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A Igreja Primitiva (30 d.C - 313 d.

C)
Por: Juberto Santos

Era a Igreja formada pelos primeiros cristãos em áreas urbanas (forma organizada
das cidades romanas), onde as transformaram (At 17,4). Eram as primeiras
comunidades cristãs. Elas viviam escondidas, mas em união total. Todos
continuavam firmes no ensino dos apóstolos, viviam em amizade uns com os
outros, e se reuniam para as refeições e as orações. Os cristãos desta época tinham
um sentimento de irmandade, caridade e fé, inegavelmente muito maior que o
cristão de hoje. O melhor documento histórico para entendermos bem o período é o
livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas Evangelista, onde vemos como
essas comunidades se desenvolverem, suas dificuldades nos arredores da Palestina
e parte da Ásia menor.

Ao ler At 2, 42-47, podemos perceber o dia-a-dia dos primeiros cristãos. Eles


viviam em regime de comunhão de bens, se aplicavam também na Oração (sendo a
força catalisadora para a mudança de vida à a oração precisa da razão, assim como
a fé), a fração do pão (partilha do todo, segundo a necessidade de cada um – o
“pão” – sendo visto como a totalidade da necessidade) e havia meditação na
Doutrina dos Apóstolos (consideravam o estudo, a investigação e a reflexão para
terem certeza daquilo que iriam acreditar). Sua atuação se dá em Atenas,
Jerusalém, Éfeso, Corinto, Roma, Alexandria, Antioquia e Tessalônia. Eram as
próprias comunidades que financiavam as peregrinações dos Apóstolos e Peregrinos
Evangelizadores pelo mundo todo. Eles aceitavam a própria morte e torturas física
por amor a Jesus.

Os primeiros cristãos mudavam as cidades, mexiam com o sistema, eram


intelectuais... Podemos dividir esse período em: “Período Apostólico” (30-70 d.C),
“Período Sub-apóstólico” (70-135 d.C) e “Período dos Mártires e da
Institucionalização da Igreja” (135-313 d.C). O termo “Apóstolo” significa
“enviado”, em grego. Missionários itinerantes, que tiveram contato com Jesus de
Nazaré. Foram testemunhas oculares. Até o ano 100 d.C os cristãos ainda são bem
desconhecidos. Os romanos os confundem com os judeus. Aos poucos, o
cristianismo vai mostrando sua existência. Era o início da “Grande Igreja”.

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do


Império Romano. Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos
(época das perseguições), porque a sua religião era vista como uma ofensa ao
Estado representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto
religioso ao soberano. Aos poucos se propagou em Roma e pelo império.

As principais e maiores perseguições foram as do imperador Nero, no século I


(morte de Paulo, Pedro), a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a
maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304 que tinha por
objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta
última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso, Diocleciano, após ter
renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade.

No século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar
depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no tempo do imperador
Teodósio (379-395), em religião oficial do Estado (380). O imperador romano, por
esta época, convocou as grandes assembléias dos bispos, a saber, os concílios e a
Igreja puderam então dar início à organização de suas estruturas territoriais.

Alguns fatos importantes:

· O Concílio de Jerusalém (49 d.C) à Ele seria o marco definitivo da ruptura do


judaísmo com o cristianismo. A admissão de gentios (não-judeus) era um fato de
difícil compreensão para os cristãos-judeus, que ainda se encontravam em parte
presos às velhas tradições e práticas antigas. Foi presidido pelo Apóstolo Pedro.
Seria o Concílio de Jerusalém, o primeiro deles. Assim foi aceito o batismo de não-
judeus. “A salvação é pela fé e pela graça, não pela observância da Lei” (At 15:7-
11).

· Início do Monaquismo (séc. IV) à A Cristandade instrumentaliza a Igreja pelo


Estado até um determinado ponto. Alguns bispos e os ascetas (eremitas) percebem
esse perigo da “mundanização da Igreja”, pois o imperador está “na Igreja e não
acima da Igreja” (Santo Ambrósio, bispo de Milão). Eremitas (Latim) / Anacoretas
“ir para” (Grego) / Mônacos (Grego) à pessoas solitárias que fugiam do convívio
das cidades e aldeias e iam para as margens do deserto. Esses bispos escrevem
textos assinalando fronteiras, pois a igreja está no mundo, mas não é o mundo. Ela
podia ser protegida pelo Estado, mas não queriam pagar com a sua submissão
perante ele. Ela não é poder político. Primeiramente esse movimento é considerado
“anárquico”, pois ele se automarginalizou, contudo, foi recuperado pela Igreja e
deixou de ficar a margem.

A Igreja na Idade Média


Por: Juberto Santos

Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas


“invasões” ou migrações germânicas e ao esfacelamento do Império Romano,
praticamente apenas a Grande Igreja, com sede em Roma, conseguiu manter-se
como instituição. Vemos os Vândalos na África, os Visigodos na Hispania, os
Francos na Gália, os Anglos e Saxões nas Ilhas Britânicas, os bárbaros(Germânicos)
na Itália. Consolidando sua estrutura religiosa, a Igreja foi difundindo o cristianismo
entre os povos “bárbaros”, enquanto preservava muitos elementos da cultura
greco-romana. Valendo-se de sua crescente influência religiosa, a igreja passou a
exercer importante papel em diversos setores da vida medieval, servindo como
instrumento de unificação, diante da “fragmentação política” (processo de
atomização do poder – poder local forte) da sociedade feudal.

OBSERVAÇÃO: O termo católico (adjetivo grego que significa “Universal”) é usado a


partir do Concílio de Trento (1545 - 1563) para designar a Igreja Romana em
oposição às Igrejas da Reforma. Antes, o termo utilizado era Cristandade.

Primeiramente, vamos entender a periodização


A Idade Média (Medium Aevum ou Middle Age) É o termo usado para o período
situado entre a Antiguidade e a Idade Moderna. Conceito estipulado no período do
Renascimento Cultural (século XVI) voltado somente para a região da Europa
Ocidental, ou seja, não há Idade Média na África, Japão, China... Cada um desses
locais possuem denominações próprias para esse período.

Tem como marco inicial o ano de 476 d.C (com o fim do Império Romano no
Ocidente – tomada de Roma, pelo imperador germânico Odoacro) e tem seu
término no ano de 1453 d.C (com o fim do Império Romano no Oriente - Tomada
de Constantinopla pelos Turcos Otomanos). Suas características, entretanto, nunca
foram às mesmas no tempo ou no espaço, pois não havia unidade nesse período. É
preciso dizer o contexto específico.

O período está dividido em: Alta Idade Média (séc. VI - X), Idade Média Central
(séc. XI - XIII) e Baixa Idade Média (séc. XIV e XV). Há até hoje um forte
preconceito sobre este período, tomado como “Idade das Trevas”, “Escuridão”, de
“Pestes e Guerras”, não havia “cidades, nem comércio”, dentre outros adjetivos.
Contudo, deve ser levado em consideração que num período de mil anos, não
houve apenas pestes, guerras... Temos que ter um olhar consciente: Nesse período
houve a criação das Universidades, da letra minúscula, do parlamento, Hospitais,
Tribunal com Júri, aperfeiçoamento da Matemática, geografia, escrita...

Devemos estudá-la sem preconceitos, com um olhar crítico e consciente.

Entendendo o Surgimento da Cristandade


Entende-se Cristandade por um sistema de relações da Igreja e do Estado (ou
qualquer outra forma de poder político) numa determinada sociedade e cultura. Ela
perdura até praticamente a Revolução Francesa (1789), com várias modalidades
dentro desse processo através dos séculos. Na história do cristianismo, o sistema
iniciou-se por ocasião da Pax Ecclesiae em 313 (paz concedida pelo imperador
Constantino à Grande Igreja), com o Edito de Milão (ele põe fim às perseguições) e
deu origem à primeira modalidade de Cristandade dita “constantiniana”; a qual se
apresenta como um sistema único de poder e legitimação da Igreja e do Império
tardo-romano.

