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ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA
1. FONÉTICA: Fonemas; Sílaba - Tonicidade; Ortoépia – Prosódia...................... 1
2. Ortografia....................................................................... 4
3. Acentuação Gráfica............................................................... 7
4. Notações Léxicas................................................................. 9
5. Abreviaturas, Siglas e Símbolos.................................................. 10
6. MORFOLOGIA: Estrutura das Palavras............................................... 12
7. Formação das Palavras; Sufixos; Prefixos; Radicais Gregos; Radicais Latinos; Ori-
gem das Palavras da Língua Portuguesa............................................... 14
8. Classificação e Flexão das Palavras; Substantivo; Artigo; Adjetivo; Numeral; Pro-
nome; Verbo; Advérbio; Preposição; Conjunção; Interjeição; Conectivos; Formas Vari-
antes; Análise Morfológica.......................................................... 20
9. SEMÂNTICA: Significação das Palavras............................................. 36
10. SINTAXE: Análise Sintática; Termos Essenciais da Oração; Termos integrantes da
Oração; Termos acessórios da Oração; Período Composto; Orações Coordenadas Indepen-
dentes; Orações Principais e Subordinadas; Orações Subordinadas (Substantivas, Adje-
tivas e Adverbiais); Orações Reduzidas.............................................. 40
11. Sinais de Pontuação............................................................. 49
12. Sintaxe de Concordância e Regência. Regência Nominal e Verbal................... 53
13. Sintaxe de Colocação............................................................ 56
14. Emprego de Classes de Palavras.................................................. 57
15. Emprego de Modos e Tempos, Infinitivo; Verbo Haver.............................. 57
16. ESTILÍSTICA: Figuras de Linguagem............................................... 58
17. Língua e Arte Literária......................................................... 60
18. Interpretação de Texto.......................................................... 61
TESTES.............................................................................. 76
GABARITO............................................................................ 80

MATEMÁTICA
1. Estruturas lógicas............................................................... 1
2. Lógicas de argumentação. Diagramas lógicos....................................... 5
3. Entendimento de estruturas lógicas das relações arbitrárias entre pessoas, luga-
res, coisas, eventos fictícios...................................................... 17
4. Deduzir novas informações das relações fornecidas e avaliação das condições usa-
das para estabelecer a estrutura daquelas relações.................................. 21
5. Interpretar criticamente situações econômicas, sociais e fatos relativos às Ciên-
cias da Natureza que envolvam a variação de grandezas, pela análise dos gráficos das
funções representadas e das taxas de variação, com ou sem apoio de tecnologias digi-
tais. Analisar tabelas, gráficos e amostras de pesquisas estatísticas apresentadas
em relatórios divulgados por diferentes meios de comunicação, identificando, quando
for o caso, inadequações que possam induzir a erros de interpretação, como escalas e
amostras não apropriadas............................................................ 23
6. Interpretar e compreender textos científicos ou divulgados pelas mídias, que em-
pregam unidades de medida de diferentes grandezas e as conversões possíveis entre
elas, adotadas ou não pelo Sistema Internacional (SI), como as de armazenamento e
velocidade de transferência de dados, ligadas aos avanços tecnológicos.............. 33
7. Interpretar taxas e índices de natureza socioeconômica (índice de desenvolvimento
humano, taxas de inflação, entre outros), investigando os processos de cálculo des-
Apostilas Decisão Apostilas Decisão
ses números, para analisar criticamente a realidade e produzir argumentos........... 37
8. Utilizar as noções de transformações isométricas (translação, reflexão, rotação e
composições destas) e transformações homotéticas para construir figuras e analisar
elementos da natureza e diferentes produções humanas (fractais, construções civis,
obras de arte, entre outras)........................................................ 41
9. Identificar situações da vida cotidiana nas quais seja necessário fazer escolhas
levando-se em conta os riscos probabilísticos....................................... 43
TESTES.............................................................................. 46
GABARITO............................................................................ 51

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
1. Estatuto do Idoso (Lei n° 10.741, de 1º de outubro de 2003)...................... 1
2. Sistema Único de Assistência Social - SUAS (Lei n.º 12.435, de 6 de julho de
2011)............................................................................... 9
3. Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS (Lei n.º 8.742, de 7 de dezembro de
1993)............................................................................... 12
4. Política Nacional do Idoso (Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994).Toda hora é
hora de cuidar -Unicef, 2003........................................................ 19
5. Guia Prático do Cuidador-MS, 2008................................................ 21
6. Manual do Cuidador da Pessoa Idosa - Secretaria Especial dos Direitos Humanos,
2008................................................................................ 24
7. Manual sobre o Cuidado à saúde junto à população em situação de rua - Ministério
da Saúde, 2012...................................................................... 29
TESTES.............................................................................. 33
GABARITO............................................................................ 33

GUIA DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

CARO CANDIDATO,

“Durante a elaboração deste material, a Equipe Decisão empenhou-se em fazer chegar até Você um conteúdo da melhor
qualidade, obedecendo criteriosamente ao Programa constante do Edital deste Concurso. Vários profissionais estão sem-
pre envolvidos no processo de criação de nossas apostilas. Em virtude da urgência de finalização do material, tal processo
é extremamente delicado, e passa por muitas fases: elaboração, correção, digitação, diagramação, impressão e encader-
nação. Durante esse processo todo, algumas falhas não intencionais podem ocorrer pelas quais nos desculpamos anteci-
padamente. A Equipe Decisão coloca esses mesmos profissionais à sua disposição caso isso ocorra ou mesmo para diri-
mir quaisquer dúvidas com relação ao conteúdo. Para isso, por favor, entre em contato conosco utilizando-se dos nossos
e-mails ou telefones que se encontram na capa desta apostila e no nosso site. Desejamos que alcance seus objetivos e que
façamos parte desse resultado.”

Desejamos a Você sucesso na sua nova carreira!


Equipe Apostilas Decisão

Apostilas Decisão Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
1. FONÉTICA: FONEMAS; SÍLABA - são muito comuns. Quando eles aparecem no início da sílaba
TONICIDADE; ORTOÉPIA - PROSÓDIA são inseparáveis. Quando estão no meio criam uma pronúncia
mais difícil (pneu/advogado). No uso coloquial, há uma tendência
a destruir esse encontro, inserindo a vogal i depois da consoante
A sílaba é conjunto de sons que pode ser emitido numa só
surda. Quando x corresponde a cs (táxi, falamos "tácsi"), há um
expiração. Na língua portuguesa a parte central da sílaba
encontro consonantal fonético. Nesse caso, x é chamado de
sempre é a vogal. Assim, na estrutura da sílaba existe, uma
dífono.
vogal, à qual se juntam, ou não, semivogais ou consoantes. A
maneira mais fácil para separar as sílabas é pronunciar a
palavra lentamente, de forma melódica. Na língua portuguesa,
Dígrafo: O dígrafo é o grupo de duas letras que representa um
os vocábulos são classificados de acordo com o número de
único fonema. São dígrafos da língua portuguesa: lh, nh, ch, rr,
sílabas que apresentam, podendo ser:
ss, qu (seguidos de e ou i), gu (seguidos de e ou i), sc, sç, xc e
xs. Os encontros gu e qu se forem usados com trema ou acento,
Monossílabos (apenas uma sílaba): cão, chá;
não serão dígrafos, uma vez que o u será pronunciado. Além
desses, existem também os dígrafos vocálicos formados pelas
Dissílabos (apresenta duas sílabas): mulher, garfo;
vogais nasais: am, an, em, en, im, in, om, on, um e un.
Representam-se os dígrafos por letras maiores que as demais,
Trissílabos (possuem três sílabas): macaco, equipe;
exatamente para estabelecer a diferença entre uma letra e um
dígrafo. Qu e gu só serão dígrafos, quando estiverem seguidos
Polissílabos (formados por mais de três sílabas):
de e ou i, sem trema. Os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs têm suas
amizade; felicidade.
letras separadas silabicamente; lh, nh, ch, qu, gu, não.

Dígrafo Vocálico: É o outro nome que se dá ao Ressôo Nasal,


A consoante inicial não seguida de vogal fica na sílaba seguinte
pelo fato de serem duas letras com um fonema vocálico. sangue
(pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co). Se a consoante não seguida de
= san-gue - sãGe Não confunda dígrafo com encontro
vogal estiver dentro do vocábulo, ela fica na sílaba precedente
consonantal, que é o encontro de consoantes, cada uma
(ap-to, rit-mo). Na questão, baseadas em texto de Gustavo
representando um fonema.
Franco, marque o item em que a substituição da seqüência
sublinhada pela alternativa proposta acarreta prejuízo à
Exemplos de Dígrafos:
coerência ou à correção gramatical.
- Chapéu,
Encontros Vocálicos - Piscina,

Os encontros vocálicos referem-se à seqüência de sons - Carroça,


vocálicos (vogais e/ou semivogais) que pode ocorrer numa
mesma sílaba ou em sílabas separadas. As vogais serão as - Descer,
pronunciadas mais fortes, enquanto as semivogais serão mais
fracas, ou seja, e átonas. São três os tipos de encontros - Pássaro,
vocálicos: hiatos, ditongos e tritongos.
- Mosquito,
Hiatos: é a seqüência de duas vogais em sílabas
diferentes. (saúde, cooperar, ruim, crêem) - Exceção,

Ditongos: ocorre quando uma vogal e uma semivogal - Galinha,


são pronunciadas numa só sílaba, independente da
ordem destas. Os ditongos podem ser classificados em - Tampa,
decrescentes (pou-co) ou crescentes (série) e orais
(todos aqueles que não são nasais) ou nasais (pão). - Ponta,

Tritongos: são constituídos por uma vogal entre duas - Índia,


semivogais numa só sílaba. (Paraguai, iguais).
- Comprimido,

Os tritongos também podem ser classificados em nasais ou - Renda.


orais, seguindo as mesmas regras dos ditongos. Além dessas
regras gerais, deve-se observar também que: Am / em, no final
das palavras, correspondem aos ditongos ao / ei nasalizados. Tonicidade
Cuidado com os falsos ditongos, pois quando átonos finais, os
encontros (ia, ie, io, ao e ua) são normalmente ditongos Classificação das Palavras quanto à Sílaba Tônica
crescentes, mas também podem ser hiatos. Se esses grupos
não forem finais nem átonos, só podem ser hiatos (memória, De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da
democracia, viela). Os encontros de palavras como praia, maio, língua portuguesa que contêm duas ou mais sílabas são
feio, goiaba e baleia são separados de forma a criar um ditongo classificados em:
e uma vogal sozinha depois.
Oxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a última.

Encontros Consonantais Exemplos: avó, urubu, parabéns

O encontro consonantal é a seqüência de duas ou mais


consoantes, sem vogal intermediária, que não sejam dígrafo. Paroxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima.
Esse encontro pode ocorrer na mesma sílaba ou não (carpete,
bíblia). Os encontros consonantais (gn, mn, pn, ps, pt e tm) não Exemplos: dócil, suavemente, banana
Apostilas Decisão 1 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

O monossílabo tônico, mesmo isolado, possui significado.


Proparoxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a
antepenúltima.
Observe: Existem pessoas muito más.
Exemplos: máximo, parábola, íntimo
Nessa frase, o monossílabo possui sentido: más = ruins.
São monossílabos átonos:
Saiba que:
artigos: o, a, os, as, um, uns
- São palavras oxítonas, entre outras: cateter, mister,
Nobel, novel, ruim, sutil, transistor, ureter. pronomes pessoais oblíquos: me, te, se, o, a, os, as, lhe, nos,
vos
- São palavras paroxítonas, entre outras: avaro, aziago,
boêmia, caracteres, cartomancia, celtibero, circuito, preposições: a, com, de, em, por, sem, sob
decano, filantropo, fluido, fortuito, gratuito, Hungria,
ibero, impudico, inaudito, intuito, maquinaria, meteorito, pronome relativo: que
misantropo, necropsia (alguns dicionários admitem
também necrópsia), Normandia, pegada, policromo, conjunções: e, ou, que, se
pudico, quiromancia, rubrica, subido(a).

- São palavras proparoxítonas, entre outras: aerólito, São monossílabos tônicos: todos aqueles que possuem
bávaro, bímano, crisântemo, ímprobo, ínterim, lêvedo, autonomia na frase.
ômega, pântano, trânsfuga.
Exemplos: mim, há, seu, lar, etc.
- As seguintes palavras, entre outras, admitem dupla
tonicidade: acróbata/acrobata, hieróglifo /hieroglifo,
Oceânia/Oceania, ortoépia/ortoepia, projétil/projetil, Obs.: Pode ocorrer que, de acordo com a autonomia fonética,
réptil/reptil, zângão/zangão. um mesmo monossílabo seja átono numa frase, porém tônico
em outra.

Exemplos: Que foi? (átono)


Monossílabos
Você fez isso por quê? (tônico)
Leia em voz alta a frase abaixo:

- O sol já se pôs.
Tonicidade: é uma propriedade da sílaba tônica, isso é, da
sílaba que é pronunciada mais forte em uma palavra. É uma
Essa frase é formada apenas por monossílabos. É possível característica dependente de idioma que é estudada pela
verificar que os monossílabos sol, já e pôs são pronunciados Prosódia. Dependendo do idioma, a sílaba tônica de uma
com maior intensidade que os outros. São tônicos. Possuem palavra pode ou não ser marcada com acentos gráficos, de
acento próprio e, por isso, não precisam apoiar-se nas palavras acordo com as regras de acentuação desse idioma.
que os antecedem ou que os seguem. Já os monossílabos o e
se são átonos, pois são pronunciados fracamente. Por não
terem acento próprio, apóiam-se nas palavras que os antecedem Tipos de Fonemas: Os fonemas são classificados em vogais,
ou que os seguem. consoantes e semivogais: As vogais são sons produzidos sem
obstáculos para a passagem de ar, que passa livremente pela
boca, oriundo do pulmão. Sua emissão é independente de outro
Critérios de Distinção fonema, por isso constitui a base da sílaba. Os sons das vogais
produzem-se a partir do diferentes posicionamentos dos
Muitas vezes, fazer a distinção entre um monossílabo átono e músculos da boca, constituídos pela língua, pelos lábios e pelo
um tônico pode ser complicado. Por isso, observe os critérios a véu palatino, formando o seguinte quadro:
seguir.
a) Modificação do véu palatino:
1. Modificação da pronúncia da vogal final: Nos monossílabos
átonos a vogal final se modifica ou pode modificar-se na Vogais Orais: a corrente de ar vibrante passa pela
pronúncia. Com os tônicos, não ocorre tal possibilidade. cavidade bucal, formando sete fonemas vocálicos orais:
i, e, é, a, ó, o, u (fica, veja, vela, pá, bola, coma, pula).
Exemplos: Vou de carro para o meu trabalho.( de =
monossílabo átono - é possível a pronúncia di ônibus.) Vogais Nasais: corrente de ar vibrante passa pelas
cavidades bucal e nasal, formando cinco fonemas
Dê um auxílio às pessoas que necessitam.( dê = vocálicos nasais: linda, tenta, banda, onda, fundo.
monossílabo tônico - é impossível a pronúncia di um
auxílio.)
b) Elevação da língua na região do céu da boca:

2. Significado isolado do monossílabo Vogais Anteriores: emitidas com abertura me-dia da


boca (linda, fica, tenta, vela, veja).
O monossílabo átono não tem sentido quando isolado na frase.
Vogais Centrais: emitidas com abertura total da boca
Veja: Meus amigos já compraram os convites, mas eu (banda, pá).
não.
Apostilas Decisão 2 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Vogais Posteriores: emitidas com abertura infe-rior a consoante é chamada de sonora, já quando não ocorre, ela é
50% da boca (fundo, pula, onda, bola, coma). chamada de surda.

Essa abertura da boca também estará relacionada à consoante As consoantes surdas e sonoras da língua portuguesa podem
que segue a vocal, por isso a pronúncia precisa ser casada entre ser divididas em seis pares:
posição de abertura da vogal e da consoante.
Surdas Sonoras
c) Elevação da parte mais alta da língua:
p b
Vogais Altas: máxima elevação da língua para o céu t d
da boca (fica, linda, pula, fundo). k g
f v
Vogais Médias: a elevação é média (veja, tenta, vela, s z
coma, tonta, bola). x j

Vogais Baixas: a elevação é mínima (pá, banda).


Papel das Cavidades Bucal e Nasal: verifica se a pás-sagem
do ar ocorre somente pela cavidade bucal ou se passa pela
As consoantes são fonemas produzidos através da obstrução do cavidade nasal.
ar proveniente do pulmão, precisando de uma vogal para ser
emitidos. Esses obstáculos podem ser totais ou parciais, a partir De acordo com a passagem do ar as consoantes são
da posição da língua e dos lábios. As consoantes apresentam classificadas em orais ou nasais. As consoantes nasais da
quatro critérios de classificação: língua portuguesa são três (m, n, nh), todas as demais são orais.
Já as semivogais sempre acompanham um vogal, formando
Modo de Articulação: responsável pela identificação do sílaba com ela. Na língua escrita às semivogais são
obstáculo que ocorre durante a passagem do ar pela boca. representadas pelo "i" e "u", podendo em alguns casos serem
representadas pelo "e" e "o". Deve-se observar também que a é
Se a corrente de ar encontrar um obstáculo total, essas sempre vogal e se estiver acompanhada de outra vogal na
consoantes serão classificadas como oclusivas (p, b, t, d, k e g). mesma sílaba, esta será semivogal.
Se o obstáculo for parcial, as consoantes serão chamadas
constritivas (compressão), podendo ser fricativas (fricção do ar
através de uma fenda no meio da boca), laterais (o ar sai pelos Ortoépia
lados da boca) e vibrantes (quando ocorre a vibração da língua
ou do véu palatal). A classificação das consoantes constritivas
ocorre da seguinte maneira: A palavra ortoépia se origina da união dos termos gregos
orthos, que significa "correto" e hépos, que significa "palavra".
- constritivas fricativas: f, v, s, z, x, j; Assim, a ortoépia se ocupa da correta produção oral das
palavras.
- constritivas laterais: l, lh;
Preceitos:
- constritivas vibrantes: r, rr
1. A perfeita emissão de vogais e grupos vocálicos,
enunciando-os com nitidez, sem acrescentar nem
Ponto de Articulação: identifica em qual ponto da cavidade
omitir ou alterar fonemas, respeitando o timbre (aberto
bucal localiza-se o obstáculo para a passagem do ar.
ou fechado) das vogais tônicas, tudo de acordo com as
normas da fala culta.
O ponto de articulação classifica-se em consoantes bilabiais
(contato entre os lábios superior e inferior), labiodentais (o lábio
inferior tem contato com os dentes incisivos superiores), 2. A articulação correta e nítida dos fonemas
linguodentais (contato entre a língua e a face interna dos dentes consonantais.
incisivos superiores), alveolares (contato da língua com os
alvéolos dos dentes incisivos superiores), palatais (o dorso da 3. A correta e adequada ligação das palavras na frase.
língua toca o céu da boca) e velares (parte posterior da língua
tem contato com o véu palatino). Essa classificação permite a
seguinte divisão das consoantes quanto ao ponto de articulação: Veja a seguir alguns casos freqüentes de pronúncias corretas e
errôneas, de acordo com o padrão culto da língua portuguesa no
Brasil.
- bilabiais: p, b, m;

- labiodentais: f, v; CORRETAS ERRÔNEAS


- linguodentais: t, d, n; adivinhar advinhar
advogado adevogado
- alveolares - s, z, l, r;
apropriado apropiado
- palatais: x, j, lh, nh; aterrissar aterrisar
bandeja bandeija
- velares: k, g, rr.
bochecha buchecha
boteco buteco
Papel das Cordas Vocais: permite observar se ocorre ou não
vibração das cordas vocais. Quando ocorrer a vibração a braguilha barguilha
bueiro boeiro
Apostilas Decisão 3 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
cabeleireiro cabelereiro 3. São proparoxítonas:

caranguejo carangueijo
aerólito lêvedo quadrúmano
eletricista eletrecista
alcíone munícipe trânsfuga
emagrecer esmagrecer
empecilho impecilho
Existem palavras cujo acento prosódico é incerto, mesmo na
estupro, estuprador estrupo, estrupador língua culta. Observe os exemplos a seguir, sabendo que a
fragrância fragância primeira pronúncia dada é a mais utilizada na língua atual.
frustrado frustado
acrobata - acróbata réptil e reptil
lagartixa largatixa
Bálcãs - Balcãs xerox - xérox
lagarto largato
projétil - projetil zangão - zângão
mendigo mendingo
meteorologia metereologia
mortadela mortandela 2. ORTOGRAFIA
murchar muchar
Ortografia
paralelepípedos paralepípedos
pneu peneu Ortografia: palavra constituída das partes: orto (correta) +grafia
prazerosamente prazeirosamente (escrita). A ortografia é a parte da gramática que trata da correta
escrita das palavras. Nosso alfabeto é composto de 26 letras:
privilégio previlégio
problemas poblemas ou pobremas a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m,
n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z
próprio próprio
proprietário propietário Observação: Você deve estar se perguntando pelas letras W, Y
pissicologia, pissicólogo e K. Elas não pertencem mais ao nosso alfabeto. São usadas
psicologia, psicólogo apenas em casos especiais:

salsicha salchicha - Nomes próprios estrangeiros ( Wellington, Willian.... ),


sobrancelha sombrancelha
- Abreviaturas e símbolos de uso internacional (K-
superstição supertição potássio, Y- ítrio..),
verruga berruga
- Palavras estrangeiras (show, play...)

Em muitas palavras há incerteza, divergência quanto ao timbre


de vogais tônicas /e/ e /o/. Recomenda-se proferir: Letra H

Com timbre aberto: acerbo, badejo, coeso, grelha, Por que usar a letra H se ela não representa nenhum som?
groselha, ileso, obeso, obsoleto, dolo, inodoro, molho Realmente ela não possui valor fonético, mas continua sendo
(feixe, conjunto), suor. usada em nossa língua por força da etimologia e da tradição
escrita.
Com timbre fechado: acervo, cerda, interesse
(substantivo), reses, algoz, algozes, crosta, bodas,
molho (caldo), poça, torpe. Emprega-se o H:

- Inicial, quando etimológico: horizonte, hulha, etc.


Prosódia
- Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh:
chamada, molha, sonho, etc.
A prosódia ocupa-se da correta emissão de palavras quanto à
posição da sílaba tônica, segundo as normas da língua culta. - Em algumas interjeições: oh!, hum!, etc.
Existe uma série de vocábulos que, ao serem proferidos,
acabam tendo o acento prosódico deslocado. Ao erro prosódico - Em palavras compostas unidos por hífen, se algum
dá-se o nome de silabada. Observe os exemplos. elemento começa com H: hispano-americano, super-
homem, etc. Palavras compostas ligadas sem hífen não
1. São oxítonas: são escritas com H. Exemplo: reaver

- No substantivo próprio Bahia (Estado do Brasil), por


condor novel ureter tradição. As palavras derivadas dessa são escritas sem
mister Nobel ruim H. Exemplo: baiano. . .

2. São paroxítonas: Letras E / I

E I
austero ciclope Madagáscar recorde
Prefixo anti- (contra)
caracteres filantropo pudico(dí) rubrica Prefixo ante- (antes,
Apostilas Decisão 4 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
anterior) Ex.: antipatia, vocábulos que indicam:
antitetânico... profissão, nacionalidade,
Ex.: antecipar, antebraço... estado social e títulos.

Ex.: baronesa, norueguês,


Algumas formas de verbos Algumas formas de verbos sacerdotisa, cortês,
terminados em -oar, -uar terminados em -uir. camponês...

Ex.: doem (doar), flutuem Ex.: possui (possuir),


(flutuar) retribui (retribuir) - O verbo catequizar é derivado da palavra catequese
deveria ser escrito com "s", mas, como é derivado do
grego, já veio formado para nosso vernáculo (língua do
país).
Letras G / J
- MAIZENA é um substantivo próprio, marca registrada.
G J

Palavras terminadas em - Letras X / CH


agem, -igem, -ugem, -ágio,
-égio, -ígio, -ógio, -úgio. X CH
Palavras de origem
africana ou indígena.
Ex.: garagem, vertigem, Palavras derivadas de
ferrugem, relógio, refúgio, outras escritas
Ex.: jiló, Ubirajara, Depois de ditongo.
estágio, colégio, prodígio... com pl, fl e cl.
acarajé...
Ex.: peixe, ameixa...
Exceções: pajem e Ex.: chumbo( plúmbeo),
lambujem chave (clave)...

Derivadas de palavras que Depois da sílaba me-.


possuam J e verbos que
Derivadas de palavras que Ex.: mexer, mexerico...
terminem em -jar ou -jear.
possuam G.
A palavra mecha
Ex.: gorjeta (gorja), (substantivo)
Ex.: rabugento (rabugem),
nojento (nojo), cerejeira é uma exceção.
selvageria (selvagem)
(cereja), arranjar (arranjo,
arranjaria...)
Depois da sílaba en-. Verbos encher, encharcar,
enchumaçar e seus
Ex.: enxoval, enxaqueca... derivados.
Letras S / Z São exceções encher,
encharcar, enchumaçar Ex.: preencher,
S Z e seus derivados. encharcado...

Derivadas de primitivas
Derivadas de primitivas Palavras derivadas de
com "z". Em palavras de origem
com "s" primitivas que
indígena ou africana.
Ex.: enraizar ( raiz), tenham o ch.
Ex.: visitante ( visita)...
vazar (vazio)... Ex.: orixá, abacaxi...
Ex.: enchoçar (choça)...

Nas formas dos verbos


pôr, querer e seus
derivados (repor, Sufixo formador de verbo - Letras SS / Ç
requerer...). izar.
Ç (só é grafado
SS
Ex.: pusesse, quisesse... Ex.: realizar, modernizar... antes de a, o, u)

Terminação dos
Palavras derivadas de
Após um ditongo. superlativos sintéticos e do
primitivas escritas com ç.
imperfeito de todos verbos.
Ex.: maisena, pausa...
Ex.: embaçado
Ex.: lindíssimo,
(embaço)...
corrêssemos...
Sufixo -oso formador Sufixo -ez (a) formador de
de adjetivos . substantivos abstratos.
Palavras ou radicais
Ex.: amoroso, atencioso... Ex.: timidez, viuvez... iniciados por s que entram
Verbos em -ecer, -escer.
na formação de palavras
derivadas ou compostas.
Ex.: anoiteça (anoitecer)...
Sufixos -isa, -ês, -esa
usados na constituição de Ex.: homossexual
(homo + sexual)
Apostilas Decisão 5 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

- grafam-se com g as palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio,


Palavras de origem árabe, ógio, úgio.
indígena e africana.
Ex: pedágio, colégio, prestígio, relógio, refúgio.
Ex.: paçoca, muçulmano,
miçanga...
- grafam-se com g os substantivos terminados em –gem.

Ex: viagem, margem.


Emprego do s

- grafam-se com s os sufixos –ês, -esa, -isa, quando indicam Emprego do j


origem, título ou profissão:
- Grafam-se com j as palavras de origem africana e indígena.
Ex: camponês – camponesa
Ex: pajem, canjica, jiló.
Burguês – burguesa

Emprego do x
- grafam-se com s os sufixos –ense, -oso, -osa, quando formam
adjetivos. - grafam-se com x as palavras de origem indígena ou africana.

Ex: cheiroso, goianiense, dengosa. Ex: xangô.

- grafam-se com s as formas dos verbos pôr e querer e seus - depois de ditongo, usa-se x.
derivados.
Ex: eixo, caixote.
Ex: puser, benquiseste.

Emprego do ch
- grafam-se com s o sufixo –isa, sempre que feminino.
A origem da palavra é que vai determinar o emprego do ch.
Ex: poetisa, sacerdotisa.

Emprego do l ou u

Emprego do z - a letra l, em final de sílaba, em muitas regiões soa como u,


dando origem a dificuldades gráficas. Para o emprego de tais
- grafam-se com z os sufixos –ez, -eza, formadores de letras, é útil comparar com palavras da mesma família.
substantivos abstratos a partir de adjetivos.
Ex: alto-falante – altura.
Ex: Pálido – palidez.

Rico – riqueza. M antes de P e B

Isso todo mundo aprende ainda pequeno, quando está sendo


- grafam-se com z o sufixo –izar, formador dos verbos: canalizar, alfabetizado, mas pouca gente sabe por quê. A explicação é
atualizar, arborizar, finalizar, organizar. bem simples: p, b e m são consoantes a que chamamos
bilabiais, isto é, são consoantes que, para serem proferidas, os
lábios precisam-se tocar. Logo no primeiro período da minha
Emprego do e graduação, cursei uma disciplina chamada Linguística I -
Fonética e Fonologia. Durante algumas aulas, os alunos ficavam
- grafam-se com e as formas do presente do subjuntivo dos parecendo um bando de loucos articulando consoantes "no ar".
verbos terminados em –oar e –uar: :) A questão é que, para a maioria das pessoas, consoantes são
bê, cê, dê, efe, gê, etc., ditas dessa forma. O que acontece, na
Ex: perdoe, cultue, continues. verdade, é que, na faculdade, eu precisava articular apenas as
consoantes. Para os leigos, é como se eu "fingisse" fazer o som
Emprego do i que faz a consoante, sabe? Finjo que vou dizer "bê" e, antes de
pronunciar o "ê", eu me calo.
- grafam-se com i os verbos terminados em –uir, -oer, -air.

- na 2ª e 3ª pessoas do singular do presente do indicativo; Pra que serve isso?

- na 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo. Quando articulamos as consoantes dessa forma, percebemos
suas semelhanças e diferenças quanto à articulação. As
Ex: tu possuis, ele possui, possui tu, corrói tu, ele atrai. semelhanças entre p, b e m, de uma maneira didática, podem
ser explícitas da seguinte forma:

Emprego do g Vibração das


Bilabial Nasal
Cordas Vocais
[p] + - -
Apostilas Decisão 6 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
[b] + - + ditongo oral, bíceps, ímã, órfãs,
[m] + + + seguido ou não bênção, órfãos,
de S cárie, árduos,
pólen, éden.
Por que isso interfere na grafia das palavras? Observações (como ficaram)

Quem fala inglês entenderá mais facilmente: tomemos como


exemplo a palavra comfort (conforto). A pronúncia correta dessa Continua tudo igual.
palavra requer a pronúncia do [m], correto? Esse primeiro "o", ao
contrário do que a maioria pensa, não tem som de "o", muito Observe:
menos de "õ", como supõem muitos falantes do português. Esse
primeiro "o" tem um som que fica entre um "ó" (aberto) e um "a" 1. Terminadas em ENS não levam acento: hifens, polens.
mais fechado, como vocês podem ouvir aqui. Se prestarem
2. Usa-se indiferentemente agudo ou circunflexo se houver
bastante atenção a essa pronúncia do Google Tradutor, variação de pronúncia: sêmen, fêmur (Brasil) ou sêmen, fémur
perceberão que o [m] é, de fato, pronunciado e não nasaliza a (Portugal).
vogal anterior a ele. Assim sendo, na língua inglesa, M pode
preceder consoantes que não sejam bilabiais porque será 3. Não ponha acento nos prefixo paroxítonos que terminam em
pronunciado como M, não como consoante que apenas nasaliza R nem nos que terminam em I: inter-helênico, super-homem,
a vogal anterior. (O mesmo serve para a consoante [n], que, em anti-herói, semi-internato.
muitas palavras da língua inglesa, também deve ser articulada e
não servirá, na grafia das palavras, como um indicador de
nasalidade da vogal.) Em português, ao contrário, uma
consoante [m] (ou [n]) após uma vogal, na mesma sílaba, é Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar
sempre para indicar a nasalidade dessa vogal. Em termos de ou Sílaba (como eram)
grafia, é o que chamamos de dígrafo, isto é, dois grafemas Se terminadas vatapá,
Oxítonas em: A, AS, E, ES, igarapé, avô, avós,
(letras) para representar um único fonema (som): campo, som, O, OS, EM, ENS refém, parabéns
compromisso, canto, menta, conto, etc. O que a ortografia da
língua portuguesa tenta, então, é respeitar as regras fonológicas Observações (como ficaram)
que regem a própria língua, porque essas regras primam pelo
menor esforço dos falantes no proferimento dos sons.
Continua tudo igual.

Observe:
3. ACENTUAÇÃO GRÁFICA
1. terminadas em I, IS, U, US não levam acento: tatu, Morumbi,
Acentos abacaxi.

O português, assim como outras línguas neolatinas, apresenta 2. Usa-se indiferentemente agudo ou circunflexo se houver vari-
ação de pronúncia: bebê, purê (Brasil); bebé, puré (Portugal).
acento gráfico. Toda palavra da língua portuguesa de duas ou
mais sílabas possui uma sílaba tônica. Observe as sílabas
tônicas das palavras arte, gentil, táxi e mocotó. Você constatou
que a tonicidade recai sobre a sílaba inicial em arte, a final em
Tipo de Palavra Exemplos
gentil, a inicial em táxi e a final em mocotó. Além disso, você ou Sílaba
Quando Acentuar
(como eram)
notou que a sílaba tônica nem sempre recebe acento gráfico. Monossílabos terminados em A,
Portanto, todas as palavras com duas ou mais sílabas terão vá, pás, pé, mês,
tônicos (são AS, E,
acento tônico, mas nem sempre terão acento gráfico. A pó, pôs
oxítonas também) ES, O,OS
tonicidade está para a oralidade (fala) assim como o acento
gráfico está para a escrita (grafia). Observações (como ficaram)

Regras de Acentuação de Acordo com a Nova Ortografia Continua tudo igual.

Atente para os acentos nos verbos com formas oxítonas: adorá-


Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar lo, debatê-lo, etc.
ou Sílaba (como eram)
Simpática, Lúcido,
Proparoxítonas Sempre
Sólido, Cômodo
Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar
Observações (como ficaram) ou Sílaba (como eram)
Í e Ú levam acento saída, saúde,
Í e Ú em
se estiverem miúdo, aí, Araújo,
palavras oxítonas
Continua tudo igual ao que era antes da nova ortografia sozinhos na Esaú, Luís, Itaú,
e paroxítonas
sílaba (hiato) baús, Piauí
Observe: Pode-se usar acento agudo ou circunflexo de acordo
com a pronúncia da região: acadêmico, fenômeno (Brasil) aça- Observações (como ficaram)
démico, fenómeno (Portugal).

1. Se o i e u forem seguidos de s, a regra se mantém: ba-


laústre, egoísmo, baús, jacuís.

2. Não se acentuam i e u se depois vier 'nh': rainha, tainha,


Tipo de Palavra Exemplos moinho.
Quando Acentuar
ou Sílaba (como eram)
Se terminadas em: fácil, táxi, tênis, 3. Esta regra é nova: nas paroxítonas, o i e u não serão mais
R, X, N, L, I, IS, hífen, próton, acentuados se vierem depois de um ditongo: baiuca, bocaiuva,
Paroxítonas
UM, UNS, US, PS, álbum(ns), vírus, feiura, maoista, saiinha (saia pequena), cheiinho (cheio).
Ã, ÃS, ÃO, ÃOS; caráter, látex,

Apostilas Decisão 7 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
4. Mas, se, nas oxítonas, mesmo com ditongo, o i e u esti-
verem no final, haverá acento: tuiuiú, Piauí, teiú. Esta regra sofreu alteração. Observe:

Quando o verbo admitir duas pronúncias diferentes, usando a


ou i tônicos, aí acentuamos estas vogais: eu águo, eles águam
e enxáguam a roupa (a tônico); eu delínquo, eles delínquem (í
Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar tônico). tu apazíguas as brigas; apazíguem os grevistas.
ou Sílaba (como eram)
Se a tônica, na pronúncia, cair sobre o u, ele não será
Ditongos abertos
acentuado: Eu averiguo (diga averi-gú-o, mas não acentue) o
em palavras EI, OI, ideia, colméia, bóia
caso; eu aguo a planta (diga a-gú-o, mas não acentue).
paroxítonas

Observações (como ficaram)

Tipo de Palavra Exemplos


Quando Acentuar
Esta regra desapareceu (para palavras paroxítonas). ou Sílaba (como eram)
vôo, zôo, enjôo,
ôo, ee
Escreve-se agora: ideia, colmeia, celuloide, boia. vêem

Observe: há casos em que a palavra se enquadrará em outra Observações (como ficaram)


regra de acentuação.

Por exemplo: contêiner, Méier, destróier serão acentuados por- Esta regra desapareceu.
que terminam em R.
Agora se escreve: zoo, perdoo veem, magoo, voo.

Tipo de Palavra Exemplos


Quando Acentuar
ou Sílaba (como eram) Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar
Ditongos abertos papéis, herói, ou Sílaba (como eram)
em palavras ÉIS, ÉU(S), ÓI(S) heróis, troféu, céu, na terceira pessoa
oxítonas mói (moer) do plural do eles têm,
Verbos ter e vir
presente do eles vêm
Observações (como ficaram) indicativo

Observações (como ficaram)


Continua tudo igual

(mas, cuidado: somente para palavras oxítonas com uma ou Continua tudo igual.
mais sílabas).
Ele vem aqui; eles vêm aqui.

Eles têm sede; ela tem sede.


Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar
ou Sílaba (como eram)
arguir e redarguir
usavam acento Tipo de Palavra Exemplos
Quando Acentuar
agudo em algumas ou Sílaba (como eram)
Verbos arguir e
pessoas do na terceira pessoa
redarguir (agora
indicativo, do do singular leva ele obtém, detém,
sem trema)
subjuntivo e do Derivados de ter acento agudo; mantém;
imperativo e vir (obter, na terceira pessoa
afirmativo. manter, intervir) do plural do eles obtêm, detêm,
presente levam mantêm
Observações (como ficaram) circunflexo

Observações (como ficaram)


Esta regra desapareceu.

Os verbos arguir e redarguir perderam o acento agudo em Continua tudo igual.


várias formas (rizotônicas): eu arguo (fale: ar-gú-o, mas não
acentue); ele argui (fale: ar-gúi), mas não acentue.

Tipo de Palavra Exemplos


Quando Acentuar
ou Sílaba (como eram)
Tipo de Palavra Exemplos Acento
Quando Acentuar
ou Sílaba (como eram) diferencial
Aguar, enxaguar,
averiguar, apazi- Observações (como ficaram)
guar, delinquir,
obliquar usavam
Verbos
acento agudo em Esta regra desapareceu, exceto para os verbos:
terminados em
algumas pessoas
guar, quar e quir
do indicativo, do PODER (diferença entre passado e presente.
subjuntivo e do
imperativo afir- Ele não pôde ir ontem, mas pode ir hoje.
mativo.

Observações (como ficaram) PÔR (diferença com a preposição por):

Apostilas Decisão 8 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Vamos por um caminho novo, então vamos pôr casa-
cos; Átona: órgão, bênçãos

Outros Exemplos: Capitães, limão, mamão, bobão,


TER e VIR e seus compostos (ver acima).
chorão, devoções, põem, etc.

Observe:
Observação: Se a sílaba onde figura o til for átona, acentua-se
1. Perdem o acento as palavras compostas com o verbo graficamente a sílaba predominante.
PARAR: Para-raios, para-choque.
Exemplo: Órfãos, acórdão
2. FÔRMA (de bolo): O acento será opcional; se possível, deve-
se evitá-lo: Eis aqui a forma para pudim, cuja forma de
pagamento é parcelada.

Emprego do Trema

Trema (O trema não é acento gráfico.) Trema ( ¨ )

Desapareceu o trema sobre o U em todas as palavras do Coloca-se trema sobre o "u" dos grupos gue, gui, que, qui,
português: Linguiça, averiguei, delinquente, tranquilo, quando proferido e átono.
linguístico.
Exemplos: Cinqüenta, lingüeta, agüentar, lingüiça,
Exceto as de língua estrangeira: Günter, Gisele lingüística, eloqüente, tranqüilidade, delinqüir,
Bündchen, müleriano eloqüência.

Sinais Diacríticos Observações:

1. Sendo facultativa a pronúncia do “u”, é facultativo o uso do


Usa-se acento diferencial em algumas palavras, supostamente
para diferenciá-las de outras com grafia idêntica, exceto pelo trema.
acento. Esse recurso é usado, por exemplo, para diferenciar
Exemplos:
entre duas flexões verbais como em: vem (singular) e vêm
(plural). Em alguns casos, temos fonemas distintos, em outros
não. Veja na tabela a seguir, alguns pares de palavras cuja Eqüidade ou equidade
grafia se diferencia pelos acentos diferenciais.
Lângüido ou lânguido
Sem Acento Com Acento
As palavras. Às do volante. Eqüivaler ou equivaler
Siga pela estrada. Péla de borracha.
Entrada pelo portão principal. Pêlo de barba. Sangüíneo ou sanguíneo
Vá para casa. Tenho medo que me pélo.
Ele pode vencer mas é impro- Líqüido ou líquido
O carro pára na esquina.
vável.
Ele pôde vencer porque se Sangüinário ou sanguinário
Cidade pólo regional.
esforçou.
O pequeno pólo bateu as Liqüefato ou liquefato
Venha por aqui.
asas.
Ele sabe o porquê do proble- Vamos pôr combustível no
2. Não se coloca acento agudo na sílaba tônica das formas
ma. tanque.
Ele tem um bom carro. Vou porque quero. verbais terminadas em “que”, “quem”.
Paulo vem para o almoço. Eles têm uma bela casa. Exemplo: delinqüem
Eles vêm para o
Atenção: O trema e o til não são acentos.
almoço.

4. NOTAÇÕES LÉXICAS Emprego do Apóstrofo

Notações Léxicas Apóstrofo ( ´ )

Para representar os fonemas, muitas vezes há necessidade de O uso deste sinal gráfico pode:
recorrer a sinais gráficos denominados notações léxicas.
a) Indicar a supressão de uma vogal nos versos, por exigências
Emprego do Til métricas. Ocorre principalmente entre poetas portugueses

Til ( ~ ) Exemplos:

O til sobrepõe-se sobre as letras a e o para indicar vogal nasal. esp´rança (esperança)
Pode aparecer em sílaba:
minh'alma (minha alma)
Tônica: balão, corações, maçã
'stamos (estamos)
Pretônica: balõezinhos, grã-fino

Apostilas Decisão 9 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
b) Reproduzir certas pronúncias populares

Exemplos: d) Algumas palavras não seguem a regra geral para abreviatura.

Olh'ele aí...(Guimarães Rosa) Exemplos:

Não s'enxerga, enxerido! (Peregrino Jr.) a.C. ou A.C. (antes de Cristo)

ap., apart. ou apto (apartamento)


c) Indicar a supressão da vogal da preposição de em certas
palavras compostas btl. (batalhão)

Exemplos: copo d´água, estrela d'alva, caixa d'água cx. (caixa)

D. ( digno, Dom, Dona)


5. ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS
f. ou fl. ou fol. (folha)
A abreviatura é um recurso convencional da língua escrita que
consiste em representar de forma reduzida certas palavras ou id. (idem)
expressões. A regra geral para abreviatura das palavras é
simples. Basta escrever a primeira sílaba e a primeira letra da i.e. (isto é)
segunda sílaba, seguidas de ponto abreviativo. Veja os
exemplos: p. ou pág. (página)

bras. (brasileiro) pg. (pago)

num. (numeral) pp. ou págs. (páginas)

P.S. (pós-escrito)
Observações:
Q.G. (quartel-general)
a) Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, as duas
farão parte da abreviatura. S.A. (Sociedade Anônima)

Exemplos: S.O.S. (Save Our Soul = Salve nossa alma, em apelo


de socorro)
pess. (pessoa)
u.i. (uso interno)
constr. (construção)
U.S.A. (United States of America = Estados Unidos)
secr. (secretário)

diss. (dissílabo) Sobre o uso de abreviaturas

A abreviatura deve ter metade ou menos da metade da palavra


b) O acento gráfico ou hífen existente na palavra original deve original, caso contrário, é preferível escrever a palavra por
ser mantido na abreviatura. extenso. Deve-se evitar ao máximo o uso de abreviaturas em
textos corridos, utilizando-as preferencialmente em quadros,
Exemplos: tabelas, listas, ou em documentos específicos, como dicionários,
manuais técnicos e almanaques; Antes de abreviar uma palavra,
séc. (século) deve-se consultar dicionários e outras fontes de informação, a
fim de verificar se já existem formas padronizadas; se isso não
dec.-lei (decreto-lei) for possível, a palavra abreviada deve terminar em consoante e
não em vogal.
adm.-financ. (administrativo-financeiro)
Ex.:

c) Algumas palavras apresentam abreviatura por contração, ou ed. (edição)


seja, pela supressão de letras no meio da palavra.
mús. (música)
Exemplos:

bel. (bacharel) Deve-se evitar a utilização de abreviaturas que remetem a mais


de uma palavra, ou a um grupo de palavras que têm a mesma
cel. (coronel) raiz, tal como bibl., raiz de bibliografia, bibliologia,
biblioteconomia; nesse caso, deve-se abreviar de forma a não
cia. (companhia) ocasionar dúvidas quanto ao significado.

dr. (doutor) Ex.:

Ilmo. (Ilustríssimo) Bibliogr. (bibliografia)

ltda. (limitada) Bibliol. (bibliologia)


Apostilas Decisão 10 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
b) Quando mencionadas pela primeira vez no texto, deve-se
Bibliotecon. (biblioteconomia) escrever primeiramente a forma por extenso, seguida da sigla
entre parênteses, ou separada por hífen.

Deve-se adicionar a letra s (sempre minúscula) para indicar o Ex.: A Universidade Federal do Paraná (UFPR) é a
plural nas abreviaturas que representam títulos ou formas de universidade mais antiga do Brasil.
tratamento e naquelas em que a concordância exigir.
A Universidade Federal do Paraná - UFPR é a
Ex.: universidade mais antiga do Brasil.

Drs. (doutores)
c) Não são colocados pontos intermediários e ponto final nas
V. Exas. (Vossas Excelências) siglas.

Ex.: Associação Paranaense de Reabilitação – APR (e


Deve-se evitar o uso de etc. no fim de uma enumeração de itens, não A.P.R.)
pois este não acrescenta outra informação senão a de que está
incompleta, recomendando-se, para tanto, o uso de entre
outros e de e outros. d) Siglas com até três letras são escritas com todas as letras
maiúsculas.
Ex.:
Os ingredientes utilizados na preparação do bolo foram: açúcar, Ex.: ONU - Organização das Nações Unidas
farinha, fermento, ovos, leite, entre outros. Nas abreviaturas de
caráter internacional, não se utiliza o ponto abreviativo. IML - Instituto Médico Legal

Ex.: h, kg, km, kw, l.


e) Siglas com quatro letras ou mais devem ser escritas com
todas as letras maiúsculas quando cada uma de suas letras ou
As abreviaturas dos nomes dos estados brasileiros são parte delas é pronunciada separadamente, ou somente com a
constituídas de duas letras, ambas maiúsculas e sem ponto. inicial maiúscula, quando formam uma palavra pronunciável.

Ex.: Ex.: BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento


Econômico e Social
BA (Bahia)
Masp - Museu de Arte de São Paulo
SC (Santa Catarina)
Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária
Abreviaturas e a pontuação

O ponto da abreviatura também serve para indicar o final do f) Deve-se manter com maiúsculas e minúsculas as siglas que
período. originalmente foram criadas com essa estrutura para se
diferenciarem de outras, independentemente de seu tamanho.
Ex.: "O professor respondeu a Pedro Marcolino Jr."
(Não há a necessidade de repetir a pontuação.) Ex.: CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa (para
diferenciá-lo de CNP – Conselho Nacional do Petróleo).

Abreviaturas e o dia a dia


g) No caso de siglas de origem estrangeira, deve-se adotar a
Você já deve ter reparado nos jornais que possuem cadernos do sigla e seu nome em português quando houver forma traduzida,
tipo "Classificados", que o recurso da abreviatura é ou adotar a forma original da sigla estrangeira quando esta não
constantemente utilizado. Desta forma, o cliente economiza tiver correspondente em português, mesmo que o seu nome por
espaço e paga menos pelo seu anúncio. extenso em português não corresponda perfeitamente à sigla.

Ex.:
Siglas
ONU - Organização das Nações Unidas
Sigla é o nome dado ao conjunto de letras iniciais dos vocábulos
(normalmente os principais) que compõem o nome de uma FAO - Organização das Nações Unidas para a
organização, uma instituição, um programa, um tratado, entre Alimentação e Agricultura.
outros. Na utilização de siglas, observam-se os seguintes
critérios:
h) Deve-se adicionar a letra s (sempre minúscula) para indicar o
a) Deve-se citar apenas siglas já existentes ou consagradas; a plural das siglas somente quando a concordância gramatical
sigla e o nome que a originou são escritos de maneira precisa e assim o exigir.
completa, de acordo com a convenção ou designação oficial.
Ex.: O trabalho das ONGs vem repercutindo cada vez
Ex.: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT mais na sociedade.
(e não EBCT)

Observe a lista de siglas abaixo:

Apostilas Decisão 11 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
A - Adjetivo
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - Verbo
AC - Acre
AL - Alagoas - Advérbio
AM - Amazonas
AP - Amapá - Preposição
B - Base
BA - Bahia - Conjunção
CE - Ceará
DF - Distrito Federal - Interjeição
ES - Espírito Santo
FE - Formação Esporádica
FI - Formação Institucionalizada Morfema: Um morfema é a menor unidade gramatical que se
GO - Goiás pode identificar. As palavras, ao contrário do que pode parecer,
GT - Gramática Tradicional não correspondem às menores unidades gramaticais da língua.
MA - Maranhão Uma palavra como infelicidade, por exemplo, resulta da
MG - Minas Gerais combinação de três elementos menores: o prefixo in-, o radical
MS - Mato Grosso do Sul felic- e o sufixo -idade. Cada um desses elementos é um
MT - Mato Grosso morfema da língua portuguesa, e nenhum deles pode ser
Nb - Nome base fragmentado ulteriormente do ponto de vista gramatical: sob
NURC - Norma Urbana Culta esse ponto de vista, todos são unidades mínimas. Cada um
P - Produto desses morfemas é usado para construir outras palavras. Por
PA - Pará exemplo, o prefixo in- ocorre também em "infeliz", "indistinto",
PE - Pernambuco "involuntário" e "insatisfeito"; o tema feliz aparece também
PB - Paraíba "felicidade", "felizmente", "infelicitar" e "felizardo"; e o sufixo –
PDT - Partido Democrático Trabalhista idade ocorre também em "velocidade", "castidade", "maioridade"
PFL - Partido da Frente Liberal e "habilidade". Os morfemas são de tipos diferentes. Dizemos
PGPF - Projeto de Gramática do Português Falado que "feliz" é um morfema lexical, ou lexema, por ter um sentido
PI - Piauí dicionarizável: podemos dar uma definição de "feliz". Contudo, o
PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro -mente de "felizmente" é diferente: é um morfema gramatical,
PR - Paraná que desempenha a função estritamente gramatical de
PSDB - Partido Social Democrático Brasileiro transformar um adjetivo em advérbio. Independentemente disso,
PT - Partido dos Trabalhadores podemos dizer que "feliz" é também um morfema livre: pode
RAE - Regra de Análise Estrutural aparecer sozinho formando palavra, como acontece na palavra
RFP - Regra de Formação de Palavras "feliz". Mas o prefixo in- e os sufixos –idade e –mente são
RJ - Rio de Janeiro morfemas presos: eles nunca podem aparecer sozinhos,
RN - Rio Grande do Norte precisam sempre ligar-se a pelo menos um outro morfema no
RR - Regra de Redundância interior de uma palavra. Idealmente, um mesmo morfema
RR - Roraima deveria ter sempre uma única forma constante e um único
RS - Rio Grande do Sul significado ou função constantes. Mas, na realidade, os
S - Substantivo morfemas variam em sua forma, dependendo da posição onde
SC - Santa Catarina ocorrem, um fenômeno denominado alomorfia. Por exemplo, o
SE - Sergipe morfema saúde tem uma forma quando aparece nas palavras
SP - São Paulo "saúde" e "saudável", e tem outra forma quando aparece na
TV - Televisão palavra "salutar" e "insalubre". Analogamente, o prefixo negativo
TO - Tocantins in- apresenta formas diferentes nas palavras "insincero",
V - Verbo "impossível" e "ilegal". Chamamos essas formas variantes
alomorfes do morfema. O morfema também pode ser ausente.
Quando a ausência do morfema é significativa, a função é
considerada cumprida pelo morfema zero.
6. MORFOLOGIA:
ESTRUTURA DAS PALAVRAS
Estrutura das Palavras
Morfologia
Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores
Em lingüística, morfologia é o estudo da estrutura, da formação e das palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de
da classificação das palavras. A peculiaridade da morfologia é cada uma delas. Observe os exemplos abaixo:
estudar as palavras olhando para elas isoladamente e não
dentro da sua participação na frase ou período. A morfologia
está agrupada em dez classes, denominadas classes de
palavras ou classes gramaticais.

São elas:

- Substantivo

- Artigo brinc-a-mos cha-l-eira cachorr-inh-a-s


- Adjetivo
A análise destes exemplos mostra-nos que as palavras podem
- Numeral ser divididas em unidades menores, a que damos o nome de
elementos mórficos ou morfemas.
- Pronome
Apostilas Decisão 12 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Vamos analisar a palavra "cachorrinhas": Radical: Elemento básico e significativo das palavras,
consideradas sob o aspecto gramatical e prático. É
Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro encontrado através do despojo dos elementos
elementos. São eles: secundários (quando houver) da palavra.

cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, Por Exemplo:


aquele que contém o significado.
cert-o
inh - indica que a palavra é um diminutivo.
cert-eza
a - indica que a palavra é feminina.
in-cert-eza
s - indica que a palavra se encontra no plural.

Afixos
Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo.
Afixos são elementos secundários (geralmente sem vida
Obs.: Existem palavras que não comportam divisão em autônoma) que se agregam a um radical ou tema para formar
unidades menores, tais como: mar, sol, lua, etc. palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-
mente", por exemplo, cria uma nova palavra a partir de "certo":
São elementos mórficos: certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o
acréscimo dos morfemas "a-" e "-ar" à forma "cert-" cria o
1. Raiz, radical, tema: elementos básicos e verbo acertar. Observe que a- e -ar são morfemas capazes de
significativos. operar mudança de classe gramatical na palavra a que são
anexados. Quando são colocados antes do radical, como
2. Afixos (prefixos, sufixos), desinência, vogal acontece com "a-", os afixos recebem o nome de prefixos.
temática: elementos modificadores da significação dos Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são
primeiros. chamados de sufixos.

3. Vogal de ligação, consoante de ligação: elementos Veja os Exemplos:


de ligação ou eufônicos.
Prefixo Radical Sufixo
Raiz in at ivo
em pobr ecer
É o elemento originário e irredutível em que se concentra a
inter nacion al
significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. É a
raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma
família etimológica. Observe o exemplo: Raiz noc [Latim nocere
= prejudicar] tem a significação geral de causar dano, e a ela se Desinências
prendem, pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade,
inocente, inocentar, inócuo, etc. São os elementos terminais indicativos das flexões das palavras.
Existem dois tipos:
Obs.: Uma raiz pode sofrer alterações. Veja o exemplo:
1. Desinências Nominais: Indicam as flexões de gênero
at-o (masculino e feminino) e de número (singular e plural) dos
nomes.
at-or
Exemplos:
at-ivo
alun-o aluno-s
aç-ão
alun-a aluna-s
ac-ionar
Observação: Só podemos falar em desinências nominais de
gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões,
Radical como nos exemplos acima. Em palavras como mesa, tribo,
telefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de
Observe o seguinte grupo de palavras: gênero. Já em pires, lápis, ônibus não temos desinência nominal
de número.
livr- o
livr- inho 2. Desinências Verbais: Indicam as flexões de número e
livr- eiro pessoa e de modo e tempo dos verbos.
Exemplos:
livr- eco

Compr Compra Compra Compra Compra


Você reparou que há um elemento comum nesse grupo?
-o -s -mos -is -m
Você reparou que o elemento livr serve de base para o
significado? Esse elemento é chamado de radical (ou Compra Compra
semantema). -va -va-s

Apostilas Decisão 13 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
A desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência
número-pessoal, pois indica que o verbo está na primeira Primitiva Derivada
pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-
temporal: caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito marítimo,
do indicativo, na 1ª conjugação. mar marinheiro,
marujo
enterrar, terreiro,
Vogal Temática terra
aterrar

É a vogal que se junta ao radical, preparando-o para receber as Observamos que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma
desinências. Nos verbos, distinguem-se três vogais temáticas: outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação de
outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo,
A: Caracteriza os verbos da 1ª conjugação. mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas.
Exemplos: buscar, buscavas, etc. Tipos de Derivação

Derivação Prefixal ou Prefixação: Resulta do


E: Caracteriza os verbos da 2ª conjugação. acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu
significado alterado.
Exemplos: romper, rompemos, etc.
Exemplos:

I: Caracteriza os verbos da 3ª conjugação. crer- descrer

Exemplos: proibir, proibirá, etc. ler- reler

capaz- incapaz
Tema

É o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos Derivação Sufixal ou Sufixação: Resulta de
citados acima, os temas são: busca-, rompe-, proibi- acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode
sofrer alteração de significado ou mudança de classe
gramatical.
Vogais e Consoantes de Ligação
Exemplo:
As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem
por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo Alfabetização
possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra.

Exemplo: parisiense (paris=radical, ense=sufixo, vogal No exemplo acima, o sufixo -ção transforma em
de ligação=i) substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já
é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo do
Outros exemplos: gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o- sufixo -izar. A derivação sufixal pode ser:
cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-
z-inho, pobr-e-tão, etc. a) Nominal, formando substantivos e adjetivos.
Por Exemplo: papel – papelaria; riso – risonho

7. FORMAÇÃO DAS PALAVRAS; SUFIXOS; b) Verbal, formando verbos.


PREFIXOS; RADICAIS GREGOS; RADICAIS Por Exemplo: atual - atualizar
LATINOS; ORIGEM DAS PALAVRAS DA c) Adverbial, formando advérbios de modo.
LÍNGUA PORTUGUESA Por Exemplo: feliz – felizmente

Formação de Palavras
Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre
Existem dois processos básicos pelos quais se formam as quando a palavra derivada resulta do acréscimo
palavras: simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por
meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e
1. derivação adjetivos) e verbos. Considere o adjetivo " triste". Do
radical "trist-" formamos o verbo entristecer através da
2. composição junção simultânea do prefixo "en-" e do sufixo "-ecer".
A presença de apenas um desses afixos não é
A diferença entre ambos consiste basicamente em que, no suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa
processo de derivação, partimos sempre de um único radical, língua não existem as palavras "entriste", nem
enquanto no processo de composição sempre haverá mais de "tristecer".
um radical.
Exemplos:

1. Derivação Palavra Palavra


Prefixo Radical Sufixo
Inicial Formada
É o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada
mudo e mud ecer emudecer
derivada, a partir de outra já existente, chamada primitiva.
Observe o quadro abaixo:
Apostilas Decisão 14 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
alma des alm ado desalmado Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre
quando determinada palavra, sem sofrer qualquer
acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe
Atenção! gramatical. Neste processo:

Não devemos confundir derivação parassintética, em que o 1. Os adjetivos passam a substantivos


acréscimo de sufixo e de prefixo é obrigatoriamente simultâneo,
com casos como os das palavras desvalorização e Ex.: Os bons serão contemplados.
desigualdade. Nessas palavras, os afixos são acoplados em
seqüência: desvalorização provém de desvalorizar, que provém
de valorizar, que por sua vez provém de valor. É impossível 2. Os particípios passam a substantivos ou adjetivos
fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se
pode dizer que expropriar provém de "propriar" ou de Ex.: Aquele garoto alcançou um feito passando no
"expróprio", pois tais palavras não existem. Logo, expropriar concurso.
provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante de
prefixo e sufixo.
3. Os infinitivos passam a substantivos

Derivação Regressiva: Ocorre derivação regressiva Ex.: O andar de Roberta era fascinante.
quando uma palavra é formada não por acréscimo, mas
por redução. O badalar dos sinos soou na cidadezinha.

Exemplos:
4. Os substantivos passam a adjetivos
comprar
beijar (verbo) Ex.: O funcionário fantasma foi despedido.
(verbo)
compra beijo O menino prodígio resolveu o problema.
(substantivo) (substantivo)

5. Os adjetivos passam a advérbios


Saiba que:
Ex.: Falei baixo para que ninguém escutasse.
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se
ocorre o contrário, podemos seguir a seguinte orientação:
6. Palavras invariáveis passam a substantivos
- Se o substantivo denota ação, será palavra
derivada, e o verbo palavra primitiva.
Ex.: Não entendo o porquê disso tudo.
- Se o nome denota algum objeto ou substância,
verifica-se o contrário.
7. Substantivos próprios tornam-se comuns.
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam
Ex.: Aquele coordenador é um caxias! (chefe severo e
ações, logo, são palavras derivadas. O mesmo não ocorre,
exigente)
porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um
substantivo primitivo que dá origem ao verbo ancorar.
Observação: Os processos de derivação vistos anteriormente
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos fazem parte da Morfologia porque implicam alterações na forma
a partir de verbos. Por isso, recebem o nome de substantivos das palavras. No entanto, a derivação imprópria lida
deverbais. Note que na linguagem popular, são freqüentes os basicamente com seu significado, o que acaba caracterizando
exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. Veja: um processo semântico. Por essa razão, entendemos o motivo
pelo qual é denominada "imprópria".
- o portuga (de português)

- o boteco (de botequim) Composição

- o comuna (de comunista) É o processo que forma palavras compostas, a partir da junção
de dois ou mais radicais. Existem dois tipos:

Ou ainda: 1. Composição por Justaposição: Ao juntarmos duas


ou mais palavras ou radicais, não ocorre alteração
- agito (de agitar) fonética.

- amasso (de amassar) Exemplos: passatempo, quinta-feira, girassol, couve-


flor
- chego (de chegar)
Obs.: Em "girassol" houve uma alteração na grafia
(acréscimo de um "s") justamente para manter
Obs.: O processo normal é criar um verbo a partir de um inalterada a sonoridade da palavra.
substantivo. Na derivação regressiva, a língua procede em
sentido inverso: forma o substantivo a partir do verbo.

Apostilas Decisão 15 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
2. Composição por Aglutinação: Ao unirmos dois ou Exemplos: analogia, análise, anagrama, anacrônico
mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou
mais de seus elementos fonéticos.
anfi-: Em redor, em tomo, de um e outro lado, duplicidade.
Exemplos: embora (em boa hora) Exemplos: anfiteatro, anfíbio, anfibologia

fidalgo (filho de algo - referindo-se a família


nobre) anti-: Oposição, ação contrária.
Exemplos: antídoto, antipatia, antagonista, antítese
hidrelétrico (hidro + elétrico)

planalto (plano alto) apo-: Afastamento, separação.


Exemplos: apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia
Obs.: Ao aglutinarem-se, os componentes subordinam-
se a um só acento tônico, o do último componente.
arqui-, arce-: Superioridade hierárquica, primazia, excesso.
Exemplos: arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário
Redução: Algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma
plena, uma forma reduzida. Observe:
cata-: Movimento de cima para baixo.
- auto - por automóvel Exemplos: cataplasma, catálogo, catarata

- cine - por cinema


di-: Duplicidade.
- micro - por microcomputador Exemplos: dissílabo, ditongo, dilema

- Zé - por José
dia-: Movimento através de, afastamento.
Como exemplo de redução ou simplificação de palavras, podem Exemplos: diálogo, diagonal, diafragma, diagrama
ser citadas também as siglas, muito freqüentes na comunicação
atual. (Se desejar, veja mais sobre siglas na seção "Extras" -> dis-: Dificuldade, privação.
Abreviaturas e Siglas) Exemplos : dispnéia, disenteria, dispepsia, disfasia

Hibridismo: Ocorre hibridismo na palavra em cuja formação ec-, ex-, exo-, ecto-: Movimento para fora.
entram elementos de línguas diferentes. Exemplos: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo

Por Exemplo:
en-, em-, e-: Posição interior, movimento para dentro.
auto (grego) + móvel (latim) Exemplos: encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo

Onomatopéia: Numerosas palavras devem sua origem a uma


tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os endo-: Movimento para dentro.
ruídos da natureza. As onomatopéias são vocábulos que Exemplos: endovenoso, endocarpo, endosmose
reproduzem aproximadamente os sons e as vozes dos seres.

Exemplos: miau, zumzum, piar, tinir, urrar, chocalhar, epi-: Posição superior, movimento para.
cocoricar, latir e etc. Exemplos: epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio

eu-: Excelência, perfeição, bondade.


