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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES


DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
PROFESSORA: SANDRA HELENA CAMPOS CARDOSO

 
O homem e sua eterna busca de sentido:
Uma abordagem logoterapêutica

Liliane Félix Ribeiro


Maylla Candeia
Rebecca Alves Aguiar Athayde
Yordan B. Gouveia

João Pessoa – PB
Junho de 2009
Introdução

O psiquiatra e psicoterapeuta austríaco Viktor Emil Frankl (1905-


1997), se destacou como o idealizador e pai da escola psicológica
fenomenológica, existencial e humanista, conhecida como Logoterapia.
Pode-se dizer que Frankl acrescentou à psicoterapia uma visaõ
pluridimensinal, livrando-a da hegemônica ênfase no plano somático e
instintual.
Neste trabalho, pretendemos explorar a vida e teoria de Frankl,
enfatizando os aspectos que compõem a compreensão apropriada da visão da
personalidade dos sujeitos humanos segundo a Logoterapia, ressaltado suas
formulações basilares sobre a “vontade de sentido”, valores e religiosidade, os
quais, de acordo com nossa compreensão, representam as proposições básicas
para entender a perspectiva de homem da Logoterapia.
Viktor Emil Frankl (1905-2005)
• Psiquiatra e neurologista.

• Viktor Emil Frankl nasceu em Viena, na Áustria, em


26 de março de 1905.

• Viktor cresceu em uma família cheia de tradições e


calor humanos.

• Entre 1914 a 1918, ele e sua família estavam em situação econômica


deficitária.

• Frankl (1989) aos treze anos de idade ouviu de um professor de Ciências


dizer que a vida era resultado do processo de combustão, indignado levantou-
se e perguntou:
• Quando tinha quinze anos de idade,
Frankl passou a se corresponder com
Sigmund Freud.

• Em 1921, deu sua primeira conferência,


sobre o tema "A respeito do sentido da
vida". -Em 1925, como estudante de
medicina, Frankl encontra-se
pessoalmente com Freud e se aproxima
do círculo intelectual liderado por Alfred
Adler.

• No ano seguinte, ele é excluído da


Association de Psychologie Individuelle,
em razão de suas divergências com
Adler.
• Por volta de 1926, utilizou pela primeira vez o termo
“Logoterapia”, ao expressar questionamentos sobre o sentido da
vida em uma conferência proferida em Viena. Nos anos
seguintes, Frankl se dedicou a construir e a trabalhar em centros
de consultas para os jovens que necessitavam de ajuda
psicológica e moral, objetivando reduzir os altos índices de
suicídio na Europa, com o apoio de alguns dos autores
supracitados (XAUSA, 1986).
• Em 1928, Frankl organiza Centros de
Aconselhamento Juvenil em Viena, e outras
seis cidades, e começou a trabalhar na Clínica
Universitária Psiquiátrica.

• 1930, Frankl trabalhou no centro


neurológico da clínica da universidade, na
clínica psiquiátrica de Steinhof e no
Rotschildospital.

• De 1933 a 1936, Frankl foi diretor do


pavilhão das mulheres suicidas do Hospital
Psiquiátrico de Viena.
• Em 1942 sua família foi deportada da Áustria
pelos nazistas. Em 1945 Frankl foi enviado para
Auschwitz, recebendo a tatuagem de prisioneiro nº
119.104 (Frizzotti,1998 ).

• Doutor em Medicina e Filosofia (MD, PhD).

• Professor da Universidade de Viena, San Diego, Harvard, Stanford,


Dallas, Pittsburgh e outras universidades da Europa, América e Ásia.

• Diretor da Policlínica de Viena durante 25 anos.


• Doutor Honoris Causa de universidades do Brasil (PUCRS), França,
Polônia, Áustria, Argentina, Harvard, San Diego, Cincinatti, Rockfort,
entre outras.
• Ex-presidente da Sociedade de
Psicoterapia da Áustria.

• Autor de extensa obra de psicologia.

