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MANUAL PRÁTICO DO ADVOGADO

PRÁTICA FORENSE CIVIL, PENAL E TRABALHISTA


Com Interpretação Legislativa, Jurisprudência e Modelos de Petições
1ª edição informatizada
Revista, ampliada e atualizada de acordo com o novo Código Civil
JÔNATAS MILHOMENS
[Desembargador (aposentado) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro]
GERALDO MAGELA ALVES
[Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros e Diretor do Instituto Ibero-Americano de Direito Público
(Capítulo Brasileiro)]
EDITORA FORENSE
Rio de Janeiro
2003
APRESENTAÇÃO
1. Verificando a falta de um livro de orientação e ajuda ao advogado na fase inicial de sua carreira, a Editora Forense
confiou a tarefa de escrever um manual prático aos doutores Jônatas Milhomens e Geraldo Magela Alves. O primeiro ex-
magistrado, autor de várias obras sobre processo civil; o segundo, advogado, membro efetivo do Instituto dos Advogados
Brasileiros, autor de vários trabalhos jurídicos, dentre os quais a CLT Anotada, com Mozart Victor Russomano e Victor
Russomano Jr., o Novo Código Civil Anotado, com Jorge Franklin Alves Felipe e a CF Anotada e Explicada, com Nelson Nery
Costa.
2. Desempenharam-se perfeitamente bem, os "empreiteiros". Manual Prático do Advogado em poucos anos atingiu várias
edições. Sinal de que a obra, invulgar no conteúdo e na estrutura, preencheu o espaço vazio e que se destinou a publicação.
3. A petição inicial mereceu especial referência. "Ato processual que dá começo à ação" (Frederico Marques); "veículo da
manifestação formal da demanda" (Theodoro Júnior); "peça básica, instrumento para construção e desenvolvimento do
processo" (Calmon de Passos), deve ser redigida com clareza, argumentação lógica, linguagem correta, simples, precisão
terminológica, tanto quanto possível dosada em síntese.
A forma articulada - indicados os itens por algarismos ou letras - dá boa impressão ao juiz, abre caminho a cuidadosa e
descansada leitura.
Os modelos, sintéticos mas eficientes, completam o enunciado nos verbetes.
4. Os profissionais não encontrarão, por certo, dificuldade em manejar o livro e utilizar os modelos. Pelo contrário, devem
ter-se desincumbido facilmente do encargo recebido do cliente no exercício dos jus postulandi. É o que deixa entender o
fervoroso acolhimento do Manual, que agora vem a lume em nova edição revista, aumentada e atualizada de acordo com a
legislação mais recente, inclusive a reforma processual civil (Leis nºs 8.950, 8.951, 8.952 e 8.953, de 13.12.1994, nº 9.079, de
14.07.95, 9.139, de 10.11.95, 9.245, de 26.12.95, 9.756, de 17.12.98, 10.173, de 09.01.01, 10.352, de 26.12.01 e 10.358, de
27.12.01).
De tal modo as inovações transformaram o Código que não será exagero falar na reforma dele.
Buscaram todos elas tornar o processo judicial, que o Código de Processo Civil regula, "ágil e seguro instrumento de
administração da Justiça civil no país. Oxalá, ao propósito das leis corresponda o dos seus aplicadores, porque só deles
dependerá a realização dos objetivos das normas" (Sérgio Bermudes, A Reforma do Código de Processo Civil, Rio de Janeiro,
1995, p. 7).
O objetivo visado pelos encarregados da tarefa revisora não foi outro senão afastar do campo da aplicação prática do
processo civil alguns pontos controversos e alguns embaraços que, desnecessariamente, comprometiam o ideal contido nos
princípios de economia e efetividade do processo.
A metodologia de modernização consistiu - como ressaltou o Ministro Sálvio de Figueiredo, presidente da comissão que
coordenou a revisão - em: a) localizar os pontos de estrangulamento da prestação jurisdicional; b) deixando de lado
divergências de ordem doutrinária ou meramente acadêmicas ..., apresentar sugestões somente de simplificação, agilização e
efetividade (Humberto Theodoro Júnior, As Inovações no Código de Processo Civil, Rio de Janeiro, 1995, p. 2).
Jônatas Milhomens
Geraldo Magela Alves
I. PRÁTICA CIVIL
AÇÃO
1. Conceito. - O conceito de ação, até a metade do século XIX, andou envolvido com o de direito material, subjetivo. Era
um conceito privatístico. Veio de Justiniano o ensinamento de que ação não era mais que o direito de perseguir em juízo o que
nos é devido.
Paula Batista, escritor de talento, pôde asseverar que "as ações são direitos em garantias de outros direitos preexistentes"
(Teoria e Prática do Processo, § 4º). Participa desse entendimento a decantada norma de que a todo direito corresponde uma
ação que o assegura, a qual faz supor inexistir ação sem direito ou direito sem ação.
2. Autonomia do direito de ação. - Suprimida a autotutela, a justiça de mão- própria, a justiça pelas próprias mãos, o
Estado assumiu o monopólio de compor os litígios, de dizer o direito, de aclarar as situações jurídicas, comprometendo-se a
dar a todos (pessoas físicas ou pessoas jurídicas) prestação jurisdicional. Passou a exercer, ao lado da função legislativa, a
função jurisdicional. "A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito" (Constituição Federal,
art. 5º, XXXV).
O direito de ação é, assim, atualmente, considerado autônomo. É direito público, subjetivo, abstrato. Público, porque
assegurado em texto constitucional, como um poder-dever do Estado. Subjetivo, porque exprime faculdade, atribuída a todos
os súditos. Abstrato, porque não vinculado ou subordinado à existência de direito material em concreto. Para exercer esse
direito - de pedir ao Estado prestação jurisdicional - basta a convicção de violência, ou ameaça a direito.
3. Requisitos. - Há requisitos, condições, formalidades, para o exercício da ação.
A jurisdição é inerte. Isto quer dizer que o Poder Judiciário age por provocação, por iniciativa da parte ou do interessado,
não ex officio. "Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e formas
legais", dispõe o Código de Processo Civil (art. 2º). Permanecem resquícios de autotutela no direito positivo. "O possuidor
turbado, ou esbulhado, poderá manter-se, ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo" (Código Civil, art.
502; novo CC, art. 1.210, § 1°, 1ª parte). Outro exemplo é o do penhor legal (arts. 776-780; novo CC, arts. 1.467/1.472). O
mesmo Código dispõe que não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito
reconhecido (art. 160, I; novo CC, art. 188, I).
A regra é, pois, requerer ao juiz a tutela jurídica; as exceções, pouquíssimas.
Jurisdição, processo e ação são três elementos indissoluvelmente ligados e que representam a trilogia dos conceitos básicos
ou fundamentais do processo civil (Theodoro Junior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 52).
Segundo a moderna concepção ora exposta, a ação é meio de conseguir uma sentença de mérito, e submeter-se a uma série
de requisitos, sem os quais não é dado compor os conflitos de interesse muito comuns entre os homens.
Doutrina e leis qualificam esses requisitos em condições da ação e pressupostos processuais.
4. Condições da ação. - Três são as condições da ação: a) possibilidade jurídica do pedido; b) interesse de agir; c)
legitimidade de parte.
Possibilidade jurídica é a exigência de que exista no ordenamento jurídico, in abstracto, a providência pedida pelo autor.
Exemplo: antes da Lei nº 6.515, de 26.12.1977, era impossível demandar, no Brasil, divórcio.
Interesse de agir. Não é qualquer interesse que justifica o acionamento da máquina judiciária. Legitima a propositura de
ação a necessidade de, através do processo, obter a pretensão de um bem da vida. Ninguém pode por mero deleite ou capricho,
verbi gratia, chamar a juízo um sócio para provar que é excelente economista, ou um salafrário.
Legitimidade de parte é adequação do autor ou do réu à titularidade da pretensão formulada ao Judiciário. É a legitimatio
ad causam, ativa ou passiva, conforme se trate daquele que invoca a tutela jurisdicional ou daquele em face do qual a pretensão
levada a Juízo deverá produzir seus efeitos, se acolhida (José Frederico Marques, Manual de Direito Processual Civil, nº 138).
Retenha-se a expressão "em face do qual", empregada para indicar o demandado. Ela significa, segundo moderna doutrina,
que a ação é proposta contra o Estado, na pessoa do magistrado, não propriamente contra o réu.
"Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito, quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a
possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual" (CPC, art. 267, VI).
5. Pressupostos processuais. - Domina o processo moderno a figura da relação processual, criação de juristas alemães.
No processo se contém uma relação processual. Por outras palavras, processo não é apenas uma série de atos realizados por
diversas pessoas e tendentes à prestação jurisdicional num caso concreto, "mas precisamente uma relação entre essas pessoas, a
suscitar reciprocamente a prática de atos tendentes àquele fim. Tal é a relação jurídica processual" (Moacir Amaral Santos,
Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, vol. I, nº 236).
Os pressupostos processuais, subjetivos ou objetivos, são requisitos necessários à existência e validade da relação
processual.
6. Classificação das ações. - Libertados embora dos rigores do Direito Romano, no qual havia, em geral, uma ação
apropriada para cada relação jurídica, os clássicos adotaram copiosa nomenclatura, levando-se em conta a espécie e a natureza
da tutela que se pretende do órgão jurisdicional. Temos, hoje, três espécies de ação: a) ação de cognição ou de conhecimento;
b) ação de execução; e c) ação cautelar.
A primeira - ação de conhecimento - reclama processo regular de amplo conhecimento da causa. O órgão jurisdicional,
através dele, "conhecerá não só a pretensão do autor como a resistência que lhe opõe o réu, isto é, a lide posta em juízo. Trata-
se de processo que conclui por uma sentença, que, declarando quanto à relação entre as partes, atuará a lei à espécie" (Moacir
Amaral Santos, ob. cit., nº 132).
A ação de execução funda-se num título, judicial ou extrajudicial, que tem força de lei. Deflagra, por isso, providências
materiais concretas, hábeis para atuação da lei.
As ações cautelares destinam-se a prevenir o periculum in mora.
O Código de Processo trata desses processos, respectivamente, nos Livros I, II e III.
7. Ação de conhecimento; subdivisão. - A ação de cognição subdivide-se em: a) ação condenatória; b) ação constitutiva; e
c) ação declaratória.
As ações condenatórias, mais comuns, têm por objeto sentença em que se busca não apenas declarar o direito do autor, mas
também impor ao réu uma prestação, a ser por ele cumprida. Diz-se que tendem à formação de um título executivo.
A ação constitutiva, além de declarar o direito da parte, "cria, modifica ou extingue um estado ou relação jurídica material"
(Humberto Theodoro Junior, Curso, vol. I, nº 55).
A ação declaratória (puramente declaratória) tem por objeto a declaração da existência ou inexistência de uma relação
jurídica, ou da autenticidade ou falsidade de um documento (CPC, art. 4º, I e II).
Dizemos puramente declaratória porque toda sentença de qualquer forma declara o direito no caso concreto, e o aplica.
Criação do Código de 1973, existe ação declaratória incidental, de que falaremos em particular.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA
1. Estado ativo. - O Estado moderno, de funções, programas e atribuições cada vez mais amplas, tem-se mostrado vigilante
na defesa do bem-estar físico, moral, social e cultural da pessoa, do meio ambiente, do consumidor, dos bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
Fazem parte do esquema a Lei nº 4.717, de 29.06.1965 - que regula a ação popular; a Lei nº 7.347, de 24.07.1985 - que
disciplina a ação civil pública; a Lei nº 8.078, de 11.09.1990 - Código do Consumidor. Entre estes diplomas legislativos há
íntima correlação, pela identidade dos fins por eles colimados. A Lei nº 7.347, verbi gratia, é explícita no que tange ao
consumidor, e logo no art. 1º ressalva o emprego e os efeitos da ação popular. Todas se completam.
2. Ação pública civil. - É ação de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos
de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. É ação pública em razão dos bens a que estende a sua proteção;
civil porque confere a várias pessoas o direito de provocar a instalação de lide.
O Ministério Público está em primeiro plano, como será exposto em item nº 3.
2.1. Legitimação ativa. - A ação, principal ou cautelar, poderá ser proposta pelo Ministério Público, pela União, pelos
Estados e pelos Municípios. E por autarquia, empresa pública, fundação, sociedade de economia mista ou por associação: I.
constituída há pelo menos um ano, nos termos da lei civil; e II. inclua entre suas finalidades institucionais os bens e direitos
que constituem objeto precípuo da ação de que ora se trata.
Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe
informações sobre fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-lhe os elementos de convicção (art. 6º). Ainda mais:
se, no exercício de suas funções, os juízes e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura da
ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis (art. 7º).
3. Ministério Público. - Figura central, o Ministério Público poderá instaurar e presidir inquérito civil, requisitar de
qualquer organismo público ou particular certidões, informações, perícias, em curto prazo, que assinalar.
A promoção do arquivamento dos autos de inquérito, pelo convencimento, ao órgão do Ministério Público, de inexistência
de base para a propositura de ação, é cercada de exigências e precauções (art. 9º, §§ 1º a 4º).
4. Competência. - É competente o foro do local onde ocorrer o dano, o que de muito facilita a consecução dos objetivos
legais.
5. Objeto da ação. - A ação poderá ter por objeto a condenação em dinheiro, ou o cumprimento de obrigação de fazer ou
não fazer (art. 3º), hipóteses em que o juiz poderá conceder medida liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita
a agravo (art. 12). A execução liminar está sujeita a suspensão pela superior instância (§ 1º).
6. Fundo de reconstituição. - Havendo condenação em dinheiro, a indenização reverterá a um fundo gerido pelo Conselho
Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade,
sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados (art. 13). O fundo foi regulamentado pelo Decreto nº 92.302,
de 16.01.1986.
Obs.: A Lei nº 7.912, de 07.12.1989, dispõe a sobre ação civil pública de responsabilidade por danos causados aos
"investidores no mercado de valores mobiliários".
7. Modelo:
Ação civil pública
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
Comarca: {_Comarca}
O representante do Ministério Público, com fundamento no art. 5º da Lei nº 7.347, de 24.07.1985, vem propor contra a
(nome da empresa), com sede nesta cidade (endereço), ação civil pública de responsabilidade, pelos motivos de fato e de
direito que passa a expor:
1. A Empresa adquiriu a chácara denominada (nome), da rua..., onde pretende instalar oficina de conserto de suas máquinas
e depósito de material e destroços de veículos acabados.
O local, número ..., da rua ..., é dos mais aprazíveis do bairro, composto de vivendas ajardinadas, algumas antigas, com
arborização feita a capricho, ali funcionando duas escolas, justamente confinantes com o terreno da Ré.
A obra construenda é perfeita agressão ao meio ambiente, à estética e à paisagem da rua da Fonte, agressão verificável do
simples exame das fotografias ora exibidas.
2. Regem-se pela Lei nº 7.347, de 1985, as ações de responsabilidade por danos causados: I. ao meio ambiente II. ao
consumidor; III. a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (art. 1º). A ação poderá ter por
objeto a condenação em dinheiro, ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer (art. 2º).
3. Face ao exposto, pede:
a) a citação da (nome da empresa), na pessoa de seu representante legal (nome), para responder, sob pena de revelia, aos
termos da presente ação, que visa à obrigação de não fazer a obra indicada no item 1º;
b) que liminarmente e por cautela se suspendam as serviços de preparo da construção;
c) que a ré, a final, seja condenada a abster-se da realização do ato danoso aos interesses da comunidade e a pagar as custas
e honorários de advogado.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Protesta por prova pericial e oral.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura
AÇÃO DE ANULAÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS AO PORTADOR
1. Título ao portador. - Título ao portador é um escrito no qual se consigna a obrigação, que alguém contraiu, de pagar certa
soma a quem quer que se lhe apresente como detentor ou tenedor desconhecido e incerto do título.
Característico do título ao portador é que eles se transmitem por simples tradição manual, sem notificação ao devedor, sem
formalidade de endosso. O emitente ou subscritor se obriga não para com um credor determinado, mas para com quem se
apresente como portador.
Os títulos ao portador nascem e circulam sem o nome do titular. O simples fato da posse do título confere ao apresentante o
direito de pedir a prestação (J.X. Carvalho de Mendonça, Tratado de Direito Comercial, vol. V, pp. 105-106).
Assim é qualificado o legítimo proprietário do título de crédito. Destinado este a circular livremente, pode acontecer a
perda, o injusto desapossamento, em prejuízo do titular. A lei previu a hipótese. Primeiro, o Decreto nº 149-B, de 20.07.1893,
depois o Código Civil, que prescreve:
"A pessoa, injustamente desapossada de título ao portador, só mediante intervenção judicial poderá impedir que ao
ilegítimo detentor se pague a importância do capital, ou seu interesse" (art. 1.509). "Se, citado o detentor desses
títulos, não forem apresentados em três anos dessa data, poderá o juiz declará-los caducos, ordenando ao devedor que
lavre outros, em substituição aos reclamados" (parágrafo único).
A Lei nº 891, de 24.10.1949, permite a recuperação de Títulos da Dívida Pública ao Portador.
Os arts. 907 a 913 do Código de Processo Civil são o instrumento processual de aplicação das regras acima transcritas, o
meio de obter a necessária intervenção judicial em caso de perda, ou qualquer injusto desapossamento.
2. Perda ou injusto desapossamento; ações. - Aquele que tiver perdido o título ao portador ou dele houver sido
desapossado poderá: I. reivindicá-lo da pessoa que o detiver; II. requerer- lhe a anulação e substituição por outro (art. 907).
A natureza especial desse título de crédito, que se transmite simplesmente pela tradição manual - traditio brevi manu - havia
de refletir-se na lei ao querer o legislador proteger o legítimo proprietário contra o furto, o roubo, a perda, enfim a saída do
papel do poder de disposição do titular. Lei e doutrina viram-se em dificuldades.
O Código de 1939, por exemplo, no Título VII, arts. 336-342, denominou "Da Recuperação de Título ao Portador". Cuidou
a princípio do injusto desapossamento, que daria lugar ao processo especial, e, por fim, dispôs no art. 342: "Aquele que tiver
perdido, ou a quem houverem sido furtados títulos ao portador, poderá reavê-los, em ação reivindicatória, da pessoa que os
detiver, sem embargo das providências reguladas neste Título." O Código de 1973, que, nos termos do art. 907, prevê
reivindicação ou anulação-e-substituição, epigrafou os arts. 907-913 como apenas ação de anulação e substituição de títulos
ao portador, devendo ter tido razões para isso.
O Código Civil dispôs a esse respeito quando tratou da perda da posse, não quando tratou da proteção possessória.
"Art. 521. Aquele que tiver perdido, ou a quem houverem sido furtados, coisa móvel, ou título ao portador, pode
reavê-los da pessoa que os detiver, salvo a esta o direito regressivo contra quem lhos transferiu."
O art. 524 protege o direito de propriedade:
"A lei assegura ao proprietário o direito de usar, gozar e dispor de seus bens, e de reavê-los do poder de quem quer
que injustamente os possua."
Qualquer que seja o sentido de reivindicar no art. 907, I (recuperar, reaver), a lei assegura duas ações ao que perde ou é
desapossado do título: a de reivindicação e a de anulação-e- substituição, apesar da epígrafe, "ação de anulação e substituição"
tão-somente. Demonstra-o, sem sombra de dúvida, o teor do art. 907, lido com vista às disposições de direito material já
referidas.
3. Petição; requisitos. - São requisitos da petição de anulação de títulos:
"Art. 908. No caso do número II do artigo antecedente, exporá o autor, na petição inicial, a quantidade, espécie e
valor nominal do título e atributos que o individualizem, a época e o lugar em que o adquiriu, as circunstâncias em
que o perdeu e quando recebeu os últimos juros e dividendos, requerendo: I. a citação do detentor e, por edital, de
terceiros interessados para contestarem o pedido; II. a intimação do devedor, para que deposite em juízo o capital,
bem como juros ou dividendos vencidos ou vincendos; III. a intimação da Bolsa de Valores, para conhecimento de
seus membros, a fim de que estes não negociem os títulos."
Trata-se, à evidência, da ação de anulação-e-substituição por perda, cujo procedimento se completa com a citação do réu
(possível detentor) e de terceiros interessados, a intimação do devedor para não pagar e a intimação da Bolsa para que não se
negociem os títulos.
No caso de reivindicação observar-se-á, sempre, o procedimento ordinário.
4. Justificação. - Para evitar que se embarace o livre curso da negociação dos títulos ao portador; para evitar, que, com
infundadas razões, se obste a sua livre circulação, o pedido há de fundar-se em alegações verossímeis. Donde a regra do art.
909: "Justificado quando baste o alegado, ordenará o juiz a citação do réu e o cumprimento das providências enumeradas nos
números II e III do artigo anterior. A citação abrangerá também terceiros interessados, para responderem à ação" (parágrafo
único).
"Justificado quanto baste". Isto quer dizer que o magistrado não está obrigado a mandar proceder à justificação formal,
como a do art. 863 bastando que haja elementos de convicção da seriedade das alegações. Se, em cognição sumária,
incompleta, superficial, se convencer da existência dos fatos articulados, determinará a instauração do processo.
Sabiamente, o Código das Obrigações da Suíça condiciona a intimação do detentor a prévio exame do juiz (art. 983).
A citação de terceiros é indispensável. Determinar-se-á no despacho, mesmo que não tenha sido requerida pela parte;
terceiros podem estar em condições de portadores; são litisconsortes necessários. Serão chamados "para responder à ação".
5. Procedimento. - Feita a citação do detentor conhecido, chamados por edital os terceiros interessados (intimado o devedor
e a Bolsa de Valores), se alguém se apresentar como legítimo detentor ou possuidor, não será ouvido sem anexar à contestação o
título reclamado (art. 910).
Recebida a contestação, observar-se-á o procedimento ordinário. Inexistindo contestação, o juiz julgará de plano.
6. Aquisição em bolsa ou leilão. - Comprado o título em bolsa ou leilão público, o dono que pretender a restituição é
obrigado a indenizar ao adquirente o preço que este pagou, ressalvado o direito de reavê-lo do vendedor (art. 913).
É restituível o objeto comprado em leilão, feira ou mercado; mas o dono, que pretender a restituição, é obrigado a pagar ao
possuidor o preço por que o comprou (Código Civil, art. 521, parágrafo único).
Ou para proteger a livre circulação dos títulos ao portador, ou em homenagem à presumida boa-fé de quem os adquire em
bolsa ou leilão público, o direito, material e processual, compõe a situação assegurando o reembolso, ao adquirente, do preço
que pagou; ao dono, o direito de regresso contra o devedor.
7. Modelo:
Declaração de caducidade de títulos perdidos
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, com escritório na
{_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, quer propor ação de anulação e substituição de títulos ao portador contra {_Nome da parte
contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, para o que expõe e requer o seguinte:
1. É possuidor de quinhentas ações representativas do capital da ré, ações ao portador, cada uma do valor nominal de ...,
emitidas em ..., de números ... (doc. nº 2).
Vinha recebendo regularmente os respectivos dividendos, os últimos em ...
Esses títulos, que se encontravam em (indicar), perderam-se (indicar como se perderam). O requerente tomou as
providências que lhe pareceram úteis (doc. nº 3).
2. Aquele que tiver perdido título ao portador, ou dele houver sido injustamente desapossado, poderá reivindicá-lo da
pessoa que o detiver; requerer-lhe a anulação e substituição por outro (Código de Processo Civil, art. 907, I e II).
Pode ocorrer que aquele a quem o título de fato pertence o tenha perdido ou dele tenha sido desapossado injustamente,
como, v.g., no caso de furto ou de indébita retenção por parte de outrem. Em tais casos, justo não seria ficasse o legítimo dono,
pela falta do documento, sem direito às vantagens dele decorrentes (Luís Machado Guimarães, Comentários ao Código de
Processo Civil, vol. IV, nº 415, p. 410).
3. Assim exposto, requer:
a) a citação, por edital, do eventual detentor e dos terceiros interessados para responderem à ação;
b) a intimação da devedora, para que deposite em juízo os juros e dividendos vencidos e vincendos;
c) a intimação da Bolsa de Valores, para conhecimento de seus membros, a fim de que não negociem os títulos.
4. Requer as medidas a, b e c, justificado que está, através dos documentos n. os 2 e 3, o fato alegado. Todavia, se o
respeitável juízo achar por bem apresentação de novos elementos, pede que sejam ouvidas as testemunhas abaixo arroladas.
5. Pede, a final, que, declaradas caducas as referidas ações, V. Exª se digne de ordenar à Companhia... que lavre outras, em
substituição às perdidas.
6. Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
7. Protesta-se por prova pericial, documental e oral.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL
1. Fonte. - Instituiu-se na reforma processual de 1973, por inspiração das legislações alemã, francesa, austríaca e italiana, a
ação declaratória incidente ou incidental.
2. O texto. - Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o
julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença (CPC, art. 5º).
Pode acontecer - escreve o Prof. José de Moura Rocha - que o resultado de um processo dependa de relação jurídica cuja
existência ou inexistência implicará o "final" da ação principal.
Não se poderá negar, na verdade, que o resultado de uma lide irá depender da apontada existência ou inexistência de uma
outra relação, como acontece, por exemplo, numa ação de declaração de maternidade se se declara ser a apontada "mãe"
solteira ou mulher virgem. Obviamente que a declaração de maternidade perde qualquer possibilidade de ser alcançada
(Processo de Conhecimento, vol. I, p. 25).
O exemplo da declaratória de maternidade é clássico. Giuseppe Chiovenda, como observam autores, enumerou estas
hipóteses:
Podem ser objeto da ação incidente:
a) a questão referente a estado jurídico em sentido lato, isto é, compreensiva de relação jurídica que possa ser objeto de
ação autônoma, como o estado de cidadania, de família;
b) a existência de uma relação jurídica com obrigação em cotas periódicas: locação de coisa, na cobrança de aluguéis; a
relação de emprego, no pedido de salário; a relação de mútuo, no pedido de pagamento de juros periódicos;
c) a existência de uma relação jurídica que seja condição da existência de outra; a obrigação principal em referência à
fiança; a locação em referência à sublocação;
d) a existência de relação jurídica incompatível com a do pedido principal; exceção de compensação; depositário que alega
ser proprietário ou usufrutuário da coisa reclamada (Instituições de Direito Processual Civil, tradução brasileira, vol. I, nº 122,
pp. 530 e segs.)
3. Configuração jurídica. - Trata-se, em verdade, de uma ação embutida noutra, que se diz principal. Ação que se forma,
por incidência, dentro de outra. Qualquer das partes - lê-se no texto legal - poderá requerer que o juiz a declare por sentença.
É ação que poderia ser autônoma, principal, mas se submete à incidentalidade da ocorrência que a legitima.
Decidiu a Terceira Câmara do Tribunal de Justiça da Guanabara que a ação declaratória incidental só tem lugar nos casos
em que a decisão da lide depende, necessariamente, de prévia decisão sobre o seu pressuposto fundamental (ac. de 06.06.1974,
Alexandre de Paula, O Processo Civil à Luz da Jurisprudência, nova série, vol. I, nº 276-1).
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO
1. Depósito em pagamento. - A ação de consignação, também denominada ação de depósito em pagamento, tem por fim
solver a obrigação, extinguir o vínculo obrigacional, liberando assim o devedor. Impede as conseqüências da mora solvendi.
Fundamental nesse procedimento é a oferta de pagamento feita pelo autor ao réu.
O autor, na inicial, requererá: I. o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de cinco dias contados do
deferimento, ressalvada a hipótese do § 3º do art. 890 (art. 892).
Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia em estabelecimento
bancário oficial, em conta com correção monetária, cientificando-se o credor por carta com aviso de recepção, assinado o prazo
de 10 dias para a manifestação de recusa (art. 890, § 1º).
Decorrido o prazo sem manifestação de recusa, reputar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à disposição do
credor a quantia depositada (§ 2º).
Ocorrendo recusa formal, o devedor ou terceiro poderá propor, dentro de 30 dias, a consignatória (§ 3º). Não proposta a
ação, ficará sem efeito o depósito, podendo levantá-lo o depositante.
1.1. Não-contestação. - O não oferecimento de contestação dentro do prazo legal acarretava o julgamento de procedência
do pedido (art. 897). Pela nova redação do texto é de mister ocorrência dos efeitos da revelia.
2. Lei do Inquilinato. - A Lei nº 8.245, de 18.10.1991, estabelece procedimento especial de ação consignatória de aluguel e
acessórios da locação (art. 67, I a VIII).
A petição inicial, além dos requisitos do art. 282 do Código de Processo Civil, deverá especificar os aluguéis e acessórios
da locação com indicação dos respectivos valores.
Determinada a citação do réu, o autor será intimado a, no prazo de vinte e quatro horas, efetuar o depósito judicial da
importância indicada na petição inicial, sob pena de extinção do processo.
O pedido envolverá a quitação das obrigações que se vencerem durante a tramitação do feito até ser prolatada a sentença de
primeira instância (art. 67, I, II e III).
Não oferecida contestação, ou se o locador receber os valores depositados, o juiz acolherá o pedido, declarando quitadas as
obrigações, condenando o réu a pagar as custas e honorários de vinte por cento do valor dos depósitos (inciso IV).
2.1. Contestação. - A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de
fato, a: a) não ter havido recusa ou mora em receber a quantia devida; b) ter sido justa a recusa; c) não ter sido efetuado o
depósito no prazo ou no lugar do pagamento; d) não ter sido o depósito integral (art. 67, V).
2.2. Reconvenção; cumulação de pedidos. - Além de contestar, o réu poderá, em reconvenção, pedir o despejo e a cobrança
dos valores objeto da consignatória ou da diferença do depósito inicial, na hipótese de ter sido alegado não ser o mesmo
integral (art. 67, VI).
3. Pagamento em consignação. - Ver os arts. 334 a 345 do novo Código Civil.
4. Modelo:
Pedido de consignação de aluguéis
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inscrito na OAB, nº {_Nº
OAB}, com escritório na rua {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. Contratou com {_Nome da parte contrária} a locação do imóvel em que reside, no ano de 1980, ao preço de ... mensais,
mais taxas (doc. nº 2).
Reajustado, o aluguel atualmente é de ...
Injustificadamente, recusa-se o senhorio a receber o aluguel do mês de ..., não obstante haver, por telefone, várias vezes
procurado o credor para receber a renda.
2. Nos casos previstos em lei poderá o devedor requerer, com efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa.
A consignação tem por fim liberar o devedor, quando em mora está o credor.
É forma de pagamento forçado - volente debitore contra creditorem nolentem.
3. Pelo exposto, estando em dia com suas obrigações, pede a expedição de guia para depósito da quantia apontada, em 24
horas, após a intimação do requerente, e que, a final, se julgue procedente a ação, extinta a obrigação, condenando o réu nas
custas e nos honorários de advogado.
4. Protesta-se por depoimento pessoal e de testemunhas.
5. Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
AÇÃO DE DEPÓSITO
1. Depósito. - O depósito, entre os gregos, era coisa sagrada.
O depositário recebe o objeto para guardar até que o depositante o reclame. Pode ser voluntário ou convencional, resultante
de contrato - ou necessário -, o que se faz no desempenho de obrigação legal, ou se efetua por ocasião de alguma calamidade,
como o incêndio, a inundação, o naufrágio, o saque.
Seja voluntário ou necessário o depósito, o depositário, que o não restituir, quando exigido, será compelido a fazê-lo
mediante prisão não excedente a um ano, e a ressarcir os prejuízos (Código Civil de 1916, art. 1.287).
2. Ação de depósito. - A ação de depósito tem por fim a restituição da coisa depositada. A possibilidade de
constrangimento, prisão do depositário, torna difícil estabelecer normas de procedimento justas e eficazes ao mesmo tempo.
Pelo Código anterior, o autor requeria a citação do réu para entregar, em 48 horas, o objeto depositado ou seu equivalente
em dinheiro, sob pena de prisão (art. 367).
Infensos a toda forma de violência, denunciamos a severidade dos textos, de direito material e de direito processual
(Manual, vol. III, nº 1.010). O Código de 1973 já não é truculento.
O réu será citado para, no prazo de cinco dias: I. entregar a coisa, depositá-la em juízo ou consignar-lhe o equivalente em
dinheiro; II. contestar (art. 902).
Do pedido poderá constar a cominação da pena de prisão até um ano; o juiz decretará a pena se, julgada procedente a ação,
ordenada a expedição de mandado, este não for cumprido (art. 904, parágrafo único).
3. Busca e apreensão. - Sem prejuízo do depósito ou da prisão do réu, é lícito ao autor promover a busca e apreensão da
coisa. Se esta for encontrada, ou entregue voluntariamente pelo réu, cessará a prisão e será devolvido o equivalente em
dinheiro (art. 905).
Na lei revogada, art. 369, a simples requerimento do autor, o juiz expediria mandado de prisão contra o "infiel" depositário
que, 48 horas a contar da citação, não entregasse o objeto depositado, ou seu equivalente em dinheiro.
4. Depósito voluntário e depósito necessário. - Ver o novo Código Civil, arts. 627 a 646 (depósito voluntário) e 647 a 652
(depósito necessário).
5. Modelo:
Ação contra o depositário
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. Tendo de fazer uma viagem ao norte do País, entregou a {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E
ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, como depositário, um automóvel Chevette, azul, modelo 1980, de número
(descrever), placa (indicar), de sua propriedade (doc. nº 2), comprometendo-se o depositário a devolver o veículo tanto que
fosse exigido pelo proprietário ou procurador devidamente autorizado (doc. nº 3).
Ao voltar do Estado do Amazonas, dois meses após o início do contrato, reclamou de volta o automóvel, recusando-se,
todavia, o depositário a devolvê-lo, com tergiversações.
2. É dever do depositário restituir o objeto, quando reclamado pelo depositante. O depositário infiel pode ser coagido a
cumprir o a que está obrigado, por meio de prisão (Código Civil de 1916, art. 1.287).
A ação de depósito tem procedimento especial, à altura da estrita obrigação de devolver (Código de Processo Civil, arts.
901-906).
3. Pelo exposto, pede a citação do réu para, no prazo de cinco dias: I. entregar o carro, depositá-lo em juízo, ou consignar-
lhe o valor, que é de ..., ut publicação anexa; II. oferecer contestação. Pede ainda seja cominada pena de prisão por um ano ao
depositário infiel.
4. Protesta por juntada de documentos, depoimentos pessoal e testemunhal.
5. Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Pede Deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
AÇÃO DE DIVISÃO E DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARTICULARES
1. Demarcação dos quinhões. - Em cumprimento do ato judicial de deliberação da partilha, isto é, da forma de divisão, o
agrimensor, assistido pelos arbitradores, procederá à demarcação dos quinhões.
Na demarcação, os técnicos observarão, além do disposto nos arts. 963 e 964 - colocação de marcos no ponto de partida e
nos vértices dos ângulos; percurso da linha pelos arbitradores - as seguintes regras: I. as benfeitorias comuns, que não
comportarem divisão cômoda, serão adjudicadas a um dos condôminos mediante compensação; II. instituir-se-ão as servidões,
que forem indispensáveis, em favor de uns quinhões sobre os outros, incluindo o respectivo valor do orçamento para que, não
se tratando de servidões naturais, seja compensado o condômino aquinhoado com o prédio serviente; III. as benfeitorias
particulares dos condôminos, que excederem a área a que têm direito, serão adjudicadas ao quinhoeiro vizinho mediante
reposição; IV. se outra coisa não acordarem as partes, as compensações e reposições serão feitas em dinheiro (art. 979).
2. Auto de divisão. - Findos os trabalhos e desenhados na planta os quinhões e as servidões aparentes, organizará o
agrimensor o memorial descritivo. Em seguida, o escrivão lavrará o auto de divisão, em que os limites serão minuciosamente
descritos de acordo com o memorial e a planta. O auto será seguido de uma folha de pagamento para cada condômino.
Auto e folha conterão os elementos indicados nos §§ 1º e 2º do art. 980, extraídos do memorial descritivo e da planta.
3. Sentença homologatória. - Assinado o auto pelo juiz, agrimensor e arbitradores, será proferida sentença de homologação
da divisão.
4. Comunhão; cessação. - Qualquer que tenha sido a causa do estado de comunhão, é este, em regra, provisório; a todo
tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum. Razões de ordem social, econômica, ou puramente jurídica
reclamam a cessação do condomínio. Dá-se melhor trato à coisa própria que à comum. A comunhão é fonte de discórdia.
Se a comunhão resulta de sucessão aberta, o acervo hereditário será dividido com a partilha (familiae erciscundae); se
provém de outra causa que não a sucessória, a comunhão será desfeita pela divisória (communi dividundum). A ação
demarcatória (finium regundorum) tem por objeto a fixação das linhas de limite.
"O estado de comunhão é de si provisório; a cada sócio assiste, portanto, o direito de a todo tempo requerer a divisão, salvo
estipulação em contrário" (Lafayette Rodrigues Pereira, Coisas, § 30, nº 4).
A divisão, uma das formas de extinção do condomínio, consiste em repartir a coisa em segmentos, na proporção dos
quinhões de cada consorte, que passa a ser dono exclusivo da parte e deixa, simultaneamente, de ser dono da parte ideal do
todo (Sílvio Rodrigues, Direito das Coisas, nº 120).
5. Cumulação objetiva; prioridade da demarcatória. - Contrariando a opinião doutrinária de notáveis juristas brasileiros,
os Códigos de Processo de Minas Gerais, art. 127, e de São Paulo, art. 28, admitiram a cumulabilidade dessas duas ações. O
Código Nacional de 1939 admitiu-a em texto prolixo, art. 416:
"É lícito o concurso dessas ações, devendo ser preliminarmente promovida a demarcação total ou parcial
do imóvel comum, citados os confrontantes e condôminos. Concluídas as linhas de demarcação, os
confrontantes serão havidos como estranhos ao processo divisório."
Em melhor técnica, o Código de 1973.
"Art. 946. Cabe:
I. a ação de demarcação ao proprietário para obrigar o seu confinante a estremar os respectivos prédios,
fixando-se novos limites entre eles ou avivando-se os já apagados:
II. a ação de divisão, ao condômino para obrigar os demais consortes a partilhar a coisa comum."
"Art. 947. É lícita a cumulação dessas ações, caso em que deverá processar-se primeiramente a
demarcação total ou parcial da coisa comum, citando-se os confinantes e condôminos."
Impõe-se a prioridade da demarcatória: só se pode judicialmente promover a divisão de imóvel cujas linhas perimétricas se
tenham anteriormente fixado.
6. Disposições gerais e especiais. - O Capítulo VIII do Livro IV - Dos Procedimentos Especiais, Título I - Dos
Procedimentos Especiais de Jurisdição Contenciosa, objeto destas notas, divide-se em três seções:
Seção I - Das disposições gerais (arts. 946 a 949);
Seção II - Da demarcação (arts. 950 a 966);
Seção III - Da divisão (arts. 967 a 981).
7. Petição inicial. - No que tange à petição inicial, há requisitos especiais:
A) Ação de demarcação:
"Na petição inicial, instruída com os títulos da propriedade, designar-se-á o imóvel pela situação e
denominação, descrever-se-ão os limites por constituir, aviventar ou renovar e nomear-se-ão todos os
confinantes da linha demarcanda" (art. 950).
B) Ação de divisão:
"A petição inicial, elaborada com observância dos requisitos do art. 282 e instruída com os títulos de
domínio do promovente, conterá: I. a indicação da origem da comunhão e a denominação, situação, limites e
características do imóvel; II. o nome, o estado civil, a profissão e a residência de todos os condôminos,
especificando-se os residentes no imóvel com benfeitorias e culturas; III. as benfeitorias comuns" (art. 967).
8. Modelos:
8.1. Ação de divisão
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo firmado, quer propor
ação de divisão da "Fazenda Monte Alto", para o que expõe e requer o seguinte:
1. A "Fazenda Monte Alto", situada no distrito de ...., neste Município, é co-propriedade do requerente e de Marina dos
Anjos Guedes e Glória Maria Fernandes, todos residentes nesta cidade. As duas condôminas são brasileiras; Marina, solteira,
de prendas domésticas; Glória Maria, professora, casada com Lindolfo de Almeida Fernandes, médico, residentes em...
Os comunheiros houveram dito imóvel por herança de seu pai Antônio Fabriciano Guedes, segundo formal de partilha ora
exibido (doc. nº 5). Com 350 hectares e 20 ares de área, limita-se atualmente com (indicar) e dista 4 quilômetros da rodovia
nº ..., a que está ligado por um ramal de cerca de 4 metros de largura. Destina-se à cultura de .... e agropecuária...
O requerente, que reside no imóvel, nele realizou as seguintes benfeitorias (descrever as benfeitorias e indicar a respectiva
situação).
2. A todo tempo é licito ao condômino exigir a divisão da coisa comum (Código Civil de 1916, art. 629; novo CC, art.
1.320, 1ª parte). Cabe ação de divisão, ao condômino, para obrigar os demais consortes a partilhar a coisa comum (Código de
Processo Civil, art. 946, II).
Não convindo ao requerente continue o estado de comunhão, quer promover a divisão geodésica do imóvel.
3. Face ao exposto, requer a citação por mandado, dos mencionados consortes, para os termos da presente ação, que espera
seja julgada procedente, partilhando-se, a final, o imóvel.
4. Protesta por prova documental, pericial e oral.
5. Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
8.2. Ação de demarcação
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}, brasileiro, casado, agricultor, e sua mulher, A. E. B., por seu procurador abaixo assinado, vêm, perante
V. Exª, expor e requerer o seguinte:
1. Os peticionários, por escritura pública de ..., lavrada em notas do tabelião..., adquiriram, mediante contrato de compra e
venda, a L. F. T. e sua mulher, uma sorte de terras com ... hectares, como prova o doc. nº 3.
2. O imóvel, denominado fazenda "Santa Rosa", é situado no distrito de ..., neste Município.
3. São confrontantes: a) pelo lado norte, I. B. S., lavrador, casado, e A. A., lavrador, solteiro; b) a oeste, B. M. V., viúva, T.
T. S., casado, e E. N. C., casado; c) ao sul, E. S., viúva; d) a leste, o rio ..., A. M. R., solteiro e T. R., casado. Todos os
confrontantes residem neste Município.
4. A fazenda "Santa Rosa" não tem marcos assinalando os seus limites. Desse modo podem surgir dúvidas futuras, que os
requerentes querem evitar, demarcando o imóvel de sua propriedade.
5. Todo proprietário pode obrigar o seu confinante a proceder com ele à demarcação entre dois prédios ..., repartindo-se,
proporcionalmente, entre os interessados, as respectivas despesas (Código Civil Brasileiro, art. 569; novo CC, art. 1.297).
A ação de demarcação compete ao proprietário de um prédio contra os possuidores do prédio confinante para a fixação de
rumos novos ou aviventação dos existentes (Código de Processo, art. 946, I).
6. Assim exposto, e provando o seu domínio sobre a mencionada fazenda com a escritura devidamente transcrita no
Registro Imobiliário, requerem a V. Exª que se digne de mandar citar os confrontantes, para, sob pena de revelia, contestarem a
ação.
7. Requerem, ainda, que os citados confrontantes seja, a final, condenados ao pagamento das despesas - pro rata.
8. Protestam os requerentes por prova testemunhal e pelo depoimento pessoal dos réus.
9. Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
10. Termos em que, distribuída e autuada a presente, com os documentos que a acompanham, em número de cinco,
Pedem deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
AÇÃO DE NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA
1. Nunciação de obra nova. - A nunciação de obra nova, ou embargo de obra nova, veio das fontes romanas, passando por
um longo processo de desenvolvimento até a sua conceituação moderna. Não foi, a princípio, ação propriamente dita, exercia-
se diretamente pela parte interessada.
A nunciação (seria melhor dizer denunciação, mas o nome pegou, e ficou) tem semelhança com as ações possessórias,
assim como têm os embargos de terceiro, e com a ação cominatória. Todavia, é procedimento especial autônomo, de vez que
não protege apenas a posse, mas também o domínio e outros direitos reais.
2. Legitimação, objeto. - Compete a nunciatória: I. ao proprietário ou possuidor, a fim de impedir que a edificação de obra
nova em imóvel vizinho lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado; II. ao condômino, para impedir que
o co-proprietário execute alguma obra com prejuízo ou alteração da coisa comum; III. ao Município, a fim de impedir que o
particular construa em contravenção da lei, do regulamento ou de postura (art. 934).
O Código de 1939 dava ação a quem pretendesse impedir que o prédio de sua propriedade, ou posse, fosse prejudicado em
sua natureza, substância, servidões ou fins por obra nova em prédio vizinho (art. 384). E no art. 385 dispunha: "... o nunciante
requererá, na inicial, o embargo da obra nova, para que fique suspensa e seja, a final, demolido, à custa do nunciado, o que
tiver sido feito em prejuízo do nunciante". Os verbos construir e demolir não compreendiam todas as hipóteses, como se
demonstrou na vigência daquele estatuto processual. A lei nova supriu omissões e atendeu ao reclamo de mais ampla
regulamentação, que a legislação predial exigia.
3. Requisitos da ação de nunciação. - Nos termos do art. 934 do Código de Processo Civil são requisitos da ação:
1º) que o autor seja proprietário (ou co-proprietário) ou posssuidor (co-possuidor) de um imóvel;
2º) que esse imóvel esteja sendo ou possa vir a ser prejudicado em sua substância ou natureza, em suas servidões, ou em
sua destinação, por obra em prédio vizinho;
3º) que se trate de obra nova, inacabada.
4. Embargo extrajudicial. - Ao prejudicado é lícito, se o caso for urgente, fazer o embargo extrajudicial, notificando
verbalmente, perante duas testemunhas, o proprietário ou, em sua falta, o construtor, para não continuar a obra (art. 935).
Dentro de três dias requererá o nunciante, perante o juiz competente, a ratificação do embargo, sob pena de cessar o efeito da
medida (parágrafo único).
O embargo extrajudicial existia desde as Ordenações. "A nunciação de obra nova pode ser feita por mandado do juiz, ou
pela própria parte lançando certas pedras na obra" (Antonio Joaquim Ribas, Consolidação, art. 763). O costume de fazer a
nunciação da obra nova pes ma nun id est lapilli ictum, lapilli jactum é herdado dos Romanos (Comentários, nº DXVI).
É forma de antecipação da medida tutelar, que a ratificação judicial perfecciona. Figurou na Consolidação de Teixeira de
Freitas, art. 933, e no Decreto nº 3.084, que aprovou a Consolidação das Leis referentes à Justiça Federal, art. 416:
"É lícito ao prejudicado, se o caso for urgente, fazer o embargo extrajudicialmente, lançando pedras na
obra; e neste caso recorrerá imediatamente ao juiz para que o ratifique".
O lançar pedras simbolizava, "solenizava" o ato do denunciante, até que em juízo se ratificasse o embargo.
Hoje, ao invés de lançar pedras, fala-se, protesta-se, embarga-se, fazendo justiça de mão própria.
São quatro os requisitos a que deve atender o nunciante no embargo extrajudicial: a) urgência do caso (periculum in mora);
b) notificação verbal do proprietário ou, em sua falta, do construtor, para paralisar a obra; c) realização do ato perante duas
testemunhas; d) promoção da ratificação do ato no juízo competente.
Caso o nunciante não ingresse em juízo no prazo legal, de três dias, requerendo a ratificação do embargo extrajudicial, este
perderá sua eficácia, ficando o autor sujeito a reparar os danos que a sustação da obra houver causado a seu proprietário (José
Celso de Mello Filho, "O Embargo Extrajudicial de Obra Nova no Código de Processo Civil", in RF, vol. 246, p. 314).
5. Petição inicial. - Na petição inicial, elaborada com observância dos requisitos do art. 282, requererá o nunciante: I. o
embargo para que fique suspensa a obra e se mande a final reconstituir, modificar ou demolir o que estiver feito em seu
detrimento; II. a cominação de pena para o caso de inobservância do preceito; III. a condenação em perdas e danos (art. 936).
A petição inicial indicará, entre os requisitos do art. 282, o fato e os fundamentos do pedido, o pedido com suas
especificações, o requerimento para citação do réu. Nos termos do art. 936, os pedidos se desdobram em:
a) embargo propriamente, suspensão da obra;
b) reconstituição, modificação ou demolição do que estiver feito e for reconhecido na sentença;
c) cominação de pena pecuniária para o caso de inobservância do preceito, isto é, da ordem de suspensão;
d) indenização dos danos causados pela obra nova;
e) se se tratar de demolição, colheita, extração de minérios e obras semelhantes, apreensão e depósito dos materiais e
produtos já retirados.
O legislador houve por bem explicitar os pedidos cumuláveis ao principal, primordial, de suspensão da obra. A lei anterior
satisfazia-se com dizer que: "... o nunciante requererá na inicial o embargo da obra para que fique suspensa e seja, a final,
demolida, à custa do nunciado, o que tiver sido feito em prejuízo do nunciante" (art. 385) e declarar a cumulabilidade do
pedido de indenização com o de cominação de pena para o caso de inobservância do preceito (parágrafo único).
Acentua Sérgio Sahione Fadel que atendível inicialmente é apenas o pedido do item I, suspensão da obra.
6. Legitimação passiva. - No cumprimento do mandado de embargo o oficial de justiça citará o proprietário a contestar em
cinco dias a ação (art. 938, última parte). No caso de embargo extrajudicial, o nunciante notificará o proprietário ou, em sua
falta, isto é, se não se encontrar no local, o construtor, para não continuar a obra. Em qualquer hipótese, é necessário citar o
proprietário da obra.
Dispunha o art. 391 do Código de 1939 que se fossem vários os donos, ou possuidores da obra, a ação poderia ser proposta
contra todos, conjuntamente, ou contra qualquer deles, ficando, na segunda hipótese, salvo ao nunciado direito regressivo
contra os demais condôminos ou compossuidores.
A regra não se repetiu no Código de 1973. Deve-se entender que, havendo multiplicidade de proprietários, todos devem ser
citados. Já na vigência daquele dispositivo gritava-se contra a regra, que contrariava a do litisconsórcio necessário.
Dir-se-á que a procura de co-proprietários para serem citados delonga e põe em risco a finalidade da ação de nunciação,
que requer presteza em seus atos. A resposta é fácil. Se o litisconsórcio é necessário, impõe-se sob pena de nulidade. Além
disso, o embargo liminar, que é a regra, e o embargo extrajudicial põem a causa a salvo do perigo de demora.
7. Embargo liminar. - A ação de nunciação tem duas fases: na primeira persegue-se a imediata suspensão da obra,
seguindo-se a da cognição total, dependendo o seu desenvolvimento de ser ou não ser contestado o pedido.
A exemplo do que se passa com as ações (possessórias) de manutenção ou de reintegração, é lícito ao juiz conceder o
embargo liminarmente ou após justificação prévia (art. 937).
Comete atentado a parte que no curso do processo prossegue em obra embargada (art. 879, II).
É preciso que os juízes utilizem com certa cautela a faculdade de embargar, para que a ação de nunciação de obra nova não
se transforme numa faca de dois gumes, através da qual o vizinho inescrupuloso venha a criar embaraços ao nunciado e, ao
invés de evitar o ilícito, a ação se transforme em meio de impedir a construção ou a demolição lícita de prédio ou a edificação
de obra (Sérgio Sahione Fadel, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. V, p. 75).
Que o direito tutelar da vizinhança não se preste à paixão dos maus vizinhos, sem escrúpulo.
8. Procedimento. - Aplica-se o disposto no art. 803:
"Não sendo contestado o pedido, presumir-se-ão aceitos pelo nunciado, como verdadeiros, os fatos
alegados pelo nunciante; caso em que o juiz decidirá dentro de cinco dias."
Dá-se o julgamento antecipado na lide, se não houver contestação. Contestado o pedido, o juiz designará audiência de
instrução e julgamento, se deferida prova a ser nela produzida.
9. Prosseguimento da obra; caução. - O nunciado poderá, a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição, requerer o
prosseguimento da obra desde que: a) demonstre prejuízo resultante da suspensão dela; b) preste caução suficiente.
Embora a causa se encontre no tribunal, em grau de recurso, a caução será prestada no juízo de origem.
Preexcluído está o prosseguimento, quando se tratar de obra levantada em contravenção de lei, de regulamento, de postura -
"contra determinação de regulamentos administrativos" (art. 940, § 2º).
10. Modelo:
Ação de embargo de obra nova
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente} e sua mulher (qualificação, domicílio e residência), por seu advogado, expõem e requerem a V. Exª o
seguinte:.
1. Os requerentes são senhores e possuidores da casa nº 335, da Rua José de Alencar, nesta cidade, onde residem com os
filhos, e a consorte, Maria Floriano Gomes Batista, tem um pequeno atelier.
{_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, aqui denominado réu, é
dono do terreno vizinho, de nº 337, em que iniciou a construção de um barracão.
A construção, apenas iniciada, na fase de madeiramento, não só invade a área do prédio nº 335 como também sobre este
deita beiral (fotografias anexas, docs. n.º 3, 4 e 5).
2. O proprietário, ou possuidor, tem ação de nunciação a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel vizinho
lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado (Código de Processo Civil, art. 934, I).
Na petição inicial pode o autor pedir a cominação de pena para o caso de desrespeito à ordem judicial, e a condenação em
perdas e danos (art. 936, II e III).
3. Assim exposto, pedem a V. Exª que se digne de mandar embargar liminarmente a obra, cominando-se ao nunciado pena
de ... (ou a que este respeitável juízo fixar), para o caso de inobservância do preceito.
4. Pedem a citação do réu para responder à ação, que esperam seja a final julgada procedente, condenando o réu a indenizar
os prejuízos causados pela obra nova, bem assim as custas e honorários advocatícios.
5. Protestam pela produção da prova oral e pericial.
6. Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS
1. Prestação de contas. - Quem quer que seja encarregado, ou voluntariamente se encarregue de administrar bens alheios
está obrigado a prestar contas, discriminando a receita, e a despesa, o deve e o haver, o ativo e o passivo e, finalmente, o saldo,
que pode ser positivo, ou negativo, credor, ou devedor.
A obrigação de prestar contas decorre de lei ou de contrato.
A ação de prestação de contas se apresenta sob duas modalidades: a do que pede que outrem preste contas e a do obrigado a
prestar contas. A ação de prestação de contas competirá a quem tiver: I. o direito de exigi-las; II. a obrigação de prestá-las
(Código de Processo Civil, art. 914).
Figurava no Código de 1939 entre as ações cominatórias para prestação de fato ou abstenção de ato. Está hoje entre os
procedimentos especiais, sem perder, contudo, o caráter de ação que tem por objeto um facere. Na primeira modalidade pede-
se uma prestação de fazer. Na segunda modalidade, prestar-se um fato.
2. Ação para exigir contas. Procedimento. - O autor, na conformidade do art. 282, pedirá a citação do réu para, em cinco
dias, prestar contas ou contestar a ação. O réu: a) prestará contas; b) não contestará a ação; não negará a obrigação de prestar
contas.
Se contas forem apresentadas no qüinqüídio, hipótese a, o autor terá cinco dias para dizer sobre elas. Havendo necessidade
de produzir prova oral, o juiz designará audiência de instrução e julgamento; em caso contrário, proferirá logo a sentença (art.
915, § 1º).
Na hipótese b dar-se-á o julgamento antecipado da lide.
Se o juiz julgar procedente a ação, condenará o réu a prestar contas no prazo de 48 horas, "sob pena de não lhe ser lícito
impugnar as que o autor apresentar" (art. 915, § 2º).
Se o réu apresentar as contas dentro do prazo (48 horas), seguir-se-á o procedimento do § 1º. Caso não as apresente,
apresentá-las-á o autor dentro de dez dias.
As contas apresentadas pelo autor, em substituição ao réu, condenado a prestá-las, serão julgadas "segundo o prudente
arbítrio do juiz", que poderá determinar, se necessário, a realização de exame pericial contábil (§ 3º, última parte).
3. Prudente arbítrio do juiz. - Constitui inovação da lei processual o julgamento das contas apresentadas pelo autor, antes
da omissão do réu em cumprir a sentença. A regra era assinar-se à parte adversa o prazo de 5 dias para se pronunciar (Código
de 1939, art. 308, § 2º).
Ganha-se rapidez processual e afirma-se, mais uma vez, a autoridade do magistrado.
O juiz julgará as contas, segundo seu "prudente arbítrio". Sérgio Sahione Fadel usa a expressão "livre arbítrio"
(Comentários, vol. V, p. 42), data venia imprópria. Ernane Fidélis dos Santos lembra, a propósito, que ao juiz compete a
fiscalização da prestação de contas, que serão aprovadas segundo seu prudente arbítrio, "não se esquecendo jamais de que elas,
para serem consideradas boas e valiosas, deverão encontrar justificação legal, nos termos do art. 917..." (Comentários ao
Código de Processo Civil, vol. VI, nº 109, final).
4. Modelo:
Ação para exigir contas
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, quer propor contra {_Nome
da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, ação de prestação de contas, para o que
expõe e requer o seguinte:
1. Tendo de fazer, a negócio, uma viagem à República Argentina, contratou o réu confiar-lhe a gerência da "Perfumaria
Souza", com sede à Rua Itatuana, nº 59. Contratou-se a administração do estabelecimento comercial, durante a ausência do
requerente, proprietário (doc. nº 2).
2. De volta a esta cidade, após quase um mês de ausência, assumiu no dia 8 do corrente a direção da empresa, sem balanço,
sob promessa do réu de que prestaria contas no prazo de três dias. Todavia, até esta data, decorridos oito dias, o ex-
administrador não prestou contas.
3. O mandatário é obrigado a prestar contas de sua gestão (Código Civil, art. 1.301; novo CC, art. 668).
É obrigação do mandatário prestar contas. Não se pode dispensá-las ainda por cláusula expressa no instrumento ou
contrato de mandato. Prestam contas os que administram negócios alheios (J. X. Carvalho de Mendonça, Tratado de Direito
Comercial Brasileiro, vol. VI, nº 854).
A ação de prestação de contas competirá a quem tiver o direito de exigi-las (Código de Processo Civil, art. 914, I).
4. Face ao exposto, requer a citação do réu para, no prazo de cinco dias, apresentar contas ou contestar a ação, tudo de
conformidade com o art. 915, §§ 1º, 2º e 3º, do Código de Processo Civil.
Protesta-se pela produção de provas documental e oral.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB{_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
5. Ação para prestar contas. - Aquele que estiver obrigado a prestar contas requererá a citação do réu para, no prazo de
cinco dias, aceitá-las ou contestar a ação (Código de Processo Civil, art. 916).
O réu poderá: a) omitir-se, não contestando a ação; b) declarar que aceita as contas oferecidas; c) contestar a ação; d)
impugnar as contas oferecidas pelo autor.
Nos casos a e b, o juiz julgará em 10 dias as contas oferecidas pelo autor. Claro que o magistrado, diante de aceitação, não
defronta questão igual à de não-contestação. A primeira, muito simples, conduzirá a simples declaratória do reconhecimento
do pedido, julgando boas e prestadas as contas e extinto o processo. A segunda exige mais cuidadoso e mais complexo
julgamento; a parte não reconhece; a "revelia" apenas gera presunção de serem regulares as contas.
Se o réu contestar a ação, alegando, por exemplo, que é parte ilegítima, que não há contas a serem prestadas, ou se
impugnar as contas oferecidas, o juiz, se houver necessidade de provas, designará audiência de instrução e julgamento; se não a
houver, decidirá de plano.
Recorde-se que a ação, de que estamos tratando, muito tem da ação cominatória do direito anterior, fundada em texto de lei
ou cláusula de contrato, protetora de relações jurídicas especiais, e que se iniciava não por simples citação, mas por um
preceito de solvendo, donde a denominação antiga: ação de preceito cominatório.
6. Modelo:
Petição do obrigado a prestar contas
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem propor contra {_Nome da parte contrária}
{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA} ação de prestação de contas, expondo e requerendo o
seguinte:
1. Durante os meses de ..., enquanto o réu esteve ausente do País, revendo parentes e amigos em Portugal, o requerente,
constituído seu procurador, recebeu rendas de prédios e fez despesas, como provam os documentos anexos.
Receita e despesa, ora apresentadas em forma mercantil, acusam saldo, favorável ao mandante, do valor de ..., e foram
extraídas de um livro, destinado ao registro do deve e do haver, cuidadosamente escriturado.
2. Não obstante haver tentado várias vezes, o requerente não conseguiu prestar contas de seus atos de administração.
3. O mandatário é obrigado a prestar contas de sua gestão (Código Civil, art. 1.301; novo CC, art. 668). E tem para isso
ação prevista no art. 914, II, do Código de Processo Civil: "A ação de prestação de contas competirá a quem tiver... II. a
obrigação de prestá-las."
4. Assim exposto, requer a citação de Eduardo Souto de Almeida para, nos termos do art. 916 da lei processual, declarar se
aceita as contas, ou apresentar defesa, esperando o autor que seja a ação julgada procedente, declaradas boas as suas contas e
extinta a obrigação, com as cominações legais.
Protesta por depoimento pessoal da parte, prova pericial e documental.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
T. em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} e {_Endereço do Adv.}
AÇÃO DE USUCAPIÃO DE TERRAS PARTICULARES
1. Usucapião. - Usucapião é aquisição de propriedade pela continuada posse de um bem mais as condições que a lei
determina. Interessa ao convívio social que as relações jurídicas não permaneçam longo tempo na incerteza, que se busque
tranqüilizar os possuidores.
Adquire-se a propriedade imóvel pelo usucapião (Código Civil de 1916, art. 530, I). Os arts. 550 a 553 regulam o modo
como, pela posse mais ou menos dilatada de 20 e de 10 anos (posse e tempo), se adquire a propriedade de bem imóvel.
Ver os arts. 1.238 a 1.244 (usucapião de coisa imóvel) e 1.260 a 1.262 (usucapião de coisa móvel) do novo Código Civil.
Lei nova criou usucapião especial de imóvel rural, por quem, não sendo proprietário, "possuir como sua, por cinco anos,
área rural contínua, não excedente de 25 hectares..." (Lei nº 6.969, de 10.12.1981, art. 1º). O direito de usucapião "abrange as
terras particulares e as terras devolutas em geral" (art. 2º). Adotou-se para a ação de usucapião especial o procedimento
sumaríssimo, assegurada preferência à sua instrução e julgamento (art. 5º). No caso de terras devolutas em geral, o usucapião
pode ser reconhecido administrativamente (art. 4º, § 2º).
2. Usucapião de terras particulares. - O procedimento especial de que nos ocupamos restringe-se à declaração de
aquisição de propriedade, ou servidão predial, de terras particulares. Sem pertinência o problema da inusucapibilidade dos bens
públicos.
3. Legitimação. - Compete a ação ao possuidor. No usucapião, o fato principal é a posse. O tempo é uma força viva. "O que
durou muito tempo, só por essa razão parece alguma coisa de sólido e indestrutível" (Windscheid). Posse e tempo são fatores
preponderantes, que o autor deve demonstrar.
4. Petição. - O autor, expondo na petição inicial o fundamento do pedido e juntando planta do imóvel, requererá a citação
daquele em cujo nome estiver registrado o imóvel usucapiendo, bem como dos confinantes e, por edital, dos réus em lugar
incerto e dos eventuais interessados, observando quanto ao prazo o disposto no inciso IV do art. 232.
Serão intimados por via postal, para que manifestem interesse na causa, os representantes da Fazenda Pública da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
5. Justificação de posse. - A Lei Processual determinava que autor requeresse audiência preliminar "a fim de justificar a
posse", expediente que a Lei nº 8.951/94 eliminou.
6. Prazo. - Dava-se exagerado valor à justificação prévia. O prazo para contestar corria da decisão que declarava justificada
a posse.
As Leis nºs 8.950, 8.951, 8.952 e 8.953, todas de 13.12.94, realizaram mais um esforço para agilizar o processo, efetivar a
prestação jurisdicional.

7. Interesse da União. - Decidiu a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo que o interesse da União, para
deslocar a competência para a Justiça Federal, em processo de usucapião, deve basear-se em alguma coisa concreta e
apreciável, resultante de lei, contratos ou documentos (ac. de 01.06.1978, in RF, vol. 273, p. 167).
8. Intimação. - Serão intimados por via postal, para que manifestem interesse na causa, os representantes da Fazenda
Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.
9. Intervenção do Ministério Público. - O Ministério Público intervirá em todas as causas em que há interesse público (art.
82, III).
A ação de usucapião é intentada por um - o possuidor - contra muitos, aliás contra todos, alguns ausentes, incertos. Fiscal
da lei, o representante do Ministério Público vela por que se cumpra à risca o procedimento eleito pelo legislador.
Donde a regra do art. 944: intervirá em todos os atos do processo o Ministério Público.

10. Transcrição da sentença. - Passada em julgado a sentença que julgar procedente a ação - sentença declaratória do
domínio, ou da servidão, em prol do possuidor - o juiz ordenará a sua transcrição no Registro Imobiliário (Código de Processo
Civil, art. 945; Lei de Registros Públicos, art. 167, I, 26).
11. Obrigações fiscais. - O art. 945, última parte, condiciona a transcrição da sentença no Registro de Imóveis à prévia
satisfação das obrigações fiscais - impostos, taxas.
Com apreciáveis razões, decidiu a 2ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de São Paulo que a sisa, no usucapião, é
calculada com base no valor atual do imóvel - o da época da sentença que formaliza a aquisição do domínio (ac. de
12.09.1978, in RF, vol. 269, p. 207).
12. Usucapião especial; procedimento. - O procedimento instituído pela Lei nº 6.969, de 1981, difere um pouco do
instituído no Livro IV, Capítulo VII, do Código de Processo Civil.
Adotar-se-á o procedimento sumaríssimo (art. 5º).
O autor, expondo o fundamento do pedido e individualizando o imóvel, com dispensa da juntada da respectiva planta,
poderá requerer, na petição inicial, designação de audiência preliminar, a fim de justificar a posse, e, se comprovada esta, será
nela mantido liminarmente, até a decisão final da causa (§ 1º).
O autor terá, se o pedir, assistência judiciária gratuita, inclusive para o Registro de Imóveis (art. 6º).
Provado que dispunha de situação econômica bastante para pagar as custas e os honorários de advogado, sem prejuízo do
sustento próprio e da família, o juiz lhe ordenará que pague, com correção monetária, o valor das isenções concedidas, ficando
suspensa a transcrição da sentença até o pagamento devido (parágrafo único).
A usucapião especial pode ser invocada como matéria de defesa; valendo a sentença que a reconhecer como título para
transcrição no Registro de Imóveis (art. 7º).
13. Modelos:
13.1. Ação de usucapião
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL DA COMARCA DE {_Comarca}.
1. {_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} e sua mulher, vêm propor contra {_Nome da
parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, e sua mulher, ação de usucapião, em que
provarão o seguinte:
A) Há mais de 20 anos os autores se acham na posse do terreno nº ..., da rua ... O imóvel limita-se pela direita com J. C. L. e
pela esquerda com o Clube Quinze de Novembro e está registrado em nome do primeiro réu.
B) A posse é pacífica e incontestada desde o ano de ...
C) Os autores mantêm no imóvel garagem coletiva, de que tiram parte do seu sustento e educação dos filhos.
2. Assim exposto, pedem a citação dos réus, com fundamento no art. 942 do Código de Processo Civil, para os termos da
ação, sob pena de confessos e, por edital, a dos interessados incertos e desconhecidos e eventuais interessados, bem assim a
intimação, por via postal, dos representantes da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e
dos Municípios, para fins de direito - para contestarem, se o quiserem.
E requerem depoimento pessoal dos demandados que contestarem; perícia no imóvel usucapiendo; requisições de
informações, se necessárias, à Prefeitura; depoimento de testemunhas, que serão apresentadas tempestivamente, a fim de serem
ouvidas em audiência de instrução e julgamento.
3. Esperam que, julgada procedente a ação, se transcreva a sentença no Registro de Imóveis, para os efeitos legais.
4. Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB{_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
13.2. Ação de usucapião especial
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, quer propor ação de usucapião especial, com
fundamento no art. 1º da Lei nº 6.969, de 10.12.1981, para o que expõe e requer o seguinte:
1. Acha-se, desde o ano de 1970, na posse mansa, pacífica, ininterrupta do imóvel conhecido por "Campo Formoso",
situado em (indicar), transcrito em nome de Teotônio Martins de Almeida.
No referido terreno construiu casa de moradia, e fez plantações de (indicar), tornando-o, assim, produtivo. Além das casas
e plantações referidas, construiu também uma pequena represa de água pluvial e cerca de 1.000 metros de cerca de madeira e
arame farpado.
O requerente não possui nenhum imóvel, rural ou urbano.
2. Todo aquele que, não sendo proprietário rural nem urbano, possuir como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição,
área rural contínua, não excedente de 25 hectares, e a houver tornado produtiva com seu trabalho e nela tiver sua morada,
adquirir-lhe-á o domínio, independentemente de justo título e boa-fé, podendo requerer ao Juiz que assim o declare por
sentença, a qual servirá de título para transcrição no Registro de Imóveis (Lei nº 6.969, de 10.12.1981, art. 1º).
3. Assim exposto, requer a citação de Teotônio Martins de Almeida, em cujo nome encontra-se registrado o imóvel
usucapiendo, bem como dos confinantes, e, por edital, dos réus em lugar incerto e dos eventuais interessados, para os termos
da presente ação, que espera seja, a final, julgada procedente, para o fim de lhe ser reconhecido o domínio.
4. Pede ainda sejam cientificados os representantes da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e dos Municípios (art. 5º, § 3º), para que manifestem interesse na causa.
5. Rol de testemunhas: ...
6. Valor da causa: {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
1. Generalidades. - É da competência privativa do Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei
declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (art. 52, X, da CF).
A declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo só poderá ser declarada pelo voto da maioria absoluta dos
membros do tribunal (art. 97 da CF).
A competência originária para processar e julgar a ação de inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I,
a, da CF), assim como a de julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a
decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal (art. 102, III, b, da CF).
Podem propor a ação de inconstitucionalidade o elenco de pessoas ou entidades do artigo 103 da Constituição Federal de
1988.
O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade (art. 103, § 1º, da CF).
Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional será dada ciência ao
poder competente para as providências necessárias (art. 103, § 2º, da CF).
O Advogado-Geral da União deverá ser citado previamente para defender o ato ou texto impugnado, quando o Supremo
Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade.
É da competência dos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais
ou municipais em face da Constituição Estadual (CF, art. 125, § 2º).
A inconstitucionalidade pode se apresentar na lei ou em ato normativo federal ou estadual.
Da sentença que declara a inconstitucionalidade cabe recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal.
Uma vez declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada
ciência ao poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo
em 30 dias.
2. Inconstitucionalidade. - É a infração, por lei ou outra regra jurídica, de texto constitucional ou mesmo de regra jurídica
que se haja considerado implícita na Constituição (Pontes de Miranda).
Há duas formas de controle da constitucionalidade: a) a incidental; exercitável por qualquer órgão do Tribunal, no
julgamento de uma causa; b) a principal, por ação direta, regulada pela Lei nº 4.337, de 01.06.1964 e cuja propositura compete
ao Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal.
2.1. Ação direta. - O Procurador-Geral da República, ao ter conhecimento de ato dos poderes estaduais que infrinja
qualquer dos princípios estatuídos no art. 34, VII, da Constituição da República, promoverá declaração (decretação) da
inconstitucionalidade perante a Suprema Corte.
O relator designado ouvirá, no prazo de 30 dias, os órgãos que hajam praticado ou elaborado o ato argüido. Em prazo igual
apresentará o relatório, do qual será apresentada cópia a todos os Ministros para que se inteirem dos fatos e se habilitem ao
julgamento. O Presidente designará dia para decisão da espécie pelo Tribunal Pleno. Dar-se-á ciência aos interessados.
2.2. Julgamento. - Proceder-se-á ao julgamento na forma dos arts. 4º, parágrafo único da Lei nº 4.337/64 e 173 do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
2.3. Embargos. - Se, na decisão, forem divergentes três ou mais votos, caberá embargos, que se processarão na forma da
legislação em vigor.
3. Comunicações. - Se a decisão final decretar a inconstitucionalidade, o Presidente do Supremo Tribunal Federal
imediatamente comunicará o resultado aos órgãos estaduais interessados. Publicado o acórdão, dará conhecimento ao
Congresso Nacional para fins de direito.
4. Controle incidental. - Argüida inconstitucionalidade (de lei ou ato normativo do poder público) em processo fluente no
Tribunal, o relator, ouvido o Ministério Público, submeterá a questão a seus pares - membros da Turma ou Câmara. Se a
alegação for liminarmente rejeitada, nada feito, prosseguirá o julgamento durante o qual foi levantada a questão. Se acolhida
for a alegação, lavrar-se-á o acórdão, a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno - princípio dominante em matéria de
decretação de inconstitucionalidade.
5. Sessão de julgamento. - Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, que integram o Tribunal, o Presidente designará
audiência de instrução e julgamento.
AÇÃO MONITÓRIA
1. Procedimento monitório. - Do confronto entre a ação cominatória disciplinada no Código de Processo Civil de 1939
(arts. 302 e segs.) e os diversos tipos de processo monitório das principais legislações estrangeiras, Luiz Machado Guimarães
concluiu pertencerem todos "a um só tipo de procedimento", cujos caracteres distintivos são os seguintes: a) inicia-se por um
preceito de solvendo, e não por simples citação; b) destina-se a rápida formação do título executivo, obtido mediante a
preclusão do prazo assinado ao réu para a contestação; c) opera a inversão da iniciativa do contraditório, que só se estabelecerá
se o réu contestar o preceito; por isso, d) a ausência de contestação por parte do réu será havida como aquiescência à pretensão
do autor, não sendo aplicáveis as disposições referentes à revelia (Comentários ao Código de Processo Civil, Ed. Forense, vol.
IV, nº 168).
2. Praxe tradicional brasileira. - De longa data as legislações luso-brasileira e nacional adotaram o procedimento
monitório (= de injunção), premidas pela necessidade de facilitar o acesso do credor ao título executivo. Disto são exemplos a
ação de embargos e a decendiária (ação de assinação de 10 dias), que os Códigos estaduais ostentavam e Ribas consolidou nos
arts. 719 e segs.
A assinação de 10 dias desapareceu de nosso cenário, sob alegação de que poderia ser substituída com vantagem pela ação
executiva (Humberto Theodoro Júnior, "O Procedimento Monitório e a Conveniência de sua Introdução no Processo Civil
Brasileiro", RF, 271/71 e segs.).
3. Reimplante. - Operou-se o reimplante através da Lei nº 9.079, de 14.07.1995, que fez acréscimos ao art. 1.102 do
Código de Processo Civil.
Compete a ação a quem pretender, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, pagamento de soma em
dinheiro, entrega de coisa fungível ou de determinado bem móvel (CPC, art. 1.102a).
Estando a petição instruída, o juiz deferirá de plano a expedição do mandado de pagamento ou de entrega da coisa no prazo
de 15 dias (art. 1.102b).
O réu poderá, no prazo, oferecer embargos (não-contestação), que suspenderão a eficácia do mandado. Não opostos
embargos, ou se forem rejeitados, constituir- se-á, de pleno direito, o título executivo, "convertendo-se o mandado inicial em
mandado executivo e prosseguindo-se na forma prevista no Livro II, Título II, Capítulos II e IV" (art.0 1.102c).
4. Modelo:
Petição inicial. Ação monitória
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, inscrito na OAB, nº {_Nº
OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, propõe contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA
PARTE CONTRÁRIA} ação monitória, expondo e requerendo o seguinte:
1. O réu, por escrito particular (xerox, doc. nº...) contratou com o demandante fornecer-lhe, no mês de abril, uma parelha de
boi de raça (indicar), tão logo atingisse a idade de (indicar), fixada, na avença, em ...
Esgotado o prazo, o contratante, apesar de duas vezes solicitado (cópias xerox, docs. nº s ...), omite-se no cumprimento da
obrigação assumida.
2. A ação monitória compete a quem pretender, com base em prova escrita sem eficácia de título executivo, pagamento de
soma em dinheiro, entrega de coisa fungível ou de determinado móvel (CPC, art. 1.102a, acrescentado pela Lei nº 9.079, de
14.07.1995). Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá de plano a expedição do mandado de pagamento
ou de entrega da coisa no prazo de 15 dias (art. 1.102b).
3. Em face do exposto e à prova do fato principal, pede a expedição de mandado para entrega da coisa no prazo legal de 15
dias, sob pena de revelia e pagamento de custas e honorários advocatícios.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
AÇÃO POPULAR
1. Esquema protetivo do Estado. - O Estado moderno estende seu manto protetor a setores nunca antes alcançados ao
tempo do Estado liberal, estático. Legisla insistentemente em defesa do bem-estar integral da pessoa física e de bens e valores
culturais. Participam desse esquema a Lei nº 4.717, de 29.06.1965 - que regula a ação popular; a Lei nº 7.347, de 24.07.1985,
que disciplina a ação civil pública; e a Lei nº 8.078, de 11.09.1990 - Código do Consumidor.
2. Ação popular; objeto. - A ação popular é adequada para se pleitear a anulação ou declaração de nulidade de ato lesivo ao
patrimônio da União, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista, de sociedades
mútuas de seguro, nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de seguros sociais autônomos, de
instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de 50% do
patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos
Municípios, ou de quaisquer pessoas ou entidades jurídicas subvencionadas pelos cofres públicos.
O extenso rol das "vítimas" de atos lesivos parece exaustivo. A defesa do patrimônio ou dos cofres públicos foi
profundamente examinada e resguardada em dispositivos expressos, pelo legislador, no art. 1º da Lei nº 4.717.
O conceito de patrimônio está no § 1º. Consideram-se tal "os bens e direitos de valor econômico, artístico, estético,
histórico ou turístico". A mesma linguagem da Lei de Ação Civil Pública.
3. Legitimação ativa. - Legitimação para pleitear a anulação ou a declaração de atos lesivos é de qualquer cidadão (art. 1º).
A prova da cidadania, para ingresso em juízo, far-se-á com o título eleitoral ou com documento a ele correspondente.
4. Requisição de elementos probatórios. - Para instruir a inicial, o cidadão está credenciado a requerer certidões,
informações, bastando indicar a finalidade das mesmas.
Quando o interesse, devidamente justificado, impuser o sigilo, poderá ser negada a certidão ou informação (§ 6º).
Proposta a ação desacompanhada desses elementos de prova, poderá o juiz, apreciando os motivos do indeferimento,
requisitar as certidões ou informações, "salvo em se tratando de razão de segurança nacional"; feita a requisição, o processo
correrá em segredo de justiça (§ 7º).
5. Atos lesivos. - São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no art. 1º, nos casos de: a)
incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio da finalidade (art. 2º).
Os atos lesivos não compreendidos no elenco do art. 1º, cujos vícios não se contêm nas especificações do art. 2º, serão
anuláveis, segundo as prescrições legais compatíveis com a sua natureza (art. 3º).
Serão também nulos os atos ou contratos, praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou entidades referidas no art.
1º, e relacionados no art. 4º, incisos I a IX.
6. Modelo:
Ação popular
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DA FAZENDA PÚBLICA - {_Comarca}.
{_Nome do Adv.}, inscrito na OAB, sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, vem, fulcro no art. 4º, I, da Lei nº
4.717/65, propor ação popular contra o Prefeito da Município (nome), pelos motivos que passa a expor:
1. Como demonstram as publicações anexas, a Municipalidade, por seu órgão executivo máximo, contratou em ... a
construção de um grupo escolar e de um mercado modelo nos locais denominados ... Os custos das duas obras é,
respectivamente, de ... e ..., importâncias obviamente superiores aos preços de mercados e aos recursos ordinários da
Prefeitura, cujo "sacrifício" só é explicável por se tratar de obras inventadas em tempo de eleição.
Os atos são nulos por que realizados sem a necessária concorrência pública, com infração, portanto, do art. ... da Lei
Municipal nº ..., de ...
Além disso, os beneficiários, de idoneidade financeira duvidosa, não têm firma registrada, o que põe em dúvida sua
idoneidade técnica.
Os contratos, nulos, de difícil execução, prenunciam graves prejuízos ao erário público.
2. Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio
dos Municípios (Lei nº 4.717, de 29.06.1965, art. 1º).
São nulos os atos lesivos ao patrimônio do Município, no caso de omissão, ou observância incompleta ou irregular de
formalidade indispensável à existência ou seriedade do ato (art. 2º, parágrafo único, b).
3. Face ao exposto, pede a citação do Prefeito Municipal e interessados para, sob pena de revelia, responder aos termos da
presente ação, em que se pleiteia a espera a decretação da nulidade dos atos impugnados e a condenação dos réus nas custas e
honorários advocatícios.
Valor da causa {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
AÇÃO POSSESSÓRIA (MANUTENÇÃO; REINTEGRAÇÃO; INTERDITO PROIBITÓRIO)
1. Defesa da posse. - A posse é um fato, que o direito protege como tal. Um dos efeitos da posse é o seu asseguramento por
meio de ações próprias, típicas, "sumárias" - os interditos, palavra que no direito romano exprimia atos de império, protetivos,
expedidos pelo magistrado.
Colocadas no Livro IV entre os procedimentos especiais de jurisdição contenciosa, foram as ações possessórias reduzidas a
três: ação de manutenção, ação de reintegração e interdito proibitório, procedidas de disposições gerais sobre: a) uso da ação
adequada; b) cumulação de pedidos possessório e de condenação em perdas e danos, cominação de pena para caso de nova
ofensa à posse, desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento da posse; c) pré-exclusão da ação de
reconhecimento de domínio, ou de outro direito sobre a coisa; d) a natureza "dúplice" da ação possessória; e) o tempo da
turbação ou do esbulho; f) prestação da caução pelo autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse.
2. Cumulação de pedidos. - A turbação ou o esbulho possessório pode causar prejuízos indenizáveis ao possuidor.
Por força do art. 503 do Código Civil de 1916:
"O possuidor manutenido, ou reintegrado na posse tem direito à indenização dos prejuízos sofridos,
operando-se a reintegração à custa do esbulhador, no mesmo lugar do esbulho."
Ver o art. 1.211 do novo Código Civil.
O Código de 1939 cuidava do assunto no art. 374, verbis:
"A indenização das perdas e danos, a que qualquer das partes for condenada, liquidar-se-á na execução da
sentença, quando o seu valor não houver sido apurado na ação."
A jurisprudência trabalhava com o pouco de que dispunha, compondo com sabedoria as situações emergentes. Acórdão do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal de 1952 decidiu:
"Para que nas ações possessórias tenha lugar a condenação por perdas e danos é mister que a mesma seja pedida e os
prejuízos provados nas mesmas; não o sendo, só poderão ser apurados na execução."
O Código de 1973 expressamente admite a cumulação e explicita os pedidos cumuláveis: é lícito ao autor cumular ao
pedido possessório o de: I. condenação em perdas e danos; II. cominação de pena para o caso de nova turbação ou esbulho; III.
desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse (art. 21).
O inciso II se refere à turbação, ou esbulho, ação de manutenção, ou de reintegração. Em caso de interdito proibitório já se
prevê cominação de pena pecuniária para a hipótese de transgressão do preceito.
A composição dos prejuízos, na própria ação possessória, há de ser pedida pela partes: se o juiz a deferir sem ter sido
formulada cumulação, decidirá ultra petita. O quantum debeatur é que pode ser apurado em execução, se não o puder fixar de
logo a sentença.
3. Ação dúplice. - É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção
possessória e indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor (art. 922).
O artigo definido "o" é de grande valia na interpretação do dispositivo legal. O autor alega ofensa à sua posse; o réu na
contestação diz que é ele o ofendido em sua posse, não o demandante.
Não se trata de reconvenção, que tem procedimento próprio, mas de "contra-ação" inserida na contestação, objetivando
proteção à posse e pagamento dos prejuízos.
Observe-se como se enriqueceu de economia processual o procedimento possessório, em tudo a depender do advogado e do
magistrado. Em torno da posse, da proteção possessória, o mundo de questões que pode surgir, à espera da habilidade do
profissional e dos conhecimentos e prudência do juiz.
4. Exceção de domínio. - Na pendência do processo possessório, é defeso assim ao autor como ao réu intentar ação de
reconhecimento de domínio ou de outro direito sobre a coisa, caso em que a posse será julgada em favor daquele a que
evidentemente pertencer o domínio (art. 923).
O Código de Processo do Distrito Federal (Decreto nº 16.752, de 31.12.1924) continha regras semelhantes às do art. 923 do
Código de 1973:
"Art. 522. Na ação possessória não é permitida a defesa fundada em domínio ou outro direito real, sendo,
todavia, defeso julgar a posse em favor daquele a quem evidentemente não pertencer a propriedade."
"Art. 523. Na pendência da lide possessória, enquanto não terminar a instância, não é lícito ao autor
promover, concorrentemente, o juízo petitório.
Parágrafo único. Instituído, porém, o juízo petitório, nele poderá o réu reclamar a proteção possessória
contra os atos turbativos ou espoliativos do autor reivindicante."
Pretendeu-se que a segunda parte do art. 505 do Código Civil de 1916 contrariava a primeira. A jurisprudência vacilou, sem
contudo deixarem de produzir efeito os seus esforços.
Sobreveio o art. 923 do Código atual, cuja primeira parte atiçou fogo à controvérsia.
Se os juristas às vezes se comprazem de complicar as coisas simples - segundo observação de Clóvis Beviláqua -, isto mais
acontece com os doutrinadores. A jurisprudência, alimentando-se dos fatos concretos da vida, é chamada a ver mais de perto as
coisas, senti-las, a elas adaptar as normas jurídicas, construir. Com esse labor ganha o direito objetividade.
Tito Fulgêncio não vê, no art. 505 e na alínea, uma regra e uma exceção (Da Posse e das Ações Possessórias, vol. I, nº
147). Em sentido contrário, Paulo Rodrigues Teixeira (A Posse e os Interditos Possessórios, nº 173) e Clóvis Beviláqua
(Direito das Coisas, vol. 1, § 25).
Os tribunais evoluíram no sentido de restringir a admissão da exceptio domini a estes casos: a) só quando a posse é
disputada pelos litigantes a título de proprietários; b) só quando há dúvida quanto ao verdadeiro possuidor (Sílvio Rodrigues,
Direito Civil, vol. V, nº 35).
Essa é a linha dos julgados. Assim, acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 63.343-RJ, de
02.04.1975:
"A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que é admissível a exceptio
proprietatis em ação possessória quando as pes disputam a posse mediante alegação de domínio."
5. Procedimentos. - O procedimento das ações de manutenção e de reintegração é: a) "especial", isto é, célere, de
conformidade com os arts. 926-930, quando intentado dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho; e b) ordinário, passado
esse prazo, não perdendo, contudo, o caráter possessório (art. 924).
A especialidade do procedimento consiste na possibilidade de se conceder liminarmente mandado de manutenção, ou
reintegração. Dizia o art. 371 do Código anterior:
"Se a turbação ou violência datar de menos de ano e dia, o autor poderá requerer mandado de manutenção
ou de reintegração initio litis."
Em qualquer hipótese, especial ou ordinário o procedimento, a ação destinar-se-á a proteger o possuidor contra ofensas ou
ameaças à sua posse.
6. Ação de manutenção e de reintegração. - Incumbe ao autor provar: I. a sua posse; II. a turbação ou o esbulho praticado
pelo réu; III. a data da turbação ou esbulho praticado pelo réu; IV. a continuação da posse, embora turbada, na ação de
manutenção; V. a perda da posse, na ação de reintegração (art. 927).
Dada a natureza do remédio, eis que o juiz pode ordenar expedição de mandado liminar sem prévia audiência da parte, a lei
se esmerou no tocante ao conteúdo e instrução da petição inicial - tarefa do advogado.
7. Interdito proibitório. - No tocante às ações possessórias, manteve-se a pureza dos princípios. A tríade manutenção,
reintegração, proibição, eis que as ações possessórias destinam a proteger o possuidor contra a turbação, o esbulho ou a séria
ameaça de turbação ou esbulho, é tradicional.
O possuidor, direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure de
turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso
transgrida o preceito (art. 932).
Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na seção anterior (art. 933).
Os adjetivos, nos textos, são elucidativos; um deles, "indireto", aplicado a possuidor, veio a propósito, para afastar dúvida
que existia no sistema anterior (o Código revogado, art. 377, referia-se apenas ao possuidor).
O receio, para justificar o interdito, há de ser justo; a ameaça de violência deve ser fundada em fato; não basta receio vão e
v_ promessa de turbar ou esbulhar.
A turbação ou o esbulho deve ser iminente, isto é, a violência deve ser próxima, em vias de acontecer.
Ao contrário do que ocorre nas ações de manutenção e de reintegração, os requisitos na proibitória são em menor número.
Para que o juiz mande expedir o interdito protetório, preventivo, em prol do possuidor, basta que este prove o justo receio da
violência iminente.
Nos termos do art. 933, ao interdito proibitório aplicam-se as disposições do procedimento relativo às ações de manutenção
e reintegração. Isto quer dizer - no ensinamento de Ernane Fidélis dos Santos - que, estando a inicial devidamente instruída, o
juiz poderá, sem ouvir o réu, deferir a medida liminarmente, como poderá também optar pela justificação prévia (Comentários,
vol. VI, nº 152).
8. Justificação da medida liminar. - Se a petição inicial estiver suficientemente instruída, o juiz deferirá expedição de
mandado liminar sem ouvir o réu; caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu
para comparecer à audiência que for designada (art. 928).
A justificação, de que trata o dispositivo legal, é simples comprovação, por meio de testemunhas, raramente por meio de
escritos, dos fatos alegados, capazes de autorizar a expedição do mandado initio litis, e não justificação do procedimento
cautelar específico do Livro III, Capítulo II, Seção IX, arts. 861 a 866.
O juiz julgará a justificação. Se procedente, fará expedir, de logo, o mandado de manutenção, ou de reintegração.
9. Medida liminar contra pessoas jurídicas de direito público. - Contra a União, o Estado ou o Município a medida não
será concedida in limine sem audiência dos respectivos representantes, dispunha o Código de 1939, art. 371, parágrafo único.
O art. 928, parágrafo único, do Código de 1973 mantém a regra, agora contemplando "as pessoas jurídicas de direito
público", externas e internas.
10. Procedimento ordinário. - A especialidade do procedimento, como ficou acentuado, consiste na possibilidade de
concessão liminar do mandado possessório. Vencida essa fase, aplica-se, quanto ao mais, o procedimento ordinário; é o que
dispõe o art. 931 do Código de Processo Civil.
11. Posse no novo Código Civil. - Ver os arts. 1.196 a 1.203 (classificação); 1.204 a 1.209 (aquisição); 1.210 a 1.222
(efeitos) e 1.223 e 1.224 (perda).
12. Modelos:
12.1. Manutenção da posse
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem, por seu advogado, propor ação possessória
contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, expondo o requerente o
seguinte:
1. O autor é proprietário de um terreno situado à Rua das Marrecas, nº 21, que se limita pelo lado direito e pelos fundos
com o requerente e pelo lado esquerdo com o réu, e mede cerca de 240 metros quadrados.
Vem mantendo posse mansa e pacífica do prédio. No mês de abril próximo passado, porém, o réu iniciou a prática de atos
turbativos, consistentes em guardar no prédio, à noite, dois caminhões, de placas nºs ..., como se pode verificar nas fotografias
anexas (docs. nºs. 3, 4 e 5). Não satisfeito, Saul Pequeno, como é vulgarmente conhecido, pôs, há três dias, um homem para
durante a noite vigiar um dos veículos.
2. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação (Código Civil de 1916, art. 499; novo CC, art.
1.210). E tem ação possessória que lhe dá imediata proteção.
Os fatos articulados são à evidência caso de turbação, merecedor do remédio que o direito material e processual asseguram
ao possuidor.
3. Ante o exposto, requer:
a) que lhe seja concedido mandado liminar sem audiência da parte, salvo se V. Ex.ª achar necessário justificar o fato, para o
que oferece, de logo, rol de testemunhas;
b) a citação do réu para os termos da ação, que espera seja a final julgada procedente, condenado o réu nas custas e
honorários de advogado.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB{_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
Rol de testemunhas...
12.2. Reintegração de posse
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem propor contra {_Nome da parte contrária}
ação de reintegração de posse, para o que expõe e requer o seguinte:
1. Proprietário da "Fazenda Limoeiro", situada em ..., cuja posse, mansa e pacífica, exercita desde o ano de 1975, viu-se
esbulhado de parte do imóvel pelo réu, que, aviventando rumos da "Fazenda Almerinda", vizinha da do requerente, deslocou os
marcos n.ºs 4 e 5, invadindo, desse modo, terras da "Fazenda Limoeiro", aproximadamente 3.500 metros quadrados, onde
instalou serviço preparatório de plantio. Dito fato ocorreu em março, há portanto dois meses (docs. n.ºs 2, 3 e 4).
A mudança dos marcos fez-se de modo rápido, quiçá clandestino.
2. O possuidor tem direito a ser reintegrado no caso de esbulho (Código Civil, art. 499; novo CC, art. 1.210; Código de
Processo Civil, art. 926).
Configura-se, na hipótese, um caso típico de esbulho possessório, contra o qual o direito dá remédio eficiente e imediato.
3. Pelo exposto, requer a V. Ex.ª que se digne de:
a) conceder mandado reintegratório liminar, sem audiência da parte, a não ser que, em sua alta sabedoria, o nobre juiz
entenda necessária justificação prévia;
b) mandar citar o réu para todos os termos da ação, que espera julgada procedente para o fim indicado, condenado, ainda, o
réu no pagamento de custa e honorários advocatícios.
Para o caso de justificação, oferece, desde já, o seguinte rol de testemunhas: ...
Dá-se à causa valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
12.3. Interdito proibitório
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem por seu advogado, inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, propor contra {_Nome da parte contrária}
{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, uma ação de interdito proibitório, expondo e requerendo o
seguinte:
1. A "Fazenda Uberaba", situada em ..., de propriedade do requerente, compõe-se de dois títulos, um deles menor, nº
15.342, de 12.04.1954. Sob fundamento de que a área do título menor, em grande parte integra a da Fazenda "Água Fria", o réu
começou de molestar o autor e, na primeira quinzena do corrente mês, enviou-lhe verdadeiro ultimatum, doc. nº 4, carta em
que o ameaça de tomar pela força a parte (indicar).
2. O possuidor, direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da
turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso
transgrida o preceito (Código de Processo Civil, art. 932).
Justo é o receio do requerente, face aos antecedentes articulados e à ostensiva ameaça escrita, de violência (doc. nº 4).
3. Ante o exposto, requer:
a) expedição de interdito proibitório contra a ameaça, cominando-se ao réu pena de ... para o caso de transgredir o preceito
(Código de Processo Civil, arts. 928 e 933);
b) a citação do réu para responder aos termos da ação, que se espera julgada procedente, condenando o réu a pagar as custas
e honorários de advogado.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
AÇÃO RESCISÓRIA
1. Sentença, impugnação. - Imperfeita que é a organização social, imperfeitas serão a organização da justiça e a justiça dos
homens. Há interesse social em que se mantenha o império do direito, através de sentenças, munidas de recursos que,
admitindo reexame da decisão por juízes de maior experiência, ensejam probabilidades maiores de acertos na aplicação do
direito. Há também interesse social em que as lides não se eternizem; daí, os prazos para interposição de recurso, as preclusões,
o instituto da coisa julgada.
O recurso é meio de impugnação com o pedido de reexame da sentença, em regra por órgão judiciário de superior
hierarquia, colegiado (tribunal). A sentença, mesmo trânsita em julgado, pode ser também impugnada por meio de ação
autônoma, em restritos casos, que a lei especifica: ação rescisória, da competência exclusiva de um tribunal.
2. Casos de rescindibilidade. - O Código de 1973 evidentemente ampliou os casos de rescindibilidade, muito limitada na
lei anterior. É, porém, próprio da ação rescisória a excepcionalidade. Se os recursos são em numerus clausus, a impugnação da
sentença passada em julgado não poderia fugir à mesma política legislativa de restrição. Vem daí que a vigilância do diretor do
processo (relator) há de ser redobrada, para evitar que se tente transformar a ação especialíssima em ação ordinária, e para
manter os rigores processuais.
Os atos judiciais, que não dependam de sentença, ou em que esta for meramente homologatória, podem ser rescindidos
como os atos jurídicos em geral, nos termos da lei civil (art. 486). É mais uma manifestação do propósito de restringir o âmbito
de cabimento da extraordinária ação rescisória.
Anteriormente, em ruim técnica legislativa, subordinava-se a ação rescisória ao instituto da nulidade - nulidade da sentença.
Desde o Regulamento nº 737, de 1850, até os nossos dias, a ação rescisória foi considerada (ou tratada) como um remédio
para declarar ou decretar nulidade de sentença.
Jorge Americano definiu-a: "a ação pela qual se pede a decretação da nulidade ou ilegalidade de uma sentença que
extrinsecamente passou em julgado e, por via de conseqüência, o novo julgamento da espécie nela apreciada" (Da Ação
Rescisória, nº 7, p. 9), o que repetiu mais de três décadas depois (Comentários do Código de Processo Civil do Brasil, 3º vol.,
p. 244). Luís Eulálio Vidigal não discrepou: "Rescisória é, pois, a ação pela qual se pede a delaração da nulidade da sentença"
(Ação Rescisória dos Julgados, nº 3). Pedro Batista Martins justificava assim o rescisório: "porque a nulidade da sentença
definitiva atenta contra a incolumidade do direito objetivo e, pois, contra princípios de ordem pública" (Recursos e Processos
da Competência Originária dos Tribunais, nº 48).
O Código de 1939, Livro VI - Dos Processos da Competência Originária dos Tribunais - Título III - Da Ação Rescisória de
Sentença -, manteve o antigo hábito, arts. 798-801.
Dispunha:
"Art. 798. Será nula a sentença: I. quando proferida: a) por juiz peitado, impedido ou incompetente ratione materiae; b)
com ofensa à coisa julgada; c) contra literal disposição de leis; II. quando o seu principal fundamento for prova declarada falsa
em juízo criminal, ou de falsidade inequivocamente apurada na própria ação rescisória."
Admitiu, ainda, ação rescisória de sentença proferida em outra ação rescisória, nas hipóteses previstas no nº I, a e b, e no
caso do nº II do art. 498 (art. 499).
O Código atual prescreve:
"Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I. se verificar que foi
dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II. proferida por juiz impedido ou absolutamente
incompetente; III. resultar de dolo da parte vencedora, em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre
as partes, a fim de fraudar a lei; IV. ofender a coisa julgada; V. violar literal disposição de lei; VI. se fundar
em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada nas própria ação rescisória;
VII. depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer
uso capaz, por si só, de lhe assegurar provimento favorável; VIII. houver fundamento para invalidar
confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX. fundada em erro de fato, resultante de
atos ou de documentos da causa."
Libertou-se do antigo sistema, que sofria o inconveniente da problemática das nulidades, dos conceitos de sentença
inexistente, nula, anulável.
Os dois primeiros incisos prevêem casos de rescisória fundados em defeitos morais do juiz prolator (prevaricação,
concussão, corrupção) e no vício processual grave da incompetência absoluta do autor da sentença.
3. Legitimação ativa. - Tem legitimação para propor ação rescisória:I. quem for parte no processo ou o seu sucessor a título
universal ou singular; II. o terceiro prejudicado; III. o Ministério Público: a) se não foi ouvido no processo, em que era
obrigatória a sua intervenção; b) quando a sentença é o efeito de colusão das partes, a fim de fraudar a lei (art. 487).
Para propor a ação é necessário ter interesse e legitimidade. A legitimidade é uma das condições da ação. Extingue-se o
processo, sem julgamento do mérito, quando não concorrer, entre as condições, a legitimidade das partes.
4. Petição inicial; requisitos. - A petição inicial será elaborada com observância dos requisitos essenciais do art. 282,
devendo o autor: I. cumular ao pedido da rescisão, se for o caso, o de novo julgamento da causa; II. depositar a importância de
5% sobre o valor da causa, a título de multa, caso a ação seja, por unanimidade de votos, declarada inadmissível ou
improcedente (art. 488). Não se aplica o disposto no número II à União, ao Estado, ao Município e ao Ministério Público.
São requisitos essenciais: a) o tribunal a que é dirigida; b) os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e
residência do autor e do réu; c) o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; d) o pedido com as suas especificações; e) o valor
da causa; f) as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; g) o requerimento para a citação do
réu.