Prefixos Exemplos: eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia

Os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais


basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramente esses hemi-: Metade, meio.
morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os prefixos Exemplos: hemisfério, hemistíquio, hemiplégico
ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim e do
grego, línguas em que funcionavam como preposições ou
advérbios, logo, como vocábulos autônamos. Alguns prefixos hiper-: Posição superior, excesso.
foram pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua Exemplos: hipertensão, hipérbole, hipertrofia
vez, tiveram grande vitalidade na formação de novas palavras.

Veja os Exemplos: a- , contra- , des- , em- (ou en-) , hipo-: Posição inferior, escassez.
es- , entre- re- , sub- , super- , anti- Exemplos: hipocrisia, hipótese, hipodérmico

Prefixos de Origem Grega meta-: Mudança, sucessão.


Exemplos: metamorfose, metáfora, metacarpo
a-, an-: Afastamento, privação, negação, insufi-ciência, carência.
Exemplos: anônimo, amoral, ateu, afônico
para-: Proximidade, semelhança, intensidade.
Exemplos: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma
ana-: Inversão, mudança, repetição.
Apostilas Decisão 16 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplos: decapitar, decair, depor
peri-: Movimento ou posição em torno de.
Exemplos: periferia, peripécia, período, periscópio
de(s)-, di(s)-: Negação, ação contrária, separação.
Exemplos: desventura, discórdia, discussão
pro-: Posição em frente, anterioridade.
Exemplos: prólogo, prognóstico, profeta, programa
e-, es-, ex-: Movimento para fora.
Exemplos: excêntrico, evasão, exportação, expelir
pros-: Adjunção, em adição a.
Exemplos: prosélito, prosódia
en-, em-, in-: Movimento para dentro, passagem para um estado
ou forma, revestimento.
proto-: Início, começo, anterioridade. Exemplos: imergir, enterrar, embeber, injetar, importar
Exemplos: proto-história, protótipo, protomártir

extra-: Posição exterior, excesso.


poli-: Multiplicidade. Exemplos: extradição, extraordinário, extraviar
Exemplos: polissílabo, polissíndeto, politeísmo

i-, in-, im-: Sentido contrário, privação, negação.


sin-, sim-: Simultaneidade, companhia. Exemplos: ilegal, impossível, improdutivo
Exemplos: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse

inter-, entre-: Posição intermediária.


tele-: Distância, afastamento. Exemplos: internacional, interplanetário
Exemplos: televisão, telepatia, telégrafo

intra-: Posição interior.


Exemplos: - intramuscular, intravenoso, intraverbal
Prefixos de Origem Latina

a-, ab-, abs-: Afastamento, separação. intro-: Movimento para dentro.


Exemplos: aversão, abuso, abstinência, abstração Exemplos: introduzir, introvertido, introspectivo

a-, ad- : Aproximação, movimento para junto. justa-: Posição ao lado.


Exemplos: adjunto,advogado, advir, aposto Exemplos: justapor, justalinear

ante-: Anterioridade, procedência. ob-, o-: Posição em frente, oposição.


Exemplos: antebraço, ante-sala, anteontem, antever Exemplos: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo

ambi-: Duplicidade. per-: Movimento através.


Exemplos: ambidestro, ambiente, ambigüidade, ambivalente Exemplos: percorrer, perplexo, perfurar, perverter

ben(e)-, bem-: Bem, excelência de fato ou ação. pos-: Posterioridade.


Exemplos: benefício, bendito Exemplos: pospor, posterior, pós-graduado

bis-, bi-: Repetição, duas vezes. pre-: Anterioridade.


Exemplos: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito Exemplos: prefácio, prever, prefixo, preliminar

circu(m) -: Movimento em torno. pro-: Movimento para frente.


Exemplos: circunferência, circunscrito, circulação Exemplos: progresso, promover, prosseguir, projeção

cis-: Posição aquém. re-: Movimento para trás.


Exemplos: cisalpino, cisplatino, cisandino Exemplos: rever, reduzir, rebater, reatar

co-, con-, com-: Companhia, concomitância. retro-: Movimento para trás.


Exemplos: colégio, cooperativa, condutor Exemplos: retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado

contra-: Oposição. so-, sob-, sub-, su-: Movimento de baixo para cima,
Exemplos: contrapeso, contrapor, contradizer inferioridade.
Exemplos: soterrar, sobpor, subestimar

de-: Movimento de cima para baixo, separação, negação.


Apostilas Decisão 17 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
super-, supra-, sobre-: Posição superior, excesso.
Exemplos: supercílio, supérfluo São elementos (isoladamente insignificativos) que,
acrescentados a um radical, formam nova palavra. Sua principal
característica é a mudança de classe gramatical que geralmente
soto-, sota-: Posição inferior. opera. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo
Exemplos: soto-mestre, sota-vaga, sotopor num contexto em que se deve usar um substantivo, por
exemplo.
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são
trans-, tras-, tres-, tra-: Movimento para além, movimento incorporadas as desinências que indicam as flexões das
através. palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores
Exemplos: transatlântico, tresnoitar, tradição de substantivos extremamente importantes para o
funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e
os que formam nomes de agente.
ultra-: Posição além do limite, excesso.
Exemplos: ultrapassar, ultra-romantismo, ultra-som, ultraleve,
ultravioleta Sufixos que Formam Nomes de Ação

-ada - caminhada -ez(a) - sensatez, beleza


vice-, vis-: Em lugar de.
Exemplos: vice-presidente, visconde, vice-almirante -ança - mudança -ismo - civismo
-ância - abundância -mento - casamento
Quadro de Correspondência entre Prefixos Gregos e Latinos
-ção - emoção -são - compreensão
-dão - solidão -tude - amplitude
Prefixos Prefixos
Significado Exemplos -ença - presença -ura - formatura
Gregos Latinos
a, an des, in privação, negação anarquia,
desigual, inativo
Sufixos que Formam Nomes de Agente
anti contra oposição, ação antibiótico,
contrária contraditório
-ário(a) - secretário -or - lutador
anfi ambi duplicidade, de um anfiteatro,
e outro lado, em ambivalente -eiro(a) - ferreiro -nte - feirante
torno -ista - manobrista
apo ab afastamento, apogeu, abstrair
separação
di bi(s) duplicidade dissílabo, Além dos sufixos acima, tem-se:
bicampeão
dia, meta trans movimento através diálogo, transmitir Sufixos que formam nomes
de lugar, depositório -or - corredor
e(n)(m) i(n)(m)(r) movimento para encéfalo, ingerir, -aria - churrascaria
dentro irromper
-ário - herbanário -tério - cemitério
endo intra movimento para endovenoso,
dentro, posição intramuscular -eiro - açucareiro -tório - dormitório
interior -il - covil
e(c)(x) e(s)(x) movimento para êxodo,
fora, mudança de excêntrico,
estado estender Sufixos que Formam Nomes Indicadores de Abundância,
Aglomeração, Coleção
epi, super, supra posição superior, epílogo,
hiper excesso supervisão,
hipérbole, >-aço - ricaço -ario(a) - casario, infantaria
supradito -ada - papelada -edo - arvoredo
eu bene excelência, eufemismo, -agem - folhagem -eria - correria
perfeição, bondade benéfico
-al - capinzal -io - mulherio
hemi semi divisão em duas hemisfério,
partes semicírculo -ame - gentame -ume - negrume

hipo sub posição inferior hipodérmico,


submarino
Sufixos que Formam Nomes Técnicos usados na Ciência
para ad proximidade, paralelo,
adjunção adjacência
-ite bronquite, hepatite (inflamação)
peri circum em torno de periferia,
-oma mioma, epitelioma, carcinoma (tumores)
circunferência
-ato, eto, ito sulfato, cloreto, sulfito (sais)
cata de movimento para catavento,
baixo derrubar -ina cafeína, codeína (alcalóides, álcalis artificiais)
si(n)(m) cum simultaneidade, sinfonia, silogeu, -ol fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto)
companhia cúmplice -ite amotite (fósseis)
-ito granito (pedra)
Sufixos -ema morfema, fonema, semema, semantema
Apostilas Decisão 18 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
(ciência lingüística)
Sufixos Verbais
-io sódio, potássio, selênio (corpos simples)
Os sufixos verbais agregam-se, via de regra, ao radical de
substantivos e adjetivos para formar novos verbos. Em geral, os
Sufixo que Forma Nomes de Religião, Doutrinas Filosóficas, verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da
Sistemas Políticos terminação-ar.

budismo Exemplos: esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar;


-ismo kantismo (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.
comunismo

Os verbos exprimem, entre outras idéias, a prática de ação.

Veja:
Sufixos Formadores de Adjetivos
-ar: cruzar, analisar, limpar
a) de substantivos
-ear: guerrear, golear
-aco - maníaco -ento - cruento
-ado - barbado -eo - róseo -entar: afugentar, amamentar
-áceo(a) - herbáceo, liláceas -esco - pitoresco -ficar: dignificar, liquidificar
-aico - prosaico -este - agreste
-al - anual -estre - terrestre -izar: finalizar, organizar

-ar - escolar -ício - alimentício


-ário - diário, ordinário -ico - geométrico Observe este quadro de Sufixos Verbais:
-ático - problemático -il - febril
Sufixo Sentido Exemplificação
-az - mordaz -ino - cristalino
-ear freqüentativo, durativo cabecear, folhear
-engo - mulherengo -ivo - lucrativo
-ejar freqüentativo, durativo gotejar, velejar
-enho - ferrenho -onho - tristonho
-entar factitivo aformosentar,
-eno - terreno -oso - bondoso amolentar
-udo - barrigudo -(i)ficar factitivo clarificar, dignificar
-icar freqüentativo-diminutivo bebericar, depenicar
b) de verbos -ilhar freqüentativo-diminutivo dedilhar, fervilhar
-inhar freqüentativo-diminutivo- escrevinhar, cuspinhar
Sufixo Sentido Exemplificação pejorativo
-(a)(e)(i)nte ação, qualidade, estado semelhante, doente, -iscar freqüentativo-diminutivo chuviscar, lambiscar
seguinte -itar freqüentativo-diminutivo dormitar, saltitar
-(á)(í)vel possibilidade de praticar ou louvável perecível -izar factitivo civilizar, utilizar
sofrer uma ação punível
-io, -(t)ivo ação referência, modo de tardio Observações:
ser afirmativopensativo
-(d)iço, - possibilidade de praticar ou movediço, quebradiço, Verbo Freqüentativo: é aquele que traduz ação
(t)ício sofrer uma ação, referência factício repetida.
-(d)ouro,- ação, pertinência casadouro, Verbo Factitivo: é aquele que envolve idéia de fazer ou
(t)ório preparatório causar.

Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco


Sufixos Adverbiais intensa.

Na Língua Portuguesa, existe apenas um único sufixo


adverbial: É o sufixo "-mente", derivado do substantivo feminino Origem das Palavras
latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o
intento".Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, Tudo tem a sua história. A língua portuguesa não é diferente.
para indicar circunstâncias, especialmente a de modo. Toda língua possui uma história que se confunde com a de seus
falantes, ou seja, o seu povo. O português também é assim.
Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, Nossas palavras vêm de várias fontes. Vejamos:
nervosa-mente, fraca-mente, pia-mente.
1. Fonte primária e básica é o LATIM FALADO, que os filólogos
Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês denominam de "latim vulgar". Este latim era levado pelos
(burgues-mente, portugues-mente, etc.) não seguem esta regra, soldados romanos a cada região conquistada pelo império. Em
pois esses adjetivos eram outrora uniformes. cada terra, os soldados romanos se misturavam na convivência,
que também gerou uma mistura lingüística do latim vulgar com a
Exemplos: cabrito montês / cabrita montês. língua nativa do lugar, dando origem a vários idiomas, como:

Apostilas Decisão 19 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
português, castelhano, catalão, provençal, francês, rético,
italiano, sardo, dalmático (morto) e romeno. A Península Ibérica Os substantivos aceitam flexão, portanto são variáveis.
foi conquistada no século III A.C.. Nela habitavam celtas, iberos,
fenícios, gregos e outros grupos. Celso Cunha diz que poucas
palavras destes povos permaneceram no português, como: 2. Artigo: Palavra que acompanha o substantivo determinando-
balsa, barro, carrasco, louça, manteiga e alguns sufixos. o:

2. LATIM ESCRITO usado pela Igreja Católica e pelos - Uma casa, os sapatos, o carro, uma mesa
intelectuais, de onde nasceram as palavras eruditas no
português, como: celeste, fascículo, homúnculo, lácteo, - Umas casas, o sapato, os carros, umas mesas...
miraculoso (de milagre). Os artigos podem sofrer modificação e são usados no
plural ou singular, portanto, também pertencem ao
3. Outras línguas, quase sempre neolatinas, das quais grupo das variáveis.
recebemos palavras que tiveram origem também no latim, como
"amistoso", ligado à palavra castelhana amistad (no português
amizade), do latim amicitate. 3. Adjetivo: palavra que expressa a qualidade ou característica
do substantivo:
4. Invasões estrangeiras. Os visigodos, no século V, como os
árabes, do século VII ao XV, estiveram na Península Ibérica, por - Casa bonita, sapato grande, carro novo, mesa
isso há no português várias palavras de origem gótica, como: pequena...
albergue, bando, guerra, trégua; de origem árabe, como: alface,
álcool, cifra, faquir, tripa, xadrez. De 1580 a 1640 Portugal - Casas bonitas, sapatos grandes, carros novos, mesas
permaneceu sob o domínio espanhol, são desta época o pequenas...
espanholismo, como: alambrado, granizo, hombridade, neblina
redondilha, tablado, vislumbrar.
4. Numeral: palavra que quando flexionada pode indicar:
5. Imigrações. Já no Brasil, o português sofreu influência dos
negros, que foram trazidos como escravos, como acarajé, Quantidade: Aqui trabalham três ajudan-tes.
candomblé, dengue, vatapá. Recebemos palavras também do
povo nativo, os índios, principalmente nos nomes dos acidentes Ordem: Passei na USP em terceiro lugar.
geográficos e das cidades. Depois dos europeus e asiáticos
vindos ao Brasil no final do século XIX e início do século XX, Múltiplo: Aquela casa tem o triplo do ta-manho da
como: italianos, espanhóis, japoneses. Por isso, o português do minha.
Brasil foi se distanciando do português de Portugal.
Fração: Um terço dos deputados votou contra o
6. Influencia cultural. A intelectualidade brasileira já sofreu forte projeto.
influência cultural da França, por isso temos palavras importadas
do francês, como: chique, croqui, tricô, menu, omelete, purê,
sutiã. Atualmente sofremos uma influência forte do inglês norte- 5. Pronome: Palavra que acompanha ou substitui o substantivo,
americano, como: basquete, vôlei, boxe, ringue, uísque, nocaute, para indicar a pessoa do discurso:
cartum, filme. Havendo muitas palavras que conservam a
ortografia inglesa, como: marketing, software, overnight, holding, - Nossa casa, meu sapato, o carro dele, sua mesa...
lobby.
- Nossas casas, meus sapatos, o carro deles, suas
E o português continua aberto à importação de termos mesas...
estrangeiros, principalmente em tempos de globalização.

6. Verbo: Palavra que indica ação:


8. CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALA-
IR: irei, irá, iria, etc...
VRAS; SUBSTANTIVO; ARTIGO; ADJETIVO;
NUMERAL; PRONOME; VERBO; ADVÉRBIO; CASAR: casarei, casaremos, casarão
PREPOSIÇÃO; CONJUNÇÃO; INTERJEIÇÃO;
CONECTIVOS; FORMAS VARIANTES; GOSTAR: gostou, gostei, gostará, gostaria, etc...
ANÁLISE MORFOLÓGICA
As classes gramáticas apresentam 10 classes de palavras: Invariáveis
Substantivo, Artigo, Adjetivo, Pronome, Numeral, Verbo,
Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição. Elas podem ser O grupo das invariáveis é composto por:
variáveis ou invariáveis.
1. Advérbio: Palavra que modifica o sentido:

Variáveis Do verbo: Suas palavras nos sensibiliza-ram


profundamente.
As seis classes que são do grupo das variáveis são:
Do Adjetivo: Ela estava maravilhosa-mente bela.
1. Substantivo: Palavra que dá nome aos seres em geral.
Do próprio advérbio: Você sabe muito bem minha
- Casa, sapato, carro, mesa... opinião.

- Casarão,casebre, sapatos, sapatinho, carros, carrinho,


2. Preposição: Palavra que liga dois termos entre si:
mesas..

Apostilas Decisão 20 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
- Falou sobre suas viagens. Recife; (identifica um ser da espécie cidade)

- Lutarei contra todos.


Simples: quando o substantivo é formado por um só radical.

3. Conjunção: palavra que liga: Árvore, flor, repolho, menino, pé, mão...

Termos: Brigavam como cão e gato.


Composto: quando o substantivo for formado por mais de um
Orações: Vibramos com a divulgação do resultado. radical.

Salário-família
4. Interjeição: palavra que exprime sentimento ou emoção:
Azul-marinho
- Oba! Hoje é feriado nacional!
Pé- de- moleque

OBS: Preposição, interjeição, conjunção e advérbio


pertencem a classe das palavras invariáveis, pois, não podem Primitivo: dá origem a outro substantivo.
sofrer flexão alguma.
Carro, terra...

Substantivo Derivado: quando se origina de outro substantivo, primitivo.

Aspectos Morfológicos: Substantivo é todo nome com que Carroça, carroceiro, carretel, carruagem,
designamos os seres. Ӄ a palavra com que designamos ou
nomeamos os seres em geral“. (Celso Cunha) Terreiro, terreno, terremoto...

São, portanto, substantivos:


Concreto: quando indica um ser de existência independente,
1. Os nomes de pessoas, animais, legumes, verduras, frutas, real ou não.
lugares, coisas.
Menino, Deus, alma, terreiro, couve-flor...
Pedro, Mário, boi, cavalo, chuchu, beterraba, repolho,
couve, laranja, manga, Vitória,
Abstrato: quando indica um ser de existência dependente, isto
Argentina, Brasil, caderno, mesa, livro, lápis etc. é, ser que não existe no mundo exterior, mas apenas em nossa
consciência.

NOTA: Qualquer palavra precedida de artigo é um Amor, saudade, inveja, entrada, dor...
substantivo, ou seja, pode ser uma palavra substantivada.

O sim, o não, o porquê, o ser, o amar, o querer, o triste, o Formação do Substantivo


alegre, etc., são palavras subs-tantivadas.
O substantivo pode ser primitivo ou derivado.
Ex.: O não é uma palavra amarga.
Primitivos: são os que não derivam de outra palavra.

2. Os nomes tomados como seres, indicando ação, estado ou pedra, ferro, dente, trovão...
qualidade:

Tristeza, bondade, patriotismo, velhice, colheita, limpeza, Derivados: são os que derivam de outra palavra.
firmeza, inteligência, etc.
pedrada, pedraria, pedregal, pedregoso, pedregulho,
ferroada, ferrolho, ferroso, ferrovia, ferraria, ferreiro,
Classificação do Substantivo dentada, trovoada

O substantivo pode ser:


Substantivos Coletivos
Comum: quando se refere a todos os seres de uma mesma
espécie. São os substantivos comuns que, no singular, designam um
conjunto de seres ou coisas da mesma espécie. É assim
Revista (esse nome se refere a toda a espécie de chamado o substantivo comum que, embora na forma
revista) singular, exprime, quanto à idéia, diversos seres ou coisas da
mesma espécie. Alguns esclarecimentos:
Cidade (identifica toda a espécie de cidade)
a) Não estão relacionados nesta lista coletivos formados do
próprio radical da palavra acrescidos de sufixos designativos de
Próprio: quando se refere a um só ser de uma mesma espécie. coleção.

A Gazeta ( refere-se a um só ser da espécie jornal), Árvore arvoredo

Apostilas Decisão 21 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Casa casario Livro livros
Baú baús
Corda cordame Boi bois
Pai pais
Sapo sapataria Rapé rapés
Caderno cadernos
Taquara taquaral Chapéu chapéus
Vaca vacas
Cavalo cavalos
b) A lista de coletivos não é completa, mas não existem coletivos Boné bonés
para todo e qualquer substantivo. Boneca bonecas

c) Se você estiver procurando coletivos que indiquem o número Observação: Podemos incluir nesta relação os substantivos
certo dos elementos da coleção, isto é, o conjunto de dois, de terminados em “m”, havendo simplesmente a troca do “m” por “n”
três, de quatro, ..., estes devem ser procurados na lista ou e o acréscimo do “s”.
dicionário.
Álbum álbuns
d) Às vezes, ao usar um coletivo - miríade, por exemplo - não
basta escrever miríade, é necessário acrescentar o Bem bens
especificativo, “de estrelas”, um “cardume de peixes”, “um
enxame de abelhas” e não basta simplesmente - “um cardume”, Som sons
“um enxame”, a menos que o contexto já esclareça o coletivo.
Flautim flautins
Eis alguns coletivos:
Boletim boletins
Abelhas - colméia, cortiço, enxame
Amigo - quando em assembléia - tertúlia Plural dos nomes terminados em ZINHO, ZITO.
Anedota - anedotário, repertório
Apetrecho - apeiragem Regra: Põe-se, no plural, os dois elementos e suprime-se o ‘’s’’
Aplaudidor - quando pagos - claque do primeiro :
Argumento - carrada
Asneira - chorrilho, acervo Flor+zinha = flores+zinha = florezinhas
Assassino - choldra, choldraboldra
Ator - elenco Papel = zinho = papéis+zinho = papeizinhos
Ave - quando em grande quantidade bando, nuvem
Bêbedo - corja, súcia, farândula Colar+zito = colares+zitos = colarezitos
Borboleta - panapaná
Botão - abotoadura Réptil+zito = répteis+zitos = repteizitos
Burro - manada, tropa, récua
Cabelo - cacho, trança, madeixa Coração+zito = corações+zito = coraçõe-zitos
Cobra - fato
Cálice - baixela
Camelo - cáfila b) Plural dos Substantivos Compostos
Cão - matilha, canzoada, chusma
Capim - feixe, paveia Substantivos Compostos estão ligados sem hífen, for-mam o
Carta - correspondência, carta geográfica, Atlas plural normalmente.
Cem anos - século
Chave - molho Pontapé pontapés
Cigano - bando, cabildo
Cinco anos - qüinqüênio, lustro Aguardente aguardentes
Cobra - quando instaladas em lugar - serpentário
Coluna - colunata, renque Clarabóia clarabóias
Corda - cordoalha
Credor - junta Madrepérola madrepérolas
Dez - dezena
Dez anos - década Planalto planaltos
Disco - discoteca
Dois animais - casal, par Fidalgo fidalgos
Duas pessoas - casal, par
Doze - dúzia Girassol girassóis
Égua - piara
Erro - barba Pernalta pernaltas
Escravo - na mesma morada - senzala
Estrela - constelação Madressilva madressilvas
Feiticeiro - conciliábulo
Lobisomem lobisomens

a) Plural dos Substantivos Varapau varapaus

Forma-se o plural dos substantivos, acrescentando-se um “s“ ao Montepio montepios


singular quando terminados em vogal ou ditongo.
Terrapleno terraplenos
Cadeira cadeiras
Apostilas Decisão 22 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Cantochão cantochãos
Café-concerto cafés-concerto

- Nos compostos formados por verbo ou palavras invariáveis Laranja-pêra laranjas-pêra


mais substantivo ou adjetivo, só o 2º termo varia.
Banana-maçã bananas-maçã
Beija-flor beija-flores

Guarda-roupa guarda-roupas Ambos os elementos (termos) variam.

Abaixo-assinado abaixo-assinados Nos compostos de palavras variáveis (substantivos, adje-tivos,


numerais).
Vice-rei vice-reis
Cirurgião-dentista cirurgiões-dentistas
Salva-vida salva-vidas
Gentil-homem gentis-homens
Mata-borrão mata-borrões
Carta-bilhete cartas-bilhetes
Ante-sala ante-salas
Obra-prima obras-primas
Bate-papo bate-papos
Parede-mestra paredes-mestras
Pára-choque pára-choques
Rico-homem ricos-homens

- Nos compostos cujos elementos denotam sons de coisas só o Água-marinha águas-marinhas


2º elemento varia.
Vitória-regia vitórias-regias
reco-reco reco-recos
Amor-perfeito amores-perfeitos
tique-taque tique-taques
Tenente-coronel tenetes-coronéis

Só o 1º elemento (termo) varia: Couve-rébano couves-rebanos

a) Nos substantivos compostos cujos elementos são ligados por Salvo-conduto salvos-condutos
preposição.
Chave-mestra chaves-mestras
Pé-de-moleque pés-de-moleque
Pronto-socorro prontos-socorros
Pão-de-ló pães-de-ló
Cobra-cega cobras-cegas
Chefe-de-seção chefes-de-seção
Guarada-mor guardas-mores
Rabo-de-galo rabos-de-galo
Quarta-feira guartas-feiras
Estrada-de-ferro estradas-de-ferro
Guarda-civil guardas-civis
Chapéu-de-sol chapéus-de-sol
Porco-espinho porcos-espinhos
Peroba-do-campo perobas-do-campo
Redator-chefe redatores-chefes
João-de-barro joões-de-barro

Mula-sem-cabeça mulas-sem-cabeças Ambos os elementos (teRmos) SÃO invariáveis

a) Nas formas substantivas:


b) Quando o 2º elemento exprime idéias de finalidade ou
semelhança, só o 1º varia. A estou-fraca as estou-fraca

Salário-família salários-família O disse-me-disse os disse-me-disse

Navio-escola navios-escola O bumba-meu-boi os bumba-meu-boi

Saia-balão saias-balão
b) Nos compostos de verbo e palavra invariável:
Manga-rosa mangas-rosa
O ganha-pouco Os ganha-pouco.
Peixe-boi peixes-boi
O pisa-mansinho Os pisa-mansinho.
Escola-modelo escolas-modelo
O cola-tudo Os cola-tudo.
Caneta-tinteiro canetas-tinteiro
Apostilas Decisão 23 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
O bota-fora Os bota-fora 2. Os compostos que têm o segundo termo no plural, sendo o
primeiro termo invariável, serão assim flexio-nados:

c) Nos compostos de verbo de sentido oposto Um quebra-nozes dois quebra-nozes

O leva-e-traz os leva-e-traz Um saca-rolhas dois saca-rolhas

O vai-e-volta os vai-e-volta
c) Plural de Substantivos com outras Terminações

Algumas Variações Independentes: 1. Os terminados em “ÃO” fazem o plural:

1. Nos termos que indicam nomes de preces, só o se-gundo a) em “AES”


termo varia.
Alemão alemães
Ave-Maria Ave-Marias
Capitão capitães
Padre-Nosso Padre-Nossos
Catalão catalães
Glória-patri Glória-patris
Escrivão escrivães
Pai-nosso Pai-nossos
Pão pães

2. Nos compostos com as combinações do qualificativo “BEL” - Tabelião tabeliães


“GRÃO” - “GRÔ com substantivo, só o 2º termo varia.

Grão-prior grão-priores b) em “ÕES”

Grão-duque grão-duques Canção canções

Grão-mestre grão-mestres Mamão mamões

Grão-ducado grão-ducados Limão limões

Grã-cruz grã-cruzes Eleição eleições

Bel-prazer bel-prazeres
2. Quando os substantivos terminarem am “al”, “el”, “il”, “ol” e
Grão-ducal grão-ducais “ul”, regra geral, troca-se o “l” por “is”.

Grão-lama grão-lamas Coronel coronéis

Nível níveis
3. Nos compostos de palavras repetidas, só o segundo termo
varia. Jornal jornais

Luze-luze luze-luzes Papel papéis

Ruge-ruge ruge-ruges Lençol lençóis

Corre-rorre corre-corres Paul pauis

Lufa-lufa lufa-lufas
3. Nos substantivos terminados em “il”, sendo o vocábulo
Lenga-lenga lenga-lengas oxítono, muda-se “il” por “is”

Zumzum zunzuns Barril barris

Canil canis
4. Nos compostos que têm como último termo um verbo,
antepondo-lhe um pronome, só o 2º termo varia. Covil covis

Bem-te-vi bem-te-vis Fuzil fuzis

Bem-me-quer bem-me-queres
Observação 1:

Observações: a) Réptil e projétil, como paroxítonas, fazem plural répteis e


projéteis e como oxítonos, fazem o plural: reptis e pro-jetis.
1. O composto MAPA-MUNDI, faz o plural MAPAS-MUNDI.

Apostilas Decisão 24 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
4. Aos substantivos terminados em “r” ou “z” acrescenta-se a forno fornos
terminação “es” tijolo tijolos
corno cornos
Altar altares caroço caroços
esforço esforços
Açúcar açúcares coro coros

Rapaz rapazes
Gênero do Substantivo
Exemplar exemplares
Os substantivos podem ser dos gêneros masculino ou feminino
Cartaz cartazes
Os masculinos são: Homem, menino, rapaz, boi, etc.
Éter éteres
Os femininos são: Mulher, menina, moça, vaca, etc.

5. Aos substantivos terminados em “s”, sendo monos-sílabos,


acrescentam-se-lhes “es”. Formação do Feminino

mês meses Forma-se o feminino:

camponês camponeses Regra geral, mudando a terminação “o” em “a”

francês franceses boneco boneca

português portugueses menino menina

inglês ingleses macaco macaca

chinês chineses filho filha

holandês holandeses aluno aluna

gato gata
Sendo os substantivos paroxítonos, ficam invariáveis, e o
adjunto adnominal indicar-lhe-á o número:
As palavras terminadas em “e”, têm a terminação femi-nina “a”
O lápis os lápis nos seguintes casos:

O cais os cais mestre mestra

O xis os xis parente parenta

alfaiate alfaiata
Observação 2: O mesmo acontece com as palavras que só se
usam no plural. São chamadas “pluralia tantum” elefante elefanta

O Estados Unidos os Estados Unidos infante infanta

O lápis os lápis monge monja

O pires os pires
Apenas acrescentamos “a” em:

6. Os substantivos terminados em “x”, ficam invariáveis leitor leitora

O ônix-os ônix professor professora

O fênix-os fênix eleitor eleitora

O tórax-os tórax bacharel bacharela

zagal zagala
Plural Metafônico
oficial oficiala
O plural de alguns substantivos troca o “o” fechado tônico pelo
“o” tônico aberto. juiz juíza

singular (ô) plural (ó) doutor doutora


fogo fogos
corpo corpos
olho olhos As palavras terminadas em “ão”, são trocadas por “ã”, “ão” ou
miolo miolos “ona”:
Apostilas Decisão 25 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

anão anã cão cadela

irmão irmã carneiro ovelha

folião foliã cavalo égua

leão leoa
Certos nomes de pessoas:
valentão valentona
cavaleiro amazona
anfitrião anfitrioa ou anfitriã
cavalheiro dama
cidadão cidadã
compadre comadre
ermitão ermitoa
genro nora
chorão chorona
marido mulher
hortelão horteloa
padrasto madrasta
valentão valentona
padrinho madrinha

Existem, ainda, substantivos que têm uma só forma para os dois pai mãe
sexos. São os chamados COMUM DE DOIS. Distingue-se o
sexo, quando se lhe antepõe o “o” para o masculino e o “a” para
o feminino: Certos nomes formam o feminino com as terminações “esa”,
“essa”, “isa”:
o camarada a camarada
abade abadessa
o estudante a estudante
duque duquesa
o mártir a mártir
etíope etiopisa
o capitalista a capitalista
papa papisa
o doente a doente
barão baronesa

Em muitos substantivos - como os nomes de animais - bispo episcopisa


empregamos as palavras: MACHO e FÊMEA para distinção do
sexo: píton pitonisa

cobra macho cobra fêmea poeta poetisa

jacaré macho jacaré fêmea profeta profetisa

sacerdote sacerdotisa
Observação: Estes nomes de animais são chamados
EPICENOS. visconde viscondessa

São SOBRECOMUNS os nomes de um só gênero gramatical diácono diaconisa


que se aplicam, indiferentemente, a homens e a mulheres:
cônsul consulesa
- o cônjuge

- o ser Certos substantivos são irregulares na formação do feminino, e


não se enquadram em nenhum dos casos precedentes:
- o algoz
avô avó
- o carrasco
capiau capioa
- a testemunha
confrade confreira
- a vítima.
czar czarina

Certos nomes de animais: dom dona

bode cabra grou grua

boi vaca judeu judia


Apostilas Decisão 26 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

maestro maestrina Menino grande menino pequeno

pierrô pierrete
Observação: Fora da idéia de tamanho, as formas aumentativas
rei rainha e diminutivas podem traduzir o nosso desprezo, a nossa crítica,
o nosso pouco caso para certos objetos e pessoas:
sandeu sandia
Coisinha, livreco, padreco, poetastro
embaixador embaixatriz

europeu européia Dizemos, então, que os substantivos estão em sentido


pejorativo. A idéia da pequenez se associa facilmente à de
frade freira carinho que transparece nas formas diminutivas:

guri guria Paizinho, irmãozinho, mãezinha, avovozinha, queridinha

ilhéu ilhoa Existem SUBSTANTIVOS que mudam de gênero e mudam de


significado: são femininos ou masculinos conforme o significado
marajá marani que possuem na frase.

pigmeu pigméia O águia esperto, velhaco, vigarista...

rapaz rapariga A águia ave, perspicácia

réu ré O banana palerma, imbecil

tabaréu tabaroa A banana fruta da bananeira

herói heroína O cabeça chefe, líder

Atenção: a mulher do embaixador é embaixadora A cabeça parte co corpo

O cabra homem valente


Grau do Substantivo
A cabra animal
Grau é o acidente que exprime:
O caixa funcionário(a)
a) O aumento ou diminuição de um ser relativa-mente
ao seu tamanho normal (dimensivo). A caixa objeto

b) A intensidade maior ou menor de uma qua-lidade O capital dinheiro


(intensivo).
A capital cidade sede do governo

O primeiro tipo de gradação é próprio dos substantivos e o O cisma separação religiosa


segundo é próprio dos adjetivos. Os substantivos apre-sentam-
se com a sua significação aumentada ou dimi-nuída: A cisma receio, desconfiança

Homem - homenzarrão - homenzinho O coma sono mórbido

A coma cabeleira, juba


Há dois graus de significação do substantivo:
O foca jornalista principiante
a) Aumentativo = homenzarrão
A foca animal
b) Diminutivo = homenzinho
O grama peso, medida de massa

A flexão do grau do substantivo realiza-se por dois processos: A grama capim

1. Sintético: acréscimo de um final especial chamado sufixo O guarda soldado


aumentativo ou diminutivo:
A guarda vigilância, corporação
Meninão menininho
O guia cicerone
Homenzarrão homenzinho
A guia documento

2. Analítico: emprego de uma palavra de aumento ou de O lente professor


diminuição (grande, enorme, pequeno etc.) junto ao substantivo.
A lente vidro de aumento
Homem grande homem pequeno
Apostilas Decisão 27 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
O moral coragem, estado de espírito O sapinho-animal
Os sapinhos-doença
A moral ética, conclusão
O sentimento-sensibilidade
O nascente lado onde nasce o sol Os sentimentos-condolências

A nascente fonte O vencimento-fim


Os vencimentos-salário
O rádio aparelho receptor
A vontade-desejo
A rádio estação emissora As vontades-caprichos

Atenção: Os substantivos que vêm após palavras de idéia


coletiva devem ficar sempre no plural. Existem certos diminutivos irregulares como:

Caixa de fósforos A artéria a arteríola

Maço de velas A árvore a arvoreta, o arbusto

Dúzia de ovos O astro o asteróide

Grupo de estudantes A barba a barbicha

Par de chinelos O beijo o beijota

Porção de batatas A câmara o camarim, o camarote

Boa parte de mulheres O caminhão caminhonete, caminhoneta

Cuidado: De modo nenhum se aceita, na norma culta, uso de: A casa o casebre
um bules, um chopes, um clipes, um chicletes, um ciúmes, um
dropes, um parênteses, um pastéis. Mas se emprega: um bule, O corpo o corpete
um chope, um clipe, um chiclete, um ciúme, um drope, um
parêntese, um pastel. A cruz a cruzeta

Alguns substantivos mudando de número, mudam de significado. O diabo o diabrete

O amor-afeto A espada o espadim


Os amores-namoro
A estátua a estatueta
A ânsia-aflição
As ânsias-nauseas O farol o farolete

O ar-vento A fazenda a fazendola


Os ares-clima, aparência
O galo o galispo
A arte-ofício
As artes-astúcia A laje a lajota

A costa-litoral, região à beira-mar O palácio o palacete


As costas -dorso
A pedra o pedrisco
A féria-renda diária
As férias-repouso, descanso A perdiz o perdigoto

O fogo-lume A porta a portinhola


Os fogos-pirotecnia
O rabo o rabicho
A honra-dignidade
As honras-distinção O rio o riacho

A letra-símbolo gráfico A rua a ruela


As letras-literatura
A via a viela
A liberdade-livre arbítrio
As liberdades-atrevimento O verão o veranico

A meia-metade
As meias-peça do vestuário Eis uma relação dos principais diminutivos eruditos:

O meio-metade A cela a célula


Os meios-recursos
O corpo o corpúsculo
Apostilas Decisão 28 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Bom boa
O eixo axículo
mau má
O feixe o fascículo

A folha a folícula c)Simples: têm um só radical

O globo o glóbulo Verde azul

A gota a gotícula
d) Composto: tem mais de um radical.
O grão o grânulo
Azul-claro Amarelo-ouro
O homem o homúnculo

O nó o nódulo Formação do Adjetivo

A obra o opúsculo Quanto à formação o adjetivo pode ser:

A orelha a aurícula a) Primitivo: O que não deriva de outra palavra:

O ovo o óvulo Bom forte

A parte a partícula baixo veloz

A pele a película
b) Derivado: O que deriva de outro substantivo ou verbo:
A porção a porciúncula
Altaneiro (de alto)
A questão a questiúncula
Aceitável (de aceito)
O verso o versículo
Brioso (de brio)

Adjetivo
c) Simples: O que tem uma só palavra.
Adjetivo é a palavra variável que serve para caracterizar seres e
objetos exprimindo aparência, modo de ser, estado, qualidade. Marinha brasileira

Inteligência lúcida Homem perverso Menina prodigiosa

Pessoa descontraída Céu azul Noite escura

Mulher bonita Jovem sentimental


d) Composto: O que tem mais de uma palavra;
Homem mortal Água morna
Comissão luso-brasileira
Mata verde Menino estudioso
Mata verde-escuro
Praia limpa Laranjeiras floridas

Terras secas Animais lindos O adjetivo pode variar em:

Roupa suja Papel branco - Gênero

Água mole Gelo pequeno - Número

- Grau
Classificação dos Adjetivos

O adjetivo pode ser: Flexão de Gênero

a) Uniforme: quando tem uma só forma para os dois gêneros: - Quanto ao gênero, os adjetivos classificam-se em uni-formes e
biformes.
Feliz, alegre

Menina feliz Menino feliz Adjetivos Biformes

Menina alegre Menino alegre São adjetivos que têm duas formas diferentes: uma para o
masculino e outra para o feminino.

b) Biforme: quando tem uma forma para cada gênero. Exemplos: copo ocupado / casa ocupada.

Apostilas Decisão 29 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA

Adjetivos Uniformes Ex: Ele tem o dobro de minha idade.

São adjetivos que têm uma só forma para indicar tanto o


masculino quanto o feminino. Fracionários: referem-se à divisão das quantidades.

Exemplo: macaco selvagem / macaca selvagem Ex: Ela tem um terço da minha idade.

Flexão de Número
Pronome
- formação do plural. (Adjetivos simples / Adje-tivos
Compostos) Pronome é a palavra que substitui ou acompanha um
substantivo, relacionando-o à pessoa do discurso. As pessoas
do discurso são três:
Flexão de Grau:
- Primeira pessoa: a pessoa que fala
- normal / comparativo / superlativo
- Segunda pessoa: a pessoa com quem se fala
Grau do Adjetivo - Terceira pessoa: a pessoa de quem se fala
O Grau do Adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos
seres. Dois são os Graus do Adjetivo: Comparativo e Superla- Classificação dos Pronomes
tivo, cada um deles compreendendo tipos:
Há seis tipos de pronomes:
Grau Comparativo Grau Superlativo
- Pessoais
De Superioridade Analítico Absoluto Sintético
- Demonstrativos
De Superioridade Sintético Absoluto Analítico
- Possessivos
De Igualdade Relativo de Superioridade

De Inferioridade Relativo de Inferioridade


- Indefinidos

- Relativos

Artigo
- Interrogativos

Dá-se o nome de artigo à palavra que, anteposta ao Pronomes pessoais


substantivo, serve para determina-lo ou indetermina-lo. Observe
a frase: “O menino entrou na sala”. Nesse caso, a palavra Os pronomes pessoais substituem os substantivos, indicando as
grifada é artigo definido, pois determina o substantivo, pessoas do discurso. São eles:
individualizando. Nesta outra frase: “Um menino entrou na sala”,
a palavra grifada é artigo indefinido, pois o substantivo a que ele - retos
se refere passa a ter um sentido indeterminado. O artigo pode
ser, então: - oblíquos e
- definido – o, a, os, as - de tratamento
- indefinidos – um, uma, uns, umas
Pronomes pessoais Retos e Oblíquos:

Numeral Pronome
Pessoas do
s Pronomes Oblíquos
Dá-se o nome de numeral à palavra que quantifica os seres ou Discurso
Retos
indica a posição que podem ocupar numa série. Os numerais 1º Pessoa do
dividem-se em: Singular
Eu Me, mim, comigo
2º Pessoa do
Cardinais: designam quantidades determinadas de seres ou Tu Te, ti, contigo
Singular
quantidades em si mesmas. Ele/Ela Se,si,o,a,lhe,consigo
3º Pessoa do
Singular
Ex: Dois meninos acabaram de chegar. Nos, conosco
Três e dois são cinco. 1º Pessoa do Plural Nós
Vos, convosco
2º Pessoa do Plural Vós
Se,si,os,as,lhes,consi
3º Pessoa do Plural Eles/Elas
go
Ordinais: designam a rdem em que um substantivo se coloca no
interior de uma série.
Formas Pronominais
Ex: Pedro é o segundo da fila.
Os pronomes o, a, os, as, adquirem as seguintes formas:
Multiplicativos: referem-se à multiplicação de quantidades.

Apostilas Decisão 30 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
1. -lo, la, los, las, quando associados a verbos terminados em r, São eles:
s ou z.
Invariávei
Variáveis
Ex.: encontrá-lo, fê-las... s
Este, esta, estes, estas
Isto
Esse, essa, esses, essas
2. no, na, nos, nas, quando associados a verbos terminados em Isso
Aquele,aquela, aqueles,
som nazal. Aquilo
aquelas

Ex.: encontraram-no, põe-nas.


Pronomes Indefinidos

Pronomes pessoais de Tratamento Pronomes Indefinidos são palavras que se referem à terceira
pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago ou expressando
Os pronomes pessoais de tratamento representam a forma de se quantidade indeterminada.
tratar as pessoas: trato cortês ou informal. Os mais usados são:
São eles:

PRONOME ABREVIATURA USADO PARA Variáveis Invariáveis


Algo, alguém
Você V. Tratamento familiar
Algum, nenhum, todo, muito Nada, ninguém
No tratamento respeitoso Pouco, certo, outro, quanto Tudo, cada
às pessoas que se Tanto, vários, diversos Outrem, quem
Senhor (a) Sr. Sra.
mantém um certo Um, qual, bastante mais
distanciamento. Menos, demais
Pessoas de cerimônia,
Vossa principalmente em
V.S.ª Pronomes Interrogativos
Senhoria correspondências
comerciais.
Pronomes Interrogativos são aqueles usados na formulação de
Altas autoridades: perguntas diretas ou indiretas. Assim como os indefinidos,
Vossa
V.Ex.ª presidentes da República, referem-se a Terceira Pessoa do Discurso.
Excelência
senadores, deputados.
Vossa São eles: que, quem, qual, quanto...
V.Em.ª Cardeais
Eminência
Vossa Pronomes Relativos
V.A. Príncipes e duques
Alteza
Vossa São pronomes relativos aqueles que representam nomes já
V.S O Papa
Santidade mencionados anteriormente e com os quais se relacionam.
Vossa
V.M. Reis e rainhas Ex.: Eu estou lendo um livro.
Majestade
O livro que estou lendo é muito bom.
Pronomes Possessivos Podemos, então, utilizarmo-nos de um pronome relativo,
para nos referirmos à palavra livro que se repete.
Pronomes Possessivos são palavras que, ao indicarem a pessoa
gramatical (possuidor), acrescentam a ela a idéia de posse de Assim: O livro que estou lendo é muito bom.
algo (coisa possuída). São eles:
Os Pronomes Relativos são:
1º Pessoa do
Singular Variáveis Invariáveis
Meu, minha, meus, minhas
2º Pessoa do O qual, cujo, quanto Que, quem, onde
Teu, tua, teus, tuas
Singular
Seu, sua, seus, suas
3º Pessoa do
Singular
Flexão dos Pronomes
Nosso, nossa, nossos,
1º Pessoa do Plural nossas Quanto à forma, o pronome varia em gênero, número e pessoa:
2º Pessoa do Plural Vosso, vossa, vossos,
3º Pessoa do Plural vossas
• Gênero (masculino/feminino)
Seu, sua, seus, suas
Ele saiu/Ela saiu
O pronome possessivo concorda em pessoa com o possuidor e
em gênero e número com a coisa possuída. Meu carro/Minha casa

• Pessoa (1ª/2ª/3ª)
Pronomes Demonstrativos
Eu saí/Tu saíste/Ele saiu
Pronomes Demonstrativos são palavras que indicam, no espaço
ou no tempo, a posição de um ser em relação às pessoas do
Meu carro/Teu carro/Seu carro
discurso.

Apostilas Decisão 31 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
O Uso do Pronome Relativo "Onde"
Modo Verbal
Essa palavra deve ser utilizada, quando o antecedente for um
termo que indique lugar. O falante, ao enunciar o processo verbal, pode tomar várias
atitudes em relação ao que enuncia: de certeza, de dúvida, de
Exemplo: ordem, etc. O modo verbal revela a atitude do falante ao
enunciar o processo. Pode ser:
Os regimes democráticos onde todos têm direitos iguais
deve vigorar em todas as nações. (ERRADO) a) Indicativo: revela o fato de modo certo, preciso, seja ele
passado, presente ou futuro.
As nações onde os regimes democráticos vigoram têm
mais condições de desenvolverem-se. (CERTO) Ele deitou na rede

O Uso de Sua e Vossa b) Subjetivo: revela o fato de modo incerto, duvidoso.

Os pronomes de tratamento são de 3º pessoa. Por esse motivo, Se todos estudassem, a aprovação seria maior.
a concordância deve ser feita em 3º pessoa:

Exemplo: c) Imperativo: exprime uma atitude de mando, ordem ou


solicitação.
Vossa Senhoria deve comparecer com seus convidados
à festa. Fique quieto.
Sua Majestade partirá com sua comitiva amanhã de
manhã. Emprego dos Tempos Verbais
Usa-se vossa quando estamos falando diretamente com a Há em Português, basicamente, três tempos verbais:
pessoa e sua quando falamos da pessoa.
a) Presente: revela um fato que ocorre no momento em que se
fala.
Exemplo:
Neste instante ele olha para mim.
Lembrem-se dos pedidos que Sua Excelência fez entes
de partir.
b) Passado: revela um fato que ocorreu anteriormente ao
Vossa Excelência, conte-nos as novidades. momento em que se fala.

Ele saiu com os amigos.


Verbo

Verbo é a palavra que expressa processos, ação, estado, c) Futuro: revela um fato que deverá ocorrer posterior-mente ao
mudança de estado, fenômeno da natureza, conveniência, momento em que se fala.
desejo e existência. Desse modo, enquanto os nomes
(substantivo, adjetivo) indicam propriedades estáticas dos seres, Amanhã terei aula de Português.
o verbo denota os seus movimentos, por isso sua característica
de dinamicidade.
Essa divisão dos tempos verbais em passado, presente e futuro
Exemplos: não esgota todas as variações que o verbo pode assumir em
relação à categoria tempo, já que esses tempos verbais se
1. Um homem já escorregou neste chão molhado. subdividem e, muitas vezes, assumem outros matizes, alterando
...[escorregar: verbo = ação que expressa a dinamicidade de de maneira bastante sensível a significação inicial. Sem
"homem"] pretender esgotar o assunto, vejamos alguns empregos
significativos dos tempos verbais.
2. Por enquanto as matas continuam indefesas.
...[continuar: verbo = estado que expressa a dinamicidade de 1. Presente do Indicativo: exprime um fato que ocorre no
"matas"] momento em que se fala.

3. Anoitecia rapidamente! - Vejo um pássaro na janela


...[anoitecer: verbo = fenômeno dinâmico da natureza]

4. Convém aguardar mais alguns minutos. O presente do indicativo também é usado para:
...[convir: verbo = conveniência que expressa a dinamicidade de
"aguardar..."] a) exprimir uma verdade científica, um axioma:

5. Nossos estudantes anseiam um bom emprego. - A Terra é redonda.


...[ansiar: verbo = desejo que expressa a dinamicidade de
"nossos estudantes"] - Por um ponto passam infinitas retas.

6. Houve tumulto no momento da votação.


...[haver: verbo = existência que expressa a dinamicidade de b) para exprimir uma ação habitual:
"tumulto..."]
- Aos domingos não saio de casa.
Apostilas Decisão 32 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

Emprego do Infinitivo
c) para dar atualidade a fatos ocorridos no passado:
Não é fácil sistematizar o emprego do infinitivo em Português, já
- Cabral chega ao Brasil em 1500. que, além do infinitivo impessoal, nossa língua apresenta
também o infinitivo pessoal (ou flexionado). Emprega-se o
infinitivo impessoal:
d) para indicar fato futuro bastante próximo, quando se tem
certeza de que ele ocorrerá: 1. quando ele não estiver se referindo a nenhum sujeito:

- Amanhã faço os exercícios. - É preciso sair.

2. Pretérito Perfeito do Indicativo: exprime um fato já 2. na função de complemento nominal (virá regido de
concluído anteriormente ao momento em que se fala. preposição):

- Ontem eu reguei as plantas do jardim. - Esses exercícios eram fáceis de resolver.

3. Pretérito Imperfeito do Indicativo: exprime um fato anterior 3. quando ele faz parte de uma locução verbal:
ao momento em que se fala, mas não o toma como concluído,
acabado. Revela, pois, o fato em seu curso, em sua duração. - Eles deviam ir ao cinema.

- Ele falava muito durante as aulas.


4. quando, dependente dos verbos deixar, fazer, ouvir, sentir,
mandar, ele tiver por sujeito um pronome oblíquo:
4. Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo: indica um fato
passado que já foi concluído, em relação a outro fato também - Mandei-os sair. Deixei-os falar.
passado.

- Quando você resolveu o problema, eu já o resolvera. 5. com valor de imperativo:

Obs.: Na linguagem atual tem-se usado com mais fre-qüência o - Fazer silêncio, por favor.
pretérito mais-que-perfeito composto.

- Quando você resolveu o problema, eu já o tinha Emprega-se o Infinitivo Pessoal: quando ele tiver sujeito
resolvido. próprio (expresso ou implícito) diferente do sujeito da oração
principal:
O mais-que-perfeito é, em alguns casos, usado no lugar do
futuro do pretérito ou do imperfeito do subjuntivo. - O remédio era ficarmos em casa.

- "…mais servira, se não fora Para tão longo amor tão - O costume é os jovens falarem e os velhos ou-virem.
curta a vida!"(Camões) servira = serviria; fora = fosse)
Além dos casos mencionados, em que é obrigatório o uso de
5. Futuro do Presente: exprime um fato, posterior ao momento uma ou de outra forma, quando o infinitivo for regido de
em que se fala, tido com certo. preposição (com exceção de a), admite-se indiferen-temente o
uso das duas formas.
- Amanhã chegarão os meus pais.
- Viemos aqui para cumprimentar (ou cumpri-
- As aulas começarão segunda-feira. mentarmos) os vencedores.

O futuro do presente pode ser empregado para exprimir idéia de


incerteza, de dúvida. Serei eu o único culpado? Tempos Derivados do Presente do Indicativo

O presente do indicativo é um tempo primitivo. Da prime-ira


6. Futuro do Pretérito: exprime um gato futuro tomado em pessoa do singular do presente do indicativo obtêm-se: o
relação a um fato passado. presente do subjuntivo; o imperativo negativo.

- Ontem você me disse que viria à escola. Obs.: Evidentemente, se o verbo não possui a primeira pessoa
do singular do presente do indicativo, não pos-suirá também o
presente do subjuntivo e o imperativo negativo. O imperativo
O futuro do pretérito também pode ser usado para indicar afirmativo provém em parte do presente do indicativo (as
incerteza, dúvida. segundas pessoas) e em parte do presente do subjuntivo (as
demais pessoas).
- Seriam mais ou menos dez horas quando ele chegou.

As vozes verbais são três:


Usa-se ainda o futuro do pretérito, em vez do presente do
indicativo ou do imperativo, como forma de cortesia, de boa 1. Voz Ativa: quando o sujeito é o agente, isto é, aquele que
educação. executa a ação expressa pelo verbo.

- Você me faria um favor? - O macaco comeu a banana.

Apostilas Decisão 33 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
- O aluno leu o livro. fingir - finjo

2. Voz Passiva: quando o sujeito é o paciente, isto é, o receptor Exemplo de Conjugação do verbo "dar"
da ação expressa pelo verbo. Há dois tipos de voz passiva:
Modo Indicativo - Presente
a) Voz Passiva Analítica: formada por verbo auxiliar mais
particípio. A banana foi comida pelo macaco. Eu dou

- O livro foi lido pelo aluno. Tu das

Ele dá
b) Voz Passiva Sintética (ou Pronominal): quando é formada
pelo verbo na terceira pessoa mais a partícula apassivadora se. Nós damos

- Comeu-se a banana. Vós dais

- Leu-se o livro. Eles dão

Percebe-se que há alteração do radical, afastando-se do original


3. Voz Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e "dar" durante a conjugação, sendo considerado verbo irregular.
paciente, isto é, executor e receptor da ação expressa pelo
verbo. Verbos Pronominais (Casar, sentar, mudar, divorciar):
Ao pesquisar em dicionários (comuns e de regência), descobre-
- O macaco cortou-se. se que há possibilidades diversas; já existe um aval para a
eliminação, mesmo no nível culto, do prono-me reflexivo junto
- O aluno feriu-se com os verbos citados (salvo ‘divorciar’, que sempre é
apresentado como pronominal: divorciar-se). Isso quer dizer
que é facultativo o uso do pronome nestes casos:
Verbos Regulares: é aquele que não sofre alteração em seu
radical e cujas desinências são as mesmas do verbo paradigma Casar:
ou modelo de conjugação.
Jucira anunciou que vai (se) casar.
Ex: Conjugação do verbo regular "mandar" no presente do
indicativo Casei (-me) cedo

Eu mandei comprar purgante. Li que Mara vai (se) casar com Mauro.

Tu mandas comprarem laxante Pedro e eu vamos (nos) casar brevemente.

Ele manda-a comprar purgante


Sentar:
Nós mandamos comprar laxante.
Jucira preferiu sentar (-se) no sofá.
Vós mandais compraes laxante
Sentei (-me) e descansei um minuto.
Eles mandam - te comprar purgante
Chegamos cedo e (nos) sentamos à mesa princi-pal.

Verbos Irregulares: são verbos que sofrem alterações em seu


radical ou em suas desinências, afastando-se do modelo a que Mudar:
pertencem.
Jucira vai mudar (-se) para outra casa.
1. para verificar se um verbo sofre alterações, basta con-jugá-lo
no presente e no pretérito perfeito do indicativo. Resolvi (me) mudar para Timbó.

Ex: Decidimos que (nos) mudaríamos daqui tão logo saísse


a aposentadoria.
faço - fiz

trago - trouxe Mesmo no caso do verbo “divorciar-se” há uma tendência - por


contaminação sintática, pois as construções lingüís-ticas se
posso - pude cruzam, se mesclam, se interinfluenciam - a su-primir o
pronome, de que é prova a declaração à revista Istoé, em maio
de 2005, da nossa grande escritora Lygia Fagundes Telles:
2. Não é considerada irregularidade a alteração gráfica do
radical de certos verbos para conservação da regulari-dade “Divorciei, casei outra vez, com o Paulo Emílio Salles
fônica. Gomes”.

Ex: O cuidado que se deve ter, para que o texto seja con-siderado
bom e agradável de ler, é com a clareza em pri-meiro lugar. Por
embarcar - embarquei exemplo, se você escreve “finalmente re-solvi mudar”, não se
sabe qual o sentido: “mudar o quê?”; portanto, se for
Apostilas Decisão 34 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
“deslocamento de um lugar para outro”, escreva “finalmente Precaver
resolvi me mudar”. Depois vem a so-noridade da frase - muitas
vezes “nos mudamos” soa me-lhor do que “mudamos”. Isso
significa que não é preciso haver uniformidade, isto é, empregar Infinitivo Pessoal
o pronome todas as vezes ou suprimi-lo sempre. Pode-se variar
no caso dos verbos casar, sentar e mudar. No mais, é Precaver
recomendável usar os pronomes reflexivos sempre que a
situação o exija. É melhor e mais culto falar “ele se formou na Precaveres
USP” do que “ele formou na USP”, só para dar outro exemplo.
Ainda sobre o uso dos pronomes oblíquos (reflexivos e não- Precaver
reflexivos), temos duas consultas:
Precavermos
Aqueles dois se batem e se opõem“ está certo? Ou o
correto seria “Aqueles dois se batem e o-põem“ Precaverdes

Se puderes me ajudar eu ficarei muito grato. Há algum Precaverem


erro gramatical na seguinte frase: “Há de se saber
comunicar-se”?
Gerúndio
Quando se empregam em seqüência dois verbos usados com
pronome proclítico, as duas formas ou modelos são corretos: se Precavendo
batem e se opõem / se batem e opõem. O mais estilístico,
porém, é não repetir o pronome oblíquo quando este vem
anteposto ao primeiro verbo: Particípio

- Há de se saber comunicar! Precavido

Verbos Defectivos: Os verbos defectivos são aqueles que não Advérbio


possuem a conjugação completa.
Aspectos Morfológicos: Advérbio é a palavra que modifica o
verbo, o adjetivo e o advérbio, denotando circunstância.
Precaver
Exemplos: Procedeste lealmente (verbo).
Modo Indicativo
Pretérito Pretérito És muito corajoso e pouco prudente (adjetivos).
Presente
Imperfeito Perfeito
Não tem Precavia Precavi Cheguei muito tarde (advérbio).
Não tem Precavias Precaveste
Não tem Precavia Precaveu O advérbio pode modificar uma oração inteira.
Precavemos Precavíamos Precavemos
Precaveis Precavíeis Precavestes Exemplo: Lamentavelmente todos saíram.
Não tem Precaviam Precaveram

Modo Indicativo Observação: Quando o advérbio modifica o adjetivo ou outro


Pretérito Mais- Futuro do Futuro do advérbio, indica apenas intensidade.
que-Perfeito Presente Pretérito
Precavera Precaverei Precaveria
Precaveras Precaverás Precaverias Classificação dos Advérbios
Precavera Precaverá Precaveria
Precavêramos Precaveremos Precaveríamos Os advérbios classificam-se de acordo com a circunstância que
expressam, podendo ser de:
Precavêreis Precavereis Precaveríeis
Precaveram Precaverão Precaveriam
1. Afirmação: certamente, certo, decididamente, efetivamente,
positivamente, sim.
Modo Subjuntivo
Pretérito Exemplos: Certamente ele fará a prova.
Presente Futuro
Imperfeito
Precavesse Precaver Sim, farei o que for preciso.
Precavesses Precaveres
Precavesse Precaver
Não Existe
Precavêssemos Precavermos 2. Dúvida: acaso, possivelmente, provavelmente, porventura,
Precavêsseis Precaverdes quiçá, talvez.
Precavessem Precaverem
Exemplos: Ver-nos-emos acaso outra vez?
No modo imperativo o verbo PRECAVER só possui a 2ª pessoa
do plural do imperativo afirmativo: precavei. Provavelmente iremos lá.

3. Intensidade: algo, assaz, bastante, bem, demais,


Formas Nominais excessivamente, mais, meio, menos, mui, muito, pouco, quanto,
quão, quase, que, sobremaneira, sobremodo, tanto, tão, todo.
Infinitivo Impessoal
Exemplos: Trabalhas excessivamente.
Apostilas Decisão 35 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
(contrariedade)
Quão educada és, menina.
"Oh! Que bom encontra-lo novamente! (alegria)

4. Lugar: abaixo, acima, acolá, adentro, adiante, afora, aí, além, Comumente, as interjeições expressam sentido de:
algures (=em algum lugar), alhures (=em outra parte), ali,
aquém, aqui, cá, debaixo, defronte, dentro, detrás, diante, a) Advertência - cuidado!, devagar!
embaixo, em cima, fora, lá, longe, nenhures (=em nenhuma
parte), perto. b) Afugentamento - fora!, passa!

Exemplos: Caminha acima e abaixo. c) Alegria ou satisfação - oh!, ah!

Além cintilam estrelas. d) Alívio - arre!, ufa!

5. Modo: alerta, assim, bem, debalde (=inutilmente), depressa, e) Animação ou estímulo - vamos! Força!
devagar, mal, melhor, pior.
f) Aplauso ou aprovação - bravo! Bis!
Exemplos: Implorava debalde a proteção do amigo.
g) Repulsa ou desaprovação - credo!, irra!
A criança fala bem.
h) Desejo ou intenção - tomara! Oxalá!

6. Negação: não, nem (=não). i) Desculpa - Perdão!

Exemplo: Não fui à praia.


Preposição

7. Tempo: afinal, agora, ainda, amanhã, anteontem, antes, Preposição é a palavra ou expressão (locução prepositiva) que
breve, cedo, depois, enfim, hoje, já, jamais, logo, nunca, ontem, serve para ligar duas palavras, estabelecendo relação entre elas.
ora (=nesta ocasião), outrora, primeiramente, sempre, súbito, As principais preposições são:
tarde.
- A, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre,
Exemplos: Rui Barbosa é o gênio que ora exaltamos. para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Jamais te contrariarei, disse-me ela.
Conjunção
8. Interrogativo: são certas palavras empregadas nas
interrogações diretas ou indiretas. Dá-se o nome de conjunção à palavra ou locução invariável que
liga orações ou termos semelhantes da mesma oração.
Classificam-se em:
Ex: O inverno passou e eles não voltaram.
a) Causa - por que.
Encontrei meu pai e minha irmã no cinema.
Exemplos: Por que sorriste?
As conjunções se dividem em: corrdenativas (que ligam orações
Indagaram-me por que sorriste. de sentido completo e independente) e subordinativas (que
ligam orações quando uma delas depende da outra).

b) Modo - como.
9. SEMÂNTICA: SIGNIFICAÇÃO
Exemplos: Como vai você? DAS PALAVRAS
Quero saber como vai você. Sinônimos

As palavras que possuem significados próximos são chamadas


Interjeição sinônimos.