• Fundador da chamada “Terceira


Escola de Psicoterapia deViena -
Logoterapia”.
• Obra básica: “O homem em busca de sentido”. Um bestseller em
diversos países, relato da experiência do autor em campos de
concentração da qual resultou sua teoria psicológica-existencial.
Comendo apenas uma tigela de sopa aguada e uma pequena ração de pão.
Longas horas de trabalho em condições meteorológicas extremas - frio de
20 graus abaixo de zero, e todas as falhas imagináveis. Confrontando
atrocidades, mortes e doenças a cada dia. Frankl se apoiou em vários
aspectos para lograr sobreviver: Frankl foi apoiado, em várias maneiras
para garantir a sobrevivência, principalmente pelo seu grupo de trabalho
que se mostrava grato por Frankl lhe ter dado atenção quando contou de
seus casos amorosos e conflitos matrimonias, e de tal forma Frankl o
impressionou com uma diagnose característica sobre a pessoa do Capo e
alguns conselhos terapêuticos (Frankl, 1987).
O amor que sentia por sua família e
sua esposa lhe deu a força para
continuar lutando. Um momento
significativo foi quando um outro
prisioneiro indagou sobre o destino
de suas esposas. O jovem médico
começou a pensar em sua própria
esposa, e percebeu que ela estava
presente dentro dele: “A salvação do
homem está no amor e só no amor.
Eu percebi como é que um homem
que não tem nada neste mundo ainda
pode conhecer bem-aventurança,
seja apenas por um breve momento,
na contemplação de sua amada”
(Frankl,1963, p. 59).
A experiência da natureza - aguardava com expectativa a hora do pôr do sol na
Baviera floresta, e que dava sentido ao seu dia. A experiência de arte -
cumpridos nos poucos tempos livres para recitar poesia, cantar e recordar obras
de teatro(Frankl, 1987).

O senso de humor também foi um elemento importante para a sobrevivência:


contar piadas e rir de alegria porque tinha ouvido as sirenes anunciando
bombardeamentos, lhes permitia parar o trabalho pesado (Frankl, 1987).

A experiência da espiritualidade: Orava dia e noite no barracão, sempre que


possível; o grupo cantou e rezou salmos em hebraico. Para Frankl, a oração é um
diálogo íntimo com os amigos mais íntimos.
Os aportes teóricos metodológicos da
teoria estão baseados na influência da
fenomenologia e do existencialismo e
este se constitui como um método de
relação interpessoal e de análise
psicológica.
Estas não são técnica de cura da
perturbação mental, mas objetiva
facilitar no sujeito um
autoconhecimento, uma
autoconsciência, uma auto-
compreensão e um autodeterminação.
Possibilitam uma autonomia
psicológica, que ajuda no crescimento
pessoal e no encontro do indivíduo
com a autenticidade da sua existência.
A Fenomenologia
Procura estudar os fenômenos, descrevendo-os, interrogando-os e
abordando-os a partir de sua própria existência. A explicação dos
fenômenos não é feita a partir de conceitos prévios, crenças ou afirmações
sobre o mesmo, traçado por um referencial teórico.

O Existencialismo

Pondera a importância da essência do homem, destacando


principalmente a liberdade individual, a responsabilidade e a
subjetividade, enfatizando com isso o homem como individuo
responsável pela construção do seu mundo.
Muitos autores construíram suas teorias definindo as principais finalidades
da psicoterapia existencial:

• Procura de si próprio (May, 1958);


• Tornar-se mais autêntico na relação consigo próprio e com os outros
(Bugental, 1978);
• Superar os dilemas, tensões, paradoxos e desafios do viver (Van
Deurzen-Smith, 2002);
• Facilitar um modo mais autêntico de existir (Cohn, 1997);
• Promover o encontro consigo próprio para assumir a sua existência e
projetá-la mais livremente no mundo (Villegas, 1989);
• Aumentar a autoconsciência, aceitar a liberdade e ser capaz de usar as
suas possibilidades de existir (Erthal, 1999);
• Viktor Emil Frankl (1984).
A teoria frankliana é menos
retrospectiva e menos
introspectiva, dirigindo o
foco de abordagem mais
para o futuro e não para o
presente ou passado do
paciente como as demais
terapias.
Frankl X
Princípio do Prazer de
Freud

• Visão psicanalítica: A personalidade pode ser explicada com base em um


passado determinado por tendências instintivas, sendo elas que decidem pelo
homem.