Deve ser instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação (art. 283).
5. "Iudicium rescindens" e "iudicium rescissorium". - Pondo termo a acirrada controvérsia, a lei processual
expressamente admitiu a cumulação dos pedidos rescindentes e rescisórios, determinando até, por medida de economia
processual que, se for o caso, o autor deva cumular ao pedido de rescisão da sentença, o de julgamento da causa.

A ação rescisória, que é excepcional, foi tratada na lei com evidente ampliação dos casos de admissibilidade. A questão da
legitimidade pode-se dizer que mereceu o mesmo carinho. Outro aspecto da política de "abertura" foi a cumulabilidade dos
juízos rescindens e rescissorium.
Em contraposição, criou-se o depósito, a título de multa, para as hipóteses de inadmissibilidade, ou improcedência da ação.
O depósito de 5% sobre o valor da causa é, pois, necessário (ver art. 490, II).
Aplica-se o art. 284 e parágrafo único: Verificando o relator que a petição inicial não preenche o requisitos legais, ou
apresenta graves defeitos, capazes de dificultar o julgamento do mérito, determinará que o autor a emende, ou complete, num
decêndio. Se o autor não cumprir a diligência, o relator indeferirá a petição inicial.

Além disso, a petição será indeferida nos casos do art. 295 e quando não efetuado o depósito - reza o art. 490, I e II.
6. Citação. Prazo para resposta. - O relator mandará citar o réu, assinando-lhe prazo (prazo "judicial") nunca inferior a 15
nem superior a 30 dias, para resposta. Findo o prazo, com ou sem resposta, observar-se-á, no que couber, o disposto no Livro I,
Título VII, Capítulos IV e V (art. 491).
O relator mandará citar o réu para resposta, se achar que a petição inicial é apta, está devidamente instruída, preenche os
requisitos do art. 488.
Será indeferida a petição inicial: I. nos casos do art. 295; II. quando não efetuado o depósito de 5% sobre o valor da causa
(art. 490).
7. Defesa. - O prazo para defesa foi deixado a critério do relator, fixados os limites mínimo e máximo (15 dias; 30 dias).
Quando forem citados para a ação vários réus, o prazo para responder ser-lhes-á comum; entretanto, se tiverem diferentes
procuradores, ser-lhes-á contado em dobro (arts. 298 e 191).
Incumbe ao réu alegar, na contestação, dentro do prazo, toda a matéria de defesa com que impugna o pedido do autor, e
especificar as provas que pretende produzir.
Findo o prazo para a defesa, observar-se-á, no que couber, o disposto no Livro I, Título VIII, Capítulos IV e V,
concernentes às providências preliminares e ao julgamento conforme o estado da lide. Aplica-se também, no que couber, o
Capítulo VI, relativo às provas.
Nem todas as providências preliminares (efeito da revelia; declaração incidente; caso de réplica; audiência do autor
conforme as alegações do réu; julgamento conforme o estado da lide) são da competência do relator. Assim, v.g., a declaração
incidente (art. 325) é da competência do tribunal; a de especificar provas, dirigida ao autor (art. 324), é da competência do
relator.
8. Provas; delegação de competência. - Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova (prova oral, prova pericial,
inspeção judicial), o relator delegará competência ao juiz de direito da comarca onde deve ser produzida, fixando prazo de 45
dias a 90 dias para a devolução dos autos (art. 492).
A delegação de competência para colheita de provas, em ação rescisória, tradicional no direito brasileiro, não se ajusta aos
princípios da concentração, da identidade física do juiz. Barbosa Moreira diz que a prática é consagrada comoditatis causa e
aponta os inconvenientes: a atividade instrutória que se realiza no juízo delegado visa precipuamente a esclarecer o órgão
julgador, concorrendo para a formação de seu convencimento, e esse órgão, portanto, é que teria maior interesse na realização
da prova.
Os princípios, como as teorias, cedem às exigências da realidade. Pense-se no contrário: o juiz do Tribunal a deslocar-se
para comarca longínqua, a fim de presidir, dirigir, controlar a realização de provas, e os incidentes que podem surgir e
prolongar o exercício da função judicial.
9. Razões finais; julgamento. - Concluída a instrução, tendo ou não havido delegação de competência, o relator, em
despacho, abrirá vista ao autor e ao réu pelo prazo de 10 dias, para razões finais. Decorrido o prazo, com ou sem razões
escritas, ouvido o representante do Ministério Público, os autos subirão ao relator, procedendo-se ao julgamento (art. 493).
10. Revisor. Na ação rescisória - assim como nos recursos de apelação e de embargos infringentes - funciona um revisor,
segundo juiz a examinar os autos depois do relator. O revisor aporá nos autos o seu "visto", declaração de que se desincumbiu
do exame; cabe-lhe, então , pedir "dia para julgamento".
11. Cópias do relatório. - O relator (examinados os autos) fará uma exposição dos pontos controvertidos sobre que versa o
recurso, dispõe o art. 549, parágrafo único. É o "relatório" que deverá existir na ação rescisória.
Destina-se a rescisória a ser apreciada, na sessão de julgamento, por um número considerável de juízes. Por isso, a lei
processual, com a finalidade de lhes facilitar o conhecimento das questões em debate, determina que, logo após a devolução
dos autos pelo relator, a secretaria do Tribunal distribua cópias autênticas do relatório entre os juízes do tribunal competente
para o julgamento.
No Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça proceder-se-á conforme os respectivos regimentos internos;
nos Estados, como dispuser a Organização Judiciária.
12. Modelo:
Ação rescisória
EXMO. SR. PRESIDENTE DO {_Tribunal do recurso}
{_Nome do cliente}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, e sua mulher, Suzana Coutinho Lemos,
professora, domiciliados nesta cidade e residentes à rua {_Endereço do cliente}, por seu advogado abaixo assinado, propõem
contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, a presente ação
rescisória, pelos fatos que passam a expor:
1. Firmino Lopes Vieira e sua mulher, aqui denominados réus, propuseram contra os requerentes, no Juízo da Vara
(indicar), uma ação de reivindicação do imóvel da rua das Acácias, nº 333, fundado em que (indicar resumidamente os
motivos).
Apesar dos esforços da defesa, os demandantes obtiveram, na reivindicatória, sentença favorável que, em grau de apelação,
foi confirmada pela 3ª Câmara Cível desse egrégio Tribunal, e transitou em julgado (docs. nºs 8, 9 e 13).
2. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando (indicar o fundamento do pedido, por exemplo:
dada por prevaricação: concussão ou corrupção do juiz; proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; resultar
de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida; ofender a coisa julgada; violar literal disposição de lei; fundada
em prova falsa; erro de fato), como dispõe o art. 485, I, do Código de Processo Civil.
A sentença, confirmada em segundo grau de jurisdição, está contaminada de vício grave e, pois, merece rescisão.
Com efeito (indicar os fundamentos de fato e de direito).
3. Pelo exposto, requerem a citação dos réus para, no prazo que lhes foi assinado, contestar o pedido, sob pena de revelia.
4. Pedem que, rescindido o julgado, seja, pela presente, julgada procedente a ação, reconhecido o domínio dos autores
sobre o referido imóvel (cumulação dos iudicium rescindens e iudicium rescissorium).
5. Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
6. Pedem guia para o depósito de 5% sobre o valor da causa (Código de Processo Civil, art. 488, II).
7. Protestam por (indicar os meios de prova).
Esperam deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
ADOÇÃO
1. Conceito. - Adoção é o ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho (Clóvis Beviláqua, Família, §
71).
Nasceu esta instituição da necessidade de ser mantido o culto doméstico. O direito dos povos antigos cogitava de muitos
modos de prover à falta de filhos, que fossem, de geração em geração, perpetuando o culto dos deuses familiares - acrescentava
o ínclito Professor e Jurista, que invocava uma frase expressiva de S. Maine: era uma ficção "pela qual se enxerta, numa
família, um filho de casa estranha".
A influência do espírito religioso, dominante no direito antigo, está presente na origem da instituição. O caráter familiar
permanece nas denominações modernas: "filiação adotiva", o "parentesco civil", ao invés de parentesco natural ou de sangue.
Na linguagem vulgar diz-se "filho adotivo", "filho de criação" a pessoa criada como filho, sem a vinculação jurídica do ato
formalizante da adoção. "Filho" muitas vezes criado sem os cuidados e dedicação paternos e maternos e até em regime de
disfarçada exploração.
Pontes de Miranda, com a costumeira precisão, define: "Adoção é o ato solene pelo qual se cria entre o adotante e o
adotado relação fictícia de paternidade e filiação" (Tratado, vol. IX, § 994, 1).
Ato solene, realizado com as formalidades legais, atendidos os requisitos de direito.
A Constituição Federal dispõe: "A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e
condições de sua efetivação por parte de estrangeiro" (art. 227, § 5º).
Sobre pedido de adoção formulada por estrangeiro (Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 51, infra, nº 9).
2. Legislação. - Disciplinada no Código Civil Brasileiro de 1916, arts. 368 a 378, a adoção caiu em desuso.
A Lei nº 3.133, de 08.05.1957, atualizou o instituto, com a finalidade de incrementar o emprego da adoção, "imagem da
legitimação, remédio consolatório dos que não têm filhos", como se expressou Teixeira de Freitas (Consolidação, p. 167).
Sobreveio a Lei nº 655, de 02.06.1965, dispondo sobre a legitimação adotiva do infante exposto, bem como "do menor
abandonado propriamente dito até 7 anos", do "órfão da mesma idade não reclamado por qualquer parente por mais de um ano"
e, ainda, "do filho natural reconhecido apenas pela mãe, impossibilitada de prover à sua criação".
A lei de legitimação adotiva foi expressamente revogada pelo novo Código de Menores, Lei nº 6.697, de 10.10.1979, que,
nos artigos 27 a 37, regulou a adoção "de menor em situação irregular" - adoção simples e adoção plena.
A Lei nº 6.697/79 foi por sua vez revogada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei nº 8.069, de 13.07.1990, que,
dispondo sobre a família substituta, regulou, nos arts. 39 a 52, a adoção de criança e de adolescente (considerando criança,
para os efeitos da própria lei, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescente aquele entre doze e dezoito anos - art.
2º).
Em conseqüência, temos a adoção simples, regulada pelo Código Civil e adoção plena regulada pelo Estatuto.
3. Relações de parentesco. - Discriminando as relações de parentesco oriundas da filiação, a lei civil considera: a
legitimação (resultante do casamento dos pais, estando concebido, ou depois de nascido o filho); a perfilhação, ou
reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento, que pode ser voluntária ou coacta, isto é, por ato espontâneo dos pais,
ou por meio de investigação de paternidade, ou maternidade; e a adoção, que obedece a precisas normas de direito material e
formal.
4. Adoção simples (CC de 1916). - Só os maiores de 30 anos podem adotar (art. 368). Originariamente exigia-se a
maioridade de 50 anos, reduzida pelo art. 1º da Lei nº 3.133. O adotante deve ser pelo menos 16 anos mais velho que o adotado
(art. 369).
Requer a adoção certo amadurecimento no adotante, "para que mais tarde se não venha a arrepender, suscitando conflitos
psicológicos irreversíveis", e, imitando a filiação biológica, há de ser pelo menos 16 anos mais velho do que o adotado,
"propiciando autoridade e respeito" (Caio Mário da Silva Pereira, Instituições, vol. V, nº 414).
A adoção far-se-á por escritura pública, em que não se admite condição ou termo.
Dissolve-se: a) querendo o menor ou interdito desligar-se do vínculo no ano imediato em que cessar a menoridade ou a
interdição; b) por convenção das partes; c) nos casos em que é admitida a deserdação (arts. 373 e 374).
O parentesco resultante da adoção limita-se ao adotante e ao adotado, salvo quanto aos impedimentos matrimoniais,
segundo o disposto no art. 183, III e V (não podem casar o adotante com o cônjuge do adotado e o adotado com o cônjuge do
adotante; o adotado com o filho superveniente ao pai ou à mãe adotiva).
4.1. Efeitos. - Os direitos e deveres que resultam do parentesco natural não se extinguem pela adoção, exceto o pátrio
poder, que será transferido do pai natural para o adotivo (art. 378).
Assim, por exemplo, o filho pode pedir alimentos ao pai natural, quando o adotante não os puder fornecer (Arnoldo Wald,
Direito de Família, nº 73, p. 168).
5. Adoção plena de menores até 18 anos (ECA). - Grande evolução se operou no instituto desde a adoção plena pelo
revogado Código de Menores, arts. 29 a 37, em que se estabeleceram a forma de concessão por sentença do juiz, condições
subjetivas e efeitos do ato, declarado irrevogável.
No regime do Código de Menores assumia duas modalidades distintas entre si e em relação à adoção comum do Código
Civil. A adoção plena difere profundamente da adoção no Código Civil. "Esta última não passa de uma caricatura ou arremedo
de filiação, enquanto que a adoção plena procura identificação da adoção com a filiação biológica" (Dilvanir José da Costa,
"Aspectos do Direito de Família na Nova Constituição", RF, vol. 304, p. 59, nº 2.3).
O Estatuto da Criança e do Adolescente simplificou, unificou a adoção, reduziu a idade para o adotante (vinte e um anos,
independente de estado civil, art. 42), minudeou os casos positivos e negativos da legitimação para adotar, pondo em letra de
fôrma que "a adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotante e fundar-se em motivos legítimos" (art.
43).
6. Condição de filho.- A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive
sucessórios; desliga-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.
6.1. Direito sucessório; reciprocidade. - É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante,
seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária.
6.2. Cônjuges ou concubinos. - Poderá ser formalizada adoção por "ambos os cônjuges e concubinos", desde que um deles
tenha completado vinte e um anos de idade, comprovada a estabilidade da família - quer da família "legítima", quer da união
concubinária.
A união é estável quando reúne os requisitos de firmeza, segurança emocional, maturação, equilíbrio, ajustamento etc.
(Liborni Siqueira).
6.3. Divorciados e judicialmente separados. - Os divorciados e os judicialmente separados podem adotar conjuntamente,
desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância da sociedade conjugal e haja acordo sobre a guarda e o
regime de visitas.
6.4. Estágio de convivência. - A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo
que a autoridade fixar, observadas as peculiaridades do caso (art. 46).
Poderá dispensar-se o estágio no caso do § 1º.
Em caso de adoção por estrangeiro, o estágio tem prazo mínimo, que a lei estabelece (§ 2º).
7. Sentença constitutiva. - O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no registro civil
mediante mandado, vedado o fornecimento de certidão (art. 47).
8. Irrevogabilidade. - A adoção é irrevogável (art. 48).
9. Pedido formulado por estrangeiro. - A colocação em família substituta estrangeira constitui "medida excepcional",
somente admissível na modalidade de adoção (art. 31).
O candidato deverá comprovar, mediante documento expedido pela autoridade competente do respectivo domicílio, estar
devidamente habilitado à adoção, conforme as leis do seu país, bem como apresentar estudo psicossocial elaborado por
"agência especializada e credenciada" no país de origem (art. 51, § 1º).
Não param aí as exigências para concessão da adoção internacional. São várias, constantes dos §§ 2º, 3º e 4º do art. 51, e do
art. 52.
Justas medidas de precaução, para evitar os abusos do tráfico de crianças brasileiras, denunciados pela imprensa não há
muito tempo.
10. Adoção no novo Código Civil. - O novo Código reduziu de 30 para 18 anos a capacidade para adotar (art. 1.618),
devendo o adotante, a exemplo do CC de 1916 (art. 369), ser pelo menos 16 anos mais velho que o adotado (art. 1.619).
11. Modelos:
11.1. Adoção; requerimento
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE (OU JUIZ DE MENORES, ONDE NÃO
HOUVER JUÍZO ESPECIALIZADO)
{_Nome do cliente} e sua mulher Eurídice de Souza Lima (qualificações, idade e endereço), com fulcro no art. 42, § 2º, do
Estatuto da Criança e do Adolescente, vem requerer a V. Exa. que lhes defira a adoção da menor... que, abandonada pelos pais,
desconhecidos, foi por esse Juízo recolhida ao Abrigo São Lucas.
Os requerentes convivem harmonicamente há mais de 10 (dez) anos, formam família estável, dispõem de recursos
materiais, estão inscritos no livro de registro de pessoas interessadas em adotar uma criança, não têm filhos e desejam
completar a vida do lar com a presença de ..., a quem pretendem dar amor e assistência.
Pelo exposto, e ouvido o representante do Ministério Público,
Esperam deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
11.2. Registro de adotantes
EXMO. DR. JUIZ DE DIREITO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE - {_Comarca}
{_Nome do cliente} e sua mulher Denise de Morais Espínola {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}
requerem a V.Exa. que se digne de mandar lançar os seus nomes no registro de pessoas interessadas na adoção.
Os requerentes têm um filho de 4 anos e pretendem ao mesmo tempo dar um companheiro a seu descendente e amparar
uma criança por este meio adotando-a.
Com fundamento no art. 50 da Lei nº 8.069, de 13.07.1990,
Esperam deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
11.3. Requerimento formulado por estrangeiro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} expõe e requer a V.Exa. o seguinte:
1. O requerente, casado, de nacionalidade..., domiciliado e residente na cidade de ..., pretende colocar em sua família um
menor a quem dará educação e carinho.
Segundo a lei brasileira, o meio de realizar esse desejo, também o de sua mulher, é a adoção (Lei nº 8.069, de 13.07.1990,
art. 31).
2. Requer, assim exposto, que, ouvidos os órgãos competentes, inclusive o representante do Ministério Público, lhe seja
deferida a adoção da menina (indicar) ou de uma das crianças constantes do Registro desse Juizado.
O requerente comprova, através dos documentos nº s ..., que preenche os requisitos do art. 51, § 1º, da mencionada Lei nº
8.069.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
ADVOGADO
1. Representação. - O vocábulo representação tem várias significações em direito material e processual.
As pessoas absolutamente incapazes serão representadas pelos pais, tutores ou curadores em todos os atos jurídicos
(Código Civil de 1916, art. 84). Serão representados em juízo, ativa e passivamente: a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Territórios por seus procuradores (CPC, art. 12, I). "Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do
Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro de Justiça, ou de representação do
ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo" (Código de Processo Penal, art. 24). Qualquer das partes ou o órgão
do Ministério Público pode representar ao Presidente do Tribunal de Justiça contra o juiz que exceder os prazos (CPC, art.
198).
Nos dois primeiros exemplos, representar significa fazer presente, estar em lugar de. Nos dois últimos, formular uma
queixa, provocar um ato da autoridade.
É no primeiro sentido que se diz: a parte será representada em juízo por advogado legalmente habilitado.
2. Jus postulandi. - Difere da capacidade de estar em juízo a de postular, subscrever petições e respostas formuladas em
nome próprio ou de outrem.
Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo. Em regra, só os advogados
inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil estão autorizados a praticar atos de postulação. A lei é rigorosa: impõe não só a
representação por advogado, mas também a exibição de instrumento, público ou particular, que comprove o mandato, isto é, a
procuração.
3. Ordem dos Advogados; privilégio. - O Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906, de 04.07.1994) dispõe, categórico:
"O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são
privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB" (art. 3º).
Razões não faltam para justificar o "privilégio" da classe dos advogados.
O motivo repousa na necessidade de ser o processo conduzido dentro das formalidades da lei, sem tumulto e sem prejuízo
tanto para o interesse particular dos litigantes, como para o público, de uma boa e rápida administração da justiça. Não
significa um privilégio no sentido comum de vantagem ou prerrogativa concedida a certo indivíduo; é um meio de evitar que
as causas degenerem em uma série de atos desconexos e de alegações contraditórias (João Bonumá, Direito Processual Civil,
nº 104).
No antigo Direito Romano, as partes compareciam pessoalmente diante do juiz.Vigorava o princípio de que ninguém podia
agir em nome de outrem - nemo alieno nomine lege agere potest. Mais tarde os legisladores romanos, verificando os
inconvenientes da obrigatoriedade de tal princípio, estabeleceram fosse permitido ao litigante fazer-se representar em juízo por
procurador.
Evolui a sociedade, evolui o Direito. O que ontem era proibido é hoje obrigatório. Imagine-se, na atualidade, com o
desenvolvimento do serviço judiciário, a ampliação dos Ramos do Direito, a multiplicação das relações jurídicas, a
especialização; imagine-se hoje a balbúrdia, e o caos se as causas fossem entregues aos próprios demandantes, apaixonados,
despreparados, desconhecedores das leis, da jurisprudência, da prática forense.
A jurisprudência tem declarado nulos os atos praticados sem observância do princípio legal. Acórdãos do Supremo Tribunal
Federal: É nulo ab initio o processo promovido em juízo por quem não é advogado regularmente habilitado, não podendo os
atos praticados ser sancionados ou retificados (Arquivo Judiciário, vol. 82, p. 187). Ninguém pode ser admitido em juízo sem
apresentação de instrumento que habilite o procurador a agir (Direito, vol. 60, p. 255).
Despacho. Procuração sem poderes
Despacho. A parte será representada em juízo por advogado legalmente habilitado (Código de Processo Civil, art. 36). Sem
instrumento de mandato, o advogado não será admitido em juízo (idem, art. 37).
Verifico que os poderes conferidos ao ilustre advogado no instrumento particular de f. 17 restringem-se ao patrocínio dos
direitos do outorgante na falência de Companhia Açougue Arcoverde; não contém o de propor a presente ação ordinária de
indenização, nem a cláusula: "procuração para o foro em geral".
Supra-se a falta, no prazo de oito dias.
Intime-se.
Data. Rubrica.
Procuração
Por este instrumento particular de procuração, que escrevo e assino, eu, Pânfilo Duarte, brasileiro, solteiro, motorista de
táxi, residente à rua das Quintas, nº 46, nomeio e constituo meu procurador o Dr. Abílio Soares Duque, brasileiro, casado,
advogado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob nº... com escritório na Avenida General Labatu, nº 287, grupo 705,
a quem concedo poderes especiais para me representar no inventário dos bens deixados por Teodorico Fernandes Duarte,
podendo firmar compromisso de inventariante e praticar todos os atos necessários ao desempenho do mandato, e substabelecer.
Data. Assinatura.
Procuração com poderes "ad juditia"
Por este instrumento (público, ou particular), AntônioVilela e Paulo Santana Vilela (qualificação, residência, carteira de
identidade, CPF), nomeiam seu advogado o Dr. Josué Dantas (qualificação, nº de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil, endereço do escritório), a quem concedem poderes para o foro em geral, especialmente para (indicar a finalidade),
podendo ainda substabelecer.
Data. Assinaturas.
Substabelecimento
Com reserva (ou sem reserva), substabeleço o Dr. Flávio Albuquerque de Almeida, brasileiro, casado, advogado, com
escritório à rua (indicar), inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob nº (indicar), nos poderes que me foram conferidos
em procuração por Antônio Vilela, os autos da ação (indicar).
Data. Assinatura.
4. Postulação em causa própria. - Admite-se, excepcionalmente, a postulação em causa própria: a) quando a parte tiver
habilitação legal; e b) não a tendo, no caso de falta de advogado no lugar ou recusa ou impedimento dos que houver (CPC, art.
36).
Petição para postular sem advogado
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA COMARCA - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente quer propor uma ação possessória contra {_Nome da parte contrária}, seu vizinho, no sítio denominado
Vale do Sol, município de Cajazeira.
Acontece que nesta cidade não existe advogado (ou que o único advogado existente se recusa a patrocinar a causa, ou está
impedido, ou não lhe merece inteira confiança).
2. Assim exposto, e com fundamento no art. 36, segunda parte, do Código de Processo Civil, requer a V. Exª conceder
licença ao requerente para postular em causa própria.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
Se houver no lugar pessoa sem habilitação legal (vale dizer, advogado não inscrito na OAB, mas com aptidão para exercer
o múnus público), o patrocínio da causa deve caber-lhe, de preferência à parte por si mesma.
Neste caso, o modelo acima pode ser assim redigido:
............................................................................................
Assim exposto, com fundamento no art. 36 do Código de Processo Civil, e Estatuto da Advocacia, requer a V. Exª conceder
licença para funcionar como procurador judicial Arnóbio Telles Garcia (qualificação, residência) que, não sendo advogado,
tem, contudo, experiência de foro e habilitação para desempenho do mandato.
5. Revogação do, ou renúncia ao mandato. - A parte pode ter motivo para revogar o mandato conferido a seu advogado.
Neste caso, no mesmo ato constituirá outro procurador que assuma o patrocínio da causa (CPC, art. 44).

Revogação de mandato
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}, nos autos da ação declaratória em que figura como autor, intentada contra {_Nome da parte
contrária}, pede a V. Exª que se digne de mandar comunicar ao Dr. Virgílio de Azevedo a revogação do mandato que lhe foi
conferido.
Neste ato, junta procuração passado ao Dr. Sérgio Alvarez, para que assuma o patrocínio da causa.
(Ou: Declara que, devido à recusa do advogado existente na Comarca e da ausência de outro, deixa de constituir, de logo,
sucessor).
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
O advogado poderá, a qualquer tempo, renunciar ao mandato, provando que cientificou o mandante a fim de que este
nomeie substituto. Durante os dez dias seguintes, o advogado continuará a representar o mandante, desde que necessário para
lhe evitar prejuízo (CPC, art. 45).
As relações entre a parte e o seu procurador judicial são regidas pelo Código Civil e pela Lei nº 8.906, de 1994. O Código
de Processo Civil regula o que é necessário à representação da parte, apenas no que interessa ao processo (Celso Agrícola
Barbi, Comentários ao CPC, vol. I, nº 281).
Renúncia ao mandato
Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito {_Vara ou Junta}{_Comarca}
Virgílio de Azevedo, advogado, inscrito sob nº {_Nº OAB}, com escritório à {_Endereço do Adv.}, tendo sido constituído
procurador judicial de {_Nome do cliente}, brasileiro, comerciante, ut instrumento constante dos autos da ação declaratória
nº{_Nº do Processo}, Cartório do 2º ofício, e não podendo continuar a exercer o múnus em virtude de (dar os motivos), vem
renunciar ao mandato.
Pede a V. Exª que se digne mandar cientificar o mandante, a fim de que lhe nomeie substituto, na forma do art. 45 do
Código de Processo Civil.
{_Comarca}{_DATA}.
Assinatura.
6. Ética. - O Instituto dos Advogados Brasileiros muito se há preocupado com o problema do comportamento ético do
advogado, ora batalhando pela inclusão da Cadeira de Deontologia Jurídica nos currículos dos cursos jurídicos, ora
proclamando a necessidade de atualizar o processo disciplinar, ora procurando remediar o prejuízo da aprovação, em massa, de
bacharéis, que se está realizando no Brasil.
Ruy de Azevedo Sodré, batendo-se pela implantação da Cadeira de Ética Profissional, acentuava "os desastrosos resultados
da criação indiscriminada de Faculdades de Direito por todos os recantos do País", situação reveladora de grave falha na
formação ética profissional advocatícia.
"Carente de princípios, destituído de perspectiva valorativa, revela-se deficiente a formação pedagógica do bacharel em
Direito, com reflexos diretos não apenas nos advogados mas, também, nos que mais tarde se dedicam à Magistratura,
Ministério Público, Procuradores Judiciais, delegados de Polícia" (Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros, ano IX, nº
52/53, p. 84).
O Conselho Federal da OAB votou e aprovou o novo Código de Ética e Disciplina dos exercentes da profissão de
advogado, contando dois títulos (ética e processo disciplinar), que devem ser lidos e relidos (ver DJ de 01.03.1995).
7. Mandamentos, Decálogos. - No século XVIII, Santo Afonso Maria de Liguori resumira num decálogo o que, hoje,
noutras palavras, se insere nas leis, ou figura nos conselhos dos doutores.
Eduardo Couture, brilhante jurista contemporâneo, é o autor de Dez Mandamentos. São estes: 1º) Estuda; 2º) Pensa; 3º)
Trabalha; 4º) Luta; 5º) Sê Leal; 6º) Tolera; 7º) Sê Paciente; 8º) Tem fé; 9º) Esquece; 10º) Ama tua profissão.
8. Legislação. - Além da Lei nº 8.906/94, de 04.07.1994 (Estatuto da Advocacia), outros diplomas legislativos devem ser
aqui mencionados:
Código de Processo Civil, arts. 36 a 40 e 44. O art. 38, sobre procuração geral para o foro, tem nova redação, eliminada a
exigência de reconhecimento da firma pela Lei nº 8.952/94.
Código Civil de 1916, arts. 1.324 a 1.330; novo Código Civil, mandato, arts. 653 a 666 (disposições gerais); 667 a 674
(obrigações do mandatário); 675 a 681 (obrigações do mandante); 682 a 691 (extinção); 692 (mandato judicial).
Consolidação das Leis do Trabalho, art. 791, verbis:
"Os empregados e empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas
reclamações até final."
Nos dissídios individuais ou coletivos, poderão fazer-se representar ou assistir por advogado (§§ 1º e 2º).
Lei nº 5.478, de 25.07.1968, sobre alimentos, art. 2º.
Lei nº 3.836, de 14.12.1960, sobre entrega de autos.
Lei de Falências (Decreto-Lei nº 7.661, de 21.06.1945, art. 31).
Código Penal, art. 335, verbis:
"Impedir, perturbar ou fraudar concorrência pública ou venda em hasta pública promovida pela administração federal,
estadual ou municipal; afastar ou procurar afastar concorrente ou licitante por meio de violência, grave ameaça, fraude ou
oferecimento de vantagem."
Lei das Contravenções Penais, art. 47, verbis:
"Exercer profissão ou atividade econômica, ou anunciar que a exerce, sem preenher as condições a que por lei está
subordinado o seu exercício."
AGRAVO DE INSTRUMENTO E AGRAVO RETIDO
1. Alteração da lei processual. - A Lei nº 9.139, de 10.11.95, alterou a redação dos artigos 522 a 529, do Código de
Processo Civil, que tratam do agravo de instrumento.
Modificações de fundo e de forma, sobre: a) nítida distinção entre agravo retido e agravo de instrumento; b) explicitação da
competência de tribunal, a que deve ser dirigido, diretamente, o recurso; c) prazo para interposição; d) interposição oral, em
audiência, de agravo retido; e) instrução da petição de agravo de instrumento, inclusive com de comprovante de pagamento das
respectivas custas e do porte do correio; f) protocolação no tribunal, ou expedição pelo correio, da petição de agravo, no prazo
de interposição do recurso - 10 dias; g) juntada, pelo agravante, aos autos principais, de cópia da petição e relação dos
documentos que a instruem; h) amplas atribuições do relator; i) comunicação pelo juiz, ao relator, de inteira reforma da decisão
recorrida; j) recurso da decisão denegatória do agravo.
2. Cabimento do recurso. - Caberá agravo das decisões interlocutórias no prazo de 10 dias (art. 522).
Decisão interlocutória, no estrito conceito legal, é "o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente"
(CPC, art. 162, § 2º).
3. Agravo de instrumento; agravo retido. - Forma-se o instrumento do agravo com as peças que as partes indicam ou que a
lei impõe. O agravante pode requerer que o agravo fique retido nos autos, para ser conhecido, preliminarmente, pelo tribunal,
no julgamento da apelação.
Não se conhecerá do agravo se a parte não requerer expressamente que o tribunal dele conheça, preliminarmente, por
ocasião do julgamento da apelação (art. 523, § 1º).
4. Retratação. - Interposto o agravo, o juiz poderá reformar sua decisão, após ouvir a parte contrária, em 10 dias (art. 523, §
2°).
5. Interposição oral do agravo retido. - Das decisões interlocutórias proferidas em audiência admitir-se-á interposição
verbal do agravo retido, expostas sucintamente pelo agravante as razões que justifiquem o pedido de nova decisão, as quais
constarão do respectivo termo (art. 523, § 3º).
5.1. Decisões posteriores à sentença; agravo retido. - Será sempre retido o agravo das decisões posteriores à sentença,
salvo caso de inadmissão da apelação (§ 4º).
6. Petição do recurso; instrução. - A petição de agravo de instrumento será instruída: I - obrigatoriamente, com cópias da
decisão agravada, da certidão da respectiva intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do
agravado; II - facultativamente, com outras peças que o agravante entender úteis (art. 525).
O agravante, no prazo de três dias, requererá juntada de cópia da petição e do comprovante de sua interposição, com a
relação dos instrumentos do recurso, sob pena de inadmissibilidade do agravo (art. 526 e § único).
7. Preparo. - A petição de agravo de instrumento deverá ser protocolada no tribunal ou expedida pelo correio, no prazo de
10 dias.
O agravo retido independe de preparo (art. 522, parág. único).
8. Atribuições do relator. - Distribuído incontinenti o recurso, o relator poderá: a) requisitar informações ao juiz da causa,
que as prestará em 10 dias; b) atribuir efeito suspensivo ao recurso, comunicando ao juiz tal decisão; c) intimar o agravado, na
mesma oportunidade, por ofício dirigido a seu advogado, para responder no prazo de 10 dias, facultando-lhe juntar cópias das
peças que entender conveniente; d) mandar ouvir o Ministério Público, se for o caso, no prazo de 10 dias; e) negar seguimento,
liminarmente; f) converter o agravo de instrumento em agravo retido (art. 527, I a VI, com a redação da Lei n° 10.352, de
26.12.2001).
Nas comarcas sede do tribunal, a intimação far-se-á pelo órgão oficial (art. 527, V, 2ª parte).
Na sua resposta o agravado observará o disposto no § 2º do art. 525 (art. 526, § único).
8.1. Dia para julgamento. - O relator pedirá dia para julgamento em prazo não superior a 30 dias, contados da intimação do
agravado (art. 528).
8.2. Comunicação de reforma total da decisão. - Comunicado o relator pelo juiz, considerará prejudicado o agravo (art.
529).
8.3. Recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com
jurisprudência dominante do respectivo Tribunal, do STF ou de Tribunal Superior. - O relator negar-lhe-á seguimento (art.
557).
Da decisão denegatória caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o julgamento do recurso, e, se não
houver retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo voto; provido o agravo, o recurso terá seguimento (art.
557, § 1º).
8.4. Suspensão do cumprimento da decisão. - O relator poderá, a requerimento do agravante, nos casos de prisão civil,
adjudicação, remissão de bens, levantamento de dinheiro sem caução idônea e em outros casos dos quais possa resultar lesão
grave e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação, suspender o cumprimento da decisão até o pronunciamento da
turma ou câmara (art. 558).
O disposto no art. 558 aplica-se nas hipóteses do art. 520 - casos em que a apelação será recebida só no efeito devolutivo
(parág. único).
9. Modelos:
9.1. Petição de agravo de instrumento
EXMO. SR. DR. PRESIDENTE DO {_Tribunal do recurso}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, não se conformando, data
venia, com a decisão proferida nos autos da ação possessória intentada contra {_Nome da parte contrária} (Processo nº {_Nº
do Processo}, da Comarca de ......., ou da ......... Vara Cível desta Comarca), quer, com fundamento no art. 522 do Código de
Processo Civil, interpor agravo de instrumento, pelas razões que passa a expor:
1. O MM. Juiz indeferiu audiência das testemunhas Antônio Ricardo Gomes e Beatriz Camarca, temporariamente arroladas
pelo recorrente, sob fundamento de que (indicar o motivo).
Entretanto (argumentar).
2. Pelo exposto, espera o agravante que esse douto Tribunal, por uma de suas câmaras, reforme a decisão interlocutória de
f...., a fim de ser admitida e produzida a prova, necessária ao esclarecimento dos fatos da causa, articulados à f. ... .
3. Instruem a presente petição, que expõe, no item 1, as matérias de fato e de direito, cópias: a) da decisão agravada; b) da
respectiva intimação, data de....; c) das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado; d) do pagamento
das custas e do corte; e) de peças, indicados itens, indicadas para traslado, pelo recorrente, isto é,...
Pede e confia que o recurso, interposto no prazo legal, seja recebido e lhe seja dado provimento para o fim indicado no item
2 - colheita do depoimento das mencionadas testemunhas.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
9.2. Contraminuta ou resposta
EXMO. SR. DR. RELATOR DO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº ... DA COMARCA DE {_Comarca}.
Intimada, por ofício de nº ..., do agravo interposto por {_Nome da parte contrária} no Processo nº {_Nº do Processo}, da
Comarca de {_Comarca}, diz {_Nome do cliente}, por seu advogado, em resposta ao recurso, o seguinte:
1. Do agravo não conhecerá certamente a douta Câmara, porque interposto a destempo.
A decisão foi publicada, para intimação às partes, no Diário da Justiça, do dia ..., e o recurso interposto no dia ..., já
escoado o decêndio previsto no art. 523, § 2º do Código de Processo Civil.
2. Se admitir o recurso, a egrégia Câmara negar-lhe-á provimento, convencida de que a decisão recorrida deve ser
confirmada por seus jurídicos fundamentos.
Com efeito (argumentar).
4. Pelo exposto, espera o agravado: a) que se não conheça do agravo; ou b) em última hipótese, que lhe seja negado
provimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
9.3. Agravo retido (petição oral)
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, inconformado com a decisão
de V. Exa., que nesta audiência indeferiu a tomada do depoimento de Isidora Machado, testemunha tempestivamente arrolada
pelo requerente, quer, com fundamento no art. 523, § 3º, do Código de Processo Civil (redação da Lei nº 9.139, de
30.11.1995), interpor oralmente agravo retido pelas seguintes razões (argumentar).
Pede que o recurso seja tomado por termo e fique retido nos autos, a fim de que o Tribunal dele conheça preliminarmente
por ocasião do julgamento da apelação (art. 523, § 1º).
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA
1. Conceito. - Alienação fiduciária em garantia é um contrato pelo qual se transfere ao credor o domínio resolúvel e a posse
indireta da coisa móvel alienada, independentemente da tradição efetiva do bem, tornando-se o alienante ou devedor em
possuidor direto e depositário com todas as responsabilidades e encargos que lhe incumbem de acordo com a lei civil e penal.
Foi criação do art. 66 da Lei nº 4.728, de 14.07.1965, denominada lei do mercado de capital, substancialmente alterada pelo
Decreto-Lei nº 911, de 11.10.1969. "Outros diplomas legais e resoluções normativas completam o quadro legal da figura"
(Orlando Gomes, Contratos, nº 390).
É criação do direito moderno, embora se rastreiem suas origens no Direito Romano (fiducia cum amico e fiducia cum
creditore).
Em verdade, o Direito Brasileiro tem experimentado novos instrumentos de garantia, certo de que "o penhor e a hipoteca
não satisfazem às exigências da vida mercantil" (Caio Mário da Silva Pereira, Instituições, vol. IV, nº 364-A).
Obs.: A Lei nº 9.514, de 20.11.97, que dispôs sobre o Sistema Financeiro Imobiliário, instituiu a alienação fiduciária de
coisa imóvel.
2. Elementos. - São elementos do contrato: a) as partes contratantes, a saber: a financeira-creditadora e credora fiduciária e
depositante, autorizada pelo governo, ou outra pessoa jurídica; b) objeto: a transferência do domínio resolúvel; c) o bem móvel
cujo valor é financiado, bem identificável por marcas, números e sinais; d) forma - contrato celebrado por escrito, documento
público ou particular (Pedro Arruda França, Contratos Atípicos, 2ª ed., Rio de Janeiro, 1989, pp. 253-254).
3. Prova documental; requisitos. - A alienação fiduciária somente se prova por escrito. O instrumento, público, ou privado,
será obrigatoriamente arquivado, por cópia ou microfilme, no Registro de Títulos e Documentos do domicílio de credor
(fiduciário), sob pena de não valer contra terceiro, e conterá: a) o total da dívida ou sua estimativa; b) o local e a data do
pagamento; c) a taxa de juros, as comissões cuja cobrança for permitida e, eventualmente, a cláusula penal e a estipulação de
correção monetária, com indicação dos índices aplicáveis; d) a descrição do bem objeto da alienação fiduciária e os elementos
indispensáveis à sua identificação (Lei nº 4.728, art. 66, § 1º).
4. Mora do devedor "fiduciante". - A mora, cuja emenda pode ser requerida, tempestivamente, enseja ao credor: a)
requerer busca e apreensão, conversível em ação de depósito se o bem alienado judicialmente não se achar na posse do
devedor; e b) ação executiva. Neste caso, são inaplicáveis os incisos VI e VIII, do art. 649 do Código do Processo Civil,
relativos à impenhorabilidade absoluta dos bens nos textos indicados.
5. Modelo:
Alienação fiduciária
Banco de Investimentos ..., com sede na rua .., nº .., e Bruno Ávila Ltda., estabelecida na Praça ..., nº ..., ajustam o seguinte:
1. Um contrato de crédito fixo com alienação fiduciária destinada ao financiamento de capital de giro, através de letras de
câmbio a serem colocadas no mercado de capitais, no valor de ...,tudo nos termos do art. 66 da Lei nº 4.728, de 14.07.1965,
com a redação que lhe conferiu o Decreto-Lei nº 911, de 01.10.1969.
2. Ficam estipuladas cláusulas de correção monetária de ...% ao ano sobre o valor nominal das letras de câmbio e comissão
de ...% sobre o total do crédito aberto, ou prorrogado, com vencimento para ... de ... 19...
3. Como garantia de suas obrigações a contratante dá ao Banco a alienação fiduciária dos seguintes bens (descrever).
Obs.: Modelo colhido em Prática Forense, do ilustre Professor José Olympio de Castro Filho, em homenagem ao exímio
processualista.
ALIMENTOS PROVISIONAIS
1. Alimentos. - Alimento, em sentido vulgar, é "qualquer substância suscetível de ser digerida e servir de nutrição para os
tecidos e produção de calor" (Laudelino Freire, Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa). Em direito - e sempre
se emprega no plural - o conceito é mais amplo.
"Alimentos", juridicamente, compreendem tudo o que é necessário ao sustento, à habitação, à roupa, tratamento das
moléstias, instrução, educação. É o direito material que define o direito a alimentos, a obrigação de prestar pensão alimentícia.
Interessam-nos, aqui, restritas questões de direito processual: alimentos provisionais em tema de medidas cautelares, no
campo estreito das finalidades desta obra.
O Código de Processo Civil, arts. 852, e também a Lei nº 5.478, de 25.07.1968, contêm a matéria processual.
2. Cabimento. - É lícito pedir alimentos provisionais: I. nas ações de separação judicial e de anulação de casamento, desde
que estejam separados os cônjuges; II. nas ações de alimentos, desde o despacho da petição inicial; III. nos demais casos
expressos em lei (art. 852).
É lícito pedir alimentos provisionais nos casos previstos nos incisos I e II e nos expressos em lei. O Código Civil de 1916,
arts. 396 a 405, o novo Código Civil, arts. 1.694 a 1.710 e a Lei nº 5.478/68, art. 4º, dão casos expressos em lei, que, aliás,
guardam similitude com os dispositivos processuais.
A Lei nº 5.478 dispõe que "ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios" a serem pagos pelo
devedor, se o credor expressamente declarar que deles não necessita.
Nelson Carneiro que, no Congresso, teve acentuada participação na elaboração legislativa do texto legal e atesta haver sido
o art. 4º, dentro os textos da lei, "o que mais debates suscitou na Câmara dos Deputados’, interpreta o "desde logo" como
atribuição ao juiz para, de ofício, conceder a medida, não sem ressalvar que resta ao bom senso dos juízes evitar os
inconvenientes que podem decorrer de uma fixação arbitrária e exagerada (A Nova Ação de Alimentos, nº 49).
João Claudino de Oliveira e Cruz não afirma dever ao juiz, sem requerimento da parte, fixar alimentos. Escreveu:
"O juiz, ao despachar o pedido, deverá fixar desde logo os alimentos provisórios. Por isso, o credor dos
elementos deverá fornecer, com a inicial, os elementos que possibilite ao juiz tal fixação" (A Nova Ação de
Alimentos, nº 6).
Parece comungar de entendimento contrário Alexandre de Paula, verbis:
"O fato de dizer o Código que é lícito pedir alimentos provisionais nas ações de alimentos não significa a
renovação do art. 4º da Lei nº 5.478, de 1968, que ordena ao juiz fixar, desde logo, a verba de expensa litis,
salvo expressa dispensa do alimentando" (Código de Processo Civil Anotado, vol. III).
Fixar desde logo, ao despachar a inicial, fixar de plano, mediante consignação imperfeita, significa despachar sem demora,
sem formalidades, não despachar de ofício.
O art. 854, parágrafo único é bastante claro:
"O requerente poderá pedir que o juiz, ao despachar a inicial e sem audiência do requerido, arbitre, desde logo, uma
mensalidade para mantença."
Prevalece, contudo, no foro a interpretação que mais atende ao sentido que é letra da lei.
3. Concubino, direito a prestação alimentícia, e de herdar. Presentemente, sobreveio lei que participa da constante
evolução jurídica, operada no País, em prol da situação do concubino.
A evolução dos direitos do concubino tem mais de um episódio recente: a garantia do direito a prestação alimentícia e a
faculdade de participar de herança.
A Lei nº 8.971, de 29.12.94, concede ao companheiro essas mercês, desde que verificadas certas circunstâncias.
A) A companheira comprovada de um homem solteiro, separado judicialmente, divorciado ou viúvo, que como ele vida há
mais de cinco anos, ou dele tenha prole, poderá valer-se da Lei nº 5.478/68, enquanto não constituir nova união e desde que
prove necessidade de alimentação (art. 1º).
Igual direito e nas mesmas condições é reconhecido ao companheiro de mulher solteira, separada judicialmente, divorciada
ou viúva (parág. único).
B) O art. 2º concede às pessoas referidas no art. 1º usufruir de parte dos bens do de cujus, desde que verificados os
requisitos que estabelece.
C) Quando os bens deixados pelo autor da herança resultarem de atividade comum, em colaboração do companheiro ou da
companheira, o sobrevivente herdará a metade deles (art. 3º).
4. Competência. - Ainda que a causa principal penda de julgamento no tribunal, processar-se-á no primeiro grau de
jurisdição o pedido de alimentos provisionais (art. 853).
5. Modelo:
Pedido de alimentos
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}.
Gilda Ferreira Borba, brasileira, solteira, massagista, residente nesta cidade, rua Padre Feitosa, nº 38, representando seus
filhos menores, {_Nome do cliente}, de seis anos, e {_Nome do cliente} de oito anos, vem, perante esse Juízo, beneficiada por
justiça gratuita, expor e requerer o seguinte:
1. A requerente viveu maritalmente durante cerca de 10 anos com Édison de Castro Mendonça, brasileiro, solteiro,
funcionário do Ministério do Trabalho, residente na rua Sete de Setembro, nº 280, apartamento nº 202, bairro da ...
Dessa união nasceram os referidos menores, filhos naturais de Édison, que os reconheceu (certidões juntas). Apesar disso, o
pai abandonou a requerente e os filhos.
O salário da requerente, escasso, fruto de sua atividade profissional, é insuficiente para manter com decência os filhos, já
necessitados de freqüentar escola.
Édison de Castro Mendonça recebia, até há pouco, no emprego público, vencimentos mensais de ...
2. Face ao exposto, requer a citação do réu para os termos de uma ação de alimentos, na conformidade da Lei nº 5.478, de
25.07.1968, a fim de que seja fixada prestação alimentícia de acordo com as necessidades dos menores e os recursos do
devedor, condenado o réu nas custas processuais e honorários de advogado.
Pede ainda, de logo, sejam fixados alimentos provisionais a serem pagos pelo devedor, nos termos do art. 4º da Lei nº
5.478/68.
Dando à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
APELAÇÃO
1. Apelação. Noção histórica. - A apelação é o recurso por excelência. A origem histórica do sistema de apelações oferece
obscuridades, e tão profundas que têm aberto vivíssima disputa entre os doutores. Afirmado por uns que em tempos remotos só
existia uma jurisdição, por outros afirmado que em todos os tempos e nações cultas a apelação foi admitida "como um
princípio imposto pela necessidade de corrigir as decisões injustas", impõe-se, "como ponto indisputável, o asserto de ser a sua
origem coetânea dos primeiros albores da civilização humana" (Afonso Fraga, Instituições, vol. III, § 111, pp. 25-26).
Recorre-se ao Deuteronômio, ao Êxodo, aos Atos dos Apóstolos, à procura dos primeiros delineamentos do instituto nos
Livros Sagrados.
No Direito Romano a appellatio passou por vicissitudes, como atestam os escritores.
2. Etimologia. - A palavra apelação corresponde à palavra latina appellatio, composta da proposição ad e do verbo pellare,
desusado. Emprega-se em vários sentidos, entre eles o de nomear alguém, chamar alguém, gritar por alguém (em socorro).
O leigo, que nada entende de nomenclatura recursal, usa apelar no sentido de recorrer ou de procurar remédio judicial:
"Apelei para o Judiciário"; "Apelei para o Tribunal"; "Apelei até para o Supremo".
Nem por ser o recurso mais comum, está livre de discussões em alguns pontos, dispensa do advogado especial cuidado e do
magistrado, quer no juízo a quo quer no juízo ad quem, acurado exame dos pressupostos, da admissibilidade, da legitimidade,
da tempestividade, etc.
Apelação é, conceitualmente, recurso dirigido a órgãos de segundo grau para que reveja as questões decididas em primeiro
grau e impugnadas. Pressupõe, portanto, julgadores de instância superior à do que proferiu a sentença: tribunal em relação a
juiz.
Não cabe, assim, recurso de apelação do despacho de desembargador que indefere liminarmente mandado de segurança.
Cabível, sim, é o recurso inominado, ou agravinho (ac. da 1ª Turma do STF, de 06.05.1977, Alexandre de Paula, O Processo
Civil à Luz da Jurisprudência, vol. V, nº 9.382).
3. Apelabilidade da sentença. - É apelável toda "sentença" definida no art. 162, § 1º, como o ato do juiz que põe termo ao
processo, decidindo ou não o mérito da causa. "Da sentença caberá apelação", dispõe, sintético, o art. 513, que remete aos arts.
267 e 269, regras complementares.
Quando o juiz profere decisão nos casos indicados no art. 267, I a XI, ter-se-á sentença terminativa do processo, sem
julgamento do mérito, apelável. Se indefere a petição inicial (inc. I); ou acolhe alegação de coisa julgada (inc. V); se declara
ilegítima, ou sem interesse a parte (inc. VI), porá fim ao processo sem julgamento do mérito, sem se manifestar sobre a
procedência ou improcedência do pedido. Três exemplos, tirados do art. 267, de decisão terminativa, apelável.
O art. 269 considera que há decisão (lato sensu) com julgamento do mérito: I. quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do
autor; II. quando o réu reconhecer a procedência do pedido; III. quando as partes transigirem; IV. quando o juiz pronunciar a
decadência ou a prescrição; V. quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação.
Tudo se fez - com definir sentença, decisão interlocutória, despacho, e com a remissão aos arts. 267 e 269 - para remover as
dúvidas em que se debatiam advogados e juízes a respeito do recurso adequado ao pronunciamento judicial impugnado.
4. Apelação, conteúdo. - A apelação, interposta por petição dirigida ao juiz, conterá: I. os nomes e a qualificação das partes;
II. os fundamentos de fato e de direito; III. o pedido de nova decisão (art. 514).
5. Modelo:
Recurso de apelação
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, na ação proposta contra {_Nome da parte
contrária}, Cartório ..., não se podendo conformar com a sentença de ff. ..., vem, com fundamento no art. 496 do Código de
Processo Civil, e no prazo do art. 508, apelar para o egrégio Tribunal de Justiça.
Pede que, recebida a apelação e, cumpridas as formalidades legais, sejam os autos remetidos àquela egrégia Corte.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Razões de Apelação
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ...
A respeitável sentença de ff. 82-89, proferida pelo douto juiz da Vara ... merece reformada (total ou parcialmente), pelos
motivos que o apelante passa a expor:
1. Razões de fato (...)
2. Razões de direito (...)
3. Pelo exposto, espera o recorrente que se dê provimento ao apelo, a fim de ser reformada a sentença ...
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ARRESTO
1. Generalidades. - Arresto é apreensão e depósito de bem do devedor para garantia de crédito. O arresto pode recair em
quaisquer bens do devedor, quanto baste para segurança da execução. É essencial, para sua concessão, prova literal de dívida
líquida e certa.
Arresto e seqüestro não se confundem, ainda que a diferença tenha escapado a algumas leis e alguns autores. Arrestam-se
bens, quaisquer bens, do devedor, preventivamente, para cumprimento do que é devido. Preventivamente seqüestra-se
determinado bem sobre o qual há litígio.
Pontes de Miranda, em obra de vasta erudição, fixou os elementos comuns e os diferenciais dos dois institutos:
"São elementos comuns:
A) O intuito de segurança econômica, quando qualquer fato (dos previstos na lei) permite crer-se na
ofensa a direitos.
B) O caráter de medidas preventivas, como a detenção pessoal, os protestos, a venda judicial de objetos
comerciais que tenham sido embargados, depositados, ou penhorados, se de fácil deterioração, etc.
Um desvia o perigo do desaparecimento da coisa, é o seqüestro; outro consiste em embargo de
impedimento, até que o devedor solva a dívida. Um supõe a questão sobre a coisa (direito real, posse); outro,
a obrigação.
São elementos diferenciais:
A) Posto que preventivos e de segurança os dois remédios, o do seqüestro e o do arresto - o primeiro tem
por fito conservar determinada coisa, ao passo que o segundo conserva o que é suficiente para cumprimento
do que é devido. Em termos mais precisos, se bem que em linguagem mais técnica - a prevenção no que
concerne ao objeto (seqüestro) ou no que diz respeito à utilidade final da relação de direito.
B) O seqüestro supõe a litigiosidade da coisa ou, por outras expressões, a incerteza subjetiva em relação a
ela; o arresto não implica qualquer laço entre o objeto da causa que se vai decidir, e os bens que se arrestam;
não há incerteza, mas certeza de quem é o dono deles. Ali, depositados serão os bens, porque há dúvida
quanto ao termo da relação (sujeição) a que se prende a coisa; aqui, é da inexistência de tal dúvida que se
parte para a concessão do arresto. Bens que não se sabe a quem pertencem ou quem os possui podem ser
seqüestrados, mas, quanto a eles, seria impossível o serem arrestados" (História e Prática do Arresto, n°s 25-
26).
2. Cabimento. - Cabe o arresto: I. quando o devedor sem domicílio certo intenta ausentar-se ou alienar os bens que possui,
ou deixa de pagar a obrigação no prazo estipulado; II. quando o devedor que tem domicílio: a) se ausenta ou tenta ausentar-se
furtivamente; b) caindo em insolvência, aliena ou tenta alienar bens que possui; contrai ou tenta contrair dívidas
extraordinárias; põe ou tenta pôr seus bens em nome de terceiros; ou comete qualquer outro artifício fraudulento, a fim de
frustrar a execução ou lesar credores; III. quando o devedor, que possui bens de raiz, intenta aliená-los, hipotecá-los ou dá-los
em anticrese, sem ficar com algum ou alguns, livres e desembaraçados, equivalentes às dívidas; IV. nos demais casos expressos
em lei (art. 813).
3. Pressupostos. - Para concessão do arresto é essencial: I. prova literal de dívida líquida e certa; II. prova documental ou
justificação de algum dos casos mencionados no art. 813 (art. 814).
Equipara-se à prova literal da dívida líquida e certa, para efeito da concessão do arresto, a sentença, líquida ou ilíquida,
pendente de recurso, condenando o devedor ao pagamento de dinheiro ou de prestação que em dinheiro possa converter-se (art.
814, parágrafo único).
4. Suspensão; cessação. - Suspende-se a execução do arresto: I. se o devedor, dele intimado, pagar ou depositar em juízo a
importância da dívida mais honorários advocatícios e custa; II. se der fiador idôneo, ou prestar fiança para garantia da dívida,
honorários e custas (art. 819). Cessa o arresto: I. pelo pagamento; II. pela novação; III. pela transação (art. 820).
5. Modelo:
Pedido de arresto
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil sob nº {_Nº OAB}, com escritório à {_Endereço do Adv.}, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente é credor de {_Nome da parte contrária}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, estabelecido na rua {_Parte contrária-Outros endereços}; é credor da quantia de ... (doc. anexo), representada
por nota promissória a vencer-se no dia ... A dívida provém de empréstimo de dinheiro para auxiliar o devedor a estabelecer-se
no comércio.
O devedor não possui imóvel (certidão anexa). Seus únicos bens são um automóvel Brasília, ano 1979, cor gelo, chapa
nº ... e os do pequeno estabelecimento de conserto de bicicletas.
José Benevides, com toda aparência de insolvente, está liquidando a oficina, pretende vender o automóvel e vai mudar-se
para Uberlândia, como se vê do aviso junto por cópia e se comprovará com o depoimento das testemunhas abaixo arroladas.
2. O arresto tem lugar quando o devedor, caindo em insolvência, tenta alienar os bens que possui (Código de Processo
Civil, art. 813, II, b).
3. Assim exposto, e com fundamento no art. 815 do Código de Processo Civil, pede a V. Exª que, justificados os fatos, se
digne de determinar o arresto do mencionado veículo, para garantia do crédito indicado no item 1.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ARROLAMENTO DE BENS
1. Generalidades. - "Arrolar", verbo de regência variada, de a + rol + ar, significa inscrever em uma lista, fazer relação de,
pôr no rol de. Daí vem arrolamento, ação de arrolar.
Arrolam-se bens, arrolam-se testemunhas.
Incumbe à parte, cinco dias antes da audiência, depositar em cartório o rol de testemunhas (art. 407). Não pode ser
intérprete quem for arrolado como testemunha (art. 152, II). O juiz solicitará à autoridade que designe dia, hora e local a fim
de ser inquirida, remetendo-lhe cópia da inicial ou de defesa oferecida pela parte que a arrolou como testemunha (art. 411,
parágrafo único).
Em caso de herança jacente, quando a arrecadação não terminar no mesmo dia, o juiz procederá à aposição de selos, que
serão levantados à medida que se efetuar o arrolamento (art. 1.146). Não podendo comparecer imediatamente..., o juiz
requisitará à autoridade judicial que proceda à arrecadação e ao arrolamento dos bens (art. 1.148).
O direito conhece uma forma simplificada de inventário e partilha que se denomina arrolamento.
2. Medida cautelar. - Cuida-se, nesta Seção, de medida cautelar específica: arrolamento e depósito de bens sob risco de
extravio, ou dissipação.
O Código de 1939 inscrevia no rol das medidas preventivas o "arrolamento e descrição de bens do casal e dos próprios de
cada cônjuge, para servir de base a ulterior inventário, nos casos de desquite, nulidade ou anulação de casamento" (art. 676,
IX). O Código atual, inspirado no de Portugal, ampliou o quadro, não mais restrito a ações matrimoniais. Procede-se a
arrolamento sempre que há fundado receio de extravio ou de dissipação de bens.
Avulta entre as regras a do art. 856, § 1º e a do art. 858:
O interesse do requerente pode resultar de direito já constituído, ou de direito que deva ser declarado em ação própria.
O juiz, convencendo-se de que o interesse do requerente corre risco (risco de dissipação, ou extravio) deferirá a medida
cautelar, sem audiência do possuidor ou detentor, se essa comprometer a finalidade da medida.
2.1. Cabimento. - Procede-se ao arrolamento sempre que há fundado receio de extravio ou de dissipação de bens (art. 855).
3. Juiz; convencimento. Justificação prévia; audiência do possuidor ou detentor dos bens; depósito. - Produzidas as
provas em justificação prévia, o juiz, convencendo-se de que o interesse do requerente corre sério risco, deferirá a medida,
nomeando depositário dos bens (art. 858).
O possuidor ou detentor dos bens será ouvido se a audiência não comprometer a finalidade da medida (parágrafo único).
4. Legitimação ativa. - Pode requerer o arrolamento todo aquele que tem interesse na conservação dos bens (art. 856). O
interesse do requerente pode resultar de direito já constituído ou que deve ser declarado em ação própria (§ 1º). Aos credores
só é permitido requerer arrolamento nos casos em que tenha lugar a arrecadação de herança (§ 2º).
5. Petição inicial; requisitos. - Na petição inicial exporá o requerente: I. o seu direito aos bens; II. os fatos em que funda o
receio de extravio ou de dissipação dos bens (art. 857).
7. Modelo:
Pedido de arrolamento de bens
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}, na ação de anulação de casamento proposta por seu marido {_Nome da parte contrária}, vem
requerer arrolamento de bens, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:
1. O casal possui bens: o apartamento residencial, rua das Acácias, nº 603; um automóvel Ford Corcel (descrever); dinheiro
depositado em caderneta de poupança do Banco Nacional S.A., no valor de ... (doc. junto), além de quadros e tapetes de valor
artístico e outros valiosos utensílios que se acham no mencionado apartamento, descritos a f. 34.
Face aos termos da petição inicial, o ódio que o demandante revela pela mulher e o desprezo pelo destino dos próprios
filhos menores José Carlos e Angelina, tem a requerente fundado receio de extravio e dissipação dos bens, com irreparável
prejuízo do cônjuge e da prole.
2. Procede-se ao arrolamento, em medida cautelar, sempre que há fundado receio de extravio ou de dissipação de bens
(Código de Processo Civil, art. 855). Pode requerê-lo todo aquele que tem interesse na conservação dos bens (art. 856).
O cabimento da medida cautelar tem como pressupostos: a) o fundado receio de extravio ou dissipação dos bens; b) o
interesse do requerente na conservação dos mesmos bens (Humberto Theodoro Júnior, Comentários ao Código de Processo
Civil, vol. V, nº 313).
Os pressupostos, extraem-se do enunciado no item 1.
3. Pelo exposto, requer a V. Exª que mande proceder ao arrolamento, sem audiência do réu, pois do contrário comprometer-
se-ia a medida (art. 855, parágrafo único), e nomeie depositário (art. 858).
Valor desta causa: {_Valor da causa}.
Processado o pedido em apenso,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ASSISTÊNCIA
1. Generalidades. - Assistir é estar presente, acompanhar em determinados atos como ajudante ou assessor. Assistência, ato
de socorrer, ajudar. Assistente, em direito processual, é aquele (estranho) que vem ao processo, numa causa pendente, a bem de
alguma das partes.
O instituto da assistência variou de conceitos ao longo da história. Só do final do século passado ao começo do século XX
começou a firmar-se consenso entre os juristas. E, assim mesmo, isolada a assistência de outros institutos, vista sob novo
ângulo, graças à concepção científica do processo, ainda não se livrou totalmente da lei da inércia.
2. Resumo histórico. - Entre os praxistas portugueses prevalecia a idéia de que o assistente domina a sua e a causa alheia.
O Regulamento nº 737, de 1850, considerava assistente "aquele que intervém no processo para defender o seu direito
juntamente com o do autor ou réu (art. 123)".
Lê-se em Ramalho:
"Assistente é aquele que vem a juízo defender a sua causa como a alheia" (Praxe Brasileira, § 66).
Coube a Gusmão, ao que parece, tentar demonstrar que a definição corrente se ajustava não à assistência, mas ao
litisconsórcio (Processo Civil e Comercial, CXLVI).
Eduardo Espínola inseriu no Código da Bahia a fórmula moderna:
Quem tenha interesse jurídico em que a decisão de uma causa, pendente entre outras pessoas, seja
favorável a uma das partes, pode intervir no processo em nome dela, como assistente (art. 17).
O legislador de 1939 dispunha de meios para acabar com as dúvidas, traçando em definitivo o perfil da assistência.
Entretanto, o "autoritarismo" e o medo condicionaram-lhe a ação. Pedro Batista Martins foi o autor do anteprojeto contra as
tendências individualistas das legislações anteriores, que transformaram o instituto em "instrumento de conluio e de má-fé"
(Comentários ao Código de Processo Civil, vol. I, nº 238). Da assistência cuidou-se apenas no art. 93, figurante entre as regras
do litisconsórcio, assim redigido:
"Quando a sentença houver de influir na relação jurídica entre qualquer das partes e terceiro, este poderá
intervir no processo como assistente, equiparado ao litisconsorte."
3. Código de 1973. - O temor de malversação não impediu que o legislador de 1973 regulasse a assistência com cuidado e
certa eficiência, dela tratando em separado, a latere do litisconsórcio, em Seção Especial nos arts. 50 a 55, sem, contudo,
libertar-se totalmente das idéias do passado.
Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro, que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a
uma delas, poderá intervir no processo para assisti-la (art. 50). A assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e
em todos os graus de jurisdição, mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra (parágrafo único).
Não havendo impugnação dentro de cinco dias, o pedido do assistente será deferido. Se qualquer das partes alegar, no
entanto, que falece ao assistente interesse jurídico para intervir a bem do assistido, o juiz:
I. determinará, sem suspensão do processo, o desentranhamento da petição e da impugnação, a fim de serem autuadas em
apenso;
II. autorizará a produção de provas;
III. decidirá, dentro de cinco dias, o incidente (art. 51).
O assistente atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus
processuais que o assistido (art. 52). Sendo revel o assistido, o assistente será considerado seu gestor de negócios (parágrafo
único).
A assistência não obsta a que a parte principal reconheça a procedência do pedido, desista da ação ou transija sobre direitos
controvertidos; casos em que, terminado o processo, cessa a intervenção do assistente (art. 53).
Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente, toda vez que a sentença houver de influir na relação jurídica entre
ele e o adversário do assistido (art. 54). Aplica-se ao assistente litisconsorcial, quanto ao pedido de intervenção, sua
impugnação e julgamento do incidente, o disposto no art. 51 (parágrafo único).
Transitada em julgado, a sentença, na causa em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a
justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
I. pelo estado em que recebera o processo, ou pelas declarações e atos do assistido, fora impedido de produzir provas
suscetíveis de influir na sentença;
II. desconhecia a existência de alegações ou de provas, de que o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu (art. 55).
4. Intervenção de terceiro. - O assistente é terceiro, num causa pendente. Dá-se intervenção de terceiro em sentido lato.
Justa observação porque, para o Código de Processo, as figuras de intervenção de terceiro (sentido estrito) são apenas quatro: a
oposição, a nomeação à autoria, a denunciação da lide e o chamamento ao processo (arts. 56 a 80).
5. Pressupostos. - São pressupostos para o incidente da assistência: a) a existência de uma causa pendente em juízo; b)
interesse jurídico do pretendente a ingresso em que a sentença seja favorável a uma das partes.
Interesse jurídico, não simples interesse de fato, de ordem moral ou de classe.
6. Espécies de assistência. - A doutrina conhece duas espécies de assistência: a simples ou adesiva e a qualificada ou
litisconsorcial. Da primeira cuida o art. 50 do Código de Processo Civil; da segunda, o art. 54.
Autores de nomeada censuram o legislador por haver instituído, ou melhor, mantido, a assistência litisconsorcial, de
haverem, assim, criado motivo de dúvida e perplexidade. Referimo-nos à lei da inércia, à cumplicidade com o passado. O fato
de ter o "assistente" pretensão própria contra uma das partes desfigura a "assistência".
Com efeito, o assistente, tecnicamente, é simples auxiliar de uma das partes; atua em caráter secundário, sem defender
direito próprio. Admitir assistência "toda vez que a sentença haver de influir na relação entre ele e o adversário do assistido"
(art. 54) é condescender com o passado e ensejar incertezas não raro desconcertantes.
7. Tempo e tipos de procedimento. - Largas são as portas de entrada do terceiro. A assistência tem lugar no procedimento
comum, no procedimento especial (art. 270) e em qualquer grau de jurisdição.
8. Procedimento. - O ingresso na relação processual deve ser manifestado em petição escrita, sem exigência dos requisitos
totais do art. 282, mas com precisa indicação do juiz ou tribunal a que é dirigida, os nomes das partes, firme alegação do
interesse jurídico, pedido de ingresso.
Se a petição preencher os requisitos formais, se o requerente provar, quantum satis, mesmo de modo singelo, sua
legitimidade e capacidade para estar em juízo, será deferida, ordenando o juiz a intimação das partes.
Se nenhuma das partes, no prazo de cinco dias, opuser impugnação, o juiz deferirá o pedido de assistência.
No caso de impugnação, proceder-se-á de acordo com o art. 51, incisos I, II e III. O juiz determinará, sem suspensão do
processo, o desentranhamento da impugnação, para que seja autuada em apenso; autorizará, se for o caso, produção de provas,
colhidas as quais decidirá em cinco dias.
Da decisão cabe agravo.
9. Modelo:
Pedido de assistência
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo firmado, expõe e
requer o seguinte:
1. Corre por esse Juízo ação ordinária em que litigam Américo Xavier e Paulo da Silveira Mendes, pretendendo o primeiro
reivindicar o domínio do imóvel (indicar).
Dito imóvel fazia parte dos bens deixados pelo falecido Ezequiel Silveira Mendes, pai do requerente, e foi vendido pelo
inventariante (indicar as circunstâncias).
2. Evidencia-se o interesse do requerente em que a sentença acolha a pretensão do autor, como provam os documentos ora
exibidos. Com efeito (argumentar).
Assim exposto, pede a V. Exª que se digne de admiti-lo como assistente do autor, nos termos do art. 51 do Código de
Processo Civil.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
1. Generalidades. - A Justiça é onerosa; de modo geral, só os abastados podem alcançá-la. Impossível tem sido baratear os
serviços judiciários e muito menos realizar, o que seria ideal, a gratuidade. Contudo, tem-se procurado reduzir os efeitos do
drama das despesas processuais.
A Constituição da República, dispondo que "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem
insuficiência de recursos" (art. 5º, LXXIV), fê-lo mais amplamente que a Carta Magna anterior:
"Será concedida assistência judiciária aos necessitados, na forma da lei" (art. 153, § 32).
A legislação ordinária vinha de longe, consubstanciada na Lei nº 1.060, de 05.02.1950, em vigor, depois de sofrer algumas
alterações.
2. Lei nº 1.060. - É dever dos poderes públicos federal e estadual, independentemente da colaboração que possam receber
da Ordem dos Advogados do Brasil, conceder assistência judiciária aos necessitados, nacionais ou estrangeiros, residentes no
país, que precisem de recorrer à justiça penal, cível, militar ou do trabalho (arts. 1º e 2º).
3. Necessitado; conceito legal. - Necessitado considera-se todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as
custas do processo, "sem prejuízo do sustento próprio ou da família".
4. Isenções. - A assistência compreende isenção de pagar: a) taxas judiciárias dos selos; b) emolumentos e custas devidos
aos juízes, órgãos do Ministério Público e serventuários da Justiça; c) despesas com a divulgação dos atos oficiais; d)
indenizações às testemunhas; e) honorários de advogado.
O pedido de assistência pode ser formulado antes da propositura da ação, ou em seu curso.
Para o barateamento da divulgação, o parágrafo único do art. 3º dispensa a publicação em outro jornal quando feita em
órgão encarregado de divulgação de atos oficiais.
4.1. Extensão. - Os benefícios da assistência judiciária compreendem todos os atos do processo até decisão final do litígio,
em todas as instâncias.
5. Necessidade; comprovação. - Ao contrário do antigo teor da lei, que determinava fosse instruída a petição com atestado
de pobreza expedido pela autoridade policial, basta, hoje, afirmação da parte de que não está em condições de pagar custas e
honorários "sem prejuízo próprio ou de sua família". A presunção de pobreza decorre da "afirmação", feita "sob pena de
pagamento até o décuplo das custas judiciais" (art. 4º).
5.1. Impugnação. - A impugnação do direito ao benefício não suspende o curso do processo e será feita em autos apartados
(art. 4º, § 2º, redação de acordo com a Lei nº 7.510, de 04.07.1986).
6. Patrocínio da causa. - O juiz, se não tiver razões para indeferir o pedido, decidirá de plano em favor do requerente,
determinando que o serviço de assistência, onde houver, indique, em dois dias, advogado que patrocinará a causa. Na falta de
órgão assistencial, o próprio juiz fará a nomeação do patrono. Preferir-se-á o advogado que o interessado indicar e que declare
aceitar o encargo.
O advogado, quando indicado para patrocinar causa de juridicamente necessitado, tem direito aos honorários fixados pelo
juiz, segundo a tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB (Lei nº 8.906, de 04.07.1994, art. 22, § 1º).
Constitui infração disciplinar: ... recursar-se a prestar, sem justo motivo, assistência jurídica, quando nomeado em virtude
de impossibilidade da Defensoria Pública (Lei nº 8.906, art. 34, inciso XII).
7. Revogabilidade. - A concessão do benefício é condicional e revogável.
Em qualquer tempo, a parte contrária pode requerer a revogação dos benefícios, desde que comprove a inexistência ou o
desaparecimento dos requisitos essenciais à sua concessão. Ocorrendo estas circunstâncias, e ouvida a parte, a revogação pode
ser decretada de ofício.
A parte beneficiada pela isenção ficará obrigada a pagar as custas desde que possa fazê-lo sem prejuízo próprio ou da
família. Prescreve a obrigação se, em cinco anos, o assistido não puder satisfazer o pagamento.
8. Modelo:
Pedido de gratuidade

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA - {_Comarca}


{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} expõe e requer a V. Exª o seguinte:
1. O requerente vê-se compelido a propor contra {_Nome da parte contrária} uma ação de {_Tipo de ação}, visando a
(indicar).
2. Os escassos recursos de sua profissão de porteiro de edifício e a falta de bens não lhe permitem pagar as custas e
honorários de advogado sem prejuízo de seu sustento e de sua família, composta de mulher e três filhos menores.
3. Afirmando a veracidade do alegado, sob as penas de lei, pede que lhe seja concedido o benefício de assistência judiciária.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
ATENTADO
1. Generalidades. - Atentado é qualquer inovação de fato, na pendência da lide, contrária a direito e que atenta contra o
direito do autor.
Ribas, na Consolidação das Leis do Processo, assim o definiu: "Considera-se atentado toda a inovação feita contra direito
pelo juiz ou pela parte, no estado da lide pendente" (art. 911). O Código de Processo Civil do Distrito Federal, de 1924,
acrescentou um ponto:
"Considera-se atentado toda inovação, contra direito, no estado da lide pendente, feita pelo juiz, ou pela
parte, em prejuízo da causa, ou do recurso interposto" (art. 444).
O Código do Estado de São Paulo foi um pouco além:
"Cometerá o atentado a parte que, na pendência da lide. I. violar penhora, arresto, seqüestro, ou imissão
de posse; II. prosseguir em obra embargada; III. praticar qualquer outra inovação ilegal no estado da lide"
(art. 457).
Esse conceito resultou de longo processo evolutivo do instituto. Pareceu, a princípio, que era incidente puramente da ação
de nunciação de obra nova. Mostrou o Ministro Edmundo Lins que este sentido era demasiado estreito ( Revista de Direito, vol.
69, p. 97). O Ministro Costa Manso, ao tempo da elaboração do Código paulista, deixou larga projeção de luz a orientar a
jurisprudência, ainda vacilante (Hugo Simas, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. VIII, p. 206).
O legislador de 1939 satisfez-se com um simples "inovação contra direito" (art. 712).
O Código de 1973 voltou, quase literalmente, ao texto do Código de São Paulo.
2. Cabimento da medida. - Comete atentado a parte que, no curso do processo: I. viola penhora, arresto, seqüestro ou
imissão na posse; II. prossegue em obra embargada; III. pratica outra qualquer inovação ilegal no estado da lide (art. 879).
3. Competência. - A ação de atentado será processada e julgada pelo juiz que conheceu originariamente da causa, ainda que
esta se encontre no tribunal (art. 880, parágrafo único).
4. Procedimento. - A petição será autuada em separado; quanto ao procedimento, observar-se-á o disposto nos arts. 802 e
803, das Disposições Gerais (art. 880).
5. Sentença; efeitos. - A sentença que julgar procedente a ação ordenará o restabelecimento do estado anterior, a suspensão
da causa principal e a proibição de o réu falar nos autos até a purgação do atentado (art. 881).
A sentença poderá condenar o réu a ressarcir à parte lesada as perdas e danos que sofreu em conseqüência do atentado
(parágrafo único).
7. Modelo:
Pedido de restabelecimento da lide
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}.
{_Nome do cliente} e sua mulher Luiza Domiciana de Souza vêm, por seu procurador, expor e requerer o seguinte:
1. Os requerentes propuseram neste Juízo, contra {_Nome da parte contrária}, ação demarcatória, com a finalidade de
aviventar os rumos das propriedades agrícolas, limítrofes, "Fazenda Santa Maria" e "Fazenda Rio Branco", de propriedade,
respectivamente, dos autores e do réu. Móvel da ação foram dúvidas que surgiram na parte ( indicar), onde estão os marcos n. os
8, 9 e 10.
Pendente a lide, que se acha em fase de nomeação de agrimensor, o réu mandou derrubar um trecho de mata, justamente na
parte duvidosa; além disso, retirou os dois primeiros marcos acima referidos.
O ato, ora impugnado, constitui inovação do estado da lide, atentado, que urge seja purgado.
2. À inovação de fato opõem-se dois princípios: o da perpetuatio jurisdictionis e o da proibição de justiça privada (Lopes
da Costa, Manual Elementar de Direito Processual Civil, p. 410, nº 3).
Comete atentado a parte que no curso do processo pratica inovação ilegal no estado de fato (Código de Processo Civil, art.
879, III).
3. Assim, exposto, pede a citação do réu para, no prazo de cinco dias, contestar o pedido e, querendo, indicar as provas que
pretenda produzir, e que, justificada a inovação, seja o inovador condenado a restabelecer o estado de fato anterior da lide,
proibido de falar nos autos até a purgação do atentado, pagar as custas e honorários de advogado.
4. Justificará o fato com as testemunhas abaixo arroladas.
5. Pede autuação em separado (Código de Processo Civil, art. 880, parágrafo único).
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Rol de testemunhas.
BENS DE AUSENTES
1. Ausente. - Ausente é: a) todo aquele que está fora de seu domicílio; noutro sentido, jurídico, estrito: b) é a pessoa de cuja
habitação ou residência se duvida, e cujos bens ficaram ao desamparo; em sentido mais restrito (restritíssimo) é: c) a pessoa
nas condições da letra b, e cuja ausência foi declarada por sentença.
Ao tratar de bens de ausentes considerar-se-á a ausência nos dois últimos sentidos - arrecadação, abertura da sucessão
provisória, sucessão definitiva.
"Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio, sem que dela haja notícia, se não houver deixado representante ou
procurador a quem toque administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, ou do Ministério Público,
nomear-lhe-á curador" (Código Civil de 1916, art. 463). Ver novo CC, art. 22.
Ausência, no sentido do Código Civil, é o fato de não estar presente, mais a carência de notícias. Se essa carência de
notícias não ocorre, então os interessados na arrecadação têm de comunicar-se com a pessoa materialmente ausente, porém não
juridicamente ausente.
Pela palavra "domicílio" deve-se entender, no caso, o lugar onde possui bens o ausente, porque a curatela do ausente é, na
espécie, cura rei e não cura personae, tem por objeto gerir bens, não cuidar da personalidade do proprietário de que se não tem
notícia (Pontes de Miranda, Tratado de Direito de Família, vol. III, §§ 305 e 306).
Por ausentes devem-se entender e compreender os que desaparecem do seu paradeiro, não havendo notícias diretas ou
indiretas de sua existência ou de sua morte.
A não presença não se confunde com ela, podendo apenas dificultar o exercício dos direitos ou o cumprimento das
obrigações.
Ausente é aquele que deixou de comparecer no seu último domicílio ou residência, seja no lugar em que costumava estar,
sem que dele haja notícia; é a pessoa cuja habitação se ignora, ou de cuja existência se duvida, e cujos bens estão em
desamparo (Emílio Guimarães, Dicionário Enciclopédico de Doutrina de Aplicação, nºs 364 e 365).
Para que a curadoria seja deferida, é preciso: 1º) que a pessoa desapareça de seu domicílio, sem que dela haja notícia; 2º)
que não tenha deixado procurador, a quem toque administrar-lhe os bens. A falta de notícia, a que alude o art. 463 do Código
Civil de 1916 (art. 22 do novo Código), é a que, pelas circunstâncias em que se verifica, faz surgir incerteza sobre a existência
da pessoa. Tal a pessoa que se ausenta sem que se saiba para onde foi. Nos primeiros tempos ainda se tem notícias dela, dadas
por ela ou por terceiro, que a tenham visto. Tais notícias, porém, vão se espaçando e, afinal, cessam inteiramente. Se essa
situação se prolonga, começa-se a duvidar de que essa pessoa ainda viva. O fato, porém, de se achar alguém num país em
guerra, privado, por isso, de voltar ao seu domicílio, ou de enviar notícias não o coloca, só por si, na situação prevista no
referido art. 463 do Código de 1916 (art. 22 do novo Código). Não é ausente (Tribunal de Justiça de São Paulo, Revista dos
Tribunais, 161/149).
Relativamente ao ausente, devem-se distinguir duas espécies de curadoria:
a) a que se refere a pessoas de que se não têm notícias e que deixaram bens ao desamparo;
b) a que se dá ad litem ao interessado ausente....
A primeira, de direito de família, tem por fim resguardar, em favor dos herdeiros, os bens do ausente (ad sucessionis
praeccupationem); a segunda, de direito processual, deferida pelo juiz da causa, tem por fim evitar a formação de um processo
sem a palavra de alguém que vele pelos interesses do ausente. Interessa à ordem pública que, no foro, os incapazes ou não-
presentes não se prejudiquem por falta de defesa; daí a intervenção de um curador à lide, no interesse da justiça, a fim de que
se obtenha um melhor desenvolvimento do juízo, e não se prejudiquem aquelas pessoas por falta de contato com os tribunais. E
diz-se no interesse da justiça porque o curador à lide e a parte por ele assistida agem por motivos diversos; enquanto a parte se
esforça, não tanto pela atuação do direito objetivo, mas, principalmente, por conseguir a satisfação dos seus interesses, o
curador à lide, que não tem interesse próprio a satisfazer, emprega sempre a sua atividade no sentido de conseguir a atuação do
direito objetivo. Assim também o representante do Ministério Público. E, por isso mesmo, podem até opinar contra os
incapazes, como já teve ocasião de decidir esta Câmara.
Deve-se distinguir a "não- presença" da "ausência". Basta que não esteja a pessoa em determinado lugar onde sua presença
é reclamada para que se tenha a não- presença; é aquele que deixou de comparecer no seu último domicílio, ou residência, seja
no lugar em que costumava estar, sem que dele haja notícia; é a pessoa cuja habitação se ignora, ou de cuja existência se
duvida, e cujos bens estão em desamparo.
A curatela de ausente é de direito privado, ao passo que as funções do curador à lide e do promotor de justiça derivam de
leis processuais e de organização judiciária, têm caráter acentuadamente público (ac. da Corte de apelação de Minas Gerais,
03.04.1937, RF, vol. 70, p. 336).
Por medida de cautela, no caso de herança jacente, arrecadam-se os bens e convocam-se os sucessores. Com a mesma
finalidade, no caso de ausência - para evitar graves conseqüências ao patrimônio -, arrecadam-se os bens e convoca-se o dono
para entrar na sua posse. Neste procedimento pode dar-se abertura de sucessão provisória, conversível em definitiva, e jacência
(ver art. 1.165, parágrafo único).
2. Declaração de ausência. - Desaparecendo alguém do seu domicílio sem deixar representante, a quem caiba administrar-
lhe os bens, deixando mandatário que não queira ou não possa continuar a exercer o mandato, declarar-se-á a sua ausência (art.
1.159).
A ausência, condição de arrecadação, é mister que seja denunciada, quantum satis provada, e judicialmente declarada.
Desaparecendo alguém do seu domicílio, ou do lugar onde tem os seus bens, deixando estes ao desamparo, sem
representante legal, sem procurador que deles cuide, o juiz, a requerimento do Ministério Público, ou de qualquer interessado,
declarar-lhe-á a ausência.
A renúncia ao mandato, a interdição do mandatário, a mudança de estado inibitória do exercício do mandato, o
desconhecimento do paradeiro do mandatário justificam, igualmente, a medida de cautela.
3. Curadoria dos bens do ausente. - Ver o novo Código Civil, arts. 22 a 25.
3. Modelo:
Requerimento; declaração de ausência
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, expõe e requer o seguinte:
1. Residiu nesta cidade, desde o ano ..., Laurindo de Freitas Gomes, brasileiro, solteiro, cirurgião dentista, que iniciou sua
atividade profissional na Clínica do requerente, seu amigo e compadre.
Em dezembro do ano passado, sob pretexto de passar o Natal com pessoas de sua família, em ..., Estado de ..., Laurindo
Gomes se afastou desta cidade. Desde a partida jamais deu notícia de seu paradeiro a qualquer amigo, ou pessoa.
Dado o relacionamento e a amizade entre os dois compadres, o requerente telegrafou à autoridade policial de ..., que lhe
deu resposta negativa, constante do ofício ora exibida (doc. nº 4).
2. O desaparecido deixou bens (descrever) e testamento, no qual instituiu herdeiro Adalberto Suzart, menor, de 13 anos,
afilhado do testador (doc. nº 5). Não deixou procurador que lhe administre os bens, nem se lhe conhece parente de qualquer
natureza, ou grau.
3. Assim exposto, e com apoio nos arts. 1.159 e 1.160 do Código de Processo Civil, requer a V. Exª que, justificando o
desaparecimento, se digne de declarar a ausência de ..., arrecadar os seus bens e nomear curador.
Termos em que.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}.
Rol de testemunhas.
BENS DOTAIS
1. Generalidades. - Dote é a porção de bens incomunicáveis que a mulher, ou alguém por ela, transfere ao marido, para,
com os frutos e rendimentos provenientes, sustentar o ônus do matrimônio, sob a cláusula de restituição de tais bens, dissolvida
a sociedade conjugal (Spencer Vampré, Manual de Direito Civil Brasileiro, vol. I, § 138). Bens dotais são os constitutivos do
dote.
Em sentido vulgar, diz-se dote tudo que a mulher recebe, dos pais ou de terceiro, por ocasião do casamento.
Se bem que o regime total não tenha vicejado no Brasil, permanece na legislação, e as leis de processo vêm regulando as
condições e o modo de sua alienação.
De lege lata, são inalienáveis os imóveis dotais:
"Os imóveis dotais não podem, sob pena de nulidade, ser onerados nem alienados ...", mas há exceções a essa proibição:
"salvo em hasta pública, e por autorização do juiz competente, nos casos seguintes" (Código Civil de 1916, art. 293):
"I. se de acordo o marido e a mulher quiserem dotar suas filhas comuns;
II. em caso de extrema necessidade, por faltarem outros recursos para a subsistência da família;
III. no caso da primeira parte do § 2º do art. 299 (pagamento das dívidas da mulher anteriores ao
casamento);
IV. para reparos indispensáveis à conservação de outro imóvel ou imóveis dotais;
V. quando se acharem indivisos com terceiros, e a divisão for impossível ou prejudicial;
VI. no caso de desapropriação por utilidade pública;
VII. quando estiverem situados em lugar distante do domicílio conjugal, e por isso for manifesta a
conveniência de vendê-los.
Parágrafo único. Nos três últimos casos, o preço será aplicado em outros bens, em que ficará sub-
rogado."
O Código de 1939 dispunha:
Para vender ou onerar bens dotais, o interessado pedirá autorização judicial, justificando desde logo o pedido (art. 638). O
juiz ouvirá o Ministério Público e, se, à vista das razões e prova produzidas, julgar procedente o pedido, concederá a
autorização, mandando que se avaliem os bens (art. 639).
Nada impede que o juiz, observando o procedimento das Disposições Gerais sobre Procedimentos Especiais de Jurisdição
voluntária (arts. 1.103-1.109), imprima aos atos processuais ordem que atenda às hipóteses ocorrentes, ganhando em economia
o andamento do feito.
2. Modelo:
Venda de bem dotal
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}.
{_Nome do cliente},{_Nacionalidade do cliente}, {_Estado civil do cliente}, {_Profissão do cliente}, e sua mulher
{_Nome do cliente}, {_Nacionalidade do cliente}, {_Profissão do cliente}, residentes e domiciliados {_Endereço do cliente},
por seu advogado abaixo assinado, inscrito na OAB sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, vêm expor e requerer
o seguinte:
1. Como prova a escritura antenupcial (doc. nº 2), a requerente recebeu de seu pai, em dote, o prédio residencial situado à
rua ..., nº ..., no bairro de ..., nesta cidade, avaliado em ... (doc. nº 3).
2. Estando noiva Matilda, filha única do casal (doc. nº 4), os requerentes querem dotá-la com o apartamento nº 804 do
Edifício Cariri, nº ..., rua ..., a ser averbado com a cláusula de dotalidade, de valor aproximado em...
O prédio dotal, valorizado, produzirá em leilão, pelo menos, ... A diferença será coberta com economias próprias dos
requerentes.
3. Os imóveis dotais não podem, sob pena de nulidade, ser alienados, salvo em hasta pública, e por autorização do juiz
competente, em casos excepcionais, entre eles "se, de acordo, o marido e a mulher quiserem dotar suas filhas comuns" (Código
Civil de 1916, art. 293, I).
A alienação dos bens dotais processar-se-á na forma estabelecida nos arts. 1.104-1.109 (Código de Processo Civil, art.
1.112, III).
4. Assim expostos os fatos de direito, pedem a V. Exª que, ouvido o Ministério Público, avaliado o referido imóvel, se
proceda à alienação do bem dotal, aplicando-se o preço de acordo com o manifestado desejo dos requerentes.
Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
BUSCA E APREENSÃO
1. Generalidades. - Busca é a procura de determinada coisa, ou pessoa, com a finalidade de apreendê-la, segurá-la, pô-la
sob custódia.
Sempre que o mandamento do juiz é no sentido que se faça mais do que só se manda exibir a coisa para se produzir a prova
ou para exercer algum direito, e se não preceitua o devedor ou possuidor da coisa, a que apresente, diz-se que há busca e
apreensão. O conceito de "busca" e o de "apreensão" fundiram-se aí mais ainda do que em "perdas e danos". Não representa
dois atos autônomos, posto que haja dois atos; nem atos simétricos, enantiomorfos, como em "compra e venda". Há
seguimento, o buscar e o apreender, que depende do bom êxito da busca (Pontes de Miranda, Comentários, tomo XII, p. 217,
nº 1).
Negam alguns autores o caráter de medida preventiva à busca e apreensão. Sem razão, se se considera o amplo conceito de
medida cautelar. Não perde seu caráter preventivo, mesmo se destinada à efetivação de outra medida cautelar, como o arresto
ou o seqüestro.
2. Cumprimento do mandado. - O mandado será cumprido por dois oficiais de justiça, um dos quais o lerá ao morador,
intimando-o a abrir as portas (art. 842). Não atendidos, os oficiais de justiça arrombarão as portas externas, bem como as
internas e quaisquer móveis onde presumam estar oculta a pessoa ou a coisa procurada (§ 1º). Os oficiais de justiça far-se-ão
acompanhar de duas testemunhas (§ 2º). Tratando-se de direito autoral ou direito conexo do artista, intérprete ou executante,
produtores de fonogramas e organismos de radiofusão, o juiz designará, para acompanharem os oficiais de justiça, dois peritos,
aos quais incumbirão confirmar a ocorrência da violação antes de ser efetivada a apreensão (§ 3º).
3. Justificação prévia; conteúdo do mandado. - A justificação prévia far-se-á em segredo de justiça, se for indispensável.
Provado quando baste o alegado, expedir-se-á o mandado, que conterá: I. a indicação da casa ou do lugar em que deve efetuar-
se a diligência; II. a descrição da pessoa ou da coisa procurada e o destino a lhe dar; III. a assinatura do juiz de quem emanar a
ordem (art. 841).
4. Objeto da medida. - O juiz pode decretar a busca e apreensão de pessoas e de coisas (art. 839).
5. Petição inicial; requisitos. - Na petição inicial exporá o requerente as razões justificativas da medida e da ciência de
estar a pessoa ou a coisa no lugar designado (art. 840).
6. Modelo:
Busca e apreensão
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, na ação da investigação de paternidade intentada contra {_Nome da parte contrária}, expõe a requer a
V. Exª o seguinte:
1. Quando o réu, Amarílio, esteve no Rio de Janeiro, em 1947, mandou gravar, na agência ... dos Correios e Telégrafos, um
disco fonográfico, carta sonora, como era então designado. Nesse disco, o locutor, além de manifestar seu deslumbramento
pela "Cidade Maravilhosa", refere-se ao requerente com palavras de ternura que indicam, além da alegria do reencontro, um
relacionamento parental que se não pode obscurecer.
Trata-se de pequeno disco de matéria plástica, com cerca de 15 cm de diâmetro, azulado, que se encontra em poder do réu,
em sua residência e tem sido "rodado", em dias festivos, para audiência de várias pessoas de suas relações.
O requerente pediu a exibição do "documento", mencionado na petição inicial, item 8, f. 6. A exibição foi ordenada por
despacho de f. 85, sem que até esta data se tenha cumprido a determinação judicial.
2. O juiz pode decretar a busca de apreensão de coisa (Código de Processo Civil, art. 839).
Todas as coisas, inclusive documentos, que interessem à elucidação da causa, ao convencimento do juiz, suscetíveis de
exame pelo magistrado ou por perito, em regra devem ser franqueadas a exame, onde quer que se encontrem.
Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade.
3. Face ao exposto, pede que, justificado o fato em segredo de justiça, se for indispensável, seja expedido mandado de
busca e apreensão do mencionado objeto, na forma da lei processual.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}.
CAUÇÃO
1. Generalidades. - Caução é garantia, que se oferece ao cumprimento de obrigação.
Diz-se real, quando consiste em coisa (penhor, hipoteca, anticrese, renda constituída, depósito); fidejussória, quando
consiste em promessa de terceira pessoa (fiança, aval).
A caução pode se convencional, ou resultar de imposição de lei.
Cuida-se, em regra, de caução da segunda espécie. Exemplos: a arrematação far-se-á com dinheiro à vista, ou a prazo de
três dias, mediante caução idônea (art. 690). Na execução da sentença proferida em ação fundada em direito real, ou em direito
pessoal sobre a coisa, deduzidos embargos de retenção por benfeitorias, o credor poderá, a qualquer tempo, ser imitido na
posse de coisa, prestando caução... (art. 744, § 3º). se o juiz conceder a medida cautelar sem ouvir o réu, poderá determinar que
o requerente preste caução real ou fidejussória de ressarcir os danos que o requerido possa vir a sofrer (art. 804). O autor,
nacional ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou dele se ausentar na pendência da demanda, prestará, nas ações que
intentar, caução suficiente às custas e honorários de advogado da parte contrária, se não tiver no Brasil bens imóveis que lhe
assegurem o pagamento (art. 835).
2. Procedimento. - A caução pode ser requerida: a) por aquele a favor de quem tiver de ser prestada; b) por aquele que deve
prestá-la.
No primeiro caso o interessado requererá a citação do obrigado para que a preste, sob pena de incorrer na sanção que a lei
ou o contrato cominar para a falta.
No segundo caso, o obrigado requererá a citação da pessoa a quem tiver de ser prestada, indicando na inicial: I. o valor a
caucionar; II. o modo pelo qual a caução vai ser prestada; III. a estimativa dos bens; IV. a prova da suficiência da caução ou da
idoneidade do fiador (CPC, art. 829).
O requerido será citado para, no prazo de cinco dias, prestar a caução, aceitar a caução oferecida, ou contestar o pedido.
O juiz julgará, proferindo imediatamente a sentença: I. se o requerido não contestar; II. se a caução oferecida ou prestada
for aceita; III. se a matéria for somente de direito ou, sendo de direito e de fato, já não houver necessidade de outra prova (art.
832).
Se o pedido for contestado, o juiz designará audiência de instrução e julgamento, salvo o disposto no inciso III do art. 832
(art. 833).
3. Modelos:
3.1. Oferecimento de caução
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente} e sua mulher, por seu advogado abaixo assinado, vêm perante esse Juízo expor e requerer o seguinte:

1. Na execução judicial intentada por Idalino Frota e Silva contra Elídio Mateus, penhorado bem de propriedade dos ora
requerentes, opuseram embargos de terceiro senhor e possuidor. Os embargos foram liminarmente deferidos, condicionado o
cumprimento do mandado a prestação de caução, na forma do art. 1.051 do Código de Processo Civil.
Aquele que for obrigado a dar caução requererá a citação da pessoa a favor de quem tiver de ser prestada, indicando na
inicial: I. o valor a caucionar; II. o modo pelo qual a caução vai ser prestada; III. a estimativa dos bens; IV. a prova da
suficiência da caução ou da idoneidade do fiador (Código de Processo Civil, art. 829).
O valor a caucionar é de ... (estimativa). A fiança, fidejussória; oferecerem como garantes Alexandre Couto e sua mulher,
de reconhecida idoneidade e que assumem responsabilidade (doc. anexo).
2. Assim exposto, requerem a V.Exª que se digne de mandar citar o requerido para, no prazo de cinco dias, aceitar a caução
ou contestar o pedido, que esperam ser julgado procedente, determinando-se a caução, com assinatura de prazo a ser prestada,
na conformidade do art. 834 da lei processual.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.2. Pedido para prestar caução
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos de ação de reintegração de posse, intentada por {_Nome da parte contrária} (proc. nº {_Nº
do Processo}, cartório do ... ofício), vem expor e requerer o seguinte:
1. Como consta dos autos, f. ..., o autor foi provisoriamente integrado na posse do imóvel, "Bom Retiro", sítio, localizado
em ...
O requerente tem sobejas razões para crer que o autor, no caso de provimento do recurso, não tenha idoneidade financeira
para indenizar os prejuízos decorrentes da demanda e da posse. Com efeito, o demandante tem vários títulos protestados (doc.
juntos), além de (indicar os demais motivos).
2. Aquele em cujo favor há de ser dada caução requererá a citação do obrigado para que a preste, sob pena de incorrer na
sanção que a lei ou o contrato comina (CPC, art. 830).
3. Pelo exposto, pede a citação do mencionado Edilberto Capazerda para, no prazo de cinco dias (art. 831), prestar caução,
sob pena de ser depositado o imóvel litigioso.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.3. Contestação (sem preliminares)
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, nos autos da ação intentada por {_Nome da
parte contrária} (processo nº {_Nº do Processo}, cartório do ... ofício), vem, com fundamento nos arts. 294 e 300 do Código
de Processo Civil, oferecer contestação, expondo e requerendo o seguinte:
1. Pretende o autor reivindicar o imóvel (indicar os fatos alegados pelo autor e as razões jurídicas em que se funda).
Todavia, os fatos são outros e outro o direito. Com efeito (rejeitar os fatos alegados pelo autor e os argumentos jurídicos
da petição inicial).
2. O imóvel que se pretende reivindicar pertence ao contestante (argumentos).
As razões jurídicas da inicial, desvinculadas dos fatos verdadeiros, chocam-se com os claros preceitos do Código Civil, a
saber (argumentar).
3. Pelo exposto, espera que, cumpridas as formalidades processuais, seja a ação julgada improcedente, condenado o autor a
pagar as custas e honorários advocatícios.
Indica-se como meios de prova ...
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.4. Reconvenção
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, nos autos da ação de {_Tipo de ação}, que lhe
move {_Nome da parte contrária}, vem, com fundamento no art. 315 do Código de Processo Civil, reconvir ao autor, e o faz
expondo e requerendo o seguinte:
1. Pretende o autor (indicar precisa mas concisamente o que se alega na petição inicial).
2. Em verdade, outros são os fatos e o direito, como se passa a expor (indicar os fatos e os fundamentos jurídicos em que se
funda a ação reconvencional, a doutrina, e a jurisprudência, se for o caso).
3. Pelo exposto, pede, que intimado o autor e procedido regularmente, seja julgada procedente a presente reconvenção,
condenado o autor reconvindo a pagar as custas e honorários de advogado na base de 20%.
4. Provará o alegado por meio de (indicar os meios de prova de que pretende servir-se).
Espera deferimento e justiça.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
CHAMAMENTO AO PROCESSO
1. Generalidades. - Última das quatro formas legais, formais, de intervenção de terceiros stricto sensu, o chamamento ao
processo entrou para o Direito brasileiro em gestação difícil.
Tranqüila a adoção pelo Projeto (arts. 82 a 85) daquilo que havia proposto o Anteprojeto Buzaid (arts. 86 a 89), sofreu a
inovação sério combate durante a elaboração legislativa. Vários motivos procuraram justificar emendas supressivas: a) a
inutilidade das novas regras jurídicas, face à prodigalidade com que se havia regulado a denunciação da lide; b) os
inconveniente práticos do "chamamento", que se prestaria, e muito, a ser instrumento de chicana; c) o afastamento dos
princípios brasileiros da solidariedade.
Venceu a idéia inicial. E aí estão os arts. 77, 78, 79 e 80, que, editados, foram alvo de louvores e críticas.
É admissível o chamamento ao processo:
I. do devedor, na ação em que o fiador for réu;
II. dos outros fiadores, quando para a ação for citado apenas um deles;
III. de todos os devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou
totalmente, a dívida comum (art. 77 ).
2. Finalidade. - A finalidade do instituto é trazer ao processo terceiro que, em relação jurídica com o autor, divida com o
réu o ônus da demanda, respondendo pela dívida segundo o direito material.
José Alberto dos Reis assim apresentou as linhas que separam o chamamento à autoria e o chamamento à demanda:
"O chamamento à autoria propõe-se trazer para o processo não o sujeito passivo da relação jurídica
controvertida, mas o sujeito passivo duma relação jurídica conexa. O chamamento à demanda aspira a
investir na posição do réu um coobrigado, uma pessoa que, justamente com o demandando, é sujeito passivo
da relação substancial em litígio" (Código de Processo Civil Anotado, pp. 448 e 449).
Noutros termos, Humberto Theodoro Júnior atraiu a atenção para as diferenças e semelhanças:
"A diferença entre a litisdenunciação e o chamamento ao processo reside em que na primeira o terceiro
não tem vínculo ou obrigação alguma com a parte contrária da ação principal. Já no chamamento ao processo
todas as pessoas mencionadas no art. 77 têm uma obrigação perante a parte contrária a quem as chama"
("Intervenção de Terceiro no Processo Civil: Denunciação da Lide e Chamamento ao Processo", RF, vol.
268, p. 98, nº 8).
3. Modelo:
Chamamento ao processo

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente},{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, infra-assinado, expõe e
requer o seguinte:
1. Walter de Oliveira intenta contra o requerente, neste Juízo, ação ..., pleiteando pagamento da quantia de ..., da qual diz
ser devedor o locatário Abílio Santino Borges, a favor de quem o requerente prestou fiança.
Acha-se o processo em fase de contestação, ut contrafé que exibe com a presente petição.
2. É admissível o chamamento do devedor, na ação em que o fiador for réu (Código de Processo Civil, art. 77, I).
3. Assim exposto, com apoio no mencionado dispositivo e nos arts. 78 e 79 do mesmo Código, quer chamar ao processo o
mencionado devedor.
4. Requer, com a suspensão do andamento do feito, a citação do devedor Abílio Santino, brasileiro, casado, alfaiate,
residente à rua ..., nº ..., para contestar a ação no prazo de lei.
5. Este pedido é feito sem prejuízo do direito, que lhe assiste, de oferecer contestação.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
CÓDIGO DO CONSUMIDOR
1. Fundamento constitucional. - Nos termos dos arts. 5º, inciso XXXII ("O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor"), 170, V ("A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os... princípios... V, defesa do
consumidor") e 48 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal ("O Congresso Nacional, dentro de 120 dias da
promulgação da Constituição, elaborará o Código de Defesa do Consumidor"), editou-se o Código (Lei nº 8.078/90), que
contém normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social.
Obs.: O Decreto nº 2.181, de 20.03.97, dispôs sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor - SNDC,
estabelecendo as normas gerais de aplicação das sanções administrativas.
2. Relação de consumo. - Tendo por objeto o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade,
saúde e segurança, a proteção dos seus interesses econômicos, a melhoria de vida, bem como a transferência e harmonia das
relações de consumo, o Código dispensa proteção de natureza administrativa, jurídica e judiciária ao consumidor, cuja
vulnerabilidade, no mercado de consumo, reconhece, proclama.
Define os direitos básicos (art. 6º), e trata da proteção à saúde e segurança (arts. 8º a 10), da responsabilidade pelo fato do
produto e do serviço, e da publicidade, das cláusulas abusivas, dos contratos de adesão, das sanções administrativas, das
infrações penais etc.
As normas de Política Nacional de Relações de Consumo são amplas, meticulosas e cheias de boa vontade.
3. Defesa do consumidor em juízo. - Exercer-se-á defesa individual ou coletiva. Coletiva, quando se tratar de interesses ou
direitos definidos no art. 81, parágrafo único, I a III.
Ação coletiva civil para defesa de interesses individuais homogêneos, ajuizável também pelo Ministério Público (art. 91).
Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os interessados possam intervir como litisconsortes -
sem prejuízo de ampla divulgação pelos meios de comunicação oficial por parte dos órgãos de defesa do consumidor (art. 94).
A sentença fará coisa julgada erga omnes (art. 103).
4. Ação civil pública. Lei nº 7.347, de 24.07.1985, acréscimos. - O art. 110 das Disposições Finais fez alterações (e
acréscimos) na Lei nº 7.347/85, que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente,
ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, turístico e paisagístico.
Esta lei, entre outras medidas, atribui ao juiz conferir efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano irreparável à parte
(art. 14); confere poder ao Ministério Público para promover a execução da sentença se, decorridos sessenta dias do trânsito em
julgado, a associação autora não o tiver feito (art. 15); confere à sentença trânsita em julgado efeito erga omnes, salvo se a ação
foi julgada improcedente "por insuficiência de provas" (art. 16); pré-exclui adiantamento de custas, emolumentos, honorários
de perito e "qualquer outras despesas" (art. 18).
5. Ação civil pública e ação popular. - O Código do Consumidor, assim como a lei ora referida, a dos juizados especiais
cíveis e criminais (Lei nº 9.099, de 26.09.1995) e a lei que regula a ação popular (Lei nº 4.717, de 24.06.1965) refletem a
intervenção do Estado a bem da justiça social, abertura de oportunidade ao cidadão para pleitear nulidade de atos lesivos ao
patrimônio das pessoas jurídicas de Direito Público, tentativa de simplificar e baratear a justiça, num fim de século em
perpétua mudança e de procura a governo efetivamente democrático.
Sálvio de Figueiredo Teixeira, contudo, mostra a distinção entre a "ação civil pública" e a "ação popular": esta tem por
finalidade legitimar o cidadão a pleitear a invalidade de atos lesivos ao patrimônio público, apresentando-se não apenas como
instrumento a serviço do interesse social mas também como "meio destinado a provocar o controle da moralidade dos atos
públicos ou interesse social" e, principalmente, como garantia constitucional contra os abusos do poder; aquela, a "ação civil
pública", constitui, além de inegável progresso jurídico, relevante instrumento político, na medida em que, preservando bens e
valores caros a segmentos significativos da coletividade, protege, ampara e defende a própria sociedade.
CONCUBINATO
1. Conceito. - Concubinato é a união duradoura entre duas pessoas, de sexo diferente, que passam a viver como se fossem
marido e mulhoer, morae uxorio.
A princípio considerada como tal a vivência sob o mesmo teto em que a concubina era "teúda e manteúda", foi-se a pouco
alargando o conceito, vencendo-se as resistências de ordem social, que viam no ajuntamento dos amantes apenas um fato, sem
conseqüências jurídicas e, não raro, uma imoralidade.
Deu-se deslocamento de conceito. Desprezando aquelas exigências relativamente à manutenção da mulher (concubina
teúda e manteúda); dispensada a convivência sob o mesmo teto; abstraindo-se da convivência constante, a doutrina moderna
qualifica e define como concubinato "a união, se se provam os elementos de continuidade e constância das relações, a sua
notoriedade ou ostensividade, a unicidade da concubina, a estabilidade da convivência e a ostensiva fidelidade da mulher, que
se não presume como no casamento, mas tem de ser evidenciada" (Caio Mário da Silva Pereira, Instituições, vol. V, nº 413).
A luta foi intensa até chegar-se à institucionalização do concubinato, considerado existente em dispositivos legais e
finalmente na Constituição da República, trabalhada com afinco nas decisões pretorianas e na voz dos doutrinadores.Teve
início quando se cuidou de reconhecer direito à mulher, nos casos de emigrantes que trabalhavam em conjunto, sob o mesmo
teto, e amealhavam dinheiro ou construíam fortuna. Morto o varão, a mulher, sem liames jurídicos com o ex-companheiro,
recorria ao Poder Judiciário, alegando haver contribuído na formação da fortuna, haver prestado relevantes serviços ao amásio,
pleiteando a metade dos bens, ou indenização do labor de muitos anos.
Pontes de Miranda, reportando-se ao passado, traçou a via crucis do instituto, nestes termos:
"Se é certo que, sob a República, o direito romano via no concubinato só o fato, irrelevante para o direito,
salvo em certos pontos de direito penal, "a legislação de Augusto iniciou o período da atenção da lei ao que a
vida apontava". Foi a Igreja mais longe ainda: os Canones Saneti Hippolyti entenderam que o Cristão que
vivia com uma concubina specialis, da qual nasceu filho, não podia repudiá-la para se casar com outra
mulher, salvo se fosse infiel. É interessante observar-se a luta e melhor diríamos a experiência moral em que
se empenharam Santos e Papas, uns favoráveis à transformação da união livre em matrimônio e outros à
repulsa da concubina e à instalação de vida cristã com outra mulher. Houve quem quisesse penas severas,
houve quem se satisfizesse com o direito comum, a que tudo se deixaria e a despeito da prudência seguida -
os padres de diferentes países continuaram a reputar delito eclesiástico o concubinato e a persegui-lo com
toda a violência, inclusive o exílio" (Tratado de Direito Privado, vol. VIII, § 870, nº 3).
2. Evolução social e jurídica. - As transformações que se operaram na economia, na vida, e o progresso da técnica
industrial não podiam deixar de refletir-se no direito e, pois, no direito de família.
O direito brasileiro, elaborado nos fins do século passado para uma sociedade patriarcal e burguesa, manteve no Estado
leigo, separado da Igreja, a técnica canonista, conservando o espírito do privatismo doméstico das Ordenações.
"O homem mantém - escrevia Arnoldo Wald em 1960 -, com algumas pequenas restrições, a sua posição
anterior de patriarca, de chefe de família, em oposição à mulher casada, que o direito inclui no rol dos
relativamente incapazes, dependendo do marido para exercer uma profissão. A mãe bínuba perde o pátrio
poder sobre os filhos do primeiro casamento" (Direito de Família, p. 438).
A mudança se realizou rapidamente, não sem resistência e medo, cheia de restrições, na segunda metade do século.
Sobrevieram a Emenda Constitucional nº 9, de 28.06.1977, que permitiu a dissolução do casamento; a Lei do Divórcio, nº
6.515, de 1977, que, permitindo a dissolução do vínculo matrimonial, ensejava novo casamento, em vez de incrementar o
concubinato pós-desquite. Definiu-se a situação jurídica da mulher casada através da Lei nº 4.121, de 1962 (dita Lei de
Emancipação da Mulher).
A concubina passou a ser contemplada na Lei de Previdência Social (Lei nº 5.316, de 1967, art. 11, § 4º) e respectivo
regulamento (Decreto nº 60.501, de 1967, art. 13, § 4º). Posteriormente, a Lei nº 8.213, de 24.07.1991, colocou-a como
beneficiária na condição de dependente do segurado (art. 16, I e § 3º). A Lei do Inquilinato, nº 8.245, de 1991, abertamente
contempla o companheiro como beneficiário da locação. A Lei nº 8.971, de 29.12.1994, regulou o direito dos companheiros a
alimentos e à sucessão.
A Constituição Federal, de 1988, ao estabelecer que a família tem especial proteção do Estado (art. 226), eliminou a
expressão "constituída pelo casamento", do art. 175 da Carta anterior.
A Lei Maior, que revogou, ou derrogou vários dispositivos do Código Civil, evitando embora a palavra "concubinato",
reconheceu como entidade familiar a "união estável entre o homem e a mulher, devendo a lei facilitar sua conversão em
casamento" (art. 226, § 3º).
Ao concubinato, largamente difundido no País, já adotado sem formalidade, já precedido de casamento eclesiástico,
"casamento no padre", sem interferência da autoridade pública, a Magna Carta e a legislação ordinária conferiram acentuada
juridicidade.
Arnoldo Wald inseriu em sua obra, sobre o Direito Civil, um capítulo intitulado "O Concubinato na Jurisprudência", em
que, magistralmente, historia o papel dos Juízes brasileiros na faina de elucidarem o direito e construir teoria a respeito.
A Súmula nº 380 enuncia:
Comprovada a existência da sociedade de fato entre os concubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com a partilha do
patrimônio adquirido pelo esforço comum.
As Súmulas nºs 235 , 347 e 382 completam as sínteses atingidas pelo Supremo Tribunal Federal.
3. Alimentos e sucessão. - A Lei nº 8.971, de 29.12.1994, regula o direito a alimentos e sucessão, nas condições que
estabelece: a) tratar-se de pessoa solteira, separada judicialmente, divorciada ou viúva; b) convivência por tempo superior a
cinco anos; c) existência de prole; d) não haver contraído nova união; e) comprovada necessidade de prestação alimentar.
4. Sucessão. - O companheiro ou a companheira sobrevivente, nas mesmas condições, terá direito a usufruir parte da
herança, ou a sua totalidade, segundo as hipóteses do art. 2º, I, II e III.
Terá direito à metade se os bens deixados resultarem de atividade em colaboração dos companheiros (art. 3º).
5. União estável. - A Lei nº 9.278, de 10.05.1978, reconhecendo a união estável como entidade familiar, regula: a) os
direitos e deveres dos companheiros; b) o regime de bens; c) a administração do patrimônio dos conviventes; d) a assistência
material em caso de dissolução da união estável; e) a convertibilidade da união em casamento.
Ver os arts. 1.723 a 1.727 do novo Código Civil.
6. Modelo:
Dissolução de sociedade de fato e partilha dos bens
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO {_Vara ou Junta} DA VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem propor ação de dissolução de sociedade,
para o que expõe e requer o seguinte;
1. No ano de..., conheceu, numa festa, Manuel Ribeiro de Souza, português, (profissão), homem comum, relativamente
pobre. Não tardou que se relacionassem e, um ano depois, passassem a viver em comum, fixada residência nesta cidade, à
rua ..., nº ..., no bairro de ...
O prédio de moradia compunha-se de duas partes: a de frente, com duas portas, em que o companheiro se estabeleceu com
pequeno comércio de bar, e a dos fundos, composta de quarto, sala, cozinha, área de serviço, reduzido quintal, que passou a ser
a residência do casal.
Durante anos em sociedade de fato, conviveram em permanente labor e franco entendimento. Ele à frente do
estabelecimento, com o concurso da autora, primeiro servindo a fregueses, depois, com o desenvolvimento da empresa,
auxiliando no caixa, ela, sempre e sempre responsável pelos serviços domésticos.
Amealharam produtos do trabalho comum, conseguindo, em ..., adquirir a propriedade do imóvel (escritura, doc. nº...),
afinal totalmente ocupado pelo estabelecimento, sempre florescente.
Adquiriu-se, em seguida, modesta casa vizinha (doc. nº...), para onde se transferiu a residência e em que viveram até que a
morte os separou.
2. Manuel Ribeiro de Souza faleceu no dia... de... do corrente ano. Sua morte é causa de dissolução da sociedade,
conseqüência jurídica que a autora pretende seja declarada judicialmente com a partilha dos bens sociais.
3. Pelo exposto, pede a citação de {_Nome da parte contrária}, presumido irmão do falecido, residente em .., para os
termos da presente ação de dissolução de sociedade e partilha dos bens.
Protesta por prova documental e oral.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Obs.: O modelo pode ser aproveitado para o caso de simples prestação de serviços domésticos, feita adaptação dos fatos,
eliminada a hipótese da contribuição para formação de patrimônio
CONFLITO DE COMPETÊNCIA
1. Conflito de jurisdição; conflito de competência; conflito de atribuições. - Uma das formas de resolver as questões sobre
competência é o conflito de competência, que a legislação anterior denominava "conflito de jurisdição".
Dispunha o Código de 1939, art. 152:
"As questões sobre competência resolver-se-ão por meio de exceção declinatória do foro, ou por conflito positivo ou
negativo de jurisdição."
Regulava-se no Título IV do Livro VI - Dos Processos da Competência Originária dos Tribunais (arts. 802 a 807).
Muito bem observou Carvalho Santos que a lei, depois de firmar as regras de competência, estabelece sanções para o caso
de não serem observadas: nulidade do processo ou da sentença nele proferida, desde que a incompetência seja absoluta. Mas a
lei cogita, igualmente, de meios preventivos, obstativos de que as normas da competência venham a ser violadas: a) oposição
de exceção de incompetência; b) obrigação para o juiz de declarar a sua própria incompetência, quando absoluta; c) união das
ações conexas; d) o conflito de jurisdição (Código de Processo Civil Interpretado, vol. IX, pp. 179-180).
A pendência da mesma causa ou de causas entre si conexas perante juízos diferentes prejudica o interesse das partes, pela
possível contradição dos julgados e o dispêndio de despesas supérfluas. Dá lugar, também, ao conflito de jurisdição, pela
divergência de opiniões dos vários juízes sobre a sua competência, gerando inevitavelmente uma das duas conseqüências: ou
as partes ficam sem ter quem lhes administre justiça, ou terão mais de um juiz que se julgue com direito a tomar conhecimento
do fato que, por sua natureza, só pode ser da competência de um deles.
"Em ambos esses casos a administração da justiça é gravemente perturbada, sendo necessário que o
legislador preveja, como previu, meio para remover esses obstáculos. Assim se explica a utilidade do conflito
de jurisdição" (ob. e vol. cits., p. 180).
O conflito de competência é meio direto de declaração de competência e meio indireto de evitar o vício da incompetência.
O Código conhece duas espécies de conflito, o conflito de competência - entre autoridades judiciárias, arts. 115 a 123 - e o
conflito de atribuições - entre autoridade judiciária e autoridade administrativa, art. 124.
Examinemos as principais questões relacionadas com esses dois meios preventivos do vício da incompetência.
Há conflito de competência:
I. quando dois ou mais juízes se declaram competentes;
II. quando dois ou mais juízes se consideram incompetentes;
III. quando entre dois ou mais juízes surge controvérsia acerca de reunião ou separação de processos
(art. 115).
2. Conflitos positivo e negativo. - Diz-se positivo o conflito quando dois ou mais juízes se consideram ou se declaram
competentes; negativo, quando se consideram ou declaram incompetentes. Distinção necessária, porque, no desenvolvimento
do assunto, lei e doutrina a cada passo se referem a conflito positivo e conflito negativo.
3. Legitimação ativa. - Têm legitimidade para suscitar o conflito: a) as partes; b) o juiz; c) o Ministério Público.
O Código de 1939, art. 803, referia-se a "parte interessada", o órgão do Ministério Público, o juiz ou autoridade
administrativa. Comentando esse artigo, dizíamos:
"Considera-se interessado, para suscitar o conflito, quem quer que esteja sujeito à eficácia da sentença
que qualquer dos juízes possa proferir". "Partes", está no art. 116, por pessoa interessada como parte; e não
por parte (Pontes de Miranda, Comentários, vol. II, p. 317, nº 2).
O Ministério Público é legitimado ao suscitamento em ambas as formas nas quais participa dos processos: como parte, ou
como fiscal da lei. Será ouvido em todos os conflitos de competência, porque representa o Estado e este a todos promete tutela
jurisdicional a ser prestada por juiz competente.
4. Modelo:
Conflito de competência
EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA...
O representante do Ministério Público suscita perante esse colendo Tribunal conflito de competência, expondo e
requerendo o seguinte:
1. Corre no Juízo da 3ª Vara de Órfãos e Sucessões, 3º ofício, o inventário de Boaventura Miranda Soares, médico,como
prova a certidão anexa (doc. nº 1).
Instaurou-se na Comarca de... (indicar), a requerimento de ..., outro processo de inventário (doc. nº 2).
2. O de cujus era domiciliado e residente nesta cidade. O Dr. Boaventura Miranda Soares, posto que falecido em .., exercia
nesta cidade a medicina havia muito anos.
3. Há conflito positivo, de vez que os dignos juízes da Vara .... e da Comarca de ... se julgam competentes.
4. O foro do domicílio do autor da herança é o competente para o inventário (Código de Processo Civil, art. 96).
5. Pelo exposto, requer a V. Exª que, processado o conflito, e sustado o andamento dos processos, seja declarada a
competência do juiz da 3ª Vara de Órfãos e Sucessões para conhecer do inventário e partilha.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
CONTESTAÇÃO; EXCEÇÃO; RECONVENÇÃO
1. Resposta. - O réu chamado a juízo para responder ao alegado na petição inicial poderá oferecer, no prazo de 15 dias, em
petição escrita, dirigida ao juiz da causa, contestação, exceção e reconvenção (CPC, art. 297).
Parece razoável, antes de enfrentar o tema da contestação, um apanhado entre essas três formas de resposta, mostrar os seus
pontos de contato, as semelhanças e diferenças entre as três maneiras de reação do demandado.
Todas elas devem ser oferecidas em petição escrita, subscrita por advogado legalmente habilitado, dirigido ao juiz da causa.
Entre as duas primeiras, contestação e exceção, há igualdade de prazo, 15 dias, contados em dobro na contestação quando
os litisconsortes tiverem diferentes procuradores e, na exceção, contados do conhecimento do fato que ocasionou a
incompetência, o impedimento, a suspeição (art. 297, parte final e art. 305, segunda parte).
Entre as preliminares do art. 301 (conteúdo obrigatório da contestação) acham-se algumas exceções, que escapam ao rito
dos arts. 304 e 306.
A reconvenção é espécie de ação, contestável e sujeita, ela mesma, aos problemas das exceções (Wellington Pimentel,
Comentários, p. 320, nº 2; Jacy de Assis, Comentários, p. 246, nº 4). Jorge Americano afirmou que o direito de excepcionar
não se pode recusar ao reconvindo, pois a autonomia da reconvenção autoriza qualquer defesa. A exceção é forma de defesa,
defesa indireta.
2. Contestação. - Contestar significa ao mesmo tempo contradizer e confirmar. No direito brasileiro é forma de resposta,
contradita.
2.1. Caso de semântica. - O termo é um curioso caso de semântica.
Seria o caso de antepor o afirmativo exemplo: "Contestar. V. Tra. e intr. Provar com o testemunho de outrem. Responder
repelindo testemunhos, alegações, acusações" (Antenor Nascentes, Dicionário da Língua Portuguesa). Todavia, em doutrina e
nos textos de Direito Processual, contestar é responder resistindo à pretensão do adversário, repelindo-a, contrariando-a.
O adjetivo conteste, mesmo em Direito Processual, emprega-se no primeiro sentido, original e etimológico: testemunhas
contestes, que confirmam o depoimento de outrem.
O sentido afirmativo é derivado de contestari-cumtestari, co-testemunhar, no processo clássico romano, em cuja fase in
jure as partes invocavam testemunhas presentes ao ato como prova do contrato judiciário, que faziam, de submeter-se à
decisão. O testemunho confirmava o acordo. Mais tarde, no processo da extraordinaria cognitio, a contestação não mais exigia
a presença das partes. O autor deduzia por escrito o seu direito (narratio proposita) e o réu a ele respondia (contradictio
adjeta); o réu contrariava as conclusões do autor; contrariava-as, negava-as (Lopes da Costa, Direito Processual Civil do
Brasil, vol. III, p. 17).
2.2. Requisitos; conteúdo. - Vimos que a contestação formula-se por escrito, dirigido ao juiz da causa.
Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o
pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir (art. 300).
O "compete ao réu" vale por um"deve o réu".
A contestação é resposta direta à petição inicial; é a petição inicial às avessas. Ela está para a defesa como a inicial para a
ação, no dizer de Calmon de Passos. Ela circunscreve os limites do libelo, tal como acontecia na Roma Clássica, ao firmar-se
in jure a litis contestatio (Jacy de Assis).
Os requisitos são necessários: se o réu não contesta os fatos alegados pelo autor perde a oportunidade de fazê-lo. Dá-se
preclusão, fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual (Coqueijo Costa).
Compete ao réu, ainda, antes de discutir o mérito, isto é, preliminarmente, oferecer defesa, indireta, de conteúdo
processual: I. inexistência ou nulidade da citação; II. incompetência absoluta; III. inépcia da petição inicial; IV. perempção; V.
litispendência; VI. coisa julgada; VII. conexão; VIII. incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização;
IX. convenção de arbitragem; X. carência de ação; XI. falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar
(art. 301).
As hipóteses enumeradas foram consideradas como exceção, ou cabem no conceito doutrinário de exceção; estão, porém,
excluídas do procedimento especial das exceções e, portanto, da regra do art. 306, segundo a qual recebida a exceção
suspende-se o processo.
Cabe também ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial, presumindo-se verdadeiros os
não impugnados (art. 302).
3. Reconvenção. - É ação do réu contra o autor, proposta no mesmo feito em que está sendo demandado (João Monteiro,
Paula Baptista).
O réu pode reconvir ao autor, no mesmo processo, toda vez que a reconvenção seja conexa com a ação principal ou com o
fundamento da defesa (art. 315). Não se admitirá reconvenção nas causas de procedimento sumário (§ único).
4. Modelos:
4.1. Exceção de incompetência. Petição inicial
EXMO. SR DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente} {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado infra-assinado,
{_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, vem opor exceção declinatória fori, nos seguintes termos:
1. Foi citado, a requerimento de {_Nome da parte contrária}, para responder a uma ação de nulidade de escritura de
reconhecimento de débito, como prova a contrafé que ora exibe.

O exceto, como se vê da inicial, requereu a citação do ora excipiente, dizendo-o "domiciliado e residente nesta cidade",
sem, aliás, precisar ou, mesmo, indicar o local da fantasiosa residência.
O excipiente reside na cidade de Almada, onde exerce o comércio há cerca de dez anos, onde tem a sede de seus negócios
(docs. nºs 3 e 4). Sua vinda a esta cidade ao tempo da mencionada escritura foi acidental, para tratar de assunto de seu interesse.
2. Consoante princípio de direito, o réu deve ser demandado no seu domicílio. Princípio esse adotado no art. 94 do Código
de Processo Civil:
"A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens imóveis serão propostas, em regra, no foro
do domicílio do réu."
A ação proposta contra o excipiente tem por objeto relação jurídica de caráter obrigacional, que em nada modifica a
competência regular do juízo do domicílio do réu. Nenhuma das exceções à regra do art. 94, previstas nos §§ 1º, 2º, 3º e 4º,
pode ser, in casu, invocada.
3. Conclui-se do exposto que é incompetente este Juízo, competente o da Comarca de Almada, para o qual se declina.
4. Espera o requerente que a presente exceção de incompetência seja recebida, processada, julgada, provada, e os autos
remetidos ao Juízo competente, condenado o excepto a pagar as custas e honorários de advogado.
5. Protesta-se pelo depoimento das testemunhas abaixo arroladas.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
4.2. Resposta do exceto
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
Impugnando a exceção de incompetência oposta por {_Nome da parte contrária}, nos autos da ação {_Tipo de ação}, diz
{_Nome do cliente}, por seu advogado, o seguinte:
1. O excipiente é domiciliado nesta cidade; declarou-o na procuração de f. 10 e na escritura de f. 15. Ele se diz comerciante,
mas não indica estabelecimento comercial, que, em verdade, não mantém, simples comerciante ambulante que é.
Domicílio da pessoa natural é o lugar em que ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo (Código Civil de 1916,
art. 31; novo CC, art. 70). Se, porém, a pessoa natural tiver diversos centros de ocupação habitual, considerar-se-á domicílio
quaisquer destes (art. 32; novo CC, art. 71).
Negociante ambulante, atuando comercialmente na sede deste Juízo, onde reside, o excipiente é considerado, por lei,
domiciliado nesta cidade.
2. Assim exposto, é de rejeitar-se a exceptio declinatoria fori, para o fim de ser declarado competente o juiz desta Comarca,
onde foi aforada a ação ordinária. Pede-se a condenação do excipiente nas custas e honorários de advogado.
3. Protesta-se pelo depoimento do excipiente, pena de confesso, e pelo depoimento das testemunhas... (qualificação,
residência), que comparecerão independentemente de intimação.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
CURATELA
1. Definição. - Curatela ou curadoria é o encargo conferido por lei a alguém, para reger a pessoa e os bens, ou somente os
bens, de pessoas menores, ou maiores, que por si não no podem fazer, ou por ainda não terem nascido (Pontes de Miranda,
Tratado de Direito Privado, vol. IX, § 1.030, nº 1).
No direito brasileiro, continua o mestre, chama-se curatela assim a curatela sobre bens sem incapacidade da pessoa a) como
à curatela dos incapazes que são ou não menores b) de modo que as curatelas (b) são pessoais, como a tutela e o pátrio poder,
ao passo que as curatelas (a) têm conteúdo limitado a certos interesses ou oportunidades. A curatela dos pródigos ocupa lugar
intermédio. Daí seis espécies de curadorias (b) a: a) curatela dos surdos-mudos (furiosi e mente capti); b) curatela dos
neuróticos e psicóticos; c) curatela dos surdos-mudos (surdi, iidem et muti); d) curatela dos pródigos (prodigi); e) curatela dos
ausentes (absentes); f) curatela do nascituro (nº 2).
Há curadorias especiais, especialmente previstas no Código Civil de 1916. Exemplos: a) a do art. 411, parágrafo único
("Quem institui um menor herdeiro, ou legatário seu, poderá nomear-lhe curador especial para os bens deixados, ainda que o
menor se ache sob o pátrio poder, ou sob tutela"); b) a da herança jacente (art. 1.591: "Não havendo testamento, a herança é
jacente, e ficará sob a guarda, conservação e administração de um curador"); c) as curadorias de órfãos, resíduos, massas
falidas e ausentes, ramos do Ministério Público, e outros.
O Código Civil, sem obedecer a sistema, denominou curatela o encargo decorrente da interdição dos "loucos", surdos-
mudos e pródigos, do nascituro, e curadoria o encargo relativo aos bens do ausente.
2. Interdição. - A curatela dos loucos, surdos-mudos e pródigos pressupõe sua interdição. Decretada a interdição, fica o
interdito sujeito a curatela.
Leis posteriores, modernas, ampliaram e modificaram o quadro das pessoas sujeitas a medidas de proteção, além da tríade
do art. 446, incisos I, II e III do Código Civil de 1916 e do rol do art. 1.767 do novo Código, aos psicóticos e toxicômanos.
3. Loucos de todo gênero. - A expressão "loucos de todo gênero", usada para indicar as pessoas absolutamente incapazes
(Código Civil, art. 5º, II, e 446, I), tem sido criticada, desde a promulgação do Código, por juristas e médicos nacionais.
Pontes de Miranda, em 1917, iniciou movimento contra o sistema apriorístico do Código, "que a todos os perturbados dava
a única e simplista denominação de loucos, com a conseqüência de uma só figura de curatela: a dos loucos, absolutamente
incapazes" (Tratado, vol. IX, § 1.031, nº 2).
Com pequena discrepância, em reduzido número, a generalidade dos tratadistas aceita o termo alienado, em sua acepção
genérica, como abrangendo todos os estados mentais que excluem a capacidade civil (Carvalho Santos, Código Civil, vol. I, p.
252).
4. Surdo-mudo. - A interdição do surdo-mudo tem os limites de seu estado de incapacidade. Pronunciada que seja, o juiz
assinará, segundo o desenvolvimento mental do interdito, os limites da curatela. Havendo meio de educá-lo, o curador
promover-lhe-á o ingresso em estabelecimento apropriado.
5. Pródigo. - A interdição do pródigo limitar-se-á, como a do surdo-mudo, a certos atos os quais ficará ele privado de
praticar sem curador: emprestar, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, praticar, em geral, atos que não
sejam de mera administração. A restrição atinge o problema da legitimidade: o pródigo só incorrerá em interdição havendo
cônjuge ou companheiro(a), ou tendo ascendentes ou descendentes que a promovam. E só o mesmo pródigo ou as pessoas
designadas no art. 460 poderão argüir a nulidade dos atos do interdito durante a interdição.

5.1. Levantamento da interdição. - Cessando a incapacidade que determinou a medida, ou não existindo mais as pessoas
designadas para requerê-la, levantar-se-á a interdição.
5.2. Legitimação. - A interdição pode ser promovida: I. pelo pai, mãe ou tutor; II. pelo cônjuge ou algum parente próximo;
III. pelo órgão do Ministério Público (CPC, art. 1.177).
A iniciativa do Ministério Público só tem lugar: I. no caso de anomalia psíquica; II. se não existir ou não promover a
interdição alguma das pessoas designadas no art. 1.177, I e II.
6. Procedimento. - Na petição inicial o interessado especificará os fatos que revelam a anomalia psíquica e assinará a
incapacidade do interditando para reger a sua pessoa e administrar os seus bens.
6.1. Citação para comparecer. - O interditando será citado para, em dia designado, comparecer perante o juiz, que o
examinará, interrogando-o minuciosamente acerca de sua vida, negócios, bens, e "do mais que lhe parecer necessário para
ajuizar do seu estado mental", reduzidas a auto as perguntas (art. 1.181). Esse interrogatório é essencial e de ordinário bastante
proveitoso para uma decisão pensada, justa e legal.
A interdição, posto que instituída na defesa do louco, não deixa de ser vexatória e opressiva, porque retira do indivíduo a
capacidade de gerir seus bens e dirigir sua pessoa. A perícia médico-legal e o exame pessoal do interditando, feitos pelo juiz,
são os elementos fundamentais para instruir a ação de interdição (ac. unânime da 2ª Câmara Especial do Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul, de 12.02.1976, Revista de Jurisprudência, 56/180).
6.2. Impugnação do pedido. - O interditando poderá impugnar o pedido dentro no prazo de cinco dias, contados da
audiência de interrogatório.
6.3. Perícia médica. - Decorrido o prazo para impugnação do pedido, com ela ou sem ela, o juiz nomeará perito, de
preferência especialista, para proceder ao exame do interditando.
6.4. Audiência da instrução e julgamento. - Apresentando o laudo médico-legal, o juiz designará audiência de instrução e
julgamento (CPC, arts. 450 e segs.).
Decretando a interdição, o juiz nomeará curador ao interdito.
7. Roteiros. Aí está, em linhas gerais, o roteiro do processo de interdição do alienado.
Obedecerá às disposições dos artigos antecedentes, no que for aplicável, a interdição do pródigo, a do surdo-mudo sem
educação que o habilite a enunciar precisamente a sua vontade, e a dos viciados pelo uso de substâncias entorpecentes, quando
acometidos de perturbações mentais (art. 1.185).
8. Modelos:
8.1. Pedido de interdição de alienado
EXMO. SR. DR. JUIZ. DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado (inscrito na
OAB sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer a V.Exa. o seguinte:
1. O requerente é casado, há quinze anos, com {_Nome da parte contrária}, brasileira, funcionária pública, residente nesta
cidade, no lar conjugal. Exibe-se certidão do casamento (doc. nº 3) e contracheque da Secretaria de Fazenda (doc. nº 4).
Sua esposa vem, há dois anos, demonstrando anomalia psíquica: falta ao trabalho, desinteressa-se pelos filhos e pela
administração doméstica, deu-se a freqüentar centros de espiritismo. Tem estado sob cuidados médicos do Dr. Fabriciano Silva
Pinto, que emitiu atestado dizendo-a portadora de ... (doc. nº 5).
2. Assim exposto, quer promover, com fundamento no art.1.177, II, do Código de Processo Civil, a interdição de sua
mulher, Aldemira Duque de Meireles, nomeando-se-lhe curador o próprio requerente, ex vi do disposto no art. 454 do Código
Civil (novo CC, art. 1.775).
Pede a citação de sua consorte para em juízo ser interrogada e impugnar o pedido se lhe aprouver, prosseguindo-se nos
trâmites da lei processual.
Protesta por prova pericial, documental e oral.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
8.2. Pedido de interdição de pródigo
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador abaixo assinado, inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil, sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer a V. Exa., o seguinte:
1. A requerente é casada, pelo regime de comunhão de bens, com {_Nome da parte contrária}, brasileiro, comerciante,
residente no endereço acima indicado.
Seu cônjuge, acometido de anormalidade mental, passou a dissipar os bens do casal, fazendo despesas que ultrapassa as
respectivas possibilidade econômicas, realizando gastos supérfluos, organizando festas e banquetes.
Nesse estado, Lúcio Campos, seu marido, assemelha-se a um enfermo mental.
2. A interdição pode ser promovida pelo cônjuge (CPC, art. 1.174, II). A do pródigo obedecerá, no que for aplicável, às
disposições dos arts. 1.177 a 1.183 (art. 1.185).
3. Quer a peticionária promover a interdição de seu marido, sujeito aos perigos de ruinosa prodigalidade.
Pede, para isso, a citação do requerido, a fim de ser interrogado e para, querendo, impugnar o pedido.
Protesta pela produção de prova pericial (perícia médico-legal), documental e oral.
Pede, outrossim, que, decretada a interdição, se nomeie curador do pródigo.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
1. Obrigatoriedade. - A denunciação da lide é obrigatória (CPC, art. 70):
"I. ao alienante, na ação em que terceiro reivindica a coisa, cujo domínio foi transmitido à parte, a fim de
que esta possa exercer o direito que da evicção lhe resulta;
II. ao proprietário ou ao possuidor indireto quando, por força de obrigação ou direito, em casos como o
do usufrutuário, do credor pignoratício, do locatário, o réu, citado em nome próprio, exerça a posse direta da
coisa demandada;
III. àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do
que perder a demanda."
2. "Chamamento à autoria". - Chamamento à autoria era a denominação dada pelo Código anterior à forma de
denunciação da lide hoje regulada nos arts. 70-76. Era denominação tradicional.
Na nomeação a autoria - vimos anteriormente - o réu indica, aponta, nomeia a pessoa, o terceiro que deveria ser chamado
ao processo. Na denunciação da lide o réu ou o autor chama o terceiro, requer a citação dele.
Note-se desde logo a evolução do instituto no sentido de sua ampliação.
No Regulamento nº 737 havia definição existente nas Ordenações do Reino:
"Autoria é o ato pelo qual o réu, sendo demandado, chama a juízo aquele de quem houve a coisa que se pede."
Em 1939 já o Código, art. 95, concedia o direito de chamar "aquele que demandar, ou contra quem se demandar acerca de
coisa ou direito real..."
A simples leitura dos itens I, II e III do art. 70 demonstra que o quadro se estendeu; que se tornou obrigatória a
denunciação. No estudo e aplicação das regras concernentes à denunciação da lide é de toda vantagem sentir o pensamento
político do legislador processual, cada vez mais inclinado a fazer do processo instrumento hábil e prático de realização do
direito.
3. Evicção. - Evicção é a perda, total ou parcial, da coisa (domínio, posse, direito real), em virtude de sentença que a
garante a outrem.
Nos contratos onerosos, pelos quais se transfere o domínio, posse ou uso, será obrigado o alienante a resguardar o
adquirente do risco da evicção, toda vez que se não tenha excluído expressamente esta responsabilidade (Código Civil, art.
1.107; novo CC, art. 447).
Uma das funções da litisdenuntiatio, de resto inscrita no art. 70, I, é garantir o adquirente contra o risco de evicção. No item
II procura-se proteger o exercente da posse direta (locatário, usufrutuário, etc.) através do chamamento do possuidor indireto,
inclusive o proprietário, garantes de posse direta. O item III estende a proteção àquele que estiver obrigado, por lei ou contrato,
a indenizar o denunciante, em ação regressiva, pelo prejuízo que lhe causar a perda da demanda.
A extensão do item III, inspirada nos Códigos de Portugal e da Alemanha - adverte Celso Barbi -, há muitos anos é
defendida na doutrina brasileira, porque não há razão para limitar o chamamento ao caso de evicção; este nada mais é do que
uma das hipóteses em que existe o direito de exigir indenização por prejuízo decorrente da perda de um direito havido de
outrem. Exemplifica com o caso do cessionário de crédito, que tem direito de regresso contra o cedente se o crédito não existir;
nada mais razoável e prático do que chamar à lide o cedente para que este fique sujeito aos efeitos daquela, se houver insucesso
na demanda contra o devedor do crédito (Celso Agrícola Barbi, Comentários, vol, I, nº 405).
4. Citação, momento, prazo. Omissão. - A citação do denunciado será requerida, juntamente com a do réu, se o
denunciante for o autor; e, no prazo para contestar, se o denunciante for o réu (art. 71).
Ordenada a citação, ficará suspenso o processo.
§ 1º A citação do proprietário, do possuidor indireto ou do responsável pela indenização far-se-á:
a) quando residir na mesma comarca, dentro de 10 dias;
b) quando residir em outra comarca ou em lugar incerto, dentro de 30 dias.
§ 2º Não se procedendo à citação no prazo marcado, a ação prosseguirá unicamente em relação ao denunciante (art. 72).
Em surgindo a situação de chamar o terceiro, proceder-se-á à citação do denunciado (litisdenunciado).
A citação será requerida: a) se o denunciante for o autor, simultaneamente com a do réu; b) se o denunciante for o réu, no
prazo para contestar.
No primeiro caso, litisdenunciação pelo demandante, o problema é mais simples: o pedido de citação do denunciado faz-se
ao mesmo tempo que a do réu (art. 71), e a posição do terceiro, pelas condições em que é chamado ao instaurar-se o juízo, e
por determinação legal, é de litisconsorte do denunciante. Litisconsorte, poderá aditar a petição inicial e, no curso da lide, terá
direito de promover o andamento do processo e de ser intimado dos respectivos atos (art. 49).
Só depois de ensejar-se ao denunciado aditar a petição inicial é que se procederá à citação do réu. Não há outra
interpretação plausível para o "procedendo-se em seguida à citação do réu".
5. Litisdenunciação pelo réu. - A citação do denunciado será requerida pelo réu no prazo da contestação (art. 71).
Feita a denunciação da lide, pode o denunciante: a) omitir-se, calar, mostrar-se revel; b) aceitar, ou negar a qualidade que
lhe é atribuída; c) contestar o pedido; d) confessar os fatos alegados pelo demandante.
Nos casos a e b, segunda parte, isto é, nos casos de revelia e de comparecimento apenas para negar a qualidade que lhe
atribuiu o denunciante, a este competirá prosseguir na defesa de sua causa até o final. Obrigatória a denunciação da lide ao
alienante e ao proprietário, nos termos do art. 70, o denunciado tem o ônus de defender-se, mas não pode ser compelido a fazê-
lo. Sofrerá as conseqüências da sua omissão, do seu silêncio, ou da sua simples negação de qualidade.
No caso c, isto é, de oferecer, no prazo, contestação, o feito prosseguirá entre as partes e o terceiro: de um lado, o autor e,
do outro lado, como litisconsortes, o denunciante (réu) e o denunciado.
No caso d, isto é, de confissão, pelo denunciado, dos fatos alegados pelo autor, poderá o denunciante prosseguir na defesa;
vale dizer que a confissão não o vincula. Não o poderia vincular.
6. Modelos:
6.1. Denunciação da lide pelo autor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL {_Comarca}
1. {_Nome do cliente} e sua mulher Belanízia Dantas Moniz, brasileiros, ele, lavrador, ela, de prendas do lar, residentes
nesta cidade, rua {_Endereço do cliente}, por seu advogado abaixo assinado, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, querem propor
contra {_Nome da parte contrária}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, e sua mulher Isaura
Monteiro Celli, brasileira, funcionária pública, uma ação reivindicatória . Para o que expõem e requerem o seguinte...
2. Assim exposto, pedem a citação de ... e de ... para os termos da presente ação, que esperam seja, a final, julgada
procedente.
3. Outrossim, como o imóvel reivindicando tenha sido adquirido de Sebastião Benevides, brasileiro, solteiro, bancário,
residente nesta cidade, rua Amoroso Lima, nº 80, conforme escritura por certidão anexa (doc. nº 4), pedem a citação do
mencionado alienante, a fim de, querendo, contestar o pedido na forma e para os efeitos dos arts. 70, I, 71 e 74 do Código de
Processo Civil.
Pedem deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
{_Nº OAB}
6.2. Denunciação da lide pelo réu
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado infra firmado, {_ENDEREÇO
ESCRITÓRIO}, vem expor e requerer o seguinte:
1. {_Nome da parte contrária} e sua mulher propuseram contra o requerente ação ordinária de reivindicação do mencionado
imóvel rural, que habitam e cuja posse mansa e pacífica detêm desde o tempo da respectiva aquisição.
2. Como prova a escritura anexa (doc. nº 4) o requerente adquiriu esse bem por escritura pública lavrada (indicar), sendo
outorgante, vendedor, Paulo Alexandrino Borges; escritura transcrita no Registro de Imóveis (indicar).
3. Quer, com fundamento no art. 70, I, do Código de Processo Civil, para se resguardar do risco da evicção, chamar à
autoria (denunciar à lide) o alienante.
4. Pelo exposto, requer a citação de Paulo Alexandrino Borges, brasileiro, solteiro, residente à rua Oswaldo Cruz, nº 184,
para integrar a lide, na forma e para os efeitos do art. 75 do Código de Processo Civil.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
DESAPROPRIAÇÃO
1. Propriedade; perda. - O Código Civil prevê entre as causas de perda da propriedade imóvel a desapropriação por
necessidade ou utilidade pública (art. 590; novo CC, art. 1.275). A matéria, porém, se enquadra no direito constitucional, que a
fundamenta, no direito administrativo, que a regula (Clóvis Beviláqua, Direito das Coisas, vol. I, § 44, g).
O Código Civil, artigo citado, considera os casos de necessidade pública (§ 2º, I a IV). Em quase um século (o Código é de
1916) muita coisa mudou nos planos constitucionais e administrativos. A timidez no estabelecer exceções ao direito de
propriedade (pleno, absoluto) foi vencida pelo (moderno) conceito da função social da propriedade.
Desapropriação, requisição. Ato em virtude do qual o Poder Público, mediante prévia indenização, retira do patrimônio
particular de pessoa física ou jurídica determinado bem, no interesse da coletividade, rege-se, na atualidade, por novas leis,
específicas e corajosas. As requisições participam desse poder do Estado.
2. A legislação. - Dois diplomas legislativos regulam, em especial a desapropriação: o Decreto-Lei nº 3.365, de 21.06.1941
(desapropriação por utilidade pública) e o Decreto-Lei nº 4.132, de 10.09.1962 (desapropriação por interesse social). Um
terceiro, as requisições: Decreto-Lei nº 4.812, de 08.10.1941.
Deve-se acrescentar:
Decreto-Lei nº 7.426, de 31.03.1945. Define caso de utilidade pública.
Lei nº 3.883, de 08.11.1960. Cria regime especial de desapropriação por utilidade pública para execução de obras no
Polígono das Secas.
Lei nº 4.504, de 30.11.1964. Estatuto da Terra.
Lei nº 4.519, de 02.11.1964. Liquidação, por acordo, das desapropriações efetuadas no Nordeste.
Lei nº 4.595, de 29.12.1964. Desapropriação para as obras de combate às secas do Nordeste.
Lei nº 4.497, de 06.04.1966. Normas de direito agrário. Organização e funcionamento do Instituto Brasileiro de Reforma
Agrária (IBRA).
Decreto-Lei nº 512, de 21.03.1969. Política Nacional de Viação Rodoviária. Inclui normas especiais sobre processo de
desapropriação.
Decreto-Lei nº 554, de 25.04.1969. Desapropriação, por interesse social, de imóveis rurais para fim de reforma agrária.
Decreto-Lei nº 1.075, de 21.01.1970. Imissão na posse, initio litis, de imóveis residenciais urbanos.
Decreto-Lei nº 1.864, de 26.02.1981. Ocupação provisória de imóveis para pesquisa e lavra de petróleo.
Decreto-Lei nº 1.865, de 26.02.1981. Ocupação provisória de imóveis para pesquisa e lavra de substâncias minerais que
contenham elementos nucleares.
Decreto-Lei nº 89.496, de 29.03.1984. Regulamenta a Lei nº 6.662, de 25.06.1979, que dispõe sobre a Política Nacional de
Navegação.
Lei complementar nº 76, de 06.07.1993. Dispõe sobre o procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o
processo de desapropriação de imóvel rural por interesse social, para fins de reforma agrária.
3. Casos de utilidade pública. - Consideram-se casos de utilidade pública: a) a segurança nacional; b) a defesa do Estado;
c) socorro em caso de calamidade; d) a salubridade pública; e) a criação e melhoramento de centros de população, seu
abastecimento regular de meios de subsistência; f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da
energia hidráulica; g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saúde, clínicas, estações de clima e fontes
medicinais; h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos; i) a abertura, conservação e melhoramento de vias e
logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o loteamento de terrenos edificados ou não para sua melhor
utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; j) o funcionamento dos meios de
transporte coletivo; k) a preservação e conservação dos monumentos históricos ou artísticos, isolados ou integrados em
conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou
característicos e, ainda, a proteção de passagens e locais particularmente dotados pela natureza; l) a preservação e conservação
adequada de arquivos, documentos e outros bens móveis de valor histórico ou artístico; m) a construção de edifícios públicos,
monumentos comemorativos e cemitérios; n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves; o) a
reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou literária; p) os demais casos previstos por leis
especiais (art. 5º).
A desapropriação deverá efetuar-se mediante acordo, ou intentar-se judicialmente dentro de cinco anos, contados da data da
expedição do respectivo decreto, findo os quais este caducará. Neste caso somente decorrido um ano poderá ser o mesmo
objeto de nova declaração de utilidade pública (art. 10).
4. Desapropriação por interesse social. - Sua finalidade é promover a justa distribuição da propriedade, ou condicioná-la
ao bem-estar social.
A ordem econômica tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados,
entre outros princípios, "a função social da propriedade" (CF, art. 170, I).
Considera-se interesse social: I. o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com a
necessidade de habitação, trabalho e consumo do centro de população a que deve ou possa suprir por seu destino econômico;
II. o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola; III. a manutenção de
posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou tácita do proprietário, tenham construído sua habitação,
formando núcleos residenciais de mais de 10 famílias; IV. a construção de casas populares; V. as terras e águas suscetíveis de
valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte,
eletrificação, armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente aproveitáveis; VI. a
proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais; VII. a utilização de áreas, locais ou
bens que, por suas características, sejam aproveitadas ao desenvolvimento de atividades turísticas (Decreto-Lei nº 4.132/62,
art. 2º).
O expropriante tem o prazo de dois anos, a partir da decretação da desapropriação, para, sob pena de caducidade, efetuar a
aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem apropriado (art. 3º).
Tira-se, do confronto entre as duas leis, que na desapropriação por utilidade pública o bem se integra no patrimônio do
expropriante, ao passo que nos casos de interesse social o bem se destina à coletividade.
5. Processo judicial. - A petição inicial, além dos requisitos do art. 282 do Código de Processo Civil, conterá a oferta do
preço e será instruída com um exemplar do contrato, ou do jornal oficial (onde houver) em que se tenha publicado o decreto de
desapropriação, ou cópia autenticada dos mesmos, e a planta ou descrição dos bens e suas confrontações (Decreto-Lei nº
3.365, art. 13).
6. Imissão provisória na posse. - Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada na forma dos arts. 826 a
838 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imiti-lo provisoriamente na posse do bem.
7. Procedimento. - Feita a citação do réu ou dos réus, a causa seguirá com o rito ordinário (art. 19).
8. Requisições. - Entre as restrições à propriedade privada, justificadas por um interesse público premente, figuram as
requisições. É direito do Estado, limitação imposta por uma necessidade (Themístocles Brandão Cavalcanti, Curso de Direito
Administrativo, pp. 516-517).
Rege a matéria o Decreto-Lei nº 4.812, de 08.10.1942, que , nos Capítulos I, II e III regula, respectivamente, o direito de
requisição, o exercício do poder de requisitar, e os bens e coisas sujeitas a requisição (arts. 1º a 11, 12 a 14 e 15 e 16).
DIVÓRCIO
1. Divórcio e desquite. - Muito se discutiu sobre a dissolubilidade do vínculo matrimonial, ou seja, sobre a admissão, no
direito brasileiro, do divórcio em sentido lato.
Clóvis Beviláqua, diante de "duas soluções que têm convenientes manifestos e desvantagens notórias", inclinou-se, a
princípio, pelo divórcio; voltou atrás, preferindo a simples "separação de corpos" (Direito de Família, § 59).
O Código Civil de 1916 satisfez-se com a "dissolução da sociedade conjugal", dispondo:
"Art. 315. A sociedade conjugal termina: I. pela morte de um dos cônjuges; II. pela nulidade ou anulação
do casamento; III. pelo desquite, amigável ou judicial.
Parágrafo único. O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges, não se lhe aplicando
a presunção estabelecida neste Código (art. 10, segunda parte)."
O desquite mesmo tinha suas limitações. A ação de desquite só de podia fundar num dos quatro motivos previstos no art.
317. O consensual era permitido se casados os cônjuges por mais de dois anos; devia manifestar-se "perante o juiz" e ser
"devidamente homologado" (art. 318).
A ação de desquite era de rito ordinário (art. 316).
Ver o art. 1.571 e seguintes do novo Código Civil.
2. Disposições constitucionais. - A indissolubilidade do vínculo teve assento no texto das Constituições. Rompeu com essa
tradição a Emenda Constitucional nº 9, de 28.06.1977, pela qual o art. 175, § 1º, da Lei Magna, passou a vigorar com a
seguinte redação:
"O casamento poderá ser dissolvido, nos casos expressos em lei, desde que haja prévia separação judicial, por mais de três
anos."
O art. 2º conferiu validade à separação de fato, "devidamente comprovada em juízo e pelo prazo de cinco anos, se anterior à
data da Emenda".
A Constituição em vigor, generosa e atualizante, restringiu prazo:
"O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano,
nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos" (art. 226, § 6º).
3. A Lei do Divórcio. - O Código de Processo Civil regulou, entre os procedimentos especiais de jurisdição voluntária, nos
art. 1.120 a 1.124, o desquite por mútuo consentimento. No art. 1.123 declarou ser lícito às partes, a qualquer tempo, no curso
do desquite litigioso, lhe requererem a conversão em desquite consensual.
Sobreveio em 1977 a Lei nº 6.515, de 26 de dezembro - Lei de Divórcio -, que, no art. 39, substitui as expressões "desquite
por mútuo consentimento" e "desquite litigioso" por "separação consensual" e "separação judicial" (art. 39).
Interessa-nos, especialmente: a) o término da sociedade; b) o término do casamento pelo divórcio, as causas que o
autorizam, seus efeitos e os respectivos processos.
4. Dissolução da sociedade conjugal. - A sociedade termina: I. pela morte de um dos cônjuges; II. pela nulidade ou
anulação do casamento; III. pela separação judicial; IV. pelo divórcio (Lei nº 6.515, art. 2º).
O parágrafo único desse artigo é categórico:
"O casamento válido somente se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio."
5. Separação judicial. - Vimos que a separação pode ser litigiosa ou consensual, e que a consensual depende de
homologação pelo juiz.
5.1. Efeitos. - A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação, fidelidade recíproca, ao regime matrimonial de
bens, como se o casamento fosse resolvido (art. 3º). Disposição taxativa.
A sentença que julgar a separação judicial produz seus efeitos à data do trânsito em julgado, ou à da decisão que houver
concedido separação cautelar.
5.2. Legitimação ativa. - O procedimento judicial da separação caberá somente aos cônjuges e, no caso de incapacidade,
serão representados por curador, ascendente ou irmão (§ 1º).
5.3. Tentativa de conciliação ou transigência. - O juiz deverá promover todos os meios para que as partes se reconciliem
ou transijam, ouvindo pessoal e separadamente cada uma delas e, a seguir, reunindo-as em sua presença, se assim considerar
necessário (§ 2º).
Após a fase prevista no parágrafo anterior, se os cônjuges pediram, os advogados deverão ser chamados a assistir aos
entendimentos e deles participarão (§ 3º).
Desponta do texto legal que a tentativa de conciliação e transigência, com ouvida pessoal e separada de cada cônjuge, deve
ser promovida nos casos de separação judicial litigiosa, qual seja, a requerida por um só dos cônjuges (Pestana de Aguiar,
"Sugestões Práticas à Lei do Divórcio", Revista Forense, vol. 260, p. 15, item 6).
Coexistem as regras da Lei nº 6.515 e do Código de Processo Civil, arts. 1.120 a 1.124. Segundo o art. 1.121:
"A petição, instruída com a certidão de casamento e o contrato antenupcial, se houver, conterá: I. a
descrição dos bens do casal e a respectiva partilha; II. o acordo relativo à guarda dos filhos menores; III. o
valor da contribuição para criar e educar os filhos; IV. a pensão alimentícia do marido à mulher, se esta não
possuir bens suficientes para se manter."
A petição será também assinada por advogado (Lei nº 6.515, art. 34, § 1º).
Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far-se-á esta depois de homologada a separação, segundo as regras
do inventário e partilha (parágrafo único).
6. Separação litigiosa. - A separação judicial pode ser pedida por um só dos cônjuges quando imputar ao outro: a) conduta
desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum;
b) se um dos cônjuges provar a ruptura da vida em comum há mais de um ano consecutivo e a impossibilidade de sua
reconstituição; c) quando o outro cônjuge estiver acometido de grave doença mental, manifestada após o casamento, que torne
impossível a continuação, desde que, após uma duração de cinco anos, a enfermidade tenha sido considerada de cura
improvável (Lei nº 6.515, art. 5º e §§ 1º e 2º, redação da Lei nº 8.408, de 13.02.1992).
A causa c - grave doença mental - tem gerado críticas. Milton Sanseverino achou-a surpreendente, chocante, embora não se
possa considerar a lei, por isso, "desumana, mesquinha ou injusta", eis que ressalva a reversão de bens remanescentes que o
cônjuge enfermo levou para o casamento e a meação dos adquiridos na constância da sociedade conjugal ("A Nova Lei do
Divórcio", in Revista Forense, vol. 264, p. 6).
A ressalva de bens não tira, por si só, o estranho caráter da medida legal.
7. Separação de corpos. - A separação de corpos pode ser determinada como medida cautelar (Lei do Divórcio, art. 7º e §
1º).
8. Proteção da pessoa dos filhos. - A Lei nº 6.515, Capítulo I, Seção II, minudeia a questão da proteção dos filhos (arts. 9º a
16) e dispõe, sem fazer referência à Lei nº 5.478, de 25.07.1968, que regula a ação de alimentos.
9. Divórcio. - O casamento válido somente se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio.
O divórcio põe termo ao casamento e aos efeitos civis do casamento religioso (art. 24).
9.1. Legitimação. - O pedido de divórcio somente competirá aos cônjuges, podendo, contudo, ser exercido, em caso de
incapacidade, por curador, ascendente ou irmão (art. 24, parágrafo único).
10. Conversão. - Prevê o art. 25:
"A conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges, existente há mais de um ano, contada da
data da decisão ou da que concedeu a medida cautelar correspondente (art. 8º), será decretada por sentença,
da qual não constará referência à causa que a determinou.
Parágrafo único. A sentença de conversão determinará que a mulher volte a usar o nome que tinha antes
de contrair casamento, só conservando o nome de família do ex-marido se a alteração prevista neste artigo
acarretar: I. evidente prejuízo para a sua identificação; II. manifesta distinção entre o seu nome de família e o
dos filhos havidos na união dissolvida; III. dano grave reconhecido em decisão judicial" (redação da Lei nº
8.408, de 13.02.1992).
11. Separação de fato. - "No caso de separação de fato, com início anterior a 28.06.1977, e desde que completados cinco
anos, poderá ser promovida ação de divórcio, na qual se deverão provar o decurso do tempo da separação e a sua causa" (Lei nº
6.515, art. 40).
A Constituição Federal, como esclarecido ficou, reduziu prazos; dispõe no art. 226, § 6º:
"O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação por mais de um ano, nos
casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos."
12. Restabelecimento. - Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta se faça, é permitido aos cônjuges
restabelecer a todo tempo a sociedade conjugal, nos termos em que fora constituída, contanto que o façam mediante
requerimento nos autos da ação de separação (art. 46).
Só novo casamento restaura a sociedade do dissolvido.
13. Críticas. - A Lei nº 6.515 não prima pela clareza, pela técnica legislativa, e "dá outras providências", que escapam ao
âmbito da separação judicial e do divórcio; foi alvo de críticas, umas serenas, outras severas.
14. Modelos:
14.1. Separação consensual
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, e Sheila Benevides Matoso (naturalidade,
estado civil, profissão, residência), vêm expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. Os requerentes são casados há mais de quatro anos, como prova a certidão anexa.
O casal possui dois filhos (certidões juntas) e os seguintes bens (descrever).
2. Tornada impossível a vida em comum, decidiram os cônjuges separar-se, nos termos dos arts. 4º da Lei nº 6.515, de
26.09.1977 e 1.120-1.124 do Código de Processo Civil.
Acordam, quanto à guarda dos filhos, contribuição para criá-los e educá-los, partilha de bens e pensão alimentícia à mulher,
o que se segue...
3. Assim exposto, pedem que, procedido regularmente e ouvido o representante do Ministério Público, seja por sentença
decretada a separação do casal.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Assinatura dos cônjuges.
14.2. Separação litigiosa
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem, perante esse Juízo, expor e requerer o
seguinte:
1. A requerente é casada há mais de cinco anos com {_Nome da parte contrária} {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA
PARTE CONTRÁRIA}, como prova a certidão ora exibida, documento nº 2.
O casal não tem filhos e possui os seguintes bens (descrever).
2. Há cinco meses o cônjuge-varão vem se omitindo nos atos de sustento da família, gerando dificuldades à consorte, que
se vê obrigada a recorrer a seus pais para manter o próprio sustento (doc. nº ...).
Compete ao marido prover à mantença da família (Código Civil de 1916, art. 233, IV). Donde se conclui que o marido tem
o dever de alimentar, vestir e dar habitação aos filhos e à mulher, trouxesse ela, ou não, bens para a sociedade conjugal...
Talvez bastasse dizer "alimentar, pois esse verbo tem, em direito, sentido técnico: compreende tudo que é necessário à vida,
quer em tempos normais (comida, roupa, educação e habitação), quer em épocas normais (remédios, viagens necessárias,
etc.)", como se expressa Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, tomo VIII, § 848, nº 2, p. 119).
A separação judicial pode ser pedida por um só dos cônjuges quando imputar ao outro qualquer ato que importe em grave
violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum (Lei nº 6.515, de 26.12.1977, art. 5º).
O ato omissivo do marido, na hipótese, além de violar o dever de mantença da família, expõe a mulher, que não tem renda
própria, à humilhação de mendigar auxílio econômico a seus pais, pessoas de recursos limitados.
3. Pelo exposto, pede a citação do consorte para os termos da presente ação de separação, sob pena de confesso.
Requer provas oral (depoimento pessoal do réu, testemunhas), pericial e juntada de documentos.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
14.3. Divórcio. Conversão
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem, por seu advogado {_ENDEREÇO
ESCRITÓRIO}, expor perante esse Juízo o seguinte:
1. O requerente e {_Nome da parte contrária}, casados, separaram-se judicialmente, como prova a certidão ora exibida.
Separação e partilha de bens, como prova a certidão ora exibida (doc. nº...).
A conversão em divórcio da separação dos cônjuges existente há mais de três anos, contada da data da decisão, será
decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a determinou (Lei nº 6.515, de 26.12.1977, art. 25).
A Constituição da República reduziu esse prazo, dispondo que "o casamento civil pode ser dissolvido, após prévia
separação judicial por mais de um ano, nos casos expressos em lei" (art. 226, § 6º, primeira parte).
2. São condições para a conversão: a) o lapso de tempo; e b) a partilha dos bens. Fatos que o requerente comprovará em
Juízo, se não bastarem a certidão ora apresentada, com o depoimento da ex-consorte, depoimento de testemunhas e juntada de
outros documentos.
3. Assim exposto, requerer a citação da ré, Maria do Carmo Cortez, para os termos da presente ação de divórcio.
Aferidos os autos da separação judicial,
Espera deferimento.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
14.4. Divórcio direto
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado {_ENDEREÇO
ESCRITÓRIO}, vem expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. O requerente e {_Nome da parte contrária} contraíram matrimônio no mês de dezembro de 1982 (certidões anexas).
O casal tem dois filhos, Enéas e Andréa, como provam as respectivas certidões de nascimento (docs. nºs. 3 e 4).
A partir do terceiro ano de vida conjugal tornou-se difícil o convívio. Apesar dos esforços do requerente para manter a
situação anterior, marido e mulher se separaram no mês de (indicar): tomaram cada um seu destino, ficando os filhos, menores,
com a consorte.
São bens do casal (descrever, discriminando os que pertenceram a um ou a outro, ou comuns).
2. O divórcio põe termo ao casamento e aos efeitos civis do casamento religioso (Lei nº 6.515, de 26.12.1977, art. 24). O
pedido somente competirá aos cônjuges (parágrafo único).
O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano, nos casos
expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos, dispõe a Constituição da República, art. 226, § 6º.
O fato articulado no item 1 envolve contratação de casamento (casamento religioso com efeitos civis) e separação de fato,
que autoriza a dissolução do vínculo matrimonial.
3. Pelo exposto, pede a citação da ré, {_Nome da parte contrária}, para os termos da presente ação de divórcio, que espera
seja julgada procedente para produzir todos os efeitos jurídicos.
Provar-se-á o alegado por meio de depoimento de testemunhas, juntada de outros documentos, perícia.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
14.5. Separação de corpos
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, nos autos de separação judicial em que litiga
com seu marido, {_Nome da parte contrária}, vem requerer a V. Exª que se digne de determinar separação de corpos.
1. A medida, que tem fundamento nos arts. 7º, § 1º, da Lei nº 6.515, de 26.12.1977, e 796, do Código de Processo Civil,
impõe-se pelos motivos que passa a narrar (exposição sumária do direito ameaçado e o receio da lesão).
2. Requer a citação do cônjuge, para, querendo, contestar o pedido e indicar as provas que pretenda produzir.
Provará o articulado por meio de depoimento pessoal, depoimento de testemunhas, perícia e juntada de documentos.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
14.6. Decisão homologatória de sentença estrangeira
EXMO. SR. MINISTRO PRESIDENTE DO EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, com fulcro nos arts. 215 a 224 do Regimento
Interno deste egrégio Tribunal, vem mui respeitosamente requerer a Vossa Excelência a homologação da sentença estrangeira
proferida pelo (especificar minuciosamente o tribunal estrangeiro que proferiu a sentença e a sua data).
Outrossim, sendo ignorado o paradeiro do Suplicado (nome e qualificação do mesmo), requer a Vossa Excelência a sua
citação por edital, dando-se-lhe curador especial.
Uma vez que o Suplicado possui endereço certo, indica-o na petição, pedindo a sua citação por oficial de justiça.
Tratando-se de divórcio, junta a respectiva certidão de casamento.
Termos em que, cumpridas as formalidades legais,
Espera Deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
Obs.: Quando a petição for assinada por ambos os cônjuges, dispensará a citação.
A sentença estrangeira deverá ser traduzida em português por tradutor público.
EMANCIPAÇÃO
1. Generalidades. - Emancipação ou venia aetatis, no direito brasileiro, é a aquisição da plena capacidade antes da
maioridade.
Aos 21 anos completos acaba a menoridade, começa a maturidade, ficando habilitado o indivíduo para todos os atos da
vida civil (Código Civil de 1916, art. 9º).
Cessará, todavia, para os menores, a incapacidade:
a) por concessão do pai, ou, se for morto, da mãe, e por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 18 anos
cumpridos;
b) pelo casamento;
c) pelo exercício de emprego público efetivo;
d) pela colação de grau científico em curso de ensino superior;
e) pelo estabelecimento civil ou comercial com economia própria (art. 9º, parágrafo único, I a V).
Obs.: Ver o art. 5° do novo Código Civil, que diminuiu a menoridade para 18 anos, e seu parágrafo único, I a V, que reduziu
a idade de emancipação por concessão dos pais para 16 anos (inciso I).
Da emancipação do menor sob tutela tratava o Código de 1939, arts. 621 a 624, entre os processos especiais. A
emancipação do menor sob pátrio poder desgraçadamente não depende de sentença.
Fundamento do pedido, formulado em petição instruída com a prova da idade (18 anos cumpridos), deve ser a aquisição,
pelo requerente, da aptidão necessária para reger sua pessoa e administrar seus bens. Ao requerente incumbe provar esse fato.
O procedimento é aqui denominado procedimento padrão.
O requerente deve fazer-se representar em juízo por advogado de sua escolha.
2. Modelos:
2.1. Pedido de emancipação
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, brasileiro, filho de ... e de ..., residente nesta cidade, rua ..., nº..., em companhia de seu tutor Vinícius
Lemos de Souza, expõe e requer o seguinte:
1. Filho de ... e de ..., completou 18 anos, como prova a certidão de registro anexa (doc. nº 2). Diplomado em datilografia,
após concluir o curso de ..., trabalha há cerca de um ano, em experiência comercial, com o Dr. Estêvão de Andrada, corretor,
uma das testemunhas infra arroladas.
2. Tendo capacidade para reger sua pessoa e dirigir seus bens (constantes de ...), pede a V. Exª que, citado o tutor e ouvido o
representante do Ministério Público, lhe seja concedida emancipação, para os efeitos legais.
Protesta pelo depoimento das testemunhas arroladas.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
2.2. Parecer do tutor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
Atendendo a determinação de V. Exª, declaro que não me oponho à emancipação de meu tutelado Gustavo de Almeida e
Souza, que sempre teve boa conduta e está em condições de reger sua pessoa e administrar seus bens.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
1. Generalidades. - Discute-se no plano doutrinário o caráter recursal dos "embargos declaratórios". Eminentes autores se
colocam em correntes contrárias, uns em atitude formal, outros em postura não radical.
João Monteiro não via no instituto "própria ou rigorosamente embargos". Por via deles só é lícito ao juiz declarar a
sentença já proferida, "não podendo, portanto, modificar em ponto algum a mesma sentença" (Teoria, § 204, nota 3).
Para Afonso Fraga, não se trata propriamente de embargos, sim de "processo sui generis de hermenêutica ou de lógica
judiciária, para se chegar à verdadeira inteligência da sentença silenciosa, obscura ou anfibológica e torná-la clara e de fácil
execução" (Instituições, vol. III, p. 139).
Lopes da Costa não vê nem no recurso ex officio nem nos embargos de declaração um recurso em sentido técnico. O
primeiro não é interposto pela parte, não tem prazo, não passando a sentença, desta forma, em julgado, qualquer que seja o
tempo decorrido.
Pelos embargos declaratórios "não se procura a reparação de erros ou injustiça da sentença". Não são eles propriamente
recursos, "senão o único meio de, logicamente, desbravar a execução de dificuldades futuramente prováveis" (Direito
Processual Civil Brasileiro, vol. III, nº 306).
A teoria de Sérgio Bermudes é atraente. No magistério de Machado Guimarães, deve-se distinguir, na sentença judicial,
como em qualquer exteriorização do pensamento, o conceito - que é aquilo que o juiz concebeu - da fórmula - que é a
expressão material desse conceito.
"Destinando-se a reformar, ou a corrigir apenas a fórmula da sentença, ou do acórdão, e não o seu
conceito, não se pode dizer que os embargos de declaração sejam um recurso. Seu escopo é somente
aperfeiçoar a forma através da qual a vontade do juiz se exteriorizou, mas a decisão permanece imutável
quanto ao seu conteúdo" (Comentários, pp. 223-224).
Em sentido contrário, processualistas não menos ilustres.
Paula Batista deu aos embargos à sentença um conceito singelo:
"Estes embargos consistem simplesmente em a parte expor, em seu requerimento, os pontos em que acha
a sentença obscura, contraditória ou omissa, pedindo que seja explicada, ou que se expresse o ponto omitido"
(Compêndio, § 221, nota 2).
Trata-se de procedimento recursal, porque existe, nos embargos de declaração, "pedido de reparação de gravame",
resultado de obscuridade, ou contradição, bem como de omissão (art. 535, nºs I e II). Não houvesse tal gravame e interesse
inexistiria, igualmente para ser pedido o reexame do acórdão. "Cuida-se, no caso, de gravame especial e que sob três
modalidades se configura: obscuridade, contradição e omissão" (Manual, vol. III, nº 632).
Seabra Fagundes foi, ao nosso ver, quem melhor expôs a questão, demonstrando o caráter recursal dos embargos
declaratórios.
Já em seu livro clássico afirmou que, em face do nosso direito positivo, os embargos de declaração constituem,
inegavelmente, um recurso. Discute-se, porém, se o são do ponto de vista dos princípios, que informam a teoria do processo -
acrescentou - para, em seguida, formar sua opinião:
"Não obstante as objeções que alguns dos nossos mais notáveis processualistas opõem à sua conceituação
como recurso, parece-nos que, tomada esta expressão em sentido lato, os embargos declaratórios assim se
podem capitular (Recurso, nº 491). Para o douto jurisconsulto, o sentido dos embargos outro não é senão o de
todo recurso: impugnação do julgado para que sobre a lide haja novo pronunciamento. Não importa que esta
outra decisão esteja adstrita ao esclarecimento da anterior, que não a possa reformar, mas apenas
complementar ou esclarecer" (obra e número citados).
O pensamento central é este: desde que o novo julgamento venha remover omissão, obscuridade ou incongruência do
julgado precedente, traz em si novos elementos, tão vitais à solução do litígio quanto os aduzidos por julgamento de feitio
reformatório.
Eis o art. 535 do Código de Processo Civil em sua derradeira redação:
"Cabem embargos de declaração quando: I. houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição; II. for omitido
ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal."
2. Modelo:
Embargos de declaração

