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CONCURSOS 

MILITARES

Área de Concentração II –
Formação Militar‐Naval 
PROCESSO SELETIVO UNIFICADO DE OFICIAIS – RM2 
 
http://www.concursosmilitares.com.br/ 
11/10/2018 
 

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APOSTILA DE ACORDO COM O AVISO DE 
CONVOCAÇÃO DA MARINHA DO BRASIL 2018 
PUBLICADO 10/10/2018 

Oficial Temporário da Marinha‐ http://www.concursosmilitares.com.br/ 
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO II – FORMAÇÃO MILITAR‐NAVAL 
DEFESA NACIONAL 
Política Nacional de Defesa............................................................................................................................................... 01
O Estado, a Segurança e a Defesa...................................................................................................................................... 01
O ambiente Internacional.................................................................................................................................................. 02
O ambiente regional e o entorno estratégico.................................................................................................................... 02
O Brasil............................................................................................................................................................................... 03
Objetivos Nacionais de Defesa........................................................................................................................................... 05
Orientações........................................................................................................................................................................ 05
Estratégia Nacional de Defesa.......................................................................................................................................... 07
Formulação Sistemática ................................................................................................................................................... 07
Medidas de Implementação............................................................................................................................................. 26
ORGANIZAÇÃO BÁSICA DA MARINHA 
Forças Armadas (FFAA) –(Constituição de 1988).............................................................................................................. 01
Missão Constitucional; Hierarquia e disciplina; e Comandante Supremo das Forças Armadas........................................ 05
Exercícios............................................................................................................................................................................ 05
Normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas – (LEI COMPLEMENTAR Nº 97, 
DE 9 DE JUNHO DE 1999)...........................................................................................................................................  01 
Disposições Preliminares  ‐ Da Destinação e Atribuições; Do Assessoramento ao Comandante Supremo  01
Da Organização ‐ Das Forças Armadas; Direção Superior das Forças Armadas..........................................................   02
Exercícios............................................................................................................................................................................ 03
LEGISLAÇÃO MILITAR‐NAVAL 
Estatuto dos Militares  ‐ (LEI Nº 6.880, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1980).............................................................................  01 
Hierarquia Militar e disciplina............................................................................................................................................ 02
Cargos e Funções militares................................................................................................................................................ 04
Valor e ética militar............................................................................................................................................................ 04
Compromisso, comando e subordinação........................................................................................................................... 06
Violação das obrigações e deveres militares..................................................................................................................... 07
Crimes militares................................................................................................................................................................. 07
Contravenções ou transgressões disciplinares.................................................................................................................. 07
Exercícios........................................................................................................................................................................... 10
RELAÇÕES HUMANAS E LIDERANÇA 
Doutrina de Liderança da Marinha – (EMA‐137 ‐ Doutrina de Liderança da Marinha)                                                              01
Chefia e Liderança.............................................................................................................................................................. 01
Aspectos Fundamentais da Liderança................................................................................................................................ 01
Estilos de Liderança............................................................................................................................................................ 04
Seleção de Estilos de Liderança......................................................................................................................................... 06
Fatores da Liderança.......................................................................................................................................................... 06
Atributos de um Líder........................................................................................................................................................ 07

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Níveis de Liderança ........................................................................................................................................................... 08
Exercícios........................................................................................................................................................................... 11
TRADIÇÕES NAVAIS 
Introdução......................................................................................................................................................................... 01
Semelhanças entre as Marinhas ....................................................................................................................................... 01
Conhecendo o Navio.......................................................................................................................................................... 01
A Gente de Bordo.............................................................................................................................................................. 05
A Organização de Bordo.................................................................................................................................................... 06
Cerimonial de Bordo......................................................................................................................................................... 08
Uniformes e seus acessórios............................................................................................................................................. 12
Algumas expressões corriqueiras...................................................................................................................................... 14
HISTÓRIA NAVAL 
1 ‐ A História da Navegação...................................................................................................................................  01
Os navios de madeira: construindo embarcações e navios....................................................................................  01
O desenvolvimento dos navios portugueses..........................................................................................................  01
O desenvolvimento da navegação oceânica: os instrumentos e as cartas de marear............................................  01
A vida a bordo dos navios veleiros..........................................................................................................................  02
Exercícios......................................................................................................................................................................... 04
2 ‐ A Expansão Marítima Européia e o Descobrimento do Brasil ............................................................................  05
Fundamentos da organização do Estado português e a expansão ultramarina.....................................................  05
Lusitânia..................................................................................................................................................................  06
Ordens militares e religiosas...................................................................................................................................  07
O papel da nobreza................................................................................................................................................  07
A importância do mar na formação de Portugal.....................................................................................................  08
Desenvolvimento econômico e social.....................................................................................................................  08
A descoberta do Brasil............................................................................................................................................  11
O reconhecimento da costa brasileira:...................................................................................................................  12
A expedição de 1501/1502; A expedição de 1502/1503; A expedição de 1503/1504...........................................  12
As expedições guarda‐costas..................................................................................................................................  13
A expedição colonizadora de Martim Afonso de Sousa..........................................................................................  13
Exercícios......................................................................................................................................................................... 15
3 ‐ Invasões Estrangeiras ao Brasil........................................................................................................................   16
Invasões francesas no Rio de Janeiro e no Maranhão............................................................................................  17
Invasores na foz do Amazonas................................................................................................................................  18
Invasões holandesas na Bahia e em Pernambuco..................................................................................................  19
Holandeses na Bahia...............................................................................................................................................  19
A ocupação do Nordeste brasileiro.........................................................................................................................  19
A insurreição em Pernambuco................................................................................................................................  21

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A derrota dos holandeses em Recife......................................................................................................................  23
Corsários franceses no Rio de Janeiro no século XVIII............................................................................................  24
Guerras, tratados e limites no Sul do Brasil............................................................................................................  24
Exercícios......................................................................................................................................................................... 25
4 ‐ Formação da Marinha Imperial Brasileira................................................................................................................. 29
A vinda da Família Real.................................................................................................................................................... 29
Política externa de D. João e a atuação da Marinha: a conquista de Caiena e a ocupação da Banda Oriental.............. 30
A Banda Oriental............................................................................................................................................................. 30
A Revolta Nativista de 1817 e a atuação da Marinha...................................................................................................... 32
Guerra de independência................................................................................................................................................ 32
Elevação do Brasil a Reino Unido.................................................................................................................................... 32
O retorno de D. João VI para Portugal............................................................................................................................. 32
A Independência.............................................................................................................................................................. 33
A Formação de uma Esquadra Brasileira......................................................................................................................... 33
Operações Navais............................................................................................................................................................ 34
Confederação do Equador............................................................................................................................................... 34
Exercícios......................................................................................................................................................................... 36
5 ‐ A Atuação da Marinha nos Conflitos da Regência e do Início do Segundo Reinado............................................... 38
Conflitos internos............................................................................................................................................................ 40
Cabanagem...................................................................................................................................................................... 40
Guerra dos Farrapos; Sabinada; Balaiada; Revolta Praieira............................................................................................ 40
Conflitos externos........................................................................................................................................................... 41
Guerra Cisplatina............................................................................................................................................................. 41
Guerra contra Oribe e Rosas........................................................................................................................................... 47
Exercícios......................................................................................................................................................................... 49
6 ‐ A Atuação da Marinha na Guerra da Tríplice Aliança contra o Governo do Paraguai............................................. 51
O bloqueio do Rio Paraná e a Batalha Naval do Riachuelo............................................................................................. 52
Navios encouraçados e a invasão do Paraguai................................................................................................................ 55
Curuzu e Curupaiti........................................................................................................................................................... 55
Caxias e Inhaúma............................................................................................................................................................. 56
Passagem de Curupaiti; Passagem de Humaitá............................................................................................................... 56
O recuo das forças paraguaias........................................................................................................................................ 57
O avanço aliado e a Dezembrada.................................................................................................................................... 57
A ocupação de Assunção e a fase final da guerra........................................................................................................... 57
Exercícios......................................................................................................................................................................... 60
7 ‐ A Marinha na República............................................................................................................................................ 62
Primeira Guerra Mundial: Antecedentes........................................................................................................................ 63
O preparo do Brasil......................................................................................................................................................... 64
A Divisão Naval em Operações de Guerra – DNOG......................................................................................................... 66

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O Período entre Guerras................................................................................................................................................. 69
A situação em 1940......................................................................................................................................................... 70
Exercícios......................................................................................................................................................................... 71
Segunda Guerra mundial: Antecedentes........................................................................................................................ 72
Início das hostilidades e ataques aos nossos navios mercantes..................................................................................... 73
A Lei de Empréstimo e Arrendamento e modernizações de nossos meios e defesa ativa da costa brasileira............. 75
Defesas Locais................................................................................................................................................................. 77
Defesa Ativa.................................................................................................................................................................... 77
A Força Naval do Nordeste............................................................................................................................................. 78
E o que ficou?.................................................................................................................................................................. 80
Exercícios......................................................................................................................................................................... 82
8 ‐ O Emprego Permanente do Poder Naval.................................................................................................................. 83
O Poder Naval na guerra e na paz................................................................................................................................... 83
Classificação.................................................................................................................................................................... 84
A percepção do Poder Naval........................................................................................................................................... 85
O emprego permanente do Poder Naval........................................................................................................................ 86
Exercícios......................................................................................................................................................................... 88
GLOSSÁRIO: Classificação de Navios de Guerra............................................................................................................. 89
Exercícios......................................................................................................................................................................... 95
Jerônimo de Albuquerque e o comando da força naval contra os franceses no Maranhão........................................ 96
A Evolução Tecnológica no setor naval na segunda metade do século XIX e as consequências para a Marinha do  102
Brasil. 
 

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ÁREA  DE  CONCENTRAÇÃO  II  –  FORMAÇÃO  MILITAR‐ 2. O Estado, a Segurança e a Defesa 
NAVAL 
2.1  O  Estado  tem  como  pressupostos  básicos 
DEFESA NACIONAL  território,  povo,  leis  e  governo  próprios  e 
independência  nas  relações  externas.  Ele  detém  o 
POLÍTICA NACIONAL DE DEFESA:  monopólio  legítimo  dos  meios  de  coerção  para  fazer 
1 ‐ INTRODUÇÃO: A Política Nacional de Defesa (PND)  valer  a  lei  e  a  ordem,  estabelecidas 
é  o  documento  condicionante  de  mais  alto  nível  do  democraticamente,  provendo,  também,  a  segurança. 
planejamento  de  ações  destinadas  à  defesa  nacional  A  defesa  externa  é  a  destinação  precípua  das  Forças 
coordenadas  pelo  Ministério  da  Defesa.  Voltada  Armadas. 
essencialmente  para  ameaças  externas,  estabelece  2.2 A segurança é tradicionalmente vista somente do 
objetivos  e  orientações  para  o  preparo  e  o  emprego  ângulo  da  confrontação  entre  nações,  ou  seja,  a 
dos  setores  militar  e  civil  em  todas  as  esferas  do  proteção  contra  ameaças  de  outras  comunidades 
Poder Nacional, em prol da Defesa Nacional.  políticas  ou,  mais  simplesmente,  a  defesa  externa.  À 
Esta  Política  pressupõe  que  a  defesa  do  País  é  medida que as sociedades se desenvolveram e que se 
inseparável  do  seu  desenvolvimento,  fornecendo‐lhe  aprofundou  a  interdependência  entre  os  Estados, 
o  indispensável  escudo.  A  intensificação  da  projeção  novas exigências foram agregadas. 
do Brasil no concerto das nações e sua maior inserção  2.3  Gradualmente,  ampliou‐se  o  conceito  de 
em  processos  decisórios  internacionais  associam‐se  segurança,  abrangendo  os  campos  político,  militar, 
ao modelo de defesa proposto nos termos expostos a  econômico,  psicossocial,  científico‐tecnológico, 
seguir.  ambiental e outros. 
Este documento explicita os conceitos de Segurança e  Preservar  a  segurança  requer  medidas  de  largo 
de  Defesa  Nacional,  analisa  os  ambientes  espectro,  envolvendo,  além  da  defesa  externa:  a 
internacional  e  nacional  e  estabelece  os  Objetivos  defesa  civil,  a  segurança  pública  e  as  políticas 
Nacionais de Defesa. Além disso, orienta a consecução  econômica, social, educacional, científico‐tecnológica, 
desses objetivos.  ambiental,  de  saúde,  industrial.  Enfim,  várias  ações, 
A  Política  Nacional  de  Defesa  interessa  a  todos  os  muitas das quais não implicam qualquer envolvimento 
segmentos  da  sociedade  brasileira.  Baseada  nos  das Forças Armadas. 
fundamentos,  objetivos  e  princípios  constitucionais,  Cabe considerar que a segurança pode ser enfocada a 
alinha‐se  às  aspirações  nacionais  e  às  orientações  partir do indivíduo, da sociedade e do Estado, do que 
governamentais,  em  particular  à  política  externa  resultam definições com diferentes perspectivas. 
brasileira, que propugna, em uma visão ampla e atual, 
a solução pacífica das controvérsias, o fortalecimento  A segurança, em linhas gerais, é a condição em que o 
da  paz  e  da  segurança  internacionais,  o  reforço  do  Estado, a sociedade ou os indivíduos se sentem livres 
multilateralismo e a integração sul‐americana.  de  riscos,  pressões  ou  ameaças,  inclusive  de 
necessidades  extremas.  Por  sua  vez,  defesa  é  a  ação 
Após  longo  período  livre  de  conflitos  que  tenham  efetiva para se obter ou manter o grau de segurança 
afetado  diretamente  o  território  e  a  soberania  desejado. 
nacional,  a  percepção  das  ameaças  está  desvanecida 
para  muitos  brasileiros.  No  entanto,  é  imprudente  2.4  Para  efeito  da  Política  Nacional  de  Defesa  são 
imaginar  que  um  país  com  o  potencial  do  Brasil  não  adotados os seguintes conceitos: 
enfrente  antagonismos  ao  perseguir  seus  legítimos 
interesses. Um dos propósitos da Política Nacional de  I  ‐  Segurança  é  a  condição  que  permite  ao  País 
Defesa  é  conscientizar  todos  os  segmentos  da  preservar  sua  soberania  e  integridade  territorial, 
sociedade brasileira da importância da defesa do País  promover seus interesses nacionais, livre de pressões 
e de que esta é um dever de todos os brasileiros.  e ameaças, e garantir aos cidadãos o exercício de seus 
direitos e deveres constitucionais; e 

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II ‐ Defesa Nacional é o conjunto de medidas e ações  mundo.  A  exclusão  de  parcela  significativa  da 
do  Estado,  com  ênfase  no  campo  militar,  para  a  população  mundial  dos  processos  de  produção, 
defesa  do  território,  da  soberania  e  dos  interesses  consumo e acesso à informação constitui situação que 
nacionais  contra  ameaças  preponderantemente  poderá vir a configurar‐se em conflito. 
externas, potenciais ou manifestas. 
3.3  A  configuração  da  ordem  internacional, 
3. O ambiente internacional  caracterizada  por  assimetrias  de  poder,  produz 
tensões e instabilidades indesejáveis para a paz. 
3.1 O mundo vive desafios mais complexos do que os 
enfrentados  durante  o  período  de  confrontação  A  prevalência  do  multilateralismo  e  o  fortalecimento 
ideológica bipolar. O fim da Guerra Fria reduziu o grau  dos  princípios  consagrados  pelo  Direito  Internacional 
de previsibilidade das relações internacionais vigentes  como  a  soberania,  a  não‐intervenção  e  a  igualdade 
desde a Segunda Guerra Mundial.  entre os Estados são promotores de um mundo mais 
estável, voltado para o desenvolvimento e bem‐estar 
Nesse  ambiente,  é  pouco  provável  um  conflito  da humanidade. 
generalizado  entre  Estados.  Entretanto,  renovam‐se 
conflitos  de  caráter  étnico  e  religioso,  exacerbam‐se  3.4  A  questão  ambiental  permanece  como  uma  das 
os  nacionalismos  e  fragmentam‐se  os  Estados,  preocupações  da  humanidade.  Países  detentores  de 
situações que afetam a ordem mundial.  grande  biodiversidade,  enormes  reservas  de  recursos 
naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao 
Neste século, poderão ser intensificadas disputas por  sistema  produtivo  podem  tornar‐se  objeto  de 
áreas  marítimas,  pelo  domínio  aeroespacial  e  por  interesse internacional. 
fontes de água doce, de alimentos e de energia, cada 
vez  mais  escassas.  Tais  questões  poderão  levar  a  3.5 As mudanças climáticas têm graves consequências 
ingerências  em  assuntos  internos  ou  a  disputas  por  sociais,  com  reflexos  na  capacidade  estatal  de  agir  e 
espaços  não  sujeitos  à  soberania  dos  Estados,  nas relações internacionais. 
configurando  quadros  de  conflito.  Por  outro  lado,  o 
aprofundamento  da  interdependência  dificulta  a  3.6  ‐  Para  que  o  desenvolvimento  e  a  autonomia 
precisa delimitação dos ambientes externo e interno.  nacionais  sejam  alcançados  é  essencial  o  domínio 
crescentemente  autônomo  de  tecnologias  sensíveis, 
Com  a  ocupação  dos  últimos  espaços  terrestres,  as  principalmente  nos  estratégicos  setores  espacial, 
fronteiras  continuarão  a  ser  motivo  de  litígios  cibernético e nuclear. 
internacionais. 
3.7  Os  avanços  da  tecnologia  da  informação,  a 
3.2  O  fenômeno  da  globalização,  caracterizado  pela  utilização  de  satélites,  o  sensoriamento  eletrônico  e 
interdependência  crescente  dos  países,  pela  outros  aperfeiçoamentos  tecnológicos  trouxeram 
revolução  tecnológica  e  pela  expansão  do  comércio  maior  eficiência  aos  sistemas  administrativos  e 
internacional  e  dos  fluxos  de  capitais,  resultou  em  militares, sobretudo nos países que dedicam  maiores 
avanços  para  uma  parcela  da  humanidade.  recursos  financeiros  à  Defesa.  Em  consequência, 
Paralelamente,  a  criação  de  blocos  econômicos  tem  criaram‐se  vulnerabilidades  que  poderão  ser 
acirrado  a  concorrência  entre  grupos  de  países.  Para  exploradas,  com  o  objetivo  de  inviabilizar  o  uso  dos 
os países em desenvolvimento, o desafio é o de uma  nossos sistemas ou facilitar a interferência à distância. 
inserção  positiva  no  mercado  mundial,  ao  mesmo  Para  superar  essas  vulnerabilidades,  é  essencial  o 
tempo  em  que  promovem  o  crescimento  e  a  justiça  investimento  do  Estado  em  setores  de  tecnologia 
social  de  modo  soberano.  A  integração  entre  países  avançada. 
em  desenvolvimento  –  como  na  América  do  Sul  – 
contribui para que alcancem esses objetivos.  4. O ambiente regional e o entorno estratégico 

Nesse  processo,  as  economias  nacionais  tornaram‐se  4.1 A América do Sul é o ambiente regional no qual o 


mais  vulneráveis  às  crises  ocasionadas  pela  Brasil  se  insere.  Buscando  aprofundar  seus  laços  de 
instabilidade  econômica  e  financeira  em  todo  o  cooperação,  o  País  visualiza  um  entorno  estratégico 

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que  extrapola  a  região  sulamericana  e  inclui  o  persistência  desses  focos  de  incertezas  é,  também, 
Atlântico  Sul  e  os  países  lindeiros  da  África,  assim  elemento  que  justifica  a  prioridade  à  defesa  do 
como a Antártica. Ao norte, a proximidade do mar do  Estado, de modo a preservar os interesses nacionais, a 
Caribe  impõe  que  se  dê  crescente  atenção  a  essa  soberania e a independência. 
região. 
4.6 Como consequência de sua situação geopolítica, é 
4.2  ‐  A  América  do  Sul,  distante  dos  principais  focos  importante para o Brasil que se aprofunde o processo 
mundiais  de  tensão  e  livre  de  armas  nucleares,  é  de  desenvolvimento  integrado  e  harmônico  da 
considerada  uma  região  relativamente  pacífica.  Além  América do Sul, que se estende, naturalmente, à área 
disso,  processos  de  consolidação  democrática  e  de  de defesa e segurança regionais. 
integração  regional  tendem  a  aumentar  a  confiança 
mútua e a favorecer soluções negociadas de eventuais  5. O Brasil 
conflitos.  5.1 O perfil brasileiro – ao mesmo tempo continental 
4.3  ‐  Entre  os  fatores  que  contribuem  para  reduzir  a  e marítimo, equatorial, tropical e subtropical, de longa 
possibilidade  de  conflitos  no  entorno  estratégico  fronteira  terrestre  com  quase  todos  os  países  sul‐
destacam‐se:  o  fortalecimento  do  processo  de  americanos e de extenso litoral e águas jurisdicionais 
integração, a partir do Mercosul e da União de Nações  – confere ao País profundidade geoestratégica e torna 
Sul‐Americanas;  o  estreito  relacionamento  entre  os  complexa  a  tarefa  do  planejamento  geral  de  defesa. 
países  amazônicos,  no  âmbito  da  Organização  do  Dessa  maneira,  a  diversificada  fisiografia  nacional 
Tratado  de  Cooperação  Amazônica;  a  intensificação  conforma  cenários  diferenciados  que,  em  termos  de 
da cooperação e do comércio com países da África, da  defesa,  demandam,  ao  mesmo  tempo,  uma  política 
América  Central  e  do  Caribe,  inclusive  a  Comunidade  abrangente e abordagens específicas. 
dos  Estados  Latino‐Americanos  e  Caribenhos  (Celac),  5.2  A  vertente  continental  brasileira  contempla 
facilitada  pelos  laços  étnicos  e  culturais;  o  complexa  variedade  fisiográfica,  que  pode  ser 
desenvolvimento  de  organismos  regionais;  a  sintetizada  em  cinco  macrorregiões:  Sul,  Sudeste, 
integração  das  bases  industriais  de  defesa;  a  Centro‐Oeste, Norte e Nordeste. 
consolidação  da  Zona  de  Paz  e  de  Cooperação  do 
Atlântico  Sul  e  o  diálogo  continuado  nas  mesas  de  5.3  O  planejamento  da  defesa  deve  incluir  todas  as 
interação  inter‐regionais,  como  a  cúpula  América  do  regiões  e,  em  particular,  as  áreas  vitais  onde  se 
Sul‐África  (ASA)  e  o  Fórum  de  Diálogo  Índia‐Brasil‐ encontra  a  maior  concentração  de  poder  político  e 
África do Sul (Ibas). A ampliação, a modernização e a  econômico.  Da  mesma  forma,  deve‐se  priorizar  a 
interligação da infraestrutura da América do Sul, com  Amazônia e o Atlântico Sul. 
a devida atenção ao meio ambiente e às comunidades 
5.4  A  Amazônia  brasileira,  com  seu  grande  potencial 
locais, podem concretizar a ligação entre seus centros 
de  riquezas  minerais  e  de  biodiversidade,  é  foco  da 
produtivos  e  os  dois  oceanos,  facilitando  o 
atenção  internacional.  A  garantia  da  presença  do 
desenvolvimento e a integração. 
Estado  e  a  vivificação  da  faixa  de  fronteira  são 
4.4  A  segurança  de  um  país  é  afetada  pelo  grau  de  dificultadas,  entre  outros  fatores,  pela  baixa 
estabilidade da região onde ele está inserido. Assim, é  densidade demográfica e pelas longas distâncias. 
desejável  que  ocorram  o  consenso,  a  harmonia 
A  vivificação  das  fronteiras,  a  proteção  do  meio 
política  e  a  convergência  de  ações  entre  os  países 
ambiente  e  o  uso  sustentável  dos  recursos  naturais 
vizinhos  para  reduzir  os  delitos  transnacionais  e 
são  aspectos  essenciais  para  o  desenvolvimento  e  a 
alcançar  melhores  condições  de  desenvolvimento 
integração da região. O adensamento da presença do 
econômico  e  social,  tornando  a  região  mais  coesa  e 
Estado, e em particular das Forças Armadas, ao longo 
mais forte. 
das  nossas  fronteiras  é  condição  relevante  para  o 
4.5 A existência de zonas de instabilidade e de ilícitos  desenvolvimento sustentável da Amazônia. 
transnacionais  pode  provocar  o  transbordamento  de 
conflitos  para  outros  países  da  América  do  Sul.  A 

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5.5  O  mar  sempre  esteve  relacionado  com  o  pertinentes da Organização das Nações Unidas (ONU), 
progresso  do  Brasil,  desde  o  seu  descobrimento.  A  reconhecendo  a  necessidade  de  que  as  nações 
natural vocação marítima brasileira é respaldada pelo  trabalhem  em  conjunto  no  sentido  de  prevenir  e 
seu  extenso  litoral  e  pela  importância  estratégica  do  combater as ameaças terroristas. 
Atlântico Sul. 
5.9  O  Brasil  atribui  prioridade  aos  países  da  América 
A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar  do Sul e da África, em especial aos da África Ocidental 
abre a possibilidade de o Brasil estender os limites da  e aos de língua portuguesa, buscando aprofundar seus 
sua  Plataforma  Continental  e  exercer  o  direito  de  laços com esses países. 
jurisdição sobre os recursos econômicos em uma área 
de  cerca  de  4,5  milhões  de  quilômetros  quadrados,  5.10  A  intensificação  da  cooperação  com  a 
região  de  vital  importância  para  o  País,  uma  Comunidade  dos  Países  de  Língua  Portuguesa, 
verdadeira “Amazônia Azul”.   integrada  por  oito  países  distribuídos  por  quatro 
continentes e unidos pelos denominadores comuns da 
Nessa  imensa  área,  incluída  a  camada  do  pré‐sal,  história,  da  cultura  e  da  língua,  constitui  outro  fator 
estão as maiores reservas de petróleo e gás, fontes de  relevante das nossas relações exteriores. 
energia  imprescindíveis  para  o  desenvolvimento  do 
País,  além  da  existência  de  grande  potencial  5.11  O  Brasil  tem  laços  de  cooperação  com  países  e 
pesqueiro, mineral e de outros recursos naturais.   blocos  tradicionalmente  aliados  que  possibilitam  a 
troca  de  conhecimento  em  diversos  campos. 
A  globalização  aumentou  a  interdependência  Concomitantemente,  busca  novas  parcerias 
econômica  dos  países  e,  consequentemente,  o  fluxo  estratégicas  com  nações  desenvolvidas  ou 
de  cargas.  No  Brasil,  o  transporte  marítimo  é  emergentes para ampliar esses intercâmbios. Ao lado 
responsável  por  movimentar  quase  todo  o  comércio  disso, o País acompanha as mudanças e variações do 
exterior.  cenário político e econômico internacional e não deixa 
de  explorar  o  potencial  de  novas  associações,  tais 
5.6  As  dimensões  continental,  marítima  e  como  as  que  mantém  com  os  demais  membros  do 
aeroespacial, esta sobrejacente às duas primeiras, são  BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). 
de  suma  importância  para  a  Defesa  Nacional.  O 
controle do espaço aéreo e a sua boa articulação com  5.12  O  Brasil  atua  na  comunidade  internacional 
os países vizinhos, assim como o desenvolvimento de  respeitando  os  princípios  consagrados  no  art.  4º  da 
nossa  capacitação  aeroespacial,  constituem  objetivos  Constituição,  em  particular  os  princípios  de 
setoriais prioritários.  autodeterminação,  não‐intervenção,  igualdade  entre 
os  Estados  e  solução  pacífica  de  conflitos.  Nessas 
5.7  O  Brasil  defende  uma  ordem  internacional  condições,  sob  a  égide  da  Organização  das  Nações 
baseada  na  democracia,  no  multilateralismo,  na  Unidas (ONU), participa de operações de paz, sempre 
cooperação,  na  proscrição  das  armas  químicas,  de  acordo  com  os  interesses  nacionais,  de  forma  a 
biológicas  e  nucleares,  e  na  busca  da  paz  entre  as  contribuir para a paz e a segurança internacionais. 
nações.  Nesse  sentido,  defende  a  reforma  das 
instâncias decisórias internacionais, de modo a torná‐ 5.13 A persistência de ameaças à paz mundial requer 
las  mais  legítimas,  representativas  e  eficazes,  a  atualização  permanente  e  o  aparelhamento  das 
fortalecendo o multilateralismo, o respeito ao Direito  nossas Forças Armadas, com ênfase no apoio à ciência 
Internacional  e  os  instrumentos  para  a  solução  e  tecnologia  para  o  desenvolvimento  da  indústria 
pacífica de controvérsias.  nacional  de  defesa.  Visa‐se,  com  isso,  à  redução  da 
dependência tecnológica e à superação das restrições 
5.8  A  Constituição  tem  como  um  de  seus  princípios,  unilaterais de acesso a tecnologias sensíveis. 
nas relações internacionais, o repúdio ao terrorismo. 
5.14  Em  consonância  com  a  busca  da  paz  e  da 
O  Brasil  considera  que  o  terrorismo  internacional  segurança  internacionais,  o  País  é  signatário  do 
constitui risco à paz e à segurança mundiais. Condena  Tratado sobre a Não‐Proliferação de Armas Nucleares 
enfaticamente suas ações e implementa as resoluções 

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e  destaca  a  necessidade  do  cumprimento  do  seu  X. estruturar as Forças Armadas em torno de 
Artigo  VI,  que  prevê  a  negociação  para  a  eliminação  capacidades, dotando‐as de pessoal e material 
total  das  armas  nucleares  por  parte  das  potências  compatíveis com os planejamentos estratégicos e 
nucleares, ressalvando o direito de todos os países ao  operacionais; e  
uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos.  XI. desenvolver o potencial de logística de defesa e de 
mobilização nacional. 
5.15  O  contínuo  desenvolvimento  brasileiro  traz 
implicações  crescentes  para  a  segurança  das  7. Orientações 
infraestruturas  críticas.  Dessa  forma,  é  necessária  a 
identificação  dos  pontos  estratégicos  prioritários,  de  7.1.  No  gerenciamento  de  crises  internacionais  de 
modo a planejar e a implementar suas defesas.  natureza  político‐estratégica,  o  Governo  poderá 
determinar  o  emprego  de  todas  as  expressões  do 
6. Objetivos nacionais de defesa  Poder  Nacional,  de  diferentes  formas,  visando  a 
preservar os interesses nacionais.  
As relações internacionais são pautadas por complexo 
jogo de atores, interesses e normas que estimulam ou  7.2.  No  caso  de  agressão  externa,  o  País  empregará 
limitam a capacidade de atua‐ ção dos Estados. Nesse  todo  o  Poder  Nacional,  com  ênfase  na  expressão 
contexto  de  múltiplas  influências  e  de  militar, na defesa dos seus interesses.  
interdependência,  os  países  buscam  realizar  seus 
interesses  nacionais,  podendo  encorajar  alianças  ou  7.3.  O  Serviço  Militar  Obrigatório  é  a  garantia  de 
gerar conflitos de variadas intensidades.  participação  de  cidadãos  na  Defesa  Nacional  e 
contribui  para  o  desenvolvimento  da  mentalidade  de 
Dessa  forma,  torna‐se  essencial  estruturar  a  Defesa  defesa no seio da sociedade brasileira.  
Nacional de modo compatível com a estatura político‐
estratégica  do  País  para  preservar  a  soberania  e  os  7.4.  A  expressão  militar  do  País  fundamenta‐se  na 
interesses  nacionais.  Assim,  da  avaliação  dos  capacidade  das  Forças  Armadas  e  no  potencial  dos 
ambientes descritos, emergem os Objetivos Nacionais  recursos nacionais mobilizáveis.  
de Defesa:  7.5.  O  País  deve  dispor  de  meios  com  capacidade  de 
I. garantir a soberania, o patrimônio nacional e a  exercer  vigilância,  controle  e  defesa:  das  águas 
integridade territorial;   jurisdicionais  brasileiras;  do  seu  território  e  do  seu 
II. defender os interesses nacionais e as pessoas, os  espaço  aéreo,  incluídas  as  áreas  continental  e 
bens e os recursos brasileiros no exterior;   marítima. Deve, ainda, manter a segurança das linhas 
III. contribuir para a preservação da coesão e da  de comunicações marítimas e das linhas de navegação 
unidade nacionais;   aérea, especialmente no Atlântico Sul.  
IV. contribuir para a estabilidade regional;   7.6.  Para  contrapor‐se  às  ameaças  à  Amazônia,  é 
V. contribuir para a manutenção da paz e da  imprescindível  executar  uma  série  de  ações 
segurança internacionais;  estratégicas  voltadas  para  o  fortalecimento  da 
VI. intensificar a projeção do Brasil no concerto das  presença  militar,  a  efetiva  ação  do  Estado  no 
nações e sua maior inserção em processos decisórios  desenvolvimento  sustentável  (social,  econômico  e 
internacionais;   ambiental)  e  a  ampliação  da  cooperação  com  os 
VII. manter Forças Armadas modernas, integradas,  países  vizinhos,  visando  à  defesa  das  riquezas 
adestradas e balanceadas, e com crescente  naturais. 
profissionalização, operando de forma conjunta e 
adequadamente desdobradas no território nacional;   7.7.  Os  setores  governamental,  industrial  e 
VIII. conscientizar a sociedade brasileira da  acadêmico,  voltados  à  produção  científica  e 
importância dos assuntos de defesa do País;   tecnológica e para a inovação, devem contribuir para 
IX. desenvolver a indústria nacional de defesa,  assegurar  que  o  atendimento  às  necessidades  de 
orientada para a obtenção da autonomia em  produtos  de  defesa  seja  apoiado  em  tecnologias  sob 
tecnologias indispensáveis;   domínio  nacional  obtidas  mediante  estímulo  e 

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fomento  dos  setores  industrial  e  acadêmico.  A  País e os princípios básicos da política externa, o Brasil 
capacitação da indústria nacional de defesa, incluído o  poderá participar de arranjos de defesa coletiva. 
domínio  de  tecnologias  de  uso  dual,  é  fundamental 
para alcançar o abastecimento de produtos de defesa.   7.16.  É  imprescindível  que  o  País  disponha  de 
estrutura ágil, capaz de prevenir ações terroristas e de 
7.8. A integração da indústria de defesa sul‐americana  conduzir operações de contraterrorismo.  
deve  ser  objeto  de  medidas  que  proporcionem 
desenvolvimento  mútuo,  bem  como  capacitação  e  7.17. Para se opor a possíveis ataques cibernéticos, é 
autonomia tecnológicas.   essencial  aperfeiçoar  os  dispositivos  de  segurança  e 
adotar  procedimentos  que  minimizem  a 
7.9.  O  Brasil  deverá  buscar  parcerias  estratégicas,  vulnerabilidade dos sistemas que possuam suporte de 
visando  a  ampliar  o  leque  de  opções  de  cooperação  tecnologia da informação e comunicação ou permitam 
na área de defesa e as oportunidades de intercâmbio.   seu pronto restabelecimento.  

7.10.  Os  setores  espacial,  cibernético  e  nuclear  são  7.18.  É  prioritário  assegurar  continuidade  e 
estratégicos  para  a  Defesa  do  País;  devem,  portanto,  previsibilidade  na  alocação  de  recursos  para  permitir 
ser fortalecidos.  o  preparo  e  o  equipamento  adequado  das  Forças 
Armadas.  
 7.11.  A  atuação  do  Estado  brasileiro  com  relação  à 
defesa tem como fundamento a obrigação de garantir  7.19.  Deverá  ser  buscado  o  constante 
nível adequado de segurança do País, tanto em tempo  aperfeiçoamento  da  capacidade  de  comando, 
de paz, quanto em situação de conflito.   controle, monitoramento e do sistema de inteligência 
dos órgãos envolvidos na Defesa Nacional.  
7.12.  À  ação  diplomática  na  solução  de  conflitos 
soma‐se  a  estratégia  militar  da  dissuasão.  Nesse  7.20.  Nos  termos  da  Constituição,  as  Forças  Armadas 
contexto,  torna‐se  importante  desenvolver  a  poderão  ser  empregadas  pela  União  contra  ameaças 
capacidade  de  mobilização  nacional  e  a  manutenção  ao  exercício  da  soberania  do  Estado  e  à 
de  Forças  Armadas  modernas,  integradas  e  indissolubilidade da unidade federativa. 
balanceadas,  operando  de  forma  conjunta  e 
adequadamente  desdobradas  no  território  nacional,  7.21.  O  Brasil  deverá  buscar  a  contínua  interação  da 
em condições de pronto emprego.  atual  PND  com  as  demais  políticas  governamentais, 
visando  a  fortalecer  a  infraestrutura  de  valor 
7.13.  Para  ampliar  a  projeção  do  País  no  concerto  estratégico para a Defesa Nacional, particularmente a 
mundial  e  reafirmar  seu  compromisso  com  a  defesa  de transporte, a de energia e a de comunicações.  
da  paz  e  com  a  cooperação  entre  os  povos,  o  Brasil 
deverá  aperfeiçoar  o  preparo  das  Forças  Armadas  7.22.  O  emprego  das  Forças  Armadas  na  garantia  da 
para  desempenhar  responsabilidades  crescentes  em  lei e da ordem é regido por legislação específica. 
ações  humanitárias  e  em  missões  de  paz  sob  a  égide     
de  organismos  multilaterais,  de  acordo  com  os 
interesses nacionais.  

7.14.  O  Brasil  deverá  dispor  de  capacidade  de 


projeção  de  poder,  visando  a  eventual  participação 
em  operações  estabelecidas  ou  autorizadas  pelo 
Conselho de Segurança da ONU. 

7.15.  Excepcionalmente,  em  conflitos  de  maior 


extensão,  de  forma  coerente  com  sua  história  e  o 
cenário  vislumbrado,  observados  os  dispositivos 
constitucionais  e  legais,  bem  como  os  interesses  do 

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ESTRATÉGIA NACIONAL DE DEFESA  Estratégia  Nacional  de  Defesa  e  Estratégia  Nacional 
de Desenvolvimento 
I – FORMULAÇÃO SISTEMÁTICA 
1.  Estratégia  nacional  de  defesa  é  inseparável  de 
Introdução  estratégia  nacional  de  desenvolvimento.  Esta  motiva 
O  Brasil  é  pacífico  por  tradição  e  por  convicção.  Vive  aquela.  Aquela  fornece  escudo  para  esta.  Cada  uma 
em  paz  com  seus  vizinhos.  Rege  suas  relações  reforça  as  razões  da  outra.  Em  ambas,  se  desperta 
internacionais,  dentre  outros,  pelos  princípios  para  a  nacionalidade  e  constrói‐se  a  Nação. 
constitucionais  da  não  intervenção,  defesa  da  paz,  Defendido, o Brasil terá como dizer não, quando tiver 
solução  pacífica  dos  conflitos  e  democracia.  Essa  que  dizer  não.  Terá  capacidade  para  construir  seu 
vocação  para  a  convivência  harmônica,  tanto  interna  próprio modelo de desenvolvimento.  
como  externa,  é  parte  da  identidade  nacional  e  um  2. Não é evidente para um País que pouco trato teve 
valor a ser conservado pelo povo brasileiro.   com  guerras,  convencer‐se  da  necessidade  de 
O  Brasil  ascenderá  ao  primeiro  plano  no  cenário  defender‐se  para  poder  construir‐se.  Não  bastam, 
internacional  sem  buscar  hegemonia.  O  povo  ainda  que  sejam  proveitosos  e  até  mesmo 
brasileiro  não  deseja  exercer  domínio  sobre  outros  indispensáveis,  os  argumentos  que  invocam  as 
povos. Quer que o Brasil se engrandeça sem imperar.   utilidades  das  tecnologias  e  dos  conhecimentos  da 
defesa  para  o  desenvolvimento  do  País.  Os  recursos 
O  crescente  desenvolvimento  do  Brasil  deve  ser  demandados  pela  defesa  exigem  uma  transformação 
acompanhado  pelo  aumento  do  preparo  de  sua  de consciências, para que se constitua uma estratégia 
defesa  contra  ameaças  e  agressões.  A  sociedade  de defesa para o Brasil. 
brasileira  vem  tomando  consciência  da 
responsabilidade  com  a  preservação  da  3.  Apesar  da  dificuldade,  é  indispensável  para  as 
independência  do  País.  O  planejamento  de  ações  Forças Armadas de um País com as características do 
destinadas à Defesa Nacional, a cargo do Estado, tem  nosso,  manter,  em  meio  à  paz,  o  impulso  de  se 
seu  documento  condicionante  de  mais  alto  nível  na  preparar para o combate e de cultivar, em prol desse 
Política  Nacional  de  Defesa,  que  estabelece  os  preparo,  o  hábito  da  transformação.  Disposição  para 
Objetivos Nacionais de Defesa.   mudar  é  o  que  a  Nação  está  a  exigir  agora  de  si 
mesma,  de  sua  liderança,  de  seus  marinheiros, 
O  primeiro  deles  é  a  garantia  da  soberania,  do  soldados e aviadores. Não se trata apenas de financiar 
patrimônio  nacional  e  da  integridade  territorial.  e  de  equipar  as  Forças  Armadas.  Trata‐se  de 
Outros  objetivos  incluem  a  estruturação  de  Forças  transformá‐las, para melhor defenderem o Brasil.  
Armadas com adequadas capacidades organizacionais 
e  operacionais  e  a  criação  de  condições  sociais  e  4.  Projeto  forte  de  defesa  favorece  projeto  forte  de 
econômicas  de  apoio  à  Defesa  Nacional  no  Brasil,  desenvolvimento.  Forte  é  o  projeto  de 
assim  como  a  contribuição  para  a  paz  e  a  segurança  desenvolvimento que, sejam quais forem suas demais 
internacionais  e  a  proteção  dos  interesses  brasileiros  orientações, se guie pelos seguintes princípios: 
nos diferentes níveis de projeção externa do País.  (a) Independência nacional efetivada pela mobilização 
A  presente  Estratégia  Nacional  de  Defesa  trata  da  de  recursos  físicos,  econômicos  e  humanos,  para  o 
reorganização e reorientação das Forças Armadas, da  investimento  no  potencial  produtivo  do  País. 
organização da Base Industrial de Defesa e da política  Aproveitar  os  investimentos  estrangeiros,  sem  deles 
de composição dos efetivos da Marinha, do Exército e  depender;  
da  Aeronáutica.  Ao  propiciar  a  execução  da  Política  (b)  Independência  nacional  alcançada  pela 
Nacional de Defesa com uma orientação sistemática e  capacitação  tecnológica  autônoma,  inclusive  nos 
com  medidas  de  implementação,  a  Estratégia  estratégicos  setores  espacial,  cibernético  e  nuclear. 
Nacional de Defesa contribuirá para fortalecer o papel  Não  é  independente  quem  não  tem  o  domínio  das 
cada vez mais importante do Brasil no mundo. 

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tecnologias sensíveis, tanto para a defesa, como para  4.  Desenvolver,  lastreada  na  capacidade  de 
o desenvolvimento; e   monitorar/controlar,  a  capacidade  de  responder 
prontamente  a  qualquer  ameaça  ou  agressão:  a 
(c)  Independência  nacional  assegurada  pela  mobilidade estratégica.  
democratização  de  oportunidades  educativas  e 
econômicas  e  pelas  oportunidades  para  ampliar  a  A mobilidade estratégica – entendida como a aptidão 
participação popular nos processos decisórios da vida  para  se  chegar  rapidamente  à  região  em  conflito  – 
política e econômica do País.  reforçada pela mobilidade tática – entendida como a 
aptidão  para  se  mover  dentro  daquela  região  –  é  o 
Natureza e âmbito da Estratégia Nacional de Defesa  complemento  prioritário  do  monitoramento/controle 
1. A Estratégia Nacional de Defesa é o vínculo entre o  e uma das bases do poder de combate, exigindo, das 
conceito  e  a  política  de  independência  nacional,  de  Forças Armadas, ação que, mais do que conjunta, seja 
um  lado,  e  as  Forças  Armadas  para  resguardar  essa  unificada.  
independência, de outro. Trata de questões políticas e  O  imperativo  de  mobilidade  ganha  importância 
institucionais decisivas para a defesa do País, como os  decisiva,  dadas  a  vastidão  do  espaço  a  defender  e  a 
objetivos  da  sua  “grande  estratégia”  e  os  meios  para  escassez  dos  meios  para  defendê‐lo.  O  esforço  de 
fazer  com  que  a  Nação  participe  da  defesa.  Aborda,  presença, sobretudo ao longo das fronteiras terrestres 
também,  problemas  propriamente  militares,  e  nas  partes  mais  estratégicas  do  litoral,  tem 
derivados  da  influência  dessa  “grande  estratégia”  na  limitações  intrínsecas.  É  a  mobilidade  que  permitirá 
orientação e nas práticas operacionais das três Forças.  superar o efeito prejudicial de tais limitações.  
Diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa  5.  Aprofundar  o  vínculo  entre  os  aspectos 
A  Estratégia  Nacional  de  Defesa  pauta‐se  pelas  tecnológicos  e  os  operacionais  da  mobilidade,  sob  a 
seguintes diretrizes:   disciplina de objetivos bem definidos.  

1.  Dissuadir  a  concentração  de  forças  hostis  nas  Mobilidade depende de meios terrestres, marítimos e 


fronteiras  terrestres  e  nos  limites  das  águas  aéreos  apropriados  e  da  maneira  de  combiná‐los. 
jurisdicionais  brasileiras,  e  impedir‐lhes  o  uso  do  Depende, também, de capacitações operacionais que 
espaço aéreo nacional.   permitam  aproveitar  ao  máximo  o  potencial  das 
tecnologias do movimento. 
Para  dissuadir,  é  preciso  estar  preparado  para 
combater.  A  tecnologia,  por  mais  avançada  que  seja,  O  vínculo  entre  os  aspectos  tecnológicos  e 
jamais  será  alternativa  ao  combate.  Será  sempre  operacionais  da  mobilidade  há  de  se  realizar  de 
instrumento do combate.   maneira  a  alcançar  objetivos  bem  definidos.  Entre 
esses  objetivos,  há  um  que  guarda  relação 
2.  Organizar  as  Forças  Armadas  sob  a  égide  do  especialmente  próxima  com  a  mobilidade:  a 
trinômio  monitoramento/controle,  mobilidade  e  capacidade  de  alternar  a  concentração  e  a 
presença.  Esse  triplo  imperativo  vale,  com  as  desconcentração  de  forças,  com  o  propósito  de 
adaptações  cabíveis,  para  cada  Força.  Do  trinômio  dissuadir e combater a ameaça.  
resulta  a  definição  das  capacitações  operacionais  de 
cada uma das Forças.   6.  Fortalecer  três  setores  de  importância  estratégica: 
o  espacial,  o  cibernético  e  o  nuclear.  Esse 
3.  Desenvolver  as  capacidades  de  monitorar  e  fortalecimento assegurará o atendimento ao conceito 
controlar  o  espaço  aéreo,  o  território  e  as  águas  de flexibilidade.  
jurisdicionais brasileiras. 
Como  decorrência  de  sua  própria  natureza,  esses 
Tal desenvolvimento dar‐se‐á a partir da utilização de  setores transcendem a divisão entre desenvolvimento 
tecnologias  de  monitoramento  terrestre,  marítimo,  e defesa, entre o civil e o militar.  
aéreo  e  espacial  que  estejam  sob  inteiro  e 
incondicional domínio nacional.  

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Os  setores  espacial  e  cibernético  permitirão,  em  O  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forças  Armadas  será 
conjunto,  que  a  capacidade  de  visualizar  o  próprio  chefiado  por  um  oficial‐general  de  último  posto,  e 
País  não  dependa  de  tecnologia  estrangeira  e  que  as  terá  a  participação  de  um  Comitê,  integrado  pelos 
três  Forças,  em  conjunto,  possam  atuar  em  rede,  Chefes  dos  Estados‐Maiores  das  três  Forças.  Será 
instruídas  por  monitoramento  que  se  faça  também  a  subordinado  diretamente  ao  Ministro  da  Defesa. 
partir do espaço.   Construirá  as  iniciativas  destinadas  a  dar  realidade 
prática à tese da unificação doutrinária, estratégica e 
O  Brasil  tem  compromisso  –  decorrente  da  operacional e contará com estrutura permanente que 
Constituição  e  da  adesão  a  Tratados  Internacionais  –  lhe permita cumprir sua tarefa.  
com  o  uso  estritamente  pacífico  da  energia  nuclear. 
Entretanto,  afirma  a  necessidade  estratégica  de  A  Marinha,  o  Exército  e  a  Aeronáutica  disporão, 
desenvolver  e  dominar  essa  tecnologia.  O  Brasil  singularmente, de um Comandante, nomeado pelo(a) 
precisa  garantir  o  equilíbrio  e  a  versatilidade  da  sua  Presidente(a)  da  República  e  indicado  pelo  Ministro 
matriz energética e avançar em áreas, tais como as de  da  Defesa.  O  Comandante  de  Força,  no  âmbito  das 
agricultura  e  saúde,  que  podem  se  beneficiar  da  suas atribuições, exercerá a direção e a gestão da sua 
tecnologia  de  energia  nuclear.  E  levar  a  cabo,  entre  Força, formulará a sua política e doutrina e preparará 
outras  iniciativas  que  exigem  independência  seus  órgãos  operativos  e  de  apoio  para  o 
tecnológica em matéria de energia nuclear, o projeto  cumprimento da destinação constitucional.  
do submarino de propulsão nuclear. 
Os  Estados‐Maiores  das  três  Forças,  subordinados  a 
7.  Unificar  e  desenvolver  as  operações  conjuntas  das  seus  Comandantes,  serão  os  agentes  da  formulação 
três  Forças,  muito  além  dos  limites  impostos  pelos  estratégica  em  cada  uma  delas,  sob  a  orientação  do 
protocolos de exercícios conjuntos.   respectivo Comandante. 

Os  instrumentos  principais  dessa  unificação  serão  o  8. Reposicionar os efetivos das três Forças.  


Ministério  da  Defesa  e  o  Estado‐Maior  Conjunto  das 
Forças  Armadas.  Devem  ganhar  dimensão  maior  e  As  principais  unidades  do  Exército  estacionam  no 
responsabilidades mais abrangentes.   Sudeste  e  no  Sul  do  Brasil.  A  esquadra  da  Marinha 
concentra‐se  na  cidade  do  Rio  de  Janeiro.  Algumas 
O Ministro da Defesa exercerá, na plenitude, todos os  instalações  tecnológicas  da  Força  Aérea  estão 
poderes  de  direção  das  Forças  Armadas  que  a  localizadas em São José dos Campos, em São Paulo. As 
Constituição e as leis não reservarem, expressamente,  preocupações  mais  agudas  de  defesa  estão,  porém, 
ao Presidente da República.   no Norte, no Oeste e no Atlântico Sul.  

A subordinação das Forças Armadas ao poder político  Sem  desconsiderar  a  necessidade  de  defender  as 


constitucional é pressuposto do regime republicano e  maiores  concentrações  demográficas  e  os  maiores 
garantia da integridade da Nação.   centros  industriais  do  País,  a  Marinha  deverá  estar 
mais presente na região da foz do Rio Amazonas e nas 
Os  Secretários  do  Ministério  da  Defesa  e  o  Diretor‐ grandes  bacias  fluviais  do  Amazonas  e  do  Paraguai‐
Geral  do  Centro  Gestor  e  Operacional  do  Sistema  de  Paraná.  Deverá  o  Exército  agrupar  suas  reservas 
Proteção  da  Amazônia  (CENSIPAM)  serão  nomeados  regionais  nas  respectivas  áreas,  para  possibilitar  a 
mediante  indicação  exclusiva  do  Ministro  de  Estado  resposta imediata na crise ou na guerra.  
da  Defesa,  entre  cidadãos  brasileiros,  militares  das 
três  Forças  e  civis,  respeitadas  as  peculiaridades  e  as  Pelas  mesmas  razões  que  exigem  a  formação  do 
funções de cada secretaria. As iniciativas destinadas a  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forças  Armadas,  os 
formar  quadros  de  especialistas  civis  em  defesa  Distritos Navais ou Comandos de Área das três Forças 
permitirão,  no  futuro,  aumentar  a  presença  de  civis  terão  suas  áreas  de  jurisdição  coincidentes, 
em  postos  dirigentes  e  nos  demais  níveis  do  ressalvados  impedimentos  decorrentes  de 
Ministério  da  Defesa.  As  disposições  legais  em  circunstâncias  locais  ou  específicas.  Os  oficiais‐
contrário serão revogadas.   generais  que  comandarem,  por  conta  de  suas 

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respectivas Forças, um Distrito Naval ou Comando de  passa  pelo  trinômio  monitoramento/controle, 
Área,  reunir‐se‐ão  regularmente,  acompanhados  de  mobilidade e presença.  
seus  principais  assessores,  para  assegurar  a  unidade 
operacional  das  três  Forças  naquela  área.  Em  cada  O Brasil será vigilante na reafirmação incondicional de 
área  deverá  ser  estruturado  um  Estado‐Maior  sua soberania sobre a Amazônia brasileira. Repudiará, 
Conjunto  Regional,  para  realizar  e  atualizar,  desde  o  pela prática de atos de desenvolvimento e de defesa, 
tempo de paz, os planejamentos operacionais da área.   qualquer tentativa de tutela sobre as suas decisões a 
respeito  de  preservação,  de  desenvolvimento  e  de 
9.  Adensar  a  presença  de  unidades  da  Marinha,  do  defesa da Amazônia. Não permitirá que organizações 
Exército e da Força Aérea nas fronteiras.  ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses 
estrangeiros – políticos ou econômicos – que queiram 
Deve‐se  ter  claro  que,  dadas  as  dimensões  enfraquecer  a  soberania  brasileira.  Quem  cuida  da 
continentais do território nacional, presença não pode  Amazônia brasileira, a serviço da humanidade e de si 
significar  onipresença.  A  presença  ganha  efetividade  mesmo, é o Brasil.  
graças  à  sua  relação  com  monitoramento/controle  e 
com mobilidade.   O CENSIPAM deverá atuar integradamente com as FA, 
a fim de fortalecer o monitoramento, o planejamento, 
Nas  fronteiras  terrestres,  nas  águas  jurisdicionais  o  controle,  a  logística,  a  mobilidade  e  a  presença  na 
brasileiras  e  no  espaço  aéreo  sobrejacente,  as  Amazônia brasileira.  
unidades  do  Exército,  da  Marinha  e  da  Força  Aérea 
têm,  sobretudo,  tarefas  de  vigilância.  No  11. Desenvolver a capacidade logística, para fortalecer 
cumprimento dessas tarefas, as unidades ganham seu  a mobilidade, sobretudo na região amazônica.  
pleno  significado  apenas  quando  compõem  sistema 
integrado  de  monitoramento/controle,  feito,  Daí  a  importância  de  se  possuir  estruturas  de 
inclusive,  a  partir  do  espaço.  Ao  mesmo  tempo,  tais  transporte  e  de  comando  e  controle  que  possam 
unidades  potencializam‐se  como  instrumentos  de  operar  em  grande  variedade  de  circunstâncias, 
defesa,  por  meio  de  seus  vínculos  com  as  reservas  inclusive  sob  as  condições  extraordinárias  impostas 
táticas  e  estratégicas.  Os  vigias  alertam.  As  reservas  pela guerra.  
respondem  e  operam.  E  a  eficácia  do  emprego  das  12.  Desenvolver  o  conceito  de  flexibilidade  no 
reservas  táticas  regionais  e  estratégicas  é  combate,  para  atender  aos  requisitos  de 
proporcional  à  capacidade  de  atenderem  à  exigência  monitoramento/controle, mobilidade e presença.  
da mobilidade.  
Isso  exigirá,  sobretudo  na  Força  Terrestre,  que  as 
Entende‐se por reservas táticas forças articuladas, em  forças  convencionais  cultivem  alguns  predicados 
profundidade,  numa  determinada  área  estratégica,  atribuídos a forças não convencionais.  
com mobilidade suficiente para serem empregadas na 
própria  área  estratégica  onde  estão  localizadas.  Somente Forças Armadas com tais predicados estarão 
Reservas  estratégicas  são  forças  dotadas  de  alta  aptas  para  operar  no  amplíssimo  espectro  de 
mobilidade  estratégica,  com  estrutura  organizacional  circunstâncias que o futuro poderá trazer.  
completa desde o tempo de paz, dotadas do mais alto 
A  conveniência  de  assegurar  que  as  forças 
nível  possível  de  capacitação  operacional  e 
convencionais  adquiram  predicados  comumente 
aprestamento,  em  condições  de  atuar  no  mais  curto 
associados  a  forças  não  convencionais  pode  parecer 
prazo,  no  todo  ou  em  parte,  em  qualquer  área 
mais  evidente  no  ambiente  da  selva  amazônica. 
estratégica compatível com sua doutrina de emprego.  
Aplicam‐se  eles,  porém,  com  igual  pertinência,  a 
10. Priorizar a região amazônica.   outras  áreas  do  País.  Não  é  uma  adaptação  a 
especificidades  geográficas  localizadas.  É  resposta  a 
A  Amazônia  representa  um  dos  focos  de  maior  uma vocação estratégica geral. 
interesse  para  a  defesa.  A  defesa  da  Amazônia  exige 
avanço  de  projeto  de  desenvolvimento  sustentável  e  13.  Desenvolver  o  repertório  de  práticas  e  de 
capacitações  operacionais  dos  combatentes,  para 
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atender  aos  requisitos  de  monitoramento/controle,  14. Promover a reunião, nos militares brasileiros, dos 
mobilidade e presença.   atributos  e  predicados  exigidos  pelo  conceito  de 
flexibilidade.  
Cada  homem  e  mulher  a  serviço  das  Forças  Armadas 
há  de  dispor  de  três  ordens  de  meios  e  de  O  militar  brasileiro  precisa  reunir  qualificação  e 
habilitações.   rusticidade.  Necessita  dominar  as  tecnologias  e  as 
práticas  operacionais  exigidas  pelo  conceito  de 
Em primeiro lugar, cada combatente deve contar com  flexibilidade.  Deve  identificar‐se  com  as 
meios e habilitações para atuar em rede, não só com  peculiaridades  e  características  geográficas  exigentes 
outros  combatentes  e  contingentes  de  sua  própria  ou extremas que existem no País. Só assim realizar‐se‐
Força, mas também com combatentes e contingentes  á,  na  prática,  o  conceito  de  flexibilidade,  dentro  das 
das  outras  Forças.  As  tecnologias  de  comunicações,  características  do  territó‐  rio  nacional  e  da  situação 
inclusive com os veículos que monitorem a superfície  geográfica e geopolítica do Brasil. 
da  terra  e  do  mar,  a  partir  do  espaço,  devem  ser 
encaradas  como  instrumentos  potencializadores  de  15.  Rever,  a  partir  de  uma  política  de  otimização  do 
iniciativas  de  defesa  e  de  combate.  Esse  é  o  sentido  emprego  de  recursos  humanos,  a  composição  dos 
do  requisito  de  monitoramento  e  controle  e  de  sua  efetivos  das  três  Forças,  de  modo  a  dimensioná‐las 
relação  com  as  exigências  de  mobilidade  e  de  para  atender  adequadamente  ao  disposto  na 
presença.   Estratégia Nacional de Defesa.  

Em  segundo  lugar,  cada  combatente  deve  dispor  de  16.  Estruturar  o  potencial  estratégico  em  torno  de 
tecnologias  e  de  conhecimentos  que  permitam  capacidades.  
aplicar,  em  qualquer  região  em  conflito,  terrestre  ou 
marítimo,  o  imperativo  de  mobilidade.  É  a  esse  Convém  organizar  as  Forças  Armadas  em  torno  de 
imperativo,  combinado  com  a  capacidade  de  capacidades, não em torno de inimigos específicos. O 
combate,  que  devem  servir  as  plataformas  e  os  Brasil  não  tem  inimigos  no  presente.  Para  não  tê‐los 
sistemas de armas à disposição do combatente.   no  futuro,  é  preciso  preservar  a  paz  e  preparar‐se 
para a guerra.  
Em terceiro lugar, cada combatente deve ser treinado 
para abordar o combate de modo a atenuar as formas  17. Preparar efetivos para o cumprimento de missões 
rígidas e tradicionais de comando e controle, em prol  de  garantia  da  lei  e  da  ordem,  nos  termos  da 
da  flexibilidade,  da  adaptabilidade,  da  audácia  e  da  Constituição. 
surpresa no campo de batalha. Esse combatente será,  O  País  cuida  para  evitar  que  as  Forças  Armadas 
ao  mesmo  tempo,  um  comandado  que  sabe  desempenhem  papel  de  polícia.  Efetuar  operações 
obedecer,  exercer  a  iniciativa,  na  ausência  de  ordens  internas  em  garantia  da  lei  e  da  ordem,  quando  os 
específicas, e orientar‐se em meio às incertezas e aos  poderes  constituídos  não  conseguem  garantir  a  paz 
sobressaltos do combate – e uma fonte de iniciativas  pública  e  um  dos  Chefes  dos  três  Poderes  o  requer, 
–  capaz  de  adaptar  suas  ordens  à  realidade  da  faz  parte  das  responsabilidades  constitucionais  das 
situação mutável em que se encontra.   Forças  Armadas.  A  legitimação  de  tais 
Ganha ascendência no mundo um estilo de produção  responsabilidades  pressupõe,  entretanto,  legislação 
industrial  marcado  pela  atenuação  de  contrastes  que  ordene  e  respalde  as  condições  específicas  e  os 
entre  atividades  de  planejamento  e  de  execução  e  procedimentos  federativos  que  deem  ensejo  a  tais 
pela  relativização  de  especializações  rígidas  nas  operações, com resguardo de seus integrantes.  
atividades  de  execução.  Esse  estilo  encontra  18. Estimular a integração da América do Sul.  
contrapartida na maneira de fazer a guerra, cada vez 
mais caracterizada por extrema flexibilidade.   Essa  integração  não  somente  contribui  para  a  defesa 
do  Brasil,  como  possibilita  fomentar  a  cooperação 
militar regional e a integração das bases industriais de 
defesa. Afasta a sombra de conflitos dentro da região. 

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Com todos os países, avança‐se rumo à construção da  força  de  reserva,  mobilizável  em  tais  circunstâncias. 
unidade  sul‐americana.  O  Conselho  de  Defesa  Sul‐ Reporta‐se, portanto, à questão do futuro do Serviço 
Americano é um mecanismo consultivo que se destina  Militar Obrigatório.  
a  prevenir  conflitos  e  fomentar  a  cooperação  militar 
regional  e  a  integração  das  bases  industriais  de  Sem  que  se  assegure  a  elasticidade  para  as  Forças 
defesa,  sem  que  dele  participe  país  alheio  à  região.  Armadas,  seu  poder  dissuasório  e  defensivo  ficará 
Orienta‐se  pelo  princípio  da  cooperação  entre  seus  comprometido.  
membros.   22.  Capacitar  a  Base  Industrial  de  Defesa  para  que 
19. Preparar as Forças Armadas para desempenharem  conquiste autonomia em tecnologias indispensáveis à 
responsabilidades  crescentes  em  operações  defesa.  
internacionais de apoio à política exterior do Brasil.   Regimes  jurídico,  regulatório  e  tributário  especiais 
Em  tais  operações,  as  Forças  agirão  sob  a  orientação  protegerão  as  empresas  privadas  nacionais  de 
das Nações Unidas ou em apoio a iniciativas de órgãos  produtos  de  defesa  contra  os  riscos  do  imediatismo 
multilaterais  da  região,  pois  o  fortalecimento  do  mercantil  e  assegurarão  continuidade  nas  compras 
sistema  de  segurança  coletiva  é  benéfico  à  paz  públicas.  A  contrapartida  a  tal  regime  especial  será, 
mundial e à defesa nacional.   porém,  o  poder  estratégico  que  o  Estado  exercerá 
sobre  tais  empresas,  a  ser  assegurado  por  um 
20.  Ampliar  a  capacidade  de  atender  aos  conjunto  de  instrumentos  de  direito  privado  ou  de 
compromissos internacionais de busca e salvamento.   direito público.  

É tarefa prioritária para o País, o aprimoramento dos  Já  o  setor  estatal  de  produtos  de  defesa  terá  por 
meios  existentes  e  da  capacitação  do  pessoal  missão operar no teto tecnológico, desenvolvendo as 
envolvido com as atividades de busca e salvamento no  tecnologias  que  as  empresas  privadas  não  possam 
território nacional, nas águas jurisdicionais brasileiras  alcançar ou obter, a curto ou médio prazo, de maneira 
e  nas  áreas  pelas  quais  o  Brasil  é  responsável,  em  rentável.  
decorrência de compromissos internacionais. 
A formulação e a execução da política de obtenção de 
21.  Desenvolver  o  potencial  de  mobilização  militar  e  produtos  de  defesa  serão  centralizadas  no  Ministério 
nacional  para  assegurar  a  capacidade  dissuasória  e  da  Defesa,  sob  a  responsabilidade  da  Secretaria  de 
operacional das Forças Armadas.   Produtos de Defesa (SEPROD), admitida delegação na 
sua execução.  
Diante  de  eventual  degeneração  do  quadro 
internacional, o Brasil e suas Forças Armadas deverão  A  Base  Industrial  de  Defesa  será  incentivada  a 
estar  prontos  para  tomar  medidas  de  resguardo  do  competir em mercados externos para aumentar a sua 
território,  das  linhas  de  comércio  marítimo  e  escala  de  produção.  A  consolidação  da  União  de 
plataformas de petróleo e do espaço aéreo nacionais.  Nações  Sul‐Americanas  (UNASUL)  poderá  atenuar  a 
As  Forças  Armadas  deverão,  também,  estar  tensão  entre  o  requisito  da  independência  em 
habilitadas  a  aumentar  rapidamente  os  meios  produção  de  defesa  e  a  necessidade  de  compensar 
humanos  e  materiais  disponíveis  para  a  defesa.  custo  com  escala,  possibilitando  o  desenvolvimento 
Exprime‐se  o  imperativo  de  elasticidade  em  da  produção  de  defesa  em  conjunto  com  outros 
capacidade de mobilização nacional e militar.   países da região.  

Ao decretar a mobilização nacional, o Poder Executivo  Serão  buscadas  parcerias  com  outros  países,  com  o 


delimitará a área em que será realizada e especificará  propósito de desenvolver a capacitação tecnológica e 
as  medidas  necessárias  à  sua  execução,  como,  por  a  fabricação  de  produtos  de  defesa  nacionais,  de 
exemplo, poderes para assumir o controle de recursos  modo a eliminar, progressivamente, a dependência de 
materiais, inclusive meios de transporte necessários à  serviços e produtos importados.  
defesa, de acordo com a Lei de Mobilização Nacional. 
A mobilização militar demanda a organização de uma 

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Sempre  que  possível,  as  parcerias  serão  construídas  A  infraestrutura  estratégica  do  Brasil  deverá 
como  expressões  de  associação  estratégica  mais  contemplar  estudos  para  emprego  dual,  ou  seja, 
abrangente  entre  o  Brasil  e  o  país  parceiro.  A  atender à sociedade e à economia do País, bem como 
associação  será  manifestada  em  colaborações  de  à Defesa Nacional.  
defesa e de desenvolvimento, e será pautada por duas 
ordens  de  motivações  básicas:  a  internacional  e  a  25. Inserir, nos cursos de altos estudos estratégicos de 
nacional.   oficiais  das  três  forças,  os  princípios  e  diretrizes  da 
Estratégia  Nacional  de  Defesa,  inclusive  aqueles  que 
A  motivação  de  ordem  internacional  será  trabalhar  dizem respeito ao Estado‐Maior Conjunto. 
com  o  país  parceiro  em  prol  de  um  maior  pluralismo 
de poder e de visão no mundo. Esse trabalho conjunto   
passa por duas etapas. Na primeira etapa, o objetivo é  Eixos Estruturantes 
a  melhor  representação  de  países  emergentes, 
inclusive  o  Brasil,  nas  organizações  internacionais  –  1.  A  Estratégia  Nacional  de  Defesa  organiza‐se  em 
políticas e econômicas – estabelecidas. Na segunda, o  torno de três eixos estruturantes.  
alvo  é  a  reestruturação  das  organizações 
O  primeiro  eixo  estruturante  diz  respeito  a  como  as 
internacionais,  para  que  se  tornem  mais  abertas  às 
Forças Armadas devem se organizar e se orientar para 
divergências, às inovações e aos experimentos do que 
melhor  desempenharem  sua  destinação 
são  as  instituições  nascidas  ao  término  da  Segunda 
constitucional  e  suas  atribuições  na  paz  e  na  guerra. 
Guerra Mundial.  
Enumeram‐se  diretrizes  estratégicas  relativas  a  cada 
A motivação de ordem nacional será contribuir para a  uma  das  Forças  e  especifica‐se  a  relação  que  deve 
ampliação  das  instituições  que  democratizem  a  prevalecer  entre  elas.  Descreve‐se  a  maneira  de 
economia  de  mercado  e  aprofundem  a  democracia,  transformar tais diretrizes em práticas e capacitações 
organizando  o  crescimento  econômico  socialmente  operacionais  e  propõe‐se  a  linha  de  evolução 
includente.   tecnológica  necessária  para  assegurar  que  se 
concretizem.  
Deverá,  sempre  que  possível,  ser  buscado  o 
desenvolvimento de materiais que tenham uso dual.   A  análise  das  hipóteses  de  emprego  das  Forças 
Armadas  –  para  resguardar  o  espaço  aéreo,  o 
23. Manter o Serviço Militar Obrigatório.   território  e  as  águas  jurisdicionais  brasileiras  – 
O  Serviço  Militar  Obrigatório  é  uma  das  condições  permite  dar  foco  mais  preciso  às  diretrizes 
para  que  se  possa  mobilizar  o  povo  brasileiro  em  estratégicas.  Nenhuma  análise  de  hipóteses  de 
defesa  da  soberania  nacional.  É,  também,  emprego  pode,  porém,  desconsiderar  as  ameaças  do 
instrumento  para  afirmar  a  unidade  da  Nação,  futuro. Por isso mesmo, as diretrizes estratégicas e as 
independentemente  de  classes  sociais,  gerando  capacitações  operacionais  precisam  transcender  o 
oportunidades  e  incentivando  o  exercício  da  horizonte  imediato  que  a  experiência  e  o 
cidadania.  entendimento de hoje permitem descortinar.  

Como  o  número  dos  alistados  anualmente  é  muito  Ao lado da destinação constitucional, das atribuições, 


maior do que o número de recrutas de que precisam  da cultura, dos costumes e das competências próprias 
as  Forças  Armadas,  deverão  elas  selecioná‐los  de cada Força e da maneira de sistematizá‐las em uma 
segundo  o  vigor  físico,  a  aptidão  e  a  capacidade  estratégia  de  defesa  integrada,  aborda‐se  o  papel  de 
intelectual, cuidando para que todas as classes sociais  três  setores  decisivos  para  a  defesa  nacional:  o 
sejam representadas.   espacial, o cibernético e o nuclear. Descreve‐se como 
as três Forças devem operar em rede – entre si e em 
24. Participar da concepção e do desenvolvimento da  ligação com o monitoramento do território, do espaço 
infraestrutura  estratégica  do  País,  para  incluir  aéreo e das águas jurisdicionais brasileiras. 
requisitos necessários à Defesa Nacional.  

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O  segundo  eixo  estruturante  refere‐se  à  consideração,  a  projeção  de  poder  se  subordina, 
reorganização  da  Base  Industrial  de  Defesa,  para  hierarquicamente, à negação do uso do mar. 
assegurar que o atendimento às necessidades de tais 
produtos  por  parte  das  Forças  Armadas  apoie‐se  em  A  negação  do  uso  do  mar,  o  controle  de  áreas 
tecnologias  sob  domínio  nacional,  preferencialmente  marítimas e a projeção de poder devem ter por foco, 
as de emprego dual (militar e civil).   sem  hierarquização  de  objetivos  e  de  acordo  com  as 
circunstâncias: 
O terceiro eixo estruturante versa sobre a composição 
dos  efetivos  das  Forças  Armadas  e,  (a) defesa proativa das plataformas petrolíferas;  
consequentemente, sobre o futuro do Serviço Militar  (b)  defesa  proativa  das  instalações  navais  e 
Obrigatório. Seu propósito é zelar para que as Forças  portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas 
Armadas  reproduzam,  em  sua  composição,  a  própria  águas jurisdicionais brasileiras;  
Nação – para que elas não sejam uma parte da Nação, 
pagas para lutar por conta e em benefício das outras  (c) prontidão para responder a qualquer ameaça, por 
partes.  O  Serviço  Militar  Obrigatório  deve,  pois,  Estado  ou  por  forças  não  convencionais  ou 
funcionar  como  espaço  republicano,  no  qual  possa  a  criminosas, às vias marítimas de comércio; e  
Nação encontrar‐se acima das classes sociais. 
(d)  capacidade  de  participar  de  operações 
  internacionais  de  paz,  fora  do  território  e  das  águas 
jurisdicionais  brasileiras,  sob  a  égide  das  Nações 
Objetivos estratégicos das Forças Armadas  Unidas ou de organismos multilaterais da região.  
A Marinha do Brasil  A  construção  de  meios  para  exercer  o  controle  de 
1. Na maneira de conceber a relação entre as tarefas  áreas marítimas terá como foco as áreas estratégicas 
estratégicas  de  negação  do  uso  do  mar,  de  controle  de  acesso  marítimo  ao  Brasil.  Duas  áreas  do  litoral 
de áreas marítimas e de projeção de poder, a Marinha  continuarão a merecer atenção especial, do ponto de 
do Brasil se pautará por um desenvolvimento desigual  vista  da  necessidade  de  controlar  o  acesso  marítimo 
e conjunto. Se aceitasse dar peso igual a todas as três  ao Brasil: a faixa que vai de Santos a Vitória e a área 
tarefas, seria grande o risco de ser medíocre em todas  em torno da foz do Rio Amazonas. 
elas. Embora todas mereçam ser cultivadas, serão em  2. A doutrina do desenvolvimento desigual e conjunto 
determinada ordem e sequência.   tem  implicações  para  a  reconfiguração  das  forças 
A prioridade é assegurar os meios para negar o uso do  navais. A implicação mais importante é que a Marinha 
mar  a  qualquer  concentração  de  forças  inimigas  que  se  reconstruirá,  por  etapas,  como  uma  Força 
se aproxime do Brasil por via marítima. A negação do  balanceada  entre  o  componente  submarino,  o 
uso  do  mar  ao  inimigo  é  a  que  organiza,  antes  de  componente  de  superfície  e  o  componente 
atendidos  quaisquer  outros  objetivos  estratégicos,  a  aeroespacial.  
estratégia  de  defesa  marítima  do  Brasil.  Essa  3. Para assegurar a tarefa de negação do uso do mar, 
prioridade tem implicações para a reconfiguração das  o  Brasil  contará  com  força  naval  submarina  de 
forças navais.   envergadura, composta de submarinos convencionais 
Ao  garantir  seu  poder  para  negar  o  uso  do  mar  ao  e  de  submarinos  de  propulsão  nuclear.  O  Brasil 
inimigo,  o  Brasil  precisa  manter  a  capacidade  focada  manterá e desenvolverá sua capacidade de projetar e 
de projeção de poder e criar condições para controlar,  de  fabricar  tanto  submarinos  de  propulsão 
no  grau  necessário  à  defesa  e  dentro  dos  limites  do  convencional,  como  de  propulsão  nuclear.  Acelerará 
direito  internacional,  as  áreas  marítimas  e  águas  os  investimentos  e  as  parcerias  necessários  para 
interiores  de  importância  político‐  estratégica,  executar  o  projeto  do  submarino  de  propulsão 
econômica  e  militar,  e  também  as  suas  linhas  de  nuclear.  Armará  os  submarinos  com  mísseis  e 
comunicação  marítimas.  A  despeito  dessa  desenvolverá  capacitações  para  projetá‐los  e  fabricá‐
los.  Cuidará  de  ganhar  autonomia  nas  tecnologias 

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cibernéticas que guiem os submarinos e seus sistemas  possível,  providas  de  eclusas,  de  modo  a  assegurar 
de armas, e que lhes possibilitem atuar em rede com  franca navegabilidade às hidrovias.  
as outras forças navais, terrestres e aéreas. 
6. O monitoramento da superfície do mar, a partir do 
4.  Para  assegurar  sua  capacidade  de  projeção  de  espaço,  deverá  integrar  o  repertório  de  práticas  e 
poder, a Marinha possuirá, ainda, meios de Fuzileiros  capacitações operacionais da Marinha.  
Navais, em permanente condição de pronto emprego. 
A existência de tais meios é também essencial para a  A  partir  dele,  as  forças  navais,  submarinas  e  de 
defesa  das  instalações  navais  e  portuárias,  dos  superfície  terão  fortalecidas  suas  capacidades  de 
arquipélagos  e  das  ilhas  oceânicas  nas  águas  atuar em rede com as forças terrestre e aérea.  
jurisdicionais  brasileiras,  para  atuar  em  operações  7.  A  constituição  de  uma  força  e  de  uma  estratégia 
internacionais  de  paz  e  em  operações  humanitárias,  navais  que  integrem  os  componentes  submarino,  de 
em qualquer lugar do mundo. Nas vias fluviais, serão  superfície  e  aéreo,  permitirá  realçar  a  flexibilidade 
fundamentais  para  assegurar  o  controle  das  margens  com  que  se  resguarda  o  objetivo  prioritário  da 
durante  as  operações  ribeirinhas.  O  Corpo  de  estratégia  de  segurança  marítima:  a  dissuasão, 
Fuzileiros  Navais  consolidar‐se‐á  como  a  força  de  priorizando a negação do uso do mar ao inimigo que 
caráter expedicionário por excelência.   se  aproxime  do  Brasil,  por  meio  do  mar.  Em  amplo 
5.  A  força  naval  de  superfície  contará  tanto  com  espectro  de  circunstâncias  de  combate,  sobretudo 
navios  de  grande  porte,  capazes  de  operar  e  de  quando  a  força  inimiga  for  muito  mais  poderosa,  a 
permanecer por longo tempo em alto mar, como com  força  de  superfície  será  concebida  e  operada  como 
navios de porte menor, dedicados a patrulhar o litoral  reserva  tática  ou  estratégica.  Preferencialmente,  e 
e  os  principais  rios  navegáveis  brasileiros.  Requisito  sempre  que  a  situação  tática  permitir,  a  força  de 
para a manutenção de tal esquadra será a capacidade  superfície  será  engajada  no  conflito  depois  do 
da  Força  Aérea  de  trabalhar  em  conjunto  com  a  emprego  inicial  da  força  submarina,  que  atuará  de 
Aviação Naval, para garantir o controle do ar no grau  maneira  coordenada  com  os  veículos  espaciais  (para 
desejado, em caso de conflito armado/guerra.   efeito  de  monitoramento)  e  com  meios  aéreos  (para 
efeito de fogo focado).  
Entre  os  navios  de  alto  mar,  a  Marinha  dedicará 
especial  atenção  ao  projeto  e  à  fabricação  de  navios  Esse  desdobramento  do  combate  em  etapas 
de propósitos múltiplos e navios‐aeródromos.   sucessivas,  sob  a  responsabilidade  de  contingentes 
distintos,  permitirá,  na  guerra  naval,  a  agilização  da 
A  Marinha  contará,  também,  com  embarcações  de  alternância entre a concentração e a desconcentração 
combate,  de  transporte  e  de  patrulha,  oceânicas,  de  forças  e  o  aprofundamento  da  flexibilidade  a 
litorâneas e fluviais. Serão concebidas e fabricadas de  serviço da surpresa.  
acordo  com  a  mesma  preocupação  de  versatilidade 
funcional  que  orientará  a  construção  das  belonaves  8.  Um  dos  elos  entre  a  etapa  preliminar  do  embate, 
de  alto  mar.  A  Marinha  adensará  sua  presença  nas  sob  a  responsabilidade  da  força  submarina  e  de  suas 
vias navegáveis das duas grandes bacias fluviais, a do  contrapartes espacial e aérea, e a etapa subsequente, 
Amazonas e a do Paraguai‐Paraná, empregando tanto  conduzida  com  o  pleno  engajamento  da  força  naval 
navios‐patrulha  como  navios‐transporte,  ambos  de  superfície,  será  a  Aviação  Naval,  embarcada  em 
guarnecidos  por  helicópteros  adaptados  ao  regime  navios. A Marinha trabalhará com a Base Industrial de 
das águas.   Defesa  para  desenvolver  um  avião  versátil,  que 
maximize  o  potencial  aéreo  defensivo  e  ofensivo  da 
A  presença  da  Marinha  nas  bacias  fluviais  será  Força Naval.  
facilitada pela dedicação do País à inauguração de um 
paradigma multimodal de transporte. Esse paradigma  9.  A  Marinha  iniciará  os  estudos  e  preparativos  para 
contemplará  a  construção  das  hidrovias  do  Paraná‐ estabelecer,  em  lugar  próprio,  o  mais  próximo 
Tietê,  do  Madeira,  do  Tocantins‐Araguaia  e  do  possível  da  foz  do  rio  Amazonas,  uma  base  naval  de 
Tapajós‐Teles  Pires.  As  barragens  serão,  quando  uso  múltiplo,  comparável,  na  abrangência  e  na 

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densidade  de  seus  meios,  à  Base  Naval  do  Rio  de  elasticidade  reporta‐se  à  parte  dessa  Estratégia 
Janeiro.  10.  A  Marinha  acelerará  o  trabalho  de  Nacional  de  Defesa,  que  trata  do  futuro  do  Serviço 
instalação  de  suas  bases  de  submarinos,  Militar Obrigatório e da mobilização nacional.  
convencionais e de propulsão nuclear. 
A flexibilidade depende, para sua afirmação plena, da 
O Exército Brasileiro  elasticidade.  O  potencial  da  flexibilidade,  para 
dissuasão e para defesa, ficaria severamente limitado, 
1.  O  Exército  Brasileiro  cumprirá  sua  destinação  se  não  fosse  possível,  em  caso  de  necessidade, 
constitucional  e  desempenhará  suas  atribuições,  na  multiplicar os meios humanos e materiais das For‐ ças 
paz  e  na  guerra,  sob  a  orientação  dos  conceitos  Armadas.  Por  outro  lado,  a  maneira  de  interpretar  e 
estratégicos  de  flexibilidade  e  de  elasticidade.  A  de  efetuar  o  imperativo  da  elasticidade  revela  o 
flexibilidade,  por  sua  vez,  inclui  os  requisitos  desdobramento  mais  radical  da  flexibilidade.  A 
estratégicos  de  monitoramento/controle  e  de  elasticidade  é  a  flexibilidade,  traduzida  no 
mobilidade.   engajamento de toda a Nação em sua própria defesa.  
Flexibilidade  é  a  capacidade  de  empregar  forças  2.  O  Exército,  embora  seja  empregado  de  forma 
militares  com  o  mínimo  de  rigidez  preestabelecida  e  progressiva  nas  crises  e  na  guerra,  deve  ser 
com  o  máximo  de  adaptabilidade  à  circunstância  de  constituído por meios modernos e por efetivos muito 
emprego  da  força.  Na  paz,  significa  a  versatilidade  bem  adestrados.  A  Força  deverá  manter‐  ‐se  em 
com que se substitui a presença – ou a onipresença –  permanente  processo  de  transformação,  buscando, 
pela  capacidade  de  se  fazer  presente  (mobilidade)  à  desde  logo,  evoluir  da  era  industrial  para  a  era  do 
luz  da  informação  (monitoramento/controle).  Na  conhecimento.  A  concepção  do  Exército  como 
guerra,  exige  a  capacidade  de  deixar  o  inimigo  em  vanguarda  tem,  como  expressão  prática  principal,  a 
desequilíbrio permanente, surpreendendo‐o por meio  sua reconstrução em módulo brigada, que vem a ser o 
da dialética da desconcentração e da concentração de  módulo  básico  de  combate  da  Força  Terrestre.  Na 
forças  e  da  audácia  com  que  se  desfecha  o  golpe  composição  atual  do  Exército,  as  brigadas  das  Forças 
inesperado.  de  Ação  Rápida  Estratégicas  são  as  que  melhor 
A  flexibilidade  relativiza  o  contraste  entre  o  conflito  exprimem o ideal de flexibilidade. 
convencional  e  o  conflito  não  convencional:  O  modelo  de  composição  das  Forças  de  Ação  Rápida 
reivindica,  para  as  forças  convencionais,  alguns  dos  Estratégicas  não  precisa  nem  deve  ser  seguido 
atributos  de  força  não  convencional,  e  firma  a  rigidamente,  sem  que  se  levem  em  conta  os 
supremacia  da  inteligência  e  da  imaginação  sobre  o  problemas  operacionais  próprios  das  diferentes 
mero  acúmulo  de  meios  materiais  e  humanos.  Por  regiões  em  conflito.  Entretanto,  todas  as  brigadas  do 
isso  mesmo,  rejeita  a  tentação  de  ver  na  alta  Exército  devem  conter,  em  princípio,  os  seguintes 
tecnologia,  alternativa  ao  combate,  assumindo‐a  elementos,  para  que  se  generalize  o  atendimento  do 
como  um  reforço  da  capacidade  operacional.  Insiste  conceito da flexibilidade:  
no  papel  da  surpresa.  Transforma  a  incerteza  em 
solução,  em  vez  de  encará‐la  como  problema.  (a)  Recursos  humanos  com  elevada  motivação  e 
Combina  as  defesas  meditadas  com  os  ataques  efetiva capacitação operacional, típicas da Brigada de 
fulminantes.  Operações  Especiais,  que  hoje  compõe  a  reserva 
estratégica do Exército;  
Elasticidade é a capacidade de aumentar rapidamente 
o  dimensionamento  das  forças  militares  quando  as  (b)  Instrumentos  de  comando  e  controle,  de 
circunstâncias  o  exigirem,  mobilizando,  em  grande  tecnologia  da  informação,  de  comunicações  e  de 
escala,  os  recursos  humanos  e  materiais  do  País.  A  monitoramento  que  lhes  permitam  operar  em  rede 
elasticidade exige, portanto, a construção de força de  com  outras  unidades  da  Marinha,  do  Exército  e  da 
reserva, mobilizável de acordo com as circunstâncias.  Força  Aérea  e  receber  informação  fornecida  pelo 
A  base  derradeira  da  elasticidade  é  a  integração  das  monitoramento do terreno a partir do ar e do espaço;  
Forças  Armadas  com  a  Nação.  O  desdobramento  da 

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(c)  Instrumentos  de  mobilidade  que  lhes  permitam  sobretudo  por  meio  de  artilharia  antiaérea  de  média 
deslocar‐se rapidamente por terra, água e ar – para a  altura.  
região em conflito e dentro dela. Por ar e por água, a 
mobilidade  se  efetuará  comumente  por  meio  de  4. O Exército continuará a manter reservas regionais e 
operações  conjuntas  com  a  Marinha  e  com  a  Força  estratégicas,  articuladas  em  dispositivo  de 
Aérea; e   expectativa.  A  articulação  para  as  reservas 
estratégicas deverá permitir a rápida concentração de 
(d)  Recursos  logísticos  capazes  de  manter  a  brigada  tropas. A localização das reservas estratégicas deverá 
mesmo  em  regiões  isoladas  e  inóspitas  por  um  ser  objeto  de  contínua  avaliação,  à  luz  das  novas 
determinado período.   realidades do País.  