As características gerais desta modalidade “constantiniana” são, entre outras, o


cristianismo apresentar-se como uma religião de Estado, obrigatória, portanto para
todos os súditos; a relação particular da Igreja e do Estado dar-se num regime de
união; a religião cristã tender a manifestar-se como uma religião de unanimidade,
multifuncional e polivalente; o código religioso cristão, considerado como o único
oficial, ser, todavia diferentemente apropriado pelos vários grupos sociais, pelos
letrados e iletrados, pelo clero e leigos. A figura ao lado é o “Monograma de Cristo”,
da época de Constantino. Ele é formado por duas letras entrelaçadas, as letras
gregas "chi" (X) e "rô" (P). Essas letras são as iniciais de "Christós", em grego:
CRISTOS.

Os Padres da Igreja
Os tempos de ouro da Patrística foram os séculos IV e V, embora possa se entender
que se estenda até o século VII a chamada "idade dos Padres". Os principais Pais
do Oriente foram: Eusébio de Cesaréia, Santo Atanásio, Basílio de Cesaréia,
Gregório de Nisa, Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo e São Cirilo de
Alexandria. Os principais Padres do Ocidente são: Santo Agostinho, autor das
"Confissões", obra prima da literatura universal e Santo Ambrósio; Eusébio
Jerônimo, dálmata, conhecido como São Jerônimo que traduziu a Bíblia diretamente
do hebraico, aramaico e grego para o latim. Esta versão é a célebre Vulgata, cuja
autenticidade foi declara pelo Concílio de Trento. Outros pais que se destacaram
foram São Leão Magno e Gregório Magno, este um romano com vistas para a Idade
Média, as suas obras "os Morais e os Diálogos" serão lidas pelos intelectuais da
Idade Média, e o canto "gregoriano" permanece vivo até os dias de hoje. Santo
Isidoro de Sevilha, falecido em 636, é considerado o último dos grandes padres
ocidentais.

A Cristandade Medieval
A Cristandade medieval ocidental é, em certa medida, a continuadora da
Cristandade antiga, a do “Império Cristão” dos séculos IV e V. No contexto
medieval, acentuaram-se muito mais a situação de unanimidade e conformismo,
obtida por um consenso social homogeneizador e normatizador, consenso este
favorecido pela constituição progressiva de uma vasta rede paroquial e clerical. As
instituições todas tendiam, pois, a apresentar um caráter sacral e oficialmente
cristão. Sabemos que nela predominou, em geral, a tutela do clero. Não, todavia
durante os séculos IX e X, quando a tutela dos leigos sobre as instituições eclesiais
a levou à sua feudalização, o que provocou a partir do século XI, o grito dos
reformadores, sobretudo eclesiásticos: libertas Ecclesiae. Ocorreu então a reforma
“gregoriana”, no século XI, que operou a síntese de uma reforma na e da Igreja, de
uma reforma “na cabeça e nos membros”.

Alguns Fatos Históricos Importantes ocorridos no Período da Idade Média.

- A Distinção Gelasiana (494)

O Bispo de Roma, o Papa Gelásio I (492-496) efetuou a distinção entre o poder


temporal dos imperadores e o espiritual dos papas, considerando superior o poder
destes últimos. Envia um documento ao imperador do Oriente (Anastácio). Definiu
a teoria dos dois poderes: o poder temporal (poder do imperador) e o poder
espiritual (poder dos bispos). Os bispos, de acordo com essa teoria, seriam
superiores ao poder temporal. Estabelecido ainda que a figura do papa não poderia
ser julgada por ninguém. Dizia que o papel do Pontífice era antes ouvir do que
julgar.

- As Heresias

Define-se como negação ou dúvida pertinaz de uma verdade que se deve crer com
fé divina e católica, por quem recebeu o batismo. Ao longo da história da Igreja
vemos: O Gnosticismo (séc. II); Maniqueísmo (séc. III); Arianismo (séc. IV);
Pelagianismo (séc. V); Iconoclastas (séc. VIII); Cátara e valdense (séc. XII-XIII);
Protestantismo e Anglicanismo (séc. XVI); Jansenismo (séc. XVII); Modernismo
(séc. XIX). O relativismo doutrinal e moral são tidos como a grande heresia atual. O
rigor da Igreja no combate às heresias e cismas variou ao longo dos tempos, com
períodos de grande repressão, sobretudo quando tais desvios eram cominados com
penas graves pelo poder político.
- Os Mosteiros

Vemos com São Bento de Nursia (529), uma retomada e revigoramento dos
mosteiros. Os ermitões (Ermo – significa desertos) atuavam sozinhos e passam a
se organizar em pequenos grupos. São Bento traça uma regra, dando uma forma a
vida monástica, a qual passa a ser copiada em outros mosteiros. O dia do monge é
dividido em 7 momentos de oração, mais o trabalho manual (penitência), produz
seu alimento. “Ora et Labora”. Não é necessário buscar mosteiros distantes, mas se
santificar com aqueles que convive. Deu forma ao monasticismo medieval. Ao
longo da Idade Média vemos que os mosteiros preservam as escrituras sagradas,
tornam-se refúgio, guardam as obras de arte e cultura...

- Fragmentação do Império Romano no Ocidente

Com as migrações germânicas e a queda do Império Romano no ocidente (476) os


bispos começam a buscar a unificação. Apelam para a elite romana “Romanitas”,
que passam a defender os valores cristãos. Os reis bárbaros vão se convertendo ao
longo dos anos. Vemos a ação do papa Gregório I, o Magno (590-604) assinala que
“todo o poder foi dado ao alto aos meus senhores para ajudar os homens a fazer o
bem”. Assim os bispos e o Imperador e os reis têm a função de ajudar o bem e
punir o mal. Primeiro papa monge, intitulava-se Servidor dos Servidores de Deus.
Aproveitou-se da falência imperial na Itália para assumir o poder temporal.
Desligou-se da influência bizantina e aproximou-se dos germânicos. Visigodos,
suábios e lombardos se converteram. Agostinho foi à Inglaterra e converteu os
anglo-saxões. Os escritos de Gregório Magno instruíram o clero e fortaleceram a
religiosidade dos fiéis. Sua Regra Pastoral serviu de manual para os padres em toda
a Idade Média.

- As Cruzadas

Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa


expedições militares conhecidas como cruzadas (esses missionários assim se
chamavam pela cruz de pano que levavam na veste), cujo objetivo oficial era
conquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que
estavam em poder dos muçulmanos e turcos. Entretanto, além da questão
religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da
nobreza feudal, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os
muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais
do Oriente. Os cristãos eram estimulados pelas indulgências que lhes prometiam o
perdão dos pecados e a posse do céu. De 1095 a 1270, a cristandade européia
organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os
infiéis. Era a guerra santa, justa, pois eles estavam difamando o santo sepulcro, a
terra santa. Foram, ao todo, oito grandes incursões. Vemos a Cruzada Popular ou
dos Mendigos (1096), Primeira Cruzada (1096-1099), Segunda Cruzada (1147-
1149), Terceira Cruzada (1189-1192), Quarta Cruzada (1202-1204), Cruzada
Albigense, Quinta Cruzada (1217-1221), Sexta Cruzada (1228-1229), Sétima
Cruzada (1248-1250), em março de 1270, o rei Luís IX, São Luís, decide organizar
uma nova cruzada - Oitava Cruzada (1270), a qual fracassa e ele morre em
combate.
- Querela das Investiduras

A Questão das Investiduras refere-se ao problema de a quem caberia o direito de


nomear sacerdotes para os cargos eclesiásticos, ao papa ou ao imperador. No
século X, o imperador Oto I, do Sacro Império Romano Germânico, iniciou um
processo de intervenção política nos assuntos da Igreja a fim de fortalecer seus
poderes. Fundou bispados e abadias; nomeou seus titulares (abades leigos) e, em
troca da proteção que concedia ao Estado da Igreja, passou a exercer total controle
sobre as ações do papa. Durante esse período, a Igreja foi contaminada por um
clima crescente de corrupção, afastando-se de sua missão religiosa e, com isso,
perdendo sua autoridade espiritual. As investiduras (nomeações) feitas pelo
imperador só visavam os interesses locais. Os bispos e os padres nomeados
colocavam o compromisso assumindo com o soberano acima da fidelidade ao papa.
No século XI surgiu um movimento reformista, visando recuperar a autoridade
moral da Igreja, liderado pela Ordem Religiosa de do mosteiro de Cluny (França).
Esses ideais foram ganhando força dentro da Igreja, culminando com a eleição, em
1073, do papa Gregório VII, antigo monge daquela ordem reformista.