EXMO. SR. DESEMBARGADOR RELATOR DO PROCESSO Nº{_Nº do Processo}


1. {_Nome do cliente}, por seu advogado abaixo firmado, nos autos de Apelação nº ..., vem opor embargos de declaração
ao respeitável Acórdão de ff..., para o fim de ficar esclarecido o seguinte ponto (indicar).
2. Com efeito, a decisão, nessa passagem, está contraditória (ou obscura), acha-se em desacordo com os raciocínios e
argumentos do respeitável voto vencedor.
3. Assim, com fundamento no art. 535, inciso I (ou inciso II), requer e espera que o egrégio Tribunal conheça dos embargos
tempestivos e lhe dê provimento, para o fim indicado.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EMBARGOS DE TERCEIRO
1. Generalidades. - Os embargos de terceiro constituem capítulo dos procedimentos especiais de jurisdição contenciosa;
uma ação incidente, especial.
Primitivamente, eram simples incidente da execução. Firmavam-se em dois princípios assentes em direito: 1º) o patrimônio
do credor responde pelo pagamento de suas dívidas; 2º) em regra, só o patrimônio responde por elas.
Diziam dois autores clássicos:
"Não podendo a execução recair senão em bens próprios do condenado, ou daquele a quem adjudica a
sentença, segue-se que qualquer terceiro pode opor embargos à execução, que correr sobre bens seus
próprios, ou em que tiver interesse, se não foi citado, nem ouvido na causa principal..." (Joaquim Inácio
Ramalho, Praxe Brasileira, § 402).
"Estes embargos são uma ação de intervenção formada por um terceiro, que não foi parte na causa, em
defesa de seus bens contra execuções alheias" (Francisco de Paula Batista, Teoria e Prática, § 213).
Prescrevia o Regulamento nº 737, art. 597:
"Vindo algum terceiro com embargos à execução, porque a coisa penhorada lhe pertence por título hábil e
legítimo, e tendo posse natural ou civil com efeito de natural, ser-lhe-á concedida vista para alegar e provar
os seus embargos dentro de três dias."
Até atingir o estado atual, passou o instituto por modificações lentas, todas no sentido de ampliar-lhe o conceito.
Modernos estudos de direito processual deslocaram-no do exíguo campo das execuções (sentido restrito) para o das ações
de execução (sentido lato).
Alguns autores, com razão, dão-lhe lugar no quadro das Intervenções de Terceiro, matéria da parte geral do processo. Já o
espírito de Paula Batista o entrevira. Já o Código de Processo paulista adotara esse expediente (arts. 89-96).
O Professor Bonumá dá-lhe agasalho entre o chamamento à autoria, a assistência etc.
"É regra assente no direito dos povos cultos que o patrimônio do devedor responde pelo pagamento de
suas dívidas. Nele se executam, portanto, suas obrigações. Todavia, pode acontecer que os atos de execução,
não só da sentença como de quaisquer outros procedimentos judiciais, atinjam bens ou direitos de outras
pessoas. Ao terceiro, assim ferido em seu patrimônio, ou em seus direitos, deu a lei a faculdade de defendê-
los no próprio campo processual em que o ataque se verifica, opondo-lhe seus embargos. Essa é a finalidade
e a razão de ser dos embargos de terceiro" (João Bonumá, Direito Processual Civil, vol. 1, nº 133).
A promulgação do Código Civil de 1916, com os seus dispositivos sobre o novo conceito de posse, sobre a proteção
possessória estendida ao possuidor indireto (art. 486; novo CC, art. 1.197), a subsistência da manutenção da posse ainda que
contra ela se alegue domínio, constituíram-se em fortes motivos para ampliação dos embargos de terceiro em alguns códigos
estaduais, de modo que se aplicassem mais eficientemente "os preceitos da lei substantiva" (Mário de Assis Moura, Da
Intervenção de Terceiros, p. 159).
2. Cabimento; legitimação. - Quem, não sendo parte no processo, sofrer turbação ou esbulho na posse de seus bens por ato
de apreensão judicial, em casos como o de penhora, depósito, arresto, seqüestro, alienação judicial, arrecadação, arrolamento,
inventário, partilha, poderá requerer lhes sejam manutenidos ou restituídos por meio de embargos (art. 1.046). Os embargos
podem ser de terceiro senhor e possuidor, ou apenas possuidor (§ 1º). Equipara-se a terceiro a parte que, posto figure no
processo, defende bens que, pelo título de sua aquisição ou pela qualidade em que os possuir, não podem ser atingidos pela
apreensão judicial (§ 2º). Considera-se também terceiro o cônjuge quando defende a posse de bens dotais, próprios, reservados,
ou de sua meação (§ 3º).
3. Oportunidade judicial. - Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não
transitada em julgado a sentença, e, no processo de execução, até cinco dias depois da arrematação, adjudicação ou remição,
mas sempre antes da assinatura da respectiva carta (art. 1.048).
Em linguagem incisiva - "a qualquer tempo" -, a lei franqueia o uso do remedium iuris, fixando, contudo, termo final: a) no
processo de cognição, até o momento do trânsito em julgado da sentença; b) no processo de execução, até cinco dias depois da
arrematação, adjudicação ou remição, mas sempre antes da assinatura da respectiva ata - que é quando se perfecciona e acaba.
4. Competência. - Os embargos serão distribuídos por dependência e correrão em autos distintos perante o mesmo juiz que
ordenou a apreensão (art. 1.049). Competente é, portanto, para conhecer dos embargos, o juiz que ordenou o ato de constrição,
penhora, arrecadação, arresto, etc. A regra jurídica liquida a questão de saber se é possível opor embargos no juízo do recurso,
e resolve afirmando que a competência é do mesmo juiz que ordenou o ato constritivo.
5. Petição; requisitos; instrução. O embargante, em petição elaborada com observância do disposto no art. 282, fará a
prova sumária de sua posse e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas (art. 1.050). É facultada a
prova da posse em audiência preliminar designada pelo juiz (§ 1º). O possuidor direto pode alegar, com sua posse, domínio
alheio (§ 2º).
Julgando suficientemente provada a posse, o juiz deferirá liminarmente os embargos e ordenará a expedição de mandado de
manutenção ou de restituição em favor do embargante, que só receberá os bens depois de prestar caução de os devolver com os
seus rendimentos, caso sejam a final declarados improcedentes (art. 1.051).
A ação de embargos de terceiro muito se assemelha a uma possessória. Petição inicial com os requisitos estabelecidos no
art. 282, acompanhada de prova da posse que o autor quer defender e de sua qualidade de terceiro. Prova inicial de fatos, que
vai servir de suporte ao deferimento liminar dos embargos e conseqüente expedição de mandado de manutenção, ou
restituição.
Se a prova da posse não puder ser feita documentalmente - e é o que acontece -, poderá fazer-se em "audiência preliminar"
que o juiz designará.
O oferecimento do rol de testemunhas com a inicial atende não só ao interesse do embargante, mas, e principalmente, ao do
embargado, que deverá ser citado para acompanhar a "justificação da posse", habilitado a contraditar as testemunhas (art. 414,
§ 1º).
Os embargos podem ser de terceiro senhor e possuidor, ou apenas de terceiro possuidor. É lícito ao possuidor direto (por
exemplo, o locatário, o comodatário) alegar, com a sua posse, o domínio alheio. Lembra Hamilton de Moraes e Barros: Na
dependência do tema da controvérsia que nos embargos se apresentar - litígio apenas possessório ou litígio também dominial,
ou envolvendo a própria posse que o dominus conferiu ao possuidor direto -, deverá este vir, ou não, integrar a relação
processual (Comentários, nº 194).
Se o embargante provar quantum satis a posse, o juiz, deferindo liminarmente os embargos, mandará expedir o mandado
defensório da posse, que, todavia, só se executará se o embargante prestar caução na forma do art. 829.
6. Suspensão do processo principal. - A regular propositura da ação de embargos de terceiro acarreta a suspensão do
processo principal, no todo ou em parte. É o que estabelece o art. 1.052:
“Quando os embargos versarem sobre todos os bens, determinará o juiz a suspensão do curso do processo principal;
versando sobre alguns deles, prosseguirá o processo principal somente quanto aos bens não embargados.”
7. Súmulas dos Tribunais Superiores. - Súmula nº 84 do Supremo Tribunal Federal: "É admissível a oposição de
embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda de compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que
desprovido de registro."
Súmula nº 84 do STJ: "É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda do
compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido de registro."
8. Modelo:
Embargos de terceiro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, quer propor contra {_Nome
da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA} ação de embargo de terceiro. Expõe e
requer o seguinte:
1. Processando nesse juízo a ação de execução proposta pelo embargado contra Waldecir Menezes da Cunha, este nomeou à
penhora a casa nº 840 da rua Tiradentes, bairro da Lagoinha. Entretanto, o imóvel penhorado é de propriedade do embargante,
que o arrematou em leilão público, como prova o documento nº 4.
Dito imóvel foi dado em locação a Manoel Esteves, ut contrato particular ainda em vigor (doc. nº 5).
2. Quem, não sendo parte do processo, sofrer esbulho na posse de seus bens por ato de apreensão judicial, como o de
penhora, poderá requerer lhe sejam restituídos por meios de embargos (Código de Processo Civil, art. 1.046).
Comprovados se acham, documentalmente, a propriedade, a posse indireta (docs. nos 3 e 4) e o ato de constrição judicial
(certidão do cartório, doc. nº 8).
3. Face ao exposto, pede a citação do embargado para, no prazo de 10 dias, contestar, querendo, os embargos, que espera
sejam recebidos e a final julgados provados, para o fim de ser o imóvel restituído ao requerente.
4. Provados satisfatoriamente a qualidade de terceiro, a propriedade, a posse indireta e o ato de apreensão judicial, pede a V.
Exª, deferindo liminarmente os embargos, ordene as expedição de mandado restituitório em favor do embargante.
5. Para a hipótese de o nobre juiz entender necessária a prova da posse, em audiência, o autor arrola as testemunhas
(indicar as testemunhas, precisando nome, profissão e residência), que comparecerão independentemente de intimação.
Protesta por prova documental e oral.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Tem em que, distribuído por dependência,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
EMBARGOS DO DEVEDOR
1. Embargos. - No processo de execução, o devedor não é citado para se defender. O título executivo, judicial ou
extrajudicial, atesta a certeza e liquidez; daí que o réu é citado para pagar ou nomear bens à penhora, não para oferecer
contestação.
Não obstante a certeza e liquidez do título, é possível que o devedor tenha motivo para se opor à execução, demonstrando a
invalidade ou ineficácia da sentença, do título extrajudicial, ou a inexigibilidade do título. Arrastado à execução forçada em
razão de haver sido condenado por sentença, ou por haver se obrigado em documento a que a lei atribui força executiva, nem
por isso deve ficar sem "defesa". A lei processual faculta utilizar-se de ação própria denominada embargos - embargos do
devedor.
De aspecto prático, os embargos do executado aparecem como meio de defesa, pois que visam a livrá-lo do processo ou
desfazer os efeitos do título executivo.
É, porém, doutrina dominante que o executado não oferece contrariedade à causa do título executório, isto é, não contesta o
direito que o gerou; tampouco contesta o direito do exeqüente a sanção, "que esse decorre e se contém no próprio título,
condição necessária e suficiente à execução".
Não se justifica, portanto, que se defenda no próprio processo de execução, e isso retira aos embargos o caráter de defesa
no sentido técnico, e, assim, o caráter de contestação.
"Para impedir ou desfazer o processo de execução, para livrar-se do processo ou destituir os efeitos do
título executivo, o executado se coloca na posição de opoente, de quem ataca, o que vale dizer que o
executado age, exerce direito de ação. Com efeito, opondo os embargos, o executado provoca, através de
processo de conhecimento, uma decisão que impeça o processo de execução ou o desfaça pela destruição da
eficácia do título executório" (Moacir Amaral Santos, Primeiras Linhas, vol. III, nº 897).
2. Opor-se à execução. - Embargo traz idéia de empeço, obstáculo, impedimento, oposição. A linguagem da lei é precisa,
consoante a exposição feita no número anterior. Por meio de embargos, o devedor opõe-se à execução, sem atacar o direito do
exeqüente contido no título.
3. Autuação em apenso. - Por não ser, em sentido técnico, defesa (contestação, contrariedade) mas ação, digamos,
incidental, não se justificam sejam os embargos processados nos próprios autos da ação principal, donde mandar a lei que se
autuem em separado. Entretanto, existe inegável conexão entre as duas causas, estreita ligação, que aconselha o apensamento.
4. Segurança do juízo. - Ao conceder os embargos à execução como último remédio contra possíveis erros ou defeitos da
sentença, ou iniqüidade da condenação, a lei os deve rodear de certas precauções que os revistam de seriedade, de modo a não
constituírem mero recurso protelatório contra a execução (Jorge Americano, Processo Civil e Comercial, nº 170).
Não serão admissíveis os embargos do devedor: a) se opostos intempestivamente; b) antes de seguro o juízo pela penhora,
na execução por quantia certa; c) antes de seguro o juízo pelo depósito, na execução para entrega de coisa.
Segurar o juízo quer dizer oferecer uma garantia material correspondente ao pedido do exeqüente, a fim de que se possa
discutir a valia da execução, no sentido de anular seus efeitos, ou de modificá-los (ac. da 2ª Câmara do Tribunal de Justiça de
Goiás, de 22.11.1976, Revista Goiana de Jurisprudência, vol. 9, p. 283).
Em dois casos pelo menos não se aplica a regra de prévia garantia: a) na execução de sentença ou de decisão que fixa os
alimentos provisionais (art. 733); b) na execução contra a Fazenda Pública (art. 730).
5. Admissibilidade dos embargos. - Nos arts. 738 e 739 se regula o prazo decendial, de oferecimento dos embargos e
medidas de cautela contra os embargos protelatórios, ou carentes de serenidade.
Em primeiro lugar, no art. 738, a fixação do termo a quo do prazo decendial; prova da intimação da penhora com a
constrição judicial da imissão na posse, da busca e apreensão, na execução para entrega de coisa certa, na execução das
obrigações de fazer ou não-fazer, da juntada aos autos do mandado de citação.
Na execução das obrigações de fazer ou não fazer, enquanto tal, "a segurança do juízo é incompossível com a sua própria
teleologia". A juntada do mandado de citação aos autos é que marca o termo inicial de 10 dias (Celso Neves, Comentários, nº
102).
6. Recebimento dos embargos; procedimento. - Os embargos do devedor serão, ou não, recebidos para discussão, se
preenchidos ou não os pressupostos, verificadas, ou não, as condições legais especificadas.
Se o juiz admitir a discussão mandará intimar o executado para, querendo, impugná-lo num decêndio.
"Recebidos os embargos", diz o texto legal, porque bem pode acontecer que eles sejam liminarmente rejeitados.
Sendo os embargos ação do devedor contra o credor, a impugnação é uma verdadeira contestação, que se deve ajustar, em
linhas gerais, ao comando do art. 300.
Mais do que na ação principal de conhecimento, a lide pode (e deve) ser antecipadamente julgada, sem realização de
audiência, se a matéria dos embargos for apenas de direito ou, sendo de direito e de fato, a prova for exclusivamente
documental (ver art. 330, I).
Cabe o julgamento antecipado de embargos à execução quando, sem adição de qualquer princípio de prova, o embargante
se limita a meras alegações, indicando meios de prova evidentemente procrastinatórios (ac. da 3ª câmara do Tribunal de Justiça
do Distrito Federal de 15.10.1979, Alexandre de Paula, O Processo Civil à Luz da Jurisprudência, vol. VII, nº 13.683).
7. Modelo:
Execução de sentença: embargos
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem opor embargos à execução que lhe move
{_Nome da parte contrária}, expondo e requerendo o seguinte:
1. Pretende o exeqüente (proc. nº ...), haver do executado a quantia de (indicar), promovendo a execução de sentença
(indicar), que o condenou a pagar (indicar).
Acha-se o juízo seguro pela penhora de f. 35. Tempestivos, pois, os embargos opostos no prazo de 10 dias, contados da
intimação da penhora (CPC, art. 738, I).
2. Ocorreu nulidade de citação no processo de conhecimento, como se demonstrará de modo irretorquível (expor).
3. Pelo exposto, confia em que, recebidos os embargos, autuados em apenso e devidamente processados, sejam os mesmos
julgados procedentes e se julgue improcedente a execução, condenado o embargado a pagar as custas e honorários de
advogado.
Requer, para provar o alegado, depoimento pessoal do exeqüente, inquirição de testemunhas, perícia e (e outras medidas
que achar indispensáveis o autor dos embargos).
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EMBARGOS INFRINGENTES
1. Embargos. - A palavra "embargo", que significa obstáculo, estorvo, empeço, impedimento, tem, no direito processual,
várias acepções. Ora no singular ora no plural, emprega-se para designar diferentes institutos - forma de ação, de defesa, de
recurso.
Em qualquer sentido no qual é usado - no singular ou no plural - trai o vocábulo a significação primária, fundamental, de
impedir alguma coisa: impedir a venda de bem pelo devedor em prejuízo do pagamento de dívida líquida e certa (arresto, ou
embargo, como diziam os praxistas); impedir a continuação de obra construenda (embargo de obra nova); impedir turbação ou
esbulho, por ato de constrição judicial (embargos de terceiro); impedir o andamento da execução (embargos de devedor,
embargos à execução, à arrematação, e à adjudicação); impedir que transite em julgado decisão desfavorável (embargos-
recurso, embargos infringentes, embargos de declaração).
1.1 Embargos-recurso. - Como recurso, os embargos, em sua origem, eram meios de obter do prolator da sentença que a
declarasse, modificasse, ou revogasse. Donde os embargos: a) declaratórios, b) modificativos; c) infringentes. Eram recurso,
sem efeito devolutivo, oposto ao mesmo juiz, para que se retratasse. Persiste a retratação, apesar das modificações por que tem
passado o recurso.
Sua marcha na história é vacilante. Criação do direito português no Código de Processo de Portugal de 1939. No Brasil,
teve e tem adeptos e opositores. Subsistiu, na reforma de 1973, embora não figurasse no anteprojeto. As razões para sua adoção
parecem mais fortes que as contrárias: muita injustiça se tem evitado graças a um voto divergente, voto vencido, que é um dos
pressupostos dos embargos.
Sob a denominação de "embargos de nulidade e infringentes do julgado", figurava o recurso na legislação anterior.
O Regulamento nº 737, de 1850, dispunha:
"Art. 662. As sentenças proferidas nas Relações poderão ser embargadas dentro de dez dias (art. 639),
pedindo o embargante vista dos próprios autos ao juiz relator do feito, que a dará ao embargante, seja parte
singular ou coletiva, seguindo a discussão dos embargos a forma determinada no art. 644."
"Art. 663. Estes embargos podem ser modificativos ou infringentes do julgado, neles poderá alegar-se
qualquer nulidade, nos termos do Capítulo I, Título II, das nulidades, e quanto à nulidade de fato, só poderão
ser oferecidos sendo acompanhados de prova literal incontinenti. Além dos referidos embargos, serão ainda
admissíveis os de restituição."
Os "embargos ao acórdão", "embargos ao aresto" permaneceram na legislação durante a existência dos Códigos estaduais e
foram regulados no Código de 1939, arts. 833-840, sendo que o art. 639 os estendeu às "sentenças de primeira instância" de
pequeno valor. Embargos de nulidade e infringentes do julgado eram chamados.
Afonso Fraga combateu a tricotomia embargos de declaração, embargos de nulidade e embargos infringentes, adotada no
Código revogado. Para ele, os de declaração não são propriamente embargos, mas uma forma legal, um processo sui generis
de hermenêutica ou de lógica judiciária, para se chegar à verdadeira inteligência da sentença silenciosa, obscura ou
anfibiológica e torná-la clara e de fácil execução, e os de nulidades ou modificativos são por sua natureza infringentes
(Instituições, vol. III, p. 139).
Pedro Batista Martins, invocando opinião de Seabra Fagundes, apresentou razões práticas para a distinção, isto é, para a
explicitação de serem admitidos embargos de nulidade: prevenir a chicana que é, à sombra de texto onde não se referisse essa
espécie de embargos, sustentasse a sua abolição.
A lei nova insiste em admitir, como recurso, os embargos de declaração, logo em seguida aos embargos infringentes (art.
496, III e IV). É irrelevante, a propósito, a discrepância de Afonso Fraga.
A lei nova eliminou a dúplice adjetivação, "de nulidade e infringentes", ficando, só, "embargos infringentes". Já não é lícito
levantar dúvida sobre a possibilidade de impugnar, por meio de embargos infringentes, a nulidade da sentença, ou do acórdão.
O geral entendimento da doutrina e da jurisprudência afastou os temores.
1.2. Espécie. - O Código admite, como recurso: a) embargos infringentes (arts. 530 a 534); b) embargos de declaração
(arts. 535 a 538).
2. Modelo:
2.1.Embargos infringentes
EXMO. SR. DESEMBARGADOR RELATOR DA APELAÇÃO Nº {_Nº do Processo}.
{_Nome do cliente}, não se conformando, data venia, com o venerando acórdão preferido nos autos da Apelação Cível nº
2.423, e face ao voto vencido do douto Desembargador Leandro Xavier de Menezes, quer interpor embargos infringentes do
julgado, com apoio no art. 530, do Código de Processo Civil, pelas razões que a seguir passa a expor.
Pede que, admitidos os embargos, se proceda na forma da lei processual.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
2.2.Razões da Embargante
Egrégio Tribunal,
1. {_Nome da parte contrária} propôs ação ordinária contra sua mulher {_Nome do cliente}, pleiteando anulação do regime
de casamento, sob a legação de que, ao contrair matrimônio, era a nubente maior de 50 anos, sendo, portanto, obrigatório o
regime da separação de bens; que o regime da comunhão, vigorante à falta de convenção antenupcial, contraria o disposto no
art. 253, parágrafo único, II, do Código Civil de 1916 (art. 1.641, II, do novo Código Civil).
2. Contestando o pedido, a ré, ora embargante, procurou demonstrar, com certeza de registro civil, carteira de identidade,
título de eleitor e outros documentos, que ao contrair núpcias tinha apenas 47 anos, fato conhecido de seu noivo, o qual, aliás,
se encarregara dos proclamas.
3. A ação foi julgada procedente em primeiro grau de jurisdição. Interposto recurso de apelação, a egrégia 7ª Câmara Cível
houve por bem decidir que (indicar), mantendo, por maioria, a sentença.
4. Voto vencido do eminente Desembargador Leandro Xavier de Menezes, dava provimento ao apelo para reformar a
sentença, pelo seguinte fundamento (resumir o voto).
5. A razão, data venia da douta maioria, está com o voto vencido, que melhor situou e decidiu a questão da idade da
embargante, suficientemente comprovada.
Com efeito, assinalou o voto discordante que (indicar, analisar).
6. Pelo exposto, espera a recorrente que os presentes embargos sejam acolhidos para o fim de ser a ação julgada
improcedente, condenado o autor (ora embargado) a pagar as custas e honorários advocatícios.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3. Súmula do STJ n° 255. - Cabem embargos infringentes contra acórdão, proferido por maioria, em agravo retido, quando
se tratar de matéria de mérito.
EXCEÇÕES
1. Modalidades. - É lícito a qualquer das partes argüir, por meio de exceção, a incompetência (art. 112), o impedimento
(art. 134) ou a suspeição (art. 135) (art. 304).
Este direito pode ser exercido em qualquer tempo, ou grau de jurisdição, cabendo à parte oferecer exceção no prazo de 15
dias, contados do fato que ocasionou a incompetência, o impedimento ou a suspeição (art. 305).
2. O fator tempo. - As expressões "em qualquer tempo", "no prazo de 15 dias, contados do fato que ocasionou a
incompetência, o impedimento ou a suspeição" e "em qualquer grau de jurisdição" exprimem relações temporais e, vamos
dizer, espaciais, que merecem especial exame, máxime as duas primeiras.
O fator tempo, de enorme influência nas relações jurídicas, se apresenta de formas variadas. Claro que não se reduz à
questão dos prazos. Há o problema do tempo hábil (arts. 172, 173 e 174); dos termos inicial e final, do termo espaço de tempo
(tractus temporis), das dilações etc. Há o direito intertemporal ou o direito transitório, cujas normas em geral encerram os
Códigos.
3. Oportunidade de argüição. - "Este direito", isto é, a faculdade de usar a via exceptiva estabelecida no art. 304 e
formalizada nos arts. 307-314, pode ser exercido em qualquer tempo, diz o texto, no prazo de 15 dias, e o pode em qualquer
grau de jurisdição - nos juízos chamados de primeiro e de segundo graus, hierarquicamente inferior e superior.
A lei não pode ser interpretada em seu teor puramente literal. O princípio tem aplicação na análise do art. 305.
É necessário considerar a incompetência absoluta e a incompetência relativa, a regra do art. 297, as preclusões, o instituto
da prorrogação da competência (prorrogação da jurisdição, como se dizia em linguagem não técnica), para se chegar ao melhor
entendimento do dispositivo legal em exame.
Wellington Pimentel exprobrou o legislador, que teria dado ao art. 305 redação defeituosa, prestando-se a confusões por
haver pretendido disciplinar no mesmo artigo a admissibilidade das três exceções, a uma das quais, entretanto, deu tratamento
diverso das demais quanto aos efeitos preclusivos.
Argúi-se por meio de exceção a incompetência relativa, reza o art. 112. A incompetência absoluta - esta sim - pode ser
alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de exceção, devendo ainda ser declarada ex officio tão
logo se apresente ao juiz, ou sempre que a ele se apresente (art. 113). Prorroga-se a competência, se o réu não opuser exceção
declinatória do foro, "no caso e prazo legais" (art. 114); neste caso, de incompetência relativa, dá-se prorrogação da
competência do juiz incompetente e a preclusão da matéria.
Quanto ao impedimento ou à suspeição é que se aplica o texto em toda a sua força; o defeito pode ocorrer a qualquer
tempo, ensejando a argüição da exceptio.
O juiz incompetente, se for apenas relativamente, não pode declinar de sua competência, porquanto, se o fizesse, estaria
obstando à modificação de sua competência relativa por vontade das partes, o que lhes é legalmente assegurado. Mas se ele for
absolutamente incompetente, impedido ou suspeito, cumpre-lhe abster-se de julgar, "declarando sua incompetência ou sua
incompatibilidade. Não o fazendo, cabe à parte argüir o defeito de legitimação do magistrado" (Calmon de Passos,
Comentários, nº 214).
Em se tratando de incompetência absoluta, deve o réu alegá-la preliminarmente, na contestação, antes de discutir o mérito
(art. 301, II). Se deixar de argüí-la, nessa oportunidade, na contestação, sofrerá consequência de ordem pecuniária: pagará
integralmente as custas, ex vi do disposto no art. 113, § 1º. Na multa incorre, aliás, qualquer das partes. O § 1º é extensivo:
"Não sendo, porém, deduzida na contestação ou na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos
autos, a parte responderá integralmente pelas custas."
4. Argüição "a qualquer tempo". - Vimos que somente a incompetência relativa pode ser objeto de exceção, e o efeito
preclusivo de sua omissão, não argüição tempestiva; e que a incompetência absoluta tem diverso tratamento, de maior
elasticidade: deve ser declarada de ofício e pode ser alegada a qualquer tempo. Daí se infere que o "a qualquer tempo " do art.
305 refere-se, propriamente, às exceções de impedimento e de suspeição.
O defeito do impedimento ou da suspeição claro que pode surgir ou ser conhecido posteriormente à instauração do
processo.
A relação de parentesco, ou o vínculo matrimonial impeditivo da atuação do juiz (art. 134, V), pode sobrevir, isto é, pode
ser posterior ao ajuizamento da causa. A amizade íntima ou a inimizade capital, geradoras de suspeição (art. 135, I), bem
podem surgir no curso do processo. E não havia por que proibir sua alegação, com sacríficio do pressuposto processual da
compatibilidade do julgador. O mesmo se pode dizer de outras causas, supervenientes, de impedimento ou suspeição.
5. Modelos:
5.1. Exceção de incompetência
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado infra-assinado, com escritório
à {_Endereço do Adv.}, vem opor exceção declinatória fori, nos seguintes termos:
1. Foi citado, a requerimento de {_Nome da parte contrária}, para responder a uma ação de nulidade de escritura de
reconhecimento de débito, como prova a contrafé que ora exibe.
O exceto, como se vê da inicial, requereu a citação do ora excipiente, dizendo-o "domiciliado e residente nesta cidade",
sem, aliás, precisar, ou, mesmo, indicar o local da fantasiosa residência.
O excipiente reside na cidade de Almada, onde exerce o comércio há cerca de 10 anos, onde tem a sede de seus negócios
(docs. nºs. 3 e 4). Sua vinda a esta cidade ao tempo da mencionada escritura foi acidental, para tratar de assunto de seu
interesse.
2. Consoante princípio de direito, o réu deve ser demandado no seu domicílio. Princípio esse adotado no art. 94 do Código
de Processo Civil:
"A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens imóveis serão propostas, em regra, no foro
do domicílio do réu."
A ação proposta contra o excipiente tem por objeto relação jurídica de caráter obrigacional, que em nada modifica a
competência regular do juízo do domicílio do réu. Nenhuma das exceções à regra do art. 94, previstas nos §§ 1º, 2º, 3º e 4º,
pode ser, in casu, invocada.
3. Conclui-se, do exposto, que é incompetente este Juízo, competente o da Comarca de Almada, para o qual se declina.
Espera o requerente que a presente exceção de incompetência seja recebida, processada, julgada provada, e sejam os autos
remetidos ao juízo competente, condenado o exceto a pagar as custas e honorários de advogado.
Protesta-se pelo depoimento das testemunhas abaixo arroladas.
Espera deferimento.
Testemunhas (qualificação, residência).
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.2. Resposta do exceto
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
Impugnando a exceção de incompetência oposta por {_Nome da parte contrária}, nos autos da ação {_Tipo de ação}, diz
{_Nome do cliente}, por seu advogado, o seguinte:
1. O excipiente é domiciliado nesta cidade; declarou-o na procuração de f. 10 e na escritura de f. 15. Ele se diz comerciante,
mas não indica estabelecimento comercial, que, em verdade, não mantém, simples comerciante ambulante que é.
Domicílio da pessoa natural é o lugar em que ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo (Código Civil de 1916,
art. 31; novo CC, art. 70). Se, porém, a pessoa natural tiver diversos centros de ocupação habitual, considerar-se-á domicílio
qualquer destes (Código Civil de 1916, art. 32; novo CC, art. 71).
Negociante ambulante, atuando comercialmente na sede deste Juízo, onde reside, o excipiente é considerado, por lei,
domiciliado esta cidade.
2. Assim exposto, é de rejeitar-se a exceptio declinatoria fori, para o fim de ser declarado competente o juiz desta Comarca,
onde foi aforada a ação ordinária. Pede-se a condenação do excipiente nas custas e honorários de advogado.
3. Protesta-se pelo depoimento do excipiente, pena de confesso, e pelo depoimento das testemunhas... (qualificação,
residência), que comparecerão independentemente de intimação.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.3. Exceção de impedimento do juiz
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, na ação possessória intenta por {_Nome da parte contrária}, vem opor, data venia, exceção de
impedimento, para o que expõe e requer o seguinte:
1. O Dr. {_Nome Adv. da parte contrária}, advogado da autora, é parente de V. Exª, colateral, em segundo grau, conforme
documentos que instruem a presente.
2. A relação de parentesco, devido certamente à diferença do nome, escapou à observação do digno juiz; contudo, por força
do disposto no art. 134, IV, do Código de Processo Civil, V. Exª está impedido de exercer suas funções no mencionado
processo.
3. Face ao exposto, e com o devido acatamento ao nobre magistrado, espera o excipiente que, reconhecido o impedimento,
se ordene a remessa dos autos ao substituto legal, ou, se assim não entender, determine a remessa dos autos ao egrégio Tribunal
de Justiça (ou Superior Tribunal de Justiça ou Tribunal de Alçada), na forma do art. 314 do Código de Processo Civil.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.4. Exceção de suspeição
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, na ação de despejo intentada por {_Nome da parte contrária}, vem, com o devido respeito, oferecer
exceção de suspeição, para o que expõe e requer o seguinte:
1. Há motivo legal de suspeição de parcialidade, que o réu, ora excipiente, se vê na contingência de apontar, de argüir.
É que entre o autor e o digno juiz existe amizade íntima, capaz de tirar a imparcialidade do julgador, fato que o excipiente
provará pelo depoimento das testemunhas infra-arroladas.
2. A imparcialidade é a primeira garantia da justiça (João Monteiro, Processo Civil, p. 320). O amor, o ódio e os demais
sentimentos exagerados ou paixões, a que os juízes e os serventuários da justiça, como os outros homens, estão expostos,
podem impeli-los a decisões ou procedimentos parciais, até mesmo de maneira automática, por obra do subconsciente, sem que
se apercebam de sua parcialidade (Borges da Rosa, Código de Processo Civil, vol. I, p. 394).
Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz quando amigo íntimo de qualquer das partes (CPC, art. 135, I).
3. Pelo exposto, espera o autor que a presente exceção seja recebida e que, reconhecido o defeito, se ordene a remessa dos
autos ao substituto legal do digno juiz, ou, caso não se reconheça a suspeição, sejam os autos remetidos ao Tribunal..., nos
termos do art. 313 do Código de Processo Civil.
Pede deferimento.
Rol de testemunhas.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXECUÇÃO
1. Sanções. - A nossa vida se desenvolve, e todas as suas manifestações, numa atmosfera jurídica. Tudo o que fazemos é
considerado, pelo direito, permitido, ou proibido, dando lugar a conseqüências jurídicas. Ao conjunto de regras que regem a
vida de todos nós e as conseqüências de nossos atos chamamos de ordem jurídica, que é formada pelo conjunto das leis
vigentes, dos costumes com eficácia jurídica e das tradições que completam as regras propriamente ditas de direito positivo.
Como nem sempre os homens cumprem as suas obrigações, nem sempre obedecem aos imperativos do direito, o Estado
criou sanções, medidas estabelecidas nas leis como conseqüências da inobservância dos imperativos jurídicos (Enrico Tullio
Liebman, Processo de Execução, pp. 10-11).
Estabeleceu-se entre Antônio e Paulo uma relação jurídica de natureza obrigacional - de indenizar o prejuízo causado em
acidente de trânsito. Antônio propôs a ação a fim de ver efetivado o seu direito. O juiz, em processo de cognição, condenou
Paulo a pagar ao autor determinada quantia, mais custas e honorários de advogado. Apesar do trânsito em julgado da sentença
condenatória - insuficiente a sanção - o autor não foi satisfeito pelo réu e, face ao inadimplemento, teve de propor ação nova,
de execução da sentença.
Se a hipótese fosse, por exemplo, de obrigação contida numa cambial, o credor não recorreria primeiro à ação de
conhecimento, viria diretamente com ação de execução.
O Estado arma o juiz de poderes para realizar medidas de sanção civil, ou penal; no caso das obrigações, sanção civil, atos
materiais tendentes a efetivar o direito da parte.
A execução forçada é realização de pretensões de direito material mediante coação estatal (Leo Rosenberg, Derecho
Procesal Civil, tradução espanhola, vol. III, § 169, nº 2).
A execução busca, em derradeira análise, um ato material efetivador ou garantidor do direito.
A sentença, no processo de conhecimento, transforma de abstrata em concreta a sanctio juris derivada da transgressão da
regra preceptiva; os atos de coação, no processo executório, realizam materialmente a sanção concreta da sentença
condenatória, (José Frederico Marques, Instituições, vol. V, nº 1.109).
Pode-se dizer que na execução de que demos exemplos os atos judiciais tendem a materializar a sanção legal.
2. Título executivo. - A execução há de fundar-se num título executivo, que pode ser judicial ou extrajudicial.
São títulos judiciais: I. a sentença condenatória proferida no processo civil; II. a sentença penal condenatória transitada em
julgado; III. a sentença arbitral e a sentença homologatória de transação ou de conciliação; IV. a sentença estrangeira,
homologada pelo Supremo Tribunal Federal; V. o formal e a certidão de partilha (CPC, art. 584).
São títulos executivos extrajudiciais: I. a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II. a
escritura pública ou outro documento formalizado; III. os contratos de hipoteca, de penhor, de anticrese e de caução, bem como
seguro de vida e de acidentes pessoais de que resulte morte ou incapacidade; IV. o crédito decorrente de foro, laudêmio,
aluguel ou venda de imóvel, bem como encargo de condomínio desde que comprovado por escrito; V. o crédito de serventuário
da Justiça, perito, intérprete, tradutor, quando as custas, emolumentos ou honorários forem homologados por decisão judicial;
VI. a certidão da dívida ativa da Fazenda Pública, inscrita; VII. todos os demais títulos a que, por disposição expressa, a lei
conferir força executiva (art. 585).
3. Legitimação ativa. - Podem promover a execução forçada: I. o credor, a quem a lei confere título executivo; II. o
Ministério Público, nos casos previstos em lei (art. 566).
Título, judicial ou extrajudicial, com eficácia executiva plena, conferido por lei ao credor, ou, nos casos previstos, ao
Ministério Público, é que os legitima a promover execução forçada.
Podem também iniciar a execução, ou nela prosseguir, o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, o cessionário, o
sub-rogado, nas condições estabelecidas no art. 567, I, II e III.
4. Legitimação passiva. - São atingidos pela execução, sujeitos passivos: I. o devedor, reconhecido como tal no título
executivo; II. o espólio, os herdeiros, ou os sucessores do devedor; III. o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do
credor, a obrigação resultante do título executivo; IV. o fiador judicial; V. o responsável tributário, assim definido na legislação
própria (art. 568).
O devedor responde, para cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros. O patrimônio do
devedor é a garantia comum de seus credores. Daí a regra do inciso II, que estende a legitimação passiva ao espólio, aos
herdeiros, aos sucessores do devedor.
O art. 568, IV, distingue o fiador judicial do fiador não judicial (v.g., art. 595, parágrafo único), que tem tratamento jurídico
diferente.
Os tributos - impostos, taxas, contribuições - são sempre definidos e regulados em lei especial.
5. Responsabilidade do exeqüente. - O credor ressarcirá ao devedor os danos que este sofrer, quando a sentença, passada
em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação, que deu lugar à execução (art. 574).
O campo de incidência do art. 574 dividiu os autores. Trata-se de responsabilidade subjetiva ou objetiva? O dispositivo é
invocável em caso de execução de sentenças, de execução definitiva e provisória, de ação rescisória? Essas e outras possíveis
questões, debatidas na doutrina e na jurisprudência, por certo exigem dos juízes, nos casos concretos, atitudes e decisões, que
se espera sejam acertadas, já no admitir as ações, já no julgá-las em definitivo.
Ulderico Pires dos Santos parte de que o texto disciplina a responsabilidade do exeqüente no que respeita à execução que
não devia ter sido exercitada por falta de causa legítima, responsabilidade sem culpa. Para caracterizá-la bastará o dano que
houver decorrido da execução "levada a efeito, mas que a final veio a ser revogada".
Conquanto afirme tratar-se de responsabilidade objetiva, fala, depois, em alteração intencional da verdade, de
"procedimento audacioso, canalhocrata" (O Processo de Execução, nº 19).
Humberto Theodoro Júnior vê no art. 574 uma especial sanção para evitar o "uso abusivo da coação executiva", as
execuções ilegais (Comentários, vol. IV, nº 61).
Sérgio Sahione Fadel discrimina três casos de aplicação do dispositivo: 1. a execução se fundou em título extrajudicial e a
sentença final, que acolheu os embargos, declarou inexistente a obrigação; 2. a ação teve fulcro em sentença judicial,
provisória ou definitivamente executada na pendência de algum recurso, que veio a ser provido em favor do executado; 3.
sentença desfeita em ação rescisória.
"Não há necessidade de prova da culpa do exeqüente que, em regra, inexiste. A hipótese é típica de responsabilidade sem
culpa" (Código de Processo Civil Comentado, vol. III, p. 231).
A regra encontra aplicação nas hipóteses: de execução por título extrajudicial, se acolhidos os embargos do devedor; de
execução provisória, se reformada a sentença exeqüenda e de execução definitiva por qualquer título, quando anulada através
de ação rescisória (Alexandre de Paula).
Calmon de Passos discorda de Sahione Fadel no tocante à hipótese de desfazimento da sentença por ação rescisória
("Responsabilidade do Exeqüente no novo Código de Processos Civil", RF, vol. 246, p. 171, nº 14).
Para não alongar demasiado este verbete: cremos que o art. 574 prescinde da prova de má-fé e aplica-se a todos os casos
em que, por sentença passada em julgado, se declare inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução.
Sabe-se que, no processo de execução, o magistrado não examina senão imperfeitamente a legalidade da pretensão do autor, e
muito provável é que, afinal, resulte provado que a obrigação, por uma ou por outra causa, não exista para o réu.
A hipótese de execução provisória tem regulamento específico: art. 588, I e III. Harmoniza-se com as do art. 574, mas não
se confunde com nenhuma delas.
6. Formas de execução. - Regula o Código no Livro II, Título II, especialmente, precedendo-as de disposições gerais (arts.
612- 620), diversas espécies de execução: a) da entrega de coisa certa (arts. 621-628); b) da entrega de coisa incerta (arts. 629-
631); c) da obrigação de fazer (arts. 632-641); d) da obrigação de não fazer (arts. 642-643); e) da execução por quantia certa
contra devedor solvente (arts. 646-729); f) da execução contra a Fazenda Pública (arts. 730-731); g) da execução de prestação
alimentícia (arts.732-735); e, finalmente, h) da execução por quantia certa contra devedor insolvente (arts.753-786).
Regulou ainda, em Títulos destacados, a remição (arts. 787-790), a suspensão da execução (arts. 791-793) e a extinção da
execução (arts. 794-795).
7. Formas anômalas de execução. - Há execuções judiciais e extrajudiciais anômalas, simplificadas, diferentes das do
Livro II do Código de Processo Civil, reguladas em leis especiais.
Eis as mais importantes:
A) Locação. Julgada procedente a ação de despejo, o juiz fixará prazo para a desocupação voluntária (Lei nº 8.245, de
18.10.1991 - Lei do Inquilinato -, art. 63).
Renovada a locação, as diferenças dos aluguéis vencidos serão executados nos próprios autos da ação e pagos de uma só
vez (art. 73).
Não sendo renovada a locação, o juiz fixará o prazo de até seis meses após o trânsito em julgado para desocupação, se
houver pedido na contestação (art. 74).
B) Mandado de segurança. Julgado procedente o pedido, o juiz transmitirá em ofício, por mão do oficial do juízo ou pelo
correio, o inteiro teor da sentença à autoridade coatora (Lei nº 1.533, de 31.12.1951, art. 11).
C) Registro público. Julgado procedente pedido de retificação, restauração ou suprimento de Registro Civil, o juiz ordenará
que se expeça mandado para que seja lavrado, restaurado ou retificado o assentamento... (Lei nº 6.015, de 31.12.1973, art. 109,
§ 4º).
D) Assistência judiciária. Deferido o pedido, o juiz determinará que o serviço de organização judiciária, organizado e
mantido pelo Estado, onde houver, indique, no prazo de dois dias úteis, o advogado que patrocinará a causa do necessitado (Lei
nº 1.060, de 05.02.1950, art. 5º, § 1º).
E) Desapropriação. Efetuado o pagamento ou consignado o preço, expedir-se-á, em favor do expropriante, mandado de
imissão de posse, valendo a sentença como título hábil para a transcrição no registro de imóveis (Decreto-Lei nº 3.365, de
21.06.1941, art. 29).
F) Divórcio. A sentença definitiva do divórcio produzirá efeitos depois de registrada no Registro Público competente (Lei
nº 6.515, de 26.12.1977, art. 32).
G) Assistência financeira às empresas. Vencido o prazo fixado no inciso I do art. 3º sem que o mutuário haja cumprido a
obrigação ou pago a dívida, os bens hipotecados às Caixas serão vendidos em leilão público a simples requerimento da Caixa e
independentemente de qualquer outra formalidade processual, salvo os avisos e editais de lei, por intermédio do Juízo da Vara
a que competir julgar os feitos da União Federal ou do Juízo da falência, se for o caso, notificado o síndico, observando-se o
que dispõem os arts. 962 e 964 do Código de Processo Civil (Decreto-Lei nº 21, de 17.09.1966, art. 6º).
(Arts. 962 e 964 do Código de 1939, concernentes a avaliação e edital de arrematação. Hoje, arts. 680 e 687 do Código de
1973).
H) Cédula hipotecária. As hipotecas a que se referem os arts. 9º e 10 e seus incisos, quando não pagas no vencimento,
poderão, à escolha do credor, ser objeto de execução na forma do Código de Processo Civil, ou deste Decreto-Lei, arts. 31 a 38
(Decreto-Lei nº 70, de 21.11.1966, art. 29).
Vencida e não paga a hipoteca no todo ou em parte, o credor que houver preferido executá-la de acordo com este decreto-
lei, participará o fato, até seis meses antes da prescrição do crédito ao agente fiduciário, sob pena de caducidade do direito de
opção constante do art. 29 (art. 31). Recebida a comunicação a que se refere este artigo, o agente fiduciário, nos 10 dias
subseqüentes, comunicará ao devedor que lhe é assegurado o prazo de vinte dias para purgar o débito (§ 1º). As participações e
comunicações deste artigo serão feitas por meio de carta entregue mediante recibo, ou enviada pelo Registro de Títulos e
Documentos, ou ainda por meio de notificação judicial (§ 2º).
Não acudindo o devedor à purgação do débito, o agente fiduciário estará de pleno direito autorizado a publicar editais e a
efetuar, no decurso dos 15 dias imediatos, o primeiro leilão público do imóvel hipotecado (art. 32).
Os §§ 1º, 2º, 3º e 4º completam o sistema da alienação.
I) Crédito industrial, crédito real, crédito vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação. Os Decretos-Leis nºs 413, de
09.01.1969, e 167, de 14.02.1967, e a Lei nº 5.741, de 01.12.1971, regulam: a) a cobrança da cédula de crédito industrial (art.
41); b) a cobrança da nota promissória rural (art. 44); c) a cobrança do crédito hipotecário vinculado ao Sistema Financeiro de
Habitação - cobrança judicial regulada pelo Código de Processo Civil, em que esses diplomas legislativos interferem.
8. Vida do processo. - O processo, de conhecimento, ou de execução, nasce, desenvolve-se e extingue-se (morre). O
processo é uma série de atos coordenados entre si; é uma relação que se forma e marcha no tempo, em busca de uma solução
final, a sentença.
Os autores falam em crise do processo, crise da instância, no dizer clássico. Consiste a crise numa parada do normal
desenvolvimento dos atos processuais.Temporária, tem-se a suspensão do processo; definitiva, tem-se a sua extinção.
O processo de conhecimento forma-se por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso processual (art. 262).
Suspende-se por várias causas, previstas no art. 265, sendo defeso ao juiz, durante a parada, praticar qualquer ato
processual, salvo determinar atos urgentes, a fim de evitar dano irreparável.
A suspensão dá-se por vontade das partes (suspensão convencional), ou por força de lei (suspensão necessária).
Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito, por várias causas, que o art. 267 discrimina e, com julgamento do
mérito, nos casos do art. 269, I a V.
9. Suspensão da execução. - Suspende-se a execução, nos termos do art. 791:
I. no todo ou em parte, quando recebidos os embargos do devedor; II. nas hipóteses do art. 265, I a III; III. quando o
devedor não possuir bens penhoráveis.
Da suspensividade dos embargos do executado cuidam os arts. 741 e 745; o primeiro concernente a execução fundada em
sentença e o segundo concernente a execução fundada em título extrajudicial.
A morte ou a incapacidade das pessoas indicadas em b interrompe o curso do processo executório, pela necessidade de
efetiva e eficiente atuação das partes, de seu representante legal, ou de seu procurador.
A inexistência de bens frustra o objeto da execução forçada, que é invadir o patrimônio do devedor, arrecadar-lhe bens,
aliená-los, para com o produto resgatar a dívida exeqüenda.
A 1ª Câmara do Tribunal de Alçada de São Paulo decidiu que, não encontrado o devedor ou não localizados bens
penhoráveis, impõe-se a suspensão do processo, e não a sua extinção (Revista dos Tribunais, vol. 487, p. 121).
Convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo concedido pelo credor, para que o devedor
cumpra voluntariamente a obrigação (art. 792).
Findo o prazo sem cumprimento da obrigação, o processo retomará o seu curso (parágrafo único).
10. Suspensão convencional. - A suspensão convencional depende de declaração judicial. Só existe quando o juiz, diretor
do processo, a declara, pelo prazo concedido pelo credor para que o devedor solva a obrigação voluntariamente.
11. Eficácia da suspensão da execução. - A partir da suspensão, interrompe-se a marcha do processo; nenhum ato
executivo poderá ser praticado. Ressalva-se a prática de medidas cautelares urgentes - necessárias, inadiáveis (CPC, art. 793).
Só em casos excepcionais, expressamente autorizados em lei, determinará o juiz medidas cautelares sem audiência das
partes - reza o art. 797.
12. Extinção da execução. - A execução se extingue, normalmente, com o pagamento, utilizados os meios coercitivos
próprios: apreensão de bens, alienação em praça ou leilão, com que se adquire dinheiro e se cumpre (contra a vontade do
devedor) a obrigação.
Há outras formas de pôr fim ao processo, de antecipar a extinção. O art. 794 prevê alguns casos. Outros há, que serão
lembrados adiante.
12.1. Satisfação da obrigação pelo credor. - Se, no curso da execução (execução "forçada"), o executado paga,
voluntariamente, a dívida, ter-se-á cumprido a finalidade do processo, sem mais nada a fazer senão declarar extinta a execução.
A extinção só produz efeito quando declarada por sentença (art. 795).
12.2. Remissão. - O inciso II do art. 794 prevê a remissão total da dívida por transação ou outro meio, como causa de
extinção.
Remissão (com dois "ss") é forma de perdão. Difere de remição (com "ç"), que é forma de libertação. Remir o imóvel
hipotecado é livrá-lo do ônus real.
Transação é meio de prevenir, ou terminar litígio mediante concessões mútuas (Código Civil de 1916, art. 1.025; novo CC,
art. 840). Transação "ou qualquer outro meio", como a compensação, a novação, a dação em pagamento, capaz de conduzir à
liberação do devedor.
"Extinguindo-se o direito material de crédito do exeqüente, é lógico que também desaparece a ação de execução, que se
destinava justamente a realizá-lo" - acentuou, com elegância e precisão, Humberto Theodoro Júnior (Comentários, nº 490, p.
708).
12.3. Renúncia ao crédito. - Embora muito rara, a renúncia ao crédito é maneira eficaz de extinguir a execução. Di-la
Humberto Theodoro Júnior "a forma mais completa de remissão da dívida, assim já compreendida no item II do art. 794"
(Comentários, p. 708). Pontes de Miranda interpreta o texto em poucas linhas:
"Uma vez que o exeqüente, ou alguém de que decorre a sua pretensão e a ação, renunciou ao crédito, extinto está o
processo" (Comentários, tomo XI, p. 566, nº 3).
12.4. Outros casos de extinção. - Já no regime do Código anterior apontava-se o caráter exemplificativo do art. 206, que
dispunha:
"A cessação da instância verificar-se-á por transação, ou desistência, homologada pelo juiz."
Abandonou-se, como todos sabem, o vocábulo instância, de significações várias e farto de imprecisões.
A enumeração do art. 206 era, para Moacir Amaral Santos, meramente exemplificativa. Além da transação e da desistência
- ensinava o mestre - são determinantes da cessação todas as causas que, afetando a lide, impedem ou impossibilitam o
prosseguimento da relação processual para sua extinção normal, que é a sentença de mérito. Assim, são também causas de
cessação da instância: a confusão e, conforme a lide, a morte da parte (Primeiras Linhas, vol. II, nº 449).
A 4º Câmara do Tribunal de Alçada do Rio de Janeiro decidiu:
"As regras pertinentes à extinção do processo são também aplicáveis ao processo de execução, existindo
a respeito disposição expressa, qual a do art. 598, que manda aplicar subsidiariamente à execução as
disposições que regem o processo de conhecimento. Aplicação subsidiária significa aplicação no que couber,
e decerto cabem no processo de execução as regras pertinentes à extinção do processo sem julgamento de
mérito, como é de fácil compreensão, verificando-se as hipóteses em que tal pode ocorrer" (ac. de
26.10.1976, Revista de Jurisprudência, vol. 14, p. 71).
12.5. Exigência de sentença. - A extinção, por qualquer dos modos supra-indicados, só produz efeito quando declarada por
sentença, como dispõe o art. 795.
Há que distinguir a extinção da obrigação, a quitação dada pelo credor ao executado, pelo pagamento do crédito, e a
extinção da execução no plano do direito processual.
Enquanto não se declarar por sentença a extinção do processo, o executado continuará preso à relação processual, com
todas conseqüências morais e jurídicas decorrentes da situação em que se encontra. A sentença, declaratória, é que dá efeito
jurídico à extinção da dívida, que se opera no plano do direito material.
A 1ª Câmara do Tribunal de Alçada de São Paulo assinalou:
"Ainda que ocorra a hipótese do pagamento, após a homologação da conta de liquidação, para ocorrer a
extinção da ação e conseqüentemente do processo, faz-se necessária a sentença a que alude o art.795 do
Código de Processo Civil, sem a qual a extinção não produz efeito" (ac. de 19.10.1976, Revista dos
Tribunais, vol. 493, p. 161).
13. Modelos:
13.1. Suspensão do processo de execução
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL DA COMARCA DE - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos da execução que lhe move {_Nome da parte contrária} (Proc. nº {_Nº do Processo}),
requer a V. Exª suspensão da execução, visto que (indicar um dos motivos previstos no art. 791 do CPC).
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
13.2. Extinção do processo de execução
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos da execução que lhe move {_Nome da parte contrária}, tendo satisfeito integralmente a
obrigação (ou por outro motivo indicado), como prova o documento junto, vem, de conformidade com o art. 794, do Código de
Processo Civil, requerer a V. Exª que declare extinta e execução.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
14. Desistência do credor. - A regra do art. 569, específica do processo de execução, devia harmonizar-se com outras, do
processo de conhecimento e, pois, de caráter geral, entre as quais a do art. 267, § 4º:
"Depois de decorrido o prazo para resposta, o autor não poderá, sem consentimento do réu, desistir da ação."
Embora na ação executiva o réu não seja citado para contestar, sim para pagar, autores e julgados tendem a harmonizar os
textos no caso de oposição de embargos do devedor.
A desistência de toda a execução a extingue, porque deixa de ter objeto o prosseguimento do processo executivo contra o
devedor; a desistência de algumas medidas apenas não frustra a execução, que prossegue, eliminando-se tão-somente a prática
dos atos que tenham relação direta com as providências que, em virtude da desistência, deixarão de ser tomadas.
"Desde, porém, que haja pendência de embargos do executado, a desistência de toda a execução depende da aceitação do
embargante, pois que tem, na actio judicati, posição equiparada à do autor da ação no processo de conhecimento" (Sérgio
Sahione Fadel, Código de Processo Civil Comentado, vol. III, p. 226).
Sálvio de Figueiredo Teixeira entendia que, oferecidos embargos, não era possível a homologação da desistência sem a
anuência do devedor-embargante.
Não setor jurisprudencial, era no mesmo sentido a maioria dos julgados.
Se é assegurada ao exeqüente a faculdade de desistir da execução, tal desistência não obsta ao prosseguimento dos
embargos e da reconvenção (ac. da 1ª Câmara do Tribunal de Justiça de Alagoas, de 20.10.1980, RF, vol. 274, p. 257).
É facultado ao credor desistir de algumas medidas executivas ou de toda a execução, independentemente da anuência do
devedor, mormente quando tal fato decorre da inexistência de bens penhoráveis. A norma do art. 267, § 4º, poderá ser invocada
subsidiariamente se o devedor já tiver embargado a execução, dada a natureza de verdadeira ação dos embargos do devedor e
face a sua autonomia, quando a desistência da execução dependerá do assentimento do devedor, o qual poderá pleitear o
seguimento dos embargos objetivando um pronunciamento judicial descontitutivo do título em que se fundou a execução.
Antes, porém, que tal ocorra, totalmente inócua é a discordância do devedor. A desistência da execução constitui direito
incontrastável e absoluto do credor (ac. da 3ª Câmara do 1º TARJ, de 28.02.1980, Arquivo do TA, vol. 25, p. 141).
14.1. Reforma processual. - A Lei nº 8.953/94 pôs fim à controvérsia, acrescentando um parágrafo ao referido artigo:
"Art. 569. O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas
executivas.
Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte:
a) serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o credor as
custas e os honorários de advogado;
b) nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante."
14.2. Modelo:
Desistência de execução
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, nos autos de
execução intentada contra {_Nome da parte contrária}, vem, com fundamento no art. 569 do Código de Processo Civil,
desistir da ação, de vez que não foi encontrado bem penhorável suficiente para garantir a execução.
Ressalva o direito de oportunamente renovar o processo executivo.
Pede a V. Exª que se digne de homologar a desistência, para os fins de direito.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
15. Iniciativa do devedor. - Art. 570. O devedor pode requerer ao juiz que mande citar o credor a receber em juízo o que
lhe cabe conforme o título executivo judicial; neste caso, o devedor assume, no processo, posição idêntica à do exeqüente.
O Código de 1939 dispunha no art. 886:
"Se, dentro em 30 dias, contados da data em que se tornar exeqüível a sentença, o vencedor não lhe
promover a liquidação ou execução, o vencido poderá citá-lo para instaurar a execução no prazo de 10 dias,
sob pena de não responder pelos juros da mora e danos resultantes de força maior."
Era uma ação de provocação, de feitio cominatório: instaurar a execução, sob pena de não responder (o devedor) pelos
juros da mora e danos resultantes de força maior.
Ao credor cabe o direito de requerer a execução do julgado; ao devedor, a obrigação de cumprir o que se contém na
sentença condenatória. Da obrigação de cumprir advém ônus para o vencido: pagar juros, correção monetária etc. A demora do
credor pode, assim, prejudicar o devedor.
O art. 570 do novo estatuto processual modificou o sistema. Citar o credor "para receber em juízo o que lhe cabe conforme
o título judicial". Ação, pelo feitio, consignatória.
Só título judicial (sentença, art. 584) legitima o réu a fazer-se autor.
Tomando a posição de exeqüente (art. 570, segunda parte), no caso de alguma prestação ou coisa ser devida pelo credor,
pode este frustrar-lhe a execução e exigir o cumprimento da obrigação do devedor, depositando em juízo o que lhe competir.
Outros atos pode ele praticar antecipando-se ao credor, tais como: a) dar início à liquidação da sentença; b) depositar a quantia
líquida e pedir a liquidação da ilíquida, se o credor não quis receber a primeira sem antes apurar-se a segunda; c) nomear bens
à penhora e reforçar a penhora já feita; d) requerer a instauração do concurso de credores, no processo de insolvência civil,
confessando-a, se os seus bens não bastam ou não cobrem as dívidas; e) depositar a coisa, tão logo se torne exeqüível a
sentença, se mantiver inerte (Sérgio Sahione Fadel, Código de Processo Civil Comentado, vol. III, p. 227, final).
15.1. Modelo:
Execução pelo devedor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
1. {_Nome do cliente}, na ação ordinária proposta por {_Nome da parte contrária}, vem expor e requerer o seguinte:
Na referida ação, foi condenado a pagar ao demandante a quantia de ..., acrescida de juros, custas e honorários de advogado
(ou condenado a compor os prejuízos decorrentes do inadimplemento do contrato, conforme for liquidado em execução).
A sentença, confirmada em grau de apelação pela 8ª Câmara do egrégio Tribunal de Justiça, transitou em julgado.
Decorreram 35 dias desde que o julgado se tornou exeqüível, sem que o autor, negligente, tenha promovido a execução (ou a
liquidação).
2. O devedor pode requerer ao juiz que mande citar o credor a receber em juízo o que lhe cabe conforme o título executivo
judicial; neste caso, o devedor assume, no processo, posição idêntica à do exeqüente (CPC, art. 570).
Com o exercício da ação executiva do art. 570, o devedor evita todas as conseqüências do retardamento em adimplir, como
juros da mora, correção monetária (se é caso disso), do deterioramento da coisa devida, ou de destruição, ou de repercussão
moral da sentença exeqüente (Pontes de Miranda, Comentários ao Código de Processo Civil, tomo IX, p. 113).
3. Pede a citação do credor para vir a juízo receber o que lhe cabe por força da sentença, ou alegar o que achar de direito.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
16. Obrigações alternativas. - Nas obrigações alternativas são duas ou mais as prestações devidas, mas o devedor se liberta
inteiramente realizando apenas uma delas. "São duas prestações distintas, independentes, das quais uma tem de ser cumprida,
ficando a escolha ao arbítrio do devedor, ou anormalmente, do credor" (Clóvis Beviláqua, Obrigações, § 25).
Dessas obrigações cuida o Código Civil (arts. 884 a 888), dispondo no primeiro dos artigos:
"Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou."
Ver novo CC, arts. 252 a 256.
A lei processual tratou do pedido alternativo. O pedido será alternativo quando, pela natureza da obrigação, o devedor
puder cumprir a prestação de mais de um modo (art. 288). Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o
juiz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo, ainda que o autor não tenha formulado pedido
alternativo (parágrafo único).
O direito de opção não pode ficar indefinidamente à mercê do devedor.
O art. 571 e seus parágrafos, em síntese feliz e apurada técnica, estabeleceu normas precisas para a execução das
obrigações alternativas, suprindo omissões do Código de 1939, que nos arts. 900 e 902 dispunha similarmente.
"Sendo líquido e certo o crédito do apelante e fundamentado em título revestido das formalidades legais,
é-lhe assegurada a execução. A possibilidade de prestações alternativas não impede a execução, de
conformidade com o parág. único do art. 288 do Código de Processo Civil, ainda que o credor não tenha
citado o devedor para a opção. Não exercida, contudo, a escolha oportunamente e na forma do contrato, pode
o credor executar o devedor pela modalidade que melhor satisfaça o seu crédito e que mais se identifique
com a vontade das partes" (ac. da 2ª Câmara do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, de 11.04.1988, RF, vol.
266, p. 254).
"Na execução das obrigações alternativas, se o devedor escolhe uma delas e não a cumpre, não se
devolve o direito de opção ao credor, que fica tão-somente com o direito de prosseguir na execução. Só é
devolvida ao credor a opção não exercitada pelo devedor" (ac. da 1ª Câmara do Tribunal de Justiça de Mato
Grosso, de 19.06.1978, Alexandre de Paula, O Processo Civil à Luz da Jurisprudência, vol. V, nova série, nº
10.693).
Tratando-se de obrigações alternativas, a impossibilidade do cumprimento de uma não esclui a exigibilidade da outra (ac.
da 1ª Câm. do Tribunal de Justiça do Paraná, de 23.04.1975, idem, vol. V, nova série, nº 10.694).
16.1. Modelo:
Petição para o réu exercer opção
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, por seu advogado, expõe e requer a V.Exª o seguinte:
1. Na ação proposta neste Juízo contra {_Nome da parte contrária}, Cartório do 2º Ofício, foi o réu condenado,
alternativamente, a devolver a coisa reclamada (indicar), ou a pagar a importância de ..., acrescida de juros, correção monetária
e honorários de advogado, fixados em 10%.
Passada em julgado a sentença, quer o autor executá-la. A condenação foi alternativa. A escolha da prestação a ser cumprida
cabe ao devedor.
2. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, este será citado para exercer a opção e realizar a
prestação dentro em 10 dias, se outro prazo não lhe foi determinado em lei, no contrato, ou na sentença (art. 571). Devolver-se-
á ao credor a opção se o devedor não a exercitou no prazo marcado (§ 1º).
3. Assim exposto, pede a V. Exª que se digne de mandar citar o devedor para exercer a opção e realizar a prestação no prazo
de 10 dias, devolvendo-se ao requerente a opção se o devedor não a exercitar no decêndio.
Protesta por prova documental.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
17. Liquidação da sentença. - Art. 603. Procede-se à liquidação, quando a sentença não determinar o valor ou não
individuar o objeto da condenação.
A citação do réu, na liquidação por arbitramento e na liquidação por artigos, far-se-á na pessoa de seu advogado,
constituído nos autos (parág. único).
17.1. Sentença ilíquida. - No processo de conhecimento o juiz, ao publicar a sentença, cumpre e acaba o ofício
jurisdicional, e só pode alterá-la: a) para corrigir inexatidões materiais ou retificar erros de cálculo; ou b) por meio de
embargos de declaração.
O contraditório, representado pela ação do demandante e a contestação do demandado, se encerra, acaba com o
julgamento. Não interposto recurso, ou decidido o que se interpuser, a sentença passa em julgado. Transitada em julgado a
sentença condenatória, o vencido se submete ao julgado voluntariamente, ou pode ser forçado a cumprir o mandamento
judicial, mediante processo de execução.
Ao juiz é vedado proferir sentença ilíquida quando o autor tiver formulado pedido certo (art. 459, parágrafo único). Mas, ou
pelas condições objetivas da lide, ou por outros motivos, há sentenças ilíquidas, as quais, para concretização do direito que
expressam, necessitam de um procedimento, preparatório, de liquidação.
A iliquidez da condenação pode dizer respeito à quantidade, à coisa ou ao fato devidos - escreveu Lopes da Costa.
Dá-se a iliquidez da sentença, em relação ao quantum debeatur, quando:
a) condena ao pagamento de perdas e danos, sem fixar o respectivo valor;
b) condena em juros, genericamente;
c) condena a restituir frutos, naturais ou civis;
d) condena o devedor a restituir o equivalente da coisa devida;
e) em lugar do fato, a que foi condenado o devedor, o credor prefere executar o valor correspondente, ainda não
determinado.
Em relação à coisa devida, a sentença é ilíquida quando condena: a) à restituição de uma universalidade de fato, como por
exemplo na petição de herança; b) em obrigação alternativa.
Em relação a um fato, a sentença que por exemplo condena uma empresa de fornecimento de energia elétrica a executar as
medidas necessárias a que a rede de transmissão, que construiu e passa muito próximo às janelas de um prédio, não constitua
perigo (Direito Processual Civil Brasileiro, vol. IV, nº 73).
17.2. Necessidade de liquidez. - A execução para cobrança de crédito (qualquer que seja), fundar-se-á sempre em título
líquido, certo e exigível (art. 586). A liquidez é, portanto, requisito do título exeqüível, judicial ou extrajudicial.
O título extrajudicial é, em geral, certo e líquido. Se o não for, ou não for exigível, desautorizada será a execução.
A liquidação é ato preparatório da execução. Há, contudo, sentença em parte líquida e em parte ilíquida. Nesse caso, por
expressa disposição do art. 586, § 2º - regra de economia processual - ao credor é lícito promover simultaneamente a execução
da parte líquida e a liquidação da parte ilíquida.
Duas são as modalidades de liquidação: a) por arbitramento (art. 606); e b) por artigos (art. 608), na ordem de
complexidade.
18. Liquidação por cálculo do contador. - Além da liquidação por arbitramento e por artigos, o art. 604 do CPC, em sua
redação primitiva, previa também a liquidação judicial por cálculo do contador para as hipóteses em que a apuração do
quantum debeatur se fazia por meio de operações aritméticas sobre dados já conhecidos no processo (juros, gêneros e títulos
cotados em bolsa). Mesmo nessa singela operação se exigia o contraditório e o julgamento final por sentença (art. 605, CPC,
antes de sua alteração pela Lei nº 8.898/94).
Com o advento da Lei nº 8.898, de 29.6.94, restou abolida a judicialidade da liquidação por simples cálculo. Permite-se
agora, com a atual redação do art. 604, que o próprio credor elabore o demonstrativo do montante da dívida na data da
instauração da execução, desde é claro que tudo se faça mediante simples cálculo aritmético. Para esse fim, a petição inicial da
execução será instruída com "memória discriminada e atualizada do cálculo".
Se, eventualmente, o executado não aceitar o cálculo do credor, terá de impugná-lo em seus embargos, invocando excesso
de execução. Sendo material o erro ocorrido, mesmo sem os embargos, poderá ser corrigido em qualquer tempo, já que a
respeito de tais lapsos não se opera a preclusão, ainda que tivesse havido homologação judicial, providência hoje totalmente
dispensada pela lei.
A mesma Lei nº 8.898 alterou, ainda, o art. 605 para consignar que o devedor, no caso de cumprimento espontâneo da
condenação (art. 570, CPC), também poderá utilizar o cálculo próprio para proceder ao depósito do valor apurado (Humberto
Theodoro Jr., Curso de Direito Processual Civil, vol. II, nº 720).
19. Liquidação por arbitramento. - Esta modalidade de liquidação é intermediária. Os fatos não têm a simplicidade da
liquidação por cálculo nem a complexidade que envolve a terceira forma, por artigos.
Tem lugar: a) quando a sentença condenatória o determinar ou quando as partes o convencionarem; b) quando, pela
natureza do objeto da condenação, houver necessidade de prova pericial, isto é, de esclarecer fato dependente do trabalho de
técnico.
19.1. Procedimento. - O "arbitramento" do valor da condenação faz-se por meio de perícia. O juiz nomeará um perito;
incumbe às partes, intimadas do despacho de nomeação, apresentar quesitos e indicar assistente técnico (art. 421).
No mesmo despacho de designação de perito o juiz fixará prazo para apresentação do laudo pericial - expediente destinado
a abreviar o desfecho da diligência e, indiretamente, da execução.
Apresentado o laudo, tem cada uma das partes o prazo de 10 dias para se manifestar. O juiz decidirá em seguida ou, se
necessário, designará audiência de instrução e julgamento.
O juiz não está adstrito ao laudo. Poderá, de ofício ou a requerimento da parte, determinar nova liquidação ou
esclarecimentos necessários a seu convencimento.
19.2. Modelo:
Liquidação por arbitramento
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, expõe e requer o seguinte:
1. Em ação que propôs contra {_Nome da parte contrária}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, foi o réu condenado a pagar serviços profissionais prestados pelo requerente, mais honorários de advogado e
custas.
A sentença (Cartório do 3º Ofício), que transitou em julgado, determinou que o valor dos serviços médicos se apurasse
mediante arbitramento, nas bases firmadas pelo decisum.
2. Far-se-á a liquidação por arbitramento, quando determinado pela sentença (CPC, art. 606, I).
Consiste essa forma de liquidação em apurar-se o objeto da condenação por meio de prova exclusivamente pericial, em
torno dos elementos já constantes do processo (Humberto Theodoro Júnior, Comentários ao Código de Processo Civil, nº 186).
3. Pelo exposto, pede a citação do devedor para os termos da liquidação de sentença. Na forma do art. 607 do Código de
Processo Civil, requer nomeação de perito, de logo designado o prazo de dez dias para apresentação do laudo, procedendo-se,
em seguida, conforme dispõe o parágrafo único do referido artigo 607.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
20. Liquidação por artigos. - A forma articulada repousa na necessidade de alegar e provar fato novo. Distancia-se das
precedentes (por cálculo e por arbitramento), como vimos afirmando, por sua complexidade, que vai a ponto de contar com
adoção do procedimento ordinário.
A expressão "provar fato novo" deve ser entendida em termos, mesmo que o procedimento adequado para atingir esse
desideratum seja o ordinário, procedimento do Livro I.
O "fato novo" não é qualquer outro fora do pedido e da sentença no processo de conhecimento. Isso seria impossível
(Alcides de Mendonça Lima, Comentários, nº 1.372).
Ainda que consista a liquidação articulada num verdadeiro processo de conhecimento, está ele, o processo, limitado ao
âmbito da sentença exeqüenda.
Amílcar de Castro, em poucas palavras, define a especialidade da hipótese:
"O processo de liquidação por artigos é de conhecimento, mas de função diversa da que tem o processo
de que resultou a sentença exeqüenda, pois não visa a formação de uma sentença condenatória, mas de uma
decisão meramente declaratória do que virtualmente já se contém na sentença condenatória exeqüenda"
(Comentários, nº 183).
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu:
"Não provada, no curso da ação, a existência das alegadas perdas e danos, não será possível demonstrar
sua ocorrência por artigos, em execução de sentença. Para esta só se pode remeter a apuração do montante de
prejuízos já evidenciados; que é inadmissível execução além dos limites fixados na decisão que se executa"
(Alexandre de Paula, Luz, vol. VI, nºs 1.139 e 1.141).
O 1º Tribunal de Alçada, do mesmo Estado, decidiu que a liquidação por artigos pressupõe a necessidade de produção de
provas que ofereçam elementos suficientes para a determinação do valor da condenação (Alexandre de Paula, O Processo
Civil à Luz da Jurisprudência, vol. VI, nº 1.147).
20.1. Modelo:
Liquidação por artigos
...........................................
2. Conforme se verifica dos autos, a sentença, que passou em julgado, condenou o réu a pagar ao autor danos emergentes e
lucros cessantes, despesas de (indicar), para o que necessário se faz provar os seguintes fatos (indicar).
Far-se-á a liquidação por artigos quando, para determinar o valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar
fato novo (CPC, art. 608).
Além dos fatos indicados no item 1, deve-se ter em vista que (indicar os fatos que ao exeqüente pareçam comprobatórios,
ou ilustrativos).
3. Pede a citação do devedor para os termos da presente ação, esperando que, procedido na forma dos arts. 608 e 609 do
Código de Processo Civil, seja fixado o valor da condenação, o qual deve ser acrescido de juros de mora, correção monetária,
custas processuais e honorários de advogado, estes já fixados na sentença exeqüenda.
Protesta pela produção de provas (indicar).
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER
1. Obrigações personalíssimas. - Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o devedor será citado para satisfazê-
la no prazo que o Juiz lhe assinar, se outro não estiver determinado no título executivo (CPC, art. 632).
Nesse caso, firmado o contrato intuitu personae, em atenção à aptidão especial e até ao nome, à fama da pessoa escolhida,
o credor não está obrigado a aceitar a obra executada por outrem.
Havendo recusa, ou mora, do devedor, a obrigação pessoal, personalíssima, converter-se-á em perdas e danos se o devedor,
no prazo assinado pelo juiz, a requerimento do credor, não cumprir a obrigação.
2. Obrigações de fazer. - Ver o novo Código Civil, arts. 247, 248 e 249.
3. Modelo:
Execução de obrigação de fazer
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, expõe e
requer o seguinte:
1. Por sentença desse Juízo, prolatada nos autos (indicar), {_Nome da parte contrária}, espanhol, casado, residente neta
cidade, rua ..., nº ..., foi condenado a pintar seis quadros representativos de (indicar), consoante estipulado no contrato que
figura a f. 44 dos respectivos autos.
O réu se abstém de cumprir a obrigação, apesar de intimado do trânsito em julgado da sentença condenatória.
2. Na obrigação de fazer personalíssima o credor poderá requerer ao juiz que assine prazo ao devedor para cumpri-la.
Havendo recusa ou mora do devedor, a obrigação pessoal converter-se-á em perdas e danos, aplicando-se outrossim o disposto
no art. 633 (Código de Processo Civil, art. 638 e parágrafo único).
3. Pelo exposto, pede a V. Exª que se digne de mandar citar o devedor para, no prazo já constante do julgado, realizar as
obras, respondendo, em caso de recusa ou mora, por perdas e danos, convertida em indenização a obrigação de fazer.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE NÃO-FAZER
1. Execução de não-fazer. - O Código de Processo Civil regula a execução da obrigação de não-fazer nos arts. 642 e 643.
Se o devedor praticou o ato a cuja abstenção estava obrigado pela lei ou pelo contrato, o credor requererá ao juiz que lhe
assine prazo para desfazê-lo (art. 642).
Havendo recusa ou mora do devedor, o credor requererá ao juiz que mande desfazer o ato à sua custa, respondendo o
devedor por perdas e danos (art. 643). Não sendo possível desfazer-se o ato a obrigação se resolve em perdas e danos
(parágrafo único).
2. Prestação de não-fazer. Inadimplemento. Extinção. - No direito material a obrigação de não-fazer foi assim
contemplada no Código Civil de 1916:
Extingue-se a obrigação... desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato que
se obrigou a não praticar. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir
dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos (arts. 882 e
883).
Os dois dispositivos processuais, 642 e 643, se completam. Pressupõem sentença condenatória, determinando ao réu,
vinculado à obrigação negativa - não-fazer - que pratique o ato, positivo, de abster-se, conforme a lei ou o contrato.
A lei soa "o credor requererá", querendo dizer "poderá requerer", pois não é imperativa.
3. "Ação cominatória". - No Código de 1939, o processo especial da ação cominatória era o remédio específico que podia
usar quem, por lei ou convenção, tivesse direito de exigir de outrem que se abstivesse de ato ou prestasse fato dentro de certo
prazo (art. 302, XII).
O Código de 1973 dispõe no art. 287:
"Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da prática de algum ato, tolerar alguma atividade,
prestar ato ou entregar coisa, poderá requerer cominação da pena pecuniária para o caso de descumprimento
da sentença ou da decisão antecipatória de tutela (arts. 461, § 4°, e 461-A)."
O art. 644, na redação da Lei n° 10.444, de 07.05.02, ficou assim:
A sentença relativa a obrigação de fazer ou não fazer cumpre-se de acordo com o art. 461, observando-se,
subsidiariamente, o disposto neste Capítulo.
O art. 645 tem nova redação, determinada pela Lei nº 8.953, de 1994:
Na execução de obrigação de fazer ou não fazer, fundada em título extrajudicial, o juiz, ao despachar a inicial, fixará
multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação e a data a partir da qual será devida.
Se o valor da multa estiver previsto no título, o juiz poderá reduzi-lo se excessivo (parágrafo único).
4. Atos positivos e negativos. - Consideram-se os atos, em seqüência à violação da obrigação de abster-se: prática do ato
vedado; ordem de desfazimento em prazo judicial; recusa, ou mora do devedor; desfazimento por outrem, à custa do
inadimplente.
Observou com acerto Sálvio de Figueiredo inexistir, no caso, execução de obrigação negativa. A obrigação é que é
negativa: non facere.
"A execução, na espécie, objetiva sempre um ato positivo, a saber, o desfazimento e/ou o pagamento de perdas e danos (art.
643)."
5. Obrigações de não fazer. - Ver o novo Código Civil, arts. 250 e 251.
5. Modelo:
Citação do réu para desfazer ato

