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Vigência e Revogação das Leis no Brasil

O documento resume os principais conceitos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro sobre a vigência e validade das normas jurídicas no Brasil, incluindo o período de vacatio legis, revogação, integração e aplicação das normas.

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Vigência e Revogação das Leis no Brasil

O documento resume os principais conceitos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro sobre a vigência e validade das normas jurídicas no Brasil, incluindo o período de vacatio legis, revogação, integração e aplicação das normas.

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DIREITO CIVIL

LEI DE INTRODUÇÃO AS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB)

VIGÊNCIA E VALIDADE DAS NORMAS

VIGÊNCIA (VIGOR): ocorre a partido do momento que a lei passa ater força coercitiva.
Lembre-se que a lei pode existir, mas ainda não possuir força coercitiva (obrigatoriedade), é o
chamado vaccatio legis.

VACCATIO LEGIS: a regra geral é 45 dias. Trata-se do período entre a criação da lei e a
entrada em vigência.

VACCATIO LEGIS
CRIAÇÃO DA LEI VIGÊNCIA / VIGOR
PERÍODO DE 45 DIAS
(Sanção presidencial ou A lei ganha força
(REGRA)
promulgação do coercitiva
congresso) Ou PERÍDO QUE A LEI (obrigatóridade)
INDICAR
OBS: há uma corrente que indica que a lei que tem grande repercussão obrigatoriamente
tem que haver o período de vaccatio legis.

Contagem do prazo do vaccatio legis: conta-se o dia da publicação da lei e o inclui


também o dia do final do prazo, entrado em vigor no dia seguinte ao fim do prazo.

Alteração na lei antes de entra em Alteração na lei depois que ela já está
vigência (no período de vaccacio legis) em vigência
o prazo do vaccatio legis vai ser considera-se como uma nova lei.
reiniciado. então segue a regra normal do
vaccatio legis se houver

A lei não entra em vigor no Brasil e no estrangeiro ao mesmo tempo, no brasil será
em regra 45 dias no estrangeiro obrigatoriamente 90 dias (três meses). Isso cria a possibilidade
de um mesmo fato ser regulado por duas leis distintas, a saber a nova lei no brasil após os 45
dias, e a antiga lei no estrangeiro entre os 45º dias e 90º dia. 90º dia (três meses
após a publicação)
Momento em que a lei
Publicação da lei entra em vigência no
(promulgação/sanção) exterio

45º dia do vaccatio


legis (dia seguinte a lei
entra em vigência no
BRASIL)
REVOGAÇÃO DA LEI

REVOGAÇÃO: anular, invalidar, desfazer, desvigorar.

TIPOS DE REVOGAÇÃO:

TOTAL PARCIAL EXPRESSA


TÁCITA
(AB-ROGAÇÃO) (DERROGAÇÃO) (EXPLICITA)
A lei nova substitui A lei nova substitui A lei nova diz Ocorre quando
totalmente a lei apenas parte da lei expressamente os houver a
anterior, antiga, o que torna dispositivos/leis incompatibilidade
revogando todo o a lei antiga que serão entre uma lei nova
conteúdo. parcialmente sem revogados com a e uma antiga.
efeito. ex: o novo vigência da nova
CPC. lei.

IMPORTANTE: no brasil não há possibilidade de um costume revogar uma lei. O desuso


da lei (costume negativo) também não revoga lei.

LEI TEMPORÁRIA: é aquela que já nasce com um prazo para perder sua vigência, por
esse motivo não precisa de outra lei para revoga-la.

REPRISTINAÇÃO

Trata-se de um fenômeno excepcional, ocorre quando há a restauração da vigência da lei


anterior (revogada) pelo fato da lei nova ter perdido sua vigência (provavelmente foi revogada
por inconstitucionalidade).

Em regra, esse fenômeno não vai ocorrer no direito brasileiro, exceto nos casos em
que o legislador colocar na própria lei revogadora essa previsão.

NORMAS GERAIS E NORMAS ESPECIAIS

A norma geral não revoga a especial, nem a norma especial revoga a geral elas
coexistem. No entanto a regra especial poderá revogar a geral em duas hipóteses:

a) Revogação explicita/expressa: a norma especial diz qual parte ou artigos da lei geral
está revogando, é retirado do ordenamento jurídico.
b) Revogação tácita: a norma especial regula a mesma matéria que a geral alterando o
seu conteúdo, ou seja, a norma geral continua no ordenamento jurídico só que sem
vigência.
Importante ressaltar que não vai haver revogação tácita na hipótese da lei especial
regular a mesma coisa que a lei geral sem alterar o seu sentido, as duas vão coexistir pois não
há divergências.