Frankl X
Principio do Poder
de Adler
• Visão da Psicologia Individual : A experiências traumáticas durante a infância
poderá criar uma imagem distorcida de si mesmo e do mundo em que vive,
desenvolvendo com isso, sentimentos de que seu ambiente é um meio hostil e
punitivo e de que é impossibilitado de fazer face às tarefas da vida.
• Tais teorias apresentam uma idéia reducionista e distorcida do ser
humano, como um ser estruturado apenas por uma dimensão
psicofísica e condicionada internamente;
• Compreendem o homem isolado, e, em seguida, absolutizam um
campo ou dimensão do ser humano renunciando a
multidimencionalidade do mesmo.
• Essas visões de homem tendem a fechar a existência dele em um
humanismo sem perspectiva de futuro, fazendo-se prevalecer um
“homem” instintivo e deixando de lado o “homem” criativo.
Para Victor Frankl,

“o passado não decide todo o


destino do homem. O homem
não é apenas aquilo que ele é, é
também aquilo que decide ser...
Com o futuro, necessidade,
fatalidade e determinismo
abrange-se apenas uma parte da
condição humana” (Citado por
Peter,1999 p. 18).
Com a Logoterapia, surge a
outra metade da explicação
da personalidade humana: “a
liberdade do homem não é a
liberdade dos
condicionamentos; é, antes, a
liberdade de tomar atitude
em qualquer condição em
que se encontre” ( Citado por
Peter,1999 p. 18).

Esta premissa ontológica ou antropológica dimensional torna-se o


alicerce de sua teoria, dando a ela um caráter metodológico que visa
instituir critérios que englobam as características da multiplicidade
e da unidade que constitui o homem de forma holística.
A partir da concepção da ontologia
ou antropologia dimensional atestada
por Frankl o ser humano passa de
uma entidade apenas biológica e
psicológica para uma espiritual.
Transforma as bases em que se
fundamentava as distintas escolas
psicológicas.

Instala uma lacuna ontológica que reparte dois campos


fundamentalmente distintos dentro da estrutura total dessa entidade
chamada homem. Trata-se, de um lado, da existência, algo
essencialmente espiritual, e, de outro, de tudo aquilo que compete à
facticidade, se compõe de elementos tanto psicológicos e fisiológicos .
O homem é um ser para além de um corpo orgânico, abre-se ao
psiquismo, tomando consciência de sua capacidade de existir para
além de si mesmo, isto é, a inscrição do psíquico lhe consente
chegar e apreender um sentido último.

Apesar desse antagonismo noopsíquico, onde o espírito do homem


se contrapõe ao psíquico e ao físico, ele deve ser visto de forma
completa, em sua tridimensionalidade, como um ser bio-psíquico-
espiritual.
“...no homem, porém, nada é
meramente biológico, assim
como nada é meramente
espiritual. Cada célula de
seu corpo participa da
espiritualidade e todo ato da
criatividade espiritual é
alimentado por sua dinâmica
vital” (Peter, 1999 p.23).
Implicações religiosas da Logoterapia

• A Religião e a Logoterapia constituem


esferas diferente e autônomas
• O sistema terapêutico da Logoterapia não
renuncia sua forte ligação com a religião,
todavia rejeita qualquer tentativa de
submeter à psicoterapia à religião,
advertindo contra o perigo de adentrar o
campo da teologia.
• Podemos afirmar que a religião não
contém a imunidade das crises e angústias;
tampouco a psicoterapia nos faz alcançar o
plano da graça.
“Não cremos na necessidade de que o analista seja o salvador e o
libertador, nem que a psicologia do profundo sirva para solicitar aquela
compreensão do processo de libertação universal, que nos intelectuais é
defeituosa. Nem a psicoterapia está a serviço da religião, nem a religião
é meio para conseguir os fins da psicoterapia. J.H. Schultz observou
com justeza que‘ assim como não pode existir neurose copta cristão ou
budista, também não pode existir uma ciência psicoterapíca que se
inspire numa determinada orientação confessional” ( Frankl, V., Teoria
e terapia delle neurosi, op. cit., p. 194.)
• A atitude particular da Logoterapia no que diz respeito à religião é
de neutralidade, diferenciação, autonomia e abertura.