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, em execução da sentença proferida nos autos da ação {_Tipo de ação} (Cartório do 5º Ofício),
intentada contra {_Nome da parte contrária}, vem, nos termos do art. 642 do Código de Processo Civil, requerer a citação do
réu para, no prazo de dez dias (ou no que houver sido fixado na sentença), desfazer o ato (especificar o ato de acordo com a
sentença), sob pena de ser desfeito por terceiro à custa do executando, bem como a indenizar perdas e danos.
Protesta por prova oral e juntada de documentos.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXECUÇÃO DE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA
1. Prestação de alimentos. - A prestação alimentícia, pela natureza de seu objeto, cerca-se de providências enérgicas, que
lhe retiram o caráter de simples execução por quantia certa.
Por isso, a lei processual, depois de identificar o seu procedimento com o dos arts. 646 e seguintes, edita regras especiais,
na maioria endereçadas ao juiz, armando-o de poderes inusitados para compelir o alimentante a solver sua obrigação.
De início pode mencionar-se regra, segundo a qual, recaindo a penhora em dinheiro, o oferecimento de embargos não obsta
a que o exeqüente levante mensalmente a importância da prestação (art. 732, parágrafo único). Levantamento, acrescente-se,
livre de caução.
2. Citação; prazo para pagar. - Na execução de sentença, ou de decisão, que fixa os alimentos provisionais, o juiz mandará
citar o devedor para, em três dias, efetuar o pagamento, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo (art. 733).
Sentença que fixar os alimentos definitivos, ou decisão, que os fixar provisoriamente.
"Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo
se o credor expressamente declarar que deles não necessita" (Lei de Alimentos, nº 5.478, de 25.07.1968, art.
4º).
O processo de execução, com suas normas especiais, é o mesmo, trate-se de alimentos provisionais ou definitivos.
Força maior, presente no momento da citação, pode impedir o devedor de satisfazer a obrigação. É ônus do réu demonstrar
o impedimento, sob as rígidas conseqüências do não adimplir.
3. Prisão civil. - Se o devedor não pagar, nem se escusar, o juiz, a requerimento da parte, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo
de um a três meses (art. 733, § 1º), medida que tem por fim tornar viável e pronta a execução da dívida, posto que no parágrafo
segundo se fale em "cumprimento de pena".
O cumprimento da pena de prisão não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas (§ 2º).
Em sua primitiva redação, este § 2º vedava imposição de nova prisão, verbis, "mas o juiz não lhe imporá segunda pena,
ainda que haja inadimplemento posterior". A Lei nº 6.515, de 26.09.1977, Lei do Divórcio, art. 52, eliminou a ressalva, que
diminuía o potencial de energia das regras de execução.
4. Desconto em folha. - Outro meio de assegurar e abreviar a execução da prestação alimentícia é o desconto em folha:
quando o devedor for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, o juiz mandará descontar em folha de
pagamento a importância da prestação alimentícia (art. 734). A comunicação será feita à autoridade, à empresa, ou ao
empregador por ofício, de que constarão os nomes do credor, do devedor, a importância da prestação e o tempo de sua duração
(parágrafo único).
5. Modos de execução. - Infere-se do exposto nos números anteriores que há maneiras de execução da prestação
alimentícia. Com efeito, a Lei nº 5.478, nos arts. 16, 17 e 18, prevê três formas:
"Art. 16. Na execução da sentença ou do acordo nas ações de alimentos será observado o disposto no art.
734 e seu parágrafo único do Código de Processo Civil."
(O art. 734 do Código de Processo então em vigor preconizava o desconto em folha).
"Art. 17. Quando não for possível a efetivação executiva da sentença ou do acordo mediante desconto em
folha, poderão ser as prestações cobradas de alugueres de prédios ou de quaisquer outros rendimentos do
devedor, que serão recebidos diretamente pelo alimentando ou por depositário nomeado pelo juiz."
"Art. 18. Se, mesmo assim, não for possível a satisfação do débito alimentício, o juiz aplicará o disposto
no art. 920 do Código de Processo Civil."
(O art. 920 punia com prisão decretada pelo juiz o não cumprimento da prestação alimentícia, quando
impossível o desconto, ou quando o devedor não pertencesse a qualquer das categorias enumeradas no art.
919 - funcionário público, militar etc).
João Claudino de Oliveira e Cruz exprobrava a linguagem imprópria da lei:
"Tal prisão não é pena, mas meio coercitivo de execução; visa a compelir o devedor ao pagamento da
dívida alimentícia e não, simplesmente, puni-lo, tanto que, pagando o devedor, a prisão será levantada.Daí a
impropriedade da lei, criticada pelos comentadores, quando diz que o devedor será punido. É medida
violenta, mas que se justifica em face das graves conseqüências resultantes da recusa de pagamento da
obrigação alimentar. Pior do que a prisão do devedor é a necessidade ou a fome do alimentando. Alimenta
denegans, necare videtur" (A Nova Ação de Alimentos, p. 70).
A jurisprudência tem decidido que, antes de decretar a prisão do devedor de alimentos, deve o juiz tentar executar os
atrasados, mediante os meios recomendados nos arts. 16, 17 e 18, da Lei nº 5.478, de 1968.
Neste sentido, acórdão unânime da 1ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, de 21.02.1978, Revista de
Jurisprudência do TJRS, vol. 71, p. 234.
6. Modelo:
Prestação alimentícia. Citação do devedor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, por seu advogado, nos autos de execução de prestação alimentícia intentada contra {_Nome da parte
contrária}, vem, com fundamento no art. 733, § 1º, do Código de Processo Civil, requerer a citação do devedor para, no prazo
de lei, três dias, efetuar o pagamento das pensões, sob pena de prisão.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}.
EXECUÇÃO FISCAL
1. Cobrança de Dívida Ativa. - O Decreto-Lei nº 960, de 17.12. 1938, dispôs sobre a cobrança judicial da dívida da
Fazenda Pública em todo o território nacional, mediante "ação executiva". A expressão Fazenda Pública compreendia União,
Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios (art. 1º). Foi a primeira lei processual de estilo moderno e âmbito nacional,
que antecedeu o Código de Processo unitário, baixado pelo Decreto-Lei nº 1.608, de 18.09.1939.
O novo Código de Processo Civil, de 1973, unificou as vias executivas, sob a denominação comum de processo de
execução. Depois de estabelecer que "toda execução tem por base título executivo judicial ou extrajudicial" (art. 583),
considerou título executivo extrajudicial "a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, Estado, Distrito Federal,
Território e Município" (art. 585, VI).
Sobreveio a Lei nº 6.830, de 22.09.1980, que passou a regular a "cobrança judicial da dívida ativa da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas Autarquias".
Antes desta lei, pela de número 1.793, de 23.06.1980, o Poder Executivo foi autorizado a não ajuizar certas ações, e a Lei
nº 6.822, de 22.09.1980, dispôs sobre a cobrança dos débitos fixados pelo Tribunal de Contas da União.
Ressaltaremos alguns pontos mais condizentes com o plano desta obra:
A) Petição inicial. A petição inicial indicará apenas; I. o juiz a quem é dirigida; II. o pedido; e III. o requerimento para a
citação (art. 6º).
B) Despacho inicial; efeito. O despacho do juiz que deferir a inicial importa em ordem para: I. petição pelo correio; II.
penhora, se não for paga a dívida, nem garantida a execução, por meio de depósito ou fiança etc. (art. 7º). O despacho do juiz,
que ordenar a citação, interrompe a prescrição (art. 8º, § 2º).
C) Remoção e penhora do bem penhorado. O juiz ordenará a remoção do bem penhorado para depósito judicial, particular
ou da Fazenda Pública exeqüente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do processo (art. 11, § 3º).
D) Avaliação. O termo ou auto de penhora conterá, também, a avaliação dos bens penhorados, efetuada por quem o lavrar.
Impugnada a avaliação, o juiz, ouvida a parte, nomeará avaliador oficial, onde houver, ou pessoa ou entidade habilitada, para
proceder a nova avaliação. Apresentado o laudo, o juiz decidirá de plano (art. 13 e parágrafos).
E) Substituição da penhora. Em qualquer fase do processo, será deferida pelo juiz a substituição da penhora (art. 15, I e II).
F) Embargos. O executado, garantida a execução, oferecerá embargos no prazo de 30 dias, contados: I. do depósito; II. da
juntada de prova de fiança bancária; III. da intimação da penhora. No prazo dos embargos, o executado deverá alegar toda a
matéria útil à defesa, requerer provas e juntar aos autos os documentos e o rol de testemunhas, até três, ou, a critério do juiz,
até seis (art. 16 e §§ 1º e 2º).
G) Audiências. Recebidos os embargos, o juiz mandará intimar a Fazenda para impugná-la no prazo de 30 dias,
designando, em seguida, audiência de instrução e julgamento. Não se realizará audiência se os embargos versarem sobre
matéria de direito ou, sendo de direito e de fato, a prova for exclusivamente documental, caso em que o juiz proferirá a
sentença no prazo de 30 dias (art. 17 e parágrafo único).
H) Execução por carta. Na execução por carta, os embargos do executado serão oferecidos no juízo deprecado, que os
remeterá ao juízo deprecante, para instrução e julgamento.Quando os embargos tiverem por objeto vícios ou irregularidades de
atos do próprio juízo deprecado, caber-lhe-á unicamente o julgamento dessa matéria (art. 20 e parágrafo único).
I) Execuções de limitado valor; recursos. Das sentenças de primeira instância proferidas em execuções de valor igual ou
inferior a determinado patamar legal, somente se admitirão embargos infringentes e de declaração. Os embargos infringentes,
instruídos ou não com documentos novos, serão deduzidos, no prazo de 10 dias, perante o mesmo juiz, em petição
fundamentada. Ouvido o embargado, em 10 dias, os autos serão conclusos ao juiz, que, dentro de 20 dias, os rejeitará ou
reformará a sentença (art. 34 e §§ 2º e 3º).
J) Dispensa de revisor. Nos processos regulados pela lei, poderá ser dispensada a audiência de revisor no julgamento das
apelações (art. 35).
K) Suspensão do curso da execução. O juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou
encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição (art. 40).
L) Alienação antecipada dos bens penhorados. O produto será depositado, para garantia da execução, em estabelecimento
oficial de crédito que assegure atualização monetária (arts. 21 e 9º, inciso I).
A alienação de quaisquer bens penhorados será feita em leilão público, no lugar designado pelo juiz (art. 23).
M) Arrematação. Será precedida de edital, afixado no local de costume, na sede do juízo, e publicado em resumo, uma só
vez, gratuitamente, como expediente judiciário, no órgão oficial (art. 22).
O prazo entre as datas de publicação do edital e do leilão não poderá ser superior a 30 nem inferior a 10 dias (§ 1º).
O representante da Fazenda Pública será intimado, pessoalmente, da realização do leilão com a antecedência prevista no §
1º (§ 2º).
N) Adjudicação. A Fazenda Pública poderá adjudicar os bens penhorados: I. antes do leilão, pelo preço da avaliação, se a
execução não for embargada ou se rejeitados os embargos; II. findo o leilão: a) se não houver licitantes, pelo preço da
avaliação; b) havendo licitantes, com preferência em igualdade de condições com a melhor oferta, no prazo de 30 dias (art. 24).
O) Cancelamento da inscrição; fim da execução. Cancelada, a qualquer título, a inscrição da Dívida Ativa, antes da decisão
de primeiro grau, será extinta a execução fiscal, sem qualquer ônus para as partes (art. 26).
P) Publicações, resumo, reunião num só texto. Medida de economia, as publicações dos atos processuais poderão ser feitas
resumidamente, ou reunidas num só texto os de diferentes processos (art. 27).
Q) Reunião de processos. O juiz, a requerimento das partes, poderá, por conveniência da unidade da garantia da execução,
ordenar a reunião de processos contra o mesmo devedor (art. 27).
R) Dívida Ativa; "privilégio". A Dívida Ativa da Fazenda Pública não se sujeita a concurso de credores ou habilitação em
falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento (art. 27).
O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I. União e suas
autarquias; II. Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata; III. Município e suas
autarquias, conjuntamente e pro rata (parágrafo único).
EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA
1. Dar, prestar, restituir, etc. - Embora seja a execução para entrega de coisa a mais simples, é vantajoso determo-nos um
pouco na terminologia.
Diz-se que a prestação é de dar quando incumbe ao devedor entregar o que não é seu, embora estivesse agindo como dono;
de prestar, quando a entrega é de coisa feita pelo devedor, após a respectiva conclusão; e de restituir, quando o devedor tem a
obrigação de devolver ao credor algo que recebeu deste para posse ou detenção temporária (Humberto Theodoro Junior,
Comentários, nº 219; Alcides de Mendonça Lima, Comentários, nº 1.519).
Entregar é passar às mãos de alguém.
Depositar é pôr bens ou coisas de valor sob a custódia ou guarda de pessoa abonada.
O Código de 1939, em redação pouco feliz, falava em "execução por coisa certa, ou em espécie" (art. 992). Já vimos a
terminologia do Código atual, evidentemente mais técnica.
O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será citado para, dentro de
10 dias, satisfazer a obrigação ou, seguro o juízo (art. 737, II), apresentar embargos (art. 621).
O texto primitivo dizia:
"Quem for condenado a entregar coisa certa..."
A Lei nº 8.953/94 estendeu o comando aos títulos extrajudiciais.
2. Citação. - O devedor será citado para, no prazo de 10 dias, "satisfazer a obrigação", isto é, cumprir a sentença ou, seguro
o juízo, apresentar embargos.
O chamamento a juízo - ato inicial de qualquer ação - não é, nunca, no processo executivo, para apresentar defesa.
O devedor, citado, não tem muitas alternativas. Ou entrega a coisa, ou a deposita, ou, esgotados os 10 dias sem ato
comissivo seu, expedir-se-á mandado de imissão do autor na posse do bem, se se tratar de imóvel, ou mandado de busca e
apreensão, se de móvel se tratar (ver art. 625).
A segurança do juízo, por meio do depósito da coisa; ou por meio de penhora na execução por quantia certa, é condição
necessária para oposição de embargos - ação do devedor, executado, contra o exeqüente.
O art. 622 é expressivo: o devedor poderá depositar a coisa, "quando quiser opor embargos".
3. Entrega da coisa. - Entregue a coisa pelo devedor, lavrado o respectivo auto, extingue-se o processo.
Contudo, se o devedor responder por custas, honorários advocatícios - acessórios - a execução prosseguirá, mediante
liquidação, se for o caso, pela forma adequada, isto é, execução por quantia certa. Idem, se for devido pagamento de frutos e
ressarcimento de perdas e danos (art. 624).
O prazo para oferecer embargos conta-se da data do termo de depósito.
4. Obrigações de dar coisa certa e incerta. - Ver, sobre coisa certa, os arts. 233 a 242, e sobre coisa incerta os arts. 243 a
246, todos do novo Código Civil.
5. Modelo:
Petição inicial; entrega da coisa certa e cobrança de quantia certa
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, vem propor,
contra {_Nome da parte contrária} e sua mulher {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, ação de
execução para entrega de coisa certa e cobrança de quantia a ser liquidada, e para isto expõe e requer o seguinte:
1. Em ação de {_Tipo de ação}, intentada neste Juízo (Cartório do 2º Ofício), os réus foram condenados a entregar o objeto
da demanda, a saber (descrição do bem), bem assim ao pagamento das custas processuais e honorários de advogado arbitrados
em ...
Sem recurso, a sentença passou em julgado.
2. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo, será citado para, dentro de 10 dias,
satisfazer a obrigação ou, seguro o juízo (art. 737, II), apresentar embargos (Código de Processo Civil, art. 621).
3. Assim exposto, pede a citação dos réus, residentes nesta cidade, rua {_Endereço da parte contrária}, para, no decêndio
legal, entregarem o bem ou, mediante o respectivo depósito, apresentarem embargos.
Pede ainda que, levantado o valor das custas e dos honorários, nos mesmos autos se processe a execução da quantia que se
apurar em liquidação, com expedição de mandado, na forma do art. 652 do Código de Processo Civil.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} e endereço do advogado.
EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR INSOLVENTE
1. Insolvência civil. - Instituto novo no direito brasileiro, situado no plano do Processo de Execução, a declaração de
insolvência civil, como processo autônomo, com a finalidade de abrir concursus creditorum, atende à necessidade, que alguns
juristas do Brasil, inspirados na legislação estrangeira, vinham de há muito mostrando.
Pela novidade, pela semelhança com o processo falimentar, pelos efeitos econômicos e jurídicos no patrimônio do devedor
e de seus credores, o processo declaratório de insolvência requer habilidade e eficiência do procurador; saber, experiência e
tato do juiz.
Busca-se no processo em foco a declaração, por sentença, de insolvência, com as suas conseqüências, o vencimento
antecipado das dívidas, arrecadação de todos os bens do insolvente, a perda do direito de administrá-los e deles dispor, a
execução por concurso universal dos seus credores.
Como incidente da execução, a lei anterior conhecia o tradicional concurso de credores do devedor comum, instaurável a
requerimento de qualquer interessado no juízo da causa principal: a) quando as dívidas excedessem a importância dos bens do
devedor; b) quando tivessem havido protesto por preferência ou rateio (CPC de 1939, arts. 1.017, 1.018 e 1.025).
O pressuposto a fundava-se, como agora, no desequilíbrio econômico do devedor, na insolvência, que o Código de 1973
define no art. 748:
"Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem a importância dos bens do devedor."
Naquele diploma legislativo, Capítulo Da Penhora, o art. 929 rezava:
"Quando a penhora não bastar ao integral pagamento do credor, será lícito ao devedor apresentar relatório
de seu estado patrimonial, com a discriminação do ativo e do passivo, a fim de que se instaure desde logo o
concurso de credores, com a notificação dos interessados."
Tal dispositivo, único, ilha desgarrada no Pacífico, muito se distancia do Livro II, Título IV, do Código de 1973.
A doutrina brasileira considerou em plano secundário o art. 929, entendendo que aí se configurava apenas uma hipótese de
abertura de concurso, a requerimento do executado.
"Lamentavelmente não se observou, nem se compreendeu que essa disposição legal introduziu, ao lado
do concurso particular (arts. 1.017 e segs.), o concurso universal de credores, restaurando a tradição do
direito lusitano e exprimindo, ainda que de modo imperfeito, uma aspiração longamente manifestada pelos
juristas nacionais" (Alfredo Buzaid, Do Concurso de Credores no Processo de Execução, nº 149).
1.1. Características. - A insolvência civil, que estabelece a igualdade entre os credores quirografários, desprezando a
anterioridade das penhoras, tem como características, entre outras: a) a universalidade do juízo; b) o pressuposto da declaração
judicial da insolvência apurada em uma fase inicial, de cognição; c) a nomeação de um administrador para a massa; d) a
convocação de todos os credores; e) a natureza coletiva, concursal, em sua segunda fase, onde a execução realmente se efetiva;
f) a elaboração de um quadro geral de credores, no qual são observados os créditos privilegiados e preferenciais; g) a
possibilidade de reabertura do processo, enquanto não extintas as obrigações; h) a extinção dessas, decorrido o prazo de cinco
anos depois do trânsito em julgado da sentença de encerramento; i) a possibilidade de concordata (Lopes da Costa, Manual
Elementar de Direito Processual Civil, atualização de Sálvio de Figueiredo Teixeira, p. 389).
Outra característica desse processo, apontada pelo Prof. Egas Moniz de Aragão, é de que se trata de uma execução por
quantia certa. Embora coletiva, depende de um título em que o credor demonstre ter um crédito líquido e certo. A própria
epígrafe da matéria no Código é precisamente esta: "Da Execução por Quantia Certa contra Devedor Insolvente". Aí reside
uma diferença capital em confronto com o sistema da falência, em que os credores concorrem ainda que não tenham crédito
líquido e certo ("Execução contra Devedor Insolvente", in Litis, ano I, vol. I, p. 42).
1.2. Presunção da insolvência. - A exemplo do que acontece com o comerciante, que a lei de quebra considera falido se,
"sem relevante razão de direito, não paga no vencimento obrigação líquida, constante de título que legitime a ação executiva"
(Decreto-Lei nº 7.661, de 1945, art. 2º), o devedor civil é considerado insolvente se se encontrar nas condições de fato
previstas no art. 750, I e II.
Presume-se a insolvência: presunção juris tantum que ao devedor incumbe destruir.
Verificando-se que o executado não tem bens livres e desembaraçados "para nomear à penhora", ou que possam ser
penhorados, ou por estarem todos arrestados pelos graves motivos do art. 813, I, II e III, cabe ao credor requerer se processe a
declaração, cujas conseqüências - acauteladoras do interesse dos outros credores - os arts. 751 e 752 estabelecem.
1.3. Efeitos da declaração de insolvência. -
"Art. 751. A declaração de insolvência do devedor produz:
I. o vencimento antecipado das suas dívidas;
II. a arrecadação de todos os seus bens suscetíveis de penhora, quer os atuais, quer os adquiridos no curso
do processo;
III. a execução por concurso universal dos seus credores.
Art.752. Declarada a insolvência, o devedor perde o direito de administrar os seus bens e de dispor deles,
até a liquidação total da massa."
A sentença de declaração da insolvência é, ao mesmo tempo, declaratória e constitutiva.
Ato caracteristicamente jurisdicional, de natureza contenciosa, soluciona a lide relativa à existência ou inexistência do
pressuposto geral de que resulta a execução concursal (Celso Neves, Comentários, nº 117).
Seus efeitos se produzem, regra geral, após o trânsito em julgado. E são eles de ordem objetiva e subjetiva.
Objetivamente, determina: a) o vencimento antecipado das dívidas do insolvente; b) a arrecadação de todos os seus bens
penhoráveis, atuais, ou adquiridos no curso do processo; c) o mais importante, tendo em vista a teleologia da lei, que é
instaurar o concurso universal dos credores, de todos os credores, que serão convocados para apresentar, no prazo legal, a
declaração de seus créditos (arts. 762 e 761, II).
A sentença que determina o concurso de todos os credores muito se assemelha à sentença declaratória da falência.
"A característica essencial da sentença declaratória da falência está no seu valor erga omnes. Transitando
em julgado, os efeitos que a lei lhe atribui estendem-se a todos os que, direta ou indiretamente, se acham
interessados na nova situação jurídica, cujo início ela assinala. Constitui, pois, exceção à regra de que o caso
julgado é inoponível aos terceiros que o não motivarem" (Trajano de Miranda Valverde, Comentários à Lei
de Falência, vol. I, nº 125).
Subjetivamente a declaração da insolvência acarreta ao devedor a perda do direito de administrar os seus bens e deles
dispor "até a liquidação total da massa" (art. 752). A massa dos bens do devedor insolvente ficará sob custódia e administração
de um administrador nomeado pelo juiz, até liquidação total.
A decretação da insolvência civil deixou de ser mero incidente da execução singular. O novo Código de Processo Civil
implantou um concurso universal de credores, com feição de verdadeira falência civil e regra própria. Inspira-se na
solidariedade e universalidade, dispensando-se tratamento igualitário a todos os credores concorrentes, tendente a realizar o
ideal do par condicio creditorum. O insolvente perde sua capacidade processual ou a de ser parte. A força atrativa do juízo
universal da insolvência não só arrasta para o seu bojo todas as execuções singulares já existentes, como ainda impede que
outras sejam iniciadas (ac. da 4ª Câmara do Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul, de 22.05.1980, Julgados, vol. 35, p.
397).
A declaração de insolvência pode ser requerida, não é obrigatória, nem pode ser determinada ex officio.
Pode ser voluntária ou forçada - declaração requerida pelo credor, e auto-insolvência, semelhante à autofalência do
Decreto-Lei nº 7.661, de 21.06.1945, art. 8º.
Só o credor quirografário tem legitimação (argumento do art. 753, inc. I).
O credor com privilégio ou preferência garantido no seu crédito não tem interesse em concursus creditorum. Todavia,
adverte Pontes de Miranda ser possível que se haja estabelecido interesse do credor com privilégio ou preferência em pedir a
declaração de insolvência e seria descabido que se vedasse aos credores somente porque têm privilégio ou preferência, que
propusessem a ação de declaração de insolvência. Seria negar-se a quem tem mais o que se permite a quem tem menos
(Comentários, vol. XI, p. 347, 2).
O espólio devedor, representado pelo inventariante, tem legitimação para requerer a auto-insolvência, tal como a tem o
devedor (art. 753, II e III).
A legitimatio é de direito estrito, fato a que o juiz atenderá em matéria de tal complexidade e relevância que é a de
declaração de insolvência.
A exemplo do que ocorre em caso de falência (art. 10, § 1º, parte final, da Lei de Falência), o devedor ilidirá o pedido de
insolvência se, no prazo para defesa, depositar a importância do crédito, para lhe discutir a legitimidade ou o valor (art. 757).
2. Insolvência requerida pelo credor
2.1. Citação do devedor para opor embargos. - O credor, instruindo o pedido com o título executivo, requererá a citação do
devedor para, no prazo de 10 dias, opor embargos à declaração de insolvência.
Humberto Theodoro Júnior entende que melhor seria qualificar a resposta do réu, in casu (requerimento pelo credor), como
contestação, posto que embargos representam, tecnicamente, ação do devedor instaurada no curso da execução (Comentários,
nº 457).
Pontes de Miranda discorda: a declaratividade da ação de declaração de insolvência podia sugerir que se pensasse em ação
de cognição, mas ocorre que a finalidade é levar, com quatro de mandamentalidade, à execução universal (Comentários, vol.
XI, p. 367, 2).
A imprecisão terminológica, se existe, é inocente. Já assinalamos estar o instituto situado no plano do Processo de
Execução. Em verdade, é possível a contestação (= impugnação) de algum fato, e prova, e decisão (lato sensu). Mas, por se
apresentar a resposta com imprecisa denominação, não irá o juiz rejeitá-la in limine, tanto mais quando oferecida com o nomen
juris oficial.
2.2. Embargos; alegações. - Amplo é o campo de defesa do embargante. Na execução fundada em título judicial, os
embargos só poderão versar sobre (art. 741): falta ou nulidade da sentença, inexigibilidade do título, ilegitimidade das partes;
cumulação indevida de execuções; excesso de execuções; nulidade da execução até a penhora; qualquer causa impeditiva,
modificativa ou extintiva da obrigação; incompetência do juízo da execução; suspeição ou impedimento do juiz; que seu ativo
é superior ao passivo. Quando a execução se fundar em título extrajudicial, o devedor poderá alegar, além das matérias já
enumeradas, qualquer outra que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento.
2.3. Instrução; sentença. - Oferecida defesa, o juiz examinará se o pedido e os embargos estão em ordem e suficientemente
instruídos. Se houver necessidade de colheita de prova oral, designará audiência de instrução e julgamento. Não havendo prova
a produzir, dará sentença em 10 dias.
3. Modelos:
3.1. Insolvência requerida pelo credor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. Corre por esse Juízo processo de execução instaurado por Francisco Melquíades dos Santos contra {_Nome da parte
contrária}. Recaiu a penhora no apartamento nº 502, do "Edifício Atlas", rua da Liberdade, nº 66, imóvel que foi avaliado
em ..., segundo auto de f. 43.
O requerente é credor do executado pela quantia de ..., representada nos títulos extrajudiciais que ora exibe ( indicar os
títulos, espécies, valores, protesto, se for o caso).
O executado possui apenas os móveis que guarnecem sua residência. Bem de raiz não possui, ut certidão do Registro de
Imóveis ora apresentada. É, portanto, insolvente.
2. Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem à importância dos bens do devedor (CPC, art. 748).
A declaração de insolvência pode ser requerida por qualquer credor quirografário (CPC, art. 753, I).
3. Pelo exposto, requer a V. Exª que se digne de mandar citar o executado, na forma do art. 755 da lei processual, para, no
prazo de dez dias, oferecer embargos, se quiser. E, não oferecidos embargos, que se declare por sentença a sua insolvência.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.2. Depósito para ilidir o pedido de insolvência
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos de execução de sentença que lhe foi intentada por {_Nome da parte contrária}, expõe e
requer o seguinte:
Nos embargos, tempestivamente oferecidos, contra o pedido de declaração de sua insolvência, formulado por Alípio
Ferreira Guedes, o requerente argüiu ilegitimidade dos títulos executivos.
Pede, dentro do prazo legal, que V. Exª admita o depósito da importância dos créditos de que o requerente da insolvência se
diz titular, nos termos e para os fins do art. 757 do Código de Processo Civil.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.3. Insolvência requerida pelo devedor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos de execução intentada por {_Nome da parte contrária}, vem expor e requerer o seguinte:
1. No processo de execução, para cobrança de uma nota promissória de ..., penhorou-se a casa nº ..., rua ..., estimada em ...
Além do imóvel penhorado, o requerente possui apenas os bens que a seguir relaciona (relacionar), cujo valor, em
estimativa, não excede de ...
Ocorre que, além do débito em execução, o requerente tem outros, assim discriminados ( relacionar os credores, na forma
do art. 760, I).
2. Acha-se o requerente, executado, em estado de insolvência, por serem as dívidas superiores, e muito, à importância dos
bens do seu patrimônio.
Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem à importância dos bens do devedor (CPC, art. 748).
A declaração de insolvência pode ser requerida pelo devedor (CPC, art. 753, II).
As causas que determinaram o desequilíbrio econômico foram (indicar com precisão). Todos os esforços do requerente
malograram frente à força maior.
3. Pelo exposto, pede a V. Exª que se digne de lhe declarar a insolvência, a fim de que se processe o concurso de credores
na forma dos arts. 761 e seguintes do Código de Processo Civil.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
4. Extinção das obrigações
4.1. Exoneração do insolvente. - A Lei de Falências prevê a extinção das obrigações do falido, pelo decurso de certo
tempo: decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir do encerramento da falência, se o falido ou sócio-gerente da
sociedade falida não tiver sido condenado por crime falimentar (art. 135, III). De lege ferenda, era político estender esse
benefício ao devedor insolvente envolvido em "falência civil", isto é, em concurso universal de credores.
A matéria de prescrição é de direito material. Contudo, o Código de 1973 estabeleceu duas regras prescricionais:
"A prescrição das obrigações, interrompida com a instauração do concurso universal de credores,
recomeça a correr no dia em que passar em julgado a sentença que encerrar o processo de insolvência" (art.
777). "Consideram-se extintas todas as obrigações do devedor, decorridos cinco anos, contados da data do
encerramento do processo de insolvência" (art. 778).
O recomeço do curso do prazo prescricional deixaria o devedor em prolongada incerteza. O autor do anteprojeto, instituidor
da insolvência civil, procurou obstar a esse inconveniente. Seu propósito se fez lei.
4.2. Requerimento da extinção das obrigações. - O decurso do prazo de cinco anos, de conformidade com o art. 778, tem
por efeito a extinção de todas as obrigações do devedor insolvente, independentemente de qualquer pagamento. Mas, pelo
enunciado no art. 779, mister se faz que o devedor requeira a referida extinção.
É evidente, em primeiro lugar - observa José de Moura Rocha -, que tais obrigações são aquelas compreendidas no regime
de insolvência. Secundariamente devemos atentar para o fato de não bastar ao insolvente o decurso do prazo prescricional, já
que é necessária a sentença declaratória da extinção das obrigações do devedor. Ademais, não cogita o Código de outras formas
possibilitantes do encerramento do processo de execução por quantia certa contra devedor insolvente, além desta da prescrição
das obrigações (Comentários no Código de Processo Civil, vol. IX, p. 259).
A extinção é, portanto, direito do devedor insolvente, que a deve requerer ao juiz competente. Não pode ser declarada ex
officio; depende de processo, sumário, de cognição, incidental, e, pois, de sentença.
Juízo competente é o da insolvência.
4.3. Procedimento. - O juiz, verificando que a petição apresenta os requisitos legais, mandará expedir edital, intimando os
interessados (credores). O edital, com o prazo de 30 dias, publicar-se-á no órgão oficial ou noutro jornal de grande circulação.
Qualquer credor poderá opor-se ao pedido, no prazo do edital, 30 dias. A impugnação somente pode consistir em que: I. não
transcorreram cinco anos da data do encerramento da insolvência; II. o devedor adquiriu bens, sujeitos a arrecadação, nos
termos dos arts. 775 e 776.
Ouvido o devedor no prazo de dez dias, ao juiz pode abrir-se duas hipóteses: a) há prova oral a ser produzida, caso em que
designará audiência de instrução e julgamento; b) não existe prova oral, e proferirá sentença, de plano.
4.4. Modelo:
Requerimento de extinção das obrigações
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos do processo de insolvência que neste Juízo se processou (Proc. nº {_Nº do Processo},
Cartório do ... Ofício), vem expor e requerer o seguinte:
1. A sentença de encerramento do mencionado concurso universal de credores transitou em julgado no dia ..., como se pode
verificar dos autos, f. 235.
Consideram-se extintas todas as obrigações do devedor, decorrido o prazo de cinco anos, contados da data do encerramento
do processo de insolvência (CPC, art. 778).
Computadas as datas, verifica-se que, desde o encerramento a esta data, decorreram cinco anos e dois meses.
2. Pelo exposto, e na conformidade dos arts. 778 e 779 da lei processual, vem requerer a V. Exª que, procedido na forma
dos arts. 780 e 781, primeira parte, se digne de declarar extintas todas as obrigações do requerente, para os fins de direito.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5. Concordata suspensiva. - O devedor insolvente poderá, depois da aprovação do quadro a que se refere o art. 769,
acordar com os credores, propondo-lhes a forma de pagamento. Ouvidos os credores, se não houver oposição, o juiz aprovará a
proposta por sentença (CPC, art. 783).
5.1. Generalidades. - Acordo, de que trata o art. 783, muito se assemelha à concordata do direito falimentar. O Código de
Processo Civil português - fonte do dispositivo brasileiro - fala em "concordata": "Os devedores insolventes ou os seus
legítimos representantes podem fazer concordata com os seus credores..." (art. 1.323).
Concordata suspensiva, porque só é admissível após declaração da insolvência e aprovação do quadro de credores. O
Código de Portugal soa: "mas só quando tenha havido declaração de insolvência e depois de findo o julgamento da verificação
de créditos".
A exigência legal - "depois da aprovação do quadro" - pretende evitar convênios pouco honestos entre o devedor e alguns
credores em prejuízo aos demais; evitar abusos e fraudes na formação de créditos simulados que possibilitariam formar-se u’a
maioria capaz de conseguir convênios prejudiciais aos verdadeiros credores (José de Moura Rocha, Comentários, pp. 271 e
272).
5.2. Procedimento. - O devedor, em petição escrita, formalizada, proporá o negócio jurídico, indicando, de logo, a forma de
pagamento com a qual pretende libertar-se da situação em que se encontra, temporariamente despojado do direito de
administrar seus bens, e também fugir ao desastre de vê-los alienados, diluídos, convertidos em dinheiro para satisfação dos
credores.
Ouvidos todos os credores,o juiz, por sentença, aprovará a proposta, se não houver oposição. O acordo por parte dos
credores, expresso ou tácito, há de ser total.
A 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu que:
"O pagamento é por excelência a forma de extinção das obrigações; portanto, sendo integral, a ele não se
pode opor o credor. Assim, apresenta-se destituída de sentido prático a negativa manifestada pelo credor em
receber o valor total de seu crédito" (ac. de 29.03.1978, Alexandre de Paula, O Processo Civil à Luz da
Jurisprudência, vol.VII, nº 14.071).
5.3. Modelo:
Proposta de concordata
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, nos autos de insolvência requerida por {_Nome da parte contrária}, vem expor e requerer o
seguinte:
1. Declarada a insolvência do requerente, organizou-se o quadro geral dos credores,que foi aprovado por sentença de ff. 95
e 96.
2. Presente a condição do art. 783 do Código de Processo Civil, pretende o peticionário obter de seus credores o meio, que
a lei lhe oferece, de se recompor patrimonialmente, pagando as suas dívidas sem o sacrifício de seus bens e de seu nome.
Propõe pagar as dívidas da seguinte forma (apresentar o modo, o plano).
3. Requer, deste modo, que, ouvidos todos os credores, e se não houver oposição, V. Exª aprove, por sentença, a proposta de
pagamento que ora se oferece.
Termos em que
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE
1. Impenhorabilidade. - Sabido que a execução tem por objeto apreender e vender bens do devedor para satisfazer o direito
do credor, surge desde logo a questão da impenhorabilidade, absoluta ou relativa, de certos bens, sobre que o magistrado
muitas vezes tem de resolver e há de fazer com energia e cautela.
2. Nomeação de bens à penhora. - Cita-se o devedor para, em 24 horas, pagar ou nomear bens à penhora. A nomeação de
bens à penhora obedece a regras, que o devedor deve observar (art. 655 e parágrafos), sob pena de ter-se por ineficaz (art. 656,
I). Essas e outras omissões ou defeitos acarretam a ineficácia, salvo convindo o credor.
3. Modelo:
Petição. Execução por quantia certa
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem propor contra {_Nome da parte contrária}
{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA} ação de execução. Para isso expõe e requer o seguinte:
1. O autor é credor do réu pela quantia de ..., valor de uma nota promissória por ele emitida ( doc. junto), avalizada por
Frederico Gonçalves Duarte, vencida no dia (indicar), não paga no vencimento, protestada. Dispõe, assim, de título executivo,
previsto no art. 585, I, do Código de processo Civil.
2. Inocorreu o pagamento espontâneo da dívida, não obstante o protesto.
3. Pede a V. Exª que se digne mandar citar o devedor para, no prazo de 24 horas, satisfazer o credor, pagando principal e
acessórios, sob pena de, não o fazendo, serem penhorados tantos bens quantos bastem para pagamento do principal, despesas
acrescidas, custas processuais e honorários de advogado. Feita a penhora, intimado o executado, fique de logo ciente do prazo,
10 dias, para embargar a execução.
4. Espera que a execução seja julgada procedente, subsistente a penhora, condenado o réu ao pagamento do débito e
acessórios.
Protesta por prova pericial, depoimento de testemunhas e depoimento da parte, pena de confessa.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Aceita a nomeação, cumpre ao devedor, dentro de prazo razoável assinado pelo juiz, exibir a prova de propriedade dos bens
e, quando for o caso, a certidão negativa de ônus (art. 654, parágrafo único).
O juiz decidirá de plano as dúvidas suscitadas pela nomeação (art. 657, parágrafo único).
4. Penhora e depósito. - Se o devedor não pagar, nem fizer nomeação válida, o oficial de justiça penhorar-lhe-á tantos bens
quantos bastem para o pagamento do principal, juros, custas e honorários advocatícios.
A situação dos bens pouco importa; efetuar-se-á a penhora onde quer que se encontrem. Se em repartição pública, o juiz
requisitará ao respectivo chefe a realização do ato (art. 659, § 1º).
5. Arrombamento. - Se o devedor fechar as portas da casa, a fim de obstar a penhora dos bens, o oficial de justiça
comunicará o ocorrido ao juiz, solicitando-lhe ordem de arrombamento. Passará, antes, certidão do ocorrido.
Deferida a solicitação, o mandado cumprir-se-á por dois oficiais de justiça. Dois autos lavrarão os meirinhos: um,
circunstanciado, testemunhado, do arrombamento; outro, formal, da penhora.
6. Requisição de força policial. - Sempre que necessário, o juiz requisitará força policial, que auxilie os oficiais na penhora
dos bens e na prisão de quem resistir à ordem (art. 662).
Ante a ameaça, ou temor de resistência, ou hostil atitude do devedor, o oficial comunicará o fato ao juiz, que, se julgar
necessário, oficiará à autoridade policial, requisitando força.
7. Resistência; prisão. - No caso de resistência, os oficiais lavrarão o respectivo auto em duplicata; dele constará rol de
testemunhas, devidamente qualificadas. Uma das vias é destinada ao processo; outra à autoridade policial, a quem os oficiais
entregarão o preso (art. 663).
8. Depositário dos bens penhorados. - A penhora se completa com o depósito; considera-se feita com a apreensão e o
depósito. Do respectivo auto constará "a nomeação do depositário dos bens" (art. 665, IV).
Dispõe o art. 666 que se o credor não convier em ficar como depositário o devedor, depositar-se-ão os bens em banco, em
poder do depositário judicial, em mãos de depositário particular, conforme a natureza dos bens.
"Se o credor não convier", lê-se no caput, sendo certo que a boa conservação do patrimônio corre risco, ficando os bens
com o devedor, é inadmissível que o exeqüente se converta em árbitro quando surgir dúvida a respeito do depósito. Cabe ao
juiz decidir em cada caso, atendendo ao interesse das partes e aos fins da execução.
8.1. Registro. - Segundo o art. 659, § 4°, do CPC, na redação da Lei n° 10.444, de 07.05.02, a penhora de bens imóveis
realizar-se-á mediante auto ou termo de penhora, e registro no ofício imobiliário.
9. Alienação antecipada. - Os bens apreendidos para assegurar o pagamento do credor, depositados, continuarão à espera
do momento propício à sua avaliação e, depois, arrematação: não sendo embargada a execução, ou sendo rejeitados os
embargos recebidos com efeito suspensivo, o juiz determinará que um perito estime o seu valor (avaliação), para serem
alienados em hasta pública (arrematação).
Pode, todavia, haver motivo para alterar esse projeto.
No plano da ação executória, o art. 670 prevê duas hipóteses: a) estarem os bens penhorados sujeitos a deterioração ou
depreciação; b) houver manifesta vantagem em, de logo, aliená-los.
Entende-se por vendas judiciais, em sentido estrito, o processo de venda de certos bens que, por circunstâncias especiais,
devem ser alienados. Não se pode negar o caráter de preventividade nessas ações.
É o periculum in mora que se procura remover com a venda antecipada.
9.1. Deterioração; depreciação. - Depreciação é baixa do valor, ou do preço; deterioração é estrago. Se o bem se deprecia
ou estraga, esperar o momento (longínquo) de estimar-lhe o valor para, depois, anunciar a "venda", é estorvar a execução, com
prejuízo para ambas as partes. Aliena-se, portanto, "antes que seja tarde".
9.2. Manifesta vantagem. - A vantagem, manifesta vantagem, é de ser aferida caso por caso. Ulderico Pires dos Santos
exemplifica:
"Se, ao final das execuções, sempre demoradas, as despesas judiciais poderão atingir um custo muito
mais elevado, se os editais de praça naquela ocasião poderão estar e estarão mais caros, se a depreciação dos
bens móveis no correr do tempo é sabida e ressabida de todos, o só fato de evitar esses inconvenientes,
antecipando-se a alienação, já representa, por si só, vantagens mais do que patentes, notórias.
Pode acontecer também que a conveniência da imediata conversão decorra não da demasiada
desvalorização dos bens penhorados e sim de sua presente valorização. Como esta pode ser transitória,
principalmente o devedor terá grande interesse em antecipar a alienação. Admitamos que a penhora tenha
recaído sobre peças de ouro que estejam em notória valorização. É claro que tanto para o credor como para o
devedor haverá conveniência em aliená-las no período de alta" (Processo de Execução, nº 513).
9.3. Legitimação ativa. - A medida, "preventiva", pode ser requerida pelo credor, pelo devedor e pelo depositário, este
obrigado a conservar a coisa e zelar por sua melhor aplicação, e destinação, e, pois, conversão em dinheiro.
9.4. Procedimento. - Procedimento é o das Alienações Judiciais, Capítulo II do Título II, arts. 1.113-1.119. O art. 1.113, §
2º, dispõe, semelhantemente, ao parágrafo único do art. 670:
"Quando uma das partes requerer a alienação judicial, o juiz ouvirá sempre a outra antes de decidir."
9.5. Modelo:
Petição. Alienação antecipada
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, na ação de
execução intentada por {_Nome da parte contrária} (Cartório do ... Ofício), vem expor e requerer o seguinte:
1. A penhora recaiu sobre (descrever os bens).
Pela própria natureza dos bens, infere-se que são eles sujeitos a deterioração, que muito deprecia o seu valor, e pode levar
ao perecimento.
Com efeito, trata-se de (argumentar).
2. O juiz autorizará a alienação antecipada dos bens penhorados, quando sujeitos a deterioração (Código de Processo Civil,
art. 670, I).
No caso, interessa a ambas as partes (e a própria simplificação do processo executivo) a antecipada conversão dos
mencionados bens em dinheiro.
3. Pelo exposto, requer a V. Exª que, ouvido o exeqüente, autorize a alienação antecipada dos bens, em hasta pública,
mediante prévia avaliação.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
10. Adjudicação. - Adjudicação, em sentido amplo, é alienação de alguma coisa com interferência da autoridade judiciária.
Existe adjudicação convencional e adjudicação compulsória. Na primeira o ato de transferência se realiza pela vontade das
partes; o juiz apenas o homologa. Na segunda, é o próprio juiz, órgão do Estado, que pratica o ato. Não se deve confundir
adjudicação compulsória com adjudicação forçada, abolida no direito brasileiro.
Segundo Ramalho, "adjudicação é a assinação dos bens do devedor feita judicialmente ao credor por justo preço em
pagamento de sua dívida" (Praxe, § 395).
Na execução por quantia certa colima-se o pagamento em dinheiro, convertendo-se em moeda corrente os bens penhorados.
Todavia, o credor pode consentir em receber coisa que não dinheiro em substituição da prestação (Código Civil, art. 995).
A transferência da coisa adjudicada se opera, tratando-se de móvel, pela tradição; tratando-se de imóvel, pela transcrição no
registro imobiliário, mediante carta de adjudicação.
10.1. Adjudicação de coisa móvel. - A Seção II - Do Pagamento do Credor - divide-se, como ficou exposto, em três
subseções: I. Das Disposições Gerais; II. Da Entrega do Dinheiro; III. Da Adjudicação de Imóvel. A epígrafe da Subseção III,
tão logo entrou em vigor o Código de Processo, gerou dúvida, originada pelo emprego da expressão "de imóvel".
Teria a lei nova restringido a adjudicação aos bens imóveis?
Dividiram-se os comentadores, ampliado, contudo, o quadro daqueles que negam a restrição. A jurisprudência não demorou
a dar sua preciosa contribuição, no interpretar e aplicar os textos.
A corrente dos autores que não circunscrevem a adjudicação aos bens imóveis é mais vasta, como afirmamos.
"Os arts. 714 e 715 só se referem à adjudicação de imóvel, consoante a rubrica sob a qual se concentram,
mas o Código não veda adjudicação de bens de outra espécie, findo o leilão sem lançador. Na verdade, não
há razão de direito, para circunscrever-se a adjudicação a imóveis" (Amílcar de Castro, Comentários, n°
484).
Os arts. 714 e 715 não podem ser interpretados isoladamente, mas em sintonia com a regra do art. 708, n° II, que admite
indeterminada e indistintamente a adjudicação tanto dos bens de natureza móvel como imóvel (Ulderico Pires dos Santos, O
Processo de Execução, p. 429).
"A adjudicação pode abranger quaisquer bens objeto da penhora, móveis ou imóveis" (Alexandre de Paula).
Humberto Theodoro Júnior, retificando opinião anterior, firmada em José Frederico Marques, também admite adjudicação
de bens móveis "por aplicação analógica do art. 714" (Comentários, n° 404, final).
Muito concorreu para engrossar a corrente um artigo de Paulo Restife Neto, "Adjudicação de Bens na Execução", que se
pode ler em Revista Forense, volume 256, página 441.
Na mesma Revista, volume 252, página 455, lê-se com proveito, sobre o tema, decisão do juiz João Batista Lopes, da
Câmara de Bragança Paulista, bem assim artigo intitulado "Aspecto da Arrematação e da Adjudicação", de Antônio Janyr
Dall’Agnol Júnior, do Rio Grande do Sul, inserto no volume 264, páginas 411-413.
Na construção jurisprudencial do entendimento dominante, dois acórdãos se apontam como paradigmas: um da 2ª Câmara
do Tribunal de Alçada de São Paulo, de 02.10.1974, relator o Juiz Sylvio Amaral, outro da 6ª Câmara do Tribunal de Alçada do
Rio de Janeiro, de 26.06.1975, relator o Juiz Mariante da Fonseca.
Argumento da primeira decisão: As disposições contidas na Subseção III - da disciplina relativa ao pagamento do credor -
arts. 714 e 715 - dizem respeito apenas aos bens imóveis, pois é o que vem por elas expressamente declarado. Isso não
significa que a adjudicação só se admita quando a penhora incide sobre imóveis, "mas, evidentemente, tão-só que para a
adjudicação de imóveis o juiz há de atender especificamente às determinações dos arts. 714 e 715, inaplicáveis às hipóteses de
adjudicação de bens móveis". Socorre-se de acórdão da 1ª Câmara, no qual se acentuou que se o credor pode arrematar os bens
em benefício do crédito, isto é, sem exibição do preço, por ocasião da arrematação - art. 690, § 2° -, nada impedirá a
adjudicação posterior se no momento do leilão se encontrava ausente.
"Tal ponderação evidencia que a interpretação que denega a adjudicação de bens móveis conduz ao
absurdo, em face do próprio sistema de leis processuais; e a isso é preciso acrescentar que também na prática
ela conduziria ao absurdo - que se não pode imputar ao legislador -, porque carece de sentido privar o credor
da possibilidade de reembolsar-se com os bens penhorados, à falta de arrematante, tão-só porque tais bens
não são imóveis" (Revista Forense, vol. 251, p. 195; Revista dos Tribunais, vol. 369, p. 134).
Argumento da segunda decisão: os arts. 714 e 715 não podem ser considerados isoladamente e sim em confronto com o art.
708, inciso II, que admite, genérica e indiscriminadamente, a adjudicação dos bens penhorados. Se, na Subseção III, fez o
legislador referência a imóvel, foi para discriminar a adjudicação respectiva em razão de pressupostos, e formalidades previstas
no art. 714, §§ 1° e 2°, e art. 715, "notadamente no que concerne à disciplina da transferência da propriedade do imóvel
adjudicado, expedindo-se carta de arrematação a ser transcrita no registro imobiliário". Nada impede, que, por aplicação do
princípio geral do art. 708, inciso II, a analógica do art. 714, caput, seja deferida a adjudicação de móveis penhorados, se,
realizado o leilão, não houver lançadores.
"A prevalecer entendimento contrário, chegar-se-ia ao absurdo de admitir que o credor, que só
encontrasse bens móveis à penhora, não pudesse pagar-se de seu crédito em não havendo lançadores em
público leilão dos aludidos bens" (Arquivos do Tribunal de Alçada, vol. 13, p. 229).
10.2. Pressuposto. - A ausência de lançador no leilão é condição de deferimento do pedido de adjudicação. Outra, a oferta
de preço não inferior ao da avaliação, que constar de edital de praça.
10.3. Legitimação. - Podem requerer a adjudicação o credor comum, o credor hipotecário e os credores concorrentes. No
caso de concorrência, proceder-se-á a licitação entre eles. O § 2° do art. 714 regula a preferência.
10.4. Perfeccionamento da adjudicação. - Havendo um só pretendente, a adjudicação se aperfeiçoa e acaba com a simples
assinatura do auto. Havendo concorrentes, necessária se faz sentença de deferimento ao vencedor na licitação.
10.5. Carta de adjudicação. - Em qualquer das hipóteses do número anterior, expedir-se-á carta de adjudicação, da qual
constará, na segunda, a sentença.
A descrição do bem, constante do título ou, em sua falta, na avaliação; a prova da quitação dos impostos; o auto de
adjudicação (e a sentença, se houver); o título executivo - são peças que devem figurar na carta (art. 703).
10.6. Assinatura do auto. - O prazo de 24 horas, intercalado entre o deferimento do pedido e a assinatura do auto de
adjudicação, reserva-se ao exercício do direito de remissão dos bens penhorados (art. 788, II).
10.7. Modelo:
Pedido de adjudicação
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL DA COMARCA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, na ação de
execução proposta contra {_Nome da parte contrária} (Cartório do ... Ofício), levados a leilão os bens penhorados, e não
tendo havido lançadores.
Pedem a V. Exª, com fundamento no art. 715 do Código de Processo Civil, que lhe sejam adjudicados os referidos bens
pelo preço constante do edital, prontificando-se o requerente a exibir a diferença entre os valores de seu crédito (...) e da
avaliação (...), ou seja, a quantia de ...
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
EXIBIÇÃO
1. Generalidades. - Exibir, do latim exhibere (de ex habere), significa ter o objeto na presença, trazido de algum lugar.
Ulpiano dá o sentido de exibir quando diz: exhibere est in publicum producere et videnti tangendique hominis facultatem
praebere - exibir é apresentar em público alguma coisa e ter a faculdade de a ver e tocar (João Henrique, Direito Romano, n°
1.039, nota 7).
No direito romano havia duas ações exibitórias: a actio ad exhibendum e a actio de edendo. Edere tem o sentido geral de
pôr fora, exteriorizar.
Essas duas ações, do direito romano, tinham finalidades mais ou menos diversas. A primeira tinha por objeto a apresentação
ou restituição de coisa móvel, ou mesmo, conforme a doutrina, de coisa imóvel. Competia a segunda - de edendo - a quem
tivesse de ver o instrumento dos seus negócios que se achasse em poder de outrem. Dirigia-se contra os banqueiros - argentarii
-, a fim de os compelir à apresentação das rationes.
Em sua evolução - ensina Moacir Amaral Santos - as duas ações, ou porque fossem muito sutis as diferenças entre elas, ou
porque tivesse objeto análogo, se confundiram, na doutrina e na prática, sob a denominação de actio ad exhibendum, como
ação destinada à exibição de coisa ou documento (Comentários ao Código de Processo Civil, n° 104).
Para nós o que existe é exibição, incidente em procedimento autônomo, simples procedimento probatório, ou ação cautelar.
2. Exibição incidente e ação cautelar. - Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o
descobrimento da verdade. É dever da parte comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; praticar o ato que
lhe for determinado. Compete ao terceiro, em relação a qualquer pleito, informar ao juiz sobre os fatos e as circunstâncias, de
que tenha conhecimento; compete-lhe, ainda, exibir coisa ou documento que esteja em seu poder (art. 341, II).
Regras indicativas de notável avanço técnico em matéria de prova regulam os limites dentro dos quais a parte, qualquer
cidadão, terceiro, são obrigados àquela colaboração, já respondendo a interrogatório, já depondo como testemunha, já
informando, já prestando serviços profissionais de experts, já exibindo documento, ou coisa.
Os arts. 355 a 363 disciplinam a exibição incidente, procedimento probatório que se passa no interior da relação processual,
no curso do processo. Os arts. 844 e 845 disciplinam ação de exibição cautelar, procedimento autônomo, medida preparatória.
Quanto ao procedimento, observar-se-á, no que couber, o disposto nos arts. 355, 363, 381 e 382.
O primeiro grupo de artigos concerne a: a) o poder do juiz de ordenar que a parte exiba documento ou coisa, que se ache
em seu poder; b) o conteúdo do pedido formulado pela parte; c) a recusa da parte e sua rejeição pelo juiz; d) a decisão por
presunção; e) a exibição de documento ou coisa que estiver em poder de terceiro; f) a escusa legal da parte ou de terceiro.
Os arts. 381 e 382 regulam o poder do juiz de ordenar exibição integral ou parcial de livros comerciais e documentos do
arquivo.
3. Cabimento da exibição preparatória. - Tem lugar, como procedimento preparatório, a exibição judicial: I. de coisa
móvel em poder de outrem e que o requerente repute sua ou tenha interesse em conhecer; II. de documento próprio ou comum,
em poder de co-interessado, sócio, condômino, credor ou devedor; ou em poder de terceiro que o tenha em sua guarda, como
inventariante, testamenteiro, depositário ou administrador de bens alheios; III. da escrituração comercial por inteiro, balanços e
documentos do arquivo, nos casos expressos em lei (art. 844).
Ao contrário do Código anterior, que admitia, como medida "preventiva", a "exibição de livro, coisa ou documento" (art.
676, V), a lei nova especifica e restringe os casos de exibição preparatória. O sucessor levando a palma, em técnica e precisão.
4. Modelo:
Pedido de exibição de documento
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem, por seu advogado infra firmado, inscrito
na OAB sob o nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, perante V. Exª expor e requerer o seguinte:
1. O requerente manteve com {_Nome da parte contrária} e outros, ele português, casado, comerciante, residente à rua
(indicar), uma sociedade (indicar), da qual se retirou em fevereiro do corrente ano.
Do arquivo da sociedade constam várias condecorações, entre elas uma enviada pela congênere da cidade do Porto, na qual
se exalta a atuação do requerente durante os anos de 1980 e 1981, quando esteve na diretoria. Tem motivos para crer que esse
"título" está exibido na sede da empresa: tem evidente interesse de conhecer-lhe o conteúdo, mas não dispõe de meios
suasórios de fazê-lo.
2. Tem lugar, como procedimento preparatório, a exibição judicial de coisa móvel em poder de outrem e que o requerente
tenha interesse em conhecer; de documento comum em poder de terceiro (Código de Processo Civil, art. 844, I e II).
3. Pelo exposto, pede a citação de {_Nome da parte contrária} para, no prazo de cinco dias, exibir em juízo o documento,
ou dar resposta, procedendo-se na conformidade dos
s. 355 a 363 do Código de Processo.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
FALÊNCIAS
1. Generalidades. - A falência é ao mesmo tempo um fato econômico e um fato jurídico. Um fato econômico, mas de
natureza patológica na economia creditória, porque representa um acidente no desenvolvimento do crédito pessoal do devedor.
De fato econômico é que chega a ser um fato jurídico, manifestando-se no seu sentido subjetivo (Almachio Diniz, Da
Falência, nº 3, p. 18).
A falência é uma forma de execução coletiva que, no direito moderno, revela caráter verdadeiramente humano, compatível
com o progresso social. A falência moderna não serve mais de instrumento de ignomínia e de desonra, nas mãos dos credores,
para a vingança pessoal contra o credor (Carvalho de Mendonça, Tratado de Direito Comercial Brasileiro, vol. VII, nº 17).
A história da legislação brasileira sobre a quebra demonstra a complexidade do instituto. Leis se sucederam, até o Decreto-
Lei nº 7.661, de 21.06.1945, em vigor.
Uma lei de falência gasta-se depressa no atrito permanente com a fraude. As regras práticas, que procuram impedir o
nascimento e o desenvolvimento da fraude, devem com esta evoluir. As brechas, que os ardilosos artifícios conseguem com o
tempo abrir na lei, por mais fechada que seja, necessitam de reparos (Trajano de Miranda Valverde, Comentários à Lei de
Falências, vol. I, p. 17).
A lei de 1945 procurou ser atual, encarando salvaguardar direito dos credores sem descurar a situação do devedor, levado a
execução coletiva, com ou sem culpa sua.
2. A Lei de Falências. - O Decreto-lei nº 7.661/45 divide-se em 14 títulos, cuja enunciação será útil para se apreender, de
modo sistemático, o conteúdo da matéria, complexa e complicada:
Título I - Da caracterização e declaração da falência (arts. 1 a 22).
Título II - Dos efeitos jurídicos da sentença declaratória da falência (arts. 23 a 58).
Título III - Da administração da falência (arts. 59 a 69).
Título IV - Da arrecadação e guarda dos bens, livros e documentos do falido (arts. 70 a 75).
Título V - Do pedido de restituição e dos embargos de terceiro (arts. 76 a 79).
Título VI - Da verificação e classificação dos créditos (arts. 80 a 102).
Título VII - Do inquérito judicial (arts. 103 a 113).
TítuloVIII - Da liquidação (arts. 114 a 133).
Título IX - Da extinção das obrigações (arts. 134 a 138).
Título X - Das concordatas (arts. 139 a 185).
Título XI - Dos crimes falimentares (arts. 186 a 199).
Título XII - Das disposições especiais (arts. 200 e 201).
TítuloXIII - Das disposições gerais (arts. 202 a 213).
Título XIV - Das disposições transitórias (arts. 214 a 216).
O Código de Processo Civil instituiu, no Título IV do Livro II, execuções de quantia certa contra devedor insolvente, arts.
749 a seguintes, uma espécie de falência civil.
3. Caracterização da falência. - Caracteriza-se a falência pela impontualidade no pagamento de obrigação líquida e por
ações e omissões que a lei considera como tal.
Torna-se líquida, legitimando a falência, a obrigação provada por conta extraída dos livros comerciais e verificada
judicialmente nas condições do art. 1º, § 1º, I a V.
Os títulos não sujeitos a protesto obrigatório devem ser protestados para o fim da Lei de Falências.
4. Legitimação passiva. - Pode ser declarada a falência: a) do devedor; b) de seu espólio; c) do menor com mais de 18
anos, que mantém estabelecimento com economia própria; d) da mulher casada, que, sem autorização do marido, exerce o
comércio, por mais de seis meses, fora do lar conjugal; e) dos que, embora expressamente proibidos, exercem o comércio.
5. Legitimação ativa. - Podem requerer a falência: a) o credor; b) o próprio devedor (autofalência); c) o cônjuge
sobrevivente; d) o sócio e o acionista, nas condições do art. 9º, II.
6. Declaração judicial da falência; competência. - É competente o juiz em cuja jurisdição o devedor tem o seu principal
estabelecimento ou casa filial de outra situada fora do Brasil (art. 7º).
7. Procedimentos. - Deferindo a petição o juiz mandará citar o devedor para, dentro de 24 horas, apresentar defesa (art. 11,
§ 1º). Citado, poderá o devedor, dentro do prazo para defesa, depositar a quantia correspondente ao crédito reclamado, para
discussão da sua legitimidade ou importância, elidindo a falência (§ 2º).
8. Sentença declaratória da falência. - A sentença, além de individuações, qualificações: a) indicará a hora da declaração
da falência; b) fixará o termo legal da falência; c) nomeará o síndico; d) marcará prazo para os credores apresentarem as
declarações e documentos justificativos dos seus créditos; e) providenciará as diligências convenientes aos interesses da massa
falida.
Os arts. 15 e 16 tratam da divulgação da sentença.
9. Efeitos jurídicos da sentença. - Os efeitos jurídicos da sentença concernem: a) aos direitos dos credores (arts. 23 e
segs.); b) à pessoa do falido (arts. 34 e segs.); c) aos bens do falido (arts. 39 e segs.); e d) aos contratos do falido (arts. 43 e
segs.).
10. Administração da falência. Síndico. - Avulta, na administração da falência, a figura do síndico, pleno de deveres e
atribuições. Sobre o assunto, Jônatas Milhomens, "Do Síndico na Lei de Falência", Revista Forense, volume 128, páginas 607-
612.
11. Arrecadação de bens, livros e documentos. - O síndico promoverá, imediatamente após o seu compromisso, a
arrecadação dos livros, documentos e bens do falido, onde quer que estejam, requerendo para esse fim as providências judiciais
necessárias (art. 70). A arrecadação far-se-á com assistência do representante do Ministério Público (§ 1º). Far-se-á meticuloso
inventário (§§ 3º e 6º).
12. Restituição. - "A sentença declaratória da falência fixa o juízo indivisível da falência, determina o desapossamento de
todos os bens do devedor sujeitos aos efeitos e abre sobre esses bens, que respondem pelas obrigações que as oneram, o
concurso de credores" (Trajano Valverde, Comentários, vol. II, nº 548).
13. Verificação e classificação dos créditos. - A verificação e classificação dos créditos obedecerá aos rigores do Título VI,
arts. 80 a 101. Compete ao síndico prepará-las (art. 63, X).
14. Liquidação. - Trata-se aqui da execução falimentar, que se realiza pelo acertamento do passivo e do ativo do falido.
No que tange à matéria consideram-se o pagamento aos credores da massa (art. 124) e o pagamento aos credores da
falência (arts. 125 e seguintes).
15. Extinção das obrigações. - Verificada a prescrição ou extintas as obrigações, nos termos dos arts. 134 e 135, o falido ou
o sócio solidário da sociedade falida pode requerer que seja declarada por sentença a extinção de todas as suas obrigações (art.
136). Os arts. 137 e 138 regram o procedimento, os efeitos da sentença, que deve ser publicada por edital e comunicada aos
mesmos funcionários e entidades avisados da falência (arts. 137, § 6º e 15, II).
16. Concordatas. - A concordata era um acordo entre o devedor e seus credores, acordo extrajudicial, para reduzir os seus
créditos às forças da herança. Segundo a lei em vigor é pedida ao juiz, antes ou depois da falência. Sua impetração é vedada a
certos devedores, nas hipóteses previstas no art. 140, nºs. I e IV.
A concordata pode ser preventiva ou suspensiva, isto é, para evitar a declaração da falência, ou suspendê-la quando já
instaurada.
Uma e outra submetem-se a rigoroso rol de condições e formalidades, dado o reflexo que podem ter na proteção de todos os
credores, dispensada pela lei falimentar.
É impossível enfeixar em poucas páginas matéria talvez a mais vasta do direito comercial. Ativemo-nos a noções
elementares sobre pontos essenciais.
17. Modelos:
17.1. Verificação de conta para efeito de falência
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FALÊNCIAS - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, credor de {_Nome da parte contrária}
{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, pela quantia de ..., conforme carta exibida, quer, para efeito
de falência, verificar a exatidão da dívida nos livros do requerente (ou do devedor).
Pede, para isso, com fundamento no art. 1º, § 1º, II (ou I) do Decreto-Lei nº 7.661, de 21.06.1945, que V.Exª se digne de
nomear dois peritos para procederem ao exame e declararem, no laudo, se os livros estão revestidos das formalidades legais e
se os lançamentos se acham documentalmente comprovados.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}.
17.2. Falência requerida pelo credor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FALÊNCIAS - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente é credor de {_Nome da parte contrária}, estabelecido nesta praça à {_Endereço da parte contrária}, pela
quantia de ..., representada por nota promissória (doc. junto), protestada por falta de pagamento.
2. Considera-se falido o comerciante que, sem relevante razão de direito, não pagar no vencimento obrigação líquida,
constante de documento que legitima ação executiva (Decreto-Lei nº 7.661, de 21.06.1945, art. 1º).
3. Pelo exposto, pede a V. Exª que se digne de decretar a falência do devedor, depois de citado para no prazo de lei
apresentar defesa.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
17.3. Falência requerida pelo próprio devedor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FALÊNCIAS - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente, em razão de (explicar o motivo que o leva à autofalência) deixou de pagar, pela primeira vez, no
vencimento, obrigação mercantil líquida, assumida com (indicar o credor).
A crise em que se debate o País e a situação dos negócios do requerente não lhe permitem pagar a dívida e saldar outros
compromissos cujos vencimentos se aproximam.
2. O comerciante que, sem relevante razão de direito, não pagar, no vencimento, obrigação líquida, deve, dentro de trinta
dias, requerer ao juiz a declaração da falência, expondo as causas desta e o estado dos seus negócios (Decreto-Lei nº 7.661, de
21.06.1945, art. 2º).
3. Assim exposto, e juntando os documentos exigidos pelo mencionado artigo 2º, I, II e III, pede a V.Exª que, procedido
regularmente, declare a sua falência.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
HABEAS DATA
1. Generalidades. - Dentre os direitos individuais e coletivos assegurados pela Constituição da República, destacam-se
duas novidades: o mandado de injunção e o habeas data. Este último insculpido no art. 5°, LXXII:
Conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de
dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
c) para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e
que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Obs.: A Lei n° 9.507, de 12.11.1997, regulou o direito de acesso a informações, disciplinando o rito processual do habeas
data.
2. Lei e realidade. - Mesmo que uma assembléia de notáveis decretasse a supressão da lei de gravidade, os corpos
continuariam sendo atraídos para o centro da Terra. A lei, puramente, não opera milagres.
Todo o excesso prejudica a obra legislativa, pois o papel do legislador é auscultar as necessidades e aspirações nacionais e
traduzi-las em realidades, pondo à orla o que não se ajusta a elas e nem a técnica de legislar (Oyama Cesar Ituassú, "Aspectos
Gerais da Constituição de 1988", in RF, vol. 304, p. 173, n° 9). O Professor José Cretela Júnior achou desnecessária a criação
do novo remédio jurídico, já existindo no sistema nacional o mandado de segurança ("O Novo e Inócuo Writ Constitucional: o
Habeas Data", in RF, vol. 304, p. 99).
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A semelhança entre institutos não implica necessariamente sua identidade. Há sempre
um pressuposto, um requisito a mais, um ponto que os diversifica. O mandado de segurança eliminou o emprego do habeas
corpus na proteção de direito líquido e certo, nos casos de ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública; substituiu com
vantagem o remédio usado à falta de outro, específico.
3. Fundamento lógico-constitucional. - O fundamento do novo writ é o art. 5°, XXXIII, da Lei Maior, verbis:
"Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo
sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado."
Para se tornar efetivo o direito, deu-se o instrumento, consubstanciado no inciso LXXII, a.
Anteriormente à sua edição, já o novo instituto jurídico-constitucional sofrera abordagem em parecer do Consultor-Geral da
República em questão referente à requisição judicial de informações ao SNI, em outubro de 1986.
O primeiro habeas data concedido no país foi patrocinado pelo advogado Joaquim Portes de Cerqueira Cesar, em favor de
Idibal Alniei da Fivela, teatrólogo, autor, diretor de espetáculos e também advogado - segundo informa o causídico em "A
Garantia Constitucional do Habeas Data" (in RF, vol. 310, p. 39, n° III).
O primeiro caminho trilhado pela magistratura brasileira, para adequação processual do habeas data, foi o mandado de
segurança, seu irmão gêmeo.
4. Competência. - Compete ao Supremo Tribunal Federal o processo e julgamento originário do habeas data impetrado
contra atos do Presidente da República, das mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da
União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal, assim como julgar, em recurso ordinário, o
habeas data decidido em única instância pelos Tribunais Superiores (STJ, TST, STM, TSE e TRFs), se denegatória a decisão.
Ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar originariamente o habeas data contra ato de Ministro de Estado
ou do próprio Tribunal.
Na órbita do Tribunal Regional Federal é de sua competência originária o processo e julgamento do habeas data contra ato
do próprio Tribunal ou de Juiz Federal.
Aos juízes federais compete processar e julgar o habeas data contra ato de autoridade federal.
É da competência originária dos tribunais estaduais, segundo dispuser a Constituição do Estado, e dos juízes estaduais, nos
demais casos.
Em grau de recurso, o julgamento do habeas data compete:
a) ao STF, quando a decisão denegatória for proferida em única instância pelos Tribunais Superiores;
b) ao STJ, quando a decisão for proferida em única instância pelos TRFs;
c) aos TRFs, quando a decisão for proferida por juiz federal;
d) aos Tribunais Estaduais e aos do Distrito Federal e Territórios, conforme dispuserem a respectiva Constituição e a lei que
organizar a Justiça do Distrito Federal.
Mediante recurso extraordinário, o julgamento do habeas data compete ao STF, nos casos previstos na CF/88.
5. Modelo:
Habeas data
EXMO. SR. DR. DESEMBARGADOR CORREGEDOR GERAL DA JUSTIÇA ...
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, vem expor e requerer a V.Exª
o seguinte:
1. O requerente exerce há ... anos o cargo de escrivão da ... Vara de Órfãos e Sucessões. A fim de concorrer a outro cargo
público está organizando curriculum vitae, e precisa ter conhecimento do que consta em sua folha de assentamentos na
Secretaria do Tribunal de Justiça, informações que estão sendo dificultadas pelo funcionário (indicar).
2. A Constituição da República, de 1988, concede habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à
pessoa do impetrante, constantes de registro da entidade pública (art. 5º, LXXII).
3. Pelo exposto, pede que, solicitadas informações, procedido regularmente, ao impetrante seja assegurado o acesso às
notas de seu interesse.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
HABILITAÇÃO
1. Fluência da demanda. - A demanda é um conjunto de atos processuais que se movimentam de um ponto de partida
(citação) para um termo final (decisão lato sensu). Atos impulsionados pelas partes ou por órgão do Estado. Os atos e termos
fluem, correm naquele destino, em busca do julgamento, da sentença; donde a definição antiga: instância é o curso legal da
causa.
Normalmente, o processo corre com as mesmas partes e com as mesmas partes atinge a meta final. Nem sempre, porém, ele
se desenvolve mansamente: suspende-se por algumas causas legais, e por outras causas se extingue sem julgamento do mérito.
A primeira das causas de suspensão prevista na lei é "a morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador" (CPC, art. 265, I).
Neste verbete se trata de ação especial destinada a compor, no processo, a falta, por falecimento, de qualquer das partes. O
Código de 1939 denominava-a, segundo tradição, "habilitação incidente". Incidente, porque se propõe e instaura quando já em
curso determinado feito. Pontes de Miranda prefere ação "acidental". O Código de 1973 eliminou o adjetivo.
2. Legitimação. - A legitimidade das partes é condição da ação. Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e
legitimidade (art. 3º). A parte falecida há de ser substituída por outra, legítima, que se legitime a tomar o lugar, que ficou vazio.
A legitimação para se habilitar é matéria de direito processual. A habilitação pode ser requerida: I. pela parte, em relação
aos sucessores do falecido; II. pelos sucessores do falecido, em relação à parte (art. 1.056).
É de interesse tanto dos sucessores do falecido quanto dos remanescentes a recomposição da relação processual, a fim de
que o processo (processo principal), suspenso pelo acidente morte, retome a sua marcha.
Para propor a ação especial (requerer a habilitação), que, como se vai verificar, segundo o caso, pode simplificar-se.
3. Citação; forma; prazo para contestar. - Se a petição, articulada, estiver em forma, o juiz, ao recebê-la, ordenará a
citação dos requeridos para contestar a ação no prazo de cinco dias. A citação será pessoal, salvo se o citando tiver procurador
constituído nos autos.
O prazo para contestar é curto, como assenta ao procedimento da habilitação.
O procedimento, sumário.
O requerido, no prazo de cinco dias, poderá contestar o pedido, indicando as provas que pretende produzir. Se oferecer
contestação e indicar prova a ser produzida em audiência, o juiz designará audiência de instrução e julgamento.
Não contestado o pedido, presumir-se-ão aceitos pelo requerido, como verdadeiros, os fatos alegados na inicial, caso em
que o juiz decidirá dentro de dez dias.
4. Habilitação no tribunal. - Achando-se a causa no tribunal, a habilitação processar-se-á perante o relator e será julgada
conforme disposto no regimento interno.
O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, arts. 288 a 296, e o do Superior Tribunal de Justiça, arts. 283 a 287,
regulam com apuro a "habilitação incidente".
5. Habilitação fora, ou dentro dos autos, com, ou sem sentença. - Ação sumária por sua natureza e pelos fins que
persegue, a habilitação, cujo procedimento se indicou no item três, pode simplificar-se segundo as hipóteses. Dispõe o art.
1.060:
"Proceder-se-á à habilitação nos autos da causa principal e independentemente de sentença quando: I.
promovida pelo cônjuge e herdeiros necessários, desde que provem por documento o óbito do falecido e a
sua qualidade; II. em outra causa, sentença passada em julgado houver atribuído ao habilitando a qualidade
de herdeiro ou sucessor; III. o herdeiro for incluído sem qualquer oposição no inventário; IV. estiver
declarada a ausência ou determinada a arrecadação da herança jacente; V. oferecidos os artigos de
habilitação, a parte reconhecer a procedência do pedido e não houver oposição de terceiros."
Não se dispensa, é claro, o procedimento na habilitação; simplifica-se. O que a lei dispensa é a sentença, necessária quando
observado o procedimento-padrão dos arts. 1.057 a 1.059. Consiste a economia em proceder-se à habilitação "nos autos da
causa principal", não em processo autônomo, e "independentemente de sentença", isto é, por simples decisão.
O Código de 1939, art. 747, em dispositivo semelhante, dizia:
"Não será necessária a sentença de habilitação..."
Dispensa-se o supérfluo. Nos casos dos incisos I a IV, prova suficiente, do falecimento da parte, da qualidade de sucessor
do habilitando tornam desnecessário que se observe o procedimento de modo integral. O juiz terá elementos para decidir nos
próprios autos, sem gasto de tempo, papel e dinheiro.
O inciso V demonstra que o pedido de habilitação, em qualquer hipótese, deve constar de petição articulada.
A forma de reconhecimento da procedência, neste caso, só pode ser "por petição", como, aliás, constava do art.747, item
III, do Código revogado.
A falta de oposição de terceiro prova-se por simples omissão.
6. Modelos:
6.1. Citação dos herdeiros
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, expõe e requer a Exª o
seguinte:
1. O requerente é autor de uma ação de reivindicação intentada nesse Juízo contra {_Nome da parte contrária}.
O réu faleceu no dia ...( certidão de óbito, doc. nº5). Era solteiro e deixou, herdeiros, dois filhos (indicar nomes, estado
civil, domicílio, residência).
2. A habilitação tem lugar quando, por falecimento de qualquer das partes, os interessados houverem de suceder-lhe no
processo. Na hipótese, herdeiros, dois filhos (indicar nomes, estado civil, domicílio, residência).
3. Pelo exposto, pede a citação dos mencionados herdeiros para os termos da presente ação de habilitação; para, querendo,
contestá-la no prazo de cinco dias e que, procedido na forma dos arts. 1.057 e 1.058 da lei processual, sejam os sucessores
julgados habilitados, a fim de que o feito prossiga em seu curso normal.
Protesta por provas oral (depoimento pessoal e de testemunhas) e documental.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Rol de testemunhas.
6.2. Habilitação requerida pelo cônjuge e herdeiros
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, inscrito na OAB, nº {_Nº
OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, vêm expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. Corre por esse Juízo uma ação de despejo proposta por Benício Cláudio de Oliveira contra {_Nome da parte contrária},
para retomada do prédio nº 1.804 da Rua Quinze de Novembro, nesta cidade.
O autor faleceu no dia ... (certidão de óbito, doc. nº 6). Era casado com a primeira requerente (doc. nº 7), e era pai dos
segundo e terceiro requerentes, maiores (docs. nºs 9, 10 e 11).
2. Proceder-se-á à habilitação nos autos da causa principal e independentemente de sentença, quando promovida pelo
cônjuge e herdeiros necessários (Código de Processo Civil, art. 1.060, I).
3. Na conformidade da lei processual, pedem sua habilitação os autos da causa indicada no item 1º, a fim de que a ação de
despejo retome o seu curso.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}.
HABILITAÇÃO PARA CASAMENTO
1. Casamento civil; fases. - O casamento civil se opera em três fases: a habilitação, a celebração, a inscrição. A primeira,
habilitação, é preliminar, preparatória. A segunda é ato solene em que, consultada a livre vontade dos contraentes, a autoridade
os declara unidos pelo laço matrimonial. A Lei nº 1.110, de 23.05.1950, regula o reconhecimento de efeitos civis do casamento
religioso (há formas excepcionais de celebração). A última fase, a da inscrição no registro, é que dá validade jurídica ao
casamento.
2. Incorporação em lei especial. - A matéria já foi incorporada em lei especial, a que dispõe sobre os Registros Públicos
(arts. 67-76); a exemplo de outros procedimentos que já o foram, não nos limitamos a transcrever o texto: para manter a
uniformidade da obra, acrescentamos notas e formulários.
2.1. Lei nº 6.015, de 31.12.1973 - Dispõe a Lei de Registros Públicos:
"Art. 68. Na habilitação para o casamento, os interessados, apresentando os documentos exigidos pela lei
civil, requererão ao Oficial do registro do distrito de residência de um dos nubentes, que lhes expeça certidão
de que se acham habilitados para se casarem.
§ 1º Autuada a petição com os documentos, o Oficial mandará afixar proclamas de casamento em lugar
ostensivo de seu Cartório e fará publicá-los na imprensa local, se houver. Em seguida, abrirá vista dos autos
ao órgão do Ministério Público, para manifestar-se sobre o pedido e requerer o que for necessário à sua
regularidade, podendo exigir a apresentação de atestado de residência firmado por autoridade policial, ou
qualquer outro elemento de convicção admitido em direito.
§ 2º Se o órgão do Ministério Público impugnar o pedido ou a documentação, os autos serão
encaminhados ao Juiz, que decidirá sem recurso.
§ 3º Decorrido o prazo de 15 dias, a contar da afixação do edital em Cartório, se não aparecer quem
oponha impedimento nem constar algum dos que de ofício deva declarar, ou se tiver sido rejeitada a
impugnação do órgão do Ministério Público, o Oficial do registro certificará a circunstância nos autos e
entregará aos nubentes certidão de que estão habilitados para se casar dentro do prazo previsto em lei.
§ 4º Se os nubentes residirem em diferentes distritos do Registro Civil, em um e em outro se publicará e
se registrará o edital.
§ 5º Se houver apresentação de impedimento, o Oficial dará ciência do fato aos nubentes, para que
indiquem em três dias prova que pretendam produzir, e remeterá os autos a juízo; produzidas as provas pelo
oponente e pelos nubentes, no prazo de 10 dias, com ciência do Ministério Público, e ouvidos os interessados
e o órgão do Ministério Público em cinco dias, decidirá o Juiz em igual prazo.
§ 6º Quando o casamento se der em circunscrição diferente daquela da habilitação, o oficial do registro
comunicará ao da habilitação esse fato, com os elementos necessários às anotações nos respectivos autos."
3. Competência. - O processo de habilitação faz-se perante o Oficial de Registro do distrito de residência de um dos
nubentes. É aí que, de ordinário, a pessoa é mais conhecida, facilitando-se a oposição de impedimentos.
4. Petição; instrução. - A petição - requerimento de que se expeça certidão de estarem os nubentes habilitados para se
casarem - deve ser acompanhada dos documentos exigidos pela lei civil.
5. Documentos. - Os documentos exigidos são:
I. Certidão de idade, ou prova equivalente:
Na falta de certidão de idade, constitui "prova equivalente":
a) certidão de batismo, se o nascimento ocorreu antes de 1º de janeiro de 1889;
b) justificação, pelo depoimento de duas testemunhas perante qualquer juiz do cível, inclusive o de órfãos, o de casamento
e o de paz;
c) título ou certidão com que se prove a nomeação, posse ou exercício em qualquer tempo, de cargo público, para a qual
exija a lei maioridade, ou de matrícula, qualificação ou assento oficial de que conste a idade;
d) atestado dos pais ou tutores, não havendo contestação;
e) qualquer documento que em direito comum seja aceito por valioso para substituir a certidão de idade;
f) atestado de qualquer autoridade que em razão do ofício tenha perfeito conhecimento da pessoa;
g) exame de peritos nomeados pelo juiz competente para conhecer da capacidade dos pretendentes (Decreto nº 773, de
20.09.1890).
A prova da idade tem vários efeitos: a) verificar se o pretendente é púbere ou impúbere (Código Civil, art. 183, XI); b) se é
capaz ou incapaz, e, pois, se necessita do consentimento do pai, tutor ou curador (Código Civil de 1916, art. 183, XII); c)
imposição do regime de separação, se o pretendente é maior de 60 e a pretendente maior de 50 anos (art. 258, II).
II. "Estado, domicílio, residência atual dos contraentes..." A identidade das pessoas e a publicidade do ato são essenciais ao
casamento.
No lugar da residência dos contraentes é que devem ser publicados os editais de proclamas, que são chamamento aos que
saibam de impedimento. Note-se a exigência do parágrafo único do art. 180 do Código Civil de 1916.
III. "Autorização". Não podem casar os sujeitos ao pátrio poder, tutela ou curatela enquanto não obtiverem, ou lhes não for
suprido o consentimento dos pais, tutor ou curador.
IV. Para maior segurança dos princípios basilares do casamento a lei exige que duas pessoas maiores, parentes ou não,
atestem conhecer os pretendentes, e que não há impedimento legal entre eles.
V. Se algum dos contraentes declara ser viúvo, ou ter sido anulado seu casamento, deverá exibir a certidão de óbito do
cônjuge falecido, ou certidão da sentença anulatória de casamento. A exigência legal tem por base o impedimento dirimente do
art. 183, VI; não podem casar as pessoas casadas.
VI. A prova de que deixou o Estado sem impedimento para casar, ou que cessou o existente, pode ser feita por meio de
justificação ou por meio de atestado.
6. Proclamas. - Autuada a petição com os documentos, o Oficial mandará afixar proclamas de casamento, publicando-os
ainda na imprensa local, se houver. Dará vista dos autos ao órgão do Ministério Público, encarregado de zelar pela regularidade
do pedido e autorizado a requerer o que for necessário a essa finalidade, bem assim, a exigir apresentação de atestado ou outro
elemento de convicção admitido em direito.
O oficial certificará nos autos a afixação dos proclamas no lugar competente e, se for o caso, a expedição de edital para a
imprensa.
O prazo de publicação é de 15 dias.
7. Modelos:
7.1. Publicação de editais
ILMO. SR. OFICIAL DO REGISTRO CIVIL...
{_Nome do cliente} e Ivelise Daltro Martins, pretendendo contrair matrimônio, exibem os documentos exigidos pelo art.
180 do Código Civil de 1916 e pedem que, após afixação e publicação do edital de proclamas, e transcorrido o prazo legal sem
oposição de impedimento, seja certificado acharem-se os requerentes habilitados para o casamento.
Termos em que
Esperam deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
7.2. Declarações de nubentes
{_Nome do cliente} e Ivelise Daltro Martins, abaixo assinados, para fins de casamento, declaram, de acordo com o art. 180
do Código Civil de 1916, o seguinte:
O pretendente é {_Estado civil do cliente}, {_Profissão do cliente}, {_Nascimento do cliente}natural da cidade de
{_Cidade do cliente}, Estado de {_Estado do cliente}, onde nasceu no dia 18.06.1962; é domiciliado e residente nesta cidade, à
{_Endereço do cliente}; filho legítimo de ... e de ..., ambos falecidos.
A pretendente é solteira, menor, costureira, natural do Município de ..., Estado de ..., onde nasceu no dia 01.01.1972, filha
de ... e de ..., residentes nesta cidade.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
7.3. Atestado de inexistência de impedimento
Nós, abaixo assinados, declaramos e atestamos conhecer Domício Freire de Almeida e a Senhorita Ivelise Daltro Martins;
ele, solteiro ..., ela solteira ..., que nenhum impedimento legal existe entre os pretendentes, que os iniba de contrair casamento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
7.4.Consentimento dos pais
Aloísio Dias Martins e Amélia Ferreira Martins, pais de Ivelise Daltro Martins, damos a nossa autorização para que a
menor, que reside em nossa companhia, se case com Domício Freire de Almeida, brasileiro, solteiro, engenheiro civil, residente
nesta cidade.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
7.5. Edital de proclamas
Saibam quantos o presente edital virem ou dele conhecimento tiverem, que pretendem casar-se Domício Freire de Almeida
e Ivelise Daltro Martins, que exibiram os documentos exigidos pelo art.180 do Código Civil de 1916.
Ele é brasileiro, solteiro, engenheiro civil, residente à rua ...
Ela, brasileira, solteira, menor, filha de ... e de ..., residente à rua ...
Se alguém souber de impedimento entre ambos, que o declare na forma da lei.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura do Oficial de Registro.
8. Oposição de impedimentos. - Haverá, ou não, quem oponha impedimento. Podem opô-lo: o juiz, o Oficial de Registro,
os parentes, qualquer pessoa maior (arts. 189 e 190 do Código Civil de 1916).
Oposto impedimento, proceder-se-á de acordo com os §§ 5º e 6º. Se não houver oposição, nem houver impedimento que
deva ser declarado de ofício, decorrido in albis o prazo da publicação, o Oficial, certificada a circunstância nos autos, dará aos
nubentes certidão de que estão habilitados para se casar dentro do prazo previsto em lei, isto é, dentro nos três meses
imediatos.
9. Justificação. - Se se fizer necessário justificar fato necessário à habilitação, o interessado, em petição circunstanciada,
deduzirá sua intenção perante o juiz competente. Procede-se de acordo com o art. 68, ouvido o órgão do Ministério Público. Os
autos da justificação serão encaminhados ao Oficial de Registro e anexados aos autos da habilitação.
De grande alcance é a intervenção do Ministério Público no processo de habilitação e nas justificações correspectivas. O
casamento é instituição de interesse público. A família tem direito à proteção dos Poderes Públicos (Constituição da República,
art. 226).
10. Dispensa de proclamas. - Em regra, a celebração do casamento é precedida da publicação dos proclamas, cujo edital é
afixado durante 15 dias em lugar ostensivo e publicado na imprensa. Decorrido o prazo sem oposição, e nenhum impedimento
constando ao oficial, este certificará estarem os pretendentes habilitados para casar dentro nos três meses imediatos.
Excepcionalmente, havendo urgência, o juiz pode dispensar a publicação dos proclamas, desde que lhe sejam apresentados
os documentos exigidos no art. 180 (Código Civil de 1916, art. 182, parág. único).
A lei não declarou os casos em que se pode caracterizar a urgência; deixou ao critério do juiz aquilatar cada caso especial.
Citam-se exemplos: a necessidade de viagem inadiável de um dos nubentes; a legalização de um estado de fato para evitar
imposição de pena; moléstia grave de pessoa da família que deseja assistir ao ato, etc.
No art. 199, II, foi prevista a hipótese de se achar algum dos contraentes em iminente perigo de vida.
O procedimento está previsto no art. 69 e §§ 1º e 2º.
11. Casamento em iminente risco de vida. - A Lei de Registro Público dispõe:
"Art. 76. Ocorrendo iminente risco de vida de algum dos contraentes, e não sendo possível a presença da
autoridade competente para presidir o ato, o casamento poderá realizar-se na presença de seis testemunhas,
que comparecerão, dentro de cinco dias, perante a autoridade judiciária mais próxima, a fim de que sejam
reduzidas a termo suas declarações.
§ 1º Não comparecendo as testemunhas, espontaneamente, poderá qualquer interessado requerer a sua
intimação.
§ 2º Autuadas as declarações e encaminhadas à autoridade judiciária competente, se outra for a que as
tomou por termo, será ouvido o órgão do Ministério Público e se realizarão as diligências necessárias para
verificar a inexistência de impedimento para o casamento.
§ 3º Ouvidos dentro de cinco dias os interessados que o requererem e o órgão do Ministério Público, o
Juiz decidirá em igual prazo.
§ 4º Da decisão caberá apelação com ambos os efeitos.
§ 5º Transitada em julgado a sentença, o Juiz mandará registrá-la no Livro de Casamento."
12. Habilitação; celebração. - Nos casamentos in extremis vitae momentis ou in articulo mortis, a habilitação é posterior à
celebração e esta obedece a forma excepcional.
O Código Civil de 1916, art. 199, previu duas hipóteses em que o Oficial, mediante despacho da autoridade competente, à
vista dos documentos exigidos no art. 180, pode dar certidão independentemente do edital de proclamas: I. quando ocorrer
motivo urgente que justifique a imediata celebração do casamento; II. quando algum dos contraentes estiver em iminente risco
de vida.
Como se lê no § 2º, parte final, autuadas as iniciais declarações das testemunhas presenciais do ato de celebração e
reduzidas a termo perante a autoridade judiciária, ouvir-se-á o órgão do Ministério Público e se "realização as diligências
necessárias para verificar a inexistência de impedimento para o casamento".
12.1. Modelo:
Homologação de casamento celebrado "in articulo mortis"
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
Dizem Mário Tavares Alves (nacionalidade, estado civil, profissão, residência), José Francisco Soares (...), Ricardo Santos
Soares (...), Paulo Gabriel Almeida (...), Antonio Santos (...) e Tadeu Batista Mendes (...), abaixo assinados, o seguinte:
1. No dia 4 do corrente, às ... horas, foram convocados por {_Nome do cliente}, residente {_Endereço do cliente}.
Às 15 horas desse mesmo dia, na presença dos requerentes, declarou o referido Luís Rogério da Silva que, achando-se
enfermo, desenganado, queria casar-se com Anita Mendes, sua companheira de 20 anos, de quem teve dois filhos.
O enfermo se achava em perigo de vida, mas em seu perfeito juízo.
No momento estava presente Dona Anita Mendes. E na nossa presença foi dito por ambos, Luís e Anita que, livre e
espontaneamente, se recebiam como marido e mulher.
2. Assim exposto e com fundamento no art. 200 do Código Civil de 1916 e 76 da Lei nº 6.015, de 31.12.1973, pedem a V.
Exª que, ciente o representante do Ministério Público, se digne de mandar tomar por termo as suas declarações, para o fim de,
procedido na forma da lei, ser homologado e registrado o casamento celebrado in articulo mortis perante os requerentes.
Termos em que
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinaturas.
13. Novo Código Civil. - Ver os arts. 1.517 a 1.520 (capacidade para o casamento); 1.521 a 1.522 (impedimentos); 1.523 e
1.524 (causas suspensivas) e 1.525 a 1.532 (processo de habilitação para o casamento).
HOMOLOGAÇÃO DO PENHOR LEGAL
1. Penhor legal. - O penhor legal é um direito real de garantia sobre coisa alheia móvel; não resulta de cláusula contratual,
acessória, com acontece no penhor comum; resulta sim, de determinação legal.
Requisito essencial do penhor civil é a posse da coisa, dada em garantia do débito, pelo credor, e efetiva tradição do objeto,
feita pelo devedor ao credor.
São credores pignoratícios "os hospedeiros, estalajadeiros ou fornecedores de pousada ou alimento sobre as bagagens,
móveis, jóias ou dinheiro que seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos,
pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito"; o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou
inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos alugueres ou rendas" (Código Civil, art. 776, I e II). Nesses casos, de
penhor legal, os credores podem fazer efetivo o penhor, antes de recorrerem à autoridade judiciária, sempre que haja perigo de
demora (art. 779). Tomado o penhor, requererá o credor, ato contínuo, a homologação (art. 780).
O penhor "inicia-se com a tomada de posse pelo prestador de serviço e se completa com a homologação pelo juiz" (Clóvis
Beviláqua, Direito das Coisas, 2º vol., § 110).
A homologação do penhor legal é uma das medidas específicas do Livro III, arts. 874/6. O perigo da demora, do art. 779 do
Código Civil, dá qualificação de cautelar à ação do prestador de serviço, que, apossando-se de bem do cliente, freguês,
hóspede ou locatário, socorre-se do juiz para homologação do ato e perfeccionamento da garantia.
2. Petição inicial; conteúdo. - Tomado o penhor legal nos casos previstos em lei, requererá o credor, ato contínuo, a
homologação. Na petição, instruída com a conta pormenorizada das despesas, a tabela dos preços e a relação dos objetos
retidos, pedirá a citação do devedor para, em 24 horas, pagar ou alegar defesa (art. 874).
Estando suficientemente provado o pedido nos termos deste artigo, o juiz poderá homologar de plano o penhor legal
(parágrafo único).
3. Defesa; limitação. - A defesa só pode consistir em : I. nulidade do processo; II. extinção da obrigação; III. não estar a
dívida compreendida entre as previstas em lei ou não estarem os bens sujeitos a penhor legal (art. 875).
Em seguida o juiz decidirá (art. 876).
4. Decisão. - Com ou sem defesa, o juiz decidirá. Se requeridas e deferidas provas, produzir-se-ão em prazo regular, que o
magistrado designar.
5. Homologação; efeitos. - Homologado o penhor, serão os autos entregues ao requerente quarenta e oito horas depois,
independentemente de traslado, salvo, se, dentro desse prazo, a parte houver pedido certidão; não sendo homologado, o objeto
será entregue ao réu, ressalvado ao autor o direito de cobrar a conta por ação ordinária (art.786).
6. Novo Código Civil. - Ver, sobre homologação do penhor legal, os arts. 1.467 a 1.472.
7. Modelo:
Penhor legal; cobrança
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inscrito na OAB sob o nº
{_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer a V. Exª o seguinte:
1. No dia 12 do corrente hospedou-se no referido hotel {_Nome da parte contrária},{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO
DA PARTE CONTRÁRIA}, consoante ficha preenchida no momento da chegada (fotocópia junta, nº 2).
Três dias depois, o hóspede, sem pagar a hospedagem, mudou-se para a "Pensão Carioca", situada à rua ..., (doc. nº 3). O
requerente, para segurança de seu crédito, que é de ..., reteve os seguintes objetos: a) uma máquina de escrever marca (indicar)
e uma máquina fotográfica (indicar).
A conta da hospedagem, que ora exibe pormenorizada (doc. nº 4), está conforme a tabela de preços ostensivamente exposta
em vários pontos do hotel e no quarto nº 302, que o hóspede ocupou.
2. É credor pignoratício, independente de convenção (penhor legal), o hospedeiro, estalajadeiro ou fornecedor de pousada
sobre a bagagem, móveis, jóias ou dinheiro dos fregueses pelas despesas que tiverem feito (Código Civil, art. 776, I).
Tomado o penhor legal nos casos previstos em lei, requererá o credor, ato contínuo, a homologação (Código de Processo
Civil, art. 874, primeira parte).
3. Face ao exposto e com fundamento no art. 874, segunda parte, do Código de Processo Civil, requer a citação do devedor
para, em 24 horas, pagar ou alegar defesa.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
HONORÁRIOS DE ADVOGADO
1. Despesas judiciais. - A justiça é onerosa. E cara. Mesmo no caso de benefício de justiça gratuita, pode dar-se o
pagamento de despesas.
Fala-se ordinariamente em custas, como se todas as despesas fossem custas. Todas as custas são despesas, mas nem todas
as despesas são custas. "Custas são as despesas taxadas pela lei que o vencido deve pagar ao vencedor" (Morais Carvalho,
Praxe Forense, § 673). "As despesas diferem das custas como o gênero da espécie" (Pereira e Souza, Primeiras Linhas, nota
606).
Salvo as disposições concernentes à justiça gratuita, cabe às partes prover as despesas dos atos que realizam ou requerem
no processo (CPC, art. 19).
A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipar e os honorários advocatícios (art. 20).
2. Honorários advocatícios. - A Lei nº 8.906, de 04.07.1994, Estatuto da Advocacia, disciplina os honorários advocatícios
nos arts. 22 a 26.
A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB o direito aos
honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência (art. 22).
Indicado para patrocinar causa de pessoa juridicamente necessitada, o advogado tem direito aos honorários fixados pelo
juiz, "segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB e pagos pelo Estado" (§
1º).
No arbitramento judicial, os honorários serão fixados em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da
questão, não podendo ser inferiores aos da tabela organizada pelo Conselho (§ 2º).
A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que os estipular são títulos executivos e constituem
crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial.
A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação, se assim lhe convier.
O art. 25 regula a prescrição, qüinqüenal, da cobrança de honorários.
3. Base legal. - O Código de Processo Civil regula os honorários advocatícios, de um modo geral, nos arts. 20, 21, 22, 23,
26 e 28, e, de modo especial, nos arts. 18, 267, § 2º, 268, 275, II, f, 601, 659, 710, 717, 766, II, 819, I e II, 835, 897, 1.069,
1.071, § 2º, 1.074, IV, 1.084 e 1.182, § 1º, ao tratar, respectivamente, da responsabilidade do litigante de má-fé; extinção do
processo por indeferimento da petição inicial; do procedimento sumaríssimo; da relevação de pena imposta ao devedor que
atenta contra a dignidade da justiça; da penhora de bens do devedor; da restituição de dinheiro ao devedor que paga principal e
acessórios; da decretação de usufruto de imóvel ou de empresa - forma de pagamento no processo de execução; da
representação pelo administrador na declaração judicial de insolvência; de suspensão do arresto pela prestação de fiança ou
caução; de prestação de caução pelo demandante que fora do Brasil ou dele se ausentar; de ação de consignação em pagamento
não contestada; de restauração de autos - ônus de quem der causa ao desaparecimento; venda a crédito com reserva de
domínio; do juízo arbitral; curatela de interditos - contratação de advogado por parente sucessível do interditando, para defesa
deste.
Leis especiais também tratam da matéria. Exemplos: Lei de Falências, art. 63, XVI, contratação de advogado pelo síndico,
prévio ajustamento dos honorários; Decreto-Lei nº 3.365, de 21.06.1941, desapropriações por utilidade pública, art. 27, § 1º,
em parte revogado pela legislação processual ulterior; ação de despejo, Lei nº 8.245, de 18.10.1991, arts. 61 e 62, II, d.
4. Condenações em honorários. - O Código anterior dispunha, primeiramente:
"Quando a ação resultar de dolo ou culpa, contratual ou extracontratual, a sentença que a julgar
procedente condenará o réu ao pagamento dos honorários do advogado da parte contrária" (art. 64).
A Lei nº 4.637, de 18.05.1965, deu nova redação ao artigo:
"A sentença final na causa condenará a parte vencida ao pagamento dos honorários da parte vencedora..."
Foi um avanço. O fundamento da condenação não é que tenha havido dolo ou culpa da derrota; e a justificação está em que
a atuação da lei não deve representar uma diminuição patrimonial para a parte a cujo favor se efetiva (Giuseppe Chiovenda,
Instituições de Direito Processual Civil, vol. III, nº 381).
Em verdade, não respondesse o vencido pelas despesas e pelos honorários, o vencedor sofreria, apesar da vitória, um
desfalque, correspondente ao desembolso dessas verbas, diminuição que, à luz do direito, não se justifica. No dizer do
Professor Lima Rocha, a condenação existe "por força de lei", sem necessidade de ser "pretendida" ou "requerida", tanto que o
art. 20 soa: "A sentença condenará o vencido..." (Processo de Conhecimento, vol. I, p. 76).
5. Regulamento atual. Fixação dos honorários. - O Código de Processo Civil, art. 20, ostenta regulamentação mais ou
menos completa, corrigidas omissões.
A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. Essa verba
honorária será devida, também, no casos em que o advogado funcionar em causa própria.
O juiz, ao decidir qualquer incidente ou recurso, condenará nas despesas o vencido (§ 1º).
As despesas abrangem não só as custas dos atos do processo, como também a indenização de viagem, diária de testemunha
a remuneração do assistente técnico (§ 2º).
Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez por cento (10%) e o máximo de vinte por cento (20%) sobre o valor da
condenação, atendidos: a) o grau de zelo do profissional; b) o lugar da prestação do serviço; c) a natureza e importância da
causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido pelo seu serviço (§ 3º).
Nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda
Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante apreciação eqüitativa do juiz, atendidas as
normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior (§ 4º).
Nas ações de indenização por ato ilícito contra pessoa, o valor da condenação será a soma das prestações vencidas com o
capital necessário a produzir a renda correspondente às prestações vincendas (art. 602), podendo estas ser pagas, também
mensalmente, na forma do § 2º do referido art. 602, inclusive em consignação na folha de pagamento do devedor (§ 5º).
Da fixação dos honorários tratam, propriamente, os três últimos parágrafos. Preferimos apresentar os textos em sua
inteireza para acentuar a diferença entre despesas, custas e honorários.
Os critérios dos §§ 3º, 4º e 5º não resolvem todas as hipóteses que podem surgir, mas está claro o intento de fazer optima
lex, quae minimum relinquit arbitrio judicis. O mais é com a sabedoria dos tribunais.
Questões, e.g., sobre o cabimento de honorários em mandado de segurança, em ação de execução, inflam os repositórios de
jurisprudências.
Os arts. 21, 22, 23 e 26 estabelecem normas sobre a quem incumbe pagar honorários, não a respeito de sua fixação.
6. Cobrança da verba honorária. - Contratados os honorários por escrito, o instrumento, público ou particular, é título
executivo extrajudicial (art. 585, II). Inexistindo contrato escrito, cabe o procedimento sumário (art. 275, II, f).
INVENTÁRIO E PARTILHA
1. Inventário. - Inventariar é sinônimo de arrolar, relacionar. Mas em direito, inventário e arrolamento têm significados
técnicos, especiais.
Entre os procedimentos cautelares figura o "arrolamento de bens", a que se procede sempre que há fundado receio de
extravio e de dissipação de bens. Arrolamento é também uma forma de inventário e partilha simplificado (infra, final deste
parágrafo).
O processo de inventário (inventário e partilha) divide-se em duas fases: uma em que se relacionam os bens da herança e os
sucessores do defunto, chamam-se os interessados, atende-se aos credores, pagam-se as dívidas e os impostos; outra, em que se
procede à partilha do monte líquido entre os herdeiros. Entrementes, o juiz decidirá quanto à legitimidade para requerer o
inventário, argüição de erros e omissões, reclamação contra a nomeação do inventariante, impugnação de qualidade de
herdeiro, remoção do inventariante, questões sobre o legado etc.
Quando a herança é deferida a mais de uma pessoa, acentuam-se as duas fases: os bens são inventariados e partilhados.
Quando se apresenta um único herdeiro, surge o problema técnico-processual de como encerrar o inventário. Outro problema
surge na hipótese de inexistir bem, isto é, de o "inventariado" não ter deixado bens; é o problema do inventário negativo. A
praxe é, no caso de herdeiro único, proferir o juiz uma sentença de adjudicação. O inventário negativo, que a lei desconhece e,
até, envolve um absurdo (inventariar o que não existe), tem sido admitido como expediente prático e útil; provar que o defunto
não deixou bens tem, não há dúvida, utilidade.
Adjudicar é dar por sentença. Na adjudicação do bem penhorado ao credor (arts. 714 e 715) o Estado, representado pelo
juiz, transfere a propriedade ao credor. No caso de herança, posse e domínio já foram transferidos ao herdeiro. Entretanto, sem
a sentença de adjudicação ao herdeiro único, parece que fica faltando alguma coisa - um elo talvez da cadeia sucessória.
Pratique-se, portanto, o ato, que sem aberração jurídica e sem apresentar inconveniente, presta serviço de acertamento.
Aliás, no Código de Processo Civil, art. 1.031, parágrafo único, e art. 1.035 (nova redação dada pela Lei nº 7.019, de
31.08.1982) aparece "adjudicação" no sentido ora empregado.
2. Sucessão; herança. - Como qualquer outra passagem de direitos de uma pessoa para outra, também na que tem lugar por
herança há uma sucessão; as relações jurídicas passam da pessoa do defunto (autor, de cujus), para o herdeiro, sucessor, e a
transferência funda-se precisamente sobre a morte do autor. A sucessão mortis causa não é, pois, senão uma espécie de
sucessão, e se o direito hereditário se costuma designar também direito sucessório, isto se dá em virtude de um uso enfático da
palavra, para exprimir apenas a sucessão hereditária (Roberto de Ruggiero, Instituições de Direito Civil, tradução
brasileira,vol. III, § 127, p. 428).
3. Judicialidade do inventário e da partilha. - Por tradição e pelos interesses, público e privado, que envolvem, o
inventário e a partilha são judiciais, quer dizer, seguem o procedimento estabelecido em lei, pouco ou nada ficando à
disposição dos interessados.
"Proceder-se-á ao inventário e partilha judiciais na forma das leis em vigor no domicílio do falecido", dispõe no art. 1.770 o
Código Civil de 1916, que no art. 1.773 abriu exceção para partilha amigável, se maiores e capazes os herdeiros.
O Código de Processo de 1973, repetindo regra do Código de 1939, dispõe: Proceder-se-á ao inventário judicial, ainda
que todas as partes sejam capazes (art. 982). Manteve a "partilha amigável", lavrada em instrumento público, reduzida a termo
nos autos do inventário, ou constante de instrumento particular homologado pelo juiz (art. 1.029); manteve também o
inventário e partilha simplificado ("arrolamento", admissível na condições do art. 1.031, I e II).
Era o início das alterações do novo estatuto processual, que numa dezena de leis se vieram consumando.
A Lei nº 7.019, de 31.08.1982, alterou os arts. 1.031 a 1.038 do Código, para simplificar o processo de homologação da
partilha amigável e da partilha de bens de pequeno valor.
Esta última lei será objeto de apreciação sob a rubrica de Arrolamento. Em verdade derrogou os arts. 1.770 do Código Civil
de 1916 e 982 do Código de Processo Civil.
4. Prazos para requerer e ultimar o inventário. - O inventário e a partilha devem ser requeridos dentro de 30 dias a contar
da abertura da sucessão, ultimando-se nos seis meses subseqüentes (art. 983). O juiz poderá, a requerimento do inventariante,
dilatar este último prazo por motivo justo (parágrafo único).
Há duplo interesse em que o inventário e a partilha tenham início e cheguem a termo em prazos relativamente curtos, que a
lei estima suficientes: o de pôr fim ao estado de comunhão, e o fiscal, de recolher-se ao erário impostos e taxas. O prazo para
início é inalterável. O do término, dilatável a requerimento do interessado, cabendo ao juiz decidir sobre a relevância do
motivo apresentado.
Há sanções, de ordem fiscal. Não obstante, a lei tem-se mostrado impotente; a burocracia, entre outros fatores, retarda os
inventários em toda parte.
5. Administrador provisório. - Entre a data da abertura da herança e a da abertura do inventário, isto é, no espaço de tempo
entre a morte do autor da herança e a assinatura do termo de inventariante o espólio há de ter um administrador, é necessário
que alguém fique à frente do espólio, e o represente.
Feliz inovação a instituição do administrador provisório, dos arts. 985 e 986. Até que o inventariante preste o compromisso,
continuará o espólio na posse do administrador provisório (art. 985).
O administrador provisório representa ativa e passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao acervo os frutos que desde a
abertura da sucessão recebeu, tem direito ao reembolso das despesas necessárias e úteis que fez e responde pelo dano a que,
por dolo ou culpa, der causa (art. 986).Tem também a incumbência de, no prazo de 30 dias, contados da abertura da sucessão,
requerer o inventário e partilha (art. 987).
O direito material prevê casos de posse e administração da herança: Código Civil de 1916, arts. 1.579 e § 2º, 1.755, 1.769.
Mas, pergunta-se: Como legitimar o administrador e sua administração?
Inclinam-se os comentadores a ver nos arts. 985 e 986 a legalização de uma situação de fato, que se resumiria em definir os
poderes, deveres e responsabilidades do administrador. Assim é que, para Sérgio Sahione Fadel, "a posição de administrador é
mais de fato do que de direito" (Comentários, vol. V, p. 129); para Hamilton de Moraes e Barros "a condição do administrador
provisório é uma situação de fato que o Direito vai validar" (Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IX, nº 119).
Insista-se na pergunta: Como validar a situação, a condição de administrador?
Dir-se-á que a atuação do administrador é efêmera; cessa tão logo se tome o compromisso do inventariante. Entretanto,
pode ser dilatada face às circunstâncias.
Inclinamo-nos a acompanhar Ernane Fidélis dos Santos. O administrador "não é figura que se reconheça por sua simples
atuação; é preciso que haja nomeação" (Comentários, vol. VI, nº 277).
6. Legitimação para requerer o inventário. - Provisório o estado de comunhão, o direito processual regra com apuro a
legitimação para requerer o inventário, estrada real para a partilha. Há legitimação prioritária, e concorrente (Sálvio de
Figueiredo Teixeira, Código de Processo Civil Anotado).
Em primeiro lugar, incumbe a quem estiver na posse e administração do espólio requerer o inventário e a partilha (art. 987).
Correntemente, tem legitimidade, pela ordem: I. o cônjuge supérstite; II. o herdeiro; III. o legatário; IV. o testamenteiro; V. o
cessionário do herdeiro ou do legatário; VI. o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança; VII. o síndico da
falência do herdeiro, do legatário, do autor da herança ou do cônjuge supérstite; VIII. o Ministério Público, havendo herdeiros
incapazes; IX. a Fazenda Pública, quando tiver interesse (art. 988).
Se nenhuma das pessoas mencionadas no art. 987 o requerer no prazo legal, o juiz determinará, de ofício, que se inicie o
inventário (art. 989).
A primazia cabe a quem legitimamente estiver na posse e administração do espólio; o administrador está, é lógico, incluído
entre os prioritários. Segue-se o cônjuge supérstite e, descendo-se ao herdeiro, ao legatário, no ínfimo da escala se encontra a
Fazenda Pública. A Fazenda Pública, aliás, tem sempre interesse nos inventários, não que se encerrem no prazo legal, mas
interesse fiscal.
O juiz não requer; determina, ordena que se promova, que se inicie o inventário, presentes as condições estabelecidas no
art. 989. Naturalmente agirá ou por provocação de algum interessado sem legitimidade para o ato ou por informação
oficialmente colhida.
O meio de determinação, segundo o art. 468, parágrafo único, do Código de 1939, era a portaria. Nada impede que seja
utilizado, no silêncio da lei nova.
7. Modelo:
Abertura de inventário; pedido de inventariança
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, inscrito na
Ordem dos Advogados do Brasil sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. O marido da requerente, {_Nome da parte contrária}, faleceu nesta cidade, no dia 2 do corrente, como prova a certidão
de óbito anexa (doc. nº 2).
Casado pelo regime da comunhão, faleceu ab intestado, deixou dois herdeiros maiores e capazes, e deixou bens do valor,
aproximadamente, de ...
2. Na forma do art. 988, I, e no prazo do art. 983 do Código de Processo Civil, vem requerer o inventário e partilha dos
bens do espólio e pedir que lhe seja deferido prestar compromisso de inventariante.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
8. Apuração de haveres; balanço. - O juiz determinará que se proceda: I. ao balanço do estabelecimento, se o autor da
herança era comerciante em nome individual; II. a apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não
anônima (art. 993, parágrafo único).
A Súmula nº 265, do Supremo Tribunal Federal, enuncia:
Na apuração de haveres não prevalece o balanço não aprovado pelo sócio falecido, excluído, ou que se retirou.
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Guanabara decidiu que apuração de haveres é processo contencioso
entre os remanescentes da sociedade e o inventariante do espólio, razão pela qual a sentença nesse caso deve ser fundamentada
(DO, vol. III, 20.08.1973, p. 383).
A 1ª Câmara decidiu que o processo de apuração de haveres é de índole administrativa. A decisão nele proferida não é
condenatória e, sim , declaratória do crédito representado pelos haveres.
O 2º Grupo de Câmaras Cíveis decidiu:
"Na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, falecido um dos sócios, e prevendo o contrato a
continuação do negócio com o remanescente, apuram-se os haveres, sem liquidação da empresa" (ob. cit., p.
234).
9. Modelo:
Apuração de haveres
EXMO. SR. DR. DE JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, inventariante do espólio de {_Nome da parte contrária}, expõe e requer a V.Exª o seguinte:
1. O inventariante era sócio da firma Comestíveis Lara Ltda., com sede à Rua das Bandeiras, nº 88, registrado e arquivado
o contrato social sob nº 1.101 no Registro do Comércio.
2. O juiz determinará a apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não anônima (Código de
Processo Civil, art. 993, II).
3. Pelo exposto, requer se proceda à apuração dos haveres do sócio, por perito da escolha de V. Exª, a fim de ser trazido o
resultado ao inventário e partilha.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
10. Inventariante. Remoção. - O inventariante será removido: I. se não prestar, no prazo legal, as primeiras e as últimas
declarações; II. se não der ao inventário andamento regular, suscitando dúvidas infundadas ou praticando atos meramente
protelatórios; III. se, por culpa sua, se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem danos bens do espólio; IV. se não defender
o espólio nas ações em que for citado, deixar de cobrar dívidas ativas ou não promover as medidas necessárias para evitar o
perecimento de direitos; V. se não prestar contas ou as que prestar não forem julgadas boas; VI. se sonegar, ocultar, ou desviar
bens do espólio (art. 995).
O inventariante "será removido", diz a lei nova, diferentemente do que prescrevia o art. 476 do Código de 1939, verbis:
"O inventariante poderá ser removido a requerimento de qualquer interessado."
Antes da promulgação do primeiro Código unitário (Decreto-Lei nº 1.608, de 18. 09. 1939), havia dúvida sobre se a
remoção podia ser determinada de ofício. O art. 476 resultou insuficiente para espancar as incertezas. Hoje, eliminado do texto
o "a requerimento", reforçado está o nosso entendimento, endossando opinião de Carvalho Santos: em circunstâncias especiais,
poderá o juiz tomar a iniciativa em remover o inventariante, cuja continuação seria desastrosa, apesar do silêncio dos
interessados, talvez o conluio entre eles para retardar o andamento do processo (Manual de Prática Forense, vol. III, nº 1.357).
As causas da remoção se constituem, quase todas, em violação dos deveres de bem administrar os bens do espólio ou de
comprometer o (rápido) andamento do inventário. A sonegação, a ocultação ou o desvio de bens - fatos dolosos - tocam as raias
do ilícito penal.
Se o inventariante não prestar as declarações no prazo de lei, ou esgotar o prazo prorrogado sem cumprir o ato processual,
há suspeita de que não leve a bom termo o processo; deve ser removido.
Retardar o andamento do feito, suscitar dúvidas infundadas, praticar atos protelatórios inquieta as partes e vai de encontro
ao propósito de um procedimento especial, expedito, que é o inventário.
Deixar que os bens se danifiquem, se deteriorem, ou dilapidem, é descumprir gravemente os deveres de administração.
A negligência indesculpável do inventariante que descura os prazos e a defesa nas ações intentadas contra o espólio, ou não
interrompe as prescrições, não cobra as dívidas ativas, deve redundar em remoção do "compromissado".
No caso de nomeação deve o juiz atender ao escalonamento do art. 990, I a VI. No de remoção, deve considerar cada
hipótese, evitando que se tumultue o processo, ou se lhe entrave o andamento.
Dois acórdãos do Tribunal de justiça do Estado do Rio de Janeiro refletem os dois princípios:
A 7ª Câmara Cível decidiu que para nomeação de inventariante o juiz deve se ater, com todo rigor, ao disposto no art. 900
do Código de Processo Civil. Se um cessionário de direito do meeiro e de herdeiros foi escolhido, existindo herdeiros
necessários na posse de parte dos bens, deve o nomeado, se requerido, ceder o encargo de inventariante para o herdeiro, pois a
norma do art. 990 deve ser respeitada (ac. de 29.12.1980, DO de 14.10.1982, II, p. 66).
A 8ª Câmara decidiu:
"Não havendo motivo grave para remoção do inventariante, mas apenas simples atraso na consecução de
documentos relativamente ao parentesco; tratando-se, como se trata, de colaterais em terceiro grau, e não
havendo impugnação dos interessados, não deve o inventariante ser substituído pelo inventariante judicial, ao
qual, por desconhecer a origem do parentesco, mais difícil se tornará a complementação da prova, sem
vantagem para quem quer que seja" (ac. de 06. 10. 1981, DO, cit., p. 66).
11. Procedimento do requerimento de remoção. - O requerimento processar-se-á em separado, em apenso aos autos do
inventário.
O inventariante será intimado para no prazo de cinco dias defender-se ou produzir provas. Decorrido o qüinqüídio, com ou
sem defesa, o juiz decidirá. Se remover o inventariante, nomeará, de logo, outro, observada a ordem estabelecida no art. 990.
12. Decorrência da remoção. - Vimos que se o juiz remover o inventariante, nomeará outro, em substituição.
O inventariante removido entregará imediatamente ao substituto os bens do espólio. Urge que o faça; deixando de fazê-lo,
será compelido mediante mandado de busca e apreensão dos bens móveis e de imissão na posse dos imóveis (art. 998).
13. Audiência das partes; citações. - O inventário, processo que muito tem de administrativo, é, no conceito legal,
procedimento especial de jurisdição contenciosa.
Tomadas por termos as primeiras declarações, abre-se a oportunidade de herdeiros, legatários, o cônjuge, se for o caso, bem
como a Fazenda Pública e o Ministério Público ingressarem no feito por meio de advogado ou representantes, na defesa dos
próprios interesses comuns. O juiz mandará, para isso, que sejam citados esses interessados. Ato de impulso processual,
necessário.
A citação está disciplinada no art. 999, § 1º: serão citados por mandato as pessoas domiciliadas na comarca por onde corre
o inventário ou que aí forem encontradas; por edital, com prazo de vinte a sessenta dias, as demais, residentes noutra comarca
ou no estrangeiro.
Sendo as declarações a base do processo, manda o § 2º que se extraiam tantas cópias quantas forem as partes, para lhe
serem entregues pelo oficial de justiça ao proceder à citação (§ 3º). Incumbe ao escrivão remeter cópias à Fazenda Pública, ao
Ministério Público, ao testamenteiro, e ao advogado, se a parte já estiver representada nos autos (§ 4º).
As cópias funcionam como espécie de contrafé que o oficial, como na conformidade do art. 226, I, entrega ao réu. No
processo de inventário os herdeiros, os legatários, o outro cônjuge são "partes".
14. Impugnações; procedimentos. - As partes têm o prazo comum de 10 dias, contados a partir da última citação, para
impugnar as declarações. A matéria que podem deduzir restringe-se a: a) argüir erros ou omissões; b) reclamar contra a
nomeação do inventariante; c) contestar a qualidade de quem foi incluído no título de herdeiros (art. 1.000, I, II e III).

