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Sexualidade na Terceira Idade

1. – INTRODUÇÃO

1.1 – O tema em estudo

O tema proposto para este estudo é Sexualidade na Terceira Idade. O termo sexualidade é muito amplo e
refere –se à integração dos impulsos biológicos e da fisiologia com o auto-conceito e a expressão
sexual.Pode ser afetada por fatores sociais, culturais e religiosos, além da estrutura física, do
funcionamento e da aparência.(1) Apesar de existir interesses sexuais nas várias etapas da vida (infância,
adolescência, adulto e velhice), a vivência da sexualidade muda com a idade, tendo características
próprias em cada uma delas. A partir da meia idade surgem mudanças orgânicas, psicológicas e no
relacionamento conjugal que se refletem no comportamento sexual dos casais.(2)

No que se diz respeito à capacidade sexual, autores afirmavam que a resposta sexual do homem diminui
com a idade, contribuindo para isso variáveis fisiológicas e psico – sociais. O mesmo acontecerá com a
mulher, apesar destas alterações serem mais evidentes no homem, já que a resposta sexual masculina é
externa e mais evidente comparativamente com a feminina.

Todas essas mudanças inevitáveis do envelhecimento não necessariamente afetarão o prazer masculino
e feminino, pois mesmo com estas alterações, os idosos poderão ser capazes de usufruir de uma relação
sexual prolongada e o ato sexual pode se construir em uma experiência sensual e prazerosa. (3)

Para compreender a sexualidade do idoso, é preciso levar em conta que o comportamento sexual é
definido por vários princípios: cultura, religião e educação, estes valores influenciam intensamente o
desenvolvimento sexual, determinando como se irá vivenciá-lo e lidar com ele por toda a vida.(3) Dessa
forma, o bem estar do idoso é resultado do equilíbrio entre as diversas dimensões da sua capacidade
funcional e social. Assim, quanto mais ativo o idoso, maior sua satisfação, conseqüentemente melhor a
sua qualidade de vida.(4)

1.2 – Justificativa

O que nos levou a escolher este tema foi pelo o interesse de entender como uma pessoa manifesta a sua
sexualidade. Este tema nos permitirá de uma forma abrangente compreender se, os idosos, necessita do
sexo, sentem desejos e prazeres, e se enfrentam preconceitos quando tentam expressar a sua
sexualidade.

1.3 – Problema / Hipótese

O idoso é visto como incompetente e impotente sexualmente. Ás vezes, ele mesmo acata esta visão
estereotipada, como uma forma de inserir – se na sociedade, ocupando o espaço que lhe é ocupando o
espaço que lhe a de inserir - se concedido. Não são compreendidas as mudanças ligadas ao
envelhecimento, interpretadas como fraqueza e incapacidade, em termos de aptidão e atração sexual.(5)
Assim, os idosos acabam se anulando por causa de preconceitos e tabus não permitindo -se obter prazer
sexual e nem vivenciar a sexualidade nesta etapa de suas vidas. Este fato nos faz levantar a seguinte
questão : A longevidade do ser humano associada à práticas saudáveis pode proporcionar um
desempenho sexual satisfatório ao idoso, melhorando assim a qualidade de vida no processo de
envelhecer? O preconceito da sociedade perante a sexualidade do idoso, faz com que os mesmos
mudem seus conceitos de que sexo na terceira idade pode ser prazeroso e saudável? A pessoa com
idade superior a 60 anos pode estar realizada sexualmente? E comoum idoso pode ter uma vida sexual
ativa?

Temos como hipótese que o idoso poderá ter experiências sexuais satisfatórias, se no anteceder de sua
vida ele contribuiu para que tivesse um perfil de vida saudável, e com a chegada da terceira idade,
ignorando preconceitos e tabus sua vida sexual será em conseqüência, ativa e prazerosa, com isso
qualificando a sua vida.

