A INFORMAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – O MODELO FLUMINENSE

Alessandro Sathler Leal Da Silva

Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET/RJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista em Educação Tecnológica.

Orientador: Manuel Joaquim de Castro Lourenço

Rio de Janeiro Agosto – 2010

A INFORMAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – O MODELO FLUMINENSE

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET/RJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista em Educação Tecnológica.

Alessandro Sathler Leal da Silva

Aprovada por:

___________________________________________ Presidente, Prof. Manuel Joaquim de Castro Lourenço

___________________________________________ Prof.

___________________________________________ Prof.

Rio de Janeiro Agosto – 2010

Sathler, Alessandro A informação como instrumento de gestão da Educação Pública no Estado do Rio de Janeiro – O Modelo Fluminense / Alessandro Sathler Leal da Silva – 2010. x, 78 f. Monografia – Especialização em Educação Tecnológica – Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET/RJ, 2010. Bibliografia: f. 75-78 1. Gestão da Informação na Educação 2. Educação Pública Fluminense I. A informação como instrumento de gestão da Educação Pública no Estado do Rio de Janeiro – O Modelo Fluminense

de cunho bibliográfico. versando sobre sua correlação com os conceitos de cidadania e políticas públicas de gestão da informação e construção dos processos decisórios relacionados à avaliação e gerenciamento da Rede Pública Estadual de Ensino. de modo a promover o diálogo entre a eficiência proposta aos procedimentos operacionais e sua relação direta com a preservação do princípio constitucional de qualidade do ensino. A presente pesquisa. Partindo do conceito de informação. procedeu-se com análise do modelo adotado pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Gestão. Rio de Janeiro Agosto – 2010 . Educação Pública. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista em Educação Tecnológica.RESUMO A INFORMAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – O MODELO FLUMINENSE Alessandro Sathler Leal da Silva Orientador: Manuel Joaquim de Castro Lourenço Resumo da Monografia apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação Tecnológica do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca CEFET/RJ. sua correlação com a construção do conhecimento e instrumento próprio dos processos decisórios de grandes organizações. foi desenvolvida com a análise de fontes primárias e secundárias que tratam do gerenciamento da informação como recurso de gestão e suporte a processos decisórios. Palavras-chave: Informação.

turning on its correlation with the concepts of citizenship and public politics of management of the information and construction of the power to decide processes related to the evaluation and management of the State Public Net of Education.ABSTRACT THE INFORMATION AS INSTRUMENT OF MANAGEMENT OF THE PUBLIC EDUCATION IN THE STATE OF RIO DE JANEIRO . Leaving of the information concept. proceeded with analysis from the model adopted for the State secretary from Education from Rio de Janeiro. Management. in order to promote the dialogue enters the efficiency proposal to the operational procedures and its direct relation with the preservation of the constitutional principle of quality of education. its correlation with the construction of the knowledge and proper instrument of the power to decide processes of great organizations.THE OF THE STATE OF RIO DE JANEIRO MODEL Alessandro Sathler Leal da Silva Advisor: Manuel Joaquim de Castro Lourenço Abstract of the Monograph submitted to Programa de Pós Graduação em Educação Tecnológica . of bibliographical matrix. Public Education.Centro Federal de Educação Teconlógica Celso Sukow da Fonseca CEFET/RJ as partial fulfillment of the requirements for the degree of Specialist in Technological Education. Keywords: Information. The present research. was developed with the analysis of primary and secondary sources that deal with the management of the information as management resource and has supported the power to decide processes. Rio de Janeiro August – 2010 .

3 As armadilhas do processo decisório III.1 Sistemas formais de informação II.2 Tipos de processos decisórios III.2 Tecnologia da informação II.3.4.3.1 Gestão da informação II.3.3 A gerência da informação como política pública IV.5 Conhecimento como capital II Gestão da informação II.4 Pessoas na gestão do conhecimento e na tecnologia da informação II.1 Conceito de decisão III.3.Sumário Introdução I Contexto I.2 Níveis de decisão III.2 Sistema informais de informação II.4 A gerência da informação como política pública de governo eletrônico e processos decisórios.3 Sistema de informação II.5 A utilidade da informação IV.4 Formação do conhecimento I.3.1 Cenário institucional IV. IV.4 Decisão estratégica IV A Secretaria de estado de educação e a gerência da informação IV.7 O fluxo de informações na SEEDUC IV.3 Informação e conhecimento I.2 A SEEDUC e a informação IV.2 Tipos de informação I.6 As pessoas na gestão da informação na SEEDUC IV.8 Portal corporativo Conclusões Referências Bibliográficas 1 2 2 4 6 8 10 13 13 13 18 20 22 25 25 30 30 32 33 34 35 37 38 42 42 45 46 48 52 53 55 59 63 65 .1 Fases do processo decisório III.1 Gatekeepers tecnológicos e os fluxos de informação III Processo decisório III.1 Conceito de informação I.3 Conceituação de processo decisório III.

1 – FASES DA DECISÃO ESTRATÉGICA – ADAPTADO DE MINTZBERG ET AL 1976 FIGURA IV.Lista das Figuras FIGURA I.1 – POLÍTICA PÚBLICA DE GERENCIAMENTO ELETRÔNICO E PROCESSOS DECISÓRIOS – ADAPTADO DE VAZ (2003) E RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4.1 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO E SEUS COMPONENTES FIGURA III.4 INFORMAÇÃO EM UM PORTAL CORPORATIVO – ESQUEMA ADAPTADO DE WHITE (1999). 68) 4 9 19 FIGURA II.2 – O USO DA INFORMAÇÃO PELA SEEDUC FIGURA IV.455/2010 FIGURA IV. 2002.455/2010 FIGURA IV. DIAS (2001) E RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4455/2010 40 51 52 57 62 .2 – PIRÂMIDE DE FLUXOS E ESTOQUES (BARRETO.FLUXO DE INFORMAÇÃO – ADAPTADO DA RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4.3 .1 – FLUXOS DE INFORMAÇÃO FIGURA I. p.

1 – TIPOS DE DECISÃO TABELA III.2 – CLASSIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO TABELA II.1 – CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO TABELA I.1 – CLASSIFICAÇÃO DAS REDES DE INFORMAÇÃO – ADAPTADO DE MACEDO (1999) TABELA III.Lista das Tabelas TABELA I.2 – NÍVEIS DE DECISÃO – FONTE: SHIMIZU (2000) APUD MURAKAMI (2003) 3 6 23 30 32 .

desde o cotidiano escolar até as esferas responsáveis pelo planejamento e decisão estratégica. tendo por referencial maior a decisão estratégica. sua relação com a tecnologia. No capítulo I é tratado o conceito de informação. desenvolveu-se partir da pesquisa em fontes primárias e secundárias que tratam do conceito de informação e sua gerência como instrumento próprio dos processos de gestão de grandes corporações com vistas a subsidiar o processo decisório em seus mais diversos níveis. considerando tanto suas diversas formas. fases e atores quanto dificuldades. No capítulo IV é analisado o modelo de gerenciamento da informação adotado pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A revisão da literatura tem por objetivo traçar um paralelo entre os pressupostos teóricos que tratam da temática e os preceitos da Educação com vistas a preservação do princípio constitucional de qualidade de ensino. considerando aqui todos os espaços e atores envolvidos. com foco em sua operacionalização. técnicos e gestores. É proposto m diálogo com os respectivos pressupostos teóricos. a relação entre informação e conhecimento e seu valor enquanto capital. O objeto de pesquisa é o modelo adotado pela Secretaria de Estado de Educação para a gestão de informação no universo da Rede Estadual de Ensino. sua classificação.1 Introdução O presente de caráter bibliográfico. partindo da análise dos documentos legais que regulamentam essa relação no âmbito institucional. O capítulo III trata do conceito do processo decisório e seus desdobramentos. versando a discussão no cenário da operacionalização desses mesmos pressupostos e sua relação direta com as políticas públicas de gerenciamento eletrônico da informação e do princípio constitucional da qualidade de ensino. No capítulo II são discutidas as formas de gestão da informação. os sistemas de informação constituídos. docentes. passando pela relação direta junto a discentes. . a participação das pessoas nos processos de gerência da informação e a atuação dos gatekeepers tecnológicos na estrutura e manutenção dos fluxos de informação.

36) apud Castro (2005) define dado como “qualquer elemento identificado em sua forma bruta que. sendo limitada. Oliveira (2002b. aos quais são atribuídos significados e contextos.”. A informação. Ao se tratar essa temática é comum a confusão entre dado e informação. Oliveira (2002 b) apud Castro (2005) esclarece que informação “é o dado trabalhado que permite ao executivo tomar decisões” Para McGee e Prusack (1994) apud Moraes (2005). como a mesma se constrói. p. não ambíguo e de conhecimento dos interessados. um evento comunicado”.1 Conceito de informação Um estudo que pretenda discutir o gerenciamento estratégico da informação necessita delimitar de fato o que é a informação. idéia completada por Cassaro (2001) apud Moraes (2005) que qualifica os dados como itens básicos da informação. por si só. Diferenciar esses conceitos é essencial para que se compreenda todo gerenciamento da informação. sua utilidade e caráter operacional. aqui entendida como instrumento indispensável para a tomada de decisões.2 Capítulo I – Contexto I.35) apud Moraes (2005) qualifica a informação “como fato. Completando essa idéia. possuindo ainda referenciais que permitam comparações e análises que se fizerem necessárias. p. o conceito de informação ultrapassa a simples idéia de dados coletados. não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação. sendo necessário que essa esteja associada a um conceito claro. já os dados não. passa pela organização e ordenamento desses mesmos dados. Nesse sentido. necessita ter características mínimas que servem como . Destacam que a informação tem por objetivo informar. estes podem ser ilimitados. Ela é resultado de uma compilação de fatos e números previamente preparados de modo a possibilitarem a elaboração de dada informação. Cassaro (1999. Foina (2001) apud Moraes (2005) destaca a informação como um valor que possua algum tipo de aplicação.

 Ser fator de produção: por ser importante para projetar e introduzir no mercado produtos e serviços com maior valor adicionado.  Ser fator de sinergia: pois melhora o desempenho global de uma empresa. permitindo associar esforços. afere-se a crescente importância da informação no bom desempenho de uma instituição.1 – CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO Diante desse contexto. . para que sua produção seja relativamente econômica. tornando a mesma um importante vetor estratégico. TABELA I. Deve-se fazer um balanço do valor da informação com o custo de sua produção. Que contém todos os fatos importantes. muito sofisticada e detalhada. como destacam Lesca e Almeida (1994) apud (2005):  Apoiar a decisão: por ser capaz de reduzir a incerteza na tomada de decisão. Não deve ser exageradamente complexa. Que pode ser usada para várias finalidades. a fim de que suas ações sejam condizentes com os objetivos da empresa.  Ser fator determinante de comportamento: influenciando o comportamento dos indivíduos. Stair (1998. Deve estar disponível quando necessária. devido a razões diversas. p.6) apud Moraes (2005) no quadro abaixo apresenta as características que a informação deve conter: Características Precisa Completa Econômica Flexível Confiável Relevante Simples Em tempo Verificável Definições Que não contém erros. pois sua entrada de dados foi correta. aumentando sua qualidade e diferenciação. Quando tem importância para o tomador de decisões.3 indicadores para qualificá-la como relevante. uma vez que há qualidade nas ligações e relações entre as unidades. tanto internos quanto externos. A confiabilidade depende de sua fonte ou da coleta de dados. Pode ser checada para saber se está correta.

assim como toda proposta de classificação. cabe destacar que não existe. conforme gráfico abaixo: FIGURA I. Já a informação de convívio é definida como: . Lesca e Almeida (1994) destacam que os mesmos apresentam duas componentes interdependentes chamadas de informação de atividade e informação de convívio. de natureza operacional são tipos de informações de atividades. será tomada por referencial a classificação a partir dos fluxos de informação Lesca e Almeida (1994) apud Moraes (2005). Sobre os fluxos. um fluxo de informações desenhado para a ação pública institucional. A informação de atividade é aquela que permite a empresa garantir seu funcionamento. existe o movimento de diálogo e integração. sendo esses os pilares que sustentarão a discussão e adaptação do presente modelo ao contexto público institucional. está relacionada a parâmetros definidos que vão caracterizar e organizar em categorias o grupo/conceito que se pretende classificar.2 Tipos de Informação A classificação da informação.1 – FLUXOS DE INFORMAÇÃO (LESCA e ALMEIDA 1994. apud MORAES 2005) Antes de iniciarmos a análise prévia de cada fluxo. e não seu fim em si. que o modelo adotado será utilizado como referencial. No caso específico. Ainda que não exista uma relação mercadológica. tendo por princípio utilidade da informação e do conhecimento.4  Proporcionar maior interação e participação em uma rede. especificamente. I.

5 “A informação de convívio é aquela que permite "que os indivíduos convivam em relação uns com os outros" permitindo também influenciar seus comportamentos. uma reunião de serviço. uma ação publicitária são informação de convívio. construir o seguinte quadro: . A proporção de informação "informal" é maior no caso da informação de convívio que no caso da informação de atividade. Ela tem uma característica de relacionamento e é o "cimento" da organização.8) Os autores destacam ainda a importância desses tipos de informação na existência de uma empresa salientando que “Se a informação de convívio é indispensável para a existência da empresa e se a informação de atividade é indispensável ao seu funcionamento. Por exemplo um jornal interno.” Com base nos estudos de Lesca e Almeida (1994) podemos. com o objetivo de melhor compreensão da classificação da informação através dos fluxos. os dois tipos de informação são indispensáveis à continuidade de sua existência e à sua evolução.” (LESCA e ALMEIDA. p. A informação de convívio é vital dentro da empresa. um relatório comercial contendo impressões de um cliente. 1994.

onde a forma que se estrutura/conduz um dos grupos incide direta. etc).2 – CLASSIFICAÇÃO DA INFORMAÇÃO (LESCA e ALMEIDA. e ao mesmo tempo tentar influenciar o comportamento dos atores externos segundo uma orientação que lhe seja favorável. poder público. Para conviver com estes outros atores a empresa deve lhes fornecer uma certa quantidade de informação (e esconder outras). provedores de fundos (acionistas. A empresa forma um todo. 1994) Do movimento de classificação ilustrado pode ser observado o dinamismo próprio da informação e sua correlação direta com as ações e espaço de influencia e subsidio para as decisões. facilitadores. Informação produzida pela empresa e orientada para fora da empresa – informação de atividade Informação coletada externamente e orientada para dentro da empresa – informação de convívio Informação coletada externamente e orientada Este tipo de informação é simétrico à informação produzida pela para dentro da empresa – empresa orientada para fora. saber o que eles estão fazendo e conseguir obter o mais antecipadamente possível informação sobres suas ações futuras. A informação de atividade engloba todo tipo de informação necessária a iniciar. dependendo da gestão desses espaços de relação.3 Informação e Conhecimento A confusão que se faz entre dado e informação. p. informação de atividade TABELA I. Dentro da relação com os atores externos é importante que a empresa se mantenha informada sobre os outros "atores". venda. escolas. e decisivamente. etc.). Estes "outros atores" são numerosos e diversos: clientes (atuais e potenciais). I. Enquanto informação pode ser entendida “como fato.6 Fluxo Informação criada pela empresa para uso próprio – informação de convívio Informação criada pela empresa para uso próprio – informação de atividade Informação produzida pela empresa e orientada para fora da empresa – informação de convívio Caracterização Permite aos participantes da empresa conviver em relação e em interação uns com os outros. bancos. realizar e controlar as operações relacionadas ao funcionamento da empresa. Uma empresa é formada de um conjunto de indivíduos que criam um esforço de união mas com a condição de que estes indivíduos saibam porque trabalham e que trabalhem em uma mesma direção e de maneira coordenada. Este tipo de informação diz respeito a todas as transações realizadas em conjunto com os atores externos: compra. A relação apresenta uma faceta de interdependência quase cíclica. o . fornecedores. um evento comunicado” (CASSARO 1999. provedores de recursos humanos (universidades. 35 apud MORAES 2005). é um ator (inclusive dotado de personalidade). e este ator deve viver em relação com outros atores situados fora da empresa. etc. concorrentes. podendo em razão disso serem criados condicionadores/dificultadores. ou ainda. muitas vezes se aplica a relação entre informação e conhecimento. sobre o outro.

