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Tribunal de Justiça de São Paulo

1ª e 4ª Regiões Administrativas
Judiciárias - TJ/SP

Escrevente Técnico Judiciário

Língua Portuguesa
1. Análise, compreensão e interpretação de diversos tipos de textos verbais, não verbais, literários e não
literários...................................................................................................................................................................................... 1
2. Informações literais e interferências possíveis ............................................................................................................. 1
3. Ponto de vista do autor.. ..................................................................................................................................................... 1
4. Estruturação do texto: relações entre ideias; recursos de coesão. ........................................................................... 1
5. Significação contextual de palavras e expressões....................................................................................................... 41
6. Sinônimos e antônimos....................................................................................................................................................41
7. Sentido próprio e figurado das palavras......................................................................................................................68
8. Classes de palavras: emprego e sentido que imprimem às relações que estabelecem: substantivo, adjetivo,
artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção........................................................................43
9. Concordância verbal e nominal......................................................................................................................................64
10. Regência verbal e nominal............................................................................................................................................65
11. Colocação pronominal...................................................................................................................................................66
12. Crase..................................................................................................................................................................................40
13. Pontuação.........................................................................................................................................................................39

Conhecimentos em Direito
1. DIREITO PENAL: Código Penal - com as alterações vigentes até a publicação do Edital - artigos 293 a 305;
307; 308; 311- A; 312 a 317; 319 a 333; 335 a 337; 339 a 347; 350; 357 e 359. ...................................................... 1
2. DIREITO PROCESSUAL PENAL: Código de Processo Penal - com as alterações vigentes até a publicação do
Edital - artigos 251 a 258; 261 a 267; 274; 351 a 372; 394 a 497; 531 a 538; 541 a 548; 574 a 667 e Lei nº
9.099 de 26.09.1995 (artigos 60 a 83; 88 e 89). ................................................................................................................ 8
3. DIREITO PROCESSUAL CIVIL: Código de Processo Civil - com as alterações vigentes até a publicação do
Edital - artigos 144 a 155; 188 a 275; 294 a 311 e do 318 a 538; 994 a 1026; Lei nº 9.099 de 26.09.1995 (artigos
3º ao 19) e Lei nº 12.153 de 22.12.2009.. ......................................................................................................................... 42
4. DIREITO CONSTITUCIONAL: Constituição Federal – com as alterações vigentes até a publicação do Edital:
Título II - Capítulos I, II e III; e Título III - Capítulo VII com Seções I e II; e também o artigo 92. ........................ 95
5. DIREITO ADMINISTRATIVO: Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo (Lei n.º
10.261/68) - artigos 239 a 323. ....................................................................................................................................... 110
Lei Federal nº 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) – com as alterações vigentes até a publicação do
Edital. ...................................................................................................................................................................................... 117
6. NORMAS DA CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA (disponíveis no portal do Tribunal de Justiça – site:
www.tjsp.jus. br, na área Institucional / Corregedoria / Normas Judiciais), com as alterações vigentes até a
data da publicação do Edital: Tomo I – Capítulo II: Seção I – subseções I e II; Tomo I - Capítulo III: Seções I, II,
V, VI, VII; Tomo I - Capítulo III: Seção VIII – subseções I, II e III; Tomo I – Capitulo III: Seções IX a XV, XVII a XIX;
Tomo I – Capítulo XI: Seções I, IV e V; Tomo I – Capitulo XI: Seção VI – subseções I, III, V e XIII............................121

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Conhecimentos Gerais

Atualidades e Noções sobre Direitos das Pessoas com


Deficiência
Questões relacionadas a fatos políticos, econômicos, sociais e culturais, nacionais e internacionais,
ocorridos a partir do 2º semestre de 2016, divulgados na mídia local e/ou nacional. ............................................ 1
Questões. ............................................................................................................................................................................. 33
Artigos 1º ao 13; 34 ao 38 da Lei nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência e Resolução nº
230/2016 do CNJ, com as alterações vigentes até a publicação deste edital............................................................ 35

Matemática
1. Operações com números reais .......................................................................................................................................... 1
2. Mínimo múltiplo comum e máximo divisor comum .................................................................................................... 2
3. Razão e proporção.. ............................................................................................................................................................ 15
4. Porcentagem ........................................................................................................................................................................ 19
5. Regra de três simples e composta .................................................................................................................................. 18
6. Média aritmética simples e ponderada.........................................................................................................................20
7. Juro simples ......................................................................................................................................................................... 20
8. Equação do 1º e 2º graus .................................................................................................................................................. 21
9. Sistema de equações do 1º grau...................................................................................................................................... 21
10. Relação entre grandezas: tabelas e gráficos .............................................................................................................. 16
11. Sistemas de medidas usuais .......................................................................................................................................... 14
12. Noções de geometria: forma, perímetro, área, volume, ângulo, teorema de Pitágoas ..................................... 32
13. Resolução de situações-problema................................................................................................................................ 41

Informática
MS-Windows 10: conceito de pastas, diretórios, arquivos e atalhos, área de trabalho, área de transferência,
manipulação de arquivos e pastas, uso dos menus, programas e aplicativos, interação com o conjunto de
aplicativos MS-Office 2016, ................................................................................................................................................... 1
MS-Word 2016: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, parágrafos,
fontes, colunas, marcadores simbólicos e numéricos, tabelas, impressão, controle de quebras e numeração de
páginas, legendas, índices, inserção de objetos, campos predefinidos, caixas de texto. ........................................ 10
MS-Excel 2016: estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e gráficos,
elaboração de tabelas e gráficos, uso de fórmulas, funções e macros, impressão, inserção de objetos, campos
predefinidos, controle de quebras e numeração de páginas, obtenção de dados externos, classificação de
dados.......................................................................................................................................................................................... 18
Correio Eletrônico: uso de correio eletrônico, preparo e envio de mensagens, anexação de arquivos. ............ 28
Internet: navegação internet, conceitos de URL, links, sites, busca e impressão de páginas................................ 30

Raciocínio Lógico
Visa avaliar a habilidade do candidato em entender a estrutura lógica das relações arbitrárias entre pessoas,
lugares, coisas, eventos fictícios; deduzir novas informações das relações fornecidas e avaliar as condições
usadas para estabelecer a estrutura daquelas relações. Visa também avaliar se o candidato identifica as
regularidades de uma sequência, numérica ou figural, de modo a indicar qual é o elemento de uma dada
posição. As questões desta prova poderão tratar das seguintes áreas: estruturas lógicas, lógicas de
argumentação, diagramas lógicos, sequências ........................................................................................................ 01/44

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LÍNGUA PORTUGUESA

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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
LÍNGUA PORTUGUESA texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
até o fim, ininterruptamente;
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
umas três vezes ou mais;
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
ensão;
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
respondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
ANÁLISE, COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE DI- perguntou e o que se pediu;
VERSOS TIPOS DE TEXTOS VERBAIS, NÃO VERBAIS, 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
exata ou a mais completa;
LITERÁRIOS E NÃO LITERÁRIOS. INFORMAÇÕES LITE- 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
RAIS E INFERÊNCIAS POSSÍVEIS. PONTO DE VISTA DO lógica objetiva;
AUTOR. ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO: RELAÇÕES EN- 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
TRE IDEIAS; RECURSOS DE COESÃO. 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
Dicas para uma boa interpretação de texto resposta;
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
Uma boa interpretação de texto é importante para o desenvolvimento definindo o tema e a mensagem;
pessoal e profissional, por isso elaboramos algumas dicas preciosas para 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
auxiliar você nos seus estudos. 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
Você tem dificuldades para interpretar um texto? Se a sua resposta for simos na interpretação do texto.
sim, não se desespere, você não é o único a sofrer com esse problema que Ex.: Ele morreu de fome.
afeta muitos leitores. de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
do fato (= morte de "ele").
Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar inúmeros pro- Ex.: Ele morreu faminto.
blemas, afetando não só o desenvolvimento profissional, mas também o faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
desenvolvimento pessoal. O mundo moderno cobra de nós inúmeras com- quando morreu.;
petências, uma delas é a proficiência na língua, e isso não se refere apenas 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
a uma boa comunicação verbal, mas também à capacidade de entender as estão coordenadas entre si;
aquilo que está sendo lido. O analfabetismo funcional está relacionado com 20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
a dificuldade de decifrar as entrelinhas do código, pois a leitura mecânica é de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
bem diferente da leitura interpretativa, aquela que fazemos ao estabelecer Cunegundes
analogias e criar inferências. Para que você não sofra mais com a análise
de textos, elaboramos algumas dicas para você seguir e tirar suas dúvidas. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
Uma interpretação de texto competente depende de inúmeros fatores, TEXTO NARRATIVO
mas nem por isso deixaremos de contemplar alguns que se fazem essenci-  As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
ais para esse exercício. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos das ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
minúcias presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz dos fatos.
suficiente, o que não é verdade. Interpretar demanda paciência e, por isso,
sempre releia, pois uma segunda leitura pode apresentar aspectos surpre- Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
endentes que não foram observados anteriormente. Para auxiliar na busca heroína, personagem principal da história.
de sentidos do texto, você pode também retirar dele os tópicos frasais
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota-
conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não estão organizados, gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal
pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que contracena em primeiro plano.
estão, é porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação
hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias supracitadas ou As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-
apresentando novos conceitos. sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra-
ção.
Para finalizar, concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas
pelo autor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.
na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à revelia do
autor, suposições vagas e inespecíficas. Quem lê com cuidado certamente Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
incorre menos no risco de tornar-se um analfabeto funcional e ler com nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
uma técnica, que fará de nós leitores proficientes e sagazes. Agora que tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen-
você já conhece nossas dicas, desejamos a você uma boa leitura e bons são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações
estudos! Luana Castro Alves Perez perante os acontecimentos.

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


Apostila Digital Licenciada para PATRICIA ALBERNAZ AFONSO - PATRICIAA.AFONSO@GMAIL.COM (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
 Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po- dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o clÍmax, o os verbos de locução podem ser omitidos.
desenlace ou desfecho.  Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens.
Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente, Exemplo:
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- nos sombrios por vir”.
resses entre as personagens.
 Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten- mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho, Exemplo:
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
 Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- (José Lins do Rego)
cionados ao principal.
 Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- TEXTO DESCRITIVO
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve- terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
narrativo. vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
 Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, unificada.
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, pouco.
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa- Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
to que aconteceu depois. nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo  Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
espírito. que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti-
vo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
 Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis-  Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen-
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
zado por : cial e econômico .
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às  Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- partes mais típicas desse todo.
tiva que é feito em 1a pessoa.  Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê, ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per- visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra- típicos.
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.  Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
 Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de
apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é  Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge-
feita em 1a pessoa ou 3a pessoa. rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu-
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É
Formas de apresentação da fala das personagens predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis-
três maneiras de comunicar as falas das personagens. mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc.

 Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra- TEXTO DISSERTATIVO


vés do diálogo. Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons-
Exemplo: ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques-
“Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna- com clareza, coerência e objetividade.
val a cidade é do povo e de ninguém mais”.

Língua Portuguesa 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir  Interrogação: Cria-se com a interrogação uma relação próxima
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como com o leitor que, curioso, busca no texto resposta as perguntas feitas na
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. introdução.
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan-
do o contexto. ‘ Por que nos orgulhamos da nossa falta de consciência coletiva? Por
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em : que ainda insistimos em agir como ‘espertos’ individualistas?’
 Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda-  Citação ou alusão: Esse recurso garante à defesa da tese cará-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- ter de autoridade e confere credibilidade ao discurso argumentativo, pois
jetiva da definição do ponto de vista do autor. se apoia nas palavras e pensamentos de outrem que goza de prestigio.
 Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
‘ As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan-
chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias
as costas e irem embora’. O comentário do fotógrafo Sebastião Salgado
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num
sobre o que presenciou na Ruanda é um chamado à consciência públi-
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de-
ca.’’
sencadeia a conclusão.
 Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia  Exemplificação: O processo narrativo ou descritivo da exempli-
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- ficação pode conferir à argumentação leveza a cumplicidade. Porém,
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para deve-se tomar cuidado para que esse recurso seja breve e não interfira
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer no processo persuasivo.
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese ‘ Noite de quarta-feira nos Jardins, bairro paulistano de classe média.
e opinião. Restaurante da moda, frequentado por jovens bem-nascidos, sofre o se-
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é gundo ‘arrastão’ do mês. Clientes e funcionários são assaltados e amea-
a obra ou ação que realmente se praticou. çados de morte. O cotidiano violento de São Paulo se faz presente.’’
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-  Roteiro: A antecipação do que se pretende dizer pode funcionar
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. como encaminhamento de leitura da tese.
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou ‘ Busca-se com essa exposição analisar o descaso da sociedade em
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje- relação às coletas seletivas de lixo e a incompetência das prefeituras.’’
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
respeito de algo.  Enumeração: Contribui para que o redator analise os dados e
exponha seus pontos de vista com mais exatidão.
‘ Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Pau-
O TEXTO ARGUMENTATIVO lo aponta que as maiores vítimas do abuso sexual são as crianças meno-
Um texto argumentativo tem como objetivo convencer alguém das res de 12 anos. Elas representam 43% dos 1.926 casos de violência se-
nossas ideias. Deve ser claro e ter riqueza lexical, podendo tratar qualquer xual atendidos pelo Programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Bying-
tema ou assunto. ton.’’

É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixe a ideia no ar,


 Causa e consequência: Garantem a coesão e a concatenação
das ideias ao longo do parágrafo, além de conferir caráter lógico ao pro-
depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve,
cesso argumentativo.
com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos claros. Deve
também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da ‘ No final de março, o Estado divulgou índices vergonhosos do Idesp
leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo – indicador desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação para ava-
que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a ideia chave da liar a qualidade do ensino (…). O péssimo resultado é apenas conse-
opinião. quência de como está baixa a qualidade do ensino público. As causas
são várias, mas certamente entre elas está a falta de respeito do Estado
Geralmente apresenta uma estrutura organizada em três partes: que, próximo do fim do 1º bimestre, ainda não enviou apostilas para al-
a introdução, na qual é apresentada a ideia principal ou tese; gumas escolas estaduais de Rio Preto.
o desenvolvimento, que fundamenta ou desenvolve a ideia principal; e
a conclusão. Os argumentos utilizados para fundamentar a tese podem ser  Síntese: Reforça a tese defendida, uma vez que fecha o texto
de diferentes tipos: exemplos, comparação, dados históricos, dados com a retomada de tudo o que foi exposto ao longo da argumentação.
estatístico, pesquisas, causas socioeconômicas ou culturais, depoimentos - Recurso seguro e convincente para arrematar o processo discursivo.
enfim tudo o que possa demonstrar o ponto de vista defendido pelo autor ‘ Quanto a Lei Geral da Copa, aprovou-se um texto que não é o ideal,
tem consistência. A conclusão pode apresentar uma possível mas sustenta os requisitos da Fifa para o evento.
solução/proposta ou uma síntese. Deve utilizar título que chame a atenção
do leitor e utilizar variedade padrão de língua. O aspecto mais polêmico era a venda de bebidas alcoólicas nos es-
tádios. A lei eliminou o veto federal, mas não exclui que os organizadores
A linguagem normalmente é impessoal e objetiva. precisem negociar a permissão em alguns Estados, como São Paulo.’’
O roteiro da persuasão para o texto argumentativo:  Proposta: Revela autonomia critica do produtor do texto e ga-
rante mais credibilidade ao processo argumentativo.
Na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do texto argumen-
tativo espera-se que o redator o leitor de seu ponto de vista. Alguns recur- ‘ Recolher de forma digna e justa os usuários de crack que buscam
sos podem contribuir para que a defesa da tese seja concluída com suces- ajuda, oferecer tratamento humano é dever do Estado. Não faz sentido
so. Abaixo veremos algumas formas de introduzir um parágrafo argumenta- isolar para fora dos olhos da sociedade uma chaga que pertence a to-
tivo: dos.’’ Mundograduado.org
Modelo de Dissertação-Argumentativa
 Declaração inicial: É uma forma de apresentar com assertivi-
dade e segurança a tese. Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução
‘ A aprovação das Cotas para negros vem reparar uma divida moral e Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi-
um dano social. Oferecer oportunidade igual de ingresso no Ensino Superi- ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre-
or ao negro por meio de políticas afirmativas é uma forma de admitir a vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan-
diferença social marcante na sociedade e de igualar o acesso ao mercado do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.
de trabalho.’

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O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a trando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos,
se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsá-
veis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, pro- Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos
blemas ambientais que afetam a população. um fato acontecido com seu primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Anali-
semos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar As ideias foram organizadas da seguinte maneira:
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de Ideia principal:
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti- quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte.
ca. Ideias secundárias:
O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló- demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação peri-
transformar na salvação do mundo. gosa, agravada pelo aparecimento de um trem. As ideias secundárias
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci- complementam a ideia principal, mostrando como o primo do narrador
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a de ideias secundárias. Entretanto, é muito comum encontrarmos, em pará-
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul. grafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o exemplo:
Nesse modelo, didaticamente, podemos perceber a estrutura textual O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
dissertativa assim organizada:
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram
1º parágrafo: Introdução com apresentação da tese a ser defendi-
aproveitar o bom tempo. Pegaram um animal, montaram e seguiram con-
da;
tentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe.
“Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi-
ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre- Nesse trecho, há dois parágrafos.
vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan- No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia
do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.” principal do parágrafo: O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
2º parágrafo: Há o desenvolvimento da tese com fundamentos ar- No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias
gumentativos; secundárias. Observe:
“O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço
Ideia principal:
a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas
ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), respon- Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram
sáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, aproveitar o bom tempo.
problemas ambientais que afetam a população.
Ideia secundárias:
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos,
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de levando um farto lanche, preparado pela mãe.
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando:
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, “Afinal, de que tamanho é o parágrafo?”
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti-
ca.” Bem, o que podemos responder é que não há como apontar um pa-
drão, no que se refere ao tamanho ou extensão do parágrafo.
3º parágrafo: A conclusão é desenvolvida com uma proposta de
intervenção relacionada à tese. Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em
“O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os que são maiores e outros, ainda, muito extensos.
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló- Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da ex-
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais tensão do parágrafo, pois o que é importante mesmo, é a organização das
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito popular – “nem
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se oito, nem oitenta…”.
transformar na salvação do mundo.
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci- parágrafos muito curtos, também não é aconselhável empregarmos os
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a muito longos.
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os traba-
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.” Profª Francinete lhos de redação. Com o tempo, a prática dirá quando e como usar parágra-
fos – pequenos, grandes ou muito grandes.
A ideia principal e as secundárias
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos principal e outras secundárias. Isso não significa, no entanto, que sempre a
nos colocar no papel de narradores, isto é, vamos contar fatos com base na ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em que a ideia
organização das ideias. secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o
exemplo:
Leia o trecho abaixo:
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro estremeceu violentamente sob meus pés. Logo percebi que se tratava de
quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Com um terremoto.
isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demons-

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Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo per- 3. Geográfica: há variações entre as formas que a língua portuguesa
cebi que se tratava de um terremoto”, que aparece no final do parágrafo. assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta prestar atenção na
As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou comprovam a afirmação: expressão de um gaúcho em contraste com a de um amazonense. Essas
“as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu variações regionais constituem os falares e os dialetos. Não há motivo
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do pará- linguístico algum para que se considere qualquer uma dessas formas
grafo. superior ou inferior às outras.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias 4. Social: o português empregado pelas pessoas que têm acesso à
podem organizar-se da seguinte maneira: escola e aos meios de instrução difere do português empregado pelas
pessoas privadas de escolaridade.
Ideia principal + ideias secundárias
Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que
ou goza prestígio, enquanto outras são vítimas de preconceito por emprega-
Ideias secundárias + ideia principal rem estilos menos prestigiados. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade
de língua – a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e
É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias secundá- cujo domínio é solicitado como modo de ascensão profissional e social.
rias não são ideias diferentes e, por isso, não podem ser separadas em Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que
parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias devemos alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por aqueles que
verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia principal não fazem parte do grupo. O emprego dessas formas de língua proporciona
e mantê-las juntas no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos evitando e o reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade restrita. Assim
repetição de palavras e assegurando a sua clareza. É importante, ao ter- se formam, por exemplo, as gírias, as línguas técnicas. Pode-se citar ainda
mos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas que real- a variante de acordo com a faixa etária e o sexo.
mente se relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se
redigir parágrafos sobre qualquer assunto. Língua padrão e não padrão

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA A língua padrão está ligada à variedade escrita, culta da língua portu-
guesa. Ela é considerada formal, "correta", e deve ser usada em ocasiões
FALA E ESCRITA mais formais, tanto na escrita , quanto na fala.
Registros, variantes ou níveis de língua(gem) A língua não-padrão está ligada à variedade falada, coloquial da nossa
língua. Ela é considerada informal, mais flexível e permite alguns usos que
A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode devem ser evitados quando escrevemos : gírias, abreviações, falta dos
transformar-se, através do tempo, e, se compararmos textos antigos com plurais nas palavras, etc.Porém, às vezes, encontramos essa variedade
atuais, perceberemos grandes mudanças no estilo e nas expressões. Por não-padrão também na variedade escrita : em textos como poesias,
que as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que conside- propagandas , jornal,etc. christina luisa
rar múltiplos fatores: época, região geográfica, ambiente e status cultural
dos falantes.
AS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência
dos parâmetros utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma Enquanto a língua falada é espontânea e natural, a língua escrita pre-
pessoa, dependendo do meio em que se encontra, da situação sociocultural cisa seguir algumas regras. Embora sejam expressões de um mesmo
dos indivíduos com quem se comunica, usará níveis diferentes de língua. idioma, cada uma tem a sua especificidade. A língua falada é a mais natu-
Dentro desse critério, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois ral, aprendemos a falar imitando o que ouvimos. A língua escrita, por seu
tipos de língua: a falada e a escrita. lado, só é aprendida depois que dominamos a língua falada. E ela não é
uma simples transcrição do que falamos; está mais subordinada às normas
A língua falada pode ser culta ou coloquial, vulgar ou inculta, regional, gramaticais. Portanto requer mais atenção e conhecimento de quem fala.
grupal (gíria ou técnica). Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de Além disso, a língua escrita é um registro, permanece ao longo do tempo,
calão. não tem o caráter efêmero da língua falada.
Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser
Língua falada:
que o estilo permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de
· Palavra sonora
redação, usa-se, geralmente, a língua-padrão – não podemos passar desse
· Requer a presença dos interlocutores
nível para um como a gíria, por exemplo.
· Ganha em vivacidade
Variação linguística: como falantes da língua portuguesa, percebe- · É espontânea e imediata
mos que existem situações em que a língua apresenta-se sob uma forma · Uso de frases feitas
bastante diferente daquela que nos habituamos a ouvir em casa ou nos · É repetitiva e redundante
meios de comunicação. Essa diferença pode manifestarse tanto pelo voca- · O contexto extralinguístico é importante
bulário utilizado, como pela pronúncia ou organização da frase. · A expressividade permite prescindir de certas regras
· A informação é permeada de subjetividade e influenciada pela pre-
Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma sença do interlocutor
forma. Isso ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e · Recursos: signos acústicos e extralinguísticos, gestos, entorno físico e
extremamente sensíveis a fatores como, por exemplo, a região geográfica, psíquico
o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do
contexto. Essas diferenças constituem as variações linguísticas. Língua escrita:
Observe abaixo as especificidades de algumas variações: · Palavra gráfica
· É possível esquecer o interlocutor
1. Profissional: no exercício de algumas atividades profissionais, o · É mais sintética e objetiva
domínio de certas formas de línguas técnicas é essencial. As variações · A redundância é apenas um recurso estilístico
profissionais são abundantes em termos específicos e têm seu uso restrito · Ganha em permanência
ao intercâmbio técnico. · Mais correção na elaboração das frases
2. Situacional: as diferentes situações comunicativas exigem de um · Evita a improvisação
mesmo indivíduo diferentes modalidades da língua. Empregam-se, em · Pobreza de recursos não-linguísticos; uso de letras, sinais de pontua-
situações formais, modalidades diferentes das usadas em situações infor- ção
mais, com o objetivo de adequar o nível vocabular e sintático ao ambiente · É mais precisa e elaborada
linguístico em que se está. · Ausência de cacoetes linguísticos e vulgarismos

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LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL forma precisa. A tarefa do leitor é detectá-las, a fim de realizar uma leitura
capaz de dar conta da totalidade do texto.
Linguagem Verbal - Existem várias formas de comunicação. Quando o
homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita,dizemos Por adquirir tal importância na arquitetura textual, as palavras-chave
que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a normalmente aparecem ao longo de todo o texto das mais variadas formas:
palavra. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando repetidas, modificadas, retomadas por sinônimos. Elas pavimentam o
lemos, quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação caminho da leitura, levando-nos a compreender melhor o texto. Além disso,
mais presente em nosso cotidiano. Mediante a palavra falada ou escrita, fornecer a pista para uma leitura reconstrutiva porque nos levam à essência
expomos aos outros as nossas ideias e pensamentos, comunicando-nos da informação. Após encontrar as palavras-chave de um texto, devemos
por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. ela está tentar reescrevê-lo, tomando-as como base. Elas constituem seu esqueleto.
presente em textos em propagandas; AS IDEIAS-CHAVE
em reportagens (jornais, revistas, etc.); Muitas vezes temos dificuldades para chegar à síntese de um texto só
em obras literárias e científicas; pelas palavras-chave. Quando isso acontece, a melhor solução é buscar
suas ideias-chave. Para tanto é necessário sintetizar a ideia de cada pará-
na comunicação entre as pessoas; grafo.
em discursos (Presidente da República, representantes de classe, TÓPICO FRASAL
candidatos a cargos públicos, etc.);
Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra
e em várias outras situações. a idéia principal desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon
Linguagem Não Verbal M. Garcia em sua Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-
se tópico frasal essa introdução. Depois dela, vem o desenvolvimento e
pode haver a conclusão. Um texto de parágrafo:
“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas condi-
ções dinâmicas, que atestam a dependência mútua dos seres vivos. Ne-
cessidades associadas à alimentação, ao crescimento, à reprodução ou a
outros processos biológicos criam, com frequência, relações que fazem do
bem-estar, da segurança e da sobrevivência dos indivíduos matérias de
interesse coletivo”. FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia
teórica 2. ed. São Paulo: Nacional, 1974, p. 35.
Observe a figura abaixo, este sinal demonstra que é proibido fumar em Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período (Em .... vivos). Se-
um determinado local. A linguagem utilizada é a não-verbal pois não utiliza gue-se o desenvolvimento especificando o que é dito na introdução. Se o
do código "língua portuguesa" para transmitir que é proibido fumar. Na tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se de
figura abaixo, percebemos que o semáforo, nos transmite a ideia de especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio deduti-
atenção, de acordo com a cor apresentada no semáforo, podemos saber se vo. Vai do geral para o particular: Todos devem colaborar no combate às
é permitido seguir em frente (verde), se é para ter atenção (amarelo) ou se drogas. Você não pode se omitir.
é proibido seguir em frente (vermelho) naquele instante.
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na con-
clusão, então o método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral,
dos exemplos para a regra: João pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu.
Todos colaborando, o trabalho é bem feito.
A PARAGRAFAÇÃO
NO/DO TEXTO DISSERTATIVO
(Partes deste capítulo foram adaptados/tirados de PACHECO, Agnelo
C. A dissertação. São Paulo: Atual, 1993 e de SOBRAL, João Jonas Veiga.
Redação: Escrevendo com prática. São Paulo: Iglu, 1997)
Como você percebeu, todas as imagens podem ser facilmente O texto dissertativo é o tipo de texto que expõe uma tese (ideias gerais
decodificadas. Você notou que em nenhuma delas existe a presença da sobre um assunto/tema) seguida de um ponto de vista, apoiada em argu-
palavra? O que está presente é outro tipo de código. Apesar de haver mentos, dados e fatos que a comprovem.
ausência da palavra, nós temos uma linguagem, pois podemos decifrar
mensagens a partir das imagens. O tipo de linguagem, cujo código não é a “A leitura auxilia o desenvolvimento da escrita, pois, lendo, o indivíduo
palavra, denomina-se linguagem não-verbal, isto é, usam-se outros códigos tem contato com modelos de textos bem redigidos que, ao longo do tempo,
(o desenho, a dança, os sons, os gestos, a expressão fisionômica, as farão parte de sua bagagem linguística; e também porque entrará em
cores) Fonte: www.graudez.com.br contato com vários pontos de vista de intelectuais diversos, ampliando,
dessa forma, sua própria visão em relação aos assuntos. Como a produção
AS PALAVRAS-CHAVE escrita se baseia praticamente na exposição de ideias por meio de pala-
Ninguém chega à escrita sem antes ter passado pela leitura. Mas leitu- vras, certamente aquele que lê desenvolverá sua habilidade devido ao
ra aqui não significa somente a capacidade de juntar letras, palavras, enriquecimento linguístico adquirido através da leitura de bons autores.”
frases. Ler é muito mais que isso. É compreender a forma como está tecido No texto acima temos uma ideia defendida pelo autor:
o texto. Ultrapassar sua superfície e aferir da leitura seu sentido maior, que
muitas vezes passa despercebido a uma grande maioria de leitores. Só TESE/TÓPICO FRASAL: “A leitura auxilia o desenvolvimento da escri-
uma relação mais estreita do leitor com o texto lhe dará esse sentido. Ler ta.”
bem exige tanta habilidade quanto escrever bem. Leitura e escrita comple-
Em seguida o autor defende seu ponto de vista com os seguintes ar-
mentam-se. Lendo textos bem estruturados, podemos apreender os proce-
gumentos:
dimentos linguísticos necessários a uma boa redação.
ARGUMENTOS:
Numa primeira leitura, temos sempre uma noção muito vaga do que o
autor quis dizer. Uma leitura bem feita é aquela capaz de depreender de um (1)“...lendo o indivíduo tem contato com modelos de textos bem redigi-
texto ou de um livro a informação essencial. Tudo deve ajustar-se a elas de dos que ao longo do tempo farão parte de sua bagagem linguística e,

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também, (2) porque entrará em contato com vários pontos de vista de Definição
intelectuais diversos, (3) ampliando, dessa forma, a sua própria visão em
relação aos assuntos.” E por fim, comprovada a sua tese, veja que a ideia O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo,
desta é recuperada: isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um
modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabe-
CONCLUSÃO: “Como a produção escrita se baseia praticamente na lecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais
exposição de idéias por meio de palavras, certamente aquele que lê desen- ou mesmo a construção cultural, mas que dão também, as formas de ação
volverá sua habilidade devido ao enriquecimento linguístico adquirido humana.
através da leitura de bons autores.”
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Te-
Observe como o texto dissertativo tem por objetivo expressar um de- mas de Filosofia.São Paulo, Moderna, 1992. p.62.
terminado ponto de vista em relação a um assunto qualquer e convencer o
leitor de que este ponto de vista está correto. Poderíamos afirmar que o A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafo-chave,
texto dissertativo é um exercício de cidadania, pois nele o indivíduo exerce sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo
seu papel de cidadão, questionando valores, reivindicando algo, expondo o primeiro parágrafo.
pontos de vista, etc. Divisão
Pode-se dizer que: Predominam ainda no Brasil convicções errôneas sobre o problema da
A paragrafação com tópico frasal seguido pelo desenvolvimento é uma exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder públi-
forma de organizar o raciocínio e a exposição das ideias de maneira clara e co e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordi-
facilmente compreensível. Quando se tem um plano em que os tópicos nários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que combate à margi-
principais foram selecionados e nalidade social em Nova York vem contando co intensivos esforços do
poder público e ampla participação da iniciativa privada. Folha de S. Paulo,
dispostos de modo a haver transição harmoniosa de um para outro, é 17 dez.1996.
fácil redigir.
Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção
O TÓPICO FRASAL DO PARÁGRAFO: geralmente vem no começo que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte.
do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a ideia
central e podem ou não concluir a ideia deste parágrafo. Oposição

O DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO: é a explanação da ideia De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo
exposta no tópico frasal. Devemos desenvolver nossas ideias de maneira governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabó-
clara e convincente, utilizando argumentos e/ou ideias sempre tendo em licas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive a educação
vista a forma como iniciamos o parágrafo. no Brasil.

A CONCLUSÃO DO PARÁGRAFO encerra o desenvolvimento, com- As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado/ de outro)
pleta a discussão do assunto (opcional) que estabelecerá o rumo da argumentação.

FORMAS DISCURSIVAS DO PARÁGRAFO Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste
exemplo:
A) DESCRITIVO: a matéria da descrição é o objeto. Não há persona-
gens em movimento (atemporal). O autor/produtor deve apresentar o “Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacaram pelo grau
objeto, pessoa, paisagem etc, de tal forma que o leitor consiga distinguir o de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto à
ser descrito. cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra, esperança por
observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e
B) NARRATIVO: a matéria da narração é o fato. Uma maneira eficiente quase sempre como forma de resistência e/ou transformação (...)” FEIJÓ,
de organizá-lo é respondendo à seis perguntas: O quê? Quem? Quando? Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985.p.7.
Onde? Como? Por quê?
O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a
C) DISSERTATIVO: a matéria da dissertação é a análise (discussão). compõem.
Alusão histórica
ELABORAÇÃO/ PLANEJAMENTO DE PARÁGRAFOS Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-
oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As
Ter um assunto fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de
Delimitá-lo, traçando um objetivo: o que pretende transmitir? competição.

Elaborar o tópico frasal; desenvolvê-lo e concluí-lo O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto.
O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.
PARÁGRAFO-CHAVE: FORMAS PARA COMEÇAR UM TEXTO
Pergunta
Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criati-
va. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os
como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo hoje, a contribuintes já estão cansados de tirar do bolso para tapar um buraco que
cada dia que passa, no mundo em vivemos, na atualidade. parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para
alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de
Listamos aqui algumas formas de começar um texto. Elas vão das mais imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será
simples às mais complexas. respondida ao longo da argumentação.
Declaração Citação
É um grande erro a liberação da maconha. Provocará de imediato vio- “As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não
lenta elevação do consumo. O Estado perderá o controle que ainda exerce chorarem mais, trazem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as
sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de costas e irem embora.” O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado,
viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. Alberto falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia
Corazza, Isto é, 20 dez. 1995. ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. DI FRANCO, Carlos
A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fa- Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. p. 73.
zer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.