2 –REVISAO DE LITERATURA

A organização Mundial de Saúde define como idoso, pessoas após os 60 anos, em países em
desenvolvimento como o Brasil. A velhice não tem idade definida para se iniciar; depende da disposição,
atitude e interesse de cada pessoa em relação à qualidade de vida. Envelhecer não significa enfraquecer,
ficar triste ou assexuado. Entretanto, em nossa cultura, diversos mitos e atitudes sociais são atribuídos às
pessoas com idade avançada, principalmente os relacionados à sexualidade, dificultando a manifestação
desta área em suas vidas.(3)

Todas as atitudes negativas face à sexualidade na velhice, são um reflexo do nosso medo de envelhecer
e morrer, dando origem a preconceitos e estereótipos que assentam sobre a idéia da anulação da
sexualidade das pessoas idosas e que funcionam como fatores inibidores, contribuindo para a diminuição
da atividade sexual nesta fase da vida. (2)

O tema sexualidade nem sempre é tratado com abertura, pois remete-nos a vivencias pessoais
extremamente íntimas, especialmente quando falamos sobre sexo na velhice.(1)

A Revolução Sexual nos anos 60 determinou importantes mudanças no comportamento sexual de nossas
sociedades. Entretanto, por mais que pareçam ultrapassados os valores morais, sociais e sexuais, estes
ainda estão vivos dentro de cada um de forma muitas vezes camuflada, quando observa-se que muitos
adultos continuam presos à necessidade primitiva e infantil de negar a seus pais uma vida sexual e
restringi-los a papéis puramente paternais. Sexo na terceira idade é um assunto ainda muito difícil de ser
abordado por uma grande parte das pessoas. (6)

Existe ainda na nossa cultura uma falsa idéia de que o (a) velho (a) não tem desejo ou vida sexual. Essa
premissa é semelhante à teoria do começo do século, de que a criança não tem sexualidade. Da mesma
forma a sociedade tenta negar a sexualidade do idoso. As pessoas acham feio, negam-se a aceitar que o
idoso possa querer namorar. Esquecem que a sexualidade não é só genitalidade, existe também uma
afetividade que é essencial ao ser humano. (3)

Desta forma, idosos acabam sentindo-se com ausência de objetivos, perda da auto-estima,
autoconfiança, sentem também sensações de inutilidade, de estar perdido no tempo e no espaço e de
assexualidade, por não viverem "intensamente" a sexualidade na terceira idade.

O conceito de qualidade de vida é bastante complexo e envolve dimensões como bem-estar físico,
familiar e emocional, habilidade funcional, espiritualidade, função social, sexualidade e função
ocupacional, que, quando integradas, mantêm o individuo em equilíbrio consigo mesmo e com o mundo
ao seu redor.(4)

O envelhecimento é uma fase da vida marcada por alterações fisiológicas graduais, com prevalência de
enfermidades agudas e crônicas. Muitas das alterações atribuídas ao envelhecimento são semelhantes
às induzidas pela inatividade imposta e provavelmente podem ser atenuadas ou até mesmo revertidas
com a prática de exercícios físicos. Tais exercícios na terceira idade podem trazer benefícios tanto físicos
como sociais e psicológicos contribuindo para um estilo de vida mais saudável. De acordo com a
Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) e a sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
(SBGG), o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso, beneficiando-o em
vários aspectos.(4)

Dado o fato da mobilidade ser um indicador de saúde e qualidade de vida para o idoso, é importante
evitar o sedentarismo, e para isso, é importante que o idoso realize diariamente uma atividade física de
modo a vencer a inércia. A idade, por si só, não é contra-indicação para a prática de qualquer tipo de
atividade física ou desportiva, o que conta é a situação de cada individuo e os hábitos que manteve em
etapas anteriores da vida.(2) Portanto, a velhice não implica um estagnar e a sexualidade pode continuar
viva. Porém, há casais idosos, que deixam de viver a sexualidade, podendo tal estar relacionado com um
certo desinvestimento no próprio corpo, o que, na maior parte dos casos, leva a uma redução dos níveis e
satisfação e de qualidade de vida. (2)

