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LACERDA & LACERDA

ADVOCACIA & CONSULTORIA JURÍDICA


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA DA FAZENDA
PUBLICA ESTADUAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG.

FULANA DE TAL , brasileira, casada, aposentada, portadora do


documento de identidade nº MG -XXXX, inscrita no CPF sob o nº XXXX,
Tel. XXXXX residente e domiciliado na Rua A, n° 63, Bairro XXXX, XX
/MG, CEP XXX (docs. Anexo), vem respeitosamente à presença de Vossa
Excelência, por seus procuradores in fine assinado (procuração em
anexo), propor a presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS E


PEDIDO LIMINAR DE TUTELA DE URGÊNCIA

Com fundamento nos Art. 3, 6, inciso VIII e 14 do CDC , art. 300, do CPC e art. 186,
247 e 927 do cc/2002 e RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 414, DE 9 DE SETEMBRO DE
2010.
Em face de CEMIG DISTRIBUIÇÃO S.A, pessoa jurídica de direito publico, inscrita no
CNPJ sob o nº 06.981.180/0001-16,inscrição estadual n° 062.322136.0087 sito, à Av.
Barbacena n° 1200- 17° andar, Ala 01, Belo Horizonte-MG CEP: 30190-131, pelos fatos
e fundamentos que passa a expor.

I- PRELIMINARMENTE
I.1- DAS FUTURAS NOTIFICAÇÕES
Inicialmente, requer a autora, na forma do art. 272§ 5, do Novo Código de Processo
Civil, requer que sejam as futuras notificações/intimações encaminhadas ao endereço
de seus Patronos, situado à Av. Silva Guimarães, 104, sl 04, Jatobá, Belo Horizonte,

Endereço do escritório , CEP 30692-350, fone (31)xxxxxxxx 1


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MG, CEP 30692-350, fone (31)3382 5258 bem com as futuras publicações efetuadas
exclusivamente em nome dos advogados DR., inscrito na OAB/MG sob nº sob pena
de nulidade na forma do art. 272, § 2º do NCPC.

I.2- JUSTIÇA GRATUITA

De modo que, atento ao Art. 5º inciso LXXIV da CR/88 e com o art. 98 a 99 do NCPC,
declarando sob os comandos legais seu estado de hipossuficiência econômica, como
condição de acesso à postulação da Jurisdição apropriada, requer o beneplácito da
JUSTIÇA GRATUITA, tendo em vista que a autora não reúne condições financeiras
para arcar com às custa oriundas do processo, bem como honorários de advogado,
sem prejuízo do sustento próprio e de sua família.

I.3- DO INTERESSE PELA AUDIÊNCIA DE MEDIAÇAO E CONCILIAÇÃO ART. 334


CPC
Considerando a nova redação dada pelo Código de Processo Civil a autora nos termos
do artigo § 5 do artigo 334 do CPC e seguintes manifesta o seu interesse pela
audiência de conciliação ou de mediação.

II- DOS FATOS

No dia 10/10/2017, a autora viu-se supresa ao receber Aviso de Processo


Administrativo da Ré ( vide documento anexo), n cliente XXXXXXXXXXX, informando
que após inspeção técnica na unidade consumidora n°XXXXXXXX, constante na
residência da mesma, foram constatadas irregularidades conforme lavrado no Termo
de Ocorrência de Irregularidades –TOI n° XXXXX. (vide doc id n° 55235818) no
qual Informava ainda que em decorrência da irregularidade constatada faturaram,
unilateralmente, a titulo de “ revisão de faturamento, seguindo o previsto no art. 130
III da Resolução Normativa 414/2010, o valor de R$ 6.453,46 ( seis mil quatrocentos
e cinquenta e três reais e quarenta e seis centavos), conforme memoria de calculo,
que por ora acreditamos ser o calculo de consumo irregular, referente ao processo
administrativo atinente a reclamação n° 111436883.

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No referido Termo de Ocorrência e inspeção – TOI n° 077474/12, foi
supostamente encontrado as seguintes irregularidades:
a) o equipamento de medição foi submetido à avaliação técnica em laboratório
acreditado e o relatório de avaliação técnica n° 2016023155;
b) selo ancora verdes de polipropileno violado e reconstituído, permitindo acesso ao
interior do medidor. Registrador não registra corretamente. Mancal deslocado,
provocando atrito excessivo no elemento móvel. Disco do elemento móvel
apresenta ranhuras em sua superfície. Elemento móvel descentralizado,
provocando atrito excessivo.

Insta salientar que a autora e moradora há cerca de 18 anos no mesmo


endereço e que sempre cumpriu com suas obrigações. Além do mais o local onde
se encontra os medidores de energia do conjunto onde a autora reside são de livre
acesso a quem quer que seja não tendo nada que impeça a entrada de terceiros;
por muitas vezes a autora já dentro de sua casa e surpreendida por quedas de
energia, e por ser a autora deficiente ( problemas de locomoção), não tem como
verificar.
Deve ainda se destacar que as caixas de medidores são expostas e aberta ao
publico, bem como encontram –se em péssimo estado de conservação. A autora
por diversas vezes já tentou colocar cadeados para a proteção de seu relógio, o
que restou infrutífero, pois sempre da colocação dos cadeados pouco tempo depois
a mesma percebia que os cadeados estavam arrebentados.
Ademais, ressalte-se que a autora jamais se envolveu em qualquer espécie de
conflito com os seus credores, tendo em vista que sempre se pautou segundo os
ditames preceituados pelo ordenamento jurídico vigente.
Ainda de acordo com a carta de aviso de processo administrativo foi informado
que foi realizada uma inspeção técnica na unidade consumidora da autora sem
informar em qual data foi realizado. A Ré enviou funcionários ao imóvel de sua
propriedade sem que a autora soubesse, com o objetivo de proceder a averiguação
no medidor de energia, sem efetuarem nenhuma comunicação a respeito da visita
técnica.
Cabe destacar que os funcionários da empresa Ré adentraram ao imóvel de
propriedade da autora, dirigindo-se de imediato ao contador de energia. Douto
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Julgador, data vênia, os representantes da promovida deveriam ter efetuado a
comunicação da visita com antecedência, mas não, acharam por bem insistir e
averiguar, suposta perda de energia na residência.
Ora Excelência, qual a validade legal de uma afirmativa decorrente de
atitude unilateral da promovida? Porque a mesma não aguardou, e na presença
da autora, procedeu com a referida averiguação?
ASSIM PASSADO POUCOTEMPO EM NOVEMBRO DE 2017 FOI ENVIADO
A FATURA NO VALOR DE R$ 6.453,46 COM VENCIMENTO EM 04/01/2018,
REFERENTE AO PERIODO DE 05/2013 A 04/2016, ( vide documento id n°
55235814, pagina 2 e 3), O QUE CONSUBSTANCIA UMA GRITANTE
ILEGALIDADE, HAJA VISTA SER DE VALOR PRATICAMENTE 12,7% SUPERIOR
À MÉDIA DE CONSUMO DA AUTORA QUE CONFORME PLANILHA EM ANEXO
id n° 49132575 o valor e de 220,6 KWH mês, considerando o calculo anterior
por 12 períodos a irregularidade, referente as três ultimas faturas qual seja
AGO/SET E OUT/2009.
Desta feita, analisando-se que não há qualquer fundamentação fática ou
jurídica a embasar tal cobrança pela concessionária de energia elétrica, de modo que a
mesma se evidencia como totalmente ilegal, não restou outra alternativa à autora,
senão recorrer aos auspícios do Poder Judiciário, de forma a ver tutelado todo o direito
que embasa a presente peça postulatória, e desse modo ser ressarcido por todos os
danos suportados, quer seja material, quer seja moral, com a evidente e notória
exposição e humilhação da mesma perante seus vizinhos e familiares.