- A Reforma Gregoriana (Século XI)

Os papas escolhidos passam a ser de origem germânica (monges), logo os papas


romanos saem de cena, pois os primeiros não teriam parte com a política local.
Com isso as reformas têm inicio com esses papas de origem monástica, com
amplas mudanças de cima para baixo, hierarquizada, uma reforma das instituições.
Hildebrando, reformador ligado ao movimento de Cluny, tinha acesso ao papa e,
sob sua influência, Nicolau II criou em 1059 o Colégio dos Cardeais, com finalidade
de eleger o papa, limitado o cesaropapismo. Primeiro, há uma reforma do clero,
contra os abusos existentes, das instituições (reforma da Igreja). Também havia a
necessidade da mudança dos corações, dos pensamentos (reforma na Igreja). A
reforma viria do papado, passaria pelos bispos, presbíteros e monges até chegar
aos leigos. Esse espírito de reforma foi lento e progressivo, aos poucos, vemos os
abusos sendo retirados. Em 1073, Hildebrando foi eleito papa, com o nome de
Gregório VII. Instituiu totalmente o celibato dos sacerdotes, em 1074, e proibiu que
o imperador investisse sacerdotes em cargos eclesiásticos, em 1075. O Imperador
alemão Henrique IV reagiu dando o papa como deposto. Desenvolveu-se, então,
um conflito aberto entre o poder temporal do imperador e o poder espiritual do
papa. O papa considerou o imperador igualmente deposto, excomungando-o, e
proibindo os vassalos de lhe prestar serviço, sob pena de excomunhão. Há uma
interdição (sem batismos, sem eucaristia, sem extrema unção). Henrique foi ao
Castelo de Canossa em 1077 e pediu perdão ao papa, que o concedeu. Esse conflito
foi resolvido somente em 1122, pela Concordata de Worms, assinada pelo papa
Calixto III e pelo imperador Henrique V. Adotou-se uma solução de meio termo:
caberia ao papa a investidura espiritual dos bispos (representada pelo báculo), isto
é, antes de assumir a posse da terra de um bispado, o bispo deveria jurar
fidelidade ao imperador.
- Hospitalários (Ordem dos)

O ideal cavalheiresco da Idade Média levou à criação de várias instituições de apoio


aos doentes internados, ordem leiga de caráter assistencialista (1113), hospital
para os peregrinos que vinham feridos e cansados.

- Os Templários

Ordem fundada em França (1119) para lutar contra os infiéis. O nome veio-lhes da
casa que tiveram em Jerusalém sobre as ruínas de uma mesquita (cavaleiros da
Ordem doTemplo). Fazem votos dados pelo patriarca de Jerusalém. Em 1129, vê-se
a implantação militar. Prestaram notáveis serviços na Terra Santa e no Sul da
Europa, chegando a ter 5 províncias e 4000 membros. É oficializada em 1199. As
benesses recebidas de reis e papas deram-lhes grande poder financeiro, o que
levou Filipe o Belo, rei de França, a acusá-los, com a conivência da Inquisição, de
crimes graves, obrigando o Papa (Clemente V) a suprimi-los. Muitos foram mortos.
Os seus bens, em França, foram confiscados pelo rei; em Portugal, passaram para
a Ordem de Cristo, fundada por D. Dinis.

- O Cisma do Ocidente (1378-1417)

Resultante da coexistência de papas e antipapas foi fruto de rivalidades dentro e


fora da Igreja. Não há um “cisma” de fato, pois o que se dividiu é a obediência a
dois papas e não à obediência eclesial.

Após a morte do papa Gregório XI, há um conclave com 16 cardeais e depois de


muitas dificuldades elegem um italiano, Urbano VI. Ele era intransigente, rude,
indelicado e os cardeais assinalam que querem rever a decisão e pedem a sua
renúncia. Ele rejeita. Grande parte dos cardeais vão para Nápoles e realizam novo
Conclave, elegendo Clemente VII. A Igreja passa a ter “dois papas”. Eles ficam em
Avinhão (França). A obediência fica dividida, ambos governando. Estados que
apoiavam Urbano VI (Escandinávia, Flandres, Inglaterra, o Imperador e a maioria
dos príncipes) usam a força para destituir Clemente VII (apoiado pelos parentes do
rei da França Carlos V, Escócia, Castela), como uma cruzada. Essa seria a “Via
Facti”. Os reis, os prelados, os párocos, as ordens religiosas tomam partido e
ajudam nessa adesão de obediências. Em 1394, morre Clemente VII e é eleito
Bento XIII. Também morre Urbano VI e é eleito Gregório XII. Continuam dois
papas a governar. Em 1409, os dois grupos buscam uma via conciliar para resolver
a situação, com o Concílio de Pisa, destituem os dois papas e elegem Alexandre V
(com a maior parte das Ordens Religiosas decididas a fazer uma inteira reforma na
Igreja). Os dois papas não aceitam e a igreja passa a ser governada por 3 papas.
Alexandre V morre e é eleito João XXIII (nome depois cancelado e renascido
somente no século XX - e já no ano seguinte tomou posse da catedra romana).
Apenas em 1417, vemos uma solução: João XXIII se demite, Gregório XII abdica e
Bento XIII é deposto e se isola na Catalunha, sem apoio. Martinho V (1417-1431) é
eleito e traz a unicidade novamente. Retorna para Roma. Em 1439, ainda teríamos
o antipapa Félix V, contudo, não avança tal fato.
- A Inquisição

Tribunal eclesiástico para averiguar e julgar os acusados de heresia. A sua


instituição jurídica data de 1232 (Inquisição Medieval); pelo papa Gregório IX, para
disciplinar as freqüentes práticas persecutórias da parte do povo e dos príncipes,
muitas vezes sob a forma de linchamentos. A desmoralização pública era a maior
pena para os hereges condenados pelos inquisidores (bispos).

No séc. XI apareceu uma heresia fanática e revolucionária, como não houvera até
então: o Catarismo (do grego katharós, puro) ou o movimento dos Albigenses (de
Albi, cidade da França meridional, onde os hereges tinham seu foco principal). Em
geral, a Inquisição quando condenava um herege entregava-o ao braço secular,
para lhe aplicar o castigo previsto nas respectivas leis e costumes, incluindo a
morte na fogueira. A Igreja aplicava a condenação espiritual, “no outro mundo”. O
seu funcionamento dependia muito dos inquisidores, que eram normalmente
dominicanos, alguns deles elevados às honras dos altares (como S. Pedro de
Verona, morto às mãos dos Cátaros). Devem reconhecer-se, além da crueza
própria dos costumes de então, verdadeiros abusos e injustiças (como a
condenação dos Templários e de Sta. Joana de Arc). Ficou também célebre a
condenação (sem execução) de Galileu.

