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('rtltrt'ight dasta edição:

l,l5ll'Ii'c lrlIilores Associados,SantoAndré, 2003.

lìrtlosos clireitosreservados

l;thritttlo e:l

E$ETec Editores Associados

GoordEnlçãocdltorial:TeresaCristinaCumeGrassi-Leonardi Alrlttente editorial:JussaraVinceGomes Revleãoortográfica:ErikaHorigoshi

Srrlintnçiìo rleexctttplltrcs:eset@uol.com.br

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r'telt't'.trrtltl.br

Apresentação

E com muita satisfaçãoque apresentamoso primeiro volume do livro

t'Primeiros PassosemAnálise do Comportamento eCogniçãoon.Háalgunsanos a ABPMC, sob direção do Prof. Hélio Guilhardi, çriou esta modalidade de apresentaçãocom o intuito de dar a oportunidade para que conceitosbásicos em Análise do Comportamentoe Cognição fossem (re)vistospor profissionaise alunos.O empreendimentofoi muito bem aceitopela comunidadedeAnalistas do Comportamento.

Muitos alunos de graduaçãoem Psicologia, principalmente, dos primeiros anos, perguntavam a seus professoresse eles iriam conseguir "aproveitar algumacoisado Encontro",wa vez quethesfaltavao domínio em algunsconceitosbásicos.Os "Primeiros Passos"vieram preencherestalacuna e,acreditamos,contribuiu parao aumentona participação de alunosdosprimeiros anosde graduaçãoem Psicologianos EncontrosAnuais da ABPMC.

As apresentaçõeserampublicadasentãonosvolumes do livro ,.Sobre Compoúamento eCogrição" .No XI EnçontrodaABPMC, realizadoemLondrina

em setembrode2002, a atualdiretoriae comissãocientíficado eventodecidiram

reunir asapresentaçõesdessamodalidadeemum liwo -

dovolume 6'Sobre Comportamento eCognição". Esperamosqueo liwo sirvade referênciaparaalunosdegraduaçãoqueestejambuscandoum texto introdutório sobretópicos em Análise do Comportamentoe Cognição.Desejamostambém queessapublicaçãosejaútil paraprofessoresem buscadeum materialaçessível aosalunose paraprofissionaisque desejemretomar algunsconceitose tópicos abordados.Esperamosaindaque estapublicaçãosejatão bem sucedidaquanto as outraspublicaçõesda ABPMC.

Aproveitamos a oportunidade para agradecera atuaTdiretoria daABPMC peloincentivo etotal apoionaorganizaçãodesteliwo; agradecemosaosprofissionais que, acreditandonessenovo empreendimento,submeteramseus textos para publicação; e, por fim, mas não menos importante, parabenizamoso Prof. Hélio Guilhardi pelainiçiativa aocriar estamodalidadedeapresentaçãonosEnconfrosda ABPMC e agradecemosseuapoio,traduzido no prefiicio desteprimeiro volume do liwo "Primeiros Passosem Arrálise do Comportamento eCognição".

separadodapublicação

CarlosEduardoCosta

JosianeCecíliaLuzia

HeloísaHelenaNunes Sant'Anna

llr,roisn llr r rn,t Nurt,s S,tNr'AuNa

"lr o a1odc senti:rque confereexistênciaao sentimento".Corroboranctoeste ponto clevista,Sant'Anna(1999)coloça:"Somoscapazesdesentirapenasos scntinrentosdisponíveisem nossocontexto".

Dessafoma, paraanalisaro relatodeBeatriz,temosqueenfocar,nãoo senl.inLrento(substantivo),"depressão",mas as contingênciaspresentesna comunidadeverbal que o construiu. Este procedimentode análiseaplica-sea todosc'ssentimentose emoções.

Concluindo, a interpretaçãodos EstadosSubjetivos deve ser feita de Í'orapara dentro, ou seja, é analisando as contingênciasque a comunidade verbal estabeleceque poderemosexplicar os sentimentos,os pensamentos,a consci€:nciae os demaisestados.

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1Á

Análisefuncional do comportamento

í Rnsunro

DepartamenÍo

Sonia Meyerl

de Psicologia

Clínìca

IP-USP

A análisefuncional é a identificação dasrelaçõesentreos eventosambientaise

asaçõesdo organismo.Paraestabelecerestasrelações,devemosespecihcara ocasião em quea respostaocorre,a própriarespostae asconseqüênciasreforçadoras. Quando asrelaçõessãode dependênciaentreeventos,estassãodenominadas"contingênciasde reforço". O primeiro passoda análisefuncional é a identificação do comportamentode interesse,que deveserenunciadotanto em termosdeaçãoou omìssãode açãocomo em termos de classede ações,ou seja,comportamentosindividuais podem sermembrosde classesfuncionais rnais amplas.Paraidentificar relaçõesentrevariáveis ambientaise o comportamento de interesse,inicia-se com a descrição da situação antecedentee da subseqüente,para em seguidaverificar quais desteseventosde fato exercemcontrole

sobre a respostaanalisada.Comportamentos operantespodem estar sendomantidos por reforçamentopositivo ou negativo. Paraanalisara ocasiãoem quea respostaocorre (seus antecedentes),devemos verificat se existem para essaresposta: 1) estímulos eliciadores;2) estímulosdiscriminativos;3) operaçõesestabelecedoras;4) regrase auto-regras (quesãoestímulosdiscriminativosou operaçõesestabelecedoras);5) eventos encobertosgeralmentenãopodem serconsideradosantecedentes,pof nãoparticiparem da determinaçãoda resposta;6) a história devida não é uma ocasiãoem que a resposta ocorre.Relaçõesentrerespostastambém fazemparteda identifrcaçãoderelaçõesentre

1 Os trabalhos finais apresentàdosà disciplina ministrada pela autora no Programa de Pós-graduaçàoem Psicologia Clínica da USP "Avaliação e terâpia comportamental: fundamentÕsconceituais e teóricos" de Adriana Regina Rubio, Noel JoséDias da Costa e Fabíola Alvates Garciâ-Serpaíoram adaptadospara

este capitulo.

t)

li,rrrrr|\,/lrrrtr

r'\'('rìk):riìrrìl)icnlilisc açõesdoorganismo.A análisefuncionalestáintimamenterelacionada .ìilì1,.'tv(ÌtÌçiì(),c pcrnìanecesendoum desafioo desenvolvimentodeumaanálisecompleta, cs;rt'eiulrncntcquandoelanãoé desenvolüdacomcontrolesexpei:imentais.Nestecaso,

t l:r lrotlc scrdenominadaavaliaçãofuncional. l':rl;rvllrr;-châve:análisefuncional;avaliaçãofuncional:análisedecontinsências.

