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Fichamento

Introdução à Patrística: Vida, obras e doutrina cristã nos primeiros anos


da Igreja
Figueiredo, Fernando Antônio. 2º Ed. Petrópolis, RJ: Vozes,2009.

Pg. 13,14 Introdução


O texto inicia abordando a temperatura da religião oficial na segunda
metade do primeiro século em Roma. A tese defendida é a de um declínio
religioso entre os romanos, a religião distanciada do sentimento religioso do
povo, que de acordo com o autor foi buscar outros canais para expressar. O
autor cita S. Agostinho em (Civita Dei 5,2), onde há um testemunho acerca da
religião oficial naquele período; os deuses perecem não por um ataque externo,
mas pela indiferença dos cidadãos”.
As correntes filosóficas predominantes da época, epicurismo, estoicismo
e neopitagorismo insistiam na superação da religião dos antepassados. Há
predominância de um tipo de culto interiorizado (tipo de espiritualidade), em
detrimento dos ritualistas e populares. É nesse contexto, que começa a prática
de cultos de mistérios, que oferecia proteção sobre os indivíduos. Neste clima
há a invasão das religiões orientais que se espalham por todo o império. Estas
duas vertentes de religiões descritas acima, são religiões de salvação, sendo a
oriental de carácter escatológico também.
Destaca o autor que o cristianismo chega à Roma nesse clima de
pluralismo religioso. O cristianismo não é uma síntese das conexões históricas
da Antiguidade; nem a vitória de uma corrente religiosa sobre às demais. Mas,
uma novidade naquele ambiente. Tinha em si uma mensagem, mas, não se
resumia a um conceito ou o conjunto de verdades intelectuais.
Pg. 15,16,17 Características deste período e inícios da literatura cristã
1. Elementos presentes na definição de teologia patrística:
A literatura cristã nasce como resposta a necessidade de colocar por
escrito as “memórias do Senhor”. Esta literatura tem seu desenvolvimento a
partir das exigências das comunidades, tendo como objetivo alimentar a sua
fé.
a) O fato de uma literatura cristã
A fé cristã nasce de uma palavra oral, de um testemunho, um
ensinamento dado à viva voz. Sendo colocado por escrito a partir dos
ensinamentos apostólicos, para apoiar a proclamação do Evangelho,
através de escritos dos apóstolos e seus discípulos; entretanto, sem o
objetivo inicial de formar um corpo de literatura cristã.

 Três ocasiões propiciaram o surgimento de tais escritos

1. A necessidade de comunicação entre Igrejas, com a intenção


particularmente exortativa e catequética (destacam-se, os escritos de S.
Clemente de Roma, S. Inácio de Antioquia, Didaquê, Epistolas a Barnabé,
Epistola a Diogneto e o Pastor de Hermas, I, II Séc.).
2. A necessidade de testemunhar, diante de autoridades pagãs sua fé em
Cristo (atas dos mártires).

3. A necessidade de responder às acusações das autoridades e dos


intelectuais pagãos e aos escritores gnósticos, como Basílides, Valentim,
Tolomeo e Heracleão.

O século III inicia-se estudos mais sistemáticos e aprofundados acerca


da revelação com S. Irineu, que irão trazer grandes marcas as duas escolas
teológicas da antiguidade, Alexandria com Clemente de Alexandria (+215) e,
principalmente Orígenes (+ 254) com sua vasta lista bibliográfica. Já na escola
de Antioquia, temos como representantes principais, Luciano de Antioquia
(+312), Diodoro de Tarso (+384), S. João Crisóstomos (+407) Teodoro de
Mopsuéstia (+428) e Teodoreto de Ciro (+460).
Após o concílio de Niceia se passa da necessidade à vontade de fazer
uma obra literária cristã, a partir deste momento começa a surgir as grandes
exposições da fé católica, no Oriente como Ocidente.

 Escritores no Oriente:
S. Atanásio - defesa dos dogmas cristológicos (+373);
S. Gregório de Nazianzo (+390) e S. Gregório de Nissa (+395) – conduzem com
seus escritos ao I Concílio Ecumênico de Constantinopla;
S. Cirilo de Alexandria (+444) e S. João Damasceno (+749).
 Escritores no Ocidente:

Tertuliano no norte da África, que escreve as principais instituições da Igreja


(+202);

S. Cipriano em Cartago, que trata da unidade da Igreja (+258);

Na Itália S. Ambrósio (+397), S. Jerônimo, o grande biblista (+420);

Em Hipona S. Agostinho (+430), ainda temos O Papa S. Leão Magno (+460)


que orientará com sua Epistola a Flaviano, o concílio Ecumênico de
Calcedônia.

