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UNIVERSIDADE LÚRIO

Faculdade de Ciências Agrarias

DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DA APTIDÃO DE NOVAS


ÁREAS PARA O PLANTIO DE ESPÉCIES DO GÉNERO DE
EUCALIPTOS UTILIZANDO SIG

Trabalho para Obtenção do Titulo de Licenciado em Engenharia Florestal

Autor: Jonasse, Valdemar Carlitos Costa


Supervisor: MSc Dauce, Vicente
Co-Supervisor: Eng.ᵒ Manteiga, José

Unango, Agosto de 2016


UNIVERSIDADE LÚRIO

Faculdade de Ciências Agrarias

DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DA APTIDÃO DE NOVAS


ÁREAS PARA O PLANTIO DE ESPÉCIES DO GÉNERO DE
EUCALIPTOS UTILIZANDO SIG

Trabalho para Obtenção do Titulo de Licenciado em Engenharia Florestal

Autor: Jonasse, Valdemar Carlitos Costa

Supervisor: MSc Dauce, Vicente

Co-Supervisor: Eng.ᵒ Manteiga, José

Local de estágio: Empresa Florestas de Niassa

Unango, Agosto de 2016


Declaração de Honra

Eu, Valdemar Carlitos Costa Jonasse, declaro por minha honra que este trabalho nunca foi
apresentado em nenhuma outra instituição académica, para obtenção de qualquer grau académico.
Este relatório constitui o fruto de trabalho de campo e de pesquisa bibliográfica, estando as fontes
utilizadas registadas no texto e nas referências bibliográficas.

Data___/___/_____

Assinatura do Autor

Valdemar Carlitos Costa Jonasse

______________________________________________

Aprovação do Júri

Este trabalho foi aprovado com 16 valores no dia 26 de Agosto de 2016 por nós, membros do Júri
examinador da Universidade Lúrio.

_____________________________
Presidente: MSc. Américo J. Fombe

_____________________________
Oponente: Prof. José Ribeiro Lopes

_____________________________
Supervisor: MSc. Vicente D. Dauce

_____________________________
Co-Supervisor: Eng. José B. Manteiga

iii
Epigrafe

“Quem não tem bom senso trata o seu próximo com


desprezo, mas o homem que tem verdadeiro
discernimento mantém-se calado.”

Provérbios 11:12

iv
Dedicatória

Meus Pais
Carlitos Costa Janasse
Luís Costa Janasse (Que Deus o Tenha)
Pathy PC Traquino
Gertrudes B Guale

Meus irmãos
Elisabeth Manuel
Pedro Manuel
Júnior Raimundo (Que Deus o Tenha)
Naila Chongo
Lídia Jonasse
A Minha Linda Irmãzinha

Meus GrandFahters
Costa Janasse (Que Deus o Tenha)
Ntsai Quembo

Meus Irmãos de Coração


Helton de Assis Benjamim de Curado (Que Deus o Tenha)
Blaunde J. Blaunde Dalton Lazaro
Amézio Elias Leonarda Cândido
Daniel Creva Chico A. Manuel

Dedico

v
Agradecimento

Em primeiro lugar a Deus

Aos meus pais Carlitos Costa Jonasse; Pathy Passimamutima Chot Traquino; Luís Costa Jonasse
(que Deus o Tenha) e Gertrudes B. Guale que tudo fizeram e sempre acreditaram que este sonho um
dia se tornaria realidade; Aos meus GrandFahters Costa Janasse (que Deus o Tenha) e a Ntsai
Quembo que sempre estiveram ao meu lado nos momentos bons e difíceis.

Aos meus irmãos Lídia Costa Jonasse; Elisabeth Manuel; Naila Chongo; Pedro Manuel; Vilma;
Cinda e Letícia. Aos meus tios Nina Costa Janasse; Lídia Costa Janasse; Massauco Traquino; Mussa
Jamal; tia Márcia Tembo; Vasco Chiganda e Felizarda Clementino.

Aos meus primos José, Sebastiana, Adia (Lala), Caetano, Bia, Eufrásia Vasco, Edmilson, António e
Vuyeiya.

Aos meus amigos do bairro 5 Fepom (Manica - Chimoio) Inocente Chiro, Armando, João, Vino,
Helton, Cláudio Maulana, Eugénio, Mariazinha Saize, e com especial atenção a Graça da Conceição
Joaquim Mateus, sem me esquecer da turma de CNM1 12a e do curso de Química ano 2011 na
Universidade Pedagógica – Manica.

Aos meus

desistido mesmo com todas as dificuldades.

A Família Garausiua, Família Dauce e a Família Nhabanga em especial a: Sérgio Garausiua, Ernesto
Dauce e a minha grande Mana Amélia Francisco Nhabanga por serem uma componente importante
dessa longa caminhada académica.

Aos meus grandes e amados companheiros de estrada Alberto Cumbe; Amézio Elias Davide;
Blaunde João Blaunde; Dalton Lazaro Dauto; Elias Saquina; Félix Marcelino; Felizardo Fernando;
Mateus Mucussete; Lionel de Jesus; Cremildo Ribas; Alberto Muchanga; Mano Walter Domingos
de Abreu; Silva Maenato; Harifa Tomé; Luverino Malieque; Lucas Nkumin; Nuro Mutete pelo
companheirismo; e em geral a todos estudantes da Turma de Engenharia Florestal 2012 e 2011, por
me ajudarem no dia-a-dia da caminhada académica; ao dr Carlos Davide pelo suporte na língua
Inglesa.
vi
Ao Pessoal da RNN em especial no nome do Casimiro e do Alex pelos times de convivência. Ao
Pessoal da Universidade Eduardo Mondlane no nome da Ph.D. Natasha Ribeiro e da Universidade
Lúrio (elenco todo); ao Nani e ao Sr. Julião. E em especial Ao pessoal da FdN o meu muito
obrigado.

Por fim a toda aquela individualidade que directa ou indirectamente, contribuíram para a minha
formação académica.

Agradeço e o meu muito obrigado.

vii
ÍNDICE

Conteúdo Página

Declaração de Honra ......................................................................................................................................... iii


Epigrafe ..............................................................................................................................................................iv
Dedicatória .......................................................................................................................................................... v
Agradecimento ...................................................................................................................................................vi
ÍNDICE ........................................................................................................................................................... viii
Abreviaturas ........................................................................................................................................................ x
Lista de Tabelas................................................................................................................................................ xii
Lista de Figuras ................................................................................................................................................ xii
Lista de Equações ............................................................................................................................................ xiii
Resumo .............................................................................................................................................................xiv
Abstract ............................................................................................................................................................. xv
I. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 16
1.1. Problema .................................................................................................................................................. 18
1.2. Justificativa .............................................................................................................................................. 19
1.3. Objectivos ................................................................................................................................................ 20
1.3.1. Geral: .................................................................................................................................................. 20
1.3.2. Específicos:......................................................................................................................................... 20
1.3.3. Limitações do Estudo: ........................................................................................................................ 20
II. REVISÃO LITERÁRIA ....................................................................................................................... 21
2.1. Generalidades .......................................................................................................................................... 21
2.2. Espécies do Género de Eucaliptos ........................................................................................................... 21
2.2.1. Aspectos Botânicos ............................................................................................................................ 21
2.2.2. Eucalipto em Moçambique e no Mundo............................................................................................. 23
2.2.3. Importância Socioeconómica e ambiental do Eucalipto ..................................................................... 24
2.3. Uso e Cobertura de Terra ........................................................................................................................ 25
2.4. Análise Multicritério em Ambiente SIG ................................................................................................. 26
2.4.1. Funcionamento do Método AHP ........................................................................................................ 29
2.4.2. Benefícios e Limitações...................................................................................................................... 29
2.5. Historial do LandSat ................................................................................................................................ 30
III. METODOLOGIA ................................................................................................................................. 32
3.1. Descrição da Área de Estudo ................................................................................................................... 32

viii
3.1.1. Localização da Área de Estudo .......................................................................................................... 32
3.1.2. Clima .................................................................................................................................................. 33
3.1.3. Solos e Vegetação Nativa ................................................................................................................... 34
3.1.4. População ........................................................................................................................................... 34
3.2. Materiais .................................................................................................................................................. 35
3.2.1. Equipamentos Utilizados no Levantamento de Dados e Programas Informáticos ............................. 35
3.3. Métodos ................................................................................................................................................... 36
3.3.1. Detalhes das Espécies de Eucaliptos .................................................................................................. 36
3.3.2. Aquisição de Imagens ......................................................................................................................... 36
3.3.3. Tratamento e Processamento de Imagens ........................................................................................... 36
3.3.4. Classificação de Uso e Cobertura de Terra......................................................................................... 37
3.3.5. Áreas de Preservação Permanente ...................................................................................................... 37
3.3.6. Determinação de Áreas Aptas Para o Plantio ..................................................................................... 38
3.3.7. Mapeamento de Aptidão de Áreas Para o Plantio de Espécies do Género Eucaliptos ....................... 40
IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................................... 43
4.1. Uso e Ocupação de Terra ........................................................................................................................ 43
4.2. Áreas de Preservação Permanente ........................................................................................................... 45
4.3. Geomorfometria ...................................................................................................................................... 47
4.3.1. Declividade ......................................................................................................................................... 47
4.3.2. Face de Exposição (Insolação Solar) .................................................................................................. 48
4.3.3. Altitude ............................................................................................................................................... 50
4.4. Solos ........................................................................................................................................................ 51
4.5. Áreas Disponíveis Para Implantação do Eucaliptos ................................................................................ 53
4.5.1. Áreas com Restrição para o Plantio de Eucaliptos ............................................................................. 53
4.6. Análise do Pesos dos Factores no Método AHP ..................................................................................... 54
4.6.1. Áreas com Classes de Aptidão Para o Plantio de Eucaliptos ............................................................. 56
V. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO ................................................................................................ 59
5.1. Conclusão ................................................................................................................................................ 59
5.2. Recomendações ........................................................................................ Erro! Marcador não definido.
VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 61
ANEXOS........................................................................................................................................................... 65

ix
Abreviaturas

% - Percentagem

°C – Graus Celsius

AHP – Analytic Hierarchy Process

AMC – Análise Multicritério

APP – Áreas de Preservação Permanente

CENACARTA – Centro Nacional de Cartografia e Topografia

CI – Taxa de Consistência

CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente

CRU – Climate Research Unit

DTA – Departamento de Terra de Agua

DUAT – Direito de Uso e Aproveitamento de Terra

FAO – Fundo/Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação

FdN – Florestas de Niassa

GPS - Global Positioning System

ha – Hectares

INE – Instituto Nacional de Estatística

INIA– Instituto Nacional de Investigação Agronómica

IPEF - Instituto De Pesquisas e Estudos Florestais – Brasil


JPEG – Joint Photographic Experts Group

Km – Quilómetros

m – Metros

MAE – Ministério da Administração Estatal


x
mm – Milímetros

NASA - National Aeronautics and Space Administration

OLI - Operational Land Imager

OWA - Ordered Weighted Averaging

R2 - Coeficiente de Determinação
RI – Índices de Consistência Aleatório/Índice Randómico

SAF – Sistema Agro-Florestal

SDSS - Spatial Decision Support System

SIG – Sistemas de Informação Geográfica

TIRS - Thermal Infrared Sensor

UEA – University of East Anglia

UOT – Uso e Ocupação de Terra

USGS - United States Geological Surveys

UTM – Universal Transversal Mercator

WWW – World Wide Web

λMax – Vector de Eigen

xi
Lista de Tabelas

Tabela 1 - Área Plantada Mundialmente. ........................................................................................... 24


