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A VOLL Pilates é um grupo de empresas focado na formação, na capacitação e

na atualização de profissionais através de cursos, eventos e workshops pelo Brasil


e América Latina.

Já ajudamos mais de 30 mil profissionais nos últimos 8 anos e temos muito


orgulho de estar presente na vida de quase 340mil pessoas todos os meses
através dos nossos conteúdos digitais.

Para você que já nos conhece, é um prazer estarmos juntos novamente. E


você que está chegando agora, saiba que nosso desejo é ter um relacionamento
profundo e te ajudar em tudo o que precisar.

Um abraço,

Rafael Juliano
Diretor VOLL Pilates

Mais detalhes podem ser obtidos pelo site:

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PATRICIA DE ANDRADE VALERIANO


Apaixonada por Pilates para Gestantes

Patricia de Andrade Valeriano é Fisioterapeuta formada


desde 2004. Possui Pós-graduação em Terapia Manual e
Postural. Atua com Pilates há mais de 10 anos, quando fez
a primeira formação em Pilates Clínico e Pilates Aplicado
à Saúde da Mulher, na qual se apaixonou por esta área e
desde então vem se dedicando a este tema.

Patricia, ainda possui formação em Pilates Fitness, Pilates


Dermato Funcional, Pilates para Grupos e Pilates Avançado.

Possui formação internacional em RPG (Sistema


Australiano), Reeducação Uroginecológica e Conceito
McConnell - Bandagem Funcional.

Autora do Livro de Pilates para Gestantes, desenvolveu


o curso de Pilates Aplicado para Gestantes e ministra
workshops do mesmo tema em Conferências como Encontro
Brasileiro de Pilates e Jornada Sul-Americana de Pilates.

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MUITO OBRIGADA POR


ACOMPANHAR O MEU TRABALHO.
Pilates para as futuras mamães é algo extraordinário! Eu não tenho dúvidas que
você vai se apaixonar o tanto quanto eu me apaixonei quando descobri esse lindo
caminho pela primeira vez há 10 anos.

Eu desejo do fundo do meu coração que este material te auxilie grandemente a


cuidar das nossas gestantes com muito carinho e responsabilidade.

Esta é a minha missão: Ajudar o máximo de instrutores a conhecer esse


maravilhoso universo das gestantes e poder atende-las com qualidade e
segurança em cada aula.

Se você tiver qualquer dúvida, por favor, me diga. Sempre que possível eu vou
te enviar conteúdos riquíssimos sobre Pilates para Gestantes e eu espero que você
aproveite e leve as suas gestantes ao melhor parto da vida delas!

Um beijão,

Patricia de Andrade Valeriano

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SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 - PREPARANDO O CORPO PARA A CHEGADA DA GESTAÇÃO .......... 9
- O Pilates na gestação: o auxílio para o corpo que irá gerar uma vida

CAPÍTULO 2 - POSITIVO, E AGORA? ........................................................................ 14


CAPÍTULO 3 - POR QUE RECOMENDAR PILATES PARA GESTANTES ......................... 17
-Por que Pilates para grávidas
-Benefício do Pilates para gravidas
-Contraindicações
-Decúbito dorsal, até quando?

CAPÍTULO 4 - QUANDO E COMO INICIAR PILATES DURANTE A GESTAÇÃO ............ 25


-Prática de atividade física durante a gestação
-Quando iniciar o Pilates durante a Gestação?
- Quando iniciar o Pilates durante a Gestação?
- Dicas de Exercícios durante a Gestação

CAPÍTULO 5 - COMO O PILATES NA GESTAÇÃO PODE AJUDAR NA ...................... 34


PREPARAÇÃO DO CORPO?
CAPÍTULO 6 - PREPARANDO O CORPO DA GESTANTE PARA O PARTO ................. 36
- Exercício Físico no Primeiro Trimestre da Gestação
- Como Receber a Gestante em seu Estúdio de Pilates
- Como Iniciar uma Aula de Pilates para a Gestante

CAPÍTULO 7 - PILATES NA GESTAÇÃO: PRINCIPAIS CUIDADOS ............................ 43


CONTRAINDICAÇÕES
- O período de gestação
- Pilates na gestação

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- Contraindicações durante a prática de Pilates na gestação

CAPÍTULO 8 - MOVIMENTANDO O CORPO NA GESTAÇÃO .................................... 50


- Alongamento na gestação

CAPÍTULO 9 - CUIDADOS COM OS ALONGAMENTOS DURANTE .......................... 54


A AULA DE PILATES NA GESTAÇÃO
- Adaptando a aula de Pilates na gestação
- Alongamentos no Pilates na gestação
- Dicas para trabalhar com sua aluna nas três fases da gestação
- Primeiro trimestre
- Segundo trimestre
- Terceiro trimestre
- Exemplos do alongamento no Pilates na gestação
- Concluindo

CAPÍTULO 10 - PILATES PARA GESTANTE: COMO TRABALHAR ............................ 66


AS TRÊS FASES DA GESTAÇÃO
- Benefícios do Pilates para grávidas
- Cuidados na prática de Pilates para gestante
- Princípios do método aplicado a gestante
- Pilates para gestante no primeiro trimestre da gestação
- Pilates para gestante no segundo trimestre de gestação
- Dicas e cuidados no segundo trimestre da gestação
- Pilates para gestante aplicado ao terceiro trimestre da gestação

CAPÍTULO 11 - PILATES PARA GESTANTES NO TERCEIRO .................................... 85


TRIMESTRE DA GESTAÇÃO
- O Pilates na gestação e os princípios de Joseph Pilates
-Pilates no terceiro trimestre de gravidez
- Exercícios de Pilates para gestantes
- Concluindo

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CAPÍTULO 12 - PRINCIPAIS EXERCÍCIOS DE PILATES PARA AS FASES ................... 96


DA GESTAÇÃO (+7 DEMOSTRAÇÕES INCRIVEIS
- Primeiro trimestre da gestação
- Exercícios de Pilates para gestante no primeiro trimestre
- Segundo trimestre da gestação
- Exercícios de Pilates para a gestante no segundo trimestre
- Exercícios de Pilates para gestante no terceiro trimestre}
- Concluindo

CAPÍTULO 13 - PILATES PARA GESTANTES: O FORTALECIMENTO ........................ 109


DO ASSOALHO PÉLVICO
- O que é o assoalho pélvico?
- Benefícios do Pilates para gestantes
- A ativação correta da musculatura
- A importância do Pilates no fortalecimento
- Concluindo

CAPÍTULO 14 - A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO POSTURAL EM GESTANTES ......... 118


- Por que fazer a avaliação postural em gestantes
- A avaliação postural em cada trimestre
- Características Primeiro Trimestre
- A importância da avaliação postural no primeiro trimestre
- Características e avaliação no segundo trimestre
- Fatores importantes
- Alunas no terceiro trimestre
- Concluindo

CAPÍTULO 15 - OS CUIDADOS COM ALUNAS COM SÍNDROME ............................. 128


HIPERTENSIVA NA GESTAÇÃO
- A Síndrome Hipertensiva na gestação
- Os benefícios do Pilates para a Síndrome

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- Cuidados importantes durante a aula de Pilates


- A pressão arterial
- Exercícios não recomendados
- Concluindo

CAPÍTULO 16 - PILATES NA PREVENÇÃO E CONTROLE DO .................................. 137


DIABETES MELITO GESTACIONAL
- O Diabetes Melito Gestacional
- O que acontece no corpo da gestante?
- Como tratar e prevenir?
- E como o Método Pilates pode ajudar?
- Concluindo

CAPÍTULO 17 - PILATES PÓS-PARTO: A MUSCULATURA E O PUERPÉRIO .................... 145


- Musculatura do abdômen
- Pilates para gestantes: o pós-parto
- Como avaliar a musculatura abdominal
- Conclusão

CAPÍTULO 18 - COMO INSERIR O MÉTODO SUSPENSUS ........................................ 152


PARA GESTANTES
- Primeiro passo: Identificando o estilo de vida da Gestante
- Reconhecendo o Suspensus como a melhor opção
- Cuidados Básicos, porém, essenciais no Suspensus para Gestantes
- Como envolver a Gestante no Suspensus
- Concluindo

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CAPÍTULO 1 -
PREPARANDO O CORPO
PARA A CHEGADA DA
GESTAÇÃO
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A
grande maioria das mulheres, quando pensam em engravidar, se
preocupam apenas com o sexo do bebê, qual será o médico, aonde fará
o enxoval, entre outras coisas. Não significa que isso tudo não tenha
importância nesse momento mágico da mulher, mas sim que, além disso, devem
priorizar a saúde dela e do bebê.

Quando o corpo dessa mulher está forte o suficiente, não significa que ele não
sofrerá todas as mudanças, mas sim que passará por toda essa “turbulência” de
uma maneira mais saudável e tranquila.

Com a prática do Pilates antes de iniciar todas as ações hormonais, já conseguimos


preparar a musculatura estabilizadora do tronco e da pelve, dar uma consciência
corporal, incluindo o assoalho pélvico, e até eliminar dores comuns no dia a dia
dessas mulheres, como lombalgias, dores articulares e musculares.

Poderemos também, praticando o Pilates na gestação, explorar todos os


posicionamentos que, durante a gestação e com a progressão das semanas,
ficarão cada vez mais limitados, e em alguns casos até contraindicados. Um corpo
preparado terá muito menos chances de ter complicações comuns da gravidez,
que limitarão a prática de atividade física.

Uma das alterações bem importantes que ocorrem com a chegada da gestação
é a presença de um hormônio chamado relaxina. Ele está presente para auxilia-la
no processo de acomodação do bebê e para facilitar o parto. Porém o que ocorre
em contrapartida é a instabilidade das articulações e hiperfrouxidão ligamentar.

Considerando que estas alterações já estão presentes em uma grande parte das
mulheres não grávidas, imaginem só o que pode acontecer com esse corpo com a
influência hormonal da gestação, uma verdadeira “catástrofe”, não é mesmo?

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O Pilates na gestação:
o auxílio para o corpo que irá
gerar uma vida
O Pilates é um método de exercícios de fortalecimento e alongamento de
membros superiores, inferiores e tronco, e mobilidade de coluna. Em que uma das
suas maiores vantagens é a adaptação para todos os níveis de condição física.

E uma dúvida bem comum é: quanto tempo antes uma mulher deveria iniciar a
prática?

Na verdade, a resposta é, quanto mais tempo, melhor preparado estará esse


corpo. Porém se tivermos que definir, acredito que praticar o método por pelo
menos duas vezes na semana, durante seis meses (claro que sendo uma aluna
disciplinada e sem faltas) seria o ideal. Um outro fator extremamente importante
é a concentração, e utilização de todos os princípios durante as aulas.

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Além da capacitação do profissional para lidar com esse público e também a


individualidade do treino.

Algo muito comum por aqui, são as aulas de grupos grandes, presentes
principalmente nas academias e clubes das cidades. Esse tipo de abordagem
dificulta o foco no objetivo daquela aluna e também na visualização e correção do
profissional que estará ministrando a aula.

Eu tenho uma visão de que todas as pessoas são únicas e principalmente as


mulheres, portanto, cada uma terá uma queixa diferente, logo, teremos objetivos
diferentes, apesar de muitas vezes parecidos. Sendo assim, eu dou preferência
para aulas individuais ou no máximo duas pessoas.

Acredito que esse é um momento em que ela precisa de extrema atenção,


muitos cuidados com os alinhamentos e com a prática correta dos princípios, isso
será muito importante, pois a gestação interfere na concentração e consciência
corporal, então quando iniciar esse processo de inúmeras alterações, essa mulher
já terá treinado o seu corpo o suficiente para entender melhor os movimentos
solicitados durante essas longas 40/42 semanas.

‫ ‏‬Na primeira aula de uma aluna que esteja se programando para ser mãe,
eu tenho o hábito de explicar a importância de realizar aqueles princípios da
maneira correta, o que implicará na vida dela agora e principalmente durante
e após a gestação. Ao longo das semanas vai ficar cada vez mais difícil manter
essa percepção do corpo, por isso precisamos dar a ênfase à realização correta
da ativação de powerhouse e respiração, principalmente, enquanto não tem um
aumento importante da circunferência abdominal.

Aqui na WP Pilates & Saúde todas as futuras mamães já estão muito bem
informadas quanto a isso. Elas estão se dedicando muito às aulas para que assim
que receberem o tão sonhado positivo, tenham a certeza de que estão cuidando
muito bem do corpo que vai receber o seu presente precioso.

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Concluindo
A fase da gravidez é um marco muito importante na vida da mulher, por isso é
necessário que se tomar todas medidas e precauções para que essa fase ocorra
da melhor maneira. O Pilates antes e durante a gestação é indicado para esse
período. É importante que as futura mamães tenham a consciência da importância
da pratica de qualquer que seja o exercício, inclusive o Pilates que é um grande
aliado no fortalecimento dos músculos.

Aluna Mariana Carvalho, cuidando da Antonella com muita disciplina e amor!

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CAPÍTULO 2 -
POSITIVO, E AGORA?
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O
Pilates do início ao fim de uma das épocas mais delicadas na vida de
uma mulher… esse é um momento único e mágico na vida de uma
mulher. A partir do primeiro momento em que se descobre a gravidez,
sendo planejada ou não, muitas dúvidas podem surgir: continuo com os meus
exercícios? Começo agora uma rotina de atividade física? Como vai ficar meu
corpo? E depois que o bebê nascer?

É muito importante que essa gestante tenha um acompanhamento de um


profissional capacitado para atende-la, que passe bastante segurança com relação
a essas dúvidas. Estarei aqui neste Blog para esclarecer as principais dúvidas
relacionadas a esse período de muitas mudanças físicas e psicológicas na vida de
uma mulher.

O Pilates é um método que irá auxiliar a minimizar os efeitos que essas


transformações terão sobre o corpo da gestante, através de exercícios de
alongamento, fortalecimento, equilíbrio e consciência corporal – sempre
escolhidos de acordo com a condição física da aluna. Algo que será de extrema
importância na escolha do repertório utilizado será o histórico de atividade física,
ou seja, o que ela fazia antes de estar grávida.

Para as praticantes do método, ou até mesmo de outras modalidades, o ideal é


que comecem/continuem com os exercícios do Pilates, desde que seja com um
profissional habilitado – exceto em alguns casos em que a gestante apresente
alguma intercorrência médica. Lembrando que é de extrema importância a liberação
do obstetra, já que ele é o único realmente saberá a condição clínica dela.

Em minha opinião e experiência clínica, acredito que mesmo uma gestante


sedentária pode iniciar com os exercícios do método no primeiro trimestre, por
serem extremamente seguros. Mas o que encontramos na maioria dos casos é a
liberação a partir do segundo trimestre para essas mulheres. De uma forma ou de
outra, uma boa opção é iniciar ao menos o trabalho de respiração e ativação da
musculatura profunda (Power House) enquanto aguardam o aval do médico.

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Devemos iniciar no ritmo em que ela estava habituada. Com as praticantes, por
exemplo, podemos manter os mesmos exercícios com alguns cuidados, como
evitar o máximo de amplitude nos alongamentos, já que as articulações estão sob
o efeito da relaxina e podem ter a falsa impressão de flexibilidade, lesionando a
musculatura.

E com as sedentárias, devemos focar nos princípios iniciais para que elas
melhorem a consciência corporal e possam usufruir dos benefícios do método de
uma maneira segura e eficaz. Exercícios leves a moderados são indicados a partir
do momento em que elas estão dominando os princípios. Cuidado principalmente
com os exercícios que coloquem a gestante em risco de queda.

Nem todas estarão muito dispostas para iniciar com os exercícios no primeiro
trimestre, mas é importante que nós, como profissionais, incentivemos a prática,
já que assim conseguiremos juntas uma gestação muito mais saudável e uma
excelente recuperação no pós-parto.

Mostre para ela os reais benefícios do método, e traga essa gestante para o
Pilates o quanto antes!

Nos próximos textos e vídeos falaremos sobre os benefícios e exercícios seguros


para serem utilizados com essas alunas mais que especiais. Aqui na WP Pilates &
Saúde os nossos professores já participaram da formação de Pilates para Gestantes.
E você, já fez a sua?

