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Boletim do PET

nº 12 Junho/2010

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Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 1 B B O O L L
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Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 1 B B O O L L

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PPEETT

Caros Leitores, Esse primeiro semestre de 2010 foi bastante movimentado: seleções do PIBIC, PIBID e PET; concursos para Prática de Ensino e Sistemática de Fanerógamas; chegada de novos professores e a despedida de nosso querido Prof. Oliver. Assim, o PET gostaria de parabenizar e dar às boas vindas aos novos professores: Mariana Guellero do Valle e Eduardo Bezerra de Almeida Junior; agradecer a disponibilidade, as contribuições e o carinho do Prof.Oliver com todos nós do PET e desejar sucesso em seu retorno à terra natal; parabenizar e desejar sucesso aos novos bolsistas PIBIC, PIBIDI e PET. E para fechar com chave de ouro esse semestre, gostaríamos de desejar a profa. Silma um excelente mandato à frente da nossa coordenação. Então para brindar esse final de semestre, é com alegria que entregamos a vocês a décima segunda edição do nosso Boletim, que inaugura a seção “Escreva você também”, onde alunos e professores podem publicar seus artigos e resenhas, além de outros assuntos de interesse. Assim gostaríamos de agradecer a re senha da nossa querida aluna Priscila Sá Rivas, que inaugurou esse espaço. Esperamos contar com a colaboração de todos na manutenção desse cantinho. O PET deseja Boas vindas aos Calouros do segundo semestre de 2010 e boas Férias a todos vocês! Gisele Garcia Azevedo Tutora do PET BIOLOGIA

Junho-2010 nº. 12

AA RR TT IIGG OO

Microbiota endógena humana e a importância do Projeto Microbioma Humano

Ao falarmos em biodiversidade, muitas vezes recordamos da exuberante variedade de plantas e animais que habitam os mais variados ecossistemas do nosso planeta, sejam eles terrestres ou aquáticos. Aos poucos, vamos pensando também nas fantásticas adaptações desses organismos, que estão associadas com as mais distintas condições impostas pelo ambiente em que vivem. Porém, muitas vezes esquecemos que o mundo e o nosso corpo, em particular, estão literalmente colonizados por uma rica e complexa diversidade de microorganismos, que, a cada dia, tem surpreendido os estudiosos com suas elevadas taxas de mutações, e, consequentemente, de adaptação e resistência às mais variadas condições ou, no caso dos microorganismos patogênicos, aos mais potentes antibióticos existentes. Segundo Burton & Kirk (2005), o nosso corpo apresenta aproximadamente 10 trilhões de células e cerca de dez vezes mais microorganismos, habitando a superfície e o interior do nosso organismo. Ao conjunto desses microorganismos, que incluem as bactérias, fungos, vírus e protozoários denominamos microbiota endógena humana, chamada

antigamente de “flora normal”, que é composta de 500 a mil

espécies diferentes.

Por: Monique Santos do Carmo

desertos”. Partindo dessa linha de raciocínio,

podemos afirmar que somos um verdadeiro bioma, constituídos por ricas comunidades microbianas que mantêm relações indispensáveis com o nosso organismo, sendo muito importante para a garantia de nossa sobrevivência. É importante ressaltar que, além da microbiota residente, o nosso corpo está constantemente sujeito a adquirir outros

microorganismos (à medida que nos alimentamos

e

deslocamos para os mais diversos lugares), constituindo a

chamada microbiota transiente. Esta microbiota normalmente

reside em caráter temporário no interior ou exterior do corpo. Porém, em alguns casos pode chegar a desenvolver patologias (quando a microbiota residente não está em condições de competir com eles) (BURTON & KIRK, 2005). Além da competição, existem outros mecanismos que inibem ou dificultam a multiplicação da microbiota residente

em nosso corpo, tais

como: a produção de excreções

ou

secreções corpóreas (urina, fezes, suor e lágrimas), o caráter ácido ou alcalino de determinadas regiões do corpo e até

mesmo

o

banho,

que

pode

remover determinados

microorganismos, dependendo do grau de proliferação

(BURTON & KIRK, 2005).

A microbiota endógena humana, também denominada residente, varia muito nas mais diversas regiões do nosso corpo, dependendo de várias condições, tais como, umidade, pH, temperatura e nutrientes disponíveis (BURTON & KIRK, 2005). Segundo um estudo desenvolvido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), que tinha como objetivo fazer uma análise genética dos microorganismos coletados em várias regiões da superfície do corpo de pessoas saudáveis, as áreas

secas e úmidas

da

pele

tem uma

diversidade maior de micróbios do que as

oleosas.

Os

pesquisadores

desse

estudo

Aquisição da microbiota endógena

Um feto não apresenta microbiota endógena, de modo que,

o primeiro contato com os microorganismos ocorre no parto.

Quando a criança nasce de um parto normal, a microbiota dela é inicialmente constituída pelas bactérias da flora fecal materna, que contamina o canal do parto. Porém, quando a criança nasce de um parto cesariano, de início, não há participação da flora fecal da

mãe,

de

modo

que

o

aparecimento

de

enterobactérias e anaeróbios (bactérias da flora intestinal) é mais tardio. Vale lembrar que, em ambos os casos, a flora da criança é

bom
bom

constituída também a partir do contato com bactérias do ar e dos alimentos. Sendo assim, é muito importante que os hospitais tenham um

padrão

no

que

diz

respeito

às

condições

afirmaram que “axilas úmidas e com pêlos,

por exemplo, ficam a uma curta distância de antebraços lisos e secos, mas, esses dois locais são tão ecologicamente diferentes quanto florestas tropicais e

sanitárias, visto que, como as crianças estão em processo

de composição da flora, elas não apresentam uma microbiota

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endógena suficientemente estabelecida para competir com possíveis microorganismos patogênicos (TRABULSI &

microorganismos, enquanto que o trato respiratório inferior é geralmente livre dos mesmos (BURTON & KIRK, 2005).

ALTERTHUM, 2008).

 

Microbiota do trato digestório

 

Outro fator de grande importância na constituição da flora endógena, diz respeito à alimentação. Crianças que são

O sistema digestório desempenha uma série de funções no nosso organismo, que se estende desde a quebra dos alimentos

amamentadas no seio materno, quando comparadas àquelas

em partículas

menores,

absorção

dos

nutrientes

até

a

alimentadas com mamadeira, apresentam uma menor

eliminação do que não é útil. Desse modo, é fundamental a

freqüência de amostras de Escherichia coli portadoras do antígeno KI, que geralmente causa bacteremias e meningite no recém nascido (TRABULSI & ALTERTHUM, 2008). É importante ressaltar que, mesmo depois de adultos,

participação dos

microorganismos,

que

entram

em

cena

garantindo uma melhor eficiência nesses processos. O trato digestório compreende a boca (com a língua, dentes e glândulas salivares), faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus. O formato anatômico da

existem determinados locais do nosso corpo que permanecem estéreis, tais como o sangue, a linfa, líquido cefalorraquidiano

boca,

a

presença de

resíduos

de

alimentos

e

de células

e a maioria dos tecidos e órgãos internos (BURTON & KIRK,

epiteliais

mortas,

favorece

o

abrigo

de

 

muitos

2005).

microorganismos, tais como bactérias anaeróbias (presentes

Para melhor conhecimento da diversidade microbiana e da adaptação dos microorganismos com as mais diferentes

 

nas margens da gengiva, no suco gengival, entre outros locais), aeróbias, e, até mesmo de leveduras, protozoários e

condições

do

nosso

organismo,

iremos

falar

sobre

a

vírus (BURTON & KIRK, 2005).

composição

microbiana

das

diferentes

regiões

do

nosso

Estima-se que 1 ml de saliva contêm cerca de 10 8 bactérias.

organismo.

Os principais gêneros encontrados na cavidade oral e faringe

 

Microbiota da pele

 

são: Staphylococcus, Streptococcus, Neisseria, Bacteroides,

Segundo Burton & Kirk (2005), a microbiota da pele é

 

Actinomyces, Treponema e Mycoplasma (TRABULSI &

constituída principalmente por bactérias e fungos. Nas regiões

ALTERTHUM, 2008).

mais úmidas e quentes (como as axilas), encontram-se uma maior concentração de microorganismos (em torno de
mais úmidas e quentes (como as axilas), encontram-se uma
maior concentração de microorganismos (em torno de 10 6
bactérias
por cm 2 ),
enquanto que, nas
regiões mais
secas, existe uma quantidade menor (em torno de
10 4 bactérias
por
cm 2 )
(TRABULSI
&
Normalmente, a diversidade microbiana no estômago não é
tão grande. Segundo Burton & Kirk (2005), isso se deve à
presença de enzimas gástricas e do pH ácido, que acaba
destruindo os microorganismos transientes ou
alóctones, ou seja, aqueles provenientes do
ALTERTHUM, 2008).
Além da grande distribuição bacteriana
na região mais superficial da pele e na
parte posterior dos folículos pilosos, existe
meio
exterior,
que
são
ingeridos
juntamente com os alimentos e bebidas.
Segundo Ladeira et al (2003), cerca de
50% dos indivíduos em todo o mundo
uma quantidade significativa destas nas
camadas mais profundas, sendo muito
importantes para a re-colonização, quando os
microorganismos
mais
superficiais
são
apresentam uma bactéria no estômago
denominada Helicobacter pylori, que está
associada a gastrite crônica, úlcera péptica e
câncer gástrico.
removidos.
Basicamente,
os
gêneros
se
tratando
do
intestino,
temos
não
predominantes
são
Staphylococcus,
somente uma grande quantidade, mas
também
Corynebacterjum e Propjoniobacterium. A espécie
Staphylococcus epidermidis é encontrada em 90 %
das pessoas. Já a espécie Propionibacterium acnes, que,
como o próprio nome sugere é responsável pela acne, está
associada diretamente com as secreções das glândulas
sebáceas (TRABULSI & ALTERTHUM, 2008).
uma elevada diversidade bacteriana. Apresentamos
10 14 bactérias para 10 13 células, ou seja, o número de
bactérias intestinais é dez vezes maior que o número de
células que constituem os nossos órgãos e tecidos. Além
disso, essas bactérias pertencem a 500 espécies distintas
(TRABULSI & ALTERTHUM, 2008).

