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TIPOS DE DISCURSO NARRATIVO


Publicada em 03/06/2008

Para que uma


história seja
considerada uma
narrativa, deverá ter
certos elementos
fundamentais: fatos,
personagens, lugar e
tempo. Nota-se então que grande parte da produção literária
brasileira revela-se sob a forma deste gênero. De acordo
com a intenção de cada autor ao retratar sua história, este se
valerá de diferentes recursos discursivos. Compreendê-los é,
portanto, essencial para uma boa interpretação textual.

Em um texto narrativo, diversas são as maneiras de o


narrador, elemento que estrutura a história, apresentar a
história e realizar o registro das falas das personagens. O seu
discurso pode ser direto, indireto ou ainda indireto livre, em que há uma mistura dos dois
primeiros.

DISCURSO DIRETO

No discurso direto, as personagens falam através das suas próprias palavras, ou seja, o narrador
reproduz fielmente as palavras usadas pela personagem. A incorporação literal das falas é um
importante recurso para conferir imparcialidade e verossimilhança à narrativa. Sua utilização
também facilita o emprego de gírias e expressões próprias do grupo social em que estão inseridas as
personagens. Em geral, as falas vêm precedidas de um travessão ou entre aspas.

Ex.:
(...) Mané Lima, pegado de surpresa, de começo sem voz, solta depois um grito
medonho:
- É Pedro Archanjo!
(Jorge Amado, Tenda dos Milagres)

Este discurso é marcado pela utilização de verbos dicendi, aqueles que introduzem a fala da
personagem (dizer, afirmar, declarar, etc.) ou mesmo de verbos sentiendi, que expressam o estado de
espírito ou a reação psicológica da personagem (lamentar-se, suspirar, gemer, etc.).

DISCURSO INDIRETO

Neste tipo de discurso, o narrador transmite a fala das personagens através das suas próprias
palavras. A fala é apresentada na terceira pessoa por intermédio do narrador. Após o verbo
dicendi, vem uma oração subordinada introduzida por QUE ou SE implícita ou explicitamente.

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Ex.:
Discurso direto – Maria disse “eu estudarei hoje”.
Discurso indireto – Maria disse que estudaria hoje.

Note que, na passagem do discurso direto para o indireto, além da inserção da conjunção integrante
que, os tempos verbais também são alterados (no exemplo, do futuro do presente “estudarei” para o
futuro do pretérito “estudaria”).

DISCURSO INDIRETO LIVRE

Este discurso, também chamado de discurso semi-indireto, é uma mistura dos discursos direto e
indireto. Aqui, o narrador insere a fala ou o pensamento da personagem no seu próprio discurso sem
destacá-la, o que exige atenção redobrada do leitor. Misturam-se a terceira pessoa usada na narração
e a primeira pessoa, que exprime os pensamentos da personagem. A utilização deste recurso confere
ao texto uma maior fluidez, sendo comumente associado à expressão do fluxo de pensamentos da
personagem.

O discurso indireto livre, em geral, não apresenta as conjunções integrantes que e se ou verbos
introdutórios das falas das personagens. Os verbos tendem a aparecer na forma como surgem no
discurso direto em terceira pessoa.

Ex:
Se não fosse isso... An! Em que estava pensando? Meteu os olhos pela grade da
rua. Chi! Que pretume! O lampião da esquina se apagara, provavelmente o homem da
escada só botara nele meio quarteirão de querosene.
(Graciliano Ramos)

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