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CAPÍTULO 3 -
POR QUE RECOMENDAR
PILATES PARA GRÁVIDAS?
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H
oje em dia muitas mulheres, quando ficam grávidas, ainda se perguntam
“será que devo praticar o Pilates para grávidas? ”.

Em alguns lugares do mundo, as mulheres ficam grávidas e continuam


com seus afazeres diários, mesmos os que são fisicamente muito exigentes, como
por exemplo, lavar roupa, tirar leite da vaca, pegar água no poço, entre outros. E,
apesar de todas essas atividades, elas têm uma gravidez plena e tranquila.

Em muitos estudos já foram comprovados os benefícios da atividade física


durante essa fase da vida da mulher, e também a relação com um parto saudável.
Não se pode afirmar que uma mulher ativa terá com certeza um parto normal,
mas há uma grande chance disso acontecer, em comparação com uma gestante
sedentária.

Dessa forma, criamos um conteúdo, para que você instrutor possa ajudar suas
alunas gestantes a passar por esse período da melhor forma possível, apresentando
as principais e indispensáveis vantagens na prática do método nessa fase.

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Por que Pilates para grávidas?

Existem muitas atividades indicadas durante esse período, cada uma com a sua
restrição. Entre as mais procuradas estão a musculação, natação, Yoga, e também o
Pilates para grávidas que é uma excelente escolha já que trabalha de uma maneira
global tanto o fortalecimento, como o alongamento – além de utilizar a respiração
durante todos os exercícios, o que facilita a oxigenação do bebê e a conexão da
mulher com as transformações do seu corpo.

Mas durante o período de gestação, o corpo da mulher passa por diversas


mudanças físicas e hormonais que necessitam de uma atenção maior nos cuidados
com a saúde, essas mudanças podem gerar dores e desconfortos para a mãe.

Os exercícios do Pilates para grávidas são adaptados de acordo com cada


trimestre, para a condição física de cada mulher, e executados de forma lenta e
controlada. Ou seja, respeita a individualidade de cada uma, o que faz com que o
método se torne ainda mais seguro.

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Para a perfeita execução e resultado do Método Pilates é indispensável ter em


mente o seguinte questionamento:

O Método Pilates para grávidas, é o que eu tenho como objetivo durante essas
semanas que elas estarão sob os nossos cuidados, ou seja, a cada escolha de
exercício é parar e pensar, qual é o objetivo deste movimento? Em que ele estará
contribuindo para a condição desta minha aluna?

Apesar de todas essas vantagens na escolha desta modalidade, o profissional


deve estar capacitado para lidar com esse público, para aproveitar os benefícios
do método sem expor a gestante ao risco.

Benefícios do Pilates para grávidas

Os principais benefícios são:

-Auxílio ao controle de peso e melhoria de qualidade do sono;

-Alívios a problemas circulatórios;

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-Alívio da prisão de ventre e fadiga;

-Dores musculares e articulares que possam surgir devido as alterações do


centro de gravidade e mudanças no metabolismo;

-Estabilização da coluna lombar;

-Diminuição das dores e fortalecimento de assoalho pélvico;

Não sobrecarrega as articulações; é de baixo impacto.

É por esses e outros tantos benefícios, que o Pilates tem se tornado uma das
modalidades preferidas das gravidinhas.

Contraindicações

Em minha opinião, durante a prática de Pilates na gestação, eu contraindico


exercícios em que exigem muita força de sustentação, como por exemplo, algo
que vejo bastante, que são os suspensos no Cadillac.

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Por mais que essa gestante tenha um bom controle e resistência, na gestação
podem ocorrer influências que ela não espera, e o que antes ela tinha muita
facilidade para executar, pode leva – lá a queda, por um pequeno descuido.

Outro posicionamento que acredito ser totalmente contraindicado durante a


prática de Pilates na gestação, são as posições invertidas (de cabeça para baixo),
já vi e ouvi falar de muitas pessoas que fizeram até 32 semanas de gestação e que
não aconteceu nada, mas penso assim, qual seria o benefício?

Devemos ter cuidado também com os exercícios que apoiem o peso sobre os
punhos. Devido à hiperfrouxidão ligamentar causada pela relaxina.

As isometrias prolongadas também devem ser evitadas, pois podem levar ao


aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, o que não seria interessante
para as gestantes.

Vale lembrar que quando digo ISOMETRIA me refiro aos exercícios iguais a
prancha de quatro apoios mantida, que é um movimento que exige de muitos
grupos musculares ao mesmo tempo.

Decúbito dorsal, até quando?


O decúbito dorsal é um posicionamento que falamos bastante sobre o cuidado,
principalmente no final do segundo trimestre.

Segundo a literatura, nesta posição o bebê fica pesando sobre a veia cava,
prejudicando a circulação e consequentemente a nutrição do bebê.

Na verdade, a literatura diz para que não ultrapassar mais do que cinco minutos
nesta posição, mas em minha experiência clínica, por volta de 25 semanas ou
mais eu continuo utilizando o decúbito dorsal por um tempo maior, porém com a

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utilização de uma cunha de posicionamento para elevar o tronco e assim evitara


compressão da veia cava.

O mesmo vale para o decúbito lateral direito, que são importantes de serem
executados por essas gestantes, mas como devemos realizar de ambos os lados,
podemos realizar uma sequência menor de exercícios antes de trocar o lado.

Algumas gestantes relatam formigamento em membro inferior, assim que ficam


nesta posição, nestes casos, devemos evitar e encontrar outras formas de trabalhar
estes grupos musculares.

Os exercícios de rolamento para cima e para trás (roll up/roll over) devem ser
evitados, principalmente a partir do segundo trimestre.

Isso porque mesmo que a barriga ainda não esteja muito grande, este tipo de
movimento vai aumentar a pressão intra-abdominal, o que não é recomendado
para as gestantes, que pode ter uma consequência importante para o assoalho
pélvico e para o risco de diástase dos retos abdominais.

Assim como as famosas flexões de tronco, ou abdominais tradicionais, que


também vão aumentar muito essa pressão intra-abdominal. Esse aumento da
pressão pode empurrar o assoalho pélvico que já estará enfraquecido devido às
ações hormonais e posteriormente o peso do bebê.

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Concluindo

Nesse artigo vimos o quanto é importante o Pilates para grávidas, e para nós,
instrutores do método já que cuidar desse grupo é muito especial.

Primeiro porque precisamos preparar o corpo da nossa aluna para a chegada do


bebê utilizando os princípios da Contrologia.

Recomendo sempre uma avaliação completa das alunas antes de iniciar as


aulas, lembre-se de acompanhar as fases da gestação para saber quais são os
movimentos mais indicados.

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CAPÍTULO 4 -
QUANDO E COMO INICIAR
A PRÁTICA DO PILATES
DURANTE A GESTAÇÃO
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E
u não me canso de falar da importância que é preparar o corpo muito antes
de pensar em gerar uma vida. É claro que o ideal seria sempre que todas
as mulheres praticassem alguma atividade física, para assim se manterem
bem dispostas, saudáveis e com a musculatura forte e flexível para a prevenção de
patologias, sendo o Pilates durante a gestação uma das opções.

Já que o nosso dia a dia é bem pesado, para conseguir passar por uma vida tão
atribulada sem nenhuma intercorrência, nada como uma musculatura equilibrada
para nos mantermos firmes e fortes para a longa jornada do dia seguinte.

Porém nós sabemos que nem sempre acontece o que é o ideal, e na grande
maioria das vezes, o fato de estar gestante é o estímulo inicial para que essa
mulher resolva iniciar a prática de uma atividade física, já que agora ela estará em
uma nova fase de vida.

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Prática de Atividade Física


durante a Gestação

Existem muitas atividades indicadas durante esse período, cada uma com a sua
restrição. Entre as mais procuradas estão a musculação, natação, Yoga, e também o
Pilates para grávidas que é uma excelente escolha já que trabalha de uma maneira
global tanto o fortalecimento, como o alongamento – além de utilizar a respiração
durante todos os exercícios, o que facilita a oxigenação do bebê e a conexão da
mulher com as transformações do seu corpo.

Mas durante o período de gestação, o corpo da mulher passa por diversas


mudanças físicas e hormonais que necessitam de uma atenção maior nos cuidados
com a saúde, essas mudanças podem gerar dores e desconfortos para a mãe.

Os exercícios do Pilates para grávidas são adaptados de acordo com cada


trimestre, para a condição física de cada mulher, e executados de forma lenta e
controlada. Ou seja, respeita a individualidade de cada uma, o que faz com que o
método se torne ainda mais seguro.

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Quando iniciar o Pilates


durante a Gestação?

Em minha opinião eu acredito que mesmo uma aluna sedentária antes da


gestação poderia tranquilamente iniciar a prática do método Pilates com um
profissional capacitado.

A grande maioria dos médicos não autorizam a prática do Pilates durante a


gestação do primeiro trimestre, só por ter um maior cuidado nessa fase, que é o
momento de formação de todos os sistemas do bebê.

Porém eu acredito que existem algumas alunas, que exercem algumas profissões,
em que exigem muito mais, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Inclusive
o estresse emocional que algumas convivem diariamente, pode ser altamente
prejudicial para o desenvolvimento do bebê e consequentemente a manutenção
de uma gestação saudável.

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Por esse e tantos outros motivos, eu acredito que a prática segura do método
Pilates durante a gestação não só pode como deve ser iniciada o quanto antes,
para que essa futura mamãe já consiga iniciar os cuidados tanto com o corpo
quanto com a Mente.

Os aspectos emocionais durante a gravidez é uma das principais alterações que


podem muitas vezes atrapalhar o bom desenvolvimento, se não tiver um suporte
multiprofissional adequado.

Não vai adiantar de nada nós termos todo o conhecimento técnico dos exercícios
essenciais, o que devemos evitar melhores posicionamentos, senão tivermos
a capacidade de lidar com a ansiedade e todos os outros estados emocionais
alterados.

Dessa forma iremos passar ainda mais segurança durante a orientação dos
exercícios, e adquirindo essa confiança, o sucesso das aulas será ainda maior. Não
devemos tratar essas alunas apenas como alterações biomecânicas e fisiológicas,
e sim considerarmos também um vulcão em erupção, borbulhando de emoções e
precisando de um controle de um profissional do Pilates durante a gestação.

Quando elas iniciam a prática do método no segundo trimestre, ainda temos em


torno de 28 semanas pela frente, ou seja, ainda temos muito tempo para trabalhar
com os fortalecimentos, alongamentos e exercícios de mobilidade de tronco e pelve.

Portanto “bóra” trabalhar para que ela passe bem por todas essas turbulências. Mas
lembrem sempre que, independente se ela iniciar a prática do método no primeiro,
segundo ou até no terceiro trimestre, que pode acontecer também, devemos ensinar
corretamente os princípios do Pilates durante a gestação. São eles:

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Power house, que devemos iniciar a ativação, partindo sempre de assoalho


pélvico, transverso do abdômen, oblíquos e retos abdominais, esses últimos vão
perdendo a função ao longo da gestação;

Respiração, que vamos ensiná – las expandindo as costelas, ou seja, puxando


todo o ar e fechando as costelas, soltando todo o ar pela boca, essa expansão
talvez vá diminuindo de acordo com o aumento da barriga, principalmente a
partir do terceiro trimestre;

Controle e a precisão do movimento é extremamente importante para assegurar


a ativação correta da musculatura exigida em cada movimento e evitar lesões;

Concentração além de facilitar a manutenção de todos os princípios, irá também


manter a nossa aluna conectada com ela e o bebê em um momento de desligar
do mundo estressante que ela vive e focar na correta execução dos movimentos;

E finalmente a fluidez que é um princípio que vamos lapidando ao longo das


aulas, mas não precisamos ter pressa.

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Dicas de Exercícios
durante a Gestação

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Concluindo

Enfim, vejam só quantas informações elas terão que agregar e praticar em seu
dia – a – dia, por isso devemos ensinar esses princípios o quanto antes, para que
ela usufrua dos benefícios do Pilates durante a gestação.

Assim podemos pensar que mesmo que a gestante não esteja liberada para
prática de exercícios, acredito eu, que a prática dos princípios do método não irá
prejudicar o desenvolvimento do bebê.

A partir da boa execução e entendimento disso, podemos variar os exercícios


de fortalecimento, alongamento e mobilidade de coluna, sempre respeitando
as alterações fisiológicas e biomecânicas de cada trimestre da gestação, além da
condição física individual de cada gestante.

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CAPÍTULO 5 -
COMO O PILATES
PODE AJUDAR NA
PREPARAÇÃO DO CORPO?
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Q
uando uma mulher decide que está preparada para ser mãe, é importante
que ela perceba se o seu corpo está preparado para tal missão. E, na
grande maioria das vezes, esse corpo não está preparado para suportar
intensas mudanças durante um curto espaço de tempo, que são as 42 semanas de
gestação, sem maiores complicações. Sendo assim, é muito importante a pratica
de Pilates na gestação para ajudar a preparar o corpo para essas semanas.

Na verdade, o ideal seria se todas as mulheres, no momento em que decidem


ser mães, fossem orientadas a iniciarem uma atividade física. Eu sempre brinco
com as minhas alunas que todos os médicos deveriam indicar a atividade física,
juntamente com o ácido fólico e os exames pré-natais.

Tenho tido ultimamente muita procura de alunas que estão no puerpério e estão
desesperadas em busca da recuperação do corpo que tinham antes da gestação, e
nesse momento, uma das primeiras perguntas que faço antes de qualquer coisa, é
se ela praticava alguma atividade física, antes ou durante a gestação. E na maioria
das vezes a resposta é negativa, e isso muitas vezes implica nessa dificuldade da
volta ao corpo tão desejada.

O Pilates na gestação é um excelente aliado para preparar o corpo dessa mulher


para essas mudanças. Com antecedência podemos fortalecer toda a musculatura
estabilizadora do tronco e melhorar a consciência corporal dessa mulher, e dessa
forma, conseguiremos minimizar os efeitos negativos que podem acontecer
durante essas 42 semanas.

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CAPÍTULO 6 -
PREPARANDO O CORPO
DA GESTANTE PARA
O PARTO
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Durante as 40/42 semanas de gravidez, o corpo da gestante terá de se adaptar


a todas às grandes alterações fisiológicas e biomecânicas que acontecem, e isso
nem sempre é uma tarefa muito fácil.

No início da gestação essas alunas terão de se adaptar às transformações


hormonais, físicas e psicológicas, que apesar de serem normais, nem sempre são
tranquilas.

Normalmente no segundo trimestre, esses desconfortos, vão diminuindo e


a gestante vai ficando mais disposta e confiante para iniciar um programa de
exercícios, como por exemplo, o Pilates. Muitos instrutores têm dúvidas do porque
a grande maioria dos médicos não liberam a prática do método até as doze
semanas.

ExERCÍCIO fÍSICO NO
PRIMEIRO TRIMESTRE DA GESTAÇÃO

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O primeiro trimestre é o momento de formação de todos os sistemas do bebê,


por isso eles preferem ser cuidadosos e não autorizar a futura mamãe a praticar
nenhuma atividade que ela não estava habituada antes da gestação.

Eu acredito que esse primeiro trimestre seria uma fase bem importante para ensinar
para a gestante os princípios do Pilates, principalmente à respiração e centralização.

Ou seja, mesmo que o médico não libere para a prática de exercícios físicos, esse
treino de princípios seria interessante para já preparar essa mulher fisicamente e
mentalmente para as alterações biomecânicas que acontecerão mais evidentes no
final do segundo trimestre, e no terceiro trimestre também.

Nesse primeiro trimestre também, é aonde ocorrem o maior índice de abortos


espontâneos, portanto, mais um motivo para os cuidados dos obstetras. Mas desde o
primeiro instante em que se descobre que está grávida, é importante que a gestante
inicie a preparação para o parto, preparação tanto do corpo como da mente.

Além de trabalhar o fortalecimento e o alongamento global, a mobilidade de


coluna e pelve, entre outros trabalhos musculares, o método deixará as mamães
mais tranquilas.