Nos séculos. XV e XVI, a Inquisição foi reorganizada para enfrentar a heresia


protestante, em geral, a pedido dos príncipes católicos. Em Espanha foi autorizada
em 1478, em moldes que a fazia depender muito do poder civil. Em Portugal teve
acuação moderada desde o séc. XIV, mas só se tornou particularmente rigorosa
com D. Manuel I e D. João III, pelas medidas discriminatórias contra judeus e
cristãos-novos.

A Inquisição é inconcebível para a atual mentalidade, mas a sua correta apreciação


deve ter em conta os tempos em que vigorou, em que a heresia era sentida como
perigo grave para a unidade da Igreja e do Estado, e em que as penas aplicadas
eram comuns no direito corrente dos povos. A Igreja aplicava as penas espirituais
(na outra vida), tais como a excomunhão. Os condenados pela inquisição eram
entregues às autoridades administrativas do Estado, que se encarregavam da
execução das sentenças seculares. As penas aplicadas a cada caso iam desde a
confiscação de bens até a morte em fogueiras.

A intervenção do poder secular exerceu profunda influência no desenvolvimento da


inquisição. As autoridades civis anteciparam-se na aplicação da forma física e da
pena de morte aos hereges; instigaram a autoridade eclesiástica para que agisse
energicamente; provocaram certos abusos motivados pela cobiça de vantagens
políticas ou materiais.

OBS.: De resto, o poder espiritual e o temporal na Idade Média estavam, ao menos


em tese, tão unidos entre si, que lhes parecia normal recorrer um ao outro em tudo
que dissesse respeito ao bem comum. Quanto a Inquisição Romana instituída no
séc. XVI era herdeira das leis e da mentalidade da lnquisição medieval.

“Em nossos tempos, o Papa João Paulo II pediu perdão repetidamente por falhas
dos filhos da Igreja. É de notar que não mencionou ‘falhas da igreja’, mas ‘falhas
dos filhos da Igreja’. Implicitamente retomou a distinção entre pessoa e pessoal da
Igreja: pessoa seria a Igreja Esposa de Cristo, que o Senhor vivifica e à qual
garante a fidelidade ao Evangelho; pessoal seriam os fiéis, que nem sempre
obedece às normas da Santa Mãe Igreja. O pecado está na Igreja, mas não é da
Igreja; é resquício da velha criatura dentro da novidade da criatura oriunda do
Batismo e da inserção em Cristo.” (in: BETTENCOURT, E. in: Na História da Igreja
luzes e sombras)

A Reforma Protestante
Por: Juberto Santos

Foi o movimento que rompeu a unidade do Cristianismo centrado pela Igreja de


Roma. Esse movimento é parte das grandes transformações econômicas, sociais,
culturais e políticas ocorridas na Europa nos séculos XV e XVI, que enfraqueceram a
Igreja permitindo o surgimento de novas doutrinas religiosas – Protestantes. A
Igreja estava em crise, a burguesia crescia em importância, o nacionalismo
desenvolvia-se nos Estados modernos e o Renascimento Cultural despertava a
liberdade de Crítica. O aumento populacional somado às transformações que vêm
junto com esse aumento acarreta em um baque entre a Igreja e essas
transformações. Os intelectuais das cidades pensam hipóteses, passam a ter idéias,
problemas que antes não existiam. O termo “Igreja Católica” é posterior ao
Concílio de Trento, uma forma de diferenciação perante os protestantes. Antes só
existia a Cristandade.

A esse movimento de divisão no cristianismo e surgimento das novas doutrinas dá-


se o nome de REFORMA e à reação da Igreja, realizando modificações internas e
externas, de CONTRA-REFORMA. Contudo, esse movimento foi precedido por várias
manifestações nos séculos anteriores, mas nenhuma delas conseguiu o rompimento
definitivo com a Igreja Romana. Dentre elas, vemos:

- Heresias Medievais (Arianismo, Valdenses, Albigenses);


- Querela de Investiduras (disputas entre os papas e os imperadores da Alemanha
a partir de 1074, pelo direito de nomear bispos e abades. Só se resolve no século
XII);
- Cisma do Ocidente – (Ocorrido em 1378, em que a Igreja passa a ser governada
por TRÊS papas – ela se unifica em 1417);
- Movimentos Reformadores – John Wiclif (1320? -1384) e Jonh Huss (1369-1415;.

Os primeiros questionamentos são referentes à questão das Indulgências


(documentos assinados pelo papa, que absolviam o comprador de alguns pecados
cometidos, diminuindo o tempo de sua pena no purgatório, era um comércio em
vista da salvação); a Simonia {comercialização de coisas sagradas (Cargos
eclesiásticos, cobrança por sacramentos, objetos...)}; o celibato, culto às imagens,
excesso de sacramentos, atitude mundana do Alto Clero, dentre outras. Havia um
abismo muito grande entre o que a Igreja pregava e o que fazia.

A REFORMA LUTERANA

A região da atual Alemanha não está centralizada, é agrária e feudal. A Igreja


possui um terço das terras. Há descontentamento geral. Vendo tantos abusos por
parte do Clero, o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546) não se calou.
Elaborou 95 teses e afixou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em
1517. A maioria era contra as indulgências. Principalmente as indulgências visando
à construção da Basílica de São Pedro. Apoiado pela nobreza alemã, Lutero pôde
divulgar suas idéias, calcada em dois princípios que se constituiriam no núcleo de
sua doutrina: A Salvação somente pela fé e não pelas práticas religiosas e a
Inutilidade dos Mediadores (Clero).

Em Junho de 1518 foi aberto o processo contra Lutero, com base na publicação das
suas 95 Teses. Alegava-se que este incorria em heresia, a ser examinado pelo
processo. Nas aulas que dava na Universidade de Wittenberg, espiões registram os
comentários negativos de Lutero sobre a excomunhão. Depois disso, em agosto de
1518, o processo é alterado para heresia notória. Lutero é convidado para ir a
Roma, onde desmentiria sua doutrina. Lutero recusa-se a fazê-lo, alegando razões
de saúde e pretende uma audiência em território alemão. O seu pedido foi aceito,
ele foi convidado para uma audiência com o cardeal Caetano de Vio (Tomás
Caetano), durante a reunião das cortes (Reichstag) imperiais de Augsburg. Entre
12 e 14 de Outubro de 1518, Lutero fala a Caetano. Este pede-lhe que revogue a
sua doutrina. Lutero recusa-se a fazê-lo.

Do lado romano, o caso pareceu terminado. Por causa da morte de Imperador


Maximiliano I (Janeiro de 1519), houve uma pausa de dois anos. Após a escolha de
Carlos V como imperador (26 de junho de 1519), o processo de Lutero voltará a ser
reatado. Em junho de 1520 reaparece a ameaça no escrito "Exsurge Domini", em
Janeiro de 1521 a bula "Decet Romanum Pontificem". Com ela foi excomungado
Lutero.

Ele queima publicamente a carta do papa (Bula papal), traduz a Bíblia para o
Alemão e fica abrigado na Saxônia. Em abril de 1523, Lutero ajudou 12 freiras a
escapar do cativeiro do convento de Nimbschen. Entre essas freiras encontrava-se
Catarina von Bora, com quem se casou em 13 de junho de 1525. Dessa união
saíram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. Em
1546, no dia 18 de fevereiro, aos 62 anos, Martinho Lutero faleceu.

