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TÉCNICO DE

PERFURAÇÃO
E POÇOS
OPERAÇÕES
ESPECIAIS

Autor: Daniel Ismerim

Coautores: Claudio Roberto Coelho (Wireline)


Simeão Mendonça (Well Testing)
OPERAÇÕES
ESPECIAIS
OPERAÇÕES
ESPECIAIS

Autor: Daniel Ismerim


Coautores: Claudio Roberto Coelho (Wireline)
Simeão Mendonça (Well Testing)
Programa Alta Competência

Este material é o resultado do trabalho conjunto de muitos técnicos


da área de Exploração & Produção da Petrobras. Ele se estende para
além dessas páginas, uma vez que traduz, de forma estruturada, a
experiência de anos de dedicação e aprendizado no exercício das
atividades profissionais na Companhia.

É com tal experiência, refletida nas competências do seu corpo de


empregados, que a Petrobras conta para enfrentar os crescentes
desafios com os quais ela se depara no Brasil e no mundo.

Nesse contexto, o E&P criou o Programa Alta Competência, visando


prover os meios para adequar quantitativa e qualitativamente a força
de trabalho às estratégias do negócio E&P.

Realizado em diferentes fases, o Alta Competência tem como premissa


a participação ativa dos técnicos na estruturação e detalhamento das
competências necessárias para explorar e produzir energia.

O objetivo deste material é contribuir para a disseminação das


competências, de modo a facilitar a formação de novos empregados
e a reciclagem de antigos.

Trabalhar com o bem mais precioso que temos – as pessoas – é algo


que exige sabedoria e dedicação. Este material é um suporte para
esse rico processo, que se concretiza no envolvimento de todos os
que têm contribuído para tornar a Petrobras a empresa mundial de
sucesso que ela é.

Programa Alta Competência


Como utilizar esta apostila

Esta seção tem o objetivo de apresentar como esta apostila


está organizada e assim facilitar seu uso.

No início deste material é apresentado o objetivo geral, o qual


representa as metas de aprendizagem a serem atingidas.

ATERRAMENTO
DE SEGURANÇA

Autor

Ao final desse estudo, o treinando poderá:

Objetivo Geral
• Identificar procedimentos adequados ao aterramento
e à manutenção da segurança nas instalações elétricas;
• Reconhecer os riscos de acidentes relacionados ao
aterramento de segurança;
• Relacionar os principais tipos de sistemas de
aterramento de segurança e sua aplicabilidade nas
instalações elétricas.
O material está dividido em capítulos.

No início de cada capítulo são apresentados os objetivos


específicos de aprendizagem, que devem ser utilizados como
orientadores ao longo do estudo.

Capítulo 1

Riscos elétricos
e o aterramento
de segurança

Ao final desse capítulo, o treinando poderá:

Objetivo Específico
• Estabelecer a relação entre aterramento de segurança e
riscos elétricos;
• Reconhecer os tipos de riscos elétricos decorrentes do uso de
equipamentos e sistemas elétricos;
• Relacionar os principais tipos de sistemas de aterramento de
segurança e sua aplicabilidade nas instalações elétricas.

No final de cada capítulo encontram-se os exercícios, que


visam avaliar o alcance dos objetivos de aprendizagem.

Os gabaritos dos exercícios estão nas últimas páginas do


capítulo em questão.

Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança

1.4. Exercícios 1.7. Gabarito


1) Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e aterramento de segurança?
1) Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e
aterramento de segurança? O aterramento de segurança é uma das formas de minimizar os riscos decorrentes
do uso de equipamentos e sistemas elétricos.
_______________________________________________________________
2) Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que abordam os cuidados
_______________________________________________________________
e critérios relacionados a riscos elétricos. Correlacione-os aos tipos de riscos,
marcando A ou B, conforme, o caso:
2) Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que
abordam os cuidados e critérios relacionados a riscos elétricos. A) Risco de incêndio e explosão B) Risco de contato

Correlacione-os aos tipos de riscos, marcando A ou B, conforme, (B) “Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e
o caso: executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os
perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.”
A) Risco de incêndio e explosão B) Risco de contato (A) “Nas instalações elétricas de áreas classificadas (...) devem ser
adotados dispositivos de proteção, como alarme e seccionamento
( ) “Todas as partes das instalações elétricas devem ser automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas
de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de
projetadas e executadas de modo que seja possível operação.”
prevenir, por meios seguros, os perigos de choque (B) “Nas partes das instalações elétricas sob tensão, (...) durante os 25
elétrico e todos os outros tipos de acidentes.” trabalhos de reparação, ou sempre que for julgado necessário
21 à segurança, devem ser colocadas placas de aviso, inscrições de
( ) “Nas instalações elétricas de áreas classificadas advertência, bandeirolas e demais meios de sinalização que chamem
a atenção quanto ao risco.”
(...) devem ser adotados dispositivos de proteção,
como alarme e seccionamento automático para (A) “Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados
à aplicação em instalações elétricas (...) devem ser avaliados quanto à
prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação.”

Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas


isolamento, aquecimentos ou outras condições
anormais de operação.” 3) Marque V para verdadeiro e F para falso nas alternativas a seguir:

( ) “Nas partes das instalações elétricas sob tensão, (...) (V) O contato direto ocorre quando a pessoa toca as partes
durante os trabalhos de reparação, ou sempre que for normalmente energizadas da instalação elétrica.

julgado necessário à segurança, devem ser colocadas (F) Apenas as partes energizadas de um equipamento podem oferecer
placas de aviso, inscrições de advertência, bandeirolas riscos de choques elétricos.

e demais meios de sinalização que chamem a atenção (V) Se uma pessoa tocar a parte metálica, não energizada, de um
equipamento não aterrado, poderá receber uma descarga elétrica, se
quanto ao risco.” houver falha no isolamento desse equipamento.
( ) “Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e (V) Em um choque elétrico, o corpo da pessoa pode atuar como um
sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas “fio terra”.
3. Problemas operacionais, riscos e
cuidados com aterramento de segurança

T
odas as Unidades de Exploração e Produção possuem um plano
de manutenção preventiva de equipamentos elétricos (motores,
geradores, painéis elétricos, transformadores e outros).

A cada intervenção nestes equipamentos e dispositivos, os


Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas
mantenedores avaliam a necessidade ou não da realização de inspeção
definos
nições
sistemasestão disponíveis
de aterramento envolvidosno glossário.
nestes equipamentos.Ao longo dos
textos do capítulo, esses termos podem ser facilmente
Para que o aterramento de segurança possa cumprir corretamente o
identifi cados, pois estão em destaque.
seu papel, precisa ser bem projetado e construído. Além disso, deve
ser mantido em perfeitas condições de funcionamento.

Nesse processo, o operador tem importante papel, pois, ao interagir 49


diariamente com os equipamentos elétricos, pode detectar
imediatamente alguns tipos de anormalidades, antecipando
problemas e, principalmente, diminuindo os riscos de choque elétrico
por contato indireto e de incêndio e explosão.

3.1. Problemas operacionais

Os principais problemas operacionais verificados em qualquer tipo


de aterramento são:

• Falta de continuidade; e
• Elevada resistência elétrica de contato.

É importante lembrar que Norma Petrobras N-2222 define o valor


de 1Ohm, medido com multímetro DC (ohmímetro), como o máximo
admissível para resistência de contato.

3.4. Glossário

Choque elétrico – conjunto de perturbações de natureza e efeitos diversos, que se


manifesta no organismo humano ou animal, quando este é percorrido por uma
corrente elétrica.

Ohm – unidade de medida padronizada pelo SI para medir a resistência elétrica.

Ohmímetro – instrumento que mede a resistência elétrica em Ohm.


Caso sinta necessidade de saber de onde foram retirados os
insumos para o desenvolvimento do conteúdo desta apostila,
ou tenha interesse em se aprofundar em determinados temas,
basta consultar a Bibliografia ao final de cada capítulo.

1.6. Bibliografia

CARDOSO ALVES, Paulo Alberto e VIANA, Ronaldo Sá. Aterramento de sistemas


elétricos - inspeção e medição da resistência de aterramento. UN-BC/ST/EMI –
Elétrica, 2007.

COELHO FILHO, Roberto Ferreira. Riscos em instalações e serviços com eletricidade.


Curso técnico de segurança do trabalho, 2005.

Norma Petrobras N-2222. Projeto de aterramento de segurança em unidades


marítimas. Comissão de Normas Técnicas - CONTEC, 2005.

Norma Brasileira ABNT NBR-5410. Instalações elétricas de baixa tensão. Associação


Brasileira de Normas Técnicas, 2005.

Norma Brasileira ABNT NBR-5419. Proteção de estruturas contra descargas


atmosféricas. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005.

Norma Regulamentadora NR-10. Segurança em instalações e serviços em


eletricidade. Ministério do Trabalho e Emprego, 2004. Disponível em: <http://
www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_10.pdf> - Acesso em:
14 mar. 2008.

NFPA 780. Standard for the Installation of Lightining Protection Systems. National

Ao longo de todo o material, caixas de destaque estão


Fire Protection Association, 2004.

Manuais de Cardiologia. Disponível em: <http://www.manuaisdecardiologia.med.


br/Arritmia/Fibrilacaoatrial.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008.

presentes. Cada uma delas tem objetivos distintos.


Mundo Educação. Disponível em: <http://mundoeducacao.uol.com.br/doencas/
parada-cardiorespiratoria.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008.

Mundo Ciência. Disponível em: <http://www.mundociencia.com.br/fisica/eletricidade/


choque.htm> - Acesso em: 20 mai. 2008.

A caixa “Você Sabia” traz curiosidades a respeito do conteúdo


abordado de um determinado item do capítulo.

É atribuído a Tales de Mileto (624 - 556 a.C.) a


primeira observação de um fenômeno relacionado
com a eletricidade estática. Ele teria esfregado um
fragmento de âmbar com um tecido seco e obtido
um comportamento inusitado – o âmbar era capaz de
atrair pequenos pedaços de palha. O âmbar é o nome
dado à resina produzida por pinheiros que protege a
árvore de agressões externas. Após sofrer um processo
semelhante à fossilização, ela se torna um material
duro e resistente.

?
Os riscos VOCÊ
elétricosSABIA?
de uma instalação são divididos em dois grupos principais:

Uma das principais substâncias removidas em poços de


“Importante” é um lembrete
petróleo pelo pig de limpeza é adas
parafina. questões
Devido às
baixas temperaturas do oceano, a parafina se acumula
essenciais do
conteúdo tratadovirno capítulo.
nas paredes da tubulação. Com o tempo, a massa pode
a bloquear o fluxo de óleo, em um processo similar
ao da arteriosclerose.

1.1. Riscos de incêndio e explosão

IMPORTANTE!
Podemos definir os riscos de incêndio e explosão da seguinte forma:
É muito importante que você conheça os tipos de pig
de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na
Situações associadas à presença de sobretensões, sobrecorrentes,
sua Unidade. Informe-se junto a ela!
fogo no ambiente elétrico e possibilidade de ignição de atmosfera
potencialmente explosiva por descarga descontrolada de
eletricidade estática.

ATENÇÃO
Os riscos de incêndio e explosão estão presentes em qualquer
instalaçãoÉ e muito
seu descontrole se traduz
importante que principalmente
você conheça em os
danos
pessoais, procedimentos específicosoperacional.
materiais e de continuidade para passagem de pig
em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba
quais são eles.

RESUMINDO...

Recomendações gerais
• Antes do carregamento do pig, inspecione o
interior do lançador;
• Após a retirada de um pig, inspecione internamente
o recebedor de pigs;
• Lançadores e recebedores deverão ter suas
ao da arteriosclerose.

IMPORTANTE!
É muito importante que você conheça os tipos de pig
de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na
sua Unidade. Informe-se junto a ela!

ATENÇÃO

Já a caixa de destaque
É muito “Resumindo”
importante que você conheçaé uma os versão compacta
procedimentos específicos para passagem de pig
dos principais pontos
em poços abordados no capítulo.
na sua Unidade. Informe-se e saiba
quais são eles.

RESUMINDO...

Recomendações gerais

? VOCÊ SABIA?
• Antes do carregamento do pig, inspecione o
interior do lançador;
Uma das principais substâncias removidas em poços de
• Apóspelo
petróleo a retirada
pig dede um pig, inspecione
limpeza internamente
é a parafina. Devido às
o recebedor
baixas de pigs;
temperaturas do oceano, a parafina se acumula
nas paredes da tubulação. Com o tempo, a massa pode
• Lançadores e recebedores deverão ter suas
vir a bloquear o fluxo de óleo, em um processo similar
ao da arteriosclerose.

Em “Atenção” estão destacadas as informações que não


IMPORTANTE!
devem ser esquecidas.
É muito importante que você conheça os tipos de pig
de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na
sua Unidade. Informe-se junto a ela!

ATENÇÃO

É muito importante que você conheça os


procedimentos específicos para passagem de pig
em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba
quais são eles.

RESUMINDO...

Recomendações gerais
Todos os recursos• Antes
didáticos presentes nesta apostila têm
do carregamento do pig, inspecione o
como objetivo facilitar o aprendizado de seu conteúdo.
interior do lançador;
• Após a retirada de um pig, inspecione internamente
o recebedor de pigs;
• Lançadores e recebedores deverão ter suas
Aproveite este material para o seu desenvolvimento profissional!
Sumário
Introdução 9

Capítulo 1. Pescaria
1. Pescaria 21
1.1. Causas 21
1.2. Ferramentas de pescaria, descrição, adequação e funcionamento 21
1.2.1. Recuperação de peixes tubulares 22
1.2.2. Recuperação de peixes não tubulares 29
1.3. Ferramentas destruidoras 33
1.3.1. Broca Mill 34
1.3.2. Junk Mill 35
1.4. Ferramentas retificadoras de revestimento 36
1.4.1. Taper Mill 36
1.4.2. String Mill 37
1.4.3. Dressing Mill 38
1.5. Ferramentas restauradoras de revestimento 39
1.5.1. Casing Roller 40
1.5.2. Casing Impacto 40
1.5.3. Casing Patch 41
1.6. Procedimentos e cuidados operacionais para prevenir pescaria 43
1.6.1. Falhas humanas 43
1.6.2. Manutenção deficiente do equipamento 46
1.6.3. Uso inadequado do equipamento 47
1.6.4. Imperícia 50
1.6.5. Controle de qualidade 54
1.6.6. Outros fatores 55
1.6.8. Condições adversas 57
1.6.9. Fechamento do poço 60
1.6.10. Perda de circulação 61
1.6.11. Prisão por chaveta 62
1.6.12. Prisão por diferencial de pressão 63
1.6.13. Perfilagem e pescaria 63
1.7. Conclusão 64

Capítulo 2. Welltesting
2. Welltesting 69
2.1. Tipos de Welltesting 69
2.1.1. Teste de Formação Repetitivo (RFT) 69
2.1.2. Teste de Formação a Poço Aberto (TF) 70
2.1.3. Teste de Formação a Poço Revestido (TFR) 70
2.2. Objetivos gerais do Welltesting 71
2.3. Objetivos específicos do Welltesting 72
2.4. Principais equipamentos de superfície 73
2.4.1. Cabeça de teste 74
2.4.2. Linhas flexíveis 75
2.4.3. Choke Manifold 76
2.4.4. Vaso aquecedor de óleo 76
2.4.5. Vaso separador 77
2.6. Medição de gás 88
2.7. Equipamentos de segurança 90
2.8. Equipamentos de controle das variáveis 90
2.8.1. Malha de instrumentação 93
2.8.2. Tanque de aferição 94
2.8.3. Bomba de transferência 95
2.8.4. Conjunto lança-queimador 96
2.9. Sistema de refrigeração 98
2.10. Sistema de atomização 98
2.11. Sistema piloto 98
2.12. Sistema de ignição 98
2.13. Introdução de fluxo no poço 99
2.13.1. Estabilização das pressões na cabeça do poço 99
2.13.2. Limpeza dos fluidos do poço 99
2.13.3. Fluxo crítico 100
2.13.4. Escolha da pressão de separação 100
2.13.5. Operação com o vaso separador 101

Capítulo 3. Teste de Formação


3. Teste de Formação 105
3.1. Equipamentos de superfície 106
3.1.1. Manifold de teste 106
3.1.2. Mangueiras de aço articuladas 107
3.1.3. Mangueiras tipo Conflexip 108
3.1.4. Cabeça de fluxo (flow head) 108
3.1.5. Registradores de pressão e temperatura 109
3.1.6. Subs de circulação reversa pump out e sub de impacto 109
3.1.7. Porta-registradores 111
3.1.8. Válvula DCIP (Dual Closed in Presure) 113
3.1.9. Amostrador 114
3.1.10. Válvula testadora HS (Hydro Spring) 114
3.1.11. Valvula Index - Indexing With Indexing J-Slot Tester 115
3.1.12. Percursor 115
3.1.13. Junta de segurança 116
3.1.14. Obturador (packer) para poço aberto 117
3.1.15. Obturador (packer) para poço revestido tipo RTTS (Halliburton) 118
3.1.16. Tubos perfurados 118
3.1.17. Sapata 119
3.2. Ferramentas para situações específicas 120
3.2.1. Âncora de parede 120
3.2.2. Válvula distribuidora de pressão 120
3.2.3. Junta telescópica (extension joint) 120
3.2.4. Slip joint 121
3.3. Classificação da coluna testadora 122
3.3.1. Teste convencional 122
3.3.2. Teste convencional em intervalo aberto, com obturador
assentado no revestimento 122
3.3.3. Teste seletivo 122

Capítulo 4. Wireline
4 . Wireline 145
4.1. Componentes de Completação 146
4.1.1. Tubos de Produção 147
4.1.2. Guia de reentrada 147
4.1.3. Sub de pressurização hidráulica 148
4.1.4. Nipple de assentamento 149
4.1.5. Obturadores (packer) 150
4.1.6. Junta de expansão e separação 150
4.1.7. Válvula de camisa deslizante 151
4.1.8. Mandril de Gás Lift 153
4.1. 9. Válvula de Segurança de Subssuperfície 154
4.1.10. Suspensor de coluna 155
4.2. Equipamentos de Operação com Arame 157
4.2.1. Conjunto motor/ guincho 157
4.2.2. Arame 159
4.3. Sistema de medição 160
4.3.1. Medição de profundidade 160
4.5. Lubrificadores 163
4.6. Preventor de erupções (BOP) 164

Capítulo 5. Abandono
5. Abandono 193

Capítulo 6. Tie Back


6. Tie Back 197

Capítulo 7. Testemunhagem
7. Testemunhagem 201
7.1. Objetivos de investigação 201
7.2. Tipos de barriletes 202
7.2.1. Acessórios do barrilete 205
7.3. Tipos de coroas 209
7.3.1. Aplicação das coroas 213
7.4.1. Análise do Poço 215
7.4.2. Escolha da coroa 218
7.4.3. Preparação do barrilete - montagem convencional (18 metros) 218
7.4.4. Substituição do rolamento 220
7.4.5. Conversão / transformação do barrilete convencional 225
7.4.6. Preparo da operação 229
7.4.7. Parâmetro para formações friáveis 234
7.4.8. Acomodação da coroa 235
7.5. Poço direcional 235
7.5.1. Conexão - Queima do testemunho 236
7.5.2. Procedimentos para conexão 236
7.6. Retirada do testemunho convencional 237
7.7. Plastic Liner - Testemunho 9 metros 239
7.8. Plastic Liner - Testemunho 18 metros 240
7.9. Manuseio do testemunho 241
7.10. Desgaste da coroa 241
7.11. Desmontagem do barrilete 245
7.12. Problemas operacionais 246
7.13. Sobre a escolha de parâmetros 255
7.14. Manutenção do barrilete após a operação 256

Capítulo 8. Abertura de Janela


8. Abertura de janela 261
8.1. Equipamentos 262
8.2. Condições indispensáveis para a realização da operação 264
8.2.1. Revestimento 264
8.3. Equipamentos indispensáveis à operação 269
8.4. Condições ambientais 270

Capítulo 9. Alargamento
9. Alargamento 275
9.1. Formas de alargamento 275
9.2. Histórico na Petrobras 277
9.2.1. Resumo de algumas operações executadas na Petrobras 279
9.2.2. Evolução das ferramentas a partir da década de 90 281
Introdução

A
s Operações Especiais são aquelas desenvolvidas nos poços de
petróleo, gás ou água, através de métodos e equipamentos
especiais. Portanto, esta apostila destina-se a definir o que
são as Operações Especiais, com destaque para a pescaria.

Não se sabe como se originou o termo pescaria na indústria do


petróleo, mas é provável que tenha sido utilizado pelos sondadores
na época em que se perfurava com sondas movidas a cabo. Os
sondadores precisavam movimentar um arpão farpado no poço,
quando o cabo de perfuração se partia, a fim de fisgá-lo. A partir da
semelhança entre as atividades, o nome pescaria se firmou.

O presente trabalho visa a fornecer, portanto, ao pessoal envolvido


17
diretamente na área de produção de petróleo, informações básicas
sobre as diversas operações.

Veremos no capítulo sobre Wireline que o uso do arame permite a


obtenção de dados atuais acerca do reservatório, intervir no poço
sem a necessidade de amortecê-lo ou interferir em seu regime de
produção/ injeção, instalar equipamentos para controle de fluxo,
efetuar correções ou remoções de imperfeições ou depósitos nas
paredes da tubulação de produção etc.

As operações com linha de aço remontam aos primórdios da indústria


petrolífera. A princípio o operador usava um tambor acoplado a
uma manivela, com uma pequena quantidade de linha de aço, que
se assemelhava às fitas métricas utilizadas atualmente na medição
de tanques de armazenamento de petróleo. Com o aumento das
profundidades dos poços, este sistema se tornou impraticável, pois a
medição de profundidade passou a incorrer em muitos erros devido
à distensão da fita por seu peso próprio e pela impossibilidade de
vedação no que tange ao aparecimento de poços com pressão. Com
o desenvolvimento tecnológico e a necessidade cada vez maior de
informações mais precisas, aparecem o arame IPS (Improved Plow
Steel) e os cabos para registro eletrônico usados nas companhias de
serviço de perfilagem e canhoneio.
Neste material, procuraremos apresentar de forma concisa uma série
de informações sobre as principais ferramentas e equipamentos
necessários às operações especiais e ainda alguns procedimentos
operacionais.

As Operações Especiais são: Pescaria; Teste de Formação;


Testemunhagem; Welltesting; Wireline; Alargamento; Abandono;
Tie Back e Abertura de Janela.

18
Pescaria

Capítulo 1
Alta Competência

20
Capítulo 1. Pescaria

1. Pescaria

N
a Indústria do Petróleo a palavra pescaria significa o conjunto
de operações executadas, a fim de recuperar ferramentas que
ficam presas ou objetos retidos no poço depois de uma queda.

A origem do termo pescaria é desconhecida, mas é bastante provável


que tenha sido utilizado pelos sondadores, na época em que se
perfurava com sondas de perfuração a cabo. Basta imaginarmos que
a atividade do sondador – utilizando sondas de perfuração a cabo,
balançando um arpão farpado no poço a fim de fisgar o cabo de
perfuração partido, era bastante semelhante a uma pescaria.

1.1. Causas

Toda pescaria apresenta basicamente uma característica acidental e, 21


como qualquer acidente, pode ter diferentes origens:

• Falhas humanas: inobservância de parâmetros básicos e das


recomendações técnicas;

• Deficiência de material: desgaste em geral, fadiga;

• Condições adversas: desmoronamento, fechamento do poço,


perda de circulação, desvio acentuado.

1.2. Ferramentas de pescaria, descrição, adequação e


funcionamento

Vejamos a classificação dos tipos de ferramentas de pescaria:

• Recuperação de peixes tubulares;

• Recuperação de peixes não tubulares;

• Destruidoras;
Alta Competência

• Retificadora de revestimento;

• Restauradora de revestimento.

1.2.1. Recuperação de peixes tubulares

Há uma variedade muita grande de fornecedores de ferramentas de


pescaria. As descrições aqui encontradas são sucintas, não abrangendo
todas as formas nas quais cada ferramenta pode ser encontrada e,
para maiores detalhes, o manual específico deverá ser consultado
(vide Bowen, Logan, Gotco, Christensen).

As ferramentas de pescaria de peixes tubulares podem ser:

• Ferramentas para recuperação de peixes tubulares;


22
• De agarramento externo – Overshot, série 150.

1.2.1.1. Overshot

a) Overshot – série 150

O Overshot, série 150, consiste de três partes externas: top sub, corpo
e guia.

Top Sub

Basket Grapple

Visão ampliada da garra


Corpo Basket Grapple
Basket Grapple
Control

Basket Grapple
Control Packer

Guia
Basket Grapple
Mill Control
Packer

Overshot – série 150


Capítulo 1. Pescaria

O top sub permite sua conexão na base da coluna de pescaria, e o


corpo contém sede para compor com diversos acessórios para agarrar
o peixe. Trata-se de uma ferramenta que permite agarrar e vedar o
peixe externamente, tracionar, percutir nos dois sentidos (para cima
e para baixo) e transmitir torques à esquerda do peixe. A guia, por
sua vez, auxiliará na centralização da ferramenta sobre o peixe.

Caso o diâmetro do peixe seja próximo da capacidade máxima do


Overshot, será utilizada a garra espiral (spiral grapple), controle da
garra espiral (spiral grapple control) e o packer tipo A.

Caso o diâmetro do peixe seja menor do que a capacidade máxima do


overshot (normalmente em torno de ½”), será utilizada a garra tipo
cesta (basket grapple) e o controle da garra tipo cesta com vedação
(basket grapple control packer) ou o controle bizelador da garra tipo
cesta com vedação (basket grapple mill control packer).
23

Top Sub

Basket Grapple

Visão ampliada da garra


Corpo Basket Grapple
Basket Grapple
Control

Basket Grapple
Control Packer

Guia
Basket Grapple
Mill Control
Packer

Visão ampliada da garra Basket Grapple

1.2.1.2. Mill Control Packer

O Mill Control Packer é utilizado para retificar o topo do peixe de


eventuais rebarbas ou distorções, permitindo o seu encamisamento
perfeito pelo basket grapple.
Alta Competência

1.2.1.3. Overshot – série 70

Este Overshot se destina a agarrar peixes que estejam com o pescoço


de pescaria curto (fish neck).

Por não ter espaço físico suficiente, só permite a utilização de garras


apropriadas tipo cesta. Isto significa que não podemos utilizar este
Overshot para agarrar peixes cujo diâmetro externo seja próximo ao
do poço.

Trata-se de uma ferramenta mais fraca do que o Overshot – série 150,


desta forma devemos ter cuidado na hora de percutir o peixe com
ele.

ATENÇÃO
24 Recomenda-se não soldar bacalhaus na sua conexão,
pois isto irá enfraquecer muito a ferramenta, des-
temperando o seu aço.

Overshot – série 70
Capítulo 1. Pescaria

1.2.1.4. Agarramento externo com Die Collar

É uma ferramenta tipo “tarraxa”, com rosca cônica usinada


internamente e com filetes de rosca do tipo wicker, abrindo rosca na
parte externa do peixe e enroscando cerca de 2 a 3 voltas.

Podem ser encontrados tipos com filetes de rosca inteiriça e com


passagem de fluxo (fluted wicker).

A Bowen fabrica modelos de peça única e o que permite enroscar


uma guia abaixo, para facilitar o encamisamento do peixe.

ATENÇÃO
Recomendamos sempre descer esta ferramenta em
25
conjunto com a junta de segurança, pois ela pode
não liberar do peixe em caso de necessidade.

Agarramento externo com Die Collar

1.2.1.5. Agarramento interno

Esta é, em princípio, a melhor ferramenta de pescaria disponível,


desde que o topo do peixe seja uma conexão intacta que permita
enroscar um pino ou uma caixa, caso o seu topo seja uma caixa ou um
pino, respectivamente.
Alta Competência

Logicamente, caso seja descida uma caixa para enroscar no peixe,


esta ferramenta se chamaria “caixa pescadora” e seria classificada
como de agarramento externo.

A vantagem desta ferramenta sobre as outras existentes são


inúmeras, uma vez que garante total integridade entre a coluna
pescadora/ peixe, permitindo circular o tempo necessário (sem riscos
de vazamento) tracionar/ comprimir a coluna até o seu limite, percutir
etc.

Reduced Section Subs

26

Pino pescador

1.2.1.6. Spear

O Spear Bowen, tipo Itco, é composto de mandril, garra, anel de


liberação (release ring) e nut.

Esta ferramenta tem mecanismo similar de funcionamento ao do


Overshot bowen – série 150, sendo que agarra o peixe internamente.

No mandril existe o perfil helicoidal que assenta na garra (no Overshot,


esse perfil helicoidal está na parte interna do corpo, assentando na
parte externa da garra).

É uma ferramenta indicada para pescar qualquer tipo de peixe


tubular, tais como: tubing, drill pipes e revestimentos.
Capítulo 1. Pescaria

Mandrel Mandrel

Grapple

Release
Ring

Grapple
Nut

Release
Ring
27

Nut

Spear Bowen

1.2.1.7. Taper Tap

Esta ferramenta é chamada por nós de macho cônico, uma vez que ela
abre alguns filetes de rosca no topo do peixe, agarrando o mesmo.

Normalmente conseguimos abrir de duas a três voltas de rosca no


topo do peixe, quando se trabalha corretamente. Uma vez agarrado
ao peixe, ela permite trabalhar a coluna com tração, compressão,
torção e percussão sem problemas de se soltar.
Alta Competência

Taper Tap

28 1.2.1.8. Pin Tap

Esta ferramenta é semelhante ao taper tap, uma vez que também abre
roscas no topo do peixe, internamente. Porém, neste caso, ela assenta
no interior da conexão caixa do peixe, encaixando perfeitamente
como se fosse o pino pescador.

Se as roscas do topo do peixe estiverem em perfeitas condições, é


sempre recomendável utilizar o pino pescador.

O Pin Tap se aplica em casos onde a conexão do topo do peixe estiver


danificada ou em casos onde se utiliza a coluna pescadora com roscas
à esquerda. Neste caso, o Pin Tap apresenta a vantagem em relação
ao Taper Tap por possuir um perfil que, ao encaixar perfeitamente no
peixe, confere um enroscamento bem mais resistente.
Capítulo 1. Pescaria

Pin Tap

1.2.2. Recuperação de peixes não tubulares

A seguir serão destacadas as ferramentas utilizadas na recuperação


de peixes não tubulares.

a) Cesta de circulação reversa


29

A cesta de circulação reversa consiste de um barrilete, um sub de


topo, um agarrador ou aranha, uma sapata e um conjunto de válvula.
Um sub de içamento é fornecido para manusear a cesta e prover a
armazenagem da esfera de aço inox.

A circulação reversa é obtida pela forma de constituição do barrilete,


que é em verdade, um conjunto de duas camisas. Com a esfera na
sede da válvula, o fluido circulante é desviado para o espaço anular
das duas camisas, de onde é dirigido para baixo e para fora dos furos
em volta da base do barrilete e depois para o poço, e deste para o
interior do barrilete e, posteriormente, para fora através dos furos na
sua parte superior.

A cesta de circulação reversa é disponível em dois tipos: o normal,


projetado para os diversos tipos de cones de broca; e o W7R para
recuperar os cones de broca W7R e outros cones do mesmo diâmetro.
Alta Competência

Top Sub

Shear Pins Position of Ball Seat


Ball Seat Prior To Shearing
Retainer
Ball
O-Ring Seal Ball Seat

O-Ring Seal
Filter

Barrel

Upper Catcher
Assembly

Lower Catcher
Assembly

Ball Seat

Bowen Junk Basket


30

Cesta de circulação reversa

b) Magnético

É utilizado para recuperar objetos soltos no fundo do poço, tais como:


cone de broca, mordentes, esferas, pedaços de correntes, pinos de
chaves, ferramentas manuais e pedaços de ferro etc.

O pescador magnético pode ser descido a cabo ou na coluna.


A operação com cabo representa economia de tempo, mas não pode
prover a circulação no topo do peixe para limpeza.
Capítulo 1. Pescaria

31

Magnético

c) Canguru

O canguru é uma ferramenta projetada para recuperar pequenos


objetos soltos no poço, que tenham dimensões para se alojar nas
bolsas, tais como: cone de broca, mordentes, esferas, pedaços de
correntes, pinos de chaves, pedaços de ferro etc.
Alta Competência

DP5

TUBO 9 5/8
0.30 0.50

DOIS FUROS
DE 1/2”
0.50

32
0.30
0.50
0.30

Canguru

d) Subcesta

É uma ferramenta normalmente usada sobre a broca de perfuração


ou de destruição, com a função de apanhar detritos muito pesados
que não podem ser circulados para fora do poço, como: detritos de
broca, pedaços de mordentes, esferas ou cilindros de rolamento etc.
Capítulo 1. Pescaria

SUB
CESTA

Subcesta

1.3. Ferramentas destruidoras 33

A soldagem, de forma geral, está envolvida na confecção das


ferramentas de pescaria, através da deposição de material abrasivo
em ferramentas destruidoras, fresadoras.

IMPORTANTE!
A vareta de solda especial é constituída de uma liga
matriz de Cu-Ni-Zn e adição de carbonetos de tungs-
tênio em diferentes granulometrias, para as aplica-
ções que exigem resistência à abrasão com elevada
ação de corte pela alta concentração de carbonetos
de tungstênio.

Tipo de vareta e dimensões dos carbonetos:

• Vareta xg – 6,4 - 8,0 mm;

• Vareta g – 4,8 - 6,4 mm;


Alta Competência

• Vareta m – 3,2 - 4,8mm;

• Vareta f – 1,6 - 3,2 mm;

• Vareta xf – 1/16 até 1,6 mm.

Foto da vareta de solda com grãos de tungstênio

34
1.3.1. Broca Mill

É usada quando não se tem pescoço de pescaria, sendo que a conexão


pino está logo acima da sua estrutura cortante, semelhante a uma
broca de perfuração.

Broca Mill
Capítulo 1. Pescaria

1.3.2. Junk Mill

O Junk Mill é utilizado quando há pescoço de pescaria, sendo


que alguns fornecedores o equiparam também com lâminas
estabilizadoras logo acima da estrutura cortante, conferindo maior
segurança operacional durante o trituramento do peixe.

O Junk Mill pode ser usado para triturar quase tudo que cai ou
fica preso no poço e é conhecido como “pau para toda a obra” nas
operações de trituramento do peixe.

O Junk Mill pode também ser usado para cortar cimento e elementos
de borracha.

35

Junk Mill
Alta Competência

Conventional

Junk Mill
Conebuster

Super

36 Broca Mill

Tipos de face de ataque da Junk Mill

1.4. Ferramentas retificadoras de revestimento

A seguir serão listadas as ferramentas utilizadas para retificação de


revestimento.

1.4.1. Taper Mill

É utilizado visando a corrigir colapso/restrição em revestimento


com ação escareadora. É uma ferramenta robusta de operação
mecânica com função de destruição reabrindo as restriçõe, composta
basicamente de um corpo integral com rosca superior regular pino
e na parte inferior um formato cônico contendo lâminas verticais
revestidas com material destruidor.

Poderá comprometer as características técnicas do revestimento


(espessura da parede de aço do revestimento).
Capítulo 1. Pescaria

Fishing Fishing
neck neck
diameter diameter

Top pin Top pin


connection connection

Fishing Fishing
neck neck
length length

Dressed
diameter
CP
37

Dressed
diameter
CT

Taper Mill

1.4.2. String Mill

É utilizado quando ocorre restrição no revestimento devido a


ferrugens, rebarbas de canhoneio, cimento, parafina, crostas ou
qualquer outro tipo de obstrução na parede interna do revestimento
que interfira ou até mesmo impeça a passagem dos equipamentos de
produção e perfuração.
Alta Competência

Box Up

Nominal
Overall
Length

38

Pin Down

Dressed Dia.

String Mill

1.4.3. Dressing Mill

A Dressing Mill é utilizada para biselar, corrigindo as imperfeições do


corte nos revestimentos, durante operações onde foram utilizados
cortadores mecânicos internos, tipo C-7, C-9 ou C13, com o intuito de
efetuar casing patch.

Poderá ser utilizado também para destruir tubos de lavagens,


revestimentos ou liners presos.
Capítulo 1. Pescaria

Body

Cutting Element

Make Up Ring Nose Piece


Lock Screws 39
Nose Piece
Stabilizer
Stabilizer Blade Lock Screws

Stabilizer
Lock Washer

Dressing Mill

1.5. Ferramentas restauradoras de revestimento

Serão descritas, a seguir, as ferramentas utilizadas para restauração


de revestimentos.
Alta Competência

1.5.1. Casing Roller

O restaurador Casing Roller é especificamente usado para recondicionar


revestimento colapsado. O rolete é bastante robusto e, no entanto,
de projeto simples. Todas as partes móveis são mantidas em seus
lugares no mandril por um conjunto de esferas que se movimentam
em um sulco. Basicamente, a restauração é feita através de sucessivos
impactos no sentido radial, ou seja, à medida que é rotacionado e
forçado para baixo, os roletes golpeiam o revestimento lateralmente,
restaurando o seu diâmetro interno.

MANDREL
Mandrel
40

UPPER ROLLER
Upper Roller

MIDDLE ROLLER
Middle Roller

Lower Roller LOWER ROLLER


Ball Bearings
Nose Cone BALL BEARINGS
Bowen Tubing and Casing Rollers
NOSE CONE

Casing Roller

1.5.2. Casing Impacto

O restaurador Casing Impacto é utilizado somente quando ocorre


um tipo de dano no revestimento chamado colapso. Basicamente
a restauração é feita através de sucessivos e elevados impactos no
sentido axial objetivando abrir o revestimento colapsado, na tentativa
de retornar ao seu diâmetro interno nominal, permitindo assim, a
passagem dos equipamentos durante as operações de perfuração,
produção, perfilagem etc.
Capítulo 1. Pescaria

41

Casing Impacto

1.5.3. Casing Patch

É utilizado para emendar duas colunas de revestimento de mesmo


diâmetro. Consiste em agarrar externamente a parte do revestimento
que ficou no poço previamente preparada, proporcionando
vedação através da deformação de um selo pela ação das cunhas se
deslocando ao se tracionar o patch, tornando-se geralmente uma
parte permanente da coluna.

Cada fabricante apresenta sua versão do casing patch modificada,


porém, basicamente é composto de uma guia, um elemento de
vedação (selo de chumbo ou packer), uma garra, um corpo, uma
extensão e um sub de topo.
Alta Competência

Bowl

Grapple Carrier
Grapple

Control
End Seal Ring Set Screws
Lead Seal IDGE

Lead Seal PLUG

Center Seal Ring


Assembly
Lead Seal
End Seal Ring

Guide

42
Bowen Lead Seal
Tubing and Casing Patch ENGAGE
FISH & BOTTOM
SET LEAD
SEAL
LOWER TO OPEN
& CEMENT

STEP 1 STEP 2 STEP 3

Bowl

Grapple Carrier
Grapple

Control
Set Screws
Lead Seal IDGE
PLUG

Center Seal Ring


Lead Seal

Guide

Bowen Lead Seal


bing and Casing Patch ENGAGE
FISH & BOTTOM
SET LEAD
SEAL
LOWER TO OPEN
& CEMENT

Casing Patch
Capítulo 1. Pescaria

1.6. Procedimentos e cuidados operacionais para prevenir pescaria

A pescaria é um acidente e, portanto, algumas medidas podem


contribuir para a sua prevenção. Ratificando, toda pescaria apresenta
basicamente uma característica acidental e, como qualquer acidente,
pode ter origem em diversas causas, dentre as quais, destacam-se as
apontadas a seguir.