A

análise do comportamento

está interessada nas relações entre os

cvcnlos ambientais (os estímulos) e as ações do organismo (as respostas). A

itlcntif,rcação destasr:elaçõesé a análise funcional. "Fazer uma análise funcional

c idr:nlificar o valor de sobrevivência de determinado comportamento" (Matos,

le99b.p.l1).

Uma fonnulaçãodainteraçãoentreum organismoe seuambientedeve sempreespecificara ocasiãoem quea respostaocorre,a própriarespostae as conseqüênciasreforçadoras.As inter-relaçõesentre elas sãoas contingências den:forço(SkinneaI 974).

Contingênciasreferem-searelaçõesdedependônciaentreeventos:entre a respostae a conseqüênciareforçadora,no casodo comportamentooperante; cntrea:rtecedente,respostae conseqüente,no operantediscriminado;entreuma conrÍiçãoe um antecedentee a respostae a conseqüência,em uma discriminação condicionai.Operantescomplexosenvolvemmúltiplas contingênciasoperando em difbrentescombinações,simultâneae/ou sucessivamente.

O primeiro passo para a rcalizaçã,ode uma análise funcional é a iderrtificaçãodo comportamento de interesse.Isto requer,do analistado comportamento,a observaçãodo comportamentoe/oua obtençãoderelatosde outraspessoas.

Sturmey (1996) enumerou diversos criterios para seleçãode

cornpoltamentos-alvo,sugeridospor vários autores:

rnais a.versivopara o cliente, pais ou cuidadores;-

compofiamento-alvoaquelequeapresenteperigo fisico aoclientee/oua outros;

selecionarcomportamentos-alvo,semo tratamentodosquaiso clienteteria uln prognósticopobre;- selecionaro comportamentoqueé fácil demudarpara

selecionarcomo

selecionaro problenra

âsseguLrarcooperação do cliente ou do cuidador; *

comportamento-chave,aquele que produz maior mudança entre diversos conrpoltamentos-alvo;- ensinarcomportamentosincompatíveisfuncionalmente rclacicnradosqueaumentema adaptaçãoaoambiente,ou quesejamimportantes para o desenvolvimentode outros comportamentos,ou que sejam relevantes l)irrzr uÍn desempenhobem-sucedido,ou quesejamvalorizadossocialmente, sclocionarcomo comportamento-alvoaqueleque é provávelde semanter; sclcciunarcornportamentospara mudar que sãoconsistentescom asnormas locirrisc/oudedesenvolvimento;- selecionarcomportamento-alvoquepermita urrrrrrrr:llrorhabilidadedediscriminaçãoentredesempenhosbememalsucedidos.

selecionar um

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Pntrral.rnosPessos

O comportamentode interessedeveserenunciadoem termosde ações

doparticipante.Porexemplo,a jovem fazcháparao pai,cozinhaparao namorado, levadecarromembrosdasuafamília aoslugaresqueelespeclem.Deve,também, serenunciadoemtenxosdeclasseou classesdeações.No exemplodado,uma classede açõespoderia ser a de agradaros outros. Além disso,para que uma definição sejacompleta, é aconselhávelidentificar exernplose não-exemplos (Matos, 1999b).No casocitado,um não-exemploeraprocuraremprego.

Comportamentosindividuais sãofreqüentementeconsideradoscomo membros de classesfuncionais mais amplas. Estas são agrupamentosde comportamentosquecompartilhamamesmafunção,mesmoquecomtopografias diferentes. A identificação destesagrupamentosou classesrequer repetidas observaçõesde diversos comportamentose dá-sepela constataçãode regularidadede funções de diferentes formas de comportamentosabertosou encobertos.Sturmey(1996)sugeriuaindaquecomportamentosmúltiplos podem serorganizadosem tennos de encadeamentoou de hierarquiasde respostas.

Tambémpodeserfoco de interessea omissãoou nãoocorrênciadeum dadocornportamento(Matos, 1999b),como,por exemplo,a falta dehabilidades sociais.Analistasdo comportamentopreocupam-seemfoúalecercomportamentos adaptadosque sejam funcionalmenteequivalentesàquelesque estãocausando problemasÊ, paraisso, àsvezesé necessiíriodesenvolvernovos repertóriosde comportamentosquepossamsubstituirosproblemáticos,outrasvezesorepertório já existe,masnãoestásendodevid.amentereforçado(Shrmey, 1996).

O segundopassoparaarealizaçãodeumaanálisefuncional é,deacordo

comMatos(1999b)"identificaredescrevero efeitocomportamental:a freqüência

com que ocorre, duraçãoou intensidade.

O terceiro passoé o da identificaçãode relaçõesordenadasentre

variáveisarnbientaise o compofiamentodeinteresse,assimcomoa identificação

de reiaçõeseÍÌtre o compofiamento de interessee os outros comportamentos existentes(Matos, 1999b).Pararcalizarestatarefa,iniciamoscom adescriçãoda situaçãoantecedentee da situaçãosubseqüenteaocomportamentodeinteresse. Após essadescrição,passamosa identificar quais eventossão condições antecedentese quais sãoconseqüências.