III – DO DIREITO E FUNDAMENTOS JURÍDICOS


III. 1 Do Termo De Ocorrência E Inspeção

Douto Julgador, faz-se necessário aduzirmos neste tópico que o termo de


ocorrência e inspeção , ( vide documento id n° 55235818 que fora lavrado pelos
representantes da Ré quando da prática de todo o ato abusivo e ilegal ora debatido.
De início, é importante deixar evidenciado a Vossa Excelência que o medidor
de energia que se encontrava em uso na residência da Autora tinha sido instalado
pela própria Ré, haja vista que o mesmo fora posto na longínqua década de
2000,haja vista que a autora reside no imóvel acerca de 18 anos, tendo permanecido
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intacto durante todo esse tempo, sem que ocorresse qualquer espécie de violação
por parte da requerente.

Ora Excelência, em primeiro lugar, ressalte-se que a Ré se limitou a afirmar


que o medidor estava danificado ou destruído, e que o medidor não registrava
corretamente. Todavia não realizou qualquer espécie de inspeção mais apurada no
mesmo, nem permitiu a autora analisar e participar da perícia que afirma a
promovida, todavia não comprova, ter realizado, bem como não foi fornecido a autora
copia do suposto Termo de Ocorrência e Inspeção – TOI n° XXXXa Autora só
conseguiu a cópia do referido Termo quando da solicitação das 12 ultimas faturas
anterior a suposta irregularidade.
Por outro lado, saliente-se que, se realmente ocorrera perda de energia ou
algum outro dano, o que não se restou demonstrado nos presentes autos, tal fato
não decorreu de qualquer atitude, comissiva ou omissiva, da autora, mas sim da
própria Ré, haja vista que decorreu lapso temporal considerável para realizar
aferição ou troca de medidor na residência da autora.
Agora, de forma totalmente abusiva, sem falar de ilegal, vem à Ré no imóvel
da autora e realiza a mudança do medidor de energia do mesmo, levando-o consigo
e, após, envia uma absurda conta de energia, em valor totalmente inimaginável para
um cidadão comum, valor este no importe de R$ 6.453,46, afirmando tão somente
que, mesmo sem ter havido violação ou qualquer espécie de danificação ou desvio
de energia, houve perda de energia. Como? E se houve, de quem é a culpa?
Como resposta, repita-se: não há qualquer meio legal a comprovar que
realmente houve perda de energia, bem como se ocorrera, o que não se encontra
demonstrado, decorreu por culpa única e exclusiva da parte Ré.
Ainda, é importante também salientar que de acordo com o termo de
ocorrência e inspeção que segue em anexo, no seu item, a consumidora não
requereu a realização de perícia.

III. 2 Da cobrança indevida e do dever de indenizar ( DANOS MORAIS)

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Num primeiro momento a Ré fez cobrança indevida a Autora, quando emitiu
uma fatura referente a suposto consumo de energia elétrica não registrado e não
faturado em decorrência de, repita-se, suposta irregularidade no medidor de
energia elétrica apurada de forma ilícita, o qual atribui injustificadamente sua
responsabilidade à Autora.

Aliás, é surpreendente, pois tais supostas irregularidades foram apuradas por


funcionários da Ré, ou seja, de forma unilateral, sem qualquer aviso ou prévia
comunicação por parte dos mesmos.

Alias, sequer a Autora teve acesso ao Termo de Ocorrência e inspeção em


anexo, em que os funcionários da Ré constatam a suposta “irregularidade” e, em
seguida, na suposta avaliação técnica n° 2016023155 indica que: “selo e ancora
verdes de polipropileno violados e reconstituídos, permitindo acesso ao interior do
medidor.” deste mesmo documento, atestam que a suposta “irregularidade foi
regularizada”, sem oportunizar à Autora o acompanhamento da referida inspeção
e/ou requerer perícia por outro órgão. Ademais, não consta no referido termo de
ocorrência de irregularidade nº 077474/12 a assinatura da Autora no mesmo,
corroborando o fato de que a mesma não participou do procedimento de
inspeção adotado pelos funcionários da Ré.

Em momento algum a Ré apresenta laudo pericial por órgão de


inquestionável imparcialidade, pois a mesma não pode simultaneamente acusar,
julgar, condenar e executar, sobre qualquer pretexto, seus clientes e
consumidores, utilizando para tal a inaceitável pratica inquisitória.

Neste ponto, os funcionários da Ré agiram de forma ilegal, pois


conforme prevê o art. 129, da Resolução Aneel 414 de 09 de setembro de 2010, in
verbis:

“Art. 129. Na ocorrência de indício de procedimento irregular, a


distribuidora deve adotar as providências necessárias para sua fiel
caracterização e apuração do consumo não faturado ou faturado a
menor.