Neste sentido, a sexualidade é reconhecida como um aspecto importante da saúde e, se for vivida
satisfatoriamente, é fonte de equilíbrio e harmonia para a pessoa, favorecendo uma atitude positiva em
relação a si mesmo e aos outros.(2)

3 – OBJETIVO

A presente pesquisa tem como objetivo, elaborar uma revisão teórica baseada em artigos e teses que
abordem a sexualidade na terceira idade, qualidade de vida, preconceitos e tabus enfrentado pelos
idosos, analisando nesses textos se pessoas idosas ainda estão aptas para a prática sexual e a forma
comolidam com a sua sexualidade.
4 – METODOLOGIA

Este estudo trata-se de uma revisão teórica feita em artigos científicos de revistas e teses no período de
1998 a 2007. Os dados foram levantados através da pesquisa na fonte: LILACS

LILACS – A Literatura – Latino – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), desenvolvida a


partir de 1982, é um componente da Biblioteca virtual em Saúde (BVS) constituído de normas, manuais,
guias e aplicativos destinados à coleta, seleção, descrição, indexação de documentos e geração de bases
de dados. É coordenado pela Organização Pan – Americana da Saúde através da Bireme (Centro Latino
– Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), órgão especialmente criado para
desenvolver o programa de informação em Ciências da saúde da OPAS ( Organização Pan – Americana
de Saúde).

O Sistema Regional é produto da Integração de sistemas nacionais, cuja estrutura prevê um Centro
Coordenador Nacional e uma rede descentralizada de Centros cooperantes formada por bibliotecas e
centros de documentação da área da saúde. Ao Sistema também pertencem os Centros de Informação
da sede da Organização Pan – Americana da Saúde, em Washington, os Centros especializados
regionais da Opas e dos Centros de Documentação localizados nas Representações nos diferentes
países.

A LILACS tem como objetivo cooperar com o desenvolvimento da pesquisa, da educação e da atenção
em saúde na América Latina e Caribe, colocando ao alcance da comunidade de profissionais da saúde
informações técnico – científicas produzidas nacional e internacionalmente. Esta base de dados é
composta de aproximadamente 680 revistas com artigos da área da saúde, atingindo mais de 150 mil
registros e outros documentos, tais como: teses, capítulos de teses, livros, capítulos de livros, anais de
congresso ou conferências, relatórios técnico-científicos e publicações governamentais. A base de dados
LILACS é atualizada semanalmente na BVS.

As fontes eletrônicas de dados foram acessadas tendo como critérios:

• Periódicos nacionais de língua portuguesa, no período de 1998 a 2007


• Artigos indexados usando as palavras chaves:

- sexualidade

- terceira idade

- qualidade de vida

Descritores Encontrados Analisados


Sexualidade em idosos 31 5
Sexualidade da mulher no 15 2
climatério
Sexualidade na terceira idade 14 2
Sexualidade no envelhecimento 29 2
Qualidade de vida e idosos 10 1
Idosos, sexualidade e AIDS 9 2
Coleta de dados:

Amostra:

Foram pesquisados 14 artigos para amostra. Sendo dois artigos relacionados com o climatério, dois com
HIV/ AIDS , e um relacionado com qualidade de vida.

5 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS


O estudo realizado por Marilu Chaves teve como intuito mostrar aos leitores quais são fatores sociais que
possuem interferência na sexualidade das pessoas de terceira idades. Concluiu que se faz necessário
repensar o idoso enquanto pessoa de direito em sua totalidade. Negar a sexualidade das pessoas idosas
é privá-las de direitos. Surge a necessidade de trabalhar a sociedade e, em especial, a família e,
especificamente, aqueles que apareceram mais fortemente na pesquisa como interferentes na
sexualidade das pessoas idosas. A religião, ao contrario do que se pensa, para o grupo pesquisado é um
incentivador do amor. Necessitamos de profissionais qualificados como os de Serviço Social e de
Profissionais da Saúde, para que possamos romper com mitos, tabus e preconceitos, no que tange à
sexualidade das pessoas de terceira idade, para que estas possam exercê-la se assim sentirem
necessidade.(8)

ARCO VERDE, M. A. M., realizou um estudo qualitativo de abordagem fenomenológica e teve como
objetivo perceber como o idoso entende e vive sua sexualidade.