Paraanalisalasconseqüências,asseguintesperguntassugeridaspor

Matos (1999b) podem ser formuiadas:a) é uma condiçãoreforçadoraou uma condição aversiva?b) sua ação se faz por apresentação,remoção ou impedimento?c) o produto é gran.de,provável, imediato?d) existemprodutosa

longo prazo? Quais? e) os produtos são conseqüênciasnaturais ou sociais? Sãoconseqüêrrciasmediadaspor agentessociais? Quem sãoos agentes?

As respostasa estasperguntasajudam-nosa entendercaracterísticas essenciaisdos comportamentosoperantes.As respostasque são controladas

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l.iout,t ÍVt,vtttt

PnrNasrRos P,\ssos

pcloscstínrulosconseqüentessão chamadasde operantes,os operantessão, crÌtiìo,çaracterizados pelarelaçãoRESPOSTA*CONSEQÜÊNCIA (R-C). Os oporantespodemocotïer em baixa fieqüênciaou altafreqüência,a dependerdo cstirnuloconseqüente. Quando seobservao aumentonaÍÌeqüênciaderespostas, diz-sequeasrespostasforam reforçadase,quandoseobservabaixa freqüência de respostas,dizemosqueasrespostasforam punidasou extintas.Dois tipos de conseqüênciassãochamadosde reforços,aquelasem queuma respostaproduz aapresentaçãodeum estímulo(reforçopositivo) e aquelasem queumaresposta produz a remoção(reforço negativo ou fuga) ou o adiamentode um estímulo (refbrço negativo - esquiva). Ambos os tipos de conseqüênciasproduzem o aurncntonafreqüênciadaresposta(Sidman,1995).Assim comonascontingências derefcrrçamento,doistipos decontingênciasdepuniçãopodemserobservados:

o primeirotipo ocorrequandoumarespostaprodtzaapresentação deum estímulo aversivo(puniçãopositiva),e o segundo,quandoumarespostaproduzaremoção de um estímuloreforçadorpositivo (punição negativa)(Sidman, 1995).A freqüênciade respostastambémdiminui quandoum reforçadorusual deixa de ser apresentado,e esseprocessoé chamadode extinção. Ao realizarmos análises funcionais de comportamentos considerados problemáticos,podemosdireçionarnossapesquisasobreos conseqüentespara

asseguintesquestões:háfaltadeconseqüênciasapropriadas?Istoporquealgumas adolescente poO"upr"ria", qrr"

vezespessoasdesenvolvemcomportamentosproblemáticossimplesmenteporque

o ambientenão reforça respostasmais úteis. Há conseqüênciascompetitivas

entresi?Vários comportamentosdesenvolvem-sesobum conjuntodecondições, masmaistardepassÍÌma seÍinfluenciadospor outrascondições,epodeserdificil

identificarquaisdelasestãooperandonum determinadomomento.Conseqüências

a crÌrtoprÍLzomuitas vezescompetemcom as de longo prazo, como no casode

fazer díeta,em que a conseqüênciaa longo prazo mantém o comportamento,mas

o reforço imediato obtido pelo comerçlaramenteinterfere.Há controleconseqüente inadequado,ou seja,existemreforçosquenãodeveriamreforçar,comoéo ca^coda pedofilia?Nestescasos,podesernecessáriodiÍicultaro acessoaestesreforçadores (Follette,Naugle& Linnerooth,2000).

Paraanalisaraocasiãoem quea respostaocorre,ousej4osantecedentes da resposta,devemosverifiçar se existem para essaresposta1) estímulos eliciadores;2) estímulosdiscriminativos;3) operaçõesestabelecedoras.Podemos ainda tentar identificar a existência de um tipo importante de estímulo disçrin:rinativoou operação estabelecedora:4) regras e auto-regras. Se iderrtiÍìcarmosa ocorrênciadepensamentosou sentimentosantesdaoconência claresposta,teremosqueolharçommuito cuidadoseestes5) eventosencobertos porJcmserconsideradosantecedentes,serealmenteparticipamdadetermina.ção clar.esposta.Ao analisarmosa 6) história de vida, devemosevitar confundi-la c()r-na ocasiãoem que a respostaocorre.

"orr."q,iãrr"ius,

l, Estímulos eliciadores

RespostasrefÌexasoufespondentessãoeliciadasouprovocadaspor

ruídoalto''eliciaarespostadesusto.

umestímulo'Porexemplo,oestímulo

2.Estímulos discriminativos

sinalizam as condiçõãs sob as diferençiais.

Os operantes (relações

R-C)

podem ocoÍrer em atgumas estímulo e não ocoffer tu t"u

u"td""ia

napresença deum estímulo e nãoocorrer

estímulos qrr" unt"""d"* estímulos dis"riminatit]oì disçriminativo (So),uma

os

,

Íesposta "

;;il;;;s"*iáis"-n-Cj

contingência

as quais uma Íespostã-i"*

ou contingência

é seguido por desaprovaçao1Ct;-

"palavrões" 1Rl

estasituação

e áitt""ei9

apresenr;;á '"gJáï* rrà opË.unt"

na

presença dosamigos e não fãhr

EmumacontingênciadetrêStermos,oSestímulosdiscriminativos(SDs)

quais uma resposta

tem conseqüências

não ocoÍÏem indiscriminadamente' eles

situações e em outras náo'na presençade algum

ou' ainda'uma rgsposta poderia ocorrer

na presençadeum outro estímulo' Os

operantes são-freqüentemente çhamados de

entÍ um estímulo

u''auçAo

(R) e uma-cônseqüência (C) é chamada de

de dependência

icatarna'' reee;Matos'1e81'leeea)'Emumatríplice

detrêstermos, os SDssinalizam ascondições

sob

diferenciais' Por exemplo' um pais (SD1)falar "palawões" (R)

