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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS DE UM MOTOR DE


INDUÇÃO TRIFÁSICO (MIT) OPERANDO COM TENSÕES
DESEQUILIBRADAS.

EDIVAN QUEIROZ PEREIRA REGIS

CUIABÁ – MT
2018
EDIVAN QUEIROZ PEREIRA REGIS

CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS DE UM MOTOR DE


INDUÇÃO TRIFÁSICO (MIT) OPERANDO COM TENSÕES
DESEQUILIBRADAS.

Trabalho Final de Curso apresentado ao


Departamento de Engenharia Elétrica da
Universidade Federal de Mato Grosso, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Engenharia Elétrica.
Orientador:
Prof. Dr. Mario Kiyoshi Kawaphara

CUIABÁ – MT
2018
DEDICATÓRIA

“Dedico este trabalho a todos que estiveram me apoiando ao longo desta jornada, me
dando forças, confiança e auxílio. Em especial dedico aos meus pais Raimundo e Terezinha
(in memorian), meu amigo Paulo Caetano Costa Silva (in memorian).”
AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Raimundo e Terezinha (in memorian); ao Prof. Dr. Mario Kiyoshi
Kawaphara, pela confiança em concretização desse trabalho e pela grande paciência e
compreensão durante sua realização; ao Prof. Msc. Weldon Carlos Elias Teixeira, pelos
incentivos e ajudas constantes desde a época de escola técnica; ao Prof. Clodoaldo de Jesus
pelas dicas de simulação; aos colegas de trabalho, Ronaldo, Juvenal, Jefferson e Isis Kelly, pela
compreensão que sempre tiveram comigo; agradeço em especial aos amigos no qual o curso de
engenharia me proporcionou e que levarei para a vida inteira o aprendizado no qual adquirir
junto a esse(a)s nobres amigo(a)s, que sempre me ajudaram em momentos complicados durante
o curso, Gabriela Nunes Lopes (Gabi), Guilherme Yuji Kume (Japa), Mateus Alecio Sachetti,
Ruah Carlos, Janne Kellen Rodrigues (Pequena), Daniel Oliveira Freitas (boy), Wood Allen,
Marina Timo, Tiago Guimaraes, Lucas Porto Magalhaes, Machsuel Francisco Raymundo,
Gustavo Amorin Borges (Gans), Felipe Leal; Agradeço à Anfilófia Silva Sousa pela confiança
em mim depositada, por sempre acreditar na minha capacidade e sempre está do meu lado em
momentos bons e ruins, obrigado.
RESUMO

REGIS, Edivan Queiroz Pereira. CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS DE UM


MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO (MIT) OPERANDO COM TENSÕES
DESEQUILIBRADAS. 2018. 78f. TCC (Graduação)-Curso de Engenharia Elétrica,
Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso,
Cuiabá, 2018.

O desequilíbrio de tensão no sistema elétrico pode causar problemas indesejáveis em


equipamentos elétricos, principalmente em motores de indução trifásicos, devido à sua grande
quantidade na indústria. Essa monografia tem por objetivo fazer uma análise de seus parâmetros
no sistema elétrico desequilibrado utilizando o software ATPDRAw (Alternative Transients
Program). O ATPDRAw é um software utilizado para a simulação de transitórios
eletromagnéticos, fenômenos de natureza eletromecânica em sistemas elétricos de potência e
em sistemas DC (Direct Current). Para a simulação de uma máquina de indução trifásica, são
disponibilizados dois modelos no programa ATPDRAw. Os modelos UM3 (Universal
Machine-Type 3) e UM4 (Universal Machine-Type 4) permitem simular motores de indução
com rotor tipo gaiola de esquilo e rotor bobinado, respectivamente, nesta monografia será
utilizado o modelo UM3.
Através da simulação com o modelo UM3, foi feita analise das características de
operação dessa máquina de indução com o sistema elétrico desequilibrado.

Palavras-chave: Motor (MIT), tensões desequilibradas.


ABSTRACT

The disequilibrium of tension in the electrical system can cause problems undesirable
in electric equipment, mainly in three-phase motors of induction, due to its great amount in the
industry. This project has for objective to make an analysis of its parameters in the electrical
system balanced and unbalanced using software ATPDRAw (Alternative Transients Program).
The ATPDRAw is a software used for the simulation of transitory electromagnetic, phenomena
of electromechanical nature in electrical systems of power and systems DC (Direct Current).
For the simulation of a machine of three-phase induction, two models in program ATPDRAw
are available. Models UM3 (Universal Machine-Type 3) and UM4 (Universal Machine-Type
4) allow to simulate motors of induction with rotor type squirrel and reeled rotor, in this project
of research will be used model UM3, in which squirrel river steamer is an three-phase motors
of induction.
Through the simulation with model UM3, the characteristics of operation of this
machine of induction with the unbalanced electrical system will be analyzed.

Keywords: Three-phase induction motor; voltage unbalance


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 2.1-Esquemático do estator do motor de indução.................................................5


Figura 2.2-Rotor tipo gaiola de esquilo simples do motor de indução............................5
Figura 2.3-Diagrama esquemático do enrolamento trifásico, criando campo rotativo no
entreferro defasado de 120º .............................................................................................7
Figura 2.4-Campo resultante para o instante wt=0..........................................................7
Figura 2.5-Campo magnético girante resultando nas três fases nos instantes wt=30º,60º
e 90º.................................................................................................................................9
Figura 3.1-Circuito usado ao longo desse trabalho.......................................................12
Figura 3.2-Sistema mecânico no acionamento de motores...........................................13
Figura 3.3-Sistema equivalente elétrico da parte mecânica..........................................13
Figura 3.4-modelo UM3 da máquina de indução do ATP com inicialização manual...14
figura 3.5-parâmetros do motor de indução trifásico.....................................................15
Figura 3.6-Parâmetros do motor de indução, modelo UM3 do ATPDRAw.................16
Figura 3.7-Configuração de inicialização.....................................................................18
Figura 3.8-Gráfico da equação (3.4), descreve o conjugado da carga quadrática.....21
Figura 3.9-Modelagem de carga quadrática.................................................................22
Figura 3.10-Janela da fonte de corrente variável..........................................................22
Figura 3.11-Ajuste de saída do torque quadrático........................................................23
Figura 4.1-Comparação dos dados do fabricante com os dados obtidos no ATPDRAw.
.......................................................................................................................................25
Figura 4.2- Corrente no rotor da máquina.....................................................................26
Figura 4.3- Potências ativa e reativa demandada pelo motor a plena carga..................26
Figura 4.4- Amplitude da tensão trifásica de alimentação do motor.............................27
Figura 4.5- comportamento da velocidade do rotor a plena carga................................27
Figura 4.6- Corrente instantânea no estator da fase A e o respectivo valor eficaz........28
Figura 4.7- conjugado eletromagnético do motor em conjunto com a curva do conjugado
de carga aplicada ao eixo...............................................................................................29
Figura 4.8-mostra o gráfico de conjugado pela velocidade do motor sob carga nominal
.......................................................................................................................................29
Figura 4.9- Circuito refletido por fase do motor de indução trifásico...........................30
Figura 4.10- circuito simplificado adotado pelo modelo UM3 do ATPDRAw.............31
Figura 5.1-Comportamento do aquecimento e das perdas no motor em função dos
desequilíbrios de tensões...............................................................................................37
Figura 5.2-temperatura em função dos desequilíbrios de tensão e corrente (%)...........42
Figura 5.3-circuito de sequência positiva monofásico do motor de indução................44
Figura 5.4-circuito de sequência negativa monofásico do motor de indução...............45
Figura 6.1-potência instantânea p(t) em um circuito RL..............................................50
Figura 6.2-potências instantâneas p(t) nas fases (ABC) em um circuito RL...............51
Figura 6.3-potências reativas demandadas pelo motor nas fases ABC........................52
Figura 6.4-correntes Rms, potências ativas e aparente da fase A..................................52
Figura 6.5-formas de onda das tensões Rms de alimentação do motor........................56
Figura 6.6-decomposição fasorial em componentes simétricas da tensão de alimentação
do motor.........................................................................................................................57
Figura 6.7-correntes Rms na rede de alimentação do motor.........................................58
Figura 6.8-decomposição fasorial em componentes simétricas de corrente de linha do
motor.............................................................................................................................59
LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1- equivalência entre grandezas mecânicas e elétricas....................................14


Tabela 3.2- dados do motor adotado nas simulações.....................................................15
Tabela 3.3- algumas cargas existentes nas indústrias.....................................................20
Tabela 4.1- Comparação de valores de dados: Fabricante X ATPDRAw.....................24
Tabela 5.1- Limites permissíveis para desequilíbrios de tensão....................................39
Tabela 5.2- redução da vida útil em motores de indução em consequência da elevação
de temperatura...............................................................................................................41
Tabela 6.1- casos simulados..........................................................................................53
Tabela 6.2- casos simulados..........................................................................................54
LISTA DE ABREVIATURAS

MIT motor de indução trifásico


ia (t ) corrente na fase A no domínio do tempo

im corrente de máximo no domínio do tempo

v a (t ) tensão na fase A no domínio do tempo

vm tensão de máximo no domínio do tempo

ω velocidade angular em (rad/s)


I amplitude da corrente de alimentação
N quantindade de espiras do enrolamento
t tempo em segundos
fmma (t ) força magnetomotriz no domínio do tempo na fase A

Fr força resultante

Fa força que age na fase A
Tel torque do motor em (eletromagnético) [Nm]

Pd potência mecânica desenvolvida na saída [W]

ns velocidade síncrona em (rpm)


n velocidade nominal em (rpm)
S(%) escorregamento

fr frequência de giro do compo magnético do rotor[Hz]


f frequência de giro do compo magnético do estator[Hz]
η rendimento
Pforn. pot.mecânica últil[W]
Pabsor. pot.absorvida da rede elétrica [W]
Q potência reativa do sistema [Var]
FP fator de potência.
Zcc impedância de curto circuito
RMS root mean square
JM inércia do motor
TM torque eletromagnético desenvolvido no entreferro do motor[N.m]
TC torque requerido pela carga mecênica [N.m]
J momento de inércia do sistema motor/carga [kgm 2 ]
Td torque dinâmico ou de aceleração[N.m]
ωr velocidade angular do rotor em [rad/s]
TL torque de carga [Nm]
T0 torque resistente inicial[Nm]
k constante de proporcionalidade
TN torque nominal[N.m]
Ip corrente de portida do motor[A]
PN potência nominal[W]

V1 Tensão aplicada ao enrolamento do estator


R1 resistência do enrolamento do estator por fase (perda cobre)
X1 reatância de dispersão do estator por fase
X m reatância de magnetização por fase
R C perda no núcleo do estator por fase
X 2 reatância refletida ao estator
R2 resistência refletida ao estator
Protor perda no rotor
Pcobre perda no cobre
Pmec perda mecânicas
I− corrente de sequência negativa [ A]
I+ corrente de sequência positiva [ A]
I0 corrente de sequência zero [ A]
R r1 resistência do rotor de sequência positiva [ Ω ]
'

R 'r 2 resistência do rotor de sequência negativa [ Ω ]


V− tensão sequência negativa [V ]
V+ tensão sequência positiva [V ]
V 0
tensão sequência zero [V ]
Z − impedância de sequência negativa [ Ω ]
Z + impedância de sequência positiva [ Ω ]
Z 0 impedância de sequência zero [ Ω ]
cos θ − fator de potência de sequência negativa
λ tempo de vida útil do motor
λ nom tempo de vida útil nominal
Δθ acréscimo de temperatura
θ nom temperatura nominal do motor em ( K )
k constante de Boltzmman=0,86.10-4 [ eV ]
E energia de ativação
Fd v fator de desequilíbrio de tensão
Fd i fator de desequilíbrio de tensão
s- escorregamento de sequência negativa
s+ escorregamento de sequência positiva
z m impedância referente ao ramo magnetizante
z eq impedância equivalente
zs impedância referente ao circuito do stator
zr impedância referente ao circuito do rotor
Pad Perdas adicionais para a alimentação equilibrada;
PadS des Perdas adicionais no estator para alimentação desequilibrada;
PadRdes Perdas adicionais no rotor para alimentação desequilibrada.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
1.1 Objetivo Geral ........................................................................................................ 1

1.2 objetivos específicos................................................................................................ 1

1.3 Metodologia............................................................................................................. 2

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 2


2.1 Histórico .................................................................................................................. 3

2.2 Máquina de indução .................................................................................................. 4

2.2.1 Principio de funcionamento ............................................................................... 6

2.2.2 Rendimento ....................................................................................................... 10

2.2.3 Fator de potência .............................................................................................. 11

3 MOTOR GAIOLA DE ESQUILO, MODELO UM3 NO ATPDRAw ...................... 11


3.1 Parâmetros do modelo da máquina UM3 do ATPDRAw. .................................. 14

3.2 Tipos de cargas industriais...................................................................................... 20

3.2.1 Conjugado de carga quadrática ...................................................................... 20

3.3 cálculo da resistência de carga (atrito) .................................................................. 23

4 CONFRONTAÇÃO DE PARÂMETROS ................................................................... 24


5 Revisão do estado da arte do motor de indução operando com tensões
desequilibradas................................................................................................................... 35

5.1 Desequilíbrio de tensão ............................................................................................ 39

5.1.1 Normas relativas ao desequilíbrio de tensão .................................................. 39

5.1.2 Métodos de cálculo para o desequilíbrio de tensão ....................................... 40

5.1.3 Efeitos do desequilíbrio de tensão ................................................................... 41

5.2 Modelagem matemática com do motor de indução com fator de desequilíbrio de


tensão de até 15%. ............................................................................................................. 43

6 Determinação dos parâmetros de dos circuitos, de sequência positiva e negativa


49
para uma situação especifica. ............................................................................................ 49

6.1 Analise dos parâmetros do motor operando com desequilíbrios de tensão e


correntes .......................................................................................................................... 54

6.2 Decomposição fasorial das tensões de alimentação do motor e das correntes de


linha do mesmo................................................................................................................... 56

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 60


8 SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS.............................................................. 60
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 62
1 INTRODUÇÃO

Atualmente temos o predomínio massivo de motores elétricos de indução trifásico tanto


na indústria, como no comércio de um modo geral, buscar meios de representar essas grandezas
motrizes se constitui em tema relevante. Os motores elétricos de indução têm uma vasta
biblioteca e modelos de estudos dos mais variados tipos, vale ressaltar que em virtude da
importância que o motor de indução tem para a indústria contemporânea, é de extrema
importância que se façam estudos sobre as características operativas dessa máquina sobre as
mais variadas condições de funcionamento.

