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Correção para custos de turbinas 787 corroídas

Quarta-feira, 14 de março de 2018

A Rolls-Royce gastará centenas de milhões de dólares nos próximos anos para consertar
turbinas de motor Trent 1000 propensas à corrosão em mais de 200 dos modelos 787
Dreamliner da Boeing, segundo relatos.

A Rolls-Royce gastará centenas de milhões de dólares nos próximos anos para consertar
turbinas de motor Trent 1000 propensas à corrosão em mais de 200 dos modelos 787
Dreamliner da Boeing, segundo relatos.

Os problemas começaram a surgir com o Trent 1000 no início de 2016, quando as


emissões foram relatadas com rachaduras nas turbinas do motor nos Dreamliners
operados pela operadora japonesa ANA. Em agosto daquele ano, a Rolls-Royce anunciou
que substituiria as pás das turbinas em todos os 787s Trent 1000, após a descoberta de
problemas com o revestimento das pás na área de pressão intermediária. A ANA foi
forçada a cancelar os voos, enquanto alguns de seus 787 foram aterrados.
EASA culpa a sulfetação
Em dezembro passado, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação publicou uma
Diretriz de Aeronavegabilidade de Emergência referente aos motores Trent 1000,
colocando um limite de vida cíclico nos motores com suas lâminas originais de turbina de
pressão intermediária. Quando um motor atinge seu limite, ele deve ser removido para
que as lâminas possam ser substituídas.
A EASA culpa especificamente a corrosão por sulfidação pela quebra que levou à quebra
das lâminas.
A corrosão por sulfatação também foi culpada recentemente por um incidente de 2016 em
que um jato de passageiros na Índia teve que retornar ao aeroporto logo após a partida,
quando a fumaça encheu a cabine. Aquele avião, um ATR 72-500, muito menor que o
Dreamliner, sofreu a falha de uma pá de turbina em seu motor Pratt & Whitney PW127M.

O motor Trent 1000 da Rolls-Royce, em mais de 200 787s, tem sido propenso a corrosão por
sulfatação, causando rachaduras nas pás das turbinas.
A sulfetação ocorre em altas temperaturas e em aviões pode ser causada pelo enxofre no
combustível de aviação, bem como a exposição ambiental. O processo de corrosão pode
ser exacerbado em materiais que contêm nióbio, que as pás nos motores afetados da
Pratt & Whitney continham. Um revestimento de cromo pode diminuir a corrosão.
A corrosão por sulfetação também ocorre em aplicações de petróleo e gás; foi culpado
por uma explosão em 2012 em uma refinaria da Chevron na Califórnia, bem como uma
explosão massiva em uma refinaria em Utah em 2009.

Ascensão dos custos de reposição


De acordo com o Seattle Times, a Rolls-Royce gastou US$ 315 milhões até agora
substituindo as pás das turbinas nos motores Trent 1000 afetados. Alguns motores Trent
900, alimentando o Airbus A380, também são afetados pelo problema.
As correções urgentes causaram problemas para as grandes companhias aéreas que
dependem do Dreamliner; A Virgin Atlantic recentemente caracterizou a situação do Trent
1000 como "seriamente perturbadora", segundo a Bloomberg. A companhia aérea
supostamente emprestou aviões da empresa irmã Delta e está alugando dois Airbus
A330, anteriormente operados por uma companhia aérea atualmente extinta, para
compensar a capacidade com até três 787 de uma só vez.

Todos os 787 Dreamliners usam o Trent 1000 da Rolls-Royce ou o GEnx da General


Electric.

Sulfetação - A sulfetação é um mecanismo de deterioração bastante conhecido


nas refinarias de petróleo. Esse mecanismo já vem sendo observado desde o final de 1800 e
consiste no desgaste dos materiais que contêm ferro, como por exemplo, o aço, que reage com
os compostos de enxofre contido no petróleo, a uma temperatura acima de 260°C. Portanto
são comuns em fornos, caldeiras, tubulação e equipamentos que operam acima desta
temperatura
Linha de 8" rompida devido perda de espessura causada pela sulfetação em refinaria norte-americana.
Seu rompimento causou um grande incêndio. Ver CASO 041 clicando AQUI.

Este mecanismo de dano provoca perda de espessura nas paredes dos tubos utilizados nas
unidades de destilação de petróleo. É um processo relativamente lento, mas constante ao longo do
tempo, e merece atenção por parte do inspetor de equipamentos, pois pode causar o afinamento da
parede de aço de uma linha ou equipamento, até o rompimento, muita vezes catastrófico, quando
não devidamente monitorado e controlado. A redução de espessura pode ser generalizada ou
localizada.

Como foi dito acima, esta corrosão que ocorre na presença de compostos do petróleo bruto, tais
como o sulfeto de hidrogênio, que reage com equipamentos construídos com aço (ligas ferrosas,
inox série 300, 400 e ligas de níquel). A presença de hidrogênio acelera o processo corrosivo.

As variáveis do processo que afetam a taxa de corrosão incluem o teor total de enxofre do óleo,
o tipo de enxofre presente, as condições de fluxo e da temperatura de operação do equipamento.
Praticamente todo o petróleo bruto contêm compostos de enxofre, portanto, a sulfetação é um
mecanismo de dano presente em cada refinaria que processa petróleo bruto em qualquer lugar do
mundo.

A reação entre o enxofre e o ferro produz uma camada escamada de sulfeto de ferro sobre a
superfície do aço. Esta reação pode ser comparada com o de oxigênio e ferro (oxidação). O tipo de
escama formada pela sulfetação depende dos elementos contidos no aço. Certas escamas formadas
são protetoras e ajudam a reduzir a reação entre compostos de enxofre e o ferro, minimizando a
taxa de corrosão.

A taxa de corrosão na sulfetação diminui significativamente com o aumento de teor de cromo


(Cr), ou seja, é recomendável que em trechos ou linhas de aço carbono seja considerada a
possibilidade de substituição do aço carbono por uma liga com teor de Cr desejável, quando a
sulfetação se mostrar um perigo eminente à planta industrial. Logicamente, um estudo
pormenorizado deve-se se efetuado para esse fim.
Quanto maior o teor de cromo (Cr) maior será a resistência a

corrosão. Aços com maiores teores de Cr apresentam

melhor resistência a sulfetação.

A quantidade de silício (Si) também é um fator que influencia significativamente a taxa de corrosão
por sulfetação. Tubulações de aço de carbono contendo teor de silício menor que 0,1% podem
corroer a taxas aceleradas, chegando ser dezesseis vezes mais rápidas do que as tubulações de aço
carbono contendo maiores percentagens de silício, conforme podemos ver no gráfico a seguir.
Este gráfico mostra o aumento da taxa de corrosão no aço carbono conforme o decréscimo de
silício. Esta informação pode ser encontrada no Anexo C do API RP 939-C: Diretrizes para evitar
sulfetação e falhas de corrosão em refinarias de petróleo. OBS: mpy= milésimo de polegada por ano.