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Polícia Rodoviária Federal

PRF
Policial Rodoviário
A apostila preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial com base no edital anterior,
para que o aluno antecipe seus estudos.

JN032-N0

Cód.: 9088121379459
Todos os direitos autorais desta obra são protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/12/1998.
Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA
Polícia Rodoviária Federal

Atualizada até 03/2020

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Raciocínio Matemática - Profº Bruno Chieregatti e João de Sá Brasil
Informática - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
Noções de Física - Profº Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
Ética no Serviço Público - Profª Bruna Pinotti
Geopolítica Brasileira - Profº Heitor Ferreira
História da PRF- Profº Heitor Ferreira
Legislação de Trânsito - Profª Mariela Cardoso
Noções de Direito Administrativo - Profª Bruna Pinotti
Noções de Direito Constitucional - Profº Giovana Marques
Noções de Direito Penal e de Direito Processual Penal - Profº Rodrigo Gonçalves
Legislação Especial - Profº Karoline Gonçalves e Rodrigo Gonçalves
Direitos Humanos e Cidadania - Profº Ricardo Razaboni

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Roberth Kairo
Aline Mesquita
Josiane Sarto

DIAGRAMAÇÃO
Rodrigo Bernardes de Moura
Renato Vilela
Higor Moreira
Paulo Martins

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

Edição: ABR/2020

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados........................................................................................................... 01
Reconhecimento de tipos e gêneros textuais............................................................................................................................................ 08
Domínio da ortografia oficial............................................................................................................................................................................ 09
Domínio dos mecanismos de coesão textual............................................................................................................................................ 17
Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de
sequenciação textual........................................................................................................................................................................................... 17
Emprego de tempos e modos verbais.......................................................................................................................................................... 22
Domínio da estrutura morfossintática do período.................................................................................................................................. 22
Emprego das classes de palavras.................................................................................................................................................................... 22
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração................................................................................................. 62
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração................................................................................................ 62
Emprego dos sinais de pontuação.................................................................................................................................................................. 72
Concordância verbal e nominal....................................................................................................................................................................... 75
Regência verbal e nominal. .............................................................................................................................................................................. 83
Emprego do sinal indicativo de crase........................................................................................................................................................... 89
Colocação dos pronomes átonos................................................................................................................................................................... 93
Reescrita de frases e parágrafos do texto................................................................................................................................................... 93
Significação das palavras................................................................................................................................................................................... 93
Substituição de palavras ou de trechos de texto..................................................................................................................................... 93
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto....................................................................................................... 93
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade.................................................................................................. 93
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República)............................................................ 102

RACIOCÍNIO LÓGICO MATEMÁTICO


Modelagem de situaçõesproblema por meio de equações do 1º e 2º graus e sistemas lineares....................................... 01
Noção de função. Análise gráfica. Funções afim, quadrática, exponencial e logarítmica. Aplicações................................ 06
Taxas de variação de grandezas. Razão e proporção com aplicações. Regra de três simples e composta....................... 17
Porcentagem........................................................................................................................................................................................................... 25
Regularidades e padrões em sequências. Sequências numéricas. Progressão aritmética e progressão geométrica... 28
Noções básicas de contagem e probabilidade.......................................................................................................................................... 33
Descrição e análise de dados. Leitura e interpretação de tabelas e gráficos apresentados em diferentes linguagens
e representações. Cálculo de médias e análise de desvios de conjuntos de dados................................................................... 40
Noções básicas de teoria dos conjuntos...................................................................................................................................................... 44
Análise e interpretação de diferentes representações de figuras planas, como desenhos, mapas e plantas. Utilização
de escalas. Visualização de figuras espaciais em diferentes posições. Representações bidimensionais de projeções,
planificações e cortes........................................................................................................................................................................................... 48
Métrica. Áreas e volumes. Estimativas. Aplicações.................................................................................................................................. 72
SUMÁRIO
INFORMÁTICA
Conceito de internet e intranet. Conceitos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e
procedimentos associados a internet/intranet. ....................................................................................................................................... 01
Ferramentas e aplicativos comerciais de navegação, de correio eletrônico, de grupos de discussão, de busca, de
pesquisa e de redes sociais................................................................................................................................................................................ 08
Noções de sistema operacional (ambiente Linux e Windows)............................................................................................................ 12
Acesso a distância a computadores, transferência de informação e arquivos, aplicativos de áudio, vídeo e
multimídia................................................................................................................................................................................................................ 24
Redes de computadores..................................................................................................................................................................................... 31
Conceitos de proteção e segurança. Noções de vírus, worms e pragas virtuais. Aplicativos para segurança (antivírus,
firewall, antispyware etc.)................................................................................................................................................................................... 32
Computação na nuvem (cloud computing)................................................................................................................................................ 38

NOÇÕES DE FÍSICA
Cinemática escalar, cinemática vetorial........................................................................................................................................................ 01
Movimento circular.............................................................................................................................................................................................. 05
Leis de Newton e suas aplicações.................................................................................................................................................................. 06
Trabalho. Potência. Energia cinética, energia potencial, atrito. Conservação de energia e suas transformações.
Quantidade de movimento e conservação da quantidade de movimento, impulso. Colisões.............................................. 12

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO


Ética e moral........................................................................................................................................................................................................... 01
Ética, princípios e valores.................................................................................................................................................................................. 04
Ética e democracia: exercício da cidadania................................................................................................................................................ 06
Ética e função pública......................................................................................................................................................................................... 09
Ética no setor público......................................................................................................................................................................................... 12
Decreto nº 1.171/ 1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal).............. 14

GEOPOLÍTICA BRASILEIRA

O Brasil político: nação e território................................................................................................................................................................. 01


Organização do Estado Brasileiro.................................................................................................................................................................. 01
A divisão interregional do trabalho e da produção no Brasil.............................................................................................................. 02
A estrutura urbana brasileira e as grandes metrópoles........................................................................................................................ 03
Distribuição espacial da população no Brasil e movimentos migratórios internos.................................................................... 04
A evolução da estrutura fundiária e problemas demográficos no campo..................................................................................... 06
Integração entre indústria e estrutura urbana, rede de transportes e setor agrícola no Brasil............................................. 07
Geografia e gestão ambiental......................................................................................................................................................................... 08
Macrodivisão natural do espaço brasileiro: biomas, domínios e ecossistemas........................................................................... 09
SUMÁRIO
Política e gestão ambiental no Brasil............................................................................................................................................................ 10
O Brasil e a questão cultural............................................................................................................................................................................. 11
A integração do Brasil ao processo de internacionalização da economia..................................................................................... 12
O século XX: urbanização da sociedade e cultura de massas............................................................................................................. 14

HISTÓRIA DA PRF

Polícia Rodoviária Federal: história em detalhes......................................................................................................................................... 01


Grandes eventos esportivos.............................................................................................................................................................................. 04
Atualidade................................................................................................................................................................................................................ 05
Tecnologia................................................................................................................................................................................................................ 06
Trânsito...................................................................................................................................................................................................................... 07
Capacitação............................................................................................................................................................................................................. 08
Ação especializada............................................................................................................................................................................................... 09
Áreas especializadas............................................................................................................................................................................................ 10

LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO

Lei nº 9.503/1997 e suas alterações (institui o Código de Trânsito Brasileiro CTB).................................................................... 01


Decreto nº 4.711/2003(dispõe sobre a Coordenação do Sistema Nacional de Trânsito SNT)............................................... 09
Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e suas alterações: 04/1998; 14/1998; 24/1998; 26/1998;
32/1998; 36/1998; 92/1999; 110/2000; 160/2004; 197/2006; 205/2006; 210/2006; 211/2006; 216/2006; 227/2007
(exceto os seus anexos); 231/2007; 242/2007; 253/2007; 254/2007; 258/2007; 268/2008; 273/2008; 277/2008;
289/2008; 290/2008; 292/2008; 349/2010; 356/2010; 360/2010; 371/2010 (exceto as fichas); 396/2011; 432/2013;
441/2013; 453/2013; 471/2013; 508/2014; 520/2015; 525/2015; 552/2015; 561/2015 (exceto as fichas); 573/2015;
598/2016; 619/2016; 624/2016; 643/2016; 720/2017; 723/2018; 735/2018................................................................................... 12

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

Noções de organização administrativa. Centralização, descentralização, concentração e desconcentração.................. 01


Administração direta e indireta....................................................................................................................................................................... 03
Autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.............................................................................. 06
Ato administrativo. Conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies................................................................................ 09
Agentes públicos. Legislação pertinente. Lei nº 8.112/1990 e suas alterações............................................................................ 14
Disposições constitucionais aplicáveis.......................................................................................................................................................... 30
Disposições doutrinárias. Conceito. Espécies. Cargo, emprego e função pública...................................................................... 37
Poderes administrativos..................................................................................................................................................................................... 42
Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia................................................................................................................................. 43
Uso e abuso do poder......................................................................................................................................................................................... 47
Licitação.................................................................................................................................................................................................................... 48
SUMÁRIO

Princípios.................................................................................................................................................................................................................. 49
Contratação direta: dispensa e inexigibilidade......................................................................................................................................... 51
Modalidades........................................................................................................................................................................................................... 57
Tipos........................................................................................................................................................................................................................... 61
Procedimento......................................................................................................................................................................................................... 61
Controle da Administração Pública................................................................................................................................................................. 66
Controle exercido pela Administração Pública......................................................................................................................................... 67
Controle judicial.................................................................................................................................................................................................... 70
Controle legislativo.............................................................................................................................................................................................. 72
Responsabilidade civil do Estado.................................................................................................................................................................... 74
Responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro. Responsabilidade por ato comissivo do Estado.
Responsabilidade por omissão do Estado................................................................................................................................................... 76
Requisitos para a demonstração da responsabilidade do Estado..................................................................................................... 78
Causas excludentes e atenuantes da responsabilidade do Estado................................................................................................... 79
Regime jurídicoadministrativo. Conceito..................................................................................................................................................... 80
Princípios expressos e implícitos da Administração Pública................................................................................................................ 80

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania e direitos políticos; partidos políticos;
garantias constitucionais individuais; garantias dos direitos coletivos, sociais e políticos...................................................... 1
Poder Executivo: forma e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo............................................................. 11
Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; organização da segurança pública................... 14
Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; meio ambiente; família, criança, adolescente,
idoso, índio.............................................................................................................................................................................................................. 17

NOÇÕES DE DIREITO PENAL E DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Princípios básicos.................................................................................................................................................................................................. 1
Aplicação da lei penal. A lei penal no tempo e no espaço. Tempo e lugar do crime. Territorialidade e extraterritorialidade
da lei penal.............................................................................................................................................................................................................. 7
O fato típico e seus elementos. Crime consumado e tentado. Ilicitude e causas de exclusão. Excesso punível............ 14
Crimes contra a pessoa...................................................................................................................................................................................... 32
Crimes contra o patrimônio.............................................................................................................................................................................. 39
Crimes contra a fé pública................................................................................................................................................................................. 48
da falsidade de títulos e outros papéis públicos...................................................................................................................................... 48
Crimes contra a Administração Pública....................................................................................................................................................... 55
Inquérito policial. Histórico, natureza, conceito, finalidade, características, fundamento, titularidade, grau de
cognição, valor probatório, formas de instauração, notitia criminis, delatio criminis, procedimentos investigativos,
indiciamento, garantias do investigado; conclusão................................................................................................................................ 65
SUMÁRIO

Prova. Preservação de local de crime. Requisitos e ônus da prova. Nulidade da prova. Documentos de prova.
Reconhecimento de pessoas e coisas. Acareação. Indícios. Busca e apreensão.......................................................................... 68
Prisão em flagrante.............................................................................................................................................................................................. 79

LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Lei nº 10.826/2003 e suas alterações (Estatuto do Desarmamento)................................................................................................ 01


Lei nº 5.553/1968 (apresentação e uso de documentos de identificação pessoal).................................................................... 05
Lei nº 4.898/1965 (direito de representação e processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos
de abuso de autoridade).................................................................................................................................................................................... 05
Lei nº 9.455/1997 (definição dos crimes de tortura)............................................................................................................................... 07
Lei nº 8.069/1990 e suas alterações (Estatuto da Criança e do Adolescente): Título II, Capítulos I e II, Título III,
Capítulo II, Seção III, Título V e Título VII..................................................................................................................................................... 08
Lei nº 11.343/2006 (Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas).................................................................................. 13
Lei nº 9.605/1998 e suas alterações (Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente): Capítulos III e V........................................ 20
Decretos nº 5.948/2006, nº 6.347/2008 e nº 7901/2013 (tráfico de pessoas).............................................................................. 24

DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

Teoria geral dos direitos humanos. Conceito, terminologia, estrutura normativa, fundamentação................................... 01
Afirmação histórica dos direitos humanos................................................................................................................................................. 01
Direitos humanos e responsabilidade do Estado.................................................................................................................................... 02
Direitos humanos na Constituição Federal................................................................................................................................................ 03
Política Nacional de Direitos Humanos....................................................................................................................................................... 05
A Constituição brasileira e os tratados internacionais de direitos humanos................................................................................ 05
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados.................................................................................................. 1


Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.................................................................................................................................. 8
Domínio da ortografia oficial.................................................................................................................................................................. 9
Domínio dos mecanismos de coesão textualEmprego de elementos de referenciação, substituição e repetição,
de conectores e de outros elementos de sequenciação textual............................................................................................... 17
Emprego de tempos e modos verbais................................................................................................................................................ 22
Domínio da estrutura morfossintática do período......................................................................................................................... 22
Emprego das classes de palavras.......................................................................................................................................................... 22
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. Relações de subordinação entre orações e
entre termos da oração............................................................................................................................................................................. 60
Emprego dos sinais de pontuação........................................................................................................................................................ 71
Concordância verbal e nominal.............................................................................................................................................................. 74
Regência verbal e nominal....................................................................................................................................................................... 82
Emprego do sinal indicativo de crase.................................................................................................................................................. 88
Colocação dos pronomes átonos.......................................................................................................................................................... 92
Reescrita de frases e parágrafos do texto; Significação das palavras; Substituição de palavras ou de trechos
de texto; Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto;Reescrita de textos de diferentes
gêneros e níveis de formalidade............................................................................................................................................................ 92
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República).................................................. 96
É sugerido pelo autor que...
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS O narrador afirma...

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela- Erros de interpretação


cionadas entre si, formando um todo significativo capaz
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi- • Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
contexto, acrescentando ideias que não estão no
ficar e decodificar).
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
pela imaginação.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. • Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com atenção apenas a um aspecto (esquecendo que
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para um texto é um conjunto de ideias), o que pode
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in- ser insuficiente para o entendimento do tema
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento desenvolvido.
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada • Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
de seu contexto original e analisada separadamente, po- contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
derá ter um significado diferente daquele inicial. clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
questão.
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe-
Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
rências diretas ou indiretas a outros autores através de
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-
deração é o que o autor diz e nada mais.
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A Coesão e Coerência
partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fun-
damentações), as argumentações (ou explicações), que Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
levam ao esclarecimento das questões apresentadas na relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
prova. si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
que se vai dizer e o que já foi dito.
• Identificar os elementos fundamentais de uma ar- São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
gumentação, de um processo, de uma época (nes-
me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
te caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
quais definem o tempo). bém de que os pronomes relativos têm, cada um, va-
• Comparar as relações de semelhança ou de dife- lor semântico, por isso a necessidade de adequação ao
renças entre as situações do texto. antecedente.
• Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com Os pronomes relativos são muito importantes na in-
uma realidade. terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
• Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
• Parafrasear = reescrever o texto com outras existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
palavras. cia, a saber:
que (neutro) - relaciona-se com qualquer anteceden-
Condições básicas para interpretar te, mas depende das condições da frase.
qual (neutro) idem ao anterior.
quem (pessoa)
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá-
cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- o objeto possuído.
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- como (modo)
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação onde (lugar)
e de síntese; capacidade de raciocínio. quando (tempo)
quanto (montante)
Interpretar/Compreender Exemplo:
Falou tudo QUANTO queria (correto)
Interpretar significa: Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deve-
ria aparecer o demonstrativo O).
LÍNGUA PORTUGUESA

Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.


Através do texto, infere-se que...
É possível deduzir que... Dicas para melhorar a interpretação de textos
O autor permite concluir que...
• Leia todo o texto, procurando ter uma visão ge-
Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
ral do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
Compreender significa muitos candidatos na disputa, portanto, quanto
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito. mais informação você absorver com a leitura, mais
O texto diz que... chances terá de resolver as questões.

1
• Se encontrar palavras desconhecidas, não inter- Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
rompa a leitura. diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
• Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
forem necessárias. a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
• Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma insuspeitada.
conclusão). Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare-
• Volte ao texto quantas vezes precisar. ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que,
• Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou
do autor. inteiramente.
• Fragmente o texto (parágrafos, partes) para me- Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des-
lhor compreensão. coberta temporã.
• Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
cada questão. num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom da
• O autor defende ideias e você deve percebê-las. flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Bra-
• Observe as relações interparágrafos. Um parágra- va, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente con-
fo geralmente mantém com outro uma relação de
segui boiar.
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi-
Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito
que muito bem essas relações.
anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e esfor-
• Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou
seja, a ideia mais importante. ço, vocês que não mais se surpreendem com a sensação
• Nos enunciados, grife palavras como “correto” de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas vocês se
ou “incorreto”, evitando, assim, uma confusão na esqueceram de como tudo isso é bom.
hora da resposta – o que vale não somente para Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
Interpretação de Texto, mas para todas as demais ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
questões! montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
• Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
principal, leia com atenção a introdução e/ou a água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
conclusão. isso, curiosamente, não é fácil.
• Olhe com especial atenção os pronomes relativos, Essa experiência me sugeriu algumas considerações so-
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, bre a vida em geral.
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de aprender
tem a outros vocábulos do texto. ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente, de
um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incorpo-
SITES rando novidades que nos transformam. Somos geneti-
camente elaborados para lidar com o novo, mas não só.
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. Também somos profundamente modificados por ele. A
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> cada momento da vida, quando achamos que tudo já
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/ aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós
09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz
-provas> de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras.
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. Suspeito que isso tenha importância também para os
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. relacionamentos.
html> Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursi-
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a
nho/questoes/questao-117-portugues.htm>
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se
EXERCÍCIOS COMENTADOS tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra-
ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça,
1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em
– AOCP-2015) conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que
nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen-
O verão em que aprendi a boiar tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia
Quando achamos que tudo já aconteceu, novas ca- do outro e de si mesmo, no mundo.
pacidades fazem de nós pessoas diferentes do que Assim como boiar, essas coisas são simples, mas preci-
éramos sam ser aprendidas.
LÍNGUA PORTUGUESA

IVAN MARTINS Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar


na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você
Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre-
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode
dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem-
gosto especial.
po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas
Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor-
mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A ci- se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral,
dade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia. a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada

2
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas no-
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos vas, inclusive agir com o raciocínio nas relações amo-
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada rosas = incorreta – ser mais emoção.
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for- porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
ma relaxada e consciente um grande amor. pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando,
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra- não pensando em algo ruim.
pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi- 2. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-2018)
sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações Observe a charge a seguir:
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo
se aprende, mesmo as coisas simples que pareciam
impossíveis.
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me-
lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
pode tentar boiar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/
noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
destacando o fato de o cientista:
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To-
dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de a) ter alcançado o céu após sua morte;
b) mostrar determinação no combate à doença;
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar rela- c) ser comparado a cientistas famosos;
xar e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
calma, com mais prazer, com mais intensidade e me- e) localizar seus interesses nos estudos de Física.
nos medo.
b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona- Resposta: Letra D
mentos amorosos para que eles não se desfaçam. Em “a”: ter alcançado o céu após sua morte; = incorreto
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio- Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam = incorreto
vividos intensamente. Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incorreto
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in- Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física.
e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém = incorreto
sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que es-
acontecer. távamos esperando”.

Resposta: Letra A 3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)


Ao texto: (...) tudo se aprende, mesmo as coisas simples
que pareciam impossíveis. / Enquanto se está vivo e Lastro e o Sistema Bancário [...]
relação existe, há chance de melhorar = sempre há Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro deposita-
tempo para boiar (aprender). do nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade
Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten- de ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse
tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com metal é limitado, isso garantia que a produção de dinhei-
mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e ro fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros
LÍNGUA PORTUGUESA

menos medo = correta. se deram conta de que ninguém estava interessado em


Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela- trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a re-
cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam serva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do
= incorreta – o autor propõe viver intensamente. que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises,
Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar
criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos,
sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas
objetivo nos relacionamentos. economias seguramente guardadas.

3
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
-ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e A leitura do texto permite a compreensão de que
principalmente de valores em contas bancárias, já não
tendo nenhuma riqueza material para representar, é cria- a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os
do a partir de empréstimos. Quando alguém vai até o bancos.
banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em sua
b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é
conta é gerado naquele instante, criado a partir de uma
decisão administrativa, e assim entra na economia. Essa imaginário.
explicação permaneceu controversa e escondida por c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do d) o pagamento de dívidas depende do
Bank of England de 2014. “livre-mercado”.
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é e) os bancos confiscam os bens dos clientes
criado assim, inventado em canetaços a partir da conces- endividados.
são de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e
perverso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma Resposta: Letra A
dívida. Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
números em uma tabela com meu nome e pede que eu
bancos = correta
devolva uma quantidade maior do que essa. Para pagar
a dívida, preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar, Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
lutar, talvez trapacear, para conseguir o dinheiro que o imaginário = nem todo
banco inventou na conta de outras pessoas. Esse é o di- Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
nheiro que vai ser usado para pagar a dívida, já que a clientes = deve ao banco, este paga/empresta a ou-
única fonte de moeda é o empréstimo bancário. No fim, tros clientes
os bancos acabam com todo o dinheiro que foi inventa- Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
do e ainda confiscam os bens da pessoa endividada cujo -mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
dinheiro tomei. -mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endi-
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Es-
vidados = desde que não paguem a dívida
cassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante
porque é gerada pela simples manipulação de bancos de
dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e po- 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEI-
der sem precedentes: um mundo onde o patrimônio de RO GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge
80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1% abaixo, publicada no momento da intervenção nas ati-
mais rico tem mais do que os outros 99% juntos. vidades de segurança do Rio de Janeiro, em março de
[...] 2018.
Disponível em https://fagulha.org/artigos/
inventando-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-


rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de

a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.


b) proteger os bens dos clientes de bancos.
c) impedir que os bancos fossem à falência.
d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas.

Resposta: Letra D Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO


Ao texto: (...) Com o tempo, os banqueiros se deram pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a
conta de que ninguém estava interessado em trocar
seguinte informação:
dinheiro por ouro e criaram manobras, como a reserva
fracional, para emprestar muito mais dinheiro do que
realmente tinham em ouro nos cofres. a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes co-
Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro = metidos no Rio;
incorreta b) a tarefa da investigação criminal não está sendo
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos = bem-feita;


incorreta c) a linguagem do personagem mostra intimidade com o
Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência = interlocutor;
incorreta d) a presença do orelhão indica o atraso do local da
Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro = charge;
correta
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a pre-
Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta
sença do Exército.

4
Resposta: Letra D determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A
manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em
nenhum tipo de violência citado nesse segmento é:

a) Presa por mensagem racista na internet;


b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a se-
e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
guinte informação:
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos cri-
mes cometidos no Rio = inferência correta Resposta: Letra C
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sen- Em “a”: Presa por mensagem racista na internet =
do bem-feita = inferência correta como a repressão política, familiar ou de gênero
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida- Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene-
de com o interlocutor = inferência correta zuelana = como a repressão política, familiar ou de
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local gênero
da charge = incorreta Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô-
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam nico = não consta na Manchete acima
a presença do Exército = inferência correta Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
Rússia = como a repressão política, familiar ou de
6. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Observe gênero
a charge abaixo. Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do traba-
lho escravo = o desgaste causado pelas condições de
trabalho

8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO –


ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)

Oportunismo à Direita e à Esquerda


Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,
conforme estabelecido na legislação.
No caso da charge, a crítica feita à internet é: É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami-
nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da
a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva; ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em
b) a falta de exercícios físicos nas crianças; se beneficiar do barateamento do combustível.
c) o risco de contatos perigosos;
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico
d) o abandono dos estudos regulares;
para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei-
e) a falta de contato entre membros da família.
ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não
Resposta: Letra A faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para
Em “a”: a criação de uma dependência tecnológica desgastar governantes e reforçar seus projetos de po-
excessiva; der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o
Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; = que está delimitado pelo estado democrático de direito,
incorreto defendido pelos diversos instrumentos institucionais de
Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público,
Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto Forças Armadas etc.
Em “e”: a falta de contato entre membros da família. = A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de
incorreto suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan-
LÍNGUA PORTUGUESA

Através da fala do garoto chegamos à resposta: de- do, do qual depende a sobrevivência física da população.
pendência tecnológica - expressa em sua fala. Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as
autoridades desenvolvam planos de contingência.
7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo O Globo, 31/05/2018.
Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo
denota, além da agressão física, diversos tipos de impo- “É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca-
sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo,
ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados

5
em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se- conceitos que anunciem os valores humanos que decan-
gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa acontecer” tam a paz, que lhe proclamam e promovem. A violência
é já é bastante denunciada, e quanto mais falamos dela,
mais lembramos de sua existência em nosso meio social.
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. É hora de começarmos a convocar a presença da paz em
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. nós, entre nós, entre nações, entre povos.
c) lastrear leis e regras na Constituição. Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
d) punirem-se os responsáveis por excessos. tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
e) concluírem-se as investigações sobre a greve. mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos
Resposta: Letra D exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão
Em “a”: manter-se o direito de livre expressão do pensa- estende-se às escolas, instituições públicas e outros lo-
mento. = incorreto cais de trabalho por todo o mundo, bem como aos par-
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = lamentos e centros de comunicação e associações.
incorreto Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as de-
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incorreto sigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. sustentado e o respeito pelos direitos humanos, refor-
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. çando as instituições democráticas, promovendo a liber-
= incorreto dade de expressão, preservando a diversidade cultural e
Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a se- o ambiente.
rem devidamente contidos e seus responsáveis, pu- É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento —
nidos, conforme estabelecido na legislação. / É o que direitos humanos — democracia” que podemos vislum-
precisa acontecer... = precisa acontecer a punição dos brar a educação para a paz.
excessos. Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educati-
vas: desafios para a escola contemporânea. In: Psicol.
9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL Esc. Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com
– CESPE-2018) adaptações).

Texto CG1A1AAA De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “gestão


A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser concebi-
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, in- dos como
dependentemente de idade, sexo, estrato social, crença
religiosa etc. é chamado à criação de um mundo pacifica- a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
do, um mundo sob a égide de uma cultura da paz. b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
Mas, o que significa “cultura da paz”? c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças d) etapas para a construção da cultura da paz.
e os adultos da compreensão de princípios como liber- e) consequências da construção da cultura da paz.
dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância,
igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi- Resposta: Letra D
dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz.
sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da = incorreto
paz tem de procurar soluções que advenham de dentro Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior. paz. = incorreto
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
em sentido negativo, quando se traduz em um estado = incorreto
de não guerra, em ausência de conflito, em passividade Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
condenada a um vazio, a uma não existência palpável, = incorreto
difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concep- Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refe-
ção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a re-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar er-
prática da não violência para resolver conflitos, a prática radicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrá- para construção da paz.
tica frente à vida, que pressupõe a dinâmica da coope-
ração planejada e o movimento constante da instalação
de justiça.
LÍNGUA PORTUGUESA

Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-


samento e a ação das pessoas para que se promova a
paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa de
ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser esque-
cida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e temos
consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a ideo-
logia que o alimenta, precisa impregná-lo de palavras e

6
10. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- Resposta: Letra C
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto
Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. =
incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violên-
cia está banalizada, nem há mais “punições” para os
agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTE-


RIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

O humor da tira é conseguido através de uma quebra de


expectativa, que é:
É correto associar o humor da charge ao fato de que
a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;
b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos; a) os personagens têm uma autoestima elevada e são
c) a falta de muitas figurinhas no álbum; otimistas, mesmo vivendo em uma situação de com-
d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho; pleto confinamento.
e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário. b) os dois personagens estão muito bem informados so-
bre a economia, o que não condiz com a imagem de
Resposta: Letra B criminosos.
Em “a”: o fato de um adulto colecionar figurinhas; = c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida
incorreto dos personagens, pois eles demonstram preocupação
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não com a aparência.
esportivos; d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende
os personagens, que estão acostumados a pagar caro
Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; =
por eles nos presídios.
incorreto
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevan-
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não tes para os personagens, dada a condição em que se
pelo filho; = incorreto encontram.
Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con-
trário. = incorreto Resposta: Letra E
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada
incomum: assuntos sociais. e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de
completo confinamento. = incorreto
11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VU- Em “b”: os dois personagens estão muito bem infor-
NESP-2015) Leia a tira. mados sobre a economia, o que não condiz com a
imagem de criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a
vida dos personagens, pois eles demonstram preocu-
pação com a aparência. = incorreto
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não sur-
preende os personagens, que estão acostumados a
pagar caro por eles nos presídios. = incorreto
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser
relevantes para os personagens, dada a condição em
que se encontram.
LÍNGUA PORTUGUESA

(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)


Pela condição em que as personagens se encontram, o
Com sua fala, a personagem revela que aumento no preço dos cosméticos não os afeta.

a) a violência era comum no passado.


b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

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13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre al-
as figurinhas da Copa guém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descri-
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo ção e Dissertação.
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jor- As tipologias textuais se caracterizam pelos aspec-
naleiros estão levando seus estoques para casa quando tos de ordem linguística
termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até
boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalha- Os tipos textuais designam uma sequência definida
dos por mensagens de celular. pela natureza linguística de sua composição. São obser-
vados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, rela-
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa ções logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo,
adequada é: argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo.

a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do a) Textos narrativos – constituem-se de verbos de


ação demarcados no tempo do universo narrado,
celular e da carteira nos roubos urbanos;
como também de advérbios, como é o caso de an-
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à car-
tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
teira como alvo de desejo dos assaltantes;
carro quando ele apareceu. Depois de muita con-
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que
versa, resolveram...
vendem as figurinhas da Copa;
b) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa
descrevem características tanto físicas quanto psi-
nas bancas de jornais; cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin- objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
cipal dos ladrões. no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
cabelos mais negros como a asa da graúna...”
Resposta: Letra B c) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um
Em “a”: as figurinhas da Copa passaram a ocupar o assunto ou uma determinada situação que se al-
lugar do celular e da carteira nos roubos urbanos; = meje desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões
incorreto de ela acontecer, como em: O cadastramento irá
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portanto,
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes; não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros benefício.
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto d) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da modalidade na qual as ações são prescritas de for-
Copa nas bancas de jornais; = incorreto ma sequencial, utilizando-se de verbos expressos
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
alvo principal dos ladrões. = incorreto Misture todos os ingrediente e bata no liquidifica-
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular dor até criar uma massa homogênea.
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também e) Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-
passaram a ser alvo dos assaltantes. -se pelo predomínio de operadores argumenta-
tivos, revelados por uma carga ideológica cons-
RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS tituída de argumentos e contra-argumentos que
TEXTUAIS justificam a posição assumida acerca de um deter-
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
neros estão em complementação, não em disputa.
A todo o momento nos deparamos com vários tex-
tos, sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a Gêneros Textuais
LÍNGUA PORTUGUESA

presença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência


daquilo que está sendo transmitido entre os interlocuto- São os textos materializados que encontramos em
res. Estes interlocutores são as peças principais em um nosso cotidiano; tais textos apresentam características
diálogo ou em um texto escrito. sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
É de fundamental importância sabermos classificar os composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
textos com os quais travamos convivência no nosso dia receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos tex- editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
tuais e gêneros textuais. blog, etc.