Dá-se o nome de interjeição às palavras invariáveis que Exemplos:


exprimem emoções e sentimentos ou que procuram imitar
ruídos. casa - lar - moradia - residência

Ex: "De repente, no melhor da festa, plaft!, uma longe - distante


jabuticaba cai do galho e lhe acerta em cheio o nariz"
(M. Lobato) delicioso - saboroso

"Ai, que meus olhos choram!" (C. Meireles) carro - automóvel

A idéia expressa pela interjeição dependa da entonação com Observe que o sentido dessas palavras são próximos, mas não
que é pronunciada; por isso, pode ocorrer que uma interjeição são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um
tenha mais de um sentido. sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a
mesma coisa que outra. Há uma pequena diferença de
Ex: Oh! Que surpresa desagradável! significado entre palavras sinônimas. Veja que, embora casa e
Apostilas Decisão 36 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte cumprimento = saudação
frase: concertar = harmonizar, combinar
consertar = remendar, reparar
- Comprei um novo lar. conjetura = suposição, hipótese
conjuntura = situação, circunstância
Obs.: O uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade coser = costurar
nos processos de retomada de elementos que inter-relacionam cozer = cozinhar
as partes dos textos. deferir = conceder
diferir = adiar
descrição = representação
Antônimos discrição = ato de ser discreto
descriminar = inocentar
São palavras que possuem significados opostos, contrários. discriminar = diferençar, distinguir
despensa = compartimento
Exemplos: dispensa = desobrigação
despercebido = sem atenção, desatento
mal / bem desapercebido = desprevenido
discente = relativo a alunos
ausência / presença docente = relativo a professores
emergir = vir à tona
fraco / forte imergir = mergulhar
emigrante = o que sai
claro / escuro imigrante = o que entra
eminente = nobre, alto, excelente
subir / descer iminente = prestes a acontecer
esperto = ativo, inteligente, vivo
cheio / vazio experto = perito, entendido
espiar = olhar sorrateiramente
possível / impossível expiar = sofrer pena ou castigo
estada = permanência de pessoa
estadia = permanência de veículo
flagrante = evidente
Parônimos
fragrante = aromático
fúsil = que se pode fundir
São palavras de significação diferente, mas de forma parecida, fuzil = carabina
semelhante. fusível = resistência de fusibilidade calibrada
incerto = duvidoso
retificar e ratificar; inserto = inserido, incluso
emergir e imergir. incipiente = iniciante
insipiente = ignorante
Eis uma lista com alguns homônimos e parônimos: indefesso = incansável
indefeso = sem defesa
acender = atear fogo infligir = aplicar pena ou castigo
ascender = subir infringir = transgredir, violar, desrespeitar
acerca de = a respeito de, sobre intemerato = puro, íntegro, incorrupto
cerca de = aproximadamente intimorato = destemido, valente, corajoso
há cerca de = faz aproximadamente, existe aproximadamente, intercessão = súplica, rogo
acontece aproximadamente interse(c)ção = ponto de encontro de duas linhas
afim = semelhante, com afinidade laço = laçada
a fim de = com a finalidade de lasso = cansado, frouxo
amoral = indiferente à moral ratificar = confirmar
imoral = contra a moral, libertino, devasso retificar = corrigir
apreçar = marcar o preço soar = produzir som
apressar = acelerar suar = transpirar
arrear = pôr arreios sortir = abastecer
arriar = abaixar surtir = originar
bucho = estômago de ruminantes sustar = suspender
buxo = arbusto ornamental suster = sustentar
caçar = abater a caça tacha = brocha, pequeno prego
cassar = anular taxa = tributo
cela = aposento tachar = censurar, notar defeito em
sela = arreio taxar = estabelecer o preço
censo = recenseamento vultoso = volumoso
senso = juízo vultuoso = atacado de vultuosidade (congestão na face)
cessão = ato de doar
seção ou secção = corte, divisão
sessão = reunião Emprego de algumas palavras e expressões semelhantes:
chá = bebida
xá = título de soberano no Oriente 1. Que e Quê:
chalé = casa campestre *Que é pronome, conjunção, advérbio ou partícula expletiva.
xale = cobertura para os ombros
cheque = ordem de pagamento *Quê é um substantivo (com o sentido de "alguma coisa"),
xeque = lance do jogo de xadrez, contratempo
interjeição (indicando surpresa, espanto) ou pronome em final de
comprimento = extensão
Apostilas Decisão 37 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
frase (imediatamente antes de ponto final, de interrogação ou de
exclamação) 7. Há e A na expressão de tempo:
* Há é usado para indicar tempo decorrido.
Ex. Que você pretende, tratando-me dessa maneira?
* A é usado para indicar tempo futuro.
Você pretende o quê?
Ex. Ele partiu há duas semanas.
Quê!? Quase me esqueço do nosso encontro.
Estamos a dois dias das eleições.

2. Mas e Mais:
* Mas é uma conjunção adversativa, de mesmo valor que 8. Acerca de, A cerca de e Há cerca de:
"porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto". * Acerca de é locução prepositiva equivalente a "sobre, a
respeito de".
* Mais é um advérbio de intensidade, mas também pode dar
idéia de adição, acréscimo; tem sentido oposto a menos. * A cerca de indica aproximação.

Ex. Eu iria ao cinema, mas(porém) não tenho dinheiro. * Há cerca de indica tempo decorrido.

Ela é a mais (menos) bonita da escola. Ex. Estávamos falando acerca de política.

Moro a cerca de 2 Km daqui.


3. Onde, Aonde e Donde:
* Onde significa "em que lugar". Estamos rompidos há cerca de dois meses.

* Aonde significa "a que lugar".


9. Afim e A fim de:
* Donde significa "de que lugar". * Afim é adjetivo equivalente a "igual, semelhante".

Ex. Onde (em que lugar) você colocou minha carteira? * A fim de é locução prepositiva que indica finalidade.

Aonde (a que lugar) você vai, menina? Ex. Nós temos vontades afins.

Donde (de que lugar) tu vieste? Ela veio a fim de estudar seriamente.

4. Mal e Mau 10. Senão e Se não:


* Mal é advérbio, antônimo de "bem". * Senão significa "caso contrário, a não ser".

* Mau é adjetivo, antônimo de "bom" * Se não ocorre em orações subordinadas adverbiais


condicionais; equivale a "caso não".
Ex. Ele é um homem mau (não é bom); só pratica o
mal (e não o bem). Ex. Nada fazia senão reclamar.

* Mal também é substantivo, podendo significar "doença, Estude bastante, senão não sairá sábado à noite.
moléstia, aquilo que é prejudicial ou nocivo"
Se não estudar, não sairá sábado à noite.
Ex. O mal da sociedade moderna é a violência urbana.

11. Nós viemos e Nós vimos:


5. A par e Ao par: * Nós viemos é o verbo vir no pretérito perfeito do indicativo, ou
* A par é usado, no sentido de "estar bem informado", ter seja, no passado.
conhecimento".
* Nós vimos é o verbo vir no presente do indicativo.
* Ao par só é usado para indicar equivalência entre valores
cambiais. Ex. Ontem, nós viemos procurá-lo, mas você não
estava.
Ex. Estou a par de todos os acontecimentos.
Nós vimos aqui, agora, para conversar sobre nossos
O real está ao par do dólar. problemas.

6. Ao encontro de e De encontro a: 12. Torcer por e Torcer para:


* Ao encontro de indica "ser favorável a", "ter posição * Torcer por, pois o verbo torcer exige esta preposição.
convergente" ou "aproximar-se de".
* Torcer para é usado, quando houver indicação de finalidade,
* De encontro a indica oposição, choque, colisão. equivalente a "para que", "a fim de que".

Ex. Suas idéias vêm ao encontro das minhas, mas Ex. Torço pelo Santos.
suas ações vão de encontro ao nosso acordo. (Suas
idéias são tais quais as minhas, mas suas ações são Torço para que o Santos seja o campeão.
contrárias ao nosso acordo)

Apostilas Decisão 38 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
13. Desencargo e Descargo:
* Desencargo significa "desobrigação de um encargo, de um Ex. Estou no primeiro ano de estágio na empresa.
trabalho, de uma responsabilidade".
Naquela época o país passava por um estádio de
* Descargo significa "alívio". euforia.

Ex. Filho que se forma é mais um desencargo de


família para o pai. 20. Perca e Perda:
* Perca é verbo.
Devolvi o dinheiro por descargo de consciência.
* Perda é substantivo.

14. Sentar-se na mesa e Sentar-se à mesa: Ex. Não perca a paciência, pois essa perda de gols
* Sentar-se na mesa significa sentar-se sobre a mesa. não se repetirá, disse o jogador ao técnico.

* Sentar-se à mesa significa sentar-se defronte à mesa. O


mesmo ocorre com "estar ao computador, ao telefone, ao portão, 21. Despercebido e Desapercebido:
à janela ... * Despercebido significa "sem atenção".

Ex. Sentei-me ao computador para trabalhar. * Desapercebido significa "desprovido, desprevenido".

Sentei-me na mesa, pois não encontrei cadeira Ex. O fato passou-me totalmente despercebido.
alguma.
Ele estava desapercebido de dinheiro.

15. Tilintar e tiritar


* Tilintar significa "soar". 22. Escutar e Ouvir:
* Escutar significa "estar atento para ouvir".
* Tiritar significa "tremer de frio ou de medo".
* Ouvir significa "perceber pelo sentido da audição".
Ex. A campainha tilintava sem parar.
Ex. Escutou, a tarde toda, as reclamações da esposa.
O rapaz tiritava de frio.
Ao ouvir aquele som estranho, saiu em disparada.

16. Ao invés de e Em vez de:


* Ao invés de indica "oposição, situação contrária". 23. Olhar e Ver:
* Olhar significa "estar atento para ver".
* Em vez de indica "substituição, simples troca".
* Ver significa "perceber pela visão".
Ex. Em vez de ir ao cinema, fui ao teatro.
Ex. Quando olhou para o lado, nada viu, pois ele saíra
Descemos, ao invés de subir. de lá.

17. Estadia e Estada: 24. Haja vista e Hajam vista


* Estadia é usado para veículos em geral. * Haja vista pode-se usar, havendo ou não a preposição a à
frente, estando o substantivo posterior no singular ou no plural.
* Estada é usado para pessoas.
* Hajam vista pode-se usar, quando não houver a preposição a
Ex. Foi curta minha estada na cidade. à frente e quando o substantivo posterior estiver no plural.

Paguei a estadia de meu automóvel. Ex. Haja vista aos problemas.

Haja vista os problemas.


18. A domicílio e Em domicílio:
* A domicílio só se usa quando dá idéia de movimento. Hajam vista os problemas.

* Em domicílio se usa sem idéia de movimento.


Homônimos
Ex. Enviarei a domicílio seus documentos.
São palavras iguais na forma e diferentes na significação. Há
Fazemos entregas em domicílio três tipos de homônimos:
Levaram a domicílio as compras.
Homônimos Perfeitos:
Damos aulas particulares em domicílio.
Têm a mesma grafia e o mesmo som.
cedo (advérbio) e cedo (verbo ceder);
19. Estágio e Estádio meio (numeral), meio (adjetivo) e meio (substantivo).
* Estágio é preparação (profissional, escolar ..).

* Estádio significa "época, fase, período". Homônimos Homófonos:


Apostilas Decisão 39 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
a) Um signo linguístico (palavra) apresenta duas partes:
Têm o mesmo som e grafias diferentes. significante e significado!
sessão (reunião), seção (repartição) e cessão (ato de
ceder); b) O significado varia de acordo com o contexto!
concerto (harmonia) e conserto (remendo).
c) Um significante pode ter vários significados!

Homônimos Homógrafos: Vamos agora entender os significados! Os significados


apresentam duas formas:
Têm a mesma grafia e sons diferentes.
almoço (refeição) e almoço (verbo almoçar); a) A forma primitiva e original - A cobra picou o homem.
sede (vontade de beber) e sede (residência).
b) Uma forma secundária, uma alegoria - Este homem é
uma cobra.
Polissemia
A partir destas noções, podemos entender o que são Denotação
É o fato de uma palavra ter mais de uma significação. e Conotação.

Exemplo: Denotação: Usamos o significado primitivo e original, com o


sentido do dicionário; usado de mo-do automatizado; linguagem
- Estou com uma dor terrível na minha cabeça. (parte comum.
do corpo).
Ex: O cão está latindo!
- Ele é o cabeça do projeto. (chefe).
Contação: Usamos o significado secundário, com o sentido
- Graves razões fizeram-me contratar esse advogado. amplo; usado de modo criativo, numa linguagem rica e
(importante). expressiva.

- O piloto sofreu um grave acidente (trágico). Ex: Esta menina é um cão!

- Ele comprou uma nova linha telefônica. (contato ou


conexão telefônica). Vamos Revisar:

- Nós conseguimos traçar a linha corretamente. (traço Denotação: sentido comum! (Macete: “D” de Dicionário - sentido
contínuo duma só dimensão). do dicionário)

Conotação: sentido figurado! Simples.


Conotação e Denotação
Observe o texto: A autônoma Michele M. F, 20 anos, foi presa
na tarde de quinta-feira, sob suspeita de ter assassinado o
Em diversos textos, nem sempre a linguagem apresenta um marido com um tiro na cabeça na Vila Maria, zona oeste de São
único sentido. Em alguns contextos as frases podem ganhar Paulo. A Secretaria da Segurança informou que Michele
novos sentidos ou não. Para se entender qualquer tipo de texto, permaneceu no local do crime e disse aos policiais que matou
se faz necessário o estudo das linguagens denotativa (do Joaquim de Moraes Barros, 40anos, seu marido porque ele
dicionário) e conotativa (sentido figurado). Estes dois conceitos mantinha um relacionamento extra-conjugal com uma
são muito fáceis de entender. Vamos começar entendendo as adolescente.
duas partes de um signo linguístico (a palavra):
O texto jornalístico traz as palavras com significados primitivos.
1. O Significante: Parte concreta da palavra é constituída de
O texto é denotativo.
sons e da forma escrita.
Veja agora: Michele descobriu que seu marido tinha uma
Cobra - O significante é a própria palavra. amante, certamente uma franguinha bem mais nova que ela…
Michele resolveu dar o troco e matou o marido de ciúmes, saindo
toda noite com um antigo amigo de faculdade.
2. O Significado: Parte que a gente entende, ou seja, o
conceito. O texto é pessoal, apresenta palavras com significado
secundário, portanto, trata-se de um texto conotativo.
Cobra - O significado é aquilo que a palavra representa.
O significado nos remete a uma ideia mental ou uma
imagem.
10. SINTAXE: ANÁLISE SINTÁTICA; TERMOS
ESSENCIAIS DA ORAÇÃO; TERMOS INTE-
Exemplo 1: A cobra picou o homem! (cobra = tipo de réptil GRANTES DA ORAÇÃO; TERMOS ACESSÓ-
peçonhento) RIOS DA ORAÇÃO; PERÍODO COMPOSTO;
ORAÇÕES COORDENADAS INDEPENDENTES;
Exemplo 2: Este homem é uma cobra! (cobra = pessoa falsa) ORAÇÕES PRINCIPAIS E SUBORDINADAS;
ORAÇÕES SUBORDINADAS (SUBSTANTIVAS,
ADJETIVAS E ADVERBIAIS); ORAÇÕES
Perceba que Um mesmo significante (parte concreta) pode ter REDUZIDAS
vários significados (conceitos)!

Podemos concluir que: Termos Essenciais, Integrantes e Acessórios

Apostilas Decisão 40 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Sujeito é um dos temos essenciais da oração. Tem por
características básicas:
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nominal ,
• estabelecer concordância com o núcleo do sintagma isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse nome se
verbal. refere a objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é
representado por um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele,
• apresentar-se como elemento determinante em relação etc.). Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua
ao predicado. representação pode ser feita através de um substantivo, de um
pronome substantivo ou de qualquer conjunto de palavras, cujo
• constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo.
ou, ainda, qualquer palavra substantivada.
Exemplos:
O sujeito só é considerado no âmbito da análise sintática, isto é,
somente na organização da sentença é que uma palavra (ou um 1. Eu acompanho você até o guichê.
conjunto de palavras) pode constituir aquilo que chamamos
sujeito. Nesse sentido, é equivocado dizer que o sujeito é ...[eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa]
aquele que pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se
diz alguma coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o
aspecto semântico do sujeito (agente de uma ação) ou o seu 2. Vocês disseram alguma coisa?
aspecto estilístico (o tópico da sentença). Já que o sujeito é
depreendido de uma análise sintática, vamos restringir a ...[vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda
definição apenas ao seu papel sintático na sentença: aquele pessoa]
que estabelece concordância com o núcleo do predicado.
Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é sempre um
verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um 3. Marcos tem um fã-clube no seu bairro.
nome.
...[Marcos: sujeito = substantivo próprio]
Exemplos:

1. A padaria está fechada hoje. 4. Ninguém entra na sala agora.

...[está fechada hoje: predicado nominal] ...[ninguém: sujeito = pronome substantivo]


...[fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado]
...[fechada: nome feminino singular]
...[a padaria: sujeito] 5. O andar deve ser uma atividade diária.
...[núcleo do sujeito: nome feminino singular]
...[o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa
oração]
2.Nós mentimos sobre nossa idade para você.

...[mentimos sobre nossa idade para você: predicado Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma
verbal] oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração
...[mentimos: verbo = núcleo do predicado] substantiva subjetiva:
...[mentimos: primeira pessoa do plural]
...[nós: sujeito] Ex: É difícil optar por esse ou aquele doce...
...[sujeito: primeira pessoa do plural]
...[É difícil: oração principal]
A relação de concordância é, por excelência, uma relação de
dependência, na qual dois (ou mais) elementos se harmonizam. ...[optar por esse ou aquele doce: oração subjetiva =
Um desses elementos é chamado determinado (ou principal) e o sujeito oracional]
outro, determinante (subordinado). No interior de uma sentença,
o sujeito é o termo determinante, ao passo que o predicado é o É importante conhecer outras particularidades do sujeito: sujeito
termo determinado. Essa posição de determinante do sujeito em posposto
relação ao predicado adquire sentido com o fato de ser possível,
na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas nunca
uma sentença sem predicado. Sujeito Posposto

Exemplos: Embora a Língua Portuguesa se apresente predominantemente


pela ordem direta (sujeito + verbo+ predicado), é comum
1. As formigas invadiram minha casa. encontrarmos alguns termos em posições variadas na oração. É
o que se entende por ordem inversa, na qual alguns termos são
...[as formigas: sujeito = termo determinante] encontrados em combinação contrária ao esperado (ex.: verbo +
sujeito = sujeito posposto.
...[invadiram minha casa: predicado = termo
determinado] Exemplos:

1. Vivendo sozinho o ancião, sua saúde se tornara


2. Há formigas na minha casa. precária.

...[há formigas na minha casa: predicado = termo 2. Sobre esse assunto falo eu!
determinado]
O fato de se inverter a posição dos termos na oração é movido
...[sujeito: inexistente] por fatores gramaticais (ex.: colocação pronominal) ou por
Apostilas Decisão 41 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
fatores estilísticos. A construção de sentenças em que o sujeito
é colocado após o verbo (sujeito posposto) surge em Nesses exemplos podemos observar que a concordância é
decorrência da ênfase que se pretende dar à idéia expressa estabelecida entre algumas poucas palavras dos dois termos
pelo termo que ocupa a primeira posição na sentença. Trata-se essenciais. Na frase (1), entre “Carolina” e “conhece”; na frase
da valorização de algum termo em detrimento de outro e, (2), entre “nós” e “fazemos”. Isso se dá porque a concordância é
portanto, de uma alteração estilística. O sujeito posposto pode centrada nas palavras que são núcleos, isto é, que são
ser encontrado: responsáveis pela principal informação naquele segmento. No
predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome, quase
• nas orações interrogativas; sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um
verbo (ou locução verbal). No primeiro caso, temos um
• em orações com verbos na forma passiva pronominal; predicado nominal e no segundo um predicado verbal.
Quando, num mesmo segmento o nome e o verbo são de igual
• em orações com verbos na forma imperativa; importância, ambos constituem o núcleo do predicado e resultam
no tipo de predicado verbo-nominal.
• em orações reduzidas;
Exemplos:
• em orações que expressem o discurso direto;
1. Minha empregada é desastrada.
• em orações absolutas com verbos no subjuntivo; ...[predicado: é desastrada]
...[núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito]
• em orações subordinadas adverbiais condicionais sem ...[tipo de predicado: nominal]
conjunção;
2. A empreiteira demoliu nosso antigo prédio.
• em orações com verbos unipessoais;
...[predicado: demoliu nosso antigo prédio]
...[núcleo do predicado: demoliu = nova informação
• em orações iniciadas pelos complementos verbais.
sobre o sujeito]
...[tipo de predicado: verbal]
É muito importante que se localize o sujeito e o verbo na oração.
Mesmo em posição que não é a sua habitual, o verbo deve
sempre concordar com o sujeito.
3. Os manifestantes desciam a rua desesperados.

...[predicado: desciam a rua desesperados]


Predicado é um dos termos essenciais da oração. Tem por
...[núcleos do predicado: 1. desciam = nova informação
características básicas:
sobre o sujeito; 2. desesperados = atributo do sujeito]
...[tipo de predicado: verbo-nominal]
• apresentar-se como elemento determinado em relação ao
sujeito. Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é responsável
também por definir os tipos de elementos que aparecerão no
• apontar um atributo ou acrescentar nova informação ao segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor
sujeito. o predicado (verbo intransitivo). Em outros casos é necessário
um complemento que, juntamente com o verbo, constituem a
Assim como o sujeito, o predicado é um segmento extraído da nova informação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses
estrutura interna das orações ou das frases, sendo, por isso, complementos do verbo não interferem na tipologia do
fruto de uma análise sintática. Isso implica dizer que a noção de predicado. São elementos que constituem os chamados termos
predicado só é importante para a caracterização das palavras integrantes da oração.
em termos sintáticos. Nesse sentido, o predicado é
sintaticamente o segmento lingüístico que estabelece
concordância com outro termo essencial da oração – o sujeito -, Complemento Nominal
sendo este o termo determinante (ou subordinado) e o predicado
o termo determinado (ou principal). Não se trata, portanto, de Dá-se o nome de complemento nominal ao termo que
definir o predicado como “aquilo que se diz do sujeito” como complementa o sentido de um nome ou um advérbio, conferindo-
fazem certas gramáticas da língua portuguesa, mas sim lhe uma significação completa ou, ao menos, mais específica.
estabelecer a importância do fenômeno da concordância entre Como o complemento nominal vem integrar-se ao nome em
esses dois termos essenciais da oração. busca de uma significação extensa para nome ao qual se liga,
ele compõe os chamados termos integrantes da oração. São
Exemplos: duas as principais características do complemento nominal:
1. Carolina conhece os índios da Amazônia. - sempre seguem um nome, em geral abstrato;
...[sujeito: Carolina = termo determinante] - ligam-se ao nome por meio de preposição, sempre
...[predicado: conhece os índios da Amazônia = termo obrigatória.
determinado]
...[Carolina: 3ª pessoa do singular = conhece: 3ª pessoa Os complementos nominais podem ser formados por
do singular] substantivo, pronome, numeral ou oração subordinada
completiva nominal.
2. Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João. Exemplos:
...[sujeito: todos nós = termo determinante]
...[predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = 1. Meus filhos têm loucura por futebol.
termo determinado]
...[Todos nós: 1ª pessoa do plural = fazemos parte: 1ª ...[substantivo]
pessoa do plural]

Apostilas Decisão 42 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Os objetos diretos são constituídos por nomes como núcleos do
2. O sonho dele era saltar de pára-quedas. segmento. A noção de núcleo torna-se importante porque, num
processo de substituição de um nome por um pronome deve-se
...[pronome] procurar por um pronome de igual função gramatical do núcleo.
No exemplo (1) acima verificamos um conjunto de palavras
formando o objeto direto (a minha vida), dentre as quais apenas
3. A vitória de um é a conquista de todos. uma é núcleo (vida = substantivo). Podemos transformar esse
núcleo substantivo em objeto direto formado por pronome
...[numeral] oblíquo, que é um tipo de pronome substantivo. Além disso,
nesse processo de substituição, devemos ter claro que o
pronome ocupará o lugar de todo o objeto direto e não só do
4. O medo de que lhe furtassem as jóias a mantinha afastada núcleo do objeto. Vejamos um exemplo dessa representação:
daqui.
- O amor de Mariana transformava a minha vida.
...[oração subordinada completiva nominal]
- O amor de Mariana a transformava.

Em geral os nomes que exigem complementos nominais - Os pronomes oblíquos átonos (me, te, o, a, se, etc.)
possuem formas correspondentes a verbos transitivos, pois
ambos completam o sentido de outro termo. São exemplos Funcionam sintaticamente como objetos diretos. Isso implica
dessa correlação: dizer que somente podem figurar nessa função de objeto e não
na função de sujeito, por exemplo. Porém algumas vezes os
- obedecer aos pais? obediência aos pais pronomes pessoais retos (eu, tu, ele, etc.) ou pronome oblíquo
tônico (mim, ti, ele, etc.) são chamados a constituir o núcleo dos
- chegar em casa? chegada em casa objetos diretos. Nesse caso, o uso da preposição se torna
obrigatório e, por conseqüência, tem-se um objeto direto
- entregar a revista à amiga? entrega da revista à amiga especial: objeto direto preposicionado.

- protestar contra a opressão? protesto contra a Exemplos:


opressão
1. Ame ele que é teu irmão. [Inadequado]

Objeto Direto Ame-o que é teu irmão. [Adequado]

Do ponto de vista da sintaxe, objeto direto é o termo que


completa o sentido de um verbo transitivo direto, por isso, é 2. Você chamou eu ao teu encontro? [Inadequado]
complemento verbal, na grande maioria dos casos, não
preposicionado. Do ponto de vista da semântica, o objeto direto Você me chamou ao teu encontro? [Adequado]
é:
...[me: pronome oblíquo átono = sem preposição]
- o resultado da ação verbal, ou

- o ser ao qual se dirige a ação verbal, ou Você chamou a mim ao teu encontro? [Adequado]

- o conteúdo da ação verbal. ...[a mim: pronome oblíquo tônico = com preposição]

O objeto direto pode ser formado por um substantivo, pronome


substantivo, ou mesmo qualquer palavra substantivada. Além Objeto Indireto
disso, o objeto direto pode ser constituído por uma oração inteira
que complemente o verbo transitivo direto da oração dita Do ponto de vista da sintaxe, objeto indireto é o termo que
principal. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração completa o sentido de um verbo transitivo indireto e vem sempre
subordinada substantiva objetiva direta. acompanhado de preposição. Do ponto de vista da semântica, o
objeto indireto é o ser ao qual se destina a ação verbal. O
Exemplos: objeto indireto pode ser formado por substantivo, ou pronome
substantivo, ou numeral, ou ainda, uma oração substantiva
1. O amor de Mariana transformava a minha vida. objetiva indireta. Em qualquer um desses casos, o traço mais
importante e característico do objeto indireto é a presença da
...[transformava: verbo transitivo direto] preposição.
...[a minha vida: objeto direto]
...[núcleo: vida = substantivo] Exemplo:

2. Conserve isto na tua memória: vou partir em breve. A cigana pedia dinheiro a moça. [Inadequado]

...[conserve: verbo transitivo direto] A cigana pedia dinheiro à moça. [Adequado]


...[isso: objeto direto = pronome substantivo]
...[pedia = verbo transitivo direto e indireto]
...[dinheiro = objeto direto]
3. Não prometa mais do que possa cumprir depois. ...[à moça = destinatário da ação verbal = objeto
indireto]
...[prometa: verbo transitivo direto]
...[mais do que possa cumprir depois: oração O objeto indireto pode ser representado por um pronome.
subordinada substantiva objetiva direta] Como o núcleo do objeto é sempre um nome, é possível
substituí-lo por um pronome. Nesse caso, um pronome oblíquo,
Apostilas Decisão 43 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
já que se trata de uma posição de complemento verbal e não de Alguns gramáticos admitem o predicativo do objeto em orações
sujeito da oração. O único pronome que representa o objeto com verbos transitivos indiretos tais como crer, estimar, julgar,
indireto é o pronome oblíquo átono lhe(s) – pronome de terceira nomear, eleger. Em geral, porém, a ocorrência do predicativo do
pessoa. Os pronomes indicativos das demais pessoas verbais objeto em objetos indiretos se dá somente com o verbo chamar,
são sempre acompanhados de preposição. com sentido de “atribuir um nome a”.

Exemplo: Chamavam-lhe falsário, sem notar-lhe suas


Exemplos: verdades.

1. Ela contava a seu pai como fora o seu dia na escola.


Agente da Passiva
2. Ela lhe contava como fora o seu dia na escola.
É o termo da oração que complementa o sentido de um verbo na
3. Todos dariam ao padre a palavra final. voz passiva, indicando-lhe o ser que praticou a ação verbal. A
característica fundamental do agente da passiva é, pois, o fato
4. Todos dar-lhe-iam a palavra final. de somente existir se a oração estiver na voz passiva. Há três
vozes verbais na nossa língua: a voz ativa, na qual a ênfase
5. Responderam a Fátima com delicadeza. recai na ação verbal praticada pelo sujeito; a voz passiva, cuja
ênfase é a ação verbal sofrida pelo sujeito; e a voz reflexiva, em
6. Responderam a mim com delicadeza. que a ação verbal é praticada e sofrida pelo sujeito. Nota-se,
com isso, que o papel do sujeito em relação à ação verbal está
em evidência. Na voz ativa o sujeito exerce a função de agente
Não é difícil confundir objeto indireto e adjunto adverbial, pois da ação e o agente da passiva não existe. Para completar o
ambos os termos são construídos com preposição. Uma regra sentido do verbo na voz ativa, este verbo conta com outro
prática para se determinar o objeto indireto e até mesmo o elemento – o objeto (direto). Na voz passiva, o sujeito exerce a
identificar na oração é indagar ao verbo se ele necessita de função de receptor de uma ação praticada pelo agente da
algum complemento preposicionado. Esse complemento será: passiva. Por conseqüência, é este mesmo agente da passiva
que complementa o sentido do verbo neste tipo de oração,
1. Adjunto adverbial, se estiver expressando um significado substituindo o objeto (direto).
adicional, como lugar, tempo, companhia, modo e etc.
Exemplo:
2. Objeto indireto, se estiver apenas completando o sentido
do verbo, sem acrescentar outra idéia à oração. O barulho acordou toda a vizinhança. [oração na voz ativa]

Exemplos: ...[o barulho: sujeito]


...[acordou: verbo transitivo direto = pede um
1. Ele sabia a lição de cor. [Adjunto adverbial “de complemento verbal]
modo”] ...[toda a vizinhança: ser para o qual se dirigiu a ação
verbal = objeto direto]
2. Ele se encarregou do formulário. [Objeto indireto]

Toda a vizinhança foi acordada pelo barulho. [oração na voz


Predicativo do Objeto passiva]

É o termo ou expressão que complementa o objeto direto ou o ...[toda a vizinhança: sujeito]


objeto indireto, conferindo-lhe um atributo. O predicativo do ...[foi: verbo auxiliar / acordada: verbo principal no
objeto apresenta duas características básicas: particípio]
...[pelo barulho: ser que praticou a ação = agente da
• acompanha o verbo de ligação implícito; passiva]

• pertence ao predicado verbo-nominal. O agente da passiva é um complemento exigido somente por


verbos transitivos diretos (aqueles que pedem um complemento
A formação do predicativo do objeto é feita através de um sem preposição). Esse tipo de verbo, em geral, indica uma ação
substantivo ou um adjetivo. (em oposição aos verbos que exprimem estado ou processo)
que, do ponto de vista do significado, é complementada pelo
Exemplos: auxílio de outro termo que é o seu objeto (em oposição aos
verbos que não pedem complemento: os verbos intransitivos).
1. O vilarejo finalmente elegeu Otaviano prefeito. Como vimos, na voz passiva o complemento do verbo transitivo
direto é o agente da passiva; já na voz ativa esse complemento
...[objeto: Otaviano] é o objeto direto. Nas orações com verbos intransitivos, então,
...[predicativo: substantivo] não existe agente da passiva, porque não há como construir
sentenças na voz passiva com verbos intransitivos.
2. Os policiais pediam calma absoluta.
Observe:
...[objeto: calma]
...[predicativo: adjetivo] 1. Karina socorreu os feridos.

...[verbo transitivo direto na voz ativa]


3. Todos julgavam-no culpado.

...[objeto: no] 2. Os feridos foram socorridos por Karina


...[predicativo: adjetivo]
...[verbo transitivo direto na voz passiva]
Apostilas Decisão 44 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
compreensão do enunciado. Por esse motivo, eles pertencem
3. Karina gritou. aos chamados termos acessórios da oração. Os adjuntos
adnominais podem ser formados por artigo, adjetivo, locução
...[verbo intransitivo na voz ativa] adjetiva, pronome adjetivo, numeral e oração adjetiva.

4. Karina foi gritada. (sentença inaceitável na língua) Exemplos:

...[verbo intransitivo na voz passiva] 1. Nosso velho mestre sempre nos voltava à mente.

*Os feridos: objeto direto em (1) e sujeito em (2) ...[nosso: pronome adjetivo]
Karina: sujeito em (1) e agente da passiva em (2) ...[velho: adjetivo]

A oração na voz passiva pode ser formada através do recurso de


um verbo auxiliar (ser, estar). Nas construções com verbo 2. Todos querem saber a música que cantarei na
auxiliar, costuma-se explicitar o agente da passiva, apesar de apresentação.
ser este um termo de presença facultativa na oração. Em
orações cujo verbo está na terceira pessoa do plural, é muito ...[a: artigo]
comum ocultar-se o agente da passiva. Isso se justifica pelo fato ...[que cantarei na apresentação: oração adjetiva]
de que, nessas situações, o sujeito pode ser indeterminado na
voz ativa. Porém mesmo nesses casos, a ausência do agente é
fruto da liberdade do falante. Adjunto Adverbial

Exemplos: É a palavra ou expressão que acompanha um verbo, um adjetivo


ou um advérbio modificando a natureza das informações que
1. Os visitantes do zoológico foram atacados pelos bichos. esses elementos transmitem. Por esse seu caráter, o adjunto
adverbial é tido como um modificador. Pelo fato de não ser um
...[foram: verbo auxiliar / passado do verbo “ser”] elemento essencial ao enunciado, insere-se no rol dos termos
...[pelos bichos: agente da passiva] acessórios da oração. A modificação que os adjuntos adverbiais
conferem aos elementos aos quais se liga na sentença é de
2. Nossas reivindicações são simplesmente ignoradas. duas naturezas: a primeira, de modificação circunstancial, e a
segunda, de intensidade.
...[são: verbo auxiliar / presente do verbo “ser”]
...[agente da passiva: ausente] Exemplos:

3. Cercaram a cidade. [voz ativa com sujeito indeterminado] 1. Os candidatos foram selecionados aleatoriamente.

A cidade está cercada. ...[aleatoriamente: modifica o segmento verbal “foram


...[está: verbo auxiliar / presente do verbo “estar”] selecionados”]
...[agente da passiva: ausente] ...[natureza do adjunto adverbial: modificador]
A cidade está cercada pelos inimigos.
...[pelos inimigos: agente da passiva]
2. Os preços dos remédios aumentaram demais.
O agente da passiva é mais comumente introduzido pela
preposição por (e suas variantes: pelo, pela, pelos, pelas). É ...[demais: intensifica o segmento verbal “aumentaram”]
possível, no entanto, encontrar construções em que o agente da ...[natureza do adjunto adverbial: intensificador]
passiva é introduzido pelas preposições de ou a.

Exemplos: Os adjuntos adverbiais podem ser representados por meio de


um advérbio, uma locução adverbial ou uma oração inteira
1. O hino será executado pela orquestra sinfônica. denominada oração subordinada adverbial.

...[pela orquestra sinfônica: agente da passiva] Exemplos:

1. Os ingressos para o espetáculo de dança esgotaram-se hoje.


2. O jantar foi regado a champanhe.
...[hoje: advérbio = adjunto adverbial]
...[a champanhe: agente da passiva]

2. Acompanharemos de perto todos os teus passos!


3. A sala está cheia de gente.
...[de perto: locução adverbial = adjunto adverbial]
...[de gente: agente da passiva]

3. Eles sabiam que me magoavam com aquela maneira de


Adjunto Adnominal falar.

É a palavra ou expressão que acompanha um ou mais nomes ...[com aquela maneira de falar: oração subordinada
conferindo-lhe um atributo. Trata-se, portanto, de um termo de adverbial]
valor adjetivo que modificará o nome a que se refere. Os
adjuntos adnominais não determinam ou especificam o nome, tal Freqüentemente observa-se certa confusão estabelecida entre o
qual os determinantes. Ao invés disso, eles conferem uma nova adjunto adverbial expressado por uma locução adverbial e o
informação ao nome e por isso são chamados de modificadores. objeto indireto. Isso se dá porque ambas as construções são
Além disso, os adjuntos adnominais não interferem na introduzidas por uma preposição. Deve-se ter claro, no entanto,
Apostilas Decisão 45 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
que o objeto indireto é essencial para complementar o sentido de
um verbo transitivo indireto, ao passo que o adjunto adverbial é
elemento dispensável para a compreensão do sentido tanto de 3. Ninguém sabia informar sobre a prova: data, horário e local.
um verbo como de qualquer outro elemento ao qual se liga. Além
disso, o objeto indireto é complemento verbal; já o adjunto ...[aposto introduzido pelos dois pontos]
adverbial pode ou não estar associado a verbos.
É comum notarmos certa confusão entre aposto e adjunto
Exemplos: adnominal, já que o aposto pode ser introduzido por meio da
preposição de. Deve-se ter claro, no entanto, que o aposto tem
1. Essa minha nota equivale a um emprego. sempre o substantivo como seu núcleo, ao passo que o adjunto
adnominal pode ser representado por um adjetivo. Uma maneira
...[a um emprego: complementa o sentido do verbo prática de identificar um ou outro termo da oração é transformar
transitivo indireto”equivaler”] o segmento num adjetivo. Se a operação tiver sucesso, tratar-se-
...[a um emprego: objeto indireto] á de um adjunto adnominal.

Exemplos:
2. Estávamos todos reunidos à mesa.
1. As paredes de fora estão sendo pintadas agora.
...[à mesa: modifica a informação verbal “estávamos
reunidos”] ...[de fora > externo = adjunto adnominal]
...[à mesa: adjunto adverbial (de lugar)] As paredes externas estão sendo pintadas agora.

Aposto 2. A praça da República foi invadida pelos turistas.

É o termo da oração que se associa a outro termo para ...[da República: aposto]
especificá-lo ou explicá-lo. O aposto tem caráter nominal, ou
seja, é representado por nomes e não por verbos ou advérbios. Uma oração inteira também pode exercer a função de aposto.
Seu emprego é tido como acessório na oração porque o Nesse caso ela recebe o nome de oração subordinada
enunciado sobrevive sem a informação veiculada através do substantiva apositiva:
aposto.
Normalmente optamos pelo futebol, o que é típico de
Exemplos: brasileiro.
...[aposto associado ao núcleo do objeto indireto
1. Meu nome estava definitivamente fora da lista dos aprovados. “futebol”]

...[oração sem aposto]


Meu nome, Espedito, estava definitivamente fora da Vocativo
lista dos aprovados.
...[Espedito: aposto / substantivo próprio = nome] É a palavra ou conjunto de palavras, de caráter nominal, que
...[idéia expressada pelo aposto: especificação (do empregamos para expressar uma invocação ou chamado. O
sujeito)] vocativo é um elemento que, embora colocado pelos gramáticos
dentre os termos da oração, isola-se dela. Isto é, o vocativo não
se integra sintaticamente aos termos essenciais da oração
2. Nas festas de Santo Antônio as pessoas faziam promessas. (sujeito e predicado) e pode, sozinho, constituir-se uma frase.
Essa propriedade advém do fato de que o vocativo insere, na
...[oração sem aposto] oração, o interlocutor discursivo, ou seja, aquele a quem o
Nas festas de Santo Antônio, santo casamenteiro, as falante se dirige na situação comunicativa.
pessoas faziam promessas.
...[santo casamenteiro: aposto / núcleo: substantivo = Exemplos:
nome]
...[idéia expressada pelo aposto: explicação (do adjunto 1. Por Deus, Amélia, vamos encerrar essa discussão!
adnominal)]
2. Posso me retirar agora, senhor?
Na língua portuguesa o aposto costuma vir acompanhado de
uma pausa expressada através da vírgula ou do sinal de dois 3. Meninos!
pontos. No entanto, o uso da pontuação para marcar a posição ...[vocativo constituindo uma frase]
do aposto na sentença não é obrigatório. Trata-se de uma
elegância textual, para a qual a utilização, especialmente das A entonação melódica da língua falada costuma acentuar os
vírgulas, torna o aposto mais destacado. vocativos. Essa forma de expressão é reproduzida, na língua
escrita, por meio de sinais de pontuação. Assim, o vocativo é
Exemplos: obrigatoriamente acompanhado de uma pausa: curta, através
do recurso da vírgula; longa, através do recurso da exclamação
1. Aquela rodovia de São Paulo a Campinas foi ampliada ou das reticências. Não há posição definida para o vocativo na
recentemente. sentença, porém, quando se apresenta no interior da oração,
deve ser colocado entre vírgulas. Além disso, é bastante comum
...[aposto não separado por vírgulas] encontrarmos o vocativo associado a alguma forma de ênfase.
Se não através da pontuação, o recurso mais popular é vê-lo
associado a uma interjeição.
2. Tua cunhada, solteira e de muitas posses, ainda quer se
casar? Exemplos:

...[aposto separado por vírgulas] 1. Ah, mãe! Deixe-me ir ao jogo hoje!


Apostilas Decisão 46 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Ó, céus, para quê tanto espetáculo em dias tão 2. Eu tenho um gatinho muito preguiçoso, que todo dia procura a
desastrosos? minha cama para dormir. Como a minha mãe não gosta dele, eu
o escondo e, assim, ela não vê que o gatinho está dormindo
Há de atentarmos para uma distinção entre o vocativo e frases comigo.
constituídas por um único substantivo. Nestas não se verifica
qualquer invocação ao interlocutor do discurso, mas, antes, se Notem que no exemplo (1) temos um parágrafo formado por
dirigem a alguém expressando um aviso, um pedido ou um quatro períodos. Já no exemplo (2) o parágrafo está organizado
conselho. No vocativo, porém, o interlocutor é chamado a em apenas dois períodos. Isso é possível articulando as
integrar o discurso do falante. informações por meio de alguns conectivos (que, como, assim) e
eliminando os elementos redundantes (o gatinho, minha mãe =
Exemplos: ele, ela).

1. Perigo! Finalmente, os períodos são definidos materialmente no registro


escrito por meio de uma marca da pontuação, das quais se
...[frase constituída por um substantivo] excluem a vírgula e o ponto-e-vírgula. O recurso da pontuação é
uma forma de reproduzir na escrita uma longa pausa percebida
na língua falada. Todas as orações de um período composto
2. Rebeca! podem ligar-se por conetivos coordenativos (formando os
períodos compostos por coordenação) ou subornativos
...[vocativo] (formando os períodos compostos por subordinação), estando
esses conectivos claros ou ocultos.

Período é a unidade lingüística composta por uma ou mais Período é a frase constituída de uma ou mais orações,
orações. Tem como características básicas: formando um todo, com sentido completo. O período pode ser
simples ou composto.
1. a apresentação de um sentido ou significado
completo
Período Simples: é aquele constituído por apenas uma oração,
2. encerrar-se por meio de certos símbolos de que recebe o nome de oração absoluta.
pontuação.
Exemplos:
Uma das propriedades da língua é expressar enunciados
articulados. Essa articulação é evidenciada internamente pela O amor é eterno.
verificação de uma qualidade comunicativa das informações As plantas necessitam de cuidados especiais.
contidas no período. Isto é, um período é bem articulado quando Quero aquelas rosas.
revela informações de sentido completo, uma idéia acabada. O tempo é o melhor remédio.
Esse atributo pode ser exibido em termos de um período
constituído por uma única oração - período simples – ou
constituído por mais de uma oração – período composto. Período Composto: é aquele constituído por duas ou mais
orações:
Exemplos:
Quando você partiu minha vida ficou sem alegrias.
1. Sabrina tinha medo do brinquedo. Quero aquelas flores para presentear minha mãe.
Vou gritar para todos ouvirem que estou sabendo o
...[período simples] que acontece ao anoitecer.
Cheguei em casa, jantei e fui dormir.

2. Sabrina tinha medo do brinquedo, apesar de levá-lo consigo


todo o tempo. Saiba que: Como toda oração está centrada num verbo ou
numa locução verbal, a maneira prática de saber quantas
...[período composto] orações existem num período é contar os verbos ou locuções
verbais.
Não há uma forma definida para a constituição de períodos, pois
se trata de uma liberdade do falante de elaborar seu discurso da
maneira como quiser ou como julgar ser compreendido na Período Composto por Coordenação
situação discursiva. Porém a língua falada, mais
freqüentemente, organiza-se em períodos simples, ao passo que Períodos compostos por coordenação são os períodos que,
a língua escrita costuma apresentar maior elaboração sintática, o possuindo duas ou mais orações, apresentam orações
que faz notarmos a presença maior de períodos compostos. Um coordenadas entre si. Cada oração coordenada possui
dos aspectos mais notáveis dessa complexidade sintática nos autonomia de sentido em relação às outras, e nenhuma delas
períodos compostos é o uso dos vários recursos de coesão. funciona como termo da outra. As orações coordenadas, apesar
Isso pode ser visualizado no exercício de transformação de de sua autonomia em relação às outras, complementam
alguns períodos simples em período composto fazendo uso dos mutuamente seus sentidos. A conexão entre as orações
chamados conectivos (elementos lingüísticos que marcam a coordenadas podem ou não ser realizadas através de
coesão textual). conjunções coordenativas. Sendo vinculadas por conectivos ou
conjunções coordenativas, as orações são coordenadas
Exemplos: sindéticas. Não apresentando conjunções coordenativas, as
orações são chamadas orações coordenadas assindéticas.
1. Eu tenho um gatinho muito preguiçoso. Todo dia ele procura a
minha cama para dormir. Minha mãe não gosta do meu gatinho. Orações Coordenadas Assindéticas
Então, eu o escondo para a minha mãe não ver que ele está
dormindo comigo. São as orações não iniciadas por conjunção
Apostilas Decisão 47 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
coordenativa.
A) Subjetiva : funciona como sujeito da oração principal.
Ex. Chegamos a casa, tiramos a roupa, banhamo-nos, Existem três estruturas de oração principal que se usam com
fomos deitar. subordinada substantiva subjetiva: verbo de ligação + predicativo
+ oração subordinada substantiva subjetiva.

Orações Coordenadas Sindéticas Ex. É necessário que façamos nossos deveres.


verbo unipessoal + oração subordinada substantiva
São cinco as orações coordenadas, que são iniciadas por uma subjetiva.
conjunção coordenativa.
Verbo unipessoal só é usado na 3ª pessoa do singular;
A) Aditiva: Exprime uma relação de soma, de adição. os mais comuns são convir, constar, parecer, importar,
interessar, suceder, acontecer.
Conjunções: e, nem, mas também, mas ainda.
Ex. Convém que façamos nossos deveres.
Ex. Não só reclamava da escola, mas também
atenazava os colegas. Verbo na voz passiva + oração subordinada substantiva
subjetiva.

B) Adversativa: exprime uma idéia contrária à da outra oração, Ex. Foi afirmado que você subornou o guarda.
uma oposição.

Conjunções: mas, porém, todavia, no entanto, B) Objetiva Direta: funciona como objeto direto da oração
entretanto, contudo. principal.

Ex. Sempre foi muito estudioso, no entanto não se (sujeito) + VTD + oração subordinada substantiva
adaptava à nova escola. objetiva direta.

Ex. Todos desejamos que seu futuro seja brilhante.


C) Alternativa: Exprime idéia de opção, de escolha, de
alternância.
C) Objetiva Indireta: funciona como objeto indireto da oração
Conjunções: ou, ou...ou, ora... ora, quer... quer. principal.

Ex. Estude, ou não sairá nesse sábado. (sujeito) + VTI + prep. + oração subordinada substantiva
objetiva indireta.

D) Conclusiva: Exprime uma conclusão da idéia contida na Ex. Lembro-me de que tu me amavas.
outra oração.

Conjunções: logo, portanto, por isso, por conseguinte, D) Completiva Nominal: funciona como complemento nominal
pois - após o verbo ou entre vírgulas. de um termo da oração principal.

Ex. Estudou como nunca fizera antes, por isso (sujeito) + verbo + termo intransitivo + prep. + oração
conseguiu a aprovação. subordinada substantiva completiva nominal.

Ex. Tenho necessidade de que me elogiem.


E) Explicativa: Exprime uma explicação.

Conjunções: porque, que, pois - antes do verbo. E) Apositiva: funciona como aposto da oração principal; em
geral, a oração subordinada substantiva apositiva vem após dois
Ex. Conseguiu a aprovação, pois estudou como nunca pontos, ou mais raramente, entre vírgulas.
fizera antes
oração principal + : + oração subordinada substantiva
Período Composto por Subordinação apositiva.

Períodos compostos por subordinação são períodos que, Ex. Todos querem o mesmo destino: que atinjamos a
sendo constituídos de duas ou mais orações, possuem uma felicidade.
oração principal e pelo menos uma oração subordinada a ela. A
oração subordinada está sintaticamente vinculada à oração
principal, podendo funcionar como termo essencial, integrante ou F) Predicativa: funciona como predicativo do sujeito do verbo de
acessório da oração principal. As orações subordinadas que se ligação da oração principal.
conectam à oração principal através de conjunções
subordinativas são chamadas orações subordinadas sindéticas. (sujeito) + VL + oração subordinada substantiva
As orações que não apresentam conjunções subordinativas predicativa.
geralmente apresentam seus verbos nas formas nominais,
sendo chamadas orações reduzidas. Ex. A verdade é que nunca nos satisfazemos com
nossas posses.
1. Orações Subordinadas Substantivas:
Nota: As subordinadas substantivas podem vir
São seis as orações subordinadas substantivas, que são introduzidas por outras palavras:
iniciadas por uma conjunção subordinativa integrante (que, se)
Pronomes interrogativos (quem, que, qual...)
Apostilas Decisão 48 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
E) Conformativa: funciona como adjunto adverbial de
Advérbios interrogativos (onde, como, quando...) conformidade.

Perguntou-se quando ele chegaria. Conjunções: como, conforme, segundo.

Não sei onde coloquei minha carteira. Ex. Construímos nossa casa, conforme as
especificações dadas pela Prefeitura.

Orações Subordinadas Adjetivas


F) Consecutiva: funciona como adjunto adverbial de
As orações subordinadas adjetivas são sempre iniciadas por um conseqüência.
pronome relativo. São duas as orações subordinadas adjetivas:
Conjunções: (tão)... que, (tanto)... que, (tamanho)...
A) Restritiva: é aquela que limita, restringe o sentido do que.
substantivo ou pronome a que se refere. A restritiva funciona
como adjunto adnominal de um termo da oração principal e não Ex. Ele fala tão alto, que não precisa do microfone.
pode ser isolada por vírgulas.

Ex. A garota com quem simpatizei está à sua procura. G) Temporal: funciona como adjunto adverbial de tempo.

Conjunções: quando, enquanto, sempre que, assim


B) Explicativa: serve para esclarecer melhor o sentido de um que, desde que, logo que, mal.
substantivo, explicando mais detalhadamente uma característica
geral e própria desse nome. A explicativa funciona como aposto Ex. Fico triste, sempre que vou à casa de Juvenildo.
explicativo e é sempre isolada por vírgulas.

Ex. Londrina, que é a terceira cidade do região Sul do H) Final: funciona como adjunto adverbial de finalidade.
país, está muito bem cuidada.
Conjunções: a fim de que, para que, porque.

Orações Subordinadas Adverbiais Ex. Ele não precisa do microfone, para que todos o
ouçam.
São nove as orações subordinadas adverbiais, que são iniciadas
por uma conjunção subordinativa
I) Proporcional: funciona como adjunto adverbial de proporção.
A) Causal: funciona como adjunto adverbial de causa.
Conjunções: à proporção que, à medida que, tanto
Conjunções: porque, porquanto, visto que, já que, uma mais.
vez que, como, que.
Ex. À medida que o tempo passa, mais experientes
Ex. Saímos rapidamente, visto que estava armando um ficamos.
tremendo temporal.

Orações Reduzidas
B) Comparativa: funciona como adjunto adverbial de
comparação. Geralmente, o verbo fica subentendido Quando uma oração subordinada se apresenta sem
conjunção ou pronome relativo e com o verbo no infinitivo, no
Conjunções: (mais) ... que, (menos)... que, (tão)... particípio ou no gerúndio, dizemos que ela é uma oração
quanto, como. reduzida, acrescentando-lhe o nome de infinitivo, de particípio ou
de gerúndio.
Ex. Diocresildo era mais esforçado que o irmão(era).
Ex. Ele não precisa de microfone, para o ouvirem.

C) Concessiva: funciona como adjunto adverbial de concessão.


11. SINAIS DE PONTUAÇÃO
Conjunções: embora, conquanto, inobstante, não
obstante, apesar de que, se bem que, mesmo que,
Sinais de Pontuação
posto que, ainda que, em que pese.

Ex. Todos se retiraram, apesar de não terem terminado A língua escrita apresenta muitas diferenças em relação à língua
a prova. falada. Na fala, podemos contar com uma série de recursos para
dar eficácia à mensagem, tais como gestos, tom da voz,
expressão facial, entoação, etc. Enfim, quando falamos, a nossa
D) Condicional: funciona como adjunto adverbial de condição. mensagem é reforçada por inúmeros recursos que não temos
quando escrevemos. Há certos recursos da linguagem - pausa,
Conjunções: se, a menos que, desde que, caso, melodia, entonação e até mesmo, silêncio - que só estão
contanto que. presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais
recursos, usamos os sinais de pontuação. Estes são também
Ex. Você terá um futuro brilhante, desde que se usados para destacar palavras, expressões ou orações e
esforce. esclarecer o sentido de frases, a fim de dissipar qualquer tipo de
ambigüidade. Para tentar reproduzir na escrita os inúmeros
recursos de que dispomos na fala, contamos com uma série de
sinais gráficos denominados sinais de pontuação. Observe como

Apostilas Decisão 49 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
as reticências são utilizadas para criar o clima de mistério: “era
sexta-feira...” Os sinais de pontuação servem para marcar - A multidão foi, aos poucos, avançando para o palácio.
pausas (a vírgula, o ponto-e-vírgula, o ponto), ou a melodia da
frase (o ponto de exclamação, o ponto de interrogação, etc.). - Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo
próprio gerente.

Divisão e Emprego dos Sinais de Pontuação


i) para isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas
1. Vírgula pela conjunção e:

Emprega-se a vírgula (uma breve pausa): - Ele já enganou várias pessoas, logo não é digno de
confiança.
a) para separar os elementos mencionados numa relação:
- Você pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado
- A nossa empresa está contratando engenheiros, ao dirigir.
economistas, analistas de sistemas e secretárias.
- Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.
- O apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala
de jantar, área de serviço e dois banheiros.
j) para indicar a elipse de um elemento da oração:
Nota: Mesmo que o e venha repetido antes de cada um dos
elementos da enumeração, a vírgula deve ser empregada: - Foi um grande escândalo. Às vezes gritava; outras,
Rodrigo estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e estrebuchava como um animal.
falava em voz alta, e ria, e roía as unhas.
- Não se sabe ao certo. Paulo diz que ela se suicidou, a
irmã, que foi um acidente.
b) para isolar o vocativo:

- Cristina, desligue já esse telefone! k) para separar o paralelismo de provérbios:

- Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete. - Ladrão de tostão, ladrão de milhão.

- Ouvir cantar o galo, sem saber onde.


c) para isolar o aposto:

- Dona Sílvia, aquela mexeriqueira do quarto andar, l) após a saudação em correspondência (social e comercial):
ficou presa no elevador.
- Com muito amor,
- Rafael, o gênio da pintura italiana, nasceu em Urbino.
- Respeitosamente,

d) para isolar palavras e expressões explicativas (a saber, por


exemplo, isto é, ou melhor, aliás, além disso etc.): m) para isolar as orações adjetivas explicativas:

- Gastamos R$ 5.000,00 na reforma do apartamento, - Marina, que é uma criatura maldosa, “puxou o tapete”
isto é, tudo o que tínhamos economizado durante anos. de Juliana lá no trabalho.

- Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o - Vidas Secas, que é um romance contemporâneo, foi
Canadá. escrito por Graciliano Ramos.

e) para isolar o adjunto adverbial antecipado: n) para isolar orações intercaladas:

- Lá no sertão, as noites são escuras e perigosas. - Não lhe posso garantir nada, respondi secamente.

- Ontem à noite, fomos todos jantar fora. - O filme, disse ele, é fantástico.

f) para isolar elementos repetidos: 2. Ponto

- O palácio, o palácio está destruído. Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de um
frase declarativa de um período simples ou composto.
- Estão todos cansados, cansados de dar dó!
- Desejo-lhe uma feliz viagem.

g) para isolar, nas datas, o nome do lugar: - A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada,
no entanto tudo no seu interior era conservado com
- São Paulo, 22 de maio de 1995. primor.

- Roma, 13 de dezembro de 1995.


O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas, por
exemplo:
h) para isolar os adjuntos adverbiais:
Apostilas Decisão 50 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
fev. = fevereiro, Nota: A invocação em correspondência (social ou comercial)
pode ser seguida de dois-pontos ou de vírgula:
hab. = habitante,
- Querida amiga:
rod. = rodovia.
- Prezados senhores,

O ponto que é empregado para encerrar um texto escrito recebe


o nome de ponto final. 5. Ponto de Interrogação

O ponto de interrogação é empregado para indicar uma pergunta


3. Ponto-e-vírgula direta, ainda que esta não exija resposta:

Utiliza-se o ponto-e-vírgula para assinalar uma pausa maior do O criado pediu licença para entrar:
que a da vírgula, praticamente uma pausa intermediária entre o - O senhor não precisa de mim?
ponto e a vírgula. Geralmente, emprega-se o ponto-e-vírgula - Não obrigado. A que horas janta-se?
para: - As cinco, se o senhor não der outra ordem.
- Bem.
a) separar orações coordenadas que tenham um certo sentido - O senhor sai a passeio depois do jantar? de carro ou a
ou aquelas que já apresentam separação por vírgula: cavalo?
- Não.
- Criança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente (José de Alencar)
e alegre; agora, mulher madura, tornou-se uma
doidivanas.
6. Ponto de Exclamação

b) separar vários itens de uma enumeração: O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de
qualquer enunciado com entonação exclamativa, que
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos se- normalmente exprime admiração, surpresa, assombro,
guintes princípios: indignação etc.
I - igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola; - Viva o meu príncipe! Sim, senhor... Eis aqui um
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar comedouro muito compreensível e muito repousante,
o pensamento, a arte e o saber; Jacinto!
III - pluralismo de idéias e de concepções, e
coexistência de instituições públicas e privadas de - Então janta, homem!
ensino; (Eça de Queiroz)
IV - gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais;
........
(Constituição da República Federativa do Brasil) Nota: O ponto de exclamação é também usado com interjeições
e locuções interjetivas:

4. Dois-pontos - Oh!

Os dois-pontos são empregados para: - Valha-me Deus!

a) uma enumeração:
7. Reticências
- ... Rubião recordou a sua entrada no escritório do
Camacho, o modo porque falou: e daí tornou atrás, ao As reticências são empregadas para:
próprio ato.
a) assinalar interrupção do pensamento:
- Estirado no gabinete, evocou a cena: o menino, o
carro, os cavalos, o grito, o salto que deu, levado de um - Bem; eu retiro-me, que sou prudente. Levo a
ímpeto irresistível... (Machado de Assis) consciência de que fiz o meu dever. Mas o mundo
saberá...
(Júlio Dinis)
b) uma citação:

Visto que ela nada declarasse, o marido indagou: b) indicar passos que são suprimidos de um texto:
- Afinal, o que houve?
- O primeiro e crucial problema de lingüística geral que
Saussure focalizou dizia respeito à natureza da
c) um esclarecimento: linguagem. Encarava-a como um sistema de signos...
- Joana conseguira enfim realizar seu desejo maior: - Considerava a lingüística, portanto, com um aspecto
seduzir Pedro. Não porque o amasse, mas para magoar de uma ciência mais geral, a ciência dos signos...
Lucila. (Mattoso Camara Jr.)
- Observe que os dois-pontos são também usados na
introdução de exemplos, notas ou observações. c) marcar aumento de emoção:

Apostilas Decisão 51 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
- As palavras únicas de Teresa, em resposta àquela
carta, significativa da turvação do infeliz, foram estas: - Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente
“Morrerei, Simão, morrerei. Perdoa tu ao meu destino... selvagem, a arte é a superioridade humana - acima dos
Perdi-te... Bem sabes que sorte eu queria darte... e preceitos que se combatem, acima das religiões que
morro, porque não posso, nem poderei jamais resgatar- passam, acima da ciência que se corrige; embriaga
te. (Camilo Castelo Branco) como a orgia e como o êxtase.(Raul Pompéia)

8. Aspas d) ligar palavras ou grupos de palavras que formam um


“conjunto” no enunciado:
As aspas são empregadas:
- A ponte Rio-Niterói está sendo reformada.
a) antes e depois de citações textuais:
- O triângulo Paris-Milão-Nova York está sendo amea-
- Roulet afirma que “o gramático deveria descrever a çado, no mundo da moda, pela ascensão dos estilistas
língua em uso em nossa época, pois é dela que os do Japão.
alunos necessitam para a comunicação quotidiana”.

b) para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias e 10. Parênteses


expressões populares ou vulgares:
Os parênteses são empregados para:
- O “lobby” para que se mantenha a autorização de
importação de pneus usados no Brasil está cada vez a) destacar num texto qualquer explicação ou comentário:
mais descarado. (Veja)
- Todo signo lingüístico é formado de duas partes
- Na semana passada, o senador republicano Charles associadas e inseparáveis, isto é, o significante
Grassley apresentou um projeto de lei que pretende (unidade formada pela sucessão de fonemas) e o
“deletar” para sempre dos monitores de crianças e significado (conceito ou idéia).
adolescentes as cenas consideradas obscenas. (Veja)
b) incluir dados informativos sobre bibliografia (autor,
- Popularidade no “xilindró” Preso há dois anos, o ano de publicação, página etc.): Mattoso Camara
prefeito de Rio Claro tem apoio da população e quer (1977:91) afirma que, às vezes, os preceitos da
uma delegada para primeira-dama. (Veja) gramática e os registros dos dicionários são discutíveis:
consideram erro o que já poderia ser admitido e aceitam
- Com a chegada da polícia, os três suspeitos “puxaram o que poderia, de preferência, ser posto de lado.
o carro” rapidamente.

c) indicar marcações cênicas numa peça de teatro:


c) para realçar uma palavra ou expressão:
Abelardo I - Que fim levou o americano?
- Ele reagiu impulsivamente e lhe deu um “não” sonoro. João - Decerto caiu no copo de uísque!
Abelardo I - Vou salvá-lo. Até já!
- Aquela “vertigem súbita” na vida financeira de Ricardo (sai pela direita)
afastou-lhe os amigos dissimulados. (Oswald de Andrade)

9. Travessão d) isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em


substituição à vírgula e aos travessões:
Emprega-se o travessão para:
- Afirma-se (não se prova) que é muito comum o
a) indicar a mudança de interlocutor no diálogo: recebimento de propina para que os carros apreendidos
sejam liberados sem o recolhimento das multas.
- Que gente é aquela, seu Alberto?
- São japoneses.
- Japoneses? E... é gente como nós? 11. Asterisco
- É. O Japão é um grande país. A única diferença é que
eles são amarelos. O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, é um recurso
- Mas, então não são índios? empregado para:
(Ferreira de Castro)
a) remissão a uma nota no pé da página ou no fim de um
capítulo de um livro:
b) colocar em relevo certas palavras ou expressões:
- Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria,
- Maria José sempre muito generosa - sem ser artificial confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o
ou piegas - a perdoou sem restrições. morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à
conclusão de que este afixo está ligado a
- Um grupo de turistas estrangeiros - todos muito estabelecimento comercial. Em alguns contextos pode
ruidosos - invadiu o saguão do hotel no qual estávamos indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria
hospedados. etc.

- * É o morfema que não possui significação autônoma


c) substituir a vírgula ou os dois pontos: e sempre aparece ligado a outras palavras.
Apostilas Decisão 52 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
pronomes possessivos. Os pronomes possessivos concordam
em gênero e número com o substantivo designativo do objeto
b) substituição de um nome próprio que não se deseja possuído, e em pessoa com o possuidor desse objeto: João
mencionar: vendeu sua casa (sua = dele, João, 3a pessoa; sua = feminino
singular, concordando com casa). Referindo-se a mais de um
- O Dr.* afirmou que a causa da infecção hospitalar na substantivo, o possessivo concorda com o que estiver mais
Casa de Saúde Municipal está ligada à falta de próximo: Teu juízo e serenidade...
produtos adequados para assepsia.