2002. práticas e normas organizacionais. com intuito de serem programadas nos genes. A geração de conhecimento é uma reconstrução das estruturas mentais do indivíduo realizado por meio de suas competências cognitivas. contudo. seja pelo aumento do estoque de saber acumulado. não sendo desta forma passível de descrição. mas também em rotinas.7 conhecimento possui um caráter mais amplo. informação contextual e insight experimentado. sendo possível perceber a materialização desenvolvida mentalmente no universo institucional. apud CÂNDIDO e ARAÚJO. ou porque sedimenta saber já estocado. ou seja. não se faz pela simples soma ou acúmulo. resultante de uma interação com uma forma de informação. Bouthillier e Shearer (2001) apud Moraes (2005) definem conhecimento como abstração pessoal. Essa reconstrução pode alterar o estado de conhecimento do indivíduo. pela sedimentação de um saber prévio ou pela reformulação de um saber já existente.. vivenciado por alguém. 72) Indo além de perspectivas estruturais e subjetivas. ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios. 40) . processos. a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. definido como algo experimentado. o que se descreve é a informação. Conhecer é um ato de interpretação individual. fins e formas de consolidação. ou porque aumenta seu estoque de saber acumulado. 1998. p. é uma modificação em seu estoque mental de saber acumulado. 2003. “O conhecimento. p.” (BARRETO. que percebe o meio. como destaca Davenport (1998) apud Cândido e Araújo (2003) “(. com o meio e a geração do pode se dar de formas diferentes. tem relação direta com a vivência de cada indivíduo.” (DAVENPORT.) conhecimento é definido como uma mistura fluida de experiência condensada. valores. contexto. é organizado em estruturas mentais por meio das quais um sujeito assimila a “coisa” informação.. ou seja. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. marcado pela inter-relação direta de valores. a formação do conhecimento se dá a partir de um diálogo amplamente complexo com referenciais múltiplos. Nas organizações. esta precede aquela. uma apropriação do objeto informação pelas estruturas mentais de cada sujeito. As estruturas mentais são construídas pelo sujeito sensível. ou porque reformula saber anteriormente estocado. se dá no mesmo sentido entre dado e informação. Acreditase que estruturas mentais não são pré-formatadas. Nesse sentido a relação entre informação e conhecimento. destino da informação.

mas que só se efetiva a partir de uma ação de comunicação mutuamente consentida entre a fonte (os estoques) e o receptor. é o conhecimento.. corporificando base para ações/decisões. já a informação relacionada a um objetivo específico torna-se conhecimento. 2) Nesse sentido verifica-se que o conhecimento é ato próprio do ser humano e fruto direto dessa condição. a registro.. as estruturas significantes armazenadas em bases de dados. não produz por si só. como agente mediador na produção do conhecimento.) por ser estático. no trabalho e nas representações que assume. quando adequadamente assimilada produz conhecimento. (.) A informação. como estruturas significantes com a competência de gerar conhecimento para o indivíduo e seu grupo.” (BARRETO.” (BARRETO.4 Formação do Conhecimento A informação em si.. (. 1994. resume-se a dado. bem como proporcionando estruturas que gerarão novos conhecimentos. a informação qualifica-se. e completa. fora de contexto. “(. na medida que pende da experiência sensível. p. Que sua forma final será diferente para cada indivíduo. em forma e substância. . Barreto (1994) destaca que o fenômeno da informação é melhor explicado quando a compreendemos sob a ótica da produção de conhecimento no indivíduo e das transformações que opera no próprio. bibliotecas. que só se realiza se a informação é percebida e aceita como tal e coloca o indivíduo em um estágio melhor de convivência consigo mesmo e dentro do mundo em que sua história individual se desenrola. arquivos ou museus possuem a competência para produzir conhecimento. apesar desse caráter essencialmente subjetivo. e não a estrutura em si. p. pode ser materializado institucionalmente. e que. I.. no seu grupo de convivência e na sociedade como um todo. qualquer conhecimento. 1994.) Assim.. Independente das especificidades ou do fim que assume sua origem está no ato de criação.8 Pode se apreender que a informação é parte da base estrutural do conhecimento. destacando que nesse sentido a informação “Deixa de ser uma medida de organização para ser a organização em si. 2) Destaca ainda a necessidade de criação de uma estrutura que transforme a informação em conhecimento. modifica o estoque mental de informações do indivíduo e traz benefícios ao seu desenvolvimento e ao desenvolvimento da sociedade em que ele vive..

“As configurações. Quando adequadamente apropriada. que relacionam a informação com a geração de conhecimento.2 – PIRÂMIDE DE FLUXOS E ESTOQUES (BARRETO. e o registro. 70) A perspectiva dinâmica e relacional da formação do conhecimento e sua relação direta com o trabalho e posterior inserção na realidade é ilustrada por Barreto (2002) no esquema abaixo: FIGURA I. Uma das qualidades dessa condição humana é criação. p. 68) . tendo como pano de fundo da discussão a clara percepção da função instrumental desta sobre o contexto e as modificações que causa e seu caráter libertador. 2002. pois são associadas ao desenvolvimento do indivíduo e à sua liberdade. produz conhecimento e modifica o estoque mental de saber do indivíduo.” (BARRETO. traz benefícios para seu desenvolvimento e para o bem-estar da sociedade em que ele vive. conforme finalistas. e consequentemente da sociedade. em código próprio. Com a apropriação e elaboração gera-se o conhecimento. pelo poder de decidir sua vida. são as que melhor explicam sua natureza. 2002. p.9 como pontua Barreto (2002) “A condição humana do trabalho é a mundanidade.” Barreto (2002) salienta ainda o movimento dinâmico existente entre a formação do conhecimento e seu impacto sobre a vida dos indivíduos. Aqui a informação é qualificada como instrumento modificador da consciência do homem. da informação e de sua representação.

a informação. qual é o valor da informação e do conhecimento? Rezende (2002) partindo das características próprias da chamada civilização digital trata a questão sob a ótica econômica . idéias e da própria sensibilidade. ambas etapas qualificadas como estoque. quando se nasce. o qual subsidia por fim um novo estoque. p. e em um estágio mais organizado. para dar sinais do estado de aprimoramento ou desenvolvimento social e cultural atingidos. Sobre essa etapa final. tem uma leitura ampliada. o do saber. a inteligência e o saber. bem como na gerência institucional. I. relacional.10 Sobre a ilustração o autor explica que: “A estrutura piramidal refere-se com a quantidade. p.) pensa no conhecimento que aceitou e acumulou nos recipientes de sua mente. É um estoque que se pode chamar para re-elaborar. e sua vida activa é determinada pelo conhecimento. e mais precisamente o conhecimento serem encarados como fatores essenciais tanto nos processos de transformação humana e social.5 Conhecimento como capital A idéia da informação. Estoque esse sucedido por dois fluxos. que se estrutura considerando a subjetividade tendo por objetivo a transformação pessoal. É um acervo pessoal. descrita na forma de fluxo. uma condição de vida igual ao labor. Barreto (2002) esclarece que pode se falar em saber quando se “(. 68) Por fim cabe destacar que o conhecimento configura-se por um ato humano. e como conseqüência a modificação nas estruturas sociais e culturais. o de conhecimento e o da inteligência. 2002. remete a seguinte questão: de fato.” (BARRETO. implicitamente.. 67) A questão da informação e do conhecimento. dinâmico. 2002. O saber tem. mais na base menos no ápice.” (BARRETO. mas em uma comunidade adiciona-se. nascido de fatos.A pirâmide ilustra a condição da informação. ora como informação.. pelo trabalho e é inserido nas práticas de uma ação de inteligência com a realidade. nessa percepção. o conhecimento surge pela conquista. Para o autor a base é formada por um conjunto de fatos. ora entendidos como dados. em uma qualificação de valor subjetivo em que menos é mais.

Com o advento da civilização digital. “Capital intelectual é. sofisticada e integrada à nova economia. o homem mais rico do mundo foi associado ao petróleo. como o conhecimento. o conhecimento e o trabalho. principalmente seu papel no .” (REZENDE. velocidade e complexidade. completa essa idéia ao destacar que o capital intelectual constitui a matéria intelectual. o intangível passa a compor a parte de maior valor de uma empresa. Por mais de um século. 123) Segundo Moresi (2000) apud Felcar (2007). 123) Rezende (2002) destaca ainda a relação direta entre o capital. Quanto mais inteligente. A compreensão do efetivo papel ocupado hoje pela informação e pelo conhecimento no universo das relações humanas.) As empresas passam a valer mais pelo conhecimento que detêm ou comercializam do que pelo patrimônio físico (. a propriedade intelectual e experiências que podem ser utilizadas para gerar riqueza. caracterizada por um alto grau de diversificação. influencias diretas e a renovação econômica que denota cada vez mais o conhecimento como sinônimo de riqueza. comunicar-se e relacionar-se com pessoas.. 2002. a informação.11 “A informação passa. de conectar-se. já que qualidade de vida influencia o resultado final do trabalho. 2002. 124) E continua qualificando o conhecimento como capital intelectual. está associado ao conhecimento. portanto. enfim. com status semelhante ao dado a recursos naturais. p. salientando para seus aspectos relacionais. a figurar como principal bem econômico na medida em que é o ingrediente fundamental na geração do conhecimento (. sejam elas clientes. capital e trabalho passam a ser menos antagônicos..” (REZENDE. capital de relacionamento. parceiros... Stewart (1998) apud Rezende (2002).” (REZENDE. o conhecimento existente em uma organização e que pode ser usado para criar uma vantagem diferenciada. de produção e financeiros. E trabalho é cada vez mais a capacidade de gerar e gerir idéias. 2002. p. “Se a nova riqueza é o conhecimento. existe um consenso que a sociedade pós-industrial passa a perceber a informação como capital.). mais chances a empresa terá em sobreviver e crescer. Capital é cada vez mais o capital intelectual. capital de marca e identidade. p. outros profissionais e até mesmo o círculo familiar e de amigos. Hoje.

.” (RUGGLES. necessariamente. passando por seu tratamento. Beck (2003) apud Cândido e Araújo lembra que para se lograr sucesso nesse contexto deve se agregar valor a partir do acesso a informação. ao contrário. sua utilização e disseminação. é parte do processo. O conhecimento como capital infere não só na geração de riqueza. como destaca Ruggles “O conhecimento requer contexto e entendimento para ser aplicado apropriadamente. e que seu tratamento desde a entrada no sistema até sua saída é que a qualificará como instrumento de geração de riquezas. mas passa. apud MACEDO 1999) Nesse cenário que entende a informação e o conhecimento como valores essenciais ao sucesso de uma organização e fatores de geração de riqueza. remete a necessidade de entender esse fenômeno de forma mais completa possível com vistas a seu gerenciamento. 1999. pela urgência de mapeamento de todo processo operacional.12 contexto institucional. Percebe-se que a posse da informação em si não representa uma solução.

. aqui identificada como TI.. II. compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados (econômicos) para a empresa e benefícios para os colaboradores. completa a idéia ainda ao destacar seu caráter de suporte a informação “ela não pode existir só ou por si só”. Murakami (2003) destaca que a mudança de informática para TI é o resultado da conceituação de Sistemas de Informação e Engenharia da Informação. 1986. Albertin (2001) apud Murakami (2003) define a informática como “a ciência que tem como objetivo viabilizar.. a informática. 2003.) conjunto de procedimentos orgnaizados que. termo esse genérico e que engloba em si diversas formas e recursos do tratamento da informação. p. validação. de apoio aos processos de tomada de decisão e a estratégia . Lucas (1986) apud Murakami (2003) define Sistema de Informação como “ (. disseminação.2 Tecnologia da informação A Tecnologia da Informação. já Engenharia da Informação é definida por Martin (1990) apud Murakami (2003) como “(. tem sua origem em outra tecnologia específica. apud MURAKAMI.. 18). processos e ferramentas gerenciais e tecnológicas à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração.1 Gestão da informação Para Terra (2006) apud Carvalho et al (2006) a Gestão do Conhecimento significa organizar as principais políticas.) conjunto de técnicas para a construção de estruturas corporativas de dados que apóiem os procedimentos operacionais de controle administrativo. identificação.13 CAPITULO II – Gestão da Informação II. provêm informação para suportar a tomada de decisão e o controle numa organização” (LUCAS. garantir e suportar o tratamento e comunicação das informações de uma organização”. quando executados.

) a preparação. p.” (MARTIN. p. manutenção e evolução dos bens de TI de forma coerente com as metas e objetivos da organização. 18) Boar (2002) apud Murakami (2003) define TI como. texto.” (BOAR. 1991. Atendimento ao cliente. aplicações e serviços usados pelas organizações para fornecer dados. recuperação.” (O´BRIEN.” (CIANCONI. focam mais em recursos e procedimentos do que no processo em si. 18) Já Luftman et al (1993) apud Murakami (2003) tratam TI por uma perspectiva mais operacional. dos SI. permitiu a comercialização de inúmeros sistemas e serviços. tais como acesso a bases de dados (serviços de disseminação de informações). A tecnologia da informação e seus custos passaram a fazer parte integrante do dia a dia das empresas. 1990. . 2003. 204) E continua sua discussão sob o prisma do desenvolvimento não planejado e suas conseqüências naturais. p. que representa essencialmente a convergência da computação e das telecomunicações. de uma forma geral a TI proveria valores estratégicos a todas as partes do negócio. 2003. ou às vezes totalmente. “(. 2001. de rede e comunicações). transporte. relacionam a mesma a uma gama de recursos como equipamentos (computadores.. 2002. distribuição.14 competitiva da empresa. coleta. A movimentação de informação pode ocorrer entre seres humanos. dispositivos de armazenamento de dados. p. estratégia de produto e marketing e distribuição dependem muito. apresentação e transformação de informações em todas as suas formas: voz.. administração. apud MURAKAMI. operação. reservas de passagens etc. quadro de avisos). vídeo e imagem. “Essa tecnologia. 18) O´Brien (2001) apud Murakami (2003) ao discutir as questões de TI e suas relações com o universo das organizações e seus fluxos econômicos destaca que “A tecnologia de informação está redefinindo os fundamentos dos negócios. operações. 2003. entre humanos e máquinas e/ou entre máquinas. apud MURAKAMI. Cianconi (1991) ao tratar de TI e sua relação direta com a informática ressalta que. O gerenciamento da informação garante seleção. pelo uso da Informática e de sua tecnologia. informações e conhecimentos. apud MURAKAMI. armazenamento.). atividades transacionais (ordens de pagamento. gráficos. acesso. mensagens (correio eletrônico.

