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O programa
O programa consiste em 8 dias intensos de transformação de sua
liderança. O foco é 100% voltado a líderes cristãos. Ao término do
programa você perceberá mudanças significativas em sua forma de pensar
e conduzir as pessoas, tornando-se assim muito mais efetivo para o Reino.

O que compõe o programa?


E-book - Você poderá baixar o E-book “Liderança atualizada” que possui 8
capítulos, sendo que cada capítulo corresponde a um dia do programa;
Grupo de WhatsApp - Você terá acesso a um grupo exclusivo;
Live com especialistas - Todas as manhãs durante os oito dias teremos uma
live com o Pr. Dênio Lara Jr. e mais alguns participantes, tais quais: Anderson
Silva, Victor Azevedo, DJ PV, Isaias Huber, André Gallina, Ton Molinari.

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Seja bem-vindo a um programa que vai transformar sua forma de liderar.
Asseguro-lhe que, ao fim desses oito dias juntos, você não será mais o mesmo
líder. Você dará, em poucos dias, um passo nunca antes experimentado em sua
liderança, pois perceberá que tudo aquilo que precisa já está em suas mãos.
Neste programa, você receberá ferramentas para manusear de forma clara e
inteligente aquilo que Deus lhe deu.

Estou certo de que a grande parte dos líderes não vê como necessidade
atualizar sua liderança, por possuir uma palavra de Deus crê que seja o suficiente,
e, diante da visão que tem, vai indo, mesmo que a maneira não seja a melhor
ou que já tenha se tornado ultrapassada.

Atualizar não fala, necessariamente, de abandonar nossos valores, cultura e


crenças, mas fala de implementar tudo isso de maneira nova. Costumo usar o
exemplo de uma casa, afinal, para construir coisas novas não precisamos nos
desfazer das antigas — não é necessário demolir a cozinha para construção da
churrasqueira; e, mantemos a churrasqueira no momento de construir a piscina.

O intuito desse e-book e do nosso programa de atualização é provocar você,


despertando valores que talvez estejam desapercebidos e expô-los a um
contato real com líderes que possuem autoridade no assunto e são grandes
referências no tema.

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Liderança é a arte de inspirar as pessoas, de mostrar um caminho, de servi-las
nesse processo. Todo líder deve encarnar a verdade de que foi chamado por
Deus para ver algo que os outros ainda não estão vendo, isto é: todo líder está
enxergando algo novo e comunicando a visão aos outros.

Inspiração é uma peça fundamental na liderança. O próprio apóstolo Paulo


disse aos seus discípulos em 1 Coríntios 11:1: “Sede meus imitadores, como
eu sou de Cristo”. Paulo deixa claro que a liderança tem como uma de suas
características mais importantes a inspiração. Contudo, algo é óbvio: quem
não tem o que inspirar não merece ser seguido!

Quantas pessoas lideram, mas não inspiram? Por consequência, não possuem
o coração de seus liderados. Em linhas gerais, a grande parte dos líderes,
se pudesse escolher, não seria liderada por ela mesma. Você já parou para
meditar sobre isso? Se pudesse escolher um líder, escolheria caminhar com
você? Entenda que as pessoas se conectam àquilo que mais as inspiram, é
muito mais fácil caminhar com quem nos inspira.

Isso não deve ser um peso. A tarefa de inspirar as pessoas já faz parte do
potencial que Deus colocou em cada líder, a referência de Paulo a Timóteo:
“torna-te padrão dos fiéis” (1 Timóteo 4:12) é válida a todo líder. Em linhas
gerais: há uma graça sobre todo líder para ser um modelo àqueles que Deus
colocou sobre seu cuidado.

O Evangelho reestabelece o padrão de liderança, tendo Jesus como nosso


modelo entendemos que as pessoas não devem ser lideradas por nós por
obrigação, ou por uma hierarquia religiosa, mas por amor. Ninguém irá inspirar
por muito tempo alguém que não se sente amado! A mensagem do Evangelho
continua ecoando porque os discípulos altamente inspirados descobriram que
seu mestre estava disposto a morrer por eles. O amor valida a inspiração!

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Mas porque paramos de ser inspiração? A evolução sempre trouxe consigo
muitas mudanças positivas, e uma delas foi a invenção do carro a partir de
1807. Até ali, se você quisesse ir a uma outra cidade teria que fazê-lo sobre
um animal, por fim o trajeto se tornava longo, desconfortável, cansativo e caro.
Não sei quanto a você, mas eu não me sinto inspirado a comprar um cavalo e
equipar uma charrete. Por quê? Porque os tempos mudaram, o carro chegou e
facilitou as coisas.

A inovação estará sempre “casada” com a inspiração. Entenda que o carro é


um passo além da charrete; e, depois, Santos Dumont em 1906 faria o primeiro
voo de avião, facilitando ainda mais os trajetos de longa distância. Optar pelo
carro não significa que a charrete não era uma boa opção, significa apenas
que, agora, temos uma opção melhor.

O problema é quando passamos a ser líderes que não abrem mão


da charrete. Criamos um apego com aquilo que vivemos, com o que
aprendemos, com o que deu certo a ponto de renunciarmos viver possibilidades
maiores. Casamos com estratégias ultrapassadas, criticamos novidades, não
flexibilizamos, e, por fim, perdemos a capacidade de inspirar.
Talvez você julgue tudo isso natural demais, então me permita lhe ajudar:

“Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres,


derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres
novos, e ambos se conservam.” Mateus 9:17

O próprio Jesus falou sobre a importância de nos renovarmos. O odre é você,


sua liderança, a forma que você pratica as coisas. Não se abrir para mudanças,
no fim, comprometerá inclusive a sua unção!

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TAREFA DO DIA
Que tal se comprometer com 3 mudanças para inspirar mais seus
liderados?

Dicas:
Repense suas reuniões;
Mostre-se mais aberto a receber opiniões de sua equipe;
Avalie aquilo que já está ultrapassado em sua liderança;

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“Eles possuem muito dinheiro”. “Ah, com uma equipe dessas eu também
conseguiria fazer”. “É mais fácil para ele”.

