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TEMA PEDAGÓGICO

LIDERANÇA

Autoria: Prof.ª Msc. Edna Mara Baars

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Pró-Reitor da Pós-Graduação EAD: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel

Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz
Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli
Prof. Ivan Tesck
Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2015


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
Sumário

1. Apresentação........................................................................7

2. Liderança...............................................................................8

3. Liderança em Administração ............................................10

4. Liderança em Educação.....................................................11

5. Teorias da Liderança..........................................................12

6. Estilos de Liderança .........................................................14

7. Tipos de Líder......................................................................15

8. Líder Carismático...............................................................15

9. Líder Transacional.............................................................17

10. Líder Transformacional..................................................18

11. As Características e Habilidades de Liderança ..........19

12. As Competências da Liderança ......................................20

13. Referências ......................................................................24


tema pedagógico

1. Apresentação

A liderança vem sendo estudada há muitos anos, vários estudiosos


preocupam-se em delinear características, atitudes, influências e experiências
que melhor definem o profissional cujas ações são efetivas diante dos objetivos
organizacionais.

A preocupação com a liderança é tão antiga quanto a história


escrita: A república de Platão constitui um bom exemplo
dessas preocupações iniciais ao falar da adequada educação e
treinamento dos líderes políticos, assim como da grande parte
dos filósofos políticos desde essa época procuraram lidar com
esse problema. (FIEDLER apud BERGAMINI, 1994, p. 103).

Contudo, sua definição não é comum, como nos informam Bennis e Nanus
(apud BERGAMINI, 1994, p. 103) “Assim como o amor, a liderança continuou a
ser algo que todos sabiam que existia, mas ninguém podia definir”.

A escola e a sociedade do presente se deparam com mudanças significativas


na sua forma de atuação, e os métodos que temos como adequados não
produzem os resultados que desejamos.

Os agentes da educação, mesmo recebendo uma formação que consideramos


adequadas ao ambiente em que vivemos, não conseguem responder aos desafios
que nos são impostos quanto às necessidades da sociedade. O momento atual
nas escolas exige que todos os agentes da educação desenvolvam novas formas
de ensinar. Assim, os professores devem procurar entender as necessidades
atuais da sociedade e criar um futuro, a partir do momento presente que vivemos.

O mesmo ocorre em organizações empresariais, os líderes precisam atender,


ao mesmo tempo, os objetivos da organização e os objetivos dos colaboradores,
traçando estratégias e métodos, visando ao futuro.

Este é o papel esperado da liderança: criar um futuro promissor.

Este estudo visa definir liderança na concepção da pedagogia e da ciência


administrativa, seus conceitos e linhas de atuação. Abordaremos, ainda, as
principais características do líder e como podemos obter os melhores resultados
pela utilização dessas características.

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tema pedagógico

2. Liderança
Muitos entendem a liderança como um dom para influenciar e motivar
pessoas, de forma que realizem, com emprenho e dedicação, atividades
delegadas pelo líder.

Gruber (2001, p. 18) nos esclarece, dizendo que:

Liderar significa compartilhar objetivos, ouvir sugestões, delegar


poder, informar, debater, mobilizar esforços, transformar grupos
em verdadeiras equipes. Consequentemente, o incentivo ao
crescimento de pessoas torna-se pressuposto cada vez mais
necessário, importante e valorizado. [...] O líder promove a
verdadeira gestão participativa, que ultrapassa as fronteiras
da empresa e amplia a interação com a sociedade. Como
consequência, ocorre o aumento da competência profissional
de cada colaborador.

Para Kuczmarski (1999 apud SILVA, 2008, p. 5), liderança é o resultado


de fazer com que as pessoas ajam por meio de um grupo. Isso requer que uma
direção seja dada ao esforço do grupo e que o compromisso seja tomado por
seus próprios membros. A autora considera que liderança é a responsabilidade
por um grupo.

Se não houver grupo, não há necessidade de líder. Em vista de todos


trabalharem em grupos, todos precisam de habilidades de liderança. “A liderança
aprendida é um processo contínuo. A pessoa não se torna repentinamente um líder,
nem para de aprender as habilidades de liderança” (KUCZMARSKI, 1999, p. 181).

O conceito do ambiente de trabalho como educador se baseia


na ideia de que a liderança é responsabilidade de todos os
membros do grupo e não apenas de um determinado elemento.
A liderança é aprendida quando os indivíduos interagem em um
grupo - quando relações pessoais são formadas e a confiança
desenvolvida. Mas o grupo deve ser participativo, dar apoio e
demonstrar constantemente esta confiança. A fim de facilitar
o crescimento pessoal e o desenvolvimento da liderança, o
ambiente de trabalho deve ser aberto e receptivo. Ambientes
autocráticos não ensinam liderança. Pelo contrário, induzem
os membros do grupo a ações ou atitudes que quase sempre
refletem os interesses do líder, em detrimento dos interesses
grupais. (SILVA, 2008, p. 5).

Segundo Tannenbaum, Weschler e Massarik (1970), “Liderança é a


influência interpessoal exercida numa situação e dirigida através do processo da
comunicação humana à consecução de um ou de diversos objetivos específicos”.

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A influência é uma força psicológica; abrange todas as maneiras


pelas quais se introduzem mudanças no comportamento
de pessoas ou de grupos e envolve conceitos como poder e
autoridade.
Palavras como influência, adeptos, colaboradores e outras
similares resultam em uma importante condição para a
liderança: o consentimento; que é diferente do tipo de obediência
gerado pela autoridade formal, também definida como poder
formal (Maximiano, 2005). Falando em poder, vamos explicar
um pouco melhor sobre esta palavra tão forte e almejada por
tantas pessoas, assim como de um tipo específico, que é o
poder legítimo (autoridade). (SILVA, 2008, p. 6).

Veja as definições de liderança apresentadas nos dicionários Houaiss e


Aurélio:

Liderança, segundo o dicionário Houaiss, é substantivo feminino,


definido como:

1. Função, posição, caráter de líder.


2. Espírito de chefia, autoridade, ascendência.
3. Derivação por metonímia. Pessoa que possui esse espírito; líder.

O termo liderança, segundo o Dicionário Aurélio, é um


substantivo feminino, definido como:

1. Função de líder.
2. Capacidade de liderar; espírito de chefia.
3. Forma de dominação baseada no prestígio pessoal e aceita
pelos dirigidos.

Fonte: Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/75318482/Apostila-


Competencias-de-Lideranca-2008>. Acesso em: 28 jun. 2015.

Considerando o texto supracitado, percebe-se que a liderança é exercida


com uma equipe e através dela. Você será considerado líder se conseguir atrair
seguidores, ninguém é líder de si mesmo. Para que sejamos considerados líderes,
devemos ter seguidores.

Diante das mudanças promovidas pela globalização, associadas às


exigências de produção e competitividade, além das incertezas do cenário

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atual, passou-se a discutir com maior ênfase sobre liderança. Logo, no campo
empresarial, existe uma preocupação constante com os rumos da organização,
o que implica uma gestão cujos líderes trabalham em prol do desenvolvimento
contínuo de sua equipe. Enquanto isso, no campo educacional, a preocupação
é voltada ao sucesso educativo e à gestão participativa, o que implica uma
educação básica encarada como responsabilidade de todos.

Ante o exposto, vamos conhecer um pouco sobre como se dá a liderança


nos âmbitos empresarial e educacional. Vamos lá!

3. Liderança em Administração

De acordo com John P. Kotter, os administradores de hoje precisam saber


como liderar e como administrar, caso contrário, suas empresas não sobrevivem
aos concorrentes. Após pesquisar sobre o assunto, ele verificou as seguintes
distinções entre administração e liderança:

A administração é mais formal e científica do que a liderança. Ela se baseia


em habilidades universais, como o planejamento, a organização, a liderança e
o controle. A administração é um conjunto de ferramentas e técnicas explícitas,
baseadas no raciocínio e na experiência, que podem ser usadas em uma grande
variedade de situações.

A liderança, ao contrário, implica ter uma visão do que a organização pode vir
a se tornar. A liderança requer trazer à tona a cooperação e o trabalho em equipe
de uma ampla rede de pessoas e manter motivadas as pessoas chave dessa
rede, utilizando todos os tipos de persuasão.

Diante dessa diferenciação entre um administrador e um líder, veja o texto


abaixo sobre a liderança nas empresas modernas:

Um líder de sucesso nas empresas modernas é aquele


que conhece seus colaboradores um por um, confia em suas
capacidades, sabe delegar e dar os  feedbacks  necessários à
evolução, aperfeiçoamento e crescimento do grupo do qual faz parte.
Esse líder sabe planejar ações e montar boas estratégias, sendo
visionário e mensurando os resultados para que eles possam ser
melhorados continuamente, primando sempre pela qualidade.

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Para ser esse líder, é preciso ter qualidades fundamentais,


como respeito, flexibilidade, lealdade e capacidade de ouvir e aceitar
as contribuições de sua equipe. É importante correr riscos, saber
lidar com eles e com os erros que poderão ser cometidos. Além
disso, é necessário assumir responsabilidades e ter competência
para gerenciar e realizar suas tarefas de modo que satisfaça
colaboradores e empresa.

Esse perfil de liderança se tornou valorizado a partir do momento


que as exigências e as regras do mercado mudaram, estimuladas
pela globalização e alta competitividade. Viu-se a necessidade de
renovação dos modelos de liderança existentes. Hoje as empresas
anseiam por equipes produtivas, eficientes e com capacidade de
adaptação às mudanças, sendo essa uma das principais missões
dos líderes atuais.

Fonte: Disponível em: <http://www.ibccoaching.com.br/tudo-sobre-coaching/o-


que-e-lideranca-nas-empresas-modernas/>. Acesso em: 02 set. 2015.

4. Liderança em Educação

Atualmente a escola, bem como o sistema educativo, é o centro da atenção


da sociedade, pois é importante tanto para o desenvolvimento quanto para a
qualidade de vida e outras demandas sociais das crianças e das pessoas que
circundam o âmbito escolar.

Essa realidade desafia os gestores escolares, pois exige deles novas


atenções, conhecimentos, habilidades e atitudes que apontam para a necessidade
de competências para a tomada de decisões.

A partir do exposto, leia o texto abaixo sobre a liderança do gestor escolar:

A escola é uma organização que sempre precisou mostrar


resultados - o aprendizado dos alunos. Porém, nem sempre eles são
positivos. Para evitar desperdício de esforços e fazer com que os
objetivos sejam atingidos ano após ano, sabe-se que é necessária
a presença de gestores que atuem como líderes, capazes de

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implementar ações direcionadas para esse foco. A concepção de que


a liderança é primordial no trabalho escolar começou a tomar corpo
na segunda metade da década de 1990, com a universalização do
ensino público. A formação e a atuação de líderes, até então restritas
aos ambientes empresariais, foram adotadas pela Educação e
passaram a ser palavra de ordem para enfrentar os desafios.

Na comunidade escolar, é recomendável que essa liderança


seja exercida pelo diretor. Mas a educadora paranaense Heloísa
Lück, diretora educacional do Centro de Desenvolvimento Humano
Aplicado (Cedhap), em Curitiba, e consultora do Conselho Nacional
de Secretários de Educação (Consed), vai além. Ela defende
o estímulo à gestão compartilhada em diferentes âmbitos da
organização escolar. Onde isso ocorre, diz ela, nasce um ambiente
favorável ao trabalho educacional, que valoriza os diferentes talentos
e faz com que todos compreendam seu papel na organização e
assumam novas responsabilidades.

Fonte: Disponível em: <http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/


toda-forca-lider-448526.shtml>. Acesso em: 02 set. 2015.

5. Teorias da Liderança

A liderança gera grandes efeitos e benefícios, dessa maneira, é um tema que


vem sendo amplamente estudado e treinado dentro das organizações, podendo ser
natural ou adquirida. Ao longo dos anos, surgiram diferentes teorias da liderança,
com o objetivo de entender, analisar e definir melhor como essa dinâmica funciona,
quais circunstâncias que levam uma pessoa a se tornar um verdadeiro líder.

Abaixo listamos as teorias que mais se destacam:

Quadro 1 – Teorias da liderança

Defende que a posse de certos traços de caráter e de personalidade


permitiria a certos homens acesso ao poder. Dessa forma, julgava-se ser
possível encontrar traços de personalidade universais nos líderes que os
Teoria dos traços distinguiam dos não-líderes. Bryman (1992) retrata três grandes tipos de
de personalidade traços que a literatura trata, fatores físicos, habilidades características
e aspectos de personalidade. O que interessava aos pesquisadores da
época era poder eleger dentre certos atributos quais os que melhor defi-
niriam a personalidade do líder. (SGANZERLA, 2004, s/p).

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Na sua forma mais simples, a tese situacional defende a ideia de que a


situação faz surgir o líder necessário e conveniente; ou seja, os grupos
escolheriam o líder ou líderes adaptados às suas necessidades. (SGAN-
Teoria contingencial ZERLA, 2004, s/p).
ou situacional A abordagem caracterizada por Fiedler sugere que os estilos de lide-
rança são relativamente inflexíveis. Portanto, ou os líderes devem estar
adequados a uma situação particular ou a situação deve ser mudada
para se adequar ao líder. (SILVA, 2008, p. 14).
House e Mitchell (1974 apud ONO, 2006, p. 54-55)  informam que o “pro-
pósito da teoria é o de explicar o relacionamento entre o comportamento
do líder e a motivação de seus subordinados”. E “descrevem os quatro
tipos de comportamento do líder considerados na teoria: liderança direti-
va, liderança apoiadora, liderança participativa e liderança orientada para
o resultado”, detalhadas a seguir.
A liderança diretiva é caracterizada por um líder que deixa claro aos
subordinados o que é esperado deles, proporciona orientação específica
sobre o que deve ser feito e como isto deve ser realizado.
A liderança apoiadora tem como característica um líder acessível, que
Teoria do Caminho
se preocupa com o bem-estar e as necessidades de seus subordinados.
- Meta
Esse tipo líder realiza coisas para deixar o trabalho mais prazeroso, trata
os membros como iguais e se coloca como amigável e acessível.
A liderança participativa é caracterizada por um líder que consulta seus
subordinados, solicita suas sugestões e leva em consideração essas su-
gestões antes de tomar decisões.
A liderança orientada para o resultado é caracterizada por um líder que
determina metas desafiadoras, espera de seus subordinados o mais alto
desempenho, busca a melhoria continua do desempenho e demonstra
alto grau de confiança de que os subordinados assumirão as responsabi-
lidades, dedicarão maiores esforços e cumprirão as metas desafiadoras.
A abordagem comportamental se concentrou nas funções e nos estilos
de liderança. Os pesquisadores descobriram que tanto as funções rela-
tivas às tarefas quanto às funções de manutenção do grupo devem ser
realizadas por um ou vários membros do grupo, para que ele funcione
bem. Estudos sobre os estilos de liderança distinguem, por um lado, uma
Teoria Comporta- estrutura orientada pela tarefa – autoritária ou de iniciação – visando à
mental direção e produção e, por outro lado, um estilo centrado no empregado
– democrático e participativo – dando apoio às suas necessidades e às
necessidades de manutenção do grupo. Dessa forma, deduzia-se que
os comportamentos poderiam se aprendidos. Assim, pessoas treinadas
nos comportamentos de liderança apropriados seriam capazes de liderar
com maior eficácia. (ACIOLY, 2007, p. 22).
Fonte: O autor.

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6. Estilos de Liderança

O líder eficaz tem estilo pessoal adequado ao ambiente e aos subordinados.


Cada grupo possui desempenho próprio, o que nos leva a concluir que não existe
um estilo que se recomende como o melhor, todos têm prós e contras. Veja o
artigo abaixo para outras conclusões.

Uns mais amorosos, outros mais impositivos. Cada líder tem


seu estilo bem particular de gerir pessoas. Na média, segundo
pesquisa do Hay Group, os brasileiros tendem a ser mais coercitivos
e democráticos na hora de coordenar seus subordinados.

Mas, afinal, existe o estilo perfeito de liderança? A resposta é,


definitivamente, não. Para Caroline Marcon, gerente do Hay Group, o
importante é a autenticidade. “Acima de tudo, o líder perfeito tem de
ser autêntico”, diz.

O autoconhecimento é fundamental para que fragilidades e


fortalezas sejam administradas de forma eficiente, sem perder o
foco. “Você pode até ter tendência a um perfil específico, mas tem de
ter flexibilidade suficiente para aprender e incorporar outros estilos
em caso de necessidade”, afirma.

Fonte disponível em: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/pros-


e-contras-dos-6-estilos-de-lideranca>. Acesso 28 de maio.2015.

Os estilos de liderança são reconhecidos desde a Antiguidade clássica,


assim como suas disfunções: o excesso de democracia (a demagogia) e a tirania
(o abuso da autoridade), os quais são sintetizados no quadro 2.

A principal teoria que explica a liderança através de estilos de comportamento


é a que se refere à três estilos de liderança: autoritária, democrática e liberal
(Chiavenato, 1993, p. 264), as quais destacaremos a seguir.

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Quadro 2 – Estilos de Liderança

Autocrática Democrática Liberal (Laissez-faire)


Há liberdade completa para
As diretrizes são debatidas e
O líder fixa as diretrizes, sem as decisões grupais ou indivi-
decididas pelo grupo, estimula-
qualquer participação do grupo. duais, com participação míni-
do e assistido pelo líder.
ma do líder.
O grupo esboça as providên-
O líder determina as providên- cias e as técnicas para atingir A participação do líder no de-
cias e as técnicas para a exe- o alvo, solicitando aconselha- bate é limitada, apresentando
cução das tarefas, cada uma mento técnico ao líder quando apenas materiais variados
por vez, à medida que se tor- necessário, passando a sugerir ao grupo, esclarecendo que
nam necessárias, e de modo alternativas para o grupo esco- poderia fornecer informações
imprevisível para o grupo. lher, surgindo novas perspecti- desde que as pedissem.
vas com os debates.
O líder não tenta avaliar ou
O líder procura ser um mem-
O líder é dominador e “pesso- regular o curso dos aconteci-
bro normal do grupo. O líder é
al” nos elogios e nas críticas mentos. O líder somente co-
“objetivo” e limita-se aos “fatos”
ao trabalho de cada membro. menta sobre as atividades dos
em suas críticas e elogios.
membros quando perguntado.
Fonte: Silva (2008, p.11).

7. Tipos de Líder

Nesta seção, vamos estudar os tipos de líderes e suas habilidades para


fazer frente aos desafios que enfrentamos no presente século. Destacaremos
os três principais tipos, embora as pesquisas façam referência a outros, nos
concentraremos nos mais importantes de nossa época.

8. Líder Carismático

O relacionamento interpessoal é uma ferramenta que os profissionais que


exercem a função de liderança usam para alcançar seus objetivos. Carisma
também é uma das características que encontramos nos grandes líderes da
humanidade, como Martin Luther King, Nelson Mandela, entre outros. O líder
carismático é admirado pela equipe e possui capacidade para atrair e motivar
as pessoas para uma ação especifica, além disso, o líder carismático tem a
habilidade de promover o crescimento pessoal e profissional dos liderados.

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O líder carismático gera confiança, ele conhece suas habilidades e


competências, para reconhecer os pontos que precisa melhorar. Esse tipo de
líder possui habilidades bem desenvolvidas para se comunicar com os liderados,
sabe usar palavras para cativar sua equipe e alcançar as metas estabelecidas.
Em função da habilidade de comunicação, o líder carismático é bom ouvinte e
conhece as necessidades de seus liderados e, dessa forma, alcança resultados
com bastante frequência.

Os carismáticos possuem uma visão, e com isso estão dispostos


a enfrentar e correr riscos com essa visão, os líderes carismáticos
são sensíveis tanto as limitações ambientais quanto ás necessidades
de seus liderados e demonstram comportamentos diferenciados
dos comuns. Os líderes carismáticos iniciam articulando uma visão
atrativa. Ele comunica suas expectativas de alto desempenho e
expressa total confiança sobre seus liderados que certamente irão
conseguir alcança-las. É através das palavras e ações, oferecendo
um sistema diferenciado de valores a ser seguido pelos liderados.

Geralmente, o líder carismático submete – se a auto – sacrifícios


e se engaja em determinados comportamentos não convencionais
de modo que demonstrem coragem e convicção na sua visão. A
liderança carismática correlaciona a altos índices de desempenho e
satisfação plena ente os liderados. Alguns especialistas defendem
que as pessoas podem obter um treinamento a fim de possuir um
comportamento carismático e, dessa forma, desfruir dos benefícios
de um líder carismático.

O carisma é apropriado quando a tarefa dos liderados acrescenta


um componente ideológico ou até mesmo quando o ambiente está
envolvido em certo grau de incerteza ou tensão. Isso é o reflexo de
que o líder carismático surge através da política, na religião ou em
determinados tempos de guerra, ou quando a empresa inicia – se
sua vida nova enfrentando uma crise.

A liderança carismática, transformadora ou inspiradora são


nomes utilizados aos líderes que oferecem como recompensa
a própria realização da tarefa. Um líder carismático ao oferecer
recompensas de conteúdo moral e ao possuírem seguidores fieis (ao
contrário aos mercenários). O líder carismático faz seus seguidores
superarem seus interesses próprios e trabalham exclusivamente na

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realização da missão, causa e meta. Para chegar a esse grau de


comprometimento e realização, os lideres fornecem atenção especial
para as necessidades e potencialidades dos seus seguidores.

Fonte disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/


cotidiano/lideranca-carismatica/83465/>. Acesso 10 jul. 2015

9. Líder Transacional

A liderança transacional tem como foco a autoridade para recompensar a


troca, e dessa maneira, leva o liderado a fazer o que deve ser feito. A liderança
transacional aumenta constantemente o desempenho de uma organização
e podemos entender que os líderes transacionais usam seus interesses e as
necessidades primárias dos liderados para alcançar os objetivos da organização.

A característica de relação entre líder e liderado é o interesse da troca. O


líder oferece recompensa material, como aumentos de salário, em troca de um
esforço maior do liderado para alcançar o objetivo ou meta da organização.

A liderança transacional usa o conceito de que quando os liderados têm


o desempenho esperado serão recompensados, quando não alcançam o
desempenho esperado a recompensa é retida. Os líderes transacionais praticam
gerenciamento por exceção. Eles não têm interesse em fazer mudanças para
transformar o ambiente de trabalho, preferindo manter as coisas como elas são.

O estilo de liderança transacional contrapõe-se ao estilo


carismático: “o líder transacional se utiliza da negociação,
manipulação e promessa de recompensas para tentar induzir as
pessoas sob seu comando”.  Muitas situações de liderança são
baseadas num entendimento entre o líder e os seus seguidores.
Existe “um contrato social implícito indicando que se concordar
com o que o líder deseja fazer, o seguidor terá certos benefícios,
tais como remuneração melhorada ou a não demissão”. É o tipo de
liderança mais comumente exercido nas organizações. O interesse
dos liderados é o foco do líder transacional, que busca, através
da necessidade de cada liderado, motivar sua equipe através de
recompensas. O carisma, embora seja uma característica importante
num líder, não define o sucesso ou não de sua liderança. 

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Embora o fator psicológico seja importante para a motivação de


uma equipe no ambiente organizacional, a recompensa material também
se faz necessária para suprir possíveis necessidades dos liderados.

Fonte disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/academico/


lideranca-carismatica-x-lideranca-transacional/71008/>. Acesso em: 03 set. 2015.

10. Líder Transformacional

Como o próprio nome diz, a liderança transformacional é caracterizada pela


transformação do ambiente que o líder é capaz de promover. Esse líder tem como
foco a solução de problemas e a mudança do comportamento dos liderados. É
um referencial positivo e inspirador para os liderados. O líder transformacional
conduz o processo de comprometimento organizacional através do empowerment
dos funcionários para acompanhar as metas da organização.

O líder transformacional obtém o desempenho máximo de seus seguidores


por ser capaz de levá-los a buscar metas de sucesso e desenvolver habilidades
para solução de problema. A relação transformacional entre o líder e os seguidores
é vista como estimulo mutuo incluindo carisma, e motivação.

Os líderes transformacionais alinham os valores e as normas da organização


e, quando necessário, facilitam as mudanças. Os líderes inspiram os seguidores a
alcançarem retornos extraordinários por providenciarem tanto significado quanto
entendimento. Alinham objetivos e metas dos indivíduos e das organizações,
atuam como mentores e fornecem suporte e treinamento.

A liderança transformacional é caracterizada pela presença


de um líder capaz de transformar o ambiente e mudar a realidade
de qualquer lugar por onde passa. Este é um líder capacitado
para resolver problemas dos mais simples aos mais complexos,
visionário, estrategista e comprometido com o desenvolvimento de
seus liderados.

Independentemente da área de atuação, a liderança


transformacional é capaz de modificar comportamentos e formar
profissionais e pessoas melhores, tudo isso por meio de seus

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exemplos e atitudes. O líder transformacional é um gestor que serve


como um referencial positivo, cuja maneira com que ele trata as
pessoas, resolve lacunas e alcança resultados é fonte e inspiração
para todos.

Fonte: Disponível em: <http://www.jrmcoaching.com.br/blog/


conceito-de-lideranca-transformacional/>. Acesso em: 03 set. 2015.

11. As Características e
Habilidades de Liderança
Diversos pesquisadores já estudaram as habilidades, características ou atributos
de liderança. Robert Katz, professor de Harvard, diretor de empresas e consultor, foi
um dos primeiros a estudar as habilidades de liderança. Katz (1955) identificou três
grupos de habilidades básicas que um líder deveria possuir. Habilidades essas que
variavam de grau, conforme o nível de administração exercido.

Vejamos as habilidades de liderança identificadas por Katz (1955):

1. Habilidades Técnicas - definidas como o entendimento


e eficiência em uma atividade específica, que particularmente
envolva métodos, processos, técnicas e procedimentos. Envolve
conhecimento especializado, capacidade analítica e facilidade no
uso de ferramentas e técnicas dentro de uma determinada disciplina.