. 1987. cuja importância em uma sociedade pós-industrial é comparável à da energia1. 1991. 204) E finaliza a discussão destacando o desenvolvimento dessa tecnologia no universo das organizações e a leitura da mesma como bem econômico. na administração pública e no direito do cidadão. 204) Porat apud Cianconi (1991) discute a TI sob a ótica da economia da informação e a atividade laboral. Tal conscientização do objeto "informação" significa encarála como um bem económico e estratégico e deixar de administrar "máquinas" para administrar as informações. Os trabalhadores de diferentes ramos ocupacionais vêm se distanciando dos aspectos físicos das atividades agrícolas..15 “A proliferação descoordenada desses sistemas e serviços vem exigir. estudo que serviu de base para a identificação do setor quaternário da economia . 204) Cianconi (1991) traça um paralelo entre o uso da TI e o sucesso econômico e hegemônico de nações e empresas que as dominam em detrimento das que não dominam. a maior parte da força de trabalho dos países mais desenvolvidos está envolvida com atividades informacionais. análise de seus custos e nível de utilização. p.) a idéia de uma economia da informação.” (CIANCONI. agora. industriais ou artesanais e se envolvendo com atividades baseadas na capacidade intelectual. p. substituindo também o trabalho intelectual. “(. A informatização das sociedades mais adiantadas leva a uma mudança na estrutura industrial que.o setor informacional -. 1991. gradualmente. . 1991. racionalização.” (PORAT. inicialmente centrada na produção de bens e serviços.” (CIANCONI. p. passa a ser baseada na informação. qualificando a informação como setor quaternário da economia. A informática vai. além de estabelecimento de normas e padrões para maior intercâmbio de informações e da realização de discussões sobre o impacto na economia. que pressupõe a capacidade de manusear informações. apud CIANCONI. “A tendência natural no processo de informatização da sociedade é a incorporação gradual da máquina até que ela se torne "invisível" e haja uma tomada de consciência do seu real objeto: a informação. não somente o trabalho manual.

fazendo uma leitura mais ampla para o autor TI é mais abrangente do que os de processamento de dados. 64) Albertin (2001) ao tratar da inserção da TI no planejamento das organizações. pois também envolve aspectos humanos.) em muitos casos. fala essa registrada por Parsons (1983) apud Albertin (1996). As nações que detêm as tecnologias de organizar.. As modernas tecnologias de informação e de comunicação permitem melhorar a qualidade de vários aspectos de negócio.” (CIANCONI. a nova tecnologia tem propiciado um ótima oportunidade para a organização encontrar uma melhor utilização de seus ativos e repensar sua estratégia. distribuição e emprego das informações científicas. p. 1996 p. 204) Laurindo (2002) amplia a discussão sobre o conceito de TI reforçando outros aspectos importantes. MacFarlan (1984) apud Albertin (1996) ao tratar da importância da TI na estratégia de negócio destaca que “(. 1984. 2001 p.. operacionalmente. tratar e disseminar informações se tornam dominantes em relação àquelas que não possuem tais tecnologias. 43) Finalizando a discussão sobre o papel da TI podemos citar as contribuições identificadas por Albetin (2001) dessa tecnologia no todo das relações organizacionais.” (BALDWIN. tecnológicas.” (PARSONS. a saber: . porém. sistemas de informação engenharia de software. “Eu penso que a TI contribui em pelo menos 3% para nosso lucro marginal final. apud ALBERTIN. ultrapassando a visão meramente operacional. informática ou o conjunto de hardware e software. administrativos e organizacionais. eu não acredito que nós pudéssemos manter nossa participação sem tecnologia.16 “A eficiência na produção. apud ALBERTIN. apud ALBERTIN. 1991. 1991. 1983. sua relação com a tecnologia e melhora da qualidade cita Baldwin (1991) ao destacar que “as diretrizes fundamentais da mudança são tecnológicas e irreversíveis. 1996 p.” (MACFARLAN. nós não poderíamos passar uma semana sem o suporte de sistemas e no mercado. além de ser determinante na sua estratégia competitiva. 62) A importância da TI pode ser identificada no contexto das organizações a partir da fala de um presidente de divisão de uma grande corporação industrial. gerenciais e de negócios é hoje um dos principais fatores de vantagem comparativa entre países e empresas.

possibilitar o estabelecimento de barreiras de entrada. distribuição e serviços a clientes. permitir a entrada mais fácil em alguns mercados. permitir novas estratégias competitivas com o uso de sua tecnologia. possibilitar melhor relacionamento com clientes. (. 2001 p. mais eficiência nas relações de vendas e mais atratividade nos seus mercados. relações limitadas com parceiros e mercados estáveis está evoluindo. facultadas pela TI. Estratégia competitiva – A TI pode colaborar com a estratégia competitiva das empresas são: proporcionar vantagens de custos. tal como a Internet. por possibilitar melhora na comunicação com seus clientes. os sistemas de TI representam um novo canal de vendas e distribuição para os produtos. permitem uma outra maneira de alcançar os consumidores e incentivam compradores e vendedores a incrementarem sua utilização. existentes ou novos. Economia direta – Utilizando uma infra-estrutura digital pública e compartilhada... é a forma de garantir o fácil e livre acesso a um custo não proibitivo ao ambiente digital da TI. Inovação de produtos – A flexibilidade e o poder de resposta são as novas regras no ambiente empresarial atual. a TI pode reduzir significativamente os custos de comercialização. que seja composta de equipamentos de acesso.” (ALBERTIN.. os sistemas de TI ensejam o surgimento de novos modelos de negócios. estruturas de alcance local e redes globais de informações.. rico em informação e interativo com os clientes. baseados na ampla disponibilidade de informações e sua distribuição direta aos clientes e fornecedores.17 “Relacionamento – A visão tradicional de uma empresa com fronteiras claras. permitir a diferenciação de seus produtos e serviços. auxiliar a introdução de produtos substitutos. 45) . Promoção de produtos – Por meio de um contato direto. Infra-estrutura pública – A criação e utilização de uma infra-estrutura pública. Novos canais de venda e distribuição – Em virtude de seu alcance direto e sua natureza bidirecional na comunicação de informações. a TI pode melhorar a promoção dos produtos e serviços. tal como a Internet. (. Novas oportunidades de negócio – Alterando as estruturas dos setores. A estratégia de produzir e vender da era industrial foi substituída pela de sentir e responder rapidamente às mudanças das necessidades e particularidades dos clientes. Customização em massa – A natureza baseada em informação dos processos de TI permite que os novos produtos a serem criados ou já existentes sejam customizados de maneiras inovadoras. comparada a uma infraestrutura própria.) As empresas se comunicam com seus clientes por meio de várias mídias. facilitar a eliminação de intermediários.) Os ambientes intermediados por computadores. facultar o surgimento de novos intermediários que adicionem valor por meio de informação.

a análise e o processo decisório em organizações. processar. documentos de processos diversos para facilitar a gestão da organização.” (GONÇALVES 2005. O primeiro caracteriza-se pela captação ou coleta de fontes de dados brutos dentro da empresa ou do ambiente com a qual a mesma se relaciona. o controle.) um conjunto de componentes inter-relacionados trabalhando juntos para coletar. armazenar e distribuir informações com a finalidade de facilitar o planejamento. e. SI também possui o movimento de entrada – input – e o de saída – output – de dados. estabelecendo uma estrutura formal. a coordenação. conjunto de procedimentos e normas de organização..” (LAUDON e LAUDON 1994.. Por exemplo. 2005. 49) Laudon e Laudon (1994) apud Gonçalves (2005) definem sistema de informação como “(.18 II. 50) Não existe uniformidade ou ainda modelos estáticos de SI. p. contemplando ainda o meio ambiente externo. pode ser genericamente considerado como um sistema informação. apud GONÇALVES 2005. conjunto de partes (quaisquer) que geram informações. usando ou não recursos tecnologia da informação. como um jornal interno de uma empresa. e eles podem assumir diversas formas convencionais. sobre os tipos de SI Gonçalves (2005) esclarece que. “Existem diferentes tipos de sistemas de informação. o sistema de informação organizacional pode ser conceituado como a organização e seus vários subsistemas internos. tais como: relatórios de controle (de sistemas ou de determinadas áreas funcionais) gerados em uma empresa. por fim. . parte integrante do conjunto de recursos próprios da Tecnologia da Informação é definido por Gonçalves (2005) como “Todo sistema que manipula dado e gera informação. já o segundo consiste na transferência da informação processada aos que irão utilizá-las. os mesmos assumem formas diversas de acordo com as características e demandas de cada organização. recuperar. coleção de informações expressa em um meio de veiculação. sendo facultativa a existência de um mecanismo de feedback que tem por meta controlar a operação. Segue abaixo a representação gráfica desse movimento sistêmico. p. 50) Assim como qualquer outro sistema. p.3 Sistemas de informação Sistema de informação (SI).” (GONÇALVES.

o conhecimento é indispensável – ora esse pode estar com a pessoa que irá desempenhar o processamento. “A entrada de um SI é composta pelos dados e/ou informações que servirão de insumos para a continuidade operacional.. Essa saída fica representada em um SI.1 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO E SEUS COMPONENTES (GONÇALVES.” (GONÇALVES 2005. Para o desempenho de tal tarefa. maior a interação com o usuário do sistema. 51) . 2005) Gonçalves (2005) destaca a importância de regulamentação.) A saída de um SI representa o resultado de um processamento. p. com ênfase para o movimento de entrada.. pode auxiliar os gestores na tomada de decisões por meio de resultados apontados. Quanto maior o nível gerencial do programa. Na maioria dos casos. ora com o programa de computador que desempenha a tarefa desejada.19 FIGURA II. O material que servirá de entrar para o SI necessita. sob pena de perder sua funcionalidade caso não se observe o necessário.) O grau de controle de um SI demonstra o nível gerencial do programa. em documentos impressos ou em armazenamentos digitais. em formatos de vídeo. podendo quebrar toda uma sequencia de encadeamentos caso não seja respeitada. respeitar uma série de regras de negócio. p. obrigatoriamente. ou com o sistema agindo por conta própria. (. com auxílio do computador. 51) Continua a discussão apresentando os objetivos de um SI.. com definição clara das regras e da forma de tratamento dos dados. seus fluxos graus de controle “O processamento de um SI tem por objetivo transformar a entrada em uma saída desejável.” (GONÇALVES 2005.. (.

porque seus concorrentes usaram computadores. destacando sua relação direta com o uso da tecnologia e os resultados decorrentes das formas de como esse uso se concretiza. às vezes a beira da falência. Laudon e Laudon (1999) apud Gonçalves (2005) destacam que os sistema de informação são por sua própria constituição sociotécnicos. como pode incluir milhares de equipamentos através do compartilhamento por redes. McLean e Wetherbe (2004) apud Albertin (1996) um sistema baseado no uso do computador. sistema esse identificado de forma geral como sistema de informação. diário de classe. existem processos mais simples. trata o sistema de informações como instrumento essencial no gerenciamento e sucesso das organizações. pode se resumir a um computador pessoal e software. dentre outras. redes ou informações em um impulso competitivo. microeletrônica.20 Por fim.” (ALBERTIN 1996. como no caso das fichas de controle de consulta. de transações financeiras. ou. entradas e saídas padronizadas e definições fixas. encontramos muitos exemplos de organizações que passaram a frente de seus concorrentes por utilizarem melhor a Tecnologia de Informação (TI). caracteriza-se pelo uso da computação para execução de grande parte das tarefas. por outro lado. como no caso de sistemas de contabilidade. propiciando assim ajustes ao longo do tempo. visto que envolvem a coordenação de recursos tecnológicos com organizações e pessoas. “Uma das armas utilizadas para ganhar um avanço competitivo é o uso de Sistemas de Informações (SI). ou ainda. Albertin (1996). de organizações com declínio de ganhos. p. Os sistemas de informação não se resumem aqueles que fazem uso do computador. existem uma relação dialógica de cooperação mútua com vistas a otimização de desempenho do sistema completo. entre outros. Mclean e Wetherbe (2004) apud Albertin (1996) ao tratarem de sistemas formais de informação destacam que esses fazem referência a procedimentos predefinidos (processos). II. 62) . contudo. nosso objeto de trabalho está limitado as estruturas que fazem uso do computador e das tecnologias decorrentes. Para Turban. Sua composição vai variar de acordo com seu fim. da totalidade delas. Nos últimos anos.1 Sistemas formais de informação Turban.3. de controle de cartão de ponto.

apud ALBERTIN 1996. que.” (REZENDE 2002. p. . 62) Rezende (2002) amplia a discussão ao ressaltar a percepção das organizações em reestruturar sua sistemática de gestão da informação em face dos processos de evolução histórica as quais estão inseridas e sua relação direta com o ordenamento mundial “A evolução e o amadurecimento da própria atividade de gestão empresarial em face da nova ordem econômica e tecnológica. 127) Rezende (2002) completa a discussão caracterizando a forma operacional que deve assumir o modelo de sistema de informação que pretenda atender de forma eficaz o contexto da organização. fizeram com que naturalmente as empresas percebessem que. 62) McFarlan (1984) apud Albertin (1996) relaciona o uso da TI ao sucesso do SI na organização. somados ao aumento qualitativo e quantitativo de informação que as empresas passam a ter acesso através das atividades de brokerage...” (ALBERTIN 1996.”. p.21 King (1978) apud Albertin (1996) “define que o conjunto de estratégias para SI emana diretamente de outro conjunto de informações: o conjunto de estratégias da organização. Este alinhamento é que deve garantir a alocação de recursos para os projetos de TI e dar as diretrizes para o seu planejamento e suas prioridades. nos desenhos de uso de seus ativos e revisão de estratégias “(.) a nova tecnologia tem propiciado uma ótima oportunidade para a organização encontrar uma melhor utilização de seus ativos e repensar sua estratégia. os quais pudessem triar e digerir rapidamente crescentes quantidades de informação. além de ser determinantes em sua estratégia competitiva”. (MCFARLAN 1984. exigiam-se sistemas de informação ainda mais flexíveis e eficientes. deve ser coerente com a sua estratégia de negócio. por sua vez. para a superação dos seus atuais desafios. p. Albertin (1996) completa esse raciocínio ao destacar que “A implementação de um SI deve estar de acordo com a estratégia de uso da tecnologia de informação da organização.

3. respondendo em grande parte pela capacidade de as organizações lidarem com os problemas imprevistos. Macedo (1999) ao tratar dessa questão recorre a Krackhardt & Hanson (1997) destacando que “(. análise e interpretação da informação. utilizando como referencial uma comparação com a organização formal e sua eficiência frente operacional. que. interpretando-a à luz dos cenários econômico. por sua própria natureza. em número igual constroem diversificadas teias de relação. tecnológico e de mercado. não basta somente ter ou saber onde encontrar ou acessar a informação.” (MACEDO 1999. na seqüência.. configuramse como instrumentos importantes ao enfrentamento dos desafios associados à sociedade da informação. É necessário analisála. aqui identificados como organização informal. sem.22 “Em um mundo de competitividade global.. p.” (MACEDO 1999.2 Sistemas informais de informação As organizações complexas. no entanto. . não somente as pré-definidas pela sistemática adotada pelos princípios de gerenciamento. p. o modelo de sistema de informação plenamente voltado para negócios passa a ser o de um sistema que combina acesso. mas também aquelas formadas a partir de demandas e necessidades específicas dos indivíduos que participam dessa estruturação. implicarem delimitações muito restritivas de funções e objetivos. ou seja. entre outros. dimensões e estrutura são construídas por um grande número de colaboradores que. Assim. 127) II.) as redes informais são tomadas aqui como as redes de relações que os indivíduos formam dentro das organizações para o cumprimento de suas tarefas mais rapidamente. essa associada a necessidade de enfretamento de problemas dentro do contexto da sociedade da informação. 2) Macedo (1999) completa essa idéia definindo as redes informais ressaltando sua natureza de auto-gerenciamento e origem. p. irá se transformar em conhecimento a ser utilizado nos diversos processos de tomada de decisão e planejamentos estratégicos da empresa. como desdobramentos agenciados pela mobilização humana nas organizações.” (REZENDE 2002. 1) Krackhardt & Hanson (1997) apud Macedo (1999) caracteriza a os sistemas informais de informação. “As redes informais nas organizações constituem estruturas autoorganizantes que.