Se o juiz achar que existe, de fato, erro ou omissão do inventariante nas declarações, mandará retificá-las. Se o acolher o
pedido b, nomeará outro inventariante.
Mais complexa pode ser a matéria do item III; assim, se verificar que a disputa sobre a qualidade de herdeiro constitui
matéria de alta indagação, remeterá a parte para os meios ordinários. Neste caso sobrestará, até o julgamento da ação, na
entrega do quinhão que na partilha couber ao herdeiro admitido (parágrafo único).
Cessa a medida cautelar, de sobrestamento, se a ação não for proposta em trinta dias da data em que da decisão foi intimado
o herdeiro excluído (art. 1.039).
15. Modelo:
Remoção de inventariante omisso
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, herdeiro de Manoel Fagundes Leitão, cujo inventário se processa nesse Juízo, requer, com
fundamento no art. 995, inciso ..., do Código de Processo Civil, a remoção do inventariante, {_Nome da parte contrária}.
Iniciado há mais de dois anos, o inventário não chega a termo porque o inventariante (indicar o fato omissivo ou
comissivo). Em virtude do mau desempenho, o feito ainda se encontra em fase de avaliação, que aliás, não se efetua.
Pede que, autuada esta em apenso, seja intimado Waldemar Pinto de Oliveira para, no prazo de cinco dias, defender-se e
produzir prova, e que, não justificada a falta, se digne V. Exª de remover o atual e nomear outro inventariante.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
16. Pretensão a entrar no inventário.- Aquele que se julgar preterido poderá demandar a sua admissão no inventário,
requerendo-o antes da partilha.
Ouvidas as partes no prazo de dez dias, o juiz decidirá. Se não acolher o pedido, remeterá o requerente para os meios
ordinários, mandando reservar, em poder do inventariante, o quinhão do herdeiro excluído, até que se decida o litígio (art.
1.001).
A relação dos herdeiros, feita pelo inventariante, pode conter erros, omissão: pessoa erroneamente arrolada entre os
herdeiros ou legatários; herdeiro, ou legatário, que deveria figurar no termo de declaração e não no foi. Da segunda hipótese
cuida o art. 1.001.
Antes da partilha - porque, do contrário, a demanda há de ser contra os quinhoeiros -, aquele que se julgar preterido,
omitido, "excluído", tem ação para reclamar sua admissão no inventário.
O requerente instruirá suficientemente a sua posição, de tal modo habilitando o juiz a decidir de plano. As partes serão
ouvidas no prazo de dez dias.
Se o juiz considerar suficiente a prova, acolherá o pedido. A sentença desafia o recurso de apelação. Caso contrário,
remeterá o recorrente para as vias ordinárias, e, neste caso, determinará medida de cautela - reserva do quinhão -, sujeita à
regra do art. 1.039.
17. Modelo:
Pedido de admissão em inventário
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente} {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, {_ENDEREÇO
ESCRITÓRIO}, nesta cidade, requer sua habilitação na sucessão de {_Nome da parte contrária}, cujo processo corre por este
Juízo (Cartório ...).
O requerente, herdeiro do falecido Antonio, teve seu nome excluído (ou omitido) no termo de declarações de ff. 38-42. É
filho legitimado do autor da herança, como provam os documentos anexos à presente petição.
Pede, assim, que, ouvidas as partes (Código de Processo Civil, art. 1.001), seja considerado habilitado à sucessão, admitido
no inventário.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
18. Colação. - Colação é o ato pelo qual se reúnem ao monte partível quaisquer liberalidades recebidas do inventariado por
herdeiro descendente, antes da abertura da sucessão. É o ato pelo qual os herdeiros descendentes, concorrendo à sucessão do
ascendente comum, conferem, reúnem, acumulam as doações, ou dotes que dele em vida receberam, a fim de serem igualadas
às legítimas.
A igualdade das legítimas é fundamental no sistema sucessório moderno, particularmente se os co-herdeiros são
descendentes. Presume-se, por isso, que as doações e vantagens, feitas pelos pais ou outros ascendentes àquelas pessoas,
destinadas naturalmente a suceder-lhes, são apenas antecipações das respectivas quotas hereditárias, adiantamento das
legítimas que hão de reverter ao acervo, submetendo-se, então, a uma medida de igualdade. O ato pelo qual os herdeiros,
avantajados em vida, restituem à massa da herança os bens que receberam de seus pais, para obter-se a igualdade nas partilhas,
denomina-se colação (Clóvis Beviláqua, Direito das Sucessões, p. 398).
As colações estão reguladas nos arts. 1.785 a 1.795 do Código Civil de 1916 e nos arts. 1.014 a 1.016 do Código de
Processo Civil.
19. Tempo de conferência. - Diz-se conferir os bens trazê-los ao inventário o obrigado à colação. "No prazo estabelecido
no art. 1.000 o herdeiro obrigado à colação conferirá por termo nos autos os bens que recebeu ou, se já os não possuir, trar-
lhes-á o valor" (Código de Processo Civil, art. 1.014). No Código de 1939 o prazo se iniciava com o término das avaliações.
O Código atual andou bem na antecipação que estabeleceu: o herdeiro deve fazer a conferência no prazo de 10 dias, que lhe
for aberto para dizer sobre as primeiras declarações.
20. Valor dos bens a conferir. - Os bens que devam ser conferidos na partilha, assim como as acessões e benfeitorias que o
donatário fez, calcular-se-ão pelo valor que tiverem ao tempo da abertura da sucessão (art. 1.014, parágrafo único).
Inovação da lei processual, que envolve revogação de norma de direito material. Com efeito, dispunha o Código Civil de
1916:
Os bens doados ou dotados, imóveis ou móveis, serão conferidos pelo valor certo, ou pela estimação que deles houver sido
feita na data da doação (art. 1.792).
Se do ato da doação, ou do dote, não constar valor certo, nem houver estimação feita naquela época, os bens serão
conferidos na partilha pelo que então se calcular valessem ao tempo daqueles atos (parágrafo único).
O Código de 1939 seguia o paradigma. A inovação é legítima pela identidade da fonte legislativa. E merece aplausos no
adotar solução preconizada pelo ínclito Clóvis Beviláqua.
21. Herdeiro renunciante, ou excluído da herança. - O herdeiro que renunciou à herança ou o que dela foi excluído não se
exime, pelo fato da renúncia, de conferir, para o efeito de repor a parte inoficiosa, as liberalidades que houver feito o doador
(art. 1.015). A mesma regra, no Código Civil de 1916, art. 1.790.
Inoficiosa diz-se a parte da doação ou do dote que exceder a legítima e mais a parte disponível (Código Civil de 1916, art.
1.790, parágrafo único).
22. Escolha de bens pelo donatário conferente. - É lícito ao donatário escolher, os bens doados, tantos quantos bastem
para perfazer a legítima e a parte disponível, entrando na partilha o excedente para ser dividido entre os demais herdeiros (art.
1.015, § 1º). Se a parte inoficiosa da doação recair sobre bem imóvel, que não comporte divisão cômoda, o juiz determinará
que sobre ela se proceda entre os herdeiros à licitação; o donatário poderá concorrer na licitação e, em igualdade de condições,
preferirá aos herdeiros (§ 2º).
Os dois parágrafos têm por fim atender à igualdade e comodidade dos herdeiros - regra a ser seguida na partilha.
23. Negativa do herdeiro. - Pode acontecer que o herdeiro negue o recebimento dos bens que é chamado a conferir, ou a
obrigação de conferir; caso em que o juiz, ouvidas as partes no prazo comum de cinco dias, decidirá à vista das alegações e
provas produzidas (art. 1.016). Declarada improcedente a oposição do herdeiro, se este, intimado, não proceder à conferência
no prazo improrrogável de cinco dias, o juiz mandará seqüestrar-lhe, para serem inventariados e partilhados, os bens sujeitos à
colação, ou mandará imputar ao seu quinhão hereditário o valor deles, se já os não possuir (§ 1º).
O juiz decidirá de plano, "à vista das alegações e provas produzidas", sobre a oposição do herdeiro. Todavia, se a matéria
for de alta indagação, remeterá as partes para as vias ordinárias. Neste caso, de remessa das partes para os meios ordinários, o
herdeiro não poderá receber o seu quinhão hereditário, enquanto pender a demanda, sem prestar caução correspondente ao
valor dos bens sobre que versar a conferência (§ 2º).
24. Modelos:
24.1. Colação de bens pelo herdeiro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, na qualidade de herdeiro do
finado {_Nome da parte contrária}, cujo inventário corre por esse Juízo (Cartório do 2º Oficio), sob nº ... vem, nos termos do
art. 1.014 do Código de Processo Civil, trazer à colação os bens que lhe foram doados pelo autor da herança. São eles
(discriminar os bens especificadamente), conforme escritura ora exibida.
Pede que sua declaração seja tomada por termo nos autos do inventário.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
24.2. Colação de bens pedida pelo inventariante
EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, inventariante do espólio de {_Nome da parte contrária}, que corre por esse Juízo (Cartório do 2º
Ofício), sob nº ... expõe e requer o seguinte:
1. O herdeiro Raul Santorum de Almeida foi, em vida do autor da herança, por este agraciado com a doação dos seguintes
bens (indicar), consoante esclarecido nas primeiras declarações.
2. O herdeiro, ex vi do disposto nos arts. 1.785 a 1.795 do Código Civil de 1916, está obrigado a trazer à colação os bens
doados.
3. Pede, assim, que se digne V. Exª de mandar intimar o referido herdeiro para, na forma da lei processual, vir conferir os
mencionados bens.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE
1. Reconhecimento do filho legítimo. - Definindo relações de parentesco, o Código Civil admite duas formas de
reconhecimento: a) a voluntária; e b) a forçada.
O reconhecimento voluntário pode fazer-se ou no próprio termo de nascimento, ou mediante escritura pública, ou por
testamento (art. 357).
O reconhecimento forçado atinge-se mediante ação de investigação de paternidade, nos casos previstos no art. 363:
I. se ao tempo da concepção a mãe estava concubinada com o pretendido pai;
II. se a concepção do filho reclamante coincide com o rapto da mãe pelo suposto pai ou suas relações sexuais com ela;
III. se existir escrito daquele a quem se atribui a paternidade, reconhecendo-a expressamente.
É condição legal que essas pessoas (pretendido pai e mãe) não caibam no art. 183, nºs. I a VI, isto é, não exista entre elas
quaisquer dos impedimentos matrimoniais, dirimentes, previstos nos mencionados incisos (art. 363, caput), regra que se
modificou com a revogação do art. 358 (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, § 969, 2).
2. Concubinato. - Concubinato é a união prolongada daqueles que não se acham vinculados por matrimônio válido ou
putativo.
Os concubinários tanto podem viver, não encobrindo essa qualidade, usando cada qual o seu nome, apresentando-se aos
olhos de todos como meros amantes, na expressão popular, como podem viver maritalmente, procurando fazer crer que são
casados. Nem é preciso, para haver concubinato, que a mãe e o pai residam sob o mesmo teto. É bastante que haja ligações
freqüentes, embora a mulher viva fora do domicílio particular de seu amante (Carvalho Santos, Código Civil Brasileiro
Interpretado, vol. V, p. 475).
3. Rapto. - O Código Penal prevê, entre os crimes contra o costume, raptar mulher honesta, mediante violência, grave
ameaça ou fraude, para fim libidinoso (art. 219).
A lei civil presume do rapto, que é fato em regra ostensivo, as relações sexuais, para fundamentar ação de investigação de
paternidade.
Mister se faz que haja coincidência do rapto com a concepção, devendo o autor provar: a) o rapto; b) o tempo que a raptada
ficou em poder do raptor; c) a data do nascimento.
Contestando a ação intentada sob esse fundamento, pode ser alegado: a) que o rapto não coincide com a concepção; b) que,
por essa ocasião, a mãe tinha comércio sexual com outros, tendo cabimento aqui a exceção plurium concubentium; c) que não
houve o rapto ou que não foi o seu autor; d) a impossibilidade de coabitação (Carvalho Santos, ob., cit., p. 484).
4. Escrito do pai. - Qualquer escrito - uma carta, assento familiar, uma escritura -, desde manifesta a intenção de reconhecer
o filho, pode servir de base à ação de investigação.
Este escrito não tem formalidades especiais, como as exigidas para o reconhecimento espontâneo (art. 357). Cartas de
família, assentos etc., constituem elementos de prova, desde que delas emane o expresso reconhecimento (João Luiz Alves,
Código Civil Anotado, vol. I, p. 374).
5. A prova. - O autor tem o ônus da prova, cujos meios são os legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não
especificados no Código de Processo Civil. Especialmente prova oral (depoimento de testemunhas, depoimento da parte),
documental supra, começo de prova por escrito e pericial.
Servir-se-á o juiz de indícios e presunções, que não eram meios de prova, sim expedientes técnicos probatórios.
Existe atualmente prova científica: determinação do vínculo mediante identidade do grupo sangüíneo (DNA).
6. Modelo:
Investigação de paternidade
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, vem perante
V. Exª. expor e requerer o seguinte:
1. O requerente nasceu em (indicar o lugar) no dia (indicar a data), como consta da certidão de registro ora exibida. A esse
tempo ou, mais precisamente, durante três anos (indicar), Mariana Ferreira Diniz e {_Nome da parte contrária} viveram em
concubinato, sob o mesmo teto, como se fossem marido e mulher, assim freqüentando a sociedade local, dessa união provindo
a concepção e o nascimento do proponente da presente ação.
Em carta dirigida a (indicar), Dionísio se refere ao batizado do filho Euclides (doc. nº 4).
2. Os filhos ilegítimos de pessoas que não caibam no art. 183, n os I a VI, têm ação contra os pais para demandar o
reconhecimento da filiação: se ao tempo da concepção a mãe estava concubinada com o pretendido pai; se existir escrito
daquele a quem se atribui a paternidade, reconhecendo-a expressamente (Código Civil, art. 363, nos I e III).
Nenhuma das dirimentes matrimoniais previstas no caput do mencionado texto impedia o casamento dos dois amantes.
3. Pelo exposto, pede a citação de {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA} para responder aos termos da presente ação de investigação de paternidade, que espera ser julgada procedente
para o fim de ser reconhecida a filiação.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Indica-se, como meio de prova, depoimento do réu e das testemunhas abaixo arroladas.
T. em que, ouvido o representante do Ministério Público,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Rol de testemunhas.
7. Novo Código Civil. – Ver os arts. 1.596 a 1.606 (filiação) e 1.607 a 1.617 (reconhecimento dos filhos).
JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
I. Simplificação processual. - A fim de obter rápida solução de determinadas causas, o Governo Federal, que instituíra, no
Código de Processo Civil, o "procedimento sumaríssimo", hoje sumário, autorizou a criação dos Juizados de Pequenas Causas
(Lei nº 7.244, de 07.11.84), e sanciona agora a Lei nº 9.099, de 26.08.95, que dispõe sobre Juizados Especiais Cíveis e
Criminais, cujo processo, a exemplo da lei anterior, revogada, "orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade,
informalidade, economia processual e celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação" (art. 2º).
Os Juizados Especiais, órgãos da Justiça Ordinária, serão criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos
Estados, "para conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua competência" (art. 1º).
II. Juizado Cível
1. Competência. - O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo, julgamento e execução das
causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I - as causas cujo valor não exceda a 40 vezes o salário mínimo; II -
as enumeradas no art. 275, II, do Código de Processo Civil; III - a ação de despejo para uso próprio; IV - as ações possessórias
de valor não excedente a 40 vezes o salário mínimo (art. 3º).
Compete-lhe promover a execução: I - dos seus julgados; II - dos títulos executivos extrajudiciais, no valor de até 40
salários mínimos.
1.1. Pré-exclusão. - Ficam excluídas as causas de natureza alimentar, falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pública,
as relativas a acidentes de trabalho, a resíduos e ao estado e capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimonial.
1.2. Competência do foro. - É competente, em regra, o Juizado do foro. A critério do autor, pode ser escolhido: a) o
domicílio do réu ou o local onde este exerça atividades profissionais ou econômicas ou mantenha estabelecimento, filial,
agência, sucursal ou escritório; b) o lugar onde a obrigação deve ser satisfeita; c) o do domicílio do autor ou do local do ato ou
fato, nas ações para reparação de dano de qualquer natureza.
2. Opção; efeito. - A opção pelo procedimento previsto na nova lei importará em renúncia ao crédito excedente ao limite de
quarenta vezes o salário mínimo, excetuada a hipótese conciliatória (art. 3º, § 3º).
3. Sujeitos do processo. - Destacam-se o Juiz, os conciliadores, os Juízes leigos, o árbitro, o secretário.
3.1. Juiz. - O Juiz decidirá o processo com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, apreciá-las e "para dar
especial valor às regras de experiência comum ou técnica". Adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime,
atendendo aos fins sociais e às exigências do bem comum (arts. 5º e 6º).
3.2. Recrutamento. - Juízes Conciliadores e Juízes leigos, auxiliares da Justiça, recrutam-se: a) os primeiros,
preferentemente, entre bacharéis em Direito; b) os segundos, entre advogados com mais de cinco anos de experiência (art. 7º).
4. Partes. - Não poderão ser partes o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de direito público, as empresas públicas da
União, a massa falida e o insolvente civil. Somente as pessoas físicas poderão propor ação. O maior de 18 anos poderá ser
autor, independentemente de assistência, inclusive para fins de conciliação (art. 8º, §§ 1º e 2º).
Os maiores de 18 e menores de 21 anos são relativamente incapazes e devem ser, em regra, assistidos pelos pais, tutores ou
curadores (Código Civil de 1916, art. 5º, I; Código de Processo Civil, art. 8º).
Obs.: Ver o novo CC, também art. 4°, I, que reduziu as idades para 16 e 18 anos.
5. Advogado. - O patrocínio por advogado é, conforme o caso, voluntário ou obrigatório. Nas causas de valor até vinte
salários mínimos, devem as partes comparecer pessoalmente, podendo ser assistidas por advogado; nas de valor superior é
obrigatório o patrocínio (art. 9º).
O réu, sendo pessoa jurídica ou titular de firma individual, poderá ser representado por preposto credenciado.
Facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida por causídico, à outra dar-se-á, se o requerer, assistência
judiciária oficial.
Cumpre ao juiz alertar às partes da conveniência do patrocínio por advogado, quando a causa, por sua complexidade ou por
sua importância, o recomendar.
O mandato pode ser verbal, salvo quanto à outorga de poderes especiais.
6. Intervenção de terceiro; litisconsórcio. - Não se admitirá qualquer forma. Admitir-se-á o litisconsórcio, ativo ou
passivo.
7. Atos processuais. - Serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno, conforme dispuserem as normas de
organização judiciária.
7.1. Nulidade. - Não se pronunciará nulidade sem que tenha havido prejuízo.
7.2. Comunicação dos atos processuais. - Qualquer meio idôneo de comunicação pode ser solicitado para a prática de atos
processuais em outras comarcas.
7.3. Registros; gravação. - Os atos considerados essenciais serão registrados, resumidamente, em notas. Os demais poderão
ser gravados em fita magnética ou equivalente.
8. Processo; instauração. - O processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido, escrito ou oral, à Secretaria do
Juizado.
8.1. Conteúdo do pedido. - Do pedido, "de forma simples e linguagem acessível", deve constar: I - o nome, a qualificação e
o endereço das partes; II - os fatos e os fundamentos; III - o objeto e seu valor.
É lícito formular pedido genérico, quando não for possível determinar, de logo, a extensão da obrigação.
8.2. Pedido oral; redução a escrito. - O pedido oral será reduzido a escrito pela Secretaria, podendo utilizar-se o sistema de
fichas ou formulários impressos (art. 14, § 3º).
9. Citações; intimações. - A citação far-se-á: I - pelo correio, com aviso de recebimento; II - da pessoa jurídica, ou firma
individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, obrigatoriamente identificado; III - por oficial de justiça, sendo
necessário, independentemente de mandado ou carta precatória.
9.1. Citação. - A citação conterá: a) cópia do pedido; b) dia e hora para comparecimento do citando, com advertência de
que, não comparecendo este, considerar-se-ão verdadeiras as alegações iniciais e será proferido julgamento de plano (art. 18, §
1º).
Compare-se o teor do § 1º com o disposto no art. 285, segunda parte, do Código de Processo Civil.
9.2. Intimações. - As intimações serão feitas na forma prevista para as citações.
9.3. Presunção de comunicação. - As partes considerar-se-ão cientes dos atos praticados em audiência (§ 2º). Regra
dispensável, mas útil, bem à feição do princípio de economia processual.
10. Conciliação; juízo arbitral. - Aberta a sessão, o Juiz, togado ou leigo, esclarecerá as partes sobre as vantagens da
conciliação e dos riscos da opção.
10.1. Conciliação. - Será conduzida pelo Juiz ou por conciliador, sob sua orientação. Obtida a conciliação, será reduzida a
escrito e homologada pelo Juiz togado, por sentença com eficácia de título executivo.
Não obtida conciliação, as partes podem optar, de comum acordo, pelo juízo arbitral.
10.2. Juízo arbitral. - Considerar-se-á instaurado, independentemente de termo de compromisso, com a escolha do árbitro
pelas partes, dentre os juízes leigos.
Ausente o árbitro, será convocado pelo Juiz, que de logo designará audiência de instrução.
O árbitro conduzirá o processo com os mesmos critérios do Juiz - arts. 5º e 6º -, podendo decidir por eqüidade.
A Lei nº 9.307, de 23.09.1996, que dispõe sobre arbitragem, reformulou o direito processual.
Entre outras medidas: a) distinguiu cláusula compromissória de compromisso arbitral; b) instituiu ação para ser lavrado
compromisso, existindo cláusula compromissória e resistência à efetivação da arbitragem; c) declarou finda a arbitragem com a
prolação da sentença arbitral, eliminada homologação pelo juiz no caso de sentença nacional. Em síntese, simplificou o
processo do juízo arbitral e conferiu à respectiva sentença ampla eficácia.
10.3. Laudo; homologação. - Ao término da instrução ou cinco dias depois, o árbitro apresentará seu laudo ao Juiz para
"homologação por sentença irrecorrível" (art. 26).
11. Instrução e julgamento. - Não instituído o juízo arbitral, proceder-se-á imediatamente à audiência de instrução e
julgamento, salvo se resultar prejuízo para a defesa; ou, impossível realização imediata, num dos 15 dias imediatos, cientes,
desde logo, as partes e testemunhas eventualmente presentes.
Na audiência, concentrada, serão ouvidas as partes, colhida a prova, proferida, em seguida, a sentença. Incidentes que
possam interferir no regular prosseguimento da audiência serão decididos de plano (art. 29).
Sobre documentos apresentados por uma das partes, será ouvida de imediato a parte contrária, sem "interrupção da
audiência" (parág. único).
12. Resposta do réu. - A contestação, que pode ser oral ou escrita, conterá toda a matéria de defesa.
12.1. Exceções processuais. - Exclui-se a argüição de suspeição ou impedimento, que se processará na forma da legislação
em vigor.
12.2. Reconvenção. - Não se admitirá reconvenção. É lícito, contudo, ao réu, formular, na contestação, pedido em seu
favor, nos limites do art. 3º, desde que fundado nos mesmos fatos objeto da controvérsia.
O autor poderá responder ao pedido na própria audiência ou requerer para isso nova data, que será desde logo fixada,
cientes todos os presentes.
13. Provas. - São hábeis todos os meios de prova moralmente legítimos, ainda que não especificados em lei (art. 32).
Confira-se: art. 332 do Código de Processo Civil.
13.1. Produção da prova. - Todas as provas, ainda que não requeridas previamente, serão produzidas na audiência de
instrução e julgamento.
O juiz poderá excluir as provas que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.
13.2. Testemunhas; número; comparecimento. - As testemunhas, no máximo de três para cada parte, comparecerão
levadas pelas partes, independentemente de intimação ou mediante esta, se assim for requerido. Não comparecendo a
testemunha intimada, o Juiz poderá determinar sua imediata condução, com emprego de força pública, se necessário.
13.3. Informação de técnicos. - Quando a prova depender de conhecimento técnico ou científico, o Juiz - ao invés de
determinar perícia, na extravasada forma do Código de Processo Civil, arts. 420-439 - "poderá inquirir técnicos de sua
confiança", permitido "às partes a apresentação de parecer técnico" (art. 35).
13.4. Inspeção judicial. - No curso da audiência, poderá o Juiz, de ofício ou a requerimento, inspecionar pessoas ou coisas,
ou determinar que o faça pessoa de sua confiança, que lhe relatará informalmente o verificado.
14. Prova oral; retenção pelo Juiz. - Essa prova, ao contrário do que acontece no processo comum, não se reduz a escrito.
A sentença deve referir, no essencial, os informes trazidos nos depoimentos.
15. Instrução; direção. - A instrução pode ser dirigida por Juiz leigo, sob a supervisão do Juiz togado (art. 37).
16. Sentença. - Considerável é a simplificação no tocante à sentença. Mencionará os elementos de convicção do juiz, com
"breve resumo" dos fatos relevantes ocorridos em audiência. É dispensado o relatório (art. 38). Não se admitirá sentença
condenatória por quantia ilíquida, sujeita aos procedimentos de liquidação.
16.1. Limite da alçada. Ineficácia da sentença. - É ineficaz a sentença na parte que exceder a alçada estabelecida na lei
especial (art. 39).
16.2. Decisão pelo Juiz leigo. - O Juiz leigo que tiver dirigido a instrução proferirá sua decisão e imediatamente a
submeterá ao Juiz togado, que a homologará, proferirá outra em substituição ou, antes de se manifestar, determinará a
realização de atos probatórios indispensáveis.
17. Recursos. - Da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo arbitral, caberá recurso, dirigido ao
próprio Juizado. Será julgado por uma turma composta de três Juízes togados, em exercício no primeiro grau de jurisdição,
reunidos na sede do Juizado.
17.1. Representação por advogado. - No recurso, é obrigatória a representação por advogado.
17.2. Interposição e preparo. - O recurso será interposto no prazo de 10 dias, contados da ciência da sentença, por petição
escrita, dela constando as razões e o pedido do recorrente.
O preparo far-se-á nas 48 horas seguintes à interposição, sob pena de deserção.
18. Efeito. - Será somente o devolutivo, podendo o Juiz dar-lhe efeito suspensivo, "para evitar dano irreparável à parte"
(art. 43).
19. Julgamento. - O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com: a) indicação suficiente do processo; b)
fundamentação sucinta; e c) parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do
julgamento servirá de acórdão (art. 46).
20. Embargos de declaração. - Caberão embargos declaratórios quando na sentença ou acórdão houver obscuridade,
contradição ou omissão - os mesmos casos do art. 535 do Código de Processo Civil. Erros materiais são corrigíveis de ofício.
20.1. Interposição; prazo. - O recurso será interposto por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias, contados da ciência
da decisão.
20.2. Suspensão de prazo para recurso. - Quando interpostos contra sentença, os embargos declaratórios suspenderão o
prazo para recurso (art. 50).
21. Extinção do processo sem julgamento do mérito. - Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: I - quando
o autor deixar de comparecer a qualquer das audiências do processo; II - quando inadmissível o procedimento instituído por
esta Lei ou seu prosseguimento após a conciliação; III - quando reconhecida a incompetência territorial; IV - quando sobrevier
algum dos impedimentos previstos no art. 8º desta Lei; V - quando, falecido o autor, a habilitação depender de sentença ou não
se der no prazo de 30 dias contados da ciência do fato; VI - quando, falecido o réu, o autor não promover a citação dos
sucessores no prazo de 30 dias da ciência do fato (art. 51).
A extinção do processo independerá, em qualquer hipótese, de prévia intimação pessoal das partes (§ 1º).
No caso do inciso I deste artigo, quando se comprovar que a ausência decorre de força maior, a parte pode ser isentada,
pelo juiz, do pagamento das custas (§ 2º).
22. Execução de sentença. - A execução da sentença processar-se-á no próprio Juizado. Aplica-se, no que couber, o Código
de Processo Civil, com as seguintes alterações: I - as sentenças serão necessariamente líquidas, contendo a conversão em
Bônus do Tesouro Nacional - BTN ou índice equivalente; II - os cálculos de conversão de índices, de honorários, de juros e de
outras parcelas serão efetuados por servidor judicial; III - a intimação da sentença será feita, sempre que possível, na própria
audiência em que for proferida. Nessa intimação, o vencido será instado a cumprir a sentença tão logo transite em julgado, e
advertido dos efeitos do seu descumprimento; IV - não cumprida voluntariamente a sentença transitada em julgado, e tendo
havido solicitação do interessado, que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo à execução, dispensada nova citação; V -
nos casos de obrigação de entregar, de fazer ou de não fazer, o Juiz, na sentença ou na fase de execução, cominará multa
diária, arbitrada de acordo com as condições econômicas do devedor, para a hipótese de inadimplemento. Não cumprida a
obrigação, o credor poderá requerer a elevação da multa ou a transformação da condenação em perdas e danos, que o Juiz, de
imediato arbitrará, seguindo-se a execução por quantia certa, inclusive a multa vencida de obrigação de dar, quando
evidenciada a malícia do devedor na execução do julgado; VI - na obrigação de fazer, o Juiz pode determinar o cumprimento
por outrem, fixado o valor que o devedor deve depositar para as despesas, sob pena de multa diária; VII - na alienação forçada
de bens, o Juiz poderá autorizar o devedor, o credor ou terceira pessoa idônea a tratar da alienação do bem penhorado, a qual
se aperfeiçoará em juízo até data fixada para a praça ou o leilão. Sendo o preço inferior ao da avaliação, as partes serão
ouvidas. Se o pagamento não for à vista, será oferecida caução idônea, nos casos de alienação do bem móvel ou hipoteca do
imóvel; VIII - é dispensada a publicação de editais em jornais, quando se tratar de alienação de bens de pequeno valor; IX - o
devedor poderá oferecer embargos, nos autos da execução, versando sobre: a) falta ou nulidade da citação no processo, se ele
correu à revelia; b) manifesto excesso de execução; c) erro de cálculo; d) causa impeditiva, modificativa ou extintiva da
obrigação, superveniente à sentença (art. 52).
23. Execução de título extrajudicial. - A execução de título extrajudicial, no valor de até quarenta salários mínimos,
obedecerá ao disposto no Código de Processo Civil, com as modificações introduzidas pela Lei nº 9.099 (art. 53).
Feita a penhora, o devedor será intimado a comparecer à audiência de conciliação, quando poderá oferecer embargos, por
escrito ou verbalmente (§ 1º).
Na audiência será buscado o meio mais rápido e eficaz para solução do litígio, se possível com dispensa da alienação
judicial, devendo o conciliador propor, entre outras medidas cabíveis, o pagamento do débito a prazo ou a prestação, a dação
em pagamento ou a imediata adjudicação do bem penhorado (§ 2º).
Não apresentados embargos ou julgados improcedentes, qualquer das partes pode requerer ao Juiz a adoção de uma das
alternativas do parágrafo anterior (§ 3º).
Não encontrado o devedor ou inexistindo bens penhoráveis, o processo será imediatamente extinto, devolvendo-se os
documentos ao autor (§ 4º).
24. Despesas. - O acesso ao Juizado Especial independerá, em primeiro grau de jurisdição, do pagamento de taxas ou
despesas. O preparo do recurso compreenderá todas as despesas processuais, inclusive as dispensadas em primeiro grau,
ressalvada a hipótese de assistência judiciária gratuita.
Salvo nos casos de litigância de má-fé, a sentença de primeiro grau não condenará o vencido em custas e honorários de
advogado. Em segundo grau, o recorrente, vencido, pagará as custas e honorários, estes fixados entre dez por cento e vinte por
cento do valor da condenação ou, não havendo condenação, do valor corrigido da causa (art. 55).
Na execução somente serão contadas custas quando: a) reconhecida a litigância de má-fé; b) improcedentes os embargos do
devedor; c) tratar-se de execução de sentença que tenha sido objeto de recurso improvido de devedor (parág. único).
25. Disposições finais. - Em Disposições Finais, a Lei nº 9.099, de 26.08.95 estabelece que: instituído o Juizado Especial,
serão implantadas as curadorias necessárias e o serviço de assistência judiciária; o acordo extrajudicial, de qualquer natureza
ou valor, poderá ser homologado, no juízo competente, independentemente de termo, valendo a sentença como título executivo
judicial; o acordo celebrado pelas partes por instrumento público, referendado pelo Ministério Público, valerá como título
extrajudicial; as normas de organização judiciária local poderão estender a conciliação, prevista nos arts. 22 e 23, a causas
abrangidas por esta Lei; não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta Lei.
26. Justiça Federal. - A Lei n° 10.259, de 13.07.2001, dispôs sobre os Juizados Especiais Cíveis no âmbito da Justiça
Federal.
JUSTIFICAÇÃO
1. Generalidades. - "Justificar" tem vários significados: reconhecer como inocente, demonstrar a inocência, provar,
demonstrar, provar judicialmente por meio de justificação etc. Justificação, por seu lado, tem vários sentidos: ora significa o
ato ou o efeito de justificar, ora aquilo que serve para justificar, ora o processo de justificar.
Comparem-se a justificação, pelo possuidor, da turbação ou do esbulho, para obter o mandado liminar de manutenção ou de
reintegração, com a de quem, preventivamente, quer justificar a existência de um fato, ou de uma relação jurídica para, depois,
em ação própria, servir-se da justificação como prova.
O primeiro ato é um incidente probatório; o segundo, medida cautelar, autônoma. Posto que, através da justificação avulsa,
em processo autônomo, seja intento do requerente provar algum fato, ou relação jurídica, o juiz não se pronunciará sobre o
mérito da prova, restringir-se-á a verificar se foram observadas as formalidades legais: questão de sua competência, citação do
requerido, regular inquirição das testemunhas, etc.
2. Cabimento. - Quem pretender justificar a existência de algum fato ou relação jurídica, seja para simples documento e
sem caráter contencioso, seja para servir de prova em processo regular, exporá, em petição circunstanciada, a sua intenção (art.
861).
3. Citação dos interessados. - Salvo nos casos expressos em lei, é essencial a citação do interessados (art. 862).
Se o interessado não puder ser citado pessoalmente, intervirá no processo o Ministro Público (parágrafo único).
4. Elementos de prova. - A justificação consistirá na inquirição de testemunhas sobre os fatos alegados, sendo facultado ao
requerente juntar documentos (art. 863).
5. Julgamento; natureza da sentença; entrega dos autos ao requerente. - A justificação será a final julgada por sentença e
os autos serão entregues ao requerente independentemente de traslado, decorridos 48 horas da decisão (art. 866).
O juiz não se pronunciará sobre o mérito da prova, limitando-se a verificar se foram observadas as formalidades legais
(parágrafo único).
6. Limitações. - No processo de justificação não se admite defesa nem recurso (art. 865). Ao interessado, contudo, é lícito
contraditar as testemunhas, reinquiri-las e manifestar-se sobre os documentos, dos quais terá vista em cartório por 24 horas
(art. 264).
7. Justificação prévia; dispensa. - O juiz concederá o arresto independentemente de justificação prévia: I. quando for
requerido pela União, Estado ou Município, nos casos previstos em lei; II. se o credor prestar caução (art. 816).
8. Justificação prévia; modo de fazer-se. - A justificação prévia, quando ao juiz parecer indispensável, far-se-á em segredo
e de plano, reduzindo-se a termo o depoimento das testemunhas (art. 815).
9. Modelo:
Justificação de posse
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador abaixo assinado (inscrito na
OAB sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, vem perante V. Exª expor e requerer o seguinte:
1. Desde o ano de 1939, Antônio Fagundes Ferraz, pai do requerente, tinha posse mansa e pacífica do terreno situado à
rua ..., nº ..., cujos confrontantes atuais são (indicar).
O antigo possuidor manteve no local, até o ano de 1950, um depósito de material de construção. Em 1940, franqueou
espaço para que ali se alojassem algumas famílias, enquanto permaneciam os efeitos do temporal que caiu sobre a cidade,
recebendo elogios pelo ato de solidariedade, como se lê em recorte do jornal A Notícia (doc. anexo).
2. Por morte de Antônio Fagundes Ferraz, o requerente, seu herdeiro, continuou a posse do prédio, onde foi construído um
edifício de seis andares.
Quem pretender justificar a existência de algum fato ou relação jurídica, seja para simples documento e sem caráter
litigioso, seja para servir de prova em processo regular, exporá, em petição circunstanciada a sua intenção (Código de Processo
Civil, art. 861). A justificação consistirá na inquirição de testemunhas sobre os fatos alegados, sendo facultado ao requerente
juntar documentos (art. 863).
3. O requerente quer fazer justificação avulsa dos fatos articulados no item 1º: a posse mansa e pacífica de seu pai e de seu
sucessor sobre o imóvel. Para isto pede a citação dos confinantes, os certos supra-indicados, e os incertos. Bem assim do órgão
do Ministério Público, para, em dia e hora previamente designados, assistir a inquirição das testemunhas abaixo arroladas.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Rol de testemunhas.
LITISCONSÓRCIO
1. Conceito. - Litisconsórcio é o laço que une duas ou mais pessoas (cum) numa só lide, sujeitando-as à mesma sorte
(sorts), de ganhar ou de perder.
2. O fenômeno. - No que tange às partes, assim como no tocante ao que se pede, os processos podem apresentar
simplicidade (um só autor, um réu apenas, um único pedido) ou pluralidade de autores, de réus, de pedidos. Cumulação
subjetiva (cumulação de sujeitos, autores, ou réus ) e cumulação objetiva (de pedidos, de objetos).
No litisconsórcio há cumulação subjetiva: duas ou mais pessoas demandam, ou duas ou mais pessoa são demandadas, no
mesmo processo, numa só lide.
O litisconsórcio é, portanto, fenômeno processual. Suas fontes são, naturalmente, fatos da vida social, que o direito material
regula e a que o direito processual dá sua contribuição instrumental. Serve à economia processual e evita decisões
contraditórias.
3. Histórico. - Há meio século, Gusmão, lamentando a escassez da jurisprudência brasileira sobre o tema do litisconsórcio,
e a pobreza dos recursos encontráveis nas leis processuais, quer da União, quer dos Estados, foi buscar em fontes estrangeiras
as idéias dominantes, que expendeu, que amoldou em "breves noções" no seu conhecido livro sobre processo civil.
Essas noções eram um apanhado, um transunto do que se achava condensado nos Códigos de Processo Civil alemão,
austríaco e húngaro, que, aliás, Eduardo Espínola transplantou para o Código da Bahia, arts. 6º e 10.
A literatura era escassa. As noções, ainda confusas. Misturavam- se institutos que apenas tinham pontos de semelhança.
João Mendes apenas aflorou o assunto. Ribas, na Consolidação, dedicara-lhe apenas o art. 557 e algumas notas. João Mendes
Júnior, no Direito Judiciário, não foi além de uma página.
Nova fase se iniciou com a promulgação do Código de 1939. Comentadores, estudiosos, juízes, advogados deram ao
instituto uma feição nova, procuraram plasmar-lhe a estrutura. Guilherme Estelita publicou em 1955 excelente monografia -
Do Litisconsórcio no Direito Brasileiro -, na qual se propôs "expor a matéria em todos os seus aspectos, vários e complexos".
Nem o Código revogado satisfez a curiosidade dos juristas, a necessidade de precisão e clareza que os antigos mestres
proclamavam, nem o atual, ao que parece, afastou as dúvidas, que persistem nos aspectos, vários e complexos do
litisconsórcio. Encontra-se em vários sautores a afirmação de que o legislador de 1973 "não foi feliz".
4. Lei processual. - Dispõe o CPC:
"Art. 46. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente,
quando:
I. entre elas houver comunhão de direito ou de obrigações relativamente à lide;
II. os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito;
III. entre as causas houver conexão pelo objeto ou pela causa de pedir;
IV. ocorrer afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito."
"O Juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes, quando este
comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa. O pedido de limitação interrompe o prazo
para resposta, que recomeça da intimação da decisão" (parág. único).
"Art. 47. Há litisconsórcio necessário quando, por disposição de lei ou pela natureza da relação jurídica, o
juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes; caso em que a eficácia da sentença
dependerá da citação de todos os litisconsortes no processo.
Parágrafo único. O juiz ordenará ao autor que promova a citação de todos os litisconsortes necessários,
dentro do prazo que assinar, sob pena de declarar extinto o processo."
"Art. 48. Salvo disposição em contrário, os litisconsortes são considerados, em suas relações com a parte
adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros."
"Art. 49. Cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo e todos devem ser
intimados dos respectivos atos."
4.1. Limitação. - A limitação quanto ao número de litigantes tem por objeto evitar o inconveniente do acúmulo de litigantes
em certas causas, como as de funcionários públicos em pleito de vantagens ou em mandados de segurança.
5. Espécies e modalidades de litisconsórcio. - O litisconsórcio pode ser:
a) ativo, passivo, ou misto; ativo, quando no mesmo processo se congregam dois ou mais autores; passivo, quando há
pluralidade de réus; misto, quando litigam dois ou mais autores e dois ou mais réus;
b) inicial, originário, ou superveniente, ulterior, conforme exista desde a propositura da ação, ou se forme depois, no curso
da lide;
c) necessário, indispensável, obrigatório, especial, ou voluntário, facultativo: o primeiro é imposto por lei, ou pela natureza
da relação jurídica material que se deduz em juízo; o segundo depende de manifestação de vontade dos interessados; a doutrina
distingue o litisconsórcio voluntário próprio e o impróprio, segundo o grau de eficácia de manifestação da vontade na sua
criação;
d) diz-se unitário, o litisconsórcio, nos casos em que a prestação jurisdicional é uniforme para todos, não sendo lícito dar
aos co-demandantes ou co-demandados sorte diferente ou desigual.
6. Irrecusabilidade, indispensabilidade, unanimidade. - O art. 88 do Código anterior - ao mesmo tempo fonte de dissídios
e clareira por onde ingressaram os estudiosos, analistas da nova ordem processual inaugurada em 1939 - dispunha:
"Admitir-se-á o litisconsórcio, ativo ou passivo, quando fundado na comunhão do interesse, na conexão
de causas, ou na afinidade de questões por um ponto comum de fato ou de direito. No primeiro caso, não
poderão as partes dispensá-lo; no segundo, não poderão recusá-lo, quando requerido por qualquer delas; no
terceiro, poderão adotá-lo, quando de acordo."
Em resumo, duas espécies: o necessário, fundado na "comunhão de interesses", e o voluntário, este irrecusável, ou
recusável à falta de acordo. A tríade, esquemática, longe estava da corresponder à realidade, mas era um caminho que se abria
ao trabalho de juízes e doutrinadores.
O art. 46 trata das fontes, dos pressupostos do litisconsórcio voluntário. O art. 47 cuida do litisconsórcio necessário. Não
mais se fala em litisconsórcio recusável, mas está claro que, em se tratando de litisconsórcio necessário, o juiz ordenará ao
autor que promova a citação dos litisconsortes obrigatórios. Tratando-se de litisconsórcio facultativo incumbe ao magistrado
evitar que a entrada injustificada ou intempestiva de novos litigantes tumultue o processo, prejudique os litigantes originários.
A finalidade econômica do instituto não deve ceder campo ao desabrido interesse de terceiros, capaz de subverter, ou turbar a
ordem do processo.A autoridade do juiz deve impor-se quando se fizer necessário ressalvar o interesse público em que se
fundou a criação do litisconsórcio; os Tribunais são os vanguardeiros da manutenção de sua pureza.
7. Litisconsórcio necessário; litisconsórcio unitário. - No art. 47 parece haver sinonimização dos litisconsórcios
necessário e unitário. A definição os engloba, pelo menos:
"Há litisconsórcio necessário quando, por disposição da lei ou pela natureza da relação jurídica, o juiz
tem de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes."
Durante a elaboração legislativa porfiou-se à procura de fórmulas adequadas para regular o litisconsórcio e dirimir dúvidas
que até então martirizavam e separavam os intérpretes.
A redação do art. 47 é prova de que não vingaram as idéias de pôr fim à polêmica. Luiz Antonio de Andrade, já em crítica
ao estatuto posto em vigor, escreveu:
"Observe-se, de início, que não há qualquer dispositivo de lei que imponha ao juiz decidir a lide de
maneira uniforme. Por outro lado, a obrigatoriedade da decisão uniforme não caracteriza, doutrinariamente, o
litisconsórcio necessário, mas o unitário, que é coisa diversa. Em grande número de casos de litisconsórcio
unitário, sobretudo ativo, afigura-se impossível exigir a participação simultânea de todos os colegitimados"
(Aspectos e Inovações do Código de Processo Civil, nº 33).
Celso Agrícola Barbi não esconde sua insatisfação. Em aula proferida no Instituto dos Advogados de Minas Gerais, sobre
alguns temas processuais, manifestou-se deste modo:
"Merece destaque o problema do litisconsórcio necessário. O art. 47 diz que ele existirá quando, por
disposição de lei, ou pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para
todas as partes. Nesse caso, a eficácia da sentença dependerá da citação de todos os litisconsortes no
processo. A disposição legal não parece correta ou pelo menos não é clara. Tem-se a impressão de que
confunde litisconsórcio unitário e necessário." Esclarece que essas figuras são distintas.
"Nem todo litisconsórcio unitário é necessário, e vice-versa" ("Ação, Partes, Despesas Judiciais, Intervenção de Terceiros e
do Ministério Público no Novo Código de Processo Civil", RF, vol. 247, pp. 20-26, nº 8). Em livro editado alguns anos depois,
as mesmas críticas:
"O Código vigente, apesar de contar o legislador com os subsídios da doutrina e da jurisprudência
nascidas a propósito da legislação anterior, não deu tratamento satisfatório ao tema... Além de não haver
precisado o conceito de litisconsórcio unitário, foi pouco claro quanto à permanência ou não do
litisconsórcio facultativo recusável. E no art. 47, a propósito do litisconsórcio necessário, definiu-o pelas
características do unitário, isto é, pela necessidade de decisão uniforme em relação a todos os interessados"
(Comentários ao Código de Processo Civil, vol. I, nº 286).
Como quer que seja, os arts. 46 e 47 indicam os pressupostos das duas grandes espécies de litisconsórcio, facultativo e
necessário, e do unitário.
8. Modelo:
Pedido de litisconsórcio
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. Corre perante esse Juízo ação em que litigam como Autor Jesuíno Brando Filgueira e como Ré a empresa {_Nome da
parte contrária}. (Processo nº {_Nº do Processo}), em que se demanda indenização por acidente de transporte.
O fato está assim descrito na petição inicial (reproduzir).
O requerente, também passageiro do veículo, foi vítima do acidente, sofrendo graves lesões (descrever).
2. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, quando os direitos ou as obrigações derivem do mesmo
fundamento de fato (CPC, art. 46, II).
3. Face ao exposto, pede a V. Exª seja admitido como litisconsorte no referido processo, ouvidas as partes.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
LOCAÇÃO
1. Definição. - Locação é o contrato pelo qual uma das partes se compromete, mediante um preço pago pela outra, a
fornecer-lhe, durante certo lapso de tempo, ou o uso e gozo de coisa infungível, ou a prestação de serviço economicamente
apreciável, ou, finalmente, a execução de algum trabalho determinado (Clóvis Beviláqua, Direito das Obrigações, § 134).
Na primeira parte da definição tem-se a locação de coisa. Interessa-nos, neste trabalho, a locação de coisa, tal como se
contém, aliás, no art. 1.188 do Código Civil de 1916:
Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso ou gozo de coisa
não fungível, mediante certa retribuição.
Ver os arts. 565 a 578 do novo Código Civil.
A retribuição constitui o "aluguel" ou "renda".
Mais restritamente, interessa-nos a locação de coisa imóvel urbana - imóveis urbanos.
A locação é contrato bilateral perfeito, oneroso e consensual.
2. Locação, arrendamento. - Locação e arrendamento não são palavras sinônimas. Tal entendimento não é ou não foi
pacífico. Aluguel e renda são, contudo, a mesma coisa.
O direito brasileiro, ao contrário de outros, como o alemão e o francês, não faz distinção entre locação e arrendamento.
Alguns autores, entretanto, e entre eles Teixeira de Freitas, estabeleceram uma diferença entre o arrendamento e a locação: esta
melhor se aplicaria aos contratos relativos a prédios urbanos, ficando aquele para as grandes propriedades rurais (Sylvio
Capanema de Souza).
O Código Civil Português de 1867, claro, didático, dispunha no art. 1.596:
"A locação diz-se arrendamento, quando versa sobre coisa imóvel; aluguel quando versa sobre coisa móvel", o que
literalmente se repete no novo Código, de 1966 (art. 1.023).
A matéria, como se vê, é polêmica.
A lei, no Brasil, não faz, em verdade, distinção. Roberto Barcellos de Magalhães escreveu:
"Locação ou arrendamento. É o contrato pelo qual alguém (locador, senhorio) se compromete a ceder o
uso de uma coisa ou prestar algum serviço a outrem (locatário ou inquilino), mediante uma retribuição."
O Código Comercial trata da "locação mercantil" nos arts. 226 a 246 (revogados pelo novo Código Civil, art. 2.045). A Lei
do Inquilinato preexclui de seu comando o "arrendamento mercantil", em qualquer de suas formalidades (art. 1º, parágrafo
único, b).
Não obstante, talvez por tradição, arrendamento mais se emprega para designar a locação de fazenda, sítio, um imóvel de
considerável extensão ou capacidade, um complexo hoteleiro, um teatro, um barracão, etc. Locação, aluguel, sempre se refere
a casa, apartamento.
Três exemplos se podem colher no Código Civil de 1916:
a) O contrato de enfiteuse é perpétuo. A enfiteuse por tempo limitado considera-se arrendamento (art. 679);
b) O usufrutário pode usufruir em pessoa ou mediante arrendamento (art. 724; novo CC, art. 1.399):
c) O credor anticrético pode fruir diretamente o imóvel ou arrendá-lo a terceiro, salvo pacto em contrário, mantendo, no
último caso, até ser pago, o direito de retenção do imóvel (art. 806; novo CC, art. 1.507, §§ 1° e 2°).
3. Lei nº 8.245, de 18.10.1991. - A nova lei, mais uma tentativa de solver o problema, velho e crônico, da habitação urbana,
destina-se a regular a locação de imóvel urbano (art. 1º). Trata, no Título I, da locação em geral; no Título II, dos
procedimentos; o Título III compreende disposições finais e transitórias.
Os procedimentos regulados pelo diploma legislativo são:
a) ações de despejo (arts. 59 a 66);
b) ação de consignação de aluguel e acessórios da locação (art. 67);
c) ação revisional de aluguel (arts. 68 a 70);
d) ação renovatória (arts. 71 a 74).
4. Preexclusão. - Preexcluem-se do comando da Lei nº 8.245, isto é, continuam regulados pelo Código Civil e pelas leis
especiais:
a) as locações:
1. de imóveis de propriedade da União, dos estados e dos municípios, de suas autarquias e fundações públicas;
2. de vagas de garagem ou espaços para estacionamento de veículos;
3. de espaços destinados à publicidade;
4. em apart-hotéis, hotéis-residências ou equiparados, assim considerados aqueles que prestam serviços regulares a seus
usuários e como tais sejam autorizados a funcionar;
b) o arrendamento mercantil, em qualquer de suas modalidades (art. 1º, parágrafo único).
Obs.: Trata-se do leasing, adotado entre nós pela Lei nº 6.099, de 12.09.1974.
5. Aluguel. - É livre a convenção do aluguel, vedada a estipulação em moeda estrangeira e a sua vinculação à variação
cambial ou ao salário mínimo (art. 17). Nas locações residenciais serão observados os critérios de reajuste previstos na
legislação específica (parágrafo único).
5.1. Novo valor. - É lícito às partes fixar, de comum acordo, novo valor para o aluguel, bem como inserir ou modificar
cláusula de reajuste (art. 18).
5.2. Ação revisional. - Não havendo acordo, o locador e o locatário, após três anos de vigência do contrato ou de acordo
anteriormente realizado, poderão pedir revisão judicial do aluguel, a fim de ajustá-lo ao preço de mercado (art. 19).
6. Prazo. - O contrato de locação pode ser ajustado por qualquer prazo, dependendo de vênia conjugal, se igual ou superior
a 10 anos (art. 3º). Ausente a vênia conjugal, o cônjuge não estará obrigado a observar o prazo excedente (parágrafo único).
Durante o prazo estipulado para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. O locatário, todavia,
poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, segundo a proporção prevista no art. 924 do Código Civil de 1916 e no art. 571
do novo Código, e, na falta, a que for judicialmente estipulada (art. 4º). O locatário ficará dispensado da multa se a devolução
do imóvel decorrer de transferência, pelo seu empregador, público ou privado, para prestar serviços em localidades diversas
daquela do início do contrato, se notificar, por escrito, o locador com o prazo, no mínimo, de 30 dias de antecedência
(parágrafo único).
7. Ação de despejo, ação própria. - Seja qual for o fundamento do término da locação, a ação do locador, para reaver o
imóvel, é a de despejo (art. 5º).
8. Denúncia. - Os arts. 6º, 7º e 8º facultam a denúncia, respectivamente:
a) pelo locatário, da locação por prazo indeterminado;
b) pelo usufrutuário, ou fiduciário, nos casos de extinção de usufruto ou do fideicomisso;
c) pelo adquirente, se o imóvel for alienado durante a locação.
8.1. Desfazimento. - A locação poderá também ser desfeita:
I. por mútuo acordo;
II. em decorrência da prática de infração legal ou contratual;
III. em decorrência de falta de pagamento do aluguel e demais encargos;
IV. para a realização de reparações urgentes determinadas pelo poder público, que não possam ser normalmente executadas
com a permanência do locatário no imóvel ou, podendo, ele se recuse a consenti-las (art. 9º).
9. Locação por escrito; resolução. - Nas locações por escrito e por prazo igual ou superior a 30 meses, a resolução do
contrato ocorrerá findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso (art. 46). Findo o prazo ajustado, se o
locatário continuar na posse do imóvel sem oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação por tempo indeterminado,
mantidas as demais cláusulas e condições do contrato (§ 1º). Ocorrendo a prorrogação, o locador poderá denunciar o contrato a
qualquer tempo, concedido o prazo de 30 dias para desocupação (§ 2º).
10. Retomada. - No art. 47 estão previstos vários casos de retomada, entre eles pedido para uso próprio, do cônjuge ou
companheiro, para uso residencial de ascendente ou descendente; para demolição e edificação licenciada ou obras aprovadas
pelo poder público, que aumentem a área construída em, no mínimo 20%, ou se o imóvel for destinado à exploração de hotel
ou pensão, em 50%, ou se a vigência ininterrupta da locação ultrapassar cinco anos.
Nos §§ 1º e 2º enunciam-se as condições, os pressupostos de retomadas.
11. Locação para temporada. - As locações para temporada, muito em voga no país, têm sua regulamentação nos arts. 48 a
50.
12. Locação destinada ao comércio; renovação. - A matéria, desde 1934 regulada pelo Decreto nº 24.150, passou ao
comando da Lei nº 8.245 (arts. 51 a 57).
13. Ação de despejo; liminar para desocupação em 15 dias. - Conceder-se-á liminar para desocupação em quinze dias,
independentemente da audiência da parte contrária e desde que prestada caução no valor correspondente a três meses de
aluguel, nas ações que tiverem por fundamento exclusivo os fatos indicados no art. 59, § 1º, incisos I a V.
14. Perspectiva da Lei do Inquilinato. - Desde o momento em que certos serviços, ou o uso de certas utilidades, são
considerados indispensáveis para o público, a liberdade contratual passa a sofrer restrições. Todavia, quando estas restrições
ultrapassam o razoável e se põem a serviço da demagogia, isto faz com que desapareçam aquelas utilidades, piorando a
situação (Agostinho Alvim, Aspectos da Locação Predial, pp. 22-23).
Em poucos setores da coletividade - continua o ilustre professor - se tem mostrado tão acesa a luta de classes como neste,
onde se defrontam inquilinos e proprietários. Os governos, em geral, têm tomado o partido daqueles.
Mas, nesta matéria, os favores desordenados que a eles se têm feito, de orientação imediatista, funcionam como
entorpecentes, acalmando, no momento, mas sacando para o futuro.
Os que dispõem de recursos não os empregam em imóveis para alugar, como faziam antigamente, de modo a abastecer o
mercado dos inquilinos.
"Temerosos das leis do inquilinato, só constroem casas e apartamentos para vender, deixando sem solução o problema dos
que não têm dinheiro para comprar sua casa de moradia" (ob. cit., p. 23).
A nova Lei nº 8.245/91 não tem o mesmo caráter restritivo das demais. Pretende, como, aliás, a de 1979, resolver, pelo
menos em parte, o sério problema de moradia, atendendo aos interesses do locador e do locatário.
O tema da locação predial é vasto e polêmico. Os itens de um a 14 contêm idéias fundamentais, como do estilo da obra.
15. Modelos:
15.1. Ação de despejo. Falta de pagamento do aluguel e encargos
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente deu em locação a {_Nome da parte contrária}, {_Nacionalidade da parte contrária}, {_Estado civil da parte
contrária},{_Profissão da parte contrária} o apartamento nº ... da rua ..., nº ..., ajustado em ... o aluguel mensal, acrescido de
encargos permitidos em lei, vencível no dia 5 de cada mês seguinte (doc. nº 3).
O inquilino pagou pontualmente apenas cinco mensalidades e encargos: está em atraso no pagamento correspondente aos
meses de abril e maio, no valor de ..., embora várias vezes solicitado a solver o débito.
2. A locação poderá ser desfeita em decorrência de falta de pagamento do aluguel e demais encargos (Lei nº 8.245/91, art.
9º, III).
3. Pelo exposto, requer a citação do locatário para, no prazo da lei, purgar a mora, na forma do art. 62, ou contestar a ação
ora proposta, sob pena de despejo.
Protesta por provas documental e oral.
Dá à causa o valor legal: doze meses de aluguel (art. 58, III).
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
15.2. Ação de despejo. Infração contratual e legal
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem propor ação de despejo contra {_Nome da
parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, alegando e requerendo o seguinte:
1. O requerente pactuou com o requerido a locação do imóvel, de sua propriedade, apartamento nº 408, da rua Bento
Gonçalves, nº 63, centro, descrito no instrumento de que exibe certidão (doc. nº 2).
O inquilino, infringindo a lei e o contrato, deu ao imóvel destinação diversa da convencionada; segundo a cláusula 3ª, "o
prédio foi tomado para residência do locatário e sua família".
Além disso, ficou vedada, em cláusula adminicular, a utilização do imóvel para fim comercial ou industrial (cláusula nº 5,
b).
A proibição é de direito comum e de direito específico: o locatário é obrigado: I. a servir-se da coisa alugada para os usos
convencionados ou presumido, conforme a natureza dela (arts. 1.192 do Código Civil de 1916; novo CC, art. 569, I, e art. 23,
II, da Lei do Inquilinato).
2. No caso sub judice, apesar da expressa e clara proibição da lei e do contrato, o inquilino, ao invés de ocupar o prédio
como residência própria, sem consentimento do requerente, no prédio instalou uma fábrica de roupas para crianças, com todos
os inconvenientes de maquinaria e entra-e-sai de empregados e clientes.
3. Pelo exposto, e com fundamento no art. 9º, II, da Lei nº 8.245, de 18.10.1991, requer a citação do réu, para, querendo,
oferecer contestação, sob pena de revelia.
Espera que se julgue procedente a ação, se rescinda o contrato e, conseqüentemente, seja expedido mandado de despejo,
condenado o réu a pagar as custas e honorários advocatícios.
Protesta por prova documental, pericial e oral (depoimento pessoal da parte e depoimento de testemunhas).
Dá à causa o valor de ..., correspondente a doze meses de aluguel (art. 58, III).
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
15.3. Ação de consignação em pagamento
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem propor contra {_Nome da parte contrária}
{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, ação consignatória de aluguel e acessórios, pelos motivos
de fato e de direito que passa a expor:
1. O autor é inquilino do réu, a quem tomou de aluguel o apartamento nº 502, da rua Maritain, nº 834, nesta cidade.
Convencionou-se aluguel de ..., mais acessórios da locação - despesas de condomínio, luz e gás - no valor, atualmente, de ...
(instrumento do contrato, comprovantes - docs. nos 2, 3, 4 e 5).
O locador, injustificadamente, se recusa a receber o aluguel e acessórios correspondentes ao mês de abril, nos valores,
respectivamente, de ... e ... não obstante haver sido, para isso, várias vezes procurado.
2. A ação de consignação, também denominada ação de depósito em pagamento, tem por finalidade solver a obrigação,
liberar o devedor, impedir as conseqüências da mora solvendi.
Fundamental nesse procedimento é a oferta de pagamento que o autor faz ao réu, chamando-o para, em lugar, dia e hora
certos, receber a quantia ou a coisa, sob pena de ser feito o respectivo depósito (Jônatas Milhomens, Manual de Prática
Forense, nº 560).
Determinada a citação do réu, o autor será intimado a, no prazo de 24 horas, efetuar o depósito judicial da importância
indicada na petição inicial, sob pena de ser extinto o processo (Lei nº 8.245, de 18.10.1991, art. 67, II). O pedido envolverá a
quitação das obrigações que se vencerem durante a tramitação da ação, até ser prolatada a sentença de primeira instância,
devendo o autor promover os depósitos nos respectivos vencimentos (inciso III).
3. Pelo exposto, requer a citação do senhorio para, em dia e hora que V. Exª determinar, vir receber a quantia de ..., sob
pena de ser feito o respectivo depósito, bem assim o das prestações vincendas.
Espera, a final, que se julgue procedente a ação, extinta a obrigação e se condene o réu nas custas e honorários
advocatícios.
Valor da causa {_Valor da causa}, correspondente a doze meses de aluguel (Lei nº 8.245/91, art. 58, III).
Protesta por depoimento pessoal e de testemunhas.
Termos em que,
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
15.4. Ação revisional de aluguel
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, quer propor
ação revisional de aluguel contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, pelos motivos de fato e de direito que passa a expor:
1. O requerente deu ao réu, em locação, o apartamento nº... da rua ..., pelo prazo de cinco anos e aluguel mensal de ..., além
de encargos especificados no contrato.
A locação, existente a partir de ..., está no quarto ano de vigência, decorridos 38 meses desde seu início.
A inflação ocasionou disparada no valor dos aluguéis. O legislador, reconhecendo os inúmeros casos de defasamento,
previu e regulou a revisão judicial do aluguel.
2. É lícito às partes fixar, de comum acordo, novo valor para o aluguel (Lei do Inquilinato, art. 18). Não havendo acordo, o
locador ou o locatário, após três anos de vigência do contrato ou do acordo anteriormente realizado, pode ajustá-lo ao preço de
mercado (idem, art. 19).
A ação revisional terá o rito sumário (art. 68).
3. Pelo exposto, requer a citação do locatário para os termos da presente ação, a fim de, observado o disposto nos arts. 275
a 281 do Código de Processo Civil, determinar-se a revisão do aluguel
Pede a fixação de aluguel provisório nas bases do inciso III, do art. 68 da mencionada lei.
Protesta pela produção de provas documental, pericial e oral.
Dá à causa o valor legal: doze meses de aluguel (art. 58, III).
Termos em que
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
15.5. Ação renovatória
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado abaixo assinado, quer propor
contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, ação renovatória de
contrato de locação, pelos motivos de fato e de direito que passa a expor:
1. Por instrumento particular de ... tomou em locação o prédio situado na rua .., nº ..., nesta cidade, de propriedade do réu.
O prazo convencionado foi de cindo anos. O aluguel, de ... (doc. nº...).
No imóvel alugado o requerente mantém, desde o início do contrato, estabelecimento comercial, a "Loja da Fortuna",
explorando o ramo de tecidos e miudezas. Sua loja conta hoje com apreciável clientela: está, no mesmo ramo de comércio,
funcionando há 3 anos e 6 meses, ininterruptos.
O requerente vem dando exato cumprimento ao contrato, pagando pontualmente o aluguel, impostos e taxas (docs. nºs...)
2. Nas locações destinadas ao comércio, o locatário terá direito à renovação de contrato por igual prazo, desde que,
cumulativamente: I. o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; II. o prazo mínimo do
contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; III. o locatário esteja
explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo de três anos (Lei nº 8.245, de 18.10.1991, art. 51).
A petição da ação renovatória deverá ser instruída com a prova dos fatos indicados nos incisos I a VI do art. 71.
3. Preenchendo o autor todos os requisitos exigidos pela mencionada lei (Lei do Inquilinato), requer a citação do locador
para os termos da ação, para, querendo, oferecer contestação, sob pena de revelia.
Oferece, para o novo contrato, aluguel no valor de ... e o mesmo fiador, que, segundo declaração ora exibida, aceita prestar
a garantia, juntamente com o cônjuge.
Protesta pelo depoimento da parte e de testemunhas, juntadas de documento e perícia.
Dá à causa o valor de ..., correspondente a 12 meses de aluguel (art. 58, III).
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
LOTEAMENTO E VENDA DE IMÓVEIS A PRESTAÇÕES
1. Legislação. - O Código de Processo Civil, Disposições Transitórias, dispôs que continua em vigor, até ser incorporado
em lei especial, o procedimento regulado pelo Código de 1939 concernente "ao loteamento e venda de imóveis a prestações"
(art. 1.218, I).
O Título IX do Livro IV, "Dos Processos Especiais", compreendia os arts. 345 a 349, que perderam a vigência com o
advento da Lei nº 6.014, de 27.12.1973, que deu nova redação ao Decreto-Lei nº 58, de 10.12.1937.
1.1. Interpretação do Decreto-Lei nº 58, de 10.12.1937. - Tenha-se em vista o disposto no art. 16 e parágrafos do Decreto-
Lei nº 58/37:
"Art. 16. Recusando-se os compromitentes a outorgar a escritura definitiva no caso do art. 15, o
compromissário poderá propor, para o cumprimento da obrigação, ação de adjudicação compulsória, que
tomará o rito sumaríssimo.
§ 1º A ação não será acolhida se a parte, que a intentou, não cumprir a sua prestação nem a oferecer nos
casos e formas legais.
§ 2º Julgada procedente a ação, a sentença, uma vez transitada em julgado, adjudicará o imóvel ao
compromissário, valendo como título para a transcrição.
§ 3º Das sentenças proferidas nos casos deste artigo, caberá apelação."
Dispõe ainda o art. 22 do mesmo Decreto-Lei nº 58, de 10.12.1937, nos termos da Lei nº 6.014, de 27.12.1973:
"Os contratos, sem cláusula de arrependimento, de compromisso de compra e venda e cessão de direitos
de imóveis não loteados, cujo preço tenha sido pago no ato de sua constituição ou deva sê-lo em uma ou
mais prestações, desde que inscritos a qualquer tempo, atribuem aos compromissários direito real oponível a
terceiros, e lhes conferem o direito de adjudicação compulsória nos termos dos arts. 16 desta Lei, 640 e 641
do Código de Processo Civil."
A publicidade tem por fim, justamente, convocar os terceiros interessados na impugnação do projeto de registro, facilitar
aos compradores a verificação dos títulos de propriedade dos vendedores.
Não é novidade que o oficial pode levantar dúvidas.
2. Dúvidas do oficial. - Recebidos o memorial e o instrumento, o oficial do registro dará recibo ao depositante, depois de
autuá-lo e verificar a sua conformidade com a lei. Decorrido o prazo da última publicação, e não havendo impugnação de
terceiros o oficial procederá ao registro, se os documentos estiverem em ordem. Dois ensejos tem o oficial, portanto, para
levantar dúvida sobre a conformidade do registro.
3. Impugnação. - No caso de impugnação (acompanhada de prova de direito real), ouvir-se-á o impugnado, isto é, o
promovente do registro, no prazo de cinco dias. No caso de dúvida levantada pelo oficial, os autos serão conclusos ao juiz, sem
mais formalidades.
A impugnação que não vier fundada em direito real, devidamente comprovado, será rejeitada in limine, remetendo-se o
impugnante para o juízo contencioso. Terceiro impugnante não é qualquer que se apresente para impugnar; é aquele que,
possuidor de um direito incontestável, estiver protegido pela lei com direito real devidamente comprovado (ac. do Tribunal de
Justiça do Paraná, de 11.10.1952, Paraná Judiciário, vol. VI, p. 347).
4. Modelos:
4.1. Impugnação de registro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE REGISTROS PÚBLICOS - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, {_Profissão do cliente}, e sua mulher, domiciliados e residentes nesta cidade, {_Endereço do cliente},
por seu procurador, inscrito na Ordem dos Advogados sob nº {_Nº OAB} expõem e requerem o seguinte:
1. Os requerentes são senhores e possuidores de um terreno situado no Ingá, com setenta metros de frente por oitenta de
fundos, tendo como confrontantes, ao tempo da aquisição, Alberto dos Santos e Bartolomeu Dias, e ainda a margem da Estrada
de Ferro e Gilberto Soares, imóvel comprado por escritura de ... de ... de ... a Tancredo Matos Pontes, pelo preço de ... A
escritura está devidamente registrada (docs. nºs 2 a 5).
Tiveram ciência, por edital publicado no Jornal Oficial, de que a firma {_Razão social da parte contrária}, dizendo-se
proprietária, pretende o registro desse imóvel, que lhe não pertence, mas sim aos ora requerentes.
Com efeito, a "relação cronológica dos títulos de domínio", apresentada pelos depositantes, é falha; ainda mais falha "a
descrição da propriedade loteada", O imóvel, mal descrito no memorial, é de propriedade dos ora requerentes, como se vê dos
documentos apresentados.
2. O Decreto-Lei nº 58, de 10.12.1937, franqueia ao terceiro interessado a impugnação do registro de imóvel loteado para
venda em prestações, desde que se comprove, de logo, o direito (real) do impugnante. É o que se dá no caso sujeito à
apreciação desse respeitável Juízo.
3. Pelo exposto, esperam que, procedido na forma da lei, se digne V. Exª de negar o pretendido registro.
A finalidade precípua de um plano de loteamento devidamente registrado é garantir a todos os participantes a uniformidade
dos objetivos preestabelecidos, quer no que diz respeito aos lotes transacionados, como em relação às construções nestes
edificadas (Ac. do Tribunal de Justiça de São Paulo, de 14.03.1961; Revista dos Tribunais, vol. 312, p. 169).
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
4.2. Recusa. Petição do promissário-comprador
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE REGISTROS PÚBLICOS - {_Comarca}
{_Nome do cliente} {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}(qualificação) e sua mulher {_Nome do cliente}
(qualificação), residentes nesta cidade, por seu procurador, expõem e requerem o seguinte:
1. Por escritura pública lavrada em notas ..., os requerentes firmaram com {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO
E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}um contrato de compromisso de compra e venda do imóvel (descrever), pelo preço
de ..., a ser pago em 10 prestações de ..., vencíveis no dia cinco de cada mês, a partir de ... (doc. junto).
Pagaram a última prestação (doc. nº 5). Entretanto, os promitentes-vendedores se recusam a outorgar escritura definitiva.
2. Recusando-se o promitente a dar escritura definitiva, pode ser citado, a fim de a outorgar, sob pena de ser o lote
adjudicado, de acordo com os preceitos legais.
3. Pedem, assim, a citação do referido promitente para, no prazo de cinco dias, dar a escritura, no Cartório ... sob pena de
ser adjudicado o imóvel aos promissários-compradores, além das cominações legais.
Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
Pedem deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
4.3. Petição do promitente-vendedor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE REGISTROS PÚBLICOS - {_Comarca}
1. {_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, tendo contratado {_Nome da parte
contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} a venda a prestações do lote nº ...( descrever), como prova o
documento nº 3; e como o promissário, pagas todas as prestações, não se dispôs a receber a escritura definitiva, quer, como
promitente, lançar mão do remédio legal.
2. O compromitente que houver recebido todas as prestações e apresentar documento comprobatório do registro, poderá
requerer a notificação do compromissário, para, no prazo legal, que correrá em cartório, receber a escritura definitiva. Não
sendo assinada a escritura nesse prazo, o lote comprometido será depositado por conta e risco do compromissário, que
responderá pelas despesas judiciais e custas do depósito.
3. Com os documentos por lei exigidos, requer a intimação do promissário para receber a escritura, no tabelião ..., sob pena
de ser o lote depositado de acordo com a lei.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
MANDADO DE INJUNÇÃO
1. Generalidades. - Injungir é "impor a obrigação de". Injunção vem a ser a obrigação imposta. Não foge ao sentido geral
dos vocábulos o inciso LXXI da Constituição da República:
"Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o
exercício dos direitos e liberdades constitucionais das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania."
O constituinte de 1988, carregado de emoções ante os acontecimentos políticos de dois decênios e sob a pressão do
eleitorado vigilante, logo após lançar os princípios fundamentais da "nova" República, estendeu-se no escalonamento dos
direitos individuais, incluindo entre eles, como novidade, as benesses do "mandado de injunção" e do habeas data.
2. Mandado de injunção - Objeto do novo instituto não é acautelar interesses em situações litigiosas entre particulares, mas
o de permitir que um direito declarado pela Constituição seja exercido, a despeito da inércia do órgão estatal incumbido de
discipliná-lo. Situa-se, por isso, no campo do direito público, a exemplo da medida cautelar concedida nas ações diretas de
inconstitucionalidade e da medida liminar no mandado de segurança (Ministro Célio Borja, "O Mandado de Injunção e o
Habeas Data", in RF, vol. 306, p. 44).
2.1. Auto-aplicabilidade. - Discutiu-se, após a promulgação da Constituição Federal, a respeito de ser ou não ser aplicável
o dispositivo constitucional independentemente de regulamentação. Triunfou a corrente positiva.
Tal entendimento restou consagrado com as primeiras decisões do Supremo Tribunal Federal, conhecendo da injunção, e
com o advento da Lei nº 8.038, de 28.05.1990, que, em seu art. 24, parágrafo único, mandou observar, no mandado de injunção
e no habeas data, as normas do mandado de segurança, enquanto não editada norma específica, "inexistindo, hoje em dia,
dúvidas quanto a essa matéria" (Luiz Alberto Gurgel de Faria, "Mandado de Injunção e Ação Direta de Inconstitucionalidade",
in RF, vol. 322, p. 45, nº 1).
(A Lei nº 8.038/90 institui normas procedimentais para os processos que especifica perante o Superior Tribunal de Justiça e
o Supremo Tribunal Federal).
3. Competência. - A competência para processar e julgar o mandado de injunção é, em princípio, dos Tribunais: a) do
Supremo Tribunal Federal, Constituição, art. 102, I e II; b) do Superior Tribunal de Justiça, art. 105, I, h; c) do Tribunal
Superior Eleitoral, art. 125, § 4º, V. Quanto aos Tribunais Militares: "A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a
competência da Justiça Militar" (CF, art. 124, parágrafo único). No tocante aos Tribunais de Justiça dos Estados, caberá às
Constituições Estaduais dar-lhes competência para o processo e julgamento do novo writ (Constituição, art. 105).
Compete ao Supremo Tribunal Federal o processo e julgamento originário do mandado de injunção quando a elaboração da
norma regulamentadora - cuja ausência se exige como premissa para impetração do mandamus - for atribuição do Presidente
da República, do Congresso Nacional, da Câmara de Deputados, do Supremo Tribunal, das mesas de uma dessas Casas
Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal.
É também da alçada do Supremo Tribunal Federal o julgamento, em recurso ordinário, do mandado de injunção decidido
em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão.
Compete ao Superior Tribunal de Justiça o processo e julgamento originário do mandado de injunção, quando a elaboração
da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta,
excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da
Justiça do Trabalho e da Justiça Federal.
4. Modelo:
Mandado de injunção
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO PRESIDENTE DA {_Vara ou Junta} JUNTA DE CONCILIAÇÃO E
JULGAMENTO - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, empregado da empresa {_Razão social da
parte contrária}, estabelecida à {_Endereço da parte contrária}, vem, perante a Justiça do Trabalho, requerer mandado de
injunção, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:
1. O reclamante é casado com (nome e qualificação), a serviço de (nome, qualificação e residência). (Certidão de
casamento, xerox da Carteira de Trabalho, doc. nºs...). Sua mulher deu à luz uma criança no dia ... do corrente (certidão de
nascimento, doc. nº ...) e acha-se em gozo de licença à gestante. Para dar assistência à mulher e ao filho solicitou ao
empregador licença-paternidade, direito que lhe assegura o art. 7º, XIX, da Constituição Federal, pedido que lhe foi negado.
2. O direito à mencionada licença depende de lei especial, que até esta data não foi baixada. Remédio contra a falta de lei
regulamentadora do dispositivo constitucional é o mandado de injunção (art. 5º, LXXI, da Lei Magna, verbis: "conceder-se-á
mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais...").
3. Pelo exposto, pede que, recebida e protocolada esta reclamação (em duas vias), se notifique o reclamado para
comparecer à audiência de julgamento que for designada, na forma do art. 841 da Consolidação das Leis do Trabalho. Espera
que a junta, em sua alta sabedoria, supra a omissão e lhe assegure o gozo da pleiteada licença.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Obs.: A fórmula mais adequada, no entendimento de Celso Agrícola Barbi, "é a de o Juiz criar, para o caso concreto do
requerente de mandado de injunção, uma norma especial, ou adotar uma medida capaz de proteger o direito do autor da
demanda" ("Mandado de Injunção", in Revista Forense, vol. 305, p. 17).
MANDADO DE SEGURANÇA
1. Origem. - A criação do mandado de segurança provém de longo trabalho de jurisprudência brasileira, à frente o Supremo
Tribunal Federal, para adoção de medida sumária capaz de garantir certas relações jurídicas desprovidas de remédio imediato,
como é o habeas corpus para atos de autoridade contra o direito de liberdade (Castro Nunes, Do Mandado de Segurança, p.
13).
Nasceu sob o influxo do espírito liberal dominante no País desde o advento da República. Era expressão viva desse clima
individualista a tendência constantemente revelada pelo Supremo Tribunal Federal de alargar cada vez mais o instituto do
habeas corpus, fazendo-se tutelar outros direitos que não o livre exercício de locomoção (Amorim Lima, Código de Processo
Civil Brasileiro, p. 147).
Na procura de pronta reparação de direitos flagrantemente violados, não se tardou a recorrer ao habeas corpus, e também
aos interditos, para proteção dos direitos pessoais.
Foi preciso um longo processo de elaboração histórica e jurídica para chegarmos ao ponto de criar um remédio próprio para
garantir certa categoria de direitos essenciais à própria vida e segurança individual. Ampliou-se rapidamente o processo do
habeas corpus para amparar o direito de locomoção em suas diversas manifestações, inclusive quando para o exercício de um
direito essa liberdade tornava-se indispensável e essencial.
"Indivíduos eleitos para cargo público reclamavam por habeas corpus a proteção necessária para a posse
e o exercício dos direitos inerentes à função eletiva. A jurisprudência dos nossos tribunais firmou-se nesse
sentido" (Themístoles Brandão Cavalcanti, Do Mandado de Segurança, p. 12).
2. Histórico. - Com o objetivo de proteger outros direitos, criou-se, com a Lei nº 221, de 20.11.1894, a ação sumária
especial, que não produziu os desejados efeitos.
O mandado de segurança surgiu com a Constituição de 1934, art. 113, nº 33:
"Dar-se-á mandado de segurança para defesa de direito certo e incontestável, ameaçado ou violado por
ato manifestamente inconstitucional ou ilegal de qualquer autoridade. O processo será o mesmo do habeas
corpus, devendo ser ouvida a pessoa de direito público interessada. O mandado não prejudicará as ações
petitórias competentes."
O dispositivo constitucional foi regulado pela Lei nº 191, de 16.01.1936.
A Constituição de 1937, que impôs ao Brasil uma nova ordem, silenciou quanto ao mandado de segurança. A muitos
pareceu supressa a garantia. Contudo, o Decreto-Lei nº 6, de 16.11.1937, dispôs:
"Continua em vigor o remédio do mandado de segurança, nos termos da Lei nº 191, de 16.01.1936,
exceto, a partir de 10.11.1937, quanto aos atos do Presidente da República e dos ministros de Estado,
governadores e interventores" (art. 19).
Em vigor o regime estabelecido em 1937, sobreveio o Código de Processo Civil de 1939, que situou o mandado de
segurança entre os processos especiais, arts. 319 a 331:
"Dar-se-á mandado de segurança para defesa de direito certo e incontestável, ameaçado ou violado por
ato manifestamente inconstitucional, ou ilegal, de qualquer autoridade, salvo do Presidente da República,
dos Ministros de Estado, governadores e interventores."
A restrição, assinalada em grivo, desapareceu com a Constituição democrática de 1946, art. 141, § 24. A partir de então
inexiste a ressalva autoritária.
A Constituição da República, art. 5º, manteve os princípios já conquistados e assentados.
A matéria é regulada pela Lei nº 1.533, de 31.12.1951, que revogou os arts. 319 a 331, do Código de Processo Civil. E
sofreu, ao depois, várias alterações, que procuram conter certas liberalidades na admissão do remédio excepcional e em
especial na concessão de medidas liminares.
As Leis n.os 6.014, de 26.12.1973, e 6.071, de 03.07.1974, adaptaram a Lei nº 1.533 ao Código de Processo Civil de 1973,
art. 1º:
"Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de
sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.
§ 1º Consideram-se autoridade para os efeitos desta lei os administradores ou representantes das
entidades autárquicas e das pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas do poder público, somente
no que entende com essas funções.
§ 2º Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer
mandado de segurança."
3. Direito líquido e certo. - A qualificação da certeza e liquidez, da, vamos dizer, evidência do direito ameaçado ou violado,
há de ficar dependendo da apreciação do juiz em cada caso concreto. O remédio é excepcional e, portanto, só aplicável quando
o direito (ameaçado, violado) for estreme de dúvida.
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em acórdão de 24.04.1944, decidiu:
"Se o pedido se funda em fato complexo duvidoso, que somente pode ser apurado depois de discussão e
provas, é evidente que transcende os limites angustos do mandado de segurança..." (Minas Jurídica, vol. I, p.
300).
4. Direito ameaçado, ou violado. - A garantia se estende tanto à violação como à ameaça. O mandado de segurança visa
não só ao restabelecimento, como à prevenção do direito.
A exemplo do habeas corpus, ao qual se assemelha e do qual se originou, e a exemplo dos interditos, a que também se
assemelha, tanto pode ser restaurativo, reintegrativo, como preventivo. O preventivo se destina à proteção de quem se achar na
iminência de sofrer abuso de poder de autoridade pública.
5. Abuso de poder de qualquer autoridade. - Já vimos que a Constituição de 1946 eliminou a restrição, de fundo ditatorial,
que deixava incólumes os atos de chefes de Poder Executivo.
Autoridade, "seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça", diz o art. 1º, parte final, da Lei nº 1.533.
Em verdade, o mandamus visa a coibir excesso ou abuso de autoridade pública, em geral da administração.
Excepcionalmente se admite contra ato emanado do Poder Legislativo ou do Poder Judiciário.
A vida social pode mais que os sistemas e esquemas traçados pelo homem para melhor conhecê-la e servi-la.
Ilegalidade, ou abuso de poder é nota imprescindível.
Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o
mandado de segurança houverem de ser suportadas pela União Federal ou pelas entidades autárquicas federais (art. 2º).
6. Autoridade coatora federal. - A regra do art. 2º é fixadora de competência da autoridade judiciária em função do
interesse da União, segundo preceitos constitucionais e de processo.
O art. 1º, § 1º, considera autoridade, para os efeitos de mandado de segurança, os administradores ou representantes das
autarquias e das pessoas naturais ou jurídicas em funções delegadas do poder público. Coerentemente, para efeito de
competência, considera o ônus que possa vir a ser suportado pela União ou pelas autarquias federais.
O titular de direito líquido e certo decorrente de direito, em condições idênticas, de terceiro, poderá impetrar mandado de
segurança a favor do direito originário, se o seu titular não o fizer, em prazo razoável, apesar de para isso notificado
judicialmente (art. 3º).
7. Direito derivado. - No direito material, conhecem-se casos de proteção a direitos dependentes, franqueada ao interessado
medida judicial própria. Exemplo: o interessado em que o herdeiro declare se aceita, ou não a herança, poderá, 20 dias depois
de aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de 30 dias, para dentro nele, se pronunciar o herdeiro, sob pena
de se haver a herança por aceita (Código Civil de 1916, art. 1.584).
O titular do direito dependente interpelará o titular do direito originário. Ante a inércia do interpelado, o interpelante estará
legitimado a impetrar o remédio processual contra a ilegalidade do ato, ou abuso do poder.
Em caso de urgência, é permitido, observados os requisitos desta lei, impetrar o mandado de segurança por telegrama ou
radiograma ao juiz competente, que poderá determinar seja feita pela mesma forma a notificação à autoridade coatora (art. 4º).
8. Radiograma; telegrama. - O Código de Processo Civil de 1939 prescrevia: "Em caso de urgência, o pedido de mandado
de segurança, as comunicações e quaisquer ordens do juiz ou tribunal poderão transmitir-se por telegrama ou radiograma" (art.
326).
O emprego desses dois meios rápidos de comunicação, no Código de Processo Civil, cingem-se à carta de ordem e à carta
precatória. Rente com o progresso da física, manda o legislador que, havendo urgência, transmitir-se-á a carta de ordem por
telegrama, radiograma ou telefonema (art. 205).
9. Preexclusão. - Dispõe a Lei nº 1.533/51:
"Art. 5º Não se dará mandado de segurança quando se tratar:
I. de ato de que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução;
II. de despacho ou decisão judicial, quando haja recurso previsto nas leis processuais ou possa ser
modificado por via de correição;
III. de ato disciplinar, salvo quando praticado por autoridade incompetente ou com inobservância de
formalidade essencial."
Remédio de exceção o mandado de segurança, é natural que a lei se preocupasse com determinar-lhe os limites.
Deve o profissional - juiz, advogado - trabalhar: a) com ampliativo do final do art. 1º, verbis, "... autoridade, seja de que
categoria for e sejam quais forem as funções que exerçam"; b) com o restritivo do art. 5º, II, verbis, "... despacho ou decisão
judicial, quando haja recurso previsto nas leis processuais ou possa ser modificado por via de correição"; c) com a messe de
exemplos, colhidos na árvore verde da vida, forçada pelos quais a jurisprudência vai interpretando e aplicando os textos.
Pode-se afirmar: cabe mandado de segurança, sempre, contra atos do Poder Executivo; algumas vezes, contra atos dos
outros dois Poderes. Dar-se-á mandado de segurança contra ato disciplinar eivado de manifesta ilegalidade formal.
"Art. 6º A petição inicial, que deverá preencher os requisitos do art. 282 do Código de Processo Civil,
será apresentada em duas vias, e os documentos, que instruírem a primeira, deverão ser reproduzidos, por
cópia, na segunda.
Parágrafo único. No caso em que o documento necessário à prova do alegado se ache em repartição ou
estabelecimento público com ou em poder de autoridade que recuse fornecê-lo por certidão, o juiz ordenará,
preliminarmente, por ofício, a exibição desse documento em original ou em cópia autêntica e marcará para
cumprimento da ordem o prazo de dez dias. Se a autoridade que tiver procedimento dessa maneira for a
própria coatora, a ordem far-se-á no próprio instrumento da notificação. O escrivão extrairá cópias do
documento para juntá-las à segunda via de petição."
10. Mandado de segurança coletivo. - Dispõe a Constituição Federal, art. 5º, LXX:
"O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no
Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa de seus membros ou associados."
11. Petição inicial; requisitos, instrução. - A petição inicial, em duas vias, preencherá os requisitos, hoje, do art. 282 do
Código de Processo Civil, além de outros, específicos, e apresentar-se-á devidamente instruída, consoante dispõe o referido
artigo.
A segunda via da inicial far-se-á acompanhar de cópia dos documentos que a instruírem.
Prevendo a hipótese de morosidade de repartição pública em fornecer certidão ou documento necessário ao impetrante, ou a
de recusa da autoridade, atribui-se ao juiz ordenar a sua exibição em curto prazo.
12. Modelo:
Petição de mandado de segurança
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DA FAZENDA PÚBLICA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado infra-assinado, inscrito na