A  qualificação  do  módulo  brigada  como  vanguarda  5.  O  Exército  deverá  ter  capacidade  de  projeção  de 
exige amplo espectro de meios tecnológicos, desde os  poder,  constituindo  uma  Força,  quer  expedicionária, 
menos  sofisticados,  tais  como  radar  portátil  e  quer para operações de paz, ou de ajuda humanitária, 
instrumental  de  visão  noturna,  até  as  formas  mais  para atender compromissos assumidos sob a égide de 
avançadas  de  comunicação  entre  as  operações  organismos  internacionais  ou  para  salvaguardar 
terrestres e o monitoramento espacial.  interesses brasileiros no exterior.  

O entendimento da mobilidade tem implicações para  6.  O  monitoramento/controle,  como  componente  do 


a  evolução  dos  blindados,  dos  meios  mecanizados  e  imperativo  de  flexibilidade,  exigirá  que,  entre  os 
da  artilharia.  Uma  implicação  desse  entendimento  é  recursos espaciais, haja um vetor sob integral domínio 
harmonizar,  no  desenho  dos  blindados  e  dos  meios  nacional, ainda que parceiros estrangeiros participem 
mecanizados,  características  técnicas  de  proteção  e  do seu projeto e da sua implementação, incluindo:  
movimento.  Outra  implicação  –  nos  blindados,  nos 
meios  mecanizados  e  na  artilharia  –  é  priorizar  o  (a) a fabricação de veículos lançadores de satélites;  
desenvolvimento de tecnologias capazes de assegurar  (b) a fabricação de satélites de baixa e de alta altitude, 
precisão na execução do tiro.   sobretudo  de  satélites  geoestacionários,  de  múltiplos 
3. A transformação de todo o Exército em vanguarda,  usos;  
com base no módulo brigada, terá prioridade sobre a  (c)  o  desenvolvimento  de  alternativas  nacionais  aos 
estratégia  de  presença.  Nessa  transformação,  será  sistemas  de  localização  e  de  posicionamento,  dos 
prioritário  o  aparelhamento  baseado  no  quais  o  Brasil  depende,  passando  pelas  necessárias 
completamento  e  na  modernização  dos  sistemas  etapas internas de evolução dessas tecnologias; 
operacionais  das  brigadas,  para  dotá‐las  de 
capacidade de rapidamente fazerem‐se presentes.   (d) os meios aéreos e terrestres para monitoramento 
focado,  de  alta  resolução;  e  (e)  as  capacitações  e  os 
A  transformação  será,  porém,  compatibilizada  com  a  instrumentos  cibernéticos  necessários  para  assegurar 
estratégia  da  presença,  em  especial  na  região  comunicações entre os monitores espaciais e aéreos e 
amazônica,  em  face  dos  obstáculos  à  mobilidade  e  à  a força terrestre.  
concentração de forças. Em todas as circunstâncias, as 
unidades militares situadas nas fronteiras funcionarão  7. A mobilidade, como componente do imperativo de 
como  destacamentos  avançados  de  vigilância  e  de  flexibilidade,  requererá  o  desenvolvimento  de 
dissuasão.  veículos terrestres e de meios aéreos de combate e de 
transporte. Demandará, também, a reorganização das 
Nos  centros  estratégicos  do  País  –  políticos,  relações  com  a  Marinha  e  com  a  Força  Aérea,  de 
industriais,  científicotecnológicos  e  militares  –  a  maneira  a  assegurar,  tanto  na  cúpula  dos  Estados‐
estratégia  de  presença  do  Exército  concorrerá  Maiores,  como  na  base  dos  contingentes 
também para o objetivo de se assegurar a capacidade  operacionais, a capacidade de atuar como uma única 
de  defesa  antiaérea,  em  quantidade  e  em  qualidade,  força. 

 
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8.  Monitoramento/controle  e  mobilidade  têm  seu  10.  Atender  ao  imperativo  da  elasticidade  será 
complemento  em  medidas  destinadas  a  assegurar,  preocupação especial do Exército, pois é, sobretudo, a 
ainda  no  módulo  brigada,  a  obtenção  do  efetivo  Força Terrestre que terá de multiplicar‐se, em caso de 
poder  de  combate.  Algumas  dessas  medidas  são  conflito armado/guerra.  
tecnológicas:  o  desenvolvimento  de  sistemas  de 
armas  e  de  guiamento  que  permitam  precisão  no  11.  Os  imperativos  de  flexibilidade  e  de  elasticidade 
direcionamento  do  tiro  e  o  desenvolvimento  da  culminam  no  preparo  para  uma  guerra  assimétrica, 
capacidade  de  fabricar  munições  de  todos  os  tipos,  sobretudo  na  região  amazônica,  a  ser  sustentada 
excluídas aquelas banidas por tratados internacionais  contra  inimigo  de  poder  militar  muito  superior,  por 
do  qual  o  Brasil  faz  parte.  Outras  medidas  são  ação  de  um  país  ou  de  uma  coligação  de  países  que 
operacionais: a consolidação de um repertório de prá‐  insista  em  contestar,  a  qualquer  pretexto,  a 
ticas  e  de  capacitações  que  proporcionem  à  Força  incondicional  soberania  brasileira  sobre  a  sua 
Terrestre  os  conhecimentos  e  as  potencialidades,  Amazônia.  
tanto  para  o  combate  convencional,  quanto  para  o  A preparação para tal guerra não consiste apenas em 
não  convencional,  capaz  de  operar  com  ajudar  a  evitar  o  que  hoje  é  uma  hipótese  remota:  a 
adaptabilidade  nas  condições  imensamente  variadas  de  envolvimento  do  Brasil  em  uma  guerra  de  grande 
do  território  nacional.  Outra  medida  –  ainda  mais  escala.  É,  também,  aproveitar  disciplina  útil  para  a 
importante  –  é  educativa:  a  formação  de  um  militar  formação  de  sua  doutrina  militar  e  de  suas 
que reúna qualificação e rusticidade.   capacitações  operacionais.  Um  exército  que 
9.  A  defesa  da  região  amazônica  será  encarada,  na  conquistou  os  atributos  de  flexibilidade  e  de 
atual  fase  da  História,  como  o  foco  de  concentração  elasticidade é um exército que sabe conjugar as ações 
das diretrizes resumidas sob o rótulo dos imperativos  convencionais  com  as  não  convencionais.  A  guerra 
de  monitoramento/controle  e  de  mobilidade.  Não  assimétrica,  no  quadro  de  uma  guerra  de  resistência 
exige  qualquer  exceção  a  tais  diretrizes  e  reforça  as  nacional,  representa  uma  efetiva  possibilidade  da 
razões para segui‐las. As adaptações necessárias serão  doutrina aqui especificada. 
as  requeridas  pela  natureza  daquela  região  em  Cada  uma  das  condições,  a  seguir  listadas,  para  a 
conflito:  a  intensificação  das  tecnologias  e  dos  condução  exitosa  da  guerra  de  resistência  deve  ser 
dispositivos de monitoramento a partir do espaço, do  interpretada  como  advertência  orientadora  da 
ar e da terra; a primazia da transformação da brigada  maneira  de  desempenhar  as  responsabilidades  do 
em  uma  força  com  atributos  tecnológicos  e  Exército:  
operacionais; os meios logísticos e aéreos para apoiar 
unidades  de  fronteira  isoladas  em  áreas  remotas,  (a)  Ver  a  Nação  identificada  com  a  causa  da  defesa. 
exigentes  e  vulneráveis;  e  a  formação  de  um  Toda  a  estratégia  nacional  repousa  sobre  a 
combatente detentor de qualificação e de rusticidade  conscientização  do  povo  brasileiro  quanto  à 
necessárias à proficiência de um combatente de selva.  importância central dos problemas de defesa;  

O  desenvolvimento  sustentável  da  região  amazônica  (b)  Juntar  a  soldados  regulares,  fortalecidos  com 
passará  a  ser  visto,  também,  como  instrumento  da  atributos  de  soldados  não  convencionais,  as  reservas 
defesa  nacional:  só  ele  pode  consolidar  as  condições  mobilizadas,  de  acordo  com  o  conceito  da 
para  assegurar  a  soberania  nacional  sobre  aquela  elasticidade;  
região.  Dentro  dos  planos  para  o  desenvolvimento 
(c)  Contar  com  um  soldado  resistente  que,  além  dos 
sustentável  da  Amazônia,  caberá  papel  primordial  à 
pendores  de  qualificação  e  de  rusticidade,  seja 
regularização  fundiária.  Para  defender  a  Amazônia, 
também, no mais alto grau, tenaz. Sua tenacidade se 
será preciso ampliar a segurança jurídica e reduzir os 
inspirará  na  identificação  da  Nação  com  a  causa  da 
conflitos  decorrentes  dos  problemas  fundiários  ainda 
defesa;  
existentes.  

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(d)  Sustentar,  sob  condições  adversas  e  extremas,  a  Industrial  de  Defesa  será  orientada  a  dar  a  mais  alta 
capacidade  de  comando  e  controle  entre  as  forças  prioridade  ao  desenvolvimento  das  tecnologias 
combatentes;   necessárias,  inclusive  àquelas  que  viabilizem 
independência  do  sistema  Global  Positioning  System 
(e)  Construir  e  manter,  mesmo  sob  condições  (GPS)  ou  de  qualquer  outro  sistema  de 
adversas  e  extremas,  o  poder  de  apoio  logístico  às  posicionamento  estrangeiro.  O  potencial  para 
forças combatentes; e   contribuir  com  tal  independência  tecnológica  pesará 
(f)  Saber  aproveitar  ao  máximo  as  características  do  na  escolha  das  parcerias  com  outros  países,  em 
ambiente.  matéria de tecnologias de defesa.  

  (b)  O  poder  para  assegurar  o  controle  do  ar  no  grau 


desejado.  
A Força Aérea Brasileira 
Em qualquer hipótese de emprego, a Força Aérea terá 
1. Quatro objetivos estratégicos orientam a missão da  a  responsabilidade  de  assegurar  o  controle  do  ar  no 
Força Aérea Brasileira e fixam o lugar de seu trabalho  grau  desejado.  Do  cumprimento  dessa 
dentro  da  Estratégia  Nacional  de  Defesa.  Esses  responsabilidade,  dependerá,  em  grande  parte,  a 
objetivos  estão  encadeados  em  determinada  ordem:  viabilidade das operações navais e das operações das 
cada  um  condiciona  a  definição  e  a  execução  dos  forças  terrestres  no  interior  do  País.  O  potencial  de 
objetivos subsequentes.   garantir  superioridade  aérea  local  será  o  primeiro 
passo para afirmar o controle do ar no grau desejado 
(a) A prioridade da vigilância aérea.  
sobre o território e as águas jurisdicionais brasileiras.  
Exercer a vigilância do espaço aéreo, sobre o território 
Impõe,  como  consequência,  evitar  qualquer  hiato  de 
nacional  e  as  águas  jurisdicionais  brasileiras,  com  a 
desproteção  aérea  decorrente  dos  processos  de 
assistência  dos  meios  espaciais,  aéreos,  terrestres  e 
substituição  da  frota  de  aviões  de  combate,  dos 
marítimos,  é  a  primeira  das  responsabilidades  da 
sistemas  de  armas  e  armamentos  inteligentes 
Força  Aérea  e  a  condição  essencial  para  impedir  o 
embarcados,  inclusive  dos  sistemas  inerciais  que 
sobrevoo de engenhos aéreos contrários ao interesse 
permitam dirigir o fogo ao alvo com exatidão e “além 
nacional. A estratégia da Força Aérea será a de cercar 
do alcance visual”.  
o  Brasil  com  sucessivas  e  complementares  camadas 
de  visualização,  condicionantes  da  prontidão  para  (c)  A  capacidade  para  levar  o  combate  a  pontos 
responder.  Implicação  prática  dessa  tarefa  é  que  a  específicos do território nacional, em conjunto com a 
Força  Aérea  precisará  contar  com  plataformas  e  Marinha  e  o  Exército,  constituindo  uma  única  força 
sistemas  próprios  para  monitorar,  e  não  apenas  para  combatente, sob a disciplina do teatro de operações.  
combater  e  transportar,  particularmente  na  região 
amazônica.  A  primeira  implicação  é  a  necessidade  de  dispor  de 
aviões  de  transporte  em  número  suficiente  para 
O  Sistema  de  Defesa  Aeroespacial  Brasileiro  deslocar,  em  poucas  horas,  os  meios  para  garantir  o 
(SISDABRA),  integrador  dessas  camadas,  disporá  de  controle  do  ar  e  uma  brigada  da  reserva  estratégica, 
um  complexo  de  monitoramento,  incluindo  o  uso  de  para  qualquer  ponto  do  território  nacional.  Unidades 
veículos lançadores, satélites, aviões de inteligência e  de  transporte  aéreo  ficarão  baseadas  próximas  às 
respectivos  aparatos  de  visualização  e  de  reservas estratégicas da Força Terrestre.  
comunicações,  que  estejam  sob  integral  domínio 
nacional.   A segunda implicação é a necessidade de contar com 
sistemas  de  armas  de  grande  precisão,  capazes  de 
O  Comando  de  Defesa  Aeroespacial  Brasileiro  permitir  a  adequada  discriminação  de  alvos  em 
(COMDABRA)  será  fortalecido  como  órgão  central  da  situações  nas  quais  forças  nacionais  poderão  estar 
defesa  aeroespacial  e  do  controle  de  engenhos  entremeadas ao inimigo.  
espaciais, incumbido de liderar e de integrar todos os 
meios de monitoramento aeroespacial do País. A Base 
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A  terceira  implicação  é  a  necessidade  de  dispor  de  (d)  Promover  o  desenvolvimento,  em  São  José  dos 
suficientes  e  adequados  meios  de  transporte  para  Campos  ou  em  outros  lugares,  de  adequadas 
apoiar  a  aplicação  da  estratégia  da  presença  do  condições de ensaio; e  
Exército  na  região  amazônica  e  no  Centro‐Oeste, 
sobretudo  as  atividades  operacionais  e  logísticas  (e)  Enfrentar  o  problema  da  vulnerabilidade 
realizadas  pelas  unidades  da  Força  Terrestre  situadas  estratégica criada pela concentração de iniciativas no 
na fronteira.   complexo  tecnológico  e  empresarial  de  São  José  dos 
Campos.  Preparar  imediata  defesa  antiaérea  do 
(d)  O  domínio  de  um  potencial  estratégico  que  se  complexo. 
organize em torno de uma capacidade, não em torno 
de um inimigo.  4.  Dentre  todas  as  preocupações  a  enfrentar  no 
desenvolvimento  da  Força  Aérea,  a  que  inspira 
A  índole  pacífica  do  Brasil  não  elimina  a  necessidade  cuidados  mais  vivos  e  prementes  é  a  maneira  de 
de  assegurar  à  Força  Aérea  o  pleno  domínio  desse  substituir  os  atuais  aviões  de  combate,  uma  vez 
potencial  aeroestratégico,  sem  o  qual  ela  não  estará  esgotada a possibilidade de prolongar‐lhes a vida por 
em  condições  de  defender  o  Brasil,  nem  mesmo  modernização  de  seus  sistemas  de  armas,  de  sua 
dentro  dos  mais  estritos  limites  de  uma  guerra  aviônica e de partes de sua estrutura e fuselagem.  
defensiva.  Para  tanto,  precisa  contar  com  todos  os 
meios  relevantes:  plataformas,  sistemas  de  armas,  O  Brasil  confronta,  nesse  particular,  dilema 
subsídios cartográficos e recursos de inteligência.   corriqueiro  em  toda  parte:  manter  a  prioridade  das 
capacitações  futuras  sobre  os  gastos  atuais,  sem 
2.  Na  região  amazônica,  o  atendimento  a  esses  tolerar  desproteção  aérea.  Precisa  investir  nas 
objetivos  exigirá  que  a  Força  Aérea  disponha  de  capacidades  que  lhe  assegurem  potencial  de 
unidades  com  recursos  técnicos  para  assegurar  a  fabricação  independente  de  seus  meios  aéreos  e 
operacionalidade  das  pistas  de  pouso  remotas  e  das  antiaéreos  de  defesa.  Não  pode,  porém,  aceitar  ficar 
instalações  de  proteção  ao  voo  nas  situações  de  desfalcado  de  um  escudo  aéreo,  enquanto  reúne  as 
vigilância e de combate.   condições para ganhar tal independência. A solução a 
dar  a  esse  problema  é  tão  importante,  e  exerce 
3. O complexo tecnológico e científico sediado em São  efeitos  tão  variados  sobre  a  situação  estratégica  do 
José  dos  Campos  continuará  a  ser  o  sustentáculo  da  País  na  América  do  Sul  e  no  mundo,  que  transcende 
Força  Aérea  e  de  seu  futuro.  De  sua  importância  uma  mera  discussão  de  equipamento  e  merece  ser 
central,  resultam  os  seguintes  imperativos  entendida  como  parte  integrante  desta  Estratégia 
estratégicos:   Nacional de Defesa. 
(a)  Priorizar  a  formação,  dentro  e  fora  do  Brasil,  dos  O  princípio  genérico  da  solução  é  a  rejeição  das 
quadros  técnico‐científicos,  militares  e  civis,  que  soluções  extremas  –  simplesmente  comprar,  no 
permitam alcançar a independência tecnológica;   mercado internacional, um caça “de quinta geração”, 
(b)  Desenvolver  projetos  tecnológicos  que  se  ou  sacrificar  a  compra  para  investir  na  modernização 
distingam por sua fecundidade tecnológica (aplicação  dos  aviões  existentes,  nos  projetos  de  Aeronaves 
análoga  a  outras  áreas)  e  por  seu  significado  Remotamente  Pilotadas  (ARP),  no  desenvolvimento, 
transformador  (alteração  revolucionária  das  junto  com  outro  país,  do  protótipo  de  um  caça 
condições de combate), não apenas por sua aplicação  tripulado do futuro e na formação maciça de quadros 
imediata;   científicos e técnicos.  

(c) Estreitar os vínculos entre os Institutos de Pesquisa  Consideração que poderá ser decisiva é a necessidade 
do  Departamento  de  Ciência  e  Tecnologia  de  preferir  a  opção  que  minimize  a  dependência 
Aeroespacial  (DCTA)  e  as  empresas  privadas,  tecnológica  ou  política  em  relação  a  qualquer 
resguardando sempre os interesses do Estado quanto  fornecedor  que,  por  deter  componentes  do  avião  a 
à proteção de patentes e à propriedade industrial;   comprar ou a modernizar, possa pretender, por conta 

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dessa participação, inibir ou influir sobre iniciativas de  (a) Projetar e fabricar veículos lançadores de satélites 
defesa desencadeadas pelo Brasil.   e  desenvolver  tecnologias  de  guiamento,  sobretudo 
sistemas inerciais e tecnologias de propulsão líquida;  
5. Três diretrizes estratégicas marcarão a evolução da 
Força  Aérea.  Cada  uma  dessas  diretrizes  representa  (b)  Projetar  e  fabricar  satélites,  sobretudo  os 
muito mais do que uma tarefa, uma oportunidade de  geoestacionários,  para  telecomunicações  e 
transformação.   sensoriamento  remoto  de  alta  resolu‐  ção, 
multiespectral, e desenvolver tecnologias de controle 
A primeira diretriz é o desenvolvimento do repertório  de atitude dos satélites;  
de  tecnologias  e  de  capacitações  que  permitam  à 
Força  Aérea  operar  em  rede,  não  só  entre  seus  (c)  Desenvolver  tecnologias  de  comunicações, 
próprios componentes, mas, também, com a Marinha  comando  e  controle  a  partir  de  satélites,  com  as 
e o Exército.   forças  terrestres,  aéreas  e  marítimas,  inclusive 
submarinas,  para  que  elas  se  capacitem  a  operar  em 
A  segunda  diretriz  é  o  avanço  nos  programas  de  rede e a se orientar por informações deles recebidas; 
Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP), primeiro de  e  
vigilância e depois de combate. Os ARP poderão vir a 
ser  meios  centrais,  não  meramente  acessórios,  do  (d)  Desenvolver  tecnologia  de  determinação  de 
combate  aéreo,  além  de  facultar  patamar  mais  posicionamento geográfico a partir de satélites. 3. No 
exigente  de  precisão  no  monitoramento/controle  do  setor  cibernético,  as  capacitações  se  destinarão  ao 
território  nacional.  A  Força  Aérea  absorverá  as  mais amplo espectro de usos industriais, educativos e 
implicações  desse  meio  de  vigilância  e  de  combate  militares.  Incluirão,  como  parte  prioritária,  as 
para  as  suas  orientações  tática  e  estratégica.  tecnologias  de  comunicação  entre  todos  os 
Formulará  doutrina  sobre  a  interação  entre  os  contingentes  das  Forças  Armadas,  de  modo  a 
veículos  tripulados  e  não  tripulados  que  aproveite  o  assegurar  sua  capacidade  para  atuar  em  rede.  As 
novo  meio  para  radicalizar  o  poder  de  surpreender,  prioridades são as seguintes:  
sem expor as vidas dos pilotos.  
(a)  Fortalecer  o  Centro  de  Defesa  Cibernética  com 
A  terceira  diretriz  é  a  integração  das  atividades  capacidade  de  evoluir  para  o  Comando  de  Defesa 
espaciais  nas  operações  da  Força  Aérea.  O  Cibernética das Forças Armadas;  
monitoramento  espacial  será  parte  integral  e 
condição  indispensável  do  cumprimento  das  tarefas  (b)  Aprimorar  a  Segurança  da  Informação  e 
estratégicas  que  orientarão  a  Força  Aérea:  vigilância  Comunicações  (SIC),  particularmente,  no  tocante  à 
múltipla  e  cumulativa,  grau  de  controle  do  ar  cerificação  digital  no  contexto  da  Infraestrutura  de 
desejado e combate focado no contexto de operações  Chaves‐Públicas da Defesa (ICP‐Defesa), integrando as 
conjuntas.  O  desenvolvimento  da  tecnologia  de  ICP das três Forças;  
veículos lançadores servirá como instrumento amplo,  (c) Fomentar a pesquisa científica voltada para o Setor 
não  só  para  apoiar  os  programas  espaciais,  mas  Cibernético,  envolvendo  a  comunidade  acadêmica 
também  para  desenvolver  tecnologia  nacional  de  nacional  e  internacional.  Nesse  contexto,  os 
projeto e de fabricação de mísseis.  Ministérios  da  Defesa,  da  Fazenda,  da  Ciência, 
  Tecnologia  e  Inovação,  da  Educação,  do 
Planejamento,  Orçamento  e  Gestão,  a  Secretaria  de 
Os setores estratégicos: o espacial, o cibernético e o  Assuntos Estratégicos da Presidência da República e o 
nuclear  Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da 
República  deverão  elaborar  estudo  com  vistas  à 
1. Três setores estratégicos – o espacial, o cibernético  criação da Escola Nacional de Defesa Cibernética;  
e o nuclear – são essenciais para a defesa nacional.  
(d)  Desenvolver  sistemas  computacionais  de  defesa 
2. No setor espacial, as prioridades são as seguintes:   baseados  em  computação  de  alto  desempenho  para 

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emprego no setor cibernético e com possibilidade de  que desenvolvidas por meio de parcerias com Estados 
uso dual;   e  empresas  estrangeiras.  Empregar  a  energia  nuclear 
criteriosamente,  e  sujeitá‐la  aos  mais  rigorosos 
(e)  Desenvolver  tecnologias  que  permitam  o  controles  de  segurança  e  de  proteção  do  meio 
planejamento e a execução da Defesa Cibernética  no  ambiente,  como  forma  de  estabilizar  a  matriz 
âmbito  do  Ministério  da  Defesa  e  que  contribuam  energética  nacional,  ajustando  as  variações  no 
com  a  segurança  cibernética  nacional,  tais  como  suprimento  de  energias  renováveis,  sobretudo  a 
sistema  modular  de  defesa  cibernética  e  sistema  de  energia de origem hidrelétrica; e  
segurança em ambientes computacionais; 
(d) Aumentar a capacidade de usar a energia nuclear 
(f) Desenvolver a capacitação, o preparo e o emprego  em amplo espectro de atividades.  
dos  poderes  cibernéticos  operacional  e  estratégico, 
em  prol  das  operações  conjuntas  e  da  proteção  das  O Brasil zelará por manter abertas as vias de acesso ao 
infraestruturas estratégicas;   desenvolvimento  de  suas  tecnologias  de  energia 
nuclear. Não aderirá a acréscimos ao Tratado de Não 
(g)  Incrementar  medidas  de  apoio  tecnológico  por  Proliferação de Armas Nucleares destinados a ampliar 
meio  de  laboratórios  específicos  voltados  para  as  as  restrições  do  Tratado  sem  que  as  potências 
ações cibernéticas; e   nucleares tenham avançado, de forma significativa, na 
(h)  Estruturar  a  produção  de  conhecimento  oriundo  premissa  central  do  Tratado:  seu  próprio 
da fonte cibernética.   desarmamento nuclear.  

4.  O  setor  nuclear  transcende,  por  sua  natureza,  a  5. A primeira prioridade do Estado na política dos três 


divisão entre desenvolvimento e defesa.   setores  estratégicos  será  a  formação  de  recursos 
humanos  nas  ciências  relevantes.  Para tanto,  ajudará 
Por  imperativo  constitucional  e  por  tratado  a  financiar  os  programas  de  pesquisa  e  de  formação 
internacional,  privou‐se  o  Brasil  da  faculdade  de  nas  universidades  brasileiras  e  nos  centros  nacionais 
empregar  a  energia  nuclear  para  qualquer  fim  que  de  pesquisa  e  aumentará  a  oferta  de  bolsas  de 
não  seja  pacífico.  Isso  foi  feito  sob  várias  premissas,  doutoramento  e  de  pós‐doutoramento  nas 
das  quais  a  mais  importante  foi  o  progressivo  instituições  internacionais  pertinentes.  Essa  política 
desarmamento nuclear das potências nucleares.   de  apoio  não  se  limitará  à  ciência  aplicada,  de 
emprego  tecnológico  imediato.  Beneficiará,  também, 
Nenhum país é mais atuante do que o Brasil na causa 
a ciência fundamental e especulativa.  
do  desarmamento  nuclear.  Entretanto  o  Brasil,  ao 
proibir  a  si  mesmo  o  acesso  ao  armamento  nuclear,  6.  Nos  três  setores,  as  parcerias  com  outros  países  e 
não  se  deve  despojar  da  tecnologia  nuclear.  Deve,  as compras de produtos e serviços no exterior devem 
pelo  contrário,  desenvolvê‐la,  inclusive  por  meio  das  ser  compatibilizadas  com  o  objetivo  de  assegurar 
seguintes iniciativas:   espectro abrangente de capacitações e de tecnologias 
sob domínio nacional. 
(a)  Completar,  no  que  diz  respeito  ao  programa  de 
submarino  de  propulsão  nuclear,  a  nacionalização   
completa e o desenvolvimento em escala industrial do 
ciclo  do  combustível  (inclusive  a  gaseificação  e  o  A  reorganização  da  Base  Industrial  de  Defesa: 
enriquecimento)  e  da  tecnologia  da  construção  de  desenvolvimento tecnológico independente 
reatores, para uso exclusivo do Brasil;  1.  A  defesa  do  Brasil  requer  a  reorganização  da  Base 
(b)  Acelerar  o  mapeamento,  a  prospecção  e  o  Industrial  de  Defesa  (BID)  –  formada  pelo  conjunto 
aproveitamento das jazidas de urânio;   integrado  de  empresas  públicas  e  privadas,  e  de 
organizações  civis  e  militares,  que  realizem  ou 
(c)  Aprimorar  o  potencial  de  projetar  e  construir  conduzam  pesquisa,  projeto,  desenvolvimento, 
termelétricas  nucleares,  com  tecnologias  e  industrialização,  produção,  reparo,  conservação, 
capacitações que acabem sob domínio nacional, ainda  revisão,  conversão,  modernização  ou  manutenção  de 

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produtos  de  defesa  (Prode)  no  País  –  o  que  deve  ser  centros  avançados  de  pesquisa  das  próprias  Forças 
feito de acordo com as seguintes diretrizes:   Armadas e das instituições acadêmicas brasileiras.  

(a)  Dar  prioridade  ao  desenvolvimento  de  4. O Estado ajudará a conquistar clientela estrangeira 


capacitações tecnológicas independentes.   para  a  Base  Industrial  de  Defesa.  Entretanto,  a 
continuidade  da  produção  deve  ser  organizada  para 
Essa  meta  condicionará  as  parcerias  com  países  e  não depender da conquista ou da continuidade de tal 
empresas  estrangeiras,  ao  desenvolvimento  clientela.  Portanto,  o  Estado  reconhecerá  que,  em 
progressivo de pesquisa e de produção no País.   muitas  linhas  de  produção,  aquela  indústria  terá  de 
(b)  Subordinar  as  considerações  comerciais  aos  operar  em  sistema  de  “custo  mais  margem”  e,  por 
imperativos estratégicos.   conseguinte, sob intenso escrutínio regulatório.  

Isso importa em organizar o regime legal, regulatório  5. O futuro das capacitações tecnológicas nacionais de 
e  tributário  da  Base  Industrial  de  Defesa,  para  que  defesa depende tanto do desenvolvimento de aparato 
reflita tal subordinação.   tecnológico,  quanto  da  formação  de  recursos 
humanos.  Daí  a  importância  de  se  desenvolver  uma 
(c)  Evitar  que  a  Base  Industrial  de  Defesa  polarize‐se  política de formação de cientistas, em ciência aplicada 
entre pesquisa avançada e produção rotineira.   e  básica,  já  abordada  no  tratamento  dos  setores 
espacial,  cibernético  e  nuclear,  privilegiando  a 
Deve‐se  cuidar  para  que  a  pesquisa  de  vanguarda 
aproximação da produção científica com as atividades 
resulte em produção de vanguarda. 
relativas ao desenvolvimento tecnológico da BID. 
(d) Usar o desenvolvimento de tecnologias de defesa 
6.  No  esforço  de  reorganizar  a  Base  Industrial  de 
como  foco  para  o  desenvolvimento  de  capacitações 
Defesa,  buscar‐se‐ão  parcerias  com  outros  países, 
operacionais.  
com  o  objetivo  de  desenvolver  a  capacitação 
Isso  implica  buscar  a  modernização  permanente  das  tecnológica  nacional,  de  modo  a  reduzir 
plataformas, seja pela reavaliação à luz da experiência  progressivamente a compra de serviços e de produtos 
operacional,  seja  pela  incorporação  de  melhorias  acabados  no  exterior.  A  esses  interlocutores 
provindas do desenvolvimento tecnológico.  estrangeiros,  o  Brasil  deixará  sempre  claro  que 
pretende  ser  parceiro,  não  cliente  ou  comprador.  O 
2. Estabeleceu‐se, para a Base Industrial de Defesa, a  País  está  mais  interessado  em  parcerias  que 
Lei no 12.598, de 22 de março de 2012, que tem por  fortaleçam  suas  capacitações  independentes,  do  que 
finalidade  determinar  normas  especiais  para  as  na  compra  de  produtos  e  serviços  acabados.  Tais 
compras,  contratações  e  desenvolvimento  de  parcerias devem contemplar, em princípio, que parte 
produtos  e  sistemas  de  defesa  e  dispõe  sobre  regras  substancial  da  pesquisa  e  da  fabricação  seja 
de incentivo à área estratégica de Defesa.   desenvolvida  no  Brasil,  e  ganharão  relevo  maior, 
quando  forem  expressão  de  associações  estratégicas 
Tal  regime  resguardará  as  empresas  que  fornecem 
abrangentes.  
produtos  de  defesa  às  Forças  Armadas,  das  pressões 
do  imediatismo  mercantil  e  possibilitará  a  7.  Conforme  previsto  na  END/2008,  o  Ministério  da 
continuidade  das  compras  públicas,  sem  prejudicar  a  Defesa  dispõe  de  uma  Secretaria  de  Produtos  de 
competição  no  mercado  e  o  desenvolvimento  de  Defesa (SEPROD).  
novas tecnologias. 
O  Secretário  é  responsável  por  executar  as  diretrizes 
3. O componente estatal da Base Industrial de Defesa  fixadas  pelo  Ministro  da  Defesa  e,  com  base  nelas, 
terá  por  vocação  produzir  o  que  o  setor  privado  não  formular  e  dirigir  a  política  de  obtenção  de  produtos 
possa  projetar  e  fabricar,  a  curto  e  médio  prazo,  de  de defesa, inclusive armamentos, munições, meios de 
maneira rentável. Atuará, portanto, no teto, e não no  transporte  e  de  comunicações,  fardamentos  e 
piso  tecnológico.  Manterá  estreito  vínculo  com  os  materiais  de  uso  individual  e  coletivo,  empregados 
nas atividades operacionais.  

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8.  A  SEPROD,  responsável  pela  área  de  Ciência  e  tecnologias  de  interesse  e  a  criação  de  instrumentos 
Tecnologia no Ministério da Defesa tem, entre as suas  de fomento à pesquisa de materiais, equipamentos e 
atribuições,  a  coordenação  da  pesquisa  avançada  em  sistemas  de  emprego  de  defesa  ou  dual,  de  forma  a 
tecnologias de defesa que se realize nos institutos de  viabilizar  uma  vanguarda  tecnológica  e  operacional 
pesquisa da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e  pautada  na  mobilidade  estratégica,  na  flexibilidade  e 
em  outras  organizações  subordinadas  às  Forças  na capacidade de dissuadir ou de surpreender.  
Armadas.  
Projetos  de  interesse  comum  a  mais  de  uma  Força 
O  objetivo  é  implementar  uma  política  tecnológica  deverão  ter  seus  esforços  de  pesquisa  integrados, 
integrada, que evite duplicação; compartilhe quadros,  definindo‐se,  no  plano  especificado,  para  cada  um 
ideias  e  recursos;  e  prime  por  construir  elos  entre  deles, um polo integrador.  
pesquisa  e  produção,  sem  perder  contato  com 
avanços  em  ciências  básicas.  Para  assegurar  a  No que respeita à utilização do espaço exterior como 
consecução  desses  objetivos,  a  Secretaria  fará  com  meio  de  suporte  às  atividades  de  defesa,  os  satélites 
que  muitos  projetos  de  pesquisa  sejam  realizados  para  comunicações,  controle  de  tráfego  aéreo, 
conjuntamente  pelas  instituições  de  tecnologia  meteorologia  e  sensoriamento  remoto 
avançada  das  três  Forças  Armadas.  Alguns  desses  desempenharão papel fundamental na viabilização de 
projetos  conjuntos  poderão  ser  organizados  com  diversas funções em sistemas de comando e controle. 
personalidade  própria,  seja  como  empresas  de  As capacidades de alerta, vigilância, monitoramento e 
propósitos  específicos,  seja  sob  outras  formas  reconhecimento poderão, também, ser aperfeiçoadas 
jurídicas.  por  meio  do  uso  de  sensores  ópticos  e  de  radar,  a 
bordo  de  satélites  ou  Aeronaves  Remotamente 
Os  projetos  serão  escolhidos  e  avaliados  não  só  pelo  Pilotadas (ARP).  
seu  potencial  produtivo  imediato,  mas  também,  por 
sua  fecundidade  tecnológica:  sua  utilidade  como  Serão consideradas, nesse contexto, as plataformas e 
fonte  de  inspiração  e  de  capacitação  para  iniciativas  missões espaciais em desenvolvimento, para fins civis, 
análogas.   tais  como  satélites  de  monitoramento  ambiental  e 
científicos,  ou  satélites  geoestacionários  de 
9.  A  relação  entre  Ciência,  Tecnologia  e  Inovação  na  comunicações  e  meteorologia,  no  âmbito  do 
área de defesa fortalece‐se com o Plano Brasil Maior,  Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).  
que  substituiu  a  Política  de  Desenvolvimento 
Produtivo  (PDP),  no  qual  o  Governo  federal  A  concepção,  o  projeto  e  a  operação  dos  sistemas 
estabelece  a  sua  política  industrial,  tecnológica,  de  espaciais  devem  observar  a  legislação  internacional, 
serviços  e  de  comércio  exterior  para  o  período  de  os tratados, bilaterais e  multilaterais, ratificados pelo 
2011  a  2014.  O  foco  deste  Plano  é  o  estímulo  à  País,  e  os  regimes  internacionais  dos  quais  o  Brasil  é 
inovação  e  à  produção  nacional  para  alavancar  a  signatário. 
competitividade  da  indústria  nos  mercados  interno  e  As medidas descritas têm respaldo na parceria entre o 
externo.   Ministé‐  rio  da  Defesa  e  o  Ministério  da  Ciência, 
10. A Política de Ciência, Tecnologia e Inovação para a  Tecnologia  e  Inovação,  que  remonta  à  “Concepção 
Defesa  Nacional  tem  como  propósito  estimular  o  Estratégica para CT&I de Interesse da Defesa”.  
desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação  11. O Ministro da Defesa delegará aos órgãos das três 
em áreas de interesse para a defesa nacional.   Forças, poderes para executarem a política formulada 
Isso ocorrerá por meio de um planejamento nacional  pela  Secretaria  quanto  a  encomendas  e  compras  de 
para  desenvolvimento  de  produtos  de  alto  conteúdo  produtos  específicos  de  sua  área,  sujeita,  tal 
tecnológico,  com  envolvimento  coordenado  das  execução, à avaliação permanente pelo Ministério. 
instituições  científicas  e  tecnológicas  (ICT)  civis  e   O  objetivo  é  que  a  política  de  compras  de  produtos 
militares,  da  indústria  e  da  universidade,  com  a  de defesa seja capaz de:  
definição  de  áreas  prioritárias  e  suas  respectivas 

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(a) otimizar o dispêndio de recursos;  O conflito entre as vantagens do profissionalismo e os 
valores do recrutamento há de ser atenuado por meio 
(b) assegurar que as compras obedeçam às diretrizes  da  educação  –  técnica  e  geral,  porém  de  orientação 
da Estratégia Nacional de Defesa e de sua elaboração,  analítica  e  capacitadora  –  que  será  ministrada  aos 
ao longo do tempo; e   recrutas ao longo do período de serviço.  
(c)  garantir,  nas  decisões  de  compra,  a  primazia  do  3. Para garantir que o Serviço Militar Obrigatório seja 
compromisso  com  o  desenvolvimento  das  o mais amplo possível, os recrutas serão selecionados 
capacitações  tecnológicas  nacionais  em  produtos  de  por  dois  critérios  principais.  O  primeiro  será  a 
defesa.   combinação  do  vigor  físico  com  a  capacidade 
12.  Resguardados  os  interesses  de  segurança  do  analítica,  medida  de  maneira  independente  do  nível 
Estado  quanto  ao  acesso  a  informações,  serão  de informação ou de formação cultural de que goze o 
estimuladas  iniciativas  conjuntas  entre  organizações  recruta. O segundo será o da representação de todas 
de  pesquisa  das  Forças  Armadas,  instituições  as classes sociais e regiões do País.  
acadêmicas nacionais e empresas privadas brasileiras.  4.  O  Serviço  Militar  evoluirá  em  conjunto  com  as 
O  objetivo  será  fomentar  o  desenvolvimento  de  um  providências  para  assegurar  a  mobilização  nacional 
complexo  militar  universitário‐empresarial  capaz  de  em  caso  de  necessidade,  de  acordo  com  a  Lei  de 
atuar  na  fronteira  de  tecnologias  que  terão  quase  Mobilização  Nacional.  O  Brasil  entenderá,  em  todo  o 
sempre utilidade dual, militar e civil.  momento,  que  sua  defesa  depende  do  potencial  de 
  mobilizar  recursos  humanos  e  materiais  em  grande 
escala,  muito  além  do  efetivo  das  suas  Forças 
O  Serviço  Militar  Obrigatório:  composição  dos  Armadas em tempo de paz. Jamais tratará a evolução 
efetivos das Forças Armadas e Mobilização Nacional  tecnológica  como  alternativa  à  mobilização  nacional; 
aquela  será  entendida  como  instrumento  desta.  Ao 
1.  A  base  da  defesa  nacional  é  a  identificação  da 
assegurar  a  flexibilidade  de  suas  Forças  Armadas, 
Nação  com  as  Forças  Armadas  e  das  Forças  Armadas 
assegurará também a elasticidade delas.  
com  a  Nação.  Tal  identificação  exige  que  a  Nação 
compreenda  serem  inseparáveis  as  causas  do  5. É importante para a defesa nacional que o oficialato 
desenvolvimento e da defesa.   seja representativo de todos os setores da sociedade 
brasileira. A ampla representação de todas as classes 
O  Serviço  Militar  Obrigatório  é  essencial  para  a 
sociais  nas  academias  militares  é  imperativo  de 
garantia  da  defesa  nacional.  Por  isso  será  mantido  e 
segurança  nacional.  Duas  condições  são 
reforçado.  
indispensáveis  para  que  se  alcance  esse  objetivo.  A 
2. O Ministério da Defesa, ouvidas as Forças Armadas,  primeira é que a carreira militar seja remunerada com 
estabelecerá  a  proporção  de  recrutas  e  de  soldados  vencimentos  competitivos  com  outras  valorizadas 
profissionais  de  acordo  com  as  necessidades  de  carreiras  do  Estado.  A  segunda  condição  é  que  a 
pronto  emprego  e  da  organização  de  uma  reserva  Nação  abrace  a  causa  da  defesa  e  nela  identifique 
mobilizável  que  assegure  o  crescimento  do  poder  requisito para o engrandecimento do povo brasileiro. 
militar  como  elemento  dissuasório.  No  Exército, 
 
respeitada  a  necessidade  de  especialistas,  e 
ressalvadas as imposições operacionais das Forças de  Conclusão 
Emprego Estratégico, a maioria do efetivo de soldados 
deverá ser de recrutas do Serviço Militar Obrigatório.  A  Estratégia  Nacional  de  Defesa  inspira‐se  em  duas 
Na Marinha e na Força Aérea, a necessidade de contar  realidades  que  lhe  garantem  a  viabilidade  e  lhe 
com especialistas, formados ao longo de vários anos,  indicam o rumo.  
deverá ter como contrapeso a importância estratégica  A primeira realidade é a capacidade de improvisação e 
de manter abertos os canais do recrutamento.   adaptação,  o  pendor  para  criar  soluções  quando 
faltam  instrumentos,  a  disposição  de  enfrentar  as 

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agruras  da  natureza  e  da  sociedade,  enfim,  a  II – MEDIDAS DE IMPLEMENTAÇÃO 
capacidade quase irrestrita de adaptação que permeia 
a cultura brasileira. É esse o fato que permite efetivar  A  segunda  parte  da  Estratégia  Nacional  de  Defesa 
o conceito de flexibilidade.   complementa  a  formulação  sistemática  contida  na 
primeira.  Está  dividida  em  três  partes.  A  primeira 
A  segunda  realidade  é  o  sentido  do  compromisso  aborda  o  contexto,  enumerando  circunstâncias  que 
nacional  no  Brasil.  A  Nação  brasileira  foi  e  é  um  ajudam a precisar‐lhe os objetivos e a  explicar‐lhe os 
projeto do povo brasileiro; foi ele que sempre abraçou  métodos.  A  segunda  destaca  como  a  Estratégia  será 
a ideia de nacionalidade e lutou para converter a essa  aplicada  a  um  espectro,  amplo  e  representativo,  de 
ideia  os  quadros  dirigentes  e  letrados.  Esse  fato  é  a  problemas atuais enfrentados pelas Forças Armadas e, 
garantia  profunda  da  identificação  da  Nação  com  as  com  isso,  tornar  mais  claras  sua  doutrina  e  suas 
Forças Armadas e dessas com a Nação.   exigências.  A  terceira  enumera  as  ações  estratégicas 
que  indicam  o  caminho  que  levará  o  Brasil,  de  onde 
Do encontro dessas duas realidades, complementadas  está para onde deve ir, na organização de sua defesa. 
pela  necessidade  de  visão  e  planejamento 
estratégicos direcionados para as questões de defesa,  Contexto 
resultaram  as  diretrizes  da  Estratégia  Nacional  de 
Defesa.  Podem  ser  considerados  como  principais  aspectos 
positivos do atual quadro da defesa:  

•  Forças  Armadas  identificadas  com  a  sociedade 


brasileira, com altos índices de confiabilidade;  

•  adaptabilidade  do  brasileiro  às  situações  novas  e 


inusitadas,  criando  situação  propícia  a  uma  cultura 
militar pautada pelo conceito da flexibilidade;  

• excelência do ensino nas Forças Armadas, no que diz 
respeito à metodologia e à atualização em relação às 
modernas  táticas  e  estratégias  de  emprego  de  meios 
militares,  incluindo  o  uso  de  concepções  próprias, 
adequadas  aos  ambientes  operacionais  de  provável 
emprego; e  

•  incorporação  do  CENSIPAM  à  estrutura 


organizacional  do  Ministério  da  Defesa,  agregando 
sua  base  de  dados  atualizada,  conceitos  de  emprego 
dual da informação e a integração de informações de 
órgãos civis com atuação na Amazônia brasileira. 

Por outro lado, apesar dos esforços desenvolvidos nos 
últimos  anos,  configuram‐se  ainda  como 
vulnerabilidades da atual estrutura de defesa do País:  

•  o  envolvimento,  ainda  não  significativo,  da 


sociedade brasileira com os assuntos de defesa;  

• a histórica descontinuidade na alocação de recursos 
orçamentários para a defesa;  

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•  a  desatualização  tecnológica  de  alguns  •  otimização  dos  esforços  em  Ciência,  Tecnologia  e 
equipamentos  das  Forças  Armadas;  e  a  dependência  Inovação  para  a  Defesa,  por  intermédio,  dentre 
em relação a produtos de defesa estrangeiros;   outras, das seguintes medidas:  

•  a  distribuição  espacial  das  Forças  Armadas  no  (a) maior integração entre as instituições científicas e 


território  nacional,  ainda  não  completamente  tecnológicas,  tanto  militares  como  civis,  e  a  Base 
ajustada,  ao  atendimento  às  necessidades  Industrial de Defesa;  
estratégicas;  
(b) definição de pesquisas de uso dual; e  
•  a  atual  inexistência  de  carreira  civil  na  área  de 
defesa, mesmo sendo uma função de estado;   (c)  fomento  à  pesquisa  e  ao  desenvolvimento  de 
produtos de interesse da defesa;  
• o estágio da pesquisa científica e tecnológica para o 
desenvolvimento  de  material  de  emprego  militar  e  •  maior  integração  entre  as  indústrias  estatal  e 
produtos de defesa;  privada de produtos de defesa, com a definição de um 
modelo  de  participação  na  produção  nacional  de 
• a carência de programas para aquisição de produtos  meios de defesa;  
de  defesa,  calcados  em  planos  plurianuais;  •  os 
bloqueios  tecnológicos  impostos  por  países  •  integração  e  definição  centralizada  na  aquisição  de 
desenvolvidos, que retardam os projetos estratégicos  produtos  de  defesa  de  uso  comum,  compatíveis  com 
de concepção brasileira;   as prioridades estabelecidas;  

•  a  relativa  deficiência  dos  sistemas  nacionais  de  • condicionamento da compra de produtos de defesa 


logística e de mobilização; e   no  exterior  à  transferência  substancial  de  tecnologia, 
inclusive  por  meio  de  parcerias  para  pesquisa  e 
•  a  atual  capacidade  das  Forças  Armadas  contra  os  fabricação  no  Brasil  de  partes  desses produtos  ou  de 
efeitos  causados  por  agentes  contaminantes  sucedâneos a eles;  
químicos, biológicos, radiológicos e nucleares.  
• articulação das Forças Armadas, compatível com as 
A  identificação  e  a  análise  dos  principais  aspectos  necessidades  estratégicas  e  de  adestramento  dos 
positivos  e  das  vulnerabilidades  permitem  vislumbrar  Comandos  Operacionais,  tanto  singulares  quanto 
as seguintes oportunidades a serem exploradas:   conjuntos,  capaz  de  levar  em  consideração  as 
exigências de cada ambiente operacional, em especial 
•  maior  engajamento  da  sociedade  brasileira  nos  o amazônico e o do Atlântico Sul;  
assuntos  de  defesa,  e  maior  integração  entre  os 
diferentes  setores  dos  três  poderes  e  das  três  •  fomento  da  atividade  aeroespacial,  de  forma  a 
instâncias  de  governo  do  Estado  brasileiro  e  desses  proporcionar  ao  País  o  conhecimento  tecnológico 
setores  com  os  institutos  nacionais  de  estudos  necessário  ao  desenvolvimento  de  projeto  e 
estratégicos, públicos ou privados;   fabricação  de  satélites  e  de  veículos  lançadores  de 
satélites e desenvolvimento de um sistema integrado 
•  regularidade  e  continuidade  na  alocação  dos  de  monitoramento  do  espaço  aéreo,  do  território  e 
recursos  orçamentários  de  defesa,  para  incrementar  das águas jurisdicionais brasileiras;  
os investimentos e garantir a manutenção das Forças 
Armadas;   •  desenvolvimento  das  infraestruturas  marítima, 
terrestre  e  aeroespacial  necessárias  para  viabilizar  as 
•  aparelhamento  das  Forças  Armadas  e  capacitação  estratégias de defesa;  
profissional de seus integrantes, para que disponham 
de  meios  militares  aptos  ao  pronto  emprego,  • promoção de ações de presença do Estado na região 
integrado,  com  elevada  mobilidade  tática  e  amazônica,  em  especial  pelo  fortalecimento  do  viés 
estratégica;  de defesa do Programa Calha Norte;  

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•  estreitamento  da  cooperação  entre  os  países  da  apresentada e de uma maneira sequencial, que pode 
América  do  Sul  e,  por  extensão,  com  os  do  entorno  ser assim esquematizada: 
estratégico brasileiro;  
(a) Na paz  
•  valorização  da  profissão  militar  e  da  carreira  de 
servidores  civis  do  Ministério  da  Defesa  e  das  Forças  As  organizações  militares  serão  articuladas  para 
Armadas,  a  fim  de  estimular  o  recrutamento  de  seus  conciliar o atendimento às hipóteses de emprego com 
quadros em todas as classes sociais;   a  necessidade  de  otimizar  os  seus  custos  de 
manutenção  e  para  proporcionar  a  realização  do 
•  aperfeiçoamento  do  Serviço  Militar  Obrigatório,  na  adestramento em ambientes operacionais específicos. 
busca de maior identificação das Forças Armadas com 
a sociedade brasileira;   Serão  desenvolvidas  atividades  permanentes  de 
inteligência, para acompanhamento da situação e dos 
•  expansão  da  capacidade  de  combate  das  Forças  atores  que  possam  vir  a  representar  potenciais 
Armadas,  por  meio  da  mobilização  de  pessoal,  ameaças  ao  Estado  e  para  proporcionar  o  alerta 
material  e  serviços,  para  complementar  a  logística  antecipado  ante  a  possibilidade  de  concretização  de 
militar, no caso de o País se ver envolvido em conflito;  tais  ameaças.  As  atividades  de  inteligência  devem 
e   obedecer a salvaguardas e controles que resguardem 
os direitos e garantias constitucionais. 
•  otimização  do  controle  sobre  atores  não 
governamentais,  especialmente  na  região  amazônica,  (b) Na crise  
visando  à  preservação  do  patrimônio  nacional, 
mediante  ampla  coordenação  das  Forças  Armadas  O  Comandante  Supremo  das  Forças  Armadas, 
com  os  órgãos  governamentais  brasileiros  consultado  o  Conselho  de  Defesa  Nacional,  poderá 
responsáveis  pela  autorização  de  atuação  no  País  ativar uma estrutura de gerenciamento de crise, com 
desses  atores,  sobretudo  daqueles  com  vinculação  a  participação  de  representantes  do  Ministério  da 
estrangeira.  Defesa e dos Comandos da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica,  bem  como  de  representantes  de  outros 
  Ministérios, se necessários.  

Aplicação da estratégia  O  emprego  das  Forças  Armadas  será  singular  ou 


conjunto e ocorrerá em consonância com as diretrizes 
Hipóteses de emprego  expedidas.  
Entende‐se por “hipótese de emprego” a antevisão de  As atividades de inteligência serão intensificadas. 
possível  emprego  das  Forças  Armadas  em 
determinada  situação/situações  ou  área/  áreas  de  Medidas políticas inerentes ao gerenciamento de crise 
interesse  estratégico  para  a  defesa  nacional.  É  continuarão a ser adotadas, em paralelo com as ações 
formulada  considerando‐se  a  indeterminação  de  militares.  
ameaças  ao  País.  Com  base  nas  hipóteses  de 
emprego, serão elaborados e mantidos atualizados os  Ante  a  possibilidade  de  a  crise  evoluir  para  conflito 
planos  estratégicos  e  operacionais  pertinentes,  armado/guerra,  poderão  ser  desencadeadas,  entre 
visando  possibilitar  o  contínuo  aprestamento  da  outras, as seguintes medidas:  
Nação  como  um  todo,  e  em  particular  das  Forças  • a ativação dos Comandos Operacionais previstos na 
Armadas, para emprego na defesa do País.  Estrutura Militar de Defesa;  
Emprego  conjunto  das  Forças  Armadas  em  •  a  adjudicação  de  forças  pertencentes  à  estrutura 
atendimento às hipóteses de emprego  organizacional  das  três  Forças  aos  Comandos 
A  evolução  da  estrutura  das  Forças  Armadas,  do  Operacionais ativados; 
estado  de  paz  para  o  de  conflito  armado  ou  guerra, 
dar‐se‐á de acordo com as peculiaridades da situação 

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•  a  atualização  e  implementação,  pelo  Comando  •  o  monitoramento  e  controle  do  espaço  aéreo,  das 
Operacional  ativado,  dos  planos  de  campanha  fronteiras  terrestres,  do  território  e  das  águas 
elaborados no estado de paz;   jurisdicionais brasileiras em circunstâncias de paz;  

• o completamento das estruturas;   • a ameaça de penetração nas fronteiras terrestres ou 
abordagem nas águas jurisdicionais brasileiras;  
•  a  ativação  de  Zona  de  Defesa,  áreas  onde  são 
mobilizáveis tropas da ativa e reservistas, inclusive os  •  a  ameaça  de  forças  militares  muito  superiores  na 
egressos dos Tiros de Guerra, para defesa do interior  região amazônica;  
do País em caso de conflito armado/guerra; e  
•  as  providências  internas  ligadas  à  defesa  nacional 
•  a  decretação  da  Mobilização  Nacional,  se  decorrentes  de  guerra  em  outra  região  do  mundo, 
necessária.   que  ultrapassem  os  limites  de  uma  guerra  regional 
controlada,  com  emprego  efetivo  ou  potencial  de 
(c) Durante o conflito armado/guerra   armamento nuclear, biológico, químico e radiológico;  
O desencadeamento da campanha militar prevista no  • a participação do Brasil em operações internacionais 
Plano de Campanha elaborado.   em apoio à política exterior do País;  
(d) Ao término do conflito armado/guerra   • a participação em operações internas de Garantia da 
A  adoção  de  medidas  específicas  de  Desmobilização  Lei e da Ordem, nos termos da Constituição Federal, e 
Nacional,  de  modo  gradativo  a  fim  de  prevenir  o  os atendimentos às requisições da Justiça Eleitoral; e  
recrudescimento  das  ações  pelo  oponente,  • a ameaça de guerra no Atlântico Sul. 
procurando  conciliar  a  necessidade  decrescente  da 
estrutura  criada  pela  situação  de  conflito   
armado/guerra  com  as  necessidades  crescentes  da 
volta à situação de normalidade.   Estruturação das Forças Armadas 

Os  ambientes  apontados  na  Estratégia  Nacional  de  Para o atendimento eficaz das hipóteses de emprego, 


Defesa  não  permitem  vislumbrar  ameaças  militares  as  Forças  Armadas  deverão  estar  organizadas  e 
concretas  e  definidas,  representadas  por  forças  articuladas  de  maneira  a  facilitar  a  realização  de 
antagônicas de países potencialmente inimigos ou de  operações  conjuntas  e  singulares,  adequadas  às 
outros  agentes  não  estatais.  Devido  à  incerteza  das  características peculiares das operações de cada uma 
ameaças  ao  Estado  Brasileiro,  o  preparo  das  Forças  das áreas estratégicas.  
Armadas  deve  ser  orientado  para  atuar  no  O  instrumento  principal,  por  meio  do  qual  as  Forças 
cumprimento  de  variadas  missões,  em  diferentes  desenvolverão  sua  flexibilidade  tática  e  estratégica, 
áreas  e  cenários,  para  respaldar  a  ação  política  do  será  o  trabalho  coordenado  entre  elas,  a  fim  de  tirar 
Estado.  proveito  da  dialética  da  concentração  e 
As  hipóteses  de  emprego  são  provenientes  da  desconcentração.  Portanto,  as  Forças,  como  regra, 
associação  das  principais  tendências  de  evolução  das  definirão suas orientações operacionais em conjunto, 
conjunturas  nacional  e  internacional  com  as  privilegiando  essa  visão  conjunta  como  forma  de 
orientações político‐estratégicas do País.   aprofundar suas capacidades.  

Na elaboração das hipóteses de emprego, a Estratégia  O meio institucional para esse trabalho unificado será 
Militar  de  Defesa  deverá  contemplar  o  emprego  das  a  colaboração  entre  os  Estados‐Maiores  das  Forças 
Forças  Armadas  considerando,  dentre  outros,  os  com o Estado‐Maior Conjunto das Forças Armadas, no 
seguintes aspectos:   estabelecimento  e  definição  das  linhas  de  frente  de 
atuação  conjunta.  Nesse  sentido,  o  sistema 
educacional de cada Força ministrará cursos, além dos 
singulares  já  existentes,  e  realizará  projetos  de 

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pesquisa  e  de  formulação  em  conjunto  com  os  priorizar,  com  compensação  comercial,  industrial  e 
sistemas  das  demais  Forças  e  com  a  Escola  Superior  tecnológica:  
de Guerra.  
•  no  âmbito  das  três  Forças,  sob  a  condução  do 
Da  mesma  forma,  as  Forças  Armadas  deverão  ser  Ministério  da  Defesa,  a  aquisição  de  helicópteros  de 
equipadas, articuladas e adestradas, desde os tempos  transporte e de reconhecimento e ataque;  
de paz, segundo as diretrizes do Ministério da Defesa, 
realizando exercícios singulares e conjuntos.   •  na  Marinha,  o  projeto  e  fabricação  de  submarinos 
convencionais  que  permitam  a  evolução  para  o 
Assim,  com  base  na  Política  Nacional  de  Defesa,  na  projeto  e  fabricação,  no  País,  de  submarinos  de 
Estratégia  Nacional  de  Defesa  e  na  Estratégia  Militar  propulsão  nuclear,  de  meios  de  superfície  e  aéreos 
dela  decorrente,  as  Forças  Armadas  submetem  ao  priorizados nesta Estratégia;  
Ministério  da  Defesa  seus  Planos  de  Articulação  e  de 
Equipamento, os quais contemplam uma proposta de  •  no  Exército,  os  meios  necessários  ao 
distribuição  espacial  das  instalações  militares  e  de  completamento  dos  sistemas  operacionais  das 
quantificação  dos  meios  necessários  ao  atendimento  brigadas  e  do  sistema  de  monitoramento  de 
eficaz  das  hipóteses  de  emprego,  de  maneira  a  fronteiras;  o  aumento  da  mobilidade  tática  e 
possibilitar:   estratégica  da  Força  Terrestre,  sobretudo  das  Forças 
de  Emprego  Estratégico  e  das  forças  estacionadas  na 
•  poder  de  combate  que  propicie  credibilidade  à  região  amazônica;  a  nova  família  de  blindados  sobre 
estratégia da dissuasão;   rodas;  os  sistemas  de  mísseis  e  radares  antiaéreos 
(defesa  antiaérea);  a  produção  de  munições  e  o 
•  meios  à  disposição  do  sistema  de  defesa  nacional  armamento  e  o  equipamento  individual  do 
que  permitam  o  aprimoramento  da  vigilância;  o  combatente,  entre  outros,  aproximando‐os  das 
controle do espaço aéreo, das fronteiras terrestres, do  tecnologias necessárias ao combatente do futuro; e 
território  e  das  águas  jurisdicionais  brasileiras;  e  da 
infraestrutura estratégica nacional;   •  na  Força  Aérea,  a  aquisição  de  aeronaves  de  caça 
que  substituam,  paulatinamente,  as  hoje  existentes, 
•  o  aumento  da  presença  militar  nas  áreas  buscando  a  possível  padronização;  a  aquisição  e  o 
estratégicas do Atlântico Sul e da região amazônica;   desenvolvimento  de  armamentos,  e  sistemas  de 
•  o  aumento  da  participação  de  órgãos  autodefesa,  objetivando  a  autossuficiência  na 
governamentais,  militares  e  civis,  no  plano  de  integração  destes  às  aeronaves;  e  a  aquisição  de 
vivificação  e  desenvolvimento  da  faixa  de  fronteira  aeronaves  de  transporte  de  tropa.  Em  relação  à 
amazônica, empregando a estratégia da presença;   distribuição espacial das Forças no território nacional, 
o  planejamento  consolidado  no  Ministério  da  Defesa 
•  a  adoção  de  articulação  que  atenda  aos  aspectos  deverá priorizar:  
ligados  à  concentração  dos  meios,  à  eficiência 
operacional, à rapidez no emprego e na mobilização e  •  na  Marinha,  a  necessidade  de  constituição  de  uma 
à otimização do custeio em tempo de paz; e   Esquadra no norte/nordeste do País;  

•  a  existência  de  forças  estratégicas  de  elevada  •  no  Exército,  a  distribuição  que  atenda  às  seguintes 
mobilidade  e  flexibilidade,  dotadas  de  material  condicionantes:  
tecnologicamente  avançado  e  em  condições  de  (a) um flexível dispositivo de expectativa, em face da 
emprego  imediato,  articuladas  de  maneira  a  melhor  indefinição  de  ameaças,  que  facilite  o  emprego 
atender às hipóteses de emprego.  progressivo das tropas e a presença seletiva em uma 
Os  Planos  das  Forças  singulares,  consolidados  no  escalada de crise;  
Ministério  da  Defesa,  deverão  referenciar‐se  a  metas  (b) a manutenção de tropas, em particular as reservas 
de curto prazo (até 2014), de médio prazo (entre 2015  estratégicas,  na  situação  de  prontidão  operacional 
e  2022)  e  de  longo  prazo  (entre  2023  e  2030).  Em  com  mobilidade,  que  lhes  permitam  deslocar‐se 
relação  ao  equipamento,  o  planejamento  deverá 
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rapidamente  para  qualquer  parte  do  território  • permanente prontidão operacional para atender às 
nacional ou para o exterior;  hipóteses de emprego, integrando forças conjuntas ou 
não;  
(c) a manutenção de tropas no centro‐sul do País para 
garantir  a  defesa  da  principal  concentração  • manutenção de unidades aptas a compor Forças de 
demográfica,  industrial  e  econômica,  bem  como  da  Pronto  Emprego,  em  condições  de  atuar  em 
infraestrutura, particularmente a geradora de energia;  diferentes ambientes operacionais;  
e  
•  projeção  de  poder  nas  áreas  de  interesse 
(d)  a  concentração  das  reservas  regionais  em  suas  estratégico;  
respectivas áreas.  
• estruturas de Comando e Controle, e de Inteligência 
• na Força Aérea, a adequação da localização de suas  consolidadas;  
unidades de transporte de tropa de forma a propiciar 
o  rápido  atendimento  de  apoio  de  transporte  às  • permanência na ação, sustentada por um adequado 
Forças de Emprego Estratégico. Isso pressupõe que se  apoio  logístico,  buscando  ao  máximo  a  integração  da 
baseiem próximo às reservas estratégicas do Exército.  logística das três Forças;  
Além  disso,  suas  unidades  de  defesa  aérea  e  de  •  aumento  do  poder  de  combate,  em  curto  prazo, 
controle do espaço aéreo serão distribuídas de forma  pela  incorporação  de  recursos  mobilizáveis,  previstos 
a possibilitar um efetivo atendimento às necessidades  em lei;  
correntes com velocidade e presteza.  
• interoperabilidade nas operações conjuntas; e  
A  partir  da  consolidação  dos  Planos  de  Articulação  e 
de Equipamento elaborados pelas Forças, o Ministério  •  defesa  antiaérea  adequada  às  áreas  estratégicas  a 
da Defesa proporá ao Presidente da República o Plano  defender. 
de Articulação e de Equipamento da Defesa Nacional, 
 
envolvendo  a  sociedade  brasileira  na  busca  das 
soluções necessárias.   Garantia da Lei e da Ordem (GLO) 
As  características  especiais  do  ambiente  amazônico,  Para  o  emprego  episódico  na  GLO,  nos  termos  da 
com  reflexos  na  doutrina  de  emprego  das  Forças  Constituição, da Lei nº 9.299, de 7 de agosto de 1996 
Armadas,  deverão  demandar  tratamento  especial,  e da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, 
devendo  ser  incrementadas  as  ações  de  alterada  pela  Lei  Complementar  nº  117,  de  2  de 
fortalecimento  da  estratégia  da  presença  naquele  setembro de 2004, e Lei Complementar no 136, de 25 
ambiente  operacional.  Em  face  da  indefinição  das  de agosto de 2010, as Forças Armadas deverão prever 
ameaças,  as  Forças  Armadas  deverão  se  dedicar  à  a capacitação de tropa para o cumprimento desse tipo 
obtenção de capacidades orientadoras das medidas a  de missão. 
serem planejadas e adotadas. 
Inteligência de Defesa 
No  tempo  de  paz  ou  enquanto  os  recursos  forem 
insuficientes,  algumas  capacidades  serão  mantidas  Por  meio  da  Inteligência,  busca‐se  que  todos  os 
temporariamente  por  meio  de  núcleos  de  expansão,  planejamentos  –  políticos,  estratégicos,  operacionais 
constituídos  por  estruturas  flexíveis  e  capazes  de  e táticos – e sua execução desenvolvam‐se com base 
evoluir  rapidamente,  de  modo  a  obter  adequado  em  dados  que  se  transformam  em  conhecimentos 
poder de combate nas operações.   confiáveis  e  oportunos.  As  informações  precisas  são 
condição  essencial  para  o  emprego  adequado  dos 
As seguintes capacidades são desejadas para as Forças  meios militares.  
Armadas:  
A  Inteligência  deve  ser  desenvolvida  desde  o  tempo 
de paz, pois é ela que possibilita superar as incertezas. 
É  da  sua  vertente  prospectiva  que  procedem  aos 

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melhores  resultados,  permitindo  o  delineamento  dos  Promover  o  aperfeiçoamento  da  Doutrina  de 
cursos de ação possíveis e os seus desdobramentos. A  Operações Conjuntas.  
identificação  das  ameaças  é  o  primeiro  resultado  da 
atividade da Inteligência de Defesa.  O  Ministério  da  Defesa  promoverá  estudos  relativos 
ao  aperfeiçoamento  da  Doutrina  de  Operações 
  Conjuntas, considerando, principalmente, o ambiente 
operacional e o aprimoramento dos meios de defesa, 
Ações estratégicas  a  experiência  e  os  ensinamentos  adquiridos  com  a 
Enunciam‐se  a  seguir  as  ações  estratégicas  que  irão  realização de operações conjuntas e as orientações da 
orientar  a  implementação  da  Estratégia  Nacional  de  Estratégia  Nacional  de  Defesa,  no  que  concerne  às 
Defesa:  atribuições  do  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forças 
Armadas e dos Estados‐Maiores das três Forças. 
Mobilização 
Comando e Controle 
Realizar,  integrar  e  coordenar  as  ações  de 
planejamento,  preparo,  execução  e  controle  das  Consolidar  o  Sistema  de  Comando  e  Controle  para  a 
atividades de Mobilização e Desmobilização Nacionais  Defesa Nacional.  
previstas  no  Sistema  Nacional  de  Mobilização  O  Ministério  da  Defesa  aperfeiçoará  o  Sistema  de 
(SINAMOB).   Comando  e  Controle  de  Defesa,  para  contemplar  o 
O  Ministério  da  Defesa  orientará  e  coordenará  os  uso de satélite de telecomunicações próprio. 
demais ministérios, secretarias e órgãos envolvidos no  O  sistema  integrado  de  Comando  e  Controle  de 
SINAMOB  no  estabelecimento  de  programas,  normas  Defesa  deverá  ser  capaz  de  disponibilizar,  em  função 
e  procedimentos  relativos  à  complementação  da  de  seus  sensores  de  monitoramento  e  controle  do 
Logística  Nacional  e  na  adequação  das  políticas  espaço  terrestre,  marítimo  e  aéreo  brasileiro,  dados 
governamentais à Política de Mobilização Nacional.  de  interesse  do  Sistema  Nacional  de  Segurança 
Logística  Pública, em função de suas atribuições constitucionais 
específicas. De forma recíproca, o Sistema Nacional de 
Acelerar  o  processo  de  integração  entre  as  três  Segurança Pública deverá disponibilizar ao sistema de 
Forças,  especialmente  nos  campos  da  tecnologia  defesa  nacional  dados  de  interesse  do  controle  das 
industrial  básica,  da  logística  e  mobilização,  do  fronteiras,  exercido  também  pelas  Forças  Armadas, 
comando e controle e das operações conjuntas.   em  especial  no  que  diz  respeito  às  atividades  ligadas 
aos crimes transnacionais fronteiriços. 
1. O Ministério da Defesa, por intermédio da SEPROD, 
ficará  encarregado  de  formular  e  dirigir  a  política  de  Adestramento 
obtenção de produtos de defesa. 
Atualizar  o  planejamento  operacional  e  adestrar 
2. O Ministério da Defesa, por intermédio da SEPROD,  Estados‐Maiores Conjuntos Regionais.  
ficará  encarregado  da  coordenação  dos  processos  de 
certificação,  de  metrologia,  de  normatização  e  de  O  Ministério  da  Defesa  definirá  Estados‐Maiores 
fomento industrial.   Conjuntos  Regionais,  coordenados  pelo  Estado‐Maior 
Conjunto  das  Forças  Armadas,  para  que,  quando 
3. O Ministério da Defesa incentivará, junto às esferas  ativados,  desde  o  tempo  de  paz,  dentro  da  estrutura 
do Governo federal, a ampliação e a compatibilização  organizacional  das  Forças  Armadas,  possibilitem  a 
da  infraestrutura  logística  terrestre,  portuária,  continuidade  e  a  atualização  do  planejamento  e  do 
aquaviária,  aeroespacial,  aeroportuária  e  de  adestramento  operacionais  que  atendam  ao 
telemática, visando os interesses da defesa.  estabelecido nos planos estratégicos. 

Doutrina  Inteligência de Defesa 

Aperfeiçoar o Sistema de Inteligência de Defesa.  

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O  Sistema  deverá  receber  recursos  necessários  à  •  as  ações  de  defesa  civil,  a  cargo  do  Ministério  da 
formulação  de  diagnóstico  conjuntural  dos  cenários  Integração Nacional;  
vigentes  em  prospectiva  político‐estratégica,  nos 
campos nacional e internacional.   • as ações de segurança pública, a cargo do Ministério 
da  Justiça  e  dos  órgãos  de  segurança  pública 
Os recursos humanos serão capacitados em análise e  estaduais;  
técnicas  nos  campos  científico,  tecnológico, 
cibernético,  espacial  e  nuclear,  com  ênfase  para  o  •  o  aperfeiçoamento  dos  dispositivos  e 
monitoramento/controle, à mobilidade estratégica e à  procedimentos  de  segurança  que  reduzam  a 
capacidade logística.  vulnerabilidade  dos  sistemas  relacionados  à  Defesa 
Nacional contra ataques cibernéticos e, se for o caso, 
Segurança Nacional  que  permitam  seu  pronto  restabelecimento,  a  cargo 
da  Casa  Civil  da  Presidência  da  República,  dos 
Contribuir  para  o  incremento  do  nível  de  Segurança  ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência, 
Nacional.   Tecnologia  e  Inovação,  e  do  Gabinete  de  Segurança 
Todas as instâncias do Estado deverão contribuir para  Institucional da Presidência da República;  
o  incremento  do  nível  de  Segurança  Nacional,  com  • a execução de estudos para viabilizar a instalação de 
particular ênfase sobre:   um  centro  de  pesquisa  de  doenças  tropicais  para  a 
•  o  aperfeiçoamento  de  processos  para  o  região  amazônica,  a  cargo  dos  ministérios  da  Defesa, 
gerenciamento de crises;   da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Saúde e órgãos 
de saúde estaduais e municipais; 
•  a  integração  de  todos  os  órgãos  do  Sistema 
Brasileiro de Inteligência (SISBIN);   •  as  medidas  de  emergência  em  saúde  pública  de 
importância nacional e internacional; e  
•  a  prevenção  de  atos  terroristas  e  de  atentados 
massivos  aos  Direitos  Humanos,  bem  como  a  •  o  atendimento  aos  compromissos  internacionais 
condução de operações contraterrorismo, a cargo dos  relativos  à  salvaguarda  da  vida  humana  no  mar  e  ao 
ministérios  da  Defesa  e  da  Justiça  e  do  Gabinete  de  tráfego  aéreo  internacional,  a  cargo  do  Ministério  da 
Segurança  Institucional  da  Presidência  da  República  Defesa,  por  intermédio  dos  Comandos  da  Marinha  e 
(GSIPR);   da Aeronáutica, respectivamente, e do Ministério das 
Relações Exteriores. 
•  as  medidas  para  a  segurança  das  áreas  de 
infraestruturas  estratégicas,  incluindo  serviços,  em  Operações internacionais 
especial no que se refere a energia, transporte, água,  Promover  o  incremento  do  adestramento  e  da 
finanças  e  comunicações,  a  cargo  dos  ministérios  da  participação  das  Forças  Armadas  em  operações 
Defesa,  de  Minas  e  Energia,  dos  Transportes,  da  internacionais  em  apoio  à  política  exterior,  com 
Fazenda, da Integração Nacional e das Comunicações,  ênfase  nas  operações  de  paz  e  ações  humanitárias, 
e  ao  trabalho  de  coordenação,  avaliação,  integrando Forças da Organização das Nações Unidas 
monitoramento  e  redução  de  riscos,  desempenhado  (ONU) ou de organismos multilaterais da região.  
pelo  Gabinete  de  Segurança  Institucional  da 
Presidência da República;   O  Ministério  da  Defesa  promoverá  ações  com  vistas 
ao  incremento  das  atividades  do  Centro  Conjunto  de 
•  as  medidas  de  defesa  química,  biológica,  nuclear  e  Operações  de  Paz  do  Brasil  (CCOPAB),  de  maneira  a 
radiológica  dos  ministérios  da  Defesa,  da  Saúde,  da  estimular  o  adestramento  de  civis  e  militares  ou  de 
Integração Nacional, de Minas e Energia e da Ciência,  contingentes  de  Segurança  Pública,  e  de  convidados 
Tecnologia  e  Inovação,  e  do  Gabinete  de  Segurança  de  outras  nações  amigas.  Para  tal,  prover‐lhe‐á  o 
Institucional  da  Presidência  da  República,  para  as  apoio  necessário  a  torná‐lo  referência  regional  no 
ações  de  proteção  à  população  e  às  instalações  em  adestramento  conjunto  para  operações  de  paz  e  de 
território nacional, decorrentes de possíveis efeitos do  desminagem humanitária. 
emprego de armas dessa natureza;  
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Estabilidade regional  • na intensificação da cooperação e do comércio com 
países  da  África,  da  América  Central  e  do  Caribe, 
Contribuir  para  a  manutenção  da  estabilidade  inclusive  a  Comunidade  dos  Estados  Latino‐
regional.  Americanos e Caribenhos (CELAC); e  
1. O Ministério da Defesa e o Ministério das Relações  • na consolidação da Zona de Paz e de Cooperação do 
Exteriores  promoverão  o  incremento  das  atividades  Atlântico Sul (ZOPACAS), e o incremento na interação 
destinadas à manutenção da estabilidade regional e à  inter‐regionais,  como  a  Comunidade  de  Países  de 
cooperação nas áreas de fronteira do País.   Língua  Portuguesa  (CPLP),  a  cúpula  América  do  Sul‐
2.  O  Ministério  da  Defesa  e  as  Forças  Armadas  África  (ASA)  e  o  Fórum  de  Diálogo  Índia‐Brasil‐África 
intensificarão  as  parcerias  estratégicas  nas  áreas  do Sul (IBAS). 
cibernética, espacial e nuclear e o intercâmbio militar  Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) 
com as Forças Armadas das nações amigas, neste caso 
particularmente  com  a  América  do  Sul  e  países  Fomentar  a  pesquisa  e  o  desenvolvimento  de 
lindeiros ao Atlântico Sul.   produtos  e  sistemas  militares  e  civis  que 
compatibilizem  as  prioridades  científico‐tecnológicas 
3.  O  Ministério  da  Defesa,  o  Ministério  das  Relações  com as necessidades de defesa. 
Exteriores  e  as  Forças  Armadas  buscarão  contribuir 
ativamente  para  o  fortalecimento,  a  expansão  e  a  1.  O  Ministério  da  Defesa  proporá,  em  coordenação 
consolidação  da  integração  regional,  com  ênfase  na  com  os  Ministérios  das  Relações  Exteriores,  da 
pesquisa  e  desenvolvimento  de  projetos  comuns  de  Fazenda,  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio 
produtos de defesa.  Exterior,  do  Planejamento,  Orçamento  e  Gestão,  da 
Ciência,  Tecnologia  e  Inovação  e  com  a  Secretaria  de 
Inserção internacional  Assuntos  Estratégicos  da  Presidência  da  República,  o 
Incrementar  o  apoio  à  participação  brasileira  no  estabelecimento de parcerias estratégicas com países 
cenário  internacional,  mediante  a  atuação  do  que  possam  contribuir  para  o  desenvolvimento  de 
Ministério  da  Defesa  e  demais  ministérios,  dentre  tecnologias de ponta de interesse para a defesa.  
outros:   2.  O  Ministério  da  Defesa,  em  coordenação  com  os 
•  nos  processos  internacionais  relevantes  de  tomada  Ministérios  da  Fazenda,  do  Desenvolvimento, 
de decisão, aprimorando e aumentando a capacidade  Indústria  e  Comércio  Exterior,  do  Planejamento, 
de negociação do Brasil;   Orçamento  e  Gestão,  e  da  Ciência,  Tecnologia  e 
Inovação,  deverá  buscar  mecanismos  que  assegurem 
• nos processo de decisão sobre o destino da Região  a  alocação  de  recursos  financeiros,  de  forma 
Antártica;   continuada,  que  viabilizem  o  desenvolvimento 
integrado  e  a  conclusão  de  projetos  relacionados  à 
•  em  ações  que  promovam  a  ampliação  da  projeção 
defesa  nacional,  cada  um  deles  com  um  polo 
do  País  no  concerto  mundial  e  reafirmar  o  seu 
integrador  definido,  com  ênfase  para  o 
compromisso  com  a  defesa  da  paz  e  com  a 
desenvolvimento e a fabricação, dentre outros, de:  
cooperação entre os povos; 
• aeronaves de caça e de transporte;  
•  em  fóruns  internacionais  relacionados  com  as 
• submarinos convencionais e de propulsão nuclear;  
questões  estratégicas,  priorizando  organismos 
• meios navais de superfície;  
regionais  como  o  Conselho  de  Defesa  Sul‐Americano 
• armamentos inteligentes, como mísseis, bombas e 
(CDS) da União de Nações Sul‐Americanas (UNASUL);  
torpedos, dentre outros;  
•  no  relacionamento  entre  os  países  amazônicos,  no  • aeronaves remotamente pilotadas;  
âmbito  da  Organização  do  Tratado  de  Cooperação  • sistemas de comando e controle e de segurança das 
Amazônica;   informações;  
• radares;  

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• equipamentos e plataformas de guerra eletrônica;  5. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o 
• equipamento individual e sistemas de comunicação  Ministério  da  Defesa,  por  intermédio  do  Centro 
do combatente do futuro;   Tecnológico da Marinha em São Paulo do Comando da 
• veículos blindados;   Marinha, promoverão medidas com vistas a garantir o 
• helicópteros de transporte de tropa, para o  desenvolvimento da:  
aumento da mobilidade tática, e helicópteros de 
reconhecimento e ataque;   •  produção  autônoma  de  reatores  de  água 
• munições; e   pressurizada,  de  modo  a  integrar  o  sistema  de 
• sensores óticos e eletro‐óticos.   propulsão nuclear dos submarinos;  

3. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por  •  capacidade  industrial  do  setor  nuclear  para 


intermédio  da  Agência  Espacial  Brasileira,  promoverá  inovação,  através  do  Comitê  de  Desenvolvimento  do 
a  atualização  do  Programa  Espacial  Brasileiro,  de  Programa  Nuclear  Brasileiro,  com  a  participação  dos 
forma  a  priorizar  o  desenvolvimento  de  sistemas  Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio 
espaciais  necessários  à  ampliação  da  capacidade  de  Exterior;  da  Fazenda;  do  Meio  Ambiente;  de  Minas  e 
comunicações,  meteorologia  e  monitoramento  Energia;  do  Planejamento,  Orçamento  e  Gestão;  das 
ambiental, com destaque para o desenvolvimento de:   Relações  Exteriores,  da  Secretaria  de  Assuntos 
Estratégicos, do Gabinete de Segurança Institucional e 
•  um  satélite  geoestacionário  nacional  para  da Casa Civil da Presidência da República; e  
meteorologia  e  comunicações  seguras,  entre  outras 
aplicações; e   •  atividade  de  capacitação  de  pessoal  nas  áreas  de 
concepção,  projeto,  desenvolvimento  e  operação  de 
•  satélites  de  sensoriamento  remoto  para  sistemas nucleares.  
monitoramento  ambiental,  com  sensores  ópticos  e 
radar de abertura sintética.  6.  No  setor  cibernético,  o  Ministério  da  Defesa  e  o 
Ministério  da  Ciência  Tecnologia  e  Inovação,  por 
4.  O  Ministério  da  Defesa  e  o  Ministério  da  Ciência,  intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia 
Tecnologia e Inovação, por intermédio do Instituto de  do  Exército,  promoverão  ações  que  contemplem  a 
Aeronáutica  e  Espaço  do  Comando  da  Aeronáutica  e  multidisciplinaridade  e  a  dualidade  das  aplicações;  o 
da  Agência  Espacial  Brasileira,  promoverão  medidas  fomento da Base Industrial de Defesa com duplo viés: 
com  vistas  a  garantir  a  autonomia  de  produção,  aquisição de conhecimento e geração de empregos; e 
lançamento,  operação  e  reposição  de  sistemas  a  proteção  das  infraestruturas  estratégicas,  com 
espaciais, por meio:   ênfase para o desenvolvimento de soluções nacionais 
inovadoras, dentre elas:  
•  do  desenvolvimento  de  veículos  lançadores  de 
satélites  e  sistemas  de  solo  para  garantir  acesso  ao  • sistema integrado de proteção de ambientes 
espaço em órbitas baixa e geoestacionária;   computacionais;  
• simulador de defesa cibernética;  
•  de  atividades  de  fomento  e  apoio  ao  • ferramentas de conteúdo web;  
desenvolvimento  de  capacidade  industrial  no  setor  • ferramentas de inteligência artificial;  
espacial,  com  a  participação  do  Ministério  do  • algoritmos criptográficos e autenticação próprios;  
Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior,  de  • sistema de chaves‐públicas da Defesa;  
modo  a  garantir  o  fornecimento  e  a  reposição  • sistema de análise de artefatos maliciosos; 
tempestiva  de  componentes,  subsistemas  e  sistemas  • ferramentas de análise de interesse para o setor 
espaciais; e   cibernético (voz, vídeo, idioma e protocolos);  
•  de  atividades  de  capacitação  de  pessoal  nas  áreas  • sistema de certificação de Tecnologias da 
de  concepção,  projeto,  desenvolvimento  e  operação  Informação;  
de sistemas espaciais.   • sistema de apoio à tomada de decisão;  
• sistema de restabelecimento do negócio;  
• sistemas de gestão de riscos;  

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• sistema de consciência situacional;   de material de emprego comum para cada centro, e a 
• computação de alto desempenho;   participação  de  pesquisadores  das  três  Forças  em 
• rádio definido por software; e   projetos prioritários; e  
• pesquisa científica por meio da Escola Nacional de 
Defesa Cibernética, de instituições acadêmicas no  •  o  estabelecimento  de  parcerias  estratégicas  com 
âmbito do Ministério da Defesa e demais instituições  países que possam contribuir para o desenvolvimento 
de ensino superior nacionais e internacionais.   de tecnologias de ponta de interesse para a defesa. 