1) Leonard (1996) apud Macedo (1999) discute o papel das redes informais nos processos de tomada de decisão.” (MACEDO 1999. . a efetividade ótima no uso dos recursos informacionais disponíveis passa pelo reconhecimento da existência das redes humanas e pelo aprendizado de como trabalhar com essas redes no planejamento e provimento dos recursos de informação. O autor considera o diálogo existente entre os pressupostos adotados nas estratégias de gerenciamento com as subjetividades de todos os envolvidos importante aspecto no contexto das organizações.. sobretudo em razão de seu caráter suplementar enquanto fonte de informação.1 – CLASSIFICAÇÃO DAS REDES DE INFORMAÇÃO – ADAPTADO DE MACEDO (1999) McClur e apud Grosser Krackhardt & Hanson (1997) Denominação Redes de confiança (trust networks) Grosser (1991) apud Macedo (1999) discute sobre o papel essencial que as redes informais possuem na sobrevivência das organizações complexas. p. p.. é capaz de responder melhor do que aquela aos problemas inesperados. o que indica a necessidade de uma visão integradora de suas operacionalidades. “(. TABELA II. sustentando que. Que envolvem o uso da estrutura informal para o Redes de trabalho ou contato com indivíduos que possuem informações consulta (advice networks) técnicas que facilitam o cumprimento de objetivos de trabalho Relativas aos indivíduos que trocam com Redes de comunicação regularidade informações de trabalho Redes sociais Para assuntos não relacionados ao trabalho Para comunicações relativas à autoridade e Redes de autoridade responsabilidade entre membros da organização Redes de experts Para informações técnicas. 1) A importância e diversidade dessas redes é tão grande que alguns autores apresentam tipologias específicas dessas teias de relação.” (MACEDO 1999.23 “Confrontadas com a organização formal – muito eficiente em lidar com os problemas previstos – a organização informal. no caso dos profissionais de informação. Características Fonte Nas quais são compartilhadas informações politicamente delicadas.) a sobrevivência de organizações que operam em ambientes complexos e turbulentos depende de canais de comunicação suplementares ou alternativos. por sua natureza altamente adaptativa.

bem como de sua interação nos procedimentos gerenciais discorre sobre a importância das decisões. pode efetivamente contribuir para o aprendizado organizacional. como. p.. ao longo das microestruturas decisórias.” (MACEDO 1999. tanto internas quanto externas presentes nas relações estabelecidas no todo da organização. conferências eletrônicas. por todos dentro da organização. “A existência de estratégias não intencionais. esclarecimento de questões e feedbacks.) Nesse sentido. tanto individuais quanto coletivas e sua natureza instrumental nos processos decisórios.. p. auxiliar na tomada de decisões. Macedo (1999) ao tratar da coexistência de modelos racionais e não racionais. o reconhecimento da existência desses “clusters” de saber e o estabelecimento de ambientes eletrônicos adequados para o seu armazenamento.. até porque elas incorporam relações de confiança..) as decisões e estratégias adotadas pelas organizações como efeitos que se relacionam às questões políticas e processuais das tomadas de decisão. fazem parte do conjunto de instrumentos utilizados. 6) Macedo (1999) finaliza a discussão pontuando sobre a necessidade organizacional em reconhecer as redes informais. da melhor forma possível. “Não se tratando de propor a replicação de redes pessoais. as redes informais. ultrapassando as barreiras organizacionais. p. além de – naturalmente – otimizar os processos de tomada de decisão pela introdução do espaço “rico” da heurística cognitiva distribuída. que levam em conta a própria natureza do trabalho gerencial e as subjetividades dos atores envolvidos. (. por exemplo.” (MACEDO 1999. entendendo por reconhecimento a construção de estruturas tecnológicas que possam otimizar as mesmas as colocando a favor da sistemática de gerência e organização com vistas a. mas acreditando que parte do processamento de informações nas organizações se dá no nível das várias redes informais. 6) Mintzberg citado por Leonard (1996) apud Macedo (1999) complementa essa idéia ao desenvolver o conceito de estratégia emergente. 6) . que seria aquela que apesar de não planejada deliberadamente frequentemente é utilizada em processos de decisão ad hoc ou incrementais e ocorrem em resposta as forças. para debate.” (MACEDO 1999.24 “(. onde o conhecimento e expertise estão dispersos e freqüentemente guardados em indivíduos e grupos. evitando “reinvenções de roda” e incrementando processos de inovação. ressalta a importância das decisões individuais e grupais – tanto no nível dos decisores quanto em todos os outros níveis. paralelamente às estruturas formais. que refletem a coexistência de modelos não racionais de decisão.

como aqueles que por suas características próprias desempenham. de forma tácita. devendo as organizações que quiserem sobreviver aprender a utilizar esse instrumento como recurso gerencial. alicerçados muito mais no funcionário que no processo em si. possuem fluxos próprios de informação. tanto aqueles que expressamente assumem seu lócus enquanto profissional da informação. o qual classifica como gatekeeper tecnológico. segundo esse entendimento as várias fontes de informação se alimentam umas das outras.4 Pessoas na gestão no conhecimento e na tecnologia da informação Grosser (1991) apud Macedo (1999) reconhece. alguns sistematizados segundo as necessidades e características do negócio e outros constituídos informalmente.4. Os chamados gatekeepers tecnológicos. independente de sua natureza. Dentro desse fluxo relacional o papel das pessoas é cada vez mais múltiplo e margeado por nuances que vão caracterizar sua ação. Auster e Choo (1994) apud Felcar (2007) relacionam o papel das pessoas no que tange a informação de forma relacional. em sua concepção esse grupo seria formado por . Nesse universo. expressamente. É exatamente sobre os segundos que versaremos a discussão.1 Gatekeepers tecnológicos e os fluxos de informação As organizações. definida como cadeia alimentar informacional. esses marcados por iniciativas individuais. compondo inter-relações que possibilitam a transferência da informação por meio de vários consumidores intermediários. II. muitos são os papéis assumidos.25 II. que as redes humanas são indispensáveis as organizações complexas. essa função. até chegar ao usuário final. classificando os grupos e os respectivos papéis que desempenham. O aspecto relacional repousa nas formas de transmissão da informação. Allen apud Macedo (1999). Para os autores as informações tem sua fonte em quatro categorias diferentes: pessoais e impessoais e internas e externas. ao estudar a comunicação informal em laboratórios de pesquisa científica e tecnológica nos anos 60 identifica esse tipo de indivíduo.

26 “(.3) Grosser apud Macedo (1999) destaca a ação integradora desse tipo de indivíduo.3) Macedo (1999) complementa a discussão pontuando sobre a importância desse grupo no universo das organizações.” (MACEDO 1999. ou seja. estudos mostram que está presente em vários tipos de organização. pelo grau de exposição a fontes de informação externas à sua organização. um extensor e amplificador da pesquisa de informação para todos aqueles com quem faz intercâmbio. não está restrita à proximidade física dos laboratórios de ciência e tecnologia. tanto como fontes de informação – pela capacidade de entendimento e tradução das informações obtidas pela leitura de jornais científicos em termos de sua importância para os profissionais com os quais mantêm contato. há indivíduos que atuam também como os gatekeepers estudados por Allen. “(. ressaltando a relação da formação e difusão do conhecimento com as tecnologias da informação e construção de redes. no entanto. “A existência dos gatekeepers. apud MACEDO 1999. quanto como “consultores internos” – pela capacidade de discussão técnica e expertise.. compostos por cientistas geograficamente dispersos. Holland apud Vieira citado por Macedo (1999) assim identifica o gatekeeper.. apud MACEDO 1999. apesar de geograficamente dispersos. os especialistas chaves dentro de uma rede internacional de um colégio invisível desempenham o mesmo tipo de papel que os gatekeepers tecnológicos dos laboratórios.” (GROSSER 1998. p. ao contrário. p. pelo seu conhecimento e ligações profissionais e pessoais fora de sua comunidade próxima de trabalho.. Foi observado que. como um excelente receptor e transmissor de informação.) indivíduos que.) o gatekeeper é um indivíduo presente em variados tipos de organizações.” (VIEIRA 1998. Sua grande rede de contatos profissionais permite-lhe abrir mais portas e a sensibilizar maior número de fontes potenciais de informação. p.. . exercendo nelas um importante papel no fluxo de informação em razão de sua grande rede de contatos profissionais. nos “colégios invisíveis”. representam papel informacional vital dentro do seu grupo.3) O chamado gatekeeper tecnológico não tem sua ação resumida a laboratórios de pesquisa.

p. consultores internos ou experts sendo comuns a todos eles algumas características. entre outras coisas. por várias razões. que. que. portanto.. 3) Allen (1984) citado por Macedo (1999) reforça a idéia da presença dos gatekeepers em outros espaços e o papel que desempenham junto ao fluxo de informações “O próprio Allen constatou que as características dos gatekeepers não são particulares de um determinado tipo de instituição. p. tendem a se tornar mais familiarizadas com as fontes de informação fora de sua comunidade imediata.3) No contexto das organizações os gatekeepers recebem denominações diversas tais como especialistas em informação. contribuindo com o desenvolvimento de suas áreas de conhecimento.” (MACEDO 1999. contribuindo com o desenvolvimento de suas áreas de conhecimento. tanto lendo mais extensivamente que a maioria quanto desenvolvendo mais contatos pessoais fora da organização à qual pertencem. o fato de saberem onde obter informações – tanto de fontes informais quanto formais e semiformais e serem capazes de filtrá-las para transmitir apenas o que é relevante de fora da organização para dentro do grupo com o qual interagem – desempenhando uma espécie de alerta corrente.” (MACEDO 1999. por determinados indivíduos.” (MACEDO 1999. configuram um recurso estratégico para a cooperação técnicocientífica entre os pesquisadores.3) Nesse contexto os gatekeepers assumem um papel estratégico constituindo um verdadeiro recurso no universo de construção do conhecimento e condução dos processos de pesquisa. configuram um recurso estratégico para a cooperação técnicocientífica entre os pesquisadores..) eles têm em comum. p. mais do que simples “nós” das redes de comunicação. mas fazem parte de uma classe muito mais geral de fenômeno.” (MACEDO 1999.27 “O provimento de informações técnicas para uma organização de pesquisa e tecnologia passa. portanto. destacando que sempre existirão pessoas que. Macedo (1999) assim define essa faceta “O provimento de informações técnicas para uma organização de pesquisa e tecnologia passa. p. “(. mais do que simples “nós” das redes de comunicação. 3) . por determinados indivíduos.

“Assim.. novos fluxos de informação.” (PRICE 1963.” (VIEIRA 1998. segundo o autor está relacionada a uma tentativa de desenho mais preciso do contexto das organizações. nas comunidades científicas e tecnológicas. eles constituem fontes importantes de informação e novas idéias.2) A discussão sobre essa teia de relações construídas a partir do desempenho dos gatekeepers no universo organizacional é finalizada por Krackhardt e Hanson (1997) apud Macedo (1999) ao registrarem sua importância. Devido às suas características de competência técnica e elemento de ligação. em termos da gestão de conhecimento que efetuam. ele completa salientando que as mesmas “(. da mesma forma que os gatekeepers tecnológicos. ou seja. apud MACEDO 1999. sobretudo na abertura de novos gaps comunicacionais. há indivíduos dentro das organizações que desenvolvem uma rede de contatos internos e externos às suas estruturas e contribuem para o trabalho dos outros indivíduos que fazem parte do seu círculo de contatos pessoais. sua motivação é diferenciada. p. . sua existência se caracteriza por uma relação mais dialógica. a qual favorece a formação de uma rede informal de conhecimento baseada geralmente em competências técnicas.28 Macedo (1999) lembra que a ação dos gatekeepers nas organizações se difere do conceito de gatekeeper tecnológico próprio dos laboratórios onde o mesmo se desenvolveu. ocupando um papel de destaque na rede informal.. aqui entendidos como novos canais de conhecimento.3) Price (1963) apud Macedo (1999) lembra que não se deve entender o papel dos gatekeepers nas organizações da mesma forma que no contexto de pesquisa.) foram feitas no sentido de iluminar a existência de uma dinâmica informal nas organizações que já responde por parte das respostas que a organização apresenta ao lidar com os desafios de suas necessidades de informação de forma auto-organizante. esse possui um papel de destaque. a analogia. apud MACEDO 1999. p.

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“(...) um de seus benefícios poderia ser a identificação de gaps comunicacionais onde relacionamentos fortes deveriam ser desejáveis, permitindo o incentivo a que essas interações ocorram – o que, se não assegura, em um primeiro momento, a formação das relações necessárias, aumenta a possibilidade de sua ocorrência pela contínua exposição a elas, o que incrementaria a performance organizacional.” (KRACKHARDT e HANSON 1997, apud MACEDO 1999, p.4)

Por fim, podemos identificar a importância da presença humana nos fluxos de informação, mesmo em condições complementares e não planejadas, como no caso dos gatekeepers, que mesmo sem constar em fluxos pré-definidos de processos comunicacionais desenvolvem procedimentos operacionais de extrema importância, onde suas características e teias de relações pessoais enriquecem o trabalho da organizações sendo sua atuação ainda, não raras vezes, a principal fonte de informação externa para muitos funcionários, sendo assim indispensável que as organizações atentem para sua existência e para formas de integrá-los ao processo de modo a conseguir agregar, cada vez mais, o que o elemento humano pode oferecer ao todo de uma organização.

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Capítulo III – Processo Decisório

O uso estratégico da informação com fins de gerenciamento pode ser classificado como um tipo específico de gestão estratégica, visto que pretende com base na condução desse conjunto alicerçar a tomada de decisões. Ansoff e McDonnell (1993) destacam que a gestão estratégica se preocupa com as atividades relacionadas ao estabelecimento de metas e objetivos para a instituição e com a manutenção de um grupo de relações entre a instituição e seu contexto, permitindo que se alcance seus objetivos, sendo possível ainda o acompanhamento das exigências que se colocam. Seja qual for a perspectiva ou o teor da decisão, quando essa ocorre no universo de uma organização está diretamente subjugada a complexidade desse ente, Mintzberg (1995, p. 11) ressalta que “o mundo não é linear, em particular o mundo das organizações. É a resultante de fluxos complexos que se combinam uns com os outros – paralelos, circulares, recíprocos.”, é exatamente sobre o universo organizacional que irá se desenvolver a presente pesquisa.