2. Habilidades Humanas – definidas como a capacidade


que o líder deve ter para trabalhar efetivamente como membro
de um grupo e para obter esforço cooperativo do grupo por ele
liderado. A real habilidade em saber trabalhar com outras pessoas
deve se tornar uma atividade contínua e natural, uma vez que a
mesma envolve sensibilidade não só nos momentos de tomadas
de decisões, mas também no dia-a-dia do comportamento de cada
um. Para esta habilidade ser efetiva, a mesma deve ser natural e
“inconscientemente” desenvolvida e, da mesma forma, de modo
consistente, ser demonstrada em cada ação do indivíduo.

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3. Habilidades Conceituais - consistem na capacidade de


visualizar o empreendimento como um todo, isto é, reconhecer como
as várias funções dentro da organização são interdependentes,
e como mudanças em cada parte podem afetar todas as demais.
Pode-se dizer que a habilidade conceitual incorpora considerações
dos demais aspectos, técnico e humano. Ainda que o conceito de
“habilidade” seja a capacidade de transformar conhecimento em
ação, o líder deve ser capaz de transitar entre as três habilidades,
ao desempenhar atividades técnicas (habilidades técnicas), ter
entendimento e motivação em nível individual e de grupo (habilidades
humanas), promover a coordenação e integração de todas as
atividades da organização conduzindo para um objetivo comum
(habilidade conceitual).

Fonte: Katz (1955 apud SILVA, 2008, p. 16).

No texto citado podemos notar que o líder precisa de habilidades que o


diferenciam do liderado. Um líder que possua pelo menos essas três habilidades
terá maior probabilidade de sucesso no exercício da liderança, ou seja, alcançará
as metas estabelecidas.

12. As Competências da Liderança


De acordo com Decrane Jr. (1996), existem quatro atributos essenciais que,
independente do estilo de liderança, estão presentes. São eles:

a) Caráter - líderes verdadeiros são justos e honestos, e não


apenas em virtude das leis e dos regulamentos; eles são éticos,
abertos e fidedignos. Estes traços fundamentais e básicos se
desdobram em outras características.

b) Visão - os líderes que serão seguidos conseguem despertar


a imaginação, através da visão que leva além do que é conhecido
hoje, e podem traduzi-la em objetivos claros. Líderes empresariais
bem-sucedidos definem metas para realizar sua visão.

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tema pedagógico

c) Comportamento - embora os líderes devam se adaptar a


circunstâncias específicas e constantemente mutáveis, os mais bem
sucedidos demonstram um conjunto comum de comportamentos.

d) Confiança - um saudável grau de autoconfiança possibilita


ao líder empreender difíceis iniciativas necessárias ao cumprimento
das metas. Os líderes assumem riscos de forma responsável, riscos
que se associam convenientemente a possíveis recompensas.

Fonte: Decrane Jr. (1996 apud SILVA 2008, p. 20).

Esses atributos, encontrados em verdadeiros líderes, são fundamentais


em qualquer nível de responsabilidade. As principais competências do líder,
que veremos a seguir, são aperfeiçoadas à medida que aumenta o grau de
responsabilidade, e esses atributos auxiliam nesse processo.

Ser líder exige conhecimento, habilidades e atitudes que inspiram as pessoas


a atingir os objetivos da organização. Por meio da liderança, é possível extrair
o melhor de cada pessoa, alcançando os melhores resultados. Bortolato (2012,
s.p.) sugere doze importantes competências de um líder:

CRIE UMA VISÃO - O líder direciona, logo deve ter norte, visão. Ele deve
traduzir estratégias mais complexas e de longo prazo em objetivos claros,
factíveis. Deve mostrar onde e como cada membro relaciona-se e impacta
no resultado final dos trabalhos.

INSPIRE OS OUTROS EM PROL DA VISÃO - Ao líder cabe, além de mostrar


os benefícios do resultado do trabalho do grupo para a empresa, apontar e
inspirar cada membro da equipe de forma única. A unicidade é extremamente
motivadora. Reconhecer a singularidade de cada um e mostrar os benefícios
do trabalho para cada membro inspira em prol da visão.

COMUNIQUE CLARAMENTE - Durante o exercício da liderança, comunicar


claramente e de forma transparente e verdadeira é uma das tarefas mais
importantes e que demandam mais atenção. O verdadeiro líder sabe disso
e dedica parte de seu tempo para se comunicar com a equipe, fazer-se
claro e ter certeza de que todos têm acesso às informações relevantes para
a confecção do trabalho.

21
tema pedagógico

MOTIVE AS PESSOAS - As pessoas precisam de doses extras de


motivação, por mais que, muitas vezes, a motivação seja intrínseca. É
claro que as pessoas se motivam por estímulos diferentes, dependendo do
nível, idade, aspiração etc. Às vezes, para uma pessoa, o mais importante
é um feedback; para outra, um reconhecimento em público; para outra,
um prêmio, como uma viagem, por exemplo. As pessoas têm motivações
diferentes. Descobrir a motivação de cada membro e trabalhar para que se
sintam estimulados é uma das tarefas do bom líder.

DÊ FEEDBACK - Esta é a ferramenta mais importante em termos de


desenvolvimento das pessoas. O feedback é comunicação que faço a
alguém sobre a minha percepção de determinado comportamento. Quando
faço isso com uma intenção genuína de desenvolvimento, de maneira
específica e oportuna, normalmente o outro (seja subordinado, par ou até
o chefe) entende e agradece, pois percebe que é para desenvolvimento ou
para reforçar um comportamento positivo.

UTILIZE OS TALENTOS DE CADA UM - Uma das principais competências


da boa liderança é identificar o que cada um faz de melhor e colocar a
pessoa certa no lugar certo. Para isso, a prática da empatia e a conversa
constante são importantes. Saber o que as pessoas fazem bem, como se
sentem fazendo algo que gostam, e propiciar a prática de tarefas para as
quais as pessoas têm talento, aumenta a motivação e a retenção, além
de se ter um desempenho melhor nas atividades. Dependendo da rigidez
da estrutura organizacional, isso pode ser mais difícil, mas, para um líder
criativo, sempre há esta possibilidade.

CRIE UMA EQUIPE COESA - Para isso, o líder deve incentivar o trabalho em
equipe e gerar um ambiente propício ao feedback. Ele tem de estar atento
e não entrar de maneira alguma em armadilhas como fofocas da equipe.
Precisa também saber como utilizar os talentos de cada um nos projetos,
mesmo que o projeto não seja da área da pessoa. É óbvio que, para fazer
isso, papéis e responsabilidades devem ser muito bem definidos na hora
da delegação. Também é importante fazer um bom uso da comunicação.
Sugiro reuniões semanais, assim o grupo sabe o que está acontecendo na
área como um todo e, com o tempo, eles mesmos se oferecem para ajudar o
colega com algo que têm talento e é parte da tarefa do outro.

SEJA O EXEMPLO - De nada adianta falar uma coisa e fazer outra. No


exercício da liderança, as pessoas querem perceber congruência entre fala
e ação. Elas sempre irão seguir ou se deixar abater pelas ações e não pela
fala. Portanto, exerça o que fala. Isso fortalecerá sua imagem de líder.

22
tema pedagógico

TOME DECISÕES - Esta é uma competência complexa no exercício da


liderança. Para se tomar as decisões de forma acertada, você dependerá
do número de informações que tem, da qualidade das mesmas, do tempo,
das consequências de tomá-la de forma rápida e/ ou de tomá-la de forma
errada. Tem de pensar também nas consequências de não tomá-la. Tudo
isso deve ser ponderado na prática da tomada de decisão. Pelas minhas
experiências, aconselho: não tomar a decisão no momento certo, em geral,
traz mais malefícios do que tomá-la.

GERENCIE CONFLITOS - Conflitos são inerentes às relações humanas,


afinal, as pessoas não veem os processos e as tarefas da mesma forma. A
apresentação de opiniões diferentes ou posições antagônicas normalmente
gera conflitos. Ao líder, cabe tirar o melhor do conflito, ou seja, melhorar
uma ideia existente, alinhar expectativas diferentes. Mas o mais importante
mesmo é saber conduzir o desfecho do conflito para um acordo.

RECONHEÇA - Muitos líderes não entendem a importância do


reconhecimento, mas as pessoas gostam de ser valorizadas por aquilo que
fazem. Já escutei muito em minha carreira: “Reconhecer para que, se eles
não fizeram nada além da sua obrigação?”. Mas o reconhecimento é uma
forma de humanizar a relação, de dizer percebi que você fez tal coisa e que
gostei. É impressionante o poder do ato de reconhecer. No exercício da
liderança, afirmo: os líderes que reconhecem as pessoas que os cercam
têm mais presença e imprimem uma imagem mais forte e impactante.

CELEBRE AS VITÓRIAS - Por fim, afirmo que celebrar é também uma das
competências de um bom líder. Reserve um tempo na sua agenda para
demonstrar aos seus subordinados que buscar a meta é importante, mas
comemorar a realização dela também o é. E aí, na celebração, é possível dar
o tom do quanto àquela meta foi alcançada em equipe, ou se alguém teve
um destaque em especial. É uma maneira de fortalecer o time e ainda criar
um ambiente que os incite a querer sempre poder comemorar. Isso é ótimo,
porque significa que as pessoas irão cada vez mais buscar resultados.

Na prática, podemos perceber o quão difícil é exercer todas essas


habilidades. É preciso treinar, estabelecer planos de ação, com responsabilidades
e datas, identificar os obstáculos que irá encontrar e superá-los.

Desenvolver as competências da liderança é fundamental para sua


caminhada profissional. Possibilita uma carreira longa e alcance de cargos que,
sem essas competências, não alcançaria.

23
tema pedagógico

A seguir está o link de um vídeo de Simon Sinek, apresentado


no programa TED Talks, que apresenta um modelo simples, mas
poderoso para uma liderança inspiradora. Ele utiliza exemplos como
a Apple, Martin Luther King, e os irmãos Wright. Assista, é muito
interessante!

http://www.ted.com/talks/simon_sinek_how_great_leaders_
inspire_action?language=pt-br

13. Referências
ACIOLY, Ana Paula Lovatel. Análise do estilo de liderança de gerentes de agências
do Banco do Brasil e sua influência na manutenção e promoção da motivação dos
funcionários. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Administração)
Programa de Pós-graduação em Administração, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Florianópolis, 2007. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/
bitstream/handle/10183/13934/000649699.pdf?...1>. Acesso em: 03 set. 2015.

BERGAMINI, Cecília W. Liderança: A Administração do Sentido. Revista de


Administração de Empresas, São Paulo, v. 34, n. 3, p. 102-114, mai./jun. 1994

BORTOLATO, Cíntia. As doze competências da liderança. 2012. Disponível em:


<http://www.rh.com.br/Portal/Lideranca/Artigo/8266/as-doze-competencias-da-
lideranca.html#>. Acesso em: 27 jul. 2015.

DICKEL, Giovani André. Um estudo sobre a eficiência da liderança exercida pelos


Administradores das Agências de Varejo do Banco do Brasil no município de
Cascavel/PR. 2007. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Negócios
Financeiros). Programa de Pós-graduação em Administração de Empresas,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. Disponível em:
<http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/17509/000718467.pdf?...1>.
Acesso em: 02 set. 2015.

GRUBER, Lucianne Secco. Liderança - habilidades e características do líder


numa organização bancária: um estudo de caso. 2001. Dissertação (Mestrado
em Engenharia). Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e
Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, Curitiba, 2001. Disponível

24
tema pedagógico

em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/81557/187818.
pdf?sequence=1>. Acesso em: 02 set. 2015.

KATZ, Robert. Skills of na effective administrator. Harvard Business Review.


Boston, 33 (January-February), 1955. P. 33-42.

ONO, Arnaldo Turuo. Teoria de liderança do caminho-meta: um estudo em


busca de evidências na realidade brasileira. 2006. Dissertação (Mestrado em
Administração de Empresas). Programa de Pós-graduação em Administração de
Empresas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2006. Disponível
em: <http://tede.mackenzie.com.br/tde_arquivos/1/TDE-2007-07-24T072552Z-228/
Publico/Arnaldo%20Turuo%20Ono.pdf>. Acesso em: 03 set. 2015.

SGANZERLA, Roberto Cesar. A Liderança e Suas Principais Teorias. Academia de


Talentos, v. 2. 2004. Disponível em: <http://www.academiadetalentos.com.br/novo/
revista2%20_artigos_lideranca.htm>. Acesso em: 03 set. 2015.

SILVA, Anicleide Pereira da. Apostila de Competências de Liderança. Aracaju:


Faculdade Sergipana - FASER, 2008. Disponível em: <https://pt.scribd.com/
doc/75318482/Apostila-Competencias-de-Lideranca-2008>. Acesso em: 28 jun. 2015.

25
METODOLOGIA
DO TRABALHO
CIENTÍFICO

Autores: Renata Silva


Vilmar Urbaneski

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel

Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Profa. Bárbara Pricila Franz
Profa. Cláudia Regina Pinto Michelli
Prof. Ivan Tesck
Profa. Kelly Luana Molinari Corrêa

Revisão de Conteúdo: Profa. Elisabeth Penzlien Tafner

Revisão Gramatical: Iara de Oliveira



Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci –
UNIASSELVI
Copyright © UNIASSELVI 2009
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

S586m
Silva, Renata.
Metodologia do trabalho científico/Renato Silva [e] Vil-
mar Urbaneski - Indaial: UNIASSELVI, 2009.

112 p.: il.


ISBN 978-85-7830-100-2

1. Pesquisa metodológica. 2. Trabalhos técnico-científi-


cos - Metodologia. I. Urbaneski, Vilmar. II. Centro Universitário Leonardo
da Vinci. Programa de Pós-Graduação EAD. III. Título.

001.4

Revisado e ampliado
Setembro / 2015
Renata Silva

Graduada em Administração e em
Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale
do Itajaí - UNIVALI/SC, Especialista em Didática
e Metodologia do Ensino pela Faculdades Integradas do
Vale do Ribeira/SP, e Mestre em Turismo e Hotelaria pela
UNIVALI/SC. Atua como professora e orientadora em cursos
de Graduação e Pós-Graduação, em Extensão Universitária,
desenvolvimento de Pesquisas Científicas e como Consultora
nas áreas da administração, educação, turismo e hotelaria.
É autora de diversos materiais acadêmicos presenciais
e para EAD.

Vilmar Urbaneski

Advogado, graduado em Direito(FURB)


e em Filosofia (Universidade São Francisco) .
Especialização em Filosofia e em Direito e Mestrado
em Educação(FURB). No âmbito acadêmico tem
experiência no Ensino Médio e Graduação e Pós graduação.
Têm experiência em EAD e elaboração de material para EAD e
cursos presencias e EAD.
Sumário

APRESENTAÇÃO.......................................................................7

CAPÍTULO 1
Características dos Trabalhos Técnico-Científicos ........9

CAPÍTULO 2
Pesquisa Científica ................................................................23

CAPÍTULO 3
Procedimentos Metodológicos...........................................45

CAPÍTULO 4
Apresentação, Organização e Formatação do Artigo......67

CAPÍTULO 5
Citações...................................................................................83

CAPÍTULO 6
Referências...........................................................................101
APRESENTAÇÃO
Caro(a) estudante, o caderno de Metodologia do Trabalho Científico tem
como propósito oferecer a você elementos que permitam elaborar o seu Trabalho
de Conclusão de Curso (artigo científico) de acordo com as normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, bem como seguir os postulados da
comunidade científica.

No decorrer da sua vida acadêmica, você deve ter feito diversos trabalhos de
cunho científico. Dessa forma, cogita-se que você tenha um conhecimento do que
seja recomendado pela comunidade científica quanto à elaboração de um artigo
científico, bem como das normas metodológicas a serem seguidas. Entretanto,
este caderno de estudo servirá como guia para que você elabore o seu artigo
científico dentro das exigências da UNIASSELVI-PÓS, as quais, sempre é bom
lembrar, estão em acordo com as normas da ABNT.

O caderno de estudo está dividido em seis capítulos, cada qual com objetivos,
conteúdo, atividades de estudo, dicas, sugestões e recomendações.

No primeiro capítulo, você visualizará as peculiaridades dos trabalhos


técnicos científicos e os aspectos que devem ser observados no momento em
que o artigo científico for redigido.

Já no segundo capítulo, será possível perceber os principais elementos que


compõem a elaboração de uma pesquisa científica e a definição do projeto de
pesquisa do artigo científico (tema, problema, objetivos e roteiro preliminar).

No terceiro capítulo, você compreenderá os procedimentos metodológicos


para o desenvolvimento de pesquisas como o artigo, verificando as tipologias de
pesquisa e as formas de coleta, análise e interpretação de dados e informações.

No capítulo seguinte, o quarto, conhecerá a organização, o formato e


apresentação do artigo científico para que, ao elaborar o seu trabalho de
conclusão de curso, faça-o de acordo com as exigências da UNIASSELVI-PÓS e
em conformidade com as normas da ABNT.

No capítulo quinto, você identificará a importância de se fazer as citações no


artigo científico, bem como conhecer os tipos de citação e de como elas devem
ser feitas ao longo do trabalho de acordo com a NBR 10520(2002).

No capítulo sexto, você também aprenderá como se deve descrever as


fontes utilizadas na elaboração do seu artigo, conforme a NBR 6023(2002).
Assim, este caderno indica a formatação metodológica definida para o artigo
científico, estimulando a padronização, o uso das normas técnicas, a ética na
pesquisa e a produção técnico-científica nos cursos de pós-graduação.

Os autores.
C APÍTULO 1
Características dos Trabalhos
Técnico-Científicos

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os


seguintes objetivos de aprendizagem:

 Compreender os aspectos referentes às peculiaridades dos trabalhos técnico-


-científicos.

 Empregar a linguagem técnico-científica na elaboração do Artigo Científico.


Metodologia do Trabalho Científico

10
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

ConteXtualização
Ao começar o seu curso de especialização, é provável que você ou seus
colegas do curso ao saberem que terão que elaborar um artigo científico, ao
final do curso, poderão se questionar sobre: Quais as peculiaridades do artigo
científico? Em quais aspectos ele se difere de uma tese, uma dissertação ou uma
monografia? E, ainda, sinta-se desconfortável, como ocorre com a maioria dos
estudantes, ao refletir sobre: Como se deve escrever o artigo científico? O que
vale a pena ou é útil-necessário escrever no artigo científico? Frente a isso, neste
capítulo você terá acesso às peculiaridades dos trabalhos técnico-científicos e
algumas considerações sobre a redação do artigo. Dessa forma, neste primeiro
capítulo você encontrará as seguintes seções: tipos de trabalhos científicos,
redação técnico-científica e parágrafo no texto técnico-científico.

Tipos de Trabalhos Científicos Mesmo que


cada trabalho
Na vida acadêmica você se deparou com diversos tipos de acadêmico e/
trabalhos acadêmicos e/ou científicos, dentre eles: Trabalhos de ou científico
Graduação, Trabalho de Conclusão de Curso, Monografia, Dissertação, tenha suas
Tese e Artigos Científicos. Outrossim, cada um desses trabalhos peculiaridades e
apresenta peculiaridades, como a sistemática, a investigação e a seja elaborado
com finalidades
fundamentação.
especificas, é
possível, visualizar
Contudo, mesmo que cada trabalho acadêmico e/ou científico neles um padrão
tenha suas peculiaridades e seja elaborado com finalidades específicas, que compreende,
é possível, visualizar neles um padrão que compreende, de um modo de um modo
geral, introdução, desenvolvimento e conclusão. Por isso, a partir de geral, introdução,
desenvolvimento e
agora, você terá acesso a algumas peculiaridades sobre os trabalhos
conclusão.
acadêmicos e/ou científicos.

a) Trabalhos de Graduação: No decorrer da sua graduação, é provável que


tenha elaborado trabalhos para disciplinas diversas. Esses não necessariamente
tinham como pretensão atingir o cunho científico dos trabalhos de excelência da
área que você estudou, mas oportunizar o desenvolvimento de um raciocínio aos
moldes das pretensões científicas. Ou, ainda, pode-se mencionar que os trabalhos
de graduação também têm como propósito permitir uma revisão bibliográfica ou
literária de um determinado assunto ou assimilar conteúdos específicos de uma
área cientifica.

b) Trabalhos de curso: O Trabalho de Curso (TC), também conhecido

11
Metodologia do Trabalho Científico

como Trabalho de Final ou Conclusão de Curso (TCC), é tido como uma


monografia sobre um assunto específico. Este trabalho possibilita a
investigação sobre determinados temas ou fenômenos por meio da análise,
reflexão e produção textual, bem como, muitas vezes, da defesa oral da
pesquisa perante uma banca examinadora. Medeiros (20r03, p.249) ressalta
que:

Na monografia de graduação, é suficiente a revisão


bibliográfica, ou revisão de literatura. É mais um trabalho de
assimilação de conteúdos, de confecção de fichamentos
e sobretudo, de reflexão. É, propriamente, uma pesquisa
bibliográfica, o que não exclui capacidade investigativa de
conclusões ou afirmações de autores consultados.

c) Monografia: Apesar de haver esta classificação, aceita, inclusive,


internacionalmente, são comuns certos equívocos em relação à palavra
monografia no que diz respeito a dissertações, teses e trabalhos de fim de curso
de graduação. Segundo D’Onofrio (2000, p.72, grifo do autor):

o prefixo grego monos (de onde derivam palavras como


monge, mosteiro,monossílabo, monolítico, etc), corresponde
ao latino solus (solteiro, solitário, solicitude), significa”um
só” e graphein = “escrever”. Como se pode verificar,
etimologicamente, monografia define um trabalho intelectual
concentrado em um único assunto.

A monografia, exigida para a obtenção do título de especialista em alguns


cursos de pós-graduação lato sensu, é semelhante ao Trabalho de Final de Curso,
apresentado em cursos de graduação. Por isso, para Medeiros (2003), não há razão
para falar em três níveis: monografia, dissertação e tese. Ambos são trabalhos
monográficos, dissertativos, mas com características distintas. No entanto, tal
distinção é usada para diferenciar o grau do acadêmico-graduado(monografia);
mestre(dissertação); doutor(tese). Apesar da diferenciação, segundo autor
mencionado, o texto não deixa de ser monografia, respeitadas, é claro, suas
peculiaridades.

d) Dissertação: A dissertação, que paulatinamente está se destinando


aos trabalhos de cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado), busca,
sobretudo, a reflexão acerca de um determinado tema ou problema, o que ocorre
pela exposição das ideias de maneira ordenada e fundamentada. Dessa forma,
como resultado de um trabalho de pesquisa, a dissertação deve ser um estudo
mais completo possível em relação ao tema escolhido. De acordo com a NBR
14724 (2011, p.2), dissertação é:

Documento que representa o resultado de um trabalho


experimental ou exposição de um estudo científico

12
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua


extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar
informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura
existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização
do candidato. É feito sob a coordenação de um orientador
(doutor) visando à obtenção do título de mestre.

Para obter o grau de mestre, segundo Medeiros (2003, p. 249):

[...] além da revisão de literatura, é preciso dominar o


conhecimento do método de pesquisa e informar a metodologia
utilizada na pesquisa. [...] embora não haja preocupação em
apresentar novidades quanto às descobertas, o pesquisador
expõe novas formas de ver uma realidade já conhecida.

e) Tese: A tese, a exemplo da dissertação dirigida para o mestrado, A tese tem como
cumpre o papel do trabalho de conclusão de pós-graduação stricto finalidade abordar
sensu (doutorado). Caracteriza-se como um avanço significativo na algo novo num
área do conhecimento em estudo. De acordo com a NBR 14724 (2011, determinado
campo do
p.4), tese é:
conhecimento, de
forma a promover
Documento que representa o resultado de um
uma descoberta
trabalho experimental ou exposição de um
estudo científico de tema único e bem delimitado. ou, mesmo,
Deve ser elaborado com base em investigação dar uma real
original, constituindo-se em real contribuição contribuição para
para a especialidade em questão. É feito sob a a ciência.
coordenação de um orientador (doutor) e visa à
obtenção do título de doutor, ou similar.

A tese tem como finalidade abordar algo novo num determinado campo do
conhecimento, de forma a promover uma descoberta ou, mesmo, dar uma real
contribuição para a ciência.

Para Fachin (2001,p.187), “tese é entendida como um trabalho científico


habitualmente exigido nos cursos de pós-graduação e que deve ser defendido
oralmente em público”. Continua ainda Fachin (2001, p.188, grifo nosso), “a
tese deve se elaborada baseada em pesquisas e deve apresentar um estudo
original que traga um contribuição para a sociedade científica”.

Enfim, para obtenção de grau de doutor com a defesa de tese, é necessário


que o candidato no seu trabalho tenha originalidade, rigor na argumentação
e apresentação de provas das suas afirmações, profundidade das ideias e
apresentar avanços na área em estudo. Segundo D’Onofrio (2000, p.66, grifo do
autor):

o termo doctor, segundo o étimo latino, significa “aquele


que sabe”, designado a pessoa que tem um conhecimento
profundo sobre um assunto e deu prova deste seu saber
13
Metodologia do Trabalho Científico

excepcional mediante a realização de um trabalho sério,


original e inédito, conseguindo aprovação de especialista
num concurso público.

f) Artigo Científico: O objetivo principal do artigo científico é levar ao


conhecimento do público interessado alguma ideia nova ou alguma abordagem
diferente sobre determinado tema já estudado, sobre a existência de aspectos
ainda não-explorados em alguma pesquisa ou a necessidade de esclarecer uma
questão ainda não resolvida.

Além disso, o artigo pode ser definido como “publicação com autoria declarada,
que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas
diversas áreas do conhecimento”. (ABNT, NBR 6022, 2003, p. 2).
A principal
característica do A principal característica do artigo científico é que as suas
artigo científico
é que as suas afirmações devem estar baseadas em evidências, sejam elas
afirmações devem oriundas de pesquisa de campo ou comprovadas por argumentos
estar baseadas em que sustentem as conclusões expostas no artigo e que passaram
evidências, sejam
elas oriundas de pelo crivo da comunidade científica. Isso não significa que o autor não
pesquisa de campo possa expressar seu parecer no artigo, e sim que deve demonstrar
ou comprovadas
por argumentos para o leitor qual o processo lógico que o levou a adotar aquele
que sustentem as parecer e quais evidências ou argumentos tornam consistente a sua
conclusões expostas ideia e digna de crédito frente à comunidade científica.
no artigo e que
passaram pelo crivo
da comunidade Para Santos (2007, p.43), os artigos científicos “são geralmente
cientifica.
utilizados como publicações em revistas especializadas, a fim de
divulgar conhecimentos, de comunicar resultados ou novidades a respeito de um
assunto, ou ainda de contestar, refutar ou apresentar outras soluções de uma
situação convertida”.