Microbiota dos ouvidos e olhos

Geralmente, o ouvido médio e interno são estéreis, enquanto que, o ouvido externo e o canal auditivo apresentam

A microbiota intestinal apresenta uma distribuição muito heterogênea, tanto vertical quanto horizontalmente. Como o intestino delgado proximal está situado próximo ao estômago

basicamente a mesma microbiota das regiões úmidas da pele

No que diz respeito

aos olhos, a microbiota é bem mais

(sofrendo

ação

dos

fatores

limitantes

ao cres cimento

(boca e nariz). Quando um indivíduo faz o esforço para espirrar, tossir ou eliminar secreções das narinas, esses microorganismos mais superficiais podem atingir a trompa de Eustáquio e ouvido médio, causando infecção (BURTON & KIRK, 2005).

bacteriano), o mesmo não apresenta grande diversidade bacteriana, predominando os estafilococos, estreptococos e lactobacilos. Dificilmente são encontradas bactérias anaeróbias (TRABULSI & ALTERTHUM, 2008). Seguindo o trajeto intestinal, temos o íleo, que apresenta um baixo potencial de oxirredução (possibilitando o crescimento

reduzida por causa da produção das lágrimas e da enzima

de anaeróbios) e uma maior diversidade de bactérias. Já no

lisozima, que atuam como

antimicrobianos. De um modo

intestino grosso, os anaeróbios superam os aeróbios, com a

geral, são encontrados

os

gêneros

Staphylococcus,

predominância de bacteróides, bifidobactérias, fusobactérias,

Streptococcus e Corynebacterium (BURTON & KIRK, 2005). Microbiota do trato respiratório

lactobacilos, estreptococos, clostrídeos e enterobactérias. Esse percurso constitui a chamada distribuição vertical, que se

O nosso trato respiratório é dividido em superior e inferior. O primeiro abriga as fossas nasais e faringe, e o segundo abrange a laringe, traquéia, brônquios, bronquíolos e pulmões.

Como

fossas

nasais

e

faringe

são

úmidas

e quentes,

configura pelo aumento gradativo na quantidade e diversidade bacteriana (TRABULSI & ALTERTHUM, 2008). A distribuição horizontal está relacionada à presença de pelo menos três hábitats, sendo eles: luz intestinal, camada de

as fornecem condições

ideais

para

o

crescimento

de

muitos

muco e superfície epitelial, de modo que, as diferentes bactérias se distribuem de acordo com aquilo que seja mais

 

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adequado

para

sua

sobrevivência

(TRABULSI

&

muitos

microorganismos

muitas

vezes

 

depende

de

um

ALTERTHUM, 2008).

 

microambiente

específico

que

nem

sempre

pode

ser

 

Microbiota do trato geniturinário

 

reproduzido experimentalmente.

 

Como o nome sugere, o trato geniturinário é constituído

 

Mesmo para as espécies normalmente cultivadas in vitro,

pelos

órgãos do sistema urinário

(rins, ureteres, bexiga e

muito

se

tem

a

desvendar

sobre

as

relações

entre

os

uretra) e do sistema reprodutor masculino e feminino. Estando os rins, ureteres e bexiga saudáveis, apresentam-se estéreis. Porém, a região da uretra mais distante da bexiga (denominada uretra distal) e a abertura externa da mesma contêm uma diversidade muito grande de microorganismos, tais como bactérias (espécies não patogênicas de Neisseria, estafilococos, estreptococos, enterococos, difteróides, micobactérias, micoplasmas, bastonetes entéricos gram- negativos e alguns anaeróbios), leveduras e vírus (BURTON & KIRK, 2005). Como a urina ácida passa continuamente pela uretra, esses microorganismos não chegam até a bexiga. Porém, quando ocorre algum tipo de obstrução ou estreitamento da uretra, esses microorganismos se multiplicam, podendo chegar até a bexiga e causar infecções (BURTON & KIRK, 2005). Excetuando-se a vagina, o sistema reprodutor masculino e feminino normalmente são estéreis. A microbiota da vagina varia de acordo com o estágio de desenvolvimento sexual, de modo que, durante a puberdade e depois da menopausa as secreções são alcalinas, possibilitando o crescimento de bactérias como difteróides, estreptococos e E. coli (BURTON

& KIRK, 2005). Durante o período fértil, as secreções vaginais são mais ácidas (com pH entre 4 e 5) , permitindo assim o crescimento

de bactérias

(lactobacilos, alguns estreptococos alfa

hemolíticos, estafilococos, difteróides) e leveduras. De um modo especial, os lactobacilos são muito importantes para a

manutenção de um bom estado da vagina, uma vez que eles produzem o ácido lático, que impede o crescimento de outras bactérias associadas à vaginose (BURTON & KIRK, 2005).

Agressão por patógenos oportunistas

Diante

da

grande

diversidade

e

complexidade

das

 

interações

dos

microorganismos

com

o

nosso

corpo,

é

fundamental que a microbiota endógena esteja em equilíbrio. Qualquer alteração nessa homeostase pode gerar uma série de problemas para o nosso organismo.

Vários

fatores

estão

associados com esse desequilíbrio,

sendo que, segundo Finegold & Wexler (1988 apud Souza &

Scarcelli 2000), um dos principais diz respeito ao

uso

indiscriminado de drogas antimicrobianas, principalmente dos antibióticos. Esses medicamentos podem destruir uma boa parcela da microbiota residente, facilitando assim o crescimento excessivo de microorganismos que normalmente fazem parte da nossa microbiota, mas, em pequeno número. Dessa forma, a multiplicação desenfreada desses microorganismos denominados de patógenos oportunistas, causa o que se convencionou chamar de superinfecção. Um bom exemplo disso diz respeito à levedura Candida albicans, que geralmente está presente em pouco número nas aberturas do nosso corpo, porém, quando por qualquer motivo a nossa microbiota residente é reduzida a um pequeno número, esse microorganismo cresce intensamente na boca, vagina ou intestino grosso, causando a patogenia chamada de Candidíase (BURTON & KIRK, 2005).

Projeto Microbioma Humano

A microbiologia tradicional tem direcionado seu foco para o estudo das espécies como unidades isoladas, que, com seus

devidos méritos permitiu a descoberta e descrição de muitos microorganismos. Porém, nem sempre é possível isolar espécimes viáveis para análise, porque o crescimento de

microorganismos e interações micróbio-hospedeiro. Embora algumas técnicas tradicionais da genética tenham auxiliado a elucidar determinadas questões, investindo no seqüenciamento

do genoma de cepas bacterianas cultivadas em laboratório,

existe

ramo metagenômica, que

um

muito interessante denominado

permite

analisar

o

material

genético

derivado de completas comunidades microbianas colhidas diretamente do seu ambiente natural. Dessa forma, a metagenômica apresenta-se como uma ferramenta muito interessante, que, aliada às tradicionais técnicas já existentes na genética, propicia uma análise de cepas bacterianas conhecidas, providenciando informações sobre a complexidade das comunidades microbianas humanas, um dos objetivos do Projeto Microbioma Humano (HMP). Esse projeto, lançado no ano de 2008, com previsão de

extensão até 2013 tem como principal objetivo fazer uma caracterização mais precisa da microbiota humana (seja de microorganismos cultiváveis ou não) e analisar seu papel na

saúde e nas patologias. As amostras estão sendo coletadas de cinco áreas do corpo:

do trato digestivo, da boca, da pele, das narinas e da vagina. Os pesquisadores encontraram alguns resultados interessantes, como a descoberta de proteínas produzidas por algumas bactérias que vivem no estômago que pode causar ulceração gástrica, descoberta de algumas proteínas associadas com o

metabolismo de açúcares

e aminoácidos

e

a

descoberta de

14.064 novas proteínas que estão disponíveis no banco de dados do projeto. Durante este ano e no próximo, o HMP estará financiando projetos que amostrem o microbioma de voluntários saudáveis e com doenças específicas, permitindo que os pesquisadores estudem mudanças no microbioma de partes específicas do corpo de indivíduos saudáveis que são usados como controle, comparando-os com pacientes afetados por algum problema de saúde. Além das regiões já citadas, as amostras estão sendo coletadas do sangue e da uretra masculina. Dessa forma, o Projeto Microbioma Humano apresenta um papel chave, que, com as descobertas realizadas até agora e os futuros experimentos, estarão auxiliando na melhor compreensão da microbiota endógena humana, no sentido de melhor elucidar suas relações com o hospedeiro.