Em meio as mais variadas aplicações do motor de indução e sob as diversas condições


de funcionamento, uma opção interessante é o estudo dessa máquina sendo alimentada com
tensões desequilibradas, este fato faz com o estudo dessa máquina ganhe interesse em
reproduzir computacionalmente seu comportamento operativo a fim de analisar os seus
parâmetros e prever possíveis danos a mesma.

Os custos de manutenção podem ser mantidos em valores mínimos pela detecção


antecipada e preditiva de índices que possam levar a ocorrência de falhas em motores. Nestes
casos, podem ser executados serviços de manutenção preventiva com menores custos,
quando comparados aos elevados custos das manutenções corretivas, onde normalmente
são exigidos reparos ou substituições de equipamentos ou componentes danificados. Portanto,
existe a necessidade de uma ferramenta ou metodologia que seja capaz de descrever de
forma satisfatória o comportamento do MIT operando com desequilíbrio de tensão,
observando-se que tal aspecto tem se tornado fator limitante nos sistemas de proteção e
acionamento, nesse contexto essa monografia propõe a utilização do ATPDRAw no
modelamento do MIT para analisar o comportamento das caracteristicas operacionais do
mesmo sob equilibrio e desequilibrio de tensão.

1.1 Objetivo Geral

Efetuar simulação computacional de um motor de indução trifásico (MIT), e


nesse contexto estudar o comportamento operacional do mesmo sob equilíbrio e
desequilíbrio de tensão de alimentação do mesmo utilizando o software ATPDRAw.

1.2 objetivos específicos

1
• Estudo do estado da arte do motor de indução trifásico em condições de
equilíbrio e desequilíbrio de tensão (MIT)
• Estudo do comportamento do motor de indução trifásico (MIT) sendo
alimentado com tensões equilibradas e em condições ideais, usando
ATPDRAw
• Estudo das características operacionais do motor de indução trifásico (MIT)
em sistemas desequilibrados reais, usando ATPDRAw

1.3 Metodologia

No decorrer dessa monografia será apresentado o equacionamento matemático que rege


o comportamento do motor de indução trifásico (MIT) no domínio do tempo e sua
implementação computacional no software ATPDRAw que possibilita uma análise do
comportamento operacional da máquina em questão. Após isso é realizada a validação por
meio de comparação dos resultados obtidos na simulação e dados de catalogo do fabricante.
Será apresentado o equacionamento do motor em sistemas desequilibrados e suas
características operacionais em tal situação.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A máquina de indução se tornou um dos maiores inventos tecnológicos cujo tem


construção simples, robusta e de grande versatilidade de adaptação as cargas, cujo princípio de
funcionamento e seleção devem ser conhecidos para que a máquina obtenha melhor
desempenho na indústria [1].
Quanto ao seu aspecto construtivo a máquina de indução trifásica é uma máquina
significativamente robusta, composto por duas partes: ESTATOR e ROTOR. O estator é
composto de um núcleo ferromagnético na forma de coroa cilíndrica, constituído de lâminas de
aço silicioso justapostas no sentido longitudinal e isoladas uma da outra, formando um
comprimento ativo. Na superfície interna do cilindro tem-se ranhuras distribuídas
uniformemente, onde são alojadas as bobinas que formam o enrolamento do estator. O rotor do
motor de indução tem duas variantes construtivas possíveis. Uma primeira é o chamado rotor
bobinado, ou também rotor de anéis. Encontramos ainda no estator, os enrolamentos

2
normalmente compostos por 3(três) ou 6(seis) conjuntos de bobinas iguais, com características
elétricas idênticas [2].
Dada a sua grande importância econômica e larga aplicabilidade, especialmente no setor
industrial, muitos trabalhos têm sido desenvolvidos a respeito do funcionamento da máquina
de indução, principalmente na operação, como motor. Os trabalhos abordam os mais variados
aspectos, como por exemplo, a atuação da máquina em regime permanente e quando submetida
aos fenômenos transitórios, modelagem computacional e simulação, análise do circuito
equivalente e estimação dos parâmetros da máquina, controle e proteção, entre outros [1].
O motor de rotor bobinado é composto de um núcleo ferromagnético cilíndrico também
constituído de lâminas, com a superfície externa ranhurada, onde é alojado um enrolamento
trifásico similar ao do estator. As terminações das bobinas que formam o enrolamento são
conectadas a três anéis coletores solidários ao eixo (isolados eletricamente do mesmo e entre
si). O acesso ao rotor é então obtido através de escovas de carvão apropriadas, fixadas à
estrutura do motor. Desse modo, os anéis coletores e as escovas formam um sistema de contatos
móveis tornando possível o acesso ao enrolamento mesmo com o rotor em movimento. Essa
variante construtiva tem a vantagem de permitir a alteração de parâmetros elétricos do rotor por
inserção de elementos externos de circuito, tipicamente resistores, o que promove a modificação
das características do motor, adequando-as ao tipo de carga acionada.
A segunda variante construtiva do rotor do motor de indução é o chamado rotor em
curto-circuito ou também rotor em gaiola, no qual, também existe um núcleo ferromagnético
cilíndrico com a superfície externa ranhurada, onde está alojado um tipo muito particular de
enrolamento. Esse é constituído de barras condutoras de cobre ou alumínio inseridas nas
ranhuras, eletricamente conectadas em cada extremidade do rotor, a anéis condutores dos
mesmos materiais. Esse conjunto de barras forma um circuito elétrico fechado em curto por
construção. Desse modo, o rotor de gaiola não permite nenhum acesso ao enrolamento rotórico,
sendo os parâmetros do mesmo determinado por ensaios. Nessa construção, os condutores do
rotor são montados sobre o núcleo sem nenhum tipo de isolamento.

2.1 Histórico

Em 1866, na Alemanha, surgiu o equipamento que foi considerado o primeiro motor


elétrico. Werner von Siemens desenvolveu um gerador de corrente contínua auto induzido, sem
a utilização de imã permanente, de forma que a tensão necessária para o magnetismo podia ser

3
retirada do próprio enrolamento do rotor. A máquina de Siemens não funcionava somente como
gerador de eletricidade, pois era capaz de produzir energia mecânica a partir de energia elétrica,
funcionando como um motor, desde que fosse aplicada aos seus terminais um sinal em corrente
contínua [3].
Em 1882, Nikola Tesla descobriu o campo magnético rotativo, um princípio
fundamental na física e em quase todos os equipamentos que usam corrente alternada.
No ano de 1885, Galileus Ferraris, com base na experiência de Tesla, construiu um motor
bifásico de corrente alternada com um rotor em cobre. No entanto, Ferraris concluiu que os
motores construídos segundo esse princípio poderiam obter no máximo um rendimento
de 50% em relação à energia elétrica consumida [3].
Em 1887 Nikola Tesla apresentou um pequeno protótipo de um motor de indução
bifásico com rotor em curto-circuito. Em 1889 o engenheiro eletricista russo Michael von
Dolivo Dobrowolsky, da firma AEG (Allgemeine Elektricitäts Gesellschaft), de Berlim,
persistindo na pesquisa do motor de corrente alternanda, entrou com pedido de patente de um
motor trifásico com rotor de gaiola. Ele era simples, silencioso tinha menos manutenção e alta
segurança em operação. Em 1891 Dobrowolsky iniciou a fabricação de motores de indução nas
potencias de 0,4 a 7,5kW. [4]
Assim começou-se a buscar uma padronização das características mais importantes do
motor. Em 1923 foi publicada, na alemanha, a norma DIN VDE-2650, que fixava valores para
rendimento, fator de potência, conjugado de partida e corrente de partida para motores abertos
trifásicos com rotor em curto-circuito de 0,12 a 100kW. Após a segunda guerra, iniciou-se a
padronização dimensional. Em 1948, uma norma estabelecia dez dimenções de carcaça, mas
levava em conta apenas motores de quatro pólos. [4]

2.2 Máquina de indução

A estrutura de uma máquina de indução trifásica compreende essencialmente o estator


e o rotor, ambos são montados solidários, com um eixo comum aos “anéis” que os compõem
os mesmos, ao energizar as bobinas do estator com tensão alternada ira induzir tensão nas
bobinas do rotor, o vão entre o rotor e estator é denominado de entreferro, na figura 2.1 tem um
desenho ilustrativo do estator e rotor da máquina de indução e todas as partes que compõem a
máquina em si.

4
Figura 2.1-Esquemático do estator do motor de indução.

Fonte: (BACCA, 2007)

O estator é constituído por um núcleo de material magnético (um conjunto de chapas


com o formato de uma coroa circular, geralmente em aço-silício) tratado termicamente,
com o objetivo de assegurar baixas perdas e uma elevada permeabilidade magnética. [5]
O rotor é a parte girante do motor, que recebe a corrente por indução gerada pela
diferença de velocidade do campo girante do estator e do próprio rotor. O rotor da máquina de
indução pode ser de dois tipos: bobinado ou tipo gaiola de esquilo, mas no decorrer dessa
monografia será abordado somente o rotor tipo gaiola de esquilo simples que será o tipo de
rotor do motor adotado nas simulações ao longo desse trabalho.
O rotor tipo gaiola de esquilo como mostrado na figura 2.2 é composto por barras de
material condutor que se localizam em volta do conjunto de chapas do rotor, curto-
circuitadas por dois anéis metálicos nas extremidades. Essas barras do rotor tipo gaiola de
esquilo apresentam um determinado ângulo em relação ao eixo do rotor, sendo quase paralelas
ao mesmo, para produzir um conjugado mais uniforme e reduzir o ruído magnético durante a
operação da máquina. [2]
Figura 2.2- Rotor tipo gaiola de esquilo simples do motor de indução

Fonte: (GÖNEN, 2012)


5
2.2.1 Principio de funcionamento

A máquina de indução é um tipo de máquina no qual seu principio de funcionamento se


baseia fundamentalmente no campo magnetico girante. A partir da aplicação de uma tensão de
alimentação alternada no estator, é produzido um campo magnético girante que induz tensão
no circuito do rotor.
O campo é variavel no tempo e o mesmo induz no rotor uma força eletromotriz (fem)
que vai produzir um campo magnetico próprio. O campo girante produzido pelo rotor, tende à
alinha-se ao campo girante do estator, dessa forma ocorre o movimento de rotação no rotor.
As bobinas independentes, defasadas entre si de 120° no espaço, é instalado nas ranhuras
do estator. Essas bobinas são alimentadas por tensões defasadas de 120° no tempo e,
considerando a sequência de fases abc, as equações representativas dos sinais são:
v a (t ) = v m sen(ωt )[V] (2.1)
vb (t ) = v m sen(ωt -120º )[V] (2.2)
vc (t ) v m sen(ωt + 120º )[V]
= (2.3)

A corrente nominal do motor é representada por um conjunto de três correntes defasadas


entre si de 120° no espaço como mostrado nas equações (2.4), (2.5) e (2.6).
ia (t ) = I cos(ωt )[A] (2.4)
ib (t ) = I cos(ωt -120º )[A] (2.5)
ic (t ) I cos(ωt + 120º )[A]
= (2.6)

6
Figura 2.3- Diagrama esquemático do enrolamento trifásico, criando campo rotativo no entreferro
defasado de 120º

Fonte: (Guedes, 1993)

Nas equações das correntes em (2.4), (2.5) e (2.6) tomando ωt = 0 tem-se que:
ia = I
(2.7)
ib = ic = −0,5 I
Logo tem-se a figura 2.4 que mostra o compo magnetico resultante para o instante em
que ωt = 0 .
Figura 2.4- Campo resultante para o instante wt=0

Fonte: (Guedes, 1993)