8
A escolha de um determinado gênero discursivo de-
pende, em grande parte, da situação de produção, ou DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL
seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os
locutores e os interlocutores, o meio disponível para vei-
cular o texto, etc. ORTOGRAFIA
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por A ortografia é a parte da Fonologia que trata da cor-
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reporta- reta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
gens, editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divul- devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
gação científica são comuns gêneros como verbete de língua são grafados segundo acordos ortográficos.
dicionário ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
seminário, conferência. der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- etimologia (origem da palavra).
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Regras ortográficas
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – a) O fonema S
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
São escritas com S e não C/Ç
SITE
• Palavras substantivadas derivadas de verbos com
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda- radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
cao/tipologia-textual.htm> - pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
submergir - submersão / divertir - diversão / im-
EXERCÍCIO COMENTADO pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir
- repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
1. (TJ-DFT – CONHECIMENTOS BÁSICOS – TÉCNI- sentir - sensível / consentir – consensual.
CO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – CESPE
– 2015) São escritos com SS e não C e Ç
Ouro em Fios
• Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
A natureza é capaz de produzir materiais preciosos, nem em gred, ced, prim ou com verbos terminados
como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA. por tir ou -meter: agredir - agressivo / imprimir -
O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso. impressão / admitir - admissão / ceder - cessão /
Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de exceder - excesso / percutir - percussão / regredir
energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT: - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
compromisso / submeter – submissão.
• Desligue as luzes nos ambientes onde é possível • Quando o prefixo termina com vogal que se junta
usar a iluminação natural. com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
• Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado. trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
• Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do • No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
ambiente. Exemplos: ficasse, falasse.
• Utilize o computador no modo espera.
São escritos com C ou Ç e não S e SS
Fique ligado! Evite desperdícios.
Energia elétrica. • Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
A natureza cobra o preço do desperdício. • Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica:
Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações) cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique.
• Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
LÍNGUA PORTUGUESA

Há no texto elementos característicos das tipologias ex- uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça,
positiva e injuntiva. caniço, esperança, carapuça, dentuço.
• Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
(  ) CERTO (  ) ERRADO deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
• Após ditongos: foice, coice, traição.
Resposta: Certo. Texto injuntivo – ou instrucional – é • Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
aquele que passa instruções ao leitor. O texto acima to(r): marte - marciano / infrator - infração / absor-
apresenta tal característica. to – absorção.

9
b) O fonema z • Palavras terminadas com aje: ultraje.

São escritos com S e não Z d) O fonema ch

• Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs- São escritas com X e não CH
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos:
freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, • Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abaca-
princesa. xi, xucro.
• Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, • Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
metamorfose. lagartixa.
• Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, • Depois de ditongo: frouxo, feixe.
quis, quiseste. • Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
• Nomes derivados de verbos com radicais termi-
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / Exceção: quando a palavra de origem não derive de
empreender - empresa / difundir – difusão. outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
• Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. São escritas com CH e não X
• Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
• Verbos derivados de nomes cujo radical termina • Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche,
– pesquisar. salsicha.

São escritos com Z e não S e) As letras “e” e “i”

• Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje- • Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
tivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
• Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de • Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
origem não termine com s): final - finalizar / con- escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Escreve-
creto – concretizar. mos com “i”, os verbos com infinitivo em -air, -oer
• Consoante de ligação se o radical não terminar e -uir: trai, dói, possui, contribui.
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
Há palavras que mudam de sentido quando substituí-
Exceção: lápis + inho – lapisinho. mos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), ária (me-
lodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir
c) O fonema j (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que
anda a pé), pião (brinquedo).
São escritas com G e não J Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à orto-
grafia de uma palavra, há a possibilidade de consultar
• Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP),
gesso. elaborado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra
• Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, de referência até mesmo para a criação de dicionários,
gim. pois traz a grafia atualizada das palavras (sem o signifi-
• Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com cado). Na Internet, o endereço é www.academia.org.br.
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem,
bege, foge. Informações importantes

Exceção: pajem. Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-


núncias diferentes para palavras com a mesma signifi-
• Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, cação: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quator-
litígio, relógio, refúgio. ze, dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen,
infarto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem,
• Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu-
relampejar/relampear/relampar/relampadar.
gir, mugir.
Os símbolos das unidades de medida são escritos
• Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
surgir.
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
• Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter-
LÍNGUA PORTUGUESA

20km, 120km/h.
minado com j: ágil, agente.
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
São escritas com J e não G
Na indicação de horas, minutos e segundos, não
• Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
• Palavras de origem árabe, africana ou exótica: ji-
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi-
boia, manjerona.
nutos e trinta e quatro segundos).

10
O símbolo do real antecede o número sem espaço: Mal = pode ser usado como
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar-
ra vertical ($). 1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
Alguns Usos Ortográficos Especiais 2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
mal na prova?
POR QUE / POR QUÊ / PORQUÊ / PORQUE 3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
POR QUE (separado e sem acento)
não compensa.
É usado em:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro-
gação) = Por que você não veio ontem? SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
que faltara à aula ontem. char - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = – São Paulo: Saraiva, 2010.
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li-
teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
POR QUÊ (separado e com acento) CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Usos: Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
Saraiva, 2002.
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
Você faltou. Por quê? SITE
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
quê? Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
aulas/portugues/ortografia>
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
Hífen
Usos:
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale para ligar os elementos de palavras compostas (como
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri- ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes áto-
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto nos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
final) = Compre agora, porque há poucas peças. para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por-
compa-/nheiro).
que se antecipou.

PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)


a) Uso do hífen que continua depois da Reforma
Usos: Ortográfica:

1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (por- mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
quês). Geralmente é precedido por artigo = Não que se unem para formam um novo significado:
sei o porquê da discussão. É uma pessoa cheia de tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
porquês. -coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
ONDE / AONDE 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,
Onde = empregado com verbos que não expressam
abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.
a ideia de movimento = Onde você está?
LÍNGUA PORTUGUESA

Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos 3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
que expressam movimento = Aonde você vai? cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme-
ro, recém-casado.
MAU / MAL 4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al-
gumas exceções continuam por já estarem con-
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha,
como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia,
mau elemento. queima-roupa, deus-dará.

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5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram no-
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas ção de composição: pontapé, girassol, paraquedas,
combinações históricas ou ocasionais: Áustria- paraquedista, etc.
-Hungria, Angola-Brasil, etc. 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: ben-
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su- feito, benquerer, benquerido, etc.
per- quando associados com outro termo que é
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
-racional, etc. dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-dire- não havendo hífen: pospor, predeterminar, predetermina-
tor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. do, pressuposto, propor.
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccio-
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, so, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
etc. -humano, super-realista, alto-mar.
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
10. Nas formações em que o prefixo tem como segun- ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
do termo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepáti- autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
co, geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-
-hospitalar, super-homem. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
termina com a mesma vogal do segundo elemen- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
to: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
-observação, etc.
SITE
O hífen é suprimido quando para formar outros ter-
mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
aulas/portugues/ortografia>
#FicaDica
Ao separar palavras na translineação EXERCÍCIOS COMENTADOS
(mudança de linha), caso a última palavra a
ser escrita seja formada por hífen, repita-o
na próxima linha. Exemplo: escreverei anti- 1. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)
inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. Assinale a alternativa em que as palavras estão grafadas
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório” corretamente.
(hífen em ambas as linhas). Devido à
diagramação, pode ser que a repetição do a) Extrovertido – extroverção.
hífen na translineação não ocorra em meus b) Disponível – disponibilisar.
conteúdos, mas saiba que a regra é esta! c) Determinado – determinassão.
d) Existir – existência.
e) Característica – caracterizasão.
b) Não se emprega o hífen:
Resposta: Letra D
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefi- Em “a”: Extrovertido / extroverção = extroversão
xo termina em vogal e o segundo termo inicia-se Em “b”: Disponível / disponibilisar = disponibilizar
em “r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas Em “c”: Determinado / determinassão = determinação
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, Em “d”: Existir / existência = corretas
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc. Em “e”: Característica / caracterizasão = caracterização
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-
fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se 2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu- I – CESGRANRIO-2018) O termo destacado está grafado
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétri- de acordo com as exigências da norma-padrão da língua
LÍNGUA PORTUGUESA

co, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. portuguesa em:


3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” a) O estagiário foi mal treinado, por isso não desempe-
inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc. nhava satisfatoriamente as tarefas solicitadas pelos
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando seus superiores.
o segundo elemento começar com “o”: coopera- b) O time não jogou mau no último campeonato, ape-
ção, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, sar de enfrentar alguns problemas com jogadores
coedição, coexistir, etc. descontrolados.

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c) O menino não era mal aluno, somente tinha dificul- c) Não obstante, foi ele talvez o único a demonstrar fé,
dade em assimilar conceitos mais complexos sobre os entusiasmo e coragem na aventura de 89.
temas expostos. d) A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da Cos-
d) Os funcionários perceberam que o chefe estava de ta, Alvarenga eram homens requintados, letrados, a
mal humor porque tinha sofrido um acidente de carro quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sempre
na véspera. lutara pela subsistência.
e) Os participantes compreendiam mau o que estava e) Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim, enfren-
tou a pena última.
sendo discutido, por isso não conseguiam formular
perguntas. Resposta: Letra A
Em “a”: Descoberta a conspiração, enquanto os outros
Resposta: Letra A não procuravam outra coisa se não salvar-se (senão se
Mal = advérbio (antônimo de “bem”) / mau = adjetivo salvar) , ele revelou a mais heróica (heroica) força de
(antônimo de “bom”). Para saber quando utilizar um ânimo, chamando a si toda a culpa.
ou outro, a dica é substituir por seu antônimo. Se a Em “b”: Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da
frase ficar coerente, saberemos qual dos dois deve ser profissão que lhe valera o apelido = correta
utilizado. Por exemplo: Cigarro faz mal/mau à saúde Em “c”: Não obstante, foi ele talvez o único a demons-
= Cigarro faz bem à saúde. A frase ficou coerente – trar fé, entusiasmo e coragem na aventura de 89 =
embora errada em termos de saúde! Então, a maneira correta
correta é “Cigarro faz mal à saúde”. Em “d”: A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da
Vamos aos itens: Costa, Alvarenga eram homens requintados, letrados,
Em “a”: O estagiário foi mal (bem) treinado = correta a quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sem-
Em “b”: O time não jogou mau (bem)no último cam- pre lutara pela subsistência = correta
Em “e”: Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim,
peonato = mal
enfrentou a pena última = correta
Em “c”: O menino não era mal (bom) aluno = mau
Em “d”: Os funcionários perceberam que o chefe esta- 5. (TJ-MG – OFICIAL JUDICIÁRIO – COMISSÁRIO DA
va de mal (bom) humor = mau INFÂNCIA E DA JUVENTUDE – CONSULPLAN-2017)
Em “e”: Os participantes compreendiam mau (bem) o Estabeleça a associação correta entre a 1.ª coluna e a 2.ª
que estava sendo discutido = mal considerando o emprego do por que / porque.

3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR – (1) “Muitas pessoas se perguntam por que há tão poucas
CESGRANRIO-2018) Obedecem às regras ortográficas mulheres [...].”
da língua portuguesa as palavras (2) “Misoginia é o ódio contra as mulheres apenas porque
são mulheres.”
a) admissão, paralisação, impasse
b) bambusal, autorização, inspiração ( ) Faltei _____________ você estava doente.
c) consessão, extresse, enxaqueca ( ) Todos sabem _____________ não poderei estar presente.
d) banalisação, reexame, desenlace ( ) Não se sabe ____________realizou tal procedimento.
( ) Este ponto de vista é _________não há manifestação de
e) desorganisação, abstração, cassação
outro pensamento.
Resposta: Letra A A sequência está correta em:
Em “a”: admissão / paralisação / impasse = corretas
Em “b”: bambusal = bambuzal / autorização / a) 1, 1, 1, 2
inspiração b) 1, 2, 1, 2
Em “c”: consessão = concessão / extresse = estresse / c) 2, 1, 1, 2
enxaqueca d) 2, 2, 2, 1
Em “d”: banalisação = banalização / reexame /
desenlace Resposta: Letra C
Em “e”: desorganisação = desorganização / abstração Faltei porque você estava doente. = conjunção causal
/ cassação Todos sabem por que não poderei estar presente. = dá
para substituir por “a causa pela qual”
4. (MPU – ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – ESA- Não se sabe por que realizou tal procedimento. =
substituir por “a causa”
F-2004-ADAPTADA) Na questão abaixo, baseada em
Este ponto de vista é porque não há manifestação de
Manuel Bandeira, escolha o segmento do texto que não
outro pensamento. = conjunção causal
está isento de erros gramaticais e de ortografia, conside- Teremos: 2, 1, 1, 2
LÍNGUA PORTUGUESA

rando-se a ortodoxia gramatical.


6. (TJ-SC – TÉCNICO JUDICIÁRIO AUXILIAR – FGV-
a) Descoberta a conspiração, enquanto os outros não 2018) “Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele
procuravam outra coisa se não salvar-se, ele revelou só usava meias vermelhas”. Nesse segmento do texto 1
a mais heróica força de ânimo, chamando a si toda a há um erro gramatical, que é:
culpa.
b) Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da profissão a) empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe cercaram”;
que lhe valera o apelido. b) haver vírgula após a expressão “Um dia”;

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c) usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o b) acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras
perguntaram”; “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fe-
d) grafar-se “porque” em vez de “por que”; chado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs .
e) escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”. c) acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a”
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
Resposta: Letra D d) trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi to-
“Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só talmente abolido das palavras. Há uma exceção: é
usava meias vermelhas” utilizado em palavras derivadas de nomes próprios
Em “a”: empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe estrangeiros: mülleriano (de Müller)
cercaram”; = está correto, pois o “o” funciona como e) til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam
objeto direto (sem preposição) vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
Em “b”: haver vírgula após a expressão “Um dia”; = está
correto, pois separa o advérbio no início do período Regras fundamentais
Em “c”: usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o per-
guntaram”; = está correto (o “lhe” é objeto indireto a) Palavras oxítonas:acentuam-se todas as oxítonas
– perguntaram o que a quem) terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não
Em “d”: grafar-se “porque” em vez de “por que”; do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
Em “e”: escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”.
= correto, pois se invertermos haverá mudança de Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
sentido (ele usava só meias, nenhuma outra peça de Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”,
roupa). seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
A incorreção está no uso de “porque” no lugar de “por Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
que”, já que se trata de uma pergunta indireta. seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo

b) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas


terminadas em:
ACENTUAÇÃO
i, is: táxi – lápis – júri
Quanto à acentuação, observamos que algumas pa-
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra.
– fórceps
Por isso, vamos às regras!
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
Regras básicas não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
A acentuação tônica está relacionada à intensida-
de com que são pronunciadas as sílabas das palavras. #FicaDica
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
com menos intensidade, são denominadas de átonas. esta palavra apresenta as terminações das
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
cadas como: (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO.
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai so- Assim ficará mais fácil a memorização!
bre a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju
– papel
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla- c) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quando
a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte).
ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
Quanto à regra de acentuação: todas as proparoxí-
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti-
tonas são acentuadas, independentemente de sua
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus
terminação: árvore, paralelepípedo, cárcere.
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são
Regras especiais
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quan-
do tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
- ré. abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Os acentos
LÍNGUA PORTUGUESA

palavras paroxítonas.
a) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a” e
“i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas letras FIQUE ATENTO!
representam as vogais tônicas de palavras como Se os ditongos abertos estiverem em uma
pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o” indica, palavra oxítona (herói) ou monossílaba
além da tonicidade, timbre aberto: herói – céu (di- (céu) ainda são acentuados: dói, escarcéu.
tongos abertos).

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Antes Agora O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido:
assembléia assembleia
idéia ideia Antes Agora
geléia geleia crêem creem
jibóia jiboia lêem leem
apóia (verbo apoiar) apoia vôo voo
paranóico paranoico enjôo enjoo

Acento Diferencial
#FicaDica
Representam os acentos gráficos que, pelas regras Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
de acentuação, não se justificariam, mas são utilizados verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
para diferenciar classes gramaticais entre determinadas que não recebem mais acento como antes:
palavras e/ou tempos verbais. Por exemplo: Pôr (verbo) X CRER, DAR, LER e VER.
por (preposição) / pôde (pretérito perfeito do Indicativo do Repare:
verbo “poder”) X pode (presente do Indicativo do mesmo
O menino crê em você. / Os meninos creem
verbo).
em você.
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
Elza lê bem! / Todas leem bem!
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentua-
da, mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acen- Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos
tua-se, para que saibamos se se trata de um verbo ou que os garotos deem o recado!
preposição. Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Os demais casos de acento diferencial não são mais Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! /
utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti- Eles vêm à tarde!
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama-
ticais são definidos pelo contexto.
Polícia para o trânsito para que se realize a operação As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con-
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
junção (com relação de finalidade).

Antes Agora
#FicaDica
apazigúe (apaziguar) apazigue
Quando, na frase, der para substituir o “por” averigúe (averiguar) averigue
por “colocar”, estaremos trabalhando com
um verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos, argúi (arguir) argui
“por” é preposição: Faço isso por você. / Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes-
Posso pôr (colocar) meus livros aqui? soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
Regra do Hiato ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
– eles convêm.
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
acento: saída – faísca – baú – país – Luís SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz – São Paulo: Saraiva, 2010.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se es-
tiverem seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha. SITE
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie- Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba tica/acentuacao.htm>
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, for-
mando hiato quando vierem depois de ditongo (nas
LÍNGUA PORTUGUESA

paroxítonas): EXERCÍCIOS COMENTADOS


Antes Agora 1. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – EXATUS-2015)
Assinale a alternativa em que a palavra é acentuada pela
bocaiúva bocaiuva mesma razão que “Bíblia”:
feiúra feiura
a) íris.
Sauípe Sauipe b) estórias.

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c) queríamos. c) Alguns novelistas gostam de superpor temas sociais
d) aí. com temas políticos.
e) páginas. d) Para decorar o texto antes de gravar, cada ator rele
sua fala várias vezes.
Resposta: Letra B e) Alguns atores de novela constroem seus personagens
“Bíblia” = esta é acentuada por ser uma paroxítona fazendo pesquisa.
terminada em ditongo.
Em “a”, íris = paroxítona terminada em i(s) Resposta: Letra D
Em “b”, estórias = paroxítona terminada em ditongo Em “a”: Todo escritor de novela tem = singular (não
Em “c”, queríamos = proparoxítona acentuado)
Em “d”, aí = regra do hiato Em “b”: Os telespectadores veem = correta - plural do-
Em “e”, páginas = proparoxítona bra o “e” (perdeu o acento com o Acordo)
Em “c”: Alguns novelistas gostam de superpor =
2. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – FADESP-2018) correta
A sequência de palavras cujos acentos são empregados Em “d”: Para decorar o texto antes de gravar, cada ator
pelo mesmo motivo é rele = relê (oxítona)
Em “e”: Alguns atores de novela constroem = correta
a) público, função, dói.
b) burocráticos, próximo, século. 5. (TJ-SP - ANALISTA EM COMUNICAÇÃO E PROCES-
c) será, aí, é, está. SAMENTO DE DADOS JUDICIÁRIO – VUNESP/2012)
d) glória, exercício, publicação. Seguem a mesma regra de acentuação gráfica relativa às
e) hábito, bancário, poética. palavras paroxítonas:

Resposta: Letra B a) probatório; condenatório; crédito.


Em “a”, público = proparoxítona / função = o til tem b) máquina; denúncia; ilícita.
função de nasalizar (indicar som fechado) / dói = mo- c) denúncia; funcionário; improcedência.
nossílabo formado por ditongo aberto d) máquina; improcedência; probatório.
Em “b”, burocráticos = proparoxítona / próximo = pro- e) condenatório; funcionário; frágil.
paroxítona / século = proparoxítona
Em “c”, será = oxítona terminada em ‘a” / aí = regra do Resposta: Letra C
hiato / é = (verbo) monossílabo tônico terminado em Vamos a elas:
“e” / está = (verbo) oxítona terminada em “a” Em “a”: probatório = paroxítona terminada em ditongo
Em “d”, glória = paroxítona terminada em ditongo / / condenatório = paroxítona terminada em ditongo /
exercício = paroxítona terminada em ditongo / publi- crédito = proparoxítona.
cação = o til indica nasalização (som fechado) Em “b”: máquina = proparoxítona / denúncia = paro-
Em “e”, hábito = (substantivo) proparoxítona / ban- xítona terminada em ditongo / ilícita = proparoxítona.
cário = paroxítona terminada em ditongo / poética = Em “c”: Denúncia = paroxítona terminada em diton-
proparoxítona go / funcionário = paroxítona terminada em ditongo
/ improcedência = paroxítona terminada em ditongo
3. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR Em “d”: máquina = proparoxítona / improcedência =
– CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) O em- paroxítona terminada em ditongo / probatório = pa-
prego do acento gráfico nas palavras “metálica”, “acú- roxítona terminada em ditongo
mulo” e “imóveis” justifica-se com base na mesma regra Em “e”: condenatório = paroxítona terminada em di-
de acentuação. tongo / funcionário = = paroxítona terminada em di-
tongo / Frágil = paroxítona terminada em “l”
(  ) CERTO (  ) ERRADO
6. (TJ-AC – TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CES-
Resposta: Errado PE/2012) As palavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria”
O emprego do acento gráfico nas palavras “metálica”, são acentuadas de acordo com a mesma regra de acen-
“acúmulo” e “imóveis” justifica-se com base na mesma tuação gráfica.
regra de acentuação.
metálica = proparoxítona / acúmulo = proparoxítona / (  ) CERTO (  ) ERRADO
imóveis = paroxítona terminada em ditongo
Resposta: Errado
4. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CES- “Conteúdo” = regra do hiato / calúnia = paroxítona
GRANRIO-2018) A palavra que precisa ser acentuada terminada em ditongo / injúria = paroxítona termina-
LÍNGUA PORTUGUESA

graficamente para estar correta quanto às normas em da em ditongo.


vigor está destacada na seguinte frase:
7. (TRE-AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
a) Todo escritor de novela tem o desejo de criar um per- as frases que seguem, a única correta é:
sonagem inesquecível.
b) Os telespectadores veem as novelas como um espelho a) Ele se esqueceu de que?
da realidade. b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui-
-lo entre os presentes.

16
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas Não se deve escrever frases ou textos desconexos –
críticas. é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re-
funcionários. lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela-
e) Não sei por que ele mereceria minha consideração. ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura
textual.
Resposta: Letra E
Em “a”: Ele se esqueceu de que? = quê? Formas de se garantir a coesão entre os elementos
Em “b”: Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu de uma frase ou de um texto:
para distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
Em “c”: Embora devêssemos (devêssemos), não fomos • Substituição de palavras com o emprego de sinô-
excessivos nas críticas.
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo
Em “d”: O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às rei-
associativo.
vindicações dos funcionários.
• Nominalização – emprego alternativo entre um
Em “e”: Não sei por que ele mereceria minha
consideração. verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
(desgastar / desgaste / desgastante).
• Emprego adequado de tempos e modos verbais:
DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE
Embora não gostassem de estudar, participaram
COESÃO TEXTUALEMPREGO DE
ELEMENTOS DE REFERENCIAÇÃO, da aula.
SUBSTITUIÇÃO E REPETIÇÃO, • Emprego adequado de pronomes, conjunções,
DE CONECTORES E DE OUTROS preposições, artigos:
ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO
TEXTUAL O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira,
Sua Santidade participou de uma reunião com a Presiden-
te Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
COESÃO E COERÊNCIA pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
por elas.
Na construção de um texto, assim como na fala, usa-
mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com- • Uso de hipônimos – relação que se estabelece com
preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin- base na maior especificidade do significado de um
guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel
foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que
(mais genérico).
buscam garantir a coesão textual para que haja coerên-
• Emprego de hiperônimos - relações de um termo
cia, não só entre os elementos que compõem a oração,
de sentido mais amplo com outros de sentido mais
como também entre a sequência de orações dentro do
texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de específico. Por exemplo, felino está numa relação
modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores de hiperonímia com gato.
que os participantes do processo têm com o tema. • Substitutos universais, como os verbos vicários.
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima-
ginária - composta de termos e expressões - que une Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela- no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”,
substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de evitando repetição desnecessária.
pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co-
frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad-
– decorre daí a coerência textual. verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
incoerência é resultado do mau uso dos elementos de jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
coesão textual. Na organização de períodos e de pará- as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
grafos, um erro no emprego dos mecanismos gramati- assim, estabelece a relação entre as duas orações).
cais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
truído com os elementos corretos, confere-se a ele uma
LÍNGUA PORTUGUESA

Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro-


unidade formal. priedade de fazer referência ao contexto situacional ou
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun- ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun-
ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
ção de progressão textual, dada sua característica: são
orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
elementos que não significam, apenas indicam, remetem
dependência e independência sintática e semântica, reco-
aos componentes da situação comunicativa.
bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
estes princípios”. Já os componentes concentram em si a significação.
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito:

17
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1) de-
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes vido à poluição; optou-se pelo banimento da circula-
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, ção dos carros (=2) para que a poluição diminua (=3),
bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento o que preservará os monumentos.
da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterio-
ridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste 2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO –
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, CESGRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destaca-
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, do se refere está adequadamente explicitada entre col-
no próximo ano, depois de (futuro).” chetes em:
A coerência de um texto está ligada: a) “Ela é produzida de forma descentralizada por mi-
lhares de computadores, mantidos por pessoas que
1. à sua organização como um todo, em que devem
‘emprestam’ a capacidade de suas máquinas para criar
estar assegurados o início, o meio e o fim;
bitcoins” [computadores]
2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que é
texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
fundamentada em comprovações, apresentação chamado de ´mineração´, os computadores conecta-
de estatísticas, relato de experiências; um texto dos à rede competem entre si” [bitcoin]
informativo apresenta coerência se trabalhar com c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela
linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos, rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
por outro lado, trabalham com a linguagem figura- limitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede]
da, livre associação de ideias, palavras conotativas. d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que
é criada quando o usuário se cadastra no software.”
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA [espécie ]
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa. e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – algum momento deve estourar.” [bolha]
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Letra E
SITE Em “a”: “Ela é produzida de forma descentralizada por
Disponível em: <http://www.mundovestibular.com. milhares de computadores, mantidos por pessoas que
br/articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/ (= as quais – retoma o termo “pessoas”)
Paacutegina1.html> Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin,
que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o
termo “processo de nascimento”)
EXERCÍCIOS COMENTADOS Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado
pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma
1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades” =
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) retoma o termo “faixa limitada”
Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de cartei-
Texto 2 ra, que é criada (= a qual – retoma “carteira”)
Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha
“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a que (= a qual) em algum momento deve estourar.”
circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O [bolha] = correta
objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão
dos monumentos”. (Veja, 7/3/2018) 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR
– CESGRANRIO-2018-ADAPTADA)
A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é:
O vício da tecnologia
a) redução da poluição / banimento da circulação de car-
ros / erosão dos monumentos; Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os
b) banimento da circulação de carros / erosão dos mo- olhos voltados para uma exposição de novidades eletrô-
numentos / redução da poluição; nicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre
c) erosão dos monumentos / redução da poluição / ba- as inovações, estavam produtos relacionados a experiên-
nimento da circulação de carros; cias de realidade virtual e à utilização de inteligência ar-
d) redução da poluição / erosão dos monumentos / ba- tificial — que hoje é um dos temas que mais desperta
nimento da circulação de carros;
interesse em profissionais da área, tendo em vista a am-
LÍNGUA PORTUGUESA

e) erosão dos monumentos / banimento da circulação


pliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diver-
de carros / redução da poluição.
sos segmentos.
Resposta: Letra E Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no
“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma
a circulação de carros a diesel no centro a partir de ansiedade tão grande para consumir produtos que pro-
2024. O objetivo é reduzir a poluição, que contribui metem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dis-
para a erosão dos monumentos”. põe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos

18
primeiros a comprar um novo modelo de smartphone? c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa
Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para última necessidade citada” [segurança]
comprar aparelhos que não temos sequer certeza de que d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o
serão realmente úteis em nossas rotinas? mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso
A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford cérebro a liberação de um hormônio chamado dopa-
(Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” mina” [mapeamento cerebral]
por novos gadgets. De modo geral, em nosso processo e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo
evolutivo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu que represente uma recompensa.” [impulso cerebral]
a suprir necessidades básicas para a sobrevivência e a
perpetuação da espécie, tais como sexo, segurança e sta- Resposta: Letra B
tus social. Ao texto:
Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica Em “a”: “relacionados a experiências de realidade vir-
atende a essa última necessidade citada: nós nos senti- tual e à utilização de inteligência artificial — que hoje
mos melhores e superiores, ainda que momentaneamen- é um dos temas que mais desperta interesse em pro-
te, quando surgimos em nossos círculos sociais com um fissionais da área” [experiências de realidade virtual]
produto que quase ninguém ainda possui. Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: in-
Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que teligência artificial
mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativa- Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo
vam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativa- de tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteli-
das quando uma pessoa muito religiosa se depara com gência artificial]
um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que Texto: Entre as inovações, estavam produtos relaciona-
o vício em novidades tecnológicas é quase uma religião dos a experiências de realidade virtual e à utilização de
para os mais entusiastas. inteligência artificial — que hoje é um dos temas que
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais mais desperta interesse em profissionais da área, tendo
novo lançamento tecnológico dispara em nosso cére-
em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia
bro a liberação de um hormônio chamado dopamina,
nos mais diversos segmentos.= correta
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica aten-
liberado quando nosso cérebro identifica algo que repre-
de a essa última necessidade citada” [segurança]
sente uma recompensa.
Texto: (...) suprir necessidades básicas para a sobrevi-
O grande problema é que a busca excessiva por recom-
vência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, se-
pensas pode resultar em comportamentos impulsivos,
gurança e status social. / Nesse sentido, a compra de
que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes
sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo, uma novidade tecnológica atende a essa última neces-
podemos observar a situação problematizada aqui: gasto sidade citada... = status social
excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
apresentam poucas mudanças em relação ao modelo dopamina” [mapeamento cerebral]
anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros (...) vício em novidades tecnológicas é quase uma re-
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho ligião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou impulso cerebral e comprar
inovadora no cotidiano. Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identi-
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a fica algo que represente uma recompensa.” [impulso
conter os impulsos na hora de comprar um novo smart- cerebral]
phone ou alguma novidade de mercado: compare o efei- (...) a liberação de um hormônio chamado dopamina,
to momentâneo da dopamina com o impacto de imagi- responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
nar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com liberado = dopamina
a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode 4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AMBIEN-
ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a TE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018)
respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. Texto I
2018. Adaptado.
A ideia a que a expressão destacada se refere está expli- Portugueses no Rio de Janeiro
citada adequadamente entre colchetes em:
LÍNGUA PORTUGUESA

O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração portu-


a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à guesa até meados dos anos cinquenta do século passa-
utilização de inteligência artificial — que hoje é um do, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa do
dos temas que mais desperta interesse em profissio- mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo
nais da área” [experiências de realidade virtual] de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam-
b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tec- -se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis,
nologia nos mais diversos segmentos” [inteligência como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos,
artificial] além de outros ramos, como os das papelarias e lojas

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de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais Resposta: Letra B
variadas profissões, como atividades domésticas ou as de Em “a”: “A civilização converteu a solidão num dos
barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais bens mais preciosos que a alma humana pode dese-
afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para jar” = retoma “bens preciosos”
construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper
bebidas. a própria solidão” = o pronome se refere ao período
A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação que virá (= catáfora)
de guetos, denota uma tendência para a sua concentra- Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a vanta-
ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve- gem de viver com alguém que saiba pensar” = retoma
zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da “solidão”
cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que
significativo de patrícios e algumas associações de por-
seja apenas a de uma vela que queima” = retoma
te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
“companhia”
Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aque-
de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
da colônia, se localizam outras associações portuguesas, las que produzem menos” = retoma “pessoas”
como a Casa de Portugal e um grande número de casas
regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros 6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente – FGV-2018)
formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr-
bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri- NÃO FALTOU SÓ ESPINAFRE
vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca,
área nobre da cidade a partir da década de cinquenta, A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
preferida pelos mais abastados. Mostrou também danos morais.
PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: sala- Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. A
zaristas e opositores em manifestação na cidade. In: dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e
ALVES, Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e uma
Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1. grande discussão. Uma senhora havia arrematado todos
Adaptado. os dez maços de espinafre. No caixa, outras freguesas
perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Obser-
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos varam que a verdura acabaria estragada. Ela explicou que
um grupo significativo de patrícios e algumas associações ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: caramba,
de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a havia outras pessoas na fila, ela não poderia levar só o
palavra destacada para fazer referência aos que consumiria de imediato?
“Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta.
a) luso-brasileiros Compras exageradas nos supermercados, estoques do-
b) patriotas da cidade
mésticos, filas nervosas nos postos de combustível – teve
c) habitantes da cidade
muito comportamento na base de cada um por si.
d) imigrantes portugueses
Cabem nessa categoria as greves e manifestações opor-
e) compatriotas brasileiros
tunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o meu
Resposta: Letra D – tal foi o comportamento de muita gente.
Ainda hoje é o utilizado o termo “patrício” para se re- Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018.
ferir aos portugueses. “Patrício” significa “da mesma
pátria”. “A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) To- do primeiro período que leva à produção do segundo
das as frases abaixo apresentam elementos sublinhados período é
que estabelecem coesão com elementos anteriores (aná-
fora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a a) a crise.
um elemento futuro do texto (catáfora) é: b) não trouxe.
c) apenas.
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais d) danos sociais.
preciosos que a alma humana pode desejar”; e) (danos) econômicos.
b) “Todo o problema da vida é este: como romper a pró-
LÍNGUA PORTUGUESA

pria solidão”; Resposta: Letra C


c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de 1.º período: A crise não trouxe apenas danos sociais e
viver com alguém que saiba pensar”; econômicos.
d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas 2.º período: Mostrou também danos morais.
a de uma vela que queima”; A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais
e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que
informações que complementarão a primeira “tese”
produzem menos”.
apresentada é “apenas”.