INTEGRAÇÃO DAS NORMAS

Trata-se de instrumentos para preenchimento de lacunas. Hipóteses que o legislador não


previu na época de criação da lei.

Ordem dos instrumentos, segundo a doutrina:

Buscar a solução em outra norma que é similar ao caso que não tem lei.
Analogia Legal: utilização de uma lei propriamente dita similar ao caso.
Analogia Analogia Jurídica: utilização de principios e conceitos consagrados pelas
doutrinas e jurisprudências. (semalhança com os princípios gerais do direito)

Conduta lícita que é praticada reiteradamente.


Costume contra legem: costume contrário a lei.
Costume praeter legem: costume que preenche os requisitos para ser usado como forma
Costumes integrativa da lei, possui conduta reiterada, forma lícita e relevância jurídica.
Costume secundum legem: a propria lei impõe sua aplicação.
Costume judiciário: precedentes de aplicação obrigatória. ex: sumulas vinculantes e não
vinculantes, repercussões gerais.

Princípios São os principios propriamente ditos, já consolidados na


gerais de sociedade e universalmente aceitos. ex: ninguém pode se
direito beneficiar da própria torpeza.

EQUIDADE

É o julgamento com senso de justiça, com bom senso. A equidade só será aplicada
quando a lei permitir o magistrado fazê-la. “Tratar os iguais de forma igual e os diferentes de
forma diferente a medida de sua desigualdade”

APLICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS (HERMENÊUTICA)

a) Interpretação autêntica: feita pelo próprio legislador através de outro ato normativo.
b) Interpretação doutrinária: feita pelos estudiosos do direito.
c) Interpretação jurisprudencial: feitas pelos tribunais.

Meios de interpretação:

a) Gramatical: mais pobre, leva em conta somente o sentido literal da palavra.


b) Ontológica: busca a razão de ser da lei, sua essência.
c) Histórica: investiga-se os antecedentes da lei.
d) Sistemática: interpreta a norma dentro de um conjunto, relacionando com as demais
normas do ordenamento jurídico.
e) Teleológica: busca a finalidade da lei dentro da nova perspectiva social.

IRRETROATIVIDADE DA LEI

Em regra, a lei não retroage. Nas exceções em que houver retroatividade deve ser
respeitado o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido.

a) ATO JURÍDICO PERFEITO: o ato jurídico perfeito é aquele que já terminou, já se


consumou nos termos da lei vigente.
b) DIREITO ADQUIRIDO: o direito já se incorporou ao patrimônio ou personalidade do
seu titular, podendo ser exercido quando este quiser.
c) COISA JULGADA: decisão que não cabe mais recursos, tendo transitado em julgado.

CONFLITOS DE LEIS NO TEMPO

Antinomia: leis que aparentemente estão em conflito. (em tese o ordenamento é perfeito)

a) Conflito/antinomia real: duas leis são conflitantes entre si. Nesse caso o poder
judiciário deve resolver o conflito.
b) Conflito/antinomia aparente: é apenas ilusório. Devendo ser resolvido pelos seguintes
critérios:
1. Hierárquico: lei superior prevalece sobre a inferior. (pirâmide de Kelsen)
2. Especialidade: lei especial prevalece sobre lei geral.
3. Cronológico: quando for nomas de mesmo escalão, a norma mais nova prevalece
sobre a antiga. Ex.: conflito de norma especial.

Antinomia de primeiro grau ocorre quando for aplicado apenas um dos critérios.
Antinomia de segundo grau ocorre quando for aplicável mais de um critério, nesse
caso aplica a ordem apresentada acima.

VIGÊNCIA DA LEI NO ESPAÇO

A regra é que a lei brasileira se aplica no território brasileiro. Trata-se do critério da


territorialidade.