7.  O  Ministério  da  Defesa,  o  Ministério  da  Ciência,  Base Industrial de Defesa 


Tecnologia  e  Inovação  e  o  Ministério  do  A  fim  de  compatibilizar  os  esforços  governamentais 
Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior  de aceleração do crescimento com as necessidades da 
promoverão  a  aceleração  do  processo  de  integração  Defesa Nacional, o Ministé‐ rio da Defesa, juntamente 
entre  as  três  Forças  na  área  de  tecnologia  industrial  com os Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, 
básica,  por  meio  da  coordenação  dos  processos  de  Indústria  e  Comércio  Exterior,  do  Planejamento, 
certificação,  de  metrologia,  de  normatização  e  de  Orçamento  e  Gestão  e  da  Ciência,  Tecnologia  e 
fomento industrial.   Inovação  e  a  Secretaria  de  Assuntos  Estratégicos  da 
8.  O  Ministério  da  Defesa,  em  coordenação  com  o  Presidência da República, elaborou a Lei nº 12.598, de 
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e com a  22  de  março  de  2012,  que  estabeleceu  normas 
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da  especiais  para  as  compras,  as  contratações  e  o 
República, atualizará a Política de Ciência, Tecnologia  desenvolvimento de produtos e sistemas de Defesa, e 
e Inovação para a Defesa Nacional e os instrumentos  ainda sobre regras de incentivo à área estratégica de 
normativos  decorrentes.  Para  atender  aos  objetivos  defesa.  
dessa  Política,  deverá  ocorrer  a  adequação  das  1.  O  Ministério  da  Defesa  continuará  a  manter 
estruturas organizacionais existentes e que atuam  na  contatos  com  os  Ministérios  da  Fazenda,  do 
área  de  Ciência  e  Tecnologia  da  Defesa.  Os  citados  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio  Exterior,  dos 
documentos contemplarão:   Transportes, do Planejamento, Orçamento e Gestão e 
•  medidas  para  a  maximização  e  a  otimização  dos  da  Ciência,  Tecnologia  e  Inovação,  e  a  Secretaria  de 
esforços  de  pesquisa  nas  instituições  científicas  e  Assuntos  Estratégicos  da  Presidência  da  República, 
tecnológicas civis e militares, para o desenvolvimento  visando à concessão de linha de crédito especial, por 
de  tecnologias  de  ponta  para  o  sistema  de  defesa,  intermédio  do  Banco  Nacional  de  Desenvolvimento 
com  a  definição  de  esforços  integrados  de  Econômico  e  Social  (BNDES),  para  os  produtos  de 
pesquisadores  das  três  Forças,  especialmente  para  defesa,  similar  às  já  concedidas  para  outras 
áreas  prioritárias  e  suas  respectivas  tecnologias  de  atividades; e à viabilização, por parte do Ministério da 
interesse;   Fazenda,  de  procedimentos  de  garantias  para 
contratos  de  exportação  de  produto  de  defesa  de 
•  plano  nacional  de  pesquisa  e  desenvolvimento  de  grande  vulto,  em  consonância  com  o  Decreto  Lei  nº 
produtos  de  defesa,  tendo  como  escopo  prioritário  a  1.418,  de  3  de  setembro  de  1975,  e  com  a  Lei 
busca  do  domínio  de  tecnologias  consideradas  Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 – Lei de 
estratégicas  e  medidas  para  o  financiamento  de  Responsabilidade Fiscal. 
pesquisas;  
Infraestrutura 
•  medidas  para  estimular  e  fomentar  a  pesquisa 
científica  em  Ciências  Militares  e  em  Defesa  nos  Compatibilizar  os  atuais  esforços  governamentais  de 
centros  e  institutos  de  ensino  superiores  militares  e  aceleração  do  crescimento  com  as  necessidades  da 
civis;   Defesa Nacional.  

•  a  integração  dos  esforços  dos  centros  de  pesquisa  1.  O  Ministério  da  Defesa,  em  coordenação  com  a 
militares, com a definição das prioridades de pesquisa  Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da 
República  proporá  aos  ministérios  competentes  as 

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iniciativas  necessárias  ao  desenvolvimento  da  larga  nas  sedes  das  instalações  militares  de  fronteira 
infraestrutura de energia, transporte e comunicações  existentes  e  a  serem  implantadas  em  decorrência  do 
de  interesse  da  defesa,  de  acordo  com  os  previsto  no  Decreto  nº  4.412,  de  7  de  outubro  de 
planejamentos estratégicos de emprego das Forças.   2002, alterado pelo Decreto nº 6.513, de 22 de julho 
de 2008.  
2. O Ministério da Defesa priorizará, na elaboração do 
Plano  de  Desenvolvimento  de  Aeródromos  de  7.  O  Ministério  da  Defesa,  com  o  apoio  das  Forças 
Interesse  Federal  (PDAIF),  os  aeródromos  de  Armadas no que for julgado pertinente, e o Ministério 
desdobramento previstos nos planejamentos relativos  das  Comunicações  promoverão  estudos  com  vistas  à 
à defesa da região amazônica.   coordenação  de  ações  de  incentivo  à  habilitação  de 
rádios  comunitárias  nos  municípios  das  áreas  de 
3.  O  Ministério  da  Defesa  apresentará  ao  Ministério  fronteira, de forma a atenuar, com isto, os efeitos de 
dos  Transportes,  em  data  coordenada  com  este,  emissões indesejáveis. 
programação  de  investimentos  de  médio  e  longo 
prazo,  e  a  ordenação  de  suas  prioridades  ligadas  às  Ensino 
necessidades  de  vias  de  transporte  para  o 
atendimento  aos  planejamentos  estratégicos  Promover maior integração e participação dos setores 
decorrentes  das  hipóteses  de  emprego.  O  Ministério  civis governamentais na discussão dos temas ligados à 
dos  Transportes,  por  sua  vez,  promoverá  a  inclusão  defesa,  através,  entre  outros,  de  convênios  com 
das citadas prioridades no Plano Nacional de Logística  Instituições  de  Ensino  Superior  e  do  fomento  à 
e Transportes (PNLT).   pesquisa  nos  assuntos  de  defesa,  assim  como  a 
participação  efetiva  da  sociedade  brasileira,  por 
4.  O  Ministério  da  Defesa,  em  coordenação  com  o  intermédio  do  meio  acadêmico  e  de  institutos  e 
Ministério  dos  Transportes,  instalará  no  Centro  de  entidades ligados aos assuntos estratégicos de defesa.  
Operações do Comandante Supremo (COCS), terminal 
da  Base  de  Dados  Georreferenciados  em  Transporte  1.  A  Escola  Superior  de  Guerra  –  Campus  Brasília  – 
que  possibilite  a  utilização  das  informações  ligadas  à  deverá  intensificar  o  intercâmbio  fluido  entre  os 
infraestrutura  de  transportes,  disponibilizadas  por  membros  do  Governo  federal  e  aquela  Instituição, 
aquele  sistema,  no  planejamento  e  na  gestão  assim  como  para  otimizar  a  formação  de  recursos 
estratégica de crises e conflitos.   humanos ligados aos assuntos de defesa.  

5.  O  Ministério  da  Defesa  juntamente  com  o  2.  O  Ministério  da  Defesa  e  o  Ministério  do 
Ministério  da  Integração  Nacional  e  a  Secretaria  de  Planejamento,  Orçamento  e  Gestão  submeterão  ao 
Assuntos  Estratégicos  da  Presidência  da  República  Presidente da República anteprojeto de lei que altere 
desenvolverão  estudos  conjuntos  com  vistas  à  a  Lei  de  Criação  da  Escola  Superior  de  Guerra.  O 
compatibilização  dos  Programas  Calha  Norte  e  de  projeto  de  lei  visará  criar  cargos  de  direção  e 
Promoção  do  Desenvolvimento  da  Faixa  de  Fronteira  assessoria  superior  destinados  à  constituição  de  um 
(PDFF)  e  ao  levantamento  da  viabilidade  de  corpo  permanente  que,  podendo  ser  renovado, 
estruturação de Arranjos Produtivos Locais (APL), com  permita  o  exercício  das  atividades  acadêmicas,  pela 
ações  de  infraestrutura  econômica  e  social,  para  atração  de  pessoas  com  notória  especialização  ou 
atendimento a eventuais necessidades de vivificação e  reconhecido  saber  em  áreas  específicas.  Isso 
desenvolvimento  da  fronteira,  identificadas  nos  possibilitará incrementar a capacidade institucional da 
planejamentos estratégicos decorrentes das hipóteses  Escola  de  desenvolver  atividades  acadêmicas  e 
de emprego.   administrativas,  bem  como  intensificar  o  intercâmbio 
entre  os  membros  do  Governo  federal,  a  sociedade 
6.  O  Ministério  da  Defesa,  em  parceria  com  o  organizada e aquela instituição.  
Ministério  das  Comunicações,  no  contexto  do 
Programa  Governo  Eletrônico  –  Serviço  de  3.  O  Ministério  da  Defesa  e  a  Secretaria  de  Assuntos 
Atendimento  ao  Cidadão  (GESAC),  instalará  Estratégicos  da  Presidência  da  República  estimularão 
telecentros  comunitários  com  conexão  em  banda  a  realização  de  encontros,  simpósios  e  seminários 

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destinados  à  discussão  de  assuntos  estratégicos,  aí  Forças  Armadas  e  dos  Estados‐Maiores  das  três 
incluída a temática da Defesa Nacional. A participação  Forças.  
da  sociedade  nesses  eventos  deve  ser  objeto  de 
atenção especial.   8.  O  Ministério  da  Defesa  adotará  as  medidas  para  a 
criação  e  implementação  do  Instituto  Pandiá 
4.  O  Ministério  da  Defesa  e  a  Secretaria  de  Assuntos  Calógeras com as seguintes competências:  
Estratégicos  da  Presidência  da  República 
intensificarão  a  divulgação  das  atividades  de  defesa,  •  Produzir  reflexões  acerca  de  aspectos  políticos  e 
de  modo  a  aumentar  sua  visibilidade  junto  à  estratégicos nos campos da segurança internacional e 
sociedade,  e  implementarão  ações  e  programas  da  defesa  nacional,  considerando  os  cenários  de 
voltados à promoção e disseminação de pesquisas e à  inserção internacional do Brasil;  
formação de recursos humanos qualificados na área, a  • Contribuir com a pesquisa e a formação de recursos 
exemplo  do  Programa  de  Apoio  ao  Ensino  e  à  humanos no campo da defesa;  
Pesquisa Científica e Tecnológica em Defesa Nacional 
(Pró‐Defesa)  e  do  Programa  de  Apoio  ao  Ensino  e  à  • Estreitar o  relacionamento do Ministério da Defesa 
Pesquisa  Científica  e  Tecnológica  em  Assuntos  com o meio acadêmico nacional e internacional; e  
Estratégicos de Interesse Nacional (Pró‐Estratégia).  
• Assessorar o Ministro da Defesa em outras funções 
5.  O  Ministério  da  Defesa  manterá  uma  Política  de  por ele definidas. 
Ensino de Defesa com as seguintes finalidades:  
Recursos humanos 
•  acelerar  o  processo  de  interação  do  ensino  militar, 
Promover a valorização da profissão militar de forma 
em particular no nível de Altos Estudos, atendendo às 
compatível  com  seu  papel  na  sociedade  brasileira, 
diretrizes  contidas  na  primeira  parte  da  presente 
assim  como  fomentar  o  recrutamento,  a  seleção,  o 
Estratégia; e  
desenvolvimento  e  a  permanência  de  quadros  civis, 
•  capacitar  civis  e  militares  para  a  própria  para contribuir com o esforço de defesa.  
Administração  Central  do  Ministério  e  para  outros 
1.  O  recrutamento  dos  quadros  profissionais  das 
setores do Governo, de interesse da Defesa.  
Forças Armadas deverá ser representativo de todas as 
6. As instituições de ensino das três Forças manterão  classes  sociais.  A  carreira  militar  será  valorizada  pela 
nos  seus  currículos  de  formação  militar  disciplinas  criação  de  atrativos  compatíveis  com  as 
relativas  a  noções  de  Direito  Constitucional  e  de  características peculiares da profissão. Nesse sentido, 
Direitos  Humanos,  indispensáveis  para  consolidar  a  o  Ministério  da  Defesa,  assessorado  pelos  Comandos 
identificação  das  Forças  Armadas  com  o  povo  das  três  Forças,  proporá  as  medidas  necessárias  à 
brasileiro.  valorização pretendida.  

7. Um interesse estratégico do Estado é a formação de  2.  O  recrutamento  do  pessoal  temporário  das  Forças 


especialistas  civis  em  assuntos  de  defesa.  No  intuito  Armadas  deverá  possibilitar  a  oferta  de  mão  de  obra 
de  formá‐los,  o  Governo  federal  deve  apoiar,  nas  adequada  aos  novos  meios  tecnológicos  da  defesa 
universidades, um amplo espectro de programas e de  nacional.  Nesse  sentido,  o  Ministério  da  Defesa, 
cursos  que  versem  sobre  a  defesa.  A  Escola  Superior  assessorado pelos Comandos das três Forças, proporá 
de  Guerra  deve  servir  como  um  dos  principais  as  mudanças  necessárias  no  Serviço  Militar 
instrumentos  de  tal  formação.  Deve,  também,  Obrigatório.  
organizar  o  debate  permanente,  entre  as  lideranças 
3.  Deverão  ser  mantidos  completos  os  quadros  de 
civis  e  militares,  a  respeito  dos  problemas  da  defesa. 
servidores civis das Forças Armadas, de forma a evitar 
Para  melhor  cumprir  essas  funções,  deverá  a  Escola 
o  deslocamento  de  mão  de  obra  militar  para 
ser  transferida  para  Brasília,  sem  prejuízo  de  sua 
atividades estranhas à sua destinação.  
presença  no  Rio  de  Janeiro,  e  passar  a  contar  com  o 
engajamento  direto  do  Estado‐Maior  Conjunto  das 

Oficial Temporário da Marinha‐ http://www.concursosmilitares.com.br/  Página 38 
4.  O  Ministério  da  Defesa  fomentará  a  captação  de 
pessoal  visando  à  ampliação  dos  quadros  de 
servidores  civis  do  Ministério  da  Defesa  e  das  Forças 
Armadas,  por  intermédio  de  concursos  públicos 
realizados periodicamente, de modo a contribuir para 
a reestruturação das Forças. 

5.  O  Ministério  da  Defesa  e  o  Ministério  do 


Planejamento,  Orçamento  e  Gestão  elaborarão 
estudos com vistas à criação de carreira civil específica 
para  atuar  na  formulação  e  gestão  de  políticas 
públicas de defesa e dotar o Ministério de um quadro 
próprio  em  face  da  importância  e  peculiaridade  de 
suas competências e atribuições. Os profissionais que 
deverão compor essa Carreira serão selecionados por 
concurso  público  e  realizarão  um  Curso  de  Formação 
em  Defesa,  a  fim  de  aprimorar  os  requisitos 
profissionais  compatíveis  com  as  atividades  a  serem 
exercidas no Ministério da Defesa. 

Comunicação social 

Incrementar  a  mentalidade  de  defesa  no  País.  O 


Ministério da Defesa deverá promover  ações visando 
divulgar  as  medidas  implementadas  como  fator  de 
esclarecimento  e  convencimento  de  decisores  e  da 
opinião  pública  sobre  os  assuntos  de  defesa.  A 
Comunicação  Social  revela‐se  como  imprescindível 
instrumento de apoio à decisão nos diversos níveis de 
planejamento  político,  estratégico,  operacional  e 
tático. 

Disposições finais 

Os  documentos  complementares  e  decorrentes  da 


presente  Estratégia  Nacional  de  Defesa,  cujas 
necessidades  de  elaboração  ou  atualização  atendem 
às exigências desta Estratégia. 

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FORÇAS ARMADAS (FFAA)  II  ‐  a  comunicação  será  acompanhada  de  declaração, 
pela  autoridade,  do  estado  físico  e  mental  do  detido 
Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de  no momento de sua autuação; 
1988. 
III  ‐  a  prisão  ou  detenção  de  qualquer  pessoa  não 
Da Defesa do Estado e Das Instituições Democráticas  poderá  ser  superior  a  dez  dias,  salvo  quando 
DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO  autorizada pelo Poder Judiciário; 

DO ESTADO DE DEFESA  IV ‐ é vedada a incomunicabilidade do preso. 

O  Presidente  da  República  pode,  ouvidos  o  Conselho  Decretado  o  estado  de  defesa  ou  sua  prorrogação,  o 
da  República  e  o  Conselho  de  Defesa  Nacional,  Presidente  da  República,  dentro  de  vinte  e  quatro 
decretar  estado  de  defesa  para  preservar  ou  horas,  submeterá  o  ato  com  a  respectiva  justificação 
prontamente  restabelecer,  em  locais  restritos  e  ao  Congresso  Nacional,  que  decidirá  por  maioria 
determinados,  a  ordem  pública  ou  a  paz  social  absoluta. 
ameaçadas  por  grave  e  iminente  instabilidade  Se  o  Congresso  Nacional  estiver  em  recesso,  será 
institucional ou atingidas por calamidades de grandes  convocado,  extraordinariamente,  no  prazo  de  cinco 
proporções na natureza.  dias. 
O  decreto  que  instituir  o  estado  de  defesa  O  Congresso  Nacional  apreciará  o  decreto  dentro  de 
determinará o tempo de sua duração, especificará as  dez  dias  contados  de  seu  recebimento,  devendo 
áreas  a  serem  abrangidas  e  indicará,  nos  termos  e  continuar  funcionando  enquanto  vigorar  o  estado  de 
limites  da  lei,  as  medidas  coercitivas  a  vigorarem,  defesa. 
dentre as seguintes: 
Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o estado de 
I ‐ restrições aos direitos de:  defesa. 
a) reunião, ainda que exercida no seio das  DO ESTADO DE SÍTIO 
associações; 
b) sigilo de correspondência;  O  Presidente  da  República  pode,  ouvidos  o  Conselho 
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;  da  República  e  o  Conselho  de  Defesa  Nacional, 
solicitar  ao  Congresso  Nacional  autorização  para 
II  ‐  ocupação  e  uso  temporário  de  bens  e  serviços  decretar o estado de sítio nos casos de: 
públicos,  na  hipótese  de  calamidade  pública, 
respondendo  a  União  pelos  danos  e  custos  I  ‐  comoção  grave  de  repercussão  nacional  ou 
decorrentes.  ocorrência  de  fatos  que  comprovem  a  ineficácia  de 
medida tomada durante o estado de defesa; 
O  tempo  de  duração  do  estado  de  defesa  não  será 
superior  a  trinta  dias,  podendo  ser  prorrogado  uma  II  ‐  declaração  de  estado  de  guerra  ou  resposta  a 
vez,  por  igual  período,  se  persistirem  as  razões  que  agressão armada estrangeira. 
justificaram a sua decretação. 
O  Presidente  da  República,  ao  solicitar  autorização 
Na vigência do estado de defesa:  para  decretar  o  estado  de  sítio  ou  sua  prorrogação, 
relatará  os  motivos  determinantes  do  pedido, 
I  ‐  a  prisão  por  crime  contra  o  Estado,  determinada  devendo  o  Congresso  Nacional  decidir  por  maioria 
pelo  executor  da  medida,  será  por  este  comunicada  absoluta. 
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se 
não  for  legal,  facultado  ao  preso  requerer  exame  de  O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as 
corpo de delito à autoridade policial;  normas  necessárias  a  sua  execução  e  as  garantias  
constitucionais  que  ficarão  suspensas,  e,  depois  de 

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publicado,  o  Presidente  da  República  designará  o  Cessado  o  estado  de  defesa  ou  o  estado  de  sítio, 
executor  das  medidas  específicas  e  as  áreas  cessarão  também  seus  efeitos,  sem  prejuízo  da 
abrangidas.  responsabilidade  pelos  ilícitos  cometidos  por  seus 
executores ou agentes. 
O estado de sítio, no caso do inciso I, não poderá ser 
decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de  Logo  que  cesse  o  estado  de  defesa  ou  o  estado  de 
cada  vez,  por  prazo  superior;  no  do  inciso  II,  poderá  sítio,  as  medidas  aplicadas  em  sua  vigência  serão 
ser  decretado  por  todo  o  tempo  que  perdurar  a  relatadas  pelo  Presidente  da  República,  em 
guerra ou a agressão armada estrangeira.  mensagem ao Congresso Nacional, com especificação 
e justificação das providências adotadas, com relação 
Solicitada autorização para decretar o estado de sítio  nominal  dos  atingidos  e  indicação  das  restrições 
durante  o  recesso  parlamentar,  o  Presidente  do  aplicadas. 
Senado  Federal,  de  imediato,  convocará 
extraordinariamente  o  Congresso  Nacional  para  se  DAS FORÇAS ARMADAS 
reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato. 
As  Forças  Armadas,  constituídas  pela  Marinha,  pelo 
O  Congresso  Nacional  permanecerá  em  Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais 
funcionamento até o término das medidas coercitivas.  permanentes  e  regulares,  organizadas  com  base  na 
hierarquia e  na disciplina, sob a  autoridade suprema 
Na  vigência  do  estado  de  sítio  decretado  com  do  Presidente  da  República,  e  destinam‐se  à  defesa  
fundamento  no  inciso  I,  só  poderão  ser  tomadas  da  Pátria,  à  garantia  dos  poderes  constitucionais  e, 
contra as pessoas as seguintes medidas:  por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 
I  ‐  obrigação  de  permanência  em  localidade  Não  caberá  habeas  corpus  em  relação  a  punições 
determinada;  disciplinares militares. 
II ‐ detenção em edifício não destinado a acusados ou  Os  membros  das  Forças  Armadas  são  denominados 
condenados por crimes comuns;  militares,  aplicando‐se‐lhes,  além  das  que  vierem  a 
III  ‐  restrições  relativas  à  inviolabilidade  da  ser fixadas em lei, as seguintes disposições: 
correspondência,  ao  sigilo  das  comunicações,  à  I ‐ as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a 
prestação de informações e à liberdade de imprensa,  elas  inerentes,  são  conferidas  pelo  Presidente  da 
radiodifusão e televisão, na forma da lei;  República  e  asseguradas  em  plenitude  aos  oficiais  da 
IV ‐ suspensão da liberdade de reunião;  ativa, da reserva ou reformados, sendo‐lhes privativos 
os  títulos  e  postos  militares  e,  juntamente  com  os 
V ‐ busca e apreensão em domicílio;  demais  membros,  o  uso  dos  uniformes  das  Forças 
Armadas; 
VI ‐ intervenção nas empresas de serviços públicos; 
II ‐ o militar  em atividade que  tomar posse em cargo 
VII ‐ requisição de bens. 
ou  emprego  público  civil  permanente,  ressalvada  a 
Não  se  inclui  nas  restrições  do  inciso  III  a  difusão  de  hipótese  prevista  no  art.  37  da  CF,  inciso  XVI,  alínea 
pronunciamentos  de  parlamentares  efetuados  em  "c", será transferido para a reserva, nos termos da lei; 
suas  Casas  Legislativas,  desde  que  liberada  pela 
III ‐ o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar 
respectiva Mesa. 
posse  em  cargo,  emprego  ou  função  pública  civil 
A  Mesa  do  Congresso  Nacional,  ouvidos  os  líderes  temporária,  não  eletiva,  ainda  que  da  administração 
partidários, designará Comissão composta de cinco de  indireta,  ressalvada  a  hipótese  prevista  no  art.  37  da 
seus  membros  para  acompanhar  e  fiscalizar  a  CF, inciso XVI, alínea "c", ficará agregado ao respectivo 
execução das medidas referentes ao estado de defesa  quadro  e  somente  poderá,  enquanto  permanecer 
e ao estado de sítio.  nessa  situação,  ser  promovido  por  antiguidade, 

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contando‐se‐lhe  o  tempo  de  serviço  apenas  para  I ‐ polícia federal; 
aquela  promoção  e  transferência  para  a  reserva,  II ‐ polícia rodoviária federal; 
sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos  III ‐ polícia ferroviária federal; 
ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei;  IV ‐ polícias civis; 
V ‐ polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
IV ‐ ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; 
A  polícia  federal,  instituída  por  lei  como  órgão 
V  ‐  o  militar,  enquanto  em  serviço  ativo,  não  pode  permanente,  organizado  e  mantido  pela  União  e 
estar filiado a partidos políticos;  estruturado em carreira, destina‐se a: 
VI  ‐  o  oficial  só  perderá  o  posto  e  a  patente  se  for  I  ‐  apurar  infrações  penais  contra  a  ordem  política  e 
julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível,  social ou em detrimento de bens, serviços e interesses 
por decisão de tribunal militar de caráter permanente,  da  União  ou  de  suas  entidades  autárquicas  e 
em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo  empresas  públicas,  assim  como  outras  infrações  cuja 
de guerra;  prática  tenha  repercussão  interestadual  ou 
VII ‐ o oficial condenado na justiça comum ou militar a  internacional  e  exija  repressão  uniforme,  segundo  se 
pena  privativa  de  liberdade  superior  a  dois  anos,  por  dispuser em lei; 
sentença  transitada  em  julgado,  será  submetido  ao  II  ‐  prevenir  e  reprimir  o  tráfico  ilícito  de 
julgamento previsto no inciso anterior;  entorpecentes  e  drogas  afins,  o  contrabando  e  o 
X ‐ a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas,  descaminho,  sem  prejuízo  da  ação  fazendária  e  de 
os limites de idade, a estabilidade e outras condições  outros  órgãos  públicos  nas  respectivas  áreas  de 
de  transferência  do  militar  para  a  inatividade,  os  competência; 
direitos,  os  deveres,  a  remuneração,  as  prerrogativas  III  ‐  exercer  as  funções  de  polícia  marítima, 
e  outras  situações  especiais  dos  militares,  aeroportuária e de fronteiras; 
consideradas  as  peculiaridades  de  suas  atividades, 
inclusive  aquelas  cumpridas  por  força  de  IV ‐ exercer,  com exclusividade, as funções de polícia 
compromissos internacionais e de guerra.  judiciária da União. 

O serviço militar é obrigatório nos termos da lei.  A  polícia  rodoviária  federal,  órgão  permanente, 


organizado  e  mantido  pela  União  e  estruturado  em 
Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir  carreira,  destina‐se,  na  forma  da  lei,  ao 
serviço  alternativo  aos  que,  em  tempo  de  paz,  após  patrulhamento ostensivo das rodovias  federais. 
alistados,  alegarem  imperativo  de  consciência, 
entendendo‐se  como  tal  o  decorrente  de  crença  A  polícia  ferroviária  federal,  órgão  permanente, 
religiosa  e  de  convicção  filosófica  ou  política,  para  se  organizado  e  mantido  pela  União  e  estruturado  em 
eximirem  de  atividades  de  caráter  essencialmente  carreira,  destina‐se,  na  forma  da  lei,  ao 
militar.  patrulhamento   ostensivo das ferrovias federais. 

As  mulheres  e  os  eclesiásticos  ficam  isentos  do  Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de 


serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos,  carreira,  incumbem,  ressalvada  a  competência  da 
porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir.  União, as funções de polícia judiciária e a apuração de 
infrações penais, exceto as militares. 
DA SEGURANÇA PÚBLICA 
Às  polícias  militares  cabem  a  polícia  ostensiva  e  a 
A  segurança  pública,  dever  do  Estado,  direito  e  preservação  da  ordem  pública;  aos  corpos  de 
responsabilidade  de  todos,  é  exercida  para  a  bombeiros  militares,  além  das  atribuições  definidas 
preservação da ordem pública e da incolumidade das  em  lei,  incumbe  a  execução  de  atividades  de  defesa 
pessoas  e  do  patrimônio,  através  dos  seguintes  civil. 
órgãos: 

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As polícias militares e corpos de bombeiros militares, 
forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam‐se, 
juntamente  com  as  polícias  civis,  aos  Governadores 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. 

A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos 
órgãos  responsáveis  pela  segurança  pública,  de 
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. 

Os  Municípios  poderão  constituir  guardas  municipais 


destinadas  à  proteção  de  seus  bens,  serviços  e 
instalações, conforme dispuser a lei. 

A  segurança  viária,  exercida  para  a  preservação  da 


ordem  pública  e  da  incolumidade  das  pessoas  e  do 
seu patrimônio nas vias públicas: 

I ‐ compreende a educação, engenharia e fiscalização 
de  trânsito,  além  de  outras  atividades  previstas  em 
lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade 
urbana eficiente; e 

II  ‐  compete,  no  âmbito  dos  Estados,  do  Distrito 


Federal  e  dos  Municípios,  aos  respectivos  órgãos  ou 
entidades  executivos  e  seus  agentes  de  trânsito, 
estruturados em Carreira, na forma da lei. 

   

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EXERCÍCIOS:  (A) À garantia da lei, da ordem e do progresso. 
(B) Única e exclusivamente à defesa da Pátria. 
1 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) ‐ A segurança pública, dever do  (C) À defesa da Pátria, à garantia dos poderes 
Estado,  direito  e  responsabilidade  de  todos,  é  constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da 
exercida  para  a  preservação  da  ordem  pública  e  da  lei e da ordem. 
incolumidade das pessoas e do patrimônio. Segundo o  (D) Ao ataque aos inimigos da nação. 
Art. 144, caput e incisos, da Constituição da Republica  (E) À defesa exclusiva das instituições do poder 
Federativa  do  Brasil,  assinale  a  opção  que  NÃO  executivo. 
apresenta um órgão de segurança púbica. 
4  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  De  acordo  com  a 
(A) Polícia rodoviária federal.  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de 
(B) Polícias civis.  1988, assinale a opção que apresenta uma instituição 
(C) Polícia marítima.  nacional permanente e regular. 
(D) Polícia ferroviária federal 
(E) Polícias militares e corpos de bombeiros militares.  (A) Marinha 
(B) Petrobrás 
2 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) ‐ De acordo com a Constituição  (C) Eletrobrás 
da  República  Federativa  do  Brasil,  o  serviço  militar  é  (D) Eletronuclear 
obrigatório nos termos da lei. Sendo assim, é correto  (E) Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e 
afirmar que:  Biocombustíveis 
(A)  as  mulheres  e  os  eclesiásticos  ficam  isentos  do  5  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  De  acordo  com  a 
serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos,  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de 
porém, a outros encargos que a lei lhes atribuir.  1988, a segurança pública, dever do Estado, direito e 
(B)  as  mulheres  e  os  eclesiásticos  ficam  isentos  do  responsabilidade  de  todos,  é  exercida  para 
serviço  militar  obrigatório  mesmo  em  tempo  de  preservação da ordem pública e da incolumidade das 
guerra,  sujeitos,  porém,  a  outros  encargos  que  a  lei  pessoas  e  do  patrimônio,  através  dos  seguintes 
lhes atribuir.  órgãos: 

(C)  Somente  os  eclesiásticos  ficam  isentos  do  serviço  (A) Marinha, Exército e Aeronáutica 


militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém,  (B) Polícias e Exército 
a outros encargos que a lei lhes atribuir.  (C) Polícias militares e corpo de bombeiros militares 
(D) Polícia federal, rodoviária federal e ferroviária 
(D)  Somente  as  mulheres  ficam  isentas  do  serviço  federal, polícias civis militares e corpo de bombeiros 
militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém,  militares. 
a outros encargos que a lei lhes atribuir.  (E) Força Nacional de Segurança Pública e Exército. 

(E)  às  Forças  Armadas  compete,  na  forma  da  lei,  6  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  De  acordo  com  a 
atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz,  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  de 
após  alistados,  alegarem  imperativo  de  consciência,  1988,  a  Marinha,  o  Exército  e  a  Aeronáutica  são 
entendendo‐se  como  tal  o  decorrente  de  crença  instituições baseadas na: 
religiosa  e  de  convicção  filosófica  ou  política,  para  se 
eximirem  da  atividades  de  caráter  essencialmente  (A) honra e no respeito. 
administrativo.  (B) ética e nos valores 
(C) hierarquia e na disciplina 
3  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  De  acordo  com  a  (D) ordem e no progresso 
Constituição  Federal,  a  que  se  destinam  as  Forças  (E) força e no moral. 
Armadas? 
7  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Segundo  a  Constituição  da 
República  Federativa  do  Brasil  (1988),  coloque  F 

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(falso)  ou  V  (verdadeiro)  nas  afirmativas  abaixo,  com  10 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) De acordo com a Constituição 
relação  às  disposições  aos  membros  das  Forças  da  República  Federativa  do  Brasil  de  1988,  quem  é  a 
Armadas, assinalando a seguir a opção correta.  autoridade suprema sabre as Forcas Armadas?  
 
(   ) Ao militar são proibidas a Sindicalização e a greve. 
(   ) O militar, enquanto em serviço ativo, pode estar  (A) Ministro da Defesa. 
filiado a partidos políticos.  (B) Presidente da República. 
(   ) O oficial nunca perderá o posto e a patente,  (C) Ministro de Força mais antigo. 
mesmo sendo julgado indigno ao oficialato.  (D) Comandante do Estado‐Maior das Forcas 
(   ) As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres  Armadas. 
a elas inerentes são asseguradas em plenitude apenas  (E) Chefe da Casa Militar.  
aos oficiais da ativa, sendo‐lhes privativos os títulos e 
pastas militares e o uso dos uniformes das Forças   
Armadas.  11  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  A  Constituição  da  Republica 
(A) (V) (F) (V) (F)  Federativa  do  Brasil  (1988)  apresenta  disposições 
(B) (V) (V) (V) (F)  relativas    a  organização,  destinação  e  constituição 
(C) (F) (V) (V) (V)  tanto  das  Forças  Armadas  quanta  dos  órgãos  de 
(D) (V) (F) (F) (F)  segurança publica, que e  exercida para a preservação 
(E) (F) (V) (F) (V)  da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio. Com base nas disposições constitucionais 
8  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  De  acordo  com  a  Constituição  acerca desse assunto, assinale a opção correta. 
da República Federativa do Brasil (1988), a segurança 
pública,  dever  do  estado,  direito  e  responsabilidade  (A) As Forças Armadas destinam‐se a garantia da lei e 
de  todos,  é  exercida  para  a  preservação  da  ordem  da ordem. 
pública  e  da  incolumidade  das  pessoas  e  do  (B) As polícias civis são consideradas forças auxiliares 
patrimônio por meio dos seguintes órgãos, EXCETO:  e não são incumbidas das funções de polícia judiciária. 
(C) A polícia federal não e considerada força auxiliar e 
(A) polícia Civil.  não exerce função de polícia judiciária. 
(B) polícia rodoviária federal.  (D) Os corpos de bombeiros militares são 
(C) corpos de bombeiros militares.  considerados reserva do Exército e não são 
(D) Guarda municipal.  incumbidos das atividades de defesa civil. 
(E) polícia ferroviária federal.  (E) As polícias militares são incumbidas da 
preservação da ordem pública e da polícia ostensiva, 
9  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  De  acordo  com  a  Constituição  não sendo consideradas reserva do Exército. 
da  República  Federativa  do  Brasil  (1988),  as  Forças 
Armadas,  constituídas  pela  Marinha,  pelo  Exército  e   
pela  Aeronáutica,  são  instituições  nacionais 
permanentes  e  regulares,  organizadas  com  base  na  12  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  A  Constituição  da  República 
hierarquia  e  na  disciplina,  sob  a  autoridade  suprema  Federativa do Brasil (1988) e o Estatuto dos Militares 
do  (lei n° 6.880, de 9 de dezembro de 1980) contemplam 
várias  disposições  relativas  aos  membros  das  Forças 
(A) Presidente da República.  Armadas.  A  par  dessas  disposições,  e  correto  afirmar 
(B) Ministro da Defesa.  que: 
(C) Comandante da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica.  (A)  todo  militar  em  atividade  que  tomar  posse  em 
(D) Conselho de Defesa Nacional.  cargo  ou  emprego  público  civil  permanente  será 
(E) Conselho Militar de Defesa.  transferido para a reserva. 

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(B) os membros das Forças Armadas são denominados  14  ‐  (PS‐SMV‐PR/2018  –  N.  Médio)  De  acordo  com  a 
militares federais.  Constituição  da  Republica  Federativa  do  Brasil  de 
1988, as Forças Armadas são constituídas: 
(C) nenhum oficial das Forças Armadas poderá exercer 
atividade técnico‐profissional no meio civil, enquanto  (A) pela Marinha, pelo Exercito e pela Aeronáutica. 
estiver em serviço ativo.  (B) pela Policia Federal e pela Policia Rodoviária 
Federal. 
(D)  as  patentes  das  Forças  Armadas  são  conferidas  (C) pela Guarda Costeira, pela Força Nacional e pela 
apenas aos oficiais.  Aeronáutica. 
(E)  a  todo  militar  e  proibida  a  filiação  a  partidos  (D) pela Forca Nacional e pelos Fuzileiros Navais. 
políticos.  (E) pela Marinha Mercante, pelo Exército e pela 
Aeronáutica. 
 
 
13  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  A  Constituição  da  República 
Federativa do Brasil (1988) prevê sanção para o oficial   
cuja  conduta  moralmente  reprovável  venha  ferir  o  Respostas: 
pundonor, o decoro e a ética militares, ou cuja índole 
e  modo  de  proceder  não  se  harmonizem  com  os  1  C  8  D 
requisites  de  disciplina,  liderança  e  cumprimento  do  2  A  9  A 
dever  militar,  comprometendo  irremediavelmente  o  3  C  10  B 
seu  desempenho  profissional.  Considerando  as  4  A  11  A 
5  D  12  D 
disposições  constitucionais  sobre  esse  assunto, 
6  C  13  D 
assinale a opção correta. 
7  D  14  A 
   

(A)  A  decisão  que  decretar  a  perda  do  cargo  para 


oficiais  das  Forcas  Armadas  deve  emanar,  em  tempo 
de paz, de tribunal especial de caráter permanente. 

(B)  A  decisão  que  decretar  a  perda  do  cargo  para 


oficiais  das  Forças  Armadas  deve  emanar,  em  tempo 
de guerra, de tribunal militar de caráter permanente. 

(C) O oficial só perderá o cargo se for julgado indigno 
do oficialato ou com ele incompatível. 

(D) O oficial condenado na justiça comum ou militar a 
pena  privativa  de  liberdade  superior  a  dois  anos,  por 
sentença  transitada  em  julgado,  será  julgado  na 
justiça militar e poderá perder o posto e a patente. 

(E) O oficial das Forcas Armadas pode perder o posto 
e  a  patente  por  sentença  transitada  em  julgado  na 
justiça  comum,  com  base  em  processo  disciplinar  ou 
administrativo. 

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Normas gerais para a organização, o preparo e o  do último posto, da ativa ou da reserva, indicado pelo 
emprego das Forças Armadas  Ministro  de  Estado  da  Defesa  e  nomeado  pelo 
Presidente  da  República,  e  disporá  de  um  comitê, 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES  integrado pelos chefes de Estados Maiores das 3 (três) 
Forças, sob a coordenação do Chefe do Estado‐Maior 
Da Destinação e Atribuições: 
Conjunto das Forças Armadas. 
As  Forças  Armadas,  constituídas  pela  Marinha,  pelo 
Se o oficial‐general indicado para o cargo de Chefe do 
Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais 
Estado‐Maior Conjunto das Forças Armadas estiver na 
permanentes  e  regulares,  organizadas  com  base  na 
ativa,  será  transferido  para  a  reserva  remunerada 
hierarquia  e  na  disciplina,  sob  a  autoridade  suprema 
quando empossado no cargo. 
do Presidente da República e destinam‐se à defesa da 
Pátria,  à  garantia  dos  poderes  constitucionais  e,  por  É assegurado ao Chefe do Estado‐Maior Conjunto das 
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.  Forças  Armadas  o  mesmo  grau  de  precedência 
hierárquica  dos  Comandantes  e  precedência 
Sem  comprometimento  de  sua  destinação 
hierárquica  sobre  os  demais  oficiais‐generais  das  3 
constitucional,  cabe  também  às  Forças  Armadas  o 
(três) Forças Armadas. 
cumprimento das atribuições subsidiárias explicitadas 
nesta Lei Complementar.  É assegurado ao Chefe do Estado‐Maior Conjunto das 
Forças  Armadas  todas  as  prerrogativas,  direitos  e 
Do Assessoramento ao Comandante Supremo 
deveres  do  Serviço  Ativo,  inclusive  com  a  contagem 
O  Presidente  da  República,  na  condição  de  de tempo de serviço, enquanto estiver em exercício. 
Comandante  Supremo  das  Forças  Armadas,  é 
A  Marinha,  o  Exército  e  a  Aeronáutica  dispõem, 
assessorado: 
singularmente, de 1 (um) Comandante, indicado pelo 
I  ‐  no  que  concerne  ao  emprego  de  meios  militares,  Ministro  de  Estado  da  Defesa  e  nomeado  pelo 
pelo Conselho Militar de Defesa; e  Presidente  da  República,  o  qual,  no  âmbito  de  suas 
atribuições,  exercerá  a  direção  e  a  gestão  da 
II ‐ no que concerne aos demais assuntos pertinentes  respectiva Força. 
à área militar, pelo Ministro de Estado da Defesa. 
Os  cargos  de  Comandante  da  Marinha,  do  Exército  e 
O  Conselho  Militar  de  Defesa  é  composto  pelos  da  Aeronáutica  são  privativos  de  oficiais‐generais  do 
Comandantes  da  Marinha,  do  Exército  e  da  último posto da respectiva Força. 
Aeronáutica  e  pelo  Chefe  do  Estado‐Maior  Conjunto 
das Forças Armadas.  É  assegurada  aos  Comandantes  da  Marinha,  do 
Exército  e  da  Aeronáutica  precedência  hierárquica 
Na  situação  prevista  no  inciso  I  deste  artigo,  o  sobre  os  demais  oficiais‐generais  das  três  Forças 
Ministro  de  Estado  da  Defesa  integrará  o  Conselho  Armadas. 
Militar de Defesa na condição de seu Presidente. 
Se  o  oficial‐general  indicado  para  o  cargo  de 
DA ORGANIZAÇÃO  Comandante da sua respectiva Força estiver na ativa, 
será  transferido  para  a  reserva  remunerada,  quando 
Das Forças Armadas 
empossado no cargo. 
As  Forças  Armadas  são  subordinadas  ao  Ministro  de 
São  asseguradas  aos  Comandantes  da  Marinha,  do 
Estado da Defesa, dispondo de estruturas próprias. 
Exército  e  da  Aeronáutica  todas  as  prerrogativas, 
O  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forças  Armadas,  órgão  direitos  e  deveres  do  Serviço  Ativo,  inclusive  com  a 
de  assessoramento  permanente  do  Ministro  de  contagem  de  tempo  de  serviço,  enquanto  estiverem 
Estado da Defesa, tem como chefe um oficial‐general  em exercício. 

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O  Poder  Executivo  definirá  a  competência  dos  O  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional  deverá  conter 
Comandantes  da  Marinha,  do  Exército  e  da  dados  estratégicos,  orçamentários,  institucionais  e 
Aeronáutica  para  a  criação,  a  denominação,  a  materiais  detalhados  sobre  as  Forças  Armadas, 
localização  e  a  definição  das  atribuições  das  abordando os seguintes tópicos: 
organizações  integrantes  das  estruturas  das  Forças 
Armadas.   

Compete  aos  Comandantes  das  Forças  apresentar  ao  a) cenário estratégico para o século XXI; 


Ministro  de  Estado  da  Defesa  a  Lista  de  Escolha,  b) política nacional de defesa;  
elaborada  na  forma  da  lei,  para  a  promoção  aos  c) estratégia nacional de defesa; 
postos  de  oficiais‐generais  e  propor‐lhe  os  oficiais‐ d) modernização das Forças Armadas; 
generais  para  a  nomeação  aos  cargos  que  lhes  são  e) racionalização e adaptação das estruturas de 
privativos.  defesa; 
f) suporte econômico da defesa nacional; 
O  Ministro  de  Estado  da  Defesa,  acompanhado  do  g) as Forças Armadas: Marinha, Exército e 
Comandante de cada Força, apresentará os nomes ao  Aeronáutica; 
Presidente  da  República,  a  quem  compete  promover  h)  operações de paz e ajuda humanitária. 
os  oficiais‐generais  e  nomeá‐los  para  os  cargos  que 
lhes são privativos.  O  Poder  Executivo  encaminhará  à  apreciação  do 
Congresso  Nacional,  na  primeira  metade  da  sessão 
A  Marinha,  o  Exército  e  a  Aeronáutica  dispõem  de  legislativa ordinária, de 4 (quatro) em 4 (quatro) anos, 
efetivos de pessoal militar e civil, fixados em lei, e dos  a partir do ano de 2012, com as devidas atualizações: 
meios  orgânicos  necessários  ao  cumprimento  de  sua 
destinação constitucional e atribuições subsidiárias.   I ‐ a Política de Defesa Nacional; 
 II ‐ a Estratégia Nacional de Defesa; 
Constituem  reserva  das  Forças  Armadas  o  pessoal   III ‐ o Livro Branco de Defesa Nacional. 
sujeito  a  incorporação,  mediante  mobilização  ou 
convocação,  pelo  Ministério  da  Defesa,  por  Compete  ao  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forças 
intermédio da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,  Armadas  elaborar  o  planejamento  do  emprego 
bem como as organizações assim definidas em lei.  conjunto das Forças Armadas e assessorar o Ministro 
de  Estado  da  Defesa  na  condução  dos  exercícios 
Da Direção Superior das Forças Armadas  conjuntos e quanto à atuação de forças brasileiras em 
operações de paz, além de outras atribuições que lhe 
O  Ministro  de  Estado  da  Defesa  exerce  a  direção  forem  estabelecidas  pelo  Ministro  de  Estado  da 
superior  das  Forças  Armadas,  assessorado  pelo  Defesa. 
Conselho  Militar  de  Defesa,  órgão  permanente  de 
assessoramento,  pelo  Estado‐Maior  Conjunto  das  Compete  ao  Ministério  da  Defesa,  além  das  demais 
Forças  Armadas  e  pelos  demais  órgãos,  conforme  competências previstas em lei, formular a política e as 
definido em lei.  diretrizes  referentes  aos  produtos  de  defesa 
empregados  nas  atividades  operacionais,  inclusive 
Ao  Ministro  de  Estado  da  Defesa  compete  a  armamentos,  munições,  meios  de  transporte  e  de 
implantação  do  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional,  comunicações,  fardamentos  e  materiais  de  uso 
documento  de  caráter  público,  por  meio  do  qual  se  individual e coletivo, admitido delegações às Forças. 
permitirá o acesso ao amplo contexto da Estratégia de 
Defesa  Nacional,  em  perspectiva  de  médio  e  longo     
prazos,  que  viabilize  o  acompanhamento  do 
orçamento e do planejamento plurianual relativos ao 
setor. 

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EXERCÍCIOS:  4  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  De  acordo  com  a  Estratégia 
Nacional  de  Defesa  (Decreto  n°  6.703,  de  18  de 
1 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) ‐ De acordo com as diretrizes da  dezembro  de  2008),  a  construção  de  meios  para 
Estratégia  Nacional  de  Defesa,  assinale  a  opção  exercer  o  controle  de  áreas  marítimas  terá  como 
INCORRETA.  focos  as  áreas  estratégicas  de  acesso  marítimo  ao 
(A) Priorizar a região amazônica.  Brasil.  Duas  áreas  do  literal  continuarão  a  merecer 
(B) Dissuadir a concentração de forças hostis nas  atenção especial, do ponto de vista da necessidade de 
fronteiras terrestres, nos limites das águas  controlar o acesso marítimo ao Brasil. Quais são essas 
jurisdicionais brasileiras, e impedir‐lhes o uso do  áreas? 
espaço aéreo nacional.  (A) A faixa que vai de Fortaleza a Natal e a área que 
(C) Fortalecer três setores de importância estratégica:  contém os afluentes do rio Amazonas. 
o social, o cibernético e o nuclear.  (B) A faixa que vai da Bahia ao Rio de Janeiro e a área 
(D) Estruturar o potencial estratégico em torno de  em torno da foz do Rio da Prata. 
capacidades.  (C) A faixa que vai de Santos a Vitória e a área em 
(E) Preparar as Forças Armadas para desempenharem  torno da foz do rio Amazonas. 
responsabilidades crescentes em operações de  (D) A faixa que vai do Rio de Janeiro a Florianópolis e a 
manutenção da paz.  área que contém os afluentes do rio Paraguai. 
  (E) A faixa que vai de Porto Alegre ao Chuí e a área em 
torno da hidrovia do Paraná‐Tietê. 
2  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Assinale  a  opção  que 
completa  corretamente  as  lacunas  da  sentença   
abaixo.  5 ‐ (PS‐SMV‐OF/2017) De acordo com as Diretrizes da 
Reposicionar os efetivos das três Forças é uma diretriz  Estratégia  Nacional  de  Defesa  (Decreto  n°  6.703,  de 
da  Estratégia  Nacional  de  Defesa.  As  principais  18  de  dezembro  de  2008),  a  organização  das  Forças 
unidades do Exército estacionam no ______________  Armadas esta baseada sobre que égide? 
e  no  ____________  do  Brasil,  e  a  esquadra  da 
Marinha concentra‐se na cidade do ______________.  (A) Deslocamento, concentração e permanência. 
(B) Surpresa, prepare e unidade de comando. 
(A) Nordeste/Norte/de São Paulo.  (C) Manobra, prontidão e segurança. 
(B) Sudeste/Centro‐Oeste/de Salvador.  (D) Monitoramento/controle, mobilidade e presença. 
(C) Sudeste/Nordeste/de Brasília.  (E) Simplicidade, flexibilidade e mobilidade. 
(D) Sudeste/Sul/do Rio de Janeiro. 
(E) Nordeste/Centro‐Oeste/de Florianópolis.   

  6 ‐ (PS‐SMV‐OF/2018) A Lei Complementar n° 97, de 9 
de junho de 1999, ao tratar da organização das Forças 
3  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  a  Estratégia  Armadas  e  da  sua  direção  superior,  estabelece  a 
Nacional  de  Defesa,  como  é  denominada  a  aptidão  competência  de  alguns  órgãos  e  autoridades. 
para se chegar rapidamente ao teatro de operações?  Considerando  as  disposições  dessa  lei  complementar 
(A) Mobilidade estratégica.  sobre esse assunto, assinale a opção correta. 
(B) Monitoramento.  (A) Ao Ministro de Estado da Defesa compete 
(C) Controle.  promover as oficiais‐generais das Forças Armadas. 
(D) Dimensionamento.  (B) Ao Ministro de Estado da Defesa compete nomear 
(E) Autonomia.  os oficiais‐generais das Forças Armadas para os cargos 
  que lhes são privativos. 
(C) Ao Ministro de Estado da Defesa compete exercer 
a direção superior das Forças Armadas. 

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(D) Ao Ministério da Defesa compete elaborar o  (C)  Ampliar  a  capacidade  de  atender  aos 
planejamento do emprego conjunto das Forcas  compromissos internacionais de busca e salvamento. 
Armadas. 
(E) Ao Estado‐Maior Conjunto das Forças Armadas  (D)  Individualizar  e  setorizar  a  operação  das  Forças 
compete formular a política e as diretrizes referentes  Armadas. 
aos produtos de defesa empregados nas atividades  (E) Preparar efetivos para o cumprimento de missões 
operacionais.  de  garantia  da  lei  e  da  ordem,  nos  termos  da 
  Constituição Federal. 

7 ‐ (PS‐SMV‐OF/2018) A Lei Complementar n° 97, de 9   
de  junho  de  1999,  contempla  inúmeras  disposições  9 ‐ (PS‐SMV‐OF/2018) A Lei Complementar n° 97, de 9 
sobre o Ministério da Defesa e sobre  o Estado‐Maior  de junho de 1999, apresenta várias disposições sobre 
Conjunto  das  Forcas  Armadas,  assegurando  a  organização  das  Forças  Armadas  e  sobre  o 
prerrogativas  para  os  ocupantes  de  alguns  cargos  assessoramento  ao  seu  Comandante  Supremo. 
importantes.  Com  base  nessas  disposições,  é  correto  Considerando  as  disposições  dessa  lei  complementar 
afirmar que:  sobre esses assuntos, assinale a opção correta. 
(A) é assegurada ao oficial‐general da ativa a   
permanência em serviço ativo ao ser empossado no 
cargo de Comandante da sua respectiva Forca.  (A) As Forças Armadas são diretamente subordinadas 
(B) é assegurada ao Chefe do Estado‐Maior Conjunto  ao Presidente da República. 
das Forcas Armadas precedência hierárquica sobre os 
(B) No que concerne ao emprego de meios militares, o 
Comandantes da Marinha do Exército e da 
Presidente  da  República  é  assessorado  apenas  pelo 
Aeronáutica. 
Chefe do Estado‐Maior Conjunto das Forças Armadas. 
(C) a Marinha, o Exército e a Aeronáutica dispõem, 
singularmente, de 1 (um) Comandante, nomeado pelo  (C)  Conselho  Militar  de  Defesa  é  órgão  de 
Ministro de Estado da Defesa.  assessoramento  permanente  do  Ministro  de  Estado 
(D) o Estado‐Maior Conjunto das Forcas Armadas tem  da Defesa. 
como chefe um oficial‐general do último posto, da 
ativa ou da reserva, indicado pelo Ministro de Estado  (D)  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forcas  Armadas  é 
da Defesa.  órgão  de  assessoramento  exclusivo  do  Presidente  da 
(E) é assegurada ao oficial‐general indicado para o  República. 
cargo de Chefe do Estado‐Maior Conjunto das Forças 
(E)  Chefe  do  Estado‐Maior  Conjunto  das  Forcas 
Armadas a permanência na ativa, quando empossado 
Armadas  sempre  presidira  o  Conselho  Militar  de 
no cargo. 
Defesa. 
 
 
8  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  Com  base  nas  disposições  do 
10  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  Sobre  o  Livro  Branco  de 
decreto  n°  6.703,  de  18  de  dezembro  de  2008, 
Defesa  Nacional,  que  e  o  mais  complete  e  acabado 
assinale  a  opção  que  NÃO  contempla  diretriz  da 
documento acerca das atividades de defesa do Brasil, 
Estratégia Nacional de Defesa. 
assinale a opção INCORRETA. 
 
(A) A implantação do Livro Branco de Defesa Nacional 
(A)  Adensar  a  presença  de  unidades  do  Exercito,  da  compete ao Ministro de Estado da Defesa. 
Marinha e da Força Aérea nas fronteiras. 
(B)  O  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional  foi 
(B) Manter o Serviço Militar Obrigatório.  institucionalizado  pelo  decreto  n°  6.703,  de  18  de 

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dezembro  de  2008,  que  aprova  a  Estratégia  Nacional 
de Defesa. 

(C)  O  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional  é  um 


documento de caráter público. 

(D)  Por  meio  do  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional 


permitir‐se‐á  o  acesso  ao  amplo  contexto  da 
Estratégia de Defesa Nacional. 

(E)  O  Livro  Branco  de  Defesa  Nacional  deverá  conter 


dados estratégicos sobre as Forças Armadas. 

Respostas: 

1  C  6  C 
2  D  7  D 
3  A  8  D 
4  C  9  C 
5  D  10  B 
 

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ESTATUTO DOS MILITARES  os reformados, executado tarefa por tempo certo, 
segundo regulamentação para cada Força Armada.( 
O  Estatuto  dos  Militares  regula  a  situação, 
obrigações,  deveres,  direitos  e  prerrogativas  dos  Os  militares  de  carreira:  são  os  da  ativa  que,  no 
membros das Forças Armadas.  desempenho  voluntário  e  permanente  do  serviço 
militar,  tenham  vitaliciedade  assegurada  ou 
As  Forças  Armadas,  essenciais  à  execução  da  política  presumida. 
de segurança nacional, são constituídas pela Marinha, 
pelo  Exército  e  pela  Aeronáutica,  e  destinam‐se  a  São considerados reserva das Forças Armadas: 
defender a Pátria e a garantir os poderes constituídos,   I ‐ individualmente:  
a  lei  e  a  ordem.  São  instituições  nacionais,  a) os militares da reserva remunerada; e  
permanentes  e  regulares,  organizadas  com  base  na  b) os demais cidadãos em condições de convocação 
hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema  ou de mobilização para a ativa.  
do Presidente da República e dentro dos limites da lei.  
II ‐ no seu conjunto:  
Os  membros  das  Forças  Armadas,  em  razão  de  sua  a) as Polícias Militares; e  
destinação  constitucional,  formam  uma  categoria  b) os Corpos de Bombeiros Militares.  
especial  de  servidores  da  Pátria  e  são  denominados 
militares.    A  Marinha  Mercante,  a  Aviação  Civil  e  as  empresas 
declaradas  diretamente  devotada  às  finalidades 
Os  militares  encontram‐se  em  uma  das  seguintes  precípuas das Forças Armadas, denominada atividade 
situações:  na ativa ou na inatividade.  efeitos  de  mobilização  e  de  emprego,  reserva  das 
Forças Armadas.  
a) na ativa:  
I ‐ os de carreira;    O  pessoal  componente  da  Marinha  Mercante,  da 
II ‐ os incorporados às Forças Armadas para prestação  Aviação  Civil  e  das  empresas  declaradas  diretamente 
de serviço militar inicial, durante os prazos previstos  relacionadas com a segurança nacional, bem como os 
na legislação que trata do serviço militar, ou durante  demais  cidadãos  em  condições  de  convocação  ou 
as prorrogações daqueles prazos;   mobilização  para  a  ativa,  só  serão  considerados 
III ‐ os componentes da reserva das Forças Armadas  militares  quando  convocados  ou  mobilizados  para  o 
quando convocados, reincluídos, designados ou  serviço nas Forças Armadas.  
mobilizados;  
IV ‐ os alunos de órgão de formação de militares da   A  carreira  militar  é  caracterizada  por  atividade 
ativa e da reserva; e   continuada  e  inteiramente  devotada  às  finalidades 
V ‐ em tempo de guerra, todo cidadão brasileiro  precípuas das Forças Armadas, denominada atividade 
mobilizado para o serviço ativo nas Forças Armadas.  militar.  

b) na inatividade:   A  carreira  militar  é  privativa  do  pessoal  da  ativa, 


I ‐ os da reserva remunerada, quando pertençam à  inicia‐se  com  o  ingresso  nas  Forças  Armadas  e 
reserva das Forças Armadas e percebam remuneração  obedece às diversas seqüências de graus hierárquicos.  
da União, porém sujeitos, ainda, à prestação de  São  privativas  de  brasileiro  nato  as  carreiras  de 
serviço na ativa, mediante convocação ou  oficial da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. 
mobilização; e  
II ‐ os reformados, quando, tendo passado por uma  São equivalentes as expressões "na ativa", "da ativa", 
das situações anteriores estejam dispensados,  "em  serviço  ativo",  "em  serviço  na  ativa",  "em 
definitivamente, da prestação de serviço na ativa, mas  serviço",  "em  atividade"  ou  "em  atividade  militar", 
continuem a perceber remuneração da União; e   conferidas  aos  militares  no  desempenho  de  cargo, 
lll ‐ os da reserva remunerada, e, excepcionalmente,  comissão, encargo, incumbência ou missão, serviço ou 
atividade  militar  ou  considerada  de  natureza  militar 

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nas  organizações  militares  das  Forças  Armadas,  bem  à  nacionalidade,  idade,  aptidão  intelectual, 
como  na  Presidência  da  República,  na  Vice‐ capacidade  física  e  idoneidade  moral,  é  necessário 
Presidência  da  República,  no  Ministério  da  Defesa  e  que  o  candidato  não  exerça  ou  não  tenha  exercido 
nos demais órgãos quando previsto em lei, ou quando  atividades  prejudiciais  ou  perigosas  à  segurança 
incorporados às Forças Armadas.  nacional. 

A  condição  jurídica  dos  militares  é  definida  pelos  O  disposto  neste  artigo  e  no  anterior  aplica‐se, 
dispositivos da Constituição que lhes sejam aplicáveis,  também,  aos  candidatos  ao  ingresso  nos  Corpos  ou 
por este Estatuto e pela legislação, que lhes outorgam  Quadros  de  Oficiais  em  que  é  exigido  o  diploma  de 
direitos  e  prerrogativas  e  lhes  impõem  deveres  e  estabelecimento de ensino superior reconhecido pelo 
obrigações.   Governo Federal. 

 O disposto do Estatuto  dos Militares aplica‐se, no  A  convocação  em  tempo  de  paz  é  regulada  pela 


que couber:   legislação que trata do serviço militar.  
I ‐ aos militares da reserva remunerada e reformados; 
II ‐ aos alunos de órgão de formação da reserva;   Em  tempo  de  paz  e  independentemente  de 
III ‐ aos membros do Magistério Militar; e   convocação,  os  integrantes  da  reserva  poderão  ser 
IV ‐ aos Capelães Militares.   designados para o serviço ativo, em caráter transitório 
e mediante aceitação voluntária. 
 Os  oficiais‐generais  nomeados  Ministros  do  Superior 
Tribunal  Militar,  os  membros  do  Magistério  Militar  e  A mobilização é regulada em legislação específica. 
os  Capelães  Militares  são  regidos  por  legislação  A  incorporação  às  Forças  Armadas  de  deputados 
específica.  federais  e  senadores,  embora  militares  e  ainda  que 
 Do Ingresso nas Forças Armadas   em tempo de guerra, dependerá de licença da Câmara 
respectiva. 
 O  ingresso  nas  Forças  Armadas  é  facultado, 
mediante  incorporação,  matrícula  ou  nomeação,  a   Da Hierarquia Militar e da Disciplina 
todos  os  brasileiros  que  preencham  os  requisitos  A hierarquia e a disciplina são a base institucional das 
estabelecidos em lei e nos regulamentos da Marinha,  Forças  Armadas.  A  autoridade  e  a  responsabilidade 
do Exército e da Aeronáutica.  crescem com o grau hierárquico.  
Quando  houver  conveniência  para  o  serviço  de  A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em 
qualquer  das  Forças  Armadas,  o  brasileiro  possuidor  níveis  diferentes,  dentro  da  estrutura  das  Forças 
de  reconhecida  competência  técnico‐profissional  ou  Armadas.  A  ordenação  se  faz  por  postos  ou 
de  notória  cultura  científica  poderá,  mediante  sua  graduações;  dentro  de  um  mesmo  posto  ou 
aquiescência  e  proposta  do  Ministro  da  Força  graduação  se  faz  pela  antigüidade  no  posto  ou  na 
interessada,  ser  incluído  nos  Quadros  ou  Corpos  da  graduação. O respeito à hierarquia é consubstanciado 
Reserva  e  convocado  para  o  serviço  na  ativa  em  no espírito de acatamento à seqüência de autoridade. 
caráter transitório. 
Disciplina  é  a  rigorosa  observância  e  o  acatamento 
 A inclusão nos termos do parágrafo anterior será feita  integral  das  leis,  regulamentos,  normas  e  disposições 
em  grau  hierárquico  compatível  com  sua  idade,  que  fundamentam  o  organismo  militar  e  coordenam 
atividades  civis  e  responsabilidades  que  lhe  serão  seu  funcionamento  regular  e  harmônico,  traduzindo‐
atribuídas,  nas  condições  reguladas  pelo  Poder  se  pelo  perfeito  cumprimento  do  dever  por  parte  de 
Executivo.  todos  e  de  cada  um  dos  componentes  desse 
Para matrícula nos estabelecimentos de ensino militar  organismo. 
destinados  à  formação  de  oficiais,  da  ativa  e  da  A  disciplina  e  o  respeito  à  hierarquia  devem  ser 
reserva, e de graduados, além das condições relativas  mantidos  em  todas  as  circunstâncias  da  vida  entre 

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militares  da  ativa,  da  reserva  remunerada  e  A antigüidade em cada posto ou graduação é contada 
reformados.  a  partir  da  data  da  assinatura  do  ato  da  respectiva 
promoção,  nomeação,  declaração  ou  incorporação, 
Círculos  hierárquicos  são  âmbitos  de  convivência  salvo quando estiver taxativamente fixada outra data. 
entre  os  militares  da  mesma  categoria  e  têm  a 
finalidade de desenvolver o espírito de camaradagem,   No caso do parágrafo anterior, havendo empate, a 
em ambiente de estima e confiança, sem prejuízo do  antigüidade será estabelecida:  
respeito mútuo.  a) entre militares do mesmo Corpo, Quadro, Arma ou 
Serviço, pela posição nas respectivas escalas 
Os  círculos  hierárquicos  e  a  escala  hierárquica  nas  numéricas ou registros existentes em cada Força;  
Forças  Armadas,  bem  como  a  correspondência  entre  b) nos demais casos, pela antigüidade no posto ou 
os  postos  e  as  graduações  da  Marinha,  do  Exército  e  graduação anterior; se, ainda assim, subsistir a 
da Aeronáutica, são fixados nos parágrafos seguintes.  igualdade, recorrer‐se‐á, sucessivamente, aos graus 
Posto  é  o  grau  hierárquico  do  oficial,  conferido  por  hierárquicos anteriores, à data de praça e à data de 
ato  do  Presidente  da  República  ou  do  Ministro  de  nascimento para definir a procedência, e, neste último 
Força Singular e confirmado em Carta Patente.  caso, o de mais idade será considerado o mais antigo;  
c) na existência de mais de uma data de praça, 
Os  postos  de  Almirante,  Marechal  e  Marechal‐do‐Ar  inclusive de outra Força Singular, prevalece a 
somente serão providos em tempo de guerra.  antigüidade do militar que tiver maior tempo de 
efetivo serviço na praça anterior ou nas praças 
Graduação  é  o  grau  hierárquico  da  praça,  conferido 
anteriores; e  
pela autoridade militar competente. 
d) entre os alunos de um mesmo órgão de formação 
Os  Guardas‐Marinha,  os  Aspirantes‐a‐Oficial  e  os  de militares, de acordo com o regulamento do 
alunos de órgãos específicos de formação de militares  respectivo órgão, se não estiverem especificamente 
são denominados praças especiais.  enquadrados nas letras a , b e c. 

Os  graus  hierárquicos  inicial  e  final  dos  diversos  Em igualdade de posto ou de graduação, os militares 


Corpos,  Quadros,  Armas,  Serviços,  Especialidades  ou  da ativa têm precedência sobre os da inatividade.  
Subespecialidades  são  fixados,  separadamente,  para 
Em  igualdade  de  posto  ou  de  graduação,  a 
cada caso, na Marinha, no Exército e na Aeronáutica. 
precedência  entre  os  militares  de  carreira  na  ativa  e 
Os militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,  os  da  reserva  remunerada  ou  não,  que  estejam 
cujos  graus  hierárquicos  tenham  denominação  convocados, é definida pelo tempo de efetivo serviço 
comum,  acrescentarão  aos  mesmos,  quando  julgado  no posto ou graduação. 
necessário,  a  indicação  do  respectivo  Corpo,  Quadro, 
 Em legislação especial, regular‐se‐á:  
Arma  ou  Serviço  e,  se  ainda  necessário,  a  Força 
I ‐ a precedência entre militares e civis, em missões 
Armada  a  que  pertencerem,  conforme  os 
diplomáticas, ou em comissão no País ou no 
regulamentos ou normas em vigor. 
estrangeiro; e  
Sempre  que  o  militar  da  reserva  remunerada  ou  II ‐ a precedência nas solenidades oficiais. 
reformado  fizer  uso  do  posto  ou  graduação,  deverá 
A  precedência  entre  as  praças  especiais  e  as  demais 
fazê‐lo  com  as  abreviaturas  respectivas  de  sua 
praças é assim regulada:  
situação. 
I  ‐  os  Guardas‐Marinha  e  os  Aspirantes‐a‐Oficial  são 
A precedência entre militares da ativa do mesmo grau 
hierarquicamente superiores às demais praças; 
hierárquico,  ou  correspondente,  é  assegurada  pela 
antigüidade  no  posto  ou  graduação,  salvo  nos  casos  II  ‐  os  Aspirantes,  alunos  da  Escola  Naval,  e  os 
de precedência funcional estabelecida em lei.  Cadetes,  alunos  da  Academia  Militar  das  Agulhas 
Negras  e  da Academia  da  Força  Aérea,  bem  como  os 

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alunos  da  Escola  de  Oficiais  Especialistas  da   Consideram‐se  também  vagos  os  cargos  militares 
Aeronáutica,  são  hierarquicamente  superiores  aos  cujos ocupantes tenham:  
suboficiais e aos subtenentes;  
a) falecido;  
III ‐ os alunos de Escola Preparatória de Cadetes e do  b) sido considerados extraviados;  
Colégio  Naval  têm  precedência  sobre  os  Terceiros  c) sido feitos prisioneiros; e  
Sargentos, aos quais são equiparados;   d) sido considerados desertores.  

IV ‐ os alunos dos órgãos de formação de oficiais da  Função militar é o exercício das obrigações inerentes 
reserva,  quando  fardados,  têm  precedência  sobre  os  ao cargo militar. 
Cabos, aos quais são equiparados; e 
Dentro  de  uma  mesma  organização  militar,  a 
V  ‐  os  Cabos  têm  precedência  sobre  os  alunos  das  seqüência  de  substituições  para  assumir  cargo  ou 
escolas  ou  dos  centros  de  formação  de  sargentos,  responder  por  funções,  bem  como  as  normas, 
que  a  eles  são  equiparados,  respeitada,  no  caso  de  atribuições  e  responsabilidades  relativas,  são  as 
militares, a antigüidade relativa.  estabelecidas  na  legislação  ou  regulamentação 
específicas, respeitadas a precedência e a qualificação 
 Do Cargo e da Função Militares   exigidas para o cargo ou o exercício da função. 
Cargo militar é um conjunto de atribuições, deveres e  O  militar  ocupante  de  cargo  provido  em  caráter 
responsabilidades  cometidos  a  um  militar  em  serviço  efetivo  ou  interino  faz  jus  aos  direitos 
ativo.  correspondentes  ao  cargo,  conforme  previsto  em 
O cargo militar, a que se refere este artigo, é o que se  dispositivo legal. 
encontra  especificado  nos  Quadros  de  Efetivo  ou  As  obrigações  que,  pela  generalidade,  peculiaridade, 
Tabelas  de  Lotação  das  Forças  Armadas  ou  previsto,  duração, vulto ou natureza, não são catalogadas como 
caracterizado  ou  definido  como  tal  em  outras  posições  tituladas  em  "Quadro  de  Efetivo",  "Quadro 
disposições legais.  de  Organização",  "Tabela  de  Lotação"  ou  dispositivo 
 As  obrigações  inerentes  ao  cargo  militar  devem  ser  legal,  são  cumpridas  como  encargo,  incumbência, 
compatíveis com o correspondente grau hierárquico e  comissão, serviço ou atividade, militar ou de natureza 
definidas  em  legislação  ou  regulamentação  militar. 
específicas.   Aplica‐se,  no  que  couber,  a  encargo,  incumbência, 
 Os  cargos  militares  são  providos  com  pessoal  que  comissão, serviço ou atividade, militar ou de natureza 
satisfaça  aos  requisitos  de  grau  hierárquico  e  de  militar, o disposto neste Capítulo para cargo militar. 
qualificação exigidos para o seu desempenho.  Das Obrigações e dos Deveres Militares 
O  provimento  de  cargo  militar  far‐se‐á  por  ato  de  São manifestações essenciais do Valor Militar: 
nomeação  ou  determinação  expressa  da  autoridade 
competente.  I ‐ o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável de 
cumprir  o  dever  militar  e  pelo  solene  juramento  de 
 O  cargo  militar  é  considerado  vago  a  partir  de  sua  fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida; 
criação  e  até  que  um  militar  nele  tome  posse,  ou 
desde  o  momento  em  que  o  militar  exonerado,  ou  II ‐ o civismo e o culto das tradições históricas; 
que  tenha  recebido  determinação  expressa  da 
autoridade  competente,  o  deixe  e  até  que  outro  III ‐ a fé na missão elevada das Forças Armadas;  
militar nele tome posse de acordo com as normas de  IV  ‐  o  espírito  de  corpo,  orgulho  do  militar  pela 
provimento  previstas  no  parágrafo  único  do  artigo  organização onde serve; 
anterior. 

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V ‐ o amor à profissão das armas e o entusiasmo com  XV ‐ garantir assistência moral e material ao seu lar e 
que é exercida; e   conduzir‐se como chefe de família modelar; 

VI ‐ o aprimoramento técnico‐profissional.  XVI ‐ conduzir‐se, mesmo fora do serviço ou quando já 
na  inatividade,  de  modo  que  não  sejam  prejudicados 
Da Ética Militar  os  princípios  da  disciplina,  do  respeito  e  do  decoro 
O  sentimento  do  dever,  o  pundonor  militar  e  o  militar; 
decoro da classe impõem, a cada um dos integrantes  XVII ‐ abster‐se de fazer uso do posto ou da graduação 
das  Forças  Armadas,  conduta  moral  e  profissional  para obter facilidades pessoais de qualquer natureza 
irrepreensíveis,  com  a  observância  dos  seguintes  ou  para  encaminhar  negócios  particulares  ou  de 
preceitos de ética militar:  terceiros; 
I  ‐  amar  a  verdade  e  a  responsabilidade  como  XVIII  ‐  abster‐se,  na  inatividade,  do  uso  das 
fundamento de dignidade pessoal;  designações hierárquicas: 
II ‐ exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as  a) em atividades político‐partidárias;  
funções que lhe couberem em decorrência do cargo;  b) em atividades comerciais;  
III ‐ respeitar a dignidade da pessoa humana;  c) em atividades industriais;  
d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa 
IV ‐ cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos,  a respeito de assuntos políticos ou militares, 
as  instruções  e  as  ordens  das  autoridades  excetuando‐se os de natureza exclusivamente técnica, 
competentes;  se devidamente autorizado; e 
 e) no exercício de cargo ou função de natureza civil, 
V ‐ ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na 
mesmo que seja da Administração Pública; e  
apreciação do mérito dos subordinados; 
XIX  ‐  zelar  pelo  bom  nome  das  Forças  Armadas  e  de 
VI  ‐  zelar  pelo  preparo  próprio,  moral,  intelectual  e 
cada  um  de  seus  integrantes,  obedecendo  e  fazendo 
físico  e,  também,  pelo  dos  subordinados,  tendo  em 
obedecer aos preceitos da ética militar. 
vista o cumprimento da missão comum; 
Ao  militar  da  ativa  é  vedado  comerciar  ou  tomar 
VII ‐ empregar todas as suas energias em benefício do 
parte  na  administração  ou  gerência  de  sociedade  ou 
serviço; 
dela ser sócio ou participar, exceto como acionista ou 
VIII  ‐  praticar  a  camaradagem  e  desenvolver,  quotista,  em  sociedade  anônima  ou  por  quotas  de 
permanentemente, o espírito de cooperação;  responsabilidade limitada.  

IX ‐ ser discreto em suas atitudes, maneiras e em sua  Os integrantes da reserva, quando convocados, ficam 
linguagem escrita e falada;  proibidos  de  tratar,  nas  organizações  militares  e  nas 
repartições  públicas  civis,  de  interesse  de 
X ‐ abster‐se de tratar, fora do âmbito apropriado, de  organizações  ou  empresas  privadas  de  qualquer 
matéria  sigilosa  de  qualquer  natureza;  XI  ‐  acatar  as  natureza. 
autoridades civis; 
Os  militares  da  ativa  podem  exercer,  diretamente,  a 
XII ‐ cumprir seus deveres de cidadão;  gestão  de  seus  bens,  desde  que  não  infrinjam  o 
disposto no presente artigo. 
XIII ‐ proceder de maneira ilibada na vida pública e na 
particular;  No  intuito  de  desenvolver  a  prática  profissional,  é 
permitido  aos  oficiais  titulares  dos  Quadros  ou 
XIV ‐ observar as normas da boa educação; 
Serviços  de  Saúde  e  de  Veterinária  o  exercício  de 
atividade técnico‐profissional no meio civil, desde que 

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tal  prática  não  prejudique  o  serviço  e  não  infrinja  o  O  compromisso  de  Guarda‐Marinha  ou  Aspirante‐a‐
disposto neste artigo.  Oficial é prestado nos estabelecimentos de formação, 
obedecendo  o  cerimonial  ao  fixado  nos  respectivos 
 Os  Ministros  das  Forças  Singulares  poderão  regulamentos. 
determinar aos militares da ativa da respectiva Força 
que,  no  interesse  da  salvaguarda  da  dignidade  dos  O  compromisso  como  oficial,  quando  houver,  será 
mesmos,  informem  sobre  a  origem  e  natureza  dos  regulado em cada Força Armada. 
seus  bens,  sempre  que  houver  razões  que 
recomendem tal medida.  Do Comando e da Subordinação  

Dos Deveres Militares  Comando  é  a  soma  de  autoridade,  deveres  e 


responsabilidades  de  que  o  militar  é  investido 
Os  deveres  militares  emanam  de  um  conjunto  de  legalmente  quando  conduz  homens  ou  dirige  uma 
vínculos  racionais,  bem  como  morais,  que  ligam  o  organização  militar.  O  comando  é  vinculado  ao  grau 
militar  à  Pátria  e  ao  seu  serviço,  e  compreendem,  hierárquico  e  constitui  uma  prerrogativa  impessoal, 
essencialmente:  em  cujo  exercício  o  militar  se  define  e  se  caracteriza 
como chefe. 
I  ‐  a  dedicação  e  a  fidelidade  à  Pátria,  cuja  honra, 
integridade  e  instituições  devem  ser  defendidas  Aplica‐se  à  direção  e  à  chefia  de  organização  militar, 
mesmo com o sacrifício da própria vida;  no que couber, o estabelecido para comando. 

II ‐ o culto aos Símbolos Nacionais;    A  subordinação  não  afeta,  de  modo  algum,  a 


dignidade  pessoal  do  militar  e  decorre, 
III  ‐  a  probidade  e  a  lealdade  em  todas  as  exclusivamente,  da  estrutura  hierarquizada  das 
circunstâncias;   Forças Armadas. 
IV ‐ a disciplina e o respeito à hierarquia;   O  oficial  é  preparado,  ao  longo  da  carreira,  para  o 
V  ‐  o  rigoroso  cumprimento  das  obrigações  e  das  exercício  de  funções  de  comando,  de  chefia  e  de 
ordens; e   direção. 