Quanto ao conteúdo do artigo científico, este pode abranger os mais variados


aspectos e, além disso, pode, conforme Marconi e Lakatos (2005, p.262):

a) versar sobre um estudo pessoal, uma descoberta, ou dar


um enfoque contrário ao já conhecido;

b) oferecer soluções a questões controvertidas;

c) levar ao conhecimento do público intelectual ou


especializado no assunto novas ideias, para sondagem de
opiniões ou atualização de informes;

d) abordar aspectos secundários, levantados em alguma


pesquisa, mas que não seriam utilizados na mesma.

Outrossim, mesmo que se postule que características devem ser asseguradas


na pesquisa e elaboração do artigo científico, Azevedo (1998) aponta algumas
14
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

falhas mais comuns na investigação científica, as quais são: falta de clareza


dos propósitos, falta de originalidade do material, má organização no material
expositivo, repetição de palavras, conceitos e informações, desatualização
bibliográfica, excessiva dependência da fontes, incorreção ou incoerência no
sistema de referenciação das fontes, dimensão excessiva longa de títulos de
capítulos ou tópicos e inadequação na definição dos termos.

Os artigos podem se apresentar de duas formas (ABNT, NBR 6022, 2003):

• Artigo original: apresenta temas ou abordagens próprias. Via de regra,


estes artigos relatam resultados de pesquisa, bem como desenvolvem e analisam
dados não publicados.

• Artigo de revisão: tem como propósito resumir, analisar e discutir


informações já publicadas que, geralmente, resultam de revisão de trabalhos já
publicados, revisões bibliográficas.

Importante:

Os artigos científicos e os papers possuem o mesmo formato,


ou seja, ambos, terão resumo, introdução, desenvolvimento,
considerações finais e referências bibliográficas. O que às vezes
poderá ser diferente é quantidade de páginas, pois os papers
geralmente possuem de 6 à 8 páginas e poderá apresentar
É salutar que você
uma análise mais superficial, ou seja, não há um parecer claro use a terminologia
do autor. Vale lembrar que cada instituição ou revista científica adotada na sua área
tem normas próprias, baseadas na ABNT, para a apresentação de estudo, privilegie
desses textos acadêmicos. a consistência
teórica, saiba o que
está escrevendo
e se sustente
em evidências,
Enfim, na elaboração do seu artigo científico para a UNIASSELVI- argumentos
PÓS, você poderá tanto optar por fazer um artigo original como de e, acima de
revisão. Entretanto, independente da escolha por um artigo de revisão tudo, visualize
ou original, é salutar que você use a terminologia adotada na sua área a possibilidade
das suas ideias
de estudo, privilegie a consistência teórica, saiba o que está escrevendo
serem refutadas
e se sustente em evidências, argumentos e, acima de tudo, visualize ou contrariadas
a possibilidade das suas ideias serem refutadas ou contrariadas pela pela comunidade
comunidade científica da sua área. científica da sua
área.

15
Metodologia do Trabalho Científico

Atividades de Estudos:

1) Anote as principais ideias sobre monografia, tese, dissertação e


artigo científico.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Escreva quais são as termos usados com maior frequência na sua


área de estudo.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

3) Pesquise nas revistas científicas da sua área quais são os artigos


publicados recentemente, que problemas têm sido abordados
nas pesquisas e os autores mais usados nas referências.
(Lembre-se que, devido à diversidade e ao tamanho do Brasil,
alguns problemas de pesquisa em uma determinada região são
importantes; porém para outra região este problema de pesquisa
pode ser irrelevante). Anote as suas considerações.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Obs.: a) Os estudantes dos cursos de Psicopedagogia e


Neuropsicopedagogia não devem elaborar o artigo científico,
substituindo este pelo relatório de estágio como forma de trabalho
de conclusão de curso (as orientações estão no Caderno de Estudos
Teoria e Prática da Psicopedagogia, no Manual de Orientação de
Estágio e na Trilha de Aprendizagem); b) os estudantes do curso
de Orientação Educacional: Teoria e Prática, devem elaborar
cumulativamente o relatório de estágio e o artigo científico como
forma de trabalho de conclusão de curso (as orientações estão da
Trilha de Aprendizagem da Disciplina de TCC/Monografia e nas
Diretrizes do TCC).

16
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

Estilo da Redação Técnico- O estilo de


redação usado
Científica em artigos
científicos não
segue as mesmas
O texto técnico-científico se caracteriza por abordar temática características
referente à ciência, no qual se usa o instrumental teórico com o dos artigos
propósito de possibilitar a discussão científica na área para qual o jornalísticos ou
texto se remete. Ressalta-se, ainda, que o estilo de redação usado até mesmo dos
em artigos científicos não segue as mesmas características dos textos literários e
publicitários.
artigos jornalísticos ou até mesmo dos textos literários e publicitários.

Nesse sentido, a linguagem da discussão científica tem suas Ao mencionar o


próprias características por empregar a linguagem técnica ou científica estilo redacional:
em seu nível padrão ou culto, respeitando as regras gramaticais e “[...] o estilo
com estilo próprio, de acordo com a especificidade de cada área. Nas do texto será
determinado
palavras de Severino (2002, p.84) ao mencionar o estilo redacional: “[...]
pela natureza
o estilo do texto será determinado pela natureza do raciocínio específico do raciocínio
às várias áreas do saber em que se situa o trabalho”. Além disso, ensina específico às
Secaf (2004, p.47): várias áreas do
saber em que se
um artigo científico exige que o autor expresse o situa o trabalho”.
que sabe sobre o tema, utilize a língua vernácula (SEVERINO,
de maneira precisa e exponha as ideias de maneira 2002, p.84).
simples e com palavras que não sejam rebuscadas.
Deve-se usar linguagem padrão (por exemplo: homem) e não
a expressão coloquial (por exemplo: camarada) e nunca gíria
(por exemplo: cara, careta). Atenção especial ao uso, ou não, do
jargão (termos técnicos), pois influencia a compreensão do leitor
do periódico em que irá publicar [...]

Alguns aspectos devem ser observados na redação técnico-científica, como


ensina Azevedo (1998, p.103), “o seu texto terá que perseguir os princípios básicos
de qualquer comunicação, como clareza, concisão, correção, encadeamento,
consistência, contundência, precisão, originalidade e fidelidade entre outros
compromissos”.

Atividade de Estudo:

1) Selecione um artigo jornalístico, um texto literário e um artigo


científico da sua área e, depois de efetuar uma leitura dos três,
busque visualizar as características de cada um. Anote as suas
conclusões abaixo.
____________________________________________________

17
Metodologia do Trabalho Científico

____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Assim, apresentam-se breves ideias de cada característica a ser observada


ao elaborar o seu artigo:

a) Coerência: via de regra, ao artigo científico se imprime uma sequência


que se repete em cada etapa do trabalho. A sequência de ideias que foi anunciada
no resumo deve estar detalhada na introdução e seguir o mesmo ordenamento
no desenvolvimento. Nas considerações finais, deve-se evidenciar os aspectos
essenciais do artigo, na ordem em que foram apresentados no desenvolvimento.

Os assuntos em
pauta, na linguagem b) Objetividade: os assuntos em pauta, na linguagem científica,
científica, devem devem ser abordados de maneira simples, evitando expressões
ser abordados de evasivas, com significados dúbios e hermetismo excessivo (palavras
maneira simples,
evitando expressões de difícil compreensão).
evasivas, com
significados dúbios
e hermetismo Na redação técnico-científica, como mencionado, deve-se
excessivo perseguir com afinco a objetividade e, neste sentido, reforça Gil
(palavras de difícil(2002, p.164), “o texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-
compreensão).
se que a sequência seja desviada com considerações irrelevantes.
A argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em considerações e
opiniões pessoais”.

c) Concisão: procure no seu artigo dizer o máximo com o menor número


de palavras. De acordo com Azevedo (1998, p.113) “a concisão se obtém com o
exercício de reescrever. A cada vez que se faz isso, descobre-se uma repetição
de ideias ou de palavras, nota-se vocabulário supérfluo, encontra-se uma maneira
de dizer a mesma coisa com menos palavras”.

O texto científico d) Clareza: o texto científico deve primar pela redação clara, não
deve primar pela
redação clara, não deixando margem à diversidade de interpretações. É fundamental que
deixando margem se evitem comentários irrelevantes e redundantes. Nas palavras de
à diversidade de Secaf (2004, p.47), “é a apresentação do pensamento em ordem natural.
interpretações.
Cada enunciado deve ser claro e completo”. Ou, como ensina também
Azevedo (1998, p.112), “um bom teste para a clareza de seu texto é solicitar sua
leitura por outra pessoa. Se ela fizer alguma pergunta, não responda. Tome o texto e
o reescreva. Depois, repita o teste”.

18
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

e) Precisão: toda palavra utilizada deve traduzir exatamente


Deve-se utilizar
a ideia a ser tratada. Um vocabulário preciso é aquele que evita uma nomenclatura
linguagem rebuscada, prolixa e atinge o seu propósito. Deve-se utilizar aceita no meio
uma nomenclatura aceita no meio científico de cada área. De acordo científico de cada
com Secaf (2004, p.47, grifos nossos): “É a condição responsável pela área.
exatidão do texto como um todo e pelo uso de palavras e conceitos
universalmente aceitos. A devida precisão pode ser prejudicada pelo uso de
termos como: maioria, bom, muito e outros”.

f) Imparcialidade: o trabalho científico deve evitar ideias preconcebidas.


Todo posicionamento adotado em um texto deve amparar-se em fatos e dados
evidenciados pela pesquisa. O autor deve primar por manter seu posicionamento e
suas escolhas de pesquisa sem assumir uma postura unilateral.

g) Encadeamento: nesse quesito Azevedo (1998, p.119) indica como deve


ser uma boa redação técnico-científica:

encadeie as frases, os parágrafos, os tópicos e os capítulos entre


si. Procure tornar cada frase um desenvolvimento do que veio
antes, numa sequência lógica, tanto para explicar, quanto para
demonstrar, detalhar, restringir ou negar. Cada parágrafo deve
estar em harmonia e em tranquila transição com o anterior e com
o posterior. O mesmo vale para tópicos e capítulos. Faça o texto
fluir naturalmente e não andar aos solavancos.

h) Impessoalidade: o texto deve ser impessoal, por isso, é O texto deve


conveniente que seja redigido na terceira pessoa e que se evite ser impessoal,
afirmações como: “a minha pesquisa”, “o meu estudo”, “o meu artigo”. O por isso, é
que se postula é que se use “esta pesquisa”, “este estudo”, “este artigo’. conveniente que
seja redigido na
terceira pessoa.

Atividade de Estudo:

1) Anote quais as principais características que devem ser


observadas na redação do trabalho científico.
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19
Metodologia do Trabalho Científico

Parágrafo no TeXto Técnico-


Científico
Ressalva-se que, para uma parcela de estudantes e pesquisadores, escrever
nos moldes postulados pela comunidade científica não causa maiores problemas.
Entretanto, para uma outra parcela, isso pode gerar desconfortos, tais como:
como devo iniciar a escrita? Como se deve iniciar um parágrafo? De acordo com
Secaf (2004, p.51), “o parágrafo tem por finalidade expressar etapas do raciocínio
e, portanto, conter uma única ideia; não se trata de divisões estáticas e sim que o
parágrafo seguinte tenha uma relação com anterior”.

“O parágrafo tem por Cada parágrafo tem um objetivo a ser cumprido e cada qual
finalidade expressar com etapas de raciocínio. E cada raciocínio existente no parágrafo
etapas do raciocínio
e, portanto, conter deve ter sequência lógica, ou seja, não pode ser disposto de qualquer
uma única ideia; não maneira, pois se isso porventura ocorrer, pode levar o leitor a não
se trata de divisões compreender o seu raciocínio ou, até mesmo, levá-lo a se perder no
estáticas e sim que
o parágrafo seguinte raciocínio exposto. Conforme Severino (2002, p.84) “o parágrafo é
tenha uma relação uma parte do texto que tem por finalidade expressar as etapas do
com anterior.”
(SECAF, 2004, p.51). raciocínio. Por isso, a sequência dos parágrafos, o seu tamanho e a
sua complexidade depende da própria natureza do raciocínio”.

Enfim, pode-se dizer que o parágrafo tem estrutura semelhante a de um


texto composto por vários parágrafos. Ou seja, é composto por introdução,
desenvolvimento e conclusão. Para Volpato (2006, p.46), “cada parágrafo
contém uma argumentação completa, levando a uma conclusão. Após concluir
esse argumento, mude de parágrafo. O que determina a mudança de parágrafo
é a conclusão desse argumento e não a sua extensão”. Nesse sentido, cabe a
você avaliar a melhor forma de escrever o seu parágrafo, mas esteja atento às
exigências específicas de sua área de estudo.

Atividades de Estudos:

1) Sintetize alguns aspectos a serem observados na redação


técnico-científica.

Característica Descrição
Objetividade e coerência
Clareza e precisão
Imparcialidade
Uniformidade

20
Capítulo 1 CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS
TÉCNICO-CIENTÍFICOS

2) Selecione artigos científicos da sua área e procure visualizar em


cada um deles como os parágrafos são desenvolvidos, o estilo de
cada autor e, até mesmo, o estilo de escrita da sua área. Procure
visualizar nesses textos as características da redação técnico-
científica.
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3) Aponte as falhas mais comuns na investigação científica, conforme


Azevedo.
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Algumas Considerações
Neste capítulo, você teve acesso às peculiaridades dos trabalhos técnico–
científicos, bem como visualizou que a elaboração de um parágrafo aos
moldes postulados pela comunidade científica demanda esforço e consciência
do que se quer realmente dizer em cada parágrafo. Além das ideias expostas
sobre a elaboração dos parágrafos e os exemplos de Medeiros, sugere-se
que você procure ler artigos de revistas nacionais e internacionais da sua
área, com o intuito de visualizar como os artigos são escritos, a forma de
raciocinar, a linguagem utilizada, as palavras e autores que com frequência
tem se feito presentes nesses artigos. Além disso, você observou algumas das
características que devem estar presentes no artigo científico, dentre as quais: 21
Metodologia do Trabalho Científico

coerência, objetividade, coesão. Assim, sugerimos que você fique atento a


como são elaborados os parágrafos na área em que você postula escrever o
seu artigo.

Como encaminhamento, no capítulo a seguir, você identificará como elaborar


o seu projeto de pesquisa (tema, problema, objetivos e roteiro preliminar), bem
como o desenvolvimento.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e
documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio
de Janeiro, 2003.

______. NBR 14724: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2011.

AZEVEDO, Israel Belo de. O prazer da produção científica: diretrizes para a


elaboração de trabalhos acadêmicos. 6. ed. Piracicaba: UNIMEP, 1998.

D’ONOFRIO, Salvatore. Metodologia do trabalho intelectual. São Paulo: Atlas,


2000.

FACHIN, Otilia. Fundamentos da metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva,2001.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo:
Atlas,2002.

MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia


Científica. 6. ed. São Paulo: Atlas,2005.

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos,


resenhas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia científica: a construção do


conhecimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed.São


Paulo: Cortez, 2002.

SECAF, Victoria. Artigo científico: do desafio à conquista. 3. ed. São Paulo: Green
Florest do Brasil, 2004.

VOLPATO, Gilson Luiz. Dicas para redação científica: por que não somos citados.
2. ed. Botucatu: Gilson Luiz Volpato, 2006.
22
C APÍTULO 2
Pesquisa Científica

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Identificar os fatores que fazem parte da elaboração de uma pesquisa científica em


formato de artigo científico, como a escolha do tema e as etapas de desenvolvimento.

 Elaborar o projeto de pesquisa (tema, problema, objetivos e roteiro preliminar).


Metodologia do Trabalho Científico

24
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

ConteXtualização
A pesquisa científica é uma atividade desenvolvida pelos investigadores para
novas descobertas, melhoria da qualidade da vida intelectual e da vida material.
Neste capítulo, você poderá verificar alguns procedimentos da pesquisa para a
elaboração de documentos científicos, focando no modelo de artigo científico para
os cursos de pós-graduação da UNIASSELVI.

As atividades de pesquisa requerem do investigador o planejamento, o


conhecimento e a adequação às normas científicas. O estudo e a pesquisa
estão presentes em toda a vida do acadêmico e, por isso, é tão importante que
você compreenda algumas questões a eles relacionadas. O desenvolvimento de
estudos científicos se torna uma experiência prática e teórica do pesquisador e
da comunidade científica em que se insere, pois, assim, é possível refletir sobre
acontecimentos ocorridos na sociedade da qual faz parte.

Desse modo, é comum que o aluno-pesquisador questione: o que é e como


se desenvolve uma pesquisa? O que devo pesquisar? Para que pesquisar sobre
determinado assunto? Para tanto, a leitura e o desenvolvimento deste capítulo
possibilitarão o esclarecimento dessas questões, bem como darão a oportunidade
para que comece o desenvolvimento de seu projeto de pesquisa do artigo
científico.

Com o intuito de ajudá-lo(a), o capítulo se estrutura nas seguintes seções:


conceitos de pesquisa científica, interesses e motivações de pesquisa, delimitação
do tema, problema de pesquisa, objetivos da pesquisa (geral e específicos) e
projeto de pesquisa

Conceitos de Pesquisa Científica


A pesquisa tem por objetivo a produção de novos conhecimentos através da
utilização de procedimentos científicos. Contribui para o trato dos problemas e
processos do dia-a-dia nas mais diversas atividades humanas, no ambiente de
trabalho, nas ações comunitárias, no processo de formação e outros. (SILVA,
2008). Diversos autores já publicaram suas percepções e conceitos sobre
pesquisa e muitos salientam que é um processo de perguntas e investigação;
é sistemática e metódica; e que aumenta o conhecimento humano. (COLLIS;
HUSSEY, 2005).

Assim, você deve compreender que a ciência, desenvolvida por meio da

25
Metodologia do Trabalho Científico

pesquisa, é um conjunto de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio


lógico, com o objetivo de encontrar soluções para os problemas propostos
mediante o emprego de métodos científicos e definição de tipos de pesquisa.
(CERVO; BERVIAN, 2002; ALVES, 1999).

“A pesquisa, tanto O conhecimento torna-se uma premissa para o desenvolvimento


para efeito científico do ser humano e a pesquisa como a consolidação da ciência.
como profissional,
envolve a abertura
de horizontes e “A pesquisa, tanto para efeito científico como profissional, envolve
a apresentação a abertura de horizontes e a apresentação de diretrizes fundamentais,
de diretrizes
fundamentais, que que podem contribuir para o desenvolvimento do conhecimento.”
podem contribuir para (OLIVEIRA, 2002, p. 62).
o desenvolvimento
do conhecimento.”
(OLIVEIRA, 2002, Portanto, você pode aproveitar a oportunidade de desenvolver
p. 62). estudos científicos para construir e gerar novos conhecimentos, mas,
principalmente, para contribuir com a evolução de informações na sua área de
atuação profissional.

O pesquisador utiliza conhecimentos teóricos e práticos. Para


que isso ocorra, é necessário ter habilidades para a utilização
de técnicas de análise, entender os métodos científicos e os
procedimentos com o objetivo de encontrar respostas para as
perguntas formuladas.

Collis e Hussey (2005, p. 16) ressaltam que o objetivo da pesquisa pode ser:

* Revisar e sintetizar o conhecimento existente.


* Investigar alguma situação ou problema existente.
* Fornecer soluções para um problema.
* Explorar e analisar questões mais gerais.
* Construir ou criar um novo procedimento ou sistema.
* Explicar um novo fenômeno.
* Gerar novo conhecimento.
* Uma combinação de quaisquer dos itens acima.

Você, aluno pesquisador, necessita de métodos e procedimentos precisos,


planejamento eficaz, critérios e instrumentos adequados que passem confiança e
credibilidade tanto aos envolvidos no processo quanto no resultado do trabalho.
(MENEZES; VILLELA, 2006).

O método da pesquisa e outras questões relacionadas ao seu estudo


serão de acordo com o tipo de trabalho que desenvolve, já que os resultados
26
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

das investigações podem ser encontrados sob a forma de trabalhos técnico-


científicos, publicados em revistas científicas, em eventos e em instituições de
Ensino Superior. Lembre-se de que no capítulo anterior você estudou os principais
tipos de trabalhos: Trabalhos de Conclusão de Curso (graduação), Monografias
(graduação ou especialização), Dissertações (mestrado), Teses (doutorado),
e Artigos Científicos, Papers, Resenhas Críticas (cursos de graduação e pós-
graduação), entre outros. (SILVA, 2008).

Por isso, entenda que pesquisar consolida a ciência de determinada


área, divulgando, por meio de trabalhos técnico-científicos nos cursos de
graduação e pós-graduação, os conhecimentos práticos e teóricos descobertos
por pesquisadores através do uso de métodos científicos que impulsionam o
crescimento humano. (SILVA, 2008)

Você deve se preocupar então em estabelecer um planejamento e execução


da pesquisa, pois essas duas características fazem parte de um procedimento
sistematizado que compreende etapas que podem ser definidas como (LAKATOS;
MARCONI, 2001; BARROS; LEHFELD, 2000; CERVO; BERVIAN, 2002):

a) Definição do tema f) Metodologia


b) Formulação do problema g) Coleta de dados
c) Determinação de objetivos h) Análise e discussão dos resultados
d) Justificativa i) Conclusão dos resultados
e) Fundamentação teórica j) Redação e apresentação da pesquisa

Quadro 1 - Etapas da Pesquisa


Fonte: Silva (2008).

Inicialmente, você deve se preocupar com as três primeiras etapas (tema,


problema e objetivos) que são fundamentais para começar a pesquisa e compõem
o projeto de trabalho que será abordado mais adiante. As demais etapas também
serão comentadas ao longo deste estudo.

Portanto, para o desenvolvimento adequado do seu estudo científico, é


necessário o planejamento cuidadoso e a investigação de acordo com as normas
da metodologia científica, tanto aquela referente à forma como a referente ao
conteúdo. (OLIVEIRA, 2002).

Interesses e MotiVações de Pesquisa


Como vimos anteriormente, a pesquisa foca no estudo e na descoberta

27
Metodologia do Trabalho Científico

de novos conhecimentos e assuntos que são importantes para o avanço da


humanidade. Entretanto, a temática que irá estudar deve ser também importante
para você, pesquisador, ou seja, que você tenha real interesse em seu
desenvolvimento e que se sinta motivado a ler, analisar, testar, relatar e publicar
seus estudos.

Quanto mais Quanto mais interesse você tiver em determinado assunto


interesse você tiver e quanto mais quiser saber sobre algo, mais prazeroso será seu
em determinado
assunto e quanto desenvolvimento.
mais quiser saber
sobre algo, mais A produção do artigo é uma etapa importante na sua vida
prazeroso será seu
desenvolvimento. acadêmica de pós-graduação. Portanto, pesquisador, não a encare
como uma obrigação. Para que a escrita não se transforme num fardo,
basta você analisar com atenção alguns fatores antes de começar. É fundamental
lembrar que a escolha deve fazer com que se sinta realizado ao escrever sobre o
assunto. (ICPG, 2008).

Quando você, autor da pesquisa, não se motiva com o assunto e não se


sente instigado em estudar o tema, possivelmente mais ninguém terá interesse.

Encare este momento como uma oportunidade de estudar e


aprender mais sobre um tema que é relevante para você e/ou para
a sociedade. Tome-o como um desafio. Aproveite esta produção
científica socializando seu conhecimento, podendo, inclusive, obter
visibilidade junto ao mercado.

É possível selecionar um assunto a partir da análise de alguns aspectos, veja


(ICPG, 2008):

a) Relevância do Assunto

Cervo e Bervian (2002, p. 74) apresentam que “o assunto de uma pesquisa


é qualquer tema que necessita melhores definições, melhor precisão e clareza do
que já existe sobre o mesmo”.

Você deve pensar em uma justificativa para a realização do trabalho dentro


daquele tema que escolheu. Para isso, questione se o tema é importante; se
é um novo método ou uma nova forma criada na empresa onde você trabalha,
se apresentará soluções mais específicas e que tem relevância para uma
28
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

determinada comunidade. Você deve apresentar para o seu leitor as contribuições


práticas e teóricas geradas por meio das formas sugeridas. Apresente argumentos
que convençam o leitor sobre a importância do seu tema de pesquisa.

O assunto pesquisado por você deve ser atual, pois dificilmente O assunto
alguém terá interesse em ler, estudar, analisar e discutir sobre algo pesquisado
ultrapassado e que não irá ajudar na construção do conhecimento. Por por você deve
isto, você deve se manter sempre atualizado sobre o que está sendo ser atual, pois
estudado em sua área profissional e de pesquisa. dificilmente
alguém terá
interesse em ler,
Azevedo (1998) salienta alguns questionamentos importantes para estudar, analisar e
você pensar durante a escolha do tema: o que esta pesquisa pode discutir sobre algo
acrescentar à ciência onde se inscreve? (Relevância Científica); que ultrapassado e
benefício poderá trazer à comunidade com a divulgação do trabalho? que não irá ajudar
(Relevância Social); o que levou o pesquisador a se iniciar e, por fim, na construção do
conhecimento.
escolher por este tema? (Interesse); em termos gerais, quais são as
possibilidades concretas de esta pesquisa vir a se realizar? (Viabilidade).

b) Inclinações e Possibilidades da Pesquisa

As possibilidades de pesquisa podem ser consideradas quando você Você deve estar
tem envolvimento com tema, pois, o grau de dificuldade para discuti-lo se ciente que se
torna menor e, assim, conseguirá elaborar algumas etapas do trabalho com escolher um
mais rapidez. tema com o qual
não tem vínculo
anterior algum,
Você deve estar ciente de que se escolher um tema com o qual não mesmo sendo
tem vínculo anterior algum, mesmo sendo desafiador e enriquecedor, pode desafiador e
proporcionar frustração, em virtude do tempo e dos prazos que devem ser enriquecedor,
cumpridos. pode proporcionar
frustração, em
virtude do tempo
Reflita sobre o conteúdo apresentado nas disciplinas cursadas na
e dos prazos
graduação e na pós-graduação, possivelmente você encontrará algum que devem ser
assunto interessante a ser discutido e que pode se transformar em um cumpridos.
artigo.