§ 1o A distribuidora deve compor conjunto de evidências para a


caracterização de eventual irregularidade por meio dos seguintes
procedimentos:
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I – emitir o Termo de Ocorrência e Inspeção – TOI, em formulário próprio,
elaborado conforme Anexo V desta Resolução;

II – solicitar perícia técnica, a seu critério, ou quando requerida pelo


consumidor ou por seu representante legal;

III – elaborar relatório de avaliação técnica, quando constatada a


violação do medidor ou demais equipamentos de medição, exceto
quando for solicitada a perícia técnica de que trata o inciso II;

(Redação dada pela RES ANEEL 479, de 03.04.2012) (Grifo nosso)

Diante disso, não havia como requerer a perícia técnica se os


funcionários da Ré adentraram sorrateiramente no condomínio, sem ao menos ao
conhecimento da autora e simplesmente sem qualquer aviso dirigiram-se ao medidor
de energia elétrica, abriram a respectiva caixa do medidor e adulteraram todo o
equipamento e, somente após concluírem seu trabalho, lacrarem o aparelho e
emitirem o respectivo Termo de Ocorrência, sem mesmo dar ciência a autora de
qualquer irregularidade.

Logo, questiona-se, como poderia a Autora requerer a perícia


técnica por terceiro legalmente habilitado se os funcionários da Ré somente o
comunicaram após lavrar o termo de ocorrências sobre a irregularidade e, após
terem alterado toda a situação fática supostamente constada, dizendo, ainda,
que “a irregularidade foi regularizada”? Como requerer perícia técnica se os
funcionários da Ré não permitiram a Autora tal fato quando constataram a
suposta irregularidade? Será que os funcionários da Ré adotaram tal postura
para manipular a suposta irregularidade? Como admitir o fato dos próprios
funcionários da Ré inspecionar seu próprio serviço e/ou equipamentos, sem o
acompanhamento e/ou participação da Autora?

Além do mais conforme determina o § 2 do artigo 129 da Resolução


414/2010 da caracterização da irregularidade e da recuperação da receita ao
implementar quando julgar necessário, os seguintes procedimentos:

§ 2° Uma cópia do TOI deve ser entregue ao consumidor ou àquele que


acompanhar a inspeção, no ato de sua emissão, mediante recibo.

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Ora, MM. Juiz, tal fato é por demais questionável, dada a atitude dos
funcionários da Ré não comunicarem quando de sua chegada à autora se havia ou
não alguma irregularidade sendo que pelo principio do contraditório e da ampla
defesa fosse franqueado a autora para que pudesse verificar as supostas
irregularidades por eles constatadas e, assim, requerer a perícia técnica por um
terceiro legalmente habilitado, conforme lhe faculta o art. 129 § 1, e§ 6ª da
Resolução Aneel 414/2010.

Tal ato por parte da Ré fere diretamente os Princípios da Ampla


Defesa e do Contraditório consagrados pela Constituição Federal, pois como
pode a Ré auditar seus próprios serviços, apontar supostas irregularidades e imputar
a responsabilidade pelas mesmas a Autora. Admitir tal fato estaríamos retroagindo à
prática inquisitória, repreendida por nosso ordenamento jurídico.

Neste sentido é a jurisprudência:

AÇÃO DECLARATÓRIA - SUPOSTA CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE


PELA CEMIG NO MEDIDOR DE ENERGIA ELÉTRICA - PROVA DA FRAUDE
NO DEVIDO PROCESSO LEGAL - AUSÊNCIA. Deve a concessionária de
energia elétrica oportunizar ao consumidor o acompanhamento do
procedimento administrativo de vistoria a aparelhos medidores de
consumo, impondo-se a manutenção da sentença que concluiu pela
inexistência da irregularidade e do débito correspondente, não se
observando dos autos que a CEMIG apurou a fraude, no devido processo
legal. (TJMG. Proc. 1.0701.07.188650-4. Rel. Teresa Cristina da Cunha
Peixoto. DOU 02/06/2009) (grifo nosso)

DIREITO DO CONSUMIDOR. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA.


ALEGAÇÃO DE FRAUDE NO MEDIDOR. AUSÊNCIA DE PROVA.
INOBSERVÂNCIA DA RESOLUÇÃO N. 456/2000. A análise do medidor feita
pela CEMIG não serve de prova face à sua produção unilateral e, por óbvio,
pelo interesse manifesto da parte. Inclusive, como é de conhecimento da
concessionária, a Agência Nacional de Energia Elétrica expediu a Resolução
n° 456/2000, determinando que a perícia técnica em medidor seja efetuada
somente órgão metrológico oficial ou órgão vinculado à segurança pública.
Ausente a prova de que o medidor foi fraudado pelo consumidor, é inválido o
débito arbitrado por estimativa pela concessionária, não sendo, portanto,
exigível. Todavia, havendo prova de efetivo consumo, este se mostra exigível.

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V.V.P. (TJMG. Proc. 1.0701.07.192395-0. Rel. Barros Levenhagen. DOU
10/06/2009) (grifo nosso)

APELAÇÃO. AÇÃO DE COBRANÇA. CEMIG. IRREGULARIDADES NO


MEDIDOR DE ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA. VIOLAÇÃO DO SELO DE
AFERIÇÃO. COBRANÇA DE DIFERENÇAS. PREVISÃO NA RESOLUÇÃO N.
456/2000 DA ANEEL. ACOMPANHAMENTO DO PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO. DEMONSTRAÇÃO DAS IRREGULARIDADES.
AUSÊNCIA. ILEGALIDADE DA COBRANÇA MANUTENÇÃO DA SENTENÇA.
– (...) - Todavia, deve a concessionária de serviço público oportunizar ao
consumidor o acompanhamento do procedimento administrativo de
vistoria do aparelho medidor de energia, bem como provar a existência
de irregularidade em razão de violação do aparelho de medição e a
variação no consumo durante o período que é objeto de cobrança de
recomposição (...). (TJMG. Proc. 1.0142.07.020166-0. Rel. Armando Freire.
DOU 03/07/2009) (grifo nosso)

Ademais, como atribuir a Autora a responsabilidade por uma


suposta irregularidade da qual ela não deu causa ou sequer concorreu para
pratica da mesma?

Segundo dispõe o art. 77 da resolução Aneel 414/2010, in verbis:

“Art. 77. A verificação periódica dos equipamentos de


medição, instalados na unidade consumidora, deve ser
efetuada segundo critérios estabelecidos na legislação
metrológica, devendo o consumidor assegurar o livre
acesso dos inspetores credenciados aos locais em que os
equipamentos estejam instalados. (Redação dada pela REN
ANEEL 418, de 23.11.2010)” (Grifo nosso)

Com base no dispositivo acima, mostra-se mais uma vez a fragilidade


da alegação da Ré de tentar atribuir a Autora à responsabilidade pela suposta
irregularidade no medidor de energia.