Um adolescente súmetido

"ot'"qüências rruprËr"ttçados

(9zj

enquanto.na presença dosamigos (SD2)falar

a

emitida pelo organismo ocorre

não ocorre ou ocoÍÏe em baixa

discriminado se falar palavrõesapenas

palavrões na presençados pais' O operante

é considerado discriminado quandoa resposta

com alta freqüência

";;;;ã;; freqüência na .rru ut"Át'Ëa

A

de um-bo e

o" p"'"ttçu

op"runr.'ã"u"

eliciador)

apenas

no respondente' O estímulo

de estabelecer a ocasião

determinadas

entre o estímulo

segundo Matos (19S1.1, "m

sua probabiliauO"

de um outro SD (Matos' 1981)'

função do estímulo antecedente (estímulo discriminativo) no

,"'

aif"t"""i"Ja

da função

do estímulo antecedente (estímulo

antecedente no operante tem a função

em que ÌIma resposta será seguida por

erenão elicia, nãoprovoca a resposta. A relação

discriminativo e a resposta noìperante deve ser entendida'

ou seja'a resposta tem a

função da apresentação do

ou não ocorrer' não setratando'

tetmos probabilísticos'

aumentada em

elapoderá

N"

do

O" ã*"C'ttiu

estímulo discriminativ;;;;;;"'

portanto, d"

r,tt'u '"ttçao "t"J'

"*"àt'lo

a relação entre o

é eliciada,

estímulo eliciador no respondente'

""so

é causal e não probabilística' ou seja' a

e a resposta

estímulo antecedente e sempre ocorrerá se

resposta

o estímulo eliciador estiver presente'

p;;;;;Jtptìo

18

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I

I

I

:,r rr,r,\ [,.1| \ | r{

Ao irrrlIisanllosfìncionalmente colÌÌportamentosconsiderados pr,rlrlt'nr;iticos,podetnosdirecionarnossapesquisasobreos antecedentespara ;rsr;rlluirrlesqucstõss:Faltamantecedentesapropriados,ou seja,o problema

ot olr.çnlo por falta clerepertóriodo indivíduo, maspor falta de oportunidadede

ocorr'ôrrcir,rde umarespostaapropriada?Uma criançaqueé filha únicae quenão lìt:t;iicnl.aescolapode não ter tido oportunidadede desenvoivercooperação.

l;ultucontrolediscriminativo?Há ocasiõesemqueum padrãocomportamentalé

rpropriadoemalgunscontextos,masnãoemoutros,entretanto,estesdiferentes

conlc:xtosnão controlam diferencialrnenteas respostas.Há controle tlisr;rinrinativoinadequado?Este pareceser o caso de comportamentos

ruutolesivosquesãoreforçadosdiferencialmente,masondeseriamaisdesejável

clueo tÌìesmocontextocontrolasserespostasÍuncionalmenteequivalentes,mas

rurcnosdestrutivas(Follette,Naugle & Linnerooth, 2000).

3.Oper:açõesEstabelecedoras- OEs

Além dos estímulosdiscriminativos, outras condiçõesambientais antececlentespodem alterar diferentementea probabiiidade de ocorrênciados operanl.es.Operaçõescomoaprivação e asaciaçãopodemaumentarou diminuir

a probabilidadecleocorrênciade uma resposta.A estasoperaçõesMichael

(19Í\2,1993)chamoudeoperaçõesestabelecedoras(OEs).Catania(1999)define

asOEsicomoqualqueroperaçãoquemudeacondiçãodeum estímulocomoum refcrrçadorou punidor, como, por exemplo, a privação, a saciaçâo,os procerJimentosque estabelecemestímulos formalmente neutros corno reforç:adorescclndicionadosou como a.versivoscondicionados e as apresentaçõesde estímulosque mudam a condiçãoreforçadoraou punitiva de outrosestímulos(p.412).Porexemplo,seumacriançapedeounãoum copode água pode depender,em grande parte, de quanto tempo se passoÌrdesde a últirna vez em que ela bebeu águae não da presençaou ausênciado filtro de água.ì-)ssasoperaçõestêm a função de evocara respostae alterara efetividade de ever'Ìtosreforçadoresou pr-uritivos.

As oper:açõesestabelecedorasproduzemdois diferentesefeitossobre

o complortamentode um organisrno: 1- alterar(aumentandoou dirninuindo) a

efetivicladede algum objeto ou eventocomo reforçadorou punidor e 2- evoçar

o comportamentoque, no passado,foi seguidopor esta conseqüência.As

openaçõesestabelecedorassão operaçõesambientaisantecedentesque devem ter suasfunçõesdiÍèrenciadasda funçãodasoperaçõesambientaisantecedentes definidascomoestímulosdiscriminativos"As operaçõesestabelecedorasdefinem aefetividadede conseqüências,enquantoosSDsapenassinalizam a ocorrência dasconseqüências,casoarespostasejaemitida.

80

PnrprurnclsP,lssos

As operaçõesestabelecedorasde privação, saciaçãoe estimulação aversivapossuem,segundoMichael (1993),quatroefeitosconluns:

1- Efeito estabelecedorde reforçamentoou punição: uma operação estabelecedoraalteramomentaneamentea efetividadereforçadoraou punidora deum estímulo;

2- Efeitoevocativoou supressivo:evocaou suprimerespostasquenopassado produziram conseqüênciascuja efetividadetenha sido alterada;

3- Efeito evocativo ou supressivodo SD:aumentaa efetividade evocativa ou

supressivade todos os SDsque tenham sido correlacionadoscom o reforçador

ou punidor definido pelas operaçõesestabelecedoras;

4- Efeito sobre o reforçamentoou punição condicionada:aumenttdiminui

efetividadereforçadoraoupunidoradequalquerestímuloquetenhasidopareado com o reforçadorou punidor estabelecidopelasoperaçõesestabelecedoras.

a

As operaçõesestabelecedoraspodem ser condicionadas ou incondicionadas.As operaçõesestabelecedorascondicionadassão aquelas correlacionadascom estímulos reforçadores,punidores ou eliciadores condicionados,ou seja, que passarampor um processode aprendizagem.As operaçõesestabelecedorasincondicionadassão aquelascorrelacionadascom estímulosincondicionados,não estabelecidospor qualquerprocessode aprendizagem.A distinçãoentreasoperaçõesestabelecedorascondicionadase incondicionadasdependeunicamentedo processode estabelecimento - inato ou aprendido--e nãodo efeitoevocativo.