Concordância Verbal
12. SINTAXE DE CONCORDÂNCIA E
REGÊNCIA. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa: Eu sei
(sei: 1a pessoa do singular, concordando com o sujeito eu).
Havendo mais de um sujeito, o verbo vai para o plural:
Concordância Nominal
(1) na 1a pessoa (nós), se entre os sujeitos houver um da 1a
O adjetivo concorda em gênero e número com o termo a que pessoa (Eu, tu e ele saímos);
se refere (substantivo ou pronome), quer exerça a função de
adjunto adnominal (Comprei um bom livro), quer a de predicativo (2) na 2a pessoa (vós), se, não existindo sujeito da 1a pessoa,
(O livro é bom). Adjunto adnominal. Referindo-se a mais de um houver um da 2a (Tu e ele saístes);
substantivo ou pronome, o adjunto adnominal a estes antepostos (3) na 3a pessoa (eles ou elas), se os sujeitos forem todos da 3a
concorda em gênero e número com o mais próximo (O professor pessoa (João, Carlos e seus irmãos saíram). A concordância do
exigiu completo silêncio e disciplina. Galoparam por estreitas verbo na 2a pessoa do plural (vós), na linguagem corrente do
estradas e caminhos); sendo nomes próprios ou de parentesco Brasil, é de uso raro, não sendo poucos os exemplos literários
os termos modificados pelo adjunto, este vai para o plural (os em que o verbo com sujeito tu e ele aparece na 3a pessoa do
dedicados Pedro e Paulo; os estudiosos João e Maria). Se o plural.
adjunto adnominal está posposto a mais de um substantivo ou
pronome, pode concordar em gênero com o termo mais próximo
a que se refira, ou adotar a flexão masculina, se os termos
Casos particulares (com um só sujeito). Havendo um só
modificados tiverem gêneros diferentes; e pode concordar em
sujeito, ocorrem, entre outros, os seguintes casos particulares de
número com o termo mais próximo a que se refira, ou ir para o
concordância verbal:
plural. Exemplos (a concordância mais rara está entre
parênteses):
(1) livro e caderno encapado (ou encapados); 1. Verbo no singular:
(2) livro e caderneta encapada (ou encapados); a) Mais de um aluno não resolveu essa questão (sujeito =
mais de um + substantivo);
(3) livros e caderno encapados (ou encapado);
b) Qualquer de nós (ou de vós) se apresentará? (sujeito =
(4) livros e cadernetas encapadas (ou encapados).
pronome interrogativo singular, seguido de de nós, de
vós, dentre nós ou dentre vós);
Predicativo. c) Algum (nenhum, qualquer) de nós (ou de vós) se
apresentará (sujeito = pronome indefinido singular,
As normas de concordância do predicativo com o sujeito seguido de de nós, de vós, dentre nós, dentre vós).
composto são idênticas às que se aplicam ao adjunto adnominal,
com as seguintes ressalvas:
(1) Sendo do mesmo gênero os termos que compõem o sujeito, 2. Verbo no plural:
o predicativo conserva esse gênero e, de preferência, vai para o
a) Aproximaram-se cerca de vinte pessoas (sujeito =
plural (O livro e o caderno estão encapados);
cerca de + substantivo plural);
(2) se os gêneros dos termos que compõem o sujeito forem
b) Ele era um dos que sabiam a resposta (sujeito = um
diversos, o predicativo vai, normalmente, para o masculino plural
dos que, um daqueles que);
(O livro e a caderneta estão encapados).
c) Quais (quantos) de vós sabeis a resposta? Quais
(quantos) de nós teremos tempo para isso? (sujeito =
A concordância do predicativo do objeto segue, em geral, as quais? quantos? + de nós ou de vós;
mesmas normas que se aplicam à concordância do predicativo
d) Alguns (muitos, vários, poucos, quaisquer) de nós
do sujeito. Se o sujeito for uma oração, o predicativo fica no
sabemos o que ocorreu. Quaisquer de vós sabeis (sujeito
masculino singular (É vantajoso saber-se uma língua
= indefinido plural + de nós, ou de vós);
estrangeira = É vantajoso que se saiba uma língua estrangeira).
Concordância dos pronomes pessoais o, a, os, as. Os pronomes e) Os Estados Unidos se empenharam na solução desse
o (lo) e a (la) substituem, respectivamente, um nome masculino problema (sujeito = nomes de lugar com forma plural,
singular ou um nome feminino singular (Encontrei João = precedidos de artigo);
Encontrei-o. Vou encontrar João = Vou encontrá-lo. Encontrei
Maria = Encontrei-a. Vou encontrar Maria = Vou encontrá-la); o f) As Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, são de
pronome os (los) substitui um nome masculino plural ou mais de publicação póstuma (sujeito = títulos de obras com forma
um nome de gêneros diferentes (Encontrei meus amigos, ou plural, com artigo);
meu amigo e minha amiga = Encontrei-os. Vou encontrar meus g) Deram (bateram, soaram) sete horas (verbos dar,
amigos, ou meus amigos e minhas amigas = Vou encontrá-los); bater, soar e sinônimos, empregados com referência às
o pronome as (las) substitui um nome feminino plural ou mais de horas do dia: concordam com o número que indica as
um nome feminino (Encontrei minhas amigas, ou encontrei Maria horas);
e Júlia = Encontrei-as. Vou encontrar minhas amigas, ou vou
encontrar Maria e Júlia = Vou encontrá-las). Concordância dos

Apostilas Decisão 53 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
h) Disseram que você não viria (sujeito indeterminado, (3) Um grito, uma palavra, um olhar bastava (sujeito com
sem a partícula se). enumeração gradativa);
(4) Castigos, conselhos, nada o corrigia (sujeito resumido por um
pronome indefinido: nada, tudo, ninguém);
3. Verbo no singular ou no plural:
(5) Nem luz de vela, nem luz de lampião lhe iluminavam o
a) Parte (o grosso, o resto, a metade) dos espectadores
quarto. Jamais um grito ou uma palavra áspera lhe saíram dos
protestaram ou protestou (a concordância no plural lábios (substantivos no singular ligados por nem ou ou, podendo
evidencia os elementos componentes do todo; o verbo no o fato expresso pelo verbo ser atribuído a todos os sujeitos);
singular realça o conjunto como unidade);
(6) Nem Pedro nem Antônio conseguirá eleger-se. Fui devagar,
b) João foi um dos competidores que mais se destacaram
mas ou o pé ou o espelho traiu-me (composição do sujeito
ou que mais se destacou (o singular põe em realce o idêntica à anterior, só se podendo, todavia, atribuir o fato
sujeito dentro do grupo em relação ao qual está sendo expresso pelo verbo a um dos sujeitos);
referido).
(7) Ou eu ou ela iremos à festa. Nem eu nem ela iremos à festa
(sujeitos de pessoas gramaticais diferentes, ligados por ou ou
4. Sujeito pronome relativo "que": nem: o verbo concorda, no plural, com a pessoa que tiver
precedência na ordem das pessoas gramaticais);
a) Sou eu que quero;
(8) Um ou outro (um ou outro aluno) haverá de acertar. Nem um
b) Fomos nós os que resolvemos; nem outro (nem um nem outro aluno) haverá de acertar (sujeito
c) Sereis vós aqueles que tereis de resolver (o verbo um ou outro, nem um nem outro, como pronomes substantivos
concorda em número e pessoa com o pronome pessoal ou como pronomes adjetivos: verbo no singular);
antecedente imediato ou mediato do relativo). (9) Um e outro são competentes (ou é competente) para isso
(locução um e outro: admite verbo no plural ou no singular;

5. Sujeito pronome relativo "quem": O verbo com sujeito (10) O menino com seu amigo brincavam à beira do lago. César,
pronome relativo "quem", vai para a 3a pessoa do singular (Sou com suas legiões, levou o inimigo de vencida (sujeitos unidos
eu quem tem de resolver) ou concorda com o pronome pessoal pela partícula com: verbo no plural, quando não houver realce de
sujeito da oração anterior (Sou eu quem tenho de resolver). nenhum dos sujeitos; no singular, quando o primeiro sujeito
estiver sendo realçado);
(11) Você, como eu, parece ter jeito para música. Você como eu
6. Verbo "ser" com o predicativo plural: temos jeito para música (sujeitos ligados pelas conjunções
comparativas como, assim como, bem como etc.; verbo no
a) Que são três dias? Quem és tu? (oração iniciada pelos
singular, quando se quer dar destaque ao primeiro sujeito; no
interrogativos que? e quem?;
plural, sem esse destaque).
b) Eram quatro horas (orações impessoais);
c) Tudo (isto, isso, aquilo, o = aquilo, o resto, o mais) são Concordância figurada (silepse): Concordância que se faz
mentiras (sujeito um dos pronomes tudo, isto, isso, aquilo, com o sentido ou idéia que as palavras exprimem, não com sua
o = aquilo, ou expressão de sentido coletivo, como o forma gramatical. A silepse pode ser:
resto, o mais);
a) de número (Era uma gente [coletivo] difícil de lidar:
d) Minha vida são eles, os meus filhos (substantivo como não sabiam o que queriam. Vós [referindo-se a uma
primeiro termo da oração; pronome pessoal como única pessoa] fostes injusto;
segundo).
b) de gênero (Vossa Senhoria [referindo-se a pessoa do
sexo masculino] foi bem tratado?);
7. Outros casos de concordância do verbo "ser":
a) Três semanas é pouco (sujeito = expressão numérica c) de pessoa (Estávamos presentes [incluída a pessoa
considerada como um todo; que fala, ou 1a pessoa] uns dez
interessados).©Encyclopédia Britannica do Brasil
b) da Vinci era muitos artistas num só gênio (sujeito nome Publicações Ltda.
de pessoa singular; o verbo deixa de concordar com o
predicativo plural;
c) Ele era todo ouvidos (sujeito pronome pessoal; o verbo Regência Nominal
deixa de concordar com o predicativo plural;
Alguns nomes também exigem complementos preposicionados.
d) Nós é que decidimos partir (frases construídas com a Conheça alguns:
locução invariável de realce é que; o verbo concorda
normalmente com o sujeito).
1- acessível a 34- digno de 67- natural de
2- acostumado a, 35- entendido em 68- necessário a
Casos particulares (com sujeito composto). Com sujeito com 36- equivalente a 69- negligente em
composto, o verbo pode concordar com o sujeito mais próximo, 3- adaptado a, para 37- erudito em 70- nocivo a
em casos como os que se seguem: 4- afável com, para 38- escasso de 71- ojeriza a, por
com 39- essencial para 72- paralelo a
(1) Imperava a violência, o crime, o desrespeito à pessoa
5- aflito com, em, 40- estranho a 73- parco em, de
humana (sujeitos pospostos);
para, por 41- fácil de 74- passível de
(2) Minha casa, minha pátria é aqui (sujeitos sinônimos ou quase 6- agradável a 42- favorável a 75- perito em
sinônimos; 7- alheio a, de 43- fiel a 76- permissivo a
8- alienado a, de 44- firme em 77- perpendicular a
9- alusão a 45- generoso com 78- pertinaz em
Apostilas Decisão 54 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
10- amante de 46- grato a 79- possível de a) no sentido de cheirar, sorver: usa-se sem preposição. Ex.:
11- análogo a 47- hábil em 80- possuído de Aspirou o ar puro da manhã.
12- ansioso de, para, 48- habituado a 81- posterior a
por 49- horror a 82- preferível a b) no sentido de almejar, pretender: exige a preposição a. Ex.:
13- apto a, para 50- hostil a 83- prejudicial a Esta era a vida a que aspirava.
14- atento a, em 51- idêntico a 84- prestes a
15- aversão a, para, 52- impossível de 85- propenso a, 2 – Assistir
por 53- impróprio para para a) no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se
16- ávido de, por 54- imune a 86- propício a sem preposição.
17- benéfico a 55- incompatível 87- próximo a, de Ex.: O técnico assistia os jogadores novatos.
18- capaz de, para com 88- relacionado
19- certo de 56- inconseqüente com b) no sentido de ver, presenciar: exige a preposição a.
20- compatível com com 89- residente em Ex.: Não assistimos ao show.
21- compreensível a 57- indeciso em 90- responsável
22- comum a, de 58- independente por c) no sentido de caber, pertencer: exige a preposição a.
23- constante em de, em 91- rico de, em Ex.: Assiste ao homem tal direito.
24- contemporâneo 59- indiferente a 92- seguro de, em
a, de 60- indigno de 93- semelhante a d) no sentido de morar, residir: é intransitivo e exige a
25- contrário a 61- inerente a 94- sensível a preposição em.
26- curioso de, para, 62- insaciável de 95- sito em Ex.: Assistiu em Maceió por muito tempo.
por 63- leal a 96- suspeito de
27- desatento a 64- lento em 97- útil a, para 3 - Esquecer/lembrar
28- descontente com 65- liberal com 98- versado em a) Quando não forem pronominais: são usados sem
29- desejoso de 66- medo a, de preposição.
30- desfavorável a Ex.: Esqueci o nome dela.
31- devoto a, de
32- diferente de b) Quando forem pronominais: são regidos pela preposição de.
33- difícil de Ex.: Lembrei-me do nome de todos.

4 – Visar
Regência Verbal a) no sentido de mirar: usa-se sem preposição.
Ex.: Disparou o tiro visando o alvo.

1. Chegar/ ir – deve ser introduzido pela preposição a e não b) no sentido de dar visto: usa-se sem preposição.
pela preposição em. Ex.: Visaram os documentos.
Ex.: Vou ao dentista./ Cheguei a Belo Horizonte.
c) no sentido de ter em vista, objetivar: é regido pela preposição
2. Morar/ residir – normalmente vêm introduzidos pela a.
preposição em. Ex.: Viso a uma situação melhor.
Ex.: Ele mora em São Paulo./ Maria reside em Santa Catarina.
5 – Querer
3. Namorar – não se usa com preposição. a) no sentido de desejar: usa-se sem preposição.
Ex.: Joana namora Antônio. Ex.: Quero viajar hoje.

4. Obedecer/desobedecer – exigem a preposição a. b) no sentido de estimar, ter afeto: usa-se com a preposição a.
Ex.: As criaCRnças obedecem aos pais./ O aluno desobedeceu Ex.: Quero muito aos meus amigos.
ao professor.
6 – Proceder
5. Simpatizar/ antipatizar – exigem a preposição com. a) no sentido de ter fundamento: usa-se sem preposição.
Ex.: Simpatizo com Lúcio./ Antipatizo com meu professor de Ex.: Suas queixas não procedem.
História.
b) no sentido de originar-se, vir de algum lugar: exige a
preposição de.
Estes verbos não são pronominais, portanto, são considerados Ex.: Muitos males da humanidade procedem da falta de
construções erradas quando os mesmos aparecem respeito ao próximo.
acompanhados de pronome oblíquo: Simpatizo-me com Lúcio./
Antipatizo-me com meu professor de História. c) no sentido de dar início, executar: usa-se a preposição a.
Ex.: Os detetives procederam a uma investigação criteriosa.
6. Preferir - este verbo exige dois complementos sendo que um
usa-se sem preposição e o outro com a preposição a. 7 - Pagar/ perdoar
Ex.: Prefiro dançar a fazer ginástica. a) se tem por complemento palavra que denote coisa: não
exigem preposição.
Segundo a linguagem formal, é errado usar este verbo reforçado Ex.: Ela pagou a conta do restaurante.
pelas expressões ou palavras: antes, mais, muito mais, mil
vezes mais, etc. b) se tem por complemento palavra que denote pessoa: são
Ex.: Prefiro mil vezes dançar a fazer ginástica. regidos pela preposição a.
Ex.: Perdoou a todos,

8 – Informar
Verbos que apresentam mais de uma regência a) no sentido de comunicar, avisar, dar informação: admite duas
construções:
1 – Aspirar

Apostilas Decisão 55 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
1) objeto direto de pessoa e indireto de coisa (regido pelas
preposições de ou sobre).
Ex.: Informou todos do ocorrido. Uso da Próclise: É obrigatória quando houver palavra que
atraia o pronome para antes do verbo. As palavras que atraem o
pronome são as seguintes:
2) objeto indireto de pessoa ( regido pela preposição a) e direto
de coisa. a) palavras ou expressões negativas:
Ex.: Informou a todos o ocorrido.
Nunca me informavam os verdadeiros motivos.
9 – Implicar
a) no sentido de causar, acarretar: usa-se sem preposição.
Ex.: Esta decisão implicará sérias conseqüências. b) advérbios:

b) no sentido de envolver, comprometer: usa-se com dois Sempre me informavam os verdadeiros motivos.
complementos, um direto e um indireto com a preposição
em.
Ex.: Implicou o negociante no crime. Obs.: Se houver vírgula depois do advérbio, ele deixa de atrair o
pronome.
c) no sentido de antipatizar: é regido pela preposição com.
Ex.: Implica com ela todo o tempo. Aqui se trabalha.

10- Custar Aqui, trabalha-se.


a) no sentido de ser custoso, ser difícil: é regido pela
preposição a.
Ex.: Custou ao aluno entender o problema. c) pronomes indefinidos e pronomes demonstrativos neutros:

b) no sentido de acarretar, exigir, obter por meio de: usa-se Alguém me informou os verdadeiros motivos.
sem preposição.
Ex.: O carro custou-me todas as economias. Isto me pertence.

c) no sentido de ter valor de, ter o preço: usa-se sem


preposição. d) conjunções subordinativas:
Ex.: Imóveis custam caro.
Embora me informassem os verdadeiros motivos, não
acreditei.
13. SINTAXE DE COLOCAÇÃO
e) pronomes relativos:
Sintaxe de Colocação
A pessoa que me informou os verdadeiros motivos não
Os pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, compareceu.
nos, vos) costumam apresentar problemas de colocação, uma
vez que podem ocupar três posições:
Obs.: Se houver duas palavras atraindo um mesmo pronome,
1. antes do verbo (próclise ou pronome proclítico): pode-se colocar o pronome oblíquo entre as duas palavras
atrativas.
Nunca me revelaram os verdadeiros motivos.
É difícil entender quando se não ama.
2. no meio do verbo (mesóclise ou pronome mesoclítico):
Ou, como é mais freqüente:
Revelar-me-iam os verdadeiros motivos.
É difícil entender quando não se ama.
3. depois do verbo (ênclise ou pronome enclítico):
A palavra que atrai o pronome, mesmo que venha subentendida.
Revelaram-me os verdadeiros motivos.
Desejo me compreendam. (Desejo que me
compreendam.)
Convém lembrar que os pronomes oblíquos átonos nunca
podem vir no início da frase, embora na linguagem popular isso
ocorra com freqüência. Assim, não são aceitas pelas norma culta A próclise é obrigatória também nas orações:
construções como:
a) interrogativas diretas:
Me convidaram para a festa.
Quem nos revelou os verdadeiros motivos?
Nos revelaram os verdadeiros motivos.

Devemos dizer: b) exclamativas:


Convidaram-me para a festa. Quanto nos custou tal procedimentos!
Revelaram-no os verdadeiros motivos.

Apostilas Decisão 56 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
c) optativas (orações que exprimem um desejo):
Estou apto a ajudar-te.
Deus te abençoe.

Com o infinitivo pessoal precedido de preposição ocorre próclise.


Uso da Mesóclise:
Foram censurados por se comportarem mal.
A mesóclise é obrigatória com o verbo no futuro do presente ou
no futuro do pretérito. Desde que não haja antes palavra atrativa.
Colocação dos Pronomes nas Locuções Verbais
Convidar-me-ão para a cerimonia.
a) Locução verbal com verbo principal no particípio. Nas
Convidar-me-iam para a cerimônia. locuções verbais cujo verbo principal é um particípio, o pronome
deve ficar depois do verbo auxiliar. Se houver palavra atrativa,
deverá ficar antes do verbo auxiliar.
No caso de haver uma palavra atrativa, a próclise será
obrigatória. Havia-lhe contado a verdade.

Não me convidarão para a cerimônia. Não lhe havia contado a verdade.

Nunca me convidariam para a cerimônia. Obs.: Se o auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do
pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja atração.

Obs.: É sempre errado o uso do pronome oblíquo depois de Ter-me-iam falado a verdade, se a soubessem.
verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito.

Veja que é sempre errada a colocação do pronome depois de


Uso da Ênclise: um particípio.

A ênclise é obrigatória:
b) Locução verbal com o verbo principal no infinitivo ou no
a) com o verbo no início da frase: gerúndio. Se não houver palavra atrativa, coloca-se o pronome
oblíquo depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.
Entregaram-me as mercadorias.
Quero-lhe dizer a verdade. OU Quero dizer-lhe a
Obs.: Lembre-se de que é sempre errado o pronome oblíquo verdade.
átono no início da frase.
Ia-lhe dizendo a verdade. OU Ia dizendo-lhe a verdade.

b) com o verbo no imperativo afirmativo: Caso haja palavra atrativa, coloca-se pronome antes do verbo
auxiliar ou depois do verbo principal.
Alunos, comportem-se
Não lhe quero dizer a verdade. OU Não quero dizer-lhe
a verdade.
c) com o verbo no gerúndio:
Não lhe ia dizendo a verdade. OU Não ia dizendo-lhe a
Saiu, deixando-nos por instantes. verdade.

Obs.: Se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra 14. EMPREGO DE CLASSES DE PALAVRAS
atrativa, ocorrerá próclise. Em se tratando de cinema, prefiro as
comédias. Caro Candidato: O conteúdo acima solicitadojá encontra-se
nesta Apostila nesta mesma Matéria com o Tópico de Número
Saiu da sala, não nos revelando os motivos 08. Faça Bons Estudos. Tenha Foco, Força e Fé, persevere e
acredite em você. Sucesso e Fique com Deus!
d) com o verbo no infinitivo impessoal:

Era necessário ajudar-te.


15. EMPREGO DE MODOS E TEMPOS,
INFINITIVO; VERBO HAVER

Obs.: Se o infinitivo impessoal vier precedido de palavra Caro Candidato: O conteúdo sobre Emprego de Modos e
negativa, é indiferente o uso da ênclise ou da próclise. Tempos Verbais já encontra-se nesta Apostila nesta mesma
Matéria com o Tópico de Número 08. Faça Bons Estudos. Tenha
Era necessário não te ajudar. Foco, Força e Fé, persevere e acredite em você. Sucesso e
Fique com Deus!
Era necessário não ajudar-te.

Verbo Haver
Se o infinitivo impessoal vier precedido de preposição, é
indiferente o uso da ênclise ou da próclise. Gerúndio: Havendo

Estou apto a te ajudar. Particípio Passado: Havido


Apostilas Decisão 57 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
16. ESTILÍSTICA: FIGURAS DE LINGUAGEM
Indicativo
Figuras de Linguagem
Pretérito Pretérito
Presente
Perfeito Imperfeito
Comparação: Ocorre comparação quando se estabelece
eu hei houve havia
aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados
tu hás houveste havias
por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal,
ele/ela há houve havia como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos -
Havemos, parecer, assemelhar-se e outros.
nós houvemos havíamos
hemos
Haveis, Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse
vós houvestes havíeis
heis máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico."
eles/elas hão houveram haviam (Chico Buarque);

"As solteironas, os longos vestidos negros fechados no


Pretérito pescoço, negros xales nos ombros, pareciam aves
Futuro do Futuro do
mais-que- noturnas paradas..." (Jorge Amado).
Presente Pretérito
perfeito
eu houvera haverei haveria
tu houveras haverás haverias Metáfora: palavra empregada fora de seu sentido real, literal,
ele/ela houvera haverá haveria denotativo.
nós houvéramos haveremos haveríamos
vós houvéreis havereis haveríeis Exemplos:
eles/elas houveram haverão haveriam
Eliana não SE DOBROU às desculpas do namorado
que a deixou esperando por uma hora.
Conjuntivo Subjuntivo
Ontem à noite choveu CANIVETES!
Presente Pretérito Imperfeito Futuro
quando
que eu haja se eu houvesse houver
eu Na base de toda metáfora está um processo comparativo:
quando
que tu hajas se tu houvesses houveres
tu Senti a seda do seu rosto em meus dedos.
que se quando
haja houvesse houver
ele/ela ele/ela ele/ela
hajamo houvéssemo quando houvermo
que nós
s
se nós
s nós s
(Seda, na frase acima, é uma metáfora. Por trás do uso dessa
quando palavra para indicar uma pele extremamente agradável ao tato,
que vós hajais se vós houvésseis houverdes há várias operações de comparação: a pele descrita é tão
vós
Que se quando agradável ao tato quanto a seda; a pele descrita é uma
eles/ela hajam eles/ela houvessem eles/ela houverem verdadeira seda; a pele descrita pode ser chamada seda.)
s s s

Eufemismo: o Dicionário "Houaiss" diz que é "palavra, locução


Imperativo ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar
ou minimizar (...) outra palavra, locução ou acepção menos
Infinitivo agradável, mais grosseira...". O "Aurélio" diz que é "ato de
Afirmativo Negativo
Pessoal suavizar a expressão duma idéia substituindo a palavra ou
- - para haver eu expressão própria por outra mais agradável, mais polida".
há tu não há tu para haveres tu
para haver Exemplos:
haja você não haja você
ele/ela
para havermos Ontem, Osvaldo partiu dessa pra melhor (em vez de
hajamos nós não hajamos nós "morreu")
nós
para haverdes
havei vós não havei vós Este trabalho poderia ser melhor (em vez de "está
vós
para haverem ruim").
hajam vocês não hajam vocês
eles/elas
Às vezes, a suavização é feita de um jeito todo particular: pela
Infinitivo negação do contrário. Para que não se diga, por exemplo, que
determinado indivíduo é burro, diz-se que é pouco inteligente, ou
- por haver eu simplesmente que não é inteligente. Esse caso, que contém forte
dose de ironia, chama-se "litotes". É bom que se diga que com a
- por haveres tu litotes não necessariamente se suaviza. Para que se diga que
uma pessoa é inteligente, pode-se dizer que não é burra: "Seu
- por haver ele primo não é nada burro". Em suma, a litotes é "modo de
afirmação por meio da negação do contrário", como define o
- por havermos nós "Aurélio".

- por haverdes vós

- por haverem eles


Apostilas Decisão 58 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Prosopopéia ou Personificação (ou ainda Metagoge):
consiste em atribuir características de seres animados a seres “Queria um apoio, um horizonte limitado, não o mar sem
inanimados ou características humanas a seres não-humanos. fim”. (Autran Machado)

Exemplos: Em síntese, paradoxo é a figura de linguagem que consiste em


empregar palavras que, mesmo opostas quanto ao sentido se
"A floresta gesticulava nervosamente diante do lago que fundem num mesmo enunciado.
a devorava. O ipê acenava- lhe brandamente,
chamando-o para casa."
Hipérbole: é bom observar que no extremo oposto do
As estrelas sorriem quando você também sorri. eufemismo está a "hipérbole". Se com aquele suavizamos,
atenuamos, abrandamos, com esta aumentamos, enfatizamos,
exageramos.
Onomatopéia: emprego de palavras apropriadas na tentativa de
se imitar o som de alguma coisa. Exemplos:

Exemplos: Eu já disse um milhão de vezes que não fui eu quem


fez isso!
Não conseguia dormir com o TIC-TAC do relógio da
sala. Ela morreu de medo ao assistir aquele filme de
suspense.
"Lá vem o vaqueiro pelos atalhos, tangendo as reses
para os currais. Blem... blem... blem... cantam os Hoje está um frio de rachar!
chocalhos dos tristes bodes patriarcais. E os guizos
finos das ovelhinhas ternas dím... dím... dím... E o sino Aquela mãe derramou rios de lágrimas quando seu filho
da igreja velha: bão... bão... bão..." (Ascenso Ferreira) foi preso.

Não convide o João para sua festa, porque ele come


Antítese: aproximação de palavras de sentidos opostos. até explodir!

Exemplos: Na ofuscante CLARIDADE daquela manhã, Os atletas chegaram MORRENDO DE SEDE.


pensamentos SOMBRIOS o perturbavam.

Perífrase: uso de um dos atributos de um ser ou coisa que


Paradoxo servirá para indicá-lo.

Leia atentamente os versos a seguir: Exemplos:


Na floresta, todos sabem quem é o REI DOS ANIMAIS.
“Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente (REI DOS ANIMAIS = LEÃO)
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”. A CIDADE MARAVILHOSA torce para um dia sediar os
(Camões) Jogos Olímpicos. (CIDADE MARAVILHOSA = RIO DE
JANEIRO)
Nestes versos, percebe-se que o poeta constrói o sentido do
Amor-ideia, amor universal, filosofando a respeito do amor, não
falando de seus sentimentos pessoais. Para isso, ele se apropria Silepse: Figura pela qual a concordância das palavras se faz de
de elementos que, apesar de se excluírem mutuamente, se acordo com o sentido, e não segundo as regras da sintaxe. A
fundem num mesmo referente, constituindo afirmações Silepse pode ser de pessoa, número ou gênero.
aparentemente sem lógica.
Exemplos:
Esse mesmo efeito de contradição acontece neste trecho "Os brasileiros somos roubados todos os dias." Quem
de Carlos Drummond de Andrade: diz ou escreve a frase dessa forma põe o verbo na
primeira pessoa do plural para deixar claro que é
“Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito brasileiro e é roubado. Nessa frase, por exemplo, a
espaço ultra fechado”. concordância não foi feita com "os brasileiros", mas
com o sentido, com a idéia que se quer enfatizar. É
Observe que a afirmação sublinhada contraria o consenso, claro que teria sido possível empregar a forma "são"
englobando simultaneamente duas idéias opostas. A esse tipo ("Os brasileiros são roubados..."), no entanto, o enfoque
de figura de expressão chamamos paradoxo. Há quem confunda mudaria completamente.
paradoxo com antítese. Apesar de serem parecidas, elas se
diferenciam por que no paradoxo a oposição se funde num No exemplo anterior, ocorre silepse de pessoa, já que
mesmo referente, criando um efeito de contradição: se trocou a terceira pessoa pela primeira. A de número
ocorre quando se troca o singular pelo plural (ou vice-
“A explosiva descoberta versa), como se vê neste exemplo: "A turma chegou
Ainda me atordoa. cedo, mas, depois que foi dado o aviso de que o
Estou cego e vejo. professor se atrasaria, desistiram de esperar e foram
Arranco os olhos e vejo”. embora". Nessa frase, as formas verbais "desistiram" e
(Carlos Drummond de Andrade) "foram" se referem ao termo "turma", mas não
concordam com a forma dessa palavra (singular), e sim
Na antítese, o sentido é construído a partir do confronto entre com a idéia contida em seu significado ("alunos", no
idéias opostas: caso). A silepse de número é comum com o vocativo
representado por coletivo, seguido de verbo no plural:
Apostilas Decisão 59 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
"Turma, turma, venham". De novo, o verbo ("venham")
não concorda com a palavra "turma", mas com sua Observe que o eu lírico dispôs nesta seqüência sons de
idéia. natureza fricativa: /ch/ (surdo), /j/ e /g/ (sonoros). Para produzir
esses sons, usamos o palato (céu da boca).
A silepse é de gênero quando se troca o masculino pelo
feminino (ou vice-versa). Em "São Paulo está
assustadíssima com a brutalidade", exemplo clássico, o Agora observe estes versos que compõe a coletânea “Ou isto ou
adjetivo "assustadíssima", no feminino, não concorda aquilo”, de Cecília Meireles:
com "São Paulo", nome de santo, masculino, mas com
"cidade", palavra que não foi dita ou escrita. O mesmo “Olha a bolha d’água
processo se dá quando se diz "Porto Alegre é linda". no galho!
"Porto" é palavra masculina, mas a concordância de Olha o orvalho!”
"linda" também se dá com "cidade". Em certos casos,
ocorrem, simultaneamente, a silepse de gênero e a de
número, como se vê neste exemplo, transcrito do Nesses versos, a repetição é do fonema constritivo palatal /lh/.
"Dicionário Houaiss": "Que será de nós, com a Essa figura de linguagem é bastante utilizado por Cecília como
bandidagem podendo andar soltos por aí". Na frase, o recurso para alfabetização. Os poemas, vistos como uma
adjetivo "soltos" não concorda com a forma singular e brincadeira, despertam, através do efeito lúdico da arte, o poder
feminina da palavra "bandidagem", mas com sua idéia intelectual da criança.
("os bandidos").
“Ah! Menina tonta,
Observação: É bom lembrar que a Silepse também é chamada toda suja de tinta
de "concordância ideológica". mal o céu desponta!
(Sentou-se na ponte,
muito desatenta…
Hipérbato: é a inversão da ordem natural das palavras. E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
Exemplo: com tanta tinta?…)
A ponte aponta
"De tudo, ao meu amor serei atento antes" (ordem e se desaponta.
indireta ou inversa) A tontinha tenta
limpar tinta,
Em vez de "Serei atento ao meu amor antes de tudo" ponto por ponto
(ordem direta) e pinta por pinta…
Ah! a menina tonta!
Não viu a tinta da ponte!
Metonímia: ocorre quando uma palavra é usada para designar (Tanta Tinta – Cecília Meireles)
alguma coisa com a qual mantém uma relação de proximidade
ou posse.
Neste caso, Cecília apropriou-se da consoante linguodental /t/ e
Exemplo: da bilabial /p/ para compor esse poema. Quando a aliteração
Meus olhos estão tristes por que você decidiu partir. ocorre com a finalidade de imitar o som dos seres, temos
também um caso de onomatopéia.
(Olhos, na frase acima, é uma metonímia. Na verdade,
essa palavra, que indica uma parte do ser humano, esta
sendo usada para designar o ser humano completo.) 17. LÍNGUA E ARTE LITERÁRIA
Foi com o passar dos anos que o homem percebeu a
Ironia: consiste em, aproveitando-se do contexto, utilizar possibilidade e a necessidade que tinha de começar a se
palavras que devem ser compreendidas no sentido oposto do expressar por meio das palavras. E após a criação de tantas
que aparentam transmitir. É um poderoso instrumento para o linguagens diferenciadas, vocabulários e maneiras diferenciadas
sarcasmo. de se expressar que o homem passou a encontrar novas e
novas formas de se diferenciar das demais espécies do nosso
Exemplo: Muito competente aquele candidato! planeta. E mesmo antes do surgimento da nossa escrita, o
Construiu viadutos que ligam nenhum lugar a lugar homem já conhecia formas de manifestação por meio da
algum. literatura oral, e foi só no terceiro milênio antes de Cristo que a
palavra realmente começou a ser expressa. Assim, a poesia
oral, o folclore e as próprias canções continuaram a existem
Sinestesia: aproximação de sensações diferentes. mesmo depois do surgimento das palavras. Começar a trabalhar
com as palavras, há quem diga que já era uma tendência
Exemplos: Naquele momento, sentiu um CHEIRO considerada natural ao humano, que com o passar do tempo,
VERMELHO de ódio. começou a trabalhar com as palavras não só no momento de
trabalhar e conseguir o seu “ganha pão”, mas também passou a
(CHEIRO, olfato - VERMELHO, visão) utilizá-las de forma artística.

Aliteração: A aliteração é a figura de linguagem que consiste Sobre a Arte Literária


na repetição de determinados elementos fônicos, ou seja, sons
consonantais idênticos ou semelhantes. Veja um exemplo neste Sendo assim, a arte literária nada mais é do que a famosa
verso de Caetano Veloso: literatura, que pode nos representar os mais variados conceitos,
já que a mesma é também considerada uma arte. Em primeiro
“Acho que a chuva ajuda a gente se ver”. plano, devemos então destacar que a arte literária só acontece
graças ao intermédio das nossas palavras, afinal, esta é a sua
Apostilas Decisão 60 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
base, seu instrumento principal e de maior importância. Porém,
as palavras que são encontradas na arte literária não são A literatura é encontrada então em três diferentes gêneros, no
aglomerados de letras que são criados unicamente para a caso, o gênero épico, gênero lírico e o gênero dramático. Todos
expressão de alguma informação ou para uma simples conversa, eles são válidos ainda nos dias de hoje, mesmo que criados nos
mas sim, uma palavra que transformada pode fazer a diferença primórdios literários pela civilização grega, que inclusive é o
nas emoções sentidas pelos humanos. Sendo assim, o povo responsável por uma série de criações e características da
vocabulário presente na literatura ou arte literária é formado não arte literária que são encontradas nos poemas e demais
só por palavras comuns jogadas em meio a um contexto, mas expressões da arte até os dias atuais. A arte literária pode ser
sim, um conjunto de imagens de caráter simbólicas, repletos de criada nos mais variados gêneros, porém, ele se destaca em
recursos expressivos e demais caracteres que juntos fazem com gêneros que mexem mais com os sentimentos e com o
que o ser humano consiga despertar em si mesmo sentimentos emocional do ser humano, motivo pelo qual as criações literárias
como a emoção e a percepção. estão sempre envolvidas com romances, amor, traição, ódio e
outros em seus temas, que no caso são sempre sentimentos
bem expressivos da nossa própria natureza humana, e que cria
Conceito intelectual no ser humano uma determinada percepção necessária para o
entendimento da arte. Além disso, a dramaticidade também é
A própria palavra literatura significa letra, por meio da palavra uma característica bem presente na arte literária, já que o drama
“littera” presente no latim. Litterator, por sua vez, foi o professor no caso faz parte de cada uma das criações literárias, pelo fato
latim responsável pelo ensino das letras, ou seja, pela escrita e de que assim consegue despertar melhor o interesse dos
pela leitura. E foi dessa forma que a palavra literatura foi criada, indivíduos que o leem.
como uma arte em que podemos notar as condições tanto
interiores quanto exteriores presentes em um indivíduo, sendo
que a arte literária se alimenta tanto das palavras quanto da 18. INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
linguagem de uma forma geral. A arte literária é uma arte que
envolve uma série de finalidades de caráter estéticas, as quais Não só os alunos afirmam gratuitamente que a interpretação
só são possíveis graças a própria matéria prima da mesma, ou depende de cada um. Na realidade isto é para fugir a um
seja, a palavra. Além disso, devemos destacar que a arte problema que não é de difícil solução por meio de sofisma
literária muito se assemelha aos conceitos abstratos, já que (=argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não
utiliza-se de conjuntos de palavras que provocam emoção e conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta).
outros sentimentos no ser humano. Por outro lado, a arte pode Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa
ser também considerada como uma representação da nossa interpretação de texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
realidade, porém, de uma forma mais meiga, doce, e por vezes,
mais sensata. Alguns artistas e estudiosos defendem a ideia de 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
que todos nós deveríamos ter um pouco de arte literária no
nosso dia a dia, nos nossos relacionamentos, no trabalho e em 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a
diversos outros momentos. leitura, vá até o fim, ininterruptamente;

03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo
Artistas menos umas três vezes;
A existência da arte literária só é possível pelo fato de que 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
existem os seus criadores, ou seja, os artistas que fazem com
que ela aconteça. E, devemos destacar que a arte literária é 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
então a ficção criada pelos dados e intuição do próprio artista, já
que o mesmo tem a obrigação por meio da literatura de recriar 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
uma realidade, ou seja, algo real, e fazer com que isso se torne
muito mais “doce” e singular conforme a sua própria visão de 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor
artista. Assim, o artista é o responsável pela existência e pelos compreensão;
diferenciais que são proporcionados pela arte literária. Ele é
aquele que escreve conforme os seus próprios pontos de vista, 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do
conforme os seus sentimentos, suas percepções, e é claro, as texto correspondente;
suas técnicas de escrita e narrativa como um todo.
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada
questão;
Linguagem da arte literária
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não,
A literatura, ou arte literária, se difere de outros modelos de correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e
manifestação artística pelo fato de que a sua matéria prima é outras; palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes,
única: a palavra. No que diz respeito então a própria linguagem dificultam a entender o que se perguntou e o que se pediu;
da arte literária devemos destacar o fato de que a mesma
contém uma função poética. Isto ocorre pelo fato de que a 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a
linguagem presente na arte literária é criada com a intenção (do mais exata ou a mais completa;
emissor, no caso, o artista) de fazer com que aquele texto, ou
aquela linguagem, se volte para ela mesma, fazendo com que 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um
cada uma das palavras carregue um significado único e no fim fundamento de lógica objetiva;
crie um contexto que promova as emoções causadas pela arte
literária. Além disso, uma obra literária é sempre dotada de um 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
aspecto mais formal, característica bem presenta na arte
literária. Isso ocorre pelo fato de que a sua composição e o seu 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela
conteúdo são mais valorizados neste determinado formato. resposta, mas a opção que melhor se enquadre no sentido do
texto;
Gêneros da literatura
Apostilas Decisão 61 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras a) Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do
denuncia a resposta; contexto, acrescentando-se ideias que não estão no
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo imaginação.
autor, definindo o tema e a mensagem;
b) Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las; atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um
texto é um conjunto de ideias, o que pode ser
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são insuficiente para o total do entendimento do tema
importantíssimos na interpretação do texto. desenvolvido.

Ex.: Ele morreu de fome. c) Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias
contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões
De fome: adjunto adverbial de causa, determina a equivocadas e, consequentemente, errando a questão.
causa na realização do fato (= morte de "ele").

Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica


Ex.: Ele morreu faminto. do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso
qualquer, o que deve ser levado em consideração é o que o
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" autor diz e nada mais.
se encontrava quando morreu.;

Roteiro de Interpretação
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas
as ideias estão coordenadas entre si; Na hora de interpretar um texto, alguns cuidados são
necessários:
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior
clareza de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o a) ler atentamente todo o texto, procurando focalizar
significado. sua ideia central;

Nota: Diante do que foi dito, espero que você mude o modo de b) interpretar as palavras desconhecidas através do
pensar, pois a interpretação não depende de cada um, mas, sim, contexto;
do que está escrito. "O que está escrito, escrito está."
c) reconhecer os argumentos que dão sustentação a
ideia central;
Lembre-se:
d) identificar as objeções à ideia central;
TEXTO: é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas
entre si, formando um todo significativo capaz de produzir e) sublinhar os exemplos que foram empregados como
interação comunicativa (capacidade interpretar e ilustração da ideia central;
compreender o texto).
f) antes de responder as questões, ler mais de uma vez
todo o texto, fazendo o mesmo com as questões e as
O primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a alternativas;
identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as
ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou g) a cada questão, voltar ao texto, não responder “de
explicações, que levam ao esclarecimento das questões cabeça”;
apresentadas na prova. Normalmente, numa prova, o candidato
é convidado a: h) se preferir, faça anotações à margem ou
esquematize o texto;
1. Identificar: é reconhecer os elementos fundamentais
de uma argumentação, de um processo, de uma época i) se o enunciado pedir a ideia principal, ou tema, estará
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os situada na introdução, na conclusão, ou no título;
quais definem o tempo).
j) se o enunciado pedir argumentação, esta estará
2. Comparar: é descobrir as relações de semelhança localizada, normalmente, no corpo do texto.
ou de diferenças entre as situações do texto.

3. Comentar: é relacionar o conteúdo apresentado com Dicas para Interpretação de Textos


uma realidade, opinando a respeito.
Leia o texto mais de uma vez, minuciosamente, para
4. Resumir: é concentrar as ideias centrais e/ou encontrar a resposta correta.
secundárias em um só parágrafo.
Na terceira ou quarta leitura do texto, pode-se destacar
5. Parafrasear: é reescrever o texto com outras as palavras e expressões chave.
palavras.
É necessário limitar-se às informações contidas no
texto.
Erros de Interpretação
Tente compreender o texto, fragmentando-o em
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros parágrafos ou mesmo, em períodos; fica mais fácil
de interpretação. Os mais frequentes são: interpretar.

Apostilas Decisão 62 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Sempre restam duas alternativas consideradas São os preferidos das bancas. Esses textos autorais trazem
possíveis. Nesse caso, é necessária uma nova leitura. identificado o autor. Essas opiniões são de expressa
responsabilidade de quem as escreveu chamado aqui de
articulista e tratam de assunto da realidade objetiva, pautada
As mensagens que uma comunicação pretende transmitir nem pela imprensa. Vejamos um exemplo: um dado conflito eclode
sempre estão contidas somente na linguagem verbal (texto) ou em algum ponto do planeta (a todo o instante surge algum), e o
na linguagem não verbal (fotografias, gráficos, tabelas, professor Décio Freitas, historiador, abordará, em seu artigo em
desenhos, esquemas). O conjunto dessas linguagens é que ZH, os aspectos históricos do embate. Portanto, os temas são,
estabelece, em sintonia, a comunicação entre quem a emite e quase sempre, bem atuais. Trata-se, em verdade, de texto
seu destinatário. É o linguístico e o imagético presentificando um argumentativo, no qual o autor/emissor terá como objetivo
só fato. A linguagem verbal é o instrumento mais eficaz na convencer o leitor/receptor. Nessa medida, é idêntico à redação
comunicação que estabelecemos um com o outro e com nós escolar, tendo a mesma estrutura: introdução, desenvolvimento
mesmos. Ela organiza nosso pensamento, faz com que e conclusão.
possamos explicitá-los e nos acompanha em inúmeras
atividades que desenvolvemos ao longo de nossas vidas. A
humanidade tem veiculado, por intermédio da palavra, de Exemplo de Artigo
geração a geração, um volume enorme de conhecimentos,
comportamentos e valores que constituem a cultura das várias “Os nomes de quase todas as cidades que chegam ao fim deste
comunidades existentes. A linguagem verbal apresenta uma milênio como centros culturais importantes seriam familiares às
estrutura bastante complexa: além de representar todos os pessoas que viveram durante o final do século passado. O peso
objetos, permite a sua análise, caracterização e interligação com relativo de cada uma delas pode ter variado, mas as metrópoles
outros conceitos, num sistema amplo de relações. Linguagem que contam ainda são basicamente as mesmas: Paris, Nova
não verbal na comunicação diária, utilizamo-nos de meios que Iorque, Berlim, Roma, Madri, São Petesburgo.” (Nelson Archer
dispensam o uso da palavra. Nossos gestos e olhares são prova caderno Cidades, Folha de S. Paulo, 02/05/99)
disso. A maneira como nos vestimos e até como os portamos-
nos vários ambientes que frequentamos também comunica, a
quem nos observa, preferências e modos de vida. A mímica, a Os Editoriais
pintura, a música e a dança são artes que, em sua expressão,
prescindem da palavra. Hoje convivemos com freqüência cada Novamente, são opinativos, argumentativos e possuem
vez maior e mais intensamente com a linguagem visual. O aquela mesma estrutura. Todos os jornais e revistas têm esses
cinema, a televisão, os computadores, a fotografia, os veículos editoriais. Os principais diários do país produzem três textos
publicitários (outdoors, revistas) têm encontrado, nesse tipo de desse gênero. Geralmente um deles tratará de política; outro, de
linguagem, um instrumento de comunicação extremamente economia; um outro, de temas internacionais. A diferença em
eficaz, devido sobretudo à velocidade com que transmite as relação ao artigo é que o autor, o editorialista, não expressa sua
mensagens. Apesar disso, a palavra continua sendo um meio opinião, apenas serve de intermediário para revelar o ponto de
poderoso, capaz de traduzir, analisar e criticar qualquer outro vista da instituição, da empresa, do órgão de comunicação.
tipo de linguagem. Como pudemos ver, a interpretação de textos Muitas vezes, esses editoriais são produzidos por mais de um
é de fundamental importância para o candidato. profissional. O editorialista é, quase sempre, antigo na casa e,
obviamente, da confiança do dono da empresa de comunicação.
Os temas, por evidente, são a pauta do momento, os assuntos
Você já se perguntou por quê? da semana.

Há alguns anos, as provas de Português, nos principais


concursos do país, traziam uma frase, e dela faziam-se as As Notícias
questões. Eram enunciados soltos, sem conexão, tão ridículos
que lembravam muito aquelas frases das antigas cartilhas: "Ivo Aqui temos outro gênero, bem diverso. As notícias são
viu a uva". Os tempos são outros, e, dentro das modernas autorais, isto é, produzidas por um jornalista claramente
tendências do ensino de línguas, fica cada vez mais claro que o identificado na matéria. Possuem uma estrutura bem fechada, na
objetivo de ensinar as regras da gramática normativa é qual, no primeiro parágrafo (também chamado de lide), o autor
simplesmente o texto. Aprendem-se as regras do português deve responder às cinco perguntinhas básicas do jornalismo:
culto, erudito, a fim de melhorar a qualidade do texto, seja oral, Quem? Quando? Onde? Como? E por quê? Essa maneira de
seja escrito. Nesse sentido, todas as questões são extraídas de fazer texto atende a uma regra do jornalismo moderno: facilitar a
textos, escolhidos criteriosamente pelas bancas, em função da leitura. Se o leitor/receptor desejar mais informações sobre a
mensagem/conteúdo, em função da estrutura gramatical. notícia, que vá adiante no texto. Fato é que, lendo apenas o
Ocorrem casos de provas contextualizadas, em que todos os parágrafo inicial, terá as informações básicas do assunto. A
textos abordam o mesmo assunto, ou seja, provas grande diferença em relação ao artigo e ao editorial está no
monotemáticas. Dessa maneira, fica clara a importância do texto objetivo. O autor quer apenas "passar" a informação, quer dizer,
como objetivo último do aprendizado de língua. não busca convencer o leitor/receptor de nada. É aquele texto
que os jornalistas chamam de objetivo ou isento, despido de
subjetividade e de intencionalidade.
Quais são os textos escolhidos?

Textos retirados de revistas e de jornais de circulação Exemplo de Notícia


nacional têm a preferência. Portanto, o romance, a poesia e o
conto são quase que exclusividade das provas de Literatura (que “O juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente
também trabalham interpretação, por evidente). Assim, seria do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, negou-se a
interessante observar as características fundamentais desses responder ontem à CPI do judiciário todas as perguntas sobre
produtos da imprensa. sua evolução patrimonial. Ele invocou a Constituição para
permanecer calado sempre que era questionado sobre seus
bens ou sobre contas no exterior.” (Folha de S. Paulo, 05/05/99).
Os Artigos
As Crônicas

Apostilas Decisão 63 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Estamos diante da Literatura. Os cronistas não possuem diferenças de pronúncias, no emprego de palavras e outros
compromisso com a realidade objetiva. Eles retratam a realidade aspectos da língua. Hoje, ninguém escreve como fala, e nas
subjetiva. Dessa maneira, Rubem Braga, cronista, jornalista, sociedades letradas, aquelas que usam intensamente a escrita,
produziu, por exemplo, um texto abordando a flor que nasceu no estas pessoas tomam as regras estabelecidas para o sistema de
seu jardim. Não importa o mundo com suas tragédias escrita como padrões de correção de todas as formas
constantes, mas sim o universo interior do cronista, que nada lingüísticas. No meio dessas letras que o homem espalha por
mais é do que um fotógrafo de sua cidade. É interessante todos os lugares, há algo em comum. Existem dois tipos de
verificar que essas características fundamentais da crônica vão textos: o informativo e o ficcional.
desaparecendo com o tempo. Não há, por exemplo, um cronista
de Porto Alegre (talvez o último deles tenha sido Sérgio da Costa Informativo: quando se escreve sobre coisas que
Franco). Se observarmos o jornal Folha de S. Paulo, teremos, acontecem, como nas notícias que aparecem em
junto aos editoriais e a dois artigos sobre política ou economia, jornais, revistas e na Internet, bem como nas leis e
uma crônica de Carlos Heitor Cony, descolada da realidade, se bulas.
assim lhe aprouver (Cony, muitas vezes, produz artigos,
discutindo algo da realidade objetiva). O jornal busca, dessa Ficcional: quando se escreve histórias inventadas,
maneira, arejar essa página tão sisuda. A crônica é isso: uma como nos livros e gibis.
janela aberta ao mar. Vale lembrar que o jornalismo, ao seu
início, era confundido com Literatura. Um texto sobre um
assassinato, por exemplo, poderia começar assim:" Chovia Observe os dois casos práticos abaixo.
muito, e raios luminosos atiravam-se à terra. Num desses
clarões, uma faca surge das trevas..." Dá-se o nome de nariz de 1. Você escreve um recado para o amigo que senta ao seu lado
cera a essas matérias empoladas, muito comuns nos tempos na escola, inventando uma história:
heroicos do jornalismo. Sobre a crônica, há alguns dados "Estou namorando a Julieta".
interessantes. Considerada por muito tempo como gênero menor Que tipo de texto é esse? Ficcional. Tem gente que chama isso
da Literatura, nunca teve status ou maiores reconhecimentos por de mentira.
parte da crítica. Muitos autores famosos, romancistas, contistas
ou poetas, produziram excelentes crônicas, mas não são 2. Por outro lado, vamos supor que o bilhete é verdadeiro. Isto é,
conhecidos por isso. Carlos Drummond de Andrade é um belo você pediu a Julieta em namoro e ela respondeu "sim, Romeu!".
exemplo. Pela grandeza de sua poesia, o grande cronista do E agora você está louco para contar vantagem para o amigo da
cotidiano do Rio de Janeiro foi abafado. O mesmo pode-se falar carteira do lado. Se o bilhete diz "Estou namorando a Julieta",
de Olavo Bilac, que, no início do século passado, passou a neste caso é verdade, isso acontece mesmo. Então, esse bilhete
produzir crônicas num jornal carioca, em substituição a outro é um texto informativo. Isto quer dizer então que a história
grande escritor, Machado de Assis. Essa divisão dos textos da inventada é mentira? Digamos que é "de mentirinha". Alguém já
imprensa é didática e objetiva esclarecer um pouco mais o disse que a literatura é "a mentira que encanta". As histórias
vestibulando. No entanto, é importante assinalar que os autores inventadas saem da cabeça do escritor. O Sítio do Picapau
modernos fundem essa divisão, fazendo um trabalho misto. É o Amarelo, que Monteiro Lobato inventou, nunca existiu em lugar
caso de Luis Fernando Veríssimo, que ora trabalha uma crônica, nenhum que nossos olhos pudessem ver. O Sítio foi criado pela
com os personagens conversando em um bar, terminando por imaginação de Lobato e existe na imaginação de quem lê a
um artigo, no qual faz críticas ao poder central, por exemplo. história. Ou seja, o Sítio existe em outro mundo, que a gente não
Martha Medeiros, por seu turno, produz, muitas vezes, um artigo, vê: é o mundo da imaginação. “Texto é um tecido verbal
revelando a alma feminina. Em outros momentos, faz uma estruturado de tal modo que as ideias formam um todo coeso,
crônica sobre o quotidiano. uno, coerente. Todas as partes devem estar interligadas e
manifestar um direcionamento único. Assim, um fragmento que
trata de diversos assuntos não pode ser considerado texto. Da
Exemplo de Crônica mesma forma, se lhe falta coerência, se as ideias são
contraditorias, também não se constitui texto. Se os ele-mentos
“Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e da frase que possibilitam a transição de uma ideia para outra
encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele não estabelecem coesão entre as partes expostas, o fragmento
abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia não se configura um texto. Essas três qualidades unidade,
assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava coerência e coesão são essenciais par a existência de um
no mesmo: a crônica estava feita. Não tenho nem o engenho texto”. Vejase um exemplo apresentado por João Bosco
nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Medeiros, em “Português Instrumental”.: “O carnaval carioca é
Lagoa posso não ver melhor, mas vejo mais. Otto Maria uma beleza, mas mascara, com o seu luxo, a miséria social, o
Carpeaux não gostava do gênero "crônica", nem adiantava caos político, o desequilíbrio que se estabelece entre o morro e a
argumentar contra, dizer, por exemplo, que os cronistas, uns Sapucaí. Embora todos possam reconhecer os méritos de
pelos outros, escreviam bem. Carpeaux lembrava então que artistas plásticos que ali trabalham, o povo samba na avenida
escrever é verbo transitivo, pede objeto direto: escrever o quê? como herói de uma grande jornada. E acrescentese: há
Maldade do Carpeaux. (...) Nelson Rodrigues não tinha manifestação em prol de processos judiciais contra costumes
problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma que ofendem a moral e agridem a religiosidade popular. O
tarde, estacionei ilegalmente o SincaChambord na calçada do carnaval carioca, porque se afasta de sua tradição, está
jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente tornandose desgracioso, disforme, feio.” O trecho anterior é um
sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls fragmento que não se constitui texto. Faltalhe coerência entre a
Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade afirmativa inicial e a final. A oração subordinada que se inicia
do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com embora não apresenta coesão em relação à oração
com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. principal; não é possível entender o que o autor quis dizer com
Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem aquelas palavras. Como o texto senta várias informações, várias
assunto.” (Carlos Heitor Cony, Folha de S. Paulo, 02/01/98) direções: moral, política, social, religiosa, estática, acaba por não
constituir um todo. Não há completude, inteireza, unidade. Os
elementos estruturais do texto são: o saber partilhado, a
informação nova, as provas, a conclusão, o tema, a referência.
Notase que a variação é constitutiva das línguas humanas, Por saber partilhado entendese a informação antiga, do
ocorrendo em todos os níveis. A variação sempre existirá, no conhecimento da comunidade. De modo geral, o saber
Brasil há apenas uma língua nacional, e assim mesmo existe partilhado aparece na introdução, um local privilegiado para a
Apostilas Decisão 64 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
negociação com o leitor. Não é difícil admitir que a informação cruzamento das duas linguagens. Podemos classificar os textos,
que vai de “não é fácil escrever sobre seu próprio pai” até quanto a sua estrutura, em narrativo, descritivo e dissertativo.
“sentimental” pertence ao saber partilhado. O emissor-negocia Vejamos aqui as características de um texto dissertativo e seu
com o leitor, colocase num nível de entendimento, estabelece conceito.
um do, para, em seguida, expor informações novas. A
informação nova caracterizase como uma necessidade para a
existência do texto. Sem ela, não há razão para o emissor • O texto dissertativo, ou seja, a dissertação é uma explanação
escrever nada. Um texto só se configura texto quando veicula lógica de ideias. É um texto que analisa e interpreta dados da
uma informação que não era do conhecimento do leitor, ou que realidade por meio de conceitos abstratos.
não o era da forma como será exposta, o que implica,
naturalmente, matizes novos e, consequentemente, uma nova
maneira de ver os A informação nova não significa originalidade • O texto narrativo envolve uma dinamicidade que determina
total, absoluta. É análoga ao contrato que o leitor faz com o uma transformação nos fatos e nas personagens. Chamamos
ficcionista. Ninguém, ao ler “Dom Casmurro”, estará interessado isto de progressão narrativa. Para que a progressão narrativa
em saber se os acontecimentos relatados são reais, se houve aconteça é preciso que se entabule um conflito entre as
tempo e naquele espaço uma pessoa que se identificava com a personagens. Narração é a exposição escrita ou falada de um
personagem -do livro. O leitor entra em acordo com o narrador, fato. É um relato de acontecimentos em determinada seqüência,
admitindo como verossímeis os acontecimentos relatados. Da tendo como elementos integrantes:
mesma forma, o leitor de “Memórias de Brás Cubas” não
contesta a possibilidade de um defunto ser narrador. Aceita o a) As personagens,
fato e dá prosseguimento à leitura”. É sabido que, conforme a
perspectiva teórica que se adote, o mesmo objeto pode ser b) Os fatos,
concebido de maneiras diversas. O conceito de texto não foge a
regra. Antes de discutirmos sua estrutura é preciso saber o que c) O tempo,
é um texto. Segundo Ingidore Koch, o conceito de texto depende
das concepções que se tenha de língua e de sujeito. Na d) O espaço e
concepção de língua como representação do pensamento e de
sujeito como senhor absoluto de suas ações e de seu dizer, o e) O foco narrativo.
texto é visto como um produto lógico do pensamento
(representação mental) do autor, nada mais cabendo ao
leitor/ouvinte senão captar essa representação mental, • O texto descritivo é a exposição minuciosa de um fato; a
juntamente com as intenções (psicológicas) do produtor, representação das características de uma pessoa, de uma cena,
exercendo, pois, um papel essencialente passivo. Na concepção de um objeto ou de um processo. Para fazerse uma boa
de língua como código portanto, como mero instrumento de descrição, dois recursos são necessários: a particularização do
comunicação e de sujeito como (pré)determinado pelo sistema, espaço, apresentandose detalhadamente as características do
o texto é visto como simples produto da codificação de um ser ou objeto e a sensibilização dos sentidos, mobilizando as
emissor a ser decodificado pelo leitor/ouvinte, bastando a este, sensações olfativas, táteis, visuais, gustativas e auditivas. De
para tanto, o conhecimento do código, já que o texto, uma vez acordo com sua finalidade, podemos falar em dois tipos de
codificado, é totalmente explícito. Já na concepção interacional descrição:
(dialógica) da língua, afirma Koch, na qual os sujeitos são vistos
como atores/construtores sociais, o texto passa a ser a) técnica ou
considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores,
como sujeitos ativos que dialogicamente nele se constroem e b) literária.
são construídos. Desta forma, há lugar, no texto para toda gama
de implícitos, dos mais variados tipos, somente detectáveis
quando se tem, como pano de fundo, o contexto sociocognitivo O Conteúdo Literário de um Texto
dos participantes da interação. Ingidore adota ainda uma última
concepção na qual a compreensão deixa de ser entendida como Temse um conteúdo informativo quando se escreve sobre coisas
simples “captação” de uma representação mental ou como a que acontecem, como nas notícias que aparecem em jornais,
decodificação de mensagem resultante de uma codificação de revistas e na Internet, bem como nas leis e bulas.
um emissor. Ela é uma atividade interativa altamente complexa
de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com
base nos elementos lingüísticos presentes na superfície textual e Editorial
na sua forma de organização, mas que requer a mobilização de
um vasto conjunto de saberes (enciclopédia) e sua reconstrução O editorial é um artigo que exprime a opinião do órgão
deste no interior do evento comunicativo. O sentido de um texto jornalístico. Geralmente, é escrito pelo redatorchefe, possuindo
é construído na interação textosujeitos e não algo que preexista uma linguagem própria, e publicado com destaque na Segunda
a essa interação. Resumindo, texto é uma unidade lingüística ou terceira página do jornal ou da revista.
concreta, percebida pela audição (na fala) ou pela visão (na
escrita), que tem unidade de sentido e intencionalidade As características da linguagem são: ser formal,
comunicativa. Entretanto é possível notar que os enunciados padrão, objetiva, conceitual; por ser impessoal,
(falas) não são o único elemento responsável pelo sentido da empregase a terceira pessoa; quanto ao conteúdo, sua
interação lingüística. Além do texto, há na situação comunicativa, estrutura é dissertativa, organizada em tese
outros elementos que também auxiliam na construção do (apresentação sucinta de uma questão a ser discutida);
sentido, como os papéis sociais que os interlocutores desenvolvimento ( possuir argumento e
desempenham, a intenção do locutor, o conhecimento de mundo contraargumentos indispensáveis à discussão e à
do interlocutor, as circunstâncias históricas ou sociais em que se defesa do ponto de vista do jornal) e conclusão (síntese
dá a comunicação, etc. Um texto pode ser formado apenas pela das ideias anteriormente desenvolvidas) Além disso,
linguagem verbal (por exemplo, um poema, um romance), devese usar exemplos que ilustram o assunto em
apenas pela linguagem visual (um desenho, uma pintura), como questão. Possuir coerência entre o título e o conteúdo,
também pelas linguagens verbal e visual (uma história em não ter assinatura e expressa o ponto de vista do
quadrinhos, um filme). Quando há o emprego dos dois tipos de veículo ou da empresa responsável pela publicação.
linguagens, o sentido global do texto só se faz com o
Apostilas Decisão 65 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Desta forma, o editorial é um texto opinativo, cujas
ideias expressas contêm a visão de seus responsáveis. 2. Lead: Pequeno resumo que aparece depois do título, a fim de
chamar mais ainda a atenção do leitor.
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo
expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe de 3. Corpo: desenvolvimento do assunto abordado com linguagem
redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialidade ou direcionada ao públicoalvo!
objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam um espaço
predeterminado para os editoriais em duas ou mais colunas logo
nas primeiras páginas internas. Os boxes (quadros) dos Resenha
editoriais são normalmente demarcados com uma borda ou
tipografia diferente para marcar claramente que aquele texto é Resenha é uma produção textual, por meio da qual o autor faz
opinativo, e não informativo. Editoriais maiores e mais analíticos uma breve apreciação, e uma descrição a respeito de
são chamados de artigos de fundo. O profissional da redação acontecimentos culturais (como uma feira de livros, por exemplo)
encarregado de redigir os editoriais é chamado de editorialista. ou de obras (cinematográficas, musicais, teatrais ou literárias),
Na chamada "grande imprensa", os editoriais são apócrifos isto com o objetivo de apresentar o objeto (acontecimento ou obras),
é, nunca são assinados por ninguém em particular. A opinião de de forma sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor
um veículo, entretanto, não é expressada exclusivamente nos (ou espectador) a conhecer tal objeto na integra, ou não
editoriais, mas também na forma como organiza os assuntos (resenha crítica). Uma resenha deve conter uma análise e um
publicados, pela qualidade e quantidade que atribui a cada um julgamento (de verdade ou de valor). Uma resenha pode ser:
(no processo de Edição jornalística). Em casos em que as
próprias matérias do jornal são imbuídas de uma carga opinativa Descritiva: É o caso dos resumos de livros técnicos,
forte, mas não chegam a ser separados como editoriais, dizse também chamada de resenha técnica ou cientifica. A
que é Jornalismo de Opinião. apreciação, ou o julgamento em uma resenha descritiva
julga as ideias do autor, a consistência e a pertinência
de suas colocações, ao longo da descrição da obra, ou
Reportagem e Notícia seja, tratase de um julgamento de verdade.