III.1 Conceito de decisão Decisão refere-se a escolha entre possibilidades segundo critérios específicos estabelecidos previamente, sendo a natureza dessas possibilidades definidas segundo a atividade a que se relacionam, por exemplo, no caso de atividades de planejamento essas possibilidades irão girar em torno de objetivos, programas, políticas ou outros aspectos similares, caso se trate de uma atividade de caráter organizacional essas possibilidades irão fazer menção a procedimentos, estruturas e recursos (CASSARO 1999, apud MORAES 2005). Maldonado (2005) apud Junior (2009) destaca que o conceito de decisão tem sua origem no latim de-cidere (separar, cortar), indicando assim um processo que remete a redução das alternativas de ação, segundo o autor, esse é um dos mais problemáticos núcleos da racionalidade, uma vez que se estrutura sobre a relação

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entre a razão e a ação, revestida de interrogações sobre os princípios de atuação humana. Simon (1965) apud Chagas e Freitas (2001) destaca o dinamismo da decisão, dinamismo no sentida desta constituir uma ação de caráter imperativo, influindo diretamente na mudança de comportamentos futuros.
“(...) as decisões são algo mais que simples proposições factuais. Para ser mais preciso, elas são descrições de um futuro estado de coisas, podendo essa descrição ser verdadeira ou falsa, num sentido empírico. Por outro lado, elas possuem, também, uma qualidade imperativa pois selecionam um estado de coisas futuras em detrimento de outras e orientam o comportamento rumo à alternativa escolhida.” (SIMON, 1965, apud CHAGAS e FREITAS 2001, p. 3)

Jones (1973) apud Chagas e Freitas (2001) ressalta que a decisão é em certa medida uma trajetória de ação definida por aquele que decide, a opção é feita por julgá-la mais adequada a meta definida, ressalta ainda que a decisão se constitui um processo muito diferente do acontecimento que a deu origem, representa a conclusão de alguém sobre o que deve ser feito em seguida, na verdade é uma escolha fruto da análise de alternativas. Chagas e Freitas (2001) completam essa idéia ao registrar que “uma decisão baseia-se em conhecimentos ou crenças sobre as relações de causa e efeito das opções disponíveis, e visa a alternativa cujas conseqüências são preferíveis”. (CHAGAS e FREITAS 2001, p. 3) Junior (2009) ao tratar da temática ressalta alguns pontos importantes, sobretudo sua relação com a sociedade e os fatores que influenciam na sua resolução.

“As decisões não são feitas em um vácuo social. Muitos fatores sociais influenciam a tomada de decisão (Tetlock, 1985). Para Payne, Bettman & Johnson (1993), as três grandes classes de fatores que influenciar que estratégia é utilizada para resolver um particular problema de decisão: características do problema, características da pessoa e as características do contexto social.” (JUNIOR 2009, p. 82)

Guimarães e Évora (2004) acrescentam ainda que “a decisão nem sempre é resultado de um processo seqüencial, estruturado e dirigido para uma única solução.” (GUIMARÃES e ÉVORA 2004 p. 74). Conceito esse que vem de encontro com o pontuado por Kaufmann (1975) apud Murakami (2003), para o autor a decisão não se resume a um evento, ao contrário, é constituída por um processo que se

necessariamente. Técnicas heurísticas de resolver problemas aplicados 1. podendo se estender de semanas a anos dependendo da sua natureza. Hábito 2. de dados. Normas práticas.32 desdobra por períodos tempo indeterminados. táticas e de rotina. Rotina administrativa:  Procedimentos padronizados de 1. A organização desenvolve processos específicos para tratá-las. Simon (1960) apud Murakami (2003) distingue os problemas em dois grupos: a) decisões programadas e b) decisões não programadas. bem como pela política e pelos jogos de poder que carrega. por sua tipologia. Pesquisas operacionais: operação. b) táticas. Estrutura da organização:  Modelos de  Expectativas simulação com comuns. Processamento eletrônico objetivos.  Um sistema de sub. a) Treinamento de indivíduos 2. 3. São sempre decisões não programadas. Tratada por processos gerais de resolver problemas. Não Programadas:   Decisões políticas mal estruturadas. Julgamento. com impacto no longo prazo e com duração que pode variar desde 6 meses a vários anos. isto é. intuição e a: criatividade. envolvendo muitos membros e todos os níveis organizacionais. pontuando ainda que as técnicas de tomar decisão podem ser divididas em a) tradicionais e b) não tradicionais. . computador.81) ao conceituar as decisões as divide em estratégicas. Paralelo ao desenho estruturado por Simon (1960) apud Murakami (2003) Tipos de decisão Programadas:   Decisões repetitivas e de rotina. Técnicas de Tomar Decisão Tradicionais Modernas 1. TABELA III. Processo esse impregnado pelas características pessoais e institucionais envolvidas. heurísticos de computadores.  Análise matemática. Seleção e treinamento de b) Montagem de programas executivos. a saber: a) estratégicas. III. que envolvem o futuro da organização. p.1 – TIPOS DE DECISÃO (SIMON 1960.  Canais de informação bem definidos.2 Níveis de decisão Determinar níveis de decisão passa. apud MURAKAMI 2003) Mintzberg (1995. que tomam decisões. 3.2. decisões de grande impacto.

de curto prazo. quase automática. rotina variada Dias/semana Chefe de seção Baixa Rotina sujeita a imprevistos Dias/por períodos Estratégico Objetivo bem definido. subjetivos e interesses diversos. trata essencialmente de um conjunto complexo de ações permeada por elementos objetivos. O autor entende a racionalidade como um tipo próprio de conjunto de procedimentos familiares e particulares de fazer escolhas. O autor destaca nesse processo o uso da lógica da conseqüência. acionistas Gerente Complexidade Média Alta Muito Alta TABELA III. repetitivo Dias/um mês Chefe de seção Nenhuma Bem definido.3 Conceituação de processo decisório NÃO ESTRUTURADOS SEMI – ESTRUTURADOS O processo decisório. March (1994) apud Murakami (2003) ressalta que esse é um processo marcado por uma escolha racional. entendendo aqui racional como inteligente. resultado variável Meses/um ano Gerente Baixa Definido em níveis diferentes Meses/um ano Gerente/Diretoria Média Não rotineiras Caso a caso Operacional ESTRUTURADOS Características Duração – freqüência Decisor Complexidade Características Duração – freqüência Decisor Complexidade Características Duração – freqüência Decisor Bem definido.33 de coordenação ou administrativas. isto é. ou tomada de decisão como é tratado por alguns autores. b) semi-estruturados e c) não estruturados. fazendo a escolha estar atrelada as respostas de quatro questões básicas: . com impacto de médio prazo. as decisões tomadas de maneira bastante rotineira.2 – NÍVEIS DE DECISÃO – FONTE: SHIMIZU (2000) APUD MURAKAMI (2003) III. Shimizu (2001) apud Murakami (2003) classifica a tomada de decisão em três tipos de problemas: a) estruturados. planejamentos Anos Diretoria Alta Novos empreendimentos Anos TIPOS DE PROBLEMAS Chefe de seção – Gerente/Diretor Diretoria. Alternativas a serem escolhidas Um a cinco anos Diretoria Média Novos serviços. Níveis de Decisão Tático Processo definido. tendo por base as conseqüências das ações ou ainda preferência dos decisores. e duração de até três meses. nos processos que geralmente são programados. c) rotinas operacionais.

variando de decisão para decisão. essa ação é desempenhada por pessoas e toda subjetividade a elas adjacente. . em que as suas características e objetivos.34   Questão das alternativas: que ações são possíveis? Questão das expectativas: quais conseqüências futuras de cada alternativa?  Questão das preferências: para o decisor. elementos. Estruturar: relaciona-se ao fato de definir o que será decidido e que critérios são adotados de modo a preferir uma opção em detrimento de outra. de natureza objetiva e subjetiva. alguns momentos principais se repetem no processo decisório. formando um todo indivisível. tem de ser considerados.” Para Bana e Costa apud Thomaz (2002) citado por Murakami (2003) um processo de decisão se constitui como um complexo sistema onde elementos objetivos (próprios das ações) e subjetivos (próprio dos sistemas de valores dos envolvidos) coexistem e dialogam. como tratam os autores. qual o valor das conseqüências associadas a cada alternativa?  Questão da regra de decisão: como será feita a escolha entre as alternativas em termos de importância das suas conseqüências? Thomaz (2000) apud Murakami (2003) ao tratar do papel da subjetividade na tomada de decisão destaca a relação dessa ação aos juízos de valores “esses juízos de valores são feitos em relação a uma “nuvem” de elementos primários de avaliação.3. passar por cada um deles. Esses momentos principais. não podendo ser desconsiderados. ou ainda. onde por mais importante que seja a objetividade no processo decisório. são: 1. face à sua importância. Russo e Schoemaker (1993) apud Murakami (2003) destacam que todo bom tomador de decisões necessariamente tem que.1 Fases do processo decisório Ainda que revestida de aspectos diversos e constituída da soma de questões objetivas e subjetivas. III. conscientemente ou não.

é superior quando são usados métodos participativos.35 2. Reconhecimento da variável ‘poder do status’ como uma nova variável na investigação sobre organizações. A satisfação não é fortemente influenciada pelas decisões pariticpadas. ainda que os dados sejam excelentes. 9. sobre a estrutura de decisões futuras e procedimentos operacionais. Não é possível identificar um melhor método de tomada de decisões. 7. A distribuição de influência varia com o tipo de decisão e com a organização. O processo longitudinal de tomada de decisão pode ser dividido em fases distintas. 12. podendo ser muito útil na otimização de tempo e recursos. 1988 p. O processo de feedback. 6. 2. 5. A eficácia. A sub-utilização das capacidades de poder disponíveis é substancial e desempenha um importante papel nas organizações. 3. elemento final apontado pelos autores. Feedback: acompanhar o processo com objetivo de saber se aquilo que se esperava efetivamente aconteceu. com ele se aprende (ou não). que mostram padrões de comportamento diferentes. Os empregados exercem mais influência sobre as decisões simples do que sobre as decisões complexas. as decisões não devem se basear em critérios intuitivos. 10. por melhor que seja. segundo várias medidas. A influência dos níveis inferiores e conselhos de trabalhadores é limitada. ficando mais uma vez evidente a relação necessária e interdependente que existe entre o objetivo (registro de dados históricos e desenhos operacionais) e o subjetivo (predisposição para aprendizagem) nos processos decisórios. Confirmação plena da importância da hierarquia na vida das organizações e na tomada de decisão. Concluir: uma estruturação. 4. 11. 8. Heller (1988) apud Camões (1995) discorre sobre as variáveis que influenciam as diversas fases do processo de decisão “1. 4. Colher informações: consiste em buscar fatos reconhecíveis como as estimativas razoáveis a respeito dos não-reconhecíveis necessários para se tomar a decisão. como fator mais importante. não garantem uma decisão correta. Ao contrário dos estudos anteriores. Demonstração da utilidade e praticabilidade do continuum poderinfluência.” (HELLER at AL. define-se por sua natureza pedagógica. 3. A influência de pessoas e grupos exteriores a organização – metapoder – é mais freqüentes do que é geralmente defendido na literatura. evitando explicações marcadas pelo simplismo egoísta e construindo um aprendizado que poderá subsidiar ações em decisões semelhantes. 7 a 9) . um moderado nível de conflito está associado com um comportamento mais participativo. Ainda sobre os elementos que constituem o processo decisório.

do contexto em que a mesma se dá e dos atores envolvidos. são decisões não complexas com soluções dadas. Os processos decisórios acima descritos ilustram parte desse movimento. uma classificação interessante é a descrita por Mintzberg et al (1976) apud Bataglia e Yu (2008) ao tratar de processos de decisão não estruturados integrados ao modelo geral de processos decisórios:  Processos de decisão de impasse simples.  Processo de decisão de configuração dinâmica. são de curta duração. também existem classificações diversas dos processos a elas inerentes.36 III.  Processo de decisão de design básico.3. é o processo de decisão mais complexo.  Processo de procura modificada. são os projetos públicos e encontram fortes resistências de grupos de cidadãos que protestam pelas desvantagens desses projetos. lembrando sempre que estes sempre vão variar em função da natureza da decisão. . processo mais complexo.2 Tipos de processos decisórios Assim como existem níveis diferentes de decisão. as soluções dadas são modificadas para soluções prontas para usar. constituem uma decisão geralmente particular (compra de equipamento por exemplo). as oportunidades são oes estímulos principais e as soluções complexas e inovadoras. considerados os diversos aspectos objetivos e subjetivos. as interrupções e atividades políticas são escassas. assemelha-se ao processo racional na medida que existem poucas interrupções. marcado por interrupções extensas inerentes à atividade política. podendo demorar anos devido as múltiplas interrupções que tornam o fluxo muito complexo.  Processo de decisão político. estimuladas por problemas e o reconhecimento e diagnóstico passam por múltiplas interrupções.  Processo de decisão de configuração bloqueada.  Processo de decisão de procura básica. bem como o diálogo entre essas esferas de percepção e leitura.

p. em certa medida. Sobre as segundas Hammond et al (1998) apud Murakami (2003) chama atenção para suas causas.  Armadilha da evidência confirmada.” (SHIMIZU 2001. quebrar essa idéia significa mudança.  Armadilha do custo investido. Hammond et al (1998) apud Murakami (2003) defendem a premissa de que a forma mais eficaz de defesa contra essa problemática consciência. muito ligada ao passado e tendenciosidades. sua invisibilidade. trata-se de uma escolha de informações tendenciosas que sustentem a escolha evitando contrariedades. Para o autor em razão da complexidade em estruturar e formular um problema e o alto índice de subjetividade nos julgamentos as más decisões ocorrem com freqüência. ligada a manutenção de condições.  Armadilha do “status-quo”. e também na escolha da alternativa correta. segundo seu resultado. podendo ter resultados que comprometem todo processo. considerar de sobremaneira as informações preliminares recebidas em detrimento do todo. 44).3 As armadilhas do processo decisório Na dinâmica do processo decisório existem. ela é relacionada a preconceitos e paradigmas particulares e ao sentimento de auto-preservação. . ou seja. é ligada a idéia das “primeiras impressões”. Tomadores de decisão que tentam conhecer esse tipo de fenômeno estarão mais preparados para a tomada de decisões mais sãs para a organização e todos que a integram. está relacionada a escolhas passadas. apud MURAKAMI 2003. O perigo dessas armadilhas reside exatamente na forma que são qualificadas. Os autores enumeram as principais armadilhas identificadas:  Armadilha da âncora. Shimizu (2001) apud Murakami (2003) registra que “as armadilhas ocultas que acompanham o processo de decisão podem causar erros na formulação e estruturação do problema. além de ações e decisões futuras. ainda que está não mais pareçam válidas.37 III. leva o decisor a dar mais peso a informações que ratifiquem sua decisão do que as que contrariam. pelos menos dois tipos de decisões. tomada de ação e abertura a auto-crítica. o que o autor denomina como “armadilhas ocultas”. é realizar escolhas justificando. as boas e as más. escolhas passadas.3.