Referências Bibliográficas BURTON, G.R.W & KIRK, P.G.E. Microbiologia para as Ciências da Saúde. 7ª edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2005.

FERNANDES, T. As bactérias da sua pele. Dispomível em: <

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/microbiologia/as-bacterias-da-

sua-pele/> Acesso em: 09 mai. 2010.

LADEIRA, M.S.P. ; SALVADORI, D.M.F. ; RODRIGUES, M.A.M. (2002) Biopatologia do Helicobacter pylori. J. Bras. Patol. Med. Lab, Rio de Janeiro, v.39, n.4, 335- 342, 2003.

SCIENCE NEWS. Human Microbiome Project: Diversity of Human Microbes Greater Than Previously Predicted. Disponível em: <

http://www.sciencedaily.com/releases/2010/05/100520141214.htm

Acesso em: 22 mai. 2010.

>

SOUZA, C.A.I & SCARCELLI, E. Agressão por microrganismos da microbiota endógena. Arq.Inst. Biol. São Paulo, v.67, n.2, 275-281, jul/dez., 2000.

TRABULSI, L.R. & ALTERTHUM, F. Microbiologia. 5ª edição. Editora Atheneu, 2008.

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RR EESS EENN HH AA SS

Última fronteira na dinâmica de populações

Por: Lana Gabriela Mendes

Populações naturais são formadas pelo conjunto de indivíduos de uma mesma espécie, que ocupa determinado tempo em certa área. Essas populações estão em constante mudança, devido às taxas de mortalidade, natalidade, migração e emigração, mantendo, no entanto, o equilíbrio. O estudo a cerca das variações anteriormente citadas, que ocorrem nas populações de seres vivos, chama-se de dinâmica de populações. Recentemente, uma nova área dentro da dinâmica de populações tem sido expandida e tem contribuído grandemente para a compreensão de fenômenos como controle de doenças e epidemias: a ecologia do movimento. Os pesquisadores Paulo Almeida, Diogo Loretto, Marcus Vieira (UFRJ) e Marcelo Ba rros (Laboratório Nacional de Computação Científica RJ) trazem na revista Ciência Hoje do ano corrente um artigo intitulado “O movimento dos animais”, que lança uma interessante teoria sobre a movimentação de populações. Os autores tentam explicar o movimento realizado pelas populações através da Teoria dos fractais. Esta teoria permite a quantificação da “tortuosidade do itinerário de uma espécie animal em seu ambiente”, por meio de relações matemáticas simples. Estudos como este são importante em diversas situações ecológicas, como no caso dos gambás deorelhapreta. Estes animais mudam seus padrões de movimentação entre jovens e adultos, nas fases reprodutivas e não reprodutivas, quando machos; e de acordo com as estações, no caso das fêmeas. A análise fractal destes animais mostrou também que o tamanho da população influencia no seu padrão de movimentação, evidenciando movimentos mais tortuosos e concentrados, quando em alta densidade, e movimentos mais amplos e menos tortuosos quanto menor for a densidade populacional. Ou seja, muito além de avaliar a densidade e abundância de populações através do tempo, pesquisas como esta permitirão também a compreensão de como a densidade populacional pode influenciar no movimento dos próprios indivíduos , avaliando sua dinâmica no espaço. Este estudo permitiu, como dizem os autores, transpor a última fronteira na dinâmica de populações, possibilitando a ligação entres as dinâmicas espacial e temporal. É sabido por todos que grande parte das explicações da dinâmica de populações parte de modelos matemáticos, e mais uma vez, as relações numéricas garantem à ecologia respostas mais fáceis de explicar, entender e combinar as múltiplas variantes dos ecossistemas existentes.

Fonte: Ciência Hoje vol. 45/2010: O movimento dos Animais Paulo Almeida, Diogo Loretto, Marcus Vieira (UFRJ) e Marcelo Barros (Laboratório Nacional de Computação Científica RJ)

Impacto dos microorganismos no clima terrestre:

 

isso é possível?

variados tamanhos que se localizam na coluna d`água e de

Por: Haylla Cristina Saraiva Ribeiro Quase todos os dias, os mais variados meios de comunicação nos

Por: Haylla Cristina Saraiva Ribeiro

Quase todos os dias, os mais variados meios de comunicação nos apresentam problemas referentes às alterações climáticas e ao efeito estufa. Além deste tema já tão debatido, fala-se constantemente no grande vilão do meio ambiente e causador de tais alterações: o homem. Porém, além de causador, ao homem também é dado o papel de salvador do planeta Terra. Quando a questão gira em torno do clima, muitas vezes é levado em consideração apenas os macro- organismos, quer sejam os grandes animais ou as plantas, como agentes causadores e solucionadores deste

extrema importância para a cadeia alimentar. Este aglomerado de substâncias orgânicas é colonizada por micoorganismos que quebram, através de enzimas, as macromoléculas transformando- os em compostos menores. Ainda segundo a autora, alguns modelos de ciclagem de nutrientes consideram que metade da demanda bacteriana por carbono é satisfeita através da interação dos micoorganismos com esta Neve. É válido destacar ainda que a ação antrópica é modificadora da biosfera como um todo e, obviamente, os seres microscópicos não estão isentos de tais influências. Desta forma, pode-se dizer

o

homem

afeta

duplamente

(direta

e

indiretamente) o clima da Terra, uma vez que o

impacto

gerado

por

ele

poderá

ter

efeito

problema. Neste

artigo,

no

entanto,

a autora

os

que e
que
e

meio

planeta

imprevisível para essas comunidades.

 

apresenta outros organismos que podem dar

Além

disso,

é

importante

frisar

que

as

contribuições significativas no que tange ao clima

relações existentes entre os microorganismos e o

na

Terra.

De

uma

forma

dinâmica,

 

em

que

vivem

não

estão

totalmente

microorganismos,

especialmente

as

bactérias

archeaes, são lançados à luz da questão e características

esclarecidas

pelos

cientistas.

Vivemos

em

riquíssimo

em diversidade

de

espécies

um

e,

que vão além da sua importância na base de sustentação da vida parecem ter um efeito benéfico nos diferentes ecossistemas, uma vez que seu metabolismo libera gases necessários à dinâmica do controle climático. Dentre os exemplos já conhecidos, como o seqüestro de Gás

Carbônico,

é

destacado

o

ciclo

do

Enxofre, produto das

atividades metabólicas dos procariotos marinhos. Segundo a autora, há também um importante produto das atividades metabólicas, o composto volátil dimetil-sulfeto (DMS), que ao

ser liberado

no

meio,

age

como

condensador

de

nuvens,

importante elemento refletor de

raios

solares

e

dispersor de

chuvas. Outra condição interessante citada pela autora refere-se à Neve Marinha, que é um agregado de compostos orgânicos de

consequentemente, em interações ecológicas; no entanto, nos detemos quase sempre a enaltecer a capacidade que o homem tem em influenciar o meio ambiente, de forma positiva ou não.

Acostumamo -nos também a pensar que as grandes mudanças somente são causadas pelos macroorganismos. Desta forma, esforços conjuntos na atual crise climática devem ser executados

e estudos sobre todos os organismos devem ser realizados, sem desconsiderar o menor dos organismos, pois indubitavelmente estamos longe de entender o complexo emaranhado de relações

que estes possuem e nosso planeta.

qual a influência das suas atividades no

Fonte: RIBEIRO, C. G. A música do microcosmo. Revista Ciência Hoje , vol 45, p. 41-45, nov 2009.

Pombos

urbanos,

o„‟caos‟‟ das

cidades

Por: Carlos Celso Frazão Saraiva Júnior

Os pombos urbanos (Columbia livia domestica), descendentes do pombo-da- rocha (Columbia livia livia) e originários do leste europeu e da África do Norte, foram trazidos ao Brasil em meados do século XVI por colonos europeus e obtiveram um grande sucesso no processo de sinurbização, devido a abundância de alimentos nas cidades e pela grande disponibilidade de lugares que serviam de abrigo aos mesmos. Os pombos, em registros históricos, representavam vários tipos de simbologias, como paz, fertilidade, esperança e libertação, diferente do que são considerados atualmente. Apelidados de

„‟ratos com asas‟‟, esses animais vêm

ocasionando vários problemas aos patrimônios públicos e saúde social. Pesquisas recentes, realizadas no estado de São Paulo, mostraram que os pombos das cidades podem ser considerados grandes veiculadores de parasitos que podem afetar a saúde humana. Foi relatado que patógenos,

como

a

giárdia, Entamoeba histolytica,

Ascaris lumbricóides e Ancylostoma

duodenale, que são

sérios

causadores de

doenças, estão presentes em grande parte das amostras de fezes coletadas em regiões de muita circulação humana e movimentos de

alimentos. Além dos

casos

citados, há

penugens e

também as

as fezes

secas

dos

que são causadoras

mesmos

de alergias

e

irritações respiratórias. Problemas como a contaminação de depósitos de alimentos e reservatórios de água com dejetos e resíduos

dessas

aves, também podem ser bastante

relevantes

para

a

questão

social

e

econômica.

