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Mecânica e Resistência dos Materiais

Prof. MSc. Diogo Ramon do N. Brito


Ponte de Palito de Picolé - Treliçada
NORMAS PARA CONSTRUÇÃO DA PONTE
• Só será permitido o uso de palitos de picolé e cola para madeira;
• A ponte deverá ser capaz de vencer um vão de 70 cm, estando
apoiada livremente nas suas extremidades (5 cm de cada lado),
totalizando uma ponte de 80 cm;
• A ponte deverá ter a largura de 1 palito de picolé
(aproximadamente 11 cm), ao longo de todo seu comprimento.
• A ponte deverá ser indivisível, de tal forma que partes móveis ou
encaixáveis não serão admitidas.
• A ponte não poderá receber nenhum tipo de revestimento ou
pintura exceto a cola de madeira
• O peso-próprio da ponte não poderá ser superior a 400 g.
NORMAS PARA REALIZAÇÃO DO TESTE DE CARGA
• A ordem da realização dos testes de carga das pontes
corresponderá, conforme o sorteio que ocorrerá no dia P.
• Cada grupo indicará dois de seus membros para a realização do
teste de carga de sua ponte.
• No momento da entrega de cada ponte, membros da comissão
de fiscalização do concurso procederão à pesagem e medição da
ponte e à verificação da ponte.
• A carga deve ser aplicada na porção central do banzo inferior da
ponte conforme Figura a seguir.
NORMAS PARA REALIZAÇÃO DO TESTE DE CARGA

• A carga inicial a ser aplicada será de 20 kg. Se após 10 segundos de ter


aplicado a carga, a ponte não apresentar danos estruturais, será
considerado que a ponte passou no teste de carga mínima, e ela
estará habilitada para participar do teste da carga de colapso.
• Será considerado que a ponte atingiu o colapso se ela apresentar
severos danos estruturais em menos de 10 segundos após a aplicação
do incremento de carga. A carga de capacidade portante oficial da
ponte será a última carga que a ponte foi capaz de suportar durante
um período de 10 segundos, sem que ocorressem severos danos
estruturais
NORMAS PARA REALIZAÇÃO DO TESTE DE CARGA

• Caso ocorra o tombamento ou qualquer situação de


instabilidade, a comissão julgadora (Eu) poderá interromper o
ensaio, considerando a última carga para a avaliação da
capacidade portante;
• Após o colapso de cada ponte, os restos da ponte testada
poderão ser examinados, para verificar se na sua construção
foram utilizados apenas os materiais permitidos. Caso seja
constatada a utilização de materiais não permitidos, a ponte
estará desclassificada.
• Data 10/06/2019
Resistência dos Materiais

Conceito de Deformação
Específica – Expandido
• Quando uma barra é submetida a um carregamento de tração axial,
além de se alongar no sentido longitudinal, como vimos nas aulas
passadas, a peça irá se contrair lateralmente
• A Figura (a) apresenta uma barra com carregamento axial de tração (P).
Devido a esta força, pode-se notar que há um alongamento (δ) no
comprimento (L) e uma contração (δ‘) no raio (r) da barra. Tem-se que
deformações semelhantes ocorrem como mostra a Figura (b). Porém, há um
encurtamento (δ) no comprimento (L) e uma expansão (δ‘) no raio (r). Com
isso, podemos expressar as Equações para essas duas deformações:

d
εlong é a deformação específica
longitudinal (x);
εtrans a deformação específica
transversal(y).
• O cientista francês S. D. Poisson verificou que, para o cálculo da
deformação de um material, considerando-se a faixa elástica, a
razão entre as deformações transversal e longitudinal eram
constantes, uma vez que as deformações δ e δ' são proporcionais.
Por isso, esta constante é chamada de coeficiente de Poisson (ν):
𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐í𝑓𝑖𝑐𝑎 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑟𝑎𝑙 ε𝑦
= − 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐í𝑓𝑖𝑐𝑎 𝑎𝑥𝑖𝑎𝑙 =− 𝜀
𝑥

• O sinal negativo se dá devido ao fato de que


as deformações sempre serão contrárias uma à outra, ou seja,
quando ocorrer uma deformação positiva (alongamento) no sentido
longitudinal, existirá uma deformação negativa (encurtamento) no
sentido transversal, e vice-versa.
• O coeficiente de Poisson é adimensional e seu valor para os
materiais podem variar de 0≤ν≤0,5, sendo mais comum
encontrar valores entre 0,2≤ν≤0,33.

