservá-lo, como o faz o pai que mente para prote- do delito, ou seja, o do juízo deprecado. Os crimes come-
ger o filho. Diante desse quadro, só haverá crime quando tidos na Justiça do Trabalho serão julgados pela Justiça Fe-
houver compromisso, ou seja, quando não depuserem pes- deral.
soas com forte vinculação afetiva ou de parentesco com o Súmula 165, STJ: “Compete à Justiça Federal processar
acusado. e julgar crime de falso testemunho cometido no processo
trabalhista”.
Concurso de Agentes Também cabe à Justiça Federal julgar o crime de falso
Para Baltazar, é possível a participação, não obstante testemunho cometido perante o juízo estadual quando no
não ser possível a coautoria em crime de mão própria.
A participação seria moral da parte ou do advogado exercício de competência delegada.
que induzem ou instigam a testemunha a mentir. Essa é
aposição majoritária no STF. Coação no Curso do Processo

Relevância do Depoimento O crime em estudo é um tipo especial de constrangi-


Embora se exija que o falso seja juridicamente relevan- mento ilegal em que não se exige, para a sua concretiza-
te, no sentido de cuidar-se de falsidade sobre informação ção, que o coacto (coagido) se submeta ao sujeito ativo.
que tenha potencialidade lesiva, é desnecessário que tenha, A conduta típica é constituída pelo emprego de violência
efetivamente, influído sobre o resultado do julgamento. ou grave ameaça contra a autoridade, parte ou qualquer
outra pessoa que intervém no processo: delegado de polí-
Causas Especiais de Aumento de Pena cia, promotor de justiça, juiz, autor, réu, testemunha, perito,
A Lei nº 10.268/01 alterou a redação dos parágrafo se- jurado, interprete, oficial de justiça, etc.
gundo e terceiro, transformando antigas qualificadoras em Sem prejuízo das penas correspondentes à violência.
causas especiais de aumento de pena. A sanção será majo- Tipo Subjetivo: Além da vontade de pratica a violência
rada de 1/6 a 1/3 se o crime é praticado com suborno ou se ou grave ameaça, exige-se o dolo consistente na finalidade
cometido com fim de se obter prova destinada a produzir de favorecer interesse próprio ou alheio. Exemplos: intimi-
efeito em processo penal, ou em processo civil em que for dação de testemunha, ameaças ao juiz e ao advogado da
parte entidade da administração pública direta ou indireta. parte contrária, coação destinada a evitar o oferecimento
Haverá suborno quando a ação é praticada mediante da denúncia, etc.
contraprestação correspondente à vantagem patrimonial. Crime formal, consumando-se independentemente de
Quem suborna responderá não como partícipe do artigo lograr o a gente, o fim pretendido.
342, mas como autor do delito do art. 343, o que configura A reiteração de ameaças para se conseguir o mesmo
exceção plural ao princípio monista. Se o perito for oficial, objetivo, não implica continuidade da infração ou concurso
praticará ainda o crime de corrupção passiva (art. 317). de crimes, mas sim crime único.
A expressão processo penal não abarca o inquérito po-
licial. Esse é mero procedimento administrativo, a poten- De acordo com a violência poderá o a gente incorrer
cialidade do falso nele ocorrido é muito inferior a do que no crime de coação e o correspondente à lesão propor-
se dá no processo. Havendo inquérito, o crime será o do cionada.
“caput”. A pena é de 1 a 4 e multa.
Basta a presença das entidades da Administração Pú-
blica para que incida o aumento. Pouco importa se o falso Dita o Código Penal
deu-se a favor o contra elas.
Art. 344 - Usar de violência ou grave ameaça, com o
Retratação fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra auto-
Trata-se de medida de política criminal que visa à bus- ridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é
ca da verdade. A retratação há de ser voluntária, completa, chamada a intervir em processo judicial, policial ou admi-
incondicional e realizada ou confirmada perante a autori- nistrativo, ou em juízo arbitral:
dade. Essencial que preceda à sentença do feito em que o Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, além da
delito em pauta foi cometido. Vale dizer que se o processo pena correspondente à violência.

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DIREITO PENAL

Exercício Arbitrário das Próprias Razões I - ilegalmente recebe e recolhe alguém a prisão, ou a
estabelecimento destinado a execução de pena privativa
A conduta típica, se apresenta pela expressão “fazer de liberdade ou de medida de segurança;
justiça pelas próprias mãos” que equivale à exercer arbi- II - prolonga a execução de pena ou de medida de se-
trariamente a sua pretensão sem buscar a via judicial ade- gurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de
quada, o a gente ao invés de buscar a tutela jurisdicional executar imediatamente a ordem de liberdade;
resolve empregar a autotutela, fazendo por conta própria, III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custó-
aquilo que entende por justiça.
Não existirá o crime se a lei permitir a satisfação da dia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei;
pretensão pelas próprias mãos do agente, como por exem- IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.
plo na hipótese prevista no artigo 1210 do CC. Trata-se de
crime formal, sendo que a ação penal, em regra é privada, O Estado é pretor do direito, pois não é dado a nin-
podendo ser pública apenas se houver emprego de violên- guém o direito de tomar a justiça com os próprios punhos.
cia contra pessoa. Como tal resiste uma pretensão imperativa sobre os de-
mais elementos da sociedade, o que o faz, sobretudo por-
Dispõe o Código Penal: que uma parte da população renega de seus direitos para
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para sa- que este aja em nome próprio.
tisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o Sujeito Passivo imediato é o Estado, titular da Adminis-
permite: tração Pública, que por reflexo acaba sendo responsabili-
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa,
além da pena correspondente à violência. zado pelos desmandos de seus servidores. Já o sujeito Pas-
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, so- sivo mediato é todo cidadão, titular de direitos e garantia
mente se procede mediante queixa. constitucional lesada ou molestada, pelo Estado (Servidor/
Art. 346 - Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa pró- Administrado).
pria, que se acha em poder de terceiro por determinação
judicial ou convenção: (...)
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Exploração de prestígio
É uma forma de exercício arbitrário das próprias razões,
realizada nas condutas de “Tirar, suprimir, destruir ou dani- Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer ou-
ficar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por
determinação judicial ou convenção. tra utilidade, a pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do
O sujeito ativo é o proprietário da coisa que se tirou, Ministério Público, funcionário de justiça, perito, tradutor,
suprimiu, destruiu ou danificou, quando se achava em po- intérprete ou testemunha:
der de outrem. Já o sujeito passivo é o Estado e a pessoa Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
que se achava na posse do objeto material do tipo. Parágrafo único - As penas aumentam-se de um terço,
O crime é doloso, próprio, material, de forma livre, co- se o agente alega ou insinua que o dinheiro ou utilidade
missivo, unissubjetivo, plurissubsistente, instantâneo de também se destina a qualquer das pessoas referidas neste
conteúdo variável ou misto alternativo. artigo.
Fraude processual O tipo penal do crime é solicitar ou receber dinheiro
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de pro- ou qualquer outra utilidade, a pretexto de influir em juiz,
cesso civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou jurado, órgão do Ministério Público, funcionário da justiça,
de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: perito, tradutor, intérprete ou testemunha.
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa. O sujeito ativo é qualquer pessoa e o sujeito passivo é
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir o Estado.
efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas O elemento subjetivo do tipo é o dolo, e não há forma
aplicam-se em dobro. culposa neste crime.
É crime comum, material, comissivo ou omissivo im-
O crime de fraude processual é um crime previsto no próprio, instantâneo, unissubjetivo, unissubsistente ou plu-
artigo 347 do Código Penal do Brasil.
Tipo penal modificar o local do crime, os objetos rela- rissubsistente, forma em que admite a tentativa.
cionados ao crime ou mesmo o estado das pessoas envol-
vidas, com a finalidade de induzir o magistrado ou o perito (...)
ao erro. Desobediência a Decisão Judicial sobre Perda ou
Crime é doloso. Suspensão de Direito

Exercício Arbitrário Ou Abuso De Poder Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autorida-
de ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão
Art. 350 - Ordenar ou executar medida privativa de judicial:
liberdade individual, sem as formalidades legais ou com Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
abuso de poder: O tipo penal do crime de desobediência a decisão ju-
Pena - detenção, de um mês a um ano. dicial sobre perda ou suspensão de direito é solicitar ou
Parágrafo único - Na mesma pena incorre o funcioná- receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de
rio que: influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcio-
nário da justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha.

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DIREITO PENAL

O sujeito ativo é somente a pessoa suspensa ou pri- 05. (TRF - 3ª REGIÃO - Analista Judiciário – 2014 -
vada de direito por decisão judicial, e o sujeito passivo é o FCC) No que concerne aos crimes contra o patrimônio,
Estado. (A) se o agente obteve vantagem ilícita, em prejuízo
O elemento subjetivo do tipo é o dolo e não há forma da vítima, mediante fraude, responderá pelo delito de ex-
culposa neste crime. torsão.
(B) se, no crime de roubo, em razão da violência em-
QUESTÕES pregada pelo agente, a vítima sofreu lesões corporais leves,
a pena aumenta-se de um terço.
01. (PC/PI - Escrivão de Polícia Civil – 2014 - UESPI) (C) se configura o crime de receptação mesmo se a coi-
Constitui abuso de autoridade, exceto: sa tiver sido adquirida pelo agente sabendo ser produto de
(A) Atentado à inviolabilidade do domicílio e à liberda- crime não classificado como de natureza patrimonial.
de de locomoção. (D) não comete infração penal quem se apropria de
(B) Atentado ao sigilo da correspondência e à liberdade coisa alheia vinda a seu poder por erro, caso fortuito ou
de consciência e de crença. força da natureza.
(C) Atentado ao livre culto religioso e ao direito de reu- (E) o corte e a subtração de eucaliptos de propriedade
nião. alheia não configura, em tese, o crime de furto por não se
(D) Atentado a fuga de preso e transgressão irregular tratar de bem móvel.
de natureza grave.
(E) Atentado aos direito e garantias legais assegurados RESPOSTAS
ao exercício do voto e ao direito de reunião.
01. D.
02. (DETRAN/DF - Agente de Trânsito – 2012 - FU- O preso não tem o direito de fugir, muito pelo contrá-
NIVERSA) Constitui abuso de autoridade, rio, conforme estabelecido no Art. 50 da lei em análise:
(A) Ordenar ou executar medida privativa da liberdade Art. 50. = Comete falta grave o condenado à pena priva-
individual. tiva de liberdade que: II – fugir.
(B) Submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a ve-
xame ou a constrangimento, mesmo que autorizado em lei, 02. E.
pois essa atitude é incompatível com o Estado de Direito. A questão pediu apenas a letra da lei, ou seja, a le-
(C) Levar à prisão e nela deter quem quer que se pro- tra “G” do art. 4º da lei 4898/65, que é uma letra morta,
ponha a prestar fiança, ainda que não prevista em lei. uma vez que há a inaplicabilidade desse tipo penal por não
(D) Lesar a honra ou o patrimônio de pessoa natural ou existir no sistema carcerário brasileiro quaisquer custas ou
jurídica, mesmo quando esse ato for praticado sem abuso emolumentos ou outras despesas semelhantes, tornando
ou desvio de poder. esse tipo penal inaplicável. Dessa forma, se o agente prati-
(E) Recusar o carcereiro ou o agente de autoridade po- car essa conduta ela será ATÍPICA em relação ao delito de
licial recibo de importância adquirida a título de carcera- abuso de autoridade.
gem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa.
03. E.
03. (TRT - 18ª Região (GO) - Juiz do Trabalho – 2014 O Artigo 3º da Lei do Abuso de Autoridade assim pre-
- FCC) No que concerne aos crimes de abuso de autorida- ceitua:
de, é correto afirmar que: Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer aten-
(A) Compete à Justiça Militar processar e julgar militar tado:
por crime de abuso de autoridade praticado em serviço, (A) à liberdade de locomoção;
segundo entendimento sumulado do Superior Tribunal de (B) à inviolabilidade do domicílio;
Justiça. (C) ao sigilo da correspondência;
(B) É cominada pena privativa de liberdade na modali- (D) à liberdade de consciência e de crença;
dade de reclusão. (E) ao livre exercício do culto religioso;
(C) Se considera autoridade apenas quem exerce car- f) à liberdade de associação;
go, emprego ou função pública, de natureza civil ou militar, g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer-
não transitório e remunerado. cício do voto;
(D) Não é cominada pena de multa. h) ao direito de reunião;
(E) Constitui abuso de autoridade qualquer atentado i) à incolumidade física do indivíduo;
aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer-
profissional. cício profissional.

04. (Prefeitura de Taubaté/SP – Escriturário – 2015 04. C.