O Brasil adota a teoria da territorialidade moderada/temperada/mitigada, ou seja, há


possibilidades da decisão estrangeira ser aplicada no brasil.
Quando a sentença estrangeira será aplicada no brasil?

a) Não ofender a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes;


b) Quando houver a exequatur, permissão do STJ por meio de homologação da sentença
estrangeira.
c) Haver sido proferida por juiz competente;
d) As partes devem ter sido citadas, ou comprovada a revelia;
e) Transitado em julgado, e estar apta a ser cumprida no país que proferiu;
f) Estar traduzida por interprete autorizado;

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: Quando se tratar de título executivo extra judicial


estrangeiro, não é necessário a homologação no STJ, cabendo apenas a justiça federal em
primeira instância proceder com a execução do título.

A lei do país em que a pessoa está DOMICILIADA vai determinar o início e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.

Realizado o casamento no Brasil, aqui se regulará o regime de bens quanto aos


impedimentos e formalidades.

O casamento de estrangeiro pode ser celebrado perante autoridades diplomáticas ou


consulares de ambos os países dos nubentes.

Quanto ao direito sucessório utiliza-se as leis do domicilio do defunto ou desaparecido,


qualquer que seja a natureza dos bens. A sucessão de bens de estrangeiro situados no brasil
regula-se pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, quando a lei do
país do defunto não for mais favorável que a do brasil.

A capacidade para suceder dos herdeiros ou legatário será regulado pela lei do seu
domicilio.

PRINCIPIOS NORTEADORES DO CÓDIGO CIVIL

a) SOCIALIDADE: código civil visa atingir o maior número de pessoas, deixando de ser
aplicado estritamente ao indivíduo, passando a respeitar os direitos sociais, exigindo
uma função social, como por exemplo a função social da propriedade, do contrato, da
posse e da empresa. A LINDB diz que na aplicação da lei o juiz vai atender aos fins
sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
b) ETICIDADE: são preceitos éticos, probos, honestos trazidos pelo código civil. A
exemplo tem-se o princípio da boa-fé objetiva.
c) OPERABILIDADE: também chamado de concretude. Seria a facilitação da
interpretação da lei pelas pessoas comuns e não apenas aos aplicadores do direito. É
também aplicar as normas do código de forma simples e efetiva, visando a solução do
caso concreto. TEORIA DAS JANELAS ABERTAS – na atual codificação material é
possível observar um sistema aberto, ou seja, normas gerais e de conceitos
indeterminados, vagos ou abstratos, a serem interpretados de acordo com o
caso concreto e os conceitos sociais do momento. (Interpretação analógica) Ex.: o
termo “atividade de risco”, quem vai dizer se a atividade é de risco ou não é o
magistrado.

- EFICACIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: é a possibilidade de


aplicas as normas de direito fundamental nas relações privadas (particular particular).

- DIÁLOGO DAS FONTES: mostra que é possível a complementação entre os ramos do


direito, sendo eles aplicados no caso concreto sem a exclusão do outro. Isso acontece
com frequência no caso do código de defesa do consumidor e o código civil.

PESSOAS

É aquele titular de direitos. Pode ser pessoa natural, física ou então jurídica ou coletiva.

PESSOA JURÍDICA É DIFERENTE DE PERSONALIDADE JURÍDICA.

PERSONALIDADE JURÍDICA

 Nasceu com vida (respirou) = adquire personalidade jurídica (aptidão de possuir


direitos e deveres).
o A personalidade jurídica coincide com a capacidade de direito (todos tem).

NASCITURO

Ente concebido, mas ainda não nascido. É o ente de vida intrauterina.

Nascituro tem personalidade jurídica?

Discussão relevante que surgiu 3 teorias:

1. Teoria Natalista:
 Antes do nascimento: tem apenas expectativa de direitos.
 Depois do nascimento: personalidade jurídica.
2. Teoria da Personalidade Condicional: a aquisição da personalidade jurídica vai
depender de qual é o direito exercido.
 Nascituro teria personalidade jurídica apenas para os direitos existenciais
(direito a vida).
 Se fosse para o direito negocial ou econômico aí seria necessário o nascimento
com vida.
3. Teoria Concepcionista: o nascituro teria personalidade jurídica desde sua concepção.
 Concepção: momento em que o óvulo da mulher é fertilizado pelo
espermatozoide do homem.

No Brasil há uma inclinação para teoria concepcionista uma vez que temos a lei dos
alimentos gravídicos, decisões sendo favoráveis ao dano moral ao nascituro ou pela morte do
nascituro. (há uma garantia de direitos desde a vida intrauterina)

NATIMORTO

É diferente de nascituro. Natimorto é o ser que nasce morto.