Já percebeu quantas desculpas damos que por fim produzem em nós uma
mentalidade medíocre? Infelizmente, muitos dos líderes que conheço são
pequenos. Não digo isso pelo tamanho daquilo que lideram, mas por suas
mentalidades. Eles aceitaram uma figura de pequenez, quando na verdade
foram criados para ser grandes.

“Porque, como imagina em sua alma, assim ele é;” Provérbios 23:7

Trabalhar na forma que nos enxergamos deve ser uma prioridade, porque
no final iremos manifestar em nossa liderança aquilo que cremos. Aquilo que
cremos sobre nós mesmos e sobre aquilo que edificamos.

A fuga é a capacidade humana de negar a realidade, ela é sútil, porém letal.


Uma edificação baseada em justificativas é incapaz de transformar a realidade,
pelo fato de sempre estar fugindo dela.

Acredito que a era do Instagram esteja potencializando uma série de


síndromes negativas, inclusive em nós, líderes cristãos. Uma notícia recente da
BBC News Brasil mostra que a rede social foi considerada a pior referente à
saúde mental dos jovens. Muitos dos ouvintes disseram sentir-se piores e mais
tristes, alguns usuários relatam até depressão profunda após navegarem no
Instagram. Segundo a notícia, o sentimento das pessoas é de que suas vidas
são irrelevantes e frustrantes, enquanto dos outros que elas veem no Instagram
são vibrantes e perfeitas.
Ver os cultos cheios de outras igrejas, as grandes mobilizações, os batismos, a
superequipe de mídia, é um fator de desestimulo a muitos líderes. Eu mesmo
já atendi diversas pessoas que precisaram abrir mão das redes sociais por esse
motivo!
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Mas o problema estaria no Instagram? No sucesso dos outros? Afirmo
categoricamente que não! O problema está no fato de você não ver aquilo que
já está em suas mãos. O problema está na falta de contentamento com aquilo
que é seu. Já existem sementes em suas mãos! Talvez você já tenha orado
pedindo a Deus outra equipe, outras pessoas, outra igreja. Acredite: Deus quer
usar aquilo que Ele já te deu, Ele quer multiplicar e transformar aquilo que já
está em suas mãos.

Você não precisa do que o outro tem, você precisa apenas enxergar o potencial
naquilo que você já tem! Por isso, quando falamos sobre sementes é muito
real. Lembro-me quando assumi o pastoreio da igreja local que hoje lidero.
Vínhamos de um processo de muitas multiplicações de igrejas, possuíamos
algumas limitações financeiras, não tínhamos um pastor de jovens, enfim...
havia uma série de limitações. O interessante é que só consigo ver tudo isso
hoje, pois naquele momento eu não estava focado naquilo que não tínhamos,
mas, sim, naquilo que possuíamos.

Após cinco anos, construímos uma equipe saudável, estabilidade financeira,


vimos o rebanho crescer mais de 500%. Igrejas foram plantadas, muita coisa
incrível aconteceu. Todavia, costumo dizer que, daqui a cinco anos, olharei
para trás e terei a mesma percepção: “poxa, faltava-nos tantas coisas, e nós
achávamos que estávamos no topo do mundo”.

Acredito que essa seja a fé que se move no coração de um líder saudável.


Ministrando em dezenas de conferências todos os anos, deparo-me sempre com
pastores com a síndrome da insatisfação. Por onde eu vou, sempre pergunto:
“como está a igreja?” E a resposta quase sempre é a mesma: “poderia estar
melhor, porque falta-nos isso, não temos aquilo...”
Veja bem, não quero invalidar os problemas, até porque aquilo que não
vemos, não resolvemos, mas a questão é: nosso foco deve estar naquilo que
temos, nas forças que possuímos e naquilo que Deus diz sobre nós!
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Dentro de uma semente existe o potencial de uma floresta. Mas o que será da
semente que não é cuidada?

Muitos líderes são fanáticos por fórmulas de crescimento para igreja, e eu não
os julgo, esse estágio faz parte do processo de maturidade da liderança, mas a
verdade é que toda semente está predestinada a dar frutos, basta que ela seja
cuidada da maneira certa. O problema é quando olhamos tanto para o jardim
dos outros, que nos esquecemos de regar as sementes que Deus colocou em
nossas mãos!

Quero lhe encorajar dizendo: Deus não te dará outra equipe, Deus não enviará
outras pessoas, Deus usará aquilo que Ele já te deu! Não virão outros recursos,
o que acontecerá é que você aprenderá a cuidar do que Ele te deu, e isso
crescerá de forma exponencial.

TAREFAS DO DIA
Escreva pelo menos 3 sementes que Deus te deu como líder e como você
pode cuidar delas melhor.

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Ninguém pode doar-se mais pela visão que Deus lhe deu do que você mesmo!
Isso não é uma questão de orgulho, mas, sim, questão de lógica.

“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia
tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23

Parece, quando lemos este versículo, que Jesus está simplesmente fazendo
um apelo à renúncia; e, essa interpretação, está correta, mas há uma verdade
nesse versículo mais profunda do que essa. Aqui Jesus está definindo um
padrão de entrega pessoal, o padrão de entrega de sua liderança. Jesus está
mostrando que o tamanho da visão que possuía, o consumia!

Nesse verso algo fica claro: ninguém se deu mais pelo Evangelho do que
Jesus. Nunca houve, nem haverá, ninguém que tenha renunciado tanto. O
Evangelho é um rei se fazendo mendigo para levar mendigos a serem reis. E o
que isso custou a Jesus? A Cruz! Jesus não estava chamando cada um de nós
a fazer algo que Ele não fez, pelo contrário, Ele nos convida a olhá-lo e fazer
como Ele fez!

Não há sentido em estimular as pessoas a fazer aquilo que não possuímos


disposição de fazer, pois, no final, você se torna o limite de todas as pessoas
que caminham com você. Sua liderança é “sua cara”!

Às vezes me deparo com líderes frustrados com suas instituições, eles veem
os problemas, sabem onde estão as falhas, mas possuem dificuldades em
implementar as mudanças. A verdade é que os seus liderados são um grande
espelho seu, aquilo que acontece na sua igreja é uma maximização daquilo
que acontece dentro de você.