VI ‐ a obrigação de tratar o subordinado dignamente e  Os  graduados  auxiliam  ou  complementam  as 


com urbanidade.   atividades  dos  oficiais,  quer  no  adestramento  e  no 
emprego  de  meios,  quer  na  instrução  e  na 
Todo  cidadão,  após  ingressar  em  uma  das  Forças  administração. 
Armadas  mediante  incorporação,  matrícula  ou 
nomeação,  prestará  compromisso  de  honra,  no  qual  No exercício das atividades mencionadas neste artigo 
afirmará  a sua  aceitação  consciente  das  obrigações e  e  no  comando  de  elementos  subordinados,  os 
dos  deveres  militares  e  manifestará  a  sua  firme  suboficiais,  os  subtenentes  e  os  sargentos  deverão 
disposição de bem cumpri‐los.  impor‐se  pela  lealdade,  pelo  exemplo  e  pela 
capacidade  profissional  e  técnica,  incumbindo‐lhes 
O compromisso do incorporado, do matriculado e do  assegurar  a observância  minuciosa  e  ininterrupta  das 
nomeado,  a  que  se  refere  o  artigo  anterior,  terá  ordens, das regras do serviço e das normas operativas 
caráter solene e será sempre prestado sob a forma de  pelas  praças  que  lhes  estiverem  diretamente 
juramento  à  Bandeira  na  presença  de  tropa  ou  subordinadas  e  a  manutenção  da  coesão  e  do  moral 
guarnição formada, conforme os dizeres estabelecidos  das mesmas praças em todas as circunstâncias. 
nos  regulamentos  específicos  das  Forças  Armadas,  e 
tão  logo  o  militar  tenha  adquirido  um  grau  de  Os  Cabos,  Taifeiros‐Mores,  Soldados‐de‐Primeira‐
instrução compatível com o perfeito entendimento de  Classe,  Taifeiros‐de‐Primeira‐Classe,  Marinheiros, 
seus deveres como integrante das Forças Armadas.  Soldados,  Soldados‐de‐Segunda‐Classe  e  Taifeiros‐de‐
Segunda‐Classe  são,  essencialmente,  elementos  de 
execução. 
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 Os  Marinheiros‐Recrutas,  Recrutas,  Soldados‐ São  competentes  para  determinar  o  imediato 
Recrutas e Soldados‐de‐Segunda‐Classe constituem os  afastamento do cargo ou o impedimento do exercício 
elementos  incorporados  às  Forças  Armadas  para  a  da função: 
prestação do serviço militar inicial. 
a) o Presidente da República;  
Às  praças  especiais  cabe  a  rigorosa  observância  das  b) os titulares das respectivas pastas militares e o 
prescrições  dos  regulamentos  que  lhes  são  Chefe do Estado‐Maior das Forças Armadas; e  
pertinentes,  exigindo‐se‐lhes  inteira  dedicação  ao  c) os comandantes, os chefes e os diretores, na 
estudo e ao aprendizado técnico‐profissional.  conformidade da legislação ou regulamentação 
específica de cada Força Armada.  
Às  praças  especiais  também  se  assegura  a  prestação 
do serviço militar inicial.  O  militar  afastado  do  cargo,  nas  condições 
mencionadas neste artigo, ficará privado do exercício 
 Cabe  ao  militar  a  responsabilidade  integral  pelas  de qualquer função militar até a solução do processo 
decisões  que  tomar,  pelas  ordens  que  emitir  e  pelos  ou das providências legais cabíveis. 
atos que praticar. 
São  proibidas  quaisquer  manifestações  coletivas, 
Da Violação das Obrigações e dos Deveres Militares  tanto  sobre  atos  de  superiores  quanto  as  de  caráter 
A  violação  das  obrigações  ou  dos  deveres  militares  reivindicatório ou político. 
constituirá  crime,  contravenção  ou  transgressão   Dos Crimes Militares 
disciplinar,  conforme  dispuser  a  legislação  ou 
regulamentação específicas.  O Código Penal Militar relaciona e classifica os crimes 
militares, em tempo de paz e em tempo de guerra, e 
A violação dos preceitos da ética militar será tão mais  dispõe  sobre  a  aplicação  aos  militares  das  penas 
grave  quanto  mais  elevado  for  o  grau  hierárquico  de  correspondentes aos crimes por eles cometidos. 
quem a cometer. 
Das Contravenções ou Transgressões Disciplinares 
No  concurso  de  crime  militar  e  de  contravenção  ou 
transgressão  disciplinar,  quando  forem  da  mesma  Os  regulamentos  disciplinares  das  Forças  Armadas 
natureza,  será  aplicada  somente  a  pena  relativa  ao  especificarão  e  classificarão  as  contravenções  ou 
crime.  transgressões disciplinares e estabelecerão as normas 
relativas  à  amplitude  e  aplicação  das  penas 
A  inobservância  dos  deveres  especificados  nas  leis  e  disciplinares,  à  classificação  do  comportamento 
regulamentos,  ou  a  falta  de  exação  no  cumprimento  militar  e  à  interposição  de  recursos  contra  as  penas 
dos mesmos, acarreta para o militar responsabilidade  disciplinares. 
funcional, pecuniária, disciplinar ou penal, consoante 
a legislação específica.  As penas disciplinares de impedimento, detenção ou 
prisão não podem ultrapassar 30 (trinta) dias. 
A apuração da responsabilidade funcional, pecuniária, 
disciplinar  ou  penal  poderá  concluir  pela  À  praça  especial  aplicam‐se,  também,  as  disposições 
incompatibilidade  do  militar  com  o  cargo  ou  pela  disciplinares  previstas  no  regulamento  do 
incapacidade para o exercício das funções militares a  estabelecimento de ensino onde estiver matriculada. 
ele inerentes. 
Dos Conselhos de Justificação e de Disciplina 
O militar que, por sua atuação, se tornar incompatível 
com  o  cargo,  ou  demonstrar  incapacidade  no  O  oficial  presumivelmente  incapaz  de  permanecer 
exercício  de  funções  militares  a  ele  inerentes,  será  como  militar  da  ativa  será,  na  forma  da  legislação 
afastado do cargo.  específica, submetido a Conselho de Justificação. 

O oficial, ao ser submetido a Conselho de Justificação, 
poderá  ser  afastado  do  exercício  de  suas  funções,  a 

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critério do respectivo Ministro, conforme estabelecido  RESUMOS: 
em legislação específica. 
É a ordenação da autoridade, 
Compete  ao  Superior  Tribunal  Militar,  em  tempo  de  HIERARQUIA   em  níveis  diferentes,  dentro 
paz,  ou  a  Tribunal  Especial,  em  tempo  de  guerra,  MILITAR:  da  estrutura  das  Forças 
Armadas 
julgar,  em  instância  única,  os  processos  oriundos  dos 
 
Conselhos  de  Justificação,  nos  casos  previstos  em  lei 
É  a  rigorosa  observância  e  o 
específica.  acatamento  integral  das  leis, 
regulamentos,  normas  e 
A  Conselho  de  Justificação  poderá,  também,  ser 
disposições  que 
submetido  o  oficial  da  reserva  remunerada  ou  fundamentam  o  organismo 
reformado,  presumivelmente  incapaz  de  permanecer  militar  e  coordenam  seu 
na situação de inatividade em que se encontra.  DISCIPLINA:  funcionamento  regular  e 
harmônico,  traduzindo‐se 
O Guarda‐Marinha, o Aspirante‐a‐Oficial e as praças  pelo  perfeito  cumprimento 
com  estabilidade  assegurada,  presumivelmente  do  dever  por  parte  de  todos 
incapazes de permanecerem como militares da ativa,  e  de  cada  um  dos 
serão submetidos a Conselho de Disciplina e afastados  componentes  desse 
organismo. 
das atividades que estiverem exercendo, na forma da 
 
regulamentação específica. 
São  âmbitos  de  convivência 
CIRCULO 
entre  militares  da  mesma 
O Conselho de Disciplina obedecerá a normas comuns  HIERÁRQUICO 
categoria. 
às três Forças Armadas. 
 
Compete  aos  Ministros  das  Forças  Singulares  julgar, 
GRAU 
em  última  instância,  os  processos  oriundos  dos  CONFERIDO POR: 
HIERARQUICO 
Conselhos  de  Disciplina  convocados  no  âmbito  das  PRESIDENTE  DA  REPUBLICA 
respectivas Forças Armadas.  ou  do  MINISTRO  DE  FORÇA 
POSTO 
SINGULAR  e  conferido  em 
A  Conselho  de  Disciplina  poderá,  também,  ser  CARTA PATENTE 
submetida  a  praça  na  reserva  remunerada  ou  AUTORIDADE  MILITAR 
GRADUAÇÃO 
reformada,  presumivelmente  incapaz  de  permanecer  COMPETENTE 
na situação de inatividade em que se encontra.   

PRAÇAS ESPECIAIS: 
A) GUARDAS‐MARINHA 
B) ASPIRANTE‐A‐OFICIAL 
C) TODOS  OS  ALUNOS  DE  ÓRGÃOS 
ESPECÍFICOS 
 

É  um  CONJUNTO  DE 


ATRIBUIÇÕES,  deveres  e 
CARGO 
responsabilidades  cometidos  a 
MILITAR 
um  militar  em  serviço  ativo. 
(Previstos em Legislação) 
FUNÇÃO  É  o  EXERCÍCIO  das  obrigações 
MILITAR  inerentes ao cargo militar 
 

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VALOR MILITAR Art 27  
PATRIOTISMO,  traduzido  pela  vontade 
inabalável  de  cumprir  o  dever  militar  e  pelo 

solene juramento de fidelidade à Pátria até com 
o sacrifício da própria vida; 
AMOR  À  PROFISSÃO  das  armas  e  o  entusiasmo 

com que é exercida; 
C  CIVISMO e o CULTO das tradições históricas 
A  APRIMORAMENTO técnico‐profissional 
F  FÉ NA MISSÃO elevada das Forças Armadas 
ESPÍRITO  DE  CORPO,  orgulho  do  militar  pela 

organização onde serve; 
 

DEVERES MILITARES Art 31  
DEDICAÇÃO  e  a  fidelidade  à  Pátria,  cuja  honra, 
D  integridade e instituições devem ser defendidas 
mesmo com o sacrifício da própria vida 
D  DISCIPLINA e o respeito à Hierarquia 
CULTO aos Símbolos Nacionais (Bandeira, Hino e 

Selo) 
PROBIDADE  e  a  lealdade  em  todas  as 

circunstâncias 
RIGOROSO  cumprimento  das  obrigações  e  das 

ordens 
OBRIGAÇÕES  de  tratar  o  subordinado 

dignamente e com urbanidade 
 

   

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EXERCÍCIOS:  (E)  Círculos  hierárquicos  são  âmbitos  de  convivência 
entre  os  militares  da  mesma  categoria  e  têm  a 
1  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  A  respeito  da  hierarquia  finalidade de desenvolver o espírito de camaradagem, 
militar  e  da  disciplina,  base  institucional  das  Forças  em ambiente de estima e confiança. 
Armadas, pode‐se afirmar que: 
2  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Quais  são  as  bases 
(A)  a  disciplina  e  o  respeito  à  hierarquia  devem  ser  institucionais das Forças Armadas? 
mantidos  em  todas  as  circunstâncias  da  vida  entre 
militares  da  ativa,  da  reserva  remunerada,  (A) Hierarquia e disciplina. 
excetuando‐se os reformados.  (B) Autoridade e responsabilidade. 
(C) Respeito e ordenação. 
(B)  a  hierarquia  militar  é  a  ordenação  da  autoridade,  (D) Posto e graduação. 
em  níveis  diferentes,  dentro  da  estrutura  das  Forças  (E) Leis e regulamentos. 
Armadas. 
3  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  De  acordo  com  o  Estatuto  dos 
(C) disciplina é a rigorosa observância e o acatamento  Militares,  a  base  institucional  das  Forcas  Armadas 
integral  das  leis,  regulamentos  e  normas  que  são? 
fundamentam  o  organismo  militar,  sendo  modificada 
nos casos de guerra ou conflito.  (A) Hierarquia e Liderança. 
(B) Hierarquia e Ética Militar. 
(D)  posto  é  o  grau  hierárquico  da  Praça,  conferido  (C) Ética Militar e Disciplina. 
pela autoridade militar competente.  (D) Liderança e Disciplina. 
(E)  círculos  hierárquicos  são  âmbitos  de  convivência  (E) Hierarquia e Disciplina. 
entre  militares  de  categorias  diferentes  e  têm  a  4  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Qual  a  base 
finalidade de desenvolver o espírito de camaradagem,  institucional das Forças Armadas? 
em ambiente de estima e confiança. 
(A) A autoridade e a obediência. 
RESPOSTA (comentada)  (B) A lei e os regulamentos internos. 
(A)  A  disciplina  e  o  respeito  à  hierarquia  devem  ser  (C) A liderança e a obediência. 
mantidos  em  todas  as  circunstâncias  da  vida  entre  (D) A hierarquia e a disciplina. 
militares  da  ativa,  da  reserva  remunerada  e  (E) O direito e o dever. 
reformados.  5  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Salvo  nos  casos  de 
(B) A hierarquia militar é a ordenação da autoridade,  precedência  funcional  estabelecidos  em  lei,  como  é 
em  níveis  diferentes,  dentro  da  estrutura  das  Forças  assegurada  a  precedência  entre  militares  da  ativa  do 
Armadas. (CERTA)  mesmo grau hierárquico? 

(C) Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento  (A) Pela responsabilidade. 
integral  das  leis,  regulamentos,  normas  e  disposições  (B) Pela antiguidade. 
que  fundamentam  o  organismo  militar  e  coordenam  (C) Pelo respeito. 
seu  funcionamento  regular  e  harmônico,  traduzindo‐ (D) Pelo posto. 
se  pelo  perfeito  cumprimento  do  dever  por  parte  de  (E) Pela graduação. 
todos  e  de  cada  um  dos  componentes  desse  6  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Segundo  o  Estatuto  dos 
organismo.  Militares  (Lei  n°.  6.880,  de  9  de  dezembro  de  1980), 
(D)  Posto  é  o  grau  hierárquico  do  oficial,  conferido  qual  publicação  relaciona  e  classifica  os  crimes 
por ato do Presidente da República ou do Ministro de  militares, em tempo de paz e em tempo de guerra, e 
Força Singular e confirmado em Carta Patente.  dispõe  sobre  a  aplicação  das  penas  correspondentes 
aos crimes cometidos por militares. 

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(A) Regulamento Disciplinar para a Marinha.  ficam autorizados a tratar, nas organizações militares, 
(B) Código Penal Militar.  de interesse de organizações ou empresas privadas de 
(C) Plano de Carreira de Oficiais da Marinha.  qualquer natureza. 
(D) Cerimonial da Marinha. 
(E) Ordenação Geral para o Serviço da Armada.  (E)  É  proibido  aos  oficiais  titulados  dos  Quadros  ou 
serviço  de  Saúde  e  de  Veterinária  o  exercício  de 
7  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  A  responsabilidade  integral  Atividade técnico‐profissional no meio civil. 
pelas decisões que tomar um militar, pelas ordens que 
emitir e pelos atos que praticar cabe ao  10  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Segundo  o  Estatuto  dos 
Militares  (Lei  n°.  6.880,  de  9  de  dezembro  de  1980), 
(A) seu superior direto.  assinale  a  opção  que  NÃO  corresponde  a 
(B) comandante de sua Unidade.  manifestações essenciais do valor militar. 
(C) comando de sua Força. 
(D) grupo que lidera.  (A) O orgulho pela organização onde serve. 
(E) próprio militar.  (B) O civismo e o culto das tradições históricas. 
(C) A fé na missão elevada das Forças Armadas. 
8  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Coloque  V  (verdadeiro)  ou  F  (D) A supremacia do conhecimento militar sobre o 
(falso)  nas  afirmativas  abaixo,  assinalando  a  seguir  a  técnico‐profissional. 
opção correta.  (E) O amor à profissão das armas e o entusiasmo com 
que é exercida. 
(      )  Comando  e  a  soma  de  autoridade,  deveres  e 
responsabilidades  de  que  o  militar  é  investido  11 ‐ (PS‐SMV‐OF/2017) De acordo com o Estatuto dos 
legalmente  quando  conduz  homens  ou  dirige  uma  Militares,  assinale  a  opção  que  completa 
organização  militar.  corretamente as lacunas da sentença abaixo. 
(   ) O comando não é vinculado ao grau hierárquico, e 
constitui  uma  prerrogativa  pessoal.  Todo  cidadão,  após  ingressar  em  uma  das  Forças 
(      )  A  subordinação  não  afeta,  de  modo  algum,  a  Armadas  mediante,  incorporação,  matrícula  ou 
dignidade  pessoal  do  militar.  nomeação,  prestará  compromisso  de 
(      )  A  subordinação  decorre,  exclusivamente,  da  _________________,  no  qual  afirmará  a  sua 
estrutura hierarquizada das Forças Armadas.  aceitação_________________  das  obrigações  e  dos 
_____________  militares  e  manifestará  a  sua  firme 
(A) (V) (V) (V) (V)  disposição de bem cumpri‐los. 
(B) (V) (F) (V) (V) 
(C) (F) (F) (V) (V)  (A) honra / voluntária / valores 
(D) (V) (F) (F) (V)  (B) honra / consciente / deveres 
(E) (F) (F) (F) (F)  (C) sangue / consciente / deveres 
(D) honra / consciente / valores 
9  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  De  acordo  com  o  Estatuto  dos  (E) sangue / voluntária / valores 
Militares,  com  relação  aos  conceitos  de  Valor  e  Ética 
Militar, assinale a opção correta.   12  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  O  conjunto  de  atribuições, 
deveres  e  responsabilidades  cometidos  a  um  militar 
(A)  O  civismo  e  o  culto  das  tradições  religiosas  são  em serviço ativo, denomina‐se  
manifestações  essenciais  do  valor  militar. 
(B)  Ao  militar  da  ativa,  é  permitido  comerciar  ou  (A) Cargo Militar. 
tomar  parte  na  administração  ou  gerência  de  (B) Função Militar. 
sociedade.  (C) Graduação Militar. 
(C)  Abster‐se  de  fazer  uso  do  posto  ou  da  graduação  (D) Valor Militar. 
para obter facilidades pessoais de qualquer natureza e  (E) Dever Militar. 
considerado  um  dos  preceitos  da  Ética  militar.  13  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Acerca  da  violação  das 
(D)  Os  integrantes  da  reserva,  quando  convocados,  obrigações ou dos deveres militares, assinale a opção 
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que  completa  corretamente  as  lacunas  da  sentença  (D)  os  Cabos  têm  precedência  sabre  os  alunos  das 
abaixo.  escolas ou dos centros de formação de sargentos, que 
a  eles  são  equiparados,  respeitada,  no  caso  de 
Consoante  a  legislação  específica,  o  Estatuto  dos  militares,  a  antiguidade  relativa. 
Militares estabelece que a inobservância dos deveres  (E)  os  Aspirantes,  alunos  da  Escola  Naval,  e  os 
especificados  nas  leis  e  regulamentos,  ou  a  falta  de  Cadetes,  alunos  da  Academia  Militar  das  Agulhas 
exação no cumprimento dos mesmos, acarreta para o  Negras  e  da Academia  da  Força  Aérea,  bem  como  os 
militar  responsabilidade  _________________,  alunos  da  Escola  de  Oficiais  Especialistas  da 
____________________,  _________________  ou  Aeronáutica,  são  hierarquicamente  superiores  aos 
______________.  suboficiais e aos subtenentes. 
(A) funcional / pecuniária / disciplinar / penal  16 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017)  De acordo com o Estatuto dos 
(B) funcional / pecuniária / disciplinar / civil  Militares,  assinale  a  opção  que  apresenta  o  Posto  ao 
(C) civil / trabalhista / disciplinar / penal  qual  um  militar  poderá  ser  promovido  somente  em 
(D) funcional / trabalhista / disciplinar / civil  tempo de guerra. 
(E) civil / pecuniária / disciplinar / penal 
(A) Capitão de Mar e Guerra. 
14 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Assinale a opção que NÃO esta  (B) Coronel. 
de  acordo  com  o  preconizado  no  Estatuto  dos  (C) Almirante de Esquadra. 
Militares.   (D) Brigadeiro. 
(A)  A  disciplina  e  o  respeito  à  hierarquia  devem  ser  (E) Marechal. 
mantidos  em  todas  as  circunstâncias  da  vida  entre  17 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Segundo o art. 47 do Estatuto 
militares  da  ativa,  da  reserva  remunerada  e  dos  Militares,  os  regulamentos  disciplinares  das 
reformados.  Forças  Armadas  especificarão  e  classificarão  as 
(B)  Círculos  hierárquicos  são  âmbitos  de  convivência  contravenções  ou  transgressões  disciplinares  e 
entre  os  militares  de  diferentes  categorias  e  têm  a  estabelecerão  as  normas  relativas  a  amplitude  e 
finalidade de desenvolver o espírito de camaradagem,  aplicação  das  penas  disciplinares,  à  classificação  do 
em ambiente de estima e confiança, sem prejuízo do  comportamento  militar  e  à  interposição  de  recursos 
respeito  mútuo.  contra  as  penas  disciplinares.  Sendo  assim,  pode‐se 
(C) Posto e o grau hierárquico do oficial, conferido por  afirmar  que  as  penas  disciplinares  de  impedimento, 
ato  do  Presidente  da  República  ou  do  Ministro  de  detenção ou prisão NÃO podem ultrapassar: 
Força  Singular  e  confirmado  em  Carta  Patente. 
(D)  Os  postos  de  Almirante,  Marechal  e  Marechal  do  (A) trinta dias. 
Ar  somente  serão  providos  em  tempo  de  guerra.  (B) dez dias. 
(E)  Graduação  e  o  grau  hierárquico  da  praça,  (C) vinte dias. 
conferido pela autoridade militar competente.  (D) quarenta dias. 
(E) sessenta dias. 
15 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Segundo o art. 19 do Estatuto 
dos Militares, a precedência entre as praças especiais  18  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Segundo  o  Estatuto  dos 
e as demais praças e assim regulada, EXCETO:  Militares (Lei n°. 6.880, de 9 de dezembro de 1980), as 
penas  disciplinares  de  impedimento,  detenção  ou 
(A)  os  Guardas‐Marinha  e  os  Aspirantes‐a‐Oficial  são  prisão não poderão ultrapassar: 
hierarquicamente  superiores  às  demais  praças. 
(B)  os  alunos  de  Escola  Preparatória  de  Cadetes  e do  (A) dez dias. 
Colégio  Naval  não  têm  precedência  sabre  os  (B) vinte dias. 
Terceiros‐Sargentos,  aos  quais  são  equiparados.  (C) trinta dias. 
(C)  os  alunos  dos  órgãos  de  formação  de  oficiais  da  (D) quarenta dias. 
reserva,  quando  fardados,  têm  precedência  sobre  os  (E) cinquenta dias. 
Cabos,  aos  quais  são  equiparados. 
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19 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) ‐ De acordo com o Estatuto  (D) o civismo e o culto das tradições históricas. 
dos  Militares,  os  militares  da  ativa  que,  no  (E) culto aos símbolos nacionais. 
desempenho  voluntário  e  permanente  do  serviço 
militar,  tenha  vitaliciedade  assegurada  ou  presumida  24 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Segundo o art. 28 do Estatuto 
são classificados como:  dos  Militares,  o  sentimento  do  dever,  o  pundonor 
militar  e  o  decoro  da  classe  impõem,  a  cada  um  dos 
(A) militares da reserva remunerada.  integrantes  das  Forças  Armadas,  conduta  moral  e 
(B) militares da reserva não remunerada.  profissional  irrepreensíveis,  com  a  observância  dos 
(C) militares reformados.  seguintes preceitos de ética militar: 
(D) militares de carreira. 
(E) inativos e pensionistas.  (A) o amor à profissão das armas e o entusiasmo com 
que é exercida. 
20  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  Que  documento  regula  a  (B) o aprimoramento técnico‐profissional. 
situação,  a  obrigação,  os  deveres,  os  direitos  e  as  (C) o espírito de corpo e o orgulho do militar pela 
prerrogativas dos membros das Forças Armadas?  organização onde serve. 
(D) o patriotismo, traduzido pela vontade inabalável 
(A) Código Penal Militar  de cumprir o dever militar e pelo solene juramento de 
(B) Constituição Federal  fidelidade à Pátria até com o sacrifício da própria vida. 
(C) Código Penal.  (E) praticar a camaradagem e desenvolver, 
(D) Código de Processo Penal.  permanentemente, o espírito de cooperação. 
(E) Estatuto dos Militares. 
25  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Segundo  o  Estatuto  dos 
21  ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016)  ‐  Os  regulamentos  Militares (Lei n°. 6.880, de 9 de dezembro de 1980), o 
disciplinares  das  Forças  Armadas  especificarão  e  militar  que,  por  sua  atuação,  tornar‐se  incompatível 
classificarão:  com  o  cargo,  ou  demonstrar  incapacidade  no 
(A) o treinamento físico.  exercício  de  funções  militares  a  ele  inerentes,  será 
(B) as contravenções ou transgressões disciplinares.  afastado do cargo. Sendo assim, marque a opção que 
(C) as normas de etiqueta.  apresenta a autoridade pública que tem competência 
(D) os Postos e Graduações.  para determinar o imediato afastamento do militar do 
(E) os uniformes.  cargo  ou  o  impedimento  do  exercício  de  sua  função, 
nos casos mencionados. 
22  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  Segundo  o  art.  27,  Estatuto 
dos  Militares,  e  manifestação  essencial  do  valor  (A) Presidente da República. 
militar:   (B) Governador. 
(C) Vereador 
(A) respeitar a dignidade da pessoa humana.  (D) Senador 
(B) empregar todas as suas energias em benefício do  (E) Presidente do Congresso Nacional. 
serviço. 
(C) a fé na missão elevada das Forças Armadas.  26 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) ‐ De acordo com o Estatuto 
(D) acatar as autoridades civis.  dos  Militares,  o  grau  hierárquico  da  praça,  conferido 
(E) cumprir seus deveres de cidadão.  por autoridade competente, é denominado: 

23 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) – É manifestação essencial do  (A) posto 
valor militar:  (B) graduação 
(C) patente 
(A) respeitar a dignidade da pessoa humana.  (D) grau 
(B) a disciplina e o respeito à hierarquia.  (E) círculo 
(C) proceder de maneira ilibada na vida pública e na 
particular  27 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – A Marinha, o Exército e a 
Aeronáutica constituem as Forças: 

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(A) Auxiliares.  31  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Segundo  o 
(B) Militares.  Estatuto dos Militares, NÃO são considerados reserva 
(C) Públicas.  das Forças Armadas:  
(D) Policiais. 
(E) Armadas.  (A) militares da reserva remunerada. 
(B) demais cidadãos em condições de convocação ou 
  de mobilização para a ativa. 
(C) agentes de segurança privada. 
28  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Segundo  o  (D) Policiais Militares. 
Estatuto dos Militares, o Guarda‐Marinha, o Aspirante  (E) Corpos de Bombeiros Militares. 
a  Oficial  e  as  praças  com  estabilidade  assegurada, 
presumivelmente  incapazes  de  permanecerem  como  32  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  As  penas 
militares da ativa, serão submetidos a Conselho de   disciplinares  de  impedimento,  detenção  ou  prisão 
NÃO podem ultrapassar 
(A) Justiça. 
(B) Defesa.  (A) 10 dias. 
(C) Disciplina.  (B) 15dias. 
(D) Justificação.  (C) 20 dias. 
(D) 25 dias. 
29  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Assinale  a  (E) 30 dias. 
opção  INCORRETA  com  relação  ao  Estatuto  dos 
Militares.  33  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Segundo  o 
Estatuto dos Militares, ao militar da ativa é vedado: 
(A) Posto é o grau hierárquico do oficial, conferido por 
ato do Presidente da República ou do Ministro de  (A) acatar as autoridades civis. 
Força Singular e confirmado em Carta Patente.  (B) comerciar ou tomar parte na administração ou 
(B) Os postos de Almirante, Marechal e Marechal‐do‐ gerência de sociedade ou dela ser sócio ou participar, 
Ar somente serão providos em tempo de guerra.  exceto como acionista ou quotista, em sociedade 
(C) Graduação e o grau hierárquico da praça,  anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. 
conferido pela autoridade militar competente.  (C) exercer, diretamente, a gestão de seus bens. 
(D) Os Guardas‐Marinha, os Aspirantes a Oficial e os  (D) observar as normas da boa educação. 
alunos de órgãos específicos de formação de militares  (E) praticar a camaradagem e desenvolver, 
são denominados praças especiais.  permanentemente, o espírito de cooperação. 
(E) As carreiras de oficiais das Forcas Armadas são 
facultadas a brasileiros naturalizados.  34 ‐ (EAOF ‐2008) – Leia as assertivas abaixo: 
1 ‐ A autoridade e a responsabilidade são 
30  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Segundo  o  inversamente proporcionais ao grau hierárquico. 
Estatuto  dos  Militares,  o  oficial  presumivelmente  2 ‐ Um Primeiro Tenente da Ativa possui precedência 
incapaz de permanecer coma militar da ativa será, na  sobre outro Primeiro Tenente da Reserva. 
forma da legislação específica, submetido a Conselho  3 ‐ Função militar é um conjunto de atribuições, 
de  deveres e responsabilidades cometidos a um militar 
em serviço ativo. 
(A) Disciplina.  4 ‐ A violação dos preceitos da ética militar será tão 
(B) Justificação.  mais grave quanto mais elevado for o grau hierárquico 
(C) Almirantes.  de que cometer. 
(D) Defesa. 
(E) Justiça.  Das assertivas acima, estão corretas: 

(A) 2 e 4 
(B) 2 e 3 

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(C) 1 e 3  (A)  a  precedência  entre  militares  da  ativa  de  mesmo 
(D) 1 e 4.  posto  ou  graduação  e  assegurada  pelo  merecimento 
no  respectivo  posto  ou  graduação. 
  (B) os Guardas‐Marinha têm precedência tanto sobre 
35 ‐ (PS‐SMV‐OF/2018) O Estatuto dos Militares (lei n°  os  suboficiais  quanto  sobre  os  subtenentes. 
6.880,  de  9  de  dezembro  de  1980)  define  posto  e  (C)  a  precedência  entre  as  praças  especiais  e  as 
graduação dos militares. Considerando as disposições  demais  praças  não  e  regulada  pelo  Estatuto  dos 
dessa  lei  que  tratam  sobre  o  posto  e  a  graduação,  Militares. 
assinale a opção correta.  (D)  em  igualdade  de  posto  ou  de  graduação,  a 
precedência  entre  os  militares  de  carreira  na  ativa  e 
(A) Os Guardas‐Marinha têm o menor posto na  os  da  reserva,  que  estejam  convocados,  é  definida 
Marinha do Brasil.  pela  data  de  nascimento,  e,  nesse  caso,  o  de  mais 
(B) Todo posto e confirmado em Carta‐Patente.  idade  será  considerado  o  mais  antigo. 
(C) O posto de Almirante existe em tempo de paz na  (E)  em  igualdade  de  posto  ou  de  graduação,  os 
Marinha do Brasil.  militares  da  reserva  têm  precedência  sabre  os  da 
(D) A graduação é um circulo hierárquico conferido  ativa. 
pela autoridade competente. 
(E) O merecimento no posto ou graduação é um dos   
critérios para assegurar a precedência entre militares.  38  ‐  (EAOF  ‐2005)  –  Correlacione  as  1ª  Coluna  de 
36 ‐ (PS‐SMV‐OF/2018) O Estatuto dos Militares (lei n°  acordo com a 2ª Coluna. 
6.880, de 9 de dezembro de 1980) define cargo militar   (1) Hierarquia e Disciplina 
e  função  militar,  que  podem  ser  atribuídos  aos  (2) Círculos hierárquicos 
militares  em  serviço  ativo.  Considerando  as  (3) Função Militar 
disposições  dessa  lei  sobre  cargo  militar,  função  (4) Valor Militar 
militar  e  violação  das  obrigações  e  dos  deveres  (5) Ética Militar 
militares, assinale a opção correta. 
(   ) âmbitos de convivência entre os militares da 
(A) Função militar é um conjunto de atribuições,  mesma categoria 
deveres e responsabilidades cometidos a um militar  (   ) aprimoramento técnico‐profissional 
em serviço ativo.  (   ) proceder de maneira ilibada na vida pública e na 
(B) O militar em serviço ativo não pode ficar impedido  vida particular 
de exercer função militar.  (   ) base institucional das Forças Armadas 
(C) Toda militar em serviço ativo sempre ocupa, pelo  (   ) exercício da obrigações inerentes ao cargo militar 
menos, um cargo militar. 
(D) Considera‐se vago o cargo militar cujo ocupante   
tenha sido considerado prisioneiro. 
(E) Para o provimento de cargo militar não importa o  39  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  Com  base  nas  disposições 
grau hierárquico do futuro ocupante.  relativas  à  violação  das  obrigações  e  dos  deveres 
militares, constantes do Estatuto dos Militares (Lei n° 
  6.880, de 9 de dezembro de 1980), é correto afirmar 
que: 
37  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  À  luz  das  disposições  do 
Estatuto dos Militares (lei n° 6.880, de 9 de dezembro  (A) a violação das obrigações ou dos deveres militares 
de 1980), sobre a precedência entre militares da ativa  constitui  apenas  contravenção  ou  transgressão 
e inativos e correto afirmar que:  disciplinar,  conforme  dispuser  a  legislação  ou 
regulamentação específica. 
 

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(B)  a  aplicação  da  pena  disciplinar  de  prisão  está  Respostas:  
normatizada  nos  regulamentos  disciplinares  de  cada   
Forças Armada. 
1  B  11  B  21  B  31  C 
(C)  a  violação  dos  preceitos  da  ética  militar  será  tão  2  A  12  A  22  C  32  E 
mais  grave  quanta  menos  elevado  for  o  grau  3  E  13  A  23  D  33  B 
hierárquico  de quem a cometer.  4  D  14  B  24  E  34  A 
5  B  15  B  25  A  35  B 
(D)  o  militar  que,  por  sua  atuação,  se  tornar  6  B  16  E  26  B  36  D 
incompatível  com  o  cargo  ou  demonstrar  7  E  17  A  27  E  37  B 
incapacidade  no  exercício  de  funções  militares  a  ele  8  B  18  C  28  C  39  B 
9  C  19  D  29  E  40  E 
inerentes  será  punido  na  forma  da  lei,  sendo 
10  D  20  E  30  B     
assegurado no cargo caso possua estabilidade. 
 
(E) são permitidas manifestações coletivas sobre atos 
38  ‐ (2, 4, 5, 1, 3)  
de  superiores  e  de  caráter  reivindicatório,  desde  que 
não afetem a hierarquia e a disciplina.   

40  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  Os  valores  militares 


influenciam,  de  forma  consciente  ou  inconsciente,  o 
comportamento  e,  em  particular,  a  conduta  pessoal 
de  cada  integrante  das  Forças  Armadas.  De  acordo 
com o disposto no artigo n° 7 o Estatuto dos Militares 
(lei  n°  6.880,  de  9  de  dezembro  de  1980),  assinale  a 
opção que apresenta manifestação essencial do valor 
militar. 

(A) A probidade e a lealdade em todas as 
circunstâncias. 
(B) O rigoroso cumprimento das obrigações e das 
ordens. 
(C) A disciplina e o respeito à hierarquia. 
(D) O culto aos Símbolos Nacionais. 
(E) O culto das tradições históricas e o civismo. 

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RELAÇÕES HUMANAS E LIDERANÇA – EMA‐137  benefícios às organizações, como também contribuirá 
para o sucesso profissional individual de cada militar. 
ELEMENTOS CONCEITUAIS DE LIDERANÇA  Desta  forma,  o  contínuo  desenvolvimento  das 
 1.1  ‐  PROPÓSITO  Este  capítulo  aborda  conceitos,  qualidades  dos  militares  da  MB  como  líderes  deverá 
aspectos  fundamentais,  estilos,  fatores,  atributos  e  ser  objeto  de  atenta  e  permanente  atenção,  a  ser 
níveis  de  liderança,  para  prover  conhecimentos  trabalhada,  conjuntamente,  pela  instituição  e, 
básicos  que  definam  a  natureza  das  relações  prioritariamente, por cada militar.  
desejáveis entre líderes e liderados.  
1.3  ‐  ASPECTOS  FUNDAMENTAIS  DA  LIDERANÇA 
1.2 ‐ CHEFIA E LIDERANÇA   Neste  tópico  serão  abordados  aspectos  relacionados 
aos tipos de liderança. 
O  exercício  da  chefia,  comando  ou  direção,  é 
entendido pelo conjunto de ações e decisões tomadas  Existem diversas conceituações para liderança 
pelo  mais  antigo,  com  autoridade  para  tal,  na  sua  na  literatura  especializada.  A  Marinha  do  Brasil 
esfera  de  competência,  a  fim  de  conduzir  de  forma  define  liderança  como:  “o  processo  que  consiste  em 
integrada o setor que lhe é confiado.  influenciar  pessoas  no  sentido  de  que  ajam, 
voluntariamente,  em  prol  do  cumprimento  da 
No  desempenho  de  suas  funções,  os  mais  missão”.  Fica  evidenciado,  pela  definição,  que  a 
antigos,  normalmente,  desempenham  dois  papéis  liderança  inclui  não  só  a  capacidade  de  fazer  um 
funcionais, a saber: o de “chefe” e o de “condutor de  grupo  realizar  uma  tarefa  específica  mas,  sobretudo, 
homens”.  Em  relação  ao  primeiro  papel,  prevalece  a  executá‐la  de  forma  voluntária,  atendendo  ao  desejo 
autoridade  advinda  da  responsabilidade  atribuída  à  do líder como se fosse o seu próprio.  
função,  associada  com  aquela  decorrente  de  seu 
posto  ou  graduação,  à  qual  passaremos  a  definir,  Nessa  definição  de  liderança,  estão  implícitos 
genericamente,  como  chefia.  Com  respeito  ao  os  seus  agentes,  ou  seja,  o  líder  e  os  liderados,  as 
segundo  papel,  identifica‐se  um  estreito  relações  entre  eles  e  os  princípios  filosóficos, 
relacionamento  com  o  atributo  de  líder.  Neste  psicológicos  e  sociológicos  que  regem  o 
contexto, fica ressaltada a importância da capacidade  comportamento humano.  
individual  dos  mais  antigos  em  influenciarem  e 
1.3.1 ‐ Aspectos Filosóficos  
inspirarem os seus subordinados.  
A  Filosofia  tem  como  característica 
Caracterizados  esses  dois  atributos  do 
desenvolver o senso crítico, que fornece ao indivíduo 
comandante, o de chefe e o de líder, pode‐se afirmar 
bases metodológicas para efetuar, permanentemente, 
que comandar é exercer a chefia e a liderança, a fim 
o  exame  corrente  da  situação,  favorecendo  o 
de  conduzir  eficazmente  a  organização  no 
processo  de  tomada  de  decisões.  Tal  prática  é 
cumprimento  da  missão.  Sendo  o  exercício  do 
fundamental  ao  exercício  da  liderança,  podendo‐se 
comando  um  processo  abrangente,  a  divisão  ora 
verificar  que  o  requisito  pensamento  crítico  está 
apresentada será utilizada para efeito de uma melhor 
direta ou indiretamente associado a diversos atributos 
compreensão do tema em lide, pois chefia e liderança 
de liderança prescritos nesta Doutrina.  
não  são  processos  alternativos  e  sim,  simultâneos  e 
complementares.   A Axiologia, também conhecida como a teoria 
dos  valores,  é  considerada  a  parte  mais  nobre  da 
Os melhores resultados no tocante à liderança 
Filosofia.  O  processo  de  influenciação  de  um  grupo, 
ocorrem  quando  ela  é  desenvolvida,  não  sendo 
que  é  a  essência  da  liderança,  está  profundamente 
impositiva.  Neste  contexto,  a  liderança  deve  ser 
ligado  aos  valores  éticos  e  morais  que  devem  ser 
entendida como um processo dinâmico e progressivo 
transmitidos e praticados pelo líder.  
de  aprendizado,  o  qual,  desenvolvido  nos  cursos  de 
carreira e no dia a dia das OM, trará não só evidentes 

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A  prática  dos  fundamentos  filosóficos  da  necessidades,  valores  e  todos  os  outros  aspectos  do 
educação,  seja  ela  formal  ou  informal,  desenvolvida  campo  psicológico  do  indivíduo.”  (FRENCH;  RAVEN, 
por  grupos  sociais,  independente  de  suas  crenças  e  1969, apud NOBRE, 1998, p. 43)  
culturas,  constitui‐se  no  elemento  catalisador  dos 
valores universais.   Os  processos  grupais  e  a  liderança  são  os 
principais  objetos  de  estudo  da  Psicologia  Social  e  a 
O  ser  humano  precisa  receber  uma  educação  subjetividade humana, a personalidade e as mudanças 
adequada  para  ser  capaz  de  valorizar  um  objeto  (a  psicológicas oriundas de processos de influenciação e 
vida humana, a Pátria, a família). Sem essa educação,  de aprendizagem são focos de estudo e de análise da 
perde‐se  a  capacidade  de  perceber  esses  valores,  Psicologia.  O  caminho  para  a  liderança  passa  pelo 
especialmente  quando  se  trata  daqueles  universais,  conhecimento  profissional,  mas  também  pelo 
tais como: honra, dignidade e honestidade.  autoconhecimento  e  por  conhecer  bem  seus 
subordinados.  Para  os  dois  últimos  requisitos,  a 
A  característica  fundamental  da  Axiologia  Psicologia  pode  oferecer  ferramentas  úteis  para  o 
consiste  na  hierarquização  desses  valores,  que  são  líder.  Pesquisas  mostram  que  o  quociente  emocional 
transmitidos pela educação familiar, pela sociedade e  (QE)  ou  inteligência  emocional  está,  cada  vez  mais, 
pelo  grupo.  Essa  hierarquização  de  valores  varia  de  destacando‐se  como  o  principal  diferencial  de 
um  país  para  o  outro,  de  uma  sociedade  organizada  competência  no  trabalho.  Esta  conclusão  é 
para  outra,  de  um  grupo  social  para  outro.  Por  especialmente  pertinente,  em  se  tratando  do 
exemplo,  os  fundamentalistas  islâmicos,  que  se  desempenho em funções de liderança. A Psicologia é, 
sacrificam  em  atentados,  contrariando  o  instinto  de  portanto,  uma  ciência  que  fornece  firme 
preservação, valor primordial do ser humano.  embasamento teórico e prático para que o líder possa 
Valores  como  a  honra,  a  dignidade,  a  influenciar pessoas.  
honestidade, a lealdade e o amor à pátria, assim como  1.3.3 ‐ Aspectos Sociológicos  
todos  os  outros  considerados  vitais  pela  Marinha, 
devem  ser  praticados  e  transmitidos,  Os textos deste subitem foram retirados, com 
permanentemente,  pelo  líder  aos  seus  liderados.  A  adaptações,  do  Manual  de  Liderança,  editado  em 
tarefa  de  doutrinamento  visa  a  transmitir  a  sua  1996 (130‐ Bases Sociológicas).  
correta hierarquização, priorizando‐os em relação aos 
valores  materiais,  como  o  dinheiro,  o  poder  e  a  Sociólogos  concordam  que  a  perspectiva 
satisfação pessoal.   sociológica  envolve  um  processo  que  vai  permitir 
examinar  as  coletividades  além  das  fachadas  das 
Este  é  o  maior  desafio  a  ser  enfrentado  por  estruturas  sociais,  com  o  propósito  de  refletir,  com 
aquele que pretende exercer a liderança de um grupo.   profundidade,  sobre  a  dinâmica  de  forças  atuantes 
em dada coletividade.  
1.3.2 ‐ Aspectos Psicológicos  
A  liderança  envolve  líder,  liderados,  e 
“Em essência, a liderança envolve a realização  contexto  (ou  situação),  constituindo, 
de  objetivos  com  e  através  de  pessoas.  fundamentalmente,  uma  relação.  Para  muitos 
Consequentemente,  um  líder  precisa  preocupar‐se  teóricos,  a  liderança,  dadas  as  características 
com  tarefas  e  relações  humanas.”  (HERSEY;  singulares  que  envolve,  constitui‐se  em  um  processo 
BLANCHARD, 1982, p. 105).   ímpar  de  interação  social.  Partindo  desta  visão  da 
O  líder  influencia  outros  indivíduos,  provocando,  liderança,  é  evidente  o  quanto  a  Sociologia  tem  para 
basicamente, mudanças psicológicas   contribuir  em  termos  de  embasamento  teórico  no 
estudo e na construção do processo da liderança.  
e  
Os  militares,  em  geral,  em  função  da 
“[...]  num  nível  de  generalidade  que  inclui  mudanças  peculiaridade  de  suas  atividades  profissionais, 
em  comportamentos,  opiniões,  atitudes,  objetivos,  constituem  uma  subcultura  dentro  da  sociedade 
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brasileira.  Focalizando  mais  de  perto  ainda,  pode‐se  A  competição  pode  ser  pessoal  –  entre  um 
afirmar  que  a  Marinha,  dentro  das  Forças  Armadas,  número  limitado  de  concorrentes  que  se  conhecem 
face  a  suas  atribuições  muito  próprias,  constitui‐se,  entre si – ou impessoal – quando o número de rivais é 
igualmente,  em  uma  subcultura.  A  liderança,  por  tal,  que  se  torna  impossível  o  conhecimento  entre 
definição, pressupõe a atuação do líder sobre grupos  eles,  como  ocorre,  por  exemplo,  nos  exames 
humanos;  os  membros  destes  grupos  são,  em  geral,  vestibulares ou em concursos públicos. 
oriundos  de  diferentes  subculturas.  Estes  indivíduos, 
ao  ingressarem  na  Marinha,  passarão  a  integrar‐se  a  Atualmente,  os  especialistas  concordam  que 
esta nova subcultura, após um período de adaptação.  ambos  os  processos  –  cooperação  e  competição  – 
No âmbito da Marinha, pode‐se distinguir subculturas  coexistem  e,  até  mesmo,  sobrepõem‐se  na  maioria 
correspondentes aos diferentes Corpos e Quadros, em  das sociedades. O que varia, em função de diferenças 
função da missão atribuída a cada um deles. Cultura e  culturais,  é  a  intensidade  com  que  cada  um  é 
subcultura  são,  portanto,  temas  de  estudo  da  experimentado.  
Sociologia de interesse para a liderança.   Sob  o  ponto  de  vista  psicológico,  é  relevante 
Outro  tópico  de  Sociologia  avaliado  como  considerar  que,  se  a  competição  tem  o  mérito  inicial 
relevante  é  o  dos  processos  sociais,  estes  definidos  de estimular a atividade dos indivíduos e dos grupos, 
como  a  interação  repetitiva  de  padrões  de  aumentando‐lhes  a  produtividade,  tem  o  grave 
comportamento  comumente  encontrados  na  vida  inconveniente  de  desencorajar  os  esforços  daqueles 
social.  Os  processos  sociais  de  maior  incidência  nas  que  se  habituaram  a  fracassar.  Vencedor  há  um  só; 
sociedades  e  grupos  humanos  são:  cooperação,  todos os demais são perdedores. Outro inconveniente 
competição e conflito. O líder, cuja matéria‐prima é o  sério,  decorrente  do  estímulo  à  competição,  consiste 
grupo  liderado,  necessita  identificar  a  existência  de  na  forte  possibilidade  de  desenvolvimento  de 
tais processos, estimulando‐os ou não, em função das  hostilidades  e  desavenças  no  interior  do  grupo, 
especificidades da situação corrente e da natureza da  contribuindo  para  sua  desagregação.  A  instabilidade 
missão a ser levada a termo.   inerente  ao  processo  competitivo  faz  com  que  este, 
com  bastante  frequência,  se  transforme  em  conflito. 
Cooperação,  etimologicamente,  significa  Na  liderança,  a  competição  tem  sempre  que  ser 
trabalhar  em  conjunto.  Implica  uma  opção  pelo  saudável e estimulante.  
coletivo  em  detrimento  do  individual,  mas  nada 
impede  o  desenvolvimento  e  o  estímulo  das  Conflito é a exacerbação da competição. Uma 
habilidades de cada membro, em prol de um objetivo  definição  mais  específica  afirma  que  tal  processo 
comum. Sob muitos aspectos, e de um ponto de vista  consiste  em  obter  recompensas  pela  eliminação  ou 
humanista,  é  a  forma  ideal  de  atuação  de  grupos.  enfraquecimento  dos  competidores.  Ou  seja,  o 
Ocorre  que  nem  sempre  é  possível,  dentro  de  um  conflito  é  uma  forma  de  competição  que  pode 
grupo,  manter,  exclusivamente,  o  processo  caminhar  para  a  instalação  de  violência  e,  que  se  vai 
cooperativo.  Em  função  do  contexto,  das  intensificando,  à  medida  que  aumenta  a  duração  do 
circunstâncias da própria tarefa a realizar, da natureza  processo, já que este tem caráter cumulativo – a cada 
do  grupo,  ou  das  características  do  líder,  outros  ato  hostil  surge  uma  represália  cada  vez  mais 
processos se desenvolvem.   agressiva.  

Competição é definida como a luta pela posse  O  processo  social  de  conflito  inclui  aspectos 


de  recompensas  cuja  oferta  é  limitada.  Tais  positivos e negativos. Por um lado, o conflito tende a 
recompensas incluem dinheiro, poder, status, amor e  destruir  a  unidade  social  e,  da  mesma  forma, 
muitos  outros.  Outra  forma  de  descrever  o  processo  desagregar  grupos  menores,  pelo  aumento  de 
competitivo o mostra como a tentativa de obter uma  ressentimento,  pelo  desvio  dos  objetivos  mais 
recompensa superando todos os rivais.   elevados do grupo, pela destruição dos canais normais 
de  cooperação,  pela  intensificação  de  tensões 
internas, podendo chegar à violência. Por outro lado, 

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doses  regulares  de  conflito  de  posições,  podem  ter  grandes  eixos:  grau  de  centralização  de  poder;  tipo 
efeito integrador dentro do grupo, na medida em que  de  incentivo;  e  foco  do  líder.  Pode‐se  afirmar, 
obrigam  os  grupos  a  se  autocriticarem,  a  reverem  genericamente, que os diferentes estilos de liderança, 
posições, a forçarem a formulação de novas políticas e  propostos  à  luz  das  diversas  teorias,  se  enquadram 
práticas, e, em consequência, a uma revitalização dos  em  três  principais  critérios  de  classificação, 
valores autênticos próprios daquele grupo.  apresentados como eixos lógicos em que se agrupam 
apenas sete estilos principais:  
 Uma  vez  instalado  e  manifesto  o  conflito  no 
seio de um grupo, seu respectivo líder terá de buscar  a) quanto ao grau de centralização de poder: 
soluções  e  alternativas  para  manter  o  controle  da  Liderança Autocrática, Liderança Participativa e 
situação. Não é fácil ou agradável para os líderes atuar  Liderança Delegativa;  
em situações de conflito, o que não justifica sua pura  b) quanto ao tipo de incentivo: Liderança 
e  simples  negação.  É  indispensável  que  o  líder  seja  Transformacional e Liderança Transacional; e  
capaz de diagnosticar as situações de conflito, mesmo  c) quanto ao foco do líder: Liderança Orientada para 
quando ainda latentes, de modo a buscar estratégias  Tarefa e Liderança Orientada para Relacionamento. 
adequadas para gerenciá‐las construtivamente.  Os subitens a seguir descrevem os sete principais 
estilos de liderança propostos pelas diversas teorias. 
1.4 ‐ ESTILOS DE LIDERANÇA 
1.4.1 ‐ Liderança Autocrática  
Nos primórdios do século XX, prevaleceram as 
pesquisas sobre liderança, entendida como qualidade  A  liderança  autocrática  é  baseada  na 
inerente  a  certas  pessoas  ou  traço  pessoal  inato.  A  autoridade formal, aceita como correta e legítima pela 
partir dos anos 30, evoluiu‐se para uma concepção de  estrutura do grupo.  
liderança  como  conjunto  de  comportamentos  e  de 
habilidades que podem ser ensinadas às pessoas que,  O líder autocrático baseia a sua atuação numa 
desta  forma,  teriam  a  possibilidade  de  se  tornarem  disciplina  rígida,  impondo  obediência  e  mantendo‐se 
líderes eficazes.  afastado  de  relacionamentos  menos  formais  com  os 
seus  subordinados,  controla  o  grupo  por  meio  de 
Progressivamente,  os  pesquisadores  inspeções  de  verificação  do  cumprimento  de  normas 
abandonaram  a  busca  de  uma  essência  da  liderança,  e  padrões  de  eficiência,  exercendo  pressão  contínua. 
percebendo  toda  a  complexidade  envolvida  e  Esse  tipo  de  liderança  pode  ser  útil  e,  até  mesmo, 
evoluindo  para  análises  bem  mais  sofisticadas,  que  recomendável,  em  situações  especiais  como  em 
incluíam  diversas  variáveis  situacionais.  Nesse  combate,  quando  o  líder  tem  que  tomar  decisões 
contexto,  observa‐se  a  proliferação  de  publicações  rápidas e não é possível ouvir seus liderados, sendo a 
sobre  liderança,  incluindo  trabalhos  científicos  e  forma  de  liderança  mais  conhecida  e  de  mais  fácil 
literatura  sensacionalista  e  de  autoajuda.  Diferentes  adoção. 
autores  propõem  uma  infinidade  de  estilos  de 
liderança que se sobrepõem. Alguns fundamentam‐se   A principal restrição a esse tipo de liderança é 
em  estudos  e  pesquisas  e  outros  são  meramente  o  desinteresse  pelos  problemas  e  idéias,  tolhendo  a 
empíricos e intuitivos. Há também muitos modismos,  iniciativa  e,  por  conseguinte,  a  participação  e  a 
alguns  consistindo,  apenas,  em  atribuição  de  novos  criatividade  dos  subordinados.  O  uso  desse  estilo  de 
nomes  e  roupagens  a  antigos  conceitos,  sendo  liderança  pode  gerar  resistência  passiva  dentro  da 
reapresentados  como  se  fossem  avanços  na  área  de  equipe  e  inibir  a  iniciativa  do  subordinado,  além  de 
liderança.   não  considerar  os  aspectos  humanos,  dentre  eles,  o 
relacionamento líder‐liderados.  
Para  simplificar  a  apresentação  e  o  emprego 
de  uma  gama  de  estilos  de  liderança  consagrados  e  1.4.2 ‐ Liderança Participativa ou Democrática 
relevantes  para  o  contexto  militar‐naval,  foram  Nesse  estilo  de  liderança,  abre‐se  mão  de 
considerados  alguns  estilos  selecionados  em  três  parte da autoridade formal em prol de uma esperada 

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participação  dos  subordinados  e  aproveitamento  de  1.4.4 ‐ Liderança Transformacional 
suas  idéias.  Os  componentes  do  grupo  são 
incentivados  a  opinarem  sobre  as  formas  como  uma  Esse  estilo  de  liderança  é  especialmente 
tarefa poderá ser realizada, cabendo a decisão final ao  indicado  para situações de pressão, crise e mudança, 
líder (exemplo típico é o Estado‐Maior). O êxito desse  que  requerem  elevados  níveis  de  envolvimento  e 
estilo  é  condicionado  pelas  características  pessoais,  comprometimento dos subordinados, sendo que 
pelo  conhecimento  técnico‐profissional  e  pelo   “uma  ou  mais  pessoas  engajam‐se  com 
engajamento e motivação dos componentes do grupo  outras  de  tal  forma  que  líderes  e  seguidores  elevam 
como  um  todo.  Em  se  obtendo  sucesso,  a  satisfação  um ao outro a níveis mais altos de motivação e moral” 
pessoal e o sentimento de contribuição por parte dos  (BURNS, 1978, apud SMITH; PETERSON, 1994, p. 129) 
subordinados  são  fatores  que  permitem  uma 
realimentação  positiva  do  processo.  Na  ausência  do  Quatro  aspectos  caracterizam  a  liderança 
líder,  uma  boa  equipe  terá  condições  de  continuar  transformacional:  1º)  “[...]  carisma  (influência 
agindo  de  acordo  com  o  planejamento  previamente  idealizada)  associado  com  um  grau  elevado  de  poder 
estabelecido para cumprir a missão.   de referência por parte do líder [...]” (NOBRE, 1998, p. 
54),  que  é  capaz  de  despertar  respeito,  confiança  e 
O  líder  deve  estabelecer  um  ambiente  de  admiração; 2º) inspiração motivadora, que consiste na 
respeito,  confiança  e  entendimento  recíprocos,  capacidade de apresentar uma visão, dando sentido à 
devendo  possuir,  para  tanto,  ascendência  técnico‐ missão  a  ser  realizada,  de  instilar  orgulho.  Inclui 
profissional  sobre  seus  subordinados  e  conduta  ética  também  a  capacidade  de  simplificar  o  entendimento 
e moral compatíveis com o cargo que exerce. Um líder  sobre a importância dos objetivos a serem atingidos e, 
que  adota  o  estilo  democrático  encoraja  a  a  “[...]  possibilidade  de  criar  símbolos,  “slogans”  ou 
participação  e  delega  com  sabedoria,  mas  nunca  imagens que sintetizam e comunicam metas e ideais, 
perde de vista sua autoridade e responsabilidade.  concentrando assim os esforços [...]” (NOBRE, 1998, p. 
Um  chefe  inseguro  dificilmente  conseguirá  54);  3º)  estimulação  intelectual,  consiste  “[...]  em 
exercer  uma  liderança  democrática,  mas  tenderá  a  encorajar os subordinados a questionarem sua forma 
submeter  ao  grupo  todas  as  decisões.  Isso  poderá  usual  de  fazer  as  coisas,  [...]  além  de  incentivar  a 
fazer  com  que  o  chefe  acabe  sendo  conduzido  pelo  criatividade,  o  auto‐desenvolvimento  e  a  autonomia 
próprio grupo.  de pensamento” (NOBRE, 1998, p. 54‐55), propiciando 
a  formulação  de  críticas  construtivas,  em  busca  da 
1.4.3 ‐ Liderança Delegativa  melhoria  contínua;  4º)  “consideração  individualizada, 
implica  em  considerar  as  necessidades  diferenciadas 
Esse  estilo  é  indicado  para  assuntos  de  dos  subordinados,  dedicando  atenção  pessoal, 
natureza  técnica,  onde  o  líder  atribui  a  assessores  a  orientando  tecnicamente  e  aconselhando 
tomada  de  decisões  especializadas,  deixando‐os  agir  individualmente”  (CAVALCANTI  et  al.,  2005)  e  “[...] 
por  si  só.  Desse  modo,  ele  tem  mais  tempo  para  dar  oferecendo  também  meios  efetivos  de 
atenção  a  todos  os  problemas  sem  se  deter  desenvolvimento e auto‐superação.” (NOBRE, 1998, p. 
especificamente  a  uma  determinada  área.  É  eficaz  55).  Segundo  o  enfoque  da  liderança 
quando  exercido  sobre  pessoas  altamente  transformacional,  ao  encontrarem  significado  e 
qualificadas  e  motivadas.  O  ponto  crucial  do  sucesso  perspectivas  de  realização  pessoal  no  trabalho,  os 
deste  tipo  de  liderança  é  saber  delegar  atribuições  subordinados  alcançam  os  mais  elevados  níveis  de 
sem perder o controle da situação e, por essa razão, o  produtividade  e  criatividade,  fazendo  desaparecer  a 
líder,  também,  deverá  ser  altamente  qualificado  e  dicotomia  trabalho  e  prazer.  (BARRETT,  2000,  apud 
motivado.  O  controle  das  atividades  dos  elementos  CAVALCANTI et al., 2005).  
subordinados  é  pequeno,  competindo  ao  chefe  as 
tarefas  de  orientar  e  motivar  o  grupo  para  atingir  as  1.4.5 ‐ Liderança Transacional 
metas estabelecidas. 

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Nesse estilo de liderança, o líder trabalha com  da  tarefa  ou  decisão;  importância  da  aceitação  da 
interesses  e  necessidades  primárias  dos  seguidores,  decisão  pelos  subordinados  para  obtenção  de  seu 
oferecendo  recompensas  de  natureza  econômica  ou  envolvimento  na  implantação  de  determinada  linha 
psicológica,  em  troca  de  esforço  para  alcançar  os  de ação; tempo disponível para realização da missão; 
resultados organizacionais desejados (CAVALCANTI et  riscos  envolvidos;  níveis  de  prioridade  no  que  diz 
al.,  2005).  A  liderança  transacional  envolve  os  respeito  à  produtividade  ou  à  satisfação  do  grupo;  e 
seguintes fatores:   nível  de  maturidade  psicológica  e  profissional  dos 
subordinados.  Destacando‐se  apenas  esta  última 
“A  recompensa  é  contingente,  buscando‐se  variável  como  exemplo,  pode‐se  afirmar, 
uma  sintonia  entre  o  atendimento  das  necessidades  genericamente, que a identificação de um baixo nível 
dos  subordinados  e  o  alcance  dos  objetivos  de maturidade (profissional e/ou emocional) no grupo 
organizacionais; Esse estilo de liderança caracteriza‐se  de  subordinados  induz  à  aplicação  de  estilos  com 
também pela administração por exceção, que implica  maior  centralização  de  poder,  mais  foco  na  tarefa  e 
num  gerenciamento  atuante  somente  no  sentido  de  que  incentivos  no  nível  transacional  (licença,  rancho, 
corrigir erros [...].” (NOBRE, 1998, p. 55)   conforto etc) tendem a ter mais valência para o grupo. 
Neste estilo de liderança, o líder “[...] observa  Por  outro  lado,  grupos  mais  maduros,  em  geral, 
e procura desvios das regras e padrões, toma medidas  respondem melhor a estilos menos centralizadores de 
corretivas.” (CAVALCANTI et al., 2005, p. 120).  poder e a incentivos no nível da autorrealização, como 
ocorre no estilo transformacional. Naturalmente, não 
1.4.6 ‐ Liderança Orientada para Tarefa  apenas  uma,  mas  todas  as  variáveis  relevantes  de 
cada situação devem ser consideradas pelo líder.  
A  especialização  em  tarefas  é  uma  das 
principais  responsabilidades  do  líder,  na  medida  em  Portanto,  diferentes  estilos  de  liderança 
que possui a necessária qualificação profissional para  podem  ser  adotados,  de  acordo  com  as 
o  exercício  da  função.  Nesse  estilo  de  liderança,  circunstâncias. Pode‐se considerar que:  
então,  o  líder  focaliza  o  desempenho  de  tarefas  e  a 
realização  de  objetivos,  transmitindo  orientações  “[...] quando se abandona a idéia de que deve 
específicas, definindo maneiras de realizar o trabalho,  existir  uma  melhor  forma  de  liderar,  todas  as  teorias 
o  que  espera  de  cada  um  e  quais  são  os  padrões  subsequentes  de  liderança  devem  ser  contingenciais 
organizacionais.   ou situacionais, isto é, devem definir as circunstâncias 
que  afetam  o  comportamento  e  a  eficácia  dos 
1.4.7 ‐ Liderança Orientada para Relacionamento  líderes.” (SMITH; PETERSON, 1994, p. 173) 

Nesse  estilo  de  liderança,  o  foco  do  líder  é  a  À luz da abordagem situacional, que prevalece 


manutenção e fortalecimento das relações pessoais e  na  atualidade,  na  qual  a  liderança  pode  assumir 
do  próprio  grupo.  O  líder  demonstra  sensibilidade  às  diversos  estilos,  os  principais  requisitos  de  liderança 
necessidades pessoais dos liderados, concentra‐se nas  passam a ser a capacidade de diagnosticar as variáveis 
relações interpessoais, no clima e no moral do grupo.  situacionais,  a  flexibilidade  e  a  adaptabilidade  às 
Esse  estilo  de  liderança,  que  está  significativamente  mudanças.  Os  melhores  líderes  utilizam  estilos 
associado  às  medidas  de  satisfação  dos  liderados  em  diferentes, em distintas situações. Assim, é necessário 
relação  ao  trabalho  e  ao  chefe,  pode  ser  útil  em  um esforço pessoal do líder no sentido de se adaptar, 
situações  de  tensão,  frustração,  insatisfação  e  continuamente,  às  mudanças  de  estilo  adequadas  a 
desmotivação do grupo.   cada contexto. 

1.5 ‐ SELEÇÃO DE ESTILOS DE LIDERANÇA  1.6 ‐ FATORES DA LIDERANÇA  

Ao  proporem  diferentes  estilos  de  liderança,  Os  fatores  da  liderança,  mencionados  neste 
os  autores  condicionam  a  eficácia  do  seu  emprego  a  item,  baseiam‐se  na  publicação  Liderança  Militar, 
algumas variáveis, tais como: relevância da qualidade 

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Instruções  Provisórias  IP  20‐10,  de  1991,  do  Estado‐ 1.6.4 ‐ A Comunicação 
Maior do Exército.  
“A  comunicação  é  um  processo  essencial  à 
1.6.1 ‐ O Líder   liderança,  que  consiste  na  troca  de  ordens, 
informações  e  ideias,  só  ocorrendo  quando  a 
O líder deve conhecer a si mesmo, para saber  mensagem é recebida e compreendida. [...] É através 
de  suas  capacidades,  características  e  limitações,  desse  processo  que  o  líder  coordena,  supervisiona, 
evitando  atribuir  aos  seus  liderados  falhas  ou  avalia,  ensina,  treina  e  aconselha  seus 
restrições.   subordinados.[...]  O  que  é  comunicado  e  a  forma 
“Os  bons  líderes  eficientes  são  também  bons  como  isto  é  feito  aumentam  ou  diminuem  o  vínculo 
seguidores  [...]”  (BRASIL,  1991,  p.  3‐3)  e  cumpridores  das  relações  pessoais,  criam  o  respeito,  a  confiança 
das  orientações  de  seus  superiores,  passando  esse  mútua  e  a  compreensão.  Os  laços  que  se  formam, 
exemplo a seus subordinados.   com o passar do tempo, entre o líder e seus liderados, 
são  a  base  da  disciplina  e  da  coesão  em  uma 
“O líder, independentemente de sua vontade,  organização.  O  líder  deve  ser  claro  e  “escolher” 
atua como elemento modificador do comportamento  cuidadosamente  as  palavras,  de  tal  forma  que 
de  seus  liderados  subordinados.  [...]  A  função  militar  signifiquem  a  mesma  coisa  para  ele  e  para  seus 
está  relacionada  com  a  segurança  e  a  subordinados.” (BRASIL, 1991, p. 3‐4). 
responsabilidade  pela  vida  de  seres  humanos.” 
(BRASIL, 1991, p. 3‐3, 3‐4)  1.7 ‐ ATRIBUTOS DE UM LÍDER 

Provavelmente,  poucos  profissionais  são  A  natureza  e  as  especificidades  da  profissão 


forçados  a  assumir  tarefa  tão  grave  ao  liderar  militar,  a  destinação  constitucional  das  Forças 
subordinados. (BRASIL, 1991).  Armadas e a cultura organizacional da Forças Armadas 
como  um  todo  e,  da  Marinha,  mais  especificamente, 
1.6.2 ‐ Os Liderados  fazem  com  que  certos  traços  de  personalidade 
tornem‐se  desejáveis  e  tendam  a  encontrar‐se 
“O  conhecimento  dos  liderados  é  fator 
especialmente  acentuados  nos  líderes  militares. 
essencial  para  o  exercício  da  liderança  e  depende  do 
Embora não existam fórmulas de liderança, a História, 
entendimento  claro  da  natureza  humana,  das  suas 
a  experiência  e  também  a  pesquisa  psicossocial  têm 
necessidades, emoções e motivações.” (BRASIL, 1991, 
demonstrado  que  é  importante  que  os  chefes 
p. 3‐4) 
procurem  desenvolver  esses  traços  em  si  e  nos  seus 
 Isto  é,  ainda,  crucial  para  o  salutar  exercício  subordinados,  porque  em  momentos  críticos  ou  nas 
de Delegação de Autoridade.  situações  difíceis  eles  podem  contribuir  para  um 
exercício mais eficaz da liderança no contexto militar.  
1.6.3 ‐ A Situação 
Os  atributos  de  um  líder  têm  como 
“Não  existem  normas  nem  fórmulas  que  componente comum a capacidade de influenciar.  
mostrem  com  exatidão  o  que  deve  ser  feito.  O  líder 
precisa  compreender  a  dinâmica  do  processo  de  Um  bom  líder  deve  perseguir,  manter, 
liderança,  os  fatores  principais  que  a  compõem,  as  desenvolver  e  cultivar  essa  capacidade  e,  sobretudo, 
características  de  seus  liderados  e  aplicar  estes  transmiti‐la  aos  seus  subordinados,  formando  assim, 
conhecimentos  como  guia  para  cada  situação  em  novos líderes que, por sua vez, devem agir da mesma 
particular.” (BRASIL, 1991, p. 3‐ 5)  forma, na tentativa de alcançar um círculo virtuoso. 

Fica, assim, bem clara a necessidade exaustiva  O  Anexo  A  define  os  principais  atributos  de 


da  prática  da  liderança,  para  o  sucesso  do  líder,  um  líder,  que  devem  estar  em  consonância  com  os 
levando sempre em conta a cultura e/ou a subcultura  preceitos  da  Ética  Militar,  segundo  os  fundamentos 
organizacional da instituição.  estabelecidos  no  Estatuto  dos  Militares.  Nunca  é 
demais ressaltar que a Ética é parâmetro fundamental 
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para o exercício da liderança, notadamente no âmbito  eficazes,  os  líderes  diretos  devem  possuir  muitas 
militar.  habilidades  interpessoais,  conceituais,  técnicas  e 
táticas.  
1.8 ‐ NÍVEIS DE LIDERANÇA 
Os  líderes  diretos  aplicam  os  atributos 
Com  a  evolução  das  técnicas  de  gestão  conceituais  de  pensamento  crítico‐lógico  e 
empresarial,  o  foco  do  estudo  sobre  o  pensamento  criativo  para  determinar  a  melhor 
comportamento  dos  dirigentes  passou  a  ser  voltado  maneira de cumprir a missão. Como todo líder, usam 
para as diferenças entre o líder de base e o de cúpula.  a  Ética  para  pautar  suas  condutas  e  adquirir  certeza 
Foi  então  idealizado  um  padrão  de  organização  de  que  suas  escolhas  são  as  melhores  e  contribuem 
baseado em três níveis funcionais: operacional, tático  para  o  aperfeiçoamento  da  performance  do  grupo, 
e  estratégico,  discriminando  as  características  dos subordinados e deles próprios. Eles empregam os 
desejáveis  para  um  líder  nos  três  níveis,  de  acordo  atributos  interpessoais  de  comunicação  e  supervisão 
com suas habilidades.   para  realizar  o  seu  trabalho.  Desenvolvem  seus 
Em  consonância  com  esses  novos  conceitos,  liderados  por  instruções  e  aconselhamento  e  os 
foram  estabelecidos  três  níveis  de  liderança:  direta,  moldam  em  equipes  coesas,  treinando‐os  até  a 
organizacional e estratégica. Estes três níveis definem  obtenção de um padrão. 
com  precisão  toda  a  abrangência  da  liderança  e  será  São  especialistas  técnicos  e  os  melhores 
adotado ao longo desta Doutrina.  mentores.  Tanto  seus  chefes  quanto  seus 
A  liderança  direta  é  obtida  por  meio  do  subordinados  esperam  que  eles  conheçam  bem  sua 
relacionamento  face  a  face  entre  o  líder  e  seus  equipe,  os  equipamentos  e  que  sejam  “expert”  na 
liderados  e  é  mais  presente  nos  escalões  inferiores,  área em que atuam. 
quando  o  contato  pessoal  é  constante.  A  liderança  Usam  a  competência  para  incrementar  a 
direta,  conquanto  seja  mais  intensa  no  comando  de  disciplina  entre  os  seus  comandados.  Usam  o 
pequenas  frações  ou  unidades,  tendo  em  vista  que  a  conhecimento  dos  equipamentos  e  da  doutrina  para 
estrutura  organizacional  da  Força  exige  o  trato  com  treinar  homens  e  levá‐los  a  alcançar  padrões 
assessores e subordinados diretos.  elevados, bem como criam e sustentam equipes com 
A  liderança  organizacional  desenvolve‐se  em  habilidade, certeza e confiança no sucesso na paz e na 
organizações  de  maior  envergadura,  normalmente  guerra. 
estruturadas  como  Estado‐Maior,  sendo  composta  Exercem  influência  continuamente,  buscando 
por  liderança  direta,  conduzida  em  menor  escala  e  cumprir  a  missão,  tendo  por  base  os  propósitos  e 
voltada  para  os  subordinados  imediatos,  e  por  orientações  emanadas  das  decisões  e  do  conceito  da 
delegação de tarefas.  operação do chefe, adquirindo e aferindo resultados e 
A  liderança  estratégica  militar  é  aquela  motivando  seus  subordinados,  principalmente  pelo 
exercida  nos  níveis  que  definem  a  política  e  a  exemplo  pessoal.  Devido  a  sua  liderança  ser  face  a 
estratégia  da  Força.  É  um  processo  empregado  para  face,  veem  os  resultados  de  suas  ações  quase 
conduzir  a  realização  de  uma  visão  de  futuro  imediatamente. 
desejável e bem delineada.  Trabalham  focando  as  atividades  de  seus 
1.8.1 ‐ Liderança Direta  subordinados  em  direção  aos  objetivos  da 
organização,  bem  como  planejam,  preparam, 
Essa  é  a  primeira  linha  de  liderança  e  ocorre  executam e controlam os resultados. 
em  organizações  onde  os  subordinados  estão 
acostumados  a  ver  seus  chefes  frequentemente:  Se  aperfeiçoam  ao  assumirem  os  valores  da 
seções,  divisões,  departamentos,  navios,  batalhões,  instituição e ao estabelecerem um modelo de conduta 
companhias, pelotões e esquadras de tiro. Para serem  para  seus  subordinados,  colocando  os  interesses  da 
instituição  e  do  Grupo  que  lideram  acima  dos 
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próprios. Com isto, eles desenvolvem equipes fortes e  Desde  que  a  incerteza  quanto  às  possíveis 
coesas em um ambiente de aprendizagem saudável e  ameaças  não  permita  uma  visualização  clara  do 
efetiva.  futuro,  a  visão  dos  líderes  estratégicos  é 
especialmente  crucial  na  identificação  do  que  é 
Os  líderes  diretos  devem,  ainda,  estimular  ao  importante com relação ao pessoal, material, logística 
máximo  o  desenvolvimento  de  líderes  subordinados,  e  tecnologia,  a  fim  de  subsidiar  decisões  críticas  que 
de forma a potencializar a sua influência até os níveis  irão  determinar  a  estrutura  e  a  capacidade  futura  da 
organizacionais  mais  baixos  e  obter  melhores  organização. 
resultados. 
Dentro  da  instituição,  os  líderes  estratégicos 
1.8.2 ‐ Liderança Organizacional  constroem  o  suporte  para  facilitar  a  busca  dos 
Ao  contrário  do  que  acontece  no  nível  de  objetivos finais de sua visão. Isto significa montar um 
liderança direta, onde os líderes planejam, preparam,  staff  que  possa  assessorá‐los  convenientemente  a 
executam e controlam diretamente os resultados dos  conduzir  seus  subordinados  de  maneira  segura  e 
seus trabalhos, a influência dos líderes organizacionais  flexível.  Para  obter  o  suporte  necessário,  os  líderes 
é basicamente indireta: eles expedem suas políticas e  estratégicos  procuram  obter  o  consenso  não  só  no 
diretivas e incentivam seus liderados por meio de seu  âmbito  interno  da  organização,  como  também 
staff e comandantes subordinados. Devido ao fato de  trabalhando junto a outros órgãos e instituições a que 
não  haver  proximidade,  os  resultados  de  suas  ações  tenham  acesso,  em  questões  como  orçamento, 
são  frequentemente  menos  visíveis  e  mais  estrutura  da  Força  e  outras  de  interesse,  bem  como 
demorados. No entanto, a presença desses líderes em  estabelecendo  contatos  com  representações  de 
momentos e lugares críticos aumenta a confiança e a  outros  países  e  Forças  em  assuntos  de  interesse 
performance  dos  seus  liderados.  Independente  do  mútuo. 
tipo  de  organização  que  eles  chefiem,  líderes  A  maneira  como  eles  comunicam  as  suas 
organizacionais  conduzem  operações  pela  força  do  políticas e diretivas aos militares e civis subordinados 
exemplo,  estimulando  os  subordinados  e  e  apresentam  aquelas  de  interesse  aos  demais 
supervisionando‐os  apropriadamente.  Sempre  que  cidadãos  vai  determinar  o  nível  de  compreensão 
possível,  o  líder  organizacional  deve  mostrar  sua  alcançado  e  o  possível  apoio  para  as  novas  idéias. 
presença  física  junto  aos  escalões  subordinados,  seja  Para se fazer entender por essas diversas audiências, 
por intermédio de visitas e mostras, seja por meio de  os  líderes  estratégicos  empregam  múltiplas  mídias, 
reuniões  funcionais  com  os  comandantes  ajustando  a  mensagem  ao  público  alvo,  sempre 
subordinados.  reforçando os temas de real interesse da instituição. 
1.8.3 ‐ Liderança Estratégica  Os  líderes  estratégicos  estão  decidindo  hoje 
Líderes estratégicos exercem sua liderança no  como  transformar  a  Força  para  o  futuro.  Eles  devem 
âmbito  dos  níveis  mais  elevados  da  instituição.  Sua  trabalhar  para  criar  e  desenvolver  a  próxima  geração 
influência  é  ainda  mais  indireta  e  distante  do  que  a  de  líderes  estratégicos,  montar  a  estrutura  para  o 
dos  líderes  organizacionais.  Desse  modo,  eles  devem  futuro e pesquisar os novos sistemas que contribuirão 
desenvolver  atributos  adicionais  de  forma  a  eliminar  na obtenção do sucesso. 
ou reduzir esses inconvenientes.  Para capitanear as mudanças pessoalmente e 
Os líderes estratégicos trabalham para deixar,  levar  a  instituição  em  direção  à  realização  do  seu 
hoje, a instituição pronta para o amanhã, ou seja, para  projeto  de  futuro,  esses  líderes  transformam 
enfrentar  os  desafios  do  futuro,  oscilando  entre  a  programas  conceituais  e  políticos  em  iniciativas 
consciência das necessidades nacionais correntes e na  práticas  e  concretas.  Este  processo  envolve  uma 
missão e objetivos de longo prazo.  progressiva  alavancagem  tecnológica  e  uma 
modelagem  cultural.  Conhecendo  a  si  mesmos  e  aos 
demais  “atores”  estratégicos,  tendo  um  nítido 

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domínio  dos  requisitos  operacionais,  da  situação 
geopolítica  e  da  sociedade,  os  líderes  estratégicos 
conduzem adequadamente a Força e contribuem para 
o desenvolvimento e a segurança da Nação. Tendo em 
vista  que  os  conflitos  nos  dias  de  hoje  podem  ser 
desencadeados  muito  rapidamente,  não  permitindo 
um  longo  período  de  mobilização  para  a  guerra  – 
como  se  fazia  no  passado  –,  o  sucesso  de  um  líder 
estratégico significa deixar a Força pronta para vencer 
uma variedade de conflitos no presente e permanecer 
pronta para enfrentar as incertezas do futuro. 

Em  resumo,  esses  líderes  preparam  a 


instituição  para  o  futuro  por  meio  de  sua  liderança. 
Isto  significa  influenciar  pessoas  –  integrantes  da 
própria  organização,  membros  de  outros  setores  do 
governo,  elites  políticas  –  por  meio  de  propósitos 
significativos, direções claras e motivação consistente. 
Significa,  também,  acompanhar  o  desenrolar  das 
missões  atuais,  sejam  quais  forem,  e  buscar 
aperfeiçoar  a  instituição  –  tendo  a  certeza  que  o 
pessoal está adestrado e de que seus equipamentos e 
estrutura estão prontos para os futuros desafios. 

   

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EXERCÍCIOS:  5  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  De  acordo  com  o  EMA‐137  ‐ 
Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  quais  são  os 
1  ‐    (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  o  EMA‐137  aspectos fundamentais da liderança? 
(Doutrina  de  Liderança  da  Marinha),  o  conjunto  de 
ações  e  decisões  tomadas  pelo  mais  antigo,  com  (A) Filosófico, psicológico e sociológico. 
autoridade  para  tal,  na  sua  esfera  de  competência,  a  (B) Profissional, social e teórico. 
fim de conduzir de forma integrada o setor que lhe é  (C) Individual, filosófico e psicológico. 
confiado, é exercício:  (D) Psicológico, sociológico e profissional. 
(E) Filosófico, profissional e sociológico. 
(A) do subordinado. 
(B) da Chefia.  6  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Quais  são  os 
(C) do Marinheiro.  aspectos fundamentais da liderança? 
(D) do Cabo. 
(E) do Vice‐Comando.  (A) Liderança, liderados e ordens. 
(B) Filosóficos, psicológicos e sociológicos. 
2  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Assinale  a  (C) Controle, físico e mental. 
opção  que  completa  corretamente  as  lacunas  da  (D) Mando, obediência e atenção. 
sentença abaixo.  (E) Comando, comandados e ordens. 

"Caracterizados  esses  dois  atributos  do  comandante,  7 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Para simplificar a apresentação 


o de chefe e o de líder, pode‐se afirmar que comandar  e  o  emprego  de  uma  gama  de  estilos  de  liderança 
é exercer a _____________ e a _____________ , a fim  consagrados  e  relevantes  para  o  contexto  militar‐
de  conduzir  eficazmente  a  organização  no  naval, foram considerados alguns estilos selecionados 
cumprimento da missão".  em três grandes eixos: 

(A) chefia / liderança  (A) aspectos humanos, sociais e psicológicos. 
(B) ordenança / produtividade  (B) disciplina rígida, obediência e controle. 
(C) chefia / especialidade  (C) grau de centralização de poder; tipo de incentivo e 
(D) oratória / defesa  foco do líder. 
(E) profissão / chefia  (D) respeito, amizade e trabalho. 
(E) instrução, conhecimento e estudo. 
3 ‐ (PS‐SMV‐OF/2017) Pode‐se afirmar que comandar 
é:  8  ‐  Quais  são  os  estilos  de  liderança,  em  relação  ao 
grau de centralização do poder? 
(A) exercer a chefia e a liderança, a fim de conduzir 
eficazmente a organização no cumprimento da  (A) Autoritária, participativa e situacional. 
missão.  (B) Situacional, delegativa e autoritária. 
(B) exercer sobre seus subordinados o respeito.  (C) Autocrática, participativa e delegativa. 
(C) exercer o controle da situação.  (D) Autoritária e participativa ou democrática. 
(D) ser um condutor de homens.  (E) Situacional, delegativa, participativa e autocrática. 
(E) um processo alternativo. 
9  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  o  EMA‐137 
4  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Quais  são  os  aspectos  (Doutrina  de  Liderança  da  Marinha),  o  estilo  de 
fundamentais da liderança?  liderança  utilizado  quando  o  líder  se  baseia  na  sua 
atuação  com  disciplina  rígida,  impondo  obediência  e 
(A) Apenas físicos e sociológicos.  mantendo‐se  afastado  de  relacionamentos  menos 
(B) Sociológicos, psicológicos e filosóficos.  formais  com  os  seus  subordinados,  controlando  o 
(C) Psicológicos, filosóficos e físicos.  grupo  por  meio  de  inspeções  eficiência,  exercendo 
(D) Físicos, sociológicos e psicológicos.  pressão contínua, é denominado Liderança: 
(E) Apenas sociológicos e filosóficos. 

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(A) Autocrática  participação  dos  subordinados  e  aproveitamento  de 
(B) Participativa  suas ideias? 
(C) Orientada para Tarefa 
(D) Delegativa  (A) Delegativa. 
(E) Transformacional  (B) Autocrática. 
(C) Democrática. 
10  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Qual  é  o  (D) Transformacional. 
estilo de liderança em que o líder baseia sua atuação  (E) Transacional. 
numa  disciplina  rígida,  impondo  obediência  e 
mantendo‐se  afastado  de  relacionamentos  menos  14  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  o  EMA‐
formais com seus subordinados, controlando o grupo  137(Doutrina  de  Liderança  da  Marinha),  assinale  a 
por meio de inspeções de verificação do cumprimento  opção  que  apresenta  o  estilo  de  liderança,  no  qual  o 
de  normas  e  padrões  de  eficiência  e  exercendo  líder  atribui  a  assessores  a  tomada  de  decisões 
pressão contínua?  especializadas, deixando‐os agir por si só. 