De tal dispositivo extraímos duas possíveis conclusões: a primeira de que a Ré não


efetuou a verificação periódica, pois caso tivesse verificado poderia ter detectado
previamente a suposta irregularidade, demonstrando, assim, total violação ao
preceito legal e desrespeito ao consumidor; a segunda, caso tenha feito a

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verificação periódica, como apontar tal irregularidade retroagindo sua ocorrência à
11/2009, conforme “ Memória de Cálculo de Consumo Irregular”, ( vide
documento id n° 55235908 ) no qual aponta a média de 220,6 kwh e não 251
conforme apurado unilateralmente pela CEMIG.

Ainda que fosse constatada qualquer irregularidade no medidor de


consumo de energia elétrica a Autora jamais poderia ser responsabilizada, uma vez
que a fiscalização bem como manutenção dos equipamentos de medição de
consumo de energia são atribuições de competência da Ré. Por tanto, se fosse
competente nas funções que lhe são atribuídas por Lei e principalmente estabelecido
na RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 414, DE 9 DE SETEMBRO DE 2010, em que
Estabelece as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica de forma
atualizada e consolidada. A Ré certamente detectaria o problema, caso ele existisse
e, tomaria as devidas providências para que fossem sanadas em tempo hábil,
evitando assim maiores aborrecimentos a Autora.

Não obstante os funcionários da Ré terem apontado supostas


irregularidades no medidor de energia, os mesmos não foram capazes de
afirmar se houve realmente consumo de energia sem que fosse registrado pelo
respectivo medidor e consequentemente deixado de ser faturado. E mais, caso
realmente tivesse havido a suposta irregularidade, qual seria o real consumo
de energia não faturado? A partir de quando se iniciou a suposta
irregularidade? Logo, não se pode admitir a presunção de que houve consumo de
energia não faturado por suposta irregularidade no medidor de energia.

Ora, MM Juiz, não pode ser tida como hábil à cobrança do suposto
débito apresentado pela Ré com base no “Cálculo de Consumo Irregular” e
“Termo de Ocorrência e inspeção”, dado o procedimento por ela adotado, posto
que os respectivos documentos foram produzidos de forma unilateral. Logo se
questiona o valor jurídico de tais documentos como prova, sendo, portanto, nulos,
por cerceamento de defesa e vício nos respectivos procedimentos adotados pelos
funcionários da mesma. Assim, a autora faz jus que tais débitos sejam declarados
inexistentes.

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No que se refere ao “Termo de Ocorrência de Irregularidade”, este é
absolutamente imprestável como prova da alegada irregularidade, pois a Autora não
teve a possibilidade de acompanhar o trabalho dos funcionários da Ré, tão pouco
requerer o acompanhamento por perito de sua confiança. Tal “Termo” foi
confeccionado exclusivamente pelos funcionários da Ré, daí, total imprestabilidade a
tais procedimentos de verificação. Prova disso, não consta no referido documento a
assinatura da Autora no mesmo, haja vista a irregularidade no procedimento adotado
pelos funcionários da Ré.

Aliás, improcede a respectiva cobrança posto que não há registro e/ou


provas cabais de que houve a ocorrência da suposta irregularidade apontada pelos
funcionários da Ré ou, que a suposta irregularidade for causada pelo Autora ou
ainda, que a mesma concorreu para tal suposto ato. Simplesmente conforme relato
de sua vizinha após a medição os funcionários da Ré chegaram sorrateiramente aos
quadros de medição do prédio sem qualquer aviso ou comunicação a autora de que
se tratava de uma inspeção para avaliar suposta irregularidade.

Ademais, se houve irregularidade, esta deve ser atribuída à Ré, por não
cumprir com suas obrigações legais, ou seja, a inércia por parte da Ré por ter faltado
com o seu dever de fiscalização (e.g. não realizou verificações periódicas), conforme
lhe impõe a Resolução Aneel 414 de 03/09/2010.

Assim, atribuir a Autora fato de que a mesma não deu causa ou sequer concorreu
para o tal, e consequentemente cobrar-lhe dívida inexistente, é por si só ato ilícito,
passível de reparação pela legislação civil, senão vejamos.

A prática do ato ilícito mencionado (cobrança por dívida inexistente) é


repudiada pelo Código Civil em seu art. 186, sendo garantido o direito de reparação
do dano, ainda que, exclusivamente moral. É o que versa a lei:

"Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou


imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

“Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao


exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.” (grifo
nosso)

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Ainda sob a égide da Lei Civil, remete-se o julgador ao artigo 927,
fazendo manifesta a obrigação de indenizar a parte lesada, sendo o que se extrai do
texto legal, a saber:

"Artigo 927: Aquele que, por ato ilícito, causar dano a


outrem, fica obrigado a repará-lo." (grifo nosso).

Segundo J.M. de Carvalho Santos, in Código Civil Brasileiro


Interpretado, ed. Freitas Bastos, 1972, pag 315:

"Em sentido restrito, ato ilícito é todo fato que, não sendo
fundado em direito, cause dano a outrem". (grifo nosso).

Segundo Caio Mário da Silva Pereira:

“Embora a doutrina não seja uniforme na conceituação da


responsabilidade civil, é unânime na afirmação de que este
instituto jurídico firma-se no dever de "reparar o dano",
explicando-o por meio de seu resultado, já que a idéia de
reparação tem maior amplitude do que a de ato ilícito, por
conter hipóteses de ressarcimento de prejuízo sem que se
cogite da ilicitude da ação” (v. Caio Mário da Silva Pereira,
Responsabilidade civil, 9. ed.,Rio de Janeiro, Forense, 1998, p.
7-11). (grifo nosso)

Na mesma linha, vem se manifestando alguns de nossos tribunais:

PRELIMINAR. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. VÍCIO SANÁVEL.


INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. CORTE NO FORNECIMENTO DE
ENERGIA ELÉTRICA. IRREGULARIDADE NO MEDIDOR. FRAUDE NÃO
COMPROVADA. APURAÇÃO UNILATERAL DO DÉBITO SEM REALIZAÇÃO
DE PROVA PERICIAL. REPARAÇÃO DEVIDA. – (...) Não comprovado pela
concessionária defeito no medidor de energia elétrica como decorrência
de ato fraudulento do usuário, não se pode imputar a este, como
consumidor, responsabilidade presumida pelo pagamento da conta
respectiva. - O valor dos danos morais deve ser arbitrado com prudência
e moderação, a evitar que tal parcela converta-se em fonte de
enriquecimento; todavia, que o seja de forma suficiente para compensar

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a dor do ofendido e inibir o ofensor da reincidência na prática da
conduta danosa. (TJMG. Proc. 1.0687.07.051084-1. Rel. Fernando Botelho.
DOU 13/03/2009) (Grifo Nosso)

DIREITO DO CONSUMIDOR. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA.