Você pode perguntar-se: Então como ver mudanças? Sendo a mudança!

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Não haverá pessoas generosas, onde não há um líder generoso. Não haverá
pessoas espirituais, onde o líder não é espiritual. E, por último, não haverá
pessoas com visão, onde a liderança não possui visão!

Sua indisposição às mudanças gerará uma instituição ultrapassada, e, mais


tarde, sem relevância alguma. Temos uma mudança geracional acontecendo
a todo vapor, mudanças essas que antes levavam muito mais tempo para
acontecer. O mundo mudava em uma velocidade muito menor, mas, hoje,
estamos em constante evolução como reflexo da tecnologia. O melhor celular
de um mês atrás, já está ultrapassado; o carro mais sofisticado é facilmente
superado por um modelo lançado uma semana depois; não nos imaginamos
usando roupas da coleção do inverno passado, pois já se tornou “brega”.

E quanto a igreja? Você acha que estaríamos isentos diante dessas evoluções?
A indústria 5.0 está “atropelando” todos os conceitos. Amigos, estamos diante
da quinta revolução industrial, talvez você não conheça o Watson (tecnologia de
inteligência artificial da IBM), mas já há testes, inclusive, em hospitais brasileiros.
Provavelmente, nossos filhos chegarão ao hospital e serão atendidos por um
robô, e diante dos sintomas e análises dos exames, receberão os tratamentos
adequados a serem feitos, com precisão maior a de um médico.

Para nós, que celebramos tirar a carta de permissão de condução de veículos


ao alcançar a maior idade, não veremos os nossos filhos celebrarem esse
feito. Os carros autônomos já estão em teste em todo mundo, e, daqui alguns
anos, não será preciso se quer pegar no volante. Volto a perguntar: e a igreja?
Permanecerá intacta diante de tantas transformações?

As mudanças não tocam simplesmente o campo da tecnologia. Cada geração


possui mudanças sociais expressivas. Estamos a um clique do mundo! Dez anos
atrás, para que alguém pudesse “frequentar” uma outra igreja, era preciso
ir pessoalmente. Hoje é possível acompanhar os cultos on-line, entender a
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programação, discernir a visão e ser influenciado pelos valores. Eu concordo
com quem diz que hoje em dia você já não é mais pastor sozinho. Todo membro
de sua igreja está conectado a um “pastor da internet”.

Os valores das pessoas são outros, o anseio de cada geração é diferente.


Menosprezar esse fato pode nos levar a uma ruptura com a próxima geração.
A questão é: a tecnologia, o esporte, a política, a comunicação, a ciência,
tudo trabalha com os olhos no amanhã, todas essas esferas possuem áreas de
desenvolvimento e investimento em pesquisa. Mas e nós? Continuaremos a
liderar de maneira arcaica? Faremos da igreja um museu?

Esse teste já foi feito e o resultado é um fracasso! A decadência da igreja


católica prova essa afirmação. Uma pesquisa do IBGE mostra o encolhimento
da igreja católica no Brasil (vale ressaltar que ainda somos a nação mais católica
do mundo). Acredita-se que em trinta anos os católicos e evangélicos estarão
empatados no número de praticantes. Não é preciso ser nenhum especialista
para entender que o número de católicos não representa seu engajamento. Os
jovens católicos se dizem ser, por conveniência, não por prática. Generalizando
e deixando de fora movimentos carismáticos de renovação, em linhas gerais, a
igreja católica se tornou um lugar de velhos, ultrapassado e sem conexão com
a vida das pessoas. O mesmo não é diferente com algumas denominações
evangélicas, muitos mais jovens em história do que a igreja católica!

Toda instituição que perde o futuro de vista perderá os jovens!

O desenvolvimento do mundo é fruto da reforma protestante. A igreja e o


Evangelho através de líderes com olhos no futuro propuseram-se a fazer igreja
para além da igreja. O mundo é alfabetizado por causa da igreja, a excelência na
produção é fruto da igreja, a tecnologia é fruto da igreja, a excelência musical é
fruto da igreja, estude um pouco sobre a reforma protestante e você contestará
as afirmações. Mas, infelizmente, hoje ainda temos líderes querendo controlar
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a maneira que as pessoas se vestem, isso não funciona. O prazo para lideranças
inflexíveis, autoritárias e fechadas é curto! Se sua mente não for aberta, você
está condicionado a perder as pessoas que possuem algo para dizer, e, como
consequência, se cercará de pessoas que não tem nada a falar. Mude!

Em uma das programações que fazemos para líderes todos os anos, a imersão de
pastores e líderes, estimulamos testemunhos dos participantes do ano anterior.
É um breve relato das igrejas que mais foram influenciadas pela imersão e as
transformações vividas naquele ano. Nesse ano, pedi que um pastor amigo
testemunhasse. Eu havia ido à igreja dele pós imersão, percebi que houve
uma revolução por lá. Não era simplesmente sobre uma mudança estética, era
sobre uma transformação interior. Após ter saído de um ambiente de imersão
em 2018, algo havia mudado dentro dele, e logo ele colocou isso para fora.

Me marcou uma frase dita por ele: “Eu descobri que estava sendo um ótimo
pastor se estivesse na década de 90”. E essa é a realidade da maioria dos líderes.
Sua forma de trabalhar, sua estrutura, seu modelo de gestão é magnífico, se
estivessem na década de 90.

No próximo capítulo lhe explicarei como mudar da forma mais prática possível.

TAREFA DO DIA
Faça uma avaliação sincera sobre sua liderança.
1. Escreva sua visão como líder e o que pensa acerca de futuro
2. Quanto ao conservadorismo: o que você pode renunciar?
3. Peça um feedback a três pessoas próximas de sua liderança sobre o tema:
inovação e futuro.