O estudodas operaçõesestabelecedoraspode çontribuir para uma

análisemais minuçiosadasvariáveisdasquaiso comportamentoé função.Para Schlingere Blakely (1994), a análisedo comportamentooperantenão deve se

restringirapenasà análiseda contingênciade doistermos(relaçãoR-S),mas deveria contemplar também a análise das OEs e dos SDsque antecedema contingênciade dois termos.O seguinteparadigmaé sugeridopor Schlingere

Blakely(1994):

OE

qD)

ì r'

R ->

81

Conseqüência

lürxil Mr,vrn

Uurcxe:nrploda utilidadeda análisede operaçõesestabelecedorasfoi

(lu(líÌ lì(ìf l)orrglrorc llackbert(2000)emestudosÍelacionadosàdepressão.Para oHrrul()r'cli,os colÌìportamentosdepressivossão,geralmente,antecedidospor lrèxt:rrrrtliçilcs:l- níveisinsufiçientesdereforçamento;2-aperdadeumagama

de relìrrçadores;3- persistentepuniçãoou altosníveis de estimulaçãoaversiva.

A tercreiracondiçãofuncionaria como operaçãoestabelecedorapara os

eorfìlr()r'tarÌÌentosdepressivos, vma vez que evocaria os seguintes componanlentos:chorarexcessivamente,autodepreciação,formulaçãoderegras lhlsrs sobresi mesmo,esquivasocial, abusode álcool e drogas,pensamentos

pcssinrist.assobreo futuro,sono,entreoutros.Estabeleceria,ainda,asexpressões

tlc sinrpatia,a comiseraçãoe a ofertadeassistênciacomo reforçadoresefetivos.

Âlónr disso, estascondições antecedentespoderiam potencializar os efeitos rcÍbrçadoresdo comer,dormir, do isolamento,dasdrogase do álcool.

SegundoSturmey (1996), os estadosemocionais também poderiam llrrcionar comooperaçõesestabelecedoras.O estadodeansiedade,por exempÌo, prxleria funcionarcomouma OE por: I - aumentaro valor reforçadordaremoção dcsteestímulo e 2- aumentara freqüênciados comportamentosque removem estcestímulo.Parao autor,o conhecimentodasoperaçõesestabelecedoraspelo analistado comportamentopoderiaproporcionarformulaçõesmaiscomplexase sutis a,cercade suas formulações.Além disso, as operaçõesestabelecedoras poderiamserutilizadasparadescrevercomo asrelaçõesantecedente-resposta- conseqüênciasãoalteradasem ambientesdiferentes.

Miguel (2000) apontaquatrorazõesparaqueo conceitodeOE sejalevado

cm conta numa análise funcional: 1- porque tal conceito pressupõerelações

ambientaisque poderiam alterar o valor de reforçadorescondicionados,

independentedovalor dereforçadoresprimárioscom osquaisforampareados;2- porque permite a manipulação de comportamentos através da manipulação de eventosambientaisantecedentes,mantendo a rclação resposta-conseqüência constante;3- porqueprovocauma nova discussãoconceituala respeitodo uso

do termo SD;4- porque chamaa atençãodos analistasdo comportamentoparaum

dosmaisimportantesetradicionaisfenômenospsicológicos:amotivação.Segundo Catania(1999), quando estudamosa motivação,estamosinteressadosno que tornaasconseqüênciasmais ou menosefetivascomo reforçadorasou punitivas.

l. Regra e auto-regra

Regraéum estímulodiscriminativoverbal quedescrevecontingências

(Skinner,1982),mashásituaçõesemqueelapodefuncionaraindacomooperação

estabelecedora,ou seja,podeexercermúltiplasfunções(Albuquerque,2001).A regra pode ser uma instrução,um conselho,uma ordem, uma exigência,uma proporitade beneficio mútuo.

82

PmuBmosPa,ssos

Regrassãoantecedentesde comportamentosde seguirregras,e esses comportamentos sãodenominadosde comportamentos govemadospor regras

em contraposiçãoaoscomportamentos modelados por contingências.A rigor,

apenasa piimeira emissãodeum novo

formulada é um comportamento governadopor regras,porque o comportamento

de seguir

conseqüências quemantêmo comportamento governadopor regrassãode dois

tipos: a

comportamentoapósuma regrater sido

regfas também é um operante mantido por contingências. As

obediênciaà regra é mantidapor contingênciassociais;a execuçãodo

é, em geral, um desempenho motor

cãmportamento especificado pela regra

modeladopor contingências naturais(Matos, 2001).

Essamesmaquestãopode sermais bem explicada: o compoÍamento de

seguirregrassempreenvolveduascontingências,uma alongoprazo, acontingência última, e outra a cuÍto prazo, a contingência próxima ou reforço por segrir a regra

(Baum, 1999). Quando o ouvinte acatauma ordem,pedido ou

instrução,o falante

fornece aprovaçãoou reforçadoressimbóliços ou retira uma condição aversiva'

Esta conseqüência tem papel fundamental quando se

comportamento,ouquandoseestiierninício

quer instalar um

detreino.Acontingênciaútimajustifica

a existênciada contingência próxima'

pois emboraatuealongo pftLzo,

"incorporaumarelaçãoentrecomportetmentoe conseqüêncía queé

realmenteimportante,independentede

contingência próximapossaparecenA relaçãoéimpartante porquese

saúde,sobrevivência e bem-estara longo prazo dos

descendentesedafamília (Baum,1999,p'162)" '

referi à

quãotrivial ou arbitrária a

Porexemplo,sujeiraepedregulhosno chãoconstituemo contexto para usaÍ sapatos,porque isso impede ferimentos e doenças que poderiam ser adquiriãasao andardescalço.Assim, a reduçãodaprobabilidadede ferimentos

dã"nça* e o aumentodaprobabilidadede sobrevivere reproduzir constituem
"

a respostanestecontexto for fortalecida, entrarãem contato

o reforço

temporárias.Se

último por usar sapatos.A regra e a contingência próxima são

com a contingênciaultima e serámantida por ela. Esta seriaa situaçãoideal, emboranão ocorraem todososcasos(Baum, 1999)'