Nota: vamos supor que todos os materiais utilizados são


homogêneos e isotrópicos, ou seja, suas propriedades mecânicas
serão consideradas independentes da direção e posição.
Exercício
• A vareta de plástico acrílico é de 200 mm de comprimento e 15 mm
de diâmetro. Se uma carga axial de 300 N é aplicado a ele, determinar
a mudança no seu comprimento e a sua mudança de diâmetro. Ep =
2,70 GPa, ν = 0,4.
Exercício
Estados Múltiplos de carregamento
• Iniciaremos o estudo de elementos estruturais para
carregamento atuando nas três direções do eixo coordenado
cartesiano, proporcionando tensões normais σx, σy e σz , todas
diferentes de zero. Com isso, teremos o que é chamado de
estado múltiplo de carregamento ou um carregamento
multiaxial.
Estados Múltiplos de carregamento
• Para nosso estudo, iremos considerar um material isotrópico na
forma de cubo de aresta unitária, conforme a figura abaixo. Este
cubo, ao ser carregado nas três direções, irá se deformar, tornando-
se um retângulo de lados medindo 1+ εx, 1+ εy e 1+ εz , no qual εx, εy
e εz são as deformações específicas nas direções dos eixos
coordenados.
Estados Múltiplos de carregamento
• Para esse modelo apresentado abaixo, iremos expressar as
equações a partir das componentes de deformação εx , εy e εz em
função das componentes de tensão σx, σy e σz.

• Para isso, teremos de analisar separadamente cada efeito das


componentes de tensão, considerando o princípio de superposição.
Estados Múltiplos de carregamento
O princípio de superposição diz que o efeito de determinado
carregamento combinado em uma estrutura pode ser obtido
determinando-se separadamente os efeitos das várias forças e
combinando os resultados obtidos. Desde que sejam satisfeitas
duas condições para utilização deste princípio:

1. Tem de haver linearidade entre a deformação e a tensão;


2. A deformação devido a um carregamento será pequena e não
afetará as condições do outro carregamento.
A lei de Hooke Generalizada
Sabemos que para uma barra com comportamento elástico é
válida a lei de Hooke. Assim, se a barra está sujeita a um
carregamento axial de tração, podemos determinar a deformação
específica na direção x dos eixos coordenados.

Tem-se que, para uma barra com alongamento no eixo x,


,a barra terá um encurtamento nas outras direções.
A lei de Hooke Generalizada
Assim, podemos expressar as deformações para todas as direções:

As relações acima são conhecidas como lei de Hooke generalizada


para carregamento multiaxial de um material isotrópico
homogêneo.
Exercício
Exercício
Deformação de Cisalhamento
Quando as tensões de cisalhamento são aplicadas em um peça,
estas tensões proporcionam uma mudança nos ângulos que
formam as faces da peça.

Na
As deformação
deformaçõesdo por cubo tensão
apresentado de
ocorre
cisalhamento
a mudança
tendem
dos ângulos
a deformar
internos
o cubo
em
2elementar
faces, nasem
quais
um não
paralelepípedo
atuam as tensões
oblíquo.de
cisalhamento. Estas faces terão dois
ângulos reduzidos de tamanho para
e dois ângulos aumentados o tamanho
para
Deformação de Cisalhamento
A distorção do ângulo é conhecida como deformação de
cisalhamento, representada pela letra grega γ (gama), e expressa
em radianos.
Teremos γxy no qual as letras subscritas x e y correspondem às
direções.
Deformação de Cisalhamento
• Construindo um gráfico com valores sucessivos de τxy em
função dos valores correspondentes de γxy, pode-se obter um
diagrama tensão-deformação de cisalhamento para o material
em consideração. Isso pode ser conseguido executando-se um
ensaio de torção.
• Como ocorria no caso das tensões e deformações específicas
normais, a parte inicial do diagrama tensão-deformação de
cisalhamento é linear.
Deformação de Cisalhamento

τlp→ tensão de cisalhamento até


o limite de proporcionalidade
(elasticidade)
τm→ tensão última ou máxima
τrup→ e a tensão de ruptura.
O trecho linear elástico, aplicado
para a maioria dos materiais,
respeita a lei de Hooke para
cisalhamento.
Deformação de Cisalhamento
• Para valores de tensão de cisalhamento que não excedam o
limite de proporcionalidade em cisalhamento, podemos então
escrever para qualquer material isotrópico e homogêneo.

• Essa relação é conhecida como lei de Hooke para tensão e


deformação de cisalhamento, e a constante G é chamada de
módulo de rigidez ou módulo de elasticidade transversal do
material.
Deformação de Cisalhamento
• Considerando agora um cubo elementar do material sujeito a
tensões de cisalhamento τyz e τzy.

Define-se a deformação de cisalhamento γyz


como a variação no ângulo formado pelas faces
sob tensão.
Deformação de Cisalhamento
• Considerando agora um cubo elementar do material sujeito a
tensões de cisalhamento τzx e τxz.

Define-se a deformação de cisalhamento γzx


como a variação no ângulo formado pelas faces
sob tensão.

Para valores da tensão que não ultrapassem o limite de


proporcionalidade, podemos escrever mais duas
relações adicionais
Deformação de Cisalhamento

desde que nenhuma das tensões envolvidas ultrapasse o limite de


proporcionalidade correspondente, podemos aplicar o princípio da
superposição e combinar os resultados obtidos. Obtemos o seguinte grupo de
equações representando a lei de Hooke generalizada para um material
isotrópico e homogêneo submetido a um estado de tensão mais geral.
Exercício
Exercício
Deformação de Cisalhamento
• As grandezas G, E e ν podem ser correlacionadas a partir da
equação a baixo.
Exercício