 Armadilha da estimativa e da previsão. contudo. Ansoff (1977) apud Rocha (1999) ao tratar da temática parte do foco contrário a decisão. fenônemo esse que abarca processos e procedimentos diversos e onde está circunscrita ação decisória. Essa listagem não se esgota nas armadilhas descritas. essa é uma tendência que pode levar a comprometer os julgamentos levando a decisões ruins na medida que impede uma leitura efetiva do todo. é natural do ser humano estimar tempo. distância. volume. dependendo de como está é formulada irá incidir diretamente nas escolhas a serem feitas.4 Decisão estratégica Antes de debruçarmos sobre o conceito de decisão estratégica em si. custos. III. isso porque esse tipo de julgamento integra o cotidiano de cada um. ou seja. cabe destacar apontamentos sobre a idéia de estratégia. para ele valorizar mais a preocupação com as oportunidades e ameaças poderia levar a melhorias significativas e imediatas do nível de desempenho. peso. contudo. no julgamento de eventos incertos esse fator pode influenciar negativamente em razão da auto-confiança típica desse tipo de estimativa pessoal. sugere ainda que existe por parte das organização uma aplicação incorreta de esforços com vistas a maior eficiência operacional. O autor defende que problemas estratégicos exigem mais dos gestores por serem de mais difícil identificação. o primeiro passo para a tomada de decisão é a formulação da pergunta. .  Armadilha do excesso de confiança. do problema. Completa ainda a discussão resumindo suas idéias sobre o conceito de estratégia da seguinte forma.38  Armadilha de tabelas comparativas. urgindo que sempre se atente para esse aspecto e as questões a ele adjacentes. seu estudo se justifica no fato de sua origem estar atrelada essencialmente as fragilidades do processo de julgamento e sua estreita relação com as subjetividades do tomador de decisões. outros autores ao tratar da mesma temática sugerem uma tipologia diversa.

Sistema voltado para ação. uma forma de ver e incorporar nas atitudes e no comportamento dos administradores ação estratégica explícita.” (BATAGLIA e YU 2008 p. por exemplo. Além disso. fases essas que se desdobram em rotinas e processos operacionais com vistas a tomada de decisão estratégica. apresenta altos riscos. e é considerada representativa das decisões da organização. para ele não existe um conjunto explícito e predeterminado de respostas ordenadas na organização. é novo. administrativos e operacionais (porém é nos problemas estratégicos que predominam condições de desconhecimento parcial). a oportunidade. áreas de pesquisa e desenvolvimento. d) todos os tipos básicos de decisões podem ser aplicáveis a níveis organizacionais inferiores ao da empresa como um todo. “A decisão é estratégica quando considerada importante pelos gestores da alta administração em termos das ações tomadas. a primeira o reconhecimento da decisão. Operacionalmente.39 “a) estratégia significa “regras de decisão em condições de desconhecimento parcial”. capacidade gerenciais. Identificação: essa fase é formada por duas rotinas. 1977.) Sistema de administrar com ênfase no equilíbrio entre: turbulência. onde são considerados o estimulo. 85) Mintzberg et al (1976) apud Bataglia e Yu (2008) identifica três fases principais que podem ser reconhecidas no processo de decisão estratégica: identificação. pontuando que o objetivo maior desse tipo desse tipo de ação é desenvolver valores corporativos. possuem um relacionamento interno com o ambiente externo. que exigirão estratégias apropriadas. ou seja. seu caráter enquanto ação “(.. não ocorreu anteriormente.” (GAJ 1986. envolve diversas funções organizacionais.” (ANSOFF. a todos os níveis hierárquicos. responsabilidades organizacionais. incerto. 6) Hax & Majluf (1984) apud Rocha (1999) tratam essa temática sob a ótica corporativa. finanças. apud ROCHA 1999. c) decisões estratégicas ocorrem em todas as categorias de problemas: estratégicos. dos recursos comprometidos ou dos precedentes estabelecidos. b) decisões estratégicas são aquelas que dizem respeito “ao que se relaciona ao ajustamento entre a empresa e o seu ecossistema”. seu processo decisório é não-estruturado. capacitação e estratégica. e frequentemente enfrentarão condições de ignorância parcial. a decisão é estratégica quando: envolve posicionamento estratégico.. (. 101) Gaj (1986) apud Rocha (1999) analisa a temática enfocando seu caráter dinâmico. .. Assim..) é um enfoque dinâmico. desenvolvimento e seleção. marketing. 1. p. a crise e problema preparando para a necessidade de decisão. p.

O primeiro é o escrutínio. é nele que são fixadas as atividades que levam ao desenvolvimento de uma ou mais soluções. 3. Decisão: é o momento da seleção que. Decisão Estratégica Fases Reconhecimento Crise. onde as alternativas de solução existentes são reduzidas a um número razoável. aqui é investigada a praticabilidade das opções e selecionada a ação. tratando de aceitar ou não a decisão proposta.40 Já a segunda rotina. cabe ao mais alto nível da hierarquia e traduzido como um processo binário. oportunidade. ou ainda modificar soluções já feitas). determinar a relação causa-efeito e avaliar a situação Desenvolvimento Encontrar soluções já feitas Diagnóstico Procura Desenvolver soluções ou modificar as feitas Rejeitar? Decisão Aceitar? Autorização Avaliaçãoescolha Escrutínio Decisão FIGURA III. estímulos e problema Identificação Compreender os estímulos. 2. possui múltiplos estágios. determinar a relação causa-efeito e avaliar a situação de decisão. Desenvolvimento: é o momento central do processo decisório. é o momento em que o decisor tenta compreender o estimulo. o terceiro é da autorização. o segundo é da avaliação-escolha. classificada como diagnóstico.1 – FASES DA DECISÃO ESTRATÉGICA – ADAPTADO DE MINTZBERG ET AL 1976 Concepção . segundo os autores. neste momento surgem as rotinas de procura (busca por soluções já feitas) e a de concepção (desenvolver soluções feitas sob medida.

41 Quinn apud Rocha (1999) reforça as idéias de planejamento.. p. pontuando que: “(. atores.. segundo a dinâmica da organização e sempre possibilitando momentos de aprendizagem. coesão e sua relação direta com as decisões de caráter estratégico. avaliação e destacando. com identificação de suas etapas. processo. impredizíveis e das não conhecíveis.. . sobretudo.” (ROCHA 1999. podendo ocorrer em níveis diferenciados. que podem ocorrer em seu mais importante ambiente próximo. apesar de marcada pela imprevisibilidade é um processo passível de definição e desenho.. metas e sequências de ações de uma organização em um todo coeso (. 7) A decisão estratégica. diálogos.) decisões estratégias são aquelas que determinam a direção geral de uma empresa e sua viabilidade à luz das mudanças predizíveis. relações e inter-relações. a necessidade de planejamento e estruturação com vistas a atender a necessidade de ação integrada da organização. conforme a discussão acima.) uma estratégia é o modelo ou o plano que integra as principais políticas.

parte integrante da estrutura de governo do Estado do Rio de Janeiro está.480/2004: “Art. e dá outras providencias. a questão da informação e seu gerenciamento estão condicionadas aos princípios gerais aplicados a estrutura estatal de uma forma geral. como define o artigo 2º da Lei 4. desde bases gerais. definindo a regulamentação das políticas até ações operacionais definidas por meio da proposta de normatização e padronização a serem adotadas. A informação no universo público-institucional do Estado do Rio de Janeiro está hoje regulamentada pela Lei nº 4480/2004 de 28/12/2004 que altera o nome e atualiza as atribuições do centro de processamento de dados do Estado do Rio de Janeiro .) I . em linhas gerais. A SEEDUC/RJ.1 Cenário Institucional.propor ao Governo do Estado as diretrizes e orientações técnicas para o estabelecimento da Política de Tecnologia de Informação e Comunicação — TIC. estando a gerência de seus atos organizada segundo os preceitos burocrático-administrativos que norteiam toda administração pública.” (Lei nº 4480/2004) Ainda sobre esse apontamento pode ser observado que a proposição versa. o tratamento que deverá ser dado à informação.PRODERJ caberá o desempenho das seguintes atribuições: (.PRODERJ. deixando ainda aberta a possibilidade de iniciativas individuais de cada . Ato esse que define. Uma característica essencial dessa linha de gerenciamento é a centralização e padronização das ações. entre outros assuntos. submetida à regulamentação administrativo-burocrática adotada pelo ente público a qual pertence.. assim como normas e padrões a serem adotados nessa área..Ao Centro de Tecnologia de Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro . Nesse sentido. em razão de sua natureza institucional.42 CAPÍTULO IV – A Secretaria de Estado de Educação e a Gerência da Informação IV. 2º .

manter e operar bases de dados corporativas operacionais e de suporte à decisão. 2º (. desenvolver.. ao definir que é prerrogativa da instituição “Art.grifo próprio) O conceito da informação como base estratégica com vistas à tomada de decisão aparece como subsídio para definição das políticas públicas “Art. o uso dos dados como base para tomada de decisões. A mesma regulamentação trata.43 órgão em organizar sua gerência de dados... onde através de um conjunto de atos..grifo próprio).” (Lei nº 4480/2004 . outras esferas de decisão. de sistemas sediados no Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro.atuar como agente central na oferta de todos os serviços e da infra-estrutura centralizados de Tecnologia de Informação e Comunicação corporativa necessários no paradigma atual. operar e manter a referida estrutura e todos os serviços. 2º (. “Art. 2º (.. bancos de dados corporativos operacionais. cabendo ainda destacar o reforço dado a idéia inicialmente destacada da centralização das informações. sediar.) II . e apontando para caminhos burocráticos. como completa o inciso II do mesmo artigo: “II . data warehouses e sistemas de interesse da administração do Estado. de forma a . Ainda sobre a ação direta na gerência desse recurso cabe salientar o compromisso com a eficiência da gestão pública. que inclua um ponto de convergência para as redes WAN dos diversos órgãos. sem oposição às iniciativas individualizadas de cada órgão da administração estadual.) IV fornecer informações estratégicas para subsidiar a Chefia do Poder Executivo no planejamento e execução de políticas públicas.) IX . teste e homologação de novas tecnologias de informação e comunicação. análise. bem como pessoal capacitado a projetar. limitando seu acesso a ação executiva.projetar. desenvolver.. existe a preocupação com a modernização e adoção de tecnologias da informação como solução de questões pertinentes. desde que de acordo com o inciso 1 deste artigo. ainda que de forma incipiente. e de outros geridos pelos órgãos da administração direta e indireta cuja integração seja necessária para uso corporativo do Governo do Estado.executar as atividades de pesquisa.” (grifo próprio). a princípio. avaliação.” (Lei nº 4480/2004 . com destaque para a pesquisa. desconsiderando.

coordenar as iniciativas. registrados.. se materializa através de documentos recebidos pela Administração Pública. (. principalmente no que se refere aos aspectos de Tecnologia de Informação e Comunicação. através da instalação de microcomputadores ou terminais de auto-atendimento para o acesso gratuito da população. os serviços eletrônicos acessados via lnternet ou os serviços disponíveis em centrais de atendimento telefônico. tornandoa mais eficiente. (.) XV . seja ela física ou eletrônica.”.. ainda que não especifique a qualidade dos dados disponibilizados. claramente. Um ponto interessante nesse contexto é a preocupação com o acesso da população a tecnologia da informação. “Art. nesse caso em particular. responde aos parâmetros definidos no corpo do Decreto nº 31. sob uma gestão focada na ótica de integração. Instrumental no sentido de corporificar o compromisso da administração pública com o acesso e/ou garantia de um direito. coordenando a implementação e a disponibilização de novos serviços eletrônicos à população. transferência. classificados e ordenados no momento de seu recebimento.896/2002) A tramitação dessa informação... contudo os encaminhamentos burocráticos próprios dessa ação não interessam ao presente estudo. com o objetivo de implementar os serviços presenciais. “Art.envidar esforços no sentido da democratização do acesso aos serviços públicos disponibilizados na lnternet ou outros meios. junto aos demais órgãos da administração estadual. numa visão integrada e sistêmica.. modificação ou extinção de direitos. A informação.44 propor soluções inovadoras para modernizar a gestão pública estadual.) XVII . bem como da respectiva juntada. de eficiência e de racionalização de custos. tendo por fim imediato a aquisição. 2º (.” (Lei nº 4480/2004) Outro aspecto essencial relacionado à informação no âmbito do Poder Público é seu caráter instrumental. define. no âmbito do Governo do Estado. elegendo a idéia de prestação de serviços eletrônicos integrados com o objetivo de democratização do acesso e racionalização de recursos.) XIV .gerenciar o programa de Governo Eletrônico do Estado do Rio de Janeiro. seu caráter prático-operacional. serão autuados. .” (DECRETO Nº 31. 21 – Os documentos recebidos no âmbito da Administração Pública. voltadas para o atendimento ao cidadão. via lnternet e outros meios. resguardo. anexação ou apensação. os serviços disponibilizados nos terminais de auto-atendimento.896/2002..

na ementa de seu marco regulatório. 2010) Outro ponto a ser destacado no universo da questão é o caráter operacional definido para o trato da temática. 2010) O viés ligado aos procedimentos operacionais fica caracterizado quando o marco regulatório em seu texto esclarece que o objeto de trabalho terá como veículo a “melhoria da infraestrutura das unidades escolares”.Regulamentar.2 A SEEDUC e a informação A Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio de Janeiro.455 de 05 de maio de 2010 – Dispõe sobre a política de modernização e a regulamentação do Sistema de Gestão Acadêmica da Rede Pública Estadual de ensino intitulado Conexão Educação e dá outras providências.455 de 05 de maio de 2010. todo processo como política de modernização. O tratamento da informação como instrumento a ser operado nos processos de gestão é ainda identificado ao elencar como objetivos gerais a relação direta entre a melhoria na gestão escolar e o desempenho dos seus respectivos . mas que também garantam de forma objetiva a criação de estruturas físicas para esse gerenciamento a nível regional.” (SEEDUC. construiu uma proposta própria de gerenciamento da informação baseado em um modelo de gestão acadêmica ampliada. O modelo adotado tem seus parâmetros definidos nos termos da Resolução SEEDUC nº 4.” (SEEDUC. observando ainda os aspectos relacionados às condições de trabalho das equipes ali lotadas. 1º. no âmbito da política de modernização desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação de melhoria da infraestrutura das unidades escolares e das condições de trabalho dos professores e gestores da Rede Estadual de Ensino. “Art. uma vez que define. no uso da relativa autonomia que goza enquanto ente público institucional. o novo Sistema de Gestão Acadêmica da Rede Escolar intitulado Conexão Educação. O ponto inicial a ser destacado nessa iniciativa é o entendimento que a SEDDUC faz do conceito de informação e sua gerência. denotando assim a preocupação em construir propostas que não só subsidiem a gestão da informação por si só.45 IV. caracterizando o mesmo expressamente como política a ser implementada. “Resolução SEEDUC nº 4.

.) IV . caracterizando assim um fluxo objetivo de trabalho..O Conexão Educação tem como objetivos gerais: I melhorar a gestão da unidade escolar permitindo à escola levantamento e mapeamento de informações sobre desempenho escolar de seus alunos. o conceito de políticas públicas sob o prisma procedimental que as mesmas possuem. implementação. 3º . a adoção de uma proposta de trabalho marcada pela informação obtida e gerenciada a partir do contexto imediato dos processos escolares em seus diversos aspectos. tanto no âmbito escolar quanto da própria SEEDUC. indo do operacional ao estratégico. as políticas sociais tratariam dos planos.” (TEIXEIRA. possuindo um espectro amplo de ações e relações. II . Assim.46 alunos. bem como da decorrente racionalização de gastos públicos. IV. está ligado ao conceito de cidadania.racionalizar os gastos públicos no âmbito da escola e no nível central. pp 400-417).3 A gerência da informação como política pública A compreensão do ideal de políticas públicas. focado no cotidiano da escola com o objetivo de subsidiar os diversos níveis gerenciais da SEEDUC em todos seus respectivos processos de decisão. ou ainda políticas sociais. qualificando as mesmas como um conjunto de esforços que tem por objetivo a resolução pacífica de conflitos mediante alocação de bens e recursos públicos. conforme destaca Teixeira (1985) apud Fernandes (2007) “(. exercício e gozo dos direitos sociais reconhecidos em uma dada sociedade como incluídos na condição de cidadania.)o campo das políticas sociais pode ser melhor definido sob a égide do conceito de cidadania. sendo decorrentes de direitos previstos em lei e demandas sociais.melhorar a gestão da rede estadual de ensino. gerando uma pauta de direitos e deveres entre aqueles aos quais se atribui a condição de cidadãos e seu Estado. ... programas e medidas necessários ao reconhecimento. 1985. diante do quadro desenhado. (.” (RESOLUÇÃO SEEDUC nº 4455/2010) Verifica-se. Para Pereira (2008). “Art.