Tabela 2 - Aspectos positivos e negativos do método AHP. .............................................................. 30
Tabela 3 - Descrição e Caracterização do LandSat – 8 e LandSat - 5. ............................................... 31
Tabela 4 - Distribuição da População de Unango. ............................................................................. 34
Tabela 5 - Especificações de Proveniência das Espécies de Eucaliptos a Serem Plantadas. ............. 36
Tabela 6 - Escala Fundamental de Conceitualização de Pesos Utilizados no AHP. .......................... 39
Tabela 7 - Equações Para a Determinação da Taxa de Consistência. ................................................ 40
Tabela 8 -Tabela de Índices de Consistência Aleatória (RI). ............................................................ 40
Tabela 9 - Classes de Declividade e Pesos em Relação a Aptidão para Plantio de Eucaliptos. ......... 41
Tabela 10 - Características dos Solos. ................................................................................................ 41
Tabela 11 - Áreas de Uso e Ocupação de Terra. ................................................................................ 44
Tabela 12 - Área Ocupada por Cada UT no Ano de 2005. ................................................................ 45
Tabela 13 - Áreas Destinadas a Preservação Permanente. ................................................................. 46
Tabela 14 - Classes de Declividade da Área de Estudo. .................................................................... 47
Tabela 15 - Faces de Exposição Solar - Insolação. ........................................................................... 49
Tabela 16 - Classes de Altitude da Área de Estudo. ........................................................................... 50
Tabela 17- Classificação de Solos da Área de Estudo........................................................................ 52
Tabela 18 - Áreas com Restrição e Sem Restrição Para o Plantio de Eucaliptos.............................. 54
Tabela 19 - Matriz de comparação de pares dos factores utilizados na AMC. .................................. 55
Tabela 20 - Pesos determinados pelo método AHP. .......................................................................... 55
Tabela 21 - Resultados do Cálculo de Taxa de Consistência. ............................................................ 56
Tabela 22 - Classes de Aptidão. ......................................................................................................... 57

Lista de Figuras

Figura 1 - Ilustração dos Usos do Eucalipto. ...................................................................................... 25


Figura 2 - LandSat – 8 a esquerda e a direita o LandSat - 5. .............................................................. 31
Figura 3 - Localização da Área de Estudo. ......................................................................................... 32
Figura 4 - Médias Mensais de Precipitação e Temperatura. ............................................................... 33
Figura 5 - Mapa de Uso e Ocupação de Solo. .................................................................................... 44
xii
Figura 6 - Mapa de UOT no Ano de 2005. ......................................................................................... 45
Figura 7 - Mapa de APP's. .................................................................................................................. 46
Figura 8 - Mapa de Declividade. ........................................................................................................ 47
Figura 9 - Mapa de Exposição Solar. ................................................................................................. 49
Figura 10 - Mapa de Altitude (m). ...................................................................................................... 50
Figura 11 - Mapa de Solos (Fonte: adaptados da base de dados de Classificação da flora Zambéziaca
e FAO). ............................................................................................................................................... 52
Figura 12 - Mapa de Restrição de Áreas. ........................................................................................... 54
Figura 13 - Resultados da matriz de comparação de critérios da organização da AMC. ................... 56
Figura 14 - Mapa de Classes de Aptidão. ........................................................................................... 57
Figura 15 - Carta de Solos da Província do Niassa de 1994............................................................... 66
Figura 16 - Mapa de Pontos Aleatórios Para Verificação em Campo das Áreas em Função da
Restrição. ............................................................................................................................................ 69
Figura 17 - Mapa de Pontos Aleatórios Para Verificação em Campo das Áreas em Função da
Aptidão. .............................................................................................................................................. 70

Lista de Equações

Equação 1 - Vector de Eigen .............................................................................................................. 40


Equação 2 - Índice de Consistência .................................................................................................... 40
Equação 3 - Taxa de Consistência ...................................................................................................... 40

xiii
Resumo

A determinação do local ideal para a implantação de um novo projecto florestal é uma decisão que
envolve uma série de factores, sendo necessária a utilização de ferramentas que permitam a análise
destes factores em conjunto. O objectivo do trabalho foi determinar áreas aptas para o plantio de
eucalipto utilizando ferramentas de análise multicritério em que o mesmo foi desenvolvido em uma
área cujo DUAT pertence a empresa FdN na comunidade de Mapudje no Posto Administrativo de
Unango, distrito de Sanga, onde foram considerados os seguintes factores na análise multicritério:
uso e ocupação de terra, hidrografia, rodovias, solos, radiação e declividade, sendo estes escalonados
em um mesmo intervalo de valores em termos de adequabilidade ao plantio de eucalipto em uma
matriz de comparação aos pares de factores utilizando o método AHP (Analytic Hierarchy Process –
Processo Analítico Hierárquico) com uma taxa de consistência de 0.027 (2.70%) em que forneceu os
seguintes pesos para os factores: uso e ocupação de terra 24.883%, hidrografia 4.344%,
rodovias6.549%, solos 10.244%, radiação 16.043% e declividade 37.936%. Os resultados revelaram
que cerca de 5142.818 ha foram considerados como áreas indicadas para o plantio do eucalipto,
1935.910 ha considerados como áreas com baixa aptidão e as áreas restritas totalizaram 432.189 ha.
Dessa forma, a partir dos resultados obtidos pode-se concluir que a análise multicritério mostrou-se
eficiente para determinação de novas áreas aptas para a implantação de plantações de espécies do
género de eucalipto em larga escala.

Palavras Chave: Sistemas de Informação Geográfica; Análise Multicritério; Geomorfometria;


Aptidão de Terras; Plantio de Eucaliptos.

xiv
Abstract

Determining the ideal place for the implementation of a new forestry project is a decision that
involves a number of factors, requiring the use of tools for analyzing these factors together. The
study aimed at determining areas suitable for the planting of eucalyptus using multi-criterion
analysis tools. The study was conducted in areas, which belong to FdN Company, located in
Mapudje, Unango Village, Sanga district. During the study, there were considered some factors for
multi-criteria analysis, such as land use, hydrography, roads, soil, radiation and slope. The referred
factors are staggered in the same range of values in terms of suitability for eucalyptus plantations in
a comparison matrix pair factors using the AHP (Analytical Hierarchy Process) with a 0.027
(2.70%) consistency rate that provided weights to the factors as follows: land use-24,883%,
hydrophy 4,344%, roads 6.549%, soil 10,244%, radiation 16,043%, and finally slope 37,936% of
weights. The results showed that approximately 5142.818 hectares were considered as suitable areas
for planting eucalyptus, while 1935.910 hectares were considered as areas with low aptness and the
restricted areas totaled 432.189 hectares. Thus, from the results obtained in this study the researcher
can reach the following conclusion, the multi-criteria analysis was efficient to determine new areas
suitable for the establishment of plantations of eucalyptus species in large-scale.

Keywords: Geographic System of Information; Multi-Criterion Analysis; Geomorphic; Land


Aptness; Soil Use.

xv
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

I. INTRODUÇÃO

A planta do eucalipto é nativa da Austrália, da Indonésia e também do Timor, e são consideradas


como exóticas em todos os outros países do mundo, sendo que a historia data que os primeiros
plantios começaram no século XVIII na Europa, Africa e no continente Asiático (Di Ciero et al.,
2008).

Os primeiros plantios florestais de eucaliptos em Moçambique foram estabelecidos em Mafalala,


1910, bj “ x ” â q
1916, foram estabelecidos os primeiros plantios em Namaacha, numa área de 3.200 ha, para controle
das cheias e para fins de ornamentação, produção de madeira para usos estruturais, energia e
produção de celulose no futuro (Shimizu, 2006).

Espécies de eucaliptos fornecem matéria-prima às indústrias para produção de vários produtos e


seus derivados para o mercado internacional e para o mercado nacional, e na actualidade espécies do
género eucaliptos são fortemente utilizadas em programas de reflorestamentos e florestamentos (Do
Couto et al., 1971). Nos últimos tempos espécies do género eucalipto tem sido muito utilizada na
produção de madeira serrada, produção de celulose, papel e carvão vegetal, e em certos países já é
utilizada na geração de energia (Fardin et al., 2015).

Para produção do eucalipto é importante a definição de áreas/locais adequados devendo deste modo
evitar áreas com elevada declividade, de orientação de encostas viradas para o norte e baixa aptidão
agrícola e para alem destes factores, devem ser considerados factores como dificuldades
operacionais (mecanização), questões de logística quanto ao escoamento da produção final
(exploração), e factores geomorfológicos como é o caso da fertilidade dos solos e a sua textura
(Francelino et al., 2012).

A selecção da localização adequada para um novo projecto florestal considerando variáveis acima
mencionadas envolve a utilização de ferramentas que possam permitir a análise de tais factores de
forma conjunta (Malczewski, 1999). A metodologia de análise multicritério possui a principal
vantagem de possibilitar a atribuição de diferentes pesos relativos a cada um dos factores no
processo de agregação de características de uma determinada área em estudo. Tal ferramenta tem
sido utilizada para gerar mapas de susceptibilidade à erosão, selecção de culturas agrícolas para

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

cultivo e mapeamento de áreas prioritárias para adequação do uso da terra (Sartori et al., 2011;
Valladares et al., 2012; Vieira & Curi, 2014).

A análise multicritério vem sendo empregada nos últimos tempos em diversas áreas de actuação
como na definição de áreas adequadas para a implantação de empreendimentos, planeamento de uso
e aproveitamento de terras, análise de áreas sensíveis e susceptíveis a erosão (Sartori et al., 2011).
Também vem sendo utilizada para fins ecológicos como a determinação de habitats adequados para
espécies de flora e fauna, aptidão de terras para agricultura, avaliação e planeamento paisagístico,
avaliação de impactos ambientais (Malczewski, 2004).

Assim, considerando a necessidade de implantação de povoamentos florestais e o potencial de


utilização de ferramentas de sistemas de informação geográfica para a tomada de decisão quanto aos
empreendimentos florestais, este trabalho objectiva utilizar ferramentas de análise multicritério na
determinação de áreas adequadas ao plantio de eucalipto numa área localizada no Posto
Administrativo de Unango, pertencente a Empresa Florestas de Niassa (FdN).

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

1.1.Problema

A implantação de plantações de espécies do género eucalipto acarretam a demanda de extensas áreas


que na maior parte das vezes tem-se tido limitações principalmente quanto a qualidade do sítio, onde
fazendo-se uma relação das plantações de eucalipto existente em Moçambique, estas são
dependentes da água disponível e da fertilidade natural dos solos.

A maior parte das empresas florestais existentes no Niassa quando requerem o Direito de Uso e
Aproveitamento de Terra (DUAT) para novas áreas, os mesmos não realizam um estudo prévio para
ver a viabilidade da área apta para o plantio, e se a mesma área apta é ou não significativa para o
pedido de DUAT.

A falta de uma base de dados sobre o estudo de áreas aptas ou adequadas para o plantio de tais
espécies do género eucalipto, constitui uma grande limitação na realização de estudos e projectos de
pesquisas com vista a apoiar o maneio florestal sustentável e na redução de conflitos de terra entre
empresas do ramo florestal e as comunidades rurais.

Na maioria parte das áreas que são adquiridas para a alocação de plantações florestais geralmente
não são realizados estudos de avaliação adequada no momento de sua aquisição, o que de certo
modo pode acarretar equívocos, e principalmente, erros nessa avaliação podem trazer prejuízos
económicos devido ao não bom desenvolvimento das plantas (Giasson & Teske, 2012).

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

1.2.Justificativa

A implantação florestal compreende diversas práticas de silvicultura, que englobam desde a


preparação do solo (limpeza da área e abertura de covacho), controlo de formigas, definição do
espaçamento e da adubação, dos tratos e manutenção, até o estabelecimento do povoamento no
segundo ou terceiro ano após o plantio (Paiva et al., 2008).