Regrasfacilitam a aquisiçãode novos comportamentos, principalmente

quandoascontingênciassãocomplexas,imprecisasou aversivas.Entretanto,o

seguimentode

às

o

contingências naturais,ou seja,quando ascontingênciasnaturaismudam e

regraspodeproduzir reduçãona sensibilidadecomportamental

não se altera, diz-se que o comportâmento é insensívelàs

naturais. Provavelmente, nestescasos,o comportamento está

up"nur sob controle das contingências sociais, não fazendo contato çom as

ctntingências naturaisqueproduziriam comportamento incompatível'

contin!ências

"o-portu*ento

83

Sc'cs hurra.os

não apenasseguemregrasapresentadaspor outros,

seguemsuaspróprias regras. Quando estassão

(()ilr() t;ulrl)Úlnlbrrnulam e

lirr11111l'11'1*.u reformuladaspelo indivíduocujo

rrrrlivíthroaÍòtaoutrapartedesterepertório.As

compoftamentopassam a

repertório do

r'.nr, rllrr',dizenrosquesãoauto-regras.Nestecaso,umapartedo

auto-regraspodem serexplicitadas

|rrblic;rrncnte, oupodemocorrerdeformaencoberta,quandoo indivíduopensa (.krnirs, 1997).

Iì irnportanteconsiderarque, quando há correspondência entre auto-

c desempenhonão-verbal,é difïcil afirmar seo desempenhonão-verbalfoi

as mesmascontingênciascontrolam

A formulação

'clrrto

t'.rrtrolado pelo relato ou se

(f uantodescriçãoda ação,sem que o relato participe da

tanto ação

tleterminação da ação.

denovasregrasé um mecanismo demudançana clínica,

ú

(lr-lc paÍìsem a ser controladospor suasconseqüências naturais.Entretanto,ao

ur'a f.rma defacilitar o aparecimentodenovoscomportamentosqueseespera

sc:c:or]duziruma análisefuncional deum casoclínico, é

lnlcceclentes crjticos.Geralmente,os compoftamentos-alvo denossasanáìises

c inten,enções estãobem

l)or reÉifas,são mantidospor algurn tipo de reforço, caso contrário não se

r'anteriam. se o cliente estáseguindouma regraqueestáem desacordooom as conseqüênciasnaturaisde suasações,ele deveestarsendoreforÇadopor isso

estabelecidos e,mesmoquetenhamsidoadquiriclos

difïcil queregrassejam

c ó essaa dimensão que deve ser anarisadacom ele. podemos conrid".u.

possibilidade de queelesejaexcessivamente controladopor aprovaçãosocial.

u

outro cuidadodevesertomado ao seempregaro conceitode govemo

lx)r re,graspara explicar fenômenosque ocoffem na clínica. Não se devem

c.n Íì;ndircrenças,conceitousadopelosterapeutascomportamentais cognitivos,

corìl regras,apesarde existirem

p.ssui uma crença,muitas vezesirracionar, e que ela

é responsávelpor

algumassemelhanças. Afirmar que um cliente

r:ornpontamentosque causamproblemas, é usualmenteuma

pr.babilidade de comportamento e estábaseadana observação ds instâncias

.u

q,r"

rrì. scdiz que'ma

rcgtrllridade em seucomporlamento. por exemplo,uma ãva[ação funcional

comportamentoinadequado de um homem em aproximar-se de

irlcrrÍiÍìcou o

vczcsusadodemaneirasimilar,comonosalertouBaum(1999), 'clatos uouã*u,

afirmação sobrea

por

passados do comportamento(costa, 2002). o temo .,regra" é

pessoa estáseguindoumaregraquancÍopercebemos alguma

aindaumahistóriadepuniçãoparaessaclassedeações.

seeufor

dartudoerrado",queteriapassado a-controlarseu

suporque

rrrrrlhores.ldentificou

ttt:tst;oncluiuqueestahistórialevou-oaodesenvolvimento da rcgra

lirlrrrr:.rr algumamoça,vai

('(|lillx)rrirr'ìento de esquìva.social. Mas seráquehá necessidade de

rrr;r rrgra cste.iacontrolandoo comportamento? Não bastaa históriaãe vida

;rrrrtr crrlerrtlcra firnçãodestecomportamento,?

84

&

Pnrvr:rnosPassos

Ao analisarmoscomportamentosconsideradosproblemáticos, podemosdirecionarnossapesquisasobre o controle por regraspara as seguintesquestões:O cliente formula regras que não correspondemà contingêncianatural?Ele tem dìfiçuldadesem seguirregrase auto-regras?A dificuldade em seguir regras restringe-se àquelas que descrevem conseqüênciasdiretas do comportamento(em contraposiçãoà aprovação social)? Ou ele apresentaseguimento excessivo de regras, mantidas por conseqüênciar;sociais?(Follette,Naugle& Linnerooth,2000).

2.Eventosencobertospodem serantecedentes?

Baseando-seem Skinner(1982),algunsterapeutascomportamentaise pesquisadoresbrasileiros têm utilizado eventos encobertosem suas análises (Banaco,1999).Talusosuscitaquestõese divergências.Algumasdelasseriam:

o usodeeventosintemosnaanálisefuncionalélegítimo?Não seriaumatentativa deexplicarascausasdo comportamentohumanoapartir do interior daspessoas, como nasteoriasmentalistas?Sefor importante utilizar os eventosencobertos na análisefuncional, qual seriao papel destese suaimportância?

Inicialmente,énecessárioclefiniro quesãoeventosencobertos.Segundo Skinner(1982),o comportamentoencobertoé aquelequesópodeserobservado pelaprópriapessoaquesecomporta(por exemplo,sentir)oupodeserexecutado

emuma escalatãopequenaquenãosejavisível aosoutros(por exemplo,pensar), ou o comportamentoencoberloê fazer aquilo que se faria quando o estírnulo estivessepresente(como ver algo na ausênciada coisa vista, "fantasiar", por exemplo). Por isso, o acessoda comunidadeverbal a estescomportamentosé restrito, e dependeda descriçãoverbal feita pelo indivíduo de seuspróprios comportamentosencobertos.Até o momento, o relato verbal é a fonte mais importantede dadossobreos eventosinternos(de Rose,1997).