Você pode buscar também um tema em seu ambiente profissional, pois,


muitas vezes, dessa realidade você possa extrair um tópico interessante de
estudo. Em seu dia a dia pode, por exemplo, perceber que alguns alunos da
turma x têm dificuldades de aprendizagem. Então, pode pesquisar a dificuldade
de aprendizagem de um determinado grupo de alunos, verificando os aspectos
familiares, emocionais ou outros. Outro exemplo: você percebe que em um
determinado setor da empresa onde atua muitos funcionários desistem do

29
Metodologia do Trabalho Científico

emprego e pedem demissão. Então, você pode pesquisar sobre as causas da alta
rotatividade de funcionários no setor y da empresa B.

Lembre-se de que quando se propõe a produzir conhecimento,


deve-se fazê-lo com dedicação, rigor científico, seriedade e
comprometimento.

Aliás, a leitura das publicações da sua área (revistas, livros, dissertações, teses)
pode despertar a curiosidade em aprofundar algum tema de sua preferência.

No quadro a seguir, são sugeridos alguns sites interessantes


para quem se propõe a desenvolver estudos científicos. Vale à pena
conferir!

Conselho Nacional de Desenvolvimento


www.cnpq.br
Científico e Tecnológico
http://lattes.cnpq.br/web/dgp Diretórios de grupos de pesquisa no Brasil
http://lattes.cnpq.br/ Currículo dos pesquisadores
Instituto de Estudos Avançados da
www.usp.br/iea
Universidade de São Paulo
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
www.ibict.br
e Tecnologia
www.abnt.org.br Associação Brasileira de Normas Técnicas
www.uol.com.br/cienciahoje Revista de Divulgação Científica
www.mct.gov.br Ministério da Ciência e Tecnologia
Sociedade Brasileira para o Progresso da
www.sbpcnet.org.br
Ciência
www.finep.gov.br Financiadora de Estudos e Projetos
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
www.teses.usp.br - textos integrais de parte das teses e
dissertações apresentadas na USP
SCIELO - Biblioteca eletrônica com periódicos
www.scielo.br
científicos brasileiros

30
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

http://bancodeteses.capes.
Banco de teses CAPES
gov.br
Biblioteca Nacional (Brasil) - o site é referência
para todas as bibliotecas do país, com farta
www.bn.br
documentação e imagens digitalizadas, além
de informações e serviços.
Bibliotecas virtuais do sistema MCT/ CNPq/
Ibict - grande referência na área de bibliotecas
www.prossiga.br virtuais, é o site mais importante no Brasil de
informação e comunicação sobre ciência e
tecnologia.

Quadro 2 - Sites interessantes para pesquisa


Fonte: ICPG, 2008 (Adaptado pelos autores, 2009)

A escolha do tema da pesquisa geralmente é um momento de angústia para


o pesquisador. Este deve considerar alguns critérios, segundo Silva (2006) e Gil
(1996), apresentados a seguir:

• Conhecimento prévio de autores, temas, assuntos, matérias.

• Disponibilidade de tempo e de recursos para a pesquisa.

• Existência de bibliografia disponível no assunto.

• Possibilidade de orientação e supervisão adequada dentro do assunto.

• Relevância e fecundidade do assunto.

A definição do tema deverá ser guiada não apenas por razões intelectuais,
mas por questões como a instituição, o nível de conhecimento e a perspectiva
profissional.

Atividade de Estudos:

1) Pesquise e anote cinco temas de pesquisa que você tenha


interesse em desenvolver e depois reflita individualmente sobre as
seguintes questões: É importante? Gera curiosidade? É atual e/
ou motivador? Há referencial teórico para fundamentar o estudo?
Possibilita novos conhecimentos e perspectivas?

31
Metodologia do Trabalho Científico

Tema 1: ______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Tema 2: ______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Tema 3: ______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Tema 4: ______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
Tema 5: ______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Delimitação do Tema
Após a escolha do assunto/temática a ser pesquisado(a), uma das tarefas
iniciais na elaboração do artigo deve ser a delimitação do tema. Nesse processo, é
preciso levar em conta alguns fatores, e caso o pesquisador não lhes dê atenção,
correrá o risco de descobrir, no meio do caminho, que a escolha foi equivocada.

Para a realização dessa etapa, não existem regras fixas. Porém, alguns
encaminhamentos podem guiar você nesse momento (ICPG, 2008):

• identificar as publicações mais recentes sobre o tema;

• verificar os temas mais importantes para você não ficar com muitos temas,
mas focar em um subtítulo;

• conversar com seu orientador para concentrar-se nas informações mais


relevantes.

Cervo e Bervian (2002) descrevem outras técnicas que podem ajudar você

32
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

no processo de delimitação. Entretanto, elas podem não funcionar para alguns


assuntos. A primeira é a divisão do assunto em suas partes constitutivas e, a
segunda, a definição da compreensão dos termos, que implica a enumeração dos
elementos constitutivos ou explicativos que os conceitos envolvem.

Fixar circunstâncias de tempo (quadro histórico, cronológico) e


de espaço (quadro geográfico) também contribuem para indicar os
limites do assunto.

Por exemplo, o tema de qualidade total é muito amplo e deve ser delimitado.
A ideia da delimitação é passar o tema em um funil, ou seja, segmentá-lo. A seguir,
mostram-se alguns desdobramentos possíveis desse tema:

Exemplos de delimitação do tema: QUALIDADE TOTAL

- Aplicabilidade da Qualidade Total nas empresas têxteis de Brusque.

- Implantação da Qualidade Total nas empresas metalúrgicas de São


Bernardo do Campo.

- Análise da implantação da Qualidade Total na hotelaria de Salvador.

Ao se especificarem as informações (onde – em que região, cidade,


estado?); em que nível (no Ensino Fundamental, Médio ou Superior?) e qual o
enfoque (estatístico, filosófico, histórico, psicológico, sociológico?), indicam-se
as circunstâncias para pesquisa e discussão, isto é, definem-se a extensão e a
profundidade do futuro artigo.

Atividade de Estudos:

1) Selecione um dos temas definidos no exercício anterior e anote


a seguir. Na sequência, transcreva-o para o centro da figura
(b) e faça a análise das possibilidades de estudo e pesquisa
relacionados ao tema principal. Logo após, faça a delimitação do
33
Metodologia do Trabalho Científico

tema (c). Você pode fazer este exercício quantas vezes quiser ou
para quantos temas tiver para delimitar.

a) Tema: _______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

b)

c) Delimitação do tema: ___________________________________


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

A palavra problema
não significa uma
dificuldade, um Problema de Pesquisa
obstáculo real à ação
ou à compreensão,
mas sim o foco, o O problema de uma pesquisa é algo a ser formulado pelo autor
assunto, o tema no início de seu processo. A partir de uma visão global do contexto,
específico delimitado deve surgir a questão a ser pesquisada. Ela deve ser identificada
e formulado pelo
pesquisador para ser claramente, delimitada em relação aos aspectos ou elementos
alvo de seu estudo e que serão abordados e deve apresentar a situação problema da
de sua prática. Pode
ser uma oportunidade pesquisa que não necessariamente será uma limitação. (SILVA,
percebida pelo aluno 2008).
sobre uma temática a
ser pesquisada. Esse
é um dos primeiros A palavra problema não significa uma dificuldade, um obstáculo
itens elaborados real à ação ou à compreensão, mas sim o foco, o assunto, o tema
em uma pesquisa.
(SILVA, 2006). específico delimitado e formulado pelo pesquisador para ser alvo

34
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

de seu estudo e de sua prática. Pode ser uma oportunidade percebida pelo
aluno sobre uma temática a ser pesquisada. Esse é um dos primeiros itens
elaborados em uma pesquisa. (SILVA, 2006).

No início de sua pesquisa, você deve elaborar uma ou mais perguntas que
se tornem seus questionamentos e que surjam a partir da identificação de uma
situação problema. Você deve fazer esta etapa do seu estudo na forma de uma
pergunta (interrogativa) que norteará seu estudo e será respondida ao longo da
pesquisa.

Muitas vezes, as pessoas pesquisam por necessidade ou simplesmente por


curiosidade. Então, toda pesquisa começa com uma dúvida, teórica e/ou prática,
que o pesquisador tenta entender e para a qual busca uma solução.

[...]O que mobiliza a mente humana são problemas, ou seja,


a busca de um maior entendimento de questões postas pelo
real, ou ainda a busca de soluções para problemas nele
existentes, tendo em vista a sua modificação para melhor.
Para aí chegar, a pesquisa é um excelente meio. (LAVILLE;
DIONNE, 1999, p. 85).

Veja a seguir dois exemplos de pergunta de pesquisa:

Exemplo 1: Quais os fatores que geram dificuldades de aprendizagem aos


alunos da turma abc da escola x?
Exemplo 2: Quais os motivos da alta rotatividade de funcionários do setor Y
da empresa B?

Caso você esteja em dúvida sobre qual caminho seguir, ou seja, qual problema
deve estudar para descobrir a solução, pode ordenar os problemas (perguntas)
que elegeu e analisá-los um a um. Veja qual deles acha mais importante para ser
respondido e pense naquelas questões comentadas na escolha do tema, ou seja,
um problema que tenha contribuição social.

O tema (assunto da sua pesquisa) deve ser tratado ao


longo do trabalho com o intuito de trazer respostas (soluções ou
possíveis soluções) aos problemas que levanta. É a sua pesquisa
que oferecerá alguma explicação para a dificuldade encontrada.
“Portanto, o enfoque central para uma pesquisa é o problema
que, posteriormente, trará uma contribuição científica e pessoal.”
(FACHIN, 2003, p. 109).

35
Metodologia do Trabalho Científico

Segundo Schrader (1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2001, p. 103), para


que um problema seja cientificamente válido, devem-se considerar as seguintes
questões:

• pode o problema ser enunciado em forma de pergunta?

• corresponde a interesses pessoais (capacidade), sociais


e científicos, isto é, de conteúdo e metodológicos? Esses
interesses estão harmonizados?

• constitui-se o problema em questão científica, ou seja,


relacionam-se entre si pelo menos duas variáveis?

• pode ser objeto de investigação sistemática, controlada e


crítica?

• pode ser empiricamente verificado em suas consequências?

Com o intuito de esclarecer um pouco mais a formulação do problema, leia o


relato de Gil (2006, p. 49-50):

[...] na acepção científica, problema é qualquer questão não


resolvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio
do conhecimento [...] pode-se dizer que um problema é
testável cientificamente quando envolve variáveis que podem
ser observadas ou manipuladas. As proposições que se
seguem podem ser tidas como testáveis: Em que medida a
escolaridade determina a preferência político-partidária? A
desnutrição determina o rebaixamento intelectual? Técnicas
de dinâmica de grupo facilitam a interação entre os alunos?
Todos estes problemas envolvem variáveis suscetíveis de
observação ou de manipulação. É perfeitamente possível,
por exemplo, verificar a preferência político-partidária de
determinado grupo, bem como o seu nível de escolaridade,
para depois determinar em que medida essas variáveis estão
relacionadas.

Portanto, lembre-se: o problema de pesquisa não necessariamente é uma


dificuldade, algo negativo, podendo ser uma oportunidade (positivo) e sempre em
forma de questionamento.

Atividade de Estudos:

1) Com base na delimitação do tema que você elaborou na atividade


anterior, crie o problema de pesquisa com base nos preceitos da
ciência abordados, elaborando a pergunta de pesquisa.

36
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

ObJetiVos da Pesquisa
Os objetivos de um projeto de estudos, de pesquisa, não representam
somente as intenções do autor, mas a possibilidade de obtenção de metas, de
resultados, de finalidades, que o trabalho deve atingir.

A linguagem deve ser objetiva, precisa e clara. Do ponto de vista técnico, o


objetivo deve sempre iniciar com um verbo no infinitivo, representando a ação que
se quer atingir e concluir com o projeto, como: compreender, constatar, analisar,
desenvolver, capacitar, entre outros. Os objetivos classificam-se em objetivo geral
e objetivos específicos. (SILVA, 2006).

O objetivo geral refere-se diretamente ao problema do trabalho. O verbo utilizado no


Inicia-se a frase do objetivo geral com um verbo abrangente e na forma objetivo geral deve
infinitiva, envolvendo o cenário pesquisado. Já os específicos podem ser ser amplo e não
considerados uma apresentação pormenorizada e detalhada das ações aparecer também
para o alcance do objetivo geral. Também são iniciados com verbos que em algum um
objetivo específico
admitam poucas interpretações e sempre no infinitivo. (SILVA, 2006).
do mesmo projeto.
Pense que em um
O verbo utilizado no objetivo geral deve ser amplo e não aparecer bom planejamento,
também em algum um objetivo específico do mesmo projeto. Pense assim como em
que em um bom planejamento, assim como em uma execução e uma execução e
desenvolvimento, é fundamental que se tenha de maneira clara qual desenvolvimento, é
fundamental que se
objetivo se deseja alcançar. (SILVA, 2006).
tenha de maneira
clara qual objetivo
Alguns verbos que são úteis na delimitação dos objetivos (geral e se deseja alcançar.
específicos), divididos por área são: (SILVA, 2006).

Área Verbos
Registrar, enunciar, citar, exemplificar, descrever,
identificar, medir, classificar, nomear, relacionar, distinguir,
Conhecimento
ordenar, definir, relatar, expressar, estabelecer, inscrever,
reconhecer, enumerar, especificar etc.
Concluir, determinar, estimar, ilustrar, interpretar, predizer,
preparar, narrar, relatar, traduzir, descrever, localizar,
Compreensão reorganizar, transcrever, demonstrar, diferenciar, exprimir,
inferir, modificar, revisar, prever, representar, transformar,
derivar, discutir, extrapolar, interpolar, transmitir etc. 37
Metodologia do Trabalho Científico

Empregar, ilustrar, operar, selecionar, demonstrar,


esboçar, traçar, estruturar, inventariar, interpretar,
Aplicação
usar, desenvolver, organizar, dramatizar, generalizar,
relacionar, praticar, exercitar, propor etc.
Analisar, comparar, debater, discutir, investigar, calcular,
discriminar, identificar, examinar, combinar, contrastar,
Análise
detectar, experimentar, provar, categorizar, correlacionar,
diferenciar, distinguir etc.
Comunicar, originar, planejar, organizar, especificar,
formular, produzir, coordenar, construir, conjugar, compor,
Síntese
documentar, criar, esquematizar, dirigir, elaborar, codificar,
propor, articular etc.

Quadro 3 - Verbos sugeridos para objetivos


Fonte: Silva (2008).

ObJetiVo Geral
Trata-se da questão a ser tratada, o enunciado do problema mais amplo
a ser resolvido pela pesquisa. A ação que levará ao tratamento da dificuldade/
oportunidade abordada no problema de pesquisa. Refere-se diretamente ao
objeto – problema – do projeto. Inicia-se a frase do objetivo geral com um verbo
abrangente e na forma infinitiva, envolvendo o cenário de pesquisa (empresa/
cidade/grupo/produto) e uma complementação que apresente a finalidade.
Exemplo 1: propor um plano de marketing para a empresa Z em Florianópolis
(SC). Exemplo 2: analisar a dificuldade de aprendizagem dos alunos da turma x
de um colégio de Belém.

• Verbo de ação no infinitivo (ar, er, ir – ex.: analisar, vender, partir).

• Cenário da pesquisa do estágio (empresa/cidade/produto...).

• Verbo do objetivo geral deve ser amplo e diferente dos verbos dos
objetivos específicos.

• Relação com o problema do projeto.

ObJetiVos Específicos
Refere-se à apresentação pormenorizada e detalhada das metas que o
trabalho pretende atingir. Tem a ver com as particularidades relativas ao tema ou
38
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

questão escolhida. São aqueles objetivos expressos por ações que contribuem
para o alcance do objetivo geral. São iniciados com verbos que admitam poucas
interpretações e sempre no infinitivo. Exemplos:

• Analisar o ambiente externo e interno da empresa.

• Estabelecer objetivos e metas.

• Definir estratégias e ações para o alcance dos objetivos do plano.

• Apresentar as despesas para a possível execução. O verbo utilizado


no objetivo geral
deve ser amplo
O verbo utilizado no objetivo geral deve ser amplo e não deve ser o e não deve ser o
mesmo utilizado para um objetivo específico. mesmo utilizado
para um objetivo
específico.

Iniciar com verbos de ação no infinitivo (ar, er, ir – ex.: identificar,


reconhecer, sugerir).

Expressar ações que sirvam para o alcance do objetivo geral.

Usar verbos diferentes entre si e do objetivo geral.

Relacionar com o objetivo geral.

A partir da elaboração do objetivo, o pesquisador explicita para o leitor a


intenção de sua pesquisa (aonde quer chegar ao término da investigação). Para
Fachin (2003), os objetivos revelam o que se quer conhecer, medir ou provar e
indicam a contribuição do trabalho.

Para formular os objetivos, você deve retomar o questionamento eleito na


escolha do seu problema de pesquisa. Resgata-se o tema, esse é transformado
em problema e, em seguida, explicita-se o objetivo. Veja os exemplos 1 e 2:

EXEMPLO 1

Tema: Motivação

Tema Delimitado: Fatores motivacionais dos colaboradores da empresa x.

Transformação do tema em problema: Quais os fatores que motivam os


39
Metodologia do Trabalho Científico

colaboradores da empresa x da cidade y?

Objetivo geral: Analisar os fatores que motivam os colaboradores da


empresa x da cidade y.

Objetivos específicos:

• averiguar os conceitos de motivação e de recursos humanos;

• apresentar as atividades oferecidas pela empresa aos colaboradores;

• identificar a percepção dos colaboradores sobre as atividades;


• verificar as atividades que os colaboradores gostariam que fossem
desenvolvidas.

EXEMPLO 2

Tema: Dificuldades de aprendizagem

Tema Delimitado: Dificuldades de aprendizagem referentes à afetividade

Transformação do tema em problema: Qual a relação entre afetividade e


dificuldade de aprendizagem dos alunos da turma x de um colégio de Belém em
relação à afetividade?

Objetivo geral: Analisar a dificuldade de aprendizagem dos alunos da turma


x de um colégio de Belém em relação à afetividade.

Objetivos específicos:

• verificar a importância da afetividade no processo ensino-aprendizagem;


• identificar as relações afetivas (familiares e escolares) dos alunos;

• apresentar as principais dificuldades de aprendizagem dos alunos.

A delimitação e a problematização formuladas poderiam ser quaisquer


outras, dependendo das inclinações e interesses do pesquisador. Somente
após sua definição se torna possível estabelecer os objetivos que serão os
responsáveis por prender a atenção do leitor e manter a coerência do texto. Em
relação ao objetivo, Gil (2006, p. 264) alerta para que esse tenha apenas uma
ideia (um sujeito e um complemento) e salienta que “discussões, reflexões ou
debates não constituem objetivos de pesquisa, pois todo o trabalho científico é
fruto de discussão, reflexão, debate de ideias, cujo lugar mais adequado é no
espaço dedicado à revisão da literatura [...]”.
40
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

Atividade de Estudo:

1) Com base nas atividades de estudo que você elaborou nos


itens anteriores, crie o objetivo geral (verbo de ação + cenário +
finalidade) e específicos (ações para o objetivo geral).

Geral: _______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
Específicos: __________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

O projeto
ProJeto de Pesquisa apresenta
as principais
Antes da elaboração da pesquisa propriamente dita, é necessária a intenções do
pesquisador,
elaboração do projeto de pesquisa. Ele apresenta as principais intenções
seu foco, seu
do pesquisador, seu foco, seu questionamento e real interesse. questionamento e
real interesse.
A estrutura do projeto de pesquisa que será utilizada neste curso
é iniciada nas etapas já comentadas anteriormente: tema, delimitação do tema,
problema e objetivos geral e específicos. Entretanto, após esses elementos, o
pesquisador deve fazer um breve roteiro (boneco, esqueleto, estrutura) para seu
estudo, apresentando os elementos com numerações (títulos e subtítulos) dos
itens que irão compor o desenvolvimento do artigo:

1 INTRODUÇÃO
2 XXXXXXXXX
2.1 Xxxxxxxxxxxxx
2.2 Xxxxxxxxxxxxxxxxx
2.3 Xxxxxxxxxx
2.3.1 Xxxxxxx xxxxxxxxx
2.3.2 Xxxxxxxxxxxxxx
3 XXXXXXXXXX XXXXXXXXX
41
Metodologia do Trabalho Científico

3.1 Xxxxxxx
3.2 Xxxxxxxxxxxxxx
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS

Nessa etapa, ainda não é necessário o desenvolvimento de texto, basta


apenas organizar as ideias e estruturar o conteúdo.

Atividade de Estudos:

1) Apresente a estrutura completa de todas as suas ideias de pesquisa


em forma de projeto, mencionando o tema, a delimitação do tema, o
problema, os objetivos e a estrutura prévia do artigo.

Tema: _______________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Delimitação do tema: ___________________________________


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Problemas: ___________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Objetivo geral:_________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

42
Capítulo 2 PESQUISA CIENTÍFICA

Objetivos específicos: __________________________________


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Estrutura:

1 INTRODUÇÃO
2 _________________________________
2.1 ________________________________
2.2 ________________________________
2.3 ________________________________
2.3.1 _______________________________
2.3.2 _______________________________
3 __________________________________
3.1 ________________________________
3.2 ________________________________
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

Algumas Considerações
Neste capítulo, você verificou algumas questões específicas sobre pesquisa
científica. Iniciou com os conceitos e percebeu que muitos autores estudam sobre
este tema e estabelecem suas próprias definições. Entretanto, todos os conceitos
se voltam à investigação, à indagação, ou seja, a um questionamento. Por isso,
é fundamental que você compreenda e defina o problema de pesquisa e seus os
objetivos (geral e específicos). Porém, você deve verificar seu real interesse e
suas motivações na investigação daquele estudo. Assim, estará elaborando seu
projeto de pesquisa, instrumento imprescindível para quem se dispõe a pesquisar.
Com certeza, você já conseguiu praticar e esboçar suas principais ideias e iniciou
seu projeto. É isso aí...continue pesquisando...e lembre-se de que o avanço da
humanidade, em todas as áreas, ocorre em virtude das pesquisas e descobertas.
Assim, é necessário que você acompanhe o próximo capítulo para perceber os
procedimentos metodológicos no desenvolvimento de estudos e, dessa forma, os
tipos de pesquisa, as formas de coleta, a análise e a interpretação de dados do
seu estudo.

43
Metodologia do Trabalho Científico

Referências
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. São Paulo:
Loyola, 1999.

AZEVEDO, Israel Belo de. O prazer da produção científica: diretrizes para a


elaboração de trabalhos acadêmicos. 6. ed. Piracicaba: UNIMEP, 1998.

BARROS, Aidil J. da Silveira; LEHFELD, Neide A. de Souza. Fundamentos de


metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 3. ed. São Paulo: Makron
Books, 2000.

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo:
Prentice Hall, 2002.

COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em administração: um guia prático para


alunos de graduação e pós-graduação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

FACHIN, Otilia. Fundamentos da metodologia. 4.ed. São paulo: Saraiva, 2003.

GIL, Antônio C. Métodos e técnicas em pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas,
2006.

______. Como elaborar projetos de pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1996.

ICPG – INSTITUTO CATARINENSE DE PÓS-GRADUAÇÃO. Equipe de Metodologia


do Trabalho Científico. Blumenau: ICPG, 2008.

LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina de A. Metodologia do trabalho científico. 6.


ed. São Paulo: Atlas, 2001.

LAVILLE, Chistian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia


da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 1999.

MENEZES, Nilson L. de; VILLELA, Francisco A. Pesquisa científica. Revista SEED


News. Disponível em:
<http://www.seednews.inf.br/portugues/seed82/print_artigo82.html>. Acesso em: 13
out. 2006.

OLIVEIRA, Sílvio Luiz de. Metodologia científica aplicada ao direito. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2002.

SILVA, Renata. Modalidades e etapas da pesquisa e do trabalho científico. São


José: USJ, 2008 (mimeo).

______. Manual de estágio: curso de administração da ASSEVIM. Brusque:


ASSEVIM, jul. 2006. (mimeo)
44
C APÍTULO 3

Procedimentos Metodológicos

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Compreender os procedimentos metodológicos necessários para o


desenvolvimento de pesquisas.

 Verificar os tipos de pesquisa e as formas de coleta, análise e interpretação


de dados.
Metodologia do Trabalho Científico

46
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

ConteXtualização
A pesquisa é uma atividade direcionada para a elucidação de problemas por
meio da utilização de procedimentos científicos. Dessa forma, ao desenvolver uma
pesquisa, é necessária a compreensão das modalidades da pesquisa (tipologia),
bem como das formas de coleta e análise de dados.

No capítulo anterior, você verificou os conceitos da pesquisa científica e


identificou os itens básicos e introdutórios para desenvolver uma pesquisa, ou
seja, de um projeto de pesquisa. Agora, será possível dar continuidade aos
demais itens relevantes de um trabalho científico.

Um documento científico se inicia com uma introdução, seguida pelo


desenvolvimento (delimitação do tema, a definição dos objetivos de estudo,
procedimentos metodológicos, fundamentação teórica, análise e interpretação
das informações coletadas), considerações finais e referências. Portanto, neste
capítulo, você poderá visualizar os procedimentos metodológicos da pesquisa,
bem como as formas de coleta e análise das informações que veem ao encontro
dos objetivos e do problema de pesquisa.

