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Solução Memorial Do Convento - Capítulos I A IX

O capítulo apresenta a construção do Convento de Mafra prometido pelo rei D. João V caso a rainha lhe desse um filho. Descreve a pompa do batizado da princesa recém-nascida e a promessa real de que o convento seria construído, apesar da morte de Frei António de São José e da ainda não iniciação das obras. Introduz também Baltasar a viver com Blimunda depois de ter pedido uma tença pelo seu aleijamento na guerra.
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Solução Memorial Do Convento - Capítulos I A IX

O capítulo apresenta a construção do Convento de Mafra prometido pelo rei D. João V caso a rainha lhe desse um filho. Descreve a pompa do batizado da princesa recém-nascida e a promessa real de que o convento seria construído, apesar da morte de Frei António de São José e da ainda não iniciação das obras. Introduz também Baltasar a viver com Blimunda depois de ter pedido uma tença pelo seu aleijamento na guerra.
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Capítulo I

1- O rei é D. João V.

2- O bispo inquisidor é D. Nuno da Cunha.

3- O rei promete mandar construir um convento franciscano, em Mafra, se a rainha lhe der um
filho no prazo de um ano a contar do dia da promessa, em 1711.

4.1- A frase é: “As majestades fazem mútuas vénias”.

5.1- Os percevejos são insetos que gostam de silêncio e que estão alojados na cama real, que
não pode ser partida, nem queimada, por ser muito luxuosa e, como tal, os percevejos lá se
mantêm e saem quando a rainha adormece, pousando nos lençóis e nos fluidos que lá estão,
bem como picando a rainha, pois, afinal, o seu sangue azul é igual ao dos comuns mortais.
Trata-se de um elemento que leva à comicidade e que levanta questões relacionadas com a
higiene dos espaços e até pessoal, no século XVIII.

6.1- A rainha adormece e sonha com o seu cunhado. Este sonho aparece sempre que ela tem
relações sexuais com o marido e mostra a sua sexualidade reprimida, proveniente de uma
postura passiva que assume enquanto mulher e rainha. O desejo de ser mãe leva a que o
cunhado lhe apareça, por vezes, como se fosse uma cegonha, símbolo da fertilidade e do
nascimento. Já o negro que lhe aparece nos sonhos implica o pecado cometido ao sonhar com
o cunhado e sugere, desde esse momento, que D. Francisco não é um homem íntegro e
honesto.

O rei, megalómano, egocêntrico, sonha que o seu pénis se transforma em árvore e que dos
ramos dessa árvore saem as colunas do convento que ele prometeu construir se vier a ter um
filho.

Capítulo II

1.1- São Francisco andava pelo mundo em 1211.

Capítulo III

1.1- A expressão é “quando faz anos sua majestade” e remete para as condições precárias em
que vivia o povo, que passava fome e só tinha direito a carne, muito raramente, sendo que tal
acontecia quando, por norma, era o aniversário do rei e havia festa. Durante o ano, estas
pessoas passavam fome, comendo pouco, quase sempre, se possível um bocadinho de
sardinha, arroz e alface, daí o termo “alfacinha” atribuído aos habitantes de Lisboa.
2.1- Diz-nos o narrador que enquanto “há quem morra por muito ter comido durante a vida
toda… não falta, por isso mesmo, falecendo mais facilmente, quem morra por ter comido
pouco durante toda a vida…”.

3- Em tons irónicos, o narrador refere que a quaresma está a chegar e que todos a irão
aproveitar, mesmo que não o façam de acordo com o expectável para este momento de
introspeção.

4- A procissão de penitência acontece após o Entrudo (Carnaval), altura em que houve


excessos a todos os níveis, bebeu-se, dançou-se, comeu-se, exagerou-se, e agora a quaresma é
o período de reflexão, de arrependimento, de jejum, de pagar pelos exageros. Criticando, o
narrador refere que este período é vivido com histeria, em procissões onde há vergastadas
para chamar a atenção das mulheres, como se de uma encenação se tratasse. Também é o
período de liberdade para sair para rezar e, ironizando, o narrador remete para a facilidade
com que, neste período de “introspeção” e reflexão, se comete adultério.

5- Lisboa cheira mal e sempre cheirará. Exemplo: “… a cidade é imunda, alcatifada de


excrementos, de lixo, de cães lazarentos e gatos vadios, e lama mesmo quando não chove.”

6- O povo está em êxtase com a procissão e todo o cerimonial de vergastadas e assiste a tudo
como se de um espetáculo grandioso se tratasse.

Capítulo IV

1.1- Baltasar Mateus, o Sete-Sóis, soldado, é expulso da guerra de Espanha para onde havia
sido enviado por El-Rei D. João V, por “já não ter serventia”, já que perdeu a mão esquerda em
combate.