-PUBLICONSULT) Se um servidor, ao final do expedien- (Peculato) Art. 312 do CP - Apropriar-se o funcionário
te, leva para casa clips, canetas, borrachas, folhas de papel, público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel,
por exemplo, ainda que em pequena quantidade, fere o público ou particular, de que tem a posse em razão do car-
patrimônio público, cometendo um ato ilícito, que é um go, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio
crime previsto no Código Penal brasileiro, caracterizado
pela apropriação, por parte do servidor público, de valores 05. C.
ou qualquer outro bem móvel ou de consumo em proveito Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou
próprio ou de outrem. Trata-se do(a): ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser
(A) Concussão produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a
(B) Improbidade administrativa adquira, receba ou oculte:
(C) Peculato Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
(D) Prevaricação

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Código de Processo Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 251 a 258;............................ 01
261 a 267;.................................................................................................................................................................................................................... 01
274;................................................................................................................................................................................................................................. 01
351 a 372;.................................................................................................................................................................................................................... 06
394 a 497;.................................................................................................................................................................................................................... 08
531 a 538;.................................................................................................................................................................................................................... 21
541 a 548;.................................................................................................................................................................................................................... 24
574 a 667..................................................................................................................................................................................................................... 26
Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (artigos 60 a 83; 88 e 89)................................................................................................................................. 34
DIREITO PROCESSUAL PENAL

PROF. GREICE ALINE DA COSTA SARQUIS PINTO. Prevê, ainda, o artigo 252, inciso IV que também haverá
impedimento quando o juiz, seu cônjuge, ou parente, con-
Bacharel em Direito - Faculdade de Direito da Alta Pau- sanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro
lista - FADAP/FAP. Advogada inscrita na OAB/ SP sob nº grau, inclusive, for parte (caso de ação penal privada) ou di-
298.596. Membro da Comissão do Jovem Advogado na 34ª retamente interessado no feito, em caso de recomposição
Subseção de Tupã/SP. civil do dano, por exemplo.
Em seguida, prevê o CPP que, nos juízos coletivos, não
pode, prestar serviços no mesmo processo, os juízes que
ARTIGOS 251 A 258; 261 A 267; 274; DO foram parentes entre si, para que se evite influência no jul-
JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO gamento.
ACUSADO E DEFENSOR, DOS ASSISTENTES E
AUXILIARES DA JUSTIÇA Nos procedimento do Tribunal do Júri, são impedidos
de servir no mesmo conselho de sentença, marido e mu-
lher, ascendentes, descendentes, sogro e genro ou noras,
irmãos, cunhados, tio e sobrinho, padrasto, madrasta ou
enteado, conforme prescreve o art. 448, CPP. Consigne-se
Sujeitos do processo: que o mesmo ocorre com aqueles que mantêm união es-
tável.
Do juiz
Já em relação à suspeição, pode-se defini-la como os
Com vistas à superação de um sistema inquisitivo, que fatos e/ou circunstancias objetivas que influenciem no âni-
concentra em uma única figura as funções de acusar, de- mo do julgador. Podendo ser objetivos, quando se referem
fender e julgar, e com o advento do sistema acusatório, ao objeto, ou subjetivos, em relação aos sujeitos envolvi-
passa a ter maior relevância a imparcialidade do juiz. dos.
Imparcialidade esta que possui íntima relação com o
O artigo 254, CPP, estabelece como causas de suspei-
princípio do juiz natural, com a respectiva vedação ao juiz
ção: amizade íntima ou inimizade capital com qualquer das
ou tribunal de exceção, visando evitar a alteração de deter-
partes (inciso I); o fato de estar o juiz, cônjuge, ascendente
minada, concreta e específica decisão.
ou descendente respondendo a processo por fato análogo,
cujo caráter criminoso haja controvérsia (inciso II); se o juiz,
Daí falar-se em casos de impedimento, incompatibili-
dades e suspensão do juiz. As hipóteses de impedimento ou o cônjuge, ou parente, sustentar demanda ou respon-
estão relacionadas a fatos e circunstâncias de fato e de di- der a processo que tenha de ser julgado por qualquer das
reito, e com condições pessoais do próprio julgador. partes (inciso III); se tiver aconselhado qualquer das partes
(inciso IV); se for credor ou devedor, tutor ou curador, de
O artigo 252, incisos I e II do Código de Processo Penal, qualquer das partes (inciso V); e se for sócio, acionista ou
prevê a hipótese na qual determinados parentes do juiz, administrador de sociedade interessada no processo (inci-
seu cônjuge, ou ele próprio tenham exercido funções rele- so VI).
vantes no processo, que, inclusive, influenciaram na forma-
ção do convencimento judicial. Leciona Pacelli que o juiz não pode ser administrador
de sociedade, a não ser associação de classe, em virtude
O inciso III do referido artigo, ao dispor sobre duplo da vedação ínsita no art. 36, II, Lei Complementar nº 35/79.
grau de jurisdição, pronuncia-se sobre a hipótese do juiz
também ter exercido a função de juiz em outra instância. No que se refere ao parentesco por afinidade, há de se
registrar que esta cessa com a dissolução do casamento,
Impende consignar que o referido impedimento deve exceto na hipótese de sobrevierem descendentes. Entre-
ser suscitado, a fim de que a referida questão seja aprecia- tanto, conforme artigo 255, CPP, o juiz não poderá atuar
da, sem prejuízo da validade do primeiro julgamento. em processo quando for parte sogro, genro, cunhado ou
enteado, ainda que tenha havido dissolução do casamento
Quanto a este aspecto Eugênio Pacelli de Oliveira[10] sem descendentes.
esclarece que:
Em relação à figura da suspeição provocada – injuria,
“O simples recebimento da denúncia ou queixa, por ou qualquer outro ato praticado com o fim de afastar o juiz,
exemplo, embora portador de certo conteúdo decisório, não haverá configurada a suspeição, segundo inteligência
não será causa de impedimento, uma vez que as questões do art. 256, CPP.
mais relevantes do processo, sejam elas de fato, sejam elas
de direito, não são frequentemente resolvidas naquele mo- Diferente das hipóteses de suspeição e impedimento,
mento. Obviamente, ocorrerá impedimento se a decisão as hipóteses de incompatibilidade reclamam o exame de-
anterior for em sentido contrário, isto é, de rejeição da de- tido de cada situação concreta, quando não afirmada de
nuncia ou queixa, hipótese em que o conteúdo decisório é ofício pelo magistrado. Ora, inexiste casuística legal das in-
manifesto e evidente.” compatibilidades (artigo 112, CPP).

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Diante disto, pode-se dizer que nesta espécie, reúnem- o art. 132, do Código de Ritos pode ser aplicado subsidia-
se as recusas do juiz sob o fundamento de razões de foro riamente, já que não há qualquer vedação quanto a isto,
íntimo. Embora não haja previsão legal, não pairam dúvidas bem como conferir celeridade processual.
de que a imparcialidade do juiz restaria comprometida.
MINISTÉRIO PÚBLICO
Poderes Gerais e Iniciativa Probatória
O Ministério Público surgiu como consequência da
Por certo, o juiz deve zelar pela perfeita regularidade ampliação da intervenção estatal a partir da necessidade
do processo, podendo, inclusive, utilizar-se de força poli- de se impedir a vingança privada, com a jurisdicionalização
cial. das soluções dos conflitos da sociedade.
Sua origem, com as características que hodiernamente
No que concerne à gestão da prova, Pacelli defende pode-se vislumbrar, remonta ao século XVIII, na França, no
que em um sistema processual pautado no livre convenci- apogeu do Iluminismo, cerne do modelo processual acu-
mento motivado seria difícil estabelecer parâmetros para satório.
atuação judicial. Entretanto, tratando-se do sistema de par- O Ministério Publico surgiu com a superação do mo-
tes, a atividade de controle da prova é exercida, unicamen- delo acusatório privado, nasce com a tomada pelo Estado
te, sob o prisma da legalidade de sua produção, introdução do monopólio da Justiça Penal, onde cabe ao Poder Públi-
e valoração. co não somente dizer o direito, como também formular a
acusação.
Entretanto, deve-se ponderar que o problema não diz Assim, o Ministério Público se mostra como o órgão
respeito à gestão da prova, mas à possibilidade do magis- estatal responsável pela promoção da persecução penal,
trado determinar, de ofício, prova na fase da investigação. não cabendo ao juiz qualquer função pré-processual ou in-
Tal inconstitucionalidade é proveniente da alteração intro- vestigativa, para que sua imparcialidade reste preservada.
duzida pela Lei 11.690/08 no artigo 156 do CPP. Esse modelo essencialmente acusatório foi adotado no
Brasil com o advento da Constituição de 1988.
Frise-se que esta atividade probatória deve existir ape- Para que o Ministério Público possa desenvolver as
nas na hipótese de dúvida razoável sobre ponto relevan- suas tarefas a Constituição Federal, instituiu alguns prin-
te do processo. Não se deve aceitar, todavia, a adoção de cípios/prerrogativas aos seus membros, quais sejam, inde-
posição supletiva ou subsidiária da atuação do órgão de pendência funcional, unidade e indivisibilidade, que pos-
acusação, em vista da violação ao sistema acusatório e ao suem os seguintes desdobramentos no interior da relação
princípio da igualdade de armas. processual penal:

Pelas razões supramencionadas, Pacelli não considera Imparcialidade


que houve uma descaracterização do modelo acusatório,
pelo fato do juiz possuir a iniciativa probatória. Aduz, no O Ministério Público não deve ser considerado um
entanto, que atividade inquisitorial existia no art. 3º da Lei órgão de acusação, mas sim um órgão legitimado para a
9.034/95 que permitia a participação do juiz na coleta e acusação nas ações penais públicas, pois, não é por ser o
formação do material probatório na fase de investigação. titular desta e por estar ligado ao princípio da obrigato-
Registre-se que esta disposição foi censurada pela Supre- riedade de oferecimento da denúncia que o parquet deve,
ma Corte no julgamento da ADIn 1570, quando houve por fundamentalmente, fazê-lo.
reconhecida sua inconstitucionalidade.
Enquanto órgão estatal, o Ministério Público não deve
Juiz Natural primar pela acusação, mas sim pelo respeito à ordem jurí-
dica, o que faz presumir pela sua imparcialidade na jurisdi-
Compreende o órgão da jurisdição cuja competência ção penal, devendo ele, tão-somente, perquirir pelo efetivo
está ínsita na própria Constituição (art. 5º, LIII) e tenha sido respeito ao Direito.
fixada antes da prática de infração penal. O princípio do
Juiz Natural, indubitavelmente, tem correlação com o juiz Impende consignar, consoante assevera Pacelli, que a
imparcial e independente, restando, em parte, explicado as obrigatoriedade de oferecimento da denúncia a qual está
prerrogativas dispensadas no artigo 95. vinculado o parquet está condicionada ao seu convenci-
mento acerca dos fatos investigados, tanto isso é verda-
Princípio da Identidade Física do Juiz de que o Ministério Público pode requerer arquivamento
de inquérito quando se depara com provas insubsistentes,
A lei 11.719/2008 inovou no processo penal brasilei- pode recorrer em favor do acusado, etc.. Ele possui inteira
ro, inserindo o princípio da identidade física do juiz (artigo liberdade na apreciação dos fatos e do direito, ou seja, cabe
399, § 2º, CPP), restando consagrado que o juiz que presi- ao Ministério Público tanto primar pela condenação do cul-
diu a instrução deverá proferir a sentença. Registre-se que pado quanto pela absolvição do inocente.

2
DIREITO PROCESSUAL PENAL

Suspeição, Impedimento e Incompatibilidade Já a inamovibilidade dos órgãos do Ministério Público,


é uma garantia constitucional que assegura aos membros
O artigo 258 do Código de Processo Penal traz as pos- do parquet que, o afastamento destes tão-somente poderá
sibilidades em que o membro do Ministério Público deve se efetuar “por interesse público, mediante decisão do ór-
ser afastado do processo pela falta de imparcialidade. São gão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto
as mesmas aplicáveis ao juiz (art. 254 do CPP), quais sejam, da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla
os casos de suspeição, de impedimento e de incompatibili- defesa”[18].
dade. Senão vejamos, in verbis: Fundada no princípio da indivisibilidade funcional, na
prerrogativa de inamovibilidade dos promotores e na ins-
“Art. 258 do CPP. Os órgãos do Ministério Público não piração do princípio do juiz natural se desenvolveu a dou-
funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das trina no promotor natural.
partes for seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim, O princípio do promotor natural veda a instituição de
em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a órgão (promotor) de exceção, ou seja, “cuja designação
eles se estendem, no que Ihes for aplicável, as prescrições não tenha se originado a partir de critérios rigidamente
relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes. impessoais”[19]. As regras para a distribuição do promotor
para determinado caso devem ser fixadas previamente, so-
O procedimento de impugnação das causas de impar- mente sendo possível a designação de um outro promotor
cialidade do órgão do Ministério Público é aquele previsto por critérios estabelecidos em lei.
no artigo 104 do Código de Processo Penal, o qual deter- A prerrogativa do promotor natural, entendida tam-
mina que “o juiz, depois de ouvi-lo, decidirá, sem recurso, bém como vedação a promotor de exceção, possui como
podendo antes admitir a produção de provas no prazo de escopo evitar que “a instituição não se reduza ao comando
três dias”. a as determinações de um único órgão de hierarquia ad-
ministrativa, impondo-se, por isso mesmo, como garantia
Quando a arguição ocorre durante o processo criminal, individual”[20].
o incidente será resolvido antes do julgamento da causa. O princípio em comento está ligado, diretamente, aos
limites da independência funcional, porque com a autono-
Após o trânsito em julgado de sentença absolutória, mia dos membros do parquet, com sua livre manifestação,
impede-se que ocorram afastamentos de membros com o
não poderá haver revisão desta por conta da vedação da
escopo de fazer prevalecer sentimento, convicções e/ou in-
revisão pro societate, ou seja, no interesse da acusação,
clinações pessoais dos chefes da instituição.
logo, impossível a suscitação de impedimento suspeição
O princípio do promotor natural, visto sob a ótica da
ou incompatibilidade neste caso.
inamovibilidade, implica na vedação de substituição do
A violação da imparcialidade de membro do Ministério
membro do parquet arbitrariamente, sem o atendimento
Público possuiu tratamento diferenciado daquele dado a
dos critérios legais, como por exemplo, férias, licenças, sus-
dos magistrados, haja vista que, a deste último é tratada
peição, etc.
com mais rigor, pois, ao final, é dele a responsabilidade de
Ocorre que, embora o princípio do promotor natural
julgar o processo. seja de suma importância para o desenrolar de um pro-
Depois de transitada em julgado a sentença condena- cesso penal onde se garanta ao réu a fixação do órgão de
tória, é vedada a anulação da mesma com fulcro na parcia- acusação previamente, sob critérios impessoais, tal princí-
lidade do Ministério Público. pio vem sendo negado pelo Supremo Tribunal Federal que
entende ser este incompatível com a indivisibilidade do Mi-
O PROMOTOR NATURAL nistério Público.[21] Entretanto, consoante visto anterior-
mente, o princípio do promotor natural não se contradiz
Para que se entenda o princípio do promotor natural, com o princípio da indivisibilidade do Ministério Público.
necessário correlacioná-lo com os princípios institucionais A indivisibilidade está assentada, repise-se, na prerro-
da unidade, da indivisibilidade e da independência funcio- gativa de permitir que qualquer membro do parquet oficie
nal do parquet, acrescentando-se ainda a prerrogativa de nos autos de qualquer processo sem a necessidade de de-
inamovibilidade de seus membros. signações específicas.
Por unidade entende-se que não pode haver o fracio- Tal prerrogativa nada tem a ver com o princípio do pro-
namento do Ministério Público enquanto instituição públi- motor natural, que deve ser interpretado no sentido de que
ca, sem prejuízo da distribuição operacional de suas atri- o promotor somente pode oficiar nos processos distribuí-
buições, tendo sido estas distribuídas constitucionalmente: dos para ele sob critérios previamente fixados. Nada obs-
Ministério Público da União (Federal, do Distrito Federal e tante, possa haver a substituição do membro do parquet
Militar), Ministério Público dos Estados. nos casos previstos em lei, tal qual se dá entre os magis-
A indivisibilidade, por seu turno, é caracterizada pela trados.
permissão de que qualquer membro do respectivo parquet Ademais, ainda sob a ótica do princípio do promotor
pode participar de processo já em curso, ou seja, o Minis- natural, impende consignar que se denúncia for oferecida
tério Público é indivisível e pode atuar através de qualquer por promotor ilegítimo para o caso, antes do trânsito em
de seus representantes. julgado da sentença, pode dar ensejo a nulidade relativa

