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CONTABILIDADE

GERAL
MÓDULO 3:
2019/20
IVA E OPERAÇÕES COM
TERCEIROS
Docentes:
Vasco Salazar Soares
Patrícia Barbedo
Susana Aldeia

Ana Paula Silva

IMP.GE.193.0
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1. CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS, SUJEIÇÃO E ISENÇÃO

CONTA 24 – ESTADO E OUTROS ENTES PÚBLICOS

 Esta conta regista as relações com o Estado, Autarquias Locais e outros Entes
Públicos que tenham características de impostos ou taxas.

 Esta conta serve, assim, para registar as taxas e impostos a pagar ao Estado e às
Autarquias Locais, bem como as dívidas à Segurança Social.

 O imposto é uma prestação pecuniária, unilateral, a pagar ao Estado, por força da


lei, para fazer face às despesas públicas e outros objetivos de caráter económico e
social.

243 – IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO

Esta subconta destina-se a registar as situações decorrentes da aplicação do


Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA).

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243 – Imposto sobre o Valor Acrescentado


SUBCONTAS PREVISTAS PELO SNC PARA A CONTABILIZAÇÃO DO IVA:

2431- IVA SUPORTADO

2432- IVA DEDUTÍVEL

2433- IVA LIQUIDADO

2434- IVA REGULARIZAÇÕES

2435- IVA APURAMENTO

2436- IVA A PAGAR

2437- IVA A RECUPERAR

2438- IVA REEMBOLSOS PEDIDOS

2439- IVA LIQUIDAÇÕES OFICIOSAS

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Estão sujeitas a IVA:


(art.º 1.º do CIVA):

 Transmissões de bens e prestações de serviços efetuadas em território


nacional, a título oneroso, por um sujeito passivo agindo como tal;
 Importações dos bens, ou seja, as aquisições efetuadas a países não
pertencentes à União Europeia (países terceiros);
 Operações (aquisições) intracomunitárias efetuadas no território
nacional, tal como são definidas e reguladas no RITI- Regime do IVA
nas Transações Intracomunitárias.

Exemplo: Aquisição a um fornecedor Suíço.


Trata-se de aquisição intracomunitária ou importação?

Que tipo de operações não estão aqui elencadas, logo,


não sujeitas a IVA?
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 CARACTERIZAÇÃO: O IVA É UM IMPOSTO…

De base comunitária;

INDIRETO: não tem em conta a capacidade tributária dos contribuintes (i.e., o seu
nível de rendimentos);

GERAL SOBRE O CONSUMO: incide sobre a generalidade das despesas de consumo


de bens e serviços;

PLURIFÁSICO: tributa o consumo em todas as suas diferentes fases do circuito


económico;

NÃO CUMULATIVO, i.e., COM PAGAMENTOS FRACIONADOS: não se pretende que


se vá acumulando, pois por força do ‘método do crédito de imposto ou método
subtrativo indireto’ recai apenas sobre o valor acrescentado que se vai criando na
cadeia económica nomeadamente sobre a diferença entre o valor de venda dos bens
e serviços e o valor das compras que os incorporam;

NEUTRO: GERALMENTE (!) NÃO É SUPORTADO PELA EMPRESA, RECAINDO


APENAS NO CONSUMIDOR FINAL. Isto porque o IVA é um imposto sobre o consumo
final, enquanto que a empresa no circuito económico não é consumidora final.
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 VALOR TRIBUTÁVEL ou BASE DE INCIDÊNCIA: O valor sobre o qual incide a taxa
do imposto será constituído pelo valor das vendas e serviços constantes da fatura
com exclusão de descontos, bónus ou abatimentos.

 À possibilidade de subtrair o IVA suportado nas faturas dos fornecedores chama-se


DIREITO À DEDUÇÃO (método do crédito de imposto ou método subtrativo
indireto).

 APURAMENTO DO IMPOSTO: O valor a pagar ao Estado será a diferença entre


o valor liquidado nas vendas e o valor suportado nas compras.

A DEDUÇÃO é o mecanismo fundamental do IVA:

IVA a entregar ao Estado


=
IVA liquidado aos clientes – IVA dedutível das aquisições

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EXERCÍCIO 1

1. Complete o quadro:

IVA suportado nas Imposto a


Prestador de IVA liquidado faturas de entregar ao
serviços aos clientes fornecedores Estado
A 13.000 10.000 ?
3.000
B 10.000 7.500 ?
2.500
C 120.000 50.000 ?
70.000
Total 143.000 67.500 ?
75.500

2. Será mais comum haver IVA a recuperar ou IVA a pagar?...

3. O que poderá explicar a existência de IVA a recuperar?

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EXERCÍCIO 2
Admita-se um determinado circuito económico com os seguintes intervenientes:

Agente Compra Venda IVA 23% IVA 23% IVA a pagar


Económico (C) (V) em C em V ao Estado

Produtor - 100 - 23 23

Grossista 100 150 23 34,5 11,5

Retalhista A 220 B C D
Consumidor
Final E - F - -

IVA Total Recebido pelo Estado G

Complete os quadro indicando os valores em falta conforme assinalado


(A-G).

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Conclusões do exercício 2:

 Não é a empresa que suporta o IVA: o produtor e os intermediários do comércio não


são afetados pelo imposto, pois entregam ao Estado a diferença entre o que cobram
a jusante e o que pagam a montante- A EMPRESA É UM COLETOR DE
IMPOSTOS AO SERVIÇO DO ESTADO!

 É o Consumidor final que suporta o IVA: adquire o bem por 270,6 que resulta de 220
+ o IVA de 50,6.

 Os 50,6 são entregues nos cofres do Estado através de pagamentos fracionados


efetuados pelos 3 primeiros agentes económicos.

 O imposto incide sobre todas as fases do circuito económico.

 O imposto final é proporcional ao preço de venda final do bem (23% de 220).

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CÁLCULOS

IVA = Valor com IVA * taxa de IVA


1+taxa

Valor sem IVA

Valor com IVA = Valor sem IVA * (1+taxa)

EXEMPLO:
Sendo total da fatura = €73,80 (IVA à taxa normal)
a) Qual o valor base (sem IVA)?
b) Qual o valor do IVA?

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OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE:

Em todos os nossos exercícios vamos assumir que os valores


indicados não incluem IVA, exceto se tal for mencionado
explicitamente!

“Venda no valor de €5.000 (IVA à taxa de 6%)”

IVA = ?
“Venda no valor de €5.000 (IVA incluído à taxa de 6%)”

IVA = ?

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ISENÇÕES:

Regra Geral: Só quem liquida IVA nas vendas e prestação de serviços é que
tem direito a deduzir o IVA suportado nas aquisições.

(A) ISENÇÃO SIMPLES ou INCOMPLETA (art. 9º CIVA- Isenções nas


operações internas):
 O sujeito passivo não liquida IVA - o que sucede em diversas
prestações de serviços - mas também não pode deduzir o IVA
suportado nas aquisições;
 O IVA suportado é uma componente do custo dos seus
produtos/serviços sendo repercutido no preço de venda (IVA oculto).

Venda Cliente
Fornecedor
1000 + 230 (IVA) (Isenção Simples)

Venda 2000 + 0
Sobre a empresa cliente em isenção simples: (não liquida IVA)
1- Qual a margem bruta?
2- O cliente em isenção simples tem alguma Cliente Final
relação com o Estado do ponto de vista do
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IVA?
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

Estão isentas do imposto:


1) As prestações de serviços efetuadas no exercício das profissões de médico, odontologista, parteiro,
enfermeiro e outras profissões paramédicas;
2) As prestações de serviços médicos e sanitários e as operações com elas estreitamente conexas efetuadas
por estabelecimentos hospitalares, clínicas, dispensários e similares;
3) As prestações de serviços efetuadas no exercício da sua atividade por protésicos dentários bem como as
transmissões de próteses dentárias efetuadas por dentistas e protésicos dentários;
4) As transmissões de órgãos, sangue e leite humanos;
5) O transporte de doentes ou feridos em ambulâncias ou outros veículos apropriados efetuado por organismos
devidamente autorizados;
6) As transmissões de bens e as prestações de serviços ligadas à segurança e assistência sociais e as
transmissões de bens com elas conexas, efetuadas pelo sistema de segurança social, incluindo as instituições
particulares de solidariedade social. Da mesma isenção beneficiam as pessoas físicas ou jurídicas que efetuem
prestações de segurança ou assistência social por conta do respetivo sistema nacional, desde que não recebam
em troca das mesmas qualquer contraprestação dos adquirentes dos bens ou destinatários dos serviços;
7) As prestações de serviços e as transmissões de bens estreitamente conexas, efetuadas no exercício da sua
atividade habitual por creches, jardins-de-infância, centros de atividade de tempos livres, estabelecimentos para
crianças e jovens desprovidos de meio familiar normal, lares residenciais, casas de trabalho, estabelecimentos
para crianças e jovens deficientes, centros de reabilitação de inválidos, lares de idosos, centros de dia e centros
de convívio para idosos, colónias de férias, albergues de juventude ou outros equipamentos sociais pertencentes
a pessoas coletivas de direito público ou instituições particulares de solidariedade social ou cuja utilidade social
seja, em qualquer caso, reconhecida pelas autoridades competentes, ainda que os serviços sejam prestados fora
das suas instalações;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 1 de 6):