Na aquisição de terras e no planeamento de uma nova área para o plantio é importante a realização
da avaliação da percentagem da área que pode ser plantada assim como a localização de tais áreas
aptas para o plantio, determinando assim a viabilidade de uso da área para a plantação e o valor da
mesma (de terra), ajudando dessa forma a determinar o tipo de maquinaria a ser utilizada no preparo
do solo, plantio e o tipo de sistema de exploração facilitando ao investidor arranjar formas
alternativas por forma a reduzir os custo de implantação.

Tendo em consideração o que foi explanado nos parágrafos anteriores aliado a crescente necessidade
para o desenvolvimento da industria florestal, condiciona a estas empresas florestais a utilização de
técnicas eficazes e capazes de auxiliar a avaliação e determinação de terras para o plantio de
espécies do género de eucaliptos. Essa evolução buscará a consideração de múltiplos critérios a fim
de melhorar a medição dos aspectos que possam auxiliar na determinação e na avaliação de áreas
para o plantio.

A implantação de povoamentos florestais, sem planeamento técnico eficiente, actualmente é alvo de


diversas críticas, que somadas a carência de informações confiáveis, revelam à necessidade de
pesquisa e organização do sector de florestas. O maneio florestal de plantios homogéneos bem como
heterogéneos inclui a delimitação das reservas naturais estratégicas e das áreas de preservação
permanente, de forma a garantir a sobrevivência da flora, fauna, protecção das nascentes e dos
demais recursos naturais (Pinheiro, 2008).

Assim, considerando a necessidade de implantação de reflorestamentos e o potencial de utilização


de ferramentas de sistemas de informação geográfica para a tomada de decisão quanto aos
empreendimentos florestais torna-se fundamental nos estudos desse género.

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Autor: Valdemar Carlitos Costa Jonasse Trabalho de Licenciatura
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

1.3.Objectivos

1.3.1. Geral:

• Determinar e avaliar áreas aptas para o plantio de eucaliptos na região de Mapudje empregando
metodologias que combinam os SIG com as ferramentas de análise multicritério (AMC).

1.3.2. Específicos:

• Descrever os factores de influência para o desenvolvimento da espécie de eucaliptos;


• Delimitar áreas aptas e inaptas para o plantio de espécies do género eucaliptos;
• Gerar mapas de aptidão de áreas para o plantio de espécies do género eucaliptos.

1.3.3. Limitações do Estudo:

• Falta de leis nacionais especificas para a gestão e conservação da diversidade biológica (zonas
ribeirinhas; topos dos montes-elevadas altitudes; montanhas; etc.;

• Falta de meios de verificação da área por completo em estratos (Fotografias áreas especificas)
dada a sua extensão;

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Autor: Valdemar Carlitos Costa Jonasse Trabalho de Licenciatura
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

II. REVISÃO LITERÁRIA

2.1.Generalidades

Floresta Plantada (Exótica) – é um povoamento considerado puro porque 80% de suas árvores
dominantes ou co-dominantes pertencem a mesma espécie, e que todas as árvores têm a mesma
idade podendo haver uma diferença de até 20% na idade de corte (Botelho, 2003);

Mapas Temáticos – são representações gráficas da superfície terrestre ilustrada de acordo com
critérios pré-estabelecidos, onde estes dados são obtidos através de um levantamento de campo e
posteriormente digitalizados ou ainda através de classificação de imagens (exemplo de mapa de
vegetação e mapa de declividade) (Câmara & Monteiro, 2004);

2.2.Espécies do Género de Eucaliptos

2.2.1. Aspectos Botânicos

O nome eucalipto deriva do grego: eu (bem) e kalipto (cobrir), referindo-se à estrutura globular
arredondada de seu fruto, caracterizando o opérculo que protege bem as suas sementes (Bertola,
2000).

O género Eucaliptos, pertencente à família Myrtaceae na subfamília Leptospermoideae, tem sua


origem na Austrália, excepto as espécies urophylla e deglupta que ocorrem em ilhas na Oceânia. O
Eucaliptos é dividido em 8 subgéneros: Blakella, Eudesmia, Gaubaea, Idiogenes, Telocalyptus,
Monocalyptus, Symphyomyrtus e Corymbia (actualmente género) (Pereira, 2010).

Actualmente têm-se cerca de 730 espécies de Eucaliptos já identificadas, com diferentes exigências
quanto à fertilidade de solo, tolerância a geadas e a seca, todas com importância económica, porem
desse número todo apenas 20 espécies estão sendo utilizadas actualmente para fins comerciais (Auer
et al., 2014).

Segundo Andrade (1939), a escolha de uma determinada espécie de Eucaliptos para implantação em
uma determinada área fora do seu habitat, deve-se ter sempre em consideração as condições do seu

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habitat natural, isto é, quanto mais próximo a condição do seu habitat natural melhor será para o
sucesso da plantação.
A condução de plantios de eucalipto geralmente são realizados para corte aos 7, 14, e 21 anos de
idade de acordo com a região e o tipo de solo, sendo que o ciclo de corte poderá ser menor ou maior,
dependendo do objectivo da plantação de eucalipto (lenha, carvão, celulose, poste, madeira) (Higa et
al., 2011). No entanto diversas espécies do género de eucaliptos adaptaram-se bem em
Moçambique, das quais são descritas abaixo.

2.2.1.1.Eucaliptos pellita

Esta espécie tropical que ocorre naturalmente na Austrália entre as latitudes de 12 a 18o S e 27 a 36o
S, em altitudes que podem variar desde o nível do mar até 600m. A precipitação pluviométrica
média anual varia de 900 a 2.400 mm, distribuídas uniformemente durante o ano, com maior
concentração no verão. As temperaturas médias anuais (mínimas e máximas) variam de 12 - 33o C,
sendo esta espécie considerada apta para regiões onde não ocorram geadas. Esta espécie é tolerante a
doenças foliares e tem um crescimento relativamente alto quando comparado com o Eucaliptos
urophylla e Eucaliptos maculata (Ferreira & Da Silva, 2004).

O Eucaliptos pellita produz uma madeira levemente pesada de cor vermelho-escura onde as suas
propriedades de resistência mecânica são elevadas. É uma madeira da alta estabilidade, mas de baixa
permeabilidade, sendo muito utilizada em componentes estruturais na construção civil, para
produção de caixas, postes, dormentes, lenha e carvão (Bertola, 2000).

2.2.1.2.Eucaliptos maculata (Corymbia maculata)

Este eucalipto ocorre naturalmente em zonas próximas do litoral de New South Wales e do litoral e
na região interior de Queensland na Austrália, nas latitudes entre 25 a 37o S onde as altitudes variam
desde o nível do mar até 800 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1250 mm.
O período seco varia de quatro a seis meses, e a espécie não é recomendada para regiões onde
ocorrem a geadas e défice hídrico, mas a mesma apresenta uma boa capacidade de regeneração por
brotação dos cepos (Bertola, 2000).

O Eucaliptos maculata pode atingir entre 35 – 45 metros de altura e 1 – 1.3 metros de Diâmetro,
podendo atingir 70 metros de altura e 3 de Diâmetro, produz uma madeira levemente pesada, com

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boa estabilidade dimensional e de média permeabilidade. É utilizada na serração, produção de


laminados, moveis, na construção, produção de caixas, dormentes, postes, lenha e carvão1.

2.2.1.3.Eucaliptos urophylla

O Eucaliptos urophylla pertence ao subgénero Symphyomyrtus, sendo esta uma das poucas espécies
de ocorrência natural fora do território australiano, ocorrendo, naturalmente, na ilha de Timor e
outras ilhas a leste do arquipélago indonésio, entre as latitudes de 8 a 10o S, com altitudes variando
de 400 a 3000 metros, onde as árvores tem de 30 – 60 metros de altura e a mesma apresenta uma
densidade básica em torno de 0.5g/cm3. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1000 a
1500 mm, com chuvas concentradas no verão. O período seco não ultrapassa quatro meses (Junior,
2001; Ferreira & Da Silva, 2004).

Produz uma madeira considerada medianamente leve com as suas propriedades de resistência
mecânica também moderadas. É uma madeira da relativa estabilidade e alta permeabilidade.
Apresenta uma alta plasticidade, adaptando-se em solos hidromórficos ou franco-arenosos e em
diferentes altitudes (Ferreira & Da Silva, 2004).

É considerada apta para regiões onde não ocorrem geadas e situações de défice hídrico severo. É
uma espécie que apresenta boa capacidade de regeneração por brotação. A nível mundial esta
espécie despertou a atenção pelo facto de a mesma ser tolerante ao cancro e adaptar-se bem em solo
de baixa fertilidade e clima mais tropical (Junior, 2001).

2.2.2. Eucalipto em Moçambique e no Mundo

A FAO (1981), referenciava que Moçambique possuía um total de 14000 ha plantados e dados um
pouco mais actualizados oriundos da Associação de Florestas de Niassa (2012) citado por Nube
(2013) refere Moçambique possuía ate ao ano de 2012 um total de 77000 ha plantados dentre eles a
província do Niassa possuía um total de 33000 ha de área plantada por Eucalipto e Pinus sendo
maioritariamente áreas utilizadas para o cultivo do eucalipto.

1
(www.worldagroforestry.org/treebd2/speciesprofile.php?Spid=17934)
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Segundo levantamentos realizados pela FAO (1981), por diversos países do mundo constatou que
mais de 90 países possuem programas de reflorestamento utilizando o eucalipto dentre eles 58 países
o realizam em grande escala com o objectivo principal do cultivo a produção de madeira serrada
para suprir a busca de madeira. Deste modo Bertola (2000) refere que até o ano de 2000 existiam
cerca de 13.690.500 hectares de eucaliptos plantados em todo o mundo conforme ilustrado na tabela
abaixo (Tabela 1).

Tabela 1 - Área Plantada Mundialmente.


Continente ha Continente ha
Africa 1692.000 Mediterrâneo 1320.000
Asia 6022.000 América do Norte 65.000
América Central/Caribe 60.500 Pacifico 358.000
América do Sul 4173.000 Total 13690.500
Fonte: Bertola (2000).

2.2.3. Importância Socioeconómica e ambiental do Eucalipto

No âmbito social, as actividades da cadeia produtiva do sector de florestas plantadas promovem a


geração de empregos e renda na área rural e, ao fixarem povoamentos no campo. Florestas
plantadas, quando implantadas de maneira correcta, têm papel essencial na qualidade de vida da
população, pelos benefícios ambientais que proporcionam como o sequestro de carbono da
atmosfera, conservação de solo, manutenção da biodiversidade, a melhoria da qualidade do ar,
redução dos níveis de poluição sonora, redução da intensidade da erosão, recuperação de áreas
degradadas, redução da pressão sobre as florestas nativas e aumento da biodiversidade (Di Ciero et
al., 2008).

A grande demanda de madeira para diferentes finalidades como a produção de madeira serrada,
lenha, dormentes, compensados, chapas, laminação, carvão papel, óleos essenciais e celulose, vem
contribuindo para o desenvolvimento do sector florestal e das comunidades rurais, uma vez que o
cultivo de eucalipto permite a todos os tipos de agricultores na diversificação de renda em suas
propriedades, seja por meio de plantios puros, seja por meio de sistemas integrados de produção
( AF’ ), á
Alguns destes usos descritos acima são ilustrados na figura abaixo (Figura 1) (Bertola, 2000;
Pereira, 2010; Auer et al., 2014).

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Figura 1 - Ilustração dos Usos do Eucalipto.


Fonte: Auer et al. (2014).

2.3.Uso e Cobertura de Terra

O uso de terra é definido como sendo um conjunto de princípios e regras que regem uma sociedade
na sua relação com a terra enquanto a cobertura de terra refere-se à vegetação seja natura ou
artificial, água, gelo e outros elementos resultantes da dinâmica natural das transformações na
superfície terreste (Richards, 1986; Larsson, 1993 citado por Manteiga, 2009).