7
Quando uma corrente alternada percorre uma bobina, é produzido um campo magnético
orientado conforme o eixo da bobina e de valor proporcional à intensidade da corrente. Esse
campo magnético variavél produzido em cada uma das bobinas gera uma força magnetomotriz
(fem), que é dada por [2]:
fmma (t ) = NI cos(ωt )[ A] (2.8)
fmmb (t ) = NI cos(ωt -120º )[ A] (2.9)
fmmc (t ) NI cos(ωt + 120º )[ A]
= (2.10)

sendo:
I amplitude da corrente de alimentação
N quantindade de espiras do enrolamento

Se as três bobinas estivessem orientadas sobre um mesmo eixo, a força resultante seria
nula. Mas como as três bobinas estão defasadas no espaço de 120°, haverá uma força resultante
com intensidade constante, porém sua direção vai “girando”, completando uma volta ao final
de um ciclo.
Nas equações (2.8), (2.9) e (2.10) tomando ωt=0 e tendo a origem como referência
tem-se a força magnetomotriz resultante dado pela equação (2.11)
→ → → →
Fr =Fa+ Fb+ Fc =
1FM ∠0º −0,5 FM ∠120º −0,5 FM ∠240º =
1,5 FM ∠0º (2.11)
Observa-se que o vetor de força resultante tem amplitude 1,5 vez maior que a amplitude
(N.I) máxima do vetor de fase individual. A distribuição de induções também está mostrada na
figura 2.4, onde o polo norte formado está na direção do eixo da fase A no instante considerado.
A força resultante produzirá um campo magnético girante com velocidade e intensidade
constantes, sendo que a velocidade depende das “correntes” aplicadas às bobinas. Logo, quando
um enrolamento trifásico e alimentado por correntes elétrica, produz-se um “campo girante”,
como se houvesse um único par de polos girantes, de intensidade constante. Esse campo girante,
produzido pelo enrolamento trifásico do estator, induz tensões nas barras do rotor (linhas de
fluxo “cortam” as barras do rotor) que geram correntes e, consequentemente, um campo no
rotor, de polaridade oposta à do campo girante do estator. [5] e [6].
Na figura 2.5 tem-se as forças resultante para as situações ωt = 30º , 60º e 90º
respectivamente. A soma fasorial das forças em cada bobina resulta na força responsável pelo
campo girante. A regra da mão direita indica o sentido das forças magnéticas provocadas por
cada corrente trifásica e, consequentemente, o sentido do fluxo. [5]

8
Figura 2.5- Campo magnético girante resultando nas três fases nos instantes ωt = 30º , 60º e 90º

Fonte: (Guedes, 1993)

Os campos magnéticos com polaridades opostas tendem-se atraírem e, sendo o campo


magnético do estator rotativo, o rotor tende a acompanhar a rotação desse campo. Desenvolve-
se então, no rotor, um conjugado motor que faz com que o rotor gire, acionando a carga [7].
Essas “interações” entre os campos magnéticos do estator e do rotor irá gerar um torque no eixo
do motor, dado pela equação 2.12.

Pd
Tel =
ωr (2.12)
sendo:
Tel é o torque do motor em (eletromagnético) [Nm]

Pd é a potência mecânica desenvolvida na saída [W]

ωr é a velocidade angular desenvolvida no eixo do rotor [rad/s]


A potência mecânica útil de saída é dependente das perdas totais no motor, que inclui
as perdas no estator, no rotor e no ferro, além das perdas por atrito e ventilação [7].
Sendo o estator alimentado por uma fonte de tensão trifásica equilibrada e os
enrolamentos do rotor curto-circuitados, têm-se correntes equilibradas percorrendo os
enrolamentos do estator. Tais correntes irão gerar uma força magneto motriz (FMM) girante no
entreferro, com velocidade síncrona (ns) [8].
Como o rotor gira com uma velocidade constante ao longo do tempo e no mesmo sentido
da velocidade do campo girante do estator. A diferença entre a velocidade síncrona e a
velocidade do rotor é o que é chamado de escorregamento, dado pela equação (2.13).

9
(n s -n)
S(%)= .100 (2.13)
ns
sendo:
S escorregamento (%)
ns velocidade sincrona [rpm]
n velocidade do rotor[rpm]
Com a diferença de velocidade entre o campo girante do estator e a rotação do rotor,
serão induzidas correntes equilibradas nos enrolamentos curto-circuitados do rotor. A
frequência das correntes no rotor será a diferença entre as velocidades, podendo ser
determinada em função do escorregamento conforme a equação 2.14 [8].

f r =s.f s (2.14)
sendo:
f r frequência de giro do compo magnético do rotor[Hz]
f frequência de giro do compo magnético do estator[Hz]
s escorregamento
Assim, as correntes induzidas no rotor irão criar uma força magnetomotriz que
gira na velocidade determinada pela frequência das correntes no rotor. A interação entre as
forças magnetomotrizes no estator e rotor irá produzir um torque constante que mantém a
rotação do motor. Este torque é denominado torque assíncrono, e existe em qualquer
velocidade do rotor diferente da velocidade síncrona [5].

2.2.2 Rendimento

O motor elétrico é uma máquina que tem por finalidade converter energia elétrica em
energia mecânica, na qual é disponibilizada no eixo do motor. O rendimento do motor elétrico
é a eficiência com qual essa conversão ocorre dada pela a equação 2.15.
Pforn.
η= (2.15)
Pabsor.
sendo:
η rendimento
Pforn. pot.mecânica últil[W]
Pabsor. pot.absorvida da rede elétrica [W]
A potência nominal de um motor é a máxima potência que o equipamento é capaz de
disponibilizar continuamente em seu eixo, quando é alimentado com tensão e frequência
10
nominais. Essa é a potência na saída do motor e, sendo potência mecânica, também ser expressa
em [cv] (cavalos-vapor) ou [hp] (horsepower) [7].

2.2.3 Fator de potência

=
Fator de potência é denominado como o cos(φ ) cos(θ v − θi ) em que φ é a defasagem
angular entre tensão e corrente no tempo, fator de potência é adimensional. O mesmo pode ser
dado também pela seguinte equação:
P
cos(θ )= (2.16)
P 2 +Q 2
sendo:
P pot.ativa do sistema
Q pot.reativa do sistema
cos(θ ) fator de potência.
O valor do fator de potência varia de 0 a 1, alcança a unidade para o caso das cargas
resistivas e será 0 para as cargas puramente reativa, entre esses casos extremos diz-se que o
fator de potência está atrasado ou adiantado. Um fator de potência atrasado significa que a
corrente está atrasada em relação a tensão, implicando uma carga indutiva e um fator de
potência adiantado significa que a corrente agora está adiantada em relação ao sinal de tensão,
implicando uma carga capacitiva.

3 MOTOR GAIOLA DE ESQUILO, MODELO UM3 NO ATPDRAw

No software ATPDRAw tem disponível dos modelos de motor de indução trifásico para
eventuais simulações, o primeiro é o modelo UM3 (Universal Machine-Type 3) na qual é uma
máquina de indução com rotor gaiola de esquilo. O segundo é o modelo UM4 (Universal
Machine-Type 4) na qual é uma máquina de indução com rotor bobinado. Ao longo dessa
monografia será tratado o caso do motor de indução UM3, na qual é o motor adotado nas
simulações.

11
Figura 3.1- Circuito usado ao longo desse trabalho

Fonte: próprio autor

O motor é conectado a fonte de tensão trifásica atráves da resistencia 1, o valor dessa


resistência é ficticio e desprezivel, foi adotado 0, 001Ω para a resistência em questão, a mesma
foi inserida apenas com a finalidade de representar os valores das resistências dos cabos que
conectam os equipamentos e para medir a corrente nominal, poderia ter calculado seu valor em
função da impedância de curto-circuito do sistema (Zcc) e dos cabos que interligam os
equipamentos. As resistências 3 e 4 são desprezíveis e só servem para separar as partes do
sistema, ou seja, torque (fonte variável de corrente) e partes mecânicas, ou seja, só para separar
o torque da parte da inércia. Não interferem nos resultados finais do circuito. A resistência 2
corresponde a resistência do terra, seu valor é na ordem de MΩ em virtude que o motor está
com aterramento “flutuante”. O bloco “FD%” é para medir os fatores de desequilíbrios de

12
tensão e corrente. A resistor 5 é o que chama-se de resistência de carga (atrito) e seu valor será
calculado no decorrer dessa monografia.
O bloco com a letra (T) em seu interior é configurado com valor 1000 que é o valor
maior que o tempo da simulação, só serve para não deixar que tenha interrupção durante o
cálculo dos valores (RMS) de tensão e corrente. Deve ser maior que o tempo de simulação.
O torque da carga é representado pela fonte de corrente, momento de inércia é
representado pelo capacitor existente no circuito e o atrito/amortecimento viscoso é
representado pelo resistor 4.
O principal parâmetro da parte mecânica neste circuito é a inércia e assim deve-se
conhecer as inercias da carga e do motor. No circuito foi adotada a inércia de carga = motor,
portanto JTotal (carga + motor) = 2 .JM.
A figura 3.2 ilustra a representação das grandezas envolvendo a parte mecânica de
acionamento do motor.
Figura 3.2- Sistema mecânico no acionamento de motores

Fonte: (Jesus, et al., 2011)

Os parâmetros da parte mecânica são representados por um circuito elétrico


equivalente, conforme mostrado na figura 3.3.
Figura 3.3- Sistema equivalente elétrico da parte mecânica

Fonte: (Jesus, et al., 2011)

Os cálculos executados internanmente no ATPDRAw são realizados tomando uma


equivalência entre as gradezas elétricas e mecânicas conforme mostra a tabela 3.1.
13
Tabela 3.1- equivalência entre grandezas mecânicas e elétricas

Fonte: (Souza, 2014)

Dessa forma, para representar a ação do torque (T) o programa utiliza uma fonte de
corrente (i) e faz a equivalência entre 1 [N.m] e 1 [A]. O momento de inércia (J) é
comparado à capacitância (C), sendo 1 [kg.m2] igual a 1 [F]. A posição angular ( ϕ ) é análoga
à carga no capacitor (q), com 1 [rad] igual a 1 [C]. A velocidade angular ( ω ) é equivalente à
tensão nodal (v), onde 1 [rad/s] representa 1 [V] e o coeficiente de atrito (D) é relacionado
com a condutância (1/R), sendo 1 [N.m.s/rad] igual a 1 [S], posição angular (θ ) ⇒ ∫ Vdt [1].

3.1 Parâmetros do modelo da máquina UM3 do ATPDRAw.

O motor (UM3) do ATPDRw depois de inseridos os seus paramêtros como estrela


flutuante tem três terminais que são identificados confore a figura 3.4

Figura 3.4- modelo UM3 da máquina de indução do ATP com inicialização manual

Alimentação
trifásica do estator

Carga mecânica Ramificação


referente ao neutro
do motor (MIT)

Fonte: próprio autor

14
Os dados nominais do motor de indução trifásico estão definidos na tabela 3.2 para a
plena carga, esse motor será alimentado com tensão nominal fase-fase de 380V, a potência
nominal do mesmo é de 200[cv] ≅ 150[kW] .

Tabela 3.2. dados do motor adotado nas simulações

Fonte: (WEG, 2018 adaptada)

Os dados da tabela 3.2 foram inseridos no software “motdatpr.exe” e o mesmo calculou


os parâmetros do motor usado nessa monografia, conforme mostra a figura 3.5.

figura 3.5- parâmetros do motor de indução trifásico

fonte: próprio autor

15
Na figura 3.6 tem-se a janela do bloco da máquina UM3 com suas respectivas abas que
foram preenchidas com os valores fornecidos pelo software “motdatpr.exe”.

Figura 3.6- Parâmetros do motor de indução, modelo UM3 do ATPDRAw.

Fonte: adaptado ATPDRAw, 2018


Na aba general temos os seguintes parâmetros [9]:
• Pole pairs: número de pares de polos;
• Tolerance: margem de convergência para o cálculo da velocidade do rotor;
• Frequency: frequência de trabalho em regime permanente;
• Stator coupling: forma de conexão do estator (estrela ou triângulo);
• Rotor coils: número de eixos d (direto) e q (quadratura);
• Global: permite a visualização do modo de inicialização e interface,
configurados no menu principal ATP/Settings/Switch/UM.
• Order: opcionalmente pode ser utilizado para determinar a sequência dos cartões

no arquivo ATP-file. Número menor define que o referido cartão será


escrito primeiro no arquivo ATP-file;
• Label: permite identificar o elemento na área de trabalho;
• Comment: permite inserir comentários sobre o elemento.
16
• Hide: o elemento com esta opção assinalada não será incluído no arquivo ATP-
file e o seu ícone aparecerá cinza-claro na janela do circuito;
• Output: permite selecionar os dados de torque (TQOUT), incluindo o fluxo e a
corrente de magnetização no eixo d, e velocidade do eixo do rotor
(OMOUT), incluindo o fluxo e a corrente de magnetização no eixo q,
para impressão. A opção THOUT assinalada indica a posição do rotor
em [rad] e a opção CURR marcada mostra todas as correntes das bobinas
do motor [1].
para a aba magnet temos [9]:
• LMUD: indutância de magnetização do eixo d;
• LMUQ: indutância de magnetização do eixo q;
• Saturation: permite ativar ou desativar a saturação nos eixos: d e q em ambos
ou simetricamente entre os eixos.
• Na aba, Stator, tem que entra com os valores de resistência [ohm] e indutância
[H/pu] para os eixos d, q e 0.
Na aba Rotor, apresentada, está listado o número total de bobinas e devem ser
especificados os valores de resistência [ohm] e indutância [H/pu] para a bobina 1 (eixo d) e
bobina 2 (eixo q) [9].
O ATPDRAw permite fazer inicialização do motor modelo UM3 em modulo manual e
automático, nesse trabalho foi usado o modo de inicialização manual, pois o motor já parte com
carga e dessa forma no bloco UM3 solicita os valores da aba init o qual foram fornecidos valor
0, assim como todos os demais valores da aba em questão.
Esta é a condição inicial do motor, como foi simulado a partida em repouso todos os
valores partem de zero (velocidade, ângulos e correntes iguais a zero). poderia inserir os dados
de operação em regime numa determinada condição já pré-estabelecida, mas normalmente a
simulação da partida do motor requer valores nulos.
A inicialização manual e compensação são as maneiras corretas para simular a partida
em repouso do motor.
No módulo de inicialização automático teria a necessidade de usar uma fonte de corrente
para fazer a inicialização do motor, quando desejasse que o mesmo assumisse a carga teria que
desliga a fonte de inicialização e ligar a fonte de corrente da parte mecânica, ou seja, teria que
fazer uso de duas fontes de corrente.