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Talvez você já deva ter ouvido: “Diga com quem andas, e eu direi quem és”.
Essa frase é tão simples e tão utilizada durante a adolescência pelos pais, porque
é visível o progresso ou retrocesso de alguém pelas associações e amizades
que faz. O fato é que essa verdade pode continuar a se aplicar em todas as
áreas de nossas vidas. Algumas pesquisas chegam a apontar que 85% dos seus
resultados são uma consequência das pessoas com quem você convive.
A Bíblia fala um pouco sobre o poder dessas associações:

“Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro
dos tolos acabará mal”. Provérbios 13:20

Para ser sábio é preciso andar com sábios; para ser prospero, ande com pessoas
prosperas; para ser um grande líder, ande com grandes líderes. A Grande parte
dos líderes investe todo seu tempo dando algo às pessoas. O tempo todo
estão cuidando, ensinando, discipulando, instruindo... isto é: os líderes passam
todo seu tempo liberando, ao passo que não recebem nada. Neste processo,
seu círculo não lhe estimula a ser melhor!

Qual foi a última vez que você visitou uma igreja “melhor” do que a sua? Qual
foi a última vez que você tomou um café com um líder que admira, simplesmente
para lhe fazer algumas perguntas? O quanto é importante para você se envolver,
aprender, e estar em mesas em que você recebe algo?

Acredite: pessoas maiores acionam em você a percepção de que é possível,


e, mais do que isso, associados a elas, você pode entender qual o caminho a
ser trilhado para chegar àquele determinado lugar que Deus lhe prometeu.

A maneira mais prática de receber o que o outro tem é honrando aquilo que
ele possui:

“Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de


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profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de
justo”. Mateus 10:41

Você recebe aquilo que está disposto a honrar!

Muitos líderes desprezam àqueles que tem chegado a lugares maiores do que
eles, outros, por orgulho, invalidam tudo aquilo que é feito diferente do que
estão habituados. Um sábio pode aprender até com uma criança, quanto mais
com um líder que está crescendo e se desenvolvendo. É louvável um modelo
de igreja e de gestão, cada um de nós possuímos o nosso, mas é tão prejudicial
quando passamos a criticar a multiforme de Deus trabalhar no corpo.

Muitos são impedidos de receber porque tudo que possuem em relação a


quem está frutificando e avançando são críticas. Eles carregam a cultura do
“MAS”. Já viu pessoas assim? Elas dizem: “Até que é legal, mas não tem vida
de Deus”! Elas não conseguem elogiar algo que seja diferente daquilo que
elas fazem e sempre estão colocando suas observações maldosas. Admirar e
valorizar o outro não diz que quero ser igual a ele, mas que quero absorver
algo que Deus deu a ele.

Nos meus primeiros anos de pastorado não investi em conexões. Para ser
sincero, eu não gostava se quer de sair com pastores ou músicos que vinham
de fora ministrar em nossa igreja. Mais tarde, quando fui advertido por Deus
que, caso eu não me abrisse, não cresceria, identifiquei alguns pontos pelos
quais líderes se fecham em fazer conexões, tendo como base minha própria
experiência. Por que fechamo-nos para conexões?

1. PORQUE JULGAMOS NÃO TER NADA PARA APRENDER

Alguns líderes se consideram tão bons que não lhes resta nada para aprender
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com outros. Esquecem-se que uma das formas mais eficazes de Deus nos
ensinar é através da vida do outro, da experiência do próximo. Essa é uma
capa de arrogância e ignorância! Alguns julgam que somente seus modelos
sejam bíblicos e dignos de serem seguidos, e todos os demais estão errados
e condenados. É comum líderes de grandes denominações acharem que
somente sua igreja e seu modelo estão certos, menosprezando e invalidando
outras maneiras de edificar.

2.PORQUE JULGAMOS SER PEQUENOS DEMAIS

Mais tarde, quando me abri para conexões, descobri que esse era meu
problema. Eu pensava: “Eu sou pequeno, minha igreja não é tão expressiva”.
Em outra palavras, eu pensava que era pequeno demais para tentar me conectar
com pessoas maiores do que eu. Acredite: os grandes líderes amam estar com
pessoas nas quais eles possam transmitir seu conhecimento, sua história.

Deus lhe criou para ser grande! Inevitavelmente, ele te conectará com pessoas
grandes. Mova-se na palavra de Deus para você e não naquilo que enxerga
naturalmente. Ore pedindo ao Senhor que lhe dê as conexões certas, e,
certamente, seus relacionamentos serão uma marca do favor de Deus em sua
vida. Você se verá sentado em mesas que não “merecia” estar.

TAREFA DO DIA
1. Faça uma lista de pessoas das quais irá se aproximar (Os grandes líderes
não são, necessariamente, pastores da mídia. Ao seu redor, sem fazer muito
esforço, você perceberá líderes que têm muito a lhe ensinar).
2. Marque um café com pelo menos 2 líderes que te inspiraram e faça uma
lista de perguntas para eles.

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Quando falamos de atualização, normalmente um grupo de pessoas se
fecha por possuir um bloqueio com o “novo”, pois muitos têm um perfil
mais conservador e uma tendência a optar por preservar os valores, o que
aprenderam lá atrás, etc. Geralmente, pessoas que valorizam o “clássico” e
que já descobriram o quanto isso é importante.

Encaro isso com naturalidade porque pertenço a esse grupo! Isso não é ruim
em si mesmo, o único problema é quando colocamos no pacote daquilo que
temos que realmente preservar, coisas que tem um prazo curto de validade.
Refiro-me as estratégias, métodos e os meios que usamos para cumprir nossa
missão. Essas coisas podem e devem ser atualizadas.

Ouvi algo muito interessante um dia: “Namore com seus métodos e case com
sua missão”.

Acredito que você que está nesse programa deseja uma atualização verdadeira
e que faça sentido para sua liderança; mas, além de coisas que você precisa
renovar, nunca se esqueça de deixar bem claro as coisas que não mudam!

Algo que julgo importante ser salientado é sabermos diferenciar atualização


de substituição. Como já foi dito no início desse material, para ampliar uma
construção não temos a necessidade de remover as bases que a sustenta!

Eu amo meditar no valor que tem o equilíbrio, mas nunca confunda equilíbrio
e maturidade com lentidão para mudanças. Prudência não é lentidão, paciência
não é passividade, e, uma grande valorização do que já viveram não é defeito
de pessoas velhas, mas uma virtude de pessoas maduras. Pense nisso!