Principalmente por causa da respiração e dos movimentos lentos e controlados, o


Pilates vai trabalhar a diminuição da ansiedade e stress, muito comum nessas alunas,
desde o teste positivo até o nascimento do bebê. E essa tranquilidade vai impactar
diretamente no parto dessa gestante.

Como hoje em dia a maioria das mulheres tem buscado por um parto normal, elas
vão precisar de paciência e tranquilidade para aguardar a vontade de nascer do bebê.

Nós como instrutores de Pilates devemos auxiliar elas neste processo, desde a
escolha dos exercícios adequados até o apoio psicológico para driblar os momentos
de stress e ansiedade. Momentos estes que tendem a aumentar principalmente nas
últimas semanas de gestação. Bom então vamos lá!

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COMO RECEBER A GESTANTE


EM SEU ESTúDIO DE PILATES

Desde o primeiro momento que recebemos nossa gestante em nosso estúdio


ou até mesmo vamos até a residência para uma aula de Pilates, independente se
ela veio no primeiro, segundo ou terceiro trimestre.

Isso mesmo, eu recebo na maioria dos casos, no segundo trimestre, mas não
estamos salvos de entrar pela primeira vez em nosso estúdio, uma gestante no
terceiro trimestre.

Vamos iniciar com o treino dos princípios. Eu início pelo treino da respiração,
solicitando que ela inspire pelo nariz, enchendo todo o pulmão de ar, e soltando
o ar pela boca entreaberta, fazendo a vogal A.

Essa respiração, além de levar mais oxigênio para os músculos e para o bebê,
também vai auxiliar no relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.

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Isso mesmo, nossa boca relaxada, ou seja, sem contração principalmente de


masseter, vai auxiliar para manter o relaxamento do assoalho pélvico, pois essas
duas estruturas estão diretamente ligadas.

E já podemos orientá – la que durante o trabalho de parto, isso será de extrema


importância. E também o quanto é importante realizar essa respiração para
diminuir a ansiedade, e também os exercícios lentos e controlados irão contribuir.

Logo após eu dou início ao ensino da ativação correta do centro de força ou


power house. Antes de iniciar a prática é importante tranquiliza – las e evidenciar
da importância da ativação dessa musculatura.

Que de maneira alguma irá prejudicar o bebê como muitas pensam, e sim pelo
contrário que vai proteger a coluna da gestante, proporcionando mais espaço
para acomodá – lo e mais conforto para essa aluna se manter ativa até o final da
gestação. Mais um fator primordial para o preparo do corpo para o parto.

COMO INICIAR UMA AULA


DE PILATES PARA A GESTANTE

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Sempre devemos dar início pela ativação de assoalho pélvico, em seguida,


transverso do abdômen, este último será de extrema importância na fase de
expulsão do parto e também na rápida recuperação da musculatura abdominal.

Os retos abdominais serão acionados enquanto puderem, e os oblíquos também,


porém a nossa ênfase maior deve ser nos dois citados primeiro, que serão ativados
até o último trimestre. Nas últimas semanas, a partir de 34 semanas, podemos
solicitar para que elas esqueçam aquela contração de assoalho pélvico e foquem
no relaxamento.

Relaxamento que podemos fazer conscientemente mesmo, e também através


de alongamentos da musculatura envolvida na pelve e mobilizações pélvicas.

É importante fazer esse trabalho desde o começo da gestação, a diferença é


que nas últimas semanas podemos intensificar esse trabalho para facilitar o
relaxamento dessa musculatura que está diretamente ligada com o parto normal.

Após o treino desses princípios, devemos orientar os alinhamentos ideais de


cabeça, escápulas e pelve. E finalmente acrescentar os exercícios de fortalecimento
de membros superiores, inferiores e tronco, além dos alongamentos.

Como todos nós sabemos, a grande maioria dos alunos tem dificuldade de
executar esses princípios e alinhamentos da maneira correta.

Por esse motivo eu sempre repito da importância de iniciar com exercícios


de baixa complexidade, principalmente para a gestante que já está com muitas
turbulências em seu corpo… rsrs.

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Concluindo

E para concluir, a mensagem que quero deixar aqui nesta matéria é da importância
para a gestante do preparo para o parto se iniciar o quanto antes.

O Pilates vai colaborar muito para manter um corpo forte e saudável para passar
por todas as alterações que ocorrem nessa fase tão única.

Ele vai trabalhar a resistência muscular que é necessária para o trabalho de parto
– principalmente os mais longos – e também será de extrema importância para
diminuir a ansiedade que as acompanham desde o início da gestação e tendem a
aumentar quando o parto está chegando.

Outro benefício que o Pilates traz é a diminuição de incidência de dores que


podem também atrapalhar o momento do parto. Por esse e por tantos outros
motivos vamos sempre fazer um excelente trabalho com esse público para
aumentar ainda mais os partos tranquilos do jeito que elas tanto sonham.

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CAPÍTULO 7 -
PILATES NA GESTAÇÃO:
PRINCIPAIS CUIDADoS E
CONTRAINDICAÇÕES
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C
omo já havia comentado em outras matérias durante a gestação ocorrem
inúmeras alterações fisiológicas, biomecânicas e psicológicas. E por esse
motivo devemos conhece – las muito bem para que, na hora de praticar
Pilates na gestação, o instrutor escolha os exercícios adequados e exclua os
contraindicados, para sempre manter a segurança e responsabilidade.

O período de gestação

Desde o primeiro teste positivo já se iniciam as primeiras alterações no corpo desta


mulher, normalmente no primeiro trimestre algumas sentem indisposição, náuseas
e muito sono.

Esta fase é muito delicada, onde apesar de não existir os sinais físicos da gestação, já
está presente o hormônio que conhecemos como relaxina. Que só para relembrarmos
é o responsável pela hiperfrouxidão ligamentar, e vai atuar principalmente na pelve
para acomodar o bebê e preparar para o momento do parto.

Portanto as gestantes que tiverem a liberação médica para praticarem desde

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o primeiro trimestre, que geralmente, são as alunas que já praticavam o método


Pilates e descobrem que estão grávidas.

No segundo trimestre, que é a partir das doze semanas, normalmente é nesta


fase que a grande maioria tem a liberação médica e inicia a prática do método.
Nesta fase elas estão muito dispostas, mas temos que continuar com os cuidados.

Pilates na gestação

Para as alunas no primeiro trimestre de gestação, devemos manter o ritmo dos


exercícios que ela estava habituada, evitando:

-Inversões

-Saltos no Reformer

-Isometrias por tempo prolongado

-Os alongamentos excessivos (as não ser que você já conheça a flexibilidade anterior
da sua aluna).

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Durante o segundo trimestre, a barriga começa a crescer, mas ainda bem


tímida, normalmente as alunas ainda conseguem ficar em decúbito ventral, até 16
semanas, porém não por um tempo prolongado.

Com as alunas que já eram praticantes, normalmente é mais fácil a prática


de Pilates na gestação, pois o entendimento dos princípios e alinhamentos, e a
manutenção dos exercícios praticados. Com as iniciantes e geralmente sedentárias,
devemos enfatizar o treino dos princípios e explicar a importância dos mesmos.

Portanto devemos aproveitar essa fase de muita disposição, mas sem esquecer
dos cuidados.

Contraindicações

Em minha opinião, durante a prática de Pilates na gestação, eu contraindico


exercícios em que exigem muita força de sustentação, como por exemplo, algo
que vejo bastante, que são os suspensos no Cadillac.

Por mais que essa gestante tenha um bom controle e resistência, na gestação

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podem ocorrer influências que ela não espera, e o que antes ela tinha muita
facilidade para executar, pode levá – la a queda, por um pequeno descuido.

Outro posicionamento que acredito ser totalmente contraindicado durante a


prática de Pilates na gestação, são as posições invertidas (de cabeça para baixo),
já vi e ouvi falar de muitas pessoas que fizeram até 32 semanas de gestação e que
não aconteceu nada, mas penso assim, qual seria o benefício?

Devemos ter cuidado também com os exercícios que apoiem o peso sobre os
punhos. Devido à hiperfrouxidão ligamentar causada pela relaxina.

Isso não significa que não devem utilizar os exercícios e sim que não podemos
utilizar muitos exercícios seguidos nesta mesma posição, e sempre que realizarmos
exercícios com os membros superiores, devemos cuidar para que ela mantenha
o posicionamento neutro do punho, ou seja, sem flexão ou extensão durante
os movimentos. As isometrias prolongadas também devem ser evitadas, pois
podem levar ao aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, o que não seria
interessante para as gestantes.

Quando eu falo ISOMETRIA seria me referindo a exercícios como a prancha de


quatro apoios mantida, que é um exercício que exige de muitos grupos musculares
ao mesmo tempo.

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O decúbito dorsal é um posicionamento que falamos bastante sobre o


cuidado, principalmente no final do segundo trimestre. Segundo a literatura,
nesta posição o bebê fica pesando sobre a veia cava, prejudicando a circulação e
consequentemente a nutrição do bebê.

Na verdade, a literatura diz para que não ultrapassar mais do que cinco minutos
nesta posição, mas em minha experiência clínica, por volta de 25 semanas ou
mais eu continuo utilizando o decúbito dorsal por um tempo maior, porém com a
utilização de uma cunha de posicionamento para elevar o tronco e assim evitara
compressão da veia cava.

O mesmo vale para o decúbito lateral direito, os exercícios em decúbito lateral


são importantes de serem executados por essas gestantes, mas como devemos
realizar de ambos os lados, podemos realizar uma sequência menor de exercícios
antes de trocar o lado.

Algumas gestantes relatam formigamento em membro inferior, assim que ficam


nesta posição, nestes casos, devemos evitar e encontrar outras formas de trabalhar
estes grupos musculares.

Os exercícios de rolamento para cima e para trás (roll up/roll over) devem ser
evitados, principalmente a partir do segundo trimestre, porém já não são tão
indicados desde sempre, devido à grande exigência da musculatura abdominal.

Pois mesmo que a barriga ainda não esteja muito grande, este tipo de movimento
vai aumentar a pressão intra-abdominal, o que não é recomendado para as
gestantes, que pode ter uma consequência importante para o assoalho pélvico e
para o risco de diástase dos retos abdominais.

Assim como as famosas flexões de tronco, ou abdominais tradicionais, que


também vão aumentar muito essa pressão intra-abdominal. Esse aumento da
pressão pode empurrar o assoalho pélvico que já estará enfraquecido devido às
ações hormonais e posteriormente o peso do bebê.

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Os exercícios que exigem muito equilíbrio, também devemos refletir sobre


quando utilizar. Não seria totalmente contraindicado, porém, vamos lembrar-nos
da instabilidade pélvica causada pelo efeito da relaxina sobre essa região, que vai
dificultar bastante o equilíbrio, aumentando ainda mais o risco de quedas.

Portanto se tivermos uma aluna que tenha mais facilidade, ou que já era mais
treinada, podemos utilizar esse tipo de exercícios, mas com muito cuidado sempre.

Concluindo

O que temos que pensar prioritariamente com esse grupo especial de alunas,
que são as gestantes, é o que eu tenho como objetivo durante essas semanas que
elas estarão sob os nossos cuidados, ou seja, a cada escolha de exercício é parar e
pensar, qual é o objetivo deste movimento? Em que ele estará contribuindo para
a condição desta minha aluna?

Portanto a mensagem que quero que vocês gravem desta matéria é: não
devemos pensar apenas “ah, mas fazer isso não vai fazer mal para ela”. E sim o
quanto vai fazer bem para manter os objetivos traçados no início dos trabalhos.

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CAPÍTULO 8 -
MOvIMENTANDO
O CORPO NA GESTAÇÃO
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Com a liberação do médico e o pré-natal em ordem, vamos colocar o corpo


dessa gestante para se movimentar. Como já comentei no post anterior da série
de Pilates para Gestantes “Positivo, e agora? ”, se essa mulher já era praticante do
Método, podemos continuar com os exercícios do Pilates no primeiro trimestre,
apenas com alguns cuidados a mais.

Devemos continuar com os fortalecimentos globais de membros superiores e


inferiores, abdômen e tronco. Os alongamentos também, apenas com cuidado
dobrado em grandes amplitudes – ou seja, melhor evita-las.

E os princípios? Sim, também iremos manter da mesma forma. Neste primeiro


trimestre, serão pouquíssimas as modificações, comparadas a uma aluna do
mesmo nível. O parâmetro que devemos ter é da própria aluna – se ela já praticava
exercícios de nível intermediário, vamos manter, salvo nos casos de exercícios com
risco de queda eminente.

Hoje mostraremos um vídeo de um exercício de fortalecimento de abdômen e


mobilização de coluna, aonde conseguimos aumentar ou diminuir a intensidade,
de acordo com a disposição e trimestre da gestante. Este exercício é de extrema
importância para trabalhar com esse público, já que manter a parede abdominal
forte durante a gestação é essencial. Esta é uma aluna da WP Pilates & Saúde, que
já era praticante do método e estava em sua segunda gestação.

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Alongamento na gestação

A mulher passa por inúmeras transformações durante a gestação. Por isso,


devemos cuidar para que estas não interfiram tanto na vida dela, a ponto de
impedir que continue com as suas atividades de vida diária, como o trabalho ou
até mesmo o lazer.

O Pilates vai auxiliar de uma forma tranquila e trará muitos benefícios para
minimizar essas alterações biomecânicas, fisiológicas e emocionais. Sim, a prática
do método irá auxiliar em todas essas mudanças. Porém devemos redobrar os
cuidados, ou seja, devemos selecionar os exercícios adequados para cada fase e
para cada mulher.

O mais comum de encontrarmos são profissionais que acreditam que a única


diferença de uma gestante para outra aluna mulher é a barriga que está “crescendo”
– obviamente, estão muito enganados. As outras transformações que não estão
visíveis fazem toda a diferença na escolha do repertório.

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O grande problema na escolha errada de um exercício, não é apenas de não


fazer bem, e sim de prejudicar a gestante, aumentando ainda mais os sintomas
desconfortáveis gerados durante essa fase.

Hoje vou citar um exemplo, que parece tão inofensivo, mas extremamente
importante: o alongamento. Devemos evitar alongamentos extremos com as
gestantes. Uma das alterações hormonais que ocorrem é o aumento da relaxina,
um hormônio que promove a hiperfrouxidão ligamentar e a instabilidade das
articulações.

Por isso, a aluna pode estar demostrando uma falsa flexibilidade durante os
exercícios de alongamento e, se estivermos ultrapassando o limite, podemos
romper algumas fibras, o que possivelmente irá gerar dores.

O cuidado deve ser ainda maior com os músculos que se inserem na sínfise
púbica, devido à hipermobilidade da pelve, o que pode aumentar o risco de lesões
nesta região.

Por isso, a dica de hoje é: mantenha-se atualizado no assunto antes de iniciar


um trabalho com este público específico. Suas alunas ficarão ainda mais satisfeitas
com seu trabalho e você ficará com a consciência tranquila.

Aqui na WP Pilates & Saúde os profissionais são especialistas nesse público que
é tão exigente e diferenciado.

A Pilates Avançado (empresa do Grupo VOLL) oferece a formação contendo o


embasamento teórico e muitas idéias interessantes de exercícios! #atualizajá

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CAPÍTULO 9 -
CUIDADOS COM OS
ALONGAMENTOS DURANTE A
AULA DE PILATES NA GESTAÇÃO
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H
oje eu vou falar sobre um assunto que ainda gera muitas dúvidas entre os
instrutores de Pilates e até mesmo entre as próprias gestantes.

Na verdade, muitos médicos acreditam que a principal função do Pilates


na gestação é alongar. E não preciso nem afirmar que eles estão muito errados
com esse conceito.

Nesse texto irei explicar como podemos trabalhar o alongamento nas aulas de
Pilates na gestação. Confira.

Adaptando a aula

Nós sabemos muito bem que durante as aulas de Pilates na gestação vamos
trabalhar tanto a mobilidade como estabilidade de coluna e pelve, fortalecimento
de membros superiores, inferiores e abdômen.