17
Na aba, Init, deve ser informado o escorregamento slip inicial em porcentagem, isso só
ocorre se a opção automatic na figura abaixo tiver marcada, como não é o caso dessa simulação
em particular foi deixado o mesmo em manual.

Figura 3.7- Configuração de inicialização

Fonte: adaptado ATPDRAw, 2018

O ATPDRAw utiliza a Transformada de Park para converter as tensões de fase para o


domínio dq0, reduzindo assim o número de equações matemáticas e por consequência, os
esforços computacionais durante a simulação. Nesse contexto, é importante ressaltar que um
sistema trifásico equilibrado de alimentação ou a não conexão do neutro acarretam na
eliminação da chamada “fase 0” [1]. Logo os parâmetros no tocante ao eixo de referência 0 não
vai ter influência sobre os resultados e consequentemente foram configurados como 0, como
mostra a aba stator na figura 2.6.
No funcionamento do motor de indução associado a uma carga mecânica, a equação
dinâmica que rege o sistema mecânico representado na figura 3.2, que se desloca à velocidade
do rotor, é estabelecida em obediência ao princípio de D’Alembert [10].
Tal princípio afirma que, para um corpo rígido “animado” por um movimento de rotação
em torno de um eixo, é nula a soma algébrica dos torques aplicados e dos torques resistentes ao
movimento [10]. conforme a equação 3.1.
dωr
TM =TC +J. +D.ωr (3.1)
dt
sendo:

ωr =
dt
TM torque eletromagnético desenvolvido no entreferro do motor[N.m]
TC torque requerido pela carga mecênica [N.m]
J momento de inércia do sistema motor/carga [kgm 2 ]
18
D.ωr esta relacionada ao torque de oposição produzido
pelo atrito, proporcional à velocidade, onde D é o coeficiente de atrito
em [N.m.s/rad] e ωr é a velocidade angular do rotor em [rad/s]
No estudo do funcionamento do conjunto motor/carga é importante analisar o

comportamento do torque dinâmico Td resultante ou torque de aceleração, segundo a equação


3.2.
dωr
Td =TM -TC =J. +D.ωr (3.2)
dt
Conforme as características do torque dinâmico resultante, têm-se [10]:

• Para Td > 0 a carga mecânica acelera, quanto maior a inércia de uma carga,

maior deverá ser a diferença entre TM -TC ;

• Td = 0 a carga mecânica mantém uma velocidade constante, ou seja, TM =TC


nesse caso a aceleração é nula;

• Td < 0 a carga mecânica desacelera. Nesta situação, a aceleração é negativa e


o torque inercial auxilia o motor a manter o movimento. Caso seja necessário
produzir uma parada rápida, o torque desenvolvido pelo motor deve mudar de
sentido (torque de frenagem).
De acordo com a analogia que o ATPDRAw faz entre o torque e a corrente, é válida a
análise da equação 3.2, considerando o sentido de circulação das correntes nos ramos do circuito
que representa o sistema mecânico. O programa ATPDRAw adota a seguinte convenção [1]:
• Sinal positivo: a corrente “entra” no nó;
• Sinal negativo a corrente “sai” do nó.
Para o sistema mecânico simulado pelo circuito elétrico conectado ao ponto de conexão
do motor com a parte mecânica na figura 3.1. as correntes no ramo das resistências e no ramo
do capacitor “saem” do nó em direção ao ponto de terra, e a fonte “injeta” corrente no nó.
Fazendo as considerações acima e aplicando a lei dos nós ou correntes de Kirchhoff no
nó de conexão da parte mecânica do circuito da figura 3.1 pode-se escrever que:
dωr
TM =TC -J. -D.ωr (3.3)
dt
Pelo fato de não haver motores ideais, o efeito de atritos está sempre presente em
qualquer carga mecânica. São normalmente difíceis de serem tratados analiticamente aparecem

19
na sequência de fenômenos complexos influenciados por diversas causas, nomeadamente:
posição, vibração, temperatura, natureza dos materiais em contato, velocidade, entre outros. Os
três principais atritos nos motores de indução são conhecidos como: Atrito Viscoso, Atrito com
o Ar e o Atrito Estático ou de Coulomb. [11].

3.2 Tipos de cargas industriais

Na indústria atual temos diversos tipos de cargas cada uma com suas características e
particularidades conforme a tabela abaixo.

Tabela 3.3- algumas cargas existentes nas indústrias

Fonte: (NETO, 2010)

As cargas quadráticas têm aplicações como: ventiladores, misturadores, centrifugas,


bombas centrifugas, exaustores e compressores. Cargas lineares tem em aplicações como:
moinhos de rolos, bombas de pistão, plainas e serra para madeira. Cargas constantes tem
aplicações em aplicações como: guinchos, guindastes e correias transportadoras. Cargas
inversas se encontra em aplicações como: fresadoras e mandriladoras [12].
Foi adotado para essa monografia um tipo de carga caracterizada como quadrática, a
constante K na tabela 3.3 está relacionada com o conjugado inicial.

3.2.1 Conjugado de carga quadrática

A carga quadrática caracteriza-se por um conjugado resistente que varia com o quadrado
da velocidade de rotação conforme mostra o gráfico da tabela acima, representado abaixo.

20
Figura 3.8. Gráfico da equação (3.4), descreve o conjugado da carga quadrática

Fonte: (JÚNIOR, 2013)[31].

A equação (3.4) descreve o comportamento da curva acima.

TL (ωr )=T0 +kω2 r (3.4)

sendo:
TL torque de carga [Nm]
T0 torque resistente inicial[Nm]
ωr velocidade angular do rotor[ rad s]
k constante de proporcionalidade
Para partida do motor com carga nominal foi considerado um torque da carga de 95%
do nominal, sendo adotado um valor adicional equivalente a 5% para o coeficiente de atrito (D)
e um momento de inércia da carga igual ao do motor. A curva de torque típica da carga é obtida
conforme equação a seguir.
TC (ω N )=0,05T0 +kω2 N (3.5)

sendo:
TC torque de carga [Nm]
To torque resistente inicial[Nm]
ω N velocidade nominal angular do rotor[ rad s]
k constante de proporcionalidade
Logo tem-se:

21
TC =0,95.805=764,75[Nm]
T0 =0,05.TC =38,2375[Nm]
TC -T0 764,75-38,2375
k= = =20,909606m (3.6)
ω2 N   2π  
2

1780  60  
  
(
TC =- 38,2375+20,909606.10-3 .ω2 N )
A informação do torque de carga pode ser adquirida diretamente a partir de um
sensor de binário no eixo do motor ou do uso de uma célula de carga que fornece
uma informação proporcional ao torque eletromagnético, mas esses métodos são invasivos e de
difícil implementação em sistemas que se encontrem em operação [11].
A modelagem dessa característica de carga foi implementada utilizando a sub-rotina
TACS (Transient Analysis of Control Systems) do ATPDRAw. O componente Coupling to
Circuit leva o sinal de tensão correspondente à ωr para a TACS e o componente Fortran
Statements–General processa o sinal de acordo com a expressão desejada, injetando o sinal
resultante TC através da fonte de corrente para o sistema mecânico. Conforme a Figura (3.9),
O uso de fonte de corrente variável é por se trata de carga quadrática. Na figura 3.10 tem-se a
forma como foi preenchida a fonte de corrente no tempo inicial.

Figura 3.9- Modelagem de carga quadrática

Fonte: próprio autor

Figura 3.10- Janela da fonte de corrente variável

fonte: próprio autor

22
A fonte de corrente como mostrada a janela acima foi iniciada em 0 para impor torque
inicial, mas poderia ser alterada para um outro instante inicial, por exemplo 1 segundo e fim
como 10seg. A Figura 3.11 mostra a janela do componente Fortran Statements–General
preenchida com a equação de ( TC ), onde a variável ‘N1’ corresponde ao nome do nó de

acoplamento da velocidade do rotor, o sinal negativo na equação de ( TC ) é devido trata-se de


motor e não de gerador.
.
Figura 3.11- Ajuste de saída do torque quadrático

−(38, 2375 + 20,909606.10−3.ω 2 N )

Fonte: adaptada ATPDRw, 2018

O valor do capacitor (INÉRCIA) da figura 3.1 é realizado tomando como referência a


tabela 3.1 da seguinte maneira:
J C = 0, 04.[ PM (kW )]0,9 [n º pares de polos ]2,5 (3.7)

= 0,=
04.[150]0,9 .[2]2,5 20,5644kgm 2
J T = J M + J C = 20,5644kgm 2 + 2, 487 kgm 2 = 23, 0514kgm 2 (3.8)

∴= =
C J T .10 6
=
23, 0514.10 6
23051400 µ F (3.9)
Mas o valor calculado acima seria o valor máximo, nessa monografia será usado o
seguinte valor de referência:
J=
T 2.J M= 2.2, 487
= 4,974 ∴ C= 4,974.10=
6
497400 µ F (3.10)

3.3 cálculo da resistência de carga (atrito)

23
o valor da resistência de carga (5) contida na figura 3.1 é calculada da seguinte maneira:
n N .2π
R= (3.11)
TN .60
n N .2π 1780.2π
R= = =4,631084823Ω
TN .60 805.0,05.60
dado:
0,05 é devido os 5% que foram considerados no cálculo de TC
n N velocidade nominal[rpm]
TN torque nominal[N.m]
Com estes valores a simulação funcionou adequadamente, mas tanto a capacitância
quanto a resistência têm influência especialmente no período transitório de partida.

4 CONFRONTAÇÃO DE PARÂMETROS

Foi feita uma comparação dos valores dos dados do catálogo do fabricante com os
valores obtidos na simulação com a finalidade de confrontar os valores do catálogo com os
simulados no ATPDRAw conforme a tabela 4.1.

Tabela 4.1- Comparação de valores de dados: Fabricante X ATPDRAw

Fonte: próprio autor

Na figura 4.1 tem-se uma comparação gráfica dos resultados tabela 4.1, onde podemos
fazer melhor comparação.

24
Figura 4.1- Comparação dos dados do fabricante com os dados obtidos no ATPDRAw.

1,4
[pu]

1,2
1,14
1,2

0,99

0,99

0,99

0,99

0,99
1

1
1

1
1

1
1

1
1

0,8

0,6

0,4

0,2

0
IN(A) IP(A) IP/IN NN Ƞ COS(Ø) SN TN T P ( % )T M Á X . ( % )

Fonte: próprio autor

Os gráficos apresentados no decorrer desse capitulo terão como propósito validar o


modelo do motor de indução trifásico (tipo gaiola) simulado a plena carga.
Na figura 4.2 é apresentado a corrente no rotor do motor, tanto no rotor como no estator
a corrente de partida é elevada, a presença de carga no eixo do motor garante a existência de
corrente no rotor em regime permanente, diferente do caso da partida à vazio onde tem-se a
corrente no rotor zerada em regime permanente.
Em regime permanente, a frequência da corrente no rotor é bastante baixa. Uma
investigação sobre a frequência da corrente no rotor pode ser realizada com a análise de Fourier
desta corrente. Se considerarmos que através da simulação a velocidade no eixo é de 1780 rpm,
(1800 − 1780)
=
então o escorregamento será: S = .100% 1,11% logo a frequência do rotor em
1800
regime permanente ( f r ) : =
f r s= = 0, 66 Hz .
. f s 0, 0111.60

25
Figura 4.2- Corrente no rotor da máquina

[A]
4000

3000

2000

1000

-1000

-2000

-3000

-4000
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) u1:IE1

Fonte: próprio autor

Na figura 4.3- tem-se a curva das potências ativa e reativa com o motor em carga
nominal.

Figura 4.3- Potências ativa e reativa demandada pelo motor a plena carga
500

*10 3
[W, Var].