3
DIREITO PROCESSUAL PENAL

desta através de apelação ou de habeas corpus. Caso a DEFENSOR


sentença já tenha passado em julgado e tenha sido absolu-
tória, não poderá ser reexaminada em razão da vedação da O ordenamento jurídico preleciona no art. 261 do Có-
revisão pro societate. Todas essas questões são pacíficas na digo de Processo Penal que “nenhum acusado, ainda que
doutrina e na jurisprudência. ausente ou foragido, será processado ou julgado sem de-
No entanto, em caso de sentença condenatória passa- fensor”, sendo evidenciada, pois, a exigência de que todo
da em julgado, há controvérsia quanto à possibilidade de ato processual se realiza na presença de um defensor devi-
nulidade desta com fulcro na ilegitimidade do promotor, damente habilitado no quadro da Ordem dos Advogados
ou seja, na violação do princípio do promotor natural. do Brasil, corroborando em defesa técnica, de acordo pará-
grafo único do artigo em epígrafe.
DO ACUSADO Entretanto, na prática, depende do próprio réu a pro-
dução de algumas provas, já que ele é o único que detém
Basicamente, é preciso verificar se a figura do acusado
das informações necessárias à preparação da defesa.
é capaz de integrar a relação processual penal (a legitima-
Cumpre salientar que a manifestação fundamentada
tio ad processum) ou tem capacidade de estar em juízo
somente pode ser aplicada nas fases procedimentais em
(legitimatio ad causam).
que haja debate sobre questões de fato e de direito. Mas,
A Constituição da República de 1988 consagra em seu tratando-se de fase que antecede à instrução, na qual a
art. 5º, incisos LIII, LIV e LV como direito do acusado o de- defesa terá a oportunidade de se manifestar de forma con-
vido processo, consagrando o Princípio da Legalidade, que clusiva, não se poderá impor sanção de nulidade absoluta
ninguém deve ser processado e julgado senão pela autori- do processo por ausência de manifestação fundamentada
dade competente, prevalecendo o Princípio do Juiz Natural do defensor dativo ou público.
e, ainda, consagra o Princípio do Contraditório e da Ampla Em fases procedimentais como as alegações finais, a
Defesa, dando direito ao acusado de se defender, já que o ausência de fundamentação será causa de nulidade abso-
nosso ordenamento coloca a vida como valor supremo e luta do processo, por violar o princípio da ampla defesa e o
trazendo em seu bojo o Princípio da Humanidade. aludido artigo 185 do CPP, que traz a possibilidade de par-
ticipação e intervenção do defensor no interrogatório, que
Calha registrar que o menor de 18 anos, além de pe- até então não era permitido, e a ausência de nomeação de
nalmente inimputável, não detém de legitimidade ad pro- defensor para o citado ato constitui nulidade absoluta.
cessum ou capacidade. A defesa se dará por defensor constituído, ou seja,
aquele escolhido livremente pelo acusado, pelo defensor
Ressalte-se também que a exigência legal de represen- dativo, nomeado pelo Estado, para quem não pode ou não
tação do maior de 18 anos e menor de 21 anos, de que quiser constituir advogado pelo defensor ad hoc, designa-
trata o Código de Processo Penal, não foi modificada pelo do especificamente para o caso. Se o acusado não dispu-
Código Civil, entretanto a Lei 10.792/03 parece ter alterado ser de suficientes condições financeiras, o juiz arbitrará os
a legislação processual e revogou expressamente o art. 194 honorários do defensor dativo, pelo que preleciona o art.
do Código de Processo Penal, no qual fazia exigência de 263, parágrafo único do CPP, e quando pobre será custea-
curador. do pelo Estado, através das Defensorias Públicas.
Nesse contexto, se o juiz entender insuficiente, defi-
No que concerne ao absolutamente incapaz, cuja in- ciente ou inexistente a defesa realizada pelo defensor da-
capacidade resulte de inimputabilidade proveniente de tivo, deverá nomear outro, podendo a todo tempo o acu-
doença ou retardamento mental, e que caiba medida de
sado nomear advogado de sua confiança, conforme arts.
segurança, do qual decorre de prática de ato ilícito e fato
263, 422 e 449, parágrafo único, CPP. Quando se tratar de
típico, pode integrar a relação processual, desde que este-
defensor constituído, o juiz não poderá adotar a mesma
ja devidamente representado por um curador, seja aquele
medida, pois não foi por ele nomeado.
que já estiver no exercício da curatela legal ou pode ser
nomeado pelo Juiz Criminal, conforme arts. 149 e seguin- Diz o Código que a nomeação de defensor constituído
tes do CPP. Em razão do Princípio da inocência, se existir independerá de instrumento de mandato, como a procura-
circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, ção, se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório
em razão da comprovada exclusão de culpabilidade, não é (art. 266, CPP).
cabível imposição de medida de segurança. É válido ressaltar, sobre a defesa técnica, o entendi-
Imperioso se faz destacar que mesmo havendo impos- mento jurisprudencial manifestado na Súmula nº 523 do
sibilidade do acusado com seu verdadeiro nome, art. 259 Supremo Tribunal Federal, quando ensina que a falta de
do Código de Processo Penal, não evitará a instauração e o defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só
desenvolvimento da ação penal, desde que seja possível a anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
sua identificação física. Desse modo, é mister a defesa efetiva, pois configura-
Destarte, no ordenamento penal vigente há possibili- se em garantia constitucional, que não se limita apenas à
dade da pessoa jurídica ser responsabilizada penalmente impossibilidade de participação no processo, mas deve-se
em crimes ambientais, conforme Lei de n. 9.605/98. entender e exigir a efetiva atuação do defensor pelo in-

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

teresse do acusado, podendo ser auferido sempre diante A escolha do ofendido e de seus sucessos como le-
de um caso concreto, ponderando-se as provas carregadas gitimados para figurarem como assistente, deve encontrar
aos autos pela acusação e a possibilidade real de sua con- respaldo no princípio da igualdade processual, já que com
frontação pela defesa. a figura de um terceiro na relação processual pode ocorrer
O interrogatório é a real oportunidade de que dispõe o um desequilíbrio, afetando a paridade de armas.
acusado para se defender diante do juiz, configurando-se A justificativa, entretanto, é simples: o ofendido, indu-
em um meio de defesa. bitavelmente, já é titular de interesse jurídico, embora não
Nesse diapasão, a Lei 11.719/08 regulamentou as hi- penal, relevante. Logo, podendo ele demandar civilmente
póteses de adiamento de audiência, quando em razão do contra o réu pelos mesmos fatos, pode também participar
não comparecimento do defensor, que deverá justificar, por da ação penal.
qualquer meio, a sua ausência até antes do início da au-
diência de instrução (art. 265, § 2°), adiando-se o ato por tal Assim, há de se concluir que a posição de custos legis
razão. Se a ausência decorrer de obstáculo insuperável e de é apenas do particular, já que a pessoa de direito público
última hora, é conveniente que o juiz, antes de determinar somente legitima sua interferência na defesa de interesse
o prosseguimento da causa, verifique a sua complexidade e de outra espécie de natureza.
as provas a serem produzidas naquele momento, sob pena
de, nomeando outro procurador, causar dano irreparável à DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA PERITOS, INTÉRPRE-
defesa. TES E FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA

ASSISTÊNCIA Além dos sujeitos processuais acima considerados, não


se pode olvidar o grupo dos auxiliares da justiça, os quais
Por certo, determinadas infrações penais além de pro- Capez classifica como sujeitos acessórios, mas cuja relevân-
duzir sanção penal, também criam efeitos de natureza pa- cia pode ser fundamental na persecução pela verdade real
trimonial. Surgindo, assim, para as vítimas o direito de re- no processo penal.
composição do patrimônio atingido. Tais sujeitos são convocados a interferir no processo,
merecendo regulamentação própria no Código Processual
Diante disto, há grande interesse por parte da vítima Penal (Título VIII), ainda que esparsa, abarcando o artigo
do crime na condenação do acusado na ação penal, a fim 274 para os funcionários da justiça, bem como os artigos
de ver constituído título judicial executivo. Por estas razões, 275 a 281, para peritos e intérpretes.
é assegurada a intervenção da vítima na ação penal. Nestor Távora e Rosmar Antonni R. C. de Alenca, iden-
tificam os funcionários da justiça: “os servidores da justiça
– ou serventuários – são funcionários públicos pagos pelo
LEGITIMAÇÃO Estado, a serviço do Poder Judiciário. São os escrivães-dire-
tores, escreventes, oficiais de justiçam dentre outros”.
A modalidade de procedimento que viabiliza esta in- A regulamentação legal para os serventuários da jus-
tervenção é denominada assistência. O legitimado a agir tiça é que se lhes aplicam, no que couber, as prescrições
é o ofendido, ou o seu representante legal, nas hipóteses sobre suspeição dos juízes.
elencadas em lei, ou em caso de ausência e morte, as pes-
soas indicadas no art. 31 do CPP. A maior parte dos doutrinadores assevera que tal sus-
peição apenas pode recair sobre os escrivães, em virtude de
O ASSISTENTE COMO CUSTOS LEGIS sua maior proximidade com o magistrado e da sua condi-
ção de chefia nos serviços cartorários, sendo esta a posição
Apesar de tudo quanto exposto, não é a satisfação do de Nucci e Pacelli. Contudo, é acertado o juízo de Antonni e
dano civil o único interesse a justificar a atuação do assis- Távora ao observar que, com o crescimento da quantidade
tente na ação penal. de demandas no Poder Judiciário, os juízes têm delegado
O artigo 29 do CPP e o artigo 5º, LIX da Constituição aos serventuários, cada vez mais, ainda que informalmente,
Federal dão à vítima a faculdade de iniciativa processual a prática de atos ordinatórios e a confecção de “minutas”
penal, em caso de inércia do Ministério Público, o que cha- das decisões. Assim, a possibilidade de aferição de suspei-
mamos de ação privada subsidiária da pública. ção deve ser averiguada em cada caso concreto, resguar-
Resta aqui evidenciado outro interesse jurídico ao dando-se a impessoalidade do serviço público.
ofendido, consubstanciado na reprovação do Estado ao ato No que concerne aos peritos, estes são, em regra, in-
praticado pelo ofensor, e a conseqüente aplicação de san- tegrantes da Administração Pública. Contudo, ainda que
ção penal. Obviamente, o interesse da vítima na ação penal sejam peritos particulares, com os requisitos autorizadores
não é unicamente a obtenção de título executivo para ob- do artigo 159, §1° do Código de Processo, estão submeti-
tenção de seu direito reparatório, vez que caso fosse teria dos à disciplina judiciária constante do artigo 275, haja vis-
ela a opção de recorrer ao juízo da vara cível. ta estarem no desempenho de função pública, sob o manto
do princípio da legalidade.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Confluindo para a formação de convencimento do “Não ocorrendo a rejeição liminar, o juiz recebe a de-
magistrado, os peritos e intérpretes desempenham papel núncia ou queixa e determina a citação do acusado para,
de grande relevância no processo penal, do que se verifica em 10 dias, responder por escrito à acusação (art. 396, CPP).
manifesta a necessidade de cautela quanto à qualidade e
a idoneidade do serviço prestado, não se esquecendo de Com a citação do acusado, o processo completa a sua
que se trata de serviço público. formação (art. 363, CPP).”
Por esse motivo, mais uma vez como medida de res-
guardo do princípio da impessoalidade do serviço públi- O Código de Processo Penal tratou da citação em capí-
co e pela legítima persecução da verdade real, ou melhor, tulo próprio, compreendendo os arts. 351 ao 369.
judicial, aplicam-se aos intérpretes e peritos as normas de
impedimento consubstanciadas no artigo 279 do Código A citação pode ser de duas espécies:
de Ritos Penal, bem como se lhe estendem as hipóteses de - citação real (pessoal);
suspeição de magistrados, no que for cabível. - citação ficta (por edital).