Apesar de nascer morto ainda são garantidos alguns direitos da personalidade, por
exemplo: nome, imagem e sepultamento.

CONCEPTURO

É o ente que nem concebido foi. É a chamada prole eventual no direito sucessório.

LEI Nº 11.105/2005 – LEI DA BIOSSEGURANÇA

Trata dos embriões humanos obtidos por fertilização in vitro para utilização de células
troncos para pesquisa e terapias, com o consentimento dos genitores.

Esses embriões não terão os direitos da personalidade, pois isso é garantido apenas aos
embriões gerados em via intrauterina.

CAPACIDADE

A pessoa plenamente capaz é aquela que está apta para o exercício dos atos da
vida civil sem estar assistido ou representado.
a) Capacidade de direito: ou de gozo, toda pessoa tem, um bebê que acabou de nascer
ou um jovem maior de 18 anos. É adquirida com o nascimento.
b) Capacidade de fato: é a aptidão para pratica dos atos da vida civil. (o absolutamente
incapaz não tem capacidade de fato, tem apenas capacidade de direito).

Capacidade civil plena = Capacidade de fato + Capacidade de direito.

INCAPACIDADE

É a ausência da capacidade de fato, necessitando, portanto, de estar representada ou


assistida nos atos da vida civil.

Pessoas com deficiência: com a edição do estatuto da pessoa com deficiência, o


deficiente é considerado capaz para os atos da vida civil. – Possui capacidade civil plena.

a) Absolutamente incapazes: (deve ser representado) – atos nulos


 Os menores de 16 anos. (critério biológico)
b) Relativamente incapazes: (deve ser assistido) – atos anuláveis
 Maiores de 16 anos e menor de 18 anos; (critério biológico)
 Ébrios habituais e viciados em tóxicos; (critério psicológico)
 Aquele que por causa transitória ou permanente não puder exprimir sua
vontade; (critério psicológico)
 Pródigos – aquele que dilapida seus bens desvairadamente. (critério
psicológico)

Capacidade dos indígenas (silvícolas) é regulado por legislação especial.

- Índio não inserido na sociedade caso pratique algum ato, este ato será nulo.

- índio inserido na sociedade pratica ato válido.

MAIORIDADE CIVIL

Inicia as 00:00h do primeiro dia seguinte àquele em que a pessoa completou seu
18º aniversário. A partir desse momento a pessoa é plenamente capaz para os atos da vida
civil.

Se a pessoa quiser antecipar os efeitos da maioridade, isso pode ser feito através da
emancipação.

Dois pontos quando se fala em maioridade:


1. O genitor que paga pensão alimentícia não fica desobrigado AUTOMATICAMENTE do
dever de alimentar pelo simples fato do filho alcançar a maioridade. É necessário ele
ajuizar uma ação de exoneração de alimentos. Isso se deve ao fato de que é possível
que o filho esteja estudando, fato que prorroga a pensão alimentícia até os 24 anos.
2. Quanto ao termo final da pensão por morte, deve ocorrer quando completa 21 anos de
idade e não 18 anos.

EMANCIPAÇÃO

É a antecipação dos efeitos da maioridade civil. Pode ser voluntária, legal ou judicial.

Somente os maiores de 16 podem ser emancipados.

Embora esteja emancipado, podendo comprar um carro, este não pode dirigir. O código
de trânsito diz que para dirigir você tem que ser penalmente imputável, e isso só ocorre quando
completa 18 anos. (maioridade civil x maioridade penal)

Com a emancipação a pessoa só antecipa os efeitos da maioridade civil, mas não


antecipa os efeitos da maioridade penal.

a) Emancipação voluntária:
Concedida pelos pais, realizada diretamente no cartório mediante escritura
pública. Prescinde de homologação judicial (prescinde = não precisa).
Sé houver divergência entre os pais sobre a emancipação o juiz decidirá.
Quando emancipado, os pais respondem SOLIDARIAMENTE pelos ilícitos praticados
pelo filho.
b) Emancipação judicial:
Só acontece em uma hipótese, quando o menor estiver sob a guarda de tutor.
O tutor não pode emancipar voluntariamente no cartório. Então é preciso ingressar
ação no judiciário para a emancipação ser concedida. Serão ouvidos o tutor e o MP.
c) Emancipação legal:
Ocorre nas hipóteses trazidas pelo código civil:
 Casamento;
 Exercício de emprego público efetivo;
 Colação de grau em curso de ensino superior;
 Por ser titular de estabelecimento civil ou comercial;
 Relação de emprego, desde que o menor tenha economia própria.
A economia própria é conceito aberto que será decidido conforme o caso, é a
aplicação efetiva da teoria das janelas abertas.