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A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pe- semânticas ( causa, condição, finalidade, etc.). São exemplos de conecto-
la palavra comentário da segunda frase. res: mas, dessa forma, portanto, então, etc..
Comparação Exemplo:
O tema de reforma agrária está a bastante tempo nas discussões sobre a. Ele é rico, mas não paga suas dívidas.
os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o
movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passa- Observe que o vocábulo “mas” não faz referência a outro vocábulo;
do e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber apenas conecta (liga) uma ideia a outra, transmitindo a ideia de compensa-
algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam ção.
elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor 3. Coesão recorrencial – é realizada pela repetição de vocábulos ou
e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. OLIVEIRA, de estruturas frasais
Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p.101.
semelhantes.
Para introduzir o tema da reforma araria, o autor comparou a sociedade
de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de compor- Exemplos;
tamento entre elas. a. Os carros corriam, corriam, corriam.
Afirmação b. O aluno finge que lê, finge que ouve, finge que estuda.
A profissionalização de uma equipe começa com a procura e aquisição Coerência textual é a relação que se estabelece entre as diversas
das pessoas que tenham experiência e as aptidões adequadas para o partes do texto, criando uma unidade de sentido. Está ligada ao en-
desempenho da tarefa, especialmente quando esta é imediata. (Desenvol- tendimento, À possibilidade de interpretação daquilo que se ouve ou
vimento ) As pessoas já virão integrar a equipe sem precisar de treinamen- lê.
to profissionalizante, podendo entrar em ação logo após seu ingresso.
OBS: pode haver texto com a presença de elementos coesivos, e não
Alternativamente, ou quando se dispõe de tempo, pode-se recrutar apresentar coerência.
pessoas inexperientes, mas que demonstrem o potencial para desenvolver
as aptidões e o interesse em fazer parte da equipe ou dedicar-se a sua Exemplo:
missão. Sempre que possível, uma equipe deve procurar combinar pessoas
O presidente George W.Bush está descontente com o grupo Talibã.
experientes e aprendizes em sua composição, de modo que os segundos
Estes eram estudantes da escola fundamentalista. Eles, hoje, governam o
aprendam com os primeiros. (conclusão) A falta de um banco de reservas,
afeganistão. Os afegãos apóiam o líder Osama Bin Laden. Este foi aliado
muitas vezes, pode ser um obstáculo à própria evolução da equipe.” (Ma-
dos Estados Unidos quando da invasão da União Soviética ao Afeganistão.
ximiniano, 1986:50 )
Comentário:
Ninguém pode dizer que falta coesão a este parágrafo. Mas de que se
ARTICULAÇÃO ENTRE PARÁGRAFOS
trata mesmo? Do descontentamento do presidente dos Estados Unidos? Do
COESÃO E COERÊNCIA grupo Talibã? Do povo Afegão?
Articulação entre os parágrafos Do Osama Bin Laden? Embora o parágrafo tenha coesão, não apre-
senta coerência, entendimento.
A articulação dos/entre parágrafos depende da coesão e coerência.
Sem um deles, ainda assim, é possível haver entendimento textual, entre- Pode ainda um texto apresentar coerência, e não apresentar elementos
tanto, há necessidade de ter domínio da língua e do contexto para escrever coesivos. Veja o texto seguinte:
um texto de tal forma. Dependendo da tipologia textual, a articulação textual
Como se conjuga um empresário
se dá de forma diferente. Na narração, por exemplo, não há necessidade
de ter um parágrafo com mais de um período. Um parágrafo narrativo pode Mino
ser apenas “Oi”. Já a dissertação necessita ter ao menos um parágrafo com
introdução e desenvolvimento (conclusão; opcional). Assim também varia a “Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-
necessidade de números de parágrafos para cada texto. Para se obter um se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Saiu. Entrou. Cumprimen-
bom texto, são necessários também: concisão, clareza, correção, adequa- tou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cum-
ção de linguagem, expressividade. primentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu.
Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Vendeu. Vendeu. Ganhou.
Coerência e Coesão Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu.
Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Deposi-
Para não ser ludibriado pela articulação do contexto, é necessário que
tou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou.
se esteja atento à coesão e à coerência textuais.
Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou.
Coesão textual é o que permite a ligação entre as diversas partes de Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou.
um texto. Pode-se dividir em três segmentos: Lesou. Demitiu. Convocou. Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou.
Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-se. Mexeu. Gemeu. Fungou.
1. Coesão referencial – é a que se refere a outro(s) elemento(s) do Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Pre-
mundo textual. senteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou.
Exemplos: Justificou-se. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocu-
pou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Te-
a) O presidente George W.Bush ficou indignado com o ataque no meu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dor-
World Trade Center. Ele afirmou que “castigará” os culpados. (retomada de miu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se... Comentário:
uma palavra gramatical – referente “Ele” + “ Presidente George W.Bush”)
O texto nos mostra o dia-a-dia de um empresário qualquer. A estrutura
b) De você só quero isto: a sua amizade (antecipação de uma palavra textual – somente verbos – não apresenta elementos coesivos; o que se
gramatical – “isto” = “a sua amizade” encontra são relações de sentido, isto é, o texto retrata a visão do seu
c) O homem acordou feliz naquele dia. O felizardo ganhou um bom di- autor, no caso, a de que todo empresário é calculista e desonesto.
nheiro na loteria. ( retomada por palavra lexical – “o felizardo” = “o homem”) Há palavras e expressões que garantem transições bem feitas e que
2. Coesão sequencial – é feita por conectores ou operadores discursi- estabelecem relações lógicas entre as diferentes ideias apresentadas no
vos, isto é palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações texto. Fonte: UNINOVE

Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ESTRUTURAÇÃO E ARTICULAÇÃO DO TEXTO imagem mental do leitor seja ativada de forma corretamente, e outra assimi-
lação, errônea, pode ser utilizada.
Resenha Critica de Articulação do Texto
Amanda Alves Martins Seguindo ainda neste linear das substituições, existem ainda as “nomi-
Resenha Crítica do livro A Articulação do Texto, da autora Elisa Guima- nações” e a “elipse”, onde na primeira, o sentido inicialmente expresso por
rães um verbo é substituído por um nome, ou seja, um substantivo; e, enquanto
na segunda, ou seja, na elipse, o substituto é nulo e marcado pela flexão
No livro de Elisa Guimarães, A Articulação do Texto, a autora procura verbal; como podemos perceber no seguinte exemplo retirado do livro de
esclarecer as dúvidas referentes à formação e à compreensão de um texto Elisa Guimarães:
e do seu contexto. “Louve-se nos mineiros, em primeiro lugar, a sua presença suave. Mil
deles não causam o incômodo de dez cearenses.
Formado por unidades coordenadas, ou seja, interligadas entre si, o
texto constitui, portanto, uma unidade comunicativa para os membros de __Não grita, ___ não empurram< ___ não seguram o braço da gente,
uma comunidade; nele, existe um conjunto de fatores indispensáveis para a ___ não impõem suas opiniões. Para os importunos inventaram eles uma
sua construção, como “as intenções do falante (emissor), o jogo de ima- palavra maravilhosamente definidora e que traduz bem a sua antipatia para
gens conceituais, mentais que o emissor e destinatário executam.”(Manuel essa casta de gente (...)” (Rachel de Queiroz. Mineiros. In: Cem crônicas
P. Ribeiro, 2004, p.397). Somado à isso, um texto não pode existir de forma escolhidas. Rio de Janeiros, José Olympio, 1958, p.82).
única e sozinha, pois depende dos outros tanto sintaticamente quanto
semanticamente para que haja um entendimento e uma compreensão Porém é preciso especificar que para que haja a elipse o termo elíptico
deste. Dentro de um texto, as partes que o formam se integram e se expli- deve estar perfeitamente claro no contexto. Este conceito e os demais já
cam de forma recíproca. ditos anteriormente são primordiais para a compreensão e produção textu-
al, uma vez que contribuem para a economia de linguagem, fator de grande
Completando o processo de formação de um texto, a autora nos escla- valor para tais feitos.
rece que a economia de linguagem facilita a compreensão dele, sendo
indispensável uma ligação entre as partes, mesmo havendo um corte de Ao abordar os conceitos de coesão e coerência, a autora procura pri-
trechos considerados não essenciais. meiramente retomar a noção de que a construção do texto é feita através
de “referentes linguísticos” (p.38) que geram um conjunto de frases que irão
Quando o tema é a “situação comunicativa” (p.7), a autora nos esclare- constituir uma “microestrutura do texto” (p.38) que se articula com a estrutu-
ce a relação texto X contexto, onde um é essencial para esclarecermos o ra semântica geral. Porém, a dificuldade de se separar a coesão da coe-
outro, utilizando-se de palavras que recebem diferentes significados con- rência está no fato daquela está inserida nesta, formando uma linha de
forme são inseridas em um determinado contexto; nos levando ao entendi- raciocínio de fácil compreensão, no entanto, quando ocorre uma incoerên-
mento de que não podemos considerar isoladamente os seus conceitos e cia textual, decorrente da incompatibilidade e não exatidão do que foi
sim analisá-los de acordo com o contexto semântico ao qual está inserida. escrito, o leitor também é capaz de entender devido a sua fácil compreen-
são apesar da má articulação do texto.
Segundo Elisa Guimarães, o sentido da palavra texto estende-se a
uma enorme vastidão, podendo designar “um enunciado qualquer, oral ou A coerência de um texto não é dada apenas pela boa interligação entre
escrito, longo ou breve, antigo ou moderno” (p.14) e ao contrário do que as suas frases, mas também porque entre estas existe a influência da
muitos podem pensar, um texto pode ser caracterizado como um fragmen- coerência textual, o que nos ajuda a concluir que a coesão, na verdade, é
to, uma frase, um verbo ect e não apenas na reunião destes com mais efeito da coerência. Como observamos em Nova Gramática Aplicada da
algumas outras formas de enunciação; procurando sempre uma objetivida- Língua Portuguesa de Manoel P. Ribeiro (2004, 14ed):
de para que a sua compreensão seja feita de forma fácil e clara.
A coesão e a coerência trazem a característica de promover a inter-
Esta economia textual facilita no caminho de transmissão entre o enun- relação semântica entre os elementos do discurso, respondendo pelo que
ciador e o receptor do texto que procura condensar as informações recebi- chamamos de conectividade textual. “A coerência diz respeito ao nexo
das a fim de se deter ao “núcleo informativo” (p.17), este sim, primordial a entre os conceitos; e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguísti-
qualquer informação. co” (VAL, Maria das Graças Costa. Redação e textualidade, 1991, p.7)

A autora também apresenta diversas formas de classificação do discur- No capítulo que diz respeito às noções de estrutura, Elisa Guimarães,
so e do texto, porém, detenhamo-nos na divisão de texto informativo e de busca ressaltar o nível sintático representado pelas coordenações e subor-
um texto literário ou ficcional. dinações que fixam relações de “equivalência” ou “hierarquia” respectiva-
mente.
Analisando um texto, é possível percebermos que a repetição de um Um fato importante dentro do livro A Articulação do Texto, é o valor atribuí-
nome/lexema, nos induz à lembrar de fatos já abordados, estimula a nossa do às estruturas integrantes do texto, como o título, o parágrafo, as inter e
biblioteca mental e a informa da importância de tal nome, que dentro de um intrapartes, o início e o fim e também, as superestruturas.
contexto qualquer, ou seja que não fosse de um texto informacional, seria
apenas caracterizado como uma redundância desnecessária. Essa repeti- O título funciona como estratégica de articulação do texto podendo de-
ção é normalmente dada através de sinônimos ou “sinônimos perfeitos” sempenhar papéis que resumam os seus pontos primordiais, como tam-
(p.30) que permitem a permutação destes nomes durante o texto sem que o bém, podem ser desvendados no decorrer da leitura do texto.
sentido original e desejado seja modificado.
Os parágrafos esquematizam o raciocínio do escritos, como enuncia
Esta relação semântica presente nos textos ocorre devido às interpre- Othon Moacir Garcia:
tações feitas da realidade pelo interlocutor, que utiliza a chamada “semânti- “O parágrafo facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar con-
ca referencial” (p.31) para causar esta busca mental no receptor através de venientemente as ideias principais da sua composição, permitindo ao leitor
palavras semanticamente semelhantes à que fora enunciada, porém, existe acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios”.
ainda o que a autora denominou de “inexistência de sinônimo perfeito”
(p.30) que são sinônimos porém quando posto em substituição um ao outro É bom relembrar, que dentro do parágrafo encontraremos o chamado
não geram uma coerência adequada ao entendimento. tópico frasal, que resumirá a principal ideia do parágrafo no qual esta
inserido; e também encontraremos, segundo a autora, dez diferentes tipos
Nesta relação de substituição por sinônimos, devemos ter cautela de parágrafo, cada qual com um ponto de vista específico.
quando formos usar os “hiperônimos” (p.32), ou até mesmo a “hiponímia”
(p.32) onde substitui-se a parte pelo todo, pois neste emaranhado de subs- No que diz respeito ao tópico Inicio e fim, Elisa Guimarães preferiu
tituições pode-se causar desajustes e o resultado final não fazer com que a abordá-los de forma mútua já que um é consequência ou decorrência do

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outro; ficando a organização da narrativa com uma forma de estrutura  enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global.
clássica e seguindo uma linha sequencial já esperada pelo leitor, onde o Ex.: O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também
início alimenta a esperança de como virá a ser o texto, enquanto que o fim deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono
exercer uma função de dar um destaque maior ao fechamento do texto, o (Vidas Secas, p.11). Esse enunciado é chamado de anáfora con-
que também, alimenta a imaginação tanto do leito, quanto do próprio autor. ceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere
são retomados por outro enunciado que os resume e/ou interpreta.
No geral, o que diz respeito ao livro A Articulação do Texto de Elisa Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso
Guimarães, ele nos trás um grande número de informações e novos concei- avançar, mantendo-se sua unidade.
tos em relação à produção e compreensão textual, no entanto, essa grande 2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
leva de informações muitas vezes se tornam confusas e acabam por des-  certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-
prenderem-se uma das outras, quebrando a linearidade de todo o texto e se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados
dificultando o entendimento teórico. como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto,
diferentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa que se referem à
A REFERENCIAÇÃO / OS REFERENTES / COERÊNCIA E COESÃO pessoa que fala e com quem esta fala.
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa se-
 certos advérbios e expressões adverbiais;
quência de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas
forma uma cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um  artigos;
entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto  conjunções;
falado ou escrito. Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conectivi-  numerais;
dade e a retomada e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada  elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado
uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e significado tanto anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem
com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, constru- recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
indo uma cadeia textual significativa. Essa coesão, que dá unidade ao ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes relação entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que
procedimentos, tanto no campo do léxico, como no da gramática. (Não marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
esqueçamos que, num texto, não existem ou não deveriam existir elemen- enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraver-
tos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão construindo o texto, e são bais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares pú-
as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma oração, entre as blicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma
orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação, os contatos situação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e
e conexões e estabelecem sentido ao todo.) contexto (extratextual);
 as concordâncias;
Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto  a correlação entre os tempos verbais.
coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâ- Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão textu-
mica articuladora e garantem a progressão textual. al, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas
indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os com-
A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas ponentes concentram em si a significação. Referem os participantes do ato
relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos de comunicação, o momento e o lugar da enunciação.
em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos;
tempos verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.), Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos:
na organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participan-
formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver tes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções
um tema ou as unidades de um texto. Construída com os mecanismos prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o
gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto. momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ulti-
dar-se pela reiteração, pela substituição e pela associação. mamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
É garantida com o emprego de: agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).
 enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensa-
gem-tema do texto apoiada na conexão de elementos léxicos su- Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam rela-
cessivos pode dar-se por simples iteração (repetição). Cabe, nesse ções não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também
caso, fazer-se a diferenciação entre a simples redundância resul- entre frases e sequências de frases dentro de um texto”.
tado da pobreza de vocabulário e o emprego de repetições como
recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As contas do Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Mui-
patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro, mas tas vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoia-
Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá- da no conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo
lo.Enganava.” Vidas secas, p. 143); comunicativo têm da língua.
 substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos
como de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui além A ligação lógica das ideias
das palavras sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológi- Uma das características do texto é a organização sequencial dos ele-
cas e do campo associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar, mentos linguísticos que o compõem, isto é, as relações de sentido que se
voar; estabelecem entre as frases e os parágrafos que compõem um texto,
 hipônimos (relações de um termo específico com um termo de fazendo com que a interpretação de um elemento linguístico qualquer seja
sentido geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um dependente da de outro(s). Os principais fatores que determinam esse
termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específi- encadeamento lógico são: a articulação, a referência, a substituição voca-
co, ex.: felino, gato); bular e a elipse.
 nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em
forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: ARTICULAÇÃO
consertar, o conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se en- Os articuladores (também chamados nexos ou conectores) são conjun-
tre nominalização estrita e. generalizações (ex.: o cão < o animal) ções, advérbios e preposições responsáveis pela ligação entre si dos fatos
e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira); denotados num texto, Eles exprimem os diferentes tipos de interdependên-
 substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço. cia de sentido das frases no processo de sequencialização textual. As
O verbo fazer em substituição ao verbo trabalhar); ideias ou proposições podem se relacionar indicando causa, consequência,
finalidade, etc.
Língua Portuguesa 10 A Opção Certa Para a Sua Realização
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Ingressei na Faculdade a fim de ascender socialmente. O aluno realizou a prova conforme o professor solicitara.
Ingressei na Faculdade porque pretendo ser biólogo. segundo
Ingressei na Faculdade depois de ter-me casado. consoante
É possível observar que os articuladores relacionam os argumentos di- como
ferentemente. Podemos, inclusive, agrupá-los, conforme a relação que de acordo com a solicitação...
estabelecem.
temporalidade: é a relação por meio da qual se localizam no tempo
Relações de: ações, eventos ou estados de coisas do mundo real, expressas por meio de
adição: os conectores articula sequencialmente frases cujos conteúdos duas proposições.
se adicionam a favor de uma mesma conclusão: e, também, não Quando
só...como também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem. Mal
Logo que terminei o colégio, matriculei-me aqui.
Na maioria dos casos, as frases somadas não são permutáveis, isto é, Assim que
a ordem em que ocorrem os fatos descritos deve ser respeitada. Depois que
No momento em que
Ele entrou, dirigiu-se à escrivaninha e sentou-se. Nem bem
alternância: os conteúdos alternativos das frases são articulados por
conectores como ou, ora...ora, seja...seja. O articulador ou pode expres- a) concomitância de fatos: Enquanto todos se divertiam, ele estu-
sar inclusão ou exclusão. dava com afinco.
Existe aqui uma simultaneidade entre os fatos descritos em cada
Ele não sabe se conclui o curso ou abandona a Faculdade. uma das proposições.
b) um tempo progressivo:
oposição: os conectores articulam sequencialmente frases cujos con- À proporção que os alunos terminavam a prova, iam se retirando.
teúdos se opõem. São articuladores de oposição: mas, porém, todavia,  bar enchia de frequentadores à medida que a noite caía.
entretanto, no entanto, não obstante, embora, apesar de (que), ainda
que, se bem que, mesmo que, etc. Conclusão: um enunciado introduzido por articuladores como portan-
to, logo, pois, então, por conseguinte, estabelece uma conclusão em
O candidato foi aprovado, mas não fez a matrícula. relação a algo dito no enunciado anterior:
condicionalidade: essa relação é expressa pela combinação de duas
proposições: uma introduzida pelo articulador se ou caso e outra por então Assistiu a todas as aulas e realizou com êxito todos os exercícios. Por-
(consequente), que pode vir implícito. Estabelece-se uma relação entre o tanto tem condições de se sair bem na prova.
antecedente e o consequente, isto é, sendo o antecedente verdadeiro ou
possível, o consequente também o será. É importante salientar que os articuladores conclusivos não se limitam
a articular frases. Eles podem articular parágrafos, capítulos.
Na relação de condicionalidade, estabelece-se, muitas vezes, uma
condição hipotética, isto é,, cria-se na proposição introduzida pelo articula- Comparação: é estabelecida por articuladores : tanto (tão)...como,
dor se/caso uma hipótese que condicionará o que será dito na proposição tanto (tal)...como, tão ...quanto, mais ....(do) que, menos ....(do) que,
seguinte. Em geral, a proposição situa-se num tempo futuro. assim como.
Ele é tão competente quanto Alberto.
Caso tenha férias, (então) viajarei para Buenos Aires.
Explicação ou justificativa: os articuladores do tipo pois, que, por-
causalidade: é expressa pela combinação de duas proposições, uma que introduzem uma justificativa ou explicação a algo já anteriormente
das quais encerra a causa que acarreta a consequência expressa na outra. referido.
Tal relação pode ser veiculada de diferentes formas:
Passei no vestibular porque estudei muito Não se preocupe que eu voltarei
visto que pois
já que porque
uma vez que
_________________ _____________________ As pausas
consequência causa Os articuladores são, muitas vezes, substituídos por “pausas” (marca-
das por dois pontos, vírgula, ponto final na escrita). Que podem assinalar
tipos de relações diferentes.
Estudei tanto que passei no vestibular.
Estudei muito por isso passei no vestibular Compramos tudo pela manhã: à tarde pretendemos viajar. (causalida-
_________________ ____________________ de)
causa consequência Não fique triste. As coisas se resolverão. (justificativa)
Ela estava bastante tranquila eu tinha os nervos à flor da pele. ( oposi-
ção)
Como estudei passei no vestibular Não estive presente à cerimônia. Não posso descrevê-la. (conclusão)
Por ter estudado muito passei no vestibular http://www.seaac.com.br/
___________________ ___________________
causa consequência A análise de expressões referenciais é fundamental na interpretação do
discurso. A identificação de expressões correferentes é importante em
finalidade: uma das proposições do período explicita o(s) meio(s) para diversas aplicações de Processamento da Linguagem Natural. Expressões
se atingir determinado fim expresso na outra. Os articuladores principais referenciais podem ser usadas para introduzir entidades em um discurso ou
são: para, afim de, para que. podem fazer referência a entidades já mencionadas,podendo fazer uso de
redução lexical.
Utilizo o automóvel a fim de facilitar minha vida.
Interpretar e produzir textos de qualidade são tarefas muito importantes
conformidade: essa relação expressa-se por meio de duas proposi- na formação do aluno. Para realizá-las de modo satisfatório, é essencial
ções, em que se mostra a conformidade de conteúdo de uma delas em saber identificar e utilizar os operadores sequenciais e argumentativos do
relação a algo afirmado na outra. discurso. A linguagem é um ato intencional, o indivíduo faz escolhas quan-

Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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do se pronuncia oralmente ou quando escreve. Para dar suporte a essas Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG)
escolhas, de modo a fazer com que suas opiniões sejam aceitas ou respei- defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os
tadas, é fundamental lançar mão dos operadores que estabelecem ligações textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferen-
(espécies de costuras) entre os diferentes elementos do discurso. tes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os
diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da compe-
tência comunicativa. De acordo com as ideias do autor, cada tipo de texto é
Autor e Narrador: Diferenças apropriado para um tipo de interação específica. Deixar o aluno restrito a
Equipe Aprovação Vest apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha recursos para
atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou pouco
Qual é, afinal, a diferença entre Autor e Narrador? Existe uma diferença capaz, em outros. Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de
enorme entre ambos. levantamento de quais tipos seriam mais necessários para os alunos, para,
Autor a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários.

É um homem do mundo: tem carteira de identidade, vai ao supermer- Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivoca-
cado, masca chiclete, eventualmente teve sarampo na infância e, mais da, o termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de
eventualmente ainda, pode até tocar trombone, piano, flauta transversal. texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a
Paga imposto. carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele
atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual.
Narrador
É um ser intradiegético, ou seja, um ser que pertence à história que O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo,
está sendo narrada. Está claro que é um preposto do autor, mas isso não muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos.
significa que defenda nem compartilhe suas ideias. Se assim fosse, Ma- Ele apresenta uma carta pessoal3 como exemplo, e comenta que ela pode
chado de Assis seria um crápula como Bentinho ou um bígamo, porque, apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argu-
casado com Carolina Xavier de Novais, casou-se também com Capitu, foi mentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero
amante de Virgília e de um sem-número de mulheres que permeiam seus de heterogeneidade tipológica.
contos e romances.
Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente
O narrador passa a existir a partir do instante que se abre o livro e ele, são encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto
em primeira ou terceira pessoa, nos conta a história que o livro guarda. como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é
Confundir narrador e autor é fazer a loucura de imaginar que, morto o autor, um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descri-
todos os seus narradores morreriam junto com ele e que, portanto, não ção, a injunção e a predição. Travaglia afirma que um texto se define como
disporíamos mais de nenhuma narrativa dele. de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de interlocu-
ção que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em função do
espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto.

Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero


GÊNEROS TEXTUAIS mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextuali-
dade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu
Gêneros textuais são tipos específicos de textos de qualquer natureza, no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamen-
literários ou não. Modalidades discursivas constituem as estruturas e as te híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro.
funções sociais (narrativas, dissertativas, argumentativas, procedimentais e
exortativas), utilizadas como formas de organizar a linguagem. Dessa Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um
forma, podem ser considerados exemplos de gêneros textuais: anúncios, intercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado
convites, atas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, comédias, no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis,
contos de fadas, convênios, crônicas, editoriais, ementas, ensaios, entrevis- na opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de
tas, circulares, contratos, decretos, discursos políticos descrições e comentários dissertativos feitos por meio da narração.

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu en- Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica:
tender, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na  intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
leitura, compreensão e produção de textos1. O que pretendemos neste  heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários
pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Tex- tipos
tual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por
Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis Travaglia mostra o seguinte:
para o termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações
a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia.
 conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
 intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro
Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreen-
são e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordial Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gê-
o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha neros não são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos
capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma
produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para
de interação humana. exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o
autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo
Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na esco- carta, graças as suas propriedades necessárias e suficientes .Ele diz, ainda,
la a partir da abordagem do Gênero Textual Marcuschi não demonstra que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma lista de
favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele, produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulgação de
o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários daquele
que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque, embo- produto.
ra possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se con-
cretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças especí- Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado pa-
ficas. ra designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza
linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


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categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção (Swa- Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcusch é a
les, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipologia de Espécie. Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos
Textual é usado para designar uma espécie de sequência teoricamente formais de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo.
definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo
sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22). narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta
as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele
Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os
mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e
textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam caracte-
comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a corres-
rísticas sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades
pondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No gênero
funcionais, estilo e composição característica.
romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista, fantásti-
Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um co, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto a Espé-
modo de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas cie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é
que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é
ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao fa- fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.
zer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo
e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Mar-
pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou cuschi, o oposto também acontece. Este autor discute o conceito de Domí-
não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da transformação, quando nio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esfe-
o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Se o ras da atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo infor-
produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele, surge o discur- ma, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dariam
so da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma perspecti- origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas
va em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de gêneros
forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude comunicativa de que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comunicativas
comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das perspectivas apre- institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discur-
sentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira perspectiva so jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística,
faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção e narração. A segun- jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas origina vários
da perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto sensu6 e deles.
não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da antecipação faz surgir
o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem a textos do mundo Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Mar-
comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não comprometi- cuschi. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia
mento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados, de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipolo-
de maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no gias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção dos
tipo dissertação. discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseri-
dos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que
Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institucional
função social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas e (discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso petista, de direita,
vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabe- de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, linguísti-
mos que gênero usar em momentos específicos de interação, de acordo co, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade (discur-
com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos que so autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia
ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de do discurso.
maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o
mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo informa- Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando fa-
ções sobre um concurso público, por exemplo. lam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Marcus-
chi considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente
Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece e corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso
que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instân-
“qualidade” que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu cia discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera
gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer? o discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade
produtora de sentidos para a interação comunicativa, regulada por uma
Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa
sua função social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão, atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como uma unidade lin-
romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc. guística concreta que é tomada pelos usuários da língua em uma situação
de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e
Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida,
que, na sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso, independentemente de sua extensão (p. 03).
comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função social
de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-mail Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que
entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser dado sua preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcus-
sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplificando chi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais opera-
apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo assinado cional do que formal.
(com a função social de pedir, solicitar). Continuo colocando a carta, o e-
mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e voto são Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipolo-
exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria essa fun- gia Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos.
ção de prometer. Mas a função de confirmar a promessa de dar o voto a Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos
alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a promessa de (Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção
votar que pode ter sido feita a um candidato. das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os ele-
mentos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza.
Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colo-
carei todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões
não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele não feitas por Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros
apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social menos Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho
rígida, como o bilhete. com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus

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mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN, dizendo que ele pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. A avaliação
apresenta a ideia básica de que um maior conhecimento do funcionamento dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literá-
dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a compreen- rios ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é
são de textos. Travaglia não faz abordagens específicas ligadas à questão aquele que apresenta, ou só apresenta, características literárias, mas
do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual. aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzi-
do, ou seja, se a escolha do gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o
O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipo- nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalida-
logia Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem de do texto.
parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que
entram na composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a
dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais
merece maiores discussões. socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da interação
humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua
Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
ideais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de exercício da interação humana, da participação social dentro de uma socie-
gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais dade letrada.
formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros 1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gêne-
devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem ro ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara pa-
Schneuwly & Dolz (2004). ra selecionar os textos com os quais trabalhará.
2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pou-
Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a co a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.
Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia 3 - Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente des-
teria que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto critiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentativa.
deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, caracteriza-
será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso seja do como carta, apenas com descrições, ou apenas com injunções.
considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores, Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de afirmar,
porém dois são mais pertinentes: ele diz desconhecer um gênero necessariamente descritivo.
a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composi- 4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem pre-
ção de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possível. visão, como o boletim meteorológico e o horóscopo.
Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao alu- 5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma
no o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-versa. carta.
Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola 6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o
teria convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo esse o mais que faz argumentação explícita.
trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado para produ- 7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso.
zir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com Sílvio Ribeiro da Silva.
o tipo narrativo, por exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de
trabalhar com os outros tipos?);
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida. Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é
transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex: um ro-
Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gêne- mance, um conto, uma poesia...
ro Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessaria-
mente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se Texto não-literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da
em algum gênero textual. forma mais clara e objetiva possível. Ex: uma notícia de jornal, uma bula
de medicamento.
Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era
feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de texto
fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por isso, Diferenças entre Língua Padrão,
não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de redação, Linguagem Formal e Linguagem informal.
ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste funda-
Língua Padrão: A gramática é um conjunto de regras que estabelecem
mentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base
um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão.
uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação
Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem
de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas primeiras moda-
sempre são obedecidas pelo falante.
lidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade)
(Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda em si uma visão Os conceitos linguagem formal e linguagem informal estão, sobretu-
equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais “fáceis” do que do associados ao contexto social em que a fala é produzida.
dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última
tenha sido reservada às séries terminais - tanto no ensino fundamental Informal: Num contexto em que o falante está rodeado pela família ou
quanto no ensino médio. pelos amigos, normalmente emprega uma linguagem informal, podendo
usar expressões normalmente não usadas em discursos públicos (pala-
O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto vrões ou palavras com um sentido figurado que apenas os elementos do
pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor grupo conhecem). Um exemplo de uma palavra que tipicamente só é usada
de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em na linguagem informal, em português europeu, é o adjetivo “chato”.
textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual do Formal: A linguagem formal, pelo contrário, é aquela que os falantes
aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais, orais usam quando não existe essa familiaridade, quando se dirigem aos superio-
e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transformado res hierárquicos ou quando têm de falar para um público mais alargado ou
numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabilizado e desconhecido. É a linguagem que normalmente podemos observar nos
concretizado pela adoção de algumas estratégias, como enviar uma carta discursos públicos, nas reuniões de trabalho, nas salas de aula, etc.
para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar
uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entre- Portanto, podemos usar a língua padrão, ou seja, conversar, ou escre-
vista, etc. Essas atividades, além de diversificar e concretizar os leitores ver de acordo com as regras gramaticais, mas o vocabulário (linguagem)
das produções (que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”), permi- que escolhemos pode ser mais formal ou mais informal de acordo com a
tem também a participação direta de todos os alunos e eventualmente de nossa necessidade. Ptofª Eliane

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Variações Linguísticas Para telha dizem teia
A linguagem é a característica que nos difere dos demais seres, Para telhado dizem teiado
permitindo-nos a oportunidade de expressar sentimentos, revelar conhe- E vão fazendo telhados.
cimentos, expor nossa opinião frente aos assuntos relacionados ao Oswald de Andrade
nosso cotidiano, e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio
social.
CHOPIS CENTIS
E dentre os fatores que a ela se relacionam destacam-se os níveis Eu “di” um beijo nela
da fala, que são basicamente dois: O nível de formalidade e o de E chamei pra passear.
informalidade. A gente fomos no shopping
Pra “mode” a gente lanchar.
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem escrita, Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
restringindo-se às normas gramaticais de um modo geral. Razão Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro
pela qual nunca escrevemos da mesma maneira que falamos. Este aipim.
fator foi determinante para a que a mesma pudesse exercer total Quanta gente,
soberania sobre as demais. Quanta alegria,
A minha felicidade é um crediário nas
Quanto ao nível informal, este por sua vez representa o estilo Casas Bahia.
considerado “de menor prestígio”, e isto tem gerado controvérsias Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
entre os estudos da língua, uma vez que para a sociedade, aquela Pra levar a namorada e dar uns
pessoa que fala ou escreve de maneira errônea é considerada “rolezinho”,
“inculta”, tornando-se desta forma um estigma. Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime.
Compondo o quadro do padrão informal da linguagem, estão as Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
chamadas variedades linguísticas, as quais representam as variações E também o Van Damme.
de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas (Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, 1995.)
em que é utilizada. Dentre elas destacam-se: Por Vânia Duarte

Variações históricas:
Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma sofre transfor- TIPOLOGIA TEXTUAL
mações ao longo do tempo. Um exemplo bastante representativo é a
questão da ortografia, se levarmos em consideração a palavra farmácia, Tino Lopez
uma vez que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à lingua- 1. Narração
gem dos internautas, a qual fundamenta-se pela supressão do vocábu- Modalidade em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num
los. determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a
objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O
Analisemos, pois, o fragmento exposto: tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações
Antigamente desde as que nos contam histórias infantis até às piadas do cotidiano. É o
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram tipo predominante nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela,
todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam depoimento, piada, relato, etc.
primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões,
faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos 2. Descrição
meses debaixo do balaio." Carlos Drummond de Andrade Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pes-
soa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa
Comparando-o à modernidade, percebemos um vocabulário anti- produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem
quado. mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há
relação de anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a
Variações regionais: imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou
São os chamados dialetos, que são as marcas determinantes refe- da personagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que se agrega
rentes a diferentes regiões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca facilmente aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominân-
que, em certos lugares, recebe outras nomenclaturas, tais co- cia em gêneros como: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.
mo:macaxeira e aipim. Figurando também esta modalidade estão os
sotaques, ligados às características orais da linguagem. 3. Dissertação
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer
Variações sociais ou culturais: sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou
Estão diretamente ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral argumentativo.
e também ao grau de instrução de uma determinada pessoa. Como
exemplo, citamos as gírias, os jargões e o linguajar caipira. 3.1 Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico.
As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos grupos, Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia
como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros. idéias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um
determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resumo,
Os jargões estão relacionados ao profissionalismo, caracterizando textos científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc.
um linguajar técnico. Representando a classe, podemos citar os médi-
cos, advogados, profissionais da área de informática, dentre outros. 3.1 Dissertação-Argumentação
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto
Vejamos um poema e o trecho de uma música para entendermos de vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocu-
melhor sobre o assunto: tor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica
Vício na fala de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante
Para dizerem milho dizem mio em: sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto,
Para melhor dizem mió crítica, editorial de jornais e revistas.
Para pior pió

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4. Injunção/Instrucional
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os Entrevista: é um gênero textual fundamentalmen-
verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém nota- te dialogal, representado pela conversação de duas ou mais pessoas, o
se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo indica- entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou do
tivo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para mon- entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente envolve também
tagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com regras de compor- aspectos dissertativo-expositivos, especialmente quando se trata de entre-
tamento; textos de orientação (ex: recomendações de trânsito); receitas, vista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode também envolver
cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.). aspectos narrativos, como na entrevista de emprego, ou aspec-
tos descritivos, como na entrevista médica.
OBS: Os tipos listados acima são um consenso entre os gramáticos.
Muitos consideram também que o tipo Predição possui características História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em enre-
suficientes para ser definido como tipo textual, e alguns outros possuem o dos contados em pequenos quadros através de diálogos diretos entre seus
mesmo entendimento para o tipo Dialogal. personagens, gerando uma espécie de conversação.