8) As prestações de serviços efetuadas por organismos sem finalidade lucrativa que explorem estabelecimentos
ou instalações destinados à prática de atividades artísticas, desportivas, recreativas e de educação física a
pessoas que pratiquem essas atividades;
9) As prestações de serviços que tenham por objeto o ensino, bem como as transmissões de bens e
prestações de serviços conexas, como sejam o fornecimento de alojamento e alimentação, efetuadas por
estabelecimentos integrados no Sistema Nacional de Educação ou reconhecidos como tendo fins análogos
pelos ministérios competentes;
10) As prestações de serviços que tenham por objeto a formação profissional, bem como as transmissões
de bens e prestações de serviços conexas, como sejam o fornecimento de alojamento, alimentação e material
didático, efetuadas por organismos de direito público ou por entidades reconhecidas como tendo competência
nos domínios da formação e reabilitação profissionais pelos ministérios competentes;
11) As prestações de serviços que consistam em lições ministradas a título pessoal sobre matérias do ensino
escolar ou superior;
12) As locações de livros e outras publicações, partituras musicais, discos, bandas magnéticas e outros suportes
de cultura e, em geral, as prestações de serviços e transmissões de bens com aquelas estreitamente conexas,
desde que efetuadas por organismos sem finalidade lucrativa;
13) As prestações de serviços que consistam em proporcionar a visita, guiada ou não, a bibliotecas, arquivos,
museus, galerias de arte, castelos, palácios, monumentos, parques, perímetros florestais, jardins botânicos,
zoológicos e semelhantes, pertencentes ao Estado, outras pessoas coletivas de direito público ou organismos
sem finalidade lucrativa, desde que efetuadas única e exclusivamente por intermédio dos seus próprios
agentes. A presente isenção abrange também as transmissões de bens estreitamente conexas com as
prestações de serviços referidas;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 2 de 6):

14) As prestações de serviços e as transmissões de bens com elas conexas, efetuadas por pessoas coletivas de
direito público e organismos sem finalidade lucrativa, relativas a congressos, colóquios, conferências,
seminários, cursos e manifestações análogas de natureza científica, cultural, educativa ou técnica;
15) As prestações de serviços efetuadas aos respetivos promotores:
a) Por atores, chefes de orquestra, músicos e outros artistas, atuando quer individualmente quer integrados
em conjuntos, para a execução de espetáculos teatrais, cinematográficos, coreográficos, musicais,
de music-hall, de circo e outros, para a realização de filmes, e para a edição de discos e de outros suportes
de som ou imagem;
b) Por desportistas e artistas tauromáquicos, atuando quer individualmente quer integrados em grupos, em
competições desportivas e espetáculos tauromáquicos;
16) A transmissão do direito de autor ou de direitos conexos e a autorização para a utilização da obra intelectual
ou prestação, definidas no Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos, quando efetuadas pelos
próprios titulares, seus herdeiros ou legatários, ou ainda por terceiros, por conta deles, ainda que o titular do
direito seja pessoa coletiva, incluindo a consignação ou afetação, imposta por lei, dos montantes recebidos
pelas respetivas entidades de gestão coletiva, a fins sociais, culturais e de investigação e divulgação dos
direitos de autor e direitos conexos;
17) A transmissão de exemplares de qualquer obra literária, científica, técnica ou artística editada sob forma
bibliográfica pelo autor, quando efetuada por este, seus herdeiros ou legatários, ou ainda por terceiros, por
conta deles, salvo quando o autor for pessoa coletiva;
18) A cedência de pessoal por instituições religiosas ou filosóficas para a realização de atividades isentas nos
termos deste diploma ou para fins de assistência espiritual;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 3 de 6):

19) As prestações de serviços e as transmissões de bens com elas conexas efetuadas no interesse coletivo dos
seus associados por organismos sem finalidade lucrativa, desde que esses organismos prossigam objetivos
de natureza política, sindical, religiosa, humanitária, filantrópica, recreativa, desportiva, cultural, cívica ou de
representação de interesses económicos e a única contraprestação seja uma quota fixada nos termos dos
estatutos;
20) As transmissões de bens e as prestações de serviços efetuadas por entidades cujas atividades habituais se
encontram isentas nos termos dos n.ºs 2), 6), 7), 8), 9), 10), 12), 13), 14) e 19) deste artigo, aquando de
manifestações ocasionais destinadas à angariação de fundos em seu proveito exclusivo, desde que esta
isenção não provoque distorções de concorrência;
21) As prestações de serviços fornecidas aos seus membros por grupos autónomos de pessoas que exerçam
uma atividade isenta, desde que tais serviços sejam diretamente necessários ao exercício da atividade e os
grupos se limitem a exigir dos seus membros o reembolso exato da parte que lhes incumbe nas despesas
comuns, desde que, porém, esta isenção não seja suscetível de provocar distorções de concorrência;
22) Para efeitos do disposto no número anterior considera-se que os membros do grupo autónomo ainda exercem
uma atividade isenta, desde que a percentagem de dedução determinada nos termos do artigo 23.º não seja
superior a 10%;
23) As prestações de serviços e as transmissões de bens conexas efetuadas pelos serviços públicos postais, com
exceção das telecomunicações;
24) As transmissões, pelo seu valor facial, de selos do correio em circulação ou de valores selados, e bem
assim as respetivas comissões de venda;
25) [Revogado pela Lei n.º 82-D/2014, de 31 de dezembro]
26) As prestações de serviços efetuadas por empresas funerárias e de cremação, bem como as transmissões de
bens acessórias aos mesmos serviços;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 4 de 6):

27) As operações seguintes:


a) A concessão e a negociação de créditos, sob qualquer forma, compreendendo operações de desconto e
redesconto, bem como a sua administração ou gestão efetuada por quem os concedeu;
b) A negociação e a prestação de fianças, avales, cauções e outras garantias, bem como a administração ou
gestão de garantias de créditos efetuada por quem os concedeu;
c) As operações, compreendendo a negociação, relativas a depósitos de fundos, contas correntes,
pagamentos, transferências, recebimentos, cheques, efeitos de comércio e afins, com exceção das
operações de simples cobrança de dívidas;
d) As operações, incluindo a negociação, que tenham por objeto divisas, notas bancárias e moedas, que
sejam meios legais de pagamento, com exceção das moedas e notas que não sejam normalmente
utilizadas como tal, ou que tenham interesse numismático;
e) As operações e serviços, incluindo a negociação, mas com exclusão da simples guarda e administração
ou gestão, relativos a ações, outras participações em sociedades ou associações, obrigações e demais
títulos, com exclusão dos títulos representativos de mercadorias e dos títulos representativos de operações
sobre bens imóveis quando efetuadas por um prazo inferior a 20 anos;
f) Os serviços e operações relativos à colocação, tomada e compra firmes de emissões de títulos públicos ou
privados;
g) A administração ou gestão de fundos de investimento;
28) As operações de seguro e resseguro, bem como as prestações de serviços conexas efetuadas pelos
corretores e intermediários de seguro;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 5 de 6):

29) A locação de bens imóveis. Esta isenção não abrange:


a) As prestações de serviços de alojamento, efetuadas no âmbito da atividade hoteleira ou de outras com
funções análogas, incluindo parques de campismo;
b) A locação de áreas para recolha ou estacionamento coletivo de veículos;
c) A locação de máquinas e outros equipamentos de instalação fixa, bem como qualquer outra locação de
bens imóveis de que resulte a transferência onerosa da exploração de estabelecimento comercial ou
industrial;
d) A locação de cofres-fortes;
e) A locação de espaços para exposições ou publicidade;
30) As operações sujeitas a imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis;
31) A lotaria da Santa Casa da Misericórdia, as apostas mútuas, o bingo, os sorteios e as lotarias instantâneas
devidamente autorizados, bem como as respetivas comissões e todas as atividades sujeitas a impostos
especiais sobre o jogo;
32) As transmissões de bens afetos exclusivamente a uma atividade isenta, quando não tenham sido
objeto do direito à dedução e bem assim as transmissões de bens cuja aquisição ou afetação tenha
sido feita com exclusão do direito à dedução nos termos do n.º 1 do artigo 21.º;
33) [Revogada pela Lei n.º 66-B/2012, de 31 de dezembro - OE]
34) As prestações de serviços efetuadas por cooperativas que, não sendo de produção agrícola, desenvolvam
uma atividade de prestação de serviços aos seus associados agricultores;
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Artigo 9.º - Isenções nas operações internas (CIVA)

(Continuação 6 de 6):

35) As prestações de serviços a seguir indicadas quando levadas a cabo por organismos sem finalidade lucrativa
que sejam associações de cultura e recreio:
a) Cedência de bandas de música;
b) Sessões de teatro;
c) Ensino de ballet e de música;
36) Os serviços de alimentação e bebidas fornecidos pelas entidades patronais aos seus empregados;
37) As atividades das empresas públicas de rádio e televisão que não tenham carácter comercial.