O estudo do uso da terra e ocupação da terra consiste em buscar conhecimento de toda área que
sofreu utilização antrópica bem como áreas que não sofreram utilização antrópica, a caracterização
da vegetação natural existente que reveste o solo, bem como sua respectiva localização geográfica
(Rosa, 2007).

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2.4.Análise Multicritério em Ambiente SIG

Na década de 60 surge um instrumento de apoio à decisão cuja aplicabilidade visa a comparação de


alternativas de decisão com a utilização de várias medidas, sendo esta denominada Análise
Multicritério. Esta permite trabalhar com vários critérios ao mesmo tempo em uma situação
complexa, destinando-se assim no subsídio aos decisores (De Oliveira, 2013).

Segundo Roy (2013), uma AMC é percebida como sendo uma ferramenta matemática que ajuda a
fundamentar vários factores e compara-los com diferentes alternativas, isto com o objectivo de
ajudar a direccionar os decisores a melhor escolha possível.

Um dos métodos da AMC é denominada por método AHP (Analytic Hierarchy Process) foi
desenvolvido por Thomas L. Saaty, sendo este o método de multicritério mais amplamente utilizado
e conhecido, e ele é aplicado para sistematizar a uma ampla gama de problemas de decisão nos
contextos: económico, político, social e ambiental, devido a sua simplicidade, sólida base
matemática e capacidade de avaliar os factores qualitativos e quantitativos, sejam eles, tangíveis ou
intangíveis, sendo este método considerado robusto na análise multicritério (Vilas Boas, 2005;
Barros et al., 2009; De Oliveira, 2013).

Segundo Malczewski (2006), das várias aplicações dos Sistemas de Informação Geográficas na
análise ambiental é comum que se encontre casos que envolvem múltiplos critérios sendo esta
denominada Análise Multicritério, dá-se dessa forma origem aos SIG – Baseado na Análise
Multicritério (Malczewski, 1999).

Segundo descrito Malczewski (2004), a análise da adequação de uso da terra utilizando SIG, tem
aplicação em diversas situações com viés ecológico como a determinação de locais adequado para
alocação de espécies de flora tanto como de fauna; aptidão das terras para agricultura; avaliação e
planeamento da paisagem; avaliação de impactos ambientais e planeamento regional. Portanto
podem ser utilizadas três abordagens em ambiente de SIG, como: sobreposição de informações
espaciais, inteligência artificial e método de avaliação por multicritérios (AMC).

A análise multicritério em Ambiente dos SIG vem sendo utilizada em varias áreas de actuação e em
diversas abordagens como podem ser apresentados a seguir alguns estudos:

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de Eucaliptos Utilizando SIG

Ceballos-Silva & Lopez-Blanco (2003), utilizaram a abordagem AMC em ambiente SIG, na


identificação de áreas adequadas ao plantio de aveia (Avena sativa L.) no México Central onde os
autores consideraram factores ambientais tais como clima, solo e relevo, em diferentes resoluções
espaciais e temporais, onde os resultados indicaram que as variáveis mais importantes para o
desenvolvimento da cultura de aveia foram a precipitação, a altitude e a profundidade do solo.

Vieira & Curi (2014), realizaram um trabalho cujo objectivo foi o de seleccionar um leque de
culturas agrícolas utilizando de análise multicritério sob diferentes critérios Perímetro Irrigado das
Várzeas de Sousa (PIVAS), localizado no sertão do estado da Paraíba em Brasil. No estudo foram
considerados critérios como: o aumento da lucratividade, a geração de empregos, a diminuição do
consumo hídrico e os usos de defensivos agrícolas das culturas agrícolas em que os resultados
mostraram que as culturas agrícolas do coco, papaia e maracujá, são as mais recomendadas para o
cultivo no perímetro estudado, sendo as menos recomendadas às culturas da melancia, melão e a da
manga, contudo, as técnicas de análise multicritério mostraram-se importantes na elaboração de um
planeamento agrícola eficiente, já que preferiu ou não preferiu o cultivo de determinadas culturas.

Li & Yeh (2002), utilizaram a Análise de Multicritério (AMC) em ambiente SIG no zoneamento de
terras na área agrícola. Os autores comentam que o zoneamento de terras agrícolas, para fim de
protecção, tem-se tornado uma actividade estratégica na redução de perda de áreas com alto
potencial agrícola em regiões de rápido desenvolvimento.

Fardin et al. (2015), utilizaram a Análise Multicritério em Ambiente SIG para a determinação de
possíveis áreas aptas para o plantio de espécies do género de Eucaliptos na Bacia de Piranga no
estado de Minas Gerais em Brasil. Para o mesmo foram estabelecidos sete (07) critérios para a
determinação de tais áreas sendo estes: Nascentes; Hidrografia; Rodovias; Solos; Radiação; Uso e
Ocupação; e Declividade. De acordo com o estudo esses factores foram analisados empregando-se o
recurso de tomada de decisão multicritérios em um SIG e como resultado foi obtido um mapa das
áreas adequadas à para o plantio, segundo os critérios determinados para o estudo.

Meng et al. (2011), empregaram a Análise Multicritério em Ambiente SIG para o mapeamento e
análise de padrões de acessibilidade de locais para o desenvolvimento de habitacional em Canmore,
cidade de Alberta em Canada. Os autores integraram dois métodos de decisão multicritério sendo o
Analytic Hierarchy Process e Ordered Weighted Averaging. O objectivo do estudo foi o de ajudar as

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autoridades de desenvolvimento de habitação na abordagem da incerteza envolvido no processo de


tomada de decisão, conseguindo uma melhor compreensão da acessibilidade alternativa de padrões e
também auxiliar as autoridades na avaliação priorizando o potencial de desenvolvimento
habitacional e quanto a acessibilidade de tais áreas, tendo desta forma os autores determinado as
áreas apropriadas para o desenvolvimento habitacional em algures do Canada.

Venkatesan et al. (2010), integraram a Análise Multicritério em Ambiente SIG por forma a
apresentar uma estratégia acerca do potencial de água subterrânea em Kullursandhai Reservatório de
Captação, Tamil Nadu. Segundo os autores, a estimativa das potenciais zonas de águas subterrâneas
utilizando SDSS (spatial decision support system) incluiu diferentes factores como a geologia,
geomorfologia, uso da terra, do solo e da precipitação, onde este foi validado com o potencial de
água subterrânea estimado através do método de tabela de flutuação de água com base nas Normas
do Comité de Avaliação das águas subterrâneas (GEC). Além disso, a análise da adequação da
aptidão das terras para as culturas foi realizada de modo a inferir terras com alto potencial de
cultivo, zonas moderadas e zonas com menores potenciais para produção de algodão (Venkatesan et
al., 2010).

Calijuri et al. (2002), apresentaram o trabalho realizado na Identificação de Áreas para


Implementação de Aterros Sanitários com Uso de Análise Estratégica de Decisão, isto utilizando a
Análise Multicritério em Ambiente SIG, onde coma metodologia descrita com os autores foram
encontradas 15 áreas entre 20 e 200 ha que apresentaram alta adequabilidade, superior a 220, na
escala de zero a 255 onde com base na metodologia utilizada, os resultados obtidos revelam que o
método de análise estratégica de decisão, viabilizada pela potencialidade dos SIG, permitiu a
integração de informações espaciais para tomada de decisão no processo de avaliação e selecção de
áreas para a implantação de empreendimentos impactantes.

Existe ainda, na literatura científica, uma série de trabalhos envolvendo a Avaliação Multicritérios
em ambiente SIG, nas mias variadas áreas de aplicação, como, por exemplo: Mapeamento de Áreas
Susceptíveis (Caixete et al., 2012); Planeamento e Gestão Urbana (Farina, 2006); e na Identificação
de Local para Construção de um Repositório Final para os Rejeitos Radioactivos no Território
Brasileiro (Combustível Nuclear) (Martins, 2009).

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2.4.1. Funcionamento do Método AHP

A aplicação do método AHP pode ser dividida em duas fases: a primeira fase é a de estruturação
onde envolve a decomposição do problema em uma estrutura hierárquica que mostra as relações
entre as metas, os critérios que exprimem os objectivos e sub-objectivos, e as alternativas que
envolvem a decisão. A segunda fase é a avaliação que é caracterizada pela definição do tipo de
problema a ser adoptado, determinando assim se as acções serão: analisadas em termos relativos ou
absolutos; ordenadas ou escolhidas, e aceites ou rejeitadas (Vilas Boas, 2005).

A utilização do método AHP começa com a determinação do problema a ser estudado e o objectivo
que se pretende alcançar, seguido da construção ou estruturação da classe hierárquica que deve ser
definida de modo que se coloque o objectivo a ser alcançado como metas e seguido dos critérios e
das alternativas. O próximo passo é a construção de matrizes de comparação de valores, isto é, par a
par que é realizada de acordo com os pesos definidos em uma escala fundamental já elaborada por
Thomas L. Saaty (Tabela 6).

2.4.2. Benefícios e Limitações

No método do AHP foram destacados os principais aspectos positivos e os que de certa forma
devem ser tidos em consideração para que o método possa proporcionar um desempenho adequado,
como ilustra a tabela abaixo (Tabela 2). Boritz (1992) em seu estudo apontou como um dos pontos
fortes do AHP a capacidade de poder medir o grau de inconsciência dos julgamentos par a par.

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Tabela 2 - Aspectos positivos e negativos do método AHP.


Aspectos Positivos Aspectos a Considerar
 Simplicidade  Subjectividade na formulação da matriz de
preferência;
 Clareza  Deve ser procedida uma análise acurada para
identificar e caracterizar as propriedades dos níveis da
hierarquia que afectam o desempenho do objectivo
mais alto;
 Facilidade de uso  É muito importante que haja consenso na priorização
dos níveis mais altos da hierarquia;
 Permite que todos os envolvidos no processo  Pesos para os critérios são obtidos antes que as
decisório entendam o problema da mesma forma; escalas de medida tenham sido ajustadas;
 Capacidade em lidar com problemas que envolvam  As prioridades dependem do método usado para
variáveis quantitativas tanto como qualitativas; derivá-las;
 Alternativas incomparáveis não são permitidas
 Estruturando hierarquicamente um problema, os  Por não existir nenhuma base teórica para a formação
usuários são capazes de ordenar e comparar uma lista das hierarquias, os tomadores de decisão, quando se
menor de itens dentro de seus próprios contextos; deparam com situações idênticas de decisão, podem
derivar hierarquias diferentes, obtendo então diferentes
soluções;
 Sintetiza os resultados dentro de uma lista ordenada  Existem falhas nos métodos para agregar os pesos
que permite a comparação de prioridades e importância individuais dentro dos pesos compostos;
relativa de cada factor;
Fonte: Vilas Boas (2005) adaptado pelo autor.

2.5. Historial do LandSat

No final da década dos anos 60 foi desenvolvido o programa de LandSat (Land Remote Sensing
Satellite) pela NASA (National Aeronautics and Space Administation) cujo programa culminou com
o lançamento de 8 satélites. O LandSat – 5 E LandSat – 8 foram lançados no mês de Março de 1984
e no mês de Fevereiro de 2013 respectivamente sendo o LandSat - 8 o mais moderno da serie
LandSat (Marques, 2009; NASA, 2013; USGS, 2013) e segundo a USGS (2013), o LandSat – 5 foi
tirado de orbita a 5 Junho de 2013. As figuras abaixo (Figura 2) e a tabela (Tabela 3) abaixo ilustra a
caracterização do LandSat

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.
Figura 2 - LandSat – 8 a esquerda e a direita o LandSat - 5.
Fonte: NASA (2013).

Tabela 3 - Descrição e Caracterização do LandSat – 8 e LandSat - 5.