A reportagem pode ser televisionada ou impressa! A reportagem Crítica ou Opinativa: Nesse tipo de resenha o
é um gênero de texto jornalístico que transmite uma informação conteúdo apresentado é um pouco mais detalhado do
por meio da televisão, rádio, revista. O objetivo da reportagem é que na resenha descritiva, pois os critérios de
levar os fatos ao leitor ou telespectador de maneira abrangente. julgamento são de valor, de beleza da forma, estilo do
Isso implica em um fator essencial a um jornalista: falar bem e objeto (acontecimento ou obra). A exploração um pouco
escrever bem. Se televisionada, a reportagem deve ser maior dos detalhes ocorre devido à necessidade de que
transmitida por um repórter que possui dicção pausada e clara e o autor da resenha fundamente suas críticas, sejam
linguagem direta, precisa e sem incoerências. Além de saber elas positivas ou negativas, utilizando outros autores
utilizar a entonação que dá vida às palavras, uma vez que que trabalharam o mesmo tema.
representa na fala os sinais de pontuação! Se impressa, a
reportagem deve demonstrar capacidade intelectual, criatividade,
sensibilidade quanto aos fatos e uma escrita coerente, que Antes da produção da resenha de um livro (por exemplo) devem
dinamiza a leitura e a torna fluente! Por estas questões, a ser seguidos os seguintes passos:
subjetividade está mais presente neste tipo de reportagem do
que no outro, apontado acima! Atualmente, com o Leitura e reflexão sobre o texto do qual será feito a
desenvolvimento dos softwares, os repórteres têm mais recursos resenha, sendo que muitas vezes são necessárias
visuais e gráficos disponíveis, o que chama a atenção para a leituras complementares para um melhor entendimento
notícia. Em meio aos fatos presenciados e que deverão ser do tema.
transmitidos, cada repórter tem seu estilo próprio de conduzir ou
de narrar os acontecimentos. Por isso, a reportagem pode ser a Resumo da obra, no qual deverão ficar clara as ideias
mesma, mas a maneira como é comunicada é diferente de um principais do autor. Este resumo será a base para a
profissional para outro! Para o leitor ou telespectador é ótimo, resenha, mas não ela.
pois ele poderá optar, por exemplo, por um jornal falado no qual
se identifique com o tipo de linguagem! Selecionar dentre as ideias principais, uma que será
destacada, e até aprofundada (no caso das resenhas
críticas).
Qual a diferença entre notícia e reportagem?
Emitir um julgamento de verdade (resenha descritiva)
A primeira informa fatos de maneira mais objetiva e aponta as ou de valor (resenha crítica), sendo necessária a
razões e efeitos. A segunda vai mais a fundo, faz investigações, fundamentação no caso da resenha crítica.
tece comentários, levanta questões, discute, argumenta. A
reportagem escrita é dividida em três partes: Elaborar a resenha a partir dos passos anteriores,
sendo que a organização do texto fica a critério do
1. Manchete autor.

2. Lead A resenha deve conter, ainda, uma brevíssima identificação do


autor da obra (vida e outras obras). Ao fim da resenha, o autor
3. Corpo. da mesma deve se identificar. Alguns autores indicam ainda
outro tipo de resenha, chamada pelos mesmos de resenhas
temáticas. Nesse caso, são apresentados vários textos e autores
1. Manchete: compreende o título da reportagem que tem como que falam sobre o mesmo tema, fazendo as devidas referências.
objetivo resumir o que será dito. Além disso, deve despertar o
interesse do leitor.
Crônica

Apostilas Decisão 66 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
Crônica é um gênero literário produzido essencialmente para ser Crônica Narrativa: Tem por eixo uma história, o que a
veiculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja aproxima do conto. Pode ser narrado tanto na 1ª quanto
nas páginas de um jornal. Quer dizer, ela é feita com uma na 3ª pessoa do singular. Texto lírico (poético, mesmo
finalidade utilitária e prédeterminada: agradar aos leitores dentro em prosa). Comprometido com fatos cotidianos
de um espaço sempre igual e com a mesma localização, (“banais”, comuns).
criandose assim, no transcurso dos dias ou das semanas, uma
familiaridade entre o escritor e aqueles que o lêem. Crônica Dissertativa: Opinião explícita, com
argumentos mais “sentimentalistas” do que “racionais”
(em vez de “segundo o IBGE a mortalidade infantil
Características aumenta no Brasil”, seria “vejo mais uma vez esses
pequenos seres não alimentarem sequer o corpo”).
A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser Exposto tanto na 1ª pessoa do singular quanto na do
publicado no jornal. Assim o facto de ser publicada no jornal já plural.
lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguemse
muitas outras nas próximas edições. Há semelhanças entre a Crônica NarrativoDescritiva: É quando uma crônica
crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o explora a caracterização de seres, descrevendoos. E,
repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que ao mesmo tempo mostra fatos cotidianos ("banais",
constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que comuns) no qual pode ser narrado em 1ª ou na 3ª
distinguem um texto do outro. Após cercarse desses pessoa do singular.
acontecimentos diários, o cronista dálhes um toque próprio,
incluindo em seu texto elementos como ficção, fantasia e Crônica Humorística: Apresenta uma visão irônica ou
criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não cômica dos fatos.
contém. Com base nisso, podese dizer que a crônica situase
entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser Crônica Lírica: Linguagem poética e metafórica.
considerado o poeta dos acontecimentos do diaadia. A crônica, Expressa o estado do espírito, as emoções do cronista
na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira diante de um fato de uma pessoa ou fenômeno.No geral
pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. as emoções do escritor.
Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente
pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista. Ao Crônica Poética: Apresenta versos poéticos em forma
desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em de crônica.
seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de
mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de Crônica Jornalistica: Apresentação de aspectos
compreender os acontecimentos que o cercam. Geralmente, as particulares de noticias ou fatos. Pode ser policial,
crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada esportiva ou política.
entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para
que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando Crônica Histórica: Baseada em facto reais, ou factos
o portavoz daquele que lê. Em resumo, podemos determinar históricos
cinco pontos:

• Narração histórica pela ordem do tempo em que se deram Carta


os fatos.
Nos últimos concursos do país, além dos textos mais comuns
• Seção ou artigo especial sobre literatura, assuntos (narração, descrição e dissertação) novos textos vêm sendo
científicos, esporte etc., em jornal ou outro periódico. propostos. Um deles é a carta. Esse é um tipo de texto que se
caracteriza por envolver um remetente e um destinatário. É
• Pequeno conto baseado em algo do cotidiano. normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre visa um tipo
de leitor. É necessário que se utilize uma linguagem adequada
• Normalmente possuiu uma crítica indireta. com o tipo de destinatário e que durante a carta não se perca a
visão daquele para quem o texto está sendo escrito.
• Muitas vezes a crônica vem escrita em tom humorístico. Dependendo do leitor há até mesmo tratamentos específicos, no
Exemplos de autores deste tipo de crônica são Fernando caso de autoridades como o papa (Vossa Santidade), o juiz, o
Sabino, Helyda Rezende, Leon Eliachar. presidente, entre outros. Há algumas características que
marcam esse tipo de texto:

Origem Local e Data

A palavra crônica deriva do Latim chronica que significava, no Destinatário


início da era cristã, o relato de acontecimentos em ordem
cronológica (a narração de histórias segundo a ordem em que se Saudação
sucedem no tempo). Era, portanto, um breve registro de eventos.
No século XIX, com o desenvolvimento da imprensa, a crônica Interlocução com o destinatário
passou a fazer parte dos jornais. Ela apareceu pela primeira vez
em 1799, no Journal de Débats, publicado em Paris. Despedida

Tipos de Crônica Obs: Esses itens estão na ordem em que devem aparecer.

Crônica Descritiva: Ocorre quando uma crônica No caso dos concursos há um tipo de carta comumente
explora a caracterização de seres animados e sugerido: a carta argumentativa. Sobre esse tipo de texto
inanimados num espaço, viva como uma pintura, destacaremos algumas “regras” que ajudaram na composição da
precisa como uma fotografia ou dinâmica como um mesma.
filme publicado.
Adequação ao tema: Como são argumentativas devem
Apostilas Decisão 67 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
sustentar uma tese e defendêla, de modo a persuadir Atenciosamente,
seu interlocutor a concordar com os argumentos
utilizados. Além disso, é bom que traga também dados,
fatos, exemplos, etc., que possam auxiliar o processo Amélia Sousa
de convencimento do leitor e atestar a veracidade e Gerente comercial
coerência das opiniões expostas.

Adequação ao tipo de texto: A carta deve obedecer Artigo de Opinião


às mesmas características das outras cartas, as quais
já foram citadas. Precisam ser coesas e coerentes, É comum encontrarmos circulando no rádio, na TV, nas
construindo um texto, e as informações não devem ser revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição
repetidas, ao invés disso é adequado utilizar citações por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso o autor
ou opiniões de outros autores, explorando em geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o tema em
profundidade essas opiniões. É indispensável que questão através do artigo de opinião. É importante estar
sejam objetivas e analíticas, fazendo observações preparado para produzir este tipo de texto, pois em algum
inteligentes e fundamentadas, sempre criando relações momento e/ou circunstância poderá surgir oportunidades ou
entre os argumentos. necessidades de expor ideias pessoais através da escrita. Nos
gêneros argumentativos em geral, o autor tem a intenção de
Adequação à norma da língua portuguesa: Deve convencer seus interlocutores e para isso precisa apresentar
obedecer, assim como os demais textos, às regras de bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. O
sintaxe, paragrafação, grafia, concordância, regência artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do
(nominal e verbal), colocação pronominal, pontuação e autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar. A partir da
regras de coerência e coesão. leitura de diferentes textos, o escritor poderá conhecer vários
pontos de vista sobre um determinado assunto. Para produzir
O que diferencia a carta argumentativa das demais cartas é o um bom artigo de opinião é aconselhável seguir algumas
compromisso que ela assume com o convencimento do orientações.
interlocutor, e o que a diferencia de uma simples dissertação Observe:
argumentativa é que esta é dirigida a um interlocutor universal,
enquanto aquela é dirigida a um interlocutor previamente a) Após a leitura de vários pontos de vista, anote num
especificado. Este fato torna mais fácil o processo de papel os argumentos que achou melhor, eles podem ser
argumentação, já que eu conheço o leitor da minha carta, e úteis para fundamentar o ponto de vista que você irá
assim posso prever os questionamentos e interesses desenvolver.
possivelmente vindos dele. É importante que se saiba que o foco
da carta é a persuasão do destinatário. Conhecendoo podemos b) Ao compor seu texto, leve em consideração o
fundamentar melhor os argumentos a serem utilizados e interlocutor: quem irá ler sua produção. A linguagem
adequálos à realidade daquele público. deve ser adequada ao gênero e ao perfil do público
leitor.
Modelo de Carta Comercial
c) Escolha os argumentos, entre os que anotou, que
podem fundamentar a ideia principal do texto de modo
Loja da Maria mais consciente e desenvolvaos.

Maria e Cia. Ltda. d) Pense num enunciado capaz de expressar a ideia


Comércio de utensílios principal que pretende defender.
Av. João, 1000
Goiânia GO e) Pense na melhor forma possível de concluir seu
texto: retome o que foi exposto, ou confirme a ideia
principal, ou faça uma citação de algum escritor ou
Goiânia, 03 de março de 2008.
alguém importante na área relativa ao tema debatido.

Ao diretor f) Crie um título que desperte o interesse e a


Joaquim Silva curiosidade do leitor.
Rua das Amendoeiras, 600
Belo Horizonte MG g) Formate seu texto em colunas e coloque entre elas
uma chamada (um importante e pequeno trecho do seu
Prezado Senhor: texto)

h) Após o término, releia seu texto observando se nele


Confirmamos ter recebido uma reivindicação de você se posiciona claramente sobre o tema; se a ideia é
depósito no valor três mil reais referente ao mês de fundamentada em argumentos fortes e se estão bem
fevereiro. Informamolhe que o referido valor foi desenvolvidos; se a linguagem está adequada ao
depositado no dia 1º de março, na agência 0003, conta gênero; se o texto apresenta título e se é convidativo e
corrente 3225, Banco dos empresários. Por favor, por fim observe se o texto como um todo é persuasivo.
pedimos que o Sr. verifique o extrato e nos comunique o Reescrevao se necessário.
pagamento. Pedimos escusas por não termos feito o
depósito anteriormente, mas não tínhamos ainda a nova
conta bancária.
Relatórios

Nada mais havendo, reafirmamos os nossos Um relatório configurase como a exposição objetiva, informativa
protestos de elevada estima e consideração. e apresentável de resultados referentes atividades variadas.

Estrutura Interna
Apostilas Decisão 68 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
das provas para impressão. E acrescenta: “Compreendemos que
Este documento deverá conter em sua estrutura um título, este serviço pode ser realizado como atividade de extensão,
sintético e objetivo, dando uma ideia do todo; o objeto de com carga de 20 horas semanais”. Considerando a importância
trabalho e a delimitação, mencionando tanto os pontos da participação da professora Maria da Silva dentro do projeto
abordados quanto aqueles que foram preteridos. Acompanhando global que o professor Paulo Votto pretende desenvolver para
estes elementos virão as referências de consultas que foram otimizar o trabalho da Editora da FURG e a perfeita adequação
utilizadas para elaborar o relatório; um texto principal, contendo do projeto em apreciação a Resolução nº44/CEPE/96 que
observações, dados, números e, por último, as conclusões e as regulamenta as atividades de extensão, recomendamos ao
sugestões para que providências sejam tomadas no sentido de colegiado que aprove o projeto em pauta. Rio Grande, 12 de
resolver alguma questão apontada. É importante evidenciar que maio de 2004.
o relatório deve ser escrito, datilografado, mimeografado ou
digitado em apenas uma das partes do papel, cujo formato, Cecília Meireles
preferencialmente, seja de 21 x 29,7cm, ABNT. Relatora

Vejamos um exemplo: Ofício

Um ofício é um documento utilizado por órgãos do governo ou


RELATÓRIO DA SUBSTITUIÇÃO DO PREFEITO EM PORTO autarquias para correspondência externa e que tem por
DE GALINHAS finalidade tratar de assuntos oficiais.

Em cumprimento às ordens legais da Constituição Brasileira,


substitui o Prefeito de Porto de Galinhas Dr. Paulo Pinto, no dia Estrutura Interna:
24 de maio de 2004, efetuando às seguinte medidas:
1. Fornecimento de incentivos financeiros aos pescadores para Um ofício deve conter em sua estrutura um timbre representado
que comprem um caminhão frigorífico. por um símbolo e o nome da unidade impressa no alto da folha e
2. Pagamento dos funcionários públicos. a numeração, dentro do ano, que o ofício recebe, em ordem
É o meu relatório. cronológica de feitura, seguido da sigla de indicação do órgão
Porto de Galinhas, 21 de maio de 2004 eminente. Este, por sua vez, fazse anteceder o nome da
correspondência escrito por extenso ou abreviado.
Patrícia Silva Acompanhando estes elementos virá o local e data (dia, mês e
ano) que devem ser escritos a sete espaços duplos ou a 6,5cm.
da borda superior. O mês é escrito por extenso. Entre o espaço
e a centena se deixa um algarismo do ano, deve ser feito o
Parecer ponto final e o término da data deve coincidir com a margem
direita, que é de cinco espaços duplos ou de 5cm. A seguir virá o
O parecer constituise em um texto formado a partir do resultado vocativo que deve ser escrito a dez espaços duplos ou 10cm da
borda superior, na linha do parágrafo, a dez espaços ou 2,5cm
de análises relativas a determinado projeto, ato ou relatório
da margem e, por fim, um texto, em forma de parágrafo expondo
técnico, pertencente a um processo para o qual aponte uma
solução favorável ou contrária, justificada através de dispositivos o assunto, que iniciase a 1,5cm do vocativo. Os parágrafos são
legais e informações. enumerados rente a margem, com exceção do 1º e do fecho. A
apresentação do ofício é feita no primeiro parágrafo, no decorrer
do texto apreciase e se ilustra o assunto com os devidos
Estrutura Interna esclarecimentos e informações pertinentes. Na conclusão se faz
a reafirmação da posição recomendada pelo emitente do ofício
sobre o assunto. Quanto ao fecho este deve estar localizado a
Este documento deve ser confeccionado de maneira que
um espaço duplo (ou 1cm) do último parágrafo do texto,
contenha um timbre escrito em caixa alta e centrado na folha;
centrado à direita e seguido de vírgula. Seguindo este elemento
uma ementa traduzindo o assunto; uma síntese histórica do
caso, relatório, projeto de que trata o parecer. Seguindo estes virá o nome do signatário datilografado em maiúsculas, do cargo
elementos virá a apreciação que consiste num trecho do parecer só com as iniciais maiúsculas, escritas sob o nome, a assinatura
que deverá ser feita imediatamente acima do nome. Estes dados
em que o redator argumenta em relação à validade e
devem estar centralizados à direita na direção vertical da fecho,
importância do objeto em análise; a informação sobre a
legislação que ampara o tema do parecer. E por último, o a três espaços duplos ou 2,5cm. deste . A identificação do
encerramento, dado através da expressão formal que traduz a destinatário deverá conter um pronome de tratamento, acima da
designação da função exercida pelo mesmo, seguido do nome
posição favorável ou não, sobre o assunto analisado, a data
deste e, após, o endereço. Caso o ofício seja constituído por
grafada em continuação do texto ou em linha nova e parágrafo e
a assinatura localizada ao lado ou sob a assinatura de cada mais de uma folha, o endereço do destinatário deve constar da
membro. Segue abaixo um exemplo: primeira. Na diagramação dos dados, o último deve estar a dois
espaços duplos ou 2cm. da borda inferior do papel, e todas as
linhas devem coincidir com o texto, rentes a margem esquerda.
Entre os parágrafos do ofício deve ser deixado um espaço duplo
PARECER
ou 1cm. O espaço entre as linhas também é duplo; nas
transcrições e citações é um ou um e meio; estes,
Trata o seguinte processo da solicitação da professora Maria da preferencialmente, devem vir salientados por aspas e, se
Silva, aprovado pelo colegiado do DLA, que tem como proposta ultrapassarem cinco linhas, devem distar cinco espaços da
executar um projeto de extensão junto à Editora da FURG, margem esquerda. Se o ofício tem por objetivo transmitir um
dispondose a prestar serviço de assessoria através da revisão assunto do interesse de diversos setores, é necessário que
de textos originais, nos semestres 97/02 e 98/02, dedicando 12 sejam tiradas tantas cópias forem preciso. Nesse caso, o ofício
horas semanais ao mesmo. Constam do Processo a solicitação passará a se chamar de ofício circular, grafado com inicial
da professora, com a alteração da carga horária, o projeto de maiúscula, antes do número de ordem.
extensão, em seu formulário próprio, e ofício do professor Paulo
Cintra, diretor da Editora da FURG e membro deste colegiado,
através do qual convida a professora Lúcia Flores a colaborar no Vejamos um exemplo:
trabalho de revisão de originais e, em alguns casos, revisão final

Apostilas Decisão 69 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA
especificamente textos curtos, publicados no periódico
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO CARLOS Francesoir. Santos não polemiza o assunto, dando como certa a
UNIÃO CÍVICA FEMININA aplicação do modelo nas tiras humorísticas. A “convicção” de
SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Santos encontra reforço em obra de Cagnin (1975) que, apesar
GABINETE DA PRESIDENTE de publicada há três décadas, ainda conserva sua grande
relevância. O autor não cita Morin, mas se aproxima muito do
OF. GAB. Nº 43/2003 São Carlos, 17 de maio de 2004 que a autora escreveu. Cagnin vê três funções narrativas nas
histórias em quadrinhos de humor: uma situação inicial; um
Senhor Governador elemento que muda o curso da narrativa; uma disjunção
provocada pelo elemento anterior. O resultado da mudança de
A União Cívica Feminina de São Carlos cumprimenta curso na história surpreenderia a expectativa inicial do leitor,
prazerosamente Vossa Excelência e agradece a honra de sua provocando em seu desfecho uma função narrativa anormal,
visita. fonte do riso. Como vemos, há muitas aproximações possíveis.
A entidade, eterna vigilante das atitudes e ações cívicas de Entendemos que Santos, Morin e Cagnin usam estradas teóricas
nossa comunidade e de seus representantes, vem solicitar uma distintas, que encontram morada num mesmo ponto. Mudamse
verba para poder atender aos diferentes programas sociais que os termos e os caminhos; conservamse as ideias semelhantes.
desenvolve. Nosso atendimento, que abrange os mais diversos Semelhança vista também com relação a Possenti e Gil, o que
setores carentes de São Carlos, é amplamente conhecido e autoriza o questionamento: a tira humorística é uma forma
elogiado pela comunidade sãocarlense. O produto auferido pelas diferente de se contar piadas?
contribuições de seus associados, não é suficiente para
continuar mantendo nossas obras assistenciais.
Confiando no criterioso senso de Vossa Excelência para atender Analisando casos
nosso pedido, esperamos poder contar com sua generosa
colaboração. Propomos a análise de quatro tiras. Primeira:

Antecipadamente agradecidas, subscrevemonos,

ALINE ALESSANDRA FORMENTON


Presidente

Exmo. Sr
Doutor Geraldo Alkmin
D.D. Governador do Estado
São Paulo

A tira é uma das muitas criações do escritor Luiz Fernando


Veríssimo, que, no exemplo, também responde pelos desenhos.
Tirinha Tratase de uma narrativa curta, desenvolvida em três quadros.
Ao leitor, é exigido o conhecimento prévio de que os
As histórias em quadrinhos são definidas por Santos (2002) protagonistas são duas cobras, caracterizadas de forma caricata.
como uma forma de comunicação visual impressa que se soma O humor é gerado com o auxílio dos diálogos, mais
a elementos verbais para compor uma narrativa. Pode ser especificamente pela inferência sugerida no último quadrinho:
publicada de diversas maneiras, entre elas em formato de tiras, alguém deve se sentir como o personagem, já que ele se sente
como vemos diariamente nos cadernos de cultura dos principais como outra pessoa. O desfecho inesperado é o que provoca o
jornais do país. Especificamente sobre as tiras, Santos entende efeito de humor. O que reforça a ideia de que a história
que elas podem ser apresentadas de duas formas. Primeira: surpreende em seu final é a expressão facial da outra cobra,
como trecho de uma narrativa maior, em que apenas uma parte sugerindo ao leitor um ar de desdém. No caso da figura 1, a
da história é apresentada ao leitor. O funcionamento seria fonte de comicidade reside mais nos elementos verbais. O
parecido com o de uma novela de televisão, em que o aspecto visual, embora importante, é tido como complementar.
telespectador vivencia em doses diárias uma história mais longa. Outro caso parecido: Figura 2.
Nas tiras, a cada dia, o leitor lê um pedaço da aventura (servem
de exemplo personagens como Mandrake, Fantasma e outros).
Em geral, não tem cunho cômico. A segunda forma e é a que
nos interessa é a tira humorística, como foi chamada pelo autor.
Seria uma história que apresenta uma gag, termo entendido por
Santos como uma piada diária (dado que, na maioria dos casos,
é publicada diariamente pelos jornais). Para explicar esse tipo de
tira, valese de texto de Morin (1973). A autora européia abordava
textos de humor, ou historietas cômicas, como foi traduzido para
o português.

Tais produções teriam em comum três funções: a de Novamente, narrativa curta, diálogos somados a elementos
normalização apresentava os personagens, a locutora de visuais, necessidade de conhecimento prévio. O leitor tem de
deflagração colocaria o problema a ser resolvido e a saber que os personagens são Mônica e Cebolinha, e que
interlocutora de distinção se encarregaria de transitar a narrativa Cebolinha troca os erres pelos eles. Daí “polta”, e não “porta”.
vigente de um modo sério para o modo cômico. A mudança de Neste exemplo, a graça surge pelo duplo sentido da palavra
um modo para outro seria feita por meio de um elemento “batido”, depreendido contextualmente. A história conduz para o
disjuntor, que se encarregaria de proporcionar um desfecho sentido de que a personagem de Maurício de Sousa deveria ter
"absurdo" o suficiente para causar humor no interlocutor. O acusado sua presença dando batidas na porta, já que a
modelo de Morin vai ao encontro dos trabalhos de Possenti e, campainha não funcionava. A surpresa está na outra leitura,
em especial, de Gil. Podese supor que o elemento disjuntor tem autorizada pelo último quadrinho (“Oras! Ela não me fez nada!”):
a mesma aplicação e características do elemento mediador, de por que bater (na acepção de agredir) na porta, já que ela, a
Gil. Fica a ressalva de que o trabalho de Morin abordava porta, não havia feito mal algum. Aceitase tal interpretação
Apostilas Decisão 70 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
admitindo como possível o fato de que uma porta pudesse interesse e/ou de preparo dos profissionais da área (professores)
proporcionar dano a alguém. Outra vez, a explicação se ancora que, sem salários dignos, não conseguem manter seu
em elementos lingüísticos, colocando o visual num segundo aperfeiçoamento contínuo. Alguns acreditam que o hábito da
plano. Nem sempre funciona assim. Há tiras em que o aspecto leitura se dá desde o nascimento (leitura de mundo) e que um
visual sobrepõese ao verbal. dos aspectos importantes a serem analisados em assíduos e
bons leitores é o fato de terem contato com os livros desde a
Como neste exemplo: infância, sempre incentivados pelos pais. Existe uma infinidade
de estudos que analisam livros, poesias, crônicas, contos e
outros tipos de textos como objeto simbólico de pesquisa em
áreas diferentes da Lingüística. Particularmente, no caso da
charge, não é freqüente o trato com esta tipologia textual,
embora ela contenha os elementos essenciais para ser
considerada enquanto processo de comunicação (texto),
podendo ser verificada em suas formações discursivas, dentro
de um contexto sóciohistóricoideológico. Na leitura de charges
pode-se aplicar, como diz Koch, a “metáfora do iceberg: como
este todo texto possui apenas uma pequena superfície exposta e
uma imensa área imersa subjacente”. Portanto, a partir disso, o
A frase no canto esquerdo superior (”Nem sempre peixes soltam que interessará é desvendar “um jogo de linguagem”, ou seja, a
bolhas de ar”) dá as condições para que o leitor depreenda o heterogeneidade da charge, tudo que ela suporta explícita ou
humor. A fonte da comicidade, no entanto, está na leitura visual implicitamente, o que ela fala ou deixa de falar. Inicialmente a
e na inferência que ela permite: peixes se afastam porque um justificativa para a análise da charge é sustentada pelo fato de
deles, ao invés de soltar bolhas de ar, solta gases. O sorriso pode ser considerada texto, conforme Koch (1995), pois “... texto
irônico do peixe ao centro reforça tal interpretação, igualmente é resultado da atividade verbal de indivíduos socialmente
inesperada. Vale mencionar que esta narrativa resolvese com atuantes, na qual estes coordenam suas ações no intuito de
um quadro só e sem diálogos, além de que tem como elemento alcançar um fim social, em conformidade com as condições sob
mediador ou disjuntor um recurso visual, e não linguístico, como as quais a atividade verbal se realiza” e, ainda, “Um texto passa
nos casos anteriores. Há casos em que os elementos visual e a existir no momento em que parceiros de uma atividade
verbal trabalham de forma mais harmoniosa, sendo ambos comunicativa global, diante de uma manifestação lingüística,
igualmente relevantes. pela atuação conjunta de uma complexa rede de fatores de
ordem situacional, cognitiva, sociocultural e interacional, são
Vejamos: capazes de construir, para ela, determinado sentido.” Essa
abordagem inicial vai ao encontro da proposta de Orlandi (1998),
que vê a interpretação como uma das formas de ligar a língua e
a história na produção de sentidos, sem esquecer de situar a
ideologia como parte do funcionamento da interpretação. No
caso da charge, esta foi escrita em determinado contexto
históricosocial e, possivelmente, pode revelarse em sua
discursividade. Vista deste ângulo, a análise da charge supõe a
leitura da imagem e da escrita. Partindo da visão de que texto é
construção de sentidos, a charge pode ser considerada um
texto? Por ser o objeto que alia o verbal ao nãoverbal, teremos
“Basta ensinar o truque certo” traz uma quebra de expectativa:
como ponto de partida o fato de ser o texto a unidade de
ao invés de ser um truque artístico, o truque é o fato de os
sentidos em construção e não aqueles que estão ali previamente
macacos roubarem a carteira do espectador. Percebese tal
automatizados, prontos e construídos. Não tomemos o texto
interpretação com o auxílio do elemento visual, no último quadro,
somente como o que está escrito no papel ou como o objeto de
quando o macaco tira a carteira do homem mais alto. Há um
estudo gramatical, mas aquilo que se forma ao logo da leitura: a
duplo sentido sugerido pela palavra "truque", compreendido
“construção de sentidos”. No caso a charge seria o texto que
apenas com a leitura da imagem.
utiliza o verbal e o nãoverbal na construção de sentidos.

Charge O Processo de Apreensão de Sentidos nas Charges

Uma Charge é um Texto? Nesta fase do trabalho, feita a sondagem da turma, o debate
e reflexão sobre o assunto das charges, serão observadas
Podese constatar que em provas de vestibulares, marcas textuais como coerência, coesão, ironia, intencionalidade
principalmente na área de redação, várias instituições de ensino e outros em sua relação. A partir da experiência leitora, a
utilizam os textos nãoverbais como subsídio a mais para o abordagem de tais recursos textuais será relatada conforme a
debate de determinados temas, polêmicos ou não, funcionando experiência feita com os discentes do ensino médio
como um objeto concreto para a produção textual. Além disso, selecionados.
estes “pequenos grandes” textos são atração a parte em revistas
e jornais diariamente. Quem não abriu o jornal no final de
semana e se deteve, nem que por alguns momentos, na leitura A Coerência
de tiras, quadrinhos e/ou charges? A imagem visual da charge,
através de um processo interno de leitura e análise parece dizer A incoerência textual se dá quando o receptor não consegue
e exigir algo a mais ao/do leitor. Professores, historiadores, perceber qualquer continuidade no sentido e arrisca uma opinião
filósofos, psicólogos e outros estão, mais que em outros tempos, desfocada, ou mesmo não entende a quebra dos sentidos. No
preocupados em esclarecer os problemas e dar soluções para caso das charges estudadas (Figuras 2 e 3), podemos perceber
os possíveis motivos de nãocriticidade na escola. O que durante pistas. Primeiramente percebese a presença de figuras
anos ficou restrito a pesquisadores e estudiosos das áreas da específicas e logo partese para a leitura de falas ou de outras
linguagem, hoje é de interesse geral. Muitos se habilitam a falar marcas presentes. Alguns destes textos apresentam somente as
que o problema da leitura está na precária condição ilustrações dispensando a parte verbal, mas, neste caso, as
sócioeconômica das pessoas; outros dizem haver falta de charges em questão apresentam tanto uma parte verbal quanto
Apostilas Decisão 71 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
uma nãoverbal complementares no sentido o que dá certa censura. Koch (2003, p. 20) comenta que A pretensa
coerência ou deslizamento de sentidos. No caso, a figura mostra neutralidade de alguns discursos (o científico, o didático, entre
concretamente ações, atitudes, expressões, gestos que auxiliam outros) é apenas uma máscara, uma forma de representação
na produção de determinados sentidos. A parte escrita explica o (teatral): o locutor se representa no texto “como se” fosse neutro,
que está ocorrendo e dá uma “pitada de pimenta” ao texto, pois “como se” não tivesse engajado, comprometido, “como se” não
além de ser um objeto de análise temporal, utiliza muito humor, estivesse tentando orientar o outro para determinadas
sátira e/ou ironia. Portanto, existe coerência na charge se ela conclusões, no sentido de obter dele determinados
tiver os elementos que façam com que o leitor descubra sentidos comportamentos e reações. Entretanto, essa carga de sutilizas é
possíveis em sua leitura, mas nem sempre eles apresentarão a percebida através da competência do leitor. Em alguns instantes
apreensão de sentidos mesmos ou na mesma ordem, isso pode ficar clara a intenção não só do chargista, mas do
depende de experiências leitoras, de mundo e as próprias personagem da charge. Eis aqui o poder da linguagem. O
vivências de cada um. Neste sentido o encaminhamento que o homem cria formas de se comunicar com os semelhantes seja
leitor dá a interpretação do texto que não precisa ter apelando para a visão, tato, gustação ou audição. Depende em
necessariamente coerente, pois estamos diante de um processo muito do que o leitor vai entender da charge, que sentidos vai
de antecipação de sentidos e estes podem sempre ser outros. O construir, onde ou até onde ele vai chegar? Se por um lado
importante aqui é fazer com que os alunos percebam os existe a intencionalidade, na sua contraparte existe a
elementos constitutivos de uma charge na maioria dos casos aceitabilidade. Ou seja, quando duas pessoas se comunicam
(ilustrações e escrita) e que uma faz com que a outra tome existe um esforço de ambas para se fazer entender, portanto,
corpo, que tenha significação. Ficaria fácil demonstrar esse procuram “calcular” os sentidos do texto, partindo de pistas que
fenômeno se o leitor apenas olhasse para as figuras e fizesse ativem seu conhecimento de mundo, de situação. Assim, mesmo
sua leitura sem a parte escrita e viceversa. Como seria sua que um texto se apresente incoerente, aos poucos os elementos
interpretação do texto desta forma? Talvez faltassem alguns de coesão vão auxiliando para uma interpretação cabível para
dados essenciais para que o assunto fosse abordado da mesma que se construa a textualidade. O leitor é orientado para uma
forma, pois se testarmos com a figura 2, o aluno veria apenas a determinada conclusão. A intencionalidade na charge também
cena de um bandido apontando o dedo para um policial. Com a está relacionada a um fato social de determinada época ou
escrita inserida existe a constatação de que o bandido está tempo. É um texto temporal, que pode não ser compreendido de
repreendendo o policial pelo uso de arma de fogo. Por vezes a um ano para outro. Corre o risco de ser esquecido de uma hora
charge pode trazer o inesperado como a mudança de foco, um para outra. O que parece interessar é a crítica, é a oportunidade
gesto diferente que faz a interpretação tomar outro rumo, mas de fazer o leitor pensar e repensar a situação e, quem sabe, a
isso depende da intenção do chargista. sua vida.

Figura 2
A Coesão

Ao ler/analisar uma charge, verificamos que a escrita está


vinculada a imagem, em muitos casos. Uma é dependente da
outra. Podese dizer que a imagem não sobreviveria sem a
escrita e viceversa. Isso depende do material, não é regra.
Talvez, para alguns leitores, os sentidos poderão estão ali e não
causam nenhuma surpresa. Para outro leitor que não tem as
mesmas experiências leitoras do primeiro pode ser mais
trabalhoso. A leitura de charges depende em muito do universo
em que o leitor está inserido, suas experiências de mundo,
leituras, pensamentos, sentimentos,... Nas charges das figuras 2
e 3, quem sabe, não existiria a mesma leitura se não estivesse
ali a escrita indicando parte da construção de sentidos. Se não
estivesse posta ali a figura, a leitura poderia se dirigir a outro
enfoque. Portanto, coesão é a relação de dependência entre as
imagens e a escrita em determinadas charges. É uma
dependência para o/os sentido(s), para que a interpretação se
mantenha. É como se o chargista quisesse encaminhar o leitor.
São os mínimos detalhes que mantém o leitor ligado em
determinadas ideias e não em outras. São os detalhes do
Figura 3
desenho e da escrita que dão uniformidade ao texto. Ele
relaciona as partes e tem um todo organizado de sentido quando
da sua compreensão.

A Intencionalidade

Kleiman (2000, p.92) reflete em torno da interação em um


texto como sendo a atribuição de intencionalidade: “Processar
um texto é perceber o exterior, as diferenças individuais
superficiais, perceber a intenção, ou seja, atribuir uma intenção
ao autor é chegar ao íntimo, à personalidade através da
interação. É uma abstração que se fundamenta nas outras”.
Com isso percebese que, em uma charge, esse processo se dá
desde a escolha dos personagens ou elementos até a
verbalização de determinados pontos de expressão. Na charge a
intencionalidade certamente é alvo do chargista e do leitor.
Sempre que nos deparamos com esse tipo de texto nos
perguntamos “O que ele quis dizer com isso?”. Isso significa
dizer que esse texto não é neutro e não se preocupa com a
Apostilas Decisão 72 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
Pinturas e Placas escolha das ideias, e das palavras que as expressarão, pois, por
falarmos com grupos, não iremos nos arriscar a ofender as
No caso de pinturas em muros, paredes, placas, o ideal é que se suscetibilidades individuais de quem quer que seja, por mínima
use um texto simples, com a linguagem simplificada, onde todos que possa parecer esta ofensa.
consigam entender.
Informativo: É evidente que tudo depende das circunstâncias,
do briefing específico, mas não poderemos jamais relegar para
segundo plano o caráter informativo que o anúncio deve ter
sobre características e virtudes do produto. Se o produto tem
algum ingrediente inédito, por exemplo, explique o que é e para
que serve. Se houver espaço e oportunidade, mostre como este
ingrediente age. Se o produto ou serviço incorpora alguma nova
tecnologia, estudea o suficiente para estar seguro de que seu
texto é realmente esclarecedor. Algum benefício ou alguma
promessa muito facilmente identificáveis devem estar claramente
estampados lá no anúncio. Nada de rodeios, e nada de presumir
que o Sr. Target vai entender suas intenções geniais, porém
ocultas. Clareza e conteúdo na informação é metade do sucesso
garantido!

Propaganda E nada de preguiça: O publicitário, particularmente aquele que


trabalha em Criação, é sobretudo um artesão. Por isso, fazer um
bom texto publicitário também é buscar a perfeição. Tá bom,
Texto curto ou texto longo?
raras vezes isso é possível, porque o Atendimento e o cliente
não saem mesmo do pé, ficam enchendo o saco, querem tudo
Muita gente, por achar que as novas gerações de
para ontem, etc. Mas, quando dá, é seu dever como redator
consumidores representam o que não se poderia chamar
brincar com o texto até a beira da exaustão. Pesquise, vá à
exatamente de letradas, por seus níveis insuficientes de leitura e
biblioteca mais próxima, vá à internet, procure literatura e
crescente apego à imagem acredita que textos publicitários
referências sobre o tema. Escreva e reescreva o anúncio mil
devam ser curtos ou, até, inexistentes. É o pessoal que advoga a
vezes, troque palavras, experimente sonoridades, mude as
comunicação eminentemente conceitual, seja lá o que isso
abordagens, tente o humor, tente o sentimentalismo, tente o
signifique. Por falar nisso, existe um conceito por aí que diz que
apelo à razão, tente ideias antagônicas, tente o escambau…
a atual geração (nascidos nos anos oitenta e após) é
pois sabese lá qual poderá ser o resultado. Tire a primeira frase,
predominantemente formada por Xers (leiase écsers), isto é, a
se não fizer diferença, é porque ela estava a mais; continue
turma do X, das opções por múltipla escolha, da linguagem de
fazendo o mesmo com as demais frases. Faça isso também com
videogame, em suma, gente que não gosta de ler e quer receber
algumas palavras, e preste muita atenção aos vícios de
a informação já mastigada, prontinha para digestão. Esta
linguagem, coisas como “vai estar fazendo” em lugar de um
rapaziada estaria em contraposição aos boomers, no caso eu,
simples “fará”, ou “temos a certeza” em vez de “temos certeza”.
nascido no boom populacional da década de 1950, e meus
E para matar a pau, enxugue ao máximo textos e ideias, porque
contemporâneos, os quadradões que estudaram filosofia e latim
a síntese na sua comunicação é o pulo do gato da Propaganda
no colégio e foram obrigados a ler na marra Machado de Assis e
eficaz.
demais expoentes da literatura em língua portuguesa (eu era um
sortudo e não sabia). Se partimos deste princípio de Xers, Invente: O bom texto publicitário deve, enfim, ser trabalhado
boomers, geração isso, geração aquilo, corremos apenas o risco
como se trabalha na confecção de um mosaico, unindo peças
de alimentar preconceitos que, como já vimos, são puro veneno
(as palavras) as mais variadas para obter um resultado
para a boa comunicação. O que é indispensável é conhecer
surpreendente. Eis mais uma razão para se esforçar
bastante bem o públicoalvo para falar com ele de modo a mais
continuamente no desenvolvimento de um bom vocabulário,
facilmente persuadilo para as virtudes do produto anunciado. Em
coisa que se obtém, nunca é demais lembrar, pelo exercício
outras palavras, faça seu texto publicitário do tamanho que você
constante da leitura de todos os gêneros literários e de tudo que
achar que deve fazer e em função do que o seu feeling disser.
possa estar ao seu alcance. Uma coisa eu garanto: o texto que
nascer depois de muita transpiração do redator será,
Use palavras simples: Nada desse negócio de querer ganhar o
certamente, um ótimo texto publicitário.
Prêmio Nobel de literatura com um anúncio. Embora devamos
respeitar a inteligência do Sr. Target, temos a obrigação de
Cuidado com redundâncias: As redundâncias de texto/imagem
lembrar sempre que a simplicidade, no caso, é a mãe dos
ocorrem, mais freqüentemente, no filmes publicitários, e são um
resultados. Anúncios, embora valhamse de texto e arte, não são
desperdício de recursos.
obras artísticas a priori; são peças construídas em função de
uma expectativa de vendas! Daí, a necessidade da simplicidade,
Exemplo: a imagem mostra uma maçã.
o que não nos desobriga do bom gosto e dos argumentos
inteligentes. O Sr. Target não é uma pessoa só, são milhões de
E o texto diz: maçã.
pessoas com bagagens culturais e vocabulários
necessariamente diferentes, então não podemos nos arriscar
com o uso de termos estranhos àquilo que consideramos o
Agora vejamos de outra forma. A imagem mostra uma maçã e o
conhecimento do homem médio.
texto diz: a tentação do sabor. Faz muita diferença, não? Evitar a
redundância significa ganho de tempo e de espaço que poderá
Coloquial é bom: Propaganda é, por definição, um ato de
ser utilizado para o desenvolvimento de algo mais, como um
persuasão. E ninguém melhor para nos persuadir do que um
novo argumento, uma ideia acessória, etc. Se, num filme de
amigo próximo, certo? A linguagem coloquial representa
trinta segundos, por exemplo, tivermos redundância
exatamente alguém próximo, em quem podemos confiar. O
texto/imagem, teremos aí os mesmíssimos trinta segundos de
produto passa a ser esse alguém em quem podemos confiar!
informação. Mas se o texto ocupar trinta segundos com a
Claro que não se trata, principalmente no caso da mídia
informação X, e a imagem ocupar trinta segundos com a
eletrônica, daquele locutor com voz de travesseiro sussurrando
informação complementar Y, o filme continuará com trinta
no ouvido do Sr. Target. O coloquial, aqui, tem o sentido de
segundos de tempo, mas com sessenta segundos de
proximidade, mas atenção! tenha sempre muito cuidado na
Apostilas Decisão 73 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
informação. Pura malandragem para fazer o anúncio crescer; é
fermento de publicitário! Um outro cuidado a se tomar é evitar o • Referência: pode aparecer em destaque menor, mas não
reaproveitamento do mesmo texto para diferentes mídias (muita deve deixar de ser escrita no cartaz.
gente apela para este recurso). Isto, porque diante de cada
mídia o comportamento do Sr. Target poderá alterarse, e um • Cores: usar no máximo três cores. Evitar cores claras,
texto que eventualmente funcione bem na TV talvez não repita o como: amarelo, verde limão ou similares.
mesmo desempenho no rádio. Finalmente, se for o caso,
radicalize no combate à redundância: elimine o texto e veja se a • Linhas de Suporte: sempre que for necessário o uso de
imagem fala melhor sozinha! Não é incomum que isto aconteça. linhas como suporte para auxílio na hora de escrever o
Caso real. Antes, alerto que já no Volume 1 deste livro evitei a texto, lembrese de riscálas a lápis sem pressionar muito
todo custo a reprodução de anúncios pelas razões que lá expus para evitar marcas, apagando ao término da escrita.
na Apresentação. Havia me proposto a fazer o mesmo neste
segundo volume, mas abro uma exceção para um anúncio • Esboço: antes de colar ou escrever, faça um esboço ou
maravilhoso que eu e o Newton Cesar criamos, certa vez, e que uma montagem prévia do seu cartaz para evitar rasuras
foi um caso típico da eliminação pura e simples do texto. Era um ou borrões.
anúncio para um cliente de varejo Lojas Camicado, de São
Paulo, SP e Dia das Mães no calendário promocional. Note que • Rasuras: não serão permitidos rasuras e borrões nos
outra imagem já havia sido produzida e o texto correspondente cartazes.
redigido, mas o semgraça do Newton resolveu mudar a imagem
de última hora. Quando vi o que ele tinha aprontado, decidi • Revisão: Sempre fazer uma revisão do texto.
simplesmente eliminar o texto.

Faça o Sr. Target sonhar: Ninguém compra produtos,


compramse promessas, compramse benefícios. Compramse,
enfim, idealizações, projeções, sonhos. Faça, portanto, o Sr.
Target sonhar. Charles Revson, fundador da indústria de
cosméticos Revlon, dizia: “na indústria fabricamos cosméticos,
na loja vendemos esperança”. Ou, como dizem alguns
publicitários “ninguém compra uma broca, compra buracos na
parede!” Em suma, o que o consumidor quer e paga por isso é
a obtenção de resultados (para entender melhor a extensão do
significado de “o que o consumidor quer”, veja capítulo O
marketing e as necessidades humanas). Este princípio cabe
perfeitamente em qualquer produto que você vá anunciar. Seu
anúncio promete resultados? Nada mais a dizer.

Cartaz

Observe os seguintes critérios na produção de cartazes:

• Tamanho: o tamanho mínimo para um cartaz é o de uma


cartolina e deverá ter um espaçamento de 3 cm entre as
bordas e o conteúdo. Não é necessário fazer margem no
cartaz.
Anúncio
• Título: os títulos, normalmente, são escritos com letras
Anúncio de jornal é uma informação publicada em um jornal,
grandes e com cores fortes para chamar a atenção. Pode
que faz uma propaganda, um pedido, ou outros tipos de
ter um destaque com relação ao restante do texto do
comunicação que interesse ao público em geral, necessitando
cartaz.
ou não de uma resposta para o autor. Em jornais impressos e
revistas, além de websites, os anúncios podem ser publicados
• Textos: os textos usados em cartazes são curtos ou em
junto ao conteúdo editorial ou em seções separadas,
tópicos. Eles são divididos em blocos menores. A ideia é
denominadas Classificados. Já na televisão e no rádio, os
transmitir algumas informações de maneira rápida e
anúncios são normalmente veiculados durante os intervalos da
objetiva.
programação. Nas empresas jornalísticas, os anúncios são
gerenciados e negociados pelo Departamento Comercial, que
• Palavras Chaves: colocar em destaque as palavras
funciona à parte porém em contato da redação (os jornalistas
chaves para chamar a atenção do assunto apresentado
propriamente ditos). Nas sociedades capitalistas industralizadas,
no cartaz.
a publicidade é a principal fonte de sustentação financeira das
empresas jornalísticas. Este modelo, teoricamente, garantiria a
• Desenhos, fotos ou imagens: esses recursos têm como independência da imprensa em relação aos governos e poderes
objetivo ilustrar as informações, tornando o cartaz mais políticos locais, ainda que, por outro lado, crie uma dependência
atraente, estando sempre integrado ao conteúdo. dos interesses comerciais dos próprios anunciantes.

Exemplo:
Tenha bom senso na escolha das figuras (prefira imagens
grandes e visíveis ao espectador).

• Uso de cola: ao usar cola para fixar as imagens no


cartaz, lembrese de limpar as bordas das figuras. Nunca
deixar pontas soltas e sem colar.

Apostilas Decisão 74 Apostilas Decisão


LÍNGUA PORTUGUESA

Artigo de Divulgação Científica

"Os Bons Artigos de Divulgação Científica São Peças


Literárias"

Aos 69 anos, o químico francês Paul Caro continua a


dedicarse à divulgação científica e a pensar nas melhores
maneiras de transmitir a ciência ao grande público. Começou a
fazêlo por acaso, depois de ter encontrado na rua um amigo
jornalista, que lhe perguntou se não gostava de escrever no
jornal "Le Monde". Foi assim que se fez jornalista de ciências.
Mais tarde, foi convidado para director de assuntos científicos da
Cidade das Ciências e da Indústria de La Villette, em Paris, um
dos grandes museus de ciência, de onde se reformou em 2000.
Em Portugal, faz parte do conselho científico da Agência
Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva,
um programa de divulgação da ciência junto de todos, em
particular das escolas. Autor de vários livros, Paul Caro tem um
traduzido em português: "A Roda das Ciências Do Cientista à
Sociedade, os Itinerários do Conhecimento". Hoje, na Fundação
Calouste Gulbenkian, em Lisboa, fala sobre as últimas
avaliações à cultura científicas dos europeus, sem esquecer os
portugueses.

Bula É difícil, ou não, comunicar a ciência?

No texto de Bula deve conter detalhadamente as especificações É difícil, porque a linguagem da ciência é bastante diferente
do medicamento em questão: da comum. A linguagem da ciência é construída por palavras
difíceis, símbolos, fórmulas, imagens e números, muito
Forma Farmacêutica e Apresentação diferentes das coisas normais. Mesmo para os cientistas, é difícil
compreender as palavras de outros colegas longe da sua
Indicações especialidade. O que significa que a ciência, na sua própria
linguagem, só pode ser comunicada a um pequeno grupo de
ContraIndicações pessoas que conseguem compreendêla. Para falar de ciência
num jornal não se pode usar a linguagem da ciência. O que se
Precauções e Advertências faz não é a simplificação da linguagem o que não é muito
possível , mas construir uma história, que tem de ser
Reações Adversas suficientemente atractiva. Mas depende muito do tema. É muito
difícil de traduzir numa história um tema que envolva muita
Interações Medicamentosas matemática e símbolos, como a química.

Posologia
Ou a física quântica?
Exemplo:
A física quântica é um bom exemplo. Para compreendêla, é
preciso formação em matemática. Mas a maioria da divulgação
científica não é sobre áreas difíceis, mas sobre coisas que
apelam à imaginação e transmitem imagens e histórias. Uma
das áreas mais fáceis de divulgar é a astrofísica, porque tem
belas imagens do céu e a origem da Universo é muito
interessante. A história da criação é uma história clássica de
qualquer religião ou conto de fadas. Por exemplo, a criação das
estrelas, num processo que envolve química nuclear, é uma
história atraente e as pessoas aprendemna. Se fosse uma
palestra sobre a química nuclear, não ouviriam.

Portanto, uma boa maneira de divulgar a ciência é contar


uma história?

Quase todos os bons artigos de divulgação científica nos


jornais e nas revistas são peças literárias. É certo que é uma
literatura popular, mas de facto é um trabalho literário que os
jornais e revistas fazem a partir de artigos científicos. Pegam
nesses artigos e constroem uma história para a tornar dramática,
atraente e fascinante, usando todos os truques do trabalho
literário pessoas, lugares, tempos, circunstâncias e grandes
imagens dos contos de fadas clássicos, como a metamorfose e
as catástrofes. Os monstros e os dinossauros são um bom
exemplo de como se usa a espectacularidade para familiarizar
as pessoas com o trabalho do paleontólogo, que é alguém que
Apostilas Decisão 75 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
descobre o passado. Às vezes, esse passado é extraordinário,
como no caso dos dinossauros. As pessoas ouvem isso. Se o
jornal é bom, explica o trabalho do paleontólogo e dá uma lição
de ciência. E depois disto, temos uma espécie de ressurreição
do monstro.

Por vezes, não é fácil para os cientistas divulgarem o que


fazem. Como poderão aprender a comunicar melhor?

Alguns cientistas trabalham em áreas espectaculares, como a


astrofísica ou os dinossauros, que é fácil de divulgar. Mas a
maioria não trabalha nesses campos. É muito difícil. Mas há a
comunicação com os jornalistas, que depois dizem o que os
cientistas estão a fazer. Os cientistas também podem comunicar
directamente com as pessoas. Em França, há os Cafés des
Sciences, onde as pessoas interessadas em assuntos como os
transgénicos se encontram à noite. Estão lá os especialistas, as
pessoas vão lá e há uma discussão livre. Claro que os cientistas
também têm a possibilidade de escrever artigos e livros, e há
muitos livros de cientistas que são "bestsellers".

Quais são as ciências mais divulgadas? A medicina e a


saúde?

Tudo o que diz respeito ao corpo comida, medicina,


cosmética é o primeiro tópico de interesse. O segundo é o
ambiente e o terceiro as novas tecnologias. No fim da lista está a
física e a química. As pessoas não se interessam pelas
disciplinas académicas. TESTES

O texto abaixo é base para as questões de 1 a 5.


E onde inclui a astronomia?
Geração Mutante
Está em sexto ou sétimo lugar. Como fornece belas imagens, (Revista Veja, 17 de julho de 1996)
é popular em revistas sobre ciência. Outro tópico divulgado é o
que diz respeito à Terra como um lugar terrível, como os O brasileiro está mudando a olhos vistos. Em quinze anos, a
vulcões, os sismos. estatura média da população do Brasil aumentou 4
centímetros – 2,5 centímetros acima do esperado pelos
especialistas em crescimento. Ao menos nas camadas
O que concluíram as últimas avaliações sobre a cultura sociais mais favorecidas, os adolescentes de hoje parecem
científica na Europa e em Portugal? gigantes desengonçados perto de seus avós e mesmo dos
pais, quase sempre mais baixos. Esses jovens, com padrões
O Eurobarómetro indica o nível de conhecimentos e de de alimentação e saúde iguais aos do Primeiro Mundo, estão
interesse pela ciência dos cidadãos. Em geral, o nível de crescendo mais do que a média dos brasileiros, que já é
conhecimentos é maior nos países do Norte. Mas o interesse é elevadíssima. Os pés e as mãos, maiores a cada geração,
maior no Sul não tanto em Portugal, onde não é muito, mas por acompanham essa tendência. Também estamos
exemplo na Grécia. A Alemanha tem um nível mau de interesse, engordando: o número de obesos é o dobro do total de
porque a imagem da ciência é má, mas o conhecimento é muito desnutridos no país. As mudanças não se limitam ao corpo.
bom. Mas as perguntas do Eurobarómetro são um pouco O rosto está mais afilado, pois o tamanho da arcada dentária
estranhas. Não mudam há dez anos, porque querem manter as diminuiu. Sem espaço para a acomodação de todos os
mesmas perguntas, mas assim não se faz uma avaliação real. dentes, o aparelho ortodôntico virou ferramenta necessária
Mas há muitos inquéritos nacionais à cultura científica. Sabese na boca de Jovens e adultos. A metamorfose se completa
que apenas 20 por cento das pessoas têm algum interesse pela com a mu-dança do perfil racial na segunda metade deste
ciência. século, devido à miscigenação e ao conseqüente aumento
da população de pele escura.

E qual é a opinião que o público tem dos cientistas? 1. O artigo afirma que, em quinze anos:
a) os brasileiros, em média, estão 4 centímetros mais altos
É bastante boa. Há uma série de dados sobre em quem se b) os brasileiros, em média, estão 2,5 centímetros mais altos
confia. Os cientistas aparecem logo depois dos médicos. No c) cada brasileiro cresceu 4 centímetros
último lugar, vêm os políticos e, logo acima, os jornalistas. d) cada brasileiro cresceu 2,5 centímetros
e) os brasileiros só crescem até 4 centímetros
Exemplo:
2. Analise, com atenção, as afirmações abaixo:
Os jovens das camadas sociais mais favorecidas
I – costumam ser mais altos do que seus pais e avós
II – têm padrões de alimentação e saúde iguais aos do
Primeiro Mundo
III – são mais obesos do que os jovens das camadas mais
pobres
A(s) afirmação (ões) correta(s) é (são):
Apostilas Decisão 76 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
a) I 4. FVV
b) II 5. FVF
c) III
d) I e II 8. Leia com atenção o segmento abaixo para respon-der á
e) I, II e III questão:
"As relações dos cidadãos com os dirigentes se pau-taram,
3. Analise, com atenção, as afirmações abaixo: ao longo dos séculos, pelo assistencialismo e a
Hoje, no Brasil: subserviência. Os indivíduos nunca participaram de nada. E
I – o número de desnutridos é maior do que o número de isso faz com que nosso espírito de mobi-lização seja
obesos mínimo e o de organização, caótico. Mais difícil mesmo que
II – aumentou a miscigenação entre raças reunir as pessoas é conseguir or-denar, sistematizar a sua
III – os jovens têm arcada dentária menor do que os dos participação. A verborragia dissipa a capacidade de ação. E
jovens de 15 anos atrás é crítica a nossa ca-pacidade crítica; não fomos formados
IV – os jovens têm pés e mãos menores do que os dos para a análise desapaixonada de fatos ou situações; por
jovens de 15 anos atrás isso mês-mo, nossas opiniões são tão fluidas e nossas
As afirmações corretas são: posi-ções, tão personalistas." Marque o item que não com-
a) I e II pleta corretamente a sentença abaixo, de acordo com o que
b) II e III se depreende do trecho lido:
c) III e IV A dificuldade de arregimentação e de organização
d) I, II e III participativa dos cidadões deve-se ao fato de:
e) I, II, III e IV a) nas reuniões, as pessoas falarem coisas sem relevância para
o que se está discutindo
4. Ainda segundo o texto, as mutações estão acontecendo: b) ao longo dos séculos, o povo ter sido excluído das decisões
a) somente no corpo dos adolescentes dos dirigentes
b) também na formação do rosto c) no momento da ação, à vontade dos indivíduos sobrepor-se
c) somente nos adultos o interesse coletivo
d) nas pessoas que estão gerando filhos d) historicamente, a classe dirigente ter-se colocado como
e) nos recém nascidos provedora dos seus subordinados
e) a eles, faltar a capacidade de análise crítica e objetiva
5. Nesse texto é utilizado o discurso:
a) direto 9. Indique o único segmento que serve como argumento
b) indireto contrário à defesa da manutenção do ensino superior
c) direto e indireto gratuito no Brasil:
d) formal a) Há um princípio de justiça social segundo o qual o
e) metalingüístico pagamento por bens e serviços deve ser feito desigualmente
conforme as desigualdades de ganho.
6. Indique o único item que serve como argumento b) A Europa considera investimento a formação de quadros de
favorável à defesa da legalização da pena de morte no nível superior.
Brasil: c) Nos EUA, a maior parte do orçamento das melhores
a) A incapacidade de um ser humano julgar o outro com a universidades é composta por doações, convênios com
isenção de ânimo. empresas ou órgãos federais, fundos privados, cursos de
b) O sistema carcerário encontra-se privado das condições atualização profissional.
necessárias capazes de promover a reabilitação para a plena d) Nos EUA, o montante arrecadado pelas universidades de
convivência social. seus estudantes, a título de taxas escolares, não chega ao
c) A irreparabilidade do erro jurídico. percentual de 20% de seu orçamento global.
d) O sensacionalismo da mídia ao expor o sentimento dos e) No Brasil, país com renda per capita de aproximadamente
familiares e amigos do réu diante da consumação da pena. US$ 2 mil, uma raxa escolar de US$ 13 mil/ano por aluno,
e) Os estados americanos que legalizaram a pena de morte conforma estimativa do Banco Mundial, é quantia astronômica.
apresentaram um recrudescimento no número de crimes
violentos. 10. "Um dos mais respeitados colégios particulares da
cidade do Rio de Janeiro está fechando as portas por causa
7. Leia o seguinte texto adaptado de "A Folha de São da briga crônica entre pais de alunos e donos de escolas em
Paulo" de 24/04/94: torno das mensalidades esco-lares"
"A arte brasileira dos anos 60 começa com um movi-mento Assinale a alternativa que contém uma conseqüência do
aparentemente conservador, a volta à figura depois do fato relatado:
domínio dos abstratos na década de 50. Mas estava ali a a) Duas escolas se prontificaram a admitir os alunos da escola
senha para uma revolução. A pop arte não incorpora só os extinta. Uma delas está contratando boa parte de seu corpo
símbolos do consumo, tira-dos das propagandas, dos docente.
quadrinhos e das placas de trânsito. Tenta incorporar os b) A interferência do governo na fixação dos índices de reajuste
objetos do mundo. E o mundo não se reduz a quadros, das mensalidades escolares é conseqüência do "lobby" bem
esculturas e gravuras – suporte tradicional da arte." sucedido dos proprietários de escolas privadas junto ao MEC.
Interprete com F (Falsa) ou V (Verdadeira) as seguintes afir- c) O triste desfecho desse fato emblemático da situação da
mações a respeito do texto. A seguir, assina a alternativa educação brasileira.
que contém a seqüência correta: d) Dois meses depois que o governo federal liberou os preços
( ) A pop arte dos anos 60 rompeu com o suporte das mensalidades escolares, a Justiça de São Paulo decidiu que
tradicional da arte. os reajustes voltam a ser controlados, não podendo exceder os
( ) Os abstratos da década de 50 cederam lugar às figuras índices mensais de inflação.
na década de 60. e) O Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro realizou
( ) Os anos 60 revelaram-se conservadores em relação à levantamento segundo o qual esta é a escola que melhor
arte dos anos 50. remunera os professores.
1. VVV
2. VVF 11.Quem .......... seu amigo, jamais ..........., mas sim lhe dá
3. VFF bons ...........
Apostilas Decisão 77 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
a) preza, o dilata, conselhos d) bre_a, ni_o, en_ova;
b) preza, o delata, conselhos e) n.d.a.
c) presa, delata-o, conselhos
d) preza, dilata-o, conselhos 21. Na oração “A partir daquele dia, começaram a maltratá-lo
e) presa, o dilata, concelhos na escola”, o sujeito é:
a) naquele dia
12.Eles ................. ajudar e ............... as ................... no b) oculto – “eles”
arquivo. c) na escola
a) quiseram, puzeram, fixas. d) indeterminado
b) quizeram, puseram, fixas. e) posposto
c) quiseram, puzeram, fichas.
d) quiseram, puseram, fichas. 22. Em qual das orações abaixo o sujeito é inexis-tente?
e) quizeram, puseram, fichas. a) Tristonha, escondia o rosto com as mãos.
b) Durante o dia, caminhamos sob um sol terrível.
13. Assinale a alternativa em que todas as palavras são c) Nesta terra faz muito frio.
escritas com “g”: d) Precisa-se de operários nesta obra.
a) _ibóia, _eca, pa_em; e) Ela estava logo ali na esquina.
b) ferru_em, estran_eiro, verti_inoso;
c) ma_estade, _lo, vare_ista; 23. Em: “Um peixe resvalou à flor da água; do céu baixou
d) _irau, pa_é, ri_eza; um raio de sol”. Os termos grifados são:
e) _enipapo, _erico, tra_etória. a) adjunto adnominal – adjunto adnominal
b) adjunto adverbial – adjunto adnominal
14. Assinale a alternativa onde não ocorre erro de grafia: c) objeto indireto – objeto direto
a) pobreza, através, fertilisar, maisena; d) adjunto adverbial – objeto indireto
b) taxa, indigesto, paisano, enchoval; e) objeto direto – adjunto adnominal
c) defesa, obesidade, profetizar, anestesia;
d) expatriar, babaçu, camursa; 24. Em “O Brasil foi descoberto pelos portugueses”, o termo
e) n.d.a. grifado é:
a) adjunto adverbial de modo
15. “Uma _____deliciosa tomou conta dos que se apertavam b) sujeito
de encontro às cordas, em toda a _____do percurso”. c) objeto indireto
a) espectativa, espectadores, extensão; d) agente da passiva
b) espectativa, expectadores, extenção; e) aposto
c) expectativa, expectadores, extenção;
d) expectativa, espectadores, extensão; 25. Considere os termos grifados nas frases:
e) expectativa, expectadores, extensão. 1. O ar campestre é muito saudável.
2. Ela anda meio triste ultimamente.
16. Assinale a alternativa em que há uma palavra escrita 3. Brevemente chegará o carnaval.
incorretamente: Pela ordem, eles se classificam como:
a) quisermos, marquesa, surgir; a) adjunto adnominal – predicativo do sujeito – sujeito
b) sujeito, mochila, chícara; b) predicativo do sujeito – adjunto adverbial de modo – sujeito
c) flecha, granjeiro, exceção; c) adjunto adnominal – adjunto adverbial de modo – objeto direto
d) ojeriza, perquisar, girassol; d) predicativo do sujeito – predicativo do objeto – objeto direto
e) n.d.a. e) adjunto adverbial – complemento nominal – predicativo do
sujeito
17. Escreve-se com CH a palavra:
a) _inqar; 26. No verso: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas", o
b) pu_ar; sujeito é:
c) en_oval; a) Ipiranga
d) me_er; b) Inexistente
e) en_ente. c) As margens plácidas
d) Oculto
18. Marque a alternativa em que estão grafados e) Indeterminado
corretamente os substantivos derivados de: limpo,
defender, barão, surdo. 27.Os velhos lembraram-se do passado, os moços
a) limpeza, defeza, baroneza, surdeza aproveitaram o presente, ninguém cuidou do futuro. Os
b) limpeza, defesa, baronesa, surdez termos grifados no período acima exercem a função
c) limpesa, defeza, baronesa, surdesa sintática, respectivamente de:
d) limpeza, defeza, baronesa, surdez a) sujeito e objeto direto
e) limpeza, defesa, baroneza, surdez b) adjunto adnominal e objeto indireto
c) objeto direto e objeto direto
19. Indique a alternativa em que todas as palavras seriam d) predicativo do sujeito e sujeito
completadas com a mesma letra: e) adjunto adverbial e sujeito
a) bu_ina, bu_linar, ca_ar;
b) fu_ilar, a_ilar, ga_olina; 28.É objeto indireto:
c) introdu_ir, reali_ar, desli_ar; a) Fomos e voltamos a cavalo.
d) ca_ebre, anali_ar, gentile_a; b) Precisamos de auxílio
e) n.d.a. c) Leitura é útil a todos.
d) Vivemos para aprender
20. Em que alternativa usaríamos somente “X”? e) Aprendemos através do estudo.
a) _ícara, pi_e, be_iga;
b) en_endo, en_erto, _epa; 29.Vende tudo, Henrique! Os termos grifados são,
c) ta_ativo, sinta_e, bro_e; respectivamente:
Apostilas Decisão 78 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
a) complemento verbal e sujeito c)A prefeitura necessitava de que os computadores fossem
b) adjunto adverbial e vocativo instalados com urgência.
c) adjunto adverbial e sujeito d)Ninguém tem dúvida de que a microinformática racionaliza o
d) complemento verbal e vocativo sistema tributário.
e) complemento verbal e aposto e)Alguns prefeitos temiam que a utilização do computador
gerassem emprego.
30.O rapaz de emocionou e todos o respeitaram. A palavra
destacada é: 38. Só compramos frutas que estão maduras. A oração
a) pronome pessoal: sujeito grifada é:
b) artigo: objeto direto a)a principal do período
c) artigo: adjunto adnominal b)subordinada adjetiva restritiva
d) pronome pessoal: objeto indireto c)subordinada adverbial temporal
e) pronome pessoal: objeto direto d)subordinada substantiva objetiva direta
e)coordenada sindética
31. Eu fui para casa, eles não.
1. Período com duas orações 39. Preparem-se bem: logo terão sucesso. A oração
2. Eu e Ele são pronomes destacada é:
3. Para é preposição a) coordenada assindética
a) apenas a primeira alternativa é correta b)coordenada sindética adversativa
b) apenas a segunda alternativa é correta c)coordenada sindética conclusiva
c) apenas a terceira alternativa é correta d)subordinada adverbial temporal
d) todas são corretas e)subordinada adverbial condicional
e) apenas a primeira é incorreta
40. Assinale a alternativa que contém a classificação do
32. Sou favorável a que você não desista da luta. Essa seguinte período:
oração é uma oração: A Lei Afonso Arinos é a única norma legal que proíbe a
a)coordenada sindética discriminação racial no país.
b)subordinada adjetiva explicativa a) principal e subordinada adjetiva
c)a principal do período b) coordenadas assindética e sindética
d)subordinada substantiva completiva nominal c) subordinada adjetiva e adverbial
e)subordinada adverbial concessiva d) principal e subordinada adverbial
e) principal e subordinada substantiva
33. À medida em que o tempo passa, as nossas ilusões
desaparecem. Essa oração é: 41. Assinale a alternativa incorreta quanto à com-cordância
a)subordinada adverbial proporcional verbal:
b)oração principal a) As crianças parecem gostarem do filme.
c)subordinada adverbial concessiva b) Já tinha havido muitas brigas na família.
d)coordenada assindética c) Dava dez horas o relógio da sala.
e)subordinada substantiva d) Já tinha feito dois anos que ele não ia lá.