1.6.1. Falhas humanas

a) Inobservância de parâmetros básicos e recomendações técnicas

• Peso sobre a broca e potência da mesa rotativa

Numerosos casos de pescaria de cones e rolamentos de brocas, braços


e cones de alargadores e quebra de coluna têm ocorrido em função
43
da inobservância do peso adequado sobre a broca (indicador de peso
devidamente calibrado é fundamental para esse controle) e controle
de potência da mesa rotativa (escolha da marcha de força ideal para
trabalhar perfurando, com a rotação recomendada).

Consideremos a situação em que se está perfurando com broca, cuja


rotação recomendada é acima de 100 rpm. Imaginemos, ainda, que
a potência instalada na sonda seja elevada. Se a potência disponível
na mesa for alta e ocorrer uma prisão da coluna por queda de objeto
estranho, travamento de cone etc. o excesso de torque poderá
quebrar a coluna e comprometer os demais componentes.

• Aperto de coluna (de revestimento, de perfuração ou especial)

O aperto inadequado da ferramenta é também responsável por


grande número de quebras de coluna.

Quando o aperto for excessivo, provocará o esmagamento do espelho


da conexão e filetes das roscas, podendo até causar o escoamento
do pino. Quando o aperto for insuficiente, causará vazamentos e
concentração de esforços de flexão na conexão.
Alta Competência

ATENÇÃO
Torques adequados só serão fornecidos com a utili-
zação de torquímetros aferidos.

• Medição de coluna

Falhas de medição, substituição e retirada de componentes da coluna,


erros de cálculo e de passagem de serviço são as causas que levam a
topadas com a coluna de perfuração, cimentação de revestimento
em profundidade inadequada, tentativa de assentamento de
ferramentas em pontos inadequados etc.

A falta de medidas, tais como: diâmetros externos, diâmetros internos


44 e comprimento de pescoço de pescaria dificultam e, por vezes,
impedem as operações de pescaria.

b) Manobras

As manobras são ocasiões de grande índice de pescarias,


principalmente prisões. Nos itens a seguir estão grande parte dos
motivos que acarretam esses acidentes e os cuidados a serem tomados
para minimizá-los.

• O uso inadequado de equipamentos e a imperícia estão entre


as principais causas que contribuem para essas pescarias.

• Ao quebrar a junção entre tubos, deve-se posicionar o tool


joint de tal forma que o mesmo fique a aproximadamente 60
cm da mesa rotativa.

• Quando operando com a chave de desenroscamento, posicione


o tool joint a aproximadamente 1 metro da mesa rotativa.
Capítulo 1. Pescaria

Na manobra deve-se:

Na retirada:

• Observar os espelhos dos tubos prevenindo-se contra wash


outs, (lavagem do espelho do tubo), efetuar o rodízio da
conexão quebrada e lubrificar a caixa de DP (Drill Pipe ou tubo
de perfuração) com graxa adequada.

Na descida:

Ao manusear a seção de tubos, para efetuar a conexão, evite o


toque do pino no espelho da caixa do tubo que está acunhado,
de preferência utilizando a ferramenta guia de pino, protetora do
espelho durante a conexão. Na montagem de colunas de produção
limpe a rosca com escova metálica e passe graxa grafitada no pino.
45

ATENÇÃO
Use apenas uma película de graxa na caixa do tubo,
pois após o enroscamento o excesso pode ir para o
fundo do poço através da coluna de produção, po-
dendo causar tamponamento da mesma.

• Verifique nos itens “Cunhas”, “Chaves Flutuantes” e “Colar de


Comandos”, o cuidado com esses equipamentos.

• Nunca utilize a mesa rotativa para conectar ou desconectar os


tubos, a fim de evitar danos aos mesmos.

• Em sondas flutuantes sempre utilize o sistema de compensação


de movimentos em pontos críticos da manobra: passagem da
coluna pelo BOP e cabeça do poço; passagem pelo topo do liner;
na checagem de algum topo no poço (packer, tampões, fundo
do poço etc.).
Alta Competência

c) Lubrificantes

O uso de lubrificantes não recomendados pode resultar em desgaste


excessivo dos filetes das roscas, bem como acarretar danos à superfície
dos espelhos, diminuindo tanto a resistência à tração e ao torque,
como comprometendo a eficiência de vedação da conexão.

A lubrificação da caixa de DP, na retirada da coluna, deve ser feita


com graxa adequada (utilizar graxa GRH-3), e deve envolver toda a
rosca do tubo de modo uniforme. A graxa grafitada tipo USILUB é a
utilizada na lubrificação do pino da coluna de produção.

d) Hidráulica

Quando a vazão alcança o limite superior da pressão de bombeio


e permanece insuficiente para efetuar uma boa limpeza do poço,
46 a perfuração estará sendo feita com hidráulica deficiente. Este
problema ocorre principalmente em poços profundos e que tenham
sofrido desmoronamento, encontrando-se, portanto, alargados.
Ocorre também em poços direcionais, com ângulos de inclinação
elevados, onde se requer uma vazão superior às utilizadas para poços
verticais para se conseguir uma boa limpeza. Nesses casos, pode
ocorrer significativa perda de rendimento da perfuração, porque
não é possível efetuar uma conexão sem ter de repassar o mesmo
tubo várias vezes. Isto devido ao fato de a velocidade de retorno nos
trechos alargados se tornar insuficiente para arrastar os cascalhos.
Prosseguir nessas condições pode conduzir a prisões.

Circulação prolongada sem movimento da coluna também pode


causar prisão devido à formação de pontes e canalização do fluido.

1.6.2. Manutenção deficiente do equipamento

Manutenção deficiente do equipamento pode resultar em pescaria,


devido principalmente, aos seguintes fatores:
Capítulo 1. Pescaria

• Parada da mesa rotativa ou do top drive – pode ocasionar


prisão por diferencial de pressão;

• Interrupção da circulação – a parada de circulação, especialmente


nos momentos de ascensão de grande quantidade de cascalhos,
tem probabilidade de provocar a prisão por decantação de
detritos sobre a broca ou sobre os estabilizadores. Ocorre
principalmente por necessidade de reparo em componente do
sistema de circulação, por ineficiência da manutenção de primeiro
escalão, como seja: substituição oportuna de engaxetamentos
da camisa do swivel, pistões de bombas, juntas de tampões,
engaxetamento de uniões e correção imediata de pequenos
vazamentos, ou ainda, falha na manutenção de segundo escalão
no que se refere à correção de vazamentos do óleo lubrificante
do swivel, o que pode ocasionar o travamento dos rolamentos
e, consequentemente, acidente com a mangueira de injeção,
inobservância na eficiência de lubrificação do sistema de
47
transmissão de força etc.;

• Cabo do guincho – correr e cortar o cabo oportunamente não


resolve todos os problemas com o mesmo. É necessário também
cuidar da sua conservação na bobina, com especial atenção para
o trecho do cabo entre a bobina e a âncora. Nesse trecho há a
tendência à formação de uma curva devido ao peso do próprio
cabo (catenária), até se apoiar no solo, onde fica sujeito à ação
de corrosão ou ao impacto de objetos;

• Compensador de movimentos – em sondas flutuantes todo


o sistema deve estar disponível e ser utilizado em situações
especiais: passagem da coluna pelo BOP e cabeça do poço;
passagem pelo topo do liner; na checagem de algum topo no
poço (packer, tampões, fundo do poço etc.).

1.6.3. Uso inadequado do equipamento

O uso inadequado de equipamento tem sido causa para grande


número de pescarias. Os equipamentos com os quais se deve redobrar
a atenção estão indicados a seguir.
Alta Competência

a) Cunhas

Quando se usam cunhas inadequadas para a tubulação em operação


ou faltando mordentes, a área de sustentação das cargas será reduzida
podendo, com isto, provocar colapso, queda de mordentes, queda
da cunha e até da coluna no poço. É importante observar a carga
nominal da cunha.

Usar a cunha como freio da coluna durante manobras de descida


pode colapsar o corpo do tubo, provocar cortes concentradores de
esforços e quebras prematuras do tubo, além de causar danos à
cunha. Tratando-se de cunha de comandos, pode ocorrer a quebra
de mordente, links e a queda da própria cunha no poço.

Mordentes e insertos devem estar em bom estado para utilização.


Todos os pinos devem estar instalados e contrapinados. As alças
48 devem estar em bom estado e também contrapinadas.

b) Elevadores (dimensão e carga nominal)

Elevadores fora do range recomendado pelo fabricante, inadequados


para o tipo de tool joint em uso ou com pouca tensão na mola de
tratamento, desgaste interno e nos pinos de articulação, podem não
só provocar queda de coluna como acidentes pessoais.

ATENÇÃO
Usar elevador 90º em tool joint 18º pode ocasionar
queda da coluna por ação de acunhamento do tool
joint no elevador, provocando sobrecarga na tran-
ca e, consequentemente, abrindo-o. O problema é
agravado em poços profundos, com colunas pesadas.
Esta observação também é válida para os subs de ele-
vação de comandos, tubos de lavagem, ferramentas
especiais etc.
Capítulo 1. Pescaria

c) Colar de comandos

O assentamento irregular do colar de comandos pode permitir a


queda da coluna no poço, se esta escorregar da cunha, em função de:

• Desnivelamento dos mordentes;

• Desnivelamento do conjunto de links do colar.

O colar deve estar com os mordentes em boas condições de


agarramento e com todos os pinos e contrapinos. Deve estar com o
número adequado de seções ao diâmetro dos comandos em uso na
coluna.

d) Chaves flutuantes
49
Usar chaves flutuantes de forma inadequada traz os seguintes
inconvenientes:

• Com ângulo diferente de 90º, o torque aplicado será inferior


ao especificado e, além disso, como a linha de centro do cabo
se desloca em direção ao tubo, corre-se o risco de empená-lo,
retirar a cunha da mesa e até partir os mordentes da chave;

• O posicionamento da chave fora do plano horizontal, que


contém o molinete, pode retorcer o cabo da chave, tendo em
vista que ele é uma estrutura I, dimensionado para receber
esforço no mesmo plano. Quebra de mordentes ou pinos da
chave são comuns nesta situação. Este procedimento pode ainda
empenar o tubo ou até mesmo quebrá-lo dentro da cunha;

• A distância vertical entre chaves deve ser a menor possível


para minimizar o efeito de desalinhamento da coluna e,
consequentemente, aperto insuficiente.

Durante a manobra, deve-se evitar o uso de uma só chave flutuante


para apertar a coluna, pois isto pode provocar giro do tubo na cunha,
criando cortes transversais no corpo do tubo.
Alta Competência

Os cabos de segurança das chaves flutuantes não devem conter fios


partidos ou ter desgaste pelo uso.

Olhais e manilhas não devem possuir trincas e precisam estar bem


fixados. Mandíbulas, desgastes no olhal do pino e o alojamento
dos mordentes devem ser periodicamente verificados quanto ao
seu desgaste. Mordentes desgastados devem ser substituídos e
contrapinados, a fim de evitar queda no poço.

e) Equipamentos diversos

Pode-se afirmar que mais de 90% das pescarias de pequenos objetos


caídos no poço têm como origem a falta de atenção a cuidados
elementares referentes:

• À tampa do poço;
50
• Ao uso do limpador de tubo;

• Ao cuidado no manuseio de pequenas ferramentas, tais como:


alavancas, chave de colar, chave de broca, trocando elevador,
chaves de acionamento da kelly cock, marretas etc.

1.6.4. Imperícia

Alguns casos típicos de imperícia que conduzem à pescaria serão


citados a seguir.

a) Brocas

A falta de sensibilidade ao desgaste da broca pode causar a pescaria


de cones, rolamentos e prisão de coluna quando a substituição de
brocas é efetuada.
Capítulo 1. Pescaria

Prisões por acunhamento da broca nova têm ocorrido devido ao


assentamento imperfeito no fundo, em virtude de falha na análise
da broca anterior e também na tentativa de economizar tempo de
sonda, evitando retirar o último tubo para repassar o intervalo com
diâmetro reduzido.

b) Vazão x pressão

A falta de sensibilidade para a variação de pressão em função da


vazão impede detectar furo na coluna em tempo hábil, queda de
jatos, erro de manobra no manifold, perda da eficiência volumétrica
da bomba etc.

O furo na coluna pode desviar considerável parcela da vazão e


comprometer o resfriamento e lubrificação da broca. A limpeza abaixo
do furo pode causar jateamento da parede do poço e consequente
desmoronamento, quebra da coluna por erosão e prisão da coluna 51
devido ao acúmulo de cascalho abaixo do furo, principalmente, se o
furo estiver diante de formação friável.

c) Acomodação da ferramenta ao poço

Modificações na composição de fundo (acréscimo, substituição ou


mudança de posição de estabilizadores ou comandos, substituição de
lâminas de estabilizadores, inclusão de key seat wippers etc.) podem
levar a uma prisão de ferramenta. Estas mudanças de rigidez ou de
calibre exigem um condicionamento de poço, adequando-o ao novo
conjunto de fundo.

d) Atitudes diante da ameaça de prisão

Aplicação de tração excessiva diante da ameaça de prisão tem


resultado em prisão efetiva da coluna.

Uma referência prática para esta situação, no caso de broca acima


do fundo, seria tentar a liberação para baixo trabalhando com o
peso dos comandos. Deve-se evitar tracionar além do peso da coluna,
ultrapassando mais da metade do próprio peso.
Alta Competência

Exemplo:

Se a coluna presa pesa 100 ton, ao tracioná-la, a leitura no indicador


deverá ser no máximo 150 ton.

Quando ocorrer a ameaça de prisão por decantação de cascalhos


ou desmoronamento do poço, nunca se deve aplicar pressão de
bombeio elevada ao tentar estabelecer circulação, pois isto causa
o embuchamento dos cascalhos e consequente prisão da coluna e
perda de circulação.

Com a pressão de bombeio baixa, em torno de 300 psi a 400 psi,


o fluido de perfuração vai abrindo caminho entre os cascalhos e
lentamente irá restabelecendo a circulação, pois sempre fica um filme
do fluido entre os cascalhos desmoronados ou decantados.

52 Outra atitude prejudicial no momento da ameaça de prisão é a liberação


brusca do torque acumulado, podendo causar desenroscamento
simultâneo da coluna. Em poços de grande diâmetro, este acidente
poderá permitir a acumulação de dois ou mais peixes lado a lado
dentro do poço, dificultando a operação de pescaria.

e) Condicionamento do poço

Operações especiais requerem condicionamento de poço adequado.


Uma coluna testadora, especialmente tratando-se de teste seletivo,
descida em poço com más condições mecânicas, tem grande
probabilidade de prender, deixar cunhas de âncora e pedaços de
borracha no poço, induzir perda por pistoneio na descida e provocar
kick ou fechamento de poço na subida.

Durante a fabricação e tratamento do fluido, como também


perfurando, é indispensável o acompanhamento técnico eficiente,
visando a evitar adição imprópria de componentes do fluido, uso de
produtos deteriorados, procurando manter as características ideais
do fluido durante a perfuração.

Nunca deverá se efetuar tratamento de choque no fluido de


perfuração com a coluna de lavagem, barrilete de testemunhagem ou
Capítulo 1. Pescaria

outras ferramentas especiais no poço aberto, pois o mesmo poderá


acarretar a sua prisão.

IMPORTANTE!
Descer um barrilete testemunhador, com más con-
dições mecânicas do poço, pode ocasionar acunha-
mento. Atenção especial deve ser dada para se evitar
descer coroa de diamantes sobre ferro no fundo do
poço.

f) Revestimentos

Acreditar no aperto original da luva do revestimento tem sido causa


de jump-out (desconexão brusca por excesso de tração ou falta
53
de torque adequado). Este fato tem sido constatado a partir da
observação de que, na maioria dos casos, o topo do peixe é quase
sempre pino. Ao se trabalhar com chaves flutuantes comuns durante
a descida do revestimento, deve-se posicioná-las no corpo dos tubos
superior e inferior, respectivamente, por ocasião do aperto e nunca
sobre a luva.

Descer coluna de revestimento em poços profundos exige o uso do


elevador especial, tipo cunha, porque a luva de um revestimento
apoiada em um elevador comum não oferece uniformidade para
distribuição da carga da coluna.

A ausência de protetores de revestimento nos tubos de perfuração


é causa frequente da ocorrência de furos no revestimento, muitas
vezes exigindo a realização de emendas (casing patch).

Cimentação mal executada pode causar a queda das últimas juntas


por ação da rotação da coluna de perfuração. Sérias prisões e até
necessidade de desvios no poço podem seguir a este fato.

Mudança de posição dos tubos de revestimento, visando a satisfazer


exigências de medida, pode ocasionar a colocação incorreta de tubos
com relação à resistência crítica no ponto em questão.
Alta Competência

1.6.5. Controle de qualidade

Controle de qualidade ineficaz conduz a pescarias por diversos


motivos, como veremos a seguir.

a) Brocas

Soldagem imperfeita nas pernas de brocas, defeito na selagem dos


rolamentos e calibre original da broca maior do que o nominal são
algumas das falhas de controle de qualidade capazes de conduzir a
pescarias.

b) Roscas

Em revestimentos e tubos de lavagem, tem-se notado defeitos


elementares na abertura das roscas, tais como: ovalação da matriz,
54
excentricidade no torneamento da matriz, rosca não especificada
para o peso do tubo (roscas de tubos de lavagem com mesmo OD
(Outside Diameter ou diâmetro externo), variam em função do peso
nominal do tubo, provocando com isto queda de juntas no poço.

IMPORTANTE!
Pequenas fraturas, detectadas a olho nu, geralmen-
te notadas na matriz da rosca são bons indicadores
da possível existência de outras ao longo do tubo,
podendo ser causadoras de furos posteriores. Fique
atento!

c) Revestimentos

Danos causados nos revestimentos durante o manuseio, especialmente


de pequenas deformações na luva, reduzem consideravelmente a
resistência à tração da coluna de revestimento.

Corrosão é também um aspecto do controle de qualidade a ser


considerado, a fim de evitar problemas de rupturas ou colapso.
Capítulo 1. Pescaria

1.6.6. Outros fatores

Todas as falhas humanas apontadas neste material, e muitas


outras possíveis de ocorrer, podem estar associadas a problemas
comportamentais de origem variada, tais como: cansaço, problemas
familiares, relacionamento conflituoso no trabalho, adaptação
insatisfatória ao tipo de função, treinamento deficiente etc. Portanto,
se você estiver afetado por alguma dessas situações, redobre a
atenção e procure ajuda.

1.6.7. Deficiência de material

Além das falhas humanas e das demais causas já citadas, ainda existem
outros fatores que podem acarretar a pescaria, como o aspecto da
deficiência de material.

a) Desgaste periférico da ferramenta (comandos ou tubos de 55


perfuração)

O desgaste periférico dos componentes da coluna de perfuração


pode provocar pescaria em função:

• Da redução de resistência ao torque nas conexões devido à


diminuição da área de contato do espelho, comprometendo
também a vedação;

• Em se tratando de comandos, o desgaste periférico tem como


efeito a concentração de flexão sobre a conexão, facilitando a
quebra na raiz da rosca;

• Quando o desgaste é excêntrico, aumenta a oscilação lateral da


coluna devido ao desbalanceamento da massa, especialmente
em comandos;

• Quando o desgaste se dá no corpo do tubo, causa a diminuição


da resistência à tração, colapso e pressão interna, o que facilita
a quebra do tubo quando muito solicitado em poços direcionais
ou desviados.
Alta Competência

b) Desgaste

Pode ser causado por ação de fluidos portadores de sólidos abrasivos,


ação do gás sulfídrico e ação de oxidações, reduzindo da mesma
forma a resistência a esforços do tubo.

c) Empeno nos tubos de perfuração

Antecipa a ruptura por fadiga em consequência da intensificação das


flexões.

Diante de formações friáveis, agrava problemas de desmoronamentos


devido à ampliação da oscilação lateral, principalmente se associada
a efeitos de ressonância.

O empeno nos tubos acelera o desgaste externo por atrito com a


56
parede do poço.

d) Fadiga

Quebras de coluna são muito frequentes na zona de transição entre


comandos e tubos. Dentre todos os tubos, o primeiro acima dos
comandos é o mais tendente à fadiga por estar sujeito às oscilações
laterais e verticais da coluna de comandos e vibrações provenientes
da broca.

Uma boa medida para uniformizar a fragilização ao longo da coluna


é alternar o posicionamento do primeiro tubo. Inserir HW entre os
comandos e os tubos é a melhor medida preventiva. Amortecedores
de vibração minimizam estes efeitos.

e) Espelho defeituoso

Manuseio de tubos sem protetores, arrumação de seções estaleiradas


na sonda com o uso de ferramenta imprópria, atrito de corrente
de enroscar tubo entre espelhos, choques do pino da seção sobre
o espelho da caixa e outras razões podem causar concentração de
flexão na raiz da rosca e wash out, e podem facilmente conduzir a
pescarias.
Capítulo 1. Pescaria

ATENÇÃO
Aliado ao fluido nas perfurações nearbalance (ba-
lanceada) underbalance é necessário o uso de equi-
pamentos específicos para esta etapa do poço, além
do uso de fluidos de perfurações com características
próprias para este tipo de perfuração.

f) Desgaste por atrito dos mordentes da cunha

A resistência à tração, torque, pressão interna e colapso podem ser


seriamente afetados pela ação dos mordentes da cunha. Os cortes
transversais provocam concentração de esforços. Furos no corpo do
tubo são comumente encontrados no local de trabalho das cunhas.

57
g) Danos causados por string shot

Durante operações de pescaria da coluna por partes, costuma-se


proceder ao desenroscamento com auxilio de explosivos. Tabelas
do fabricante dimensionam as cargas explosivas com relação à
profundidade e à resistência da conexão em questão. Porém, mesmo
assim, podem ocorrer microfraturas, dilatação na caixa ou expansão
no corpo do tubo, comprometendo consideravelmente a resistência
a esforços.

h) Desgaste na rosca

O desgaste na rosca tem como principal consequência a distribuição


irregular de carga nos filetes, reduzindo a resistência à tração
decorrente da diminuição da área de contato entre os filetes do pino
e da caixa. Da mesma maneira, diminui a resistência ao torque na
conexão e propicia fadiga na raiz da rosca.

1.6.8. Condições adversas

Além das falhas humanas e das deficiências de material, condições


adversas – sobre as quais há pouca possibilidade de ação corretiva
imediata – são causadoras de muitas pescarias. As principais
Alta Competência

adversidades encontradas em um poço, capazes de gerar pescaria são


citadas adiante.

a) Desmoronamentos

Chama-se de desmoronamento a queda de pedaços das paredes do


poço na forma de lascas, pedras ou blocos.

É interessante notar que, neste sentido, as argilas plásticas e os


evaporitos profundos como a halita, a carnalita etc, não desmoronam,
apenas escorregam para dentro do poço estreitando o seu diâmetro.

b) Desmoronamento de folhelhos

O desmoronamento de folhelhos ocorre em função das seguintes


causas:
58

• Alta pressão de poros

Sem dúvida, a maior causa dos desmoronamentos de folhelhos é a


sua elevada pressão de poros.

A pressão nos folhelhos varia muito em um mesmo poço, ora subindo,


ora descendo de valor. Isto dificulta o estabelecimento correto da
densidade do fluido de perfuração.

Densidades altas retardam a perfuração e podem causar prisão.


Densidades baixas deixam os folhelhos desmoronar e densidades
médias não são capazes de eliminar todos estes problemas. Então,
será preciso definir parâmetros com os geólogos e Engenheiros
Químicos da sonda.

• Hidratação

Os desmoronamentos de folhelhos argilosos podem ocorrer como


resultado de sua hidratação.

O filtrado de uma lama penetra alguns centímetros entre os planos


de estratificação do folhelho, hidratando-os e criando uma força de
Capítulo 1. Pescaria

inchamento que atua de dentro da parede para dentro do poço,


empurrando-a até desmoronar.

• Lavagem de sais solúveis

Quando se atravessa uma camada inesperada de sal com fluido à


base de água doce ou de baixa salinidade, provoca-se sua dissolução
e cria-se uma caverna.

Se o teto desta caverna for folhelho, certamente desmoronará


buscando uma configuração de maior estabilidade.

• Turbilhonamento do fluido

Em alguns casos, muito específicos, um turbilhonamento vigoroso do


fluido pode causar ou acentuar o desmoronamento de folhelhos. Estão
59
neste caso os folhelhos microfraturados, secos, duros e quebradiços,
que estalam sob a pressão dos dedos e se estilhaçam com facilidade.

IMPORTANTE!
A maior parte das prisões em folhelhos desmoroná-
veis ocorre porque a ferramenta é tracionada exces-
sivamente, forçando o seu acunhamento no cascalho
e causando, inclusive, o bloqueio total da circulação.

c) Desmoronamento de calcáreo

O calcáreo aflorante ou raso, além de causar sérios problemas de


perda de circulação, é muito frágil e não resiste ao impacto de
lâminas de estabilizadores. Seu desmoronamento costuma ocorrer
na forma de paralelepípedos de tamanho suficiente para acunhar
a coluna de perfuração. Como se trata de rocha fácil de perfurar,
comumente aplica-se pouco peso sobre a broca e rotação elevada.
Isto pode ocasionar a quebra na base dos pinos dos comandos no
momento do acunhamento, devido ao elevado momento de inércia
da rotação.
Alta Competência

Para evitar estes desmoronamentos o melhor é usar estabilizadores de


borracha, que ficam parados e permitem o giro livre da coluna no seu
interior. Além disso, o emprego de amortecedores de choque evitará
que a própria broca quebre a formação em blocos desmoronáveis.

d) Desmoronamento de basalto

Na perfuração de soleiras resultantes de derrames basálticos têm


ocorrido desmoronamentos que vêm sendo resolvidos com aumento
do peso do fluido de perfuração. Perfurar avante sob tais condições
só tem sido possível com lama de 13 lb/gal ou mais.

e) Desmoronamento de areia

Uma das mais frequentes causas de desmoronamento de areia é,


sem dúvida, a ocorrência de perda de circulação. Quando temos uma
60 camada espessa de areia mal consolidada, sobreposta a uma formação
calcárea fraturada, costuma acontecer a perda, e neste momento, o
nível hidrostático cai, podendo não conferir pressão suficiente para
conter aquíferos existentes na areia.

As prisões de ferramenta por desmoronamento de areia costumam


ser severas e o sintoma típico é a perda de circulação que antecede o
fato, bem como ter-se deixado o poço em estática, por exemplo, nas
conexões ou nas manobras.

1.6.9. Fechamento do poço

O fechamento do poço pode ser total ou parcial, geralmente resulta


em pescaria e quase sempre está associado a um ou mais dos seguintes
fatores:

a) Hidratação

Os folhelhos, em função de muitos fatores, entre eles a composição


mineralógica das argilas originais, filtrado da lama, ph do filtrado
etc., podem causar fechamento de poço por hidratação.
Capítulo 1. Pescaria

b) Deslizamento

As argilas moles, bem como os sais, halita, carnalita etc, a grandes


profundidades, costumam apresentar alta plasticidade e escorregam
para dentro do poço. O fenômeno é mais grave, quando há
movimento tectônico da crosta terrestre e estes elementos ficam
sujeitos a pressões anormais.

c) Swab

Ao retirar-se a ferramenta do poço há sempre uma queda de pressão


natural devido à própria velocidade ascensional da tubulação. A
esta variação negativa de pressão, nas retiradas, chamamos de swab.
O fechamento do poço por swab acontece quando se puxa a
ferramenta, muito rapidamente, frente a uma zona de argila mole
ou evaporito profundo. Mesmo que os estabilizadores não estejam
encerados, o swab existirá e será tanto maior quanto menores forem 61
os jatos da broca e mais elevados os valores reológicos do fluido.

Mesmo que a ferramenta saia sem nenhum arraste, o poço pode


fechar abaixo da broca pela perda repentina de pressão.

1.6.10. Perda de circulação

As perdas podem ser parciais ou totais, quando referidas ao volume


de fluido que se consegue retornar do poço na condição normal
de bombeio. Basicamente, o tipo de formação que se perfura
determinará a natureza da perda.

Vejamos os seguintes casos:

• Folhelho, por exemplo, geralmente só perde por fraturamento


provocado;

• Calcáreo estratificado ou vugular, também por fraturamento;

• Calcáreo fraturado, por simples invasão. Calcáreo cavernoso,


idem;
Alta Competência

• Areia perde por invasão ou infiltração.

Se um poço tiver zonas de folhelho e calcário expostas, e a perda


ocorrer por sobrepressão no poço, com certeza a fratura terá sido no
calcário, mesmo que este já não esteja mais sendo perfurado.

Geralmente a pressão de poros do calcário que perde é bastante


baixa, em torno de 6 lb/gal. Sua pressão de fraturamento pode ser
inferior a 9 lb/gal.

IMPORTANTE!
Alta velocidade de descida da coluna é uma das
principais causas da indução de perda de circulação.
O recalque da lama pode ser minimizado pela esco-
lha da velocidade correta de manobra, compatível
com as características geométricas da coluna e da
62 reologia do fluido de perfuração, por exemplo, na.
coluna de teste de formação, coluna de lavagem etc

1.6.11. Prisão por chaveta

Quando um poço por qualquer motivo sofre um desvio muito


acentuado, forma o que se chama dog leg. O tubo atritando contra
a parede do poço diante do dog leg cria um canal. Ao se retirar a
coluna, os comandos não conseguem passar no canal feito pelo tubo
de perfuração e, se houver excesso de tracionamento, poderão ficar
acunhados.

Neste tipo de prisão, a circulação continua plena e o movimento da


coluna para baixo é normal, desde que os comandos não estejam
acunhados.

O uso de um estabilizador de menor diâmetro, no topo dos comandos,


evita que estes sejam dirigidos para o canal da chaveta.
Capítulo 1. Pescaria

1.6.12. Prisão por diferencial de pressão

Quando se perfura com diferencial de pressão alto, em frente a


formações de alta permeabilidade e, por qualquer motivo a coluna
ficar parada, a prisão da coluna poderá ocorrer em virtude do
desencadeamento dos seguintes eventos:

• Diferencial de pressão atuando por mais tempo aumenta o


volume do filtrado;

• Grande filtrado conduz a espesso reboco;

• Aumento do reboco faz crescer a área de contato entre a


coluna e a parede do poço;

• Acréscimo na área de contato aumenta a força de atrito.


63

IMPORTANTE!
A força que provoca a restrição ao movimento da co-
luna é proporcional à área de contato e ao diferen-
cial de pressão. O tempo é fator importante, porque
a extensão de área presa cresce com ele.

1.6.13. Perfilagem e pescaria

A operação denominada perfilagem efetua medições em tempo real


nos poços através da introdução das sondas eletrônicas, obtendo
medições de temperatura, perfil da qualidade da cimentação, CCL
(Casing Collar Locator ou Profundidade das luvas do revestimento),
nível de radiação natural (gama Ray), flow meter, pressão e espessura
do revestimento.

Os perfis de poços são usados principalmente na prospecção de


petróleo e de água subterrânea. Eles têm sempre como objetivo
principal a determinação da profundidade e a estimativa do volume
da jazida de hidrocarboneto ou do aquífero.
Alta Competência

Para fazer a perfilagem em um poço, são usadas diversas ferramentas


(sensores) acopladas a sofisticados aparelhos eletrônicos. Estes
sensores são introduzidos no poço, registrando, a cada profundidade,
as diversas informações relativas às características físicas das rochas e
dos fluidos em seus interstícios (poros).

A perfilagem é o nosso “olho” dentro do poço, e a qualidade desta


visão depende das condições encontradas, que vão desde o seu
condicionamento até a análise criteriosa das restrições e obstáculos.

A perfilagem presta os seguintes auxílios na pescaria:

• Auxílio na liberação de ferramenta presa, promovendo vibração


na coluna pela detonação de explosivo na profundidade livre da
prisão, da ferramenta;

64 • Realização de corte na coluna de produção ou perfuração


presa, sem danificar o revestimento.

1.7. Conclusão

O acompanhamento das operações com o intuito de prevenir pescarias


nada mais é do que uma inspeção planejada de segurança, como
uma necessidade de manter a gerência informada dos problemas
potenciais que podem afetar adversamente as operações.

Da forma como foi apresentada neste capítulo, a inspeção é


qualificada como “Inspeção Programada Geral”, que é a mais
detalhada e completa. Nela, o inspetor deve concentrar toda sua
atenção na inspeção (não é algo feito de maneira casual), preparar-
se adequadamente para realizá-la, usando check-lists para que
nada seja esquecido, a fim de detectar aspectos que não são vistos
normalmente.

A tabela a seguir apresenta a tração máxima permissível nos tubos de


perfuração e nos revestimentos.
Capítulo 1. Pescaria

TAB E LA DE TUBOS E HAS TE S


DIMENSÕES RESISTÊNCIA OUTROS
DIÂMETRO PESO KG D.I. DRIFT O.D. LUVA COLÁPSO P. INTER. TRAÇÃO TORQUE CM ( PREÇO
ROSCA GRAU
(polegada) (lb/pé) un tubo tubo luva red (psi) (psi) (lb) (lb/pé) Petrobras ) (U$/tubo)
1.66" NU J55 2,30 31 1.380 1.286 2.054 1.850 8.490 8.120 21.360 350 4710-969-67869 51,00
NU J55 4,60 63 1.995 1.901 2.875 2.687 8.100 7.700 49.450 730 4712-023-05702 56,00
2.3/8"
EU N80 4,70 64 1.995 1.901 3.063 11.780 11.200 104.340 1.800 4712-064-68196 305,00
NU J55 6,40 87 2.441 2.347 3.500 3.187 7.680 7.260 72.580 1.050 4712-023-05716 111,00
TUBOS DE PRODUÇÃO

2.7/8" EU N80 6,50 88 2.441 2.347 3.668 11.160 10.570 144.960 2.300 4712-038-80630 77,00
EU FIBRA 2,30 31 2.360 2.360 4.173 2.600 2.250 20.000 180 4715-969-65720 168,00
NU J55 9,20 125 2.992 2.867 4.500 3.875 7.400 6.980 109.370 1.480 4712-023-05733 106,00
EU N80 9,30 126 2.992 2.867 4.500 10.530 10.160 207.220 3.200 4712-038-80626 104,00
3.1/2" TDS C90 15,50
DSS-HT N80 9,30 2.992 2.600
USS/BT J55/N80 13,30 223 2.041 1.947 4.250 2.800 2.600 139.000 1.800 3870-969-91170 2316,00
NU J55 12,60 3.958 3.833 5.200 5.720 5.800 143.500 1.740
4.1/2" EU N80 12,75 3.958 3.833 5.563 7.500 8.430 208.730 4.020
ABC J55/N80 15,70 263 1.995 1.901 5.000 3.000 3.500 93.000 3.500 3870-058-91338 2306,00
INSPEÇÃO: Faixa Amarela = 100% à 85% /// Faixa Azul < 85% à 70% //// Faixa Verde < 70% à 50% / / / / (Norma API SPEC-5C1)
2.3/8" IF G 6,65 90 1.750 1.625 3.375 18.720 21.660 193.500 3.300 3845-042-68698 700,00
TUBOS DE PERFURAÇÃO

2.7/8" IF G 10,40 141 2.000 1.875 4.125 19.810 23.140 300.080 6.100 800,00
3.1/2" IF G 13,30 181 2.687 2.457 4.750 19.760 19.320 380.000 7.300 900,00
IF E 16,60 226 3.826 3.750 6.375 10.390 9.830 331.000 18.900 3845-059-06867 270,00
4.1/2"
IF G 16,60 226 3.826 3.750 6.375 13.820 13.760 463.000 18.900 1200,00
IF E 19,50 265 4.276 3.750 6.375 10.000 9.500 396.000 18.900 3845-059-06836 1500,00
5"
IF G 19,50 265 4.276 3.750 6.375 12.990 13.300 554.000 18.900 3845-059-06822 1600,00
3.1/2 x 1.1/2 2.3/8"IF 4145 H 26,70 363 1.500 3.500 313.680 4.600 3500,00 65
4.1/8 x 2 2.7/8"IF 4145 H 34,70 472 2.000 4.125 495.730 6.800 3845-042-68605 335,00
4.3/4 x 2 3.1/2"IF 4145 H 49,50 674 2.000 4.750 708.060 9.900 3845-042-68564 4500,00
INSPEÇÃO: Faixa Branca = 100% à 85% /// Faixa Amarela < 85% à 70% / / / / ( Norma API RP-7G )
BT K55 14,00 254 5.012 4.887 6.050 5.875 3.120 4.270 222.000 4.800 4711-060-15179 277,00
5.1/2" BT K55 15,50 281 4.950 4.825 6.050 5.875 4.040 4.810 248.000 5.100 4711-047-64159 240,00
BT N80 17,00 308 4.892 4.767 6.050 5.875 6.290 7.740 397.000 6.500 280,00
REVESTIMENTO

BT K55 23,00 417 6.366 6.241 7.656 7.377 3.270 4.360 366.000 7.900 4711-047-64162 311,00
TUBOS DE

7"
BT N80 26,00 471 6.276 6.151 7.656 7.377 5.410 7.240 604.000 8.700 4711-038-68993 631,00
BT N80 29,70 539 6.875 6.750 8.500 8.125 4.790 6.890 683.000 8.700
7.5/8"
BT
BT K55 36,00 653 8.921 8.765 10.625 10.125 2.020 3.520 755.000 8.700 4711-050-72011 392,00
9.5/8"
BT N80 40,00 726 8.835 8.679 10.625 10.125 3.090 5.750 979.000 9.400 4711-041-90170 700,00

5/8" D 1,09 12 1.500 1.250 36.000 242 3835-969-88508 34,00


HASTES DE
BOMBEIO

3/4" D 1,59 18 1.625 1.500 53.000 385 3835-969-88590 60,00


7/8" D 2,13 24 1.812 1.625 72.000 572 3835-969-88511 47,00
1" D 2,78 31 2.188 2.000 94.000 880 3835-969-88525 80,00
INSPEÇÃO: Classe 1 = 100% à 97% /// Classe 2 < 97% à 89% /// Classe 3 < 89% à 84% Comprimento: 7,56 m à 7,67 m ( Norma API SPEC-11 BR )
OBS: CONSIDERAR A RESISTÊNCIA DOS TUBOS COM A LUVA REDUZIDA, IGUAL A 70% DOS TUBOS NORMAIS.

Tração máxima permissível nos tubos de perfuração e nos revestimentos


Capítulo 2
Welltesting
Alta Competência

68
Capítulo 2. Welltesting

2. Welltesting
Considere uma caixa preta em repouso, ou equilíbrio, da qual muito
pouco ou nada se sabe a respeito. O conteúdo desta caixa só será
conhecido se uma “perturbação” for introduzida, alterando a sua
estabilidade de tal forma que seja possível mensurar as reações
geradas por este estímulo. No nosso caso, a “caixa preta” é um poço
de óleo e gás em um reservatório e as condições que o tornam estável
é a ausência de vazão e a uniformidade de pressões.