20
7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017) Resposta: Errado
Ao trecho: (...) É necessário investir em pesquisa para
Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo devolver resultados satisfatórios à sociedade. No entan-
tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos to, os resultados desse tipo de investimento = inves-
por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos tir em pesquisa / desse tipo de investimento.
ergueu um império com a conquista de boa parte das
terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda. 9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)
Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou pre-
nome, um nome.
Texto I
Por quê? Porque o império romano crescia e eles preci-
savam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar
onde tinha nascido”. Na organização do poder político no Estado moderno,
(Ciência Hoje, março de 2014) à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir
“Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer a desordem do estado de natureza, que, em virtude do
aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes,
segmento do texto, se refere a(à): exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
quista da liberdade humana também reclama a distri-
a) todo mundo ter um sobrenome; buição do poder em ramos diversos, com a disposição
b) sobrenomes citados no início do texto; de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
c) todos os sobrenomes hoje conhecidos; para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
d) forma latina dos sobrenomes atuais; nas sociedades estatais. A concentração do poder em um
e) existência de sobrenomes nos documentos. só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer-
cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu,
Resposta: Letra A “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
Todo mundo tem um sobrenome e temos de agrade- até onde encontra limites. Para que não se possa abusar
cer aos romanos por isso = ter um sobrenome. do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
GABARITO OFICIAL: A
poder limite o poder”.
8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010) Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar a as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
eficiência, a produtividade e a competitividade nos pro- concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
cessos gerenciais e nos produtos e serviços das organi- separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
zações. Ou seja, é o fermento do crescimento econômico ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
e social de um país. Para isso, é preciso criatividade, ca- diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
pacidade de inventar e coragem para sair dos esquemas situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
tradicionais. Inovador é o indivíduo que procura respos- de origem baconiana, não abandonando o rigor das
tas originais e pertinentes em situações com as quais ele certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
se defronta. É preciso uma atitude de abertura para as refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
coisas novas, pois a novidade é catastrófica para os mais idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
céticos. Pode-se dizer que o caminho da inovação é um explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
percurso de difícil travessia para a maioria das institui- civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
ções. Inovar significa transformar os pontos frágeis de Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
um empreendimento em uma realidade duradoura e lu- Ministério Público em função da proteção dos direitos
crativa. A inovação estimula a comercialização de produ- humanos.
tos ou serviços e também permite avanços importantes
Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9.
para toda a sociedade. Porém, a inovação é verdadeira
Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
somente quando está fundamentada no conhecimento.
A capacidade de inovação depende da pesquisa, da ge- No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz
ração de conhecimento. É necessário investir em pesqui- referência a “ramos diversos”.
sa para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
entanto, os resultados desse tipo de investimento não (  ) CERTO (  ) ERRADO
são necessariamente recursos financeiros ou valores eco-
nômicos, podem ser também a qualidade de vida com Resposta: Certo
justiça social. Ao período: (...) reclama a distribuição do poder em
Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Dar- ramos diversos, com a disposição de meios que asse-
cy. Revista de jornalismo científico e cultural da Univer- gurem o controle recíproco entre eles para o advento
sidade de Brasília, novembro e dezembro de 2009, p. 37
LÍNGUA PORTUGUESA

de um cenário de equilíbrio e harmonia.


(com adaptações).
10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLAS-
Subentende-se da argumentação do texto que o pro- SE – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado
nome demonstrativo, no trecho “desse tipo de investi- sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo, é
mento”, refere-se à ideia de “fermento do crescimento promovido primeiro, é celebrado quando volta de férias,
econômico e social de um país”.
é convidado para ser padrinho ou madrinha e para ser
companhia em momentos prazerosos. Quanto melhor
(  ) CERTO (  ) ERRADO

21
vivemos, mais motivos surgem para vivermos bem. A pros- Observe outros exemplos:
peridade é um ciclo que se retroalimenta. O importante é
decidir fazer parte dele. de águia aquilino
Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra
Dele retoma, textualmente, de aluno discente
de anjo angelical
a) ciclo.
de ano anual
b) Alguém.
c) padrinho. de aranha aracnídeo
d) grupo. de boi bovino
e) apaixonado.
de cabelo capilar
Resposta: Letra A de cabra caprino
Voltemos ao período: de campo campestre ou rural
A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O im-
portante é decidir fazer parte dele. de chuva pluvial
de criança pueril
de dedo digital
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS de estômago estomacal ou gástrico
de falcão falconídeo
Prezado candidato, o referido assunto será abor- de farinha farináceo
dado no tópico “classe de palavras”. de fera ferino
de ferro férreo
DOMÍNIO DA ESTRUTURA
MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO de fogo ígneo
de garganta gutural
Prezado candidato, o tópico acima será abordado de gelo glacial
no decorrer do material! de guerra bélico
de homem viril ou humano
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS de ilha insular
de inverno hibernal ou invernal
CLASSES DE PALAVRAS de lago lacustre
de leão leonino
1. ADJETIVO
de lebre leporino
É a palavra que expressa uma qualidade ou caracte- de lua lunar ou selênico
rística do ser e se relaciona com o substantivo, concor-
de madeira lígneo
dando com este em gênero e número.
As praias brasileiras estão poluídas. de mestre magistral
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos de ouro áureo
(plural e feminino, pois concordam com “praias”).
de paixão passional
Locução adjetiva de pâncreas pancreático
de porco suíno ou porcino
Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes- dos quadris ciático
ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição + de rio fluvial
substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo- de sonho onírico
cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem de velho senil
freio (paixão desenfreada). de vento eólico
LÍNGUA PORTUGUESA

de vidro vítreo ou hialino


de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico

22
Observação: Flexão dos adjetivos

Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo corres- O adjetivo varia em gênero, número e grau.
pondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª Gênero dos Adjetivos
série. / O muro de tijolos caiu.
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática): referem (masculino e feminino). De forma semelhante
aos substantivos, classificam-se em:
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuan- a) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
do como adjunto adnominal ou como predicativo (do masculino e outra para o feminino: ativo e ativa,
sujeito ou do objeto). mau e má.

Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no


feminino somente o último elemento: o moço norte-a-
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. mericano, a moça norte-americana.
Observe alguns deles:
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
Estados e cidades brasileiras:
b) Uniformes - têm uma só forma tanto para o mas-
Alagoas alagoano culino como para o feminino: homem feliz e mu-
lher feliz.
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense Se o adjetivo é composto e uniforme, fica inva-
Amazonas amazonense ou baré riável no feminino: conflito político-social e desavença
político-social.
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense Número dos Adjetivos
Cabo Frio cabo-friense
a) Plural dos adjetivos simples
Campinas campineiro ou campinense
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo
Adjetivo Pátrio Composto com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primei- ruins, boa e boas.
ro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
erudita. Observe alguns exemplos: função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a pa-
lavra que estiver qualificando um elemento for, original-
África afro- / Cultura afro-americana mente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva.
germano- ou teuto-/Competições Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um substanti-
Alemanha vo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcio-
teuto-inglesas
nará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: cami-
américo- / Companhia sas cinza, ternos cinza.
América
américo-africana
belgo- / Acampamentos Motos vinho (mas: motos verdes)
Bélgica
belgo-franceses Paredes musgo (mas: paredes brancas).
China sino- / Acordos sino-japoneses Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
Espanha hispano- / Mercado hispano-português b) Adjetivo Composto
Europa euro- / Negociações euro-americanas
franco- ou galo- / Reuniões É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor-
França malmente, esses elementos são ligados por hífen. Ape-
franco-italianas
nas o último elemento concorda com o substantivo a que
Grécia greco- / Filmes greco-romanos se refere; os demais ficam na forma masculina, singular.
LÍNGUA PORTUGUESA

Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas Caso um dos elementos que formam o adjetivo com-
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa posto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qua-
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros lificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso
se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo
composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo
composto inteiro ficará invariável. Veja:

23
Camisas rosa-claro. Sou menos passivo (do) que tolerante.
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros. b) Superlativo
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
Observação: tivo e apresenta as seguintes modalidades:

Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre de um ser é intensificada, sem relação com outros
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, seres. Apresenta-se nas formas:
vestidos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele-
• Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
mentos flexionados: crianças surdas-mudas.
palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Grau do Adjetivo
• Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in- exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad-
jetivo: o comparativo e o superlativo. Observe alguns superlativos sintéticos:

a) Comparativo benéfico beneficentíssimo


bom boníssimo ou ótimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte- comum comuníssimo
rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser cruel crudelíssimo
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. difícil dificílimo
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade doce dulcíssimo
No comparativo de igualdade, o segundo termo da fácil facílimo
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto fiel fidelíssimo
ou quão.
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de
de um ser é intensificada em relação a um conjun-
Superioridade
to de seres. Essa relação pode ser:
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de
Inferioridade • De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
todas.
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de • De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São todas.
eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe-
rior, grande/maior, baixo/inferior. O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
Observe que: antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob
• As formas menor e pior são comparativos de supe- duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra
rioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons-
mau, respectivamente. tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos
• Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas -íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo;
(melhor, pior, maior e menor), porém, em compa- a popular é constituída do radical do adjetivo português
rações feitas entre duas qualidades de um mesmo + o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
elemento, deve-se usar as formas analíticas mais Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi-
exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA

nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio


– cheíssimo.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
elementos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
duas qualidades de um mesmo elemento. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
Inferioridade
– São Paulo: Saraiva, 2010.

24
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. de modo
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala
altíssimo.
SITE
Observação:
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
coes/morf/morf32.php> As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
comuns na língua popular.
2. ADVÉRBIO Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
A criança levantou cedinho. (muito cedo)
Compare estes exemplos:
O ônibus chegou. Classificação dos Advérbios
O ônibus chegou ontem.
De acordo com a circunstância que exprime, o advér-
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o bio pode ser de:
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e a) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
do próprio advérbio. lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures,
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio defronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhu-
(bem) res, aquém, embaixo, externamente, a distância, à
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- distância de, de longe, de perto, em cima, à direita,
à esquerda, ao lado, em volta.
jetivo (claros)
b) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres-
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
centar ideia de:
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
Tempo: Ela chegou tarde.
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Lugar: Ele mora aqui.
mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
Modo: Eles agiram mal.
à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Negação: Ela não saiu de casa. quando, de quando em quando, a qualquer mo-
Dúvida: Talvez ele volte. mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
Flexão do Advérbio c) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas,
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa ma-
porém, admitem a variação em grau. Observe: neira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé,
de cor, em vão e a maior parte dos que termi-
a) Grau Comparativo nam em “-mente”: calmamente, tristemente, pro-
positadamente, pacientemente, amorosamente,
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo docemente, escandalosamente, bondosamente,
modo que o comparativo do adjetivo: generosamente.
d) Afirmação: sim, certamente, realmente, decer-
• de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Re- to, efetivamente, certo, decididamente, deveras,
nato fala tão alto quanto João. indubitavelmente.
• de inferioridade: menos + advérbio + que (do que): e) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
Renato fala menos alto do que João. de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
• de superioridade: f) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, prova-
velmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato quem sabe.
fala mais alto do que João. g) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato fala cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
LÍNGUA PORTUGUESA

melhor que João. quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
nada, todo, quase, de todo, de muito, por com-
b) Grau Superlativo pleto, extremamente, intensamente, grandemente,
bem (quando aplicado a propriedades graduáveis).
O superlativo pode ser analítico ou sintético: h) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
mente, simplesmente, só, unicamente. Por exem-
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Rena- plo: Brando, o vento apenas move a copa das
to fala muito alto. árvores.

25
i) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- a) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
bém. Por exemplo: O indivíduo também amadure- para dentro, por aqui, etc.
ce durante a adolescência. b) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
j) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por c) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer em geral, frente a frente, etc.
aos meus amigos por comparecerem à festa. d) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
hoje em dia, nunca mais, etc.
Saiba que:
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei o adjetivo e outro advérbio:
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos Chegou muito cedo. (advérbio)
tarde possível. Joana é muito bela. (adjetivo)
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, De repente correram para a rua. (verbo)
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente. Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
cer como advérbio e como pronome indefinido. bio: Cheguei primeiro.
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito. Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo
adverbial desempenham na oração a função de adjunto
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.
adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
#FicaDica bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
Como saber se a palavra bastante é verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
advérbio (não varia, não se flexiona) ou Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
pronome indefinido (varia, sofre flexão)? Se dade e de tempo, respectivamente.
der, na frase, para substituir o “bastante” por
“muito”, estamos diante de um advérbio; se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
der para substituir por “muitos” (ou muitas),
é um pronome. Veja: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio – São Paulo: Saraiva, 2010.
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
(estudei muitos capítulos) = pronome literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

Advérbios Interrogativos SITE

São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen- coes/morf/morf75.php>
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja:
3. ARTIGO
Interrogação Direta Interrogação Indireta
O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu -se como o termo variável que serve para individualizar
Onde mora? Indaguei onde morava ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Por que choras? Não sei por que choras
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Aonde vai? Perguntei aonde ia riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Donde vens? Pergunto donde vens “uma”[s] e “uns]).
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando voltas? Pergunto quando voltas a) Artigos definidos – São usados para indicar seres
determinados, expressos de forma individual: O
Locução Adverbial concurseiro estuda muito. Os concurseiros estu-
dam muito.
Quando há duas ou mais palavras que exercem fun- b) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de
ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova-
expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi- da! Umas candidatas foram aprovadas!
nariamente por uma preposição. Veja:

26
Circunstâncias em que os artigos se manifestam: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 1– 7.ª ed. Reform.
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois – São Paulo: Saraiva, 2010.
do numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal
conteúdo. SITE
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
Janeiro, Veneza, A Bahia... tica/artigo.htm>
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem. 4. CONJUNÇÃO
No caso de nomes próprios personativos, denotando
Além da preposição, há outra palavra também inva-
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
riável que, na frase, é usada como elemento de ligação:
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas
Pedro é o xodó da família.
palavras de mesma função em uma oração:
No caso de os nomes próprios personativos estarem O concurso será realizado nas cidades de Campinas e
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, São Paulo.
os Incas, Os Astecas... A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do Morfossintaxe da Conjunção
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa-
dos. (qualquer classe) Classificação da Conjunção

Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
ter é uns vinte anos. Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
O artigo também é usado para substantivar palavras dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. conjunção depende da existência do outro. Veja:

Há casos em que o artigo definido não pode ser Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
Podemos separá-las por ponto:
usado:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas
Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
conhecidas: O professor visitará Roma. quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- “mas”. Já em:
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a
bela Roma. Espero que eu seja aprovada no concurso!
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria
sairá agora? Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
Exceção: O senhor vai à festa? principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse (ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can- principal).
didato cuja nota foi a mais alta.
Conjunções Coordenativas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÍNGUA PORTUGUESA

São aquelas que ligam orações de sentido completo


CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- e independente ou termos da oração que têm a mesma
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. função gramatical. Subdividem-se em:
– São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: a) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (=
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa e não), não só... mas também, não só... como tam-
bém, bem como, não só... mas ainda.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

27
A sua pesquisa é clara e objetiva. a) Causais: introduzem uma oração que é causa da
Não só dança, mas também canta. ocorrência da oração principal. São elas: porque,
que, como (= porque, no início da frase), pois que,
b) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, ex- visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde
pressando ideia de contraste ou compensação. que, etc.
São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
no entanto, não obstante. Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.

Tentei chegar mais cedo, porém não consegui. b) Concessivas: introduzem uma oração que expressa
ideia contrária à da principal, sem, no entanto, im-
c) Alternativas: ligam orações ou palavras, expressan- pedir sua realização. São elas: embora, ainda que,
apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais
do ideia de alternância ou escolha, indicando fatos
que, posto que, conquanto, etc.
que se realizam separadamente. São elas: ou, ou...
ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, talvez... Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
talvez.
c) Condicionais: introduzem uma oração que indica a
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário. hipótese ou a condição para ocorrência da princi-
pal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não
d) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
por conseguinte, por isso, assim.

Marta estava bem preparada para o teste, portanto #FicaDica


não ficou nervosa. Você deve ter percebido que a conjunção
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão. condicional “se” também é conjunção
integrante. A diferença é clara ao ler as
e) Explicativas: ligam a oração anterior a uma ora- orações que são introduzidas por ela. Acima,
ção que a explica, que justifica a ideia nela con- ela nos dá a ideia da condição para que
tida. São elas: que, porque, pois (antes do verbo), recebamos um telefonema (se for preciso
porquanto. ajuda). Já na oração: Não sei se farei o
concurso. = Não há ideia de condição
Não demore, que o filme já vai começar. alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração
Falei muito, pois não gosto do silêncio! principal (sei) pede complemento (objeto
direto, já que “quem não sabe, não sabe
Conjunções Subordinativas algo”). Portanto, a oração em destaque
exerce a função de objeto direto da oração
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de- principal, sendo classificada como oração
las dependente da outra. A oração dependente, intro- subordinada substantiva objetiva direta.
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha
começado quando ela chegou. d) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
prime a conformidade de um fato com outro. São
O baile já tinha começado: oração principal elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal) soante, etc.
ela chegou: oração subordinada
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
As conjunções subordinativas subdividem-se em in-
e) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
tegrantes e adverbiais:
nalidade ou o objetivo com que se realiza a ora-
ção principal. São elas: para que, a fim de que, que,
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por porque (= para que), que, etc.
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin-
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos, Toque o sinal para que todos entrem no salão.
LÍNGUA PORTUGUESA

ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas:


que, se. f) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
pressa um fato relacionado proporcionalmente
Quero que você volte. (Quero sua volta) à ocorrência do expresso na principal. São elas:
à medida que, à proporção que, ao passo que e
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- as combinações quanto mais... (mais), quanto me-
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
com a circunstância que expressam, classificam-se em: nos... (menos), etc.

28
O preço fica mais caro à medida que os produtos sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma
escasseiam. decorrente de uma situação particular, um momento ou
um contexto específico. Exemplos:
Observação:
Ah, como eu queria voltar a ser criança!
São incorretas as locuções proporcionais à medida ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
em que, na medida que e na medida em que. Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
hum: expressão de um pensamento súbito =
g) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta
uma circunstância de tempo ao fato expresso na interjeição
oração principal. São elas: quando, enquanto, an-
tes que, depois que, logo que, todas as vezes que, O significado das interjeições está vinculado à ma-
desde que, sempre que, assim que, agora que, mal neira como elas são proferidas. O tom da fala é que dita
(= assim que), etc. o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto
em que for utilizada. Exemplos:
A briga começou assim que saímos da festa.
Psiu!
h) Comparativas: introduzem uma oração que expres- contexto: alguém pronunciando esta expressão na
sa ideia de comparação com referência à oração rua ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha-
principal. São elas: como, assim como, tal como,
mando! Ei, espere!”
como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto,
do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que
(combinado com menos ou mais), etc. Psiu!
contexto: alguém pronunciando em um hospital;
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem. significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça
silêncio!”
i) Consecutivas: introduzem uma oração que expres-
sa a consequência da principal. São elas: de sorte Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
que, de modo que, sem que (= que não), de forma puxa: interjeição; tom da fala: euforia
que, de jeito que, que (tendo como antecedente na
oração principal uma palavra como tal, tão, cada, Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
tanto, tamanho), etc. puxa: interjeição; tom da fala: decepção
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do
exame. As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:

a) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimin-


FIQUE ATENTO! do alegria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito
Muitas conjunções não têm classificação interessante!
única, imutável, devendo, portanto, ser b) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da mi-
classificadas de acordo com o sentido que nha frente.
apresentam no contexto (destaque da Zê!).
As interjeições podem ser formadas por:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô


• palavras: Oba! Olá! Claro!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa • grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Deus! Ora bolas!
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Classificação das Interjeições
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. Comumente, as interjeições expressam sentido de:

SITE a) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!


Atenção! Olha! Alerta!
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- b) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
LÍNGUA PORTUGUESA

coes/morf/morf84.php> c) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!


d) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
5. INTERJEIÇÃO e) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Ânimo! Adiante!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo-
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin- f) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de g) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas h) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamente!
Essa não! Chega! Basta!

29
i) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Queira CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa
Deus! - Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática
j) Desculpa: Perdão! – volume único – 3.ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
k) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
l) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê! SITE
m) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus! Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz! coes/morf/morf89.php>
n) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios! Puxa!
Pô! Ora! 6. NUMERAL
o) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
p) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve! Viva! Numeral é a palavra variável que indica quantidade
Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me, Deus! numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes-
q) Silêncio: Psiu! Silêncio! soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter-
r) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa! minada sequência.
Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme-
Saiba que: ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex-
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se
As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so- trata de numerais, mas sim de algarismos.
frem variação em gênero, número e grau como os no- Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem
mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al- palavras consideradas numerais porque denotam quan-
gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
de um processo natural desta classe de palavra, mas tão década, dúzia, par, ambos(as), novena.
só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.
Classificação dos Numerais
Locução Interjetiva
a) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-
nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
dinais têm sentido coletivo, como por exemplo:
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
século, par, dúzia, década, bimestre.
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
b) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla-
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando ou alguma coisa ocupa numa determinada sequ-
análise dos termos que a compõem: Macacos me mor- ência: primeiro, segundo, centésimo, etc.
dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo,
1. As interjeições são como frases resumidas, sintéti- final e penúltimo também indicam posição dos seres,
cas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por essa!) mas são classificadas como adjetivos, não ordinais.
/ Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é c) Fracionários: indicam parte de uma quantidade, ou
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois quin-
classes gramaticais podem aparecer como inter- tos, etc.
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! d) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
Francamente! (Advérbios) dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
-frase” porque sozinha pode constituir uma men-
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! Flexão dos numerais
Fique quieto!
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
que! Quá-quá-quá!, etc. quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo «ó» variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
com a sua homônima «oh!», que exprime admira- cardinais são invariáveis.
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois
do «oh!» exclamativo e não a fazemos depois do Os numerais ordinais variam em gênero e número:
LÍNGUA PORTUGUESA

«ó» vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie-


dosa e pura!” (Olavo Bilac) primeiro segundo milésimo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS primeira segunda milésima
primeiros segundos milésimos
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
primeiras segundas milésimas
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

30
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e
conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas
do medicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas
terças partes.
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
sentido. É o que ocorre em frases como:
“Me empresta duzentinho...”
É artigo de primeiríssima qualidade!
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.
Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)

Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
LÍNGUA PORTUGUESA

lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

31
Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


Um Primeiro -
Dois Segundo Dobro, Duplo Meio
Três Terceiro Triplo, Tríplice Terço
Quatro Quarto Quádruplo Quarto
Cinco Quinto Quíntuplo Quinto
Seis Sexto Sêxtuplo Sexto
Sete Sétimo Sétuplo Sétimo
Oito Oitavo Óctuplo Oitavo
Nove Nono Nônuplo Nono
Dez Décimo Décuplo Décimo
Onze Décimo Primeiro - Onze Avos
Doze Décimo Segundo - Doze Avos
Treze Décimo Terceiro - Treze Avos
Catorze Décimo Quarto - Catorze Avos
Quinze Décimo Quinto - Quinze Avos
Dezesseis Décimo Sexto - Dezesseis Avos
Dezessete Décimo Sétimo - Dezessete Avos
Dezoito Décimo Oitavo - Dezoito Avos
Dezenove Décimo Nono - Dezenove Avos
Vinte Vigésimo - Vinte Avos
Trinta Trigésimo - Trinta Avos
Quarenta Quadragésimo - Quarenta Avos
Cinqüenta Quinquagésimo - Cinquenta Avos
Sessenta Sexagésimo - Sessenta Avos
Setenta Septuagésimo - Setenta Avos
Oitenta Octogésimo - Oitenta Avos
Noventa Nonagésimo - Noventa Avos
Cem Centésimo Cêntuplo Centésimo
Duzentos Ducentésimo - Ducentésimo
Trezentos Trecentésimo - Trecentésimo
Quatrocentos Quadringentésimo - Quadringentésimo
Quinhentos Quingentésimo - Quingentésimo
Seiscentos Sexcentésimo - Sexcentésimo
Setecentos Septingentésimo Septingentésimo
Oitocentos Octingentésimo Octingentésimo
Nongentésimo ou
Novecentos Nongentésimo
Noningentésimo
Mil Milésimo Milésimo
LÍNGUA PORTUGUESA

Milhão Milionésimo Milionésimo


Milhão Bilionésimo Bilionésimo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.

32
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Irei à festa sozinha.
SITE Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti-
go; o segundo, preposição.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
coes/morf/morf40.php> Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
7. PREPOSIÇÃO apostila. = Nós a trouxemos.
Preposição é uma palavra invariável que serve para Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas
ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece,
por meio das preposições:
normalmente há uma subordinação do segundo termo
em relação ao primeiro. As preposições são muito im-
portantes na estrutura da língua, pois estabelecem a coe- Destino = Irei a Salvador.
são textual e possuem valores semânticos indispensáveis Modo = Saiu aos prantos.
para a compreensão do texto. Lugar = Sempre a seu lado.
Assunto = Falemos sobre futebol.
Tipos de Preposição Tempo = Chegarei em instantes.
Causa = Chorei de saudade.
a) Preposições essenciais: palavras que atuam ex- Fim ou finalidade = Vim para ficar.
clusivamente como preposições: a, ante, perante, Instrumento = Escreveu a lápis.
após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, Posse = Vi as roupas da mamãe.
por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para Autoria = livro de Machado de Assis
com. Companhia = Estarei com ele amanhã.
b) Preposições acidentais: palavras de outras classes Matéria = copo de cristal.
gramaticais que podem atuar como preposições, Meio = passeio de barco.
ou seja, formadas por uma derivação imprópria: Origem = Nós somos do Nordeste.
como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, se- Conteúdo = frascos de perfume.
gundo, senão, visto. Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
c) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
lendo como uma preposição, sendo que a última
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, prepositiva por trás de.
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por
cima de, por trás de.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A preposição é invariável, no entanto pode unir-se
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a = pela. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Essa concordância não é característica da preposição, char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
mas das palavras às quais ela se une. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Esse processo de junção de uma preposição com ou- AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

 • Combinação: união da preposição “a” com o ar- SITE


tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde,
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. Disponível em: <http://www.infoescola.com/
 • Contração: união de uma preposição com outra portugues/preposicao/>
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo-
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, 8. PRONOME
de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
 • Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” pre- Pronome é a palavra variável que substitui ou acom-
LÍNGUA PORTUGUESA

posição + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma
vogal do pronome “aquilo”). forma.
O homem julga que é superior à natureza, por isso o
O “a” pode funcionar como preposição, pronome homem destrói a natureza...
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a”
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo
superior à natureza, por isso ele a destrói...
para determiná-lo como um substantivo singular e femi-
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter-
nino: A matéria que estudei é fácil!
mos (homem e natureza).

33
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 1.ª pessoa do singular: eu
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 2.ª pessoa do singular: tu
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 3.ª pessoa do singular: ele, ela
referência exata daquilo que está sendo colocado por 1.ª pessoa do plural: nós
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex- 2.ª pessoa do plural: vós
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de- 3.ª pessoa do plural: eles, elas
mais pronomes têm por função principal apontar para as
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando- Esses pronomes não costumam ser usados como
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude complementos verbais na língua-padrão. Frases como
dessa característica, os pronomes apresentam uma for- “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
ma específica para cada pessoa do discurso. até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? -me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
fala] Frequentemente observamos a omissão do pronome
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem formas verbais marcam, através de suas desinências, as
se fala] pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
boa viagem. (Nós)
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em nú- b) Pronome Oblíquo
mero (singular ou plural). Assim, espera-se que a refe-
rência através do pronome seja coerente em termos de
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
gênero e número (fenômeno da concordância) com o
sentença, exerce a função de complemento verbal
seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no
(objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
enunciado.
jeto indireto)
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da
Observação:
nossa escola neste ano.
O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân-
cia adequada] me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
[neste: pronome que determina “ano” = concordân- diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
cia adequada] marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
cordância inadequada] variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
suem, podendo ser átonos ou tônicos.
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. B.1 Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
Pronomes Pessoais são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.
São aqueles que substituem os substantivos, indican-
do diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou Lista dos pronomes oblíquos átonos
escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os
pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a 1.ª pessoa do singular (eu): me
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer 2.ª pessoa do singular (tu): te
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala. 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun- 1.ª pessoa do plural (nós): nos
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto 2.ª pessoa do plural (vós): vos
ou do caso oblíquo. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes

a) Pronome Reto

Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-


LÍNGUA PORTUGUESA

tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos


flores.
Os pronomes retos apresentam flexão de número,
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
assim configurado:

34
A combinação da preposição “com” e alguns prono-
FIQUE ATENTO! mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi-
Os pronomes o, os, a, as assumem formas go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
especiais depois de certas terminações frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
verbais: de companhia: Ele carregava o documento consigo.
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou
-r, o pronome assume a forma lo, los, la A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
ou las, ao mesmo tempo que a terminação Ela veio até mim, mas nada falou.
verbal é suprimida. Por exemplo: Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
fiz + o = fi-lo inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
fazeis + o = fazei-lo prova, até eu! (= inclusive eu)
dizer + a = dizê-la
2. Quando o verbo termina em som nasal, As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
o pronome assume as formas no, nos, na, por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
nas. Por exemplo: soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
viram + o: viram-no próprios, todos, ambos ou algum numeral.
repõe + os = repõe-nos
retém + a: retém-na Você terá de viajar com nós todos.
tem + as = tem-nas Estávamos com vós outros quando chegaram as más
notícias.
B.2 Pronome Oblíquo Tônico
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedi- Ele disse que iria com nós três.
dos por preposições, em geral as preposições a, para, de
e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a
B.3 Pronome Reflexivo
função de objeto indireto da oração. Possuem acentua-
ção tônica forte.
São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo a ação expressa pelo verbo.
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela Lista dos pronomes reflexivos:
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me lem-
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas bro disso.
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
Observe que as únicas formas próprias do pronome
3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa
(ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do lherme já se preparou.
caso reto.
As preposições essenciais introduzem sempre prono- Ela deu a si um presente.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso Antônio conversou consigo mesmo.
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
forma: 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
com esta conquista.
Não há mais nada entre mim e ti. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim.
#FicaDica
Há construções em que a preposição, apesar de sur-
gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma O pronome é reflexivo quando se refere
oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o ver- à mesma pessoa do pronome subjetivo
bo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro- (sujeito): Eu me arrumei e saí.
nome, deverá ser do caso reto. É pronome recíproco quando indica
LÍNGUA PORTUGUESA

reciprocidade de ação: Nós nos amamos. /


Trouxeram vários vestidos para eu experimentar. Olhamo-nos calados.
Não vá sem eu mandar. O “se” pode ser usado como palavra
expletiva ou partícula de realce, sem ser
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” rigorosamente necessária e sem função
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá-
sintática: Os exploradores riam-se de suas
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil
tentativas. / Será que eles se foram?
para mim!