• Não pode haver uma fusão entre essas duas dimensões, nem quando
uma está motivada a explorar a outra.

• A Logoterapia localiza no inconsciente espiritual o centro da


verdadeira pessoa profunda, ou seja, localiza nele a sede de toda ação
humana. Conseqüentemente, as decisões existenciais se provêm do
Eu-espiritual.
Liberdade de vontade, vontade de sentido e sentido da
vida
A liberdade de vontade diz respeito ao fundamento antropológico
que embasa a Logoterapia. Viktor Frankl (1992) concebe o ser
humano como sendo consciente e responsável, formando, assim, uma
unidade ontológica. Tais pressupostos humanos (consciência e
responsabilidade) implicam na resolução de duas questões: “Pelo que
o ser humano se sente responsável” e, “Perante quem ele se sente
responsável” (Frankl, 1990).
Frankl afirma que é a própria
pessoa que precisa decidir se
deve interpretar a tarefa de sua
vida como sendo responsável
perante a sociedade ou perante
a sua própria consciência.
Sendo assim, a consciência da
responsabilidade, perante algo
ou alguém, constituiria a
essência da existência humana
(Aquino, 2009).
• Para Frankl cada indivíduo é confrontado com um valor específico no
mundo, onde ele se torna único e insubstituível. Reconhecendo as
pessoas como conscientes e responsáveis implica-se no reconhecimento
da liberdade da vontade humana. A liberdade aponta-se como o campo
das possibilidades da condição humana e é a antítese da idéia do
destino.
• Segundo a Logoterapia, a liberdade é compreendida como uma
possibilidade de escolha perante as situações. A cada segundo, o
indivíduo depara-se com múltiplas possibilidades de escolha, dentre as
quais apenas uma poderá ser realizada.
Vontade de sentido

Refere-se ao interesse contínuo do


homem pelo significado para a sua
vida. Segundo Frankl, o homem
busca um sentido para sua
existência, independentemente das
A vontade de sentido
outras necessidades.
A teoria de Frankl concebe a
vontade de sentido como interesse
primeiro e último do ser humano,
isto é, “apelar para a vontade de
sentido significa melhor fazer com
que resplandeça o sentido e deixe a
vontade querê-lo ou não” (Frankl,
1992).
Frankl ainda trata do conceito de
autotranscendência da existência
humana, dizendo que a motivação
para o sentido consiste em orientar a
própria vida para além de si mesmo,
para algo ou alguém, estando em
oposição ao egocentrismo. Assim,
para Frankl, o homem só é
completamente ele mesmo e só se
torna homem, quando fica absorvido
pela dedicação a uma tarefa, quando
consegue esquecer-se de si mesmo
tendo em vista uma causa ou o amor a
uma pessoa (Aquino, 2009).
Há de que se salientar, que o
sentido existencial encontra-se
sempre no mundo, ou seja,
fora do sujeito, como uma
pessoa a amar, uma obra a
realizar ou uma atitude a
tomar, que faz do homem um
ser único e irrepetível
(Aquino, 2009).
Sentido da vida
Na concepção de Frankl (1993), o sentido se relaciona a uma
situação singular como também a sentidos universais de modo que
princípios morais e éticos se cristalizam ao longo da história na
sociedade.
Frankl (2003) advoga que o sentido de vida é diferente de pessoa
para pessoa, de uma hora para outra e de situação para situação. Na
concepção de Frankl (1989b) os sentidos são únicos e mutáveis e
não faltam nunca, pois a vida não deixa de ter sentido.
Frankl afirma que a morte é a instância que impele o indivíduo a tomar
consciência da responsabilidade sobre o seu existir no mundo e,
conseqüentemente, do sentido de sua existência. Ele afirma que se nossa
existência fosse ilimitada temporalmente, adiaríamos constantemente
qualquer ação.
Ele afirma que o indivíduo comum concebe três formas de encontrar um
sentido na vida, sendo estas: a capacidade de amar, trabalhar e suportar o
sofrimento. Tais valores existenciais representam caminhos por meio dos
quais o ser humano pode encontrar significado para a vida (Aquino, 2009).
Frankl afirma que até mesmo no
sofrimento pode ser extraído
algum sentido, como coragem,
intrepidez e dignidade. Desta
forma, o sofrimento configura-se
como o mais profundo dos
sentidos (Aquino, 2009).
Ele diz que o mundo pelo qual o
ser humano transcende a si mesmo
é um mundo pleno de sentido (que
constituem as razões e motivações
para agir) e preenchido por outros
seres humanos (que constituem as
pessoas para amar) (Aquino,
2009).
As três principais categorias de valores
Frankl define valores como sendo “sentidos universais que se
cristalizam em situações típicas que uma sociedade ou, ainda, a
humanidade deve enfrentar”.
As três principais categorias de valores que fomentam a realização
existencial, segundo Frankl (2003) são: valores criativos, valores
vivenciais e valores atitudinais.
Valores criativos