2- Até chegar a Lisboa, Baltasar passa por vários sítios. Sai de Espanha e chega a Évora, onde
está durante algum tempo a pedir esmolas para poder comprar um gancho para a mão
esquerda, acabando por comprar, ainda, um espigão; passa, em seguida por Montemor, onde,
recorda a sua família, que nada sabe de si; mais à frente, em Pegões, necessita de se defender
de um assaltante e acaba por matá-lo e esconder o corpo; segue por Pegões, chegando a
Aldegalega (Montijo), onde apanha o barco para Lisboa. Tem 26 anos, passa pelo Terreiro do
Paço, ouve Missa no Rossio, gira pelos bairros e praças, acaba dormindo nuns telheiros com
João Elvas e alguns pedintes e ouve histórias macabras e assustadoras que o levam a
questionar-se se a guerra não será menos monstruosa que a sociedade lisboeta.

Capítulo V

1.1- Tratava-se de rituais em que haveria penitência, condenações ou absolvições, por parte do
Santo Ofício, a pessoas consideradas hereges, feiticeiras, bem como a judeus e cristãos-novos.
Estes cerimoniais aconteciam em praças públicas e constituíam, segundo o narrador, um
momento de convívio e distração, como se de uma “festa” se tratasse. Exemplo: “Porém, hoje
é dia de alegria geral”.

No auto de fé referido na obra, serão 124 as pessoas julgadas pelos mais variados crimes,
como sodomia, prostituição, entre outros. Havia dois anos que não se fazia nada disto e todos
querem assistir a esta “festa”. Mulheres vestidas a rigor assistem das janelas, vende-se
limonada, fatias de melancia, tremoços, pinhões, tâmaras e queijadas, nas ruas, para quem
quer assistir enquanto alimenta o corpo. A procissão sai à rua, seguindo um trajeto já
estipulado e organizado, apresentando-se os dominicanos, a seguir os inquisidores e depois os
sentenciados. Pela organização, sabe-se quem vai ou não morrer, ofendem-se os sentenciados,
grita-se, vive-se o momento como se de uma comemoração se tratasse. Diz o narrador que
não sabe de que gostam mais os portugueses, se de autos de fé ou de touradas, sendo que,
em todos os casos, Lisboa acaba a cheirar a carne queimada.

1.2- D. Maria Ana não irá ao auto de fé porque está no quinto mês de gravidez e ainda
continua com enjoos “naturais”.

2.1 e 2.2- Esta mãe é Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda, jovem de 19 anos, que
assiste à procissão ao lado do seu amigo e padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Neste
momento, Sebastiana torna-se a narradora, descrevendo-se como “um quarto de cristã-nova”,
mulher de visões e revelações, segundo a igreja, demoníacas, o que a levará a ser açoitada em
público e mandada degredar para Angola durante oito anos. Procura a filha, em silêncio, e vai
encontrá-la ao lado do padre e de um rapaz que lhe chama a atenção.

2.3.1- As personagens são Blimunda, Baltasar e o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Só


com o olhar, mãe e filha despedem-se, sabendo que não tornarão a encontrar-se. Nesse
momento, Blimunda volta-se para Baltasar e pergunta-lhe o nome, aceitando que a perda de
um amor lhe trará de oferenda um outro, ainda que diferente e mais completo.

3.1- Blimunda e Baltasar encontram-se no auto de fé, ela pergunta-lhe o nome, ele responde e
segue-a até casa. A porta da jovem fica aberta, Baltasar entra, assiste a todo o sofrimento
causado pela perda da mãe, visível nas lágrimas deitadas por Blimunda, juntamente com o
padre Bartolomeu, que é quem a consola e fecha a porta. A jovem serve duas tigelas de sopa,
uma ao padre e outra a Baltasar, servindo-se, depois deste último acabar, da sua colher. O
padre Bartolomeu pressente uma união divina, abençoando esta relação inexplicável,
“casando-os” e “unindo-os” através de uma mensagem espiritual. Nessa noite, Blimunda
perderá a virgindade e fará uma cruz no peito do seu amado com o sangue vaginal,
persignando-se também a ela. Promete-lhe “nunca o olhar por dentro”.

3.2- As expressões que remetem para esta qualidade são, entre outras, “Não sabes de que
estás a falar, não te olhei por dentro…” ou “Nunca te olharei por dentro”.

Capítulo VI

1.1- O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão é conhecido como o “voador”.

1.2- O padre nasceu no Brasil, veio novo para Portugal, estudou muito, é curioso, perspicaz, é
um padre pouco convencional, que é amigo de Blimunda e era amigo da sua mãe, mulheres do
povo, sendo, ainda, próximo do rei. Defende que o homem “primeiro tropeça, depois anda,
depois corre, um dia voará”. Já fez “voar” um balão e agora tem em mente um projeto muito
ambicioso e que foi apoiado pelo rei, não porque nele acredite, mas porque o seu desejo de
ser recordado para sempre, megalomania, o faz nunca descurar uma experiência que lhe possa
dar fama.