35
c) Pronomes de Tratamento 5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,
São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri- ao longo do texto, a pessoa do tratamento esco-
monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por- lhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começa-
tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira mos a chamar alguém de “você”, não poderemos
pessoa. Alguns exemplos: usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, ver-
Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques bo na terceira pessoa.
Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e reli- Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
giosos em geral teus cabelos. (errado)
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente supe-
rior à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
professores de curso superior, ministros de Estado e de seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Tribunais, governadores, secretários de Estado, presiden-
te da República (sempre por extenso) ou
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de
universidades Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, ofi-
ciais até a patente de coronel, chefes de seção e Pronomes Possessivos
funcionários de igual categoria
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
de direito (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento (coisa possuída).
cerimonioso
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
singular)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se-
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são em- Número Pessoa Pronome
pregados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”,
Singular Primeira Meu(s), minha(s)
no tratamento familiar. Você e vocês são largamente em-
pregados no português do Brasil; em algumas regiões, a Singular Segunda Teu(s), tua(s)
forma tu é de uso frequente; em outras, pouco emprega- Singular Terceira Seu(s), sua(s)
da. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica,
Plural Primeira Nosso(s), nossa(s)
ultraformal ou literária.
Plural Segunda Vosso(s), vossa(s)
Observações: Plural Terceira Seu(s), sua(s)

1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de Note que:


tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega- A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
dos em relação à pessoa com quem falamos: Es- a que se refere; o gênero e o número concordam com o
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
encontro. naquele momento difícil.
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram Observações:
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli-
ca, agiu com propriedade. 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
3. Os pronomes de tratamento representam uma for- tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo- obrigado, seu José.
cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex- 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
celência, por exemplo, estamos nos endereçando à posse. Podem ter outros empregos, como:
excelência que esse deputado supostamente tem
para poder ocupar o cargo que ocupa. a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
LÍNGUA PORTUGUESA

4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita anos.
com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
possessivos e os pronomes oblíquos empregados lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa.
3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro- o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos. celência trouxe sua mensagem?

36
4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- Este e aquele são empregados quando se quer fazer
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus referência a termos já mencionados; aquele se refere ao
livros e anotações. termo referido em primeiro lugar e este para o referido
5. Em algumas construções, os pronomes pessoais por último:
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos) Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau-
6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró- lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São
prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo, Paulo], aquele [Palmeiras])
para que não ocorra redundância: Coloque tudo
nos respectivos lugares. ou

Pronomes Demonstrativos Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau-


lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São
São utilizados para explicitar a posição de certa pa- Paulo], aquele [Palmeiras])
lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso. Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
a) Em relação ao espaço: Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s),
aquela(s).
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da
pessoa que fala: Invariáveis: isto, isso, aquilo.

Este material é meu. Também aparecem como pronomes demonstrativos:

Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da • o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
pessoa com quem se fala: puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
Esse material em sua carteira é seu? aquilo.

Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)


Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com
indiquei.)
quem se fala:
Aquele material não é nosso.
• mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): variam
Vejam aquele prédio!
em gênero quando têm caráter reforçativo:
b) Em relação ao tempo:
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Eu mesma refiz os exercícios.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em Elas mesmas fizeram isso.
relação à pessoa que fala: Eles próprios cozinharam.
Esta manhã farei a prova do concurso! Os próprios alunos resolveram o problema.
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- • semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
rém relativamente próximo à época em que se situa a • tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
pessoa que fala:
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- (ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
remoto: à mencionada em primeiro lugar.
Naquele tempo, os professores eram valorizados. 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
c) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se fala- 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
rá ou escreverá): em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se que estava vendo. (no = naquilo)
LÍNGUA PORTUGUESA

falará:
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, Pronomes Indefinidos
ortografia, concordância.
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: quantidade indeterminada.
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas
desejamos! recém-plantadas.

37
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pes- São locuções pronominais indefinidas: cada qual,
soa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer
forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal
um ser humano que seguramente existe, mas cuja iden- qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma
tidade é desconhecida ou não se quer revelar. Classifi- ou outra, etc.
cam-se em:
Cada um escolheu o vinho desejado.
a) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
lugar do ser ou da quantidade aproximada de se- Pronomes Relativos
res na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo. São aqueles que representam nomes já mencionados
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
Algo o incomoda? as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
Quem avisa amigo é. um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou-
b) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um tros = oração subordinada adjetiva).
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s), O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sis-
certa(s). tema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que
a palavra “sistema” é antecedente do pronome relativo
Cada povo tem seus costumes. que.
Certas pessoas exercem várias profissões. O antecedente do pronome relativo pode ser o pro-
nome demonstrativo o, a, os, as.
Note que:
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
expresso.
nomes indefinidos adjetivos:
Quem casa, quer casa.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, mui-
Observe:
tos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, ne-
nhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
vários, várias. quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco. Note que:

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- O pronome “que” é o relativo de mais largo empre-
riáveis e invariáveis. Observe: go, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
• Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vá- seu antecedente for um substantivo.
rio, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (=
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, pou- a qual)
cos, vários, tantos, outros, quantos, algumas, ne- Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
nhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, ou- quais)
tras, quantas. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
• Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, as quais)
nada, algo, cada.
O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo que- pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamen-
rer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo te para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde”
plural é feito em seu interior). (que podem ter várias classificações) são pronomes rela-
tivos. Todos eles são usados com referência à pessoa ou
LÍNGUA PORTUGUESA

Todo e toda no singular e junto de artigo significa in- coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas
teiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as: preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de
minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”,
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira) neste caso, geraria ambiguidade. Veja: Regressando de
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades) São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou en-
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro) cantado (quem me deixou encantado: o sítio ou minha
Trabalho todo dia. (= todos os dias) tia?).

38
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utili- ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
za-se o qual / a qual) gente que conversava, (que) ria, observava.
O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas Pronomes Interrogativos
deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com São usados na formulação de perguntas, sejam elas
o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o conse- diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefini-
quente (o ser possuído, com o qual concorda em gêne- dos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo im-
ro e número); não se usa artigo depois deste pronome; preciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e
“cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, das quais. variações), quanto (e variações).

Existem pessoas cujas ações são nobres. Com quem andas?


(antecedente) (consequente) Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.
Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pro-
nome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (re- O pronome pessoal é do caso reto quando tem fun-
feriu-se a) ção de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso
oblíquo quando desempenha função de complemento.
“Quanto” é pronome relativo quando tem por ante-
cedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
tudo: 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
lhe ajudar.
Emprestei tantos quantos foram necessários.
(antecedente) Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao
Ele fez tudo quanto havia falado. caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce
(antecedente) função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discur-
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre so. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
precedido de preposição. para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não
É um professor a quem muito devemos. sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
(preposição)
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui ante- tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
cedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A diferentemente dos segundos, que são sempre precedi-
casa onde morava foi assaltada. dos de preposição.
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou
em que: Sinto saudades da época em que (quando) morá- a) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o
vamos no exterior. que eu estava fazendo.
b) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as mim o que eu estava fazendo.
palavras:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• como (= pelo qual) – desde que precedida das pa-
lavras modo, maneira ou forma: SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Não me parece correto o modo como você agiu sema- CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
na passada. char - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
• quando (= em que) – desde que tenha como ante- AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
cedente um nome que dê ideia de tempo: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
LÍNGUA PORTUGUESA

Bons eram os tempos quando podíamos jogar Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
videogame. Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.
Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
numa só frase. SITE
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste
esporte. Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito. coes/morf/morf42.php>

39
Colocação Pronominal • Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos • Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
pronomes oblíquos átonos na frase. Não era minha intenção machucá-la.
• Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não
se inicia período com pronome oblíquo).
#FicaDica
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a Vou-me embora agora mesmo.
função de complemento verbal (objeto). Por Levanto-me às 6h.
isso, memorize:
OBlíquo = OBjeto! • Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
• Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
Embora na linguagem falada a colocação dos prono- proposta fazendo-se de desentendida.
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
devem ser observadas na linguagem escrita. Colocação pronominal nas locuções verbais

Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. • Após verbo no particípio = pronome depois do
A próclise é usada: verbo auxiliar (e não depois do particípio):

• Quando o verbo estiver precedido de palavras que Tenho me deliciado com a leitura!
atraem o pronome para antes do verbo. São elas: Eu tenho me deliciado com a leitura!
a) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém, Eu me tenho deliciado com a leitura!
jamais, etc.: Não se desespere!
b) Advérbios: Agora se negam a depor. • Não convém usar hífen nos tempos compostos e
c) Conjunções subordinativas: Espero que me expli- nas locuções verbais:
quem tudo!
d) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se Vamos nos unir!
esforçou. Iremos nos manifestar.
e) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a
oportunidade. • Quando há um fator para próclise nos tempos
f) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
• Orações iniciadas por palavras interrogativas: do pronome oblíquo “solto” entre os verbos =
Quem lhe disse isso? Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos
• Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quan- preocupar”).
to se ofendem!
• Orações que exprimem desejo (orações optativas): Emprego de o, a, os, as
Que Deus o ajude.
• A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro- • Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
material amanhã. / Tu sabes cantar?
Chame-o agora.
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do Deixei-a mais tranquila.
verbo. A mesóclise é usada:
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu- • Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos:
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
prol da paz no mundo. (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma • Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece- em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
ria. Veja: Não se realizará... para no, na, nos, nas.
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Chamem-no agora.
LÍNGUA PORTUGUESA

nessa viagem.
(com presença de palavra que justifique o uso de pró- Põe-na sobre a mesa.
clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
nharia nessa viagem).

Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.


A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:

40
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
#FicaDica e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan-
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que tivo comum.
significa “antes”! Pronome antes do verbo!
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
(end, em Inglês – que significa “fim, final!). uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
Pronome depois do verbo! homem, mulher, país, cachorro.
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do Estamos voando para Barcelona.
verbo
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. b) Substantivos Concretos e Abstratos
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser
– São Paulo: Saraiva, 2010. que existe, independentemente de outros seres.

SITE Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo
real e do mundo imaginário.
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/gra-
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
matica/colocacao-pronominal-.html> Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água,
9. SUBSTANTIVO fantasma.

Substantivo é a classe gramatical de palavras variá- B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se-
veis, as quais denominam todos os seres que existem, res que dependem de outros para se manifestarem
sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e ou existirem. Por exemplo: a beleza não existe por
fenômenos, os substantivos também nomeiam: si só, não pode ser observada. Só podemos obser-
var a beleza numa pessoa ou coisa que seja bela.
• lugares: Alemanha, Portugal A beleza depende de outro ser para se manifes-
• sentimentos: amor, saudade tar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo
• estados: alegria, tristeza abstrato.
• qualidades: honestidade, sinceridade
• ações: corrida, pescaria Os substantivos abstratos designam estados, quali-
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem
Morfossintaxe do substantivo ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
(sentimento).
Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
• Substantivos Coletivos
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda, Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
funcionar como núcleo do complemento nominal ou do outra abelha, mais outra abelha.
aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.
adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
penhadas por grupos de palavras. Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne-
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha,
Classificação dos Substantivos mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs-
LÍNGUA PORTUGUESA

a) Substantivos Comuns e Próprios tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto


de seres da mesma espécie (abelhas).
Observe a definição:
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se-
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
res da mesma espécie.
cidade (em oposição aos bairros).

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Substantivo coletivo Conjunto de: rebanho ovelhas
assembleia pessoas reunidas peças teatrais, obras
repertório
alcateia lobos musicais
acervo livros réstia alhos ou cebolas
trechos literários romanceiro poesias narrativas
antologia
selecionados revoada pássaros
arquipélago ilhas sínodo párocos
banda músicos talha lenha
desordeiros ou tropa muares, soldados
bando
malfeitores turma estudantes, trabalhadores
banca examinadores vara porcos
batalhão soldados
cardume peixes Formação dos Substantivos
caravana viajantes peregrinos
a) Substantivos Simples e Compostos
cacho frutas
cancioneiro canções, poesias líricas Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
terra.
colmeia abelhas
O substantivo chuva é formado por um único ele-
concílio bispos mento ou radical. É um substantivo simples.
congresso parlamentares, cientistas
atores de uma peça ou A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um
elenco único elemento.
filme
esquadra navios de guerra Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc.
enxoval roupas Veja agora: O substantivo guarda-chuva é formado por
falange soldados, anjos dois elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é
composto.
fauna animais de uma região
feixe lenha, capim A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por
flora vegetais de uma região dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-
-flor, passatempo.
frota navios mercantes, ônibus
girândola fogos de artifício b) Substantivos Primitivos e Derivados
horda bandidos, invasores
médicos, bois, credores, B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva
junta de nenhuma outra palavra da própria língua por-
examinadores
tuguesa. O substantivo limoeiro, por exemplo, é
júri jurados derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
legião soldados, anjos, demônios B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina de
leva presos, recrutas outra palavra.
malfeitores ou
malta Flexão dos substantivos
desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes, O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá-
matilha cães de raça vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
molho chaves, verduras exemplo, pode sofrer variações para indicar:
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo:
multidão pessoas em geral meninão / Diminutivo: menininho
LÍNGUA PORTUGUESA

insetos (gafanhotos,
nuvem
mosquitos, etc.) a) Flexão de Gênero
penca bananas, chaves
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de-
pinacoteca pinturas, quadros
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito
quadrilha ladrões, bandidos a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram
ramalhete flores a seres animais providos de sexo, quer designem apenas
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.

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Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
Veja estes títulos de filmes:
Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão
- sultana
O velho e o mar
Um Natal inesquecível • Substantivos terminados em -or:
Os reis da praia
acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
• Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
A história sem fim cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta -
Uma cidade sem passado poetisa / duque - duquesa / conde - condessa /
As tartarugas ninjas profeta - profetisa
• Substantivos que formam o feminino trocando o
-e final por -a: elefante - elefanta
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes • Substantivos que têm radicais diferentes no mas-
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen- • Substantivos que formam o feminino de maneira
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho- especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita anteriores: czar – czarina, réu - ré
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
para o feminino. Classificam-se em:
a) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo Epicenos:
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
macho e o jacaré fêmea. Não é possível saber o sexo do jacaré em questão.
b) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste- forma para indicar o masculino e o feminino.
munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o Alguns nomes de animais apresentam uma só for-
indivíduo. ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são
c) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros: in- chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
dicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se
colega e a colega, o doente e a doente, o artista e palavras macho e fêmea.
a artista.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o Sobrecomuns:
sintoma, o teorema.
Entregue as crianças à natureza.
• Existem certos substantivos que, variando de gê-
nero, variam em seu significado: A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso,
o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça nem o artigo nem um possível adjetivo permitem identi-
ficar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
(líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
A criança chorona chamava-se João.
a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca- A criança chorona chamava-se Maria.
beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con- Outros substantivos sobrecomuns:
clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública); a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora). criatura.
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes Marcela faleceu
LÍNGUA PORTUGUESA

Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno Comuns de Dois Gêneros:
- aluna.
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
• Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
ao masculino: freguês - freguesa
• Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma
de três formas: vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme.

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A distinção de gênero pode ser feita através da análi- guia outras), a guia (documento, pena grande das asas
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- das aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva), o
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; caixa (funcionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de aumen-
repórter francês - repórter francesa to), o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes,
ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a
A palavra personagem é usada indistintamente nos fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor),
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (pon-
acentuada preferência pelo masculino: O menino desco- cho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo),
briu nas nuvens os personagens dos contos de carochinha. o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (re-
mador), a voga (moda).
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino:
O problema está nas mulheres de mais idade, que não b) Flexão de Número do Substantivo
aceitam a personagem.
Em português, há dois números gramaticais: o singu-
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
fotográfico Ana Belmonte. que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-
rística do plural é o “s” final.
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o Plural dos Substantivos Simples
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
proclama, o pernoite, o púbis. Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
Exceção: cânon - cânones.
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
São geralmente masculinos os substantivos de ori-
em “ns”: homem - homens.
gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra- Atenção:
coma, o hematoma. O plural de caráter é caracteres.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc. Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais;
Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce- caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males,
ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro cônsul e cônsules.
Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
gre. / Uma Londres imensa e triste. duas maneiras:
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre. 1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
Gênero e Significação
Observação:
Muitos substantivos têm uma significação no mascu- A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma-
lino e outra no feminino. Observe: neiras: répteis ou reptis (pouco usada).
o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os
movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
à frente de um bloco carnavalesco, manejando um bas- duas maneiras:
tão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou
proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do 1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o
corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
(ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), a 2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in-
cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro), a ca-
LÍNGUA PORTUGUESA

variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.


pital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma (ca-
beleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado de três maneiras.
na administração da crisma e de outros sacramentos), a
crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a 1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a es- 2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
tepe (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que 3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos

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Observação: Casos Especiais
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam
dois – e até três – plurais: o louva-a-deus e os louva-a-deus
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos a n c i ã o
– anciões/anciães/anciãos o bem-te-vi e os bem-te-vis
charlatão – charlatões/charlatães corrimão o bem-me-quer e os bem-me-queres
– corrimãos/corrimões o joão-ninguém e os joões-ninguém.
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/
vilões/vilães Plural das Palavras Substantivadas
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
o látex - os látex. classes gramaticais usadas como substantivo, apresen-
tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Plural dos Substantivos Compostos Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
A formação do plural dos substantivos compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
depende da forma como são grafados, do tipo de pa-
lavras que formam o composto e da relação que esta- Observação:
belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen
comportam-se como os substantivos simples: aguar- Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
malmequer/malmequeres. seis e alguns dez.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos
Plural dos Diminutivos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi-
nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
a) Flexionam-se os dois elementos, quando formados
de:
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores animai(s) + zinhos = animaizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e botõe(s) + zinhos = botõezinhos
amores-perfeitos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
gentis-homens farói(s) + zinhos = faroizinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras tren(s) + zinhos = trenzinhos
b) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando colhere(s) + zinhas = colherezinhas
formados de: flore(s) + zinhas = florezinhas
mão(s) + zinhas = mãozinhas
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e papéi(s) + zinhos = papeizinhos
alto-falantes nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e
funi(s) + zinhos = funizinhos
reco-recos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
c) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando pai(s) + zinhos = paizinhos
formados de:
pé(s) + zinhos = pezinhos
substantivo + preposição clara + substantivo = água- pé(s) + zitos = pezitos
-de-colônia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca- Plural dos Nomes Próprios Personativos
valo-vapor e cavalos-vapor
substantivo + substantivo que funciona como deter- Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o sempre que a terminação preste-se à flexão.
Os Napoleões também são derrotados.
LÍNGUA PORTUGUESA

tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,


bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã, As Raquéis e Esteres.
peixe-espada - peixes-espada.
Plural dos Substantivos Estrangeiros
d) Permanecem invariáveis, quando formados de: Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora escritos como na língua original, acrescentando-se “s”
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os (exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os
saca-rolhas shorts, os jazz.

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Substantivos já aportuguesados flexionam-se de 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- nho do ser. Classifica-se em:
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons,
os réquiens. Analítico = o substantivo é acompanhado de um ad-
Observe o exemplo: Este jogador faz gols toda vez que jetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
joga. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.
Plural com Mudança de Timbre 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
nho do ser. Pode ser:
Certos substantivos formam o plural com mudança
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um Analítico = substantivo acompanhado de um adjeti-
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico).
vo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
Singular Plural dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.
Corpo (ô) Corpos (ó)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Esforço Esforços
Fogo Fogos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Forno Fornos Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Fosso Fossos char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
Imposto Impostos – São Paulo: Saraiva, 2010.
Olho Olhos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Osso (ô) Ossos (ó) Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
Ovo Ovos São Paulo: Saraiva, 2002.
Poço Poços
SITE
Porto Portos
Posto Postos Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
coes/morf/morf12.php>
Tijolo Tijolos
10. VERBO
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros,
etc. Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Observação: nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
molho (ó) = feixe (molho de lenha). no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).

Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o Estrutura das Formas Verbais


norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. os seguintes elementos:
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida- a) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
de, bom nome) e honras (homenagem, títulos). ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas -ava; fal-am. (radical fal-)
com sentido de plural: Aqui morreu muito negro. b) Tema: é o radical seguido da vogal temática que
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
improvisadas. exemplo: fala-r. São três as conjugações:
c) Flexão de Grau do Substantivo 1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática
LÍNGUA PORTUGUESA

- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).


Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
as variações de tamanho dos seres. c) Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
Classifica-se em:
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicati-
1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside-
rado normal. Por exemplo: casa vo) / falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)

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d) Desinência número-pessoal: é o elemento que de- Observação:
signa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o nú-
mero (singular ou plural): Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam (in- corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
dica a 3.ª pessoa do plural.) ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
permanece inalterado.
FIQUE ATENTO!
c) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
O verbo pôr, assim como seus derivados jugação completa. Os principais são adequar, pre-
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª caver, computar, reaver, abolir, falir.
conjugação, pois a forma arcaica do verbo d) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e,
pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver normalmente, são usados na terceira pessoa do
desaparecido do infinitivo, revela-se em singular. Os principais verbos impessoais são:
algumas formas do verbo: põe, pões,
põem, etc. 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
zar-se ou fazer (em orações temporais).

Formas Rizotônicas e Arrizotônicas Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =


Existiam)
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen- Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo, Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do 2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
Faz invernos rigorosos na Europa.
Classificação dos Verbos Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.
Classificam-se em:
3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natu-
a) Regulares: são aqueles que apresentam o radical reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, tro-
inalterado durante a conjugação e desinências vejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
idênticas às de todos os verbos regulares da mes- se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver- “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do impessoal, empregado em sentido figurado, dei-
Modo Indicativo: xa de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
Canto Falo
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Cantas Falas
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Canta Falas Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
Cantamos Falamos
4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando
Cantais Falais tempo: Já passa das seis.
5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
#FicaDica “de”, indicando suficiência:

Observe que, retirando os radicais, as Basta de tolices.


desinências modo-temporal e número- Chega de promessas.
pessoal mantiveram-se idênticas. Tente fazer
com outro verbo e perceberá que se repetirá 6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,
o fato (desde que o verbo seja da primeira Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem
conjugação e regular!). Faça com o verbo referência a sujeito expresso anteriormente (por
“andar”, por exemplo. Substitua o radical exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso,
LÍNGUA PORTUGUESA

“cant” e coloque o “and” (radical do verbo classificar o sujeito como hipotético, tornando-se,
andar). Viu? Fácil! tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente


de “ser possível”. Por exemplo:
b) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera-
ções no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei, Não deu para chegar mais cedo.
fizesse. Dá para me arrumar uma apostila?

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e) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:

Teu irmão amadureceu bastante.


O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

• Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):

Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)


Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

• Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.

Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

f) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).

O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Particípio Particípio
Infinitivo
Regular Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
LÍNGUA PORTUGUESA

Suspender Suspendido Suspenso


Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/dito, escre-
ver/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

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g) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).
h) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal
(aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso
numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar todos!


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:

Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

P r e t . Fut. do
Presente Pret. Perfeito Pret. Imp. Fut.do Pres.
mais-que-perf. Pretérito
Sou Fui Era Fora Serei Seria
És Foste Eras Foras Serás Serias
É Foi Era Fora Será Seria
Somos Fomos Éramos Fôramos Seremos Seríamos
Sois Fostes Éreis Fôreis Sereis Seríeis
São Foram Eram Foram Serão Seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo


Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele

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sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres Fut.do Preté
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR Modo Subjuntivo – Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam
LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja

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hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

i) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
• Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a re-
flexibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivos pronomes):

Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem

• Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.

51
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota
penteou-me. b) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjeti-
Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes vo ou advérbio. Por exemplo:
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem
função sintática. Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de
Há verbos que também são acompanhados de pro- advérbio)
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmen- Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)
te pronominais - são os verbos reflexivos. Nos verbos
Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação
reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na
em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Por exemplo: Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me
(objeto direto) – 1.ª pessoa do singular Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundis-
mo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
Modos Verbais
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas futebol.
pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadei- 2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
ro. Existem três modos:
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequa-
a) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu da, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no
estudo para o concurso. momento da outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que
b) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um
futuro em andamento, exigindo, no caso, a construção
Talvez eu estude amanhã.
“verificarei” ou “vou verificar”.
c) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estu-
de, colega! c) Particípio: quando não é empregado na formação
dos tempos compostos, o particípio indica, geral-
Formas Nominais mente, o resultado de uma ação terminada, flexio-
nando-se em gênero, número e grau. Por exemplo:
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- Terminados os exames, os candidatos saíram.
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo,
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas Quando o particípio exprime somente estado, sem
nominais. Observe: nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
função de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida
a) Infinitivo pela turma.

A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de


modo vago e indefinido, podendo ter valor e fun-
ção de substantivo. Por exemplo:

Viver é lutar. (= vida é luta)


É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- Tempos Verbais


te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por
Tomando-se como referência o momento em que se
exemplo:
fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diver-
É preciso ler este livro.
sos tempos.
Era preciso ter lido este livro.
a) Tempos do Modo Indicativo
A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três
pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singu- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
LÍNGUA PORTUGUESA

lar, não apresenta desinências, assumindo a mes- colégio.


ma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
seguinte maneira: num momento anterior ao atual, mas que não foi com-
pletamente terminado: Ele estudava as lições quando foi
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu) interrompido.
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós) Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós) momento anterior ao atual e que foi totalmente termina-
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles) do: Ele estudou as lições ontem à noite.

52
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

b) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
No próximo final de semana, faço a prova!
faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

Modo Indicativo

Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM
LÍNGUA PORTUGUESA

53
Pretérito mais-que-perfeito

3.ª conjugação
1.ª conjugação 2.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

54
Desinên. Pessoal Des. tem
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.poral
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

c) Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo
LÍNGUA PORTUGUESA

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

55
Presente do Imperativo Presente do REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Indicativo Afirmativo Subjuntivo
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Eu canto - Que eu cante Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Tu cantas CantA tu Que tu cantes CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Ele canta Cante você Que ele cante char - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos AMARAL, Emília... [et al.] - Português: novas palavras:
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem
SITE
Imperativo Negativo
Disponível em: http://www.soportugues.com.br/se-
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar coes/morf/morf54.php
a negação às formas do presente do subjuntivo.
Vozes do Verbo
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo
Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta
Que eu cante - a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indi-
Que tu cantes Não cantes tu cando se este é paciente ou agente da ação. Importante
lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal.
Que ele cante Não cante você São três as vozes verbais:
Que nós cantemos Não cantemos nós
a) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
Que vós canteis Não canteis vós
ação expressa pelo verbo:
Que eles cantem Não cantem eles
Ele fez o trabalho.
• No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª sujeito agente ação objeto (paciente)
pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois
uma ordem, pedido ou conselho só se aplicam b) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a
diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa ação expressa pelo verbo:
razão, utiliza-se você/vocês.
• O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: O trabalho foi feito por ele.
sê (tu), sede (vós). sujeito paciente ação agente da passiva
Infinitivo Pessoal
c) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo,
agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR O menino feriu-se.
cantar vender partir
cantarES venderES partirES #FicaDica
cantar vender partir Não confundir o emprego reflexivo do verbo
cantarMOS venderMOS partirMOS com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
cantarDES venderDES partirDES Nós nos amamos. (um ama o outro)
cantarEM venderEM partirEM

• O verbo parecer admite duas construções: Formação da Voz Passiva

Elas parecem gostar de você. (forma uma locução A voz passiva pode ser formada por dois processos:
verbal) analítico e sintético.
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito ora-
LÍNGUA PORTUGUESA

cional, correspondendo à construção: parece gostarem de a) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte
você). maneira:

• O verbo pegar possui dois particípios (regular e Verbo SER + particípio do verbo principal. Por
irregular): exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos:
Elvis tinha pegado minhas apostilas. os alunos pintarão a escola)
Minhas apostilas foram pegas. O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

56
Observações: Os mestres têm constantemente aconselhado os
alunos.
• O agente da passiva geralmente é acompanhado Os alunos têm sido constantemente aconselhados pe-
da preposição por, mas pode ocorrer a construção los mestres.
com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou
cercada de soldados. Eu o acompanharei.
• Pode acontecer de o agente da passiva não estar Ele será acompanhado por mim.
explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
• A variação temporal é indicada pelo verbo auxi- Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
liar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
transformação das frases seguintes: Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo) acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou refle-
O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito per- xiva, porque o sujeito não pode ser visto como agente,
feito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz paciente ou agente paciente.
ativa)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
O trabalho é feito por ele. (ser no presente do
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
indicativo)
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
– São Paulo: Saraiva, 2010.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
• Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-
sume o mesmo tempo e modo do verbo princi- SITE
pal da voz ativa. Observe a transformação da frase
seguinte: Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se-
coes/morf/morf54.php>
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
b) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -
ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª
pessoa, seguido do pronome apassivador “se”. Por 1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO
exemplo: – CESGRANRIO-2018)

Abriram-se as inscrições para o concurso. O ano da esperança


Destruiu-se o velho prédio da escola.
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás
Observação:
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei-
O agente não costuma vir expresso na voz passiva
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a
sintética.
consciência de que era uma doação. A situação foi pio-
rando. Os argumentos também. No início era para pagar
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes.
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so-
substancialmente o sentido da frase. freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia.
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações,
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) remédios. A situação piorando, eu já estava encomen-
Sujeito da Ativa objeto Direto dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico,
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen-
LÍNGUA PORTUGUESA

A apostila foi comprada pelo concurseiro. (Voz te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até
Passiva) que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu
Sujeito da Passiva Agente da Passiva não ajudava mais.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma recei-
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; ta de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nun-
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo ca conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo ter caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o
tempo.