A perturbação/ação a ser introduzida é um fluxo de efluentes do


reservatório para o poço e a reação a medir é o comportamento de
pressão do reservatório, observado no poço.

Esse conjunto de estímulos e respostas de um determinado reservatório


com a finalidade de medir suas propriedades físicas é chamado de 69
Testes de Avaliação das Formações pela comunidade técnico-científica
da indústria de petróleo.

Estes testes em poços de óleo e gás são realizados nos vários estágios da
perfuração, completação e da produção e com diferentes propósitos.
É importante entender completamente cada um deles, suas razões e
o que se espera conseguir com os resultados.

2.1. Tipos de Welltesting

Em geral, o Welltesting é classificado de acordo com a listagem a


seguir.

2.1.1. Teste de Formação Repetitivo (RFT)

As ferramentas de teste são descidas a cabo em poço aberto. Estas


ferramentas possuem um sistema de válvulas e câmaras que irão
registrar as pressões estáticas da formação e obter pequenas amostras
do fluido.
Alta Competência

2.1.2. Teste de Formação a Poço Aberto (TF)

Normalmente feito durante a fase de perfuração (poço aberto).


Decide-se fazer quando há indícios de hidrocarbonetos e de gás
“cortando” a lama durante a perfuração. Além disso, há um
acompanhamento através de log (perfilagem) onde se determina se
o reservatório é promissor ou não.

Estes testes são normalmente curtos (duram não mais de 12 horas)


porque há um grande risco de desmoronamento das paredes do
poço com consequente prisão da coluna. Eles vão evidenciar se há
presença de fluidos nas rochas ou não, além de também identificar
alguns parâmetros não menos importantes, como a permeabilidade
e a porosidade da rocha reservatório. Associado a tudo isto, o maior
ganho está no fato de se poder estimar a capacidade de fluxo e
identificar os fluidos das formações de interesse, antes da descida do
70 revestimento de produção.

Se as informações extraídas acima forem suficientemente confiáveis,


o poço será revestido e os testes serão agora efetuados com o objetivo
principal de completar o poço. A partir deste momento os testes
serão identificados como Teste de Formação a Poço Revestido (TFR).

2.1.3. Teste de Formação a Poço Revestido (TFR)

Caracterizado pelo bom isolamento do intervalo de interesse e


pelas melhores condições mecânicas do poço. Estas características
propiciam tempos de teste suficientes para que todos os objetivos
possam ser alcançados.

São usualmente feitos nas zonas que acenaram com um bom resultado
durante os testes curtos.

Os testes rotineiros de produção não são classificados como Welltesting,


uma vez que as decisões importantes a respeito do desenvolvimento
do reservatório são resguardadas respeitando as interpretações
baseadas nos primeiros testes, feitos ainda com equipamentos
portáteis. Só desta forma se terá preservado as importantes e vitais
informações do que irá acontecer na vida produtiva do poço ao longo
do tempo.
Capítulo 2. Welltesting

Além dos testes de formação, caracterizados pelo uso das colunas de


teste, a atividade Welltesting está inserida e dá suporte técnico para
a aquisição de dados, também nos seguintes tipos de teste:

• Teste de Produção (TP)

Este tipo de teste é caracterizado pela abertura (fluxo) e pelo


fechamento (estática), feitos na superfície e não no fundo como nos
testes citados acima. Tem como objetivo determinar o volume e a
vazão da câmara de estocagem depois do fluxo (after-flow).

• Teste de Medição de Produção (MP)

Operação de medição da produção, vazões de óleo e gás na


superfície, incluindo medições de RGO e amostragem de superfície
para recombinação em laboratório.
71
• Teste de Identificação de Fluidos (TIF)

Como o próprio nome diz, o objetivo é identificar o fluido. Este tipo


requer a presença do Welltesting, já que existe a possibilidade de o
poço vir a surgir durante a indução (pistoneio/ jet-lift).

2.2. Objetivos gerais do Welltesting

De modo geral o Welltesting tem como objetivos:

• Determinar a natureza dos fluidos produzidos e suas mútuas


proporções;

• Definir a produtividade do poço;

• Avaliar as características da formação produtora;

• Checar a eficiência da completação e de qualquer estimulação


que venha a ser realizada no poço;
Alta Competência

• Identificar a vazão de cada fluido produzido, densidade do


óleo e do gás separados, densidade e salinidade da água da
formação;

• Monitorar o comportamento da pressão de fundo do poço


durante o teste, medição da temperatura do reservatório;

• Executar o estudo para análises de pvt (pressão, volume e


temperatura) a partir de amostras coletadas sobre pressão
durante o teste.

A correta interpretação destas medidas possibilita:

• Calcular a permeabilidade da formação e o fator skin;

• Obter uma medição precisa da pressão inicial e da média de


72
pressão do reservatório;

• Determinar a presença de descontinuidades do reservatório,


tais como: contatos e interfaces dos fluidos, fraturas etc;

• Checar os limites do reservatório e se estes estão muito


distanciados (como em um grande reservatório);

• Estimar o tamanho do reservatório, ou seja, determinar se ele


é comparativamente pequeno;

• Avaliar a performance do poço em função do tempo e a partir


das tendências observadas durante o teste.

2.3. Objetivos específicos do Welltesting

Já que os resultados do teste irão nortear o planejamento do


desenvolvimento futuro do campo, é muito importante que os
mesmos estejam claramente definidos e adequados para dar suporte
aos projetos da Engenharia de Poços.
Capítulo 2. Welltesting

Temos a seguir uma lista de dados que devem ser obtidos a partir de
um teste envolvendo a atividade Welltesting. São eles:

• Vazão de gás;

• Vazão de óleo ou condensado;

• Bs e w – percentual obtido por centrifugação simples;

• Vazão de água;

• Densidade do óleo, água e gás;

• Densidade, salinidade da água e se possível uma análise


composicional;
73
• Viscosidade do óleo bruto;

• Composição do gás – análise de H2S / CO2 e N2;

• Ponto de fluidez do óleo bruto;

• Pressão de fundo do poço/ crescimento final;

• Temperatura de fundo;

• Registro de p x t de superfície e dados do fluxo em função do


tempo;

• Amostra de gás no separador para recombinação;

• Amostra no fundo para análise pvt.

2.4. Principais equipamentos de superfície

O exposto acima só é possível acontecer com o auxílio dos Equipamentos


de Superfície, tema principal deste estudo. Estes equipamentos têm
Alta Competência

por objetivo proporcionar condições de escoamento dos fluidos


produzidos nas operações de avaliação de formação. A partir da
abertura da válvula de fundo ou de superfície, tem início o fluxo da
formação para o poço. Ocorrendo a surgência natural ou em poços
de elevação artificial, é através desses equipamentos que os fluidos
são separados, identificados, controlados, medidos, amostrados e
descartados, conforme opções disponíveis.

74

Equipamentos de superfície

2.4.1. Cabeça de teste

É recomendado para testes de formação (DST), ou quando são


realizados testes de produção sem a árvore de natal.

Seu projeto contempla "tê" de surgência, válvulas low-torque,


acionamento hidráulico para válvula lateral, swivel, conexões para
linha de surgência e linha de ataque.

Tem ainda opção para eventuais operações a cabo. É instalada


diretamente na coluna de teste. Além disso, é um equipamento de
segurança utilizado em situações de emergência.
Capítulo 2. Welltesting

Cabeça de teste 75

2.4.2. Linhas flexíveis

As linhas flexíveis são os componentes da cabeça de teste que a


interligam à bomba da sonda e ao choke manifold, respectivamente.
Podem ser constituídas de mangueiras de borracha revestidas com
malha de aço, mangueiras de aço articuladas (chicksans) e/ ou coflexip.
A característica da flexibilidade existe em função da movimentação
da coluna de teste durante as operações.

Linhas flexíveis
Alta Competência

2.4.3. Choke Manifold

O Choke Manifold é o equipamento de superfície intercalado entre


as mangueiras de fluxo com a finalidade de controlar as pressões e as
vazões.

Este controle é feito através de restrições (chokes-nipples), introduzidos


em câmaras no manifold.

Cada câmara tem um ponto de despressurização e instalação da


mangueira de sopro, provida de kero-testes.

Permite também a instalação de manômetros a montante e a jusante


para monitoração das pressões.

76

Planta de Well Test

2.4.4. Vaso aquecedor de óleo

Por norma de segurança, este equipamento funciona trocando calor


através de sistemas de aquecimento indireto. É usado em poços que
produzem óleo com alta viscosidade, parafina e emulsões. É instalado
entre o choke manifold e o separador. Consta de uma unidade de
circulação controlada de vapor, cuja finalidade é proporcionar o
aquecimento da emulsão proveniente do poço. Possui duas serpentinas
por onde internamente passam os efluentes e externamente
permanecem em contato com a circulação do vapor aquecido.
Capítulo 2. Welltesting

Vaso aquecedor de óleo

A circulação de vapor dentro do aquecedor é regulada por um


controlador pneumático de temperatura. A velocidade de circulação 77
do vapor determina a temperatura desejada. A parte externa desse
equipamento é protegida por uma camada de lã de vidro, revestida
por outra camada constituída de lâmina de alumínio. Essas proteções
evitam a dissipação do calor durante o processo de troca.

2.4.5. Vaso separador

Equipamento que permite o processo de separação das fases líquida


e gasosa dos efluentes produzidos em um poço de petróleo.

Vaso separador
Alta Competência

Para que haja separação neste processo, dois fatores são


imprescindíveis:

1º Que os fluidos a serem separados sejam insolúveis um no outro, ou


seja, não seria possível separar, por exemplo, uma mistura de solvente
com óleo bruto, a não ser em uma destiladora;

2º Que um deles seja mais leve do que o outro. Pelo mesmo motivo
acima, se forem solúveis entre si, não haverá segregação, pois terão
o mesmo peso.

IMPORTANTE!

Normalmente o gás pesa 5% do óleo – separam-se em


poucos segundos. Por outro lado, o óleo pesa 75% da
78 água – sua separação deve durar vários minutos.

Quanto maior for a diferença de densidades, mais fácil


será a separação.

a) Mecanismos de separação

• Ação da gravidade e diferença de densidades – responsável


pela decantação do fluido mais pesado;

• Separação inercial – mudanças bruscas de velocidade e de


direção de fluxo, permitindo ao gás desprender-se da fase
líquida devido à inércia que esta fase possui;

• Aglutinação de partículas – contato das gotículas de óleo


dispersas sobre uma superfície, o que facilita sua coalescência
(crescimento das gotículas de líquido pela incorporação em
sua massa de outras gotículas com as quais entra em contato),
aglutinação e consequente decantação;

• Força centrífuga – aquela que aproveita as diferenças de


densidade do líquido e do gás.
Capítulo 2. Welltesting

b) Composição

Um separador típico constitui-se de quatro seções distintas, a saber:

• Seção de separação primária – onde o fluido literalmente


choca-se contra um defletor fazendo com que o líquido se
precipite para baixo e o gás se desloque para cima. É nesta
seção que ocorre o maior percentual de separação, removendo
rapidamente as golfadas e as gotículas de maior diâmetro da
fase líquida. Isso causa também uma diminuição na turbulência,
evitando o retorno de líquido para a fase gasosa;

• Seção de acumulação (coleta) de líquido – onde acontece a


liberação das bolhas gasosas que ficaram no seio do líquido
após a separação primária. Para que seja efetiva, o líquido deve
permanecer retido durante um determinado tempo (chamado
tempo de retenção), que pode variar de 3 a 4 minutos; 79

• Seção de separação secundária – onde se separam as gotículas


menores de líquido carreadas pelo gás após a separação
primária. O mecanismo é o mesmo da seção de acumulação,
sendo fortemente influenciado pela turbulência do gás;

• Seção aglutinadora – onde as gotículas de líquido arrastadas


pela corrente de gás, não separadas nas seções anteriores, são
aglutinadas em meios porosos e recuperadas. Para retenção
destas gotículas, na parte superior dos vasos são instalados os
chamados extratores de névoa.

ATENÇÃO

Apesar das diversas classificações existentes: quanto ao


número de fases (bifásico – trifásico); quanto à forma
(vertical – horizontal – esférico); quanto ao processo
(separador de emulsão, de água livre, de condensado, de
gás); quanto à pressão de operação (baixa – média – alta),
limitaremos a nossa apresentação aos vasos separadores
bifásicos horizontais.
Alta Competência

2.4.5.1. Separador bifásico horizontal

A figura adiante ilustra um desenho esquemático de um separador


bifásico horizontal. O fluido entra no separador e choca-se com
defletores de entrada que provocam uma mudança brusca de
velocidade e direção do fluido. A força da gravidade causa a separação
das gotículas líquidas mais pesadas que deixam a corrente de gás e
se acumulam no fundo do vaso, onde o líquido é coletado. Esta seção
de coleta assegura um tempo de retenção apro¬priado, necessário
para que o gás se desprenda do líquido e vá para o espaço superior
do separador.

Seção de aglutinação Saída de gás

Seção de separação primária

Seção de
80 Entrada Gás separação secundária

líquido Seção de acúmulo


de líquido

Saída de líquido

Esquema de um separador bifásico

O gás separado flui sob os defletores de entrada e segue através da


seção de separação secundária. À medida que o gás flui, pequenas
gotas de líquido que ficaram na fase gasosa caem por ação da
gravidade na interface gás/ líquido. Algumas gotas têm diâmetro
tão pequeno que não são facilmente separadas nesta seção de
decanta¬ção. Entretanto, antes de deixar o vaso, o gás passa através
de uma seção de aglutinação e coalescência composta por aletas de
metal, almofadas de tela de arame ou placas pouco espaçadas que
extraem a névoa presente no fluido.

A pressão do separador é mantida por um controlador que regula o


fluxo de saida do gás pela parte superior. O líquido separado deixa o
vaso através da válvula de descarga, cuja abertura ou fechamento é
regulado por um controlador de nível.
Capítulo 2. Welltesting

IMPORTANTE!

Convém aqui recordar que a densidade de um fluido é


o peso de um (01) litro (ou 01 pé³) deste mesmo fluido.
Tomando a água como exemplo, a sua densidade é 1kg/l
(ou 62.4 lb/pé³). A densidade do óleo cru gira em torno
de 0.8 kg/l. Porém, a densidade do gás vai depender
fundamentalmente da pressão a que estiver submetido.
Já a temperatura tem um menor efeito sobre a densidade.
A densidade de 01 litro de gás a 52 bar de pressão é de
aproximadamente 0.036 kg/l. Este mesmo litro de gás
pressurizado com apenas 01 bar (15 psi) decrescerá para
0.0016 kg/l. É fácil comprovar então que em presença de
uma menor pressão, a densidade do gás diminui e vice-
versa.

81
Pode parecer que um gás de densidade 0.036 kg/l poderia se separar
instantaneamente de um óleo bruto de peso 0.8 kg/l, visto que o gás
só representa cerca de 5% do volume total do óleo. Porém, na prática,
isto não é verdade porque algum líquido irá permanecer no gás em
forma de uma névoa úmida (partículas líquidas em suspensão). Se
todo o líquido não for removido do gás dentro do separador, ele
eventualmente sairá pela linha de gás.

Logo, em um processo de segregação do gás a partir de um líquido,


existem duas dificuldades de separação a serem consideradas:

1ª – Névoa líquida na fase gasosa;

2ª – Espuma gasosa na fase líquida.

Diante disso, o operador deverá administrar bem esta situação para


minimizar os desvios de medição de gás e óleo durante os testes.

Portanto, a mais difícil função em um separador gás-óleo é realizar a


remoção destas névoas, já que elas consistem de minúsculas partículas
em suspensão, como se fossem uma neblina no ar, por exemplo.
Alta Competência

Elas não irão normalmente cair sem que uma partícula maior seja
formada. Equipamentos de coalescência são usados para combinar
pequenas gotas com outras maiores para formar uma só.

2.4.5.2. Elementos internos de um vaso separador

a) Placa deflectora

Local onde tem início o processo de separação. Perpendicular à direção


do fluxo, provoca na emulsão um impacto de grande intensidade,
possibilitando o mecanismo de mudança de direção do fluxo, onde
a parte líquida tende a se decantar, enquanto que a parte gasosa
migra em direção ao topo do vaso. Nesta seção, circulada na figura a
seguir, as golfadas da emulsão são rapidamente absorvidas.

82

Placas deflectoras

b) Placa de coalescência

É situada na parte intermediária do vaso e é formada por placas


metálicas distribuídas horizontalmente e inclinadas com a função
de reduzir a turbulência provocada na seção primária, favorecendo
assim o fenômeno da coalescência – crescimento das gotículas de
líquido pela incorporação em sua massa de outras gotículas com as
quais entra em contato.
Capítulo 2. Welltesting

Placas de coalescência

83

Placas de coalescência

c) Quebrador de espumas

A espuma, ou conjunto de bolhas que se forma na superfície do


líquido que é agitado dentro do vaso, deve ser eliminada evitando
assim o carreamento do óleo provocado pelo fluxo de gás para a
saída superior do vaso. O quebrador de espumas nada mais é do
que um conjunto de cantoneiras em “L”, dispostas verticalmente
formando uma malha com o objetivo de reter as gotículas menores.
Fica posicionado logo após as placas de coalescência.
Alta Competência

Quebrador de espumas

d) Vertedouro

Ao se separar do gás, a água e o óleo ocupam a parte inferior do vaso.


Nos separadores trifásicos existe uma chapa divisória entre a câmara
de água e de óleo. Esta chapa nada mais é do que uma barreira de
acumulação com a finalidade de reter líquidos. O óleo por ser menos
denso do que a água flutua sobre esta e transborda para a seção de
84 acumulação de óleo onde é monitorado por um controlador de nível.
A água permanece do lado anterior do vertedouro e também tem
seu controlador.

Vertedouro

e) Extrator de névoa

É composto de uma malha fina de arame. As gotículas de óleo não


retidas nas seções anteriores aderem aos minúsculos entrelaçados
da malha e se unem com outras, formando uma molécula grande o
suficiente para não passar pelo extrator, caindo posteriormente na
câmara de óleo.
Capítulo 2. Welltesting

Extrator de névoa

Externamente existem os sistemas de controle, medição e segurança.


O sistema de controle das variáveis (líquido e pressão) é composto
por uma malha de instrumentação onde, para cada variável, existe
um controlador e uma válvula automática independente, porém
todos alimentados por uma fonte única de energia pneumática
(suprimento).

A medição de líquido é feita através de medidores de deslocamento


positivo, enquanto que, a medição de gás é realizada a partir de um 85
medidor de placa de orifício. O sistema de segurança é composto por
uma válvula de segurança de pressão (PSV) e/ ou por um disco de
ruptura. Considerando um vaso novo, a PSV é ajustada para atuar com
um valor igual ou inferior à Pressão Máxima de Trabalho Admitida
(PMTA), enquanto que, o disco de ruptura deve ser projetado para se
romper com uma pressão superior a 10% da PMTA.

2.4.5.3. Componentes externos do vaso separador

Constituem-se de tubos e conexões que conduzem a emulsão ao vaso


e possibilitam o descarte dos fluidos. Para cada fluido separado, existe
uma conexão de saída independente (óleo, gás e água).

Saída de gás
Alta Competência

Saída de óleo

Saída de água

86 Em cada tubulação de saída, há medidores de líquido (floco meter)


e gás (válvula Daniel), além de pontos de tomadas de amostras e
válvulas automáticas de controle.

O corpo do vaso é constituído de um cilindro metálico, contendo


uma porta de visita, pontos de tomadas de nível (visor), pressão
(manômetro), temperatura (termômetro), conexões flangeadas para
instalação dos controladores de líquido (água e óleo), dreno manual
e equipamentos de segurança (PSV e disco de ruptura).

Na entrada do vaso existe um manifold – circulado, na figura a seguir,


contendo opções de desvio do fluxo do poço para a linha de gás,
linha de óleo ou para o vaso separador. Através desse conjunto de
válvulas, os fluidos indesejáveis para o processo de separação são
desviados para o queimador. Caso seja gás ou água, o fluxo deve ser
desviado para a linha de gás.
Capítulo 2. Welltesting

IMPORTANTE!

Na eventualidade de surgência de fluidos inflamáveis e/


ou poluentes, o alinhamento se dá para a linha de óleo.
Somente após a completa limpeza dos fluidos do poço e a
estabilização das pressões de cabeça é que se deve alinhar
o fluxo para o separador.

2.5. Medição de vazão

O vaso separador possibilita as medições de vazões de líquidos e


de gás através de medidores específicos. As medições das vazões
de líquidos são realizadas por medidores de deslocamento positivo
instalados na linha de saída de óleo (separador bifásico) e na linha de
saída de água (separador trifásico), mediante leituras instantâneas e 87
extrapoladas para m3/dia.

As medições das vazões de gás são realizadas através de um medidor


de orifício (válvula Daniel) – instalado na linha de saída do gás. Este
medidor proporciona um diferencial de pressão no fluxo transmitindo
os sinais de pressão desse diferencial para um registrador a ele
interligado (FPR) e marcando em um gráfico o valor do “hw” que,
introduzido em uma fórmula específica, originará a vazão de gás
extrapolada em m3/dia. A divisão da vazão de gás pela vazão de óleo
simultânea determina a RGO (Razão Gás-Óleo) dos fluidos do poço.

O medidor de líquido normalmente usado nos vasos separadores em


Teste de Formação possui um rotor introduzido em uma câmara, que
gira no sentido anti-horário, em função da vazão de líquido e pressão
de separação. Conectado ao pino do rotor, encontra-se a unidade
de totalização que, através do seu mecanismo interno, transforma
os giros do rotor em unidade de medição (m3 ou bbl). As leituras
realizadas durante as medições são instantâneas, porém extrapoladas
para 24 horas (um dia).

Nos vasos separadores, normalmente usados em operações de Teste


de Formação, os medidores comumente usados são do tipo floco-
metter, fabr. ITT BARTON, onde as vazões especificadas são:
Alta Competência

Q mín. = 49 m3/d e Q máx. = 490 m3/d

Antes da utilização do vaso separador em um Teste de Formação se


deve aferir mecanicamente os medidores de líquido com o tanque de
aferição, usando água ou óleo morto.

88

Floco meter

No decorrer das medições no vaso separador devem-se fazer no


mínimo duas aferições da vazão de óleo (determinação do fator de
encolhimento – FC) com o uso do tanque de aferição. Recomenda-
se realizá-las quando as variáveis estiverem estabilizadas (pressão
e nível), sendo a primeira aferição no período médio das medições
e, a segunda, no final. Estas aferições têm por objetivos, detectar
possíveis erros nas medidas de líquido, correções da vazão de líquido,
comparadas com a eficiência do(s) medidor(es), determinação do
fator de encolhimento do óleo etc.

2.6. Medição de gás

As medidas das vazões são feitas através da passagem do gás por uma
placa de orifício instalada no interior do medidor (válvula Daniel). O
fluxo de gás, ao passar pelo orifício da referida placa, provoca um
Capítulo 2. Welltesting

diferencial de pressão. Este, ao ser transmitido para uma célula do


registrador de pressão e fluxo (FPR), aciona mecanicamente uma
pena, registrando o valor do HW (Heigth Water-Pressão equivalente
a uma determinada altura de coluna d’água) em um gráfico circular.
Esse valor será um dos fatores da equação de determinação da vazão
de gás, extrapolada para m3/d.

Medidor de gás
89
Em resumo, temos a seguinte fórmula:

Qg=0,6796.Fg.Fb.Ftf.(hw)1/2.(Psep+14,7)1/2

Durante as medições, deve-se realizar no mínimo duas aferições das


vazões de gás. Recomenda-se realizá-las no período médio e no final
das medições. É de fundamental importância que as aferições sejam
realizadas quando as variáveis (pressão e nível) estiverem estabilizadas.
Estas aferições podem ser feitas variando-se o orifício no medidor de
gás. Deve-se tomar como referência o registro no gráfico do FPR.
Recomenda-se iniciar o registro na faixa compreendida entre 30% a
70% do gráfico.

Estas aferições têm por objetivos detectar possíveis erros de medidas


causadas por descalibração do FPR, possíveis vazamentos nas conexões
entre o medidor de gás e o FPR, colocação da placa invertida, entre
outros.
Alta Competência

2.7. Equipamentos de segurança

Por se tratar de um equipamento que trabalha sob pressão, o vaso


separador possui dois acessórios de segurança instalados no topo de
sua estrutura: a válvula de segurança (PSV) e o disco de ruptura. O
primeiro possui um conjunto de mecanismo interno, composto de
haste, sede, mola e esfera que é calibrado para atuar (abrir), conforme
a pressão máxima de trabalho do vaso. O segundo é composto de uma
placa metálica, instalada entre dois flanges, que atuará se rompendo,
caso a PSV, não dê vencimento ao escoamento da vazão em uma
situação de emergência. Ambos os acessórios possuem descargas
livres para a atmosfera.

2.8. Equipamentos de controle das variáveis

Para que ocorra a separação dos fluidos em forma bifásica e/ ou


90 trifásica no interior do vaso, é necessário que em cada linha de
descarte existam válvulas automáticas de controle comandadas
por controladores distintos, que atuarão em sintonia, visando a
manter a estabilidade das variáveis durante o processo de separação.
O controle de líquido é composto de um controlador de nível (LC)
interligado a uma válvula controladora (LV), instalada na saída
de líquido, comandada por sinais pneumáticos. A atuação ocorre
através de um sensor (deslocador/ boia), emergido no líquido, que
envia um movimento mecânico, ascendente ou descendente para
o LC, conforme a variação do nível de líquido. O controlador de
nível converte o movimento em sinais pneumático para a válvula de
controle (LV), fazendo esta abrir ou fechar conforme os ajustes pré-
estabelecidos pelo operador.
Capítulo 2. Welltesting

Controlador de nível – LC de controle de nível


91

Válvula

O controle de pressão também é composto por um controlador de


pressão (PC), interligado a uma válvula de controle (PV) instalada
na saída da linha de gás, e comandado por sinais pneumáticos. A
Alta Competência

atuação ocorre através de uma tomada de pressão da variável a


montante da PV, que transmite a pressão existente no interior da
linha de gás para o PC. Este converte o sinal de pressão da variável em
sinais pneumáticos para a PV, fazendo-a abrir ou fechar, conforme os
ajustes pré-estabelecidos pelo operador.

Controle de pressão
92

Vaso separador

A visualização das variáveis é de fundamental importância para o


operador. A pressão é visualizada através de um manômetro instalado
no topo do vaso, que indicará as variações de pressão durante o
processo de separação. O nível é visualizado através de um visor com
Capítulo 2. Welltesting

vidro transparente, instalado na parte lateral do vaso, em uma posição


estratégica, de modo que o operador possa se orientar, observando
a interface dos fluidos em processo de separação. A temperatura
também é uma variável relevante no processo de separação, uma vez
que os seus valores são introduzidos na fórmula do cálculo das vazões
de gás, assim como servir de referência nos aspectos de análises dos
fluidos e na coleta de gás.

Instrumentos de visualização de pressão, nível e temperatura do vaso separador


93
2.8.1. Malha de instrumentação

Para que ocorra uma sintonia automática e contínua dos


instrumentos de controle, sem a interferência manual do operador,
é necessário que o vaso separador disponha de uma malha de
instrumentação pneumática, interligando os controladores das
variáveis do processo às suas respectivas válvulas automáticas. A
energia que fará movimentar o sistema de instrumentação provém
de um suprimento de ar pressurizado (limpo e seco), ajustado em
função das características dos instrumentos. Por exemplo, nos casos
de vasos de média pressão (600 psi), os controladores são projetados
para receber um suprimento de ar de 20 psi, que transformará os
movimentos mecânicos dos seus componentes internos em sinais
pneumáticos (de 3 psi a 15 psi) proporcionais à variação de 0 a 100%
da abertura das válvulas automáticas. Por questões de segurança, a
válvula automática da linha de óleo deverá possuir a sua ação de
abertura no sentido “ar para abrir”, enquanto que, a válvula da linha
de gás deverá ter a sua ação, no sentido “ar para fechar”.
Alta Competência

AR GAS N2

TI

PI

TI

94 Esquema da malha de instrumentação

Completam a malha de instrumentação os seguintes acessórios:


válvula redutora de pressão, válvulas filtro-reguladoras e tubulações
inoxidáveis.

2.8.2. Tanque de aferição

O tanque de aferição consiste de um recipiente com capacidade


volumétrica conhecida, com a finalidade de medir e/ ou aferir as
vazões dos líquidos nele introduzidos.

Tanque de aferição
Capítulo 2. Welltesting

Internamente, o tanque de aferição é dividido em dois compartimentos


iguais, através de uma chapa metálica, possuindo, entretanto,
comunicação apenas na parte superior. Externamente possui os
seguintes acessórios:

• Visores de nível;

• Manifold de entrada de fluidos;

• Manifold de saída de fluidos;

• Corta-chamas;

• Escotilhas de medição.

Em conjunto com a bomba de transferência, pode-se realizar a aferição 95


mecânica dos medidores de líquido do vaso separador, determinar
o fator de encolhimento do óleo, limpeza das linhas, antes e após os
testes, simulação de atuação do sistema de controle de nível do vaso
separador, além de outras utilidades.

2.8.3. Bomba de transferência

Equipamento destinado a succionar e recalcar os fluidos do tanque de


aferição para fins de descarte e/ ou medir a eficiência dos medidores
de líquido do vaso separador. É composta de um conjunto motor-
bomba contendo painel elétrico, botoeiras e cabo elétrico trifásico.

Bomba de transferência
Alta Competência

2.8.4. Conjunto lança-queimador

É um conjunto de equipamentos cuja função é proporcionar o


descarte de fluidos inflamáveis, de modo a evitar a poluição ao meio
ambiente.

Em operação na área terrestre, sua função se resume apenas à queima


do gás, sendo, portanto, constituído de uma linha com diâmetro de
2” ou 3”, com uma expansão desse diâmetro na extremidade para
4” ou 6”, respectivamente.

É importante posicionar corretamente o queimador em função da


direção do vento. O layout a seguir está conforme os padrões da
Companhia e deve ser obedecido.

96

3
11

WI

10 m
4
10 m

TQ.AF
30 m 7
2
12
VASO

10
6

V
9
E
N
T
8
O

Layout da planta do conjunto lança-queimador


Capítulo 2. Welltesting

Legenda

01 Poço 07 Alojamento
02 Área da sonda 08 Trailer do supervisor
03 Estaleiro de tubos 09 Carreta de óleo
04 Tanque de fluido 10 Unidade móvel WT
05 Tanque de pistoneio 11 Unidade móvel
utilidade
06 Gerador de energia 12 Queimador

Nas plataformas marítimas, o descarte de todos os fluidos do poço é


direcionado para o queimador.

Para queimar os efluentes, é necessário pulverizá-los, proteger as


instalações do calor, provocar ignição e queima a uma determinada
distância. Neste caso, o sistema de descarte é constituído de um
conjunto lança-queimador, com 18 metros de comprimento, 97
sustentado junto à estrutura da plataforma por cabos de aço de 1”, e
tracionado, lateralmente, por cabos de aço de ½ “; contendo em sua
extremidade um bojo de queima. Possui cinco sistemas de operação
independentes.

Conjunto lança-queimador
Alta Competência

2.9. Sistema de refrigeração

Consta de uma tubulação solidária ao longo da lança que conduz a


água de um ponto de captação na plataforma à estrutura do bojo
do queimador. Nessa estrutura, existem 32 sprays, sendo 16 do tipo
frontal jato cônico e 16 do tipo lateral, jato plano.

O spray do tipo frontal possui um orifício central com diâmetro de


¼”, cuja função é direcionar o fluxo de água para os fluidos em
combustão. O spray do tipo lateral, possui, além do orifício central,
uma ranhura longitudinal, cuja função é formar uma cortina de água,
visando a reduzir a irradiação do calor em direção da plataforma.

2.10. Sistema de atomização

Consta de uma peça cilíndrica (atomizador), localizada na parte central


98 interna do bojo do queimador, contendo um disco intermediário,
uma turbina e um estator centrípeto, cuja finalidade é promover a
pulverização do líquido, de modo a facilitar a sua queima. Na parte
lateral anterior do atomizador, localiza-se a entrada do óleo. Na parte
lateral posterior, defronte ao estator centrípeto, localiza-se a conexão
de entrada de ar. Uma tubulação de 2” de diâmetro é solidária entre
um ponto de tomada de ar comprimido na plataforma e o atomizador,
onde este (ar comprimido) tem a finalidade de enriquecer a queima e
possibilitar o controle da combustão.

2.11. Sistema piloto

Constituído de um cilindro de gás butano, válvula reguladora,


tubulação metálica e cone. Estes acessórios interligados proporcionam
a condução da vazão controlada do gás butano até as proximidades
da saída de fluido pulverizado do atomizador, possibilitando a
manutenção de uma chama e visando a iniciar e manter a combustão
acesa.

2.12. Sistema de ignição

É composto de um transformador elétrico de alta voltagem, cabo


elétrico revestido com capa de aço inoxidável, botoeira e ignidor
(vela). Com um funcionamento semelhante a um acendedor de fogão
Capítulo 2. Welltesting

doméstico, este sistema tem a finalidade de provocar uma centelha a


distância, visando a manter acesa a chama piloto.

Por questão de segurança, as plataformas são munidas de dois


conjuntos de lança-queimador, instalados em lados opostos, porém
interligados com o sistema de linhas. A opção do uso adequado do
queimador está relacionada com a direção do vento.

2.13. Introdução de fluxo no poço

Para se introduzir o fluxo de um poço no vaso separador é necessário


que se tomem algumas providências preliminares, tais como: aguardar
a estabilização das pressões na cabeça do poço (PM e PJ); ter certeza
da completa limpeza dos fluidos; e analisar as condições de fluxo
crítico. Tais providências visam a assegurar as condições ideais de
estabilização das variáveis no processo de separação. Se estes itens
não estiverem com suas condições satisfeitas, o processo de separação 99
estável ficará comprometido.

2.13.1. Estabilização das pressões na cabeça do poço

Após a surgência, é natural que haja um crescimento da pressão na


cabeça do poço enquanto ocorrer o processo de limpeza dos fluidos.
É de fundamental importância que se faça um acompanhamento
detalhado da evolução das variações nos primeiros instantes da
produção do poço, tendo como finalidade economizar o tempo de
sonda.

Recomenda-se instalar um registrador de pressão (PRPT) nas tomadas


do choke manifold e, se possível, medir o volume produzido em um
tanque de aferição. Uma vez recuperado o equivalente a um volume
e meio da coluna de teste, e as pressões na cabeça se estabilizarem, o
processo de estabilização estará concluído.

2.13.2. Limpeza dos fluidos do poço

Em um teste de formação, após a surgência do poço, é comum


que o fluido original da formação esteja misturado com fluidos de
perfuração, ou de completação, ou ainda do colchão. A certificação
Alta Competência

da limpeza do fluido é feita através da coleta de amostras na cabeça


do poço, das análises de BSW, da determinação da salinidade da
água, do fluido de completação ou colchão e do grau API do óleo.

Conhecendo-se as características dos fluidos utilizados nas atividades


de perfuração, de completação e do colchão, quaisquer outros fluidos
de características diferentes serão oriundos da formação. Neste caso,
mesmo que exista um percentual de água livre, o fluxo pode ser
alinhado para o separador, usando-se, necessariamente, o controle
de água (vaso separador trifásico).

2.13.3. Fluxo crítico

Teoricamente afirma-se que um poço encontra-se em fluxo crítico,


quando a velocidade deste, ao passar pelo choke, atinge a velocidade
do som. Nesta condição, qualquer perturbação que venha a ocorrer a
100 jusante deste (choke), não afetará a vazão.

Para se analisar a referida condição, emprega-se a seguinte equação:

Fcrítico = PM ≥ 2. PJ

Onde:

PM = Pressão a montante;

PJ = Pressão a jusante.

2.13.4. Escolha da pressão de separação

Após a estabilização das pressões na cabeça do poço, certificação da


limpeza do fluido e uma vez analisadas as condições de fluxo crítico,
o próximo passo será a escolha da pressão de separação. Recomenda-
se trabalhar com a menor pressão de separação possível. Procedendo
dessa forma, a tendência do gás se separar do óleo torna-se mais
eficaz no interior do vaso. No entanto, é preciso observar os aspectos
no descarte dos fluidos. Se os descartes forem para a atmosfera,
Capítulo 2. Welltesting

praticamente não haverá contrapressão, podendo-se trabalhar com


uma pressão de separação menor possível. Caso exista contrapressão,
a pressão de separação deverá ser escolhida em função dos limites
das condições de fluxo crítico, levando-se em consideração as perdas
de cargas existentes a jusante das válvulas automáticas das linhas de
óleo e gás do separador.

2.13.5. Operação com o vaso separador

a) Preparativos para Introdução do fluxo no vaso separador

Considerando-se que o vaso tenha sido testado e seus instrumentos


estejam devidamente calibrados, o operador deve realizar o seguinte
procedimento:

• Preparar o jogo de válvulas conforme o descarte pré-definido


para os fluidos separados; 101

• Proteger os medidores de líquido, desviando o fluxo para a


linha de by-pass;

• Proteger o medidor de gás, certificando-se de que não haja


placa de orifício na parte inferior do medidor (válvula Daniel);

• Equalizar as tomadas de pressão no manifold do FPR;

• Certificar-se da abertura da válvula existente a montante do


manômetro do vaso separador;

• Certificar-se da abertura da válvula da tomada de pressão do


controlador de pressão (PC);

• Certificar-se da abertura das válvulas do visor de nível;

• Abrir a alimentação do suprimento de ar para a instrumentação;


Alta Competência

• Ajustar o(s) controlador(es) de nível (LC), deixando o indicador


de nível e a faixa proporcional em 50% de suas escalas,
respectivamente;

• Ajustar o controlador de pressão (PC), colocando o indicador de


pressão no valor pré-determinado para a pressão de separação
e a faixa proporcional em 50% de sua escala total.

b) Introdução do fluxo no vaso separador

Para realizar a introdução do fluxo no vaso separador, é necessário


seguir os procedimentos indicados:

• Abrir a válvula de entrada do vaso e, simultaneamente, fechar


a válvula de by-pass;

102
• Acompanhar o crescimento de pressão e do nível através do
manômetro e do visor de nível, respectivamente;

• Aguardar a estabilização das variáveis (nível e pressão). Caso


necessário, realizar novos ajustes nos controladores;

• Colocar o medidor de líquido em operação;

• Escolher a placa de orifício ideal para as medições de gás.


Capítulo 3
Teste de
Formação
Alta Competência

104
Capítulo 3. Teste de formação

3. Teste de Formação

T
este de formação consiste na completação provisória e de
baixo custo que tem por finalidade obter informações sobre
o intervalo testado.

O Teste de Formação tem como objetivos qualificar e quantificar a


produtividade do fluido existente no intervalo pesquisado.