2007. educação.47 “A política compreende um elenco de ações e procedimentos que visam à resolução pacífica de conflitos em torno da alocação de bens e recursos públicos.) a compreensão do significado das políticas públicas corresponde a um duplo esforço: de um lado entender a dimensão técnicoadministrativa que a compõe buscando verificar a eficiência e o resultado prático para a sociedade das políticas públicas. depende dos esforços de acompanhamento e avaliações sistemáticas. ciência e tecnologia e inovação -. devem seguir um roteiro claro de prioridades. 48) . o processo de aprimoramento das políticas públicas. normas e diretrizes delineadas nas normas constitucionais. são ações e medidas adotadas pelo Estado para atender as demandas da sociedade. “As políticas públicas. saúde.” (FERNANDES 2007. no seu processo de estruturação. 47e 48) Silvério (2009) acrescenta à discussão a natureza governamental “política pública é ação de governo”. ideário esse complementado por Souza (2006) para quem o entendimento a cerca da questão deve registrar que as políticas públicas na sua essência estão ligadas fortemente ao Estado este que determina como os recursos são usados para o beneficio de seus cidadãos. sócioambiental. p. quando ao citar Bolívar Lamounier destaca que. trabalho.com destaque para as áreas de economia.” (PEREIRA. Por sua vez. Esses esforços buscam suprir as necessidades da sociedade em termos de distribuição de renda. 1) Pereira (2007) ao tratar desse contexto unifica a questão do acesso aos direitos. dos bens e serviços sociais no âmbito federal. A desatenção nessas áreas sujeita essas políticas públicas à fragilidade e a descontinuidade. p.” (PEREIRA 2008 p. estadual e municipal. em especial no campo da educação. As políticas públicas . 2008) O autor destaca ainda a necessidade de organização objetiva dos Poder Público no sentido de garantir sua implementação efetiva em prol da sociedade. e de outro lado reconhecer que toda política pública é uma forma de intervenção nas relações sociais em que o processo decisório condiciona e é condicionado por interesses e expectativas sociais. segurança. “(. Já Fernandes (2007) trata o conceito de políticas públicas sob o prisma do resultado em seu contexto social.” (PEREIRA. Essas políticas podem ser traduzidas como uma manifestação efetiva dos governantes de atuar numa determinada área no longo prazo. objetivos. as demandas e anseios da população a efetiva ação governamental.) as políticas públicas têm sido definidas e implantadas como uma resposta do Estado para atender as demandas que surgem a partir dos anseios da população.. princípios. “(....

observa preceitos constitucionais ligados a oferta e qualidade de ensino quando reconhece expressamente que. próprio de uma sociedade democrática. A política de governo eletrônico reside na necessidade de atendimento as crescentes demandas sociais. IV. direcionar ações e investimentos de acordo com a necessidade real de cada escola. conforme regulamentação específica.) para alcançar a sua missão de oferecer um ensino de qualidade a todos os seus alunos...) a necessidade de aproximar a sociedade e os responsáveis pelos educandos das escolas estaduais. em certa medida. como pela assunção do conceito de direitos sociais.4 Gerência da informação como política pública de governo eletrônico e processos decisórios. Demandas essas cada vez maiores.” (RESOLUÇÃO SEEDUC nº 4455/2010) Ao reconhecimento da qualidade de ensino como meta. Neste sentido a proposta de gerenciamento da informação no universo da SEEDUC pode ser qualificada como política pública na medida em que seu desenho possibilita não só a garantia de acesso a um direito constitucional. . “(. usando a tecnologia para manter os responsáveis informados sobre o progresso de cada aluno” (RESOLUÇÃO SEEDUC nº 4455/2010) Fernandes (2007) destaca que para a construção de políticas públicas eficazes e de qualidade é preciso entender que as mesmas estão necessariamente relacionadas ao processo de produção por parte do Estado de bens e serviços que geram bem-estar à população de um país. soma-se no mesmo documento o expresso compromisso com a sociedade e suas respectivas demandas por meio da interação entre escola e responsáveis através da tecnologia. mas também o diálogo e. a Secretaria de Estado de Educação precisa de informações confiáveis e em tempo real sobre todos os integrantes da rede de ensino e o dia a dia de cada turma em cada escola que possibilitem realizar diagnósticos.. tanto como resultado do crescimento populacional. “(. a oitiva de seus administrados. atuar preventivamente. estabelecer metas.48 Sobre o gerenciamento de informações no universo da SEEDUC do Estado do Rio de Janeiro. cabe destacar que esse.. permitindo que a vida escolar de cada aluno seja acompanhada via web. acompanhar o progresso.

” (MOREIRA et al. A mudança para esse novo paradigma vem causando impacto tanto na sociedade civil quanto na estrutura e no modo de governar dos diversos governos. eficaz e transparente.49 Moreira et al (2010) ao tratar do conceito registra que a política pública de governo eletrônico é.. entre os governos e os cidadãos.O Módulo Escola consiste em um sistema informatizado direcionado aos professores e à direção da escola. “Art.” (RESOLUÇÃO SEEDUC nº 4455/2010) Prado e Loureiro (2004) apud Moreira et al (2010) ao tratarem da implementação de políticas de governo eletrônico situam a mesma no universo da Era da Informação tendo em vista a rapidez.O Conexão Educação é composto por dois módulos. tornando-o mais moderno. 2º . §1º. e entre governo e fornecedores. 2010) O princípio de integração entre os governos e cidadãos elucidado pelo autor encontra eco na proposta de gerência de informação adotada pela SEEDUC na medida em que está cria instrumentos de comunicação direta entre essas esferas. “Mais que um canal de aproximação.permite a comunicação via mensagem de texto via celular com os educandos e seus responsáveis. que: (.. “O Governo Eletrônico surgiu da necessidade de se manter uma maior interação entre governos.) IV . funcionando de forma a democratizar o serviço público. facilitando a vida das pessoas e colaborando com o desenvolvimento social. Para isso utiliza-se da tecnologia da informação para o desenvolvimento destas relações. Prado e Loureiro (2004) apud Moreira et al (2010) ampliam a discussão e análise da questão ao desenharem o quadro de surgimentos dessas políticas e suas respectivas caracterizações. o Escola e o Gestão.” (MOREIRA et al. as ações desenvolvidas pelos governos através do meio eletrônico são caracterizados como políticas sociais de interesse público. eficiente. 2010) O autor continua a discussão destacando as razões de seu surgimento e o uso da tecnologia da informação como ferramenta para seu implemento. . facilidade de acesso e o grande fluxo de informações presentes nesse tipo de sistema.

Privilegiar a realização de transações eletrônicas entre governo e indivíduos.) destacam que o governo eletrônico surgiu em meio a um contexto amplo. interação e prestação de serviços.) o governo eletrônico não se resume ao uso da tecnologia da informação para a oferta de serviços aos cidadãos. Promover a prestação de serviços e informação de forma preponderantemente contínua e remota.” (VAZ apud MOREIRA. Substituir a centralidade da departamentalização e das atividadesmeio. caracterizado de um lado pelos movimentos de reforma do Estado e emergência de temas como accountability e transparência. Abarcar a utilização da internet pelos governos. 2010) . assim como do desenvolvimento da microinformática e da própria internet.. empresas e outras entidades governamentais. pela preocupação com oferecimento de serviços desenhados a partir das necessidades dos cidadãos-usuários e pela formação de redes colaborativas.“ (LOUREIRO apud MOREIRA. mas uma interação de práticas de trabalho determinadas pela utilização intensiva de recursos integrados de tecnologia da informação.. Utilizar a Internet como principal canal de comunicação... mas não restringir-se a ela.” (VAZ apud MOREIRA. 2010) Vaz (2003) elenca ainda os principais pontos dessa política. empresas. organizações e outras instâncias governamentais. e Integrar processos governamentais entre si e processos de outros atores. 2010) Vaz (2003) apud Moreira et al (2010) ao caracterizar o governo eletrônico enfatiza que “(. e. fornecedores. de outro.50 “(. a saber: “A desintermediação (ou a intermediação eletrônica) nas relações entre governos e indivíduos. pelo surgimento de novas tecnologias na área da informática que permitiram a criação de sistemas de informações mais abrangentes.

51 Conexão Educação Governo Internet – Telefonia móvel (SMS) Desintermediação o e Transações Eletrônicas Docentes.455/2010 . blogs e sites de relacionamento Profissionais das escolas Professores Formação de Redes Colaborativas Descentralização Unidades Escolares Módulo Escola Módulo Gestão Necessidades dos cidadãos-usuários Fluxo contínuo e remoto de informações Bibliotecas Pessoas Rede Ensino Escolar Gestão Processos Decisórios Estratégico Tático INTEGRAR PROCESSOS GOVERNAMENTAIS ENTRE SI E PROCESSOS DE OUTROS ATORES.1 – POLÍTICA PÚBLICA DE GERENCIAMENTO ELETRÔNICO E PROCESSOS DECISÓRIOS – ADAPTADO DE VAZ (2003) E RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4. Operacional FIGURA IV. Alunos e Responsáveis Comunicação Interação Prestação de Serviços Alunos Redes.

para tanto deve estar revestida de uma série de características determinadas de modo a possuir valor estratégico nos processos decisórios.2 – O USO DA INFORMAÇÃO PELA SEEDUC (Adaptado da Resolução SEEDUC nº 4455/2010) .52 IV. seu valor estratégico e as formas de implementação adotadas pela SEEDUC para sua consecução. Características da Informação Stair (1998) Econômica Precisa Completa Flexível Em tempo Verificável Simples Relevante Confiável Valor Estratégico Lesca e Almeida (1994) Proporcionar maior interação e participação em uma rede Apoiar a Decisão Ser fator de produção Determinante de comportamento Ser fator de sinergia Operacionalização Resolução SEEDUC nº 4. Para efetivo reconhecimento da informação enquanto base de trabalho se faz necessário oportunizar desenhos operacionais determinados. como já foi discutido anteriormente tem seu valor quando transformada em conhecimento. merenda e rendimento Gratuidade do transporte público .5 Utilidade da informação A informação. Nesse sentido o mapa conceitual abaixo trata da relação direta entre as características da informação.RIOCARD Professores Diretores SEEDUC FIGURA IV.455/2010 Acompanhamento online do desempenho escolar Cartão do Estudante Controle de freqüência. base de trabalho de todo sistema de TI.

” . p. são identificados os atores envolvidos e a respectivas formas de inter-relação com o todo. processos e ferramentas gerenciais e tecnológicos à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração. 2006) Sobre a perspectiva do sucesso dos processos de gestão da informação com foco no indivíduo. tanto locais quanto dos órgãos centrais. também citados por Carvalho et al (2006) destacam que “o processo de gerenciamento do conhecimento consiste em um ciclo de geração. 3-7). disseminação. identificação. Carvalho et al (2006) recorre a Rodriguez (2002. devido ao foco do conhecimento estar nos indivíduos e não em sistemas de processos de trabalho ou em ferramentas dentro de organizações. 151) para conduzir a discussão. pode ser identificada no corpo da proposta da SEEDUC no momento em que. codificação e coordenação e disseminação do conhecimento. 2005. compartilhamento..” (TERRA. Davenport e Prusak (1998. expressamente. “(. p. para o autor o sucesso da prática da gestão do conhecimento na organização possui relação direta com as pessoas envolvidas e os diálogos que estas firmam com os processos apoiados na tecnologia da informação como ferramenta de organizar e disseminar o conhecimento no sistema.” (WIIG. tanto internos quanto externos. seja através de informações encaminhadas aos responsáveis por meio de telefonia móvel. sites de relacionamento. 2000 apud CARVALHO et al. dos diversos espaços de discussão – blogs. etc – disponibilizados a docentes e alunos.53 IV. proteção e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados (econômicos) para a empresa e benefícios para os colaboradores internos e externos (stakeholders). 8) A idéia de benefício direto para os colaboradores. Terra (2006) esclarece que “Gestão do Conhecimento significa organizar as principais políticas. p..) a prática de gestão do conhecimento deve levar em consideração os benefícios que os indivíduos envolvidos receberão. ou ainda do conjunto de informações disponibilizados para consulta e interação dos gestores.6 Pessoas na gestão da informação na SEEDUC. validação. Carvalho et al (2006) ao tratar do papel dos indivíduos na prática da gestão do conhecimento recorre a Wiig (2000).

54 O formato de gerência desenhado pela SEEDUC observa estes aspectos em sua operacionalização. não se trata de um processo pré-definido previsto no corpo do sistema. Tem como característica principal a informalidade. tanto de expressão quanto das formas de comunicação é marca característica. . com destaque para os resultados finais dos processos bimestrais de avaliação escolar.  Conexão professor: página destinada a prática docente. divulgação de experiências. Dentro do contexto do Sistema de TI desenvolvido existem espaços online próprios para os diversos atores que integram o todo. ao contrário. fóruns temáticos.  Docente online: página de acesso restrito aos docentes mediante validação. Assim como na página dedicada a docentes. o objetivo é o registro das informações acadêmicas. o objetivo desse espaço é o lançamento de informações operacionais. conta com acesso livre.  Conexão aluno: página com as mesmas características da anterior. permitindo ao sistema constante avaliação e integração. constituindo um espaço rico de avaliação para o próprio sistema.  Conexão Gestão: página de acesso restrito a diretores das unidades escolares públicas estaduais e técnicos cadastrados como usuários da Secretaria de Estado de Educação. acrescentando ainda um espaço destinado a estimular os alunos a construírem suas próprias páginas. mediante um processo de cadastro e validação tem acesso direto aos rendimentos escolares praticados em cada bimestres. sua marca maior é a liberdade. registro de saberes. a saber:  Boletim online: página da web onde responsáveis e alunos. dada sua natureza democrática. com orientações e dicas. bem como canal institucional de informação. possui espaços de formação. a liberdade.