(A) Transformacional.  (A) Autocrática 
(B) Orientada para tarefas.  (B) Participativa 
(C) Democrática.  (C) Orientada para Tarefa 
(D) Autocrática.  (D) Delegativa 
(E) Delegativa.  (E) Transformacional 

11 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – De acordo com EMA‐137  15  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  Qual  estilo  de  liderança  é 


–  Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  o  líder  especialmente  indicado  para  situações  de  pressão, 
autocrático baseia sua atuação numa  crise  e  mudança,  que  requerem  elevados  níveis  de 
envolvimento e comprometimento dos subordinados? 
(A) disciplina rígida 
(B) conversa informal  (A) Delegativa. 
(C) troca de favores  (B) Transformacional. 
(D) recompensa  (C) Orientada para tarefa. 
(E) promessa de promoção  (D) Orientada para relacionamento. 
(E) Participativa ou democrática. 
12  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  o  EMA‐137 
(Doutrina de Liderança da Marinha), em que estilo de  16 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) ‐ De acordo com o EMA‐137 
Liderança abre‐se mão de parte da autoridade formal  (Doutrina  de  Liderança  da  Marinha),  quando  é 
em  prol  de  uma  esperada  participação  dos  indicada a liderança transformacional? 
subordinados  e  do  aproveitamento  de  suas  idéias,  e  (A) No cotidiano, para poder resolver problemas 
na qual os componentes do grupo são incentivados a  simples com mais rapidez. 
opinarem  sobre  as  formas  de  como  uma  tarefa  (B) Em todas as situações, exceto em submarinos. 
poderá ser realizada, cabendo a decisão final ao líder?  (C) Quando existe a necessidade de transformação 
(A) Autocrática  sem a ação do líder. 
(B) Democrática  (D) Para situações de pressão, crise e mudança, que 
(C) Delegativa  requerem elevados níveis de envolvimento e 
(D) Transformacional  comprometimento dos subordinados. 
(E) Transacional  (E) Nas Organizações Militares de países que não 
estão em guerra. 
13  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Qual  é  o 
estilo de liderança em que o líder abre mão de parte  17  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Para  simplificar  a 
da  autoridade  formal  em  prol  de  uma  esperada  apresentação e o emprego de uma gama de estilos de 
liderança  consagrados  e  relevantes  para  o  contexto 

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militar‐naval,  foram  considerados  alguns  estilos  (A) de comunicação. 
selecionados  em  três  grandes  eixos:  grau  de  (B) dos liderados. 
centralização  de  poder;  tipo  de  incentivo;  e  foco  do  (C) de eficiência. 
líder. Sendo assim, assinale a opção que apresenta os  (D) de situação. 
estilos  de  liderança  enquadrados  quanto  ao  foco  do  (E) de processo. 
líder. 
21 ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016) – De acordo com EMA‐137 
(A) Transformacional e Transacional.  –  Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  qual  é  o 
(B) Autocrática e Participativa.  processo  essencial  à  liderança,  que  consiste  na  troca 
(C) Autocrática e Delegativa.  de  ordens,  informações  e  ideias,  e  que  só  ocorre 
(D) Orientada para Tarefa e Orientada para  quando a mensagem é recebida e compreendida? 
Relacionamento. 
(E) Delegativa e Orientada para Tarefa.  (A) Exposição 
(B) Comunicação 
18  ‐    (PS‐RM2‐Praça/2016)  –  De  acordo  com  o  EMA‐ (C) Apresentação 
137  –  Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  a  (D) Retificação 
especialização  em  tarefas  é  uma  das  principais  (E) Ratificação 
responsabilidades do líder, na medida em que possui 
a necessária qualificação profissional para o exercício  22  ‐    (PS‐RM2‐Praça/2016)  –  Qual  é  o  parâmetro 
da  função.  Sendo  assim,  assinale  a  opção  que  fundamental  para  o  exercício  da  liderança  no  âmbito 
apresenta o estilo de liderança em que o líder focaliza  militar? 
o desempenho de tarefas e a realização de objetivos.  (A) Ética 
(A) Autocrática  (B) Atitude 
(B) Democrática  (C) Saúde 
(C) Progressista  (D) Força 
(D) Altruísta  (E) Serenidade 
(E) Orientada para Tarefa  23  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  De  acordo  com  o  EMA‐137  ‐ 
19  ‐    (PS‐RM2‐Praça/2016)  –  A  capacidade  de  Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  "Com  a  evolução 
influenciar é um componente indispensável ao.....  das técnicas de gestão empresarial, o foco do estudo 
sobre  o  comportamento  dos  dirigentes  passou  a  ser 
(A) secretário.  voltado para as diferenças entre o líder de base e o de 
(B) subordinado  cúpula".  Foi,  então,  idealizado  um  padrão  de 
(C) líder  organização baseado nos seguintes níveis funcionais: 
(D) monitor 
(E) porta‐voz.  (A) direto, organizacional e estratégico. 
(B) direto, tático e operacional. 
20  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  De  acordo  com  o  EMA‐137‐ (C) operacional, tático e organizacional. 
Doutrina  de  Liderança  da  Marinha,  "Não  existem  (D) operacional, tático e estratégico. 
normas  nem  fórmulas  que  mostrem  com  exatidão  o  (E) tático, operacional e pessoal. 
que  deve  ser  feito.  O  líder  precisa  compreender  a 
dinâmica  do  processo  de  liderança,  os  fatores  24 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) ‐ Com a evolução das técnicas 
principais  que  a  compõem,  as  características  de  seus  de  gestão  empresarial,  o  foco  do  estudo  sobre  o 
liderados  e  aplicar  estes  conhecimentos  coma  guia  comportamento  dos  dirigentes  passou  a  ser  voltado 
para  cada  situação  em  particular".  Essa  afirmativa  se  para as diferenças entre o líder de base e o de cúpula. 
refere a definição  Assim,  foi  idealizado  um  padrão  de  organização 
  baseado em três níveis funcionais: operacional, tático 
e  estratégico,  discriminando  as  características 
desejáveis  para  um  líder  nos  três  níveis,  de  acordo 

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com  suas  habilidade.  Em  consonância  com  esses  (A) Passiva. 
novos  conceitos,  quais  foram  os  níveis  de  liderança  (B) Ativa. 
estabelecidos?  (C) Direta. 
(D) Articulada 
(A) Indireta, organizacional e estratégica.  (E) Local. 
(B) Organizacional, estratégica e autocrática. 
(C) Indireta, estratégica e participativa.   
(D) Direta, autocrática e estratégica. 
(E) Direta, organizacional e estratégica.  29 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017 ‐ N.fundamental) Qual é o nível 
de  liderança  que  é  exercido  por  meio  do 
25  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Quais  são  os  níveis  de  relacionamento  face  a  face  entre  o  lider  e  seus 
liderança?  liderados  e  que  é  mais  presente  nos  escalões 
inferiores, quando o contato pessoal é constante? 
(A) Direta e Indireta. 
(B) Estratégica e organizacional.  (A) Autocrático. 
(C) Estratégica, organizacional e Indireta.  (B) Estratégico. 
(D) Operativa, direta e organizacional.  (C) Organizacional. 
(E) Direta, organizacional e estratégica.  (D) Situacional. 
(E) Direto. 
26  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  Que  nível  de  liderança  é 
exercida  por  meio  do  relacionamento  face  a  face   
entre  o  líder  e  seus  liderados  e  é  mais  presente  nos 
escalões  inferiores,  quando  o  contato  pessoal  é  30 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – De acordo com EMA‐137 
constante?  – Doutrina de Liderança da Marinha, qual é o nível de 
liderança em que os líderes expedem suas políticas e 
(A) Indireta.  diretivas e incentivam seus liderados por meio de seu 
(B) Organizacional.  staff e comandantes subordinados? 
(C) Estratégica. 
(D) Direta.  (A) Simples. 
(E) Autocrática.  (B) Alienada. 
(C) Rude. 
27  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  ‐  De  acordo  com  o  EMA‐137  (D) Política. 
(Doutrina  de  Liderança  da  Marinha),  o  nível  de  (E) Organizacional. 
liderança,  que  ocorre  em  organizações  onde  os 
subordinados  estão  acostumados  a  ver  seus  chefes,   
frequentemente, em seções, divisões, departamentos,  31  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  A  publicação  EMA‐137,  que 
navios,  batalhões,  companhias,  pelotões  e  esquadras  trata da Doutrina de Liderança da Marinha, estabelece 
de tiro, é denominado Liderança:  os  conceitos  de  chefia  e  liderança.  Considerando  as 
(A) Indireta.  disposições  dessa  publicação  acerca  desse  assunto, 
(B) Estratégica.  coloque  V  (verdadeiro)  ou  F  (falso)  nas  afirmativas  a 
(C) Direta.  seguir  e  marque  a  opção  que  apresenta  a  sequência 
(D) Organizacional  correta. 
(E) Autocrática.  (  ) Os militares mais antigos, no desempenho de suas 
28 ‐  (PS‐RM2‐Praça/2016) – De acordo com EMA‐137  funções, exercem o papel de "chefe" ou o papel de 
– Doutrina de Liderança da Marinha, qual é o nível de  "líder", tendo em vista que chefia e liderança não são 
liderança  que  ocorre  em  organizações  onde  os  processos simultâneos. 
subordinados  estão  acostumados  a  ver  seus  chefes  (  ) Com  relação à chefia, a autoridade de que o 
frequentemente?  militar mais antigo desfruta perante seus 
subordinados e decorrente de seu posto ou 
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graduação, e não advinda da responsabilidade  IV  ‐  A  liderança  organizacional  desenvolve‐se  em 
atribuída à sua função.  organizações  de  maior  envergadura,  normalmente 
(  ) Com relação à liderança, além de estar investido  estruturadas como Estado‐Maior. 
da autoridade referente a sua posição hierárquica, o 
militar mais antigo deve possuir certos atributos que o  V  ‐  Os  líderes  diretos  devem  estimular  ao  máxima  o 
notabilizam como "condutor de homens".  desenvolvimento de líderes subordinados. 
(  ) A liderança pode ser entendida como uma  Assinale a opção correta. 
qualidade inata de certos indivíduos, ou como um 
conjunto de comportamentos e de habilidades que  (A)  Apenas  as  afirmativas  I,  II  e  III  são  verdadeiras. 
podem ser ensinados.  (B)  Apenas  as  afirmativas  II,  III  e  IV  são  verdadeiras. 
(  ) A Marinha do Brasil define liderança como o  (C)  Apenas  as  afirmativas  III,  IV  e  V  são  verdadeiras. 
conjunto de ações  e decisões tomadas pelo mais  (D)  Apenas  as  afirmativas  I  e  II  são  verdadeiras. 
antigo, com autoridade para tal, na sua esfera de  (E) Apenas a afirmativa II e verdadeira. 
competência, em prol do cumprimento  da missão. 
 
 
32  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  Segundo  preceitua  a 
(A)  (F) (V) (V) (V) (F)  publicação  EMA‐137,  que  trata  da  Doutrina  de 
(B)  (V) (F) (V) (F) (V)  Liderança  da  Marinha,  pode‐se  afirmar, 
(C)  (F) (F) (V) (V) (F)  genericamente,  que  existem  certos  estilos  principais 
(D)  (F) (F) (F) (V) (V)  de  liderança,  propostos  à  luz  das  diversas  teorias, 
(E)  (V) (V) (F) (F) (F)  consagrados  e  relevantes  para  o  contexto  militar‐
  naval, e que se enquadram em determinados critérios 
de  classificação.  Sobre  esse  assunto,  considere  as 
31  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  Segundo  esclarece  a  afirmativas abaixo. 
publicação EMA‐137 do Estado ‐ Maior da Armada, a 
Doutrina de liderança da Marinha adota certos níveis   
de  liderança  que  definem  com  precisão  toda  a 
I ‐ Quanto ao foco no líder, os estilos de liderança são 
abrangência  da  liderança.  Quanto  a  esse  assunto, 
liderança  orientada  para  tarefa  e  liderança 
considere as afirmativas abaixo. 
orientadapara relacionamento. 
 
II  ‐  O  estilo  de  liderança  transformacional  é 
I  ‐  Os  lideres  organizacionais  planejam,  preparam,  caracterizado,  dentre  outros  aspectos,  pela 
executam e controlam diretamente os resultados dos  consideração  individualizada  e  pela  inspiração 
seus  trabalhos,  que  são  frequentemente  visíveis  e  motivadora por parte do líder. 
imediatos. 
III ‐ A liderança participativa pode ser útil e até mesmo 
II ‐ Os líderes estratégicos exercem a sua liderança no  recomendável,  em  situações  especiais  como  em 
âmbito  dos  níveis  mais  elevados  da  instituição  e  sua  combate,  quando  a  participação  dos  subordinados 
atuação  não  pode  extrapolar  o  âmbito  interno  da  será importante para a decisão do líder. 
organização. 
IV ‐ O estilo de liderança transacional é especialmente 
III  ‐  A  liderança  estratégica  militar  é  aquela  exercida  indicado para situações de pressão, crise e mudanças, 
nos  níveis  que  definem  a  política  e  a  estratégia  da  que  requerem  elevados  níveis  de  envolvimento  e 
Força.  É  um  processo  empregado  para  conduzir  a  comprometimento dos subordinados. 
realização  de  uma  visão  de  futuro  desejável  e  bem 
 
delineada. 
Assinale a opção correta 

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(A)  Apenas  as  afirmativas  I  e  II  são  verdadeiras. 


(B)  Apenas  as  afirmativas  II  e  III  são  verdadeiras. 
(C)  Apenas  as  afirmativas  III  e  IV  são  verdadeiras. 
(D)  Apenas  a  afirmativa  III  e  verdadeira. 
(E) Apenas a afirmativa IV e verdadeira. 

Respostas: 

1  B  16  D  31  C 
2  A  17  D  32  A 
3  A  18  E  33   
4  B  19  C  34   
5  A  20  D  35   
6  B  21  B     
7  C  22  A     
8  C  23  D     
9  A  24  E     
10  D  25  E     
11  A  26  D     
12  B  27  C     
13  C  28  C     
14  D  29  E     
15  B  30  E     
 

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TRADIÇÕES NAVAIS  tradição  se  constitui  em  elemento  comunitário,  num 
poderoso aglutinador. 
Introdução 
A  linguagem  própria  é  um  poderoso  instrumento  de 
Os  homens  do  mar,  há  muitos  séculos,  vêm  criando  aglutinação.  Quando  se  serve  a  bordo,  em  navio  de 
nomes para identificar as diversas partes dos navios e  guerra  ou  mercante,  deve‐se  procurar  segui‐la.  Com 
designar  a  praxe  de  suas  ações  as  quais,  pela  respeito à tradição, aliados a coragem e ao orgulho do 
repetição,  tornaram‐se  costumes.  Naturalmente,  que fazem, os homens do mar provocam a integração 
muitas  particularidades  e  expressões  da  tradição  da  comunidade  naval  e  marítima,  favorecendo  a 
naval lembram, às vezes,  aspectos da  vida doméstica  conquista de eficiência máxima, tão necessária a seus 
ou de atividades em terra.  propósitos e aspirações. 

É  óbvio  que  os  navios,  mesmo  sendo  pequenas  Assim,  as  tradições,  as  cerimônias  e  os  usos 
cidades  espalhadas  por  uma  enorme  área,  fazem  marinheiros,  juntamente  com  os  costumes,  têm 
contato  entre  si,  nos  portos  ou  na  imensidão  extraordinário  poder  de  amalgamar  e  incentivar  os 
oceânica.  Vivendo  experiências  semelhantes,  os  que  vivem  do  mar.  Tendem,  entretanto,  a  se  tornar 
marinheiros  sempre  se  ajudam  uns  aos  outros  e  atos despidos de significado, quando sua explicação é 
trocam  conhecimento.  Por  eles  foram  criados,  e  perdida no tempo. 
continuam  a  sê‐lo,  costumes,  usos  e  linguagem 
comuns:  “tradição  do  mar”.  É  fácil  entender  o  poder  A  lembrança  constante  das  razões  dos  atos  e  a  sua 
de  aglutinação  das  tradições  marítimas,  visualizando‐ explicação ou, quando for o caso, das versões de sua 
se  a  vastidão  da  área  oceânica  onde  elas  se  origem,  promovem  a  compreensão,  o  incentivo  e  a 
manifestam.  Os  homens  do  mar,  por  arrostarem  incorporação da prática marinheira. 
sempre  a  mesma  vida  e  mutuamente  se  ajudarem, 
constituem,  tradicionalmente,  uma  classe  de  espírito 
Semelhanças entre as Marinhas 
muito  forte.  E,  como  somente  em  períodos  A  vida  nas  marinhas  do  mundo  inteiro  é  muito 
historicamente  curtos  se  vêem  em  disputa  pelo  semelhante.  Todos  que  abraçam  a  carreira  do  mar 
domínio,  geográfico  e  cronologicamente  limitado,  do  pertencem  a  uma  fraterna  classe.  Há  um  vasto 
mar, onde partilham alegrias e perigos, a fraternidade  conjunto  comum  de  usos,  muitos  deles  ditados  pela 
é  a  mais  digna  característica  com  que  pautam  o  seu  necessidade  de  segurança  ou  exigências  naturais  do 
comportamento rotineiro.  meio,  e  outros,  ainda,  pela  grande  cordialidade  que, 
entre  si,  nutrem  os  homens  do  mar,  levando‐  os  a 
Nota‐se,  no  homem  do  mar,  um  respeito  comum  à  uma permanente troca de gentilezas. 
tradição,  a  qual  dá  grandeza  e  que  o  vincula  a  um 
extraordinário  ânimo  patriótico  e  a  uma  grande  Não estamos aqui abordando, nem seria possível fazê‐
veneração  dos  valores  espirituais  que  o  ligam  à  lo,  tudo  o  que  há  em  tradições,  usos  e  costumes 
comunidade  nacional  onde  teve  seu  berço.  Vive,  navais  e  marítimos.  Só  estão  em  pauta  alguns 
internacionalmente,  a  percepção  que  tem  da  Pátria,  aspectos mais curiosos. Desejamos que sua divulgação 
perto ou distante. É, como dizia Joaquim Nabuco, “um  atinja,  também,  aos  que  não  são  iniciados  em 
sentimento  unitário,  nacional,  impessoal”.  A  assuntos  do  mar,  principalmente  o  leitor  jovem, 
lembrança  ou  a  imagem  que  dela  tem  o  marinheiro  dando‐lhes um melhor e maior conhecimento da vida 
não é maculada pelos regionalismos. Sua Pátria é um  do homem do mar. 
todo de tradições, que venera com a mesma força que 
Conhecendo o Navio 
aprendeu a honrar as que são comuns aos homens do 
mar.  O  respeito  à  tradição  é  uma  característica  que  Navios e Barcos 
gera  patriotismo  sadio,  fundamentado  na  valorização 
dos aspectos comuns ao seu grupo nacional em que a 

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Um navio é uma nave. Conduzir uma nave é navegar,  rumo  na  direçdireção  para  onde  sopra  o  vento.  A 
ou seja, a palavra vem do latim navigare, navis (nave)  palavra  vem  do  latim  "ad"  (para)  e  "ripa"  (margem, 
+ agere (dirigir ou conduzir).  costa). 

Estar  a  bordo  é  estar  por  dentro  da  borda  de  um  O Navio 
navio. Abordar é chegar à borda para entrar. O termo 
é mais usado no sentido de entrar a bordo pela força:  O  navio  tem  sua  vida  marcada  por  fases.  O  primeiro 
abordagem.  Mas,  em  realidade,  é  o  ato  de  chegar  a  evento  dessa  vida  é  o  batimento  da  quilha,  uma 
bordo de um navio, para nele entrar.  cerimónia  no  estaleiro,  na  qual  a  primeira  peça 
estrutural que integrará o navio é posicionada no local 
Pela  borda  tem  significado  oposto.  Jogar,  lançar  pela  da  construção.  Estaleiro  é  o  estabelecimento 
borda.  industrial  onde  são  construídos  navios.  Como  os 
navios  antigos  eram  feitos  de  madeira,  o  local  de 
Significado natural de barco é o de um navio pequeno  construção ficava cheio de estilhas, lascas de madeira, 
(ou um navio é um barco grande...). Mas a expressão  estilhaços ou, em castelhano, "astilias". 
poética  de  um  barco  tem  maior  grandeza:  "o 
Comandante  e  seu  velho  barco"  ou  "nosso  barco,  Os  espanhóis,  então,  denominaram  os 
nossa alma". Barco vem do latim "barca". Quem está a  estabelecimentos  de  astüeros,  que  em  português 
bordo,  está  dentro  de  um  barco  ou  navio.  Está  derivou para estaleiros. 
embarcado. Entrar a bordo de um barco, é embarcar. 
E  dele  sair  é  desembarcar.  Uma  construção  que  Quando o navio está com o casco pronto, na carreira 
permita  o  embarque  de  pessoas  ou  cargas  para  do  estaleiro,  ele  é  lançado  ao  mar  em  cerimônia 
transporte por mar, é uma embarcação.  chamada  lançamento.  Nesta  ocasião  é  batizado  por 
sua madrinha e recebe o nome oficial. O lançamento 
Um navio de guerra é uma belonave. Vem, a palavra,  antigamente  era  feito  de  proa;  mas  os  portugueses 
do latim "navis" (nave, navio) e "belium" (guerra).  introduziram  o  hábito  de  lançá‐lo  de  popa,  existindo 
também carreiras onde o lançamento é feito de lado, 
Um  navio  de  comércio  é  um  navio  mercante.  A  de  través;  e  hoje,  devido  ao  gigantismo  dos  navios, 
palavra é derivada do latim "mercans" (comerciante),  muitos deles são construídos dentro de diques, que se 
do verbo "mercari" (comerciar).  abrem no momento de fazê‐los flutuar. 
Aportar  é  chegar  a  um  porto.  Aterrar  é  aproximar‐se  Os navios de guerra, geralmente, são construídos em 
de  terra.  Amarar  é  afastar‐se  de  terra  para  o  mar.  Arsenais.  Arsenal  é  uma  palavra  de  origem  árabe. 
Fazer‐se  ao  mar  é  seguir  para  o  mar,  em  viagem.  Vem  da  expressão  “ars  sina”  e  significa  o  local  onde 
Importar  é  fazer  entrar  pelo  porto;  exportar  é  fazer  são guardados petrechos de guerra ou onde os navios 
sair pelo porto. Aplica‐se geralmente à mercadoria.  atracam  para  recebê‐los.  A  expressão  “ars  sina”  deu 
Encostar um navio a um cais é atracar; tê‐lo seguro a  origem  ao  termo  arsenal,  em  português,  e  ao  termo 
uma bóia é amarrar, tomar a bóia; prender o navio ao  arsenal, em português, e ao termo "darsena" que, em 
fundo é fundear; e fazê‐lo com uma âncora é ancorar  espanhol,  quer  dizer  doca.  Construído  e  pronto,  o 
(embora  este  não  seja  um  termo  de  uso  comum  na  navio  é,  então,  incorporado  a  uma  esquadra,  força 
Marinha, em razão de, tradicionalmente, se chamar a  naval,  companhia  de  navegação  ou  a  quem  vá  ser 
âncora  de  ferro  ‐  o  navio  fundeia  com  o  ferro!).  responsável  pelo  seu  funcionamento.  A  cerimônia 
Recolher  o  peso  ou  a  amarra  do  fundo  é  suspender;  correspondente é a incorporação, da qual faz parte a 
desencostar  do  cais  onde  esteve  atracado  é  mostra  de  armamento.  Armamento  nada  tem  a  ver 
desatracar; e largar a bóia onde esteve é desamarrar  com  armas  e  sim  com  armação.  Essa  mostra,  feita 
ou largar.  pêlos  construtores  e  recebedores,  se  constitui  em 
uma  inspeção  do  navio  para  ver  se  está  tudo  em 
Arribar é entrar em um porto que não seja de escala,  ordem,  de  acordo  com  a  encomenda.  Na  ocasião,  é 
ou voltar ao ponto de partida; é , também, desviar o  lavrado  um  termo,  onde  se  faz  constar  a  entrega,  a 

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incorporação e tudo o que há a bordo. A vida do navio  mercantes  levam,  também,  na  popa,  sob  o  nome,  a 
passa, então, a ser registrada em um livro: o Livro do  denominação do porto de registro. 
Navio,  que  somente  será  fechado  quando  ele  for 
desincorporado.  Os documentos característicos do navio mercante são, 
entre  outros,  seu  registro  (Provisão  do  Registro 
A armação (ou armamento) corresponde à expressão  fornecida  pelo  Tribunal  Marítimo);  apólice  de  seguro 
armar  um  navio,  provê‐lo  do  necessário  à  sua  obrigatório;  diário  de  navegação;  certificado  de 
utilização; e quem o faz é o armador. Em tempos idos,  arqueação; cartão de tripulação de segurança; termos 
armar  tinha  a  ver  com  a  armação  dos  mastros  e  de  vistoria  (anual  e  de  renovação  ou  certificado  de 
vergas, com suas vestiduras, ou seja, os cabos fixos de  segurança da navegação); certificado de segurança de 
sustentação  e  os  cabos  de  laborar  dos  mastros,  das  equipamento;  certificado  de  borda  livre;  certificado 
vergas  e  do  velame  (velas).  Podia‐se  armar  um  navio  de  compensação  de  agulhas  e  curva  de  desvio; 
em  galera,  em  barca,  em  brigue...  A  inspeção  era  certificado  de  calibração  de  radiogoniômetro  com 
rigorosa, garantindo, assim, o uso, com segurança, da  tabela  de  correção;  certificado  de  segurança  rádio;  e 
mastreação.  certificado de segurança de construção. 

Um  dos  mais  conhecidos  armadores  do  mundo  foi  o  A  cor  é  muito  importante.  Antigamente,  os  navios 
provedor de navios, proprietário e mesmo navegador  eram  pintados  na  cor  preta.  O  costume  vinha  dos 
Américo  Vespucci.  Tão  importante  é  a  armação  de  fenícios, que tinham facilidade em conseguir betume, 
navios  e  o  comércio  marítimo  das  nações,  que  a  e  com  ele  pintavam  os  costados  de  seus  navios.  A 
influência  de  Américo  Vespucci  foi  maior  que  a  do  pintura  era  usada,  às  vezes,  com  faixas  brancas,  nas 
próprio descobridor do novo continente e que passou  linhas  de  bordada  dos  canhões.  Somente  no  fim  do 
a  ser  conhecido  como  América,  em  vez  de  Colúmbia,  século XIX, os navios de guerra abandonaram o preto 
como  seria  de  maior  justiça  ao  navegador  Cristovão  pelo cinza ou azul acinzentado, cores que procuravam 
Colombo. Assim, Américo, como armador, teve maior  confundir‐se com o horizonte ou com o mar das zonas 
influência  para  denominar  o  continente,  com  o  qual  em  que  navegavam.  Entretanto,  muitos  navios 
se  estabelecera  o  novo  comércio  marítimo,  do  que  mercantes  continuam  até  os  dias  de  hoje  a  usar,  no 
Colombo.  costado,  a  cor  preta,  principalmente  por  questão  de 
economia.  Era  comum,  também,  navios  de  guerra 
Terminada  a  vida  de  um  navio,  ele  é  desincorporado  pintados  por  dentro,  junto  à  borda,  com  a  cor 
por baixa, da esquadra, da força naval, da companhia  vermelha, a fim de que não causasse muita impressão 
de  navegação  a  que  pertencia,  ou  do  serviço  que  a  sangueira  durante  o  combate,  confundida,  assim, 
prestava.  Há,  então,  uma  cerimônia  de  com as anteparas. 
desincorporação, com mostra de desarmamento. Diz‐
se  que  o  navio  foi  desarmado.  As  companhiuas  de  Normalmente,  as  cores  da  chaminé,  nos  navios 
navegação conservam os livros, registros históricos de  mercantes,  possuem  a  caracterização  da  companhia 
seus  navios.  Na  Marinha  do  Brasil,  os  livros  são  de navegação a que pertencem. 
arquivados  no  Serviço  de  Documentação  da  Marinha 
(SDM)  e  servem  de  fonte  de  informações  a  Nas  embarcações  salva‐vidas  e  nas  bóias  salva‐vidas, 
historiadores e outros fins.  predomina  a  preocupação  com  a  visibilidade.  Essas 
embarcações  são  pintadas,  normalmente,  de  laranja 
Características do Navio  ou  amarelo,  de  modo  a  serem  facilmente  vistas.  Por 
esse  mesmo  motivo,  e  por  convenção  internacional, 
Quem  entrar  a  bordo  verá  que  o  navio,  além  do  para caracterizar a utilização pacífica e não de guerra 
nome,  tem  uma  série  de  documentos  e  dimensões  dos  navios  (cor  cinza),  na  Antártica  é  utilizado  o 
que o caracterizam. O nome é gravado usualmente na  vermelho,  inclusive  nos  costados  dos  navios  por  seu 
proa,  em  ambos  os  bordos,  local  chamado  de  contraste com o branco do gelo. 
bochecha,  e  na  popa.  Nos  navios  de  guerra, 
usualmente,  é  gravado  só  na  popa.  Os  navios 

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A  bandeira,  na  popa,  identifica  a  nacionalidade  do  Os  lados  do  navio  são  os  “bordos”  e  o  de  boreste  é 
navio,  país  que  sobre  ele  tem  soberania.  Entretanto,  mais  importante  que  o  de  bombordo.  Nele,  desde 
há uma bandeira, na proa, chamada “jeque” (do inglês  tempos imemoriais, era feito o governo do navio por 
jack)  que  identifica,  dentro  de  cada  nação  soberana,  uma estaca de madeira em forma de remo, chamada 
quem tem a responsabilidade sobre o navio. Na nossa  pelos navegantes gregos de Staurus. 
Marinha,  o  jeque  é  uma  bandeira  com  vinte  e  uma 
estrelas  ‐  “a  bandeira  do  cruzeiro”.  Os  navios  Os antigos navegantes noruegueses chamavam a peça 
mercantes usam no jeque a bandeira da companhia a  de  staurr  que  os  ingleses  herdaram  como  steor, 
que  pertencem;  porém,  alguns  usam  a  bandeira  denominação  dada  ao  remo  que  servia  de  leme,  e 
identificadora de sua companhia na mastreação.  STEORBORD  ao  bordo  onde  era  montado,  hoje 
starboard.  Ao  português,  chegou  como  estibordo.  Os 
A Flâmula de Comando  brasileiros  inverteram  a  palavra  para  boreste  (Aviso 
do  Almirante  ALEXANDRINO,  Ministro  da  Marinha),  a 
No  topo  do  mastro  dos  navios  da  Marinha  do  Brasil  fim  de  evitar  confusões  com  o  bordo  oposto: 
existe  uma  flâmula  com  21  estrelas.  Ela  indica  que  o  bombordo. 
navio  é  comandado  por  um  Oficial  de  Marinha.  Se 
alguma  autoridade  a  quem  o  Comandante  esteja  A  palavra  bombordo  tem  vínculo  com  o  termo  da 
subordinado, organicamente (dentro de sua cadeia de  língua  espanhola  babor  que,  por  sua  vez,  parece  ter 
comando)  estiver  a  bordo,  a  flâmula  é  arriada  e  origem  ou  estar  relacionada  à  palavra  francesa 
substituída pelo pavilhão‐símbolo daquela autoridade.  bâbord.  Na  Marinha  francesa  os  marinheiros  que 
tinham  alojamento  a  bombordo,  eram  chamados  de 
Também  são  previstas  as  seguintes  situações  para  o  babordais  e  tinham  os  seus  números  internos  de 
arriamento  da  flâmula  de  comando:  quando  bordo  pares.  Ainda  hoje,  na  numeração  de 
substituída  pela  Flâmula  de  Fim  de  Comissão,  ao  compartimentos,  quando  o  último  algarismo  é  par, 
término  de  comissão  igual  ou  superior  a  seis  meses,  refere‐se a um espaço a bombordo, quando é impar, 
desde a aterragem do navio ao porto final, até o pôr  refere‐se a boreste. 
do  sol  que  se  seguir;  e  por  ocasião  da  Mostra  de 
Desarmamento do Navio.  As marinhas de língua inglesa, ou a elas relacionadas, 
não utilizam expressões próximas de bâbord. Balizam 
Finalmente, por ocasião da cerimônia de transmissão  o  bordo  oposto  ao  do  governo  de  port,  ou  seja,  o 
de  cargo,  ocorrerá  troca  do  pavilhão  da  autoridade  bordo onde não estava o leme e que, por esta razão, 
exonerada  pelo  da  autoridade  que  assume,  com  a  ficava atracado ao cais, ao porto; daí a expressão port, 
salva  correspondente,  no  caso  de  Almirante  bordo do porto. 
Comandante  de  Força,  iniciada  após  o  término  do 
hasteamento  da  bandeira‐insígnia.  Após  a  leitura  da  Câmara 
Ordem  de  Serviço  da  autoridade  que  assume, 
proceder‐se‐á a entrega da bandeira‐insígnia utilizada  Os  compartimentos  do  navio  são  tradicionalmente 
pela autoridade exonerada.  denominados a partir do principal: a câmara. Este é o 
local que aloja o Comandante do navio ou oficial mais 
Posições Relativas a Bordo  antigo  presente  a  bordo,  com  autoridade  sobre  o 
navio, ou ainda, um visitante ilustre, quando tal honra 
A popa é uma parte do navio mais respeitada que as  lhe  for  concedida.  Se  embarcar  num  navio  o 
demais.  Nos  navios  de  guerra,  todos  que  entram  a  Comandante  da  Força  Naval,  esta  autoridade  maior 
bordo pela primeira vez no dia, ou que se retiram de  terá o direito à câmara. 
bordo,  cumprimentam  a  Bandeira  Nacional  na  popa, 
com  o  navio  no  porto.  Ela  está  lá  por  ser  a  popa  o  O navio onde embarca o Comandante da Força Naval 
lugar  de  honra  do  navio,  onde,  já  nos  tempos  dos  é  chamado  capitânia.  Seu  Comandante  passa  a 
gregos e romanos, era colocado o santuário do navio,  denominar‐se “Capitão de Bandeira”. 
com  uma  imagem  ou  Puppis,  de  uma  divindade.  O 
termo popa é derivado de PUPPIS.   

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Camarotes e Afins  A origem é antiga. As primitivas peças imantadas, para 
governo  do  navio,  eram,  na  realidade,  agulhas  de 
Os  demais  compartimentos  de  bordo,  conforme  sua  ferro,  que  flutuavam  em  azeite,  acondicionadas  em 
utilização, ganham denominações com diminutivos de  tubos,  com  uma  secção  de  bambu.  Chamavam‐se 
câmara:  “camarotes”,  para  alojar  Oficiais,  e  “calamitas”.  Como  eram  basicamente  agulhas,  os 
“camarins”,  para  uso  operacional  ou  administrativo;  navegantes  espanhóis  consideravam  linguagem 
como, por exemplo, o camarim de navegação, ou o da  marinheira,  a  denominação  de  “agulhas”, 
máquina..  diferentemente  de  bússolas,  palavra  de  origem 
Praças e Cobertas  italiana que se referia à caixa ‐ bosso ‐ que continha as 
peças orientadas. 
Uns tantos compartimentos são chamados de praças: 
praça  de  máquinas,  praça  d'armas,  praça  de  Corda e Cabo 
vaporizadores, etc.  Diz‐se  que  na  Marinha  não  há  corda.  Tudo  é  cabo. 
Os alojamentos da guarnição e seus locais de refeição  Cabos  grossos  e  cabos  finos,  cabos  fixos  e  cabos  de 
são  chamados  de  cobertas:  coberta  de  rancho,  laborar..., mas tudo é cabo. 
coberta de praças, etc.  Existem porém, duas exceções:  
Praça D'Armas  ‐ a corda do sino e 
O compartimento de estar dos oficiais a bordo, onde   ‐ a dos relógios 
também  são  servidas  suas  refeições,  é  denominado 
A Gente de Bordo 
"Praça D'armas". 
A Gente de Bordo 
Essa  denominação  prende‐se  ao  fato  de  que,  nos 
navios  antigos,  as  armas  portáteis  eram  guardadas  O “Comandante” é a autoridade suprema de bordo. O 
nesse local, privativo dos oficiais.  “Imediato”  é  o  “Oficial  executivo  do  navio”,  segundo 
do  Comandante;  é  o  substituto  eventual  do 
A Tolda à Ré 
Comandante: seu substituto Imediato. 
Existem  conveses  com  nomes  especiais.  Um  convés 
A  “gente  de  bordo”  se  compõe  de  “Comandante  e 
parcial, acima do convés principal na proa é o convés 
Tripulação  (Oficiais  e  Guarnição)”.  O  Imediato  e 
do castelo. A denominação é reminiscência do antigo 
Oficiais  constituem  a  “oficialidade”.  Os  demais 
castelo  que  os  navios  medievais  levavam  na  proa 
tripulantes constituem a Guarnição. As ordens para o 
onde os guerreiros combatiam. 
navio  emanam  do  Comandante  e  são  feitas  executar 
Em  certos  navios  existem  mais  dois  conveses  com  pelo  Imediato,  que  é  o  coordenador  de  todos  os 
nomes  especiais:  “o  convés  do  tombadilho”,  que  é  o  trabalhos  de  bordo,  exercendo  a  gerência  das 
convés da parte alta da popa, e o “convés da tolda”.  atividades administrativas. 

Nos  navios  grandes  o  local  onde  permanece  o  Oficial  A Hierarquia Naval 


de  Serviço,  no  porto,  é  chamado  “convés  da  tolda  à 
No  Brasil,  o  estabelecimento  deformação  de  oficiais 
ré”. 
do  Corpo  da  Armada,  de  Intendentes  e  de  Fuzileiros 
Nele não é permitido a ninguém ficar, exceto o Oficial  Navais é a Escola Naval. Seus alunos são Aspirantes e 
de Serviço e seus auxiliares.  dela  saem,  ao  concluírem  o  curso,  como  Guardas‐
Marinha. 
Agulha e Bússola 
A  formação  de  praças  é  realizada  pelas  Escolas  de 
O navio tem agulha, não bússola.  Aprendizes‐Marinheiros.  Os  alunos  dessas  Escolas, 
após o término do curso, são nomeados Marinheiros. 

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A  unidade  de  combate  naval  é  o  navio.  Os  Corvetas 
Grupamentos de navios constituem as Forças Navais e  Contratorpedeiros 
as  Esquadras.  Os  Almirantes,  precipuamente,  Navios‐Transporte 
comandam  Forças  Navais,  grupamentos  de  navios.  Corvetas 
3ª   Rebocadores  de  Alto 
Sua hierarquia deve definir a importância funcional do  Capitão de Corveta 
Classe  Mar 
grupamento.  Os  postos  de  Almirantes,  em  sequência  Navios‐Patrulha Fluviais 
ascendente  são:  Contra‐Almirante,  Vice‐Almirante  e  4ª  Navios‐Varredores 
Capitão‐Tenente 
Almirante de Esquadra.  Classe  Navios‐Patrulha 
 
O  Comando  dos  navios  cabe  aos  Comandantes.  A 
importância  funcional  do  navio  deve  definir  a  A Hierarquia da Marinha Mercante 
hierarquia  de  seus  Comandantes.  É  mantida 
As  Escolas  responsáveis  pela  formação  de  pessoal  da 
tradicionalmente a antiga importância dos navios para 
Marinha  Mercante  funcionam  nos  Centros  de 
combate,  classificados  de  acordo  com  o  número  de 
Instrução Almirante  Graça Aranha, no Rio de Janeiro, 
conveses  e  canhões  de  que  dispunham:  as  corvetas, 
e Almirante Braz de Aguiar, em Belém. 
com  um  convés  de  canhões;  as  fragatas,  com  dois 
conveses de canhões; e as naus com três conveses de  Esses  estabelecimentos  pertencem  à  Marinha  do 
canhões, havendo também, a denominação de navios  Brasil,  assim  como  as  Capitanias  dos  Portos,  suas 
de  linha  ou  navios  de  batalha,  por  serem  os  que  Delegacias  e  Agências,  que  ministram  o  Ensino 
constituíam  as  linhas  de  batalha.  Daí  a  hierarquia  Profissional  Marítimo,  capacitando  profissionais  para 
ascendente  dos  comandantes,  como  Capitães  de  exercerem  atividades  a  bordo  de  embarcação 
Corveta,  Capitães  de  Fragata  e  Capitães  de  Mar  e  marítimas e fluviais. 
Guerra. 
HIERARQUIA DOS OFICIAIS DE CONVÉS:  
As  funções  internas  nos  navios  cabem  aos  tenentes 
(em  hierarquia ascendente: 2° Tenente, 1° Tenente e  ‐ Capitão de Longo Curso 
Capitão‐Tenente) e praças (em hierarquia ascendente:   ‐ Capitão de Cabotagem 
Marinheiro,  Cabo,  3º  Sargento,  2º  Sargento,  1º   ‐ 1º Oficial de Náutica 
Sargento  e  Suboficial).  Nos  navios  de  maior   ‐ 2° Oficial de Náutica 
importância há, ainda, oficiais superiores que exercem 
HIERARQUIA DOS OFICIAIS DE MÁQUINAS: 
funções  internas,  geralmente  na  chefia  de 
Departamentos. Navios menores que as corvetas, em   ‐ Oficial Superior de Máquinas 
geral, são comandados por Capitães‐Tenentes.   ‐ 1° Oficial de Máquinas 
 ‐ 2° Oficial de Máquinas 
É  interessante  notar,  entretanto,  uma  característica 
ímpar da Marinha: na linguagem verbal, o tratamento 
A Organização de Bordo 
normalmente dados aos oficiais da Armada resumem 
esses  nove  postos  a  três:  Almirante,  Comandante  e  Organização por Quartos e Divisões de Serviço 
Tenente. 
Em  um  navio  de  guerra,  para  a  sua  condução, 
  segurança e  andamento dos serviços administrativos, 
existe  sempre  uma  parcela  da  tripulação  que  fica  de 
Divisões de Navios por Classe na MB: 
serviço, quando em viagem ou no porto. 
Tipos de Navios 
Classe  Comando  Todo  o  pessoal  é  dividido  em  grupos  chamados 
(exemplos) 
1ª   Capitão  de  Mar  e  Navio‐Aeródromo   quartos  de  serviço,  que  recebem  os  nomes  de  1° 
Classe  Guerra  Navio de Desembarque  quarto,  2°  quarto  e  3°  quarto.  Existe  sempre  um 
2ª   Fragatas  quarto, efetivamente, de serviço; um estará de folga; 
Capitão de Fragata 
Classe  Submarinos 

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e  outro  será  o  retém,  que  fornecerá  pessoal  para  cinturão  com  coldre  e  pistola;  o  “Polícia”,  que  é  um 
cobrir faltas eventuais.  Sargento  ou  um  Cabo,  encarregado  de  auxiliar  o 
Oficial  de  Serviço  na  fiscalização  da  disciplina  e  da 
O  zelo  pelo  navio  é  feito  dividindo‐se  as  24  horas  do  rotina, usa um cinto especial e um cassetete; o “Cabo 
dia,  em  seis  períodos  de  quatro  horas  ‐  também  Auxiliar”,  que  usa  um  apito  com  cadarço  preto  e  um 
chamados  de  quartos  ‐  cada  um  sob  a  cinto especial na cintura, com sabre, é o encarregado 
responsabilidade  de  um  quarto  de  cabos  e  de  dar  os  toques  (silvos  de  apito  que  transmitem 
marinheiros, de uma divisão de suboficiais e sargentos  informações  e  ordens),  efetuar  as  batidas  do  sino, 
e de uma divisão de oficiais.  marcando  os  quartos,  e  fazer  cumprir  a  rotina  de 
No porto, haverá sempre, em condições normais, pelo  bordo;  e  o  “Ronda”,  que  é  um  mensageiro  às ordens 
menos,  um  quarto  de  serviço.  Mais  gente  ficará  a  do Oficial de Serviço e usa um cinto especial. 
bordo, quando necessário, podendo permanecer todo  O Sino de Bordo 
o pessoal em prontidão, se assim for determinado. 
No  período  compreendido  entre  os  toques  de 
Dessa  forma,  o  dia  de  trabalho  do  marinheiro,  do  alvorada  e  de  silêncio,  os  intervalos  dos  quartos  são 
homem  do  mar,  é  contado  diferente  do  dia  do  marcados por batidas do sino de bordo, feitas ao fim 
homem  de  terra.  Se  fosse  possível  ao  navio  navegar  de cada meia hora. 
somente de oito horas da manhã até as cinco da tarde 
‐  havendo  parado  uma  hora  para  almoço  ‐  e  parar  e  1ª meia‐hora do quarto: Uma batida singela 
fundear ao final do dia, para então recomeçar tudo no  2ª meia‐hora do quarto: Uma batida dupla 
dia seguinte, às oito horas, a jornada seria como a de  3ª meia‐hora do quarto: Uma batida dupla e uma 
terra. Mas há séculos os marinheiros se ajustaram às  singela 
necessidades  do  mar,  cumprindo  uma  jornada  de  4ª meia‐hora do quarto: Duas batidas duplas 
trabalho dividida em seis quartos de serviço, cabendo  5ª meia‐hora do quarto: Duas batidas duplas e uma 
a  parcelas  diferentes  da  tripulação  a  vigilância,  em  singela 
cada  quarto.  No  porto,  os  quartos  são  de  00  às  04h,  6ª meia‐hora do quarto: Três batidas duplas 
de  04  às  08h,  08h  às  12h,  de  12h  às  16h,  de  16h  às  7ª meia‐hora do quarto: Três batidas  duplas e uma 
20h  e  de  20h  às  24h.  Em  viagem,  no  período  singela 
compreendido  entre  OOh  às  12h,  os  quartos  tem  o  8ª meia‐hora do quarto: Quatro batidas duplas 
mesmo  horário  que  do  porto,  porém,  depois  das  12 
horas, os quartos são de 3 horas: 12‐15; 15‐18; 18‐21;  As  batidas  do  sino  são  uma  tradição  naval  a  ser 
21‐24.  preservada  pelos  responsáveis  pela  rotina  de  bordo. 
Deve haver o cuidado, por parte do sinaleiro, de bater 
O  quarto  de  04  às  08  é  balizado  de  quarto  d'alva  (a  acompanhando  o  Capitânia,  de  modo  a  não  haver  o 
hora d'alva, do amanhecer).  indesejável assincronismo. 

  As Fainas 

O Pessoal de Serviço  Organizado  em  Divisões  Administrativas  ou  em 


Quartos  e  Divisões  de  Serviço,  o  navio  está  pronto 
Certos  postos,  ocupados  pelo  pessoal  de  serviço,  são  para  fazer  frente  aos  trabalhos  que  envolvem  toda  a 
indicados  por  uniforme.  Assim,  o  “Oficial  de  Quarto”  gente de bordo ao mesmo tempo, ou parte dela, para 
usa  um  apito,  com  um  cadarço  preto.  No  porto,  o  um  fim  específico.  Esses  trabalhos  são  chamados  de 
“Oficial  de  Serviço”,  além  do  apito,  usa  um  cinturão  fainas.  As  fainas  são  gerais,  comuns,  especiais  ou  de 
com coldre e pistola. Para auxiliar o Oficial de Serviço,  emergência. 
existem:  o  “Contramestre  de  Serviço”,  ajudante  do 
Oficial para manobra e aspectos de ordem marinheira  Em um navio de guerra, a principal faina geral é a de 
do  navio,  que  tem  a  graduação  de  Suboficial  ou  Postos de Combate. 
Sargento  e  usa  um  apito  com  cadarço  preto,  um 

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São fainas gerais e fainas comuns, entre outras:  O  cumprimento  da  rotina  de  bordo,  bem  como  das 
‐ Preparar para suspender;  fainas,  como  já  mencionado,  são  ordenados  pelo 
‐ Suspender (ou desamarrar ou desatracar);  toque de apito. Alguns avisos e ordens em linguagem 
‐ Preparar para fundear;  clara, pelo fonoclama, podem ser dados, também, em 
‐ Fundear (ou amarrar, ou atracar);  certas  circunstâncias  especiais,  mas  repetir,  em 
‐ Navegação em águas restritas(Detalhe Especial para  linguagem clara, o significado de um toque de apito é 
o Mar);  considerada  atitude  pouco  marinheira,  não  sendo, 
‐ Recebimento de munição;  normalmente, permitido a bordo. 
‐ Recebimento de material comum ou sobressalentes; 
‐ Recebimento de mantimentos;  As  fainas  de  emergência  são  ordenadas  pelos 
‐ Montagem ou desmontagem de toldos;  respectivos  sinais  de  alarme,  fonoclama,  sino  ou 
‐ Içar e arriar embarcações;  mesmo viva voz. 
‐ Operações aéreas, decolagem e pouso de aeronaves;  A Presidência das Refeições a Bordo 
‐ Inspeção de material; 
‐ Docagem e raspagem do casco; e  As  refeições  de  oficiais  são  presididas  pelo  Imediato 
‐ Pintura geral.  ou, na sua ausência, pelo oficial mais antigo presente, 
o qual convida os demais a sentarem‐se à mesa. 
São fainas de emergência: 
‐ Incêndio;  Após  iniciada  uma  refeição,  qualquer  pessoa  que 
‐ Colisão;  deseje sentar‐se à mesa, ou dela retirar‐se, deve pedir 
‐ Socorro externo;  permissão  a  quem  a  estiver  presidindo.  A  cortesia 
‐ Homem ao mar;  naval dita que ninguém deve retirar‐se da mesa antes 
‐ Reboque;  do Imediato ou do oficial mais antigo presente. 
‐ Abandono; 
As refeições dos suboficiais e sargentos são presididas 
‐ Avaria no sistema de governo; 
pelo  Mestre  do  Navio.  Compete  ao  Mestre  d'Armas 
‐ Acidente com aeronave ("crash"); e 
presidir as refeições dos cabos e marinheiros. 
‐ Recolhimento de náufragos. 
 
Além  das  fainas,  existem  ocasiões  em  que  toda  a 
tripulação do navio deve atender a formaturas gerais, 
Cerimonial de Bordo 
para certas formalidades a bordo ou para cerimonial, 
conhecidas com formaturas gerais.  Saudar Pavilhão 

São formaturas gerais:  Como já foi explicado, faz parte do cerimonial saudar 
‐ Parada;  com  a  continência  o  Pavilhão  Nacional,  que  é 
‐ Mostra;  arvorado na popa , das 8 horas até o por do sol. 
‐ Distribuição de faxina; 
‐ Postos de continência;  Isto  se  faz  ao  entrar  a  bordo  pela  primeira  vez  e  ao 
‐ Bandeira; e  sair pela última vez, no dia. 
‐ Concentração da tripulação. 
Saudar o Comandante 
As  situações  previstas  para  fainas  ou  formaturas 
É  costume  os  oficiais  saudarem  o  Comandante  na 
constam  de  uma  tabela  a  bordo,  chamada  Tabela 
câmara,  pela  manhã,  quando  em  viagem.  À  noite,  a 
Mestra,  que  designa  cada  homem  da  tripulação  para 
saudação  é  feita  após  o  Cerimonial  do  Arriar  a 
um determinado posto ou função, específica em cada 
Bandeira. 
faina ou formatura, além de designar qual é seu bote 
salva‐vidas e seu respectivo quarto.  Quando  no  porto,  os  oficiais  formam  para  receber  o 
Comandante, cumprindo o Cerimonial de Recepção; e, 
da  mesma  maneira,  formam  quando  ele  se  retira  de 

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bordo,  no  Cerimonial  de  Despedida.  Se  algum  oficial  parte  de  tropa  armada,  em  postos  de  continência  ou 
chegar após o Comandante, deve saudá‐lo na câmara,  Parada”. 
bem  como  ao  Imediato.  Se  vai  retirar‐se  de  bordo 
antes  do  Comandante,  deve  despedir‐se  dele  na  Conforme  visto  anteriormente,  a  continência  é  uma 
câmara,  obtendo  licença  para  retirar‐se,  não  sem  saudação entre militares. Ao cumprimentar um civil, o 
antes ter sido liberado pelo Imediato.  militar  quando  fardado,  poderá  fazer‐lhe  uma 
continência,  como  cortesia,  além  de  dar‐lhe  o  usual 
Saudar o Imediato  aperto de mão. 

Ao entrar e ao retirar‐se de bordo os oficiais saúdam o  A  continência  individual  deve  ser  exigida  e  sua 


Imediato.  retribuição  pelo  mais  antigo  é  obrigatória.  Não  faz 
parte dos costumes navais desfazer a continência com 
É costume, em viagem, os oficiais cumprimentarem o  batida  da  mão  à  coxa,  provocando  ruído.  A 
Imediato  pela  manhã  e,  também,  após  o  Cerimonial  continência  deve  ser  feita  com  correção,  vivacidade, 
da Bandeira.  elegância,  energia  e  franqueza.  Da  mesma  forma, 
Saudação entre Militares  cabe  ao  superior  responder  o  cumprimento  de 
maneira  semelhante.  A  continência  mal  executada  é 
Nas  Forças  Armadas,  consequentemente  na  MB,  as  sinônimo  de  displicência,  o  que  não  condiz  com  os 
diversas formas de saudação militar, sinais de respeito  valores  militares.  A  continência  individual  não 
e  correção  de  atitudes  caracterizam  o  espírito  de  representa  apenas  uma  manifestação  de  respeito  ou 
disciplina e apreço existentes no âmbito militar.  de  apreço  a  um  indivíduo  em  particular;  trata‐se 
também  de  um  ato  público  que  expressa  a  cortesia 
A  continência,  saudação  militar  universal,  é  uma 
entre os membros de uma corporação. 
reminiscência  do  antigo  costume,  que  tinham  os 
combatentes  medievais,  quando  vestidos  com  suas  A  continência  individual  é  prestada  pelo  militar 
armaduras, ao serem inspecionados por um superior,  fardado  e  não  deverá  ser  executada  quando  este 
de  levar  a  mão  à  têmpora  direita,  para  suspender  a  estiver  em  trajes  civis.  Neste  caso,  a  saudação  é 
viseira, permitindo sua identificação.  realizada  com  um  cumprimento  verbal,  de  acordo 
com as convenções sociais. 
Cabe  ressaltar  que,  a  continência  é  a  saudação 
prestada pelo militar ou pela tropa, sendo impessoal e  Saudação com Espada 
visando  sempre  a  Autoridade  e  não  a  pessoa,  sendo 
assim, parte sempre do militar de menor precedência  A antiga saudação com espada e o gesto de abatê‐la, 
ou  em  igualdade  de  Posto  ou  Graduação.  Havendo  não  é  uma  tradição  naval,  mas  militar.  O  pessoal  da 
dúvida  em  relação  à  antiguidade,  deverá  ser  Marinha,  contudo,  faz  uso  da  espada  em  algumas 
executada simultaneamente.  cerimônias a bordo e, em formaturas, em terra. 

A  continência  é  uma  atitude  militar  de  grande  O gesto de levar a ponta da espada até o chão é uma 


relevância e um ícone da tradição e costumes navais,  antiga demonstração de submissão a uma autoridade 
constitui  prova  de  respeito  e  cortesia  que  o  militar  é  superior,  reconhecendo  sua  superioridade 
obrigado  a  prestar  ao  superior  hierárquico,  não  hierárquica.  A  ponta  da  espada  no  chão,  ao  fim  da 
podendo  ser  por  este  dispensada,  salvo  nas  ocasiões  saudação,  não  permite  ao  oficial  usá‐la,  naquele 
previstas no Cerimonial da Marinha, tais como: “faina  momento. 
ou serviço que não possa ser interrompida, postos de  O Cerimonial da Bandeira 
combate,  praticando  esportes,  sentado  à  mesa  de 
rancho,  remando,  dirigindo  viaturas,  militar  de  Os  navios  da  Marinha  do  Brasil,  quando  em  contato 
sentinela,  armado  de  fuzil  ou  outra  arma  que  com  terra  (atracados,  fundeados  ou  amarrados), 
impossibilite  o  movimento  da  mão  direita,  fazendo  arvoram a Bandeira Nacional no pau da bandeira, na 
popa. 

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Ao  suspenderem,  no  instante  em  que  é  Desta  forma,  o  termo  bandeira  a  meio‐pau  é  a 
desencapelada a última espia ou o ferro arranca ou é  expressão que corresponde à Bandeira Nacional içada 
largado  o  arganéu  da  bóia,  a  Bandeira  é  arriada  na  a  meio‐mastro.  O  jeque  acompanha  a  Bandeira 
popa  e  içada,  em  movimentos  contíguos,  no  mastro  Nacional, a meio‐pau. E o sinal de luto. 
de combate, mas de forma que nunca deixe de estar 
içado  o  Pavilhão  Nacional.  Não  há  cerimonial,  nessas  O costume teve origem na antiga marinha a vela. Era 
ocasiões.  usual que os navios, como mostra de pesar pela morte 
de  uma  personalidade,  desamantilhassem  as  vergas, 
A  Bandeira  do  Cruzeiro,  que  é  arvorada  no  pau  do  de  modo  a  deixá‐las  desalinhadas  e  pendentes,  em 
jeque,  acompanha  os  movimentos  da  Bandeira  diferentes  ângulos,  e  com  todos  os  cabos  de  laborar, 
Nacional na popa. Ou seja, é içada e arriada junto com  de  mastros  e  vergas  folgados  e  pendentes.  A  mostra 
esta.  de  pesar  consistia  neste  aspecto  de  desleixo,  por 
tristeza. O Pavilhão também era arriado a meio‐pau. 
O  Pavilhão  é  içado  às  oito  horas  da  manhã  e  arriado 
exatamente  na  hora  do  pôr‐do‐Sol.  O  Cerimonial  Saudação de Navios Mercantes e Resposta 
consta de sete vivas com o apito do marinheiro e das 
continências  de  todo  o  pessoal.  Quem  estiver  O navio mercante que passa ao largo de um navio de 
cobertas abaixo, permanece descoberto e em silêncio,  guerra  cumprimenta‐o,  amando  sua  Bandeira 
atento.  O  cerimonial  do  arriar  é  maior  e  consta  de  Nacional,  fazendo  o  de  guerra  o  mesmo,  como 
formatura  geral  da  tripulação.  Após  o  arriar,  é  resposta. 
costume  o  cumprimento  geral  de  "boa‐noite"  entre  O  mercante  içara  novamente  sua  Bandeira,  depois 
todos  os  presentes,  sendo  primeiramente  dirigido  ao  que o de guerra o fizer. 
Comandante. 
A Salva: Saudação com Canhões 
A  Bandeira  Nacional  deve  ser  içada  ou  arriada  em 
movimento  uniforme,  que  deve  ser  estimado  para  O  sinal  de  amizade  era  antigamente  entendido  e 
que  ocorra  durante  o  tempo  em  que  é  executado  o  mormente  caracterizado  pelo  fato  de  apresentar‐se 
hino ou toque.  uma  pessoa,  com  a  espada  abatida,  ou  um  navio  ou 
uma embarcação, momentaneamente impossibilitado 
Da  mesma  forma,  o  içar  e  arriar  de  galhardetes  e  de  manobrar  ou  combater.  Nos  tempos  em  que  não 
Bandeiras‐Insígnias deve ser feito celeremente.  havia  meios  seguros  de  comunicação  e  quando  no 
Durante  o  Cerimonial  à  Bandeira  é  vedada  a  entrada  mar  não  era  possível  aos  navios  saberem  notícias  de 
ou  saída  de  pessoas  e  veículos  na  OM  que  o  realiza,  terra,  a  menos  que  encontrassem  outros  que  as 
salvo  se  localizada  próxima  à  via  pública,  quando  a  transmitissem,  era  importantíssimo  para  cada  um 
interrupção  do  trânsito  deve  ocorrer,  com  o  mínimo  deles saber quais as intenções uns dos outros, quando 
de prejuízo possível ao tráfego de pessoas e veículos,  se encontravam. Imagina‐se que um navio, no mar há 
entre o “Segundo Sinal” e o término do Cerimonial.  algum tempo, poderia não saber se sua nação estava 
ou  não  em  guerra  com  outra,  inclusive  com  aquela 
Para  as  OM  de  terra  são  observados  os  mesmos  cuja  bandeira  um  navio  avistado  ostentava!  Era, 
procedimentos.  portanto,  importante  demonstrar  atitude  amistosa, 
tomando difícil a manobra ou o combate. 
Bandeira a Meio‐Pau 
Nos tempos de Henrique VIII, para um canhão repetir 
Nos  navios  da  Marinha  não  se  usa  as  denominações  um tiro levava uma hora. Assim, um navio estava com 
de  "mastros"  de  bandeira,  nem  do  jeque:  a  os canhões sempre carregados para combate. Mas, se 
nomenclatura  correia  é  nomeá‐los  o  "pau  da  ele  os  disparava,  ficava  impossibilitado 
bandeira"  e  o  "pau  do  jeque",  mesmo  que  sejam  momentaneamente  de  combater.  A  maior  parte  das 
metálicos. O distinto, na Marinha, segundo a tradição,  fragatas  e  navios  menores  era  armada  com  uma 
é que sejam de madeira e envernizados.  bateria  de  sete  canhões,  em  cada  borda.  A  princípio, 

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uma salva de sete tiros era a salva nacional britânica.  homens  para  o  combate,  transitoriamente.  Desta 
As baterias de terra, no entanto, deveriam responder  forma,  dispor  a  guarnição  pelas  vergas  dos  navios‐
às salvas do navio, na razão de três tiros para cada tiro  escola  a  vela,  veio  até  nossos  dias,  com  a 
de bordo. Assim, a máxima salva de bordo, sete tiros,  denominação depostos de continência. 
era  respondida  pela  maior  salva  de  terra,  vinte  e  um 
tiros.  Com  o  progresso  da  indústria  de  armas  e,  Em  todos  os  navios  da  Marinha,  os  postos  de 
principalmente, da produção da pólvora, a maior salva  continência  são  atendidos  com  toda  a  guarnição 
de bordo passou a ser também de vinte e um tiros.  distribuída pela borda do navio, no bordo por onde vai 
passar a autoridade a saudar, numa demonstração de 
O número de tiros, depois que a salva se transformou  respeito. 
num costume, chegou aos nossos dias consagrado no 
Cerimonial Naval. Vinte e uma salvas é o máximo que  Vivas 
se usa. Mas por que vinte e uma? É porque, além do  Ainda  permanece  em  nossa  Marinha  o  hábito  dos 
costume  acima,  esse  número  é  múltiplo  de  três.  A  "vivas".  É  uma  repetição  da  antiga  forma  de 
explicação é que os números 3, 5 e 7 sempre tiveram  continência e saudação à autoridade que passar perto 
significado místico, muito antes, mesmo, de existirem  do  navio,  sempre  que  o  fato  for  antecipado  e 
marinhas  organizadas  como  as  dos  últimos  três  devidamente  anunciado.  A  guarnição,  quando  em 
séculos.  postos  de  continência,  a  um  sinal,  leva  o  boné  ao 
O  intervalo  das  salvas  festivas  é  de  cinco  segundos,  peito do lado esquerdo, com a mão direita, e, ao sinal 
entre  um  tiro  e  outro.  Havia  um  velho  costume,  na  de  salvas  do  apito,  sete  vezes,  estende  a  mão  com  o 
Marinha  antiga,  que  ainda  hoje  os  oficiais  "safos"  boné  para  o  alto,  à  direita,  e  dá  os  vivas 
usam  para  contagem  dos  cinco  segundos  correspondentes. 
regularmentares, que é o de dizer a expressão: "teco,  Vivas do Apito 
teleco,  teco,  pepinos,  não  são  bonecos,  ‐  fogo  um!"; 
repetindo‐se  após  cada  tiro  o  mesmo  conjunto  de  Permanece,  no  Cerimonial  da  Bandeira,  o  costume 
palavras  só  alternando  o  número  da  ordem  de  fogo.  dos  sete  vivas,  pelo  apito  do  marinheiro.  Durante  o 
Quem cronometrar o tempo que normalmente se leva  içar ou arriar da Bandeira, o Mestre ou Contramestre, 
para dizer as palavras mencionadas, verá que ele é de  dependendo  da  ocasião,  faz  soar  sete  vezes  o  apito, 
cinco segundos.  correspondendo  aos  sete  vivas,  que  é  a  maior 
saudação por apito. 
Os Postos de Continência 
O  número  de  sete,  como  explicado,  ainda  é  a 
Mas, somente disparar os canhões não era mostra de  lembrança dos antigos sete tiros das fragatas e navios 
ficar sem aptidão para combater. O navio, além disso,  menores,  que  constituíam  a  maior  salva.  Embora  os 
deveria  ferrar  o  pano  (colher  as  velas),  perdendo  tiros  de  salva  tenham  passado  para  vinte  e  um,  os 
velocidade  e  ficando  momentaneamente  vivas de apito permaneceram em sete, como a honra 
impossibilitado  de  manobrar  e  combater,  com  todos  máxima. 
os  cabos  de  laborar  pelo  convés  e  a  guarnição 
ocupada  nas  fainas.  Assim,  essa  mostra  de  respeito  Cerimonial de Recepção e Despedida 
mantinha  o  navio  privado  de  combater.  Foi  desse 
Os oficiais ao entrarem e saírem de bordo fazem jus a 
antigo  costume,  que  vieram  até  nossos  dias  certas 
um  cerimonial  correspondente  à  sua  patente, 
formas  de  cumprimento  em  embarcações  como 
constando  de  toques  de  apito  característicos  e  da 
remos ao alto, folgar as escotas ou parar a máquina. 
continência  de  quem  o  recebe  ou  despede  e  dos 
Nos  grandes  navios,  no  entanto,  podia  ser  presentes. Além disso, marinheiros em formatura, em 
demonstrada,  ao  navio  avistado,  a  intenção  pacífica,  número correspondente a cada cerimonial, chamados 
fazendo subir toda a guarnição aos mastros e vergas.  "boys",  ladearão  o  oficial  saudado,  na  escada  de 
Assim  estava  o  navio  impossibilitado  de  utilizar  seus  portaló e no convés. 

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Esses  cerimoniais  são  tradições  herdadas  dos  dias  da  A  chegada  de  autoridade  a  bordo  de  OM  da  MB 
marinha  a  vela.  Costumava‐se,  nas  reuniões  de  deverá  ser  anunciada  no  sistema  de  fonoclama, 
Comandantes  de  navios  de  uma  Força  Naval  em  um  quando  couber,  o  cargo  da  autoridade  visitante 
determinado navio ‐ quando o mar não estava muito  seguido  da  expressão  “para  bordo”.  Não  deverá  ser 
bom  ‐  içar  o  visitante  por  uma  guindola,  espécie  de  anunciado  pronome  de  tratamento  ou  nome  da 
pequena  tábua  suspensa  pelas  extremidades.  A  autoridade  visitante.  Por  ocasião  do  cerimonial,  a 
manobra  era  comandada  pelo  Mestre,  ao  som  do  ordem  ao  Mestre  ou  Contramestre  de  Serviço  não 
apito e, para realizá‐la, vários marinheiros iam para o  deve  conter  palavras  desnecessárias,  já  que  se  trata 
local de embarque. Hoje é uma cortesia naval acorrer  de  uma  instrução  para  quem  vai  abrir  toque.  Assim, 
com  marinheiros  ao  portaló  (local  de  embarque  ou  essa  ordem  deve  ser  pertinente  ao  toque 
saída  de  bordo)  e  saudar  com  toque  de  apito,  a  característico  a  que  tem  direito  a  autoridade.  A 
autoridade que chegar ou sair.  menção  ao  cargo  desempenhado  somente  deve  ser 
feita  a  quem  competir  vocativo  específico 
Os  marinheiros  que  acorriam  para  as  manobras  de  (Comandante  da  Marinha,  Chefe  do  Estado‐Maior  da 
embarque  do  Comandante  a  bordo  eram  chamados,  Armada,  Comandante  de  Operações  Navais, 
na  Real  Marinha  britânica,  de  "boys".  Esse  costume  Comandante‐Geral  do  Corpo  de  Fuzileiros  Navais  e 
passou  desde  o  Império,  à  nossa  Marinha.  Hoje,  há  Comandante em Chefe da Esquadra). Nesse caso, não 
um  toque  de  apito  que,  em  realidade,  significa  boys  se  deve  mencionar  o  Posto,  a  menos  se, 
aos cabos. Tratava‐se, até há pouco tempo, quando se  eventualmente  e  no  caso  de  ComemCh,  o  cargo 
vinha  ou  saía  de  bordo  por  lancha,  de  chamar  os  estiver  sendo  exercido  por  Almirante  de  Esquadra.  O 
marinheiros para que descessem ao patim inferior da  artigo  5‐1‐7  do  Cerimonial  da  Marinha  reflete  com 
escada  de  portaló  e  aí  estendessem  cabos  clareza este ponto. 
(preparados com pinhas nas duas extremidades, uma 
para  o  boy  e  outra  para  a  autoridade),  para  que  lhe  Os  toques  de  apito  devem  ser  dados  apenas  pelo 
servissem  de  apoio  quando  embarcavam  ou  Mestre  ou  Contramestre  de  Serviço.  Ao  final  das 
desembarcavam.  Honras de Recepção ou Despedida, quando por toque 
de corneta, cabe o “ponto”, como sinal de desfazer a 
Ao  patim  inferior  da  escada  de  portaló  descem  dois  continência  e  a  guarda  de  portaló  executar  o 
"boys"  e  mais  dois  quando  há  espaço.  Os  demais  comando  de  “ombro  armas”.  Nos  casos  em  que 
formam  no  convés.  Quando  estiver  com  prancha  houver  Guarda  de  Honra,  esta  executará  o  referido 
passada  para  terra,  somente  dois  devem  ficar  em  comando quando determinado pelo seu Comandante. 
terra;  os  demais  formam  no  convés.  Formar  mais  de 
dois  "boys"  em  terra  é,  como  se  diz.  na  gíria  Uniformes e seus acessórios 
marinheira,  uma  varada  (de  "vara",  termo  espanhol 
que quer dizer encalhe). Tudo isso deve‐se ao fato de  Os Uniformes 
que  o  emprego  dos  "boys"  é  uma  tradição  na 
Os oficiais, suboficiais e sargentos usam uniformes do 
manobra de embarque e desembarque de oficiais, em 
mesmo  feitio  para  o  serviço  ou  para  os  trabalhos  a 
navios no mar. 
bordo.  São  do  tipo  paletó,  ou  dóimã,  e  calça,  ou 
Quando  o  Comandante  é  recebido  no  seu  próprio  somente camisa e calça. Na cabeça usa‐se o boné. Os 
navio,  é  o  Mestre  quem  executa  os  apitos  do  oficiais  e  suboficiais,  para  distinção,  usam  galões  nas 
cerimonial.  platinas  colocadas  nos  ombros  dos  uniformes 
brancos,  galões  nos  punhos  do  uniforme  azul  e 
Quando o cerimonial é executado em terra, como nos  distintivos na gola do uniforme cinza de manga curta 
estabelecimentos  ou  cerimônias  públicas,  os  "boys"  (caqui para os Fuzileiros Navais). Os sargentos, cabos 
são  distribuídos  no  número  completo  previsto  no  e  marinheiros  cursados  usam  sempre,  para  distinção 
Cerimonial da Marinha, em caráter simbólico.  de  graduação,  divisas  nos  braços.  Os  marinheiros‐
recrutas, aprendizes e grumetes não usam divisas. 

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As platinas são presas sobre os ombros dos uniformes  As  três  listas  da  gola  são  reminiscência  do  costume 
como acessório, sendo reminiscências de antigas tiras  antigo  de  se  indicar,  por  meio  de  fitas,  presas  ao 
de  couro  usados  nos  uniformes  para  fixar  os  pelerine (capa utilizada sobre os ombros), o tempo de 
talabardes (boldriés). São de origem francesa.  serviço do embarcado. 

Os  galões  dos  oficiais  são  listras  douradas.  No  Corpo  Gorro de Fita 
da  Armada,  a  mais  alta  no  punho  é  terminada  por 
uma volta. Conta a tradição que é uma reminiscência  Os  fuzileiros  navais  também  trazem  em  seus 
da volta que o Almirante Nelson, oficial inglês, levava  uniformes simbolismo e tradição. 
em  um  pequeno  cabo  amarrado  à  manga  de  seu  O  gorro  de  fita,  de  origem  escocesa,  é  uma  das 
dólmã  para  sustentá‐la  em  um  botão,  quando,  após  tradições  que  são  incorporadas,  permanecem  e 
perder o braço, subiu ao convés pela primeira vez. As  ganham  legitimidade.  Foi  idéia,  em  1890,  de  um 
marinhas  que  tiveram  origem  e  contatos  com  a  comandante  do  Batalhão  Naval,  de  ascendência 
Marinha britânica conservam o símbolo.  britânica.  O  gorro  foi  bem  aceito  e,  hoje,  caracteriza 
Os  cabos  e  marinheiros  usam  uniformes,  brancos  ou  de forma ímpar o uniforme dos marinheiros de terra, 
azuis,  de  gola,  e  na  cabeça,  bonés  sem  pala.  Os  de  soldados do mar, que são os fuzileiros navais. 
trabalho  são  de  cor  mescla,  com  chapéus  redondos  O Apito Marinheiro 
típicos, de cor branca, chamados caxangá. 
Os  principais  eventos  da  rotina  de  bordo  são 
O  uniforme  típico  de  marinheiro  é  universal.  Suas  ordenados  por  toques  de  apito,  utilizando‐se,  para 
características  são,  principalmente,  o  lenço  preto  ao  isso,  de  um  apito  especial:  o  apito  do  marinheiro.  O 
pescoço e a gola azul com três listras.  apito serve, também, para chamadas de quem exerce 
O  lenço  teve  sua  origem  na  artilharia  dos  tempos  funções  específicas  ou  para  alguns  eventos  que 
antigos  da  marinha  a  vela.  Os  marujos  usavam  um  envolvam  pequena  parte  da  tripulação.  Ele  tem  sido, 
lenço  na  testa  durante  os  combates,  amarrado  atrás  ao  longo  dos  tempos,  uma  das  peças  mais 
da  cabeça.  Esse  procedimento  evitava  que  o  suor,  características  do  equipamento  de  uso  pessoal  da 
misturado  à  graxa  e  mesmo  à  pólvora  das  peças  de  gente de bordo. Os gregos e os romanos já o usavam 
tiro,  lhes  caísse  nos  olhos.  Ao  findar  o  combate,  os  para  fazer  a  marcação  do  ritmo  dos  movimentos  de 
marinheiros regulares giravam o lenço e o amarravam  remo nas galés. 
ao  pescoço,  com  o  nó  para  frente.  Hoje,  Com o passar dos anos, o apito se tornou uma espécie 
simbolicamente,  o  lenço  é  colocado  em  tomo  do  de  distintivo  de  autoridade  e  mesmo  de  honra.  Na 
pescoço.  Inglaterra,  o  Lord  High  Admirai  usava  um  apito  de 
Sua  cor  preta,  diferentemente  do  que  muitos  dizem,  ouro  ao  pescoço,  preso  por  uma  corrente;  um  apito 
não  é  originada  em  sinal  de  luto  pela  morte  de  de prata era usado pêlos Oficiais em Comando, como 
Nelson,  pois  era  usado  pelos  marinheiros,  com  essa  "Apito  de  Comando".  Eram  levados  tais  símbolos  em 
cor,  bem  antes  disso,  embora,  naquele  evento,  tanta  consideração  que,  em  combate,  um  oficial  que 
tenham retirado o lenço característico do pescoço e o  usasse um apito preferia jogá‐lo ao mar a deixá‐lo cair 
colocado no braço.  em mãos inimigas. 

A  gola  do  marinheiro  é  bastante  antiga.  Era  usada  O  apito,  hoje,  continua  preso  ao  pescoço  por  um 
para  proteger  a  roupa  das  substâncias  gordurosas  cadarço de tecido e tem utilização para os toques de 
com  que  os  marujos  untavam  o  "rabicho"  de  suas  rotina e comando de manobras. 
cabeleiras. O uso do rabicho desapareceu, mas, a gola  As  fainas  de  bordo,  ainda  hoje,  em  especial  as 
permaneceu,  como  parte  característica  do  uniforme.  manobras  que  exigem  coordenação  e  ordens 
A cor azul é adotada por quase todas as marinhas do  contínuas  de  um  Mestre  ou  Contramestre,  são 
mundo.  conduzidas somente com toques de apito. Fazê‐lo aos 

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gritos  denota  pouca  qualidade  marinheira  do  braço  esquerdo;  e  assim,  protegia  não  somente  o 
dirigente da faina e sua equipe.  coração, mas a insígnia de honra. 

O  Oficial  de  Serviço  utiliza  um  apito,  que  não  é  o  Algumas expressões corriqueiras 


tradicional,  e  serve  para  cumprimentar  ou  responder 
a  cumprimentos  dos  cerimoniais  (honras  de  SAFO: 
passagem) de navios ou lanchas com autoridades que 
Safo  é  talvez  a  palavra  mais  usual  na  Marinha.  Serve 
passam  ao  largo;  mas,  o  cadarço  que  o  prende  ao 
para  tudo  que  está  correndo  bem,  ou  para  tudo  que 
pescoço  mantém‐se  como  parte  do  símbolo 
faz  as  coisas  correrem  bem:  "oficial  safo,  marinheiro 
tradicional. 
safo.  A  faina  está  safa.  A  entrada  é  safa,  pode 
Os  toques  de  apitos  estão  grupados,  por  tipos,  em  demandar: não há bancos". 
toques  de:  Continência  e  Cerimonial,  Fainas,  Pessoal 
ONÇA: 
Subalterno, Divisões e Manobras  
Onça  é  também  uma  expressão  de  grande  uso. 
Alamares 
Significa  dificuldade:  "onça  de  dinheiro,  onça  de 
Nos tempos de cavalaria andante, na Idade Média, os  sobressalentes". 
ajudantes  lavavam  os  cavalos  e  auxiliavam  os 
Estar na onça é estar em apuros. "A onça está solta", 
cavaleiros,  com  armaduras,  a  montar,  tal  era  o  peso 
quer dizer que tudo vai mal. 
desses  apetrechos.  Depois  que  os  cavaleiros 
montavam,  os  ajudantes  se  afastavam  das  montarias  Essa  expressão  vem  de  uma  velha  história  de  uma 
e  dos  chefes,  ficando  porém  nas  mãos  com  o  cabo  onça  de  circo,  que  era  transportada  a  bordo  de  um 
(corda)  no  braço,  na  altura  do  ombro. Ainda  hoje,  os  navio  mercante  e  se  soltou  da  jaula,  durante  um 
ajudantes  de  ordens  usam,  com  garbo,  essa  peça,  temporal. 
primitivamente  humilde,  presa  ao  ombro  no 
uniforme.  Mas,  o  conjunto  completo  é  constituído  SAFA ONÇA: 
desse pequeno cabo (cordel), junto com os alamares, 
Safa  onça  é  a  combinação  das  duas  expressões 
que  são  a  reminiscência  da  antiga  corrente,  que  as 
anteriores.  Significa  salvação.  Safa  onça  é  tudo  que 
autoridades  navais  usavam  para  pendurar  os  apitos, 
soluciona  uma  emergência.  "Safei  a  onça,  agarrando‐
um  símbolo  de  autoridade  já  comentado.  Assim,  o 
me  a  uma  tábua  que  flutuava...O  meu  safa  onça  foi 
conjunto  formado  pelos  alamares  (autoridade)  e  seu 
um pedaço de queijo, que ainda restava no barco; do 
cabo (ajudante) ‐ este utilizado solteiro nos uniformes 
contrário, morreria de fome". 
internos  ‐  significam  “ajudante  de  uma  autoridade”. 
Os  Oficiais  Chefes  de  Estado‐Maior  e  Oficiais  do  PEGAR: 
Gabinete de uma autoridade naval também usam esse 
símbolo,  por  serem  seus  ajudantes  mais  diretos.  O  Pegar  é  o  contrário  de  estar  safo.  Estar  pegando 
conjunto é usado do lado esquerdo, porém os Oficiais  significa  que  não  está  dando  certo:  "Tenente,  o 
do Gabinete Militar da Presidência da República usam  rancho  está  pegando!  Não  chegou  a  carne!  Este 
os alamares do lado direito.  marinheiro  ainda  está  muito  inexperiente:  com  ele 
tudo pega...Comandante, não pude chegar a tempo, a 
Condecorações e Medalhas  lancha pegou bem no meio da baía!" 

As  condecorações  e  medalhas  são  usadas  no  lado  Parece  que  a  expressão  vem  de  "pegar  tempo",  ou 
esquerdo do peito.  seja,  pegar  mau  tempo.  Fulano  está  pegando  tempo, 
para  resolver  a  primeira  questão  de  sua 
O  costume,  que  não  é  apenas  naval,  vem  do  tempo 
prova...Aquele  marujo  não  conseguiu  safar‐se  para  a 
das cruzadas, quando os cavaleiros traziam a insígnia 
parada: pegou tempo, para arranjar um boné novo" 
de  sua  Ordem  (as  Ordens  da  Cavalaria)  perto  do 
coração.  Era,  também,  porque  o  escudo  ficava  no  ROSCA FINA, VOGA LARGA, E VOGA PICADA: 

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Na  gíria  maruja,  muitas  expressões  externam  o 
universal  bom  humor  ou  espirituosidade  que 
caracterizam os homens do mar. As expressões "rosca 
fina",  "voga  picada"  e  "voga  larga"  são  alguns 
exemplos: 

"Rosca  fina"  (ou  ainda  "voga  picada")  denomina  o 


superior.  Oficial  ou  Praça,  que  é  exigente  na 
observância  das  normas  e  regulamentos,  bem  como, 
na  execução  das  fainas  e  tarefas,  por  si  e  pelos 
subordinados. O antônimo é o "voga larga". 

A  origem  do  primeiro  está  no  "aperto",  na  "pressão" 


impressa pelo chefe, comparada pelo marinheiro à do 
parafuso  com  rosca  fina  ‐  que  "aperta  mais".  A 
segunda  vem  de  "voga",  que  é  a  velocidade  da 
remada  ditada  pelo  patrão  aos  remadores  em  uma 
embarcação  a  remos.  Pode  ser  uma  "voga  picada" 
(regime de velocidade maior, portanto mais exaustivo 
para  os  remadores)  ou  "voga  larga"  (velocidade 
amena, mais calma, mais tranqüila). 