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(B) ISENÇÃO COMPLETA (Taxa zero- art.º 14º CIVA e art.º 14º do RITI):

 É uma isenção na verdadeira aceção da palavra, porque o sujeito passivo não


liquida o IVA nas suas operações, mas tem direito a deduzir o IVA suportado
nas aquisições;
 É o que sucede nas vendas de bens para países comunitários ou terceiros.

Venda Cliente
Fornecedor
1000 + 230 (IVA) (Operador Isento)
Venda 2000 + 0
Sobre o operador isento: (não liquida IVA)
1- IVA dedutível?
2- IVA liquidado? Cliente Final
3- IVA a recuperar?
4- Margem bruta?

Nas operações que beneficiam de isenção completa, os agentes económicos deverão mencionar
nos documentos contabilísticos:
“Exportação - Isento IVA art.º 14º do CIVA”
“Transmissão Intracomunitária - Isento IVA art.º 14º do RITI”.
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RESUMO (MUITO IMPORTANTE)

 REGRA GERAL:

LIQUIDA, LOGO ,DEDUZ

 ISENÇÃO SIMPLES OU INCOMPLETA (REGRA GERAL):


NÃO LIQUIDA, LOGO, NÃO DEDUZ

 ISENÇÃO COMPLETA (EXCEÇÃO À REGRA GERAL):

NÃO LIQUIDA, MAS DEDUZ

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TAXAS:
Estão previstas no art.º 18º do CIVA e variam conforme:
 as operações sejam realizadas no Continente ou nas Regiões Autónomas;
 a natureza da transação.

Regiões Autónomas
Continente Madeira Açores
Taxa Reduzida
6% 5% 4%
(LISTA I)
Taxa Intermédia
(LISTA II) 13% 12% 9%

Taxa Normal
(Restantes importações, transmissões de
23% 22% 18%
bens e prestações de serviços – não
constantes da Lista I ou II)

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 DESDOBRAMENTOS POSSÍVEIS das contas 2431 e 2432 - devem ser
subdivididas de acordo com:

1º) o que se está a adquirir;


2º) a sua origem; e
3º) a taxa aplicável.

ou

1º) o que se está a adquirir;


2º) a taxa aplicável;
3º) a sua origem.

IMP.GE.193.0
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 Atendendo a tais critérios, podemos subdividir a conta 2432 (e de
forma análoga a conta 2431) da seguinte forma:

2432 IVA DEDUTÍVEL


24321 Relativo a inventários
243211 Aquisições território nacional
2432111 Tx reduzida - 6%
Contas de 2432112 Tx intermédia - 13%
movimento!
2432113 Tx normal - 23%
243212 Aquisições países comunitários
....
243213 Aquisições países terceiros
....
24322 Relativo a investimentos
....
24323 Relativo a outros bens e serviços (OBS)
IMP.GE.193.0
….
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IMP.GE.193.0
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2. CONTA 2431- IVA SUPORTADO

 Conta de uso facultativo.


 Debita-se pelo IVA suportado em todas as aquisições de inventários (2431.1),
investimentos (2431.2) ou outros bens ou serviços (2431.3).

 Credita-se por contrapartida de:


 Parcelas dedutíveis: subconta 2432- IVA dedutível, e
 Parcelas de imposto não dedutível: contas inerentes às respetivas aquisições
ou subconta 6812 – Impostos Indiretos quando for caso disso, nomeadamente
por dificuldades de imputação a gastos específicos.

Conta de utilização temporária!

Exemplo:
Aquisição de gasóleo por €369 (IVA incluído à taxa de 23%), p.p.
Proceda ao registo contabilístico, assumindo que:
a) A empresa utiliza a conta 2431;
b) A empresa não utiliza a conta 2431.
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 Conta de uso facultativo.

 A utilização desta conta é aconselhável para as empresas que desenvolvem


atividades com direito à dedução e, simultaneamente, atividades que não conferem
direito à dedução. São sujeitos passivos mistos.

 É o caso de uma empresa que presta serviços de assessoria contabilística e


informática e, simultaneamente, se encontra reconhecida para a prestação de
serviços no âmbito da formação profissional (isentas – art. 9º, nº10 CIVA).

 Neste caso o imposto é apurado com base no método Pro Rata (por oposição à
afetação real).

Percentagem do imposto suportado


nas aquisições que o sujeito
passivo misto poderá deduzir!

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MÉTODO DO PRO RATA:
De acordo com o nº 4 do art.º 23 do CIVA o Pro Rata resulta de uma fração calculada da
seguinte forma:
 Numerador: montante anual, imposto excluído, das transmissões de bens e prestações de
serviços que conferem direito à dedução.

 Denominador: montante anual, imposto excluído, de todas as operações efetuadas pelo sujeito
passivo incluindo operações isentas de imposto.

VN da(s) atividade(s) que confere(m) direito à dedução


VN total da empresa

NOTA:
 O Pro Rata é calculado provisoriamente com base no valor das operações realizadas no ano
anterior.
 Assim, na declaração do último período do ano, a percentagem é corrigida de acordo com os
valores definitivos referentes a esse ano, originando a correspondente regularização, nessa
declaração, das deduções efetuadas (nº 6 do art.º 23º do CIVA).
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EXERCÍCIO 1

 Continuemos o exemplo da empresa que presta serviços de assessoria contabilística e


informática e, simultaneamente, se encontra reconhecida para a prestação de serviços
no âmbito da formação profissional.

 Dados adicionais: Em N-1 a conta 72 apresentava um saldo credor de 350.000 euros,


tendo faturado 280.000 euros de formação profissional.

1. Esta empresa comprou a prazo 100 resmas de papel pelo valor unitário de €2,20
(sujeito a IVA à taxa normal). O IVA é dedutível?

2. Qual o registo contabilístico?

3. Qual o custo do papel?

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EXERCÍCIO 2
Supondo que a empresa X efetuou as seguintes vendas em N:
Vendas tributadas 600
Vendas isentas com direito a dedução 250
Vendas isentas sem direito a dedução 150

Responda às seguintes questões:


1. Justifica-se a utilização da conta 2431?
2. Durante N+1, qual a % do Pro rata a utilizar pela empresa?
3. O que significa?
4. Há alguma retificação a apresentar na última declaração que é entregue em final de
N+1?

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EXERCÍCIO 3
A empresa Y é um sujeito passivo misto:
- Volume de negócios que confere direito à dedução: €200.000;
- Volume de negócios que não confere direito à dedução: €300.000.

1. Proceda ao registo contabilístico da seguinte operação: Pagamento da renda do


estabelecimento: €700, sujeito a IVA à taxa normal.

2. Qual o montante do gasto com a renda?

3. Repita o registo contabilístico assumindo que a empresa não utiliza a conta 2431.

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3. CONTA 2432- IVA DEDUTÍVEL

 Esta conta debita sempre. Porque será?...

 Registam-se nesta conta os montantes do imposto suportado que, dada a sua


natureza, sejam suscetíveis de dedução - caso de aquisições que estejam
diretamente relacionadas com a atividade da empresa (i.e., tenham cariz
necessário).

 Relativamente a despesas em que o Fisco não reconhece o seu


carácter necessário, o IVA não é dedutível (acresce ao custo de
aquisição)!

Art. 21.º CIVA:

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Artigo 21.º - Exclusões do direito à dedução (CIVA)

1 - Exclui-se, todavia, do direito à dedução o imposto contido nas seguintes


despesas:
a) Despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação, à
utilização, à transformação e reparação de viaturas de turismo, de
barcos de recreio, helicópteros, aviões, motos e motociclos. É
considerado viatura de turismo qualquer veículo automóvel, com
inclusão do reboque, que, pelo seu tipo de construção e equipamento, não
seja destinado unicamente ao transporte de mercadorias ou a uma
utilização com carácter agrícola, comercial ou industrial ou que, sendo
misto ou de transporte de passageiros, não tenha mais de nove
lugares, com inclusão do condutor;

Todo o tipo de despesas com VIATURAS DE TURISMO


A reter
= Viaturas ligeiras de passageiros ou mistas até 9 lugares.