Os discursos desvelaram a manifestação da sexualidade a partir da relação de encontro entre corpos


viventes que se atraem, se percebem, se tocam. Assim, estabelecem uma relação de troca e de parceria
permeada pelo desejo, carinho, prazer, ternura e amor que lhes permitem não estarem unicamente
focados no ato sexual ou na procriação, mas passam a vivenciá-la como possibilidade de prazer que
alimenta a vida amorosa e afetiva do ser humano.(9)

Os discursos também elucidaram que os idosos manifestam a sua sexualidade mediante a prática de
atividades de lazer como dançar, ouvir música, jogar tênis, sair para jantar, ir ao teatro, visto que
possibilitam o "estar com o outro" em espaços coletivos. (9)

Enfim, foi possível compreender ainda que os idosos reconhecem as modificações que ocorrem no seu
corpo como conseqüência do processo de envelhecimento que afeta seu desempenho sexual. Embora
não possuam o conhecimento cientifico adequado de todas as alterações que acompanham o seu corpo,
durante a trajetória existencial, eles a reconhecem como fatores que apenas modificam a expressão da
sua sexualidade, o que não os impede de manifestá-la, pois o desejo e a libido permanecem. (9)

Esta pesquisa apontou para as possibilidades da expressão da sexualidade na terceira idade que
transcende a concepção biológica e possibilita uma visão mais positiva, não apenas do processo de
envelhecimento, mas também da sexualidade dos idosos. (9)

Em um estudo realizado por, Thiago de Almeida e Maria Luiza Lourenço foi evidenciado que, ao
investigar o processo de envelhecimento,percebe-se que o conhecimento atual aquilatado a respeito em
relação a alguns temas como o estudo do amor e da sexualidade carece de identidade e é permeado por
elementos de discursos teóricos e ideológicos fundamentados em legados ultrapassados, muitas vezes
oriundos das ciências sociais e da medicina. Logo, a sexualidade na velhice é um tema comumente
negligenciado pelas diversas áreas da saúde, pouco conhecido e tampouco compreendido pela
sociedade, pelos próprios idosos e pelos profissionais da saúde. (10)

Thiago de Almeida e Maria Luiza publicaram um artigo para a revista Brasileira de Geriatria e
Gerontologia o qual teve como objetivo realizar uma análise criteriosa de algumas publicações que
estudam o envelhecimento, o amor e a sexualidade, para oferecer ao leitor um panorama desses temas
tão importantes, que, por vezes, representam lacunas teóricas e vivenciais em si mesmos. (11)

Concluíram que, há amor suficiente para todos, à medida que começamos a manifestá-lo em
pensamentos, comportamentos e em sentimentos, e o mesmo se aplica para a sexualidade. Ela pode se
manifestar em todas as idades e cada pessoa tem uma maneira própria de expressar sua sexualidade. O
amor e a vivencia da sexualidade podem significar muitas coisas boas para pessoas de mais idade. É
uma oportunidade de expressar carinho, afeto, admiração por alguém; é auto-afirmação de si, de seu
corpo, auto-estima elevada, bom humor, melhor qualidade de vida. (11)

Devemos evitar pensamentos saudosistas, que muitas vezes servem para estereotipar as pessoas de
terceira idade, paralisando suas ações e as possíveis e indispensáveis contribuições do idoso à
sociedade. Isto acontece quando os dias da juventude são lembrados como um tesouro perdido, de tal
forma que o idoso vive imerso numa vivência de juventude que se deseja eterna. Hoje, com o aumento da
população idosa no mundo, o progresso social e cientifico, a longevidade e a maior expectativa de vida, o
saber envelhecer bem se tornou fator primordial para viver plenamente de forma a se ter uma vida
saudável, adaptada e feliz. (11)