OFENDIDO Citação

A sistemática do Código de Processo Penal não inclui a) Por mandado (regra) – oficial de justiça (art. 351)
no Título referente aos sujeitos processuais a figura do
ofendido, o qual é regulamentado nos artigos 201, no Tí- - Classificada como citação real.
tulo VII – Da Prova, Capítulo V, com redação alterada pela
Lei n° 11.690/2008. - A citação pessoal far-se-á quando o réu estiver na
jurisdição do juiz que a determinar.
Pacelli enuncia entendimento de que no caso estaria
o ofendido atuando como parte, e não sujeito processual. - A citação deve ser feita pelo menos 24 horas antes do
Verifica-se obscuro o entendimento, pois, embora haja momento em que o acusado deverá ser interrogado, não
se tem admitido à citação no mesmo dia em que o acusado
distinção entre sujeito processual e parte, é cediço que as
deva ser interrogado.
partes são subespécies dos sujeitos processuais, com qua-
lificação diferenciada das demais.
- O oficial deverá fazer a leitura do mandado e entregar
a contrafé.

ARTIGOS 351 A 372 - CITAÇÕES E b) Por hora certa (art. 362)


INTIMAÇÕES
A Lei 11.719/08 introduziu a citação por hora certa no
processo penal. Adotando-se o mesmo procedimento do
processo civil (arts. 252 a 254 do CPC/2015).
Citação do Réu
“Art. 252. Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de jus-
É o ato pelo qual o réu toma ciência da acusação, com tiça houver procurado o citando em seu domicílio ou resi-
o efeito de conferir eficácia à relação processual e tornar dência sem o encontrar, deverá, havendo suspeita de ocul-
tação, intimar qualquer pessoa da família ou, em sua falta,
válidos os atos posteriores. A citação do acusado, de acor-
qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, voltará a fim
do com o Novo Código Processual Civil, é o ato pelo qual
de efetuar a citação, na hora que designar.
são convocados o réu, o executado ou o interessado para
Parágrafo único. Nos condomínios edilícios ou nos lo-
integrar a relação processual (art. 238 NCPC).
teamentos com controle de acesso, será válida a intimação
A citação é uma garantia individual (decorrência do art.
a que se refere o caput feita a funcionário da portaria res-
5, LV, CR/88), tratando-se de ato essencial do processo, cuja
ponsável pelo recebimento de correspondência.
falta lhe determina a nulidade absoluta (art. 564, III, “e”),
sendo o processo inteiramente nulo a partir do ato e mes- Art. 253. No dia e na hora designados, o oficial de jus-
mo que haja sentença com trânsito em julgado poderá ser tiça, independentemente de novo despacho, comparecerá
desfeita a res judicata seja por meio de habeas corpus (art. ao domicílio ou à residência do citando a fim de realizar a
648, VI), seja pela revisão criminal. diligência.
A falta de citação no processo penal causa nulidade § 1o Se o citando não estiver presente, o oficial de jus-
absoluta do processo (art. 564, III e IV, do CPP), pois contra- tiça procurará informar-se das razões da ausência, dando
ria os princípios constitucionais do contraditório e da am- por feita a citação, ainda que o citando se tenha ocultado
pla defesa. Exceção: o art. 570 do Código de Processo Penal em outra comarca, seção ou subseção judiciárias.
dispõe que se o réu comparece em juízo antes de consu- § 2o A citação com hora certa será efetivada mesmo
mado o ato, ainda que para arguir a ausência de citação, que a pessoa da família ou o vizinho que houver sido inti-
sana a sua falta ou a nulidade. Nesse caso, o juiz ordenará mado esteja ausente, ou se, embora presente, a pessoa da
a suspensão ou o adiamento do ato. família ou o vizinho se recusar a receber o mandado.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 3o Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça dei- e) Citação do militar (art. 358)


xará contrafé com qualquer pessoa da família ou vizinho, A citação do militar deve ser feita mediante requisição
conforme o caso, declarando-lhe o nome. de sua apresentação para interrogatório ao superior hierár-
§ 4o O oficial de justiça fará constar do mandado a ad- quico, ainda que o militar esteja fora da comarca.
vertência de que será nomeado curador especial se houver
revelia. f) Citação do funcionário público (art. 359)
No caso do funcionário público a citação será feita
Art. 254. Feita a citação com hora certa, o escrivão ou pessoalmente, devendo ser notificado, também, o chefe da
chefe de secretaria enviará ao réu, executado ou interessa- repartição.
do, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da juntada
g) Citação do incapaz
do mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondên- A citação do réu incapaz é feita pessoalmente, até mes-
cia eletrônica, dando-lhe de tudo ciência.” mo porque pode-se não ter notícia ainda da incapacidade.
Se, porém, a incapacidade já for conhecida (art. 149, CPP),
No Processo Penal, completada a citação com hora a citação deverá ser feita na pessoa do curador designa-
certa, se o acusado não comparecer, ser-lhe-á nomeado do pelo juízo criminal ou que estiver no exercício legal da
defensor dativo. (art. 362, parágrafo único, CPP). curatela.
Caso o réu compareça antes da audiência de instrução, Sendo a incapacidade comprovada após a instauração
nada impede que o juiz renove o prazo de defesa escrita da ação penal, deverão ser anulados quaisquer efeitos re-
– garantindo o constitucional princípio da ampla defesa e sultantes do não-atendimento oportuno ao ato de citação.
adotando o mesmo procedimento previsto para a citação
editalícia (art. 363, § 4º, CPP). CARTA PRECATÓRIA
(art. 353 e seguintes)
Citado por hora certa, o prazo para o oferecimento da
Quando o réu residir fora do território em que o juiz
resposta inicia-se na data do ato citatório (Súmula 710 –
exerce a jurisdição, a citação será feita por meio de carta
STF). precatória, via da qual o juiz deprecante (o da causa) pede
“NCPC - Art. 254. Feita a citação com hora certa, o es- ao juiz deprecado (aquele da jurisdição onde reside o réu)
crivão ou chefe de secretaria enviará ao réu, executado ou o cumprimento do ato processual citatório (Pacelli, 2011,
interessado, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da p. 596).
juntada do mandado aos autos, carta, telegrama ou corres-
pondência eletrônica, dando-lhe de tudo ciência.” INTIMAÇÃO

c) Por edital (art. 361) A Intimação é a comunicação à parte de que foi prati-
“Art. 361. Se o réu não for encontrado, será citado por cado um ato no processo.
edital, com o prazo de 15 (quinze) dias.” A intimação pressupõe a prática de um fato processual
- Classificada como citação ficta, ou seja, presumida. cuja ciência ao interessado é necessária para serem produ-
- Após o término do prazo de 15 dias (prazo do edital), zidos validamente seus efeitos legais.
Já a notificação é a ciência que é dada ao interessado
inicia-se o prazo de 10 dias para a apresentação da respos-
de seu dever ou de seu ônus de praticar um ato processual
ta à acusação. ou de adotar determinada conduta. Logo, se refere a um
ato futuro, enquanto a intimação, a um ato passado.
Em se tratando de citação por edital, se o acusado não Contudo, o legislador processual penal não foi fiel a
comparecer nem constituir advogado, o processo ficará tal terminologia, confundindo constantemente os dois ins-
suspenso, suspendendo-se, também, o prazo prescricional, titutos.
podendo o juiz determinar a produção antecipada das pro- A intimação e a notificação observarão, no que for apli-
vas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar a prisão cável, às formalidades da citação. Porém, não serão elas
preventiva nos termos do disposto no art. 312. realizadas por oficial de justiça, e sim pelo escrivão.
A falta de intimação só será causa de nulidade se o ato
d) Citação do réu preso (art. 360) processual não atingir seu fim ou se houver prejuízo à parte
O réu preso deverá ser citado pessoalmente, e, depois, interessada mediante alegação oportuna.
requisitado junto à autoridade policial, para o acompanha-
Disoõe o Código Processual Penal:
mento da audiência de instrução e interrogatório (art. 399,
§ 1º, CPP). CAPÍTULO II
Não é mais possível a citação por edital, independente DAS INTIMAÇÕES
de onde estiver o preso.
Será por mandado quando o réu estiver na sede da Art. 370. Nas intimações dos acusados, das testemu-
jurisdição da ação penal em curso. E será por precatória nhas e demais pessoas que devam tomar conhecimento de
quando em outra jurisdição. qualquer ato, será observado, no que for aplicável, o dis-
posto no Capítulo anterior.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 1º A intimação do defensor constituído, do advoga- Processo que também tem sua origem no latim proce-
do do querelante e do assistente far-se-á por publicação dere tem sentido diverso, relacionando-se com a relação
no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da jurídica instrumental que se instaura e se desenvolve entre
comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o nome do acu- autor, juiz e réu, visando à solução para o conflito de inte-
sado. resses.
§ 2º Caso não haja órgão de publicação dos atos ju- O processo pode ser entendido como instituto com-
diciais na comarca, a intimação far-se-á diretamente pelo plexo, no qual o procedimento é uma de suas vertentes,
escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de aliado a relação existente entre seus sujeitos, com o ob-
recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo. jetivo de obter uma tutela justa. O procedimento seria a
§ 3º A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará
sistematização do processo.
a aplicação a que alude o § 1º.
Conforme nos esclarece o processualista Cândido Ran-
§ 4º A intimação do Ministério Público e do defensor
nomeado será pessoal. gel Dinamarco em seu livro Fundamentos do Processo Ci-
vil Moderno, o Código de Processo Civil vigente em nosso
Art. 371. Será admissível a intimação por despacho na ordenamento jurídico emprega corretamente os termos
petição em que for requerida, observado o disposto no art. processo e procedimento, evidenciando a diferenciação
357. existente entre esses conceitos. Quando o legislador quis
referir-se a sequência de atos coordenados em direção
Art. 372. Adiada, por qualquer motivo, a instrução cri- à tutela jurisdicional efetiva, denominou procedimento,
minal, o juiz marcará desde logo, na presença das partes e como exemplos temos o emprego da denominação pro-
testemunhas, dia e hora para seu prosseguimento, do que cedimento comum, procedimento ordinário, procedimento
se lavrará termo nos autos. sumário e procedimentos especiais.
Diferentemente, o nosso Código utiliza corretamente
o vocábulo processo ao denominar o processo civil, o pro-
ARTIGOS 394 A 497 – DOS PROCESSOS cesso de conhecimento, processo de execução e processo
cautelar.
EM ESPÉCIE;
Outra diferença dentro de nosso ordenamento jurídi-
co no que diz respeito ao processo e procedimento está
dentro da esfera da competência legislativa, uma vez que
Processo as normas de procedimento tem competência concorrente,
permitindo-se aos Estados e ao Distrito Federal legislarem
É entendido como mecanismo de legitimação do Po- normas especiais frente às normas de caráter geral edita-
der Estatal, um instrumento para a obtenção de uma tutela das pela União (artigo 24, inciso XI, e parágrafos, da Consti-
justa. Através dele busca-se a prestação de uma solução tuição Federal). No que concerne à competência legislativa
jurisdicional com maior rapidez, aceitação, satisfação e sobre o direito processual a União tem competência priva-
confiança da sociedade. tiva (artigo 22, inciso I da Constituição Federal).
Dentro desse contexto, o processo é dissociado do di- A diferenciação entre processo e procedimento tam-
reito material, tornando-se autônomo em relação a esse, bém pode ser verificada na atuação da Administração Pú-
alçando natureza pública, uma vez que o Estado é quem blica. A finalidade legal do ato é alcançada pelos órgãos da
determina a forma de atuação do ordenamento jurídico. Administração através da sequência de atos previamente
A partir desse novo panorama o processo foi diferen- definidos pela lei, utilizando-se o processo administrativo
ciado do procedimento. O processo passou a ser identifica- de um procedimento anteriormente estabelecido pela le-
do a partir de seu escopo jurídico e o procedimento como
gislação e de conhecimento das partes.
um encadeamento de atos que formam um rito judicial.
É necessário destacar, contudo, que conforme nos ad-
Procedimento verte Luiz Guilherme Marinoni em seu Curso de Teoria Ge-
ral do Processo é uma falha lógica a mera suposição de que
Procedimento vem do latim procedere que significa ir o procedimento apenas é um resquício dos tempos em que
por diante, andar a frente, prosseguir. De sua origem vi- não havia diferenciação entre o direito material e o proces-
sualiza-se seu significado, o modo de agir processual, a sual. Na realidade ocorreu uma evolução do instituto do
sucessão ordenada de atos à disposição para que se con- procedimento, a partir da teoria da autonomia, da natureza
substancie a tutela jurídica. Procedimento configura-se na pública do direito processual e da jurisdição constitucional.
exteriorização e materialização do processo, podendo as- O procedimento tem como escopo fins específicos re-
sumir diversos modos de ser. lacionados à jurisdição e aos direitos postos em conflito.
O Procedimento é a sucessão de atos realizados nos È necessário que o procedimento seja refletido desde sua
termos do que preconiza a legislação. Processo, por sua forma em abstrato, quando criado pelo legislador, para
vez, é a relação jurídica substancial, vista em seu aspecto possibilitar tutelar o direito material; até sua aplicação no
externo, um conjunto de atos tendentes à finalidade de fa- caso concreto, quando o juiz, utilizando-se das regras ati-
zer valer a prestação jurisdicional penal. nentes ao procedimento, viabiliza a efetividade do direito.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