123) apud Carvalho et al (2006) só existe a disseminação do conhecimento quando existe por parte do receptor absorção. pode-se conseguir obter o maior número de informações e perspectivas de análise distintas. com destaque ainda para os perfis assumidos em cada momento e os respectivos objetivos definidos. fragmentados e armazenados na cabeça dos indivíduos e sofrem interferência de seus modelos mentais. p. informações e conhecimentos. Raub e Romhardt (2002) apud Carvalho et al (2006) ressaltam que a disseminação do conhecimento no todo da organização é condição básica para que informações ou experiências isoladas em algo sejam transformadas em algo que toda a organização possa utilizar. o processo de comunicação e o trabalho em equipe desempenham papéis relevantes para resolver algumas das dificuldades essenciais no processo de tomada de decisão. Probst. 2003 p. Pelo trabalho em equipe. RAUB e ROMHARDT. .) a primeira condição para sua disseminação é a sua própria existência. com as políticas de pessoas. a qual a autora entende como pensamento comum. uma vez que a mesma circula e é produzida nas mais diversas esferas. 2006) Desta maneira verifica-se no desenho da proposta alinhada pela SEEDUC as condições necessárias ao trânsito qualitativo da informação. 2002. pode-se buscar o consenso que permitirá prever a adequação dos planos individuais de ação em função do convencimento. é importante ter disponíveis dados.” (ANGELONI.55 Para Davenport e Prusak (1998. sendo validada a proposta mais convincente no confronto argumentativo dos demais. Pelo processo de comunicação. registram ainda que “(. apud CARVALHO et al. e não da imposição ou manipulação. Nesse momento.. a amplitude da disseminação deve estar em acordo com a estratégia organizacional.” (PROBST. IV. com o modelo de estrutura da empresa e com a tecnologia existente. a autora recorre a Gutierrez (1999). Esses autores buscam demonstrar que não é necessária a disseminação de todo conhecimento para toda organização. mas esses normalmente estão dispersos.7 O fluxo de informações na SEEDUC Angeloni (2003) ao tratar do processo de decisão destaca o processo de comunicação sob o prisma do trabalho de equipe. registrando que “No processo de tomada de decisão.. 19) Angeloni (2003) reforça a importância dos fluxos coletivos de informação e do trabalho em equipe ao destacar os processos de tomada de decisão e sua correlação com a qualidade.

das informações e dos conhecimentos como na integração dos tomadores de decisão. pela agregação de informações e conhecimentos. normalmente. a comunicação deve ser estimulada visando ao estabelecimento de um pensamento comum (Angeloni. homens. O estabelecimento de um pensamento comum consiste em considerar o ponto de vista de cada um. jovens. De qualquer parte do mundo. cabe entender como o mesmo se processa. amenizando. demandarem mais tempo. “A tomada de decisão que envolve um maior número de pessoas tende a resultados mais qualificados. para que as decisões tomadas nas organizações tenham um nível de qualidade superior. segundo a autora. As decisões tomadas em equipes tendem a ser mais sólidas que as tomadas individualmente. em uma organização. (. O processo decisório passa então do nível individual para o nível de equipe.” (ANGELONI. compostas por mulheres. Nesse sentido é ressaltada a necessidade de envolvimento do maior número possível de elementos no processo decisório com vistas a resultados mais qualificados... 1992). as distorções da visão individualizada. 2003) O estabelecimento do pensamento comum. Pessoas com pontos de vistas e experiências diferentes decodificam a situação de decisão também de maneira diferente. com relações e atores diversos envolvidos. Johnson (1997) apud Angeloni (2003) lembra que. O conjunto dessas informações é genericamente identificado como tecnologia da informação.) Decisões tomadas por equipes heterogêneas. tendem a resultados de maior qualidade. apesar de.” (ANGELONI. aumentando o conhecimento da situação de decisão. 2003) Reconhecida a importância da comunicação no processo de tomada de decisão. idosos. bem como objetivos e processos operacionais variados. Ouvir e tentar compreender essas visões leva ao aprimoramento das decisões. Exerce também enorme potencial para o compartilhamento do conhecimento. “A tecnologia exerce um papel essencial tanto na comunicação e armazenamento dos dados.56 “A tomada de decisão nas organizações vai exigir cada vez mais trabalhos em equipe e maior participação das pessoas. tem como cenário organizações que atuam em um grande universo. o tomador de decisão pode acessar a experiência passada de outras pessoas e aprender com elas” (ANGELONI. O trabalho em equipe coloca em evidência os procedimentos de diálogo baseados na idéia de que. 2003) .

os docentes. tanto das escolas quanto da SEEDUC. Soterrados em um mar de dados. (.. Nos dias de hoje. devem ser compreendidos e utilizados pelo tomador de decisão.) O aumento constante do volume de informações e conhecimentos tem constituído crescente dificuldade em momentos de decisão. elegendo ainda um servidor em cada uma delas com o papel de interlocutor. .” (ANGELONI. os alunos e a comunidade escolar representada pelos responsáveis dos alunos menores. devem desenvolver habilidades e competências para separar o "joio do trigo". pois. Quanto maior a capacidade das tecnologias da informação e da comunicação.. cabe destacar que nesse desenho existem previstos espaços para os gestores. maior a capacidade de inter-relacionamentos e a capacidade de aprender e lucrar com o compartilhamento da informação e do conhecimento. informações e conhecimentos. O executivo do início do século tomava decisões baseado na escassez de informações. para a informação e o conhecimento serem considerados úteis.57 Angeloni (2003) completa a discussão acrescentando que. 2003) O princípio da comunicação construída pelo trabalho em equipe ganha espaço nos processos decisórios adotados pela SEEDUC quando esta alinhava o uso do sistema por todas as unidades escolares. “A troca de informações e de conhecimentos e sua qualidade e rapidez estão no coração do sucesso das organizações. Ainda sobre o processo comunicativo e sua ação coletiva. o executivo se depara com uma quantidade crescente de informações disponíveis.

FLUXO DE INFORMAÇÃO – ADAPTADO DA RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4. . garantindo o fluxo de informações na mesma medida que preserva o diálogo e possibilita a tomada de decisão.455/2010 O fluxo de informação se corporifica nos procedimentos operacionais decorrentes das ações previstas em razão das demandas da SEEDUC e todos os atores nela inseridos. dos processos decisórios – ao caráter decisório próprio dos envolvidos no Módulo Gestão.58 Conexão Educação Base de dados de origem coletiva Alunos Comunidade Secundárias Diretores Professores Gestores SEEDUC Lançamento da Informação Informação Fontes Primárias Módulo Escola Módulo Gestão FIGURA IV. indo desde o caráter primário atribuído as informações prestadas por alunos e comunidade escolar – fonte primária porque não alimentam diretamente o sistema. diretamente. dependem da ação de servidores e não participam. consideradas aqui as diversas especificidades de acesso e gerenciamento de cada um.3 .

desenvolvidas ao longo do tempo para atender a demandas específicas. 4 Como uma evolução do data warehouse . o portal corporativo. Muitas vezes as informações estão armazenadas em equipamentos de informática de forma não integrada. uma única interface web às informações corporativas espalhadas pela empresa. o portal corporativo estende sua aplicação à Intranet e se constitui em um único ponto de acesso a todos os recursos de informação e conhecimento em uma instituição. . O portal corporativo é tido. "portal de informações corporativas". quanto o advento das tecnologias da informação e seus diversos desdobramentos. por Collins. disponível na rede hipertextual 3 corporativa – Intranet . como o mais importante projeto de gestão da informação da próxima década. Devido à proliferação de arquivos eletrônicos produzidos individualmente pelos funcionários. e de várias aplicações de bancos de dados. 2001) Dias (2001) lembra que por se tratar de um conceito novo ainda são muitas suas denominações. sendo identificado na literatura como "portal corporativo". conseqüentemente. "portal de negócios" e "portal de informações empresariais". sendo imprescindível a aplicação da gestão da informação para administrar esse caos informacional do mundo digital. 2001) Esse cenário fomentou o surgimento do chamado portal corporativo. Dias (2001) assim descreve essa realidade.59 IV. muitas instituições sofrem com o excesso de informações. dificultando seu acesso e. Independente da terminologia a caracterização da idéia de portal é explicada por White (. o desempenho das atividades necessárias ao pleno funcionamento da instituição. “Recentemente. faz urgir das grandes organizações uma nova maneira de gerenciamento. espalhadas em seus bancos de dados. fornecendo acesso às informações a partir de uma interface individualizada. surgiu um novo conceito. falta. “Com os inúmeros avanços tecnológicos. aos usuários de negócios..) apud Dias (2001) “como uma ferramenta que provê.. uma visão global de seus próprios dados e informações.8 Portal corporativo O contexto contemporâneo.” (DIAS.” Shilakes & Tylman (1998) apud Dias (2001) ampliam a definição de Portais Corporativos sob o prisma de uniformização do acesso a informação. a essas instituições. tanto no que tange ao crescimento das demandas individuais e coletivas. sem o intuito de compartilhamento de informações. que utiliza metadados e a linguagem XML (Extensible Markup Language) para integrar dados não estruturados aos dados estruturados dos bancos de dados institucionais.” (DIAS.

2001) Dias (2001) ao citar Eckerson (2000). 1998 apud DIAS. gerentes e analistas de negócios no acesso às informações necessárias para a tomada de decisões de negócios.. por ter certeza de lá poder encontrar tudo de que precisa. como também para o ambiente externo à organização. constituindo-se em um conjunto de aplicativos de software que consolida. evitando a busca cansativa em sucessivas lojas em diferentes localidades. Dias (2001) assim o define. “Eckerson por sua vez. atas de reunião etc. provendo aos usuários uma única via de acesso à informação personalizada necessária para a tomada de decisões de negócios.” (SHILAKES & TYLMAN. explicando que a maioria dos consumidores prefere fazer suas compras em um shopping. Eckerson compara o portal de negócios a um "shopping center para trabalhadores do conhecimento". relatórios. Dentro desse conceito mais genérico.. corrobora a visão operacional do conceito de Portal Corporativo como ferramenta que unifica o acesso da informação. 2001) Um ponto a ser destacado é que o conceito de Portal de Informações é amplo. uma estratégia de negócios. enquanto o EIP para processamento cooperativo organiza e compartilha informações de grupos de trabalho. gestão de conteúdo. gestão de dados e informações. “(.) o EIP para processamento de decisões auxilia executivos. tais como mensagens de correio eletrônico. data warehouse. não se resume a uma ferramenta operacional de registro e acesso de informações. gerencia. utiliza outro termo – portal de negócios – e o define como um aplicativo capaz de proporcionar aos usuários um único ponto de acesso a qualquer informação necessária aos negócios.) o portal de informações empresariais ou EIP (Enterprise Information Portal) é considerado uma oportunidade emergente de mercado. esteja ela dentro ou fora da corporação.60 “Portais de informações empresariais são aplicativos que permitem às empresas libertar informações armazenadas interna e externamente. “(... analisa e distribui informações não só internamente. promove o diálogo entre os ambientes internos e externos da organização e subsidia a gestão. possui um espectro amplo que reúne ferramentas de gestão diversas... uma única interface web às informações corporativas espalhadas pela empresa. 2001) O ideal do Portal de Informações como ferramenta de gerenciamento é completado por White (1999) apud Dias (2001). 2001) . incluindo ferramentas de inteligência de negócios.) White define o EIP como uma ferramenta que provê.” (DIAS. White ressalta as duas funções mencionadas anteriormente.” (DIAS.” (DIAS. memorandos. subdividindo os EIPs em duas categorias : "EIP para processamento de decisões" e "EIP para processamento cooperativo" (. aos usuários de negócios. ao contrário.

como ilustra o esquema a seguir: . quanto ferramentas de diálogo com entes internos e externos e módulos específicos direcionados tanto a alimentação de dados quanto aos processos de tomada de decisão nos diversos níveis. visto que a mesma é definida como fonte oficial de informação que reúne. tanto formas de registro de dados institucionais.61 Considerando os aspectos discutidos pode se perceber que a Política de Gerenciamento da Informação adotada pela SEEDUC e denominada como Conexão Educação se enquadra no conceito de Portal de Informação.

SEEDUC Escolas Sociedade FIGURA IV. DIAS (2001) E RESOLUÇÃO SEEDUC Nº 4455/2010 Organiza e compartilha informações . Processamento de Decisões Módulo Escola Gestão de conteúdo. Gestão de dados e informações.4 INFORMAÇÃO EM UM PORTAL CORPORATIVO – ESQUEMA ADAPTADO DE WHITE (1999).62 PORTAL CORPORATIVO Conexão Educação Qualidade de Ensino Informações Corporativas Processo Educativo Frequência Sobre o aluno Ocorrências Observações Merenda Sobre a escola Prestação de Contas Transporte Escolar Movimentação Alocação Docente Processamento de Decisões Módulo Escola Processamento Coorporativo Módulo Escola Ferramentas de inteligência de negócios.

entendido como social.63 CONCLUSÕES Com o acelerado crescimento populacional. Nesse sentido. onde todos. acesso e colaboração. como também capital que provê demandas. provendo a estes meios de interação. dentre tantas questões. . Tem pela frente o compromisso de conciliar o atendimento a população a mesma dinâmica rápida de evolução tecnológica. o uso qualitativo da informática como meio efetivo de alcance dos objetivos empresarias através da percepção das demandas. hoje. As instituições. Esse contexto sócio-político integra o cenário da pós-modernidade e seus desafios específicos. o advento da modernidade e os recentes avanços da educação no período posterior as ações de modernização. O uso da informação respeita tanto o uso dos recursos próprios da Tecnologia da Informação como também o desenho dos processos de gestão em suas mais diversas esferas. seja como profissionais da informação ou como usuários da sistemática desenvolvida. com destaque para a universalização do Ensino Fundamental no período pós LDB – Lei 9394/96 – gerenciar a Educação Pública tem se tornado um desafio cada vez maior. desenvolveram formas de compreensão e otimização desse recurso. cabe hoje mais do que em qualquer época uma dinâmica de organização que garanta não só o princípio constitucional de qualidade de ensino como também a plena efetivação desse direito. ao contrário. cabe perceber a importância da informação. Capital que de fato gera riquezas. As experiências de gerenciamento desse recurso – a informação – enquanto instrumento próprio dos processos decisórios elencam. com o foco em se adequar as exigências de seu tempo e espaço. como a importância potencial de cada indivíduo na construção de condução dessas mesmas redes. seja por ascensão social. sua estruturação e conseqüente atendimento. do conhecimento e de sua base como capital. seja pelo conjunto de instrumentos e meios de comunicação disponíveis tem vez e voz garantida. que apresenta desafios e exige respostas do Poder Público. reconhecendo para tanto a existência das redes formais e informais. Não basta planejar e avaliar a sistemática de oferta.

pontuando.64 estendendo essas relações do cliente ao gestor. passando. necessariamente. viabilizar os processos de gestão e. de fato e de direito. os concursos a serem realizados e sua alocação. Muito mais que um meio. indo desde o docente que constrói junto a seu aluno o processo de ensinoaprendizagem ao gestor de pessoal que decide. da implementação de uma política pública no âmbito estadual. Um tema dessa natureza. em razão de um conjunto de dados. otimizar recursos. envolvendo a gerência de direitos e deveres de administrados e administradores abre precedentes para o desenvolvimento de estudos de caso e pesquisas exploratórias a cerca da efetivação dessa política. sob o prisma bibliográfico. a partir do diálogo entre preceitos acadêmicos e operacionais as suas formas de consecução. bem como a provável definição de parâmetros de gestão da informação e suas demandas específicas. A presente pesquisa tratou. . O modelo de gestão da informação adotado pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro para o gerenciamento de sua rede escolar. desenhar um quadro real da educação fluminense de modo a fomentar políticas públicas que. possam assegurar a efetivação do princípio constitucional da qualidade de ensino. sobretudo. seu gerenciamento e respectivos impactos no cotidiano do universo educacional fluminense. tem como referencial o fluxo contínuo de informações entre os administrados – clientes – e a equipe da SEEDUC em seus mais diversos níveis decisórios. o modelo é um conjunto de ferramentas inteligentes de TI integradas em uma perspectiva de diálogo direto com a população com vistas a encurtar distâncias. pelo usuário técnico com poder moderado de decisão. seguindo os princípios alinhavados pela literatura e as demandas próprias identificadas por grandes instituições.

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