400

300

200

100

0
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) m:P_A m:Q_A

Fonte: próprio autor

A tensões de alimentação de 380V está equilibrada e defasada de 120º elétricos no


 380 2 
=
tempo, a amplitude  V ≈ 311V  está representada na figura 4.4.
 3 

26
Figura 4.4- Amplitude da tensão trifásica de alimentação do motor
311,00
[V]

233,25

155,50

77,75

0,00

-77,75

-155,50

-233,25

-311,00
11,67 11,68 11,69 11,70 11,71 11,72 [s] 11,73
(file ideal.pl4; x-var t) v:X0001A v:X0001B v:X0001C

Fonte: próprio autor

Na figura 4.5 mostra a velocidade do rotor a plena carga, observar-se que o rotor atinge
aproximadamente a velocidade síncrona na partida mesmo partindo com carga nominal. Outro
ponto importante do gráfico da figura 4.5, é o intervalo 0<tempo<0.01 da partida com carga
que apresenta valores decrescentes para velocidade.

Figura 4.5- comportamento da velocidade do rotor a plena carga


200

160

120

80

40

0
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) u1:OMEGM

Fonte: próprio autor

Na prática, não existe velocidade decrescente para tal situação, o rotor estará parado.
mas, como o ATPDRAw obedece a um modelo matemático, temos no início da partida, onde o
motor não foi totalmente energizado, um torque mecânico superior ao torque eletromagnético.
27
Esta é a razão da velocidade decrescente no início da partida. O formato um pouco parabólico
na partida se dá devido as características da carga, sendo típicas de cargas centrífugas, como
acionamentos de bombas e ventiladores.
Na figura 4.6 é apresentado graficamente as correntes RMS e instantânea da fase A.
Altas correntes de partida em máquinas elétricas têm características negativas para a máquina
em si e para o sistema de suprimento, proporcionando queda na rede de alimentação do próprio
equipamento.

Figura 4.6- Corrente instantânea no estator da fase A e o respectivo valor eficaz.


[A]

3500

2625

1750

875

-875

-1750

-2625

-3500
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) u1:IPA m:IRMS_A

Fonte: próprio autor

Na figura 4.7 é apresentado o conjugado eletromagnético do motor em conjunto com a


curva do conjugado de carga aplicada ao eixo. A diferença entre o torque desenvolvido pelo
rotor em regime permanente e o torque requerido pela carga, é igual a -40,25 [N.m],
corresponde ao torque resistente devido as perdas mecânicas. O sinal negativo mostra que o
motor de indução fornece torque para a carga. Como a fonte de corrente “injetam” as correntes
no nó de conexão da parte mecânica, a amplitude da fonte que simula a carga deve ser negativa
para garantir a oposição do conjugado da carga ao movimento do rotor, logo tem-se que o torque
de carga inserido no componente Fortran tem sinal negativo conforme mostra a figura 3.11.

28
Figura 4.7- conjugado eletromagnético do motor em conjunto com a curva do conjugado de carga
aplicada ao eixo.
2000
[N.m]

1000

-1000

-2000

-3000
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) u1:TQGEN c:F -N1

Fonte: próprio autor

Uma segunda analise pode ser feita fazendo relação entre torque e potência conforme
equação abaixo.

 2π 
TM .ωr =
PN [kW ] = −805 1780. =−150 (4.1)
 60 
O sinal negativo indica, segundo a convenção que o ATPDRAw utiliza, que a máquina
de indução entrega potência para a carga, enfatizando o seu funcionamento como motor.
Na figura 4.8 tem-se o torque em função da velocidade do rotor, pode-se observar que
o torque só atinge o valor máximo entre a velocidade [1600, 1800] rpm.

Figura 4.8- mostra o gráfico de conjugado pela velocidade do motor sob carga nominal
3000

2000

1000

-1000

-2000
0 400 800 1200 1600 2000
(file ideal.pl4; x-var u1:OMEGM) u1:TQGEN
f t 10 1
Fonte: próprio autor
29
4.1 Circuito equivalente por fase do motor de indução.

De acordo com [5] o circuito elétrico por fase do motor de indução trifásico em gaiola
de esquilo é apresentado conforme a figura 4.9

Figura 4.9- Circuito refletido por fase do motor de indução trifásico.

Fonte: (FITZGERALD, JR, & KUSKO, 1975)


sendo:
V1 Tensão aplicada ao enrolamento do estator;
R1 resistência do enrolamento do estator por fase (perda cobre);
X1 reatância de dispersão do estator por fase: X1 =2π f1.L1
X m reatância de magnetização por fase: X m =2π f1.L m
R C perda no núcleo do estator por fase.
X 2 refletido ao estator ⇒ a 2 X 2 =
X2 '
R2 refletido ao estator ⇒ a 2 R2 =
R '2
S escorregamento;
a relação de transformação
R2 (1 − S ) a 2 R2 (1 − S ) R '2 (1 − S )
refletido ao estator ⇒ =
S S S
I2
I2 refletido ao estator ⇒ =
I '2
a2

o aumento da carga mecânica no eixo do motor a velocidade ( nN ) de rotação do rotor

→ 
diminui e o ( S ) aumentar; dessa forma  I 2  aumenta.
 

30
R2  1− S 
A parcela = R2 + R2   , que representa as perdas no cobre ( R2 ) e
s  S 
 1− S 
R2   representa as perdas rotacionais e mecânica.
 S 
As perdas por fase associada ao rotor são dadas por:

 1-S  R 2 2
Protor =Pcobre +Pmec =R 2 .I 2 2 +R 2 .I 2 2  = .I 2 (4.2)
 S  S

 R 2 .I 2 2 
=
Pcobre R=.I
2 2
2
S .  =  S .Protor (4.3)
 S 
 1-S 
Pmec= R 2 .I 2 2  = (1 − S ).Protor (4.4)
 S 

A resistência para representação das perdas no ferro, RC da figura 4.9, não é incluída
no modelo de circuito equivalente utilizado pelo programa ATPDRAw. Para a configuração
dos parâmetros utilizados no modelo UM3, na aba Magnet (figura 3.6), somente são solicitados
os valores de indutâncias de magnetização para os eixos d e q.
Nas máquinas de indução rotativas convencionais, as perdas no ferro com a máquina
operando em regime permanente podem ser atribuídas ao ferro do estator, pois o
escorregamento do rotor em relação ao campo magnético girante é pequeno [1].
Muitos autores omitem essas perdas, considerando somente o circuito simplificado
conforme figura 4.10.
Figura 4.10- circuito simplificado adotado pelo modelo UM3 do ATPDRAw

Fonte: próprio autor


31
Os valores de indutâncias e resistências usadas no cálculo dos dados do circuito da figura
4.10 foram obtidas com o auxílio do Motodat, através da inserção dos dados de fabricante de
acordo com a figura 3.5.
Analisando o circuito da figura 4.10 pode-se obter valores RMS:
ur
ur V
I1 = 1 (4.5)
Z eq

V1∠0º
=
  1 − S   
  R2   + R2 + jX 2  jX M 
 S 
( R1 + jX 1 ) +    
  1 − S   
  R2   + R2 + jX 2  + jX M 
  S   
220∠0º
=
   1 − 0, 0111   
 0, 009376   + 0, 009376 + j 0, 049387  j1, 763229 
   0, 0111   
( 0, 023309 + j 0, 049387 ) +
   1 − 0, 0111   
 0, 009376   + 0, 009376 + j 0, 049387  + j1, 763229 
   0, 0111   
239, 2984008 − j141,9778368 =
278, 2470678∠ − 30, 68º[ A]

ur
I1 corrente no estator.
ur
uur I1. jX M
I2 = (4.6)
 1− S 
jX M + R2   + R2 + jX 2
 S 

=
( 239, 2984008 − j141,9778368) j1, 763229
   1 − 0, 0111   
 0, 009376   + 0, 009376 + j 0, 049387  + j1, 763229 
   0, 0111   
= 244,1241317 - j 24,34686878
= 245,3352027∠ − 30, 68º[ A]
uur
I 2 corrente no rotor.
A corrente no ramo magnetizante é dada pela equação 4.7.
uur ur uur
I 0 = I1 - I 2 (4.7)
= -4,825730900 - j117,=
6309680 117, 729912∠ − 92,3492º[ A]
Na figura 4.10 a corrente de partida no estator é calculada fazendo o escorregamento
( S = 1) tem-se:

32
ur
uur V
I p1 = 1 (4.8)
Z eq
V1∠0º
=
( R1 + jX 1 ) +
{[ R2 + jX 2 ] jX M }
{[ R
2 + jX 2 ] + jX M }

220∠0º
=
( 0, 023309 + j 0, 049387 ) +
{[0, 009376 + j 0, 049387] j1, 763229}
{[0, 009376 + j 0, 049387] + j1, 763229}
= 671,9070248 − j 2035,177835
= 2143, 22∠ − 71, 729º[ A]
logo aplicando o teorema da divisão de corrente tem-se a corrente de partida no rotor é
dado por:
uur
uuur I p1. jX M
I p2 = (4.9)
jX M + ( R2 + jX 2 )

=
( 671,9070248 − j 2035,177835) j1, 763229
j1, 763229 + ( 0, 009376 + j 0, 049387 )
= 2084, 6565∠ − 70,992º[ A]

O motivo do alto valor da corrente no rotor é pelo fato do motor está partindo em partida
direta e o mesmo está sob carga no seu eixo.
O fator de potência do motor é dado pelo cos(θ ) , sendo θ o ângulo da impedância

equivalente “vista” pela tensão de alimentação do estator (V1 ) , logo tem-se:


ur
V1
Z eq = ur (4.10)
I1

220∠0º
= = 0, 79066∠30, 68º [ Ω ]
278, 2470678∠ − 30, 68º
cos(30, 68º ) = 0,86
A potência ativa demandada pelo motor é dada por:

P3φ = 3VL I L cos (θ ) (4.11)

= 3.380.278, 247.0,86 157, 49 [ kW ]


=

33
sendo:
VL tensão entre fase-fase de alimentação do motor
IL corrente de linha do circuito de alimentação do estator
cos ( θ ) fator de potência do motor
P3φ potência trifásica

A potência reativa demandada pelo motor é dada por:

Q3φ = 3VL I L sen (θ ) (4.12)

= 3.380.278, 247.0,5 91,568 [ kvar ]


=

Portanto, de acordo com a analogia eletromecânica adotada pelo programa ATPDRAw,

a potência referente às perdas mecânicas e suplementares ∆Pmec = ( Pmec + Psup ) é determinada

na equação abaixo [3]:

(ω )
2

∆Pmec =r (4.13)
R
2
  2π  
1780  60  
 
= = 7,5026 [ kW ]
4, 631084823

Onde (ωr ) é a velocidade angular desenvolvida em regime permanente pelo rotor da

máquina de indução e ( R ) é a resistência que representa as perdas mecânicas no sistema


modelado.
O modulo da potência útil no eixo do rotor é dado pela equação 4.14.
PO= Pd − ∆Pmec (4.14)

(ωr .TN ) − 7,5026 [ kW ] =


= (186, 40.805) − 7,5026 [ kW ] =
142,5494 [ kW ]

TN torque nominal
O rendimento do motor obtido na simulação é calculado na equação abaixo 4.15,
observar-se que deu um valor aproximado do que consta na tabela 3.2.
PO
η (%
= ) = 90,5133 (4.15)
P3φ
P3φ potência demandada pelo motor.

34
Em simulações no ATPDRAw o valor do rendimento (η ) está relacionado ao valor do

resistor, que representa as perdas mecânicas no sistema em questão.


Logo a corrente nominal é:
P [ kW ]
In = (4.16)
3VL cos(θ)η
150 [ kW ]
= =292,819 [ A ]
3.380.0,86.0,905
sendo:
P [ kW ] potência nominal do motor
VL tensão de entrada
cos(θ) fator de potência
η rendimento
As perdas joule no estator podem ser calculadas conforme a equação 4.17, desprezando-
se as perdas no núcleo do estator referentes a resistência 𝑅𝑅𝐶𝐶 da figura 4.9.
𝑃𝑃𝑒𝑒 = 3. 𝑅𝑅1 . (𝐼𝐼1 )2 (4.17)
= 3.0,0233309.2782 = 5404,238 [𝑊𝑊]
Assim, a potência transferida do estator ao rotor através do entreferro, 𝑃𝑃𝑔𝑔 , é igual o
valor da potência ativa demandada pelo motor menos as perdas no estator:
𝑃𝑃𝑔𝑔 = 𝑃𝑃3∅ − 𝑃𝑃𝑒𝑒 = 157,49 [𝑘𝑘𝑘𝑘] − 5,404238 [𝑘𝑘𝑘𝑘] = 152,0858 [𝑘𝑘𝑘𝑘] (4.18)
As perdas por efeito joule no rotor são determinadas conforme equação 4.19:
𝑃𝑃𝑟𝑟 = 3. 𝑅𝑅2 . (𝐼𝐼2 )2 = 3.0,009376.245,332 = 1692,93 [𝑊𝑊] (4.19)
A potência mecânica desenvolvida no eixo do rotor, 𝑃𝑃𝑑𝑑 , será igual ao valor da potência
transferida do estator ao rotor menos a potência dissipada no próprio rotor:
𝑃𝑃𝑑𝑑 = 𝑃𝑃𝑔𝑔 − 𝑃𝑃𝑟𝑟 = 152,0858 [𝑘𝑘𝑘𝑘] − 1,69293 [𝑘𝑘𝑘𝑘] = 150,3928 [𝑘𝑘𝑘𝑘] (4.20)

5 Revisão do estado da arte do motor de indução operando com tensões desequilibradas

Como todo trabalho de pesquisa, este se iniciou com um levantamento bibliográfico


sobre o motor elétrico de indução. Diversos assuntos relacionados ao desequilíbrio de tensão
em motores elétricos de indução trifásico (MIT), através do qual obteve-se um conjunto de
informações que orientam sobre diversos trabalhos de pesquisa e avanços do conhecimento. Na
sequência apresenta-se uma síntese dos trabalhos considerados mais relevantes.