Não esquecendo acima de tudo de priorizar os princípios do Pilates e os


alinhamentos. E para não perder o hábito de ressaltar para vocês… a simplicidade
dos exercícios, buscando a qualidade do movimento.

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Quando comento que precisamos fazer aulas adaptadas às condições físicas


de cada gestante, não significa fazer apenas alongamentos, ou exercícios leves,
principalmente para as sedentárias. Quero dizer que temos que pensar em
objetivos e exercícios adequados e benéficos para cada aluna.

Alongamentos

Voltando aos cuidados com os alongamentos, já falei em outras matérias sobre


os efeitos da relaxina, desde o início da gestação. A concentração desse hormônio
nas articulações das gestantes deixará as mesmas com bastante instabilidade.

Por isso no momento da escolha dos alongamentos a serem executados é


importante levarmos em consideração o perfil motor anterior à gravidez, a
avaliação postural, o condicionamento físico e o posicionamento mais indicado.

É claro que seria ideal que essa gestante já fosse sua aluna desde antes de pensar
em gerar uma vida. Assim conseguiria saber quais seriam as suas limitações ou
alterações anteriores à gestação, facilitando a sua escolha dos exercícios adequados.

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Por exemplo, se essa aluna já era flexível antes, não teria problema algum
realizar algum alongamento mais avançado, de uma maneira segura e sem risco
de quedas. Não deixando de esquecer de algumas patologias comuns como a
pubalgia e a sacroileíte, que em alguns casos, podem piorar o quadro, no caso de
insistirmos nos alongamentos.

É de extrema importância que tenhamos cuidados com os desalinhamentos


da pelve durante a execução do movimento. Isso porque é muito comum,
principalmente devido à instabilidade pélvica, que ela faça compensações, o
que pode diminuir a eficácia do alongamento, além de aumentar as chances de
lesão. Ou seja, vamos incentivar a manutenção do alinhamento da pelve neutra
durante toda a execução do movimento. Muitas vezes as alunas querem fazer
uma amplitude maior, e para isso acabam não se importando com o alinhamento.
Portanto, cabe ao instrutor salientar essa importância para que a aluna realmente
tenha o benefício do aumento da flexibilidade.

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Dicas para trabalhar com sua


aluna nas três fases da gestação

Em meu dia a dia eu utilizo diferentes posicionamentos para alongar, principalmente


membros inferiores, ajoelhada, em pé, sentada ou em decúbito dorsal. Gosto muito
dos posicionamentos ajoelhado, consigo trabalhar bem a mobilidade do quadril e o
aumento da flexibilidade de toda musculatura envolvida na pelve.

Vamos pensar agora em como encaixar os alongamentos em cada trimestre da


gestação. Ou seja, temos que pensar quais os reais benefícios desses exercícios ao
longo de cada trimestre da gestação, cada um com sua particularidade.

Pois como disse em textos anteriores, precisamos pensar em como trabalhar nas
diferentes fases da gestação.

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Primeiro trimestre
No primeiro trimestre, nem sempre será uma fase em que estaremos lidando
com as gestantes. Devido ainda ser uma característica forte entre os médicos, como
forma de proteção, limitar a pratica de atividade física até completar as 12 semanas.

Porém, mesmo assim teremos a possibilidade de ter uma aluna gestante desde o
primeiro trimestre. E apesar de ainda não aparecerem as alterações biomecânicas
tão evidentes, teremos a presença dos hormônios da gravidez atuando sobre o
corpo dessa aluna.

Hormônios que fazem com que esse organismo tenha que se adaptar com todas
essas alterações que inicialmente parecem ser inofensivas e que podem trazer
alguns transtornos ao longo dos trimestres.

Teremos que levar em consideração também no momento da escolha dos exercícios,


que algumas mulheres apresentam sintomas comuns nessa fase. Como por exemplo,
os enjoos e indisposição, portanto devemos escolher posicionamentos que não
piorem esses sintomas, como os alongamentos ajoelhados, sentados ou de pé.

Nesse trimestre os alongamentos fazem parte do aquecimento e da finalização


da aula. Eu geralmente passo de dois a três, no início e o mesmo número ao final da
aula. Se a aluna estiver disposta, podemos explorar o decúbito ventral, porém com
cuidado, devido à sensibilidade das mamas.

Segundo trimestre
O segundo trimestre é o momento da disposição. Normalmente, já passaram os
enjoos e indisposição, elas já estão mais adaptadas, fisicamente e psicologicamente
com a gestação.

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Devemos aproveitar para trabalhar bastante os exercícios estabilizadores e encaixar


os alongamentos, sempre lembrando dos cuidados com as grandes amplitudes. Da
metade para o final desse trimestre, por volta de 24 semanas, já devemos evitar
o decúbito dorsal sem elevação por um tempo prolongado, devido à compressão
da veia cava. Mas podemos utilizar posicionamentos sentado, ajoelhado, ou de pé,
ou até mesmo a cunha de posicionamento para elevação do tronco. Neste último
conseguimos realizar os alongamentos com os membros inferiores elevados, que é
extremamente benéfico nessa fase, já que é comum próximo do terceiro trimestre
que elas comecem a se queixarem de inchaço nos membros inferiores.

Terceiro trimestre
E na reta final dessa maratona, com intensas transformações, principalmente
a partir de 33/34 semanas, os alongamentos serão a ênfase das aulas. Vocês
perceberam que vamos utilizar esses exercícios durante toda a gestação, porém é
neste momento que eles serão bastante utilizados.

Porém não devemos deixar de lado os trabalhos das estabilizações e dos


fortalecimentos de membros superiores e inferiores. Eles serão muito importantes
para manter essa gestante saudável e sem maiores desconfortos.

Vamos preparar esse corpo para o parto, mesmo se essa aluna optar por um parto
cesariana. Ela vai se beneficiar desses alongamentos para manter o corpo flexível
e sem dores. Vamos escolher exercícios de alongamento de isquiotibiais, adutores,
abdutores, piriforme, glúteo, quadríceps, psoas, peitoral e cadeia lateral de tronco.

Não devemos fazer alongamento da cadeia anterior de tronco, que já se encontra


bastante distendida. E pensando em auxiliar para o parto normal, utilizar bastante
os exercícios unilaterais que funcionam como peneira para facilitar o encaixe do
bebê, e o posicionamento de cócoras, desde que as alunas não sintam desconforto
nessa posição.

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ExEMPLOS DO ALONGAMENTO
NO PILATES NA GESTAÇÃO
Nessa parte, vou deixar aqui algumas fotos com exemplos de alongamentos.
Eles podem ser utilizados com suas alunas durante a aula de Pilates na gestação.
Lembrem-se, devemos sempre pensando na individualidade de cada uma.

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Concluindo

A principal mensagem que quero deixar com esta matéria, é sim. Vamos utilizar
sempre os alongamentos durante toda a gestação, mas não devemos deixar de
pensar no principal objetivo e no momento certo para utilizar.

Então vamos alongar muito as futuras mamães!

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CAPÍTULO 10 -
PILATES PARA GESTANTE:
COMO TRABALHAR AS TRÊS
FASES DA GESTAÇÃO
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A
pesar de ser um tema muito abordado ultimamente no meio do Pilates,
ainda gera muitas dúvidas e discussões. Afinal, o que precisa saber um
professor para que, em sua aula de Pilates para gestante, ela alcance os
objetivos propostos?

Em minha opinião o mais importante é que o profissional saiba exatamente o


que acontece no corpo desta mulher, durante essas 40/42 semanas.

Desde as alterações fisiológicas, passando pelas alterações psicológicas e


principalmente as alterações biomecânicas, que vão impactar diretamente na
escolha do nosso repertório de exercícios.

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Benefícios do Pilates para grávidas

Os exercícios de Pilates para gestante são adaptados para cada trimestre e para
a condição física de cada mulher, além de serem executados de forma lenta e
controlados. Ou seja, respeita a individualidade de cada uma, o que faz com que o
método se torne ainda mais seguro.

Apesar de todas essas vantagens na escolha desta modalidade, o profissional


deve estar capacitado para lidar com esse público, para aproveitar os benefícios do
método sem expor a gestante ao risco. Em muitos estudos já foram comprovados
os benefícios da atividade física durante essa fase da vida da mulher, e também a
relação com um parto saudável.

Não se pode afirmar que uma mulher ativa terá com certeza um parto normal,
mas há uma grande chance de isso acontecer, em comparação com uma gestante
sedentária. Existem muitas atividades indicadas durante esse período, cada uma
com a sua restrição. O Pilates para gestante é uma excelente escolha já que trabalha
de uma maneira global tanto o fortalecimento, como o alongamento.

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Além de utilizar a respiração durante todos os exercícios, o que facilita a


oxigenação do bebê e a conexão da mulher com as transformações do seu corpo.

Os exercícios são adaptados para cada trimestre e para a condição física de


cada mulher, e executados de forma lenta e controlados. Ou seja, como já dito ele
respeita a individualidade de cada uma.

Os principais benefícios da prática de Pilates para gestante são:

-Estabilização da coluna lombar, diminuindo as dores;

-Fortalecimento de assoalho pélvico;

-Não sobrecarrega as articulações; é de baixo impacto.

É por esses e outros tantos benefícios, que o Pilates tem se tornado uma das
modalidades preferidas das gravidinhas.

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Cuidados na prática de
Pilates para gestante

Um hormônio que impacta muito em nosso trabalho com essa aluna, é a Relaxina,
que já está presente desde o início. Ele está presente para auxilia-la no processo
de acomodação do bebê e para facilitar o parto.

Porém o que ocorre em contrapartida é a instabilidade das articulações e


hiperfrouxidão ligamentar.

Portanto algo muito comum, é o fato de que as gestantes que tem um melhor
condicionamento e que estão sem nenhum desconforto queiram manter a mesma
rotina de exercícios, e isso pode ser muito perigoso.

O problema é que os reflexos estão diminuídos e as articulações mais instáveis,


por isso se essa aluna estiver em risco de queda, talvez ela não tenha facilidade
para se estabilizar novamente como ela tinha antes de ficar grávida.

Devemos continuar com os fortalecimentos globais de membros superiores e


inferiores, abdômen e tronco. Os alongamentos também, apenas com um maior
cuidado em grandes amplitudes, ou seja, melhor evitá – as.

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Princípios do método
aplicado a gestante

E os princípios? Sim, também iremos manter da mesma forma na prática de Pilates


para gestante. Durante o primeiro trimestre, serão pouquíssimas as modificações,
comparadas a uma aluna do mesmo nível.

O parâmetro que devemos ter é da própria aluna: se ela já praticava exercícios


de nível intermediário, vamos manter, salvo nos casos de exercícios com risco de
queda eminente, como já comentei anteriormente.

Um dos princípios do método é a ativação da musculatura profunda denominada


Power House, core ou centro, formando um cinturão que vem desde a base das
costelas até a região inferior da pelve. Que devem se manter em contração durante
os movimentos dos exercícios propostos.

Portanto os músculos do assoalho pélvico fazem parte deste cinturão, e é por


esse motivo que acreditamos que a ativação desse centro de força, seja o suficiente
para o fortalecimento dos mesmos.

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Devemos enfatizar a ativação de power house, partindo sempre da musculatura


de assoalho pélvico, é importante também incentivá – las a realizar a contração
isolada e seu total relaxamento, como tarefa de casa.

Pilates para gestante


no primeiro trimestre da gestação

No primeiro trimestre, que é o momento em que ocorre a descoberta da gestação,


por volta de 4 a 8 semanas, algumas mulheres, não sentem absolutamente nada
de diferente, e algumas sentem muitos enjoos, indisposição, ficam sem apetite.

As mamas aumentam imediatamente gerando desconforto e alterações


emocionais, além de ficarem mais sensíveis.

São poucas as mulheres que tem a liberação do médico para iniciar o Pilates
nesta fase, então normalmente quem já era praticante do método continua com
os exercícios que serão essenciais nesta fase em que ainda não tem um grande
aumento de peso e muito menos da região abdominal.

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Em minha opinião e experiência clínica, acredito que mesmo uma gestante


sedentária, pode iniciar com os exercícios do método no primeiro trimestre,
por serem extremamente seguros, mas devemos sempre respeitar a opinião do
médico, pois somente ele saberá da restrição individual de cada mulher.

Os principais cuidados que devemos ter no primeiro trimestre é com os exercícios


muito intensos, como por exemplo, os da prancha de salto no reformer, isometrias
prolongadas. Esse é um período de formação de todos os sistemas do bebê, e
uma fase em que é muito comum acontecerem os abortos espontâneos, então é
preciso focar no ensino dos princípios e mais em exercícios de qualidade do que
de alta complexidade.

Mesmo que seja uma gestante treinada, ela está grávida! Logo já começam um
turbilhão de mudanças, com a influência dos hormônios para manter a gestação
saudável e garantir a saúde da mãe e do bebê durante a pratica de Pilates para gestante.

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Pilates para gestante no


segundo trimestre de gestação

O segundo trimestre, que normalmente é a fase em que a maioria dos médicos


liberam a aluna, mesmo que sedentária, a iniciar a prática do Pilates, é o trimestre
da disposição. Por esse motivo é que devemos redobrar os cuidados, pois aquelas
gravidinhas mais fitness vão querer aproveitar esse momento e intensificar os
exercícios. Normalmente, elas já não sentem tantos enjoos, náuseas e indisposição.
Nessa fase o abdômen começa a ficar mais saliente em uma primeira gestação lá
pelas 18/20 semanas, na segunda talvez um pouco antes.

Eu tenho o hábito de ensiná-las a “esconder” a barriguinha, ou seja, tentar


manter a ativação de transverso do abdômen. O mais comum é relaxar, porque,
normalmente, as futuras mamães querem que apareça logo que está grávida.

Porém eu explico sobre a importância de manter essa ativação para proteger a


coluna, e evitar um aumento da diástase fisiológica. E também sempre brinco que
após as 24 semanas não têm jeito vai aparecer muito, crescer e pesar mais a cada dia.

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Nesse período há uma tendência maior de retenção de líquido, sendo assim é


importante os exercícios com os membros inferiores elevados e que trabalhem
tríceps sural, para facilitar o retorno venoso.

A literatura orienta para que a partir dessa fase não utilize o decúbito dorsal por
mais de cinco minutos sem nenhum suporte, pois pode comprimir a veia cava e
comprometer a circulação.

Em minha experiência clínica, é a partir de 25 a 28 semanas que a cunha de


posicionamento se torna indispensável, portanto, fica mais para o início do terceiro
trimestre.

Mas de qualquer forma devemos avaliar cada uma, por exemplo, uma gestante
com 15 semanas que já apresenta o abdômen bem protuso, ou em uma gestação
gemelar.

Lembrando que é muito importante orienta-las que cuidem da postura no dia a


dia, já que o abdômen vai começar a crescer e vai interferir diretamente na maneira
de andar, sentar, deitar e realizar as atividades de vida diária.

Outra informação importante que vamos falar sobre a ativação da musculatura


abdominal, é a rápida recuperação dos músculos abdominais logo após o parto, já
que serão extremamente distendidos até o final da gestação.

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Dicas e cuidados no
segundo trimestre da gestação

Nessa fase normalmente não vamos realizar mais os exercícios em decúbito


ventral, devido ao desconforto.

Os músculos e os ligamentos estarão mais frouxos devido à presença da Relaxina,


que tem um pico ainda maior da 24ª semana, por isso devemos continuar com os
cuidados nos alongamentos e não exceder a amplitude anterior à gestação.

Com as sedentárias devemos focar nos Princípios inicialmente, para que elas
melhorem a consciência corporal, e que possam usufruir dos benefícios do método
de uma maneira segura e eficaz. Exercícios leves a moderados são indicados a
partir do momento em que elas estão dominando os princípios.

Continuamos redobrando os cuidados com exercícios que tenham o risco eminente


de queda. E normalmente, a partir de 20/24 semanas com algumas variações de
condição física, já começa a ficar difícil manter a famosa “cadeirinha” do Pilates que
é a posição em decúbito dorsal, com flexão de quadril e joelhos a 90º.

