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A Evolução Histórica da Contabilidade

Prof: Meridiana kempfer

1. INTRODUÇÃO

A contabilidade surgiu da necessidade do homem acompanhar e controlar a evolução de seu patrimônio. Percebe-se que desde as épocas mais antigas os
homens buscam se organizar para controlar seus pertences. Iudícibus (2000, p. 29) descreve que a contabilidade é tão antiga quanto à origem do homem
pensante. Historiadores remontam os primeiros sinais da existência de contas aproximadamente há 4000 anos AC. Entretanto, talvez antes disto o homem
primitivo, ao inventariar o número de instrumentos de caça e pesca disponível, ao contar seus rebanhos, ao contar suas ânforas de bebidas, já estava
praticando uma forma rudimentar de contabilidade.
Nos primeiros tempos da humanidade havia apenas o senso do coletivo em tribos primitivas. Com o rompimento da vida comunitária, surgiram às divisões e
o senso de propriedade, sendo assim, cada pessoa criava sua riqueza individual e dessa forma começava a praticar atos de comércio através da troca de
bens e mercadorias.
O desenvolvimento da contabilidade está ligado à necessidade de registros no comércio, o homem enriquecia, passava a ter bens e isso impunha o uso de
técnicas para controlar e preservar o seu patrimônio. À medida que o homem começava a possuir maior quantidade de valores, preocupava-lhe o quanto
poderia render e qual a forma mais simples de aumentar as suas posses. Tais informações, já não eram de fácil memorização quando já em maior volume,
requerendo registros.

Foi o pensamento do “futuro” que levou o homem aos primeiros registros a fim de que pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo,
de produção, etc.

Com o surgimento das primeiras administrações particulares, aparecia à necessidade de controle, que não poderia ser feito sem o devido registro, a fim de
que se pudesse prestar conta da coisa administrada.

O desenvolvimento do papiro (papel) e do cálamo (pena de escrever) no Egito antigo facilitou extraordinariamente o registro das informações sobre negócios.
À medida que as operações econômicas se tornavam complexas o seu controle se refinava.

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Diante disso, observa-se claramente que a contabilidade faz parte da evolução e do desenvolvimento do próprio ser humano e da sociedade. Ainda que a
contabilidade existisse desde o princípio da civilização, nota-se um desenvolvimento muito lento ao longo dos séculos. O que toda história tem mostrado é
que a Contabilidade torna-se importante à medida que há desenvolvimento econômico.

2. A Evolução da Ciência Contábil

Podemos resumir a evolução da ciência contábil da seguinte forma: Período Antigo, Período Medieval, Período Moderno e Período Científico.

2.1 Período Antigo

A contabilidade empírica praticada pelo homem primitivo, já tinha como objeto, o Patrimônio, representado pelos rebanhos e por outros bens nos seus
aspectos quantitativos. O inventário exercia um importante papel, pois a contagem era um método adotado para o controle dos bens, que eram classificados
segundo sua natureza: rebanhos, metais, escravos, etc. e, que permitiam avaliar ou analisar a evolução da riqueza.

Os primeiros registros foram processados de forma rudimentar na memória do homem. Como este é um ser pensante, inteligente, logo encontrou formas
mais eficiente de processar ou seus registros, utilizando gravações e outros métodos alternativos. As primeiras escritas contábeis datam do término da Pedra
Polida, quando o homem conseguiu fazer seus primeiros desenhos e gravações. Os registros combinavam o figurativo com o numérico. Gravava-se a cara
no animal cuja existência se queria controlar e o número de cabeças existentes.

Os egípcios legaram um riquíssimo acervo aos historiadores da Contabilidade, e seus registros remontam 6.000 anos a.C. A escrita do Egito era fiscalizada
pelo Fisco Real, o que tornava os escriturários zelosos e sérios em sua profissão. Tudo indica que foram os egípcios os primeiros povos a utilizar o valor
monetário em seus registros, utilizava uma moeda cunhada em ouro e prata como base.

Há também interessantes relatos bíblicos que evidenciam controles contábeis, um dos quais, no tempo de José no Egito, houve tal acumulação de bens quer
perderam a conta do que se tinha. (Gênesis 4 1:49). Outro dizia que “houve um homem muito rico, de nome Jô”, cujo patrimônio foi detalhadamente descrito
no livro de Jó, capítulo 1 verso 3. “Depois de perder tudo, ele recupera os bens, e um novo inventário é apresentado” em Jó, capítulo 42 verso 12. Tais
relatos comprovam que nos tempos bíblicos o controle de ativos era uma prática comum.