Eis suas reivindicações e críticas principais:

Substituição do Latim pelo idioma alemão nos cultos religiosos; Questiona a grande
quantidade de sacramentos (Preserva dois sacramentos: batismo e eucaristia);
Livre interpretação da Bíblia; Contra o Celibato; Rejeita a Hierarquia Religiosa da
Igreja de Roma; pregava a Salvação pela fé; Negava a Transubstanciação –
afirmava a Consubstanciação (misturados); Pecado Original: Marca do gênero
Humano (nem Cristo, nem o Batismo o retiram);

O Luteranismo expandiu-se basicamente no Sacro Império Romano-Germânico e


nos países escandinavos (Suécia, Noruega e Dinamarca), regiões essencialmente
rurais, pouco desenvolvidas em termos comerciais. Através de suas idéias, eles
desapropriam as terras da Igreja.
A REFORMA CALVINISTA

João Calvino (1509-1564) era francês, que inicia sua ruptura em Genebra, Suíça,
por volta de 1536. Lá começa a publicar estudos sistemáticos sobre a nova religião.
Funda uma nova doutrina que expande a Reforma. A burguesia dessa cidade havia
adotado os princípios da reforma para lutar contra seu governante, o católico
Duque de Savóia, o que favoreceu a atuação do reformador. Ele divergia de Lutero
em alguns pontos, principalmente na questão da Salvação. Diferente de Lutero
(salvação pela fé), ele defendia a idéia de que a fé não era suficiente, uma vez que
o homem já nasce predestinado, ou seja, escolhido por Deus para a vida eterna ou
para a sua condenação. Calvino tornou-se todo-poderoso, conseguindo impor sua
doutrina, interferir nos costumes, nas crenças e na própria organização político-
administrativa da cidade. O Calvinismo propagou-se rapidamente atingindo a
França, a Holanda, a Inglaterra e a Escócia.

Eis algumas de suas teorias e questionamentos:

- A riqueza material era um sinal da graça divina sobre o indivíduo. Essa teoria é
assimilada pela burguesia local, que justificava não só seu comércio, como também
as atividades financeiras e o lucro a elas associado. Ele justifica as atividades
econômicas até então condenadas pela Igreja romana.
- Grande rigidez na moral
- Questiona a Liturgia da Missa (simplifica com o Sermão, a oração e a leitura da
Bíblia).
- Questiona o uso das Imagens (houve quebra-quebra nas paróquias locais)
- Acaba com os jogos, dança ida ao teatro...
- “O homem que não quer trabalhar, não merece comer.” afirma.
- Livre Interpretação da Bíblia;
- Nega o culto aos santos e a Virgem;
- Questiona a autoridade do Papa;
- Defende a separação entre a Igreja e o Estado;
- Questiona o Celibato do clero;
- Questiona a Transubstanciação (propõe uma presença material, o Cristo está
presente, mas não materialmente).
- Ele cria um conselho para reger a vida religiosa em Genebra de “12 anciãos”. Eles
julgavam, ditavam regras. Consistório de Genebra.
- A doutrina afirma que não há certeza da salvação;

A REFORMA ANGLICANA

Os ingleses, durante a época dos Tudor, também criticavam os abusos da Igreja


Romana, a ineficiência dos tribunais eclesiásticos e o favoritismo na distribuição de
cargos públicos para membros do Clero, além de queixar-se do pagamento e do
envio de dízimos para Roma. Durante o governo de Henrique VIII (1509-1547), a
burguesia fazia pressão para o aumento do poder do parlamento. O rei,
necessitando aumentar as riquezas do Estado, confisca as terras da Igreja, o que
gera desentendimentos com o Papa. Isso se agrava quando o monarca solicita a
anulação do casamento com Catarina de Aragão. Ele não tinha sucessores
masculinos, temia que seu trono caísse em mãos espanholas. Toda a nação, com
medo deste fato, apóia esse pedido. O Papa Clemente VII nega o pedido. O Rei
rompe com o papado e faz uma reforma na Igreja Inglesa. Obriga seus membros a
reconhecê-lo como chefe supremo e a jurar-lhe fidelidade e obediência. Obtém do
clero inglês o divórcio e se casa com uma dama da corte, Ana Bolena. O Papa tenta
intimidá-lo excomungando-o, mas não adianta.

Em 1534, Henrique VIII decreta o Ato de Supremacia, que consolida a separação


entre a Inglaterra e o papa. Torna-se o chefe da Igreja de seu país. A Reforma
anglicana, na prática, apresenta poucas modificações com a Igreja romana:
Questiona o Culto aos santos; A autoridade máxima é o Rei e não o papa;
Questiona o culto às relíquias; Prega a popularização da leitura da Bíblia. A Reforma
anglicana resolveu, na prática, dois problemas para a monarquia: a questão da
herança do trono e com a venda das terras da Igreja para a burguesia e nobreza,
dá um suporte financeiro para a Coroa. O Anglicanismo se consolida no reinado de
Elizabeth I, filha de Henrique VIII, que renova seu direito de soberania real sobre a
Igreja, além de fixar os fundamentos da doutrina e do culto anglicano na Lei dos 39
Artigos, em 1563.

OBSERVAÇÃO - O Calvinismo também criou raízes na Inglaterra. Seus adeptos, os


puritanos, iriam entrar em choque com os anglicanos, gerando inúmeros conflitos
no século XVII, que levaram às imigrações maciças para a região da Nova
Inglaterra, na América do Norte.

THOMAS MÜNTZER (1489 - 1525)

Liderou uma revolta em 1524 com camponeses da região do Reno. Além de atacar
a Igreja pela cobrança de dízimos, passam a reivindicar a reforma agrária e a
abolição dos privilégios feudais. Ele afirmava ser Luterano. O movimento se
espalhou por várias regiões alemãs com assaltos a castelos, queima dos mosteiros
e roubo de colheitas. A essas manifestações, seguiu-se uma repressão violenta,
apoiada por Lutero em prol da Nobreza alemã. Müntzer foi preso e decapitado e
houve o massacre de milhares de camponeses. Ele foi um dos grandes pregadores
do ANABATISMO (os convertidos são batizados na idade adulta, mesmo já sendo
batizados quando criança).

Tinham a necessidade de rebatizar os indivíduos, de separar a Igreja e o Estado, de


abolir as imagens e o culto dos santos, queria uma igualdade absoluta entre os
homens, viver com simplicidade, pois todos eram inspirados pelo Espírito Santo.
Uma das principais questões de sua formulação teológica é a igualdade. Através do
sacrifício de Cristo na cruz todos os homens se tornaram iguais perante Deus e
livres do “jugo do pecado”. Com base nisso, Müntzer coloca no mesmo patamar
tanto os senhores como os servos e é criticado por Lutero, uma vez que estaria
reduzindo a liberdade a algo meramente carnal. Esse traço do pensamento de
Müntzer (associado ao lema "omnia sunt communia") foi interpretado por alguns
como uma formulação pré-socialista. No entanto, o que está em questão é algo
muito diferente do socialismo do século XIX e à preocupação em se viver, em todos
os sentidos, segundo a natureza humana do Filho de Deus.
Com a decapitação do teólogo Thomas Müntzer, a 27 de maio de 1525, terminou a
Guerra dos Camponeses, responsável pela morte de pelo menos cinco mil pessoas
na região da Alemanha. Seus adeptos foram fortemente reprimidos seja nos
Estados Católicos, Luteranos ou Calvinistas.

A CONTRA-REFORMA

"A situação da igreja católica, em meados do século XVI, era bastante difícil: ela
perdera metade da Alemanha, toda a Inglaterra e os países escandinavos; estava
em recuo na França, nos Países Baixos, na Áustria, na Boêmia e na Hungria. A
Contra-Reforma, ou Reforma católica, foi uma barreira colocada pela Igreja contra
a crescente onda do protestantismo.”

O avanço do Protestantismo, não só neste momento, levou a Igreja Romana a se


reorganizar. Foi um movimento de reação ao protestantismo. A Igreja precisava se
auto-reformar ou não sobreviveria, pois precisava, ainda, evitar que outras regiões
virassem protestantes. Esse movimento de reforma interna já existia, mas é nesse
momento que ele é aprofundado. Entre 1545 e 1563, foi convocado o CONCÍLIO DE
TRENTO, pelo papa Paulo III (1534-1549) onde houve reafirmações e mudanças. O
Concílio de Trento foi o mais longo da história da Igreja: é chamado Concílio da
Contra-Reforma. Emitiu numerosos decretos disciplinares. O concílio especificou
claramente as doutrinas católicas quanto à salvação, os sacramentos e o cânone
bíblico, em oposição aos protestantes e estandardizou a missa através da igreja
católica, abolindo largamente as variações locais. A nova missa estandardizada
tornou-se conhecida como a "Missa Tridentina", com base no nome da cidade de
Trento, onde o concílio teve lugar. Regula também as obrigações dos bispos e
confirma a presença de Cristo na Eucaristia. São criados seminários como centros
de formação sacerdotal e reconhece-se a superioridade do papa sobre a assembléia
conciliar. É instituído o índice de livros proibidos Index Librorum Prohibitorum e
reorganizada a Inquisição.