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Esse tipo de posicionamento, já sabemos, que exige uma solicitação maior da


musculatura do abdômen. E em alguns casos já não conseguimos realizar desde
16° semanas, em outros conseguimos prorrogar um pouco mais.

Muitos profissionais perguntam, e qual seria o parâmetro para saber quando


devo excluir esse tipo de posicionamento do meu repertório de exercícios?

Eu uso como parâmetro o “estufamento” da região abdominal, ou seja, a aluna não


está mais conseguindo manter a estabilização através da musculatura profunda.
Sendo assim, devemos continuar trabalhando a musculatura abdominal de outras
formas.

Como por exemplo a extensão de ombros, de pé ou ajoelhada, podemos utilizar


as molas do cadillac, as alças do reformer, ou até mesmo a resistência de uma faixa
elástica sentada na bola, veja abaixo no exemplo.

Neste trimestre, geralmente, senão tiver nenhuma intercorrência, conseguimos


trabalhar uma variedade maior de exercícios. Sendo importante que se faça um
número de repetições que seja confortável para a gestante.

Eu normalmente utilizo dez repetições, porém se uma aluna estiver se


apresentando visivelmente cansada devemos diminuir esse número para que ela
realize o movimento com qualidade até o final.

Acredito que esse é um momento em que ela precisa de extrema atenção,


muitos cuidados com os alinhamentos e com a prática correta dos princípios, isso
será muito importante, pois a gestação interfere na concentração e consciência
corporal.

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Sendo assim, quando iniciar esse processo de inúmeras alterações essa mulher
já terá treinado o seu corpo o suficiente para entender melhor os movimentos
solicitados durante essas longas 40/42 semanas.

Gosto bastante dos exercícios em posição quadrúpede, só devemos ter cuidado


para não realizar muitas variações, sem mudar o posicionamento, devido à
sobrecarga nos punhos, mas é uma excelente forma de trabalhar a estabilidade
de tronco e da cintura escapular.

Existe uma patologia bem comum durante a gestação, que é a síndrome do


túnel do carpo, devido ao edema, ocorre uma compressão nervosa, gerando dor e
desconforto nos punhos, o que pode piorar em quadrúpede.

Uma adaptação que faço com frequência, é apoiar os antebraços sobre uma
caixa mais alta, como a do reformer por exemplo. Assim conseguimos trabalhar as
mesmas estabilizações, sem gerar mais um desconforto. Exemplo:

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Podemos trabalhar exercícios de membros inferiores ou superiores, isolados


ou associados, utilizando faixa elástica também, porém o foco tem que ser na
estabilização do tronco, pelve e cintura escapular.

Ou seja, não adianta evoluir para movimentos mais complexos, se ela não está
conseguindo manter o essencial. Na verdade, temos uma variedade bem grande
de exercícios que podem ser utilizados com as gestantes, o mais importante é
saber quando e com quem aplicar cada um.

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Pilates para gestante aplicado ao


terceiro trimestre da gestação

No terceiro trimestre a gestante já está com a barriga bem maior, e com esse
aumento de peso e volume, o centro de gravidade será deslocado para frente,
aumentando ainda mais as alterações posturais comuns da gestação.

O decúbito dorsal vai ficando ainda mais difícil. Sendo assim vamos explorar
ainda mais os posicionamentos de pé, ajoelhada, quadrúpede, sentada no chão,
equipamentos ou sobre a bola e seis apoios (quadrúpede).

Neste momento devemos continuar com os fortalecimentos e alongamentos


que estavam sendo realizados.

Os exercícios respiratórios serão de grande importância também nesta fase já


que o diafragma será empurrado para cima pelo crescimento do útero, gerando um
esforço respiratório ainda maior. Devemos dar uma ênfase maior às mobilizações
pélvicas, que estimulam a abertura da pelve e relaxamento do assoalho pélvico.

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Quando estiver mais próximo ao final da gestação, em que o grande momento


está se aproximando, podemos realizar a posição de cócoras, estimulando assim
uma abertura da pelve e incentivando o parto normal.

A partir de 35° semanas, além de utilizar o posicionamento de cócoras, para


facilitar o relaxamento do assoalho pélvico e ganhar mais mobilidade pélvica,
também devemos intensificar os alongamentos em toda a musculatura envolvida
na pelve, como os ísquios tibiais, adutores, piriforme, glúteo, ílio psoas.

Podemos fazer esse tipo de alongamento de diversas maneiras, nos equipamentos


ou no solo. Veja os exemplos:

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Isso não significa que vamos deixar de fazer os fortalecimentos globais, e sim
intensificar as mobilizações e alongamentos.

O trabalho de fortalecimento de glúteo também é de suma importância em


todas as fases da gestação, e devido aos diferentes tipos de posicionamentos,
conseguimos trabalhar até o final da gestação.

O glúteo médio é um importante estabilizador pélvico, por isso devemos


trabalhar desde o início da gestação.

Essa instabilidade, causada pela Relaxina como já comentei anteriormente,


muitas vezes acabam ocasionando dores na articulação sacro ilíaca.

Portanto esses fortalecimentos são excelentes para prevenir patologias


relacionadas a essa articulação, ou até mesmo para utilizar como tratamento, no
caso de uma futura mamãe que já apresente esse quadro ao iniciar as aulas de
Pilates para gestante.

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Conclusão

Não existem contraindicações para continuar com os exercícios do Pilates para


gestante até o final da gravidez, isso vai depender bastante de cada gestante:
quanto ganhou de peso, se conseguiu praticar os exercícios regularmente,
e se ainda continua disposta para a prática, ou até mesmo se houve alguma
intercorrência nesses últimos momentos. Precisaremos da liberação médica a
cada nova consulta pré-natal.

É essencial que ressaltemos com essa aluna a importância de voltar à prática do


método Pilates, assim que tiver a liberação médica, que vai variar de 20 a 40 dias
após o nascimento do bebê.

Falaremos mais sobre o Pilates no puerpério em outra oportunidade, mas é tão


importante quanto à prática durante a gestação, para garantir a volta do corpo e
também sem dores e desconfortos nos cuidados com o bebê e amamentação.

Quando passamos essa informação com bastante segurança, apesar de todas as


mudanças de rotinas que irão acontecer na vida dessa mulher, ela farão possível
para retornar aos poucos à pratica dos exercícios.

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CAPÍTULO 11 -
PILATES PARA GESTANTES
NO TERCEIRO TRIMESTRE
DA GESTAÇÃO
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Conclusão
Durante a sequência de artigos da série “Positivo, e agora?”, discutidos muito sobre
Pilates para gestantes aqui, no Blog Pilates. Vimos um pouco sobre a introdução
do assunto à gestante no primeiro trimestre, exercícios de alongamento e, agora,
como preparar uma aula mestre de Pilates para gestantes no terceiro trimestre.

A questão é: como trabalhar o método Pilates em uma das fases mais delicadas
da gravidez de uma mulher?

Acompanhando este artigo, nós não só receberemos uma aula mais aprofundada
sobre o último período de gestação, como entender como, exatamente, o Pilates
pode ser aplicado – as modificações que podemos fazer de um trimestre para o outro
e até exercícios que podem ser aplicados aqui. Vamos lá?

Antes de mais nada, vamos recapitular…

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Antes de avançarmos para o terceiro trimestre da gestação, vamos relembrar um


pouco sobre as alterações e cuidados do Pilates no primeiro e segundo trimestre
de gestação. Para se trabalhar o Pilates para grávidas, primeiramente o instrutor
de Pilates deve checar algumas informações básicas:

-A gestante já praticava alguma atividade física ou Pilates antes?

-Ela possui liberação médica para tal atividade?

-A gestante está procurando um profissional especializado em Pilates na gestação?

Essas informações são essenciais antes de começarmos qualquer trabalho, pois


é a partir delas que temos a certeza que podemos aplicar os exercícios na aula – e
também decidir exatamente como será o treino.

Sabe-se que o período gestacional tem duração de aproximadamente 40


semanas (280 dias ou 9 meses, como costumamos contar). Nesse período, estima-
se que aproximadamente 50% a 75% das mulheres se queijam por alguma espécie
de dor nas costas em pelo menos uma das fases de sua gravidez.

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Isso, é claro, faz com que suas atividades rotineiras (seja no trabalho, vida
doméstica ou até mesmo atividades simples como vestir-se ou ficar em pé por
muito tempo) fiquem prejudicadas e limitadas.

Ainda nesta estimativa, a dor na lombar é considerada três vezes mais comum
em mulheres em período gestacional se comparada ao resto da população.

Como já vimos aqui, anteriormente, o Pilates para gestantes rende inúmeros


benefícios, tais como:

-Melhorar a postura;

-Minimizar as compensações típicas desse período gestacional;

-Prevenir e amenizar as dores na coluna vertebral;

-Alongar e relaxar os músculos;

-Fortalecer a musculatura perineal preparando para o parto e pós-parto;

-Estimular a circulação linfática e sanguínea;

-Desenvolver a consciência corporal;

-Melhorar a respiração;

-Aumentar a sensação de bem-estar, além de otimizar a auto estima;

Mas claro, como reforçamos sempre aqui, é preciso ter cautela e elaborar uma série
se exercícios que seja adequada à gestação e também a cada gestante, em questão.
Se a mulher já praticava o método Pilates antes da gravidez, por exemplo, podemos
continuar com os exercícios do Pilates normalmente no primeiro trimestre – tendo
apenas atenção com alguns cuidados a mais.

Entre esses cuidados, como já explicamos em nosso primeiro artigo desta série,
é em continuar com o fortalecimento global dos membros superiores e inferiores,

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abdômen e tronco – pensando, também, no alongamento (nesse caso, atenção


dobrada para grandes amplitudes, quase sempre optamos por evita-las a fim de
não comprometer e arriscar a gestante).

O Pilates na gestação e os princípios


de Joseph Pilates
Devo frisar que, independente do período gestacional, o Pilates para as futuras
mamães segue os mesmos princípios básicos de qualquer treinamento passado
pelo criador do método, Joseph Pilates – há apenas algumas modificações para
se adequar a paciente. E esse parâmetro temos diante da própria aluna – se ela já
praticava exercícios de nível intermediário, podemos manter durante o primeiro
trimestre, salvo nos casos de exercícios com risco de queda eminente.

Já em relação ao terceiro trimestre, o cuidado com o Pilates para gestantes deve


ser ainda maior.

Como, exatamente, vamos aplicar isso na prática?

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Pilates no terceiro
trimestre de gravidez

Nesse terceiro trimestre a gestante já está com a barriga bem maior e, com esse
aumento de peso e volume, o centro de gravidade é deslocado para frente, o que
aumenta ainda mais as alterações posturais comuns da gestação.

O decúbito dorsal vai ficando ainda mais difícil. Sendo assim, o ideal durante as
aulas de Pilates para gestantes é que exploremos ainda mais o posicionamento de
pé, sentada no chão ou sobre a bola e seis apoios.

Para trabalhar o método durante a última fase da gestação, precisamos nos


atentar as principais transformações fisiológicas que a mulher passa – algumas
desde o início do período gestacional – e como isso afeta o nosso modo de aplicar
alguns exercícios.

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Fazem parte das principais transformações fisiológicas da mulher nessa fase:

-Alterações hormonais

-Alterações cardiovasculares

-Alterações renais

-Alterações pulmonares

-Alterações gastrointestinais

-Alterações das mamas

-Alterações osteomusculares

Alterações hormonais: neste período, há o aumento do hormônio relaxina, que


deixa as articulações mais frouxas que o normal. Por isso, eu reforço que devemos
evitar alguns posicionamentos e ter cuidado dobrado na hora de preparar
exercícios para alongamento – veremos mais sobre exercícios no próximo tópico.

Alterações cardiovasculares: com a gravidez, há um aumento no débito cardíaco,


e nós instrutores devemos nos atentar na hora de aplicar exercícios que acelerem
seu batimento, podendo prejudicar a gestante. Alterações renais: especialmente no
fim da gravidez, é normal que a gestante precise fazer mais pausar que o habitual
para ir ao banheiro, devido às alterações renais.

Alterações pulmonares: durante a gestação o diafragma da mulher começa a ser


pressionado. Isso dificulta o trabalho com a respiração nos exercícios, e deve levar
atenção pelo instrutor.

É também devido as alterações pulmonares que a gestante pode se cansar mais


facilmente. Mas claro, volto a repetir: isso tudo irá depender da individualidade
de cada aluna, se ela já praticava exercícios antes ou não, e de como está sua
gestação neste período.

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Alterações osteomusculares: torna-se comum problemas com retenção de


liquido e com o assoalho pélvico, por exemplo.

Entendendo um pouco mais sobre o corpo, a mudança e as alterações fisiológicas


da futura mamãe, podemos começar a pensar na melhor forma de aplicar o método
Pilates para que o fim de sua gestação seja seguro e o mais tranquilo possível – tal
como trabalhar a prevenção de sua saúde física para depois que o bebê nascer.

Vamos lá?

Exercícios de Pilates
para gestantes

É imprescindível que, neste momento, nós continuemos com os fortalecimentos


e alongamentos que já estavam sendo realizados desde o início da gestação.

O grande problema na escolha errada de um exercício, não é apenas de não


fazer bem, e sim de prejudicar a gestante, aumentando ainda mais os sintomas
desconfortáveis gerados durante essa fase.

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Nessa reta final, devemos pensar não só em como reduzir sintomas de desconforto,
mas também em como estimular e ajudar a gestante o máximo possível para que
seu parto se pós-parto seja o mais tranquilo e confortável possível.

Para isso, é de grande importância que nós trabalhemos os exercícios respiratórios


– já que o diafragma será empurrado para cima com o crescimento do útero, o que
gera um esforço respiratório ainda maior neste terceiro trimestre.

Também devemos dar uma maior ênfase para as mobilizações pélvicas, pois são
elas que estimulam a abertura da pelve e o relaxamento do assoalho pélvico.

Quando estiver mais no final da gestação, em que o grande momento estará


cada vez mais próximo, podemos realizar a posição de cócoras para estimular,
assim, uma abertura da pelve – o que incentivaria o parto normal e ajudaria a
gestante na hora “h”.

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Concluindo

Não existem contraindicações para continuar com os exercícios do Pilates para


gestantes até o final da gestação. Batemos sempre nessa tecla, e é a chave para
trabalhar o método com este grupo de cliente: a gama de exercícios propostos vai
depender bastante de gestante para gestante.

Levando sempre em conta os princípios básicos do método Pilates, as alterações


fisiológicas da mulher a cada período de sua gestação e as especifidades de cada
cliente individualmente, produzir uma sequência de exercícios modificados para
atender a este grupo especial pode ser uma tarefa tranquila e enriquecedora –
tanto para a aluna quanto para o instrutor.

Avaliar alguns pontos em sua aluna pode ajudar a modificar o treinamento de


Pilates para gestante conforme as fases da gravidez vão passando. Fatores como
o quanto ela ganhou de peso mês a mês, se conseguiu praticar os exercícios
regularmente em cada trimestre e se ainda continua disposta para a prática
especialmente agora, na reta final, ou até mesmo se houve alguma intercorrência
nesses últimos momentos. Mas não se esqueça: precisamos sempre da liberação
médica a cada nova consulta pré-natal, ok?

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CAPÍTULO 12 -
PRINCIPAIS EXERCÍCIOS
PARA AS FASES DA GESTAÇÃO
(+7 DEMOSTRAÇÕES INCRIVEIS)

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Como já comentei em outras matérias, mas vou lembrar aqui novamente, a


gestação é um momento de intensas alterações fisiológicas, biomecânicas e
emocionais. Desde o primeiro momento em que o teste é positivo, já existe um
turbilhão de hormônios atuando no corpo dessa mulher.

São hormônios responsáveis por proteger a gestação, nutrir o bebê, e preparar o


corpo para o parto, porém eles acabam gerando algumas consequências, que podem
atrapalhar bastante a futura mamãe a levar uma gestação saudável e tranquila.

Sendo assim fizemos esse artigo para que você instrutor possa ajudar suas alunas
gestantes a passar por esse período da melhor forma possível, apresentando os
principais exercícios de Pilates para gestante que são indispensáveis na prática do
método nessa fase. Continue lendo para saber quais são!

