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Alcunha

É uma palavra derivada do árabe, «al-kuniâ», com o sentido de sobrenome, cognome. Na Crónica

de Fernão Lopes, séc. XV, temos: «[…] huũ vilaõ que chamavaõ dalcunha Cazpirre […]»

«[…] huũ vilaõ que chamavaõ dalcunha Cazpirre […]» 2. Denominação que se acrescenta ao nome próprio,

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Denominação que se acrescenta ao nome próprio, uma forma de cognome. Normalmente, é um epíteto (referência, nome) depreciativo, injurioso ou de escárnio, dado a alguém, normalmente baseado nos seus defeitos físicos ou morais, em substituição do nome próprio.

físicos ou morais, em substituição do nome próprio. 3. «Pois olhe que perde! Gaspar Preto, por

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«Pois olhe que perde!

Gaspar Preto, por alcunha o Sapo».

Isto é o maior heroe cá dos sítios… Nem mais nem menos, do que o sôr

4. No Brasil e na Madeira, é comum usar o apelido como sinónimo de alcunha.

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No Brasil e na Madeira, é comum usar o apelido como sinónimo de alcunha. Isto resulta de um relacionamento interpessoal, informal para identificar determinada pessoa, que não está presente, ou até lugar, todavia, num sentido de exagero positivo ou negativo. Exemplos: o padeiro, o leiteiro, o alemão, o carioca. A alcunha passa a apelido quando é usada como nome identificador de todos os elementos de uma família. Na Beira e no Norte de Portugal, confunde-se sobrenome com apelido (nome de família), o que também acontece no Brasil, onde apelido significa alcunha. Em S. Miguel (Açores), o termo apelido também é usado com o sentido de alcunha: em documentos antigos, nem sempre é fácil distinguir alcunha de apelido.

Na Madeira, também há confusão entre apelido e alcunha. Nas zonas rurais, porque os nomes de registo dos indivíduos não são conhecidos nem usados, as alcunhas ganham importância.

zonas rurais, porque os nomes de registo dos indivíduos não são conhecidos nem usados, as alcunhas

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Alcunha é uma tradição romana: Marcus Aurelius Caracalla (porque distribuiu pelo povo túnicas com mangas e capuchas). Esta tradição chegou aos nossos reis: D. Afonso Henriques, o Conquistador; D. Sancho I, o Povoador; D. Afonso II, o Gordo; D. Dinis I, o Lavrador; D. Afonso IV, o Bravo; D. Pedro I, o Justiceiro; D. Fernando I, o Formoso.

o Bravo; D. Pedro I, o Justiceiro; D. Fernando I, o Formoso. 6. Exemplos na Madeira:

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Exemplos na Madeira:

Alamão, Cramujo, Vingala, Zipela, a Canhota, o Malhado, o Inchado, o Furado, o Cinquenta, o Melro Preto, o Feiticeiro do Norte (poeta popular, Manuel Gonçalves, do Arco de São Jorge), João das Festas (nome atribuído ao ex-presidente do governo regional, Alberto João Jardim).

Bacalhau por ser um indivíduo muito magro;

Branco dos Doces - indivíduo albino que faz doces;

O

filho do Furna - vivia numa furna;

A

Bisalha - por ter muitos filhos;

O

Bogas - porque andava sempre com “bogas” no nariz;

O

João da Viúva;

Agostinho da Semilha; João das Vacas; João da Bezerra; Zé dos Bailinhos;

7. Desafio: quem é quem? O Cambado; o Cebola; os profetas; os faquistas; os xavelhas;

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Desafio: quem é quem? O Cambado; o Cebola; os profetas; os faquistas; os xavelhas; Harry Potter.

os profetas; os faquistas; os xavelhas; Harry Potter. 8. Duas origens: Tripeiros – habitantes do Porto.
os profetas; os faquistas; os xavelhas; Harry Potter. 8. Duas origens: Tripeiros – habitantes do Porto.
os profetas; os faquistas; os xavelhas; Harry Potter. 8. Duas origens: Tripeiros – habitantes do Porto.

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Duas origens:

Tripeiros habitantes do Porto. Porque, em 1415, a população do Porto ofereceu, aos participantes na armada que partiu para Ceuta, toda a carne, tendo ficado apenas com as tripas para alimentação. Alfacinhas habitantes de Lisboa, porque com a invasão dos mouros, cultivavam nos arredores da cidade, Sintra, Mafra, Torres Vedras, produtos agrícolas. Eram também chamados saloios, em árabe, «salayos» (os que cultivavam os legumes, nomeadamente, alface).

agrícolas. Eram também chamados saloios, em árabe, «salayos» (os que cultivavam os legumes, nomeadamente, alface).