34. Assinale a alternativa que contém um período formado 42. Assinale a alternativa que completa corretamente a
por três orações: frase:
a)Dona Glória prometera a Deus que Bentinho seria padre. “Não se ________ mais esses móveis. Antigamente
b)Depois de formado, Bentinho casa-se com Capitu. ________ muitas fábricas que os ____________. “
c)O livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração a) encontram – haviam – fabricava
cadavérica. b) encontra – havia – fabricavam
d)Nas noites de verão, ou todas as noites, o pai abandona a c) encontram – havia – fabricava
mesa. d) encontram – havia – fabricavam
e)Poucos são os livros didáticos favoráveis aos investimentos.
43. Igual à anterior:
35. No período: Se ele foi aprovado, não sei. A oração "Se “Já ________ dez anos que ele morreu. Nunca mais ______
ele foi aprovado" é: pessoas com sensibilidade como a dele.”
a)principal a) vai fazer – vão haver
b)coordenada assindética b) vão fazer – vão existir
c)subordinada substantiva subjetiva c) vai fazer – vão existir
d)subordinada substantiva objetiva direta d) vão fazerem – vai haver
e)subordinada adverbial causal
44. Indique a alternativa correta quanto à concor-dância:
36. No período: "São tais as injustiças econômicas, que a) Comumente se vê ruas bem floridas.
suas conseqüências se refletem nas transações b) Com os novos computadores, obtêm-se resultados
especulativas", há uma oração subordinada: excelentes.
a)adjetiva restritiva c) Quais dentre vós fará esse trabalho?
b)adverbial condicional d) Nunca tantos devera a tão poucos.
c)adverbial causal
d)adverbial consecutiva 45. Assinale a alternativa correta:
e)objetiva direta a) Seria vinte e sete de março, quando a esquadra partiu da
Europa.
37. Há oração subordinada substantiva subjetiva no período: b) Há muito tempo: poderiam fazer uns vinte anos.
a) Decidiu-se que a microinformática seria implantada naquele c) Há de existir alguns moços corajosos para isso.
Município. d) Há de haver algumas coisas que mereçam atenção.
b) Um sistema tributário obsoleto não permite que haja
conscientização dos contribuintes. 46. Assinale a alternativa em que a concordância está
errada:
Apostilas Decisão 79 Apostilas Decisão
LÍNGUA PORTUGUESA
a) A gramática francesa e a língua inglesa é ensinada nesta __________________________________________
escola.
b) Os Alpes é a maior cordilheira da Europa. __________________________________________
c) Eu mesmo irei buscar o livro, disse a moça.
d) Admiramos as magníficas selvas e rios brasileiros. __________________________________________

47. Os .................. anunciaram que as relações ................ __________________________________________


estavam ....................
a) alto-falantes – luso-brasileiras – melhor
__________________________________________
b) altos-falantes – lusos-brasileiros – melhor __________________________________________
c) altos-falantes – lusas-brasileiras – melhores
d) alto-falantes – luso-brasileiras – melhores __________________________________________
48.Indique a alternativa correta: __________________________________________
a) Filmes, novelas, boas conversas, nada o tiravam da apatia.
b) A pátria não é ninguém: são todos. __________________________________________
c) Se não vier as chuvas, como faremos?
d) É precaríssima as condições do prédio. __________________________________________

49.Assinale a alternativa correta:


__________________________________________
a) Mais de um avião caíram no mar. __________________________________________
b) A geada foi uma das coisas que destruíram a lavoura.
c) É vedada entrada de estranhos. __________________________________________
d) Fazem três anos que me preparo para o vestibular.
__________________________________________
50.Aponte a alternativa correta:
a) Considerou perigoso o argumento e a decisão. __________________________________________
b) É um relógio que torna inesquecível todas as horas.
c) Já faziam meses que ele não a via. __________________________________________
d) Os atentados que houveram deixaram perplexa a po-pulação.
__________________________________________
__________________________________________
GABARITO __________________________________________

1. A 11. B 21. D 31. E 41. A


__________________________________________
2. D 12. D 22. C 32. D 42. D __________________________________________
3. B 13. B 23. B 33. A 43. C
4. B 14. C 24. D 34. C 44. B __________________________________________
5. B 15. D 25. A 35. D 45. D
6. B 16. B 26. C 36. D 46. A __________________________________________
7. B 17. E 27. A 37. A 47. D
8. E 18. B 28. B 38. B 48. B
__________________________________________
9. A 19. C 29. D 39. C 49. A __________________________________________
10. A 20. B 30. E 40. A 50. A
__________________________________________
__________________________________________
ANOTAÇÕES __________________________________________

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Apostilas Decisão 80 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
1. ESTRUTURAS LÓGICAS
Conceito: idéia que identifica uma classe de objetos singulares
A estruturação lógica do pensamento, indispensável para a que existem no plano material, através do estabelecimento de
construção de conhecimento de maior complexidade e para sua um objeto generalizado que só existe no plano mental. Diz-se
explicitação precisa, requer a compreensão preliminar de alguns que tais objetos singulares são “incluídos” no conceito.
conceitos, os quais apresentamos a seguir de modo superficial e
que serão tratados com maior rigor e precisão mais adiante. Exemplo:

Proposição: é uma idéia (só existe no plano mental) que, em a) caderno;


geral, estabelece algum conhecimento sobre algo ou que
manifesta uma posição ou um entendimento sobre alguma coisa; b) homem;

c) estudante;
Sentença: é uma expressão de uma proposição, utilizando
alguma linguagem (idiomática – escrita ou falada -, gráfica; d) mesa;
gestual; linguagem jurídica, linguagem do jogo do bicho, entre
outras). Há proposições que podem ser expressas por sentenças e) função;
distintas e há sentenças que expressam proposições distintas;
f) amor
Exemplo:

a) Jorge é mais inteligente do que Pedro Volume do conceito: é o conjunto dos objetos singulares
incluídos no conceito;
b) Ontem choveu muito
Exemplo;
c) Amanhã vai fazer sol
a) O volume do conceito “caderno” é o conjunto de
d) Estou calçando meias de seda / As meias que eu todos os cadernos
estou calçando são de seda
b) O volume do conceito “tigre” é o conjunto de todos os
e) Uma equação do segundo grau pode admitir duas tigres
raízes distintas / É possível que uma equação do
segundo grau admita duas raízes distintas.
Conteúdo do conceito: é uma expressão que articula de modo
f) Sou favorável a que passem à segunda divisão conjugado todos os atributos essenciais dos objetos que se
quatro e não, apenas, dois times da primeira divisão / incluem no conceito, de modo que permita a identificação de
Sou a favor de que ao invés de serem dois, sejam qualquer um deles e a exclusão daqueles que não se incluem;
quatro os times da primeira divisão que caiam para a
segunda divisão. Exemplo;

g) Bernadete não sabe onde guardou a manga a) A expressão “substância cuja molécula é constituída
por um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio”
Objeto: corresponde ao elemento em relação ao qual se corresponde ao conteúdo de um conceito comumente
estabelece ou se quer estabelecer um conhecimento ou ao fator designado pela palavra “água”.
de referência no contexto. Em geral, é um conceito;
b) A expressão “número real inteiro e não negativo” é o
Exemplo: conteúdo de um conceito muito usado na aritmética e
conhecido por “número natural”.
a) João é estudioso;

b) o lápis está sem ponta; Objeto singular: trata-se de um objeto único, identificado
individualmente;
c) como é o caderno que você precisa?
Exemplo:

Atributo: constitui uma condição que pode ou não estar a) A caneta que meu pai utilizou para assinar o contrato
presente no objeto ou ser ou não atendida pelo mesmo e de seu primeiro casamento
corresponde a uma particularidade ou peculiaridade dele;
b) O sapato que estou calçando agora no pé esquerdo
Exemplo:

a) ter nascido em 1960; Objeto generalizado: trata-se de um conceito que corresponde


a uma classe ou conjunto de objetos singulares.
b) estar sentado;
Exemplo:
c) vestir camisa na cor verde
a) caderno
d) Os atributos essenciais do conceito “retângulo” são:
b) caderno vertical
1. Ser quadrilátero;
c) caderno horizontal
2. Apresentar todos os ângulos retos
d) caderno com espiral
Apostilas Decisão 1 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA

Exemplo:
Existe uma estreita relação entre a elaboração teórica (no
plano mental) de uma idéia e sua expressão concreta (no plano a) Um psicólogo, um físico e um poeta têm percepções
material), a qual se dá através de uma linguagem apropriada distintas quando observam o por do sol por trás das
(escrita, falada, gestual ou gráfica), de tal modo que uma coisa montanhas ou quando observam as ondas revoltas do
não se concretiza plenamente sem a outra. Em conseqüência mar.
disso, o conhecimento mesmo somente está construído quando
elaborado no plano mental e expresso adequadamente no plano b) O dono da empresa dos ônibus que permanecem
material. No caso do conhecimento científico, isto é, aquele sempre superlotados e os passageiros que se
construído através do processo científico, se usa comumente a espremem dentro do mesmo constroem percepções
linguagem idiomática conjugada com uma linguagem específica distintas desse mesmo fato.
ao contexto: (linguagem jurídica, linguagem policial. Linguagem
matemática), havendo, também, o uso da linguagem gráfica c) A representação que uma pessoa faz de alguém a
(desenho, esboço, gráfico, tabela). Como existe uma quem ama, em geral, é mais bonita do que a pessoa
correspondência intrínseca entre a idéia (plano mental) e a real.
linguagem (sua expressão no plano material), esta deve ser
adequada àquela, sob pena de comprometer o conhecimento d) A percepção que uma pessoa forma de um
construído. conferencista é diferente se ele tiver falado coisas que
lhe sejam favoráveis ou desfavoráveis.

A construção do conhecimento O conhecimento é construído como uma idéia e, em geral, é


elaborado na forma de uma proposição, no plano mental. No
O conhecimento é construído ou aperfeiçoado através de plano material, o conhecimento é expresso, em geral, na forma
mecanismos que vão desde sistemas muito simples e naturais a de uma sentença utilizando-se uma linguagem adequada à
sistemas muito complexos que envolvem elementos artificiais. cultura na qual se insere ou à natureza ou ao objetivo de sua
Em sua forma mais elementar e numa fase inicial de sua forma utilização. O conhecimento mais sofisticado, tal como aquele que
mais elaborada, o conhecimento é construído a partir de é elaborado no processo escolar e nas atividades acadêmicas e
mecanismos inerentes aos sentidos naturais e às experiências científicas, é construído através de mecanismos mais
sociais, quais sejam: complexos, relacionados ao pensamento abstrato e generalizado
e permite o conhecimento integral do objeto: sua essência, isto
- sensação; é, seus atributos essenciais; suas partes e particularidades e seu
aspecto geral. Os conhecimentos mais elaborados são
- percepção; construídos através dos processos científicos cujos elementos
centrais são:
- representação.
- o conceito;
Nos três casos, o conhecimento é superficial, parcial e
incompleto, não havendo o conhecimento do objeto integral nem - o juízo e
de sua essência. Na sensação é preponderante o conhecimento
de partes e/ou de particularidades isoladas do objeto, sendo o - o raciocínio.
mesmo adquirido através da ação direta de sentidos naturais
(visão, tato, olfato, etc.) sobre o objeto do conhecimento, ainda O conhecimento construído através da formação do conceito
que com a ajuda de instrumentos. Na percepção o objeto é corresponde a uma classe de objetos singulares presentes no
conhecido de maneira superficial e geral, através de um conjunto plano material que, como foi dito anteriormente, são “incluídos
de sensações, sendo pouco significativo o conhecimento de no conceito”. Tal conhecimento é estabelecido através da
suas partes e de suas particularidades. A representação identificação de um objeto generalizado que só existe no plano
corresponde a uma imagem do objeto, construída sem contato mental e não através da identificação de cada objeto singular da
direto com o mesmo, a partir de sensações ou de percepções respectiva classe. Notemos que uma mesma palavra ou
ocorridas em contato direto anterior com o objeto ou a partir de expressão proferida ou escrita em contextos distintos pode
sua descrição ou de um conhecimento indireto do mesmo. A corresponder a conceitos diferentes, relacionados a cada
representação pode ser reprodutiva ou criativa. O primeiro caso contexto específico. O conhecimento de cada objeto singular de
ocorre quando se trata da imagem de um objeto já conhecido a modo isolado, tanto no processo espontâneo como no processo
partir de sensação ou de percepção. A segunda forma científico, é construído através de detalhes (particularidades,
corresponde a uma imagem construída a partir de uma descrição peculiaridades) presentes em cada um deles. Tais detalhes são
do objeto, sem contato sensorial anterior com o mesmo ou a inicialmente identificados no plano material de modo superficial -
partir da conjugação de outros objetos já conhecidos em geral, através dos sentidos naturais - sendo posteriormente
anteriormente. Uma representação reprodutiva pode ser, por transferidos do plano material para o plano mental. O processo
exemplo, uma imagem de uma pessoa anteriormente conhecida, de transferência do conhecimento do plano material para o plano
já falecida ou distante, construída num momento em que nos mental constitui a “internalização”. À medida que vão sendo
lembramos dela. Uma representação criativa seria uma imagem internalizados os detalhes correspondentes a objetos singulares
de um jogo de futebol que vai sendo construída por uma pessoa de uma mesma classe (por exemplo: um certo número de
que não esteja assistindo ao jogo, a partir da narração que cadeiras, de copos, de funções, de equações) vai sendo
esteja ouvindo no rádio. Os conhecimentos correspondentes à construída no plano mental uma estrutura correspondente ao
sensação, à percepção e à representação são mediados por objeto generalizado que identifica a respectiva classe, o que, em
circunstâncias temporais, espaciais ou emocionais, pela geral, é precedido pela construção de representações mentais
experiência pessoal do observador e, muitas vezes, por dos objetos singulares que vão sendo conhecidos
preconceitos, superstições e por fatores inerentes a cultura e aos individualmente. Os detalhes presentes nos objetos singulares e
interesses pessoais e sociais dos indivíduos. Desse modo, é que permitem sua descrição e sua identificação entre outros
comum que no reflexo do objeto prevaleçam traços relacionados objetos, a partir dos quais ocorre o processo da internalização,
com tais fatores ou mesmo que se apresentem traços sem são chamados de atributos ou indícios. À medida que o grau de
correspondência na realidade, fruto, apenas, dos fatores de generalização do conceito vai aumentando, vão sendo
mediação. desprezados atributos não essenciais e, quando atingido o grau
Apostilas Decisão 2 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
de máxima generalização permanecem apenas os atributos que transforma numa imagem mental que substitui sua forma
são essenciais à classe de objetos considerada. Os atributos material ou materializada.
podem ser de distintas naturezas:
Exemplo:
• propriedade: quando é essencial à natureza do
objeto generalizado no grau de máxima Num momento inicial do desenvolvimento da pessoa, a palavra
generalização; “cachorro” se refere a um objeto (animal) singular específico,
passando depois a designar um conjunto de animais (cachorros)
• característica: quando não é propriedade, mas que a pessoa tenha conhecido sensorialmente. À medida em
é essencial à natureza do objeto generalizado e que a pessoa vai conhecendo outros cachorros, são
faz parte dos objetos singulares, relativamente à acrescentadas peculiaridades desses animais que constituem
respectiva sub-classe; atributos tanto essenciais como não essenciais, sendo ampliado
o universo de objetos designados pela mesma palavra
“cachorro”. Assim, a função da palavra “cachorro” transita desde
• qualidade: quando não é propriedade, mas é o nome de um animal particular, à designação de cada um dos
essencial à natureza do objeto generalizado e objetos (cada um dos cachorros) singulares de um conjunto de
não faz parte dos objetos singulares, objetos semelhantes, à identificação da família dos cachorros,
relativamente à respectiva sub-classe. até chegar a ser um signo que corresponde ao objeto
generalizado, isto é, ao “cachorro” abstrato que só existe no
Juízo é o elemento pelo qual o conhecimento é expresso plano mental e que não identifica qualquer cachorro singular.
através de uma afirmação, de uma negação, de uma Não existe no plano material “o cachorro”, apenas existe “este
comparação ou de uma condicionante. Nessa forma, o cachorro”, “aquele cachorro”, ou seja, para identificar um
conhecimento é construído a partir da qualificação ou da cachorro específico, é necessário que a palavra “cachorro” que
quantificação de um conceito ou da comparação ou do identifica o “gênero” seja acompanhada de um ou mais atributos
relacionamento entre conceitos distintos ou do mesmo conceito não essenciais ao gênero e que especifiquem o animal singular
em contextos diversos, através de seus atributos. O juízo é uma ao qual se quer fazer referência. O processo externo de
proposição que, na lógica formal, apresenta sempre um valor visualização de cada cachorro (objetos singulares) e de
lógico: verdadeiro ou falso, sendo expressado por meio de uma verbalização e de audição da palavra cachorro, corresponde ao
sentença. Os valores verdadeiro e falso atribuídos a um juízo, processo interno no qual se forma uma imagem mental
são valores lógicos e nada têm a ver com a ética ou a justiça e, (representação) do objeto (cachorro) que preserva apenas os
um mesmo juízo pode assumir valores distintos em situações ou indícios essenciais ao mesmo, abstraindo todos os demais
contextos diferentes. Por outro lado, os juízos quando atributos, inclusive aqueles que são específicos deste ou
contextualizados, devem atender aos critérios do contexto, daquele objeto. Ao final desse processo, a palavra “cachorro”
ademais dos critérios lógicos. Raciocínio é o elemento que passa a identificar não mais um animal específico, mas um
permite a construção de conhecimentos mais complexos a partir cachorro qualquer e qualquer cachorro, representando a imagem
de conhecimentos anteriores, os quais são chamados de mental formada somente com os indícios essenciais.
“premissas”. O conhecimento novo, construído a partir do Naturalmente, é possível que haja uma influência - em graus
relacionamento entre as premissas, é chamado de “conclusão”. variados de significação - de experiências ou de sentimentos
pessoais que tenham fixado um ou mais de um objeto singular
específico de tal modo que a imagem formada corresponda a
Conceito generalizado esse e não a um objeto generalizado. Nesse caso, a formação
do conceito terá sido prejudicada pelos fatores
Inicialmente um objeto singular é conhecido no plano mencionados. Um conceito pode ser formado em distintos graus
material, a través de seus atributos sensorialmente percebidos e, de generalização, desde o conceito singular, que corresponde a
em seguida, tal conhecimento passa ao plano mental sob a um objeto específico - concreto ou abstrato - até o conceito
mediação de um signo, que pode ser uma palavra, uma generalizado (no grau de máxima generalização), passando por
expressão ou algum outro elemento material, o qual assume a graus intermediários, correspondentes a subclasses do
função de “nome” do objeto e depois se confunde com o próprio. respectivo gênero, nas quais se incluem alguns e se excluem
O conhecimento de vários objetos com atributos comuns outros objetos. Quando tratamos de um conceito singular,
possibilita um primeiro grau de generalização no qual o mesmo consideramos todos os atributos que identificam o objeto.
signo que antes correspondia particularmente a cada objeto
singular, deixa de se identificar especificamente com cada um e Leis fundamentais da lógica são:
passa a corresponder a qualquer um deles e, numa fase
seguinte, passa a corresponder não mais a cada um dos objetos - Lei da identidade;
singulares diretamente, mas ao conjunto deles, isto é, designa o
objeto generalizado correspondente ao tal conjunto. Quando o - Lei da não contradição;
número de objetos da “família” é suficientemente grande para a
identificação de todos os atributos essenciais, isto é, aqueles - Lei do terceiro excluído;
necessários e suficientes para separar os objetos que a
compõem, é possível alcançar o maior grau de generalização, - Lei da razão suficiente;
descartando-se os atributos não essenciais. Nesse ponto, a
“família” passa a ser o “gênero” e o signo que a identifica passa - Lei do conhecimento completo
a corresponder ao objeto generalizado, abstrato, que só existe
no plano mental e não mais corresponde a qualquer um dos Lei da Identidade
objetos singulares, ainda que tal signo continue a ser utilizado
como referência a cada um deles em particular. O conceito não Deve haver unidade e coerência entre a argumentação, as
apenas identifica o objeto generalizado ao qual se refere mas se premissas e a tese (conclusão), de modo que as premissas
identifica com ele e corresponde à internalização mental do estejam identificadas com a tese (conclusão) e os argumentos
conjunto dos objetos singulares ao qual se refere. Os objetos utilizados digam respeito ao que se quer apresentar como
singulares que inicialmente são conhecidos sensorialmente e verdadeiro ou como falso.
depois através da mediação simbólica, pouco a pouco vão se
fundindo num único objeto abstrato, generalizado, que se
Lei da Não Contradição
Apostilas Decisão 3 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
dizer que seu professor de matemática é um grande homem.
Os argumentos e as premissas não podem ser contraditórios Aqui, houve uma deficiência no domínio do idioma uma vez que
nem entre si, nem entre eles e a tese. Um juízo não pode ser, ao a palavra “grande” foi posicionada na sentença de modo a
mesmo tempo e no mesmo contexto, falso e verdadeiro. exercer uma função diferente daquela que seria a adequada.

Vamos examinar as seguintes expressões:


Lei do Terceiro Excluído
a. Jogador de futebol, brasileiro, que tem se destacado
O raciocínio deve considerar todos os aspectos da tese e das na equipe do Flamengo;
premissas, bem como do respectivo contexto. Devem ser
consideradas todas as possibilidades e todas as circunstâncias b. Jogador do futebol brasileiro que tem se destacado
pertinentes. na equipe do Flamengo

Lei da Razão Suficiente Sejam as expressões:

As premissas e a argumentação devem ser suficientes e não a. O aluno escreveu a redação correndo, por isso a letra
apenas necessárias à comprovação da tese. saiu muito feia.

b. Os ingressos para o jogo estão disponíveis na Loja A


Lei do Conhecimento Completo ou na Loja B.

As premissas, a argumentação e a tese devem abranger o Os ingressos para o jogo podem ser adquiridos na Loja A e na
conhecimento total sobre a questão tratada e não apenas uma Loja B.
parte dele. A situação mais comum de violação é aquela na qual
a tese é retirada de seu contexto ou quando se deixa de
considerar uma parte ou um aspecto da questão. A partir dos idiomas naturais, foram criadas muitas linguagens
específicas, entre as quais destacamos:

Utilização do idioma e da linguagem • a dos surdos e mudos;

Tanto o domínio do idioma como o da linguagem constituem • a dos cegos;


fatores essenciais ao desenvolvimento do pensamento, como
elementos de mediação e como aporte estrutural. A linguagem, • a da matemática;
além de suas funções de comunicação, de descrição e de
designação de fatos, fenômenos e objetos, cumpre a função de • as usadas para programação de computadores;
organização e de estruturação do raciocínio. A linguagem não
apenas expressa a idéia como constitui elemento de mediação • a do código de trânsito.
na sua elaboração e na estruturação do pensamento que gera a
idéia. A utilização de linguagem inadequada, prejudica a
estruturação do pensamento e, consequentemente, a elaboração Existem, ainda, especificidades da linguagem idiomática, entre
das idéias. elas:
Exemplos: • linguagem jurídica;
• O professor pediu à Josefa que explicasse o conceito de • linguagem policial;
subconjunto. A aluna, que havia estudado e sabia bem tal
conceito, disse: • linguagem econômica;
“Dizemos que A é um subconjunto de B quando A
• linguagem do tráfico de drogas.
pertence a B”.
Os conceitos são expressos através de uma linguagem que
Querendo corrigir a colega, outro aluno disse: Não
pode ser escrita, falada, gestual ou gráfica. Em geral, os
Josefa,
conceitos são associados a palavras ou expressões que se
“Dizemos que A é subconjunto de B quando A está
confundem com eles. Tais palavras ou expressões apresentam
contido em B”.
um significado e podem apresentar um ou mais sentidos. O
significado é histórico e corresponde ao conceito original e o
sentido é cultural e corresponde ao modo como se compreende
• José admira muito seu professor de matemática e o acha uma o conceito original dentro de um determinado contexto ou a uma
pessoa muito inteligente, honesta e solidária com os mais forma específica que se quer dar ao conceito.
fracos. Querendo transmitir essa idéia sobre seu professor a
um colega, José lhe diz:
Conectivos e modificadores
“Meu professor de matemática é um homem grande!”
Na lógica formal são utilizados alguns “termos lógicos” -
Justamente nesse momento dito professor vai símbolos específicos - para construir juízos compostos a partir
passando pelo local onde estavam José e seu colega. de juízos mais simples:
José, então, diz ao colega: “Olhe, ali vai meu professor
de matemática!”
Signo Significado Estrutura
٨ Conjunção a ٨ b
O colega de José ficou desconcertado pois viu um homem
٧ Disjunção a ٧ b
magro e bem miúdo, com não mais de 1,60m de altura. Como
ele dominava bem o idioma, logo compreendeu que José quisera Implicação p q

Apostilas Decisão 4 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
↔ Dupla Implicação a ↔ b argumentação – que é o produto do raciocínio– é objeto material
Ξ Equivalência a Ξ b compartido pela lógica e pela Psicologia, esta última
‫ء‬ Negação ‫ء‬a considerando a argumentação como efeito de um processo
¥ Quantificador Universal ¥a psíquico. Assinalem-se, por agora, três exemplos de possíveis
Э Quantificador Existencial Эa argumentações, sobre os quais se voltará a seu tempo:
Э! Quantificador Existencial Э!x / p(x)
Todo direito real é dotado de seqüela.

Estes “termos lógicos” permitem “traduzir” para a linguagem da - A hipoteca é um direito real.
lógica simbólica expressões que se encontram na linguagem
idiomática. - Logo, a hipoteca é dotada de seqüela.

Funções nominais e funções proposicionais O Chile é limítrofe da Argentina.

Na lógica formal se distinguem as funções nominais e as - A Argentina é limítrofe do Brasil.


funções proposicionais: ambas apresentam variáveis que
representam objetos não definidos. As funções nominais são - Logo, o Chile é limítrofe do Brasil.
expressões que passam a designar objetos definidos quando se
atribui valores ou especificidades às variáveis.
Lição elementaríssima da teoria econômica, que não ignora o
Exemplos: mais desatento estudante de Direito, é a de que todas as coisas
raras são caras.
- x3 – 2

- mãe da criança X Ora, sabido é que uma casa com muitos cômodos e barata é
rara.
- O professor da disciplina X da turma Y.
- Logo, uma casa barata é cara.
As funções proposicionais são expressões que passam a ser
proposições, falsas ou verdadeiras, quando se atribui
especificidades às variáveis. Essas argumentações, por um ou outro motivo, constituem
objeto material da lógica. Argumentação define-se o organismo
Exemplos: lógico em que se chega a uma conclusão nova por meio de
conhecimentos já possuídos. Sendo um mesmo ente objeto
X é engenheiro material de diversas ciências, estas se distinguem por seu objeto
formal, i.e., pelo aspecto ou perspectiva singular com que o
7 + y = 10 objeto material é considerado em cada uma das ciências. Assim,
Z é uma cidade do Estado do Rio de Janeiro a Medicina e a Ética têm por objeto material o homem, mas
aquela o aprecia sob o aspecto da saúde física e psíquica, ao
x+y>5 passo que a Ética o examina desde o ponto-de-vista do bom ou
mal uso de sua liberdade. O objeto material é a argumentação,
considerada sob dúplice aspecto: o da conseqüência e o da
verdade, que são o objeto formal da lógica. Vale por dizer: a
2. LÓGICAS DE ARGUMENTAÇÃO. lógica trata de considerar a argumentação desde a ordem ou
DIAGRAMAS LÓGICOS retidão que deve a razão conservar no caminho para a verdade.
Cabe observar a retidão do discurso –ou conseqüência– e
A lógica é uma arte, na medida em que ela habilita o homem buscar a verdade, meta derradeira da lógica. Com efeito, ao
a bem raciocinar, e é também uma ciência, enquanto considera dizer “O Chile é limítrofe da Argentina. Ora, a Argentina é
a argumentação como objeto de seu estudo. A arte é uma limítrofe do Brasil, logo, o Chile é limítrofe do Brasil” está-se a
virtude que dispõe para a reta execução de uma obra, externa – atentar contra a conseqüência –por motivos que, a seu tempo,
bem útil ou bem deleitável ou estético: daí que se fale em belas se examinarão; o terceiro exemplo de argumentação –“Lição
artes– ou interna, como ocorre com a lógica; por isso, porque elementaríssima da teoria econômica, que não ignora o mais
sua obra é interna, ela é uma arte liberal e não mecânica. Como desatento estudante de Direito, é a de que todas as coisas caras
ciência, a lógica é um conhecimento certo e sistemático do são raras. Ora, sabido é que uma casa com muitos cômodos e
raciocínio por suas causas, descobrindo as razões últimas pelas barata é rara. Logo, uma casa barata é cara”– não revela
quais os procedimentos lógicos são ou devem ser realizados de nenhum vício de conseqüência mas, isto sim, a admissão
uma ou de outra maneira. Diz um autor de nossos tempos que a indevida da primeira proposição, que é falsa: muitas coisas raras
lógica é a ciência que é exatamente porque é uma arte: é que a não têm valor algum. Conseqüente e verdadeira mostra-se a
lógica não se cultiva por si própria, mas, sim, pelo auxílio que ela argumentação remanescente: “Todo direito real é dotado de
presta às demais ciências. A lógica, pois, não é somente uma seqüela. A hipoteca é um direito real. Logo, a hipoteca é dotada
ciência demonstrativa, mas também uma arte que ensina e de seqüela”. Assim, segundo a argumentação se considere
aplica as regras de pensar com retidão. Enquanto a lógica primeiro sob o aspecto da conseqüência ou primeiro desde o
estuda e explica a argumentação pelos primeiros princípios ponto-de-vista da verdade, a lógica divide-se em formal e
intelectuais, ela deve considerar-se uma ciência; quando a material. Desse modo, define-se lógica formal a parte da lógica
lógica, porém, é preceptiva de pensar bem, ela é uma arte. O que estuda a conseqüência da argumentação, e conceitua-se
objeto material da lógica é a argumentação ou as operações lógica material a parte da lógica que estuda a verdade da
próprias do raciocínio. Objeto é um ente enquanto concebido por argumentação. Se retomarmos os nossos exemplos anteriores
uma faculdade humana ou apreendido por uma ciência. Aquilo de argumentações, verificaremos que um deles (“O Chile é
que, não importa desde qual perspectiva, recai sob a limítrofe da Argentina. Ora, a Argentina é limítrofe do Brasil, logo,
consideração de uma dada ciência chama-se seu objeto o Chile é limítrofe do Brasil”) violou a lógica formal, ao passo que
material. O homem, por exemplo, é o objeto material de muitas o outro (“Lição elementaríssima da teoria econômica, que não
ciências: da Antropologia, da Medicina, da Ética. A ignora o mais desatento estudante de Direito, é a de que todas
Apostilas Decisão 5 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
as coisas caras são raras. Ora, sabido é que uma casa com dominamos o conteúdo da proposição. Por exemplo, se a
muitos cômodos e barata é rara. Logo, uma casa barata é cara”) proposição abaixo é verdadeira:
malferiu a lógica material.
Todo S é P.

Analogias
Então a proposição abaixo é falsa:
A analogia é o raciocínio que se desenvolve a partir da
semelhança entre casos particulares. Através dele não se chega Alguns S não são P.
a uma conclusão geral, mas só a outra proposição particular.
Além disso, assemelha-se à indução, mas considera somente
um caso particular como ponto de partida. Na nossa vida prática, Isto acontece porque sempre que uma proposição do tipo A é
são comuns as ações por analogia: verdadeira, uma proposição do tipo O é falsa. Fizemos uma
inferência válida. Nosso raciocínio está correto.
- Se a minissaia fica bem numa atriz de TV, muitas
espectadoras tendem a pensar que também ficaria bem Em outras palavras: se admitimos que a primeira proposição é
nelas; verdadeira, temos certeza de que a segunda é falsa.

- Se tal remédio fez bem para um amigo meu, logo


deverá fazer bem a mim também; Tipos de Proposição

- Se fulana emagreceu com um tipo de regime da lua, Utilizamos letras para representar os quatro tipos de proposição
logo cicrano também emagrecerá; e assim por diante. usados nos raciocínios dedutivos.
A = Todo S é P.
Com a esperança nem sempre válida de obter os mesmos
resultados, fazemos muitas coisas que os outros fazem. Mas as I = Alguns S são P.
analogias podem ser fortes ou fracas, de acordo com a
semelhança entre os dois tipos de objetos comparados. Quando E = Nenhum S é P.
a semelhança entre os objetos se manifesta em áreas relevantes
para o argumento, ou seja, que efetivamente contam para O = Alguns S não são P.
aquele caso, então a analogia tem mais força do que quando os
objetos apresentam semelhanças não-relevantes para a Pois bem. Inferências imediatas são aquelas que envolvem
conclusão. apenas uma premissa e uma conclusão. A partir de cada uma
das quatro proposições categóricas, podemos fazer diversas
inferências válidas. Vamos tomar a proposição do tipo A.
Uma Analogia Fundamental
Se A é verdadeira, então E é falsa.
O raciocínio analógico não oferece certeza. Somente uma certa
dose de probabilidade. Por outro lado, por exigir um salto muito Se A é verdadeira, então I é verdadeira.
grande, é onde se abre o espaço para a invenção, tanto artística
quanto científica. Alexander Fleming inventou a penicilina ao ver Se A é verdadeira, então O é falsa.
que bactérias cultivadas em laboratório morriam em contato com
o bolor que se formara por acaso. Raciocinando analogicamente, Existem situações em que não podemos saber com certeza se a
supôs que bactérias que causavam doenças ao corpo humano conclusão será verdadeira ou falsa. Nesse caso, dizemos que
também pudessem ser destruídas por bolor. ela é indeterminada, e usamos o sinal i.

Por exemplo: Se O é verdadeira, então E é


Inferência indeterminada.

Sabemos que argumentos são raciocínios lógicos, que podem


ser corretos ou incorretos. Todo raciocínio dedutivo envolve pelo Por que isto Acontece?
menos uma premissa e uma conclusão. Há argumentos
formados por apenas uma premissa e uma conclusão. São as Porque se tomamos um enunciado do tipo O verdadeiro (Alguns
inferências. Inferência é um processo pelo qual, através de S não são P.), tanto pode acontecer que o enunciado E
determinados dados, chega-se a alguma conclusão. Outros correspondente (Nenhum S é P.) seja falso ou verdadeiro. A
sinônimos de inferência são conclusão, implicação, ilação e conclusão da inferência pode ser verdadeira ou falsa.
conseqüência. Certas inferências são imediatas, são diretas.
Inferência imediata é aquela na qual a conclusão surge como
conseqüência necessária da premissa. Por exemplo, vamos Observe:
considerar o seguinte enunciado:
- Alguns deputados do Congresso Nacional não são
- Todo mamífero é vertebrado. paulistas.(verdadeiro)

Vamos admitir, então, que este enunciado seja verdadeiro (e é, - Nenhum deputado do Congresso Nacional é paulista.
claro!). Portanto, concluímos imediatamente que o enunciado (falso)
abaixo é falso.

Mas pode ocorrer também esta outra situação:


- Alguns mamíferos não são vertebrados.
- Alguns deputados do Congresso Nacional não são
estrangeiros. (verdadeiro)
No caso dos mamíferos, não seria preciso estudar lógica para
chegar a esta conclusão. Mas imagine uma situação em que não
Apostilas Decisão 6 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
- Nenhum deputado do Congresso Nacional é
estrangeiro. (verdadeiro)
O raciocínio chega de uma premissa a uma conclusão,
Nota: (Lembrando sempre que "alguns" significa em lógica "pelo passando por várias outras premissas intermediárias. Nesse
menos um", e não "apenas alguns".) sentido, podemos dizer que o raciocínio é um conhecimento
mediato ou indireto, isto é, intermediado por vários outros.
Para facilitar nosso trabalho, os lógicos elaboraram uma tabela Assim, é o contrário da intuição, que é o conhecimento imediato.
de verdade. É só consultar a tabela para saber se uma inferência Raciocinamos ou argumentamos quando colocamos premissas
é válida ou não! que contenham evidências em uma ordem tal que
necessariamente nos levam a uma conclusão.
Inferências Imediatas a Partir de
Proposições Verdadeiras:
A E I O Raciocínio Dedutivo
Se A é
Falsa Verdadeira Falsa
verdaddeira Podemos raciocinar ou argumentar logicamente de três modos
Se E é diferentes, fazendo uso da dedução, da indução ou da analogia.
Falsa Falsa Verdadeira
verdadeira
Vamos examinar aqui o primeiro tipo de raciocínio, que mereceu
Se I é Indeter- Indeter-
verdadeira minada
Falsa
minada uma atenção toda especial dos lógicos, desde Aristóteles. A
Se O é Indeter- Indeter- dedução é um tipo de raciocínio que parte de uma proposição
Falsa geral (referente a todos os elementos de um conjunto) e conclui
verdadeira minada minada
com uma proposição particular (referente a parte dos elementos
Também podemos fazer inferências imediatas válidas através de de um conjunto), que se apresenta como necessária, ou seja,
proposições falsas. Por exemplo: Sabemos que é falsa a que deriva logicamente das premissas. Veja dois exemplos:
seguinte afirmação:
- Todo metal é dilatado pelo calor. (Premissa maior)
- Todos os curiós são quadrúpedes.
- Ora, a prata é um metal. (Premissa menor)

Logo, esta outra afirmação será verdadeira: - Logo, a prata é dilatada pelo calor. (Conclusão)

- Alguns curiós não são quadrúpedes.

- Todo brasileiro é sul-americano. (Premissa maior)


Vamos à Tabela
- Ora, todo paulista é brasileiro. (Premissa menor)
Inferências Imediatas a Parti
de Proposições Falsas: - Logo, todo paulista é sul-americano. (Conclusão)
A E I O
Se A é Indeter- Indeter-
Verdadeira Aristóteles chamava o raciocínio dedutivo de silogismo e o
falsa minada minada
Se E é Indeter- Indeter- considerava um modelo de rigor lógico. Entretanto, é importante
Verdadeira
falsa minada Minada notar que a dedução não traz conhecimento novo, uma vez que
Se I é a conclusão sempre se apresenta como um caso particular da lei
Falsa Verdadeira Verdadeira
falsa geral. Assim, a dedução organiza e especifica o conhecimento
Se O é que já temos. Ela tem como ponto de partida o plano do
Verdadeira Falsa Verdadeira
falsa inteligível, ou seja, da verdade geral, já estabelecida.

Para você Pensar Sofismas ou Falácias

Utilizando a tabela de verdade, descubra se as afirmações Existem também os raciocínios ou argumentos que são
abaixo são verdadeiras ou falsas, supondo que a primeira seja incorretos, e que visam induzir ao erro. Chamam-se falácia ou
verdadeira: sofisma, e, em geral, contêm falhas no âmbito formal ou
material. Eis um exemplo que tem circulado pela Internet, com
- Alguns políticos são corruptos. outros de igual calibre, para fazer graça:

- Alguns políticos não são corruptos. - Toda regra tem exceção.

- Todos os políticos são corruptos. - Isto é uma regra e, portanto, tem exceção.

- Nenhum político é corrupto. - Logo, nem toda regra tem exceção.

Dedução Observe que a premissa maior é um dito popular, baseado no


senso comum, cujo caráter verdadeiro é discutível. É isso o que
Raciocinar ou argumentar é um ato característico da inteligência possibilita extrair a conclusão paradoxal ou absurda. Também é
humana. Trata-se de um tipo de operação discursiva do um sofisma ou falácia a generalização indevida, isto é, algo que
pensamento que consiste em encadear premissas para deles é correto para um grupo restrito de elementos é generalizado
extrair uma conclusão (veja Introdução à Lógica e Argumento). para toda a espécie. Considere ainda a seguinte proposição:
Por premissa ou proposição entendemos a afirmação ou a "Todo criminoso merece a ir para a cadeia". Neste caso, temos
negação da identidade de dois conceitos ou termos. uma falácia de falsa premissa, a partir do momento em que
existem penas alternativas, em que se deve verificar a natureza
Exemplo: Todo homem é mortal. e a gravidade do crime, etc.
Apostilas Decisão 7 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
lógicos. Os conectivos lógicos agem sobre as proposições a que
estão ligados de modo a criar novas proposições.
Proposição
Exemplo: A sentença “Se x não é maior que y, então x
Denomina-se proposição a toda sentença, expressa em palavras é igual a y ou x é menor que y” é uma proposição
ou símbolos, que exprima um juízo ao qual se possa atribuir, composta na qual se pode observar alguns conectivos
dentro de certo contexto, somente um de dois valores lógicos lógicos (“não”, “se ... então” e “ou”) que estão agindo
possíveis: verdadeiro ou falso. Somente às sentenças sobre as proposições simples “x é maior que y”, “x é
declarativas pode-se atribuir valores de verdadeiro ou falso, o igual a y” e “x é menor que y”.
que ocorre quando a sentença é, respectivamente, confirmada
ou negada. De fato, não se pode atribuir um valor de verdadeiro Uma propriedade fundamental das proposições compôstas que
ou falso às demais formas de sentenças como as interrogativas, usam conectivos lógicos é que o seu valor lógico (verdadeiro ou
as exclamativas e outras, embora elas também expressem falso) fica completamente determinado pelo valor lógico de cada
juízos. São exemplos de proposições as seguintes semtenças proposição componente e pela forma como estas sejam ligadas
declarativas: pelos conectivos lógicos utilizados, conforme estudaremos mais
adiante. As proposições compostas podem receber
O número 6 é par. denominações especiais, conforme o conectivo lógico usado
para ligar as proposições componentes.
O número 15 não é primo.

Todos os homens são mortais. Conjunção: A e B

Nenhum porco espinho sabe ler. Denominamos conjunção a proposição composta formada por
duas proposições quaisquer que estejam ligadas pelo conectivo
Alguns canários não sabem cantar. “e”. A conjunção A e B pode ser representada simbolicamente
como: A ∧ B
Se você estudar bastante, então aprenderá tudo.
Exemplo:
Eu falo inglês e espanhol.
Dadas as proposições simples:
Míriam quer um sapatinho novo ou uma boneca.
A: Alberto fala espanhol.

Não são proposições: B: Alberto é universitário.

Qual é o seu nome? Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos


através de um diagrama, a conjunção ”A ∧ B” corresponderá à
Preste atenção ao sinal. interseção do conjunto A com o conjunto B. A ∩ B.

Caramba!

Proposição Simples

Uma proposição é dita proposição simples ou proposição


atômica quando não contém qualquer outra proposição como
sua componente. Isso significa que não é possível encontrar
como parte de uma proposição simples alguma outra proposição
diferente dela. Não se pode subdividi-la em partes menores tais
que alguma delas seja uma nova proposição.

Exemplo: A sentença “Cíntia é irmã de Maurício” é uma Uma conjunção é verdadeira somente quando as duas
proposição simples, pois não é possível identificar como proposições que a compõem forem verdadeiras, Ou seja, a
parte dela qualquer outra proposição diferente. Se conjunção ”A ∧ B” é verdadeira somente quando A é verdadeira
tentarmos separá-la em duas ou mais partes menores e B é verdadeira também. Por isso dizemos que a conjunção
nenhuma delas será uma proposição nova. exige a simultaneidade de condições. Na tabela-verdade,
apresentada a seguir, podemos observar os resultados da
conjunção “A e B” para cada um dos valores que A e B podem
Proposição Composta assumir.

Uma proposição que contenha qualquer outra como sua parte


componente é dita proposição composta ou proposição
molecular. Isso quer dizer que uma proposição é composta
quando se pode extrair como parte dela, uma nova proposição.

Conectivos Lógicos

Existem alguns termos e expressões que estão freqüentemente


presentes nas proposições compostas, tais como não, e, ou, se
... então e se e somente se aos quais denominamos conectivos

Apostilas Decisão 8 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
“Se ... então” ou por uma de suas formas equivalentes. A
proposição condicional “Se A, então B” pode ser representada
Disjunção: A ou B simbolicamente como: A !B

Denominamos disjunção a proposição composta formada por Exemplo:


duas proposições quaisquer que estejam ligadas pelo conectivo
“ou”. A disjunção A ou B pode ser representada simbolicamente Dadas as proposições simples:
como: A ∨ B
A: José é alagoano.
Exemplo:
B: José é brasileiro.
A∩B

Dadas as proposições simples: A condicional “Se A, então B” pode ser escrita como:

A: Alberto fala espanhol. A ! B: Se José é alagoano, então José é brasileiro.

B: Alberto é universitário. Na proposição condicional “Se A, então B” a proposição A, que é


anunciada pelo uso da conjunção “se”, é denominada condição
ou antecedente enquanto a proposição B, apontada pelo
advérbio “então” é denominada conclusão ou conseqüente. As
A disjunção “A ou B” pode ser escrita como: seguintes expressões podem ser empregadas como
equivalentes de “Se A, então B”:
A ∨ B: Alberto fala espanhol ou é universitário.
Se A, B.
Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos
através de um diagrama, a disjunção “A ∨ B” corresponderá à B, se A.
união do conjunto A com o conjunto B.
Todo A é B.

A implica B.

A somente se B.

A é suficiente para B.

B é necessário para A.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos


através de um diagrama, a disjunção “A ∨ B” corresponderá à
união do conjunto A com o conjunto B.

Uma disjunção é falsa somente quando as duas proposições que


a compõem forem falsas. Ou seja, a disjunção “A ou B” é falsa
somente quando A é falsa e B é falsa também. Mas se A for
verdadeira ou se B for verdadeira ou mesmo se ambas, A e B,
forem verdadeiras, então a disjunção será verdadeira. Por isso
dizemos que, ao contrário da conjunção, a disjunção não
necessita da simultaneidade de condições para ser verdadeira,
bastando que pelo menos uma de suas proposiçoes
componentes seja verdadeira. Na tabela-verdade, apresentada a
seguir, podemos observar os resultados da disjunção “A ou B”
para cada um dos valores que A e B podem assumir.

Uma condicional “Se A então B” é falsa somente quando a


condição A é verdadeira e a conclusão B é falsa, sendo
verdadeira em todos os outros casos. Isto significa que numa
proposição condicional, a única situação que não pode ocorrer é
uma condição verdadeira implicar uma conclusão falsa. Na
tabela-verdade apresentada a seguir podemos observar os
resultados da proposição condicional “Se A então B” para cada
um dos valores que A e B podem assumir.
Condicional: Se A então B

Denominamos condicional a proposição composta formada por


duas proposições quaisquer que estejam ligadas pelo conectivo
Apostilas Decisão 9 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
A proposição bicondicional “A se e somente se B” é verdadeira
somente quando A e B têm o mesmo valor lógico (ambas são
verdadeiras ou ambas são falsas), sendo falsa quando A e B têm
valores lógicos contrários. Na tabela-verdade, apresentada a
seguir, podemos observar os resultados da proposição
bicondicional “A se e so-mente se B” para cada um dos valores
que A e B podem assumir.

Bicondicional: A se e somente se B

Denominamos bicondicional a proposição composta formada por


duas proposições quaisquer que estejam ligadas pelo conectivo
“se e somente se”. A proposição bicondicional “A se e somente
se B” pode ser representada simbolicamente como: A "! B

Exemplo:
Negação: Não A
Dadas as proposições simples:
Dada uma proposição qualquer A denominamos negação de A à
A: Adalberto é meu tio. proposição composta que se obtém a partir da proposição A
acrescida do conectivo lógico “não” ou de outro equivalente. A
A⊂B negação “não A” pode ser representada simbolicamente como:
~A
B: Adalberto é irmão de um de meus pais.
A=B
A proposição bicondicional “A se e somente se B” pode ser
escrita como: A "! B: Adalberto é meu tio se e somente se
Adalberto é irmão de um de meus pais. Como o próprio nome e Podem-se empregar, também, como equivalentes de “não A” as
símbolo sugerem, uma proposição bicondicional “A se e somente seguintes expressões:
se B” equivale à proposição composta “se A então B”. Podem-se
empregar também como equivalentes de “A se e somente se B” Não é verdade que A.
as seguintes expressões:
É falso que A.
A se e só se B.

Todo A é B e todo B é A. Se a proposição A for representada como conjunto através de


um diagrama, a negação “não A” corresponderá ao conjunto
Todo A é B e reciprocamente. complementar de A.
Se A então B e reciprocamente.

A somente se B e B somente se A.

A é necessário e suficiente para B.

A é suficiente para B e B é suficiente para A.

B é necessário para A e A é necessário para B.

Se as proposições A e B forem representadas como conjuntos


através de um diagrama, a proposição bicondicional “A se e
somente se B” corresponderá à igualdade dos conjuntos A e B.

Uma proposição A e sua negação “não A” terão sempre valores


lógicos opostos. Na tabela-verdade, apresentada a seguir,
podemos observar os resultados da negação “não A” para cada
um dos valores que A pode assumir.

Apostilas Decisão 10 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA

3. A ∧ (B ∨ C) ⇔ (A ∧ B) ∨ (A ∧ C)
Tautologia
4. A ∨ (B ∧ C) ⇔ (A ∨ B) ∧ (A ∨ C)
Uma proposição composta formada pelas proposições A, B, C,
... é uma tautologia se ela for sempre verdadeira,
independentemente dos valores lógicos das proposições A, B, C, Lei da dupla negação:
... que a compõem.
5. ~(~A) ⇔ A
Exemplo:
Equivalências da Condicional
A proposição “Se (A e B) então (A ou B)” é uma tautologia, pois
é sempre verdadeira, independentemente dos valores lógicos de 6. A ! B ⇔ ∼A ∨ B
A e de B, como se pode observar na tabela-verdade abaixo:
7. A ! B ⇔ ∼B ! ~A

Negação de Proposições Compostas

Um problema de grande importância para a lógica é o da


identificação de proposições equivalentes à negação de uma
proposição dada. Negar uma proposição simples é uma tarefa
que não oferece grandes obstáculos. Entretanto, podem surgir
Contradição algumas dificuldades quando procuramos identificar a negação
de uma proposição composta. Como vimos anteriormente, a
Uma proposição composta formada pelas proposições A, B, C, negação de uma proposição deve Ter sempre valor lógico
... é uma contradição se ela for sempre falsa, oposto ao da proposição dada. Deste modo, sempre que uma
independentemente dos valores lógicos das proposições A, B, C, proporsição A for verdadeira, a sua negação não A deve ser
... que a compõem. falsa e sempre que A for falsa, não A deve ser verdadeira. Em
outras palavras, a negação de uma proposição deve ser
Exemplo: contraditória com a proposição dada. A tabela abaixo mostra as
equivalências mais comuns para as negações de algumas
A proposição “A se e somente se não A” é uma contradição, pois proposições compostas:
é sempre falsa, independentemente dos valores lógicos de A e
de não A, como se pode observar na tabela-verdade abaixo: Equivalente da
Proposição Negação Direta
Negação
AeB Não (A e B) Não A ou não B
A ou B Não (A ou B) Não A e não B
Não (se A então
Se A então B A e não B
B)
A se e Não (A se e [(A e não B) ou
somente se B somente se B) (B e não A)]
Todo A é B Não (todo A é B) Algum A não é B
O exemplo acima mostra que uma proposição qualquer e sua Não (algum A é
Algum A é B Nenhum A é B
negação nunca poderão ser simultaneamente verdadeiros ou B)
simultaneamente falsos. Como uma tautologia é sempre
verdadeira e uma contradição sempre falsa, temse que: a
negação de uma tautologia é sempre uma contradição enquanto Diagramas Lógicos
a negação de uma contradição é sempre uma tautologia
Os diagramas são conceitos que traduzem a possibilidade de
agrupar elementos básicos e suas relações de uma forma lógica
Proposições Logicamente Equivalentes ou de uma forma estrutural. Através dos diagramas lógicos nos é
possível, por exemplo, dar prova dos silogismos de Aristóteles,
Dizemos que duas proposições são logicamente equiva-lentes bem como facilitar a compreensão de problemas de Lógica. A
ou simplesmente equivalentes quando são com-postas pelas teoria dos conjuntos é um ramo primitivo e primordial de toda a
mesmas proposições simples e suas tabe-las-verdade são Matemática e pode obter uma exemplificação boa por intermédio
idênticas. Uma conseqüência prática da equivalência lógica é de três círculos inter-relacionados, como o
que ao trocar uma dada proposição por qualquer outra que lhe
seja equivalente, estamos apenas mudando a maneira de dizê- Ex.:
la. A equivalência lógica entre duas proposições, A e B, pode ser
representada simbolicamente como: ⇔ A. Da definição de
equivalência lógica pode-se demonstrar as seguintes
equivalências:

Leis associativas:

1. (A ∧ B) ∧ C ⇔ A ∧ (B ∧ C)

2. (A ∨ B) ∨ C ⇔ A ∨ (B ∨ C)

Leis distributivas:

Apostilas Decisão 11 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Os quais nos permitem facilmente visualizar o exposto, A lógica matemática adota como regras fundamentais os dois
dissipando a complicação e complexidade inicial numa visão seguintes princípios ou axiomas:
reagrupada que tende a facilitar o entendimento e comprovação. ( I ) PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO: Uma proposição não
Os elementos devem estar divididos em dois ou três conjuntos pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
(mais de três tende a prejudicar uma boa visualização gráfica) e ( II ) PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO: Qualquer
serem dispostos segundo sua agrupação, dentro de seus proposição é verdadeira ou é falsa, não podendo ser nada mais
respectivos lugares nos diagramas lógicos, partes do diagrama do que isso.
serão hachuradas de acordo com o enunciado, para que
possamos nitidamente visualizar a resposta definitiva. Num Por exemplo, as proposições 1 e 3 são ambas verdadeiras, mas
diagrama existem sete possíveis locais onde pode ficar um dado as 3 proposições seguintes são falsas:
elemento ou conjunto de elementos, a saber: • Vasco da Gama descobriu o Brasil.
• Dante escreveu os Lusíadas.

Obs: Camões escreveu “Os Lusíadas”.


• ¾ é um número inteiro.

As proposições são geralmente designadas pelas letras latinas


minúsculas p, q, r, s... (sem índices ou acentos).
Valores Lógicos das Proposições:

Diz-se que o valor lógico de uma proposição p é verdade quando


p é verdadeiro e falsidade quando p é falso. Os valores lógicos
verdade e falsidade de uma proposição designam-se
abreviadamente pelas letras V e F ou pelos símbolos 1 e 0,
respectivamente. Assim, o que os princípios da não-contradição
e do terceiro excluído afirmam é que:Toda proposição pode
De acordo com sua posição dentro do diagrama lógico, ele assumir um, e somente um, dos dois valores: F ou V ( 0 ou 1
pertencerá só (1) ao conjunto “A”, ou somente (2) ao “B”, ou respectivamente).
somente (3) ao “C”, ou (4) a “A” e “C” simultaneamente ou (5) a
“A”, “B” e “C” simultaneamente ou (6) a “A” e “B” Proposições simples e Proposições compostas
simultaneamente ou (7) a “B” e “C” simultaneamente. Quanto, As proposições podem se classificadas como simples ou
agora, à Lógica de Aristóteles e à Lógica moderna, temos que a compostas. A proposição simples é aquela que não contém
Lógica de Aristóteles está toda incluída dentro da Lógica nenhuma outra proposição como parte integrante de si mesma.
moderna. Podendo ter seus silogismos re-escritos em notação A proposição composta é formada pela combinação de duas ou
referente a Lógica moderna ou facilmente provados dentro da mais proposições simples através de um elemento de ligação
teoria dos conjuntos e com o auxílio dos diagramas lógicos. denominada conectivo.

Proposição simples
Proposição: P : Zenóbio é careca.
Q: Pedro é estudante
Chama-se sentença ou proposição todo o conjunto de palavras R: O número 25 é um quadrado perfeito
ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo.
Sentença ou proposição se distinguem do nome, o qual designa Proposições compostas
um objeto. P: Zenóbio é careca e Pedro é estudante
Q: Zenóbio é careca ou Pedro é estudante
Exemplos de nomes: R: Se Zenóbio é careca, então é feliz
Pedro.
O cão do menino. As proposições compostas são também chamadas de fórmulas
proposicionais. Constrói-se uma proposição composta a partir de
Exemplos de proposições: duas ou mais proposições simples e do uso de conectivos.
1. A lua é um satélite da terra.
2. O filho do Presidente do Brasil, em 1970, era médico. Conectivos
3. 3 x 5 = 5 x 3 Chamam-se conectivos as palavras usadas para formar
4. Onde você mora? proposições compostas a partir de proposições simples. Temos
5. Que belo jardim é o desta praça! 1 conectivo unário e 4 conectivos binários.
6. Escreva um verso.
7. Pedro estuda e trabalha. Exemplo:
8. Duas retas de um plano são paralelas ou incidentes. P: O número 6 é par e o número 8 é o cubo do número 2
9. Se Pedro estuda, então tem êxito na escola.
10.Vou ao cinema se e somente se conseguir dinheiro. Q: O triângulo ABC é retângulo ou o triângulo ABC é isósceles
R: Não está chovendo
Na lógica, restringimo-nos a uma classe de proposições, que são
as declarativas e que só aceitam dois valores: S: Se Jorge é engenheiro, então sabe matemática
T: O triângulo ABC é equilátero se e somente se é equiângulo
Verdadeiro (subentende .. o triângulo ABC...)
(V) ou r falso (F), um excluindo o outro. Assim, excluímos de
nossas considerações: Podemos considerar como conectivos usuais da lógica as
- Proposições exclamativas, como a de nº 5. palavras grifadas, isto é:
- Proposições interrogativas, como a do nº 4. E, Ou, Não, Se ... Então..., ... Se e somente se... (sse)
- Proposições imperativas, como a do nº 6.
Tabela-Verdade
São declarativas as de números 1 até 3 e as de 7 até 10. Construção das tabelas - verdades:

Apostilas Decisão 12 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Segundo o princípio do terceiro excluído, toda proposição Tautologia: Uma proposição composta é uma tautologia quando
simples p é verdadeira ou é falsa, isto é, tem o valor lógico V o seu valor é sempre a verdade (V), para quaisquer valores
(verdade) ou o valor lógico F (falsidade). lógicos das proposições simples componentes.

P V F Exemplo:
O valor lógico de uma expressão composta depende unicamente
dos valores lógicos das expressões simples que compõem P: É noite ou não é noite.
a mesma. Admitindo isso, recorre-se a um dispositivo P: p v ~p
denominado tabela – verdade para aplicar este conceito na
prática. Na tabela – verdade figuram todos os possíveis valores A tabela verdade é:
lógicos da proposição correspondentes a todas as possíveis
atribuições de valores lógicos às proposições simples
componentes. Assim, por exemplo, uma proposição composta p ~p p v ~p
cujas proposições simples componentes são p e q pode ter as V F V
possíveis atribuições:
F V V
p q
1 V V Logo p v ~p é uma tautologia.
2 V F
3 F V
Contradição: Uma proposição composta é uma contradição
4 F F
quando o seu valor é sempre a falso (F), para quaisquer valores
lógicos das proposições simples componentes.

Neste caso, as combinações entre os elementos são: VV, VF, Exemplo:


FV e FF. As tabelas - verdade são construídas como arranjos
dos elementos componentes, e como um elemento pode receber P: É noite e não é noite.
somente os valores V ou F, o tamanho de uma tabela é dado P: p ^ ~p
pela quantidade de elementos combinados:
No caso de uma proposição composta com3 elementos,
A tabela verdade é:
teríamos 8 combinações possíveis:

VVV, VVF, VFV, VFF, FVV, FVF, FFV, FFF. p ~p p ^ ~p

p q R V F F
1 V V V F V F
2 V V F
3 V F V
Logo p v ~p é uma contradição.
4 V F F
5 F V V
6 F V F Indeterminação ou Contingência: Uma proposição composta é
7 F F V indeterminada (ou contingente) quando não é uma tautologia e
8 F F F não é uma contradição.

Leis de De Morgan
Obs 1: a ordem das letras pode ser diferente e a combinação
entre as letras também pode ser dirente da apresentada acima. Da autoria do ilustre matemático inglês Augustus De Morgan
Deve-se somente tomar o cuidado de não repetir duas (1806-1871), podemos separá-las em Primeiras Leis de Morgan
combinações (2 linhas c/ VVF, por exemplo). e Segundas Leis de Morgan.
As primeiras podem ser indicadas de várias formas, dependendo
do contexto a estudar. Podemos utilizá-las em operações lógicas
Obs 2: Para construirmos as tabelas – verdade podemos usar sobre proposições ou em operações sobre conjuntos.
as seguintes regras. O número de linhas sempre depende do
número de elementos combinados, e como uma preposição
pode assumir os valores V ou F, o número de linhas de uma Primeiras Leis de Morgan:
tabela – verdade é dado por 2 n”.
Sendo p e q duas proposições e ~, U e ∩ , respectivamente, os
1 elemento : 2 n” linhas = 2 linhas símbolos das operações lógicas negação, conjunção e
2 elementos: 2 n” linhas = 4 linhas disjunção, as Primeiras Leis de Morgan podem ser apresentadas
3 elementos: 2 n” linhas = 8 linhas simbolicamente por:
4 elementos: 2 n” linhas = 16 linhas 1. ~(p U q) = ~p ∩ ~q cujo significado é:
"negar a simultaneidade de p e q é afirmar pelo menos não p ou
Para construir a tabela inicia-se sempre atribuindo V, F,V, F,... não q".
para o elemento mais à direita da tabela, V, V, F, F,...
para o segundo elemento da direita para a esquerda, V, V, V, V,
2. ~(p ∩ q) = ~p U ~q cujo significado é:
F, F, F, F, ... para o terceiro elemento à partir da
"negar a ocorrência de pelo menos p ou q é afirmar nem p nem
esquerda e assim, sucessivamente.
q".
Equivalências Lógica
Mas, se considerarmos A e B dois conjuntos e ∩, U, ,
respectivamente, os símbolos da intersecção, reunião,
Apostilas Decisão 13 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
complementar de A e complementar de B, as Primeiras Leis de inválido aqui, porque mesmo num argumento inválido as
Morgan podem ser apresentadas simbolicamente por: premissas e a conclusão precisam ter uma certa relação entre si.