Assim, é comum que o aluno-pesquisador questione: quais as características


do meu estudo? que tipo de pesquisa pretendo desenvolver? qual a necessidade
de aplicação de questionários ou entrevistas para este tema? como devo coletar
e apresentar os dados? é necessário fundamentar meu trabalho com literaturas?
Por isso, este capítulo se relaciona diretamente a estas dúvidas e irá auxiliá-lo
nas definições metodológicas de sua pesquisa e do resultado dela sob a forma de
artigo científico.

Neste capítulo, você encontrará as seguintes seções: modalidades da


pesquisa, coleta de dados, análise e interpretação de dados e apresentação dos
resultados.

Modalidades da Pesquisa
A elaboração de pesquisas pode ser para você, acadêmico pesquisador,
uma experiência prática, buscando refletir, sistematizar e testar os conhecimentos
teóricos e instrumentais aprendidos durante sua vida no ensino formal e de
pesquisa.

Portanto, a pesquisa lhe propõe uma reflexão de fatos e dados, estimulando-o

47
Metodologia do Trabalho Científico

a analisar e julgar, quando oportuno, de forma ética e profissional, ampliando seus


conhecimentos. Seu espírito crítico e ético lhe possibilitarão que se destaque na
procura de soluções para os problemas da sociedade em que vive e aceite suas
responsabilidades sociais.

Como vimos no capítulo anterior, muitos autores já publicaram suas


percepções e conceitos sobre pesquisa e vários salientam que essa é um
processo de perguntas e investigação; é sistemática e metódica; e aumenta o
conhecimento humano. (COLLIS; HUSSEY, 2005). “A pesquisa parte [...] de uma
dúvida ou problema e, com o uso do método científico, busca uma reposta ou
solução.” (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 63).

Assim, você pesquisador utilizará seus conhecimentos teóricos e práticos. Para


tal, é necessário que tenha habilidades para a utilização de técnicas de análise, que
entenda os métodos científicos e os procedimentos para que possa atingir o objetivo
de encontrar respostas para as perguntas formuladas no estudo.

Lembre-se que a pesquisa científica é uma atividade que se volta para o


Seu artigo científico esclarecimento de situações problema ou novas descobertas. Dessa
também deve forma, é indispensável que você use processos científicos que, por
apresentar os
caminhos e formas sua vez, são bem diversos, dependendo do campo de conhecimento.
utilizados no estudo.
Assim, é importante Seu artigo científico também deve apresentar os caminhos e
citar as modalidades
ou tipos da pesquisa formas utilizados no estudo. Assim, é importante citar as modalidades
e características do ou tipos da pesquisa e características do trabalho.
trabalho.

Conforme Gil (1999), as pesquisas podem ser classificadas quanto:

• à natureza da pesquisa (básica ou aplicada);

• à abordagem do problema (qualitativa ou quantitativa, ou ambas


combinadas);

• à realização dos objetivos (descritiva, exploratória ou


explicativa);

• aos procedimentos técnicos (bibliográfica, documental,


levantamento, estudo de caso, participante, pesquisa ação,
experimental e ex-post-facto).

48
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Veja a seguir a elucidação das classificações da pesquisa:

a) Do ponto de vista da sua natureza, pode ser:

• Pesquisa Básica: objetiva produzir conhecimentos novos, úteis para o avanço da


ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais.
(GIL,1999). Assim, o pesquisador busca satisfazer uma necessidade intelectual pelo
conhecimento e sua meta é o saber. (CERVO; BERVIAN, 2002).

• Pesquisa Aplicada: gera conhecimentos para aplicação prática, dirigidos


à solução de problemas específicos. Envolve interesses locais. (GIL, 1999).
A pesquisa visa à aplicação de suas descobertas na solução de um problema.
(COLLIS; HUSSEY, 2005).

b) Do ponto de vista da forma de abordagem do problema, pode ser:

• Pesquisa Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, o que significa
traduzir em números opiniões e informações para classificá-los e analisá-los.
Requer o uso de técnicas estatísticas e de recursos (percentagem, média, moda,
mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, e outros). (GIL, 1999). Assim,
a pesquisa quantitativa é focada na mensuração de fenômenos, envolvendo a
coleta e análise de dados numéricos e aplicação de testes estatísticos. (COLLIS;
HUSSEY, 2005).

• Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real
e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade
do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos
e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa.
Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte
direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento chave. (GIL, 1999).
A pesquisa qualitativa utiliza técnicas de dados como a observação participante,
história ou relato de vida, entrevista e outros. (COLLIS; HUSSEY, 2005).

Verifique nos resumos e/ou na introdução de artigos científicos


publicados em revistas científicas, anais de eventos ou sites da
sua área de estudo, e veja qual o tipo de pesquisa é mais comum
(Qualitativa, Quantitativa ou Quali-Quanti)!!!! Lembre-se do Scielo
(www.scielo.br) e tenha uma boa leitura!

c) Do ponto de vista de seus objetivos, pode ser:


49
Metodologia do Trabalho Científico

• Pesquisa Exploratória: proporciona maior proximidade com o problema, visando


torná-lo explícito ou definir hipóteses. Procura aprimorar ideias ou descobrir
intuições. Possui um planejamento flexível, envolvendo, em geral, levantamento
bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com
o problema pesquisado e análise de exemplos similares. Assume as formas de
pesquisas bibliográficas e estudos de caso. (GIL, 1996; DENCKER, 2000). Esse
tipo de pesquisa é voltado para pesquisadores que possuem pouco conhecimento
sobre o assunto pesquisado, pois, geralmente, há pouco ou nenhum estudo
publicado sobre o tema. (COLLIS; HUSSEY, 2005).

• Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada


população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. A forma
mais comum de apresentação é o levantamento, em geral realizado mediante
questionário ou observação sistemática, que oferece uma descrição da situação
no momento da pesquisa. Metodologia indicada para orientar a forma de coleta
de dados quando se pretende descrever determinados acontecimentos. (GIL,
1996; DENCKER, 2000). É direcionada a pesquisadores que têm conhecimento
aprofundado a respeito dos fenômenos e problemas estudados.

• Pesquisa Explicativa: aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a


razão, o porquê das coisas e, por isto, é o tipo mais complexo e delicado, já que o
risco de cometer erros aumenta consideravelmente. Visa identificar os fatores que
determinam ou contribuem para a ocorrência dos acontecimentos. Caracteriza-
se pela utilização do método experimental (nas ciências físicas ou naturais) e
observacional (nas ciências sociais). Geralmente, utiliza as formas de Pesquisa
Experimental e Ex-post-facto. Método adequado para pesquisas que procuram
estudar a influência de determinados fatores na determinação de ocorrência de
fatos ou situações. (GIL, 1996; DENCKER, 2000).

• Verifique nos resumos e/ou na introdução de artigos científicos


publicados em revistas científicas, anais de eventos ou sites
da sua área de estudo qual o tipo de pesquisa mais comum
(Explicativa, Exploratória ou Descritiva)!!!!

• Lembre-se do Scielo (www.scielo.br) e tenha uma boa leitura!

d) Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, pode ser:

• Pesquisa Bibliográfica: utiliza material já publicado, constituído basicamente


de livros, artigos de periódicos e, atualmente, com informações disponibilizadas

50
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

na internet. Quase todos os estudos fazem uso do levantamento bibliográfico e


algumas pesquisas são desenvolvidas exclusivamente por fontes bibliográficas.
Sua principal vantagem é possibilitar ao investigador a cobertura de uma gama
de acontecimentos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar
diretamente. (GIL, 1999). A técnica bibliográfica busca encontrar as fontes primárias
e secundárias e os materiais científicos e tecnológicos necessários para a realização
do trabalho científico ou técnico-científico. Pode realizar-se em bibliotecas públicas,
faculdades, universidades e, atualmente, nos acervos que fazem parte de catálogo
coletivo e das bibliotecas virtuais. (OLIVEIRA, 2002).

• Pesquisa Documental: elaborada a partir de materiais que não receberam


tratamento analítico, documentos de primeira mão, como documentos oficiais,
reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc.,
ou, ainda, documentos de segunda mão que, de alguma forma, já foram analisados,
tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.
(GIL, 1999). Normalmente se encontram no interior de órgãos públicos ou privados
como manuais, relatórios, balancetes e outros.

• Levantamento: envolve a interrogação direta de pessoas cujo comportamento


em relação ao problema estudado se deseja conhecer para, em seguida, mediante
análise quantitativa, identificar as conclusões correspondentes aos dados
coletados. O levantamento feito com informações de todos os integrantes do
universo da pesquisa origina um censo. (GIL, 1999). O levantamento usa técnicas
estatísticas, análise quantitativa, permite a generalização das conclusões para o
total da população e, assim, para o universo pesquisado, permitindo o cálculo da
margem de erro. Os dados são mais descritivos que explicativos. (DENCKER,
2000).

• Estudo de Caso: envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos


objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento.
(GIL, 1999). O estudo de caso pode abranger análise de exame de registros,
observação de acontecimentos, entrevistas estruturadas e não-estruturadas ou
qualquer outra técnica de pesquisa. Seu objeto pode ser um indivíduo, um grupo,
uma organização, um conjunto de organizações ou, até mesmo, uma situação.
(DENCKER, 2000). A maior utilidade do estudo de caso é verificada nas pesquisas
exploratórias. Por sua flexibilidade, é sugerido nas fases iniciais da pesquisa de
temas complexos para a construção de hipóteses ou reformulação do problema. É
utilizado nas mais diversas áreas do conhecimento. A coleta de dados geralmente
é feita por mais de um procedimento. Entre os mais usados estão: a observação, a
análise de documentos, a entrevista e a história da vida. (GIL, 1999).

• Pesquisa-Ação: concebida e realizada em estreita associação com uma ação


ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes

51
Metodologia do Trabalho Científico

representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo


ou participativo. (GIL, 1999). Implica o contato direto com o campo de estudo,
envolvendo o reconhecimento visual do local, a consulta a documentos diversos e,
sobretudo, a discussão com representantes das categorias sociais envolvidas na
pesquisa. É delimitado o universo da pesquisa e recomenda-se a seleção de uma
amostra. O critério de representatividade dos grupos investigados na pesquisa-
ação é mais qualitativo do que quantitativo. É importante a elaboração de um
plano de ação envolvendo os objetivos que se pretende atingir, a população a
ser beneficiada, a definição de medidas, procedimentos e formas de controle do
processo e de avaliação de seus resultados. (GIL, 1996). Não segue um plano
rigoroso de pesquisa, pois o plano é readequado constantemente de acordo
com a necessidade, os resultados e o andamento das pesquisas. O investigador
se envolve no processo e sua intenção é agir sobre a realidade pesquisada.
(DENCKER, 2000).

• Pesquisa Participante: realizada através da integração do investigador, que


assume uma função no grupo a ser pesquisado, mas sem seguir a uma proposta
pré-definida de ação. A intenção é adquirir conhecimento mais profundo do grupo.
O grupo investigado tem ciência da finalidade, dos objetivos da pesquisa e da
identidade do pesquisador. Permite a observação das ações no próprio momento
em que ocorrem. (DENCKER, 2000). Esta pesquisa necessita de dados objetivos
sobre a situação da população. Isso envolve a coleta de informações sócio-
econômicas e tecnológicas que são de natureza idêntica aos adquiridos nos
tradicionais estudos de comunidades. Estes dados podem ser agrupados por
categorias como: geográficos, econômicos, educacionais e outros. (GIL, 1996).

• Pesquisa Experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecionam-


se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. (GIL, 1999).
A pesquisa experimental necessita de previsão de relações entre as variáveis
a serem estudadas e o seu controle. Desta forma, na maioria das situações, é
inviável quando se trata de objetos sociais. (GIL, 1996). É geralmente utilizada nas
ciências naturais.

• Pesquisa Ex-Post-Facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos. O


pesquisador não tem controle sobre as variáveis. (GIL, 1999). É um tipo de pesquisa
experimental, diferindo apenas pelo fato do fenômeno ocorrer naturalmente sem
que o investigador tenha controle sobre ele, ou seja, nesse caso, o pesquisador
passa a ser um mero observador do acontecimento. Por exemplo: a verificação do
processo de erosão sofrido por uma rocha por influência do choque proveniente
das ondas do mar. (BOENTE; BRAGA, 2004). Esta pesquisa é geralmente utilizada
nas ciências naturais.

52
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

• Verifique nos resumos e/ou na introdução de artigos científicos


publicados em revistas científicas, anais de eventos ou sites da
sua área de estudo quais os tipos de pesquisa são mais comuns
(bibliográfica, documental, levantamento, estudo de caso,
pesquisa-ação, participante, experimental e ex-post-facto)!!!!

• Lembre-se do Scielo (www.scielo.br) e tenha uma boa leitura!

Assim, o pesquisador deve citar e explicar os tipos de pesquisa que o estudo


trata, justificando cada item de classificação e a relação com o tema e objetivos da
pesquisa. Deve-se fazer uso de citações para enriquecer a argumentação. Toda e
qualquer fonte deve ser referenciada, precisando data e página, quando tratar-se
de citação direta. (SILVA, 2006).

Você deve apresentar em sua pesquisa:

• Definição de cada tipo de pesquisa (natureza, abordagem,


objetivos, procedimentos).

• Explicação do tipo de pesquisa relacionada ao tema do trabalho


e argumentação consistente para sua utilização.

• Citações para cada tipo de pesquisa apresentada.

Atividades de Estudos:

1) Apresente a estrutura completa de todas as suas ideias de pesquisa


em forma de projeto, mencionando o tema, a delimitação do tema, o
problema, os objetivos e a estrutura prévia do artigo.

Anote a seguir seus objetivos de pesquisa e sua pergunta de


pesquisa:

Pergunta: ____________________________________________
____________________________________________________
53
Metodologia do Trabalho Científico

Objetivo geral: ________________________________________


____________________________________________________
____________________________________________________

Objetivos específicos:
•_________________________________________________;
•_________________________________________________;
•_________________________________________________;
•_________________________________________________;
•_________________________________________________;
•_________________________________________________;

2) Agora, analisando as informações acima, avalie quais os tipos


de pesquisa que se relacionam com sua pesquisa, fazendo
anotações das características dessa relação.

a) Natureza: ( ) Básica ( ) Aplicada


Justifique: ____________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

b) Abordagem do problema: ( ) Qualitativa ( ) Quantitativa


Justifique: ____________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

c) Objetivos: ( ) Exploratória ( ) Descritiva ( ) Explicativa


Justifique: ____________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

d) Procedimentos técnicos: _______________________________

( ) Bibliográfica ( ) Documental ( ) Levantamento


( ) Estudo de caso ( ) Pesquisa-ação ( ) Participante
( ) Experimental ( ) Ex-post-facto

Justifique: ____________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

54
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Após a identificação dos tipos de pesquisa referente ao seu estudo, você


deve definir as formas de coleta de dados e, na sequência, os meios de análise e
interpretação desses dados.

Coleta de Dados
Neste item, é necessário que você apresente como foi organizada e
operacionalizada a coleta dos dados relativos ao processo de pesquisa. Todas
as formas que usou de coleta devem ser mencionadas (leituras, entrevistas,
questionários, documentos, observação) e de que fonte foram coletadas
(identificando o ambiente, a população e a amostra para a pesquisa).

Coletas bibliográficas (temas e assuntos).

Documentos internos da empresa (relatórios...).

Entrevistas e questionários devem citar quantas e quais pessoas


(cargos) foram pesquisadas.

Observação (definição e forma de observação).

a) Coletas bibliográficas
Seu texto deve
ser construído
Você precisa apresentar o tema proposto, fundamentando-o com expressando
uma revisão crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao tema macro suas leituras e
(área de estudo/tema/delimitação do tema) e micro (referente aos diálogos teóricos
objetivos). com os autores
pesquisados.
Para tal, deve relacionar sua visão sobre o tema fundamentado aos
acontecimentos atuais e trabalhos já realizados na área, bem como a opiniões
de autores. A fundamentação teórica, revisão da literatura ou revisão bibliográfica
apresenta os conceitos teórico-empíricos que nortearam o trabalho. Você pode
pontuar através das referências utilizadas as ideias com as quais você compactua
ou não, entretanto, deve utilizar outro(s) autor(es) para estabelecer o confronto,
se houver.

Seu texto deve ser construído expressando suas leituras e diálogos teóricos
55
Metodologia do Trabalho Científico

com os autores pesquisados.


Você pode construir seu texto se preocupando com (SILVA, 2008):

• Produzi-lo a partir do maior número possível de material bibliográfico publicado.

• Usar material e informações de primeira mão (evitando o uso do apud – significa


citado por – material de segunda mão. É uma informação de um autor e citado
pelo autor em que você está pesquisando. Você terá mais informações no
capítulo 5 sobre Citações).

• Contemplar, apenas, os trabalhos pertinentes e relacionados ao tema, sem


desviar do foco de pesquisa.

• Restringir-se não apenas às ideias veiculadas nos livros técnico-científicos.

• Apresentar as publicações de periódicos especializados.

Salientamos que é necessário o cumprimento das regras de citações (ABNT,


NBR 10520, 2002), apresentadas neste caderno, no Capítulo 5.

Você deve apresentar em sua pesquisa:

Tema macro (área de pesquisa/tema/delimitação do tema).

Tema micro (tema principal da pesquisa – objetivos).

b) Coletas documentais

É comum, em algumas áreas de conhecimento, a coleta de dados em


prefeituras, organizações governamentais ou, então, em setores específicos de
empresas privadas. Estas informações devem ser comentadas no texto com as
mesmas regras metodológicas das literaturas, já que possuem autoria.
Muitas vezes, a
pesquisa envolve Muitas vezes, a pesquisa envolve a utilização de materiais que
a utilização de estão localizados internamente em instituições públicas ou privadas.
materiais que
estão localizados
internamente em Exemplo1: As informações documentais foram coletadas no Projeto
instituições públicas Pedagógico da escola e nos registros dos alunos, arquivados na
ou privadas.
secretaria da escola.
56
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Exemplo 2: Os dados foram coletados no Programa de Desenvolvimento da


Empresa, no banco de dados do RH e nos relatórios dos setores.

c) Questionário

Com esta técnica de investigação, composta por questões apresentadas por


escrito às pessoas, você pode identificar o conhecimento de opiniões, crenças,
sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas e outras. (GIL, 1996).

Para elaborar um
Para elaborar um questionário, você deve refletir sobre os objetivos
questionário, você
da pesquisa e passá-los para questões específicas. São as respostas deve refletir sobre
que apresentarão as informações necessárias para testar as hipóteses os objetivos da
ou esclarecer o problema da pesquisa estudados no Capítulo 2. pesquisa e passá-
los para questões
Segundo Labes (1998), as etapas do questionário podem ser: específicas.

• Pesquisa (análise dos objetivos e problema).

• Elaboração do questionário.

• Testagem ou pré-teste.

• Distribuição e aplicação.

• Tabulação dos dados.

• Análise e interpretação dos dados.

Gil (1999) cita três tipos de questões em relação à forma: questões


fechadas, questões abertas e questões relacionadas. Na questão fechada,
Dencker (2000) acrescenta perguntas com escala.

No questionário do tipo questões fechadas, apresenta-se ao respondente


um conjunto de alternativas de resposta para que seja escolhida a que melhor
representa sua situação ou ponto de vista.

Exemplo: Qual seu time de futebol?


( ) Flamengo ( ) Vasco ( ) Fluminense ( ) Sem time
( ) Outro _______________________________

A pergunta com escala visa medir o grau, e não a qualidade. Apresenta uma
gradação nas respostas. A escala pode ser apresentada pela atribuição de nota,
de preferência, de atitude.

57
Metodologia do Trabalho Científico

Exemplo: Em que medida você concorda com a portabilidade nos serviços de


telefonia celular?
( ) Concordo plenamente ( ) Concordo ( ) Não tenho opinião
( ) Discordo ( ) Discordo plenamente.

- Não ofereça um número muito grande de alternativas, pois isso


poderá confundir o entrevistado e prejudicar a escolha.

- Nas questões com diversas alternativas, deve-se sempre


colocar a opção “outras” para não ter que listar todas as possíveis
opções.

- Ter apenas uma resposta para o entrevistado assinalar.


Quando houver necessidade de mais de uma resposta (Exemplo:
Quais as atividades de lazer você prefere?), deve-se deixar claro que
pode ser assinalada mais de uma opção na pergunta e ter cuidado
na tabulação.

Nas questões abertas, apresenta-se a pergunta e se deixa um espaço em


branco para que a pessoa escreva sua resposta sem qualquer restrição. Exemplo:
Como você considera a atual gestão do presidente da república?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

Entretanto, questionários com muitas questões abertas retornam com muitas


delas não respondidas. Também é conveniente lembrar que, nesse caso, a
tabulação das respostas torna-se mais complexa.

As questões relacionadas são aquelas dependentes da resposta dada a


uma outra questão anterior. Exemplo:

- Você pratica algum esporte?


( ) Sim (responda à questão seguinte)
( ) Não (responda à questão número 11)

- Qual o seu esporte preferido?


( ) Natação ( ) Corrida ( ) Futebol ( ) Outro_________________

58
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

- A pergunta não deve sugerir respostas.

- A questão deve referir-se a uma única ideia de cada vez.

- O questionário não deve ultrapassar o número de 30 questões.

- Iniciar pelas questões que definem o perfil do entrevistado (sexo, faixa


etária, renda etc.).

- Na sequência, começar pelas questões mais gerais e, depois,


apresentar as de maior especificidade.

- As perguntas devem ser ordenadas em uma sequência lógica.

- Incluir apenas perguntas que realmente tenham relação com o problema.

- Iniciar com as questões mais fáceis e impessoais, deixando as mais


difíceis e íntimas para o fim.

- Evitar perguntar o nome, pois as respostas são mais livres e sinceras.

- Não obrigar o entrevistado a fazer cálculos.

- Ter uma boa apresentação gráfica (caracteres, diagramação,


espaçamento, entrelinhas).

- Apresentar as instruções de preenchimento adequado ao questionário.

- Citar, na apresentação do questionário, o objetivo da pesquisa e os


envolvidos (entidade).

Antes de iniciar a aplicação definitiva do questionário, você deve realizar um


pré-teste. Ele serve para evidenciar possíveis falhas na redação do questionário,
como: complexidade das questões, imprecisão na redação, desnecessidade
das questões, constrangimentos aos informantes, exaustão etc. No pré-teste,
você deverá aplicar de 10 a 20 provas, a elementos pertencentes à população
pesquisada. (GIL, 1999; DENCKER, 2000).

Para a distribuição do questionário, após a adequação do pré-teste, você pode


utilizar os seguintes meios: correio, e-mail, telefone, pessoalmente (individual ou
59
Metodologia do Trabalho Científico

em grupo). Para todos os meios, é necessário ter precauções para a aplicação, o


preenchimento e o retorno dos questionários. (LABES, 1998; GIL, 1999).

Para a delimitação da população/amostra e o tratamento estatístico, você


deve atender a dois momentos: seleção e definição do universo e organização do
questionário – tabulação. (LABES, 1998). “O universo ou população é o conjunto de
seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em
comum [...] dependem do assunto a ser investigado.” (OLIVEIRA, 2002, p. 72).
Você deve compreender que a amostra de uma pesquisa pode ser
conceituada como “subconjunto finito de uma população” (LABES, 1998, p. 22) e
dividida em quatro tipos:

• Amostragem Causal ou Aleatória Simples: sorteio/ seleção


espontânea da amostra.

• Amostragem Sistemática: quando a população encontra-se


ordenada como, por exemplo, em subgrupos. Quando se
conhece a proporção e a dispersão geográfica.

• Amostragem Proporcional Estratificada: definida por


variáveis (sexo, idade, etc.).

• Amostragem Probabilística: possibilidade de todos os


elementos serem pesquisados – aleatoriedade da amostra.
Conhecer a probabilidade de ocorrência de um evento.

Você deve proceder à tabulação de questionários e se voltar à amplitude


das variáveis/categorias, ao cruzamento de variáveis, a tabulação manual e
o processamento eletrônico. Na utilização de gráficos, deve-se preocupar com:
proporcionalidade, título, grandezas numéricas, relações e outros. (LABES, 1998).

A análise dos dados consiste em relacionar, comparar, medir, identificar, agrupar,


classificar, concluir, deduzir. Os procedimentos de análise são: definição de variáveis
e tabulação (adotando uma ou mais variáveis como referência).

• Busque nos trabalhos publicados em revistas científicas, anais


de eventos ou sites da sua área de estudo, e veja se há explicação
sobre a técnica de questionário e como aconteceu a pesquisa e a
análise dos dados!!!! Geralmente a estrutura da entrevista é colocada
em apêndice no final do trabalho. Lembre-se do Scielo (www.scielo.
br) e tenha uma boa leitura!

d) Entrevista

60 Você pode utilizar uma técnica de coleta de dados que se volte diretamente
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

para as pessoas, tendo um contato mais direto, buscando saber a opinião delas
sobre algo: a entrevista. A entrevista é uma comunicação verbal entre duas ou
mais pessoas com um nível de estruturação previamente determinado, com
a intenção de obter informações de pesquisa. É uma das técnicas de coleta de
dados mais usada nas ciências sociais. (DENCKER, 2000; GIL, 1999).
Se você utilizar
Se você utilizar entrevista em seu estudo, deve saber que é entrevista em
uma técnica que também exige planejamento, pois precisa delinear o seu estudo, deve
objetivo a ser alcançado e cuidar de sua elaboração, desenvolvimento saber que é
uma técnica que
e aplicação.
também exige
planejamento,
As entrevistas poderão ser estruturadas (com perguntas definidas) ou pois precisa
semiestruturadas (permite maior liberdade ao pesquisador). (DENCKER, delinear o objetivo
2000). a ser alcançado
e cuidar de sua
elaboração,
Para Gil (1999), nos estudos exploratórios a entrevista informal
desenvolvimento e
visa abordar realidades pouco conhecidas pelo pesquisador. Então, se aplicação.
este é o seu caso, você pode usar o tipo de entrevista menos estruturada
possível, que só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo
básico a coleta de dados. Você utiliza informantes-chave que podem ser
especialistas no tema em estudo, líderes formais ou informais, personalidades e
outros. (GIL, 1999).