Eleito Papa em 13 de Outubro de 1534, procurou reformar a Igreja. Paulo III


provou a criação da Companhia de Jesus de Inácio de Loyola em 1540. Convocou o
Concílio de Trento em 1545. Excomungou Henrique VIII de Inglaterra, mas não
conseguiu travar a Reforma Protestante. Concedeu a Inquisição em Portugal a D.
João III. Lançou as bases da Contra-Reforma. Após a morte de Paulo III, assume o
pontificado o papa Júlio III (1550-1555).

Em 1536 foi nomeado cardeal-bispo de Palestrina pelo Papa Paulo III, a quem
serviu em importantes legações; ele foi o primeiro a presidir ao Concílio de Trento,
abrindo a primeira sessão em Trento, em 13 de Dezembro de 1545, com uma breve
oração. Durante o concílio, foi o líder do partido papal contra o imperador Carlos V,
com quem entrou em conflito por variadas vezes, especialmente quando, em 26 de
Março de 1547, transferiu o Concílio para Bolonha. Foi sucedido pelo papa Marcelo
II (9 de abril de 1555 - 1 de maio de 1555), que faleceu provavelmente por causa
de sua constituição débil e pela fadiga acumulada ao fim de 21 dias de pontificado.
Essa nova eleição papal atrasou as reformas. Foi eleito para seu lugar o papa Paulo
IV (1555-1559). Foi nomeado cardeal em 1536 e após o curtíssimo pontificado de
Marcelo II, foi eleito papa em 23 de maio de 1555, apesar da decidida oposição dos
cardeais do partido ligado ao imperador Carlos V. Mesmo com idade avançada, o
papa, que assumiu o nome de Paulo IV, dedicou seus anos de governo, sobretudo à
organização da Inquisição romana, fundada por Paulo III graças à sua sugestão, e
à reconstrução administrativa e moral das altas hierarquias católicas.

Foi Papa de 25 de Dezembro de 1559, o papa Pio IV (1559-1565), sendo o 225º


papa. Contaminado pelo nepotismo, mudou a política anti-imperial do Papa
anterior, Paulo IV e conseguiu concluir o concílio de Trento (1562-1563) cujos
decretos começaram a ser aplicados nos últimos dois anos de seu pontificado.
Publicou um novo Índice de Livros Proibidos em 1564 e reformou o Sacro Colégio. A
pedido do imperador, permitiu a Eucaristia sob as duas espécies a alemães,
austríacos e húngaros em 1564 para frear o avanço do protestantismo. Fracassou
porem esse seu intento no leste da Alemanha, França e Inglaterra, embora se
abstivesse de excomungar a Rainha Elizabeth I. Condenou a Simonia.

O Concílio acabou sendo dividido em três períodos:

1º Período (1545-48) — Celebraram-se 10 sessões, promulgando-se os decretos


sobre a Sagrada Escritura e tradição, o pecado original, a justificação e os
sacramentos em geral e vários decretos de reforma;

2º Período (1551-52) — Celebraram-se 6 sessões, continuando a promulgar-se,


simultaneamente, decretos de reforma e doutrinais ainda sobre sacramentos em
geral, a eucaristia, a penitência, e a extrema-unção. A guerra entre Carlos V e os
príncipes protestantes constituiu um perigo para os padres de Trento;

3º Período (1562-63) — Convocado pelo Papa Pio IV, foi presidido pelos legados
cardeais Ercole Gonzaga, Seripando, Osio, Simonetta e Sittico. Estiveram ainda no
concílio os cardeais Cristoforo Madruzzo, bispo de Trento e Carlos Guise. O Papa
enviou os núncios Commendone e Delfino aos príncipes protestantes do império
reunidos em Naumburgo, e Martinengo à Inglaterra para convidar os protestantes a
virem ao concílio. Neste período realizaram-se 9 sessões, em que se promulgaram
importantes decretos doutrinais, mas sobretudo decretos eficazes para a reforma
da Igreja. Assinaram as suas actas 217 padres oriundos de 15 nações.

Os Papas da Contra-Reforma

Eis as mais importantes resoluções vistas no Concílio de Trento:

- Esclarece a Doutrina;
- Conserva os sete Sacramentos e confirma os Dogmas;
- Afirma a presença real de Cristo na Eucaristia, a Transubstanciação;
- Inicia a redação de um Catecismo;
- Criação de Seminários para a formação de sacerdotes;
- Reafirma o Celibato, a veneração aos Santos e a Virgem;
- Aprova os Estatutos da Companhia de Jesus, criada antes do Concílio por Inácio
de Loyola;
- Mantém o Latim como língua do Culto e tradução oficial das Sagradas Escrituras;
- Organizou a disciplina do clero: os padres deveriam estudar e formar-se em
seminários. Não poderiam ser padres antes dos 25 anos, nem bispos antes dos 30
anos;
- Reafirmava a infalibilidade do papa e o dogma da Transubstanciação;
- Confirma como texto autêntico, a tradução de São Jerônimo, no século IV;
- Fortalece a Hierarquia e, portanto a unidade da Igreja Católica, ao afirmar a
supremacia do Papa como “Pastor Universal de toda a Igreja”
- Revê a prática das Indulgências, condenando os abusos.
- Revê a Simonia
- Reorganizou o tribunal da Inquisição ou Santo Ofício, que fica encarregado de
combater a Reforma;
- Criação do “Índex” (índice), encarregada da censura de obras impressas, lista de
livros cuja leitura era proibida aos fiéis;

ATENÇÃO

Essas deliberações vistas em Trento foi uma resposta às acusações de Lutero e


demais protestantes. Muitos pontos foram reafirmados utilizando apenas a Bíblia
para tal. Muitos se perguntam como eles refletiram sobre essas questões e como
preparam a sua posição perante tais fatos.

Eis dois exemplos de como os bispos responderam a essas duas acusações:

-- Questionando a Transubstanciação: Essa questão diz respeito à presença real de


Jesus na Eucaristia, na Hóstia e no Vinho sendo transformados em Corpo e Sangue
de Jesus. Bem, o que os bispos assinalaram é o que está escrito nos Evangelhos,
principalmente nos fatos ocorridos na última ceia, onde se lê: “Isto é o meu corpo
(...). Isto é o meu sangue (...) fazei sempre isso em minha memória” (Mt 26, 26-
28) E o que foi analisado é exatamente o sentido desses trechos, onde foi dito que
o pão deixa de ser pão, da mesma forma que o vinho deixa de ser vinho. Há a
transformação da substância. Assim, eles rebatem as definições de Lutero, que
achava que ali havia pão e corpo misturados, vinho e sangue misturados
(Consubstanciação); e também refutam a visão de Calvino, o qual afirmava que
não muda as formas, e que em nossos corações saberíamos que era sangue e
corpo.