Por outro lado, o seguinte é um argumento:

4. Todos os homens são mortais


cujo significado é: "o complementar da intersecção de dois
conjuntos é igual à reunião dos complementares dos conjuntos
iniciais" 5. Sócrates é homem

6. Logo, Sócrates é mortal.

Neste caso, temos um argumento válido, em que todas as


cujo significado é: "o complementar da reunião de dois conjuntos premissas são verdadeiras e a conclusão também -- ou pelo
é igual à intersecção dos complementares dos conjuntos menos assim parecem à primeira vista.
iniciais".

Segundas Leis de Morgan:


A Forma de um Argumento
As Segundas Leis de Morgan permitem-nos efectuar a negação
de proposições com quantificadores (universais e existenciais). Argumentos têm uma certa forma ou estrutura. O argumento
constituído pelo conjunto de enunciados (2) tem a seguinte
forma:
Dada a expressão proposicional (ou condição) p(x), em que x E
A, conjunto de números reais, a expressão ∀x ∈ A: p (x) lê-se:
"para todo o elemento de A, verifica-se p", ou seja, qualquer que 7. Todos os x são y
seja o valor de A pelo qual substituímos x, p(x) transforma-se
numa proposição verdadeira. 8. z é x
Por outro lado, a expressão 3x E A: p(x) lê-se: "existe pelo
menos um elemento de A que verifica p", ou seja, significa que 9. Logo, z é y.
existe pelo menos um valor da variável x, para a qual a p(x) se
transforma numa proposição verdadeira.
Neguemos ambas:

Imaginemos o seguinte argumento, que tem a mesma forma do


argumento constituído pelo conjunto de enunciados 4-6:

10. Todos os homens são analfabetos

As negações destas duas proposições constituem então as 11. Raquel de Queiroz é homem
Segundas Leis de Morgan.
12. Logo, Raquel de Queiroz é analfabeta.
Argumentos válidos e inválidos

Um argumento é um conjunto de enunciados -- mas não um


conjunto qualquer de enunciados. Num argumento os
enunciados têm que ter uma certa relação entre si e é Este argumento, diferentemente do argumento constituído pelos
necessário que um deles seja apresentado como uma tese, ou enunciados 4-6, tem premissas e conclusão todas falsas. No
uma conclusão, e os demais como justificativa da tese, ou entanto, tem exatamente a mesma forma ou estrutura do
premissas para a conclusão. Normalmente argumentos são argumento anterior (forma explicitada nos enunciados 7-9). Se o
utilizados para provar ou disprovar algum enunciado ou para argumento anterior (4-6) é válido (e é), este (10-12) também é.
convencer alguém da verdade ou da falsidade de um enunciado.
Quando dois ou mais argumentos têm a mesma forma, se um
Assim sendo, o seguinte conjunto de enunciados não é, na deles é válido, todos os outros também são, e se um deles é
realidade, um argumento: inválido, todos os outros também são. Como o argumento
constituído pelos enunciados 4-6 é válido, e o argumento
constituído pelos enunciados 10-12 tem a mesma forma (7-9),
1. Todos os metais se dilatam com o calor este (1012) também é válido.

2. Todas os meses há pelo menos quatro domingos


A Forma de um Argumento e a Verdade das Premissas
3. Logo, a UNICAMP é uma boa universidade.
O último exemplo mostra que um argumento pode ser válido
Neste caso, embora todos os enunciados sejam (pelo menos à apesar de todas as suas premissas e a sua conclusão serem
primeira vista) verdadeiros, e embora eles se disponham numa falsas. Isso é indicativo do fato de que a validade de um
forma geralmente associada com a de um argumento (premissa argumento não depende de serem suas premissas e sua
1, premissa 2, e conclusão, precedida por "logo"), não temos um conclusão efetivamente verdadeiras.
argumento porque os enunciados não têm a menor relação entre
si. Não devemos sequer afirmar que temos um argumento

Apostilas Decisão 14 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Mas se esse é o caso, quando é um argumento válido? verdadeiro para todo valor de x e significa que há pelo menos
um x tal que φ é verdadeiro. Os valores das variáveis são tirados
Argumentos Válidos e Inválidos de um universo de discurso pré-determinado.Um refinamento da
lógica de primeira ordem permite variáveis de diferentes tipos,
Um argumento é válido quando, se todas as suas premissas para tratar de diferentes classes de objetos. A lógica de primeira
forem verdadeiras, a sua conclusão tiver que, necessariamente, ordem tem poder expressivo suficiente para formalizar
ser verdadeira (sob pena de auto-contradição). praticamente toda a matemática. Uma teoria de primeira ordem
consiste em um conjunto de axiomas (geralmente finitos ou
recursivamente enumerável) e de sentenças dedutíveis a partir
Considere os dois argumentos seguintes, constituídos, deles. A teoria dos conjuntos de Zermelo-Fraenkel é um exemplo
respectivamente, pelos enunciados 13-15 e 16-18 de uma teoria de primeira ordem, e aceita-se geralmente que
toda a matemática clássica possa ser formalizada nela. Há
Primeiro: outras teorias que são normalmente formalizadas na lógica de
primeira ordem de maneira independente (embora elas admitam
13. Se eu ganhar sozinho na Sena, fico milionário a implementação na teoria dos conjuntos) tais como a aritmética
de Peano.

14. Ganhei sozinho na Sena


Definindo a lógica de primeira ordem
15. Logo, fiquei milionário
Um cálculo de predicados consiste em:
Segundo:
• regras de formação (definições recursivas para dar origem
a fórmulas bem-formadas ou FBFs).
16. Se eu ganhar sozinho na Sena, fico milionário
• regras de transformação (regras de inferência para derivar
17. Não ganhei sozinho na Sena teoremas).

18. Logo, não fiquei milionário • axiomas.

Os axiomas considerados aqui são os axiomas lógicos que


Esses dois argumentos são muito parecidos. A forma do primeiro fazem parte do cálculo de predicados. Além disso, os axiomas
é: não-lógicos são adicionados em teorias de primeira ordem
específicas: estes não são considerados como verdades da
19. Se p, q lógica, mas como verdades da teoria particular sob
consideração. Quando o conjunto dos axiomas é infinito, requer-
20. p se que haja um algoritmo que possa decidir para uma fórmula
bem-formada dada, se ela é um axioma ou não. Deve também
haver um algoritmo que possa decidir se uma aplicação dada de
21. Logo, q uma regra de inferência está correta ou não. É importante notar
que o cálculo de predicados pode ser formalizado de muitas
A forma do segundo é: maneiras equivalentes; não há nada canônico sobre os axiomas
e as regras de inferência propostos aqui, mas toda a
formalização dará origem aos mesmos teoremas da lógica (e
22. Se p, q
deduzirá os mesmos teoremas a partir de um conjunto qualquer
de axiomas não-lógicos).
23. não-p

24. Logo, não-q Alfabeto

O alfabeto de 1ª ordem, Σ, tem a seguinte constituição:e dde


O primeiro argumento é válido porque se as duas premissas
segunda ordem , onde
forem verdadeiras a conclusão tem que, necessariamente, ser
Σ = X U ΣC U ΣF U ΣR U ΣL U ΣP
verdadeira. Se eu argumentar com 13 e 14, e concluir que não
fiquei milionário, estou me contradizendo.
1. X = {x,y,z,x1,x2,...,y1,y2,...,z1,z2,...} é um conjunto
enumerável de variáveis;
O segundo argumento é inválido porque mesmo que as duas
premissas sejam verdadeiras a conclusão pode ser falsa (na 2. ΣC = {a,b,c,a1,a2,...,b1,b2,...,c1,c2,...} é um conjunto de
hipótese, por exemplo, de eu herdar uma fortuna enorme de uma símbolos chamados de constantes;
tia rica).
3. ΣF = {F1,F2,...} é um conjunto de símbolos ditos sinais
funcionais;
A lógica de primeira ordem (LPO), conhecida também como
cálculo de predicados de primeira ordem (CPPO), é um 4. ΣR = {R1,R2,...} é um conjunto de símbolos ditos sinais
sistema lógico que estende a lógica proposicional (lógica relacionais ou predicativos;
sentencial) e que é estendida pela lógica de segunda ordem. As
sentenças atômicas da lógica de primeira ordem têm o formato P 5. ΣL = {¬, ^, v, ,  , ...} é o conjunto de símbolos ditos
(t1,…, tn) (um predicado com um ou mais “argumentos”) ao invés sinais lógicos;
de serem símbolos sentenciais sem estruturas. O ingrediente
novo da lógica de primeira ordem não encontrado na lógica 6. ΣP = {(,),,} é o conjunto de símbolos de pontuação.
proposicional é a quantificação: dada uma sentença φ qualquer,
as novas construções e -- leia “para todo x, φ” e “para algum x,
φ”, respectivamente -- são introduzidas. significa que φ é
Apostilas Decisão 15 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
As constantes, sinais funcionais e sinais predi-cativos constituem As regras de formação definem os termos, fórmulas, e as
a coleção de sinais ditos símbo-los não lógicos. Há diversas variáveis livres como segue. O conjunto dos termos é definido
variações menores listadas abaixo: recursivamente pelas seguintes regras:

• O conjunto de símbolos primitivos (operadores e 1. Qualquer constante é um termo (sem variáveis livres).
quantificadores) varia freqüentemente. Alguns símbolos
primitivos podem ser omitidos, substituindo-os com 2. Qualquer variável é um termo (cuja única variável livre é
abreviaturas adequadas; por exemplo (P ↔ Q) é uma ela mesma).
abreviatura para (P → Q) ^ (Q → P). No sentido contrário,
é possível incluir outros operadores como símbolos 3. Toda expressão f (t1,…, tn) de n ≥ 1 argumentos (onde
primitivos, como as constantes de verdade ⊤ para cada argumento ti é um termo e f é um símbolo de função
“verdadeiro” e o ⊥ para “falso” (estes são operadores do de aridade n) é um termo. Suas variáveis livres são as
aridade 0). O número mínimo dos símbolos primitivos variáveis livres de cada um dos termos ti.
necessários é um, mas se nós nos restringirmos aos
operadores listados acima, seria necessário três; por 4. Cláusula de fechamento: Nada mais é um termo.
exemplo, o ¬, o ∧, e o ∀ bastariam.
O conjunto das fórmulas bem-formadas (chamadas geralmente
• Alguns livros mais velhos usam a notação φ ⊃ ψ para φ
FBFs ou apenas fórmulas) é definido recursivamente pelas
→ ψ, ~φ para ¬φ, φ & ψ para φ ∧ ψ, e uma riqueza de
seguintes regras:
notações para os quantificadores; por exemplo, ∀xφ pode
ser escrito como (x)φ.
1. Predicados simples e complexos: se P for uma relação
de aridade n ≥ 1 e os ai são os termos então P (a1,…,an) é
• A igualdade é às vezes considerada como parte da lógica
bem formada. Suas variáveis livres são as variáveis livres
de primeira ordem; Neste caso, o símbolo da igualdade
de quaisquer termos ai. Se a igualdade for considerada
será incluído no alfabeto, e comportar-se-á sintaticamente
parte da lógica, então (a1 = a2) é bem formada. Tais
como um predicado binário. Assim a LPO será chamada
fórmulas são ditas atômicas.
de lógica de primeira ordem com igualdade.

• As constantes são na verdade funções de aridade 0, 2. Cláusula indutiva I: Se φ for uma FBF, então ¬φ é uma
assim seria possível e conveniente omitir constantes e FBF. Suas variáveis livres são as variáveis livres de φ.
usar as funções que tenham qualquer aridade. Mas é
comum usar o termo “função” somente para funções de 3. Cláusula indutiva II: Se φ e ψ são FBFs, então (ψ ∧ φ),
aridade 1. (ψφ), (ψ → φ), (ψ ↔ φ) são FBFs. Suas variáveis livres
são as variáveis livres de φ e de ψ.
• Na definição acima, as relações devem ter pelo menos
aridade 1. É possível permitir relações de aridade 0; estas
seriam consideradas variáveis proposicionais. 4. Cláusula indutiva III: Se φ for uma FBF e x for um
variável, então ∀xφ e ∃xφ são FBFs, cujas variáveis livres
• Há muitas convenções diferentes sobre onde pôr são as variáveis livres de φ com exceção de x.
parênteses; por exemplo, se pode escrever ∀x ou (∀x). Ocorrências de x são ditas ligadas ou mudas (por
Às vezes se usa dois pontos ou ponto final ao invés dos oposição a livre) em ∀xφ e ∃xφ.
parênteses para criar fórmulas não ambíguas. Uma
convenção interessante, mas incomum, é a “notação
polonesa”, onde se omite todos os parênteses, e escreve- 5. Cláusula de fechamento: Nada mais é uma FBF.
se o ∧, ∨, e assim por diante na frente de seus
argumentos. A notação polonesa é compacta e elegante,
mas rara e de leitura complexa. Na prática, se P for uma relação de aridade 2, nós escrevemos
frequentemente “a P b” em vez de “P a b”; por exemplo, nós
• Uma observação técnica é que se houver um símbolo de escrevemos 1 < 2 em vez de < (1 2). Similarmente se f for uma
função de aridade 2 que representa um par ordenado (ou função de aridade 2, nós escrevemos às vezes “a f b” em vez de
símbolos de predicados de aridade 2 que representam as “f (a b)”; por exemplo, nós escrevemos 1 + 2 em vez de + (1 2).
relações de projeção de um par ordenado) então se pode É também comum omitir alguns parênteses se isto não conduzir
dispensar inteiramente as funções ou predicados de à ambigüidade. Às vezes é útil dizer que “P (x) vale para
aridade > 2. Naturalmente o par ou as projeções exatamente um x”, o que costuma ser denotado por ∃!xP(x). Isto
necessitam satisfazer aos axiomas naturais. também pode ser expresso por ∃x (P (x) ∀y (P (y) → (x = y))).

Os conjuntos das constantes, das funções, e das relações Exemplos: A linguagem dos grupos abelianos ordenados tem
compõem a assinatura e são geralmente considerados para dar uma constante 0, uma função unária −, uma função binária +, e
forma a uma linguagem, enquanto as variáveis, os operadores uma relação binária ≤. Assim:
lógicos, e os quantificadores são geralmente considerados para
pertencer à lógica. Uma estrutura dá o significado semântico de • 0, x, y são termos atômicos
cada símbolo da assinatura. Por exemplo, a linguagem da teoria
dos grupos consiste de uma constante (elemento da identidade), • + (x, y), + (x, + (y, − (z))) são termos, escritos geralmente
de uma função de aridade 1 (inverso), de uma função de aridade como x + y, x + (y + (−z))
2 (produto), e de uma relação de aridade 2 (igualdade), que seria
omitida pelos autores que incluem a igualdade na lógica • = (+ (x, y), 0), ≤ (+ (x, + (y, − (z))), + (x, y)) são fórmulas
subjacente. atômicas, escritas geralmente como x + y = 0, x + y - z ≤
x + y,
Regras de Formação
• (∀x ∃y ≤ (+ (x, y), z)) ∧ (∃x = (+ (x, y), 0)) é uma fórmula,
escrita geralmente como (∀x ∃y (x + y ≤ z)) ∧ (∃x (x + y =
0)).
Apostilas Decisão 16 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
aqui. Ela diz que se φ e φ → ψ são ambos demonstrados, então
pode-se deduzir ψ. A regra de inferência chamada
Substituição Generalização Universal é característica da lógica de primeira
ordem:
Se t é um termo e φ(x) é uma fórmula que contém
possivelmente x como uma variável livre, então φ(t) se definido se ├ Ø , então ├ A x Ø
como o resultado da substituição de todas as instâncias livres de
x por t, desde que nenhuma variável livre de t se torne ligada onde se supõe que φ é um teorema já demonstrado da lógica de
neste processo. Se alguma variável livre de t se tornar ligada, primeira ordem. Observe que a Generalização é análoga à regra
então para substituir t por x é primeiramente necessário mudar da necessitação da lógica modal, que é:
os nomes das variáveis ligadas de φ para algo diferente das
variáveis livres de t. Para ver porque esta condição é necessária, se ├ P , então ├ ∧ P.
considere a fórmula φ(x) dada por ∀y y≤x (“x é máximal”). Se t
for um termo sem y como variável livre, então φ(t) diz apenas
que t é maximal. Entretanto se t é y, a fórmula φ(y) é ∀y y≤y que 3. ENTENDIMENTO DE ESTRUTURAS LÓGICAS
não diz que y é máximal.O problema de que a variável livre y de
DAS RELAÇÕES ARBITRÁRIAS ENTRE
t (=y) se transformou em ligada quando nós substituímos y por x
em φ(x). Assim, para construir φ(y) nós devemos primeiramente PESSOAS, LUGARES, COISAS, EVENTOS
mudar a variável ligada y de φ para qualquer outra coisa, por FICTÍCIOS
exemplo a variável z, de modo que o φ(y) seja então ∀z z≤ y.
Esquecer desta condição é uma causa notória de erros. Raciocínio

Oriundo do latim reri, ratus, ratiocinium, o nome raciocínio


Igualdade mantém ainda a carga etimológica e semântica do étimo, que
significa contar, contado, conta. Dali passou logo a significar
Há diversas convenções diferentes para se usar a igualdade (ou também calcular e julgar. Desta sorte passou finalmente a
a identidade) na lógica de primeira ordem. Esta seção resume as significar o cálculo raciocinativo, porquanto este resulta
principais. Todas as convenções resultam mais ou menos no efetivamente de um cálculo de evidências conectadas, que
mesmo com mais ou menos a mesma quantidade de trabalho, e produzem conclusões. Razão entrou a ser o nome da
diferem principalmente na terminologia. inteligência, enquanto capaz de cálculo, ou seja, de raciocinar.
Diferentemente, pensar não associa raciocinar, porém o
• A convenção mais comum para a igualdade é incluir o exercício do conhecer em geral. Deriva pensar, do latim pensare,
símbolo da igualdade como um símbolo lógico primitivo, e originariamente com o sentido de pesar, somente depois pensar.
adicionar os axiomas da igualdade aos axiomas da lógica Outras denominações circulam no tratamento da lógica do
de primeira ordem. Os axiomas de igualdade são raciocínio, como inferência, indução, dedução, silogismo. Estas
outras denominações, ora se ampliam, ora se particularizam.
x=x

x = y → F(...,x,...) = F(...,y,...) para qualquer função F Definição Real do Raciocínio

x = y → (P(...,x,...) → P(...,y,...)) para qualquer relação P Importa primeiramente definir o raciocínio em si mesmo. E
(incluindo a própria igualdade) depois, a seguir, frisar como se diferencia da operação do juízo
que lhe é imediatamente anterior. O raciocínio, definido por
partes, é:
• A próxima convenção mais comum é incluir o símbolo da
igualdade como uma das relações de uma teoria, e - uma operação mental cursiva,
adicionar os axiomas da igualdade aos axiomas da teoria.
Na prática isto é quase idêntico à da convenção - sendo-lhe essencial operar com intermediários,
precedente, exceto no exemplo incomum de teorias com
nenhuma noção de igualdade. Os axiomas são os - que servem como instrumento de comparação,
mesmos, e a única diferença é se eles serão chamados
de axiomas lógicos ou de axiomas de taoria. - através dos quais se encaminha, por causação formal,
a conclusão,
• Nas teorias sem funções e com um número finito de
relações, é possível definir a igualdade em termos de - a qual, por haver sido um efeito causal, é dita de
relações, definindo os dois termos s e t como iguais se evidência virtual, de verdade virtual, de certeza virtual.
qualquer relação continuar inalterada ao se substituir s
por t em qualquer argumento. Por exemplo, em teoria dos
conjuntos com uma relação ∈, nós definiríamos s = t Entre Juízo e Raciocínio
como uma abreviatura para ∀x (s ∈ x ↔ t ∈ x) ∧∀x (x ∈
s ↔ x ∈ t). Esta definição de igualdade satisfaz Na operação do juízo a comparação é simples, e ocorre
automaticamente os axiomas da igualdade. diretamente entre dois termos. Diferentemente, no raciocínio a
comparação é complexa, operada com mais de dois termos e
• Em algumas teorias é possível dar definições de que se coordenam, até finalmente resultarem na conclusão de
igualdade ad hoc. Por exemplo, em uma teoria de ordens um novo conhecimento. Há, pois, duas espécies de cursividade
parciais com uma relação ≤ nós poderíamos definir s = t mental, uma de inferência imediata, acontecida no juízo, outra de
como uma abreviatura para s ≤ t ∧ t ≤ s. inferência mediata, operada no raciocínio. Quanto ao uso do
termo inferência importa alguma cautela. Inferência (do latim
ínfero = levo) traduz raciocínio. No plano do mesmo raciocínio
Regras de Inferência prefere-se denominar inferência ao raciocínio indutivo , e não ao
dedutivo, este denominado geralmente silogismo. Mas alargou-
A regra de inferência modus ponens é a única necessária para a se a acepção, de maneira a incluir também a simples
lógica proposicional de acordo com a formalização proposta explicitação do conhecimento implícito e operações de
Apostilas Decisão 17 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
conversão das proposições. Exemplo: se nenhum círculo é capciosos, que através de todas as épocas tem provado as mais
quadrado, se infere que nenhum quadrado é circulo. No caso do desencontradas ideologias.
juízo, a cursividade é mínima, resultando da simples
comparação, a qual oferece imediatamente o resultado. Mesmo
assim, esta progressão acontece de duas maneiras no juízo. Ela Divisão do Raciocínio em Dedutivo e Indutivo
se apresenta como síntese imediatamente presente, quando a
conexão simplesmente se mostra pela experiência direta, O processo raciocinativo, através de um antecedente a
factual. No exemplo - a casa é branca - os termos são dois; fornecer uma conclusão de evidência virtual, se dá de duas
observados diretamente, ou seja fenomenologicamente, como maneiras, - a dedutiva e a indutiva. A estrutura exata ou precisa,
fatos, vistos o predicado e o sujeito diretamente conectados, em destas duas modalidades de raciocinar somente se esclarece
evidência explícita. O juízo de evidência mediata é um novo com uma exposição relativamente longa, a ser efetuada logo a
passo, que ainda não é o raciocínio. Este juízo acontece por seguir. Mas, desde o inicio se consegue observar e descrever
análise. Os termos comparados se oferecem, o primeiro em características notorias de uma e outra modalidade de racionar.
condições de evidência explícita, o segundo em condições de A dedução, partindo de proposições mais universais, extrai,
evidência implícita, de tal maneira que este último esteja dentro como virtualmente contida nas mesmas, uma conclusão menos
do primeiro. Tome-se um exemplo, para mostrar este universal. O exemplo mais singelo é o dos círculos
procedimento. Seja a uma noção de evidência explícita, como a sucessivamente menores: se o círculo maior contém o círculo
do ser. Resulta, por inferência imediata, que a noção do ser médio, e se o círculo médio contém o menor, é claro que o
(embora explícita), permite descobrir que ela contém círculo menor está contido no maior. A indução, partindo de
implicitamente, que não pode ao mesmo tempo ser e não ser. proposições menos universais (fatos singulares), alcan-ça uma
Todos os axiomas, ou princípios do conhecimento, se encontram outra mais universal (a natureza, ou lei), também virtualmente
nesta condição de verdades obtidas por análise de simples contida. Funda-se a indução, como oportunamente
comparação entre dois termos. O raciocínio propriamente dito é explicaremos, no princípio de que cada indivíduo de uma
aquele que opera mediante comparações complexas, para espécie e realiza em si todo o ideal da mesma. Basta conhecer
obtenção de novos resultados de conhecimento. Progredindo de um indivíduo, para, virtualmente ter o conhecimento da espécie a
um termo para outro e deste para outro mais, o raciocínio que pertence, ou das leis a que se subordina. Dedução e
propriamente dito é uma cursividade raciocinativa mediata. indução formaram-se do verbo latino ducere (= levar, guiar).
Difere, pois, da cursividade de comparação simples do juízo, Com os sufixos de - in - lembra que o raciocínio leva a um objeto
tanto da meramente fenomenológica (de síntese), como da de conhecido para outro, isto é, para uma conclusão. De acordo
inferência imediata (de análise). Diferentemente, o raciocínio com a tendência, do mais universal, para o menos, cabe
propriamente dito, - seja por síntese, seja por análise, - sempre é dedução; do menos para o mais, indução.
uma cursividade complexa. O resultado da comparação
complexa, do raciocínio propriamente dito, está numa linha de A estruturação lógica do pensamento, indispensável para a
evidência mais distante. Sua cursividade, embora principie nas construção de conhecimento de maior complexidade e para sua
evidências explicitas e continue nas implícitas, chega finalmente explicitação precisa, requer a compreensão preliminar de alguns
à evidências virtuais (ou potenciais). Dizem-se assim, porque conceitos, os quais apresentamos a seguir de modo superficial e
contidas nas precedentes, de onde derivam. Exemplos de que serão tratados com maior rigor e precisão mais adiante.
raciocínios:
Proposição: é uma idéia (só existe no plano mental) que, em
- o homem morre, geral, estabelece algum conhecimento sobre algo ou que
manifesta uma posição ou um entendimento sobre alguma coisa;
- Pedro é homem,

- logo Pedro morre. Sentença: é uma expressão de uma proposição, utilizando


alguma linguagem (idiomática – escrita ou falada -, gráfica;
Todos os homens observados têm morrido. Infere-se, que é gestual; linguagem jurídica, linguagem do jogo do bicho, entre
próprio do homem morrer. outras). Há proposições que podem ser expressas por sentenças
distintas e há sentenças que expressam proposições distintas;

Os Elementos Constitutivos do Raciocínio Exemplo:

Compõe-se o raciocínio de juízos. Tais juízos não compõem a) Jorge é mais inteligente do que Pedro
o raciocínio por simples justaposição, mas por um sistema de
conexões, comandado pela ordem das evidências, e que tem por b) Ontem choveu muito
objetivo final produzir uma conclusão. Há no raciocínio matéria
ajuizada, que são os juízos, enquanto oferecem o conteúdo c) Amanhã vai fazer sol
sobre que se raciocina. E forma, que é o encadeamento lógico
das relações entre os juízos, com o objetivo final de produzir a d) Estou calçando meias de seda / As meias que eu
conclusão. Do ponto de vista da lógica interessa apenas a forma estou calçando são de seda
do raciocínio, que sempre deverá ser reta. Para as demais
ciências o interesse se situa no conteúdo material. A primeira e) Uma equação do segundo grau pode admitir duas
parte do raciocínio se denomina antecedente. A última, raízes distintas / É possível que uma equação do
conseqüente, ou conclusão. Distingue-se entre conseqüência, segundo grau admita duas raízes distintas.
que é a forma perfeitamente conduzida ao termo final, e
conseqüente, que é o mesmo termo apreciado isoladamente sob f) Sou favorável a que passem à segunda divisão
a perspectiva da verdade simplesmente. Quem, por exemplo, quatro e não, apenas, dois times da primeira divisão /
argumenta - o que Pedro não perdeu, tem; ora Pedro não perdeu Sou a favor de que ao invés de serem dois, sejam
os chifres, logo Pedro tem chifres, - procede com alguma forma quatro os times da primeira divisão que caiam para a
lógica, mas chega a um conseqüente inaceitável. Haveria então segunda divisão.
uma conseqüência correta mas não um conseqüente certo. Pode
ocorrer, pela mesma razão, um bom conseqüente e contudo não g) Bernadete não sabe onde guardou a manga
ser uma conclusão em boa forma. Estes são os raciocínios

Apostilas Decisão 18 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Objeto: corresponde ao elemento em relação ao qual se corresponde ao conteúdo de um conceito comumente
estabelece ou se quer estabelecer um conhecimento ou ao fator designado pela palavra “água”.
de referência no contexto. Em geral, é um conceito;
b) A expressão “número real inteiro e não negativo” é o
Exemplo: conteúdo de um conceito muito usado na aritmética e
conhecido por “número natural”.
a) João é estudioso;

b) o lápis está sem ponta; Objeto singular: trata-se de um objeto único, identificado
individualmente;
c) como é o caderno que você precisa?
Exemplo:

Atributo: constitui uma condição que pode ou não estar a) A caneta que meu pai utilizou para assinar o contrato
presente no objeto ou ser ou não atendida pelo mesmo e de seu primeiro casamento
corresponde a uma particularidade ou peculiaridade dele;
b) O sapato que estou calçando agora no pé esquerdo
Exemplo:

a) ter nascido em 1960;


Objeto generalizado: trata-se de um conceito que corresponde
b) estar sentado; a uma classe ou conjunto de objetos singulares.

c) vestir camisa na cor verde Exemplo:

d) Os atributos essenciais do conceito “retângulo” são: a) caderno

1. Ser quadrilátero; b) caderno vertical

2. Apresentar todos os ângulos retos c) caderno horizontal

d) caderno com espiral


Conceito: idéia que identifica uma classe de objetos singulares
que existem no plano material, através do estabelecimento de
um objeto generalizado que só existe no plano mental. Diz-se
que tais objetos singulares são “incluídos” no conceito. Existe uma estreita relação entre a elaboração teórica (no
plano mental) de uma idéia e sua expressão concreta (no plano
Exemplo: material), a qual se dá através de uma linguagem apropriada
(escrita, falada, gestual ou gráfica), de tal modo que uma coisa
a) caderno; não se concretiza plenamente sem a outra. Em conseqüência
disso, o conhecimento mesmo somente está construído quando
b) homem; elaborado no plano mental e expresso adequadamente no plano
material. No caso do conhecimento científico, isto é, aquele
c) estudante; construído através do processo científico, se usa comumente a
linguagem idiomática conjugada com uma linguagem específica
d) mesa; ao contexto: (linguagem jurídica, linguagem policial. Linguagem
matemática), havendo, também, o uso da linguagem gráfica
e) função; (desenho, esboço, gráfico, tabela). Como existe uma
correspondência intrínseca entre a idéia (plano mental) e a
f) amor linguagem (sua expressão no plano material), esta deve ser
adequada àquela, sob pena de comprometer o conhecimento
construído.
Volume do conceito: é o conjunto dos objetos singulares
incluídos no conceito;
A construção do conhecimento
Exemplo;
O conhecimento é construído ou aperfeiçoado através de
a) O volume do conceito “caderno” é o conjunto de mecanismos que vão desde sistemas muito simples e naturais a
todos os cadernos sistemas muito complexos que envolvem elementos artificiais.
Em sua forma mais elementar e numa fase inicial de sua forma
b) O volume do conceito “tigre” é o conjunto de todos os mais elaborada, o conhecimento é construído a partir de
tigres mecanismos inerentes aos sentidos naturais e às experiências
sociais, quais sejam:

Conteúdo do conceito: é uma expressão que articula de modo - sensação;


conjugado todos os atributos essenciais dos objetos que se
incluem no conceito, de modo que permita a identificação de - percepção;
qualquer um deles e a exclusão daqueles que não se incluem;
- representação.
Exemplo;
Nos três casos, o conhecimento é superficial, parcial e
a) A expressão “substância cuja molécula é constituída incompleto, não havendo o conhecimento do objeto integral nem
por um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio” de sua essência. Na sensação é preponderante o conhecimento
Apostilas Decisão 19 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
de partes e/ou de particularidades isoladas do objeto, sendo o - o raciocínio.
mesmo adquirido através da ação direta de sentidos naturais
(visão, tato, olfato, etc.) sobre o objeto do conhecimento, ainda
que com a ajuda de instrumentos. Na percepção o objeto é O conhecimento construído através da formação do conceito
conhecido de maneira superficial e geral, através de um conjunto corresponde a uma classe de objetos singulares presentes no
de sensações, sendo pouco significativo o conhecimento de plano material que, como foi dito anteriormente, são “incluídos
suas partes e de suas particularidades. A representação no conceito”. Tal conhecimento é estabelecido através da
corresponde a uma imagem do objeto, construída sem contato identificação de um objeto generalizado que só existe no plano
direto com o mesmo, a partir de sensações ou de percepções mental e não através da identificação de cada objeto singular da
ocorridas em contato direto anterior com o objeto ou a partir de respectiva classe. Notemos que uma mesma palavra ou
sua descrição ou de um conhecimento indireto do mesmo. A expressão proferida ou escrita em contextos distintos pode
representação pode ser reprodutiva ou criativa. O primeiro caso corresponder a conceitos diferentes, relacionados a cada
ocorre quando se trata da imagem de um objeto já conhecido a contexto específico. O conhecimento de cada objeto singular de
partir de sensação ou de percepção. A segunda forma modo isolado, tanto no processo espontâneo como no processo
corresponde a uma imagem construída a partir de uma descrição científico, é construído através de detalhes (particularidades,
do objeto, sem contato sensorial anterior com o mesmo ou a peculiaridades) presentes em cada um deles. Tais detalhes são
partir da conjugação de outros objetos já conhecidos inicialmente identificados no plano material de modo superficial -
anteriormente. Uma representação reprodutiva pode ser, por em geral, através dos sentidos naturais - sendo posteriormente
exemplo, uma imagem de uma pessoa anteriormente conhecida, transferidos do plano material para o plano mental. O processo
já falecida ou distante, construída num momento em que nos de transferência do conhecimento do plano material para o plano
lembramos dela. Uma representação criativa seria uma imagem mental constitui a “internalização”. À medida que vão sendo
de um jogo de futebol que vai sendo construída por uma pessoa internalizados os detalhes correspondentes a objetos singulares
que não esteja assistindo ao jogo, a partir da narração que de uma mesma classe (por exemplo: um certo número de
esteja ouvindo no rádio. Os conhecimentos correspondentes à cadeiras, de copos, de funções, de equações) vai sendo
sensação, à percepção e à representação são mediados por construída no plano mental uma estrutura correspondente ao
circunstâncias temporais, espaciais ou emocionais, pela objeto generalizado que identifica a respectiva classe, o que, em
experiência pessoal do observador e, muitas vezes, por geral, é precedido pela construção de representações mentais
preconceitos, superstições e por fatores inerentes a cultura e aos dos objetos singulares que vão sendo conhecidos
interesses pessoais e sociais dos indivíduos. Desse modo, é individualmente. Os detalhes presentes nos objetos singulares e
comum que no reflexo do objeto prevaleçam traços relacionados que permitem sua descrição e sua identificação entre outros
com tais fatores ou mesmo que se apresentem traços sem objetos, a partir dos quais ocorre o processo da internalização,
correspondência na realidade, fruto, apenas, dos fatores de são chamados de atributos ou indícios. À medida que o grau de
mediação. generalização do conceito vai aumentando, vão sendo
desprezados atributos não essenciais e, quando atingido o grau
Exemplo: de máxima generalização permanecem apenas os atributos que
são essenciais à classe de objetos considerada. Os atributos
a) Um psicólogo, um físico e um poeta têm percepções podem ser de distintas naturezas:
distintas quando observam o por do sol por trás das
montanhas ou quando observam as ondas revoltas do • propriedade: quando é essencial à natureza do
mar. objeto generalizado no grau de máxima
generalização;
b) O dono da empresa dos ônibus que permanecem
sempre superlotados e os passageiros que se • característica: quando não é propriedade, mas
espremem dentro do mesmo constroem percepções é essencial à natureza do objeto generalizado e
distintas desse mesmo fato. faz parte dos objetos singulares, relativamente à
respectiva sub-classe;
c) A representação que uma pessoa faz de alguém a
quem ama, em geral, é mais bonita do que a pessoa
real. • qualidade: quando não é propriedade, mas é
essencial à natureza do objeto generalizado e
d) A percepção que uma pessoa forma de um não faz parte dos objetos singulares,
conferencista é diferente se ele tiver falado coisas que relativamente à respectiva sub-classe.
lhe sejam favoráveis ou desfavoráveis.
Juízo é o elemento pelo qual o conhecimento é expresso através
O conhecimento é construído como uma idéia e, em geral, é de uma afirmação, de uma negação, de uma comparação ou de
elaborado na forma de uma proposição, no plano mental. No uma condicionante. Nessa forma, o conhecimento é construído a
plano material, o conhecimento é expresso, em geral, na forma partir da qualificação ou da quantificação de um conceito ou da
de uma sentença utilizando-se uma linguagem adequada à comparação ou do relacionamento entre conceitos distintos ou
cultura na qual se insere ou à natureza ou ao objetivo de sua do mesmo conceito em contextos diversos, através de seus
utilização. O conhecimento mais sofisticado, tal como aquele que atributos. O juízo é uma proposição que, na lógica formal,
é elaborado no processo escolar e nas atividades acadêmicas e apresenta sempre um valor lógico: verdadeiro ou falso, sendo
científicas, é construído através de mecanismos mais expressado por meio de uma sentença. Os valores verdadeiro e
complexos, relacionados ao pensamento abstrato e generalizado falso atribuídos a um juízo, são valores lógicos e nada têm a ver
e permite o conhecimento integral do objeto: sua essência, isto com a ética ou a justiça e, um mesmo juízo pode assumir valores
é, seus atributos essenciais; suas partes e particularidades e seu distintos em situações ou contextos diferentes. Por outro lado, os
aspecto geral. Os conhecimentos mais elaborados são juízos quando contextualizados, devem atender aos critérios do
construídos através dos processos científicos cujos elementos contexto, ademais dos critérios lógicos. Raciocínio é o elemento
centrais são: que permite a construção de conhecimentos mais complexos a
partir de conhecimentos anteriores, os quais são chamados de
- o conceito; “premissas”. O conhecimento novo, construído a partir do
relacionamento entre as premissas, é chamado de “conclusão”.
- o juízo e

Apostilas Decisão 20 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Conceito generalizado do conceito terá sido prejudicada pelos fatores
mencionados. Um conceito pode ser formado em distintos graus
Inicialmente um objeto singular é conhecido no plano de generalização, desde o conceito singular, que corresponde a
material, a través de seus atributos sensorialmente percebidos e, um objeto específico - concreto ou abstrato - até o conceito
em seguida, tal conhecimento passa ao plano mental sob a generalizado (no grau de máxima generalização), passando por
mediação de um signo, que pode ser uma palavra, uma graus intermediários, correspondentes a subclasses do
expressão ou algum outro elemento material, o qual assume a respectivo gênero, nas quais se incluem alguns e se excluem
função de “nome” do objeto e depois se confunde com o próprio. outros objetos. Quando tratamos de um conceito singular,
O conhecimento de vários objetos com atributos comuns consideramos todos os atributos que identificam o objeto.
possibilita um primeiro grau de generalização no qual o mesmo
signo que antes correspondia particularmente a cada objeto
singular, deixa de se identificar especificamente com cada um e Estes “termos lógicos” permitem “traduzir” para a linguagem da
passa a corresponder a qualquer um deles e, numa fase lógica simbólica expressões que se encontram na linguagem
seguinte, passa a corresponder não mais a cada um dos objetos idiomática.
singulares diretamente, mas ao conjunto deles, isto é, designa o
objeto generalizado correspondente ao tal conjunto. Quando o
número de objetos da “família” é suficientemente grande para a
identificação de todos os atributos essenciais, isto é, aqueles Funções nominais e funções proposicionais
necessários e suficientes para separar os objetos que a
compõem, é possível alcançar o maior grau de generalização, Na lógica formal se distinguem as funções nominais e as
descartando-se os atributos não essenciais. Nesse ponto, a funções proposicionais: ambas apresentam variáveis que
“família” passa a ser o “gênero” e o signo que a identifica passa representam objetos não definidos. As funções nominais são
a corresponder ao objeto generalizado, abstrato, que só existe expressões que passam a designar objetos definidos quando se
no plano mental e não mais corresponde a qualquer um dos atribui valores ou especificidades às variáveis.
objetos singulares, ainda que tal signo continue a ser utilizado
como referência a cada um deles em particular. O conceito não
apenas identifica o objeto generalizado ao qual se refere mas se Exemplos:
identifica com ele e corresponde à internalização mental do
conjunto dos objetos singulares ao qual se refere. Os objetos - x3 – 2
singulares que inicialmente são conhecidos sensorialmente e
depois através da mediação simbólica, pouco a pouco vão se - mãe da criança X
fundindo num único objeto abstrato, generalizado, que se
transforma numa imagem mental que substitui sua forma - O professor da disciplina X da turma Y.
material ou materializada.

Exemplo: As funções proposicionais são expressões que passam a ser


proposições, falsas ou verdadeiras, quando se atribui
Num momento inicial do desenvolvimento da pessoa, a palavra especificidades às variáveis.
“cachorro” se refere a um objeto (animal) singular específico,
passando depois a designar um conjunto de animais (cachorros)
que a pessoa tenha conhecido sensorialmente. À medida em Exemplos:
que a pessoa vai conhecendo outros cachorros, são
acrescentadas peculiaridades desses animais que constituem X é engenheiro
atributos tanto essenciais como não essenciais, sendo ampliado
o universo de objetos designados pela mesma palavra 7 + y = 10
“cachorro”. Assim, a função da palavra “cachorro” transita desde Z é uma cidade do Estado do Rio de Janeiro
o nome de um animal particular, à designação de cada um dos
objetos (cada um dos cachorros) singulares de um conjunto de x+y>5
objetos semelhantes, à identificação da família dos cachorros,
até chegar a ser um signo que corresponde ao objeto
generalizado, isto é, ao “cachorro” abstrato que só existe no 4. DEDUZIR NOVAS INFORMAÇÕES DAS
plano mental e que não identifica qualquer cachorro singular.
Não existe no plano material “o cachorro”, apenas existe “este RELAÇÕES FORNECIDAS E AVALIAÇÃO DAS
cachorro”, “aquele cachorro”, ou seja, para identificar um CONDIÇÕES USADAS PARA ESTABELECER A
cachorro específico, é necessário que a palavra “cachorro” que ESTRUTURA DAQUELAS RELAÇÕES
identifica o “gênero” seja acompanhada de um ou mais atributos
não essenciais ao gênero e que especifiquem o animal singular O raciocínio dedutivo conclui um particular de um geral. O
ao qual se quer fazer referência. O processo externo de geral é sempre uma hipótese. Quando se diz que 'Todo homem
visualização de cada cachorro (objetos singulares) e de é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.', está se
verbalização e de audição da palavra cachorro, corresponde ao dizendo: 'Se todo homem é mortal. Se Sócrates é homem. Logo,
processo interno no qual se forma uma imagem mental Sócrates é mortal.' Agora podemos entender melhor o
(representação) do objeto (cachorro) que preserva apenas os argumento dedutivo e lógico sobre os gansos: 'Se todos os
indícios essenciais ao mesmo, abstraindo todos os demais gansos são brancos. E se irei receber um ganso enviado por um
atributos, inclusive aqueles que são específicos deste ou colega. Logo, este ganso é branco.' Pelo visto até agora,
daquele objeto. Ao final desse processo, a palavra “cachorro” podemos chegar a seguinte conclusão: o raciocínio dedutivo
passa a identificar não mais um animal específico, mas um partindo de uma hipótese geral não tem referência com o mundo
cachorro qualquer e qualquer cachorro, representando a imagem real, mas tem referência com o que o cientista, filósofo ou
mental formada somente com os indícios essenciais. pensador imagina sobre o mundo. Já o raciocínio indutivo parte
Naturalmente, é possível que haja uma influência - em graus de uma observação feita do mundo, de uma realidade, de um
variados de significação - de experiências ou de sentimentos evento, de um fato. Raciocinar ou argumentar é um ato
pessoais que tenham fixado um ou mais de um objeto singular característico da inteligência humana. Trata-se de um tipo de
específico de tal modo que a imagem formada corresponda a operação discursiva do pensamento que consiste em encadear
esse e não a um objeto generalizado. Nesse caso, a formação premissas para deles extrair uma conclusão. Por premissa ou
Apostilas Decisão 21 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
proposição entendemos a afirmação ou a negação da identidade uma falácia de falsa premissa, a partir do momento em que
de dois conceitos ou termos. Exemplo: Todo homem é mortal. O existem penas alternativas, em que se deve verificar a natureza
raciocínio chega de uma premissa a uma conclusão, passando e a gravidade do crime, etc.
por várias outras premissas intermediárias. Nesse sentido,
podemos dizer que o raciocínio é um conhecimento mediato ou
indireto, isto é, intermediado por vários outros. Assim, é o Raciocínio Verbal
contrário da intuição, que é o conhecimento imediato.
Raciocinamos ou argumentamos quando colocamos premissas A lógica é uma arte, na medida em que ela habilita o homem
que contenham evidências em uma ordem tal que a bem raciocinar, e é também uma ciência, enquanto considera
necessariamente nos levam a uma conclusão. a argumentação como objeto de seu estudo. A arte é uma
virtude que dispõe para a reta execução de uma obra, externa –
bem útil ou bem deleitável ou estético: daí que se fale em belas
Raciocínio Dedutivo artes– ou interna, como ocorre com a lógica; por isso, porque
sua obra é interna, ela é uma arte liberal e não mecânica. Como
Podemos raciocinar ou argumentar logicamente de três ciência, a lógica é um conhecimento certo e sistemático do
modos diferentes, fazendo uso da dedução, da indução ou da raciocínio por suas causas, descobrindo as razões últimas pelas
analogia. Vamos examinar aqui o primeiro tipo de raciocínio, que quais os procedimentos lógicos são ou devem ser realizados de
mereceu uma atenção toda especial dos lógicos, desde uma ou de outra maneira. Diz um autor de nossos tempos que a
Aristóteles. A dedução é um tipo de raciocínio que parte de uma lógica é a ciência que é exatamente porque é uma arte: é que a
proposição geral (referente a todos os elementos de um lógica não se cultiva por si própria, mas, sim, pelo auxílio que ela
conjunto) e conclui com uma proposição particular (referente a presta às demais ciências. A lógica, pois, não é somente uma
parte dos elementos de um conjunto), que se apresenta como ciência demonstrativa, mas também uma arte que ensina e
necessária, ou seja, que deriva logicamente das premissas. Veja aplica as regras de pensar com retidão. Enquanto a lógica
dois exemplos: estuda e explica a argumentação pelos primeiros princípios
intelectuais, ela deve considerar-se uma ciência; quando a
lógica, porém, é preceptiva de pensar bem, ela é uma arte. O
- Todo metal é dilatado pelo calor. (Premissa maior) objeto material da lógica é a argumentação ou as operações
próprias do raciocínio. Objeto é um ente enquanto concebido por
Ora, a prata é um metal. (Premissa menor) uma faculdade humana ou apreendido por uma ciência. Aquilo
que, não importa desde qual perspectiva, recai sob a
Logo, a prata é dilatada pelo calor. (Conclusão) consideração de uma dada ciência chama-se seu objeto
material. O homem, por exemplo, é o objeto material de muitas
ciências: da Antropologia, da Medicina, da Ética. A
argumentação – que é o produto do raciocínio– é objeto material
- Todo brasileiro é sul-americano. (Premissa maior) compartido pela lógica e pela Psicologia, esta última
considerando a argumentação como efeito de um processo
Ora, todo paulista é brasileiro. (Premissa menor) psíquico. Assinalem-se, por agora, três exemplos de possíveis
argumentações, sobre os quais se voltará a seu tempo:
Logo, todo paulista é sul-americano. (Conclusão)
- Todo direito real é dotado de seqüela.
Aristóteles chamava o raciocínio dedutivo de silogismo e o
considerava um modelo de rigor lógico. Entretanto, é importante A hipoteca é um direito real.
notar que a dedução não traz conhecimento novo, uma vez que
a conclusão sempre se apresenta como um caso particular da lei Logo, a hipoteca é dotada de seqüela.
geral. Assim, a dedução organiza e especifica o conhecimento
que já temos. Ela tem como ponto de partida o plano do
inteligível, ou seja, da verdade geral, já estabelecida. - O Chile é limítrofe da Argentina.

A Argentina é limítrofe do Brasil.


Sofismas ou Falácias
Logo, o Chile é limítrofe do Brasil.
Existem também os raciocínios ou argumentos que são
incorretos, e que visam induzir ao erro. Chamam-se falácia ou
sofisma, e, em geral, contêm falhas no âmbito formal ou - Lição elementaríssima da teoria econômica, que não ignora o
material. Eis um exemplo que tem circulado pela Internet, com mais desatento estudante de Direito, é a de que todas as coisas
outros de igual calibre, para fazer graça: raras são caras.

Ora, sabido é que uma casa com muitos cômodos e


- Toda regra tem exceção. barata é rara.

Isto é uma regra e, portanto, tem exceção. Logo, uma casa barata é cara.

Logo, nem toda regra tem exceção.


Essas argumentações, por um ou outro motivo, constituem
objeto material da lógica. Argumentação define-se o organismo
lógico em que se chega a uma conclusão nova por meio de
Observe que a premissa maior é um dito popular, baseado no conhecimentos já possuídos. Sendo um mesmo ente objeto
senso comum, cujo caráter verdadeiro é discutível. É isso o que material de diversas ciências, estas se distinguem por seu objeto
possibilita extrair a conclusão paradoxal ou absurda. Também é formal, i.e., pelo aspecto ou perspectiva singular com que o
um sofisma ou falácia a generalização indevida, isto é, algo que objeto material é considerado em cada uma das ciências. Assim,
é correto para um grupo restrito de elementos é generalizado a Medicina e a Ética têm por objeto material o homem, mas
para toda a espécie. Considere ainda a seguinte proposição: aquela o aprecia sob o aspecto da saúde física e psíquica, ao
"Todo criminoso merece a ir para a cadeia". Neste caso, temos passo que a Ética o examina desde o ponto-de-vista do bom ou
Apostilas Decisão 22 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
mal uso de sua liberdade. O objeto material é a argumentação, 35 5
considerada sob dúplice aspecto: o da conseqüência e o da
verdade, que são o objeto formal da lógica. Vale por dizer: a Se quisermos saber a razão entre o número de estudantes
lógica trata de considerar a argumentação desde a ordem ou mulheres e o total de estudantes, temos:
retidão que deve a razão conservar no caminho para a verdade.
Cabe observar a retidão do discurso –ou conseqüência– e Razão: 7 = 1 (lê-se: 1 para 5)
buscar a verdade, meta derradeira da lógica. Com efeito, ao 35 5
dizer “O Chile é limítrofe da Argentina. Ora, a Argentina é
limítrofe do Brasil, logo, o Chile é limítrofe do Brasil” está-se a De modo análogo, podemos determinar a razão entre duas
atentar contra a conseqüência –por motivos que, a seu tempo, grandezas. Veja as questões:
se examinarão; o terceiro exemplo de argumentação –“Lição a) Hamilton possui 1,80 m de altura e seu cachorro 40 cm. Qual
elementaríssima da teoria econômica, que não ignora o mais a razão entre a altura do cachorro e a de Hamilton?
desatento estudante de Direito, é a de que todas as coisas caras
são raras. Ora, sabido é que uma casa com muitos cômodos e Altura do cachorro: 40 cm
barata é rara. Logo, uma casa barata é cara”– não revela
nenhum vício de conseqüência mas, isto sim, a admissão Altura de Hamilton: 1,80 m = 180 centímetros (medida
indevida da primeira proposição, que é falsa: muitas coisas raras equivalente)
não têm valor algum. Conseqüente e verdadeira mostra-se a
argumentação remanescente: “Todo direito real é dotado de
seqüela. A hipoteca é um direito real. Logo, a hipoteca é dotada Razão: 40 = 2
de seqüela”. Assim, segundo a argumentação se considere 180 9
primeiro sob o aspecto da conseqüência ou primeiro desde o
ponto-de-vista da verdade, a lógica divide-se em formal e
material. Desse modo, define-se lógica formal a parte da lógica b) Sabendo que a velocidade média é a razão entre o trajeto
que estuda a conseqüência da argumentação, e conceitua-se percorrido e o tempo do percurso, calcule a velocidade média de
lógica material a parte da lógica que estuda a verdade da um automóvel que percorre 100 km num tempo de 2 horas.
argumentação. Se retomarmos os nossos exemplos anteriores
de argumentações, verificaremos que um deles (“O Chile é Velocidade média (Vm) = espaço percorrido = 100 km = 50
limítrofe da Argentina. Ora, a Argentina é limítrofe do Brasil, logo, km/h
o Chile é limítrofe do Brasil”) violou a lógica formal, ao passo que
o outro (“Lição elementaríssima da teoria econômica, que não Tempo: 2 h
ignora o mais desatento estudante de Direito, é a de que todas
as coisas caras são raras. Ora, sabido é que uma casa com Dica: Perceba que quando duas grandezas diferentes (no caso
muitos cômodos e barata é rara. Logo, uma casa barata é cara”) acima, espaço e tempo) estabelecem uma razão, esta vem
malferiu a lógica material. acompanhada de uma unidade de medida (no caso acima,
km/h).

5. INTERPRETAR CRITICAMENTE SITUAÇÕES


ECONÔMICAS, SOCIAIS E FATOS RELATIVOS Proporção
ÀS CIÊNCIAS DA NATUREZA QUE ENVOLVAM
Denomina-se proporção a igualdade entre duas razões.
A VARIAÇÃO DE GRANDEZAS, PELA ANÁLISE Considerando a, b, c e d, diferentes de zero, podemos afirmar
DOS GRÁFICOS DAS FUNÇÕES REPRESENTA- que eles constituem respectivamente uma proporção se a/b =
DAS E DAS TAXAS DE VARIAÇÃO, COM OU c/d. Nesse caso, a, b, c e d são chamados de termos da
SEM APOIO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS. ANA- proporção, sendo a e d os extremos e b e c os meios. Nas
proporções, é valida a seguinte propriedade:
LISAR TABELAS, GRÁFICOS E AMOSTRAS DE
PESQUISAS ESTATÍSTICAS APRESENTADAS
EM RELATÓRIOS DIVULGADOS POR DIFEREN-
TES MEIOS DE COMUNICAÇÃO, IDENTIFICAN-
DO, QUANDO FOR O CASO, INADEQUAÇÕES
QUE POSSAM INDUZIR A ERROS DE INTER-
PRETAÇÃO, COMO ESCALAS E AMOSTRAS
NÃO APROPRIADAS
Confira as questões abaixo:
Razão
a) Calcular o valor de x na proporção abaixo:
Denomina-se razão de dois números, diferentes de zero, o
cociente formado por eles. Assim sendo, suponhamos que numa 5x + 2 = 3
sala de aula haja 35 estudantes, sendo 28 destes homens. 2x - 2 2
Observe o cálculo da razão entre número de estudantes homens
e o total de estudantes da sala:
(5x + 2) . 2 = (2x – 2) . 3
Total de estudantes: 35 10x + 4 = 6x – 6
10x – 6x = -10
Número de estudantes homens: 28 4x = - 10
x = -10 = -5
Número de mulheres: 7 4 2

Razão: 28 = 4 (lê-se: 4 para 5)

Apostilas Decisão 23 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
b) Uma secretária recebe R$ 200,00 pela construção de 16
relatórios. Se ela construiu no fim do mês 42 relatórios, quanto A B A-B 60
dinheiro ela recebeu? = = = =12
8 3 5 5
Há duas maneiras de solucionar essa questão: a primeira
consiste em, de forma proporcional, organizar os dados:
Segue que A=96 e B=36.
200 = x .
16 42 Divisão em várias Partes Diretamente Proporcionais

8400 = 16x Para decompor um número M em partes X1, X2, ..., Xn


diretamente proporcionais a p1, p2, ..., pn, deve-se montar um
x = 8400 = 525 (reais) sistema com n equações e n incógnitas, sendo as somas
16 X1+X2+...+Xn=M e p1+p2+...+pn=P.

A segunda é calcular a razão entre o dinheiro recebido e o X1 X2 Xn


número de relatórios e, em seguida, multiplicar pela quantidade = = ... =
de relatórios no fim do mês: p1 p2 pn
Razão = 200 = 25
16 2 A solução segue das propriedades das proporções:

Razão x quantidade relatórios construídos = 25 . 42 =


525 (reais) X1 X2 Xn X1+X2+...+Xn M
= =...= = = =K
p1 p2 pn p1+p2+...+pn P
Divisão Proporcional
Exemplo: Para decompor o número 120 em três partes A, B e C
diretamente proporcionais a 2, 4 e 6, deve-se montar um sistema
Divisão em Duas partes Diretamente Proporcionais
com 3 equações e 3 incógnitas tal que A+B+C=120 e 2+4+6=P.
Assim:
Para decompor um número M em duas partes A e B diretamente
proporcionais a p e q, montamos um sistema com duas
equações e duas incógnitas, de modo que a soma das partes A B C A+B+C 120
seja A+B=M, mas = = = = =10
2 4 6 P 12

A B
= logo A=20, B=40 e C=60.
p q
Exemplo: Determinar números A, B e C diretamente
proporcionais a 2, 4 e 6, de modo que 2A+3B-4C=120. A solução
A solução segue das propriedades das proporções:
segue das propriedades das proporções:

A B A+B M
A B C 2A+3B-4C 120
= = = =K
= = = = = – 15
p q p+q p+q
2 4 6 2×2+3×4-4×6 -8

O valor de K é que proporciona a solução pois:


logo A=-30, B=-60 e C=-90. Também existem proporções com
números negativos! :-)
A=Kp e B=Kq

Exemplo: Para decompor o número 100 em duas partes A e B Divisão em Duas partes Inversamente Proporcionais
diretamente proporcionais a 2 e 3, montaremos o sistema de
modo que A+B=100, cuja solução segue de: Para decompor um número M em duas partes A e B
inversamente proporcionais a p e q, deve-se decompor este
número M em duas partes A e B diretamente proporcionais a 1/p
A B A+B 100
e 1/q, que são, respectivamente, os inversos de p e q. Assim
= = = = 20
basta montar o sistema com duas equações e duas incógnitas
2 3 5 5
tal que A+B=M. Desse modo:

Segue que A=40 e B=60.


A B A+B M M.p.q
= = = = =K
Exemplo: Determinar números A e B diretamente proporcionais 1/p 1/q 1/p+1/q 1/p+1/q p+q
a 8 e 3, sabendo-se que a diferença entre eles é 60. Para
resolver este problema basta tomar A-B=60 e escrever:
O valor de K proporciona a solução pois: A=K/p e B=K/q.

Apostilas Decisão 24 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Exemplo: Para decompor o número 120 em duas partes A e B deve-se decompor este número M em duas partes A e B
inversamente proporcionais a 2 e 3, deve-se montar o sistema diretamente proporcionais a c/q e d/q, basta montar um sistema
tal que A+B=120, de modo que: com duas equações e duas incógnitas de forma que A+B=M e
além disso:
A B A+B 120 120.2.3
= = = = = 144 A B A+B M M.p.q
1/2 1/3 1/2+1/3 5/6 5 = = = = =K
c/p d/q c/p+d/q c/p+d/q c.q+p.d

Assim A=72 e B=48.


O valor de K proporciona a solução pois: A=Kc/p e B=Kd/q.
Exemplo: Determinar números A e B inversamente
proporcionais a 6 e 8, sabendo-se que a diferença entre eles é Exemplo: Para decompor o número 58 em duas partes A e B
10. Para resolver este problema, tomamos A-B=10. Assim: diretamente proporcionais a 2 e 3, e, inversamente proporcionais
a 5 e 7, deve-se montar as proporções:

A B A-B 10
= = = = 240 A B A+B 58
1/6 1/8 1/6-1/8 1/24 = = = = 70
2/5 3/7 2/5+3/7 29/35

Assim A=40 e B=30.


Assim A=(2/5).70=28 e B=(3/7).70=30.
Divisão em várias Partes Inversamente Proporcionais
Exemplo: Para obter números A e B diretamente proporcionais
Para decompor um número M em n partes X1, X2, ..., Xn a 4 e 3 e inversamente proporcionais a 6 e 8, sabendo-se que a
inversamente proporcionais a p1, p2, ..., pn, basta decompor este diferença entre eles é 21. Para resolver este problema basta
número M em n partes X1, X2, ..., Xn diretamente proporcionais a escrever que A-B=21 resolver as proporções:
1/p1, 1/p2, ..., 1/pn. A montagem do sistema com n equações e n
incógnitas, assume que X1+X2+...+ Xn=M e além disso A B A-B 21
= = = = 72
X1 X2 Xn 4/6 3/8 4/6-3/8 7/24
= = ... =
1/p1 1/p2 1/pn
Assim A=(4/6).72=48 e B=(3/8).72=27.

cuja solução segue das propriedades das proporções:


Divisão em n Partes Direta e Inversamente Proporcionais
X1 X2 Xn X1+X2+...+Xn M
= =...= = = Para decompor um número M em n partes X1, X2, ..., Xn
1/p1 1/p2 1/pn 1/p1+1/p2+...+1/pn 1/p1+1/p2+...+1/pn diretamente proporcionais a p1, p2, ..., pn e inversamente
proporcionais a q1, q2, ..., qn, basta decompor este número M em
n partes X1, X2, ..., Xn diretamente proporcionais a p1/q1, p2/q2,
Exemplo: Para decompor o número 220 em três partes A, B e C ..., pn/qn. A montagem do sistema com n equações e n
inversamente proporcionais a 2, 4 e 6, deve-se montar um incógnitas exige que X1+X2+...+Xn=M e além disso:
sistema com 3 equações e 3 incógnitas, de modo que
A+B+C=220. Desse modo: X1 X2 Xn
= =...=
A B C A+B+C 220 p1/q1 p2/q2 pn/qn
= = = = = 240
1/2 1/4 1/6 1/2+1/4+1/6 11/12 A solução segue das propriedades das proporções:

A solução é A=120, B=60 e C=40. X1 X2 Xn X1+X2+...+Xn


= =...= =
Exemplo: Para obter números A, B e C inversamente p1/q1 p2/q2 pn/qn p1/q1+p2/q2+...+pn/qn
proporcionais a 2, 4 e 6, de modo que 2A+3B-4C=10, devemos
montar as proporções:
Exemplo: Para decompor o número 115 em três partes A, B e C
diretamente proporcionais a 1, 2 e 3 e inversamente
A B C 2A+3B-4C 10 120 proporcionais a 4, 5 e 6, deve-se montar um sistema com 3
= = = = = equações e 3 incógnitas de forma de A+B+C=115 e tal que:
1/2 1/4 1/6 2/2+3/4-4/6 13/12 13
A B C A+B+C 115
logo A=60/13, B=30/13 e C=20/13. = = = = = 100
1/4 2/5 3/6 1/4+2/5+3/6 23/20
Existem proporções com números fracionários!
logo A=(1/4)100=25, B=(2/5)100=40 e C=(3/6)100=50.
Divisão em Duas partes Direta e Inversamente Proporcionais
Exemplo: Determinar números A, B e C diretamente
Para decompor um número M em duas partes A e B diretamente proporcionais a 1, 10 e 2 e inversamente proporcionais a 2, 4 e
proporcionais a c e d e inversamente proporcionais a p e q, 5, de modo que 2A+3B-4C=10.
Apostilas Decisão 25 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
A montagem do problema fica na forma: 5 200
8 125
A B C 2A+3B-4C 10 100 10 100
= = = = =
16 62,5
1/2 10/4 2/5 2/2+30/4-8/5 69/10 69
20 50
A solução é A=50/69, B=250/69 e C=40/69.
Observe que uma grandeza varia de acordo com a outra. Essas
grandezas são variáveis dependen-tes.
Grandezas Diretamente Proporcionais
Observe que: Quando duplicamos a velocidade, o tempo fica
Um forno tem sua produção de ferro fundido de acordo com a reduzido à metade.
tabela abaixo:
5 m/s ----> 200s
Tempo Produção
(minutos) (Kg) 10 m/s ----> 100s
5 100
10 200 Quando quadriplicamos a velocidade, o tempo fica reduzido à
15 300 quarta parte.
20 400 5 m/s ----> 200s

Observe que uma grandeza varia de acordo com a outra. Essas 20 m/s ----> 50s
grandezas são variáveis dependentes.

Assim: Duas grandezas variáveis dependentes são


Observe que: Quando duplicamos o tempo, a produção inversamente proporcionais quando a razão entre os valores
também duplica. da 1ª grandeza é igual ao inverso da razão entre os valores
correspondentes da 2ª. Verifique na tabela que a razão entre
5 min ----> 100Kg dois valores de uma grandeza é igual ao inverso da razão entre
os dois valores correspondentes da outra grandeza.
10 min ----> 200Kg

Regra de Três Simples


Quando triplicamos o tempo, a produção também triplica.
Regra de três simples é um processo prático para resolver
5 min ----> 100Kg problemas que envolvam quatro valores dos quais conhecemos
três deles. Devemos, portanto, determinar um valor a partir dos
15 min ----> 300Kg três já conhecidos.