ALEGAÇÃO DE FRAUDE NO MEDIDOR. AUSÊNCIA DE PROVA.
INOBSERVÂNCIA DA RESOLUÇÃO N. 456/2000. Abusivo o ato de
concessionária de serviço público em atribuir a consumidor a
responsabilidade por fraude em medidor de consumo de energia elétrica
sem apresentar meio de prova bastante para tanto. A análise do medidor
feita pela CEMIG não serve de prova face à sua produção unilateral e, por
óbvio, pelo interesse manifesto da parte. Inclusive, como é de
conhecimento da concessionária, a Agência Nacional de Energia Elétrica
expediu a Resolução n° 456/2000, determinando que a perícia técnica em
medidor seja efetuada somente órgão metrológico oficial ou órgão
vinculado à segurança pública. Ausente a prova de que o medidor foi
fraudado pelo consumidor, é inválido o débito arbitrado por estimativa
pela concessionária, devendo, portanto, ser cancelado. (TJMG. Proc.
1.0702.07.390111-9. Rel. Maria Elza. DOU 13/03/2009) (Grifo nosso)

A defesa do consumidor é garantia Constitucional, nos termos do Art.


5º, XXXII, ao prever que “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor”.

Devidamente positivado, o Código de Defesa do Consumidor - CDC -


(Lei 8.078/90), expressa de forma clara, em seu artigo 2º, para todos os fins legais, o
conceito de Consumidor, qual seja:

"Art. 2º: Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que


adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
final". (grifo nosso)

Enfim, in casu, em se tratando de situação de relação de fornecimento


de serviço, devidamente positivada no CDC, convém assinalar a posição
inferiorizada do consumidor, reconhecida pela doutrina, jurisprudência e pela lei, no
que tange às relações com fornecedores. Faz-se menção, de extrema pertinência, ao
princípio da igualdade (artigo 5º, caput, da Constituição Federal) em consonância
com a interpretação das relações entre consumidor e fornecedor. Ocorre que,

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sabidamente, interpreta-se tal dispositivo com a finalidade de equilibrar as partes em
relação em que há patente desequilíbrio, sendo a escolha do legislador quando da
positivação do artigo 4º, do CDC, caput e inciso I, como se verá adiante.

Chega-se enfim, ao desequilíbrio ora mencionado, sendo o que se


depreende do inciso I do artigo supra:

"I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no


mercado de consumo;" (grifo nosso)

Ainda, sob a condução cognitiva da utilização do serviço da Ré e, dado


o patente desequilíbrio entre as partes desta relação, nada mais justo do que a
aplicação do artigo 6º, inciso VIII do diploma legal em tela, que possibilita a inversão
do onus probandi em favor da parte inferiorizada, qual seja, o consumidor. Tem-se,
portanto:

"Artigo 6º. São direitos básicos do consumidor.

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e


morais, individuais, coletivos e difusos;

"VIII - A facilitação da defesa de seus direitos.” (grifo nosso)

Destarte, sob a égide do Código de Defesa do Consumidor, brilhante foi


a inserção da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, presente no artigo
14 do diploma legal em tela. Depreende-se de seu texto, a imputação direta,
independentemente de culpa, da reparação do dano causado ao consumidor oriundo
de "defeito" relativo à prestação do serviço, a saber:

"Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição
e riscos." (grifo nosso)

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Acertada aqui é a exegese no sentido de que a Ré, efetivamente,
realizou condutas lesivas para com o Autor, sendo assim, independentemente de
culpa, impõe a lei, de forma objetiva e cristalina, a reparação dos danos oriundos
destas condutas.

A respeito de ser admitida a indenização por danos morais em razão de


cobranças indevidas, pacífica e dominante é a jurisprudência dos Colégios Recursais
Pátrios, vejamos:

DIREITO DO CONSUMIDOR. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA.


ALEGAÇÃO DE FRAUDE NO MEDIDOR. AUSÊNCIA DE PROVA.
INOBSERVÂNCIA DA RESOLUÇÃO N. 456/2000. DANOS MORAIS. A
Agência Nacional de Energia Elétrica expediu a Resolução n° 456/2000,
determinando que a perícia técnica em medidor seja efetuada somente
órgão metrológico oficial ou órgão vinculado à segurança pública. V.V.
(TJMG. Proc. 1.0074.07.035925-7. Rel. Dorival Guimarães Pereira. DOU
17/03/2009) (Grifo nosso)

Ainda em relação aos danos morais, restaram estes consolidados,


mormente considerando que a Ré afirmou através de sua cobrança que a autora
obteve proveito econômico de forma ilícita, consumindo energia elétrica ilegalmente,
fazendo uma acusação desacompanhada de prova robusta de que a Autora pudesse
ter alterado o medidor.

Esta injusta acusação gera sentimentos de angústia e constrangimento,


capazes de amparar reparação por danos morais. Ademais, a reparação do dano
moral puro independe de prova do prejuízo sofrido, que é ínsito ao fato ofensivo à
honra ou a dignidade das pessoas.

Enfim, Nobre Julgador, por todo exposto a Autora faz jus seja
declarada a inexistência da suposta irregularidade e principalmente a
inexistência de débito no valor de R$ 6.453,46 (seis mil quatrocentos e
cinquenta e três reais e quarenta e seis centavos), e seus consectários, caso
haja, em seu nome, em favor da Ré, bem como condenação a título de DANOS
MORAIS NO IMPORTE DE R$ 10.000,00 ou o valor que D. Juízo entender justo.

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Não obstante, caso Vossa Excelência entenda o contrário, ou seja, entenda
existir tal débito alegado pela Ré, a autora faz jus, então, a salutar aplicabilidade do
Código de Defesa do Consumidor para todos os fins legais mencionados acima, bem
como, para a inversão do onus probandi em favor da Autora, visto que, é parte
vulnerável na relação.