-- Questionando os 7 Sacramentos: Essa questão diz respeito às críticas de Lutero


e demais reformadores assinalando o Excesso de Sacramentos. Lutero assinala que
apenas dois seriam necessários (Batismo e Ceia). Bem, o Concílio respondeu
também utilizando as Escrituras, focando que os sete sacramentos foram instituídos
por Jesus Cristo. Foi visto que durante a vida e obra de Jesus, ele foi assinalando
cada um deles. Batismo: O próprio Jesus foi Batizado por João Batismo; Eucaristia:
Jesus, na última ceia, a institui junto com seus discípulos. Confissão: Jesus assinala
que a quem os discípulos perdoarem os pecados eles serão perdoados e a quem
eles não perdoarem, eles serão retidos; Matrimônio: Jesus nasceu dentro de uma
família, vivenciou e cresceu com seus pais e no episódio ocorrido nas Bodas de
Caná da Galiléia, onde vemos a presença dele prestigiando a festa de casamento e
vemos Jesus atendendo ao pedido de sua mãe para ajudar na questão do vinho.
Ordem: Jesus foi o maior de todos os sacerdotes e ele escolheu doze pessoas para
segui-lo, para aprenderem com ele seus ensinamentos e, após sua morte,
continuaram essa missão; Crisma: É o Sacramento do Espírito Santo. Ele foi
instituído no dia de Pentecostes, onde Jesus aparece em meio aos seus discípulos e
“sopra sobre eles o Espírito Santo”; Unção dos Enfermos: Jesus curou muitas
pessoas, tanto fisicamente quanto espiritualmente. E tais atos foram passados aos
seus discípulos, os quais passaram a curar os doentes e a evangelizar aos
pecadores.

Os séculos se passam...

As orientações do Concílio de Trento guiaram os católicos de todo o mundo durante


400 anos. Houve o Concílio Vaticano I (08/12/1869 - 20/10/1870), convocado pelo
Papa PIO IX (1846-1878), mas que foi interrompido devido à Guerra Franco-Alemã
que havia iniciado. As maiores mudanças começariam a acontecer apenas em
1962, quando o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II (11/10/1962 a
07/12/1965), para redefinir as posições da Igreja e adequá-la às necessidades e
desafios do mundo contemporâneo.

A Igreja na Atualidade
Por: Juberto Santos

Já se sabe que, a partir do pontificado de João XXIII - Ângelo G. Roncalli (1958-


1963) e de suas encíclicas “Mater et Magistra” e “Pacen in Terris”, a Igreja Católica
passa a tomar sérias posições frente aos problemas do mundo contemporâneo. A
partir daí, ela assumiu uma posição clara e definida: O Concílio Vaticano II, a
encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, e as reuniões do Conselho Episcopal
Latino-Americano (CELAM) foram momentos marcantes, pois definiram o
posicionamento da Igreja em face das atuais condições de vida. Vamos analisar
algumas de suas declarações marcantes. No Brasil, ocorre a Criação da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, a 14 de outubro de 1952, uma das primeiras a
se constituir.

1º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO – CELAM (1955)

A Primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se no Rio de


Janeiro, de 25 de julho a 4 de agosto de 1955. A decisão mais importante desta
conferência foi o pedido dirigido ao Papa Pio XII - Eugenio Giuseppe Maria Giovanni
Pacelli (1939 -1958) para se criar um organismo que pudesse unir mais as forças
da Igreja Católica na América Latina. Nasceu desta proposição o Conselho Episcopal
Latino-Americano (CELAM). O Papa aprovou o pedido em 2 de novembro de 1955.

O CONCÍLIO VATICANO II (1962-1965)

Iniciado em 11 de outubro de 1962, ele perdura até 8 de dezembro de 1965. Ele foi
o XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica Apostólica Romana. Ele foi criado
visando discutir as ações da Igreja nos tempos atuais. Na Homilia (sermão
proferido durante as Missas) de abertura do CVII aos padres conciliares, o Papa da
época expõe sua intenção: “Procuremos apresentar aos homens de nosso tempo,
íntegra e pura, a verdade de Deus de tal maneira que eles a possam compreender
e a ela espontaneamente assentir. Pois somos Pastores...” (João XXIII, 1962).

Dentre as grandes decisões vistas nesse concilio, podemos citar: O culto em língua
nacional (a Missa em Latim deixa de ser executada obrigatoriamente); à utilização
dos meios de comunicação social (cinema, televisão, rádio, jornais...); liberdade de
consciência; a criação das Pastorais; reformas litúrgicas; a ampliação dos leigos na
vida da Igreja; nova codificação do Direito Canônico; a definição de uma igreja
democrática e ecumênica. O papa Paulo VI assume após a morte de João XXIII
após a Primeira cessão do Concílio.

A CAMPANHA DA FRATERNIDADE (1963/1964)

Em 13 de dezembro de 1963, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)


cria a “Campanha da Fraternidade - CF” com a missão de debater temas atuais e
urgentes perante a sociedade. Seu objetivo é despertar a solidariedade dos seus
fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que envolve a sociedade
brasileira, buscando caminhos de solução. A cada ano é escolhido um tema, que
define a realidade concreta a ser transformada, e um lema, que explicita em que
direção se busca a transformação. Nos primeiros anos da Campanha, a Igreja
buscou trazer os fiéis para o interior das comunidades. Percebe-se isso amplamente
ao ver os lemas usados:

CF 1964 – Lembre-se: Você também é a Igreja


CF 1965 – Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor.
CF 1966 – Somos Responsáveis uns pelos outros
CF 1967 – Somos todos iguais, somos todos irmãos
CF 1968 – Crer com as mãos
CF 1969 – Para o outro, o próximo é você!
CF 1970 – Ser Cristão é Participar
CF 1971 – Reconciliar
Tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário e cristão no
povo de Deus, comprometendo, em particular os cristãos na busca do bem comum;
educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central
do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da
Igreja na Evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e
solidária - todos devem evangelizar e sustentar a ação evangelizadora e libertadora
da Igreja, daí o destino da coleta final: realização de projetos de caridade
libertadora e manutenção da ação evangelizadora.

A CF foi passando a atingir, a cada ano, um problema determinado e urgente que


precisa do esforço de ação pastoral conjunta no Brasil. Temas como Educação,
Saúde, Questão Agrária, Reconciliação, Família, Crianças, Idosos, Água, Violência,
Juventude, Meios de Comunicação, Trabalho, Fome, Desigualdade Social,
Solidariedade e Paz foram destacados.

2º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (1968)

O II Conselho Episcopal aconteceu em Medelin, Colômbia, em 1968, quando foi


fixado o novo posicionamento da Igreja em face das condições socioeconômicas e
político-religiosas da América Latina. Em documento episcopal foram analisadas as
explosões demográficas, o analfabetismo, a má distribuição de riquezas – como a
concentração da propriedade das terras nas mãos de uma minoria –, a
dependência ao capital estrangeiro e as tensões entre as classes e os países latino-
americanos, bem como as tensões internacionais. O documento apontou a
necessidade de promover uma radical modificação nas estruturas políticas,
econômicas e sociais, devendo a Igreja comprometer-se nesse processo: assinalou
a marginalização política do povo e as formas de opressão de grupos e de setores
dominantes. Insistiu em que a Igreja devia se engajar na promoção de uma
educação libertadora, na instauração de uma justiça e paz, na ajuda aos oprimidos
para conhecer e lutar pelos seus direitos, e no estímulo a todas as iniciativas que
contribuíssem para a formação do homem. Há a opção preferencial pelos pobres,
envolvimento com os problemas político-sociais, uma educação conscientizadora,
dentre outros.

3º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (1979)

Continuando os trabalhos iniciados em Medelin, de 27 de janeiro a 13 de fevereiro


de 1979, reúnem-se em Puebla, no México, a Terceira Confederação Geral do
Episcopado Latino-Americano. Lá, as atenções da Igreja voltaram-se mais para os
problemas sociais da América Latina, tais como: a pobreza, a fome, o
analfabetismo, a dependência ao capital estrangeiro, a adoração ao lucro e,
novamente, volta a criticar em termos políticos a marginalização popular. A linha de
ação estava voltada para os pobres e para os jovens. Mais uma vez prevaleceu a
ala progressista. Reafirmou-se a Teologia da Libertação com as propostas de
mudanças profundas nas estruturas latino-americanas, em benefício da maioria, ou
seja, dos pobres. Visa uma igreja Missionária, de Comunhão e Servidora. Através
das Comunidades Eclesiais de Base (CEBEs), passa atuar nas paróquias e dioceses
valorizando a participação ativa dos leigos.