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Primeiro trimestre da gestação

No primeiro trimestre elas sentem na maioria das vezes muitas náuseas e


indisposição para fazer qualquer atividade diferente, por isso, na maioria das
vezes, acabam, mesmo que tenham a liberação médica, não sentindo vontade de
fazer nada, mesmo o método, que é uma modalidade com exercícios de Pilates
para gestante, mais cautelosa.

Nesta fase inicial da gravidez, elas sentem muito medo de que algo aconteça com
o bebê, esse é um momento aonde existe o maior risco de aborto espontâneo, e,
além disso, o momento de formação de todos os sistemas do bebê.

Por isso, mesmo que neste trimestre elas ainda não apresentem tanto as
características da gestação, devemos continuar passando segurança para as
mesmas, e também trabalhar com bastante cautela também. Qualquer coisa
que aconteça com o bebê, pode fazer com que ela se sinta culpada de iniciar os
exercícios de Pilates nesta fase.

Normalmente quando esta gestante tem a autorização do médico obstetra para


continuar praticando o Pilates, ela não era sedentária, ficando assim mais fácil com
que ela acredite na segurança do método e dos exercícios aplicados.

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Exercícios de Pilates para gestante


no primeiro trimestre
Neste primeiro trimestre, eu dou uma ênfase bem grande no trabalho de
fortalecimento da musculatura estabilizadora de tronco e da pelve. Podemos
continuar com os exercícios de flexão de tronco ou rolamentos para fortalecimento
de abdômen, mas devemos cuidar muito bem para que esses movimentos sejam
feitos com a ativação correta do power house, pois eles aumentam a pressão intra-
abdominal e acabam empurrando o assoalho pélvico para baixo.

Por esse motivo que eu sempre falo para ter os cuidados com as flexões de
tronco, mesmo que o abdômen ainda não esteja protuso, pois a gestação é um
fator de risco para incontinência urinário devido ao efeito da relaxina e o peso
do bebê sobre o assoalho pélvico. Se essa musculatura não for trabalhada, pode
perder a sua função de continência urinária e fecal, e o cuidado em não aumentar
essa pressão intra-abdominal de forma aleatória pode diminuir esse risco também.
Logo o que eu considero como essencial para ser trabalhado nesta fase da gestação
é um rolamento com auxílio das molas do cadillac, ou das alças no reformer, ou de
uma faixa elástica no solo.

Mas não deixando de cuidar para que ela mantenha a ativação correta do power
house, partindo da contração do assoalho pélvico, como a imagem a seguir:

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Segundo trimestre da gestação

O segundo trimestre é muito conhecido como o trimestre da disposição, e aonde


a maioria das mulheres tem a liberação do médico para a prática do Pilates para
gestante. E por esse motivo devemos ter muito cuidado para não exagerarmos na
intensidade dos exercícios de Pilates.

Um problema que enfrento constantemente é com a ansiedade em querer


parecer “grávida” o quanto antes, ou seja, quando ensinamos a ativação do power
house, a barriga tende a murchar, então no dia a dia, elas não querem fazer a
ativação para relaxar o abdômen e a barriguinha aparecer.

Mas eu insisto sobre a importância de manter essa musculatura forte para


proteger a coluna, e diminuir o risco de diástase e dores na sacro ilíaca e lombar.

E eu sempre brinco que elas devem ter paciência, que em um certo momento,
a barriga vai crescer, e que terão muitas semanas de um certo incômodo que essa
barriga pesada vai gerar.

Eu uso uma frase, que é para elas esconderem que estão grávidas, ou seja,
manter a ativação do power house o máximo que puder, assim vai ajudar bastante

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durante as atividades de vida diária e nos exercícios durante as aulas também.

Manter o alinhamento postural no dia a dia é uma orientação de extrema


importância, pois com o aumento do abdômen elas terão uma tendência bem
grande a perder os alinhamentos, que podem gerar dores e desconfortos.

Exercícios de Pilates para a gestante


no segundo trimestre

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Os exercícios que fazem a extensão de ombro, de pé ou ajoelhada, tanto no


Reformer, como na bola ou no Cadillac, não excelentes para que elas sintam
essa ativação do transverso abdominal e assim consigam perceber a barriga
“murchando” como nas imagens anteriores.

Eu gosto bastante de trabalhar a estabilidade pélvica nessa fase, com exercícios


de pé na chair, por exemplo, (desde que não esteja em crise de dor sacro ilíaca,
imagem a seguir, ou em decúbito lateral no solo, próxima imagem.

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É muito importante trabalharmos estes exercícios, porém no segundo trimestre,


teremos o pico de liberação de relaxina, que terá uma maior concentração na pelve,
com o objetivo de abrir e relaxar para um possível parto normal. E esse relaxamento,
causa instabilidade, gerando desalinhamentos e dores em muitos casos.

Portanto, eu dou uma ênfase para essa estabilização nesta fase. Lembrando
apenas que estou citando esses exercícios para esse trimestre, mas isso não
significa que não podemos utiliza – los no primeiro ou terceiro trimestre.

A partir de 22/24 semanas devemos diminuir o tempo do decúbito dorsal, e


já começamos a utilizar a cunha de posicionamento, que vai elevar o tronco e
diminuir a compressão sobre a veia cava, responsável pela nutrição e oxigenação
do bebê. Dessa forma conseguimos continuar utilizando o decúbito dorsal de uma
maneira segura, como a seguir:

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Lembrando que podemos utilizar o exercício de Pilates, ponte, até o final da


gestação, porém é muito importante que não se utilize a cunha de posicionamento
para este movimento. A orientação para evitar a compressão da veia cava é fazer
apenas este exercício e já mudar o posicionamento, como abaixo:

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Exercícios de Pilates para gestante


no terceiro trimestre

O terceiro trimestre é a fase final desse momento de intensas transformações,


e está encaminhando para um acontecimento, muitas vezes desconhecido. É
importante que nós como profissionais tenhamos as informações necessárias
sobre os tipos de parto para tranquilizá-las e não para impor a nossa opinião.

Mesmo que não vamos atuar diretamente no dia do parto desta aluna, é extremamente
útil as nossas orientações sobre este dia, principalmente no caso do parto normal.
Devemos continuar trabalhando com os mesmos objetivos de fortalecimento global
desde o início da gestação, mas também devemos dar uma ênfase, principalmente nas
últimas semanas ao alongamento da musculatura envolvida na pelve, com a intenção
de relaxar o assoalho pélvico e ganhar mobilidade da pelve.

Uma musculatura que está diretamente envolvida neste assoalho é o piriforme,


portanto um dos exercícios que eu acho essencial nesta fase é o alongamento
desta musculatura, que gosto bastante de fazer, sentada na Chair ou no Reformer.
Veja na imagem a segur.

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Eu quero deixar bem claro que quando falo ênfase em algo, não significa que
devemos esquecer os outros objetivos, que também são de extrema importância.
Devemos sempre pensar em algum exercício e antes de orientar a execução do
mesmo, saber o seu principal objetivo e se realmente esta gestante precisa dele
nesta fase.

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Concluindo

Todas essas dicas são para você instrutor cuidar dessas futuras mamães da melhor
forma possível, ajudando elas a praticarem atividade física, com acompanhamento
e todos os cuidados necessários que essas alunas precisam nessa fase.

E não se esqueçam da regra: menos variedades, mais alinhamentos e princípios.


Com certeza não terão erros seguindo essa lógica. Ou seja, o que importa é o
simples muito bem executado!

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CAPÍTULO 13 -
PILATES PARA GESTANTES:
O fORTALECIMENTO DO
ASSOALHO PéLvICO
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Durante a gravidez ocorrem diversas mudanças no corpo, que podem gerar


dores e desconforto. O Pilates para gestantes poderá trazer diversos benefícios
com sua prática, se tornando um grande aliado nessa fase.

Dentre todos os benefícios possíveis que o Pilates pode auxiliar no


desenvolvimento durante a gravidez, nesse texto vamos abordar como o método
pode auxiliar o fortalecimento do assoalho pélvico, área do corpo feminino muito
importante na gravidez, continue lendo para saber porque.

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O que é o assoalho pélvico?

O assoalho pélvico é composto mais superficialmente pelos músculos


Bulbocavernoso, Isquiocavernoso, Transverso Superficial e Profundo e esfíncter
anal externo, e na camada mais profunda pelos músculos Levantadores do ânus
(Pubococcígeo, Puborretal, Pubovaginal, Iliococcígeo) e o Músculo coccígeo.

Esses músculos apresentam funções importantes, eles mantêm a continência da


urina e fecal e também se relaxam para permitir o esvaziamento intestinal e vesical.

São responsáveis pela sustentação dos órgãos pélvicos, evitando que eles
possam se deslocar do posicionamento normal, e também participam ativamente
da resposta sexual feminina normal, os quais são extremamente distendidos
para permitir o parto. Porém, logo após o parto, eles também devem se contrair
novamente para manter as suas funções anteriores.

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Benefícios do Pilates para gestantes

O Pilates é um método de exercícios que visam trabalhar corpo e mente


integrados, tanto os fortalecimentos como alongamentos da musculatura global,
dando ênfase em diminuir os desequilíbrios musculares, e manter uma boa
estabilidade postural.

A literatura ainda é muito escassa quando relacionamos o fortalecimento de


assoalho pélvico com a prática do Método Pilates.

Um dos princípios do método é a ativação da musculatura profunda denominada


Power house, core ou centro, formando um cinturão que vem desde a base das
costelas até a região inferior da pelve. Que devem se manter em contração durante
os movimentos dos exercícios propostos.

Portanto os músculos do assoalho pélvico fazem parte deste cinturão, e é por


esse motivo que acreditamos que a ativação desse centro de força, seja o suficiente
para o fortalecimento dos mesmos.

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A ativação correta da musculatura

O grande problema é que nas aulas de Pilates tradicionais, nem sempre há


uma orientação e acompanhamentos para saber se a aluna está ativando essa
musculatura corretamente. E também tem a questão de que solicitamos para
contrair o assoalho pélvico, juntamente com o transverso abdominal, multífidos
e retos abdominais. O que resulta às vezes em uma contração incorreta ou uma
sobreposição de forças dos músculos abdominais.

Algumas alunas inclusive ativam muito mais a musculatura acessória, que são os
adutores, os glúteos e os abdominais, negligenciando a musculatura de assoalho
pélvico que normalmente está mais fraca. Isso não significa que os exercícios do
método Pilates não são eficazes para o fortalecimento da musculatura de assoalho
pélvico, mas sim que os instrutores devem ensinar a essas alunas a forma correta de
contração e também isolada, antes da ativação em conjunto com os outros músculos.

Devemos incentiva-las a realizar os exercícios de contração isolada, no seu dia


a dia, e não menos importante, ensiná-las a relaxar também, que será de extrema
necessidade durante o parto normal.

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Além disso é importante também para evitar hipertonias, que podem desencadear
outras tantas disfunções. Podem variar desde dor pélvica, até mesmo, alterações
na articulação sacro ilíaca.

Existe a musculatura que auxilia na sustentação e estabilização pélvica, e que


exercem influência sobre o assoalho pélvico. São eles os glúteos máximo, médio e
mínimo, piriforme, obturador interno, ilio psoas, transverso, adutores, entre outras.

Portanto, além de orienta–las a realizar as contrações isoladas no seu dia a dia,


devemos incluir os fortalecimentos e alongamentos dessa musculatura global, de
acordo com a necessidade individual de cada aluna.

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A importância do Pilates
no fortalecimento

Durante a gestação existe a influência de hormônios sobre essa musculatura, o


que irá dificultar ainda mais o controle e coordenação, além do peso do bebê que
vai aumentando ao longo das semanas, e sobrecarregando ainda mais o assoalho
pélvico, gerando mais fraqueza, por esse motivo devemos ser muito cautelosos no
ensino da contração correta da musculatura do assoalho pélvico para essas alunas.

O ideal mesmo, mas que hoje em dia ainda é difícil, é que essas mulheres antes
mesmo de decidirem engravidar, fizessem o treinamento dessa musculatura, além
de preparar o corpo como um todo mesmo.

Na realidade atual muitas mulheres quando ficam grávidas, nem sequer são
orientadas sobre a importância dessa musculatura, e a influência sobre a gravidez
e o parto. E assim essas mulheres seguem idealizando um parto, como visualiza nos
filmes e novelas, e sem preparo fica um pouco mais difícil e acabando evoluindo
para um final que não era muito esperado por essa mulher.

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Segundo alguns estudiosos todas as mulheres nasceram para “parir” por via
vaginal. Porém na prática não é o que estamos habituados a encontrar, a maioria
por falta de informação, acreditam que não tem nada que consigam fazer para
auxiliar ou até mesmo “facilitar” um parto normal.

A prática do método Pilates vai primeiramente manter um corpo forte e saudável


em primeiro lugar, o que é um requisito importante para uma gestação e um parto
mais tranquilo. E como falamos desde o início desta matéria, teremos a ativação
da musculatura de assoalho pélvico.

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Concluindo

Sendo assim eu acredito, e minha prática clínica confirma, as alunas gestantes


que praticam o Pilates com regularidade, geralmente passam muito bem pelo
período da gestação, têm um parto tranquilo e uma recuperação mais rápida após
o nascimento do bebê.

Ainda faltam as pesquisas com maior grau de confiabilidade para comprovar


realmente estes resultados, porém, em minha opinião, enquanto isso não acontece,
vou continuar incentivando os instrutores de Pilates que atuam com esse público.

Quanto mais profissionais tiverem esse pensamento e conduta diferenciada,


maior será o número de mulheres que terão esses benefícios. É claro que precisamos
ter o discernimento de saber até aonde o Pilates pode atuar, na prevenção de
disfunções do assoalho pélvico, pode ser uma excelente forma. Mas se a aluna já
chegar para as aulas apresentando queixas é prudente encaminharmos para o
serviço de fisioterapia uroginecológica. Mas isso não vai impedi – la de continuar
com as aulas, como os devidos cuidados.

E você, como trabalha o Pilates para gestantes? Como auxilia suas alunas no
fortalecimento do assoalho pélvico?

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CAPÍTULO 14 -
A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO
POSTURAL EM GESTANTES
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Uma dúvida muito comum entre os instrutores de Pilates é quanto se deve ou


não fazer avaliação com as alunas gestantes. E a minha resposta é sempre: Sim,
devemos fazer a avaliação postural em gestantes.

Quando já conhecemos os desequilíbrios musculares, anteriores à gestação,


sempre fica mais fácil do que quando recebemos a mesma após o segundo
trimestre que já terá muito a influência da gestação.

Algumas alunas apresentam alguns desvios posturais ou até mesmo


desequilíbrios musculares que são intensificados com a chegada da gestação. E
outras não apresentavam nada muito significativo e se iniciam algumas alterações
comuns durante a gestação e que podem trazer dores e desconfortos.

Sendo assim, nesse texto vou explicar a necessidade de se fazer a avaliação


postural da gestante antes de começar a aplicar as aulas para elas. Confira!

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Por que fazer a avaliação


postural em gestantes

A importância da avaliação postural nas gestantes se dá pela personalização da


aula dessa aluna. Ou seja, mesmo sabendo que muitas farão exercícios parecidos
ou até mesmo iguais, precisamos saber identificar quando aquele movimento pode
ser prejudicial e se realmente outro trará um benefício significativo para a gestante.

Nós sabemos que algumas alterações, que falaremos a seguir, são COMUNS
durante a gestação. Porém isso não significa que seja uma regra, e que todas
sofrerão dos mesmos desequilíbrios e as consequências disso, pois depende de
muitos fatores. Um dos principais é quanto à condição física anterior à gestação.

Consideramos que essa nova linguagem corporal da gestante é apenas a


demonstração das adaptações ao processo gestacional que acontecerá de forma
fisiológica. Se forem bem conduzidas durante as aulas de Pilates, essa aluna vai
passar com uma tranquilidade maior por esse momento.