Em situações experimentais, com o objetivo de explorar a fundo alguma


experiência vivenciada, é interessante que você use a entrevista focalizada. É
utilizada com grupos de pessoas que passaram por uma experiência específica,
como assistir a um filme, presenciar um acidente e outros. (GIL, 1999).

A entrevista por pauta apresenta certo nível de estruturação, pois se


guia por uma relação de pontos de interesse do entrevistador, ordenadas e
relacionadas entre si. São feitas poucas perguntas diretas e o entrevistado pode
falar livremente. (GIL, 1999).

O desenvolvimento de uma relação fixa de perguntas feitas por você para


entrevistar alguém, cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todos os
entrevistados (que geralmente são em grande número) é a entrevista estruturada.
(GIL, 1999).

Dicas (ICPG, 2008):

- A data da entrevista deverá ser marcada com antecedência e a


situação em que se realiza deve ser discreta.

61
Metodologia do Trabalho Científico

- Registrar os dados imediatamente (anotando-os ou utilizando


gravador).

- Certificar-se de possuir permissão do entrevistado para registrar os


dados e utilizá-los na pesquisa.

- Obter e manter a confiança do entrevistado.

- Deixar o entrevistado à vontade.


- Dispor-se mais a ouvir do que a falar.

- Manter o controle da entrevista (temas).

- Iniciar pelas perguntas que tenham menos possibilidade de


provocar recusa.

- Não emitir opinião.

• Verifique nos trabalhos publicados em revistas científicas, anais


de eventos ou sites da sua área de estudo, e veja se houve
técnica de entrevista e como aconteceu a pesquisa e a análise
dos dados!!!! Geralmente, a estrutura da entrevista é colocada em
apêndice no final do trabalho.

• Lembre-se do Scielo (www.scielo.br) e tenha uma boa leitura!

e) Técnica de Observação

Esta técnica é muito comum em várias áreas de pesquisa e você deve


compreender um pouco mais como funciona. A observação pode ser estruturada
ou não-estruturada. De acordo com o nível de participação do observador,
pode ser participante ou não-participante. Gil (1999) afirma que a observação
participante tende a utilizar formas não estruturadas, pode-se adotar a seguinte
classificação, que combina os dois critérios considerados: observação simples,
observação participante e observação sistemática.

Na observação simples, você, pesquisador, permanece alheio à comunidade,


grupo ou situação que pretende estudar e observa de maneira espontânea os fatos
que ocorrem. Você, nesse caso, assume o papel de expectador.

62
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A observação é
A observação participante ocorre por meio do contato direto do uma técnica muito
comum em várias
investigador com o fenômeno observado para recolher as ações dos
áreas de pesquisa
atores em seu contexto natural, considerando sua perspectiva e seus e você deve
pontos de vista. (CHIZZOTTI, 2001). Você assume o papel de ator, compreender um
desenvolvendo um papel no grupo que está estudando. (GIL, 1999). pouco mais como
funciona.
Nas pesquisas cujo objetivo é a descrição precisa dos fenômenos ou teste
de hipóteses, é frequentemente utilizada a observação sistemática. Pode
ocorrer em situações de campo ou laboratório. Você, antes da coleta de dados,
elabora um plano específico para a organização e o registro das informações.
Para tal, é necessário estabelecer antecipadamente as categorias necessárias
à análise da situação.

A observação se constitui elemento fundamental para a


pesquisa. É utilizada de forma exclusiva ou conjugada a outras
técnicas. Pode-se definir a observação como o uso dos sentidos com
vistas a adquirir conhecimentos do cotidiano. (GIL, 1999).

• Pesquise em trabalhos publicados em revistas científicas, anais de


eventos ou sites da sua área de estudo, e veja se houve técnica
de observação e de que tipo foi!!! Se foi usada a observação
sistemática, geralmente, o roteiro está nos apêndices no final do
trabalho.

• Lembre-se do Scielo (www.scielo.br) e tenha uma boa leitura!

Atividade de Estudo:

1) Para esta atividade de estudo, você deve utilizar o que já foi


desenvolvido no Capítulo 2 (tema, problema, objetivos) e na etapa
anterior deste capítulo (tipos de pesquisa). Assim, faça anotações
importantes junto às coletas de dados que serão necessárias para
o desenvolvimento de seu estudo.

a) Coletas bibliográficas:

Temas de tudo: ________________________________________


____________________________________________________

63
Metodologia do Trabalho Científico

b) Documentos internos: ________________________________


____________________________________________________

c) Entrevistas (quantas e quais pessoas serão pesquisadas): ____


____________________________________________________

d) Questionários (quantas e quais pessoas serão pesquisadas): _


____________________________________________________

e) Observação (definição e forma de observação): ____________


____________________________________________________

Análise e Interpretação de Dados


Agora que você já definiu as formas de coletar informações e dados para seu
estudo, é necessário refletir sobre as formas de analisar e interpretá-los.

O objetivo da análise é reunir as informações de forma coerente e organizada,


visando responder o problema de pesquisa. A interpretação proporciona
um sentido mais amplo aos dados coletados, fazendo a relação entre eles.
(DENCKER, 2000).

Esta etapa pode ser de caráter quantitativo ou qualitativo e você utiliza várias
técnicas para o tratamento dos dados. É conveniente que realize uma análise
descritiva, apresentando uma visão geral dos resultados, e, na sequência, analise
os dados cruzados, que possibilitam perceber as relações entre as categorias de
informação, e da análise interpretativa. (DENCKER, 2000).

A estatística na análise e interpretação de dados pode ser classificada como


(LABES, 1998): Estatística descritiva (descrição e análise sem inferências e
conclusões) e Estatística indutiva (inferências, conclusões, tomadas de decisão
e previsões).

A pesquisa deve prezar pela necessidade de apresentação,


formal e oficial, dos resultados do estudo; explicitação dos objetivos,
da metodologia e dos resultados e prioridade à fidedignidade na
transmissão das descobertas feitas. (LABES, 1998).

64
Capítulo 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Todas as
Todas as informações importantes constatadas na pesquisa são informações
apresentadas em forma de texto ou de elementos de apoio ao texto, importantes
se for necessário, como figuras, quadros, gráficos e tabelas. Você pode constatadas na
pesquisa são
apresentar um quadro compreendendo o período em que se realizaram
apresentadas em
as atividades da pesquisa. Verifique no Scielo (www.scielo.br) como forma de texto ou
alguns artigos em sua área apresentam essas informações! de elementos de
apoio ao texto, se
for necessário, como
Apresentação dos Resultados figuras, quadros,
gráficos e tabelas.
Você deve apresentar os resultados da pesquisa conforme os preceitos da
ciência, com redação técnico-científica e as exigências da área de conhecimento.

Assim, os resultados expõem o tema proposto, fundamentando-o com uma


revisão crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao tema de forma ampla
para depois especificá-la. Você tem que relacionar sua visão sobre o tema
fundamentado aos acontecimentos atuais e trabalhos já realizados na área, bem
como as opiniões de autores.
O modelo de
Para tal, é necessário o cumprimento da ABNT NBR 10520 (2002) apresentação
do documento
que será apresentada e exemplificada no Capítulo 5.
deverá seguir as
regras definidas
As informações podem ser apresentadas por meio de elementos de para sua tipologia
apoio ao texto como figuras, gráficos, quadros, tabelas e outros, conforme as (monografia,
regras metodológicas. artigo científico
e outros) e a
instituição solicitante
O modelo de apresentação do documento deverá seguir as regras
(universidade,
definidas para sua tipologia (monografia, artigo científico e outros) e a revista científica,
instituição solicitante (universidade, revista científica, evento e outros). evento e outros).
No seu caso, caro acadêmico, deverá seguir as regras da UNIASSELVI- No seu caso, caro
PÓS, contidas neste caderno de estudo, que se iniciam no próximo acadêmico, deverá
capítulo. seguir as regras
da UNIASSELVI,
contidas neste
Algumas Considerações caderno de estudo,
que se iniciam no
próximo capítulo.
Neste capítulo, você pôde perceber os procedimentos
metodológicos da pesquisa e visualizar as tipologias e modalidades da pesquisa
(básica, qualitativa, documental, bibliográfica etc.). É sempre importante que os
tipos de pesquisa estejam claramente apresentados no trabalho para o leitor
poder acompanhar o raciocínio e os procedimentos que o pesquisador utilizou.
Da mesma forma acontece com as formas de coleta de dados (entrevistas,
questionários, literatura, observação) e a análise e interpretação desses dados
descritos no trabalho. Portanto, lembre-se de apresentar estas informações em
seus textos científicos, elas são imprescindíveis.
65
Metodologia do Trabalho Científico

Dessa forma, você pode agora fazer suas leituras com este olhar crítico quanto aos
procedimentos e técnicas metodológicas, ou seja, verifique as modalidades da pesquisa,
coleta e análise de dados que os autores utilizam em seus estudos. Você verá que eles
são válidos e aceitos pela ciência mediante aquele determinado procedimento. Será
que se o pesquisador utilizar outro procedimento para seu estudo ele encontrará outro
resultado de pesquisa? Pense nisso!!

Visando dar continuidade ao seu trabalho, você terá, no próximo capítulo,


uma abordagem mais prática e visual com as regras para a apresentação,
organização e formatação do artigo.

Referências
BOENTE, Alfredo N. P; BRAGA, Glaucia. Metodologia científica contemporânea
para universitários e pesquisadores. Rio de Janeiro: Brasport, 2004.

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo:
Prentice Hall, 2002.

CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo:


Cortez, 2001.

COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em administração: um guia prático para


alunos de graduação e pós-graduação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

DENCKER, Ada de Freitas M. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. 4. ed.


São Paulo: Futura, 2000.

GIL, Antônio C. Métodos e técnicas em pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas,
1999.

______. Como elaborar projetos de pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1996.

ICPG – INSTITUTO CATARINENSE DE PÓS-GRADUAÇÃO. Equipe de


Metodologia do Trabalho Científico. Vol. 1. Blumenau: ICPG, 2008.

LABES, Emerson Moisés. Questionário: do planejamento à aplicação na pesquisa.


Chapecó: Grifos, 1998.

OLIVEIRA, Sílvio Luiz de. Metodologia científica aplicada ao direito. São Paulo:
Pioneira Thomson Learning, 2002.

SILVA, Renata. Modalidades e etapas da pesquisa e do trabalho científico. São


José: USJ, 2008. (mimeo).

______. Manual de metodologia: projeto de estágio, relatório de estágio, trabalho de


66 curso e trabalho de graduação. Brusque: ASSEVIM, jul. 2006. (mimeo).
C APÍTULO 4
Apresentação, Organização e
Formatação do Artigo

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Conhecer a organização, o formato e apresentação do artigo científico.

 Desenvolver o artigo científico de acordo com as normas de organização,


formatação e características do texto técnico-científico.
Metodologia do Trabalho Científico

68
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

ConteXtualização
No seu dia a dia, quando procura artigos científicos do seu interesse
ou da área de sua atuação, você deve ter visualizado que eles podem na sua
apresentação, formatação e organização ter pequenas diferenças entre si. Diante
disso, você poderá pensar de que forma se deve organizar o artigo científico para
a UNIASSELVI-PÓS. Por isso, neste capítulo, você terá acesso a como elaborar
o seu artigo científico para conclusão do seu curso, respeitando as normas de
organização, formatação e características do texto técnico-científico, as quais
estão em consonância com ABNT.

Nesta parte você encontrará as seguintes seções: apresentação gráfica,


normas metodológicas, elementos pré-textuais, elementos textuais, elementos
pós-textuais e apresentação de ilustrações e tabelas.

Apresentação Gráfica
O artigo científico deve seguir em termos de apresentação gráfica as
indicações abaixo:

• Papel: folha branca de tamanho A4 (21cm x 29,7cm).

• Margens: esquerda e superior de 3cm; direita e inferior de 2cm.

• Espaçamento entrelinhas: 1,5.

• Parágrafo: de 1,25cm (geralmente 1 tab), com uma linha em branco entre um


parágrafo e outro.

• Formato do texto: justificado.

• Tipo e tamanho da fonte:

- Texto: Times New Roman de tamanho 12.

Importante:

Nas citações longas, notas de rodapé, número de página e


fontes de ilustrações e tabelas use Times New Roman, de tamanho
10. Estes itens você estudará posteriormente.

69
Metodologia do Trabalho Científico

- Título: tamanho 18 e negrito,

- Subtítulo: tamanho 16 e negrito,

• Paginação: as páginas são numeradas com algarismos arábicos, colocados no


canto superior direito da página, a 2cm da borda superior. A primeira folha,
que apresenta a identificação do artigo, não é paginada, embora seja contada.
A paginação é iniciada na segunda folha e segue até o final do trabalho,
inclusive nos elementos pós-textuais opcionais (apêndices e anexos).

• Extensão do artigo: de 8 a 12 páginas. Veja a proporção dos elementos do


artigo sugerida no quadro a seguir.

ELEMENTOS QUANTIDADE DE PÁGINAS


Pré-textuais ½
Introdução 2
Desenvolvimento 8
Considerações Finais 1
Referências ½
Total 12

Quadro 4 – Proporção dos elementos do artigo


Fonte: Elaborado pela equipe do MTC (2007).

• Títulos e subtítulos internos: os títulos de primeiro nível devem ser colocados


em letras maiúsculas e em negrito (3 ADMINISTRAÇÃO); subtítulos de
segundo nível devem iniciar com a primeira letra maiúscula e seguir com letras
minúsculas em negrito (3.1 Administração científica); e subtítulos de terceiro
nível, em letras minúsculas e apenas a primeira letra do título maiúscula (salvo
nomes próprios) e sem negrito (3.1.1 Histórico da administração científica). A
numeração de títulos e subtítulos deve ser alinhada à margem esquerda.

• Itálico: utiliza-se para grafar as palavras em língua estrangeira, como check in,
resumen, workaholic, por exemplo.

O quadro a seguir apresenta um exemplo da organização, formato e


apresentação do artigo científico.

70
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

TÍTULO DO ARTIGO
Subtítulo
Nome do Autor
Nome do Co-autor
Resumo
Palavras-chave:
TITLE
Subtitle
Abstract
Keywords:

1 INTRODUÇÃO
2 ESTRATÉGIAS PARA IDENTIFICAR O PAPEL DO CANDIDATO
2.1 Entrevista
2.2 Testes
2.2.1 Avaliação da entrevista
2.2.2 Avaliação dos testes
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
Quadro 5 - Exemplo da organização, formato e apresentação do artigo científico
Fonte: Elaborado pela equipe MTC-ICPG (2007).

• Normas Metodológicas

O modelo de apresentação do seu artigo científico seguirá, por razões de


normatização, a estrutura de artigos científicos apresentada neste caderno, que
está em consonância com a NBR 6022(2003), sendo imprescindível o uso e o
cumprimento das normas estabelecidas no quadro a seguir.

ELEMENTOS ETAPAS
Título
Subtítulo (opcional)
Pré-textuais Autores
Resumo
Palavras-chave
Introdução
Textuais Desenvolvimento
Considerações Finais

71
Metodologia do Trabalho Científico

Referências (obrigatório)
Pós-textuais Apêndice(s) (opcional(is)/não-recomendado(s))
Anexo(s) (opcional(is)/não-recomendado(s))

Quadro 6 - Disposição dos elementos do artigo científico


Fonte: ABNT, NBR 6022, 2003 (adaptado pela equipe do MTC-ICPG, 2007).

• Elementos da estrutura do artigo científico

a) Elementos Pré-Textuais

Os elementos pré-textuais são compostos por informações essenciais,


conforme explicação e modelo a seguir. Siga as prescrições ao elaborar o seu
artigo para a UNIASSELVI-PÓS:

• Título do trabalho: (letra 18, centralizado, maiúsculas e negrito).

• Subtítulo, se houver: (letra 16, centralizado, negrito, maiúsculas e


minúsculas); (após o subtítulo, deixar 2 linhas de tamanho 12 em branco).

• Estudante: nome do estudante (letra 12, centralizado, negrito, maiúsculas e


minúsculas), com nota de rodapé indicando a titulação e o e-mail.

• Co-autor: nome do orientador (letra 12, centralizado, negrito, maiúsculas e


minúsculas), com nota de rodapé indicando a titulação (especialista, mestre,
doutor) e o e-mail; (deixar 2 linhas de tamanho 12 em branco).

• Resumo: (a palavra resumo deve ser em letra 12, negrito, alinhado à


esquerda). Após a palavra “resumo”, deixar 1 linha de tamanho 12 em branco.
Esse item deve ter apenas um parágrafo de, no máximo, 250 palavras
(aproximadamente 15 linhas), sem recuo na primeira linha. Use espacejamento
simples, justificado, tamanho 12. (ABNT, NBR 6028, 2003).

• Palavras-chave: escolha entre 3 a 6 palavras ou termos mais importantes do


conteúdo, frequentemente já expressos no resumo. São separados entre si,
finalizados por ponto e iniciados com letra maiúscula. A expressão “Palavras-
chave” deve ser em fonte 12, negrito, alinhada à esquerda. Exemplo: Palavras-
chave: Conhecimento. Ciência. Metodologia Científica. Após as palavras-
chave, deixar 2 linhas de tamanho 12 em branco.

• Título e subtítulo do trabalho em inglês: utilizar as mesmas regras de


formatação do texto em português. Após, deixar duas linhas em branco em
fonte tamanho 12.
72
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

• Abstract: Resumo em inglês. Escrever “Abstract” em fonte Times New Roman,


tamanho 12, negrito, alinhado à esquerda. Deixar uma linha em branco. O
abstract deve ter a mesma formatação do resumo em português. Deixar 1 linha
em branco.

• Keywords: Palavras-chave em inglês. Devem ter a mesma formatação do


resumo em português. Deixar 1 linha em branco.

Caro estudante, agora veja as designações sobre título, subtítulo, resumo,


e palavras-chave conforme a ABNT, bem como o que postulam Martins (2005) e
Ferreira (1994) sobre resumo:

• Título: “Palavra, expressão ou frase que designa o assunto ou o conteúdo de


um documento.” (ABNT, NBR 6023, 2002, p. 2).

• Subtítulo: “Informações apresentadas em seguida ao título, visando esclarecê-


lo ou complementá-lo, de acordo com o conteúdo do documento.” (ABNT, NBR
6023, 2002, p. 2).

• Resumo: Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 14724


(2011, p. 2), resumo é a “apresentação concisa dos pontos relevantes de
um texto, fornecendo visão rápida e clara do conteúdo e das conclusões do
trabalho”. No resumo, ressalta-se o tema abordado no artigo, o objetivo e o
conteúdo pesquisado, bem como a síntese das considerações finais.

De acordo com Martins (2005, p.217), o resumo “deve ser informativo, dando
a descrição clara e concisa de conteúdo de forma inteligível e suficiente para que
o leitor possa decidir sobre a conveniência de consultar o texto completo ou se é
necessário a leitura do trabalho no seu todo”.

Já para Ferreira (1994, p.33, grifo do autor):

O resumo permite ao leitor uma compreensão geral da


contribuição cientifica da pesquisa, sem a leitura completa do
documento. É importante para manter o especialista atualizado
sobre novas contribuições em sua área de pesquisa. Quando
relevantes, motivam a leitura de todo o documento.

Além disso, salienta-se que o resumo dever ter uma sequência contínua
de frases concisas em um parágrafo único. E no caso de artigos de periódicos,
segundo a ABNT, deve conter entre 100 e 250 palavras. Enfim, trata-se de uma
breve síntese informativa do conteúdo, descrevendo clara e concisamente os
pontos mais relevantes do trabalho.

• Palavras-chave: São palavras que contêm a significação global do artigo. Deve-se


73
Metodologia do Trabalho Científico

escolher de três a seis palavras que representem o conteúdo do texto.

Atividades de Estudos:

1) Anote as ideias que você considera relevantes sobre resumo no


artigo científico.
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____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Selecione um artigo da sua área de interesse e identifique ali as


informações que apresentadas no resumo.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

b) Elementos Textuais

A introdução, o desenvolvimento e as considerações finais fazem parte dos


elementos textuais. Então, leia atentamente o que se postula sobre cada qual.

A introdução deve • Introdução


anunciar a ideia
central do trabalho, Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR
delimitando o ponto
de vista enfocado em 6022 (2003, p. 4), a introdução é “a parte inicial do texto, onde devem
relação ao assunto e constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e
à extensão; situar o
problema ou o tema outros elementos necessários para situar o tema do trabalho”.
abordado, no tempo
e no espaço, enfocar A introdução deve anunciar a ideia central do trabalho, delimitando
a relevância do
assunto e apresentar o ponto de vista enfocado em relação ao assunto e à extensão; situar
o objetivo central do o problema ou o tema abordado, no tempo e no espaço, enfocar a
artigo.
relevância do assunto e apresentar o objetivo central do artigo.

Para Martins (2005, p.221):

[...] na introdução não se deve repetir ou parafrasear o


resumo, nem antecipar conclusões e recomendações, mas é
um convite para a leitura do texto integral. Assim, esta parte é
importante para que o leitor penetre na problemática abordada,
familiarizando-se com os termos e o conteúdo da pesquisa.
74
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

Também é
A finalidade da introdução é situar o leitor no tema, definindo aconselhável
conceitos, apresentando os objetivos do artigo e as linhas de que o autor, nos
pensamento relevantes para o estudo do assunto e as possíveis últimos parágrafos
da introdução,
controvérsias, explicitando qual dessas linhas o autor seguirá e a
apresente a
justificativa para sua escolha. Também é aconselhável que o autor, nos estrutura do artigo.
últimos parágrafos da introdução, apresente a estrutura do artigo.
Além disso, ressalta Volpato (2007, p.60), “a introdução é o lugar certo para você
mostrar enfaticamente a novidade de seu objetivo em relação ao panorama do
conhecimento da sua área”. Ou seja, segundo o mesmo autor, esta ideia nova
que você trará no seu artigo deve ser enfatizada no lugar certo, no caso, na
introdução.

Enfim, introdução é a apresentação inicial do trabalho, a qual possibilita uma


visão global do assunto tratado (contextualização), com definição clara, concisa e
objetiva do tema, e da delimitação precisa das fronteiras do estudo em relação ao
campo selecionado, ao problema e aos objetivos a serem estudados.

Atividades de Estudos:

1) Selecione artigos científicos do tema que você pretende abordar


no seu artigo e verifique como é desenvolvida a introdução. Anote
o que você identificou.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Aponte os elementos importantes que devem estar presentes na


introdução do artigo científico.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

3) Procure apontar qual seria a novidade do seu artigo científico,


escrito para a conclusão do seu curso na UNIASSELVI-PÓS.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

75
Metodologia do Trabalho Científico

• Desenvolvimento

Conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6022 (2003,


p. 4), o desenvolvimento é a “parte principal do texto, que contém a exposição
ordenada e pormenorizada do assunto. Divide-se em seções e subseções, que
variam em função da abordagem do tema e do método”.

Não existe exatamente uma norma rígida que oriente esta seção do
artigo. O texto, no desenvolvimento, poderá conter ideias de autores, dados da
pesquisa (caso for pesquisa de campo, colocar gráficos e tabelas auxiliares) e
interpretações.

Para Martins (2005, p.221):

O desenvolvimento o desenvolvimento do assunto é a parte mais importante


do trabalho é a e extensa do texto em que é exigido raciocínio lógico e
parte principal, clareza. Seu objetivo é proporcionar um exposição clara da
mais extensa e ideia principal, fundamentando-as de modo racional com os
consistente. resultados da investigação.

Enfim, o desenvolvimento do trabalho é a parte principal, mais extensa e


consistente. São apresentados os conceitos, teorias, citações das autoridades do
assunto que você está abordando, principais ideias sobre o tema focalizado, além
de aspectos metodológicos, resultados e interpretação do estudo.

As considerações • Considerações finais


finais devem limitar-
se a uma síntese
da argumentação Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 14724 (2005,
desenvolvida no p. 6), afirma que a conclusão é a “parte final do texto, na qual se
corpo do trabalho apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses”.
e dos resultados
obtidos.
As considerações finais devem limitar-se a uma síntese da
argumentação desenvolvida no corpo do trabalho e dos resultados obtidos. É
importante lembrar que elas devem estar fundamentadas nos resultados obtidos
na pesquisa. E, ainda, menciona Fachin (2003, p.165):

Deve ser breve, clara, objetiva, apresentar visão analítica


do corpo do trabalho, inter-relacionando-o e levando em
conta o problema inicial do estudo. É redigida tendo em
vista os resultados obtidos. É decorrente dos dados obtidos
ou fatos observados, portanto não se deve introduzir novos
argumentos, apenas demonstrar o que foi encontrado no
decorrer do estudo.

Nesta parte do trabalho podem ser discutidas recomendações e sugestões


para o prosseguimento no estudo do assunto. Portanto, neste item, não se
deve trazer nada de novo. Ainda, sugere-se que não se utilize citações nesta
76 seção.
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

Enfim, as considerações finais devem apresentar deduções lógicas


correspondentes aos propósitos previamente estabelecidos do trabalho, apontando
o alcance e o significado de suas contribuições. Também podem indicar questões
dignas de novos estudos, além de sugestões para outros trabalhos.

Atividade de Estudos:

1) Escreva as ideias essenciais sobre a) desenvolvimento e b)


considerações finais.
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____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
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____________________________________________________
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____________________________________________________

c) Elementos Pós-Textuais

Os elementos pós-textuais são compostos das Referências (obrigatório),


Apêndice (opcional) e Anexo (opcional).

• Referências (obrigatório)

As referências, de acordo com a Associação Brasileira de Normas As referências


Técnicas, (NBR 6023, 2002, p.2), são definidas como “conjunto permitirão que o
padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que leitor tenha acesso
permite sua identificação individual”. às obras, aos
documentos e aos
artigos científicos
As referências é uma das partes do artigo, ou seja, faz parte que foram citados
do todo, em virtude de que o corpo do artigo está sustentado em no interior do
informações pesquisadas também nas autoridades do assunto em trabalho.
questão, os quais foram citados no corpo do trabalho. E, dessa forma,
as referências permitirão que o leitor tenha acesso às obras, aos documentos e
aos artigos científicos que foram citados no interior do trabalho.