Vide exceção das alíneas f) e g)

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Artigo 21.º - Exclusões do direito à dedução (CIVA)

(Continuação 1 de 4)

b) Despesas respeitantes a combustíveis normalmente utilizáveis em viaturas


automóveis, com exceção das aquisições de gasóleo, de gases de petróleo
liquefeitos (GPL), gás natural e biocombustíveis, cujo imposto é
dedutível na proporção de 50%, a menos que se trate dos bens a seguir
indicados, caso em que o imposto relativo aos consumos de gasóleo, GPL,
gás natural e biocombustíveis é totalmente dedutível:
i) Veículos pesados de passageiros;
ii) Veículos licenciados para transportes públicos, excetuando-se os rent-a-car;
iii) Máquinas consumidoras de gasóleo, GPL, gás natural ou biocombustíveis, bem
como as máquinas que possuam matrícula atribuída pelas autoridades
competentes, desde que, em qualquer dos casos, não sejam veículos
matriculados;
iv) Tratores com emprego exclusivo ou predominante na realização de operações
culturais inerentes à atividade agrícola;
v) Veículos de transporte de mercadorias com peso superior a 3500 kg;

IMP.GE.193.0
38
Artigo 21.º - Exclusões do direito à dedução (CIVA)

(Continuação 2 de 4)

c) Despesas de transportes e viagens de negócios do sujeito passivo do


imposto e do seu pessoal, incluindo as portagens;
d) Despesas respeitantes a alojamento, alimentação, bebidas e tabacos e
despesas de receção, incluindo as relativas ao acolhimento de pessoas
estranhas à empresa e as despesas relativas a imóveis ou parte de imóveis
e seu equipamento, destinados principalmente a tais receções;
e) Despesas de divertimento e de luxo, sendo consideradas como tal as que,
pela sua natureza ou pelo seu montante, não constituam despesas normais
de exploração.

2- Não se verifica, contudo, a exclusão do direito à dedução nos seguintes


casos:
a) Despesas mencionadas na alínea a) do número anterior, quando
respeitem a bens cuja venda ou exploração constitua objeto de atividade
do sujeito passivo, sem prejuízo do disposto na alínea b) do mesmo número,
relativamente a combustíveis que não sejam adquiridos para revenda;
IMP.GE.193.0
39
Artigo 21.º - Exclusões do direito à dedução (CIVA)

(Continuação 3 de 4)

b) Despesas relativas a fornecimento ao pessoal da empresa, pelo próprio


sujeito passivo, de alojamento, refeições, alimentação e bebidas, em
cantinas, economatos, dormitórios e similares;
c) Despesas mencionadas nas alíneas a) a d) do número anterior, quando
efetuadas por um sujeito passivo do imposto agindo em nome próprio mas
por conta de um terceiro, desde que a este sejam debitadas com vista a obter
o respetivo reembolso;
d) Despesas mencionadas nas alíneas c) e d), com exceção de tabacos, ambas
do número anterior, efetuadas para as necessidades diretas dos participantes,
relativas à organização de congressos, feiras, exposições, seminários,
conferências e similares, quando resultem de contratos celebrados
diretamente com o prestador de serviços ou através de entidades legalmente
habilitadas para o efeito e comprovadamente contribuam para a realização
de operações tributáveis, cujo imposto é dedutível na proporção de
50%;

IMP.GE.193.0
40
Artigo 21.º - Exclusões do direito à dedução (CIVA)
(Continuação 4 de 4)
,

e) Despesas mencionadas na alínea c) e despesas de alojamento, alimentação


e bebidas previstas na alínea d), ambas do número anterior, relativas à
participação em congressos, feiras, exposições, seminários,
conferências e similares, quando resultem de contratos celebrados
diretamente com as entidades organizadoras dos eventos e
comprovadamente contribuam para a realização de operações
tributáveis, cujo imposto é dedutível na proporção de 25%.
f) Despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação e à
transformação em viaturas elétricas ou híbridas plug-in, de viaturas
ligeiras de passageiros ou mistas elétricas ou híbridas plug-in, quando
consideradas viaturas de turismo, cujo custo de aquisição não exceda o
definido na portaria a que se refere a alínea e) do n.º 1 do artigo 34.ºdo
Código do IRC;
g) Despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, à locação e à
transformação em viaturas movidas a GPL ou a GNV, de viaturas ligeiras
de passageiros ou mistas movidas a GPL ou a GNV, quando consideradas
viaturas de turismo, cujo custo de aquisição não exceda o definido na
IMP.GE.193.0 portaria a que se refere a alínea e) do n.º 1 do artigo 34.ºdo Código do IRC,
na proporção de 50%.
41
Portaria n.º467/2010 Valor a que se refere a alínea e) do
n.º1 do art.º 34º do CIRC:

Limites ao custo de aquisição para dedutibilidade do


IVA nas viaturas de turismo:
€62 500 Movidas exclusivamente a energia elétrica

€50 000 Veículos híbridos plug-in (1)

Veículos movidos a gases de petróleo liquefeito


€37 500
(GPL) ou gás natural veicular (GNV)

thresholds são valores sem IVA

(1) Um automóvel híbrido plug-in é um automóvel híbrido cuja bateria utilizada para alimentar o
motor elétrico pode ser carregada diretamente por meio de uma tomada. Em regra, possui as
mesmas características dos automóveis híbridos convencionais, tendo um motor elétrico e um
motor a explosão de apoio. No híbrido tradicional a bateria é carregada unicamente por meio
do motor a explosão.

IMP.GE.193.0
42
EXEMPLOS PRÁTICOS
Proceda ao registo contabilístico das seguintes operações:

 Compra a prazo de viatura ligeira de mercadorias: €15.000, sujeito a IVA à


taxa normal.

 Fatura-recibo da oficina Roda Sempre relativa à reparação da viatura


ligeira de passageiros: €1.500, sujeito a IVA à taxa normal.

 Aquisição a 90 dias de barco de recreio pela empresa DouroAzul:


€900.000, sujeito a IVA à taxa normal.

 Aquisição de viatura ligeira de passageiros movida a GPL: €18.000, sujeito


a IVA à taxa normal. Pagamento imediato de 50% através de cheque.

IMP.GE.193.0
43
=MOVIMENTAÇÃO=

Pela aquisição de inventários

Sistema de Inventário Permanente (SIP) *:

311/312/313 32/33/37

Entrada em Armazém

* Operação de fim de período se a empresa utiliza o Sistema de Inventário Intermitente ou Periódico.

IMP.GE.193.0
44
Pela aquisição de AFT (Investimentos)

Pela aquisição de outros bens e serviços (OBS)

278

IMP.GE.193.0
45
4. AQUISIÇÃO DE INVENTÁRIOS

4.1 Movimentação da Conta 31 COMPRAS

 Regista-se na conta 31 o custo das aquisições de matérias primas e de bens


armazenáveis (inventários) destinados ao consumo ou à venda.

 Conforme detalhado a seguir, na conta 31 registamos todos os dispêndios


necessários à obtenção do inventário dentro de portas, apto ao fim a que se
destina.

Na conta 31 registam-se também as despesas adicionais de compras (em


subconta própria)

IMP.GE.193.0
46
Enquadramento na NCRF 18- Inventários:

Despesas
Preço de Custo de
Adicionais de
Compra Compra
Compra

+ - Direitos de importação e outros


impostos (que não sejam
subsequentemente recuperáveis);
Conta 6253 + - Custos de transporte, manuseamento e
outros custos diretamente atribuíveis à
aquisição;
Descontos financeiros - - Descontos comerciais
IMP.GE.193.0
47
E QUAIS AS CONTAS DE MOVIMENTO?

1º) a sua origem; e


2º) a taxa aplicável.

31 Compras
311 Mercadorias
311.1 Mercado nacional Subdivisão por
311.2 Países comunitários Território, comum às
311.3 Países terceiros contas 311, 312 e 313

Acresce a Desintegração por Taxas de IVA, quando este é dedutível:


311.1 Mercado nacional
311.1.1 Com IVA Dedutível
311.1.1.1 IVA 1 (6%)
Contas de
311.1.1.2 IVA 2 (13%)
movimento
311.1.1.3 IVA 3 (23%)

IMP.GE.193.0
48

IMP.GE.193.0
49

NOTA: Poderá criar-se uma subconta própria para movimentar as


Despesas Adicionais de Compra, igualmente desintegrada por
território e taxas de IVA; por exemplo:

311.4 Despesas Adicionais de Compras

3114.1 Relativ. Aquisições no Território Nacional

31141.1 Taxa Reduzida

Contas de 31141.2 Taxa Intermédia


movimento
31141.3 Taxa Normal

IMP.GE.193.0
50
Movimentação geral da conta:
AD
AC
31 Compras
- Preço de Compra - Devoluções de compras
- Despesas Adicionais - Descontos e abatimentos de
de Compra natureza comercial
- Anulações e correções em baixa de
faturas
- Pela entrada de bens em armazém

Nota: A conta compras é uma conta meramente transitória, i.e., não é conta de balanço
nem de Dem. Resultados: a conta é saldada em contrapartida da respetiva subconta
da classe 3 (32, 33 ou 37) para se registar a entrada em armazém. Quando?
- Se inventário permanente: durante o período de forma ‘permanente’ (mensal, no
mínimo);
- Se inventário periódico (intermitente): no final do período.

IMP.GE.193.0
51
EXEMPLO
Uma empresa adquire mercadorias a um fornecedor.

Na fatura figura um preço bruto de 500€, tendo sido obtido sobre o preço anterior um
desconto de quantidade de 30€, e um desconto por pronto pagamento de 40€.

A empresa compradora é também responsável pelo transporte das mercadorias que


ascende a 10€.

