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SPFB-PATOS – PB - MODALIDADE = EAD.

CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO

DISCIPLINA: Metodologia de Exegese do Antigo Testamento.

Prof. João França.

AULA 05 - Análise Histórica – Cultural ou Contextual:

Um Estudo Panorâmico do Livro.

Introdução:

Chegamos a um elemento bastante fundamental para a exegese bíblica. Na


verdade esta etapa é bem similar à introdução bíblica especial que trata destas
questões1Vale salientar que a “exegese histórico-cultural difere do estudo histórico-
crítico no sentido de que ela aplica dados do pano de fundo de uma passagem para
melhor compreender seu significado”, e Osborne continua, “mas ela não usa isso para
determinar a autenticidade ou a ampliação editorial do texto.”2 Este tipo de análise
considera “o ambiente histórico-cultural do autor, a fim de entender suas alusões,
referências e propósito”. Já a “análise contextual considera a relação de uma passagem
com o corpo do escrito de um autor, para melhores resultados de compreensão
provenientes de um conhecimento do pensamento geral”3

I - A AUTORIA DO LIVRO BÍBLICO:

Na elaboração da pesquisa e produção de um trabalho exegético é preciso

indagar pelo autor do texto. A pergunta que se procura responder é “quem escreveu?”

Piva nos lembra que:

Conhecendo-se a formação pessoal do autor, sua educação, origem, local de


vivência e todos os outros fatores, que de alguma forma, contribuem para
uma melhor compreensão do seu caráter, as palavras escritas ganham muito
mais vida e significado, e, até mesmo, propriedade sob a escrita de seu autor4

1
YOUNG, Edward J. Una Introduccion Al Antiguo Testamento. Jeninson, MI, TELL, 1990, p.1-2.
2
OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica – Uma Nova Abordagem à Interpretação Bíblica.
Tradução: Daniel e Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova,
2009, p.198.
3
VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 1987, p.58.
4
PIVA, Daniel. Curso Introdutório de Metodologia e Pesquisa Exegética. São Paulo: Seminário José
Manoel da conceição, 2003, p.1. (não publicado)
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Esta é acima de tudo uma pergunta hermenêutica. A busca pelo autor do livro é
um procedimento hermenêutico essencial. Para se determinar a autoria de um
determinado livro bíblico é necessário observar o contexto de seus surgimento.

Veja-se o exemplo abaixo sobre a profecia de Miquéias:

Lembremo-nos que quanto mais informação a respeito do autor nos ajudará no


estudo da passagem. E, tal informação fará com que o sentido do texto e da passagem
fique progressivamente claro à medida que estudamos.

II – PARA QUEM FOI ESCRITO?

O próximo passo a ser dado é indagar para quem foi escrito este livro? Esta
passagem foi destinada para quem? Qual é o público alvo deste escrito? O aluno deve
saber que todo texto produzido visa comunicar algo a alguém. A isso nós chamamos de
destinatário. Os documentos do Antigo e Novo Testamento são produzidos para um
destino específico. Os documentos sempre são circunstâncias que atendem as
necessidades específicas de um público específico. Vale salientar que o “leitor de hoje
não foi previsto pelos autores da Bíblia”5

Piva mais uma vez é claro:

5
SILVA, Cássio Murilo Dias da. Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000, p.25.
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Todo autor que escreve algo, sempre tem um destinatário, nem


que seja ele mesmo para seu próprio deleite. É importante
conhecer o destinatário e seu contexto, pois os pontos claros de
uma determinada mensagem pode ser ainda mais aprofundados
e os mais obscuros, muitas vezes, são esclarecidos neste
momento. Isso pode ser visto no exemplo bíblico da carta de
Paulo aos Romanos. O próprio título do livro já nos fala de seus
destinatários: os romanos, ou alguns judeus que estavam em
Roma.6
Veja-se o exemplo de como fazer o enunciado para o destinatário:

III – ONDE FOI ESCRITO? QUANDO FOI ESCRITO?

Outra informação importante para abordagem histórico-cultural da passagem


que alvo de nossa exegese, é sobre a questão do local e da data onde foi escrito tal
documento?