Contudo, para amenizar o número de pombos nas cidades, é necessário que sejam aplicados vários métodos de controle, como

tintas

repelentes, repelentes sonoros,

injeções de infertilidade, retirada dos ninhos de locais importunos, diminuição da disponibilidade de alimentos; e que mais estudos sejam realizados sobre o assunto, pois muito pouco é encontrado na literatura, principalmente nos casos dos ectoparasitas (carrapatos, pulgas, ácaros, moscas), que também são potenciais causadores de doenças para os humanos e os animais.

Fonte: SHULLER, M. Pombos urbanos,

um caso de saúde pública. Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação.

Artigo técnico.

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Uma dieta diferente

Por: Itaynara Lobato Dutra

A ideia de que as plantas são organismos

em incontestável. No entanto, a natureza é realmente surpreendente: quando pensamos que seus mistérios foram desvendados, algo

um

autotróficos

consiste

fato

novo e intrigante surge. A exemplo disso temos as plantas carnívoras, que se desviam

dessa “regra” ao incrementarem sua dieta

com suprimento de origem animal.

O

motivo que leva essas plantas a desenvolver

esse comportamento e os mecanismos utilizados por elas são questões que os pesquisadores procuram há muito
esse comportamento e os mecanismos
utilizados por elas
são questões que
os pesquisadores
procuram há muito
tempo resolver.
Um artigo escrito
por Carl Zimmer,
intitulado
“Atração

Fatal” e publicado na National

Geografic

traz muitas informações interessantes acerca desse estranho e fascinante fenômeno. A dionéia, por exemplo, é considerada

por

Alexander

Volkov,

fisiologista

de

plantas

na

Universidade

Oakwood

no

Alabama

(EUA),

como

uma

“planta

elétrica". Um inseto, ao tocar em um pêlo da folha de uma dioneia, dispara uma minúscula carga elétrica, que se acumula no

tecido da folha, mas não é suficiente para estimular o seu fechamento, mecanismo que evita reações diante de alarmes falsos como

gotas

de

chuva.

Porém,

um

inseto

em

constante movimento

dentro

da

folha

encosta-se

em

mais

pêlos

induzindo

a

produção de carga suficiente para fazer a folha fechar. Essa carga elétrica viaja por túneis cheios de fluídos na folha, abrindo

poros

nas

membranas

celulares

e

possibilitando o transporte da água para fora dessas folhas, o que muda a conformação da

planta, de convexa para côncava, fazendo com que as folhas se fechem aprisionando o inseto.

A

utriculária, por sua vez, através

da

ejeção de água

para

fora de bexigas, cria

ambientes

de

baixa

pressão.

Quando

o

animal esbarra em um pêlo-gatilho de bexiga, esta se abre e a baixa pressão suga a água e o animal para dentro. Já as plantas do

gênero Sarracenia e as nepentácias utilizam- se de folhas em forma de tubo comprido para aprisionar insetos e, dependendo do

tamanho,

podem

até

consumir

animais

maiores

como

sapos

ou

ratazanas.

As

plantas

carnívoras

geralmente

possuem

glândulas que secretam enzimas para digerir os insetos. No entanto, a sarracenia purpúrea dispõe da ajuda de outros organismos, como

de larvas de mosquito, mosquitos adultos, protozoários e bactérias, para digerir seu alimento. Experimentos mostraram que plantas que se alimentam de

animais ficam maiores. Mas, ao contrário dos animais carnívoros,

que

usam

o

carbono

das

proteínas e das gorduras de sua dieta para construir músculos e armazenar energia, as plantas

carnívoras

aproveitam

o

hidrogênio, fósforo

e

outros

nutrientes fundamentais de suas presas para produzir enzimas que ajudam na captura da luz. As plantas carnívoras possuem uma

deficiência

na

 

fotossíntese

devido

ao

fato

de

grande

quantidade

de

energia

ser

desviada

para

a

captura

de

animais.

Entretanto,

em

condições

especiais, como

solo

pobre

que

oferece

pouco

nitrogênio e fósforo, esse custo

pode

ser

entendido

pela

vantagem que

traz

as

plantas

carnívoras em relação às outras

plantas

locais.

Além disso,

os

locais

de

ocorrência

dessas plantas

dessas

plantas

 

são

muito

ensolarados,

de modo que até mesmo uma planta carnívora ineficiente consegue fazer

fotossíntese

suficiente

para

sobreviver.

Assim,

as

plantas carnívoras

representam uma das evidências mais fascinante da complexidade da natureza. Adaptações como as

supracitadas só tendem a reafirmar o caráter dinâmico e criativo da evolução, a qual nos proporciona

muitos

enigmas

que

sempre

estamos empenhados a desvendar.

Fonte: ZIMMER, C. Atração Fatal. National Geographic, ed. 120, mar 2010. Disponível em:

<http://viajeaqui.abril.com.br/natio

nal-geographic/edicao-120/plantas-

carnivoras-armadilhas-

535476.shtml>

Pombos urbanos, o „‟caos‟‟ das cidades Por: Carlos Celso Frazão Saraiva Júnior Os pombos urbanos (
Pombos urbanos, o „‟caos‟‟ das cidades Por: Carlos Celso Frazão Saraiva Júnior Os pombos urbanos (
Pombos urbanos, o „‟caos‟‟ das cidades Por: Carlos Celso Frazão Saraiva Júnior Os pombos urbanos (

Boletim do PET

nº 12

Junho/2010

p. 6

Sexo e tamanho

Por: Milena Jansen Cutrim Cardoso

Stephen Jay Gould foi um dos maiores divulgadores da ciência do século XX, pela sua habilidade e facilidade em tratar de assuntos biológicos. Paleontólogo professor de Harvard, ele manteve uma coluna mensal na revista Natural History de 1973 a 2001, escrevendo mais de 300 ensaios sobre história natural.

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 6 Sexo e tamanho Por: Milena Jansenequilíbrio pontuado, teoria que provocou grande polêmica no meio acadêmico por contrapor o princípio do gradualismo usado por Darwin para explicar a especiação dos organismos. Escreveu durante 27 anos uma coluna na revista Natural History, colecionando mais de 300 ensaios sobre História Natural e Evolução. Muitos destes textos foram publicados nos seus inúmeros livros, como O polegar do panda , Dedo mindinho e seus vizinhos , O sorriso do flamingo , A falsa medida do homem , Darwin e os enigmas da vida , dentre outros. Alguns destes títulos podem ser encontrados na biblioteca do PET. " id="pdf-obj-5-22" src="pdf-obj-5-22.jpg">

sobre

Em um desses artigos, chamado “Sexo e tamanho”, publicado também em

seu livro “O sorriso do Flamingo”, ele

desmistifica

a

história

natureza, os

machos

maiores que as fêmeas.

Seu

texto

começa

de

que,

na

são

sempre

falando

 

pequenos moluscos com conchas, os crepidópodes da espécie Crepidula fornicata, organismos que vivem uns sobre os outros em amontoados, no qual os indivíduos menores do topo são todos machos, enquanto que os organismos maiores situados na

base são fêmeas. Essa espécie na verdade é monóica, sendo que os pequenos jovens desenvolvem-se em machos e, conforme

vão crescendo em tamanho, passam a desenvolver órgão reprodutor feminino. Esse é um padrão de desenvolvimento
vão
crescendo
em
tamanho,
passam a
desenvolver
órgão
reprodutor
feminino. Esse é um padrão de
desenvolvimento de organismos
hermafroditas
chamado
de
protandria, no qual se atinge a
maturidade sexual primeiro
como
macho
e
é bastante
comum em invertebrados, grupo
mais
numeroso em número de
espécies
que
o dos vertebrados,
táxon ao qual fazemos parte.
Para a fêmea é importante ter um corpo maior, já que é ela a
responsável por produzir os
óvulos,
células
maiores por
conterem e transportarem organelas citoplasmáticas
e
substâncias nutricionais
para
o
embrião,
ao
contrário
do

espermatozóide que é uma célula pequena responsável por carregar somente o DNA. Além disso, a fêmea geralmente realiza o cuidado parental básico de carregar consigo os ovos, protegendo-os. Logo, uma fêmea maior pode produzir maior quantidade e qualidade de óvulos e filhotes. No entanto, em alguns animais hermafroditas, os machos são os indivíduos maiores. Isso ocorreria porque machos mais competitivos (maiores e mais fortes) são os que conseguem passar seus genes em maior quantidade para as próximas gerações, já que são os que ganham o acesso às fêmeas. Como a competição exige padrões de comportamento mais flexíveis e

amplos, o sistema nervoso desses animais tendem a ser mais desenvolvido, como nos vertebrados, em que o padrão protogínico (fêmea primeiro) é comum. Exemplos disso são os peixes, como os da espécie Anthias squamipinis, que vivem e m grupos de oito fêmeas e um macho. A competição entre machos para manter o harém é intensa e a sua remoção induz a mudança de sexo de uma das fêmeas do grupo, que desenvolve coloração mais vistosa, espinhos maiores nas nadadeiras, flâmulas mais elaboradas da nadadeira caudal, além, é claro, do tamanho corpóreo maior. Mais um exemplo de protandria, como nos invertebrados, ocorre com as plantas da espécie Arisaema triphyllum, um tipo de nabo selvagem. Essa é uma espécie díclina, ou seja, o androceu e o gineceu ocorrem em flores diferentes.