Pedidos:

1. Qual é o custo de aquisição destas mercadorias (valor da conta 31)?

2. Proceda ao registo contabilístico da operação assumindo que os valores estão sujeitos


a IVA à taxa normal, e a empresa adota o sistema de inventário permanente.

NOTA: Assuma o código de contas que se segue:

IMP.GE.193.0
52
53
4.2 Movimentação da Conta 22 FORNECEDORES

 “Regista os movimentos com os vendedores de bens e de serviços, com


exceção dos destinados aos investimentos da entidade” (SNC: Código de
Contas/Notas de enquadramento).

 Enquadra-se na definição de passivo financeiro, enquanto obrigação contratual de


entregar dinheiro a outra entidade (NCRF 27, §5).

221 – FORNECEDORES c/c

 Incluem-se nesta conta todos os registos resultantes de compras de bens e


serviços, para utilização ou consumo na atividade corrente da empresa,
desde que:
Qual a conta
apropriada - não sejam titulados;
em cada - não estejam em receção ou conferência;
uma destas
situações? - não sejam destinados a investimentos (classe 4) da entidade.

IMP.GE.193.0
54
Código de Contas - Desdobramento

22 Fornecedores
221 Fornecedores c/c
2211 Fornecedores Gerais
2212 Fornecedores- empresa-mãe
2213 Fornecedores- empresas subsidiárias
2214 Fornecedores- empresas associadas
2215 Fornecedores- empreendimentos conjuntos
2216 Fornecedores- outras partes relacionadas Fornecedores-
Partes
Relacionadas

IMP.GE.193.0
55
E QUAIS AS CONTAS DE MOVIMENTO?

22 Fornecedores
221 Fornecedores c/c
2211 Fornecedores Gerais
2211.1 Mercado nacional
Contas de 22111.0001 Fornecedor X
movimento 22111.0002 Fornecedor Y
± dígitos…


2211.2 Países comunitários

2211.3 Países terceiros

IMP.GE.193.0
56

IMP.GE.193.0
57
Movimentação geral da conta:
PC
PD

22 Fornecedores
Inexistente na conta 31.
- Pagamentos - SIN = SFN-1
Porquê?
- Notas de crédito de - Faturas de fornecedores
fornecedores (descontos
fora da fatura, devolução - Notas de débito de fornecedores
(correções em alta de faturas, e
de compras, enganos)
cobrança de despesas de
- Regularizações de transporte)
adiantamentos efetuados

Exemplo:
Comprámos mercadorias no valor de €5.000 (IVA incluído). Considere 2 cenários
relativamente a esta operação:
a) v/ Fatura: €4.000
b) v/ Fatura: €6.000
Que documento adicional deverá o fornecedor emitir?
58
225 - FATURAS EM RECEÇÃO E CONFERÊNCIA

 Contabilização provisória: a conta 225 serve para regista as compras cujas


faturas estão ainda por lançar na conta 221 Fornecedores c/c. Porquê?
Faturas não recebidas: as faturas ainda não chegaram à empresa; ou
Faturas recebidas: as faturas ainda não foram conferidas.

 MOVIMENTAÇÃO:
 Pelas faturas recebidas e não conferidas, ou cuja chegada se aguarde
(registo provisório):

31x 24321 225


X Y X+Y

 Pela contabilização definitiva da fatura:


221 225
X+Y X+Y

IMP.GE.193.0
59
5. CONTA 2433- IVA LIQUIDADO

 Evidencia a dívida da empresa ao Estado decorrente da venda de bens ou


prestação de serviços aos seus clientes.
 Logo, esta conta credita sempre.

 Em concreto, credita-se pelas seguintes situações:


 IVA liquidado nas faturas emitidas pela empresa;

“Operações Gerais”
 Autoconsumo externo (definido a seguir);
 Transmissão de bens ou prestação de serviços gratuitos pela empresa;
 Ofertas de inventários próprios.
“Autoconsumos e Operações
Gratuitas”
Subdivisão para a conta 2433:
24331 Operações gerais Acresce subdivisão por
território e taxas do IVA tal
24332 Autoconsumos e operações gratuitas como para a conta 2432
60
MOVIMENTAÇÃO

IVA liquidado– Operações gerais (Subconta 24331)

Venda de inventários ou prestação de serviços:


71 /72
N/ Fatura-recibo N/ Fatura
Valor do
bem/Prestação de 11/12/2111
serviço

24331
Imposto
devido

Sistema de Inventário Permanente (SIP)*:

32 61

Custo da venda
Inexistência de IVA!

* Operação de fim de período se a empresa utiliza o Sistema de Inventário Intermitente.


61
Despesas com vendas:

A. Bens transportados por uma terceira empresa

Pagamento ao transportador
Só na venda!...
11/12 6253 2432.3
€ € €

Se despesa suportada pelo cliente: envio de nota de débito ao cliente

7888 /6253 2433.1 2111


€ € €

B. Bens transportados pelo vendedor por conta do cliente

Fornecedor EMPRESA Cliente


IVA IVA
725 Dedutível 2433.1 Liquidado211

€ € €
IMP.GE.193.0
62
24332 – AUTOCONSUMOS E OPERAÇÕES GRATUITAS

Deverá registar-se a crédito nesta conta o imposto suportado pela empresa


respeitante a:

 Autoconsumo externo - afetação/utilização de bens da empresa para fins alheios


aos da empresa (retirada de bens do ANC ou AC da empresa com destino ao
património pessoal ou consumo final), desde que, na sua aquisição, tenha havido
dedução total ou parcial do imposto suportado;

 Afetação de bens a setores isentos [art. 9º CIVA- isenção simples], quando


relativamente a esses bens tenha havido dedução total ou parcial do imposto
suportado na sua aquisição;

 Prestação de serviços gratuitos pela empresa, quer aos seus titulares, quer ao
pessoal ou outras entidades (ex.: oficina mecânica que efetua reparações gratuitas
a veículos da gerência ou do pessoal);

 Ofertas de inventários próprios ou outros bens.

IMP.GE.193.0
63
24332 – AUTOCONSUMOS E OPERAÇÕES GRATUITAS

Ofertas de Inventários Próprios

Pela oferta: ‡ 6234!....

38x 6884 – Ofertas e amostras de inventários

32 38
SIP

Pela liquidação do IVA:

24332 6884 / 6812

Taxa IVA * Preço custo

IMP.GE.193.0
64

Nota: De acordo com o nº 7 do art.º 3º do CIVA, não é obrigatória a liquidação


de IVA, mesmo que tenha havido dedução na sua aquisição:

1. No caso de bens não destinados a posterior comercialização que, pelas suas


características, ou pelo tamanho ou formato diferentes, visem, sob a forma de
amostra, apresentar ou promover bens produzidos ou comercializados pelo
próprio sujeito passivo;

2. Quando o valor unitário da oferta seja igual ou inferior a 50€ (IVA excluído)
e cujo valor global anual não exceda 5 por mil do volume de negócios do
sujeito passivo no ano civil anterior.

IMP.GE.193.0
65
24332 – AUTOCONSUMOS E OPERAÇÕES GRATUITAS

Liquidação do IVA em autoconsumos e operações gratuitas:

24332 6812

Taxa IVA * Preço custo

IMP.GE.193.0
66
RESUMO esquemático

Venda / PS
FISCO Empresa Cliente
Entrega IVA que Entrega IVA (além
Liquidou ao Cliente do preço base)

O IVA não é suportado pela empresa!

FISCO Empresa
Entrega IVA
Liquidado do seu
próprio bolso
O IVA é suportado pela empresa!

IMP.GE.193.0
67
6. VENDA DE INVENTÁRIOS

6.1 Movimentação da Conta 21 CLIENTES

 “Regista os movimentos com os compradores de mercadorias, de produtos e de


serviços” (SNC: Código de Contas/Notas de enquadramento).

 Enquadra-se na definição de ativo financeiro, enquanto direito contratual de receber


dinheiro de outra entidade (NCRF 27, §5).

211 – CLIENTES c/c

 Regista os movimentos efetuados pela empresa com os seus clientes, desde que:
 não sejam titulados;
 não sejam de cobrança duvidosa;
 sejam da atividade corrente da empresa.

IMP.GE.193.0
68
Código de Contas - Desdobramento

21 Clientes
211 Clientes c/c
2111 Clientes Gerais
2112 Clientes- empresa-mãe
2113 Clientes- empresas subsidiárias
2114 Clientes- empresas associadas
2115 Clientes- empreendimentos conjuntos
2116 Clientes- outras partes relacionadas Clientes - Partes
Relacionadas

IMP.GE.193.0
69
E QUAIS AS CONTAS DE MOVIMENTO?

21 Clientes
211 Clientes c/c
2111 Clientes Gerais

2111.1 Mercado nacional


Contas de 21111.0001 Cliente X
movimento 21111.0002 Cliente Y
± dígitos…

2111.2 Países comunitários

2111.3 Países terceiros

IMP.GE.193.0
70

IMP.GE.193.0
71
Movimentação geral da conta:
AD
AC
21 CLIENTES
- SIN = SFN-1 - Pagamentos de clientes
- Vendas a crédito (N/ - N/ Notas de crédito
Fatura) (descontos, devolução de
- N/ Notas de débito vendas, enganos/correção em
(correções em alta de baixa de faturas)
faturas, cobrança de - Anulação de adiantamentos
despesas de transporte, de clientes
etc.)