5. Predição Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilus-
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em algu- tração cômica, através de caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira,
ma coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual, em sua grande
previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previsões escatológi- maioria.
cas/apocalípticas.
Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos,
6. Dialogal / Conversacional pode ser estruturado em estrofes. Rimas e métrica também podem fazer
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predomi- parte de sua composição. Pode ou não ser poético. Dependendo de sua
nante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc. estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto,
epopeia, poema figurado, dramático, etc. Em geral, a presença de aspec-
Gêneros textuais tos narrativos e descritivos são mais frequentes neste gênero.
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos,
sejam eles orais ou escritos. Essas estruturas são socialmente reconheci- Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emoções por meio de uma
das, pois se mantêm sempre muito parecidas, com características comuns, linguagem , ou seja, tudo o que toca e comove pode ser considerado como
procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em poético (até mesmo uma peça ou um filme podem ser assim considerados).
situações específicas. Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de Um subgênero é a prosa poética, marcada pela tipologia dialogal.
linguagem que circulam em nossa sociedade, sejam eles formais ou infor-
mais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser Gêneros literários:
identificado e diferenciado dos demais através de suas características. Gênero Narrativo:
Exemplos: Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram ape-
nas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", tende a ser passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário narrati-
do tipo dissertativo-argumentativo com uma linguagem formal, em que se vo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características
escreve à sociedade ou a leitores. Quando se trata de "carta pessoal", a diferentes: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, prati-
presença de aspectos narrativos oudescritivos e uma linguagem pessoal é camente todas as obras narrativas possuem elementos estruturais e estilís-
mais comum. ticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem? o
que? quando? onde? por quê? Vejamos a seguir:
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o
intuito de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir e Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e narram
influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens que histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras,
despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo. viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta-
ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos
Bula de remédio: é um gênero textual descritivo, dissertativo- são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisséia, de Homero.
expositivo e injuntivo que tem por obrigação fornecer as informações ne-
cessárias para o correto uso do medicamento. Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens
bem definidos e de caráter mais verossímil. Também conta as façanhas
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo de um herói, mas principalmente uma história de amor vivida por ele e uma
informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes e mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos que o
o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido de separam, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e,
ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. por isso, costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na
Idade Média. Ex: Tristão e Isolda.
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem por fina-
lidade explicar ao leitor, passo a passo e de maneira simplificada, como Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevi-
fazer algo. dade do romance e a brevidade do conto. Como exemplos de novelas,
podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A Meta-
Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa morfose, de Kafka.
o posicionamento da empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação
da presença da objetividade. Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa,
que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia
Notícia: podemos perfeitamente identificar características narrativas, o parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma
fato ocorrido que se deu em um determinado momento e em um determi- escrita com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual
nado lugar, envolvendo determinadas personagens. Características do conto surgiram na tipologia textual narrativa: conto de fadas, que envolve
lugar, bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minucio- personagens do mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem
samente descritos. personagens em um contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos
(conto popular); contos de terror ou assombração, que se desenrolam em
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo- um contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de
expositivo. A reportagem tem, por objetivo, informar e levar os fatos ao mistério, que envolvem o suspense e a solução de um mistério.
leitor de uma maneira clara, com linguagem direta.

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Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma
personagens principais são não humanos e a finalidade é transmitir alguma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É
lição de moral. o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais
belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos
linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque de crítica (muito rara);
indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de jornal,
revistas e programas da TV.. Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou
a algo, em tom sério ou irônico.
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os momen-
tos narrativos e manifestos descritivos. Acalanto: ou canção de ninar;

Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na
expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase;
tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na
defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanísti- Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas
co, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam
se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedu- à dança;
tivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, de José
Saramago e Ensaio sobre a tolerância, de John Locke. Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento mu-
sical;
Gênero Dramático:
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do orien-
texto, não há um narrador contando a história. Ela “acontece” no palco, ou te médio;
seja, é representada por atores, que assumem os papéis das personagens
nas cenas. Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos” (=sátira). E
o poema japonês formado de três versos que somam 17 sílabas assim
Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas;
compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma represen-
tação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quarte-
figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror". tos e dois tercetos, com rima geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.
Ex: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de
Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.
que critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino ridendo
castigat mores (rindo, castigam-se os costumes). A farsa consiste no exa-
gero do cômico, graças ao emprego de processos grosseiros, como o
COESÃO E COERÊNCIA
absurdo, as incongruências, os equívocos, os enganos, a caricatura, o
humor primário, as situações ridículas.
Diogo Maria De Matos Polônio
Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no senti-
mento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas popula- Introdução
res. Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre
Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor-
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário. reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre a
forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais de
da realidade vivida por este povo. Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre deter-
minados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais válido e,
simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem necessaria-
Gênero Lírico: mente presente a aplicação destes conhecimentos na situação real da sala
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e de aula.
que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emoções, ideias e
impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de aplica-
verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da lingua- ção na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística no
gem. campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas no
referido seminário.
Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte
é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa tristeza, Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui
saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um apresentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no
bom exemplo é a peça Roan e yufa, de william shakespeare. vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística e
que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas reflexões
Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já terá cum-
românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a prido honestamente o seu papel.
peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Coesão e Coerência Textual
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma homena- Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geralmen-
gem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a te através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanha- em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de palavras não
mento musical; constitui forçosamente uma frase.

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Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, torna- propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se
se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é transforme num texto: a conetividade.
preciso que essa sequência seja construÍda tendo em conta o sistema da
língua. Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabelecer
uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase, tam- difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que
bém um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um texto. orientam a formação do discurso.

Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto materia- Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro-coerência
lizado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e são as mesmas que orientam a macro-coerência textual. Efetivamente,
pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras
através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor, de coerência que foram usadas para a construção do texto original.
numa determinada situação, a um determinado alocutário1.
Assim, para Charolles, micro-estrutura textual diz respeito às relações
Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os có- de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência textual,
digos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do locutor enquanto que macro-estrutura textual diz respeito às relações de coerência
sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo são ingre- existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
dientes indispensáveis ao objeto texto.  Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório
mais cedo para apanhar o comboio das quatro horas.
Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas  Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com ami-
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de gos.Vai trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia
regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência de teatro.
essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.
Como micro-estruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, enquan-
Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas to que o conjunto das duas sequências forma uma macro-estrutura.
regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
certos julgamentos de coerência textual. Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna-se
Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de
nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as recorrência restrita.
intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura da
frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas convencio- Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos:
nais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção, - pronominalizações,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre- - expressões definidas,
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa- - substituições lexicais,
das. - retomas de inferências.

Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incorre- Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a
ções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incorre- uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto, reto-
ções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na mando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível; sequência anterior:
não quer dizer nada).
a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a re-
Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refazer; petição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.
reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de recupe-
ração. O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o
pronome.
Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o professor Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estrangu-
desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido a lada no seu quarto.
fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.
No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princípios Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou ain-
de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela dicoto- da: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me.
mia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com a
dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural. Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora, pa-
ra nos precavermos de enunciados como este:
Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o António.
entre coerência textual e coesão textual.
Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identificar
Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos processos ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpretação:
linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica existente ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o António, mas
entre sequências textuais: que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do receptor.
Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro.
Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enunciado:
Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com ele.
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências
textuais: As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos dos
Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe. alunos.
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio.
Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões de Um homem estava também a banhar-se.
sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não Como ele sabia nadar, ensinou-o.
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só

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Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se- - Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto: lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
ele sabia nadar(quem?), um felino?
ele ensinou-o (quem?; a quem?)
d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres- conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava
sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um com os processos de recorrência anteriormente tratados.
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência Vejamos:
textual. P - A Maria comeu a bolacha?
Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim. R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
Os gatos vão sempre conosco. R2 - Não, ela comeu um morango.
R3 - Não, ela despenteou-se.
Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os problemas
aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho daquele As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do
que o precede. que a sequência P+R3.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito ele-
gante. No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
pronome na 3ª pessoa.
Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos contex-
tuais. Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi-
Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante. ciente para garantir coerência a uma sequência textual.

Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse. Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi-
Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 e
ainda: R2 retomarem inferências presentes em P:
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante. - aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria,
- a Maria comeu qualquer coisa.
c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos
contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P.
processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do ele-
mento linguístico. Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições
Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma garante uma fortificação da coerência textual.
senhora. Este assassinato é odioso.
Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto (con-
Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário tinuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos são
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu levados a veicular certas informações pressupostas pelos professores.
representante mais específico.
Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha. Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
Schumacher festejou euforicamente junto da sua equipa. crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles
fazer?
Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos linguís-
ticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim, Schuma- A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real-
cher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto alemão. mente fazer qualquer coisa.

No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um deter- Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en-
minante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência restrita. quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresentado
Atentemos no seguinte exemplo: uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada.

Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera" No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona. ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do
mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos.
A presença do determinante definido não é suficiente para considerar
que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exercí-
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida cios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um mundo
peça. ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um aluno
recriar o quotidiano de um multi-milionário,senhor de um grande império
Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico- industrial, que vive numa luxuosa vila.
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos parti-
cipantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma fron- 2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se
teira entre a semântica e a pragmática. necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma infor-
mação semântica constantemente renovada.
Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetuar
por Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
- Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição
parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo nun- constante da própria matéria.
ca mais aprende a cair!
- Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferreiro
parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vestimenta
cheira-me a mentira! preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna. Todos
- Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma re- os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna. A
lação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagosta, bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda em
adoro! baixo e batia com o martelo na bigorna.

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Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto não Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
será incoerente, será até coerente demais. como coerente, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam
congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto.
No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um tex-
to coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre continui- Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes
dade temática e progressão semântica. 1 - A Silvia foi estudar.
2 - A Silvia vai fazer um exame.
Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois prin- 3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1.
cípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da informação
não se pode processar de qualquer maneira. A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo mais
congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.
Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências
acompanhar a ordenação temporal dos fatos descritos. Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na maior
Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei). parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam semanti-
camente.
O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das su- Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A Sil-
as sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os estados de via vai fazer um exame portanto foi estudar.
coisas descritos. A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores constitui
Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho- um bom teste para descobrir uma incongruência.
veu). Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos
de Fórmula 1.
Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta-
dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes-
textuais. sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos,
Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores e garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar
canteiros com flores. incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a
dinamização de estratégias de correção.
Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o particu-
lar. Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente, tor- trais termo-nucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado
na-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum ele- técnico sobre centrais termo-nucleares.
mento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressuposto
por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência. No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoerentes.
Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência, admi-
Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que tindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela maneira.
uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira.
Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen-
Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das con- samento que conduza a uma estrutura coerente.
tradições inferenciais e pressuposicionais.
Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa-
Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po- mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal (com-
demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresenta- parável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que, seja qual
do ou dedutível. for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência própria,
Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso. uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente por si
mesmo.
As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se-
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase. É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir os
textos dos nossos alunos.
O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro-
fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais, 1. Coerência:
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, con-
pretérito para suprimir as contradições. vencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significado
produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não
As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe- é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples
renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um conte- sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato
údo pressuposto que se encontra contradito. com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos
Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe per- um texto em que há coerência.
feitamente fiel.
A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmen-
Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio, tos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento
enquanto a primeira pressupõe o inverso. textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressu-
posto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que todos
É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre- eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa
sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um
entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contradi- anterior, perde-se a coerência textual.
ção, assume-a, anula-a e toma partido dela.
Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a parti- A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con-
da para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença. texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa
ser conhecido pelo receptor.
4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne-
cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre- Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi-
sentem diretamente relacionados. tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido no
incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessário à
com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser reavivada
em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!). a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez no primeiro
parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, talvez a clareza
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima da matéria fosse comprometida.
poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto
seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa. E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns
mecanismos:
No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a reali- a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
dade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apre- texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principalmente
sentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormali- por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia propriamen-
dade. te dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão do texto
jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitura por
Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser considerada a
décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos vestibu-
frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalida- lares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que um núme-
de do fato narrado. ro elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão.

2. Coesão: b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a repe-


A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe- tição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da
ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga- vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da rela- linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir somente
ção com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as palavras o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de celebrida-
se comunicam, como dependem uma das outras. des (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar
a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público. Exemplos:
SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti); Farage (para o
Das Agências candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage Khouri); etc. Nomes
femininos costumam ser retomados pelo primeiro nome, a não ser nos
Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulantes casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da matéria, mais relevan-
e uma mulher que viu o avião cair morreram tes e as identifiquem com mais propriedade.

Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzido
dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no avião
de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candidato a
cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspadini (4), de
sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de 64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38. Perceba
São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as palavras
mais três residências. piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de avião, obvia-
mente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que se tratasse
Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo ocorre outro
que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia reporta- exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas (9) atingidas
gem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o co-piloto pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimentos graves.
(1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name Júnior (4), (10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10) em negrito, antes
Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha Ribeiro de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado: Três pessoas. Na
Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela (6), verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas sofreram) Apenas
João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. escoriações e queimaduras.

Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um
compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é a
um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou grupo
Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Commander de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras). Confira os
691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do filho (7) principais elementos de substituição:
Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao reagir a um
assalto e ser baleado na noite de sexta-feira. Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir ou
acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou toda a
O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aeropor- ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-exemplo, são
to de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Maringá às nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de Name Júnior
21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua Andaquara, (4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha
uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Senhora do Sabará, Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela
uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de São Paulo. Ainda (6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome possessivo seus
não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) não tinha caixa retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o pronome pessoal ela,
preta e a torre de controle também não tem informações. O laudo técnico contraído com a preposição de na forma dela, retoma Gabriela Gimenes
demora no mínimo 60 dias para ser concluído. Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último parágrafo, o pronome pessoal
elas retoma as três pessoas que estavam nas casas atingidas pelo avião:
Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de Elas (10) não sofreram ferimentos graves.
cair em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas
casas (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo
ferimentos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorezzi, que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação
de 62 anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida
Pronto Socorro de Santa Cecília. de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado.

Língua Portuguesa 21 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Exemplos: Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma
a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre- forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certifi- analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de
cado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardoso; acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo); tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.
b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil.
Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex-Ministro Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.
dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; poder-se-iam,
por exemplo, usar as formas jogador do século, número um do Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
mundo, etc. mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem
Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou como, com, ou (quando não for excludente).
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi
demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício, para Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é
conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos). provável, não é certo, se é que.

Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação expres- Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
sa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já utilizados. questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito da Avenida
Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos impostos. A Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito,
paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que deriva de parali- subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
sar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o trânsito da
Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três residências (o Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para
nome impacto retoma e resume o acidente de avião noticiado na matéria- exemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber,
exemplo) ou seja, aliás.

Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um ele- Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propó-
mento (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio de sito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.
uma classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de cente-
nas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O protesto foi Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de,
a maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - da paralisa- dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa,
ção -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram encontrados isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.
ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram a reação dos
animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis classificações Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclu-
que se podem atribuir a eles). são, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo.
Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as
de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não aderi- Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguin-
ram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de advérbios te, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com
que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, como efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez
elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá, etc. que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte
que, de tal forma que, haja vista.
Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no
texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que se Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste
refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro Andrade com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
(7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores de cabe- embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se
ças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos sócios do bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.
Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A palavra região
serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica uma região Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.
do país), que só é citada na linha seguinte.
Níveis De Significado Dos Textos:
Conexão: Significado Implícito E Explícito
Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na
coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, que Informações explícitas e implícitas
são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expressões. A Faz parte da coerência, trata-se da inferência, que ocorre porque tudo
escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido que você produz como mensagem é maior do que está escrito, é a soma
do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos, agrupados do implícito mais o explícito e que existem em todos os textos.
pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia (Comunicação
em Prosa Moderna). Em um texto existem dois tipos de informações implícitas, o pressu-
posto e o subentendido.
Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes O pressuposto é a informação que pode ser compreendida por uma
de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente, princi- palavra ou frase dentro do próprio texto, faz o receptor aceitar várias ideias
palmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori (itálico). do emissor.
Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterio- O subentendido gera confusão, pois se trata de uma insinuação, não
ridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princí- sendo possível afirmar com convicção.
pio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, poste- A diferença entre ambos é que o pressuposto é responsável pelo
riormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente, hoje, emissor e a informação já está no enunciado, já no subentendido o recep-
frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por vezes, tor tira suas próprias conclusões. Profª Gracielle
ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simulta-
neamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quan- Parágrafo:
do, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que, Os textos são estruturados geralmente em unidades menores, os pa-
todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem. rágrafos, identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em

Língua Portuguesa 22 A Opção Certa Para a Sua Realização


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relação à margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há pará- O tamanho do parágrafo:
grafos longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a
unidade temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de redação, o leitor e o
um parágrafo. veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Em princípio, o
parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no
É muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso.
ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, que o parágrafo-
padrão apresente a seguinte estrutura: Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para lei-
tores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais
uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes,
principal do parágrafo, definindo seu objetivo; geralmente, apresentam parágrafos curtos.
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal, Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágra-
com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclare- fos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é
cem; empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou
para enfatizar uma ideia.
c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando em Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados
consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento. a um leitor de nível médio (2º grau). Cada parágrafo médio construído com
três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia cabem cerca de três parágrafos médios.
que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e refor-
çada por uma conclusão. Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas pos-
suem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e conso-
Os Parágrafos na Dissertação Escolar: mem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias ideias
As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade
em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou e fôlego para acompanhá-los.
três para o desenvolvimento e um para a conclusão). A ordenação no desenvolvimento do parágrafo pode acontecer:
É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema propos- a) por indicações de espaço: "... não muito longe do lito-
to e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é ral...".Utilizam-se advérbios e locuções adverbiais de lugar e certas locu-
fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em pará- ções prepositivas, e adjuntos adverbiais de lugar;
grafos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele se
desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação b) por tempo e espaço: advérbios e locuções adverbiais de tempo,
coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do certas preposições e locuções prepositivas, conjunções e locuções conjun-
texto em sua totalidade. tivas e adjuntos adverbiais de tempo;

Parágrafo Narrativo: c) por enumeração: citação de características que vem normalmente


depois de dois pontos;
Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um d) por contrastes: estabelece comparações, apresenta paralelos e
episódio curto. evidencia diferenças; Conjunções adversativas, proporcionais e comparati-
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se vas podem ser utilizadas nesta ordenação;
referem as personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao e) por causa-consequência: conjunções e locuções conjuntivas con-
fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc. clusivas, explicativas, causais e consecutivas;
O que falamos acima se aplica ao parágrafo narrativo propriamente di- f) por explicitação: esclarece o assunto com conceitos esclarecedo-
to, ou seja, aquele que relata um fato. res, elucidativos e justificativos dentro da ideia que construída. Pciconcur-
sos
Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir
as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido Equivalência e transformação de estruturas.
por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem
deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com Refere-se ao estudo das relações das palavras nas orações e nos pe-
a do narrador ou com a de outro personagem. ríodos. A palavra equivalência corresponde a valor, natureza, ou função;
relação de paridade. Já o termo transformação pode ser entendido como
Parágrafo Descritivo: uma função que, aplicada sobre um termo (abstrato ou concreto), resulta
um novo termo, modificado (em sentido amplo) relativamente ao estado
A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um frag-
mento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um original. Nessa compreensão ampla, o novo estado pode eventualmente
ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado coincidir com o estado original. Normalmente, em concursos públicos, as
momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo. relações de transformação e equivalência aparecem nas questões dotadas
dos seguintes comandos:
O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da Exemplo: CONCURSO PÚBLICO 1/2008 – CARGO DE AGENTE DE
descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que POLÍCIA FUNDAÇÃO UNIVERSA
caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
ou coordenadas. Questão 8 - Assinale a alternativa em que a reescritura de parte do tex-
to I mantém a correção gramatical, levando em conta as alterações gráficas
A estruturação do parágrafo: necessárias para adaptá-la ao texto.
O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um Exemplo 2: FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – TÉCNICO EM EDUCA-
ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central, ÇÃO – ORIENTADOR PEDAGÓGICO 2010
ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relaciona- (CÓDIGO 101) Questão 1 - A seguir, são apresentadas possibilidades
das pelo sentido e logicamente decorrentes dela. de reescritura de trechos do texto I. Assinale a alternativa em que a reescri-
tura apresenta mudança de sentido com relação ao texto original.
O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da
folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar conveniente- Nota-se que as relações de equivalência e transformação estão assen-
mente as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor acom- tadas nas possibilidades de reescrituras, ou seja, na modificação de vocá-
panhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios. bulos ou de estruturas sintáticas.

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Vejamos alguns exemplos de transformações e equivalências: Discurso direto
Examinando este passo do conto Guaxinim do banhado, de Mário de
1 Os bombeiros desejam / o sucesso profissional (não há verbo na se- Andrade:
gunda parte). “O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira lá
Sujeito VDT OBJETO DIRETO na língua dele - “Chente! que vida dura esta de guaxinim do banhado!...”

Os bombeiros desejam / ganhar várias medalhas (há verbo na segunda Verificamos que o narrado, após introduzir o personagem, o guaxinim,
parte = oração). deixou-o expressar-se “Lá na língua dele”, reproduzindo-lhe a fala tal como
Oração principal oração subordinada substantiva objetiva direta ele a teria organizado e emitido.

No exemplo anterior, o objeto direto “o sucesso profissional” foi substi- A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a apre-
tuído por uma oração objetiva direta. Sintaticamente, o valor do termo sentar as suas próprias palavras, denominamos discurso direto.
(complemento do verbo) é o mesmo. Ocorreu uma transformação de natu-
reza nominal para uma de natureza oracional, mas a função sintática de Observação
objeto direto permaneceu preservada. No exemplo anterior, distinguimos claramente o narrador, do locutor, o
guaxinim.
2 Os professores de cursinhos ficam muito felizes / quando os alunos
são aprovados.
Mas o narrador e locutor podem confundir-se em casos como o das
ORAÇÃO PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL TEM- narrativas memorialistas feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de Rio-
PORAL baldo, o personagem-narrador do romance de Grande Sertão: Veredas, de
Guimarães Rosa.
Os professores de cursinhos ficam muito felizes / nos dias das provas. “Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa;
SUJ VERBO PREDICATIVO ADJUNTO ADVERBIAL DE TEMPO mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso
do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”
Apesar de classificados de formas diferentes, os termos indicados con-
tinuam exercendo o papel de elementos adverbiais temporais. Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer, em que o autor, lirica-
Exemplo da prova! mente identificado com a natureza de sua terra, ouve na voz do Minuano o
convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua própria alma:
FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – SECRETÁRIO ESCOLAR (CÓDIGO “Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
203) Página 3 - Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”
Grassa nessas escolas uma praga de pedagogos de gabinete, que
Características do discurso direto
usam o legalismo no lugar da lei e que reinterpretam a lei de modo obtuso,
1. No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, ge-
no intuito de que tudo fique igual ao que era antes. E, para que continue a
ralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar,
parecer necessário o desempenho do cargo que ocupam, para que pare-
sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que podem
çam úteis as suas circulares e relatórios, perseguem e caluniam todo e
introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se inserir:
qualquer professor que ouse interpelar o instituído, questionar os burocra-
“E Alexandre abriu a torneira:
tas, ou — pior ainda! — manifestar ideias diferentes das de quem manda na
- Meu pai, homem de boa família, possuía fortuna grossa, como não
escola, pondo em causa feudos e mandarinatos.
ignoram.” (Graciliano Ramos)
O vocábulo “Grassa” poderia ser substituído, sem perda de sentido, por “Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor.” (Cecília
Meirelles)
(A) Propaga-se. “Os que não têm filhos são órfãos às avessas”, escreveu Machado
(B) Dilui-se. de Assis, creio que no Memorial de Aires. (A.F. Schmidt)
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a re-
(C) Encontra-se. cursos gráficos - tais como os dois pontos, as aspas, o travessão e
a mudança de linha - a função de indicar a fala do personagem. É
(D) Esconde-se.
o que observamos neste passo:
(E) Extingue-se. “Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela. Não avista-
ram o menino:
http://www.professorvitorbarbosa.com/ - Joãozinho!
Nada. Será que ele voou mesmo?”
Discurso Direto. 2. No plano expressivo, a força da narração em discurso direto pro-
vém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, fa-
Discurso Indireto.
zendo emergir da situação o personagem, tornando-o vivo para o
Discurso Indireto Livre ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador desem-
Celso Cunha
penha a mera função de indicador das falas.
ENUNCIAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ENUNCIAÇÕES
Comparando as seguintes frases:
Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada nos atos diá-
“A vida é luta constante”
rios de comunicação e nos estilos literários narrativos em que os autores
“Dizem os homens experientes que a vida é luta constante”
pretendem representar diante dos que os lêem “a comédia humana, com a
maior naturalidade possível”. (E. Zola)
Notamos que, em ambas, é emitido um mesmo conceito sobre a vida..
Discurso indireto
Mas, enquanto o autor da primeira frase enuncia tal conceito como ten-
1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de Assis:
do sido por ele próprio formulado, o autor da segunda o reproduz como
“Elisiário confessou que estava com sono.”
tendo sido formulado por outrem.
Ao contrário do que observamos nos enunciados em discurso dire-
to, o narrador incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informação
Estruturas de reprodução de enunciações
do personagem (Elisiário), contentando-se em transmitir ao leitor o
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de persona-
seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística que teria
gens reais ou fictícias, os locutores e os escritores dispõiem de três moldes
sido realmente empregada.
linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de: discurso direto, discurso
Este processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indire-
indireto e discurso indireto livre.
to.

Língua Portuguesa 24 A Opção Certa Para a Sua Realização


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2. Também, neste caso, narrador e personagem podem confundir-se Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa indireta:
num só: “Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
“Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.” (Graciliano Ramos) cantadora.”
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta,
Características do discurso indireto isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso).
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também por um verbo “Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis)
declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc), as Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele,
falas dos personagens se contêm, no entanto, numa oração subor- aquela, aquilo).
dinada substantiva, de regra desenvolvida: “Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.”
“O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tan- i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:
tos doudos no mundo e menos ainda o inexplicável de alguns ca- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
sos.” concluindo:
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da conjunção - Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos)
integrante: Discurso indireto: advérbio de lugar ali:
“Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálcu- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
lo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o ti- concluindo que ali não estava o que procurava.”
vesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava
podiam ser onze horas.”(Lima Barreto) Discurso indireto livre
A conjunçào integrante falta, naturalmente, quando, numa constru- Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um ter-
ção em discurso indireto, a subordinada substantiva assume a for- ceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação dos
ma reduzida.: dois anteriormente descritos. É o chamado discurso indireto livre, forma de
“Um dos vizinhos disse-lhe serem as autoridades do Cachoei- expressão que, ao invés de apresentar o personagem em sua voz própria
ro.”(Graça Aranha) (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria
2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o empre- dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a
go do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter pre- impressão de que passam a falar em uníssono.
dominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral e
atualizadora do discurso direto. O narrador passa a subordinar a si Comparem-se estes exemplos:
o personagem, com retirar-lhe a forma própria da expressão. Mas “Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respira-
não se conclua daí que o discurso indireto seja uma construção es- ção presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
tilística pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente dosado de momento em que esteve quase... quase!
um e de outro tipo de discurso que os bons escritores extraem da Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qual-
narrativa os mais variados efeitos artísticos, em consonância com quer urubu... que raiva... “ (Ana Maria Machado)
intenções expressivas que só a análise em profundidade de uma “D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que es-
dada obra pode revelar. tar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano
Ramos)
Transposição do discurso direto para o indireto “O matuto sentiu uma frialdade mortuária percorrendo-o ao longo da
Do confronto destas duas frases: espinha.
“- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt) Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a qual a mezinha domés-
“Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.” tica nem a dos campos possuíam salvação.
Perdido... completamente perdido...”
Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos ( H. de C. Ramos)
elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde
sintático. Características do discurso indireto livre
a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa. Do exame dos enunciados em itálico comprova-se que o discurso indi-
Exemplo: “-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir reto livre conserva toda a afetividade e a expressividade próprios do discur-
mais.”(M. de Assis) so direto, ao mesmo tempo que mantém as transposições de pronomes,
Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa: verbos e advérbios típicos do discurso indireto. É, por conseguinte, um
“Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir mais” processo de reprodução de enunciados que combina as características dos
b) Discurso direto: verbo enunciado no presente: dois anteriormente descritos.
“- O major é um filósofo, disse ele com malícia.” (Lima Barreto) 1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto li-
Discurso indireto: verbo enunciado no imperfeito: vre “pressupõe duas condições: a absoluta liberdade sintática do
“Disse ele com malícia que o major era um filósofo.” escritor (fator gramatical) e a sua completa adesão à vida do per-
c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito: sonagem (fator estético) “ (Nicola Vita In: Cultura Neolatina).
“- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.”(José de Alencar) Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do escritor pode
Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito: levar o leitor desatento a confundir as palavras ou manifestações
“O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado.” dos locutores com a simples narração. Daí que, para a apreensão
d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente: da fala do personagem nos trechos em discurso indireto livre, ga-
“- Virão buscar V muito cedo? - perguntei.”(A.F. Schmidt) nhe em importância o papel do contexto, pois que a passagem do
Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do pretérito: que seja relato por parte do narrador a enunciado real do locutor é,
“Perguntei se viriam buscar V. muito cedo” muitas vezes, extremamente sutil, tal como nos mostra o seguinte
e) Discurso direto: verbo no modo imperativo: passo de Machado de Assis:
“- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo) “Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Rubião
Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo: acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para descan-
“Gritaram em volta que seguisse a dança.” sar; mas o enfermo após alguns minutos, respondeu que não era
f) Discurso direto: enunciado justaposto: nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.”
“O dia vai ficar triste, disse Caubi.” 2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta
Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido construção híbrida:
pela integrante que: a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso
“Disse Caubi que o dia ia ficar triste.” indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas pe-
g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa direta: culiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma
“Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en- narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elabora-
cantadora?” (Guimarães Rosa) dos;

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b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni-
neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialis- car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou
tas, em suas páginas de monólogo interior; objeto lhe sugere.
c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem
sempre aparece isolado em meio da narração. Sua “riqueza ex- Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos e
pressiva aumenta quando ele se relaciona, dentro do mesmo pará- neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
grafo, com os discursos direto e indireto puro”, pois o emprego cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à idéia
conjunto faz que para o enunciado confluam, “numa soma total, as original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
características de três estilos diferentes entre si”. audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infantil").
(Celso Cunha in Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC- O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, para
FENAME.) evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes.
A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramaticais,
linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma frase
Redação
gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada com
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente objetivo de transmitir as opiniões e idéias de seu autor.
com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos
Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser
complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de idéias
classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e
e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória.
nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não-
Redação é o ato de exprimir idéias, por escrito, de forma clara e orga- literárias, como as dissertações e redações técnicas.
nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramática
Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,
do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de redação
lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das
deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se pretende
características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos humanos
dar à composição, organização das idéias sobre o tema, escolha do voca-
-- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio deles que
bulário adequado e concatenação das idéias segundo as regras linguísticas
o ser humano toma contato com o ambiente.
e gramaticais.
A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de
Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os
perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais
grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen-
rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra
temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de ex-
suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou
pressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o que
sonoridade, e as transmite para o leitor.
não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um
exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narra-
refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o ção. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão
cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo, dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns
todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo que eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de
quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de fatos vista, pode recair sobre o protagonista da história, um observador neutro,
empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de maneira alguém que participou do acontecimento de forma secundária ou ainda um
própria e individual determina o grau de criatividade do escritor. espectador onisciente, que supostamente esteve presente em todos os
lugares, conhece todos os personagens, suas idéias e sentimentos.
Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em
mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando
cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste,
tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três
adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especializa- formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a
do. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a extensão fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o
do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a condução personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de
do tema principal a assuntos correlatos. elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo "dis-
se", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se
Organização das idéias. O texto artístico é em geral construído a partir
misturam os dois tipos anteriores.
de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem
transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos
palavras e construções de sentido ambíguo. fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos. É
comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho.
Para escrever bem, é preciso ter idéias e saber concatená-las. Entre-
vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema abordado Dissertação. A exposição de idéias a respeito de um tema, com base
são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo
assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por
experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimento essa razão, a coerência entre as idéias e a clareza na forma de expressão
suficiente para a formação de idéias e valores a respeito do mundo circun- são elementos fundamentais.
dante.
A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdu-
É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis- ção, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento,
perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse em que se expõem os argumentos e idéias sobre o assunto, fundamentan-
problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre- do-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer demons-
ver sobre o tema, tomando nota livremente das idéias que ele suscita. O trar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a finalidade
passo seguinte consiste em organizar essas idéias e encadeá-las segundo de reforçar a idéia inicial.
a relação que se estabelece entre elas.
Texto jornalístico e publicitário. O texto jornalístico apresenta a peculia-
Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni- ridade de poder transitar por todos os tipos de linguagem, da mais formal,
mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há empregada, por exemplo, nos periódicos especializados sobre ciência e
sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo política, até aquela extremamente coloquial, utilizada em publicações
com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o voltadas para o público juvenil. Apesar dessa aparente liberdade de estilo, o

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redator deve obedecer ao propósito específico da publicação para a qual intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na
escreve e seguir regras que costumam ser bastante rígidas e definidas, Literatura, a ironia é a arte de zombar de alguém ou de alguma coisa, com
tanto quanto à extensão do texto como em relação à escolha do assunto, vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou interlocutor.
ao tratamento que lhe é dado e ao vocabulário empregado.
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de
O texto publicitário é produzido em condições análogas a essas e ainda denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal, o locutor descreve a
mais estritas, pois sua intenção, mais do que informar, é convencer o realidade com termos aparentemente valorizantes, mas com a finalidade de
público a consumir determinado produto ou apoiar determinada idéia. Para desvalorizar. A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a
isso, a resposta desse mesmo público é periodicamente analisada, com o leitura, para refletir sobre o tema e escolher uma determinada posição. O
intuito de avaliar a eficácia do texto. termo Ironia Socrática, levantado por Aristóteles, refere-se ao método
socrático. Neste caso, não se trata de ironia no sentido moderno da
Redação técnica. Há diversos tipos de redação não-literária, como os palavra.
textos de manuais, relatórios administrativos, de experiências, artigos
científicos, teses, monografias, cartas comerciais e muitos outros exemplos Tipos de ironia
de redação técnica e científica.
A maior parte das teorias de retórica distingue três tipos de ironia: oral,
Embora se deva reger pelos mesmos princípios de objetividade, coe- dramática e de situação.
rência e clareza que pautam qualquer outro tipo de composição, a redação
técnica apresenta estrutura e estilo próprios, com forte predominância da  A ironia oral é a disparidade entre a expressão e a
linguagem denotativa. Essa distinção é basicamente produzida pelo objeti- intenção: quando um locutor diz uma coisa mas pretende
vo que a redação técnica persegue: o de esclarecer e não o de impressio- expressar outra, ou então quando um significado literal é
nar. contrário para atingir o efeito desejado.