Policansky, estudando plantas

dessa

espécie

em

Massachussets nos

Estados

Unidos,

registrou

2038

indivíduos, nos quais 1224 tinham flores masculinas com

média de altura de 336 mm, enquanto que 814 eram fêmeas medindo em média 411 mm. Esse cientista constatou que a altura de 380 mm era determinante para definir o sexo de suas flores. Abaixo dessa altura a maioria dos indivíduos era macho e acima, a maioria era fêmea. As plantas masculinas tendiam a se transformar em fêmeas conforme crescessem e as femininas, por razões que levavam a planta a diminuir seu

tamanho (herbivoria, atrofia por causa da quantidade insuficiente de luz ou desvio de reservas energéticas na
tamanho
(herbivoria,
atrofia
por
causa
da
quantidade
insuficiente
de
luz
ou
desvio
de reservas
energéticas na
produção
exagerada de sementes) passavam
a
produzir
flores
com
estruturas masculinas.
Utilizando-se
de
um
organismo
que
pode
mudar
de
sexo
em
qualquer
direção
como
conseqüência
direta
do
tamanho
do
indivíduo,
como
explicado
no
último
exemplo, Gould mostrou que a natureza operaria
preferencialmente com organismos protândricos
e
que
a

protoginia apresentada pelos vertebrados seria uma exceção a essa regra. Muitas vezes tomamos como padrão características que são comuns na nossa espécie ou nas mais próximas filogeneticamente de nós. Dessa vez, Gould nos mostrou que o homem não é a medida para todas as coisas.

Fonte: Gould, Stephen Jay. O sorriso do flamingo:

reflexões sobre história natural. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. cap. 3: Sexo e tamanho, p. 45-51.

SAIBA MAIS:

Stephen Jay Gould nasceu em 1941, na cidade de Nova Iorque. Era paleontólogo, professor das Universidades de Harvard e Nova Iorque, curador do Museu de Zoologia Comparada de Harvard, além de um dos mais importantes escritores científicos de sua geração. Também é conhecido por desenvolver, junto com o também paleontólogo Niles Eldredg, a teoria do equilíbrio pontuado, teoria que provocou grande polêmica no meio acadêmico por contrapor o princípio do gradualismo usado por Darwin para explicar a especiação dos organismos. Escreveu durante 27 anos uma coluna na revista Natural History, colecionando mais de 300 ensaios sobre História Natural e Evolução. Muitos destes textos foram publicados nos seus inúmeros livros, como O polegar do panda, Dedo mindinho e seus vizinhos, O sorriso do flamingo, A falsa medida do homem, Darwin e os enigmas da vida, dentre outros. Alguns destes títulos podem ser encontrados na biblioteca do PET.

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 6 Sexo e tamanho Por: Milena Jansenequilíbrio pontuado, teoria que provocou grande polêmica no meio acadêmico por contrapor o princípio do gradualismo usado por Darwin para explicar a especiação dos organismos. Escreveu durante 27 anos uma coluna na revista Natural History, colecionando mais de 300 ensaios sobre História Natural e Evolução. Muitos destes textos foram publicados nos seus inúmeros livros, como O polegar do panda , Dedo mindinho e seus vizinhos , O sorriso do flamingo , A falsa medida do homem , Darwin e os enigmas da vida , dentre outros. Alguns destes títulos podem ser encontrados na biblioteca do PET. " id="pdf-obj-5-147" src="pdf-obj-5-147.jpg">
Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 7 Evolução Humana é a mais perfeita?

Boletim do PET

nº 12

Junho/2010

p. 7

Evolução Humana é a mais perfeita? Soluços e hérnias mostram que não

Por: Fabíola Garreto de Sousa Soluços, hérnias e outras características que perturbam humanos têm origem

no nosso parentesco evolutivo com peixes e anfíbios, e do compartilhamento de certos caracteres com os mesmos. Um exemplo claro disso é o longo e dispendioso caminho do cordão espermático, que muitas vezes culmina, após algum tempo, em uma maior suscetibilidade e fragilidade a diversos tipos de hérnias nos homens. Além disso, os nervos herdados dos peixes no seu trajeto do pescoço em direção ao diafragma podem desencadear soluços, processo desencadeado pelo fechamento da passagem da traquéia, herdado dos anfíbios.

No

caso do

cordão

espermático, as

gônadas humanas têm o

início

do

desenvolvimento semelhante às dos tubarões, peixes e outros animais vertebrados. Assim sendo, nos primeiros as gônadas se formam numa cavidade abdominal alta do corpo, próxima ao fígado e permanecem ali, sendo o esperma provavelmente produzido nessa região. Nos mamíferos, o desenvolvimento se

diferencia dos animais aquáticos, pois na formação do feto masculino as gônadas descem, no caso dos machos até o saco escrotal localizado fora do corpo, caracterizando uma enorme importância na qualidade do esperma. E é aí

que mora o perigo: para que os testículos desçam até o saco escrotal, acabam forçando o cordão espermático a uma virada em forma de laço, que nos homens provoca uma fraqueza na parede abdominal, podendo ocasionar diversos tipos de hérnias quando uma alça do intestino sai desse ponto fraco.

O exemplo dos soluços

mostra a existência de

duas vertentes de nossa

história: uma compartilhada com os peixes e outra com anfíbios. Dos peixes herdamos os principais nervos da respiração, um desses denominado nervo frênico, que estende-se da base do crânio ao tórax e ao diafragma, e qualquer coisa que bloqueie o trajeto nesses nervos pode interferir diretamente na

respiração. Uma solução evolutiva mais racional seria colocar o início desses nervos em um local mais próximo ao diafragma, o que infelizmente não aconteceu. O soluço, então, pode ser fruto do passado em comum que temos com anfíbios, os quais possuem um padrão característico de músculos e nervos na produção do soluço. Nesse caso, quando os girinos usam a respiração branquial, precisam bombear água para a boca e garganta sem deixar que ela entre nos pulmões, o que eles conseguem através do fechamento da glote, impedindo a descida da água pelas vias respiratórias, uma forma de soluço estendido.

Sendo

assim, vemos

que grande parte da nossa história aconteceu

em

oceanos, córregos e savanas, diferentemente dos locais onde nos encontramos hoje. Nossos ossos dos joelhos, costas e pulsos surgiram em criaturas aquáticas há centenas de milhares de anos. Talvez esteja aí à explicação do rompimento de nossas cartilagens e dores nas costas ao andarmos sobre duas pernas, assim como o porquê do desenvolvimento de síndromes e lesões por movimentos repetitivos quando digitamos, escrevemos ou tocamos piano, por exemplo. Nossos ancestrais não faziam nada disso, o projeto inicial de um peixe foi tão modificado para andar ereto, falar, pensar, e ter capacidade motora que resultou em um desastre com alto preço a ser pago pela transformação. A partir disso vemos como nossa própria evolução nos levou a um beco sem saída e como a própria tecnologia que criamos nos trouxe, apesar dos inúmeros e indiscutíveis avanços, problemas fisiológicos, anatômicos e motores, mostrando que ainda não estamos tão adaptados como costumamos pensar, e que nossa adaptação também foi para nós uma via de mão única, onde tanto ganhamos quanto perdemos. Em um mundo sem essa história herdada, não teríamos complicações como soluços e hérnias, no entanto também não seríamos tão eficientes e com tantas habilidades únicas.

Fonte: Shubin, N. H. A ascensão do homem. Revista Scientific American, edição especial, n. 37

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 7 Evolução Humana é a mais perfeita?

A paradoxal atitude humana

Por: Rafael Cabral Borges

Quantos de nós, integrantes da sociedade humana, já nos questionamos sobre nossa atitude paradoxal em relação à natureza? Por que, mesmo cientes das conseqüências potencialmente irreversíveis dos nossos atos, nós continuamos a destruí-la? Essa é a questão levantada pelo pesquisador Franklin Rumjanek (UFRJ) em seu artigo: Homo sapiens „kamikazis‟ (Ciência Hoje, Março – 2010). O autor inicia sua discussão fazendo uma comparação entre homens e cavalos, que a primeira vista pode ser considerada de mau

gosto e inconcebível,

que quando

mas

analisada, torna-se uma verdade

na

qual

a

maioria dos

homens

não

quer acreditar ou

aceitar. Os cavalos são conhecidos

como suicidas, pois podem cavalgar até a morte, se esse for o desejo de seu cavaleiro, portanto,

abdicam da

eles

própria

em favor

vida

do

desejo

de

cavaleiro. O autor usa

seu

uma

citação de William Faukner para mostrar o

desprezo que inúmeras pessoas sentem por essa atitude. Porém, apesar de desprezarmos tal atitude,

a sociedade humana percorre, já há

algum

 

tempo, uma

consciente

trajetória

de

autodestruição, comparável à do

cavalo. A

natureza hoje passou a ser temida, a tecnologia passou a ser nossa principal ferramenta de destruição e as grandes metrópoles são o

melhor abrigo para nos proteger da natureza e

todos os seus “perigos”.