35
[13], realizaram um dos primeiros estudos do motor de indução, operando com tensão
desequilibrada. O método utilizado foi o das componentes simétricas, e eles concluíram que a
rendimento do motor diminui sob tensões desequilibradas devido à divergência dos torques
gerados pelas tensões de sequência positiva e negativa.
[14], realizou uma avaliação quantitativa das perdas num motor sob vários níveis de
tensões desequilibradas utilizando o método de componentes simétricas. O processo é dividido
em 5 (cinco) etapas:
• Determinação das componentes de sequência positiva e negativa das tensões,
utilizando método gráfico;
• Cálculo das impedâncias de sequência positiva e negativa do motor;
• Determinação das componentes de sequência positiva e negativa das correntes;
• Avaliação das três correntes de linha das componentes;
• Determinação das perdas no motor.
A partir destas avaliações, foi definida a equação 5.1 para o cálculo das perdas no motor
provocadas pelas componentes de sequência negativa:
2
V − 
= Perdas 3  −A0   Z − cos θ − ( ) ( 2 − S ) − (1 − S ) R 
1 (5.1)
 Z 
sendo:
V − A0 − tensão sequência negativa [V ]
Z− impedância de sequência negativa [ Ω ]
cos θ − fator de potência de sequência negativa
S escorregamento
R1 resistência do estator [ Ω ]

As conclusões que [14] chegou foram que a carga no eixo do motor não interfere nas
perdas devido ao desequilíbrio das tensões; que pequenos desequilíbrios nas tensões provocam
elevados desequilíbrios nas correntes de linha.
[15], realizou uma pesquisa sobre o comportamento da temperatura em um motor
operando com tensões desequilibradas, onde foram realizados testes em um motor de indução
trifásico de 10HP, 220V, 6 polos, ligado em triângulo. Sua conclusão foi que quanto maior o
desequilíbrio de tensão, maior era o aumento de temperatura no motor de indução trifásico e
que este aquecimento era devido principalmente às perdas no cobre dos enrolamentos do motor.
[16] realizaram testes com motores de indução trifásicos, operando com tensões
desequilibradas, com o objetivo de definir uma expressão para calcular a potência reduzida do

36
motor, nestas condições, denominado em inglês como derating. Os testes foram realizados
com três motores de 5HP, 220V, 1800rpm, ligados em Y, onde foi determinada a taxa de
elevação de temperatura dos motores, com as temperaturas sendo medidas pela variação da
resistência do enrolamento e com termopares.
A expressão definida foi:
  1 − S   '  1 − S 
( ) ( )
2 2
=P  I ' r1 R ' r1   −  I r 2 R 'r 2   (5.2)
  S    2 − S 
sendo:
I 'r1 corrente no rotor de sequência positiva [ A]
I 'r 2 corrente no rotor de sequência negativa [ A]
R 'r1 resistência do rotor de sequência positiva [ Ω ]
S escorregamento
R 'r 2 resistência do rotor de sequência negativa [ Ω ]

[17] demonstrou que os efeitos prejudiciais da tensão desequilibrada na operação do


motor de indução polifásico podem ser obtidos a partir da decomposição das componentes de
sequência positiva e negativa. À medida que o desequilíbrio de tensão aumenta, a tensão de
sequência positiva diminui e a de sequência negativa, aumenta. Ambas as variações são
prejudiciais ao bom funcionamento do motor.
No trabalho [17] foi mostrada na figura 5.1 o comportamento das perdas no motor e do
aquecimento em função do desequilíbrio da tensão.

Figura 5.1- Comportamento do aquecimento e das perdas no motor em função dos desequilíbrios de
tensões.

Fonte: (Woll, 1975).

37
[18] investigou os efeitos de diferentes tensões desequilibradas com o mesmo fator de
desequilíbrio de tensão (VUF – Voltage Unbalanced Factor) no desempenho de um motor
trifásico, e seus efeitos no sistema de alimentação. Para isto, foi realizado um teste de carga
para medir o desempenho de um motor de indução trifásico sob oito condições diferentes de
desequilíbrio de tensões:
• Desequilíbrio de subtensão numa única fase (1φ − V )

• Desequilíbrio de subtensão em duas fases ( 2φ − V )

• Desequilíbrio de subtensão em três fases ( 3φ − V )

• Desequilíbrio de sobretensão numa única fase (1φ − V )

• Desequilíbrio de sobretensão em duas fases ( 2φ − V )

• Desequilíbrio de sobretensão em três fases ( 3φ − V )

• Desequilíbrio no ângulo de fase numa única fase (1φ − A )

• Desequilíbrio no ângulo de fase em duas fases ( 2φ − A )

Um dos resultados do trabalho de [18] foi que para um mesmo fator de desequilíbrio, o
aumento da tensão de sequência positiva provoca um aumento no rendimento e uma diminuição
do fator de potência do motor. Outra conclusão foi que o comportamento do aumento de
temperatura no motor era diferente para cada condição de desequilíbrio de tensões, sendo que
os casos de desequilíbrio com subtensões provocavam maiores aumentos de temperatura. Além
disto, o autor verificou que o desequilíbrio de tensões no motor não só provoca a perda de
potência, como também o aumento no consumo de energia, provocando instabilidade de sistema
de alimentação.
[19] verificou que o motor de indução operando com desequilíbrio de tensões, tinha seu
fator de potência alterado, provocando o aumento da quantidade de energia reativa exigida, o
que aumentava os valores de correntes do circuito.
[20], concluiu que a estrutura física do rotor “gaiola de esquilo” influencia no
comportamento do motor, em condições de desequilíbrio. Outro resultado desequilíbrio de
tensão afeta as perdas no cobre, o aquecimento, o ruído, a vibração, a pulsação no torque, o
escorregamento e o torque de partida do motor.
[21] realizou uma investigação sobre os efeitos do desequilíbrio de tensões em cargas
industriais trifásicas, onde verificou que o torque eletromagnético de um motor de indução
38
trifásico, alimentado com tensões desequilibradas, em regime permanente, oscila próximo do
valor do torque de carga e que esta oscilação indica a existência de uma componente de 120Hz
no torque eletromagnético. Esta componente pode ser atribuída à existência das componentes
de sequência negativa presentes nas tensões desequilibradas.

5.1 Desequilíbrio de tensão

Para conceituar o desequilíbrio, define-se, primeiramente, o equilíbrio de tensão em um


sistema elétrico constituído por amplitudes iguais e defasagens angulares simétricas de 120°
elétricos. em se tratando de equações, obtém-se (5.3), (5.4) e (5.5) considerando a sequência
positiva (ABC).

VA= VA∠0o [V ] (5.3)

VB= VB ∠240o [V ] (5.4)

VC= VC ∠120o [V ] (5.5)

sendo:
- - -
VA , VB , VC são fasores de tensão com módulos iguais e defasagens
angulares de 120o elétricos entre si;
VA , VB , , VC são módulos dos fasores de tensão.

O desequilíbrio ocorre quando há uma diferença entre módulos dos fasores (corrente ou
tensão) e/ou não estão mais defasadas de 120 graus.
De acordo com [22] as principais causas de desequilíbrio de tensão são:
• Distribuição irregular de cargas elétricas;
• Sobrecarga em uma das fases;
• Falhas em bancos de capacitores, tal como um rompimento de fusível em uma das
fases;
• Desigualdade nas impedâncias dos enrolamentos dos transformadores;
• Bancos de transformadores com ligação em triângulo aberto;
• Grandes cargas monofásicas reativas;
• Deformidade nos contatos elétricos.

5.1.1 Normas relativas ao desequilíbrio de tensão


39
Antes de serem apresentadas as soluções para desequilíbrios de tensão, serão
apresentados os limites permissíveis dos desequilíbrios de tensão em sistemas elétricos
definidos por normas, nacional e internacionais. Estes valores constituem-se como indicadores
da necessidade ou não de se adotar medidas de mitigação, de modo a se respeitar a normalização
vigente. Estes limites estão apresentados na Tabela 5.1.
Tabela 5.1- Limites permissíveis para desequilíbrios de tensão

Fonte: (Filho, 2008)


O PRODIST (Procedimentos de Distribuição) é um documento elaborado pela ANEEL
e normatiza e padroniza as atividades técnicas relacionadas ao funcionamento e desempenho
dos sistemas de distribuição de energia elétrica. Este documento é dividido em 9 módulos e
uma cartilha. No Módulo 8, que versa sobre Qualidade da Energia Elétrica, é apresentado o
subitem 5.6.1, que diz: “O valor de referência nos barramentos do sistema de distribuição, com
exceção da BT, deve ser igual ou inferior a 2%. Esse valor serve para referência do
planejamento elétrico em termos de qualidade de energia elétrica (QEE).

5.1.2 Métodos de cálculo para o desequilíbrio de tensão

Dentre muitas maneiras de obter o fator de desequilíbrio como método de CIGRÉ,


componentes simétricas, NEMA e método IEEE, nesse trabalho será abordado apenas o método
das componentes simétricas.
O método das componentes simétricas baseia-se na decomposição dos fasores
desequilibrados em três subsistemas equilibrados. Esses são formados por:
• Componentes de tensão de sequência positiva;
• Componentes de tensão de sequência negativa;
• Componentes de tensão de sequência zero.

40
Esses são arranjados matematicamente de acordo com a matriz de Forstecue, definida
por (5.6).

uur uur
V0  1 1 1  ab 
V
 ur  1    uur 
V1  = 1 a a 2  . Vbc  (5.6)
 uur  3  2   uur 
V2  1 a a  Vca 

sendo:
• a fasor igual 1∠120º ;
uur ur uur
V0 , V1 e V2 fasores de tensões de sequências zero, positiva e negativa,

respectivamente.
uur uur uur
• Vab ,Vbc , Vca , fasores de tensões entre fases.
Por este método o fator de desequilíbrio calculado como em (5.7).
V2
VUF (%) = .100 (5.7)
V1

sendo:
• VUF, cuja sigla significa Voltage Unbalance Factor, é o fator de desequilíbrio;
• V1 e V2 modulos das tensões de sequências positiva e negativa respectivamente.

O VUF, chamado pela comunidade acadêmica de fator de desequilíbrio, pode ser


aplicado tanto com tensões de linha quanto de fase, inexistindo diferenças entre os valores
obtidos.

5.1.3 Efeitos do desequilíbrio de tensão

Segundo [23] os desequilíbrios de tensão ou corrente podem causar vários problemas as


maquinas elétricas principalmente em motores elétricos, problemas estes dentre os quais cita-
se:
• Surgimento de correntes de sequência negativa a qual causa fadiga mecânica na
máquina;

41
• Sobreaquecimentos e falhas dos dispositivos de proteção, implicando na redução
da vida útil do MIT;
• Superaquecimento dos condutores acarretando uma maior solicitação do
isolante, o que implica na diminuição da vida útil e no aumento das perdas;
• Torque pulsante devido as correntes de sequência negativa;
• a velocidade de rotação do rotor diminui ligeiramente;
• Corrente de rotor bloqueado: o desequilíbrio desta corrente será da mesma
ordem que o desequilíbrio das tensões;
Com todas essas consequências em virtude de desequilíbrio de tensão o motor não vai
funcionar adequadamente devido ao torque pulsante no eixo do motor.
Um desequilíbrio de 2% nas tensões tornará as correntes 17% desbalanceadas e causará
uma elevação de temperatura de 65° (quando normalmente seria de 40°) como mostra a figura
5.2:

Figura 5.2- temperatura em função dos desequilíbrios de tensão e corrente (%)

Fonte: (Belchior, 2011)

Na tabela 5.2 tem-se a redução de vida útil do motor de indução em consequência da


elevação de temperatura.

42
Tabela 5.2- redução da vida útil em motores de indução em consequência da elevação de temperatura.

Fonte: (Belchior, 2011) adaptada


Diante de tal questão de desequilíbrio de tensão, a vida útil do motor diminui
substancialmente com a elevação de temperatura como mostrado na tabela 5.2. Mas a vida útil
do motor pode ser estimada através da solução da equação diferencial de Arrhenius que é
apresentada da seguinte maneira:
E Δθ 
-  
k  θ nom ( θ nom +Δθ ) 
λ=λ nom .e (5.8)
sendo:
λ tempo de vida útil do motor;
λ nom tempo de vida útil nominal;
Δθ acréscimo de temperatura;
θ nom temperatura nominal do motor em ( K ) ;
k constante de Boltzmman=0,86.10-4 [ eV ] ;
E energia de ativação;

5.2 Modelagem matemática com do motor de indução com fator de desequilíbrio de


tensão de até 15%.