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2.2 Período Medieval (Século XII à XIV)

Neste século é que os números hindu-arábicos (0, 1, 2,3....) vieram substituir o sistema Greco-romano (I, II, III, IV....) e hebraico, que usavam letras para
contar e calcular (desconheciam o zero). Período de sistematização dos registros simples, em razão da obra de Leonardo Pisano, conhecido como
Fibonacci, esta obra intitulada como Liber Abaci (livro do Abaco), sobre cálculo comercial. Entre inúmeras contribuições, o compêndio inclui contabilidade
(cálculo de margem de lucro, moedas, etc.) e juros.

Foi um período importante na história do mundo, especialmente na história da contabilidade. A indústria artesanal proliferou com o surgimento de novas
técnicas no sistema mineração e metalurgia. O comércio exterior incrementou-se por intermédio dos venezianos, surgindo, como conseqüências da
necessidade da época, o Livro Caixa, que recebia registros de recebimentos e pagamentos em dinheiro.

O aperfeiçoamento e o crescimento da Contabilidade foram às conseqüências naturais nas necessidades geradas pelo advento do capitalismo nos séculos
XII e XIII. O processo de produção na sociedade capitalista gerou a acumulação de capital, alterando-se as relações de trabalho. O trabalho escravo cedeu
lugar ao trabalho assalariado, tornando os registros mais complexos.

2.3 Período Moderno (Século XIV à XVIII)

Neste período a contabilidade atinge um nível de desenvolvimento notório, devido ao comércio marítimo, dando vigor às atividades comerciais de cidades
costeiras da Itália. Nesta época o comércio prosperou e trouxe consigo a necessidade de controle, a contabilidade surge como instrumento hábil para
fornecer informações úteis que auxiliam o gerenciamento dos negócios e para estabelecer o controle de inúmeras riquezas que o Novo Mundo representava.
Houve também o surgimento da burguesia e a descoberta de diversos campos de conhecimento.

Nesta fase de reativação econômica, surgem grandes empresas ou corporações nos EUA e formas de financiamento foram disponibilizadas pelos bancos
norte-americanos. Porém, para conceder empréstimos ou financiamentos para as empresas, passaram a exigir relatórios contábeis (declarações escritas)
acompanhados de análises econômico-financeiras, estudos de viabilidade econômica dos projetos, entre outras. Dessa forma, inicia um refinamento da
Contabilidade.

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No início do século XIV, foi o desenvolvimento da fase da escrituração contábil. Também já se encontravam registros explicitados de custos comerciais e
industriais, nas suas diversas fases: custo de aquisição; custo de transporte e tributos; mão-de-obra direta agregada, etc. A escrita já se fazia nos moldes de
hoje, considerando em separado gastos com matérias-primas, mão-de-obra direta a ser agregada e custos indiretos de fabricação. Os custos eram
contabilizados por fases separadamente, até que fossem transferidos ao exercício industrial.

A Igreja Romana, considerada a mola propulsora da Contabilidade, tinha uma grande preocupação: manter um controle de seu patrimônio. Neste sentido,
convocou um grande filósofo – o frade franciscano Luca Paccioli para estudar critérios e formas para manter o controle do patrimônio da igreja, o qual em
1.494 em Veneza, na Itália, em sua obra “Summa de Aritmética, Geometria, Proportioni et Proporgionalitá” divulga o primeiro Tratado de Contabilidade
“Tratactus de Computis Et Scripturis” (Contabilidade por Partidas Dobradas), consolidando o método das partidas dobradas, que tem por base que todo
débito em uma determinada conta tem em contrapartida um ou mais créditos em outra ou outras contas e vice-versa. Por sua vez, a soma dos débitos
deverá sempre ser o mesmo valor da soma dos créditos, expressando a causa efeito do fenômeno patrimonial com os termos débito e crédito. Paccioli foi
teólogo, matemático, contabilista entre outras profissões. Apesar de ter sido considerado o pai da contabilidade, não foi o criador do método das partidas
dobradas, o método já era utilizado na Itália, principalmente na Toscana à muito tempo atrás. No tratado Paccioli destacava inicialmente o necessário ao bom
comerciante. A seguir conceituava inventário e como fazê-lo. Discorria sobre livros mercantis: memorial, diário, razão e sobre a autenticação deles; sobre
registro de operações; aquisições, permutas, sociedades; sobre contas em geral: como abrir e como encerrar; contas de armazenamento: lucros e perdas,
etc. A obra de Paccioli não só sistematizou a contabilidade como também abriu precedentes para que outras obras fossem escritas. É compreensível que a
formalização da contabilidade tenha sido na Itália, afinal, neste período instalou-se a mercantilização, sendo as cidades Italianas os principais interpostos do
comércio mundial.