Remete-se a idéia de proporcionar


significado ao tornar-se envolvido
em projetos de vida na arte, música,
escrita, invenção, dentre outros.
Frankl afirma que a criatividade é
uma função do inconsciente
espiritual, ou seja, a consciência. A
irracionalidade da produção artística
é a mesma que a intuição que nos
permite reconhecer os bons (Boeree,
1998).
Valores vivenciais

Dentre os valores vivenciais, o amor que se sente por outra pessoa é o mais
importante. Através dele podemos permitir que o outro se sinta amado, e ao
fazê-lo, sentimo-nos realizados. Frankl afirma que o amor é a melhor e a
mais alta meta para a qual o homem pode aspirar.
O amor é o reconhecimento da singularidade de cada um com o outro, com
uma intuitiva compreensão de todo o seu potencial como seres humanos.
Valores atitudinais

Incluem atitudes como compaixão, sofrimento,


bravura, bom senso de humor, dentre outros.
Mas, o principal deles é o sofrimento.

•Havia um médico cuja mulher tinha morrido terrivelmente. Frankl perguntou a ele,
"se você tivesse morrido antes dela, como teria sido para ela?" O médico respondeu
que teria sido incrivelmente difícil para ela. Frankl, em seguida, salientou que,
através da morte, primeiramente dela, ele a havia poupado do sofrimento, mas agora
ele tinha que pagar o preço por sobreviver. Em outras palavras, angústia é o preço
que pagamos por amor. Para o médico, este pensamento deu a morte de sua mulher
e de sua própria dor, um significado, o que, por sua vez, permitiu-lhe lidar com ela.
Seu sofrimento torna-se algo mais: com significado, o sofrimento foi suportado com
dignidade (Boeree, 1998).
Vazio existencial, conformismo e totalitarismo

O vazio existencial aparece principalmente na juventude, e é manifestado pelo


tédio, e pela sensação de que a vida não tem sentido (Boeree, 1998).
Tal sentimento encontra-se presente na vida de cada pessoa, e emerge diante de
situações especiais e estressantes.
• Difusão a partir do século XX: perda de alguns instintos básicos que regulam
o comportamento e asseguram sua existência; tradições (serviam de apoio para
seu comportamento e agora se encontram em declínio). Deste modo, nenhum
instinto ou tradição lhe diz o que deve fazer, por vezes, ele deseja fazer o que
os outros fazem (conformismo), ou ele faz o que outras pessoas querem que ele
faça (totalitarismo) (Boeree, 1998).
Sobre a liberdade e a auto-transcendência