Exemplo:
Vendemos mercadorias no valor de €5.000 (IVA incluído). Considere 2 cenários
relativamente a esta operação:
a) n/ Fatura: €4.000
b) n/ Fatura: €6.000
IMP.GE.193.0
Que documento adicional deveremos emitir?
72
6.2 Movimentação da Conta 71 VENDAS

 Regista-se nesta conta os réditos resultantes da venda a clientes dos bens


decorrentes da atividade normal da empresa.

 Os valores inscritos nesta conta representam a principal fonte de receitas


da empresa comercial/industrial.

 Desintegração da conta 71:


71 Vendas
711 Mercadorias
711.1 Mercado nacional
711.1.1 Não Isentas de IVA
711.1.1.1 IVA 1 (6%)
Contas de
711.1.1.2 IVA 2 (13%)
movimento
711.1.1.3 IVA 3 (23%)

IMP.GE.193.0
73

IMP.GE.193.0
74
7. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

 A conta 72 “respeita aos trabalhos e serviços prestados que sejam próprios dos
objetivos ou finalidades principais da entidade. Poderá integrar os materiais
aplicados, no caso de estes não serem faturados separadamente”. (SNC: Código
de Contas/Notas de enquadramento).

 REGRA GERAL: Os serviços prestados são reconhecidos como réditos quando o


serviço é “entregue” ao cliente e faturado.

 No encerramento do período, deve ser apurada a fase de acabamento em que a


prestação de serviços se encontra, a qual pode ser obtida através da
percentagem dos custos já incorridos face aos custos totais previstos, e ajustado
o rédito imputado ao período- a estudar em Contabilidade Financeira

IMP.GE.193.0
75
Movimentação geral da conta:

1.Prestação de serviços a pronto

72x Prestação serv. 24331xx 11/12


€ € €

2. Prestação de serviços a crédito

72x Prestação serv. 24331xx 211xxxx


€ € €

IMP.GE.193.0
76
REVISÃO
Proceda ao registo contabilístico das seguintes operações, assumindo o sistema de
inventário permanente e indicando as contas de movimento compiladas no slide
seguinte:

1. Venda de mercadorias a C1 no valor de €1.500, com um lucro de 20% sobre o preço de custo. N/
fatura - recibo n.º 1 (IVA de 23%).

2. Pagamento em dinheiro de despesas de transporte (V/ fatura-recibo n.º34/2014): €50, sujeito a


IVA à taxa normal. Posteriormente foi enviada ao cliente a nota de débito correspondente, visto
esta despesa ser da sua conta.

3. A empresa X dedica-se à comercialização de mobiliário. Por ocasião do Natal, decidiu oferecer ao


seu melhor cliente uma caneta de coleção: €320 + IVA, valor pago através de cartão de crédito.

4. Proceda ao registo da operação anterior, assumindo que a oferta, no mesmo valor, consistiu num
móvel.

5. Fatura-recibo da transportadora “Leva tudo”, paga em cheque, referente ao transporte de


mercadorias adquiridas ao Fornecedor “Vende tudo”: €200 (IVA à taxa normal).

IMP.GE.193.0
78
8. CONTA 2434- IVA REGULARIZAÇÕES

8.1 Conceito

 Regista as correções de imposto apuradas nos termos do CIVA.

 Estas regularizações, motivadas por erros ou omissões no apuramento do imposto,


devoluções, descontos e abatimentos (FORA da fatura!), rescisões ou reduções de
contratos, anulações e incobrabilidade de créditos, roubos, sinistros, etc., conforme
situações previstas no CIVA, poderão originar imposto a favor do sujeito passivo ou a
favor do Estado.

 Apesar do Código de contas do SNC não fazer menção a subcontas da conta 2434, a
mesma deve ser subdividida da seguinte forma:

24341-Mensais (ou trimestrais) a favor da empresa


24342- Mensais (ou trimestrais) a favor do Estado

IMP.GE.193.0
79

IMP.GE.193.0
80
24341 - IVA Regularizações a favor da Empresa

 Debita-se (sempre!) pelo imposto resultante de operações que reduzem o


montante de imposto liquidado.

 Exemplos:
 Devoluções de vendas (por clientes)  IVA Liquidado
 Descontos concedidos a clientes fora da fatura  IVA Liquidado
 Anulação de adiantamentos dos clientes  IVA Liquidado

IMP.GE.193.0
81
24342 - IVA Regularizações a favor do Estado

 Credita-se (sempre!) pelo imposto resultante de operações que reduzam o


montante de imposto dedutível.

 Exemplos:
 Devoluções de compras (a fornecedores) IVA Dedutível
 Descontos concedidos por fornecedores fora da fatura  IVA Dedutível
 Anulação de adiantamentos a fornecedores  IVA Dedutível

IMP.GE.193.0
82
RESUMO Conta de IVA por Tipo de Documento

V/ fatura IVA Dedutível


D

IVA Regulariz.
V/ NC A favor Estado
(IVA Dedutível)
C

N/ fatura IVA Liquidado


C

IVA Regulariz.
N/ NC A favor empresa
(IVA Liquidado)
D

Sempre que há uma NC, movimentamos IVA


IMP.GE.193.0
Regularizações!!
83
8.2 Operações Sujeitas a Regularização do IVA: NA COMPRA

A. Devolução de Compras

Fornecedor

Devolução de COMPRAS

EMPRESA

Devolução de VENDAS

Cliente

IMP.GE.193.0
84
Devolução de Compras
versus
Devolução de Vendas

Compras
Fornecedor Empresa
Devolução de Compras

Vendas
Empresa Cliente
Devolução de Vendas

Compras Vendas
Fornecedor Empresa Cliente
Devolução de Devolução
Compras de Vendas
IMP.GE.193.0
85
REGISTO:
317
Valor dos bens
devolvidos 2211

24342
Correção de
Imposto

Qual o documento subjacente?...


Sistema de Inventário Permanente (SIP):

32/33/37 317

Saída de Armazém

EXEMPLO
Nota de crédito de F2 referente à devolução de €800 de mercadorias por defeito de
fabrico (IVA à taxa de 23%). OBS.: Assuma o SIP!
IMP.GE.193.0
86
B. Descontos Obtidos em Compras
DESCONTOS COMERCIAIS
Têm que ver com aspetos relacionados com o inventário (mercadoria, matéria
prima…), normalmente relacionados com quantidades:
- Descontos de quantidade
- Abatimentos de revenda
- Bónus

Estes descontos abatem ao valor da compra.

DESCONTOS FINANCEIROS
Estão relacionados com prazos de pagamento:
- Descontos de pronto pagamento
- Descontos de antecipação de pagamento.

Estes descontos não afetam o valor da compra (uma vez que estão associados ao
financiamento da atividade) e representam um rédito para a empresa.

IMP.GE.193.0
87
EM AMBOS OS CASOS (D. COMERCIAIS e D. FINANCEIROS):

 Os descontos podem ser concedidos aquando da emissão da fatura


(dentro da fatura), ou em momento posterior (fora da fatura), havendo,
neste último caso necessidade de emissão de nota de crédito.

No caso dos descontos obtidos em compras, será N/ NC ou V/ NC?

 Nos descontos dentro da fatura (rever conceito “valor tributável”):

IVA dedutível = taxa aplicável * (valor compras – desconto)

 Só nos descontos fora da fatura, há lugar a IVA regularizações.

IMP.GE.193.0
88
RESUMO:

Classificação dos Formas de


descontos concessão Contabilização

O desconto não se contabiliza, ou seja,


regista-se a aquisição pelo valor liquido de
Incluídos na fatura
desconto (valor mercadoria – desconto):
Descontos 311- d / 2432- d / 221- c
comerciais
Este desconto diminui o valor da compra
Fora da fatura (nota de através da subconta de compras 318:
crédito do fornecedor) 318- c (pelo valor do desconto) / 24342 – c /
221 - d

O desconto é um rédito (conta 782). O valor


Incluídos na fatura que é registado na conta 31-compras não
Descontos sofre qualquer impacto.
Financeiros
Fora da fatura (nota de Só se movimenta IVA regulariz. se obtido fora
crédito do fornecedor) da fatura.

IMP.GE.193.0
89
EXEMPLO 1
Fatura n.º200/2013 do fornecedor “Vende Tudo, Lda.” pela aquisição de mercadorias no
valor de €1.000 (IVA 23%), tendo sido obtido um desconto de quantidade de 10%.

Observação: Para focar a atenção no


tratamento dos descontos, vamos
assumir o sistema de inventário
intermitente!

IMP.GE.193.0
90
EXEMPLO 2

Dia 02/03/2013: Fatura n.º200/2013 do fornecedor “Vende Tudo, Lda.” pela aquisição de
mercadorias no valor de €1.000 (IVA 23%).