Satélite LandSat - 8 Satélite LandSat - 5
Características Sensores Sensores
Operacional Land Imager (OLI) Bandas 1 a 9 e Thermal O sensor TM (Thematic
Infrared Sensor (TIRS) Bandas 10 e 11 Mapper)
Largura de Faixa de 170*185 Km 185*185 km
verificação
Resolução Temporal 16 Dias 16 Dias
Bandas Banda 1 Coastal Aerosol (0,43 – 0,45 µm) – 30 m Banda 1 - Azul (0,450 - 0,520
Espectrais/Resolução Banda 2 Blue (0,450 – 0,51 µm) – 30 m ц )
Espacial Banda 3 Green (0,53 – 0,59 µm) – 30 m Banda 2 - Verde (0,520 - 0,600
Banda 4 Red (0,64 – 0,67 µm) – 30 m ц )
Banda 5 Near Infrared NIR (0,85 – 0,88 µm) – 30 m Banda 3 - Vermelho (0,630 -
Banda 6 SWR 1 (1,57 – 1,65 µm) – 30 m 0,690 ц )
Banda 7 SWR 2 (2,11 – 2,29 µm) – 30 m Banda 4 - Infravermelho
Banda 8 Panchromatic (PAN) (0,50 – 0,68 µm) – 15 m próximo (0,760 - 0,900 ц )
Banda 9 Cirus (1,36 – 1,38 µm) – 30 m Banda 5 - Infravermelho
Banda 10 Thermal Infrared TIRS 1 (10,6 – 11,9 µm) – médio (1,550 - 1,750 ц )
100 m Banda 6 - Infravermelho
Banda 11 Thermal Infrared TIRS 2 (11,5 – 12,51 µm) – termal (10,40 - 12,50 ц )
100 m Banda 7 - Infravermelho
médio (2,080 - 2,350 ц )
Resolução 16 Bits
Radiométrica
Projecção Projecção UTM, Datum WSG 1984 Projecção UTM, Datum WSG
1984
Revista 16 Bits
Órbita Heliossíncrona (Altitude de 705 Km) Heliossíncrona (Altitude de
705 Km)
Fonte: United States Geological Surveys (USGS, 2013) Adaptado Pelo Autor.
31
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III. METODOLOGIA

3.1.Descrição da Área de Estudo

3.1.1. Localização da Área de Estudo

A comunidade de Mapudje localiza-se no distrito de Sanga Posto Administrativo de Unango e dista-


se a aproximadamente 16km da sede distrital Malulu, sendo que o posto administrativo de Unango
tem uma extensão de 2.026 km2. A comunidade de Mapudje faz fronteira a Norte com a comunidade
de Lilonge e a sul com a comunidade de Unango. O distrito de Sanga Localiza-se na parte norte da
província do Niassa a 60 km da capital provincial – Lichinga fazendo fronteira a norte com a vizinha
Republica da Tanzânia, a Sul com o distrito de Lichinga, a Leste com os distritos de Muembe e
Mavago e a Oeste com o distrito de Lago, (Breslin & Naafs, 2004; MAE, 2005). A extensão total da
área de estudo corresponde a um total de 7.511 hectares e localiza-se entre as coordenadas -12.46 de
latitude e 35.29 de longitude conforme ilustra a figura abaixo (Figura 3).

Figura 3 - Localização da Área de Estudo.


Fonte: O Autor.
32
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3.1.2. Clima

O distrito de Sanga sofre influência da zona de convergência intertropical que da origem a duas
estações bem definidas por ano sendo que a estação chuvosa, que vai de Dezembro a Março, com
Abril como mês de transição, e a estação seca e fria, de Maio a Outubro, com Novembro como mês
de transição, onde a precipitação média anual varia de 1000 a 1200 mm podendo atingir um máximo
de 2000 mm e de acordo com a Classificação de Koppen e Geiger o clima da região foi classificado
como sendo Cwa, isto é, tropical húmido com Verão quente e chuvoso, Inverno seco e frio. Os
valores médios de temperatura na estação quente e húmida são de 20 e 23°C (MAE, 2005).

O distrito de Sanga encontra-se a 1200 metros acima do nível do mar na sua parte Sul e vai
descendo até 600 metros acima do nível do mar na parte nortenha do distrito. O ponto mais alto do
distrito é a Serra Jeci na parte Oeste do distrito com aproximadamente 1836 metros (Breslin &
Naafs, 2004).

Foi possível obter dados referente a precipitação e a temperatura da área de estudo situada entre as
coordenadas -12.46 de latitude e 35.29 de longitude como se ilustra no gráfico abaixo (Figura 4),
sendo estes dados referentes a um período de 22 anos, isto é, de 1990 – 2012 no website The Wold
Bank Group2.

30 350

25 300

250
20
200
15
150
10
100
5 50

0 0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
P (mm) 276.75 221.78 295.71 134.46 30.19 8.69 2.92 0.42 1.3 4.8 89.7 196.05
T (ᵒC) 23.65 23.91 23.87 22.73 21.26 19.29 19.01 20.03 22.08 24.07 25.43 24.65

Figura 4 - Médias Mensais de Precipitação e Temperatura.

2
(http://sdwebx.worldbank.org/climateportal/index.cfm?page=country_historical_climate&ThisRegion=Africa&ThisCC
ode=MOZ)
33
Autor: Valdemar Carlitos Costa Jonasse Trabalho de Licenciatura
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
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Fonte: Climate Change Knowlede Portal, produzido por Climate Research Unit (CRU) of University of East Anglia
(UEA), (2016) Adaptado Pelo Autor.

3.1.3. Solos e Vegetação Nativa

Os solos da região de Unango são predominantemente argilosos, superficiais (Lithosols), vermelhos


ferralíticos profundos e solos cinzentos profundos e bem drenados, associados a climas húmidos e
sub-húmidos, ocupando manchas consideráveis nas regiões altas e chuvosas da cordilheira de Sanga.
Os solos desta área também se destacam pela elevada fertilidade e potencialidade agrícola, tornando-
a uma zona agro-ecológica número 10 (Mate & Van Wambeke, 1985; MAE, 2005).

O Posto Administrativo de Unango encontra-se na região Zambéziaca, com formações florestais do


tipo miombo decíduo seco, miombo decíduo que ocorre largamente ao longo do distrito e miombo
decíduo tardio que ocorre nas zonas planálticas e montanhosas da parte Sul do distrito
predominando espécies como a Brachystegia boehmii, Brachystegia spiciformis (messassas),
Julbernardia globiflora, Uapaca kirkiana (massuco) e Uapaca nítida (MAE, 2005).
A área de estudo em especifico possui solos Vermelhos de Textura Média Óxicos que são os mais
dominantes e os Solos Líticos, solos estes que se apresentam em menor percentagem na área.

3.1.4. População

De acordo com o censo populacional de 2007, a região de Unango possuía até o ano de 2007 cerca
de 14433 habitantes como ilustra a tabela abaixo (Tabela 4), o que correspondia a 25.5 % da
população do distrito, compondo assim uma densidade populacional de 4.8 habitantes/Km² (INE,
2007).

Tabela 4 - Distribuição da População de Unango.


Povoado N° de agregado População
familiar Masculino Feminino Total
Unango Vila 669 1205 1257 2462
Cavago II 334 779 801 1580
Lilonge 105 239 271 510
Mapuje 432 802 958 1860
Miala 211 445 470 915
Selenje 311 611 683 1294
Cazizi 206 497 559 1050
Ngongoti 771 1654 1837 3491
Cavago I 195 421 395 816
Burundi 98 221 228 449
34
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de Eucaliptos Utilizando SIG

Total 3342 6874 7459 14433


Fonte: (INE, 2007).

3.2.Materiais

Para o presente estudo foram usados dados oriundo do website da USGS (United States Geological
Survior - http://glovis.usgs.gov/), também foram usadas cartas topográficas existentes na base de
dados dos Serviços Provinciais de Geografia e Cadastro do Niassa e do Centro Nacional de
Cartografia e Teledetecção (CENACARTA) referente a área em estudo para a determinação de uso e
ocupação de terras.

3.2.1. Equipamentos Utilizados no Levantamento de Dados e Programas Informáticos

Durante o processo de levantamento de dados de campo foram empregados vários tipos de matérias
para colecta de dados em campo e confirmação de dados em campo:

• Notebook/Laptop com processador i5 ou superior, com velocidade de processamento


2.40GHz, 4GB de memória RAM;

• Camera fotográfica Digital Samsung ES95 com 16 Megapixéis;

• Imagens de Satélite LandSat – 5 ETM+ e LandSat - 8;

• Google Earth Pro;

• Software Erdas 14 e Spring Versão Portuguesa 5.3;

• Software ArcGis (ESRI) versão 10.2;

• GPS de navegação para localização das áreas;

• Trena de 50 m;

• Mapa de Campo para localização das áreas;

35
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3.3.Métodos

3.3.1. Detalhes das Espécies de Eucaliptos

Por se tratar de uma área cujo objectivo de aquisição é comercial serão alocadas 3 espécies do
género de eucaliptos segundo a tabela abaixo (Tabela 5).

Tabela 5 - Especificações de Proveniência das Espécies de Eucaliptos a Serem Plantadas.


Espécie/Procedência Pais Província
Eucaliptos pellita Brasil São Paulo - IPEF3
Eucaliptos maculata Brasil São Paulo - IPEF
Eucaliptos urophylla Brasil São Paulo - IPEF
Fonte: FdN (2016).

3.3.2. Aquisição de Imagens

As imagens de LandSat - 8 e LandSat - 5 ETM+ referentes a área de estudo foram obtidas no


Website da USGS (United States Geological Survior - http://glovis.usgs.gov/), sendo que foram
escolhidas cenas com poucas perturbações em relação a visibilidade espectral, isto é, com uma
percentagem de nuvens próximo de zero porcento (0%) onde as mesmas foram tiradas para as datas
13 de Maio de 2015 para imagem de LandSat - 8 e 20 de Julho de 2005 para imagem de LandSat - 5
ETM+ ambas pertencentes a Coluna 168 e Linha 69. As cenas tiradas não acarretaram a realização
de correcções radiométricas e geométricas das mesmas.

3.3.3. Tratamento e Processamento de Imagens

Com base na ferramenta Composite Bands (Data Management Tools > Raster > Raster Processing)
fez-se a composição de bandas no software ArcGis 10.2.2, onde para o LandSat – 8 foram utilizadas
as bandas 5, 4 e 3 e para o LandSat – 5 ETM+ foram utilizadas as bandas 4, 3 e 2 para combinação
RGB (Red, Green e Blue) respectivamente.

O mapeamento de uso e cobertura de solos foi realizado com base nas cenas de imagens de satélite
tiradas para os anos de 2005 e 2015.

3
Instituto De Pesquisas e Estudos Florestais – Brasil.
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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

3.3.4. Classificação de Uso e Cobertura de Terra

A classificação de uso e cobertura de terra foi gerado a partir da vectorização das imagens satélite
LandSat – 8 para o ano de 2015 e LandSat 5 ETM+ referente ao ano de 2005 no software ArcGis
10.2, onde foram consideradas as seguintes classes de uso de terra: Floresta aberta, campos
agrícolas, pastagem, pastagens arbustivas, vegetação arbustiva e corpos de água sendo que para as
referidas classes foram criados polígonos para os mesmo nas cenas de imagens de satélite.