   

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EXERCÍCIOS:  caxanqá. 
(E)  O  gorro  de  fita  é  uma  das  tradições  que  foram 
1 ‐ (PS‐RM2‐OF/2018) Segundo as Tradições Navais da  incorporadas  à  Marinha  do  Brasil,  caracterizando  de 
Marinha  do  Brasil,  o  Apito  Marinheiro,  ao  longo  dos  forma ímpar o uniforme dos Fuzileiros Navais. 
tempos,  tem  sido  uma  das  peças  mais  características 
do  equipamento  de  uso  pessoal  da  gente  de  bordo.   
Sabre esse assunto, e correto afirmar que, na Marinha 
do Brasil:  3 ‐ (PS‐RM2‐OF/2018) Segundo as Tradições Navais da 
Marinha  do  Brasil,  a  hierarquia  militar  assume 
(A) na época dos navios a vela, a rotina de bordo era  importância  capital,  sendo  um  dos  pilares  da 
marcada com toques de apito, o que não mais ocorre  instituição, Sobre esse assunto, e correto afirmar que, 
na atualidade.  na Marin ha do Brasil: 
(B) o Apito Marinheiro tornou‐se uma espécie de 
distintivo de autoridade e mesmo de honra, sendo  (A)  a  oficialidade  do  navio  é  constituída  apenas  pelo 
utilizado por todos os oficiais para a transmissão de  Imediato  e  pelos  oficiais  com  antiguidade  inferior  a 
ordens.  dele. 
(C) hoje, o Apito Marinheiro continua preso ao  (B) os oficiais‐generais, em hierarquia ascendente, são 
pescoço por um cadarço de tecido e tem utilização  Vice‐Almirante,  Contra‐Almirante  e  Almirante  de 
apenas para comando de manobras.  Esquadra. 
(D) os toques de apitos estão grupados, por tipos, em 
toques de Continência e Cerimonial, Fainas, Pessoal  (C)  os  Tenentes,  em  hierarquia  ascendente  são:  1  ° 
Subalterno, Divisões e Manobras.  Tenente, 2° Tenente e Capitão‐Tenente. 
(E) o Oficial de Serviço utiliza o Apito Marinheiro, que 
(D)  as  praças  do  Corpo  da  Armada,  em  hierarquia 
serve para cumprimentar ou responder a 
ascendente,  são  Marinheiro,  Cabo,  Primeiro‐ 
cumprimentos dos cerimoniais. 
Sargento,  Segundo‐Sargento,  Terceiro‐Sargento  e 
  suboficial ou subtenente. 

2  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  A  farda  dos  militares  não  se  (E)  os  comandantes,  em  hierarquia  ascendente,  são 
constitui  em  uma  simples  veste,  mas,  sobretudo,  Capitães  de  Fragata,  Capitães  de  Corveta  e  Capitães 
constitui‐se  em  uma  segunda  pele,  que  adere  a  de Mar e Guerra. 
própria alma, irreversivelmente e para sempre. Nesse 
 
sentido, os uniformes dos militares têm por finalidade 
principal  caracterizá‐los,  permitindo,  à  primeira  vista,  4 ‐ (PS‐RM2‐OF/2018) Segundo as Tradições Navais da 
distingui‐los.  Sobre  esse  assunto,  assinale  a  opção  Marinha  do  Brasil,  a  Bandeira  do  Brasil,  um  dos 
correta.  símbolos  nacionais,  tem  tratamento  especial  por 
parte  de  todos  os  militares.  Sobre  esse  assunto, 
(A) Os sargentos, Cabos e Marinheiros cursados usam 
assinale a opção correta. 
sempre,  para  distinção  de  graduação,  divisas  nos 
ombros.   
(B) O uniforme típico de Marinheiro é universal. Suas 
características  são,  principalmente,  o  lenço  azul  ao  (A) Os navios da Marinha do Brasil, quando atracados, 
pescoço  e  a  gola  preta  com  três  listras.  fundeados  ou  amarrados,  arvoram  a  Bandeira 
(C)  Os  Marinheiros‐Recrutas,  Aprendizes‐Marinheiros  Nacional no mastro principal. 
e  Grumetes,  em  seus  uniformes,  usam  divisas  no 
(B)  Na  Marinha  do  Brasil,  o  Cerimonial  de  arriar  a 
braço. 
Bandeira  Nacional  é  feito  todos  as  dias,  exatamente 
(D)  Os  Cabos  e  Marinheiros  usam  uniformes  brancos 
na hora do pôr do sol. 
ou  azuis,  de  gala,  e  na  cabeça  sempre  chapéus 
redondos  típicos,  de  cor  branca,  denominados 

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(C) Nos navios da Marinha do Brasil, todos que entram 
a bordo pela primeira vez no dia, ou que se retiram de 
bordo  pela  última  vez  no  dia,  cumprimentam  a 
Bandeira  Nacional  no  mastro  principal,  com  o  navio 
no porto. 

(D) Os navios da Marinha do Brasil arvoram a Bandeira 
do  Cruzeiro  no  pau  de  jeque,  localizado  na  popa,  a 
qual  sempre  acompanha  os  movimentos  da  Bandeira 
Nacional. 

(E)  A  Bandeira  do  Cruzeiro,  em  dias  de  luto,  não 


acompanha a Bandeira Nacional, a meio‐pau. 

Respostas: 

1  D 
2  E 
3  A 
4  B 
   
 

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HISTÓRIA NAVAL  obstáculos  entre  os  povos  da  Terra,  tornaram‐se  vias 
de comunicação entre eles. 
1 ‐ A História da Navegação: 
O desenvolvimento dos navios portugueses 
Os  navios  de  madeira:  construindo  embarcações  e 
navios  As  caravelas  provavelmente  tiveram  sua 
origem em embarcações de pesca, que já existiam na 
O  primeiro  método  de  construção  de  Península  Ibérica  desde  o  século  XIII.  Tinham,  em 
embarcações,  utilizado  desde  a  canoa  de  tábuas,  é  geral,  velas  latinas.  As  velas  latinas  são  próprias  para 
chamado de “costado rígido”. Construía‐se primeiro o  navegar com qualquer vento e, por isso, adequadas às 
costado  da  embarcação,  juntando  as  tábuas  pelas  explorações  da  costa  da  África.  Principalmente  foi 
bordas  e,  depois,  acrescentavam‐se,  os  reforços  com  as  caravelas  que  os  portugueses  exploraram  o 
estruturais  internos  e  externos.  O  costado  podia  ser  litoral  africano  durante  o  século  XV.  Devido  ao 
liso  ou  trincado,  conforme  se  juntavam  as  tábuas,  desenvolvimento  dos  navios  e  de  técnicas  e 
topo a topo ou sobrepondo suas bordas. O resultado  instrumentos náuticos foi possível chegar ao extremo 
deste  método  é  um  casco  resistente,  com  ênfase  sul do continente africano, ao Cabo da Boa Esperança, 
estrutural  no  costado,  bom  para  resistir  a  colisões  e  permitindo  contornar  a  África,  passando  do  Oceano 
para encalhar, se necessário, nas praias. Ainda hoje se  Atlântico para o Oceano Índico, e chegar ao Oriente. 
constroem  pequenas  embarcações  assim  e,  na 
Antigüidade, era como se construíam as galés.  A partir de então apareceu a nau, navio maior 
destinado  à  navegação  e  ao  transporte  de 
As  galés  eram  embarcações  movidas  mercadorias.  Tem‐se  notícias  que  naus  de  três 
principalmente  por  remos,  algumas  com  muitos  mastros, com o velame completamente desenvolvido, 
remadores,  embora  pudessem  também  ter  velas.  eram utilizadas pelos portugueses desde o século XV. 
Foram  muito  utilizadas  por  povos  navegadores  do 
passado,  como  os  cretenses,  os  gregos,  os  romanos,  Por  se  enfatizar  a  prática  mercantil,  as  naus 
os  bizantinos  e  os  nórdicos.  Chama‐se  de  navio  uma  eram  mal  armadas  militarmente,  levando  poucos 
embarcação  grande.  Há  mais  de  dois  mil  anos,  já  se  canhões  para  sua  defesa  e  das  rotas  marítimas  que 
construíam  navios.  Empregava‐se  a  madeira,  pois  ela  comandavam,  abrindo  espaço  para  a  concorrência 
foi o primeiro material que se mostrou mais adequado  estrangeira.  Até  então  Portugal  vinha  utilizando 
para  a  construção  naval.  Somente  após  o  caravelas  bem  armadas  como  navio  de  guerra,  mas, 
desenvolvimento  industrial  alcançado  no  século  XIX,  desde o início do século XVI, sentira a necessidade de 
há cerca de 150 anos, é que o ferro e, depois, o aço,  desenvolver  o  galeão,  navio  de  guerra  maior  e  com 
passaram  a  ser  matérias‐primas  importantes  para  a  mais  canhões,  para  combater  os  turcos  no  Oriente  e 
construção naval.  os  corsários  e  piratas  europeus  ou  muçulmanos  no 
Atlântico.  O  galeão  foi  a  verdadeira  origem  do  navio 
Chegou‐se  ao  método  de  “esqueleto  rígido”  de  guerra  para  emprego  no  oceano.  Foi  construído 
após uma longa evolução que durou mais de mil anos,  para fazer longas viagens e combater longe da Europa. 
passando por métodos chamados de híbridos, em que 
algumas  cavernas  eram  montadas  antes  do  costado,  O  desenvolvimento  da  navegação  oceânica:  os 
para  possibilitar  algum  controle  da  forma  final  do  instrumentos e as cartas de marear 
casco.  Embora  o  método  de  esqueleto  rígido  tivesse 
se desenvolvido no litoral do Mar Mediterrâneo (fora  Para  que  Portugal  pudesse  realizar  a  expansão 
de  Portugal),  ele  foi  empregado  pelos  portugueses  marítima efetiva nos séculos XV e XVI foi preciso que 
para construir os navios que iniciaram, no século XV, a  se  aperfeiçoasse  a  navegação,  de  modo  a  que  se 
aventura  das  Grandes  Navegações,  que  não  somente  tornasse  transoceânica  e  não  apenas  costeira,  como 
levou  ao  Descobrimento  do  Brasil,  mas  também  se praticava. 
transformou  o  mundo.  Os  oceanos,  que  antes  eram 

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Quando  começaram  as  Grandes  Navegações,  que ocupa a posição no céu mais próxima do pólo sul 
já  eram  conhecidos  a  bússola,  inventada  pelos  celeste,  não  está  suficientemente  próxima  para  ser 
chineses,  também  chamada  de  agulha  de  marear  ou  uma referência para a navegação. A melhor forma de 
agulha  magnética,  e,  dentre  os  instrumentos  de  calcular a latitude nesse hemisfério era observando o 
observação, o astrolábio.  Sol em sua passagem meridiana, ou seja, medindo em 
graus  sua  altura,  quando  ele  passa  pelo  ponto  mais 
A  bússola  é  composta  por  uma  agulha  alto do céu, no local onde se está. Os navegadores da 
imantada  que  se  alinha  em  função  do  campo  época  das  Grandes  Navegações  faziam  isto  muito 
magnético  natural  da  terra,  podendo‐se  saber  a  bem,  utilizando  instrumentos  náuticos.  O  astrolábio 
direção  em  que  está  o  pólo  norte  magnético,  era o mais importante deles e servia, neste caso, para 
propiciando ao navio traçar seu rumo, sua direção.  medir  o  ângulo  entre  o  Sol  em  sua  passagem 
Para  saber  exatamente  a  posição  em  que  se  meridiana e a vertical. Outros instrumentos utilizados 
está  em  relação  ao  globo  terrestre,  é  necessário  mais tarde, como o quadrante e o sextante, mediam a 
calcular  a  latitude  e  a  longitude  do  local.  O  cálculo  altura  do  Sol  através  do  ângulo  em  relação  ao 
prático  da  longitude,  a  bordo  de  navios,  depende  de  horizonte. 
se  conhecer,  com  precisão,  a  hora.  Porém,  a  As  cartas  náuticas  eram  muito  imprecisas  e 
inexistência  de  relógios  (cronômetros)  que  não  passaram por um difícil processo de desenvolvimento. 
fossem afetados pelos movimentos do navio causados  As  que  foram  inicialmente  elaboradas  pelos 
pelas  ondas  fez  com  que  a  hora  não  pudesse  ser  portugueses  eram  conhecidas  como  portulanos.  A 
calculada  no  mar  até  o  século  XVIII,  quando  foram  partir  do  final  do  século  XVI,  passou‐se  a  utilizar  a 
desenvolvidos  cronômetros  adequados  para  serem  Projeção  de  Mercator  .  Esta  projeção  é  utilizada  até 
utilizados a bordo dos navios. A latitude não era difícil  os  dias  de  hoje  nas  cartas  náuticas.  Nela  os 
de  se  calcular  e  era  através  dela  e  da  estimativa  de  meridianos  e  paralelos  são  representados  por  linhas 
quanto  o  navio  havia  se  deslocado,  que  os  retas,  que  se  interceptam  formando  ângulos  de  90 
navegadores  da  época  das  Grandes  Navegações  graus.  Isto  causa  consideráveis  distorções  nas 
sabiam  aproximadamente  onde  estavam.  latitudes mais elevadas, porém tem a vantagem de os 
Evidentemente,  erros  de  navegação  ocorreram  com  rumos e as marcações de pontos de terra serem linhas 
conseqüências desastrosas.  retas, facilitando a plotagem nas cartas. Como a Terra 
No  Hemisfério  Norte,  a  estrela  Polar,  que  é aproximadamente esférica (na verdade um geóide), 
ocupa  uma  posição  muito  próxima  do  pólo  norte  a  distância  mais  curta  entre  dois  pontos  não  é  uma 
celeste,  permite  nos  crepúsculos  –  ao  nascente  e  ao  linha  reta  na  Projeção  de  Mercator,  mas  isto  é 
poente,  quando  se  avista  ao  mesmo  tempo  o  somente  um  pequeno  inconveniente  e  a  curva  que 
horizonte  e  as  estrelas  de  maior  brilho  no  céu  –  um  representa a menor distância pode ser calculada pelo 
cálculo mais seguro da latitude. Basta medir sua altura  navegador. 
em relação ao horizonte. Navegar mantendo a mesma  A vida a bordo dos navios veleiros 
altura significa manter a mesma latitude. Deslocando‐
se  para  o  Sul  ou  para  o  Norte,  essa  altura  varia.  Era  A  vida  a  bordo  dos  navios  veleiros  era  muito 
assim, e com a ajuda de umas pedras translúcidas que  difícil. O trabalho a bordo, com as manobras de pano, 
polarizavam  a luz nos dias nublados, que os nórdicos  muitas  vezes  durante  tempestades,  exigia  bastante 
navegavam  sem  agulha  de  marear.  Viajando  para  o  esforço  físico  e  era  arriscado.  A  comida,  sem 
Oeste,  alcançaram  a  Islândia  e  a  América  do  Norte  possibilidade de se ter uma frigorífica, era deficiente, 
(muitos séculos antes de Cristóvão Colombo chegar à  principalmente em vitaminas, o que causava doenças 
América em 1492).  como  o  beribéri  (pela  carência  de  vitamina  B)  e  o 
escorbuto (carência de vitamina C). Durante os longos 
No Hemisfério Sul, a estrela Polar, que marca  períodos  de  mau  tempo,  não  havia  como  secar  as 
o pólo norte celeste, não é visível, e a estrela Alfa do  roupas.  A  higiene  a  bordo  também  deixava  muito  a 
Cruzeiro  do  Sul  (a  mais  brilhante  desta  constelação), 

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desejar.  Muitos  morreram  nas  longas  viagens 
oceânicas. 

Cabe  observar  que  a  vida  em  terra  também 


não  era  fácil.  O  trabalho  podia  ser  fatigante  e  o 
ambiente insalubre. Desconhecia‐se a causa de muitas 
doenças. Havia pouco conhecimento sobre uma dieta 
alimentar  adequada,  a  medicina  da  época  era  muito 
deficiente  e  os  antibióticos  ainda  não  existiam. 
Morria‐se  por  infecções  causadas  por  bactérias,  que 
seriam  curadas  sem  grandes  dificuldades  nos  dias  de 
hoje. 

O  escorbuto  merece  destaque,  pois  foi  uma 


doença  que  causou  a  morte  de  muitos  marinheiros 
nas longas estadias no mar, quando a dieta dependia 
apenas  de  peixe,  carne  salgada  e  biscoito  (feito  de 
farinha de trigo, o último alimento que se deteriorava 
a  bordo  dos  veleiros).  O  escorbuto  é  causado  pela 
falta  de  vitamina  C  na  dieta.  As  gengivas  incham  e 
sangram,  os  dentes  perdem  sua  fixação,  aparecem 
manchas  na  pele,  sente‐se  muito  cansaço.  Com  o 
tempo,  vem  a  morte.  Em  uma  viagem  da  Marinha 
inglesa  (força  naval  comandada  pelo  Comodoro 
George  Anson),  em  1741,  dos  dois  mil  homens  que 
partiram  da  Inglaterra,  somente  200  regressaram.  A 
maioria morreu por causa do escorbuto. Por volta de 
1800,  descobriu‐se  que  esse  mal  poderia  ser  evitado 
acrescentando à dieta suco de limão, rico em vitamina 
C, pois sua ingestão diária, em pequenas doses, evita 
o  escorbuto,  tornando  mais  saudável  a  vida  a  bordo 
dos navios. 

   

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EXERCÍCIO:  3  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  Na  época  da  projeção  de 
Portugal  e  Espanha  na  navegação  oceânica,  no  final 
1  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  –  O  desenvolvimento  da  do século XV, já se conhecia a bússola e o astrolábio. 
tecnologia náutica ocorrido na Península Ibérica entre  Naquela época, para o navegante saber exatamente a 
os séculos XIII e XV foi fundamental para a consecução  posição  do  navio  em  relação  ao  globo  terrestre,  era 
da  navegação  oceânica,  possibilitando  a  emergência  necessário  calcular  a  latitude  e  a  longitude  do  local. 
das  chamadas  “Grandes  Navegações”.  Assinale  a  Com base nessas informações, é correto afirmar que, 
opção  que  representa  uma  embarcação  pertencente  no século XV: 
ao contexto histórico da Expansão Marítima Europeia 
dos séculos XV‐XVI.  (A) o cálculo prático da longitude a bordo de navios 
era difícil, pois dependia de se conhecer, com 
(A) O Encouraçado tipo dreadnought, detentor de  precisão, a hora. 
forte armamento e poderosa blindagem e resistente  (B) já existiam cronômetros rudimentares, que 
às intempéries oceânicas.  possuíam a vantagem de fornecer os rumos e as 
(B) A galé movida a remo, que se constituía como  marcações de pontos de terra em linhas retas, 
embarcação veloz e era própria para a navegação  facilitando a plotagem da latitude e da longitude nas 
atlântica.  cartas náuticas. 
(C) A caravela, que devido às suas velas latinas  (C) a latitude era difícil de ser calculada, e era por 
possibilitou melhor navegabilidade na costa africana.  meio dela e da estimativa de quanto o navio havia se 
(D) O galeão, que fora projetado para servir  deslocado que os navegadores da época sabiam 
exclusivamente como navio mercante, tendo, desse  exatamente a sua localização no mar. 
modo, um grande porte.  (D) o quadrante e o sextante mediam os meridianos e 
(E) A nau, que era uma embarcação de pequeno porte  os paralelos, representados por linhas retas que se 
totalmente desarmada e equipada com velas  interceptam formando ângulos de 90 graus, 
redondas.  permitindo estimar a hora e o cálculo da latitude. 
Resposta:  (E) a bússola já auxiliava na navegação, por apontar 
(C)  sempre para o norte verdadeiro terrestre, e o 
astrolábio era utilizado para o cálculo da latitude e 
2  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Até  o  final  do  século  XVI,  as  longitude entre o nascer e o pôr do sol. 
cartas náuticas eram muito imprecisas e passaram por 
um  difícil  processo  de  desenvolvimento.  A  partir  de  Resposta: 
então,  passou‐se  a  utilizar  uma  projeção  nas  cartas  (A) 
náuticas  cujo  emprego  perdura  até  os  dias  de  hoje.   
Nessa  projeção,  os  meridianos  e  paralelos  são 
representados  por  linhas  retas,  que  se  interceptam     
formando ângulos de 90 graus. 

A projeção descrita acima é denominada 

(A) Projeção de Mercator. 
(B) Portulano. 
(C) Projeção Europeia. 
(D) Projeção de Colombo. 
(E) Projeção lbérica. 

Resposta: 
(A) 

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2 ‐ A Expansão Marítima Européia e o Descobrimento  Álvares  Cabral  chegou  às  terras  do  Brasil, 
do Brasil  consolidando o império ultramarino português.  

Este capítulo aborda as condicionantes físicas  Descoberta as terras que Portugal denominou 
e  políticas  que  levaram  os  portugueses  a  se  Brasil,  tornou‐se  imperioso  seu  reconhecimento  e 
aventurarem  pelo  “mar  tenebroso”  ‐  como  povoamento.  Veremos,  a  partir  daqui,  quais  as 
antigamente  era  chamado  o  Oceano  Atlântico  ‐  em  expedições  que  partiram  para  o  reconhecimento  do 
busca de caminhos alternativos para o comércio com  litoral das novas terras e as providências para povoá‐
o  Oriente.  Examinamos  no  capítulo  anterior  o  la  e  defendê‐la.  Como  “Navegar  é  preciso”,  vamos 
desenvolvimento  da  construção  naval  e  dos  partir para o reconhecimento de novas terras... 
instrumentos  náuticos  que  permitiram  tal  feito  e 
“As armas e os barões assinalados  
agora  vamos  conhecer  um  pouco  da  história  de 
Que da Ocidental praia Lusitana,  
Portugal e de seus navegadores. 
Por mares nunca dantes navegados  
Passaram ainda além da Taprobana, 
O  pioneirismo  português,  ao  assumir  a 
Em perigos e guerras esforçados 
liderança do processo de expansão marítima européia 
Mais do que prometia a força humana, 
no  final  do  século  XIV,  encontra  explicação  em  dois 
E entre gente remota edificaram;... 
acontecimentos  decisivos:  o  país  estava  com  suas 
fronteiras  estabelecidas,  após  as  guerras  da  Já no largo Oceano navegavam, 
Reconquista  (que  resultou  na  expulsão  dos  As inquietas ondas apartando;  
muçulmanos  da  Península  Ibérica)  e  firmava‐se,  Os ventos brandamente respiravam, 
Das naus as velas côncavas inchando; 
então,  como  o  primeiro  Estado  europeu  moderno, 
Da branca escuma os mares se mostravam 
politicamente  centralizado,  após  a  vitória  militar 
Cobertos, onde as proas vão cortando 
contra  os  reinos  vizinhos  de  Leão  e  Castela.  Tal 
As marítimas águas consagradas,... 
processo  de  centralização  do  poder  foi  fator  muito 
importante  para  que  o  reino  português  pudesse  (Trechos de um dos poemas de Luís Vaz de Camões, da obra 
lançar‐se  a  aventura  ultramarina,  e  quebrar  o  Os Lusíadas, editada em 1572). 
monopólio  exercido  pelas  cidades  de  Gênova  e 
Fundamentos da organização do Estado português e 
Veneza  sobre  as  rotas  de  comércio  com  a  Ásia  e 
a expansão ultramarina 
estabelecer contato direto com as fontes produtoras. 
Para  isso,  em  muito  contribuiu  a  estrutura  naval  já  A  condição  fundamental  para  o  processo  de 
existente,  cujo  desenvolvimento  foi  estimulado  pela  formação  das  nações  européias  foi  a  crise  do 
coroa  portuguesa.  Na  verdade,  a  expansão  feudalismo, que teve início em meados do século XIII. 
ultramarina  ensejou  uma  aliança  entre  setores  Esta  crise  foi  resultante  da  relativa  paz  que  vivia  o 
mercantis  e  a  nobreza,  tendo  o  Estado  o  controle  e  continente  europeu,  que  permitiu  a  criação  dos 
direção de tal empreendimento.  burgos  (fora  dos  limites  do  senhor  feudal,  que  lhes 
dava proteção em troca da vassalagem), que viriam a 
A  primeira  conquista  portuguesa  no  ultramar 
se  transformar  em  vilas  ou  cidades  com  relativa 
foi  a  cidade  de  Ceuta,  ao  norte  da  África  onde  hoje 
autonomia.  Isto  provocou  o  enfraquecimento  dos 
fica  situado  o  Marrocos.  Na  seqüência,  Diogo  Cão 
senhores  feudais,  reduzindo  o  poder  da  nobreza  e, 
explorou  a  costa  africana  entre  os  anos  de  1482  e 
conseqüentemente,  abrindo  espaço  para  a  retomada 
1485.  Bartolomeu  Dias  atingiu  o  sul  do  continente 
do poder político pelos reis. 
africano e ultrapassou o Cabo das Tormentas em 1487 
(onde  hoje  fica  a  África  do  Sul)  que,  após  este  Os  soberanos,  à  medida  que  obtinham 
acontecimento,  passou  a  chamar‐se  Cabo  da  Boa  recursos  financeiros,  em  troca  de  privilégios, 
Esperança.  Vasco  da  Gama,  em  1498,  chegou  a  fortaleciam  seus  exércitos  e  submetiam  os  antigos 
Calicute,  Sudoeste  da  Índia,  estabelecendo  a  rota  feudos  e  as  novas  vilas  e  cidades  à  sua  autoridade, 
entre Portugal e o Oriente. Em 1500, a frota de Pedro 

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incorporando  esses  territórios  ao  que  viria  ser  seus  Aragão. A guerra deflagrada contra os mouros contou 
reinos. Era o embrião do futuro Estado Nacional.  com o apoio de grande parte da aristocracia européia, 
atraída  pelas  terras  que  a  conquista  lhes 
Intensas  lutas  precederam  e  consolidaram  o  proporcionaria. 
Estado português. Iniciou com a expulsão dos mouros 
da Península Ibérica em 1249 (os mouros invadiram a  Durante  o  reinado  de  Afonso  VI  (1069‐1109), 
Península  Ibérica  no  ano  de  711),  no  movimento  de  Leão  e  Castela,  a  partir  de  1072,  dois  nobres 
denominado  Reconquista,  quando  Portugal  franceses  –  Raimundo  e  Henrique  de  Borgonha  – 
consolidou  seu  território  e  firmou‐se  como  “o  receberam  como  recompensa  pelos  serviços 
primeiro  Estado  europeu  moderno”,  segundo  o  prestados na campanha a mão das filhas do rei, além 
historiador Charles Boxer. Mas somente após a vitória  de terras como dote. D. Raimundo recebeu as terras a 
sobre  os  Reinos  de  Leão  e  Castela,  em  1385,  na  norte  do  Rio  Minho,  o  Condado  de  Galiza,  e  D. 
Batalha  de  Aljubarrota,  e  a  assinatura  do  tratado  de  Henrique o Condado Portucalense. Estas terras não se 
paz  e  aliança  perpétua  com  o  Reino  de  Castela,  em  constituíam  em  reinos  independentes  e  seus 
1411, a paz foi selada.  proprietários  deviam  prestar  vassalagem  ao  rei  de 
Leão. 
Portugal  iniciou  seu  processo  de  expansão 
ultramarina  conquistando  aos  mouros  a  cidade  de  A origem do próprio Estado português se deu 
Ceuta, no norte da África. A partir daí, virou‐se para o  com  a  formação  do  Condado  Portucalense,  sob  o 
mar,  onde  se  tornou  dominante.  Como  não  poderia  domínio  de  D.  Henrique  de  Borgonha.  Este  nobre, 
deixar  de  ser,  esta  empreitada  envolveu  somas  tendo o senhorio de ampla região entre os Rios Minho 
altíssimas  e,  para  financiá‐la,  a  coroa  portuguesa  se  e Mondego, procurou reforçar, através da luta contra 
valeu  do  aumento  de  impostos  e  recorreu  a  os mouros, seu poderio sobre os demais senhores de 
empréstimos  de  grandes  comerciantes  e  banqueiros  terras  daquela  área,  bem  como  conseguir  autonomia 
(inclusive italianos).  frente aos interesses do vizinho Reino de Leão, a cujo 
soberano, como já foi dito, devia vassalagem. 
Lusitânia 
O  caráter  inicial  da  formação  dos  reinos 
A região que hoje é conhecida como Portugal  ibéricos,  definido  pelos  aspectos  militar  e  religioso 
foi  originalmente  habitada  por  populações  iberas  de  desenvolvidos nas lutas contra os mouros, marcou as 
origem  indo‐européia.  Mais  tarde,  foi  ocupada,  tendências  principais  da  constituição  desses  Estados. 
sucessivamente,  por  fenícios  (século  XII  a.C.),  gregos  De  um  lado,  o  processo  de  expulsão  do  inimigo 
(século VII a.C.), cartagineses (século III a.C.), romanos  muçulmano  deu  prioridade  ao  aspecto  militar,  o  que 
(século  II  a.C.)  e,  posteriormente,  pelos  visigodos  criou  a  necessidade  de  unificação  do  comando  das 
(povo  germânico,  convertido  ao  cristianismo  no  forças cristãs, papel exercido pelos senhores de terras 
século VI), desde 624.  mais poderosos das diversas regiões da península. Por 
Em  711,  a  região  foi  conquistada  pelos  outro  lado,  o  profundo  caráter  religioso  tomado  pela 
muçulmanos,  impulsionados  por  sua  política  de  Reconquista,  identificada  com  as  cruzadas  contra  os 
expansionismo,  tendo  como  base  uma  coligação  infiéis  muçulmanos,  fez  com  que  a  Igreja  de  Roma 
formada  por  árabes,  sírios,  persas,  egípcios  e  tivesse grande interesse no sucesso das forças cristãs. 
berberes,  estes  em  maioria,  todos  unidos  pela  fé  As  vitórias  alcançadas  pelos  exércitos  de  D. 
islâmica  e  denominados  mouros.  Quase  a  totalidade  Henrique  mostraram  à  Santa  Sé  a  importância  que 
da  península  caiu  em  mãos  dos  mouros  que,  em  seu  estes  vinham  adquirindo  no  sucesso  das  lutas 
avanço,  só  foram  bloqueados  quando  tentaram  militares.  Assim,  os  interesses  do  senhorio  do 
invadir a França.  condado e os do papado iam aos poucos convergindo 
A resistência  aos invasores só ganhou força a  para  o  reconhecimento  da  autonomia  portucalense 
partir  do  século  XI,  após  a  formação  dos  reinos  ante o Reino de Leão. 
cristãos  ao  norte,  como  Leão,  Castela,  Navarra  e 
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O Tratado de Zamora, firmado em 1143 entre  Além de setores diretamente ligados à Igreja, 
o  Duque  portucalense  D.  Afonso  Henriques  (1128‐ assinala‐se  também  intensa  vinculação  da  nobreza 
1185), filho de Henrique de Borgonha, e D. Afonso VII,  portucalense  na  formação  do  Estado  Nacional 
imperador  de  Leão,  determinou  o  reconhecimento  lusitano. Este setor social, cujo poder se originava na 
por  parte  deste  último  da  independência  do  antigo  propriedade  da  terra,  também  participou  de  forma 
condado, agora Reino de Portugal.  decisiva  nas  guerras  da  Reconquista,  apoiando  o 
esforço  militar  da  realeza.  Esta,  num  primeiro 
Ordens militares e religiosas  momento,  concedeu  privilégios  bastante  amplos  à 
Outro  fator  a  ser  ressaltado  diz  respeito  às  nobreza.  Mais  tarde,  contudo,  pretendeu  limitar  tais 
ordens  militares  (ordens  de  cavalaria  sujeitas  a  um  privilégios,  impondo  medidas  que  beneficiavam  a 
estatuto religioso e que se propunham a lutar contra  centralização do poder. 
os  mulçumanos)  no  processo  da  Reconquista.  Tais  Uma  das providências  tomadas nesse sentido 
ordens, fundadas com o intuito de auxiliar os doentes  foi  a  autonomia  concedida  pelo  poder  central  aos 
e peregrinos que iam à Terra Santa e, sobretudo, para  concelhos (que correspondem aos municípios nos dias 
combater militarmente os adeptos da fé mulçumana,  de  hoje),  onde  começavam  a  ter  influência  as 
participaram  das  batalhas  contra  os  mouros  na  aspirações  de  comerciantes  e  mestres  de  ofício.  O 
Península Ibérica.  apoio  do  rei  aos  concelhos  visava  a  enfraquecer  o 
Seus  contingentes,  em  muitos  casos,  poder  da  nobreza  fundiária  em  sua  própria  base 
formaram  a  base  dos  exércitos  cristãos.  Em  territorial, impedindo assim que os senhores de terras 
conseqüência dessa atuação, várias ordens receberam  fizessem  prevalecer  livremente  seus  interesses  nas 
doações de terras nos reinos ibéricos. Em Portugal, as  áreas  que  comandavam,  sem  levar  em  conta  as 
ordens dos Templários, de Avis e de Santiago foram as  determinações régias.  
mais beneficiadas por tais privilégios.  Outro  mecanismo  de  limitação  do  poder  da 
As  ordens,  no  entanto,  não  se  destacaram  nobreza  foi  o  estabelecimento  das  inquirições.  A 
apenas  pelo  seu  aspecto  militar.  Contribuíram  partir de uma interrupção nas lutas militares contra os 
significativamente  para  o  povoamento  do  território  mouros, entre os séculos XII e XIII, a coroa portuguesa 
português,  a  partir  das  regiões  que  lhes  foram  buscou avaliar a situação da propriedade de terras no 
distribuídas.  Em  torno  de  castelos  e  fortalezas,  com  reino. 
efeito,  desenvolveram  atividades  agrícolas  que  Durante  a  Reconquista,  a  nobreza  laica  e 
levaram à fixação da população.  eclesiástica  aproveitou‐se  da  falta  de  controle  régio 
Além  disso,  foi  igualmente  importante  nesse  para  alargar  seus  domínios  territoriais  e  privilégios, 
processo  de  ocupação  territorial  a  participação  das  prejudicando  em  alguns  casos  os  direitos  e 
ordens  religiosas  cujos  membros  não  atuavam  das  rendimentos  da  coroa.  Para  coibir  tal  situação,  o 
lutas militares. Os mosteiros e capelas destas ordens,  poder  real  utilizou‐se  das  inquirições,  pelas  quais  se 
dentre  as  quais  se  destacou  a  dos  beneditinos,  formavam  comissões  de  inquérito  (alçadas)  a  fim  de 
tornaram‐se  pólos  de  atração  pela  segurança  que  investigar se os direitos reais devidos estariam sendo 
ofereciam  a  inúmeras  famílias.  Da  mesma  forma,  cumpridos  e  até  mesmo  verificar  o  direito  legal  às 
desde  a  Reconquista,  as  ordens  tomaram  a  peito  a  propriedades. 
colonização  de  zonas  desertas  ou  dizimadas  pela  Tal  mecanismo  se  completava  com  as 
guerra,  criando  novos  focos  de  povoamento  e  confirmações, processo pelo qual o rei sancionava não 
estimulando a exploração da terra.  só  a  propriedade  da  terra  como  o  próprio  título 
  nobiliárquico  do  senhor  em  questão.  Esses  poderes 
submetiam, de certa maneira, a nobreza eclesiástica e 
O papel da nobreza  civil à coroa, já que passavam a depender desta para a 
preservação tanto do título quanto da propriedade. 

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A importância do mar na formação de Portugal  em  1317,  o  genovês  Pezagno  (ou  Manuel  Pessanha). 
Data dessa época a chegada dos portugueses às Ilhas 
Paralelamente  aos  problemas  político‐ Canárias. 
territoriais apontados, é digno de destaque que, além 
da agricultura, o comércio marítimo e a pesca eram as  Deve‐se  também  à  sua  iniciativa  a 
mais  importantes  atividades  praticadas  em  Portugal,  intensificação  da  monocultura  do  pinheiro  bravo 
país  de  solo  nem  sempre  fértil  e  produtivo.  A  (Pinhal  de  Leiria),  em  princípio,  com  a  finalidade  de 
atividade  pesqueira  destacou‐se  como  fundamental  criar  uma  barreira  vegetal  que  protegesse  as  terras 
para complemento da alimentação de sua população.  agrícolas  do  avanço  das  areias  costeiras  e,  também, 
como  reserva  florestal  para  o  fornecimento  de 
Situado  em  posição  geográfica  estratégica,  à  madeira destinada à construção naval e à exportação.  
beira  do  Oceano  Atlântico  e  próximo  ao 
Mediterrâneo,  era  de  se  esperar  que  desenvolvesse  O  cultivo  era  extremamente  racional:  sempre 
grande  devotamento  à  navegação  e,  que  havia  corte  de  árvores,  novas  mudas  eram 
conseqüentemente,  à  construção  naval.  Natural,  plantadas  de  imediato,  recorrendose  a  enormes 
também,  que  a  Marinha  portuguesa  fosse  utilizada  sementeiras.  Esta  ação  manteve  o  pinhal 
em  caráter  militar,  o  que  ocorreu  a  partir  do  século  praticamente  intacto  e  foi  bastante  utilizado  durante 
XII.  os  séculos  XV  e  XVI,  no  período  dos  descobrimentos 
marítimos.  Além  de  fornecer  madeira  para  a 
No  reinado  de  D.  Sancho  II  (1223‐1245)  construção  naval,  o  pinho  fornecia  um  subproduto 
podem  ser  assinaladas  as  primeiras  tentativas  de  importantíssimo  para  conservação  e  calafeto  dos 
implantação  de  uma  frota  naval  pertencente  ao  cascos  das  embarcações:  o  chamado  pez,  alcatrão 
Estado,  ordenando,  inclusive,  a  construção  de  locais  vegetal de grande poder de vedação. É notável que o 
específicos nas praias para reparo de embarcações.  Pinhal de Leiria exista até os dias de hoje, constituindo 
Desenvolvimento econômico e social  uma das maiores manchas naturais da região do norte 
do distrito de Leiria. 
Durante  o  reinado  de  D.  Dinis  (1279‐1325), 
sexto rei de  Portugal (primeiro a assinar documentos  No  reinado  de  D.  Fernando  I  (1367‐1383), 
com nome completo e, presumidamente, primeiro rei  último soberano da dinastia de Borgonha, foi baixada 
não  analfabeto  daquele  país),  iniciativas  bastante  a  Lei  de  Sesmarias,  de  28  de  maio  de  1375.  Tendo 
relevantes foram adotadas para o fomento da cultura,  como  medida  coercitiva  mais  rígida  a  expropriação 
da  agricultura,  do  comércio  e  da  navegação.  das  terras  não  produtivas,  essa  lei  foi  mais  uma 
Denominado O Lavrador ou Rei Agricultor e ainda Rei  tentativa de solucionar a carência de mão‐de‐obra no 
Poeta  ou  Rei  Trovador,  D.  Dinis  foi  um  monarca  campo,  causada  pela  fuga  das  populações  para  os 
essencialmente  administrador  e  não  guerreiro.  centros urbanos, devido à peste negra. O resultado foi 
Envolvendo‐se  em  guerra  contra  Castela,  em  1295,  uma  séria  crise  de  abastecimento  de  gêneros 
desistiu  dela  em  troca  das  Vilas  de  Serpa  e  Moura.  alimentícios no reino. 
Pelo  Tratado  de  Alcanizes  (1297)  formou  a  paz  com  A  Lei  de  Sesmarias,  que  mais  tarde  seria 
Castela, ocasião em que foram definidas as fronteiras  aplicada  no  Brasil,  teve  pouco  efeito  prático.  Seus 
atuais entre os países ibéricos.  artigos,  apesar  de  conterem  ameaças  aos 
Preocupado  com  a  infra‐estrutura  do  país,  proprietários  de  terras,  atuaram  no  sentido  de 
ordenou  a  exploração  de  minas  de  cobre,  estanho  e  fortalecê‐los,  pois  obrigavam  os  trabalhadores  a 
ferro,  fomentou  as  trocas  comerciais  com  outros  permanecerem  nos  campos,  mesmo  em  troca  de 
países,  assinou  o  primeiro  tratado  comercial  com  a  baixa remuneração. 
Inglaterra,  em  1308,  e  instituiu  a  Marinha  Real.  Ainda  durante  o  reinado  de  D.  Fernando  I,  a 
Nomeou  então  o  primeiro  almirante  (que  se  tem  construção naval recebeu grande incentivo, mediante 
conhecimento)  da  Marinha  portuguesa,  Nuno  a  isenção  de  impostos  e  a  concessão  de  vantagens  e 
Fernandes Cogominho, para cuja vaga foi contratado, 
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garantias  aos  construtores  navais,  tais  como  a  Outra  conseqüência  importante  dos  fatos 
autorização  aos  construtores  de  embarcações  com  apontados foi a renovação da aristocracia portuguesa. 
mais  de  cem  tonéis  que  cortassem  a  madeira  Os  setores  que  haviam  apoiado  Castela  tiveram  seus 
necessária nas matas reais com isenção de impostos.  bens confiscados pela coroa, a qual os doou em parte 
Também  ficou  isenta  de  impostos,  a  matéria‐prima  aos  seus  aliados.  Com  tal  divisão  na  nobreza,  houve 
importada  destinada  à  construção  naval.  Em  1380,  o  até mesmo casos em que pais perderam os bens para 
monarca criou a Companhia das Naus, que funcionava  seus próprios filhos. 
como  uma  empresa  de  seguros  destinada  a  evitar  a 
ruína financeira dos homens do mar. Como resultado,  Além disso, o apoio dos grupos mercantis a D. 
incrementaram‐se o comércio marítimo, a exportação  João  I  fez  com  que  as  aspirações  de  tais  grupos 
de produtos da agricultura e a importação de tecidos  passassem  a  ser  valorizadas  pelo  poder  régio.  A 
e  manufaturas.  As  rendas  da  Alfândega  de  Lisboa,  situação  econômica  do  reino,  ao  sair  vitoriosa  da 
considerado  porto  franco,  aumentaram  revolução,  era  uma  das  mais  graves.  A  alta  do  custo 
significativamente  e  era  intensamente  freqüentado  de  vida  e  a  queda  do  valor  da  moeda  colocaram  o 
por estrangeiros.  tesouro português em situação bastante difícil. 

Outra importante iniciativa de D. Fernando foi  A  nobreza  também  teve  suas  bases  de  poder 


a  instalação  da  Torre  do  Tombo,  o  Arquivo  Nacional  atingidas pelo movimento de centralização régia, com 
Português,  onde  se  guardavam  documentos  a colocação em prática da Lei Mental. Por meio dessa 
importantes que preservavam a memória e a história  lei,  baixada  por  D.  Duarte  (1433‐1438)  em  8  de  abril 
de  Portugal.  Foi‐lhe  dado  este  nome  porque  ficava  de  1434,  os  bens  doados  pela  coroa  à  nobreza  só 
sediado numa torre do Castelo de São Jorge, e tombo,  poderiam ser herdados pelo filho varão legítimo mais 
porque  significava  lançar  em  livro,  inventariar,  velho.  Isso  permitiu  à  coroa  retomar  uma  série  de 
registrar.  propriedades  antes  doadas  às  famílias  nobres, 
reforçando seu poder e, de alguma maneira, minando 
D.  Fernando  I  envolveu‐se  em  três  guerras  as bases do poderio senhorial. 
contra  Castela  e  passou  a  ser  malvisto  pela  opinião 
pública  por  seu  casamento  com  Dona  Leonor  Teles  Tal  processo  de  centralização  do  poder  foi  o 
(cujo casamento anterior fora anulado). Após a morte  elemento  essencial  que  permitiu  ao  reino  português 
de  D.  Fernando,  os  portugueses  não  aceitaram  a  lançar‐se  na  expansão  ultramarina.  Deve‐se  destacar 
regência  da  rainha  viúva  em  nome  da  filha,  a  Infanta  ainda  que  os  limites  da  extração  das  rendas  obtidas 
Dona Beatriz, casada com um potencial inimigo, o rei  com a agricultura fizeram a coroa voltar seus olhos às 
de Castela. Este fator, somado à continuidade da crise  atividades comerciais e marítimas. 
de abastecimento, deflagrou a Revolução de Avis.  O  monopólio  exercido  pelas  cidades  italianas 
Após deliberação das Cortes, foi aclamado rei  de Gênova e Veneza sobre as rotas de comércio com a 
o  Mestre  da  Ordem  de  Avis,  D.  João  I  (1385‐1433),  Ásia  levou  os  grupos  mercantis  portugueses  a 
filho  bastardo  do  oitavo  rei  de  Portugal  D.  Pedro  I  procurar  outra  alternativa  para  a  realização  de  seus 
(1357‐1367),  a  quem  caberia  inaugurar  uma  nova  negócios  e,  conseqüentemente,  para  obtenção  de 
dinastia.  lucros. A saída seria a tentativa de contato direto com 
os  comerciantes  árabes,  evitando  o  intermediário 
Vitoriosa  em  Lisboa,  a  revolta  transformou‐se  em  genovês  ou  veneziano.  Para  isso  muito  contribuiu  a 
movimento  de  fidalgos  e  plebeus  em  guerra  contra  estrutura  naval  já  existente  no  reino,  cujo 
Castela,  cujo  rei  declarou  pretensão  à  coroa  desenvolvimento foi estimulado pela coroa. 
portuguesa. Os castelhanos foram vencidos em várias 
batalhas e, embora tenham bloqueado Lisboa, foram,  A  expansão  marítima  portuguesa 
afinal,  fragorosamente  derrotados  na  Batalha  de  caracterizou‐se  por  duas  vertentes.  A  primeira,  de 
Aljubarrota (1385). A paz só foi selada em 1411.  aspecto imediatista, realizada ao norte do continente 
africano,  visava  à  obtenção  de  riquezas  acumuladas 

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naquelas  regiões  através  de  prática  de  pilhagens.  A   Em 1444, atingiram a Ilha de Arguim, no Senegal, 
tomada  de  Ceuta,  no  norte  da  África  (Marrocos),  em  onde  instalaram  a  primeira  feitoria  em  território 
1415,  seria  um  dos  exemplos  mais  representativos  africano  e  iniciaram  a  comercialização  de 
deste  tipo  de  empreendimento  e  marca  o  início  da  escravos, marfim e ouro. 
expansão portuguesa rumo à África e à Ásia.   Entre  1445  e  1461,  descobriram  o  Cabo  Verde, 
navegaram  pelos  Rios  Senegal  e  Gâmbia  e 
Em menos de um século, Portugal dominou as 
avançaram até Serra Leoa. 
rotas comerciais do Atlântico Sul, da África e da Ásia, 
 Entre  1470  e  1475,  exploraram  a  costa  da  Serra 
cuja presença foi tão marcante nesses mercados que, 
Leoa até o Cabo de Santa Catarina. 
nos séculos XVI e XVII, a língua portuguesa era usada 
 Em  1482,  atingiram  São  Jorge  da  Mina  e 
nos portos como língua franca – aquela que permite o 
avançaram até o Rio Zaire, o trecho mais difícil da 
entendimento  entre  marinheiros  de  diferentes 
costa  ocidental  africana.  O  navegador  Diogo  Cão 
nacionalidades.  Na  segunda  vertente,  o  objetivo 
explorou a costa da África Ocidental entre 1482 e 
colocava‐se  mais  a  longo  prazo,  já  que  se  buscava 
1485. 
conquistar  pontos  estratégicos  das  rotas  comerciais 
 No período 1487/1488, Bartolomeu Dias atingiu o 
com  o  Oriente,  criando  ali  entrepostos  (feitorias) 
Cabo  das  Tormentas,  no  extremo  Sul  do 
controlados  pelos  comerciantes  lusos.  Foi  o  caso  da 
continente  –  que  passou  a  ser  chamado  de  Cabo 
tomada  das  cidades  asiáticas.  Tal  modo  de  expansão 
da  Boa  Esperança  –  e  chegou  ao  Oceano  Índico, 
também  ficou  marcado  pelo  aspecto  religioso 
conquistando o trecho mais difícil do caminho das 
(cruzadas),  pois  mantinha‐se  a  idéia  de  luta  cristã 
Índias. 
contra os muçulmanos. 
 Em  1498,  Vasco  da  Gama  chegou  a  Calicute,  na 
A  expansão  ultramarina  permitiu,  assim,  uma  costa  Sudoeste  da  Índia,  estabelecendo  a  rota 
convergência de interesses entre os setores mercantis  entre Portugal e o Oriente. 
e  a  nobreza,  tendo  o  Estado  o  papel  de  controle  e 
Durante  o  reinado  de  D.  João  II,  iniciado  em 
direção  de  tal  empreendimento.  O  monopólio  do 
1481,  a  expansão  ultramarina  atingiu  o  auge  com  os 
comércio  dos  produtos  asiáticos  e  o  tráfico  de 
feitos dos navegadores Diogo Cão e Bartolomeu Dias. 
escravos  africanos  (mão‐de‐obra  para  as  regiões 
Abriram‐se,  desse  modo,  novas  e  extraordinárias 
produtoras  de  matérias‐primas)  enriqueciam  não  só 
perspectivas para a nação portuguesa. O negócio das 
os grupos mercantis, como geravam vultosas receitas 
especiarias do Oriente, levadas para a Arábia e para o 
para  o  tesouro  régio,  as  quais  a  coroa,  em  certa 
Egito  pelos  árabes  e  dali  transportadas  aos  países 
medida,  repassava  à  nobreza  através  da  doação  de 
europeus,  por  intermédio  de  Veneza  –  que 
mercês,  bens  móveis  e  de  raiz,  bem  como  de 
enriquecera  com  o  tráfico  –,  vai  se  concentrar  em 
privilégios. 
novas  rotas,  deslocando  o  foco  do  comércio  mundial 
Cronologicamente e resumidamente, assim se  do Mediterrâneo para o Oceano Atlântico. 
deu o referido processo expansionista: 
Foi  justamente  um  genovês,  Cristóvão 
 Entre  1421  e  1434,  os  lusitanos  chegaram  aos  Colombo, quem abalou as pretensões de D. João II na 
Arquipélagos  da  Madeira  e  dos  Açores  e  sua política expansionista, ao descobrir a América em 
avançaram  para  além  do  Cabo  Bojador.  Até  esse  1492.  No  retorno  de  sua  famosa  viagem,  Colombo 
ponto, a navegação era basicamente costeira.  avistou‐se  com  o  rei  de  Portugal  comunicando‐lhe  a 
 Em  1436  atingiram  o  Rio  do  Ouro  e  iniciaram  a  descoberta.  Anteriormente,  o  mesmo  Colombo  já 
conquista  da  Guiné.  Ali  se  apropriaram  da  Mina,  havia oferecido seus serviços ao soberano português, 
centro aurífero explorado pelos reinos nativos em  que recusou a oferta baseado em informações dadas 
associação  aos  comerciantes  mouros,  a  maior  pelos  cosmógrafos  do  reino,  levando  o  genovês  a 
fonte  de  ouro  de  toda  a  história  de  Portugal  até  dirigir‐se a Castela, onde obteve apoio financeiro para 
aquela data.  sua famosa viagem. 
 Em 1441, chegaram ao Cabo Branco. 

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Abalado  com  as  notícias  trazidas  por  que  seriam  caravelas,  incluída  aí,  uma  naveta  de 
Colombo,  D.  João  II  cogitou  em  mandar  uma  mantimentos). 
expedição  em  direção  às  terras  recém  descobertas, 
convencido de que lhe pertenciam por direito. Pouco  De  seu  comandante,  Pedro  Álvares  Cabral, 
depois, a questão foi arbitrada por três bulas do Papa  sabe‐se que nasceu na Vila de Belmonte em 1467 ou 
Alexandre  VI,  que  concederam  à  Espanha  os  direitos  1468,  segundo  filho  de  Fernão  Cabral,  senhor  de 
sobre  as  terras  achadas  por  seus  navegadores  a  Belmonte, e de Dona Isabel de Gouveia. Na juventude 
ocidente  do  meridiano  traçado  a  cem  léguas  a  oeste  teria  prestado  bons  serviços  à  coroa  nas  guerras  da 
das Ilhas dos Açores e de Cabo Verde.  África  e  por  isso  recebia  13.000  réis  anuais.  De 
qualquer  modo,  sabe‐se  da  dúvida  de  D.  Manuel  na 
Os  portugueses  discordaram  da  proposta  e  escolha  do  comandante  da  expedição,  que  no 
novas  negociações  resultaram  na  assinatura  do  primeiro momento recaiu sobre Vasco da Gama. 
Tratado  de  Tordesilhas  (cidade  espanhola)  em  7  de 
junho  de  1494,  que  garantiu  à  coroa  portuguesa  as  Cabral  teria  na  época  cerca  de  30  anos  e 
terras que viessem a ser descobertas até 370 léguas a  levava consigo marinheiros ilustres, como Bartolomeu 
oeste  do  Arquipélago  de  Cabo  Verde.  As  terras  Dias  e  Nicolau  Coelho,  além  de  numerosa  tripulação, 
situadas além desse limite pertenceriam à Espanha.  perto  de  1.500  homens,  alguns  degredados  e  oito 
frades franciscanos, os primeiros religiosos mandados 
D.  João  II  morreu  em  1495  e  coube  ao  seu  por Portugal a tais lugares. 
sucessor,  D.  Manuel,  dar  continuidade  ao  projeto 
expansionista.  Durante  sua  gestão  aconteceu  a  Uma  das  recomendações  feitas  a  Cabral  era 
famosa viagem de Vasco da Gama, que partiu do Rio  que  tivesse  particular  cuidado  com  o  sistema  de 
Tejo  em  julho  de  1497,  dobrou  o  Cabo  da  Boa  ventos  nas  proximidades  da  costa  africana,  fruto  da 
Esperança,  transpôs  o  Rio  Infante,  ponto  extremo  da  experiência  de  Vasco  da  Gama.  Na  manhã  do  dia  14 
viagem  de  Bartolomeu  Dias,  reconheceu  de março, a frota atingiu as Ilhas Canárias, fazendo 5.8 
Moçambique,  Melinde,  Mombaça  e,  em  maio  de  nós  de  velocidade  média.  No  dia  22,  avistou  São 
1498,  após  quase  um  ano  de  viagem,  chegou  a  Nicolau, uma das ilhas do Arquipélago de Cabo Verde. 
Calicute, na Índia.  Na manhã seguinte, desgarrou a nau comandada por 
Vasco de Ataíde, que foi procurada exaustivamente e 
A façanha de Vasco da Gama colocou Portugal  dada como perdida. 
em  contato  direto  com  a  região  das  especiarias,  do 
ouro e das pedras preciosas, e, como conseqüência, a  Prosseguindo  a  navegação  sempre  em  rumo 
conquista  do quase total  monopólio de tais produtos  sudoeste,  foram  avistadas  ervas  marinhas,  indicando 
na  Europa,  abalando  seriamente  o  comércio  das  terra  próxima.  No  dia  22  de  abril,  foram  avistadas  as 
repúblicas italianas. A conquista da rota marítima para  primeiras  aves  e  ao  entardecer  avistaram  terra.  Ao 
as  Índias  assumiu,  na  época,  importância  longe,  um  monte  alto  e  redondo  foi  denominado 
revolucionária  e  suas  conseqüências  imediatas  Pascoal  por  ser  semana  da  Páscoa.  Na  manhã 
empalideceram até mesmo o maior acontecimento da  seguinte, avançaram as caravelas sondando o fundo e 
história  moderna  das  navegações:  o  descobrimento  fundeando  a  milha  e  meia  da  praia  próxima  à  foz  de 
da América por Cristóvão Colombo.  um  rio  mais  tarde  denominado  Rio  do  Frade.  Após 
reunião  com  os  comandantes,  foi  decidido  enviar  a 
A descoberta do Brasil  terra um batel sob o comando de Nicolau Coelho para 
fazer contato com os homens da terra, quando se deu 
Vasco  da  Gama  retornou  a  Portugal  em  julho  o primeiro encontro entre portugueses e indígenas. 
de 1499 sob clima de grande excitação motivado pela 
descoberta da nova rota para a Índia. Pouco depois, a  Durante  a  noite  soprou  vento  forte,  seguido 
9  de  março  de  1500,  partiu  em  direção  ao  oriente  de  chuvarada,  colocando  em  risco  as  embarcações. 
uma  portentosa  frota  de  13  navios  (dez  Consultados  os  pilotos,  decidiu  Cabral  sair  em  busca 
provavelmente  eram  naus  e  “três  navios  menores”,  de  local  mais  abrigado,  chegando  em  Porto  Seguro, 

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hoje  Baía  Cabrália.  Alguns  tripulantes  desceram  a  expedição partiu de Lisboa em 13 de maio de 1501 em 
terra,  não  conseguindo  se  fazer  entender  nem  ser  direção às Canárias, de onde rumou para Cabo Verde. 
entendidos  pelos  habitantes  que  falavam  uma  língua  Nessa  ilha  se  encontrou  com  navios  da  Esquadra  de 
desconhecida.  Cabral que regressavam da Índia. Em meados do mês 
de  junho,  partiu  para  sua  travessia  oceânica, 
No domingo de Páscoa, rezou‐se a missa e foi  chegando  à  costa  brasileira  na  altura  do  Rio  Grande 
decidido  mandar  ao  reino,  pela  naveta  de  do Norte. 
mantimentos,  a  notícia  do  acontecimento.  Nos  dias 
posteriores,  os  marinheiros  ocuparam‐se  em  cortar  Na  Praia  dos  Marcos  (RN),  deu‐se  o  primeiro 
lenha, lavar roupa e preparar aguada, além de trocar  desembarque, tendo sido fincado um marco de pedra, 
presentes com os habitantes do lugar. Em 1° de maio,  sinal  da  posse  da  terra.  A  partir  de  então,  Gonçalo 
Pedro Álvares Cabral assinalou o lugar onde foi erigida  Coelho  deu  partida  a  sua  missão  exploradora 
uma cruz, próximo ao que hoje conhecemos como Rio  navegando pela costa, em direção ao sul, onde avistou 
Mutari. Assentadas as armas reais e erigido o cruzeiro  e denominou pontos litorâneos, conforme calendário 
em  lugar  visível,  foi  erguido  um  altar,  onde  Frei  religioso  da  época.  O  périplo  costeiro  da  expedição 
Henrique de Coimbra celebrou a segunda missa.  teve  como  limite  sul  a  região  de  Cananéia,  localizada 
no atual litoral Sul do Estado de São Paulo. 
No  dia  2  de  maio,  a  frota  de  11  navios 
levantou  âncoras  rumo  a  Calicute,  deixando  na  praia  A expedição de 1502/1503 
dois degredados, além de outros tantos grumetes, se 
não  mais,  que  desertaram  de  bordo.  Antes  de  Essa  segunda  expedição  foi  resultado  do 
atingirem  o  Cabo  da  Boa  Esperança,  quatro  navios  arrendamento  da  Terra  de  Santa  Cruz  (nome  inicial 
naufragaram  e  desgarrou‐se  a  nau  comandada  por  das  nossas  terras)  a  um  consórcio  formado  por 
Diogo  Dias,  que  percorreu  todo  o  litoral  africano,  cristãos‐novos,  encabeçado  por  Fernando  de 
reencontrando  a  frota  na  altura  de  Cabo  Verde,  Noronha, e que tinha a obrigação, conforme contrato, 
quando esta retornava a Portugal.  de  mandar  todos  os  anos  seis  navios  às  novas  terras 
com  a  missão  de  descobrir,  a  cada  ano,  300  léguas  a 
Com  seis  navios,  Cabral  alcançou  à  Índia,  em  vante e construir uma fortaleza. 
setembro de 1500. Em Calicute, as negociações foram 
difíceis, surgindo desentendimentos com os indianos,  Segundo o Almirante  Max Justo  Guedes, essa 
quando portugueses foram mortos em terra (inclusive  viagem  foi  realizada  entre  o  segundo  semestre  de 
o escrivão da Armada, Pero Vaz de Caminha) e o porto  1502  e  o  primeiro  semestre  de  1503.  A  rota  traçada 
bombardeado.  Em  seguida,  a  Armada  ancorou  em  pela  expedição  possivelmente  seguiu  o  percurso 
Cochim  e  Cananor,  onde  foi  bem  recebida,  normal até Cabo Verde, cruzou o Atlântico, passando 
abastecendo‐se  de  especiarias  antes  da  viagem  de  pelo  Arquipélago  de  Fernando  de  Noronha, 
retorno,  iniciada  no  dia  16  de  janeiro  de  1501.  No  concluindo  sua  navegação  nas  imediações  de  Porto 
trajeto  de  volta,  um  navio  perdeu‐se  no  regresso  e,  Seguro. 
dos  que  sobraram  da  esquadra,  cinco  retornaram  ao  A expedição de 1503/1504 
reino. Em 23 de junho, a Armada adentrou o Rio Tejo 
concluindo sua jornada.  Segundo  as  informações  do  cronista  Damião 
de  Góis,  essa  expedição  partiu  de  Portugal  em  10  de 
O reconhecimento da costa brasileira  junho  de  1503,  era  composta  por  seis  naus,  e 
A expedição de 1501/1502  novamente  foi  comandada  por  Gonçalo  Coelho.  Ao 
chegarem  em  Fernando  de  Noronha,  naufragou  a 
Preocupado em realizar o reconhecimento da  capitânia.  Neste  local  deu‐se  a  separação  da  frota. 
nova  terra,  D.  Manuel  enviou,  antes  mesmo  do  Após  aguardar  por  oito  dias  o  aparecimento  do 
retorno  de  Cabral,  uma  expedição  composta  por  três  restante  da  frota,  dois  navios  (num  dos  quais  se 
caravelas  comandadas  por  Gonçalo  Coelho,  tendo  a  encontrava  embarcado  Américo  Vespúcio)  rumaram 
companhia  do  florentino  Américo  Vespúcio.  A  para  a  Baía  de  Todos  os  Santos,  pois  assim 
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determinava  o  regimento  real  para  qualquer  navio  Em  1530,  Portugal  resolveu  enviar  ao  Brasil 
que se perdesse da companhia do capitão‐mor.  uma  expedição  comandada  por  Martim  Afonso  de 
Sousa  visando  à  ocupação  da  nova  terra.  A  Armada 
Havendo  aguardado  por  dois  meses  e  quatro  partiu de Lisboa a 3 de dezembro e era composta por 
dias  alguma  notícia  de  Gonçalo  Coelho,  decidiram  duas  naus,  um  galeão  e  duas  caravelas  que,  juntas, 
percorrer  o  litoral  em  direção  ao  sul,  onde  se  conduziam  400  pessoas. Tinha  a  missão  de  combater 
detiveram  durante  cinco  meses  em  um  ponto  cujas  os franceses, que continuavam a freqüentar o litoral e 
coordenadas  indicam  ter  sido  no  litoral  do  Rio  de  contrabandear  o  pau‐brasil;  descobrir  terras  e 
Janeiro,  onde  ergueram  uma  fortificação  e  deixaram  explorar rios; e estabelecer núcleos de povoação. 
24  homens.  Logo  depois  retornaram  a  Portugal 
aportando  em  18  de  junho  de  1504.  Gonçalo  Coelho  Em 1532, fundou no atual litoral de São Paulo 
com  o  restante  da  frota  regressou  a  Portugal,  ainda  a  Vila  de  São  Vicente  e  logo  a  seguir  –  no  limite  do 
em 1503.  planalto  que  os  índios  chamavam  de  Piratininga  –  a 
Vila  de  Santo  André  da  Borba  do  Campo.  Da  Ilha  da 
As expedições guarda‐costas  Madeira,  Martim  Afonso  trouxe  as  primeiras  mudas 
A  costa  do  pau‐brasil  prolongava‐se  desde  o  de cana que plantou no Brasil, construindo na Vila de 
Rio  de  Janeiro  até  Pernambuco,  onde  foram  sendo  São Vicente o primeiro engenho de cana‐de‐açúcar. 
estabelecidas  feitorias,  nas  quais  navios  portugueses  Ainda  se  encontrava  no  Brasil  quando,  em 
realizavam  regularmente  o  carregamento  desse  tipo  1532, Dom João III decidiu impulsionar a colonização, 
de  madeira  para  o  reino.  Esse  negócio  rendoso  utilizando  a  tradicional  distribuição  de  terras.  O 
começou a atrair a atenção de outros países europeus  regime de capitanias hereditárias consistiu em dividir 
que  nunca  aceitaram  a  partilha  do  mundo  entre  o  Brasil  em  imensos  tratos  de  terra  que  foram 
Portugal e Espanha, dentre eles a França.  distribuídos a fidalgos da pequena nobreza, abrindo à 
Os  franceses  começaram  a  freqüentar  nosso  iniciativa privada a colonização. 
litoral  comercializando  o  pau‐brasil  clandestinamente  Martim  Afonso  de  Sousa  retornou  a  Portugal 
com os índios. Portugal procurou, a princípio, usar de  em  13  de  março  de  1533,  após  ter  cumprido  de 
mecanismos  diplomáticos,  encaminhando  várias  maneira satisfatória sua missão de fincar as bases do 
reclamações ao governo francês na esperança de que  processo de ocupação das terras brasileiras. 
o mesmo coibisse esse comércio clandestino. 
C R O N O L O G I A 
Notando que ainda era grande a presença de  DATA  EVENTO 
contrabandistas  franceses  no  Brasil,  D.  Manuel  Conquista  da  cidade  de  Ceuta  pelos 
1415 
resolveu enviar o fidalgo português Cristóvão Jaques,  portugueses. 
com  a  missão  de  realizar  o  patrulhamento  da  costa  Os  lusitanos  chegam  aos  Arquipélagos  da 
brasileira.  1421  e  Madeira  e  dos  Açores  e  avançam  para 
1434  além  do  Cabo  Bojador.  Até  esse  ponto,  a 
Cristóvão Jaques realizou viagens ao longo de  navegação era basicamente costeira. 
nossa costa entre os períodos de 1516 a 1519, 1521 a  Os  lusitanos  atingem  o  Rio  do  Ouro  e 
1522  e  de  1527  a  1528,  onde  combatendo  e  iniciam  a  conquista  da  Guiné.  Ali  se 
apropriam  da  Mina,  centro  aurífero 
reprimindo as atividades do comércio clandestino. 
1436  explorado  pelos  reinos  nativos  em 
Em 1528, foi dispensado do cargo de capitão‐ associação  aos  comerciantes  mouros,  a 
maior fonte de ouro de toda a história de 
mor  da  Armada  Guarda‐Costa,  regressando  para 
Portugal. 
Portugal.  1441  Chegam ao Cabo Branco. 
Atingem a Ilha de Arguim, onde instalam a 
 
primeira  feitoria  em  território  africano,  e 
1444 
iniciam  a  comercialização  de  escravos, 
A  expedição  colonizadora  de  Martim  Afonso  de 
marfim e ouro. 
Sousa 
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Descobrem  o  Cabo  Verde,  navegam  pelos 
1445  e 
Rios  Senegal  e  Gâmbia  e  avançam  até 
1461 
Serra Leoa 
1470  a  Exploração  da  costa  da  Serra  Leoa  até  o 
1475  Cabo de Santa Catarina. 
1482  e  O  navegador  Diogo  Cão  explorou  a  costa 
1485  da África. 
Bartolomeu  Dias  atingiu  o  Cabo  das 
Tormentas,  no  extremo  sul  do  continente 
–  que  passou  a  ser  chamado  de  Cabo  da 
1487 
Boa  Esperança  –  e  chegou  ao  Oceano 
Índico,  conquistando  o  trecho  mais  difícil 
do caminho da Índia. 
1492  Cristóvão Colombo chegou à América. 
1494  Assinatura do Tratado de Tordesilhas. 
Vasco da Gama chegou a Calicute, na costa 
1498 
sudoeste da Índia. 
Descobrimento do Brasil por Pedro Álvares 
1500 
Cabral. 
Fernão  de  Magalhães  chegou  às  Filipinas 
1519  passando  pelo  extremo  sul  do  continente 
americano. 
 

   

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EXERCÍCIO:  colônias  na  África  e  estabelecer  comércio  com  os 
holandeses  por  meio  de  trocas  (escambo). 
1 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) – Leia o texto a seguir.  (D)  Fundar  uma  povoação  naquela  região  e  derrotar 
“As armas e os barões assinalados   definitivamente  os  franceses. 
Que da Ocidental praia Lusitana,   (E)  Obter  riquezas  acumuladas  através  da  prática  de 
Por mares nunca dantes navegados   pilhagem  e  criar  entrepostos  (feitorias)  controlados 
Passaram ainda além da Taprobana,  pelos comerciantes lusos. 
Em perigos e guerras esforçados  Resposta: (E) 
Mais do que prometia a força humana, 
E entre gente remota edificaram;     
Novo Reino, que tanto sublimaram (...)” 
(Trecho de ‘Os Lusíadas’ de Luís de Camões, 1572) 

Publicado  no  século  XVI,  os  ‘Lusíadas’  de  Luis  de 


Camões  trata‐se  de  uma  ode  ao  pioneirismo  lusitano 
no  processo  expansão  marítima  européia  no  final  do 
século XIV. Que fatores possibilitaram tal pioneirismo 
português? 

(A) A centralização política de Portugal e a aliança 
entre a nobreza e os setores mercantis. 
(B) A vitória sobre a Inglaterra na Guerra dos Cem 
Anos e a posição geográfica favorável. 
(C) A absorção de tecnologias náuticas dos ingleses e 
o isolamento da nobreza. 
(D) A dependência portuguesa ao Reino de Castela e o 
emprego de navegadores holandeses. 
(E) A aliança com os comerciantes genoveses e o 
monopólio português do comércio no Mar 
Mediterrâneo. 
Resposta: (A) 

2  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Na  primeira  metade  do  século 


XV,  a  expansão  marítima  portuguesa  caracterizou‐se 
por  duas  vertentes.  A  primeira,  de  aspecto 
imediatista,  foi  realizada  ao  norte  do  continente 
africano,  e  a  segunda,  mais  a  longo  prazo,  buscava 
pontos  estratégicos  das  rotas  comerciais  com  o 
Oriente. 

Assinale a opção que apresenta os objetivos da coroa 
portuguesa  na  primeira  e  segunda  vertentes, 
respectivamente. 

(A) Estabelecer bases para suas futuras ações militares 
e  extrair  rendas  obtidas  com  a  agricultura. 
(B)  Explorar  a  cultura  do  açúcar  naquela  região  e 
permitir  projetar  poder  militar  a  longas  distâncias. 
(B)  Combater  os  franceses  que  invadiram  suas 

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3 ‐ Invasões Estrangeiras ao Brasil  invasor  é  logo  expulso  por  uma  Esquadra  luso‐
espanhola. 
Diversos  intrusos  desafiaram  os  interesses 
ultramarinos  de  Portugal  durante  os  séculos  XVI  e  Os  holandeses,  em  seguida,  ocuparam 
XVII. Os franceses foram os primeiros e, desde o início  Pernambuco,  realizando  conquistas  ao  sul,  em 
do  século  XVI,  navios  de  armadores  franceses  Alagoas e Sergipe, bem como ao norte, na Paraíba, Rio 
freqüentavam a costa brasileira, comerciando com os  Grande  do  Norte  e  mais  áreas,  permanecendo  no 
nativos  os  produtos  da  terra:  pau‐brasil;  pele  de  Nordeste por 24 anos. 
animais  selvagens;  papagaios  e  macacos;  resinas 
vegetais  e  outros.  Portugal  reagiu,  como  vimos  no  Ocorreram,  nesse  período,  muitos  combates 
capítulo  anterior,  enviando  expedições  guarda‐costas  no  mar,  como  a  “Batalha  Naval  de  1640”,  que 
e iniciando a colonização do Brasil.   envolveu  cerca  de  cem  navios,  entre  holandeses  e 
luso‐espanhóis,  em  embates  que  duraram  cinco  dias 
No início da colonização portuguesa no Brasil,  na costa do Nordeste. 
os  franceses  estabeleceram  duas  colônias:  em  1555, 
no Rio de Janeiro, e em 1612, no Maranhão. Portugal  Nessa  luta  para  expulsar  os  holandeses,  o 
reagiu às duas invasões, projetando seu Poder Naval,  esforço  em  terra  foi  fundamental.  O  Poder  Naval 
com bom êxito, para expulsar os invasores.  português foi capaz de manter Salvador como base de 
operações  e  somente  com  a  presença  de  uma  força 
Na  foz  do  Amazonas,  ingleses,  holandeses  e  naval  em  Pernambuco  é  que  foi  possível  obter  a 
irlandeses  estabeleceram  feitorias  privadas;  sendo  rendição definitiva dos invasores. 
preciso o emprego da força para expulsá‐los. 
No  século  XVIII,  com  o  envolvimento  de 
O  comércio  holandês  com  o  Brasil  data  da  Portugal  na  Guerra  de  Sucessão  de  Espanha,  na 
primeira  metade  do  século  XVI.  Em  1580,  ocorreu  a  Europa, o Rio de Janeiro foi atacado por dois corsários 
união  das  coroas  de  Portugal  e  Espanha  e  o  rei  da  franceses.  Com  a  descoberta  do  ouro  das  Minas 
Espanha,  Felipe  II,  passou  a  ser,  também,  o  rei  de  Gerais, no final do século XVII, o Rio de Janeiro vinha 
Portugal.  Os  holandeses  iniciaram  sua  guerra  de  se tornando uma cidade próspera durante o início do 
independência  contra  a  Espanha  no  final  do  século  século XVIII. Mais tarde, devido às riquezas das minas, 
XVI, mesmo assim continuaram a comercializar, com o  tornouse a capital da colônia. 
auxílio  de  mercadores  portugueses,  produtos 
brasileiros, como o açúcar, algodão e pau‐brasil.  Pretensões expansionistas também podem ser 
visualizadas  no  interesse  que  Portugal  tinha  nas 
A Holanda era um país de bons comerciantes  riquezas espanholas do oeste sul‐americano na região 
e  hábeis  marinheiros.  Os  holandeses  possuíam  uma  do Rio da Prata – acesso às minas de prata de Potosi, 
fortíssima  consciência  marítima  e  utilizavam  seu  na  Bolívia.  A  ocupação  espanhola  na  região  foi, 
Poder  Marítimo  com  muita  habilidade.  Eles  não  portanto,  fundamental  para  deter  os  interesses 
pretendiam  ficar  sem  o  rico  mercado  do  açúcar  portugueses.  Mesmo  assim,  era  por  ela  que  a  prata 
brasileiro,  devido  ao  conflito  com  a  Espanha  e  boliviana era contrabandeada para o Brasil. 
conseqüentemente Portugal. Em 1621, eles criaram a 
West‐Indische  Compagnie,  a  Companhia  das  Índias  Buscando expandir seus domínios em direção 
Ocidentais.  Logo,  Salvador,  capital  da  colônia  do  ao  Sul  do  continente,  Portugal  rompeu  o  Tratado  de 
Brasil, seria alvo de uma invasão desta companhia.  Tordesilhas,  assinado  com  os  espanhóis  em  1494, 
quando, em janeiro de 1680, o governador do Rio de 
O  objetivo  maior  da  Companhia  das  Índias  Janeiro,  D.  Manuel  Lobo,  fundou,  na  margem 
Ocidentais  era  manter  o  relacionamento  comercial  esquerda  do  Rio  da  Prata,  a  Colônia  do  Santíssimo 
com o Brasil e, se possível, a conquista do Nordeste. A  Sacramento.  Este  fato  desencadeou  uma  série  de 
tentativa  não  tarda,  e,  em  1624,  é  feito  o  ataque  a  desentendimentos, lutas e tratados de limites, em que 
Salvador  (BA),  ocupada  por  breve  período,  pois  o  o  emprego  do  Poder  Naval  português  foi  muito 
importante, como veremos neste capítulo. 
Oficial Temporário da Marinha‐ http://www.concursosmilitares.com.br/  Página 16 
 
O  interesse  no  estudo  desse  período  é  precisaria  de  profissionais  (exemplo:  sapateiros, 
mostrar  que  foi  nele  que  definiram  as  fronteiras  Sul  alfaiates,  barbeiros,  carpinteiros,  oleiros,  pedreiros, 
do  território  brasileiro,  que  mudavam  conforme  o  médicos,  soldados  entre  outros)  necessários  à 
poderio  militar  e  os  tratados  firmados  entre  sobrevivência na colônia. 
portugueses e espanhóis. 
As  pessoas  que  vieram  com  Villegagnon 
Invasões francesas no Rio de Janeiro e no Maranhão  formavam  um  grupo  heterogêneo:  católicos  e 
protestantes  (em  uma  época  de  sérios  conflitos 
Essas  duas  invasões  não  foram  iniciativas  do  religiosos),  soldados  escoceses  e  ex‐presidiários 
governo da França, cuja estratégia estava voltada para  (caracterizando  extremos  de  aceitação  de  disciplina). 
seus interesses na própria Europa, mas sim iniciativas  A  pior  falha,  no  entanto,  foi  a  presença  de  poucas 
privadas. Em ambas, faltou o apoio do Estado francês,  mulheres  européias  no  grupo,  o  que  fez  com  que 
no  momento  em  que,  atacadas  pelos  portugueses,  muitos  colonos  procurassem  as  índias  para  se 
necessitaram  de  socorro.  Por  outro  lado,  a  relacionarem. Esta atitude era difícil para Villegagnon 
colonização  do  Brasil  foi  interesse  de  Portugal,  que  entender, por sua formação religiosa de Cavaleiro de 
pretendia  proteger  a  rota  de  seu  comércio  com  a  Malta  ,  com  voto  de  castidade,  não  admitindo  sexo 
Índia. Todos os recursos do Estado português estavam  fora do casamento. 
disponíveis  para  expulsar  os  invasores  e  proteger  os 
núcleos de colonização portuguesa.  Houve  um  excesso  de  conflitos, 
principalmente  após  a  chegada  de  um  grupo  de 
Rio de Janeiro  protestantes calvinistas, com o propósito de estudar a 
Em  1553,  Nicolau  Durand  de  Villegagnon  foi  possibilidade de fazer da França Antártica uma colônia 
nomeado vice‐almirante da Bretanha , e desenvolveu  protestante. 
um  plano  para  fundar  uma  colônia  na  Baía  de  Os  franceses  contavam  com  a  amizade  dos 
Guanabara  (RJ),  onde  habitavam  nativos  da  tribo  tupinambás.  Eles  comerciavam  com  os  franceses  por 
Tupinambá,  aliados  dos  franceses.  O  Rei  da  França,  meio  de  trocas  (escambo)  –  recebiam  machados, 
Henrique  II,  aprovou  esse  plano  de  iniciativa  privada,  facas,  tesouras,  espelhos,  tecidos  coloridos,  anzóis  e 
prometeu  apoio  e  forneceu  financiamento  e  dois  outros objetos. Em troca, forneciam o pau‐brasil, que 
navios para a viagem.  cortavam na floresta e traziam para a colônia, além de 
Villegagnon  chegou  à  Baía  de  Guanabara  em  outros produtos da terra e alimentos. Os tupinambás 
1555,  instalou  o  núcleo  da  colônia  –  que  chamou  de  construíram  grandes  canoas  de  um  só  tronco  (igara) 
França  Antártica  –  na  ilha  que  atualmente  tem  seu  ou  da  casca  de  uma  árvore  (ubá).  Eles  lutaram 
nome e construiu uma fortificação, dando‐lhe o nome  bravamente  ao  lado  dos  franceses,  pois  detestavam 
de  Forte  de  Coligny,  em  homenagem  ao  almirante  os portugueses que eram amigos de seus inimigos. 
francês  que  lhe  apoiara.  A  ilha  era  pequena  e  não  A  reação  portuguesa  ocorreu  quando  o 
tinha água, mas era uma excelente posição de defesa.  Governador Mem  de Sá,  em 1560, atacou o Forte de 
Em  terra  firme,  perto  do  atual  Morro  da  Glória,  Coligny  com  uma  força  naval  (soldados  e  índios)  que 
instalou  uma  olaria  para  fabricar  tijolos  e  telhas,  fez  trouxera  da  Bahia,  arrasando‐o.  Depois  partiu  para 
plantações e deu início a uma povoação, que chamou  São Vicente sem deixar uma guarnição na Guanabara. 
de  Henryville,  homenageando  o  Rei  da  França  Os franceses fugiram para o continente, abrigando‐se 
Henrique II. A povoação em terra firme, não teve bom  junto a seus aliados tupinambás e, logo depois que os 
êxito e o progresso da colônia, como um todo, deixou  portugueses  se  foram,  restabeleceram  suas 
a desejar.  fortificações. 
Villegagnon,  que  anteriormente  já  mostrara  Mem  de  Sá  concluiu  que  era  necessário 
sua  bravura  e  competência  como  militar  em  diversas  ocupar definitivamente o Rio de Janeiro para garantir 
ocasiões, encontrou muitas dificuldades para recrutar  a expulsão dos invasores. Dessa vez enviou, em 1563, 
pessoas  para  a  colônia.  Um  núcleo  de  colonização 
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seu sobrinho Estácio de Sá à testa da nova força naval,  colaborasse  significativamente  com  recursos  para  o 
com  ordens  para  fundar  uma  povoação  na  Baía  de  reforço da colônia. 
Guanabara e derrotar definitivamente os franceses. 
Em  1614,  uma  força  naval  comandada  por 
Estácio de Sá obteve a ajuda de uma tribo tupi  Jerônimo  de  Albuquerque,  nascido  no  Brasil,  chegou 
inimiga  dos  tupinambás,  os  maracajás  ou  temiminós,  ao  Maranhão  para  combater  os  franceses.  Este 
liderados por Araribóia. Participaram,  também, como  grupamento  pode  ser  considerado  a  primeira  força 
aliados dos portugueses, índios da tribo tupiniquim de  naval comandada por um brasileiro. 
Piratininga, trazidos de São Vicente (SP). 
Chegando  ao  Maranhão,  os  portugueses 
Estácio  de  Sá  fundou  a  cidade  de  São  iniciaram  a  construção  de  um  forte,  que  chamaram 
Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, entre o Morro  Santa Maria. Logo os franceses se apoderaram de três 
Cara de Cão e o Pão de Açúcar. Era um local apertado,  dos navios que estavam fundeados. Animados com o 
protegido  pelos  morros  e  de  fácil  defesa,  de  onde  se  bom  êxito  alcançado,  resolveram,  uma  semana 
controlava a entrada da barra da Baía de Guanabara.  depois,  atacar  o  forte  português.  Planejaram  um 
Logo,  começaram  a  combater  os  franceses  e  os  ataque  simultâneo  de  tropas  que  desembarcariam  e 
tupinambás.  Houve  grandes  combates,  inclusive  um  de  tropas  que  atacariam  o  forte  pela  retaguarda, 
de  canoas  nas  águas  da  baía  e  um  ataque  ao  atual  vindas  de  terra.  Os  portugueses,  no  entanto,  foram 
Morro da Glória, onde Estácio de Sá foi ferido por uma  mais  ágeis  e  contra‐atacaram  separadamente,  com 
flecha,  no  rosto,  vindo  a  falecer  em  conseqüência  vigor, as duas forças francesas, vencendo‐as. 
deste ferimento. 
Os  franceses,  resolveram  propor  um 
Derrotados na Guanabara, os franceses e seus  armistício, para conseguir reforços na França ou obter 
aliados  tentaram,  ainda,  estabelecer  uma  resistência  uma solução diplomática. Os portugueses aceitaram.  
em  Cabo  Frio,  mas  acabaram  vencidos.  Os  franceses 
que  se  renderam  foram  enviados  de  navio  para  a  A  trégua  foi  favorável  aos  portugueses,  que 
França.  obtiveram  reforços  no  Brasil.  La  Ravardière  não 
conseguiu  novamente  o  apoio  de  seu  governo  e  o 
Maranhão  tratado  de  paz  em  vigor,  naquele  momento,  previa 
que  em  casos  como  esse  os  riscos  e  perigos  cabiam 
Os  franceses  continuaram  com  o  tráfico  aos particulares, sem que a paz entre os Estados fosse 
marítimo  na  costa  brasileira.  Seu  eixo  de  atuação,  perturbada.  Além  do  mais,  o  rei  de  Portugal  não 
porém,  deslocou‐se  para  o  norte,  ainda  sem  ratificou  a  trégua  e  ordenou  que  se  expulsassem  os 
povoações  portuguesas.  Após  diversas  ações,  franceses  do  Maranhão.  Providenciou  reforços  e 
estabeleceram‐se,  em  pequeno  número,  em  diversos  mandou o governador de Pernambuco organizar uma 
pontos  do  litoral.  Desde  o  final  do  século  XVI,  o  nova  expedição.  O  comando  coube  a  Alexandre  de 
Maranhão  passou  a  ser  um  local  regularmente  Moura, que partiu em uma força naval. 
freqüentado por navios franceses. Na atual Ilha de São 
Luís  havia  uma  pequena  povoação  de  franceses,  em  Os  franceses  foram  cercados  no  Maranhão, 
boa  convivência  com  os  índios,  também  tupinambás,  por  mar  e  por  terra,  e,  sem  esperança  de  reforços, 
que habitavam o local.  para  evitar  que  os  portugueses  os  tratassem  como 
piratas, renderam‐se em 1615. 
Em  1612,  partiu  da  França  a  expedição 
chefiada  pelos  sócios,  Daniel  de  la  Touche  de  la  Invasores na foz do Amazonas 
Ravardière e Nicolau de Harlay de Sancy, com poderes 
de  tenentes‐generais  do  rei  da  França.  Quando  Após  a  ocupação  do  Maranhão,  os 
chegaram, construíram o Forte de São Luís.  portugueses  resolveram  dirigir  sua  atenção  para  os 
invasores  da  foz  do  Amazonas,  enviando  uma 
Na  França,  o  bom  relacionamento  do  expedição que fundou o Forte do Presépio, origem da 
momento com a Espanha fez com que o governo não  cidade de Belém, para servir de base para suas ações 

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militares.  De  lá,  eles  passaram  a  atacar  os  A  preparação  de  forças  navais  que 
estabelecimentos  dos  ingleses,  holandeses  e  projetassem poder militar a tão longa distância exigia 
irlandeses,  enforcando  os  que  resistiam  e  um enorme esforço. Era necessário um planejamento 
escravizando as tribos de índios que os apoiavam. Esta  cuidadoso  dos  recursos  financeiros,  materiais  e 
violência  e  a criação  de  uma  flotilha  de  embarcações  humanos.  A  força  deveria  ser  composta  por  variados 
(que  agia  permanentemente  na  região  apoiando  as  navios: os de guerra, como os galeões e as fragatas; as 
ações  militares  e  patrulhando  os  rios)  garantiram  o  naus e as urcas, que serviam tanto como embarcações 
bom  êxito  e  asseguraram  a  posse  da  Amazônia  mercantes quanto navios militares; e as caravelas, que 
Oriental para Portugal.  serviam  ao  transporte.  Havia,  também,  diversos 
outros  navios  menores,  como  patachos,  iates  velozes 
Invasões holandesas na Bahia e em Pernambuco  e  embarcações  que  complementavam  a  capacidade 
Holandeses na Bahia  das  forças  navais.  Considerando  as  populações  da 
época  –  Holanda  teria  cerca  de  1,5  milhão  de 
A  invasão  holandesa  de  Salvador  (BA)  foi  habitantes  e  Portugal  menos  que  isto  –  não  era  fácil 
planejada  pela  Companhia  das  Índias  Ocidentais  com  conservar  em  segredo  a  preparação  de  uma  força 
o propósito de lucro, a ser obtido com a exploração da  naval.  Espiões  mantinham  as  cortes  européias 
cultura  do  açúcar.  Levantado  o  capital  para  o  informadas  e  seus  informes  eram  avaliados  e 
empreendimento,  os  holandeses  reuniram  uma  força  utilizados  para  preparar  contra‐ofensivas.  Ocorreram 
naval de 26 navios, com 509 canhões e tripulados por  verdadeiras  corridas  de  forças  navais  para  alcançar  a 
1.600  marinheiros  e  1.700  soldados.  O  comando  costa  brasileira.  Chegar  primeiro  podia  ser  uma 
coube ao Almirante Jacob Willekens.  decisiva vantagem. 