As dissertações científicas, elaboradas segundo métodos rigorosos e  A ironia dramática (ou sátira) é a disparidade entre a
fundamentadas geralmente em extensa bibliografia, obedecem a padrões expressão e a compreensão/cognição: quando uma palavra ou
de estruturação do texto criados e divulgados pela Associação Brasileira de uma ação põe uma questão em jogo e a plateia entende o
Normas Técnicas (ABNT). A apresentação dos trabalhos científicos deve significado da situação, mas a personagem não.
incluir, nessa ordem: capa; folha de rosto; agradecimentos, se houver;
sumário; sinopse ou resumo; listas (de ilustrações, tabelas, gráficos etc.); o  A ironia de situação é a disparidade existente entre a
texto do trabalho propriamente dito, dividido em introdução, método, resul- intenção e o resultado: quando o resultado de uma ação é
tados, discussão e conclusão; apêndices e anexos; bibliografia; e índice. contrário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma maneira, a
ironia infinita (cosmic irony) é a disparidade entre o desejo
A preparação dos originais também obedece a algumas normas defini- humano e as duras realidades do mundo externo. Certas
das pela ABNT e pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação doutrinas afirmam que a ironia de situação e a ironia infinita, não
(IBBD) para garantia de uniformidade. Essas normas dizem respeito às são ironias de todo
dimensões do papel, ao tamanho das margens, ao número de linhas por
página e de caracteres ou espaços por linha, à entrelinha e à numeração Exemplos:
das páginas, entre outras características. ©Encyclopaedia Britannica do “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de
Brasil Publicações Ltda. crianças”. (Monteiro Lobato)
A diferença entre fatos e opiniões "-Meu marido é um santo. Só me traiu três vezes!"
por José Antônio Rosa É também um estilo de linguagem caracterizado por subverter o
símbolo que, a princípio, representa. A ironia utiliza-se como uma forma de
Qual é a diferença entre um fato e uma opinião? O fato é aquilo que
linguagem pré-estabelecida para, a partir e de dentro dela, contestá-la.
aconteceu, enquanto que a opinião é o que alguém pensa que ocorreu,
uma interpretação dos fatos. Digamos: houve um roubo na portaria da O humor é um estado de ânimo cuja intensidade representa o grau
empresa e alguém vai investigá-lo. Se essa pessoa for absolutamente de disposição e de bem-estar psicológico e emocionalde um indivíduo.
honesta, faz um relatório claro relatando os fatos com absoluta fidelidade e
após esse relato objetivo, apresenta sua opinião sobre os acontecimentos. A palavra humor surgiu na medicina humoral dos antigos Gregos. Na-
É usualmente desejável que ela dê sua opinião porque, se foi escalada queles tempos, o termo humor representava qualquer um dos quatro fluidos
para investigar o crime é porque tem qualificação para isso; além disso, o corporais (ou humores) que se considerava serem responsáveis por regular
próprio fato de ela ter investigado já lhe dá autoridade para opinar. a saúde física e emocional humana.
O humor é uma das chaves para a compreensão
É importante considerar: de culturas, religiões e costumes das sociedades num sentido amplo, sendo
elemento vital da condição humana. O homem é o único animal que ri, e
· Vivemos num mundo em que tomamos decisões a partir de informações; através dos tempos a maneira humana de sorrir modifica-se acompanhan-
· Estas nos chegam por meio de relatos de fatos e expressões de opiniões; do os costumes e correntes de pensamento.
· Fatos usualmente podem ser submetidos à prova: por números, documen-
tos, registros; Em cada época da história humana a forma de pensar cria e derru-
· Opiniões, por outro lado, refletem juízos, valores, interpretações; ba paradigmas, e o humor acompanha essa tendência sociocultural. Ex-
· Muitas pessoas confundem fatos e opiniões, e quando isso ocorre temos pressões culturais do humor podem representar retratos fiéis de uma épo-
de ter cuidado com as informações que vêm delas; ca, como é o caso, por exemplo, das comédias gregas de Plauto e das
· Igualmente temos de estar atentos às nossas próprias opiniões, pois elas comédias de costumes do brasileiro Martins Pena.
podem ser tomadas como fatos por outros;
· Nossas decisões devem ser baseadas em fatos, mas podem levar em Ambiguidade
conta as opiniões de gente qualificada sobre tais fatos. A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão,
dá-se o nome de ambiguidade. Ocorre geralmente, nos seguintes casos:
Ronald H. Coase, Prêmio Nobel de economia, observa que se torturarmos
os fatos adequadamente, eles acabam confessando. O jeito então é ouvir Má colocação do Adjunto Adverbial
com ouvidos críticos e pesquisar o suficiente, antes de tomar uma decisão. Exemplos: Crianças que recebem leite materno frequentemente são
mais sadias.
Ironia
As crianças são mais sadias porque recebem leite frequentemente ou
A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em são frequentemente mais sadias porque recebem leite?
dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância

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Eliminando a ambiguidade: Crianças que recebem frequentemente leite A frase "em suas próprias palavras" é frequentemente utilizado neste
materno são mais sadias. contexto para sugerir que o autor reescreveu o texto em seu próprio estilo
Crianças que recebem leite materno são frequentemente mais sadias. de escrita - como teria escrito se eles tivessem criado a ideia.

Uso Incorreto do Pronome Relativo O que se denomina paralelismo sintático é um encadeamento de


funções sintáticas idênticas ou encadeamento de orações de valores sintá-
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava so- ticos iguais. Orações que se apresentam com a mesma estrutura sintática
bre a cama. externa, ao ligarem-se umas às outras em processo no qual não se permite
estabelecer maior relevância de uma sobre a outra, criam um processo de
O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes? ligação por coordenação. Diz-se que estão formando um paralelismo sintá-
tico.
Eliminando a ambiguidade: Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de Texto literário e não literário - marcas linguísticas
diamantes a qual estava sobre a cama. Antes de partirmos, de modo enfático, para as características que deli-
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava neiam ambas as modalidades, faremos uma breve consideração no tocante
sobre a cama. aos aspectos primordiais que perfazem o texto, vistos de maneira abran-
gente.
Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e ali-
ança pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo Toda e qualquer produção escrita é fruto de um conjunto de fatores, os
os substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, quais se encontram interligados e se tornam indissociáveis, de modo a
haveria necessidade de uma reestruturação diferente. permitir que o discurso se materialize de forma plausível. Portanto, infere-se
que tais fatores se ligam aos conhecimentos de quem o produz, sejam
Má Colocação de Pronomes, Termos, Orações ou Frases esses de ordem linguística ou aqueles adquiridos ao longo da trajetória
cotidiana.
Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto. Aliada a essa prerrogativa existe aquela que inegavelmente norteia a
concepção de linguagem, ou seja, a de possuir um caráter dinâmico e
O garotinho estava no quarto dele ou da senhora? estritamente social. Isso nos leva a crer que sempre estamos dialogando
como o “outro”, e que, sobretudo, compartilhamos nossas ideias e opiniões
Eliminando a ambiguidade: Aquela velha senhora encontrou o garotinho com os diferentes interlocutores envolvidos no discurso.
no quarto dela.
Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele. Essa noção, uma vez proferida, tende a subsidiar os nossos propósitos
no que se refere ao assunto em questão. E, para tal, analisemos:
Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo.
Os poemas
Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?

Eliminando a ambiguidade: O menino avistou um mendigo que estava


sentado na varanda.
O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo. Por Mari-
na Cabral

Paráfrase
Uma paráfrase é uma reafirmação das ideias de um texto ou uma
passagem usando outras palavras. O ato de paráfrase é também chamado
de parafrasear.
Uma paráfrase tipicamente explica ou clarifica o texto que está sendo
citado. Por exemplo, "O sinal estava vermelho" pode ser parafraseada
como "O carro não estava autorizado a prosseguir". Quando acompanha a Os poemas são pássaros que chegam
declaração original, uma paráfrase normalmente é introduzido com uma não se sabe de onde e pousam
dicendi verbum - uma expressão declaratória para sinalizar a transição para no livro que lês.
a paráfrase. Por exemplo, em "O sinal estava vermelho, isto é, o trem não Quando fechas o livro, eles alçam voo
estava autorizado a proceder". Que é sinal a paráfrase que se segue. como de um alçapão.
Eles não têm pouso
Uma paráfrase não precisa acompanhar uma citação direta, mas nem porto
quando é assim, a paráfrase normalmente serve para colocar a declaração alimentam-se um instante em cada par de mãos
da fonte em perspectiva ou para esclarecer o contexto em que apareceu. e partem.
Uma paráfrase é tipicamente mais detalhada do que um resumo. Deve-se E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
adicionar a fonte no final da frase, por exemplo: A calçada da rua estava no maravilhoso espanto de saberes
suja ontem (Wikipedia). que o alimento deles já estava em ti...
QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM, 1980.
A paráfrase pode tentar preservar o significado essencial do material a
ser parafraseado. Assim, a reinterpretação (intencional ou não) de uma
O exemplo em voga trata-se de uma criação poética pertencente a um
fonte para inferir um significado que não é explicitamente evidente na
renomado autor da era modernista. Atendo-nos às suas peculiaridades no
própria fonte é qualificada como "pesquisa inédita", e não como paráfrase.
tange à linguagem, notamos a presença de uma linguagem metafórica que
O termo é aplicado ao gênero das paráfrases bíblicas, que eram as simboliza a capacidade imaginativa do artista comparando-a com a liberda-
versões de maior circulação da Bíblia disponíveis na Europa medieval. O de conferida aos pássaros, uma vez que são livres e voam rumo ao hori-
objetivo não era o de tornar uma interpretação exata do significado ou o zonte.
texto completo, mas para material presente na Bíblia em uma versão que
era teologicamente ortodoxo e não está sujeita a interpretação herética, ou, Por meio dos seguintes excertos poéticos, assim representados, volta-
na maioria dos casos, para tomar a Bíblia e presente a um material de mos à ideia anteriormente mencionada de que a competência linguística vai
grande público que foi interessante, divertida e espiritualmente significativa, paulatinamente sendo “adornada”, de acordo com a troca de experiências
ou, simplesmente para encurtar o texto.1 entre o emissor e o mundo que o rodeia:

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Eles não têm pouso “O que fiz ontem de mais importante, sem dúvida, foi assistir um jogo
nem porto de futebol pelo rádio. O confronto entre Corinthians e Palmeiras é um
alimentam-se um instante em cada par de mãos clássico imperdível.
e partem. Durante a partida, sofri, sofri muito como todo corinthiano que se preza.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, Mas, Graças a Deus, o empate teve gosto de vitória”.
no maravilhoso espanto de saberes [...]
OBS: Nessa produção, a não ser pela regência incorreta do verbo
Desta feita, a intencionalidade discursiva, característica textual marcan- “assistir” (empregado equivocadamente em lugar do verbo “ouvir”), não há
te, pauta-se por despertar no interlocutor sentimentos e emoções, com restrições quanto ao uso da língua padrão, sequer pelo emprego do termo
vistas a oferecer uma multiplicidade de interpretações, uma vez conferida “imperdível”, já consagrado nas modalidades oral e escrita, menos formais.
pelo caráter subjetivo. Eis assim a característica que nutre um texto literá- Note-se, ainda, a utilização adequada do relator adversativo (mas) e a
rio. coesão por sequenciação temporal (durante a partida/ ontem).
O que pode, então, poluir esse “oásis”? Nada menos que a predomi-
Pensemos agora em um outro tipo de texto, no qual não identificamos nância do “LUGAR-COMUM”, em prejuízo da originalidade de expressão:
nenhum envolvimento por parte do emissor, pois suas marcas linguísticas
primam-se pela objetividade. A conclusão a que podemos chegar é que, ... é um (jogo) imperdível,0
nesse caso, a finalidade é apenas informar algo, tal qual se encontra no ... como todo (corinthiano) que se preza
discurso apresentado, isento de marcas pessoais, opiniões, juízos de valor ... o empate teve gosto de vitória
e, sobretudo, de traços ligados à subjetividade.

Uma notícia, reportagem, artigo científico? Seriam esses os casos Todo A INTENÇÃO COMUNICATIVA
representativos? A reposta para tal indagação é reafirmá-la, uma vez que Todo aquele que se comunica -falando, pintando, escrevendo, dan-
tais modalidades tem uma finalidade em comum: a informação. Essa, por çando etc. - tem uma intenção comunicativa. Ele, locutor, não está apenas
sua vez, precisa retratar uma certa credibilidade conferida por meio do querendo transmitir uma mensagem, passar uma informação, mas interagir
discurso. Daí o caráter objetivo, razão pela qual o autor, em momento com outra pessoa que se vai tornar o locutário. Ou seja, o locutor tem um
algum, não deixa que suas opiniões se fruam em meio ao ato discursivo a objetivo em mente ao construir o seu texto e, normalmente, esse objetivo se
que se propõe. Tal particularidade revela a natureza linguística do chamado relaciona com alguma ação. Toda palavra faz parte de um movimento maior
texto não literário. Vânia Maria do Nascimento Duarte em torno de uma ação social.
REESCRITURA DE TEXTOS Por exemplo, uma bula de remédios. Ela pode ser lida a qualquer mo-
Dorival Coutinho da Silva mento e pelos mais variados motivos. Ainda que a maioria considerasse
A língua faz parte de nossa vida diária. Por isso, é importante conhe- absurdo, eu poderia ler uma bula de remédios antes de dormir, para relaxar
cer, através da reflexão linguística, seu funcionamento nas diversas situa- um pouco. Mas, a intenção comunicativa de uma bula de remédios é outra.
ções do cotidiano. Ela existe na sociedade para que o leitor conheça adequadamente o remé-
A ausência dessa reflexão na dinâmica da produção escrita comprome- dio e saiba como usá-lo. O conhecimento e a aplicação das informações da
te sobretudo a superfície textual. Exemplos: bula de remédios pode significar o restabelecimento da saúde.
Assim, uma pessoa pode até ler uma bula de remédio para se distrair
TEXTO 1 - Ambiguidade na propaganda de produto:
porque não tem o que outra coisa que fazer, contudo passar o tempo não é
a intenção comunicativa da bula de remédios. É um uso para a bula, mas
“Nunca use a almofadinha HAPPY BABY quando aquecida diretamente
não atende à intenção comunicativa desse gênero discursivo. Quem escre-
sobre a pele do bebê, fraldas descartáveis e calças plásticas”.
ve esse texto não o faz para que os outros passem um momento agradável
de diversão.
REESCRITA:
(Quando aquecida, a almofadinha HAPPY BABY não deverá ser usada É justamente o caso contrário do que ocorre com o filme de aventuras
diretamente sobre a pele do bebê, fraldas descartáveis e calças plásticas). que alguém se assiste no cinema, domingo à tarde, com os seus amigos.
Voltados para essa necessidade, existem muitos filmes de aventuras cuja
TEXTO 2 - Redundância no texto informal: intenção comunicativa é apenas fazer os locutários se distraírem e passar
um bom momento. Mas não existem apenas filmes de aventuras em circu-
“Me desespera saber que algo pode ocorrer comigo quando eu entro lação na sociedade. Outros filmes ultrapassam esse objetivo e procuram,
num prédio e se isso acontecer, tenho a convicção de que algo grave também, discutir valores ou criticar aspectos da identidade humana, por
ocorrerá comigo”. exemplo.

REESCRITA: O primeiro e, sem dúvidas, um dos maiores desafios de quem produz


(Quando entro num prédio, desespera-me pensar que algo grave pode- um texto é fazer o locutário cooperar com a intenção comunicativa do texto
rá ocorrer comigo). produzido. Em outras palavras, fazer com que o locutário esteja disposto a
interpretar o texto de acordo com a intenção comunicativa do locutor.
TEXTO 3 – Problemas gramaticais e ineficiência da mensagem: Ou seja, de má vontade, sem querer participar, sem se envolver, o lo-
cutário não vai fazer o seu papel no processo de interação comunicativa. O
“Necessitei ausentar-se do serviço, por que encontrava-me com dificul- locutário poderá então não compreender o texto ou fazer uma interpretação
dades de enxergar, porque minha profissão requer uma boa visão”. que foge aos objetivos desse texto. Ele vai ler, mas não vai interpretar
adequadamente, nem agir de acordo.
OBS.: Não basta, neste caso, propor apenas a correção gramatical,
numa situação escolar envolvendo a escrita. É preciso, na reescritura do Mas por que o locutário não atenderia à intenção comunicativa do texto
texto, eliminar o supérfluo, buscando a clareza e a eficácia da mensagem. que lê? Isso pode acontecer porque aquele que assume o papel de locutá-
rio não sabe (ou não deseja) realizar o trabalho de envolvimento com o
REESCRITA: texto necessário para interpretá-lo. Assim, é muito importante ao interpre-
(Ausentei-me do serviço para consultar um oculista.) tarmos um texto, identificarmos a intenção comunicativa.
Algumas perguntas podem nos ajudar:
TEXTO 4 – Redação escolar: "lugar-comum"
 Para que serve esse texto na sociedade?
 O que esse texto revela sobre o locutor?
 O que se espera que eu faça depois de ler esse texto?

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Compreendendo a intenção comunicativa do texto, podemos também nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro
escolher até que ponto desejamos participar no processo comunicativo. Isto lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as
é, podemos envolvermo-nos mais ou menos, de acordo com nossas neces- oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres.
sidades, possibilidades, desejos etc. O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços
culturais de um país. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que
A escola, como instituição, no entanto, tem sido muito eficiente em 'ma- tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação,
tar' as intenções comunicativas dos textos. Em todas os componentes dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar
curriculares. Seja por reduzir os textos a intenções distorcidas daquelas atrasos”, diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por
para as que foram produzidos; seja por simplesmente ignorar o processo exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um convidado
social que deu origem a tais textos. José Luís Landeira chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversá-
rio. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexí-
veis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual
QUESTÕES DE CONCURSOS ANTERIORES: se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público?
exercícios de Interpretação de texto (Veja, 02.12.2009)

Leia o texto para responder às próximas 3 questões. (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 4 - De acordo com o texto, os brasileiros são
piores do que outros povos em
Sobre os perigos da leitura (A) eficiência de correios e andar a pé.
Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente (B) ajuste de relógios e andar a pé.
da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o (C) marcar compromissos fora de hora.
que é um sofrimento. Dizer esse entra, esse não entra é uma responsabili- (D) criar desculpas para atrasos.
dade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 (E) dar satisfações por atrasos.
minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada?
Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam- (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 5 - Pondo foco no processo de coesão textual
se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja do 2.º parágrafo, pode-se concluir que Levine é um
leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante. Combinei com os (A) jornalista.
meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a (B) economista.
mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esfor- (C) cronometrista.
çando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de (D) ensaísta.
todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!”. [...] (E) psicólogo.
A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o
oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre o que eles gostariam (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 6 - A expressão chá de cadeira, no texto, tem o
de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear significado de
os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treina- (A) bebida feita com derivado de pinho.
dos durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre (B) ausência de convite para dançar.
os próprios pensamentos – ah, isso não lhes tinha sido ensinado! (C) longa espera para conseguir assento.
Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse (D) ficar sentado esperando o chá.
se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado (E) longa espera em diferentes situações.
pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes.
(Rubem Alves, www.cuidardoser.com.br. Adaptado) Leia o texto para responder às próximas 4 questões.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 1 - De acordo com o texto, os candidatos


(A) não tinham assimilado suas leituras.
(B) só conheciam o pensamento alheio.
(C) tinham projetos de pesquisa deficientes.
(D) tinham perfeito autocontrole.
(E) ficavam em fila, esperando a vez.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 2 - O autor entende que os candidatos deveriam


(A) ter opiniões próprias.
(B) ler os textos requeridos.
(C) não ter treinamento escolar.
(D) refletir sobre o vazio.
(E) ter mais equilíbrio.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 3 - A expressão “um vazio imenso” (3.º parágra-


fo) refere-se a
(A) candidatos.
(B) pânico.
(C) eles.
(D) reação.
(E) esse campo.

Leia o texto para responder às próximas 3 questões.


No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da
no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry,
31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de
tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasa- dólares anuais. A jogada previne os efeitos desastrosos para vendas de
dos – do ponto de vista temporal, bem entendido – do mundo. Foram seus produtos, depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a
analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para a Copa
distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente do Mundo de 2010. (...)
ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal

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Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular, nossa memória de longa duração e estabelecer raciocínios mais sofistica-
Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que dos. Carr menciona a dificuldade que muitos de nós, depois de anos de
o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O exposição à internet, agora experimentam diante de textos mais longos e
serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da elaborados: as sensações de impaciência e de sonolência, com base em
Gillette, diz que não. estudos científicos sobre o impacto da internet no cérebro humano. Segun-
Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça do o autor, quando navegamos na rede, "entramos em um ambiente que
não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcan- promove uma leitura apressada, rasa e distraída, e um aprendizado super-
ce, sua publicidade. ficial."
Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de A internet converteu-se em uma ferramenta poderosa para a transformação
futebol que mais lucra com a publicidade – seus contratos somam 28 do nosso cérebro e, quanto mais a utilizamos, estimulados pela carga
milhões de dólares anuais. (...) gigantesca de informações, imersos no mundo virtual, mais nossas mentes
(Veja, 02.11.2009. Adaptado) são afetadas. E não se trata apenas de pequenas alterações, mas de
mudanças substanciais físicas e funcionais. Essa dispersão da atenção
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 7 - A palavra jogada, em – A jogada previne os vem à custa da capacidade de concentração e de reflexão.(Thomaz Wood
efeitos desastrosos para venda de seus produtos... – refere-se ao fato de Jr. Carta capital, 27 de outubro de 2010, p. 72, com adaptações)

(A) Thierry Henry ter dado um passe com a mão para o gol da França. (MP/RS – 2010 – FCC) 11 - O assunto do texto está corretamente resumi-
(B) a Gillette ter modificado a publicidade do futebolista francês. do em:
(C) a Gillete não concordar com que a França dispute a Copa do Mundo. (A) O uso da internet deveria motivar reações contrárias de inúmeros
(D) Thierry Henry ganhar 8,4 milhões de dólares anuais com a propaganda. especialistas, a exemplo de Nicholas Carr, que procura descobrir as cone-
(E) a FIFA não ter cancelado o jogo em que a França se classificou. xões entre raciocínio lógico e estudos científicos sobre o funcionamento do
cérebro.
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 8 - A expressão o gato subiu no telhado é parte (B) O mundo virtual oferecido pela internet propicia o desenvolvimento de
de uma conhecida anedota em que uma mulher, depois de contar abrupta- diversas capacidades cerebrais em todos aqueles que se dedicam a essa
mente ao marido que seu gato tinha morrido, é advertida de que deveria ter navegação, ainda pouco estudadas e explicitadas em termos científicos.
dito isso aos poucos: primeiramente, que o gato tinha subido no telhado, (C) Segundo Nicholas Carr, o uso frequente da internet produz alterações
depois, que tinha caído e, depois, que tinha morrido. No texto em questão, no funcionamento do cérebro, pois estimula leituras superficiais e distraí-
a expressão pode ser interpretada da seguinte maneira: das, comprometendo a formulação de raciocínios mais sofisticados.
(D) Usar a internet estimula funções cerebrais, pelas facilidades de percep-
(A) foi com a “mão do gato” que Thierry assegurou a classificação da Fran- ção e de domínio de assuntos diversificados e de formatos diferenciados de
ça. textos, que permitem uma leitura dinâmica e de acordo com o interesse do
(B) Thierry era um bom jogador antes de ter agido com má fé. usuário.
(C) a Gillette já cortou, de fato, o contrato com o jogador francês. (E) O novo livro de Nicholas Carr, a ser publicado, desperta a curiosidade
(D) a Fifa reprovou amplamente a atitude antiesportiva de Thierry Henry. do leitor pelo tratamento ficcional que seu autor aplica a situações concre-
(E) a situação de Thierry, como garoto-propaganda da Gillette, ficou instá- tas do funcionamento do cérebro, trazidas pelo uso disseminado da inter-
vel. net.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 9 - A expressão diz que não, no final do 2.º (MP/RS – 2010 – FCC) 12 - Curiosamente, no caso da internet, os verda-
parágrafo, significa que deiros fundamentos científicos deveriam, sim, provocar reações muito
estridentes. O autor, para embasar a opinião exposta no 2o parágrafo,
(A) a Procter & Gamble nega o rompimento do contrato. (A) se vale da enorme projeção conferida ao pesquisador antes citado,
(B) o jogo em que a França se classificou deve ser refeito. ironicamente oferecida pela própria internet, em seu website.
(C) a repercussão na França foi bastaPnte negativa. (B) apoia-se nas conclusões de Nicholas Carr, baseadas em dezenas de
(D) a Procter & Gamble é proprietária da Gillette. estudos científicos sobre o funcionamento do cérebro humano.
(E) os publicitários franceses se opõem a Thierry. (C) condena, desde o início, as novas tecnologias, cujo uso indiscriminado
vemprovocando danos em partes do cérebro.
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 10 - Segundo a revista Forbes, (D) considera, como base inicial de constatação a respeito do uso da inter-
(A) Thierry deverá perder muito dinheiro daqui para frente. net, que ela nos torna menos sensíveis a sentimentos como compaixão e
(B) há três jogadores que faturam mais que Thierry em publicidade. piedade.
(C) o jogador francês possui contratos publicitários milionários. (E) questiona a ausência de fundamentos científicos que, no caso da inter-
(D) o ganho de Thierry, somado à publicidade, ultrapassa 28 milhões. net, [...]deveriam, sim, provocar reações muito estridentes.
(E) é um absurdo o que o jogador ganha com o futebol e a publicidade.
As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo.
As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo. Também nas cidades de porte médio, localizadas nas vizinhanças das
Em 2008, Nicholas Carr assinou, na revista The Atlantic, o polêmico artigo regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul do país, as pessoas tendem
"Estará o Google nos tornando estúpidos?" O texto ganhou a capa da cada vez mais a optar pelo carro para seus deslocamentos diários, como
revista e, desde sua publicação, encontra-se entre os mais lidos de seu mostram dados do Departamento Nacional de Trânsito. Em consequência,
website. O autor nos brinda agora com The Shallows: What the internet is congestionamentos, acidentes, poluição e altos custos de manutenção da
doing with our brains, um livro instrutivo e provocativo, que dosa lingua- malha viária passaram a fazer parte da lista dos principais problemas
gem fluida com a melhor tradição dos livros de disseminação científica. desses municípios.
Novas tecnologias costumam provocar incerteza e medo. As reações mais Cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das capitais,
estridentes nem sempre têm fundamentos científicos. Curiosamente, no baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas
caso da internet, os verdadeiros fundamentos científicos deveriam, sim, frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos anos. A facilida-
provocar reações muito estridentes. Carr mergulha em dezenas de estudos de de crédito e a isenção de impostos são alguns dos elementos que têm
científicos sobre o funcionamento do cérebro humano. Conclui que a inter- colaborado para a realização do sonho de ter um carro. E os brasileiros
net está provocando danos em partes do cérebro que constituem a base do desses municípios passaram a utilizar seus carros até para percorrer curtas
que entendemos como inteligência, além de nos tornar menos sensíveis a distâncias, mesmo perdendo tempo em congestionamentos e apesar dos
sentimentos como compaixão e piedade. alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo
O frenesi hipertextual da internet, com seus múltiplos e incessantes estímu- aumento da frota.
los, adestra nossa habilidade de tomar pequenas decisões. Saltamos textos Além disso, carro continua a ser sinônimo de status para milhões de brasi-
e imagens, traçando um caminho errático pelas páginas eletrônicas. No leiros de todas as regiões. A sua necessidade vem muitas vezes em se-
entanto, esse ganho se dá à custa da perda da capacidade de alimentar gundo lugar. Há 35,3 milhões de veículos em todo o país, um crescimento

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de 66% nos últimos nove anos. Não por acaso oito Estados já registram bém conquistarão espaço pelo fato de que, atualmente, conta pontos junto
mais mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios. ao consumidor ter-se uma imagem de empresa sustentável.
(O Estado de S. Paulo, Notas e Informações, A3, 11 de setembro de 2010, O estudo da Comunidade chegou às mãos do presidente da Apple, Steve
com adaptações) Jobs, e o fez render-se às propostas do “ecologicamente correto” – ele era
duramente criticado porque dava aval à utilização de mercúrio, altamente
(MP/RS – 2010 – FCC) 13 - Não por acaso oito Estados já registram mais prejudicial ao meio ambiente, na produção de seus iPods e laptops. Preo-
mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios. A afirmativa final do cupado em não perder espaço, Jobs lançou a nova linha do Macbook Pro
texto surge como com estrutura de vidro e alumínio, tudo reciclável. E a RITI Coffee Printer
(A) constatação baseada no fato de que os brasileiros desejam possuir um chegou à sofisticação de criar uma impressora que, em vez de tinta, se vale
carro, mas perdem muito tempo em congestionamentos. de borra de café ou de chá no processo de impressão. Basta que se colo-
(B) observação irônica quanto aos problemas decorrentes do aumento na que a folha de papel no local indicado e se despeje a borra de café no
utilização de carros, com danos provocados ao meio ambiente. cartucho – o equipamento não é ligado em tomada e sua energia provém
(C) comprovação de que a compra de um carro é sinônimo de status e, por de ação mecânica transformada em energia elétrica a partir de um gerador.
isso, constitui o maior sonho de consumo do brasileiro. Se pensarmos em quantos cafezinhos são tomados diariamente em gran-
(D) hipótese de que a vida nas cidades menores tem perdido qualidade, des empresas, dá para satisfazer perfeitamente a demanda da impressora.
pois os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus carros até (Luciana Sgarbi, Revista Época, 22.09.2009. Adaptado)
para percorrer curtas distâncias.
(E) conclusão coerente com todo o desenvolvimento, a partir de um título (CREMESP – 2011 - VUNESP) 15 - Leia o trecho: Vai bem a convivência
que poderia ser: Carro, problema que se agrava. entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politicamente correto na área
ambiental. É correto afirmar que a frase inicial do texto pode ser interpreta-
(MP/RS – 2010 – FCC) 14 - As ideias mais importantes contidas no 2o da como
parágrafo constam, com lógica e correção, de: (A) a união das empresas Motorola e RITI Coffee Printer para criar um
(A) A facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns elementos novo celular com fibra de bambu.
que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro nas cida- (B) a criação de um equipamento eletrônico com estrutura de vidro que
des menores, e os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus evita a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.
carros para percorrer curtas distâncias, além dos congestionamentos e dos (C) o aumento na venda de celulares feitos com CarbonFree, depois que as
alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo empresas nacionais se uniram à fabricante taiwanesa.
aumento da frota. (D) o compromisso firmado entre a empresa Apple e consultoria Gartner
(B) Cidades menores tiveram suas frotas aumentadas em progressão Group para criar celulares sem o uso de carbono.
geométrica nos últimos anos em razão da facilidade de crédito e da isenção (E) a preocupação de algumas empresas em criarem aparelhos eletrônicos
de impostos, elementos que têm colaborado para a aquisição de carros que que não agridam o meio ambiente.
passaram a ser utilizados até mesmo para percorrer curtas distâncias,
apesar dos congestionamentos e dos alertas das autoridades sobre os (CREMESP – 2011 - VUNESP) 16 - Em – Computadores “limpos” fazem
danos provocados ao meio ambiente. uma importante diferença no efeito estufa... – a expressão entre aspas
(C) O menor custo de vida em cidades menores, com baixo índice de pode ser substituída, sem alterar o sentido no texto, por:
desemprego e poder aquisitivo mais alto, aumentaram suas frotas em (A) com material reciclado.
progressão geométrica nos últimos anos, com a facilidade de crédito e a (B) feitos com garrafas plásticas.
isenção de impostos, que são alguns dos elementos que têm colaborado (C) com arquivos de bambu.
para a realização do sonho dos brasileiros de ter um carro. (D) feitos com materiais retirados da natureza.
(D) É nas cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das (E) com teclado feito de alumínio.
capitais, baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, que
tiveram suas frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos (CREMESP – 2011 - VUNESP) 17 - A partir da leitura do texto, pode-se
anos pela facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns dos concluir que
elementos que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro. (A) as pesquisas na área de TI ainda estão em fase inicial.
(E) Os brasileiros de cidades menores passaram até a percorrer curtas (B) os consumidores de eletrônicos não se preocupam com o material com
distâncias com seus carros, pela facilidade de crédito e a isenção de impos- que são feitos.
tos, que são elementos que têm colaborado para a realização do sonho de (C) atualmente, a indústria de eletrônicos leva em conta o efeito estufa.
tê-los, e com custo de vida menos elevado que o das capitais, baixo índice (D) os laptops feitos com fibra de bambu têm maior durabilidade.
de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas frotas aumenta- (E) equipamentos ecologicamente corretos não têm um mercado de vendas
das em progressão geométrica nos últimos anos. assegurado.