3.3.5. Áreas de Preservação Permanente

As áreas de preservação permanente foram calculadas de acordo com as leis vigentes em


Moçambique como o caso da Lei do ambiente Lei Nᵒ20/97 de 07 de Outubro e também se seguiu
alguns princípios da Resolução 303 de 20/03/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente do
Brasil (CONAMA):

• Rios: de acordo com a Lei de Terras vigente em Moçambique, Lei Nᵒ19/97 de 01 de Outubro
q “ x í b à q á
Em toda a sua extensão longitudinal, as margens estão sujeitas ao regime de protecção parcial
” b b 10
linhas/corpos de água que cobrem a área de estudo no ArcGis 10.2 utilizando a ferramenta Buffer
Wizard; segundo o CONAMA referenciam também que as margens dos cursos de água constituem
áreas de preservação permanente;
• Declividade: as que correspondem a encostas ou partes destas com uma declividade superior a
45o, sendo estas áreas foram consideradas áreas de preservação permanente como referenciado
b R ã ˚303 O A A F ã á
estudo para a determinação de áreas com declives superiores a 45 o graus de elevação onde a partir
do comando Slope (Spatial Analyst Tools > Surface) foi gerado um mapa de elevação que
posteriormente foi reclassificado;
• Remanescentes de vegetação nativa: toda área ocupada por vegetação utilizada para cultos
(florestas sagradas), e pequenas ilhas de vegetação nativa para preservação de espécies de flora e
fauna.

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
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Segundo a Lei do ambiente Lei Nᵒ20/97 em seu artigo 12 número 1 diz que são proibidos todas as
actividades que atentem contra a conservação, reprodução, qualidade e quantidade dos recursos
biológicos, especialmente os recursos ameaçados de extinção.

3.3.6. Determinação de Áreas Aptas Para o Plantio

Para a determinação de áreas aptas para o plantio, primeiramente foram determinadas todas as áreas
inaptas ao plantio de eucalipto, considerando os seguintes factores:

• Áreas próximas às áreas urbanas (sedes municipais e distritais);


• Áreas ocupadas por remanescentes de vegetação nativa;
• Áreas destinadas à preservação permanente e/ou conservação;
• Áreas de uso comunitário (áreas usadas para cultos religiosos; florestas sagradas; cemitérios
comunitários);
• Zonas industriais.

As áreas restantes foram consideradas como aptas para o plantio de eucaliptos, as quais,
posteriormente, foram classificadas em relação ao nível de aptidão: alto, médio e baixo. Para isso,
foram considerados os seguintes factores: uso e ocupação de terras, declividade, radiação solar na
área, factores pedológicos (solo), e a hidrografia, por forma a avaliar a influência de cada factor no
desenvolvimento do eucalipto, sendo esta denominada análise multicritério (AMC), isto é, que
consiste na elaboração de uma matriz de comparação de factores.

Estes factores foram escalonados em um mesmo intervalo de valores em termos de adequabilidade


ao plantio de eucalipto, sendo preenchida a matriz de comparação aos pares de factores, onde tal
preenchimento foi realizado a partir da determinação de valores utilizando a técnica AHP (Analytic
Hierarchy Process/Processo Analítico Hierárquico) que fornece valores na razão de peso de
importância para os factores.

O método de AHP baseia-se no método newtoniano e cartesiano de pensar, que busca tratar a
complexidade com a decomposição e divisão do problema em factores, que podem ainda ser
decompostos em novos factores até ao nível mais baixo, claros e dimensionáveis e estabelecendo
relações para depois os sintetizar (Barros et al., 2009).

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A escala fundamental de conceitualização de pesos utilizada por Saaty (2008) mostrada na tabela
abaixo (Tabela 6) vai de 1 a 9 sendo que quanto maior o valor maior a importância do determinado
critério e quanto menor o valor menor é a importância do mesmo critério.

Tabela 6 - Escala Fundamental de Conceitualização de Pesos Utilizados no AHP.


Intensidade de Importância Definição da Importância Explicação
As duas actividades contribuem igualmente para
1 Mesma Importância o objectivo.
2 Fraco ou Moderado
A experiência e o julgamento favorecem
3 Importância Moderada levemente uma actividade em relação a outra.
4 Positivo Moderado
A experiência e o julgamento favorecem
5 Fortemente Importante fortemente uma actividade em relação a outra.
6 Mais Forte
Muito Forte ou Importância Uma actividade é muito fortemente favorecida
7 Demonstrada em relação a outra; sua dominação de
importância é demostrada na prática.
8 Muitíssimo Forte
A evidência favorece uma actividade em relação
9 Extrema Importância a outra com o mais alto grau de certeza.
Obs.: 2, 4, 6, e 8 são valores intermediários entre duas definições dos pesos.
Fonte: Saaty (2008).

Segundo Wernke & Bornia (2001), o método AHP método baseia-se em três princípios do
pensamento analítico: (a) construção de hierarquias (no AHP o problema é decomposto em níveis
hierárquicos, como forma de buscar uma melhor compreensão e avaliação do mesmo); (b)
estabelecer prioridades (o ajuste das prioridades, neste método, fundamenta-se na habilidade do ser
humano de perceber o relacionamento entre objectos e situações observadas, comparando pares, à
luz de um determinado foco, critério ou julgamentos paritários); e (c) consistência lógica (no AHP é
possível avaliar o modelo de priorização construído em termos de sua consistência).

Após a determinação da matriz de comparação aos pares que consiste na montagem hierárquica dos
critérios a serem avaliados dois a dois para a determinação da importância relativa entre eles
(Vargas & IPMA-B, 2010) e foi realizado o processo de verificação da inconsistência da mesma
utilizando como base o número principal de Eigen ( ), cujo o número principal de Eigen
apresenta os pesos relativos entre os critérios onde o mesmo é obtido através da média aritmética
dos valores de cada um dos critérios e o mesmo determina a participação daquela determinado

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
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critério (Gomede & Barros, 2012). Estes factores foram calculados com base nas seguintes equações
apresentadas na tabela abaixo (Tabela 7):

Tabela 7 - Equações Para a Determinação da Taxa de Consistência.


Equações Para a Determinação da Taxa de Consistência Legenda
Equação 1 - Vector de Eigen – vector de Eigen
D – Pesos dos Factores
N – Valor de soma da coluna do factor

Equação 2 - Índice de Consistência – Índice de Consistência


n – Número total de critérios

Equação 3 - Taxa de Consistência – Taxa de Consistência


– Índices de Consistência Aleatório

A tabela abaixo apresenta valores de RI (índice randómico) que são valores fixos e tem como base o
número de critérios avaliados dependendo do autor.

Tabela 8 -Tabela de Índices de Consistência Aleatória (RI).


N 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
RI 0 0 0.52 0.89 1.11 1.25 1.35 1.40 1.45 1.49
Fonte: Saaty (2008).

3.3.7. Mapeamento de Aptidão de Áreas Para o Plantio de Espécies do Género Eucaliptos

Após a determinação de áreas para o plantio de eucaliptos procurou-se realizar o mapeamento de


tais áreas considerando as classes de aptidão e para tal fez-se a combinação de pesos relativos dos
factores como uso e ocupação de terra, declividade, radiação solar, tipos de solo.

3.3.7.1.Mapa de Declividade

A partir do modelo de elevação digital foi gerado um mapa de declividade no ArcGis 10.2 utilizando
o comando slope (em Spatial Analyst Tools > Surface). Para este factor foram consideradas classes
e valores de pesos de declividade segundo a sua influência para as actividades silviculturais como
ilustra a tabela abaixo (Tabela 9) (Francelino et al., 2012). E segundo Caldas (2006) maiores

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
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percentagens de declividade implicam maiores dificuldades na instalação do povoamento florestal,


tratos culturais, a exploração e o seu subsequente transporte pós-exploração.

Tabela 9 - Classes de Declividade e Pesos em Relação a Aptidão para Plantio de Eucaliptos.


Graus de Declividade (%) Classe Peso
0–3 Plano 1
3–8 Suave Ondulado 2
8 – 20 Ondulado 3
20 – 45 Forte Ondulado 4
45 – 75 Montanhoso 5
Maior que 75 Escarpado 5
Fonte: Francelino et al. (2012) - Adaptado pelo Autor.

3.3.7.2.Mapa de Solos

A partir da carta de solos da província do Niassa de 1994 produzido pelo INIA/DTA (vide em
anexos I) na escala de 1:1000 000, foi convertido para o formato em formato de JPEG e feita uma
vectorização da área de estudo no programa ArcGis 10.2, tendo-se vectorizado as seguintes classes
de solos para a área de estudo:

• I (Solos Líticos): estes solos são profundos, arenosos-castanho-avermelhados sendo estas


características dominantes deste tipo de solos;
• VMo + Ka (Solos Vermelhos de Textura Média Óxicos): estes são solos profundos, franco-
arenosos e castanhos.

A tabela abaixo apresenta algumas das características que estes tipos de solos especificamente
apresentam.

Tabela 10 - Características dos Solos.


Características I VMo + Ka
Drenagem Excessiva Boa
Profundidade 0 – 30 > 100
Acidez Moderado acido Moderado
Matéria Orgânica Baixa a moderada Baixa a moderada entre 0.5 – 3
Salinidade Não salgado Não salgado
Principais Limitações Profundidade e risco de erosão Fertilidade e riscos de erosão
Resistência a compactação Boa Boa
Retenção de água Baixa Média
Fonte: Reinert & Reichert (2006) adaptado pelo autor.

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3.3.7.3.Mapa de Exposição

Com base no modelo digital de elevação foi usado o comando aspect (em spatial Analyst Tools >
Surface) no programa ArcGis 10.2. A seguir as faces de exposição foram reclassificadas e separadas
em 4 classes: Norte, Sul, Este e Oeste. A face Norte foi determinada entre 315º e 45º, a Este entre
45º e 135º, a Sul entre 135º e 225º e a Oeste entre 225º e 315º, todas tendo como zero a orientação
norte do mapa (Caldas, 2006).

3.3.7.4.Mapa de Aptidão

O mapa de aptidão foi gerado pela combinação de pesos que foram atribuídos aos factores de
declividade, exposição solar e solos, isto através do auxílio de álgebra de mapas (Map Algebra)
utilizando o comando Map calculator no software ArcGis 10.2 usando os pesos atribuídos aos
factores no AHP.

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IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para a determinação de áreas aptas para o plantio de eucalipto recorreu-se a diversos elementos
considerados como preponderantes para o crescimento da cultura, nomeadamente: solo, vegetação,
clima, pluviosidade, declividade, radiação solar e uso e ocupação de terra. Porém, a selecção de
parâmetros de avaliação da aptidão das terras para determinados usos no âmbito AHP são muito
influenciados pelos objectivos, localização, mapas, pessoas envolvidas nas discussões e
informantes-chave (Babaie-Kafaky et al., 2009). Os resultados dos parâmetros em referencia, são
apresentados nos pontos a seguir.

4.1.Uso e Ocupação de Terra

Com a utilização da base de dados obtido do CENACARTA foi gerado um mapa de uso e ocupação
de terra (UOT) (figura 5) onde mais de 70% da área é ocupada por floresta aberta e cerca de 0,007%
ocupada por pastagem. Todavia informações de uso e da ocupação de terras constitui um passo
excelente para o entendimento das relações entre o homem e o meio natural, o que possibilita o
estabelecimento de acções de integração entre planeamento territorial e gestão do meio ambiental
(Lago et al., 2012).

Desta forma, é possível verificar nos mapas abaixo de uso e ocupação de terras que não existem
áreas que possam limitar ou reduzir a área de uso para o plantio como por exemplo áreas urbanas
(sedes municipais e distritais); áreas ocupadas por remanescentes de vegetação nativa; áreas
destinadas à preservação permanente e/ou conservação; áreas de uso comunitário (áreas usadas para
cultos religiosos; florestas sagradas; cemitérios comunitários) e zonas industriais, exceptuando
apenas áreas de preservação permanente que foram determinadas pelo autor como é possível
verificar na figura e tabela (8 e 14 respectivamente).

Contudo é um bom índice a não existência de áreas que possuem uma certa restrição das acima
citadas, o que indica que a área pode ser utilizada na sua totalidade para o plantio de eucaliptos,
destacando assim bem viável a sua aquisição quanto ao custo da terra (DUAT).

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Figura 5 - Mapa de Uso e Ocupação de Solo.

Tabela 11 - Áreas de Uso e Ocupação de Terra.