Pelo princípio da eventualidade e ad argumentandum, caso Vossa


Excelência não se convença das provas evidentes acerca da cobrança indevida
por parte da Ré, faz jus a Autora seja o débito julgado inexistente, pelos
seguintes motivos e fundamentos, senão vejamos, (grifou-se):

III. 3 Do Cálculo de Consumo Irregular – Indevido – Enriquecimento sem causa


por parte da Ré

A Ré tomou como fundamento legal para o “Cálculo de Consumo Irregular”


(doc. anexo), o Art. 130, inciso III, RESOLUÇÃO NORMATIVA Nº 414, DE 9 DE
SETEMBRO DE 2010, in verbis:

“Art. 130. Comprovado o procedimento irregular, para proceder à


recuperação da receita, a distribuidora deve apurar as diferenças
entre os valores efetivamente faturados e aqueles apurados por
meio de um dos critérios descritos nos incisos a seguir,
aplicáveis de forma sucessiva, sem prejuízo do disposto nos
arts. 131 e 170:

(...)

III – utilização da média dos 3 (três) maiores valores


disponíveis de consumo de energia elétrica,
proporcionalizados em 30 dias, e de demanda de potências
ativas e reativas excedentes, ocorridos em até 12 (doze) ciclos
completos de medição regular, imediatamente anteriores ao
início da irregularidade; (Redação dada pela REN ANEEL 670 de
14.07.2015);” ( GRIFO NOSSO)

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Parágrafo único. Se o histórico de consumo ou demanda de
potência ativa da unidade consumidora variar, a cada 12 (doze)
ciclos completos de faturamento, em valor igual ou inferior a 40%
(quarenta por cento) para a relação entre a soma dos 4 (quatro)
menores e a soma dos 4 (quatro) maiores consumos de energia
elétrica ativa, nos 36 (trinta e seis) ciclos completos de
faturamento anteriores à data do início da irregularidade, a
utilização dos critérios de apuração para recuperação da receita
deve levar em consideração tal condição. (Redação dada pela
REN ANEEL 479, de 03.04.2012)

Notadamente, os 12 (doze) ciclos completos de medição normal


imediatamente anteriores ao início da suposta irregularidade (11/2009),
compreendem o período de OUTUBRO/2008 a OUTUBRO/2009.

Todavia conforme calculo pela media apurada normal com base na


planilha da Ré foi apurado que a media mensal de kwh gira em torno de 203,
levando se em consideração o § 5 do artigo 132 da Resolução 414/2010 da
ANEEL, Temos que conforme apurado a média dos últimos 36 meses o valor de
203 kwh e não 251, considerando o período dos cálculos isto é 05/2013 a
04/2016 no qual totaliza 7.308 conforme abaixo:

Consumo Consumo Consumo Consumo


Mês KWH mês KWH Mês KWH Mês KWH
mai/13 204 jan/14 218 jan/15 219 jan/16 213
jun/13 199 fev/14 217 fev/15 206 fev/16 185
jul/13 180 mar/14 213 mar/15 194 mar/16 205
ago/13 222 abr/14 188 abr/15 193 abr/16 105
set/13 198 mai/14 208 mai/15 197
out/13 215 jun/14 202 jun/15 214
nov/13 218 jul/14 226 jul/15 203
dez/13 195 ago/14 209 ago/15 208
set/14 207 set/15 216
out/14 227 out/15 194
nov/14 210 nov/15 227
dez/14 193 dez/15 180

203
TOTAL KWH: 7308 MÉDIA: KWH
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Ad argumentandum, caso Vossa Excelência não se convença da planilha com
base nos cálculos da conta “ Detalhamento do Cálculo do Consumo Irregular a
Autora trouxe aos autos as faturas anteriores ao período de irregularidade isto
é 10/2008 a 10/2009 uma vez que o período da suposta irregularidade teve inicio
em: 11/2009. Assim pela planilha abaixo a media de consumo da autora com
base nas três ultimas contas anteriores a irregularidade ( ago/set/out/2009)
ficou no patamar de 220,6 Kwh/mês conforme planilha abaixo.

MEDIA CONSUMO TRES ULTIMAS CONTAS ANTER A IRREGULARIDADE


FATURAS 03 ULTIMOS MESES ANTERIORES Consumo KWH
ago/09 234
set/09 201
out/09 227
TOTAL 662
MÉDIA TRES ULTIMAS FATURAS 220,6

Entretanto, o consumo mensal de referência adotado pela Ré foi de


251kwh, conforme constante no “Cálculo de Consumo Irregular” em anexo
( vide documento id nº 49132567) , o que não procede e que realmente colabora
para enriquecimento sem causa por parte da Ré, deixando de refletir de modo
razoável o suposto consumo não registrado, como faz crer a prova coligida aos
autos.

Aliás, a jurisprudência se posicionou nesse sentido, senão vejamos:

AÇÃO PARA ANULAÇÃO DE DÉBITO DE ENERGIA ELÉTRICA NÃO


FATURADA - IRREGULARIDADE NO MEDIDOR - PROCEDIMENTO DE
REVISÃO DE FATURAMENTO IRREGULAR - INSUBSISTÊNCIA DO
CRÉDITO COBRADO. Constatada a existência de irregularidade no
procedimento de revisão do faturamento de energia elétrica pela empresa
concessionária, torna-se insubsistente o crédito faturado contra o consumidor.
V.V.P. (TJMG. Proc. 1.0313.07.218622-1. Rel. ANTÔNIO SÉRVULO. DOU
17/10/2008) (Grifo nosso)

Ademais, conforme dito em linhas alhures cabia à Ré informar o real prejuízo,


o que não ocorreu. É este o entendimento da jurisprudência, senão vejamos:

ADMINISTRATIVO. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO


PÚBLICO. ENERGIA ELÉTRICA. EMPRESA PRIVADA.
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MEDIDOR DE ENERGIA. FRAUDE NO MEDIDOR DE ENERGIA
ELÉTRICA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBSERVÂNCIA.
CÁLCULO ESTIMATIVO. VALOR ADICIONAL. RESOLUÇÃO N.
456, ANEEL. ARTS. 72 E 73. VALIDADE. - A simples
constatação de irregularidade no medidor não é bastante a,
por si só, caracterizar o consumo indevido de energia
elétrica. - É necessário que a concessionária de serviço público
apure a real situação do equipamento, em procedimento no qual
seja facultada a participação ao usuário, para somente então,
concluir-se pela existência ou não de valor adicional a ser
cobrado, tudo nos termos da Resolução 456/00 da ANEEL. (...)
(TJMG. Proc. 1.0525.07.118544-7/001. Rel. ALBERTO VILAS
BOAS. DOU 08/07/2008) (Grifo nosso)

FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA - FRAUDE NO


MEDIDOR - AUSÊNCIA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE
EXCESSO DE CONSUMO NÃO REGISTRADO - ANULAÇÃO
DO DÉBITO - POSSIBILIDADE -- APURAÇÃO UNILATERAL -
RESOLUÇÃO 456/2000 DA ANEEL - INOBSERVÂNCIA -
CORTE NO FORNECIMENTO - IMPOSSIBILIDADE. - Nas
hipóteses de suposta irregularidade no medidor da unidade
consumidora, deve a concessionária de serviço público
demonstrar que, nesse período, o consumo de energia
elétrica auferido é inferior ao correto, sendo certo que só se
justifica o pagamento de débitos pelo consumidor se o valor
anteriormente lançado é incorreto, sob pena de
enriquecimento ilícito. (TJMG, 3ª Câmara Cível, Apelação Cível
n° 1.0024.05.632687-9/001, Rel. Des. Dídimo Inocêncio de
Paula, Julgamento 13/09/2007, DJ 21/09/2007). (Grifo nosso)

Ademais, o “cálculo de recuperação que utiliza como base o maior consumo


diário dos últimos doze meses anteriores ao início da irregularidade, viola o princípio
da razoabilidade, face a desproporcionalidade em relação aos demais meses”.

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(TJMG. Proc. 1.0687.07.056362-6/001. Rel. Teresa Cristina da Cunha Peixoto. DOU
17/04/2009)

É necessário registrar que o imóvel em questão trata-se de UM PEQUENO


APARTAMENTO residencial de aproximadamente 50 m 2 e possui entrada de luz
natural, tornando-se desnecessária iluminação gerada por energia elétrica uma vez
que a utilização da mesma ocorre apenas e tão somente em horário noturno.

Para tanto a autora carrea aos autos os seguintes aparelhos eletrodomésticos (


vide documento id nº 49132598:

 01 tv hd Samsung Plasma 42 polegadas PL 42B450, consumo em média de


240 W;

 01 aparelho DVD Sony modelo DVP –NS325, com consumo aproximado de


13w;

 01 som mini sistem Phillips FWM371, com consumo aproximado de 80 W;

 01 conversor digital modelo Digital Tech PVR 1818, sem discriminação de


consumo de energia;

 01 home theater Vicini;

 01 refrigerador modelo BRG29ECA88, capacidade de 384 litros , com


consumo aproximado de 1,3 A.

 01 Lavadora Brastemp 11 kg modelo BWL11, de 110 vots;

 01 micro ondas modelo Eletrolux MTD 30, com potencia de 1130 W;

 01 forno elétrico Britânia BR 31 , com consumo aproximado de 0,91 kw/h;

 01 televisor modelo Samsung 29 polegadas;

 01 chuveiro elétrico modelo Enerducha Plus, de 127 volts de 5400 Watts;

 01 computador desktop , com capacidade de 24 W;

 01 ferro elétrico modelo Electrolux Steam Line SLV 10.

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Os aparelhos acima descritos não são suficientes a deflagrar o exagerado consumo ,
constantes da apuração ora levantadas pela Ré. Desta feita, faz jus a Autora seja o
débito julgado inexistente pela flagrante violação ao preceito legal supra.

III. 4 Do Custo administrativo – Ausência de prova de prejuízos – Ilegalidade –


enriquecimento sem causa por parte da Ré

Conforme determina o art 131 da Resolução 414/2010 a distribuidora pode cobrar,


adicionalmente o custo administrativo incorrido com a realização da inspeção in loco,
segundo o grupo tarifário e o tipo de fornecimento da unidade consumidora, conforme
valores estabelecidos em resolução especifica.
Conforme termo de memoria de calculo foi cobrado da autora a titulo de custo
administrativo o valor de R$ 106,34.
A autora sequer recebeu o TOI Termo de Ocorrência e Inspeção, quando da
lavratura da ocorrência no local, bem como não provou a Ré qual o dano
supostamente causado pela autora. O próprio TOI não relata qual valor ou tipo de
equipamento que fora violado ou danificado.

Neste sentido é a jurisprudência:

APELAÇÃO CÍVEL - FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA


- CEMIG - VIOLAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE MEDIÇÃO -
CÁLCULO DE RECUPERAÇÃO DE CONSUMO - REVISÃO DO
CRITÉRIO DE CÁLCULO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.(...)
Cobrança de percentual a título de custo administrativo que
tem por fim indenizar a concessionária pelas despesas que
despendeu com a constatação da irregularidade, não pode
incide automaticamente, cabendo à concessionária
comprovar os prejuízos que sofreu para que possa ser
indenizada. (TJMG. Proc. 1.0687.07.056362-6/001. Rel. Teresa
Cristina da Cunha Peixoto. DOU 17/04/2009) (Grifo nosso)

Registra-se, apenas, que o referido custo administrativo tem por fim indenizar
a concessionária (Ré) pelas despesas que despendeu com a constatação da suposta

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irregularidade, laudo técnico, etc, não se tratando de verba que incida
automaticamente, pelo que também faz jus a Autora seja a mesma declarada nula.

IV - DA TUTELA DE URGÊNCIA

O NOVO CPC/2015 disciplinou, no Livro V, a TUTELA PROVISÓRIA, podendo


fundamentar-se em urgência ou evidencia ( art 294 NCPC).

A tutela de urgência esta elencada no art. 300 do novo código que assim dispõem:
Art. 300- a tutela de urgência será concedida quando
houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do
processo.
Nas palavras de Freddie Diddier Jr.
A probabilidade do direito a ser provisoriamente
satisfeito/realizado ou acautelado e a plausibilidade de
existência desse mesmo direito. O bem conhecido fumus boni
iuris (ou fumaça do bom direito). O magistrado precisa avaliar
se há “ elementos que evidenciem” a probabilidade de ter
acontecido o que foi narrado e quais as chances d êxito do
demandante ( art. 300, CPC). Um considerável grau de
plausibilidade em torno da narrativa dos fatos trazida
pelo autor É preciso que se visualize, nessa narrativa, uma
verdade provável sobre os fatos, independentemente da
produção de prova (DIDDIER JR,2015,p.595)

Neste caso in concreto, o pedido liminar inaudita altera pars visa garantir a
Autora a continuidade do fornecimento de energia elétrica à sua unidade consumidora,
ante a ofensa ao seu direito no caso de interrupção pela Ré frente à cobrança do débito
que aqui se discute. Para tanto, indispensável à presença do fumus boni iuris e do
periculum in mora.
a probabilidade do direito no presente caso, se consubstancia no ATO ILÍCITO
PRATICADO PELA RÉ. O Aviso de Débito de Irregularidade que foi enviado pela
Ré, acostado a presente ação, denota a mais pura e simples ameaça ao direito da
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Autora, pois em não satisfazendo seu pleito, tomará “as providências judiciais
cabíveis, sem prejuízo de outras providencias aplicáveis”.
É notória a prática reiterada da Ré em interromper o fornecimento de energia elétrica
numa forma de coagir os consumidores a liquidar seus débitos perante a mesma. In
casu, a cobrança ora discutida não se refere a débitos de conta regular, mas sim
de débitos relacionado à suposta irregularidade no medidor de energia elétrica.
Logo, paira dúvida acerca da legalidade da respectiva cobrança, cujo objeto desta ação
é obter a declaração de sua inexistência.