Essa imprescindível para a Exegese é o local e a data em que documento foi


escrito. Isto é confirmado por dois grandes eruditos em Exegese e Hermenêutica “ [...] a
questão mais importante do contexto histórico tem a ver com a ocasião e com o
propósito de cada livro bíblico e/ou de suas varias partes.”7

A pergunta a ser respondida nesta etapa é: Onde foi escrito? E quando foi
escrito? Piva é elucidativo: “Vários fatores cronológicos, geográficos e circunstanciais
operam para que determinada produção seja como ela é. Isso pode ser analisado desde o
material de escrita, até as condições físicas e atmosféricas de onde foi escrita.”8

A datação de um documento da Bíblia é de importância singular na vida do


exegeta. Porque “toda produção é sempre filha de sua época. Esta máxima é utilizada
pela Disciplina de História, e se verifica também na análise do texto literário.”9 A data
nos ajuda a determinar que rumos tomar na interpretação de uma passagem, faz toda
diferença se a datação de Atos é antes de 70.d.C ou se é depois de 70 d.C.

6
PIVA, Daniel. Curso Introdutório de Metodologia e Pesquisa Exegética. São Paulo: Seminário José
Manoel da conceição, 2003, p.3. (não publicado)
7
FEE, Gordon & STUART, Douglas. Entendes o que lês? Tradução: Gordon Chown e Jonas
Madureira, São Paulo: Vida Nova, 2011, p.35
8
PIVA, Daniel. Curso Introdutório de Metodologia e Pesquisa Exegética. São Paulo: Seminário José
Manoel da conceição, 2003, p.2. (não publicado)
9
idem .
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O local e a data de um documento nos leva a respostas mais seguras e menos


subjetivas quando estudamos, interpretamos ou realizamos a exegese de um
determinado texto, considerar o local e a data faz muita diferença nas horas crucias de
se determinar o sentido exato de uma passagem bíblica. Veja nosso exemplo abaixo:

IV – QUAL A FINALIDADE DESTE LIVRO TER SIDO ESCRITO?

A tarefa do exegeta consiste em perseguir o objeto do livro. Qual é o propósito


da produção do texto? Porque o profeta, o apóstolo, o escritor escreve o que está diante
de nós? Nada é escrito no vácuo ou sem finalidade, na verdade tudo o que é escrito tem
um propósito, e o papel do exegeta é procurar este objetivo em sua pesquisa. Segue o
exemplo:

3.1 – O Propósito da Profecia:

O propósito do livro é certamente denunciar a injustiça social dominante em seu


período. Van Groninguen nos lembra que que este profeta fala contra os sacerdotes
(3.11) especialmente quando “declara os pecados do povo” e a acrescenta
“particularmente a injustiça e opressão dos líderes, ele acusa os sacerdotes de ensinarem
por dinheiro. Embora os sacerdotes recebessem seu sustento das ofertas do povo, eram
gananciosos e injustos. ” As injustiças eram as seguintes:

1. A opressão aos fracos (Miquéias 2.1,2)

2. A expulsão das mulheres de seus lares (Miquéias 2.9)

3. Os líderes aceitavam e exerciam o juízo sob subornos (Miquéias 3.2,9-11)

4. Toda sorte de roubos era praticado e a religião era usada para tais práticas
(Miquéias 6.7,8,11,12)
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5. E a inversão de valores são posta como alvo condenação profética de


Miquéias (Miquéias 7.2-6)

Na mensagem profética Miquéias ele condena os ricos por desprezarem os pobres


(Miquéias 3.1-3) este tipo de atitude toda a Lei dada outrora condena veementemente;
deve-se fazer um alerta, o profeta aqui não está defendendo a chamada teologia da
libertação, onde somente os pobres são alvos da piedade e misericórdia de Deus. A
mensagem redentiva de Deus nas páginas das Escrituras é que tanto o rico como o pobre
carece da ação misericordiosa de Deus. Este deve ser o nosso pressuposto.

V – DO QUE TRATA O LIVRO DE NOSSA EXEGESE?

Qual o tema do livro? O que ele encabeça? Fala de Cristo? Fala de Deus? O
Tema é direcionado a alguma alvo? Quando descobrimos o tema do livro fica melhor
compreender a mensagem do livro e proceder à tarefa exegética orientada pela
pressuposição que o tema nos conduz.

VI – ANÁLISE INDUTIVA – ESBOÇO DO LIVRO: COMPLETO E


SIMPLIFICADO:

Este passo serve para que se veja o todo do livro através de um esboço geral
(simplificado) ou índice mais detalhado (completo):

4. ESBOÇO DA PROFECIA (SIMPLIFICADO):

1. Destruição dos lugares e objetos de culto (1: 3 a 7);

2. Devastação política (1: 10 a 16);

3. Julgamento pessoal contra pessoas específicas (2: 3 a 5);

4. Julgamento espiritual (3: 6 a 7);

5. Julgamento socioeconômico (6: 13 a 16);