311 2432 2211


1.000 230 1.230

Dia 12/03/2013: Nota de crédito n.º122/2013 do fornecedor “Vende Tudo, Lda.” pela
concessão de um desconto comercial de 10% relativamente às mercadorias adquiridas
dias antes.

Qual o montante
Qual Qual o saldo
o saldo deconta
da IVA
de fornecedores
a31
receber do Estado
no
(2 dígitos) noexemplo
no exemplo
exemplo1 1e eno
noexemplo
1exemplo
e no exemplo
2?
2? 2?

IMP.GE.193.0
91
EXEMPLO 3
Fatura-recibo n.º204/2013 do fornecedor “Vende Tudo, Lda.” pela aquisição de mercadorias
no valor de €1.000 (IVA 23%), tendo sido obtido um desconto de p.p. de 10%.

IMP.GE.193.0
92
EXEMPLO 4

Dia 02/03/2013: Fatura n.º200/2013 do fornecedor “Vende Tudo, Lda.”


= Exemplo 2

pela aquisição de mercadorias no valor de €1.000 (IVA 23%).

311 2432 2211


1.000 230 1.230

Dia 05/03/2013: Nota de crédito n.º122/2013 do fornecedor “Vende Tudo,


Lda.” pela concessão de um desconto financeiro de 10% relativamente às
mercadorias adquiridas dias antes.

IMP.GE.193.0
93
C. Adiantamentos Efetuados

Fornecedor

Adiantamentos EFETUADOS

EMPRESA

Adiantamentos RECEBIDOS

Cliente

IMP.GE.193.0
94
Adiantamentos monetários:
adiantamentos efetuados a fornecedores relativamente a transações cujo
preço não esteja previamente fixado.

Registo na conta 228 – Adiantamentos a fornecedores.


Pela receção da fatura final, tais valores serão transferidos para as
respetivas subcontas da conta 221 (anulação do adiantamento).

Adiantamentos não monetários:


adiantamentos efetuados a fornecedores relativamente a transações cujo
preço está previamente fixado (‘sinal’).

Registo na conta 39 – Adiantamentos por conta de compras.


Pela receção da fatura final tais valores devem ser transferidos para as
respetivas subcontas da conta 221 (anulação do adiantamento).

IMP.GE.193.0
NOTA: Se estivermos a falar de adiantamentos por conta de investimentos (ao invés de
inventários): conta 455 (PV fixado) e conta 2713 (PV não fixado).
95
FAQ do ‘novo’ regime de faturação (pós 1/1/2013):

Continua a ser possível a emissão do documento “adiantamento de clientes” como


forma de reconhecimento do valor adiantado e recebido, ou pelo contrário, existe a
obrigação imediata de emissão da fatura referente a esse valor?

NÃO: deve ser emitida fatura pelo valor referente ao adiantamento no


momento em que ocorra a respetiva perceção.

Aplicando ao contexto, quem efetua o adiantamento


deverá rececionar uma fatura-recibo!

O IVA torna-se exigível no momento do recebimento do


adiantamento, relativamente ao montante recebido (c) do n.º1 e n.º2 do
art.º 8º - CIVA)

IMP.GE.193.0
96
Pelo Adiantamento Efetuado (V/ fatura-recibo):

11/12 228/39
Adiantam.
2432
Imposto
dedutível

Aquando da entrega dos Bens:


Vamos assumir que fornecedor emite 1. fatura pelo valor global dos bens entregues, e
simultaneamente emite 2. nota de crédito para anulação do adiantamento (OBS.: esta
NC deve fazer remissão para ambas as faturas- a do adiantamento e a final)

1) Receção da fatura final do Fornecedor:


311
2211
Valor global
dos bens
2432
Imposto
IMP.GE.193.0
dedutível
97
2) Pela regularização /anulação do Adiantamento:

228/39
Valor do 2211
adiantam.

24342
Correção do
Imposto

IMP.GE.193.0
98
EXEMPLO
Proceda ao registo das seguintes operações, assumindo o sistema de inventário
intermitente:

1. Fatura-recibo n.º18 de F1 no valor de €738 (n/ cheque n.º 9876 sobre o Banco
X) correspondente ao adiantamento de 30% do valor da mercadoria pedida na
n/ nota de encomenda n.º1.

2. Fatura n.º29 a 60 dias de F1 relativa à encomenda da operação anterior, e NC


n.º12 relativa à anulação do adiantamento. Da fatura consta o valor da
mercadoria: €2.000 e um abatimento de 5%.

IMP.GE.193.0
99
8.3 Operações Sujeitas a Regularização do IVA: NA VENDA

A. Devolução de Vendas

Fornecedor

Devolução de COMPRAS

EMPRESA

Devolução de VENDAS

Cliente

IMP.GE.193.0
100
REGISTO

717
2111
Valor dos bens
devolvidos
24341
Correção do
Imposto

Qual o documento subjacente?...

Sistema de Inventário Permanente:

611 32

Entrada em Armazém /
Anulação do Custo da
Venda

IMP.GE.193.0
101
EXEMPLO
Nota de crédito a C2, referente à devolução de €800 de mercadorias com defeito de
fabrico (IVA à taxa de 23%).

Esta devolução diz respeito a um lote de mercadorias vendidas por €3.000 e que
tinham custado €1.800.

IMP.GE.193.0
102
B. Descontos Concedidos em Vendas
DESCONTOS COMERCIAIS
Têm que ver com aspetos relacionados com o inventário (mercadoria, matéria
prima…), normalmente relacionados com quantidades:
- Descontos de quantidade
- Abatimentos de revenda
- Bónus

Estes descontos abatem o valor da venda.

DESCONTOS FINANCEIROS
Estão relacionados com prazos de recebimento:
- Descontos de pronto pagamento
- Descontos de antecipação de pagamento.

Estes descontos não afetam o valor da venda e representam um gasto para a


empresa.

IMP.GE.193.0
103
EM AMBOS OS CASOS (D. COMERCIAIS e D. FINANCEIROS):

 Os descontos podem ser concedidos aquando da emissão da fatura


(dentro da fatura), ou em momento posterior (fora da fatura), havendo,
neste último caso necessidade de emissão de nota de crédito.

No caso dos descontos concedidos em vendas, será N/ NC ou V/ NC?

 Nos descontos dentro da fatura (rever conceito “valor tributável”):

IVA liquidado = taxa aplicável * (valor vendas – desconto)

 Só nos descontos fora da fatura, há lugar a IVA regularizações.

IMP.GE.193.0
104
RESUMO:

Classificação Formas de
dos descontos concessão Contabilização

O desconto não se contabiliza, ou seja,


regista-se a venda pelo valor liquido de
Incluídos na fatura
desconto (valor mercadoria – desconto):
Descontos 711 – c / 24331 – c / 211- d
comerciais
Fora da fatura (a Este desconto diminui o valor das vendas
empresa emite nota através da subconta 718: 718 - d (pelo
de crédito ao cliente) valor do desconto) / 24341- d / 211- c

O desconto é um gasto (682). O valor


Incluídos na fatura que é registado na conta 71 não sofre
Descontos qualquer impacto.
Financeiros
Fora da fatura (nota Só se movimenta IVA regulariz. se
de crédito ao cliente) concedido fora da fatura.

IMP.GE.193.0
105
EXEMPLO 1
N/ Fatura n.º540/2013 sobre o cliente “Compra Tudo, Lda.” pela venda de mercadorias
no valor de €1.000 (IVA 23%), tendo sido concedido um desconto de quantidade de 10%.

Observação: Para focar a atenção no


tratamento dos descontos, vamos
assumir o sistema de inventário
intermitente!

IMP.GE.193.0
106
EXEMPLO 2

Dia 02/03/2013: N/ Fatura n.º320/2013 sobre o cliente “Compra Tudo, Lda.” pela venda
de mercadorias no valor de €1.000 (IVA 23%).

Dia 12/03/2013: N/ Nota de crédito n.º68/2013 sobre o cliente “Compra Tudo, Lda.” pela
concessão de um desconto comercial de 10% relativamente às mercadorias vendidas
dias antes.

IMP.GE.193.0
107
EXEMPLO 3

N/ Fatura-recibo n.º540/2013 sobre o cliente “Compra Tudo, Lda.” pela venda de


mercadorias no valor de €1.000 (IVA 23%), tendo sido concedido um desconto de p.p.
de 10%.

IMP.GE.193.0
108
EXEMPLO 4

Dia 02/03/2013: N/ Fatura n.º320/2013 sobre o cliente “Compra Tudo, Lda.” pela
= Exemplo 2

venda de mercadorias no valor de €1.000 (IVA 23%).

Dia 05/03/2013: N/ Nota de crédito n.º68/2013 sobre o cliente “Compra Tudo,


Lda.” pela concessão de um desconto financeiro de 10% relativamente às
mercadorias vendidas dias antes.