Se pararmos para analisar, a grande maioria

das nossas crianças já não tem e não querem ter contato com a natureza por possuírem um medo intrínseco de algo que elas nunca tiveram contato. Atualmente, o conhecimento das crianças sobre a natureza se restringe aos animais capazes de lhes causar danos, já que, para elas, o mundo “selvagem”, natural, é uma ameaça, que pode se tornar real através de uma mordida, picada ou mesmo um terremoto ou tsunami, pois são essas as imagens da natureza divulgadas na maioria dos programas de televisão. É de grande importância que os biólogos possam trabalhar em conjunto com os grupos já existentes de pessoas que acreditam que as crianças possam estar sofrendo de um déficit de natureza, como fala Richard Louv (autor do livro: A última criança da floresta: salvando

nossas

crianças

do

déficit

de

natureza).

Precisamos fazer parte da divulgação de toda a beleza e vida das interações biológicas. E, o

mais importante, precisamos que as novas gerações compreendam que a natureza precisa ser preservada se nós quisermos continuar sssssssssss vivos. aaaaaaa Fonte: Rumjanek, F. Homo sapiens qqqqqq „kamikazis‟. Ciência Hoje, vol. AAAAAA 45, n. 268, p. 21, mar. 2010.

Boletim do PET

nº 12

Junho/2010

p. 8

EESSCCRR EEVVAA VVOOCCÊÊ TTAAMM BBÉÉMM

Por: Priscila Marlys Sá Rivas

Nos últimos anos, muitas pesquisas têm focado no entendimento dos mecanismos moleculares envolvidos no controle da síntese e degradação de proteínas, uma vez que muitas doenças que acometem os seres humanos são resultado do desequilíbrio do turnorver protéico. A desnutrição, anorexia, caquexia (perda excessiva de massa muscular em indivíduos com câncer ou contaminados com HIV), a sarcopenia (perda natural de massa muscular devido à idade), as distrofias musculares, alterações metabólicas e endócrinas acarretam em um aumento da taxa de degradação protéica. O músculo esquelético é o principal reservatório de proteína corporal e é o tecido que fornece essa macromolécula em estados de deficiência protéica nos organismos. Para isso, as células musculares esqueléticas devem requisitar uma série de enzimas que atuam degradando polipeptídeos. A via de proteólise não-lisossomal é realizada pelo sistema ubiquitina-proteossomo. Este sistema envolve o complexo proteossomo, conhecido como 26S (constituído por 2 subunidades regulatórias, 11S e 19S, e por uma subunidade catalít ica, 20S) e pelas enzimas da família ubiquitina. Este complexo não só degrada proteínas miofibrilares durante o catabolismo, mas também proteínas intracelulares.

O processo de degradação protéica inicia-se pela a marcação da proteína alvo por uma série de enzimas

as ubiquitinas E1, E2 e

E3 que adicionam monômeros de ubiquitina à cadeia das proteínas (poliubiquitinadas), alterando a estrutura das mesmas, que passa m a estar desenroladas para melhor ação do sistema proteossomo. A segunda etapa constitui no reconhecimento da cadeia poli-Ub pela subunidade 19S. Com energia fornecida por ATP-ases, o substrato é reconhecido, desdobrado e desubiquitinado. Os canais do proteossomo 20S (subunidade catalítica) são abertos e a cadeia polipeptídica é degradada por hidrólise. As cadeias polipeptídicas geradas são degradadas por exopeptidases. Estas possuem peso e tamanho variáveis e o mecanismo bioquímico que gera estas diferenças ainda não está bem elucidado.

E E S S C C R R E E V V A A V V

Ubiquitinação da proteína-alvo e degradação pelo complexo proteossomo. Fonte: Mich & Goldberg, 1996.

O sistema ubiquitina-proteossomo é regulado pela oferta de aminoácidos. Hamel e colaboradores (2003) demonstraram que os aminoácidos isoleucina, leucina, tirosina, fenilalanina, triptofano, lisina, e arginina influenciam negativ amente a atividade do proteossomo em células da musculatura esquelética. Quanto maior a quantidade de aminoácidos em nossa dieta, menores são as ta xas de proteólise muscular. Esse processo de downregulation reflete as complexas interações que ocorrem em nosso organismo, que é uma verdadeira máquina de controle das respostas celulares.

Fonte: BECHET, D. et al. Regulation of Skeletal Muscle proteolysis by Amino Acids. Journal of Renal Nutrition, vol 15 (1), p. 18- 22, 2005b.; CIENCHANOVER, A. Early work on the ubiquitin proteasome system, an interview with Aaron Ciechanover. Cell Death Differ. vol. 12 (9), p. 116777, 2000; GORBEA, C. et al. Assembly of the regulatory complex of the 26S proteasome. Mol Biol Rep. vol. 26 (1-2), p. 1519, 1999; MITCH, W.E., GOLDBERG, A.L. Mechanisms of muscle wasting New England Journal of Medicine, Boston, v.335, n.25, p.1897-1905, 1996.

Data: 30 de Junho a 09 de Julho de 2010

Local: São Luís MA Site: http://ejmutual.com.br/empresa/page/ii- curso-de-campo-em-ornitologia

EEVVEENN TTOOSS

XV ENAPET ENCONTRO NACIONAL DOS GRUPOS PET

Data: 25 a 30 de Julho de 2010

Local: Natal RN Site: http://www.ena.pet.ufrn.br/

XXXI ENEB - ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE BIOLOGIA

25TH INTERNATIONAL ORNITHOLOGICAL CONGRESS

Data: 22 a 28 de Agosto de 2010

Local: Campos do Jordão - SP Site: http://www.acquaviva.com.br/ioc2010/

61º CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA

Data: 08 a 14 de Agosto de 2010

Data: 05 a 10 de Setembro de 2010

Data: 12 a 16 de Julho de 2010 Local: Piracicaba SP

Local: Feira de Santana BA Site: http://www.enebio.org/eneb2010/

Local: Manaus AM Site: http://www.61cnbot.com.br/

Site:http://www.genetica.esalq.usp.br/cursogmp

XIII INTERNATIONAL CONGRESS OF ACAROLOGY

56º CONGRESSO BRASILEIRO DE GENÉTICA

62ª REUNIÃO ANUAL DA SPBC

Data: 25 a 30 de Julho de 2010

Local: Natal RN Site: http://www.sbpcnet.org.br/natal

Data: 23 a 27 de Agosto de 2010

Local: Recife PE Site: http://www.cenargen.embrapa.br/ica13/

Data: 14 a 17 de Setembro de 2010

Local: Guarujá SP Site: http://www.sbg.org.br/site/index.html

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 9 M M O O N N

Boletim do PET

nº 12

Junho/2010

p. 9

MM OONNOOGGRR AAFFIIAASS

Sazonalidade e os efeitos da luz, da pós-maturação e do nitrato na germinação de sementes de três plantas invasoras, ocorrentes em São Luís, MA, Brasil.

Aluno: Ariana Brelaz de Sousa Orientador: Dr. Paulo Sérgio de Figueiredo Relator: Dra. Emilia Girnos

Avaliação da Diversidade e Terópodes da Formação

Alcântara, com base nos Dentes da Coleção de Fósseis da UFMA E CHAPADINHA.

Aluno: Emanuel Brandão Passos Orientador: Dr. Manuel Alfredo Araújo Medeiros Relator: Dr. Carlos Ruiz Martinez

Aluno: Genilson Rodrigues Ferreira Lima Orientador: Dr. Oliver Kuppinger Relator: Dra. Emygdia Rosa Mesquita

Determinação da taxa de infecção de Lutzomyia longipalpis por Leishmania em Imperatriz, estado do

Maranhão, Brasil: foco urbano de transmissão calazar.

Aluno: Bruno Rafael Rabelo Costa Orientador: Dr. José Manuel Macário Rebelo Relator: Dr. Oliver Kuppinger

Diagnóstico molecular da taxa de infecção natural de

Lutzomyia longipalpis por Leishmania Barreirinhas.

no município de

Estudo de mutações do Gene Presenilinal em indivíduos com quadro sugestivo da Doença de Alzheimer no Estado do Maranhão.

Aluno: Carolina Malcher Amorim de Carvalho Silva Orientador: Dra. Emygdia Rosa Leal Mesquita Relator: Dr. Oliver Kuppinger

Diversidade de Herpetofauna Terrestre em Fragmentos de Mata Amazônica circundados por ecossistemas costeiros e antropizados na Ilha do Maranhão.

Aluno: Matheus Silva Alves Orientador: Dr. José Manuel Macário Rebelo

Relator: Oliver Kuppinger

Simulação do Ciclo de Vida de Mos quitos Aedes

(Díptera:Cilicidae)

sob

condições

controladas

de

Temperatura.

Aluno: Valéria Ferreira Cardoso Orientador: Msc. Richardson Gomes Relator: Dr. José Manuel Macário Rebelo

Aluno: Bruna Rafaela Pinheiro Martins Orientador: Dra. Gilda Vasconcellos de Andrade Relator: Dr. Carlos Martinez

Identificação de

Avaliação dos potenciais impactos gerados pela compra compulsiva de aparelhos celulares.

Aluno: Caio Henrique Ribeiro Garcia de Mederiros Orientador: Msc. Richardson Gomes Lima da Silva

Relator: Dr. Murilo Drummond

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 9 M M O O N N

Cianobactérias e microcistina

encontradas em águas portuárias de São Luís, Ma, Brasil.