Você precisa preservar sua essência, sob pena de em certo momento, nem
mesmo você saber o que se tornou, aonde está indo, e o que Deus um dia te
comissionou a fazer!
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Esteja consciente da sua vocação!

Você tem clareza da sua vocação? Do seu chamado pessoal, daquilo que o
Senhor te criou para ser e realizar?

Você possui um chamado especifico e a responsabilidade de descobrir, cultivar


e potencializar isso é sua!

Temos um problema cultural gigante, que é da valorização demasiada nos


bens que podemos conquistar e possuir, em detrimento do que somos na
essência. É muito fácil associarmos sucesso com lucro o tempo todo. É muito
comum ouvir qualquer um que tenha obtido resultado, e desconsiderar quem
ainda não teve, mas está no caminho certo. Isso é muito perigoso, pois ainda
que a Bíblia fale e exalte o fruto do trabalho, ele não é o crivo principal.

Jesus sempre está mais atento a motivação do que a ação e isso perturba
um certo tipo de pessoa, geralmente aqueles que já estão completamente
envolvidos nessa cultura de resultados.

Os motivos certos, o coração correto, é a principal chave para terminar bem!


Portanto, no ímpeto de atualizar sua liderança, aprimorar alguns métodos e
trocar estratégias, não deixe sua essência ir junto. Sua essência não pode
estar à venda!

Sucesso bíblico é fidelidade ao seu chamado, fidelidade e multiplicação daquilo


que foi confiado a você. Não haverá comparação na hora da recompensa, pois
ela é individual. Não espere alguém falar o que você nasceu para falar, alguém
investir onde o seu coração queima em investir e outros fazerem o que você
foi chamado a fazer! Você não pode mudar o mundo inteiro sozinho, embora
tenha algo no mundo que só você pode mudar.

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Duas coisas são as mais importantes em relação a cultivar sua essência e não
perdê-la:

Vigiar a motivação do seu coração, guardando essa essência toda vez que o
piloto automático e as pressões sociais e de toda parte quiserem te empurrar
a ter um estilo de vida só para estar atual e na moda. Isso vai gerar visibilidade
se você for excelente, mas a visibilidade só vira credibilidade se você for
consistente!

Investir pesado no que você é, ama e acredita, é outra forma. Não terceirize
o cumprimento do seu propósito, ninguém pode fazer isso por você! Ninguém
ira acreditar se nem você acredita.

TAREFA DO DIA
1. Escreva seu chamado, sua vocação e sua essência, na luz que você tem
hoje. Uma dica: lembre-se do motivo que te fez decidir se entregar por tudo
isso um dia!
2. Responda para si mesmo e também escreva: O que mais lhe traz indignação?
O que mais desperta sua compaixão? Isso vai mostrar algo que está dentro de
você e que tem o poder de mexer com tudo na sua vida.

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“Porque Davi, na verdade, havendo servido a sua própria geração pela
vontade de Deus, dormiu e foi depositado junto a seus pais e experimentou
corrupção.” Atos 13:36

A melhor maneira de um líder “servir sua própria geração” é conseguindo se


comunicar com ela através de uma linguagem efetiva.

Linguagem. (Do latim língua).


1. Em sentido genérico, pode-se definir a linguagem como um sistema de
signos convencionais que pretende representar a realidade e que é usado na
comunicação humana;
2. A linguagem torna-se um conceito filosoficamente importante e sobretudo
na medida em que, a partir do pensamento moderno, passa-se a considerá-la
como elemento estruturador da relação do homem com o real.

Sua comunicação vai potencializar ou limitar sua liderança, ou seja, o quanto


você consegue inspirar. Ela vai definir o quanto você consegue transmitir e
contagiar pessoas com a visão que Deus te deu.
No entanto, sua linguagem vai definir a capacidade da sua comunicação.
Se por um lado sua liderança depende da sua comunicação, por outro, sua
comunicação depende da sua linguagem, pois as pessoas têm uma forma
peculiar de absorver e assimilar as informações e direções, para só então
colocarem em prática!

Se você não pode se comunicar com sua geração, você não pode servi-la
com sua liderança. Se você não consegue servir, você não vai liderar do ponto
de vista bíblico, pois Jesus colocou o servir como pré-requisito para liderar.
Se aquilo que eu decido falar não é entendido minha comunicação não fez
sentido, portanto, “não serviu” para inspirar, porque aquilo que as pessoas não
conseguem compreender, por mais maravilhoso que seja, produz muito mais
desânimo do que motivação.
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Você nunca vai inspirar as pessoas mais do que consegue servi-las. Servir,
por si só, já é uma das linguagens mais eficientes e que ninguém resiste, mas
refiro-me também no sentido de ser útil e claro. A medida que sua vida é esse
instrumento de utilidade e desenvolvimento para pessoa, você terá muito mais
capacidade de inspirar para então influenciar e levar alguém a algum lugar!

Em Atos 13:36, lemos que Davi serviu sua geração. Davi foi um grande líder,
seus feitos e sua influência são incontestáveis, ele chegou e acessou a fronteira
mais almejada da liderança, ter seus liderados fazendo coisas maravilhosas e
até maiores, vide as grandes realizações dos valentes de Davi descritas em 2
Samuel 23:8-39.

Você está servindo sua geração? Você tem se comunicado com ela? Você
sabe a linguagem que funciona efetivamente para seu tempo?

Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.
Provérbios 25:11

Você já deve ter ouvido falar sobre as “5 linguagens do amor”, um assunto


bastante disseminado por um livro que tem exatamente esse nome, cujo autor
é Gary Chapman. O livro demonstra uma incrível realidade de que as pessoas
precisam necessariamente se sentirem amadas, mas cada uma delas tem a sua
maneira própria de entender e receber amor, e que nem sempre casa com a
maneira que sabemos ou gostamos de transmiti-lo, mas fazer do seu jeito,
desconsiderando o jeito do outro, é uma grande tolice e um desperdício, e não
surtirá o efeito desejado!

Realidades e peculiaridades, quanto à maneira que as pessoas são e entendem


algo, existem para ser compreendidas e supridas, não desprezadas; isto, se
quisermos ser efetivos em nossa comunicação!

