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Fichamento:

1. Introdução
2. Fundo econômico da Revolução Inglesa
HILL, Christopher. A Revolução Inglesa de 1640. Lisboa: Presença, 1985.
Introdução
• A Revolução Inglesa como um movimento social tal qual a Revolução
Francesa

• O poder passou às mãos de uma nova classe, tornando possível o


livre desenvolvimento do capitalismo

• Interpretação Whig: o parlamento lutava pela liberdade do indivíduo,


contra a tirania do governo
“Porque é que o rei se tornou tirânico? Porque tiveram as classes
terratenentes e mercantis, representadas no Parlamento, de lutar pelas suas
liberdades? Durante o século XVI, sob a dinastia dos Tudor, os avós dos
parlamentares de 1640 tinham sido os mais firmes defensores da
monarquia. O que fizera a sua perspectiva alterar-se? (...) Em resumo, os
Tudor foram apoiados por classes politicamente eficazes porque estas
tiraram enorme proveito do domínio Tudor. Porque perderam os Stuart,
Jaime I e Carlos I, este apoio?” (p.14-15)

“Não foi apenas porque Jaime, que sucedeu a Isabel em 1603, era um
homem particularmente estúpido, um Escocês que não compreendia a
Inglaterra, se bem que alguns historiadores tenham usado estes argumentos
muito a sério. (...) As causas da guerra civil devem ser procuradas na
sociedade, não nos indivíduos.” (p.15)
• Interpretação Tory: a política real não era tirânica e defendia o povo da
exploração econômica pelos capitalistas e a oposição era exercida pelos
homens de negócio com interesses no poder econômico, político e
religioso

• Não é verdade que os interesses de Carlos I fossem os interesses do povo


em geral

• Terceira interpretação: o conflito tinha em vista decidir qual religião seria


dominante na Inglaterra, o Puritanismo ou o Anglicanismo

• A religião abarcava algo mais vasto do que atualmente: batismo, serviço


fúnebre, educação, os sermões eram a principal fonte de informação para
a massa iletrada.
“A Igreja defendia, pois, a ordem vigente, e era importante que o Governo
mantivesse o seu controlo sobre esta agência de publicidade e propaganda.
Pela mesma razão, aqueles que pretendiam derrubar o estado feudal tinham
de atacar e de obter o controlo da Igreja. É por isso que as teorias políticas
tendiam a ser envolvidas numa linguagem religiosa.” (p.20-21)

“Mas o facto de os homens falarem e escreverem utilizando uma linguagem


religiosa não devia impedir-nos de compreender que existe um conteúdo
social por detrás do que, aparentemente, são ideias puramente teológicas.”
(p.22)
Fundo econômico da Revolução Inglesa: a terra
• Entre os séc. XV e XVII a comunidade agrícola passou por modificações.
Alimentos e lã passaram a ser vendidos mais longe

• Primórdios da divisão do trabalho: crescimento do mercado ultramarino,


algumas regiões deixam de ser autossuficientes economicamente para se
ocupar da produção de tecidos

• Substituição das antigas relações feudais por relações monetárias:


senhores de terra/arrendatários; patrão/trabalhador

• Alta de preços, “inflação”: alimentos triplicam e têxteis aumentaram em


150%
• Enriquecimento dos comerciantes (classe média) e empobrecimento dos que
viviam de renda fixa (aristocracia feudal, pequenos camponeses e
trabalhadores assalariados)

• Confisco e venda das terras da Igreja durante a Reforma: beneficiou-se quem


pode comprar as novas propriedades

• Modificação estrutural da sociedade rural inglesa

• Proprietários de terra passaram a encarar seus domínios pela perspectiva do


lucro, que era elástico e podia ser aumentado

• Lucro capitalista X renda fixa feudal: “Tratava-se de uma revolução tanto moral
quanto econômica, de um corte em tudo o que os homens tinham
considerado justo e correto (...)”. (p.29)
• Antes de 1640 haviam ainda muitas restrições ao desenvolvimento do
capitalismo em função dos interesses da Coroa, da classe terratenente e
da classe camponesa

• A alta dos preços tornava impossível a manutenção do antigo padrão de


vida das casas nobres, que cada vez mais se endividavam

• Desprezo da classe média pela nobreza, vista como parasitária

• Os foreiros expulsos das terras vagavam pelas estradas e leis foram criadas
para açoitar e marcar com ferro em brasa os vadios
Fundo econômico da Revolução Inglesa: a
indústria e o comércio
• As transformações no comércio e na indústria impulsionaram o
desenvolvimento agrário
• A Inglaterra passou de grande exportadora de lã (matéria-prima) à
exportadora de tecidos
• Desenvolvimento da extração de carvão, importante para o
desenvolvimento de outras indústrias: ferro, estanho, vidro, sabões,
construção naval
• O desenvolvimento econômico deu origem a novos conflitos de
classe: o capital fora fornecido por mercadores, traficantes de
escravos, piratas, e pela pequena nobreza que fizera fortuna com a
pilhagem dos mosteiros
• Obstáculos à expansão capitalista:
• Comércio e indústria restritos às cidades e controlados pelas guildas: mercado estático e
fechado
• A indústria transbordou para os subúrbios e cidades onde não havia corporações de ofício
• Quebrado o controle das guildas, a Coroa tentou impor novos controles: monopólios

• “É fácil compreender de que modo esta grande expansão industrial e comercial


atuou sobre a agricultura e a propriedade de terras: as transformações agrárias
foram causadas, em parte, pela maior procura de alimentos destinados às novas
áreas urbanas e, em parte, pelas necessidades de lã para a indústria têxtil em
expansão, ou pela procura de minérios; em qualquer dos casos, as necessidades
da classe mercantil eram idênticas às dos agricultores capitalistas e dos
proprietários de terras em ascensão. E a migração do capital para as zonas rurais,
quer através do arrendamento ou da compra de propriedades, quer através de
empréstimos, introduziu um novo espírito competitivo e de negócio nas relações
agrárias, até aí relativamente estáticas e tradicionais.” (p.46)
“O aspecto a sublinhar é o seguinte: havia em Inglaterra um vasto capital
que os comerciantes, os pequenos proprietários rurais e os aristocratas
ansiavam por investir no desenvolvimento industrial, comercial e agrícola
livre de restrições. Este fato era constantemente contrariado pelas
sobrevivências feudais na cidade e no campo e pela política governamental,
que se empenhava deliberadamente, no interesse da antiga classe
dominante terratenente, em restringir a produção e a acumulação de
capital. Assim, ao atacar o estado dos proprietários feudais e a oligarquia
dos grandes mercadores aliados à Corte, que procuravam monopolizar os
lucros, a luta da burguesia era progressiva e representava os interesses do
país como um todo.” (p.47)