Poderiasedefinir eventosintemos apartir deoutraperspectiva.Banaco (1999) sugereque seria melhor definir essaclassede eventosnão como aomporlamentosencobertos,mas sim como respostasencobertas, já que sabemosque o compoftamentoé mais do que uma resposta.

O usodoseventosencobertosno processoterapêuticotem importância no contexto behaviorista?Na buscadessaresposta,terapeutasbrasileiros têm

sereferidocomfreqüênciaàseguintecitaçãodeSkinner(1982):

"{Jma análise behavìorista não díscute a utilidade práIica dos relatos acerca do mundo interior o qual ésentido e observadoinít"ospectivamente. Eles sãopistas (l) para o comportctmentapassadoe as condiçõesque o afetaram; (2)para o comportamentoatual e as condiçõesque o afetam; e (j) para as condiçõesrelacionada'scom o comportameníofuturo."

85

r, I

I \

f,lr

\

| rr

l';rrrt.c t'stiu',crìtão,.iustif'lcada a prática de Seinvestigaf o mundo interiof ,1,,.-r lrr.rrtt's.M;rs outt'aquestãoé levantada:O que fazer com aSinformaçõeS , ,rltl;rrlrr:;',fl:las siìtto que, e servem a quê?

l)c lttlsc 1 l9t)'7)menciona que há circunstânciasnasquais o pesquisador 1rrr,.lt. obtcr ilaclosde observação Sobreaiguma contingência que opel:aou

rr;ro

rìl)('r()lrsçlrle as respostasque está estudando.NeSsesCasos,ele Seutiliza de

,,,1,,1,,r,vcrl)Í.tisdos sujeitos que descrevam aScontingências que necessitapara

|ì,,,lcr

1o

;rrr:iIist:lìrncional.

rrrurlisilr. Assim, perguntar aos clientes o que pensal'am,OuOque Sentiram

rìì()tìlLìtì[opode Seï uma forana fle se poder chegar aos dAdos que levâm à

Skinner (1974) justifica estaprâticada seguinte forma:

",lijrlumo,s tíescobrircomo outra pessoase sentepor varias razões. lÌtttt ltu.rte rJenossocomportamenta é reforçada por seusefeirossobre o,\orüros,e serápresumivelmentemais reforçador seo efeitofor claro .4.s,sim,agimos para reJ'arçar aqueles de quem Sostamos ou a quem (t,nun'tosou pQrQevítaríeri-los, emparte, por cctusado quefarão por \uu vez. (A tendência poderia ser inata, de vez que há um valor de viveviv<2ncia,por exemplo'no comportomentodeumamãequealimentct

sctt .[rlho,

ltntpit:ia

n<:gativos; todavia, as contingêncías s.ociais de reforço

( ()mportamentocomparável). É importante que o receptor revele que

íìtmo.t bem-sucedídose ele o pode fazer informando sel$ sentimentos. llnttt pessoa que está sendo massageadadiz que a sensação é boa;

t.tl.quém Ìraro

qo,statlela. Quando tais 'sinaisdesentimentos'eslìo dusenles'podemos

.t)<'rguntar ou ínvestÌgarde outro ntodtt como uma pessoa se sente (Skinner,1974, P.193) ;'

cuida dele e os protege dos perigos e que, assim fazendo,

condições que clttssirtcamos como reforçadores positivos e

geram um

quem se está tocando detenninada peça musical díz que

O que fazer: com aSinformações

obtidas

sobre os eventos encobertos?

Tais

irrlorrrlrçõcs devem Sef consideradas não como explicação da conduta do rrrtlrvirluo,trrascomo um meio de se Sabermais a respeito das contingências nas rtrririsclc cstáinserido.A isto, Skinner(1974) refere-seassim:

lrsl:r ['unta

questão primordial

ao se tratar do tema anáLisefuncional'

'como você se sente', em vez de 'por que

",.1 t ornunidade verbal pergwúa

uma

n'tlttxltt. T'ira vantagem da informação disponível, mas deve culpar só a tt 1tni1t1 i11.st'não houver outros típos de informução ao dispor (p'187-

ì'(r( (; ,r('st'n|e assim?' por que terá maior probabilidade de obter

86

(

sentimentosalheios.se 'nãoéocomportamento queimpttrltt.mascomo '

a pessoasesentequ(lntaaseucomportamento

maneiraconxoun(l.pessoQse

e das

deveriaconsüraíroprimeiropasso.Masa

)Porteparecerquehá

umarazãomais Jorte purd investigaros

,

adescobertudo:;senlimentos

dependedo comportomento

epodemoslidar comestasseme'xamtnar

masumprogromamaiseJëtivoserir

senleacerc(lde seucomportamento

condiçõesde queé função,

sentimentos. Quando estamosajudando pessoasa agir de .forma mais

efìcaz,nossaprimeìratarefaseráaparenÍemente modifcar-lhea maneira

desentire assima maneìradeagtt

mudar-lhesa maneiradeagireassím,incidentalmente,a desentir' Numaanálísebehaviorista, conheceroutrapessoaësimplesmenÍeconhecer o queela faz,fez ou fara, bemcomoa dotaçãogenéticae osambientes

passadosepresentesqueexplicampor

queelao faz' Nãosetratadeuma

tarefafácil por"quemuitos fatores

pnuoá é

-límitada pelaacessibilidade, nãopelanaturezadosfatos í$'194)'"

relevantesestão fora doalcanceecada

iidubimvelmente única.Masnossoconhecimentodeoutremé

Embora não haja nada, em uma concepção externalista do

que justifique a recusaem analisaro comportamento verbal

compoftamento,

supo;tamente

como

indivíduo (Tourinho,

descritivo de ãventosintemos, há que secuidar em entendê-los

indicativos das contingênciasambìentaisenvolvidas na conduta do

1997). Essa classede eventostem sua importância em que sejam identificados os determinantes, sendovistos,

oferecer pistas para

portanto, como adjuntos a eles, um subproduto destes deterninantes que

facilitam suai<lentificação.