57
emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me Resposta: Letra C
deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde Em “a”: Os jornais noticiaram que alguns países mobi-
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As lizam-se = se mobilizam
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a Em “b”: Para criar leis eficientes no combate aos boa-
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. tos, sempre deve-se = sempre se deve
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos Em “c”: Entre os numerosos usuários da internet, cons-
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- tata-se um sentimento = correta
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça Em “d”: Uma nova lei contra as fake news promulgada
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova na Alemanha não aplica-se = não se aplica
consciência para votar. Como? Num mundo em que as Em “e”: Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites mais eficaz para que adote-se = que se adote
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já 3. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – ARQUI-
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- TETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Se substituíssemos
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso os complementos dos verbos abaixo por pronomes pes-
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. soais oblíquos enclíticos, a única forma INADEQUADA
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da seria:
internet.
Duvidam. Acham que estou mentindo. a) impregna a vida cotidiana / impregna-a;
CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. b) entender os debates / entendê-los;
2017, p.97. Adaptado.
c) ganha destaque / ganha-o;
d) supõe um conhecimento / supõe-lo;
No trecho “perde-se o dinheiro e o amigo”, a colocação
e) marcaram sua história / marcaram-na.
do pronome átono em destaque está de acordo com a
norma-padrão da língua portuguesa. O mesmo ocorre
em: Resposta: Letra D
Em “a”: impregna a vida cotidiana / impregna-a =
a) Não se perde nem o dinheiro nem o amigo. correta
b) Perderia-se o dinheiro e o amigo. Em “b”: entender os debates / entendê-los = correta
c) O dinheiro e o amigo tinham perdido-se. Em “c”: ganha destaque / ganha-o = correta
d) Se perdeu o dinheiro, mas não o amigo. Em “d”: supõe um conhecimento / supõe-lo =
e) Se o amigo que perdeu-se voltasse, ficaria feliz. supõe-no
Em “e”: marcaram sua história / marcaram-na = correta
Resposta: Letra A
Em “a”: Não se perde = correta (advérbio atrai o pro- 4. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
nome = próclise) VUNESP-2014) Considerando-se o uso do pronome e
Em “b”: Perderia-se = verbo no futuro do pretérito: a colocação pronominal, a expressão em destaque no
perder-se-ia (mesóclise) trecho – ... que cercam o sentido da existência huma-
Em “c”: O dinheiro e o amigo tinham perdido-se = ti- na... – está corretamente substituída pelo pronome, de
nham se perdido acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na
Em “d”: Se perdeu = não se inicia período com prono- alternativa:
me oblíquo/partícula apassivadora (Perdeu-se)
Em “e”: Se o amigo que perdeu-se = o “que” atrai o a) ... que cercam-lo...
pronome (próclise): que se perdeu b) ... que cercam-no...
c) ... que o cercam...
2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES- d) ... que lhe cercam...
GRANRIO-2018) Segundo as exigências da norma-pa- e) ... que cercam-lhe...
drão da língua portuguesa, o pronome destacado foi
utilizado na posição correta em: Resposta: Letra C
Correções à frente:
a) Os jornais noticiaram que alguns países mobilizam-se Em “a”: que cercam-lo = o “que” atrai o pronome (que
para combater a disseminação de notícias falsas nas o cercam)
redes sociais. Em “b”: que cercam-no = que o cercam (“no” está cor-
b) Para criar leis eficientes no combate aos boatos, sem- reta – caso não tivéssemos o “que”, pois, devido a sua
pre deve-se ter em mente que o problema de divulga- presença, teremos próclise, não ênclise)
ção de notícias falsas é grave e muito atual. Em “c”: que o cercam = correta
c) Entre os numerosos usuários da internet, constata-se Em “d”: que lhe cercam = a posição está correta, mas
LÍNGUA PORTUGUESA

um sentimento generalizado de reprovação à prática o pronome está errado (“lhe” é para objeto indireto =
de divulgação de inverdades. a ele/ela)
d) Uma nova lei contra as fake news promulgada na Ale- Em “e”: que cercam-lhe = que o cercam
manha não aplica-se aos sites e redes sociais com me-
nos de 2 milhões de membros. 5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014)
e) Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo mais Considerando apenas as regras de regência e de coloca-
eficaz para que adote-se a conduta correta em relação ção pronominal da norma-padrão da língua portuguesa,
à reputação das celebridades.

58
a expressão destacada em – Ainda assim, 60% afirmam O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
que raramente ou nunca têm informações sobre o im- frase acima está em:
pacto ambiental do produto ou do comportamento da
empresa. – pode ser corretamente substituída por a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no
a) ... nunca informam-se sob o impacto... espaço...
b) ... nunca se informam o impacto... c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
c) ... nunca informam-se ao impacto... Charles Baudelaire.
d) ... nunca se informam do impacto... d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
e) ... nunca informam-se no impacto... ros na literatura...
e) ... para depois casá-las...
Resposta: Letra D
Por eliminação: o advérbio “nunca” atrai o pronome, Resposta: Letra A
teremos próclise (nunca se). Ficamos com B e D. Agora “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do Indicati-
vamos ao verbo: quem se informa, informa-se sobre vo. Procuremos nos itens:
algo = precisa de preposição. A alternativa que tem Em “a”, Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
preposição presente é a D (do = de+o). Teremos: nun- Em “b”, Porque não seria = futuro do pretérito do
ca se informam do impacto. Indicativo
Em “c”, Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
6. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL – to do Indicativo
VUNESP-2013) Considerando a substituição da expres- Em “d”, Quase meio século separa = presente do
são em destaque por um pronome e as normas da co- Indicativo
locação pronominal, a oração – … que abrem a cabeça Em “e”, para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
… – equivale, na norma-padrão da língua, a: elas)

a) que abrem-a. 9. (TRT 20.ª REGIÃO-SE - TÉCNICO JUDICIÁRIO


b) que abrem-na. – FCC-2016)
c) que a abrem. Precisamos de um treinador que nos ajude a comer...
d) que lhe abrem. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
e) que abrem-lhe. sublinhado acima está também sublinhado em:

Resposta: Letra C a) ... assim que conseguissem se virar sem as mães ou as


Primeiramente: o “que” atrai o pronome oblíquo, en- amas...
tão teremos que + pronome. Resta-nos identificar se b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
o pronome é objeto direto (a) ou indireto (lhe). Vol- c) ... país que transformou a infância numa bilionária in-
temos ao verbo: abrir. Quem abre, abre algo... abre o dústria de consumo...
quê? Sem preposição! Portanto: objeto direto = que d) E, mesmo que se esforcem muito...
a abrem. e) Hoje há algo novo nesse cenário.

7. (TST - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA APOIO ESPE- Resposta: Letra D


CIALIZADO - ESPECIALIDADE MEDICINA DO TRABA- que nos ajude = presente do Subjuntivo
LHO – FCC/2012) Aos poucos, contudo, fui chegando à Em “a”, que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
constatação de que todo perfil de rede social é um retrato Em “b”, que proliferaram = pretérito perfeito (e tam-
ideal de nós mesmos. bém mais-que-perfeito) do Indicativo
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al- Em “c”, que transformou = pretérito perfeito do
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser Indicativo
substituído por: Em “d”, que se esforcem = presente do Subjuntivo
Em “e”, há algo novo nesse cenário = presente do
a) ademais. Indicativo
b) conquanto.
c) porquanto. 10. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - Técnico Judiciário – FCC-
d) entretanto. 2016) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
e) apesar. com a norma culta na seguinte frase:

Resposta: Letra D a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento


Contudo é uma conjunção adversativa (expressa opo- não poderia receber qualquer tipo de retificação.
LÍNGUA PORTUGUESA

sição). A substituição deve utilizar outra de mesma b) Os documentos com assinatura digital disporam de
classificação, para que se mantenha a ideia do perío- algoritmos de criptografia que os protegeram.
do. A correta é entretanto. c) Arquivados eletronicamente, os documentos pode-
ram contar com a proteção de uma assinatura digital.
8. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - ANALISTA JUDICIÁRIO - d) Quem se propor a alterar um documento criptografa-
ÁREA ADMINISTRATIVA- FCC-2016) do deve saber que comprometerá sua integridade.
... para quem Manoel de Barros era comparável a São e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
Francisco de Assis... comprometer a integridade dos documentos.

59
Resposta: Letra E Resposta: Letra E
Em “a”, Para que se mantesse (mantivesse) sua auten- Em “a”, Existe grande confusão = substantivo
ticidade, o documento não poderia receber qualquer Em “b”, o médico ou alguém causa ativamente a mor-
tipo de retificação. te = pronome
Em “b”, Os documentos com assinatura digital dispo- Em “c”, prolonga o processo de morrer procurando
ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os distanciar a morte = substantivo
protegeram. Em “d”, Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “c”, Arquivados eletronicamente, os documentos Em “e”, E como seria a verdadeira boa morte? =
poderam (puderam) contar com a proteção de uma adjetivo
assinatura digital.
Em “d”, Quem se propor (propuser) a alterar um docu- 13. (PROCESSO SELETIVO INTERNO DA SECRETARIA
mento criptografado deve saber que comprometerá DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO-PE
sua integridade. – SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR - FM-2010)
Em “e”, Não é possível fazer as alterações que convie-
rem sem comprometer a integridade dos documentos
= correta

11. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO -


SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) Considere
as seguintes frases:
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos


empregados nessas frases está em destaque em:

a) ... o acesso rápido e a quantidade de textos fazem com


que o cérebro humano não considere útil gravar esses
dados...
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-
Disponível em: http://www.acharge.com.br/index.htm
-número de informações.
(acesso: 03/03/2010)
c) ... após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele... A palavra “oposição”, da charge, é classificada morfolo-
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em gicamente como:
que morou quando era criança?
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- a) Substantivo concreto.
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky... b) Substantivo abstrato.
c) Substantivo coletivo.
Resposta: Letra D d) Substantivo próprio.
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperati- e) Adjetivo.
vo (expressam ordem). Vamos aos itens:
Em “a”, ... o acesso rápido e a quantidade de textos Resposta: Letra B
fazem = presente do Indicativo O termo “oposição” é classificado – morfologicamente
Em “b”, Na internet, basta um clique = presente do – como substantivo abstrato, pois não existe por si só
Indicativo – depende de outro ser para “se concretizar”.
Em “c”, ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
= presente do Indicativo
Em “d”, Pense rápido: = Imperativo RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE
Em “e”, É o que mostra também uma pesquisa = pre- ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.
sente do Indicativo RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE
ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO
12. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL
– VUNESP-2014) Assinale a alternativa em que a pala-
vra em destaque na frase pertence à classe dos adjetivos FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
(palavra que qualifica um substantivo). SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
LÍNGUA PORTUGUESA

TERMOS DA ORAÇÃO
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
eutanásia...
b) ... o médico ou alguém causa ativamente a morte... Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
a morte. dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga-
d) Ela é proibida por lei no Brasil,... toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove-
e) E como seria a verdadeira boa morte? jou muito ontem à noite.

60
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em O candidato está preparado.
verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi- Os candidatos estão preparados.
nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida-
partir de seu sentido global: to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno-
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo,
a) frases interrogativas = o emissor da mensagem estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo
formula uma pergunta: Que dia é hoje? no singular: candidato = está).
b) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou A função do sujeito é basicamente desempenhada
faz um pedido: Dê-me uma luz! por substantivos, o que a torna uma função substantiva
c) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es- da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais-
tado afetivo: Que dia abençoado! quer outras palavras substantivadas (derivação impró-
d) frases declarativas = o emissor constata um fato: A pria) também podem exercer a função de sujeito.
prova será amanhã. Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo,
substantivo)
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem-
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: plo: substantivo)
sujeito e predicado.
O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver- Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a do sujeito.
parte da frase que contém “a informação nova para o ou-
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema, Um sujeito é determinado quando é facilmente
constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. identificado pela concordância verbal. O sujeito determi-
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que nado pode ser simples ou composto.
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo A indeterminação do sujeito ocorre quando não é
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo possível identificar claramente a que se refere a concor-
estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica- interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração.
do são os que indicam estado, conhecidos como verbos
de ligação): Estão gritando seu nome lá fora.
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação Trabalha-se demais neste lugar.
(predicado verbal)
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú- O sujeito simples é o sujeito determinado que apre-
cleo é “fácil” (predicado nominal) senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai-
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
tido completo. O período pode ser simples ou composto. Nós estudaremso juntos.
A humanidade é frágil.
Período simples é aquele constituído por apenas Ninguém se move.
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
Chove. O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
A existência é frágil. derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. As crianças precisam de alimentos saudáveis.

Período composto é aquele constituído por duas ou O sujeito composto é o sujeito determinado que
mais orações: apresenta mais de um núcleo.
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais. Alimentos e roupas custam caro.
Ela e eu sabemos o conteúdo.
Termos da Oração O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.
LÍNGUA PORTUGUESA

Termos essenciais Além desses dois sujeitos determinados, é comum a


referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
O sujeito e o predicado são considerados termos “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo
essenciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
para a formação das orações. No entanto, existem ora- pela desinência verbal ou pelo contexto.
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que
define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o ter- Abolimos todas as regras. = (nós)
mo que estabelece concordância com o verbo. Falaste o recado à sala? = (tu)

61
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri- Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se- informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
pronomes não estejam explícitos. um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci- é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com ex-
to na desinência verbal “-mos” ceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo o que
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de- difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
sinência verbal “-ais”
Chove muito nesta época do ano.
Mas: Houve problemas na reunião.
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi-
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - objeto direto.
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso As questões estavam fáceis!
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Sujeito simples = as questões
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi- Predicado = estavam fáceis
nado de duas maneiras:
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
a) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o Sujeito = uma ideia estranha
sujeito não tenha sido identificado anteriormente: Predicado = passou-me pelo pensamento

Bateram à porta; Para o estudo do predicado, é necessário verificar


Andam espalhando boatos a respeito da queda do se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
ministro. nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con-
siderar também se as palavras que formam o predicado
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da
ou composto: oração.
Os meninos bateram à porta. (simples) Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) de opinião.

b) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres- Predicado


cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi-
ca dos verbos que não apresentam complemento O predicado acima apresenta apenas uma palavra
direto: que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
ligam direta ou indiretamente ao verbo.
Precisa-se de mentes criativas.
Vivia-se bem naqueles tempos. A cidade está deserta.
Trata-se de casos delicados.
Sempre se está sujeito a erros. O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como
O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
de indeterminação do sujeito. sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta =
predicativo do sujeito).
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
mensagem está centrada no processo verbal. Os princi- significativo um verbo:
pais casos de orações sem sujeito com:
Chove muito nesta época do ano.
• os verbos que indicam fenômenos da natureza: Estudei muito hoje!
Compraste a apostila?
Amanheceu.
Está trovejando. Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
• os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam processos.
LÍNGUA PORTUGUESA

fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao


tempo em geral: O predicado nominal é aquele que tem como nú-
cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade
Está tarde. ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo
Já são dez horas. do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
Faz frio nesta época do ano. tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
Há muitos concursos com inscrições abertas. ligação).

62
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, O objeto indireto é o complemento que se liga indi-
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre- retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado Gosto de música popular brasileira.
do sujeito: Os dados parecem corretos. Necessito de ajuda.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar,
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como Objeto Pleonástico
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
relacionadas.
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por Normalmente, as frases em que ocorrem objetos
um adjetivo ou substantivo. pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida,
O predicado verbo-nominal é aquele que apresen- ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe-
ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No tição que se dá o nome de objeto pleonástico.
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto). “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal-
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig- ves Dias)
nificativo, indicando processos. É também sempre por
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com objeto pleonástico
o termo a que se refere.

O dia amanheceu ensolarado;


As mulheres julgam os homens inconstantes. Ao traidor, nada lhe devemos.

No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta O termo que integra o sentido de um nome chama-se
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de complemento nominal, que se liga ao nome que com-
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: pleta por intermédio de preposição:
um verbal e outro nominal. A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala-
vra “necessária”
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o
complemento homens com o predicativo “inconstantes”.
Termos acessórios da oração e vocativo
Termos integrantes da oração
Os termos acessórios recebem este nome por serem
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad-
complemento nominal são chamados termos integrantes junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca-
da oração. tivo – este, sem relação sintática com outros temos da
Os complementos verbais integram o sentido dos oração.
verbos transitivos, com eles formando unidades signifi-
cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com- O adjunto adverbial é o termo da oração que indi-
plementos diretamente, sem a presença de preposição, ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
ou indiretamente, por intermédio de preposição. sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
O objeto direto é o complemento que se liga direta-
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
mente ao verbo.
Houve muita confusão na partida final. a pé àquela velha praça.
Queremos sua ajuda.
O adjunto adnominal é o termo acessório que de-
O objeto direto preposicionado ocorre termina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun-
principalmente: ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração.
a) com nomes próprios de pessoas ou nomes co- Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os
muns referentes a pessoas: numerais e os pronomes adjetivos.
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais. amigo de infância.
(o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
LÍNGUA PORTUGUESA

na-se: objeto direto preposicionado)


O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs-
b) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o
de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um
cansar a Vossa Senhoria. verbo.
c) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a cri-
se. (sem preposição, o sentido seria outro: O povo O poeta português deixou uma obra originalíssima.
prejudica a crise) O poeta deixou-a.

63
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: Duas orações são coordenadas quando estão juntas
adjunto adnominal) em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
O poeta português deixou uma obra inacabada. ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
O poeta deixou-a inacabada. Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(Período Composto)
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
do objeto) Podemos dizer:

Enquanto o complemento nominal se relaciona a um 1. Estou comprando um protetor solar.


substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se 2. Irei à praia.
relaciona apenas ao substantivo.
Separando as duas, vemos que elas são independen-
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, tes. Tal período é classificado como Período Composto
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um por Coordenação.
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se- Quanto à classificação das orações coordenadas, te-
gunda-feira, passei o dia mal-humorado. mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
Sindéticas.
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
a) Coordenadas Assindéticas
termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
gunda-feira passei o dia mal-humorado.
São orações coordenadas entre si e que não são li-
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
gadas através de nenhum conectivo. Estão apenas
valor na oração, em: justapostas.
a) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma- Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação
com o mundo. b) Coordenadas Sindéticas
b) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
coisas: amor, arte, ação. Ao contrário da anterior, são orações coordenadas
c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so- entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
nho, tudo forma o carnaval. coordenativa, que dará à oração uma classificação. As
d) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, orações coordenadas sindéticas são classificadas em cin-
fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida. co tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas.
O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan- • Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs- principais conjunções são: e, nem, não só... mas
tantivadas esse papel na linguagem. também, não só... como, assim... como.

João, venha comigo! Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
Traga-me doces, minha menina! Comprei o protetor solar e fui à praia.

Períodos Compostos • Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:


suas principais conjunções são: mas, contudo, to-
Período Composto por Coordenação davia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim,
senão.
O período composto se caracteriza por possuir mais
de uma oração em sua composição. Sendo assim: Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma Li tudo, porém não entendi!
oração)
Estou comprando um protetor solar, depois irei à • Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...
quer; seja...seja.
LÍNGUA PORTUGUESA

orações)
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações).
• Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
principais conjunções são: logo, portanto, por fim,
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer por conseguinte, consequentemente, pois (pos-
entre as orações de um período composto: uma relação posto ao verbo).
de coordenação ou uma relação de subordinação.

64
Passei no concurso, portanto comemorarei! O garoto perguntou qual seu nome.
A situação é delicada; devemos, pois, agir. Oração Subordinada Substantiva

• Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas Não sabemos quando ele virá.
principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, Oração Subordinada Substantiva
na verdade, pois (anteposto ao verbo).
Classificação das Orações Subordinadas Substantivas
Não fui à praia, pois queria descansar durante o
Domingo. Conforme a função que exerce no período, a oração
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. subordinada substantiva pode ser:

1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do


Período Composto Por Subordinação
verbo da oração principal:
Quero que você seja aprovado! É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Oração principal oração subordinada Sujeito

Observe que na oração subordinada temos o verbo
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singu- É fundamental que você compareça à reunião.
lar do presente do subjuntivo, além de ser introduzida Oração Principal Oração Subordinada Substan-
por conjunção. As orações subordinadas que apresentam tiva Subjetiva
verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo
do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas
por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou FIQUE ATENTO!
explícitas. Observe que a oração subordinada
substantiva pode ser substituída pelo
Podemos modificar o período acima. Veja: pronome “isso”. Assim, temos um período
simples:
Quero ser aprovado. É fundamental isso ou Isso é
Oração Principal Oração Subordinada fundamental.

A análise das orações continua sendo a mesma: “Que- Desta forma, a oração correspondente a
ro” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração “isso” exercerá a função de sujeito.
subordinada “ser aprovado”. Observe que a oração su-
bordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na ora-
disso, a conjunção “que”, conectivo que unia as duas ora-
ção principal:
ções, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo
surge numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou • Verbos de ligação + predicativo, em construções
particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implí- do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É cer-
citas (como no exemplo acima). to - Parece certo - É claro - Está evidente - Está
comprovado
Observação:
É bom que você compareça à minha festa.
As orações reduzidas não são introduzidas por con-
junções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual- • Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-
mente, introduzidas por preposição. -se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi
anunciado, Ficou provado.
a) Orações Subordinadas Substantivas
A oração subordinada substantiva tem valor de subs- Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção in-
tegrante (que, se). • Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar
- importar - ocorrer - acontecer
Não sei se sairemos hoje.
Oração Subordinada Substantiva Convém que não se atrase na entrevista.
LÍNGUA PORTUGUESA

Temos medo de que não sejamos aprovados. Observação:


Oração Subordinada Substantiva Quando a oração subordinada substantiva é subjeti-
va, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa
do singular.
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) tam-
bém introduzem as orações subordinadas substantivas,
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto
bem como os advérbios interrogativos (por que, quando, do verbo da oração principal:
onde, como).

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Todos querem sua aprovação no concurso. 5. Predicativa = exerce papel de predicativo do su-
Objeto Direto jeito do verbo da oração principal e vem sempre
depois do verbo ser.
Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem
isso) Nosso desejo era sua desistência.
Oração Principal Oração Subordinada Substan- Predicativo do Sujeito
tiva Objetiva Direta
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso de-
As orações subordinadas substantivas objetivas dire- sejo era isso)
tas (desenvolvidas) são iniciadas por: Oração Subordinada Substantiva Predicativa

• Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e 6. Apositiva = exerce função de aposto de algum
“se”: A professora verificou se os alunos estavam termo da oração principal.
presentes.
• Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
vezes regidos de preposição), nas interrogações Aposto
indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono
do carro importado. Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
• Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às Oração subordinada substantiva apositiva reduzida
vezes regidos de preposição), nas interrogações de infinitivo
indiretas: Eu não sei por que ela fez isso.
(Fernanda tinha um grande sonho: isso)
3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto
do verbo da oração principal. Vem precedida de Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )
preposição.
b) Orações Subordinadas Adjetivas
Meu pai insiste em meu estudo.
Objeto Indireto Uma oração subordinada adjetiva é aquela que pos-
sui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equiva-
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste le. As orações vêm introduzidas por pronome relativo e
nisso) exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva
Indireta Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)
Observação:
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adje-
tivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
outra construção, a qual exerce exatamente o mesmo
oração.
papel:
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Indireta
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
4. Completiva Nominal = completa um nome que
Perceba que a conexão entre a oração subordinada
pertence à oração principal e também vem marca-
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é
da por preposição.
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempe-
Sentimos orgulho de seu comportamento. nha uma função sintática na oração subordinada: ocupa
Complemento Nominal o papel que seria exercido pelo termo que o antecede
(no caso, “redação” é sujeito, então o “que” também fun-
Sentimos orgulho de que você se comportou. (= ciona como sujeito).
Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva Completiva
Nominal FIQUE ATENTO!
LÍNGUA PORTUGUESA

As orações subordinadas substantivas objetivas in- Vale lembrar um recurso didático para
diretas integram o sentido de um verbo, enquanto que reconhecer o pronome relativo “que”: ele
orações subordinadas substantivas completivas nominais sempre pode ser substituído por: o qual -
integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da a qual - os quais - as quais
outra, é necessário levar em conta o termo complemen- Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta
tado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o com- oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno
plemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o o qual estuda.
segundo, um nome.

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Forma das Orações Subordinadas Adjetivas pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicati-
Quando são introduzidas por um pronome relativo e vas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvol- c) Orações Subordinadas Adverbiais
vidas. Além delas, existem as orações subordinadas ad-
jetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome Uma oração subordinada adverbial é aquela que
relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apre- exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
sentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo, ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem-
gerúndio ou particípio). po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro-
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se
de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que
No primeiro período, há uma oração subordinada ad- a introduz (assim como acontece com as coordenadas
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome sindéticas).
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração su- Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
bordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há prono- Oração Subordinada Adverbial
me relativo e seu verbo está no infinitivo.
A oração em destaque agrega uma circunstância de
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada
adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos
Na relação que estabelecem com o termo que carac- acessórios que indicam uma circunstância referente, via
terizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adver-
de duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem bial depende da exata compreensão da circunstância que
ou especificam o sentido do termo a que se referem, in- exprime.
dividualizando-o. Nestas orações não há marcação de
pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restriti- Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
vas. Existem também orações que realçam um detalhe ou minha vida.
amplificam dados sobre o antecedente, que já se encon- Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de
tra suficientemente definido. Estas orações denominam- minha vida.
-se subordinadas adjetivas explicativas.
No primeiro período, “naquele momento” é um ad-
Exemplo 1: junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração
passava naquele momento. subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol-
vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina-
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo
indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria
No período acima, observe que a oração em desta- possível reduzi-la, obtendo-se:
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho-
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos nha vida.
os homens, mas sim àquele que estava passando naque-
le momento. A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
Exemplo 2: é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
O homem, que se considera racional, muitas vezes
age animalescamente. Observação:

Oração Subordinada Adjetiva Explicativa A classificação das orações subordinadas adverbiais


Agora, a oração em destaque não tem sentido restri- é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun-
LÍNGUA PORTUGUESA

tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con- oração.
ceito de “homem”.
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
Saiba que:
A oração subordinada adjetiva explicativa é separa- a) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
da da oração principal por uma pausa que, na escrita, àquilo que provoca um determinado fato, ao moti-
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a vo do que se declara na oração principal. Principal

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conjunção subordinativa causal: porque. Outras Só irei se ele for.
conjunções e locuções causais: como (sempre in-
troduzido na oração anteposta à oração principal), A oração acima expressa uma condição: o fato de
pois, pois que, já que, uma vez que, visto que. “eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.

As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito Compare agora com:
forte. Irei mesmo que ele não vá.
Já que você não vai, eu também não vou.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon- A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre- concessiva.
senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à
qual ela se subordina. Repare: Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.
1. Faltei à aula porque estava doente. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em-
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. bora não estudasse). (reduzida de infinitivo)

Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) e) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais


que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de comparativas estabelecem uma comparação com
estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a a ação indicada pelo verbo da oração principal.
oração sublinhada relata um fato que aconteceu depois, Principal conjunção subordinativa comparativa:
já que primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram como.
vermelhos.
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
b) Consecutiva = exprime um fato que é consequên- Você age como criança. (age como uma criança age)
cia, é efeito do que se declara na oração principal.
• geralmente há omissão do verbo.
São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
f) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que.
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
para a execução do que se declara na oração prin-
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma-
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
tiva: conforme. Outras conjunções conformativas:
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
como, consoante e segundo (todas com o mesmo
concretizando-os. valor de conforme).
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu-
zida de Infinitivo) Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
c) Condicional = Condição é aquilo que se impõe direitos iguais.
como necessário para a realização ou não de um
fato. As orações subordinadas adverbiais condicio- g) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que se declara na oração principal. Principal conjunção
se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso subordinativa final: a fim de. Outras conjunções fi-
na oração principal. nais: que, porque (= para que) e a locução conjun-
tiva para que.
Principal conjunção subordinativa condicional: se.
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, h) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
certamente o melhor time será campeão. seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
Caso você saia, convide-me. principal. Principal locução conjuntiva subordina-
tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-
d) Concessiva = indica concessão às ações do verbo ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
da oração principal, isto é, admitem uma contra- passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
LÍNGUA PORTUGUESA

dição ou um fato inesperado. A ideia de conces- (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
são está diretamente ligada ao contraste, à quebra (maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
de expectativa. Principal conjunção subordinativa (mais), quanto mais...(menos), quanto menos...
concessiva: embora. Utiliza-se também a conjun- (mais), quanto menos...(menos).
ção: conquanto e as locuções ainda que, ainda
quando, mesmo que, se bem que, posto que, ape- À proporção que estudávamos mais questões
sar de que. acertávamos.

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À medida que lia mais culto ficava. c) que relembremos este dia;
d) que relembrássemos este dia;
i) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato e) uma nova lembrança deste dia.
expresso na oração principal, podendo exprimir
noções de simultaneidade, anterioridade ou poste- Resposta: Letra C
rioridade. Principal conjunção subordinativa tem- Em “c”: que relembremos este dia;
poral: quando. Outras conjunções subordinativas Em “d”: que relembrássemos este dia;
temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas: Em uma oração desenvolvida há a presença de con-
assim que, logo que, todas as vezes que, antes que, junção. Ambos os itens têm, mas temos que fazer a
depois que, sempre que, desde que, etc. correlação verbal com o período da oração reduzida
(o verbo nos dá uma hipótese – talvez seja bom relem-
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. brar). Portanto, a forma correta é: Talvez um dia seja
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter- bom que relembremos este dia.
minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LEGIS-
Orações Reduzidas
LATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Ou seja, foi usada
para criar uma desigualdade social...”; se modificarmos a
As orações subordinadas podem vir expressas como
oração reduzida de infinitivo por uma oração desenvolvi-
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conec- da, a forma adequada seria:
tivo subordinativo que as introduza.
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo a) para a criação de uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre- b) para que se criasse uma desigualdade social;
sença do conectivo) c) para que se crie uma desigualdade social;
d) para a criatividade de uma desigualdade social;
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam e) para criarem uma desigualdade social.
“desenvolvidas” – como no exemplo acima.
É preciso estudar = oração subordinada substantiva Resposta: Letra B
subjetiva reduzida de infinitivo Em “b”: para que se criasse uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração subordinada subs- Em “c”: para que se crie uma desigualdade social;
tantiva subjetiva Desenvolvida = tem conjunção. Ambas têm. A dife-
rença é o tempo verbal. A ação aconteceu (foi usada
Orações Intercaladas para criar): Ou seja, foi usada para que se criasse uma
desigualdade social.
São orações independentes encaixadas na sequên-
cia do período, utilizadas para um esclarecimento, um 3. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou – FGV-2017) Uma manchete do Estado de São Paulo,
travessões. 10/04/2017, dizia o seguinte: “Atentados contra cristãos
Nós – continuava o relator – já abordamos este matam 44 no Egito e país decreta emergência”. As duas
assunto. orações desse período mantêm entre si a seguinte rela-
ção lógica:
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
a) causa e consequência;
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa b) informação e comprovação;
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. c) fato e exemplificação;
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, d) afirmação e explicação;
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira e) tese e argumentação.
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Letra A
Atentados contra cristãos matam 44 no Egito e país de-
SITE
creta emergência = devido aos atentados (causa), o
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ país decretou emergência (consequência).
aulas/portugues/frase-periodo-e-oracao>
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATI-
VO – FGV-2017) “Com as novas medidas para evitar a
abstenção, o governo espera uma economia vultosa no
EXERCÍCIOS COMENTADOS Enem”. A oração reduzida “para evitar a abstenção” pode
LÍNGUA PORTUGUESA

ser adequadamente substituída pela seguinte oração


1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) desenvolvida:
“Talvez um dia seja bom relembrar este dia”. (Virgílio) A
forma de oração desenvolvida adequada corresponden- a) para que se evitasse a abstenção;
te à oração sublinhada acima é: b) a fim de que a abstenção fosse evitada;
c) para que se evite a abstenção;
a) relembrarmos este dia; d) a fim de evitar-se a abstenção;
b) a relembrança deste dia; e) evitando-se a abstenção.