Os  navios  partiram  de  diversos  portos  da  Os  luso‐espanhóis  conseguiram  ficar  prontos 
Holanda  e  reuniram‐se  em  uma  das  ilhas  do  antes  dos  holandeses  e,  em  22  de  novembro,  partia 
Arquipélago  de  Cabo  Verde.  Em  8  de  maio  de  1624,  de Lisboa uma armada composta por 25 galeões, dez 
chegaram à Baía de Todos os Santos; no dia seguinte,  naus, dez urcas, seis caravelas, dois patachos e quatro 
iniciaram o ataque a Salvador.  navios menores, tendo a bordo 12.500 marinheiros e 
soldados. Como comandante‐geral, vinha D. Fadrique 
Os  holandeses  atacaram  os  fortes  que 
de Toledo Osório, Marquês de Villanueva de Valdueza. 
defendiam  a  cidade.  Os  navios  que  transportavam 
tropas  se  dirigiram  para  o  Porto  da  Barra,  onde  A  armada  luso‐espanhola  chegou  a  Salvador 
desembarcaram.  A  cidade  foi  saqueada.  Somente  em 29 de março de 1625. Era a maior força naval que 
alguns  dias  depois  organizou‐se  reação  contra  os  até  aquela  data  atravessara  o  Atlântico.  Cerca  de  20 
invasores.  navios  holandeses  se  abrigavam  sob  a  proteção  dos 
fortes e a cidade de Salvador era defendida por tropas 
Estabelecidos  em  Salvador,  os  holandeses 
holandesas. Iniciou‐se o ataque luso‐espanhol e, a 1º 
foram,  aos  poucos,  diminuindo  os  efetivos  de  sua 
de  maio,  os  holandeses  renderam‐se.  Dias  depois  de 
força  naval,  com  o  retorno  de  diversos  navios  para  a 
se entregarem, apareceu na barra o socorro holandês, 
Holanda. 
de 34 naus. Percebendo a retomada da cidade, não se 
Em  Lisboa  e  Madri,  a  notícia  sobre  a  tomada  animaram a tentar a luta. 
da  cidade  de  Salvador  chegou  cerca  de  dois  meses  e 
A ocupação do Nordeste brasileiro 
meio  depois  da  invasão.  De  maneira  imediata,  o 
governo luso‐espanhol começou a preparar uma força  Em  1629,  a  Companhia  das  Índias  Ocidentais 
naval  capaz  de  recuperar  a  cidade  antes  que  os  resolveu  dirigir  seus  esforços  para  Pernambuco  em 
holandeses  se  consolidassem  na  região.  Na  Holanda,  vez de tentar reconquistar a Bahia. 
sabendo‐se dos preparativos espanhóis, acelerou‐se a 
prontificação  dos  reforços  que  deveriam  garantir  a  Conduzia a nova expedição uma armada de 56 
ocupação da Bahia.  navios,  fortemente  artilhados,  trazendo  3500 

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tripulantes e 3000 soldados. Comandava a força naval  holandesas; e alcançar o Caribe para comboiar a Frota 
holandesa  o  General‐doMar  Wendrich  Corneliszoon  da Prata para a Espanha. 
Lonck.  Olinda  e  Recife  (PE)  foram  conquistadas  em 
1630.  Depois  de  escalar  em  Salvador,  a  força  naval 
luso‐espanhola  partiu  para  cumprir  sua  missão. 
Soube‐se  dos  preparativos  com  antecedência  Devido ao vento contrário, navegou para sueste para 
em Madri e Lisboa. O General Matias de Albuquerque,  depois rumar para Pernambuco. Foram interceptados 
que então estava na Europa, regressou ao Brasil para  pela  força  naval  holandesa  na  altura  do  Arquipélago 
organizar  a  reação,  mas  pouco  pôde  ser  feito  de  dos Abrolhos. 
efetivo, restando, para os defensores, iniciar a defesa 
em terra depois da ocupação.  Oquendo  formou  seus  galeões  em  coluna  e 
deu  ordem  aos  navios  do  comboio  para  se 
As  providências  luso‐espanholas  para  posicionarem fora do combate. Os holandeses tinham 
recuperar  Pernambuco,  durante  o  período  de  união  planejado abordar cada um dos maiores galeões luso‐
das duas coroas, encontraram dificuldades crescentes  espanhóis  com  dois  navios.  Seguiu‐se  um  terrível 
de  recursos  e  não  lograram  a  mobilização  das  forças  combate, com tentativas e sucessos de abordagens e 
necessárias.  O  tesouro  espanhol,  cada  vez  mais  bordadas bem próximas de artilharia. Como resultado, 
debilitado,  não  foi  capaz  de  arcar  com  um  os  holandeses  perderam  dois  navios,  inclusive  o 
empreendimento  semelhante  ao  da  armada  que  capitânia, que incendiou e explodiu, e um outro ficou 
libertara  a  Bahia  em  1625.  Cabe  observar  que  era  seriamente  avariado.  Os  luso‐espanhóis  tiveram  dois 
necessário  proteger  com  escoltas  as  frotas  que  navios  afundados,  um  navio  foi  apresado  pelos 
levavam a produção de açúcar para Portugal e as que  holandeses  e  outro  regressou  a  Salvador  devido  às 
levavam  a  produção  mineral  das  colônias  espanholas  grandes  avarias  sofridas.  Nesse  combate,  morreram 
para a Espanha. Entre 1631 e 1640, dentro do período  ou  desapareceram  cerca  de  700  homens, 
da  união  com  a  Espanha,  foram  enviadas  três  aproximadamente  280  ficaram  feridos  e  240  foram 
esquadras luso‐espanholas ao Brasil.  aprisionados. 

Os  holandeses  também  enviaram  forças  Na  Batalha  Naval  de  1640,  66  navios  e 
navais,  com  reforços  de  tropas,  para  proteger  suas  embarcações luso‐espanhóis, transportando tropas da 
conquistas  no  Brasil.  Ocorreram,  conseqüentemente,  força  naval  comandada  pelo  Conde  da  Torre, 
encontros  que  resultaram  em  diversos  combates  combateram  navios  holandeses  (inicialmente  30, 
navais. Destacam‐se, entre eles, o Combate Naval dos  depois 35) comandados por Willem Loos. 
Abrolhos,  em  3  de  setembro  de  1631,  e  os  ocorridos 
intermitentemente durante cinco dias, de 12 a 16 de  O  Conde  da  Torre  saiu  de  Salvador  com  o 
janeiro, na Batalha Naval de 1640.  propósito de desembarcar tropas em Pernambuco. Os 
holandeses  pretendiam  evitar  que  ocorresse  esse 
No  Combate  Naval  dos  Abrolhos,  os  luso‐ desembarque. As forças navais se encontraram no dia 
espanhóis,  comandados  por  D.  Antônio  de  Oquendo  12 de janeiro e travaram combates durante cinco dias, 
de  Zandátegui,  tinham  17  galeões,  23  navios  tendo  se  combatido,  de  fato,  em  quatro  deles.  A 
mercantes  carregados  com  açúcar,  12  caravelas  com  iniciativa coube aos holandeses que visavam a atingir, 
tropas  e  três  patachos.  Os  holandeses,  comandados  com seus tiros, os cascos dos galeões luso‐espanhóis, 
por Adriaen Janszoon Pater, lutaram com 18 navios.  que  se  defendiam  atirando  nos  mastros  e  velas, 
procurando  imobilizar  os  inimigos.  Os  holandeses 
A  missão  de  Oquendo  era  desembarcar  as  evitaram as abordagens. 
tropas  que  trazia  de  Pernambuco  e  da  Paraíba; 
comboiar os navios mercantes que levariam ao reino a  Durante o combate, o Almirante Willem Loos, 
produção  de  açúcar  e  outros  produtos  do  Brasil,  até  comandante holandês, teve a cabeça mutilada por um 
que  estivessem  livres  de  ataques  das  forças  tiro  de  canhão,  logo  após  o  início  da  batalha.  Coube 

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ao  seu  imediato  assumir  a  frente  na  liderança  da  desempenhou  papel  de  destaque  no  apoio  a  essa 
frota.  causa,  podendo‐se  identificá‐lo  como  seu 
organizador‐chefe. Iniciou‐se, assim, em Pernambuco, 
No  intervalo  dos  combates,  os  holandeses  a campanha da insurreição contra os holandeses. 
foram  abastecidos  com  pólvora  e  munições  por 
embarcações  vindas  de  terra.  Também  receberam  Em  1644,  Teles  da  Silva  resolveu  reunir  uma 
reforços de mais cinco navios.  força  naval  para  auxiliar  os  revoltosos,  com  base  no 
que havia disponível. Os três navios mais fortes eram 
Para os luso‐espanhóis, a Batalha de 1640 foi  naus,  armadas  com  16  canhões  cada.  Tripulações 
uma  derrota  estratégica.  Após  cinco  dias,  as  tropas  despreparadas  faziam  com  que  essa  força 
não  haviam  desembarcado  em  Pernambuco.  Os  improvisada  não  fizesse  frente  aos  profissionais 
combates  levaram  a  força  naval  do  Conde  da  Torre  holandeses  e  mercenários.  O  comando  foi  dado  ao 
para  o  norte,  ao  longo  do  litoral  do  Nordeste.  Com  Coronel Jerônimo Serrão de Paiva. 
resultado  insatisfatório,  já  que  a  força  holandesa 
muito  pouco  fora  desfalcada,  o  Conde  da  Torre  Haviam  chegado  ao  Brasil,  em  fevereiro  de 
decidiu pelo desembarque das tropas no atual Estado  1645,  dois  galeões  portugueses,  o  São  Pantaleão,  de 
do  Rio  Grande  do  Norte  e  regressar  a  Salvador  com  36 canhões, e o São Pedro de Hamburgo, de 26 ou 30 
sua força naval.  canhões.  Eram  parte  da  escolta  da  primeira  frota 
comboiada  que,  após  carregar  no  Rio  de  Janeiro, 
Os  holandeses,  por  sua  vez,  conseguiram  regressou  a  Salvador,  com  o  propósito  de,  em 
manter o domínio do mar e se aproveitaram dele para  seguida, partir para Portugal. O almirante dessa frota 
bloquear  os  portos  principais  e  atacar  o  litoral  do  era  Salvador  Correia  de  Sá  e  Benevides,  filho  de  um 
Nordeste do Brasil, expandindo sua conquista.  fluminense e uma espanhola, que tinha propriedades 
A insurreição em Pernambuco  no Rio de Janeiro. 

Em  1°  de  dezembro  de  1640,  ocorreu  a  Decidiu o Governador Teles da Silva executar, 


Restauração  de  Portugal,  ou  seja,  a  separação  de  com auxílio de Salvador de Sá, um plano para ocupar 
Portugal  da  Espanha,  com  o  fim  da  união  das  coroas  Recife.  Deveriam  os  galeões  se  juntar  aos  navios  de 
ibéricas,  e  a  aclamação  do  Duque  de  Bragança  como  Serrão de Paiva e, caso os holandeses permitissem ou 
rei, com o nome de D. João IV.  se  a  população  se  revoltasse,  tentar  desembarcar  na 
cidade. 
Em  junho  de  1641,  assinou‐se  uma  trégua  de 
dez  anos  com  os  holandeses  em  Haia.  Essa  trégua  Na  noite  de  11  de  agosto,  37  navios 
interessava  à  Companhia  das  Índias  Ocidentais,  que  portugueses, incluindo os dois galeões, fundearam em 
via  seus  lucros  consumidos  pelas  ações  militares,  e  frente  a  Recife.  Vigorava  a  trégua  e,  portanto, 
aos  portugueses,  que  estavam  em  guerra  com  a  oficialmente, as hostilidades não estavam autorizadas. 
Espanha e precisavam reduzir as frentes de combate.  Os  navios  holandeses  permaneceram  no  porto, 
aguardando  o  desenrolar  dos  acontecimentos  e,  em 
Às  vésperas  do  armistício,  os  holandeses  terra, estavam dispostos a resistir a qualquer tentativa 
trataram  de  alargar  suas  conquistas,  ocupando  o  de desembarque. 
Sergipe e o Maranhão, no Brasil, e Angola e São Tomé, 
na África.  Salvador de Sá, que estava com a mulher e os 
filhos  a  bordo  do  São  Pantaleão,  mandou  entregar 
Após  a  Restauração  de  Portugal,  foi  enviado  uma  carta  sua,  juntamente  com  outra  de  Serrão  de 
um novo governador‐geral para o Brasil, Antônio Teles  Paiva,  declarando  que  estavam  ali  para  ajudar  os 
da  Silva.  Embora  oficialmente  o  governo  português  holandeses  no  restabelecimento  da  paz  em 
respeitasse  a  trégua,  para  evitar  uma  guerra  Pernambuco.  Não  houve  resposta  imediata. 
declarada contra a Holanda, sigilosamente aprovava a  Convocado  um  conselho  a  bordo  do  São  Pantaleão, 
insurreição  no  Brasil,  e  o  novo  governador  concordaram os comandantes dos navios portugueses 

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que  não  havia  condições  favoráveis  para  atacar  ou  Em  fevereiro  de  1647,  os  holandeses 
manter um bloqueio de Recife.  atacaram  e  ocuparam  a  Ilha  de  Itaparica,  com  uma 
força  naval  comandada  pelo  Almirante  Banckert.  O 
No  dia  13,  o  mau  tempo  obrigou  os  navios  a  propósito era ameaçar Salvador. 
buscarem  o  alto‐mar.  Durante  todo  o  dia  12,  no 
entanto,  tinham  sido  admirados  pelo  povo  O  ataque  a  Itaparica  incentivou  D.  João  IV  a 
pernambucano e o que, depois, ficou conhecido como  iniciar a preparação de uma força naval para enviar ao 
a Jornada do Galeão, acabou sendo, somente, um ato  Brasil.  As  dificuldades  financeiras  e  materiais  eram 
de  emprego  político  do  Poder  Naval  pelos  muito  grandes  para  o  empobrecido  Portugal.  Foi 
portugueses,  influenciando  as  mentes  e  as  atitudes,  necessário  conseguir  empréstimos  de  particulares,  a 
sem uso de força.  serem amortizados com o imposto sobre o açúcar do 
Brasil. 
No  dia  seguinte  chegou  a  carta‐resposta 
holandesa. Estranhava o auxílio oferecido e pedia que  D. João IV designou Antônio Teles de Menezes 
se retirassem de Recife. Durante o mau tempo, Serrão  comandante  da  “Armada  de  Socorro  do  Brasil”, 
de  Paiva  separou‐se  de  Salvador  de  Sá  e,  depois  de  fazendo‐o  Conde  de  Vila  Pouca  de  Aguiar  e 
alguma  insistência  em  permanecer  em  alto‐mar  no  nomeando‐o governador e capitão‐general do Estado 
litoral de Pernambuco, resolveu se abrigar na Baía de  do Brasil, em substituição a Teles da Silva. Compunha‐
Tamandaré. Salvador de Sá seguiu para Lisboa com o  se essa esquadra de 20 navios: 11 galeões, uma urca, 
comboio.  duas  naus,  duas  fragatas  e  quatro  navios  menores. 
Partiu de Lisboa em 18 de outubro de 1647, chegando 
Em  9  de  setembro  de  1645,  o  Almirante  a Salvador em 24 de dezembro. 
holandês  Lichthardt  resolveu  atacar  Serrão  de  Paiva. 
Os  portugueses  contavam  com  sete  naus,  três  Enquanto  isso,  em  7  de  novembro,  saiu  de 
caravelas e quatro embarcações, com uma tripulação  Lisboa,  com  destino  ao  Rio  de  Janeiro,  uma  força 
de  mil  homens  aproximadamente,  e  estavam  naval comandada por Salvador de Sá, com o propósito 
fundeados. Lichthardt investiu a barra com oito navios  de libertar Angola, na África. 
holandeses  e  foi  abordar  os  navios  portugueses 
dentro da baía.  A missão da esquadra do Conde de Vila Pouca 
de  Aguiar  não  era  expulsar  os  holandeses  de 
A  resistência  se  limitou  ao  bravo  Serrão  de  Pernambuco  ou  atacar  Recife,  mas  proteger  Salvador 
Paiva e a poucos homens de seu navio. A maioria dos  e  expulsar  os  invasores  da  Ilha  de  Itaparica.  A  perda 
marinheiros  e  soldados  se  lançou  ao  mar,  nadando  de  Salvador  seria,  sem  dúvida,  desastrosa  para 
para a praia. Seguiu‐se uma verdadeira carnificina  de  Portugal e para a causa dos revoltosos. 
fugitivos  e  uma  derrota  fragorosa,  com  muitos 
mortos,  prisioneiros,  inclusive  o  Serrão  de  Paiva  Na  Holanda,  sabendo‐se  da  Armada 
ferido,  e  navios  queimados  ou  apresados  e  levados  portuguesa  de  socorro  ao  Brasil,  organizou‐se  uma 
para  Recife.  Os  documentos  e  a  correspondência  força  naval  sob  o  comando  do  ViceAlmirante  Witte 
sigilosa,  comprometedores  quanto  ao  envolvimento  Corneliszoon  de  With.  Os  navios  saíram  aos  poucos 
das  autoridades  portuguesas  na  revolta,  caíram  nas  dos portos e somente em março de 1648 alcançaram 
mãos dos holandeses.  Recife.  Encontraram  uma  situação  desfavorável:  as 
forças  holandesas  tinham  se  retirado  de  Itaparica  e 
Com  o  domínio  do  mar  novamente  restava  em  poder  da  Companhia,  além  de  Recife,  a 
assegurado, os holandeses puderam movimentar suas  Ilha de Itamaracá e os Fortes do Rio Grande do Norte 
tropas  de  reforço,  sem  risco  de  oposição  no  mar.  e da Paraíba. 
Assim,  puderam  organizar  ataques  para  diminuir  a 
pressão  que  os  insurretos  já  exerciam  sobre  seus  Ao chegar a Recife, o Almirante Witte de With 
principais pontos estratégicos.  encontrou indefinições sobre que ação tomar no mar. 
A  decisão  da  Companhia  era  lançar  suas  forças  de 
terra,  reforçadas  pelas  tropas  trazidas  por  De  With, 
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para  vencer  os  rebeldes  luso‐brasileiros,  aliviando  a  A derrota dos holandeses em Recife 
pressão que já exerciam sobre Recife. 
Apesar de ainda manterem o domínio do mar, 
Em  19  de  abril  de  1648,  travou‐se  a  Primeira  o  ânimo  dos  tripulantes  estava  diminuindo, 
Batalha  dos  Guararapes  e  os  holandeses,  mais  ocasionando motins, destituição de comandantes e o 
numerosos e com fama de estarem entre os melhores  regresso de navios amotinados para a Holanda.  
soldados  da  Europa  de  então,  foram  derrotados  no 
campo de batalha.  Queixava‐se  De  With,  em  cartas  ao  governo 
holandês,  da  dificuldade  de  se  realizar  as 
Restava  para  a  Companhia  agir  no  mar,  manutenções  necessárias  em  seus  navios,  das 
bloqueando os portos brasileiros, tentando capturar a  condições precárias de vida de seus marinheiros e da 
Frota  do  Açúcar  e  atacando  pontos  do  litoral.  O  necessidade de reforços, para que não se perdesse o 
bloqueio,  apesar  de  exigir  dos  marinheiros  longas  Brasil.  No  final  de  1649,  o  próprio  De  With  passou  a 
estadias  no  mar,  com  conseqüentes  problemas  solicitar  seu  regresso  para  a  Holanda  e,  logo  depois 
sanitários  e  alimentares,  tinha  como  incentivo  a  partiu,  à  revelia  da  Companhia  das  Índias.  Em 
possibilidade de fazer presas, havendo participação da  dezembro,  os  outros  navios  dos  Estados  Gerais 
tripulação  no  resultado  financeiro  da  venda  dos  Holandeses  se  amotinaram  e  iniciaram  seu  regresso 
navios e das cargas apresadas.  para a Europa, sem autorização. 

Fez‐se  ao  mar  De  With,  tendo  atenção  ao  Em  fevereiro  de  1650,  a  primeira  frota  da 
bloqueio de Salvador, onde a poderosa força naval do  Companhia  Geral  do  Comércio  do  Brasil  portuguesa, 
Conde  de  Vila  Pouca  de  Aguiar  se  mantinha  inativa.  com 18 navios de guerra, chegou ao Brasil. Não tinha 
Em dezembro, aproveitou para atacar os engenhos de  ordens para atacar Recife. D. João IV ainda temia uma 
açúcar  situados  nas  margens  da  Baía  de  Todos  os  guerra com a Holanda na Europa e preferia manter a 
Santos,  sem  ser  molestado  pela  força  naval  situação  informal  no  Brasil,  procurando  obter 
portuguesa,  que  mantinha  seus  navios  protegidos  resultados  através  de  negociações  diplomáticas  e  da 
pela artilharia das fortificações de terra de Salvador.  guerra  de  insurreição.  Perdia‐se,  novamente,  uma 
oportunidade,  pois  os  holandeses,  já  sitiados  em 
Em  novembro  de  1648,  chegou  a  notícia  da  terra,  não  mais  contavam  com  a  força  naval  de  De 
vitória  de  Salvador  de  Sá,  com  a  rendição  dos  With. 
holandeses em Angola, no que poderia se chamar de 
primeira projeção brasileira de poder para o exterior,  Em  abril  de  1650,  os  holandeses  no  Recife 
pois  o  Rio  de  Janeiro  foi  a  base  para  a  libertação  de  receberam  o  reforço  de  12  navios,  o  que  permitiu 
Angola  e  muitos  brasileiros  participaram  da  luta,  recuperar  o  domínio  do  mar  e  bloquear  o  Cabo  de 
inclusive  índios.  Isso  levantou  o  ânimo  dos  Santo  Agostinho,  local  por  onde  as  forças  de  terra 
portugueses  para  continuar  a  luta  no  Brasil.  Ficou  luso‐brasileiras  recebiam  suas  provisões.  A  força  do 
evidente  que  somente  com  a  organização  de  Conde  de  Vila  Pouca  de  Aguiar  ainda  estava  em 
comboios,  fortemente  escoltados,  seria  possível  Salvador,  porém  com  ordem  de  somente  entrar  em 
manter as rotas de navegação entre Portugal e Brasil.  combate se atacada. No final daquele ano, partiu para 
Criou‐se,  então,  a  Companhia  Geral  do  Comércio  do  Portugal, escoltando a frota da Companhia do Brasil. 
Brasil. 
Vieram  ao  Brasil  outras  frotas  da  Companhia 
Em fevereiro de 1649, a Companhia das Índias  portuguesa  e  os  holandeses  conseguiram  enviar 
Ocidentais  resolveu  repetir,  em  terra,  o  ataque  às  outras forças navais, mas os dias do domínio holandês 
forças  rebeldes,  em  Guararapes.  Novamente  os  estavam contados. A Companhia das Índias Ocidentais 
holandeses foram derrotados, ficando óbvio para eles  não  lograra  alcançar  um  bom  êxito  econômico  e 
que  sem  um  novo  socorro  da  Europa  nada  mais  financeiramente  estava  muito  mal.  Recife  continuava 
poderia ser feito em terra.  estrangulado pelos insurretos luso‐brasileiros. 

 
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Por décadas, o Poder Marítimo holandês havia  Guerras, tratados e limites no Sul do Brasil 
preponderado  nos  oceanos,  mas,  em  meados  do 
século  XVII,  reapareceu  a  concorrência  séria  da  Grã‐ A  fronteira  do  Sul  do  Brasil  demorou  a  ser 
Bretanha,  que  teve  como  conseqüência  a  Guerra  definida  devido  à  ferrenha  disputa  travada  entre 
Anglo‐Holandesa  de  1652‐54.  Tornou‐se,  portanto,  Portugal e Espanha que tinham interesse em dominar 
inviável  para  os  holandeses  manter  o  domínio  a estratégica região platina. Para consolidar o domínio 
permanente do mar na costa do Brasil.  da região, os dois reinos travavam diversas batalhas – 
nas quais o poder naval de ambos os lados foi muito 
Em  dezembro  de  1653,  a  quarta  frota  da  empregado – e vários acordos foram firmados.  
Companhia  do  Brasil  portuguesa  chegou  ao  Brasil.  O 
comandante  da  frota,  Pedro  Jaques  de  Magalhães,  Tratado de Lisboa (1681) – Já no primeiro ano de sua 
decidiu  bloquear  Recife  e  apoiar  os  revoltosos  luso‐ fundação,  em  1680,  a  Colônia  de  Sacramento  foi 
brasileiros.  As  posições  holandesas  foram,  atacada  e  reconquistada  aos  espanhóis  pelo 
sucessivamente,  sendo  conquistadas  e  a  rendição  de  governador  de  Buenos  Aires,  sendo  devolvida  aos 
Recife finalmente ocorreu no final de janeiro de 1654.  portugueses  em  1683,  após  a  assinatura  do  Tratado 
de Lisboa, em 1681. 
O  longo  êxito  dos  holandeses  no  Brasil  foi 
resultante  do  esmagador  domínio  do  mar  que  Tratado  de  Utrecht  (1715)  –  A  morte  do  Rei  da 
conseguiram manter durante quase todo o período da  Espanha  Carlos  II,  em  novembro  de  1700,  levou  as 
ocupação.  Mesmo quando Recife já estava cercado e  maiores  potências  européias  a  engajarem‐se  no 
era  inviável  vencer  em  terra,  ainda  conseguiram,  por  conflito  que  ficou  conhecido  como  Guerra  de 
longos anos, suprir a cidade por mar.  Sucessão de Espanha, que durou quase 15 anos e teve 
seus  reflexos  estendidos  para  o  continente 
Podemos afirmar que, na longa guerra travada  americano. Nesse conflito, Portugal e Espanha ficaram 
entre holandeses e portugueses, os holandeses foram  em lados opostos e, como conseqüência, a Colônia de 
derrotados  no  Brasil,  venceram  na  Ásia  e  houve  Sacramento  foi  novamente  ocupada  pelos  espanhóis 
empate na África e na Europa.  em 1705.  

Corsários franceses no Rio de Janeiro no século XVIII  O  Tratado  de  Utrecht  –  celebrado  em  1715 


entre  as  duas  nações  –  legitimou  a  presença 
A  França  utilizou  a  estratégia  de  empregar  portuguesa  na  região  do  Prata  com  a  restituição  aos 
corsários para, através de ações que visavam ao lucro,  lusos da Colônia de Sacramento. 
causar  danos  nos  mares  a  seus  inimigos.  Eles  não 
eram piratas, pois tinham uma patente de corso, que  Tratado  de  Madri  (1750)  –  O  conflito  ocorrido  entre 
lhes  dava  autorização  real  para  agir.  Tinham,  as  cortes  portuguesa  e  espanhola  entre  1735  e  1737 
portanto,  o  direito  de  ser  tratados  como  prisioneiros  motivou a terceira investida hispânica sobre a Colônia 
de guerra, enquanto os piratas podiam ser enforcados  de  Sacramento.  Cumprindo  ordem  do  governador  de 
se apanhados.  Buenos Aires, em junho de 1735, navios espanhóis já 
empreendiam  um  bloqueio  naval  à  colônia  lusa 
As  riquezas  do  Rio  de  Janeiro  atraíram  a  enquanto quatro mil soldados realizavam um sítio por 
cobiça  de  dois  franceses.  O  primeiro  foi  Duclerc,  que  terra. 
acabou  derrotado  depois  de  invadir  a  cidade.  Preso, 
acabou assassinado, por razão pouco esclarecida, mas  No  Rio  de  Janeiro,  o  governador  interino, 
não  relacionada  com  seu  ataque.  O  segundo  foi  Brigadeiro  José  Silva  Paes,  preparou  e  enviou,  às 
Duguay‐Trouin, que veio com uma considerável força  pressas,  uma  força  naval  para  socorrer  a  colônia. 
naval,  conquistou  a  Ilha  das  Cobras,  depois  o  Morro  Assim que chegou à região do Prata, essa força naval 
da  Conceição  e,  de  lá,  logrou  ocupar  a  cidade  que,  dissipou  o  bloqueio  que  os  navios  espanhóis  vinham 
ameaçada de ser incendiada, rendeuse. Saqueou o Rio  impondo à Colônia de Sacramento. 
de  Janeiro  e  somente  o  deixou  após  receber  um 
resgate. 
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Em  Portugal,  o  recebimento  da  notícia  do  efetuada,  pois  os  índios  que  viviam  nas  Missões  se 
assédio espanhol à colônia lusa levou o rei a ordenar o  recusaram  a  deixar  o  local,  empreendendo  uma 
preparo  de  uma  força  naval  que  foi  constituída  por  resistência  armada,  levando  os  luso‐espanhóis  a 
duas  naus  e  uma  fragata.  Essa  força  suspendeu  de  responderem  com  ação  militar  conjunta  que,  em 
Lisboa  em  março  de  1736  e,  ao  chegar  ao  Rio  de  1756, por meio da força, ocuparam a região. 
Janeiro, recebeu reforços. Juntou‐se a ela o Brigadeiro 
Silva Paes, contendo ordens de socorrer a Colônia de  Tratado  do  Pardo  (1761)  –  Celebrado  entre 
Sacramento  e,  se  possível,  reconquistar  Montevidéu  portugueses  e  espanhóis,  anulou  os  efeitos  do 
(fundada  e  abandonada  pelos  luso‐brasileiros  e  Tratado  de  Madri  e  estabeleceu  que  a  Colônia  de 
novamente fundada pelos espanhóis) e fortificar o Rio  Sacramento  voltasse  a  ser  de  Portugal.  Durante  a 
Grande de São Pedro.  Guerra  dos  Sete  Anos  (1756‐1763),  Portugal  e 
Espanha  voltaram  a  ficar  em  lados  opostos  quando, 
A  força  naval  portuguesa  no  Prata  combateu  em  1761,  a  Espanha  assinou  um  tratado  de  aliança 
os  espanhóis,  apoiou  a  Colônia  de  Sacramento  e  com a França, o que levou a Grã‐Bretanha a declarar 
estabeleceu  o  domínio  do  mar  na  região.  Após  guerra  aos  espanhóis.  Como  conseqüência,  Portugal, 
alcançar  seus  objetivos,  parte  dessa  força  regressou  que  apoiava  os  britânicos,  foi  invadido  em  1762  por 
ao Rio de Janeiro.  forças  hispânicas  e  conseqüentemente  a  guerra  se 
propagou para o Sul do Brasil. 
O Brigadeiro Silva Paes permaneceu no Sul e, 
após  ameaçar  um  ataque  a  Montevidéu  –  que  não  Na  região  do  Prata,  o  governador  de  Buenos 
ocorreu  devido  ao  grande  risco  dos  navios  ficarem  Aires  ordenou  ao  comandante  do  cerco,  que  estava 
encalhados –, decidiu partir para o Rio Grande de São  sendo  feito  à  Colônia  de  Sacramento,  que  fosse 
Pedro  e  cumprir  a  missão  de  fortificá‐lo.  Ao  chegar,  restabelecido  o  tiro  de  canhão  como  limite 
tratou  o  Brigadeiro  de  organizar  suas  defesas  e  reconhecido  para  a  praça  e  “convidasse”  o 
mandou construir o forte que denominou Jesus, Maria  governador  da  Colônia  de  Sacramento  a  desocupar 
e  José.  Estavam  assim  criadas  as  condições  para  o  imediatamente  as  Ilhas  de  Martin  Garcia  e  dos 
início da povoação da região, que recebeu, mais tarde,  Hermanos. Ainda delegou ao Capitão Francisco Gorriti 
casais açorianos para ocupar a terra.  a incumbência de viajar até a Vila de Rio Grande para 
entregar,  ao  comandante  da  mesma,  um  ofício,  em 
Mesmo  após  a  assinatura  por  portugueses  e  que exigia a desocupação daquelas terras, já que, com 
espanhóis  do  armistício  de  1737,  o  cerco  terrestre  à  a nulidade do Tratado de Madri, as terras voltavam a 
Colônia  de  Sacramento  continuou,  demonstrando  a  pertencer à Espanha. O Governador de Buenos Aires, 
grande instabilidade que existia nas relações entre as  D. Pedro Antônio Cevallos, tinha ambicioso projeto de 
duas colônias.  dominação  do  Sul  do  Brasil,  e  preparou‐se 
Procurando  solucionar  suas  questões  de  militarmente  para  atacar  a  Colônia  de  Sacramento, 
limites,  Portugal  e  Espanha  resolveram  assinar,  em  recebendo  reforços  da  Espanha  em  navios,  material 
1750,  o  Tratado  de  Madri,  que,  dentre  outras  de artilharia e munição. 
medidas,  estabeleceu  a  posse  da  Colônia  de  A  Colônia  de  Sacramento  dispunha  para  sua 
Sacramento  para  a  Espanha  e  a  de  Sete  Povos  das  defesa  de  uma  pequena  tropa,  que  não  excedia  500 
Missões  para  Portugal.  Esse  tratado  foi  fruto  do  homens,  e  o  Governador  Vicente  da  Silva  Fonseca 
trabalho  de  Alexandre  de  Gusmão,  secretário  de  D.  respondia  às  intimações  de  Cevallos  procurando 
João  V,  junto  ao  qual  teve  grande  influência.  Foram  ganhar  tempo,  enquanto  aguardava  reforços.  Em 
nomeadas  duas  comissões  para  demarcarem  a  outubro de 1762, a Colônia de Sacramento foi atacada 
fronteira,  uma  para  o  norte  –  onde  Portugal  teve  pela quarta vez e, não obstante a resistência oferecida 
como  representante  Francisco  Xavier  de  Mendonça  pelos  portugueses,  capitulou.  Os  espanhóis 
Furtado (irmão do Marquês de Pombal) – e outra para  continuaram  avançando  sobre  terras  ocupadas  pelos 
o sul, sendo o representante português Gomes Freire  luso‐brasileiros  e  com  superioridade  de  forças 
de Andrade. A troca estabelecida pelo Tratado não foi  tomaram o Rio Grande de São Pedro em 1763. Apesar 
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de  ter  sido  restabelecida  a  paz  entre  as  duas  nações  registro, ficando o episódio conhecido como a Guerra 
após a assinatura do Tratado de Paris, e o governador  das Laranjas. Na América, porém, a chegada da notícia 
de  Buenos  Aires  restituir  a  Colônia  de  Sacramento,  sobre  o  conflito  entre  as  duas  coroas  desencadeou  o 
este continuou com a ocupação do Rio Grande de São  rompimento  de  hostilidades  entre  as  populações  da 
Pedro,  que  pretendia  tornar  definitiva  tendo  como  fronteira.  No  Rio  Grande  de  São  Pedro,  tropas  foram 
base  o  Tratado  de  Tordesilhas.  Não  obstante  a  aprestadas  para  defenderem  as  fronteiras,  ainda  em 
reclamação  dos  portugueses  por  via  diplomática,  foi  processo  demarcatório,  e  os  luso‐brasileiros 
necessário  empreender  uma  ação  militar,  na  qual  invadiram e conquistaram os Sete Povos das Missões, 
tropas  luso‐brasileiras,  comandadas  pelo  Tenente‐ do  lado  espanhol,  enquanto  os  hispano‐americanos 
General  João  Henrique  Boehm  (alemão  a  serviço  de  invadiram o Sul de Mato Grosso. 
Portugal),  juntamente  com  o  emprego  da  Esquadra 
portuguesa,  reconquistaram  o  Rio  Grande  de  São  O  Tratado  de  Badajós  pôs  fim  à  guerra  de 
Pedro em abril 1776.  França  e  Espanha  contra  Portugal,  tendo  a  Espanha 
por direito de guerra, conservado a praça de Olivença, 
Em  1777,  os  espanhóis  protestaram  contra  a  na  Europa,  e  a  Colônia  de  Sacramento.  Portugal 
tomada  do  Rio  Grande  pelos  portugueses  e,  após  recuperou  no  sul  da  América  o  território  dos  Sete 
insucessos  diplomáticos,  decidiram  enviar  uma  Povos das Missões. 
poderosa  expedição  sob  o  comando  de  D.  Pedro  de 
Cevallos,  nomeado  primeiro  vice‐rei  do  Rio  da  Prata.  C R O N O L O G I A 
DATA  EVENTO 
Coube  ao  Marquês  da  Casa  de  Tilly  o  comando  da 
Chegada  de  Nicolau  Durand  de 
força naval espanhola, que era composta de 19 navios  1555  Villegagnon  ao  Rio  de  Janeiro,  instalação 
de  guerra  e  26  de  transporte.  Embora  providências  da França Antártica. 
tenham  sido  tomadas,  no  sentido  de  combater  tal  Ataque da força naval portuguesa ao Forte 
1560 
ameaça  pelo  Marquês  de  Pombal,  os  espanhóis  Coligny. 
ocuparam  a  Ilha  de  Santa  Catarina  e  pela  quinta  vez  Fundação  da  cidade  de  São  Sebastião  do 
atacaram a Colônia de Sacramento.  1565  Rio de Janeiro por Estácio de Sá. 
Expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. 
Tratado de Santo Ildefonso (1777) – Com a morte de  1580‐
União Ibérica. 
D.  José  I,  em  fevereiro  de  1777,  assumiu  o  trono  de  1640 
Portugal  D.  Maria  I.  Na  tentativa  de  resolver  as  Parte  da  França  uma  expedição  com  o 
1612  intento  de  fundar  outra  colônia  no  Brasil, 
questões  de  limites  entre  Portugal  e  Espanha,  foi 
desta vez no Maranhão. 
assinado  em  1°  de  outubro  de  1777  o  Tratado  de  Formada  a  primeira  força  naval 
Santo Ildefonso. Por este tratado, ficou estabelecido a  comandada  por  brasileiro  nato  (Jerônimo 
1614 
restituição  a  Portugal  da  Ilha  de  Santa  Catarina,  de  Albuquerque),  para  combater  os 
porém  os  lusos  perderam  a  Colônia  do  Santíssimo  franceses no Maranhão. 
Sacramento  e  a  região  dos  Sete  Povos  das  Missões.  Rendição  e  expulsão  dos  franceses  do 
1615 
Este  tratado  deixou  os  espanhóis  com  o  domínio  Maranhão pelas forças lusas. 
Criação  da  Companhia  das  Índias 
exclusivo do Rio da Prata, sendo deveras desvantajoso  1621 
Ocidentais pelos holandeses. 
para Portugal. 
Chegada  da  força  naval  holandesa  a 
1624 
Salvador e início do ataque. 
Tratado  de  Badajós  (1801)  –  A  estabilidade  entre  as 
Chegada  da  armada  luso‐espanhola 
relações  luso‐espanholas  foi  afetada  quando  1625  (denominada  Jornada  dos  Vassalos)  a 
Napoleão  Bonaparte,  desejoso  de  castigar  Portugal  Salvador e expulsão dos holandeses. 
por participar, com seus navios, de cruzeiros ingleses  1630  Invasão holandesa em Pernambuco. 
no  Mediterrâneo  e  visando  a  trazer  os  portugueses  1631  Combate Naval de Abrolhos 
para  zona  de  influência  francesa,  forçou  a  Espanha  a  Restauração Portuguesa. Batalha Naval de 
1640 
declarar  guerra  a  Portugal  em  1801.  O  rompimento  1640. 
das  relações  entre  os  dois  países  na  Europa  durou  Assinatura  de  Tratado  de  Trégua  entre 
1641 
Portugal e Holanda. Invasão holandesa em 
poucas  semanas,  sem  ações  militares  dignas  de 
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Sergipe, Maranhão, Angola e São Tomé. 
1648  Rendição dos holandeses em Angola. 
Holandeses  são  derrotados  em 
1649 
Guararapes. 
Rendição  dos  holandeses  em  Recife, 
1654 
término da ocupação holandesa. 
1681  Tratado de Lisboa. 
1715  Tratado de Utrecht. 
1750  Tratado de Madri. 
1761  Tratado do Pardo. 
1777  Tratado de Santo Ildefonso. 
1801  Tratado de Badajós. 
 

   

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EXERCÍCIO:  (A)  foram  iniciativas  do  governo  da  França,  cuja 
estratégia  estava  voltada  para  seus  interesses  no 
1 ‐ (PS‐SMV‐OF/2017)  Ao longo dos séculos XVI e XVII,  Brasil,  afirmando  que  o  mundo  não  estava  dividido 
o  Brasil  foi  invadido  por  estrangeiros,  dentre  eles,  os  entre Portugal e Espanha. 
holandeses,  os  quais  permaneceram  por  décadas  na 
costa brasileira, no intuito de formar colônias. Qual foi  (B)  a  colonização  do  Brasil  foi  interesse  de  Portugal, 
o  fator  preponderante  que  resultou  no  longo  êxito  que  pretendia  proteger  a  rota  de  seu  comércio  com 
dos holandeses no Brasil?  toda a America do Sul. 

(A) A importância de suas forças terrestres,  (C) Portugal não disponibilizou recursos para expulsar 
extremamente bem preparadas.  os  invasores  e  proteger  os  núcleos  de  colonização 
(B) A instalação de fortes para servir de base para suas  portuguesa,  tendo  esse  país  que  recolher  mais 
ações militares.  impostos  da  Colônia  para  suportar  os    custos    com 
(C) O emprego dos corsários para, por meio de ações  armas e navios. 
que visavam ao lucro, causar danos, nos mares, a seus 
inimigos.  (D)  a  reação  portuguesa  no  Rio  de  Janeiro  ocorreu 
(D) O esmagador domínio do mar, que conseguiram  quando  o  Governador  Tomé  de  Souza,  em  1560, 
manter durante quase todo o período da ocupação.  atacou  o  Forte  de  Copacabana  com  uma  forca  naval 
(E) A amizade que mantinham com os índios, que lhes  (soldados e índios) que trouxera da Bahia. 
supriam por meio de escambos.  (E)  em  1614,  uma  força  naval  comandada  por 
RESPOSTA: D  Jerônimo  de  Albuquerque  chegou  ao  Maranhão  para 
combater  os  franceses.  Esse  grupamento  pode  ser 
2 ‐ (PS‐RM2‐OF/2016) ‐ Leia o texto a seguir.  considerado  a  primeira  forca  naval  comandada  par 
um brasileiro. 
O  início  da  colonização  do  Brasil  pelos  portugueses 
contou com uma série de investidas de outras nações  RESPOSTA: E 
europeias,  que  buscaram,  através  de  ocupações, 
romper  o  domínio  português  estabelecido  pelo     
Tratado  de  Tordesilhas.  Dentre  essas  intervenções, 
houve  a  ocupação  Francesa  de  1612‐1615.  No 
combate  a  tal  ocupação,  pode‐se  citar  Jerônimo  de 
Albuquerque,  primeiro  nascido  no  Brasil  a  comandar 
uma força naval. A que local da colônia portuguesa o 
texto acima se refere? 

(A) Rio de Janeiro. 
(B) Pernambuco. 
(C) Maranhão. 
(D) Bahia. 
(E) Ceará. 

Resposta: (C) 

3  ‐  (PS‐RM2‐OF/2018)  De  acordo  com  Bittencourt 


(2006), e com relação às invasões francesas no Rio de 
Janeiro e no Maranhão, é correto afirmar que: 

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4 ‐ Formação da Marinha Imperial Brasileira  transporte4  ,  entrou  na  Baía  de  Guanabara.  A  bordo 
também  vinham  os  integrantes  da  Brigada  Real  da 
Emergindo  das  dificuldades  do  período  Marinha  encarregados  da  artilharia  e  da  defesa  dos 
revolucionário  (1789‐  1799),  a  França  erguia‐se  navios. 
perante  a  Europa  aristocrática  com  o  “Grande 
Exército”  chefiado  por  Napoleão  Bonaparte.  As  Vamos  ver  neste  capítulo  o  que  ocorreu 
notáveis  vitórias  militares  francesas  subjugaram  a  quanto  ao  estabelecimento  da  Marinha  na  Corte  e  a 
maior  parte  do  Velho  Mundo  e  esse  expansionismo  política externa de D. João, caracterizada pela invasão 
teve  repercussões  intensas  na  própria  América,  da  capital  da  Guiana  Francesa,  Caiena,  e  a  ocupação 
abrindo  caminho  para  a  emancipação  política  das  da Banda Oriental, atual Uruguai. 
colônias ibéricas. 
No campo interno veremos a Revolta Nativista 
As  guerras  napoleônicas  (1804‐1815)  foram  de  1817,  movimento  separatista  ocorrido  em 
caracterizadas  por  dois  aspectos:  o  primeiro  na  luta  Pernambuco, onde a Marinha atuou na sua repressão, 
de  uma  nação  burguesa  contra  uma  Europa  bloqueando o porto de Recife. 
aristocrática;  e  o  segundo  na  luta  entre  França  e 
Inglaterra.  Com  a  derrota  da  Marinha  francesa  na  Com  o  retorno  de  D.  João  VI  para  Portugal, 
Batalha  de  Trafalgar  (1805)  para  a  Marinha  inglesa,  permaneceu no Brasil seu filho D. Pedro, que passou a 
muito  superior,  decide  Napoleão  investir  contra  seus  sofrer  pressão  vinda  da  Corte  de  Portugal  para  que 
inimigos  continentais  (Áustria  e  Prússia)  e,  ao  tomar  regressasse  a  Lisboa.  Como  conseqüência,  temos  o 
Berlim,  iniciou  guerra  econômica  à  Inglaterra,  Dia  do  Fico  (09/01/1822)  e,  posteriormente,  após 
estabelecendo  em  1806  um  “bloqueio  continental”.  novas  pressões,  D.  Pedro  proclama  a  nossa 
Os  demais  Estados  europeus  foram  concitados  a  Independência. 
aderir ao bloqueio, dentre eles Portugal.   Para  concretizar  a  nossa  Independência  e 
Portugal  sempre  manteve  laços  comerciais  levar a todos os recantos do litoral brasileiro a notícia 
com a Inglaterra e a sua não‐adesão ao bloqueio2 foi  do  dia  7  de  setembro,  foi  necessário  organizar  uma 
determinante  para  a  decisão  de  sua  invasão  por  força  naval  capaz  de  atingir  todas  as  províncias,  e 
Exército francês sob o comando do General Junot. Ao  fazer frente aos focos de resistência à nova ordem. 
saber da chegada do Exército invasor de Napoleão, o   
Conselho  de  Estado  com  o  Príncipe  Regente  D.  João 
acordaram na retirada para o Brasil de toda a Família  A vinda da Família Real 
Real. 
A Corte no Rio de Janeiro 
A  29  de  novembro  de  1807,  a  Família  Real 
Junto  com  a  Família  Real  todo  o  aparato 
embarca  rumo  ao  Brasil.  O  comboio  de  transportes 
burocrático e administrativo foi transferido para o Rio 
que  conduziu  todo  o  aparato  (15.000  pessoas  dentre 
de Janeiro. Dentre as primeiras decisões de D. João, já 
militares  e  civis)  era  de  30  navios,  e  várias 
no  dia  11  de  março  de  1808,  está  a  instalação  do 
embarcações.  Foi  protegido  por  uma  escolta  inglesa 
Ministério  dos  Negócios  da  Marinha  e  Ultramar,  que 
composta por 16 naus. 
continuou a ter o mesmo regulamento instituído pelo 
A 22 de janeiro de 1808, a Nau Príncipe Real,  Alvará de 1736. 
onde  o  Príncipe  Regente  D.  João  encontrava‐se 
A  seguir,  foram  sucessivamente  criadas  ou 
embarcado, chegou à Bahia. A 28, D. João proclamava 
estabelecidas  várias  repartições  necessárias  ao 
a  independência  econômica  do  Brasil  com  a 
funcionamento  do  Ministério  da  Marinha,  tais  como: 
publicação  da  famosa  carta  régia  que  abriu  ao 
Quartel‐General  da  Armada,  Intendência  e 
comércio  estrangeiro  os  portos  do  país;  e  a  7  de 
Contadoria,  Arquivo  Militar,  Hospital  de  Marinha, 
março  de  1808  D.  João,  à  testa  de  uma  força  naval 
Fábrica de Pólvora e Conselho Supremo Militar. 
composta  por  três  naus,  um  bergantim  e  um 

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A  Academia  Real  de  Guardas‐Marinha,  que  do  CapitãoTenente  José  Antônio  Salgado),  Brigue 
também  acompanhou  a  Família  Real,  teve  sua  Infante  D.  Pedro  (comando  do  Capitão‐Tenente  Luís 
instalação  nas  dependências  do  Mosteiro  de  São  da Cunha Moreira). Juntos traziam um reforço de 300 
Bento,  se  tornando  desta  feita  o  primeiro  homens.  Tinham  ordens  de  ocupar  o  território  da 
estabelecimento de ensino superior no Brasil.  Guiana Francesa e submeter Caiena. 

No  tocante  à  infra‐estrutura  já  existente  no  A  1°  de  dezembro,  desembarcaram  as  nossas 
Rio  de  Janeiro,  observamos  que  o  Arsenal  Real  da  tropas  no  território  inimigo,  ficando  o  comando  da 
Marinha,  localizado  então  ao  pé  do  morro  do  expedição assim repartido: o Tenente‐Coronel Manuel 
Mosteiro  de  São  Bento,  cuja  criação  data  de  29  de  Marques  dirigiria  as  forças  terrestres;  os  navios 
dezembro  de  1763,  teve  sua  capacidade  ampliada  ficariam sob as ordens do Comandante Yeo. Este, com 
para poder apoiar a recém‐chegada Esquadra.  os navios menores (os demais foram bloquear Caiena 
por  mar),  subiu  o  Oiapoque  e  foi  dominando,  sem 
Política externa de D. João e a atuação da Marinha: a  maior  resistência,  os  pontos  fortificados  que  ia 
conquista de Caiena e a ocupação da Banda Oriental  encontrando.  Quatro  escunas  francesas  foram 
Diante  da  invasão  do  território  continental  aprisionadas,  incorporadas  e  rebatizadas  de  Lusitana, 
português  pelas  tropas  do  General  Junot,  D.  João  D. Carlos, Sydney Smith e Invencível Meneses. 
assinou, a 1° de maio de 1808, manifesto declarando  O  governador  de  Caiena,  Victor  Hughes, 
guerra à França, considerando nulos todos os tratados  tratou, em vão, de preparar a resistência, levantando 
que  o  imperador  dos  franceses  o  obrigara  a  assinar,  baterias, fortificando os melhores pontos estratégicos 
principalmente  o  de  Badajós  e  de  Madri,  ambos  de  e  guarnecendo  os  fortes.  As  forças  de  ataque  foram 
1801, e o de neutralidade, de 1804. Os limites entre o  ganhando terreno, apertando cada vez mais o cerco à 
Brasil  e  a  Guiana  Francesa  voltaram  a  ser  capital Caiena, até sua rendição final, a 12 de janeiro 
questionados.  de  1809.  A  importância  dessa  operação  recai  na 
Como a guerra não poderia ser levada a cabo  condição  de  ter  sido  o  primeiro  ato  consistente  de 
no território europeu, e sendo importante a ocupação  política externa de D. João realizada por meio militar, 
de  território  inimigo  em  qualquer  guerra,  o  objetivo  contando  com  forças  navais  e  terrestres  anglo‐luso‐
ideal se tornou a colônia francesa.  brasileira. 

Determinou  então  a  Corte  ao  Capitão‐General  da  A  ocupação  portuguesa  da  Guiana  Francesa 
Capitania do Grão‐Pará, Tenente‐Coronel José Narciso  durou  mais  de  oito  anos.  Embora  temporária,  foi  de 
Magalhães de Meneses, que ocupasse militarmente as  grande  valia  para  a  fixação  dos  limites  do  País, 
margens do Rio Oiapoque. Ordem recebida, tratou de  porquanto,  na  ocasião  de  sua  devolução,  em  1817, 
arregimentar  pessoal  e  material,  se  valendo  inclusive  ficaram  tacitamente  estabelecidos  os  limites  do 
(diante dos escassos recursos existentes nos cofres da  Oiapoque. 
capitania) de subscrição popular.  A Banda Oriental 
Em  outubro  de  1808,  a  força  estava  pronta.  Outro  movimento  importante  de  D.  João  na 
Sob o comando do Tenente‐Coronel Manuel Marques  política externa foi a ocupação da Banda Oriental. Na 
d’Elvas Portugal, compunhase de duas companhias de  operação,  foi  de  grande  importância  o  papel  que 
granadeiros,  duas  companhias  de  caçadores  e  uma  desempenhou  a  Marinha,  não  só  no  transporte  das 
bateria  de  artilharia,  totalizando  400  homens  com  tropas,  desde  Portugal  (já  liberado  do  domínio 
armas.  Para  conduzir  essa  força  ao  lugar  de  destino,  francês),  como  também  em  todo  o  desenrolar  da 
aprestou‐se  uma  esquadrilha  composta  por  dez  ocupação. 
embarcações.  A  3  de  novembro,  a  esquadrilha  foi 
acrescida  de  três  navios  vindos  da  Corte:  Corveta  O  movimento  de  independência  da  América 
inglesa  Confidence  (comando  do  Capitão‐de‐Mare‐ espanhola provocou o aparecimento de novas nações 
Guerra  James  Lucas  Yeo)  e  Brigue  Voador  (comando  americanas, cada qual com lideranças  individuais. Foi 
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o caso do Uruguai, então chamado de Banda Oriental,  Brasil  na  Banda  Oriental,  deixando‐nos  em  campo 
que se recusava a fazer parte das Províncias Unidas do  sozinhos. 
Rio da Prata, encabeçada  por Buenos Aires. Seu líder 
José  Gervásio  Artigas  arregimentou  as  camadas  Não  foi  imediata  a  completa  submissão  da 
populares contra o domínio espanhol e para o ideal da  Banda  Oriental.  Ainda  por  alguns  anos,  fez  José 
anexação promovido por Buenos Aires. Neste intento  Artigas tenaz resistência à dominação portuguesa, até 
invadiu  as  fronteiras  portenhas  e  brasileiras,  o  que  sua derrota final na Batalha de Taquarembó, a 22 de 
ocasionou  o  acordo  entre  as  duas  últimas  para  uma  janeiro de 1820. 
ação conjunta contra Artigas.  Durante  esse  período,  os  partidários  de 
A  12  de  junho  de  1816,  partiu  do  Rio  de  Artigas  valiam‐se  de  corsários  que,  com  base  na 
Janeiro uma Divisão Naval, composta de uma fragata,  Colônia  de  Sacramento,  ocasionavam  grandes 
uma corveta, cinco naus (das quais uma era inglesa e  prejuízos  ao  comércio  de  nossa  Marinha  Mercante. 
outra  francesa)  e  de  seis  brigues,  capitaneada  pela  Com  recursos  navais  reduzidos  para  liquidar  a  nova 
Nau Vasco da Gama, onde achavam‐se embarcados o  ameaça,  o  comando  português  empregou  tropas 
Chefede‐Divisão  Rodrigo  José  Ferreira  Lobo,  terrestres  para  tentar  destruir  as  bases  inimigas. 
responsável pelas atividades navais da expedição, e o  Assim,  o  Tenente‐Coronel  Manuel  Jorge  Rodrigues, 
Tenente‐Coronel  Carlos  Frederico  Lecor,  então  auxiliado  por  forças  navais,  atacou  e  conquistou 
nomeado  Governador  e  Capitão‐General  da  Praça  e  Colônia,  Paissandu  e  outros  locais  às  margens  do 
Capitania de Montevidéu. A Divisão Naval foi se reunir  Uruguai, tendo em Sacramento conseguido aprisionar 
com  o  1°  Escalão,  composto  por  seis  navios,  que  já  vários corsários que aí se encontravam. 
havia seguido para Santa Catarina em janeiro.  Para  as  operações  realizadas  no  Rio  Uruguai, 
Aportando a Divisão na Ilha de Santa Catarina  foi  constituída  uma  pequena  flotilha,  sob  o  comando 
a 26 de junho, decidiu Lecor seguir por terra com sua  do  Capitão‐Tenente  Jacinto  Roque  Sena  Pereira, 
tropa  para  o  Rio  Grande  do  Sul  e,  então,  iniciar  a  formada  pela  Escuna  Oriental  e  Barcas  Cossaca, 
invasão,  visto  que  as  condições  climáticas  só  eram  Mameluca e Infante D. Sebastião. Esta flotilha prestou 
favoráveis  à  navegação  no  Rio  da  Prata  em  outubro.  auxílio inestimável às forças de terra, tanto na tomada 
Seguiu  então  à  frente  dos  seus  6  mil  comandados,  de Arroio de La China, quanto na tomada de Calera de 
margeando o mar até as proximidades de Maldonado.  Barquin,  Perucho  Verna  e  Hervidero.  Em  Perucho 
A Esquadra, por sua vez, rumou em direção ao Rio da  Verna,  doze  embarcações  inimigas,  uma  lancha 
Prata, devendo antes estacionar naquele porto.  artilhada e um escaler foram apresados. 

Do Rio de Janeiro, a 4 de agosto, partiu nova  No  mar,  o  último  episódio  em  que  a  força 


flotilha, composta por quatro navios com a missão de  naval  atuou,  ocorrido  em  15  de  junho  de  1820,  foi  o 
operar em combinação com a Divisão dos Voluntários  aprisionamento  do  corsário  General  Rivera,  com  a 
Reais.  A  22  de  novembro  de  1816,  deu‐se  o  recuperação dos mercantes Ulisses e Triunfantes, pela 
desembarque  em  Maldonado  pelas  forças  navais  de  Corveta Maria da Glória, comandada pelo Capitão‐de‐
Rodrigo  José  Ferreira  Lobo.  Com  a  ocupação  do  Fragata Diogo Jorge de Brito. 
cidade,  e  a  vitória  pelas  forças  terrestres  em  Índia  A  31  de  julho  de  1821,  em  assembléia 
Morta,  o  caminho  para  Montevidéu  ficou  livre.  Lecor  formada  por  deputados  representantes  de  todas  as 
encontrava‐se  acampado  no  passo  de  São  Miguel,  localidades orientais, foi aprovada por unanimidade a 
quando  recebeu  uma  deputação  de  Montevidéu  que  incorporação  da  Banda  Oriental  à  Coroa  portuguesa, 
apresentou‐lhe  as  chaves  da  cidade  e  seu  submisso  fazendo  parte  do  domínio  do  Brasil  com  o  nome  de 
respeito e completa adesão ao governo de D. João VI.  Província Cisplatina. 
Nessa época, o governo das Províncias do Rio   
da  Prata  não  mais  apoiava  a  intervenção  armada  do 
 

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A Revolta Nativista de 1817 e a atuação da Marinha  brasileiros  desfrutavam  do  afrouxamento  dos  laços 
coloniais,  a  sociedade  portuguesa  via‐se  deixada  em 
Em  paralelo  ao  que  ocorria  no  Sul,  teve  a  segundo  plano,  com  o  território  luso  sendo 
Corte  que  se  mobilizar  para  fazer  frente  ao  administrado  por  uma  junta  sob  controle  de  um 
movimento  separatista  que  eclodiu  em  Pernambuco,  militar britânico. 
em março de 1817. 
 
As  primeiras  providências  para  o 
restabelecimento  da  ordem  legal  em  Pernambuco  O retorno de D. João VI para Portugal 
foram tomadas pelo Conde dos Arcos, Governador da 
Bahia,  que  fez  armar  em  guerra  alguns  navios  Tal  estado  de  “abrasileiramento”  da 
mercantes,  e  mandou  seguir  para  Pernambuco  sob  o  monarquia  portuguesa,  somado  ao  clamor  por  uma 
comando  do  Capitão‐Tenente  Rufino  Peres  Batista.  A  flexibilização  do  absolutismo  vindo  de  setores  da 
esquadrilha  era  composta  por  três  navios,  e  tinha  sociedade  portuguesa,  fez  estourar  na  Cidade  do 
como missão o bloqueio do porto do Recife.  Porto  um  movimento  revolucionário  liberal.  Logo  a 
revolução  se  espalhou  por  todo  o  Portugal, 
A 2 de abril partiu da Corte uma Divisão sob o  fomentando a instalação de uma Assembléia Nacional 
comando do Chefe‐de‐Esquadra Rodrigo José Ferreira  Constituinte  denominada  de  “Cortes”,  que  visava  a 
Lobo,  composta  por  três  navios,  enquanto  que  da  instaurar  uma  monarquia  Constitucional.  O  estado 
Bahia seguiram por terra dois regimentos de cavalaria  revolucionário  da  antiga  metrópole  provocou  o 
e dois de infantaria. A 4 de maio outra Divisão Naval,  retorno do Rei em 26 de abril de 1821, deixando seu 
sob  o  comando  do  Chefe‐de‐Divisão  Brás  Caetano  filho D. Pedro como Príncipe Regente. Tentava, assim, 
Barreto Cogomilho, partiu do Rio de Janeiro.  a  dinastia  de  Bragança  manter  sob  controle,  e  longe 
dos ventos liberais, as duas partes de seu reino. 
O  cerco  da  cidade  de  Recife  por  terra  e  o 
bloqueio  efetuado  por  mar  fizeram  com  que  os  Mesmo  com  o  retorno  do  Rei,  as  Cortes 
rebeldes abandonassem a cidade a 20 de maio, dando  reunidas  em  Lisboa  mantiveram‐se  atuantes  na 
fim ao movimento separatista.  imposição de uma monarquia constitucional a D. João 
VI. Contudo, o posicionamento das Cortes em relação 
  ao Brasil era completamente contrário ao seu discurso 
Guerra de Independência  liberal:  vinha  no  sentido  de  reativar  a  subordinação 
política  e  econômica  posterior  a  1808,  reerguendo  o 
Elevação do Brasil a Reino Unido  pacto  colonial.  A  oposição  que  as  Cortes  faziam  à 
dinastia  de  Bragança  em  Portugal  e  suas  crescentes 
Do  mesmo  modo  que  a  transferência  para  o 
imposições  ao  Príncipe  Regente  provocaram  reações 
Brasil  da  sede  do  reino  português  foi  motivada  pela 
de  D.  Pedro.  Em  9  de  janeiro  de  1822,  no  que  ficou 
ameaça  representada  pelo  expansionismo  francês  na 
conhecido  como  Dia  do  Fico,  D.  Pedro  declarou  que 
Europa,  seria  esperado  o  retorno  do  Rei  D.  João  VI  a 
permaneceria  no  Brasil  apesar  da  determinação  das 
Lisboa  e  a  restauração  do  pacto  colonial  após  a  paz 
Cortes  para  que  retornasse  a  Lisboa. 
européia.  Com  a  queda  de  Napoleão  e  o  movimento 
Concomitantemente,  o  Príncipe  nomeou  um  novo 
de  restauração  das  monarquias  absolutistas 
Gabinete  de  Ministros,  sob  a  liderança  de  José 
encabeçado pelo Congresso de Viena, os portugueses 
Bonifácio  de  Andrada  e  Silva,  que  defendia  a 
esperavam  que  seu  rei  retornasse  para  Portugal  e 
emancipação  do  Brasil  sob  uma  monarquia 
trouxesse a Corte de volta para Lisboa. 
constitucional encabeçada pelo Príncipe Regente. 
Entretanto, o monarca permaneceu no Rio de 
A  pressão  das  Cortes  pela  restauração  do 
Janeiro e, para viabilizar esta situação, elevou o Brasil 
pacto  colonial  com  o  conseqüente  esvaziamento  das 
a  uma  condição  equivalente  de  Portugal  com  a 
suas  atribuições  de  regente  levaram  D.  Pedro  a 
formação  do  Reino  Unido  de  Portugal,  Brasil  e 
defender  a  autonomia  brasileira  perante  a 
Algarves.  Enquanto  os  comerciantes  e  fazendeiros 
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restauração  da  condição  de  colônia  pretendida  pelas  das Armas da Província Brigadeiro Inácio Luís Madeira 
Cortes.  de Melo. 

A Independência  A Formação de uma Esquadra Brasileira 

Em  7  de  setembro  de  1822,  o  Príncipe  D.  O  governo  brasileiro,  por  intermédio  de  seu 
Pedro declarava a Independência do Brasil. Porém, só  Ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros José 
as  províncias  do  Rio  de  Janeiro,  São  Paulo  e  Minas  Bonifácio  de  Andrada  e  Silva,  percebeu  que  somente 
Gerais  atenderam  de  imediato  à  conclamação  com  o  domínio  do  mar  conseguiriam  manter  a 
emanada das margens do Ipiranga.  unidade  territorial  brasileira,  pois  eram  por  meio  do 
mar  que  as  províncias  litorâneas,  onde  estava 
Até  pela  proximidade  geográfica,  estas  concentrada  a  maior  parte  da  população  e  da  força 
mantiveram‐se  fiéis  às  decisões  emanadas  do  Paço  produtiva  brasileira,  se  interligavam  e 
mesmo  após  a  partida  de  D.  João  VI.  As  capitais  das  comercializavam seus produtos. A rápida formação de 
províncias  ao  Norte  do  País  mantiveram  sua  ligação  uma  Marinha  de  Guerra  nacional  constituía‐se  no 
com a metrópole, pois as peculiaridades da navegação  melhor meio de transportar e concentrar tropas leais 
a vela e a falta de estradas as punham mais próximas  e  suprimentos  para  as  áreas  de  embate  com  os 
desta  do  que  do  Rio  de  Janeiro.  Mormente  o  portugueses. 
expressivo  número  de  patriotas  no  interior  destas 
províncias,  nas  capitais  e  nas  poucas  principais  Este  conjunto  de  navios  de  guerra,  a 
cidades, a elite de comerciantes era majoritariamente  Esquadra,  impediria  que  chegassem  aos  portos  das 
portuguesa e adepta da restauração colonial realizada  cidades  brasileiras  ocupadas  pelos  portugueses  os 
pelo movimento liberal português. Durante a “queda‐ reforços  que  Portugal  enviasse,  interceptando  e 
de‐braço”  empreendida  entre  as  Cortes  e  D.  Pedro,  combatendo  os  navios  que  os  trouxessem.  Privando 
foram  reforçadas  as  guarnições  militares  das  as  guarnições  portuguesas  de  mais  soldados  e  armas 
províncias  do  Norte  e  Nordeste  para  manter  a  vindos  por  mar,  as  bombardeando  com  canhões 
vinculação com Lisboa.  embarcados e transportando soldados brasileiros para 
reforçar  os  patriotas  que  lutavam  contra  os 
A resistência mais forte estava justamente em  portugueses  no  interior,  a  Marinha  Brasileira 
Salvador,  Bahia,  onde  essa  guarnição  era  mais  contribuiu para a Independência do Brasil, permitindo 
numerosa.  No  sul,  a  recém  incorporada  Província  que  do  território  da  colônia  portuguesa  na  América 
Cisplatina  viu  as  guarnições  militares  que  lá  ainda  emergisse um só país, com um grande território. 
estavam  dividirem‐se  perante  a  causa  da 
Independência,  enquanto  o  comandante  das  tropas  O  nascimento  da  Marinha  Imperial,  portanto, 
de ocupação, General Carlos Frederico Lecor, colocou‐ se  deu  nesse  regime  de  urgência,  aproveitando  os 
se  ao  lado  dos  brasileiros,  seu  subcomandante,  D.  navios  que  tinham  sido  deixados  no  porto  do  Rio  de 
Álvaro da Costa de Souza Macedo, e a maior parte das  Janeiro  pelos  portugueses,  que  estavam  em  mal 
tropas defenderam o pacto com Lisboa.  estado  de  conservação,  e  os  oficiais  e  praças  da 
Marinha  portuguesa  que  aderiram  à  Independência. 
A  situação  que  se  descortinava  no  Brasil  Os  navios  foram  reparados  em  um  intenso  trabalho 
parecia  cada  vez  mais  desfavorável  ao  processo  de  do  Arsenal  de  Marinha  do  Rio  de  Janeiro  e  foram 
Independência.  Mesmo  que  as  forças  brasileiras,  adquiridos  outros,  tanto  pelo  governo  como  por 
constituídas  de  militares  e  milícias  patrióticas  subscrição  pública.  E  as  lacunas  encontradas  nos 
forçassem  e  sitiassem  as  guarnições  portuguesas,  o  corpos de oficiais e praças foram completadas com a 
mar  era  uma  via  aberta  para  o  recebimento  de  contratação  de  estrangeiros,  sobretudo  experientes 
reforços.  Por  esta  via,  Portugal  aumentou  sua  força  remanescentes da Marinha inglesa. A necessidade de 
com  tropas,  suprimentos  e  navios  de  guerra  à  se dispor da Força Naval como um eficiente elemento 
guarnição  de  Salvador  comandada  pelo  Governador  operativo  e  como  um  fator  de  dissuasão  para  as 
pretensões de reconquista portuguesa fez com que o 

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governo imperial brasileiro contratasse Lorde Thomas  Tais  estratagemas,  que  conduziram  a  aceitação  da 
Cochrane,  um  brilhante  e  experiente  oficial  de  Independência brasileira pelas elites formadas em sua 
Marinha  inglês,  como  Comandante‐em‐Chefe  da  maioria de portugueses em São Luís e em Belém, não 
Esquadra.  se  deram  tão  facilmente  como  um  vislumbre 
superficial do evento histórico permite concluir, a luta 
Operações Navais  pelo  poder  provincial  entre  brasileiros  e  portugueses 
A  1°  de  abril  de  1823,  a  Esquadra  brasileira  recém‐adeptos  da  Independência  levou  que  o 
comandada  por  Cochrane,  deixava  a  Baía  de  contingente  da  Marinha  naquelas  cidades  atuasse 
Guanabara  com  destino  à  Bahia,  para  bloquear  tanto  num  sentido  apaziguador,  mesmo  diplomático, 
Salvador  e  dar  combate  às  forças  navais  portuguesas  como trazendo a ordem pela força das armas. 
que lá se concentravam sob o comando do Chefe‐de‐ As  operações  navais  na  Cisplatina 
Divisão Félix dos Campos. A primeira tentativa de dar  assemelharam‐se  às  realizadas  na  Bahia,  sendo 
combate  aos  navios  portugueses  foi  desfavorável  à  empreendido  um  bloqueio  naval  conjugado  com  um 
Cochrane,  tendo  enfrentado,  além  do  inimigo,  a  cerco  por  terra  a  Montevidéu,  isolando  as  tropas 
indisposição  para  luta  dos  marinheiros  portugueses  portuguesas  comandadas  por  D.  Álvaro  Macedo.  Em 
nos navios da Esquadra, muitos dos quais guarneciam  março de 1823, a Força Naval no Sul, comandada pelo 
os  canhões  com  uma  inabilidade  próxima  ao  motim.  Capitão‐de‐Mar‐e‐Guerra  Pedro  Antônio  Nunes,  foi 
Depois  de  reorganizar  suas  forças  e  expurgar  os  reforçada  com  a  chegada  de  navios  vindos  do  Norte‐
elementos  desleais,  e  a  despeito  das  Forças  Navais  Nordeste do Império, a tempo de se opor à tentativa 
portuguesas, Cochrane colocou Salvador sob bloqueio  portuguesa de romper o bloqueio em 21 de outubro. 
naval,  capturando  os  navios  que  provinham  o  A  batalha  que  se  seguiu,  embora  violenta,  terminou 
abastecimento da cidade, que já se encontrava sitiada  sem  a  vitória  de  nenhum  dos  oponentes,  mas 
por terra pelas forças brasileiras.  configurou‐se como uma vitória estratégica das forças 
Pressionados  pelo  desabastecimento,  as  brasileiras  com  a  manutenção  do  bloqueio.  O 
tropas  portuguesas  abandonaram  a  cidade  em  2  de  desabastecimento  provocado  pelo  bloqueio  e  pelo 
julho,  em  um  comboio  de  mais  de  70  navios,  cerco  por  terra,  somado  a  desalentadora  notícia  que 
escoltados  por  17  navios  de  guerra.  Este  foi  Montevidéu era a última resistência portuguesa na ex‐
acompanhado  e  fustigado  pela  Esquadra  brasileira,  colônia,  provocou  a  evacuação  do  contingente 
destacando‐se  a  atuação  da  Fragata  Niterói,  português da Cisplatina em novembro de 1823. 
comandada pelo Capitão‐de‐Fragata John Taylor, que,  Confederação do Equador 
apresando vários navios, atacou o comboio português 
até a foz do Rio Tejo.  Ainda  no  reinado  de  D.  Pedro  I,  uma  revolta 
na  Província  de  Pernambuco  colocou  em  perigo  a 
O  próximo  passo  para  expulsão  dos  integridade  territorial  do  Império.  A  Marinha  atuou 
portugueses  do  Norte‐Nordeste  brasileiro  era  o  contra a Confederação do Equador a partir de abril de 
Maranhão,  onde  Cochrane,  utilizando‐se  de  um  hábil  1824,  que  congregou,  no  seu  ápice,  também  as 
ardil,  fez  da  Nau  Pedro  I,  sua  capitânia,  a  ponta  de  províncias  da  Paraíba,  Rio  Grande  do  Norte  e  Ceará. 
lança  de  uma  grande  força  naval  que  viria  próxima,  Porém,  o  aumento  do  combate  à  revolta  só  se  deu 
transportando  um  vultoso  Exército  nacional  que  com o envio da Força Naval comandada por Cochrane, 
tomaria  São  Luís.  Porém,  tudo  não  passava  de  um  onde foi embarcada a 3ª Brigada do Exército Imperial, 
blefe para levar a deposição da Junta Governativa que  com  1.200  homens,  comandada  pelo  Brigadeiro 
se mantinha fiel à Lisboa, o que aconteceu em 27 de  Francisco  Lima  e  Silva.  As  tropas  foram 
julho de 1823.  desembarcadas em Alagoas e seguiriam por terra para 
Seguiu‐se  a  utilização  do  mesmo  ardil  no  a  província  rebelada;  enquanto  a  Força  Naval 
Grão‐Pará,  conduzido  pelo  Capitão‐Tenente  John  alcançou Recife em 18 de agosto de 1824, instituindo 
Pascoe  Grenfell,  no  comando  do  Brigue  Maranhão.  severo  bloqueio  naval.  Com  a  Marinha  e  o  Exército 

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atuando conjuntamente, as forças rebeldes de Recife  naval  brasileiro  pelos  navios  fiéis  a 
foram derrotadas em 18 de setembro.  Portugal  estacionados  na  Província 
Cisplatina.  Vitória  estratégica  da  Força 
C R O N O L O G I A  Naval brasileira. 
DATA  EVENTO  Capitulação  de  Montevidéu  e  retirada 
29/11/1807  Saída de Lisboa da Família Real.  18/11/1823 das  tropas  portuguesas  da  Província 
22/01/1808  Chegada da Família Real em Salvador.  Cisplatina. 
29/01/1808  Abertura  dos  portos  ao  comércio  As  forças  rebeldes  de  Recife  foram 
18/09/1824
estrangeiro.  derrotadas. 
Chegada  da  Família  Real  ao  Rio  de   
Janeiro.  Desembarque  da  Brigada  Real 
07/03/1808     
de  Marinha  no  Rio  de  Janeiro,  marco 
zero da história dos Fuzileiros Navais. 
Instalação  do  Ministério  dos  Negócios 
11/03/1808  da  Marinha  e  Ultramar  no  Rio  de 
Janeiro. 
D.  João  assina  manifesto  declarando 
01/05/1808 
guerra à França. 
Desembarque  das  tropas  luso‐
01/12/1808  brasileiras  em  território  da  Guiana 
Francesa. 
Caiena,  capital  da  Guiana  Francesa  se 
12/01/1809 
rende. 
Saída  da  Divisão  Naval  para  a  Banda 
12/06/1816 
Oriental. 
22/11/1816  Desembarque em Maldonado. 
Parte  da  Corte  a  Divisão  Naval  com  a 
02/04/1817  missão  de  bloquear  Recife,  durante  a 
Revolta Nativista de 1817. 
Fim  do  movimento  nativista  de 
20/05/1817 
Pernambuco. 
26/04/1821  Regresso de D. João VI para Portugal. 
Incorporação da Banda Oriental à Coroa 
31/07/1821 
de Portugal. 
Dia do Fico, o Príncipe Regente D. Pedro 
declara  que  não  obedecerá  às 
09/01/1822 
determinações  das  Cortes  portuguesas 
e que permanecerá no Brasil. 
07/09/1822  Independência do Brasil. 
Primeira vez em que é içada a Bandeira 
10/11/1822  Imperial  em  navio  da  nova  Esquadra. 
Aniversário da Esquadra. 
A  Esquadra  brasileira,  sob  o  comando 
do  Primeiro‐Almirante  Cochrane, 
01/04/1823 
deixou o porto do Rio de Janeiro rumo à 
Bahia. 
Larga do porto de Salvador comboio de 
02/07/1823  navios  levando  as  tropas  portuguesas 
para Portugal. 
Adesão  à  causa  da  Independência  pela 
27/07/1823 
Província do Maranhão. 
Adesão  à  causa  da  Independência  pela 
15/08/1823 
Província do Grão‐Pará. 
21/10/1823  Tentativa  de  rompimento  do  bloqueio 
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EXERCÍCIOS:  4 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – A pressão pela restauração 
do  pacto  colonial,  com  o  conseqüente  esvaziamento 
1  ‐  (PS‐RM2‐OF/2016)  –  Após  a  Proclamação  da  das atribuições de regente, levou D. Pedro a defender 
Independência do Brasil em 1822, o Governo Imperial  a  autonomia  brasileira  perante  a  restauração  da 
teve  a  necessidade  de  criar  rapidamente  uma  condição  de  colônia  pretendida  pelas  Cortes. 
Esquadra  Brasileira  com  a  intenção  de  efetivar  a  Com isso, como ficou conhecido o dia 7 de setembro 
Independência  e  combater  as  forças  opositoras  à  de 1822? 
autonomia política da nação. Além de a recém criada 
Marinha do Brasil ter sido fundamental na guerra pela  (A) Dia do Fico. 
independência, que outro fator de destaque pode ser  (B) Dia da Independência do Brasil. 
atribuído à Esquadra Imperial Brasileira?  (C) Dia do Brasil e Portugal. 
(D) Dia de D. Pedro. 
(A) A transformação da colônia brasileira em uma  (E) Dia de Portugal. 
República. 
(B) A manutenção da unidade territorial brasileira.   
(C) A incorporação das Províncias Unidas do Prata ao 
território brasileiro.  5 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Ainda no reinado de D. Pedro I, 
(D) O apresamento dos navios portugueses seguindo  uma revolta na Província de Pernambuco colocou em 
da tomada da cidade de Lisboa.  perigo a integridade territorial do lmpério. A Marinha 
(E) A proibição de contratação de estrangeiros para  atuou contra a essa revolta a partir de abril de 1824, 
comporem a Marinha do Brasil.  que  congregou,  no  seu  ápice,  também  as  províncias 
da  Paraíba,  Rio  Grande  do  Norte  e  Ceará.  A  que 
  episódio se refere essa afirmativa?  
 
2 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – Em 9 de janeiro de 1822, D. 
Pedro declarou que permaneceria no Brasil, apesar da  (A) Revolta dos Alfaiates. 
determinação  das  Cortes  para  que  retornasse  a  (B) Dezembrada. 
Lisboa. Como esse dia ficou conhecido?  (C) Confederação do Equador. 
(D) Revolta Nativista. 
(A) Dia da Independência.  (E) Desembarque em Maldonado. 
(B) Dia do Fico. 
(C) Dia do Brasil.   
(D) Dia de D. Pedro 
(E) Dia de Portugal.  6  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Que  revolta 
ocorrida  na  Província  de  Pernambuco,  colocou  em 
  perigo  a  integridade  territorial  do  Império,  que 
congregou  também,  em  seu  ápice,  as  províncias  da 
3 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – Um movimento importante  Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará em 1824? 
de D. João na política externa foi a ocupação da Banda 
Oriental.  Qual  país  da  América  do  Sul  se  originou  (A) Revolta dos alfaiates. 
dessa ocupação?  (B) Revolta da Armada. 
(C) Balaiada. 
(A) Estados Unidos da América.  (D) Revolta nativista. 
(B) México.  (E) Confederação do equador. 
(C) Brasil. 
(D) Uruguai.   
(E) Canadá. 
 
 
 
 

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7  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  Qual  a     
principal  característica  do  Pacto  Colonial  no  tocante 
ao comércio? 

(A) Liberava as colônias para o comércio entre si. 
(B) Proibia o comércio das colônias com a Inglaterra. 
(C) Liberava o comércio das colônias somente com a 
Inglaterra. 
(D) Só poderia ser realizado entre as colônias e a 
metrópole. 
(E) Liberava as colônias para o comércio com outros 
países. 