A parte tem direito ao procedimento adequado a tu- Procedimento Comum


tela do direito material discutido, consentâneo com seus
direitos fundamentais e com os princípios constitucionais O procedimento comum se subdivide em três catego-
de justiça. Nesse sentido, não podem ser instituídos pro- rias:
cedimentos que restringem as alegações do réu, pois vio- a) Comum ordinário: quando tiver por objeto crime
lam direitos fundamentais, como o direito ao contraditório, cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4
assim como dificultam o alcance do direito material. Tais anos de PPL.
restrições devem sempre alinhar-se ao direito fundamental b) Comum sumário: tem por objeto crime cuja sanção
das partes a efetiva participação das mesmas no processo. máxima cominada é inferior a 4 anos de PPL.
Imprescindível ainda, por outro lado, que o processo c) Comum sumaríssimo: para as infrações de menor
evidencie os valores sociais e políticos vivenciados em um potencial ofensivo, com pena máxima igual ou inferior a
determinado momento histórico. Assim, diante da socie- 2 anos.
dade contemporânea, com seu pluralismo de direitos e de Os procedimentos poderão ser comum ou especial.
situações fáticas, o processo ganhou importância frente à Este engloba todos os ritos que tenham regramento pró-
defesa dos direitos, inclusive sendo permitida pelo legisla- prio.
dor, ao juiz e às partes da ação, a possibilidade de ampla Porém, não é só o fato de ser o crime apenado com a
utilização do procedimento, conforme o caso apresenta- pena máxima abstrata igual ou superior a 4 anos que fará
do, exemplos temos nos arts. 461 – obrigação de fazer e com que seja automaticamente fixado o rito comum ordi-
não fazer –e 273 – antecipação de tutela – do Código de nário. Isso porque, em primeiro lugar, deve ser considerado
Processo Civil. Através desses institutos permite-se ao juiz, o texto constitucional, principalmente no que tange as re-
analisando o caso concreto, definir os procedimentos que gras de definição de competência.
melhor se coadunam visando à solução do conflito. Por exemplo, os crimes eleitorais e os crimes militares
No contexto de um Estado Constitucional, o procedi- têm rito próprio. O trâmite processual perante os tribunais,
mento ganhou relevância junto à função jurisdicional Esta- no julgamento das pessoas com foro privilegiado também.
tal. Dentro desse contexto, há uma parte da doutrina que Embora haja opinião em sentido contrário, tem pre-
entende que a legitimidade da decisão decorre da obser- valecido o entendimento de que na definição do procedi-
vância do procedimento, ou seja, para que a decisão seja mento a ser observado devem ser consideradas eventuais
considerada legítima ela precisa seguir as premissas esta- causas de aumento ou de diminuição de pena. Tem ainda
belecidas, o procedimento, com especial participação das prevalecido o entendimento de que no caso de concur-
partes, possibilitando-se as mesmas demonstrarem suas so material de crimes, art. 69 do cp, as penas devem ser
razões e contra argumentar os fundamentos postos pela somadas. se do somatório das penas máximas cominadas
outra parte, auxiliando na produção do resultado. Contu- resultar pena igual ou superior a quatro anos, segue-se o
do, para que seja possível essa participação é necessária à procedimento ordinário.
publicidade dos atos processuais e a fundamentação das
decisões. DO PROCEDIMENTO RELATIVO AOS PROCESSOS
Para permitir a efetividade da tutela jurisdicional é im- DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI
prescindível que o procedimento seja idôneo a sua obten-
ção, surgindo à necessidade de muitas vezes estabelecer O Tribunal do Júri é um Tribunal presidido por um ma-
procedimentos diferenciados, segundo o caso concreto em gistrado de carreira e composto de juízes leigos (jurados),
análise. sorteados entre os componentes de lista organizada se-
Deste modo, o processo diferencia-se do procedimen- gundo o disposto no Código de Processo Penal. Também
to, mas a ele se inter-relaciona. O processo necessita de um chamado de Tribunal Popular.
procedimento legítimo, que respeite os direitos tutelados, O Tribunal do Júri será composto por um juiz-presi-
assim como o contraditório e a ampla defesa, para atingir dente mais vinte e cinco jurados, sorteados aleatoriamente
seu escopo, qual seja, uma tutela jurisdicional efetiva, con- pelo juiz entre todos os candidatos alistados, sendo sete
sentânea com os valores sociais e políticos defendidos pela desses designados a participar do Conselho de Sentença,
sociedade. como bem informa o art. 433 do CPP. O jurado que hou-
O processo é um procedimento que legitima a ativi- ver participado de Conselho de Sentença nos últimos doze
dade jurisdicional. O procedimento para ser legítimo deve meses, fica proibido de ser alistado no ano seguinte.
estar consentâneo com os direitos materiais fundamentais.
E dentro desse contexto, a diferença entre processo e pro- O Tribunal do Júri, instituído no Brasil desde 1822 e
cedimento ganha sentido e relevância. previsto na Constituição Federal, é responsável por julgar
crimes dolosos contra a vida. Neste tipo de tribunal, cabe
Processo Comum a um colegiado de populares – os jurados sorteados para
compor o conselho de sentença – declarar se o crime em
O procedimento comum, previsto no CPP, será aplicado questão aconteceu e se o réu é culpado ou inocente. Dessa
de modo residual, ou seja, sempre que não houver nenhum forma, o magistrado decide conforme a vontade popular, lê
procedimento especial previsto no CPP ou lei extravagante. a sentença e fixa a pena, em caso de condenação.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

O rito procedimental do júri é subdivido em duas fases Será analisada a organização da sessão do tribunal do
sendo que a primeira é judicium accusationis e a segunda júri. Primeiramente deve ser feita uma lista de jurados (com
chamada de judicium causae, ou seja, fase acusatória e fase as devidas profissões) devendo ser completada a cada ano.
de julgamento, respectivamente. Podem fazer parte desta lista pessoas privadas e/ou públi-
A primeira fase procedimental está relacionada com a cas entre cidadãos maiores de 18 anos de notória idonei-
denúncia ou queixa subsidiária que pode ser recebida ou dade.
rejeitada. Para que tenha validade, a lista deve ser publicada em
Pois, sendo recebida a denúncia ou queixa, o juiz orde- princípio até o dia 10 de outubro de cada ano e podendo
nará a citação do acusado que terá um prazo de 10 (dez) ser até dia 10 de novembro, caso tenha impugnações.
dias para responder a acusação que poderá conter prelimi- A lista dos processos a serem julgados será afixado na
nares, oferecer documentos, provas e arrolar até oito tes- porta do tribunal do júri antes do dia designado para jul-
temunhas. gamento da reunião periódica, em consonância ao § 1º, art.
429 do CPP.
Frise-se que o assistente poderá atuar em determinada
Caso a defesa não seja apresentada no prazo legal, o
sessão. Para tanto, deverá requerer sua habilitação até cin-
juiz designará defensor para oferecê-la no prazo de dez
co dias antes da sessão que pretende atuar.
dias. Após “o juiz ouvirá o Ministério Público ou o quere-
lante sobre preliminares e documentos, em 5 (cinco) dias” “Em seguida à organização da pauta, o juiz presiden-
conforme dispõe o art. 409 do CPP. te determinará a intimação do Ministério Público, da Or-
dem dos Advogados do Brasil e da Defensoria Pública para
É mister salientar que em decorrência do ato será de- acompanharem, em dia e hora designados, o sorteio dos
signada a audiência de instrução a fim de que as testemu- jurados que atuarão na reunião periódica” - Art. 432 do
nhas sejam inquiridas e sempre que possível o depoimento CPP. O juiz presidente fará o sorteio a portas abertas, reti-
do ofendido. Em consequência o acusado será interrogado, rando as cédulas até completar o número de vinte e cinco
bem como ocorrerá as alegações finais. jurados para composição da reunião periódica ou extraor-
dinária.
O pressuposto para segunda fase do tribunal do júri Vale fazer algumas observações acerca do sorteio e
inicia-se com a preclusão da pronúncia, do qual delimitará convocação dos jurados, são elas: “O sorteio será realizado
a acusação formulada perante o corpo dos jurados. entre o 15o (décimo quinto) e o 10o (décimo) dia útil ante-
cedente à instalação da reunião; a audiência de sorteio não
Por derradeiro decisão pronúncia é: será adiada pelo não comparecimento das partes; o jurado
não sorteado poderá ter o seu nome novamente incluído
Na decisão de pronúncia, o que o juiz afirma, com efei- para as reuniões futuras”. Art. 433 e §§ do CPP. Pois, os jura-
to, é a existência de provas no sentido da materialidade e dos serão convocados pelo correio ou por outro meio para
da autoria. Em relação à materialidade, a prova há de ser comparecer na reunião preestabelecida.
segura quanto ao fato. Já em relação à autoria, bastará a O serviço do tribunal do júri é obrigacional e sua re-
presença de elementos indicativos, devendo o juiz, tanto cusa injustificada acarretará uma multa entre um a dez sa-
quanto possível, abster-se de revelar um convencimento lários mínimos de acordo com critérios subjetivos do juiz,
absoluto quanto a ela. É preciso considerar que a decisão bem como condição econômica de cada um.
de pronúncia somente deve revelar um juízo de probabili- Entretanto, existem pessoas que são isentas do servi-
dade e não o de certeza. (OLIVEIRA, 2009, p. 599) ço obrigacional do tribunal do júri são elas: Presidente da
República e os Ministros de Estado; Governadores e seus
Quando houver mais de um acusado o juiz poderá
respectivos Secretários; membros do Congresso Nacional;
pronunciar apenas um dos acusados, desse modo, a se-
das Assembléias Legislativas e das Câmaras Distrital e Mu-
gunda fase somente prosseguirá para quem foi pronuncia-
nicipais; Prefeitos; Magistrados e membros do Ministério
do. Porém, poderá ocorrer ainda que os dois tenham sido
Público e da Defensoria Pública; autoridades e os servido-
pronunciados, mas somente um deles tenha interposto re- res da polícia e da segurança pública; militares em serviço
curso em sentido estrito o qual o procedimento fruirá nor- ativo; cidadãos maiores de 70 anos que queiram sua dis-
malmente para aquele que a pronúncia precluiu. pensa e aquelas que demonstrarem justo impedimento.
Outrossim, quando os dois acusados são absolvidos O julgamento é iniciado com a conferência dos vinte
sumariamente, mas o Ministério Público recorre e se o Tri- e cinco jurados e para que a sessão seja aberta necessário
bunal reformar a sentença para um deles e quando esta se faz a presença de pelo menos quinze jurados. Dos quais
decisão precluir, apenas o acusado que teve a sentença re- sete serão sorteados para fazer parte do Conselho de Sen-
formada submeterá ao júri popular. tença.
Por fim, poderá existir a hipótese em que os dois acu- O acusado em liberdade intimado e não comparece
sados tenham interposto recurso, mas um perdeu o prazo na sessão do júri, esta não será adiada. Pois, sua presença
para interpô-lo, desse modo, este submeterá ao rito do tri- torna obrigatória quando estiver preso. Porém, se houver
bunal do júri, já que houve a preclusão da pronúncia para requerimento do acusado ou de seu advogado poderá sua
ele. presença ser dispensada.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

O Ministério Público e defensor quando ausentes acar- confere imunidade agressiva. Eventual proteção conferida
retará o adiamento do julgamento para data mais próxima. pelo art. 142, I do Código Penal (‘ofensa irrogada em juízo,
Na ação penal privada faz-se necessário citar que na na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador’),
ausência do querelante leva a perempção. Pois, tratando-se se possível, deve ser evitada em presença dos jurados. (...)
de ação penal subsidiária da pública o Ministério Público (2008, p. 143-144):
deve retornar a titularidade da ação, para que assim, o jul- Pois, deve respeitar seus limites que está pautada na
gamento do júri popular na seja adiado. pronúncia e sustentar apenas sua convicção para uma con-
Vale enfatizar no que tange a ausência de qualquer denação justa ao réu.
testemunha sem justo motivo enseja uma penalidade, ou Prosseguirá a sustentação oral com a defesa também
melhor, implicará uma multa que varia de um a dez salá- pelo prazo de uma hora e meia.
rios mínimos. Além da ação penal por desobediência. Bem Após os debates, o juiz perguntará aos jurados se estão
como o julgamento não será adiado devido sua ausência, aptos a julgar os fatos narrados. E terão conhecimento dos
exceto se uma das partes tiver requerido sua intimação por quesitos que deverão responder exercendo, desse modo, a
mandado, conforme estabelecido no art. 461 CPP. função de juízes dos fatos.
Após, a sessão instalada com a presença das pessoas
indispensáveis para o julgamento terá início a formação do Encerrados os debates, o magistrado deve indagar aos
conselho de sentença, ou seja, será realizado o sorteio dos jurados se necessitam de algum outro esclarecimento ou
sete jurados. se já estão aptos para o julgamento. Se solicitarem algum
Os jurados poderão sofrer manifestação de até três novo esclarecimento, o magistrado o dará, inclusive com
recusas peremptórias tanto pela defesa quanto pela acu- acesso aos autos e aos instrumentos do crime, se assim ne-
sação (nessa ordem). Bem como poderão sofrer recusa jus- cessitarem. [...]. Encerrados os debates, e se os jurados já se
tificada, o qual quem recusar deverá apresentar prova de sentirem habilitados a julgar o acusado, passar-se-á à fase
sua alegação ao juiz, neste caso não há limite que estipule de elaboração dos quesitos. (SANTOS, 2008, p. 214-215)
o número das recusas haja vista trata-se de suspeição ou
de impedimentos. Responderão os seguintes quesitos: I – a materialidade
Com a formação do conselho de sentença os jurados do fato; II – a autoria ou participação; III – se o acusado
tomarão compromisso em julgar com imparcialidade e de- deve ser absolvido; IV – se existe causa de diminuição de
cidir de acordo sua consciência e justiça. pena alegada pela defesa; V – se existe circunstância qua-
lificadora ou causa de aumento de pena reconhecidas na
Iniciada a sessão será feita as declarações do ofendido pronúncia ou em decisões posteriores que julgaram admis-
pelo juiz presidente, Ministério Público, assistente, quere- sível a acusação. (art. 483 do CPP).
lante e advogado do acusado e sempre que possível in-
quirirão também as testemunhas arroladas pela acusação. Vale ressaltar que comprovada a inexistência do crime
contra a vida com desclassificação para outro delito a com-
O defensor do acusado na inquirição das testemunhas petência será do juiz-presidente para proferir a sentença e
arroladas pela defesa fará a oitiva antes do Ministério Pú- não sendo mais o júri popular competente.
blico e do assistente, pelo fato de quem arrola as teste-
munhas pergunta primeiro. Frisa-se que os jurados por Sentença
intermédio do juiz-presidente poderão formular também
perguntas ao ofendido bem como para as testemunhas. A sentença é o ato que põe fim ao cotejo, devendo ser
As testemunhas ficarão incomunicáveis, a fim de que lavrada pelo juiz-presidente com vinculação total à decisão
nenhuma possa ouvir o relato uma das outras. proferida pelo Conselho de Sentença. Na nova sistemática
Na ordem das testemunhas serão ouvidas primeira- do Rito do Tribunal do Júri, a sentença foi alvo de sensíveis
mente as arroladas pela acusação e depois as indicadas e importantes alterações, estando agora prevista no art.
pela defesa. Nota-se que é possível oitiva de pessoas na 492, sendo divido no inciso I para a sentença condenatória
qualidade de informante. e no inciso II para a absolutória.
O interrogatório é o último ato instrutório, por repre- A sentença deverá ser lavrada pelo juiz-presidente de
sentar a melhor oportunidade de defesa do acusado. E o acordo com o que foi decido pelos juízes de fatos. Após,
relatório do processo é lançado aos autos antes da sessão. todos voltarão ao plenário em que o juiz-presidente lerá a
O início da sustentação oral será feita pela acusação, sentença e frisa-se que as partes sairão intimadas para um
o qual o promotor de justiça terá uma hora e meia para possível recurso e será dada como encerrada a sessão de
produzir a acusação nos limites da pronúncia. Pois, na ação julgamento.
penal privada primeiramente falará o querelante e, conse-
quentemente, o Ministério Público. Recursos