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Resposta: Letra C c) exerce função de aposto e não pode ser excluída da
Em “a”: para que se evitasse a abstenção; oração por tratar-se de um termo essencial.
Em “b”: a fim de que a abstenção fosse evitada; d) exerce função de adjunto adnominal, portanto é um
Em “c”: para que se evite a abstenção; termo acessório.
Desenvolvida tem conjunção. O período traz “para evi- e) exerce função de adjunto adverbial, portanto é um
tar a abstenção” = hipótese. A forma correta é: “com as termo acessório.
novas medidas para que se evite a abstenção”.
Resposta: Letra B
5. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – A expressão destacada exerce a função de aposto –
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) Assinale a opção em que uma informação a mais sobre o termo citado anterior-
o termo sublinhado funciona como sujeito. mente (no caso, Minas Gerais). É um termo acessório,
podendo ser retirado do período sem prejudicar a
a) “Em um regime de liberdades, há sempre o risco de coerência.
excessos”.
b) “Sempre há, também, o oportunismo político-ideoló- 8. (TRF-1.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – INFOR-
gico para se aproveitar da crise”. MÁTICA – FCC-2014)
c) “Não faltam, também, os arautos do quanto pior, me- Em 1980, um gigabyte de dados armazenados ocupava
lhor, ...”. uma sala...
d) “A greve atravessou vários sinais ao estrangular as O verbo que exige complemento tal como o sublinhado
vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo acima está em:
funcionando”.
e) “Numa democracia, é livre a expressão”. a) A capacidade de computação duplicou a cada 18 me-
ses nos últimos 20 anos ...
Resposta: Letra C b) ... que deriva da informação.
Em “a”: há sempre o risco de excessos = objeto direto c) ... que reduz as barreiras ao acesso.
Em “b”: “Sempre há, também, o oportunismo político- d) ... do que era nos anos 70.
-ideológico = objeto direto e) ... atualmente, 200 gigabytes cabem no bolso de uma
Em “c”: “Não faltam, também, os arautos do quanto camisa.
pior, melhor = sujeito
Em “d”: que mantêm o sistema produtivo funcionando Resposta: Letra C
= objeto direto “Ocupava uma sala” = transitivo direto
Em “e”: é livre a expressão = predicativo do sujeito Em “a”: A capacidade de computação duplicou = ver-
bo intransitivo
6. (TJ-PE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FUNÇÃO JUDI- Em “b”: que deriva da informação = transitivo indireto
CIÁRIA – IBFC-2017 - ADAPTADA) “A resposta que lhe Em “c”: que reduz as barreiras = transitivo direto
daria seria: ‘Essa estória não aconteceu nunca para que Em “d”: do que era nos anos 70 = verbo de ligação
aconteça sempre... ’” O pronome destacado cumpre papel Em “e”: atualmente, 200 gigabytes cabem = verbo
coesivo, mas também sintático na oração. Assim, sintati- intransitivo
camente, ele deve ser classificado como:
9. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) “Tenho
a) adjunto adnominal. comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da
b) objeto direto. internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação
c) complemento nominal. específica que coíba não somente os usos mas os abusos
d) objeto indireto. deste importante e eficaz veículo de comunicação”. Sobre
e) predicativo. as ocorrências do vocábulo que, nesse segmento do tex-
to, é correto afirmar que:
Resposta: Letra D
O verbo “dar” é bitransitivo (transitivo direto e indire- a) são pronomes relativos com o mesmo antecedente;
to): Quem dá, dá algo (direto) a alguém (indireto). No b) exemplificam classes gramaticais diferentes;
caso: resposta (objeto direto) / lhe (objeto indireto = c) mostram diferentes funções sintáticas;
a ele[a]) d) são da mesma classe gramatical e da mesma função
sintática;
7. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- e) iniciam o mesmo tipo de oração subordinada.
LÍNGUA PORTUGUESA

TRATIVA – AOCP-2015) Em “Ele diz que vota desde os


18, quando ainda era jovem e morava em Minas Gerais, Resposta: Letra D
sua terra natal...”, a expressão em destaque “Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas,
os usos da internet, que (= a qual) se ressente ainda da
a) exerce função de vocativo e não pode ser excluída da falta de uma legislação específica que (= a qual) coíba
oração por tratar-se de um termo essencial. não somente os usos mas os abusos deste importan-
b) exerce função de aposto e pode ser excluída da ora- te e eficaz veículo de comunicação” = ambos podem
ção por tratar-se de um termo acessório. ser substituídos por “a qual”, portanto são pronomes

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relativos (pertencem à mesma classe gramatical); o 1.º • Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
inicia uma oração subordinada adjetiva explicativa; o panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
2.º, adjetiva restritiva. de período, este não receberá outro ponto; neste
caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
10. (TRE-RJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- de período. Exemplo: Estudei português, matemá-
TRATIVA – CONSULPLAN-2017) Analise as afirmações rica, constitucional, etc. (e não “etc..”)
apresentadas a seguir. • Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
I. Em “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, a ponto, assim como após o nome do autor de uma
oração sublinhada é uma oração subordinada adjetiva citação:
explicativa.
II. Em “[...] tem surgido, cada vez mais frequente, o dimi- Haverá eleições em outubro
nutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua como
sujeito da locução verbal “ter surgido”.
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
III. “Não pense que para por aí [...]”, a oração sublinhada
leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
IV. Em “[...] se te chamarem de ‘queridinho’, querem é
que você exploda.”, a oração destacada é uma oração • Os números que identificam o ano não utilizam
subordinada adverbial causal. ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem
como os números de CEP: 1975, 2014, 2006,
Estão corretas apenas as afirmativas 17600-250.

a) I e II. b) Ponto e Vírgula (;)


b) II e III.
c) III e IV. • Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
d) I, II e IV. importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho;
os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
Resposta: Letra B generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum es-
Em “I” - “Existe alguma hora que não seja de reló- pírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
gio?”, a oração sublinhada é uma oração subordinada • Separa partes de frases que já estão separadas por
adjetiva explicativa = substituindo “que” por “a qual”, vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
continua com sentido, então é pronome relativo – pre- tros, montanhas, frio e cobertor.
sente nas adjetivas, mas no período em questão te- • Separa itens de uma enumeração, exposição de
mos uma restritiva = incorreta motivos, decreto de lei, etc.
Em “II” - tem surgido, cada vez mais frequente, o di-
minutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua Ir ao supermercado;
como sujeito da locução verbal “ter surgido” = correta Pegar as crianças na escola;
Em “III” - “Não pense que para por aí [...]”, a oração Caminhada na praia;
sublinhada é uma oração subordinada substantiva ob- Reunião com amigos.
jetiva direta = correta
Em “IV” - se te chamarem de ‘queridinho’, a oração c) Dois pontos (:)
destacada é uma oração subordinada adverbial causal
= adverbial condicional (“se”) = incorreta
• Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio
Coutinho trata este assunto:
• Antes de um aposto = Três coisas não me agra-
EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO dam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
• Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es-
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo
PONTUAÇÃO a rotina de sempre.
• Em frases de estilo direto
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
servem para compor a coesão e a coerência textual, além Maria perguntou:
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
Um texto escrito adquire diferentes significados quando • Por que você não toma uma decisão?
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
depende, em certos momentos, da intenção do autor do d) Ponto de Exclamação (!)
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
LÍNGUA PORTUGUESA

te relacionados ao contexto e ao interlocutor. • Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,


susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me ca-
Principais funções dos sinais de pontuação
sar com você!
• Depois de interjeições ou vocativos
a) Ponto (.)

• Indica o término do discurso ou de parte dele, en- Ai! Que susto!


cerrando o período. João! Há quanto tempo!

71
e) Ponto de Interrogação (?) 5. Para isolar:

• Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. a) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra-
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur sileira, possui um trânsito caótico.
Azevedo) b) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

f) Reticências (...) Observações:


• Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lá- Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expres-
pis, canetas, cadernos... são latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria
• Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o
dizer... é verdad... Ah!” acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empre-
• Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este guemos etc. predecido de vírgula: Falamos de política,
mal... pega doutor? futebol, lazer, etc.
• Indica que o sentido vai além do que foi dito: Dei- As perguntas que denotam surpresa podem ter com-
xa, depois, o coração falar... binados o ponto de interrogação e o de exclamação:
Você falou isso para ela?!
g) Vírgula (,)
Temos, ainda, sinais distintivos:
Não se usa vírgula
• a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa-
Separando termos que, do ponto de vista sintático, ração de siglas (IOF/UPC);
ligam-se diretamente entre si: • os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como pri-
1. Entre sujeito e predicado: meira opção aos parênteses, principalmente na
Todos os alunos da sala foram advertidos. matemática;
Sujeito predicado • o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir
2. Entre o verbo e seus objetos: um nome que não se quer mencionar.
O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Usa-se a vírgula: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-


char - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform.
1. Para marcar intercalação: – São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
abundância, vem caindo de preço.
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. SITE
Estão produzindo, todavia, altas quantidades de
alimentos. Disponível em: <http://www.infoescola.com/
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indús- portugues/pontuacao/>
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto Disponível em: <http://www.brasilescola.com/grama-
é, não querem abrir mão dos lucros altos. tica/uso-da-virgula.htm>

2. Para marcar inversão:


EXERCÍCIOS COMENTADOS
a) do adjunto adverbial (colocado no início da ora-
ção): Depois das sete horas, todo o comércio está
1. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
de portas fechadas.
O enunciado em que a vírgula foi empregada em desa-
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
cordo com as regras de pontuação é
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
a) Como esse metal é limitado, isso garantia que a pro-
maio de 1982.
dução de dinheiro fosse também limitada.
b) Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o
3. Para separar entre si elementos coordenados
padrão-ouro.
(dispostos em enumeração):
LÍNGUA PORTUGUESA

c) Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é


criado assim, inventado em canetaços a partir da con-
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
cessão de empréstimos.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e
d) Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
animais.
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante.
e) Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abun-
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que-
dante porque é gerada pela simples manipulação de
remos comer pizza; e vocês, churrasco.
bancos de dados.

72
Resposta: Letra E Em “b”, destacar os sistemas onde se originaram os
O enunciado pede a alternativa em desacordo: regimes trabalhista e previdenciário = correta
Em “a”, Como esse metal é limitado, isso garantia Em “c”, criticar o atraso político de alguns sistemas da
que a produção de dinheiro fosse também limitada História = incorreta
= correta Em “d”, condenar nossos regimes trabalhista e previ-
Em “b”, Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o denciário por serem muito antigos = incorreta
Em “e”, exemplificar alguns dos nossos erros do pas-
padrão-ouro = correta
sado = incorreta
Em “c”, Praticamente todo o dinheiro que existe no
mundo é criado assim, inventado em canetaços a par- 3. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE DA-
tir da concessão de empréstimos = correta DOS – FGV-2010) Assinale a alternativa em que a vírgula
Em “d”, Assim, o sistema monetário atual funciona está corretamente empregada.
com uma moeda que é ao mesmo tempo escassa e
abundante = correta a) O jeitinho, essa instituição tipicamente brasileira pode
Em “e”, Escassa porque só banqueiros podem criá-la, ser considerado, sem dúvida, um desvio de caráter.
(X) e abundante porque é gerada pela simples mani- b) Apareciam novos problemas, e o funcionário embora
pulação de bancos de dados = incorreta - a vírgula competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
pode ser utilizada antes da conjunção “e”, desde que c) Ainda que os níveis de educação estivessem avançan-
haja mudança de sujeito, por exemplo (o que não do, o sentimento geral, às vezes, era de frustração.
d) É claro, que se fôssemos levar a lei ao pé da letra, mui-
acontece na questão)
tos sofreriam sanções diariamente.
e) O tempo não para as transformações sociais são ur-
2. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO gentes mas há quem não perceba esse fato, que é
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) evidente.

Texto 1 Resposta: Letra C


Indiquei com (X) os lugares inadequados e acrescentei
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018, a pontuação que faltou:
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo Gue- Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente brasi-
des escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e pre- leira , pode ser considerado, sem dúvida, um desvio
videnciário brasileiros são politicamente anacrônicos, de caráter.
economicamente desastrosos e socialmente perversos. Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcio-
nário , embora competente, nem sempre conseguia
Arquitetados de início em sistemas políticos fechados
resolvê-los.
(na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista de Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem
Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos pro- avançando, o sentimento geral, às vezes, era de frus-
gramas socialdemocratas, são hoje armas de destruição tração.= correta
em massa de empregos locais em meio à competição Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
global. Reduzem a competitividade das empresas, fabri- letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
cam desigualdades sociais, dissipam em consumo cor- Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
rente a poupança compulsória dos encargos recolhidos, são urgentes , mas há quem não perceba esse fato,
derrubam o crescimento da economia e solapam o valor que é evidente.
futuro das aposentadorias”. (adaptado)
4. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO – CESGRAN-
No texto 1, os termos inseridos nos parênteses – na Ale- RIO-2018) De acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa, a pontuação está corretamente empregada
manha imperial de Bismarck e na Itália fascista de Musso-
em:
lini – têm a finalidade textual de:
a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quan-
a) enumerar os sistemas políticos fechados do passado; do atendem, de forma voluntária, aos funcionários e
b) destacar os sistemas onde se originaram os regimes à comunidade em geral, pode ser definido como res-
trabalhista e previdenciário; ponsabilidade social.
c) criticar o atraso político de alguns sistemas da História; b) As empresas que optam por encampar a prática da
d) condenar nossos regimes trabalhista e previdenciário responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir
por serem muito antigos; uma melhor imagem no mercado.
e) exemplificar alguns dos nossos erros do passado. c) A noção de responsabilidade social foi muito utiliza-
da em campanhas publicitárias: por isso, as empresas
precisam relacionar-se melhor, com a sociedade.
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra B
d) A responsabilidade social explora um leque abrangen-
Arquitetados de início em sistemas políticos fecha-
te de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de
dos (na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália vida o bem-estar dos trabalhadores, a redução de im-
fascista de Mussolini) = os termos entre parênteses pactos negativos, no meio ambiente.
servem para se referir aos sistemas políticos fechados, e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem
exemplificando-os. a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e a
Em “a”, enumerar os sistemas políticos fechados do geração de empregos não a preocupação com a so-
passado = incorreta ciedade como um todo.

73
Resposta: Letra A c) apresentam informações que se opõem às informa-
Assinalei com (X) as inadequações e destaquei as ções precedentes.
inclusões: d) retificam as informações precedentes, dando-lhes o
Em “a”: O conjunto de preocupações e ações efetivas, correto matiz semântico.
quando atendem, de forma voluntária, aos funcioná- e) estabelecem certas restrições de sentido às informa-
rios e à comunidade em geral, pode ser definido como ções precedentes.
responsabilidade social = correta
Em “b”: As empresas que optam por encampar a prá- Resposta: Letra A
tica da responsabilidade social, (X) beneficiam-se de É uma situação que contrasta com outros lugares de
conseguir uma melhor imagem no mercado. Barcelona, uma cidade que vive hoje em duas di-
Em “c”: A noção de responsabilidade social foi mui- mensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas, que
to utilizada em campanhas publicitárias: (X) ; por isso, se cotovelam nos pontos turísticos da cidade
as empresas precisam relacionar-se melhor, (X) com a Os períodos destacados acrescentam informações aos
sociedade. termos citados anteriormente.
Em “d”: A responsabilidade social explora um leque
abrangente de beneficiários, envolvendo , assim: (X) ,
a qualidade de vida , o bem-estar dos trabalhadores,
(X) e a redução de impactos negativos, (X) no meio CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
ambiente.
Em “e”: Alguns críticos da responsabilidade social de-
fendem a ideia de que: (X) o objetivo das empresas é CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
o lucro e a geração de empregos , não a preocupação
com a sociedade como um todo. Os concurseiros estão apreensivos.
Concurseiros apreensivos.
5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014)
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
número e gênero se correspondem. A correspondência
de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
(Folha de S.Paulo, 03.01.2014. Adaptado)
ser verbal ou nominal.
De acordo com a norma-padrão, no primeiro quadri-
nho, na fala de Hagar, deve ser utilizada uma vírgula, Concordância Verbal
obrigatoriamente,
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
a) antes da palavra “olho”. seu sujeito.
b) antes da palavra “e”.
c) depois da palavra “evitar”. Sujeito Simples - Regra Geral
d) antes da palavra “evitar”.
e) depois da palavra “e”. O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
em número e pessoa. Veja os exemplos:
Resposta: Letra C
“Não posso evitar doutor” = no diálogo, Hagar fala A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
com o doutor (vocativo); portanto, presença obriga- 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
tória de vírgula após o verbo “evitar”.
Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
6. (TJ-RS – JUIZ DE DIREITO – SUBSTITUTO – VU- 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
NESP-2018) No trecho do primeiro parágrafo do texto
– Nas escolas da Catalunha, a separação da Espanha tem Casos Particulares
apoio maciço. É uma situação que contrasta com outros
lugares de Barcelona, uma cidade que vive hoje em a) Quando o sujeito é formado por uma expressão
duas dimensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas, partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
LÍNGUA PORTUGUESA

que se cotovelam nos pontos turísticos da cidade, … metade de, a maioria de, a maior parte de, grande
–, empregam-se as vírgulas para separar as expressões parte de...) seguida de um substantivo ou prono-
destacadas porque elas me no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
plural.
a) acrescem às informações precedentes comentários
que lhes ampliam o sentido. A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
b) sintetizam as ideias centrais das informações Metade dos candidatos não apresentou / apresenta-
precedentes. ram proposta.

74
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos Qual de nós é capaz?
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân- Algum de vós fez isso.
dalos destruiu / destruíram o monumento.
e) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Observação: que indica porcentagem seguida de substantivo, o
verbo deve concordar com o substantivo.
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque 25% do orçamento do país será destinado à Educação.
aos elementos que formam esse conjunto. 85% dos entrevistados não aprovam a administração
do prefeito.
b) Quando o sujeito é formado por expressão que
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, 1% do eleitorado aceita a mudança.
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs- 1% dos alunos faltaram à prova.
tantivo, o verbo concorda com o substantivo.
• Quando a expressão que indica porcentagem não
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
Perto de quinhentos alunos compareceram à com o número.
solenidade.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi- 25% querem a mudança.
mas Olimpíadas. 1% conhece o assunto.

Observação: • Se o número percentual estiver determinado por


artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- -á com eles:
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório:
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende- Os 30% da produção de soja serão exportados.
ram um ao outro) Esses 2% da prova serão questionados.

c) Quando se trata de nomes que só existem no plu- f) O pronome “que” não interfere na concordância; já
ral, a concordância deve ser feita levando-se em o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa do
conta a ausência ou presença de artigo. Sem arti- singular.
go, o verbo deve ficar no singular; com artigo no
plural, o verbo deve ficar o plural. Fui eu que paguei a conta.
Fomos nós que pintamos o muro.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Estados Unidos possui grandes universidades. Sou eu quem faz a prova.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. Não serão eles quem será aprovado.
As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira.
g) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve assu-
d) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou mir a forma plural.
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro taram os poetas.
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o Este candidato é um dos que mais estudaram!
pronome pessoal.
• Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
Quais de nós são / somos capazes? dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? singular:
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões
inovadoras. Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
Nem uma das que me escreveram mora aqui.
Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a • Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
LÍNGUA PORTUGUESA

inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz tantivo, o verbo pode:


ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize-
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atra-
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de vessa o Estado de São Paulo. (já que não há outro
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. rio que faça o mesmo).
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
luídos (noção de que existem outros rios na mesma
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti-
condição).
ver no singular, o verbo ficará no singular.

75
h) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o c) No caso do sujeito composto posposto ao verbo,
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. passa a existir uma nova possibilidade de concor-
dância: em vez de concordar no plural com a totali-
Vossa Excelência está cansado? dade do sujeito, o verbo pode estabelecer concor-
Vossas Excelências renunciarão? dância com o núcleo do sujeito mais próximo.

i) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se Faltaram coragem e competência.
de acordo com o numeral. Faltou coragem e competência.
Compareceram todos os candidatos e o banca.
Deu uma hora no relógio da sala. Compareceu o banca e todos os candidatos.
Deram cinco horas no relógio da sala.
Soam dezenove horas no relógio da praça. d) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor-
Baterão doze horas daqui a pouco. dância é feita no plural. Observe:

Observação: Abraçaram-se vencedor e vencido.


Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito. Casos Particulares

O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. • Quando o sujeito composto é formado por núcle-
Soa quinze horas o relógio da matriz. os sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no
singular.
j) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin- Descaso e desprezo marca seu comportamento.
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de A coragem e o destemor fez dele um herói.
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi-
cam fenômenos da natureza. Exemplos: • Quando o sujeito composto é formado por núcle-
os dispostos em gradação, verbo no singular:
Havia muitas garotas na festa.
Faz dois meses que não vejo meu pai. Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se-
Chovia ontem à tarde. gundo me satisfaz.

Sujeito Composto • Quando os núcleos do sujeito composto são


unidos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar
a) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- no plural, de acordo com o valor semântico das
bo, a concordância se faz no plural: conjunções:

Pai e filho conversavam longamente. Drummond ou Bandeira representam a essência da


Sujeito poesia brasileira.
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
Pais e filhos devem conversar com frequência.
Sujeito Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de
“adição”. Já em:
b) Nos sujeitos compostos formados por pessoas Juca ou Pedro será contratado.
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima
seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós) Olimpíada.
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por
sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja: Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
no singular.
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
Primeira Pessoa do Plural (Nós) • Com as expressões “um ou outro” e “nem um
nem outro”, a concordância costuma ser feita no
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. singular.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)
Um ou outro compareceu à festa.
Pais e filhos precisam respeitar-se. Nem um nem outro saiu do colégio.
Terceira Pessoa do Plural (Eles)
LÍNGUA PORTUGUESA

• Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou


Observação: no singular: Um e outro farão/fará a prova.
• Quando os núcleos do sujeito são unidos por
Quando o sujeito é composto, formado por um ele- “com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os nú-
mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é cleos recebem um mesmo grau de importância e
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural a palavra “com” tem sentido muito próximo ao de
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar “e”.
de “tomaríeis”.

76
O pai com o filho montaram o brinquedo. Quando pronome apassivador, o “se” acompanha
O governador com o secretariado traçaram os planos verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e in-
para o próximo semestre. diretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nes-
O professor com o aluno questionaram as regras. se caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração.
Exemplos:
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se Construiu-se um posto de saúde.
a ideia é enfatizar o primeiro elemento. Construíram-se novos postos de saúde.
O pai com o filho montou o brinquedo. Aqui não se cometem equívocos
O governador com o secretariado traçou os planos Alugam-se casas.
para o próximo semestre.
O professor com o aluno questionou as regras.
#FicaDica
Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito Para saber se o “se” é partícula apassivadora
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres- ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos te transformar a frase para a voz passiva. Se
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou- a frase construída for “compreensível”, esta-
vesse uma inversão da ordem. Veja: remos diante de uma partícula apassivadora;
“O pai montou o brinquedo com o filho.” se não, o “se” será índice de indeterminação.
“O governador traçou os planos para o próximo semes- Veja:
tre com o secretariado.” Precisa-se de funcionários qualificados.
“O professor questionou as regras com o aluno.” Tentemos a voz passiva:
Funcionários qualificados são precisados (ou
Casos em que se usa o verbo no singular: precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
destacado é índice de indeterminação do
Café com leite é uma delícia! sujeito.
O frango com quiabo foi receita da vovó. Agora:
Vendem-se casas.
Voz passiva: Casas são vendidas. Constru-
Quando os núcleos do sujeito são unidos por ex-
ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula
pressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
apassivadora. (Dá para eu passar para a voz
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, passiva. Repare em meu destaque. Percebeu
o verbo ficará no plural. semelhança? Agora é só memorizar!).
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a O Verbo “Ser”
notícia.
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o
Quando os elementos de um sujeito composto são sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordân-
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância cia pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo
é feita com esse termo resumidor. do sujeito.
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da
apatia. Quando o sujeito ou o predicativo for:
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
na vida das pessoas. a) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo
SER concorda com a pessoa gramatical:
Outros Casos
Ele é forte, mas não é dois.
O Verbo e a Palavra “SE” Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos.
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há
duas de particular interesse para a concordância verbal: b) nome de coisa e um estiver no singular e o outro
no plural, o verbo SER concordará, preferencial-
a) quando é índice de indeterminação do sujeito; mente, com o que estiver no plural:
LÍNGUA PORTUGUESA

b) quando é partícula apassivadora.


Os livros são minha paixão!
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” Minha paixão são os livros!
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na Quando o verbo SER indicar
terceira pessoa do singular:
Precisa-se de funcionários. • horas e distâncias, concordará com a expressão
Confia-se em teses absurdas. numérica:

77
É uma hora. Concordância Nominal
São quatro horas.
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois A concordância nominal se baseia na relação entre
quilômetros. nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles
se ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, prono-
• datas, concordará com a palavra dia(s), que pode mes adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lem-
estar expressa ou subentendida: bre-se: normalmente, o substantivo funciona como nú-
cleo de um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto
Hoje é dia 26 de agosto. adnominal.
Hoje são 26 de agosto. A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
seguintes regras gerais:
• Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida-
de e for seguido de palavras ou expressões como a) O adjetivo concorda em gênero e número quando
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo ser se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
fica no singular: denunciavam o que sentia.
b) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. a concordância pode variar. Podemos sistematizar
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. essa flexão nos seguintes casos:
Duas semanas de férias é muito para mim.
• Adjetivo anteposto aos substantivos:
• Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo)
for pronome pessoal do caso reto, com este con- O adjetivo concorda em gênero e número com o
cordará o verbo. substantivo mais próximo.

No meu setor, eu sou a única mulher. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.


Aqui os adultos somos nós. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Observação:
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com
o pronome sujeito. As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Eu não sou ela.
Ela não é eu. • Adjetivo posposto aos substantivos:

• Quando o sujeito for uma expressão de sentido O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu- ou com todos eles (assumindo a forma masculina plural
ral, o verbo ser concordará com o predicativo. se houver substantivo feminino e masculino).

A grande maioria no protesto eram jovens. A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
O resto foram atitudes imaturas. A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
O Verbo “Parecer” A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.

O verbo parecer, quando é auxiliar em uma lo- Observação:


cução verbal (é seguido de infinitivo), admite duas
concordâncias: Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
• Ocorre variação do verbo parecer e não se fle- dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do no plural masculino, que é o gênero predominante quan-
desenho. do há substantivos de gêneros diferentes.
• A variação do verbo parecer não ocorre e o infini- Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
tivo sofre flexão: jetivo fica no singular ou plural.

As crianças parece gostarem do desenho. A beleza e a inteligência feminina(s).


LÍNGUA PORTUGUESA

(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho O carro e o iate novo(s).


aas crianças)
c) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER fica no
singular. Por exemplo: As paredes parece que têm ouvidos. O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
(Parece que as paredes têm ouvidos = oração subordina- vo não for acompanhado de nenhum modificador: Água
da substantiva subjetiva). é bom para saúde.

78
O adjetivo concorda com o substantivo, se este for É proibido entrada de crianças.
modificado por um artigo ou qualquer outro determina- Em certos momentos, é necessário atenção.
tivo: Esta água é boa para saúde. No verão, melancia é bom.
É preciso cidadania.
d) O adjetivo concorda em gênero e número com os Não é permitido saída pelas portas laterais.
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon-
trou-as muito felizes. • Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
e) Nas expressões formadas por pronome indefinido minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposi- o verbo como o adjetivo concordam com ele.
ção DE + adjetivo, este último geralmente é usado
no masculino singular: Os jovens tinham algo de É proibida a entrada de crianças.
misterioso. Esta salada é ótima.
f) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem A educação é necessária.
função adjetiva e concorda normalmente com o São precisas várias medidas na educação.
nome a que se refere:
Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso
Cristina saiu só. - Quite
Cristina e Débora saíram sós.
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú-
mero com o substantivo ou pronome a que se referem.
Observação:
Seguem anexas as documentações requeridas.
A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape-
Muito obrigadas, disseram as senhoras.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Eles só desejam ganhar presentes.
Estamos quites com nossos credores.

#FicaDica Bastante - Caro - Barato - Longe

Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Estas palavras são invariáveis quando funcionam
Se a frase ficar coerente com o primeiro, como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
houver coerência com o segundo, função de tivos, ou numerais.
adjetivo, então varia: As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
Ele está só descansando. (apenas (pronome adjetivo)
descansando) - advérbio Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
As casas estão caras. (adjetivo)
Achei barato este casaco. (advérbio)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula depois de Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
“só”, haverá, novamente, um adjetivo:
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e Meio - Meia
descansando)
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
g) Quando um único substantivo é modificado por concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa- meia porção de polentas.
das as construções: Quando empregada como advérbio permanece inva-
• O substantivo permanece no singular e coloca-se riável: A candidata está meio nervosa.
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
espanhola e a portuguesa. #FicaDica
• O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
portuguesa. saberei que se trata de um advérbio, não
de adjetivo: “A candidata está um pouco
Casos Particulares nervosa”.
LÍNGUA PORTUGUESA

É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É


permitido Alerta - Menos

• Estas expressões, formadas por um verbo mais um Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se sempre invariáveis.
referem possuir sentido genérico (não vier prece- Os concurseiros estão sempre alerta.
dido de artigo). Não queira menos matéria!

79
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS c) Notícias falsas e boatos perigosos não deveriam ser
reproduzidas nas redes sociais da forma como acon-
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- tece hoje.
char. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. d) Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos da Re-
– São Paulo: Saraiva, 2010. gião Nordeste foram elogiados por suas propriedades
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa alimentares.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. e) Profissionais dedicados e pesquisas constantes preci-
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: sam ser estimuladas para que se avance na cura de
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. algumas doenças.

SITE Resposta: Letra D


Em “a”: Alimentos saudáveis e prática constante de
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/se- exercícios são necessárias (necessários) para uma vida
coes/sint/sint49.php> longa e mais equilibrada.
Em “b”: Inexistência de esgoto em muitas regiões e fal-
ta de tratamento adequado da água são causadores
EXERCÍCIOS COMENTADOS (causadoras) de doenças.
Em “c”: Notícias falsas e boatos perigosos não deve-
1. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – riam ser reproduzidas (reproduzidos) nas redes sociais
CESGRANRIO-2018) A forma verbal em destaque está da forma como acontece hoje.
empregada de acordo com a norma-padrão em: Em “d”: Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos
da Região Nordeste foram elogiados por suas pro-
a) Atualmente, comercializa-se diferentes criptomoedas priedades alimentares = correta
mas a bitcoin é a mais conhecida de todas as moedas Em “e”: Profissionais dedicados e pesquisas constantes
virtuais. precisam ser estimuladas (estimulados) para que se
b) A especulação e o comércio ilegal, de acordo com al- avance na cura de algumas doenças.
guns analistas, pode tornar as bitcoins inviáveis.
c) As notícias informam que até hoje, em nenhuma parte 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
do mundo, se substituíram totalmente as moedas re- GRANRIO-2018) A concordância do verbo destacado foi
ais pelas virtuais. realizada de acordo com as exigências da norma-padrão
d) De acordo com as regras do mercado financeiro, da língua portuguesa em:
criou-se apenas 21 milhões de bitcoins nos últimos
anos. a) Com a corrida desenfreada pelas versões mais atuais
e) O valor dos produtos comercializados seriam determi- dos smartphones, evidenciou-se atitudes agressivas e
nados por uma moeda virtual se a real fosse abolida. violentas por parte dos usuários.
b) Devido à utilização de estratégias de marketing, de-
Resposta: Letra C senvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que a posse
Em “a”: Atualmente, comercializam-se diferentes de novos aparelhos eletrônicos é garantia de sucesso.
criptomoedas mas a bitcoin é a mais conhecida de c) É necessário que se envie a todas as escolas do país ví-
todas as moedas virtuais. deos educacionais que permitam esclarecer os jovens
Em “b”: A especulação e o comércio ilegal, de acor- sobre o vício da tecnologia.
do com alguns analistas, podem tornar as bitcoins d) É preciso educar as novas gerações para que se reduza
inviáveis. os comportamentos compulsivos relacionados ao uso
Em “c”: As notícias informam que até hoje, em nenhu- das novas tecnologias.
ma parte do mundo, se substituíram totalmente as e) Nos países mais industrializados, comprovou-se os
moedas reais pelas virtuais. = correta danos psicológicos e o consumismo exagerado causa-
Em “d”: De acordo com as regras do mercado finan- dos pelo vício da tecnologia.
ceiro, criaram-se apenas 21 milhões de bitcoins nos
últimos anos. Resposta: Letra B
Em “e”: O valor dos produtos comercializados seria Em “a”: Com a corrida desenfreada pelas versões mais
determinado por uma moeda virtual se a real fosse atuais dos smartphones, evidenciou-se (evidencia-
abolida. ram-se) atitudes agressivas e violentas por parte dos
usuários.
2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL Em “b”: Devido à utilização de estratégias de marke-
I – CESGRANRIO-2018) A concordância da palavra des- ting, desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que
tacada atende às exigências da norma-padrão da língua
a posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia de
LÍNGUA PORTUGUESA

portuguesa em:
sucesso = correta
Em “c”: É necessário que se envie (enviem) a todas as
a) Alimentos saudáveis e prática constante de exer-
escolas do país vídeos educacionais que permitam es-
cícios são necessárias para uma vida longa e mais
clarecer os jovens sobre o vício da tecnologia.
equilibrada.
b) Inexistência de esgoto em muitas regiões e falta de Em “d”: É preciso educar as novas gerações para que
tratamento adequado da água são causadores de se reduza (reduzam) os comportamentos compulsivos
doenças. relacionados ao uso das novas tecnologias.