Em um estudo realizado por Vasconcellos e Perugini et al, objetivou-se comparar a análise de amostras
entre duas culturas ( em Portugal e no Brasil). As amostras foram recrutadas em universidades de terceira
idade e clubes de convivência para pessoas aposentadas, supondo que as pessoas que freqüentam
estes estabelecimentos têm condições adequadas de inserção social normal na comunidade e gozam de
um estado de saúde que lhes permite manter atividades e interesses sociais e intelectuais. (12)

Este enfoque de pessoas saudáveis e socialmente integrados reúne evidências de que interesse e
inibição sexuais coexistem nesta população, correlacionados com características culturais e diferenciação
intergêneros. Os autores puderam constatar este paradoxo quando contrastaram as respostas a
perguntas sobre atitudes e crenças com respostas sobre práticas: a relativa liberdade das atitudes não
parece se concretizar na prática. A porcentagem de perguntas sem resposta numa e noutra categoria
também são eloqüentes: menos de 1% nas atitudes e crenças e entre 20 e 40% no caso das práticas.
Estas pessoas que não respondem não dizem que não praticam. Pode-se deduzir que cerca de um terço
desta amostra está consciente de experenciar desejo sexual, mas não reivindica a sua satisfação.
Observaram, ainda, somente a metade das pessoas que vivem maritalmente declara estar sexualmente
satisfeitas. (12)

Os homens que aceitaram responder certos tipos de questões (sexo oral e masturbação) mostraram-se
mais interessados e mais ativos sexualmente, e são duas vezes mais numerosos que as mulheres quanto
à avaliação positiva da satisfação sexual no contexto da sua vida de casal. Por outro lado, os autores que
compararam as amostras, consideram que a aparente redução da atividade sexual é um fenômeno ligado
à cultura. Os resultados tendem a confirmar esta idéia, pois, de maneira geral, as mulheres brasileiras
parecem muito mais interessadas e sexualmente mais ativas que as portuguesas, e também muito mais
livres quanto à comunicação verbal entre o casal. (12)

Estes resultados sugerem, por um lado, que, provavelmente fruto da evolução demográfica e sociológica
contemporânea, os adultos maduros manifestam interesse pela sexualidade e têm consciência da sua
receptividade ao prazer sexual tal como o exprimem através de atitudes e das crenças. Por outro lado há
uma elevadíssima freqüência de recusa de respostas sobre as práticas sexuais, o que sugere que,
mesmo sob a cobertura do anonimato, os participantes homens e mulheres, inibem a expressão e/ou
reconhecimento da existência de comportamentos ligados ao prazer e à satisfação sexual. Isto permite
supor processos de auto censura relativamente a práticas sexuais prazerosas e potencialmente mais
censuráveis do ponto de vista da percepção estereotipada da sexualidade entre idosos. (12)

Em um estudo feito por De Mattos, Nakamura Kyosen, as autoras tiveram como objetivo em um estudo
qualiquantitativo, investigar como as pessoas da terceira idade vivenciam a sua sexualidade, abrangendo
pessoas do sexo masculino e feminino que freqüentam um clube da melhor idade.Em resposta do
objetivo da pesquisa constaram que os idosos são ainda capazes de amar e de querer ter momentos de
prazer sexual, embora algumas mulheres pesquisadas não achem isso tão importante. (13)

A atividade sexual em qualquer idade é demonstração de um estado de boa saúde, tanto física, como
mental, estes são uns aspectos da sexualidade mais importante no processo de envelhecimento. (13)

Os autores investigaram idosos residentes de uma casa de repouso, sendo uma entidade pública que
abriga 36 idosos e, investigaram como, o idoso, vivencia a sua sexualidade e atividades de lazer.
Apresentaram que os preconceitos e tabus ainda envolvem a sexualidade fazendo com que os desejos
sexuais para muitos idosos ali se tornem sentimentos conflituosos, gerando um sentimento de culpa,
fazendo que eles apesar de terem vontades e desejos sexuais, desistam de manter a sexualidade ativa.
(14)