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Por isso, a definição de linguagem colocada no início desse capítulo vai
enfatizar que a linguagem existe para representar a realidade e que é usada
na comunicação humana, e que sua linguagem vai definir o quanto as pessoas
estarão engajadas com a vida real. Somente isso vai produzir inspiração de
verdade que por sua vez levará as pessoas ao destino proposto.

Essa é, por definição, uma “geração de verdade”, que busca a verdade e que
questiona as hipocrisias e mentiras. As pessoas não irão colocar suas vidas em
teorias vazias e desprovidas de realidade, e a linguagem real e adequada será
entendida e assumida com toda força, pois muito embora eles pensem muito
mais antes de se aliançar e se conectar, os mesmos têm muito mais compromisso
quando se conectam e se associam a algo. Contudo, a responsabilidade da
linguagem real e atual para engajá-los é totalmente sua!

Você sabe muito bem que foi chamado para influenciar pessoas para um
fim totalmente proveitoso, para que, ao final de cada ciclo que você passe
com as pessoas incrivelmente preciosas que Deus te presenteou, elas possam
afirmar categoricamente e sem titubear, que nunca mais foram as mesmas
após serem lideradas por você. Tenho certeza que já existem amostras disso
em sua vida, que se você é um líder cristão, independentemente do tamanho
da sua liderança, dos quadrantes da sociedade, da sua igreja e a esfera que
sua liderança alcança, pessoas já foram tocadas, inspiradas e transformadas
positivamente através de você!

Certamente essas “amostras” que você pôde identificar são apenas o início,
e o que está no presente, já o futuro promissor que te espera, é infinitamente
maior e mais expressivo; mas, para isso, você precisa concordar comigo que
você é o instrumento e o fator principal para que isso aconteça, que toda
influência e inspiração que uma liderança pode estabelecer estará sempre
limitada ou liberada pela sua comunicação, e sua comunicação sempre estará
ligada a sua linguagem!
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Portanto, respondendo à pergunta que o título desse capítulo faz, você não
perde a linguagem da sua geração quando você deseja servi-la realmente,
falando o que ela é capaz de entender e praticar. Você não perde a linguagem,
também, quando fala o que Deus está falando, a mensagem da palavra de
Deus, adequada com o propósito Dele para esse tempo, quando você decide
conhecer sua geração, e, ao invés de desprezar e menosprezar as peculiaridades
de como eles interagem com o mundo, você admira, aprende e se readéqua
para ser um verdadeiro líder que tem seu propósito e valor fortalecido ao passar
do tempo, não depreciado.

É normal um carro novo, mesmo zero km, ao passar dos anos ter o seu valor
depreciado, pois o tempo desvaloriza as coisas e todos preferem um carro
novo. Mas a vontade de Deus é que no tocante a sua liderança, à medida que
o tempo passe, a experiência traga peso, solidez, testemunho, força e muito
mais influência e resultados para sua liderança. Porém, infelizmente, o que
vemos é que pela ausência de cuidado e manutenção de sua forma de inspirar
e liderar, o fator tempo tem causado terríveis ferrugens e envelhecimento na
liderança de muitos!

Enquanto a Palavra de Deus diz que o homem espiritual se renova de dia em


dia (2 Coríntios 4:16), muitos não se renovam a anos, comprometendo, assim,
a capacidade de inspirar sua geração!

No próximo capítulo, vamos ver como podemos gerar o ambiente adequado


para um grande crescimento.

TAREFA DO DIA
1. Ouça pelo menos uma mensagem, dos três líderes cristãos mais ouvidos
e seguidos nesse momento, dentro do contexto e mundo do grupo que você
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lidera ou deseja liderar.
2. Compare sua linguagem e forma de comunicar com a deles, listando coisas
específicas em cada um. O alvo não é você decidir imitar alguém, mas apenas
avaliar para dentro da sua própria identidade, público e vocação.
3. Escreva aquilo que você tomou a decisão de mudar, coisas pontuais e
tangíveis que fazem sentido para você.

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Alguns anos atrás estava com minha esposa no pronto-socorro de um hospital
da nossa região, pois ela estava sofrendo de uma crise respiratória já constante
ao longo de sua vida. Cansada de ter que ir de tempos em tempos ao hospital
com o mesmo problema, ela perguntou ao médico com veemência o que
realmente poderia fazer para o problema ser resolvido de vez, e não somente
remediado momentaneamente. O médico respondeu: “O problema está no
lugar, no ambiente em que você vive. Aqui, a maioria das pessoas possui
esse problema por fatores ambientais, poluição, etc.... Quer resolver mesmo?
Então se mude do ABC paulista para São Luiz do Maranhão!”

Ambientes podem matar e ambientes podem potencializar a vida.


Você pode observar isso na agricultura, em alguns lugares coisas florescem
e podem nascer, mas, em outro ambiente, jamais serão reproduzidas. Cada
solo tem a capacidade de gerar seus frutos específicos, cada estação tem suas
possibilidades aumentadas ou diminuídas para algum tipo de expectativa. A
temperatura, tipo de solo, quantidade de água e tantas outras variáveis vão
compor um ambiente que por sua vez vai impedir algumas coisas de crescerem
e potencializar outras!

O fator ambiente, a atmosfera produzida, o contexto gerado e uma cultura


tangível em um lugar vão proporcionar vida ou morte, construção ou destruição,
alegria ou tristeza, entusiasmo ou desanimo, credibilidade ou desconfiança, um
chão firme em que as pessoas sintam-se seguras, ou a sensação desconfortável
de sentir que o chão que se pisa não é seguro, levando então as pessoas a
pisarem em ovos o tempo todo, bloqueando, assim, a verdadeira velocidade
que podem atingir por estarem em um ambiente inseguro. Tudo isso não é
automático ou neutro, o ambiente que você possui vai definir o que vive e
o que morre onde você lidera.

Sabe qual e o que é esse ambiente? Você!