8 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017 ‐ N.fundamental) Quais foram as 
duas principais ações de D. João no tocante à política 
externa do Brasil? 

(A) Expulsão dos franceses e consolidação do 
território brasileiro. 
(B) Conquista de Caiena e ocupação da Banda 
Oriental. 
(C) Construção da ponte da amizade e estudos 
topográficos no Sul do país. 
(D) Abertura dos portos e construção da hidrovia do 
Madeira. 
(E) Reestruturação das forças de defesa nacional e 
criação da alfândega do Sul do país. 

9  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  O  que 


provocou o retorno de D. João VI a Portugal? 

(A) O estado revolucionário em que se encontrava 
Portugal. 
(B) A declaração da Independência do Brasil. 
(C) A derrota de Napoleão. 
(D) A Intensificação do comércio com a Inglaterra. 
(E) O Congresso de Viena. 

Respostas: 

1  B  6  E 
2  B  7  D 
3  D  8  B 
4  B  9  A 
5  C     
 

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5 ‐ A Atuação da Marinha nos Conflitos da Regência e  tinham  junto  ao  Imperador,  ampliando  o  poder  dos 
do Início do Segundo Reinado  portugueses  adesistas  na  sociedade  brasileira,  pois 
monopolizavam  o  comércio  exterior  nas  capitais  das 
A peculiar Independência brasileira, que pôs à  principais  províncias,  motivo  de  insatisfação  do  resto 
frente  do  processo  de  emancipação  da  ex‐colônia  o  da população. 
herdeiro  do  trono  real  português,  produziu  uma 
divisão  na  política  brasileira  que  marcaria  o  reinado  O  embate  entre  portugueses  e  brasileiros  na 
de  D.  Pedro  I:  a  separação  entre  brasileiros,  liberais,  Assembléia  Geral  Legislativa  transpareceu  na 
que  defendiam  a  monarquia  constitucional,  e  imprensa, que atacou o absolutismo do Imperador, e 
portugueses,  que  propunham  a  concentração  de  foi  para  as  ruas,  onde  partidários  do  monarca 
poder nas mãos do Imperador.  entraram  em  choque  com  defensores  do  Partido 
Brasileiro.  Preocupava  D.  Pedro  I  não  somente  a 
O  Imperador  D.  Pedro  I  tornava‐se  cada  vez  oposição  ao  seu  reinado,  que  crescia  entre  os 
mais  autoritário,  buscando  o  apoio  da  facção  dos  brasileiros,  mas  também  a  situação  política  em 
portugueses que defendiam maior poder ao monarca.  Portugal, onde tinha pretensão de ascender ao trono. 
Já  a  facção  dos  brasileiros  queria  que  o  poder  do 
Estado brasileiro fosse dividido entre o Imperador e a  Pressionado pela população, em 7 de abril de 
Assembléia  Legislativa,  constituída  de  representantes  1831,  D.  Pedro  I  abdicou  do  trono  em  favor  de  seu 
eleitos  da  sociedade,  que  redigiria  a  Carta  filho,  D.  Pedro  de  Alcântara,  que  tinha  apenas  cinco 
Constitucional e faria as leis. Ou seja, defendiam que a  anos de idade. Como o herdeiro não tinha idade para 
monarquia  de  D.  Pedro  fosse  uma  monarquia  assumir  o  trono,  instalou‐se  no  Brasil  um  governo 
constitucional.  regencial. O  Poder Executivo seria composto por três 
membros, uma regência trina, conforme determinava 
A  Assembléia  Constituinte  foi  reunida,  em  a  Carta  Constitucional.  Posteriormente,  a  regência 
maio  de  1823,  para  redigir  a  primeira  Constituição  seria constituída de uma só pessoa, a regência una. 
brasileira.  A  maioria  dos  deputados  constituintes 
queria  uma  Constituição  que  limitasse  os  poderes  do  No período regencial, o conturbado ambiente 
Imperador.  Tal  fato  desagradava  D.  Pedro  e  os  político da Corte se refletiu nas províncias do Império 
homens que o apoiavam, já que o monarca queria no  em  movimentos  armados  que  explodiram  por  todos 
Brasil uma monarquia absolutista.  os  principais  centros  regionais,  desde  1831  até  os 
anos  de  consolidação  do  reinado  de  D.  Pedro  II.  A 
O  conflito  entre  D.  Pedro  e  os  deputados  Marinha  da  Independência  e  da  Guerra  Cisplatina, 
constituintes acabou quando o Imperador dissolveu a  constituída  por  elevado  número  de  navios  de  grande 
Assembléia  Constituinte  em  1823.  Em  seguida,  porte,  foi  sendo  transformada  em  uma  Marinha  de 
nomeou  um  Conselho  de  Estado  composto  por  dez  unidades  menores,  próprias  para  enfrentar  as 
membros,  com  a  tarefa  de  redigir  um  projeto  de  conflagrações nas províncias e ajustadas às limitações 
Constituição.  Resultando  na  imposição  uma  orçamentárias. 
Constituição,  outorgada  em  1824,  que  praticamente 
resgatava  o  regime  absolutista.  A  atitude  autoritária  Revoltas  deflagradas  em  diversas  províncias 
do Imperador aumentou  em muito a oposição liberal  foram  abafadas  pelo  governo  regencial  com  a 
a ele, representada pelo Partido Brasileiro.  utilização da Marinha e do Exército. A Marinha se fez 
mais  presente  nos  combates  no  Pará  (Cabanagem), 
Foram vários anos de disputa política entre os  no  Rio  Grande  do  Sul  (Guerra  dos  Farrapos  ou 
Partidos Português e Brasileiro, e de críticas, cada vez  Revolução  Farroupilha),  na  Bahia  (Sabinada),  no 
mais  violentas,  ao  Imperador  vindas  dos  políticos  do  Maranhão  e  Piauí  (Balaiada)  e  em  Pernambuco 
Partido  Brasileiro  e  de  todos  que  defendiam  que  o  (Revolta Praieira), esta já anos após a coroação de D. 
poder do Estado não ficasse concentrado nas mãos de  Pedro II. 
D. Pedro. Também desagradava muito aos brasileiros 
a  influência  que  os  portugueses  residentes  no  país 

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Em  todas  estas  revoltas,  a  Marinha  não  Naval  brasileira  efetuou  um  bloqueio  naval  sobre 
enfrentou nenhum grande inimigo no mar. Embora na  Buenos  Aires  visando  a  isolar  a  capital  adversária  de 
Guerra  dos  Farrapos  os  rebeldes  tenham  formado  abastecimento  vindo  do  exterior  e  impedir  que 
uma  pequena  flotilha  de  embarcações  armadas,  que  embarcações  argentinas  transportassem  tropas  e 
foi  prontamente  combatida  e  vencida,  a  Marinha  se  armamento  para  reforçar  argentinos  e  orientais  que 
fez  presente  no  rápido  transporte  de  tropas  do  lutavam  contra  as  tropas  brasileiras  no  território 
Exército  Imperial  da  Corte  e  de  outras  províncias  até  uruguaio. 
as  áreas  conflagradas.  Também  dependeu  do 
transporte  por  mar,  em  grande  parte  realizado  pela  Além  do  bloqueio,  a  Força  Naval  brasileira 
Marinha, o abastecimento das tropas que lutavam nas  combateu  a  Esquadra  argentina  até  seu 
províncias  rebeladas,  pois  não  existiam  estradas  que  desmembramento, privando o adversário do principal 
ligassem a Corte às províncias do Norte e do Sul.  e  primeiro  braço  do  Poder  Naval.  Os  navios  da 
Marinha  que  não  foram  deslocados  para  aquela 
A  Marinha  também  cumpriu  ações  de  guerra  não  deixaram  de  se  envolver  no  conflito.  A 
bloqueio  nos  portos  ocupados  pelos  rebeldes,  Marinha  defendeu  as  linhas  de  comunicação 
evitando  que  recebessem  qualquer  abastecimento  marítimas,  dando  combate  aos  corsários  armados 
vindo  do  mar,  como  armas  e  munições  desviadas  de  pela  Argentina  e  pelos  rebeldes  uruguaios  que 
outras  províncias  ou  compradas  no  estrangeiro.  atacaram  a  navegação  mercante  brasileira  ao  longo 
Finalmente,  militares  da  Marinha  Imperial  atuaram  de toda a nossa costa. 
diversas vezes em desembarques, lutando com grupos 
rebelados  lado  a  lado  com  tropas  do  Exército,  da  A próxima guerra que o Brasil se envolveria no 
Guarda Nacional e milicianos.  Rio  da  Prata  seria  contra  Juan  Manuel  de  Rosas, 
governador  da  Província  de  Buenos  Aires  e  Manuel 
No contexto externo, os dois grandes conflitos  Oribe, presidente da República Oriental do Uruguai e 
que  o  Império  brasileiro  se  envolveu,  desde  sua  líder  do  Partido  Blanco.  Tendo  como  seus  aliados  os 
Independência  até  o  início  das  hostilidades  que  governadores das províncias argentinas de Entre Rios 
levariam  à  guerra  contra  o  Paraguai,  foram  a  Guerra  e Corrientes e o Partido Colorado uruguaio, o Império 
Cisplatina,  entre  1825  e  1828,  e  a  Guerra  contra  brasileiro  se  interpôs  a  uma  tentativa  de  união  de 
Manuel  Oribe  e  Juan  Manuel  de  Rosas,  em  1850  e  seus  vizinhos  do  sul,  que  enfraqueceria  a  posição 
1852. A área marítimo‐fluvial em que se desenrolaram  brasileira no Rio da Prata e se tornaria uma ameaça na 
a  maioria  das  operações  navais  destes  dois  conflitos,  fronteira do Rio Grande do Sul, há pouco pacificado e 
separados no tempo por quase um quarto de século,  impedido  de  se  separar  do  Brasil  na  Guerra  dos 
foi a mesma, o estuário do Rio da Prata, que separa o  Farrapos. 
Uruguai da Argentina. 
Coube  à  Marinha  um  grande  momento  neste 
Na  Guerra  Cisplatina,  Brasil  e  as  Províncias  curto conflito: a Passagem de Tonelero. Pela primeira 
Unidas do Rio da Prata, atual Argentina, lutaram pela  vez  se  utilizando  navios  a  vapor  em  um  conflito 
posse do território uruguaio, ainda não independente.  externo,  a  Força  Naval  brasileira  ultrapassou  sob  os 
Nesta  guerra,  que  custou  muito  à  economia  de  um  disparos  dos  canhões  das  tropas  Juan  Manuel  de 
país  recém‐formado  como  o  Brasil,  a  Marinha  lutou  Rosas o ponto fortificado adversário no Rio Paraná, o 
longe de sua base principal, o Rio de Janeiro, contra a  Passo  de  Tonelero,  e  conduziu  as  tropas  aliadas  rio 
Marinha argentina que, embora menor, atuava muito  acima  para  uma  posição  de  desembarque  favorável, 
perto de sua principal base de apoio, Buenos Aires, e  onde foi possível o ataque e a pos‐terior vitória sobre 
conhecendo  o  teatro  de  operações  repleto  de  as tropas adversárias. 
obstáculos naturais à navegação, o Rio da Prata. 
   
A  Marinha  Imperial  brasileira,  além  das 
atividades de abastecimento das tropas em combate, 
operou  de  modo  ofensivo  no  Rio  da  Prata.  A  Força 

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Conflitos internos  A  pequena  Força  Naval  que  os  farroupilhas 
mantinham  na  Lagoa  dos  Patos  foi  completamente 
Cabanagem  vencida  em  agosto  de  1839,  quando  o  Chefe‐de‐
A  primeira  sublevação  ocorrida  no  período  Divisão John Pascoe Grenfell, comandante das Forças 
regencial  foi  a  Cabanagem,  no  Grão‐Pará,  que  se  Navais no Rio Grande, apresou dois lanchões rebeldes 
generalizou  em  1835  com  a  ocupação  da  capital  da  em  Camaquã.  A  rebelião  rio‐grandense  estendeu‐se 
província, Belém. O governo central enviou uma força  para  Santa  Catarina,  onde  os  farroupilhas  formaram 
interventora  constituída  de  elementos  da  Marinha  e  uma  pequena  Força  Naval  com  navios  mercantes 
do  Exército  Imperial  que,  após  primeira  tentativa  apresados  e  lanchões  remanescentes  das  operações 
frustrada  de  reconquistar  a  capital,  desembarcou  e  a  na  Lagoa  dos  Patos  e  Mirim,  que  foi  vencida  pela 
ocupou  sem  a  resistência  dos  rebeldes.  Contudo,  os  Marinha  em  um  combate  no  porto  de  Laguna.  Foi 
cabanos  retomaram  o  fôlego  para  a  luta  com  o  neste  conflito  regional  que  pela  primeira  vez  a 
crescimento  da  revolta  no  interior  e  retomaram  a  Marinha  brasileira  empregou  um  navio  movido  a 
capital em agosto de 1835.  vapor em operações de guerra. 

Durante o conflito, as forças militares atuaram  Sabinada 
contra  focos  rebeldes  espalhados  por  um  território  A  Sabinada,  revolta  que  eclodiu  contra  a 
inóspito  e  desconhecido,  a  floresta  amazônica.  A  autoridade  da  Regência  na  Bahia,  em  novembro  de 
Marinha  bloqueou  o  porto  de  Belém,  dificultando  o  1837,  foi  combatida  pela  Marinha  Imperial  com  um 
seu  abastecimento,  bombardeou  posições  rebeldes,  bloqueio  da  província  e  o  combate  a  uma  diminuta 
desembarcou tropas do Exército e embrenhou‐se nos  Força  Naval  montada  pelos  rebeldes  com  navios 
rios  amazônicos  para  dar  combate  aos  mais  isolados  apresados. A revolta foi finalmente sufocada em 1838. 
focos  de  revolta.  O  desgaste  que  as  forças  militares 
impuseram  aos  cabanos  levouos  ao  abandono  da  Balaiada 
capital  em  maio  de  1836  continuando  a  resistir  no 
interior.  A  luta  se  estendeu  até  1840,  com  a  ação  A  Balaiada,  agitação  que  tomou  conta  das 
conjunta  da  Força  Naval  e  das  tropas  do  Exército  Províncias  do  Maranhão  e  do  Piauí,  entre  1838  e 
debelando a resistência dos cabanos por todo o Pará.  1841, reuniu a população pobre e os escravos contra 
as  autoridades  constituídas  da  própria  província.  Em 
Guerra dos Farrapos  agosto  de  1839,  seguiu  para  o  Maranhão  o  Capitão‐
Tenente Joaquim Marques Lisboa, futuro Marquês de 
A  Guerra  dos  Farrapos,  rebelião  no  sul  do  Tamandaré, nomeado comandante da Força Naval em 
Império que durou dez anos, de 1835 a 1845, atingiu  operação contra os insurretos. 
uma  região  de  fronteira  já  conturbada  por  conflitos 
externos.  A  Marinha  novamente  atuaria  em  Após  estudar  a  região,  armou  pequenas 
cooperação  com  o  Exército  no  transporte  e  embarcações que, enviadas para diversos pontos dos 
abastecimento das tropas e apoiando ações em terra  principais rios maranhenses, combateriam os rebeldes 
com o fogo dos canhões embarcados.  isoladamente  ou  apoiariam  forças  em  terra.  A  partir 
de  1840  e  até  o  final  da  Balaiada,  o  Capitão‐Tenente 
Porém,  na  Guerra  dos  Farrapos  os  navios  de  Joaquim Marques Lisboa atuaria em cooperação com 
guerra  estiveram  envolvidos  em  pequenos  combates  o  então  Coronel  Luís  Alves  de  Lima  e  Silva,  o  futuro 
navais  com  os  farroupilhas.  Os  combates  não  Duque  de  Caxias,  que  comandava  a  Divisão 
ocorreram  em  mar  aberto,  mas  em  águas  restritas,  Pacificadora do Norte, reunida para debelar a revolta. 
como  as  Lagoas  dos  Patos  e  Mirim.  O  primeiro  A união dos futuros patronos das forças singulares de 
combate  naval  da  Guerra  dos  Farrapos  opôs  o  Iate  mar  e  terra  no  combate  à  Balaiada  simboliza  uma 
Oceano, da Marinha Imperial, e o Cúter Minuano, dos  situação  recorrente  em  todos  os  conflitos  internos 
revoltosos,  na  Lagoa  Mirim,  quando  o  navio  rebelde  durante  a  Regência  e  o  Segundo  Império:  a  atuação 
foi posto a pique. 

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conjunta da Marinha e do Exército na manutenção da  criado  nos  pampas  e  de  dois  portos  comerciais 
ordem constituída e da unidade do Império.  importantes  (Montevidéu  e  Maldonado),  não 
continha recursos naturais de monta, mas tinha como 
Revolta Praieira  objetivo o controle do Rio da Prata, área geográfica de 
A  Revolta  Praieira  estourou  em  Pernambuco  suma  importância  estratégica  desde  o  início  da 
em  novembro  de  1848.  Iniciada  na  capital,  tomou  colonização  européia  na  América  do  Sul.  No  estuário 
corpo nas vilas e engenhos da zona da mata e interior  do  Rio  da  Prata  desembocavam  dois  grandes  rios 
pernambucanos.  Para  combatê‐la,  tropas  leais  ao  (Uruguai  e  Paraná),  que  constituíam  o  caminho 
governo  provincial  deixaram  Recife,  a  capital  da  natural  para  a  penetração  no  continente  sul‐
província,  para  engajar  as  forças  praieiras  que  americano,  representando  uma  estrada  fluvial  para  a 
estariam  no  interior.  Ao  ver  a  capital  desguarnecida,  colonização,  o  acesso  aos  recursos  naturais  e  a 
forças  praieiras  atacaram‐na,  em  2  de  fevereiro  de  viabilização  das  trocas  comerciais  por  todo  o  interior 
1849. O pequeno contingente militar que guarnecia a  da América do Sul. 
cidade  foi  imediatamente  apoiado  pela  Força  Naval  Apesar  do  controle  português  e,  depois  de 
fundeada  no  porto.  Contingentes  de  marinheiros  e  1822,  brasileiro,  a  Cisplatina,  ou  Banda  Oriental, 
fuzileiros  navais  desembarcaram  dos  navios  para  mantinha  uma  população  de  ascendência  e  hábitos 
reunir‐se  aos  defensores  da  capital  na  batalha,  hispânicos, culturalmente distantes dos brasileiros. Os 
enquanto  os  canhões  da  Marinha  fustigaram  as  cisplatinos,  liderados  por  Juan  Antonio  Lavalleja, 
investidas dos revoltosos. A atuação da Marinha nesta  iniciaram  um  levante  buscando  sua  independência, 
revolta, embora breve, evitou que a capital provincial  procurando  apoio  das  Províncias  Unidas  do  Rio  da 
caísse nas mãos dos rebeldes.  Prata, o único Estado Nacional à época constituído na 
Conflitos externos  Bacia  do  Rio  da  Prata  que  poderia  rivalizar  com  o 
Império brasileiro. 
Guerra Cisplatina 
O  Estado  argentino,  naquela  época,  era 
O  Brasil  recém‐independente  envolveu‐se  formado  por  várias  províncias  com  alto  grau  de 
numa  guerra  com  as  Províncias  Unidas  do  Rio  da  autonomia,  que  reconheciam  a  liderança  exercida 
Prata,  atual  Argentina,  pela  posse  da  então  Província  pela  Província  de  Buenos  Aires.  A  confederação  de 
brasileira  da  Cisplatina,  atual  República  Oriental  do  províncias  argentinas  tinha  um  interesse  comum  na 
Uruguai, anexada ainda por D. João VI, em 1821. Esta  sublevação dos cisplatinos contra o Império brasileiro: 
guerra pouco aparece nos livros de história e, mesmo  a possibilidade de incorporação da Banda Oriental aos 
tendo  durado  quatro  anos,  entre  1825  e  1828,  é  seus domínios. Por isso, deram apoio político, militar e 
desconhecida para a maioria dos brasileiros.  financeiro  à  revolta,  passando,  posteriormente,  a 
envolver‐se oficialmente na luta. 
O interesse pelo domínio daquelas terras não 
era novo. O Império do Brasil e a Argentina herdaram  Para  se  opor  à  sublevação,  nitidamente 
as  aspirações  e  as  disputas  dos  colonizadores  suportada  pela  Argentina,  o  Brasil  desenvolveu  uma 
portugueses  e  espanhóis  pela  margem  esquerda  do  campanha militar na Banda Oriental entre os anos de 
estuário  do  Rio  da  Prata.  Nos  séculos  XVII  e  XVIII,  o  1825  e  1828.  Além  de  tropas,  deslocou  vários  meios 
centro  da  disputa  era  a  Colônia  de  Sacramento,  o  navais  da  Esquadra  recém‐formada  na  Guerra  de 
enclave  português  na região. No início do século XIX,  Independência para o Estuário da Prata, comandadas 
com  os  movimentos  de  independência  na  América  pelo  ViceAlmirante  Rodrigo  Lobo.  Com  o 
espanhola  e  portuguesa,  a  conflagração  atingiu  o  fortalecimento  das  forças  de  Lavalleja  na  Banda 
Brasil  e  a  Argentina,  no  conflito  conhecido  como  Oriental,  as  Províncias  Unidas  do  Rio  da  Prata 
Guerra Cisplatina.  oficializaram seu apoio à revolta, declarando anexada 
a  Banda  Oriental  ao  território  argentino,  o  que 
A guerra não envolvia só a disputa pela posse 
significava  uma  declaração  de  guerra  ao  Governo 
do território da Província Cisplatina que, além do gado 
Imperial brasileiro. 
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Destacaremos aqui a participação brasileira na  rebeldes  de  Lavalleja,  e  dos  dois  adversários  com  o 
guerra  naval,  que  teve  como  seu  principal  palco  o  exterior. O inimigo a ser confrontado pela Força Naval 
Estuário  do  Rio  da  Prata.  A  ênfase  no  aspecto  naval  brasileira  era  liderado  pelo  experiente  irlandês 
não  indica  que  as  operações  de  guerra  conduzidas  William  George  Brown,  comandante  da  pequena 
pelos  Exércitos  em  terra  tenham  sido  menos  Esquadra  sediada  em  Buenos  Aires,  desde  as  lutas 
importantes  para  a  história  da  Guerra  Cisplatina.  O  pela independência daquele país. O adversário, apesar 
Exército Brasileiro e as forças de Lavalleja, somadas ao  de  contar  com  um  menor  número  de  navios  de 
Exército  argentino,  confrontaram‐se  em  diversas  guerra,  tinha  suas  ações  facilitadas  não  só  pelo 
batalhas, mas até o final da guerra, em 1828, nenhum  conhecimento  da  conformação  hidrográfica  do 
dos  oponentes  alcançou  uma  nítida  vantagem  na  estuário  do  Rio  da  Prata,  como  também  por 
guerra terrestre.  permanecer  operando  próximo  ao  seu  porto  base,  o 
ancoradouro  de  Los  Pozos,  em  Buenos  Aires,  onde 
A  batalha  mais  significativa  da  Guerra  seus navios eram abastecidos e reparados. 
Cisplatina,  a  Batalha  do  Passo  do  Rosário,  ou 
Ituzaingó, como os argentinos e uruguaios a chamam,  Nos  primeiros  meses  da  guerra,  o  bloqueio 
ocorrida em 20 de fevereiro de 1827, teve resultados  naval  imposto  pela  Esquadra  brasileira  provocou  o 
tão  indecisos  como  toda  a  guerra  terrestre  que  se  primeiro  embate  entre  as  forças  navais.  O  Combate 
travou  na  Província  Cisplatina.  Nenhum  dos  lados  de  Colares  ocorreu  em  9  de  fevereiro  de  1826, 
conseguiu impor‐se sobre o outro, não sendo possível  quando a Esquadra argentina, composta de 14 navios, 
apontar vitoriosos nem derrotados. Contudo, a função  deixou  seu  ancoradouro  para  empreender  uma  ação 
desta  obra  é  destacar  a  participação  da  Marinha  de  desgaste  à  Força  Naval  brasileira  em  bloqueio, 
brasileira  na  nossa  história.  Assim,  descreveremos  as  também  composta  de  14  navios.  As  forças  navais 
operações navais realizadas na Guerra Cisplatina.  adversárias,  dispostas  em  colunas,  trocaram  tiros  de 
canhão  a  grande  distância  uma  da  outra,  causando 
A  Marinha  Imperial  brasileira  na  Guerra  perdas h u m a n a s e avarias materiais reduzidas de 
Cisplatina  lutou  com  a  Força  Naval  argentina,  mas  parte a parte. A Esquadra argentina se retirou para o 
também atuou contra os corsários que, com Patentes  refúgio  de  Los  Pozos  e  a  Força  Naval  brasileira  foi 
de  corso  emitidas  pelas  Províncias  Unidas  do  Rio  da  fundear entre os Bancos de Ortiz e Chico. 
Prata  e  pelo  próprio  Exército  de  Lavalleja,  atacavam 
os  navios  mercantes  brasileiros  por  toda  a  nossa  O  passo  posterior  do  comandante  das  forças 
costa.  argentinas  teria  conseqüências  muito  mais 
significativas para os destinos da guerra no mar e em 
O  embate  entre  a  Esquadra  brasileira  e  a  terra  se  bem‐sucedido.  Seu  alvo  era  a  Colônia  de 
Esquadra  argentina  teve  lugar  no  estuário  do  Rio  da  Sacramento, uma praça fortificada situada na margem 
Prata  e  nas  suas  proximidades  –  região  com  grande  esquerda  do  Rio  da  Prata  e  guarnecida  por  1.500 
número  de  bancos  de  areia  que  dificultava  a  homens  chefiados  pelo  Brigadeiro  Manoel  Jorge 
navegação.  Isto  ajudou  os  argentinos  a  desenvolver  Rodrigues,  complementados  por  uma  pequena  força 
uma variação naval da guerra de guerrilha. Os navios  de quatro navios, comandada pelo Capitão‐de‐Fragata 
argentinos atacavam e, quando repelidos, escapavam  Frederico Mariath. Sete navios da Esquadra argentina, 
da  perseguição  dos  navios  brasileiros  pelos  estreitos  capitaneados  pela  Fragata  25  de  Mayo,  romperam  o 
canais  que  se  formavam  entre  os  vários  bancos  de  bloqueio brasileiro ao largo de Buenos Aires e fizeram 
areia  da  região,  em  sua  maioria  desconhecidos  dos  vela para a Colônia de Sacramento, simultaneamente 
marinheiros brasileiros.  aquela praça era cercada por tropas. 
Como primeira ação de guerra, a Força Naval  Devido  ao  maior  poder  de  combate  da  Força 
brasileira  no  Rio  da  Prata,  comandada  pelo  Vice‐ Naval  Argentina  perante  a  flotilha  brasileira  que 
Almirante  Rodrigo  Lobo,  estabeleceu  um  bloqueio  defendia  a  Colônia,  as  tripulações  e  os  canhões  dos 
naval no Rio da Prata, pretendendo impedir qualquer  navios  brasileiros  foram  desembarcados  e 
ligação  marítima  entre  as  Províncias  Unidas  e  os  incorporados às defesas de terra. Em 26 de fevereiro 
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de  1826,  os  navios  argentinos  e  as  tropas  de  cerco  Maria.  No  dia  seguinte,  ao  perseguir  um  navio 
iniciaram  o  bombardeio,  respondido  pelas  mercante, a Fragata 25 de Mayo aproximou‐se muito 
fortificações  da  Colônia  do  Sacramento,  que  do  porto  de  Montevidéu,  onde  foi  reconhecida  pelos 
inutilizaram  um  dos  navios  adversários.  Repelido  o  navios  da  Esquadra  brasileira,  mesmo  arvorando  a 
primeiro  ataque,  os  defensores  da  Colônia  do  bandeira francesa. 
Sacramento  enviaram  uma  escuna  para  pedir  auxílio 
às  forças  navais  brasileiras  estacionadas  em  Saiu  em  sua  perseguição  a  Fragata  Niterói, 
Montevidéu,  esperando  que  o  socorro  chegasse  o  comandada  pelo  Capitão‐de‐Mar‐e‐Guerra  James 
mais rápido possível àquela praça sitiada.  Norton,  ambos,  navio  e  comandante,  veteranos  da 
Guerra  de  Independência  e  recém  chegados  para 
O Vice‐Almirante Rodrigo Lobo não acudiu de  reforçar  a  Força  Naval  brasileira  no  Rio  da  Prata. 
imediato a cidade acossada pelo inimigo. Na noite de  Acompanharam  o  encalço  à  capitânia  argentina 
1°  de  março,  a  Força  Naval  argentina,  reforçada  por  quatro  outros  pequenos  navios,  mas  o  combate  se 
seis  canhoneiras,  tentou  desembarcar  200  homens  concentrou nos navios de maior porte, com a Fragata 
naquela  praça.  Depois  de  severa  luta,  os  atacantes  Niterói trocando disparos com a Fragata 25 de Mayo e 
argentinos  foram  repelidos,  com  a  perda  de  duas  com um dos brigues que a acompanhava. Com o cair 
canhoneiras  e  muitos  homens,  não  sem  antes  da  noite,  os  navios  argentinos,  com  graves  avarias, 
conseguirem  incendiar  um  dos  nossos  navios.  Os  retiraram‐se para Buenos Aires, dando por encerrado 
navios  argentinos  só  desistiram  do  cerco  em  12  de  o  embate  que  ficou  conhecido  como  o  Combate  de 
março, escapando da Esquadra brasileira, que chegara  Montevidéu. 
com atraso em defesa de Sacramento. 
Após  o  malogro  da  tentativa  de  capturar 
A  Força  Naval  argentina  empreendia  ações  navios  ao  largo  do  porto  de  Montevidéu,  William 
mais  ousadas  contra  a  Esquadra  brasileira.  De  uma  Brown  planejou  outra  ação  para  reforçar  sua 
troca  de  tiros  sem  muitas  conseqüências,  em  esquadra  com  navios  brasileiros  capturados. 
fevereiro, tentou a conquista de uma praça fortificada  Tencionava  abordar  e  capturar  a  Fragata  Niterói,  o 
na  margem  esquerda  do  Rio  da  Prata  que,  se  mesmo  navio  que  frustrou  sua  incursão  anterior.  Na 
conquistada,  transformaria‐se  em  um  importante  noite de 27 de abril, sete navios argentinos rumaram 
ponto  de  abastecimento  das  tropas  uruguaias  e  para  próximo  de  Montevidéu,  onde  os  navios 
argentinas.  brasileiros se reuniam, e tentaram identificar seu alvo. 
Enganados pela escuridão, investiram contra a Fragata 
Uma  das  missões  da  Esquadra  argentina  era  Imperatriz  que,  tendo  percebido  a  aproximação  do 
justamente  a  manutenção  do  abastecimento  dos  inimigo,  se  preparara  para  o  combate.  Os  navios 
exércitos  que  lutavam  na  Província  Cisplatina.  Como  argentinos  25  de  Mayo  e  Independencia  tentaram  a 
obstáculo,  antepunha‐se  a  Esquadra  brasileira  abordagem,  mas  foram  repelidos  pela  tripulação  da 
comandada  pelo Almirante Rodrigo Lobo que, apesar  Imperatriz.  O  comandante  do  navio  brasileiro, 
da  ineficiência  desse  início  de  bloqueio  naval  (pelos  Capitão‐de‐Fragata  Luís  Barroso  Pereira,  liderou  seus 
primeiros embates navais da guerra, observa‐se que a  homens na renhida luta até tombar morto no convés, 
Esquadra  argentina  movimentava‐se  com  relativa  atingido  por  disparos  do  inimigo.  Foi  uma  das  duas 
facilidade),  mantinha‐se  superior  em  número  às  vítimas fatais da Imperatriz no combate. 
forças navais comandadas por Brown. 
A 3 de maio de 1826, a Esquadra comandada 
O Comandante da Esquadra argentina William  por Brown foi avistada pelos navios brasileiros quando 
Brown reuniu sua capitânia, a Fragata 25 de Mayo, e  tentava  escapar  do  bloqueio  naval  ao  seu  porto.  Os 
dois  brigues  em  uma  audaciosa  ação  para  capturar  navios argentinos tentaram alcançar o Banco de Ortiz 
navios  que  se  dirigissem  a  Montevidéu,  tentando  na  esperança  de  atrair  os  perseguidores,  que,  com 
aumentar o tamanho de sua Esquadra e tomar alguma  navios de maior porte, encalhariam naquele banco de 
carga de valor em navios mercantes. Em 10 de abril de  areia, tornando‐se alvos imóveis para seus canhões. 
1826,  conseguiu  capturar  a  pequena  Escuna  Isabel 

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Contudo,  no  combate  que  ficou  conhecido  Em  15  de  maio  de  1826,  as  três  linhas  de 
como  o  do  Banco  de  Ortiz,  foi  justamente  a  Fragata  bloqueio  determinadas  pelo  novo  comandante  da 
argentina  25  de  Mayo  a  primeira  a  ficar  encalhada,  Força  Naval  brasileira  no  Rio  da  Prata  já  se  achavam 
logo seguida pela nossa Fragata Niterói. Os dois navios  em  posição.  Em  23  de  maio,  a  Esquadra  argentina 
imobilizados  empenharam‐se  em  um  duelo  de  decidiu  testar  a  resistência  da  Força  Naval  brasileira 
artilharia.  A  Niterói  conseguiu  livrar‐se  do  encalhe.  A  responsável  pelo  bloqueio  de  Buenos  Aires,  a  2ª 
seguir,  a  25  de  Mayo  também  escapou  do  Banco  de  Divisão  da  Esquadra  Imperial,  chefiada  pelo  Capitão‐
Ortiz e se reuniu ao restante da Esquadra argentina. O  de‐Mar‐e‐Guerra  James  Norton.  Os  navios  brasileiros 
Combate  do  Banco  de  Ortiz  acabou  sem  grandes  engajaram‐se  no  Combate  das  Balizas  Exteriores, 
perdas  para  ambos  os  adversários,  mas  mostrou  o  mesmo  com  o  risco  de  encalharem  nos  bancos  de 
perigo  que  os  bancos  de  areia  do  Estuário  do  Rio  da  areia em torno de Buenos Aires. Os navios argentinos 
Prata representavam para as Esquadras em luta.  perceberam  a  resolução  da  força  bloqueadora  e 
voltaram ao seu ancoradouro, em Los Pozos. Dois dias 
Em 13 de maio de 1826, o Almirante Rodrigo  depois,  o  navio  capitânia  da  2ª  Divisão,  a  Fragata 
Pinto  Guedes,  o  Barão  do  Rio  da  Prata,  substituiu  o  Niterói,  navegando  sozinha,  atraiu  a  Esquadra 
Almirante Rodrigo Lobo, que tinha se mostrado pouco  argentina  para  o  combate,  mas,  novamente,  a  troca 
capaz  no  comando  da  Força  Naval  do  Império  do  de tiros não causou danos significativos a nenhum dos 
Brasil  em  operações  de  guerra  no  Rio  da  Prata.  A  lados. 
primeira medida tomada pelo Almirante Pinto Guedes 
foi estabelecer uma nova disposição das forças navais  Mesmo  a  nova  estratégia  de  bloqueio,  mais 
que  reforçasse  o  bloqueio  naval.  Dividiu  suas  forças  agressiva, não se mostrava eficiente na destruição dos 
em quatro divisões, sob o comando de oficiais capazes  navios  argentinos,  que  se  mantinham  protegidos  no 
e  experientes,  devendo  em  todas  as  oportunidades  ancoradouro de Los Pozos. 
engajar  o  inimigo,  obrigando‐o  a  aceitar  a  luta.  A  1ª 
Divisão, reunindo os maiores e mais poderosos navios  No  começo  de  junho  de  1826,  buscando  um 
que estavam no Rio da Prata, formaria a linha exterior  engajamento  decisivo,  o  Almirante  Rodrigo  Pinto 
do bloqueio, impedindo que navios entrassem no Rio  Guedes planejou atacar a Esquadra inimiga dentro de 
da  Prata  para  abastecer  a  Argentina  e  seu  Exército  Los  Pozos.  Para  isso,  a  2ª  Divisão  foi  reunida  à  3ª 
lutando na Cisplatina e tentando capturar os corsários  Divisão  da  Esquadra  Imperial,  composta  por  navios 
que transitassem pela região. A 2ª Divisão, constituída  menores  que  poderiam  transpor  os  bancos  de  areia 
de  navios  mais  leves,  manobreiros  e  numerosos,  que protegiam o ancoradouro de Buenos Aires. 
operaria  no  interior  do  estuário,  efetuando  um  Em  7  de  junho,  antes  que  as  duas  forças 
rigoroso  bloqueio  naval  entre  a  Colônia  de  brasileiras  se  reunissem,  cinco  navios  de  transporte 
Sacramento,  Buenos  Aires  e  a  Enseada  de  Barregã,  argentinos, escoltados por navios de guerra, largaram 
isolando  a  Esquadra  argentina  no  seu  ancoradouro  e  de  Buenos  Aires  com  soldados  e  suprimentos  para 
tentando impedir o abastecimento por mar da capital  apoiar  as  tropas  argentinas  que  lutavam  junto  aos 
argentina. A 3ª Divisão, composta de pequenos navios  cisplatinos.  Ao  mesmo  tempo,  o  resto  da  Esquadra 
adequados  à  navegação  fluvial,  defenderia  a  Colônia  argentina, comandada por Brown, fez vela para atrair 
do Sacramento e patrulharia os Rios Uruguai, Negro e  a atenção da força brasileira. Nem a 2ª Divisão, junto 
Paraná,  que  formavam  a  fronteira  natural  entre  as  a Buenos Aires, nem a 3ª, ainda em águas da Colônia 
Províncias  Unidas  do  Rio  da  Prata  e  a  Província  de  Sacramento,  alcançaram  os  navios  de  transporte 
Cisplatina,  impedindo  que  as  forças  de  Lavalleja  e  o  argentinos. 
Exército argentino fossem supridos desde o território 
argentino.  A  4ª  Divisão  era  formada  por  navios  em  Em  11  daquele  mês,  as  2ª  e  3ª  Divisões, 
reparo,  e  foi  mantida  em  Montevidéu,  para  atuar  comandadas  por  Norton,  executaram  o  plano  de 
como  uma  força  de  reserva.  A  reorganização  das  ataque  e  investiram  contra  a  Esquadra  argentina  em 
forças  navais  brasileiras  mostrou  sua  eficiência  na  Los  Pozos.  Novamente,  os  bancos  de  areia 
contenção dos movimentos da Esquadra adversária.  protegeram  os  navios  argentinos.  O  comandante  da 

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Força Naval brasileira, Norton, desistiu do ataque que  trânsito de reforços vindos das Províncias Unidas para 
seria  infrutífero.  Apesar  dos  insucessos  da  ação  os seus exércitos na Cisplatina. 
planejada,  a  Escuna  Isabel  Maria,  apresada  pelos 
argentinos, foi recuperada.  Em  29  de  dezembro  de  1826,  a  Força  Naval 
argentina atacou a 3ª Divisão, fundeada na foz do Rio 
Considerando  o  malogro  do  último  ataque  Iaguari,  mas  foi  repelida  pelo  intenso  fogo  da 
brasileiro  à  Esquadra  argentina  como  sua  vitória,  artilharia  dos  pequenos  navios  de  Sena  Pereira  e 
Brown  preparou  uma  nova  investida  à  2ª  Divisão,  recuou,  descendo  o  Rio  Uruguai.  Embora  tivesse 
determinado a livrar Buenos Aires do bloqueio naval.  repelido o ataque argentino, a 3ª Divisão brasileira se 
Protegidos  pela  noite,  em  29  de  julho  de  1826,  17  viu  presa  dentro  do  Rio  Uruguai,  uma  vez  que  os 
navios  da  Esquadra  argentina  tentaram  surpreender  navios inimigos postaram‐se na foz daquele rio. 
os navios sob o comando do Capitão‐de‐Mar‐e‐Guerra 
James Norton. Porém, alertados por uma escuna que  Foi organizada uma Força Naval com unidades 
fazia  a  vigilância,  os  brasileiros  responderam  ao  da  2ª  Divisão  para  combater  os  argentinos  que 
ataque. O combate tornou‐se confuso; a mesma noite  bloqueavam  a  3ª  Divisão  no  interior  do  Rio  Uruguai, 
que escondia os atacantes, prejudicava a precisão dos  chamada  de  Divisão  Auxiliadora.  Apesar  da  urgência 
disparos  e  a  identificação  do  inimigo.  A  possibilidade  no socorro, a progressão desta Força Naval foi lenta e 
de  atingir  navios  amigos  determinou  que  ambos  os  difícil,  devido  ao  grande  número  de  bancos  de  areia 
lados suspendessem a luta.  que  tornavam  aquelas  águas  pouco  profundas  e 
inadequadas para navios de maior porte, como os que 
Ao  alvorecer,  o  combate  recomeçou.  O  compunham a 2ª Divisão brasileira. 
Comandante  da  Esquadra  argentina  Brown  conduziu 
seu navio capitânia, a Fragata 25 de Mayo, na direção  A Corveta Maceió, a capitânia e o maior navio 
dos  navios  brasileiros,  mas  só  foi  acompanhado  pela  da  divisão,  ficou  isolada  dos  outros  navios  brasileiros 
Escuna  Rio  de  La  Plata.  Os  dois  navios  argentinos  perto  de  um  banco  de  areia  conhecido  como  Playa 
receberam  todo  o  peso  dos  disparos  dos  canhões  Honda.  A  Maceió  era  o  alvo  perfeito  para  as  forças 
brasileiros  e  ficaram  completamente  inutilizados.  O  argentinas, sempre em busca de navios para reforçar 
chefe das forças argentinas foi obrigado a transferir‐se  sua  já  diminuída  Esquadra.  Cinco  navios  inimigos 
sob  fogo  para  um  navio  argentino  que  ousou  aproximaram‐se da corveta, que estava acompanhada 
aproximar‐se.  O  restante  da  Esquadra  argentina  apenas  da  Escuna  Dois  de  Dezembro,  e  tentaram  a 
retirou‐se  para  a  segurança  de  seu  ancoradouro.  O  abordagem. A tripulação da Maceió repeliu o inimigo 
Combate  de  Lara‐Quilmes  foi  a  última  tentativa  da  com  o  fogo  de  seus  20  canhões.  Por  fim,  os  navios 
Esquadra argentina de destruir os navios da 2ª Divisão  argentinos  recuaram,  mas  a  missão  da  Divisão 
da Esquadra Imperial e desmantelar o bloqueio naval  Auxiliadora ainda não terminara. Os navios brasileiros 
brasileiro em torno de Buenos Aires.  da 3ª Divisão permaneciam presos no Rio Uruguai. 

Depois  dessa  expressiva  vitória  das  forças  No  início  de  fevereiro  de  1827,  a  3ª  Divisão 
navais  brasileiras,  no  começo  do  ano  de  1827,  a  3ª  desceu  o  Rio  Uruguai  para  combater  a  Força  Naval 
Divisão, composta pelos menores navios da Esquadra  argentina  que  o  bloqueava.  Com  ajuda  da  Divisão 
brasileira, comandada pelo Capitão‐de‐Fragata Jacinto  Auxiliadora,  planejou‐se  colocar  o  inimigo  entre  os 
Roque  Sena  Pereira,  foi  derrotada  no  Combate  de  canhões das duas divisões brasileiras. 
Juncal.  No  final  do  ano  anterior  a  3ª  Divisão  recebeu  Em  8  de  fevereiro,  começava  o  Combate  de 
ordens  de  subir  o  Rio  Uruguai  para  auxiliar  as  Juncal,  nome  tomado  da  Ilha  fluvial  de  Juncal, 
operações  do  Exército  Imperial  Brasileiro  na  segmento do Rio Uruguai onde os navios da 3ª Divisão 
Cisplatina.  Sabendo  daquela  movimentação,  o  foram derrotados pela Força Naval argentina, pois não 
comandante da Esquadra argentina reuniu uma força  receberam  o  esperado  apoio  da  Divisão  Auxiliadora, 
composta de 16 navios adaptados à navegação fluvial  que permaneceu longe do local da batalha. 
para  destruir  a  3ª  Divisão  brasileira  e  permitir  o  livre 

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O  bloqueio  naval  mais  rigoroso  realizado  Províncias Unidas armaram corsários. Alguns corsários 
desde  maio  de  1826  pela  2ª  Divisão  da  Esquadra  eram  armados  no  porto  de  Buenos  Aires  e 
Imperial mantinha a maior parte do tempo a Esquadra  conseguiam  romper  o  bloqueio  naval  brasileiro; 
argentina  confinada  em  seu  ancoradouro.  Porém,  a  outros  vinham  das  bases  de  corsários  de  Carmen  de 
Esquadra  brasileira  não  conseguia  uma  vitória  Patagones  e  San  Blas,  em  território  das  Províncias 
definitiva  frente  ao  inimigo,  não  evitando  pequenas  Unidas  do  Rio  da  Prata,  e  havia  mesmo  os  que, 
incursões  que,  algumas  vezes,  mostravam‐se  recebendo  as  patentes  de  corso  do  governo  de 
desastrosas, como o combate fluvial em Juncal.  Buenos Aires em portos do exterior, daí largavam para 
acossar os navios mercantes nas costas brasileiras. 
Já nesse período da guerra no mar, o governo 
de Buenos Aires concentrava seu esforço na guerra de  A  guerra  de  corso  empreendida  contra  o 
corso,  que  afetava  o  comércio  marítimo  do  Império  nosso  comércio  marítimo  (à  época,  como  hoje, 
brasileiro.  Mesmo  a  Esquadra  argentina,  já  muito  essencial  para  economia  nacional)  foi  mais  efetiva 
debilitada depois do Combate de Lara‐Quilmes, cedia  contra  o  esforço  de  guerra  brasileiro  do  que  a 
seus  navios  para  campanhas  de  corso  na  costa  Esquadra  argentina.  A  operação  ofensiva  que  a 
brasileira.  E  foi  com  esse  propósito  que  os  quatro  Marinha  Imperial  brasileira  realizou  com  o  bloqueio 
principais  navios  argentinos  tentaram  romper  o  naval  no  Prata  coexistiu  com  a  ação  defensiva  na 
bloqueio brasileiro na noite de 6 de abril de 1827.  vigilância  das  extensas  águas  territoriais  brasileiras, 
defendendo nosso comércio marítimo dos corsários. 
A  Força  Naval  argentina,  composta  pelos 
Brigues República, Congresso e Independência, e pela  Exemplos  da  ação  da  Marinha  Imperial  no 
Escuna Sarandi, comandada pelo próprio comandante  combate  aos  corsários  foram  as  duas  incursões  da 
da  Esquadra  argentina,  William  Brown,  foi  Esquadra  sediada  no  Rio  da  Prata  às  bases  corsárias 
interceptada  pelos  navios  da  2ª  Divisão  quando  de  Carmen  de  Patagones  e  San  Blas,  na  região  da 
tentava contornar o bloqueio naval brasileiro.  Patagônia.  Ambas  ocorreram  em  1827  e  pretendiam 
destruir  esses  verdadeiros  ninhos  de  corsários  e 
Neste último grande encontro entre as forças  recapturar  alguns  dos  navios  mercantes  que  estes 
adversárias,  conhecido  como  Combate  de  Monte  tinham tomado. 
Santiago,  a  2ª  Divisão  brasileira,  reforçada  pelos 
navios  das  outras  duas  divisões  bloqueadoras,  Contudo,  as  condições  hidrográficas  da  costa 
fustigou  os  navios  argentinos  com  os  seus  canhões,  argentina da Patagônia, completamente desconhecida 
que, encurralados entre a força brasileira e os bancos  dos  brasileiros,  e,  especialmente  na  incursão  a 
de  areia,  foram  sendo  destroçados.  Os  Brigues  Carmen de Patagones, a falta de informação sobre as 
República  e  Independência  foram  abordados  e  defesas a serem enfrentadas determinaram o fracasso 
capturados  pelos  brasileiros.  O  Brigue  Congresso  e  a  das duas expedições. 
Escuna  Sarandi,  navios  menores  e  mais  leves, 
conseguiram  passar  pelos  bancos  de  areia  e  Entretanto,  o  combate  aos  corsários  foi  mais 
refugiaram‐se em Buenos Aires, ainda assim bastante  efetivo  no  bloqueio  naval  empreendido  a  outra  de 
atingidos  pelos  canhões  brasileiros  e  com  muitos  suas  “bases”,  a  localizada  no  Rio  Salado.  Outros 
mortos e feridos a bordo.  corsários também foram batidos no mar pela Marinha 
Imperial,  como  o  Brigue  Niger,  capturado  em  março 
Foi o golpe final contra a Esquadra argentina e  de  1828,  e  o  Brigue  General  Brandsen,  destruído  por 
a  demonstração  de  que  o  bloqueio  naval  organizado  navios brasileiros após longa campanha de corso. 
pelo  Almirante  Rodrigo  Pinto  Guedes  foi  efetivo  no 
combate ao inimigo.  A  indefinição  da  campanha  terrestre  e  o 
esgotamento  econômico  e  militar  de  ambos  os 
As grandes perdas argentinas no Combate de  contendores levaram o Brasil a aceitar a mediação da 
Monte Santiago, em abril de 1827, ratificaram a opção  Grã‐Bretanha  para  o  fim  da  guerra.  A  Convenção 
pela  guerra  de  corso.  Durante  todo  o  conflito,  as  Preliminar  de  Paz  foi  assinada  entre  o  Império  do 

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Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata em 27 de  Esquadra John Pascoe Grenfell, veterano das lutas na 
agosto  de  1828.  O  acordo  estipulava  que  ambos  os  Independência e na Cisplatina. 
lados  renunciariam  a  suas  pretensões  sobre  a  Banda 
Oriental,  que  se  tornaria  um  país  independente:  a  Somente  com  a  intervenção  da  força 
República Oriental do Uruguai.  terrestre,  as  tropas  que  cercavam  Montevidéu 
capitularam e Manuel Oribe foi derrotado. A Esquadra 
O término da Guerra Cisplatina não seria o fim  brasileira, disposta ao longo do Rio da Prata, impediu 
dos  conflitos  na  região.  A  Marinha  Imperial  brasileira  que  as  tropas  vencidas  pudessem  evacuar  para  a 
permaneceria  guarnecendo  a  segurança  do  Império  margem direita, o lado argentino. 
do Brasil no Rio da Prata. 
Tendo pacificado o Uruguai, a força brasileira 
Guerra contra Oribe e Rosas  e seus aliados platinos voltaram‐se contra Rosas, que 
mantinha‐se  como  uma  ameaça  à  estabilidade  da 
Terminada  a  revolta  que  sublevou  as  região.  Nessa  nova  ação  militar  coube  à  Marinha  a 
Províncias  do  Rio  Grande  e  de  Santa  Catarina,  o  tarefa de transportar as tropas aliadas pelo Rio Paraná 
Império  brasileiro  pôde  retomar  a  vigilância  na  até a localidade de Diamante, para ali desembarcá‐las. 
fronteira sul e ater‐se ao conflito que crescia na área 
do  Rio  da  Prata.  Mesmo  com  o  fim  da  Guerra  A Força Naval brasileira, composta por quatro 
Cisplatina e a independência da República Oriental do  navios  com  propulsão  a  vapor  e  três  navios  a  vela, 
Uruguai,  as  lideranças  políticas  argentinas  tinha  como  obstáculo  o  Passo  de  Tonelero,  nas 
continuavam com a pretensão de restituir o mando de  proximidades da Barranca de Acevedo, onde o inimigo 
Buenos  Aires  sobre  o  território  do  Vice‐Reinado  do  instalara uma fortificação guarnecida por 16 peças de 
Prata.  artilharia e 2.800 homens. Devido à pouca largura do 
rio  naquele  trecho,  os  navios  brasileiros  seriam 
O  projeto  de  anexação  do  Uruguai  ao  obrigados  a  passar  a  menos  de  400  metros  daquela 
território  argentino  encontrou  em  Juan  Manuel  de  fortificação, recebendo o peso da artilharia inimiga. A 
Rosas  liderança  máxima  da  Confederação  Argentina  solução  encontrada  pelo  Chefe‐de‐Esquadra  Grenfell 
desde  1835  e  em  Manuel  Oribe,  líder  do  partido  de  foi o emprego conjunto dos navios a vela e a vapor na 
oposição ao governo uruguaio (o Partido Blanco), seus  operação de transposição daquele obstáculo. 
executores. 
Os navios a vela, mais artilhados (pois tinham 
O  Império  brasileiro,  que  se  opunha  artilharia  postada  por  todo  seu  costado,  substituída 
frontalmente  à  anexação,  apoiava  o  governo  nos  navios  a  vapor  pelas  rodas  laterais),  foram 
constituído  do  Uruguai,  exercido  pelo  Partido  rebocados  pelos  navios a  vapor,  mais rápidos  e  ágeis 
Colorado.  A  situação  política  no  Uruguai  aproximava‐ nas manobras. 
se  a  de  uma  guerra  civil,  com  tropas  partidárias  de 
Oribe  e  apoiadas  por  Rosas  cercando  a  capital,  Tonelero  foi  vencida  em  17  de  dezembro  de 
Montevidéu.  1851,  com  as  tropas  desembarcando  em  Diamante 
com sucesso. 
Em 1851, o Governo brasileiro procedeu uma 
aliança  com  o  governo  uruguaio  e  com  um  Naquela  localidade,  os  navios  a  vapor 
oposicionista  de  Rosas,  o  governador  da  Província  auxiliaram  também  na  transposição  do  rio  pelas 
argentina  de  Entre  Rios,  Justo  José  de  Urquiza,  para  tropas oriundas das províncias argentinas aliadas que 
defender  o  Uruguai  do  ataque  das  forças  de  Rosas  e  tinham marchado até aquela posição. 
Oribe. 
O Exército de Buenos Aires foi derrotado pelas 
A ação da Marinha novamente seria realizada  tropas  brasileiras  e  de  seus  aliados  platinos,  em 
em  estreita  colaboração  com  o  Exército  Imperial.  O  fevereiro  de  1852.  A  Passagem  de  Tonelero 
comando  da  Força  Naval  foi  entregue  ao  Chefe‐de‐ representou a única operação ofensiva realizada pela 
Marinha Imperial naquele conflito. 

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Contudo,  o  emprego  da  Força  Naval  no 
transporte  de  tropas  para  a  área  do  conflito  e, 
notadamente depois de Tonelero, na transposição das 
tropas  aliadas  da  margem  uruguaia  para  território 
argentino,  no  Rio  da  Prata  e  Rio  Paraná,  constituiu 
fator  essencial  para  o  sucesso  das  ações  militares 
desenvolvidas pelos aliados contra Rosas e Oribe. 

C R O N O L O G I A 
DATA  EVENTO 
1825 a 1828  Guerra Cisplatina. 
1835 a 1838  Cabanagem (Província do Pará). 
Guerra dos Farrapos (Província do Rio 
1835 a 1845 
Grande do Sul). 
1837 a 1838  Sabinada (Província da Bahia). 
Balaiada  (Províncias  do  Maranhão  e 
1838 a 1841 
Piauí). 
Revolta  Praieira  (Província  de 
1848 a 1849 
Pernambuco). 
1850 a 1852  Guerra contra Oribe e Rosas. 
   

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EXERCÍCIOS:  argentina. 
(E) Resgate de dois navios mercantes capturados por 
1 ‐ (PS‐RM2‐Praça/2016) – Em qual Guerra o império  corsários 
brasileiro, que se opunha frontalmente à anexação do 
Uruguai  ao  território  da  Argentina,  apoiou  o  governo   
constituído  do  Uruguai,  exercido  pelo  Partido 
Colorado?  4  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017)  "No  período  regencial,  o 
conturbado ambiente político da Corte se refletiu nas 
(A) Guerra contra Oribe e Rosas.  províncias  do  Império  em  movimentos  armadas  que 
(B) Guerra da Cisplatina.  explodiram  por  todos  os  principais  centros  regionais, 
(C) Guerra do Uruguai.  desde 1831 até os anos de consolidação do reinado de 
(D) Guerra dos Farrapos.  D. Pedro II"  
(E) Guerra Sabinada. 
(Introdução  a  História  Marítima  Brasileira  ‐  Rio  de 
  Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 2006). 
Com  relação  a  esse  período  da  História  Marítima 
2  ‐  (PS‐RM2‐OF‐EX/2016)  –  O  primeiro  conflito  Brasileira, é correto afirmar que a Marinha 
internacional  que  o  Brasil  participou  após  sua 
Independência foi a Guerra da Cisplatina (1825 ‐1828).  (A) enfrentou grandes inimigos no mar. 
A respeito dessa guerra, é correto afirmar que:  (B) participou de combates navais de duração de 
meses. 
(A) a independência da Cisplatina, sob o nome de  (C) participou do transporte de tropas do Exército 
República Oriental do Uruguai, foi um de seus  Imperial da Corte e de outras províncias, bloqueios e 
resultados.  desembarques. 
(B) devido ao maior poderio naval argentino, a  (D) realizou diversas ações que determinaram o fim 
Esquadra Imperial Brasileira fez uso intensivo da  do escravismo. 
guerra de corso.  (E) consolidou o reinado de D. Pedro II a ponto de 
(C) a causa principal desse conflito foi a invasão  evitar a Guerra do Paraguai. 
paraguaia à Província do Mato Grosso. 
(D) a vitória brasileira se deu em conseqüência de sua   
estratégia naval de bloqueio do Rio da Prata. 
(E) ao bloquear o Rio Paraná, a Tríplice Aliança,  5 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017) Assinale a opção que apresenta 
formada por Brasil, Argentina e Uruguai, deu um duro  a  primeira  revolta  ocorrida  no  Grão‐Pará,  no  período 
golpe na Força Nacional Paraguaia.  regencial,  e  que  se  generalizou  em  1835  com  a 
ocupação da capital da província, Belém. 
 
(A) Sabinada. 
3  ‐  (PS‐SMV‐OF/2017)  Durante  a  Guerra  Cisplatina,  a  (B) Revolta Praieira. 
Marinha  Imperial  brasileira  lutou  com  a  Força  Naval  (C) Cabanagem. 
argentina  e  com  corsários  que  atacavam  os  navios  (D) Balaiada. 
mercantes brasileiros por toda a nossa Costa. Assinale  (E) Guerra dos Farrapos. 
a  opção  que  apresenta  a  primeira  ação  de  guerra  da 
Força Naval brasileira na Guerra Cisplatina.   

(A) Estabelecimento de um bloqueio fluvial no Rio da  6  ‐  (PS‐SMV‐PR/2017  ‐  N.fundamental)  No  Brasil, 


Prata.  várias  revoltas:  foram  deflagradas  em  diversas 
(B) Abordagem e captura de uma Fragata Argentina.  províncias  e  abafadas  pelo  Governo  Regencial  com  a 
(C) Conquista de uma praça fortificada na margem  utilização  da  Marinha  e  do  Exército,  Dentre  essas 
esquerda do Rio da Prata.  revoltas, pode‐se citar: 
(D) Corte do abastecimento por mar da capital 

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(A) Cabanagem, no Pára.     
(B) Revolta Praieira, no Ceará. 
(C) Balaiada, no Rio Grande do Sul. 
(D) Guerra dos Farrapos, no Maranhão e Piauí. 
(E) Sabinada, em São Paulo. 

7 ‐ (PS‐SMV‐PR/2017 ‐ N.fundamental) Em que guerra 
o Brasil recém‐independente envolveu‐se, entre 1825 
e  1828,  com  as  Províncias  Unidas  do  Rio  da  Prata, 
atual  Argentina,  pela  posse  de  uma  Província 
brasileira  que  havia  sido  anexada  por  D.  João  VI,  em 
1821, que e atualmente a atual República Oriental do 
Uruguai? 

(A) Guerra dos Farrapos. 
(B) Guerra da Lagosta. 
(C) Guerra contra Manuel Oribe e Rosas. 
(D) Guerra Cisplatina. 
(E) Guerra do Paraguai. 

8  ‐  (PS‐SMV‐OF/2018)  O  período  regencial  foi 


marcado por diversas revoltas e rebeliões, nas quais a 
atuação  da  Marinha  do  Brasil,  então  Marinha 
Imperial, foi marcante para a resolução dos conflitos. 
Em  qual  embate  o  então  Capitão‐Tenente  Joaquim 
Marques de Lisboa, future Marques de Tamandaré, foi 
nomeado  comandante  da  Força  Naval  em  operação 
contra os insurretos? 

(A) Guerra dos Farrapos. 
(B) Balaiada. 
(C) Sabinada. 
(D) Cabanagem. 
(E) Revolta Praieira. 

Respostas: 
 

1  A  6  A 
2  A  7  D 
3  A  8  B 
4  C     
5  C     
 

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6  ‐  A  Atuação  da  Marinha  na  Guerra  da  Tríplice  do  argentino  Urquiza.  Tal  não  ocorreu.  Ele 
Aliança contra o Governo do Paraguai  superestimou  o  poderio  econômico  e  militar  do 
Paraguai  e  subestimou  o  potencial  do  Poder  Militar 
A livre navegação nos rios e os limites entre o  brasileiro e a disposição para a luta do Brasil. 
Brasil  e  o  norte  do  Paraguai  eram  motivos  de 
discordância entre os dois países. Não se chegou a um  Os  seguintes  atos  de  hostilidade  do  Paraguai 
acordo  satisfatório  até  a  conclusão  da  Guerra  da  levaram  à  assinatura  do  Tratado  da  Tríplice  Aliança 
Tríplice  Aliança.  Para  os  brasileiros,  era  muito  contra o Governo do Paraguai, pelo Brasil, Argentina 
importante  acessar,  sem  empecilhos,  a  Província  de  e Uruguai, em 1º de maio de 1865: 
Mato  Grosso,  navegando  pelo  Rio  Paraguai.  Sabendo 
disto, os paraguaios mantinham a questão dos limites,   o  apresamento  do  Vapor  brasileiro  Marquês  de 
que  reivindicavam  associada  à  da  livre  navegação.  O  Olinda,  que  viajava  para  Mato  Grosso 
litígio  existia,  principalmente  em  relação  a  um  transportando o novo presidente dessa província, 
território situado à margem esquerda do Rio Paraguai,  em 12 de novembro de 1864, em Assunção; 
entre  os  Rios  Apa  e  Branco,  ocupado  por  brasileiros.   a  invasão  do  Sul  de  Mato  Grosso  por  tropas 
Apesar  dessas  questões,  o  entendimento  entre  o  paraguaias, em 28 de dezembro de 1864; e 
Brasil e o Paraguai era cordial, excetuando‐se algumas   a  invasão  de  território  da  Argentina  por  tropas 
crises que não chegaram a ter maiores conseqüências.  paraguaias,  em  13  de  abril  de  1865,  ocupando  a 
Interessava principalmente ao Império que o Paraguai  Cidade  de  Corrientes  e  apresando  os  vapores 
se  mantivesse  fora  da  Confederação  Argentina,  que  argentinos Gualeguay e 25 de Mayo. 
muitas  dificuldades  lhe  vinha  causando,  com  sua 
A aliança com os argentinos era, na opinião de 
permanente instabilidade política. 
um  dos  observadores  estrangeiros,  uma  “aliança  de 
Com  a  morte  de  Carlos  López,  ascendeu  ao  cão  e  gato”.  Havia  muitas  desavenças  recentes  e  ao 
governo do Paraguai seu filho, Francisco Solano López,  Brasil  não  interessava  subordinar  sua  Força  Naval  a 
que  ampliou  a  política  externa  do  País,  inclusive  um  comandante  argentino.  A  Argentina  possuía, 
estabelecendo laços de amizade com o General Justo  durante essa guerra, apenas uma pequena Marinha e 
José de Urquiza, que liderava a Província argentina de  o  esforço  naval  foi  quase  totalmente  da  Marinha  do 
Entre  Rios,  e  com  o  Partido  Blanco  uruguaio.  Essas  Brasil.  O  Império  não  queria  criar  uma  situação  em 
alianças, sem dúvida, favoreciam o acesso do Paraguai  que um estrangeiro pudesse decidir o destino de seu 
ao mar.  Poder  Naval.  Poder  que  sempre  desempenhara  um 
papel  importante,  de  diferenciador  nos  conflitos  da 
Com  a  invasão  do  Uruguai  por  tropas  região do Rio da Prata. 
brasileiras,  na  intervenção  realizada  em  1864,  contra 
o governo do Presidente uruguaio Manuel Aguirre, do  Isto  significava,  também,  que  no  início  da 
Partido  Blanco,  Solano  López  considerou  que  seu  guerra,  as  operações  envolvendo  forças  navais  e 
próprio país fora agredido e declarou guerra ao Brasil.  terrestres  seriam  operações  conjuntas,  sem  unidade 
Aliás,  ele  havia  enviado  um  ultimato  ao  Brasil,  que  de comando. 
fora  ignorado.  Como  foi  negada  pelos  portenhos 
No  início  da  Guerra  da  Tríplice  Aliança,  a 
permissão  para  que  seu  exército  atravessasse 
Marinha  do  Brasil  dispunha  de  45  navios  armados. 
território  argentino  para  atacar  o  Rio  Grande  do  Sul, 
Destes, 33 eram navios de propulsão mista, a vela e a 
invadiu  a  Província  de  Corrientes,  envolvendo  a 
vapor,  e  12  dependiam  exclusivamente  do  vento.  A 
Argentina no conflito. 
propulsão  a  vapor,  no  entanto,  era  essencial  para 
O  Paraguai  estava  se  mobilizando  para  uma  operar  nos  rios.  Todos  tinham  casco  de  madeira. 
possível  guerra  desde  o  início  de  1864.  López  se  Muitos  deles  já  estavam  armados  com  canhões 
julgava  mais  forte  –  o  que  provavelmente  era  raiados de carregamento pela culatra. 
verdadeiro,  no  final  de  1864  e  início  de  1865  –  e 
Os  navios  brasileiros,  no  entanto,  mesmo  os 
acreditava  que  teria  o  apoio  dos  blancos  uruguaios  e 
de  propulsão  mista,  eram  adequados  para  operar  no 
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mar  e  não  nas  condições  de  águas  restritas  e  pouco  principais  vias  de  comunicação  da  região,  e  navios  e 
profundas que o teatro de operações nos Rios Paraná  embarcações  teriam  que  transportar  os  suprimentos 
e Paraguai exigia; a possibilidade  de encalhar era um  para as tropas, o carvão para servir como combustível 
perigo  sempre  presente.  Além  disso,  esses  navios,  dos próprios navios e, muitas vezes, soldados, cavalos 
com  casco  de  madeira,  eram  muito  vulneráveis  à  e armamento. 
artilharia de terra, posicionada nas margens. 
Com o avanço das tropas paraguaias ao longo 
Era  uma  época  de  freqüentes  inovações  do  Rio  Paraná,  ocupando  a  Província  de  Corrientes, 
tecnológicas  no  hemisfério  norte  e  a  Guerra  Civil  Tamandaré  resolveu  designar  seu  chefe  de  estado‐
Americana  trouxera  muitas  novidades  para  a  guerra  maior,  o  Chefe‐deDivisão  Francisco  Manoel  Barroso 
naval  e,  especificamente,  para  o  combate  nos  rios.  da  Silva,  para  assumir  o  comando  da  Força  Naval 
Sua  influência,  logo  depois  dessa  primeira  fase  de  brasileira, que subira o rio para efetivar o bloqueio do 
navios  de  madeira,  na  Guerra  da  Tríplice  Aliança  fez‐ Paraguai.  Ele  queria  mais ação.  Barroso  partiu  em  28 
se  sentir,  principalmente,  com  o  aparecimento  dos  de  abril  de  1865,  na  Fragata  Amazonas,  e  assumiu  o 
navios  protegidos  por  couraça  de  ferro,  projetados  cargo  em  Bela  Vista.  Sua  primeira  missão  foi  um 
para a guerra fluvial, e a mina naval.  ataque  à  Cidade  de  Corrientes,  então  ocupada  pelos 
paraguaios.  O  desembarque  das  tropas  aliadas  em 
Todos  os  navios  da  Esquadra  paraguaia,  Corrientes ocorreu com bom êxito no dia 25 de maio. 
exceto um, eram navios de madeira, mistos, a vela e a 
vapor, com propulsão por rodas de pás. Embora todos  Não  era,  sabidamente,  possível  manter  a 
eles  fossem  adequados  para  navegar  nos  rios,  posse  dessa  cidade  na  retaguarda  das  tropas 
somente  o  Taquary  era  um  verdadeiro  navio  de  invasoras,  principalmente  naquele  momento  da  luta, 
guerra;  os  outros,  apesar  de  convertidos,  não  foram  em  que  os  paraguaios  mantinham  uma  ofensiva 
projetados para tal.  vitoriosa, e foi preciso, logo depois, evacuá‐la. Mas, o 
ataque  deteve  o  avanço  paraguaio  para  o  Sul.  Ficou 
Os  paraguaios  desenvolveram  a  chata  com  evidente  que  a  presença  da  Força  Naval  brasileira 
canhão como arma de guerra. Era um barco de fundo  deixava o flanco direito dos invasores, que se apoiava 
chato, sem propulsão, com canhão de seis polegadas  no  Rio  Paraná,  sempre  muito  vulnerável.  Para  os 
de calibre, que era rebocado até o local de utilização,  paraguaios,  era  necessário  destruí‐la  e  isto  levou 
onde  ficava  fundeado.  Transportava  apenas  a  Solano  López  a  planejar  a  ação  que  levaria  à  Batalha 
guarnição  do  canhão  e  sua  borda  ficava  próximo  da  Naval do Riachuelo. 
água,  deixando  à  vista  um  reduzidíssimo  alvo.  Via‐se 
somente  a  boca  do  canhão  acima  da  superfície  da  Os  preparativos  para  o  ataque  aos  navios 
água.  brasileiros foram realizados sob a orientação direta do 
próprio  López.  O  plano  consistia  em  surpreender  os 
O  bloqueio  do  Rio  Paraná  e  a  Batalha  Naval  do  navios  brasileiros  fundeados,  abordá‐los  e,  após  a 
Riachuelo  vitória,  rebocá‐los  para  Humaitá.  Por  isso,  os  navios 
O  Paraguai  enviou  duas  colunas  de  tropas  paraguaios estavam superlotados com tropas. 
invasoras,  uma  destinada  ao  Rio  Grande  do  Sul  e  Tirando  o  máximo  proveito  do  terreno  ao 
outra  para  o  sul,  em  território  argentino,  longo  do  Rio  Paraná,  ele  mandou,  também,  assentar 
acompanhando o Rio Paraná.  canhões  nas  barrancas  da  Ponta  de  Santa  Catalina, 
Foi  designado  comandante  das  Forças  Navais  que  fica  imediatamente  antes  da  foz  do  Riachuelo,  e 
Brasileiras  em  Operação  o  Almirante  Joaquim  reforçar com tropas de infantaria o Rincão de Lagraña, 
Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré. A estratégia  que lhe fica rio abaixo. 
naval  adotada  foi  a  de  negar  o  acesso  ao  território  Da extremidade Sul do Rincão de Lagraña, que 
paraguaio  através  do  bloqueio.  Tamandaré,  logo  no  tem  uma  barranca  mais  elevada,  os  paraguaios 
início,  tratou  também  de  organizar  a  difícil  logística  podiam atirar, de cima, sobre os conveses dos navios 
que  o  teatro  de  operações  exigia.  Os  rios  eram  as 
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brasileiros  que  escapassem,  descendo  o  Paraná.  O  proximidades da margem esquerda, logo após o local 
local  era  perfeito  para  uma  armadilha,  pois  o  canal  onde estavam as baterias de terra. Fechou‐se, assim, a 
navegável  era  estreito  e  tortuoso,  com  risco  de  armadilha em uma extensão de uns seis quilômetros, 
encalhe  em  bancos  submersos,  o  que  forçava  as  ao  longo  de  um  trecho  do  Paraná,  junto  à  foz  do 
embarcações  a  passarem  próximo  à  margem  Riachuelo. 
esquerda. 
Pouco tempo depois, a coluna brasileira, com 
Na  noite  de  10  para  11  de  junho  de  1865,  a  o Belmonte à frente, seguido pelo Jequitinhonha e por 
Força  Naval  brasileira  comandada  por  Barroso,  outros navios, avistou as barrancas de Santa Catalina. 
constituída  pela  Fragata  Amazonas  e  pelos  Vapores  Somente  mais  adiante,  já  com  as  barrancas  pelo 
Jequitinhonha,  Belmonte,  Beberibe,  Parnaíba,  través,  era  possível  ter  a  visão  completa  da  curva  do 
Mearim,  Araguari,  Iguatemi  e  Ipiranga,  estava  Rincão  de  Lagraña,  rio  abaixo  da  foz  do  Riachuelo, 
fundeada  ao  sul  da  Cidade  de  Corrientes,  próximo  à  onde estavam parados os navios e as chatas da força 
margem  direita,  em  um  trecho  largo  do  rio.  De  lá  paraguaia. A vegetação impedia que se soubesse que 
avistaram,  pouco  depois  das  oito  horas  da  manhã,  a  as barrancas de Santa Catalina estavam artilhadas. 
força  paraguaia  comandada  pelo  Capitão‐de‐Fragata 
Pedro  Inácio  Mezza,  com  os  navios:  Tacuary,  Barroso  resolveu  deter  a  Amazonas, 
Paraguary,  Igurey,  Ipora,  Jejuy,  Salto  Oriental,  reservando‐a  para  interceptar  uma  possível  fuga  dos 
Marquês de Olinda e Pirabebe; rebocando seis chatas  paraguaios  rio  acima.  Alguns  navios  brasileiros  não 
artilhadas.  entenderam  a  manobra  e  ficaram  indecisos.  Como 
conseqüência,  o  Jequitinhonha  encalhou  num  banco, 
Mezza  se  atrasara  devido  a  problemas  na  sob  as  baterias  de  terra,  e  o  Belmonte,  à  frente, 
propulsão de um de seus navios, o Ibera, que acabou  prosseguiu sozinho, recebendo o fogo concentrado da 
sendo  deixado  para  trás.  As  chatas  que  rebocava  artilharia  do  inimigo  e  tendo  que  encalhar, 
tinham  uma  pequena  borda‐livre,  fazendo  água  propositadamente,  após  completar  a  passagem  para 
quando  os  navios  aumentavam  a  velocidade  não afundar, devido às avarias sofridas em combate. 
procurando recuperar o tempo perdido. 
Para  reorganizar  sua  força  naval,  Barroso 
Ele  decidiu  não  largar  as  chatas,  pois  sua  avançou  com  a  Amazonas,  assumiu  a  liderança  dos 
presença na batalha era uma determinação de López,  navios  que  estavam  a  ré  do  Belmonte  e,  seguido  por 
e, chegando tarde, desistiu de iniciar o combate com a  eles,  completou  a  passagem  sob  o  fogo  dos  canhões 
abordagem.  Julgava  que  não  havia  surpreendido  os  paraguaios e da fuzilaria de terra. Afastou‐se, depois, 
brasileiros  e  é  acusado  de  ter,  assim,  perdido  sua  descendo o Rio Paraná com apenas seis dos seus nove 
melhor chance de vitória. A surpresa, na realidade, foi  navios,  porque  o  Parnaíba,  com  o  leme  avariado, 
maior até do que se poderia supor. Era uma manhã de  também  não  conseguira  passar.  Completou‐se  assim, 
domingo,  parte  das  guarnições  estava  em  terra  para  às 12h10min, a primeira fase da batalha. 
trazer  lenha,  com  o  propósito  de  poupar  carvão.  É 
sempre difícil manter um estado prolongado de alerta  Então,  Barroso  mostrou  toda  a  sua  coragem, 
quando  as  ameaças  não  se  fazem  freqüentemente  decidindo  regressar  para  o  interior  da  armadilha  de 
sensíveis.  Riachuelo.  Foi  necessário  descer  o  rio  até  um  lugar 
onde  o  canal  permitia  fazer  a  volta  com  os  navios  e, 
Alertada, a Força Naval brasileira se preparou  cerca de uma hora depois, ele estava novamente em 
para  o  iminente  combate,  as  tripulações  assumindo  frente à ponta sul do Rincão de Lagraña. 
seus  postos,  despertando  o  fogo  das  fornalhas  das 
caldeiras  com  carvão  e  largando  as  amarras.  Às  Até  aquele  instante,  o  resultado  era 
9h25min,  dispararam‐se  os  primeiros  tiros  de  altamente  insatisfatório  para  o  Brasil.  O  Belmonte 
artilharia. Passou, logo em seguida, a força paraguaia,  fora  de  ação,  o  Jequitinhonha  encalhado,  para 
em  coluna,  pelo  través  da  brasileira,  ainda  sempre,  e  o  Parnaíba  sendo  abordado  e  dominado 
imobilizada,  indo,  logo  depois,  rio  abaixo,  para  as  pelo  inimigo,  apesar  de  resistência  heróica  de 

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brasileiros,  como  o  GuardaMarinha  Guilherme  território  inimigo.  Além  disto,  apesar  de  não 
Greenhalgh e o Marinheiro Marcílio Dias, que lutaram  comentarem, na época, não seria sensato abordar um 
até a morte.  navio lotado com tropas.  

Tirando,  porém,  vantagem  do  porte  da  Antes  do  pôr‐do‐sol  de  11  de  junho,  a  vitória 
Amazonas  e  contando  com  a  perícia  do  prático  era  brasileira.  Foi  uma  batalha  naval,  em  alguns 
argentino  que  tinha  a  bordo,  Barroso  usou  seu  navio  aspectos, decisiva. 
para  abalroar  os  paraguaios  e  vencer  a  batalha.  Foi 
um  improviso,  seu  navio  não  tinha  a  proa  A  Esquadra  paraguaia  foi  praticamente 
propositadamente  reforçada  para  ser  empregada  aniquilada, e não teria mais participação relevante no 
como aríete.  conflito.  Estava  garantido  o  bloqueio  que  impediria 
que o Paraguai recebesse armamentos e, até mesmo, 
Repetindo aqui as próprias palavras do Chefe‐ os  navios  encouraçados  encomendados  no  exterior. 
de‐Divisão  Barroso,  na  parte  que  transmitiu  ao  Comprometeu,  também,  a  situação  das  tropas 
Visconde  de  Tamandaré,  assim  se  deu  a  batalha  invasoras  e,  pouco  tempo  depois,  a  guerra  passou 
(grafia de época):  para o território paraguaio. 

–  “....Subi,  minha  resolução  foi  de  acabar  de  uma  Barroso,  sem  dúvida,  foi  o  responsável  pelo 
vez,  com  tôda  a  esquadra  paraguaya,  que  eu  teria  bom êxito de sua força naval em Riachuelo. O futuro 
conseguido  se  os  quatro  vapôres  que  estavam  mais  acima  Barão  de  Teffé  declarou  que  o  vira,  do  Araguari,  em 
não  tivessem  fugido.  Pus  a  prôa  sôbre  o  primeiro,  que  o 
plena batalha, destemido, expondo‐se sobre a roda da 
escangalhei,  ficando  inutilisado  completamente,  de  agoa 
Amazonas,  com  a  barba  branca,  que  deixara  crescer, 
aberta,  indo  pouco  depois  ao  fundo.  Segui  a  mesma 
ao  vento  e  sentira  por  ele  um  grande  respeito  e 
manobra  contra  o  segundo,  que  era  o  Marques  de  Olinda, 
que inutilisei, e depois o terceiro, que era o Salto, que ficou  admiração. 
pela  mesma  fórma.  Os  quatro  restantes  vendo  a  manobra 
A  cidade  de  Corrientes  continuava  ocupada 
que  eu  praticava  e  que  eu  estava  disposto  a  fazer‐lhes  o 
pelo  inimigo  e  a  Força  Naval  brasileira,  que  mostrara 
mesmo,  trataram  de  fugir  rio  acima.  Em  seguimento  ao 
terceiro  vapor  destruído,  aproei  a  uma  chata  que  com  o  sua  presença,  fundeada  próxima  a  ela,  precisou 
choque e um tiro foi a pique.  iniciar,  alguns  dias  após  o  11  de  junho,  a  descida  do 
rio, que estava baixando. 
Exmº  Sr.  Almirante,  todas  estas  manobras  eram 
feitas pela Amazonas, debaixo do mais vivo fogo, quer dos  Os  paraguaios  haviam  retirado  suas  baterias, 
navios e chatas, como das baterias de terra e mosquetaria  que  estavam  na  Ponta  de  Santa  Catalina,  e  as 
de mais de mil espingardas. A minha tenção era destruir por  instalaram, primeiro em Mercedes, depois em Cuevas, 
esta forma toda a Esquadra Paraguaya, do que andar para  criando dificuldades para o abastecimento dos navios 
baixo e para cima, que necessariamente mais cedo ou mais 
brasileiros, que era realizado pelo rio. Sob todos esses 
tarde  havíamos  de  encalhar,  por  ser  naquella  localidade  o 
aspectos,  incluindo  a  diminuição  do  nível  do  Rio 
canal mui estreito. 
Paraná, que aumentava o risco de encalhe, a posição 
Concluída  esta  faina,  seriam  4  horas  da  tarde,  da Força Naval, avançada em território ainda ocupado 
tratei  de  tomar  as  chatas,  que  ao  approximar‐me  d’ellas  por tropas do Paraguai, mostrava‐se muito vulnerável. 
eram abandonadas, saltando todos ao rio, e nadando para 
terra,  que  estava  a  curta  distância.  O  quarto  vapor  Barroso passou com seus navios por Mercedes 
paraguayo  Paraguary,  de  que  ainda  não  fallei,  recebeu  tal  e  Cuevas,  enfrentando  a  artilharia  paraguaia,  e 
rombo  no  costado  e  caldeiras,  quando  desceram,  que  foi  somente  regressou  passados  alguns  meses,  apoiando 
encalhar em uma ilha em frente, e toda a gente saltou para  o  avanço  das  tropas  aliadas,  que  progrediam 
ella, fugindo e abandonando o navio”.  aproveitando o recuo do inimigo. 
Quatro navios paraguaios conseguiram fugir e,  Tudo levava à ilusão de que a Tríplice Aliança 
com a aproximação da noite, os navios brasileiros que  venceria  a  guerra  em  pouco  tempo,  mas  tal  não 
os  perseguiam  regressaram,  para  evitar  encalhes  em  ocorreu. O que parecia fácil estagnou. O Paraguai era 

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um  país  mobilizado  para  a  guerra  que,  aliás,  foi  ele  encouraçados já estavam disponíveis nessa força. Um 
que iniciou, achando que tinha vantagens.  deles  tinha  o  nome  de  Barroso,  e  outro  o  de 
Tamandaré.  Era  uma  grande  homenagem,  em  vida, 
Humaitá ainda era uma fortaleza inexpugnável  aos dois ilustres chefes. 
enquanto não estivessem disponíveis os novos meios 
navais  que  estavam  em  obtenção  pelo  Brasil:  os  A  ofensiva  aliada  para  a  invasão  do  Paraguai 
navios encouraçados.  necessitava  de  apoio  naval.  Passo  da  Pátria  foi  uma 
operação  conjunta  de  forças  navais  e  terrestres. 
Para  avançar  ao  longo  do  Rio  Paraguai,  era  Coube,  inicialmente,  à  Marinha  fazer  os 
necessário  vencer  diversas  passagens  fortificadas,  levantamentos  hidrográficos,  combater  as  chatas 
destacando‐se,  inicialmente,  Curuzu,  Curupaiti  e  paraguaias  e  bombardear  o  Forte  de  Itapiru  e  o 
Humaitá.  Navios  oceânicos  de  calado  inapropriado  acampamento inimigo. Em março de 1866, já estavam 
para  navegar  em  rios,  de  casco  de  madeira,  sem  disponíveis  nove  navios  encouraçados,  inclusive  três 
couraça,  como  os  da  Força  Naval  brasilei