Para Frankl o ser humano tem por


essência de sua existência sua
disposição à autotranscendência,
sendo esta significante da
capacidade do homem de sair de si
mesmo e voltar-se para algo ou
alguém que está além de si próprio.
Assim, o ser humano apresenta-se
como um ser aberto ao mundo e
dirigido para um sentido, e
necessita de um fundamento para a
felicidade e o prazer.
Assim, o interesse que se
encontra no cerne do ser
humano não é o olhar para si
mesmo, mas volver o olhar
para o mundo exterior, em
busca de um sentido. A
pessoa se auto-realiza
justamente na proporção em
que “esquece de si mesmo”
enquanto se dedica a um
trabalho ou a uma pessoa.
Supra Sentido, a descoberta de sentido e projeto de
vida

A locução verbal Supra Sentido


assume a concepção que se refere
diretamente ao sentido que ultrapassa
a finitude do intelecto humano,
referindo-se a uma dimensão
transcendental. Ao passar-se por
momentos de extremo sofrimento, se
requer que suporte a incapacidade
racionalmente o sentido incondicional
da vida e as circunstâncias. A este
sentido, deu-se o nome de supra
sentido. Este só é aprendido pela fé,
pela confiança e pelo amor, ou seja,
por meios que não o da racionalidade
Técnica terapêutica da Logoterapia

• Na prática médica, sobretudo nas atuais


orientações teóricas da psicologia, se
realiza um corte dimensional do homem.

• A ciência ressalta a dimensão biológica,


os fatos somáticos, mas não pode esconder
aquilo que se referem a humanidade do
homem.

• Para superar este obstáculo, a proposta


da logoterapia é incluir necessariamente a
dimensão espiritual.
• Para a Logoterapia, a prática de um médico não se restringe à
cura do organismo, mas sobretudo do sujeito cujo organismo
doente pertence.

• No plano somático, o ser humano está sujeito ao desgaste. Na


pessoa espiritual, o sujeito se conserva são, livre e responsável.

• A doença deteriora o corpo e perturba a mente, mas não destrói


a possibilidade do homem assumir determinada atitude diante
dela.
• Mesmo quando há uma neurose ou psicose, o doente é ser
exclusivamente humano, ou seja, a dimensão propriamente humana
permanece ainda intacta.

• O indivíduo doente não é responsável por seus dilaceramentos.


Contudo, resta ao sujeito a possibilidade de tomar uma atitude diante
de seus próprios desgastes psicofísicos.
• A logoterapia, é uma abordagem apropriada para o tratamento de
transtornos existenciais relacionados com a frustração do sentido de
vida.
• Aumentar o entusiasmo pela vida e despertar a suas habilidade de
autotranscendência, parecem ser motivos de prevenção de crises.
• Percebe-se que a logoterapia pode ser aplicada em grupo,
facilitando desvendar os significados e oferecendo uma mudança de
percepção e interpretação dos fatos da realidade.
Considerações finais

O presente trabalho objetivou explanar um pouco acerca da vida e obra do austríaco


Viktor Frankl, bem como da abordagem por ele fundada, a Logoterapia.
Apresentou-se aqui, acepções para o termo “sentido da vida”, como sentido concreto da
cada situação experienciada pelo sujeito. Tal termo concerne o alicerce a mencionada
abordagem frankliana, sendo essencial para uma compreensão mais exata sobre o
pensamento do autor.
Este trabalho tentou ainda, apontar o enfoque teórico sobre o sujeito transcendental, os
valores, o vazio existencial, o suprassentido, assim como outros sentidos-chave na
Logoterapia.
Por fim, o texto foi articulado de modo a transmitir para o leitor como a abordagem
supracitada insere-se no contexto clínico, e como os conceitos são utilizados no
tratamento psicoterapêutico.
A teoria de Frankl vem apontando algo muito relevante o qual foi tratado aqui, o
declínio ou esgotamento das tradições. Tal esgotamento é refletido na crescente falta de
propósito ou vazio existencial. Ao deparar-se com esta constante “ausência de”, o
homem começa a buscar um sentido para supri-la e é nesta busca que o homem tenta
transcender o concreto.

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