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Arquitetura e Cidade para Crianças:


projeto estimula a relação afetiva das
crianças com a vida urbana
Escrito por Equipe ArchDaily Brasil
7-9 minutos

Arquitetura e Cidade para Crianças: projeto estimula a relação


afetiva das crianças com a vida urbana

© Microponto Produções

A sensibilização dos adultos para uma cidade mais humana é um

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motivador para as arquitetas e urbanistas Amanda Tiedt e Fabíola


Cordeiro. Depois de fundarem o Coletivo Sinergia Urbana para
trabalhar com intervenções urbanas e instalações efêmeras, a
dupla sentiu falta de um projeto que sensibilizasse as crianças a
participar da vida urbana de forma ativa e se sentissem parte do
seu bairro e da sua cidade. A pesquisa de referências e projetos
com esta temática iniciou em outubro de 2016, logo após lerem
sobre o projeto Arquitectura para Niños que existe na Espanha, e
sobre a HABITAT III que aconteceu em Quito (Equador) e definiu a
nova agenda urbana mundial, que entre outras coisas, prioriza a
qualidade de vida urbana e segurança das crianças.

© Microponto Produções

A partir das pesquisas e dos estudos de caso, as arquitetas


perceberam que existiam dois caminhos diferentes e
complementares para incluir as crianças na vida urbana: realizar
um trabalho de sensibilização e incluir os pequenos no
planejamento urbano através de processos participativos

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simplificados. Neste contexto, o projeto “Arquitetura e Cidade para


Crianças” optou por dar os primeiros passos a partir de oficinas
que incentivassem uma relação afetiva das crianças com vida
urbana, auxiliando na compreensão do seu direito à cidade,
valorizando o patrimônio cultural edificado, e proporcionando o
entendimento da relação entre a natureza e o que foi construído
pelo homem.

As arquitetas valorizaram a co-criação e articularam a rede criativa


local para construir e participar do projeto. Um grupo de teatro e
uma consultora na área ambiental desenvolvem o módulo “Meio
Ambiente” com as crianças, enquanto outros parceiros
documentam o projeto e abrigam as oficinas abertas à
comunidade. Isso proporciona que a experiência das crianças seja
mais atrativa, dinâmica, inclusiva e, que os temas sejam
explorados através de diferentes abordagens (teatro, desenhos,
pinturas, jogos…).

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Os módulos que formam a oficina são organizados e conectados


para que formem uma jornada de aprendizagem única de quatro
horas, com experiências significativas, colaborativas e criativas.
Todas as oficinas começam pelos acordos coletivos, a fim de que
as crianças construam uma dinâmica de grupo e sejam co-
responsáveis pelo qualidade tempo que passam juntas.

O primeiro módulo se chama “Minha Casa” e é um momento onde


as crianças brincam de arquiteto, com pranchetas e lapiseiras,
para desenhar a sua casa em planta baixa, em corte, ou fachada.
Este módulo trabalha a percepção espacial e entendimento de que
cada casa é muito especial e particular, a partir de como as
famílias interagem e vivem nos espaços.

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O módulo “A Cidade” faz com que as crianças compreendam a


diferença entre espaços públicos e privados, interiores e
exteriores; entre uma cidade feita para carros e feita para

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pessoas, além de entenderem a relevância do patrimônio


histórico e o papel que a arquitetura têm no cotidiano das
cidades. Para isso, é utilizado um jogo da memória colaborativo
gigante e desenvolvido pelas arquitetas. No mesmo módulo, é feita
uma pintura coletiva a partir do audiolivro “A Cidadela”, que conta a
história do SESC Pompéia, de Lina Bo Bardi (disponível
gratuitamente na internet).

Por fim, o módulo “Meio Ambiente” desenvolve conhecimentos


sobre permacultura urbana e a produção de lixo nas cidades. As
crianças exploram, preferencialmente, os espaços externos, onde
plantam brotos e sementes em casca de ovos, produzem bombas
de sementes, brincam com uma caixa mágica de resíduos que
desperta para o tempo de decomposição de cada material, e
refletem sobre alternativas para tornar a vida na cidade mais
sustentável.

Ao final das oficinas as crianças levam para casa uma cartinha


para sua família com o objetivo de gerar conversas significativas
entre crianças e adultos. Inclusive, é entregue aos participantes um
botom com o título oficial de “Cuidador da Cidade”, que gera co-
responsabilidade sobre os espaços da cidade, especialmente no
entorno da casa e da escola, que é onde elas podem interferir mais
diretamente.

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APRENDIZADOS E RESULTADOS

As oficinas em Blumenau priorizam o aprendizado pelo


descobrimento e exploram espaços com atividades lúdicas e
práticas para crianças de 06 a 10 anos, com turmas de no máximo
25 participantes. Este ano já aconteceram nove oficinas, além de
diversas rodas de conversa para adultos, a fim de que
compreendessem a importância do projeto e os impactos positivos
na vida das pessoas e da cidade.

A ideia é que as crianças parem de ver o espaço urbano através


de uma janela (da casa, do carro ou do ônibus), para experimentar
e explorar cada canto da cidade com uma de suas habilidades
mais incríveis: a curiosidade.

© Microponto Produções

A receptividade das crianças é positiva, especialmente nas oficinas


realizadas nas escolas, onde conseguem aprender e explorar um
espaço comum do dia a dia de forma inusitada. A curiosidade e a
espontaneidade única das crianças proporciona a construção de
um aprendizado significativo, e com um grande potencial de
transformação a médio e longo prazo.

PRÓXIMOS PASSOS

Em 2017 o projeto “Arquitetura e Cidade para Crianças” teve o

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financiamento do Fundo Municipal de Apoio à Cultura de


Blumenau. O apoio recebido contemplou a compra de materiais, a
realização de duas oficinas abertas à comunidade, e outras seis
em escolas públicas do município.

Outras atividades como rodas de conversa para adultos e oficinas


em museus da cidade, apesar de não estarem incluídas no
financiamento recebido, foram organizadas de forma voluntária
pelas arquitetas e, igualmente, sem qualquer custo para
comunidade.

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Para 2018 fica o desafio de encontrar novos apoiadores para dar


continuidade ao projeto. Diferentes jogos, e um guia de bolso com
atividades e conteúdos para a família sobre o tema “Cidade para
Crianças”, são algumas das ideias que ainda demandam recursos
para saírem do papel.

Acesse o material de pesquisa e estudos de caso utilizados


para desenhar e desenvolver o projeto: Referência e estudos de
caso.

Cita: Equipe ArchDaily Brasil. "Arquitetura e Cidade para Crianças:


projeto estimula a relação afetiva das crianças com a vida urbana"
12 Dez 2017. ArchDaily Brasil. Acessado 4 Dez 2019.
<https://www.archdaily.com.br/br/885224/arquitetura-e-cidade-para-
criancas-projeto-estimula-a-relacao-afetiva-das-criancas-com-
a-vida-urbana> ISSN 0719-8906

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