Ressalta Nucci A matéria recursal sofreu drásticas e ovacionadas mu-


danças. A Lei 11.689 estabeleceu ser cabível apelação na hi-
A função do Ministério Público, em plenário do júri, pótese de impronúncia e absolvição sumária, acabou com
não é atacar a defesa, nem tampouco injuriar o réu. Não o obsoleto recurso de protesto por novo júri e impediu
pode, ainda, ofender testemunhas e muito menos o magis- o recurso de apelação contra decisões pró-réu realizadas
trado ou qualquer jurado. Sua liberdade de tribuna não lhe manifestamente contrárias as provas dos autos.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Recurso de apelação: Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, ofe-


As regras para o cabimento da apelação contra deci- recida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminar-
sões do Plenário estão previstas no art. 593, III, quando: mente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez)
b) for a sentença do juiz presidente contrária à lei ex- dias.
pressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo
pena ou da medida de segurança; para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento
d) a decisão dos jurados em condenar o réu for mani- pessoal do acusado ou do defensor constituído.
festamente contrária à prova dos autos. Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preli-
Outro caso onde se usará o recurso de apelação está minares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer
previsto no art. 416, que afirma ser esse o recurso cabível documentos e justificações, especificar as provas pretendi-
“contra a sentença de impronúncia ou de absolvição su- das e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo
mária”. sua intimação, quando necessário.
§ 1o A exceção será processada em apartado, nos ter-
Código Processual Penal: mos dos arts. 95 a 112 deste Código.
§ 2o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se
LIVRO II o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará
DOS PROCESSOS EM ESPÉCIE defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos
TÍTULO I por 10 (dez) dias.
DO PROCESSO COMUM
CAPÍTULO I Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-
DA INSTRUÇÃO CRIMINAL
A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver suma-
riamente o acusado quando verificar:
Art. 394. O procedimento será comum ou especial.
I - a existência manifesta de causa excludente da ilici-
§ 1o O procedimento comum será ordinário, sumário
tude do fato;
ou sumaríssimo:
II - a existência manifesta de causa excludente da cul-
I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja san-
pabilidade do agente, salvo inimputabilidade;
ção máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro)
III - que o fato narrado evidentemente não constitui
anos de pena privativa de liberdade;
crime; ou
II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção
IV - extinta a punibilidade do agente.
máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena
privativa de liberdade;
III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor Art. 398. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008).
potencial ofensivo, na forma da lei.
§ 2o Aplica-se a todos os processos o procedimento Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz desig-
comum, salvo disposições em contrário deste Código ou nará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do
de lei especial. acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o
§ 3o Nos processos de competência do Tribunal do caso, do querelante e do assistente.
Júri, o procedimento observará as disposições estabeleci- § 1o O acusado preso será requisitado para compare-
das nos arts. 406 a 497 deste Código. cer ao interrogatório, devendo o poder público providen-
§ 4o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código ciar sua apresentação.
aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a
grau, ainda que não regulados neste Código. sentença.
§ 5o Aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos
especial, sumário e sumaríssimo as disposições do proce- Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser
dimento ordinário. realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-
se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das
Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de cri- testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nes-
me hediondo terão prioridade de tramitação em todas as ta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código,
instâncias. (Incluído pela Lei nº 13.285, de 2016). bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações
e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se,
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: em seguida, o acusado.
I - for manifestamente inepta; § 1o As provas serão produzidas numa só audiência,
II - faltar pressuposto processual ou condição para o podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, im-
exercício da ação penal; ou pertinentes ou protelatórias.
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. § 2o Os esclarecimentos dos peritos dependerão de
Parágrafo único. (Revogado). prévio requerimento das partes.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 401. Na instrução poderão ser inquiridas até 8 § 1o O prazo previsto no caput deste artigo será con-
(oito) testemunhas arroladas pela acusação e 8 (oito) pela tado a partir do efetivo cumprimento do mandado ou do
defesa. comparecimento, em juízo, do acusado ou de defensor
§ 1o Nesse número não se compreendem as que não constituído, no caso de citação inválida ou por edital.
prestem compromisso e as referidas. § 2o A acusação deverá arrolar testemunhas, até o má-
§ 2o A parte poderá desistir da inquirição de qualquer ximo de 8 (oito), na denúncia ou na queixa.
das testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. § 3o Na resposta, o acusado poderá argüir prelimina-
209 deste Código. res e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer docu-
mentos e justificações, especificar as provas pretendidas e
Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), qualificando
Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o -as e requerendo sua intimação, quando necessário.
acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se
origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. Art. 407. As exceções serão processadas em apartado,
Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código.
ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais Art. 408. Não apresentada a resposta no prazo legal, o
por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e juiz nomeará defensor para oferecê-la em até 10 (dez) dias,
pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o concedendo-lhe vista dos autos.
juiz, a seguir, sentença.
§ 1o Havendo mais de um acusado, o tempo previsto Art. 409. Apresentada a defesa, o juiz ouvirá o Ministé-
para a defesa de cada um será individual. rio Público ou o querelante sobre preliminares e documen-
§ 2o Ao assistente do Ministério Público, após a ma- tos, em 5 (cinco) dias.
nifestação desse, serão concedidos 10 (dez) minutos, pror-
rogando-se por igual período o tempo de manifestação da Art. 410. O juiz determinará a inquirição das testemu-
defesa. nhas e a realização das diligências requeridas pelas partes,
§ 3o O juiz poderá, considerada a complexidade do no prazo máximo de 10 (dez) dias.
caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo
de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de Art. 411. Na audiência de instrução, proceder-se-á
à tomada de declarações do ofendido, se possível, à in-
memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para
quirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela
proferir a sentença.
defesa, nesta ordem, bem como aos esclarecimentos dos
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e
Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescin-
coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado e proce-
dível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será
dendo-se o debate.
concluída sem as alegações finais.
§ 1o Os esclarecimentos dos peritos dependerão de
Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência prévio requerimento e de deferimento pelo juiz.
determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo § 2o As provas serão produzidas em uma só audiência,
de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por memorial, e, no podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, im-
prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá a sentença. pertinentes ou protelatórias.
§ 3o Encerrada a instrução probatória, observar-se-á,
Art. 405. Do ocorrido em audiência será lavrado termo se for o caso, o disposto no art. 384 deste Código.
em livro próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, conten- § 4o As alegações serão orais, concedendo-se a pala-
do breve resumo dos fatos relevantes nela ocorridos. vra, respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de
§ 1o Sempre que possível, o registro dos depoimen- 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez).
tos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será § 5o Havendo mais de 1 (um) acusado, o tempo pre-
feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, es- visto para a acusação e a defesa de cada um deles será
tenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, individual.
destinada a obter maior fidelidade das informações. § 6o Ao assistente do Ministério Público, após a ma-
§ 2o No caso de registro por meio audiovisual, será nifestação deste, serão concedidos 10 (dez) minutos, pror-
encaminhado às partes cópia do registro original, sem ne- rogando-se por igual período o tempo de manifestação da
cessidade de transcrição. defesa.
§ 7o Nenhum ato será adiado, salvo quando impres-
CAPÍTULO II cindível à prova faltante, determinando o juiz a condução
DO PROCEDIMENTO RELATIVO AOS PROCESSOS coercitiva de quem deva comparecer.
DA COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DO JÚRI § 8o A testemunha que comparecer será inquirida, in-
Seção I dependentemente da suspensão da audiência, observada
Da Acusação e da Instrução Preliminar em qualquer caso a ordem estabelecida no caput deste
artigo.
Art. 406. O juiz, ao receber a denúncia ou a queixa, § 9o Encerrados os debates, o juiz proferirá a sua de-
ordenará a citação do acusado para responder a acusação, cisão, ou o fará em 10 (dez) dias, ordenando que os autos
por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. para isso lhe sejam conclusos.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 412. O procedimento será concluído no prazo má- Art. 419. Quando o juiz se convencer, em discordância
ximo de 90 (noventa) dias. com a acusação, da existência de crime diverso dos referi-
dos no § 1o do art. 74 deste Código e não for competente
Seção II para o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja.
Da Pronúncia, da Impronúncia e da Absolvição Parágrafo único. Remetidos os autos do processo a
Sumária outro juiz, à disposição deste ficará o acusado preso.

Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o Art. 420. A intimação da decisão de pronúncia será
acusado, se convencido da materialidade do fato e da exis- feita:
tência de indícios suficientes de autoria ou de participação. I – pessoalmente ao acusado, ao defensor nomeado e
§ 1o A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à in- ao Ministério Público;
dicação da materialidade do fato e da existência de indícios II – ao defensor constituído, ao querelante e ao assis-
suficientes de autoria ou de participação, devendo o juiz tente do Ministério Público, na forma do disposto no § 1o
declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusa- do art. 370 deste Código.
do e especificar as circunstâncias qualificadoras e as causas Parágrafo único. Será intimado por edital o acusado
de aumento de pena. solto que não for encontrado.
§ 2o Se o crime for afiançável, o juiz arbitrará o valor
da fiança para a concessão ou manutenção da liberdade Art. 421. Preclusa a decisão de pronúncia, os autos se-
provisória. rão encaminhados ao juiz presidente do Tribunal do Júri.
§ 3o O juiz decidirá, motivadamente, no caso de ma- § 1o Ainda que preclusa a decisão de pronúncia, ha-
nutenção, revogação ou substituição da prisão ou medida vendo circunstância superveniente que altere a classifica-
restritiva de liberdade anteriormente decretada e, tratan- ção do crime, o juiz ordenará a remessa dos autos ao Mi-
do-se de acusado solto, sobre a necessidade da decretação nistério Público.
da prisão ou imposição de quaisquer das medidas previstas § 2o Em seguida, os autos serão conclusos ao juiz para
no Título IX do Livro I deste Código. decisão.
Seção III
Art. 414. Não se convencendo da materialidade do Da Preparação do Processo para Julgamento em
fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou Plenário
de participação, o juiz, fundamentadamente, impronuncia-
rá o acusado. Art. 422. Ao receber os autos, o presidente do Tribu-
Parágrafo único. Enquanto não ocorrer a extinção da nal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério
punibilidade, poderá ser formulada nova denúncia ou quei- Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor,
xa se houver prova nova. para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de tes-
temunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5
Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde (cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos
logo o acusado, quando: e requerer diligência.
I – provada a inexistência do fato;
II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; Art. 423. Deliberando sobre os requerimentos de pro-
III – o fato não constituir infração penal; vas a serem produzidas ou exibidas no plenário do júri, e
IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de adotadas as providências devidas, o juiz presidente:
exclusão do crime. I – ordenará as diligências necessárias para sanar qual-
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV quer nulidade ou esclarecer fato que interesse ao julga-
do caput deste artigo ao caso de inimputabilidade prevista mento da causa;
no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de de- II – fará relatório sucinto do processo, determinando
zembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a sua inclusão em pauta da reunião do Tribunal do Júri.
única tese defensiva.
Art. 424. Quando a lei local de organização judiciária
Art. 416. Contra a sentença de impronúncia ou de ab- não atribuir ao presidente do Tribunal do Júri o preparo
solvição sumária caberá apelação. para julgamento, o juiz competente remeter-lhe-á os autos
do processo preparado até 5 (cinco) dias antes do sorteio a
Art. 417. Se houver indícios de autoria ou de partici- que se refere o art. 433 deste Código.
pação de outras pessoas não incluídas na acusação, o juiz, Parágrafo único. Deverão ser remetidos, também, os
ao pronunciar ou impronunciar o acusado, determinará o processos preparados até o encerramento da reunião, para
retorno dos autos ao Ministério Público, por 15 (quinze) a realização de julgamento.
dias, aplicável, no que couber, o art. 80 deste Código.