LLIINNHHAA DDEE PP EESSQQUUIISSAA

Por: Agostinho Cardoso Nascimento Pereira

Nesta edição, a linha de pesquisa do Boletim Informativo

do

PET

divulga

os

projetos

de

caráter

extensionista

desenvolvidos pelo Prof. Dr. Murilo Sergio Drummond,

vinculado à UFMA

em

1986,

como

bolsista de

desenvolvimento científico regional CNPq. Os projetos de extensão começaram a ser idealizados em 1990, devido à preocupação com a devastação da Reserva Florestal do Sacavém, que na época servia como laboratório natural para pesquisas e aulas práticas do Departamento de

Biologia (DEBIO). Nesse contexto alguns professores e estudantes do DEBIO-UFMA fundaram a Associação Maranhense Para a Conservação da Natureza (AMAVIDA).

A partir daí, o DEBIO realizou algumas ações por meio da AMAVIDA, como a instalação da Base de Pesquisa do

Cajual e

projetos

como,

por exemplo,

o

Projeto

Verde

Vinhais, de ordenamento dos espaços públicos. Mas foi após o retorno do doutorado no ano 2000, que as ações de extensão foram intensificadas por meio de uma ação mais direta nas comunidades rurais. Essas ações extensionistas foram unificadas no Projeto Abelhas Nativas (PAN), que na verdade trata-se de um programa, que engloba atividades de ensino, pesquisa e extensão. Dessas atividades surgiram parcerias com órgãos públicos, empresas privadas, além de ONGs e fundações.

O professor Murilo é coordenador do Projeto Abelhas Nativas desde sua criação há 10 anos, este programa visa a

sustentabilidade de comunidades

rurais

através

da

meliponicultura (criação de Abelhas Nativas sem Ferrão,

subtribo Meliponina). Atualmente um novo gestor para o projeto esta sendo selecionado. Tal gestor deverá possuir bastante conhecimento técnico, capacidade de relacionamento e maturidade administrativa para gerir um projeto que é multiinstitucional, uma vez que diferentes instituições atuam apoiando financeiramente ou em suas ações específicas. Por exemplo, a AMAVIDA atua na mobilização comunitária, a UFMA e a UEMA atuam em pesquisas que visam solucionar as demandas emergentes das comunidades, o Instituto Abelhas Nativas (IAN) atua na capacitação técnica, certificação e normatização do projeto, a Meliponina, uma empresa privada, encarrega-se de comercializar os produtos do projeto, a Rede de Pesquisa Abelhas Nativas com Fins Sociais (REPANS) estabelece uma ligação entre as comunidades rurais e as instituições de pesquisa permitindo assim uma transferência de tecnologia da forma mais adequada para a melhoria do sistema produtivo das comunidades. Por fim a associação dos produtores atua disponibilizando para o mercado os produtos

das abelhas

nativas

das suas

regiões.

O

projeto conta ou

contou

com

o

apoio da ALUMAR, da Suzano Papel e

Celulose, da Fundação Banco do Brasil e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Este projeto possui grande reconhecimento, o que é refletido nos prêmios nacionais com os quais foi contemplado. Atualmente, há uma parceria com o PET-Biologia no desenvolvimento de um manual de orientação para professores das escolas públicas rurais e um caderno de atividades para crianças que serão trabalhados com o segundo volume de uma

Boletim do PET

nº 12

Junho/2010

p. 10

série de 4 volumes da Cartilha do Projeto Abelhas Nativas. Este trabalho faz parte de uma meta de disseminar a cultura da conservação das nossas abelhas nativas, no meio rural por meio da escola formal. Além do PET existem ainda alunos apoiando algumas outras atividades. Normalmente os estudantes começam realizando alguma atividade de apoio de extensão ou de pesquisa, no laboratório na UFMA. Posteriormente tem a etapa de viagens para as áreas de atuação no interior do Maranhão (nordeste), onde ele tem o contato mais direto com as comunidades. A partir daí, dependendo muito mais da iniciativa dos estudantes, eles podem começar a atuar mais

diretamente em ações

de capacitação, e mesmo

se sentir

estimulado

para desenvolver alguma pesquisa de interesse

específico ao Projeto. Algumas, inclusive se tornam base para uma monografia de conclusão de curso. Atualmente, vinculado ao PAN, está sendo montada uma base de dados georeferenciada (GEOPAM) para apoiar diversas pesquisas em ecologia e genética na área de atuação do projeto. A base de dados Já possui amostras de aproximadamente 1.000

colônias de 22 espécies

de

abelhas

nativas,

que

tem

estimulado parcerias com diversas universidades do Brasil.

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 10 série de 4 volumes da Cartilha

EE NN TT RR EE VV IISSTT AA

Nesse boletim, entrevistamos a Bióloga Laís de Morais Rego Silva, graduada em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas pela UFMA, Mestre em Biodiversidade e Conservação pela UFMA e Pós -Graduanda em Auditoria e Perícia Ambiental. Ela atualmente é Analista Ambiental do Departamento de Preservação e Conservação Ambiental (SEMA -Secretária de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão) responsável pela gestão das Unidades de Conservação do Maranhão. No cargo desde 2007. Aproveite!

PET-BIO: Quais as unidades de conservação estaduais do Maranhão?

Laís

Silva:

Existem 12 unidades

estaduais, onde

4

são

de

proteção integral e 8 são de uso sustentável (Áreas de Proteção

Ambiental – APA‟s). As primeiras são: Parque Estadual do Mirador, Parque Estadual do Bacanga, Parque Marinho Parcel de

Manoel Luís e Estação Ecológica do Rangedor. As APA‟s da

Baixada Maranhense, da

Foz

do

rio

Preguiças

-

Pequenos

Lençóis Região Lagunar Adjacente, das Reentrâncias Maranhenses, do Itapiracó, do Maracanã, do Upaon-Açu Miritiba Alto do Rio Preguiças, dos Morros Garapenses (criado em 2008) e da Reserva de Recursos Naturais da Nascente do Rio Balsas (que futuramente será re-,categorizada como APA) compõem o segundo grupo.

PET-BIO: Qual o papel da SEMA ante tais unidades?

Laís Silva: A SEMA faz a gestão completa destas unidades:

criação, monitoramento, fiscalização e educação ambiental.

PET-BIO: Quais os principais problemas enfrentados pelas nossas Unidades nos últimos anos?

Laís

Silva: Um dos

maiores

problemas

de todas

as

nossas

unidades estaduais

é

a

falta

dos

instrumentos

de

gestão,

principalmente em relação ao plano de

manejo e conselho

consultivo. As únicas unidades que têm plano de manejo são o

Parque Estadual do Bacanga e a APA do Itapiracó. Neste

momento, estamos elaborando o do Parque Estadual do Mirador. A APA dos Morros Garapenses é a primeira a ter um conselho consultivo e este foi recentemente criado. Então, em relação à elaboração de um instrumento de gestão ainda estamos caminhando, e sem ele fica difícil conduzir normas dentro das

unidades. No caso das APA‟s, por serem mais permissivas diante

a lei, o plano de manejo é essencial para definir quais são as regras a serem respeitadas nas mesmas. Outro problema é em relação aos trabalhos de fiscalização feitos dentro das unidades.

Há um contraste entre nosso pequeno contingente e as APA‟s

que são gigantescas, como por exemplos, a APA das Reentrâncias Maranhenses com 2 milhões de hectares, a APA da

Baixada Maranhense com 1,7 milhões de hectares e a APA

Upaon Açu Miritiba que tem mais de 1 milhão de hectares.

Há apenas

5 analistas ambientais no departamento, em

contraste com as nossas doze unidades. Tal fato se explica pelos poucos concursos públicos e pequenos números de vagas oferecidas e, como em todo Brasil, pelo destino de pequenos recursos à Secretaria de Meio Ambiente, que é o menor de todos os oferecidos a secretarias.

PET-BIO: Quais trabalhos

estão sendo realizados

para

 

promover

o

uso

sustentável

e

preservação

da

biodiversidade

nessas

áreas?

As

comunidades

têm

se

mostrado participativas?

Laís Silva: O trabalho de fiscalização é realizado através do contato tanto com o poder público quanto com a comunidade.

Do ano passado pra cá, nós temos

ido

até

as

unidades em

alguns municípios e pedido ao poder público, sindicatos, cooperativas e associações as demandas de crimes ambientais e, a partir destes, realizamos as fiscalizações e autuações, com multas ou não, dependendo da situação. Em seguida levamos os casos para o ministério público do município para que o

mesmo possa ter uma ação mais direta naquela região. Só que nós não conseguimos alcançar todos os municípios. Também existem algumas parcerias que estão sendo feitas com o

Ministério

do

Meio

Ambiente

e

projetos

estão

sendo

elaborados para as APA‟s das Reentrâncias, Baixada e Parcel

de Manoel Luís. Estas três áreas, além de serem unidades de

conservação, são Sítios Ramsar, que são áreas que possuem um selo muito importante por conter áreas internacionalmente reconhecidas como zonas úmidas. Do Brasil, só o Maranhão possui três Sítios Ramsar e projetos têm sido elaborados em parceria com o Ministério do Meio Ambiente para serem enviados para fundos internacionais.

PET-BIO: Como é feito o monitoramento nessas áreas de modo que se possa acompanhar a qualidade ambiental das mesmas?