De acordo com o autor nos séculos V, VI devido as invasões bárbaras


surge a necessidade de preservar a tradição cristã. Surge a vida monacal que
desenvolve e cria suas raízes na vida Igreja. Por fim, no período patrístico
surgem os grandes missionários como S. Columbano (+550/561) em
sequência S. Bonifácio (+754), grande apóstolo do Germanos. E já no final do
período patrístico, destaca-se o Papa S. Gregório Magno fortalecendo
internamente a Igreja (+604), S. Beda, o venerável que abri as portas para a
Idade Média (+735)

b. Testemunho da vida da Igreja nascente


A literatura patrística se distingue da sagrada escritura, pois esta, tem
em si, o carácter de inspiração divina. Entretanto, a literatura dos pais tem
duas caraterísticas que a distinguem bem; a ortodoxia e a autoridade
eclesiástica.
O autor destaca o fato desta literatura cristã primitiva ter viés doxológico,
enquanto a do NT tinha um aspecto mais escatológico. Só após Niceia é que se
entende a necessidade de desenvolver os grandes tratados cristológicos.

c. As origens como momento privilegiado

O lugar e a época dos padres da Igreja têm valor singular por está muito
próximo do período histórico que Jesus viveu, bem como pela pouca
transformação na vida da Igreja naquela época. O retorno as fontes não
indicam uma falta de progresso, mas, como uma realidade importante na vida
cristã.
O período patrístico se encerra no oriente como S. João Damasceno (+750) e
no ocidente (+636) com S. Isidoro de Sevilha. Estes se notabilizaram por terem
feito uma síntese do pensamento teológico precedente.

2. Aspectos típicos e panorama gera das Era Patrística

Com a vasto período da vida cristã, o cristianismo se expande para além


do império romano, essa extensão geográfica, tornava difícil a homogeneidade
n a formulação doutrinária.
 Visão geral no aspecto teológico:
Nota-se cera diferença entre Oriente e Ocidente. Roma e as igrejas ligadas a
ela, expande-se numa relativa independência em relação às Igrejas do Oriente.
Isto fica evidenciado nas celebrações litúrgicas, profissões de fé e na atitude
doutrinária.
Os teólogos orientais nessa época são mais especulativos e ligados ao
pensamento filosófico, já os ocidentais, são mais preocupados em expor as
regras e profissões de fé, com uma superiodade da fé sobre a razão.
Outra característica marcante nos teólogos orientais repousa no fato de
enfatizarem mais os aspectos místico dos mistérios de Deus, a partir das
escrituras e tradição. Fazem teologia de modo sapiencial, sendo conduzidos ao
êxtase e à contemplação.
 O aspecto histórico-político
Tem como marco a união da Igreja ao Império Romano realizado por
Constantino entre (306-337). A Igreja sai de uma realidade perseguida, para
tolerada e depois religião oficial. Passando a gozar de muitos favores do
Estado.
Este período carrega em si outra característica singular, a Igreja que outrora
era livre para tomar suas decisões, passa a ter como líder nacional o
imperador. Que passa a ser o guia do povo a Deus. forçando a Igreja trabalhar
na unificação e consolidação do império.
a. Das origens ao Concílio de Niceia (325)
Nos dois primeiros séculos três grandes períodos:
 antes do ano 125 produção de literatura cristã não os livros canônicos
do NT, poucos autores, que escrevem uma literatura que reflete o espírito da
Igreja nestes primeiros anos. É uma fase de instrução recíproca, onde os
autores transmitem expressões, teologia e orientações das primeiras
comunidades cristãs.
 O segundo período é a fase onde a Igreja tem que se defender de ensino
heterodoxos, surgindo assim apologista de 125-190, gregos como S, Justino
Mártir. Combate ao montanismo e ao agnosticismo com destaque para S.
Irineu de Lyon.
 O terceiro período 190-325 sendo conhecido como pleno desabrochar da
literatura antinicena. Tertuliano, S. Cipriano, Orígenes, Clemente de Roma.