Os dados obtidos com o teste de formação são:

• tipo de fluido contido no intervalo;

• vazão de fluidos;

105
• pressões de fluxo e estática;

• permeabilidade efetiva;

• existência ou não de depleção, dano ou barreiras de


permeabilidade.

De posse dos dados anteriores, obtidos quando o teste funciona


perfeitamente, torna-se possível decidir, com maior segurança, a
completação ou não do poço.

O teste de formação tem como princípio isolar provisoriamente o


intervalo a avaliar, de modo seguro, o efeito da pressão hidrostática
do fluido existente no poço, permitindo, alternadamente, aberturas
e fechamentos para a avaliação de fluxos e o registro de pressões.

O intervalo a ser testado é isolado através dos obturadores (packers)


constituídos de borrachas que se expandem pela aplicação de peso
na coluna, alojando-se nas paredes do poço.
Alta Competência

A coluna desce vazia para permitir que, após a abertura da válvula


hidráulica no fundo, a formação possa produzir para o interior da
coluna.

Caso o intervalo seja de boa permeabilidade, poderá ocorrer surgência


de fluidos (gás, óleo ou água).

A permeabilidade de um meio poroso é uma medida de sua


capacidade de se deixar atravessar por fluidos. Em outras palavras,
a permeabilidade é uma medida da condutividade de fluidos em um
material poroso.

Os princípios de segurança em operações de teste de formação se


devem à circunstância de tais operações se situarem entre as mais
perigosas dentre as que se realizam em sondas de perfuração e de
produção. Portanto, preservar a integridade do pessoal e do material
106 é prioridade assim como a tranquilidade necessária à boa execução
dos trabalhos.

3.1. Equipamentos de superfície

3.1.1. Manifold de teste

Conjunto de válvulas, estranguladores de fluxo e manômetros que


permitem o controle total das pressões de superfície desenvolvidas
durante o teste. O manifold está conectado com a planta de Well Test,
composta de heater (aquecedor), separador, tanque de surgência,
queimador etc.

Manifold de teste
Capítulo 3. Teste de formação

3.1.2. Mangueiras de aço articuladas

Conduzem o fluido produzido a partir da cabeça de teste até o


manifold.

107

Mangueiras de aço articuladas

Mangueira de aço articulada


Alta Competência

3.1.3. Mangueiras tipo Conflexip

São mangueiras projetadas para pressão de trabalho de 5, 10 e 15.000


psi, em ambientes de -15 graus até 100 graus Celsius, resistentes a
H2S, com comprimento de 12 a 30 metros.

108

Mangueira

3.1.4. Cabeça de fluxo (flow head)

É conectada na última junta da coluna, possuindo uma, ou mais,


válvula mestra e saídas laterais para o fluxo proveniente do interior
da coluna.

Flow head
Capítulo 3. Teste de formação

3.1.5. Registradores de pressão e temperatura

Os registradores têm a função de registrar a temperatura inerente


a cada profundidade e todas as pressões desenvolvidas no decorrer
do teste, permitindo posteriormente, o cálculo e a interpretação dos
parâmetros do intervalo testado. Os registradores eletrônicos dos
fabricantes Keller e Metrolog são os mais utilizados pela Petrobras.

109

Registrador Igauge - Fabricante Metrolog

3.1.6. Subs de circulação reversa pump out e sub de impacto

Permitem a retirada, com segurança, dos fluidos produzidos para o


interior da coluna, e o condicionamento e homogeneização do fluido
Alta Competência

contido no poço antes da retirada da coluna. Basicamente é uma


ferramenta de segurança.

O rompimento do disco do pump out exige um diferencial de pressão


de 1200 psi. O pino do sub-impacto é rompido por uma barra de
bronze liberada da superfície.

110

Pumpout

Pino do sub impacto

Disco do pump out


Capítulo 3. Teste de formação

3.1.7. Porta-registradores

A coluna de teste é composta por quatro porta-registradores, cada,


contendo um registrador nas seguintes posições:

• 1 registrador acima da válvula DCIP (Dual Closed in Pressure);

• 1 registrador interno situado abaixo das válvulas DCIP e HS


(Hydro spring);

• 2 registradores externos situados abaixo do(s) packer(s).\

O porta registrador é um casulo


111
que transporta o registrador
eletrônico ou mecânico, em
segurança, durante a operação
de teste.

Registrador modelo
PRM4 do fabricante
Metrolog

IMPORTANTE!
Nas operações de teste de formação em campos ma-
duros, nos poços com baixo nível de fluido no anular,
é utilizado um porta registrador, tipo RPA – regis-
trador de pressão anular, que permite fluxo interna-
mente e o registrador capta apenas a pressão anular.
Alta Competência

Características do registrador acima da válvula:

• Registra a pressão no interior da coluna e permite a passagem


de fluxo pelo seu interior,

• Permite o cálculo do volume de fluido produzido da formação


para o interior da coluna;

• Permite verificar se houve vazamento do anular para a coluna


durante o teste;

Permite verificar se houve vazamento na válvula testadora durante


as estáticas.

Características do registrador interno, abaixo da válvula:


112
• Registra a pressão no interior da coluna e permite a passagem
de fluxo pelo seu interior;

• Permite verificar se houve vazamento na válvula testadora e


packer durante o teste;

• Permite verificar se houve entupimento nos tubos perfurados;

• Carta do registrador pode ser usada para cálculo dos parâmetros


de formação.

Característica do registrador externo:

• O registrador só tem tomada de pressão do anular e suas


finalidades principais são: detectar entupimento nos tubos
perfurados, durante o fluxo, e captar a genuína pressão e
temperatura da formação testada.
Capítulo 3. Teste de formação

3.1.8. Válvula DCIP (Dual Closed in Presure)

Permite fechamentos e aberturas alternadas do intervalo testado


para confinamentos e fluxos dos fluidos nele contidos.

113

Válvula DCIP

A válvula DCIP possui as seguintes características:

• Atuada por giros à direita (11 voltas - fecha); 14 (abre); 14


(fecha), 16 voltas (circula reverso);

• Em poços sem anular pode ser utilizado plugue na válvula de


alívio;

• Máxima carga em rotação: 3 7/8” OD 20.000 lb / 5” OD 30.000


lb;

• Pode ter um amostrador acoplado;

• Possui sistema de trava que impede o acionamento acidental


do mecanismo de fechamento e abertura;

• Possui válvula de alívio na sua base;


Alta Competência

• Resistência a compressão da mola: 3 7/8” 1500 lb / 5 “ 5000 lb;

• Válvula acionada por rotação da coluna, descida na posição


aberta, permitindo a execução de dois fluxos e duas estáticas e
abertura para circulação reversa.

3.1.9. Amostrador

Câmara, extensão, HW ou DC curto que é colocado entre as válvulas


DCIP e HS com o objetivo de recuperar o último fluido enviado pela
formação durante o teste, sem contaminação do fluido de perfuração.

Alguns testadores utilizam apenas, um porta registrador (sem o


registrador), para captar esta amostra de fluido da formação.

3.1.10. Válvula testadora HS (Hydro Spring)


114

Descida na posição fechada, esta válvula isola a parte superior da


coluna do fluido existente no poço.

Quando aberta, após o assentamento do obturador, permite o alívio


da pressão hidrostática atuante sobre o intervalo testado para início
do teste.

Algumas incorporam um by-pass.

Válvula testadora HS
Capítulo 3. Teste de formação

3.1.11. Valvula Index - Indexing With Indexing J-Slot Tester

Válvula testadora que incorpora as funções de válvula testadora


principal (HS) e auxiliar (DCIP).

É acionada por reciprocação da coluna. Incorpora um dispositivo que


impede a abertura do seu by-pass durante a ciclagem da válvula.

Projetada para operações em poços inclinados.

3.1.12. Percursor

Permite a ação imediata de percussão no caso de prisão durante


tentativa de liberação.

Trata-se de uma ferramenta auxiliar que permite a ação imediata de 115


percussão ascendente no caso prisão durante tentativa de liberação.

Percursor
Alta Competência

3.1.13. Junta de segurança

Permite a recuperação de parte da coluna de teste, situada acima da


mesma, no caso de prisão da ferramenta no poço.

Junta de segurança acionada por movimento combinado de rotação


e reciprocação da coluna. Incorpora sistema de by-pass.

Posicionada acima do packer superior, permite a recuperação da


coluna acima da mesma, em caso de prisão do packer.

Para seu desenroscamento total são necessárias 12 voltas à direita,


combinados com 36 ciclos (poço aberto) ou 24 ciclos (poço revestido).

IMPORTANTE!
116
Existem vários tipos de Junta de Segurança.

Junta de segurança VR
Capítulo 3. Teste de formação

3.1.14. Obturador (packer) para poço aberto

Permite isolar o intervalo testado, da atuação da pressão hidrostática


do fluido contido no poço.

117

Packer NR-3 (Halliburton)

Características do packer para poço aberto:

• Borracha de grandes dimensões;

• Alta capacidade de deformação;

• Adapta-se às paredes do poço mesmo que sejam irregulares;

• Assentamento simples através de aplicação de peso;

• Necessita de apoio da coluna no fundo ou na parede do poço,


caso teste seletivo com ancora;

• Disponíveis na Petrobras nos diâmetros (OD) - 7 1\2”, 7 3\4”,


11 1\4”.
Alta Competência

3.1.15. Obturador (packer) para poço revestido tipo RTTS (Halliburton)

Características do packer RTTS

• Assentamento por rotação e aplicação de peso;

• Possui bloco de fricção ou arraste que segura a parte inferior


enquanto a parte superior desce armando as cunhas contra o
revestimento;

• Com a aplicação de peso as cunhas se fixarão ao revestimento


e as borrachas serão comprimidas;

• Para desassentamento basta tracionar a coluna;

118 • Disponíveis na Petrobras para operações nos revestimentos


com diâmetros (OD) – 5 1\2”, 7”, 9 5\8”.

Packer RTTS

3.1.16. Tubos perfurados

Permitem a entrada dos fluidos da formação para o interior da coluna


de teste impedindo a penetração de sólidos grosseiros. Geralmente,
em poço aberto, têm também a função de suportar peso.
Capítulo 3. Teste de formação

Tubos perfurados

119
3.1.17. Sapata

A sapata é conectada na extremidade da cauda, a fim de ancorar a


coluna de modo a posicionar o obturador inferior na profundidade
desejada

Sapata
Alta Competência

3.2. Ferramentas para situações específicas

3.2.1. Âncora de parede

É usada em testes seletivos. Permite o assentamento da ferramenta


em poço aberto distante do fundo.

120

Âncora de parede

3.2.2. Válvula distribuidora de pressão

Permite confinar uma certa pressão anular, anteriormente


estabelecida, entre dois obturadores (packers) montados um sobre o
outro com a válvula entre eles.

3.2.3. Junta telescópica (extension joint)

Usada em unidades flutuantes conjuntamente com válvulas acionadas


por pressurização do anular. Permite o assentamento do obturador
mantendo constante o peso sobre este ao mesmo tempo em que a
parte superior da coluna permanece suspensa na cabeça do poço.
Quando usada com válvulas testadoras acionadas por reciprocação
em unidades fixas tem a função de manter o obturador assentado.
Capítulo 3. Teste de formação

3.2.4. Slip joint

Ferramenta utilizada abaixo da index – J, para evitar desalojamento


do packer durante a ciclagem da válvula testadora.

Possui um livre curso de 60 polegadas (1,52 m) que, durante a ciclagem


da coluna, mantém a pressão interna constante. Quando usada em
Teste de Formação, ela assegura imobilidade em todas as ferramentas
abaixo conservando o peso pré-calculado sobre o packer.

121

Slip joint
Alta Competência

3.3. Classificação da coluna testadora

3.3.1. Teste convencional

É aquele em que se testa o intervalo existente entre o fundo do poço


e o obturador (packer).

3.3.2. Teste convencional em intervalo aberto, com obturador


assentado no revestimento

Ocorre quando há um indício significativo de óleo ou gás, que é


detectado pelo geólogo durante o reinício da perfuração dos primeiros
20 ou 30 metros, normalmente após a descida do revestimento
intermediário. O packer é alojado no revestimento, promovendo
uma estanqueidade precisa.

122
3.3.3. Teste seletivo

É aquele em que se testa um intervalo não situado no fundo do poço,


conforme as seguintes situações:

• Intervalo a ser testado próximo ao fundo do poço

Utiliza-se cauda de apoio no fundo do poço de modo a posicionar


o obturador inferior na profundidade desejada. O comprimento
máximo recomendável da cauda de apoio deverá ser de 45 metros.

O comprimento da cauda pode ser estendido até 60 metros, em


situações especiais, conforme entendimentos entre os envolvidos
com a operação.

• Intervalo a ser testado distante do fundo do poço

Neste caso, não é possível o uso da cauda de apoio, sendo necessário o


uso de uma âncora de parede. A pressão de bombeamento necessária
para controlar o poço deverá ser inferior àquela do teste de absorção
na sapata do último revestimento.
Capítulo 3. Teste de formação

Se as condições do poço não forem recomendáveis para utilização de


âncora de parede, deverá se optar por um tampão de cimento para
apoio da âncora de fundo. Porém, esta opção deverá ser utilizada
apenas no fim da perfuração da última fase, após a perfilagem e
decisão de abandono definitivo da parte do poço aberto abaixo do
tampão de cimento.

Excepcionalmente, nas diferentes fases de perfuração, poderá se


efetuar tampão para apoio ao teste, tendo que se considerar as
consequências da possibilidade de não retorno ao poço original
quando se tentar cortar o tampão de cimento.

Este tampão deve ser elaborado para poder suportar o peso da


coluna nas diferentes fases do teste de formação. O topo do tampão
de cimento deverá ser cortado até encontrar-se firme e devidamente
testado com o peso equivalente à força máxima sobre a cauda durante
o decorrer do teste. 123

3.3.3.1. Condições gerais para efetuar o teste de formação

Para a Sonda

Deve-se ter obrigatoriamente, antes da descida da coluna de teste,


um volume de lama nos tanques, no mínimo, igual ao volume do poço
bem como capacidade para receber o volume de lama deslocado pela
coluna de teste.

Deverão estar presentes na sonda detetores de gás do tipo portátil


para gás sulfídrico (H2S) e gases inflamáveis, além do equipamento
fixo normalmente existente na sonda. O equipamento citado deverá
ser operado por pessoal qualificado.

Em caso de existência comprovada de gás sulfídrico na formação em


concentração no fluido superior a 50 ppm, não deve ser realizado
teste a poço aberto.

As bombas de lama da sonda, pelo menos duas deverão estar em


perfeitas condições de funcionamento, inclusive linhas e válvulas de
superfície.
Alta Competência

Para o poço

Em poços com inclinação superior a 15 graus, a execução do teste


será decidida após análise cuidadosa das condições gerais do poço e
da composição da coluna de teste.

Em poços com existência comprovada de chaveta, a execução do


teste só poderá ser feita após a correção do poço com ferramenta
apropriada.

IMPORTANTE!
Chaveta - Poço com desvio muito acentuado forma
o que se chama de dog leg. O tubo atritando contra
a parede do poço diante do dog leg cria um canal
que tem o seu diâmetro. Ao se retirar a coluna, os
124
comandos não conseguem passar no canal feito pelo
tubo de perfuração e, se houver excesso de tração,
podem ficar acunhados.

Poços com zonas de perda não poderão ser testados, pois impedem
a realização de uma circulação reversa adequada e com segurança.

Poços com zonas de gradiente de fratura inferior à pressão de


circulação reversa calculada não poderão ser testados.

Nos poços de diâmetro nominal superior a 9-1/2” a extensão do


intervalo testado não deverá ser superior a 20 metros. Naqueles de
diâmetro nominal igual ou inferior a 9-1/2”, o intervalo testado não
pode superar 30 metros.

Nos testes com intervalo superior a 20 metros deverão ser analisados


ainda mais cuidadosamente os seguintes aspectos:

A) Cauda de diâmetro externo o mais constante possível;

B) Cauda de diâmetro externo não muito inferior ao do poço, a fim


de minimizar o efeito de flambagem na abertura da válvula do teste;
Capítulo 3. Teste de formação

C) Deve ser evitado o posicionamento dos tubos perfurados no topo


e na base da cauda, intercalando comandos entre si, composição que
pode favorecer prisão da cauda no caso de fluxo em zonas friáveis
(areia não consolidada, por exemplo);

D) A força sobre a cauda devida à pressão diferencial sobre o


obturador na abertura da válvula de teste;

E) No caso de programação de teste de formação, na fase de 12 1/4”,


é recomendável perfurar a zona a ser testada, desde a profundidade
de assentamento do obturador, com broca de 8 1/2”.

Os efeitos de sobrecarga na descida e de pistoneio na retirada da


coluna de teste são altamente reduzidos quando se usa um obturador,
cuja borracha de vedação é de diâmetro externo de 7 3/4» num poço
de diâmetro mínimo de 12 1/4».
125

ATENÇAO
Poços com ocorrência de prisão por pressão diferen-
cial e onde este risco seja ainda eminente, não deve-
rão ser testados a poço aberto.

3.3.3.2. Planejamento do teste

O planejamento de qualquer teste deve ser efetuado preferencialmente


de tal forma que os fluxos, circulação reversa e, pelo menos, o inicio
da retirada da coluna de teste, sejam executados sob a luz do dia.

Condicionamento do Poço e Condição do fluido de perfuração

Em testes a poço aberto, com apoio no fundo, o condicionamento do


poço e do fluido de perfuração deverá seguir o seguinte procedimento:

A) Descer e circular próximo ao fundo (cerca de 1 pé) durante 15


minutos, para limpeza do fundo do poço;

B) Suspender a coluna acima do intervalo a ser testado, observando


Alta Competência

que a extremidade da mesma fique acima da profundidade prevista


para assentamento dos obturadores;

C) Circular nesta posição até a limpeza completa do poço e


condicionamento de lama. De tempos em tempos, descer a coluna
até próximo do fundo, evitando a circulação prolongada em um só
ponto e verificando as condições de limpeza do fundo. A lama deve ser
condicionada de modo a se encontrar no estado disperso, com baixa
tixotropia, (fenômeno que apresenta certos líquidos, cuja viscosidade
diminui quando são agitados) de modo a evitar a indução de pressão
sobre a formação, pistoneio e altas pressões na circulação reversa.
Deve, ao mesmo tempo, ser capaz de manter sólidos em suspensão
impedindo-os de decantar sobre os obturadores.

D) A retirada da coluna, após condicionamento do poço, deverá ser


programada de modo que o teste seja executado preferencialmente
126 sob a luz do dia.

Dimensionamento do colchão

Para dimensionamento do colchão, adota-se o seguinte critério:

A) Determinar a altura do colchão necessário para manter através do


obturador, no momento da primeira abertura da válvula testadora,
um diferencial de pressão que não pode ser superior a:

Dureza da borra- Limite de temperatura Pressão diferencial


cha (psi)
50 Até 120° F 3.000
75 Até 200° F 4.000
90 Acima de 200° F 5.000

Prevalecem as seguintes condições:

1) Os valores listados na tabela são para borrachas novas, sem


alterações da dureza e das características do material. Caso se verifique
alteração na dureza de fabricação, aplicar um fator de correção de
80% sobre a pressão diferencial máxima listada anteriormente;
Capítulo 3. Teste de formação

2) O efeito da força devido à pressão diferencial, aplicada na cauda


abaixo do obturador, deve ser também um fator do cálculo da altura
do colchão;

B) Determinar a altura do colchão necessário para impedir o colapso


da tubulação de descida do teste, considerando sua resistência ao
colapso, conforme tabela de resistência, a seguir.

RESISTÊNCIA/ TUBULAÇÃO DE PERFURAÇÃO

COLAPSO - PSI
TUBOS PRESSÃO INTERNA - PSI

NOVA NOVA
OD Grau do CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE
CLASSE PREMIUM CLASSE PREMIUM
PESO/LBS AÇO 2 3 2 3
1 1

D 10.110 9.260 7.510 6.350 10.350 8.800 7.510 6.310 127


3 ½”

E 13.800 12.620 10.250 8.670 14.110 12.030 12.250 8.040

13,3 #/pé
X-(95) 17.480 15.980 12.990 10.990 17.890 15.220 12.420 9.480

G 19.320 17.660 14.350 12.140 19.760 16.830 13.450 10.160

4 ½” D 7.210 6.590 5.350 4.510 7.620 5.980 4.270 3.080

E 9.820 8.990 7.300 6.180 10.390 7.560 5.170 3.520

16,6 #/pé X-(95) 12.450 11.380 9.250 7.830 12.750 8.850 5.770 3.930

G 13.760 12.580 10.220 8.650 13.820 9.460 6.010 4.100

5”
D 6.970 6.370 5.190 4.380 7.390 5.630 3.980 2.830

E 9.500 8.690 7.060 5.960 10.000 7.070 4.760 3.210

19,5 #/pé X-(95) 12.040 11.000 8.940 7.560 12.010 8.230 5.230 3.630

G 13.300 12.160 9.880 8.360 12.990 8.760 5.410 3.770


Alta Competência

Determinação da máxima pressão interna admissível na cabeça

A máxima pressão interna admissível na cabeça deverá ser 75% do


valor do teste de pressão da coluna de descida do teste de formação.

Estabelecimento da composição das ferramentas de teste

Compor a coluna de teste de acordo com a solicitação do requisitante


e com as ferramentas disponíveis.

A) O diâmetro externo e as dimensões das ferramentas de teste


deverão ser tais que permitam uma eventual pescaria. Deverá estar
disponível na sonda, um diagrama completo com as dimensões e
especifícações de cada componente;

B) Verificar as reduções (cross-over) necessárias à composição da


128
coluna de teste;

C) Deverão constar, pelo menos, duas válvulas de circulação reversa


de tipos diferentes;

Como regra geral, visando a mais propícia situação de segurança e


funcionamento, o seguinte deve prevalecer:

1) A válvula inferior deverá ser posicionada no topo da primeira


seção de comandos imediatamente acima da ferramenta de teste. A
válvula superior deverá ser posicionada, como regra geral, uma seção
acima da inferior;

2) A válvula mais profunda deve ser acionada primeiro;

3) Quando usada, a válvula de circulação reversa acionada por


pressão interna (pump out) deverá ser acionada primeiro e,
consequentemente, deverá ser a mais profunda;

4) Em formação pouco consolidada, onde exista a possibilidade


de produção de areia, a válvula acionada por impacto poderá ser
posicionada mais acima após estudo conjunto com o requisitante do
teste;
Capítulo 3. Teste de formação

5) Verificar se os diâmetros internos existentes na coluna de descida


do teste não dificultam e/ou impedem a passagem da barra de
abertura da válvula de circulação reversa acionada por impacto;

D) A composição da coluna de descida do teste deve ser tal que, com


o obturador assentado na profundidade desejada, a cabeça de fluxo
(flow head) fique posicionada a uma altura acima da mesa rotativa
que possibilite fácil acesso à válvula mestra. Por este motivo, deverão
estar disponíveis na sonda pup joints de vários comprimentos, com
as mesmas características da coluna de descida. Caso não houver pup
joints de comprimento adequado, deve se utilizar válvula mestra de
acionamento remoto;

E) A ligação entre a cabeça de fluxo e o manifold de teste deve ser


feita com mangueira tipo conflexip ou um número de mangueiras
tipo chicksan suficiente para permitir a suspensão da coluna durante
o desassentamento do obturador, sem desconexão das mesmas. 129
Também, na composição da coluna, deve-se verificar o posicionamento
de tool joints em relação às gavetas do B.O.P. de modo que seja
possível o seu fechamento nas seguintes situações:

• Com o obturador assentado;

• Após o desassentamento do obturador.

F) Na composição das ferramentas deve constar obrigatoriamente


amostrador(es), a fim de se preservar e garantir a identificação do
fluido da formação em testes sem surgência na superfície.

3.3.3.3. Reunião para distribuição de funções e responsabilidades

O objetivo de tal reunião é:


Alta Competência

A) Expor, detalhadamente, aos participantes, tudo que foi estabelecido


no planejamento do teste;

B) Designar pessoal para permanecer, durante toda a realização do


teste, em postos-chave, a saber:

• no quadro de manobra;

• na observação do nível do anular do poço;

• no manifold de teste;

• nos tanques de lama;

• no painel de acionamento remoto do B.O.P.;


130
• nas bombas de lama;

• nas válvulas de derivação para tanque/queimador;

• no tanque de surgência;

• na fiscalização geral da área e detecção de gases;

• no painel de acionamento remoto da válvula de segurança de


superfície, se houver.

C) Orientar cada pessoa envolvida na operação, deixando-a ciente da


sua atribuição;

D) Orientar cada pessoa não envolvida diretamente na operação,


porém sujeita à convocação, de que deverá permanecer de sobreaviso
em local preestabelecido;

E) Exposição por parte do preposto da Segurança, o Plano de


Emergência a ser seguido em caso de presença de gás sulfídrico (H2S).

Atribuições e obrigações do operador de teste


Capítulo 3. Teste de formação

A participação e/ou assistência técnica do Operador de teste é


OBRIGATÓRIA nas seguintes fases:

• Composição da coluna testadora e montagem da ferramenta


de teste;

• Prévia orientação para descida da coluna e assistência técnica


no caso de anormalidade (exemplo: caso a coluna de teste tope
durante a descida);

• Montagem e teste do equipamento de superfície;

• Assentamento dos obturadores;

• Abertura da válvula de teste;


131
• Mudança da posição da válvula (abertura/fechamento);

• Mudança de chokes de superfície;

• Desassentamento dos obturadores;

• Assistência na execução da circulação reversa;

• Prévia orientação para retirada da coluna e assistência técnica


no caso de anormalidade;

• Coleta das amostras contidas nos amostradores e recuperação


das câmaras de amostragem sob pressão;

• Desmontagem da ferramenta de teste;

• Recuperaração e interpretar dados de pressão e temperatura

• Teste do Equipamento de Segurança (B.O.P.) e Linhas de


Surgência à jusante do manifold

• Antes do início da montagem da coluna de teste, deve-se testar


Alta Competência

o B.O.P com gavetas compatíveis com a coluna a ser utilizada,


fechando a gaveta cega.

• Verificar desobstrução e testar com água linhas e equipamentos


até a jusante do manifold. Preencher as linhas entre as bombas
da unidade de cimentação e o manifold de teste caso seja
necessária a presença daquela durante o teste e testar com
pressão igual a 1,5 vez a pressão máxima possível na cabeça
durante o teste, sem drenar as linhas após o teste.

Montagem das Ferramentas de Teste

• Durante a montagem, a gaveta cega deverá, enquanto possível,


permanecer fechada.

• Deve-se registrar o número de seções estaleiradas (tubos de


132 perfuração, HW e comandos) componentes da coluna de descida
do teste e comparar com o valor existente no livro ou dispositivo
de registro do sondador.

• Verificar a altura da sonda disponível para fins de montagem


das ferramentas.

• A montagem da coluna de teste deverá ser feita com o uso de


subs de manuseio (lift subs).

• Deve-se montar a coluna com o uso de chave de corrente,


de cima para baixo. Deve-se ainda Iniciar pela ferramenta
determinada pela altura de sonda disponível. Descer no poço
a coluna (ou parte desta), e suspender aplicando torque nas
conexões. Repetir a operação no caso da montagem da coluna
em mais de uma parte.

• Registrar, para fins de determinação do peso a ser aplicado


sobre os obturadores, o peso da coluna de teste abaixo do
obturador superior.

Descida da coluna de teste


Capítulo 3. Teste de formação

Deverá estar presente na plataforma da sonda, e em posição de fácil


acesso, um preventor interno (inside B.O.P) e uma Kelly Valve, com
conexão compatível com a coluna utilizada no teste.

O tempo tecnicamente recomendável (dados empíricos) para a


descida de uma seção (27 metros) da coluna deverá ser :

• Trecho de poço revestido: 40 segundos;

• Trecho de poço aberto: 60 segundos.

Como controle adicional da velocidade de descida da coluna, poderá


ser acionado, eventualmente, em poço aberto, o vernier do indicador
de peso.

Evitar paradas bruscas da coluna, a fim de não causar impacto do


133
colchão sobre a válvula de circulação reversa operada por pressão
interna.

Verificar se o retorno de lama para os tanques é compatível com o


volume da coluna que está sendo descida no poço.

Caso a coluna de teste tope durante a descida, não forçar a passagem


pelo ponto de restrição. Suspender a coluna e, sob a orientação
do operador de teste de formação, tentar passar suavemente pelo
referido ponto. Caso isto não se verifique, a coluna deverá ser retirada
para recondicionamento do poço.

A colocação do colchão, quando previsto, será feita por etapas,


segundo o seguinte procedimento:

• Comandos: encher cada seção descida;

• Tubos: encher a cada 5 seções descidas.

Durante a descida em poços direcionais e/ou com alto grau de atrito,


suspender ligeiramente a coluna antes de acunhá-la para fazer a
conexão. Este procedimento minimiza o peso que pode ser deixado
Alta Competência

sobre a válvula de acionamento hidráulico durante a conexão, caso o


ponto principal de atrito seja abaixo da válvula (no obturador).

Preparativos finais para o início do teste

A) Montar e testar com água linhas e válvulas da cabeça de fluxo e


do manifold com pressão de 500 a 1000 psi acima da pressão máxima
possível na cabeça durante o teste, drenando a água da linha após o
teste por não prejudicar a caracterização do sopro inicial;

B) Fixar as mangueiras chicksan com correntes próprias para este fim;

C) Instalar no manifold 1 (um) choke de diâmetro médio e manter


a outra saída do manifold em abertura plena, de modo a iniciar a
surgência pela maior abertura, a fim de evitar entupimento do
choke durante a fase de limpeza. Posteriormente, registrar posições
134 e medidas;

D) Posicionar as válvulas do manifold de teste de modo a deixar


abertas apenas a válvula da mangueira de sopro;

E) Acender a chama piloto do queimador;

F) Desimpedir e limpar a plataforma;

G) Afastar pessoal não envolvido na execução do teste;

H) Verificar as bombas de lama, isoladamente, quanto ao ataque


para o poço;

I) Registrar o peso da coluna de teste mostrado no indicador de peso,


bem como o atrito observado, suspendendo e descendo a coluna.

Execução do teste propriamente dito


Capítulo 3. Teste de formação

A) No caso de teste convencional em poço aberto, verificar o fundo


do poço e confrontar a medida da coluna acima da mesa rotativa
com o valor previsto. Em caso comprovado de fundo falso, a coluna
de teste deverá ser retirada para recondicionamento do poço.
Havendo dúvida quanto à existência ou não de fundo falso, assentar
os obturadores e observar no indicador a permanência do peso
aplicado. Caso exista comprovação de fundo falso, retirar a coluna
para recondicionamento do poço;

B) Assentar os obturadores de acordo com o procedimento especificado


para cada tipo. A partir deste momento, o nível do anular deverá ser
observado, PERMANENTEMENTE, durante toda a duração do teste;

C) Executar a abertura da válvula principal observando, neste


momento, se o obturador permanece na posição original de
assentamento;
135
D) Ocorrendo queda do nível do anular, no momento da abertura da
válvula principal, ou em qualquer outro momento do teste, proceder
com o fechamento da válvula principal (com válvulas atuadas por
peso, suspender a coluna) e completar o anular medindo o volume
bombeado.

Caso exista indicação do não fechamento da válvula principal, feche


imediatamente a válvula auxiliar, se existente na coluna, e execute
circulação reversa, a fim de permitir a retirada da coluna de modo
seguro.

Caso exista indicação de que a válvula auxiliar também não fechou


ou quando não esta não existir na coluna de teste, fechar a válvula-
mestra na cabeça, mantendo o ataque ao poço até o seu enchimento. A
seguir, é necessário permitir a descarga do ar trapeado, prosseguindo
com o ataque ao poço até a completa estabilização do anular. Em
seguida, deve-se abrir a válvula de circulação reversa não operada
por pressão interna, e executar a circulação reversa.
Alta Competência

ATENÇÃO
Em relação ao cáliper do poço, não havendo ocorrido
um perfil de calibre do poço e o teste resulte falho por
não vedamento do(s) obturador(es), é recomendável
o registro deste perfil antes de sua repetição.

E) Conduzir a execução dos fluxos e estáticas, conforme procedimentos


estabelecidos previamente no planejamento do teste. Portanto, esses
padrões podem ser alterados segundo o comportamento observado
do poço, desde que atenda às condições de segurança operacional.

F) Em qualquer teste em que ocorrer produção de gás capaz de


expulsar o colchão da coluna, deve-se controlar as pressões de
superfície, através dos chokes, e, ao se fechar a válvula de fundo,
136 deverá ser imediatamente fechada a coluna na superfície, trapeando
uma pressão nunca inferior à do colchão.

Desassentamento dos obturadores

Para o desassentamento dos obturadores siga os procedimentos


indicados:

A) Verifique as bombas de lama, isoladamente, quanto ao ataque ao


poço.

B) Desassente lentamente os obturadores, observando o anular e o


indicador de peso.

C) Após a retirada do peso aplicado sobre os obturadores, aguarde


alguns minutos com a coluna parada para permitir retração da
borracha dos mesmos.

D) Registre o peso da coluna após o desassentamento.

E) Em caso de insucesso no desassentamento dos obturadores,


trabalhe a coluna elevando progressivamente as trações sem permitir
Capítulo 3. Teste de formação

o acionamento do percursor. Havendo necessidade, trabalhe com o


percursor, complete a coluna com o fluido, se não houve surgencia
e deve-se percutir com impactos de baixa intensidade, aumentando
progressivamente conforme necessário.

F) Suspenda a coluna permanecendo nesta posição para registro de


pressão hidrostática e preparação para circulação reversa.

G) Em caso de abaixamento do nível do anular após o desassentamento


dos obturadores, complete o poço e observe a existência de perda de
fluido para o intervalo testado. Caso persista a perda, reassente o
obturador, execute a circulação reversa e controle o poço.

Execução da circulação reversa

Em nenhuma circunstância a retirada da coluna de teste em poço


pioneiro será feita sem execução da circulação reversa. Como regra 137
geral, a circulação reversa será feita com o obturador desassentado.

Procedimento operacional

Poços surgentes

A) Verificar se a chama piloto do queimador permanece acesa.

B) Com a válvula de saída do manifold na posição fechada, abrir a


válvula de circulação reversa mais baixa existente na coluna de teste.

C) Abrir a válvula de saída do manifold permitindo a equalização


dos níveis de fluido no anular e interior da coluna, acompanhando a
queda do nível do anular com o ataque ao poço.

D) Fechar o B.O.P e circular, controlando as pressões de circulação


durante toda a reversa.

E) Controlar rigorosamente o volume bombeado no anular e o


de retorno de lama, observando a existência ou não de perda de
circulação.
Alta Competência

IMPORTANTE!
Caso se constate perda, proceder da seguinte
maneira:
1) Parar o bombeamento e observar se a perda
persiste;
2) No caso de não observar perda (indicando perda
por filtração durante o bombeio), prosseguir com
a circulação reversa com vazão mais baixa, e/ou
abrir a segunda válvula de circulação reversa para
baixar as perdas de carga no anular.

F) Prosseguir com a circulação reversa até a completa homogeneização


do fluido do poço. Entenda-se como homogeneização completa, o
retorno de fluido com as mesmas propriedades durante, pelo menos,
138 um ciclo completo.

G) Instalar uma derivação munida de válvula, na linha de surgência


ou na saída do manifold, que permita de modo seguro a coleta e
identificação dos fluidos provenientes da coluna.

Poços não surgentes

A) Com a finalidade de permitir uma retirada segura da coluna e a


medição do volume do recuperado, executar o enchimento da coluna
de teste conforme o seguinte procedimento:

• Bombear determinada quantidade de fluido de perfuração


para o interior da coluna, controlando as pressões desenvolvidas,
a fim de que não seja ultrapassada a pressão de rompimento da
válvula de reversa acionada por pressão interna (pump out).

• Interromper o bombeio do fluido por um tempo suficiente para


permitir a segregação e a drenagem do ar e/ou gás existente no
interior da coluna de modo seguro.

• Repetir as etapas acima, registrando o volume total injetado.


Capítulo 3. Teste de formação

IMPORTANTE!
Em nenhuma circunstância a cabeça de teste de-
verá ser desconectada para enchimento da coluna
de teste.

Retirada da coluna

Sendo a retirada da coluna no trecho de poço aberto o período


mais crítico da operação de teste e, caso não se alcance a sapata do
revestimento anterior sob a luz do dia, a retirada deve ser monitorada
com o tanque de manobra, ainda mais cuidadosamente, por pessoal
qualificado.

A) É vetado o uso da mesa rotativa durante a retirada da coluna de


teste. 139

B) Tecnicamente o tempo mínimo de retirada de uma seção (27


metros) da coluna, como regra geral, deverá ser de acordo com
dados empíricos:

• Trecho de poço aberto: um minuto e quinze segundos (para


evitar pistoneio);\

• Trecho de poço revestido: um minuto.

C) Exercer controle permanente sobre o nível do anular, durante toda


a retirada da coluna, a fim de detectar tendência de pistoneio.

D) Adotar o seguinte programa de ataque ao poço, através do tanque


de manobra:

• Comandos: a cada seção retirada;

• Tubos: a cada 5 seções retiradas.


Alta Competência

E) Se durante a retirada da coluna for constatado pistoneio,


interromper e executar circulação direta, com B.O.P. fechado, para
controle do poço.

Ao passar pela sapata do último revestimento, aguardar o tempo


necessário para migração e efetuar circulação reversa para garantir
a remoção de todo o fluido produzido abaixo do obturador. Como
regra geral, admite-se uma velocidade teórica de 300 metros/hora
para migração de gás, dentro de condições normais de geometria do
poço e viscosidade da lama.

F) Após passagem da ferramenta de teste acima do E.S.C.P, abrir a


linha do choke, fechar a gaveta cega e o choke manifold, e verificar
se há fluxo observando o manômetro do choke.

Desmontagem das Ferramentas de Teste


140
A) Só poderá ser feita sob supervisão do operador de teste de
formação.

B) Especial atenção deve ser dada à desconexão de ferramentas que


contenham amostras de fluidos da formação sob pressão.

Condicionamento do poço após o teste

A) Durante a descida da coluna após o teste, verificar se o volume de


retorno da lama para os tanques é compatível com o volume de aço
que está sendo descido no poço.

B) Durante a descida da coluna, observar as propriedades do fluido


que retorna do poço. Caso seja constatada alteração, interromper a
descida e circular até a correção das propriedades do mesmo.

C) Ao chegar com a coluna no fundo do poço, circular, pelo menos o


volume do anular, antes do inicio da operação seguinte.
Capítulo 3. Teste de formação

IMPORTANTE!
Após tentativa sem sucesso de assentamento da
âncora de parede ou obturador(es), o poço deverá
ser OBRIGATORIAMENTE recondicionado, caso seja
decidida a repetição do teste.

141
Wireline

Capítulo 4
Alta Competência

144
Capítulo 4. Wireline

4 . Wireline

O
presente trabalho visa fornecer ao pessoal envolvido
diretamente na área de produção de petróleo informações
básicas sobre as diversas operações através da utilização
das operações com arame.