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É importante também darmos atenção aos sintomas relatados por essa aluna.
Já que nem sempre uma alteração postural evidenciada para o instrutor, pode
trazer consequências importantes para a aluna. Como já disse anteriormente
esses achados irão nos direcionar para a escolha dos exercícios mais adequados
para prevenir ou até mesmo aliviar os desconfortos. E de maneira alguma vamos
tratar nossas gestantes com protocolos prontos e inespecíficos.

A AvALIAÇÃO POSTURAL
EM CADA TRIMESTRE

Outra forma de facilitar o entendimento dessas alterações comuns durante a


gestação é pensar em características específicas de cada trimestre.

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Características no
Primeiro Trimestre

No primeiro trimestre, normalmente, não ocorrem alterações muito intensas.


Existem mais adaptações emocionais a essa nova notícia.

Como por exemplo o crescimento das mamas, os famosos enjoos, o sono


excessivo, a aceitação ou rejeição da gravidez, essas entre outras mudanças tornam
esse primeiro trimestre muito instável.

Na verdade, alterações posturais não deveriam ocorrer, mas no caso da ansiedade


de querer logo parecer “grávida”. As alunas geralmente têm uma tendência de
relaxar o abdômen e aumentar a curvatura da lombar.

Um hábito comum que pode levar a muitas dores e desconfortos, por isso
sempre devemos orientá – las a não criarem essa postura errônea. Antes mesmo
do abdômen distender de verdade, que é a partir do momento em que o bebê
começa a crescer.

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A importância da avaliação postural


no primeiro trimestre
A avaliação postural no primeiro trimestre vai nos auxiliar a melhorar os desvios
posturais que vieram antes mesmo da gestação. E também para termos um
parâmetro no pós-parto, que é quando essa aluna deverá voltar pelo menos com
esse mesmo padrão ou quem sabe até em melhores condições.

Devemos avaliar também quanto à flexibilidade e a mobilidade da pelve e da


coluna. Pois durante a elaboração das aulas precisamos melhorar esses fatores,
que serão importantes para manter os alinhamentos posturais e também facilitar
o parto normal.

Com essas informações colhidas durante o primeiro trimestre será possível


orientá – la quanto às modalidades indicadas.

E também nas atividades de vida diária, ou seja, já corrigir os vícios posturais,


antes que comecem os desvios comuns causados pela gestação.

Ainda no primeiro trimestre, podemos observar um aumento da cifose torácica e


uma protusão dos ombros. Devido ao aumento das mamas e também por estarem
mais sensíveis, acabam utilizando essa compensação como forma de proteção.

Devemos dar atenção também à posição do sacro. Pois se ele estiver arredondado
ou arqueado pode diminuir a mobilidade da articulação lombossacra, sacroilíaca
e da pelve. Além de tensionar a musculatura do assoalho pélvico.

Se ela apresentar frouxidão ligamentar, devemos ter ainda mais cuidados com
os alongamentos excessivos e com os apoios sobre os punhos.

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Características e avaliação
no segundo trimestre

No segundo trimestre já começam muitas mudanças na organização postural


da gestante. Agora sim o bebê está crescendo e ganhando peso.

Essas mudanças levam ao aumento da protusão de ombros, a tendência (o que


não é uma regra) a deslocar o centro de gravidade para frente. O que leva a uma
compensação comum que é a hiperlordose lombar.

Esse é um dos motivos que devemos ter ainda mais atenção ao realizar
alongamentos da cadeia anterior, exercícios em pé, entre outros que possam
intensificar ainda mais essa alteração.

Durante a execução dos movimentos principalmente de MMII, devemos orientar


para que a pelve e a lombar não se mova. Ou seja, Power House ativado para
manter uma boa estabilidade de tronco, o que levará a um bom alinhamento e
consequentemente mais conforto para a mãe e o bebê.

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fATORES IMPORTANTES

Outro fator importante que devemos avaliar nessas alunas, são as condições de
trabalho. De certa forma será em vão, todo o nosso empenho durante as aulas se
elas não colaborarem com bons alinhamentos no seu dia – a – dia.

E isso cabe a nós, instrutores de Pilates, orientar qual é o melhor posicionamento


do corpo em seu posto de trabalho.

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Alunas no terceiro trimestre

Em geral receberemos as gestantes para iniciar as aulas, no primeiro ou segundo


trimestre. Porém pode acontecer, como já aconteceu comigo algumas vezes, uma
gestante no terceiro trimestre iniciar as aulas de Pilates.

Nesse caso, devemos ter cuidado redobrado por não termos o histórico postural
anterior a todas as mudanças gestacionais.

Mas é importante avaliarmos a mobilidade da coluna e pelve, flexibilidade,


consciência corporal. Além de todas as alterações previstas para o segundo
trimestre.

É muito comum que uma aluna que inicie o Pilates no terceiro trimestre, tenha
muito mais limitações do que as alunas que já estavam realizando o método antes
das mudanças corporais.

Então devemos dar atenção às dificuldades apresentadas, e trabalharmos


o ganho de mobilidade pélvica e flexibilidade. Para diminuir os desconfortos e
facilitar o parto normal para quem tem esse desejo.

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Concluindo

Em resumos, devemos sempre realizar a avaliação postural em nossas alunas


gestantes. Para adequar os melhores e mais benéficos exercícios, independente
da fase gestacional.

Não existe um protocolo específico para avaliar gestantes, podemos fazer a


avaliação comum. E aumentar observação para esses detalhes que foram citados
no texto.

Em casos de queixas específicas como dor sacro ilíaca, pubalgia, tendinites…


Podemos realizar uma avaliação mais específica da região aonde se encontra a
queixa.

Avaliações bem-feitas resultarão em RESULTADOS satisfatórios!

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CAPÍTULO 15 -
OS CUIDADOS COM ALUNAS
COM SÍNDROME HIPERTENSIVA
NA GESTAÇÃO
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Com a vida corrida e atribulada em que estamos vivendo, têm aumentado cada
vez mais a chance das gestantes apresentarem a síndrome hipertensiva durante a
gestação. Isso porque as mulheres dão prioridade para a vida profissional durante
muito mais tempo e quando decidem ser mãe, ficam na dúvida sobre o que fazer
com a vida profissional naquele período.

Com essa dúvida, elas continuam durante a gestação com a mesma rotina de
trabalho, ou até mesmo mais intensa. Sempre pensando que precisa deixar tudo
pronto, para quando saírem de licença maternidade.

Sendo assim, a síndrome hipertensiva na gestação tem se tornado mais comum


entre as futuras mamães do que imaginamos.

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A Síndrome Hipertensiva
na gestação

A hipertensão arterial é a complicação clínica mais comum que ocorre durante


a gestação. Sendo está a maior causa de morte no país, segundo os dados do
Ministério da Saúde de 2001. A gestante é considerada com hipertensão quando
a pressão arterial sistólica é maior ou igual a 140 mmHg e/ou pressão diastólica
maior ou igual a 90 mmHg em uma mulher previamente normotensa, e que surge
a partir da 20ª semana e sem proteinúria. Esse é um diagnóstico temporário para
as gestantes hipertensas que não satisfazem os critérios para pré-eclâmpsia ou
hipertensão arterial crônica.

Esse diagnóstico será alterado para pré-eclâmpsia, se desenvolver proteinúria;


hipertensão arterial crônica, se persistir a elevação por mais de 12 semanas após
o parto. (Baracho, E., 2012). A hipertensão aguda, que surge após a 20ª semana, é
denominada pré – eclampsia ou eclampsia (A gestante vai apresentar convulsão
ou coma). A tríade dessa doença é a hipertensão, edema e proteinúria.

A eclampsia é definida como presença de convulsões tônico-clônicas generalizadas,


ou coma durante a gravidez ou pós parto em paciente com pré – eclampsia.

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Os benefícios do Pilates
para a Síndrome

Não há literatura científica suficiente que mostre os efeitos da prática de


atividades físicas em gestantes portadoras de hipertensão arterial crônica.

Segundo diretriz do American College of Obstetricians and Gynecologists


de 2002, a hipertensão arterial crônica tem apenas contraindicação relativa à
prática de exercícios. Sendo assim, podemos trabalhar com o Método Pilates
durante a gestação, desde que bem orientado e com as devidas adaptações e
autorização do obstetra.

Os exercícios oferecem um efeito protetor ao surgimento desta patologia, mas o


ideal seria iniciar a prática um ano antes ou pelo menos desde o início da gestação. Eu
desconheço estudos que mostram a eficácia do Método Pilates em alunas gestantes
portadoras da Síndrome Hipertensiva. Porém em minha prática clínica observo
muitos benefícios. Em geral os médicos recomendam a prática com o objetivo
de manter a aptidão física, prevenir dores, desconfortos musculoesqueléticos e
doenças cardiovasculares, reduzir a resistência à insulina, controlar o peso corporal,
diminuir a ansiedade e o estresse e melhorar a qualidade de vida.

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Porém como sabemos, um dos princípios utilizados no Pilates é a respiração,


e esse já é um fator contribuinte para diminuir o estresse e a ansiedade. O que
consequentemente diminui assim os níveis da pressão arterial.

Durante as aulas com gestantes eu sempre enfatizo a qualidade dos princípios


inicialmente. E pensando em uma aluna com hipertensão arterial crônica, devemos
redobrar os cuidados e também como forma de precaução, aferir a pressão arterial
no início e ao final da aula.

Cuidados importantes
durante a aula de Pilates
Como sempre em uma aula de Pilates para gestantes devemos tomar cuidados
com diversos pontos. Afinal precisamos fazer com que o Método beneficie da
melhor maneira nossas alunas e proporcione conforto e bem-estar. Sendo assim
segue abaixo algumas dicas importantes de cuidados a serem tomados com as
alunas com Síndrome Hipertensiva.

A pressão arterial
Se por acaso sua aluna gestante apresentar a Pressão Arterial acima de
140X90mmHg antes de iniciar as aulas, devemos ter alguns cuidados durante
os exercícios. Como por exemplo, não manter os MMII elevados por um tempo
prolongado, pois esta posição aumenta o retorno venoso e também tem a
tendência a elevar a pressão arterial.

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Esse é um cuidado simples, mas que devemos prestar muita atenção. Isso porque
utilizamos muito durante as aulas com as gestantes, pois é um posicionamento
que favorece a diminuição do edema frequentemente observado nessas alunas.

Exercícios não recomendados


Também devemos evitar exercícios que utilizem muitos grupos musculares
ao mesmo tempo. Como por exemplos algumas pranchas, o Going Up na Chair,
agachamentos em isometria, entre outros.

Esses exercícios tem uma grande tendência a deixar a gestante bem cansada e
consequentemente uma chance maior de aumentar a pressão e arterial.

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As aulas com essas alunas poderão fluir normalmente, desde que os exercícios
escolhidos sejam sempre realizados com a respiração correta. Ou seja, inspirando e
expirando lento e profundamente. Existem tempos respiratórios diferentes utilizados
nos estúdios de pilates. Eu tenho uma preferência por utilizar a respiração de quatro
tempos. Essa seria inspirar parada, expirar no movimento, inspira parada e expira
retornando no movimento. Dessa forma a aluna consegue realizar o movimento
mais concentrado e vai influenciar diretamente na manutenção da pressão arterial.

Outro cuidado extremamente importante, relacionado à respiração, é evitar


a apnéia. Isso consequentemente, vai desencadear a manobra de Valsalva. Essa
manobra tem como efeito o aumento da pressão intratorácica. Que vai provocar
redução do retorno venoso e, como resultado, o organismo responde com elevação
da pressão arterial e da frequência cardíaca para manter a adequada perfusão dos
órgãos. (Baracho, E., 2012)

Exercícios que trabalham a ativação da musculatura posterior da perna (tríceps


sural), como por exemplo, os Foot Works no Refomer, são muito benéficos para
reduzir o edema de MMII muito presente nessas alunas.

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Ou então uma variação de fortalecimento e alongamento de tríceps sural na


chair, como o joelho flexionado.

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Concluindo

Enfim não existem muitos segredos para conseguir dar aulas para gestantes
portadoras da síndrome hipertensiva.

Porém devemos ser muito mais cautelosos, principalmente para aferir a pressão
arterial, antes e depois da aula, sempre que possível. Além de também observar
qualquer sinal diferente relacionado à aumento de frequência cardíaca ou
frequência respiratória.

Lembrando sempre, que é imprescindível a liberação médica para iniciar a prática


do Método Pilates. E também para continuar praticando ao longo da gestação.
Se possível mantenha um relacionamento com o obstetra da sua aluna, para que
assim passe mais credibilidade e segurança.

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CAPÍTULO 16 -
PILATES NA PREVENÇÃO E
CONTROLE DO DIABETES
MELITO GESTACIONAL
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O Diabetes Melito (DM) é uma doença de alta relevância. E desperta


continuamente a preocupação das autoridades da saúde pública em decorrência
da sua morbidade e mortalidade. Além dos consequentes elevados custos sociais
e econômicos (1).

Já a Diabetes Melito Gestacional (DMG) é a intolerância aos carboidratos,


diagnosticada pela primeira vez durante a gestação e que pode ou não persistir
após o parto (2). O impacto do Diabetes Melito não será só no quadro clínico, mas
também alterações funcionais em alguns órgãos e sistemas.

O que pode resultar em descontrole metabólico crônico. Ou seja, manter esse


quadro de intolerância mesmo após o nascimento do bebê. Sendo assim, nesse
texto vamos explicar o que é a Diabetes Melito Gestacional. E apresentar como o
Método irá ajudar na prevenção em gestantes que praticam.

O Diabetes Melito Gestacional

A incidência de DMG está aumentando em paralelo com o aumento do DM2.


Tem acometido cerca de 3 a 8 % das gestantes, levando a importantes repercussões
tanto para a mãe como para o bebê.

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O quanto antes for dado o diagnóstico e iniciado o tratamento, menores serão


os riscos de morbidade e mortalidade tanto materna como para o bebê. Apesar de
o nome induzir que a diabetes é seja causada pela gravidez, não podemos dizer
que está totalmente correto.

Pois esse conceito apenas está se referindo à temporalidade do diagnóstico.


Incluindo tanto os casos de distúrbio do metabolismo glicídicos não diagnosticados
previamente à gestação como também aqueles deflagrados pela gravidez.

Entre eles estão os:

-Antecedentes pessoais: hipertensão arterial, obesidade, infecções urinárias de


repetição, candidíase resistente a tratamentos usuais;

-Antecedentes familiares: história familiar de diabetes;

-Antecedentes obstétricos: diabetes em gestação anterior, multiparidade,


abortamento habitual, polidrâmio, neonato grande para a idade gestacional (peso
maior 4kg), óbito fetal nas últimas semanas de gestação, malformação fetal ou
síndrome do desconforto respiratório neonatal;

-Gravidez atual: macrossomia fetal, polidrâmio, espessamento placentário ao


exame ultrassonográfico.

Com certeza será indiscutível que a atuação de profissionais da área de saúde


que atuem com atividade física, pode agregar à melhora da qualidade de vida
dessas futuras mamães.

As atividades irão atuar com a elaboração e supervisão de programas de


exercícios específicos com o objetivo de melhorar os índices glicêmicos.

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O que acontece no
corpo da gestante?

Como já sabemos durante a gestação ocorre um turbilhão de alterações


endócrino-metabólicas que tem como objetivo suprir as necessidades maternas
e fetais. E essas demandas exigem adaptações no organismo da gestante, pois se
isso não acontecer podem trazer prejuízos para a mãe e o bebê.

Entre essas adaptações estão aquelas que exigem maior desempenho do


pâncreas endócrino em comparação com o período anterior à gravidez, o que
pode causar essa intolerância à glicose.

Sabemos que o Diabetes Melito Gestacional aumenta muito o risco de


complicações clínicas e obstétricas. E outro fator importante também é que a
mulher que foi portadora de DMG deve continuar monitorando essa intolerância
nos próximos anos após a gestação, visando à prevenção do surgimento da
Diabetes Melito tipo 2 (DM2).

Segundo a Organização Mundial de Saúde, é considerado Diabetes Melito


Gestacional quando os valores de glicemia em jejum forem maiores que 126 mg/

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dl, ou teste de tolerância de glicose com 75 g de glicose maior que 140 mg/dl na
segunda hora. Já os critérios do Ministério da Saúde do Brasil consideram a DMG
os valores de glicemia em jejum maiores que 110 mg/dl e o teste de tolerância de
glicose igual à OMS.