Assim: Passos Utilizados numa Regra de Três Simples:


Duas grandezas variáveis dependentes são diretamente 1. Construir uma tabela, agrupando as grandezas da
proporcionais quando a razão entre os valores da 1ª grandeza mesma espécie em colunas e mantendo na mesma
é igual a razão entre os valores correspondentes da 2ª. Verifique linha as grandezas de espécies diferentes em
na tabela que a razão entre dois valores de uma grandeza é correspondência.
igual a razão entre os dois valores correspondentes da outra
grandeza. 2. Identificar se as grandezas são diretamente ou
inversamente proporcionais.

3. Montar a proporção e resolver a equação.

Exemplos:
2
1. Com uma área de absorção de raios solares de 1,2m , uma
lancha com motor movido a energia solar consegue produzir 400
watts por hora de energia. Aumentando-se essa área para
2
1,5m , qual será a energia produzida?
Grandezas Inversamente Proporcionais
Solução: montando a tabela
Um ciclista faz um treino para a prova de "1000 metros contra o
2
relógio", mantendo em cada volta uma velocidade constante e Área (m ) Energia (Wh)
obtendo, assim, um tempo correspondente, conforme a tabela 1,2 400
abaixo:
1,5 x
Velocidade
Tempo (s)
(m/s)
Identificação do tipo de relação:
Apostilas Decisão 26 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA

Inicialmente colocamos uma seta para baixo na coluna que


contém o x (2ª coluna). Observe que: Aumentando a área de
absorção, a energia solar aumenta. Como as palavras
correspondem (aumentando - aumenta), podemos afirmar que
as grandezas são diretamente proporcionais. Assim sendo,
colocamos uma outra seta no mesmo sentido (para baixo) na 1ª
coluna. Montando a proporção e resolvendo a equação temos:

Logo, o tempo desse percurso seria de 2,5 horas ou 2 horas e


30 minutos.

3. Bianca comprou 3 camisetas e pagou R$120,00. Quanto ela


pagaria se comprasse 5 camisetas do mesmo tipo e preço?

Solução: montando a tabela:

Camisetas Preço (R$)


3 120
5 x

Observe que: Aumentando o número de camisetas, o preço


aumenta. Como as palavras correspondem (aumentando -
Logo, a energia produzida será de 500 watts por hora.
aumenta), podemos afirmar que as grandezas são diretamente
proporcionais. Montando a proporção e resolvendo a equação
temos:
2. Um trem, deslocando-se a uma velocidade média de
400Km/h, faz um determinado percurso em 3 horas. Em quanto
tempo faria esse mesmo percurso, se a velocidade utilizada
fosse de 480km/h?

Solução: montando a tabela:

Velocidade Tempo
(Km/h) (h)
400 3
480 x

Logo, a Bianca pagaria R$200,00 pelas 5 camisetas.


Identificação do tipo de relação:

4. Uma equipe de operários, trabalhando 8 horas por dia,


realizou determinada obra em 20 dias. Se o número de horas de
serviço for reduzido para 5 horas, em que prazo essa equipe fará
o mesmo trabalho?

Solução: montando a tabela:


Inicialmente colocamos uma seta para baixo na coluna que
contém o x (2ª coluna). Observe que: Aumentando a
velocidade, o tempo do percurso diminui. Como as palavras são Horas por Prazo para término
contrárias (aumentando - diminui), podemos afirmar que as dia (dias)
grandezas são inversamente proporcionais. Assim sendo, 8 20
colocamos uma outra seta no sentido contrário (para cima) na 1ª
5 x
coluna. Montando a proporção e resolvendo a equação temos:
Observe que: Diminuindo o número de horas trabalhadas por
dia, o prazo para término aumenta. Como as palavras são
contrárias (diminuindo - aumenta), podemos afirmar que as
grandezas são inversamente proporcionais. Montando a
proporção e resolvendo a equação temos:

Apostilas Decisão 27 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA

2. Numa fábrica de brinquedos, 8 homens montam 20 carrinhos


em 5 dias. Quantos carrinhos serão montados por 4 homens em
16 dias?

Solução: montando a tabela:

Homens Carrinhos Dias


8 20 5
4 x 16
Regra de Três Composta

A regra de três composta é utilizada em problemas com mais de Observe que: Aumentando o número de homens, a produção
duas grandezas, direta ou inversamente proporcionais. de carrinhos aumenta. Portanto a relação é diretamente
proporcional (não precisamos inverter a razão). Aumentando o
número de dias, a produção de carrinhos aumenta. Portanto a
Exemplos: relação também é diretamente proporcional (não precisamos
inverter a razão). Devemos igualar a razão que contém o termo x
3
1. Em 8 horas, 20 caminhões descarregam 160m de areia. Em com o produto das outras razões. Montando a proporção e
5 horas, quantos caminhões serão necessários para descarregar resolvendo a equação temos:
3
125m ?

Solução: montando a tabela, colocando em cada coluna as


grandezas de mesma espécie e, em cada linha, as grandezas de
espécies diferentes que se correspondem:

Horas Caminhões Volume


8 20 160
5 x 125

Logo, serão montados 32 carrinhos.


Identificação dos tipos de relação: Inicialmente colocamos uma
seta para baixo na coluna que contém o x (2ª coluna).
3. Dois pedreiros levam 9 dias para construir um muro com 2m
de altura. Trabalhando 3 pedreiros e aumentando a altura para
4m, qual será o tempo necessário para completar esse muro?
Inicialmente colocamos uma seta para baixo na coluna que
contém o x. Depois colocam-se flechas concordantes para as
grandezas diretamente proporcionais com a incógnita e
A seguir, devemos comparar cada grandeza com aquela onde discordantes para as inversamente proporcionais, como
está o x. Observe que: Aumentando o número de horas de mostra a figura abaixo:
trabalho, podemos diminuir o número de caminhões. Portanto a
relação é inversamente proporcional (seta para cima na 1ª
coluna). Aumentando o volume de areia, devemos aumentar
o número de caminhões. Portanto a relação é diretamente
proporcional (seta para baixo na 3ª coluna). Devemos igualar a
razão que contém o termo x com o produto das outras razões de
acordo com o sentido das setas. Montando a proporção e
resolvendo a equação temos: Montando a proporção e resolvendo a equação temos:

Logo, para completar o muro serão necessários 12 dias.

Estatística

Estatística é uma ciência exata que visa fornecer subsídios


ao analista para coletar, organizar, resumir, analisar e apresentar
dados. Trata de parâmetros extraídos da população, tais como
Logo, serão necessários 25 caminhões. média ou desvio padrão. A estatística fornece-nos as técnicas
Apostilas Decisão 28 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
para extrair informação de dados, os quais são muitas vezes sempre encontrará desvantagem frente ao método probabilístico.
incompletos, na medida em que nos dão informação útil sobre o No entanto, em alguns casos, se faz necessário a opção por
problema em estudo, sendo assim, é objetivo da Estatística este método. Fonseca (1996), alerta que não há formas de se
extrair informação dos dados para obter uma melhor generalizar os resultados obtidos na amostra para o todo da
compreensão das situações que representam. Quando se população quando se opta por este método de amostragem.
aborda uma problemática envolvendo métodos estatísticos,
estes devem ser utilizados mesmo antes de se recolher a
amostra, isto é, deve-se planejar a experiência que nos vai Acidental ou Conveniência
permitir recolher os dados, de modo que, posteriormente, se
possa extrair o máximo de informação relevante para o problema Indicada para estudos exploratórios. Freqüentemente
em estudo, ou seja para a população de onde os dados provêm. utilizados em super mercados para testar produtos.
Quando de posse dos dados, procura-se agrupa-los e reduzi-los, Intencional. O entrevistador dirige-se a um grupo em específico
sob forma de amostra, deixando de lado a aleatoriedade para saber sua opinião. Por exemplo, quando de um estudo
presente. Seguidamente o objetivo do estudo estatístico pode sobre automóveis, o pesquisador procura apenas oficinas.
ser o de estimar uma quantidade ou testar uma hipótese,
utilizando-se técnicas estatísticas convenientes, as quais
realçam toda a potencialidade da Estatística, na medida em que Distribuição de Freqüência
vão permitir tirar conclusões acerca de uma população,
baseando-se numa pequena amostra, dando-nos ainda uma Quando da análise de dados, é comum procurar conferir certa
medida do erro cometido. ordem aos números tornando-os visualmente mais amigáveis. O
procedimento mais comum é o de divisão por classes ou
categorias, verificando-se o número de indivíduos pertencentes a
Recenseamento cada classe.

Recenseamento é a contagem oficial e periódica dos indivíduos 1. Determina-se o menor e o maior valor para o
de um País, ou parte de um País. Ele abrange, no entanto, um conjunto.
leque mais vasto de situações. Assim, pode definir-se
recenseamento do seguinte modo: Estudo científico de um 2. Definir o limite inferior da primeira classe (Li) que
universo de pessoas, instituições ou objetos físicos com o deve ser igual ou ligeiramente inferior ao menor valor
propósito de adquirir conhecimentos, observando todos os seus das observações.
elementos, e fazer juízos quantitativos acerca de características
importantes desse universo. 3. Definir o limite superior da última classe (Ls) que
deve ser igual ou ligeiramente superior ao maior valor
das observações.
Estatística Descritiva e Estatística Indutiva
4. Definir o número de classes (K), que será calculado
Sondagem
usando . Obrigatoriamente deve estar
Por vezes não é viável nem desejável, principalmente quando o compreendido entre 5 a 20.
número de elementos da população é muito elevado, inquirir
todos os seus elementos sempre que se quer estudar uma ou 5. Conhecido o número de classes define-se a
mais características particulares dessa população. Assim surge amplitude de cada classe:
o conceito de sondagem, que se pode tentar definir como:
Estudo científico de uma parte de uma população com o objetivo 6. Com o conhecimento da amplitude de cada classe,
de estudar atitudes, hábitos e preferências da população define-se os limites para cada classe (inferior e
relativamente a acontecimentos, circunstâncias e assuntos de superior).
interesse comum.
5,1 5,3 5,3 5,6 5,8 5,9 6 6,1 6,2 6,2

Amostragem 6,3 6,3 6,3 6,4 6,4 6,4 6,5 6,5 6,6 6,7
6,7 6,8 6,8 6,9 6,9 7 7,1 7,1 7,2 7,2
Amostragem é o processo que procura extrair da população
elementos que através de cálculos probabilísticos ou não, 7,3 7,4 7,5 7,5 7,6 7,6 7,6 7,7 7,7 7,8
consigam prover dados inferenciais da população-alvo. 7,8 7,9 7,9 8 8 8,1 8,2 8,3 8,4 8,5

Não Probabilística 8,5 8,6 8,7 8,8 8,9 8,9 9 9,1 9,2 9,4
Acidental ou conveniência 9,4 9,5 9,5 9,6 9,8 9 9 10 10,2 10,2
Intencional 10,4 10,6 10,8 10,9 11,2 11,5 11,8 12,3 12,7 14,9
Quotas ou proporcional
Tipos de Amostragem Desproporcional
Probabilística Regras para elaboração de uma distribuição de freqüências
Aleatória Simples
1. Determina-se o menor e o maior valor para o conjunto:
Aleatória Estratificada
Conglomerado Valor mínimo: 5,1

Valor máximo: 14,9


Não Probabilística

A escolha de um método não probabilístico, via de regra, 2. Definir o limite inferior da primeira classe (Li) que deve ser
igual ou ligeiramente inferior ao menor valor das observações:
Apostilas Decisão 29 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
LI: 5,1

3. Definir o limite superior da última classe (Ls) que deve ser


igual ou ligeiramente superior ao maior valor das observações:

LS:15

4. Definir o número de classes (K), que será calculado usando

Distribuições com "Caudas" Longas


. Obrigatoriamente deve estar compreendido entre
5 a 20. Neste caso, K é igual a 8,94, aproximadamente, 8. Observamos que nas extremidades há uma grande
concentração de dados em relação aos concentrados na região
5. Conhecido o número de classes define-se a amplitude de central da distribuição.
cada classe:

No exemplo, a será igual a: 1,23

6. Com o conhecimento da amplitude de cada classe, define-se


Frequência Absoluta: ou apenas frequência, de um valor é o
os limites para cada classe (inferior e superior), onde limite
número de vezes que uma determinada variável assume esse
Inferior será 5,1 e o limite superior será 15 + 1,23.
valor. Ao conjunto das frequências dos diferentes valores da
variável dá-se o nome de distribuição da frequência (ou apenas
Intervalo de Freqüência Freqüência Freqüência distribuição).
Classe Absoluta Acumulada Relativa
Frequência Relativa: é a percentagem relativa à frequência.
05,10 a 06,33 13 13 16,25%
06,34 a 07,57 21 34 26,25% Frequência Acumulada: de um valor, é o numero de vezes que
07,58 a 08,81 22 56 27,50% uma variável assume um valor inferior ou igual a esse valor.

08,82 a 10,05 15 71 18,75% Frequência Relativa Acumulada: é a percentagem relativa à


10,06 a 11,29 4 75 5,00% frequência acumulada.
11,30 a 12,53 3 78 3,75%
12,54 a 13,77 1 79 1,25% Moda
13,78 a 15,01 1 80 1,25%
80 100% Define-se moda como sendo: o valor que surge com mais
freqüência se os dados são discretos, ou, o intervalo de classe
com maior freqüência se os dados são contínuos.
Assim, da representação gráfica dos dados, obtém-se
Distribuições Simétricas imediatamente o valor que representa a moda ou a classe
modal. Esta medida é especialmente útil para reduzir a
A distribuição das frequências faz-se de forma aproximadamente informação de um conjunto de dados qualitativos, apresentados
simétrica, relativamente a uma classe média. sob a forma de nomes ou categorias, para os quais não se pode
calcular a média e por vezes a mediana.

Mediana

A mediana, é uma medida de localização do centro da


distribuição dos dados, definida do seguinte modo:
Ordenados os elementos da amostra, a mediana é o valor
(pertencente ou não à amostra) que a divide ao meio, isto é,
Caso Especial de uma Distribuição Simétrica. 50% dos elementos da amostra são menores ou iguais à
mediana e os outros 50% são maiores ou iguais à mediana. Para
Quando dizemos que os dados obedecem a uma distribuição a sua determinação utiliza-se a seguinte regra, depois de
normal, estamos tratando de dados que distribuem-se em forma ordenada a amostra de n elementos:
de sino.
Se n é ímpar, a mediana é o elemento médio.

Se n é par, a mediana é a semi-soma dos dois


Distribuições Assimétricas elementos médios.

A distribuição das freqüências apresenta valores menores num


dos lados: Considerações a respeito de Média e Mediana
Apostilas Decisão 30 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA

Se se representarmos os elementos da amostra ordenada com a


seguinte notação: X1:n , X2:n , ... , Xn:n
então uma expressão para o cálculo da mediana será:
Como medida de localização, a mediana é mais robusta do que
a média, pois não é tão sensível aos dados.

1. Quando a distribuição é simétrica, a média e a Medidas Separatrizes


mediana coincidem.
São valores que separam o rol (os dados ordenados) em quatro
2. A mediana não é tão sensível, como a média, às (quartis), dez (decis) ou em cem (percentis) partes iguais. Note
observações que são muito maiores ou muito menores que para a sua correta aplicação, exige-se que os dados estejam
do que as restantes (outliers). Por outro lado a média organizados num rol.
reflete o valor de todas as observações.
- Quartis
Como já vimos, a média ao contrário da mediana, é uma medida
muito influenciada por valores "muito grandes" ou "muito - Decis
pequenos", mesmo que estes valores surjam em pequeno
número na amostra. Estes valores são os responsáveis pela má - Percentis ou Centis
utilização da média em muitas situações em que teria mais
significado utilizar a mediana. A partir do exposto, deduzimos
que se a distribuição dos dados: Quartis: São valores que dividem o conjunto de dados
ordenados (rol) em 4(quatro) partes iguais.
1. for aproximadamente simétrica, a média aproxima-se
da mediana. Primeiro Quartil: valor situado de tal modo na série de dados
que 25% das observações são menores que ele e 75% são
2. for enviesada para a direita (alguns valores grandes maiores.
como "outliers"), a média tende a ser maior que a
mediana. Segundo Quartil: valor situado de tal modo na série de dados
que 50% das observações são menores que ele e 50% são
3. for enviesada para a esquerda (alguns valores maiores.
pequenos como "outliers"), a média tende a ser inferior
à mediana. Terceiro Quartil: valor situado de tal modo na série de dados
que 75% das observações são menores que ele e 25% são
maiores.
Medidas de Dispersão

Um aspecto importante no estudo descritivo de um conjunto de


Decis: São valores que dividem o conjunto de dados ordenados
dados, é o da determinação da variabilidade ou dispersão
(rol) em 10(dez) partes iguais.
desses dados, relativamente à medida de localização do centro
da amostra. Supondo ser a média, a medida de localização mais
Primeiro Decil: 1 D - valor situado de tal modo na série de
importante, será relativamente a ela que se define a principal
dados que 10% das observações são menores que ele e 90%
medida de dispersão - a variância, apresentada a seguir.
são maiores.

Segundo Decil: 2 D - valor situado de tal modo na série de


Variância
dados que 20% das observações são menores que ele e 80%
são maiores.
Define-se a variância, como sendo a medida que se obtém
somando os quadrados dos desvios das observações da
Nono Decil: 9 D - valor situado de tal modo na série de dados
amostra, relativamente à sua média, e dividindo pelo número de
que 90% das observações são menores que ele e 10% são
observações da amostra menos um.
maiores.

Percentis ou Centis: São valores que dividem o conjunto de


dados ordenados (rol) em 100(cem) partes iguais.

Desvio-Padrão Primeiro Percentil: 1 C - valor situado de tal modo na série de


dados que 1% das observações são menores que ele e 99% são
Uma vez que a variância envolve a soma de quadrados, a maiores.
unidade em que se exprime não é a mesma que a dos dados.
Assim, para obter uma medida da variabilidade ou dispersão Segundo Percentil: 2 C - valor situado de tal modo na série de
com as mesmas unidades que os dados, tomamos a raiz dados que 2% das observações são menores que ele e 98% são
quadrada da variância e obtemos o desvio padrão: O desvio maiores.
padrão é uma medida que só pode assumir valores não
negativos e quanto maior for, maior será a dispersão dos Segundo Percentil: 3 C - valor situado de tal modo na série de
dados. Algumas propriedades do desvio padrão, que resultam dados que 2% das observações são menores que ele e 98% são
imediatamente da definição, são: o desvio padrão será maior, maiores.
quanta mais variabilidade houver entre os dados.
Nonagésimo Nono Percentil: 99 C - valor situado de tal modo
na série de dados que 99% das observações são menores que
ele e 1% são maiores.

Apostilas Decisão 31 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Média Geométrica importância relativa ("peso") é respectivamente p1, p2, p3, ..., pn é
calculada da seguinte maneira:
Este tipo de média é calculada multiplicando-se todos os valores
e extraindo-se a raiz de índice n deste produto. Digamos que
tenhamos os números 4, 6 e 9, para obtermos o valor médio p =
aritmético deste conjunto, multiplicamos os elementos e obtemos
o produto 216. Pegamos então este produto e extraímos a sua
raiz cúbica, chegando ao valor médio 6. Extraímos a raiz cúbica,
pois o conjunto é composto de 3 elementos. Se fossem n
elementos, extrairíamos a raiz de índice n. Neste exemplo
teríamos a seguinte solução:
Exemplo: Alcebíades participou de um concurso, onde foram
realizadas provas de Português, Matemática, Biologia e História.
Essas provas tinham peso 3, 3, 2 e 2, respectivamente. Sabendo
que Alcebíades tirou 8,0 em Português, 7,5 em Matemática, 5,0
em Biologia e 4,0 em História, qual foi a média que ele obteve?
Média geométrica é a média dos elementos do conjunto
numérico A, em relação à multiplicação.
p =

Cálculo da Média Geométrica

Sendo x a média geométrica dos elementos do conjunto


numérico A = {x1, x2, x3; ...; xn}, sendo todos positivos, nesse
caso, temos, por definição:
Portanto a média de Alcebíades foi de 6,45.

Média Harmônica

A média harmônica equivale ao inverso da média aritmética dos


inversos de n valores. Parece complicado, mas é bastante
simples, veja o exemplo: Média harmônica entre 2, 6 e 8.
Primeiramente é necessário calcular a média aritmética dos
inversos dos valores dados:
Média Aritmética Simples

A média aritmética simples também é conhecida apenas por


média. É a medida de posição mais utilizada e a mais intuitiva de
todas. Ela está tão presente em nosso dia-a-dia que qualquer
pessoa entende seu significado e a utiliza com frequência. A
média de um conjunto de valores numéricos é calculada
somando-se todos estes valores e dividindo-se o resultado Depois, faz-se o inverso do resultado, tendo finalmente a média
pelo número de elementos somados, que é igual ao número harmônica de 2, 6 e 8:
de elementos do conjunto, ou seja, a média de n números é sua
soma dividida por n. É o resultado da divisão da soma de n
valores por n. Por exemplo, a média entre 5, 10 e 6 será:

Em todas as médias o resultado estará entre o maior e o menor


número dado. Para os mesmos valores, a média aritmética terá
Média Aritmética Ponderada o maior valor, seguida da média geométrica e depois a média
harmônica.
Nos cálculos envolvendo média aritmética simples, todas as
ocorrências têm exatamente a mesma importância ou o mesmo
peso. Dizemos então que elas têm o mesmo peso relativo. No Números Índices
entanto, existem casos onde as ocorrências têm importância
relativa diferente. Nestes casos, o cálculo da média deve levar Os numeros-índices são medidas estatísticas freqüentemente
em conta esta importância relativa ou peso relativo. Este tipo de usadas por administradores, economistas e engenheiros, para
média chama-se média aritmética ponderada. Ponderar é comparar grupos de variáveis relacionadas entre si e obter um
sinônimo de pesar. No cálculo da média ponderada, quadro simples e resumido das mudanças significativas em
multiplicamos cada valor do conjunto por seu "peso", isto é, sua áreas relacionadas como preços de matérias-primas, preços de
importância relativa. produtos acabados, volume físico de produto etc. Mediante o
emprego de números-índices é possível estabelecer
comparações entre:
Definição de Mádia Aritmética Ponderada: A média aritmética
a) variações ocorridas ao longo do tempo;
ponderada p de um conjunto de números x1, x2, x3, ..., xn cuja
b) diferenças entre lugares;
Apostilas Decisão 32 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
A leitura das medidas de comprimentos pode ser efetuada
c) diferenças entre categorias semelhantes, tais como com o auxílio do quadro de unidades. Exemplos: Leia a seguinte
produtos, pessoas, organizações etc. medida: 15,048 m.

É grande a importância dos numeros-índices para o Seqüência prática


administrador, especialmente quando a moeda sofre uma
desvalorização constante e quando o processo de 1. Escrever o quadro de unidades:
desenvolvimento econômico acarreta mudanças continuas nos
hábitos dos consumidores, provocando com isso modificações km hm dam m dm cm mm
qualitativas e quantitativas na composição da produção nacional
e de cada empresa individualmente. Assim, em qualquer análise,
quer no âmbito interno de uma empresa, ou mesmo fora dela, na
qual o fator monetário se encontra presente, a utilização de 2. Colocar o número no quadro de unidades, localizando o
numéros-índices toma-se indispensável, sob pena de o analista último algarismo da parte inteira sob a sua respectiva.
ser conduzido a conclusões totalmente falsas e prejudiciais à
empresa. Por exemplo, se uma empresa aumenta seu km hm dam m dm cm mm
faturamento de um período a outro, isso não quer dizer
necessariamente que suas vendas melhoraram em termos de
1 5, 0 4 8
unidades vendidas. Pode ter ocorrido que uma forte tendência
inflacionaria tenha obrigado a empresa a aumentar
3. Ler a parte inteira acompanhada da unidade de medida
acentuadamente. Os preços de seus produtos, fazendo gerar um
do seu último algarismo e a parte decimal acompanhada da
acréscimo no faturamento (em termos "nominais"), o qual, na
unidade de medida do último algarismo da mesma.
realidade, não corresponde a uma melhora de situação. Fora
dos problemas gerados por alterações nos preços dos produtos, 15 metros e 48 milímetros
os numeros-índices são úteis também em outras áreas de
atuação da empresa como, por exemplo, no campo da pesquisa Outros exemplos:
de mercado. Neste caso, podem ser utilizados nas mensurações
do potencial de mercado, na analise da lucratividade por lê-se "seis quilômetros e sete
6,07 km
produto, por canais de distribuição etc. Em suma, os números- decâmetros"
índices são sempre úteis quando nos defrontamos com análises 82,107 lê-se "oitenta e dois decâmetros e
comparativas. Para o economista, o conhecimento de número- dam cento e sete centímetros".
índices é indispensável igualmente como um instrumento útil ao
exercício profissional, quer seus problemas estejam voltados 0,003 m lê-se "três milímetros".
para a microeconomia quer para a macroeconomia. No primeiro
caso, poder-se-ia citar, por exemplo, a necessidade de se saber Transformação de Unidades
até que ponto o preço de determinado produto aumentou com
relação aos preços dos demais produtos em um mesmo
mercado. Se, por outro lado, o problema for quantificar a
inflação, serem preciso medir o crescimento dos preços dos
vários produtos como um todo, através do índice geral de
preços. Sob os aspectos acima considerados, pode-se
vislumbrar a noção de agregado subjacente ao conceito de
número-índice. Por essa razão, costuma-se conceber o número- Observe as seguintes transformações:
índice como uma medida utilizada para proporcionar uma
expressão quantitativa global a um conjunto de medidas que não • Transforme 16,584hm em m.
podem ser simplesmente adicionadas em virtude de
apresentarem individualmente diferentes graus de importância.
km hm dam m dm cm mm
Cada número-índice de uma série ( de números) costuma vir
expresso em termos percentuais. Os índices mais empregados
medem, em geral, variações ao longo do tempo e exatamente Para transformar hm em m (duas posições à direita) devemos
nesse sentido que iremos trata-los neste capitulo. Além disso, multiplicar por 100 (10 x 10).
limitaremos o estudo às suas principais aplicações no campo de
administração e de economia, as quais se situam no âmbito das 16,584 x 100 = 1.658,4
variações de preços e de quantidades.
Ou seja:
16,584hm = 1.658,4m
6. INTERPRETAR E COMPREENDER TEXTOS
CIENTÍFICOS OU DIVULGADOS PELAS MÍDIAS,
QUE EMPREGAM UNIDADES DE MEDIDA DE • Transforme 1,463 dam em cm.
DIFERENTES GRANDEZAS E AS CONVER-
SÕES POSSÍVEIS ENTRE ELAS, ADOTADAS
km hm dam m dm cm mm
OU NÃO PELO SISTEMA INTERNACIONAL (SI),
COMO AS DE ARMAZENAMENTO E
VELOCIDADE DE TRANSFERÊNCIA DE
DADOS, LIGADAS AOS AVANÇOS Para transformar dam em cm (três posições à direita) devemos
TECNOLÓGICOS multiplicar por 1.000 (10 x 10 x 10).
1,463 x 1.000 = 1,463
Medidas de Comprimento
Ou seja:
Leitura das Medidas de Comprimento
Apostilas Decisão 33 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
1,463dam = 1.463cm. - Peso de um corpo é a força com que esse corpo é
atraído (gravidade) para o centro da terra. Varia de
acordo com o local em que o corpo se encontra.
• Transforme 176,9m em dam.

Por Exemplo:
km hm dam m dm cm mm
A massa do homem na Terra ou na Lua tem o mesmo valor. O
peso, no entanto, é seis vezes maior na terra do que na lua.
Explica-se esse fenômeno pelo fato da gravidade terrestre ser 6
vezes superior à gravidade lunar.
Para transformar m em dam (uma posição à esquerda) devemos
dividir por 10. Obs: A palavra grama, empregada no sentido de
"unidade de medida de massa de um corpo", é um
176,9 : 10 = 17,69 substantivo masculino. Assim 200g, lê-se "duzentos
gramas".
Ou seja:
176,9m = 17,69dam

Quilograma
• Transforme 978m em km.
A unidade fundamental de massa chama-se quilograma. O
3
quilograma (kg) é a massa de 1dm de água destilada à
km hm dam m dm cm mm temperatura de 4ºC. Apesar de o quilograma ser a unidade
fundamental de massa, utilizamos na prática o grama como
unidade principal de massa.

Para transformar m em km (três posições à esquerda) devemos


dividir por 1.000. Múltiplos e Submúltiplos do Grama

978 : 1.000 = 0,978 Unidade


Múltiplos
Ou seja: Principal
quilograma hectograma decagrama grama
978m = 0,978km.
kg hg dag g
1.000g 100g 10g 1g
Observação:

Para resolver uma expressão formada por termos com


Submúltiplos
diferentes unidades, devemos inicialmente transformar todos
eles numa mesma unidade, para a seguir efetuar as operações. decigrama centigrama miligrama
dg cg mg
Medidas de Volume 0,1g 0,01g 0,001g

Unidade principal: METRO CÚBICO (m Observe que cada unidade de volume é dez vezes maior que a
unidade imediatamente inferior. Exemplos:
Ex.: 1000 m
1 dag = 10 g
Ex.: 1 m 1 g = 10 dg

Medidas de Área
Esta unidade possui seus múltiplos e submúltiplos nas formas
abaixo: Medida de Área é uma grandeza - Existem várias unidades de
medida de área, sendo a unidade-base para medida de área
2
mais utilizada o metro quadrado (m ) - outras medidas derivam
Múltiplos Submúltiplos
desta: 01 hectare = 10.000 m². Medir é comparar uma
Km³ – Quilômetro cúbico Dm³ – Decímetro cúbico quantidade de uma grandeza qualquer com outra - área é a
Hm³ – Hectômetro cúbico Cm³ – Centímetro cúbico quantidade de espaço bidimensional, ou seja, de superfície. A
Dam³ – Decâmetro cúbico Mm³ - Milímetro cúbico unidade de área é o metro-quadrado (m2). Muitas vezes se faz
confusão nas medidas de área, pois um quadrado com 10
unidades de comprimento de lado contém 10 x 10 = 100
Medidas de Massa unidades de área. Assim:
2 2
Observe a distinção entre os conceitos de corpo e massa: 1cm = 10mm, entretanto, 1cm = 100mm ,

- Massa é a quantidade de matéria que um corpo Da mesma forma:


possui, sendo, portanto, constante em qualquer lugar da
2 2
terra ou fora dela. 1 m = 1m x 1m = 100cm x 100cm = 10000 cm
2 2
1 m = 1000mm x 1000mm = 1.000.000 mm

Apostilas Decisão 34 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
Medidas de Tempo Medidas de Velocidade

É comum em nosso dia-a-dia pergunta do tipo: Metro por segundo (m/s), unidade SI: distância percorrida em um
Qual a duração dessa partida de futebol? segundo. Unidades de velocidade tradicionais:

Qual o tempo dessa viagem?


- Quilômetro por hora (km/h): 1/3,6 m/s ou 0,27777 m/s.
Qual a duração desse curso?
Qual o melhor tempo obtido por esse corredor? Unidades de velocidade inglesas
Todas essas perguntas serão respondidas tomando por base
uma unidade padrão de medida de tempo. A unidade de tempo - Milha por hora (mi/h): 1,609 km/h ou 0,4469 m/s;
escolhida como padrão no Sistema Internacional (SI) é o
segundo. - Nó (milha náutica por hora): 1,852 km/h ou 0,5144
m/s.

- Velocidade da luz: 299. 792. 458 m/s.


Segundo

O Sol foi o primeiro relógio do homem: o intervalo de tempo


natural decorrido entre as sucessivas passagens do Sol sobre Medidas de Ângulo
um dado meridiano dá origem ao dia solar.
Observe dois casos em que as semi-retas de mesma origem
estão contidas na mesma reta. Nesses casos, formam-se
também ângulos.

O segundo (s) é o tempo equivalente a


do dia solar médio. As semi-retas coincidem aí o ângulo nulo e o
ângulo de uma volta.

As medidas de tempo não pertencem ao Sistema Métrico


Decimal.

Múltiplos e Submúltiplos do Segundo


Quadro de unidades

Múltiplos As semi-retas coincidem. Temos aí dois ângulos


rasos ou de meia-volta.
minutos hora dia
min h d
60 s 60 min = 3.600 s 24 h = 1.440 min = 86.400s

São submúltiplos do segundo:

• décimo de segundo

• centésimo de segundo

• milésimo de segundo
Podemos, então, estabelecer que: Ângulo é a região do plano
limitada por duas semi-retas que têm a mesma origem.
Cuidado: Nunca escreva 2,40h como forma de representar 2 h A medida de um ângulo é dada pela medida de sua abertura.
40 min. Pois o sistema de medidas de tempo não é decimal. A unidade padrão de medida de um ângulo é o grau, cujo
símbolo é º. Tomando um ângulo raso ou de meia-volta e
Observe: dividindo-o em 180 partes iguais, determinamos 180 ângulos de
mesma medida. Cada um desses ângulos representa um ângulo
de 1º grau (1º).

Apostilas Decisão 35 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA

Submúltiplos
decímetro centímetro
milímetro quadrado
quadrado quadrado
2 2 2
dm cm mm
2 2 2
0,01m 0,0001m 0,000001m
2 2 2
O dam , o hm e km sào utilizados para medir grandes
Para medir ângulos utilizamos um instrumento denominado 2 2 2
superfícies, enquanto o dm , o cm e o mm são utilizados para
transferidor. O transferidor já vem graduado com divisões de 1º pequenas superfícies.
em 1º. Existem dois tipos de transferidor: Transferidor de 180º e
de 360º. O grau compreende os submúltiplos:
Exemplos:
2
1. Leia a seguinte medida: 12,56m
- O minuto corresponde a do grau. Indica-se um minuto
por 1'. km
2
hm
2
dam
2
m
2
dm
2
cm
2
mm
2

12, 56
1º = 60'
Lê-se “12 metros quadrados e 56 decímetros quadrados”. Cada
coluna dessa tabela corresponde a uma unidade de área.

- O segundo corresponde a do minuto. Indica-se um 2


2. Leia a seguinte medida: 178,3 m
segundo por 1''.
2 2 2 2 2 2 2
1º = 60'' km hm dam m dm cm mm
1 78, 30
Logo, podemos concluir que:
Lê-se “178 metros quadrados e 30 decímetros quadrados”
1º = 60'.60 = 3.600''
2
Quando um ângulo é medido em graus, minutos e 3. Leia a seguinte medida: 0,917 dam
segundos, estamos utilizando o sistema sexagesimal.
2 2 2 2 2 2 2
km hm dam m dm cm mm
0, 91 70
Medidas de Superfície
Lê-se 9.170 decímetros quadrados.
As medidas de superficie fazem parte de nosso dia a dia e
respondem a nossas perguntas mais corriqueiras do cotidiano:
Medidas de Capacidade
- Qual a area desta sala?
A quantidade de líquido é igual ao volume interno de um
- Qual a area desse apartamento? recipiente, afinal quando enchemos este recipiente, o líquido
assume a forma do mesmo. Capacidade é o volume interno de
- Quantos metros quadrados de azulejos são um recipiente. A unidade fundamental de capacidade chama-se
necessarios para revestir essa piscina? litro.

- Qual a area dessa quadra de futebol de salão? Litro é a capacidade de um cubo que tem 1dm de aresta.
3
- Qual a area pintada dessa parede? 1l = 1dm
Múltiplos e submúltiplos do litro
Superfície e Área Unidade
Múltiplos
Fundamental
Superficie é uma grandeza com duas dimensòes, enquanto área quilolitro hectolitro decalitro litro
é a medida dessa grandeza, portanto, um número. kl hl dal L
1000l 100l 10l 1l
Metro Quadrado Submúltiplos
decilitro centilitro mililitro
A unidade fundamental de superfície chama-se metro quadrado.
2 dl cl ml
O metro quadrado (m ) é a medida correspondente à superfície
0,1l 0,01l 0,001l
de um quadrado com 1 metro de lado.
Cada unidade é 10 vezes maior que a unidade imediatamente
Unidade inferior.
Múltiplos
Fundamental
quilômetros hectômetro decâmetro Relações
metro quadrado
quadrado quadrado quadrado 3
2 2 2 2 1l = 1dm
km hm dam m
2 2 2 2 3
1.000.000m 10.000m 100m 1m 1ml = 1cm

Apostilas Decisão 36 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
3
1kl = 1m
o que implica que 100X=9000, logo X=90. Como eu já li 90
Leitura das medidas de capacidade páginas, ainda faltam 200-90=110 páginas.
• Exemplo: leia a seguinte medida: 2,478 dal

kl hl dal l dl cl ml Juros Simples


2, 4 7 8
O regime de juros será simples quando o percentual de juros
Lê-se "2 decalitros e 478 centilitros". incidir apenas sobre o valor principal. Sobre os juros gerados a
cada período não incidirão novos juros. Valor Principal ou
simplesmente principal é o valor inicial emprestado ou aplicado,
7. INTERPRETAR TAXAS E ÍNDICES DE NA- antes de somarmos os juros. Transformando em fórmula temos:
TUREZA SOCIOECONÔMICA (ÍNDICE DE DE-
SENVOLVIMENTO HUMANO, TAXAS DE INFLA- J = P.i.n
ÇÃO, ENTRE OUTROS), INVESTIGANDO OS
Onde:
PROCESSOS DE CÁLCULO DESSES NÚME-
ROS, PARA ANALISAR CRITICAMENTE A J = Juros
REALIDADE E PRODUZIR ARGUMENTOS
P = Principa (Capital)
Porcentagem
i = Taxa de Juros
Ao abrir um jornal, ligar uma televisão, olhar vitrines, é comum
n = Número de Períodos
depararmos com expressões do tipo:
Exemplo: Temos uma dívida de R$ 1000,00 que deve ser paga
- A inflação do mês foi de 4% (lê-se quatro por cento)
com juros de 8% a.m. pelo regime de juros simples e devemos
pagá-la em 2 meses. Os juros que pagarei serão:
- Desconto de 10% (dez por cento) nas compras à vista.
J = 1000 x 0.08 x 2 = 160
- O índice de reajuste salarial de março é de 0,6% (seis
décimos por cento)
Ao somarmos os juros ao valor principal temos o montante.
A porcentagem é um modo de comparar números usando a
Montante = Principal + Juros
proporção direta, onde uma das razões da proporção é uma
fração cujo denominador é 100. Toda razão a/b na qual b=100
Montante = Principal + ( Principal x Taxa de juros x Número de
chama-se porcentagem.
períodos )
Exemplos:
M=P.(1+(i.n))
1. Se há 30% de meninas em uma sala de alunos, pode-se
comparar o número de meninas com o número total de alunos
Exemplo: Calcule o montante resultante da aplicação de
da sala, usando para isto uma fração de denominador 100, para
R$70.000,00 à taxa de 10,5% a.a. durante 145 dias.
significar que se a sala tivesse 100 alunos então 30 desses
alunos seriam meninas. Trinta por cento é o mesmo que
Solução:
30 M = P . ( 1 + (i.n) )
= 30%
100 M = 70000 [1 + (10,5/100).(145/360)] = R$72.960,42

Observe que expressamos a taxa i e o período n, na mesma


2. Calcular 40% de R$300,00 é o mesmo que determinar um unidade de tempo, ou seja, anos. Daí ter dividido 145 dias por
valor X que represente em R$300,00 a mesma proporção que 360, para obter o valor equivalente em anos, já que um ano
R$40,00 em R$100,00. Isto pode ser resumido na proporção: comercial possui 360 dias.

40 X
= Juros Compostos
100 300
O regime de juros compostos é o mais comum no sistema
Como o produto dos meios é igual ao produto dos extremos, financeiro e portanto, o mais útil para cálculos de problemas do
podemos realizar a multiplicação cruzada para obter: dia-a-dia. Os juros gerados a cada período são incorporados ao
100X=12000, assim X=120 principal para o cálculo dos juros do período seguinte.
Chamamos de capitalização o momento em que os juros são
Logo, 40% de R$300,00 é igual a R$120,00. incorporados ao principal. Após três meses de capitalização,
temos:

3. Li 45% de um livro que tem 200 páginas. Quantas páginas 1º mês: M =P.(1 + i)
ainda faltam para ler?
2º mês: o principal é igual ao montante do mês anterior: M = P x
45 X (1 + i) x (1 + i)
=
100 200 3º mês: o principal é igual ao montante do mês anterior: M = P x
(1 + i) x (1 + i) x (1 + i)
Apostilas Decisão 37 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA

Simplificando, obtemos a fórmula:


Equivalentes
n
M = P . (1 + i)
São taxas que, aplicadas ao mesmo capital, durante o mesmo
intervalo de tempo, produzem o mesmo montante. Nos casos
Importante: a taxa i tem que ser expressa na mesma medida de dos juros simples, as taxas proporcionais e equivalentes são
tempo de n, ou seja, taxa de juros ao mês para n meses. Para iguais.
calcularmos apenas os juros basta diminuir o principal do
montante ao final do período: Ex. 12% a.a. é equivalente a 0,9488% a.m.. Vou explicar:
J=M-P Na equivalência considera-se o “juro sobre juro” ou seja (1+ i) t.

Então: ( 1 + 0,009488) 12 = ( 1 + i ) 1; com essa igualdade eu


Exemplo: Calcule o montante de um capital de R$6.000,00, estou perguntando à equação qual o fator que elevado a 12
aplicado a juros compostos, durante 1 ano, à taxa de 3,5% ao (meses) é igual a outro fator elevado a 1 (ano). Assim, se (
mês. (use log 1,035=0,0149 e log 1,509=0,1788) 1,009488 ) 12 = 1,12 , então 1,12 = 1 +i, indica que i = 1,12 - 1
ou i = 0,12, logo i = 12% a.a.
Resolução:
Nesse caso 12% é taxa efetiva.
P = R$6.000,00

t = 1 ano = 12 meses Ex. 15% a.t.(ao trimestre) é equivalente a que taxa mensal?
(1+0,15)¹ = (1+i)³ => 1,15 = (1+i)³ => achando-se a raiz cúbica
i = 3,5 % a.m. = 0,035 dos dois termos encontramos 1,047689 = 1+i, assim a taxa
mensal equivalente a 15% a.t. é 4,76% a.m..
M=?

n Real
Usando a fórmula M=P.(1+i) , obtemos:

M = 6000.(1+0,035)
12
= 6000. (1,035)
12 A taxa real expurga o efeito da inflação. Um aspecto interessante
sobre as taxas reais de juros é que, elas podem ser inclusive,
negativas! Vamos encontrar uma relação entre as taxas de juros
Fazendo x= 1,035
12
e aplicando logaritmos, encontramos: nominal e real. Para isto, vamos supor que um determinado
capital P é aplicado por um período de tempo unitário, a uma
log x = log 1,035
12 certa taxa nominal in . O montante S1 ao final do período será
dado por S1 = P(1 + in). Consideremos agora que durante o
log x = 12 log 1,035 mesmo período, a taxa de inflação (desvalorização da moeda)
foi igual a j. O capital corrigido por esta taxa acarretaria um
log x = 0,1788 montante:

x = 1,509 S2 = P (1 + j).

A taxa real de juros, indicada por r, será aquela que aplicada ao


Então M = 6000.1,509 = 9054. montante S2 , produzirá o montante S1. Poderemos então
escrever: S1 = S2 (1 + r)
Portanto o montante é R$9.054,00
Substituindo S1 e S2 , vem:

P(1 + in) = (1+r). P (1 + j)


Efetiva

São as taxas de juros cobradas pelos bancos no caso do Daí então, vem que:
exemplo acima exposto. Para que não houvesse mais essa
divergência, deveria constar nos contratos de operações (1 + in) = (1+r). (1 + j), onde:
financeiras uma taxa de coincidisse com o período de
capitalização, dessa forma a taxa nominal seria também a taxa in = taxa de juros nominal
efetiva.
j = taxa de inflação no período

Proporcionais r = taxa real de juros

No juro composto ser equivalente é diferente de ser Observe que se a taxa de inflação for nula no período, isto é, j =
proporcional. Da mesma forma a taxa nominal é diferente da 0, teremos que as taxas nominal e real são coincidentes. Veja o
taxa efetiva. Quando não há referência clara na questão, utiliza- exemplo a seguir: Numa operação financeira com taxas pré-
se a proporcionalidade. fixadas, um banco empresta $120.000,00 para ser pago em um
ano com $150.000,00. Sendo a inflação durante o período do
empréstimo igual a 10%, pede-se calcular as taxas nominal e
Proporcionalidade real deste empréstimo. Teremos que a taxa nominal será igual a:

Ex. 12% a.a. é proporcional a 1% a.m. in = (150.000 – 120.000)/120.000 = 30.000/120.000 =


0,25 = 25%
Nesse caso 12% é taxa nominal.
Apostilas Decisão 38 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
Portanto in = 25% à taxa efetiva, tendo em vista que não houve valores a expurgar.
Portanto, a taxa efetiva pode ser igual a, maior ou menor que a
Como a taxa de inflação no período é igual a j = 10% = 0,10, taxa nominal, dependendo da situação envolvida. Há autores,
substituindo na fórmula anterior, vem: que distinguem-na da taxa real, que é aquela que expurga o
índice inflacionário do período, considerando seja isto apenas
(1 + in) = (1+r). (1 + j) correção do capital e não lhe esteja remunerando, fugindo ao
conceito de juros. Concluindo, taxa nominal ou aparente é
(1 + 0,25) = (1 + r).(1 + 0,10) aquela que figura em primeiro plano, constante de contratos e
demais documentos. A taxa efetiva é aquela que pode realmente
1,25 = (1 + r).1,10 ser entendida como juros puros ou filtrados daquilo que
componha o índice apontado.
1 + r = 1,25/1,10 = 1,1364
Exemplo: Uma pessoa possui um financiamento (taxa de juros
Portanto, r = 1,1364 – 1 = 0,1364 = 13,64% simples de 10% a.m.). O valor total dos pagamentos a serem
efetuados, juros mais principal, é de $ 1.400,00. As condições
contratuais prevêem que o pagamento, deste financiamento,
Se a taxa de inflação no período fosse igual a 30%, teríamos será efetuado em duas parcelas. A primeira parcela, no valor de
para a taxa real de juros: setenta por cento do total dos pagamentos, será paga ao final do
quarto mês, e a segunda parcela, no valor de trinta por cento do
(1 + 0,25) = (1 + r).(1 + 0,30) total dos pagamentos, será paga ao final do décimo primeiro
mês. O valor que mais se aproxima do valor financiado é:
1,25 = (1 + r).1,30
a) $ 816,55
1 + r = 1,25/1,30 = 0,9615 b) $ 900,00
c) $ 945,00
d) $ 970,00
Portanto, r = 0,9615 – 1 = -,0385 = -3,85% e, portanto teríamos e) $ 995,00
uma taxa real de juros negativa!
Esta questão trata de equivalência de capitais a juros simples.
Temos:
Aparente
i = 10% a.m
A taxa nominal ou aparente é aquela que é posta, em números
brutos, para aplicação sobre o valor do capital principal N = 1.400
negociado, levando-se em conta tão somente este valor e a
remuneração total pretendida. Portanto, se se quer emprestar R$
1.000,00 por 40 dd aguardando uma remuneração do capital de Esquema do fluxo de caixa:
10% até o seu retorno, entenderemos que o pagamento dever-
se-á efetuar num montante de R$ 1.100,00. Teremos a seguinte A? 70% 30%
fórmula: M = P . (1+iA), na qual M é o montante, que resulta da | | | N = $ 1.400
aplicação de um índice de base unitária sobre o capital principal, 0 4 11
índice este composto de 1, representando P, adicionado da taxa
desejada de remuneração.
Etapas:
Aplicando-a:
1. Vamos calcular o valor Nominal dos 1.400, nas datas 4 e 11;
M=? isto é, calculando o valor percentual:

P = R$1000,00 70% de 1400 = 980 30% de 1400 = 420

IA = 10%
2. Agora vamos calcular o valor Atual dos valores acima, para
M = 1000,00 . (1+0,1) = R$ 1100,00 uma mesma data focal Zero.

Fórmula do valor Atual: A = N/ (1 + in)


Não estariam sendo considerados quaisquer outros fatores que
possam incidir sobre esta operação. Taxa Efetiva, como vimos, é Valor Atual dos 980: A = 980/ (1+ 0,10 . 4) = 700
o percentual aplicado ao capital principal que proporcione a
obtenção do resultado líquido, já deduzidos todos os repasses Valor Atual dos 420: A = 420/ (1+ 0,10 . 11) =200
que ali possam estar contidos tais como impostos e tarifas,
despesas e demais necessidades operacionais, bem como que,
decomposto o ato, distribua o valor cobrado no tempo, quando 3. somando-se os valores atuais das parcelas, na data zero,
houver pagamento parcelado, ou considere os detalhes temos o valor financiado na data da assinatura do contrato $
incrustados nos números aparentes, refletindo de fato a taxa que 900,00.
remunere o capital em essência e que lhe possa agregar algo,
que o torne verdadeiramente um montante. A taxa aparente R. : letra b.
pode coincidir com a efetiva. Por exemplo: João emprestou a
Maria certa quantia que lhe deveria ser devolvida ao término de
1 semana, acrescida de juros de 2,5%. As aplicações de capital Capitais Equivalentes
haviam sido suspensas, a inflação era zero e, em não se
informando tal fato ao Estado, não ocorreria tributação, assim Dois (ou mais) capitais, com datas de vencimento diferentes,
como não houve qualquer outro gasto a ser compensado. Assim, são ditos capitais equivalentes quando, transportados para uma
a taxa nominal, cobrada de plano sobre o principal, seria idêntica mesma data, a mesma taxa, produzirem, nessa data, valores
Apostilas Decisão 39 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
iguais. A data para a qual os capitais serão transportados é ou não. Se forem re-emprestados, diz-se que os juros são
chamada data focal. No regime de juros simples, a escolha da capitalizados, porque passam a integrar o capital do próximo
data focal influencia a resposta do problema. Isto significa que período de capitalização. Existem basicamente três regimes de
definida uma taxa de juro, e a forma de calculo (se racional ou capitalização:
comercial), dois capitais diferentes, em datas diferentes, podem
ser equivalentes, se transportados para outra data, mesmo Capitalização Simples: No regime de capitalização simples, ou
mantendo-se todas as outras condições do problema. juro simples, os juros pagos não são reinvestidos no
(PARENTE, 1996). empréstimo. Portanto, não são capitalizados. O capital a cada
momento no tempo é igual ao capital inicial .
Formulas
Capitalização Composta: No regime de capitalização
Para vencimentos anteriores a data focal composta, ou juro composto, adiciona-se os juros pagos ao
capital do empréstimo e volta-se a emprestar. Portanto, os juros
são capitalizados. O capital no momento , a partir do momento
anterior, será:

Para vencimentos posteriores a data focal

onde

é o capital aplicado no momento ,e

Exemplo: Um empresário tem os seguintes compromissos a representa o juro do período de capitalização ,


pagar:

- R$ 3.000,00 daqui a 4 meses ou pode ser calculado a partir de usando a fórmula de


cálculo do juro composto.
- R$ 5.000,00 daqui a 8 meses

- R$ 12.000,00 daqui a 12 meses Capitalização Contínua: No regime de capitalização contínua,


os juros também são capitalizados, mas os períodos de
O empresário propõe trocar esses débitos por dois pagamentos capitalização são considerados instantâneos, dando lugar a uma
iguais, um para daqui a 6 meses e outro para daqui a 9 meses. acumulação contínua de juros. O regime mais utilizado é o da
Considerando a taxa de juros simples de 5% a.m. e a data focal capitalização composta.
no 270° dia, calcular o valor de cada pagamento.

A Inflação representa o crescimento contínuo e generalizado


Solução: dos preços dos bens e é calculada como a taxa de variação do
Índice de Preços no Consumidor (IPC). O oposto da inflação é a
Fluxo de caixa deflação, que corresponde a uma descida continuada e
generalizada dos preços. A ocorrência de deflação é muito rara e
está geralmente associada a períodos de depressão económica.
As razões para a ocorrência de deflação estão geralmente
associadas a pressões provocadas pela procura que levam ao
"sobre-aquecimento" da economia, isto é, levam a que a
economia esteja a produzir acima do produto potencial. Os
monetarias, por seu lado, apontam como principal causa para a
inflação o excesso de oferta monetária. Por fim, uma outra razão
para a ocorrência de inflação é a sua própria inércia provocada
pelas expectativas dos agentes económicos; de facto, muitos
preços futuros são fixados no presente tendo em conta as
expectativas quanto ao futuro levando a que preços como os
salários e os juros, entre outros, incorporem já a inflação futura
esperada. A inflação é o aumento contínuo de preços de bens,
produtos e serviços em uma determinada região durante um
período. Ao mesmo tempo em que os produtos se tornam mais
caros, o poder de compra da moeda nacional diminui. Por
exemplo: em um país com inflação de 1% ao mês, um
trabalhador compra uma cesta de produtos em determinado mês
e paga R$ 100. No mês seguinte, para comprar a mesma cesta,
ele vai precisar de R$ 101. E assim sucessivamente. Caso a
inflação se mantenha a mesma, depois de um ano o valor da
cesta chegará a R$ 112,68 (12,68% de inflação). Como o salário
Regimes de Capitalização deste trabalhador não é reajustado mensalmente, o poder de
compra diminuirá paulatinamente. Isso significa que, após este
ano de 1% de inflação ao mês, com os mesmos R$ 100 o
Regime de capitalização é o processo de reinvestimento, ou não,
trabalhador conseguirá comprar somente 88,75% da cesta. Além
dos juros de uma aplicação financeira. Durante o prazo de
de corroer o salário, a inflação elevada também encarece os
aplicação, os juros pagos após cada período de capitalização
produtos nacionais, aumenta a demanda por importações e
podem ser reinvestidos no próprio empréstimo (re-emprestados),
reduz as exportações, desequilibrando toda a balança comercial
Apostilas Decisão 40 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
de um País. Para evitar uma crise econômica, governos são também chamado de "Correção Monetária", ou seja, um ajuste
obrigados a adotar medidas para desvalorizar a moeda e, assim, feito periodicamente de certos valores na economia tendo em
frear as importações. Esta decisão, entretanto, faz com que base o valor da inflação de um período, objetivando compensar
produtos importados essenciais – como petróleo, fertilizantes, a perda de valor da moeda. Em termos de contabilidade
equipamentos sem similar nacional – fiquem mais caros, tributária, a atualização monetária pode ser uma receita
aumentando o custo de produção de setores que dependem (denomina-se variação monetária ativa), ou uma despesa
desses itens. Tudo isso provoca nova elevação de preços, (variação monetária passiva). Exemplo de cálculo de uma
entrando em um círculo vicioso que só termina com a queda real variação monetária passiva.
da inflação.
Empréstimo em dólar = US$ 100,00

Hiperinflação e estabilidade Cotação Cambial na data do empréstimo: 2,00

As décadas de 1960 e 1970 simbolizam o início do Cotação Cambial na data do vencimento da


desequilíbrio econômico no Brasil. Naquele período, os índices amortização: 4,00
de inflação chegavam a aproximadamente 40% ao ano. Pouco
mais adiante, a década de 1980 foi marcada pela conjunção de Valor a ser contabilizado na data do recebimento do emprestimo:
dois fatores: forte retração na taxa de expansão econômica e
significativo aumento da inflação. A média anual, por exemplo, Obrigação a Pagar = US$ 100,00 x 2,00 = R$ 200,00
subiu para 330% e, entre 1990 e 1994, para 764%. Foram pelo
menos 15 anos de hiperinflação. Supermercados e comércio em Valor a ser contabilizado na data do vencimento da amortização:
geral remarcavam diariamente os preços dos produtos, que Ajuste da variação monetária passiva = R$ 400,00 (US$ 100,00
sumiam rapidamente das prateleiras e das vitrines, já que a x 4,00) (-) valor principal (R$ 200,00) = R$ 200,00
população estocava alimentos por temer as sucessivas altas.
Esse quadro caótico se estendeu até a primeira metade dos
anos 1990, forçando os governos daquele período a adotarem Existe uma controvérsia em relação aos juros: Se o juros for de
sete planos de estabilização econômica em menos de dez anos. 10% ao mês, a ser pago junto com a amortização, alguns dizem
Foi apenas a partir de 1994, com a criação do Plano Real, que o que o valor deve ser integralmente contabilizado como despesas
País deu os primeiros passos rumo à estabilidade econômica. de juros (R$ 40,00 ou 10% de R$ 400,00) enquanto outros
Era o fim da correção monetária, do congelamento de preços e afirmam que a despesa de juros é R$ 20,00 e os outros R$
da inflação acima de dois dígitos. A partir de 1999, o Brasil adota 20,00 seriam variação monetária passiva. Embora atualmente a
metas para a inflação. Por esse regime, o Banco Central atua questão não tenha implicações em termos de contabilidade
para garantir que a inflação esteja dentro de um patamar tributária, uma vez que ambos são "Despesas", a questão se
máximo pré-estabelecido. E o instrumento mais importante torna relevante tendo em vista uma conversão de um balanço
utilizado pelo BC para atingir esse objetivo é definir a taxa básica em reais para um balanço em dolar, por exemplo. Na primeira
de juros da economia, a Selic. As metas têm como marco de hipótese, o balanço em dólar apresentaria a despesa de juros de
referência a taxa oficial de inflação – o Índice Nacional de Preços US$ 10,00 (40,00 / 4,00), enquanto na segunda, a despesa a ser
ao Consumidor Amplo (IPCA) –, calculada pelo IBGE. Assim, o demonstrada seria de US$ 5,00 (20,00 / 4,00), considerando-se
governo estabelece alvos anuais para a inflação e as divulga, o critério de eliminaçãos dos ajustes cambiais contábeis para
cabendo ao Banco Central executar as políticas necessárias fins da referida conversão.
para cumprimento das metas fixadas.

Taxa de Juros Real


Cálculo da inflação
A taxa real é aquela que expurga o efeito da inflação no período.
Desde 2012, o IBGE retirou da conta do IPCA a fralda de Dependendo dos casos, a taxa real pode assumir valores
pano, a máquina de costura e outros 48 itens que não vão pesar negativos. Podemos afirmar que a taxa real corresponde à taxa
mais na inflação. Por outro lado, acrescentou 32, como salmão, efetiva corrigida pelo índice inflacionário do período. Existe uma
morango, chuveiro elétrico e o telefone com Internet. O instituto relação entre a taxa efetiva, a taxa real e o índice de inflação no
promove esse tipo de mudança para adequar o cálculo aos período. Vejamos:
novos hábitos de consumo dos brasileiros. O Brasil conta com
diferentes índices que medem a inflação. Os principais são o 1+ief=(1+ir )(1+iinf )
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial
que abrange as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 Onde,
salários mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos) e o
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC, que abrange ief → é a taxa efetiva
as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1 e 6
salários mínimos). Ambos são medidos pelo IBGE. Há ainda o ir → é a taxa real
Índice Geral de Preços (IGP) calculado pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV) e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), iinf → é a taxa de inflação no período
medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe).
8. UTILIZAR AS NOÇÕES DE TRANSFORMA-
ÇÕES ISOMÉTRICAS (TRANSLAÇÃO, REFLE-
Atualização Monetária
XÃO, ROTAÇÃO E COMPOSIÇÕES DESTAS) E
Atualização Monetária (AO 1945: Actualização Monetária) é o TRANSFORMAÇÕES HOMOTÉTICAS PARA
nome que se dá no Brasil para os ajustes contábeis e CONSTRUIR FIGURAS E ANALISAR ELEMEN-
financeiros, realizados com o intuito de se demonstrar os preços TOS DA NATUREZA E DIFERENTES PRODU-
de aquisição em moeda em circulação no país (atualmente o
Real), em relação ao valor de outras moedas (ajuste cambial) ou
ÇÕES HUMANAS (FRACTAIS, CONSTRUÇÕES
índices de inflação ou cotação do mercado financeiro CIVIS, OBRAS DE ARTE, ENTRE OUTRAS)
(atualização monetária propriamente dita). Em Economia é
Apostilas Decisão 41 Apostilas Decisão
MATEMÁTICA
Trata-se de um assunto que colabora com o desenvolvimento
da percepção espacial da turma, assim como com a capacidade
de elaboração de uma linguagem própria da área e a
aprendizagem das formas de fazer a representação gráfica de
imagens. E mais: ter uma base consistente a esse respeito ajuda
a dominar outros saberes explorados mais adiante no Ensino
Médio, como coordenadas no plano cartesiano e funções. As
maiores dificuldades encontradas pela turma na compreensão
desses conteúdos são em relação a como lidar com os conceitos Para construir uma imagem refletida tendo uma figura e seu
na resolução de problemas indo além das simples definições. É eixo, é possível dobrar a folha em que ela está desenhada sobre
claro que elas são importantes e colaboram com o entendimento o eixo de simetria do desenho e copiá-la no lado oposto. Outra
do tema, mas o ideal é saber como usá-las como uma maneira que mobiliza outros saberes geométricos é traçar uma
ferramenta para resolver as questões, em vez de somente reta perpendicular ao eixo, passando pelos pontos da imagem
aplicá-las como respostas prontas (leia na última página dois original, e marcar, no lado oposto, sua posição, mantendo a
problemas e alguns possíveis equívocos cometidos pelos mesma distância do segmento. É preciso eleger pontos que
estudantes). Humberto lembra também que o tema é rico para servirão de referência para o desenho da figura transformada.
fazer conexões entre a Matemática, as artes e a engenharia e
que o seu aprendizado pode ocorrer por meio de inúmeras Rotação: Nessa transformação, parece que a imagem está
aplicações. Para trabalhar o tema em sala, porém, não basta desenhada em outra posição, fazendo um giro em relação à
fazer conexões com contextos cotidianos ou pedir que a turma original. Mas a ideia está incompleta. Não contempla o que
encontre as transformações geométricas nos objetos. O determina o posicionamento da figura, o centro da rotação. Veja
conhecimento não é intuitivo. a imagem abaixo:

Congurência e semelhança têm a ver com posição e


tamanho

Para obedecer a proposta de rotacionar uma figura a 90° no


sentido horário, o centro deve ser o ponto de partida para medir
o ângulo determinado - e assim a imagem inteira é transportada
para outro local, ocupando uma posição diferente. Dessa forma,
são encontrados os pontos correspondentes aos originais e
mantidas as mesmas medidas entre o centro e a nova figura.
Essa transformação mostra como resultado imagens
congruentes, com os ângulos e os lados correspondentes
medindo o mesmo valor e partindo de um mesmo centro.

Translação: À primeira vista, parece só se tratar da mesma


figura copiada ao lado da original. Porém existem alguns
detalhes que fazem essa transformação ser mais que isso.
Observe a imagem:

Duas imagens congruentes são aquelas que, quando


sobrepostas, é possível verificar a correspondência entre as
medidas de lados e ângulos e a manutenção da forma e do Trata-se de repetição, porém a mesma figura tem de ser repetida
tamanho. A diferença se dá apenas em relação à posição. uma ou mais vezes em intervalos regulares, como se estivesse
Imagens congruentes fazem parte de uma rede chamada deslizando a certa distância, em uma mesma direção. Para
transformações isométricas (ou simetrias), que por sua vez é aplicar o conceito, é necessário saber as medidas dos
dividida em três naturezas: segmentos e dos ângulos do original e traçá-los de forma
idêntica, conservando a forma e o tamanho. A nova imagem terá
Reflexão (ou simetria axial): De uma maneira simplificada, como diferença a posição, podendo estar mais à esquerda ou à
trata-se do espelhamento de uma figura. Mas não basta a turma direita, para baixo ou para cima ou inclinada da original. Se nos
saber isso. É preciso compreender que o eixo de simetria pode casos anteriores, as imagens se mantinham congruentes,
determinar como se dá a reflexão, divide um plano em dois e quando o assunto é semelhança, embora a forma, o ângulo e a
separa uma imagem original de seu reflexo, conservando a posição sejam preservados, o tamanho é alterado. Essas
forma, o ângulo e o tamanho - deixando uma invertida em possibilidades são as homotetias, subdivididas em ampliação e
relação à outra. As figuras refletidas têm um ponto redução. Em ambos os casos, o que marca a mudança é a
correspondente a outro em cada lado do eixo e mantêm a proporcionalidade, ou seja, se um quadrado com 1,5 centímetro
mesma distância em relação ao eixo de simetria. Observe o de lado tiver seu comprimento de lado dobrado (razão 1:2), os
exemplo a seguir: lados da nova imagem têm de ter 3 centímetros de lado.
Observe o exemplo abaixo:

Apostilas Decisão 42 Apostilas Decisão


MATEMÁTICA
observar com a turma quais são os padrões de imagens e de
quais formas elas se apresentam", explica Silva.