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Pessoas não deixam instituições, deixam pessoas. Pessoas não se comprometem
na prática com instituições, mas com pessoas. Por exemplo, troque o técnico
de um time de futebol que, visivelmente, tem um bom grupo de atletas,
mas que está atuando em baixo nível e atingindo péssimos resultados. Os
jogadores podem mudar completamente em seu compromisso, motivação e
desempenho. O time tem novos jogadores sem contratar nenhum sequer, mas
trocando a pessoa que está representando o time naquele momento para eles.
Refiro-me ao líder! É o mesmo time, o mesmo uniforme, o mesmo estádio, a
mesma torcida, o mesmo salário, os mesmos adversários e o mesmo objetivo,
mas com resultados, agora, diferentes, pois possuem ambiente (líder) diferente!

Jesus disse que nós somos a terra em que ele lança a semente, nós somos o
“ambiente”, em outras palavras, nós vamos tirar de dentro de nós a atmosfera
que vai trazer vida ou morte, saúde ou doença na equipe que lideramos. Isso
flui de nós, do nosso interior, através do que cremos, do que pensamos, do que
falamos e do que fazemos, produzindo um ambiente que será determinante
para o resultado final.

De forma alguma desconsidero com isso as coisas físicas, a excelência de


tudo que compõe um ambiente externo e visível, mas afirmo que tudo isso
também começou, e é um reflexo de como está dentro, do que aquilo que que
carregamos e liberamos vai construir.

Líderes saudáveis geram ambientes saudáveis, esses ambientes promovem


o crescimento e a vida em qualquer lugar.

Quer ver um ambiente saudável? Experimente estar e viver onde existe muito
mais liberdade do que controle. O preço para se ter liberdade sempre será
menos controle, mas o benefício da liberdade sempre será mais resultado! Se
as pessoas não se sentem verdadeiramente livres, consequentemente não
se sentem verdadeiramente parte do que está sendo construído.
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Isso não significa em hipótese alguma uma bagunça generalizada, onde cada
um faz o que der na cabeça, como foi no tempo dos Juízes, por exemplo
(Juízes 21:25). Se fosse assim, Jesus jamais iria “verdadeiramente nos libertar”
(João 8:36), como a Bíblia diz: “onde o Espírito Santo está, há liberdade” (1
Coríntios 3:17), pois Deus não promove a bagunça, somos filhos de um Deus
organizado.

A existência de uma de direção clara e valores claros viabiliza a liberdade


e não o contrário, pois a liberdade ou controle estão ligados a nossa segurança
e confiança pessoal, e, assim, a identidade e habilidade de cada pessoa no seu
potencial máximo já não é uma ameaça para minha liderança, mas a constatação
de que ela está funcionando, pois não somos chamados a liderar algo em prol
de nós mesmos e para nosso reino pessoal, mas, sim, para expansão do reino
de Deus. A especialidade da lei está em tentar controlar, pois trabalha com
escravos, mas a graça é perfeita em libertar, pois trabalha com filhos. Portanto,
decida liderar através de acreditar nas pessoas e não desconfiar delas, afinal, a
expressão prática de que acreditamos é a liberdade, e a expressão prática que
desconfiamos, é o controle excessivo.

Além da liberdade, outra coisa que produz um ambiente saudável para equipe
é a valorização da autenticidade e não a castração das peculiaridades de cada
um. Isso significa que o que temos de diferente e específico deve ser mais
louvado do que aquilo que temos de igual. O ambiente fica muito mais aberto
e fértil quando reconhecemos que não temos tudo em uma pessoa só, mas
que a construção geral tem muito mais a ver com a diluição de cada um na
edificação daquilo que é comum a todos. Que em suas reuniões e eventos
as pessoas tenham prazer de mostrar quem são com mais orgulho do que
vergonha de si mesmos.

É muito comum, por outro lado, pessoas caírem num outro extremo e por
“receio” de ser um líder controlador e que castra as peculiaridades, tornar-se
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tímido em estabelecer alvos, falar de avanços, liderar em prol de realizações.
Temos que estimular o ambiente de conquista e não conformismo e respeito
humano, pois os vínculos se iniciam na admiração, se consolidam no propósito,
se desenvolvem na amizade, mas se concretizam nas realizações, conquistas
e vitórias que somos chamados a viver juntos com nossa equipe. Nunca
“venda” sua gana de conquistar por medo do que vão pensar, os pontos que
mencionamos acima são para potencializar os alvos de conquista e não trava-
los!

O ambiente de colaboração e não competição é outro valor que irá


harmonizar tudo isso e compor esse ambiente saudável, inclusive, essa é umas
das linguagens que fazem sentido em nossa geração, a colaboração de cada
parte, o prazer e alegria em pertencer e adicionar algo aos ambientes. Não
é saudável competir dentro de uma equipe, pois isso leva o tempo todo a
comparação, e ela sempre se torna injusta. O nosso melhor e nossa superação
têm que ser em relação a nós mesmo e a nossa capacidade, desejando que
cada um também se desenvolva e construa sua história.

Portanto, você cria um ambiente saudável quando promove a liberdade,


potencializa a autenticidade, estabelece uma visão de conquista e viabiliza
um ambiente colaborativo.

TAREFA DO DIA
1. Faça uma avaliação do ambiente que você lidera hoje, dentro desses 4
aspectos, qualificando de 0 a 10 em cada um deles, e justificando sua avaliação.
2. Pergunte aos membros de sua equipe direta, como eles descreveriam o
ambiente das reuniões e da equipe como um todo, e compare a avaliação
deles com a sua.

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Cada pessoa é um universo único e especial com inúmeras peculiaridades,
possibilidades, mas também com as próprias limitações, necessidades e traumas.
No entanto, no ímpeto de conduzir um grupo para algo, aparentemente, o
caminho mais rápido e prático é desconsiderar o máximo possível tudo isso e
liderar com base na generalização e naquilo que a maioria pensa.

Obviamente, não tem como propor uma ideia absolutamente impossível e


platônica de que um líder tem a tarefa de suprir cada quadrante da vida de
cada pessoa que o Senhor confiou, até porque cremos que líderes cristãos
são grandes e importantes placas que apontam para Cristo o tempo todo,
produzindo dependência somente em relação ao Espírito Santo, que é o que
pode realizar essa tarefa. Até mesmo porque, no fundo, as pessoas não estão
procurando alguém para resolver tudo, mas para compreender, importar-se e
encorajar.