80
Em “e”: Nos países mais industrializados, comprovou- risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes,
-se (comprovaram-se) os danos psicológicos e o con- exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
sumismo exagerado causados pelo vício da tecnologia. quista da liberdade humana também reclama a distri-
buição do poder em ramos diversos, com a disposição
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO – de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
FGV-2017) Observe os seguintes casos de concordância para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
nominal retirados do texto 1: nas sociedades estatais. A concentração do poder em um
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer-
cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu,
independente.
“todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
2. A agenda pública é determinada pela imprensa
até onde encontra limites. Para que não se possa abusar
tradicional. do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de conteú- poder limite o poder”.
do independentes. Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
A afirmação correta sobre essas concordâncias é: concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
a) os dois adjetivos da frase (1) referem-se, respectiva- ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
mente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
b) os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plural por situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
referirem-se a dois substantivos; de origem baconiana, não abandonando o rigor das
c) na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ se re- certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
fere a ‘imprensa’; refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
d) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está correta- idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
mente no plural por referir-se a ‘empresas’; explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
e) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria estar civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
no singular por referir-se ao substantivo ‘conteúdo’. Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
Ministério Público em função da proteção dos direitos
humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p.
Resposta: Letra D 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
independente. A flexão plural em “eram identificadas” decorre da con-
2. A agenda pública é determinada pela imprensa cordância com o sujeito dessa forma verbal: “as esferas
tradicional. de abrangência dos poderes políticos”.
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de con-
teúdo independentes. (  ) CERTO   (  ) ERRADO
Em “a”: os dois adjetivos da frase (1) referem-se, res-
pectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; Resposta: Certo
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e in- (...) Até Montesquieu, não eram identificadas com cla-
dependente = apenas a “jornalismo” reza as esferas de abrangência dos poderes políticos
Em “b”: os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plu- = passando o período para a ordem direta (sujeito +
ral por referirem-se a dois substantivos; verbo), temos: Até Montesquieu, as esferas de abran-
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e inde- gência dos poderes políticos não eram identificadas
pendente = a um substantivo (jornalismo) com clareza.
Em “c”: na frase (2), a forma de particípio ‘determina-
6. (PC-RS – ESCRIVÃO e Inspetor de Polícia – Funda-
da’ se refere a ‘imprensa’;
tec-2018 - adaptada) Sobre a frase “Esses alunos que
A agenda pública é determinada pela imprensa tra-
são usuários constantes de redes sociais têm um risco 27%
dicional = refere-se ao termo “agenda pública” maior de desenvolver depressão”, avalie as assertivas que
Em “d”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’; ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado para o
Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de con- singular, outras quatro palavras deveriam sofrer ajustes
teúdo independentes = correta para fins de concordância.
Em “e”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes sociais
estar no singular por referir-se ao substantivo ‘conteú- podem ficar deprimidos.
do’ = incorreta (refere-se a “empresas”) ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais desenvol-
verem depressão constante extrapola o índice dos 27%.
LÍNGUA PORTUGUESA

5. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de
Texto I cima para baixo, é:

Na organização do poder político no Estado moderno, a) V – V – V.


à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a b) F – V – F.
c) V – F – F.
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir
d) F – F – V.
a desordem do estado de natureza, que, em virtude do
e) F – F – F.

81
Resposta: Letra C Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi emprega-
Esses alunos que são usuários constantes de redes so- do como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto
ciais têm um risco 27% maior de desenvolver depressão (objeto indireto: às crianças); na segunda, como transiti-
Em: ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado vo direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjun-
para o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer to adverbial).
ajustes para fins de concordância. Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver-
Esse aluno que é usuário constante de redes sociais bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é
tem um risco 27% maior de desenvolver depressão um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife-
= (verdadeira = haveria quatro alterações) rentes formas em frases distintas.
Em: ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes
sociais podem ficar deprimidos. a) Verbos Intransitivos
= falsa (o período em análise não nos transmite tal in-
formação, apenas afirma que usuários constantes têm Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
um risco 27% maior que os demais) importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
Em: ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais de- aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
senvolverem depressão constante extrapola o índice
dos 27%. Chegar, Ir
= Falsa (“depressão constante” altera o sentido do
período) Normalmente vêm acompanhados de adjuntos ad-
verbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas
para indicar destino ou direção são: a, para.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Ricardo foi para a Espanha.
Dá-se o nome de regência à relação de subordina- Adjunto Adverbial de Lugar
ção que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um
nome (regência nominal) e seus complementos. Comparecer

Regência Verbal = Termo Regente: VERBO O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.
A regência verbal estuda a relação que se estabele- Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
ce entre os verbos e os termos que os complementam último jogo.
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad-
juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma b) Verbos Transitivos Diretos
regência, o que corresponde à diversidade de significa-
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do Os verbos transitivos diretos são complementados
contexto em que forem empregados. por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo-
sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
contentar. oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
agrado ou prazer”, satisfazer. formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos,
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
“agradar a alguém”. objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
O conhecimento do uso adequado das preposições donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, au-
verbal (e também nominal). As preposições são capazes xiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
de modificar completamente o sentido daquilo que está defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, pre-
sendo dito. judicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver,
visitar.
LÍNGUA PORTUGUESA

Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô. Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
como o verbo amar:
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
A voluntária distribuía leite às crianças. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
A voluntária distribuía leite com as crianças. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.

82
Observação: Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Paguei o débito ao cobrador.
adnominais): Objeto Direto Objeto Indireto
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
carreira)
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau com particular cuidado:
humor) Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
c) Verbos Transitivos Indiretos Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Paguei minhas contas. / Paguei-as.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi- Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
gem uma preposição para o estabelecimento da relação
de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de Informar
terceira pessoa que podem atuar como objetos indire-
tos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
de verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos
que não representam pessoas, usam-se pronomes oblí- Informe os novos preços aos clientes.
quos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
pronomes átonos lhe, lhes. vos preços)

Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: Na utilização de pronomes como complementos, veja
as construções:
Consistir - Tem complemento introduzido pela pre- Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos
posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em di- preços.
reitos iguais para todos. Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple- sobre eles)
mentos introduzidos pela preposição “a”:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Observação:
Eles desobedeceram às leis do trânsito.

Responder - Tem complemento introduzido pela A mesma regência do verbo informar é usada para os
preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para in- seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
dicar “a quem” ou “ao que” se responde.
Comparar
Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas. Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
Respondeu-lhe à altura. as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple-
mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com
Observação: o) de uma criança.
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
Pedir
do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
analítica:
O questionário foi respondido corretamente. Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente
Todas as perguntas foram respondidas na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
satisfatoriamente. de pessoa.

Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus comple- Pedi-lhe favores.


mentos introduzidos pela preposição “com”. Objeto Indireto Objeto Direto

Antipatizo com aquela apresentadora. Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.


Simpatizo com os que condenam os políticos que go- Objeto Indireto Oração Subordinada Substan-
vernam para uma minoria privilegiada.
LÍNGUA PORTUGUESA

tiva Objetiva Direta


d) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
A construção “pedir para”, muito comum na lingua-
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acom- gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín-
panhados de um objeto direto e um indireto. Merecem gua culta. No entanto, é considerada correta quando a
destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São palavra licença estiver subentendida.
verbos que apresentam objeto direto relacionado a coi- Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
sas e objeto indireto relacionado a pessoas. casa.

83
Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro- As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
Preferir ciar, estar presente, caber, pertencer.

Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto Assistimos ao documentário.


indireto introduzido pela preposição “a”: Não assisti às últimas sessões.
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. Essa lei assiste ao inquilino.
Prefiro trem a ônibus.
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
Observação:
transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
conturbada cidade.
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve-
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
prefixo existente no próprio verbo (pre). Chamar

Mudança de Transitividade - Mudança de Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-


Significado licitar a atenção ou a presença de.
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá
Há verbos que, de acordo com a mudança de transi- chamá-la.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe- Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
cimento das diferentes regências desses verbos é um re-
curso linguístico muito importante, pois além de permitir Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
a correta interpretação de passagens escritas, oferece apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre-
possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Den- dicativo preposicionado ou não.
tre os principais, estão: A torcida chamou o jogador mercenário.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
Agradar A torcida chamou o jogador de mercenário.
A torcida chamou ao jogador de mercenário.
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari-
nhos, acariciar, fazer as vontades de. Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
Sempre agrada o filho quando. Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
Aquele comerciante agrada os clientes.
Custar
Agradar é transitivo indireto no sentido de causar
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
introduzido pela preposição “a”.
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver-
O cantor não agradou aos presentes. bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito.
O cantor não lhes agradou.
No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransiti-
O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire- vo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
to: O cantor desagradou à plateia. reduzida de infinitivo.
Muito custa viver tão longe da família.
Aspirar Verbo Intransitivo Oração Subordinada Substantiva
Subjetiva Reduzida de Infinitivo
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o) Custou-me (a mim) crer nisso.
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter Subjetiva Reduzida de Infinitivo
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As-
pirávamos a ele) A Gramática Normativa condena as construções que
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes- pessoa: Custei para entender o problema.
soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são = Forma correta: Custou-me entender o problema.
LÍNGUA PORTUGUESA

utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.


Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Implicar
Aspiravam a ela)
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
Assistir
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitu-
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
des implicavam um firme propósito.
tar assistência a, auxiliar.

84
b) ter como consequência, trazer como consequên- O ensino deve sempre visar ao progresso social.
cia, acarretar, provocar: Uma ação implica reação. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-es-
tar público.
Como transitivo direto e indireto, significa compro-
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões Esquecer – Lembrar
econômicas.
Lembrar algo – esquecer algo
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com (pronominal)
quem não trabalhasse arduamente.
No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
Namorar exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o
livro.
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc)
anos. e exigem complemento com a preposição “de”. São, por-
tanto, transitivos indiretos:
Obedecer - Desobedecer Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Sempre transitivo indireto: Eles se esqueceram da prova.
Todos obedeceram às regras. Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Ninguém desobedece às leis.
Há uma construção em que a coisa esquecida ou lem-
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem brada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas. alteração de sentido. É uma construção muito rara na lín-
gua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
Proceder clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado
de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter vezes.
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
adverbial de modo. Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
As afirmações da testemunha procediam, não havia momentos é sujeito)
como refutá-las.
Você procede muito mal. Simpatizar - Antipatizar

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo- São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu- Não simpatizei com os jurados.
zido pela preposição “a”) é transitivo indireto. Simpatizei com os alunos.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames. Importante:
O delegado procederá ao inquérito.
A norma culta exige que os verbos e expressões que
Querer dão ideia de movimento sejam usados com a preposição
“a”:
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
vontade de, cobiçar. Cláudia desceu ao segundo andar.
Querem melhor atendimento. Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.
Queremos um país melhor.
Regência Nominal
Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
estimar, amar: Quero muito aos meus amigos. É o nome da relação existente entre um nome (subs-
tantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por
LÍNGUA PORTUGUESA

Visar esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma


preposição. No estudo da regência nominal, é preciso le-
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mi- var em conta que vários nomes apresentam exatamente
rar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar. o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer
O homem visou o alvo. o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer
O gerente não quis visar o cheque. o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Ver-
No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como bo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”. complementos introduzidos pela preposição a. Veja:

85
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
LÍNGUA PORTUGUESA

AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php>

86
Resposta: Letra C
Em “a”: Podemos esperar para um futuro melhor = po-
EXERCÍCIOS COMENTADOS demos esperar o quê?
Em “b”: Podemos esperar com um futuro melhor = po-
1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO demos esperar o quê?
– CESGRANRIO-2018) Em “c”: Podemos esperar um futuro melhor = correta
Em “d”: Podemos esperar porquanto um futuro me-
O ano da esperança lhor = sentido de “porque”
Em “e”: Podemos esperar todavia um futuro melhor =
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos conjunção adversativa (ideia contrária à apresentada
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás anteriormente)
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de A única frase correta – e coerente - é podemos esperar
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei- um futuro melhor.
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a
consciência de que era uma doação. A situação foi pio- 2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
rando. Os argumentos também. No início era para pagar GRANRIO-2018) Considere a seguinte frase: “Os lança-
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. mentos tecnológicos a que o autor se refere podem re-
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava sultar em comportamentos impulsivos nos consumidores
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so- desses produtos”. A utilização da preposição destacada
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. a é obrigatória para atender às exigências da regência
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, do verbo “referir-se”, de acordo com a norma-padrão da
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen- língua portuguesa. É também obrigatório o uso de uma
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, preposição antecedendo o pronome que destacado em:
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen-
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até a) Os consumidores, ao adquirirem um produto que
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu quase ninguém possui, recém-lançado no mercado,
não ajudava mais. passam a ter uma sensação de superioridade.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita b) Muitos aparelhos difundidos no mercado nem sempre
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca trazem novidades que justifiquem seu preço elevado
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter em relação ao modelo anterior.
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em- c) O estudo de mapeamento cerebral que o pesquisador
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei- realizou foi importante para mostrar que o vício em
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde novidades tecnológicas cresce cada vez mais.
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As d) O hormônio chamado dopamina é responsável por
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a causar sensações de prazer que levam as pessoas a se
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. sentirem recompensadas.
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos e) As pessoas, na maioria das vezes, gastam muito mais
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- do que o seu orçamento permite em aparelhos que
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça elas não necessitam.
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova
consciência para votar. Como? Num mundo em que as Resposta: Letra E
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites Em “a”: Os consumidores, ao adquirirem um produ-
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram to que (= o qual) quase ninguém possui, recém-lan-
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já çado no mercado, passam a ter uma sensação de
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- superioridade.
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso Em “b”: Muitos aparelhos difundidos no mercado nem
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. sempre trazem novidades que (= as quais) justifiquem
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da seu preço elevado em relação ao modelo anterior.
internet. Em “c”: O estudo de mapeamento cerebral que (= o
Duvidam. Acham que estou mentindo. qual) o pesquisador realizou foi importante para mos-
CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. trar que o vício em novidades tecnológicas cresce
2017, p.97. Adaptado. cada vez mais.
Em “d”: O hormônio chamado dopamina é responsá-
Considere o trecho “Podemos esperar por um futuro me- vel por causar sensações de prazer que (= as quais)
lhor”. Respeitando-se as regras da norma-padrão e con- levam as pessoas a se sentirem recompensadas.
servando-se o conteúdo informacional, o trecho acima
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “e”: As pessoas, na maioria das vezes, gastam mui-


está corretamente reescrito em: to mais do que o seu orçamento permite em apare-
lhos de que (= das quais) elas não necessitam.
a) Podemos esperar para um futuro melhor
b) Podemos esperar com um futuro melhor 3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)
c) Podemos esperar um futuro melhor A pobreza é um dos fatores mais comumente respon-
d) Podemos esperar porquanto um futuro melhor sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano
e) Podemos esperar todavia um futuro melhor e pela origem de uma série de mazelas, algumas das

87
quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso Resposta: Letra A
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas Vamos por exclusão: “à elas” está errada, já que não
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde temos acento indicativo de crase antes de pronome
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga pessoal; quando temos um verbo no infinitivo, po-
crianças e adolescentes a participarem do processo de demos usar a construção: verbo + preposição + pro-
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem nome pessoal. Por exemplo: Dar a eles (ao invés de
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de “dar-lhes”).
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infan-
til foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradica- EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
do, ele continua sendo grave problema nos países mais CRASE
pobres.
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações). CRASE
O emprego de preposição em “a participarem” é exigido
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
pela regência da forma verbal “obriga”.
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
(  ) CERTO   (  ) ERRADO com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos
pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo
Resposta: Certo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as
(...) o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar-
obriga crianças e adolescentes a participarem = cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo,
quem obriga, obriga alguém (crianças e adolescentes – à qual, às quais.
objeto direto) a algo (a participarem – objeto indireto:
com preposição – no caso, uma oração com a função O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
de objeto indireto). do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
4. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2013)
regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
Considerando as regras de regência verbal, assinale a al-
que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
ternativa correta.
termo regido é aquele que completa o sentido do termo
a) Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o amigo regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
comentou de que o livro estava acabando.
b) Enquanto seu amigo continua encomendando livros Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
de papel, o autor aderiu o livro digital. contratada recentemente.
c) Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer seria sair
para jantar. Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
d) As estantes que o autor aludiu foram projetadas para dos entre parênteses), temos:
armazenar livros e CDs. Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata-
e) O único detalhe do apartamento que o amigo se ateve da recentemente.
foi o número de estantes.
O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
Resposta: Letra C classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos
Em “a”: Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposi-
amigo comentou de (X) que = comentou que ção a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a +
Em “b”: Enquanto seu amigo continua encomendando o pronome demonstrativo aquela (àquela).
livros de papel, o autor aderiu o = aderiu ao
Em “c”: Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer Observações importantes:
seria sair para jantar = correta
Em “d”: As estantes que o autor aludiu = às quais/a
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
que
Em “e”: O único detalhe do apartamento que o amigo confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
se ateve = ao qual/ a que
• Substitui-se a palavra feminina por uma masculina
5. (TJ-SP – ADVOGADO - VUNESP/2013 - ADAPTADA) equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
Na passagem – ... e ausência de candidatos para preen- crase está confirmada.
LÍNGUA PORTUGUESA

chê-las. –, substituindo-se o verbo preencher por concor-


rer e atendendo-se à norma-padrão, obtém-se: Os dados foram solicitados à diretora.
Os dados foram solicitados ao diretor.
a) … e ausência de candidatos para concorrer a elas.
b) … e ausência de candidatos para concorrer à elas. • No caso de nomes próprios geográficos, substitui-
c) … e ausência de candidatos para concorrer-lhes. -se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resul-
d) … e ausência de candidatos para concorrê-las. te na expressão “voltar da”, há a confirmação da
e) … e ausência de candidatos para lhes concorrer. crase.

88
Faremos uma visita à Bahia. • Também é facultativa diante de pronomes posses-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada) sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
empresa.
Não me esqueço da viagem a Roma. • Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja- ficará aberta até as (às) dezoito horas.
mais vividos. • Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
FIQUE ATENTO! implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: Te-
Nas situações em que o nome geográfico nho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
se apresentar modificado por um adjunto moda de Luís XV)
adnominal, a crase está confirmada. • Não se efetiva o uso da crase diante da locução
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
de suas praias. observamos a queima de fogos a distância.
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ;
vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
Vou a Campinas. = Volto de Campinas. uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes-
(crase pra quê?) tre foi arremessado à distância de cem metros.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)
• De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
-, faz-se necessário o emprego da crase.
Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
rerá crase. Veja: Ensino à distância.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Ensino a distância.
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado. • Em locuções adverbiais formadas por palavras re-
petidas, não há ocorrência da crase.
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo Ela ficou frente a frente com o agressor.
regente exigir complemento regido da preposição “a”.
Eu o seguirei passo a passo.
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo)
Casos em que não se admite o emprego da crase:
Iremos àquela reunião.
(preposição + pronome demonstrativo) Antes de vocábulos masculinos.
As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando Esta caneta pertence a Pedro.
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)
(preposição + pronome demonstrativo) Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad- Começou a chover.
verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento
grave: Antes de numeral.
O número de aprovados chegou a cem.
• locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às Faremos uma visita a dez países.
pressas, à vontade...
• locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
Observações:
cura de...
• locuções conjuntivas: à proporção que, à medida
que. • Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
cionando como uma locução adverbial feminina –
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezeno-
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: ve horas.
• Diante de numerais ordinais femininos a crase está
Eu adoro a noite! confirmada, visto que estes não podem ser empre-
gados sem o artigo: As saudações foram direciona-
LÍNGUA PORTUGUESA

Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer das à primeira aluna da classe.
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não • Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
preposição. essa não se apresentar determinada: Chegamos
todos exaustos a casa.
Casos passíveis de nota:
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
• A crase é facultativa diante de nomes próprios fe- adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza. exaustos à casa de Marcela.

89
• Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem
indicar chão firme: Quando os navegantes regres- acento grave indicativo de crase antes de verbo no
saram a terra, já era noite. infinitivo)
Em “c”, tinha um comportamento indiferente à qual-
Contudo, se o termo estiver precedido por um de- quer influência = a qualquer (antes de pronome
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. indefinido)
Em “d”, refere-se à uma maneira = a uma (antes de
Paulo viajou rumo à sua terra natal. artigo indefinido)
O astronauta voltou à Terra.
Em “e”, O personagem revelou à pessoa com quem
• Não ocorre crase antes de pronomes que reque- conversava que jogava o tempo fora = revelou o quê?
rem o uso do artigo. que jogava o tempo fora; revelou a quem? à pessoa
(objeto indireto, com preposição) = correta.
Os livros foram entregues a mim.
Dei a ela a merecida recompensa. 2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos mente, as lacunas do texto a seguir.
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de atendi-
uso da crase está confirmado no “a” que os antece- mento _____ presos da Casa de Detenção, em São Paulo,
de, no caso de o termo regente exigir a preposição. o médico oncologista Drauzio Varella chega ao fim de
uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de “Es-
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. tação Carandiru” (1999), que mostra ________ entranhas
daquela que foi ________maior prisão da América Latina,
• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que tra-
em sentido genérico ou indeterminado:
balham no sistema prisional, Varella agora faz um retrato
das detentas da Penitenciária Feminina da Capital, tam-
Estamos sujeitos a críticas.
Refiro-me a conversas paralelas. bém na capital paulista, onde cumprem pena mais de
duas mil mulheres.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (https://oglobo.globo.com. Adaptado)

SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa a) à … às … a


Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. b) a … as … a
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- c) a … às … a
char. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. d) à … às … à
– São Paulo: Saraiva, 2010. e) a … as … à

SITE Resposta: Letra B


Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de aten-
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/gra- dimento a (preposição – regência nominal de “atendi-
matica/o-uso-crase-.html> mento”, mas sem acento grave por estar diante de pa-
lavra masculina) presos da Casa de Detenção, em São
Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao
EXERCÍCIOS COMENTADOS fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois
de “Estação Carandiru” (1999), que mostra as (objeto
1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela que foi a
SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) O acento (artigo definido) maior prisão da América Latina, e de
indicativo de crase está empregado corretamente em: “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que traba-
lham no sistema prisional, Varella agora faz um retra-
a) O personagem evita considerar à internet responsável to das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
por suas atitudes.
também na capital paulista, onde cumprem pena mais
b) O personagem reconheceu que já tinha uma propen-
de duas mil mulheres.
são à jogar o tempo fora.
c) O personagem tinha um comportamento indiferente à Teremos: a / as / a.
qualquer influência da internet.
d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar 3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP -
LÍNGUA PORTUGUESA

com relação ao tempo. OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO – VU-


e) O personagem revelou à pessoa com quem conversa- NESP-2018) Assinale a alternativa em que o acento indi-
va que jogava o tempo fora. cativo de crase está empregado corretamente.

Resposta: Letra E a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer


Aos itens: com dores de cabeça.
Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à episó-
direto) dios de nosso passado.

90
c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito di- agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia
fícil à determinadas pessoas. de serviços financeiros, feito em parceria com a consul-
d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente tora PwC.
os momentos dolorosos. Para os autores do documento, a primeira Era Dourada
e) Ao nos atermos à uma experiência ruim, desconside- aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a atual co-
ramos o que ela traz de bom. meçou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10
a 20 anos, prolongada pelo desempenho econômico da
Resposta: Letra D Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
Aos itens: (IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado)
Em “a”, chegam à sofrer = a sofrer (antes de verbo no
infinitivo não se usa acento grave) Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do
Em “b”, que nos fazem voltar à episódios = a episó- texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
dios (palavra masculina e no plural)
Em “c”, pode ser uma tarefa muito difícil à determina- a) a … a … a
das = a determinadas (palavra no plural e presença b) à … à … à
só da preposição) c) a … à … à
Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se d) à … à … a
refere, refere-se a algo ou a alguém) e) a … a … à
Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma
Resposta: Letra E
(antes de artigo indefinido)
Vamos aos trechos:
a rápida industrialização nos Estados Unidos deu ori-
4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL
gem a algumas das maiores fortunas = antes de pro-
- VUNESP-2018) De acordo com a norma- -padrão, o
nome indefinido
acento indicativo da crase está corretamente empregado
e passaram a ostentar sua riqueza = antes de verbo
em: no infinitivo
e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal
a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão de de “ligados” pede preposição
talento: quem não tem, não vai nunca aprender.
b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada 6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -
pela clareza e precisão, afastando o leitor da confusão VUNESP-2017) Assinale a alternativa correta quanto ao
ou tédio. emprego do acento indicativo da crase.
c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como
um tecido coeso e claro, instigando, assim, o leitor. a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões se- chegam à um grande público devido à rapidez da in-
melhantes, no entanto elas seguem pelo lado oposto. ternet, é favorável à formação de ondas de credulidade.
e) Também não estamos falando só de correção gramati- b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
cal e ortográfica. Estamos nos referindo à pensamento. chegam à muitas pessoas devido a rapidez da internet,
favorece que se formem ondas de credulidade.
Resposta: Letra A c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
Em “a”, O leitor aludiu à escrita = correta (regência do chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet,
verbo “aludir” pede preposição) é favorável à formação de ondas de credulidade.
Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
uma (antes de artigo indefinido) chegam a um grande número de pessoas devido à ra-
Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre pala- pidez da internet, é favorável as ondas de credulidade
vras repetidas) que se formam.
Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à con- e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
clusões = a conclusões (antes de palavra no plural e o chegam a muitas pessoas devido a rapidez da internet,
“a” está “sozinho” = somente preposição) favorece à formação de ondas de credulidade.
Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a pen-
samento (palavra masculina) Resposta: Letra C
Acertos entre parênteses:
5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRU- Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público
ZES-SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à for-
LÍNGUA PORTUGUESA

- VUNESP-2018) mação (ok)


No começo do século 20, a rápida industrialização nos Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas)
Estados Unidos deu origem _______ algumas das maiores pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet
fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vander- Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à
bilt e os Rockefeller investiram em ferrovias, petróleo e rapidez da internet, é favorável à formação = correta
aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________ Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande
ostentar sua riqueza. O período ficou conhecido como número de pessoas devido à rapidez (ok) da internet,
é favorável as ondas (às ondas)
Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até

91
Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok) pes- relação inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe
soas devido a rapidez (à rapidez) da internet, favorece ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para
à formação (a formação) receptores de língua portuguesa inteirados da situação
Observação: quanto à regência verbal de “favorecer” econômica e cultural do mundo atual.
= pede complemento verbal direto (favorece o quê?
favorece quem?); já a regência nominal de “favorá- A Ordem dos Termos na Frase
vel” pede preposição (favorável a quem? a quê?)
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido.
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS Todavia, há diferentes maneiras de se organizar grama-
ticalmente tal frase, tudo depende da necessidade ou da
vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo,
Prezado candidato, o referido assunto já foi abor- porém, acrescentado ênfase a algum dos seus termos.
dado no tópico “classe de palavras”. Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série
de inversões e intercalações em nossas frases, confor-
REESCRITA DE FRASES E me a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira
PARÁGRAFOS DO TEXTO; como queremos transmitir uma ideia, do nosso estilo.
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS; Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase
2 da seguinte maneira:
SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS
OU DE TRECHOS DE TEXTO;
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
REORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA sando desemprego.
DE ORAÇÕES E DE PERÍODOS DO
TEXTO;REESCRITA DE TEXTOS DE Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma,
DIFERENTES GÊNEROS E NÍVEIS DE apenas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase
FORMALIDADE a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repa-
re que, para obter a clareza tivemos que fazer o uso de
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE vírgulas.
ESTRUTURAS Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado
e o que mais nos auxilia na organização de um período,
pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase
vírgula ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando pro-
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um
duzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmente
bem organizadas aos nossos leitores.
devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar e, O básico para a organização sintática das frases é a
posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo, ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos estru-
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem turam tal ordem da seguinte maneira:
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e
a experiência de vida antecedem o ato de escrever. SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+
Obtido um razoável conhecimento sobre o que ire- CIRCUNSTÂNCIAS
mos escrever, feito o esquema de exposição da matéria,
é necessário saber ordenar as ideias em frases bem es- A globalização + está causando+ desemprego + no
truturadas. Logo, não basta conhecer bem um determi- Brasil nos dias de hoje.
nado assunto, temos que o transmitir de maneira clara
aos leitores. Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso todas contêm todos estes elementos, portanto cabem
aliado para organizarmos as ideias de maneira clara em algumas observações:
frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sin-
taxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte a) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
da gramática que estuda a disposição das palavras na normalmente são representadas por adjuntos ad-
frase e a das frases no discurso, bem como a relação ló- verbiais de tempo, lugar, etc. Note que, no mais
gica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe das vezes, quando queremos recordar algo ou
quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras de narrar uma história, existe a tendência a colocar os
maneira a produzirem um sentido evidente para os re- adjuntos nos começos das frases:
ceptores das nossas mensagens. Observe:
“No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas
minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos e
LÍNGUA PORTUGUESA

1. A desemprego globalização no Brasil e no na está


outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil
Latina América causando.
existe…”
2. A globalização está causando desemprego no Brasil
e na América Latina.
Observações:
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma Tais construções não estão erradas, mas rompem com
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização a ordem direta;
de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem

92
É preciso notar que em Língua Portuguesa, há mui- Outros exemplos:
tas frases que não têm sujeito, somente predicado. Por
exemplo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Fri- A globalização, que é um fenômeno econômico e cul-
burgo. São quatro horas agora; tural, está causando desemprego no Brasil e na América
Outras frases são construídas com verbos intransiti- Latina.
vos, que não têm complemento: Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad- As orações adjetivas explicativas desempenham fre-
junto adverbial) quentemente um papel semelhante ao do aposto expli-
A globalização nasceu no século XX. (idem) cativo, por isto são também isoladas por vírgula.
Há ainda frases nominais que não possuem verbos: A globalização causa, caro leitor, desemprego no
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a or- Brasil…
dem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os ter- Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o
mos existentes nelas. seu complemento.

Levando em consideração a ordem direta, podemos A globalização causa desemprego, e isto é lamentável,
estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula: no Brasil…
Se os termos estão colocados na ordem direta não Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não
haverá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exemplo pertence ao assunto: globalização, da frase principal, tal
disto: oração é apenas um comentário à parte entre o comple-
A globalização está causando desemprego no Brasil e mento verbal e os adjuntos).
na América Latina.
Observação:
Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da ora-
ção por três vezes ou mais, então é necessário usar a vír- A simples negação em uma frase não exige vírgula: A
gula, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta globalização não causou desemprego no Brasil e na Amé-
é a regra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja: rica Latina.