Art. 418. O juiz poderá dar ao fato definição jurídica


diversa da constante da acusação, embora o acusado fique
sujeito a pena mais grave.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Seção IV § 2o Sendo relevantes os motivos alegados, o relator


Do Alistamento dos Jurados poderá determinar, fundamentadamente, a suspensão do
julgamento pelo júri.
Art. 425. Anualmente, serão alistados pelo presiden- § 3o Será ouvido o juiz presidente, quando a medida
te do Tribunal do Júri de 800 (oitocentos) a 1.500 (um mil não tiver sido por ele solicitada.
e quinhentos) jurados nas comarcas de mais de 1.000.000 § 4o Na pendência de recurso contra a decisão de pro-
(um milhão) de habitantes, de 300 (trezentos) a 700 (sete- núncia ou quando efetivado o julgamento, não se admitirá
centos) nas comarcas de mais de 100.000 (cem mil) habi- o pedido de desaforamento, salvo, nesta última hipótese,
tantes e de 80 (oitenta) a 400 (quatrocentos) nas comarcas quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de jul-
gamento anulado.
de menor população.
§ 1o Nas comarcas onde for necessário, poderá ser au- Art. 428. O desaforamento também poderá ser deter-
mentado o número de jurados e, ainda, organizada lista de minado, em razão do comprovado excesso de serviço, ou-
suplentes, depositadas as cédulas em urna especial, com vidos o juiz presidente e a parte contrária, se o julgamento
as cautelas mencionadas na parte final do § 3o do art. 426 não puder ser realizado no prazo de 6 (seis) meses, conta-
deste Código. do do trânsito em julgado da decisão de pronúncia.
§ 2o O juiz presidente requisitará às autoridades locais, § 1o Para a contagem do prazo referido neste artigo,
associações de classe e de bairro, entidades associativas e não se computará o tempo de adiamentos, diligências ou
culturais, instituições de ensino em geral, universidades, incidentes de interesse da defesa.
sindicatos, repartições públicas e outros núcleos comunitá-
rios a indicação de pessoas que reúnam as condições para § 2o Não havendo excesso de serviço ou existência
exercer a função de jurado. de processos aguardando julgamento em quantidade que
ultrapasse a possibilidade de apreciação pelo Tribunal do
Júri, nas reuniões periódicas previstas para o exercício, o
Art. 426. A lista geral dos jurados, com indicação das acusado poderá requerer ao Tribunal que determine a ime-
respectivas profissões, será publicada pela imprensa até o diata realização do julgamento.
dia 10 de outubro de cada ano e divulgada em editais afi-
xados à porta do Tribunal do Júri. Seção VI
Da Organização da Pauta
§ 1o A lista poderá ser alterada, de ofício ou mediante
reclamação de qualquer do povo ao juiz presidente até o Art. 429. Salvo motivo relevante que autorize alteração
dia 10 de novembro, data de sua publicação definitiva. na ordem dos julgamentos, terão preferência:
§ 2o Juntamente com a lista, serão transcritos os arts. I – os acusados presos;
436 a 446 deste Código. II – dentre os acusados presos, aqueles que estiverem
§ 3o Os nomes e endereços dos alistados, em cartões há mais tempo na prisão;
iguais, após serem verificados na presença do Ministério III – em igualdade de condições, os precedentemente
pronunciados.
Público, de advogado indicado pela Seção local da Ordem
§ 1o Antes do dia designado para o primeiro julga-
dos Advogados do Brasil e de defensor indicado pelas De- mento da reunião periódica, será afixada na porta do edi-
fensorias Públicas competentes, permanecerão guardados fício do Tribunal do Júri a lista dos processos a serem jul-
em urna fechada a chave, sob a responsabilidade do juiz gados, obedecida a ordem prevista no caput deste artigo.
presidente. § 2o O juiz presidente reservará datas na mesma reu-
§ 4o O jurado que tiver integrado o Conselho de Sen- nião periódica para a inclusão de processo que tiver o jul-
tença nos 12 (doze) meses que antecederem à publicação gamento adiado.
da lista geral fica dela excluído.
§ 5o Anualmente, a lista geral de jurados será, obriga- Art. 430. O assistente somente será admitido se tiver
toriamente, completada. requerido sua habilitação até 5 (cinco) dias antes da data
da sessão na qual pretenda atuar.
Seção V
Do Desaforamento Art. 431. Estando o processo em ordem, o juiz presi-
dente mandará intimar as partes, o ofendido, se for pos-
sível, as testemunhas e os peritos, quando houver reque-
Art. 427. Se o interesse da ordem pública o reclamar rimento, para a sessão de instrução e julgamento, obser-
ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a se- vando, no que couber, o disposto no art. 420 deste Código.
gurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento
do Ministério Público, do assistente, do querelante ou do Seção VII
acusado ou mediante representação do juiz competente, Do Sorteio e da Convocação dos Jurados
poderá determinar o desaforamento do julgamento para
outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles Art. 432. Em seguida à organização da pauta, o juiz
motivos, preferindo-se as mais próximas. presidente determinará a intimação do Ministério Público,
§ 1o O pedido de desaforamento será distribuído ime- da Ordem dos Advogados do Brasil e da Defensoria Pública
diatamente e terá preferência de julgamento na Câmara ou para acompanharem, em dia e hora designados, o sorteio
Turma competente. dos jurados que atuarão na reunião periódica.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 433. O sorteio, presidido pelo juiz, far-se-á a portas Art. 438. A recusa ao serviço do júri fundada em con-
abertas, cabendo-lhe retirar as cédulas até completar o nú- vicção religiosa, filosófica ou política importará no dever
mero de 25 (vinte e cinco) jurados, para a reunião periódica de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos
ou extraordinária. direitos políticos, enquanto não prestar o serviço imposto.
§ 1o Entende-se por serviço alternativo o exercício de
§ 1o O sorteio será realizado entre o 15o (décimo atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópi-
quinto) e o 10o (décimo) dia útil antecedente à instalação co ou mesmo produtivo, no Poder Judiciário, na Defensoria
da reunião. Pública, no Ministério Público ou em entidade conveniada
§ 2o A audiência de sorteio não será adiada pelo não para esses fins.
comparecimento das partes. § 2o O juiz fixará o serviço alternativo atendendo aos
§ 3o O jurado não sorteado poderá ter o seu nome princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
novamente incluído para as reuniões futuras.
Art. 439. O exercício efetivo da função de jurado cons-
tituirá serviço público relevante e estabelecerá presunção
Art. 434. Os jurados sorteados serão convocados pelo
de idoneidade moral. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de
correio ou por qualquer outro meio hábil para comparecer
2011).
no dia e hora designados para a reunião, sob as penas da
lei. Art. 440. Constitui também direito do jurado, na con-
Parágrafo único. No mesmo expediente de convoca- dição do art. 439 deste Código, preferência, em igualdade
ção serão transcritos os arts. 436 a 446 deste Código. de condições, nas licitações públicas e no provimento, me-
diante concurso, de cargo ou função pública, bem como
Art. 435. Serão afixados na porta do edifício do Tribu- nos casos de promoção funcional ou remoção voluntária.
nal do Júri a relação dos jurados convocados, os nomes do
acusado e dos procuradores das partes, além do dia, hora Art. 441. Nenhum desconto será feito nos vencimentos
e local das sessões de instrução e julgamento. ou salário do jurado sorteado que comparecer à sessão do
júri.
Seção VIII
Da Função do Jurado Art. 442. Ao jurado que, sem causa legítima, deixar de
comparecer no dia marcado para a sessão ou retirar-se an-
Art. 436. O serviço do júri é obrigatório. O alistamento tes de ser dispensado pelo presidente será aplicada multa
compreenderá os cidadãos maiores de 18 (dezoito) anos de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos, a critério do juiz, de
de notória idoneidade. acordo com a sua condição econômica.
§ 1o Nenhum cidadão poderá ser excluído dos traba-
lhos do júri ou deixar de ser alistado em razão de cor ou et- Art. 443. Somente será aceita escusa fundada em mo-
nia, raça, credo, sexo, profissão, classe social ou econômica, tivo relevante devidamente comprovado e apresentada,
origem ou grau de instrução. ressalvadas as hipóteses de força maior, até o momento da
§ 2o A recusa injustificada ao serviço do júri acarretará chamada dos jurados.
multa no valor de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos, a Art. 444. O jurado somente será dispensado por de-
critério do juiz, de acordo com a condição econômica do cisão motivada do juiz presidente, consignada na ata dos
jurado. trabalhos.

Art. 445. O jurado, no exercício da função ou a pretex-


Art. 437. Estão isentos do serviço do júri:
to de exercê-la, será responsável criminalmente nos mes-
I – o Presidente da República e os Ministros de Estado;
mos termos em que o são os juízes togados.
II – os Governadores e seus respectivos Secretários;
III – os membros do Congresso Nacional, das Assem-
Art. 446. Aos suplentes, quando convocados, serão
bleias Legislativas e das Câmaras Distrital e Municipais; aplicáveis os dispositivos referentes às dispensas, faltas e
IV – os Prefeitos Municipais; escusas e à equiparação de responsabilidade penal prevista
V – os Magistrados e membros do Ministério Público e no art. 445 deste Código.
da Defensoria Pública;
VI – os servidores do Poder Judiciário, do Ministério Seção IX
Público e da Defensoria Pública; Da Composição do Tribunal do Júri e
VII – as autoridades e os servidores da polícia e da da Formação do Conselho de Sentença
segurança pública;
VIII – os militares em serviço ativo; Art. 447. O Tribunal do Júri é composto por 1 (um)
IX – os cidadãos maiores de 70 (setenta) anos que re- juiz togado, seu presidente e por 25 (vinte e cinco) jurados
queiram sua dispensa; que serão sorteados dentre os alistados, 7 (sete) dos quais
X – aqueles que o requererem, demonstrando justo constituirão o Conselho de Sentença em cada sessão de
impedimento. julgamento.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 448. São impedidos de servir no mesmo Conselho: Art. 456. Se a falta, sem escusa legítima, for do advo-
I – marido e mulher; gado do acusado, e se outro não for por este constituído,
II – ascendente e descendente; o fato será imediatamente comunicado ao presidente da
III – sogro e genro ou nora; seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, com a data
IV – irmãos e cunhados, durante o cunhadio; designada para a nova sessão.
V – tio e sobrinho; § 1o Não havendo escusa legítima, o julgamento será
VI – padrasto, madrasta ou enteado. adiado somente uma vez, devendo o acusado ser julgado
quando chamado novamente.
§ 1o O mesmo impedimento ocorrerá em relação às
§ 2o Na hipótese do § 1o deste artigo, o juiz intimará a
pessoas que mantenham união estável reconhecida como Defensoria Pública para o novo julgamento, que será adia-
entidade familiar. do para o primeiro dia desimpedido, observado o prazo
§ 2o Aplicar-se-á aos jurados o disposto sobre os im- mínimo de 10 (dez) dias.
pedimentos, a suspeição e as incompatibilidades dos juízes
togados. Art. 457. O julgamento não será adiado pelo não com-
parecimento do acusado solto, do assistente ou do advo-
Art. 449. Não poderá servir o jurado que: gado do querelante, que tiver sido regularmente intimado.
I – tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo § 1o Os pedidos de adiamento e as justificações de
processo, independentemente da causa determinante do não comparecimento deverão ser, salvo comprovado mo-
julgamento posterior; tivo de força maior, previamente submetidos à apreciação
II – no caso do concurso de pessoas, houver integrado do juiz presidente do Tribunal do Júri.
o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado; § 2o Se o acusado preso não for conduzido, o julga-
mento será adiado para o primeiro dia desimpedido da
III – tiver manifestado prévia disposição para condenar
mesma reunião, salvo se houver pedido de dispensa de
ou absolver o acusado.
comparecimento subscrito por ele e seu defensor.
Art. 450. Dos impedidos entre si por parentesco ou Art. 458. Se a testemunha, sem justa causa, deixar de
relação de convivência, servirá o que houver sido sorteado comparecer, o juiz presidente, sem prejuízo da ação penal
em primeiro lugar. pela desobediência, aplicar-lhe-á a multa prevista no § 2o
do art. 436 deste Código.
Art. 451. Os jurados excluídos por impedimento, sus-
peição ou incompatibilidade serão considerados para a Art. 459. Aplicar-se-á às testemunhas a serviço do Tri-
constituição do número legal exigível para a realização da bunal do Júri o disposto no art. 441 deste Código.
sessão.
Art. 460. Antes de constituído o Conselho de Sentença,
Art. 452. O mesmo Conselho de Sentença poderá co- as testemunhas serão recolhidas a lugar onde umas não
nhecer de mais de um processo, no mesmo dia, se as par- possam ouvir os depoimentos das outras.
tes o aceitarem, hipótese em que seus integrantes deverão
Art. 461. O julgamento não será adiado se a testemu-
prestar novo compromisso. nha deixar de comparecer, salvo se uma das partes tiver
requerido a sua intimação por mandado, na oportunidade
de que trata o art. 422 deste Código, declarando não pres-
Seção X cindir do depoimento e indicando a sua localização.
Da reunião e das sessões do Tribunal do Júri § 1o Se, intimada, a testemunha não comparecer, o juiz
presidente suspenderá os trabalhos e mandará conduzi-la
Art. 453. O Tribunal do Júri reunir-se-á para as sessões ou adiará o julgamento para o primeiro dia desimpedido,
de instrução e julgamento nos períodos e na forma estabe- ordenando a sua condução.
lecida pela lei local de organização judiciária. § 2o O julgamento será realizado mesmo na hipótese
de a testemunha não ser encontrada no local indicado, se
Art. 454. Até o momento de abertura dos trabalhos da assim for certificado por oficial de justiça.
sessão, o juiz presidente decidirá os casos de isenção e dis-
Art. 462. Realizadas as diligências referidas nos arts.
pensa de jurados e o pedido de adiamento de julgamento,
454 a 461 deste Código, o juiz presidente verificará se a
mandando consignar em ata as deliberações. urna contém as cédulas dos 25 (vinte e cinco) jurados sor-
teados, mandando que o escrivão proceda à chamada de-
Art. 455. Se o Ministério Público não comparecer, o les.
juiz presidente adiará o julgamento para o primeiro dia de-
simpedido da mesma reunião, cientificadas as partes e as Art. 463. Comparecendo, pelo menos, 15 (quinze) ju-
testemunhas. rados, o juiz presidente declarará instalados os trabalhos,
Parágrafo único. Se a ausência não for justificada, o anunciando o processo que será submetido a julgamento.
fato será imediatamente comunicado ao Procurador-Geral § 1o O oficial de justiça fará o pregão, certificando a
de Justiça com a data designada para a nova sessão. diligência nos autos.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 2o Os jurados excluídos por impedimento ou sus- Art. 471. Se, em consequência do impedimento, sus-
peição serão computados para a constituição do número peição, incompatibilidade, dispensa ou recusa, não houver
legal. número para a formação do Conselho, o julgamento será
adiado para o primeiro dia desimpedido, após sorteados os
Art. 464. Não havendo o número referido no art. 463 suplentes, com observância do disposto no art. 464 deste
deste Código, proceder-se-á ao sorteio de tantos suplen- Código.
tes quantos necessários, e designar-se-á nova data para a
sessão do júri. Art. 472. Formado o Conselho de Sentença, o presi-
dente, levantando-se, e, com ele, todos os presentes, fará
aos jurados a seguinte exortação:
Art. 465. Os nomes dos suplentes serão consignados
em ata, remetendo-se o expediente de convocação, com
Em nome da lei, concito-vos a examinar esta causa
observância do disposto nos arts. 434 e 435 deste Código.
com imparcialidade e a proferir a vossa decisão de acordo
com a vossa consciência e os ditames da justiça.
Art. 466. Antes do sorteio dos membros do Conselho
de Sentença, o juiz presidente esclarecerá sobre os impe- Os jurados, nominalmente chamados pelo presidente,
dimentos, a suspeição e as incompatibilidades constantes responderão:
dos arts. 448 e 449 deste Código.
§ 1o O juiz presidente também advertirá os jurados de Assim o prometo.
que, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se entre
si e com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o pro- Parágrafo único. O jurado, em seguida, receberá cópias
cesso, sob pena de exclusão do Conselho e multa, na forma da pronúncia ou, se for o caso, das decisões posteriores
do § 2o do art. 436 deste Código. que julgaram admissível a acusação e do relatório do pro-
§ 2o A incomunicabilidade será certificada nos autos cesso.
pelo oficial de justiça.
Seção XI
Art. 467. Verificando que se encontram na urna as cé- Da Instrução em Plenário
dulas relativas aos jurados presentes, o juiz presidente sor-
Art. 473. Prestado o compromisso pelos jurados, será
teará 7 (sete) dentre eles para a formação do Conselho de
iniciada a instrução plenária quando o juiz presidente, o
Sentença.
Ministério Público, o assistente, o querelante e o defensor
do acusado tomarão, sucessiva e diretamente, as declara-
Art. 468. À medida que as cédulas forem sendo retira- ções do ofendido, se possível, e inquirirão as testemunhas
das da urna, o juiz presidente as lerá, e a defesa e, depois arroladas pela acusação.
dela, o Ministério Público poderão recusar os jurados sor- § 1o Para a inquirição das testemunhas arroladas pela
teados, até 3 (três) cada parte, sem motivar a recusa. defesa, o defensor do acusado formulará as perguntas an-
Parágrafo único. O jurado recusado imotivadamente tes do Ministério Público e do assistente, mantidos no mais
por qualquer das partes será excluído daquela sessão de a ordem e os critérios estabelecidos neste artigo.
instrução e julgamento, prosseguindo-se o sorteio para a § 2o Os jurados poderão formular perguntas ao ofen-
composição do Conselho de Sentença com os jurados re- dido e às testemunhas, por intermédio do juiz presidente.
manescentes. § 3o As partes e os jurados poderão requerer acarea-
ções, reconhecimento de pessoas e coisas e esclarecimento
Art. 469. Se forem 2 (dois) ou mais os acusados, as dos peritos, bem como a leitura de peças que se refiram,
recusas poderão ser feitas por um só defensor. exclusivamente, às provas colhidas por carta precatória e às
§ 1o A separação dos julgamentos somente ocorrerá provas cautelares, antecipadas ou não repetíveis.
se, em razão das recusas, não for obtido o número mínimo
de 7 (sete) jurados para compor o Conselho de Sentença. Art. 474. A seguir será o acusado interrogado, se esti-
§ 2o Determinada a separação dos julgamentos, será ver presente, na forma estabelecida no Capítulo III do Títu-
lo VII do Livro I deste Código, com as alterações introduzi-
julgado em primeiro lugar o acusado a quem foi atribuída
das nesta Seção.
a autoria do fato ou, em caso de coautoria, aplicar-se-á o
§ 1o O Ministério Público, o assistente, o querelante e
critério de preferência disposto no art. 429 deste Código. o defensor, nessa ordem, poderão formular, diretamente,
perguntas ao acusado.
Art. 470. Desacolhida a arguição de impedimento, de § 2o Os jurados formularão perguntas por intermédio
suspeição ou de incompatibilidade contra o juiz presiden- do juiz presidente.
te do Tribunal do Júri, órgão do Ministério Público, jurado § 3o Não se permitirá o uso de algemas no acusado
ou qualquer funcionário, o julgamento não será suspenso, durante o período em que permanecer no plenário do júri,
devendo, entretanto, constar da ata o seu fundamento e a salvo se absolutamente necessário à ordem dos trabalhos,
decisão. à segurança das testemunhas ou à garantia da integridade
física dos presentes.