Laís Silva: Ele é realizado junto às atividades de fiscalização e

é a que nós menos efetuamos. O que mais realizamos

são as

 

fiscalizações, e junto

destas

verificamos

quais

os

empreendimentos que estão com as licenças em dia. A parte de

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monitoramento feita por nós é basicamente esta de acompanhar as licenças dos empreendimentos. No momento a Secretaria não tem programas de monitoramento ambiental e qualidade de água dentro das unidades. Na APA das Reentrâncias Maranhenses existe um trabalho federal de monitoramento de aves migratórias e caranguejos feito pela SEMAF e o SETEME (órgãos federais ligados ao IBAMA). Monitorar não é competência exclusiva do órgão ambiental. Ele também é competência das Universidades

que podem realizar pesquisas, de ONG‟s que trabalham com

meio ambiente, e muitos destes não o fazem. O órgão ambiental

nunca vai ter “mãos e pés” pra fazer todo o serviço necessário e

este, por sua vez, não é competência exclusiva dele. Todos têm que fazer sua parte. Não se observa conectividade entre as Universidades e a Secretaria. Apesar de professores realizarem pesquisas dentro das unidades de conservação não há o envio de informações obtidas nas mesmas para órgão ambiental. Já realizamos pedidos, mas não houve respostas. E isto resulta numa falta de dados na SEMA para embasar nossos pareceres. As Universidades acabam produzindo conhecimento pra elas próprias, congressos e seminários, e não fazem a extensão deste para as comunidades e a realização da gestão. Elas produzem conhecimento para a criação e reconhecimento da importância de reservas, mas não para a sua gestão. O órgão ambiental não te m como fazer esta parte do monitoramento. Ele tem que ser feito pelos órgãos de pesquisa como a EMBRAPA, FAPEMA e Universidades. E a falta de conectividade entre tais órgãos e a Secretaria é uma falha grave e real não apenas no Maranhão, mas também em outros estados. Culpar a SEMA, o IBAMA e o ICMBIO é muito mais fácil.

PET-BIO: Quais os nossos parques “ativos” e quais atividades estão sendo desenvolvidas em cada um deles?

Laís Silva: Um grande exemplo de unidade de conservação que temos é a do Parque Estadual do Mirador que tem 435 mil hectares e é uma área super conservada. Lá nós temos 22 guarda- parques que trabalham para uma cooperativa conveniada à

Secretaria, e estes

fazem

os

trabalhos de fiscalização e

monitoramento em carros e motos, sendo que existem nove postos de fiscalização dentro do parque onde os guarda-parques moram com suas famílias e tem toda uma estrutura apropriada para o trabalho. O plano de manejo está sendo elaborado agora por uma equipe da UFMA. O Parque Marinho Parcel de Manoel Luís é uma área que não temos acesso por ser muito distante. No Parque Estadual do Bacanga, que tem uma realidade bem complexa por se situar no ambiente urbano e ser circundado por uma área de invasão, são realizadas algumas fiscalizações e está por ser iniciada a mobilização da comunidade local para a elaboração de um conselho consultivo. A instalação de um

hospital dentro do Parque foi impedida pelo parecer negativo dado tanto pela SEMA quanto pela CAEMA. Este parque tem uma importância muito grande pela quantidade de nascentes que contém e pela Represa do Batatã que abastece mais de 10% de

São Luís e representa um desafio por ser uma área de proteção integral dentro de um ambiente urbano.

PET-BIO: Não poderíamos deixar de perguntar sobre o nosso parque na Estação Ecológica do Rangedor. Como se explicaria o fato de nossa nova Assembléia Legislativa ter sido construído em meio a uma unidade de conservação?

Laís Silva: Em linhas gerais, na verdade o que aconteceu foi que antes da Estação Ecológica ter sido criada a Assembléia Legislativa tinha pleiteado a área para construção da sua sede. Como já se sabia que o solo daquela área é muito poroso e consistia numa área de recarga de aqüíferos, estabeleceu-se um

acordo de que a área seria concedida para a Assembléia e em

troca se criaria uma unidade de conservação

de proteção

integral das

mais

restritivas,

no

caso,

ou

uma

Estação

Ecológica ou uma Reserva Biológica, sendo a primeira mais adequada devido à pequena quantidade de fauna na área. Então, criou-se em 2005 a Estação Ecológica do Rangedor sem ser incluída nela a área onde seria criada a sede da Assembléia. O que aconteceu de errado foi a instalação do portal de entrada que deveria ter sido construído, conforme o acordo, pela entrada do SEBRAE e não pela Av. Jerônimo de Albuquerque. A Assembléia mudou de idéia e pediu uma licença de desmate que foi concedida pela SEMA sem passar pelo nosso

departamento, e isto resultou num desmate que ainda foi maior do que o que estava previsto na licença. Então, nem a licença deveria ter sido concedida, nem a Assembléia deveria ter desmatado além do previsto pela licença concedida. Houve erro das duas partes. A Assembléia foi multada por isso, mas não tenho informações sobre o pagamento ou não da mesma.

PET-BIO: Há disponível dados sobre a biodiversidade

nestas unidades de conservação? Laís Silva: Não. Existem apenas diagnósticos iniciais. A falta de conectividade com as Universidades dificulta tal trabalho.

PET-BIO: Quais as futuras pers pectivas para a gestão das nossas unidades de conservação? Laís Silva: Uma boa perspectiva que temos é a recente elaboração do Sistema Estadual de Unidades de Conservação

(SEUC) que é um passo muito importante para a elaboração da política estadual das unidades. Fizemos uma proposta que está sob consulta pública pra poder passar por todo tramite burocrático de votação na Assembléia e posterior geração de lei. Assim poderemos traçar mais normas e restrições dentro das nossas unidades. E sempre ficamos na expectativa da elaboração dos instrumentos de gestão para as mesmas. Já

criamos

o

Conselho

Consultivo

da

APA

dos

Morros

Garapenses, e estamos nos mobilizando para a elaboração do Conselho Consultivo do Parque Estadual do Bacanga, do Mirador e do Itapiracó para este ano. Tais realizações já representarão grandes avanços.

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Está aberto mais um EDITAL DE SELEÇÃO do PET!

Período de inscrição: 23/06 a 05/07/2010 na sala do PET/Biologia no Departamento de Biologia/UFMA 06/07 das 13:00 às 14:00: Palestra sobre “O PET e a indissociabilidade entre ensino, pes quisa e extensão” Grupo PET ( DEBIO/UFMA) 07/07 das 16:00 às 18:00: Prova de Redação (DEBIO/UFMA) 08/07 das 16:00 às 18:00: Prova de Inglês (DEBIO/UFMA) 12/07 a partir das 17:30: Apresentação das propostas de projetos (DEBIO/UFMA) Para download do edital completo acesse: http://pet.ufma.br/biologia/

Está aberto mais um EDITAL DE SELEÇÃO do PET! Período de inscrição: 23/06 a 05/07/2010 na

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Por: Carlos Celso Frazão Saraiva Junior

Telhados verdes vivos

Temperaturas mais amenas no verão e no inverno, isolamento acústico, economia de energia, redução das ilhas de calor nos centros urbanos, diminuição da quantidade de água escorrendo pelas ruas em dias de chuva forte, ar menos poluído. Essas são as vantagens de instalar, no alto de casas e prédios, os chamados telhados verdes que são canteiros produzidos especialmente para essa área da edificação. A ideia não é nova, afinal já no século XIX eram comuns as cabanas feitas com teto coberto de gramín eas nos Estados Unidos. Desde a década de 1960, a Europa também adotou a moda. Mas há poucos anos ela começou a se espalhar de verdade e ganhar terreno nas grandes cidades, locais que mais lucram com essa iniciativa. É importante lembrar, sempre, que não basta pegar um monte de terra e umas sementes e jogar no telhado. O primeiro passo para construir um telhado verde em sua casa é contratar um engenheiro que avalie a estrutura da obra, para saber se ela compo rta o peso que será acrescentado lá em cima. Por esse motivo é mais difícil uma casa já construída obter um telhado verde do que uma casa que ainda será construída. Porém para atender à demanda de quem já tem sua casa construída, algumas opções interessantes têm surgido. Um dos exemplos é o telhado verde alveolar patenteado pela empresa Ecotelhado, de Porto Alegre (RS), que chega a ser quase dez vezes mais leve que os tradicionais. O segredo para a leveza? Eles não usam terra e sim um sistema com todas as características que a terra tem e que são fundamentais para a planta: lugar de fixação, aeração, acúmulo de água e nutrientes, mas sem seu peso. O esquema é muito parecido com o tradicional, em linhas gerais: primeiro há uma membrana anti-raízes. Logo depois, uma membrana para retenção de água, feita de material PET reciclado. Acima, uma membrana filtrante, que não permite a passagem de sujeira para baixo. Os preços para a implantação desse tipo de telhado é de cerca de R$ 90 por m². Atualmente, um grande exemplo da aplicação do telhado verde, é encontrado na cidade de São Paulo, na cobertura do edifício da prefeitura de SP, considerada uma das maiores biocoberturas da cidade.

Boletim do PET  nº 12  Junho/2010 p. 12 Pet N N O O T

Fonte: www.oeco.com.br

Noticia original escrita por Lucia Nascimento.

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p. 13

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