É através do arame que é possível se obter dados atuais acerca do


reservatório, intervir nos poços sem a necessidade de amortecê-lo ou
interferir em seu regime de produção/injeção, instalar equipamentos
para controle de fluxo, efetuar correções ou remoções de imperfeições
ou depósitos nas paredes da tubulação de produção, etc.

Nossa proposta não é a confecção de um manual completo envolvendo


as técnicas de operação com arame. Procuramos elaborar de forma
concisa uma serie de informações sobre as principais ferramentas
145
e equipamentos necessários às operações, alguns procedimentos
operacionais, e tentar mostrar qual a necessidade e importância do
arame para vida de um poço de petróleo.

Histórico

As operações com linha de aço remontam aos primórdios da industria


Petrolífera. A princípio o operador usava um tambor acoplado com
uma manivela com uma pequena quantidade de linha de aço, que
assemelhava-se as fitas métricas utilizadas atualmente na medição
de tanques de armazenamento de petróleo, com o aumento das
profundidades dos poços, este sistema se tornou impraticável, pois
a medição de profundidade passou a incorrer em erros devido à
distensão de fita por seu peso próprio e pela impossibilidade de
vedação devido o aparecimento de poços com pressão. Com o
desenvolvimento da tecnologia e a necessidade cada vez maior de
melhores informações aparecem o arame IPS (IMPROVED PLOW
STEEL) e os cabos para registro eletrônico usados nas companhias de
serviço de perfilagem e canhoneio.
Alta Competência

Definição

As operações com arame visam prover um meio mais seguro de


intervir nos poços sem a necessidade de amortecê-los ou interferir
em seu regime de produção, economizando tempo e custos das
operações, que de outra forma demandariam a utilização de
sondas.

4.1. Componentes de Completação

Os principais componentes utilizados são os seguintes:

• tubos de produção;

• guia de reentrada (boca de sino);

146
• sub-hidráulico;

• nipple de assentamento com topador;

• nipple de assentamento sem topador;

• obturador (packer);

• junta de expansão;

• válvula de camisa deslizante;

• mandril de gás lift;

• válvula de segurança de subssuperfície;

• suspensor de coluna.

Coluna de produção é o conjunto de equipamentos descidos nos


poços para permitir sua produção controlada e segura. Dependendo
das condições de produção do reservatório - elevação natural ou
Capítulo 4. Wireline

artificial - temos composições específicas e apropriadas a cada caso


Existem também colunas projetadas especialmente para programas
de injeção de água ou gás Todos os componentes da coluna de
produção são padronizados, quanto aos diâmetros internos e tipos
de conecções.

4.1.1. Tubos de Produção

São tubos de aço que em conjunto com os acessórios compõem a


coluna de produção. São especificados pelo seu diâmetro externo,
peso linear, grau do aço e tipo de rosca. De posse do diâmetro externo
e peso linear obtém-se o diâmetro interno. São tubos construídos em
diâmetros padronizados. Na Exploração & Produção (Rio Grande do
Norte e Ceará), temos poços equipados com coluna de tubos 2 3/8”,
2 7/8” e 3 1/2”.

4.1.2. Guia de reentrada 147

Usado na extremidade inferior da coluna de produção com o objetivo


de facilitar a reentrada das ferramentas de operação com arame, que
tenham sido descidas abaixo de sua extremidade. O diâmetro externo
do equipamento situa-se próximo ao DRIFT do revestimento, (máximo
diâmetro interno, operacional de um revestimento) cumprindo desta
forma seu objetivo principal que é de calibre e guia para descida do
obturador.
Alta Competência

Coluna de
produção

Revestimento

Arame

Guia de reentrada

Porta cabo

Guia de reentraoa

Guia de reentrada

148 4.1.3. Sub de pressurização hidráulica

Instalado na coluna de produção, abaixo de ferramentas que são


atuadas por pressão hidráulica, tais como obturadores hidrostáticos,
para possibilitar o tamponamento temporário e pressurização da
coluna, o sub é necessário para atuar o equipamento.

Consiste de uma sede onde se aloja uma esfera oportunamente


lançada da superfície. Após o assentamento do obturador hidrostático,
incrementa-se a pressão para que haja deslocamento da sede por
cisalhamento dos pinos de ancoragem, permitindo que a esfera desça
ao fundo do poço, deixando livre a coluna para produção/injeção e
também para a descida de ferramentas de operação com arame.
Capítulo 4. Wireline

1 Corpo
2 Esfera de aço cromada
3 Anel de vedação nº 337
4 Parafuso de cizalhamento
5 Sede

Sub de pressurização hidráulica

4.1.4. Nipple de assentamento 149

Instalado na coluna de produção em profundidade bem definida com


o objetivo de alojar vários tipos de dispositivos de controle de fluxo
e suspensores de instrumentos, descidos através de arame. Em geral
são constituídos de um tubo metálico com roscas nas extremidades,
uma cavidade interna para fixação de travas de ancoragem e
uma superfície polida para receber os elementos de vedação dos
equipamentos de controle de fluxo. Algumas vezes fazem parte de
outro equipamento como válvulas de segurança, de camisa deslizante,
juntas de expansão e camisa de separação, para alojar equipamentos
que complementam ou corrigem o funcionamento destes.

Não seletivo Seletivo


não existe o batente (no-go)

Sede para
trava do
plug (groove)

Área polida

Batente
(no-go)

Nipple de assentamento
Alta Competência

4.1.5. Obturadores (packer)

São plugues de expansão, geralmente feitos de borracha, colocados


em um poço para obstruir a passagem do fluido através do anular.

4.1.6. Junta de expansão e separação

Posicionada geralmente acima do obturador de assentamento


hidráulico/hidrostático. Suas funções são absorver os encurtamentos
ou alongamentos da coluna promovidos pelas operações de
estimulação e produção mantendo o obturador isolado dos esforços
advindos deste processo; possibilitar modificações na coluna de
150 produção através da retirada dos componentes posicionados acima da
junta sem necessidade de desassentamento do obturador e permitir
amortecimento do poço durante as intervenções com sonda quando
operado com sistema de tubos concêntricos na superfície.

São constituídos de um mandril de superfície polida e uma camisa


onde se alojam os elementos que estabelecem a vedação da junta.

O mecanismo de engate/desengate da junta é feito através de


parafusos de cisalhamento ou sistema de pinos e sulcos que prendem
o conjunto mandril/camisa. O mandril possui em seu topo, o perfil de
um nipple de assentamento seletivo para instalação de equipamentos
de controle de fluxo através de operação com arame.
Capítulo 4. Wireline

camisa nipple mandril polido packer

desencamisado

encamisado

Junta de expansão e separação

4.1.7. Válvula de camisa deslizante

151
Possui um dispositivo interno, tipo camisa, que pode ser movimentado
através de operações com arame, com a finalidade de estabelecer
ou interromper comunicação entre o interior da coluna e o espaço
anular coluna/revestimento. Possui, incorporado em seu corpo, um
nipple seletivo para instalação de equipamentos de controle de fluxo
através de operações com arame.

O estabelecimento de comunicação coluna/anular, através deste


equipamento permite:

• Amortecimento de poços surgentes através de circulação de


fluidos de amortecimento;

• Substituição do fluido da coluna ou do anular após instalação


da árvore de natal;

• Teste, tratamento ou produção de intervalos individuais em


poços completados seletivamente em vários intervalos;

• Produção por elevação pneumática;

• Teste de formação ou teste para avaliação de isolamento


efetuado através de compressão de cimento;
Alta Competência

• Instalação de equipamentos de controle de fluxo em seu


nipple;

• Produção de varias zonas de forma seletiva ou em conjunto


em poços completados com uma única coluna.

Esta válvula é descida fechada e, num primeiro acionamento para


abertura é aberta por pressurização interna e fechamento e aberturas
subssequentes efetuadas por Wireline. Observe as imagens a seguir.

152

aberta fechada

nipple

luva interna

vedação

aberturas ou portas

Válvula camisa deslizante - Ação mecânica

CMU (Não elastomérica)


Capítulo 4. Wireline

Ação mecânica e hidráulica - CMP

Camisa deslizante externa


153

Valvula aberta

Valvula fechada

4.1.8. Mandril de Gás Lift

Serve basicamente como alojamento para válvulas de subssuperfície


que nos permite comunicação anular/coluna ou vice-versa. Estas
válvulas são assentadas ou retiradas através de operações com
arame e podem ter várias finalidades, como injeção de gás em
poços completados para elevação artificial por gás lift, circulação de
inibidores de corrosão ou circulação de fluidos de amortecimento.
Alta Competência

A principal característica destes mandris é a de permitir a passagem


de equipamentos de operação com arame, perfilagem ou de válvula
nele instalada, devido à bolsa localizar-se fora do alinhamento da
coluna.

As bolsas podem ser de 1” ou 1.1/2” de diâmetro interno e podem ser


consideradas como um nipple de assentamento.

A escolha do tipo de mandril a ser usado e sua função, depende


principalmente das características mecânicas do poço, tais como:
diâmetro da coluna de produção e tipo de completação, se esta for
simples ou múltipla.

Os mandris para uso em poços desviados, por exemplo, devem


incorporar uma guia de orientação para as ferramentas de aplicação
das válvulas.
154

Para uso em poços desviados

Orientador Bolsa lateral Corte

Para uso em poços vertcais

Mandril de Gás Lift

4.1. 9. Válvula de Segurança de Subssuperfície

Posicionada abaixo da cabeça do poço (subssuperfície), com o objetivo


de prevenir erupções ou fluxos incontrolados, em caso de danos ou
falhas dos equipamentos da superfície.
Capítulo 4. Wireline

Sua abertura ou fechamento é controlada da superfície através da


linha hidráulica a ela conectada. De característica normalmente
fechada, é mantida aberta da superfície através de suprimento de
pressão hidráulica que se transmite à válvula por meio de uma linha
de controle. Possui a ela associado um nipple de assentamento para
colocação de uma válvula de segurança insertável, descida por meio
de arame, e utiliza o circuito hidráulico da válvula original.

O fechamento da válvula se dá por simples despressurização da linha de


controle.

155

Pistão
Linha hidráulica
Mola

Válvula de Segurança de Subssuperfície

4.1.10. Suspensor de coluna

Posicionado na extremidade superior da coluna e utilizado para


ancorar a mesma ao equipamento de superfície e também para
promover a vedação entre o espaço anular do poço, meio externo e
o interior da coluna.
Alta Competência

Em geral, possui em seu interior perfil de um nipple assentamento


para instalação de equipamento de controle de fluxo (válvula de
contra-pressão), além de propiciar um meio de transmissão da pressão
hidráulica entre a linha de controle da válvula de segurança e o meio
externo (painel de instrumentação).

156

Suspensor de Coluna
Capítulo 4. Wireline

4.2. Equipamentos de Operação com Arame

Equipamento de Superfície

Instalado ao nível da cabeça do poço para permitir a descida e retirada


de equipamentos no poço de maneira controlada e segura.

Os equipamentos básicos de superfície necessários às operações com


arame são os seguintes:

4.2.1. Conjunto motor/ guincho

Torna possível a movimentação do arame para dentro e fora do poço.


Existem diferentes tipos de montagem para o conjunto, dependendo
do acesso à locação, potência necessária às operações ou ainda o tipo
de operação a ser executada.
157

• Skids portáteis;

• Caminhão - Sistema acionado pelo motor do veículo;

• Trailer - unidades rebocadas;

• UDM - Unidade de Desparafinação Mecânica;

Unidade auto-elevatória e auto-propelida para utilização


em locações em águas rasas de até 75 pés (22,9 m). Na maior
parte dos trabalhos com arame no mar são utilizadas unidades
de carretéis duplos, sendo um para trabalhos de rotina que
acomoda aproximadamente 25.000 pés de arame 0.092” e
outro com 18.000 pés de cabo 3/16” utilizado em trabalhos
que demandem trações elevadas, operações de pescaria e
pistoneio. O conjunto guincho/motor é montado em skids
separados de forma a reduzir o peso do conjunto e facilitar
a movimentação da unidade entre as plataformas através de
embarcações.
Alta Competência

Veja a seguir alguns tipos de guincho/motor utilizados na Companhia.

158

Unidades de Wireline
Capítulo 4. Wireline

Unidades de Desparafinação Mecânica

4.2.2. Arame

É evidentemente, o principal equipamento do conjunto necessário


à operação. Poços profundos e maiores cargas impostas ao sistema
levaram ao desenvolvimento de linhas da ação de elevada resistência,
minimizando o peso da linha e reduzindo o tamanho do equipamento
159
de manuseio da mesma - carretel e polias. Um arame de pequeno
diâmetro foi desenvolvido com os seguintes resultados:

A) Redução da carga devido ao peso próprio;

B) Uso de polias de menor diâmetro;

C) Utilização de tambores de pequeno diâmetro no guincho sem


causar esforços exagerados de flexão;

D) Redução de área da secção transversal, importante para


operações sob pressão.

Os diâmetros de arame mais comuns são:

0.072”, 0.082”, 0.092” e 0.108” e 0.125”. O material comumente


usado na fabricação do arame e uma liga denominada IPS IMPROVED
PLOW STELL, devido a sua boa ductibilidade e custo relativamente
baixo.

A especificação API 9A Spc. for Wire Rope lista as características


necessárias ao arame IPS, conforme tabela.
Alta Competência

O (pol) 0.072 0.082 0.092 0.108


Tolerância (pol 0.001 0.001 0.001 0.001
Ruptura (lb) 961 1.239 1.547 1.996
Limite elástico 583 752 938 1.210

Em poços contendo H2S o IPS pode sofrer fragilização, pelo hidrogênio,


reduzindo sua vida útil. Nesses casos, recomenda-se a utilização de
arame de aço inox ou outras ligas especiais.

Estes arames são bem mais caros e normalmente apresentam menor


resistência à tração que o de IPS.

4.3. Sistema de medição

4.3.1. Medição de profundidade


160
A medição de profundidade é indispensável em qualquer trabalho de
operação com arame, seja uma simples determinação de profundidade
em um poço raso ou numa complicada operação de retirada de
um equipamento em um poço mais profundo. Para executar com
eficiência e segurança qualquer tipo de operação é imprescindível
que se conheça a posição da ferramenta em relação à cabeça do poço
ou outros pontos de referência.

O sistema de medição consiste em uma polia convencionada de polia


de medição que fica em contato com o arame em todo seu perímetro,
em cujo eixo fica instalado um cabo que transmite sua rotação a um
odômetro. O odômetro converte a rotação da polia em unidades
lineares (metro ou pé).

A cada diâmetro da polia de medição está relacionado um odômetro


com engrenagens convenientes.
Capítulo 4. Wireline

161

Sistema de medição

4.3.2. Medição de peso - Polia boca de poço

É composto por um sensor de peso conectado hidraulicamente a um


indicador analógico tipo Bourdon. A informação de tração no arame
é recebida através da polia de boca de poço convenientemente
instalada de forma que o arame sofra uma deflexão de 90º no sentido
carretel/caixa de vedação.
Alta Competência

Polia boca de poço

4.4. Caixa de vedação


162
Permite acesso do arame ao poço em fluxo estabelecendo
estanqueidade durante a movimentação do mesmo entre o poço e
o meio externo. É constituído de um corpo onde ficam alojados um
conjunto de gaxetas vazadas por onde passa o arame. A vedação se
estabelece a partir da compressão das gaxetas em volta do arame,
efetuado de forma mecânica ou hidráulica através de pistões. Possui
acoplado ao corpo uma polia que direciona o arame para o interior
da coluna. Esta polia esta acoplada a uma estrutura que permite sua
rotação de 360º em torno do corpo da caixa de vedação.
Capítulo 4. Wireline

Caixa de vedação

4.5. Lubrificadores
163
É feito de tubos com pressão de trabalho maior que a pressão do
poço e seu comprimento deve permitir acomodação em seu interior
de todas as ferramentas necessárias à operação com arame. Seu
posicionamento fica entre a BOP e a caixa de vedação. Fornecidos
geralmente nos comprimentos de 8 a 4 pés, interligados através
de uniões rápidas, com rosca do tipo ACME. São divididos em três
partes ou secções: Secção Básica que contem duas sardas laterais
para instalação de válvula de agulha; Seção Intermediaria e Secção
Superior onde e acoplado a caixa de vedação.

Lubrificadores
Alta Competência

4.6. Preventor de erupções (BOP)

É um dispositivo de segurança conectado diretamente a árvore de


natal, como extensão do lubrificador. A função do BOP e promover
vedação contra o arame em situações onde existam vazamentos
significativos no sistema lubrificador/caixa de vedação.

O mecanismo de vedação consiste na atuação manual ou hidráulica de


um par de gavetas cujas partes de material selante são pressionadas
contra o arame formando um selo em tomo do mesmo. A vedação
pode, também, ser estabelecida na ausência do arame.

164

BOP

Estrutura interna do BOP


Capítulo 4. Wireline

A - Ferramentas básicas

São os equipamentos que compõem as ferramentas comuns a todas


as operações com arame. Todos os ítens da composição básica têm
o mesmo diâmetro externo e seu dimensionamento é definido pelo
diâmetro da coluna de produção.

Tubos API Drift Composição Básica


2.3/8” 1.901 1.1/4” ou 1.1/2”
2.7/8” 2.347 1.1/2” ou 1.7/8”
3.1/2” 2.867 1.7/8”

Todos os componentes do mesmo diâmetro possuem as roscas das


conexões iguais e incorporam em sua parte superior um pescoço de
recuperação para o caso de uma eventual pescaria.

• Componentes 165

1 – Porta-cabo

O porta-cabo é o elo de ligação entre o arame e o restante da


composição básica.

É constituído de um corpo oco para alojamento do nó e de acessórios


que propiciam amortecimento dos impactos que lhe são transmitidos
e livre rotação da composição básica. É composto de: mola, disco e
suporte da mola.

O nó é confeccionado colocando o arame em volta do disco e passando


várias voltas em torno de si mesmo. O número de voltas variam de
acordo com o esforço utilizado nas diversas operações ou situações e
a quantidade destas em operação normal varia entre 10 e 15 voltas.
Alta Competência

IMPORTANTE!
Em operações em que há risco comprovado de
prisão das ferramentas devem-se confeccionar um
no fraco com 6 ou 8 voltas e em operações onde
sejam previstas trações elevadas: 02 ao redor do
disco e 15 voltas com o arame em volta de si mesmo.

166

Porta-cabo

2 – Barra de peso

Fornece peso necessário para permitir a descida dos equipamentos


no poço vencendo o empuxo, atrito com as paredes da coluna,
arraste devido ao desvio, forca resultante da pressão agindo na área
transversal do arame e equipamentos, alem de fornecer energia aos
impactos durante as operações com percussores.

As barras ficam posicionadas logo abaixo do porta cabo e acima


dos percussores. Para aumentarmos ou diminuirmos a eficiência dos
Capítulo 4. Wireline

impactos nas operações com percussores basta aumentar ou diminuir


a quantidade de barras da composição.

Estas são fornecidas em comprimentos de 24”, 36” e 60”. Para


trabalhos onde se necessita de uma composição extra pesada e não
seja possível a adição de barras convencionais, utiliza-se barras ocas
preenchidas com mercúrio ou chumbo que conferem as do mesmo
comprimento, um maior peso.

IMPORTANTE!
Observe a tabela a seguir.

Diâmetro Comprimento Peso


1.1/2” 24” 4.7 kg
1.1/2” 36” 7.4 kg 167
1.1/2” 60” 12.8 kg

Barra de peso
Alta Competência

3 – Junta articulada ou joelho

Utilizada para conferir flexibilidade à composição básica, permitindo


a junção de várias ferramentas e possibilitando sua passagem através
de tubulações com curvaturas acentuadas verificadas nos poços
direcionais.

O joelho como é denominado na prática, consiste de dois corpos


unidos através de uma articulação com esfera e cavidade esférica.
Esta ferramenta deve ser sempre inspecionada antes de qualquer
descida, pois em vista de sua construção, está sujeito a avarias que
comprometem sua estrutura.

168

Junta articulada ou joelho

4 – Percussor

Descido com o objetivo de transmitir impactos aos equipamentos a


serem instalados ou recuperados nos poços. A eficiência dos impactos
transmitidos depende do peso das barras acima do percussor,
viscosidade do fluido do poço, velocidade imprimida pela unidade
às ferramentas básicas (percussor mecânico), ou tração aplicada
(percussor hidráulico/mola). Sem a utilização dos percussores as
operações de assentamento e recuperação de equipamentos ficariam
limitadas apenas aos esforços de tração do arame ou peso da
composição básica.
Capítulo 4. Wireline

a) Percussor Mecânico Tubular

Consiste em um cilindro metálico com furos laterais e um pistão


que se desloca em seu interior, conforme figura a seguir. São
preferencialmente utilizados em operações de pescarias ou nas
efetuadas em tubulações de grande diâmetro interno.

Percussor Mecânico Tubular 169

b) Percussor Mecânico de Elo

Ferramenta composta de duas peças entrelaçadas semelhantes aos


elos de uma corrente. Devido a sua geometria permite percussões
mais eficientes que o tubular. A desvantagem deste para o percussor
tubular é o risco de ocorrer prisões da composição devido ao
descarrilamento dos elos durante os trabalhos de percussão.

Percussor Mecânico de Elo


Alta Competência

c) Percussor Hidráulico

Este percussor consiste de um corpo (camisa) tubular cheio de óleo


com duas seções de diâmetros diferentes e um pistão principal que se
move para cima e um outro de compensação (passeio).

Percussor hidráulico
170
O funcionamento do percussor se dá quando temos uma tração
aplicada que força o pistão principal a mover-se para cima.
Inicialmente, o movimento é lento devido ao pistão percorrer a seção
de menor diâmetro, adquirindo velocidade quando alcança a de maior
diâmetro, chocando-se com a parte superior do corpo, transmitindo
desta maneira o impacto desejado.

B – Ferramentas auxiliares

São aquelas utilizadas para, em conjunto com as básicas, possibilitar


a realização das operações com arame.

1 – Sacadores

Descidas na extremidade da composição básica com o objetivo de


recuperar instrumentos alojados na coluna de produção e que possuem
pescoço de pescaria padronizado. Estes instrumentos são projetados
para através de garras fixarem os equipamentos à composição para
sua recuperação.
Capítulo 4. Wireline

Estes equipamentos possuem um mecanismo de desengate


automático, através de cisalhamento de pinos de segurança, por ação
de percussões para baixo ou para cima. Este procedimento se justifica
para os casos em que se faz necessária a retirada da composição básica,
em virtude da impossibilidade de recuperação do equipamento ou
da necessidade de sua modificação.

171
Sacador

2 – Aplicadores

Utilizados para descer e promover a correta fixação dos equipamentos


de controle de fluxo em seus respectivos nipples de assentamento.

Na descida de equipamentos com travas seletivas, os aplicadores são


responsáveis pela localização do nipple ou local de assentamento.

Como elo de ligação entre o aplicador e o equipamento, encontramos


normalmente pinos de reduzida resistência.

Promove-se a liberação do aplicador e composição básica através do


cisalhamento dos pinos por efeito de percussão.

Associadas aos aplicadores podemos ter também hastes que permitam


a descida dos equipamentos com as travas desarmadas, parcial ou
totalmente. Normalmente, estas hastes fazem parte integrante
do aplicador ou são a eles incorporados para descidas de travas
específicas.
Alta Competência

Aplicador Pescoço de
pescaria

Pino de cizalhamento

172

Aplicadores

3 - Desviadores

Projetados especialmente para permitir instalação de equipamentos


em mandris de bolsa lateral, válvulas de gás lift de amortecimento e
de injeção (solventes/ inibidores).

Estes equipamentos orientam as ferramentas de aplicação ou


recuperação em direção à bolsa do mandril. Em poços direcionais
(desviados) utilizam-se mandris que possuem guias para permitir
o correto posicionamento e acionamento da ferramenta, alem de
conferir propriedade seletiva à mesma.
Capítulo 4. Wireline

Desviador L

Observe a representação do desviador deslocando-se dentro do


mandril de gás lift.

173

Desviador em operação
Alta Competência

4 – Ferramenta de acionamento (shifiting tool)

Construído para permitir o acionamento (abertura e fechamento)


das válvulas de camisa deslizante a partir da superfície por meio das
operações com arame.

Exemplificamos as operações realizadas com a ferramenta deslocadora


modelo D-2.

Permite localização correta da válvula de camisa deslizante para o


caso de haver mais de uma na coluna, dando a indicação de abertura
ou fechamento da válvula sem necessidade de teste.

174

Modelo D-2 Modelo BO

Ferramenta deslocadora tipo BO em detalhe


Capítulo 4. Wireline

5 – Faca (cortador de parafina)

Equipamento descido na extremidade da composição básica com a


finalidade de:

• Gabaritar a coluna de produção, antes da descida de qualquer


equipamento no poço;

• Remover parafina que se deposita nas paredes da coluna


restringindo a área aberta ao fluxo;

• Localizar nipples de assentamento, determinando o diâmetro


e a profundidade corretos.

175

Cortador de parafina

6 – Arranhador de parafina

É descido na extremidade da composição básica com o objetivo de


desagregar a parafina das paredes da coluna de produção.

Constitui-se de uma haste com furos distribuídos de forma helicoidal


ao longo de seu comprimento e perpendicular ao seu corpo, por onde
se inserem pedaços de arame com tamanho aproximado ao diâmetro
da coluna.
Alta Competência

Arranhador de parafina

7 – Retificador de coluna

176 Projetado para corrigir amassamentos ou restrições por colapso na


coluna de produção. Possui diâmetro igual ao drift da coluna e tem
furos que permitem circulação através dele, durante sua descida ou
retirada.

Retificador de coluna

8 – Quebrador de incrustações

Utilizado para remover rebarbas e imperfeições na coluna, antes da


descida ou retirada de ferramentas e/ou equipamentos.
Capítulo 4. Wireline

É também muito usado em operações preventivas, para cortar


carbonatos/hidratos em formação nas colunas de produção. Consiste
em um cilindro composto de lâminas circulares externas endurecidas
e com furos de equalização.

Quebrador de incrustações 177

C – Equipamentos de controle de fluxo

São todos equipamentos instalados através de operação com arame


na coluna de produção com o objetivo de estabelecer, impedir,
direcionar ou regular o fluxo de produção/injeção.

A seguir indicamos algumas aplicações dos equipamentos de controle


de fluxo.

a) Isolar zonas produtoras/injetoras;

b) Realizar a estimulação seletiva;

c) Evitar perda de fluido para a formação produtora durante o


amortecimento do poço;

d) Controle de vazão de injeção em zonas injetoras;

e) Permitir a produção seletiva de varias zonas;


Alta Competência

f) Testar estanqueidade da coluna de produção;

g) Assentamento de obturadores hidráulico ou hidrostático;

h) Permitir a substituição ou reparo seguro dos equipamentos de


cabeça de poço;

i) Abandono provisório e seguro de poços direcionais em plataformas


com poços já em produção;

j) Converter poços surgentes para poços de elevação pneumática sem


a necessidade de intervenção com sonda.

1 – Válvulas de gás lift

178 Instaladas com arame em mandris de bolsa lateral, com a finalidade


de permitir o fluxo controlado do gás anular/coluna em poços
completados para elevação pneumática.

Válvula de gás lift

2 – Válvula de pé (standing valve)

Descido nas operações com arame e instalado em nipples de


assentamento ou, excepcionalmente, no interior da coluna com a
finalidade de permitir o fluxo somente no sentido de produção.
Capítulo 4. Wireline

Standing valve

3 –Tampão (blanking plug)

Descido com a finalidade de interromper o fluxo de uma ou mais


zona produtora do poço. Os tampões são alojados em nipples de 179
assentamento e projetados para impedir o fluxo nos dois sentidos.
Existem plugues que permitem o fluxo no sentido de injeção
(circulation blanking plug).

Blanking plug
Alta Competência

Tampão mecânico em corte

4 - Reguladores de fluxo

Utilizados em poços de injeção de água, completado seletivamente,


com a finalidade de estabelecer uma cota determinada de injeção
em cada zona. São instalados em nipples que possuem portas laterais
de comunicação com o anular.

O mecanismo de regulagem consiste em um orifício de diâmetro


180
predeterminado, através do qual se da o fluxo que passa por um
choke atuado de acordo com a diferença de pressão criada devido à
perda de carga promovida pelo orifício. O aumento na vazão acarreta
um estrangulamento do fluxo o que faz com que a perda de carga
total reduza a vazão àquela estabelecida pelo orifício.

Reguladores de fluxo
Capítulo 4. Wireline

5 – Válvula de segurança insertável de subssuperfície

Funciona basicamente igual à válvula de coluna. A diferença


fundamental é o sistema de ancoramento que é dado para um
mandril travador e a existência de gaxetas que formam a câmara
hidráulica no nipple de assentamento.

Existem basicamente dois tipos de válvula instalada e recuperada


com arame: as que são instaladas em nipples de assentamento para
válvula insertável e as que são instaladas dentro das válvulas descidas
na coluna. Para que isso ocorra, se faz necessário o travamento desta,
bem como a interligação do sistema de pressurização de controle da
abertura e fechamento.

VANTAGENS DESVANTAGENS

• Podem ser substituídas através de • Oferecem maior restrição ao fluxo por ter 181
operação com arame. menor diâmetro interno
• Pequenos entupimentos na linha de • São mais frágeis durante o manuseia de
controle podem ser resolvidos com a instalação e saque
remoção da válvula e circulação de óleo • Para operações abaixa da profundidade da
pela linha de controle. nipple e necessário sacar a válvula.

Observe a ilustração a seguir.

Válvula de segurança insertável de subssuperfície

6 – Válvula de contra-pressão (BPV)

Instalada no interior do suspensor de coluna com o objetivo de isolar


o poço para permitir substituição do BOP da sonda pela árvore de
natal durante a completação, ou seja, permite acesso seguro ao
poço pois fornecem uma barreira mecânica adicional contra o fluxo
durante a ausência dos equipamentos de Superfície. Também são
utilizados para permitir o reparo das válvulas da arvore de natal sem
a necessidade de amortecer o poço.
Alta Competência

182

BPV

7 – Válvula de teste (TP)

É usada para testar árvores de natal e BOP de sonda de produção.


Funciona de forma inversa à válvula de contra-pressão (BPV) e é
instalada no nipple do suspensor de coluna.
Capítulo 4. Wireline

Válvula de teste

8 – Camisa de separação (Pack off)


183
Instalada no interior dos componentes de coluna que permitem
comunicação anular/coluna, com o objetivo de suprimir este recurso
ou corrigir possíveis vazamentos em válvulas de camisa deslizante,
isolar tomada de pressão hidráulica de nipples para válvula de
segurança durante a ausência destas e isolar zonas de injeção de
água sem comprometer o fluxo nas demais.

Camisa de separação
Alta Competência

D - Ferramentas de pescaria

Utilizadas para a recuperação de corpos em condições desfavoráveis


dentro do poço, normalmente descida na extremidade das ferramentas
básicas, podendo em alguns casos ser lançadas da superfície.

1 - Contador de impacto vertical (kinley sneeper)

É utilizado para cortar arame em cima do porta-cabo, sempre que


existir a possibilidade de se ter a ponta do arame presa ao carretel
da unidade.

Com o BOP fechado e a pressão acima aliviada, será preciso folgar o


arame o suficiente para suspender o lubrificador, encaixar o cortador
e reinstalar os lubrificadores, equalizar as pressões e abrir as válvulas,
deixando descer em queda livre. O impacto em cima do porta-cabo
184 deverá cortar o arame a ser recuperado trazendo consigo o cortador
preso na extremidade.

Cortador de impacto vertical

Montagem do conjunto e ação de corte e prisão da ponta do arame


Capítulo 4. Wireline

2 – Cortador lateral

Utilizado quando o arame partiu e ficou dentro da coluna de produção.


É equipado com facas sobre um mandril cônico que faz as mesmas se
expandirem no interior da coluna em qualquer ponto. Para calcular
a profundidade da extremidade superior do arame partido, uma boa
regra prática diz: o arame encolherá cerca de 3 a 5 pés para cada
1000 pés, em coluna de 2.3/8”, devido à fricção do arame nas paredes
da tubulação.

185

Cortador lateral

3 – Recuperador de arame (arame livre)

Outra ferramenta de pescaria e recuperação de arame utilizada é o


localizador e recuperador de arame. Consiste em uma camisa aberta
e um mandril interno móvel. Na operação, a camisa força a entrada
do arame para o espaço anular mandril/camisa. Quando o mandril
interno se desloca para cima, o arame fica preso.
Alta Competência

Arame livre

4 – Localizador de ponta de arame

186 É uma ferramenta simples na sua finalidade, porém importantíssima


para o sucesso nas operações de pescaria. Utilizado para localizar
e embolar a extremidade superior do arame de forma a facilitar o
trabalho do arpão, consiste em um corpo cilíndrico oco, de parede
flexível e deve ter diâmetro um pouco acima do DRIFT da coluna
onde irá operar.

Localizador de ponta de arame

5 – Arpão

É uma ferramenta normalmente usada para recuperar arame


quebrado dentro da coluna nos casos em que não se tem acesso à
extremidade do mesmo na superfície. Consiste de um corpo com
hastes flexíveis e pontas soldadas no seu interior onde o arame será
entrelaçado e recuperado.
Capítulo 4. Wireline

Arpão

6 – Estampador

Usado para retirar impressões de objetos estranhos dentro da coluna


de produção. As impressões tiradas irão definir o tipo da coluna de
produção e o tipo de ferramenta a ser utilizada. Consiste de um 187
cilindro vazado preenchido com chumbo na extremidade inferior.

Estampador
Alta Competência

7 – Pescador magnético

Utilizado na recuperação de pequenos fragmentos metálicos que


sejam atraídos por ímã, como por exemplo pequenos pedaços de
arame. Consiste de uma camisa metálica de inox preenchida com um
metal magnetizado.

188
Pescador magnético

8 – Barra cortadora

Utilizada para cortar arame em cima do porta-cabo de uma composição


perdida no poço. É lançada da superfície, podendo também ser descida
com arame. Consiste em um martelo enroscado em uma barra de
peso com porta-cabo para facilitar a sua recuperação posteriormente.

Barra cortadora
Capítulo 4. Wireline

9 – Martelo

Utilizado quando se fazem necessárias fortes percussões para baixo


como por exemplo: a quebra de arame em cima do porta-cabo,
deslocamento de equipamentos presos na coluna etc. Consiste de
uma barra curta confeccionada em liga de aço endurecida na face
inferior para resistir a severos impactos.

189
Martelo
Abandono

Capítulo 5
Alta Competência

192
Capítulo 5. Abandono

5. Abandono

E
xiste o abandono definitivo, quando o poço perfurado não
é comercialmente viável. Entretanto, trataremos aqui mais
especificamente do abandono temporário.

Após a perfuração de um poço isolado no mar, caso ele seja produtor,


é necessário fazer um abandono temporário para voltar ao mesmo
posteriormente, com o objetivo de colocá-lo em produção.

O abandono temporário é feito após o isolamento do poço através


de tampões de cimento e da liberação do menor revestimento para o
maior (Ex.7”,95/8”,133/8”, 20”e 30”.)

Para isso é necessário usar um equipamento de suspensão no fundo


do mar que permita, após a perfuração, retirar os revestimentos e 193
colocar capas de abandono nos mesmos. A liberação é feita nos subs
de assentamento ou landing sub.

Após a instalação da capa, coloca-se uma BPV como segurança. (BPV


= back pressure valve)

O abandono temporário consiste na desconexão no sistema de


suspensão no fundo do mar e da retirada dos revestimentos da
plataforma até a cabeça do poço São colocadas capas de abandono
nos revestimentos.
Alta Competência

Observe as ilustrações.

194

Ilustração da retirada do riser e do BOP

O abandono temporário é uma ação e o poço pode permanecer assim


de modo a funcionar como uma reserva estratégica, aguardando a
instalação de uma estrutura para produção definitiva.

A partir da avaliação e decisão gerencial o poço pode ser reativado.


Tie Back

Capítulo 6
Alta Competência

196
Capítulo 6. Tie Back

6. Tie Back

O
tie back ou retorno ao poço é feito retirando-se as
capas colocadas nos revestimentos, descendo-se novos
revestimentos e acoplando-os ao equipamento de suspensão
do fundo mar.

O tie back é feito do maior revestimento para o menor que é o de


produção.

Esta operação é realizada através de subs especiais chamados subs de


retorno com rosca à direita.

Observe as ilustrações a seguir.

197

A chegada da plataforma A plataforma reconectada ao poço, com a


instalação de equipamentos de produção
definitivos.
Alta Competência

A decisão de reativar o poço cabe à gerência responsável pelo campo


onde o poço está inserido. A ação é executada por um técnico dos
serviços especiais qualificado especialmente para esta atividade,
utilizando os equipamentos específicos.

198
Capítulo 7
Testemunhagem
Alta Competência

200
Capítulo 7. Testemunhagem

7. Testemunhagem

A
testemunhagem é uma operação especial feita no poço
durante a perfuração, utilizando um equipamento especial
denominado barrilete. O barrilete possui comprimentos e
diâmetros variáveis e consiste na obtenção do testemunho, que por
sua vez, é uma amostra cilíndrica da rocha de subssuperfície com
alterações mínimas nas suas propriedades naturais.

7.1. Objetivos de investigação

Os testemunhos recuperados pelo barrilete, cortados entre


determinadas profundidades, permitem análises e interpretações
confiáveis das características petrográficas das rochas. O
testemunho é levado aos laboratórios e testes são efetuados para
obterem informações a respeito da litologia, textura, porosidade,
201
permeabilidade, saturação de óleo e água etc.

Outras informações obtidas através dos testemunhos são:

Litologia → Consiste na descrição de rochas.


Sedimentalogia → Estudo das partículas derivadas da erosão de rochas.
Falhas → Zonas de rochas fraturadas.
Fraturas → Estudo da densidade das fraturas, se naturais ou induzidas;
Descrição e classificação dos minerais contidos na amostra
Mineralogia →
rochosa.
Paleontologia → Estudo dos fósseis
Inclinação da Rocha → Análise das descontinuidades litológicas.
Avaliação das rochas permoporosas de um sistema
Estimativas da reserva → hidráulico, contendo petróleo em fase contínua, dentro de
um mesmo campo.
Etapas de Deposição → Análise das fases de deposição da estrutura litológica.
Conteúdo Fóssil → Identificação dos grupos fósseis, se animal ou vegetal etc.
Idade da Rocha → Observação da relação temporal entre as camadas geológicas.
Estudo da eficiência do corte ao aplicar rotação e
Propriedades Mecânicas de
peso sobre a broca X resistência mecânica inerente às
Perfurabilidade da Rocha →
características de cada rocha.
Influência dos Agentes de Adequação do fluido de perfuração em função da litologia
Circulação → de um campo petrolífero.
Alta Competência

7.2. Tipos de barriletes

Equipamento que permite perfurar e, simultaneamente, recuperar


uma amostra cilíndrica de rocha de 9, 18 ou 27 metros.

1 – Barrilete Convencional 250

Na imagem a seguir, Barrilete Convencional 250, o mais utilizado na


Petrobras.