2.4 Período Científico (Século XVIII até os dias de hoje)

O grande progresso das empresas, das ciências, das tecnologias, ocorridos a partir da revolução industrial e social, pode ser considerado como fatos
responsáveis pelo avanço da Contabilidade. O período científico em que as doutrinas se agigantaram buscando o objeto verdadeiro de estudo da
contabilidade, a partir desse momento buscava-se a essência, ou seja, explicar os fatos patrimoniais, portanto, a contabilidade deixou de ser uma “arte” para
ser uma “ciência”.

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Pode-se dizer que a era da Ciência Contábil encontra seu berço na primeira metade do século XIX, a partir deste momento houve o reconhecimento de que
escriturar e demonstrar é apenas a memória e evidenciação de fatos patrimoniais e, que qualquer pessoa inteligente poderia realizar essas tarefas. Notou-se
então que, a contabilidade implica conhecer a natureza, os detalhes, as normas, as leis e as práticas que regem a matéria administrada, ou seja, o
patrimônio.

No início do século XX, as corporações se tornaram gigantescas nos EUA e, que aliado ao formidável desenvolvimento do mercado de capitais, refinamento
das instituições econômicas e sociais, o extraordinário ritmo de desenvolvimento econômico, o avanço da teoria econômica, constituem o sólido
embasamento do despontar dos EUA na Contabilidade. Neste mesmo período, a forte e marcante atuação dos órgãos de classe, órgãos governamentais e
universidades nos EUA contribuíram decisivamente para a formulação e oficialização dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos – PCGA, que são
um conjunto de normas, temperados com convenções ou restrições. O objetivo da formulação e oficialização dos PCGA nos EUA visava disciplinar, qualificar
ou mesmo delimitar os procedimentos de registros contábeis e divulgação dos relatórios contábeis, de forma a melhor informar o usuário da informação
contábil.

3. As Escolas Contábeis

Nitidamente, podem-se destacar duas grandes escolas em termos de evolução histórica da Contabilidade: a Escola Européia (liderada pela Itália) e a
Escola Norte Americana.

3.1 Escola Contábil Italiana

Sem sombra de dúvidas, a Itália é o grande berço da Contabilidade. Grandiosas obras foram escritas por grandes pensadores italianos. Fizeram, ou
mesmo quiseram dar uma roupagem excessivamente vistosa à Contabilidade e conseguiram vender esta imagem para o mundo. Além disso, talvez à falta
de aplicabilidade e comprovação de algumas de suas idéias, devido ao excesso de culto a personalidade que se desenvolveu entre seus mestres e
discípulos, aliado a falta de pesquisa contábil, levou o ímpeto e o vigor da escola italiana a um processo de decadência no início do atual século.

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Características da Escola Italiana

1. Culto a Personalidade.

2. Teórica.

3. Auditoria – não dava importância.

4. Ensino – visava lucro em vez do ideal – levou a decadência do ensino, acabaram com o professor pesquisador e surgiu o professor “bico”.

Método da Escola Italiana

Esta escola caracterizava-se pela seguinte metodologia

a) Estudo dos conceitos inerentes à Contabilidade.

b) Escrituração: o estudante aprende todos os passos e técnicas de escrituração.

c) Elaboração dos balancetes de verificação.

d) Por fim são estudados os relatórios contábeis.

3.2 Escola Contábil Norte Americana

Desponta na quarta fase da evolução histórica da Contabilidade, cuja ascensão deve-se mais a um trabalho conjunto (de equipes) do que grandes
nomes individualmente considerados. Órgão de classes e órgãos governamentais, além das universidades, tiveram efetiva participação nas discussões
sobre princípios, normas e procedimentos contábeis.

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Características da Escola Norte Americana

1. Ênfase – o usuário.

2. Prática.

3. Auditoria – ênfase.

4. Ensino – professor pesquisador, valorização do professor, investimentos vultuosos da pesquisa contábil.

Métodos da Escola Norte Americana

a) Motivação: elemento central e que se constitui uma das formas de iniciar o estudo da Contabilidade – é conhecer sua evolução histórica e o seu
campo de atuação.

b) Relatórios Contábeis: o ensino da Contabilidade começa pelo estudo dos relatórios contábeis, algumas análises, seguindo-se a aplicação da
metodologia de balanços sucessivos.

c) Escrituração: registro dos fatos contábeis. A ênfase depende do curso em que é ensinada.

Os seguidores da escola contábil italiana estavam muito mais preocupados na discussão da Contabilidade como ciência, muitas idéias sem a devida
comprovação ou aplicação pratica, ou seja, sem a devida fundamentação cientifica. Por outro lado, os seguidores da escola contábil norte americana não
estavam preocupados com a questão de a contabilidade ser uma ciência ou não, mas, sim, com o usuário da informação contábil.