Leia o texto para responder às próximas 4 questões. (CREMESP – 2011 - VUNESP) 18 - O presidente da Apple, Steve Jobs,
Os eletrônicos “verdes” (A) preocupa-se com o carbono emitido na fabricação de produtos eletrôni-
Vai bem a convivência entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politi- cos.
camente correto na área ambiental. É seguindo essa trilha “verde” que a (B) pesquisa acerca do uso de bambu em teclados de laptops.
Motorola anunciou o primeiro celular do mundo feito de garrafas plásticas (C) descobriu que impressoras cujos cartuchos são de borra de chá não
recicladas. Ele se chama W233 Eco e é também o primeiro telefone com duram muito.
certificado CarbonFree, que prevê a compensação do carbono emitido na (D) responsabiliza a fabricação de celulares pelas emissões de dióxido de
fabricação e distribuição de um produto. Se um celular pode ser feito de carbono no meio ambiente.
garrafas, por que não se produz um laptop a partir do bambu? Essa ideia (E) está de acordo com outras empresas a favor do uso de materiais reci-
ganhou corpo com a fabricante taiwanesa Asus: tratase do Eco Book que cláveis em eletrônicos.
exibe revestimento de tiras dessa planta. Computadores “limpos” fazem
uma importante diferença no efeito estufa e para se ter uma noção do (CREMESP – 2011 - VUNESP) 19 - No texto, o estudo realizado pela
impacto de sua produção e utilização basta olhar o resultado de uma pes- Comunidade do Vale do Silício
quisa da empresa americana de consultoria Gartner Group. Ela revela que (A) é o primeiro passo para a implantação de laptops feitos com tiras de
a área de TI (tecnologia da informação) já é responsável por 2% de todas bambu.
as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. (B) contribuirá para que haja mais lucro nas empresas, com redução de
Além da pesquisa da Gartner, há um estudo realizado nos EUA pela Co- custos.
munidade do Vale do Silício. Ele aponta que a inovação “verde” permitirá (C) ainda está pesquisando acerca do uso de mercúrio em eletrônicos.
adotar mais máquinas com o mesmo consumo de energia elétrica e reduzir (D) será decisivo para evitar o efeito estufa na atmosfera.
os custos de orçamento. Russel Hancock, executivo-chefe da Fundação da (E) permite a criação de uma impressora que funciona com energia mecâ-
Comunidade do Vale do Silício, acredita que as tecnologias “verdes” tam- nica.

Língua Portuguesa 32 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Leia o texto para responder à questão a seguir. Hoje – 4 letras e 3 fonemas
Quanto veneno tem nossa comida? Canto – 5 letras e 4 fonemas
Desde que os pesticidas sintéticos começaram a ser produzidos em larga Tempo – 5 letras e 4 fonemas
escala, na década de 1940, há dúvidas sobre o perigo para a saúde huma- Campo – 5 letras e 4 fonemas
na. No campo, em contato direto com agrotóxicos, alguns trabalhadores Chuva – 5 letras e 4 fonemas
rurais apresentaram intoxicações sérias. Para avaliar o risco de gente que
apenas consome os alimentos, cientistas costumam fazer testes com ratos LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um
e cães, alimentados com doses altas desses venenos. A partir do resultado determinado som.
desses testes e da análise de alimentos in natura (para determinar o grau
de resíduos do pesticida na comida), a Agência Nacional de Vigilância CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Sanitária (Anvisa) estabelece os valores máximos de uso dos agrotóxicos
para cada cultura. Esses valores têm sido desrespeitados, segundo as VOGAIS
amostras da Anvisa. Alguns alimentos têm excesso de resíduos, outros têm
resíduos de agrotóxicos que nem deveriam estar lá. Esses excessos, a, e, i, o, u
A E I O U
isoladamente, não são tão prejudiciais, porque em geral não ultrapassam
os limites que o corpo humano aguenta. O maior problema é que eles se SEMIVOGAIS
somam – ninguém come apenas um tipo de alimento.(Francine Lima, Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa
Revista Época, 09.08.2010) mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra, te-
sou-ro, Pa-ra-guai.
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 20 - Com a leitura do texto, pode-se afir-
mar que CONSOANTES
(A) segundo testes feitos em animais, os agrotóxicos causam intoxicações.
(B) a produção em larga escala de pesticidas sintéticos tem ocasionado B Cb,
D c,
F Gd,Hf,J g,K h,
L j,
M l,N m,
K Pn,Rp,Sq,T r,V s,
X t,Z v,
Y x,
Wz
doenças incuráveis.
(C) as pessoas que ingerem resíduos de agrotóxicos são mais propensas a ENCONTROS VOCÁLICOS
terem doenças de estômago. A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
(D) os resíduos de agrotóxicos nos alimentos podem causar danos ao encontro vocálico.
organismo. Ex.: cooperativa
(E) os cientistas descobriram que os alimentos in natura têm menos resí-
duos de agrotóxicos. Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato
http://www.gramatiquice.com.br/2011/02/exercicios-interpretacao-de-texto-ii_02.html
DITONGO
RESPOSTAS É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa.
Dividem-se em:
01. B 11. C - orais: pai, fui
02. A 12. B - nasais: mãe, bem, pão
03. E 13. E - decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói
04. B 14. B - crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo
05. E 15. E
06. E 16. A TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
07. B 17. C Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam
08. E 18. E
09. A 19. B HIATO
10. C 20. D Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em du-
as diferentes emissões de voz.
Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-í-
FONÉTICA E FONOLOGIA zo

Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo- SÍLABA
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos. numa só emissão de voz.

Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe entre Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em:
si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA. • Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol.
• Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo.
Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e • Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta.
seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais • Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-ta-
fonemas. li-da-de.
No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 fo-
nemas. TONICIDADE
Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se
É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica.
sinal gráfico que representa o som. Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá,
pá.
Vejamos alguns exemplos: Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã em:
Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i • Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
Corre – letras: 5: fonemas: 4 mi-nó.
Hora – letras: 4: fonemas: 3 • Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-
Aquela – letras: 6: fonemas: 5 ter, a-má-vel, qua-dro.
Guerra – letras: 6: fonemas: 4 • Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-do,
Fixo – letras: 4: fonemas: 5 cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.

Língua Portuguesa 33 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ENCONTROS CONSONANTAIS kg – quilograma
É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo. Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.
Ex.: atleta, brado, creme, digno etc. Trema
DÍGRAFOS Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita muito
São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia com- textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
posta para um som simples. linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bündchen não vai
Há os seguintes dígrafos: deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste caso,
1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh. o “ü” lê-se “i”)
Exs.: chave, malha, ninho.
2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
ss. Acentuação Gráfica
Exs. : carro, pássaro. QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA
3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs. 1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou não
Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir. de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas
4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer- de “LO(s)” ou “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas
rando a sílaba em uma palavra. em ditongos abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to. Ex.
Chá Mês nós
NOTAÇÕES LÉXICAS Gás Sapé cipó
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes Dará Café avós
dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.
Pará Vocês compôs
São os seguintes: vatapá pontapés só
1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas; Aliás português robô
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, ânco- dá-lo vê-lo avó
ra; recuperá-los Conhecê-los pô-los
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade; guardá-la Fé compô-los
4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã; réis (moeda) Véu dói
5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude;
méis céu mói
6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho;
o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno. pastéis Chapéus anzóis
ninguém parabéns Jerusalém
Resumindo:
ORTOGRAFIA OFICIAL
Novo Acordo Ortográfico Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que seja
um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí-lo”
O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas são acentuadas porque as vogais “i” e “u” estão tônicas nestas palavras.
da Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário
internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâmetros: 2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação completa
dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigência obrigató-
ria em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo Acordo  L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países que  N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que teve  R – câncer, caráter, néctar, repórter.
sua implementação.  X – tórax, látex, ônix, fênix.
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que  PS – fórceps, Quéops, bíceps.
uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar  Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e que  ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos  I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática.
Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio de
 ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
Leis ou Acordos.  UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
 US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de-
pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui
uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra, o Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescentes
ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou, na (semivogal+vogal):
melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra. Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira 3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em diante Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisântemo,
a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil. público, pároco, proparoxítona.
Alfabeto
QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo as
letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhu- 4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
ma novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios  Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
e palavras importadas do idioma inglês, como: Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
km – quilômetro,

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IMPORTANTE Não devemos mais acentuar o “U” tônico os verbos dos grupos “GUE/GUI”
Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”, e “QUE/QUI”. Por isso, esses verbos serão grafados da seguinte maneira:
se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos? Averiguo (leia-se a-ve-ri-gu-o, pois o “U” tem som forte)
Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos Arguo apazigue
de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente. Enxague arguem
Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a Delinguo
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso. Acento Circunflexo
5. Trema Não se acentuam mais as vogais dobradas “EE” e “OO”.
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai Creem veem
permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira, Deem releem
como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”) Leem descreem
6. Acento Diferencial Voo perdoo
O acento diferencial permanece nas palavras: enjoo
pôde (passado), pode (presente) Outras dicas
pôr (verbo), por (preposição) Há muito tempo a palavra “coco” – fruto do coqueiro – deixou de ser acen-
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do tuada. Entretanto, muitos alunos insistem em colocar o acento: “Quero
verbo está no singular ou plural: beber água de côco”.
SINGULAR PLURAL Quem recebe acento é “cocô” – palavra popularmente usada para se referir
Ele tem Eles têm a excremento.
Então, a menos se que queira beber água de fezes, é melhor parar de
Ele vem Eles vêm
colocar acento em coco.
Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como: Para verificar praticamente a necessidade de acentuação gráfica, utilize o
conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc. critério das oposições:
Imagem armazém
Novo Acordo Ortográfico Descomplicado Paroxítonas terminadas em “M” não levam acento, mas as oxítonas SIM.
Trema Jovens provéns
Não se usa mais o trema, salvo em nomes próprios e seus derivados. Paroxítonas terminadas em “ENS” não levam acento, mas as oxítonas
Acento diferencial levam.
Não é preciso usar o acento diferencial para distinguir: Útil sutil
Paroxítonas terminadas em “L” têm acento, mas as oxítonas não levam
porque o “L”, o “R” e o “Z” deixam a sílaba em que se encontram natural-
1. Para (verbo) de para (preposição)
mente forte, não é preciso um acento para reforçar isso.
É por isso que: as palavras “rapaz, coração, Nobel, capataz, pastel, bom-
“Esse carro velho para em toda esquina”. bom; verbos no infinitivo (terminam em –ar, -er, -ir) doar, prover, consu-
“Estarei voltando para casa daqui a uma hora”. mir são oxítonas e não precisam de acento. Quando terminarem do mesmo
jeito e forem paroxítonas, então vão precisar de acento.
1. Pela, pelo (verbo pelar) de pela, pelo (preposição + artigo) e pelo
(substantivo) Uso do Hífen
2. Polo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de por
Novo Acordo Ortográfico Descomplicado (Parte V) – Uso do Hífen
e lo).
3. pera (fruta) de pera (preposição arcaica). Tem se discutido muito a respeito do Novo Acordo Ortográfico e a grande
queixa entre os que usam a LínguaPortuguesa em sua modalidade escrita
A pronúncia ou categoria gramatical dessas palavras dar-se-á mediante o tem gerado em torno do seguinte questionamento: “por que mudar uma
contexto. coisa que a gente demorou um tempão para aprender?” Bom, para quem já
Acento agudo dominava a antiga ortografia, realmente essa mudança foi uma chateação.
Ditongos abertos “ei”, “oi” Quem saiu se beneficiando foram os que estão começando agora a adquirir
Não se usa mais acento nos ditongos ABERTOS “ei”, “oi” quando estiverem o código escrito, como os alunos do Ensino Fundamental I.
na penúltima sílaba. Se você tem dificuldades em memorizar regras, é inútil estudar o Novo
He-roi-co ji-boi-a Acordo comparando “o antes e o depois”, feito revista de propaganda de
As-sem-blei-a i-dei-a cosméticos. O ideal é que as mudanças sejam compreendidas e gravadas
Pa-ra-noi-co joi-a na memória: para isso, é preciso colocá-las em prática.
OBS. Só vamos acentuar essas letras quando vierem na última sílaba e se Não precisa mais quebrar a cabeça: “uso hífen ou não”?
o som delas estiverem aberto. Regra Geral
Céu véu A letra “H” é uma letra sem personalidade, sem som. Em “Helena”, não
Dói herói tem som; em “Hollywood”, tem som de “R”. Portanto, não deve aparecer
Chapéu beleléu encostado em prefixos:
Rei, dei, comeu, foi (som fechado – sem acento)
Não se recebem mais acento agudo as vogais tônicas “I” e “U” quando
 pré-história
forem paroxítonas (penúltima sílaba forte) e precedidas de ditongo.
 anti-higiênico
feiura baiuca
 sub-hepático
cheiinho saiinha
 super-homem
boiuno

Língua Portuguesa 35 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Então, letras IGUAIS, SEPARA. Letras DIFERENTES, JUNTA. A vigência obrigatória do novo Acordo Ortográfico da Língua Portugue-
Anti-inflamatório neoliberalismo sa foi adiada pelo governo brasileiro por mais três anos. A implementação
integral da nova ortografia estava prevista para 1º de janeiro de 2013,
Supra-auricular extraoficial
contudo, o Governo Federal adiou para 1º de janeiro de 2016, prazo
Arqui-inimigo semicírculo estabelecido também por Portugal.
sub-bibliotecário superintendente Assinado em 1990 por sete nações da Comunidade de Países de Lín-
Quanto ao “R” e o “S”, se o prefixo terminar em vogal, a consoante deverá gua Portuguesa (CPLP) e adotado em 2008 pelos setores público e priva-
ser dobrada: do, o Acordo tem como objetivo unificar as regras do português escrito em
suprarrenal (supra+renal) ultrassonografia (ultra+sonografia) todos os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. A refor-
ma ortográfica também visa a melhorar o intercâmbio cultural, reduzir o
minissaia antisséptico
custo econômico de produção e tradução de livros e facilitar a difusão
contrarregra megassaia bibliográfica nesses países.
Entretanto, se o prefixo terminar em consoante, não se unem de jeito Nesse sentido, a grafia de aproximadamente 0,5 das palavras em por-
nenhum. tuguês teve alterações propostas, a exemplo de idéia, crêem e bilíngue,
que, com a obrigatoriedade do uso do novo Acordo Ortográfico, passaram
a ser escritas sem o acento agudo, circunflexo e trema, respectivamente.
 Sub-reino
Com o adiamento, tanto a ortografia atual quanto a prevista são aceitas, ou
 ab-rogar seja, a utilização das novas regras continua sendo opcional até que a
 sob-roda reforma ortográfica entre em vigor.

ATENÇÃO!
Quando dois “R” ou “S” se encontrarem, permanece a regra geral: letras ORTOGRAFIA OFICIAL
iguais, SEPARA.
super-requintado super-realista As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas
inter-resistente que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua.
CONTINUAMOS A USAR O HÍFEN
Diante dos prefixos “ex-, sota-, soto-, vice- e vizo-“: Eis algumas observações úteis:
Ex-diretor, Ex-hospedeira, Sota-piloto, Soto-mestre, Vice-presidente , DISTINÇÃO ENTRE J E G
1. Escrevem-se com J:
Vizo-rei
a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajeste,
Diante de “pós-, pré- e pró-“, quando TEM SOM FORTE E ACENTO. canjerê, pajé, etc.
pós-tônico, pré-escolar, pré-natal, pró-labore b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije-
pró-africano, pró-europeu, pós-graduação cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc.
Diante de “pan-, circum-, quando juntos de vogais. c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
Pan-americano, circum-escola despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
OBS. “Circunferência” – é junto, pois está diante da consoante “F”. d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc.
NOTA: Veja como fica estranha a pronúncia se não usarmos o hífen: e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais
mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija.
Exesposa, sotapiloto, panamericano, vicesuplente, circumescola.
ATENÇÃO! 2. Escrevem-se com G:
Não se usa o hífen diante de “CO-, RE-, PRE” (SEM ACENTO) a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem,
Coordenar reedição preestabelecer ferrugem, etc.
Coordenação refazer preexistir b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO:
Coordenador reescrever prever estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir.
Coobrigar relembrar
Cooperação reutilização
DISTINÇÃO ENTRE S E Z
Cooperativa reelaborar 1. Escrevem-se com S:
O ideal para memorizar essas regras, lembre-se, é conhecer e usar pelo a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc.
menos uma palavra de cada prefixo. Quando bater a dúvida numa palavra, b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios
compare-a à palavra que você já sabe e escreva-a duas vezes: numa você ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu-
usa o hífen, na outra não. Qual a certa? Confie na sua memória! Uma delas guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
vai te parecer mais familiar. burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc.
c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc.
REGRA GERAL (Resumindo) d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exege-
Letras iguais, separa com hífen(-).
se análise, trombose, etc.
Letras diferentes, junta. e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa,
O “H” não tem personalidade. Separa (-). causa.
O “R” e o “S”, quando estão perto das vogais, são dobrados. Mas não se f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical termina
juntam com consoantes. em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso), etc.
http://www.infoescola.com/portugues/novo-acordo-ortografico-descomplicado-parte-i/ g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão; preten-
der: pretensão; repreender: repreensão, etc.
Novo Acordo Ortográfico é adiado para 2016
O objetivo de adiar a vigência do novo Acordo Ortográfico visa a 2. Escrevem-se em Z.
alinhar o cronograma brasileiro com o de outros países e dar um a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o
maior prazo de adaptação às pessoas. mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
Prorrogação visa a alinhar cronograma brasileiro com o de outros paí- organizado; realizar: realização, realizado, etc.
ses, como Portugal. b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc.

Língua Portuguesa 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


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c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro, postura enquanto usuários do sistema linguístico. Contudo, tal situação não
chapeuzinho, cãozito, etc. parece assim tão simples, haja vista que alguns contratempos sempre
tendem a surgir. Um deles diz respeito a questões ortográficas no mo-
DISTINÇÃO ENTRE X E CH: mento de empregar esta ou aquela palavra.
Nesse sentido nunca é demais mencionar que o emprego correto de um
1. Escrevem-se com X
determinado vocábulo está intimamente ligado a pressupostos semânticos,
a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote,
visto que cada vocábulo carrega consigo uma marca significativa de senti-
feixe, etc.
do. Assim, mesmo que palavras se apresentem semelhantes em temos
c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica, etc.
sonoros, bem como nos aspectos gráficos, traduzem significados distintos,
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
aos quais devemos nos manter sempre vigilantes, no intuito de fazermos
árvore que produz o látex).
bom uso da nossa língua sempre que a situação assim o exigir.
e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar, en-
Pois bem, partindo dessa premissa, ocupemo-nos em conhecer as caracte-
chapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são grafa-
rísticas que nutrem algumas expressões que rotineiramente utilizamos.
das com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou seja,
Entre elas, destacamos:
pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchente, en-
cher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: en +
Mas e mais
radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; enchapelar:
A palavra “mas” atua como uma conjunção coordenada adversativa, de-
en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço).
vendo ser utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário.
Vejamos, pois:
2. Escrevem-se com CH:
Esforcei-me bastante, mas não obtive o resultado necessário.
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre-
Já o vocábulo “mais” se classifica como pronome indefinido ou advérbio de
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal-
intensidade, opondo-se, geralmente, a “menos”. Observemos:
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, cachim-
Ele escolheu a camiseta mais cara da loja.
bo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, mochi-
la, piche, pichar, tchau.
Onde e aonde
b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que
“Aonde” resulta da combinação entre “a + onde”, indicando movimento para
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia se
algum lugar. É usada com verbos que também expressem tal aspecto (o de
distingue pelo contraste entre o x e o ch.
movimento). Assim, vejamos:
Exemplos:
Aonde você vai com tanta pressa?
• brocha (pequeno prego)
“Onde” indica permanência, lugar em que se passa algo ou que se está.
• broxa (pincel para caiação de paredes)
Portanto, torna-se aplicável a verbos que também denotem essa caracterís-
• chá (planta para preparo de bebida)
tica (estado ou permanência). Vejamos o exemplo:
• xá (título do antigo soberano do Irã)
Onde mesmo você mora?
• chalé (casa campestre de estilo suíço)
• xale (cobertura para os ombros)
Que e quê
• chácara (propriedade rural)
O “que” pode assumir distintas funções sintáticas e morfológicas, entre elas
• xácara (narrativa popular em versos)
a de pronome, conjunção e partícula expletiva de realce:
• cheque (ordem de pagamento)
Convém que você chegue logo. Nesse caso, o vocábulo em questão atua
• xeque (jogada do xadrez)
como uma conjunção integrante.
• cocho (vasilha para alimentar animais)
Já o “quê”, monossílabo tônico, atua como interjeição e como substantivo,
• coxo (capenga, imperfeito)
em se tratando de funções morfossintáticas:
Ela tem um quê de mistério.
DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C
Observe o quadro das correlações:
Mal e mau
Correlações Exemplos
“Mal” pode atuar com substantivo, relativo a alguma doença; advérbio,
t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial
ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter denotando erradamente, irregularmente; e como conjunção, indicando
- detenção; reter - retenção tempo. De acordo com o sentido, tal expressão sempre se opõe a bem:
rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submer- Como ela se comportou mal durante a palestra. (Ela poderia ter se compor-
rt - rs são; tado bem)
pel - puls inverter - inversão; divertir - diversão “Mau” opõe-se a bom, ocupando a função de adjetivo:
corr - curs impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão Pedro é um mau aluno. (Assim como ele poderia ser um bom aluno)
sent - sens correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão
ced - cess sentir - senso, sensível, consenso
Ao encontro de / de encontro a
ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - inter-
gred - gress cessão. “Ao encontro de” significa ser favorável, aproximar-se de algo:
exceder - excessivo (exceto exceção) Suas ideias vão ao encontro das minhas. (São favoráveis)
prim - press agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão - “De encontro a” denota oposição a algo, choque, colisão:
tir - ssão progresso - progressivo O carro foi de encontro ao poste.
imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repres-
são. Afim e a fim
admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão. “Afim” indica semelhança, relacionando-se com a ideia relativa à afinidade:
(re)percutir - (re)percussão
Na faculdade estudamos disciplinas afins.
“A fim” indica ideia de finalidade:
PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES Estudo a fim de que possa obter boas notas.

Mas ou mais: dúvidas de ortografia A par e ao par


“A par” indica o sentido voltado para “ciente, estar informado acerca de
Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte algo”:
Mais ou mais? Onde ou aonde? Essas e outras expressões geralmente são Ele não estava a par de todos os acontecimentos.
alvo de questionamentos por parte dos usuários da língua. “Ao par” representa uma expressão que indica igualdade, equivalência ente
valores financeiros:
Falar e escrever bem, de modo que se atenda ao padrão formal da lingua- Algumas moedas estrangeiras estão ao par.
gem: eis um pressuposto do qual devemos nos valer mediante nossa

Língua Portuguesa 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Demais e de mais Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o
“Demais” pode atuar como advérbio de intensidade, denotando o sentido de significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais,
“muito”: pelas quais.
A vítima gritava demais após o acidente. Exemplo: Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual)
Tal palavra pode também representar um pronome indefinido, equivalendo-
se “aos outros, aos restantes”: Por quê
Não se importe com o que falam os demais. Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por
“De mais” se opõe a de menos, fazendo referência a um substantivo ou a quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual
um pronome: motivo”, “por qual razão”.
Ele não falou nada de mais. Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê?
Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.
Senão e se não
“Senão” tem sentido equivalente a “caso contrário” ou a “não ser”: Porque
É bom que se apresse, senão poderá chegar atrasado. É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma
“Se não” se emprega a orações subordinadas condicionais, equivalendo-se vez que”, “para que”.
a “caso não”: Exemplos: Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
Se não chover iremos ao passeio. Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)
Porquê
Na medida em que e à medida que É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanha-
“Na medida em que” expressa uma relação de causa, equivalendo-se a do de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.
“porque”, “uma vez que” e “já que”: Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar con-
Na medida em que passava o tempo, a saudade ia ficando cada vez mais centrada. (motivo)
apertada. Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão)
“À medida que” indica a ideia relativa à proporção, desenvolvimento grada- Por Sabrina Vilarinho
tivo:
À medida que iam aumentando os gritos, as pessoas se aglomeravam FORMAS VARIANTES
ainda mais. Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer
uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos.
Nenhum e nem um aluguel ou aluguer hem? ou hein?
“Nenhum” representa o oposto de algum: alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
Nenhum aluno fez a pesquisa. amídala ou amígdala infarto ou enfarte
“Nem um” equivale a nem sequer um: assobiar ou assoviar laje ou lajem
Nem uma garota ganhará o prêmio, quem dirá todas as competidoras. assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula
azaléa ou azaleia nenê ou nenen
Dia a dia e dia-a-dia (antes da nova reforma ortográfica grafado com bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
hífen): bílis ou bile quatorze ou catorze
Antes do novo acordo ortográfico, a expressão “dia-a-dia”, cujo sentido cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar
fazia referência ao cotidiano, era grafada com hífen. Porém, depois de carroçaria ou carroceria taramela ou tramela
instaurado, passou a ser utilizada sem dele, ou seja: chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear
O dia a dia dos estudantes tem sido bastante conturbado. debulhar ou desbulhar ou relampar
Já “dia a dia”, sem hífen mesmo antes da nova reforma, atua como uma fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem
locução adverbial referente a “todos os dias” e permaneceu sem nenhuma
alteração, ou seja:
Ela vem se mostrando mais competente dia a dia. EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
Fim-de-semana e fim de semana Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
A expressão “fim-de-semana”, grafada com hífen antes do novo acordo, faz 1) a primeira palavra de período ou citação.
referência a “descanso”, diversão, lazer. Com o advento da nova reforma Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
ortográfica, alguns compostos que apresentam elementos de ligação, como No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
é o caso de “fim de semana”, não são mais escritos com hífen. Portanto, o letra maiúscula.
correto é: 2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
Como foi seu fim de semana? sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
“Fim de semana” também possui outra acepção semântica (significado), Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
relativa ao final da semana propriamente dito, aquele que começou no Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
domingo e agora termina no sábado. Assim, mesmo com a nova reforma O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
ortográfica, nada mudou no tocante à ortografia: 3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
Viajo todo fim de semana. religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
Vânia Maria do Nascimento Duarte do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República,
O uso dos porquês etc.
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
O uso dos porquês é um assunto muito discutido e traz muitas dúvidas. Estado, Pátria, União, República, etc.
Com a análise a seguir, pretendemos esclarecer o emprego dos porquês 6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
para que não haja mais imprecisão a respeito desse assunto. órgãos públicos, etc.:
Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco
Por que do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
O por que tem dois empregos diferenciados: 7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e
Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefini- científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os
do que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”: Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão) Manhã, Manchete, etc.
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo) 8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.

Língua Portuguesa 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


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9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,
Oriente, o falar do Norte. mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. sílabas separadas.
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o 9- sublingual: sub-lin-gual
Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc. sublinhar: sub-li-nhar
sublocar: sub-lo-car
Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, Preste atenção nas seguintes palavras:
nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval, trei-no so-cie-da-de
ingleses, ave-maria, um havana, etc. gai-o-la ba-lei-a
des-mai-a-do im-bui-a
2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando
ra-diou-vin-te ca-o-lho
empregados em sentido geral:
te-a-tro co-e-lho
São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
du-e-lo ví-a-mos
3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio a-mné-sia gno-mo
Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc. co-lhei-ta quei-jo
pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta: dig-no e-nig-ma
"Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis) e-clip-se Is-ra-el
"Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mag-nó-lia
mirra." (Manuel Bandeira)

DIVISÃO SILÁBICA
PONTUAÇÃO

Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as


Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU, pausas da linguagem oral.
GU.
1- chave: cha-ve PONTO
aquele: a-que-le O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
palha: pa-lha rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
manhã: ma-nhã comuns ele é chamado de simples.
guizo: gui-zo
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço PONTO DE INTERROGAÇÃO
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar É usado para indicar pergunta direta.
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma Onde está seu irmão?
globo: glo-bo fraco: fra-co
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so A mim ?! Que ideia!
prato: pra-to
PONTO DE EXCLAMAÇÃO
Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
3- correr: cor-rer desçam: des-çam Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to Ó jovens! Lutemos!
fascinar: fas-ci-nar
VÍRGULA
Não se separam as letras que representam um ditongo. A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro sa na fala. Emprega-se a vírgula:
cárie: cá-rie • Nas datas e nos endereços:
São Paulo, 17 de setembro de 1989.
Separam-se as letras que representam um hiato. Largo do Paissandu, 128.
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el • No vocativo e no aposto:
rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o Meninos, prestem atenção!
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
Não se separam as letras que representam um tritongo. • Nos termos independentes entre si:
6- Paraguai: Pa-ra-guai O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
saguão: sa-guão • Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
caso é usado o duplo emprego da vírgula:
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
que a antecede. droeira.
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias • Após alguns adjuntos adverbiais:
técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter No dia seguinte, viajamos para o litoral.
absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz • Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego
da vírgula:
Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à sílaba Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
que a segue • Após a primeira parte de um provérbio.
8- pneumático: pneu-má-ti-co O que os olhos não veem, o coração não sente.
gnomo: gno-mo • Em alguns casos de termos oclusos:
psicologia: psi-co-lo-gia Eu gostava de maçã, de pera e de abacate.

Língua Portuguesa 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


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RETICÊNCIAS "Sede assim qualquer coisa.
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. serena, isenta, fiel".
Não me disseste que era teu pai que ... (Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Para realçar uma palavra ou expressão.
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome... • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento. "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também... fora das órbitas. Amália se volta)".
(G. Figueiredo)
PONTO E VÍRGULA
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
alguma simetria entre si.
fome."
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe-
(C. Lispector)
cido, guardando consigo a ponta farpada. "
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
• Para isolar orações intercaladas:
interior.
"Estou certo que eu (se lhe ponho
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
Minha mão na testa alçada)
calmo, resolveu o problema sozinho.
Sou eu para ela."
(M. Bandeira)
DOIS PONTOS
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas? COLCHETES [ ]
• Para indicar uma citação alheia: Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar- ASTERISCO
que". O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri- alguma nota (observação).
or:
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente. BARRA
• Enumeração após os apostos: A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido. abreviaturas.

TRAVESSÃO
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar
CRASE
palavras ou frases
– "Quais são os símbolos da pátria? Crase é a fusão da preposição A com outro A.
– Que pátria? Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra EMPREGO DA CRASE
vez. • em locuções adverbiais:
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma à vezes, às pressas, à toa...
coisa". (M. Palmério). • em locuções prepositivas:
• Usa-se para separar orações do tipo: em frente à, à procura de...
– Avante!- Gritou o general. • em locuções conjuntivas:
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. à medida que, à proporção que...
• pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam as
uma cadeia de frase: Fui ontem àquele restaurante.
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí. Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
• A ponte Rio – Niterói. Refiro-me àquilo e não a isto.
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.
A CRASE É FACULTATIVA
ASPAS • diante de pronomes possessivos femininos:
São usadas para: Entreguei o livro a(à) sua secretária .
• Indicar citações textuais de outra autoria. • diante de substantivos próprios femininos:
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles) Dei o livro à(a) Sônia.
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
Há quem goste de “jazz-band”. • Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. A:
• Para enfatizar palavras ou expressões: Viajaremos à Colômbia.
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite. (Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc. • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro. Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
• Em casos de ironia: neza, etc.
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente. Viajaremos a Curitiba.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão. (Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
PARÊNTESES modifique.
Empregamos os parênteses: Ela se referiu à saudosa Lisboa.
• Nas indicações bibliográficas. Vou à Curitiba dos meus sonhos.

Língua Portuguesa 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida: Exemplos:
Às 8 e 15 o despertador soou. cara – rosto
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo- léxico – vocabulário
da” ou "maneira": falecer – morrer
Aos domingos, trajava-se à inglesa. escarradeira – cuspideira
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. língua – idioma
• Antes da palavra casa, se estiver determinada:
Referia-se à Casa Gebara. Sinônimos Imperfeitos
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar.
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa). Se semelhantes é o mais comum.
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. Exemplos:
Voltou à terra onde nascera. esperar – aguardar
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. córrego – riacho
Mas: belo – formoso
Os marinheiros vieram a terra.
O comandante desceu a terra. Antônimos
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o É quando duas ou mais palavras têm significados contrários.
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
Vou até a (á ) chácara. Exemplos:
Cheguei até a(à) muralha aberto – fechado
• A QUE - À QUE sim – não
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino abaixar – levantar
ocorrerá crase: nascer – morrer
Houve um palpite anterior ao que você deu. correr – parar
Houve uma sugestão anterior à que você deu. sair – chegar
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não belo – feio
ocorrerá crase.
Não gostei do filme a que você se referia. Polissemia
Não gostei da peça a que você se referia. Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece. Veja
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do alguns exemplos de palavras polissêmicas:
de: cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca)
Meu palpite é igual ao de todos banco (instituição comercial financeira, assento)
Minha opinião é igual à de todos. manga (parte da roupa, fruta)

NÃO OCORRE CRASE Homônimos


Vem do grego “homós” que quer dizer: “igual”, “ónymon” que significa
• antes de nomes masculinos:
“nome”. Apresentam identidade de sons ou de forma, mas de significados
Andei a pé.
diferentes.
Andamos a cavalo.
As palavras Homônimas podem ser:
• antes de verbos:
a) Homônimos homófonos
Ela começa a chorar.
b) Homônimos homógrafos
Cheguei a escrever um poema.
• em expressões formadas por palavras repetidas:
Homônimos Homófonos
Estamos cara a cara.
São os que têm som igual e significação diferente.
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
Exemplos:
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza.
Escrevi a Vossa Excelência. cerrar (fechar) serrar (cortar)
Dirigiu-se gentilmente à senhora.
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: chá (bebida) xá (soberano do Irã)
Não falo a pessoas estranhas.
cheque (ordem de pagamento) xeque (lande do jogo de xadrez)
Jamais vamos a festas.
concertar (ajustar, combinar) consertar (corrigir, reparar)

SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL DE PALAVRAS E EXPRESSÕES. coser (costurar) cozer (preparar alimentos)


SINÔNIMOS E ANTÔNIMOS. esperto (inteligente, perspicaz) experto (experiente, perito)

Artigo sobre significação das palavras: sinônimos, antônimos, parônimos e espiar (observar, espionar) expiar (reparar falta mediante cumpri-
homônimos com exemplos e questões extraídos dos principais vestibulares mento de pena)
e concursos do país.
estrato (camada) extrato (o que se extrai de)
Significação das palavras flagrante (evidente) fragrante (perfumado)
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:
incerto (não certo, impreciso) inserto (introduzido, inserido)
Sinônimos
São palavras diferentes na forma, mas iguais ou semelhantes na significa- incipiente (principiante) insipiente (ignorante)
ção. Os sinônimos podem ser:
a) perfeitos ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
b) imperfeitos
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Sinônimos Perfeitos acender (pôr fogo) ascender (subir)
Se a significação é igual, o que é raro.