O estudo do motor de indução trifásico operando com tensões desequilibradas, é


realizado empregando técnicas no domínio da frequência, e para isso, necessariamente deve-se
recorrer a decomposição das tensões de alimentação do mesmo em componentes simétricas,
isso significa que o estudo dessa máquina operando nessas condições é feito de forma
uur uur
independente em tensões de sequência negativa (V − ) sobreposta às de sequência positiva (V + )
partir desse princípio o motor de indução operando com tensões desequilibradas é representado
por dois circuitos, um para rede de sequência positiva e outro para rede de sequência negativa,

43
isso se deve porquê o comportamento físico do motor é especifico de acordo com a rede de
sequência, a omissão das redes de sequência zero se devem ao fato que o motor estar operando
com a ligação em estrela flutuante (não aterrado). Nestas condições, embora possam existir
tensões de sequência zero, as correntes resultantes serão nulas, devido ao fato de não existir
caminho para circulação destas correntes, consequentemente, as componentes de sequência
zero do fluxo magnético se anulam no entreferro para a máquina simétrica, não produzindo
nenhum efeito no rotor.
Segundo [24] devem serem tomadas algumas considerações quando se trata da
determinação das características operacionais do motor de indução submetido a tensões
desequilibradas.
• Motor é considerado como sendo uma carga linear, ou seja, os efeitos da
saturação do circuito magnético são desprezados;
• Enrolamentos do estator e rotor são perfeitamente simétricos, o que significa
uma mesma relação entre tensão e corrente para as três fases;
• Tensões totalmente senoidais;
• Entreferro da máquina é totalmente uniforme.
Respeitando as considerações de [24] e retomando para o tema central dessa
monografia, nesse momento, consiste em avaliar o comportamento do motor de indução voltado
para potências elétricas, perdas elétricas, conjugado desenvolvido, rendimento e fator de
potência, procede-se ao equacionamento do motor tendo como base os circuitos equivalentes
para sequência positiva e negativa.
O motor de indução operando com fator de desequilíbrio de até 15% a reatância de
magnetização do núcleo magnético é igual para o motor operando em condições de equilíbrio
[24]. Os problemas causados ao motor de indução devido aos desequilíbrios de tensão são
causados pelas redes de sequência negativa na qual tem total influência sobre o circuito do
rotor, ou seja, logo os parâmetros do circuito do estator são iguais tanto em redes de sequência
positiva, negativa e em condições normais de funcionamento. Nas figuras (5.3) e (5.4) tem-se
os circuitos equivalentes para as redes de sequência positiva e negativa respectivamente.

44
Figura 5.3- circuito de sequência positiva monofásico do motor de indução

Fonte: (HOLLANDA, 2012)

Figura 5.4- circuito de sequência negativa monofásico do motor de indução

Fonte: (HOLLANDA, 2012)

Como pode observar a impedância do rotor da rede de sequência positiva é distinta da


impedância do circuito da rede de sequência negativa.
uur
Para a rede de sequência positiva tem-se que a impedância equivalente vista por (V + ) é
dado por:

+ Z m .Z + R
Z eq= Z s + (5.9)
Zm + Z + R
Determinada à impedância equivalente do motor, é possível calcular a corrente, por fase,
absorvida pelo motor, assim tem-se:
ur
uur V
I s + = +1 (5.10)
Z eq
A tensão, por fase, induzida no enrolamento do estator pelo campo magnético girante
síncrono no entreferro resultante dos campos produzidos pelas correntes do estator e do rotor,
se relaciona com a tensão aplicada ao estator através de:
uuur uuur uuur
+ + +
E=m VS − Z S IS
. (5.11)
E a corrente no rotor:

45
uuur uuur
uuur E + I S + .Z m
+
=
IR =m
(5.12)
Z + R Z + R + Zm
Como já apresentado o circuito de sequência positiva, o passo seguinte consiste em
determinar as grandezas associadas ao motor alimentado pelas componentes de sequência
negativa com tensões desequilibradas. Para isso, emprega-se o circuito mostrado na Figura 5.4.
Ao se avaliar o motor de indução trifásico operando com tensões desequilibradas, a
estratégia consiste em, após o estudo com tensões de sequência positiva, sobrepor a esta, a
resposta do motor alimentado com tensões de sequência negativa. Nessas condições
operacionais, o fenômeno físico que deve ser ressaltado é o fato de o campo magnético girante
produzido pelas tensões de sequência negativa girar à mesma velocidade, porém em direção
oposta à do campo girante principal, o qual é oriundo das componentes de tensão de sequência
positiva. Portanto os sentidos de rotação do motor e do campo magnético de sequência negativa
são opostos [24], ou seja:

ω+s =
−ω + s =
ω −s (5.13)
sendo:

ω + s velocidade angular do campo magnético girante de seqüência positiva;


ω − s velocidade angular do campo magnético girante de seqüência negativa.
Estando o rotor girando com um escorregamento (s) em relação à velocidade ω + s , o
escorregamento de sequência positiva é obtido pela relação:
(n1 - n) n
S+ = = 1- (5.14)
n1 n1
Reorganizando tem-se:
n
= (1 − s + ) (5.15)
n1
O escorregamento de sequência negativa é dado por:
(n1 - (-n)) (n1 + n) n
S− = = = 1+ (5.16)
n1 n1 n1
Substituindo (4.15) em (4.16), tem-se (4.17).
s −= 2 − s + (5.17)
A análise do motor operando com tensões desequilibradas é realizada analisando os
circuitos das figuras (5.3) e (5.4), ou seja, é como se fosse dois motores independentes o de

46
sequência positiva operando com escorregamento contido na equação (5.14) e o de sequência
negativa operando de acordo com o escorregamento da equação (5.17), ambos alimentados com
tensões de sequência positiva e negativa, respectivamente.
Quanto ao enrolamento do rotor, devido ao fato dos parâmetros sofrerem variações
significativas, com a frequência da corrente induzida, a impedância é efetivamente diferenciada
quando da análise com tensões de sequência negativa. A equação (5.18) permite obter o valor
desta impedância:

− R−R
=
Z + jX R − (5.18)
2−s
R

Para a análise do circuito de sequência negativa é usado o mesmo raciocínio aplicado


no circuito de sequência positiva, dessa forma a impedância equivalente vista pela tensão de
sequência negativa é dado por:
Z m .Z − R
Z − eq= Z s + (5.19)
Zm + Z −R
E a corrente no estator:
ur
uur V
I s + = +1 (5.20)
Z eq
A determinação da corrente que circula no enrolamento do rotor pode ser obtida através
de um divisor de corrente ou calculando-se a tensão induzida, de sequência negativa, no estator
e, posteriormente, calcular a referida corrente.
uuur uuur uuur
− − −
E=m VS − Z .
S IS (5.21)
E a corrente no rotor:
uuur uuur
uuur E − I S − .Z m

=
IR =m
(5.22)
Z −R Z −R + Zm
Considerando as equações apresentadas até o momento, a próxima etapa consiste em
avaliar as perdas no motor operando com desequilíbrio de tensão.
Parte do equacionamento que trata das perdas em situações de desequilíbrio estão
apresentadas nas equações (5.25) e (5.26). Cumpre ressaltar, que as perdas no núcleo são
consideradas praticamente constantes, até um nível máximo de desequilíbrio da ordem de 15%
[25].
A potência eletromagnética transferida para o rotor, a menos das perdas na resistência
das barras do mesmo, é obtida pela equação (5.23):
47
( ) ( )
uur 2  1 − S  uur 2  1 − S 
=P 3RR+ I R+ .   − 3 R −
R IR

.  (5.23)
 S   2−S 
Segundo [25] conjugado desenvolvido pelo motor, submetido a tensões desbalanceadas
pode ser determinado em função das grandezas e dos parâmetros presentes nos circuitos
equivalentes de sequência positiva e negativa, assim tem-se:

=Cedeseq
2π N S
( )
I R . −
 S  2π N S
( )
180 uur+ 2  RR+  180 uur− 2  RR− 
I R . 
 2−S 
(5.24)

Fica evidenciada, pela equação (5.24), a presença de um conjugado contrário no eixo do


rotor, devido a presença de correntes de sequência negativa. Considerando-se que a carga
mecânica se mantém constante e igual à nominal, o efeito imediato é um leve aumento na
corrente de sequência positiva no estator para compensar o conjugado negativo com
consequente aumento do escorregamento [25].
Finalmente, é importante salientar os reflexos dos desequilíbrios nas perdas adicionais.
De acordo com observações anteriores, a obtenção destas perdas, de forma analítica, exige o
conhecimento das dimensões físicas e construtivas do motor. Assim, de acordo com [24], o que
se observa nas literaturas pesquisadas são proposições de equações empíricas as quais fornecem
valores aproximados. Dentre as diversas referências que tratam, especificamente, do assunto,
há uma, a qual será utilizada, que apresenta duas equações onde as perdas adicionais são
proporcionais à corrente no rotor e, subdivididas entre o estator e rotor.
 uur+  2  uur−  2 
IR IR 
= PadS des  uu r  +  uur  .P .0, 25 (5.25)
 I R   I R   ad
 

 uur+ 2 
uur 2 
I I R−  
PadRdes  uu
= r  + 2  uu
R
r  .P .0, 75 (5.26)
 I R   I R   ad
  

sendo:
Pad Perdas adicionais para a alimentação equilibrada;
PadS des Perdas adicionais no estator para alimentação desequilibrada;
PadRdes Perdas adicionais no rotor para alimentação desequilibrada.

As equações (5.25) e (5.26) fornecem as perdas que devem ser adicionadas àquelas
dissipadas no enrolamento do estator e nas barras do rotor. Os fatores 0,25 e 0,75 indicam que
25% estão associadas ao estator e o restante, 75%, são oriundas do rotor. O valor 2 contido na
raiz da equação (5.26) leva em consideração o aumento da frequência dos sinais elétricos nas

48
barras do rotor para as componentes de sequência negativa. Adicionalmente, vale lembrar que
os valores das perdas adicionais são uma porcentagem daquelas obtidas em condições de
operação nominal do motor [24].

6 Determinação dos parâmetros de dos circuitos, de sequência positiva e negativa


para uma situação especifica.

Foi aplicado um esforço considerável ao longo de anos para expressar as relações de


potência da forma mais simples possível. Os engenheiros de sistemas de potência criaram o
termo potência complexa para determinar o efeito total das cargas em paralelo. A potência
complexa é importante na análise de potência por conter todas as informações pertinentes à
potência absorvida por uma determinada carga [26].
A potência complexa S absorvida pelo motor em sistemas desequilibradas (analise
independente por fase) é o produto da tensão e do conjugado complexo da corrente em valores
RMS, ou seja,
S1φ = VRMS .I RMS
*
(6.1)

Onde:
Vm
=
VRMS = VRMS ∠θ v
2 (6.2)

Im
=
I RMS = I RMS ∠θi (6.3)
2
Logo pode-se rescrever a equação (6.1) como:
S1φ VRMS .I RMS ∠(θ v − θi )
=
(6.4)
= VRMS .I RMS .cos(θ v − θi ) + j.VRMS .I RMS .sen(θ v − θi )

As impedâncias equivalentes dos circuitos monofásicos que compõem o motor de


indução trifásico podem serem obtidas da seguinte maneira:
VRMS
Z= ∠(θ v − θi ) (6.5)
I RMS

Portanto, VRMS = Z .I RMS . Substituindo essa equação em (6.1), resulta em


2
VRMS
=S Z=
.I VRMS=2
.I
RMS
*
RMS (6.6)
Z*
Uma vez que Z= R + jX , a equação (5.6) fica

49
S= 2
I RMS ( R + jX ) =P + jQ (6.7)
Onde P e Q são as partes reais e imaginárias da potência complexa, ou seja,
=P I=
2
RMS .R VRMS .I RMS .cos(θ v − θi ) (6.8)

=Q I=
2
RMS . X VRMS .I RMS .sen(θ v − θi ) (6.9)
A potência real P é a potência média em watts liberada para uma carga; ela é a única
potência útil e a potência real dissipada pela carga. A potência reativa Q é uma medida de troca
de energia entre a fonte e a parte reativa da carga. Os elementos armazenadores de energia não
dissipam nem absorvem energia, mas trocam energia (recebendo-a e fornecendo-a) com o
restante do circuito. Da mesma forma, a potência reativa é transferida (nos dois sentidos) entre
a carga e a fonte, pois representa uma troca sem perdas entre a carga e a fonte. Podemos escrever
quer:
• Q = 0 para cargas resistivas ( cos(θ ) unitário).
• Q<0 para cargas capacitivas ( cos(θ ) adiantado).

• Q>0 para cargas indutivas ( cos(θ ) atrasado).