A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira”


causam desemprego… c) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-
(três núcleos do sujeito) -a, tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a
regra n.º 3 da colocação da vírgula.
A globalização causa desemprego no Brasil, na Améri-
ca Latina e na África. No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
(três adjuntos adverbiais) sando desemprego…
No fim do século XX, a globalização causou desempre-
A globalização está causando desemprego, insatisfa- go no Brasil…
ção e sucateamento industrial no Brasil e na América Lati-
na. (três complementos verbais) Nota-se que a quebra da ordem direta frequente-
mente se dá com a colocação das circunstâncias antes
b) Em princípio, não devemos, na ordem direta, se- do sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstân-
parar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo cias, em gramática, são representadas pelos adjuntos
e o seu complemento, nem o complemento e as adverbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações
circunstâncias, ou seja, não devemos separar com chamadas adverbiais que têm uma função semelhante a
vírgula os termos da oração. Veja exemplos de tal dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar,
incorreção: etc. Exemplos:
Quando o século XX estava terminando, a globalização
O Brasil, será feliz. começou a causar desemprego.
A globalização causa, o desemprego. Enquanto os países portadores de alta tecnologia de-
senvolvem-se, a globalização causa desemprego nos paí-
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre ses pobres.
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, Durante o século XX, a Globalização causou desempre-
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é go no Brasil.
LÍNGUA PORTUGUESA

a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em


outras palavras: quando intercalamos expressões e frases Observação:
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos
com vírgulas. Vejamos: Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
A globalização, fenômeno econômico deste fim de sé- um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun-
culo XX, causa desemprego no Brasil. ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o para o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a
sujeito e o verbo. mudança de tempos verbais.

93
SITE Os principais erros cometidos no desenvolvimento
são o desvio e a desconexão da argumentação. O primei-
Disponível em: <http://ricardovigna.wordpress. ro está relacionado ao autor tomar um argumento se-
com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura- cundário que se distancia da discussão inicial, ou quando
-frasal-e-pontuacao/> se concentra em apenas um aspecto do tema e esquece
o seu todo. O segundo caso acontece quando quem re-
ESTRUTURA TEXTUAL dige tem muitas ideias ou informações sobre o que está
sendo discutido, não conseguindo estruturá-las. Surge
Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a também a dificuldade de organizar seus pensamentos e
capacidade que temos de pensar. Por meio do pensa- definir uma linha lógica de raciocínio.
mento, elaboramos todas as informações que recebemos
e orientamos as ações que interferem na realidade e or- Conclusão
ganização de nossos escritos. O que lemos é produto de
um pensamento transformado em texto. Considerada como a parte mais importante do texto,
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen- é o ponto de chegada de todas as argumentações ela-
sar, quando escrevemos sempre procuramos uma ma- boradas. As ideias e os dados utilizados convergem para
neira organizada do leitor compreender as nossas ideias. essa parte, em que a exposição ou discussão se fecha.
A finalidade da escrita é direcionar totalmente o que Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma
você quer dizer, por meio da comunicação. brecha para uma possível continuidade do assunto; ou
Para isso, os elementos que compõem o texto se seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve
subdividem em: introdução, desenvolvimento e con- ser encerrada com argumentos repetitivos, como por
clusão. Todos eles devem ser organizados de maneira exemplo: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Con-
equilibrada. cluindo...”, “Em conclusão...”.
Sua proporção em relação à totalidade do texto deve
Introdução ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das
características de textos bem redigidos.
Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen- Os seguintes erros aparecem quando as conclusões
tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa ficam muito longas:
etapa. Essa apresentação deve ser direta, sem rodeios.
O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo o tex- • O problema aparece quando não ocorre uma ex-
to. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não é ploração devida do desenvolvimento, o que gera
equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio tí- uma invasão das ideias de desenvolvimento na
tulo. Já nos textos mais longos, em que o assunto é ex- conclusão.
posto em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um • Outro fator consequente da insuficiência de funda-
capítulo ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa mentação do desenvolvimento está na conclusão
situação, pode ter vários parágrafos. Em redações mais precisar de maiores explicações, ficando bastante
comuns, que em média têm de 25 a 80 linhas, a introdu- vazia.
ção será o primeiro parágrafo. • Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no
texto em que o autor fica girando em torno de
Desenvolvimento ideias redundantes ou paralelas.
• Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita-
A maior parte do texto está inserida no desenvolvi- mente dispensáveis.
mento, que é responsável por estabelecer uma ligação • Quando não tem clareza de qual é a melhor con-
entre a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são clusão, o autor acaba se perdendo na argumenta-
elaboradas as ideias, os dados e os argumentos que sus- ção final.
tentam e dão base às explicações e posições do autor.
É caracterizado por uma “ponte” formada pela organi- Em relação à abertura para novas discussões, a con-
zação das ideias em uma sequência que permite formar clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguin-
uma relação equilibrada entre os dois lados. tes fatores:
O autor do texto revela sua capacidade de discutir
um determinado tema no desenvolvimento, e é através • Para não influenciar a conclusão do leitor sobre
desse que o autor mostra sua capacidade de defender temas polêmicos, o autor deixa a conclusão em
seus pontos de vista, além de dirigir a atenção do leitor aberto.
para a conclusão. As conclusões são fundamentadas a • Para estimular o leitor a ler uma possível continui-
partir daqui. dade do texto, o autor não fecha a discussão de
LÍNGUA PORTUGUESA

Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o propósito.


escritor já deve ter uma ideia clara de como será a con- • Por apenas apresentar dados e informações sobre
clusão. Daí a importância em planejar o texto. o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja con-
Em média, o desenvolvimento ocupa 3/5 do texto, no cluir o assunto.
mínimo. Já nos textos mais longos, pode estar inserido • Para que o leitor tire suas próprias conclusões,
em capítulos ou trechos destacados por subtítulos. Apre- o autor enumera algumas perguntas no final do
sentar-se-á no formato de parágrafos medianos e curtos. texto.

94
A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele
autor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técni- falar”, não comete propriamente erro; na verdade, trans-
ca é um roteiro, em que estão presentes os planejamen- gride a norma culta.
tos. Naquele devem estar indicadas as melhores sequên- Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua
cias a serem utilizadas na redação; ele deve ser o mais fala, transgride tanto quanto um indivíduo que compare-
enxuto possível. ce a um banquete trajando xortes ou quanto um banhis-
ta, numa praia, vestido de fraque e cartola.
SITE
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que
Disponível em: pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é
<http://producao-de-textos.info/mos/view/ o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre
Caracter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/> amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consi-
deradas perfeitamente normais construções do tipo:
NÍVEIS DE LINGUAGEM
Eu não vi ela hoje.
A língua é um código de que se serve o homem para Ninguém deixou ele falar.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- Deixe eu ver isso!
mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas Eu te amo, sim, mas não abuse!
Não assisti o filme nem vou assisti-lo.
funcionais:
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.
a) a língua funcional de modalidade culta, língua cul-
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a
ta ou língua-padrão, que compreende a língua lite-
norma culta, deixando mais livres os interlocutores.
rária, tem por base a norma culta, forma linguística
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que
utilizada pelo segmento mais culto e influente de
é a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se
uma sociedade. Constitui, em suma, a língua uti- por base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou
lizada pelos veículos de comunicação de massa seja, a norma culta. Assim, aquelas mesmas construções
(emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, se alteram:
painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de serem
aliados da escola, prestando serviço à sociedade, Eu não a vi hoje.
colaborando na educação; Ninguém o deixou falar.
b) a língua funcional de modalidade popular; língua Deixe-me ver isso!
popular ou língua cotidiana, que apresenta grada- Eu te amo, sim, mas não abuses!
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
calão. Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.

NORMA CULTA Considera-se momento neutro o utilizado nos veí-


culos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal,
A norma culta, forma linguística que todo povo civili- revista, etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou
zado possui, é a que assegura a unidade da língua nacio- transgressões da norma culta na pena ou na boca de
nal. E justamente em nome dessa unidade, tão importan- jornalistas, quando no exercício do trabalho, que deve
te do ponto de vista político--cultural, que é ensinada nas refletir serviço à causa do ensino.
escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontâ- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte
nea e criativa, a língua popular afigura-se mais expressiva poética, caracterizado por construções de rara beleza.
e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exemplificação: Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa
Estou preocupado. (norma culta) de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta
Tô preocupado. (língua popular) o comete, passando, assim, a constituir fato linguístico
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) registro de linguagem definitivamente consagrado pelo
uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos:
Não basta conhecer apenas uma modalidade de Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos
para viver; urge conhecer a língua culta para conviver. dispersar e Não vamos dispersar-nos)
LÍNGUA PORTUGUESA

Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho
normas da língua culta. de sair daqui bem depressa)
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
O conceito de erro em língua seu posto)

Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos
casos de ortografia. O que normalmente se comete são impedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são
exemplos também de transgressões ou “erros” que se
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num

95
tornaram fatos linguísticos, já que só correm hoje por- ou um mesmo nível de fala, para colegas e para pedrei-
que a maioria viu tais verbos como derivados de pedir, ros, assim como nenhum professor utiliza o mesmo nível
que tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bas- de fala no recesso do lar e na sala de aula.
tou para se arcaizarem as formas então legítimas impido, Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre
despido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem-es- esses níveis, destacam-se em importância o culto e o co-
colarizada tem coragem de usar. tidiano, a que já fizemos referência.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe- LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL
rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases O que é linguagem? É o uso da língua como forma de
expressão e comunicação entre as pessoas. A linguagem
da língua popular para a língua culta”.
não é somente um conjunto de palavras faladas ou es-
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a
critas, mas também de gestos e imagens. Afinal, não nos
uma frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada
comunicamos apenas pela fala ou escrita, não é verdade?
conforme as normas gramaticais; em suma, conforme a Então, a linguagem pode ser verbalizada, e daí vem
norma culta. a analogia ao verbo. Você já tentou se pronunciar sem
utilizar o verbo? Se não, tente, e verá que é impossível se
LÍNGUA ESCRITA E LÍNGUA FALADA - NÍVEL DE ter algo fundamentado e coerente! Assim, a linguagem
LINGUAGEM verbal é a que utiliza palavras quando se fala ou quando
se escreve.
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos A linguagem pode ser não verbal, ao contrário da ver-
econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua bal, não utiliza vocábulo, palavras para se comunicar. O
falada. objetivo, neste caso, não é de expor verbalmente o que
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação se quer dizer ou o que se está pensando, mas se utilizar
(melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no de outros meios comunicativos, como: placas, figuras,
decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, gestos, objetos, cores, ou seja, dos signos visuais.
olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a moda- Vejamos: um texto narrativo, uma carta, o diálogo,
lidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e uma entrevista, uma reportagem no jornal escrito ou tele-
natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transfor- visionado, um bilhete? = Linguagem verbal!
mações e a evoluções. Agora: o semáforo, o apito do juiz numa partida de
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em impor- futebol, o cartão vermelho, o cartão amarelo, uma dança,
tância. Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar o aviso de “não fume” ou de “silêncio”, o bocejo, a identi-
a língua falada com base na língua escrita, considerada ficação de “feminino” e “masculino” através de figuras na
porta do banheiro, as placas de trânsito? = Linguagem
superior. Decorrem daí as correções, as retificações, as
não verbal!
emendas, a que os professores sempre estão atentos.
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao
trando as características e as vantagens de uma e outra, mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e
sem deixar transparecer nenhum caráter de superiorida- anúncios publicitários.
de ou inferioridade, que em verdade inexiste.
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na Alguns exemplos:
língua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.
de línguas. A nenhuma nação convém o surgimento de Placas de trânsito.
dialetos, consequência natural do enorme distanciamen- Imagem indicativa de “silêncio”.
to entre uma modalidade e outra. Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-ela-
borada que a língua falada, porque é a modalidade que SITE
mantém a unidade linguística de um povo, além de ser
a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tem- Disponível em: <http://www.brasilescola.com/reda-
po. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será cao/linguagem.htm>
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por
isso mesmo, processam-se lentamente e em número CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (CONFORME
consideravelmente menor, quando cotejada com a mo- MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA
dalidade falada. DA REPÚBLICA)
Importante é fazer o educando perceber que o nível
LÍNGUA PORTUGUESA

da linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo Redação oficial é o meio utilizado para o estabeleci-
com a situação em que se desenvolve o discurso. mento de relações de serviço na administração pública
O ambiente sociocultural determina o nível da lingua- e corresponde ao modo uniforme de redigir atos nor-
gem a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pro- mativos e comunicações oficiais. Para que se alcance a
núncia e até a entoação variam segundo esse nível. Um efetividade dessas relações, são traçadas normas de lin-
padre não fala com uma criança como se estivesse em guagem e padronização no uso de fórmulas e estética
uma missa, assim como uma criança não fala como um para as comunicações escritas, as quais são revestidas de
adulto. Um engenheiro não usará um mesmo discurso, certas peculiaridades restritas ao meio.

96
As comunicações oficiais devem primar pela ob- Fundamentalmente esses atributos decorrem da
jetividade, transparência, clareza, simplicidade e Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração
impessoalidade. pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos
Nesse sentido, a redação oficial, da qual se deve ex- Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
trair uma única interpretação, há de procurar ser com- Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impes-
preensível por todo e qualquer cidadão brasileiro. soalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”. Sendo
Com esses cuidados, é possível aprimorar um item a publicidade e a impessoalidade princípios fundamen-
fundamental na profissionalização do servidor, na racio- tais de toda administração pública, claro está que devem
nalização do trabalho e na redução dos custos. igualmente nortear a elaboração dos atos e comunica-
ções oficiais.
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a
Não se concebe que um ato normativo de qualquer
maneira pela qual o Poder Público redige atos normati-
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte
vos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de ou impossibilite sua compreensão. A transparência do
vista do Poder Executivo. sentido dos atos normativos, bem como sua inteligibili-
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoa- dade, são requisitos do próprio Estado de Direito: é ina-
lidade, uso do padrão culto de linguagem, concisão, ceitável que um texto legal não seja entendido pelos
formalidade e uniformidade, clareza e precisão, objeti- cidadãos. A publicidade implica, pois, necessariamente,
vidade, coesão e coerência. clareza e concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há nor-
FIQUE ATENTO! mas para sua elaboração que remontam ao período de
Essas quatro ultimas características foram nossa história imperial, como, por exemplo, a obrigato-
acrescentadas no novo manual de redação riedade – estabelecida por decreto imperial de 10 de de-
oficial. zembro de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos,
o número de anos transcorridos desde a Independência.
Essa prática foi mantida no período republicano.
Vejamos: Esses mesmos princípios (impessoalidade, clare-
Precisão: o atributo da precisão complementa a clare- za, uniformidade, concisão e uso de linguagem formal)
za e caracteriza-se Por: aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre
permitir uma única interpretação e ser estritamente im-
• articulação da linguagem comum ou técnica para a pessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível de
perfeita compreensão da ideia veiculada no texto. linguagem.
Nesse quadro, fica claro também que as comuni-
cações oficiais são necessariamente uniformes, pois há
Mas cuidado, a linguagem técnica é permitida, desde
sempre um único comunicador (o Serviço Público) e o
que usada de forma que não haja dúvidas na informação. receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço
Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão
• manifestação do pensamento ou da ideia com as a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições
mesmas palavras, evitando o emprego de sinôni- tratados de forma homogênea (o público).
mos com proposito meramente estilístico. Acrescente-se, por fim, que a identificação que se
• escolha de expressão ou palavra que não confira buscou fazer das características específicas da forma ofi-
duplo sentido ao texto. cial de redigir não deve ensejar o entendimento de que
se proponha a criação – ou se aceite a existência – de
Objetividade: ser objetivo é ir diretamente ao assun- uma forma específica de linguagem administrativa,
to que se deseja abordar, sem voltas e sem redundân- o que coloquialmente e pejorativamente se chama bu-
cias. Para conseguir isso, é fundamental que o redator rocratês. Este é antes uma distorção do que deve ser a
saiba de antemão qual é a ideia principal e quais são as redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões
secundarias. e clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas de
construção de frases.
Coesão e coerência: é indispensável que o texto tenha A redação oficial não é, portanto, necessariamente
coesão e coerência. Tais atributos favorecem a conexão, árida e infensa à evolução da língua. É que sua finali-
a ligação, a harmonia entre os elementos de um texto. dade básica – comunicar com impessoalidade e máxima
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da
Percebe-se que o texto tem coesão e coerência quando
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto
se lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os
jornalístico, da correspondência particular, etc.
parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns Apresentadas essas características fundamentais da
aos outros.
LÍNGUA PORTUGUESA

redação oficial, passemos à análise pormenorizada de


cada uma delas.
#FicaDica
• Uso do padrão culto de linguagem
Todo o texto precisa estar conectado, para
isso, fique atento à regência nominal e verbal, A necessidade de empregar determinado nível de
usando das preposições corretas de acordo linguagem nos atos e expedientes oficiais decorre,
com a intenção do texto. de um lado, do próprio caráter público desses atos e

97
comunicações; de outro, de sua finalidade. Os atos ofi- linguagem burocrática. O jargão burocrático, como todo
ciais, aqui entendidos como atos de caráter normativo, jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua compreen-
ou estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, ou são limitada.
regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que só A linguagem técnica deve ser empregada apenas
é alcançado se em sua elaboração for empregada a lin- em situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso
guagem adequada. O mesmo se dá com os expedientes indiscriminado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e
oficiais, cuja finalidade precípua é a de informar com cla- mesmo o vocabulário próprio a determinada área, são
reza e objetividade. de difícil entendimento por quem não esteja com eles fa-
As comunicações que partem dos órgãos públicos fe- miliarizado. Deve-se ter o cuidado, portanto, de explicitá-
derais devem ser compreendidas por todo e qualquer ci- -los em comunicações encaminhadas a outros órgãos da
dadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar administração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
o uso de uma linguagem restrita a determinados gru-
pos. Não há dúvida que um texto marcado por expres- • Clareza e precisão
sões de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos
vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão Clareza
dificultada. A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto
Ressalte-se que há necessariamente uma distância oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que pos-
entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente sibilita imediata compreensão pelo leitor. Não se conce-
dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração be que um documento oficial ou um ato normativo de
de costumes, e pode eventualmente contar com outros qualquer natureza seja redigido de forma obscura, que
elementos que auxiliem a sua compreensão, como os dificulte ou impossibilite sua compreensão. A transpa-
gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns rência é requisito do próprio Estado de Direito: é inacei-
dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua tável que um texto oficial ou um ato normativo não seja
escrita incorpora mais lentamente as transformações, entendido pelos cidadãos. O princípio constitucional da
tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas publicidade não se esgota na mera publicação do texto,
de si mesma para comunicar. estendendo-se, ainda, à necessidade de que o texto seja
A língua escrita, como a falada, compreende diferen- claro.
tes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por
Para a obtenção de clareza, sugere-se:
exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos valer
de determinado padrão de linguagem que incorpore ex-
a) utilizar palavras e expressões simples, em seu sen-
pressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um
tido comum, salvo quando o texto versar sobre
parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do
assunto técnico, hipótese em que se utilizará no-
vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
menclatura própria da área;
um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz b) usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar
da língua, a finalidade com que a empregamos. as orações na ordem direta e evitar intercalações
O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu ca- excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambi-
ráter impessoal, por sua finalidade de informar com o guidade, sugere-se a adoção da ordem inversa da
máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso do oração;
padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão c) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o
culto é aquele em que a) se observam as regras da gra- texto;
mática formal, e b) se emprega um vocabulário comum d) não utilizar regionalismos e neologismos;
ao conjunto dos usuários do idioma. É importante res- e) pontuar adequadamente o texto;
saltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto na f) explicitar o significado da sigla na primeira referên-
redação oficial decorre do fato de que ele está acima das cia a ela; e
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, g) utilizar palavras e expressões em outro idioma
dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísti- apenas quando indispensáveis, em razão de serem
cas, permitindo, por essa razão, que se atinja a pretendi- designações ou expressões de uso já consagrado
da compreensão por todos os cidadãos. ou de não terem exata tradução. Nesse caso, gra-
Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a fe-as em itálico, conforme orientações do subitem
simplicidade de expressão, desde que não seja confundi- 10.2 deste Manual.
da com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso
do padrão culto implica emprego de linguagem rebus- Precisão
cada, nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de
linguagem próprios da língua literária. O atributo da precisão complementa a clareza e ca-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamen- racteriza-se por:
LÍNGUA PORTUGUESA

te um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso


do padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É a) articulação da linguagem comum ou técnica para a
claro que haverá preferência pelo uso de determinadas perfeita compreensão da ideia veiculada no texto;
expressões, ou será obedecida certa tradição no empre- b) manifestação do pensamento ou da ideia com as
go das formas sintáticas, mas isso não implica, necessa- mesmas palavras, evitando o emprego de sinoní-
riamente, que se consagre a utilização de uma forma de mia com propósito meramente estilístico; e
c) escolha de expressão ou palavra que não confira
duplo sentido ao texto.

98
É indispensável, também, a releitura de todo o texto Exemplo:
redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obs-
curos provém principalmente da falta da releitura, o que Apurado, com impressionante agilidade e precisão,
tornaria possível sua correção. Na revisão de um expe- naquela tarde de 2009, o resultado da consulta à popu-
diente, deve-se avaliar se ele será de fácil compreensão lação acreana, verificou-se que a esmagadora e ampla
por seu destinatário. O que nos parece óbvio pode ser maioria da população daquele distante estado manifes-
desconhecido por terceiros. O domínio que adquirimos tou-se pela efusiva e indubitável rejeição da alteração
sobre certos assuntos, em decorrência de nossa experiên- realizada pela Lei no 11.662/2008. Não satisfeita, incon-
cia profissional, muitas vezes, faz com que os tomemos formada e indignada, com a nova hora legal vinculada ao
como de conhecimento geral, o que nem sempre é ver- terceiro fuso, a maioria da população do Acre demons-
dade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os termos trou que a ela seria melhor regressar ao quarto fuso, es-
técnicos, o significado das siglas e das abreviações e os tando cinco horas a menos que em Greenwich.
conceitos específicos que não possam ser dispensados. Nesse texto, há vários detalhamentos desnecessários,
A revisão atenta exige tempo. A pressa com que são abusou-se no emprego de adjetivos (impressionante, es-
elaboradas certas comunicações quase sempre compro- magadora, ampla, inconformada, indignada), o que lhe
mete sua clareza. “Não há assuntos urgentes, há assuntos confere carga afetiva injustificável, sobretudo em texto
atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com sua oficial, que deve primar pela impessoalidade. Elimina-
indesejável repercussão no texto redigido. dos os excessos, o período ganha concisão, harmonia e
A clareza e a precisão não são atributos que se atin- unidade:
jam por si sós: elas dependem estritamente das demais
características da redação oficial, apresentadas a seguir. Exemplo:

• Objetividade Apurado o resultado da consulta à população acrea-


na, verificou-se que a maioria da população se mani-
Ser objetivo é ir diretamente ao assunto que se deseja festou pela rejeição da alteração realizada pela Lei no
abordar, sem voltas e sem redundâncias. Para conseguir 11.662/2008. Não satisfeita com a nova hora legal vin-
isso, é fundamental que o redator saiba de antemão qual culada ao terceiro fuso, a maioria da população do Acre
é a ideia principal e quais são as secundárias. demonstrou que a ela seria melhor regressar ao quarto
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe fuso, estando cinco horas menos que em Greenwich.
em todo texto de alguma complexidade: as fundamen-
tais e as secundárias. Essas últimas podem esclarecer o • Coesão e coerência
sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas exis-
tem também ideias secundárias que não acrescentam in- É indispensável que o texto tenha coesão e coerência.
formação alguma ao texto, nem têm maior relação com Tais atributos favorecem a conexão, a ligação, a harmo-
as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas, o nia entre os elementos de um texto. Percebe-se que o
que também proporcionará mais objetividade ao texto. texto tem coesão e coerência quando se lê um texto e se
A objetividade conduz o leitor ao contato mais direto verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão
com o assunto e com as informações, sem subterfúgios, entrelaçados, dando continuidade uns aos outros.
sem excessos de palavras e de ideias. É errado supor que Alguns mecanismos que estabelecem a coesão e a
a objetividade suprime a delicadeza de expressão ou tor- coerência de um texto são: referência, substituição, elipse
na o texto rude e grosseiro. e uso de conjunção.
A referência diz respeito aos termos que se relacio-
• Concisão nam a outros necessários à sua interpretação. Esse me-
canismo pode dar-se por retomada de um termo, relação
A concisão é antes uma qualidade do que uma carac- com o que é precedente no texto, ou por antecipação de
terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue um termo cuja interpretação dependa do que se segue.
transmitir o máximo de informações com o mínimo de
palavras. Não se deve de forma alguma entendê-la como Exemplos:
economia de pensamento, isto é, não se deve eliminar
passagens substanciais do texto com o único objetivo O Deputado evitou a instalação da CPI da corrupção.
de reduzi-lo em tamanho. Trata-se, exclusivamente, de Ele aguardou a decisão do Plenário.
excluir palavras inúteis, redundâncias e passagens que O TCU apontou estas irregularidades: falta de assina-
nada acrescentem ao que já foi dito. tura e de identificação no documento.
Detalhes irrelevantes são dispensáveis: o texto deve A substituição é a colocação de um item lexical no
LÍNGUA PORTUGUESA

evitar caracterizações e comentários supérfluos, adjeti- lugar de outro(s) ou no lugar de uma oração.
vos e advérbios inúteis, subordinação excessiva. A seguir, Exemplos:
um exemplo1 de período mal construído, prolixo: O Presidente assinou o acordo. O Chefe do Poder
O exemplo de período mal construído foi elaborado, Executivo federal propôs reduzir as alíquotas.
para fins didáticos, a partir do exemplo de período bem O ofício está pronto. O documento trata da exonera-
construído, por sua vez, extraído da Exposição de Mo- ção do servidor.
tivos Interministerial no 51/MCTI/MRE/MPOG, de 21 de Os governadores decidiram acatar a decisão. Em se-
dezembro de 2011 (BRASIL, 2011a). guida, os prefeitos fizeram o mesmo.

99
A elipse consiste na omissão de um termo recuperá- • Formalidade e padronização
vel pelo contexto.
As comunicações administrativas devem ser sem-
Exemplo: pre formais, isto é, obedecer a certas regras de forma
(BRASIL, 2015a). Isso é válido tanto para as comunica-
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os ções feitas em meio eletrônico (por exemplo, o e-mail , o
particulares. (Na segunda oração, houve a omissão do documento gerado no SEI!, o documento em html etc.),
verbo “regulamenta”). quanto para os eventuais documentos impressos.
Outra estratégia para proporcionar coesão e coerên- É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento.
cia ao texto é utilizar conjunção para estabelecer ligação Não se trata somente do correto emprego deste ou da-
entre orações, períodos ou parágrafos. quele pronome de tratamento para uma autoridade de
certo nível, mais do que isso: a formalidade diz respeito
Exemplo:
à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
cuida a comunicação.
O Embaixador compareceu à reunião, pois identificou
o interesse de seu Governo pelo assunto. A formalidade de tratamento vincula-se, também,
à necessária uniformidade das comunicações. Ora, se
• Impessoalidade a administração pública federal é una, é natural que as
A impessoalidade decorre de princípio constitucional comunicações que expeça sigam o mesmo padrão. O es-
(Constituição, art. 37), e seu significado remete a dois as- tabelecimento desse padrão, uma das metas deste Ma-
pectos: o primeiro é a obrigatoriedade de que a admi- nual, exige que se atente para todas as características da
nistração pública proceda de modo a não privilegiar ou redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação
prejudicar ninguém, de que o seu norte seja, sempre, o dos textos.
interesse público; o segundo, a abstração da pessoalida- A digitação sem erros, o uso de papéis uniformes
de dos atos administrativos, pois, apesar de a ação admi- para o texto definitivo, nas exceções em que se fizer ne-
nistrativa ser exercida por intermédio de seus servidores, cessária a impressão, e a correta diagramação do texto
é resultado tão-somente da vontade estatal. são indispensáveis para a padronização. Consulte o Ca-
A redação oficial é elaborada sempre em nome do pítulo II, “As comunicações oficiais”, a respeito de normas
serviço público e sempre em atendimento ao interesse específicas para cada tipo de expediente. Em razão de
geral dos cidadãos. Sendo assim, os assuntos objetos dos seu caráter público e de sua finalidade, os atos normati-
expedientes oficiais não devem ser tratados de outra for- vos e os expedientes oficiais requerem o uso do padrão
ma que não a estritamente impessoal. culto do idioma, que acata os preceitos da gramática for-
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que mal e emprega um léxico compartilhado pelo conjunto
deve ser dado aos assuntos que constam das comunica- dos usuários da língua. O uso do padrão culto é, por-
ções oficiais decorre: tanto, imprescindível na redação oficial por estar acima
das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas, regio-
a) da ausência de impressões individuais de quem
nais; dos modismos vocabulares e das particularidades
comunica: embora se trate, por exemplo, de um
linguísticas.
expediente assinado por Chefe de determinada
Seção, a comunicação é sempre feita em nome do
serviço público. Obtém-se, assim, uma desejável Recomendações:
padronização, que permite que as comunicações
elaboradas em diferentes setores da administração • a língua culta é contra a pobreza de expressão e
pública guardem entre si certa uniformidade; não contra a sua simplicidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comunica- • o uso do padrão culto não significa empregar a
ção: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre língua de modo rebuscado ou utilizar figuras de
concebido como público, ou a uma instituição pri- linguagem próprias do estilo literário;
vada, a outro órgão ou a outra entidade pública. • a consulta ao dicionário e à gramática é imperativa
Em todos os casos, temos um destinatário conce- na redação de um bom texto.
bido de forma homogênea e impessoal; e
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: Pode-se concluir que não existe propriamente um pa-
se o universo temático das comunicações oficiais drão oficial de linguagem, o que há é o uso da norma
se restringe a questões que dizem respeito ao in- padrão nos atos e nas comunicações oficiais. É claro que
teresse público, é natural não caber qualquer tom haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
particular ou pessoal. ou será obedecida certa tradição no emprego das formas
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se
Não há lugar na redação oficial para impressões pes- consagre a utilização de uma forma de linguagem bu-
LÍNGUA PORTUGUESA

soais, como as que, por exemplo, constam de uma carta rocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve
a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mes- ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
mo de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta
da interferência da individualidade de quem a elabora. Classificação da correspondência
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de
que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
• Patente
contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
• Confidencial ou secreta
impessoalidade.

100
A correspondência confidencial ou secreta nunca Portanto, a redação da carta deve ser executada
deve ser aberta, mas sim conduzida diretamente á dire- por uma pessoa experiente, de forma a minimizar as
ção. É conveniente, contudo, registrar a sua entrada, de perdas de tempo e conseguir uma boa qualidade de
preferência em livro próprio. comunicação.
A correspondência particular, como é lógico, também A resposta pode ser executada de diversas formas:
não deve ser aberta, mas sim dirigida aos respectivos
destinatários.
• Ditado direto, em que o processador de texto exe-
A correspondência dita patente, é que vai entrar no
circuito de tratamento. cuta diretamente o texto que lhe é transmitido;
• Ditado indireto, onde o processador de texto exe-
Abertura cuta o texto através de uma minuta, um registro
que estenografou ou um registro gravado.
A abertura da correspondência é importante referir a
forma como se faz e os cuidados a ter para evitar a inuti- Assinatura
lização do conteúdo. Depois de finalizada a correspondência deve ser de
Antes de se abrir as cartas deve-se colocar o conteú- novo lida e em seguida assinada. A organização das
do para um dos cantos dos sobrescritos e em seguida grandes empresas implica que o correio e expedição es-
abre-se pelas arestas opostas. Isto porque as cartas são teja pronto até determinada hora, de forma a ser levado
normalmente mal dobradas e quando são inseridas nos
a despacho.
subscritos ficam, por vezes, coladas no interior.

Registro das entradas Registro de saída


O registro das saídas também é normalmente feito
Geralmente esta fase da correspondência concentra- em livro próprio. Devem ser tiradas cópias aos originais e
-se num só departamento. Tiram-se cópias dos originais encaminhadas devidamente.
recebidos, para um exemplar ficar no departamento e o
outro seguir para o respectivo destino. Mas a tiragem das Expedição e Arquivo
cópias não pode ser feita sem antes ser colocado o res- Antes da correspondência ser inserida no sobrescrito
pectivo carimbo da entrada contendo a data e o número deve-se verificar se:
da entrada. Nos serviços públicos e nas empresas, mas
tradicionalistas, utiliza-se o Livro de Registo para a cor-