IMP.GE.193.0
109
C. Adiantamentos Recebidos

Fornecedor

Adiantamentos EFETUADOS

EMPRESA

Adiantamentos RECEBIDOS

Cliente

IMP.GE.193.0
110
Adiantamentos monetários:
Adiantamentos recebidos de clientes relativamente a transações cujo preço não está
previamente fixado.

Registo na conta 218 – Adiantamentos de Clientes.


Pela emissão da fatura final, estas verbas serão transferidas para as respetivas
contas na rubrica 211-Clientes c/c.

Adiantamentos não monetários:


Adiantamentos recebidos de clientes relativamente a transações cujo preço está
previamente fixado.

Registo na conta 276 – Adiantamentos por conta de Vendas.


Pela emissão da factura final, estas verbas serão transferidas para as respetivas
contas na rubrica 211-Clientes c/c.

IMP.GE.193.0
111
Pelo Adiantamento Recebido (N/ fatura ou fatura-recibo)

218/276 11/12
Adiantam.

24331
Imposto
devido

Aquando da entrega dos Bens


Vamos assumir que nós empresa vendedora, emitimos 1. fatura pelo valor global dos
bens entregues, e simultaneamente 2. nota de crédito para anulação do adiantamento
recebido
(OBS.: esta NC deve fazer remissão para ambas as faturas- a do adiantamento e a final)

1) Envio da fatura final ao Cliente:

71/72
Valor global 2111

24331
Imposto
devido
112
2) Pela regularização /anulação do Adiantamento:

2111 218/276
Valor do
adiantam.

24341
Correção
Imposto

IMP.GE.193.0
113
EXEMPLO
1. Venda a prazo a C2 (n/fatura nº 2) de mercadoria no valor de €3.000, com IVA
liquidado à taxa de 23% e cujo preço de custo fora €1.800.

2. O cliente havia transferido no início do mês €1.107 por conta deste fornecimento de
mercadorias (sem conhecer o preço a praticar).

IMP.GE.193.0
114
9. CONTA 2435- IVA APURAMENTO

 Afinal temos IVA a pagar (2436) ou temos IVA a recuperar (2437)?


 A conta 2435 destina-se a centralizar as operações registadas em 2432, 2433,
2434 e 2437, por forma a que o seu saldo corresponda ao imposto a pagar ou em
crédito, com referência a um determinado período de imposto.

 Assim, a conta 2435:

 Debita-se pelos saldos devedores de 2432 IVA- Dedutível, 2434.1 IVA-


Regularizações a favor da empresa, e 2437 IVA- A recuperar respeitante ao
montante de crédito do imposto reportado do período anterior sobre o qual não
exista nenhum pedido de reembolso.

 Credita-se pelos saldos credores de 2433 IVA- Liquidado e 2434.2 IVA-


Regularizações a favor do Estado.

IMP.GE.193.0
115
=MOVIMENTAÇÃO=

2435
2432 2433
 Debita-se pelos saldos devedores
Imposto suportado Imposto liquidado
e dedutível de 2432 IVA- Dedutível, 2434.1

24341 IVA- Regularizações a favor da


24342
Regularizações a empresa, eRegularizações
2437 IVA-a A recuperar
favor da empresa favor do Estado
respeitante ao montante de crédito
2437
do imposto reportado do período
Crédito s/ o Estado  Credita-se pelos saldos credores
reportado ao anterior sobre o qual não exista
período anterior de 2433 IVA- Liquidado e 2434.2
nenhum pedido de reembolso.
IVA- Regularizações a favor do
IVA a favor IVA a favor
Estado.
da empresa do Estado

IMP.GE.193.0
116
Após estes lançamentos, o saldo final de 2435 é transferido para:

 2436 IVA - A pagar, no caso de ser credor:

2435 2436 – IVA a pagar

Sc Sc

 2437 IVA - A recuperar, no caso de ser devedor, podendo neste caso reportar
para o período seguinte ou pedir-se o seu reembolso (transferindo-se o saldo da
conta para 2438 – IVA- Reembolsos pedidos).

2435 2437 – IVA a recuperar

Sd Sd

IMP.GE.193.0
117
2436 IVA- A PAGAR

12 2436 – IVA a pagar 2435 – IVA Apuramento

b) a)

a) Contabilização do IVA apurado pela Empresa (quando o saldo da subconta IVA apuramento é
credor)  imposto a pagar ao Estado;
b) Pagamento do Imposto

2437 IVA- A RECUPERAR

2435 – IVA Apuramento 2437 – IVA a recuperar 2438 – Reembolsos Pedidos

a) b)
C)

a) Transferência do saldo devedor da 2435, isto é, do crédito de imposto apurado no período;


b) Pedido de reembolso;
c) Transferência no período seguinte do crédito de imposto relativamente ao qual não foi solicitado o
reembolso.
EXEMPLO 1 118

Quais os
lançamentos
contabilísticos
subjacentes ao
(i) apuramento do
IVA; e
(ii) pagamento do
IVA?

IMP.GE.193.0
EXEMPLO 2 119

Quais os lançamentos
contabilísticos
subjacentes ao
(i) apuramento do
IVA; e
(ii) pedido de
reembolso do
IVA?

IMP.GE.193.0
EXEMPLO 3 120

Quais os
lançamentos
contabilísticos
subjacentes ao
(i) apuramento do
IVA; e
(ii) pagamento do
IVA?

IMP.GE.193.0
121
Artigo 41.º CIVA
Prazo de entrega das declarações periódicas

1 – (…) a declaração periódica deve ser enviada por transmissão electrónica de


dados, nos seguintes prazos:

a) Até ao dia 10 do 2.º mês seguinte àquele a que respeitam as operações, no caso
de sujeitos passivosE com um volume
se não de negócios
forem dias úteis? igual ou superior a € 650.000
no ano civil anterior;

b) Até ao dia 15 do 2.º mês seguinte ao trimestre do ano civil a que respeitam as
operações, no caso de sujeitos passivos com um volume de negócios inferior a €
650.000 no ano civil anterior.

EXEMPLO:
A empresa X em 2016 teve vendas no valor de €450.000 (IVA incluído). O valor da
prestação de serviços constante da demonstração de resultados de 2013 foi de
€250.000.
Qual a data limite de entrega da declaração periódica do IVA referente às transações
operadas em agosto de 2017?
E se a empresa tivesse optado por se enquadrar no regime de IVA mensal?
122
Preencha os seguintes quadros:
I. IVA TRIMESTRAL
Data limite entrega declaração IVA
Trimestre (e seu pagamento)
1
(janeiro–março) 15 /5
2
(abril–junho) 15 /8
3
(julho–setembro) 15 /11
4
(outubro–dezembro) 15 /2 / N+1

II. IVA MENSAL


Data limite entrega declaração IVA
Mês (e seu pagamento)
Janeiro 10 /3
Fevereiro 10 /4
(…) (…)
Novembro 10 /1 / N+1
IMP.GE.193.0
Dezembro 10 /2 / N+1
123
10. CONTA 2438- IVA REEMBOLSOS PEDIDOS

 Em situações de crédito de imposto em relação ao Estado (IVA - A Recuperar),


que fazer em relação ao montante de IVA a favor da empresa?

 Deduzir nos períodos seguintes (n.º4 art.º 22º CIVA)


EXEMPLO 2

2435 – IVA Apuramento 2437 – IVA a recuperar

a)

C)

a) Transferência do saldo devedor da 2435, isto é, do crédito de imposto apurado


no período;
c) Transferência no período seguinte do crédito de imposto relativamente ao
qual não foi solicitado o reembolso.
IMP.GE.193.0
124
 Solicitar o Reembolso – apenas possível nas seguintes
situações (n.º5 e 6 do art.º 22º CIVA):

1. Se passados 12 meses relativamente ao período em que se iniciou o


crédito, persistir um crédito superior a 250€;
2. Se mesmo antes de decorrido o prazo anterior, o crédito a seu favor
exceder €3.000;
3. Se a empresa cessar atividade ou passar a desenvolver atividade isenta
[isenção simples!...] , desde que reembolso  25€.

IMP.GE.193.0
 Uma vez apresentado um pedido de reembolso, o sujeito passivo fica impedido 125

de proceder à dedução desse imposto em períodos subsequentes, até à


comunicação da decisão da administração fiscal:

Pedido deferido  aguardar recebimento


Pedido indeferido  anular lançamento inicial

=MOVIMENTAÇÃO=

2437 – IVA a recuperar 2438 – Reembolsos Pedidos 12

a) b)

c)

a) apresentação do pedido de reembolso


b) deferimento do pedido  recebimento
c) indeferimento do pedido  anulação do pedido
IMP.GE.193.0
EXEMPLO 126

Período X

Período X+1
127
Período X+2

IMP.GE.193.0
128

Considerações Sumárias Finais

Contas de
Contas de Contas de movimentação movimentação
movimentação corrente mensal ou trimestral ocasional
2432 2435
2433 2436 2438
2434 2437 2439

Ex.: por falta de apresentação da


declaração do IVA, em resultado
de visita de fiscalização.

IMP.GE.193.0
FIM MÓDULO 3:

IVA E OPERAÇÕES COM TERCEIROS

IMP.GE.193.0