Essa “placa” pode ser útil e presente, ou então pode estar apagada e no
lugar errado. Embora afirmo nessa ilustração que somos uma placa sinalizando
a verdadeira solução em Cristo, uma placa pode ser determinante para alguém
se encontrar, mas também se perder; para evitar um acidente, mas contribuir
para um grande problema.

Tem quatro coisas que você pode praticar para te fazer alguém que promove
com sabedoria, equilíbrio e êxito, esse cuidado pessoal que vai ser extremamente
relevante na sua liderança.

Aprenda a Ouvir
Não sei quanto a você, mas uma das descobertas mais desconcertantes que
tive foi quando me disseram que era nítido que enquanto falavam comigo
eu estava distraído e pensando em alguma coisa bem distante da conversa.
Infelizmente, no meu caso, não foi uma única vez. Essa descoberta foi algo
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bem frustrante, mas extremamente necessária se quisesse continuar a cuidar
de pessoas.

Não somente ouvir, mas olhar para aqueles que estão falando nos parece
bem simples, porém faz toda diferença para os que estão “sendo ouvidos”,
parece simples e comum isso, entretanto, um estudo comprovou que escutamos
metade daquilo que nos é dito, ouvimos metade do que escutamos, entendemos
metade do que ouvimos, acreditamos em metade daquilo que entendemos e
nos lembramos de metade das coisas em que acreditamos. Se colocarmos
esse estudo em prática sobre uma jornada de oito horas, ao final de tudo vão
sobrar apenas oito minutos que lembraremos de tudo que ouvimos.

O desejo de ouvir, demostra seu desejo em crescer; já a dificuldade em ouvir,


demonstra orgulho e autossuficiência.

Como queremos liderar as pessoas antes de entende-las? Entender as pessoas


é um passo primordial para ser útil na vida delas.

As pessoas sentem-se importantes quando são ouvidas! Cuidaremos bem


melhor se aprendermos a ouvi-las mais. É possível ser um líder e não saber
ouvir; todavia, ser um bom líder sem saber ouvir, é impossível.

Encare a realidade
Grandes líderes são tanto visionários quanto realistas! Minimizar as ilusões
é a chave para as pessoas se sentirem seguras e bem cuidadas, e saberem
que não estão entrando num devaneio que só funciona na cabeça do líder. Ou
então, achar que o líder só está propondo e estabelecendo algo porque deu
certo com alguém no passado, porque ele leu em algum livro e quis colocar

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em prática no outro dia. Parece que não, mas as pessoas percebem, as pessoas
não se comprometem com aquilo que está vago, teórico e sem consistência.

É comum pessoas – até mesmo as mais brilhantes – serem completamente


desconectadas das pessoas que o cercam, muitas vezes por falta de encarar a
realidade e de ter uma clareza do ambiente que verdadeiramente elas estão
inseridas.

Tem muita coisa que só está em nossa cabeça de líder e de mais ninguém,
e podemos ficar iludidos liderando e agindo em nosso próprio benefício,
satisfazendo somente nosso achismo e desconectados da real necessidade das
pessoas.

Se envolva de verdade
Após ouvir, se aperceber da realidade, você precisa entrar na situação! Não
podemos liderar de longe, isso não funciona!

Quando vemos Jesus, não poucas vezes vemos o quanto Ele se aproximava
das pessoas e se envolvia na situação. Foi assim com Zaqueu, com a mulher
samaritana, com os discípulos, com a situação de Lázaro, e com outras pessoas
que passaram por sua vida.

Envolver-se superficialmente vai produzir apenas mudanças e vínculos


superficiais, mas se envolver profundamente vai gerar vínculos mais profundos
e transformações relevantes.

Envolver-se de verdade fala-nos de pensar não do ponto de vista imediatista


e de resoluções rápidas, até porque isso mostra que estou mais preocupado
com a corporação do que com a pessoa, mas fala sobre ter uma visão geral do
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projeto de vida e do chamado de quem lidero. Pode ter certeza, as pessoas
percebem quando quero resolver o problema delas porque me diz respeito e
é do meu interesse, e quando realmente estou envolvido e interessado de fato
nele.

Nunca ache que perdeu tempo com alguém


Temos ouvido de muitos que precisamos ser melhores na gestão do nosso
tempo, e isso envolve dizer não para muitas coisas. O problema é que na hora
de escolher o que vamos considerar não prioritário, escolhemos erroneamente
tirar o que deveria ser a prioridade: GENTE!

Acredite, se você trilhar os três primeiros passos para promover o cuidado


dos que te seguem, isso vai custar tempo, atenção, recursos, etc.... Todo esse
investimento pode em algum momento causar-lhe a impressão que perdeu
tempo, que isso não vale a pena, mas lhe asseguro que, nenhuma terra é mais
fértil do que pessoas, especialmente as que o Senhor te confiou. Se fosse
diferente, Jesus não teria dado a vida por nós e o Espírito Santo não viria
habitar em nós. Nunca ache que está dando demais para aquilo que Deus
deu tudo!

Quando você acha que está perdendo tempo com pessoas, quando acha
que poderia estar fazendo coisas mais produtivas, você está presumindo que é
mais inteligente e produtivo do que Deus!

Não invista pouco naqueles que Deus investiu e investe tudo! Não tem maior
riqueza, ou uma terra mais fértil para se plantar!

O galardão é sobre o que fizemos pelo Corpo (2 Coríntios 5:10), então nunca
se esqueça: as pessoas são o corpo de Cristo. Não tem recompensa para aquilo
que eu fiz que não tenha abençoado pessoas.

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TAREFA DO DIA
1. Marque hoje mesmo um momento individual com as pessoas que Deus
te presenteou;
2. Nesse tempo, sugerimos que seja menos formal possível, esteja em
ambientes agradáveis e que tem a ver com a pessoa (estádio de futebol,
cafeteria, show, cinema ou mesmo uma refeição em um restaurante), apenas
faça perguntas e estimule a pessoa a falar o maior número de coisas possíveis.

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