Em um estudo descritivo divulgado pela Acta Fisiátrica, os autores tiveram como objetivo caracterizar os
participantes quanto à prática de atividade sexual de idosos, identificando as alterações na função sexual
e expectativas dos mesmos com relação à sexualidade. (15)

Os dados mostraram que, algumas pessoas encontram sua forma particular de satisfação. As próprias
pessoas de mais idade têm declarado que afeto, calor e sensualidade não precisam se deteriorar com a
idade e, na verdade, podem aumentar. O sexo para as pessoas da terceira idade pode provar que seus
corpos ainda são ativos e capazes de funcionar bem e ainda causarem prazer a ambos como foi visto
pelos resultados. A proximidade e a intimidade da união sexual trazem segurança e significado para a
vida das pessoas. (15)

Marisa Aparecida e Francisco Batista, realizaram um estudo com o objetivo de conhecer mudanças que
ocorrem na sexualidade da mulher no climatério. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas
semi-estruturadas no mês de abril de 2006. Concluíram que: o climatério realmente interfere com a
sexualidade da mulher, em face de vários motivos, como a diminuição da carga hormonal, menos
lubrificação no trato genital feminino e aspectos sócio-culturais.Outro aspecto foi relacionado ao prazer
nas relações sexuais, onde 50% das entrevistadas afirmam não sentir mais prazer e exatos 50% afirmam
ainda sentir prazer em suas relações. Uma parte delas desconhece o significado do termo climatério e o
confundem com a menopausa. (16)

Enfim, mulheres climatéricas necessitam de uma maior atenção do sistema básico de saúde,
notadamente quanto aos aspectos da sexualidade, reposição hormonal e palestras educacionais, como
forma de uma mais conscientização dessa parcela da sociedade. (16)

Em um estudo realizado por de Almeida, Luz Araujo et al no ano de 2004, concluiu-se que, vivência do
climatério associada a diminuição do libido, a negação da sexualidade, perda da capacidade reprodutiva e
o inicio do processo de envelhecimento, pode fazer com que a sexualidade fique comprometida, velada,
oprimida e recriminada, não sendo raro que pessoas idosas sejam ridicularizadas quando resolvem
manifestar seus desejos. (17)

Neste artigo os autores abordaram a questão da sexualidade e a atividade física como fatores que
influenciam a qualidade de vida no envelhecimento. (18)

Os autores afirmam que, a crença de que a idade e o declinar da atividade sexual estão inexoravelmente
unidos tem feito com que não se preste atenção suficiente a uma das atividades que mais contribuem
para a qualidade de vida nos idosos,como é a sexualidade. Entretanto, os estudos médicos demonstram
que a maioria das pessoas de idade avançada é capaz de ter relações e de sentir prazer em toda a gama
das atividades a que se entregam as pessoas mais jovens. Qualidade de vida está diretamente
relacionada à satisfação das necessidades, carências e desejos (como o sexo). E devemos levar em
conta que, a atividade sexual, éum fator a ser considerado importante e que influência de maneira positiva
na qualidade de vida, principalmente na vida de idosos. (18)

As atividades sexuais, têm uma pluralidade de fins. As gratificações que um individuo tira de suas
atividades sexuais são de grande diversidade e de grande riqueza. Muitas vezes a pessoa idosa deseja a
atividade sexual para remetê-la à juventude, e a momentos de extrema felicidade que possui em seu
passado. Pelo desejo ele pode reavivar as cores de seus anos passados e viris. Porém esse desejo só se
encontra em idosos que atribuíram ao longo da vida um valor positivo a atividade sexual. Pessoas que
repugnavam as atividades sexuais, utilizam a desculpa de estar velho para "poder" abandonar a vida
sexual ativa. Enfim, segundo os autores a vida sexual prolonga-se tanto mais, quanto mais rica e mais
feliz tiver sido. Conhecemos os inúmeros benefícios que a atividade física traz para a saúde fisiológica e
psicológica dos indivíduos de maneira geral e puderam concluir que a atividade física influencia também a
saúde sexual, principalmente de pessoas mais idosas. (18 )