Língua Portuguesa 41 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
acento (símbolo gráfico) assento (lugar em que se senta) descrição (ato de descrever) discrição (reserva, prudência)

apreçar (ajustar o preço) apressar (formar rápido) descriminar (tirar a culpa, inocen- discriminar (distinguir)
tar)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
despensa (onde se guardam dispensa (ato de dispensar)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito) mantimentos)

cela (pequeno quarto) sela (arreio)


Formas Variantes
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo) Há palavras que podem ser grafadas de duas maneiras, sendo ambas
aceitas em Português pela norma de língua culta.
Exemplos:
Homônimos Homógrafos
contacto contato
São palavras que têm grafia igual e significação diferente; devemos notar
caracter caráter
que as vogais podem ter som diferente, bem como pode ser diferente o
óptica ótica
acento da palavra. Sendo que se escrevam com as mesmas letras e te-
secção seção
nham significação diferente.
cota quota
Exemplos:
catorze quatorze
colher (substantivo) – colher (verbo)
cociente quociente
selo (substantivo) – selo (verbo)
cotidiano quociente
sede(residência) – sede (vontade de beber água) Fonte:: www.algosobre.com.br/
cará (planta) – cara (rosto) www.exerciciosdeportugues.com.br
sabia (verbo saber) – sabiá (pássaro) – sábia (feminino de sábio) www.mundovestibular.com.br
Postado por cleiton silva
Observação: As palavras podem ser ao mesmo tempo homônimos
homófonos e homônimos homógrafos DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
Exemplos: A língua portuguesa é rica, interessante, criativa e versátil, se encontrando
mato (bosque) – mato (verbo) em constante evolução. As palavras não apresentam apenas um significado
livre (solto) – livre (verbo livrar) objetivo e literal, mas sim uma variedade de significados, mediante o con-
rio (verbo rir) – rio (curso de água natural) texto em que ocorrem e as vivências e conhecimentos das pessoas que as
amo (verbo amar) – amo (servo) utilizam.
canto (ângulo) – canto (verbo cantar)
fui (verbo ser) – fui (verbo ir) Exemplos de variação no significado das palavras:
Parônimos
 Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido literal)
São quando duas ou mais palavras apresentam grafia e pronúncia pareci-  Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido figurado)
das, mas significados diferentes.  Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
As variações nos significados das palavras ocasionam o sentido denotati-
Exemplos: vo (denotação) e o sentido conotativo (conotação) das palavras.
recrear (divertir, alegrar) recriar (criar novamente)
Denotação
sortir (abastecer) surtir (produzir efeito) Uma palavra é usada no sentido denotativo quando apresenta seu signifi-
cado original, independentemente do contexto frásico em que aparece.
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal) Quando se refere ao seu significado mais objetivo e comum, aquele imedia-
tamente reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado que
vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente) aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra.
A denotação tem como finalidade informar o receptor da mensagem de
vultoso (volumoso) vultuoso (atacado de congestão na face)
forma clara e objetiva, assumindo assim um caráter prático e utilitário. É
imergir (afundar) emergir (vir à tona) utilizada em textos informativos, como jornais, regulamentos, manuais de
instrução, bulas de medicamentos, textos científicos, entre outros.
inflação (alta dos preços) infração (violação) Exemplos:
 O elefante é um mamífero.
infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar)
 Já li esta página do livro.
mandado (ordem judicial) mandato (procuração)  A empregada limpou a casa.
ratificar (confirmar) retificar (corrigir) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando apresenta diferentes
emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país) significados, sujeitos a diferentes interpretações, dependendo do contexto
frásico em que aparece. Quando se refere a sentidos, associações e ideias
eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer)
que vão além do sentido original da palavra, ampliando sua significação
esbaforido (ofegante, apressado) espavorido (apavorado) mediante a circunstância em que a mesma é utilizada, assumindo um
sentido figurado e simbólico.
estada (permanência de pessoas) estadia (permanência de veículos) A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da
mensagem, através da expressividade e afetividade que transmite. É utili-
fusível (o que funde) fuzil (arma) zada principalmente numa linguagem poética e na literatura, mas também
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios publici-
absolver (perdoar, inocentar) absorver (sorver, aspirar)
tários, entre outros.
arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair) Exemplos:
 Você é o meu sol!
cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem cortês)  Minha vida é um mar de tristezas.
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)  Você tem um coração de pedra!
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denotacao/

Língua Portuguesa 42 A Opção Certa Para a Sua Realização


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SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO  parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo
e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse processo é responsável
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva;
figurado:
 regressiva: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma-se
Construí um muro de pedra - sentido próprio
substantivos abstratos por derivação regressiva de formas verbais (ajuda /
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
de ajudar);
A água pingava lentamente – sentido próprio.
 imprópria: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva
("o jantar" - de verbo para substantivo, "é um judas" - de substantivo próprio
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS. a comum).
Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros
As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários processos para formação de palavras, como:
elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
palavras.  Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas
Exs.: por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo,
cinzeiro = cinza + eiro grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide, al-
endoidecer = en + doido + ecer coômetro, árabe e grego / caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e
predizer = pre + dizer latino / sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego);

Os principais elementos móficos são :  Onomatopeia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zun-
RADICAL zum, miau);
É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
 Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua
Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.)
enterrar = en + terra + ar
pronome = pro + nome  Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma se-
quência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL). A partir de
PREFIXO siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista)
É o elemento mórfico que vem antes do radical.
Exs.: anti - herói in - feliz  Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas pala-
vras, ou para palavras que adquirem um novo significado. pciconcursos
SUFIXO
É o elemento mórfico que vem depois do radical.
Exs.: med - onho cear – ense
CLASSES DE PALAVRAS: EMPREGO E SENTIDO QUE
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES QUE ESTABELECEM: SUBS-
TANTIVO, ADJETIVO, ARTIGO, NUMERAL, PRONOME,
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS VERBO, ADVÉRBIO, PREPOSIÇÃO E CONJUNÇÃO.

As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a SUBSTANTIVOS


língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Por isso alguns vocá-
bulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neologis- Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no-
mos) e outros mudam de significado com o passar do tempo. me aos seres em geral.
São, portanto, substantivos.
Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das pala- a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra,
vras encontramos a seguinte divisão: Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado.
 palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor) b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba-
lho, corrida, tristeza beleza altura.
 palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha)
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
 palavras simples - só possuem um radical (couve, flor) a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie:
rio, cidade, pais, menino, aluno
 palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor, b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento.
aguardente) Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To-
Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conheci- cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair.
mento dos seguintes processos de formação: c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro-
priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi-
Composição - processo em que ocorre a junção de dois ou mais radi- que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con-
cais. São dois tipos de composição. creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta,
fada, bruxa, saci.
 justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol,
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só
sexta-feira);
existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo,
 aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão,
elementos (pernalta, de perna + alta). portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
Derivação - processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje-
acréscimo de afixos. São cinco tipos de derivação. tivos
trabalhar - trabalho
 prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil); correr - corrida
 sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente); alto - altura
belo - beleza

Língua Portuguesa 43 A Opção Certa Para a Sua Realização


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FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS ramalhete - de flores
a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua réstia - de alhos, de cebolas
portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal. récua - de animais de carga
b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa: romanceiro - de poesias populares
florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro. resma - de papel
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio, revoada - de pássaros
tempo, sol. súcia - de pessoas desonestas
d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de- vara - de porcos
colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol. vocabulário - de palavras

COLETIVOS FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS


Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e
de seres da mesma espécie. grau.
Veja alguns coletivos que merecem destaque: Gênero
alavão - de ovelhas leiteiras Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini-
alcateia - de lobos no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta.
álbum - de fotografias, de selos
antologia - de trechos literários escolhidos Podemos classificar os substantivos em:
armada - de navios de guerra a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma
armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc) para o masculino, outra para o feminino:
arquipélago - de ilhas aluno/aluna homem/mulher
assembleia - de parlamentares, de membros de associações menino /menina carneiro/ovelha
atilho - de espigas de milho Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas
atlas - de cartas geográficas, de mapas pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo:
banca - de examinadores padrinho/madrinha bode/cabra
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios cavaleiro/amazona pai/mãe
bando - de aves, de pessoal em geral
cabido - de cônegos b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única
cacho - de uvas, de bananas forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se
cáfila - de camelos em:
cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves 1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam
cancioneiro - de poemas, de canções animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca.
caravana - de viajantes Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve-
cardume - de peixes mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê-
clero - de sacerdotes mea
colmeia - de abelhas 2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que
concílio - de bispos designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
congregação - de professores, de religiosos estudante, este dentista.
congresso - de parlamentares, de cientistas 3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
conselho - de ministros pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
consistório - de cardeais sob a presidência do papa tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
constelação - de estrelas juge, a pessoa, a criatura.
corja - de vadios Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
elenco - de artistas uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
enxame - de abelhas
enxoval - de roupas Alguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:
São masculinos São femininos
esquadra - de navios de guerra o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
esquadrilha - de aviões o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata
falange - de soldados, de anjos o teorema o ágape a análise a usucapião
farândola - de maltrapilhos o trema o caudal a cal a bacanal
o edema o champanha a cataplasma a líbido
fato - de cabras o eclipse o alvará a dinamite a sentinela
fauna - de animais de uma região o lança-perfume o formicida a comichão a hélice
feixe - de lenha, de raios luminosos o fibroma o guaraná a aguardente
o estratagema o plasma
flora - de vegetais de uma região o proclama o clã
frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
girândola - de fogos de artifício Mudança de Gênero com mudança de sentido
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
junta - de bois, médicos, de examinadores Veja alguns exemplos:
júri - de jurados o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
legião - de anjos, de soldados, de demônios o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
malta - de desordeiros o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
manada - de bois, de elefantes o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
matilha - de cães de caça o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
ninhada - de pintos o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
nuvem - de gafanhotos, de fumaça
panapaná - de borboletas Plural dos Nomes Simples
pelotão - de soldados 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
penca - de bananas, de chaves casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
pinacoteca - de pinturas 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
plantel - de animais de raça, de atletas a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
quadrilha - de ladrões, de bandidos corações; grandalhão, grandalhões.

Língua Portuguesa 44 A Opção Certa Para a Sua Realização


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b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião, São invariáveis:
guardiães. a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi-
c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão, sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo;
cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos. b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães; desocupa-o-copo;
ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc. c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém, perde-ganha, os perde-ganha.
armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns. Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar, por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda-
lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí- marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa-
fens (ou hífenes). dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou
Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones. salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate.
5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis. Adjetivos Compostos
Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules. Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil, Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino-
fósseis; réptil, répteis. americanos; cívico-militar, cívico-militares.
Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar- 1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o
ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis. segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos
7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni- 2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur-
cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses; dos-mudos > surdas-mudas.
burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases. 3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho.
São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix, Graus do substantivo
os ônix. Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais
8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs- podem ser: sintéticos ou analíticos.
tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-
mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi- Analítico
tos. Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama-
Substantivos só usados no plural nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande.
afazeres anais
arredores belas-artes Sintético
cãs condolências Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados.
confins exéquias
férias fezes Principais sufixos aumentativos
núpcias óculos AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO,
olheiras pêsames ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão,
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes) povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu-
ça.
Plural dos Nomes Compostos
1. Somente o último elemento varia:
Principais Sufixos Diminutivos
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO,
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho,
boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim,
b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo,
mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
homúncula, apícula, velhusco.
c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo
ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda- Observações:
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem- • Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui-
pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela- rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc.
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques) Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc.
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe-
2. Somente o primeiro elemento é flexionado: tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite; • Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem- mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
rabo, burros-sem-rabo; ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade • Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos- minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada; zinho, pequenito.
banana-maçã, bananas-maçã. Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos- gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc. diferentes para designar o sexo:
bode - cabra genro - nora
3. Ambos os elementos são flexionados: burro - besta padre - madre
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- carneiro - ovelha padrasto - madrasta
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas- cão - cadela padrinho - madrinha
compromissos. cavalheiro - dama pai - mãe
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- compadre - comadre veado - cerva
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida, frade - freira zangão - abelha
caras-pálidas. frei – soror etc.

Língua Portuguesa 45 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ADJETIVOS Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi-
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo:
- Superlativo absoluto
FLEXÃO DOS ADJETIVOS Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser:
Gênero Esta cidade é poluidíssima.
Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser: Esta cidade é muito poluída.
a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne- - Superlativo relativo
ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu- Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a
lher simples; aluno feliz - aluna feliz. outros seres:
Este rio é o mais poluído de todos.
b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, Este rio é o menos poluído de todos.
outra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / ho-
mem alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade -
Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se- muito trabalhador, excessivamente frágil, etc.
melhante a dos substantivos. - Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti-
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc.
Número
a) Adjetivo simples Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara-
Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
substantivos simples: NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO
pessoa honesta pessoas honestas ABSOLUTO
regra fácil regras fáceis RELATIVO
homem feliz homens felizes bom melhor ótimo
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in- melhor
variáveis: mau pior péssimo
blusa vinho blusas vinho pior
camisa rosa camisas rosa grande maior máximo
maior
b) Adjetivos compostos pequeno menor mínimo
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele- menor
mento varia, tanto em gênero quanto em número:
acordos sócio-político-econômico acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica causas sócio-político-econômicas
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos:
acordo luso-franco-brasileiro acordo luso-franco-brasileiros acre - acérrimo ágil - agílimo
lente côncavo-convexa lentes côncavo-convexas agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo
camisa verde-clara camisas verde-claras amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo
sapato marrom-escuro sapatos marrom-escuros amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
Observações: audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável: benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo
camisa verde-abacate camisas verde-abacate
sapato marrom-café sapatos marrom-café
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis: fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
blusa azul-marinho blusas azul-marinho frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
camisa azul-celeste camisas azul-celeste incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo
variam:
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos
magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo
menina surda-muda meninas surdas-mudas manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
Graus do Adjetivo
possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex-
próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
pressas em dois graus:
público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
- o comparativo
sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
- o superlativo
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
Comparativo terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual, voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
- Comparativo de igualdade: Adjetivos Gentílicos e Pátrios
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. Argélia – argelino Bagdá - bagdali
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
- Comparativo de superioridade: Bóston - bostoniano Braga - bracarense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro. Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico. Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
- Comparativo de inferioridade: bucarestense Campos - campista
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Cairo - cairota Caracas - caraquenho
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota

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Chicago - chicaguense Córdova - cordovês PRONOMES PESSOAIS
Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis-
bricense Cuiabá - cuiabano curso:
Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho 1ª pessoa: quem fala, o emissor.
Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense, Eu sai (eu)
Egito - egípcio capixaba Nós saímos (nós)
Equador - equatoriano Évora - eborense Convidaram-me (me)
Filipinas - filipino Finlândia - finlandês Convidaram-nos (nós)
Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano 2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense Tu saíste (tu)
Gabão - gabonês Galiza - galego Vós saístes (vós)
Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino Convidaram-te (te)
Goiânia - goianense Granada - granadino Convidaram-vos (vós)
Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco 3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente.
Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano Ele saiu (ele)
Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho Eles sairam (eles)
Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense Convidei-o (o)
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita Convidei-os (os)
João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho Os pronomes pessoais são os seguintes:
Macapá - macapaense Macau - macaense NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO
Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe singular 1ª eu me, mim, comigo
Madri - madrileno Manaus - manauense 2ª tu te, ti, contigo
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe
Marajó - marajoara Minho - minhoto
plural 1ª nós nós, conosco
Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco 2ª vós vós, convosco
Montevidéu - montevideano Natal - natalense 3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes
Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
Pequim - pequinês Pisa - pisano
Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro PRONOMES DE TRATAMENTO
Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra-
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a
São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso.
Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano Veja, a seguir, alguns desses pronomes:
PRONOME ABREV. EMPREGO
Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano Vossa Eminência V .Ema cardeais
Veneza - veneziano Vitória - vitoriense Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa
Magnificência V. Mag a reitores de universidades
Locuções Adjetivas Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral
As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs- Vossa Santidade V.S. papas
tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados
ser substituídas por um adjetivo correspondente. Vossa Majestade V.M. reis, imperadores
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-
cês.
PRONOMES
EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre- 1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome Considera-se errado seu emprego como complemento:
substantivo. Convidaram ELE para a festa (errado)
• Ele chegou. (ele) Receberam NÓS com atenção (errado)
• Convidei-o. (o) EU cheguei atrasado (certo)
ELE compareceu à festa (certo)
Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex-
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
• Esta casa é antiga. (esta) pronomes retos:
• Meu livro é antigo. (meu) Convidei ELE (errado)
Chamaram NÓS (errado)
Classificação dos Pronomes Convidei-o. (certo)
Chamaram-NOS. (certo)
Há, em Português, seis espécies de pronomes:
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
de tratamento: ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; reto seu emprego como complemento:
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; Informaram a ELE os reais motivos.
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Emprestaram a NÓS os livros.
Eles gostam muito de NÓS.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá-
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
trem, nada, cada, algo.
errado seu emprego como complemento:
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)

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Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas 9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
MIM e TI: como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
Ninguém irá sem EU. (errado) sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in-
Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado) finitivo:
Ninguém irá sem MIM. (certo) Deixei-o sair.
Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo) Vi-o chegar.
Sofia deixou-se estar à janela.
Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol-
como sujeito de um verbo no infinitivo. vendo as orações reduzidas de infinitivo:
Deram o livro para EU ler (ler: sujeito) Deixei-o sair = Deixei que ele saísse.
Deram o livro para TU leres (leres: sujeito) 10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos:
A mim, ninguém me engana.
Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri- A ti tocou-te a máquina mercante.
gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
sujeito. Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas-
mo vicioso e sim ênfase.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em 11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo,
que os referidos pronomes não sejam reflexivos: exercendo função sintática de adjunto adnominal:
Querida, gosto muito de SI. (errado) Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro.
Preciso muito falar CONSIGO. (errado) Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos.
Querida, gosto muito de você. (certo)
Preciso muito falar com você. (certo) 12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo-
Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os déstia:
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos: Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes.
Ele feriu-se Vós sois minha salvação, meu Deus!
Cada um faça por si mesmo a redação
O professor trouxe as provas consigo 13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando
6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados falamos dessa pessoa:
normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica: Vossa Excelência já aprovou os projetos?
Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração.
Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com- VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
binações possíveis são as seguintes: pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
me+o=mo me + os = mos pronomes de terceira pessoa:
te+o=to te + os = tos Você trouxe seus documentos?
lhe+o=lho lhe + os = lhos Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los COLOCAÇÃO DE PRONOMES
lhes + o = lho lhes + os = lhos Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos 1. Antes do verbo - próclise
a, as. Eu te observo há dias.
me+a=ma me + as = mas 2. Depois do verbo - ênclise
te+a=ta te + as = tas Observo-te há dias.
- Você pagou o livro ao livreiro? 3. No interior do verbo - mesóclise
- Sim, paguei-LHO. Observar-te-ei sempre.

Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que Ênclise
representa o livreiro) com O (que representa o livro).
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
direto ou indireto.
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas
O pai esperava-o na estação agitada.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos
Expliquei-lhe o motivo das férias.
indiretos:
O menino convidou-a. (V.T.D )
Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
O filho obedece-lhe. (V.T. l )
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões)
Voltei-me em seguida para o céu límpido.
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as
2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de
Como eu achasse muito breve, explicou-se.
verbos transitivos diretos:
3. Com o imperativo afirmativo:
Eu lhe vi ontem. (errado)
Companheiros, escutai-me.
Nunca o obedeci. (errado)
4. Com o infinitivo impessoal:
Eu o vi ontem. (certo)
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
Nunca lhe obedeci. (certo)
destino na mesa.

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5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM: 3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo. 1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética. 2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS.
A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio 3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
franco.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
Próclise (seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
Na linguagem culta, a próclise é recomendada: você).
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
interrogativos e conjunções. Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui-
As crianças que me serviram durante anos eram bichos. dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
Tudo me parecia que ia ser comida de avião. Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
Quem lhe ensinou esses modos? A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
Quem os ouvia, não os amou. Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.
Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez. Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro-
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo): nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Papai do céu o abençoe. Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
A terra lhes seja leve. suas mãos).
3. Com o gerúndio precedido da preposição EM: Não me respeitava a adolescência.
Em se animando, começa a contagiar-nos. A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse. O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
pausa entre eles. Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova. 1. Cálculo aproximado, estimativa:
Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra. Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história
Mesóclise O nosso homem não se deu por vencido.
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente Chama-se Falcão o meu homem
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam 3. O mesmo que os indefinidos certo, algum
precedidos de palavras que reclamem a próclise. Eu cá tenho minhas dúvidas
Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris. Cornélio teve suas horas amargas
Dir-se-ia vir do oco da terra. 4. Afetividade, cortesia
Como vai, meu menino?
Mas: Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo
Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Jamais se diria vir do oco da terra. No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren-
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível: tes de família.
Lembrarei-me (!?) É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Diria-se (!?) Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
de.
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
O Pronome Átono nas Locuções Verbais
não sabia o que dizer.
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Podemos contar-lhe o ocorrido. PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Podemos-lhe contar o ocorrido. São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
Não lhes podemos contar o ocorrido. coisa designada em relação à pessoa gramatical.
O menino foi-se descontraindo.
O menino foi descontraindo-se. Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
O menino não se foi descontraindo. de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. livro está longe de ambas as pessoas.
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des-
cartes ." Os pronomes demonstrativos são estes:
Tenho-me levantado cedo. ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
Não me tenho levantado cedo. ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o MESMO (e variações), próprio (e variações)
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta. SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua- Emprego dos Demonstrativos
gem escrita. 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
PRONOMES POSSESSIVOS fala).
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu- Este documento que tenho nas mãos não é meu.
indo-lhes a posse de alguma coisa. Isto que carregamos pesa 5 kg.
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
livro pertence a 1ª pessoa (eu) Este coração não pode me trair.
Eis as formas dos pronomes possessivos: Esta alma não traz pecados.
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS. Tudo se fez por este país..
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS.

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c) Para indicar o momento em que falamos: Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames.
Neste instante estou tranquilo. A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os
Deste minuto em diante vou modificar-me. homens superiores.
d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do 8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante:
momento em que falamos: A menina ia cair, nisto, o pai a segurou
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile. 9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE,
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem. ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO.
Um dia destes estive em Porto Alegre. Tal era a situação do país.
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no Não disse tal.
qual se inclui o momento em que falamos: Tal não pôde comparecer.
Nesta semana não choveu.
Neste mês a inflação foi maior. Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu-
Este ano será bom para nós. des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha
Este século terminará breve. QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando: Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
Este assunto já foi discutido ontem. ou OUTRO TAL:
Tudo isto que estou dizendo já é velho. Suas manias eram tais quais as minhas.
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar: A mãe era tal quais as filhas.
Só posso lhe dizer isto: nada somos. Os filhos são tais qual o pai.
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos. Tal pai, tal filho.
2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se: É pronome substantivo em frases como:
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com Não encontrarei tal (= tal coisa).
quem se fala): Não creio em tal (= tal coisa)
Esse documento que tens na mão é teu?
Isso que carregas pesa 5 kg. PRONOMES RELATIVOS
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente: Veja este exemplo:
Esse teu coração me traiu. Armando comprou a casa QUE lhe convinha.
Essa alma traz inúmeros pecados.
Quantos vivem nesse pais? A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese- casa é um pronome relativo.
jamos distância:
O povo já não confia nesses políticos. PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re-
Não quero mais pensar nisso. feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos.
d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa: A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente.
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde. No exemplo dado, o antecedente é casa.
O que você quer dizer com isso? Outros exemplos de pronomes relativos:
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos.
falamos: O lugar onde paramos era deserto.
Um dia desses estive em Porto Alegre. Traga tudo quanto lhe pertence.
Comi naquele restaurante dia desses. Leve tantos ingressos quantos quiser.
f) Para indicar aquilo que já mencionamos: Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso?
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan- Eis o quadro dos pronomes relativos:
te.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se: VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á
Masculino Feminino
3ª.
o qual a qual quem
Aquele documento que lá está é teu?
os quais as quais
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
cujo cujos cuja cujas que
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
quanto quanta quantas onde
Naquele instante estava preocupado.
quantos
Daquele instante em diante modifiquei-me.
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
Observações:
século, para exprimir que o tempo já decorreu.
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas,
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou
O médico de quem falo é meu conterrâneo.
variações) para a primeira:
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso
sempre um substantivo sem artigo.
e aquela tranquila.
Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE,
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural:
de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose?
Tenho tudo quanto quero.
Com um frio destes não se pode sair de casa.
Leve tantos quantos precisar.
Nunca vi uma coisa daquelas.
Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter
4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
reforçativo:
EM QUE.
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas. A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
ISSO ou AQUELE (e variações). PRONOMES INDEFINIDOS
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. modo vago, impreciso, indeterminado.

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1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO, a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço.
SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme-
Exemplos: cemos.
Algo o incomoda? 2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve. a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces.
Não faças a outrem o que não queres que te façam. b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis.
Quem avisa amigo é. 3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser
Encontrei quem me pode ajudar. a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela
Ele gosta de quem o elogia. adormece.
2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles
CERTAS. adormecem.
Cada povo tem seus costumes. 3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante
Certas pessoas exercem várias profissões. em relação ao fato que comunica. Há três modos em português.
Certo dia apareceu em casa um repórter famoso. a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
A cachorra Baleia corria na frente.
PRONOMES INTERROGATIVOS b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato.
Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
modo impreciso à 3ª pessoa do discurso. c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um
Exemplos: pedido
Que há? Corra na frente, Baleia.
Que dia é hoje? 4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo,
Reagir contra quê? em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são:
Por que motivo não veio? a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
Quem foi? Fecho os olhos, agito a cabeça.
Qual será? b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
Quantos vêm? em que se fala:
Quantas irmãs tens? Fechei os olhos, agitei a cabeça.
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
VERBO O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
presente.
CONCEITO
“As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando- Veja o esquema dos tempos simples em português:
as no tempo. Presente (falo)
Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re- INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei)
ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e Imperfeito (falava)
gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas. Mais- que-perfeito (falara)
Assim fiz. Morreram.” Futuro do presente (falarei)
(Clarice Lispector) do pretérito (falaria)
Presente (fale)
Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir: SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
a) Estado: Futuro (falar)
Não sou alegre nem sou triste.
Sou poeta. Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que
b) Mudança de estado: se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema
Meu avô foi buscar ouro. dos tempos simples.
Mas o ouro virou terra. Infinitivo impessoal (falar)
c) Fenômeno: Pessoal (falar eu, falares tu, etc.)
Chove. O céu dorme. FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando)
Particípio (falado)
VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
estado e fenômeno, situando-se no tempo. 5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser:
a) agente do fato expresso.
FLEXÕES O carroceiro disse um palavrão.
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle- (sujeito agente)
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em O verbo está na voz ativa.
si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica: b) paciente do fato expresso:
• a ação de cantar. Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). (sujeito paciente)
• o número gramatical (plural). O verbo está na voz passiva.
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). c) agente e paciente do fato expresso:
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no O carroceiro machucou-se.
passado (indicativo). (sujeito agente e paciente)
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). O verbo está na voz reflexiva.

Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. 6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). Falo - Estudam.
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural). Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: fora do radical.
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser Falamos - Estudarei.

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7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em: Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de
a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua há muito (= desde muito tempo, há muito tempo):
conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto - De há muito que esta árvore não dá frutos.
cantei - cantarei – cantava - cantasse. De há muito não o vejo.
b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse. O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com
c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa, ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª
como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe- pessoa do singular:
nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc. Vai haver eleições em outubro.
d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o Começou a haver reclamações.
mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma- Não pode haver umas sem as outras.
tado - morto - enxugado - enxuto. Parecia haver mais curiosos do que interessados.
e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju- Mas haveria outros defeitos, devia haver outros.
gação.
verbo ser: sou - fui A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser
verbo ir: vou - ia construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor.
QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO Haja vista os livros desse autor.
Haja vista aos livros desse autor.
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
O Nino apareceu na porta. CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci- Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais: sentido da frase.
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar, Exemplo:
etc. Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
Garoava na madrugada roxa. A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
Houve um espetáculo ontem. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
Há alunos na sala. passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos vando o mesmo tempo.
claros.
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico. Outros exemplos:
Fazia dois anos que eu estava casado. Os calores intensos provocam as chuvas.
Faz muito frio nesta região? As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Eu o acompanharei.
O VERBO HAVER (empregado impessoalmente) Ele será acompanhado por mim.
Todos te louvariam.
O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Serias louvado por todos.
3ª pessoa do singular - quando significa:
Prejudicaram-me.
1) EXISTIR
Fui prejudicado.
Há pessoas que nos querem bem.
Condenar-te-iam.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Serias condenado.
Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
2) ACONTECER, SUCEDER
a) Presente
Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
Não haja desavenças entre vós.
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
Eles estudam silenciosamente.
3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Eles estão estudando silenciosamente.
Há meses que não o vejo.
- uma ação habitual.
Haverá nove dias que ele nos visitou.
Corra todas as manhãs.
Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
- uma verdade universal (ou tida como tal):
O fato aconteceu há cerca de oito meses.
O homem é mortal.
Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa.
pretérito imperfeito, e não no presente:
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
maior realce à narrativa.
Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
É o chamado presente histórico ou narrativo.
Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos:
4) REALIZAR-SE
Amanhã vou à escola.
Houve festas e jogos.
Qualquer dia eu te telefono.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
b) Pretérito Imperfeito
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e
- um fato passado contínuo, habitual, permanente:
seguido de infinitivo):
Ele andava à toa.
Em pontos de ciência não há transigir.
Nós vendíamos sempre fiado.
Não há contê-lo, então, no ímpeto.
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Não havia descrer na sinceridade de ambos.
por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas.
Era uma vez...
E não houve convencê-lo do contrário.
- um fato presente em relação a outro fato passado.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se.
Eu lia quando ele chegou.

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c) Pretérito Perfeito foi esteve teve houve
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já fomos estivemos tivemos houvemos
ocorrido, concluído. fostes estivestes tivestes houvestes
Estudei a noite inteira. foram estiveram tiveram houveram
Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
momento presente. tenho sido tenho estado tenho tido tenho havido
tens sido tens estado tens tido tens havido
Tenho estudado todas as noites.
tem sido tem estado tem tido tem havido
d) Pretérito mais-que-perfeito
temos sido temos estado temos tido temos havido
Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em tendes sido tendes estado tendes tido tendes havido
relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado): têm sido têm estado têm tido têm havido
A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou. PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
e) Futuro do Presente fora estivera tivera houvera
Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato foras estiveras tiveras houveras
futuro em relação ao momento em que se fala. fora estivera tivera houvera
Irei à escola. fôramos estivéramos tivéramos houvéramos
f) Futuro do Pretérito fôreis estivéreis tivéreis houvéreis
Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar: foram estiveram tiveram houveram
- um fato futuro, em relação a outro fato passado. PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
- Eu jogaria se não tivesse chovido. tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+sido, estado, tido , havido)
- um fato futuro, mas duvidoso, incerto. FUTURO DO PRESENTE SIMPLES
- Seria realmente agradável ter de sair? serei estarei terei haverei
serás estarás terás haverá
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
será estará terá haverá
vezes, ironia. seremos estaremos teremos haveremos
- Daria para fazer silêncio?! sereis estareis tereis havereis
serão estarão terão haverão
Modo Subjuntivo FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
a) Presente terei, terás, terá, teremos, tereis, terão, (+sido, estado, tido, havido)
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar: FUTURO DO
- um fato presente, mas duvidoso, incerto. PRETÉRITO
Talvez eles estudem... não sei. SIMPLES
- um desejo, uma vontade: seria estaria teria haveria
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores. serias estarias terias haverias
b) Pretérito Imperfeito seria estaria teria haveria
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma seríamos estaríamos teríamos haveríamos
serieis estaríeis teríeis haveríeis
hipótese, uma condição.
seriam estariam teriam haveriam
Se eu estudasse, a história seria outra.
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo. teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ sido, estado, tido, havido)
e) Pretérito Perfeito PRESENTE SUBJUNTIVO
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar seja esteja tenha haja
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as sejas estejas tenhas hajas
características do modo subjuntivo). seja esteja tenha haja
Que tenha estudado bastante é o que espero. sejamos estejamos tenhamos hajamos
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito sejais estejais tenhais hajais
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato sejam estejam tenham hajam
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo: PRETÉRITO IMPERFEITO SIMPLES
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui- fosse estivesse tivesse houvesse
lamente. fosses estivesses tivesses houvesses
e) Futuro fosse estivesse tivesse houvesse
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu- fôssemos estivéssemos tivéssemos houvéssemos
fôsseis estivésseis tivésseis houvésseis
ído em relação a outro fato futuro.
fossem estivessem tivessem houvessem
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ sido, estado, tido, havido)
VERBOS AUXILIARES PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
INDICATIVO tivesse, tivesses, tivesses, tivéssemos, tivésseis, tivessem ( + sido, estado,
tido, havido)
FUTURO SIMPLES
SER ESTAR TER HAVER
se eu for se eu estiver se eu tiver se eu houver
PRESENTE
se tu fores se tu estiveres se tu tiveres se tu houveres
sou estou tenho hei
se ele for se ele estiver se ele tiver se ele houver
és estás tens hás
se nós formos se nós estiver- se nós tivermos se nós houver-
é está tem há
mos mos
somos estamos temos havemos
se vós fordes se vós estiver- se vós tiverdes se vós houver-
sois estais tendes haveis
des des
são estão têm hão
se eles forem se eles estive- se eles tiverem se eles houve-
PRETÉRITO PERFEITO
rem rem
era estava tinha havia FUTURO COMPOSTO
eras estavas tinhas havias
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+sido, estado, tido, havido)
era estava tinha havia
AFIRMATIVO IMPERATIVO
éramos estávamos tínhamos havíamos sê tu está tu tem tu há tu
éreis estáveis tínheis havíes
seja você esteja você tenha você haja você
eram estavam tinham haviam
sejamos nós estejamos nós tenhamos nós hajamos nós
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES sede vós estai vós tende vós havei vós
fui estive tive houve
sejam vocês estejam vocês tenham vocês hajam vocês
foste estiveste tiveste houveste