2.1- A máquina chama-se “Passarola” e está numa quinta, em S. Sebastião da Pedreira.


3- O padre pede ajuda a Baltasar para a construção da sua máquina voadora.

3.1- Baltasar responde que é maneta e que é humilde e inculto, não sabe como poderá ter
serventia para esta tarefa.

4.1- Baltasar é maneta e Deus também, segundo o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão.
Não obstante, fez o universo. Quando Baltasar pergunta por que será Deus maneta, o padre
responde que, nos documentos bíblicos, aparece sempre a informação de que todos se sentam
“à direita do pai”, o que explica que ele seja maneta, pois, se o não fosse, poderia dividir as
pessoas pelos dois lados.

Capítulo VII

1.1- Baltasar trabalha no açougue, quando nasce Dona Maria Xavier Francisca Leonor Bárbara.

2.1-Para o batizado da princesa, há tudo do bom e do melhor, porque o nascimento da


princesa tem de ser comemorado.

2.2- “Sete bispos a batizaram, que eram como sete sóis de ouro e prata nos degraus do altar-
mor…”e “… uma cruz de brilhantes que lhe deu seu padrinho…” são expressões que remetem
para toda a pompa por detrás do nascimento da princesa, cuja extensão do nome já serve de
confirmação desta superlativação.

3.1- Frei António de São José morreu, a princesa nasceu, mas o convento ainda não começou a
ser construído. No entanto, “D. João V é rei de palavra. Haveremos convento”.

Capítulo VIII

1.1- Baltasar pediu uma tença por ter ficado aleijado na guerra. A viver com Blimunda, vai
perceber por que a mulher come pão em jejum, ao esconder-lhe o pão que ela tem do seu
lado da enxerga. Blimunda vê as pessoas por dentro, as suas vontades, o que está para lá da
pele, mas não vê a alma, caso a alma exista. Só o consegue fazer em jejum e perde a
capacidade quando muda a lua.

1.2- Baltasar não consegue, nem conseguirá, atingir os seus objetivos, mas não faz mal, porque
“é difícil morrer de fome em Lisboa, e este povo habituou-se a viver com pouco”. A ironia do
narrador é decisiva na compreensão de que o rei não tinha em consideração o seu povo.

2- O convento será construído em Mafra, na “Vela”.

3- D. Francisco gosta de “espingardear, da janela do seu palácio, à beirinha do Tejo, os


marinheiros que estão empoleirados nas vergas dos barcos, só para provar a boa pontaria”.

Capítulo IX

1.1- Baltasar e Blimunda partem para São Sebastião da Pedreira, para ajudar na construção da
Passarola e para tomar conta da máquina voadora durante a estadia do padre Bartolomeu
Lourenço de Gusmão, na Holanda.

2- O pecado do padre é querer desafiar a Deus, voando, querendo chegar onde só os pássaros
e os santos conseguiram chegar.
4- O que fará voar a passarola será o éter, uma substância que o padre conseguirá através da
alquimia.

10- As mulheres são colocadas em reclusão por vários motivos, sendo um dos mais notórios a
vontade das famílias de não dividirem o património. A falta de vocação destas mulheres leva a
que tenham amantes e filhos e sejam faladas pelos escândalos que preconizam. O próprio rei
D. João V não contribuirá para a boa reputação das freiras.

11- Entre os condenados do auto de fé, há brasileiros, uma preta de Angola, uma freira e um
homem de nome Manuel Mateus, que tem a alcunha “Saramago” ( um parente de José
Saramago?).

12- Além do auto de fé, haverá uma tourada. O espetáculo começa e o narrador enfatiza a
forma como os touros são torturados, exibindo o sangue, as feridas, as "tripas“ ao público que,
em exaltação, se liberta de inibições ("os homens em delírio apalpam as mulheres delirantes, e
elas esfregam-se por eles sem disfarce”); dois toiros saem do curro e investem contra bonecos
de barro colocados na praça; de um saem coelhos que acabam por ser mortos pelos capinhas,
de outro, pombas que acabam por ser apanhadas pela multidão; A ironia do narrador é ainda
traduzida pela constatação de que, em Lisboa, as pessoas não estranham o cheiro a carne
queimada, acrescentando ainda numa perspetiva crítica, que a morte dos judeus é positiva,
pois os seus bens são deixados à Coroa.

13- Seja com os foguetes jogados na tourada, com a morte dos touros ou com os autos de fé, o
cheiro a queimado é comum para os habitantes de Lisboa.

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