Cálculo de Área de Uso e Ocupação de Solo Área (há) %
1 – Cultivo de Sequeiro 171.999 2.284
201 – Pastagem 0.526 0.007
202 – Vegetação arbustiva 1142.331 15.167
206 – Pastagens arbustivas 843.886 11.205
209 – Floresta aberta 5351.805 71.059
Total 7511 100

Com as cenas retiradas do sensor LandSat – 5 ETM+ foi possível gerar o mapa de uso e ocupação de
terra para o ano de 2005 em que é possível constatar na figura abaixo (Figura 6) que cerca de 61%
da área é ocupada por floresta aberta e com a menor percentagem foi a pastagem com cerca de
0.069% de ocupação na área total.

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Figura 6 - Mapa de UOT no Ano de 2005.

Tabela 12 - Área Ocupada por Cada UT no Ano de 2005.


Cálculo de Área de Uso e Ocupação de Solo do Ano 2005 Área ha %
Cultivo de Sequeiro 180.832 2.407
Pastagem 5.209 0.069
Vegetação arbustiva 769.402 10.243
Pastagens arbustivas 1900.001 25.295
Floresta aberta 4615.644 61.449
Cursos de Agua 40.207 0.535
Total 7511 100

4.2.Áreas de Preservação Permanente

Hott et al. (2005) e Nascimento et al. (2005), ambos desenvolveram estudos em utilizaram o método
de delimitação/determinação automática de áreas de preservação permanente e que posteriormente
Rezende (2007) em seu estudo utilizou a mesma metodologia pelos autores acima mencionados, mas

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os autores são unanimes em afirmar que a mesma metodologia é susceptível a diferentes


interpretações por parte dos analistas.

Ao todo foram determinados um total de 67.894 ha de áreas destinadas a preservação permanente


(Figura 7), sendo que as margens do á 59% APP’ (T b
13).

Figura 7 - Mapa de APP's.

Tabela 13 - Áreas Destinadas a Preservação Permanente.


APP Área (ha) %
1 - Cursos de Água 40.207 59.219
2 - Declives Superiores 45o 27.688 40.781
Total 67.894 100

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4.3.Geomorfometria

4.3.1. Declividade

Como é possível observar (figura 8) maior percentagem da área de estudo apresenta classes de
declividade entre Plano e Suave Ondulado, onde mais de 50% da área apresenta terrenos com
declividade Suave Ondulado.

Figura 8 - Mapa de Declividade.

Tabela 14 - Classes de Declividade da Área de Estudo.


Classes de Declividade Aptidão Área (ha) %
1 - Plano Muito alta 1775.830 23.578
2 - Suave Ondulado Alta 4009.800 53.238
3 - Ondulado Média 1385.654 18.397
4 - Forte Ondulado Baixa 308.774 4.100
5 - Montanhoso/Escarpado Não Apta 30.446 0.404
Total 7511 100

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As classes de declive de forma directa irão influenciar nos custos de implantação bem como nos
processos de maneio e na própria altura de colecta/exploração do eucalipto, onde percentagens de
declividades elevadas irão afectar no tipo de sistema de colheita florestal a ser aplicada, sendo este
enfatizado por Chuvieco (1996) referindo que as principais maquinas que são utilizadas em
exploração florestal têm grandes restrições quando utilizadas em terrenos com grandes declividades
e em um estudo realizado por Facco et al. (2009) destacam que a variável declividade influência de
forma significativa na produtividade da maquinaria sendo neste caso menores declives maior
rendimento da maquinaria.

Segundo Rezende (2007), a declividade pode afectar na quantidade de água disponível onde em
regiões com declividades elevadas haverá um grande escorrimento superficial, contrariamente as
regiões com relevos planos havendo mais infiltração hídrica o que favorece a disponibilidade de
água as plantas propiciando assim o seu desenvolvimento normal.

Quanto mais elevado for o terreno existem menores possibilidades de infiltração de água no solo e
automaticamente menor o fluxo de água, assim como maior será a quantidade de água a escorrer na
superfície bem como a energia cinética favorecendo a ocorrência de erosão. Geralmente solos
situados em terrenos elevados são menos profundos e com menor capacidade de retenção de água
favorecendo com que as plantas possam ter um crescimento diferenciado dentro da área (Flores et
al., 2009).

4.3.2. Face de Exposição (Insolação Solar)

Foi possível verificar que mais de 30% da área apresentam as suas faces de exposição viradas na
direcção Este, contra 28.441% que estão voltadas para o Oeste, 20.408% voltadas para o Sul e cerca
de 17.308 % da área estão voltadas para o Norte.

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Figura 9 - Mapa de Exposição Solar.

Tabela 15 - Faces de Exposição Solar - Insolação.


Face de Exposição Solar Área (ha) %
1 - Norte 1303.641 17.308
2 - Este 2527.647 33.559
3 - Sul 1537.087 20.408
4 - Oeste 2142.162 28.441
Total 7511 100

A frequência, duração e bem como a intensidade da insolação dependendo da sua exposição dos
terrenos, a mesma pode influenciar e interferir nas perdas por transpiração e evaporação (Rezende,
2007).

Segundo Facco et al. (2009), em seu estudo refere que as encostas com faces de exposição
orientadas para o norte, nordeste e noroeste possuem maior taxa energéticas de radiação solar
podendo chegar ate 40% comparativamente as superfícies planas. Por conseguinte as encostas
voltadas ao sul, sudoeste e sudeste possuem menores taxas energéticas de radiação solar quando
comparadas a locais com topografia plana. Os mesmos autores referem ainda que a topografia tem

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uma forte influência na taxa de radiação indicando que os maiores valores de radiação solar foram
encontrados em áreas com maiores altitudes quando comparados com locais de baixa altitude,
chegando assim os autores a conclusão que o factor que mais influenciou foi a inclinação das
encostas.

4.3.3. Altitude

A altitude da área de estudo varia entre 842 e 1140 metros de elevação de acordo com a figura e
tabela abaixo, sendo que mais de 60% da sua área quando somadas está entre 946 – 993 metros de
altitude.

Figura 10 - Mapa de Altitude (m).

Tabela 16 - Classes de Altitude da Área de Estudo.


Altitude Área (ha) %
1 - 842 - 946 1160.683 15.454
2 - 946 - 970 2305.846 30.701
3 - 970 - 993 2535.223 33.756
50
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4 - 993 - 1029 1204.295 16.035


5 - 1029 - 1140 304.490 4.054
Total 7511 100

De acordo com o mapa acima e em função desta variável altitude, as três espécies de eucaliptos
nomeadamente o Eucaliptos pellita, Eucaliptos urophylla e Eucaliptos maculata em detrimento das
suas origens as mesmas espécies dentro da área podem ser plantadas nas diferentes classes de
altitude sem restrição de nenhuma das classes.

Ceballos-Silva & Lopez-Blanco (2003), em seu estudo determinaram a variável altitude como uma
das mais importantes variáveis no desenvolvimento da cultura de aveia no México Central.
Resultado este que no presente estudo foi obtido como uma variável determinante para o
desenvolvimento normal da espécie de eucaliptos porque as 3 espécies em questão referidas nos
parágrafos anteriores possuem uma rigorosidade no que se refere ao parâmetro altitude, sendo muito
importante para o desenvolvimento das 3 culturas de eucaliptos.

O microclima específico de uma determinada área é influenciado pela variação da altitude dentro da
área actuando de forma diferenciada nos processos de regeneração da vegetação arbórea e herbácea
dentro da área e automaticamente na composição da vegetação (Cortines et al., 2005).

4.4.Solos

Os solos Vermelhos de Textura Média Óxicos são os mais dominantes da área de estudo com cerca
de 80% da extensão total como ilustra-se na figura e tabela abaixo (Figura 11, Tabela 17).

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Figura 11 - Mapa de Solos (Fonte: adaptados da base de dados de Classificação da flora Zambéziaca e FAO).

Tabela 17- Classificação de Solos da Área de Estudo.


Solos Aptidão Área (ha) %
1 - VMo + Ka (Solos Vermelhos de Textura Média Óxicos) Alta 6013.258 80.064
2 - I (Solos Líticos) Média 1497.288 19.936
Total 7511 100

O estudo realizado por Andrade (1939), apresenta uma relação de espécies de Eucaliptos com a
distribuição em seu país de origem em que indica a natureza dos solos em que são mais apropriados,
como o caso do Eucaliptos maculata o autor refere que em terras pobres a espécie desenvolve-se
normalmente.

Ceballos-Silva & Lopez-Blanco (2003), mostram em seu estudo que a variável profundidade dos
solos é muito importante para o desenvolvimento da cultura de aveia, e que segundo Auer et al.
(2014) é de consenso o factor de que o eucalipto não se desenvolve em solos rasos, com formação
de camadas sub-superficiais compactadas, em solos pedregosos (rochosos), ou em solos encharcados
ou sujeitos a encharcamentos independentemente da espécie de eucalipto a plantar. Nesse caso a
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avaliação do tipo de solo e as condições de fertilidade da área para a realização do plantio é


importante, referindo desse modo que é aconselhável a realização do plantio de preferência em solos
profundos e bem drenados propiciando desse modo maior incremento e desenvolvimento adequado
as árvores no campo. Desta forma os solos da área de estudo apresentam as condições necessárias
para um bom desenvolvimento da cultura do eucalipto como ilustra a Tabela 11 (Características dos
Solos).

4.5.Áreas Disponíveis Para Implantação do Eucaliptos

4.5.1. Áreas com Restrição para o Plantio de Eucaliptos

A área na qual não existem restrições para o desenvolvimento normal da espécie de eucaliptos
possui um total de 6130.768 ha, o correspondente a cerca de 81% da área conforma a tabela abaixo
(Tabela 18), isto foi possível com a integração de vários factores tais como a declividade, exposição
solar, e altitude para a determinação de um modelo digital. Nessa vertente as restantes áreas
possuem algum tipo de restrição para o seu uso na silvicultura.

Os cerca de 18% da área possuem algum tipo de restrição a titulo de exemplo como áreas com
declives superiores a 45o, áreas com cursos de água e linhas cumeadas como é possível verificar na
figura abaixo (Figura 12). Essas áreas podem ser utilizadas para o plantio de eucaliptos, mas as
mesmas podem acarretar elevados custos para a trabalhabilidade de tais áreas como a utilização de
maquinaria especifica e pessoal qualificado para tal.

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Figura 12 - Mapa de Restrição de Áreas.

Tabela 18 - Áreas com Restrição e Sem Restrição Para o Plantio de Eucaliptos.


Áreas Área (ha) %
1 - Sem Restrição 6130.768 81.628
2 - Com Restrição 1379.829 18.372
Total 7511 100

4.6. Análise do Pesos dos Factores no Método AHP

A tabela abaixo (Tabela 19) apresenta a matriz de comparação de pares com a integração dos
factores estudados para a determinação de pesos relativos aos diversos critérios. A atribuição dos
pesos para cada critério foi com base na utilização o processo de tomada de decisão AHP proposto
por Saaty (1989).

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Tabela 19 - Matriz de comparação de pares dos factores utilizados na AMC.


Factores ou Critérios Hidrografia Rodovias Solos Radiação UOT4 Declividade
Hidrografia 1 0.5 0.33 0.25 0.20 0.17
Rodovias 2 1 0.5 0.33 0.25 0.20
Solos 3 2 1 0.5 0.33 0.25
Radiação 4 3 2 1 0.50 0.33
UOT 5 4 3 2 1 0.5
Declividade 6 5 4 3 2 1
Total 21 15.5 10.83 7.08 4.28 2.45

Por forma a interpretar e dar os pesos relativos para cada critério é necessário normalizar a matriz de
comparação de pares para os diferentes factores como ilustra a tabela abaixo (Tabela 20).

Tabela 20 - Pesos determinados pelo método AHP.