Como tratar e prevenir?


O ideal seria se essas mulheres pudessem avaliar a glicemia antes da gestação,
assim já corrigiria antes mesmo de engravidarem.

Assim como eu sempre falo que é a melhor opção a preparação para a gestação,
ou seja, os exames de rotina também são de extrema importância para se alcançar
uma gestação saudável e sem complicações.

As formas de tratamento da Diabetes Melito Gestacional devem ser de maneira


multiprofissional. Ou seja, obstetra, endocrinologista, nutricionista, psicólogo
e fisioterapeuta ou educador físico, para que possam junto adotar as medidas
necessárias para o controle glicêmico.

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E COMO O MéTODO PILATES


PODE AJUDAR?

Então vamos agora conversar sobre a nossa atuação como instrutores de


Pilates. Como já citei anteriormente em outras matérias, o método Pilates envolve
exercícios lentos e controlados, associado à respiração e ativação de musculatura
estabilizadora.

Diversas pesquisas relacionam os efeitos benéficos que os exercícios físicos têm


sobre o controle da glicemia. Em virtude de uma melhor utilização da insulina na
captação de glicose pelos tecidos.

Alguns estudos relacionaram o tipo e a intensidade de algumas atividades, e


chegam à conclusão que uma atividade supervisionada por um profissional
qualificado, parece ser mais eficaz na melhora dos níveis glicêmicos.

E o Pilates se encaixa perfeitamente, pois conseguimos escolher exercícios com


a intensidade adequada, conforme a necessidade de cada gestante, deixando as
mais seguras e confiantes. Além também da correção dos alinhamentos, durante
a execução e a interrupção de algum movimento quando necessário.

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Pensando assim, devemos orientar a essas gestantes a praticar Pilates de duas


a três vezes por semana. E essa aluna deve também associar uma caminhada ou
hidroginástica, além da dieta orientada por uma nutricionista.

Outro fator que nos leva a acreditarmos que o Pilates é um método seguro e
com excelentes resultados para as gestantes portadoras de Diabetes Melito
Gestacional, é o fato que os exercícios quando bem aplicados por um profissional
qualificado, dificilmente terá uma intensidade muito alta, a ponto de aumentar a
FC acima do recomendado.

Faltam estudos específicos para comprovar os reais benefícios do método


com esse público em especial, mas como já sabemos os efeitos fisiológicos dos
exercícios, sabemos o quanto vai contribuir.

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Concluindo

Portanto as aulas de Pilates com uma aluna portadora de Diabetes Melito


Gestacional deve ter o cuidado redobrado com as isometrias, ou exercícios muito
intensos. É claro que como sempre devemos levar em consideração a condição
física anterior dessa gestante.

Mas não me canso de ressaltar que devemos dar prioridade à escolha de


exercícios simples, e bem executado, com uma atenção especial aos alinhamentos
posturais. Além de manter a frequência nas aulas, sem faltar, que é extremamente
importante nesses casos.

Tenho certeza de que bons profissionais que buscam informações sobre as


patologias de suas alunas, e se dedicam a individualizar a escolha do exercício
ideal. Terão muito sucesso e levarão cada vez mais os benefícios do Método para
um número maior de pessoas.

O grande segredo de uma aula de Pilates de qualidade é pensar antes de escolher


um exercício para uma determinada aluna!

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CAPÍTULO 17 -
PILATES PÓS-PARTO:
A MUSCULATURA E
O PUERPÉRIO
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O Pilates no período conhecido como puerpério (período que ocorre desde o


parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições
anteriores à gestação) é muito importante porque como já conversamos
anteriormente, durante a gestação ocorrem muitas e intensas alterações no
corpo da mulher. Entre elas estão àquela avalanche de hormônios, a relaxina, a
progesterona e o estrogênio, que deixam os ligamentos mais frouxos.

O aumento do peso corporal e as adaptações posturais que ocorrem, não se


corrigem espontaneamente assim que o bebê nasce, por isso devemos iniciar
o trabalho postural o quanto antes. O ganho de peso durante o puerpério,
principalmente após as 24 semanas, tensiona a coluna e as articulações sacroilíacas,
que estão sem estabilidade neste momento. Por isso a importância de no Pilates
pós-parto trabalharmos o fortalecimento dessa musculatura estabilizadora, a fim
de minimizarmos esses desconfortos.

O útero durante a gestação está em constante crescimento, e apesar de não


pertencer ao sistema do músculo esquelético, o qual estamos habituados a
trabalhar, é a principal causa de todas as alterações que ocorrem no corpo desta
gestante. Este é o assunto que vamos abordar nesta matéria: o estiramento da
musculatura abdominal, ocasionando a separação dos feixes dos músculos retos
abdominais ao longo da linha Alba (Diástase dos músculos retos abdominais –
DMRA) durante o puerpério.

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Musculatura do abdômen

Alterações na postura desta nova mamãe, como a anteversão pélvica,


acompanhada ou não de hiperlordose lombar, ocasionam mudanças do ângulo
de inserção desta musculatura abdominal e pélvica e influenciam diretamente
na biomecânica postural, o que vai gerar um déficit na sustentação dos órgãos.
Sendo assim teremos um prejuízo no vetor de forças, aonde essa musculatura da
parede anterior do abdômen irá diminuir a capacidade de contrair.

Por esse motivo devemos trabalhar durante toda a gestação a ativação da


musculatura profunda do abdômen, que vai minimizar esses efeitos provocados
por esse estiramento, e não devemos insistir na contração da musculatura dos
retos abdominais, que perde uma de suas principais funções.

Normalmente esta condição ocorre inicialmente no segundo trimestre da


gestação, com uma maior incidência nos últimos três meses, em decorrência
do aumento do volume abdominal. De um modo geral, na literatura, considera-
se como uma diástase fisiológica, ou seja, uma separação que é necessária que
aconteça para acomodar o bebê, uma separação de mais ou menos três cm, que
seria aproximadamente, dois dedos.

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Normalmente, a gestante apresentando essa separação dita como fisiológica,


terá um retorno espontâneo, às condições que apresentava antes da gestação.

Esta DMRA não provoca dor, entretanto nossa principal preocupação com o
período do puerpério na mulher que vem para os nossos cuidados, é a falta de
estabilidade que isso ocasionou no corpo dela, o que consequentemente, pode
gerar dores lombares. Estudos mostram que a incidência maior é em mulheres
com baixo tônus da musculatura abdominal, outros fatores que predispõem são:
obesidade, gestações múltiplas, multiparidade, polihidrâmio (excesso de líquido
amniótico), macrossomia fetal.

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Pilates para gestantes: o pós-parto

Em minha prática clínica, tenho visto uma prevalência maior em mulheres que
apresentam hiperfrouxidão ligamentar ou que tem a estrutura corporal menor
(muito magras), e a maioria delas que me procuram, não tiveram a orientação
médica, simplesmente começaram a perceber dificuldades em alguns movimentos
em que a musculatura abdominal era exigida e também o não entendimento do
porque a barriguinha continua mesmo no período pós-parto depois de tanto
tempo que nasceu o bebê.

O puerpério tem duração média de 6 a 8 semanas, nas quais as modificações


ocorridas no corpo da mulher durante a gestação irão retornando, pouco a pouco,
ao estado anterior à gravidez. Esse período pode ser dividido em três estágios:
pós-parto imediato (1º ao 10° dia após a parturição), pós-parto tardio (11° ao 45°)
dia e pós-parto remoto (além dos 45 dias).

A nossa atuação como instrutores de Pilates, na maioria dos casos se inicia no


pós-parto remoto, e na maioria das vezes depois de dois, três meses ou até um ano
após o nascimento do bebê. Alguns instrutores, já nem consideram um pós-parto,

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quando passa de um ano após o parto, porém se essa mulher não teve nenhum
treinamento específico após o parto, precisamos continuar tendo cuidados,
principalmente com a musculatura abdominal.

Independente do momento em que ela chegar ao nosso estúdio, devemos realizar


o teste para avaliar se há a DMRA e, se tiver, mensurar o tamanho para posteriormente
reavaliar e continuar ou não com a conduta adotada durante as aulas.

Como avaliar a
musculatura abdominal

Vou descrever agora a maneira para avaliar a musculatura abdominal dessa


puérpera. Na posição supina com quadris e joelhos fletidos a 90º, pés apoiados e
braços estendidos ao longo do corpo. Nessa posição, solicitar a flexão anterior do
tronco até que o ângulo superior da escápula estivesse fora do apoio. E assim vamos
percorrendo ao longo da linha Alba colocando os dedos perpendicularmente
entre as bordas mediais dos músculos reto abdominais.

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Caso essa aluna não apresente uma DMRA podemos trabalhar as flexões de
tronco, de acordo com a condição física de cada aluna. Caso contrário, devemos
evitar as flexões de tronco (abdominais tradicionais e rolamentos para trás) e
devemos treinar muito a ativação da musculatura abdominal profunda (Power
House), partindo de assoalho pélvico, transverso abdominal, oblíquos internos e
retos abdominais. Associado com a respiração, temos que pensar prioritariamente
em reativar essa musculatura estabilizadora que se encontra bem fraca. Também
devemos orientá – la para que faça isso em casa pelo menos 10 minutos por dia, assim
como orientar para que vire de lado toda vez que se levantar, evitando a sobrecarga.
A partir da evolução desse controle e coordenação muscular, podemos adicionar
inicialmente movimentos mais simples e que não exijam tanto de musculaturas
mais globais.

Utilizaremos primeiro exercícios com cadeia cinética fechada, depois semi aberta,
e as abertas ficarão mais para um momento em que ela já esteja bem melhor
condicionada. O tempo de evolução vai depender da condição física de cada uma,
da extensão da DMRA e também da disciplina no dia a dia e nas aulas de pilates.

Conclusão
Lembrem–se que aqui nesta matéria estou dando ênfase a uma das alterações
que ocorrem no pós-parto, mas não deixem se considerar as outras mudanças
posturais que ocorrem, realizando uma avaliação postural, funcional, e de tudo
que possa interferir nas AVDs dessa sua aluna. Posteriormente podemos conversar
um pouco mais sobre isso aqui nas matérias do blog.

Dica bônus: você já viu meu curso online sobre Pilates para gestantes? Falei
bastante sobre pós parto por lá! Se quiser dar uma olhada, aqui está o link: http://
pilatesgestantes.com.br/

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CAPÍTULO 18 -
COMO INSERIR O MÉTODO
SUSPENSUS PARA GESTANTES
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As mudanças na gravidez se iniciam desde cedo, os hormônios e as emoções estão


em constante variação, mas não são só eles os responsáveis pela mudança do corpo
da mulher, existem também as alterações nos músculos, articulações e coluna.

É aí que o Suspensus para gestantes entra como suporte para as mulheres,


auxiliando tanto no período gestacional como no pós-parto. O Suspensus é uma
vertente do Pilates e surgiu como aprimoramento dos exercícios já conhecidos, só
que em suspensão e sua função é de extrema recomendação nessa etapa da vida
da mulher, uma vez que não cria impacto as articulações.

Seus benefícios são percebidos diariamente na melhora da respiração, na


conexão da mãe com o bebê, no aprimoramento da concentração na hora do
parto, inclusive amenizando as dores durante o ciclo de gravidez. O período mais
recomendado para a realização do Suspensus para gestantes é a partir do segundo
trimestre, pois ele é conhecido como o trimestre da disposição.

A gestante já não sente mais os enjoos e desconfortos do início e, portanto,


está bem-disposta para a prática de exercícios. E, nesse momento, as aulas de
Suspensus para gestantes são muito bem-vindas, pois auxiliam na postura, no
fortalecimento da musculatura e auxiliam no cotidiano da gestante que consegue
ficar ainda mais independente.

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Primeiro passo: Identificando


o estilo de vida da Gestante

Se essa aluna já estava praticando exercícios desde o primeiro trimestre, com


certeza será ainda mais tranquilo a execução dos movimentos e princípios do
Suspensus para gestantes.

Porém, o mais comum é a gestante chegar para no studio a partir desse trimestre,
sendo completamente sedentária que não praticava nenhuma atividade física
anteriormente.

Nesses casos, os nossos cuidados devem ser ainda maiores, os avanços com os
os exercícios devem ser cuidadosos para que não exceda o nível de atividade dela
antes da gestação.

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Reconhecendo o Suspensus
como a melhor opção

Com o Suspensus para gestantes conseguimos aumentar ainda mais o trabalho


de estabilidade postural, que é de extrema importância para o trabalho de
fortalecimento de abdômen, auxiliando no parto e também na recuperação do
pós-parto.

A instabilidade que os equipamentos proporcionam durante a realização


dos exercícios obrigam que a gestante esteja mais concentrada nos exercícios,
ativando o powerhouse para executá-los de uma forma mais segura.

Em seu studio você também pode combinar suas aulas de Suspensus para
gestantes em conjunto com exercícios de Pilates já utilizados e que oferecem
resultados, se sobressaindo em relação aos seus concorrentes.

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Cuidados Básicos, porém, essenciais


no Suspensus para Gestantes

Devemos tomar alguns cuidados a partir do momento que a barriga começa a


crescer e certas posições começam a se tornar desconfortáveis no Suspensus para
gestantes, por isso procurar exercícios de baixo impacto e orgânicos são os mais
indicados. Não podemos em hipótese alguma permitir que a aluna fique em alguma
posição que ofereça o risco de queda,ou posição invertida, que pode aumentar
demasiadamente a pressão sanguínea, nosso objetivo é também desenvolver
aulas que ofereçam posições seguras e confortáveis para a futura mamãe.

Outro fator importante e que deve ser levado em consideração é o hormônio


Relaxina, que está bastante atuante no corpo da grávida, ele é responsável por
modificar e tornar as articulações da gestante mais maleáveis e, por esse motivo,
é de extrema importância evitar alongamentos excessivos e repetições longas.

Um outro benefício interessante para a gravidez proporcionado pelo Suspesus é


o alongamento de membros superiores, que está bem presente nos exercícios do

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método, sendo musculaturas que normalmente se apresentam encurtadas devido às


mudanças posturais que ocorrem ao longo da gestação. Mas como encantar a grávida
a realizar o Pilates com regularidade, é sobre isso que iremos falar no próximo item.

Como envolver a Gestante


no Suspensus

As aulas do Suspensus para gravidez podem ser bem dinâmicas e divertidas,


o que acabam por distrair essa aluna, que nem sempre está tão disposta e bem-
humorada para a realização dos exercícios.

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O Suspensus permite que possamos trabalhar bastante o fortalecimento e


alongamento dos membros inferiores e membros superiores, além da mobilidade
de coluna, descompressão vertebral, mobilidade da pelve e estabilização da
coluna e cintura escapular.

Devemos também dar bastante ênfase na ativação de assoalho pélvico e também


transverso do abdômen, já que a musculatura do reto abdominal perdeu bastante
função devido ao seu estiramento.

Oriente que a aluna se concentre nos exercícios de suspensus para grávidas,


melhorando seu equilíbrio e concentração, características indispensáveis para
um bom desempenho, e que garantem um bem-estar satisfatório para a grávida,
conquistando cada vez mais sua vontade em querer participar das aulas.

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Concluindo

Com os devidos cuidados, conseguimos aproveitar bastante o repertório de


exercícios, sempre de uma maneira confortável e prazerosa para a futura mamãe.

Nunca se esqueça de conversar com a aluna sobre a liberação médica para a


atividade e só inicie o Suspensus para gestante a partir do momento em que a
aluna possuir uma declaração do ginecologista ou obstetra para confirmar que a
saúde dela e do bebe estão em dia.

Entre em contato com o médico da sua aluna, um trabalho em conjunto é


sempre mais produtivo e traz segurança para a gestante que vê o envolvimento,
preocupação e dedicação do seu professor.

O Suspensus em conjunto com hábitos saudáveis promove uma gestação mais


saudável e descomplicada. Não tenha receio em oferecer o método para gestantes,
com os exercícios corretos o resultado é certeiro.

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