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NEGATIVO cantaríamos venderíamos partiríamos
não sejas tu não estejas tu não tenhas tu não hajas tu cantaríeis venderíeis partiríeis
não seja você não esteja você não tenha você não haja você cantariam venderiam partiriam
não sejamos nós não estejamos não tenhamos não hajamos FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
nós nós nós teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ cantado, vendido, partido)
não sejais vós não estejais vós não tenhais vós não hajais vós FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
não sejam vocês não estejam não tenham não hajam vocês teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam, (+ cantado, vendido, partido)
vocês vocês Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
IMPESSOAL INFINITIVO PRESENTE SUBJUNTIVO
ser estar ter haver cante venda parta
IMPESSOAL COMPOSTO cantes vendas partas
Ter sido ter estado ter tido ter havido cante venda parta
PESSOAL cantemos vendamos partamos
ser estar ter haver canteis vendais partais
seres estares teres haveres cantem vendam partam
ser estar ter haver PRETÉRITO IMPERFEITO
sermos estarmos termos havermos cantasse vendesse partisse
serdes estardes terdes haverdes cantasses vendesses partisses
serem estarem terem haverem cantasse vendesse partisse
SIMPLES GERÚNDIO cantássemos vendêssemos partíssemos
sendo estando tendo havendo cantásseis vendêsseis partísseis
COMPOSTO cantassem vendessem partissem
tendo sido tendo estado tendo tido tendo havido PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
PARTICÍPIO tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ cantado, vendido, parti-
sido estado tido havido do)
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO SIMPLES
cantar vender partir
CONJUGAÇÕES VERBAIS cantares venderes partires
INDICATIVO cantar vender partir
PRESENTE cantarmos vendermos partimos
canto vendo parto cantardes venderdes partirdes
cantas vendes partes cantarem venderem partirem
canta vende parte FUTURO COMPOSTO
cantamos vendemos partimos tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+ cantado, vendido, partido)
cantais vendeis partis AFIRMATIVO IMPERATIVO
cantam vendem partem canta vende parte
PRETÉRITO IMPERFEITO cante venda parta
cantava vendia partia cantemos vendamos partamos
cantavas vendias partias cantai vendei parti
cantava vendia partia cantem vendam partam
cantávamos vendíamos partíamos NEGATIVO
cantáveis vendíeis partíeis não cantes não vendas não partas
cantavam vendiam partiam não cante não venda não parta
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES não cantemos não vendamos não partamos
cantei vendi parti não canteis não vendais não partais
cantaste vendeste partiste não cantem não vendam não partam
cantou vendeu partiu
cantamos vendemos partimos
cantastes vendestes partistes INFINITIVO IMPESSOAL SIMPLES
cantaram venderam partiram PRESENTE
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO cantar vender partir
tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (+ cantado, vendido, partido) INFINITIVO PESSOAL SIMPLES - PRESENTE FLEXIONADO
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES cantar vender partir
cantara vendera partira cantares venderes partires
cantaras venderas partiras cantar vender partir
cantara vendera partira cantarmos vendermos partirmos
cantáramos vendêramos partíramos cantardes venderdes partirdes
cantáreis vendêreis partíreis cantarem venderem partirem
cantaram venderam partiram INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO IMPESSOAL
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO ter (ou haver), cantado, vendido, partido
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+ cantando, vendido, partido) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO PESSOAL
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver. ter, teres, ter, termos, terdes, terem (+ cantado, vendido, partido)
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES GERÚNDIO SIMPLES - PRESENTE
cantarei venderei partirei cantando vendendo partindo
cantarás venderás partirás GERÚNDIO COMPOSTO - PRETÉRITO
cantará venderá partirá tendo (ou havendo), cantado, vendido, partido
cantaremos venderemos partiremos PARTICÍPIO
cantareis vendereis partireis cantado vendido partido
cantarão venderão partirão
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (+ cantado, vendido, partido)
Formação dos tempos compostos
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO DO PRETÉRITO SIMPLES Com os verbos ter ou haver
cantaria venderia partiria Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
cantarias venderias partirias Entre os tempos compostos da voz ativa merecem realce particular
cantaria venderia partiria aqueles que são constituídos de formas do verbo ter (ou, mais raramente,

Língua Portuguesa 54 A Opção Certa Para a Sua Realização


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haver) com o particípio do verbo que se quer conjugar, porque é costume 1) INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO (PRETÉRITO IMPESSOAL).
incluí-los nos próprios paradigmas de conjugação: Formado do INFINITIVO IMPESSOAL do verbo ter (ou haver) com o
PARTICÍPIO do verbo principal:
MODO INDICATIVO ter cantado ter vendido ter partido
1) PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO. Formado do PRESENTE DO 2) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO (OU PRETÉRITO PESSOAL).
INDICATIVO do verbo ter com o PARTICÍPIO do verbo principal: Formado do INFINITIVO PESSOAL do verbo ter (ou haver) com o
PARTICÍPIO do verbo principal:
tenho cantado tenho vendido tenho partido
tens cantado tens vendido tens partido ter cantado ter vendido ter partido
tem cantado tem vendido tem partido teres cantado teres vendido teres partido
temos cantado temos vendido temos partido ter cantado ter vendido ter partido
tendes cantado tendes vendido tendes partido termos cantado termos vendido termos partido
têm cantado têm vendido têm partido terdes cantado terdes vendido terdes partido
terem cantado terem vendido terem partido
2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO. Formado do IMPER-
FEITO DO INDICATIVO do verbo ter. (ou haver) com o PARTICÍPIO do 3) GERÚNDIO COMPOSTO (PRETÉRITO). Formado do GERÚNDIO do
verbo principal: verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
tinha cantado tinha vendido tinha partido tendo cantado tendo vendido tendo partido
tinhas cantado tinhas vendido tinhas .partido
tinha cantado tinha vendido tinha partido Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e
tínhamos cantado tínhamos vendido tínhamos partido Lindley Cintra, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, 29ª impressão.
tínheis cantado tínheis vendido tínheis partido
tinham cantado tinham vendido tinham partido

3) FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO. Formado do FUTURO DO


VERBOS IRREGULARES
PRESENTE SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do DAR
verbo principal: Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
terei cantado terei vendido terei partido Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
terás cantado terás vendido terás, partido Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
terá cantado terá vendido terá partido Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
teremos cantado teremos vendido teremos partido Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
tereis cantado tereis vendido tereis , partido
terão cantado terão vendido terão partido MOBILIAR
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
4) FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO. Formado do FUTURO DO Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
PRETÉRITO SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem
verbo principal:
AGUAR
teria cantado teria vendido teria partido Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
terias cantado terias vendido terias partido Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram
teria cantado teria vendido teria partido Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem
teríamos cantado teríamos vendido teríamos partido
teríeis cantado teríeis vendido teríeis partido MAGOAR
teriam cantado teriam vendido teriam partido Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa-
MODO SUBJUNTIVO ram
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
1) PRETÉRITO PERFEITO. Formado do PRESENTE DO SUBJUNTIVO
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:

tenha cantado tenha vendido tenha APIEDAR-SE


tenhas cantado tenhas vendido tenhas partido Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais-
tenha cantado tenha vendido tenha partido vos, apiadam-se
tenhamos cantado tenhamos vendido tenhamos partido Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei-
tenhais cantado tenhais vendido tenhais partido vos, apiedem-se
tenham cantado vendido tenham partido Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A

2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Formado do IMPERFEITO DO MOSCAR


SUBJUNTIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam
principal: Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
quem
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U
tivesses cantado tivesses vendido tivesses partido
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido RESFOLEGAR
tivéssemos cantado tivéssemos vendido tivéssemos partido Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
tivésseis cantado tivésseis vendido tivésseis partido resfolgam
tivessem cantado tivessem vendido tivessem partido Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis,
resfolguem
3) FUTURO COMPOSTO. Formado do FUTURO SIMPLES DO SUBJUN- Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece
TIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
NOMEAR
tiver cantado tiver vendido tiver partido Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam
tiveres cantado tiveres vendido tiveres partido Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis,
tiver cantado tiver vendido tiver partido nomeavam
tivermos cantado tivermos vendido tivermos partido Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea-
tiverdes cantado tiverdes vendido tiverdes partido ram
tiverem cantado tiverem vendido tiverem partido Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem
FORMAS NOMINAIS Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear

Língua Portuguesa 55 A Opção Certa Para a Sua Realização


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COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam PROVER
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá- Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
reis, copiaram Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê-
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem reis, proveram
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão
ODIAR Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove-
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam riam
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis, Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis,
odiaram provessem
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar Gerúndio provendo
Particípio provido
CABER
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem QUERER
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos, Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
coubéreis, couberam Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam reis, quiseram
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
coubessem Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem quisessem
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem
imperativo negativo
REQUERER
CRER Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. requerem
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam requereram
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos,
Conjugam-se como crer, ler e descrer requerereis, requereram
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis,
DIZER requererão
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere-
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram ríeis, requereriam
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis, Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram
disseram Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais,
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão requeiram
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos,
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam requerêsseis, requeressem,
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis, Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
dissesse requerem
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem Gerúndio requerendo
Particípio dito Particípio requerido
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer O verbo REQUERER não se conjuga como querer.
FAZER REAVER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem Presente do indicativo reavemos, reaveis
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve-
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram ram
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis,
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam reouveram
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reou-
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam vésseis, reouvessem
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis, Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
fizessem reouverem
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen-
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer ta a letra v
PERDER SABER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
soubéreis, souberam
PODER
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
soubessem
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
puderam
VALER
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
pudessem
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham
Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
TRAZER
Gerúndio podendo
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
Particípio podido
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
imperativo negativo

Língua Portuguesa 56 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos, Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
trouxéreis, trouxeram Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam FUGIR
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis, Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
trouxessem
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe- IR
rem Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Gerúndio trazendo Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Particípio trazido Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
VER Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem Gerúndio indo
Particípio visto Particípio ido

ABOLIR OUVIR
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis, Particípio ouvido
aboliram
PEDIR
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão
Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam
Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Presente do subjuntivo não há
Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
abolissem
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Imperativo afirmativo abole, aboli POLIR
Imperativo negativo não há Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Infinitivo impessoal abolir Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Gerúndio abolindo
Particípio abolido REMIR
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I. Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
AGREDIR
Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem RIR
Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I. Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
COBRIR Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Particípio coberto Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
FALIR Gerúndio rindo
Presente do indicativo falimos, falis Particípio rido
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam Conjuga-se como rir: sorrir
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram VIR
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Presente do subjuntivo não há Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Imperativo afirmativo fali (vós) Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Imperativo negativo não há Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham
Gerúndio falindo Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Particípio falido Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
FERIR Gerúndio vindo
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Particípio vindo
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados. SUMIR
Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
MENTIR Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir

Língua Portuguesa 57 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Verbo ''haver'' e suas diferentes construções Há Muitas Locuções Adverbiais
Por Thaís Nicoleti
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra-
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc.
“Haverão mudanças, mas creio que serão pequenas.” 2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite,
O verbo “haver”, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de
quer dizer que permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
sujeito. 3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom
A confusão é frequente não só na hora de escrever mas também na grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge-
hora de falar. Muita gente faz a flexão do verbo, como se seu objeto direto ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis-
fosse seu sujeito. É possível que a origem do erro esteja na analogia com tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
os verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm sujeito – e, portanto, as flexões de 4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
número e pessoa – e costumam antepor-se a ele. Assim: na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
Ocorrerão mudanças. 6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
Existirão mudanças. etc.
Com o verbo “haver”, a história é outra: 7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
Haverá mudanças.
Advérbios Interrogativos
É importante observar que os verbos auxiliares assumem o comporta- Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
mento dos verbos principais. Assim, temos o seguinte:
Deverão ocorrer mudanças. Palavras Denotativas
Deverão existir mudanças. Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te-
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
Deverá haver mudanças. situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
Não se pode, no entanto, dizer que o verbo “haver” nunca vai para o 1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
plural, pois isso não é verdade. Ele pode, por exemplo, ser um verbo auxili- 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
ar (sinônimo de “ter” nos tempos compostos), situação em que pode ir para 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
o plural. Assim: 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Eles haviam chegado cedo. 5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
Eles tinham chegado cedo.
Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Como verbo pessoal (com sujeito), pode assumir o sentido de “obter”: Mas que olhos lindos!
Houveram do juiz a comutação da pena. Veja só que maravilha!
Como sinônimo de “considerar”, também tem sujeito:
Nós o havemos por honesto. NUMERAL
O mesmo comportamento se observa quando empregado na acepção
de “comportar-se”: Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
Eles se houveram com elegância diante das críticas.
O numeral classifica-se em:
O plural também pode aparecer quando usado com o sentido de “lidar”. - cardinal - quando indica quantidade.
Assim: - ordinal - quando indica ordem.
Os alunos houveram-se muito bem nos exames. - multiplicativo - quando indica multiplicação.
Fique claro, portanto, que é no sentido de “existir” e de “ocorrer”, bem - fracionário - quando indica fracionamento.
como na indicação de tempo decorrido (Há dois anos...), que o verbo
“haver” permanece invariável. Assim: Exemplos:
Silvia comprou dois livros.
Haverá mudanças, mas creio que serão pequenas.
Antônio marcou o primeiro gol.
Educaçãouol Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
O galinheiro ocupava um quarto da quintal.

ADVÉRBIO

Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad- QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS
vérbio, exprimindo uma circunstância.
Os advérbios dividem-se em: Algarismos Numerais
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures, Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan- nos cos tivos
te, através, defronte, aonde, etc. I 1 um primeiro simples -
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, II 2 dois segundo duplo meio
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve, dobro
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc.
III 3 três terceiro tríplice terço
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema- V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem, VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
mal, quase, apenas, etc. VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
6) NEGAÇÃO: não. IX 9 nove nono nônuplo nono
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto, X 10 dez décimo décuplo décimo
provavelmente, etc. XI 11 onze décimo onze avos
primeiro

Língua Portuguesa 58 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
XII 12 doze décimo doze avos A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi-
segundo nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois
XIII 13 treze décimo treze avos (= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
terceiro caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um,
XIV 14 quatorze décimo quatorze página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a
quarto avos folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o
XV 15 quinze décimo quinze avos numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
quinto
XVI 16 dezesseis décimo dezesseis ARTIGO
sexto avos
XVII 17 dezessete décimo dezessete
sétimo avos Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-
XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
oitavo
Dividem-se em
XIX 19 dezenove décimo nono dezenove
avos • definidos: O, A, OS, AS
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
XX 20 vinte vigésimo vinte avos
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
XL 40 quarenta quadragé- quarenta
simo avos Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta geral.
simo avos Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta terminado).
avos
LXX 70 setenta septuagési- setenta avos lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
mo
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
XC 90 noventa nonagésimo noventa CONJUNÇÃO
avos
C 100 cem centésimo centésimo Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo Coniunções Coordenativas
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen- 1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
tos tésimo tésimo 2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
D 500 quinhen- quingenté- quingenté- senão, no entanto, etc.
tos simo simo 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési- etc.
mo mo 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- consequência.
tos simo simo 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté- pois, etc.
simo simo
CM 900 novecen- nongentési- nongentési- Conjunções Subordinativas
tos mo mo 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
M 1000 mil milésimo milésimo
3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
Emprego do Numeral 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais. 6) INTEGRANTES: que, se, etc.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
Luis X (décimo) ano I (primeiro) 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
Pio lX (nono) século lV (quarto) forma que, de modo que, etc.
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: etc.
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze) 10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte)
VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
XX Salão do Automóvel (vigésimo) Examinemos estes exemplos:
VI Festival da Canção (sexto) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
lV Bienal do Livro (quarta) 2º) Os livros ensinam e divertem.
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.
No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao uma conjunção.
emprego do ordinal. No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
Hoje é primeiro de setembro orações: são também conjunções.
Não é aconselhável iniciar período com algarismos
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
mesma oração.
Língua Portuguesa 59 A Opção Certa Para a Sua Realização
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No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa 2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão
da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto)
conjunção E é coordenativa. quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à (= como).
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
QUANDO é subordinativa. O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas. (Paulo Mendes Campos)
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (Antônio Olavo Pereira)
As conjunções coordenativas podem ser: "E pia tal a qual a caça procurada."
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas (Amadeu de Queirós)
também, mas ainda, senão também, como também, bem como. "Por que ficou me olhando assim feito boba?"
O agricultor colheu o trigo e o vendeu. (Carlos Drummond de Andrade)
Não aprovo nem permitirei essas coisas. Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
Os livros não só instruem mas também divertem. Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam Os governantes realizam menos do que prometem.
as flores.
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com- quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape- (= embora não).
sar disso, em todo caso. Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. Beba, nem que seja um pouco.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. afirmações.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico.
Hoje não atendo, em todo caso, entre. 4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
(= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, Ficaremos sentidos, se você não vier.
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Ou você estuda ou arruma um emprego. "Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. que os mosquitos se opusessem."
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. (Ferreira de Castro)
"Já chora, já se ri, já se enfurece."
(Luís de Camões) 5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
são como (ou conforme) dizem.
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. (Machado de Assis)
As árvores balançam, logo está ventando.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
forma que, de maneira que, sem que, que (não).
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
causar incêndios. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.

Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa- 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
tivo: Afastou-se depressa para que não o víssemos.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." Fiz-lhe sinal que se calasse.
(Jorge Amado)
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
Conjunções subordinativas mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que À medida que se vive, mais se aprende.
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo). Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Abrangem as seguintes classes: Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
que, uma vez que, desde que. Observação:
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa: São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
efeito). que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
Como estivesse de luto, não nos recebeu. "À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
Desde que é impossível, não insistirei. (Maria José de Queirós)

Língua Portuguesa 60 A Opção Certa Para a Sua Realização


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9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre PREPOSIÇÃO
que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que,
etc.
Venha quando você quiser. Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
Não fale enquanto come. mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra. segundo, um subordinado ou consequente.
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia. Exemplos:
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval- Chegaram a Porto Alegre.
cânti) Discorda de você.
Fui até a esquina.
10) Integrantes: que, se. Casa de Paulo.
Sabemos que a vida é breve.
Veja se falta alguma coisa. Preposições Essenciais e Acidentais
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA,
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
Observação:
ATRÁS.
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
porém, não consigna esta espécie de conjunção.
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora,
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
segundo, senão, tirante, visto, etc.
por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.

Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-


tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex- INTERJEIÇÃO
to. Assim, a conjunção que pode ser:
1) Aditiva (= e): Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai. ser:
A nós que não a eles, compete fazê-lo. - alegria: ahl oh! oba! eh!
- animação: coragem! avante! eia!
2) Explicativa (= pois, porque): - admiração: puxa! ih! oh! nossa!
Apressemo-nos, que chove. - aplauso: bravo! viva! bis!
- desejo: tomara! oxalá!
3) Integrante: - dor: aí! ui!
Diga-lhe que não irei. - silêncio: psiu! silêncio!
- suspensão: alto! basta!
4) Consecutiva:
Tanto se esforçou que conseguiu vencer. LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
Não vão a uma festa que não voltem cansados. valor de uma interjeição.
Onde estavas, que não te vi? Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
5) Comparativa (= do que, como):
A luz é mais veloz que o som.
Ficou vermelho que nem brasa.
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
6) Concessiva (= embora, ainda que):
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo. FRASE
Beba, um pouco que seja. Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
O tempo está nublado.
7) Temporal (= depois que, logo que): Socorro!
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel. Que calor!

8) Final (= pare que): ORAÇÃO


Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
A fanfarra desfilou na avenida.
9) Causal (= porque, visto que): As festas juninas estão chegando.
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
Coaraci) PERÍODO
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase: O período pode ser:
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- • simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
disse. (sem que = embora não) Fui à livraria ontem.
• composto - quando constituído por mais de uma oração.
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito. Fui à livraria ontem e comprei um livro.
(sem que = se não,caso não)
TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados.
São dois os termos essenciais da oração:
(sem que = que não)
SUJEITO
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.
Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.

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O sujeito pode ser : 3. COMPLEMENTO NOMINAL
- simples: quando tem um só núcleo Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de
As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas; um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado por
núcleo: rosas) um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio.
- composto: quando tem mais de um núcleo Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
O burro e o cavalo saíram em disparada. O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo)
(suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo) Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE
- oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal (advérbio).
Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu)
- indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal 4. AGENTE DA PASSIVA
Come-se bem naquele restaurante. Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito voz passiva.
Choveu ontem. A mãe é amada PELO FILHO.
Há plantas venenosas. O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO.
Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO.
PREDICADO
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
O predicado classifica-se em:
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo
do sujeito.
alguma circunstância.
Nosso colega está doente.
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
São termos acessórios da oração:
PERMANECER, etc.
Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a 1. ADJUNTO ADNOMINAL
comunicar estado ou qualidade do sujeito. Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os
Nosso colega está doente. substantivos. Pode ser expresso:
A moça permaneceu sentada. • pelos adjetivos: água fresca,
• pelos artigos: o mundo, as ruas
2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou • pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas
transitivo. • pelos numerais : três garotos; sexto ano
O avião sobrevoou a praia. • pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos
Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento.
O sabiá voou alto. 2. ADJUNTO ADVERBIAL
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento. Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
de proposição. Cheguei cedo.
Minha equipe venceu a partida. José reside em São Paulo.
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com
auxílio de preposição. 3. APOSTO
Ele precisa de um esparadrapo. Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao desenvolve ou resume outro termo da oração.
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de Dr. João, cirurgião-dentista,
complemento com auxilio de preposição. Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
Damos uma simples colaboração a vocês. O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.

3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo 4. VOCATIVO


intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
predicativo do sujeito. interpelar alguém ou alguma coisa.
Os rapazes voltaram vitoriosos. Tem compaixão de nós, ó Cristo.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal, Professor, o sinal tocou.
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito. Rapazes, a prova é na próxima semana.
Ele morreu rico.
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto
direto ou indireto.
PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES
Elegemos o nosso candidato vereador.
No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
Fui ao cinema.
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO O pássaro voou.
Chama-se termos integrantes da oração os que completam a
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à PERÍODO COMPOSTO
compreensão do enunciado. No período composto há mais de uma oração.
(Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
1. OBJETO DIRETO folgam.)
Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE. Período composto por coordenação
Apresenta orações independentes.
2. OBJETO INDIRETO (Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
transitivo indireto. Período composto por subordinação
As crianças precisam de CARINHO. Apresenta orações dependentes.
(É bom) (que você estude.)

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Período composto por coordenação e subordinação Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR
período é também conhecido como misto.
(Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.) ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
ORAÇÃO COORDENADA de um substantivo.
Oração coordenada é aquela que é independente. Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
As orações coordenadas podem ser: substantivas classificam-se em:
- Sindética:
Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção 1) SUBJETIVA (sujeito)
coordenativa. Convém que você estude mais.
Viajo amanhã, mas volto logo. Importa que saibas isso bem. .
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária.
- Assindética:
Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou
2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)
ponto e vírgula.
Desejo QUE VENHAM TODOS.
Chegou, olhou, partiu.
Pergunto QUEM ESTÁ AI.
A oração coordenada sindética pode ser:

1. ADITIVA: 3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)


Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas, Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
também: Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO. Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ. 4) COMPLETIVA NOMINAL
Complemento nominal.
2. ADVERSATIVA: Ser grato A QUEM TE ENSINA.
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste Sou favorável A QUE O PRENDAM.
(mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc).
A espada vence MAS NÃO CONVENCE. 5) PREDICATIVA (predicativo)
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO. Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO. Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
3. ALTERNATIVAS:
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
(ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc). Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
Mudou o natal OU MUDEI EU? Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel,
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!”
(C. Meireles)
7) AGENTE DA PASSIVA
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
4. CONCLUSIVAS:
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,
etc). ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO. Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ. um adjetivo.
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:
5. EXPLICATIVAS:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que 1) EXPLICATIVAS:
a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.) Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS. informação.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido. 2) RESTRITIVAS:
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos: Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc. indispensáveis ao sentido da frase:
Pedra QUE ROLA não cria limo.
ORAÇÃO PRINCIPAL As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.
por um conectivo.
ELES DISSERAM que voltarão logo. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
ELE AFIRMOU que não virá.
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma)
um advérbio.
ORAÇÃO SUBORDINADA
As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é
1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal
Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
nem sempre é a primeira do período.
O tambor soa PORQUE É OCO.
Quando ele voltar, eu saio de férias.

Língua Portuguesa 63 A Opção Certa Para a Sua Realização


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2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma 3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
comparação. para o masculino plural.
O som é menos veloz QUE A LUZ. Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite: próximo:
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram. Trouxe livros e revista especializada.
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava. 5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
mo.
4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese: Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
SE O CONHECESSES, não o condenarias. 6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO? sujeito.
Meus amigos estão atrapalhados.
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
com outro: 7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
Fiz tudo COMO ME DISSERAM. tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI. Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.

6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado: 8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS. vão para o singular ou para o plural.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA! Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto: precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE. Já estudei o primeiro e segundo livros.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade: Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo. 11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
que se referem.
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na Ela mesma veio até aqui.
oração principal: Eles chegaram sós.
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam. Eles próprios escreveram.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.
12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
10) MODAIS: exprimem modo, maneira: Muito obrigado. (masculino singular)
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE. Muito obrigada. (feminino singular).
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
ORAÇÕES REDUZIDAS invariável quando é advérbio.
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais: Quero meio quilo de café.
gerúndio, infinitivo e particípio. Minha mãe está meio exausta.
Exemplos: É meio-dia e meia. (hora)
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO.
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ. 14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan-
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM, tivo a que se referem.
conseguirás. Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS A expressão em anexo é invariável.
ATENTOS. Trouxe em anexo estas fotos.
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO,
entristeceu-se. 15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu-
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
MAIS. Vocês falaram alto demais.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure- O combustível custava barato.
me. Você leu confuso.
Ela jura falso.

CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL 16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos,
sofrem variação normalmente.
Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante Esses pneus custam caro.
se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões. Conversei bastante com eles.
Conversei com bastantes pessoas.
Estas crianças moram longe.
Principais Casos de Concordância Nominal
Conheci longes terras.
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
gênero e número com o substantivo.
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico. CONCORDÂNCIA VERBAL
CASOS GERAIS
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão 1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
normalmente para o plural. O menino chegou. Os meninos chegaram.
Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.

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2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
O pessoal ainda não chegou. 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
A turma não gostou disso. pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
Um bando de pássaros pousou na árvore. RECER concordam com o predicativo.
Tudo são esperanças.
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao Aquilo parecem ilusões.
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural. Aquilo é ilusão.
Os Estados Unidos são um grande país.
Os Lusíadas imortalizaram Camões. 2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con-
Os Alpes vivem cobertos de neve. corda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular. Que são florestas equatoriais?
Flores já não leva acento. Quem eram aqueles homens?
O Amazonas deságua no Atlântico.
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica. 3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
a expressão numérica.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome São oito horas.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen- Hoje são 19 de setembro.
temente. De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram). 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
fica no singular.
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o Três batalhões é muito pouco.
sujeito paciente. Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
Vende-se um apartamento.
Vendem-se alguns apartamentos. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
Maria era as flores da casa.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o O homem é cinzas.
verbo para a 3ª pessoa do singular.
Precisa-se de funcionários. 6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
concorda com o predicativo.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no Dançar e cantar é a sua atividade.
singular e o verbo no singular ou no plural. Estudar e trabalhar são as minhas atividades.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural. concorda com o pronome.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul. A ciência, mestres, sois vós.
Em minha turma, o líder sou eu.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
Mais de um jurado fez justiça à minha música. 8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
apenas um deles deve ser flexionado.
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
no singular.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL.
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
sujeito.
Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
Deu uma hora.
calmente do outro.
Deram três horas.
A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
Bateram cinco horas.
adjetivos).
Naquele relógio já soaram duas horas.
Exemplos:
- acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito.
PARA = passagem
Ela é que faz as bolas.
Eu é que escrevo os programas.
A regência verbal trata dos complementos do verbo.
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
um pronome relativo. ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova. 1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
Fui eu que fiz a lição • pretender (transitivo indireto)
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí- No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
veis. Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
• que: Fui eu que fiz a lição.
• quem: Fui eu quem fez a lição. 2. OBEDECER - transitivo indireto
• o que: Fui eu o que fez a lição. Devemos obedecer aos sinais de trânsito.

14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na 3. PAGAR - transitivo direto e indireto
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a Já paguei um jantar a você.
este sua impessoalidade.
Chove a cântaros. Ventou muito ontem. 4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões. Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.

Língua Portuguesa 65 A Opção Certa Para a Sua Realização


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5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto • no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi-
Prefiro Comunicação à Matemática. ção EM:
Implicou-se na briga e saiu ferido
6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
Informei-lhe o problema. 17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A:
Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
7. ASSISTIR - morar, residir: quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
Assisto em Porto Alegre. Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.
• amparar, socorrer, objeto direto
O médico assistiu o doente. 18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto como sujeito:
Assistimos a um belo espetáculo. O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di-
Assiste-lhe o direito. ficuldade, será objeto indireto.
Custou-me confiar nele novamente.
8. ATENDER - dar atenção Custar-te-á aceitá-la como nora.
Atendi ao pedido do aluno.
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
Atenderam o freguês com simpatia.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
Palavras fora do lugar podem prejudicar e até impedir a compreensão
A moça queria um vestido novo.
de uma ideia. Cada palavra deve ser posta na posição funcionalmente
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
correta em relação às outras, assim como convém dispor com clareza as
O professor queria muito a seus alunos.
orações no período e os períodos no discurso.
10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto Sintaxe de colocação é o capítulo da gramática em que se cuida da or-
Todos visamos a um futuro melhor. dem ou disposição das palavras na construção das frases. Os termos da
• APONTAR, MIRAR - objeto direto oração, em português, geralmente são colocados na ordem direta (sujeito +
O artilheiro visou a meta quando fez o gol. verbo + objeto direto + objeto indireto, ou sujeito + verbo + predicativo). As
• pör o sinal de visto - objeto direto inversões dessa ordem ou são de natureza estilística (realce do termo cuja
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia. posição natural se altera: Corajoso é ele! Medonho foi o espetáculo), ou de
pura natureza gramatical, sem intenção especial de realce, obedecendo-se,
11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto apenas a hábitos da língua que se fizeram tradicionais.
Devemos obedecer aos superiores.
Desobedeceram às leis do trânsito. Sujeito posposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes casos:
(1) nas orações intercaladas (Sim, disse ele, voltarei); (2) nas interrogativas,
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE não sendo o sujeito pronome interrogativo (Que espera você?); (3) nas
• exigem na sua regência a preposição EM reduzidas de infinitivo, de gerúndio ou de particípio (Por ser ele quem é...
O armazém está situado na Farrapos. Sendo ele quem é... Resolvido o caso...); (4) nas imperativas (Faze tu o
Ele estabeleceu-se na Avenida São João. que for possível); (5) nas optativas (Suceda a paz à guerra! Guie-o a mão
da Providência!); (6) nas que têm o verbo na passiva pronominal (Elimina-
13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo. ram-se de vez as esperanças); (7) nas que começam por adjunto adverbial
Essas tuas justificativas não procedem. (No profundo do céu luzia uma estrela), predicativo (Esta é a vontade de
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se Deus) ou objeto (Aos conselhos sucederam as ameaças); (8) nas construí-
com a preposição DE. das com verbos intransitivos (Desponta o dia). Colocam-se normalmente
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani depois do verbo da oração principal as orações subordinadas substantivas:
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. é claro que ele se arrependeu.
O secretário procedeu à leitura da carta. Predicativo anteposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes ca-
sos: (1) nas orações interrogativas (Que espécie de homem é ele?); (2) nas
14. ESQUECER E LEMBRAR exclamativas (Que bonito é esse lugar!).
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto:
Esqueci o nome desta aluna. Colocação do adjetivo como adjunto adnominal. A posposição do ad-
Lembrei o recado, assim que o vi. junto adnominal ao substantivo é a sequência que predomina no enunciado
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto: lógico (livro bom, problema fácil), mas não é rara a inversão dessa ordem:
Esqueceram-se da reunião de hoje. (Uma simples advertência [anteposição do adjetivo simples, no sentido de
Lembrei-me da sua fisionomia. mero]. O menor descuido porá tudo a perder [anteposição dos superlativos
relativos: o melhor, o pior, o maior, o menor]). A anteposição do adjetivo,
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa. em alguns casos, empresta-lhe sentido figurado: meu rico filho, um grande
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. homem, um pobre rapaz).
• pagar - Pago o 13° aos professores.
Colocação dos pronomes átonos. O pronome átono pode vir antes do
• dar - Daremos esmolas ao pobre.
verbo (próclise, pronome proclítico: Não o vejo), depois do verbo (ênclise,
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
pronome enclítico: Vejo-o) ou no meio do verbo, o que só ocorre com
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos.
formas do futuro do presente (Vê-lo-ei) ou do futuro do pretérito (Vê-lo-ia).
• agradecer - Agradeço as graças a Deus.
• pedir - Pedi um favor ao colega. Verifica-se próclise, normalmente nos seguintes casos: (1) depois de
palavras negativas (Ninguém me preveniu), de pronomes interrogativos
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto: (Quem me chamou?), de pronomes relativos (O livro que me deram...), de
O amor implica renúncia. advérbios interrogativos (Quando me procurarás); (2) em orações optativas
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição (Deus lhe pague!); (3) com verbos no subjuntivo (Espero que te comportes);
COM: (4) com gerúndio regido de em (Em se aproximando...); (5) com infinitivo
O professor implicava com os alunos regido da preposição a, sendo o pronome uma das formas lo, la, los, las
(Fiquei a observá-la); (6) com verbo antecedido de advérbio, sem pausa

Língua Portuguesa 66 A Opção Certa Para a Sua Realização


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(Logo nos entendemos), do numeral ambos (Ambos o acompanharam) ou PRÓCLISE
de pronomes indefinidos (Todos a estimam). Usamos a próclise nos seguintes casos:
Ocorre a ênclise, normalmente, nos seguintes casos: (1) quando o ver- (1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada,
bo inicia a oração (Contaram-me que...), (2) depois de pausa (Sim, conta- ninguém, nem, de modo algum.
ram-me que...), (3) com locuções verbais cujo verbo principal esteja no - Nada me perturba.
infinitivo (Não quis incomodar-se).
- Ninguém se mexeu.
Estando o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, a me- - De modo algum me afastarei daqui.
sóclise é de regra, no início da frase (Chama-lo-ei. Chama-lo-ia). Se o
verbo estiver antecedido de palavra com força atrativa sobre o pronome, - Ela nem se importou com meus problemas.
haverá próclise (Não o chamarei. Não o chamaria). Nesses casos, a língua (2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, confor-
moderna rejeita a ênclise e evita a mesóclise, por ser muito formal. me, embora, logo, que.
Pronomes com o verbo no particípio. Com o particípio desacompanha- - Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
do de auxiliar não se verificará nem próclise nem ênclise: usa-se a forma - É necessário que a deixe na escola.
oblíqua do pronome, com preposição. (O emprego oferecido a mim...). - Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos since-
Havendo verbo auxiliar, o pronome virá proclítico ou enclítico a este. (Por ros.
que o têm perseguido? A criança tinha-se aproximado.)
(3) Advérbios
Pronomes átonos com o verbo no gerúndio. O pronome átono costuma - Aqui se tem paz.
vir enclítico ao gerúndio (João, afastando-se um pouco, observou...). Nas
- Sempre me dediquei aos estudos.
locuções verbais, virá enclítico ao auxiliar (João foi-se afastando), salvo
quando este estiver antecedido de expressão que, de regra, exerça força - Talvez o veja na escola.
atrativa sobre o pronome (palavras negativas, pronomes relativos, conjun- OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de
ções etc.) Exemplo: À medida que se foram afastando. atrair o pronome.
Colocação dos possessivos. Os pronomes adjetivos possessivos pre- - Aqui, trabalha-se.
cedem os substantivos por eles determinados (Chegou a minha vez), salvo (4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos.
quando vêm sem artigo definido (Guardei boas lembranças suas); quando - Alguém me ligou? (indefinido)
há ênfase (Não, amigos meus!); quando determinam substantivo já deter-
minado por artigo indefinido (Receba um abraço meu), por um numeral - A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
(Recebeu três cartas minhas), por um demonstrativo (Receba esta lem- - Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)
brança minha) ou por um indefinido (Aceite alguns conselhos meus). (5) Em frases interrogativas.
Colocação dos demonstrativos. Os demonstrativos, quando pronomes - Quanto me cobrará pela tradução?
adjetivos, precedem normalmente o substantivo (Compreendo esses pro- (6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
blemas). A posposição do demonstrativo é obrigatória em algumas formas
- Deus o abençoe!
em que se procura especificar melhor o que se disse anteriormente: "Ouvi
tuas razões, razões essas que não chegaram a convencer-me." - Macacos me mordam!
- Deus te abençoe, meu filho!
Colocação dos advérbios. Os advérbios que modificam um adjetivo, um
particípio isolado ou outro advérbio vêm, em regra, antepostos a essas (7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
palavras (mais azedo, mal conservado; muito perto). Quando modificam o - Em se plantando tudo dá.
verbo, os advérbios de modo costumam vir pospostos a este (Cantou - Em se tratando de beleza, ele é campeão.
admiravelmente. Discursou bem. Falou claro.). Anteposto ao verbo, o
adjunto adverbial fica naturalmente em realce: "Lá longe a gaivota voava (8) Com formas verbais proparoxítonas
rente ao mar." - Nós o censurávamos.
Figuras de sintaxe. No tocante à colocação dos termos na frase, salien- MESÓCLISE
tem-se as seguintes figuras de sintaxe: (1) hipérbato -- intercalação de um Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer –
termo entre dois outros que se relacionam: "O das águas gigante caudalo- amarei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não aconte-
so" (= O gigante caudaloso das águas); (2) anástrofe -- inversão da ordem ceu – amaria, amarias, …)
normal de termos sintaticamente relacionados: "Do mar lançou-se na gela- - Convidar-me-ão para a festa.
da areia" (= Lançou-se na gelada areia do mar); (3) prolepse -- transposi-
- Convidar-me-iam para a festa.
ção, para a oração principal, de termo da oração subordinada: "A nossa
Corte, não digo que possa competir com Paris ou Londres..." (= Não digo Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
que a nossa Corte possa competir com Paris ou Londres...); (4) sínquise -- - Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.
alteração excessiva da ordem natural das palavras, que dificulta a compre- ÊNCLISE
ensão do sentido: "No tempo que do reino a rédea leve, João, filho de
Pedro, moderava" (= No tempo [em] que João, filho de Pedro, moderava a Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada.
rédea leve do reino). ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. - Tornarei-me……. (errada)
- Tinha entregado-nos……….(errada)
Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
- Entregar-lhe (correta)
PRÓCLISE, MESÓCLISE, ÊNCLISE - Não posso recebê-lo. (correta)
Por Cristiana Gomes Outros casos:
- Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o,
a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. - Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se.
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (prócli- - Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes.
se), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise). - Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo.
Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronún-
cia.
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OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrati- “ E sob as ondas ritmadas
va, ocorrerá a próclise: e sob as nuvens e os ventos
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense. e sob as pontes e sob o sarcasmo
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos. e sob a gosma e sob o vômito (...)”

COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, ge- frase.
rúndio ou particípio. “De tudo ficou um pouco.
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se Do meu medo. Do teu asco.”
houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar.
- Havia-lhe contado a verdade.
e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso,
- Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade. mas com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o ser:
pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal. • De gênero
Infinitivo Vossa Excelência está preocupado.
- Quero-lhe dizer o que aconteceu.
- Quero dizer-lhe o que aconteceu. • De número
Gerúndio Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
- Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Ia dizendo-lhe o que aconteceu. • De pessoa
Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo auxi- “O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em
liar ou depois do verbo principal. comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
Infinitivo
- Não lhe quero dizer o que aconteceu. f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normal-
- Não quero dizer-lhe o que aconteceu. mente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintáti-
Gerúndio ca e depois se opta por outra.
- Não lhe ia dizendo a verdade. A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.
- Não ia dizendo-lhe a verdade.
g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar
a mensagem.
SENTIDO PRÓPRIO E FIGURADO DAS PALAVRAS. “E rir meu riso e derramar meu pranto.”

As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressi-


h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início
vas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de cons-
de versos ou frases.
trução, figuras de pensamento e figuras de palavras.
“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
Figuras de som
É um contentamento descontente;
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons con-
sonantais. É dor que desatina sem doer”
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
Figuras de pensamento
b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de pala-
idênticos. vras que se opõem pelo sentido.
“Sou um mulato nato no sentido lato “Os jardins têm vida e morte.”
mulato democrático do litoral.”
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao
usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico.
c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons pare-
cidos, mas de significados distintos. “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
“Eu que passo, penso e peço.”
c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra me-
nos brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagra-
Figuras de construção
dável.
a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)
pelo contexto.
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede)
b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)
e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres ina-
nimados predicativos que são próprios de seres animados.
c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
da oração ou elementos do período.
Língua Portuguesa 68 A Opção Certa Para a Sua Realização
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f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão e) pleonasmo vicioso: consiste na repetição desnecessária de uma
ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax) ideia.
“Um coração chagado de desejos O pai ordenou que a menina entrasse para dentro imediatamente.
Latejando, batendo, restrugindo.” Observação: Quando o uso do pleonasmo se dá de modo enfático,
este não é considerado vicioso.
g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma
coisa personificada).
f) eco: trata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo
“Senhor Deus dos desgraçados! som.
Dizei-me vós, Senhor Deus!” O menino repetente mente alegremente.
Por Marina Cabral
Figuras de palavras
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado dife-
rente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o senti-
do próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma compara-
ção em que o conectivo comparativo fica subentendido. PREFIXOS E SUFIXOS MAIS COMUNS
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (faculdades, funções, estados, doenças, etc)
algos = dor nevralgia, mialgia
b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de sig- bios = vida biologia, biopsia
nificado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa
crásis = temperamento compleição, idiossincrasia
a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significa-
dos não é mais feita com base em traços de semelhança, como na átron = articulação disartria, artralgia
metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os afé = tato disafia, anafilaxia
termos. Observe: bulé-vontade abúlico, abulia
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa) cáris = graça eucaristia, carisma
crátos = poder, força democracia, plutocracia
c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para dipsa = sede dipsomania, dipsético
designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido
doxa = opinião, glória paradoxo, doxomania
ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado
em sentido figurado. edema = inchação edematoso, edemaciar
O pé da mesa estava quebrado. éstesis = sensação sensibilidade, estética, anestesia
éros, érotos = amor erótico, erotofobia
d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por étos, éteos = costume tradição, ética, cacoete
uma expressão que o identifique com facilidade: foné = voz áfono, fonógrafo
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles) fobos = medo, horror,
aversão fobia, acrofobia
e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações per- frén, frenós = mente esquizofrenia, frenologia
cebidas por diferentes órgãos do sentido.
genos = nascimento eugenia, genética
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.
horama = visão panorama, cosmorama
Vícios de linguagem hedoné = prazer hedonismo, hedonista
hipnos = sono hipnotismo, hipnose
A gramática é um conjunto de regras que estabelece um determina-
do uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão. Acontece icon = imagem iconoteca, iconoclasta
que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são gnósis = conhecimento diagnóstico, agnóstico
obedecidas, em se tratando da linguagem escrita. O ato de desviar-se lalia = fala eulalia, dislalia
da norma padrão no intuito de alcançar uma maior expressividade, logos = palavra, discurso logomaquia, logorreia
refere-se às figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo não
lépsis = convulsão epilepsia, catalepsia
conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.
léxis, léxeos = dicção dislexia léxico
a) barbarismo: consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em
desacordo com a norma culta. lete = esquecimento letargia, letargiar
mania = loucura megalomania, manicômio
pesquiza (em vez de pesquisa)
manteia (mancia) =
prototipo (em vez de protótipo)
adivinhação quiromancia, oniromancia
mísos - aversão, ódio misógino, misantropia
b) solecismo: consiste em desviar-se da norma culta na construção mneme = menória amnésia, mnemônico
sintática.
nárce = entorpecimento narcótico, narcotizar
Fazem dois meses que ele não aparece. (em vez de faz ; desvio na
nósos = doença nosocômio, nosofobia
sintaxe de concordância)
óneiros (oniros) = sonho onírico, oniromancia
oréxis = fome anorexia, cinorexia
c) ambiguidade ou anfibologia: trata-se de construir a frase de um
paidéia (pedia) = instrução, correção ortopedia, enciclopédia
modo tal que ela apresente mais de um sentido.
pépsis = digestão dispepsia, péptico
O guarda deteve o suspeito em sua casa. (na casa de quem: do
guarda ou do suspeito?) peretós = febre antipirético, piretoterapia
plegé = paralisação paraplégico, hemiplegia
pneuma, pneumatos = respiração pneumática, pneumoplegia
d) cacófato: consiste no mau som produzido pela junção de pala-
vras. pseudos = mentira
falsidade pseudônimo, pseudófobo
Paguei cinco mil reais por cada.

Língua Portuguesa 69 A Opção Certa Para a Sua Realização


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psiqué = alma psicologia, psiquiatria desnecessária de termos em uma frase, e por isso considerado um vício
ragé = corrimento hemorragia, blenorragia de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chamamos "Pleonasmo Vicioso ".
spasmós = convulsão espasmo, espasmofilia Diferentemente do pleonasmo tradicional, esse deve ser sempre
evitado.
sfignós = pulsação esfigmômetro, esfigmógrafo Ex:
terapéia(terapia) =  "Ele vai ser o protagonista principal da peça".
tratamento, cura terapeuta, hidroterapia  "Meninos, entrem já para dentro!"
timós = mente ciclotimia, lipotimia Prolixidade
Prolixidade é a comunicação com excesso de palavras, antônimo da
VÍCIOS DE LLINGUAGEM concisão.
Vícios de linguagem são, segundo Napoleão Mendes de Almeida, Solecismo
palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com
manifestação do pensamento. relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
Lista de vícios de linguagem De concordância:
Ambiguidade  "Fazem três anos que não vou ao médico." (Faz três anos que
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem admitir mais de um não vou ao médico.)
sentido. Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na  "Aluga-se salas nesse edifício." (Alugam-se salas nesse edifício.)
frase. De regência:
Ex:  "Ontem eu assisti um filme de época." (Ontem eu assisti a um
 "A mãe encontrou o filho em seu quarto." (No quarto da mãe ou filme de época.)
do filho?)  "Eu namoro com Fernanda." (Eu namoro Fernanda.)
 "Como vai a cachorra da sua mãe?" (Que cachorra? a mãe ou a De colocação:
cadela criada pela mãe?)  "Me parece que ela ficou contente." (Parece-me que ela ficou
Barbarismo contente.)
Barbarismo, peregrinismo ou estrangeirismo (para os latinos  "Eu não respondi-lhe nada do que perguntou." (Eu não lhe
qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou respondi nada do que perguntou.)
construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula. N.B: as regras de colocação do português falado em Portugal diferem
De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem em alguns casos daquelas do português falado no Brasil.
diferentes nomes:
 galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (de CONECTIVOS
Gália, antigo nome da França);
Por Sandra Macedo
 anglicismo, quando do inglês;
 castelhanismo, quando vindos do espanhol; Conectivos são conjunções que ligam as orações, estabelecem
 etc. a conexão entre as orações nos períodos compostos e também as preposi-
Ex: ções, que ligam um vocábulo a outro.
 Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado O período composto é formado de duas ou mais orações. Quando es-
seria "quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente"); sas orações são independentes umas das outras, chamamos de período
 Todos os dois estavam errados (galicismo; o mais adequado composto por coordenação. Essas orações podem estar justapostas (sem
seria "ambos estavam errados"); conectivos) ou ligadas por conjunções (= conectivos).
 Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria CONECTIVOS coordenativos são as seguintes conjunções coordena-
"comeu um rosbife"); das: ADITIVAS (adicionam, acrescentam): e, nem (e não),também, que; e
 Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria as locuções: mas também, senão também, como também...
"Havia ligações (ou vínculos) para sua página". Ela estuda e trabalha.
 Vou estar disponibilizando o material (anglicismo; o mais
adequado seria "Deixarei o material à disposição"). ADVERSATIVAS (oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo,
entretanto, senão, que. Também as locuções: no entanto, não obstante,
 Eu love Jesus! (anglicismo; o mais adequado seria "Eu amo
ainda assim, apesar disso.
Jesus").
OBS: Há quem considere barbarismo também erros de pronúncia, Ela estuda, no entanto não trabalha.
grafia, morfologia etc, tais como "adevogado" ou "eu fazi", pois seriam ALTERNATIVAS (alternância): ou. Também as locuções ou...ou,
atitudes típicas de estrangeiros, por não conhecerem a língua. ora...ora, já...já, quer...quer...
Cacofonia Ou ela estuda ou trabalha.
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união
das sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando CONCLUSIVAS (sentido de conclusão em relação à oração anterior):
falamos sobre algo para não estarmos ofendendo a pessoa que ouve. São logo, portanto, pois (posposto ao verbo).Também as locuções: por isso, por
exemplos desse fato: conseguinte, pelo que...
 "A boca dela é linda!" Ela estudou com dedicação, logo deverá ser aprovada.
 "Dê-me uma mão, por favor." EXPLICATIVAS (justificam a proposição da oração anterior): que, por-
 "Ela se disputa para ele." que, porquanto...
 "Vou-me já, pois estou atrasado." Vamos estudar, que as provas começam amanhã.
Plebeísmo
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e Quando as orações dependem sintaticamente umas das outras, cha-
outras deste mesmo tipo. É tido[?] pela norma culta como sendo o mais mamos período composto por subordinação. Esses períodos compõem-se
odiado e repulsivo de todos os vícios de linguagem existentes. de uma ou mais orações principais e uma ou mais orações subordinadas.
Ex: CONECTIVOS subordinativos são as seguintes conjunções e locuções
 "Ele era um tremendo mané!" subordinadas:
 "Tô ferrado!" CAUSAIS (iniciam a oração subordinada denotando causa.): que, co-
 "Tá ligado nas quebradas, meu chapa?" mo, pois, porque, porquanto. Também as locuções: por isso que, pois que,
Pleonasmo já que, visto que...
O pleonasmo geralmente é considerado uma figura de linguagem. Ela deverá ser aprovada, pois estudou com dedicação.
Existe, porém, um tipo de pleonasmo que consiste numa repetição inútil e

Língua Portuguesa 70 A Opção Certa Para a Sua Realização


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COMPARATIVAS (estabelecem comparação): que, do que (depois de 04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em
mais, maior, melhor ou menos, menor, pior), como...Também as locuções: conformidade com a norma culta.
tão...como, tanto...como, mais...do que, menos...do que, assim como, bem Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do
como, que nem... interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
Ela é mais estudiosa do que a maioria dos alunos. santes, como resistência e flexibilidade.
(A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
CONCESSIVAS (iniciam oração que contraria a oração principal, sem componentes para a indústria.
impedir a ação declarada): que, embora, conquanto. Também as locuções: (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
ainda que, mesmo que, bem que, se bem que, nem que, apesar de que, por componentes para a indústria.
mais que, por menos que... (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de com-
Ela não foi aprovada, embora tenha estudado com dedicação. ponentes para a indústria.
CONDICIONAIS (indicam condição): se, caso. Também as locuções: (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
contanto que, desde que, dado que, a menos que, a não ser que, exceto componentes para a indústria.
se... (E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
componentes para a indústria.
Ela pode ser aprovada, se estudar com dedicação.
Finais (indicam finalidade): As locuções para que, a fim de que, por 05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema
que... para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que
É necessário estudar com dedicação,para que se obtenha aprovação. ele está empregado conforme o padrão culto.
TEMPORAIS (indicam circunstância de tempo): quando, apenas, en- (A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem.
quanto...Também as locuções: antes que, depois que, logo que, assim que, (B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje.
desde que, sempre que... (C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha.
(D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro.
Ela deixou de estudar com dedicação,quando foi aprovada. (E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
CONSECUTIVAS (indicam conseqüência): que (precedido de tão, tan-
to, tal) e também as locuções: de modo que, de forma que, de sorte que, de 06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está
maneira que... correta em:
Ela estudava tanto, que pouco tempo tinha para dedicar-se à família. (A) As características do solo são as mais variadas possível.
(B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente.
BIBLIOGRAFIA/PORTUGUÊS (C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. (D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações.
ALMANAQUE ABRIL CULTURAL – Editora Abril/São Paulo (E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo.
CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP, Editora ..Scipione, 1994 -
6ª edição. 07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de
J. João Campagnaro - http://www.gramaticaportuguesa.com/GLPshop/pt-br/pg_18.html
flexão de grau.
(A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo.
Vários artigos foram extraídos da Internet: Provedores: uol, ig, bol, terra, google
(B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran-
NOVÍSSIMA GRAMÁTICA DA LÍNGUA PORTUGUESA – Domingos Paschoal Cegalla
te as férias.
PORTUGUÊS, teoria e prática – Walter Rossignoli – Editora Ática/SP (C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos.
BIBLIOTECA INTEGRADA – Claudinei Flores – Editora Lisa S.A. (D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim.
Celso Cunha - Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC-FENAME. (E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
http://www.portugues.com.br/sintaxe/regenomi.asp
Pciconcursos.com.br Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala-
Luiz Antonio Sacconi - Nossa Gramática – Teoria e Prática. Editora Atual, 1994. vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas.
http://www.portugues.com.br/morfologia/classes/verbos/verbos.asp
Português - GUIA INTENSIVO DE ENSINO GLOBALIZADO - 1º E 2º GRAU E 08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento
VESTIBULARES – INDÚSTRIA GRÁFICA E EDITORA LTDA - ERECHIM – RS estatal ciência e tecnologia.
http://www.portugues.com.br/morfologia/classes/verbos/conjugacoes.asp (A) à ... sobre o ... do ... para
(B) a ... ao ... do ... para
(C) à ... do ... sobre o ... a
(D) à ... ao ... sobre o ... à
PROVA SIMULADA I
(E) a ... do ... sobre o ... à
01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras.
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer. 09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a
(B) O chefe deferia da opinião dos subordinados. franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois
(C) O processo foi julgado em segunda estância. eles devem estar aptos comercializar seus produtos.
(D) O problema passou despercebido na votação. (A) ao ... a ... à (B) àquele ... à ... à
(E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio. (C) àquele...à ... a (D) ao ... à ... à
(E) àquele ... a ... a
02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é:
(A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz. 10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido. norma culta.
(C) A colega não se contera diante da situação. (A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso
(D) Se ele ver você na rua, não ficará contente. trarão grandes benefícios às pesquisas.
(E) Quando você vir estudar, traga seus livros. (B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando
com o meio ambiente.
03. O particípio verbal está corretamente empregado em: (C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol-
(A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos. vendo projetos na área médica.
(B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas. (D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre-
(C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime. sentadas pelos economistas.
(D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos. (E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda. litoral ou aproveitam férias ali.

Língua Portuguesa 71 A Opção Certa Para a Sua Realização


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11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: 17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às respeitam as regras de pontuação.
chuvas. (A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou,
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla- que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.
mações. (B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
cultura. (C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da Policial, confessou sua participação no referido furto.
culpa. (D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria. funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões
12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó- negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele- 18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen-
aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido- te, apenas a:
res. (A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral.
(Texto adaptado) (B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir (C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi- (D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo.
dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente: (E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames.
(A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) delas ... a elas ... lhes ... deles Leia o período para responder às questões de números 19 e 20.
(C) seus ... nas ... los ... deles
(D) delas ... a elas ... lhes ... seu O livro de registro do processo que você procurava era o que estava
(E) seus ... lhes ... eles ... neles sobre o balcão.

13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo 19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem
com o padrão culto. a
(A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações. (A) processo e livro.
(B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente. (B) livro do processo.
(C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido. (C) processos e processo.
(D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada. (D) livro de registro.
(E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris. (E) registro e processo.

14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto 20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
direto e indireto em: acima:
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião. I. há, no período, duas orações;
(B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo. II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal;
(C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa. III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais;
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada. IV. de registro é um adjunto adnominal de livro.
(E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder. Está correto o contido apenas em
(A) II e IV.
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo. (B) III e IV.
Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos (C) I, II e III.
respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é: (D) I, II e IV.
(A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção. (E) I, III e IV.
(B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
(C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção. 21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do
(D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção. acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho:
(E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo. I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas;
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura
16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação pelo Juiz;
do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen-
de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Digníssimo te ao da palavra mas;
Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór-
urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex- dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar.
celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve- Está correto o contido apenas em
rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das (A) II e IV.
Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se (B) III e IV.
programar e participar do referido evento. (C) I, II e III.
Atenciosamente, (D) I, III e IV.
ZZZ (E) II, III e IV.
Assistente de Gabinete.
De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas 22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais.
são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por Ao transformar os dois períodos simples num único período compos-
(A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos to, a alternativa correta é:
(B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos (A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos (B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos (C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais.
(E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos (D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais.
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis.

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23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci- 30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos
dos galhos da velha árvore. investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí-
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar. rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
(A) Quem podou? e Quando podou? da, sem alterar o sentido da frase, é:
(B) Qual jardineiro? e Galhos de quê? (A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ...
(C) Que jardineiro? e Podou o quê? (B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
(D) Que vizinho? e Que galhos? (C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
(E) Quando podou? e Podou o quê? (D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
(E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ...
24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia.
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili- A MISÉRIA É DE TODOS NÓS
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua- que remonta aos primórdios da colonização? No decorrer das últimas
ção em: décadas, enquanto a miséria se mantinha mais ou menos do mesmo tama-
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas. nho, todos os indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há mais crianças
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas. em idade escolar frequentando aulas atualmente do que em qualquer outro
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia. período da nossa história. As taxas de analfabetismo e mortalidade infantil
(D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas. também são as menores desde que se passou a registrá-las nacionalmen-
(E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas. te. O Brasil figura entre as dez nações de economia mais forte do mundo.
No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos. Vem firmando
25. Felizmente, ninguém se machucou. uma inconteste liderança política regional na América Latina, ao mesmo
Lentamente, o navio foi se afastando da costa. tempo que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por ter se tornado um forte
Considere: oponente das injustas políticas de comércio dos países ricos.
I. felizmente completa o sentido do verbo machucar; Apesar de todos esses avanços, a miséria resiste.
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de Embora em algumas de suas ocorrências, especialmente na zona rural,
modo; esteja confinada a bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais bem
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do posicionados na escala social, a miséria é onipresente. Nas grandes cida-
fato; des, com aterrorizante frequência, ela atravessa o fosso social profundo e
IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar; se manifesta de forma violenta. A mais assustadora dessas manifestações
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos. é a criminalidade, que, se não tem na pobreza sua única causa, certamente
Está correto o contido apenas em em razão dela se tornou mais disseminada e cruel. Explicar a resistência da
(A) I, II e III. pobreza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada sim-
(B) I, II e IV. ples.
(C) I, III e IV. Veja, ed. 1735
(D) II, III e IV.
(E) III, IV e V. 31. O título dado ao texto se justifica porque:
A) a miséria abrange grande parte de nossa população;
26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro..., B) a miséria é culpa da classe dominante;
indicando concessão, é: C) todos os governantes colaboraram para a miséria comum;
(A) para poder trabalhar fora. D) a miséria deveria ser preocupação de todos nós;
(B) como havia programado. E) um mal tão intenso atinge indistintamente a todos.
(C) assim que recebeu o prêmio.
(D) porque conseguiu um desconto. 32. A primeira pergunta - ''Como entender a resistência da miséria no
(E) apesar do preço muito elevado. Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da coloniza-
ção?'':
27. É importante que todos participem da reunião. A) tem sua resposta dada no último parágrafo;
O segmento que todos participem da reunião, em relação a B) representa o tema central de todo o texto;
É importante, é uma oração subordinada C) é só uma motivação para a leitura do texto;
(A) adjetiva com valor restritivo. D) é uma pergunta retórica, à qual não cabe resposta;
(B) substantiva com a função de sujeito. E) é uma das perguntas do texto que ficam sem resposta.
(C) substantiva com a função de objeto direto.
(D) adverbial com valor condicional. 33. Após a leitura do texto, só NÃO se pode dizer da miséria no Brasil
(E) substantiva com a função de predicativo. que ela:
A) é culpa dos governos recentes, apesar de seu trabalho produtivo em
28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe- outras áreas;
lecida pelo termo como é de B) tem manifestações violentas, como a criminalidade nas grandes
(A) comparatividade. (B) adição. cidades;
(C) conformidade. (D) explicação. (E) consequência. C) atinge milhões de habitantes, embora alguns deles não apareçam
para a classe dominante;
29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de D) é de difícil compreensão, já que sua presença não se coaduna com a
franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão de outros indicadores sociais;
contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di- E) tem razões históricas e se mantém em níveis estáveis nas últimas
versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos décadas.
possíveis franqueados.
A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e 34. O melhor resumo das sete primeiras linhas do texto é:
relaciona corretamente as ideias do texto, é: A) Entender a miséria no Brasil é impossível, já que todos os outros
(A) digo ... portanto ... mas indicadores sociais melhoraram;
(B) como ... pois ... mas B) Desde os primórdios da colonização a miséria existe no Brasil e se
(C) ou seja ... embora ... pois mantém onipresente;
(D) ou seja ... mas ... portanto C) A miséria no Brasil tem fundo histórico e foi alimentada por governos
(E) isto é ... mas ... como incompetentes;

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D) Embora os indicadores sociais mostrem progresso em muitas áreas, lha estacionado, dois boinas-pretas conversando do lado de fora. Ninguém
a miséria ainda atinge uma pequena parte de nosso povo; tomava conhecimento da existência do menino.
E) Todos os indicadores sociais melhoraram exceto o indicador da
miséria que leva à criminalidade. Segundo as estatísticas, como ele existem nada menos que 25 milhões
no Brasil, que se pode fazer? Qual seria a reação do menino se eu o acor-
35. As marcas de progresso em nosso país são dadas com apoio na dasse para lhe dar todo o dinheiro que trazia no bolso? Resolveria o seu
quantidade, exceto: problema? O problema do menor abandonado? A injustiça social?
A) frequência escolar; (....)
B) liderança diplomática;
C) mortalidade infantil; Vinte e cinco milhões de menores - um dado abstrato, que a imagina-
D) analfabetismo; ção não alcança. Um menino sem pai nem mãe, sem o que comer nem
E) desempenho econômico. onde dormir - isto é um menor abandonado. Para entender, só mesmo
imaginando meu filho largado no mundo aos seis, oito ou dez anos de
36. ''No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos.''; com idade, sem ter para onde ir nem para quem apelar. Imagino que ele venha a
essa frase, o jornalista quer dizer que o Brasil: ser um desses que se esgueiram como ratos em torno aos botequins e
A) já está suficientemente forte para começar a exercer sua liderança lanchonetes e nos importunam cutucando-nos de leve - gesto que nos
na América Latina; desperta mal contida irritação - para nos pedir um trocado. Não temos
B) já mostra que é mais forte que seus países vizinhos; disposição sequer para olhá-lo e simplesmente o atendemos (ou não) para
C) está iniciando seu trabalho diplomático a fim de marcar presença no nos livrarmos depressa de sua incômoda presença. Com o sentimento que
cenário exterior; sufocamos no coração, escreveríamos toda a obra de Dickens. Mas esta-
D) pretende mostrar ao mundo e aos países vizinhos que já é suficien- mos em pleno século XX, vivendo a era do progresso para o Brasil, con-
temente forte para tornar-se líder; quistando um futuro melhor para os nossos filhos. Até lá, que o menor
E) ainda é inexperiente no trato com a política exterior. abandonado não chateie, isto é problema para o juizado de menores.
Mesmo porque são todos delinquentes, pivetes na escola do crime, cedo
37. Segundo o texto, ''A miséria é onipresente'' embora: terminarão na cadeia ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte.
A) apareça algumas vezes nas grandes cidades;
B) se manifeste de formas distintas; Pode ser. Mas a verdade é que hoje eu vi meu filho dormindo na rua,
C) esteja escondida dos olhos de alguns; exposto ao frio da noite, e além de nada ter feito por ele, ainda o confundi
D) seja combatida pelas autoridades; com um monte de lixo.
E) se torne mais disseminada e cruel. Fernando Sabino

38. ''...não é uma empreitada simples'' equivale a dizer que é uma em- 41 Uma crônica, como a que você acaba de ler, tem como melhor
preitada complexa; o item em que essa equivalência é feita de forma definição:
INCORRETA é: A) registro de fatos históricos em ordem cronológica;
A) não é uma preocupação geral = é uma preocupação superficial; B) pequeno texto descritivo geralmente baseado em fatos do cotidiano;
B) não é uma pessoa apática = é uma pessoa dinâmica; C) seção ou coluna de jornal sobre tema especializado;
C) não é uma questão vital = é uma questão desimportante; D) texto narrativo de pequena extensão, de conteúdo e estrutura bas-
D) não é um problema universal = é um problema particular; tante variados;
E) não é uma cópia ampliada = é uma cópia reduzida. E) pequeno conto com comentários, sobre temas atuais.

39. ''...enquanto a miséria se mantinha...''; colocando-se o verbo desse 42 O texto começa com os tempos verbais no pretérito imperfeito -
segmento do texto no futuro do subjuntivo, a forma correta seria: vinha, faltavam - e, depois, ocorre a mudança para o pretérito perfei-
A) mantiver; B) manter; C)manterá; D)manteria; to - olhei, vi etc.; essa mudança marca a passagem:
E) mantenha. A) do passado para o presente;
B) da descrição para a narração;
40. A forma de infinitivo que aparece substantivada nos segmentos C) do impessoal para o pessoal;
abaixo é: D) do geral para o específico;
A) ''Como entender a resistência da miséria...''; E) do positivo para o negativo.
B) ''No decorrer das últimas décadas...'';
C) ''...desde que se passou a registrá-las...''; 43 ''...olhei para o lado e vi, junto à parede, antes da esquina, ALGO que
D) ''...começa a exercitar seus músculos.''; me pareceu uma trouxa de roupa...''; o uso do termo destacado se
E) ''...por ter se tornado um forte oponente...''. deve a que:
A) o autor pretende comparar o menino a uma coisa;
PROTESTO TÍMIDO B) o cronista antecipa a visão do menor abandonado como um traste
Ainda há pouco eu vinha para casa a pé, feliz da minha vida e faltavam inútil;
dez minutos para a meia-noite. Perto da Praça General Osório, olhei para o C) a situação do fato não permite a perfeita identificação do menino;
lado e vi, junto à parede, antes da esquina, algo que me pareceu uma D) esse pronome indefinido tem valor pejorativo;
trouxa de roupa, um saco de lixo. Alguns passos mais e pude ver que era E) o emprego desse pronome ocorre em relação a coisas ou a pesso-
um menino. as.

Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de lado, bra- 44 ''Ainda há pouco eu vinha para casa a pé,...''; veja as quatro frases a
ços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a cabeça. Tinha os seguir:
gambitos também encolhidos e enfiados dentro da camisa de meia esbura- I- Daqui há pouco vou sair.
cada, para se defender contra o frio da noite. Estava dormindo, como podia I- Está no Rio há duas semanas.
estar morto. Outros, como eu, iam passando, sem tomar conhecimento de III - Não almoço há cerca de três dias.
sua existência. Não era um ser humano, era um bicho, um saco de lixo IV - Estamos há cerca de três dias de nosso destino.
mesmo, um traste inútil, abandonado sobre a calçada. Um menor abando- As frases que apresentam corretamente o emprego do verbo haver são:
nado. A) I - II
B) I - III
Quem nunca viu um menor abandonado? A cinco passos, na casa de C) II - IV
sucos de frutas, vários casais de jovens tomavam sucos de frutas, alguns D) I - IV
mastigavam sanduíches. Além, na esquina da praça, o carro da radiopatru- E) II - III

Língua Portuguesa 74 A Opção Certa Para a Sua Realização


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45 O comentário correto sobre os elementos do primeiro parágrafo do ___________________________________
texto é:
A) o cronista situa no tempo e no espaço os acontecimentos abordados
___________________________________
na crônica; ___________________________________
B) o cronista sofre uma limitação psicológica ao ver o menino
___________________________________
C) a semelhança entre o menino abandonado e uma trouxa de roupa é
a sujeira; ___________________________________
D) a localização do fato perto da meia-noite não tem importância para o
texto; _______________________________________________________
E) os fatos abordados nesse parágrafo já justificam o título da crônica. _______________________________________________________

46 Boinas-pretas é um substantivo composto que faz o plural da mesma


_______________________________________________________
forma que: _______________________________________________________
A) salvo-conduto;
_______________________________________________________
B) abaixo-assinado;
C) salário-família; _______________________________________________________
D) banana-prata;
_______________________________________________________
E) alto-falante.
_______________________________________________________
47 A descrição do menino abandonado é feita no segundo parágrafo do _______________________________________________________
texto; o que NÃO se pode dizer do processo empregado para isso é
que o autor: _______________________________________________________
A) se utiliza de comparações depreciativas;
_______________________________________________________
B) lança mão de vocábulo animalizador;
C) centraliza sua atenção nos aspectos físicos do menino; _______________________________________________________
D) mostra precisão em todos os dados fornecidos; _______________________________________________________
E) usa grande número de termos adjetivadores.
_______________________________________________________
48 ''Estava dormindo, como podia estar morto''; esse segmento do texto _______________________________________________________
significa que:
A) a aparência do menino não permitia saber se dormia ou estava _______________________________________________________
morto; _______________________________________________________
B) a posição do menino era idêntica à de um morto;
C) para os transeuntes, não fazia diferença estar o menino dormindo ou _______________________________________________________
morto; _______________________________________________________
D) não havia diferença, para a descrição feita, se o menino estava
dormindo ou morto; _______________________________________________________
E) o cronista não sabia sobre a real situação do menino. _______________________________________________________

49 Alguns textos, como este, trazem referências de outros momentos _______________________________________________________


históricos de nosso país; o segmento do texto em que isso ocorre é: _______________________________________________________
A) ''Perto da Praça General Osório, olhei para o lado e vi...'';
B) ''...ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte''; _______________________________________________________
C) ''...escreveríamos toda a obra de Dickens''; _______________________________________________________
D) ''...isto é problema para o juizado de menores'';
_______________________________________________________
E) ''Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais''.
_______________________________________________________
50 ''... era um bicho...''; a figura de linguagem presente neste segmento _______________________________________________________
do texto é uma:
A) metonímia; _______________________________________________________
B) comparação ou símile; _______________________________________________________
C) metáfora;
D) prosopopeia; _______________________________________________________
E) personificação. _______________________________________________________

RESPOSTAS – PROVA I _______________________________________________________


_______________________________________________________
01. D 11. B 21. B 31. D 41. D
02. A 12. A 22. A 32. B 42. B _______________________________________________________
03. C 13. C 23. C 33. A 43. C
_______________________________________________________
04. E 14. E 24. E 34. A 44. E
05. A 15. C 25. D 35. B 45. A _______________________________________________________
06. B 16. A 26. E 36. C 46. A
07. D 17. B 27. B 37. C 47. D _______________________________________________________
08. E 18. E 28. C 38. A 48. C _______________________________________________________
09. C 19. D 29. D 39. A 49. B
10. D 20. A 30. B 40. B 50. C _______________________________________________________
_______________________________________________________

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Língua Portuguesa 76 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO

I – selo destinado a controle tributário, papel selado ou


qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de
tributo;
II - papel de crédito público que não seja moeda de curso
legal;
III - vale postal;
IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa
econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade
de direito público;
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento
1. DIREITO PENAL: Código relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou
Penal - com as alterações caução por que o poder público seja responsável;
vigentes até a publicação do