202

Barrilete convencional

Os Barriletes série 250P são comumente utilizados em sondas


terrestres e Jack-up, podendo eventualmente ser utilizados em
Unidades Flutuantes. Os testemunhos de 4”OD são preferidos pelos
geólogos, por permitirem obter melhores plugues para a análise em
laboratório.

São construídos com aço 4140/4145-H laminado a frio. São utilizados


tanto em poços profundos, como rasos, verticais ou direcionais, para
testemunhar qualquer tipo de formação.

Os tubos internos são fabricados com sua superfície interna bem lisa
Capítulo 7. Testemunhagem

para facilitar a entrada do testemunho.

203
Tubo interno

Plugue – retirado do testemunho (amostra de rocha)

São utilizados também tubos internos de alumínio, com 4,5 metros de


comprimento, cada, podendo-se usar opcionalmente microválvulas.
Alta Competência

Tubos de Alumínio Microválvulas, efetuando alívio do gás

204 As microválvulas atuam proporcionando alívio das pressões


confinadas, evitando a descompressão explosiva da rocha durante a
retirada do testemunho de poços profundos. São conectados dois
tubos em cada testemunhagem, quando o barrilete está montado
para testemunhar apenas 9 metros.

Tabela de dilatação de tubos de aluminio em testemunhagem hpht

Temp °C 30Pes (mm) 60 Pes (mm) 90 Pes (mm) 180 Pes(mm) 270 Pes (mm)
20 2,14 4,28 6,42 12,84 19,36
40 4,28 8,56 12,84 25,68 38,51
60 6,42 12,84 19,26 38,51 57,77
80 8,56 17,12 25,68 51,35 77,03
100 10,70 21,40 32,10 64,19 96,29
120 12,84 25,68 38,51 77,03 115,54
140 14,98 29,96 44,93 89,37 134,80
160 17,12 34,24 51,35 102,71 154,06
180 19,26 38,51 57,77 115,54 173,32
200 21,40 42,79 64,19 128,38 192,57
220 23,54 47,07 70,61 141,22 211,83

*Transformar de: ºF P/ ºC: TC = (TF-32) / 1.8 = ºC


Capítulo 7. Testemunhagem

O barrilete 250P também é utilizado para testemunhar com tubo de


fibra e vidro (Plastic Liner). A aranha e a sapata são substituídas por
outras de diâmetros 3 ½”.

IMPORTANTE!
Apenas em Sergipe e Alagoas esta operação com
Plastic Liner ainda é esporadicamente realizada.

2 – Barrilete Convencional Marine

Os Barriletes série Marine foram projetados para atuarem em


operações off-shore, especialmente em Unidades Flutuantes (navio-
sonda ou plataforma semissubmersível), onde as condições de trabalho
são mais severas. Os elementos constituintes desses barriletes são os
mesmos que os da série 250P, mas as espessuras dos tubos internos e 205
externos são maiores, fornecendo testemunhos de diâmetro menor (
OD de 3 polegadas) para um mesmo diâmetro de poço.

7.2.1. Acessórios do barrilete

• Aranha ou Catcher (agarrador)

A finalidade da aranha ou catcher é agarrar o testemunho ao


terminar o corte, ou seja, ao tracionar o barrilete para promover a
ruptura da rocha, a aranha desliza para o vértice do cone da sapata,
aprisionando a rocha testemunhada.
Alta Competência

Aranha ou Catcher (agarrador)

Sapata equipada com aranha

206

Extensão

A sapata é o guia de entrada do testemunho. Internamente é cônica,


a fim de facilitar o movimento de constrição da aranha em torno do
testemunho ao término da operação. A extensão é um complemento
do comprimento do tubo interno.

• Topogígio

O topogígio (core marker) é montado acima da aranha e serve apenas


como indicativo de que todo testemunho já foi recuperado durante
o saque, numa testemunhagem convencional.
Capítulo 7. Testemunhagem

Topogígio

• Plugue de deslocamento

Utilizado para deslocar o testemunho em caso de prisão do mesmo 207


dentro do tubo interno, através de bombeamento.

Plugue de deslocamento
Alta Competência

• Plugue conector de bombeio

Conectado no topo do tubo interno, permite bombeamento do


plugue de deslocamento, forçando o testemunho preso a desgarrar-
se da parede interna do tubo.

208
Plugue conector de bombeio

• Rolamento

O rolamento pode ser facilmente inspecionado ou trocado quando gasto.

É lubrificado pelo fluido de perfuração e não é afetado pela


temperatura ou pressão.

Rolamento
Capítulo 7. Testemunhagem

• Sede de esfera e esfera

A esfera e sua correspondente sede são colocadas na linha de fluxo


de circulação para desviar o fluxo para o espaço anular ID do tubo
externo – OD do tubo interno, enquanto o testemunho entra pelo
tubo interno.

209
Sede de Esfera e esfera

7.3. Tipos de coroas

1- Coroa de diamante

As coroas podem ser usadas em qualquer tipo de formação, de mole


à dura/ ultradura/ abrasiva. Portanto, para cada aplicação específica,
os perfis, saídas d’água, tamanhos e formatos de diamantes são
diferentes.

Geralmente, para se obter testemunhos em rochas duras/ ultraduras


são utilizados diamantes menores, arredondados e de melhor
qualidade e, para formações moles a médias, usam-se diamantes
maiores e de qualidade inferior.
Alta Competência

Coroa de Diamante

210
2 - Coroa PDC

As coroas de PDC contém pastilhas de diamantes policristalinos


ligados a um corpo de vídea.

Estas coroas proporcionam altas taxas de penetração e a sua aplicação


está restrita a formações moles a médias.

Coroa tipo CP 546


Capítulo 7. Testemunhagem

3 - Coroa Ballas

Utilizam diamantes sintéticos com estruturas policristalinas, como


elemento cortante. Os diamantes são termicamente estáveis a
temperaturas superiores a 1000º C, o que lhe confere alta resistência
à abrasividade das rochas perfuradas.

Estas coroas são indicadas para formações abrasivas e duras, onde


conseguem melhores taxas de penetração, em relação às coroas
convencionais.

211

Coroa Ballas

4 - Coroa Mosaico

É uma combinação da coroa Ballas com cortadores dispostos em


formatos de mosaico (figura geométrica).

São indicados principalmente para formações moles, abrasivas e


folhelhos intercalados com arenitos duros e carbonatos, onde é
antieconômico usar coroas de PDC convencional.
Alta Competência

Coroa Mosaico

212

INFORMAÇÃO
DO TFA

TFA (local na coroa onde fica impressa a informação)


Capítulo 7. Testemunhagem

IMPORTANTE!
TFA

O TFA (Total Flow Area) é a área total disponível


para a passagem de fluido de perfuração no dia-
mante preliminar de controle. Consiste das áreas de
cursos de fluido, mais a área criada pela exposição
insuficiente do diamante (hidráulica fraca). Depende
do número de saídas, d’água, das dimensões destas
saídas e da exposição dos diamantes. É expresso pela
fórmula:

TFA = 1.68 x NO x W x EXP, onde:

No = Número de saídas d’água; 213

W = Largura da saída d’água

EXP = Exposição dos diamantes (em polegadas)

7.3.1. Aplicação das coroas

1 - Coroa para formação extremamente mole, friável e desagregada

Possui perfil de duplo cone com diamante com grande parte e


grande área de exposição. Um sistema de canais alimentador-
coletor de baixa pressão promove remoção rápida dos cascalhos. O
sistema FD (Face Discharge, descarga frontal) diminui o efeito de
lavagem, fazendo com que a coroa deste tipo recupere formações
altamente friáveis. Usada onde brocas convencionais perfuram com
taxas superiores a 3.0 m/ h.
Alta Competência

2 - Coroa para a formação média de características friáveis

Possui um sistema de canais de fluxo do tipo espiral que permite


maior área de exposição dos diamantes favorecendo o aumento
da taxa de penetração. Podem ser fornecidas na versão FD (Face
Discharge) com orifício na face de ataque que conduzem 60% do
fluxo do fluido de perfuração para a face da coroa, sem entrar em
contato com o testemunho, diminuindo assim, o efeito de lavagem.
Usada em formação onde brocas convencionais perfuram com taxas
superiores a 3.0m/h.

3 - Coroa para formação média e dura

Coroa de excelente performance devido a sua versatilidade. Mesmo


formações moles e friáveis podem ser recuperadas quando intercaladas
com formações de maior dureza. Tem como característica um perfil
214 de duplo cone, com um sistema de canal de fluxo alimentador-
coletor do tipo radial. Assim, permite uma concentração densa de
diamantes, necessária para testemunhar formações duras, além de
favorecer a limpeza e refrigeração. Usada em formação onde brocas
convencionais perfuram com taxas entre 1.2 a 3.0 m/h.

4 - Coroa para formação dura a ultra-dura

De característica abrasiva. Os diamantes são colocados de modo


tal que fiquem perfeitamente alinhados e com a mesma área de
exposição, assegurando assim, que cada pedra suporte uma mesma
carga de trabalho. A disposição concêntrica dos diamantes favorece
a proteção destes, além de proporcionar a cobertura total da face da
coroa. É indicada para formação onde brocas convencionais perfuram
com taxas de até 1.2m/h.

5 - Coroa para formação ultra-dura e abrasiva (como arenito,


quarzítico, conglomerático e sílex)

Utiliza um grande número de diamantes de pequeno porte


altamente concentrados de forma a não expor a matriz. Usada onde
brocas convencionais perfuram com taxas inferiores a 1.0m/ h.76.4.
Procedimento operacional
Capítulo 7. Testemunhagem

7.4.1. Análise do Poço

1 - Fluido

Uma boa recuperação do testemunho também depende das


propriedades do fluido de perfuração. Devemos considerar as
seguintes variáveis:

a) Peso Específico - Deve-se seguir aquele especificado no programa


do poço. Se houver variação deste para mais, pode ocorrer perda
de circulação em formações de baixo gradiente de fratura. Se o
peso do fluido for baixo, pode ocorrer desmoronamento das
paredes do poço e isso pode acarretar também um provável Kick
ou até Blow-out.

ATENÇÃO 215
Peso específico muito alto influi negativamente na
taxa de penetração.

b) Viscosidade Marsh - Em geral deve ser mantida entre 50 s e 60 s


e nunca inferior a 45 s. O ideal para formações friáveis é 50 s.

c) Limite de Escoamento - Deve variar entre 10 e 14lb/ 100 pés, e


nunca ser inferior a 10 lb/100 pés. É a propriedade mais importante
a ser observada, pois é responsável pelo poder de carreamento
de cascalho na lama. Um baixo limite de escoamento pode causar
prisão de coluna.

d) Teor de Areia - Não deve ultrapassar 3%, pois a presença de


sólidos no fluido, o torna abrasivo, causando desgaste na esfera, na
sede de esfera e no rolamento, principalmente. Devem-se utilizar
equipamentos “tratadores” de sólidos, dessiltador e desareador,
sempre que disponíveis, principalmente, quando ultrapassar 1%.
Alta Competência

2 – Análise da broca

É indispensável a análise da última broca descida no poço, antes da


montagem do barrilete. Deve-se observar se ela apresentou marcas
de ferro, desgaste de cáliper, dentes ou insertos quebrados e/ou
perdidos.

Havendo marcas de ferro ou elevada quantidade de dentes ou


insertos deixados no poço, aconselha-se a limpar o poço antes da
testemunhagem, utilizando coluna convencional de perfuração com
subcesta. Caso o desgaste do cáliper da broca seja maior que 1/8”,
deve-se descer uma broca nova para recondicionar o poço e evitar
repasse com coroa.

ATENÇÃO
216 Repasses de longos trechos danificam a coroa.

3 – Estabilização

Em poços 12 1/4" e 17 1/2", é necessário o uso de no mínimo dois


estabilizadores adicionais além dos existentes no barrilete.

A testemunhagem deve iniciar necessariamente com barrilete de 9


metros para prevenir efeitos de flambagem e possível acunhamento.

Uma composição normalmente usada é a seguinte:

Barrilete de 9 metros – 1 DC – STB – 01 DC – STB - DC’s – HW’s –DP’s

• Poços 9 1/2” e 9 5/8” – Utiliza-se a mesma composição acima,


podendo utilizar barrilete de 18 m.

• Poços 8 1/2" – Utiliza-se apenas a estabilização que constitui o


barrilete – 3 STB para 18 m e 2 STB para 9 m.
Capítulo 7. Testemunhagem

a) Estabilização da Coluna de Perfuração

Durante a perfuração do intervalo, possível de ser testemunhado,


deve-se adotar uma estabilização parecida a que será utilizada
nos barriletes. Isso evitará excesso de torque durante o corte do
testemunho, por tortuosidade do poço.

b) Estabilização do barrilete

Além de proteger o equipamento e a sua coroa quanto ao desgaste,


este procedimento auxilia na prevenção do acunhamento do
testemunho e propicia menor perturbação deste.

Somente é dispensável a sua utilização em poços verticais rasos, em


terra, e/ou em poços com condições mecânicas precárias.

217
IMPORTANTE!
Nas testemunhagens horizontais é indispensável
a utilização de três estabilizadores que melhoram
sensivelmente o recuperado e a qualidade do
testemunho.

4 – Condicionamento

Para se realizar uma testemunhagem com segurança e êxito, é


necessário que o poço esteja limpo, com cáliper uniforme, sem
ocorrência de desmoronamentos, com fluido homogêneo e o mais
reto possível, nas proximidades do intervalo a ser testemunhado.

Deve-se condicionar o poço com uma coluna devidamente estabilizada,


com broca nova ou com pouco desgaste, principalmente em poços de
8 ½” e 6 1/8”.

O fluido de perfuração deve propiciar a sustentação das paredes do


poço.
Alta Competência

A homogeneização do fluido e a limpeza do poço são conseguidas


com circulação de, pelo menos, duas vezes o volume do anular do
poço. A circulação de um tampão viscoso auxilia na limpeza do poço.

7.4.2. Escolha da coroa

Depende diretamente da formação a ser testemunhada, em especial


da sua dureza (mole/ média, dura / ultradura – dura/abrasiva). Para
fazer a seleção de coroas deve ser feito contato prévio com geólogo, e
análise dos Striplog (históricos) dos poços de correlação, identificando
tipo e natureza das formações a serem testemunhadas. A análise do
Striplog fica mais interessante se tiver ocorrido testemunhagem nos
poços de correlação.

O testemunhador, ao iniciar a operação, deve estar ciente do tipo


de rocha a ser cortada e das informações litológicas do poço que
218 deverão ser recolhidas junto à geologia. Nos casos de poço pioneiro,
as informações litológicas são obtidas do poço de correlação.

7.4.3. Preparação do barrilete - montagem convencional (18 metros)

Deve-se utilizar a seguinte sequência:

1. Içar a seção inferior do barrilete usando o catch line amarrado


em volta do sub de elevação;

2. Colocar o elevador no sub da elevação e promover a decida da


seção inferior do barrilete através da mesa rotativa, assentando-a
na cunha logo abaixo das lâminas do estabilizador intermediário.
Colocar o colar de segurança acima da cunha;

3. Remover o sub de elevação do tubo externo usando chave de


corrente ou de grifo;

4. Suspender o tubo interno cerca de 30 cm acima do espelho do


tubo externo e instalar o colar do tubo interno;

5. Desenroscar o sub de elevação do tubo interno e levá-lo ao


estaleiro para enroscar na seção superior do barrilete;
Capítulo 7. Testemunhagem

6. Içar a seção para a rampa e apertar bem o sub de elevação na


junta de segurança, utilizando chave de corrente e grifo. Colocar o
elevador no sub de elevação e içar para a boca do poço;

7. Remover o protetor de rosca do tubo externo. Promover o


enroscamento dos tubos internos usando chave de corrente ou
grifo;

8. Suspender o elevador cerca de 30 cm e retirar o colar do tubo


interno.

9. Abaixar o elevador e realizar a conexão dos tubos externos.


Recomenda-se um aperto de três voltas com a corda no cat-head,
se a sonda não tiver torquímetro e nem medidor de força. Vide
tabela 02;

10. Suspender elevador, retirar cunha e descer o barrilete através 219


da mesa até estabilizador superior, colocando a cunha a baixo das
lâminas deste;

11. Quebrar a conexão da junta de segurança.


Alta Competência

IMPORTANTE!
Se não tiver sido feita a manutenção no barrilete ou
se o mesmo estiver sem uso por muito tempo, os pro-
cedimentos seguintes deverão ser executados:

a) Depois de quebrar a rosca da junta de seguran-


ça suspender o elevador até aparecer o tubo inter-
no, instalar o colar do tubo interno 30 cm abaixo
da sua extremidade superior;

b) Verificar o estado dos o’rings (anéis de borra-


cha) e substituí-los, se necessário, e passar uma ca-
mada fina de graxa no o’rings (levemente);

220 c) Introduzir um vergalhão nos orifícios de saída


de fluido de perfuração do mandril de swivel e
descer o elevador vagarosamente até que esse
vergalhão tope no espelho da rosca-caixa da junta
de segurança. Descer um pouco mais o elevador
e verificar a folga vertical. Se essa folga for maior
que ¼” (97 mm) e /ou o tubo interno não girar
livre e suavemente, então o rolamento deverá ser
substituído.

7.4.4. Substituição do rolamento

Para realizar a substituição do rolamento deve-se:

• Colocar a chave da capa do rolamento no orifício do plugue do


rolamento e uma chave de corrente ou grifo logo acima, na capa de
rolamento. Realizar a desconexão da capa do rolamento, desenroscá-
la e levantar o elevador;

• Retirar o parafuso de fixação do rolamento, tomando cuidado para


impedir que as esferas do rolamento caiam dentro do poço.

• Efetuar a troca do rolamento, recolocar o parafuso e apertar.


Capítulo 7. Testemunhagem

• Descer o elevador e enroscar o parafuso do rolamento na sua capa


(do rolamento) e apertar com as chaves citadas acima.

• Realizar a suspensão do tubo interno em relação ao tubo externo


até que apareça a sapata.

• Efetuar a retirada da sapata e observar o desgaste do seu cone


interno.

ATENÇÃO

Para retirar a aranha da sapata, utiliza-se outra aranha.

• Retirar a aranha de dentro da sapata e colocá-la do lado contrário


pela base da sapata. Se a aranha se fechar e mais da metade da sua
parte cônica estiver para fora, significa que ela está em condições de
221
uso.

É preciso observar também o desgaste do revestimento de metal duro


(grãos de carbeto de tungstênio) no interior desta. Troque a aranha
se necessário.

• Colocar o marcador de testemunho (topogígio) acima da aranha,


dentro da sapata.

• Observar que a posição correta do topogígio sobre a aranha no


interior do tubo interno é com a seção plana, a base, no topo da
aranha.

• Enroscar a sapata na extensão, checando se está apertada.

• Descer o elevador, reposicionando o tubo interno dentro do externo


e passar levemente graxa nos fios de roscas do pino da junta de
segurança. Recomenda-se, ainda, um aperto de três voltas de corda
com cat-head, se a sonda não tiver torquímetro e nem medidor de
força.
Alta Competência

• Suspender o barrilete e apertar, conforme recomendação no item


anterior.

• Colocar a tampa do poço.

• Retirar o protetor de rosca do estabilizador inferior.

• Com a régua apropriada, verificar a regulagem do tubo interno em


relação ao externo. Se for necessário, colocar ou retirar calços.

• Calços

Os calços são anéis de aço de diversas espessuras que graduam o


comprimento do tubo interno instalado dentro do barrilete.

222

Calços

Para incluir ou retirar calços, faça o seguinte:

• Tome como ideal o ponto mediano;

• Quebre a conexão da junta de segurança;

• Instale o colar de tubo interno abaixo do swivel;


Capítulo 7. Testemunhagem

• Conecte a chave corrente no pescoço de pescaria do barrilete. (fish


neck), próxima da junta de segurança e da chave conjunto-giratório;

• Bata com uma marreta na chave conjunto-giratório, à esquerda,


para desconectar;

• Coloque novamente o protetor de rosca no estabilizador inferior;

• Retire a tampa do poço;

• Desça o barrilete novamente no poço, assentando a cunha debaixo


das lâminas do estabilizador superior;

• Desconecte novamente a junta de segurança, suspenda o tubo


interno cerca de 30 cm e coloque o colar do tubo interno;
223
• Desconecte a capa do rolamento da junta de segurança e suspenda
o elevador;

• Coloque ou retire os calços de acordo com o estimado;

• Conecte a junta de segurança na capa do rolamento e aperte;

• Retire o barrilete para fora do poço, para nova verificação da


regulagem e se necessário repita o procedimento.

• Com a regulagem ideal, inspecione a coroa, retire o protetor de


rosca do barrilete, passe graxa na coroa, conecte utilizando a chave
de coroa, mobilizando dois plataformistas e em seguida retire a
tampa do poço;

• Posicione o conjunto, barrilete, coroa e chave de coroa na mesa


rotativa e aperte a conexão barrilete X coroa, usando chave flutuante
e mesa rotativa travada, com torque de 9.500 lb x pé.

• Levante o barrilete, com a mão por dentro da coroa e verifique se o


tubo interno gira livremente;
Alta Competência

• Desça o barrilete novamente no poço, assentando a cunha de baixo


das lâminas do estabilizador superior;

• Retire o sub de elevação da junta de segurança e desça o barrilete


observando os cuidados recomendados durante a descida.

IMPORTANTE!
Certifique-se de que a esfera de aço não está presen-
te no interior do barrilete com a vareta sacadora de
esferas.

Observe as imagens a seguir que ilustram o procedimento.

224
Capítulo 7. Testemunhagem

“A” “O”

“O” = ombro da sapata Encostar régua no


tubo externo
225
A régua de regulagem que aparece na imagem anterior é utilizada
somente para coroas Christensen e indica a distância correta entre a
sapata do tubo interno e o chanfro interno da coroa. Deverá haver
livre giro do tubo interno. Conforme indicado, é preciso medir a
distância em milímetros entre “A” e “O”. Neste caso, inclua calços
com espessura correspondente.

Diâmetro do barrilete Medidas para Calços (pol)

4 3/4" X 2 5/8" 2 15/16


6 3/4" X 4" 3 23/32
6 1/4" X 3" 3 11/32
8" X 5 1/4" 3 11/32

Tabela 01

7.4.5. Conversão / transformação do barrilete convencional

Caso tenhamos na sonda o barrilete completo - seção alta /baixa - e o


mesmo estando montado para 9 m, é possível convertê-lo para 18 m
ou vice-versa, conforme mostrado a seguir.
Alta Competência

• 9 m a 18 m

I. Montagem no convés /Estaleiro

a) Retire o protetor longo e o estabilizador inferior da seção alta;

b) Retire a extensão de tubo interno, sapata e aranha na seção


alta;

c) Conecte na seção baixa, no tubo interno, a extensão, a sapata e


a aranha;

d) Conecte na seção baixa o estabilizador e ainda o protetor curto.

ATENÇÃO
226
As conexões internas e externas deverão ficar
encostadas totalmente para se evitar acidentes na
sequência de operação.

II. Montagem na mesa rotativa

a) Enviar primeiro a seção baixa, içando pelo sub de elevação;

b) Acunhar conjunto na mesa rotativa, abaixo das aletas do


estabilizador inferior, e instalar colar de segurança;

c) Desenroscar subelevação na rosca do tubo externo e elevar tubo


interno a aproximadamente 50 cm, instalar colar de segurança,
liberar sub elevação desenroscando-o do tubo interno;

d) Pegar seção alta e conectar tubo interno aplicando torque


recomendado. Retirar colar e abaixar conjunto até conexão;

e) Conectar tubo externo - seção alta e baixa - e aplicar torque


recomendado;
Capítulo 7. Testemunhagem

f) Checar todas as conexões tubo interno/ externo aplicando torque


recomendado;

g) Checar folga de rolamento, e regulagem. Corrigir se necessário;

h) Conectar coroa e aplicar torque recomendado.

• 18 m a 9 m

Se o barrilete está montado para 18 m é possível convertê-lo para 9


m. A seguir os procedimentos necessários.

I. Montagem no convés / Estaleiro

a) Retirar o protetor curto e o estabilizador inferior da seção baixa;


227
b) Retirar extensão de tubo interno, sapata e aranha na seção
baixa;

c) Na seção alta, retirar o protetor curto do tubo externo e


conectar a extensão de tubo interno, sapata e aranha. Em seguida,
conectar o estabilizador no tubo externo. Este funcionará como o
estabilizador inferior.

d) Recolocar o protetor longo, pois acrescido de extensão, sapata e


conjunto giratório, o tubo interno ficará mais longo.

II. Montagem na Mesa Rotativa do conjunto para testemunhar 9


metros

a) Transportar o barrilete do estaleiro para a mesa rotativa;

b) Checar todas as conexões tubo interno/externo, aplicando o


torque recomendado;

c) Checar folga de rolamento e regulagem e corrigir, se necessário;

d) Conectar coroa aplicando o torque recomendado.


Alta Competência

III. Montagem na Mesa Rotativa do conjunto para testemunhar com


18 metros

a) Transportar e posicionar a seção baixa na mesa rotativa com


auxilio de guindaste e catline;

b) Acunhar e colocar o colar de segurança abaixo das aletas do


estabilizador intermediário, desenroscar sub de elevação do tubo
externo, elevar em 30 cm o tubo interno, colocar o colar do tubo
interno e desenroscar sub de elevação do tubo interno;

c) Transportar e posicionar seção alta na mesa rotativa;

d) Içar seção alta com catarina e retirar o protetor do tubo externo;

e) Conectar tubo interno e torquear com chave de grifo;


228

f) Retirar colar do tubo interno;

g) Baixar conjunto, conectar tubo externo e torqueá-lo, conforme


tipo do barrilete.

h) Descer todo o conjunto, desenroscar a junta de segurança,


torquear todas as conexões do tubo interno;

i) Checar todas as conexões do tubo interno, encaixá-lo no externo,


rosquear junta de segurança, torquear todas as conexões do ubo
externo, conforme o tipo de barrilete.

j) Retirar protetor da seção baixa, checar regulagem com régua e


conectar coroa.

• Torque Recomendado

• O torque nas conexões externas é especificado pelo fabricante. O


torque na conexão 4 ½” IF da junta de segurança pode ser igual ao
de comando.
Capítulo 7. Testemunhagem

• Em sondas onde não existe torquímetro instalado deve-se dar


torque com 2 a 3 voltas no molinete, para barrilete marine e 250P.

• O torque nas conexões internas deve ser dado através de uma chave
de grifo 36” com a força de dois homens.

IMPORTANTE!
É recomendado o uso de torquímetro para aperto das
conexões e controle do torque durante a operação do
barrilete 250P 4 ¾” X 2 5/8”, devido à possibilidade de
esbojamento (deformação) das conexões.

7.4.6. Preparo da operação

1 - Manobras
229

Para realizar as manobras antes da testemunhagem é necessário:

1. Conferir a coluna e o estaleiro na retirada que procede a


testemunhagem (verificar registros do sondador);

2. Conferir a rotina de controle dos elementos de coluna pelo


sondador (o livro de registros, passagens de serviços, uso de corda
de identificação e controle para quebra do terço para manobra).

2 - Equipe da sonda no momento que antecede a Testemunhagem

A preparação será efetuada pela equipe da sonda, portanto, os itens


a seguir deverão ser transmitidos ao encarregado da sonda que
deverá providenciar a sua execução.

1. Quando a geologia decidir pela testemunhagem, chame o técnico


de testemunhagem para confirmar a medida da profundidade
através do geolografo ou rig sense.

2. Mobilize um homem da área para auxiliar na montagem do


barrilete no deck.
Alta Competência

3. Na retirada da coluna, retire o ralo e a aranha do interior da


coluna.

4. Coloque o barrilete na rampa, caixa de acessório e coroa na


plataforma. O Técnico de testemunhagem deverá indicar a caixa
e coroa.

5. Tenha na plataforma duas chaves de corrente OU duas chaves


de grifo (mínimo 36”).

6. Efetue a conferência do BHA de testemunhagem, verificando


se as medidas dos componentes estão coerentes. Após o sondador
efetuar a soma, o encarregado da plataforma e o técnico de
testemunhagem deverão emitir as medidas e o somatório.

7. Verifique a disponibilidade de estaleiramento do BHA de


230 perfuração anterior à testemunhagem, para facilitar a montagem
do BHA de testemunhagem.

8. Abra o compensador, quando a coluna com BHA de


testemunhagem passar pelo interior do BOP /Cabeça de Poço.

9. Desça a coluna com velocidade moderada em poço aberto e


chame o técnico de testemunhagem, caso a coluna venha topar.

10. Chame o técnico de testemunhagem, quando ainda faltarem


10 seções para chegar ao fundo do poço.

11. Após circulação e lançamento da esfera, registre a leitura


do arraste da coluna (subindo, descendo e girando) e proceda à
testemunhagem, conforme orientação do técnico.

12. Finalizada a testemunhagem, efetue a queima do testemunho


com técnico de testemunhagem presente.

13. Retire a coluna com velocidade calculada previamente, sem


girá-la e sem dar impacto na cunha.
Capítulo 7. Testemunhagem

14. Chame o técnico quando começar a retirar o BHA.

15. Prepare um local adequado e seguro para sacar testemunho,


provido com máquina de cortar tubo instalado (quando necessário),
trapos e mangueira com água.

16. Saque a esfera (o técnico efetuará o saque).

17. Enrosque e apertar lift sub no barrilete.

3 - Checagem da medida de coluna

A fim de realizar a checagem da medida da coluna, será necessário:

1. Passar ao sondador a coluna que se deseja descer, já com as


medidas dos acessórios pertencentes ao SE (serviços especiais) 231
como, por exemplo, coroa, barrilete e a profundidade estimada
para iniciar a circulação.

2. O sondador deverá anotar o comprimento dos componentes


comuns à coluna (ex. DC”s, XO, STB, HW, DP”s).

3. O operador e encarregado deverão conferir as medidas passadas


pelo sondador, de preferência junto com o mesmo e usando como
base os dispositivos de anotação da coluna.

4. Conferir a contagem dos elementos de coluna no momento em


que a coroa topar no fundo do poço. Verificar se os terços de DP
foram acrescentados durante a descida da coluna.

4 - Cuidados na descida

Durante a montagem e descida do BHA é proibido o uso da mesa


rotativa. Seu uso pode causar a queda do barrilete no poço, devido
ao revestimento já descido e/ ou com excessiva descentralização em
relação à vertical da mesa, o atrito desenvolvido entre barrilete e o
poço (ou revestimento) pode causar o desenroscamento da junta de
segurança deste, quando a mesa rotativa for girada para a esquerda.
Alta Competência

Previne-se, ainda, a quebra dos diamantes por impacto contra o


revestimento ou parede do poço.

5 - Checagem no fundo do poço

Para realizar a checagem no fundo do poço, será necessário:

a) Conectar o Kelly na coluna;

b) Ligar bombas e ajustar a vazão para aproximadamente 250


gpm, dependendo do tipo de formação a ser testemunhado;

c) Registrar a pressão;

d) Descer a coluna até topar no fundo do poço;


232
e) Arriar de 5 a 10 kips de peso, sobre a coroa;

f) Acionar a mesa rotativa e ajustar a rotação para 40 rpm.

Observações importantes

• Se com o peso, rotação e vazão mantidos houver acréscimo


significativo à pressão e não ocorrer avanço, este é o fundo do poço.

• Na testemunhagem com coroas do PDC devido à agressividade da


coroa em formações friáveis ou inconsolidadas, mesmo com baixos
parâmetros nem sempre é possível saber se estamos checando o
fundo do poço, repassando ou testemunhando.

• A seguir deve-se se fazer uma circulação antes da testemunhagem


com o fim de limpar o barrilete (tubo Interno) e o fundo do poço (300
gpm durante meia hora).
Capítulo 7. Testemunhagem

ATENÇÃO

Sempre que iniciar um testemunhagem, deve-


se acomodar (acamar) a coroa no fundo do poço,
principalmente em formações médias e duras, com
vazão mais alta (400 a 450gpm) para que, se houver
ferro no fundo, ele possa ser deslocado. Baixos pesos
evitam danos prematuros na coroa. Em poços de
diâmetro 12 ¼”, os parâmetros devem ser reduzidos
até que se passe o primeiro metro, possibilitando a
penetração do primeiro estabilizador do barrilete.

6 - Inicio do corte - parâmetros operacionais

Os parâmetros operacionais são: peso, rotação, pressão, e vazão.


233
Associados ao tempo decorrido para o corte de cada 50 cm de
rocha são os indicadores de controle que o operador possui sobre a
operação. Por exemplo, caso o tempo decorrido esteja alto, é possível
otimizá-lo, alterando os parâmetros.

Toda testemunhagem deve começar com parâmetros reduzidos


para evitar desgaste prematuro da coroa. Os parâmetros utilizados,
normalmente são tirados de testemunhagens ocorridas em poços
correlatos. Se o poço for pioneiro e não houver poço de correlação,
a experiência do operador, associado ao tipo de rocha a ser cortada
serão as referências.

A - Registros de pressões

Antes de iniciar a testemunhagem, é preciso estabelecer cinco


registros de pressão que irão orientar o operador no desenvolvimento
da operação.

P1 = Pressão com vazão de limpeza (sem esfera), com coroa fora do


fundo;
Alta Competência

P2 = Pressão com vazão de limpeza (sem esfera), com coroa no fundo;

Observação - O aumento da pressão em P2 confirma a existência de fundo de poço. O intuito


é confirmar o fundo do poço para evitar o início da testemunhagem com fundo falso por
decantação de detritos grosseiros.

P3 = Pressão com vazão escolhida para operação (sem esfera) com


coroa fora do fundo;

P4 = Pressão com vazão escolhida para operação (com esfera) com


coroa fora do fundo;

Observação - O aumento da pressão em P4 indica o assentamento da esfera em sua sede.


Para testemunhar, quando o barrilete está no fundo, é lançada um esfera de aço a fim de
promover o desvio interno no barrilete, do fluxo de fluido injetado pelas bombas da sonda.

P5 = Pressão com vazão de operação (com esfera) com coroa no fundo.


234

ATENÇÃO

*1 / *2 / P5 é a pressão de operação e deve ser


atentamente observada durante todo o tempo. Toda a
variação que ocorrer deve ser anotada e interpretada
pelo operador.

Exemplos: acunhamento, mudança na formação,


alteração nas características da lama, furo na coluna
etc.

7.4.7. Parâmetro para formações friáveis

Em formações friáveis, os parâmetros utilizados devem ser bastante


moderados, a fim de evitar a lavagem do testemunho. Nelas tem-
se baixa recuperação e facilidade de ocorrer acunhamento. O
acunhamento ocorre devido à vazão muito baixa associada a uma
mudança de litologia, isto é, quando ocorre a transição de uma
formação dura para outra mais mole. O controle sobre o indicador
de peso deve ser constante para evitar estes problemas.
Capítulo 7. Testemunhagem

IMPORTANTE!
Em sonda terrestre deve-se atentar para a troca das
camisas das bombas. É necessário solicitar aos res-
ponsáveis a regulagem das bombas injetoras e a ace-
leração dos motores para facilitar a obtenção dos
parâmetros.

Exemplo - Vazão: 100gpm, Rotação: 40/ 60rpm, Peso:


4 a 10 kips

7.4.8. Acomodação da coroa

O preparo da cama da coroa é muito importante para se dar inicio


a uma testemunhagem. Deve-se começar com parâmetros bem 235
moderados, como: 30 rpm, 100 gpm (para formação friável), 150
gpm (para formação média), 4 a 6 kips de peso. Deve-se ainda
seguir com estes parâmetros até avançar 0,5 m, isto é, até ocorrer o
encamisamento do primeiro estabilizador, dentro do poço, ou seja , o
intervalo cortado pela coroa. Em seguida, incrementar os parâmetros
gradativamente, até o desejado, para o corte do testemunho.

Em poços de diâmetros 12 ¼” e 17 ½”, o inicio do corte é um pouco


mais complicado, devido à ocorrência de flambagem da coluna e do
barrilete. Deve-se usar um peso moderado, de 2 a 4 kips, dependendo
das condições do sistema de compensação, em plataformas flutuantes
e navios.

7.5. Poço direcional

O maior problema em poços direcionais é o arraste (drag). Ele se


verifica quando a coluna é erguida (drag ascendente) ou baixada
(drag descendente). Antes de iniciar a testemunhagem deve-se
registrar estes drags, com e sem rotação.

A utilização de barrilete com composição de 18 m em poços direcionais


é limitada pelas condições mecânicas do poço.
Alta Competência

7.5.1. Conexão - Queima do testemunho

Em testemunhagem de 9 m, a conexão pode e deve ser evitada. O uso


de pup joints (tubos curtos) na coluna de tubos permite posicionar o
barrilete adequadamente.

Em testemunhagem de 18 ou 27 m a conexão só será evitada se a


sonda dispuser de um equipamento chamado Top Drive. Ele substitui
o Kelly e a mesa rotativa, permitindo a perfuração de até 27 m
contínuos, sem conexão.

7.5.2. Procedimentos para conexão

Para realizar a conexão será necessário:

a) Parar a mesa rotativa e marcar Kelly;


236

b) Manter a bomba ligada (se a formação não for friável). Se a


formação for dura / ultradura, elevar a vazão de ± 350 gpm;

c) Suspender a coluna até a tração máxima que a aranha suportar,


conforme o tipo de barrilete indicado na tabela a seguir.

d) Observar o indicador de peso (Martin Decker). Se ocorrer queda


brusca na indicação é porque houve a ruptura do testemunho
(queima). Em formações friáveis este efeito não é observado.

Tração máxima recomendada para


quebra do testemunho

Ø - OD Testemunho (pol) Tração (lbs)

2 5/8 10.000
3 12.000
3 1/2 15.000
4 20.000
5 1/4 35.000
Capítulo 7. Testemunhagem

e) Voltar ao fundo do poço com coroa (observar pelo Martin


Decker). Tracionar a coluna novamente.

Se a aranha deixou escorregar o testemunho durante o tracionamento


para “queima”, é possível recuperar a parte que ficou no poço,
reencamisando-o para a segunda tentativa, mais abaixo.

Se não ocorrer tracionamento é porque o testemunho está agarrado


e a “queima” foi satisfatória. Este procedimento é aplicado em poços
verticais e pode ser usado mais de uma vez. Em poços direcionais, o
arraste não permite esta sensibilidade.

f) Suspender a coluna, colocar na cunha e efetuar a conexão;

g) Voltar ao fundo do poço com mesa parada e bomba ligada,


observando o indicador de peso e o indicador de pressão. Ambos
devem subir ao atingir o fundo do poço; 237

h) Aplicar um peso superior a 20% do peso de testemunhagem,


para empurrar a aranha para a posição aberta, de modo que o
testemunho anterior não impeça ou dificulte a entrada do novo,
especialmente em formações médias /duras. Em formações friáveis
não é recomendado o uso deste peso adicional;

i) Verificar, finalmente, se todos os parâmetros voltaram ao valor


anterior da conexão, quando o peso original é aplicado.