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

Art. 475. O registro dos depoimentos e do interroga- Art. 480. A acusação, a defesa e os jurados poderão,
tório será feito pelos meios ou recursos de gravação mag- a qualquer momento e por intermédio do juiz presidente,
nética, eletrônica, estenotipia ou técnica similar, destinada pedir ao orador que indique a folha dos autos onde se en-
a obter maior fidelidade e celeridade na colheita da prova. contra a peça por ele lida ou citada, facultando-se, ainda,
Parágrafo único. A transcrição do registro, após feita a aos jurados solicitar-lhe, pelo mesmo meio, o esclareci-
degravação, constará dos autos. mento de fato por ele alegado.
§ 1o Concluídos os debates, o presidente indagará dos
Seção XII jurados se estão habilitados a julgar ou se necessitam de
Dos Debates outros esclarecimentos.
§ 2o Se houver dúvida sobre questão de fato, o presi-
Art. 476. Encerrada a instrução, será concedida a pala- dente prestará esclarecimentos à vista dos autos.
vra ao Ministério Público, que fará a acusação, nos limites § 3o Os jurados, nesta fase do procedimento, terão
da pronúncia ou das decisões posteriores que julgaram ad- acesso aos autos e aos instrumentos do crime se solicita-
missível a acusação, sustentando, se for o caso, a existência rem ao juiz presidente.
de circunstância agravante.
§ 1o O assistente falará depois do Ministério Público. Art. 481. Se a verificação de qualquer fato, reconheci-
§ 2o Tratando-se de ação penal de iniciativa privada, da como essencial para o julgamento da causa, não puder
falará em primeiro lugar o querelante e, em seguida, o Mi- ser realizada imediatamente, o juiz presidente dissolverá o
nistério Público, salvo se este houver retomado a titularida- Conselho, ordenando a realização das diligências entendi-
de da ação, na forma do art. 29 deste Código. das necessárias.
§ 3o Finda a acusação, terá a palavra a defesa. Parágrafo único. Se a diligência consistir na produção
§ 4o A acusação poderá replicar e a defesa treplicar, de prova pericial, o juiz presidente, desde logo, nomeará
sendo admitida a reinquirição de testemunha já ouvida em perito e formulará quesitos, facultando às partes também
plenário. formulá-los e indicar assistentes técnicos, no prazo de 5
(cinco) dias.
Art. 477. O tempo destinado à acusação e à defesa
Seção XIII
será de uma hora e meia para cada, e de uma hora para a
Do Questionário e sua Votação
réplica e outro tanto para a tréplica.
§ 1o Havendo mais de um acusador ou mais de um
Art. 482. O Conselho de Sentença será questionado
defensor, combinarão entre si a distribuição do tempo, que,
sobre matéria de fato e se o acusado deve ser absolvido.
na falta de acordo, será dividido pelo juiz presidente, de
Parágrafo único. Os quesitos serão redigidos em pro-
forma a não exceder o determinado neste artigo.
posições afirmativas, simples e distintas, de modo que cada
§ 2o Havendo mais de 1 (um) acusado, o tempo para
um deles possa ser respondido com suficiente clareza e ne-
a acusação e a defesa será acrescido de 1 (uma) hora e cessária precisão. Na sua elaboração, o presidente levará
elevado ao dobro o da réplica e da tréplica, observado o em conta os termos da pronúncia ou das decisões poste-
disposto no § 1o deste artigo. riores que julgaram admissível a acusação, do interrogató-
rio e das alegações das partes.
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão,
sob pena de nulidade, fazer referências: Art. 483. Os quesitos serão formulados na seguinte
I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que ordem, indagando sobre:
julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso I – a materialidade do fato;
de algemas como argumento de autoridade que benefi- II – a autoria ou participação;
ciem ou prejudiquem o acusado; III – se o acusado deve ser absolvido;
II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interroga- IV – se existe causa de diminuição de pena alegada
tório por falta de requerimento, em seu prejuízo. pela defesa;
V – se existe circunstância qualificadora ou causa de
Art. 479. Durante o julgamento não será permitida a aumento de pena reconhecidas na pronúncia ou em deci-
leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sões posteriores que julgaram admissível a acusação.
sido juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 § 1o A resposta negativa, de mais de 3 (três) jurados, a
(três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte. qualquer dos quesitos referidos nos incisos I e II do caput
Parágrafo único. Compreende-se na proibição deste deste artigo encerra a votação e implica a absolvição do
artigo a leitura de jornais ou qualquer outro escrito, bem acusado.
como a exibição de vídeos, gravações, fotografias, laudos, § 2o Respondidos afirmativamente por mais de 3 (três)
quadros, croqui ou qualquer outro meio assemelhado, cujo jurados os quesitos relativos aos incisos I e II do caput des-
conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à apre- te artigo será formulado quesito com a seguinte redação:
ciação e julgamento dos jurados. O jurado absolve o acusado?

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

§ 3o Decidindo os jurados pela condenação, o julga- Art. 490. Se a resposta a qualquer dos quesitos estiver
mento prossegue, devendo ser formulados quesitos sobre: em contradição com outra ou outras já dadas, o presiden-
I – causa de diminuição de pena alegada pela defesa; te, explicando aos jurados em que consiste a contradição,
II – circunstância qualificadora ou causa de aumento submeterá novamente à votação os quesitos a que se refe-
de pena, reconhecidas na pronúncia ou em decisões pos- rirem tais respostas.
teriores que julgaram admissível a acusação. Parágrafo único. Se, pela resposta dada a um dos que-
§ 4o Sustentada a desclassificação da infração para ou- sitos, o presidente verificar que ficam prejudicados os se-
tra de competência do juiz singular, será formulado quesito guintes, assim o declarará, dando por finda a votação.
a respeito, para ser respondido após o 2o (segundo) ou 3o
(terceiro) quesito, conforme o caso. Art. 491. Encerrada a votação, será o termo a que se
§ 5o Sustentada a tese de ocorrência do crime na sua refere o art. 488 deste Código assinado pelo presidente,
forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação pelos jurados e pelas partes.
do delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri,
o juiz formulará quesito acerca destas questões, para ser Seção XIV
respondido após o segundo quesito. Da sentença
§ 6o Havendo mais de um crime ou mais de um acusa-
do, os quesitos serão formulados em séries distintas. Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença
que:
Art. 484. A seguir, o presidente lerá os quesitos e inda- I – no caso de condenação:
gará das partes se têm requerimento ou reclamação a fazer, a) fixará a pena-base;
devendo qualquer deles, bem como a decisão, constar da b) considerará as circunstâncias agravantes ou ate-
ata. nuantes alegadas nos debates;
Parágrafo único. Ainda em plenário, o juiz presidente c) imporá os aumentos ou diminuições da pena, em
explicará aos jurados o significado de cada quesito. atenção às causas admitidas pelo júri;
d) observará as demais disposições do art. 387 deste
Código;
Art. 485. Não havendo dúvida a ser esclarecida, o juiz
e) mandará o acusado recolher-se ou recomendá-lo-á
presidente, os jurados, o Ministério Público, o assistente, o
à prisão em que se encontra, se presentes os requisitos da
querelante, o defensor do acusado, o escrivão e o oficial de
prisão preventiva;
justiça dirigir-se-ão à sala especial a fim de ser procedida
f) estabelecerá os efeitos genéricos e específicos da
a votação.
condenação;
§ 1o Na falta de sala especial, o juiz presidente deter-
II – no caso de absolvição:
minará que o público se retire, permanecendo somente as
a) mandará colocar em liberdade o acusado se por
pessoas mencionadas no caput deste artigo. outro motivo não estiver preso;
§ 2o O juiz presidente advertirá as partes de que não b) revogará as medidas restritivas provisoriamente de-
será permitida qualquer intervenção que possa perturbar a cretadas;
livre manifestação do Conselho e fará retirar da sala quem c) imporá, se for o caso, a medida de segurança ca-
se portar inconvenientemente. bível.
§ 1o Se houver desclassificação da infração para outra,
Art. 486. Antes de proceder-se à votação de cada de competência do juiz singular, ao presidente do Tribunal
quesito, o juiz presidente mandará distribuir aos jurados do Júri caberá proferir sentença em seguida, aplicando-se,
pequenas cédulas, feitas de papel opaco e facilmente do- quando o delito resultante da nova tipificação for conside-
bráveis, contendo 7 (sete) delas a palavra sim, 7 (sete) a rado pela lei como