b. Após o Concílio de Niceia


O autor apresenta aqui a fase da grande “mudança constantiniana”, tendo a
Igreja cada vez mais espaço na vida política de Roma. Dois períodos dentro
desta fase:
 De Niceia até a morte de S. Agostinho (325-430) conhecido como era
áurea da patrística.
Período onde se iniciaram grandes elaborações teológicas;
Nesta fase os cristãos tomam consciência de tradição para as tomadas de
decisões;
Período marcado pelas grandes discussões trinitárias.
 Os dois últimos séculos (430-750):
Invasão do império romano pelos bárbaros- Desaparecimento do mundo
antigo,
Grandes controvérsias cristológicas
Surgimento dos grandes missionários do novo mundo dominado pelos
bárbaros. S. Bonifácio e S. Columbano.
II. A Igreja de Jerusalém
Num primeiro momento a Igreja está situada no contexto palestino,
onde predomina grupos religiosos como; os saduceus, fariseus, os essênios, os
zelotas e os batistas. Fora da Palestina, temos a existência dos judeus da
diáspora, que viveram sob a influência do mundo greco-romano. A influência
judaica deve distinguir o judaísmo palestinense do judaísmo da diáspora, em
partícula a forma helenizada de Alexandria.
A cultura helenista muito influente no império romano, começará a se impor
mais fortemente ao cristianismo só a parti da metade do II século. Antes disso,
a teologia cristã se elabora num contexto judaico (judeo-cristianismo, judeo-
cristã).
Entre as igrejas da circuncisão destaca-se a de Jerusalém. Comunidade
que desde o início sofre pelo nome de Jesus. Passa por várias situações de
perseguição tanto vindas religiosos judeus, como por parte de políticos.
A dispersão oriunda de perseguição por volta do ano 43 é um dos
motivos que dispersaram os apóstolos, facilitando assim, a proclamação do
evangelho em outras regiões.
O autor apresenta a prova histórica citada por Eusébio de Cesareia, que
a Igreja de Jerusalém após a extinção da nação judaica, que no início foi
formada pelos da circuncisão, agora está integrada pelos gentios cristãos.

3. Aspectos doutrinários
1. Conteúdo do ensino
Há uma ênfase na humanidade de Jesus nesse período. A igreja de Jerusalém
está muito ligada aos rituais judaicos, tais como: observância do sábado,
abstinência de certos alimentos, circuncisão e a observância da lei mosaica.
2. Vida litúrgica
Os judeus cristãos praticavam uma dupla liturgia, iam ao templo e reunia-se
para celebra a eucaristia. Faziam preces litúrgicas e davam destaque especial
ao AT.

III. A Igreja de Antioquia


A igreja de Antioquia nasce como fruto do trabalho de proclamação do
evangelho pelos cristãos perseguidos após a morte de Estevão (At 11,19-21).
Desta igreja é que nasce a primeira e a segunda empreitada missionária de
Barnabé e Paulo, bem como foi nela que os cristãos foram chamados de
cristãos. O autor destaca o fato de que foi a partir da comunidade de
Antioquia que a Igreja se abriu com zelo pela atividade missionária (At 13-14).

 A estrutura da Igreja local


As comunidades estão estruturadas em duas espécies, a saber:
 Hierarquia itinerante
Composta pelos varões apostólicos, aqueles que exerciam o ministério
apostólicos associados aos doze. Eram dotados de poderes espirituais, não de
fatos extraordinários. Eram como presbíteros itinerantes, mas, sem autoridade
na administração das igrejas locais. Em NT temos várias designações (Rm
16,7; 16,21; 2 Co 8.23; Fm 2).
 As perseguições no primeiro século
A primeira perseguição política foi sob Nero (54-68), ocorreu sob a falsa
acusação feita aos cristãos pelo imperador, culpando-os pelo incêndio de
Roma. A segunda perseguição aconteceu ente os anos de (81-99), sob
Domiciano é atestada apesar das controvérsias por S. Clemente de Roma na
sua carta à Igreja de Corinto. Temos ainda outro testemunho vindo da pena de
Eusébio de Cesareia, que compara Domiciano à Nero, por sua crueldade.

Parte I
Literatura de edificação mútua (96-125)
I. S. Clemente de Roma

1. Autor da carta aos coríntios


a. Tradição
A tradição atesta a autoria da carta pro S. Clemente. No ano 170, o bispo de
Corinto, Dionísio, escreve uma carta fazendo tal assertiva. Outro a comprovar
e testemunhar, é Irineu de Lyon, afirmando que S. Clemente foi o terceiro a
substituir o apóstolo Pedro em Roma. Por fim, temos o historiador Eusébio
que fala da carta aos coríntios e a data no tempo de Domiciano.
b. Datação
Fim do primeiro século entre (95-98)
c. Finalidade
Resolver conflitos internos, problemas de arrogância, ostentação e
jactância.