Com a morte de Paulo VI – Giovanni B. Montini (1963-1978), o pontificado foi


assumido por João Paulo I – Albino Luciani (26/08/1978 – 28/09/1978), o “papa do
sorriso”, que morrera um mês após assumir. Seu sucessor foi um polonês, que se
autodenominou João Paulo II – Karol Wojtiyla, em 16/10/1978, em homenagem ao
papa anterior. Assumindo um caráter missionário, ele viajou por todo o mundo
levando mensagens de paz e de conforto aos povos. Pôs fim ao enclausuramento
da Cúria Romana.

Ele privilegiou, em suas encíclicas, a família. Ele possuía um caráter mais


conservador, visa temas espirituais e disciplinadores, ataca o aborto, o divorcio, o
relaxamento da moral, desestruturando o meio familiar. Apontou a aflição do
homem diante da tortura, da fome e da guerra. Utiliza em mais demasia o termo
“Doutrina Social da Igreja”, visando um olhar mais profundo as necessidades
essenciais do ser humano (alimentação, casa...). Reafirma o Celibato, condena o
controle da natalidade por meios artificiais, contra a participação de clérigos na
política. Faz limitações à Teologia da Libertação**, inclusive punições impostas pela
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Oficio) ao frei desviante
Leonardo Boff. No dia 11 de outubro de 1992, o papa, após seis anos de trabalho
na Cúria, apresenta o novo Catecismo da Igreja Católica visando uma catequese
renovada nas fontes vivas da fé. Não se destina a substituir os catecismos locais,
mas a encorajar e ajudar a redação de novos textos visando à unidade da fé e a
fidelidade à doutrina católica.
4º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (1992)

A quarta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano foi realizada em Santo


Domingo (República Dominicana), em 1992. João Paulo II a convocou oficialmente
no dia 12 de dezembro de 1990, estabelecendo como tema “Nova evangelização,
Promoção humana, Cultura cristã”, sob o lema “Jesus Cristo ontem, hoje e sempre”
(Hb 13,8). O CELAM fora o encarregado de preparar a Conferência, tendo divulgado
o Documento de Consulta em 1991. Este, após as contribuições das Igrejas locais,
transformou no Documento de Trabalho, base das discussões dos bispos e
convidados. Ela teria três objetivos: celebrar Jesus Cristo, ou seja, a fé e a
mensagem do Senhor crucificado e ressuscitado; prosseguir e aprofundar as
orientações de Medellín e Puebla; definir uma nova estratégia de evangelização
para os próximos anos, respondendo aos desafios do tempo. Entre bispos, peritos e
convidados participaram cerca de 350 pessoas. No desafio de implementar a Nova
Evangelização, Santo Domingo enfatiza que a religiosidade popular é expressão
privilegiada da inculturação da fé. Santo Domingo cita entre os desafios a serem
enfrentados pela inculturação do Evangelho: a corrupção, a má distribuição de
renda, as campanhas anti-natalistas, a deterioração da dignidade humana, o
desrespeito à moral natural. Como linhas pastorais, incentiva trabalhar na formação
cristã das consciências, zelar para que os meios de comunicação não manipulem
nem sejam manipulados, a apresentar a vida moral como seguimento de Cristo,
favorecer a formação permanente de clero e laicato, acompanhar pastoralmente os
construtores da sociedade. Os bispos pedem ainda ações pastorais junto aos
indígenas e aos afro-americanos.

A Teologia da Libertação: O termo libertação foi cunhado a partir das realidades


culturais, sociais, econômicas e políticas sob as quais se encontrava a América
Latina, a partir das décadas de 1960/70. Alguns teólogos deste período, católicos e
protestantes, assumiram a libertação como paradigma de todo fazer teológico. Ela
é uma teologia propriamente cristã; por isso, utiliza a Bíblia como pressuposto
necessário de seus discursos. É baseada em ideais de amor e libertação de todas as
formas de opressão (especialmente opressão econômica. Ela é analisada de três
formas, os três P's: Profissional, pelos teólogos; Pastoral, nas igrejas e CEBs
(Comunidades Eclesiais de Base); Popular, pelo povo oprimido no dia-dia.

A Morte de João Paulo II e o Conclave

Em 02 de abril de 2005, João Paulo II morre e, no dia 24 de abril, quem assume o


Pontificado é o ex-cardeal alemão Joseph Ratzinger de 78 anos, com o nome de
Bento XVI, seguindo a mesma linha de João Paulo II.

Com a morte do “papa peregrino”, vimos o mundo com muitas dúvidas a respeito
da Doutrina Católica e os rumos do Cristianismo com o novo Pontífice. Questões
foram levantadas, propostas novas e muitas críticas. Antes de o Conclave (termo
que significa reunião fechada, onde todos estão fechados “com chave”) iniciar, os
meios de comunicação diziam: “O novo papa terá que fazer isso...” ou “Ele terá que
aceitar aquilo...” e, muitas das vezes, tais propostas e críticas não caberiam a ele
decidir. Seria a modernidade do Catolicismo, com os grupos progressistas. Eis
alguns exemplos: Aceitar o casamento Homossexual; Aceitar o aborto; Aceitar o
fim da indissolubilidade do casamento; Aceitar a ordenação de mulheres; Aceitar o
uso da camisinha e demais métodos anticoncepcionais; Aceitar pesquisas com
embriões humanos em futuras pesquisas; Aceitar o fim do Celibato. O resultado
dessas intensas pressões mostraria que o Papa jamais poderá ir de encontro à
Bíblia, pois é a base da fé católica. Logo, as únicas coisas (das citadas a cima), que
ele poderia alterar seria: a questão da ordenação feminina e o celibato, pois estão
vinculadas as tradições da Igreja e não nas Escrituras. Vemos ainda o grupo
“regressista”, considerado mais conservador dentro da igreja. Outro ponto é a
perda de fiéis perante os grupos neopentecostais e doutrinas protestantes.

5º CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO (2007)

A Vinda de Bento XVI ao Brasil


A visita do papa Bento XVI ao Brasil, ocorrida no período de 9 a 13 de maio de
2007, foi motivada por algumas circunstâncias. Dentre elas está a canonização de
Frei Antônio de Santana Galvão, que ocorreu no dia 11 de maio de 2007, em São
Paulo. Outro compromisso foi a participação em um Encontro com os Jovens no
Estádio Municipal do Pacaembu e um encontro com os Bispos do Brasil na Catedral
da Sé, em São Paulo, no dia 10. O grande motivo foi a Sessão Inaugural dos
trabalhos da V CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO E DO
CARIBE, no Santuário de Aparecida/SP, que aconteceu de 13 a 31 de maio.

O tema da Quinta Conferência foi: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, para


que nele nossos povos tenham vida”, inspirado na passagem do Evangelho de João
que narra “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). A Conferência foi
convocada pelo Papa João Paulo II e confirmada pelo Papa Bento XVI.

A conferência buscou compilar as novas propostas de evangelização para a América


Latina, novas frentes de trabalho, novos campos de ação e metidos. Muitos
documentos importantes foram escritos durante a Conferência. O papa celebrou
Missas, teve ainda um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto),
onde assinalou a importância do retorno do ensino religioso, condenou a legalização
do aborto, enfatizando que o cristianismo prega a vida e não a morte.

Sua vinda ao Brasil também foi uma forma de animar os fiéis brasileiros, pois é
visto que, a cada ano, cerca de 1% dos católicos deixam a religião, desde 1992. O
país mais católico do mundo estaria passando por um momento de turbulência,
dizem alguns especialistas.