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COM ALMA NOS OLHOS :

Cinema negro a partir de Alma no Olho


de Zózimo Bulbul
Amália Coelho de Souza
Zózimo Bulbul (1937-2013), ator, diretor, produtor e roteirista foi um intelectual de grande
expressividade em sua época.orge da Silva nasceu do Rio de Janeiro, filho de Sebastião Alves de
Brito e Rita Maria da Silva, ingressou na Faculdade de Belas Artes em 1959.Zózimo começa uma
carreira artística como ator em produções importantes da cinematografia brasileira, tais como Ganga
Zumba (Carlos Diegues, 1963), Grande sertão (Geraldo e Renato Santos Pereira, 1965), El justicero
(Nelson Pereira Dos Santos, 1967), Terra em transe (Glauber Rocha, 1967). Em menos de uma
década, Zózimo já atuara em mais de 10 filmes nacionais e em outras produções estrangeiras.Seu
status de ícone negro, entretanto, não significou para Zózimo o livramento da censura. O filme que
coproduziu, República da traição (1970), fora censurado no mesmo ano. Desde o endurecimento das
políticas do governo militar, principalmente com a publicação do AI-5, Zózimo tem um intenso
percurso com a censura que o leva a sair do país em 1974, com mais um de seus filmes censurados:
o curta-metragem Alma no Olho (1974), embrião do cinema negro no Brasil.
Desde seu retorno até o falecimento, Zózimo dedica-se extensivamente à difusão e fomento da arte
negra no Brasil, sendo cofundador de organizações como a Associação Cultural de Apoio às Artes
Negras (ACAAN) e o Instituto de Pesquisas da Cultura Negra (IPCN). Em 2007, funda o Centro
AfroCarioca de Cinema que ―tem por finalidade a promoção da cultura afro brasileira e de seus
artistas, além de elaborar projetos e ações que visem a realização permanente de atividades
culturais. Alma no Olho (1974), o cine-exorcismo de Zózimo Bulbul, funda o gesto transformador
que nos permite pensar a relação entre negritude, imagem e cinema no seio de uma experiência
histórica de profunda invisibilidade. A partir dessa obra, Zózimo cava com seu próprio corpo o
território fílmico negro no cinema. Em sua obra e vida, o autor inaugura um espaço ainda inexistente
no Brasil, um território filosófico novo em que podemos fruir imagens, tomar o olhar, e mirarmos
juntos a experiência imagética negra na diáspora, com suas conformações históricas, sensíveis e
simbólicas.
PRIMEIRO ATO (I)
O Espelho Quebrado:
corpo, carne e escritura em Alma no Olho

● poética carnificada
● predação
● qualidade plástica do corpo negro
● corpo despedaçado
● corpo como égide do sentido
SEGUNDO ATO (II)
Tempo e Espaço em Alma no Olho

● A distopia do presente: espaço antinegro e tempo


acumulativo
● Fabulação negra e africanidades
● O transe como linguagem
● O corpo da negrura como dilatação tempo-espaço
TERCEIRO ATO (III)
Os Olhos da Besta: olhares negros e a
proposta de Zózimo Bulbul
● o olhar devolutivo negro
● território fílmico negro
● mirar a negrura como ato de amor
● auto-exorcismo e cura pelo cinema
ZÓZIMO! PRESENTE! (IV)
Kbela (2015)
Travessia (2017)
Travessia (2017)
NoiBlue: deslocamentos de uma dança (2017)
NoiBlue: deslocamentos de uma dança (2017)
NEGRUM3 (2018)
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Chico (2016)
Chico (2016)
Experimentando o Vermelho em Dilúvio (2016)
Experimentando o Vermelho em Di