Com este estudo as autoras tiveram como objetivo investigar o perfil de mulheres idosas freqüentadoras
de uma Universidade, especialmente em programas de exercícios físicos e sua possível relação com a
qualidade de vida. Obtiveram os seguintes resultados: conceito de qualidade de vida é bastante complexo
e envolve dimensões com bem estar física, familiar e emocional, habilidade funcional, espiritualidade,
função social, sexualidade e função ocupacional que, quando integrados, mantém o individuo em
equilíbrio consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. (19)

Este estudo apresentou um método para consulta de informações sobre o perfil dos casos de idosos com
AIDS no estado de Minas Gerais no período de 1999 a 2004. Tratou-se de um estudo retrospectivo
descritivo, observou um grande número de pessoas notificadas com AIDS e com mais de 60 anos, dentre
essas pessoas é relevante o número de mulheres e heterossexuais expostas ao vírus. Os autores
concluíram que, apesar das melhorias nos meios de detecção da doença, do acesso à exames
laboratoriais e "melhoria"dos sistemas de informação em saúde, este número pode estar bem inferior a
realidade devido a subnotificação e ao despreparo dos profissionais em trabalhar a sexualidade do idoso.
(20)

O risco dos idosos contraírem o vírus existe e é necessário que incorporemos campanhas educativas e
de prevenção nos serviços de saúde, nos meios de comunicação, para esta parcela da população, até
então marginalizada e cercada de preconceitos da sociedade quanto ao sexo e sexualidade, possa
adquirir informação. (20)

Outro autor aborda o tema a respeito de doença sexualmente transmissível na velhice, tal autor teve
como objetivo de estudo analisar as percepções dos profissionais de saúde acerca da AIDS na velhice,
visando identificar os aspectos que influenciam no atendimento aos pacientes idosos soropositivos para o
HIV. Evidenciam concepções associadas a estigmas e preconceitos, igualando o conhecimento científico
ao senso comum, podendo interferir em suas práticas de atendimento. Todas essas questões remetem às
bases do fenômeno AIDS, colocando a descoberto algumas contradições que determinam as principais
dificuldades para o trato psicossocial do paciente, evidenciando que por mais que as equipes profissionais
estejam instrumentalizadas técnica, teórica e tecnologicamente, sua compreensão do fenômeno se
restringe ao seu corpo especializado e a ação se ressente na abordagem das necessidades emocionais
do paciente. (21)

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho teve por finalidade possibilitar ao leitor de modo fácil, conhecer um pouco sobre
sexualidade na terceira idade, um assunto um pouco ignorado pela sociedade a qual vivemos.

Concluímos que é possível manter viva a sexualidade em nós durante toda a nossa trajetória,
principalmente na velhice. Isso se no anteceder de nossas vidas tratamos o sexo de maneira positiva e
sem traumas. O tema nos faz refletir que idosos, assim como os jovens sentem necessidade do sexo, e
não têm como prioridade o ato em si, e sim trata a sexualidade como forma de receber e retribuir afeto e
carinho, fazendo com que se sintam capazes de despertar desejos.

Muitos idosos abatem-se com preconceitos vindos de suas famílias, muita delas chocam-se com a idéia
de que estes ainda sentem prazeres, trocam carícias e cometem o ato sexual, ridicularizando-os e
fazendo com que este desejo adormeça entre eles.

Vale ressaltar que o sexo é considerado um fator contribuinte para elevar a qualidade de vida. Ou, seja, a
prática do sexo acaba se tornando uma atividade física, que através de estudos ficou provado que esta
também é primordial para manter uma vida saudável e disposta. Idosos que deixam de praticar exercícios
físicos ou deixam de estar proporcionando uma melhor qualidade de vida para si mesmos, acabam
ficando estagnados e lamentando suas vidas, quando poderiam estar praticando exercícios, envolvendo-
se com outras pessoas, trocando experiências e em conseqüência disto, estando de tal forma
socialmente ativos. Isso seria uma maneira pela qual o idoso não se sinta inútil.