De acordo com Fachin (2003, p.167):


77
Metodologia do Trabalho Científico

[...] no trabalho, devem constar todas as fontes que realmente


foram consultadas, primeiro para mostrar o conjunto de obras
que o pesquisador consultou e, segundo para permitir que as
pessoas interessadas também consultem as fontes utilizadas,
valendo-se das citações mencionadas.

• Apêndice (opcional)

Texto ou documento elaborado pelo autor que visa complementar o trabalho.


Os apêndices são identificados por letras maiúsculas consecutivas, seguidas de
travessão e respectivo título (Ex.: APÊNDICE A – Roteiro de entrevista).

• Anexo (opcional)

Texto ou documento não-elaborado pelo autor do trabalho, que complementa,


comprova ou ilustra o seu conteúdo. Os anexos são identificados por letras
maiúsculas consecutivas, seguidas de travessão e respectivo título (Ex.: ANEXO
B – Estrutura organizacional da Empresa Alfa).

Importante:

Sugere-se que os elementos pós-textuais: Apêndices e Anexos


não sejam incluídos no artigo.

Atividade de Estudos:

1) Procure apontar quais são as obras, os artigos, ou outros


documentos, que servirão de referências para a elaboração do
seu artigo científico.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

78
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

Apresentação de Ilustrações e
Tabelas
Ao elaborar o seu artigo, você não fará necessariamente somente uso da
argumentação para um enfoque contrário ao já postulado sobre o assunto ou
oferecer soluções para assuntos controversos à sua área de estudo. Também
não usará somente citações de autoridades do assunto para embasar o que você
tenciona defender ou refutar. No decorrer do seu artigo, você pode usar outros
elementos para ilustrar ou, até mesmo, dar mais credibilidade às ideias que
tenciona defender. Você poderá fazer isso com o uso de ilustrações, tabelas e
até mesmo gráficos. Por isso, a seguir, apresentamos como estes itens devem
aparecer no seu artigo científico, caso haja necessidade.

• Formato de apresentação de elementos do texto

- Ilustrações (desenhos, fotografias, organogramas, quadros e outros):

As ilustrações devem ser centralizadas, com legenda numerada partindo de


1. O título da ilustração deve ser precedido pela palavra que a identifique (exemplo:
“Figura”) e pelo seu respectivo número. A posição do título é centralizada e a
seguir da ilustração.
A fonte ou nota explicativa deve estar centralizada e abaixo da figura, em
fonte Times New Roman tamanho 10:

Figura 1 – Logomarca GRUPO UNIASSELVI ASSEVIM

Fonte: UNIASSELVI (2008).

- Fotografias devem ser tratadas como figuras:

Figura 2 - Vista parcial de Iomerê/SC

Fonte: Elaborado pelos autores (2008). 79


Metodologia do Trabalho Científico

- Tabelas:

A legenda da tabela deve ser precedida pela palavra “Tabela” e pelo seu
respectivo número. A posição do título é centralizada e acima da tabela. A fonte
fica no final da tabela, também centralizada, tamanho 10, espaçamento simples
entrelinhas e seguindo os padrões estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).

Tabela 1 – Notas da Turma B

Fonte: Elaborado pelos autores (2009).

- Gráficos

Os gráficos apresentam dados numéricos em forma gráfica para melhor


visualização. O mesmo procedimento de títulos deve ser adotado para os gráficos,
ou seja, usar a palavra “Gráfico”, seu respectivo número e seu título. A posição do
título é centralizada e acima do gráfico. A fonte fica no final do gráfico, também
centralizada, tamanho 10 e espaçamento simples entrelinhas.

Gráfico 1 – Vendas por Trimestre e Regiões

Fonte: Elaborado pelos autores (2009).

- Notas de rodapé:

As notas de rodapé devem ter como propósito servir como apoio explicativo
e devem ficar sempre no pé da página. A nota deverá estar separada do resto
do texto por uma linha. As notas, a exemplo das figuras, também devem ser
numeradas partindo de 1. Sugere-se utilizar o recurso de notas do próprio Word
para inserir notas de rodapé no texto (comando: Inserir Notas). O próprio Word
administrará a numeração. A posição do texto da nota no pé da página deve ser
80
Capítulo 4 APRESENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FORMATAÇÃO DO ARTIGO

alinhada à esquerda.

- Palavras estrangeiras:

Sempre que possível, evite o estrangeirismo. Se for inevitável usar termos


em língua estrangeira, estes deverão ser escritos usando o modo itálico. Ex.:
feedback.

Atividades de Estudos:

1) Marque V para Verdadeira e F para Falsa nas afirmações a seguir


que se referem à apresentação gráfica do artigo científico para a
UNIASSELVI-PÓS.

a) ( ) As margens devem ser 3cm na esquerda e 2cm para


superior, direita e inferior.
b) ( ) O espacejamento entrelinhas deve ser duplo.
c) ( ) Somente o resumo deve ser justificado no artigo.
d) ( ) O tipo e tamanho da fonte deve ser Times New Roman de
tamanho 12.
e) ( ) O título deve ser tamanho 16 e o subtítulo: tamanho 18.
f) ( ) A paginação é iniciada na segunda folha e segue até o final
do trabalho.

2) Recordando, sintetize as principais ideias sobre:

a) Resumo: _____________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

b) Introdução: ___________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

c) Desenvolvimento: _____________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

81
Metodologia do Trabalho Científico

d) Considerações finais: ___________________________________


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Algumas Considerações
Enfim, neste capítulo, você teve acesso aos elementos pré-textuais, textuais
e pós-textuais de um artigo técnico-científico. Além disso, aprendeu sobre como
deve ser a apresentação gráfica, a organização e a formatação do artigo que será
apresentado ao termino do seu curso para a UNIASSELVI-PÓS.

Deve, igualmente, ter percebido no seu estudo, até este capítulo, que
escrever um artigo científico demanda esforço e consistência. E, por isso, é
salutar que você recorra às autoridades da área em estudo para citá-las no seu
artigo científico. Dessa forma, no capítulo seguinte será exposto o porquê do uso
das citações e como fazê-las no artigo científico.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: trabalhos
acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2011.

______. NBR 6028: resumo: apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

______. NBR 6023: informação e documentação - referências - elaboração. Rio de


Janeiro, 2002.

______. NBR 6022: informação e documentação – artigo em publicação periódica


científica impressa - apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

FACHIN, Otilia. Fundamentos da metodologia. 4. ed. São Paulo: Saraiva 2003.

FERREIRA, Luiz Gonzaga R. Redação Cientifica: como escrever artigos,


monografias, dissertações e teses. Fortaleza: Edições UFC,1994.

MARTINS, Rosinilda Baron. Metodologia Cientifica: como tornar mais agradável a


elaboração de trabalhos acadêmicos. 2. tir. Curitiba: Juruá, 2005.

VOLPATO, Gilson Luiz. Bases teóricas para Redação Cientifica...por que seu
artigo foi negado? São Paulo: Cultura Acadêmica. Vinhedo: Scriota, 2007.
82
C APÍTULO 5
Citações

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Identificar a importância do uso das citações no artigo científico e as formas


de aplicação das citações de acordo com ABNT – Associação Brasileira de
Normas Técnicas.

 Aplicar a NBR 10520 de 2002 (citações) na elaboração do artigo científico.


Metodologia do Trabalho Científico

84
Capítulo 5 CITAÇÕES

ConteXtualização
Ao escrever um artigo científico, além de se ter uma série de requisitos
a serem respeitados, conforme mencionado nos capítulos anteriores, você
não escreverá o seu artigo baseado somente em suas ideias e experiências
particulares. Fará, obrigatoriamente, menção ao que outros autores reconhecidos
pela comunidade científica da sua área retratam sobre o assunto que você está
pesquisando para elaborar o seu trabalho. Frente a isso, dentre as dúvidas que
podem ocorrer no momento em que você estiver escrevendo o artigo estão: de
que maneira posso citar outros autores no decorrer do meu artigo? como se fazem
as citações destes autores? Por isso, neste capítulo, você terá acesso ao que se
define por citação, para que serve, os tipos de citação e como você deve fazer as
citações ao elaborar o seu artigo.

Neste capítulo, você encontrará a definição de citação, sistemas de chamada,


formas de citação e indicação de autores na citação.

Citações
No primeiro capítulo deste caderno, você estudou os elementos textuais.
Para recordar, então, você viu: introdução, desenvolvimento e considerações
finais. E quanto ao desenvolvimento, mencionamos que é a parte principal, mais
extensa e consistente, em que são apresentados os conceitos, teorias, citações
das autoridades do assunto que você está abordando, principais ideias sobre o
tema focalizado, além de aspectos metodológicos, resultados e interpretação do
estudo. É nesse item que você fará o uso das citações que forem necessárias no
seu artigo.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define citação como a


“Menção de uma informação extraída de outra fonte”. (NBR 10520, 2002, p. 1).
Além da ABNT definir citação, pode-se encontrar outras ideias sobre citações que
são expostas por autores que se dedicam ao assunto. Vejamos:

Para Colzani (2001, p.97) “citação é uma inserção, num texto, de informações
colhidas de outra fonte, para esclarecimento do tema em discussão, para sustentar,
para refutar ou apenas para ilustrar o que se disse”.

Já para Barros e Lehfeld (2000, p. 107):

As citações ou transcrições de documentos bibliográficos


servem para fortalecer e apoiar a tese do pesquisador ou para
documentar sua interpretação. O que citar? Componentes
relevantes para descrição, explicação ou exposições
temáticas. Para que citar? Para o investigador refutar ou
aceitar o raciocínio e exposição de um autor suporte [...].
85
Metodologia do Trabalho Científico

Entretanto, ao escrever o seu artigo, você não partiu do nada, e,


“[...] um trabalho
científico não pode como ensina Soares (2003, p. 76):
constituir mera cópia
ou paráfrases. Ele [...] é importante lembrar que é impossível um trabalho sério
pressupõe uma sem citações, ou melhor, é impossível ‘partir do nada’. Porém,
reflexão própria.” cabe advertir que um trabalho científico não pode constituir
(SOARES, 2003, mera cópia ou paráfrases. Ele pressupõe uma reflexão própria.
p.76).

Nesse sentido, pode-se afirmar que, dentre os objetivos porque se utiliza


citações, estão: permitir ao leitor ir ao texto original do autor citado, possibilitar
a identificação do legítimo “autor” das ideias apresentadas no trabalho, dar
credibilidade e autoridade ao texto, reforçar e fundamentar em outros autores que
discutem o assunto em questão e corroborar com as ideias expostas no trabalho.

A citação, como já mencionado, é a transcrição de ideias alheias. Outrossim,


ensina Santos (2007, p.121-122) que:

Textos técnicos e científicos devem lançar mão de citações por


dois bons motivos. O primeiro é que, normalmente, citam-se
autores de outros textos já publicados. Isto é, autores cujas
ideias já foram publicamente expostas, submetidas ao juízo e
reconhecimento da comunidade de leitores e da comunidade
científica. Se as ideias permanecem (e da forma como
permanecem), seu autor merece menção, como conhecedor
do assunto exposto, como autoridade científica. Segundo, ao
se referenciar certo autor, fazem-se, a um só tempo, um ato de
justiça intelectual (atribuir-se a ideia a seu “dono”) e um ato de
honestidade científico-acadêmica (o autor que cita e referencia
reconhece que a ideia não é sua).

Até aqui você teve acesso a ideias que demonstram a importância


As citações não
substituem a redação das citações na elaboração do seu artigo científico. Porém, as citações
do trabalho, no não substituem a redação do trabalho, no sentido de fazer dele uma
sentido de fazer
dele uma colcha de colcha de retalhos de citações de diversos autores. E, por fim, leia o
retalhos de citações texto de Azevedo (1998, p.120), a fim de que na elaboração do seu
de diversos autores. artigo você não venha a cometer os erros citados pelo autor.

Os problemas mais comuns quanto à citação são:

• Escassez de citações, atribuindo-se ao autor pensamentos


que são de outrem.

• Excesso de citações, o que faz do trabalho uma enorme colcha


de retalhos.

• Documentação inadequada (por inexistência, insuficiência


ou incorreção) das fontes empregadas.

• Presença no texto de informações que poderiam ir para as


notas, o que permitiria deixar a redação mais “limpa”.
86
Capítulo 5 CITAÇÕES

• Falta de diálogo com as fontes, usadas, às vezes, apenas


para abonar o pensamento do autor, sem discussão.

• Inadequada transição entre o texto do autor e o texto


citado, o que dificulta a identificação de quem está falando
(AZEVEDO, 1998, p. 120).

Atividades de Estudos:

1) Pesquise e anote a seguir quem são as autoridades reconhecidas


atualmente no assunto em que você está pesquisando. Ou
seja, quem são autores citados nos artigos da área ou que
são chamados para palestrar nos Congressos Nacionais e
Internacionais da sua área de estudo.
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Anote as principais ideias sobre citações.


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Sugestão:

Ao ler as obras dos autores relacionados ao seu tema de


pesquisa, anote as ideias que poderão servir de citação para o seu
artigo científico, no sentido de refutar ou, até mesmo, reforçar o que
você escreverá no seu artigo.

Atenção! Lembre-se de anotar o título da obra, ano e página de


onde a ideias foram retiradas.

87
Metodologia do Trabalho Científico

Sistemas de Chamadas
As citações no texto devem ser feitas de maneira uniforme e de acordo com
o estilo do pesquisador ou critério adotado pela revista em que o artigo pleiteará
a publicação. Contudo, as citações devem seguir as prescrições da NBR 10520,
de 2002.

Ao elaborar o seu artigo, quanto ao sistema de chamada, a indicação das


fontes citadas pode ser de duas formas conforme NBR 10520 (2002, p.3). “As
citações devem ser indicadas no texto por um sistema de chamada: numérico ou
autor-data”.

a) Sistema Numérico

No sistema numérico, a numeração é única e consecutiva, em algarismos


arábicos. Neste sistema, não deve ser iniciada uma nova numeração a cada nova
página do trabalho. A fonte é indicada de forma completa em nota de rodapé e
apresentada de acordo com as normas de referência bibliográfica.

Caso você use o sistema numérico, ressaltamos que as notas de referências


contidas nas notas de rodapé devem constar na lista de Referências.

Quando você usar nota de rodapé, não use o sistema numérico.

b) Sistema Autor-data

O sistema autor-data é o adotado pela UNIASSELVI-PÓS.


O sistema autor-data
é o adotado pela Nele, o leitor pode identificar a fonte completa da citação na lista de
UNIASSELVI-PÓS. referências, organizada em ordem alfabética, no final do trabalho.

O formato da citação no sistema autor-data é feito pelo sobrenome do autor


ou pela instituição responsável ou, ainda, pelo título de entrada (caso a autoria
não esteja declarada), seguido pela data de publicação do documento e página
da citação, separados por vírgula.

De acordo com a NBR 10520 (2002), se o sobrenome do autor, a instituição,


o responsável ou o título estiver incluído no texto, este deve ser com letras
maiúsculas e minúsculas.
88
Capítulo 5 CITAÇÕES

Exemplo 1

Para Teixeira (1998, p.35), “A ideia de que a mente funciona como um


computador digital e que este último pode servir de modelo ou metáfora para
conceber a mente humana iniciou a partir da década de 40”.

Exemplo 2

“A ideia de que a mente funciona como um computador digital e que este


último pode servir de modelo ou metáfora para conceber a mente humana iniciou
a partir da década de 40.” (TEIXEIRA, 1998, p. 35).

Quando o nome do autor citado estiver entre parênteses, deve ser


escrito com todas as letras em maiúscula, conforme o exemplo 2.

No caso de que você use citações com dois ou mais documentos de um


mesmo autor que foram publicados no mesmo ano, estes devem ser diferenciados
pelo acréscimo de letras minúsculas do alfabeto após o ano, conforme exemplo a
seguir.
(SILVA, 2008a)
(SILVA, 2008b)
(SILVA, 2008c)

Caso ocorra de haver dois autores com o mesmo sobrenome e mesma data
de publicação, acrescentam-se as iniciais de seu prenome, conforme exemplo a
seguir.
(SILVA, M., 2004)
(SILVA, C., 2004)

Formas de Citações
No decorrer do seu artigo, você não usará uma única forma de citação, mas
poderá fazer uso, a título de exemplo: da citação direta ou indireta, da citação
curta ou longa, dentre outras que serão apresentadas a seguir.

a) Citação Direta

A citação direta, de acordo com a NBR 10520 (2002, p. 2), é a “Transcrição


89
Metodologia do Trabalho Científico

Na citação direta,
você deve respeitar literal da parte da obra do autor consultado”. Ou seja, neste tipo de
redação, ortografia, citação, você deve respeitar redação, ortografia, sinais gráficos
sinais gráficos e
pontuação do texto e pontuação do texto original, ou seja, deve ser cópia fiel do autor
original, ou seja, deve consultado.
ser cópia fiel do autor
consultado.
b) Citação Direta Curta

A citação curta é de A citação curta é de até três linhas e deve ser inserida, entre
até três linhas e deve aspas no interior do parágrafo.
ser inserida entre
aspas no interior do
parágrafo. Exemplo 1 - No parágrafo: Sobrenome do autor ou dos autores (data,
n. da página).

De acordo com Sabadell (2000, p.31), “o objeto da ciência jurídica é examinar


como funciona o ordenamento jurídico. Como diz Kelsen, o direito é um conjunto
de normas em vigor [...]”.

Exemplo 2 - No final da citação (SOBRENOME DO AUTOR OU AUTORES,


data, n. da página).

“O objeto da ciência jurídica é examinar como funciona o ordenamento


jurídico. Como diz Kelsen, o direito é um conjunto de normas em vigor [...]”.
(SABADELL, 2003,p.31).

As citações diretas, c) Citação Direta Longa


com mais de três
linhas, devem
aparecer em As citações diretas, com mais de três linhas, devem aparecer em
parágrafo distinto,
com recuo de 4 parágrafo distinto, com recuo de 4 centímetros da margem esquerda,
centímetros da espacejamento simples, sem aspas e em fonte 10.
margem esquerda,
espacejamento
simples, sem aspas e Exemplo 1: Para Goldman (2001, p.58):
em fonte 10.
Objetivo fundamental da educação, isto é, dos sistemas
escolares, em todos os níveis, é o de prover os estudantes
com conhecimento e desenvolver habilidades intelectuais que
elevem as suas habilidades de aquisição de conhecimento.
Isto, de qualquer modo, é a imagem tradicional, e eu não
conheço nenhuma boa razão para abandoná-la.

Exemplo 2:

Objetivo fundamental da educação, isto é, dos sistemas


escolares, em todos os níveis, é o de prover os estudantes
com conhecimento e desenvolver habilidades intelectuais que
elevem as suas habilidades de aquisição de conhecimento.
Isto, de qualquer modo, é a imagem tradicional, e eu não
conheço nenhuma boa razão para abandoná-la. (GOLDMAN,
90 2001, p.58).
Capítulo 5 CITAÇÕES

d) Citação direta: citação da citação A citação da


citação é utilizada
Nesse caso, é a citação de parte de um texto encontrado em apenas quando
não houver
um determinado autor, referente a outro autor, ao qual não se teve
possibilidade
acesso. Utiliza-se apenas quando não houver possibilidade de acesso de acesso ao
ao documento original. É indicada pela expressão apud que significa documento
citado por. No texto, a citação da citação deve seguir a seguinte ordem: original.
autor do documento não consultado, seguido da expressão latina “apud”
(citado por), em formato normal (sem itálico), e o autor da obra consultada.

Exemplo 1:

Para o movimento iluminista, a luz da razão possibilitaria esclarecer


as pessoas, ou seja, reeducá-las, longe das ideias medievais, das trevas, do
preconceito e das superstições. Neste sentido, para Kant (1784 apud REALE;
ANTISERI, 1990, p. 669):

O iluminismo é a saída do homem do estado de menoridade


que ele deve imputar a si mesmo. Menoridade é a incapacidade
de valer-se de seu próprio intelecto sem a guia de outro.
Essa menoridade é imputável a si mesmo se sua causa não
depende de falta de inteligência, mas sim de falta de decisão e
coragem de fazer usos de seu próprio intelecto sem ser guiado
por outro. Sapere aude! Tem a coragem de servir-te de tua
própria inteligência! Esse é o lema do iluminismo.

Perceba que se está citando Kant, no entanto, como não se teve acesso à
obra do autor, Kant está sendo citado por Reale e Antiseri.

Exemplo 2:

Para o movimento iluminista, a luz da razão possibilitaria esclarecer as


pessoas, ou seja, reeducá-las, longe das ideias medievais, das trevas, do
preconceito e das superstições. Neste sentido:

O iluminismo é a saída do homem do estado de menoridade


que ele deve imputar a si mesmo. Menoridade é a
incapacidade de valer-se de seu próprio intelecto sem a
guia de outro. Essa menoridade é imputável a si mesmo se
sua causa não depende de falta de inteligência, mas sim
de falta de decisão e coragem de fazer usos de seu próprio
intelecto sem ser guiado por outro. Sapere aude! Tem a
coragem de servir-te de tua própria inteligência! Esse é o
lema do iluminismo. (KANT, 1784 apud REALE; ANTISERI,
1990, p. 669).

91
Metodologia do Trabalho Científico

Na citação de citação, a referência inicia-se pelo nome do autor


não consultado. Desta forma, a ordem das informações é: referência
do autor não consultado, seguido da expressão apud e referência do
autor consultado.

e) Citação direta: omissão

A omissão é um recurso utilizado quando não é necessário citar integralmente


o texto de um autor. Porém, deve-se ter o cuidado para não alterar o sentido do
texto original. No texto, a omissão é indicada por reticências entre colchetes [...].
As omissões podem
aparecer no início, no As omissões podem aparecer no início, no fim e no meio de uma
fim e no meio de uma citação.
citação.

Exemplo 1:

De acordo com Reale (1990, p. 554), “os fenomenólogos pretendem descrever


os modos típicos como as coisas e os fatos se apresentam à consciência [...] A
fenomenologia não é a ciência dos fatos e sim, ciências das essências.”

Exemplo 2:

“Os fenomenólogos pretendem descrever os modos típicos como as coisas


e os fatos se apresentam à consciência [...] A fenomenologia não é a ciência dos
fatos e sim, ciências das essências.” (REALE, 1990, p.554).

Quando já existe f) Citação direta: destaque


destaque no texto
original, mantém-
se este destaque Quando você acredita que há necessidade de enfatizar alguma
indicando sua
existência pela palavra, expressão ou frase em uma citação direta, pode grifá-la. Mas,
expressão grifo ao fazer isso, use o recurso tipográfico negrito na parte do texto a ser
do autor ou grifo destacada e a expressão: grifo nosso. Essa expressão deve vir entre
dos autores entre
parênteses. parênteses, após a indicação da página de onde foi retirada a citação.
Outrossim, quando já existe destaque no texto original, mantém-se
este destaque indicando sua existência pela expressão grifo do autor ou grifo dos
autores entre parênteses.

92
Capítulo 5 CITAÇÕES

Exemplo 1:

Hoje, equipados com novas ferramentas e novos conceitos, essas


disciplinas, com um novo quadro de pensadores, denominados cientistas
cognitivos, investigam muitas das questões que já preocupavam os gregos há
aproximadamente 2500 anos, conforme Gardner (1995, p. 18, grifo nosso):

Assim como seus antigos colegas, os cientistas cognitivos


de hoje perguntam o que significa conhecer algo e ter crenças
precisas, ou ser ignorante ou estar errado. Eles procuram
entender o que é conhecido - os objetos e sujeitos do mundo
externo - e as pessoas que conhece - seu aparelho perceptivo,
mecanismo de aprendizagem, memória e racionalidade. Eles
investigam as fontes do conhecimento: de onde vem,
como é armazenado e recuperado, como ele pode ser
perdido?

Exemplo 2:

Hoje, equipados com novas ferramentas e novos conceitos, essas


disciplinas, com um novo quadro de pensadores, denominados cientistas
cognitivos, investigam muitas das questões que já preocupavam os gregos há
aproximadamente 2500 anos.

Assim como seus antigos colegas, os cientistas cognitivos


de hoje perguntam o que significa conhecer algo e ter crenças
precisas, ou ser ignorante ou estar errado. Eles procuram
entender o que é conhecido - os objetos e sujeitos do mundo
externo - e as pessoas que conhece - seu aparelho perceptivo,
mecanismo de aprendizagem, memória e racionalidade. Eles
investigam as fontes do conhecimento: de onde vem,
como é armazenado e recuperado, como ele pode ser
perdido? (GARDNER, 1995, p. 18, grifo nosso).

g) Citação indireta

No decorrer do seu artigo, você pode fazer uso da citação direta, como visto
anteriormente, como também pode fazer uso da citação indireta.

A citação indireta é a interpretação das ideias de um ou mais autores do texto


em questão. Porém, mantenha o sentido original do texto. A citação indireta não
é a transcrição literal das palavras do autor; não deve estar entre aspas ou em
parágrafo distinto. No entanto, indique o(s) autor(es) e ano da obra.

Exemplo 1 - No parágrafo: Sobrenome do autor (data)

93
Metodologia do Trabalho Científico

Uma das preocupações atuais com o avanço das Ciências Cognitivas é,


de acordo com Teixeira (2004), que a própria ideia de mente seja dissolvida ou,
ainda, reduzida à atividade cerebral.

Exemplo 2: Ao final do parágrafo: (SOBRENOME DO AUTOR, data)

Uma das preocupações atuais com o avanço das Ciências Cognitivas é que
a própria ideia de mente seja dissolvida ou, ainda, reduzida à atividade cerebral.
(TEIXEIRA, 2004).

h) Citação de informação verbal

Ao elaborar o seu artigo, você não necessariamente fará uso de citações


provenientes de fontes escritas como livros, artigos etc., mas também pode fazer
uso de informações verbais de palestras, debates, jornais de TV, documentários
dentre outros.

Ao fazer uso dessa forma de citação, você deve indicar, entre parênteses,
a expressão “informação verbal” no final da citação, mencionando os dados
disponíveis em nota de rodapé. Cite, pelo menos, o autor da frase (cargo ou
atividade), local (cidade) e data (dia, mês e ano).