Factores ou Critérios Matriz Normalizada Vector Eigen %
Hidrografia 0.048 0.032 0.031 0.035 0.047 0.068 0.043 4.344
Rodovias 0.095 0.065 0.046 0.047 0.058 0.082 0.065 6.549
Solos 0.143 0.129 0.092 0.071 0.078 0.102 0.102 10.244
Radiação 0.190 0.194 0.185 0.141 0.117 0.136 0.160 16.043
UOT 0.238 0.258 0.277 0.282 0.233 0.204 0.249 24.883
Declividade 0.286 0.323 0.369 0.424 0.467 0.408 0.379 37.936
Total 1 1 1 1 1 1 1 100

A variável declividade é a que teve maior peso na análise feita. A atribuição do maior peso na
declividade vem sendo fundamentado também na análise feita por Recanatesi et al. (2014) no seu
estudo sobre a melhor localização de uma usina de biomassa que era altamente dependente da
declividade, pois este desempenha um papel importante não só para a individuação das florestas
produtivas, mas também para identificar o lugar certo para a localização da planta, e Fardin et al.
(2015) em seu estudo constatou também que a variável declividade é o factor mais influente para o
desenvolvimento adequado da cultura de espécies do género de eucalipto, sendo este factor atribuído
maior peso quando comparado com os demais factores estudados pelos autores. Desta forma para o
presente estudo a variável declividade foi a que mais peso teve em função dos demais factores
analisados e estudados.

Após a determinação da matriz normalizada (Tabela 20) foi realizado o cálculo para a determinação
da taxa de consistência da matriz de organização da AMC e da matriz normalizada cuja tabela
abaixo (Tabela 21) ilustra os resultados da taxa de consistência que é igual a 0.027 (2.702%), valor

4
UOT – Uso e Ocupação de Terra.
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este menor que 0.1 (10%). Nesse caso sendo menor que 10%, a matriz é considerada consistente,
sendo assim os resultados dos pesos dos critérios obtidos considerados validos e consistentes para a
análise realizada para o presente estudo.

Tabela 21 - Resultados do Cálculo de Taxa de Consistência.


Índices Resultados
Vector de Eigen 6.169
Índice de Consistência 0.034
CR 0.027

RI 1.250

De acordo com o gráfico abaixo (Figura13) os factores que possuem maior influência são os factores
de declividade e uso de ocupação de terras com cerca de 37.936% e 24.883% respectivamente e o
factor com menor influência quando comparada aos outros factores é a hidrografia com cerca de
4.344%.

Resultados da Matriz de Comparacao de Criterios em AMC


40.000
R² = 0.9981
35.000

30.000 Declividade

25.000 UOT

20.000 Radiação
15.000
Solos
10.000
Rodovias
5.000
Hidrografia
0.000
Declividade UOT Radiação Solos Rodovias Hidrografia

Figura 13 - Resultados da matriz de comparação de critérios da organização da AMC.

4.6.1. Áreas com Classes de Aptidão Para o Plantio de Eucaliptos

Verificou-se a existência da não uniformidade de padrões de na distribuição das classes de aptidão


para o desenvolvimento do eucalipto na área de Mapudje (Figura 14), onde cerca de 40% da área ao

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nível da região central corresponde a classe média, enquanto a área não apta para o plantio
corresponde a um total de 5.754% da área total como (vide na Tabela 22), sendo que esta possui
muita restrição devido a elevada declividade como um dos factores de interferência directa na
mecanização a ser aplicada e no sistema de exploração a ser utilizado.

Figura 14 - Mapa de Classes de Aptidão.

Tabela 22 - Classes de Aptidão.


Classes de Aptidão Área (ha) %
Apta 1786.4642 23.785
Média 3356.3541 44.686
Baixa 1935.9104 25.775
Não Apta 432.1886 5.754
Total 7511 100

Estudo realizado por Fardin et al. (2015), indicou em sua análise que áreas de boa e de alta
adequabilidade encontram-se em locais com baixa declividade o de certa forma possibilita a
utilização da mecanização para actividades de implantação do povoamento assim como a exploração
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do produto final, e segundo Pereira et al. (2012) concluíram que quanto maior a declividade do
terreno menor a sua profundidade aconselhando desse modo a utilização de terrenos com um
máximo de 22 graus de declividade.

Em um estudo realizado por Fardin et al. (2015), o mesmo estabeleceu um total de sete (07) critérios
para a determinação de áreas nomeadamente Nascentes; Hidrografia; Rodovias; Solos; Radiação;
Uso e Ocupação; e Declividade e analisando os mesmos factores com base no método de AHP
empregando o recurso de tomada de decisão multicritérios em um SIG e como resultado foi obtido
um mapa das áreas adequadas à para o plantio, segundo os critérios determinados para o estudo,
procedimento este seguindo para o presente estudo e tendo-se mostrado eficiente na determinação de
áreas e as suas respectivas classes de aptidão para o plantio de eucaliptos.

Estudo realizado por Venkatesan et al. (2010), usando a Análise Multicritério foram integrados
diferentes factores como a geologia, geomorfologia, uso da terra, do solo e precipitação. Esta análise
possibilitou com que fosse possível inferir com base na integração dos SIG na AMC áreas com alto
potencial de cultivo, zonas moderadas e zonas com menores potenciais para produção de algodão
mostrando desse modo a técnica eficiente, resultado este que coaduna com os resultados obtidos no
presente estudo onde com a aplicação dos SIG na AMC também foi possível a determinação das 4
classes de aptidão nomeadamente apta, média, baixa, incluindo zonas não aptas.

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V. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÃO

5.1.Conclusão

A partir dos resultados obtidos pode-se concluir que a Análise Multicritério em Ambiente SIG é
funcional e uma importante ferramenta para a determinação de áreas aptas para o plantio de espécies
do género de eucaliptos.

Foram considerados os factores ou critérios tais como a Uso e ocupação do solo, hidrografia,
rodovias, solos, radiação e declividade e escalonados em uma matriz de comparação de pesos
utilizando o método AHP com uma taxa de consistência e 0.027 o equivalente a 2.70% e foi possível
obter os seguintes pesos para os factores estudados: uso e ocupação de terra 24.883%, hidrografia
4.344%, rodovias 6.549%, solos 10.244%, radiação 16.043% e declividade 37.936%.

Os resultados do AHP ilustram que o factor declividade foi o que maior peso teve quando
comparado com os demais factores estudados, tendo maior influência para o crescimento,
desenvolvimento e principalmente para os processos todos para a implantação do povoamento
determinando de forma directa no tipo de maquinaria a ser utilizada para o preparo do terreno e no
sistema de colheita que será utilizado na época de corte (exploração) do povoamento implantado,
influenciando assim de forma directa nas finanças da empresa.

Os resultados revelaram que com base na metodologia utilizada foi possível determinar um total de
5142.818 ha como terras adequadas para o plantio, 1935.910 ha considerados como áreas de baixa
aptidão e cerca de 432.189 ha foram determinados como áreas com restrição ao plantio. As áreas
com restrição podem ser utilizadas para o plantio desde o momento que questões como de natureza
mecânica para a trabalhabilidade da área possam ser acauteladas.

Tendo em conta a percentagem de área considerada como apta para o plantio de eucalipto, média e a
área que foi considerada de baixa aptidão para o plantio, sendo que as áreas de média e baixa
aptidão pode ser corrigida usando determinados métodos como utilização de métodos apropriados de
limpeza da área, preparo do solo, a rectificação dos solo através da adubação (fertilização mineral ou
orgânica utilizando doses apropriadas) e utilização de técnicas adequadas no plantio por forma a
garantir que os tratos culturais possam favorecer o desenvolvimento inicial das plantas, se pode
concluir que a aquisição de DUAT para esta área por parte da empresa FdN, será uma mais valia,
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pois iria aproveitar cerca de 94% o equivalem a um total de 7078.729 ha da área para a implantação
do povoamento florestal de eucaliptos.

Deste modo a aplicação da técnica utilizada na análise da viabilidade mostrou-se eficiente,


indicando que a mesma é importante a realização da avaliação do percentual total da área que pode
ser plantada bem como a localização das mesmas áreas determinando assim o grau de viabilidade de
uso da área para a plantação e o valor da terra.

5.2. Sugestões

• Sugere-se que se façam mais estudos deste género, abrangendo também outras áreas e com a
utilização de outros sensores de elevada resolução espacial como o caso do IKONOS, QUICKBIRD
e outros existentes;
• Sugere-se que os próximos estudos possam englobar a componente de análises laboratoriais de
solo;
• Sugere-se a utilização desta metodologia para as empresas florestais, assim como interessados
em explorar determinadas áreas, uma vez que tem demostrado maior eficiência e eficácia na
determinação e avaliação de áreas para determinados usos.

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Autor: Valdemar Carlitos Costa Jonasse Trabalho de Licenciatura
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

Anexos

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

Figura 15 - Carta de Solos da Província do Niassa de 1994.


Fonte: INIA/DTA (1994).

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Apêndices

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Tabela 23 - Coordenadas de Verificação em Campo.


Coordenadas por Classes de Aptidão
Nr Apta Média Baixa Não Apta
1 35.5126 -12.7795 35.48951 -12.8315 35.46602 -12.8285 35.49578 -12.795
2 35.5143 -12.7362 35.43339 -12.7496 35.45407 -12.7695 35.43928 -12.7839
3 35.50819 -12.7513 35.49221 -12.8206 35.46135 -12.834 35.45981 -12.8171
4 35.50858 -12.7978 35.46301 -12.7701 35.47558 -12.7909 35.44152 -12.785
5 35.47311 -12.8472 35.43476 -12.7536 35.46772 -12.8085 35.44275 -12.782
6 35.50443 -12.7534 35.51268 -12.8049 35.45655 -12.8279 35.49323 -12.7949
7 35.47649 -12.8422 35.45708 -12.8405 35.45654 -12.7515 35.46538 -12.8134
8 35.50864 -12.7768 35.46418 -12.7715 35.46236 -12.8343 35.4599 -12.8193
9 35.511 -12.7848 35.48028 -12.7837 35.48545 -12.8238 35.45145 -12.7899
10 35.46712 -12.7438 35.45165 -12.8313 35.44258 -12.7743 35.46465 -12.8146
11 35.47347 -12.8371 35.45595 -12.7665 35.46143 -12.8305 35.49604 -12.7954
12 35.51251 -12.7859 35.458 -12.7597 35.45816 -12.8315 35.4688 -12.813
13 35.51024 -12.7655 35.47773 -12.7792 35.43992 -12.7598 35.46762 -12.8134
14 35.50798 -12.7981 35.48812 -12.7751 35.48265 -12.7912 35.46177 -12.8137
15 35.5132 -12.8091 35.4982 -12.83 35.44448 -12.7594 35.44361 -12.7804
16 35.47323 -12.7523 35.45451 -12.7663 35.46166 -12.8069 35.43993 -12.7848
17 35.5118 -12.7638 35.46583 -12.8369 35.46966 -12.8224 35.46098 -12.8148
18 35.4976 -12.7681 35.49418 -12.8091 35.44994 -12.777 35.47137 -12.8134
19 35.49488 -12.7756 35.46194 -12.8392 35.46814 -12.805 35.45787 -12.8173
20 35.48887 -12.7661 35.47554 -12.7745 35.4465 -12.7669 35.45288 -12.7897

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Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

Figura 16 - Mapa de Pontos Aleatórios Para Verificação em Campo das Áreas em Função da
Restrição.

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Autor: Valdemar Carlitos Costa Jonasse Trabalho de Licenciatura
Determinação e Avaliação da Aptidão de Novas Áreas para o Plantio de Espécies do Género
de Eucaliptos Utilizando SIG

Figura 17 - Mapa de Pontos Aleatórios Para Verificação em Campo das Áreas em Função da
Aptidão.

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