Já o Perigo de dano se faz presente com a iminência da Ré em cortar a Energia


da autora. Para tanto deve se esclarecer que a autora e pessoa idosa e com
mobilidade reduzida, o que de fato prejudicará categoricamente a autora caso a
energia seja cortada, visto que tal procedimento fere o direito do consumidor,
pois a cobrança se refere à Ré compelir a autora a pagar uma fatura relativa à
suposta irregularidade em medidor de energia elétrica.

A jurisprudência tem se posicionado nesse sentido, senão vejamos:

ADMINISTRATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. FRAUDE NO


MEDIDOR. PERÍCIA UNILATERAL. DÍVIDA CONTESTADA
JUDICIALMENTE. INTERRUPÇÃO NO FORNECIMENTO.
ILEGALIDADE. 1. e 2 (omissis). 3. Contestada em juízo dívida
apurada unilateralmente e decorrente de suposta fraude no
medidor do consumo de energia elétrica, há ilegalidade na
interrupção no fornecimento de energia elétrica, uma vez
que esse procedimento configura verdadeiro
constrangimento ao consumidor que procura discutir no
Judiciário débito que considera indevido. 4. "Tornado o
débito litigioso, o devedor não poderá sofrer nenhuma
retaliação por parte do credor" (...) (REsp 834954/MG, Rel.
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 27.06.2006,
DJ 07.08.2006 p. 213) (Grifo nosso)

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CONSUMIDOR. COBRANÇA DE DÉBITO PRETÉRITO. CORTE
DE ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES
DO STJ. RECURSO NÃO-PROVIDO. A tese recursal da
CEMIG de que é possível a suspensão do fornecimento de
energia elétrica para cobrar débitos pretéritos decorrentes
de irregularidade no medidor da unidade consumidora do
apelado contraria a jurisprudência dominante do Superior
Tribunal de Justiça que veda tal expediente para cobrar
débitos pretéritos. O corte de energia elétrica pressupõe o
inadimplemento de conta regular, relativa ao mês do
consumo, sendo inviável a suspensão do abastecimento em
razão de débitos antigos.” (...) (TJMG - Apelação Cível n°
1.0194.07.067357-0/001 – Rel. Maria Elza - J. 04/12/2007) (Grifo
nosso)

Portanto, diante da presença dos requisitos e da finalidade de se evitar o dano


irreparável à Autora, a mesma faz jus à concessão da TUTELA DE URGENCIA PARA
QUE DETERMINE ESTE JUÍZO QUE DETERMINE AO RÉU QUE SE ABSTENHA
DE CORTAR A ENERGIA ELÉTRICA DA AUTORA. TUDO SOB PENA DE MULTA
PECUNIÁRIA A SER ARBITRADA PELO DOUTO JUIZO, conforme estabelecido no
art. 300 caput do Novo Código de Processo Civil.

V - DOS PEDIDOS

Diante do exposto é pedido à V. Exa. DEFERIR, INAUDITA ALTERA PARS, a


CONCESSÃO DO PEDIDO LIMINAR, em face da presença dos requisitos legais e a
inexistência dos débitos alegados pela Ré, determinando, URGENTEMETE:

A) Que a Ré se abstenha de tomar qualquer medida e/ ou ato no sentido de


interromper o fornecimento regular de energia elétrica para a unidade
instalada no logradouro da Autora, instalação n° 3005484292, referente ao
débito cobrado pela suposta irregularidade constante no Termo de Ocorrência n°
077474/12, sob pena de multa no valor de R$ 1.000,00 ( mil reais por cada
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descumprimento), em favor da autora;
B) Que a Ré se abstenha de inscrever o nome da Autora nos órgãos de proteção
ao crédito pelo débito cobrado pela suposta irregularidades constantes no Termo
de Ocorrência nº 077474/12;
Após a concessão da presente medida liminar ( tutela de urgência), requer
em tempo, seja julgada procedente a presente ação na totalidade de seus
pedidos para:
C) Conceder, nos termos do art. 6º, inc. VIII, a inversão do ônus da prova em
favor da Autora;
D) Seja julgado procedente declaração de inexistência do débito referente
ao Cálculo de Consumo Irregular processo n° CE-26.584/2016, no valor
originário de R$ 6.453,46 ( Seis mil quatrocentos e cinquenta e três reais e
quarenta e seis centavos), bem como a declaração de inexistência de
responsabilidade da Autora pelas supostas irregularidades constatadas no Termo
de Ocorrência e Inspeção referente ao processo administrativo acima descrito;
E) Condenação a título de DANOS MORAIS NO IMPORTE DE R$ 10.000,00 ou
o valor que D. Juízo entender justo;
F) Determinar a citação do Réu no endereço inicialmente indicado, pra, querendo,
apresentar defesa, bem como comparecer às audiências designadas por esse
juízo, sob pena de revelia;

G) Seja a Ré condenada ao pagamento dos honorários advocatícios no importe


não inferior a 20% (vinte por cento) do valor da condenação, bem como custas,
despesas processuais e demais cominações legais;
H) O deferimento da GRATUIDADE DA JUSTIÇA, nos termos do artigo 98 do
Código de Processo Civil, conforme declaração em documento anexo, visto que a
parte autora e hipossuficiente, vivendo apenas com 01 salario mínimo, sem
prejuízo de seu sustento.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive
prova testemunhal, depoimento pessoal da representante da demandada sob pena de
confissão, juntada ulterior de documentos e tudo mais que se fizer necessário para a
perfeita resolução da lide, o que fica, desde logo, requerido.

V – DO VALOR DA CAUSA
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Nos termos do artigo 292 da se o valor da causa em R$ 16.453,46 ( Dezesseis mil
quatrocentos e cinquenta e três reais e quarenta e seis centavos).

Nestes termos, pede deferimento.


Belo Horizonte, 08 de Agosto de 2018.

_______________________
ADVOGADO
OAB/UF

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