Um gráfico de p(t) a partir da equação (6.10) é mostrado na Figura (6.1), onde
T = 2π / ω é o período da tensão/corrente. Observa-se que p(t) é periódica, e seu período é
T0 = T / 2 , uma vez que sua frequência é o dobro da tensão ou da corrente. Observa-se também
que p(t) é positiva em parte de cada ciclo e negativa no restante do ciclo. Quando p(t) é positiva,
a potência é absorvida pelo circuito. Quando p(t) é negativa, a potência é absorvida pela fonte;
isto é, a potência é transferida do circuito para a fonte. Isso é possível em razão dos elementos
de armazenamento (indutores) no circuito no motor de indução tratado.
1 1
=p (t ) Vm I m cos(θ v − θi ) + Vm I m cos(2ωt + θ v + θi ) (6.10)
2 2

Figura 6.1- potência instantânea p(t) em um circuito RL.

50
Fonte: (Alexander & sadiku , 2013)
Na figura 6.2 é mostrado a potência instantânea do motor de 150[kW] em situação de
desequilíbrio de tensão.
Figura 6.2- potências instantâneas p(t) nas fases (ABC) em um circuito RL.
100

*10 3

80

60

40

20

-20

-40
19,408 19,418 19,428 19,439 19,449 19,460 [s] 19,470
(file ideal.pl4; x-var t) v:X0001A*u1:IPA v:X0001B*u1:IPB v:X0001C*u1:IPC
f t 1 05 05 05
Fonte: próprio autor

Até o momento foi equacionado uma série de questões voltadas para a situação de
desequilíbrios de tensões e correntes no motor elétrico de indução, e evidenciamos as suas
consequências em virtude de tais anormalidades. De início nessa monografia o motor foi
alimentado conforme os dados da tabela (3.2), as tensões de alimentação do motor dadas por:
uur
Vab= 1, 2∠0º [ pu ] (6.11)
uur
Vbc = 1∠240º [ pu ] (6.12)
uur
Vca = 1∠120º [ pu ] (6.13)

O fator de desequilíbrio de tensão para a condição das tensões dadas em (6.11), (6.12)
e (6.13) é obtido usando o método das componentes simétricas como mostra as equações (6.14)
e (6.15).

uur uur
V0  1 1 1  ab 
V 1 1 1   456∠0º 
 ur  1    uur   
1 a a 2  380∠240º 
1
=V1  =
1 a a 2  Vbc  
 uur  3  2   uur 
3
1 a 2 a  380∠120º 
V2  1 a a  Vca    (6.14)

51
uur
V0   25,34∠0º 
 ur   405,34∠0º 
=
V1   
 uur   25,39∠ − 2,10º 
V2 

V2
=
FD(%) = 6, 26 (6.15)
V1

O valor das potências reativas Q foram em todas as fases maiores que zero (Q>0)
como mostra a figura (6.3), ou seja, isso significa que estamos tratando de circuitos indutivos.
Figura 6.3- potências reativas demandadas pelo motor nas fases ABC
700

*10 3

600

500

400

300

200

100

0
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) m:Q_A m:Q_B m:Q_C

Fonte: próprio autor

Na figura (6.4) é mostrado o valor das grandezas ( I RMS , P, Q, VRMS e φa ) referentes a


fase A.

52
Figura 6.4- correntes rms, potências ativas e aparente da fase A
700

*10 3

600

500

400

300

200

100

0
0 4 8 12 16 [s] 20
(file ideal.pl4; x-var t) m:P_A m:Q_A m:VRMS_A m:IRMS_A m:FI_A

Fonte: próprio autor

Logo o valor da impedância e corrente máxima da fase A é dado por:


P 69.934
=R = = 0, 4636 Ω (6.16)
I RMS 388,392
2

Q 74.312
=
X = = 0, 4926 Ω (6.17)
I RMS 388,392
2

ZA =0, 4636 + j 0, 4926 =0, 6764∠46, 738º [ Ω ] (6.18)

S1a 69.934 + j 74.312


*
=
I RMS ( A) = = 388,3851∠46, 7384 [ A] (6.19)
VRMS 262, 74

I RMS ( A) 388,3851∠ − 46, 7384 [ A]


= (6.20)

=I m 388,3851. 2∠ − 46,
= 7384 549, 2594∠ − 46, 7384 [ A] (6.21)

O mesmo raciocínio foi usado para as fases B e C.


Fase B:
P 18.589
=R = = 0,9345 Ω (6.22)
I RMS 141, 042
2

Q 24.707
=
X = = 1, 2420 Ω (6.23)
I RMS 141, 042
2

ZB =0,9345 + j1, 2420 =1,5543∠53, 044º [ Ω ] (6.24)

S1b 18.589 + j 24.707


*
=
I RMS ( B) = = 141, 0411∠53, 043 [ A] (5.25)
VRMS 219, 22

=
I RMS ( B ) 141, 0411∠ − 53, 043 [ A] (6.26)
53
= 53, 043 199, 4623∠ − 53, 043 [ A]
I m 141, 0411. 2∠ −= (6.27)

Fase C:
P 70.600
=R = = 0, 6675 Ω (6.28)
I RMS 325, 222
2

Q 8.761, 4
=
X = = 0, 0828 Ω (6.29)
I RMS 325, 222
2

Z C =0, 6675 + j 0, 0828 =0, 6726∠7, 0711º [ Ω ] (6.30)

S1c 70.600 + j8.761, 4


*
=
I RMS (C ) = = 325, 2186∠7, 0742 [ A] (6.31)
VRMS 218, 75

=
I RMS ( C ) 325, 2186∠ − 7, 0742 [ A] (6.32)

= 7, 0742 459,9285∠ − 7, 0742 [ A]


I m 325, 2186. 2∠ −= (6.33)

As redes de sequência para as impedâncias das fases ABC são determinadas da seguinte
maneira:
 Z0  1 1 1   Z an  1 1 1  0, 6764∠46, 738º 
  1 2  1 2 
= Z1  3= 1 a a   Z bn  3 1 a a  1,5543∠53, 044º  (6.34)
 Z 2  1 a 2 a   Z cn  1 a 2 a  0, 6726∠7, 0711º 
   

Resultando em:
 Z 0  0,92∠41,34º 
  0, 45∠177, 49º  Ω
 Z1  =  [ ]
 Z 2  0, 26∠ − 30,86º 

As impedâncias em (6.35) são equivalentes (vistos pelas tensões no estator do motor).

6.1 Analise dos parâmetros do motor operando com desequilíbrios de tensão e correntes

Como já citado no decorrer dessa monografia que pequenos desequilíbrios na tensão


de alimentação do motor causam desequilíbrios significativos nas correntes das fases ABC e
essa é a causa dos aquecimentos no motor, nas tabelas (6.1) e (6.2), tem-se dois casos
específicos no qual o fator de desequilíbrio de tensão está de acordo com o módulo 8 (oito) do
PRODIST. Em todos os casos simulados e analisados como mostra a tabela (5.1) as correntes
Rms’s não tem um padrão especifico de comportamento, assim como os demais parâmetros.

Tabela 6.1- casos simulados

54
fonte: próprio autor

Tabela 6.2- casos simulados

fonte: próprio autor


dado que:

Vab(pu) tensão Rms entre as fases A e B


Vbc(pu) tensão Rms entre as fases B e C
Vca(pu) tensão Rms entre as fases C e A
Ia(pu) corrente Rms na fase A
Ib(pu) corrente Rms na fase B
Ic(pu) corrente Rms na fase C
FDv% fator de desequilíbrio percentual de tensão
FDi% fator de desequilíbrio percentual de corrente
Cos(Øa) fator de potência referente ao circuito da fase A
Cos(Øb) fator de potência referente ao circuito da fase B
55
Cos(Øc) fator de potência referente ao circuito da fase C
Qa(pu) potência reativa referente ao circuito da fase A
Qb(pu) potência reativa referente ao circuito da fase B
Qc(pu) potência reativa referente ao circuito da fase C
Pa(pu) potência ativa referente ao circuito da fase A
Pb(pu) potência ativa referente ao circuito da fase B
Pc(pu) potência ativa referente ao circuito da fase C
W(rad/s) velocidade de giro do rotor do motor
Te conjugado eletromagnético
Obs.: todos os valores das tabelas (6.1) e (6.2) estão pu, com exceção dos
fatores de potências
6.2 Decomposição fasorial das tensões de alimentação do motor e das correntes de linha
do mesmo.

Em primeira análise foi realizado o desequilíbrio de tensão nas fases A, B e C


respectivamente (1.2pu, 1pu e 1pu), foi calculado o valor das redes de sequência para as tensões
de alimentação conforme a equação (6.14), na figura (6.5), tem-se as formas de ondas das
tensões Rms de alimentação do motor.
Figura 6.5- formas de onda das tensões Rms de alimentação do motor

Fonte: próprio autor

de tal forma que:

56
uur
V0   25,34∠ − 0,13º 
 ur   405,34∠0º V
=
V1   
 uur   25,39∠ − 2,10º 
V2 

uur
Vab  1 1  1  1 1  1 
 uur  uur   ur  2  uur      2  
V=bc  V0 1 + V1  a  + V2 =
a  25,34∠ − 0,13º 1 + 405,34∠0º  a  + 25,39∠ − 2,1º  a 
 uur  a   2 a  a 2 
Vca  1   a  1    

Figura 6.6- decomposição fasorial em componentes simétricas da tensão de alimentação do motor


Seq. zero
Fonte: próprio autor
Seq. positiva

Seq. negativa

57
Na figura (6.7) tem-se o valor as formas de onda das correntes de linha medida pelo
ATPDRAw, para condição de desequilíbrio da tensão da fonte de alimentação como mostra a
figura (6.5).

Figura 6.7-correntes rms na rede de alimentação do motor.

Fonte: próprio autor


resultando em:
uur uur
 I0  1 1 1  Ia 
 1 1 1  549,2594∠-46.7384º 
 ur  1    uur  1 
=  I1  = 1 a a 2   Ib  1 a a 2  199,4623∠-53.043º 
 uur  3   u ur  3  
1 a a   459,9285∠-7.0742º 
2 2
 2 
I 1 a a   c 
I
uur
 I0  378∠ − 32,88º 
 ur   203∠ − 73,10º  [A]
 I= 1  
 uur  0,301∠ − 141,59º 
 I 2 

de tal forma que:

uur
Ia  1 1  1  1 1  1 
 uur  uur   ur  2  uur      2  
 I b=  I 0 1 + I1  a  + I 2  a =
 378∠ − 32,88º 1 + 203∠ − 73,10º  a  + 0,301∠ − 141,59º  a 
 uur
1 a  a2  1 a  a2 
 I c         
dado que:

58
uur
I a = corrente rms da fase A medida pelo ATPDRw;
uur
I b = corrente rms da fase B medida pelo ATPDRw;
uur
I c = corrente rms da fase C medida pelo ATPDRw;
uur
I 0 = corrente de sequência zero;
ur
I1 = corrente de sequência positiva;
uur
Seq. zero
I 2 = corrente de sequência negativa;
a = 1∠120º e a 2 = 1∠ − 120º

Figura 6.8- decomposição fasorial em componentes simétricas de corrente de linha do motor


Fonte: próprio autor
Seq. positiva
Seq. negativa

59
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer dessa monografia apresentou-se o equacionamento matemático que


representa o comportamento do motor de indução trifásico (MIT) operando com tensões
equilibradas e desequilibradas. As impedâncias de sequencias com valores negativos obtidas
na seção 6.1 são por se tratar de redes de sequência na qual os seus somatórios resultam nas
impedâncias dos circuitos das fases A, B e C, no qual as mesmas são positivas e conferem
com os valores registrados no medidor contido na figura 3.1.

Ao longo dessa monografia concluiu-se que o desempenho do MIT é fortemente afetado


por uma rede elétrica com problemas de qualidade de energia em especial desequilíbrios de
tensão. Em relação às condições ideais de funcionamento, a presença de desequilíbrios de
tensão contribui fortemente para o aumento das perdas elétricas e magnéticas além de
oscilações de torque. Neste contexto, observou-se que os desequilíbrios de tensão provocam
maiores oscilações de torque e rotação. O aumento das perdas internas implica diretamente
em elevação de temperatura no motor como mostra a figura 5.2 e a equação 5.8, isto
compromete significativamente a vida útil de alguns componentes, como o isolamento por
exemplo. As oscilações de torque, além de impor estresses mecânicos e gerar problemas na
estrutura do motor, afetam eventuais processos industriais acionados pelo MIT. Outro aspecto
de destaque é a amplitude das oscilações de torque eletromagnético e rotação do rotor. Tais
amplitudes são muito maiores para o torque eletromagnético. Sob o ponto de vista econômico,
os problemas acima mencionados apresentam dois aspectos negativos. Primeiramente há um
maior consumo de energia para uma mesma potência útil no eixo. Em segundo lugar há uma
redução na vida útil da máquina, logo a manutenção ou substituição do motor deve ser feita
em menor intervalo de tempo.

8 SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS

• Estudo das características operacionais de um motor de indução submetido à


desequilíbrios de tensão em um sistema real incluindo trafos e considerando
impedâncias dos cabos da rede;
• Estudo dos harmônicos nos motores elétricos submetidos a má qualidade de
energia;
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• Criar models no ATPDRAw para melhor analise dos parâmetros do motor operando
com má qualidade de energia.
• Usar equações diferencias para modelar uma máquina de indução no
MATLAB/simulink levando em consideração desequilíbrios de tensão.

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9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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