Exemplo:

As empresas que queiram manter-se no mercado deverão investir também


na qualificação humana. (Informação verbal).

Na nota de rodapé:

________________
1. Paulo Mattos de Azevedo, Diretor Presidente da XXX, em palestra proferida para
empresários do setor metalúrgico, no dia 24 de abril de 2008.

Importante:

As informações que forem passadas por meio de entrevista


só serão utilizadas se o pesquisador tiver uma autorização
do entrevistado para citar seu nome em nota de rodapé e nas
referências; caso contrário, o pesquisador indica em rodapé uma
informação genérica para o leitor.

94
Capítulo 5 CITAÇÕES

Atividades de Estudos:

1) Diferencie citação direta da citação indireta.


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

2) Escreva uma citação indireta e uma citação de omissão.


____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________

Indicação dos Autores na Citação


Você estudou anteriormente que as citações podem ser diretas (curtas e
longas), indiretas, citação de citação, por omissão. Entretanto, você pode indagar:
mas como devo proceder quando há casos, por exemplo, de artigos ou livros com
mais de um autor? Então, a seguir, estão as formas de como proceder nesses
casos.

a) Citação de trabalhos de um autor:

Para Mclnerny (2004, p.20), “A expressão ‘prestar’ atenção é muito eficaz. Faz-
nos lembrar que atenção tem um ‘custo’. Atenção requer uma reação ativa e enérgica
a cada situação, às pessoas e aos elementos que dela fazem parte”.

Ou

“A expressão ‘prestar’ atenção é muito eficaz. Faz-nos lembrar que atenção


tem um ‘custo’. Atenção requer uma reação ativa e enérgica a cada situação, às
95
Metodologia do Trabalho Científico

pessoas e aos elementos que dela fazem parte.” (McINERNY, 2004, p.20).
b) Citação de trabalhos de dois autores:

Assim, conforme Warat e Pêpe (1996, p.50), “Kelsen imagina que o objeto de
um saber jurídico não pode ser mais do que o conjunto das normas positivas de
um Estado, aprendidas do ponto de vista de suas formas”.

Ou

“Kelsen imagina que o objeto de um saber jurídico não pode ser mais do que
o conjunto das normas positivas de um Estado, aprendidas do ponto de vista de
suas formas.”(WARAT; PÊPE,1996, p.50).

c) Citação de trabalhos de três autores:

Assim, ao refletirem sobre que condutas que devem ser aceitas nos negócios,
algumas discussões de cunho ético têm se feito presentes principalmente segundo
Arruda, Whitake e Ramos (2003, p.53) com “o ensino de Ética em faculdades de
Administração e Negócios tomou impulso nas décadas de 60 e 70, principalmente
nos Estados Unidos, quando alguns filósofos vieram trazer sua contribuição”.

Ou

Assim, ao refletirem sobre que condutas que devem ser aceitas nos negócios,
algumas discussões de cunho ético têm se feito presentes principalmente com “o
ensino de Ética em faculdades de Administração e Negócios tomou impulso nas
décadas de 60 e 70, principalmente nos Estados Unidos, quando alguns filósofos
vieram trazer sua contribuição”. (ARRUDA; WHITAKE; RAMOS, 2003, p.53).

d) Citação de trabalhos de mais de três autores:

Wittmann et al. (2006, p. 19) afirmam que “A pós-graduação é uma prática


social decisiva no processo da (des)alienação das pessoas”.

Ou

“A pós-graduação é uma prática social decisiva no processo da (des)


alienação das pessoas.” (WITTMANN et al., 2006, p. 19).

96
Capítulo 5 CITAÇÕES

Quando houver coincidência de sobrenomes de autores,


acrescentam-se as iniciais de seus prenomes. No caso de
persistência de coincidência, colocam-se os prenomes por extenso,
até que a coincidência seja desfeita.

Struve, O Struve, Otto Struve, Otto W.


Struve, O Struve, Otto Struve, Otto H.
Struve, F Struve, Friedrich Struve, Friedrich G.
Struve, F Struve, Friedrich Struve, Friedrich A.

As citações indiretas de diversos documentos da mesma autoria, publicados


em anos diferentes e mencionados simultaneamente, possuem as suas datas
separadas por vírgula.

Exemplo:

De acordo com Struve (1996, 2002), uma crença e uma atividade religiosa/
espiritual ativa têm um efeito curativo significativo pela mudança de atitudes
específicas e alterações de comportamento, baseados principalmente em uma
convicção espiritual.

Você pode, ainda, deparar-se com citações de diversos documentos de


um mesmo autor, publicados num mesmo ano, as quais são diferenciadas
pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data e sem
espaçamento, conforme a lista de referências.

Exemplo:

Estudos epidemiológicos analisando as possíveis rotas de transmissão


de hepatite aguda verificaram que a transmissão por via sexual é a principal rota
de contaminação, mostrando-se, inclusive, muito mais comum que o uso de droga
intravenosa. (STRUVE et al., 1992, 1995a, 1995b, 1996a, 1996b, 1996c).

Você poderá encontrar citações indiretas de diversos documentos


de vários autores, mencionados simultaneamente e, nesse caso, devem ser
separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética.
97
Metodologia do Trabalho Científico

Exemplo:

A função de Struve H1(z) mostrou-se a ferramenta mais eficiente para modelar


o alcance da freqüência auditiva de baixa intensidade no cálculo da impedância
acústica. (AARTS; JANSSEN, 2003; BOISVERT; VAN BUREN, 2002; KEEFE; LING;
BULEN, 1992; KRUCKLER et al., 2000; WITTMANN; YAGHJIAN, 1991).

Atividade de Estudos:

1) De acordo com a NBR10520(2002) caracterize as citações a seguir:

a) Muitas teorias buscam oferecer as melhores explicações da


cognição e o seu funcionamento, mas deixam em aberto algumas
questões. Vejamos alguns exemplos, como diz Teixeira (2000,
p.16):

Eu posso fechar meus olhos e, numa fração de


segundos, pensar em estrelas coloridas cintilando
num céu azul-escuro. Estrelas que nem sequer sei se
existem, e que talvez estejam a muitos anos-luz de
distância. Eu posso imaginar uma vaca amarela ou
então dizer que estou a sentir muito calor. Entretanto,
se alguém pudesse abrir o meu cérebro e examiná-lo
com o mais aperfeiçoado instrumento de observação
de que a ciência dispõe, não veria estrelas coloridas
nem uma vaca amarela. Veria apenas uma massa
cinzenta, cheia de células ligadas entre si.

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

b) O ser humano é portador de um cérebro, no qual os neurônios são


formados no primeiro ano de vida. (FIALHO, 2001).

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

c) Segundo Coelho (1999, p.15) “o pensamento de Kelsen


seria marcado pela tentativa de conferir a ciência jurídica um
método e um objeto próprios, capazes de superar as confusões
metodológicas e dar ao jurista uma autonomia científica”.

98
Capítulo 5 CITAÇÕES

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

d) A finalidade da Educação de acordo com os pragmatistas (OZMON;


CRAVER, 2004) era ajudar as pessoas a dirigir, controlar e guiar-
se, a fim de encontrar uma forma mais democrática de viver. Os
pragmatistas argumentam ainda que devemos tornar os homens
mais conscientes das consequências de suas ações a fim de que
possam guiar-se de forma mais inteligente.

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

e) A princípio pode soar estranho, para alguns, discutir ética no


meio empresarial, em virtude de que a priori, as empresas não
são entidades que têm a preocupação com a ética, pois de certa
forma as mesmas têm como o seu papel-motor: o poder de livre
iniciativa, criação constante da riqueza nacional; ela é, também, o
lugar da inovação e da renovação. (OURIVES, 2007).

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

f) De acordo com Hilário Franco (2001 apud TRASFERETTI, 2006,


p.73), é pelo fato que:

Atualmente, as empresas são questionadas pela


comunidade, que deseja ser informada sobre assuntos
ecológicos e morais, tais como poluição, desperdícios
de recursos naturais, vantagens tiradas de crises, abuso
de autoridade, segurança de usuários e consumidores,
qualidade de vida, pagamentos inadequados.

( ) citação da citação ( ) longa ( ) curta


( ) destaque ( ) omissão ( ) citação indireta

Algumas Considerações
Neste capítulo, você identificou as formas como as citações devem ser feitas
na elaboração do seu artigo científico. Além disso, certificou-se da importância
de se fazer as citações, pois o seu artigo não será escrito somente baseado nas

99
Metodologia do Trabalho Científico

suas ideias ou experiências, mas você citará as autoridades do assunto, a fim


de reforçar as ideias expostas e fundamentá-las em autores reconhecidos pela
comunidade científica de uma determinada área.

Você também percebeu a importância das citações e de como deve fazê-las.


Entretanto, além de fazer as citações de forma correta, você deverá referenciar
de que documentos elas foram retiradas. Assim, no próximo capítulo, aprenderá
como devem ser elaboradas as referências.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10520. Informação e
documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro,2002.

AZEVEDO, Israel Belo de. O prazer da produção científica: diretrizes para a


elaboração de trabalhos acadêmicos. 6. ed. Piracicaba: UNIMEP,1998.

BARROS, Aidil J. da Silveira; LEHFELD, Neide A. de Souza. Fundamentos de


metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 3. ed. São Paulo:
Makron Books, 2000.

COLZANI, Valdir Francisco. Guia para redação do trabalho científico. Curitiba:


Juruá, 2001.

SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia científica: a construção do


conhecimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

SOARES, Edvaldo. Metodologia científica: lógica, epistemologia e normas. São


Paulo: Atlas, 2003.

100
C APÍTULO 6
Referências

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Compreender a importância do uso das normas da referência na elaboração


do artigo científico.

 Descrever as fontes utilizadas na elaboração do artigo, conforme a ABNT.


Metodologia do Trabalho Científico

102
Capítulo 6 REFERÊNCIAS

ConteXtualização
Ao elaborar o seu artigo, você consultou vários documentos, além disso,
pode ter citado esses documentos no decorrer do texto. E, ao final da elaboração
do artigo, você pode se perguntar: como farei as referências dos documentos
citados? Então, frente a isto, o propósito deste capítulo é expor como deverão ser
feitas as referências dos vários documentos citados no seu artigo científico.

Neste capítulo, você encontrará as formas de como referenciar livros,


livros considerados em partes, teses, dissertações e trabalhos acadêmicos,
enciclopédias, jornal, revista, anais, entrevistas, internet e jurisprudência.

Para outros tipos de referências, que não foram expostas


acima, em virtude de não serem tão comuns, consulte a ABNT, NBR
6023(2002).

Referências As referências,
de modo
Entende-se por referências a relação de fontes (livros, artigos, convencional,
leis...) que foram citadas no decorrer da pesquisa e que devem são o conjunto
obrigatoriamente ser apresentadas no final dos textos acadêmicos de elementos
que, retirados de
e científicos. (SANTOS, 2007). Ou ainda, as referências, de modo
um documento,
convencional, são o conjunto de elementos que, retirados de um possibilitam a sua
documento, possibilitam a sua identificação. identificação.

No caso do Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas prescreveu


de que forma devem ser feitas as referências através da NBR 6023(2002), que
entrou em vigor em 29 de setembro de 2002. A Norma tem como propósito fixar os
elementos das referências e, também, estabelecer convenções para transcrição
e apresentação de informação originada do documento e/ou outras fontes de
informação que serviram de fonte para a pesquisa.

Entre as finalidades das referências estão: informar ao leitor do texto as


fontes que serviram de subsídios para a realização da pesquisa e composição do
artigo, bem como permitir que o leitor tenha acesso às obras consultadas.

Então, após o término das considerações finais do seu artigo, que foi
estudado no capítulo 4, você deve apresentar as referências (elemento pós-
103
Metodologia do Trabalho Científico

textual obrigatório), as quais devem estar em ordem alfabética e alinhadas à


esquerda. Por isso, a seguir você terá acesso a como fazer as referências dos
documentos que foram utilizados para elaboração do artigo científico.

a) Livros

Ao referenciar livros, alguns elementos são essenciais como a seguir


está exposto. Além disso, serão apresentados diversos exemplos que poderão
aparecer no momento em que você estiver organizando as referências.

Autor: Último sobrenome em maiúsculas, seguido dos prenomes apenas


iniciados por maiúsculas. Exceções: nomes espanhóis, que entram pelo
penúltimo sobrenome; dois sobrenomes ligados por traço de união, que são
grafados juntos; sobrenomes que indicam parentesco, como Júnior, Filho e Neto,
acompanham o último sobrenome.

Título: Em negrito, sublinhado ou itálico.

Subtítulo: Se houver, separado do título por dois pontos, sem grifo.

Edição: Indica-se o número da edição, a partir da segunda, seguido de ponto


e da palavra edição (ed.) no idioma da publicação. Não se anota quando for a
primeira edição, as demais devem ser anotadas. Assim: 2. ed., 3. ed. etc.

Local da publicação: Quando há mais de uma cidade, indica-se a primeira


mencionada na publicação, seguida de dois pontos.

Editora: Apenas o nome que a identifique, seguida de vírgula.

Data: Ano de publicação.

• Livro com um autor

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título do livro. Local da publicação:


Editora, Ano.

Ex.: DRUCKER, Peter Ferdinand. Sociedade pós-capitalista. São Paulo:


Pioneira, 1999.

• Livro com subtítulo

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título do livro: subtítulo do livro. Local


da publicação: Editora, Ano.

104
Capítulo 6 REFERÊNCIAS

Ex.: SERRANO, Pablo Jimenez. Epistemologia do Direito: para melhor


compreensão da ciência do Direito. Campinas: Alínea Editora, 2007.

• Livro com autor espanhol

SOBRENOMES DO AUTOR, Prenomes. Título do livro: (subtítulo quando


houver). Local da publicação: Editora, Ano.

Ex.: SÁNCHEZ GAMBOA, Silvio Ancizar. Pesquisa em educação: métodos e


epistemologias. Chapecó: Argos, 2007.

• Livro com autor com sobrenome separado por traço

SOBRENOMES DO AUTOR, Prenomes. Título do livro. Local da publicação:


Editora, Ano.

Ex.: MERLEAU-PONTY, Maurice. O visível e o invisível. 3. ed. São Paulo:


Perspectiva, 1992.

• Livro com sobrenome indicando parentesco

SOBRENOMES DO AUTOR, Prenomes. Título do livro. Local da publicação:


Editora, Ano.

Ex.: DALLEGRAVE NETO, José Affonso. Responsabilidade civil no direito do


trabalho. 3. ed. São Paulo: LTr, 2008.

• Livro com sobrenome iniciado com prefixos

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título do livro. Edição. Local da


publicação: Editora, Ano.

Ex.: McDONALD, Ralph E. Emergências em pediatria. 6. ed. São Paulo:


SARVIER, 1993.

• Livro com dois autores

SOBRENOME DO PRIMEIRO AUTOR, Prenomes; SOBRENOME DO


SEGUNDO AUTOR, Prenomes. Título do livro: (subtítulo quando houver).
Edição. Local da publicação: Editora, Ano.

Ex.: WARAT, Luis Alberto; PÊPE, Albano Marcos. Filosofia do Direito: uma
introdução crítica. São Paulo: Moderna,1996.

105
Metodologia do Trabalho Científico

• Livro com três autores

SOBRENOME DO PRIMEIRO AUTOR, Prenomes; SOBRENOME DO


SEGUNDO AUTOR, Prenomes; SOBRENOME DO TERCEIRO AUTOR,
Prenomes. Título do livro: (subtítulo quando houver). Edição. Local da
publicação: Editora, Ano.

Ex.: ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de; WHITAKER, Maria do Carmo; RAMOS,
José Maria Rodriguez. Fundamentos de ética empresarial e econômica. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2003.

• Livro com mais de três autores

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes et al. Título do livro: (subtítulo quando


houver). Edição. Local da publicação: Editora, Ano.

Ex.: ANDERY, Maria Amália et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva
histórica. 6. ed. Rio de Janeiro: Espaço e tempo: São Paulo: EDUC,1996.

• Livro com organizador (Org.), Coordenador (Coord.) ou Editor (ed.)

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. (Org. ou Coord. ou Ed.). Título do livro:


(subtítulo quando houver). Edição. Local da publicação: Editora, Ano.

Ex.: SOUZA, Osmar de; LAMAR, Adolfo Ramos (Org.). Educação em


perspectiva: interfaces para a interlocução. Florianópolis: Insular, 2006.

• Livro cujo autor é uma entidade. Quando uma entidade coletiva assume
integral responsabilidade por um trabalho, ela é tratada como autor.

ENTIDADE. Título: (subtítulo quando houver). Edição. Local da publicação:


Editora, Ano.

Ex.: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028: resumo:


apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

• Livros considerados em parte

- Autor do capítulo é o mesmo da obra

SOBRENOME DO AUTOR DA PARTE REFERENCIADA, Prenomes. Título da


parte referenciada. In: ______. Título do livro. Local: Editora, ano. Página inicial
e final.

106
Capítulo 6 REFERÊNCIAS

Ex.: ABRANTES, Paulo. (Org.). Naturalizando a Epistemologia. In:______.


Epistemologia e Cognição. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994.
p.171-215.

- Autor do capítulo não é o mesmo da obra

SOBRENOME DO AUTOR DA PARTE REFERENCIADA, Prenome. Título


da parte referenciada. In: SOBRENOME DO AUTOR OU ORGANIZADOR,
Prenomes. (Org.). Título do livro. Local: Editora, ano. Página inicial e final.

Ex.: SILVA, Rubia da; FISCHER, Juliane. Tecendo um diálogo da prática


pedagógica: atividades desenvolvidas na educação infantil. In: SOUZA, Osmar
de; LAMAR, Adolfo Ramos. (Org). Educação em perspectiva: interfaces para a
interlocução. Florianópolis: Insular, 2006. p. 81-94.

b) Teses, Dissertações e Trabalhos Acadêmicos

SOBRENOME DO AUTOR, Prenomes. Título. Ano. Tese, dissertação ou trabalho


acadêmico (grau e área) - Unidade de Ensino, Instituição, Local: Data.

Ex.: SILVA, Renata. O turismo religioso e as transformações sócio-culturais,


econômicas e ambientais em Nova Trento – SC. 2004. 190f. Dissertação
(Mestrado em Turismo e Hotelaria ) – Centro de Educação Balneário Camboriú,
Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, 2004.

URBANESKI, Vilmar. Epistemologia social, ciências cognitivas e educação.


2006. 116f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro de Ciências da
Educação, Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, 2006.

c) Enciclopédias

NOME DA ENCICLOPÉDIA. Local da publicação: Editora, ano.

Ex.: ENCICLOPEDIA TECNOLÓGICA. São Paulo: Planetarium, 1974.

d) Jornal

• Jornal no todo

NOME DO JORNAL. Cidade, data.

107
Metodologia do Trabalho Científico

Ex.: FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo, 11 jan. 2009.

• Artigo de Jornal

- Com autor definido

SOBRENOME DO AUTOR DO ARTIGO, Prenomes. Título do artigo. Título do


jornal, Cidade, data (dia, mês, ano). Suplemento, número da página, coluna.

Ex: PRATES, Luis Carlos. Quindim com café. Diário Catarinense, Florianópolis,
3 fev. 2009. Disponível em: <http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/
jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2390841.xml&template=3916.
dwt&edition=11632&section=1328http>. Acesso em: 3 fev. 2009.

- Sem autor definido

TÍTULO do artigo (apenas a primeira palavra em maiúscula). Título do jornal,


Cidade, data (dia, mês, ano). Suplemento, número da página, coluna.

Ex.: EFEITOS da lei seca. Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 14 mar. 2009.
Opinião, p.2.

e) Revista

• Revista no Todo

NOME DA REVISTA. Local de publicação: editora (se não constar no título),


número do volume (v.__), número do exemplar (n.__), mês. Ano. ISSN.

Ex.: REVISTA TRIBUNA JURÍDICA. Indaial: Editora Asselvi, v.1, n.4, jan./jun.
2008. ISSN 1807-6114.

• Coleção de Revistas no Todo

TÍTULO DO PERIÓDICO. Local de publicação: editora, data (ano) do primeiro


volume e, se a publicação cessou, também do último. Periodicidade. Número do
ISSN (se disponível).

Ex.: CONTRAPONTOS. Itajaí: Univali, 2001. Semestral. ISSN 1519-8227.


• Artigo de Revista

- Com autor definido


108
Capítulo 6 REFERÊNCIAS

SOBRENOME DO AUTOR DO ARTIGO, Prenomes. Título do artigo. Título da


revista, local da publicação, número do volume, número do fascículo, páginas
inicial-final do artigo, mês. Ano.

Ex.: PICH, Roberto Hofmeister. Autorização epistêmica e acidentalidade. Veritas,


Porto Alegre, v. 50, n. 4, p. 249-276, dez. 2005.

- Sem autor definido

TÍTULO do artigo (apenas a primeira palavra em maiúscula). Título da revista,


local da publicação, número do volume, número do fascículo, página inicial-final
do artigo, mês. Ano.

Ex.: 20 CENTROS e nenhuma central. HSM Management, São Paulo, v. 1, n.


72, p. 39-45, jan./fev. 2009.

Quando a editora não puder ser identificada, deve-se indicar a


expressão sine nomine, abreviada e entre colchetes [s.n.].

Quando o local de publicação não for identificado, deve-se


indicar a expressão sine loco, abreviada e entre colchetes [s.l.].

Quando o local e a editora não aparecem na publicação, indica-


se entre colchetes [S.l.: s.n.].

Quando o local, a editora e a data não forem identificadas,


indica-se entre colchetes [s.n.t.] (sem notas tipográficas).

f) Anais

NOME DO EVENTO, Número do evento, ano de realização. Local. Título. Local:


Editora, ano de publicação. Número de páginas ou volume.

Ex.: SIMPÓSIO DE GESTÃO DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. 21, São Paulo,


SP. Anais... São Paulo: Novembro de 2000.
g) Entrevistas

• Entrevistas não Publicadas


109
Metodologia do Trabalho Científico

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Prenome. Título. Local, data (dia,mês.ano).

Ex.: SUASSUNA, Ariano. Entrevista concedida a Marco Antônio Struve.


Recife, 13 set. 2002.

No título, omite-se o nome do entrevistador quando ele é o autor


do trabalho.

Quando a entrevista é concedida em função do cargo ocupado


pelo entrevistado, acrescentam-se o cargo, a instituição e o local ao
título.

• Entrevistas Publicadas

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Prenomes. Título da entrevista. Referência


da publicação (livro ou periódico). Nota da entrevista.

Ex.: SOUZA, Mauricio de. A Mônica quer namorar. Veja, ed. 2098, a. 423, n.5, p.
19-23, dez. 1999. Entrevista concedida a Duda Teixeira.

h) Internet

Nome do autor; título do documento ou da WEB page (ou do frame). Título do


trabalho maior contendo a fonte (Web site); informações sobre a publicação
(incluindo a data da publicação e/ou da última revisão); endereço eletrônico
(URL); data do acesso e outras informações que pareçam importantes identificar
na fonte.

Ex.: GRAYLING. A. C. A epistemologia. The Blackwell Companhion to


Philosophy. Cambridge, Massachusetts: Blackwell Publishers Ltd, 1996.
Disponível em: <http://www.geocities.com/marcofk2/grayling.htm>. Acesso em:
10 maio 2007.

i) Jurisdição

Título (especificação da legislação, número e data). Ementa. Dados da


publicação.

110
Capítulo 6 REFERÊNCIAS

Ex.: 1: BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do


Brasil. Brasília: Senado, 1988.

Ex.: 2: SANTA CATARINA (Estado). Lei n. 5.345, de 16 de maio de 2002.


Autoriza o desbloqueio de Letras Financeiras do Tesouro do Estado e dá outras
providências. Diário Oficial do Estado, Poder Executivo, Florianópolis, 16 jun.
2002. Seção 3, p. 39.

Atividades de Estudos:

1) Assinale as referências que estão corretas.

a) ( ) BASTOS, Lília et al. Manual para elaboração de projetos e


relatórios de pesquisa, teses, dissertações e monografias. 5.
ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000.

b) ( ) FOUREZ, Gerard. A construção das ciências: introdução à


filosofia e à éticadas ciências. São Paulo: EdUNESP, 1995.

c) ( ) LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade.


Fundamentos da metodologia científica. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 1991.

d) ( ) MÁTTAR Neto, João Augusto. Metodologia científica na


era da informática. Saraiva:São Paulo, 2002.

e) ( ) MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de


fichamentos, resumos e resenhas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

f) ( ) TAFNER, Malcon; TAFNER, José; FISCHER, Juliane.


Metodologia do trabalho acadêmico. Curitiba: Juruá, 1999.

g) ( ) Serrano, Pablo Jimenez Epistemologia do Direito: para


melhor compreensão da ciência do direito. Campinas: Alínea
Editora, 2007.

h) ( ) TORRES, Ana Paula Repolês Uma análise epistemológica


da teoria pura do direito em Hans Kelsen Revista CEJ, Brasília,
n. 33, p. 72-77, abr./jun. 2006.

i) ( ) SANCHEZ GAMBOA, Silvio Ancizar. Epistemologia

111
Metodologia do Trabalho Científico

da pesquisa em educação: estruturas lógicas e tendências


metodológicas. FE/UNICAMP. Tese de Doutorado, 1987
(Orientador Prof. Dr. Pedro Goergen).

j) ( ) TEIXEIRA, João Fernandes. Mentes e máquinas: uma


introdução às ciências cognitivas. Porto Alegre : Artes Médicas,
1998.

2) Aponte a importância das referencias no artigo científico.


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Algumas Considerações
Neste capítulo você conheceu a importância de se fazer as
Os elementos
essenciais que são referências corretamente, pois elas permitem ao leitor identificar as
transcritos permitem fontes que serviram de subsídios para a realização da sua pesquisa
ao leitor consultar a
obra referenciada, se e composição do artigo. Além disso, os elementos essenciais que são
este assim o quiser. transcritos permitem ao leitor consultar a obra referenciada, se este
assim o quiser.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e


documentação - referências - elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia científica: a construção do


conhecimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

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