OAB, nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, impetra mandado de segurança contra ato ilegal do Sr. Secretário de
Saúde da Prefeitura de {_Nome da parte contrária}, para o que expõe e requer o seguinte:
1. O impetrante, que exerce o cargo de (indicar), concorreu a uma das vagas (indicar), submetendo-se a concurso público
de provas (oral e escrita) e de títulos. Obteve o 5º lugar entre os concorrentes (docs. nos 3, 4, 5 e 6).
Anunciado oficialmente o resultado do concurso (doc. nº 5), esperou que seu nome fosse indicado para preencher uma das
10 vagas abertas pela Lei ..., habilitado que está, pelos meios legais, à conquista do lugar.
Surpreendentemente, a autoridade, aqui denominada coatora, ao invés de obedecer à ordem de aprovação no concurso,
inseriu, depois do nome de Laurentino Dutra de Almeida, 4º colocado, os de Dalva Pimentel e Creuza Mendonça, que
obtiveram classificação inferior (7º e 8º lugares).
2. O ato ostensivo do Sr. Secretário viola direito líquido e certo do impetrante. Se a municipalidade chamou candidatos a
concurso e decidiu-se a aproveitar no serviço público os aprovados, deve obedecer à ordem de classificação, quaisquer que
sejam os títulos científicos ou de nobreza dos eleitos.
Dar-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo sempre que alguém, ilegalmente ou com abuso de
poder, sofrer violação a direito líquido e certo (Constituição da República, art. 5º, LXIX: Lei nº 1.533/51, art. 1º).
3. Assim exposto, e exibindo segunda via desta petição e dos documentos que a instruem, pede a notificação do coator, na
forma do art. 7º, I: e que se suspenda o ato impugnado até decisão da causa (art. 7º, II), esperando que, procedido regularmente,
seja concedida a segurança ora impetrada, para o fim de ser aprovado num dos lugares que conquistou no concurso público.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB} {_Endereço do Adv.}
MEDIDAS CAUTELARES
1. As trilogias - No mundo das Religiões e da Ciência dominam as trilogias. Os Vedas, os Brâhmanes e os Sutras, da
primitiva literatura indiana; os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, do Direito Constitucional, clássico; os três direitos
reais de garantia - penhor, hipoteca e anticrese. No Direito Processual, o triunvirato forense - autor, juiz e réu; a tríplice
identidade na exceção de litispendência: coisa, causa e pessoas, etc.
O Código de 1973 rendeu tributo à comodidade do número 3. Três são os Livros Fundamentais: Livro I - Do Processo de
Conhecimento; Livro II - Do Processo de Execução; Livro III - Do Processo Cautelar. Há um Livro IV - Dos Procedimentos
Especiais, e o Livro V - Das Disposições Finais e Transitórias.
2. Ordinariedade e especialidade. - Os procedimentos especiais não eliminam a aplicação das regras do procedimento
ordinário. Pelo contrário, a ordinariedade neles persiste, ou implícita, ou explicitamente. Implicitamente, verbi gratia, quando
alude a "petição inicial", "citação", "contestação", institutos especialmente regulados no Livro I. Explicitamente, porque em
várias "ações" especiais, como as de depósito, de anulação de títulos ao portador, de manutenção e de reintegração de posse,
respectivamente, "se o réu não contestar..., observar-se-á o procedimento ordinário" (art. 903); "recebida a contestação,
observar-se-á o procedimento ordinário" (art. 910), "aplica-se, quanto ao mais, o procedimento ordinário" (art. 931).
O procedimento sumaríssimo, extinto pela reforma processual de 1994, não passava de procedimento ordinário
simplificado. Há elementos comuns e elementos especiais nos vários procedimentos. A distribuição deles em Código (o que às
vezes desafia a argúcia do legislador) ora obedece a critérios científicos ora a interesse prático.
3. Medidas cautelares. - O processo e os procedimentos cautelares se inscrevem, não há dúvida, na dimensão temporal do
processo. Têm por escopo adiantar, preventivamente, uma prestação jurisdicional, evitando que, pelo decurso do tempo, com a
demora na solução da lide, fique o direito sem efetiva tutela.
Em excelente monografia, Ovídio A. Batista da Silva destaca a função prática das medidas cautelares e seu procedimento
"sumário", enfocando a questão no fenômeno da revolução tecnológica, a qual tem afetado nossa estrutura social, impondo ao
homem contemporâneo rápida transformação de todos os aspectos da vida social.
Nesse contexto de perpétuo devenir, numa sociedade em permanente transformação, onde o risco, o medo e o perigo se
institucionalizaram, é difícil explicar o insuficiente tratamento das ações de segurança, forma de tutela pela qual o processo
civil responde às exigências de periclitação dos bens e interesses juridicamente protegidos.
Depois de referir-se ao que se passa na Itália, onde, segundo Giovani Gabrielle - um juízo cível nos três graus de jurisdição
consome de regra tempo demasiado, conclui:
"Pois, se considerarmos o processo como instrumento de realização do direito, as ações cautelares são o
instrumento do instrumento, já que, atendendo a uma peculiar modalidade de tutela jurisdicional, essas ações
asseguram a realização dos objetivos do próprio processo, evitando que o natural e, com maiores razões
ainda, o anormal retardamento da tutela comum prejudique o direito daquela que a reclama ao Poder
Judiciário" (As Ações Cautelares e o Novo Processo Civil, pp. 7 e 9).
Podetti escreveu um tratado sobre a matéria. Observando que o Código de Procedimento da Capital apenas lhe dedicara uns
poucos artigos, sem embargo das dificuldades que a diversidade de situações cria à doutrina dos pressupostos das medidas
cautelares, assinala, teoricamente, dois pressupostos: a) a existência de um direito, garantido pela lei; b) um interesse jurídico
que justifique esse adiantamento ao resultado de um processo.
Bonfim Marins enfatiza a extraordinária relevância que alcançam as medidas de urgência neste chamado século da correria,
dos foguetes interplanetários e das máquinas fotográficas que dividem o segundo em 1.000 avos. A tutela jurisdicional do
Estado, todavia, a dirimição dos conflitos, toma alongado espaço de tempo, a contar da propositura da ação até o decisum final
ou execução, podendo advir, dessa demora, mudança no estado de fato da lide, ocasionando lesão grave e de difícil reparação
ao direito de uma das partes.
"Avulta apontar, então, as medidas cautelares, agora em nova roupagem, para atender, no dizer de
Chiovenda, à necessidade efetiva e atual de remover o temor de um dano jurídico" (Revista da Associação
dos Magistrados, ano II, nº 16, pp. 171-172).
Tadeu Marino Loyola Costa alude à necessidade de tomar providências urgentes e provisórias tendentes a evitar óbices à
declaração jurisdicional e a sua eventual execução como se inexistente o perigo da delonga, no processamento da ação
principal. Certo, o retardamento na solução da contenda pode causar sérios prejuízos a quem se socorre de via ordinária, "com
instrução e discussão amplas, com julgamento largamente fundamentado, quer no aspecto do direito, quer no de fato" (Revista
citada, pp. 191-192).
4. Razão de ordem. - O Livro III, Título único, divide-se em dois capítulos: I. das disposições gerais; II. dos procedimentos
cautelares específicos. Há, portanto, medidas cautelares específicas e medidas cautelares genéricas: nominadas, como o arresto,
o seqüestro, a caução, e inominadas.
Obs.: O Decreto nº 2.626, de 15.06.98, promulgou o protocolo de medidas Cautelares, concluído em Ouro Preto - MG, em
16.12.94, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 192, de 15.12.95. Ver Revista Forense, vol. 342, p. 679.
Ao juiz foi cometido amplo poder de expedir medidas provisionais.
"Além dos procedimentos cautelares específicos, que este Código regula no Capítulo II, poderá o juiz
determinar as medidas provisórias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte,
antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação" (art. 793).
Com esse dispositivo ficou realçado o poder geral de cautela conferido ao juiz, amplo e indeterminado poder de ordenar as
medidas provisórias que julgar adequadas. Estamos, escreveu Galeno Lacerda, em presença de autêntica norma em branco,
que confere ao magistrado, dentro do estado de direito, um poder puro, idêntico ao de pretor romano quando, no exercício do
imperium, decretava os interdicta.
A medida liminar no mandado de segurança, a reintegração ou manutenção possessória in limine, o embargo liminar da
obra nova, a apreensão e depósito da coisa vendida com reserva de domínio, liminarmente, e sem audiência do comprador, e
outras medidas reguladas no Código e em leis especiais, são, lato sensu, medidas cautelares.
Destacaremos a seguir os poderes e deveres do juiz nos procedimentos específicos do Capítulo II - arresto, seqüestro,
caução, busca e apreensão, exibição, produção antecipada de prova, alimentos provisionais, arrolamento de bens, justificação,
protestos, notificações e interpelações, homologação de penhor legal, posse em nome do nascituro, atentado, protesto e
apreensão de título: e outras medidas provisionais que o magistrado pode ordenar em caráter preparatório ou incidental, nos
casos urgentes "sem audiência do requerido", explicitados no art. 888.
"Poderes e deveres do juiz", porque, exempli gratia, no arresto deve exigir prova literal da dívida líquida e certa; noutros
procedimentos, atender aos requisitos da petição inicial.
5. Disposições gerais. - Antes de tratar dos procedimentos cautelares específicos - arresto, seqüestro, busca e apreensão,
etc. - o Código estabelece regras gerais, relativas ao momento da proposição, audiência das partes, poder cautelar geral do
juiz, competência, requisitos da petição inicial, etc., que se contêm nos arts. 796 a 812.
O art. 812 dispõe:
"Aos procedimentos cautelares específicos, regulados no Capítulo seguinte, aplicam-se as disposições gerais deste
Capítulo."
Vale a pena conhecer-lhes o enunciado. Pusemo-los em ordem alfabética para facilitar a pesquisa.
Cessação da eficácia. Cessa a eficácia da medida cautelar: I. se a parte não intentar a ação no prazo estabelecido no art.
806; II. se não for executada dentro de 30 dias; III. se o juiz declarar extinto o processo principal, com ou sem julgamento do
mérito (art. 808).
Cessada a medida, é defeso à parte repetir o pedido, salvo por novo fundamento (parágrafo único).
Citação; prazo para defesa. O requerido será citado para, no prazo de cinco dias, contestar o pedido, indicando as provas
que pretende produzir. Conta-se o prazo da juntada aos autos do mandado: I. de citação devidamente cumprido; II. da execução
da medida concedida liminarmente ou após justificação prévia (art. 802).
Competência. As medidas cautelares são requeridas ao juiz da causa; quando preparatórias, ao juiz competente para
conhecer da causa principal (art. 800); interposto o recurso, a medida cautelar será requerida diretamente ao tribunal (§ único).
Concessão liminar sem citação. É lícito ao juiz conceder liminarmente ou após justificação prévia a medida cautelar, sem
ouvir o réu, quando verificar que este, sendo citado, poderá torná-la ineficaz; caso em que poderá determinar que o requerente
preste caução real ou fidejussória de ressarcir os danos que o requerido possa a vir a sofrer (art. 804).
Contestação; audiência. Se o requerido contestar o pedido, o juiz designará audiência de instrução e julgamento, havendo
prova a ser nela produzida (art. 803, parágrafo único).
Efetivação da medida em procedimento preparatório; prazo para propor a ação. Cabe à parte propor a ação no prazo de 30
dias, contados da data da efetivação da medida cautelar, quando esta for concedida em processo preparatório (art. 806).
Eficácia da medida cautelar. A medida cautelar conserva a sua eficácia pelo prazo de 30 dias desde sua efetivação (art.
806) e na pendência do processo principal (art. 807).
Salvo decisão judicial em contrário, conservará a eficácia durante a suspensão do processo (parágrafo único).
Indeferimento da medida; repercussão. O indeferimento da medida não obsta a que a parte intente a ação, nem influi no
julgamento desta, salvo se o juiz, no procedimento cautelar, acolher alegação de decadência ou de prescrição do direito do
autor (art. 810).
Medidas sem audiência da parte. Só em casos excepcionais, expressamente autorizados por lei, determinará o juiz medidas
cautelares sem audiência das partes (art. 797).
Modificação. As medidas cautelares podem ser modificadas a qualquer tempo (art. 807, parte final).
Não contestação; presunção em favor do requerente; decisão, prazo. Não contestado o pedido, presumir-se-ão aceitos pelo
requerido, como verdadeiros, os fatos alegados pelo requerente; caso em que o juiz decidirá dentro em cinco dias (art. 803).
Petição inicial, requisitos. O requerente pleiteará a medida cautelar em petição escrita, que indicará: I. a autoridade
judiciária a que é dirigida; II. o nome, estado civil, profissão e a residência do requerente e do requerido; III. a lide e seu
fundamento quando a medida for requerida em procedimento preparatório; IV. a exposição sumária do direito ameaçado e o
receio da lesão; V. as provas que serão produzidas (art. 801 e parágrafo único).
Poder cautelar geral do juiz. Além dos procedimentos cautelares específicos, que o Código regula no Livro III, Capítulo II,
poderá o juiz determinar as medidas provisórias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes
do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação (art. 798). Nesse caso, poderá o juiz, para
evitar o dano, autorizar ou vedar a prática de determinados atos, ordenar a guarda judicial de pessoas e depósito de bens e
impor a prestação de caução (art. 799).
Procedimento cautelar, momento de sua proposição. O procedimento cautelar pode ser instaurado antes ou no curso do
processo principal (art. 796).
Responsabilidade objetiva. Sem prejuízo do disposto no art. 16, o requerente do procedimento cautelar responde ao
requerido pelo prejuízo que lhe causar a execução da medida: I. se a sentença no processo principal lhe for desfavorável; II. se,
obtida liminarmente a medida no caso do art. 804, não promover a citação do requerido dentro em cinco dias; III. se ocorrer a
cessação da eficácia da medida; IV. se o juiz acolher, no procedimento cautelar, alegação de decadência ou de prescrição do
direito do autor (art. 811).
A liquidação do prejuízo causado pela execução da medida far-se-á nos autos do procedimento cautelar (art. 811, parágrafo
único).
Revogação. As medidas cautelares podem ser revogadas a qualquer tempo (art. 807, parte final).
Substituição da medida. A medida cautelar poderá ser substituída, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pela
prestação de caução ou outra garantia menos gravosa para o requerido, sempre que adequada e suficiente para evitar a lesão ou
repará-la integralmente (art. 805).
Vale a pena conhecer-lhes o enunciado em sua totalidade.
Veja Arresto, Busca e Apreensão, Caução e Seqüestro.
NOMEAÇÃO Á AUTORIA
1. Nominatio auctoris - O Professor Athos Gusmão Carneiro, num ensaio sobre intervenção de terceiros, "um dos temas
mais árduos do processo civil brasileiro", revelou maestria no organizar uma síntese dos quatro institutos, depois de
prelecionar, com cuidado e segurança, sobre partes - conceito geral, princípios a elas referentes; capacidade para ser parte;
legitimatio ad processum; capacidade processual; legitimatio ad causam; substituição processual; parte vencedora; sucessão
das partes e capacidade postulacional.
Na nomeação à autoria o que se pretende é substituir o réu por terceiro, afastar da relação processual um réu que seja parte
ilegítima ad causam. O réu que se considera parte ilegítima "nomeia" o terceiro, para que o venha substituir no pólo passivo da
relação processual (Intervenção de Terceiro, p. 123).
A nomeação à autoria (laudatio auctoris, nominatio auctoris) objetiva a substituição do réu parte ilegítima para a causa, por
um réu considerado parte legítima para a causa. Em última análise, visa a corrigir a ilegitimação passiva.
Normalmente, quando o réu se considera parte ilegítima para a causa (v.g., em ação de despejo o demandado entende não
ser inquilino do autor; em ação de anulação de um contrato, nega ser um dos contratantes), argüirá a falta de legitimação como
umas das prefaciais da contestação; e o juiz, se comprovada tal assertiva, julgará o autor carecedor da ação contra o contestante
(caso de extinção do processo sem conhecimento do mérito, art. 267, VI). O autor ficará então na contingência de propor nova
demanda contra quem juridicamente se encontre na posição de legitimado passivo.
"Pelo instituto da nomeação à autoria, em determinados casos o réu é obrigado ("deverá", diz o art. 62) a provocar, desde
logo, sua "substituição", o que representa evidente vantagem prática quer para o demandante, que irá litigar com o verdadeiro
réu, como para o demandado, a quem se faculta afastar-se do processo e dos ônus e incômodos que aquele acarreta" (ob. cit., nº
15.1).
Em dois trechos e em "caráter predominantemente didático", o douto processualista delineou o instituto da nomeação à
autoria, em sua estrutura, em seu objetivo e sua finalidade prática.
2. Modelos:
2.1. Nomeação à autoria
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, ainda no prazo da contestação, vem requerer e
expor a V. Exª o seguinte:
1. Na presente ação, Lúcio Mauro pretende lhe seja assegurado o domínio do imóvel ... (descrever).
2. Todavia, o Requerente é tão-somente locatário do referido imóvel, conforme contrato celebrado com ... em ... de ... de ...
(doc. anexo); tão-somente detém o prédio a título de ..., e jamais pretendeu, nem pretende ter domínio sobre o mesmo, de
propriedade de {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, a quem, por isso
mesmo, quer nomear à autoria.
3. Pelo exposto, vem requerer a V. Exª que, de conformidade com o disposto no art. 64 do Código de Processo Civil,
determinando a suspensão do processo, se digne de mandar ouvir o Autor, procedendo-se, após, à citação do nomeado à
autoria, no prazo, na forma e para os fins de Direito.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
2.2. Suspensão do processo
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, nos autos da ação {_Tipo de ação} que lhe
move {_Nome da parte contrária}, ainda no prazo da contestação, vem expor e requerer a V. Exª o seguinte:
1. Conforme amplamente demonstrado na contestação, na presente ação, em que o Autor, como proprietário ( ou titular de
algum direito sobre a coisa), pretende haver indenização pelo fato de (resumir o fato e a conclusão da inicial), o requerente,
embora não reconhecendo a responsabilidade que se lhe pretende imputar (ou, se for o caso, embora não tenha podido deixar
de reconhecer atos alegados na inicial), apenas praticou o ato em que se funda a ação por ordem de ... (indicar) ou apenas
praticou o ato em que se funda ação em cumprimento de instruções recebidas de ... (nome, nacionalidade, estado civil,
profissão e residência do indicado).
2. Por isso mesmo, conforme o disposto no art. 63 do Código de Processo Civil, vem o requerente nomear à autoria o
referido Sr. ... (nome,nacionalidade, estado civil, profissão e residência).
3. Pelo exposto, requer a V. Exª que, determinando a suspensão do processo (Código de Processo Civil, art. 64), se digne de
mandar ouvir o Autor, procedendo-se, após à citação do nomeado, no prazo, na forma e para os fins de direito.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Obs.: Estes dois modelos de petição foram colhidos em Prática Forense, do Professor José Olympio de Castro Filho (vol. I,
nºs 114 e 115). Inserimo-los nesta obra em homenagem ao ilustre processualista.
NULIDADES
1. Dogmática das nulidades. - Não cabe no delimitado âmbito desta obra a dogmática das nulidades processuais. Nem
correríamos o risco de apresentar, sequer em caráter elementar, em meio a tantas outras, a nossa teoria das nulidades, assunto
delicado e complexo, fonte inesgotável de discussões.
Para consolo das partes, de advogados e juízes, nas duas grandes reformas por que passou o Processo no Brasil, o exemplo
das legislações estrangeiras e a lição da experiência propiciaram um salto de muitos graus no sentido de racional
regulamentação da matéria.
O Código de 1939 ensejou uma renovação mental, que deu um "basta" nos vícios anulatórios do passado.
As normas do Título X do Livro II, que o diploma legislativo ostentou em "base revolucionária", já se continham
imprecisas, nas leis de alguns Estados, no ensinamento de alguns autores, em decisões judiciais esparsas.
O hábito de procurar, descobrir nulidades, e de alegá-las ou guardá-las para surpreender o adversário e o juiz numa volta
deserta do caminho, tinha raízes profundas. A capciosidade, o "amor" à forma punha por terra trabalho árduo, com um simples
golpe inesperado, de tocaia. Os reclamos da vida moderna gritavam, contudo, contra os preconceitos de um passado em agonia.
A construção jurídica era ainda imperfeita, indefinida; não eliminou as incertezas em que se debatiam estudiosos e
expositores. Mas muito fez, rompendo com uma das causas de desmoralização do processo.
A nova construção é quase perfeita.
Estabelecida num Código disposições conforme as quais o Estado, por seus juízes, exercerá a jurisdição civil, contenciosa e
voluntária; entregue ao juiz a direção do processo com a nota de que lhe compete velar pela rápida solução do litígio;
conhecidos os princípios da relevância da forma e da economia processual, sobre esse lastro, no Título V - Dos Atos
Processuais -, abriu-se um Capítulo final - Das Nulidades -, cujos arts. 243 a 258 representam uma síntese daquelas lições
referidas no trecho anterior.
2. Os princípios. - A decretação da nulidade, o aproveitamento do ato, sua repetição, sua retificação obedecem a princípios,
que conferem à teoria, no direito moderno, um caráter realístico, objetivo, prático.
Destacam-se os princípios: a) da causalidade; b) da instrumentalidade ou da finalidade; c) do interesse; d) do prejuízo; e) da
economia. Já aludimos aos princípios da relevância da forma e da economia. Este último, a que se faz referência
constantemente, deve ser ressaltado no trato das nulidades.
O princípio da causalidade se enuncia deste modo: a nulidade do ato processual contamina todos os subseqüentes, que dela
dependam, que se possam considerar por ele causados. Sabe-se que o processo é uma seqüência de atos interligados, que fluem
no tempo, uns dando causa a outros.
Segundo o princípio da instrumentalidade, só se anula o ato viciado, se não tiver atingido a finalidade a que se destina. Se,
através de mandado defeituoso, se intimou a parte e ela atendeu à determinação judicial, é irrelevante o defeito.
Conjugam-se os princípios do interesse e do prejuízo. O ato não se repetirá, nem se lhe suprirá a falta quando não acarretar
prejuízo à parte. A parte não pode alegar nulidade a que tenha dado causa.
O princípio da economia é soberano, pode-se dizer que envolve os anteriormente expostos. A parte deve argüir a nulidade
na primeira oportunidade em que tiver de falar nos autos,sob pena de preclusão. O juiz, ao pronunciar a nulidade, especificará
que atos foram atingidos... O juiz não pronunciará a nulidade se puder, no mérito, decidir a favor da parte a quem aproveitaria
a declaração de nulidade. O erro de forma do processo acarreta unicamente anulação dos atos que não se possam aproveitar,
que se não possam salvar.
A nulidade é, ou não, cominada; é, ou não, sanável. Atinge o ato, no todo, ou em parte. É ou não causada pela parte que
requer sua decretação. Causa ou não causa prejuízo. Há nulidades decretáveis de ofício, e outras que devem ser alegadas pela
parte. A parte tem ou não tem interesse em argüir a nulidade. De posse desses dados, e consciente de que o Código se preocupa
mais com salvar o processo do que com decretar nulidades, o juiz sair-se-á bem do difícil encargo.
3. Argüição pelo causador. - A decretação da nulidade não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa, mesmo que a
lei prescreva forma, sob pena de nulidade. A proibição assenta no princípio de que ninguém pode tirar proveito de sua
improbidade, lucrar com a má-fé.
A ilegitimidade do causador do vício não impede, contudo, que o juiz, de ofício, se for o caso, decrete a nulidade.
4. Princípio da finalidade. - Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará
válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade (art. 244).
O processo, conjunto de atos, é meio para convencer o juiz da existência, ou inexistência, de certos fatos e circunstâncias,
para do magistrado receber a decisão. Todos os atos do processo são mais ou menos formais e têm finalidade própria. Não
cominada nulidade para a falta de cumprimento de determinada forma, e atingida a finalidade, seria contra-senso sacrificar os
fins pelos meios.
Finalidade da intimação, v.g., é cientificar o perito de nomeação para perícia, de designação de dia para sua realização, da
prática de um ato. Se, realizada a intimação por forma não prevista, mas idônea, atingiu-se a finalidade, não há porque decretar
nulidade, repetir ato inútil.
5. Princípio da preclusão. - Os atos processuais se realizam em determinado tempo. A argüição de nulidade segue a regra.
Sendo necessário que o feito prossiga em sua marcha limpo de nulidade e de irregularidade, e se realize por etapas, servidas
pela preclusão, o momento de alegar nulidade não poderia ficar ao arbítrio das partes.
Prescreve o art. 245 que a nulidade deve ser alegada "na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob
pena de preclusão". Sob pena de preclusão, quer dizer: se a parte não argüir, oportunamente, a nulidade, conseqüência é não
poder fazê-lo nunca mais.
A disposição do art. 245 não incide nos casos em que o juiz deve decretar nulidade ex officio, ou quando a parte provar
legítimo impedimento, como doença, impossibilidade de locomoção ou outro caso de força maior ou caso fortuito. As exceções
constam do parágrafo único.
No art. 13, I está escrito que, verificando a incapacidade processual ou irregularidade da representação das partes, o juiz,
suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o processo. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo,
se a providência couber ao autor, "o juiz decretará a nulidade do processo".
É nulo o processo quando o Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva intervir (art. 246). Se o
processo tiver corrido sem conhecimento do Ministério Público, o juiz o anulará a partir do momento em que o órgão devia ter
sido intimado (parágrafo único).
Recorde-se o teor do art. 84:
"Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público, a parte promover-lhe-á a intimação, sob pena de
nulidade."
E, quanto à forma de intimação, o art. 236, § 2º:
"A intimação do Ministério Público, em qualquer caso, será feita pessoalmente."
A nulidade por falta de intimação, ou de citação do Ministério Público, ocorre a partir do momento em que o órgão devia
ter sido citado, ou intimado.
Cabe ao juiz verificar - se não foi advertido por alguma das partes - se e quando a intervenção é obrigatória, e determiná-la.
6. Nulidade de citação e intimação. - As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das
prescrições legais (art. 247).
Tão importantes são os atos da citação e da intimação que o Código não só os definiu mas pormenorizou as regras de sua
realização: arts. 215-233 e arts. 235-242.
Ao princípio geral de que são nulas as citações e as intimações feitas ao arrepio das prescrições legais abrem-se exceções.
Ex.: O comparecimento espontâneo do réu supre a falta da citação (art. 214, § 1º). Se o réu comparecer apenas para argüir a
nulidade e esta for decretada, considerar-se-á feita a citação na data em que ele ou seu advogado for intimado da decisão (§ 2º).
7. Efeito da anulação; aproveitamento da parte do ato não viciada. - Anulado o ato, reputam-se de nenhum efeito todos os
atos subseqüentes, que dele dependam; todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras, que delas sejam
independentes.
O que é nulo nenhum efeito produz. Todavia, a nulidade de um ato só acarreta a dos atos sucessivos diretamente
dependentes dele, não afeta a do anterior, ou do posterior independente. Utile per inutile non vitiatur.
Por isso, o juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará quais os atos atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de
que sejam repetidos, ou retificados (art. 249). A regra se completa com dois preceitos, um relativo ao prejuízo, outro quanto ao
proveito da parte: O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte (§ 1º). Quando puder decidir do
mérito a favor da parte a quem aproveite a declaração da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou
suprir-lhe a falta (§ 2º).
8. Erro de forma. - O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados,
devendo praticar-se os que forem necessários, a fim de se observarem, quanto possível, as prescrições legais (art 250). Dar-se-á
o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo para a defesa (parágrafo único).
Sob a denominação de "impropriedade da ação", a regra existia no Código anterior, art. 276. Antes dele, doutrina e
jurisprudência defendiam-na, e em germe estava na legislação.
O erro de forma (procedimento ordinário, procedimento sumário, procedimento especial) não é motivo para cego sacrifício
de atos processuais já praticados, desde que o aproveitamento não cause prejuízo à defesa do direito de qualquer das partes, ou
se não tenha violado norma de interesse público.
A aplicação do art. 250 exige do juiz prudência e firmeza, que devem ser demonstradas sobretudo na adequação do feito à
forma processual estabelecida.
Não se trata de erro na denominação da ação, ou de inadequado emprego de termo técnico, sim de erro de forma. A inexata
denominação é irrelevante. Idem, o emprego, por exemplo, de ação executória" ou "ação executiva" por "execução".
Já não se fala, como acontecia na legislação anterior, em erro grosseiro. Preconiza-se, claramente, manter os atos que
puderem ser aproveitados, que se pratiquem os necessários à observância das prescrições legais. Aproveitamento, desde que
não resulte prejuízo para a defesa.
Dificulta-se a tarefa do juiz quando a impropriedade, sob aparência de formal, é de fundo. Exemplo: propositura de ação de
nunciação, se a obra se acha concluída; reivindicatória de bens sobre os quais o autor não tem domínio; ação de reintegração na
posse contra quem detém o imóvel por arrendamento.
OPOSIÇÃO
1. Generalidades. - A oposição é forma de intervenção voluntária, pela qual, pendente um processo entre duas ou mais
pessoas, ingressa terceira com demanda própria, intentada contra os litigantes. Em algumas legislações estrangeiras, a oposição
tem o nome de intervenção principal (hauptintervention, no direito alemão; intervento principale, no italiano), justamente pelo
caráter de ação, da pretensão que o interveniente apresenta às partes do processo primordial. Eis a razão por que alguns autores
chegam a negar ao opoente a qualidade de terceiro interveniente.
Data venia das poucas opiniões discordantes, trata-se de intervenção de terceiro, não só pelo argumento de autoridade da
lei, mas pela contemplação e análise do incidente processual.
Pedro e Paulo litigam sobre a propriedade de um imóvel. Entende Sancho que o domínio lhe pertence, não a qualquer dos
dois litigantes; resolve formular sua pretensão no processo já instaurado; ingressa no feito com ação oposicional, alegando que
lhe pertence a coisa sobre a qual controvertem autor e réu.
O ingressar no feito, intervir no feito, dá bem a imagem de que um terceiro se aproveita de ação entre partes diferentes para
propor a sua contra ambos os contendores dentro do processo primitivo, ou junto a ele. Note-se que, no caso figurado, Sancho
não precisaria necessariamente de intervir. Os efeitos da sentença, na causa entre Pedro e Paulo, em princípio não o atingiram.
A coisa julgada não atinge a terceiros segundo o brocardo res inter alios iudicata aliis non prodest, nec nocet, isto é, a coisa
julgada entre as partes nem aproveita nem prejudica aos estranhos. Entretanto, pela relatividade do princípio enunciado, pela
necessidade de segurança, ou para evitar algum dano, ou pelo princípio de economia processual, o direito tradicionalmente tem
permitido tal forma de intervenção de terceiro em causas pendentes, desde que verificadas, é claro, certas condições, certos
pressupostos.
2. Objeto da intervenção. - Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu,
poderá, até ser proferida a sentença, oferecer a oposição contra ambos (Código de Processo Civil, art. 56).
Objeto da intervenção, aparentemente, era, nos termos do art. 102 do Código anterior, "excluir autor e réu". Desde as
Ordenações "excluir assim o autor como ao réu" e através do Regulamento nº 737, de 1850, "oposição é a ação do terceiro que
intervém no processo para excluir o autor e o réu" (art. 118), veio a imperfeição terminológica, às vezes sem ser notada.
A intervenção no processo pode ser para auxiliar uma das partes, como na assistência, em que o terceiro ingressa no feito
demonstrando interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas. Diz-se intervenção ad adjuvandum. E pode ser
para disputar direito próprio, como na oposição. Diz-se intervenção ad excludendum.
3. Ação. - A oposição é verdadeira ação em que figuram como autor o opoente e, como réus, os opostos, com os
pressupostos, condições e procedimentos previstos na lei.
"Art. 56. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu,
poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos."
"Art. 57. O opoente deduzirá o seu pedido, observando os requisitos exigidos para a propositura da ação
(arts. 282 e 283). Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa dos seus
respectivos advogados, para contestar o pedido em prazo comum de 15 dias.
Parágrafo único. Se o processo principal correr à revelia do réu, este será citado na forma do Título V,
Capítulo IV, Seção III, deste Livro."
4. Admissibilidade; condições. - Várias questões podem surgir, sobre a admissibilidade do remédio, os momentos inicial e
final para o opoente demandar a coisa ou o direito, o prazo para a defesa dos opostos (se simples, se em dobro) o julgamento
(simultâneo ou sucessivo), a matéria de defesa etc.
Essas e outras questões desafiam a experiência e a cultura do juiz, colocado entre admitir uma forma econômica de defesa
de direito e permitir que terceira pessoa venha tumultuar o processo em que o autor ou réu litigam, ou em que apenas se propõe
determinada ação em juízo.
5. Prazo para a oposição. - O fator tempo não escapou, nem devia escapar ao legislador, no trato da ação oponencial.
Afastando dúvidas, estabeleceu-se que o interessado pode manifestar sua pretensão "até ser proferida a sentença" (art. 56).
O termo inicial não se precisou, nem era conveniente querer precisá-lo. O termo final é a data da publicação da sentença (art.
463).
Como em regra a sentença se publica ao final da audiência de instrução e julgamento, a oposição é apresentável até antes
desse ato, durante ele, ou depois dele - antes de publicada a sentença.
A audiência é tomada em consideração para ressalvar o normal andamento do feito em que a coisa ou o direito é objeto de
pretensão, dito causa principal.
"Art. 59. A oposição, oferecida antes da audiência, será apensada aos autos principais e correrá
simultaneamente com a ação, sendo ambas julgadas pela mesma sentença."
"Art 60. Oferecida depois de iniciada a audiência, seguirá a oposição o procedimento ordinário, sendo
julgada sem prejuízo da causa principal. Poderá o juiz, todavia, sobrestar no andamento do processo, por
prazo nunca superior a 90 dias, a fim de julgá-la conjuntamente com a oposição."
Cumpre estar alerta para não deixar que o interesse, legítimo, ou ilegítimo, do opoente, prejudique o legítimo direito dos
litigantes de obter a curto prazo a prestação jurisdicional por que anseiam. Regula-se o curso da oposição, conforme o estado
do processo, isto é, consoante se tenha, ou não, iniciado a audiência. Limita-se o prazo judicial do andamento do processo
principal.
Outorga-se ao dirigente do processo o necessário poder de comando, mas com ressalva de que não se prejudique o
andamento da causa.
Ao enunciar, no art. 61, que, cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a oposição, "desta conhecerá em primeiro
lugar", a lei processual considerou o fator tempo, mas aqui pela razão simples de que, procedente a oposição, reflete-se na
causa principal a sentença anteriormente proferida.
6. Modelo:
Ação de oposição
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente} e sua mulher Alda Esteves de Alencar, {_Nacionalidade do cliente}, {_Profissão do cliente}, ela de
prendas domésticas, {_Endereço do cliente}, nesta cidade, vêm, por seu advogado, que tem escritório na rua {_Endereço do
Adv.}, expor e requerer o seguinte:
1. São proprietários do prédio na Rua Liberdade, nº 604, no bairro Cajazeira, desta cidade, e que tem como confrontantes
(indicar) e as seguintes características (descrever). Posse e domínio foram adquiridos por sucessão hereditária, herança de
Paulo Baptista de Alencar, como prova o formal de partilha ora exibido (doc. nº 2), transcrito no Registro de Imóveis, Cartório
(indicar).
O autor da herança possuía o bem mansa e pacificamente, adquirido que fora por escritura pública de compra e venda
lavrada (indicar onde e quando), como prova o documento número 3.
2. Corre nesse Juízo ação ordinária de reivindicação, em que Laudelino Proença e Clara Duque Proença, autores
(identificação, domicílio, residência), e Calisto Fadul, réu (identificação, domicílio, residência), disputam o domínio do
mencionado imóvel, que, em verdade, pertence aos ora requerentes.
O Código de Processo Civil faculta a quem pretender, no todo ou em parte, a coisa sobre que controvertem autor e réu,
oferecer contra ambos artigos de oposição (art. 56).
3. Assim exposto, requerem a V. Exª que se digne de mandar citar os opostos, na pessoa de seus respectivos advogados,
para, no prazo de 15 dias, querendo, contestar o pedido, sob pena de revelia.
Esperam que a presente ação oponencial seja a final julgada procedente, reconhecendo e declarando o domínio dos
oponentes sobre o referido bem, condenando os opostos, solidariamente, ao pagamento de custas e honorários de advogado.
Protestam pelo depoimento das partes e de testemunhas, e juntada de novos documentos.
Dão à causa o valor de {_Valor da causa}.
Pedem deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
PETIÇÃO INICIAL
1. Iniciativa da parte. - Pelo princípio dispositivo, cabe à parte, interessada em receber do Estado a tutela jurídica, provocar
a autoridade jurisdicional. Nenhum juiz prestará tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos
e forma legais. O aforisma Ne procedat judex ex officio domina o processo, máxime no campo da jurisdição contenciosa.
A petição inicial é o meio, o veículo adequado, para iniciar as atividades processuais no exercício do direito de ação.
Evidencia-se a importância deste ato processual "que dá começo à ação" (José Frederico Marques, Manual, vol. II, nº 346),
"veículo da manifestação formal da demanda" (Humberto Theodoro Júnior, Curso, vol. I, nº 353), "peça básica ..., instrumento
para construção e desenvolvimento do processo" (Calmon de Passos, Comentários, vol. III, nº 117).
A petição inicial - ato da parte - e a sentença - ato do juiz - são os mais importantes atos do processo, sabendo-se que a
petição inicial e os atos intermediários têm como finalidade a sentença.
2. Requisitos. - Não é sem razão que a lei se esmera no indicar os requisitos da "peça inaugural", para usar expressão muito
em voga.
A petição inicial indicará:
I. O juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II. os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu;
III. o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV. o pedido, com as suas especificações;
V. o valor da causa;
VI. as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII. o requerimento para a citação do réu (CPC, art. 282).
2.1. Observações
(1) No cabeçalho da petição, o juiz ou tribunal a que é dirigida. As ações em regra se propõem no juízo de primeiro grau.
Algumas, como a ação rescisória, o mandado de segurança contra ato de certas autoridades, perante os Tribunais.
O primeiro requisito envolve a questão da competência, que é prevista na Constituição Federal, no Código de Processo e
nas leis de organização judiciária.
(2) As partes, autor e réu, devem ser individuadas. Nome, prenome, às vezes bastam; há muitos José da Silva e Maria do
Rosário. Nesses casos, de homonímia, os demais elementos do inciso I, estado civil, profissão, etc., soem completar a
individuação.
O estado civil esclarece a questão da necessidade de outorga do marido ou da mulher (CPC, art. 10).
O domicílio muito influi na questão da competência. Na residência indicada a parte será procurada, se necessário, para a
prática de algum ato.
(3) O fato (fato principal, o casamento, o mútuo, o acidente, etc), fato da vida com a nota de fato jurídico, é essencial em
toda demanda.
Ao juiz dá-se o fato, ele dá o direito - diz um provérbio.
É ônus natural de quem demanda fundamentar juridicamente o pedido. Fundamentar o pedido é demonstrar que o fato
corresponde à categoria legal prevista no sistema jurídico, a uma norma, que indicou.
Claro que o autor não está obrigado a indicar precisamente o texto legal. Iura novit curia.
(4) Quem propõe a ação, tem uma pretensão, pede alguma coisa ao Estado, representado pelo juiz: é o pedido, que deve ser
manifestado.
O pedido deve ser certo, ou determinado (art. 286).
(5) "O valor da causa, fixado segundo os preceitos dos arts. 259 e 260, será relevante para determinar o tipo de
procedimento a utilizar-se, se ordinário, se sumaríssimo; fixará a base para incidência das custas e pagamento da taxa
judiciária; é ponto de relevância para estimativa dos honorários de advogado a serem pagos pelo vencido; terá conseqüências
para a interposição de recursos" (Calmon de Passos, Comentários, nº 125).
É, portanto, requisito muito importante da petição inicial.
(6) Os fatos alegados pelo autor (inciso III) devem ser devidamente provados pelo alegante. Ou o autor se desincumbe do
ônus ao propor a ação, com a petição inicial, ou deve, no ato, indicar os meios de prova de que pretende servir-se.
A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação (CPC, art. 283).
(7) Requerendo a citação do réu o autor expressa a sua vontade de chamá-lo a juízo para responder aos termos da demanda,
para defender-se.
O autor requererá a citação do réu para que venha defender-se no processo e responder no prazo legal, "valendo a citação
para todos os atos e termos dele, sob pena de revelia" (Jacy de Assis, Comentários ao Código de Processo Civil, tomo II, nº
12).
Em face do disposto no art. 285, é de toda conveniência que se torne explícito na petição, sendo o caso, que o réu deve ser
citado para os termos da inicial, "sob pena de, não o fazendo, serem presumidos aceitos por ele, como verdadeiros, os fatos
articulados", aconselha o Professor Calmon de Passos (Comentários, nº 127).
3. Linguagem e estrutura. - A petição deve ser formulada em seqüência lógica, com bastante clareza e linguagem
escorreita, de modo que o juiz, de sua mais ligeira leitura, a compreenda nitidamente.
"Petições malredigidas, confusas e defeituosas, com assuntos misturados e linguagem descuidada, não só
dificulta ao juiz seu conhecimento como ainda demonstram a má qualidade do advogado que a subscreve."
O ensinamento é do Professor Jacy de Assis (Comentários, p. 102, nº 2).
Inocêncio Borges da Rosa ensinava que a narração dos fatos devia ser metódica, clara, completa, precisa, proba (honesta),
concisa, congruente e comedida (Processo Civil e Comercial, vol. I, pp. 341-342).
Estruturalmente, aconselha-se a forma articulada, indicados os itens por algarismos ou letras. Assim formulada, a petição dá
boa impressão a quem a lê e abre caminho a cuidadosa leitura.
Simplicidade e precisão terminológica a engrandecem.
4. Documentos indispensáveis. - Compete à parte instruir a petição inicial com os documentos destinados a provar-lhe as
alegações, regra esta concernente à produção de prova documental (art. 396).
O legislador achou por bem editar norma essencial de instrução da petição inicial, acompanhada de sanção: "a petição
inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação" (art. 283).
Será o caso do instrumento de mandato (art. 37, primeira parte); do instrumento público que a lei considerar da substância
do ato (arts. 302, II; 320, III); da imediata exibição do documento comprobatório do ato impugnado, na impetração do
mandado de segurança (Lei nº 1.533/51, art. 6º).
5. Defeitos; emendas. - Verificando que a petição inicial preenche os requisitos dos arts. 282 e 283 o juiz a despachará,
ordenando a citação do réu para responder. Verificando que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o
julgamento do mérito, determinará que o autor a emende ou complete, no prazo de 10 dias, sob pena de indeferimento (arts.
284 e 285).
A determinação de emendar ou completar é medida de economia, posterior a outra, de saneamento processual.
6. Modelo-padrão - Preconizamos petição inicial dividida em três partes, além do cabeçalho e do intróito, contendo: a
primeira parte, o fato (a relação de parentesco, o acidente de trânsito, a locação, etc.); a segunda parte, o direito (a norma
jurídica, a contribuição doutrinária e da jurisprudência); a terceira parte, a conclusão (o pedido, o requerimento para citação do
réu, o valor da causa, as provas destinadas a comprovar os fatos alegados).
Os modelos apresentados seguem esse esquema.
POSSE EM NOME DO NASCITURO
1. Infans conceptus pro jam nato habetur... - A personalidade do homem começa do nascimento com vida; mas a lei põe a
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Diz a máxima que o nascituro se considera já nascido, quando se trata de seus interesses - Nasciturus pro jam nato habetur
quotiens de commodis ejus agitur.
Os arts. 877 e 878 do Código de Processo Civil dão a forma de resguardar os direitos de pessoa por nascer.
A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelos pais (Código Civil de 1916, art. 1.169; novo CC, art. 542). São
capazes de adquirir por testamento os indivíduos já concebidos (art. 1.718, primeira parte, do CC de 1916).
2. Exame médico. - A mulher que, para garantia dos direitos do filho nascituro, quiser provar seu estado de gravidez,
requererá ao juiz que, ouvido o órgão do Ministério Público, mande examiná-la por um médico de sua nomeação (art. 877).
O requerimento será instruído com a certidão de óbito da pessoa, de quem o nascituro é sucessor (§ 1º).
Será dispensado o exame se os herdeiros do falecido aceitarem a declaração da requerente (§ 2º).
Em caso algum a falta de exame prejudicará os direitos do nascituro (§ 3º).
3. Sentença; investidura na posse. - Apresentado o laudo que reconheça a gravidez, o juiz, por sentença, declarará a
requerente investida na posse dos direitos que assistam ao nascituro (art. 878).
Se à requerente não couber o exercício do pátrio poder, o juiz nomeará curador ao nascituro (parágrafo único).
4. Modelo:
Posse dos direitos do nascituro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador abaixo assinado, da Ordem
dos Advogados, inscrição nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. A requerente é viúva de Fernando Matos de Freitas, que faleceu nesta cidade, no dia 8 do corrente, segundo certidão de
óbito anexa. Ficou em estado de gravidez e pretende ressalvar os direitos do nascituro à sucessão, que se abriu.
São herdeiros {_Nome da parte contrária} {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA} e Daniela
Rosângela de Freitas, maior, residente, à rua das Pedras, nº 48.
2. A mulher que, para garantia dos direitos do filho nascituro, quiser provar seu estado de gravidez, requererá ao juiz que,
ouvido o órgão do Ministério Público, mande examiná-la por um médico de sua nomeação (CPC, art. 877). Será dispensado o
exame se os herdeiros do falecido aceitarem a declaração da requerente (§ 2º).
3. Assim, pelo exposto, requer a V. Exª que, ouvido o Ministério Público, se digne de mandar examinar a requerente por
médico de escolha do digno magistrado e, a final, a declare investida na posse dos direitos que assistam ao filho por nascer.
Pede a intimação dos herdeiros {_Nome da parte contrária} e Daniela, inclusive para dizerem se aceitam a declaração da
requerente.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
PRAZOS
1.Conceito. - Prazo é um espaço de tempo que decorre entre dois momentos, chamados termo inicial e termo final (termo a
quo e termo ad quem). Mais precisamente é um lapso de tempo dentro do qual deve ser praticado ato processual.
Nos arts. 172 e 173 o Código de Processo Civil diz que os atos processuais não se realizarão nos domingos e feriados, nem
fora do horário estabelecido (das seis às 20 horas), nem durante as férias, salvo nos casos previstos. No art. 177, a linguagem é
diferente:
"Os atos processuais realizar-se-ão nos prazos previstos em lei. Quando esta for omissa, o juiz
determinará os prazos, tendo em conta a complexidade da causa."
Trata-se, no primeiro caso, do tempo útil; no segundo caso, de prazo propriamente dito.
2. Princípios. - Dois princípios básicos informam a teoria dos prazos: o da paridade de tratamento e o da brevidade.
Conforme o princípio da paridade, todas as partes devem ter igual tratamento no curso do processo no tocante aos prazos.
O princípio da paridade de tratamento impõe sejam as partes tratadas no mesmo pé de igualdade para a prática de idênticos
atos processuais. "A atos idênticos, prazos idênticos para ambas as partes" (Moacir Amaral Santos, Primeiras Linhas de
Direito Processual Civil, vol. I, nº 225).
Em consideração especial à Fazenda Pública e ao Ministério Público, a lei os contempla com prazos maiores, em
desigualdade (art. 188).
O princípio da brevidade tornou-se universal, está em todas as legislações. Por ele, o processo deve correr célere, encerrar-
se no mais curto prazo possível. Todo o Código de Processo está impregnado do propósito de celeridade.
Questão diferente é saber se esse ideal tem ido atingido. A resposta, lastimavelmente, é negativa.
Dentre outros princípios que governam os prazos, destacam-se os seguintes:
A) Princípio da utilidade. O duplo interesse do rápido encerramento da demanda com a entrega da prestação jurisdicional e
do acerto da decisão, engendrou outro princípio, o da utilidade, segundo o qual os prazos devem ser suficientes, dando às
partes tempo que baste para defesa dos respectivos interesses.
B) Princípio da continuidade. Uma vez iniciado o curso do prazo, este não se interrompe nem se suspende, deve prosseguir
até o termo final.
Eis a regra: o prazo é contínuo, seu curso não se interrompe nem se suspende. Há exceção. No caso de interrupção - não
custa nada lembrar - o prazo começa a correr por inteiro, cessado o obstáculo; no caso de suspensão, computa-se o restante do
prazo, cessado o embaraço.
C) Princípio da inalterabilidade. Os prazos são imodificáveis pelo juiz: não se prorrogam, não se reduzem, salvo motivo
legítimo.
Moacir Amaral Santos vê no princípio da inalterabilidade uma consequência do princípio da utilidade. Ademais, tem base
científica: para a prática de um ato há necessidade de certo tempo; alterar esse princípio seria ofensa à razão que o fundamenta
(ob. cit., nº 230).
D) Princípio da peremptoriedade. Perimir, de perimere, é acabar, extinguir. Pelo princípio da peremptoriedade, os prazos
extinguem-se fatalmente no dia de seu vencimento, acabam no termo final, sem necessidade de lançamento, de qualquer ato da
parte.
E) Princípio da preclusão. Preclusão, de praecludere, é a ação de fechar, tapar, obstruir. Pelo princípio da preclusão
inadmite-se a prática de ato processual que não foi realizado no prazo devido.
"Decorrido o prazo extingue-se, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém,
à parte provar que não se realizou por justa causa" (CPC, art. 183).
3. Classificação. - Classificam-se os prazos em legais, judiciais e convencionais, próprios ou impróprios, comuns e
particulares.
Além de serem todas as classificações mais ou menos artificiais, posto que úteis, a matéria jurídica, por sua natureza, pela
variedade de conceitos e impressão terminológica no trato de certos institutos, é propícia a gerar e manter divergências.
Diz-se legal o prazo estabelecido pela lei; judicial, quando fixado pelo juiz; convencional, quando as partes
(excepcionalmente) participam de sua fixação.
O réu poderá oferecer, no prazo de 15 dias, em petição escrita, dirigida ao juiz, contestação, exceção e reconvenção (CPC,
art. 297). Na apelação e nos embargos infringentes, o prazo, para interpor e para responder, será sempre de 15 dias (art. 508). O
devedor será citado para, no prazo de 24 horas, pagar ou nomear bens à penhora (art. 652). Três exemplos de prazos legais.
É puramente judicial o prazo do art. 13:
"Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz,
suspendendo o processo, marcará o prazo razoável para ser sanado o defeito."
Às vezes a lei atribui ao juiz a faculdade de fixar o prazo, delimitando-lhe a extensão. Exemplo:
"Em caso de citação por edital, o juiz fixará prazo, que variará entre 20 e 60 dias" (art. 232, IV).
É convencional o prazo fixado pelas partes na forma e nas condições do art. 181.
Dizem-se próprios os prazos destinados à prática de ato processual da parte; impróprios, se endereçados aos juízes e seus
auxiliares. A inobservância dos primeiros acarreta conseqüências processuais mais ou menos graves; assim é que se o réu não
oferece defesa, resposta, no prazo de 15 dias, sofrerá as desvantagens da revelia. A inobservância dos prazos impróprios gera
apenas conseqüências de ordem disciplinar (ver arts. 193 a 199 do CPC).
Classificam-se os prazos em comuns e particulares, conforme destinados à prática de ato por ambas as partes, autor e réu,
ou por uma delas. É comum o prazo do art. 508, relativo aos recursos. É particular o prazo do art. 297: 15 dias para o réu
oferecer defesa.
Não vemos grande utilidade prática em certas classificações. Algumas, do passado, foram abandonadas.
4. Disposições gerais e disposições especiais. - A disciplina dos prazos, na Lei Processual Civil, obedece a disposições
gerais (arts. 177 a 199) e a disposições especiais, que se aplicam aos vários institutos e procedimentos.
PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. PRECLUSÃO. USUCAPIÃO. PEREMPÇÃO
1. Decurso do tempo; prescrição, decadência, preclusão, usucapião, perempção. - Em todos os institutos em epígrafe o
decurso do tempo é fator essencial ou marca, ou pode marcar seu reflexo no processo, ou, como se dá na declaração incidente,
é ponderável.
2. Prescrição. - A prescrição é meio pelo qual se extingue a ação, por não a exercitar o titular no tempo determinado em lei.
Por ser a prescrição meio de extinguir e o usucapião meio de adquirir direito, deu-se aos dois institutos as denominações de
prescrição extintiva e prescrição aquisitiva. Modernamente, reserva-se o termo prescrição para o primeiro. Entre ambos, só há
de comum o fator tempo. O decurso do tempo é suficiente para se operar a prescrição. Posse e tempo são necessários para
usucapir. A prescrição pertence ao direito em geral. Usucapião, ao direito das coisas.
Usucapião é modo de adquirir direito real sobre imóvel alheio. Compete ao possuidor, para que se lhe declare, nos termos
da lei, o domínio do imóvel ou servidão predial (Código de Processo Civil, art. 941). São requisitos do usucapião: a) a posse;
b) o tempo prolongado; c) a sentença declaratória; d) a transcrição.
A prescrição pode ser alegada a qualquer tempo pela parte a quem aproveita (Código Civil de 1916, art. 162; novo CC, art.
193).
O juiz não pode conhecer da prescrição de direitos patrimoniais, se não foi invocada pelas partes (Código Civil de 1916, art
166).
O juiz, somente provocado pelas partes, pode manifestar-se sobre a prescrição de direitos patrimoniais. É um direito do
devedor invocar ou alegar a prescrição da obrigação. E ninguém é obrigado a usar de seu direito, desde que não prejudique a
outrem. Portanto, o juiz que descobrir nos autos a prescrição de um direito alegado ou de uma obrigação reclamada, não
apreciará a prescrição, se não for alegada pelo interessado. O Ministério Público nomeado para defender os incapazes são
interessados na defesa destes e por isso poderão e devem alegar a prescrição, que lhes aproveite (A. Ferreira Coelho, Código
Civil Comparado, Comentado e Analisado, vol. X, nº 14, p. 379).
A lei processual manteve a mesmas proibição da lei civil:
"Não se tratando de direitos patrimoniais o juiz poderá, de ofício, conhecer da prescrição e decretá-la de imediato" (art.
219, § 5º).
3. Pronunciamento judicial da decadência, ou prescrição, e extinção do processo. - Extingue-se o processo com o
julgamento do mérito, "quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição" (Código de Processo Civil, art. 269, IV).
Liquidou-se controvérsia a respeito da natureza do pronunciamento judicial da prescrição: é sentença de mérito, de que
cabe recurso de apelação.
Fundamenta-se a prescrição no simples decurso do tempo e inação do titular. Alega-se em exceção, em defesa.
4. Decadência. - Próximo da prescrição temos a decadência ou caducidade, forma também de extinção de direitos, que só
podem ser exercidos nos prazos fixos, expressos na lei. Não admite suspensão, ou interrupção. Nos casos de decadência, o
direito e a faculdade só podem ser exercidos dentro de um prazo, tendo, assim, duração determinada (Paulo Dourado de
Gusmão, Introdução ao Estudo do Direito, nº 142).
5. Preclusão. - Preclusão é a perda, extinção ou consumação de uma faculdade das partes, ou do poder do juiz, pelo fato de
haverem alcançado os limites assinalados pela lei para seu exercício.
O nomem iuris deve-se a Giuseppe Chiovenda que, partindo do conceito de coisa julgada, isolou o instituto e abriu caminho
para seu mais detalhado estudo.
Os autores distinguem três espécies de preclusão: temporal, lógica e consumativa.
Preclusão temporal é a perda de uma faculdade processual oriunda de seu não-exercício no prazo ou termo fixado pela lei
processual. Exemplos: o réu que não apresenta a contestação ou o vencido que não apela dentro do prazo legal perdem o
direito de contestar e de recorrer.
Preclusão lógica é a que decorre da incompatibilidade da prática de um ato processual com outro já praticado. Exemplo: se
o inquilino, na ação de despejo, purgar a mora, dá-se a preclusão de seu direito processual de contestar a ação.
Dá-se a preclusão consumativa quando a faculdade processual já foi exercida validamente. Exemplo: o juiz não pode
decidir novamente as questões já decididas (José Frederico Marques, Instituições de Direito Processual Civil, vol. II, nº 466).
A inapelabilidade dos interlocutórios é causa de freqüente aplicação do instituto da preclusão (Celso Agrícola Barbi, "As
Preclusões no Processo Civil", RF vol. 158, p. 62). Arruda Alvim, depois de assentar que a teoria dos prazos é informada pelos
princípios da utilidade, da continuidade, da inalterabilidade, da peremptoriedade e da preclusão, afirma que a preclusão é
"espinha dorsal do processo", um dos seus principais instrumentos, mercê do qual no processo se vencem os estágios
procedimentais, para se atingir sentença (Curso de Direito Processual Civil, vol. I, p. 457).
6. Extinção do processo; perempção. - Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito, entre outras causas, quando
ficar parado durante mais de um ano por negligência das partes e quando o autor abandonar a causa por mais de 30 dias
(Código de Processo Civil, art. 267, II e III).
Nesses casos, o juiz ordenará o arquivamento dos autos, declarando a extinção se a parte, intimada pessoalmente, não
suprir a falta em 48 horas (§ 2º).
No caso de negligência das partes (inciso II), estas pagarão proporcionalmente as custas; no de abandono pelo autor, este
será condenado ao pagamento das despesas e honorários de advogado, e não poderá intentar de novo a ação, sem pagar as
despesas e os honorários, em que foi condenado (art. 267, § 3º, parte final, e art. 28).
Na hipótese de negligência das partes, consuma-se a extinção do processo, entre elas se reparte, proporcionalmente, o ônus
de pagar as custas, sem, contudo, impor-se-lhes qualquer sanção.
No caso de abandono pelo autor, o Código impõe penalidade. Com efeito, o § 2º prevê, apenas, no caso do inciso II, a
conseqüência da extinção do processo e o pagamento das custas proporcionalmente pelas partes; mas, no caso do inciso III, o
autor será condenado, ele só, a pagar as despesas e honorários de advogado.
Moniz de Aragão esclarece esta "correta exegese do texto": não se visa a impor uma penalidade à parte que, intimada, não
diligenciou o prosseguimento do processo, "tanto assim que o próprio requerente da extinção também arcará com o ônus das
despesas, o que não teria cabimento, se se tratasse de sanção a ser imposta ao negligente".
Diferentemente, o terceiro inciso prevê uma sanção imponível ao autor negligente. A primeira circunstância a ser apurada é
a responsabilidade do autor pela prática do ato que lhe incumbia, "já agora tomado em consideração o elemento subjetivo".
Pena deixa de ser imposta se algum motivo de força maior impediu a realização do ato.
"Não basta que o processo haja estado paralisado; é indispensável que o autor revele o intuito de
abandoná-lo, o que não ocorre, se o ato vier a ser praticado espontaneamente, mesmo depois de vencidos os
30 dias, ou quando intimado na forma do § 1º" (E. D. Moniz de Aragão, Comentários ao Código de Processo
Civil, vol. II, nº 508).
Disposição idêntica existia no Código anterior. O réu será absolvido da instância, a requerimento seu: ... "quando, por não
promover os atos e diligências que lhe cumprir, o autor abandonar a causa por mais de 30 dias" (art. 201, V). A lei nova
abandonou o conceito de absolvição da instância, que foi substituído pelo de extinção do processo.
Note-se a diferença do tractus temporis, no texto do art. 267, incisos II e III: paralisação das partes, um ano; abandono da
causa pelo autor, mais de 30 dias. É natural que a lei atuasse rigorosamente contra o autor: aquele que instaurou a demanda,
acionou a máquina judiciária, se abandonou o processo deve sofrer uma penalidade.
6.1. Perempção. - A penalidade pode ir além da extinção do processo, pagamento das despesas e honorários de advogados.
"Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no nº III do artigo
anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto,
a possibilidade de alegar em defesa o seu direito" (art. 268, parágrafo único).
O Código de 1939 dizia que se o autor desse causa a três absolvições, permitia "seu direito de demandar o réu sobre o
mesmo objeto" (art. 204). O texto era de maior abrangência que o da lei nova: dar causa a três absolvições por quaisquer dos
motivos previstos no art. 201, que eram muitos: não constar da petição inicial os documentos indispensáveis à propositura da
ação; falta de procuração da mulher ou falta de sua citação, versando a ação sobre imóveis ou direitos a eles relativos, e outros,
inclusive o abandono da causa por mais de 30 dias.
A perempção da ação é fenômeno puramente processual, intimamente ligado ao decurso do tempo no processo. Delonga do
tempo, mais o intento de abandonar.
Extingue-se a relação processual com dúplice efeito: a) condenação do autor a pagar as despesas e os honorários; e b) perda
do direito de demandar o réu sobre o mesmo objeto.
O direito subjetivo do autor não é atingido pela sanção. A pretensão continua, apenas desmunida da agressividade da ação,
como se exprime o grande processualista Pontes de Miranda. É este o sentido de "ficando-lhe ressalvada, entretanto, a
possibilidade de alegar em defesa o seu direito", correspondente ao "só em defesa poderá ser oposto o direito do titular", do
Código de 1939.
7. Novo Código Civil. - Dispõe sobre prescrição (prazos e causas impeditivas, suspensivas e interruptivas) os arts. 189 a
206 do novo CC; sobre decadência, conferir os arts. 207 a 211.
PROCEDIMENTO
1. Terminologia. - Na legislação brasileira, falava-se em ação ordinária, ação especial, processo ordinário, sumário,
especial. A partir de 1973, outra é a terminologia.
O Código, Lei nº 5.869, de 11.01.1973, regula o processo de conhecimento (Livro I), o de execução (Livro II), o cautelar
(Livro III) e, no Livro IV, os procedimentos especiais.
O procedimento comum é ordinário ou sumário (art. 272). Corrigiu-se o superlativo "sumaríssimo", do texto original.
2. Processo e procedimento. - Processo é um conjunto de atos - atos do juiz, das partes, dos auxiliares - intimamente
ligados entre si, com a finalidade de obter a prestação jurisdicional. Procedimento é o modo, a forma de realização dos atos.
A doutrina moderna não mais confunde processo com procedimento.
A regra é aplicar-se a todas as causas o procedimento comum. O Código ressalva as disposições em contrário, contidas nele
ou em leis especiais (art. 271).
3. Roteiros. - Traçaremos dois roteiros do desenrolar de um e de outro procedimentos. O primeiro, A, inspirado no Curso
Renovado de Processo Civil, do Professor Nelson Godoy Bassil Dower; o segundo, B, de acordo com a Lei nº 9.245, de
26.12.1995, que modificou os arts. 275 a 281 do Código de Processo Civil.
A) Procedimento ordinário
1. Petição inicial. - A petição inicial obedecerá aos requisitos do art. 282, I a VII. E será instruída com os documentos
indispensáveis à propositura da ação (art. 283).
2. Distribuição. - Todos os processos devem ser distribuídos onde houver mais de um juiz ou mais de um escrivão (art.
251). Distribuir-se-ão por dependência os feitos quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outro já ajuizado
(art. 253).
3. Citação. - Ato pelo qual se chama o juízo o réu, a fim de se defender. A citação é indispensável, para validade do
processo (arts. 213 e 214).
4. Resposta do réu. - No prazo de 15 dias, contados da citação, o réu poderá oferecer, em petição escrita dirigida ao juiz,
resposta, consistente em contestação, exceção e reconvenção (art. 297). Na exceção, o autor, exceto, responderá em 10 dias; na
reconvenção, o reconvindo responderá no prazo de 15 dias. No procedimento sumário não se permite reconvenção.
5. Revelia. - Se o réu não contestar a ação, reputar-se-ão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor (art. 319).
6. Providências preliminares. - Findo o prazo para resposta do réu, conclusos os autos ao juiz, este, no prazo de 10 dias,
determinará, conforme o caso, as seguintes providências: a) se o réu não contestou o pedido, o juiz verificará se ocorreu o
efeito da revelia; não o tendo ocorrido, mandará que o autor especifique as provas no prazo de cinco dias; b) se o réu contestou,
poderá o autor requerer, em 10 dias, que o juiz profira sentença incidente, se da declaração da existência ou inexistência do
direito depender, no todo ou em parte, o julgamento da lide; c) constando da contestação do réu fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do pedido, ou preliminares prejudiciais do pedido, o juiz mandará que sobre o assunto se pronuncie
o autor em 10 dias, podendo oferecer nova documentação contraditória; d) ocorrendo irregularidades, ou nulidades sanáveis, o
juiz mandará supri-las em prazo não superior a 30 dias.
7. Julgamento conforme o estado do processo. - Verificada qualquer das hipóteses previstas nos arts. 264 e 269, II a V, do
Código de Processo Civil: a) o juiz julgará extinto o processo; b) julgará antecipadamente a lide, proferindo sentença: I.
quando a questão de mérito for unicamente de direito ou, sendo de direito e de fato, não houver necessidade de prova em
audiência; II. quando o réu se tornar revel.
8. Despacho saneador. - Não ocorrendo qualquer das hipóteses supra enumeradas, o juiz, em despacho saneador: I.
deferirá a realização de prova pericial, nomeando perito e facultando às partes a indicação de assistentes técnicos; II. designará
audiência de instrução e julgamento, determinando o comparecimento das partes se o litígio versar sobre direitos patrimoniais
de caráter privado.
9. Provas; audiência de instrução e julgamento; sentença. - Se as partes desejarem fazer prova testemunhal, deverão
apresentar o rol com antecedência de cinco dias.
Antes de iniciada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes.
Após o debate, ou oferecimento dos memoriais, o juiz proferirá sentença, em seguida ou no prazo máximo de 10 dias.
B) Procedimento sumário
1. Petição inicial. - Na petição inicial o autor apresentará o rol de testemunhas e, se requerer perícia, poderá indicar
assistente técnico (art. 276).
2. Audiência de conciliação. - O juiz designará audiência de conciliação, a ser realizada em 30 dias, citando-se o réu com
antecedência mínima de 10 dias, sob pena de revelia. Ver item 4, infra.
3. Comparecimento.- As partes poderão comparecer pessoalmente ou fazer- se representar por prepostos, a exemplo do que
ocorre na Justiça do Trabalho, sem respaldo da Ordem dos Advogados do Brasil.
4. Conciliação. - A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença. Não obtida a conciliação, oferecerá o réu,
na própria audiência, resposta escrita ou oral, acompanhada de documentos e rol de testemunhas e, se requerer perícia,
formulará quesitos desde logo, podendo indicar assistente técnico (art. 278).
5. Atos probatórios; documentação. - Os atos probatórios realizados em audiência poderão documentar-se mediante
taquigrafia, estenotipia ou outro método hábil. Nas comarcas ou varas onde os não houver, os depoimentos serão reduzidos a
termo, "do qual constará apenas o essencial" (art. 279 e parág. único).
6. Decisões "de plano". Conversão. - O juiz, na audiência, decidirá de plano a impugnação do valor da causa ou a
controvérsia sobre a natureza da demanda, determinando, se for o caso, a conversão do procedimento sumário em ordinário
(art. 277, § 5º).
7. Preexclusão. - No procedimento sumário não são admissíveis a ação declaratória incidental e a intervenção de terceiros,
salvo a assistência, o recurso de terceiro prejudicado e a intervenção fundada em contrato de seguro (art. 280).
8. Sentença. - Finda a instrução e os debates, o juiz proferirá sentença, na própria audiência ou no prazo de 10 dias (art.
281).
PROCESSO (FORMAÇÃO; SUSPENSÃO; EXTINÇÃO)
1. Nascimento, vida e morte do processo. - Instaurada a relação processual, pela interação dos três personagens clássicos -
o autor, o juiz e o réu -, o processo, como se fosse um ser vivo, desenvolve-se, toma corpo, e com ou sem crise, finalmente se
extingue, morre.
A sucessão de atos concatenados em que consiste tem por finalidade a sentença final, de mérito, na qual o juiz decide a
questão debatida entre as partes, questão de direito material, posse, propriedade, crédito, relação de parentesco, direito a
sucessão, etc.
Os atos processuais impulsionam o feito sempre para a frente (pro cadere). Mesmo que se determine a feitura de algum,
que não se realizou no passado, o processo flui, não volta para trás.
2. Formação; suspensão; extinção. - Nem sempre acontece a fluência esquemática - petições iniciais, contestação,
realização de alguma prova, audiência de instrução e julgamento, sentença de mérito. O processo pode sofrer interrupção,
suspensão, e extinguir-se a meio do caminho, sem a entrega da prestação jurisdicional com a pretensão que o motivou.
2.1. Formação. - O processo começa por iniciativa da parte (ne procedat judex ex officio). Mas por inteligente combinação
dos princípios dispositivo e inquisitivo, uma vez instaurado com a provocação do magistrado e chamamento do réu,
desenvolve-se por impulso oficial.
Considera-se proposta a ação tanto que a petição inicial seja despachada, pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde
houver mais de uma vara, reza o art. 263 do Código de Processo Civil. Quer isto dizer que a simples propositura da ação
produz efeitos jurídicos, antes, portanto, da citação do réu. Entretanto, certos efeitos, quanto ao réu, só se produzem com a
citação válida (artigo citado, segunda parte).
Feita a citação, estabelecida a relação processual triangular, o feito deve prosseguir, em regra, sem alteração subjetiva e
objetiva, isto é, com as mesmas partes e o mesmo pedido.
2.2. Suspensão. - Suspende-se o processo: I. pela morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador; II. pela convenção das partes; III. quando for oposta exceção de incompetência do
juízo, da Câmara ou do Tribunal, bem como de suspeição ou impedimento do juiz; IV. quando a sentença de mérito: a)
depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência da relação jurídica que constitui o objeto principal de
outro processo pendente; b) não puder ser proferida senão depois de verificado determinado fato, ou de produzida certa prova,
requisitado a outro juízo; c) tiver por pressuposto o julgamento de questão de estado, requerido como declaração incidente; V.
por motivo de força maior; VI. nos demais casos que este Código regula (CPC, art. 265).
O inciso VI remete aos casos especiais de suspensão, de vez que o art. 265 contém normas gerais.
São os casos de denunciação da lide (art. 72), chamamento ao processo (art. 77), julgamento conjunto da ação e da
oposição (art. 60), das hipóteses de férias forenses previstas no art. 173, sanação de incapacidade ou irregularidade ou da
representação das partes (art. 13), embargos de terceiros que versarem sobre todos os bens (art. 1.052) e outros.
A suspensão é por tempo limitado; cessa com o termo final do prazo fixado na lei ou no despacho do juiz, ou com a
cessação de acontecimento físico, natural, que a causou. É enorme a influência do tempo nas relações jurídicas.
Em direito processual a influência do tempo é marcante. Todos os atos processuais devem ser praticados em determinado
tempo. Interessa ao Estado e às partes que as demandas se resolvam sem tardança, o que desgraçadamente não ocorre.
Assim, por exemplo, a suspensão do processo por convenção das partes nunca poderá exceder de seis meses (§ 3º) e nos
casos do inciso IV, a, b, e c, nunca poderá exceder de um ano (§ 5º).
Durante a suspensão é defeso praticar qualquer ato processual; poderá o juiz, todavia, determinar a realização de atos
urgentes, a fim de evitar dano irreparável (art. 266).
3. Modelos:
3.1. Suspensão convencional do processo
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente} e {_Nome da parte contrária}, respectivamente autor e réu na ação de {_Tipo de ação}, que corre
perante esse Juízo (Cartório do ... Ofício), tendo chegado a um acordo para suspender o andamento do feito pelo prazo de três
meses, dentro do qual esperam poder solucionar satisfatoriamente a lide, pedem a V. Exª, com fundamento no art. 265, § 3º do
Código de Processo Civil, que se digne de determinar a suspensão do processo pelo prazo acima indicado.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
3.2. Suspensão do processo por motivo de força maior
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, na ação de {_Tipo de ação}, intentada contra {_Nome da parte contrária}, herdeiros de Vicente
Gonçalo de Almeida, expõe e requer o seguinte:
1. O feito, Processo nº {_Nº do Processo}, Cartório do 3º Ofício, está em fase de audiência, marcada para o dia (indicar).
2. Como é notório, temporal que desde o dia ... sacode a cidade, causando inundações, embaraçando o trânsito, paralisou
parte do comércio e dos serviços públicos. Torna-se, de tal modo, dificílimo, se não impossível, a colheita de provas, audiência
de testemunhas, depoimentos pessoais, prestação de esclarecimento pelo perito.
3. Assim exposto, e com fundamento no art. 265, V, do Código de Processo Civil, pede a V. Exª que se digne de suspender o
processo até que se restabeleça a normalidade, adiando-se inclusive a audiência de instrução e julgamento designada.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
4. Extinção do processo sem julgamento do mérito. - Extingue-se o processo, sem julgamento do mérito: I. quando o juiz
indeferir a petição inicial; II. quando ficar parado durante mais de um ano por negligência das partes; III. quando, por não
promover os atos e diligências que lhe competir, o autor abandonar a causa por mais de trinta dias; IV. quando se verificar a
ausência de pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo; V. quando o juiz acolher a alegação
de perempção, litispendência ou de coisa julgada; VI. quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a
possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; VII. pela convenção de arbitragem; VIII. quando o
autor desistir da ação; IX. quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal; X. quando ocorrer confusão
entre o autor e o réu; XI. nos demais casos previstos no Código (art. 267).
Os itens II e III espelham casos de ofensa ao princípio econômico, à necessidade de rapidez no deslinde das controvérsias;
ainda assim o juiz ordenará o arquivamento dos autos se a parte intimada pessoalmente não suprir a falta em 48 horas (§ 1º).
No caso de abandono (item III), o autor será condenado ao pagamento das despesas e honorários advocatícios (§ 2º).
A presença dos pressupostos processuais e das condições da ação é necessária para que o processo, validamente
constituído, chegue ao clímax da decisão de mérito, com a entrega completa da prestação jurisdicional.
Instituído o compromisso arbitral (CPC, art. 1.085) não há como subsistir o juízo comum, sacrificando-se tempo e dinheiro,
ensejando decisões contraditórias.
Se o autor desiste da ação não há motivo para continuar o trabalho da máquina judiciária.
Em certos casos a ação é intransmissível ao herdeiro ou sucessor. Isso ocorre, normalmente, na defesa dos direitos intuitu
familiae ou intuitu personae, que são intransmissíveis (Sérgio Sahione Fadel, CPC Comentado, vol. I, p. 448).
Se foi proposta ação a relação jurídica processual se iniciou com a iniciativa do autor; mas, tendo o réu, ou o reconvindo,
alegado ser intransmissível a ação, o juiz aprecia a espécie e tem de extinguir o processo (Pontes de Miranda, Comentários,
tomo III, p. 437, nº 14).
A intransmissibilidade, retenha-se, há de ser considerada "por disposição legal".
Extingue-se a obrigação desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor (Código Civil, art.
1.049).
A regra de direito material tem aplicação no inciso X.
Efetivamente, se as qualidades de autor e de réu se confundem, extinguir-se-á o processo, "que supõe a necessária presença,
além do juiz, das duas partes" (E. D. Moniz de Aragão, Comentários, nº 537).
Além das hipóteses previstas nos incisos I a X o art. 267 se refere aos demais casos previstos em lei (inciso XI), já no
Código já em leis especiais.
5. Extinção do processo com julgamento do mérito - Extingue-se o processo com julgamento do mérito: I. quando o juiz
acolher ou rejeitar o pedido do autor; II. quando o réu reconhecer a procedência do pedido; III. quando as partes transigirem;
IV. quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição; V. quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação
(art. 269).
Em todas as hipóteses previstas - acolhimento ou rejeição do pedido do autor; "confissão" do réu, isto é, reconhecimento,
por ele, da procedência do pedido; transação; pronunciamento de decadência ou prescrição; renúncia, a lei processual
considera encerrado o processo "com julgamento do mérito", embora, como observa E. D. Moniz de Aragão, em algumas delas
não se tenha dado "julgamento".
Como quer que seja, findam-se os processos, como se fossem julgadas as causas, encerrando-se a demanda.
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA
1. Produção de prova. - A "produção" de prova, qualquer que seja, representa a última fase de uma série de atos, que o
Direito Judiciário não dispensa: a prova se propõe, se indica, se especifica; o juiz decide sobre sua admissibilidade; há prazos,
momentos, lugar e modos para proposição, admissão, produção (Jônatas Milhomens, A Prova no Processo, nº 433).
Entre as medidas cautelares figura a produção antecipada de prova oral e pericial. A produção antecipada de prova pode
consistir em interrogatório da parte, inquirição de testemunhas e exame pericial (art. 846).
2. Antecipação de perícia. - Havendo fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de
certos fatos, na pendência da ação, é admissível o exame pericial (art. 849).
A prova realizar-se-á conforme o disposto nos arts. 420 a 439 (art. 850).
3. Inquirição de testemunhas. - Serão intimados os interessados a comparecer à audiência em que a testemunha prestará
depoimento (art. 848, parágrafo único).
4. Interrogatório da parte. - Far-se-á o interrogatório da parte antes da propositura da ação ou na pendência desta, mas
antes da audiência de instrução: I. se tiver de ausentar-se; II. se, por motivo de idade ou de moléstia grave, houver justo receio
de que ao tempo da prova já não exista, ou esteja impossibilitada de depor (art. 847).
5. Justificação sumária e precisão da prova. - O requerente justificará sumariamente a necessidade da antecipação do
interrogatório ou da inquirição e mencionará com precisão sobre que há de recair a prova (art. 848).
6. Objeto da medida. - A produção antecipada de prova pode consistir em interrogatório da parte, inquirição de testemunhas
e exame pericial (art. 846).
7. Modelo:
Inquirição antecipada de testemunha
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, nos autos da ação de anulação de testamento
que propôs contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA}, expõe e
requer a V. Exª o seguinte:
1. Acha-se o feito em fase de contestação, citados todos os litisconsortes.
Em suas razões (petição inicial, item nº 4), o requerente referiu-se ao Dr. Alcebíades Novais, médico, pessoa de estreitas
relações com a família do réu, testemunha dos fatos articulados no mencionado item nº 4 da petição inicial. Era intenção,
portanto, do demandante, incluí-la oportunamente no rol, havendo protestado por seu depoimento.
Ocorre que o Dr. Alcebíades, de avançada idade, lamentavelmente acometido, como é notório, de moléstia grave, estará
impossibilitado de depor na audiência de instrução e julgamento, distante ainda no tempo, como se infere no estado do
processo.
2. A medida cautelar da produção antecipada de prova pode consistir em inquirição de testemunha se, por motivo de idade
ou de moléstia grave, houver justo receio de que ao tempo da prova já não exista ou não possa depor (Código de Processo
Civil, arts. 846 e 847, II).
3. Pelo exposto, requer a V. Exª, com apoio no art. 846, que se digne de autorizar a inquirição antecipada da mencionada
testemunha, que reside à rua (indicar), em dia próximo que o Juízo designará, intimada a parte adversa.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
8. Novo Código Civil. - Ver, sobre prova, os arts. 212 a 232 (confissão, documento, testemunha, presunção e perícia).
PROTESTO E APREENSÃO DE TÍTULOS
1. Protesto cambiário. - O protesto cambiário compreende a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, o cheque, e
outros títulos de crédito.
O protesto, interpelação solene, é formalidade, não só útil, mas às vezes absolutamente necessária (Magarinos Torres, Nota
Promissória, vol. I, nº 141). Tem função probatória e conservadora do direito do possuidor da cambial (José A. Saraiva, A
Cambial, atualização de Osny Duarte Pereira, vol. II, § 155, p. 147).
Não é medida judicial, sim extrajudicial, de atribuição de oficial público. A intervenção do juiz dar-se-á em caso de dúvida,
ou dificuldade oposta pelo oficial à tomada do protesto, ou à entrega do "instrumento", bem assim no caso de apreensão, não
restituído, ou sonegado.
Pode ser considerado medida cautelar em sentido amplo. E o tem sido na legislação brasileira. O Código de 1939, que não
primava por uma técnica exemplar em matéria de medidas preventivas, pô-lo entre os processos acessórios, mas em Título à
parte (Título XI, arts.730-734). No Código de 1973, encerra o elenco das medidas cautelares nominadas específicas - Seção
XIV, arts. 882-887. Segue-se-lhe, a final, a Seção XV - De outras medidas cautelares, arts. 888-889.
Obs.: A Lei nº 9.492, de 10.09.97, definiu a competência e regulamentou os serviços concernentes ao protesto de títulos e
outros documentos de dívida.
2. Dúvida; reclamação. - Se o oficial opuser dúvidas ou dificuldades à tomada do protesto ou à entrega do respectivo
instrumento, poderá a parte reclamar ao juiz. Ouvido o oficial, o juiz proferirá sentença, que será transcrita no instrumento (art.
884).
3. Apreensão; prisão. - O juiz ordenará a apreensão de título não restituído ou sonegado pelo emitente, sacado ou aceitante;
mas só decretará a prisão de quem o recebeu para firmar aceite ou efetuar pagamento se o portador provar, com justificação ou
por documento, a entrega do título e a recusa da devolução (art. 885).
O juiz mandará processar de plano o pedido, ouvirá depoimentos, se for necessário e, estando provada a alegação, ordenará
a prisão (parágrafo único).
4. Cessação da prisão. - Cessará a prisão: I. se o devedor restituir o título, ou pagar o seu valor e as despesas feitas, ou o
exibir para ser levado a depósito; II. quando o requerente desistir; III. não sendo iniciada a ação penal dentro do prazo da lei;
IV. não sendo proferido o julgado dentro de noventa dias da data da execução do mandado (art. 886).
5. Depósito, levantamento. - Havendo contestação do crédito, o depósito das importâncias referidas no art. 886 não será
levantado antes de passada em julgado a sentença (art. 887).
6. Modelos:
6.1. Intimação por carta
ILMO. SR...
Levo ao seu conhecimento que em meu cartório, rua ..., nº ... sala ..., nesta cidade, se acha para ser protestada por falta de
pagamento (ou por falta de aceite), uma letra de câmbio, sacada por ..., contra ..., a favor de ..., a ... dias de vista.
Por meio desta o intimo a vir pagar (ou aceitar) dita letra, ou dar as razões da recusa.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura do Oficial de Protesto de Títulos.
6.2. Reclamação ao juiz
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE REGISTROS PÚBLICOS - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, expõe e requer, por seu advogado, o seguinte:
Levou a protesto, perante o oficial..., uma nota promissória emitida por ... a vencer-se em ..., endossada em favor do
requerente. Todavia, o aludido oficial se recusa a tirar o protesto sob alegação de que (expor os motivos da recusa).
Assim exposto, e com apoio no art. 884 do Código de Processo Civil, requer a V. Exª que, ouvido sem demora o oficial, se
digne de ordenar a prática do ato.
Juntando a referida nota promissória,
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
PROTESTOS. NOTIFICAÇÕES. INTERPELAÇÕES
1. Medidas conservativas. - O protesto, a notificação e a interpelação, atos conservativos de direito, são medidas cautelares
lato sensu. Figuravam no Código anterior entre as "medidas preventivas". Acha-se, agora, no quadro das "medidas cautelares".
Advogado e juiz têm reproduzida na Seção X, amplificada, a matéria dos arts. 720 a 724 do Código de 1939.
Protestar é manifestar, de modo formal, a intenção do promovente. Notificar é concitar alguém a prática dalgum ato,
comissivo ou omissivo, fazer ou não-fazer. Interpelar é comunicar ao devedor a exigência, pelo credor, do cumprimento de
obrigação, sob pena de ser constituído em mora. Pode-se dizer que notificar e interpelar são formas de protestar para ressalva
de direito.
Se alguém protesta contra a abertura de uma picada em terreno do seu sítio, notifica o promissário-comprador a pagar, em
prazo certo, prestações vencidas, interpela alguém a cumprir obrigação, pena de ser constituído em mora, protesta contra a
invasão do terreno, contra a demora no pagamento, contra o inadimplemento da obrigação e, sobretudo, acautela-se, recorrendo
ao Poder Judiciário, buscando ressalvar, conservar o seu direito.
Aí está porque protesto, notificação e interpelação foram por lei considerados e tratados como medidas cautelares.
Tratando-se de procedimento sumário, fácil, que não admite defesa nem contraprotesto, que não dá nem tira direito, com
toda aparência de inocente, pode resvalar para o abuso. O art. 869 preveniu a inadvertência ou o abuso: o juiz indeferirá o
pedido, quando o requerente não houver demonstrado legítimo interesse e o protesto, dando causa a dúvidas e incertezas, puder
impedir a formação de contrato ou a realização de negócio lícito. Sem falar na coibição do abuso do direito de ação (art. 129).
A seguir, as regras principais da Seção X:
2. Entrega dos autos. - Feita a intimação, ordenará o juiz que, pagas as custas e decorridas 48 horas, sejam os autos
entregues à parte independentemente de traslado (art. 827).
3. Indeferimento. - O juiz indeferirá o pedido quando o requerente não houver demonstrado legítimo interesse e o protesto,
dando causa a dúvidas e incertezas, possa impedir a formação de contrato ou a realização de negócio lícito (art. 869).
4. Interpelação; procedimento. - Nos casos previstos em lei processar-se-á a interpelação na conformidade dos arts. 867 e
872 (art. 873).
5. Intimação por editais, audiência do interessado. - Quando se tratar de protesto contra a alienação de bens, pode o juiz
ouvir, em três dias, aquele contra quem foi dirigido, desde que lhe pareça haver no pedido ato emulativo, tentativa de extorsão
ou qualquer outro fim ilícito, decidindo em seguida sobre o pedido de publicação de editais (art. 870, parágrafo único).
6. Notificação. - Nos casos previstos em lei, processar-se-á a notificação na conformidade dos arts. 867 a 872 (art. 873).
7. Protesto judicial. - Todo aquele que desejar prevenir responsabilidade, prover à conservação e ressalva de seus direitos
ou manifestar qualquer intenção de modo formal, poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer
que do mesmo se intime a quem de direito (art. 867).
8. Modelos:
8.1. Protesto judicial
EXMO. SR DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador abaixo assinado (inscrito na
OAB sob o nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer a V. Exª o seguinte:
1. Pretende propor contra {_Nome da parte contrária}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA},
ação de reivindicação do apartamento nº (indicar precisamente o imóvel e os fundamentos gerais da reivindicatória). Para isso
necessita de alguns documentos que ainda não estão em seu poder: uma certidão a ser extraída no Cartório de Registro
Imobiliário da Comarca de ..., Estado de Mato Grosso do Sul, escrituras guardadas (indicar os óbices). É urgente a prática de
ato interruptivo da prescrição.
2. A prescrição interrompe-se pelo protesto (Código Civil de 1916, art. 172, II; novo CC, art. 202, II).
"O pretexto para interromper a prescrição é protesto judicial, ainda que o despache juiz incompetente" (Pontes de Miranda,
Tratado de Direito Privado, tomo VI, § 682).
Todo aquele que desejar prover à conservação de direito, poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz
e requerer que do mesmo se intime a quem de direito (Código de Processo Civil, art. 867).
3. Assim exposto, pede a V. Exª que se digne de mandar intimar Adelaide Vasquez Ribeiro de seu protesto.
Ressalva-se o direito de solicitar a intimação por edital se ocorrer a hipótese do art. 870, III, da lei processual.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
8.2. Notificação judicial
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE} vem, com fundamento no art. 873 do Código de
Processo Civil, requerer a notificação de {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, para constituí-lo em mora, tendo em vista os motivos seguintes:

1. O suplicante, em (data), contratou com o suplicado a compra e venda do imóvel situado na rua ... (descrever o imóvel),
pelo preço de ..., para ser pago em ... prestações mensais consecutivas.
2. No entanto, apesar da obrigação assumida pelo Suplicado, acha- se o mesmo em atraso com o pagamento de três
prestações.
Assim, requer a notificação do suplicado para pagar as prestações vencidas no prazo de 30 dias, sob pena de, não o
fazendo, ficar constituído em mora e conseqüentemente rescindido o contrato com as cominações legais.
Outrossim, cumpridas as formalidades processuais, requer a devolução dos autos, independente de traslado.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
8.3. Interpelação judicial
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem, com fundamento no art. 873 do Código de
Processo Civil, requerer a interpelação de {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, para, no prazo de ... dias, cumprir as obrigações que assumiu pelo contrato firmado com o suplicante em
(data), ou dar as razões determinantes de sua recusa, sob pena de, não o fazendo, ficar constituído em mora, com as
cominações legais. Outrossim, cumpridas as formalidades legais, requer a devolução dos autos, independente de traslado.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Obs.: Modelos colhidos em Manual Forense de Formulários Práticos, de Milton Menezes da Costa, utilizados em
homenagem ao autor.
PROVA NO CÍVEL E NO CRIME
Assim no juízo cível como no juízo criminal, as partes afirmam a existência de fatos, há citação, defesa, correm prazos,
produzem-se provas, autor e réu oferecem alegações, a autoridade judiciária profere decisões das quais cabem recursos.
Institutos processuais como a citação, a intimação, a sentença, pouco diferem se se trata de ação penal intentada contra
autor de homicídio ou de ação de responsabilidade civil proposta contra autor de atropelamento. (Questão outra é saber se a
última ação é proposta contra o réu ou contra o Estado, que a todos promete prestação jurisdicional e prevê a indenização por
atos ilícitos).
No processo penal há procedimento ordinário ("processo comum") e procedimentos especiais ("processos especiais"), os
problemas da legitimidade, da competência, das exceções, etc.
Mutatis mutandis, os requisitos essenciais da sentença são os mesmos no art. 381 do Código de Processo Penal e no art.
458 do Código de Processo Civil. Em razão do princípio da tipicidade vigorante no Direito Penal, a sentença, no juízo
criminal, além da "indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão" (correspondente aos "fundamentos,
em que o juiz analisará as questões de fato e de direito" do art. 458, II, do Código de Processo Civil), deve conter a indicação
dos artigos de lei aplicados (art. 381, IV).
É sobretudo em matéria de provas que surgem as diferenças, não quanto às espécie de prova mas quanto à oportunidade de
sua colheita e sua eficácia para justificar atos de constrição contra o denunciado, o querelado, o indiciado. Há verdadeiros
paradoxos. Pode dar-se a prisão preventiva "quando houver prova da existência do crime e indícios suficientes da autoria" (art.
311). No processo dos crimes da competência do júri, o juiz pronunciará o réu (e mandará recomendá-lo na prisão, ou expedirá
ordens para sua captura) se "se convencer da existência do crime ou de indícios de que o réu seja o seu autor" (art. 408); note-
se que a lei fala em indícios apenas, não mais em indícios suficientes. Contudo, o juiz absolverá o réu, se "não existir prova
suficiente para condenação" (art. 386, VI).
Tinha razão Garraud ao afirmar que o processo penal tem por ponto de partida uma suspeita (un soupçon) sobre a qual se
funda a acusação e todo o trabalho do processo tende a transformar essa suspeita em certeza (Précis de Droit Criminel, nº 52).
Se bem que no juízo penal seja mais ampla a admissibilidade de provas ("...somente quanto ao estado das pessoas serão
observadas as restrições à prova estabelecida na lei civil", art. 155), a denúncia ou a queixa, peças iniciais da ação penal
pública ou privada, "conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e quando necessário o rol de testemunhas" (art. 41).
Compare-se com o art. 283 do Código de Processo Civil:
"A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação."
E com o art. 396:
"Compete à parte instruir a petição (art. 283), ou a resposta (art. 297) com os documentos destinados a provar-lhe as
alegações."
A predominância, num e noutro setor, da prova testemunhal e da prova documental, repousa na natureza dos fatos a provar
numa ação criminal e numa ação civil, e nas circunstâncias especiais que cercam o crime.
No direito civil - observou Galdino Siqueira - a prova testemunhal é admitida com acentuadas restrições, atendendo-se à
falibilidade do testemunho humano, por causas psicológicas ou por motivos interesseiros. No crime, porém, a prova
testemunhal constitui a fonte mais abundante, não porque ali seja isenta de vícios ou motivos que afetem sua sinceridade e
certeza, mas porque de outra forma não se poderiam provar os fatos delituosos (Curso de Processo Criminal, nº 201).
Em verdade, na maioria dos crimes previstos no Código Penal - contra as pessoas, contra o patrimônio, contra a
organização do trabalho, contra o costumes etc. -, a prova documental é nenhuma, ou é escassa, improvável, e a prova
testemunhal, auxiliada por outras, mostra-se constante, indispensável à apuração do crime.
Os três sistemas criados a respeito dos critérios de submissão do julgador às provas: a) julgamento pelo alegado e provado;
b) julgamento de consciência, ou de livre convicção; e c) julgamento pela livre apreciação das provas, com obrigação de dar os
fundamentos da decisão, não se apresentam de modo igual no cível e no crime. No cível, é inaplicável o sistema b que, todavia,
é o adotado na decisão dos jurados.
No processo penal moldado segundo a estrutura do chamado sistema processual misto do Code d’Instruction Criminelle, a
instrução criminal constitui procedimento preliminar, com finalidades próprias, como jurisdiction d’instruction, anterior e
preparatória da instruction de jugement, ou como judicium accusationis, que antecede o judicium causae. No juízo de instrução
realiza-se a instrução preparatória, que tem por fim preparar o processo penal, e no juízo propriamente dito ainda existe a
instrução definitiva, que tem por fim fazer julgar a causa penal. Entre nós, há essa instrução preparatória no processo relativo
aos crimes que devem ser julgados pelo júri, que termina pela decisão de pronúncia ou impronúncia e, excepcionalmente, pela
de absolvição sumária; é o antigo sumário de culpa das legislações processuais dos Estados e do Código de Processo Criminal
de 1832 (José Frederico Marques, Instituições de Direito Processual Civil, vol. II, nº 750, p. 355).
No processo dos crimes da competência do Júri, o máximo de atividade se emprega e se concentra no sumário, "sumário de
culpa". Terminada a inquirição das testemunhas, abre-se o prazo para alegações finais do Ministério Público e do defensor. Em
seguida, conclusos os autos, o presidente doTribunal de Júri, antes de proferir sentença de pronúncia, ou impronúncia, poderá
ordenar diligências necessárias para sanar qualquer nulidade ou "suprir falta que prejudique o esclarecimento da verdade".
Inclusive inquirição de testemunhas.
Na sessão plenária, metódica e solene, o ato mais importante - com relação à prova -, é o interrogatório do acusado.
Formado o conselho, tomado o compromisso dos jurados (o juiz concitará os jurados a examinar a causa com imparcialidade e
a proferir decisão de acordo com a sua consciência e os ditames da justiça), o presidente interrogará o réu pela forma
estabelecida nos arts. 185 e 195, no que for aplicável (Código de Processo Penal, arts. 464 e 465).
Embora prevista inquirição de testemunhas após o relatório (art. 468), a realização de tal prova em regra é dispensada; é
mais usadas nos casos sensacionais.
A resposta dos jurados é seca: "sim" ou "não". Eles julgam "de consciência", sem obrigação de justificar o seu voto; e sem
poder justificá-lo, que o voto é sigiloso. Antes da votação, distribuem-se pelos jurados pequenas cédulas em papel opaco e
facilmente dobráveis, contendo umas a palavra "sim" e outras a palavra "não", a fim de, secretamente, serem recolhidos os
votos. Distribuídas as cédulas, o juiz lerá o quesito que deva ser respondido, e um oficial de justiça recolherá as cédulas com os
votos dos jurados, e outro as cédulas não utilizadas. Cada um dos oficiais apresentará, para esse fim, aos jurados, uma urna ou
outro receptáculo que assegure o sigilo da votação.
A sentença, que, afinal, deve proferir o presidente do Tribunal do Júri, será fundamentada, "salvo quanto às conclusões que
resultarem das respostas aos quesitos", reza o art. 493.
Essa duplicidade de julgamento, essa variedade de critérios é estranha ao juízo cível. Não foge a esta conclusão o juízo
arbitral, regulado no Código de Processo Civil. A homologação é que dá força ao laudo arbitral. É a sentença do juiz togado
que o estatiza.
João Mendes Júnior, depois de enunciar regras sobre a necessidade da prova escrita, exclusão e restrição da prova
testemunhal; casos em que a escritura é da substância do ato; fatos que podem ser provados em juízo; produção de provas;
conflito de provas; deficiência de provas; critério do juiz no julgamento definitivo, especialidade deste critério nas leis
criminais e caráter das leis sobre provas, assevera que tais regras não se aplicam com a mesma extensão às ações criminais,
pois, nesta matéria, acima de tudo, preponderam as seguintes: 1º) é preferível deixar impune um delinqüente a condenar um
inocente; 2º) quanto mais grave é o delito, maior é a necessidade de prova; 3º) a confissão do acusado, por si só, se não é
apoiada por outra prova, não deve acarretar a condenação (Direito Judiciário Brasileiro, p. 223).
Chegados a um ponto em que se compararam os dois processos com referência à prova, é tempo de retomar o raciocínio
sobre as semelhanças, as diferenças, as analogias. Regra geral na ação penal e na ação cível se defrontam duas pessoas (autor,
réu; denunciante e denunciado; querelante e querelado), que afirmam fatos, de cuja prova depende a aplicação da lei civil, ou
comercial, ou administrativa, ou penal. Mais precisamente, poder-se-á falar em demonstração da incidência da norma jurídica.
Tanto num quanto noutro processo se persegue, no tangente à prova, a posse, o domínio da verdade.
Mas as diferenças se revelam tão logo sejam mais a fundo examinados o regime das provas, o desempenho do juiz, a
determinação dos sujeitos, a instauração da relação processual, a questão da presunção de inocência em confronto com as
medidas constritivas determináveis antes mesmo de iniciada a instrução, e outras questões.
Segundo Garraud, e já o vimos, o processo penal tem como ponto de partida uma suspeita, suspeita da existência de crime e
de quem seja o seu autor.
Discute-se, intrincada questão, sobre se existe presunção de inocência ou presunção de culpabilidade.
De fato - escreveu Sady Cardoso de Gusmão -, para o processo penal, ou em via formal, a presunção é de culpabilidade, do
contrário seriam inadmissíveis as medidas de coerção real ou pessoal; para a aplicação da pena, ou em via material, a
presunção é de inocência, porque não poderá haver condenação sem prova... (Código de Processo Penal, p. 67).
Ninguém ousaria afirmar, em princípio, a presunção de veracidade dos fundamentos jurídicos do autor, ou do réu em juízo
civil.
Mittermayer aponta duas grandes diferenças fundamentais: a primeira, referente à ação do juiz; a segunda, referente ao
princípio da prova.
1ª) A ação do juiz se faz sentir, nos dois processos, em direção diametralmente oposta. O processo civil inicia-se por um
articulado preciso de gravames, pela afirmação de certos direitos da parte de uma pessoa determinada em relação a outra
pessoa igualmente determinada; mas no crime, e principalmente no processo inquisitorial, por uma circunstância que lhe é
peculiar, raramente as queixas articuladas se dirigem desde o princípio a um réu designado. Muitas vezes também a natureza
do delito não é bem especificada e com efeito os seus caracteres são pela informação da queixa feita posteriormente quando,
por exemplo, se trata de ferimentos, nem sempre se pode dizer previamente se há delito de ferimentos intencionalmente feitos,
ou se tentativa de morte.
A razão também requer que as atribuições do magistrado encarregado do processo civil sejam diversas das do magistrado
encarregado da devassa criminal. No processo cível a discussão contém duas fases bem salientes; na primeira as pretensões
respectivas das partes colocam-se uma em face da outra: a administração da prova ocupa a segunda; mas no crime não pode ser
assim: logo que a ofensa é denunciada, e conforme o seu fundamento, aplicam-se contra o acusado algumas medidas que
muitas vezes comprometem a sua liberdade e que só podem ser ordenadas pelo juiz quando as probabilidades as mais
veementes as justificam. De ordinário, também o fato só chega ao conhecimento do instrutor na ocasião em que obtém a prova
dele (pelas declarações de uma testemunha, por exemplo) e quando, podendo a prova desaparecer por qualquer demora, o seu
dever lhe ordena tirar o partido, que julgar conveniente. Ao contrário do processo civil, em que a prova é fornecida pelas
partes, e assim feita serve de único ponto de partida ao juiz, a intervenção do instrutor na administração da prova se mostra até
o fim ativa e incessante: vê-se-o primeiro procurá-la ex officio, depois, tirar dela todos os elementos de convicção que encerra e
consigná-los nos atos; e ainda depois examinar atentamente a importância dos resultados obtidos, antes de julgar-se autorizado
a prosseguir na instrução.
No processo civil as partes são pessoas certas e conhecidas, e o juiz, que assiste à administração da prova, limita-se a
examinar, com auxílio dos meios propostos por elas, se estão provados os fatos que servem de base à ação ou à defesa. No
crime a esfera de ação do instrutor é mais ampla; esforça-se ao mesmo tempo em obter a prova do delito, o reconhecimento do
seu autor e a demonstração clara e perfeita de todas as circunstâncias peculiares, das quais pode depender a justa aplicação da
pena...
2ª) A segunda diferença fundamental concerne ao princípio da prova e ao problema a resolver em todo processo civil ou
comercial.
No cível trava-se a luta sobre a existência ou extensão dos direitos de propriedade, ou dos direitos pessoais, que a ela se
prendem, e por conseguinte suscetíveis de uma livre desistência; no crime, sendo o interesse público a razão do processo, estes
não podem ficar peremptos pela desistência das partes. As necessidades da sociedade exigem que o transgressor da lei sofra as
penas. Além disso, as penas dizem respeito a direitos irrenunciáveis. Enquanto no cível a prova é considerada completa, desde
que não há mais entre as partes contradição sobre o fato, ou desde que uma delas, no correr do processo, que poderia acabar
pela desistência do adversário, chegou a convencer o juiz, no crime a prova tem fim mais alto: é a verdade mais elevada, que é
dado ao homem atingir, e só ela pode servir de base a um castigo, que ofende os mais sagrados direitos civis, castigo que só se
justifica quando a convicção se apóia sobre todas as provas possíveis na causa e quando o espírito recusa admitir a suposição
da existência de fatos contrários aos verificados no processo (Mittermayer, Tratado da Prova em Matéria Criminal, tradução
brasileira, pp. 96 e 99).
Os autores empregam as expressões verdade material e verdade formal para indicar o que acontece na realidade e o que no
processo se apura. Trilha caminho perigoso quem não é precavido, nesse andar, contra as seduções da lógica e das palavras.
Delimitadas as investigações ao campo do direito probatório, frenados os impulsos filosóficos ou metafísicos, pode-se marchar
com destemor: quer-se que a prova, destinada diretamente ao juiz e indiretamente ao adversário, produza convicção, certeza;
enfim convença, e com maior rigor e vigor no processo criminal.
Uma passagem de Magalhães Noronha elucida o assunto:
"No processo penal, o fato, admitido ou aceito, é objeto de prova. Fenechi atenta para este ponto. Depois
de dizer que, no processo civil, a admissão expressa de um fato isenta-o de prova, acrescenta que o processo
penal, ao contrário, em virtude da vigência dos princípios de investigação oficial e da verdade material, o
julgador deve chegar à verdade dos fatos tal como ocorreram historicamente e não tal como querem as
partes que apareçam realizados" (Curso de Direito Processual Penal, nº 52, p. 118).
Bastariam as noções que aí ficam para demonstrar as analogias e as diferenças entre o processo criminal.
Um dos clássicos em direito probatório, Malatesta, formula esta pergunta: Por que é que, em matéria criminal, se procura a
verdade substancial em matéria cível nos contentamos com a simples verdade formal?
Responde que é pela diversa natureza dos direitos em questão, e desenvolve a resposta:
1º) Em matéria civil discutem-se direitos alienáveis; é lógico, em geral, admitir renúncia de direitos e aceitação de
obrigações, desde que não vão de encontro aos princípios, superiores, da ordem pública; em matéria penal cuida-se, pelo
contrário, de direitos inalienáveis.
2º) Pela mesma alienabilidade dos direitos da primeira categoria, segue-se que quando as partes se apresentam em juízo,
cada uma se sujeita a ver aceita ou rejeitada a própria alegação; apresentada uma alegação falsa, o juiz nada mais tem a fazer
senão pronunciar-se entre as duas alegações opostas. Em matéria penal, ao contrário, mesmo que a acusação se apresente mais
bem fundada por um lado e que do outro se apresente manifestamente falso o método de defesa do argüido, é sempre à verdade
objetiva deste que se deve atender, e por isso, não obtida essa verdade, embora resulte ser falsa a afirmação da defesa e se torne
mais fundada a acusação, será sempre necessário absolver.
3º) Os direitos privados não podem ficar em suspenso entre os contendores, o magistrado civil é obrigado a atribuir os
direitos a um deles. A necessidade de se pronunciar, resolvendo-se na necessidade de condenar alguém, obriga, na condenação
civil, a contentar-se com uma certeza fictícia, correspondente a uma verdade mais convencional que real. Em matéria penal,
porém, conquanto em face do argüido esteja a sociedade como contendente, a decisão a favor do acusado não é contra a
sociedade, ao contrário, é em seu favor, pois é de interesse social que só se condene o delinqüente indubitavelmente tal (Nicola
Framarino Dei Malatesta, A Lógica das Provas em Matéria Criminal, tradução portuguesa, vol. I, pp. 130 e 132).
RECURSO EXTRAORDINÁRIO E RECURSO ESPECIAL
1. Resumo histórico. - Proclamada a República, o Governo Provisório, organizando a justiça federal, baixou o Decreto nº
848, de 27.08.1789, cujo art. 9º, em seu parágrafo único, dispunha:
"Haverá... recurso para o Supremo Tribunal Federal das sentenças definitivas proferidas pelos juízes dos Estados: a)
quando a decisão houver sido contrária à validade de um contrato ou convenção, à aplicação de uma lei do Congresso Federal,
finalmente, à legitimidade do exercício de qualquer autoridade que haja obrado em nome da União, qualquer que seja a alçada;
b) quando a validade de uma lei ou ato de qualquer Estado seja posta em questão como contrária à Constituição, aos tratados e
às leis federais, e a decisão tenha sido em favor da validade da lei ou ato; c) quando a interpretação de um preceito
constitucional ou de lei federal, ou de cláusula de tratado ou convenção seja posta em questão e a decisão final tenha sido
contrária à validade do título, direito, privilégio ou isenção derivada do preceito ou cláusula."
Essas normas, que tiveram por fonte o Judiciary Act norte-americano, de 27.08.1789, marcam o início da legislação
brasileira sobre o recurso extraordinário.
O instituto passou por vicissitudes nas Constituições de 1891 (e reforma de 1926, 1934, 1946 e Emenda Constitucional nº
1, de 17.10.1969). A denominação "recurso extraordinário" apareceu na Constituição de 1934, art.101, III.
Regulado no Código de Processo de 1939, os arts. 865-869 foram alterados pela Lei nº 3.396, de 02.07.1958.
A função política do recurso extraordinário é indireta; toda norma jurídica exerce sua função política. Sua função específica
é salvaguardar o domínio da lei federal (inclusive a Constituição) contra as deformações da jurisprudência. Ele é um
"condensador de normas de direito federal, um aparelho de filtração, para salvaguarda dos princípios estatuídos no direito
geral", como se lê em acórdão do Supremo Tribunal, de 29.09.1943 (RF, vol. 99, p. 398).
2. Cabimento legal. - Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas
em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição (Constituição da República, art. 102, III).
Compete, à sua vez, ao Superior Tribunal de Justiça julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última
instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Terrirórios, quando a
decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válida lei ou ato do governo local contestado em face de lei federal;
c) der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal (CF, art. 105, I, II e III).
E fácil observar a simetria na distribuição de competência entre os dois mais altos órgãos jurisdicionais e a presença, nos
casos atribuídos à egrégia Corte, do elemento Constituição Federal, que ao Supremo Tribunal Federal cabe "guardar".
3. Reforma processual (Lei nº 8.951, de 13.12.1994). - O art. 541, do Código de Processo Civil, em sua nova redação,
dada pela Lei nº 8.951/94, tornou o recurso extraordinário e o recurso especial, embora de interposição distinta, em petições
separadas, de regência simultânea, unifásica e conjunta quanto ao procedimento, presumindo-se renunciado o recurso não
formulado.
O prazo para interposição e apresentação de contra-razões (de um ou dos dois recursos, conforme sejam ou não interpostos
conjuntamente) será de 15 dias (art. 508).
O acolhimento dos recursos pelo tribunal a quo não vincula o ad quem (STF ou STJ), que poderá inadmiti-los.
3.1. Lei nº 9.756, de 17.12.98. - Acrescentou § 3º, respectivamente, aos arts. 542 e 544, além de modificar a redação do art.
545, para incluir, como causa de cabimento do agravo, também a reforma do acórdão recorrido.
A Lei n° 10.352, de 26.12.2001, modificou a redação do caput do art. 542 e dos §§ 1° e 2° do art. 544, no âmbito da
reforma.
4. Modelo:
Recurso extraordinário (Constituição, art. 102, III)
EXMO. SR. MINISTRO PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA {_Tribunal do recurso}.
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inconformado, data venia,
com o acórdão proferido pela douta 2ª Câmara Cível na Apelação nº...., em que foram, apelante, o requerente e apelado, o
Estado {_Razão social da parte contrária}, vem, com apoio no art. 102, item III, a, da Constituição Federal, interpor recurso
extraordinário, expondo e requerendo o seguinte:
1. A sentença de primeiro grau e o acórdão que a confirmou ordenaram o fechamento do Colégio Tiradentes, sob
fundamento de que o requerente, seu diretor, freqüentador do Centro Allan Kardeck, "não tem condições para educar jovens
criados e formados nos princípios da Igreja Católica". Vê-se o recorrente, por isso, despojado do exercício de atividade lícita,
de finalidade social (educativa), por ato, no fundo, de simples preconceito religioso.
O fechamento do colégio, sobre não estreiar-se em lei, viola de frente claros dispositivos da Constituição da República.
A matéria de fato se comprova com o teor dos enunciados da sentença e do aresto. A matéria de direito expõe-se no item a
seguir.
2. Compete ao Supremo Tribunal Federal, julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em última instância
quando a decisão recorrida contrariar dispositivo da Constituição (art. 103, III, a).
É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos (Constituição,
art. 5º, VIII).
São direitos assegurados aos cidadãos pelas Cartas políticas que antecederam a em vigor.
"A liberdade de religião e de culto constitui princípio conseguido pela legislação dos povos cultos. É um
desdobramento da própria liberdade de pensamento e do direito que a todos assiste de manifestar, dentro da
ordem, a sua opinião" (Themístocles Brandão Cavalcanti, A Constituição Federal Comentada, vol. III, p.
91).
A Constituição de 1967 (Emenda nº 1, inclusive) não delirou de tal orientação. Declarava plena a liberdade de consciência,
assegurava aos crentes o exercício dos cultos religiosos que não contrariassem a ordem pública e os bons costumes (art. 153, §
5º) e confirmava o princípio de que "por motivo de crença religiosa... ninguém será privado de qualquer dos seus direitos, salvo
se o invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta..." (§ 6º).
Não valeram esses argumentos, apresentados na contestação e no recurso de apelação. A sentença e o acórdão os
consideraram irrelevantes, "ante a ofensa aos princípios da Santa Igreja Católica...".
3. Demonstrado, como se acha, pelos elementos de fato e de direito, o cabimento do recurso, pede a V. Exª que, na forma do
art. 542 do Código de Processo Civil, mande intimar o recorrido, abrindo-se-lhe vista pelo prazo de 15 dias para apresentar
contra-razões e, findo o prazo, com ou sem contra-razões, determine a remessa dos autos ao egrégio Supremo Tribunal Federal.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
REMIÇÃO DE BENS
1. Legitimação. - Legitimados para pedir a libertação dos bens, ou de algum deles, são o cônjuge, o descendente e o
ascendente do executado.
Pela remição de bens, salva-se, livra-se de alienação forçada bens para que continuem integrando o patrimônio familiar. O
executado não pode pedir a liberação; de modo expresso, o art. 787 defere-a exclusivamente "ao cônjuge, ao descendente ou ao
ascendente do devedor".
2. Tempestividade. - O direito a remir será exercido em duas oportunidades: a) no prazo de 24 horas que medear entre a
arrematação dos bens em praça ou leilão e a assinatura do respectivo auto; b) no prazo de 24 horas entre o pedido de
adjudicação e a assinatura do auto, havendo um pretendente; ou entre o pedido de adjudicação e a publicação da sentença,
havendo vários pretendentes (art. 788, I e II).
A arrematação constará de auto, que será lavrado 24 horas depois de realizada a praça ou o leilão (art. 693). O prazo se
destina justamente ao exercício do direito de remir.
A adjudicação, havendo um só pretendente, é simples; independe de sentença, por isso que não disputa: aliter, surgindo
licitação, em que é necessária decisão.
3. Procedimentos. - O requerimento de decisão faz-se por escrito, instruída a petição com a prova da qualidade de cônjuge,
ou parente.
4. Preferência. - Posto que a remição tenha sido estabelecida para salvaguardar bem de interesse da família, era de mister
prever a concorrência de dois ou mais remidores. O Código de Processo Civil previu a hipótese. A preferência é: a) de quem
oferecer maior preço; b) em condições iguais de oferta, prevalece a ordem de cônjuge, descendentes, ascendentes; c) entre
descendentes, ou ascendentes, a preferência é do grau mais próximo; em igualdade de grau, prevalece a regra da maior oferta
(art. 789).
5. Modelo:
Pedido de remissão de bens penhorados
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
1. {_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, vem expor e requerer o seguinte:
Nos autos de execução que {_Nome da parte contrária} intentou, por esse Juízo, contra Deolindo Alencar, foram
penhorados e levados à praça, arrematados, dois quadros de pintura de Victor Meirelles, que há muito pertencem à família
Alencar.
A requerente é filha do executado, como prova a certidão de registro que ora exibe.
2. Com fundamento no art. 787 e no prazo do art. 788, I, do Código de Processo Civil, pede a V. Exª que se digne de
conceder-lhe a remição dos mencionados bens.
Exibe, neste ato, o cheque nº ..., do Banco nacional S. A., visado, emitido em nome desse Juízo, de ..., valor da
arrematação.
Pede que, deferida a remição, se determine seja extraída a respectiva carta em favor da requerente.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
RESTAURAÇÃO DE AUTOS
1. Autos. - Autos são o processo materialmente considerado, o conjunto das peças de determinada causa, que se vão
autuando, juntando, grampeando ou cosendo. Sua importância é enorme. Sua perda, desastrosa. A lei sempre se preocupou com
o desaparecimento dos autos - por extravio, destruição, indevida retenção por alguém - e com a sua restauração, dedicando-lhe
ação própria, especial, sumária, incidental.
A ação de restauração de autos, antepenúltimo dos procedimentos especiais de jurisdição contenciosa, arts. 1.063 a 1.069,
condensa a experiência de alguns séculos.
2. Legitimação. - Verificando o desaparecimento dos autos, pode qualquer das partes promover-lhe a restauração (art.
1.063). Havendo autos suplementares, neles prosseguirá o processo (parágrafo único).
O desaparecimento deve ser denunciado pelo escrivão e pode sê-lo por qualquer das partes, legítimas interessadas na
restauração, no refazimento, na "reforma dos autos", como diziam os praxistas.
Os autos suplementares, instituídos no Brasil em 1939 e mantidos pelo art. 159 e §§ 1º e 2º, do Código atual, além de
outros préstimos, evita a restauração.
Já o Código de 1939 dispunha, no art. 776:
"A reforma dos autos perdidos somente se admitirá quando faltarem os suplementares."
3. Petição, requisitos. - Na petição inicial declarará a parte o estado da causa ao tempo do desaparecimento dos autos,
oferecendo: I. certidões dos atos constantes do protocolo de audiências do cartório por onde haja corrido o processo; II. cópia
dos requerimentos que dirigiu ao juiz; III. quaisquer outros documentos que facilitem a restauração (art. 1.064).
A petição inicial com os requisitos do art. 282 do Código de Processo Civil, deve ser acompanhada de todos os documentos
que possam facilitar o refazimento, especialmente as certidões e cópias indicadas nos incisos II e III. O art. 777 do Código de
1939 falava em juntar "certidão do termo e notas constantes do protocolo das audiências e dos livros de registro do cartório".
Acrescente-se certidão negativa da existência dos autos originais e dos suplementares.
Cópias dos requerimentos dirigidos ao juiz (que um bom advogado deve ter em dossiê), dos termos lavrados no livro das
audiências (depoimentos, esclarecimentos, informações, despachos, decisões, sentenças) são elementos preciosos à reforma
dos autos perdidos.
Essencial é que a restauração se faça, com rapidez e o máximo de perfeição. O que não está nos autos não está na vida do
processo, nem na relação jurídica.
4. Procedimentos. - A parte contrária será citada para contestar o pedido no prazo de cinco dias, cabendo-lhe exibir provas,
contrafés e mais reproduções de atos e documentos que estiverem em seu poder (art. 1.065). Se a parte concordar com a
restauração lavrar-se-á o respectivo auto que, assinado pelas partes e homologado pelo juiz, substituirá o processo
desaparecido (§ 1º). Se a parte não concordar ou se a concordância for parcial, observar-se-á o disposto no art. 803 (§ 2º).
A parte citada pode assumir várias posições: a) concordar com a restauração, isto é, com o seu cabimento, admitindo o
extravio dos autos, mas discordando do declarado estado da causa; b) discordar da restauração; c) nada alegar, no prazo de
cinco dias.
Só no caso a, de total concordância, lavrar-se-á o auto de restauração previsto no § 1º do art. 1.065. Nos demais casos
haverá sentença, precedida, ou não, de audiência de instrução e julgamento.
Oferece o art. 1.066, de fácil interpretação, soluções para várias hipóteses acaso ocorrentes.
Os autores ressaltam, no incidente de reforma dos autos, a função do juiz e a aplicação do princípio da boa-fé. E com razão,
porque é quase impossível restaurar in totum o processo, sendo de mister confiar na palavra dos "cavalheiros".
5. Modelo:
Pedido de restauração de autos
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado, vem, com fundamento nos
arts. 1.063 e seguintes do Código de Processo Civil, requerer a restauração dos autos da ação ordinária de ressarcimento dos
danos que intenta, perante esse respeitável Juízo, contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA
PARTE CONTRÁRIA} (Proc. nº.{_Nº do Processo}).
A ação foi instaurada em novembro de 1982, o réu citado no dia ... (doc. nº 2); achava-se em fase de saneamento, isto é, à
espera do despacho previsto no art. 331 da lei processual.
Os autos se extraviaram conforme certidão do Cartório (doc nº 3).
Junta o requerente, além de cópia da inicial e da contestação, cópias de requerimentos que formulou, certidões fornecidas
pelo cartório e publicações feitas no Diário Oficial (docs. nos 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10).
Assim exposto, pede a citação do réu para os fins de início indicados, esperando ou que se lavre auto de restauração ( no
caso de concordância), ou que a restauração seja, a final, julgada por sentença.
Temos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
SEQÜESTRO
1. Generalidades. - Seqüestro é apreensão e depósito de coisa litigiosa, determinada coisa, imóvel, móvel, semovente.
Compare-se o seqüestro com o arresto. Arresto, apreensão de bens, quaisquer bens, do devedor. Seqüestro, apreensão de
determinado bem, sobre o qual há litígio.
O seqüestro é medida cautelar para garantia de futura entrega de coisa certa, na execução própria. Dirige-se expressamente
a determinada coisa. Recai, assim, sobre coisa litigiosa, ou em vias de se tornar litigiosa (Cláudio Vianna de Lima, "O Processo
Cautelar ...", RF, vol. 246, p. 110, III, b).
2. Cabimento. - O juiz, a requerimento da parte, pode decretar o seqüestro: I. de bens móveis, semoventes ou imóveis,
quando lhe for disputada a propriedade ou a posse, havendo fundado receio de rixas ou danificações; II. dos frutos e
rendimentos do imóvel reivindicando, se o réu, depois de condenado por sentença ainda sujeita a recurso, os dissipar; III. dos
bens do casal, nas ações de separação judicial e de anulação de casamento, se o cônjuge os estiver dilapidando; IV. nos demais
casos expressos em lei (art. 822).
Aplica-se ao seqüestro, no que couber, o que o Código estatui acerca do arresto.
3. Depositário. - Ao juiz incumbe nomear depositário dos bens seqüestrados. a escolha, poderá, todavia, recair em pessoa
indicada, de comum acordo, pelas partes.
A entrega dos bens ao depositário far-se-á logo depois que este assinar o compromisso.
Se houver resistência o depositário solicitará ao juiz força policial (art. 825, parág. único).
4. Modelo:
Pedido de seqüestro
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE FAMÍLIA - {_Comarca}
{_Nome do cliente}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, na ação de separação judicial que lhe move seu
marido {_Nome da parte contrária}, expõe e requer o seguinte:
1. Seu marido está dilapidando os bens do casal. Com efeito, vem liquidando as dívidas ativas a qualquer preço e vendendo,
sem necessidade, o gado da fazenda "Pouso Alegre", consistente em (indicar), no evidente propósito de prejudicar o cônjuge,
sem atender, sequer, ao interesse dos três filhos.
2. O juiz, a requerimento da parte, pode decretar o seqüestro dos bens do casal, nas ações de separação judicial e de
anulação de casamento, se o cônjuge os estiver dilapidando (Código de Processo civil, art. 822, III).
É lícito ao juiz conceder liminarmente ou após a justificação prévia a medida ineficaz (Código de Processo Civil, art. 804).
A venda de gado se opera com absoluta facilidade. Impõe-se medida cautelar imediata para evitar dano irreparável.
3. Pelo exposto, requer a V. Exª que, se julgar necessário mediante justificação prévia, mas inaudita altera parte, se digne
de determinar o seqüestro e depósito dos semoventes, prosseguindo-se, depois, como de direito.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
Pede deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
Rol de testemunhas.
SOCIEDADE (DISSOLUÇÃO E LIQUIDAÇÃO)
1. Nascimento, vida e morte das sociedades. - As sociedades, entes jurídicos, como os seres humanos, nascem, vivem e se
extinguem.
Incondiz com a transitoriedade da vida - assevera Valdemar Ferreira - a perpetuidade da sociedade mercantil. Quase
nenhuma é centenária. Com o desaparecimento de seus fundadores raramente sobrevive. Acontece, isto, todavia, mercê do seu
personalismo jurídico, principalmente se anônima e tal sua finalidade. A ferroviária. A de banco. A de seguro. A de serviços
públicos concedidos. A desses e outros objetivos reclama continuidade, ensejada pela fácil transmissibilidade das ações entre
vivos ou por causa de morte. A do acionista não influi, senão excepcionalmente, em sua subsistência. Não obstante ela, como
as outras pode dissolver-se, por várias circunstâncias de fato ou de direito (Instituições de Direito Comercial, vol. I, p. 351).
2. Direito material. - O Código Civil, art. 1.399, e o Código Comercial, art. 335, disciplinam a dissolução das sociedades,
civis e mercantis.
Dissolve-se a sociedade (CC, art. 1.399):
"I. pelo implemento da condição, a que foi subordinada a sua durabilidade ou pelo vencimento do prazo
estabelecido no contrato;
II. pela extinção do capital social, ou seu desfalque em quantidade tamanha que a impossibilite de
continuar;
III. pela consecução do fim social, ou pela verificação de sua inexeqüibilidade;
IV. pela falência, incapacidade, ou morte de um dos sócios;
V. pela renúncia de qualquer deles, se a sociedade for por prazo indeterminado;
VI. pelo consenso unânime dos associados.
Parágrafo único. Os números II, IV e V não se aplicam às sociedades de fins não econômicos."
Código Comercial, art. 335:
"As sociedades reputam-se dissolvidas:
1º) expirando o prazo ajustado da sua duração;
2º) por quebra da sociedade, ou de qualquer dos sócios;
3º) por mútuo consenso de todos os sócios;
4º) pela morte de um dos sócios, salvo convenção em contrário, a respeito, dos que sobreviverem;
5º) por vontade de um dos sócios, sendo a sociedade celebrada por tempo indeterminado."
Em todos os casos deve continuar a sociedade somente para se ultimarem as negociações pendentes; procedendo-se à
liquidação das ultimadas.
"Art. 336. As mesmas sociedades podem ser dissolvidas judicialmente, antes do período marcado no
contrato, a requerimento de qualquer dos sócios:
1º) mostrando-se que é impossível a continuação da sociedade por não poder preencher o intuito e fim
social, como nos casos de perda inteira do capital social, ou deste não ser suficiente;
2º) por inabilidade de alguns dos sócios, ou incapacidade moral ou civil, julgada por sentença;
3º) por abuso, prevaricação, violação ou falta de cumprimento das obrigações sociais, ou fuga de algum
dos sócios."
Obs.: Ver os arts. 1.033 a 1.038, sobre dissolução da sociedade personificada simples no novo Código Civil.
3. Dissolução de pleno direito e dissolução contenciosa. - O Código de Processo considera duas modalidades de
dissolução: a de pleno direito e a contenciosa.
São causas de dissolução ipso jure as indicadas no art. 1.399 do Código Civil: implemento da condição a que foi
subordinada a durabilidade da sociedade; extinção ou desfalque do capital social; renúncia de sócio, etc. Todas elas merecendo
que, nos casos concretos, se atenda aos termos da lei e aos ensinamentos da doutrina. O mesmo deve dizer-se das causas
enumeradas no art. 335 do Código Comercial: expiração do prazo; falência da sociedade, ou de qualquer dos sócios; morte de
um sócio, etc.
Como observou Carvalho Santos, o Código se orientou no bom sentido de exigir sempre a declaração judicial, justamente
para que não haja dúvida sobre a existência da causa que legitima a dissolução de pleno direito (Código de Processo Civil
Interpretado, vol. VII, p. 307).
Há fórmulas anômalas de dissolução e liquidação: Decreto-Lei nº 48, de 18.11.1966, sobre dissolução de sociedades
assistenciais; Lei nº 6.401, de 15.12. 1976, sobre liquidação de instituições financeiras; DL nº 2.420, de 18.03.1988 (sobre
liquidação extrajudicial de sociedades seguradoras, de capitalização e de previdência privada), e outras.
4. Liquidação da sociedade. - Ver os arts. 1.102 a 1.112 do novo Código Civil, que revogaram os arts. 335 a 343
(dissolução) e 344 a 353 (liquidação) do Código Comercial.
5. Modelos:
5.1. Dissolução de pleno direito
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador abaixo assinado, inscrito na
OAB sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. Por escritura lavrada em notas do tabelião do ... Ofício, o requerente e {_Nome da parte contrária} celebraram contrato
de sociedade mercantil, sob a firma Alves Pereira & Cia., para exploração do comércio de bebidas (doc. nº 2).
Como se vê da cláusula terceira, o prazo de duração da sociedade foi fixado em cinco anos, e se acha extinto.
2. As sociedades reputam-se dissolvidas de pleno direito, expirando o prazo ajustado da sua duração (Código Comercial,
art. 335, 1º).
3. Assim expostos o direito e os fatos, querendo promover a dissolução e a liquidação da referida sociedade, pede a V. Exª,
com fundamento no art. 656, § 1º do Código de Processo Civil de 1939, mantido em vigor pelo art. 1.218, VII do Código de
Processo Civil de 1973, que se digne de mandar citar o sócio {_Nome da parte contrária}, residente à {_Endereço da parte
contrária}, para, no prazo da lei, dizer sobre o pedido, declarando-se, a final, dissolvida a sociedade, para o fim de sua
liquidação.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.2. Dissolução contenciosa
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inscrição nº {_Nº OAB},
{_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. O requerente e {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE CONTRÁRIA},
celebraram, por escritura pública, um contrato de sociedade mercantil para exploração do comércio de confeitaria. Prazo
previsto de duração, cinco anos (doc. nº 3).
Dois anos de vigência do contrato foram bastantes para se revelar a inaptidão, a inabilidade do sócio, o que tem sido um
estorvo ao desenvolvimento da "Confeitaria Aurora".
Com efeito (indicar em que consiste a inaptidão do sócio; expor fatos reveladores da sua incapacidade profissional; exibir
documentos comprobatórios).
2. As sociedades podem ser dissolvidas judicialmente, antes do período marcado no contrato, "por inabilidade de algum dos
sócios" (Código Comercial, art. 336, 2º).
A inabilidade de algum sócio abala incontestavelmente o crédito das sociedades formadas intuitu personae (Carvalho
Mendonça, Tratado, vol. III, nº 800).
A inabilidade resulta da má administração dos negócios sociais, da enfermidade habitual ou prolongada, obstando a que o
sócio possa ocupar-se das transações da sociedade, etc. (Bento de Faria, Código Comercial Brasileiro Anotado, p. 303, nota
351).
3. Pelo exposto, pede a citação do sócio Dionísio Pinto de Souza, para, no prazo da lei, dizer sobre o pedido, declarando-se,
a final, a dissolução da sociedade, para o fim de sua liquidação.
Dá à causa o valor de {_Valor da causa}.
Termos em que,
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
SUB-ROGAÇÃO
1. Generalidades. - Sub-rogação é substituição; esta, a sua idéia geral.Substituição de uma pessoa por outra, ou de uma
coisa por outra.
Pode ser convencional, ou legal, segundo se opera por vontade da parte, ou por determinação da lei.
Em direito obrigacional há o pagamento com sub-rogação, que é uma substituição em direitos creditórios, operada em favor
de quem pagou a dívida ou para isso forneceu recursos necessários (paiement avec subrogation, pagamento con surrogazione,
ubergang, respectivamente, dos direitos francês, italiano, alemão. Em alemão ubergang significa transferência - transferência
do crédito...). A sub-rogação vem a ser a transferência dos direitos creditórios da pessoa do credor para a do terceiro que solveu
a obrigação ou emprestou recursos necessários para solução da dívida.
O art. 1.112, II, trata não de sub-rogação pessoal, de crédito, sim da sub-rogação real, de coisa em princípio inalienável,
mas alienável, em casos excepcionais, mediante autorização do juiz. A matéria, aqui, é atinente ora ao direito de família ("bem
de família", bens dotais), ora ao direito das coisas (usufruto, fideicomisso), ora ao direito das obrigações (gravação de bens
doados), ora ao direito sucessório (gravação de herança ou legado).
2. Legislação civil. - O prédio constituído em bem de família não pode ser alienado sem o consentimento dos interessados
(Código Civil de 1916, art. 72; novo CC, art. 1.717). A cláusula de bem de família somente será eliminada por mandado do
juiz, e a requerimento do instituidor nos casos previstos em lei (Decreto-Lei nº 3.200, de 19 de abril de 1941).
O usufruto só se pode transferir, por alienação, ao proprietário da coisa (Código Civil de 1916, art. 717).
A cláusula de inalienabilidade, temporária ou vitalícia, imposta aos bens pelos testadores ou doadores, não poderá, em caso
algum, salvo os de expropriação por necessidade ou utilidade pública e de execução por dívida proveniente de impostos
relativos aos respectivos imóveis, ser invalidada ou dispensada por atos judiciais de qualquer espécie, sob pena de nulidade
(Código Civil de 1916, art. 1.676).
Quando, nas hipóteses do artigo antecedente, se der a alienação de bens clausulados, o produto se converterá em outros
bens, que ficarão sub-rogados nas obrigações dos primeiros (Código Civil de 1916, art. 1.677). As expressões "em caso algum"
(do artigo 1.676) e "por atos judiciais de qualquer espécie" (do artigo 1.677) referem-se apenas a execuções por dívidas -
interpretação histórica dos dispositivos referidos.
3. Princípios. - No direito brasileiro dominam os seguintes princípios:
1º) é permitida a sub-rogação (substituição) de bens gravados de inalienabilidade;
2º) a sub-rogação se admite: a) em caso de desapropriação por necessidade ou utilidade pública; b) em caso de execução
fiscal por impostos relativos ao imóvel; c) havendo necessidade, real vantagem ou comprovada conveniência da alienação-
sub-rogação. Nos casos da letra c, depende de autorização judicial;
3º) deve haver, pelo menos, equivalência (valor econômico) entre o bem alienado e o adquirendo - ao tempo da sub-
rogação.
4º) a substituição (sub-rogação) será por imóvel ou apólices da Dívida Pública.
4. Procedimento. - No Código de 1939, o procedimento (arts. 629 a 634) era mais singelo, posto que menos lógico e
preciso que o procedimento-padrão dos arts. 1.104 a 1.111.
Dispunha o art. 632:
"Se for concedida a autorização e se efetuar a venda, o juiz nomeará fiscal, que receberá o preço,
procedendo à compra dos bens, aos quais será transferido o ônus. O fiscal ficará sujeito às responsabilidades
e penas de depositário infiel, enquanto não prestar contas em juízo."
Ou pela ineficácia da providência, ou porque a intervenção obrigatória do Ministério Público, gratuita, se mostrasse
suficiente, o Código de 1973 não manteve a figura do fiscal, sem embargo indicativa do cuidado que merecem os pedidos de
sub-rogação.
5. Decreto-Lei nº 6.777. - O Decreto-Lei nº 6.777, de 08.08.1944, dispunha sobre a sub-rogação de imóveis gravados ou
inalienáveis:
"Art. 1º. Na sub-rogação de imóveis gravados ou inalienáveis, estes serão sempre substituídos por outros
imóveis ou apólices da Dívida Pública.
Art. 2º. Se requerida a sub-rogação mediante permuta por apólices da Dívida Pública, o juiz mandará
vender o imóvel em hasta pública, ressalvando ao interessado o direito de conservá-lo livre, desde que, antes
de assinado o auto de arrematação, ofereça, em substituição, apólices de valor igual ou superior ao do maior
lanço acima da avaliação ou ao desta, na falta de licitante.
Art. 3º. A presente lei entrará em vigor na data da sua publicação, aplicando-se aos casos ainda não
julgados definitivamente."
A petição inicial, com os requisitos do art. 282, deve especificar os motivos do pedido de sub-rogação, indicando os bens
que se pretende alienar e adquirir, vale dizer, o bem que irá ficar em lugar do alienando com o ônus, com a sub-rogação.
A estimação do valor dos bens (alienando e adquirendo) entrará, por certo, nos fundamentos do pedido. A avaliação,
contudo, é necessária.
O Tribunal de Justiça do Ceará decidiu que não pode ser deferido o pedido de sub-rogação, não se indicando o imóvel
destinado a receber o ônus da cláusula, a ser devidamente avaliado (Jurisprudência e Doutrina, vol. 22, p. 108).
6. Modelo:
Alienação de imóvel, com sub-rogação
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu advogado infra-assinado, inscrito na
OAB sob nº {_Nº OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. A herança do requerente foi gravada, em cláusula testamentária, de inalienabilidade vitalícia (doc. nº 2).
Houve, na partilha, pequena propriedade agropecuária, denominada "Iracema", situada no Município de ..., ao tempo do
inventário avaliada em ..., hoje de valor estimado de ... (docs. nºs 3 e 4).
2. O requerente fixou domicílio e residência na cidade de ..., Estado de ..., onde exerce clínica médica e pretende
permanecer.
A fazenda "Iracema", de reduzidas proporções e capacidade econômica (100 hectares aproximadamente), situada em estado
longínquo, distante do domicílio de seu proprietário, é de difícil administração e aproveitamento pelo requerente.
3. Evidente a vantagem da alienação do imóvel e sua substituição por títulos da Dívida Pública, requer a V. Exª, com
fundamento no art. 1.112, II, do Código de Processo Civil, que, ouvido o representante do Ministério Público, se digne de
conceder-lhe a alienação e sub-rogação, procedendo-se na forma dos arts. 1.104-1.109 da Legislação Instrumental.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
SUCESSÃO PROVISÓRIA
1. Generalidades. - Passado um ano da publicação do primeiro edital sem que se saiba do ausente e não tendo comparecido
procurador ou representante, poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão (CPC, art. 1.163).
Consideram- se para este efeito interessados: I. o cônjuge não separado judicialmente; II. os herdeiros presumidos legítimos e
os testamentários; III. os que tiverem sobre os bens do ausente direito subordinado à condição de morte; IV. os credores de
obrigações vencidas e não pagas (§ 1º). Findo o prazo deste artigo e não havendo absolutamente interessados na sucessão
provisória, cumpre ao órgão do Ministério Público requerê-la (§ 2º).
O desaparecimento da pessoa dá ensejo à abertura de três períodos, relativos à posse e administração de seus bens; a) o
primeiro da curadoria; b) um segundo, da sucessão provisória; e c) um terceiro, da sucessão definitiva.
O primeiro é de um ano, contado da publicação do primeiro dos editais do art. 1.161. O segundo inicia-se com a abertura da
sucessão provisória. O terceiro, com a sucessão definitiva (art. 1.167).
2. Legitimação. - Podem (e devem) requerer a sucessão provisória as pessoas indicadas no art. 1.163. São elas: a) o
cônjuge, contanto que o casamento não tenha sido judicialmente desfeito, ou dissolvida a sociedade conjugal; b) os presumidos
herdeiros legítimos, ou os testamentários; c) os fideicomissários e nu-proprietários; d) os credores, cujos títulos, vencidos, não
tenham sido pagos; e) o órgão do Ministério Público, nas condições estabelecidas no § 2º.
3. Procedimento. - O interessado, ao requerer a abertura da sucessão provisória, pedirá a citação pessoal dos herdeiros
presentes e do curador e, por editais, a dos ausentes, para oferecerem artigos de habilitação (art. 1.164). A habilitação dos
herdeiros obedecerá ao processo do art. 1.057 (parágrafo único).
O art. 1.057 prescreve que, recebida a petição inicial, o juiz ordenará a citação dos requeridos para contestar a ação no
prazo de cinco dias.
4. Sucessão provisória no novo Código Civil. - Ver os arts. 26 a 36; sobre sucessão definitiva, conferir os arts. 37, 38 e 39.
5. Modelo:
Pedido de abertura de sucessão
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
{_Nome do cliente}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DO CLIENTE}, por seu procurador, inscrito na OAB, nº {_Nº
OAB}, {_ENDEREÇO ESCRITÓRIO}, expõe e requer o seguinte:
1. Desaparecido {_Nome da parte contrária} sem deixar procurador, foram-lhe arrecadados os bens e confiados a um
curador.
Publicados editais de anúncio da arrecadação e de chamamento do ausente a entrar na posse de seus bens, ano e meses se
passaram sem notícia do desaparecido e sem comparecimento de procurador, ou representante.
2. Passado um ano da publicação do primeiro edital sem que se saiba do ausente e não tendo comparecido seu procurador
ou representante, poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão (Código de Processo Civil, art.
1.163). Considera-se interessado o presumido herdeiro legítimo (§, 1º, II).
O requerente é irmão do desaparecido, como provam as certidões de registro civil ora exibidas (docs. nos 4, 5 e 8).
Desconhece a existência de qualquer outro parente de seu colateral, já falecidos que são os pais de ambos (docs. nºs 2 e 3).
3. Face ao exposto, vem requerer se abra provisoriamente a sucessão de {_Nome da parte contrária}. Pede a citação pessoal
do curador e, por edital, dos ausentes para oferecerem artigos de oposição.
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
TUTELA
1. Conceito. - A lei divide a vida humana, quanto à capacidade natural, base principal da capacidade civil, em dois
períodos: a) menoridade; b) maioridade. O primeiro período começa ordinariamente com o nascimento com vida e acaba aos
vinte e um anos. Passados os dezoito anos, é possível a venia aetatis ou suplemento de idade (emancipação).
A lição é de Pontes de Miranda, que observa:
"Durante a menoridade, precisa o homem, ou a mulher, de quem os proteja, defenda e proteja e
administre os bens. O protetor natural é o pai, ou a mãe, ou, ainda, por assimilação, o pai adotivo; na falta
desses, confere-se o encargo a algum dos parentes, ou a estranho, a que se chama tutor" ( Tratado de Direito
de Família, vol. III, § 266).
Em seguida, precisas definições:
"Tutela é o poder conferido pela lei, ou segundo preceitos seus, à pessoa capaz, para proteger a pessoa e
reger os bens dos menores que estão fora do pátrio poder. Tutor é o que foi nomeado para exercer a tutela" (§
267).
Os menores, juridicamente ou incapazes, estão protegidos por um sistema legal, que se desdobra em três vias: pátrio poder,
tutela e curatela.
A tutela, no direito brasileiro, é um sucedâneo do pátrio poder. Havendo um menor que não tem pais ou cujos pais
perderam o pátrio poder, deve ser colocado sob tutela (Arnoldo Wald, Direito de Família, nº 77).
Em linguagem didática, o douto Professor completa seu pensamento adiantando noção geral de curatela:
"Enquanto o simples fato de um menor não estar sob o pátrio poder exige a nomeação de tutor, somente
por um processo de interdição é que se admite seja alguém colocado em curatela" (obs. e §, cits.).
Há três espécies de tutela, segundo sua origem: a testamentária, a legítima e a dativa. Testamentária, é a que foi deferida
pelo pai ou pela mãe, ou por algum dos avós, mediante disposição de última vontade (testamento). Legítima, diz-se que é
deferida aos parentes, segundo a ordem de proximidade e conforme disposição legal. Dativa, conferida pelo juiz.
2. Tutor ad hoc. - Nomeia-se tutor ad hoc, tutor especial, ao menor em casos esporádicos, verbi gratia, na hipótese de
momentânea incompatibilidade do pai ou do próprio tutor.
3. Regência legal. - Os filhos menores são postos em tutela: I. falecendo os pais, ou sendo julgados ausentes; II. decaindo
os pais do pátrio poder (Código Civil de 1916, art. 406; novo CC, art. 1.728).
O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do pátrio poder e implica necessariamente o
dever de guarda (Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 36, parágrafo único).
O direito de nomear tutor compete aos pais e aos avós (art. 407).
Obs.: O novo Código Civil, art. 1.729, diz que o direito de nomear tutor compete aos pais em conjunto.
A nomeação deve constar de testamento ou de qualquer outro documento autêntico, ou de escritura pública. A denominação
de testamentária conserva-se, nesse caso, porque só depois da morte do nomeante produzirá efeito (Carvalho Santos, Código
Civil Interpretado, vol. VI, p. 213, começo).
Aplicam-se à tutela as disposições dos arts. 36 a 38 e outros do Estatuto da Criança e do Adolescente.
A Lei nº 8.069/90 regula a tutela das pessoas até 21 anos incompletos. Pressuposto do deferimento é a prévia decretação da
perda ou suspensão do pátrio poder. Implica necessariamente o dever de guarda do menor - assistência material, moral e
educacional. Defere-se tutela "nos termos da lei civil" (art. 36).
3.1. Procedimento. - Ao procedimento da perda e da suspensão do pátrio poder, estabelecido em capítulo especial, aplicam-
se, subsidiariamente, as normas previstas na legislação pertinente - Código de Processo Civil e Código de Processo Penal.
Cessa o exercício da tutela (que é obrigatório) pela destituição, cujo procedimento é o de remoção de tutor prevista nos arts.
1.194 a 1.197 do Código de Processo Civil e, no que couber, o da perda e da suspensão do pátrio poder.
Entre as medidas de cautela e punição aplicáveis pela autoridade judiciária aos pais ou responsáveis, figuram: I. a perda da
guarda; II. a destituição da tutela; III. a suspensão ou destituição do pátrio poder (art. 129).
3.2. Conselho Tutelar. - Instituiu-se o Conselho Tutelar, órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela
sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos em lei.
Suas atribuições estão definidas no art. 136. Entre elas: representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda e
suspensão do pátrio poder (inciso XI).
4. Incapazes de exercer tutela. - A Lei Civil, art. 413, incisos I a VI, enumera casos em que certas pessoas, já por suas
condições sociais, morais, econômicas, já em razão de relações especiais com o menor (inimizade com ele ou com os pais,
viabilidade de fazer valer direito contra esse etc.), não podem ser tutores e serão exonerados da tutela caso a exerçam.
Ver o novo Código Civil, art. 1.735, I a VI.
5. Escusa dos tutores. - A tutela é munus publicum; é, portanto, obrigatória; o nomeado não pode deixar de aceitá-la, salvo
escusa prevista em lei.
Podem escusar-se (CC de 1916, art. 414; novo CC, art. 1.736):
I. as mulheres;
II. os que tiverem em seu poder mais de cinco filhos;
IV. os impossibilitados por enfermidade;
V. os que habitem longe do lugar, onde se haja de exercer a tutela;
VI. os que já exerceram tutela, ou curatela;
VII. os militares em serviço.
Os motivos de escusa justificam-se por si mesmos.
Quando às mulheres, veja nº 5.1, infra.
A escusa concedida ao sexagenário tem sua razão de ser no direito a repouso e também no interesse do menor, que deve ter
como seu protetor pessoa capaz, resistente aos ônus do encargo.
A enfermidade deve ser tal que impossibilite ou dificulte o exercício da tutela.
Morar o tutor em ou transferir sua morada para lugar distante do em que se exercer a tutela pode ser justa causa de escusa,
pode obstar ao regular exercício do munus. Decidirá o juiz, prudentemente, em cada caso concreto.
O exercente de tutela ou curatela, isto é, a pessoa que está exercendo tutela ou curatela, não deve, em regra, ser
sobrecarregada com outro encargo, sob pena de prejudicar-se o desempenho de ambos.
Os militares em serviço, vale dizer, na ativa, sujeitos que estão a remoções e transferências, que os impede de bem proteger
a pessoa e gerir os bens do menor. Donde poderem escusar-se.
5.1. Mulheres; escusa do encargo de tutor. - O inciso I do art. 414 do Código Civil de 1916 concedeu à mulher escusar-se
da tutela e fê-lo, segundo parece, por considerar que, devido à educação por elas em geral recebidas, "muitas não poderiam
desempenhar a contento a função de tutora" (Carvalho Santos, Código Civil, vol. VI, p. 254).
Modernos autores vêem incompatibilidade do texto com o art. 5º, I da Carta Magna, verbis: "homens e mulheres são iguais
em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição". Entendem que o dispositivo está prejudicado pelo preceito
constitucional (José de Farias Tavares, O Código Civil e a Constituição, 2ª ed., Rio, 1991, p. 69, e Pedro Sampaio, Alterações
Constitucionais nos Direitos de Família e Sucessões, 5ª ed., Rio, 1995, p. 47, nº 85).
Quer-nos parecer que a concessão de escusa em nada atinge a mulher em seu status de pessoa capaz; apenas foram levadas
em consideração os incômodos e responsabilidades do encargo, que exige vivência e experiência para seu bom desempenho.
Há uma tendência para total igualização do homem e da mulher com base no mencionado dispositivo constitucional, fato
que é desmentido pela própria Constituição, ao distinguir, por exemplo, o tempo de serviço para aposentadoria do servidor (art.
40, III).
Ademais, a mulher pode ser tutora, mas o Código dá-lhe a faculdade de escusa, de aceitar ou não o honroso encargo de
acordo com suas habilitações e as circunstâncias do exercício.
6. Garantia da tutela. - O tutor, antes de assumir a tutela, é obrigado a especializar, em hipoteca legal, os imóveis
necessários para acautelar, sob sua administração, os bens do menor (CC de 1916, art. 418).
A especialização será dispensada, sempre que o tutelado não possuir bens ou rendimentos, ou por qualquer outro motivo
relevante. Será também dispensada se os bens, porventura existentes em nome do tutelado, constarem de instrumento público
devidamente registrado no registro de imóveis, ou se os vencimentos forem apenas suficientes para a manutenção do tutelado,
não havendo sobra significativa ou provável (CPC, arts. 1.205 a 1.210).
7. Exercício da tutela. - As incumbências do tutor concernem à proteção da pessoa e à administração dos bens do pupilo.
Cabe-lhe, quanto à pessoa, dirigir-lhe a educação e prestar-lhe alimentos conforme seus haveres e condição; reclamar do
juiz que providencie quando o menor necessitar de correção (CC de 1916, art. 424, I e II); representá-lo até os 16 anos e
assisti-lo, após essa idade, nos atos da vida civil (CC de 1916, art. 426, I).
No que toca aos bens, os poderes de administração, de alienação, de transação, de fazer despesas necessárias à conservação
e melhoramento, disciplina-os o Código Civil de 1916 casuisticamente, nos arts. 426, 427 e 428, distinguindo os atos que
podem ser praticados, com ou sem autorização judicial. "Os imóveis pertencentes aos menores só podem ser vendidos quando
houver manifesta vantagem" (CC de 1916, art. 429; novo CC, art. 1.750).
Compare-se o preceito com o art. 389 do Código Civil de 1916:
"O usufruto dos bens dos filhos é inerente ao exercício do pátrio poder."
Entre tutor e pai grande diferença vai. O segundo é protetor natural; o primeiro artificial. A regra (que lamentavelmente tem
exceção) é a defesa instrutiva, firme, incondicionada dos interesses da prole.
8. Venda de bens de menores sob tutela. - Os pais, administradores legais dos bens dos filhos que se achem sob o pátrio
poder (pátrio dever), não podem alienar ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações
que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por necessidade, ou evidente utilidade, "mediante prévia
autorização do juiz".
Mais formalidades (medidas de cautela) são necessárias quando se trate de bens pertencentes a menores sob poder tutelar,
ou a interditos - prova de necessidade, ou real vantagem, autorização judicial, hasta pública.
Os claros termos em que, no particular, foi vazada a lei civil, não evitaram que largamente se discutisse a necessidade de
hasta pública nas operações relativas a bens de menor sob pátrio poder. Os repositórios estão refertos de pareceres e decisões
nesse sentido e a resposta é negativa. E já não tem justificativa voltar ao debate.
O detentor do pátrio poder tem a guiá-lo, na superadministração dos bens do filho, o natural interesse, o amor, a dedicação
capaz de levar ao sacrifício, a "voz do sangue", impedientes de atos prejudiciais ao interesse do incapaz. O tutor -
testamentário, legítimo, dativo - não está ligado ao pupilo pelos laços de íntima efeição paterno-materna, visível até nos seres
inferiores. E pode ser um estranho.
8.1. Modelo:
Pedido de venda de imóvel
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
Aloísio de Freitas, Maria Angélica de Freitas e Raulino de Freitas, com, respectivamente, 19, 17 e 15 anos de idade,
brasileiros, solteiros, estudantes, domiciliados e residentes nesta cidade, Rua ..., nº..., os dois primeiros assistidos e o terceiro
representado por seu tutor {_Nome do cliente}, vêm, por intermédio de seu procurador, expor e requerer o seguinte:
1. Os requerentes são proprietários de um terreno situado na Rua Monteiro Lobato, nº..., com ... metros de frente e ...
metros de fundo, limitando-se com..., havidos por herança de... Possuem outro imóvel, situado na rua ..., nº ..., prédio
relativamente novo, que assegura parte do sustento e da educação.
2. O prédio rendeiro necessita de consertos, capazes de aumentar o valor locativo. O terreno, de área reduzida e situação
desfavorável, nenhuma renda produz, além de estar sujeito a consideráveis ônus fiscais.
Cogitou-se de um empréstimo bancário, mas as dificuldades e os encargos (doc. nº 5), desencorajaram os pretendentes.
3. Estima-se em ... o valor do terreno e em ... o das despesas do conserto (orçamento, doc. nº 6).
4. Assim exposta a necessidade de vender o imóvel da Rua Monteiro Lobato, pedem, com fundamento nos arts. 429 do
Código Civil (novo CC, art. 1.750) e 1.112, III do Código de Processo Civil que, avaliado o terreno e ouvido o representante
do Ministério Público, se digne V. Exª de autorizar a pretendida alienação, em hasta pública.
Termos em que,
Esperam deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
9. Remoção; destituição; dispensa de tutor. - Não podem ser tutores e serão exonerados, caso exerçam a tutela, as pessoas
indicadas no art. 413, I a IV, do Código Civil de 1916, referidas no número 4.
Ver o novo CC, art. 1.735.
Será destituído o tutor, quando negligente, prevaricador ou incurso em incapacidade (Código Civil de 1916, art. 445; novo
CC, art. 1.766).
Será removido, destituído, o tutor incapaz, negligente, prevaricador, isto é, que retardar ou deixar de praticar,
indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra expressa disposição de lei (Código Penal, art. 319).
Os tutores que se revelam incapazes, inúteis, perdulários, que infligem maus- tratos aos pupilos, que não os educam, ou que
tentam pervertê-los, enfim, todos os que não cumprem zelosamente os deveres inerentes ao exercício da tutela devem ser
removidos (Clóvis Beviláqua, Direito de Família, § 86, nº 3).
9.1. Legitimação. - Incumbe ao órgão do Ministério Público, ou a quem tenha legítimo interesse, requerer, nos casos
previstos em lei, a remoção do tutor ou curador (CPC, art. 1.194).
Em primeiro lugar, entre os legitimados, figura o Ministério Público, curador geral dos incapazes.
Pontes de Miranda, na Vara de Órfãos, detectou centenas de pedidos de alvarás que envolviam transações prejudiciais aos
incapazes, em benefício de parentes.
No Ministério Público da Bahia, Jônatas Milhomens fez, em parecer, séria advertência: "Se a requerente insiste em
permutar a fazenda do filho por uma fábrica de cal, de difícil administração e futuro incerto, além de sobremodo distante do
domicílio e residência, estará demonstrando que não deve continuar no exercício do pátrio poder".
9.2. Modelo:
Remoção de tutor
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
O representante do Ministério Público, abaixo assinado, expõe e requer o seguinte:
1. Em virtude do falecimento de seus pais, foi dado tutor aos menores Antonio Evangelista, Deise Evangelista e Margarida
Evangelista de Matos. Recaiu a escolha em {_Nome da parte contrária}, {_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA PARTE
CONTRÁRIA}, como provam certidões extraídas dos autos de inventário de ..., e do livro de compromisso de tutela ( docs. nºs
2 e 3).
Tornou-se público que o referido tutor, de alguns meses para cá, ausenta-se longo tempo de seu domicílio, e se deu ao vício
do jogo de cartas - fatos que constituem ameaça à boa regência das pessoas e administração dos bens dos pupilos.
2. Incumbe ao Ministério Público requerer, nos casos previstos na lei civil, a remoção do tutor.
3. Pede, face ao exposto, a citação de {_Nome da parte contrária}, para contestar, no prazo de cinco dias, a argüição de
negligência, que ora contra ele se formula. Pede, a final, que, provados os fatos, seja removido o tutor e nomeado outro em
substituição.
Protesta por provas...
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
Assinatura.
TUTELA ANTECIPADA
1. Generalidades. - Novidade em nosso direito, a antecipação de tutela introduziu, no CPC, os princípios da
verossimilhança, da prova inequívoca e do perigo de irreversibilidade (a nova redação do art. 273 decorre da Lei nº 8.952, de
13.12.94).
Os incisos I e II cuidam das condições de concessão da medida, que não se confunde nem prejudica as tutelas cautelares,
previstas nos arts. 796 a 889 do CPC.
Verossimilhança, em esforço propedêutico, que se quadre com o espírito do legislador, é a aparência de verdade, o razoável,
alcançando, em interpretação lato sensu, o próprio fumus bonis iuris e, principalmente, o periculum in mora.
Prova inequívoca é aquela clara, evidente, que apresenta grau de convencimento tal que a seu respeito não se possa levantar
dúvida razoável, equivalendo, em última análise, à verossimilhança da alegação, mormente no tocante ao direito subjetivo que
a parte queira preservar.
Assim, pode-se ter como verossímil o receio de dano grave que decorra de fato objetivamente demonstrável e não de
simples receio subjetivo da parte. O mesmo critério de verossimilhança aplica-se à aferição do abuso do direito de defesa. E
como prova inequívoca do direito requerente, deve-se ter aquela que lhe asseguraria sentença de mérito favorável, caso tivesse
a causa de ser julgada no momento da apreciação do pedido de medida liminar autorizada pelo novo art. 273. Por se tratar de
antecipação de tutela satisfativa da pretensão de mérito, exige-se, quanto ao direito subjetivo do litigante, prova mais robusta
do que o mero fumus boni iuris das medidas cautelares (não satisfativas).
2. Bibliografia. - Ver, sobre o tema, Pontes de Miranda, Comentários ao CPC, atualização de Sérgio Bermudes, tomo III;
Humberto Theodoro Jr., CPC Anotado, Curso de Direito Processual Civil, nº 372-b, vol. I, e As Inovações no CPC; Calmon de
Passos, Comentários ao CPC, vol. III, n°s 10 a 35 e Inovações no CPC; Cândido Rangel Dinamarco, A Reforma do CPC.
VENDA DE BENS DE MENORES SOB TUTELA
1. Bens de incapazes. Venda. - Incapazes são os menores (sob pátrio poder, ou sob tutela) e os interditos. Aos 21 anos
completos acaba a menoridade.
A incapacidade (que se não confunde com a personalidade) divide-se em absoluta, ou relativa. São absolutamente incapazes
de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I. os menores de dezesseis anos; II. os loucos de todo o gênero; III. os surdos-
mudos que não puderem exprimir a sua vontade; IV. os ausentes declarados tais por ato do juiz (Código Civil, art. 5º; novo CC,
art. 3°). São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I. os maiores de dezesseis e menores de vinte e
um anos; II. os pródigos; III. os silvícolas. Os silvícolas ficarão sujeitos ao regime tutelar, estabelecido em leis e regulamentos
especiais, o qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do país (Código Civil, art. 6º, parágrafo único; novo
CC, art. 4°, parágrafo único).
O absolutamente incapaz será representado e o relativamente capaz assistido por seus pais, tutores, ou curadores. Noutras
palavras: o relativamente incapaz deve participar do ato, assistido pelo representante do pátrio poder (o pai, ou se não for vivo,
a mãe), ou pelo tutor (menores sob tutela), ou curador (interditos).
2. Administradores legais. - O pai e, na falta, a mãe, são os administradores legais dos bens dos filhos que se acham sob o
seu poder (pátrio poder, "mátrio" poder). Não podem, porém, alienar, ou gravar de ônus reais os imóveis dos filhos, nem
contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração, salvo por necessidade ou evidente
utilidade, "mediante prévia autorização do juiz".
Os atos do pai, relativos aos bens do filho, que não forem meramente administrativos - alienação, permuta, gravame de
ônus reais, arrendamentos -, só se podem praticar provada a necessidade, ou real vantagem, ou evidente utilidade para o menor,
e com autorização judicial.
Maiores formalidades são necessárias quando esses atos, que transpõem os lindes da pura administração, que vão além da
conservação e exploração natural - pagamento de impostos, alienação de imóveis, etc. -, pertencem a menores sob o poder
tutelar, ou a interditos (sob o poder curatelar). Nestes casos se exige mais formalidade, maior garantia da operação: exige-se,
além da prova de necessidade ou real vantagem, a autorização judicial e a ostensividade da hasta pública (Código Civil
Brasileiro de 1916, arts. 422, 427, V e VI, 429 e 453).
Os claros termos em que foi vazada, no particular, a lei civil, não bastaram a evitar que se discutisse longamente a
necessidade da hasta pública nas operações relativas a bens de menor sob pátrio poder. Os repositórios de julgados estão
refertos de pareceres e decisões, nesse sentido. E já não tem justificativa que se volte ao debate.
O detentor do pátrio poder tem a guiá-lo, na superadministração dos bens do filho, o natural interesse, o amor, a dedicação
capaz de levar ao sacrifício, a "voz do sangue", capaz de impedir os atos prejudicais à prole.
O tutor, ou curador, não está ligado pelos laços da íntima afetividade paterno-maternal, existente, visível até nos seres
inferiores. E pode ser um estranho.
Por esses motivos, satisfez-se o legislador, num caso, com a fiscalização do curador geral de menores; noutro (de tutelados,
ou de curatelados), exigiu, além dessa fiscalização do órgão público, a formalidade da hasta pública. Todavia, em casos
especiais, o juiz poderá subordinar à hasta pública transação que envolva bens de menores sob pátrio poder.
O Código de 1939 regulava nos arts. 635 e 637 o procedimento para vender, arrendar, hipotecar ou onerar "bens
pertencentes a órfãos sob tutela ou a interditos", dispondo que, no caso de venda, seriam "postos em leilão ou praça, depois de
avaliados".
A alienação, arrendamento ou oneração de bens de menores, de órfãos, de interditos, processar-se-á na forma dos arts.
1.104 a 1.109 (Código de Processo Civil, art. 1.112, III).
3. Modelo:
Pedido de venda de bem imóvel
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA DE ÓRFÃOS E SUCESSÕES - {_Comarca}
Aloísio de Freitas, Maria Angélica de Freitas e Raulino de Freitas, com respectivamente, 19, 17 e 15 anos de idade,
brasileiros, solteiros, estudantes, domiciliados e residentes nesta Cidade, os dois primeiros assistidos e o terceiro representado
por seu tutor {_Nome do cliente}, vêm expor e requerer o seguinte:
1. Os requerentes são proprietários de um terreno situado na rua Monteiro Lobato, nº 66, com ... metros de frente por ...
metros de fundo, limitando-se com (indicar). Possuem outro imóvel, situado na rua ..., nº ..., prédio relativamente novo, que
lhes assegura parte do sustento e da educação.
2. O prédio rendeiro necessita de consertos (indicar), capazes de aumentar-lhe o valor locativo. O terreno, sujeito a ônus
fiscais consideráveis, nenhuma renda produz.
Cogitou-se de realizar um empréstimo bancário, mas as dificuldades e os encargos de uma transação dessa natureza
desencorajaram os requerentes.
3. Estima-se em ... o valor do terreno. As despesas dos pretendidos consertos foram orçadas em ... (doc. nº 6).
4. Assim exposta a vantagem ou, melhor, a necessidade da venda do imóvel da rua Monteiro Lobato, pedem, com
fundamento nos arts. 246, I, e 247, VI, do Código Civil de 1916, e 1.112, III, do Código de Processo Civil, que, ouvido o
representante do Ministério Público, se digne V.Exª de autorizar a alienação do imóvel, depois de avaliado.
Pedem deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
VENDAS A CRÉDITO COM RESERVA DE DOMÍNIO
1. Pactum reservati dominii. - O pacto de reserva de domínio, no contrato de compra e venda, é instituto insólito. Discutiu-
se a sua admissibilidade no direito brasileiro. O Código Civil a ele não se referiu, embora conhecido da legislação anterior -
Decreto nº 917, de 24.10.1890, e Lei nº 895, de 16.08.1902 (Lei de Falências).
Algumas dúvidas despontam na conceituação lógico-jurídica do pacto reservativo de domínio. Qual o instituto jurídico
imune às sutilezas dos doutores? Não é a dúvida o travesseiro do sábio? Pode-se admitir como assentado em doutrina que se
trata de uma condição suspensiva.
Surge outra questão: se o pacto é aplicável à venda de móveis e de imóveis.
O Código de 1939 cuidava de "vendas a crédito de coisa móvel" (art. 343). No Anteprojeto do Código Civil, art. 513, lê-se:
"Na venda de coisa móvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, até que o preço esteja integralmente pago."
O Código de 1973 eliminou a especificação.
No contrato de compra e venda com reserva de domínio, o vendedor entrega a coisa ao comprador, obrigando-se este a
pagar o preço dentro de certo prazo, considerando-se transferida a propriedade, o domínio, quando, ou melhor, se o comprador
cumprir a obrigação, realizando o pagamento. O contrato será sempre a prazo. O pagamento pode ser numa, duas ou mais
prestações.
Entram no contrato os três elementos essenciais do contrato de compra e venda, a coisa (res), o preço (pretium), o
consentimento (consensus), mais um: a condição; condiciona-se a transferência do domínio ao pagamento integral do preço.
Ao contrato se acrescenta a cláusula reservatória da propriedade da coisa até que feito ou completado o pagamento ( pactum
reservati dominii donec pretium solvatur).
Foi o fator econômico - a produção industrial em massa; a necessidade de colocar as mercadorias; o facilitar a aquisição
dos produtos pela classe pouco endinheirada - que forçou o trabalho jurídico. Inclinamo-nos, por isso, a acompanhar aqueles
que entendem restringir-se o Código de 1973 a coisa móvel.
O fator econômico, substrato social, impusera o uso do pacto de reserva de domínio.
A grande produção industrial dos últimos tempos trouxe modificações profundas, que atingiram o padrão de vida das
classes humildes. O uso de objetos produzidos em larga escala passou a ser necessidade de muitos. Artigos de uso doméstico
(móveis, rádios, máquinas de costura, etc.), máquinas de pequena indústria, automóveis, teriam que ser adquiridos a prazo, em
prestações quase sempre. Coisa móveis são de fácil aquisição e de apreensão difícil.
A fim de se garantirem os vendedores, nos contratos a prazo, com a entrega do objeto, lançaram mão de expediente
adequado: reserva de domínio da coisa entregue ao comprador; reserva da propriedade da coisa vendida, até que se liquidasse a
obrigação; poder, direito de reaver a coisa vendida, na condição de não ter sido pago o preço na forma e no prazo estipulados.
Todavia, de simples garantia da solução do pagamento, o pactum reservati dominii passou à fonte do locupletamento ilícito:
reintegração da posse da coisa vendida não totalmente paga, apesar das prestações já realizadas.
Um dispositivo de lei penal, art. 3º, IV, do Decreto-Lei nº 869, de 18.11.1938, que definiu os crimes contra a economia
popular, marca o início da fase jurídico-legislativa do pactum reservati dominii.
2. Registro do contrato. - O Decreto-Lei nº 1.027, de 02.01.1939, instituiu o registro do contrato de venda de bens de
natureza civil ou comercial, com a cláusula de reserva de domínio, para valer contra terceiros - transcrição do contrato, no
todo ou em parte, no registro de títulos e documentos do domicílio do comprador (art. 1º).
A Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015, de 31.12.1973) dispõe que no Registro de Títulos e Documentos será feita a
transcrição dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações de qualquer valor (art. 127, I).
3. Execução das prestações; apreensão da coisa vendida. - Nas vendas a crédito com reserva de domínio, quando as
prestações estiverem representadas por título executivo, o credor poderá cobrá-las, observando-se o disposto no Livro II, Título
II, Capítulo IV (art. 1.070). Efetuada a penhora da coisa vendida, é lícito a qualquer das partes, no curso do processo, requerer-
lhe a alienação judicial em leilão (§ 1º). O produto do leilão será depositado, sub-rogando-se nele a penhora (§ 2º).
Ocorrendo mora do comprador, provada com o protesto do título, o vendedor poderá requerer liminarmente e sem
audiência do comprador a apreensão e depósito da coisa vendida (art. 1.071). Ao deferir o pedido, nomeará o juiz perito, que
procederá à vistoria da coisa e arbitramento do seu valor, descrevendo-lhe o estado e individuando-a com todos os
característicos (§ 1º). Feito o depósito, será citado o comprador para, dentro em cinco dias, contestar a ação. Neste prazo
poderá o comprador, que houver pago mais de quarenta por cento do preço, requerer ao juiz que lhe conceda trinta dias para
reaver a coisa, liquidando as prestações vencidas, juros, honorários e custas (§ 2º). Se o réu não contestar, deixar de pedir a
concessão do prazo ou não efetuar o pagamento referido no parágrafo anterior, poderá o autor, mediante a apresentação dos
títulos vencidos e vincendos, requerer a reintegração imediata na posse da coisa depositada; caso em que, descontada do valor
arbitrado a importância da dívida, acrescida das despesas judiciais e extrajudiciais, o autor restituirá ao réu o saldo,
depositando-o em pagamento (§ 3º). Se a ação for contestada, observar-se-á o procedimento ordinário, sem prejuízo da
reintegração liminar (§ 4º).
Ao vendedor, que transfere a posse mas se reserva o domínio até que seja pago o preço, abrem-se, no caso de mora do
comprador, isto é, de não pagamento da prestação, duas opções: a cobrança das prestações representadas por título executivo
ou a resilição do contrato com apreensão e depósito da coisa vendida.
O art. 1.070 disciplina a ação de execução. O art. 1.071, a apreensão. Por ambas as formas se garante ao vendedor o
cumprimento do contrato. Pela segunda forma - apreensão - ressalva-se ao comprador-devedor não só purgar a mora, mas um
ajuste de contas, computado o que pagou ao vendedor.
No Código de 1939 (arts. 343-344) a composição dos interesses particulares e social estava regulado de modo semelhante.
Suprimiu-se a reintegração liminar do art. 344, §§ 4º e 5º, subsistindo a apreensão e o depósito, este precedido de avaliação,
que é imediata à apreensão.
Se, feito o depósito e citado o comprador, este não contesta a ação nem requer purgação da mora, o autor poderá requerer a
reintegração imediata na posse da coisa depositada: caso em que, ajustadas as contas, restituirá ao réu o saldo, se houver (art.
1.071, § 3º).
4. Mora do devedor; prova. - A ação de apreensão, que pode redundar em reintegração na posse da coisa vendida, funda-se
em mora do comprador, que falta ao pagamento da prestação vencida.
Prova-se a mora com o protesto do título. O protesto é necessário à propositura da ação. Sendo corrente a emissão de
promissórias ou duplicatas, com o instrumento do contrato, o protesto é prova suficiente da mora.
Ocorre, todavia, que, por ser da substância do contrato o instrumento, público, ou particular, pode-se prescindir de títulos
cambiais. Neste caso indaga-se: Como comprovar a mora do comprador-devedor?
Hamilton de Moraes e Barros apresenta esta solução: Se a dívida não estiver representada por títulos cambiais, nem por
isso deixa de caracterizar-se a mora. São requisitos da ação a certeza da dívida e a mora no pagamento. "E isso pode obter-se
com a disciplina da mora no art. 960 do Código Civil" (Comentários, nº 217, p. 449). Ernane Fidélis dos Santos acha viável a
solução, mas acrescenta, em razão do rigorismo da medida: Não basta, para haver prova efetiva da mora, a simples exibição do
contrato. Aconselhável é que se use o expediente do art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei nº 911, de 01.10.1969, que cuida de Alienação
Fiduciária, ou seja, comprove-se a mora por carta registrada expedida por intermédio do Cartório de Títulos e Documentos
(Comentários, nº 439).
Diríamos que a lei processual conhece outras formas de protesto que não por intermédio de oficial público.
5. Modelos:
5.1. Execução de crédito de venda com reserva de domínio
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Razão Social do cliente}, estabelecida nesta praça, {_Endereço do cliente}, vem, por seu advogado, com fundamento no
art. 1.070 do Código de Processo Civil, propor contra {_Nome da parte contrária}{_QUALIFICAÇÃO E ENDEREÇO DA
PARTE CONTRÁRIA}, ação de execução de contrato de venda a crédito com reserva de domínio, conforme passa a expor:
1. A requerente vendeu ao requerido, com cláusula reservativa de domínio, um aparelho de televisão marca (indicar), pelo
preço de ...
O contrato (instrumento ora exibido) reza: entrada de ... e dez prestações de ..., vencíveis no dia ... de cada mês,
representadas, ainda, por seis notas promissórias de igual valor (docs. juntos).
O comprador pagou apenas três prestações: está em mora no pagamento dos demais títulos, vencidos antecipadamente os
três últimos.
2. Nas vendas a crédito com reserva de domínio, quando as prestações estiverem representadas por títulos executivos, o
credor poderá cobrá-las, por meio de ação de execução (Livro II, Título II, Capítulo IV do Código de Processo Civil).
3. Pelo exposto, pede a citação do devedor, para, no prazo de 24 horas, pagar a importância de ... (valor de todas as
restantes notas promissórias), sob pena de, não o fazendo, ser penhorado o bem ou os que lhe forem achados, suficientes para
garantia do Juízo, compreendidos capital, juros, custas e honorários, prosseguindo-se na execução até satisfação do crédito.
Valor da causa: {_Valor da causa}. o valor da dívida.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.2. Venda a crédito com reserva de domínio (apreensão e depósito)
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Razão Social do cliente}, por seu advogado, vem, com apoio no art. 1.071 do Código de Processo Civil, propor contra
{_Nome da parte contrária} ação de execução de contrato de venda com pactum reservati dominii. Expõe e requer o
seguinte:
1. A requerente (reproduzir o item 1º do modelo anterior).
2. Ocorrendo mora do comprador, provada com o protesto do título, o vendedor poderá requerer liminarmente e em
audiência do comprador, a apreensão e depósito da coisa vendida.
A compradora está de posse do bem e a vendedora, que se reservou o domínio da coisa, no desembolso de seu crédito.
Levou a protesto o título vencido (doc. nº ...).
3. Assim exposto, e com fundamento na lei processual, pede a V. Exª que, apreendido, vistoriado, avaliado e depositado o
aparelho de televisão, seja o réu citado para os termos da demanda (Código de Processo Civil, art. 1.071 e parágrafos).
Requer execução de mandado de apreensão sem audiência da parte, e que, efetuado o depósito, cite-se o réu para, no prazo
de cinco dias, contestar, querendo, a ação.
Dá-se à causa o valor de {_Valor da causa}.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
5.3. Reintegração na posse da coisa vendida com reserva de domínio
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA {_Vara ou Junta} VARA CÍVEL - {_Comarca}
{_Razão Social do cliente}, nos autos da ação proposta contra {_Nome da parte contrária}, expõe e requer o seguinte:
1. O comprador, em mora comprovada pelo protesto do título, foi citado para contestar a ação depois de apreendido,
avaliado e depositado o bem objeto do contrato.
O réu não apresentou defesa, nem pediu prazo para purgar a mora, favor que lhe concede o art. 1.071, § 2º, do Código de
Processo Civil.
2. Pelo exposto, e ao tempo em que exibe os títulos vencidos e vincendos, requer a V. Exª que se digne de conceder-lhe a
imediata reintegração na posse do bem depositado.
Termos em que
Espera deferimento.
{_Comarca}, {_DATA}.
{_Nome do Adv.}
OAB {_Nº OAB}
II. PRÁTICA PENAL
ABUSO DE AUTORIDADE
1. Legislação. - A Lei nº 4.898, de 09. 12. 1965, regula o direito de representação e o processo de responsabilidade
administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade.
Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública de natureza civil ou
militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração (art. 5º).
Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:
a) à liberdade de locomoção;
b) à inviolabilidade do domicílio;
c) ao sigilo da correspondência;
d) à liberdade de consciência, de religião e de crença;
e) ao livre exercício de culto religioso;
f) à liberdade de associação;
g) ao exercício do voto;
h) ao direito de reunião;
i) à incolumidade física;
j) ao exercício de profissão.
2. Procedimento. - A ação penal será iniciada, independentemente de inquérito policial ou justificação, em 48 horas, por
denúncia do Ministério Público, devidamente instruída com a representação da vítima do abuso.
Recebidos os autos o juiz receberá ou rejeitará a denúncia também no prazo de 48 horas, designando dia e hora para a
audiência de instrução e julgamento, que deverá ser realizada no prazo improrrogável de cinco dias.
Aberta a audiência, o juiz qualificará e interrogará o réu, ouvirá as testemunhas e o perito e dará a palavra, por 15 minutos
para cada um, à acusação e à defesa, com possibilidade de prorrogação por mais 10.
Uma vez encerrado o debate o juiz deverá proferir imediatamente a sentença.
Constitui também abuso de autoridade (art. 4º):
a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder;
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou constrangimento não autorizado em lei;
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa;
d) deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada;
e) levar à prisão ou nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança, permitida em lei;
f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas, emolumentos ou qualquer outra despesa, desde
que a cobrança não tenha apoio em lei quer quanto à espécie, quer quanto ao seu valor;
g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem, custas,
emolumentos ou de qualquer outra despesa;
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando praticado com abuso ou desvio de poder ou
sem competência legal;
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou
de cumprir imediatamente ordem de liberdade.
3. Sanção. - O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa, civil e penal (art. 6º).
4. Ação pública; ação privada. - Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo fixado na lei, será
admitida ação privada (art. 16).
Simultaneamente com a representação dirigida à autoridade administrativa ou independentemente dela, poderá ser
promovida, pela vítima do abuso, a responsabilidade civil ou penal, ou ambas, da autoridade culpada (art. 9º). Não se trata de
ação regressiva, mas sim de ação autônoma e independente do procedimento judicial contra a Administração (Natal Nader,
"Responsabilidade Civil do Preponente por ato ilícito do Preposto", Revista Forense, vol. 249, p. 45).
5. Jurisprudência. - A Lei nº 4.898/65 não estabeleceu nenhum prazo específico para a prescrição da pretensão punitiva em
relação ao delito de abuso de autoridade; incide, nessa matéria, o parágrafo único do art. 109, do Código Penal, que determina
a aplicação das normas do Código aos fatos incriminados por lei especial (Ac. da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de
Santa Catarina, de 16. 10. 1986, Revista Forense, vol. 300, p. 330).
Comete injusto de omissão de socorro a autoridade policial que, ao presidir lavratura de auto de prisão em flagrante,
constando o estado deplorável em que se encontra o detido, com queimaduras generalizadas, deixa de enviá-lo ao hospital ou
de providenciar os primeiros socorros (Ac. da 2ª Câmara do Tribunal de Alçada Criminal do Rio de Janeiro, de 05. 11. 1987,
Revista Forense, vol. 304, p. 284).
O tipo penal previsto na letra a do art. 4º da Lei nº 4.898/65 - ordenar ou executar medida privativa de liberdade individual,
sem as formalidades legais ou com abuso de poder - absorve o tipo previsto na letra c do mesmo artigo de lei, não sendo
possível punir separadamente a falta de comunicação da prisão ao juiz competente. A detenção irregular, ato ilegal anterior,
torna indiferente a providência ulterior da comunicação (Ac. unânime da 2ª Câm. Crim. do TJ-MG, na Ap. nº 24.039/0, julgado
em 28.08.1994 - Relator: Des. Sebastião Rosenburg).
Agente policial que exorbita de suas funções e agride física e moralmente um cidadão que, mesmo estando em situação
irregular, mas seqüencialmente, já na delegacia de polícia, profere outros impropérios, tentando abalar a moral do mesmo,
abusa de sua autoridade, violando os tipos penais dos arts. 3º, alínea j, e 4º, letra h, sujeitando-se às respectivas sanções dos
respectivos arts. 6º, § 3º, alínea b, § 5º, combinados com o § 4º, todos da Lei nº 4.898/65, na forma do art. 71 do CP (Ac.
unânime da 3ª T. da 1ª Câm. Crim. do TJ-GO, na Ap. nº 13.871, julgada em 08.11.1994 - Relator: Des. João Faria Filho).
Não ocorre constrangimento ilegal e, sim, o delito de abuso de autoridade, previsto na Lei nº 4.898/65, se figura como
sujeito ativo do crime um funcionário público no exercício de sua atividade funcional. É inadmissível a aplicação simultânea
das figuras típicas dos artigos 3º e 4º da Lei nº 4.898/65. Vez que elas se absorvem, constituindo sempre um delito único (Ac.
unân. da 1ª Câm. Crim. do TJ-MG, na Ap. nº 76.722/8, julgada em 18.02.1997 - Relator: Des. Edelberto Santiago).
AÇÃO
1. Generalidades. - Ação é o ato de agir, a maneira de atuar, de tornar objetiva a vontade.
No sentido jurídico, deve ser interpretada em tríplice sentido:
a) subjetivo - faculdade de invocar a jurisdição;
b) objetivo - razão pela qual se exerce a faculdade;
c) formal - conjuntos de atos que compõem o processo.
Conceituou-a João Mendes Júnior como "o direito de invocar a jurisdição do juiz; é um atributo do autor; é um direito de
requerer em juízo aquilo que é devido ao autor". Em síntese, a ação, de que se cogita, é o direito de invocar-se o Poder
Judiciário para aplicação do direito objetivo (Magalhães Noronha, Curso de direito Processual Penal, nº 10).
Contra a violação do direito, a reação na ordem social só pode ser feita pela força do poder público, mediante a a ação
judiciária, em que se manifesta a ação do autor, que é o lesado, declarando esta intenção, assim como a reação do réu,
declarando sua contrariedade ou defesa, e o conhecimento do juiz, para o final julgamento e execução (Galdino Siqueira,
Curso de Processo Criminal, nª 93).
2. Ação penal. - Tomada no sentido formal, que é o que nos interessa no processo penal, é o procedimento judicial de
apuração do crime ou contravenção e conseqüente aplicação ou não da pena.
Com o advento da Constituição Federal de 1988, que elegeu o Ministério Público como titular exclusivo da ação penal,
desapareceu no cenário jurídico o processo sumário de persecução contravencional via portaria (da autoridade judiciária ou
policial).
Uma vez extinto o procedimento de ofício, a ação penal por delito contravencional seguirá o rito processual dos crimes
apenados com detenção ou, atento à jurisprudência, mantém-se na integralidade o procedimento sumário após a denúncia do
Ministério Público.
Não admite desistência do Ministério Público.
A ação penal será em regra pública, de inciativa do Ministério Público, exceto quando a lei às expressas declará-la de
iniciativa do ofendido.
Podem exercer a ação penal, além do Ministério Público, do ofendido ou seu representante, também as fundações,
associações ou sociedades legalmente constituídas, representadas por quem os estatutos ou os contratos designarem ou, no
silêncio destes, pelos diretores ou sócios-gerentes.
3. Ação penal privada. - De iniciativa do ofendido ou do seu representante legal.
Ação penal privada é a que confere ao ofendido o jus actionis, exclusiva ou subsidiariamente. A distinção entre ela e a
pública repousa nos sujeitos: esta é movida pelo Ministério Público, aquela pelo particular ou ofendido (Magalhães Noronha,
Curso de Direito Processual Penal, nº 13).
Em regra, o ofendido decairá do direito de queixa se o não exercer no prazo de seis meses, a contar do dia em que tomar
conhecimento da autoria do crime.
O direito de queixa não poderá ser exercido quando ocorrer renúncia expressa ou tácita do ofendido.
Implica em renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não assim o
recebimento de indenização pelo dano causado pelo crime.
Nos crimes que admitem ação penal exclusivamente privada o perdão do ofendido, expresso ou tácito, dentro ou fora do
processo, impede o prosseguimento da ação.
Uma vez concedido, o perdão produzirá os seguintes efeitos:
a) aproveitará a todos se beneficiar qualquer dos querelados;
b) não prejudicará os outros se a benesse partir de um só dos dois ofendidos;
c) a recusa do querelado obsta a sua concessão.
Perdão tácito é aquele que resulta da prática de ato incompatível com o interesse processual do prosseguimento da ação.
Não se admite o perdão posterior à coisa julgada.
Importa também em decadência do direito de queixa a morte ou declaração de ausência do ofendido e o não exercício do
direito pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais, e uma vez concedido, será intimado a dizer, no prazo de
três dias, se o aceita, entendendo-se que o seu silêncio implica em aceitação tácita.
Aceito o perdão extingue-se a punibilidade.
Ao ofendido menor de 18 anos ou retardado mental nomear-se-á curador.
Comparecendo mais de uma pessoa com direito de queixa a preferência inicial será do cônjuge, passando em seguida para o
parente mais próximo, na ordem de ascendente, descendente e irmão.
A queixa, mesmo quando a iniciativa da ação penal for exclusiva do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público,
que poderá intervir em todos os atos subseqüentes do processo.
4. Ação penal privada subsidiária da pública. - Cabe quando o Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo
determinado em lei.
Nesta hipótese, o ofendido deverá exercer o seu direito no prazo decadencial de seis meses, contados no dia em que se
esgotar o prazo para o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
5. Ação penal pública incondicionada. - Tem cabimento quando quem a promove é o próprio Ministério Público,
independentemente de requisição do Ministro da Justiça ou de representação do ofendido (CPP, art. 24).
Qualquer pessoa do povo pode provocar a iniciativa do Ministério Público no respeitante a ela, fornecendo, por escrito,
informações sobre o fato e a autoria, indicando também o lugar, o tempo e os elementos de convicção (CPP, art. 27).
Quando a lei considerar como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituam crimes, caberá
ação penal pública em relação à descrição legal, desde que, em relação às infrações, a iniciativa seja do Ministério Público.
6. Ação penal pública condicionada. - Podem exercê-la o cônjuge, o ascendente, o descendente ou irmão do ofendido, que
o representam em caso de morte ou declaração judicial de ausência.
A representação não admite retratação depois de oferecida a denúncia.
O direito de representação poderá ser exercido pessoalmente ou através de procurador munido com poderes especiais,
mediante declaração escrita ou oral, feita o juiz, ao Ministério Público ou à autoridade policial.
A representação oral, ou sem assinatura autenticada do ofendido ou do seu representante, deverá ser reduzida a termo,
contendo todas as informações úteis à apuração do fato e verificação da autoria.
Regularmente oferecida ou reduzida a termo, a representação será remetida à autoridade policial para a instauração de
inquérito, que poderá ser dispensado pelo Ministério Público, quando se julgar suficientemente instruído para promover a ação
penal com os elementos contidos na representação.
7. Ação penal originária. - A Constituição Federal atribui ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça
processar e julgar originariamente, nas infrações penais comuns, altas autoridades federais e estaduais (respectivamente, art.
102, I, b e art. 105, I).
Assim surgiu a ação penal originária, prevista nos arts. 1º a 12 da Lei nº 8.038, de 28. 05. 1990, que instituiu normas
especiais de procedimento junto ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.
Terá cabimento, nos crimes de ação penal pública, contra as referidas autoridades, concedendo-se ao Ministério Público o
prazo de 15 dias para oferecer denúncia ou pedir arquivamento do inquérito ou das peças informativas.
A ação penal originária poderá ser revista perante o Superior Tribunal de Justiça (art. 40, II da Lei nº 8. 038/90).
AGRAVOS
1. Generalidades. - O Código de Processo Penal contempla, ostensivamente, apenas os seguintes recursos: a) recurso em
sentido estrito; b) recurso de apelação; c) protesto por novo júri; d) embargos; e) revisão; f) recurso extraordinário; g) carta
testemunhável; h) habeas corpus.
O recurso de agravo não está no rol mas está no direito. Fernando da Costa Tourinho Filho, que afirma termos em matéria
penal "variedade imensa de recursos", e refere o agravo inominado, admitido nas hipóteses legais; o agravo de instrumento
contra despacho de Presidente de Tribunal que não admite o recurso da competência do Supremo Tribunal Federal e do
Superior Tribunal de Justiça ou quando retardar injustificadamente, por mais de 30 dias, o referido despacho ou a remessa do
processo à Suprema Corte (art. 313 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça); o agravo regimental, previsto nos
Regimentos Internos dos Tribunais, contra despachos do Presidente do Tribunal ou do Relator; o recurso inominado, a que se
refere o § 3º do art. 625 do Código de Processo Penal (Prática de Processo Penal).
2. Agravo de instrumento. - Terá cabimento quando, tratando-se de recurso extraordinário, recurso ordinário constitucional
ou recurso especial, da competência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, forem denegados ou
retardados.
Deve ser interposto no prazo de cinco dias, a contar da data da ciência do despacho denegatório do recurso.
A petição deverá conter a exposição fática e jurídica, as razões do pedido e a indicação das peças para traslado, bem como
para juntar documentos novos, dispondo o secretário do prazo de 15 dias para a extração, conferência e concerto, prorrogável
por mais 10 dias.
Na hipótese de juntada de documento novo pelo agravado terá o agravante vista dos autos por cinco dias.
Nesta fase, após