Há uma carência de informações que os idosos necessitam, pois entendem superficialmente de


mudanças que ocorrem em seus corpos e às vezes sentem-se assustados, indagados com questões que
não tem a quem recorrer para serem esclarecidas.Temos visto também que o número da população idosa
infectada pelo vírus da AIDS, aumentou consideravelmente no mundo. E notamos que existem muitas
mulheres alheias quando o assunto trata-se de climatério.

Através da pesquisa realizada, evidenciamos a necessidade de prosseguir com os estudos e experiências


junto ao restante da equipe multiprofissional, para a elaboração de teorias, protocolos que nos ajudem a
melhorar a assistência de enfermagem à essas pessoas, de modo geral, principalmente os idosos que
deixaram de viver a sexualidade.

7 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) Silva RCR, Rezende RM, Cotta LG, ET AL. O papel da enfermagem na sexualidade da 3° idade:
informar para prevenir. Ver. Cientifica da Faminas. 2007, v.3: p57. Disponível em:
<http://www.faminas.edu.br/muriae/editora/enic3/CBS-057.pdf> Acesso em: 03 mar. 2008

2) Vaz RA, Nodin N. A importância do exercício físico nos anos maduros da sexualidade. Analise
psicológica. 2005 v.3, p 329-39. Disponível em:
< http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v23n3/v23n3a11.pdf> Acesso em 10 mar. 2008

3) Gradim CVC, Sousa AMM, Lobo JM. A pratica sexual e o envelhecimento. Ver. Cogitare
Enfermagem.2007, v. 12(2): p.204-13. Disponível em:
< http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/view/9820/6726> Acesso em: 26 fev. 2008

4) CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A MULHER, 1°, 2005, Goiás. Anais eletrônicos... Goiás:
UCG, 2005. Disponível em: <http://www.prt18.mpt.gov.br/eventos/2005/mulher/anais/resumos/T07-
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5) REUNIAO ANUAL DA SBPC, 58°, 2006, Florianópolis. Anais eletrônicos... Florianópolis: PUCRS,
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6) REVISTA BRASILEIRA DE SEXUALIDADE HUMANA. SBRASH, 1998, v9(1)p.19-21Disponívelem:


<http://www.adolec.br/bvs/adolec/P/pdf/volumes/volume9_1.pdf>
7) Polit DS, Deeck CT, Hungler BP. Fdamentos da pesquisa em enfermagem: Métodos, avaliação e
utilização. Porto Alegre. Ed.5. Artmed, 2004

8) Catusso MC. Rompendo o silencio: desvelando a sexualidade em idosos. Revista Virtual Textos &
Contextos. 2005; v4: p1-18

9) Arcoverde MAM, Labrocini LM, Velho MTC. A percepção da sexualidade do idoso [dissertação
mestrado]. Universidade Federal do Paraná. 2006; p1-88

10) Almeida T, Lourenço ML. Amor e sexualidade na velhice. RBCEH. 2008; v5: p130-140

11) Almeida T, Lourenço ML. Envelhecimento, amor e sexualidade. RBGG. 2007; v10: p101-113

12) Vasconcellos D, Novo RF, Castro OP, Dury KV, Ruschel A, Couto MCPP, et al. A sexualidade no
processo do envelhecimento. Estudos de psicologia. Natal. 2004; v9: p413-419

13) Mattos GA, Nakamura EK. Aspectos da sexualidade no processo do envelhecimento[graduação de


enfermagem]. Universidade Andrade. 2001; p1-11

14) Dantas JMR, Silva EM, Lourdes MC. Lazer e sexualidade no envelhecimento. Revista da
Universidade Católica de Goiânia. 2002; v29: p1395-1420

15) Silva RMO. A sexualidade no envelhecer: um estado com idosos em reabilitação. Acta Fisiatrica. São
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Sexualidade na Terceira Idade publicado 29/11/2008 por simone
caetano em http://www.webartigos.com

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Idade/pagina1.html#ixzz1LOGuZQQz