7.6. Retirada do testemunho convencional

Para a retirada do testemunho convencional é preciso:

a) Concluindo a testemunhagem, efetuar a queima do testemunho


e iniciar a retirada do barrilete. Quando ele estiver acima da mesa
rotativa assentar a cunha logo abaixo das lâminas do estabilizador
superior;

b) Desconectar o barrilete da coluna de comando;


Alta Competência

c) Com o sacador de esfera recuperar a esfera lançada;

d) Colocar o sub de elevação na conexão do topo do barrilete e


apertar com chave de corrente;

e) Quebrar a rosca da junta de segurança, desconectá-la, e


inspecionar o’rings;

f) Suspender todo o tubo interno até que apareça a sapata do


tubo interno;

g) Deixar a sapata introduzida cerca de 3 cm dentro da caixa da


junta de segurança para facilitar o desenroscamento;

h) Colocar uma chave de corrente ou grifo na sapata e outra na


extremidade do tubo interno para quebrar a conexão.
238

IMPORTANTE!
Se na sonda houver um protetor de rosca pino qual-
quer, é recomendável colocá-lo na rosca caixa da
junta de segurança e introduzir a sapata por dentro
dele; isto para evitar uma possível queda do teste-
munho, por dentro do tubo interno, quando do de-
senroscamento da sapata.

i) Levantar o tubo interno retirando a sapata da caixa da junta


de segurança e baixá-lo até que a extremidade inferior da sapata
fique a uns 3 cm do nível do deck da sonda;

j) Desenroscar a sapata a cerca de 5 fios da rosca;

k) Colocar o suporte sacador numa seção de comando e introduzir


o tubo interno na outra extremidade;

l) Retirar a sapata e instalar na extensão do tubo interno, o conjunto


garra-alavanca para sacar o testemunho, fazendo o tubo interno
subir e descer a um intervalo de altura não superior a 80 cm.
Capítulo 7. Testemunhagem

m) Recuperar o testemunho obedecendo às recomendações


constantes no procedimento de manuseio de testemunho;

n) O marcador de testemunho (topogígio) indicará o final do


testemunho; No caso do testemunho estar emperrado dentro
do tubo interno, utilizar um cilindro especial de borracha,
denominado plugue de bombeamento, para tentar recuperar o
testemunho através de aplicação de pressão no interior do tubo
interno (formações friáveis). Se a formação for de dureza de média
até ultradura, algumas batidas de marreta no tubo interno devem
ser suficientes.

7.7. Plastic Liner - Testemunho 9 metros

A testemunhagem com plastic liner não é recomendada porque os


resíduos produzidos durante o corte do tubo de fibra de vidro são
cancerígenos. Caso haja a operação, a equipe obrigatoriamente fará 239
uso de máscaras apropriadas durante o corte.

Ao término da testemunhagem de 9 m com plastic liner devemos


proceder da seguinte maneira:

a) Retirar os comandos acima do barrilete;

b) Recuperar as esferas;

c) Instalar o sub de elevação e apertar a conexão;

d) Quebrar o torque e desenroscar a junta de segurança;

e) Içar o tubo interno até a conexão com extensão;

f) Quebrar torque e desenroscar (cinco voltas entre tubo interno e


extensão);

g) Transportar para a rampa o conjunto com o auxilio do guindaste;


Alta Competência

h) Posicionar o conjunto na horizontal;

i) Desenroscar totalmente a extensão e sacar o tubo plastic no


interior do tubo interno e entregá-lo para a geologia;

j) Checar as condições da aranha, sapata, extensão, do tubo interno,


e caso necessário, substituí-los;

k) Instalar um novo tubo plastic liner no interior do tubo interno e


reconectar acessórios (aranha /sapata /extensão /ajustar conexões).
Assim, estará pronto para sequência da operação.

7.8. Plastic Liner - Testemunho 18 metros

Para executar o saque do testemunho será preciso:


240
a) Com o barrilete na mesa rotativa, conectar o sub de elevação e
desconectar a junta de segurança. Erguer o tubo interno e quebrar
o torque da extensão inferior;

b) Baixar o tubo interno até a conexão da extensão especial, e


desconectar o tubo inferior da extensão especial;

c) Instalar colar de tubo interno no tubo inferior, aproximadamente


a 20 cm, abaixo da conexão com a extensão especial, e desconectar
o tubo inferior da extensão especial;

d) Erguer a junta de segurança com o tubo interno a


aproximadamente 30 cm;

e) Instalar no tubo interno superior, garra / alavanca e saca-


testemunho;

f) Com a garra sacadora instalada, segurar o testemunho e romper


o mesmo aproximadamente a 10 cm abaixo da garra;
Capítulo 7. Testemunhagem

g) Manter o testemunho seguro pela garra-sacador, baixar o tubo


interno superior até próximo ao tarugo de forma a encamisá-lo;

h) Com o tarugo encamisado no tubo interno superior, rosquear a


sapata fixando o conjunto;

i) Feita a conexão do tarugo ao tubo interno superior, tornar a


erguê-lo;

j) Retirar o tubo interno do barrilete externo com o auxilio do cat-


line, posicionando-o na rampa de tubos para sacar o tubo de fibra
de vidro;

k) Baixar o tubo interno superior, encaixando-o no barrilete externo


acunhado na mesa. Instalar o colar de tubo interno, próximo à
conexão do conjunto giratório, desenroscando-o.
241
m) Com o auxilio do cat-line elevar o tubo interno superior,
posicionando-o na rampa de tubos para sacar o tubo de fibra de
vidro.

7.9. Manuseio do testemunho

Na testemunhagem convencional, o operador sacará o testemunho


com o auxilio do técnico em geologia, que fará o acondicionamento
do testemunho.

Na testemunhagem com tubos de alumínio, o operador sacará o tubo


com o testemunho no interior do tubo, fará o corte deste e o entregará
para o técnico em geologia, que o acondicionará devidamente.

7.10. Desgaste da coroa

Uma coroa deve ser analisada segundo os seguintes aspectos:

1) Desgaste da matriz;

2) Desgaste dos diamantes;


Alta Competência

3) Estado da conexão.

Deve-se ter em mente, que após a coroa ser considerada não


reutilizável, a única parte reaproveitável de modo total é a haste
cilíndrica que recebe a conexão caixa da coroa. Os diamantes poderão
ser reaproveitados, após descravação, na fabricação de outras coroas
ou sapatas.

1) Desgaste da matriz

O material constituinte da matriz tem característica de alta resistência


à abrasão (para manter constante o calibre) e alta resistência à erosão
(para resistir à passagem do fluxo de lama em alta velocidade e ao
contato com a alta formação nas partes não protegidas por diamantes,
que são os canais de fluxo). Apesar disto, a matriz é projetada para
sofrer um desgaste, por erosão, em condições normais de trabalho,
242 para manter constante a porção exposta dos diamantes (cerca de 1/3
do diâmetro). O desgaste por erosão da matriz acompanha o desgaste
por atrito dos diamantes em condições normais de trabalho.

Devemos avaliar o desgaste da matriz segundo os seguintes aspectos:

• Erosão normal da matriz – A parte exposta dos diamantes permanece


constante e a erosão normal é uniformemente distribuída ao longo
do corpo da coroa.

• Erosão por lavagem – Causada por alta vazão ou alto teor de areia
na lama (maior que 1,5%). Esta erosão anormal expõe de forma
acentuada os diamantes, causando quebra ou desalojando-os da
matriz.

• Presença ou início de o’ring – Causada por pedaços de ferro ou


seixos de alta dureza, como pedaços de quartzo provenientes de
conglomerados.

• Marcas de ferro ou seixos – São marcas típicas e de fácil caracterização.

2) Desgaste dos diamantes


Capítulo 7. Testemunhagem

Os diamantes são encravados na matriz, de modo a manter 1/3 do


seu diâmetro exposto. À medida que eles sofrem desgaste, a matriz
também sofre, preservando a condição de 1/3 de exposição. Isto
garante que os diamantes não serão prematuramente quebrados ou
desalojados da matriz.

A observância constante, a cada barriletada da exposição dos


diamantes permite ao operador detectar condições anormais de
trabalho ou o fim da vida útil da coroa. Os locais em que a exposição
deve ser observada com mais cuidado são: a face de ataque e o ombro
de calibre. Estes são os pontos de maior solicitação da coroa.

O término da vida útil de uma coroa, que sempre operou em condições


normais, ocorre quando o desgaste dos diamantes chega próximo ao
plano da matriz, (apresentando um formato achatado) após elevado
número de horas de rotação.
243
Deve-se verificar o desgaste dos diamantes segundo os seguintes
aspectos:

• Desgaste normal dos diamantes caracterizados pela constância da


parte exposta. No final da vida útil o desgaste chega próximo ao
plano da matriz.

• Ocorrência de queima dos diamantes – Desgaste parcial ou total


dos diamantes de forma prematura, isto é, com poucas horas de
rotação são causas de queima: o peso excessivo em formações duras
e o peso baixo associado à alta rotação em formações duras (gerando
alta temperatura).

IMPORTANTE!
A “queima”, ao contrario do desgaste, é um pro-
cesso que altera a estrutura molecular do diamante
(dito grafitização) e que interfere substancialmente
em sua dureza e resistência à abrasão.
Alta Competência

• Presença de diamantes quebrados

A quebra dos diamantes pode ser causada por:

a) Peso excessivo em formações duras ( que também produz


“queima”);

b) Exposição excessiva dos diamantes devido à erosão (lavagem)


da matriz Pedaços de ferro;

c) Estabilização inadequada do barrilete que transmite impactos à


coroa;

d) Retirada da coluna com o uso de mesa rotativa em formações


duras ou dentro de revestimentos.
244
Distinguir: a pedra produz brilho típico no diamante. A queima
produz brilho opaco

3) Estado da Conexão

Basicamente analisa-se o estado das roscas e do espelho da conexão.


Para expressar esses resultados utiliza-se um código.

• Código de Desgaste da Coroa

Código para avaliação de desgaste avaliação da matriz (indicador


localização):

M1 – Ausência total de erosão

M2 – Erosão uniformemente distribuída

M3 – Erosão por efeito de lavagem

M4 – Formação de anel (O’Ring) na matriz


Capítulo 7. Testemunhagem

• Avaliação dos diamantes (indicador localização)

D1 – Desgaste pouco acentuado e uniformemente distribuído

D2 – Desgaste até o plano da matriz uniforme ou localizado

D3 – Diamantes quebrados ou cisalhados

D4 – Presença de marcas típicas de ferro

• Localização do desgaste

A – Ao longo de todo o corpo da coroa

FI – Na face interna
245
FE – Na face externa

FA – Na face de ataque

C- No calibre da coroa

• Estado das roscas (R) e do espelho (E) e da conexão da coroa:

RBEB – Rosca e espelho em bom estado.

RBER – Roscas boas e espelho ruim (levado ou danificado).

RREB – Roscas ruins (lavadas ou danificadas) e espelho bom.

7.11. Desmontagem do barrilete

Concluída a operação de testemunhagem, sendo esta de 9 /18 /27


metros, devem-se ter alguns cuidados com o barrilete, a saber:
Alta Competência

a) Quebrar e lubrificar as juntas externas e internas;

b) Quebrar extensão;

c) Substituir aranha e sapata, caso necessário;

d) Checar folga no rolamento e substituí-lo, se necessário;

e) Lubrificar rolamento e mandril;

f) Verificar O’Rings inferior e superior e substituí-los, caso estejam


danificados;

g) Lubrificar rosca da junta de segurança (somente película de


graxa);

246 h) Lavar corpo do tubo externo e do tubo interno;

i) Desconectar coroa, colocando protetor;

j) Lavar, lubrificar a rosca, e analisar o desgaste da coroa;

k) Manter o barrilete em local protegido para evitar pancadas e


excesso de peso sobre o mesmo.

7.12. Problemas operacionais

• Repassamento

A coroa de testemunhagem não foi projetada para repasses, porém


isto pode ser feito em intervalos curtos e com parâmetros reduzidos.

• Em formações moles, usar o máximo:

Peso - → 1 a 3 ton.

Rotação - → 40 rpm

Vazão - → ± 300 gpm.


Capítulo 7. Testemunhagem

• Em formações médias e duras, usar no máximo:

Peso - → 1 a 2 ton

Rotação - → 40 rpm

Vazão - → ± 350 gpm

IMPORTANTE!
Em unidades flutuantes, podem ocorrer condições
de mar adversas e equipamentos de compensação
deficientes, que não permitam repassamento. Nesses
casos não é possível trabalhar com parâmetros redu-
zidos, para repasses longos em formações médias a
duras. Nesse caso recomenda-se utilizar uma broca
para repassamento. 247

• Acunhamento

Ocorre quando o testemunho deixa de penetrar no tubo interno do


barrilete. Pode acontecer em formações moles (friáveis), médias ou
duras (laminadas ou fraturadas). As causas do acunhamento podem
ser diversas, como, por exemplo:

a) Presença de algum corpo estranho no interior do tubo interno


do barrilete;

b) Calçamento da aranha pela própria formação que, ao acumular


partículas (principalmente em formações friáveis), por trás da
aranha, mantém esta fechada impedindo o testemunho de se
deslocar.

c) Em formações duras, laminadas ou fraturadas, as partes


desprendidas do testemunho, no interior do tubo interno, atritam
contra a parede do tubo, provocando embuchamento do mesmo.
Isso é aplicado também para formações friáveis.
Alta Competência

O acunhamento é detectado pela variação simultânea dos parâmetros


utilizados na testemunhagem, tais como:

• Queda sensível na pressão de circulação;

• Aumento da rotação;

• Diminuição do torque / amperagem;

• Diminuição drástica de penetração.

A variação nos parâmetros é explicada pelo aparecimento de uma


força vertical de baixo para cima, aplicada no tubo interno, criada
pelo embuchamento da formação em um determinado ponto do
tubo interno.
248
Assim, esta força passa a sustentar o peso aplicado sobre a coroa,
impedindo a penetração desta, já que é possível haver penetração
sem peso aplicado sobre ela. A coroa, então, passa a girar sem contato
total com o fundo do poço, o que explica a redução de pressão
(aumento da área de fluxo), o aumento da rotação e a diminuição do
torque (redução do atrito).

• Mudanças na formação

Em alguns casos, a mudança de formação pode causar variação


nos parâmetros de testemunhagem. A passagem de uma formação
mole para dura causa a diminuição da pressão de circulação, pois
os diamantes penetram menos neste tipo de formação. Além disso,
ocorre variação brusca de torque e /ou trancos na mesa rotativa.
É importante ter conhecimento do poço de correlação para ficar
a par das possíveis variações de formação que podem acarretar o
acunhamento do testemunho.

• Variação nas propriedades do fluido

A perda de carga no sistema de circulação é função, entre outros


fatores, da densidade e das propriedades geológicas do fluido de
Capítulo 7. Testemunhagem

perfuração. Portanto, variação no peso, viscosidade, limite de


escoamento etc, produzem mudanças na pressão de circulação.

O operador deve estar atento às propriedades do fluido, a fim de


interpretar corretamente as variações de pressão. O tratamento
de fluido durante a testemunhagem é desaconselhado, já que isto
poderá mascarar um acompanhamento ou lavagem do testemunho.
Sendo porém, necessário que o técnico de fluido informe as alterações
ao testemunhador, imediatamente.

• Ferro no Poço

Antes de iniciar a testemunhagem, o operador deve ter conhecimento


sobre o histórico do poço, assim como das brocas utilizadas. Os
sintomas típicos de ferro no poço são:

• Presença de torque na mesa rotativa; 249

• Redução na taxa de penetração;

• Aumento de pressão de circulação (pode ser indicativo de formação


de O’Ring na face de ataque da coroa pela obstrução dos canais de
fluxo;

• Redução na pressão de circulação (coroa trabalhando em cima de


ferro aumenta a área de passagem de fluxo).

ATENÇÃO

Ocorrendo estas indicações, é preciso interromper a


operação e retirar a coluna.

Caso se constate que alguns insertos tenham sido deixados pela


última broca, estando esta livre de marcas causadas por ferro, pode-
se optar por utilizar uma coroa com meia vida útil, associado ao
cuidado de checar o fundo do poço com alta vazão. Desta forma, os
insertos serão colocados em suspensão, não atrapalhando a operação.
Com isto, uma manobra (com subcesta) pode ser economizada. Esta
Alta Competência

aplicação é mais voltada para poços profundos (manobra demorada)


e em formações duras.

O uso da subcesta antes da testemunhagem é recomendado na


maioria dos casos.

Pedaços de rocha dura caídos podem causar danos à coroa idênticos


aos causados por ferro.

• Lavagem do testemunho

De difícil detecção ocorre, geralmente, em formações friáveis. No


entanto, experiência, conhecimento da formação, e observação
do volume e tipo do cascalho (cascalho produzido pelo corte do
testemunho e mais fino que na lavagem) auxiliam a identificação.

250
O operador deve habituar-se a observar constantemente as peneiras
de lama durante a testemunhagem para poder comparar volumes e
tipos de cascalho. Quando o operador suspeitar que está lavando, é
aconselhável trabalhar com parâmetros reduzidos.

Exemplo - Mesa rotativa com marcha alta onde o torquímetro /


amperímetro são mais sensíveis na lavagem, o torque diminui.

Rotação baixa – Diminui o efeito de lavagem em formações friáveis.

Evitar efeito jato entre a coroa e a sapata, aumentando a folga entre


elas.

Em poços profundos (5000 m) é difícil detectar a lavagem, dada a


grande variação do torque e alto tempo de retorno do cascalho.
Por isso, ao menor sinal de lavagem, deve-se retirar a coluna com
barrilete.

• Vazamento na coluna /barrilete

Ocorrendo queda de pressão e os demais parâmetros se mantendo,


Capítulo 7. Testemunhagem

interromper a operação, queimar o testemunho e retirar a coluna.

A queda de pressão pode estar ocorrendo por vazamento nos O’Rings


da junta de segurança ou por furo na coluna (mais provável). Este
último pode levar a um wash out (lavagem).

• Prisão do barrilete

Ocorrendo prisão do barrilete, o operador pode recuperar o


testemunho. Para tal basta atuar a junta de segurança girando
6 voltas à esquerda e retirando a coluna com o tubo interno em
seguida. (Barrilete 6 ¾” X 4”).

• Circulação após corte

Em certas situações, a circulação após o corte do testemunho, pode


251
ser conveniente, como por exemplo:

a) Após longo tempo de corte do testemunho, durante o qual


a formação exigiu baixa vazão (formações friáveis). Neste caso,
a baixa produz limpeza pobre do poço, o que leva ao acúmulo
de cascalho do fundo. Este efeito normalmente é sentido através
do indicio de prisão da ferramenta. Fluidos com baixo poder de
carreamento (baixo limite de escoamento) agravam o problema.

b) Após o corte de testemunho em zona de gás, onde ocorre redução


do peso fluido. A circulação é necessária para homogeneizar o
fluido contaminado por gás.

c) Quando ocorrer ameaça de prisão da coluna ou quando


constatado grande volume de cascalho nas peneiras. Para evitar
turbulência abaixo da coroa durante a circulação, após corte do
testemunho (o que poderia causar a sua perda parcial), circular
a aproximadamente 2 metros do fundo com vazão máxima de
300 gpm.

Em unidades flutuantes, considerar o heave, para que a coroa não


fique batendo no fundo do poço.
Alta Competência

Profundidade do poço – 2 m - heave = Profundidade Circulação

• Vazão insuficiente

Falta de vazão pode sacrificar a vida útil da coroa, embora em alguns


casos o operador tenha que baixar a vazão para tentar aumentar a
recuperação. Entretanto, sempre que possível isso deve ser evitado,
pois o atrito gerado pelo processo de perfuração tende a grafitizar os
diamantes, causando desgaste prematuro da coroa.

Em testemunhagem em lamina d’água profunda, deve-se circular


também através das linhas do BOP, para se obter uma melhor limpeza
do poço, já que a baixa vazão pode deixar acumular cascalho no Riser.

• Circulação intermediária

252
Em unidades flutuantes que perfuram em lâmina de água profunda
(acima de 350 m), é aconselhável fazer uma circulação intermediária
para limpar o tubo interno do barrilete. Quando ele passa dentro do
Riser de perfuração, a coroa raspa o reboco que fica na parede deste.
O reboco entra no barrilete e se aloja dentro do tubo interno.

Se o fluido de perfuração utilizado for constituído de poliacrilamida,


o problema se agrava, pois ela tem tendência a formar pacotes de
“bolos” viscosos de lama, que acabam por embuchar o tubo interno.

A circulação intermediária normalmente feita quando o barrilete


atinge a sapata do último revestimento. Em poços profundos
(5000m), utilizando poliacrilamida, é aconselhável fazer 2 circulações
e, também depois de checar o fundo do poço, injetar tampão viscoso
± 50 bbl.

• Falta de estabilização

Sabe-se atualmente que a ausência de estabilização na coluna de


perfuração causa pontos de flambagem desta que serão refletidos
no barrilete (mesmo este sendo estabilizado) e isto faz com que a
coroa gire fora do seu eixo, gerando pontos de sobrecarga, onde
fatalmente ocorrerá desgaste mais acentuado desta, diminuindo sua
vida útil.
Capítulo 7. Testemunhagem

A ausência de estabilização também pode dificultar uma boa


recuperação do testemunho e até mesmo o seu acunhamento.

• Conglomerado

Ao testemunhar intervalos em que pode ocorrer a presença de


conglomerados, deve-se procurar saber se os mesmo são cimentados
ou não. Caso não sejam, os riscos de danificar a coroa são elevados.
Os seixos, ao serem desalojados, ficam no fundo do poço sendo
retrabalhados.

Quando isto ocorre, a coroa se danifica, com o suprimento de O’Ring,


principalmente na face de ataque. Ocorrem também quebras de
diamantes.

• Alta rotação
253
a) Com baixa vazão

O uso de vazão baixa em alguns casos (formações muito friáveis,


por exemplo) é, às vezes, necessário. Principalmente quando se quer
melhorar a recuperação, embora, pois, com baixa vazão, não se
consiga refrigerar adequadamente os diamantes da coroa.

b) Em formações duras

Não se utiliza alta rotação em formações duras. Altas rotações causam


elevados desgastes na coroa e não propiciam aumento significativo
na taxa de penetração.

c) Com coluna mal estabilizada

A coluna mal estabilizada causa pontos de flambagem nela própria


e que serão refletidas no barrilete, mesmo que seja estabilizado.
Isto ocorrendo, a coroa girará fora do seu eixo, gerando pontos de
sobrecarga, onde fatalmente ocorrerá desgaste mais acentuado,
encurtando a sua vida útil.
Alta Competência

• Alta perda de carga na coroa

Com as atuais TFA das coroas, tal fato não ocorre. Entretanto, é
bom lembrar que altas perdas de carga na coroa ocasionam maior
energia calorífica na mesma, causada pela alta velocidade do fluido
de perfuração e isto poderá grafitizar os diamantes.

• Perda de circulação

Poço com histórico de perda de circulação severa ou total só poderão


ser testemunhados após a correção do problema. Em casos de perda
parcial, deverão ser analisados caso a caso.

A utilização de material de combate a perda pode ser usado durante


testemunhagem, salvaguardado, a granulométrica máxima possível
de ser empregada. Vale lembrar que os diâmetros internos de
254 passagem de fluido, no barrilete, são pequenos, podendo ocorrer
entupimentos.

Observe a tabela a seguir que apresenta os referenciais para a seleção


de coroas.

Procedimento Operacional / Analise do Poço / Fluido

GUIA PARA SELEÇÃO DE COROAS

Christensen Christensen
Formação Rocha Geodrill Diamantul
Nacional Internacional

Argila GD -
CB - 17FD
Argilito CD - 772 C - 22 24FD
Mole CB - 303
Marga CD - 141D RC - 444 GD - 34
CD - 502
Sal GD - 7

Sal (halita)
CD - 573 C - 20
Coquina
CD - 473 C - 201 GD - 34 CB - 503
Folhelho
Média CD - 772 C - 22 GD - 44 CB - 302
Arenito
CD - 141 RC - 412 GD - 7 CB - 502
Calcarenito
CD - 141D RC - 444
Anidrita
Capítulo 7. Testemunhagem

Procedimento Operacional / Analise do Poço / Fluido

GUIA PARA SELEÇÃO DE COROAS

Christensen Christensen
Formação Rocha Geodrill Diamantul
Nacional Internacional

Folhelho
Arenito CD - 543 RC - 476
Media / Dura Calcário CD - 443 RC - 493 GD - 44 CB - 302
Calcisiltito CD - 473 C - 201
Calcilutito

Dibásio
Siltito
Dura / Ultradura Basalto CD - 734 C - 23 GD - 54 CB - 403
Arenito
Embasamento

Conglomerado 255
Arenito CT - 124 SC - 226
Dura / Abrasiva GD - 64 CB - 401
Sílex CT - 125 SC - 278
Quartzito

Procedimento Operacional / Analise do Poço / Fluido

Diâmetro do Diâmetro do Vazão


Série Tração Máxima (lbs)
Barrilete (pol) Testemunho (pol) Máxima (gpm)

250 - P 4 3/4" X 2 5/8" 2 1/8" 164 137.400 (250 P X 4 ¾)


Marine 6 1/4" X 3" 2 5/8" 245 290.000 (Marine)
250 - P 6 3/4" X 4" 3 1/2" e 387 275.000 (250P X 6 ¾)
250 - P 8" X 5 1/4" 4" 5 1/4" 295 322.000(250 P X 8”)

7.13. Sobre a escolha de parâmetros

Para a escolha dos parâmetros de perfuração durante a


testemunhagem, não existem regras fixas. As decisões dependerão
muito da experiência do operador. No entanto, como ponto de partida
e referência, segue a tabela abaixo obtida através da experiência dos
técnicos de testemunhagem.
Alta Competência

FORMAÇÃO PESO (T) ROTAÇÃO (RPM) VAZÃO (GPM)


FRIÁVEL 4-6 40 - 50 110
MOLE 3-5 30 - 40 140 - 145
MÉDIA 8 - 10 40 - 100 200 - 220
DURA 10 40 - 60 220 - 260

7.14. Manutenção do barrilete após a operação

Após a operação o barrilete deve ser deixado montado para


testemunhagem nas seguintes condições:

• Com componentes novos ou em condições de uso;

• Juntas externas quebradas e lubrificadas;


256
• Juntas internas quebradas e lubrificadas;

• Sapatas e extensão quebradas e lubrificadas;

• Regulagem do tubo interno feita e registrada;

• Folga do rolamento verificada e registrada;

• Rolamento e mandril lubrificados;

• Corpo do tubo externo lavado e pintado;

• Corpo do tubo interno lavado e lubrificado.


Capítulo 7. Testemunhagem

A caixa de acessórios com estoque mínimo de sobressalentes deve


conter:

• 1 rolamento;

• 1 retentor de rolamento;

• 1 sede de esfera;

• 1 extensão;

• 2 sapatas;

• 2 aranhas (catch);

• 2 o-rings superior; 257

• 2 o-rings inferior;

• 2 esferas.
Capítulo 8
Abertura
de Janela
Alta Competência

260
Capítulo 8. Abertura de janela

8. Abertura de janela

C
onjunto de operações necessárias para efetuar-se uma saída
lateral em poços revestidos com auxílio de ferramentas e
equipamentos específicos, podendo ser feita por destruição
de um trecho do revestimento e obtendo-se o desvio com uso de
ferramentas de direcional após cimentação do trecho destruído ou
com o assentamento de ferramenta defletora dentro do revestimento,
triturando-se uma parte lateral do mesmo para posterior desvio do
poço.

Os objetivos desta operação são:

• Desviar de peixe;

• Desvio de poços para melhoria da produção (horizontalização); 261

• Melhorar a produção de um poço existente;

• Potencializar os resultados de um poço multilateral planejado.

Poço multilateral
Alta Competência

8.1. Equipamentos

Os equipamentos necessários à realização da abertura de janela estão


indicados e descritos a seguir.

• Packstock - Sistema de abertura de janela com utilização


de wipstock e anchor-stock que possibilita a realização da
operação basicamente em três manobras.

• Trackmaster – Sistema de abertura de janela com utilização


de wipstock e anchor-stock que possibilita a realização da
operação basicamente em uma única manobra;

• Wipstock – Equipamento com calha defletora, packer


de borracha para vedação e cunhas para ancoragem no
revestimento, podendo ser do tipo permanente ou recuperável.
262 O assentamento pode ser mecânico ou hidráulico. Lembrando
que o tipo recuperável é utilizado também em projetos de poços
multilaterais.

• Anchor-stock - Equipamento com calha defletora e cunhas


para ancoragem no revestimento, podendo ser do tipo
permanente ou recuperável. O assentamento pode ser mecânico
ou hidráulico. Lembrando que o tipo recuperável é utilizado
também em projetos de poços multilaterais.

• Starter Mill – É a primeira ferramenta usada no sistema


packstock. Permite a descida/assentamento do wipstock ou
anchor–stock e realiza o início da abertura da janela em apenas
um dos lados do revestimento.

• Window mill – Ferramenta fresadora usada no sistema


packstock para efetuar a abertura da janela em um lado do
revestimento e realizar o inicio da perfuração do poço desviado;

• Watermellon mill - Ferramenta fresadora usada no sistema


packstock, em conjunto com a window mill, para efetuar a
retificação das bordas da janela, melhorando a passagem de
ferramentas durante a perfuração e completação do poço;
Capítulo 8. Abertura de janela

• Tri-mill – Ferramenta fresadora usada no sistema trackmaster


que permite a descida/assentamento do wipstock ou anchor–
stock e realiza a abertura/retificação da janela em um lado do
revestimento. Possui três faces para destruição/retificação e foi
projetada para utilização em formações moles e médias para
evitar ganhos de ângulo muito bruscos na saída da janela (inicio
do poço desviado);

• By-mill - Ferramenta fresadora usada no sistema trackmaster


que permite a descida/assentamento do wipstock ou anchor–
stock e realiza a abertura/retificação da janela em um lado do
revestimento. Possui duas faces para destruição/retificação e foi
projetada para utilização em formações duras e abrasivas;

• Running tool – Ferramenta utilizada nos sistemas packstock e


trackmaster para assentamento do wipstock ou anchor-stock.
Deverá ser preenchida com óleo hidráulico, e com utilização 263
de um pistão com vedação de borracha acima desse óleo, faz o
isolamento do fluido do poço. O pistão é o elemento responsável
pelo acionamento do mecanismo de assentamento do wipstock
ou anchor-stock quando é aplicada pressão sobre o mesmo;

• By-pass valve - Ferramenta utilizada basicamente no sistema


packstock com a função de permitir o abastecimento da coluna
durante a descida do conjunto wipstock ou anchor-stock,
através de orifícios de passagem de fluido. Ao ser aumentada
a vazão sobre a mesma, os orifícios se fecham permitindo a
pressurização necessária para o assentamento do conjunto
wipstock ou anchostock. Pode também ser utilizada no sistema
trackmaster quando não há a necessidade de orientação da
calha de desvio em substituição à MCBPV;

• MCBPV - Ferramenta que permite o abastecimento da coluna


durante a descida do conjunto wipstock ou anchor-stock,
através de orifícios de passagem de fluido. É uma válvula by-pass
de múltiplos ciclos, permitindo cinco ciclos para circulação com
alta vazão e baixa pressão, para orientação da calha com MWD
e um ciclo para circulação com baixa vazão e alta pressão, para
o assentamento do conjunto wipstock ou anchor-stock. Pode
ser utilizada em ambos os sistemas: packstock ou trackmaster;
Alta Competência

• MWD – Ferramenta utilizada para registrar a inclinação, direção


e tool face da calha de desvio, enviando essa informações através
do fluido utilizado no poço;

• Section mill – Ferramenta de acionamento hidráulico utilizada


para destruição de uma seção do revestimento, permitindo a
realização de uma janela, para posterior desvio do poço com
utilização de tampão de cimento e ferramentas de direcional.
Em unidades flutuantes a sua utilização é indispensável em
conjunto com o marine swivel;

• Marine swivel – Equipamento utilizado para apoiar a coluna


na cabeça de poço submarina, permitindo que a parte da coluna
abaixo do mesmo, não sofra os movimentos provocados pelo
heave e swell;

264 8.2. Condições indispensáveis para a realização da operação

Devido às dificuldades de importação dos equipamentos utilizados


na abertura de janela com utilização de wipstock ou anchor-stock, é
necessária uma previsão de até 270 dias para a realização da operação,
exceto na situação em que o desvio será realizado para abandono
de peixe no poço. Nesse caso, a viabilidade da operação dependerá
da disponibilidade em estoque dos equipamentos e ferramentas
necessários para a sua execução, sendo a previsão estimada apenas
em função da logística para envio dos materiais para a sonda.

8.2.1. Revestimento

• Qualidade da cimentação para operação com wipstock ou


anchor-stock

A qualidade da cimentação, no ponto de assentamento deverá ser a


melhor possível. Sendo vetada a realização da operação em trecho
não cimentado ou com cimentação ruim. É recomendado ainda
termos cerca de 50 metros de revestimento bem cimentado acima do
ponto de assentamento da calha defletora e cerca de 20 metros abaixo
desse ponto. Essa informação deverá sempre ser confirmada através
de perfis de cimentação (CBL/ VDL, CASTV, CBT etc., por exemplo).
Capítulo 8. Abertura de janela

Não é recomendada a realização da operação sem a utilização desses


perfis, haja vista que o ponto de abertura da janela passa a ser a nova
sapata do revestimento e como tal, deve estar bem ancorado para
garantir a integridade do novo poço a ser perfurado.

IMPORTANTE!
Vale ressaltar também que o tampão de cimento
para abandono de peixe e isolamento de zonas pro-
dutoras, principalmente com ocorrência de perda de
fontes radioativas é obrigatório em cumprimento à
legislação atual e para atendimento aos órgãos fis-
calizadores, como a ANP (Agência Nacional de Petró-
leo), por exemplo.

• Cimentação para operação com section mill 265

Tal como na operação com wipstock ou anchor-stock, a qualidade da


cimentação em toda a extensão a ser triturada (aproximadamente 40
metros) deverá ser a melhor possível. Sendo vetada a realização da
operação em trecho não cimentado ou com cimentação ruim.

É recomendado ainda, termos após a destruição, aproximadamente


50 metros de revestimento bem cimentado acima do topo da janela
e 50 metros de revestimento bem cimentado, abaixo da base. Essa
informação deverá sempre ser confirmada através de perfis de
cimentação, como CBL/ VDL, CASTV, CBT etc., por exemplo.

Não é recomendada a realização da operação sem a utilização desses


perfis, haja vista que o topo da janela passa a ser a nova sapata do
revestimento e como tal, deve estar bem ancorado para garantir a
integridade do novo poço a ser perfurado.

O motivo dessa exigência para operação com Section mill, é o


mesmo pelo qual é utilizado cimento puro para a cimentação após
a descida do revestimento no intervalo de aproximadamente 200
metros acima da sapata flutuante, garantindo uma boa qualidade
da cimentação desse intervalo e com isso, evitando queda de blocos
Alta Competência

de cimento durante a perfuração avante do poço ou desconexão da


sapata, podendo resultar na perda do poço.

Vale ressaltar também, que o tampão de cimento para abandono


de peixe e isolamento de zonas produtoras, principalmente
com ocorrência de perda de fontes radioativas é obrigatório em
cumprimento à legislação atual e para atendimento aos órgãos
fiscalizadores, como a ANP.

• Dog Leg

Para abertura de janela com wipstock ou anchor-stock, os intervalos


do revestimento com Dog Legs severos (acima de 4 graus/100 pés)
deverão ser criteriosamente analisados, ainda na fase de planejamento
prévio, pois poderão inviabilizar a perfuração do poço desviado.

266 Nesses casos, obrigatoriamente, a calha defletora deverá ser


assentada em outro intervalo com menor Dog Leg.

• Desgaste ou dano

É essencial que a junta de revestimento escolhida para assentamento


do wipstock/anchor-stock, esteja com o diâmetro interno preservado
e sem histórico de trabalhos severos com ferramentas destruidoras em
operações de pescaria. Lembrando que nas operações de destruição
com longa duração, principalmente com junk mill, é quase inevitável
um desgaste acentuado na parede interna do revestimento podendo
com isso, dificultar o travamento das cunhas do wipstock/ anchor-
stock ou permitir o giro do conjunto após efetuado o assentamento.
Nesse caso, recomenda-se efetuar o assentamento no mínimo 2 (duas)
juntas acima do ponto de desgaste.

• Condicionamento do topo do liner

Operações de assentamento de wipstock/anchor-stock em liners


somente deverão ser realizadas se o topo do mesmo estiver em
boas condições, ou seja, sem histórico de topadas e dificuldades
de passagem de ferramentas pelo mesmo. Lembrando que nos
casos em que somente se consegue passar pelo topo com aplicação
Capítulo 8. Abertura de janela

de peso e rotação, o recondicionamento é OBRIGATÓRIO devido


à impossibilidade de trabalharmos a coluna de assentamento do
wipstock/anchor-stock com peso e rotação, sob risco de rompermos
o parafuso de cisalhamento que fixa o conjunto à ferramenta
destruidora inicial (starter mill, no sistema packstock e tri-mill, no
sistema trackmaster)

• Fluido

Esta fase da operação pode ser realizada com qualquer fluido


existente no poço, haja vista que o revestimento encontra-se íntegro
e não haverá produção de detritos no poço.

Em poços profundos ou com pressões altas fora do normal, deverá ser


analisada a possibilidade de substituição do fluido de perfuração por
água do mar ou água industrial, quando sua alta reologia colocar em
risco a orientação e o correto assentamento do wipstock ou anchor- 267
stock. Lembrando que após o assentamento, o fluido original deverá
retornar ao poço antes de iniciar-se a abertura da janela, considerando
que suas propriedades atendam às necessidades do projeto do poço
a ser desviado.

A justificativa para essa substituição é a elevada pressão de bombeio


obtida com fluidos muito pesados e com alta viscosidade, que
inviabilizam a orientação da calha de desvio com utilização do MWD,
podendo até resultar em assentamento prematuro do wipstock ou
anchor-stock, tendo como consequência a perda da operação com
todos os custos envolvidos.

• Na abertura da janela

Essa etapa da operação com wipstock ou anchor-stock deverá ser


preferencialmente realizada com fluido de perfuração com uma
viscosidade suficiente para efetuar o carreamento dos detritos
produzidos pelas ferramentas destruidoras (VM ≥ 70 seg; VP≥ 20 cp
e LE≥ 20 lbf/100 ft2) e com o peso compatível com o gradiente da
formação, em ambos os sistemas (packstock e trackmaster).
Alta Competência

No sistema packstock devido ao trabalho da starter mill ser muito


reduzido, pode-se perfeitamente fazê-lo com um fluido sem nenhuma
viscosidade utilizando apenas um tampão viscoso antes da retirada
da coluna, deixando a substituição do mesmo por fluido viscoso, para
a manobra seguinte com utilização da window mill.

• Para operação com section mill

Diferente da operação com wipstock/anchor-stock, onde apenas uma


parte lateral do revestimento é triturada para posterior desvio do
poço, com a section mill é necessário destruirmos totalmente a área
transversal do revestimento, numa extensão de aproximadamente
40 (quarenta) metros. Com isso a quantidade de limalhas e cavacos de
aço produzidos durante a destruição assumem grandes proporções,
necessitando de um fluido com propriedades reológicas adequadas
para termos uma limpeza eficiente de todo o lixo produzido no
268 poço. Preferencialmente, o fluido utilizado deverá ser à base de
água com bentonita.