A consideração dos eventosencobeÍtosna análisefuncional e devida

constituírem em facilitadores do processo de identificação e

ao fato de se

compreensão <losel'entosem análise.Através deles,torna-sepossívelperceber

a intensida<leem que certoseventosimpactam o indivíduo'

a identificação de contingências é fundamental pata a

compreensão do

bem-sucedida Seo terapeuta,ou analista do comportamento, investigar com

propriedade todosos aspectos possíveisrelacíonadosa ela.Nessesentido,o

estudo dos

possibilidadesemfavorecertal tarefa'

Concluindo,

comportamento e a decorrentemudançadeste.Essatarefaserá

errentosencobeÍtos se feveste de importância, dadas as suas

Emboratenhamimportânciaemsinalizareventosepermitirumacompfeensão

dos deteminantes, aoseventosencobeftos não sedeveatribuir

função

causal.Contudo,deve,sebuscarno ambienteoseventosdiretamente associados a eles quetenhamtal relaçãocomo comportamento emanálise'

rnaisampla

Finalizando, pensamentos, regras' auto-regÍas e sentimentos- não são

osantecedentespriorizados.Elespodemserantecedentesquandoháalguma

evidência de que participaram da contingência'

Por exemplo'

quando o

81

Sottt^ Mt,yt,tr

llcrÌiiiilncllt() ou processodetomadadedecisãodeumapessoativer inflr rlr'ctirrrrcnlca açãosubseqüente.Nestecaso,háumarelaçãoresposta*4 l).r'cs podcm ser consideradasantecedentesquandoeliciaremrespof Mctkr,prlrsuavez.nãoseriaconsideradoum antecedente,e sim um int tlircxislônciadeum estímuloaversivo.

\

3. | |istória devida nãoé antecedente

Devemosevitar confirndir história devida e antecedentes.Antecedente

atos

tcrn sido entendidocomo a ocasiãoem que a respostaocoÍTee não como

c Íìrkls anterioresde uma pessoaque permitem julgar sua

condutapresente"

(l)icionário Michaelis eletrônico).Isto nãoquerdizer queapesquisaaãnistoria

dc vicJanão sejarelevante,apenasque os dados obtidos não são aquelesque

correspondemao primeiro termo da contingência de três termos. variáveis

históricaspodem ser importantes, se elas levam à identificação de variáveis contemporâneasque afetam o comportamento e são controláveis. o conher;imentoda história nos dá informações sobre a maneira pela qual o

em função da aprendizageme dos esquemasde

rcÍìrrçamentoa quefoi submetido.

indiví<luotendea secomportar

Relaçõescomportamento-comportamento:

A análisedosantecedentes

c consrlqüentesé,em grandeparte,análisederelaçõesordenadasentrevariáveis

arnbientais e o oomportamento de interesse.Entretanto, já foi levantada a possibilidade de haver relaçõesentre o comportamentode interessee ouffos çotnpOftamentosexistentes no caso das auto-regras e dos comportamentos

cncobentos.ParaidentificarrelaçõescompoÉamento-*omportamento,

algumas

pcrguntaspodemserúteis:"Existem outroscomportamentosqueocoffem antes do conrportamentodeinteresse?Suarelaçãocom o Çomportamento deinteresse

ó de necessidade(pré-requisitos), defacilitação,ou sãoocorrênciasacidentais?" (Matos, 1999b,p.16).

como último aspectoa ser considerado,é importante ressaltarque a análisefuncionalesüiintimamenterelacionadaàintervenção,dadoqueelafornece

condíçõesparaseuplanejamento. Inclusive, o sucessodeuma

intervençãoque

Íìri baseadaem prediçõespossibilitadas pela análise funcional tem sido cunsicleradaum teste desta.Analistas do comportamentopreconizam que a sclcçãodo tratamentosejafeita çom basena análiseda função,ou daprovável íirrrçã<ldo comportamento.Neste sentido é que a aplicação de técnicas tlissociadascleumaanálisefuncionalnãoévistacombonsolhospelosanalistas tlo comportamento.Sem entrar em detalhessobre como se pode derivar um lrrlnm$nto a partir da análisefuncional, podemosdizer quea intervençãopode re rlur iro sepropor novas contingênciasou ao se ensinaro cliente a conduzir tuttdtlisçsíLrncionaìs.

88

Pp.nrsrnosPessos

Finalizando, aaniílisefuncional ou a avaliaçãofuncional (termo preferido no casoem quenão é feita uma análiseexperimental)é o instrumentobásicode trabalho de qualquer analista de comportamento. É sua tarefa identificar

contingênciasqueestãooperandoe inferir quaisasquepossivelmenteoperarÍÌm no passado,ao ouvir a respeitoou observardiretamentecomportamentos.Ele pode também propor, criar ou estabelecerrelaçõesde contingêncía para desenvolverou instalar comportamentos,alterarpadrões,assimcomo red.ozir, enfraquecerou eliminar comportamentosdos repertórios dos indivíduos. Mudanças no comportamento só se dão quando ocorrem mudançasnas contingências.Porisso,a análisefuncional éfundamentalsemprequeo objetivo sejao deprediçãoou controledo comportamento.Entretanto,estanãotem sido umatarefafácil, especialmentequandoelanãoé desenvolvidacom oscontroles experimentaispossíveisnolaboratório(Meyer,1997,1998).Mas, deacordocom Skinner (1974), a objeçãofeitaauma análisefuncionalcompleta,adequeelanão pode serlevadaa efeito, é queela aindanão foi levadaa efeito. Ele dissequeo comportamentohumano é talvez o mais dificil de ser estudadopelos métodos científicos,masquea complexidadenãonosdeveriadesanimar.

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