As propriedades do fluido, obrigatórias para essa operação são:


Viscosidade Marsh (VM) ≥ 150 seg, Viscosidade Plástica (VP) ≥ 25 cp e
Limite de Escoamento (LE) ≥ 35 lbf/100 ft2.

O peso deverá ser compatível com o gradiente da formação a ser


perfurada, conforme programa.

A utilização de fluido a base de óleo sintético deverá ser criteriosamente


analisada, haja vista que com alta viscosidade (≥ 150 seg) e quando
submetido a altas temperaturas no poço, esse fluido terá também
um alto poder de gelificação, podendo comprometer ou até impedir
o bom funcionamento hidráulico da section mill. Outro fator a
ser considerado é o abastecimento deficiente da coluna durante a
descida, efetuado apenas pelo jato central da ferramenta destruidora
(section mill), resultando num deslocamento muito grande de fluido
causado por entupimento parcial do jato.
Capítulo 8. Abertura de janela

• Sondas

As sondas onde serão realizadas as operações de abertura de janela,


com wipstock ou anchor-stock, preferencialmente deverão ter a
bordo os seguintes equipamentos:

• Top drive com limitador e indicador de torque aferido e confiável;

• Compensador de movimentos com boa capacidade de compensação


(unidade flutuante);

• Bombas de lama com capacidade de pressão de bombeio ≥ 3500


psi (para assentamento do wipstock ou anchor-stock) e quando em
operação com section mill, dispor de no mínimo dois em condições
operacionais adequadas;

269
• Indicador de peso aferido e confiável.

8.3. Equipamentos indispensáveis à operação

• Operação com Wipstock ou anchor-stock

1- MWD com taxa de vazão o mais baixo possível para obter sinal de
orientação (sistema trackmaster e/ou packstock);

1- Orient sub (sistema trackmaster e/ou packstock em poços com até


65 graus de inclinação);

1- Gyro data ou single shot magnet (sistema trackmaster e/ou


packstock em poços com até 65 graus de inclinação);

2- Conjuntos Wipstock/anchor-stock (sistema trackmaster e/ou


packstock);

2- Tri-mill ou By-mill (sistema trackmaster);

2- MCBPV (sistema trackmaster e/ou packstock);


Alta Competência

2- By-pass valve (sistema packstock);

2- Running tool (sistema trackmaster e packstock);

2- Dictch magnet (sistema trackmaster e packstock);

2- Starter mill (sistema packstock);

3- Window mill (sistema packstock);

3- Watermellon mill (sistema packstock).

• Operação com Section mill

2- Section mill montadas com braços cortadores;


270
2- Jogos de braços cortadores;

1- Marine swivel MSB-10, com camisa adaptadora específica para a


wear bushing instalada no poço;

2- Junk mill com OD superior ao OD do revestimento destruído (p/


retificação do topo em caso de dificuldade de avanço);

2- Dictch magnet;

2- Subcestas.

8.4. Condições ambientais

Principalmente para abertura de janela com utilização de calha


de desvio (wipstock ou anckor-stock) em unidades flutuantes, as
condições de mar e vento deverão ser as mais favoráveis possíveis,
principalmente durante as fases de montagem e descida do conjunto
até o ponto de assentamento, consideradas as fases mais críticas da
operação.
Capítulo 8. Abertura de janela

De uma forma geral as condições de mar e os fatores climáticos de


maior relevância para a realização da operação são:

• Heave máximo de 3 pés a cada 7 seg;

• Roll: 2 graus;

• Pitch: 2 graus;

• Vento de até 35 knots.

ATENÇÃO

Com valores superiores aos indicados anteriormente


é necessário aguardar condições operacionais
adequadas. 271
Capítulo 9
Alargamento
Alta Competência

274
Capítulo 9. Alargamento

9. Alargamento

A
técnica de alargamento de poço consiste em perfurar com broca
de diâmetro reduzido motivado por diversas razões técnicas
ou necessidades operacionais, tais como: testemunhagem,
perfilagens especiais, perfurar e alargar através de uma restrição etc.
Posteriormente, esse poço será alargado até um diâmetro que permita
descer uma coluna de revestimento previamente programada.

9.1. Formas de alargamento

Existem duas formas de alargar um poço:

1 - Hole Opening ou alargamento a partir da superfície

Executado com ferramenta de abertura fixa tem cortadores 275


conectados rigidamente no seu corpo com um diâmetro prefixado.
Poderá ser executada pelo Hole Opener ou até mesmo com uma
broca de perfuração, sendo sua execução possível somente quando
não existem restrições acima do intervalo a ser alargado.

Hole Opening
Alta Competência

As principais aplicações do Hole Opening são:

• Alargar um intervalo de poço testemunhado (coroa de


testemunhagem de 8.15/32”OD);

• Perfurar e alargar poço da Fase I Offshore (poço de 26” X 36”);

• Perfurar um intervalo de poço com diâmetro reduzido para


atravessar uma zona de interesse, a fim de obter melhores
resoluções na perfilagem, e após, alargar esse intervalo para
revestir o poço;

• Perfurar o poço com diâmetro menor, a fim de facilitar a


navegabilidade em um poço direcional, e depois, alargar esse
intervalo para revestir.

276
2 - Alargamento de um poço a partir de uma restrição

Em inglês, denominado UNDERREAMING, é a técnica de alargamento


de um poço para um diâmetro maior que uma determinada restrição
existente acima, tais como, Cabeça de Poço Submarino, Revestimento,
algum componente ou equipamento de poço assentado acima
etc. Como tal, a ferramenta utilizada para este fim é denominada
de UNDERREAMING (alargador de fundo). Sob esta ótica, todas
as ferramentas que se destinam a executar esta operação são um
underreamer, ou seja, brocas bicêntricas, RWD, NBR etc. são também
diferentes tipos de underreamers. Cada ferramenta anteriormente
citada se aplica a determinados cenários ou situações operacionais
próprios. Da mesma forma, a execução destas operações requer
conhecimentos especializados, dada as diferentes particularidades
que encerram cada tipo de ferramenta, sintomas que apresentam no
poço, cuidados especiais etc.
Capítulo 9. Alargamento

9.2. Histórico na Petrobras

No passado, a Petrobras formou em cada região de produção


(Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte) equipes de técnicos
especializados que executavam diferentes tipos de operações e,
entre elas, também alargamento de poços com underreamers. Nesta
época, as aplicações típicas eram para Gravel Packing, completação
de poços e aplicações corretivas, tais como: eliminação de chavetas
no poço, descoberta de topo do peixe perdido atrás de uma
obstrução etc.

Desde o advento das explorações em campos offshore, surgiu


a necessidade de executar as operações de UNDERREAMING,
decorrentes das seguintes razões:

• Devido ao risco de Blow-out em caso de encontrar acúmulo de


HC superficial ou mesmo influxo de água, havia a determinação 277
de só perfurar o intervalo da Fase I (cerca de 70m) sem retorno
para a superfície. Depois de assentado o Condutor de 30”, era
descido e assentado o Riser com Hydraulic Latch e Diverter e
perfurava o poço de 17.1/2” com lama e retorno para as peneiras.
Em seguida, era descido o underreamer e o poço alargado para
26”. Então, era retirado o Riser com Hydraulic Latch para descer
o revestimento de 20” com Cabeça de Poço Submarino de Alta
pressão.

A Fase II, com cerca de 250 a 500 m de extensão, só começou


a ser perfurada diretamente com broca de 26” com água do
mar e sem retorno para a superfície no início da década de 80,
após conhecer melhor a nossa área e uma campanha intensa de
perfurações de poços pilotos para a sondagem do solo.

• As primeiras plataformas de perfuração que chegaram ao


Brasil (NS-1, NS-2, SS-3 e SS-4) vieram equipadas com Sistemas
de Cabeça de Poço Submarino tipo HB-3 da Vetco, de 16.3/4”
X 10.000 psi. Desta forma, a Fase III passou a ser perfurada com
broca de 14.3/4”OD e, posteriormente, alargada para 17.1/2”
com o underreamer, para descer revestimento de 13.3/8”OD.
Estas operações eram executadas por dois técnicos da Petrobras
Alta Competência

que se revezavam (Jurandir e Expedito) que, ao mesmo tempo,


também executavam operações de Cabeça de Poço Submarino.
Nessa época, eram utilizadas as ferramentas tipo Lockomatic da
TriState e DUR do AZ. Por se tratarem de ferramentas até certo
ponto adaptadas a partir de cones de brocas soldadas, eram
operações que reservavam algumas surpresas, exigindo atenção
especial dos técnicos que as executavam.

Com a evolução dos Sistemas de Cabeça de Poço Submarino


para SG-1, SG-4 e SG-5, esta operação foi abolida, pois tornou-
se possível a passagem da broca de 17.1/2” diretamente. Os
Sistemas SG-1 e SG-4 tinham diâmetro nominal de 21.1/4” e o
Sistema SG-5, 18.3/4”.

Nesta época, foram contratadas algumas sondas em regime de


Turn-Key (NS-4 e NS-6) que vieram equipados com BOP para
278 16.3/4” X 10.000 psi. A operação de alargamento de poços
executados por estas sondas eram muito rápidas comparadas
com as nossas operações, e ao analisarmos a sua razão, chegamos
às seguintes conclu-sões:

• A NS-4 (TAINARON) perfurava o poço de 14.3/4” com água


do mar em alta vazão, arrombando muito as paredes do poço,
ficando na maioria dos trechos com diâmetro bem acima de
17.1/2”. Nesta condição, o alargamento se resumia em alguns
pequenos trechos de batentes. Por conseguinte, os perfis
geológicos obtidos nestas condições eram de péssima qualidade.

• A NS-6 (DISCOVERER 534) executava uma perfuração mais


controlada na Fase III de 14.3/4”, com melhor qualidade. A razão
de obter uma taxa de alargamento maior que que as obtidas
atualmente decorria do uso da ferramenta DTU da SERVCO/
SMITH. A sua principal particularidade residia no diâmetro
dos cones que eram bem maiores e robustos que os das nossas
ferramentas.
Capítulo 9. Alargamento

9.2.1. Resumo de algumas operações executadas na Petrobras

Poço - 7- AB - 10D-RJS / sonda - NS-9

Operação de alargamento de poço 14.3/4” para 17.1/2” de 1094


à 1977m (883m) em 29 h com duas descidas de underreamer,
encontrando problemas de enceramento e solucionado com o uso de
tampão de Spersene.

Período da operação - 07 a 09/08/ 1991

Inclinação máxima do poço no intervalo alargado: 38º.

Tipo de underreamer: DUX-13 da A-Z.

Poço - 7- MRL - 8D-RJS / NS - 11 279

Operação de alargamento de poço de 14.3/4” para 17.1/2” de 1076


a 1645 m (569 m) em 6,75 h, com uma única descida. Foi observado
enceramento intenso dos braços e STB acima, devido à falta de jatos
reversos incidindo nos cones, dificultando a sua limpeza.

Período da operação: 06 a 07/09/ 1991

Inclinação máxima do poço no intervalo alargado: 15,5º

Tipo de underreamer: DTU Serie 11.700 da SERVCO/SMITH

Poço - 3 - RJS-402D / NS - 11

Operação de alargamento de poço de 14.3/4” para 17.1/2” de 878 a


1717 m (839m) em 15,5 h, com duas descidas de underreamer.

Período da operação: 06 a 09/01/ 1992

Inclinação máxima do poço no intervalo alargado: 52,1º

Tipo de underreamer: DTU Serie 11.700 da SERVCO/SMITH


Alta Competência

Poço - 7- MRL - 24D - RJS / NS - 11

Operação de alargamento de poço 14.3/4” para 17.1/2” de 1310 a


1813m (503m) em 15,5 h, com duas descidas de underreamer.

Período da operação: 22 à 26/11/ 1992

Inclinação máxima do poço no intervalo alargado: 24,6º

Tipo de underreamer: DTU Serie 11.700 da SERVCO/SMITH

280

Underreamer DTU da SMITH


Capítulo 9. Alargamento

9.2.2. Evolução das ferramentas a partir da década de 90

O tabu contra o alargamento de poços não é exclusividade da Petrobras.


Vários técnicos de outras companhias de petróleo vinham criticando
e evitando estas operações. Entre as grandes companhias de serviço,
a única que realmente investiu pesado no desenvolvimento de novas
ferramentas para viabilizar esta técnica foi a SMITH. Assim, surgiu
no início de 90, a família de ferramentas underreamer REAMASTER,
nascido do zero segundo palavras do fabricante.

281

REAMASTER
Alta Competência

A sua principal inovação é a utilização de apenas dois braços


cortadores que permitiram utilizar cones de diâmetro próximo ao
das brocas equivalentes, com as vantagens de poder incorporar todo
o avanço tecnológico obtido nas melhorias da sua estrutura cortante
e rolamentos com vida útil maior.

A partir da análise dos principais pontos fracos observados nas


ferramentas e operações realizadas no passado, foram introduzidas
melhorias contínuas nesta serie de ferramenta REAMASTER, tais
como, forjado único para os braços cortadores (sem solda), mancal
com inclinação apropriada para o ângulo de abertura dos braços,
único pino de articulação com diâmetro quase três vezes maior que as
antigas e com a hidráulica compatível com vários jatos direcionados
para os pontos críticos onde, tradicionalmente, ocorriam acúmulos
de argilas plásticas, eliminando o seu enceramento.

282 Na Petrobras, adquirimos um acervo completo de ferramentas para


fazermos frente à campanha de perfuração de poços HPHT que
estavam programados em meados da década passada (em torno de
6 poços), podendo este número aumentar consideravelmente, caso
se descobrisse acumulações de HC comercial. Assim, temos hoje em
estoque, as seguintes séries de ferramentas e acessórios:

• Underreamer Reamaster Serie 16000, que a partir do poço de


17.1/2”, alarga até 26”;

• Underreamer Reamaster Serie 11750, que a partir do poço de


12.1/4”, alarga até 19”;

• Underreamer Reamaster Serie 9500, que a partir do poço de


10.5/8”, alarga até 16”;

• Underreamer Reamaster Serie 8250, que a partir do poço de


8.1/2”, alarga até 15”.
Capítulo 9. Alargamento

Além destas ferramentas, iniciamos na Petrobras a utilização de


brocas bicêntricas. Inicialmente era uma broca tricônica com o
seu pino ligeiramente descentralizado. A sua principal aplicação
na época era atravessar zonas de sal e argilas bastante instáveis,
onde imediatamente depois de perfurado pela broca, ocorriam
acomodações bruscas das tensões, com o fechamento do seu
diâmetro e a retenção da broca. Nesta situação, a única ferramenta
que permitiu atravessar este tipo de formações foi a broca bicêntrica.

Com a evolução da tecnologia de cortadores PDC, esta ferramenta


passou a sofrer melhorias contínuas, porém, na Petrobras só
encontramos aplicação específica para perfurar zonas extensas
de sal. Os testes realizados com estas brocas para viabilizar uma
alternativa de alargamento de poços HPHT não tiveram êxito, devido
às formações atravessadas serem extremamente duras e abrasivas,
mesmo quando se trata de poço vertical.
283
Desde então, após análises sistemáticas destas ocorrências junto
com o fabricante, promovemos uma melhora substancial nos
seus componentes, com braços cortadores, utilizando a melhor
tecnologia de corte existente para as brocas, melhor entendimento
dos BHA recomendados para estas situações. Porém, não tivemos
mais a oportunidade de consolidar este conhecimento, devido a se
evitar sistematicamente estas operações no âmbito da Petrobras,
prejudicando a nossa curva de aprendizado nesta técnica. As
operações que viemos realizando com estas ferramentas a partir daí
foram todas em situações corretivas do poço com pequenos intervalos
e perfuração de zonas de sal.
Alta Competência

1. Brocas bicêntricas

Vantagens Desvantagens

Não alarga poço pré-perfurado. Isto


impossibilita repassar o intervalo do
poço em que o alarga-mento não ficou
Não têm partes móveis. Isto minimiza a
satisfatório.
possibilidade de ocorrência de quebras
no poço. Não permite a utilização de perfis Neutron e
Sônico. Estes perfis só podem ser corridos no
Alarga enquanto perfura. Lembrar que
poço com diâmetro menor que 14.3/4”.
só é válido como vantagem, se conseguir
executar esta o-peração com um tempo Limitada ao uso de cortadores PDC.
menor que a obtida para perfurar o poço
Necessita de uma formação suficientemente
piloto e posterior alargamento
estável, que sustente o seu piloto, a fim de
promover a ação de manivela para alargar
o poço.
284
Observe a ilustração a seguir.

Broca bicêntrica
Capítulo 9. Alargamento

2. RWD

Duas companhias de serviço apresentaram esta ferramenta de


alargamento de poço: BAKER e SMITH BITS destinadas às operações
de alargamento de poços.

285

RWD da Baker

Veja as vantagens e desvantagens do uso desta ferramenta.

• Vantagens

• Não tem partes móveis. Da mesma forma que as brocas bicêntricas,


é minimizada a possibilidade de deixar partes da ferramenta no poço,
só sendo possível com a sua quebra, que neste caso, é manufaturado
através de uma peça inteiriça;

• Alarga enquanto perfura. Desde que consiga realizar esta operação


com um tempo menor que a obtida para perfurar o poço piloto e
posterior alargamento, isto é válido;
Alta Competência

• Permite colocar os perfis LWD Neutron e Sônico na sua cauda


(piloto). Consiste em uma vantagem em relação às brocas bicêntricas,
pois o poço piloto é de diâmetro 8.1/2”, onde é instalado o STEERING
TOOL, MWD e LWD.

• Desvantagens:

• Não alarga poços pré-perfurados. Da mesma forma que nas


brocas bicêntricas, caso necessite repassar um intervalo que não
ficou com o diâmetro satisfatório, deveremos contar com outra
ferramenta para tal;

• Limitada ao uso de cortadores PDC;

• Necessita de estabilidade do piloto (poço piloto deverá ser bem


calibrado). A ação de manivela que promove o alargamento do
286 poço pelas aletas cortadoras necessita que a sua parte inferior entre
justo no poço piloto aberto pela sua cauda, pois caso contrário, fica
prejudicada a ação de alargamento. Assim sendo, para formações
muito instáveis ou desmoronáveis ela não seria adequada.

3. NBR (Near Bit Reamer) ou String Reamer

Apenas a Halliburton apresentou esta modalidade de ferramenta.


Porém, soubemos posteriormente que existem duas outras
companhias com ferramentas muito semelhantes à apresentada
pela Halliburton. Existem duas configurações para esta ferramenta:
instalada logo acima da broca (Near Bit Reamer) e instalada acima de
uma cauda de menor diâmetro, onde são instalados os componentes
de navegação (Geopi-lot, MWD, etc) e de perfis geológicos (LWD).

• Vantagens

• Alarga enquanto perfura. Este item só é válido se executado em um


tempo menor que o obtido para perfurar o poço piloto e o posterior
alargamento.

• Alarga poço pré-perfurado (contingência para o Underreamer),


esta é, sem dúvida, a inovação técnica.
Capítulo 9. Alargamento

• Não necessita poço piloto calibrado ou estabilidade da formação.


Como esta ferramenta funciona basicamente como um Near Bit ou
String Stabilizer expansível, o fato de termos um poço arrombado não
inviabiliza o seu funcionamento, sendo uma vantagem em relação à
broca bicêntrica e RWD.

• Permite a colocação de perfis Neutron e Sônico na sua cauda (piloto).


Como a sua cauda abre um poço de 12.1/4”, possibilita a instalação
de componentes exigidos pela geologia, tais como: perfis Neutron e
Sônico.

• Desvantagens

• Só utiliza cortadores de PDC. Em formações onde não se aplica


cortador de PDC, fica impossibilitada a sua utilização.

• Não possui jatos nos braços (enceramento, desgaste prematuro dos 287
cortadores).

• Limita-se à abertura para 14”. Caso necessitemos abrir poço para


um diâmetro maior que 14”, teremos que buscar outra ferramenta.

• Mecanismo de abertura dos braços é independente. Não assegura


a abertura de todos os braços, podendo ficar um ou dois braços
fechados, prejudicando a operação. O sintoma na superfície de que
os braços foram abertos é duvidoso.

• Tem partes móveis. A nossa impressão é que seus componentes


móveis são bastante frágeis.

• Observações importantes

Trata-se de uma ferramenta de concepção nova, que utiliza um


mecanismo de alargamento inovador. É uma ferramenta que poderá
substituir os nossos underreamers em operações de alargamento de
poços, que exigem a abertura para diâmetros próximos das restrições
existentes acima.
Alta Competência

A SMITH desenvolveu diversos componentes para possibilitar estes


tipos de operações com o Underreamer REAMASTER, tais como: o
uso de Soft Piston, que desvia o fluxo de circulação preferencialmente
para a broca existente na sua cauda. Com isto, possibilita cortar
os acessórios de revestimento com a broca, sem abrir os braços
cortadores. Uma vez atingida a profundidade do Rat Hole com o
Underreamer, é lançado um plugue que vedaria a passagem pelo
pistão numa proporção que permitirá abrir os braços cortadores
do underreamer, passando a perfurar e alargar simultaneamente.
Quando necessitar atravessar um intervalo de poço com diâmetro
reduzido para propiciar melhor resolução dos perfis geológicos ou
melhor navegabilidade do poço, é retirado este plugue com auxílio
de wireline, desviando o fluxo de circulação da ferramenta para
perfurar com os braços cortadores fechados.

Existem hoje quatro grandes soluções técnicas para as operações de


alargamento de fundo do poço (Underrea-ming). São eles:
288

• o Underreamer REAMASTER (SMITH SERVICES);

• a Broca bicêntrica (DPI, SMITH BITS e HALLIBURTON);

• RWD (BAKER e SMITH BITS);

• NBR ou String Reamer (HALLIBURTON, ANDER-GAUGE E SMITH


SERVICES).

Cada qual tem uma aplicação especifica para cada cenário operacional,
onde apresenta vantagens técnicas e econômicas em relação aos
demais. Ao promovermos esta análise da técnica de alargamento
de poços como um todo, buscamos obter num futuro próximo, o
completo domínio destas técnicas, para possibilitar a execução dos
mesmos em condições ótimas e seguras para a nossa Empresa. Para
isto, deveremos empreender um processo de aprendizado contínuo,
para acompanhamento operacional de todas as futuras operações
que vierem a ocorrer nas nossas áreas, para formar uma curva de
aprendizado consistente, bem como, para os estudos de casos
históricos de campo ocorridos mundo afora, e eventuais viagens
para fora do país, para acompanhar operações onde estejam sendo
aplicadas soluções que interessem à nossa área.
Exercicios

Exercícios

1) Responda às questões que se seguem.

a) Quantas e quais são as operações especiais?

____________________________________________________________
_____________________________________________________________

b) O que significa “pescaria na indústria do petróleo?

____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
_____________________________________________________________

c) Quais são as causas que justificam a pescaria?


289
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
_____________________________________________________________

d) Como se classificam as ferramentas de pescaria?

____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
_____________________________________________________________

e) O que é o Welltesting?

____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Alta Competência

2) Sobre o Welltesting e suas aplicações, escreva V para as sentenças


verdadeiras e F para as falsas.

( ) O Teste de Formação Repetitivo (RFT) refere-se ao uso das


ferramentas de teste que são descidas a cabo em poço aber-
to. Elas possuem um sistema de válvulas e câmaras que irão
registrar as pressões estáticas da formação e obter peque-
nas amostras do fluido.
( ) O Teste de Produção (TP) caracteriza-se pela abertura (flu-
xo) e pelo fechamento (estática), feitos na superfície e não
no fundo como nos demais testes e tem como objetivo de-
terminar o volume e a vazão da câmara de estocagem de-
pois do fluxo (after-flow).
( ) O Teste de Identificação de Fluidos (TIF) tem por objetivo
controlar a operação de medição da produção, vazões de
óleo e gás na superfície, incluindo medições de RGO e amos-
290 tragem de superfície para recombinação em laboratório.

( ) Podemos citar como alguns dos objetivos gerais do Welltes-


ting: determinar a natureza dos fluidos produzidos e suas
mútuas proporções; definir a produtividade do poço; ava-
liar as características da formação produtora, entre outros.

( ) Os Equipamentos de Superfície têm por objetivo proporcio-


nar condições de armazenamento dos fluidos produzidos
nas operações de avaliação de formação.
Exercicios

3) Assinale a opção correta.

a) É correto afirmar que os dados obtidos com o Welltesting são:

( ) Tipo de fluido contido no intervalo; vazão de fluidos; pres-


sões de fluxo e estática; permeabilidade efetiva, dano ou
barreiras de permeabilidade;

( ) Tipo de fluido contido no intervalo; vazão de fluidos; pres-


sões de fluxo e estática; permeabilidade efetiva; existência
ou não de depleção, dano ou barreiras de permeabilidade;

( ) Tipo de fluido contido nas paredes do poço; vazamento de


fluidos; pressões de fluxo e estática; permeabilidade efe-
tiva; existência ou não de depleção, dano ou barreiras de
permeabilidade;

( ) Temperatura de fluido contido no intervalo; vazão de flui-


dos; pressões de fluxo e estática; permeabilidade seletiva;
existência ou não de depleção, dano ou barreiras de per- 291
meabilidade.

b) A partir dos dados anteriores obtidos quando o teste funciona


perfeitamente, torna-se possível decidir, com maior segurança sobre:

( ) a completação ou não do poço;

( ) o abandono do poço;

( ) o abandono temporário do poço;

( ) a necessidade de revestimento e cimentação.

c) O Teste de Formação tem como objetivos:

( ) Checar a eficiência da completação e de qualquer estimula-


ção que venha a ser realizada no poço;
( ) Definir a produtividade do poço;
( ) Avaliar as características da formação produtora;
( ) Qualificar e quantificar a produtividade do fluido existente
no intervalo pesquisado.
Alta Competência

d) O abandono temporário é feito:

( ) Após o isolamento do poço através de tampões de cimento


e da liberação do menor revestimento para o maior;
( ) Antes do isolamento do poço através de tampões de cimen-
to e da liberação do menor revestimento para o maior;
( ) Durante o isolamento do poço através de tampões de ci-
mento e da liberação da maior pressão para a menor;
( ) Após a liberação do poço através do uso de brocas e da li-
beração do menor revestimento para o maior.

e) O abandono temporário consiste:

( ) na desconexão do sistema de superfície e na retirada dos


revestimentos da plataforma até a cabeça do poço;
( ) na desconexão do sistema de suspensão no fundo do mar
292 e na retirada dos revestimentos da coluna até a cabeça do
poço;
( ) na desconexão do sistema de suspensão no fundo do mar
e na retirada dos revestimentos da plataforma até a cabe-
ça do poço, em seguida, são colocadas capas de abandono
nos revestimentos;
( ) no religamento do sistema de suspensão do navio e na
retirada dos revestimentos da plataforma até a cabeça do
poço, em seguida, são colocadas capas de abandono nos
revestimentos.
Exercicios

4) Complete as lacunas corretamente.

a) O tie back ou retorno ao poço é feito retirando-se as ________


colocadas nos ____________________, descendo-se novos revesti-
mentos e acoplando-os ao equipamento de ____________________
do fundo mar.

b) O tie back é feito do ________ revestimento para o menor que


é o de ____________________.

c) A testemunhagem é uma operação especial feita no poço du-


rante a ____________________, utilizando um equipamento espe-
cial denominado ____________________.

d) O barrilete possui comprimentos e diâmetros variáveis e consis-


te na obtenção do testemunho, que por sua vez, é uma amostra
cilíndrica da _____________________________________ com altera-
ções mínimas nas suas __________________________________.

e) O testemunho é levado aos laboratórios e testes são efetuados 293


para obterem informações a respeito da ____________________,
textura, ____________________, ____________________, saturação
de óleo e água etc.
Alta Competência

5) Correlacione corretamente as colunas com as informações referen-


tes às operações de abertura de janela e alargamento.
1 - Abertura de ( ) Executado com ferramenta de abertura fixa
janela tem cortadores conectados rigidamente
no seu corpo com um diâmetro prefixado.
2 - Objetivos ( ) Em inglês, denominado UNDERREA-
da abertura de MING, é a técnica de alargamento de
um poço para um diâmetro maior que
janela
uma determinada restrição existente
acima, tais como, Cabeça de Poço Sub-
marino, Revestimento, algum compo-
nente ou equipamento de poço assen-
tado acima etc.
3 - Alargamento ( ) A técnica de alargamento de poço consiste
de poço em perfurar com broca de diâmetro
reduzido motivado por diversas razões
técnicas ou necessidades operacionais,
tais como: testemunhagem, perfilagens
especiais, perfurar e alargar através de
294
uma restrição etc.
4 - Hole ( ) Conjunto de operações necessárias para
Opening efetuar-se uma saída lateral em poços
revestidos com auxílio de ferramentas
e equipamentos específicos, podendo
ser feita por destruição de um trecho do
revestimento e obtendo-se o desvio com
uso de ferramentas de direcional após
cimentação do trecho destruído ou com
o assentamento de ferramenta defletora
dentro do revestimento, triturando-se
uma parte lateral do mesmo para posterior
desvio do poço.
5 - Alargamento ( ) Desviar de peixe; desvio de poços para
de um poço a melhoria da produção (horizontalização);
melhorar a produção de um poço
partir de uma
existente; potencializar os resultados de
restrição um poço multilateral planejado
Glossário

Glossário
Acunhamento - fenômeno típico de formações friáveis, moles e fraturadas.
Acontece em rocha hidratável que com o tempo se expande prendendo a coluna.

Bizelador - equipamento especialmente projetado para efetuar corte especial.

Coalescência - em Welltesting é a junção de gotículas de líquidos (água/óleo) em


suspensão que se chocam em uma placa de coalescencia interna, produzindo assim
o gás seco.

Contrapinados/ contrapino - parafuso retentor instalado num orifício de um pino


maior, a fim de impedir um desacoplamento acidental.

Fator Skin - dano na formação.

Friável - formação rochosa mole, desagregada.

295
Alta Competência

Bibliografia
ARRUDA, Walter. Prevenção de Pescaria –. 2009. SE/Aracaju: Apostila Petrobras.

Drill Bits & Core Bits – Christensen Roder. 1996. Rio de Janeiro: Christensen Roder.

ELHERS, Marcelo. Atividades de soldagem na pescaria – SE/Macaé: Apostila


Petrobras. 2010

FEITOSA, Anselmo Correia Restauração de revestimento –Ano 2006, SE/Aracaju,


Apostila feita na Petrobras.

KISHI, Roberto. Pescaria – História da atividade e Pescaria em poço aberto -.. SE/
Macaé: Apostila Petrobras. 2008

Resumo do Manual Eletrônico de Testemunhagem – SEREC\CEN-NOR – Outubro


de 1999

SILVA, Helio Oliveira da Ferramentas de Pescaria. SE/Mossoró: Apostila Petrobras.


2006
296
SOA, Irineu – chave PMD7. Apresentação em Power Point. 2008, Forum Operações
Especiais, Salvador

CATÁLOGO DA HALLIBURTON. 1977

PRODEPER. Guia técnico. 1989

TOOLS CAT - Catálogo de ferramentas. Houston: Bowen Tools. 1998


Gabarito

Gabarito
1) Responda às questões que se seguem.

a) Quantas e quais são as operações especiais?

As Operações Especiais são nove: Pescaria; Teste de Formação; Testemunhagem;


Welltesting; Wireline; Alargamento; Abandono; Tie Back e Abertura de Janela.

b) O que significa “pescaria na indústria do petróleo?

Na Indústria do Petróleo a palavra pescaria significa o conjunto de operações


executadas, a fim de recuperar ferramentas que ficam presas ou objetos retidos
no poço depois de uma queda.

c) Quais são as causas que justificam a pescaria?

Toda pescaria apresenta basicamente uma característica acidental e, como


qualquer acidente, pode ter origem dentre as seguintes causas: falhas humanas
(inobservância de parâmetros básicos e das recomendações técnicas; deficiência
de material (desgaste em geral, fadiga) e condições adversas (desmoronamento,
fechamento do poço, perda de circulação, desvio acentuado).

d) Como se classificam as ferramentas de pescaria? 297


Os tipos de ferramentas de pescaria são: recuperação de peixes tubulares;
recuperação de peixes não tubulares; destruidoras; retificadora de revestimento e
restauradora de revestimento.

e) O que é o Welltesting?

Chamamos de Welltesting na indústria de petróleo ao conjunto de estímulos


e respostas de um determinado reservatório com a finalidade de medir suas
propriedades físicas.
Alta Competência

2) Sobre o Welltesting e suas aplicações, escreva V para as sentenças verdadeiras e


F para as falsas.

( V ) O Teste de Formação Repetitivo (RFT) refere-se ao uso das ferramentas de


teste que são descidas a cabo em poço aberto. Elas possuem um sistema de
válvulas e câmaras que irão registrar as pressões estáticas da formação e
obter pequenas amostras do fluido.

( V ) O Teste de Produção (TP) caracteriza-se pela abertura (fluxo) e pelo


fechamento (estática), feitos na superfície e não no fundo como nos demais
testes e tem como objetivo determinar o volume e a vazão da câmara de
estocagem depois do fluxo (after-flow).

(F) O Teste de Identificação de Fluidos (TIF) tem por objetivo controlar a


operação de medição da produção, vazões de óleo e gás na superfície,
incluindo medições de RGO e amostragem de superfície para recombinação
em laboratório.
Justificativa – O Teste de Medição de Produção (MP) tem por objetivo
controlar a operação de medição da produção, vazões de óleo e gás na
superfície, incluindo medições de RGO e amostragem de superfície para
recombinação em laboratório.

( V ) Podemos citar como alguns dos objetivos gerais do Welltesting: determinar


298 a natureza dos fluidos produzidos e suas mútuas proporções; definir a
produtividade do poço; avaliar as características da formação produtora,
entre outros.

(F) Os Equipamentos de Superfície têm por objetivo proporcionar condições


de armazenamento dos fluidos produzidos nas operações de avaliação de
formação.
Justificativa - Os Equipamentos de Superfície têm por objetivo proporcionar
condições de escoamento dos fluidos produzidos nas operações de
avaliação de formação.

3) Assinale a opção correta.

a) É correto afirmar que os dados obtidos com o Welltesting são:

( ) Tipo de fluido contido no intervalo; vazão de fluidos; pressões de fluxo e


estática; permeabilidade efetiva, dano ou barreiras de permeabilidade;

( X ) Tipo de fluido contido no intervalo; vazão de fluidos; pressões de fluxo e


estática; permeabilidade efetiva; existência ou não de depleção, dano ou
barreiras de permeabilidade;

( ) Tipo de fluido contido nas paredes do poço; vazamento de fluidos; pressões


de fluxo e estática; permeabilidade efetiva; existência ou não de depleção,
dano ou barreiras de permeabilidade;

( ) Temperatura de fluido contido no intervalo; vazão de fluidos; pressões de


fluxo e estática; permeabilidade seletiva; existência ou não de depleção,
dano ou barreiras de permeabilidade.
Gabarito

b) A partir dos dados anteriores obtidos quando o teste funciona perfeitamente,


torna-se possível decidir, com maior segurança sobre:

( X ) a completação ou não do poço;

( ) o abandono do poço;

( ) o abandono temporário do poço;

( ) a necessidade de revestimento e cimentação.

c) O Teste de Formação tem como objetivos:

( ) Checar a eficiência da completação e de qualquer estimulação que venha a


ser realizada no poço;

( ) Definir a produtividade do poço;

( ) Avaliar as características da formação produtora;

( X ) Qualificar e quantificar a produtividade do fluido existente no intervalo


pesquisado.

d) O abandono temporário é feito:

( X ) Após o isolamento do poço através de tampões de cimento e da liberação


do menor revestimento para o maior; 299
( ) Antes do isolamento do poço através de tampões de cimento e da liberação
do menor revestimento para o maior;

( ) Durante o isolamento do poço através de tampões de cimento e da


liberação da maior pressão para a menor;

( ) Após a liberação do poço através do uso de brocas e da liberação do menor


revestimento para o maior.

e) O abandono temporário consiste:

( ) na desconexão do sistema de superfície e na retirada dos revestimentos da


plataforma até a cabeça do poço;

( ) na desconexão do sistema de suspensão no fundo do mar e na retirada dos


revestimentos da coluna até a cabeça do poço;

( X ) na desconexão do sistema de suspensão no fundo do mar e na retirada


dos revestimentos da plataforma até a cabeça do poço, em seguida, são colocadas
capas de abandono nos revestimentos;

( ) no religamento do sistema de suspensão do navio e na retirada dos


revestimentos da plataforma até a cabeça do poço, em seguida, são colocadas
capas de abandono nos revestimentos.
Alta Competência

4) Complete as lacunas corretamente.

a) O tie back ou retorno ao poço é feito retirando-se as capas colocadas nos


revestimentos, descendo-se novos revestimentos e acoplando-os ao equipamento
de suspensão do fundo mar.

b) O tie back é feito do maior revestimento para o menor que é o de produção.

c) A testemunhagem é uma operação especial feita no poço durante a perfuração,


utilizando um equipamento especial denominado barrilete.

d) O barrilete possui comprimentos e diâmetros variáveis e consiste na obtenção do


testemunho, que por sua vez, é uma amostra cilíndrica da rocha de subssuperfície
com alterações mínimas nas suas propriedades naturais.

e) O testemunho é levado aos laboratórios e testes são efetuados para obterem


informações a respeito da litologia, textura, porosidade, permeabilidade, saturação
de óleo e água etc.

5) Correlacione corretamente as colunas com as informações referentes às operações


de abertura de janela e alargamento.

1 - Abertura de (4) Executado com ferramenta de abertura fixa tem cor-


janela tadores conectados rigidamente no seu corpo com
um diâmetro prefixado.
300
2 - Objetivos (5) Em inglês, denominado UNDERREAMING, é a técnica
da abertura de de alargamento de um poço para um diâmetro maior
janela que uma determinada restrição existente acima, tais
como, Cabeça de Poço Submarino, Revestimento, al-
gum componente ou equipamento de poço assenta-
do acima etc.
3 - Alargamento (3) A técnica de alargamento de poço consiste em per-
de poço furar com broca de diâmetro reduzido motivado por
diversas razões técnicas ou necessidades operacio-
nais, tais como: testemunhagem, perfilagens espe-
ciais, perfurar e alargar através de uma restrição etc.
4 - Hole Ope- (1) Conjunto de operações necessárias para efetuar-se
ning uma saída lateral em poços revestidos com auxílio de
ferramentas e equipamentos específicos, podendo
ser feita por destruição de um trecho do revestimen-
to e obtendo-se o desvio com uso de ferramentas de
direcional após cimentação do trecho destruído ou
com o assentamento de ferramenta defletora dentro
do revestimento, triturando-se uma parte lateral do
mesmo para posterior desvio do poço.
5 - Alargamento (2) Desviar de peixe; desvio de poços para melhoria da
de um poço a produção (horizontalização); melhorar a produção
partir de uma de um poço existente; potencializar os resultados de
restrição um poço multilateral planejado