Não há homologação judicial na emancipação legal, basta que ocorra a hipótese.

Em relação ao casamento, não se aplica a união estável. Além disso se houver


divorcio o menor não retorna ao estado de incapaz, no entanto se o casamento for
nulo ou invalido (má fé) ele retornará à condição de incapaz. No caso do casamento
putativo (casamento nulo ou anulável, contraído de boa-fé por um ou ambos os
nubentes) a pessoa permanece com a capacidade adquirida.

Em relação ao emprego público o dispositivo se tornou ineficaz, pois hoje em dia é


necessário ter 18 anos para ser nomeado a cargo público.

d) Revogação da emancipação:
Na emancipação voluntária por ser um negócio jurídico, poderá ser anulada quando
comprovados vícios do negócio jurídico como coação, erro, dolo, simulação, fraude
contra credores.
A emancipação também pode ser revogada quando comprovado que os responsáveis
legais o emanciparam apenas para se livrar dos deveres de auxiliar o assistido.

EXTINÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


A personalidade jurídica é extinta pela MORTE.
a) Morte real: temos um corpo morto.
Ocorre no momento da paralização da atividade encefálica, mesmo que os outros
órgãos estejam funcionando.
b) Morte presumida: não temos um corpo morto.
1. Sem declaração de ausência: se for extremamente provável a morte de quem
estava em perigo de vida (tragedia envolvendo companhias aéreas, barragem de
brumadinho, etc), ou de alguém que estava em campanha e foi feito prisioneiro,
não for encontrado em até 2 anos após o fim da guerra.
A declaração de morte presumida, nesses casos só pode ser requerida após o
encerramento das buscas, e a sentença vai fixar a data provável da morte.
2. Com declaração de Ausência: alguém que não estava em perigo de vida e não
se tem mais notícias dela.
Possui três fases:
 ARRECADAÇÃO:
- Começa com a judicialização da notícia do desaparecimento da pessoa.
- O juiz nomeia curador para administrar os bens;
- A arrecadação pode ser de 1 ano (não deixou administrador dos bens) ou
de 3 anos (o desaparecido deixou procurador para administrar os bens).
- Após arrecadado serão publicados editais durante 1 ano de 2 em 2 meses,
para o desaparecido tomar posse de seus bens. Após 1 ano pode requerer
a abertura da sucessão provisória.
 SUCESSÃO PROVISÓRIA:
- Após pedidos dos interessados será prolatada sentença que terá efeito
somente 180 dias após publicação.
- Ao transitar em julgado a sentença já poderá ser aberto o testamento se
houver, o inventário e partilha de bens como se o ausente fosse falecido.
- Os bens serão divididos e para os herdeiros entrar na posse dos bens
terão de prestar garantia penhor ou hipoteca. Se for herdeiro necessário
está dispensado de prestar a garantia.
- Quem não prestar a garantia os bens continuarão com o curador, ou com
outro herdeiro designado pelo juiz.
- Nessa fase os bens imóveis não podem ser alienados, salvo para
evitar ruinas com a autorização do juiz.
- Se o ausente retornar nessa fase cessarão de imediato as vantagens
produzidas com a posse dos bens. Devendo tomar medidas para cuidar dos
bens até a devolução ao dono.
- 10 anos após passar em julgado a sentença que concedeu a abertura
da sucessão provisória, será aberta a sucessão definitiva, por
requerimento.
 SUCESSÃO DEFINITIVA:
- Será atestada a morte do ausente e os herdeiros tomam os bens para si de
forma definitiva.
- O ausente ainda pode reaver os bens, se retornar nos 10 anos seguintes a
abertura da sucessão definitiva, ou um de seus descendentes ou
ascendentes, onde receberão os bens no estado em que se acharem.
OBS: Se for aberta a sucessão provisória e em 10 anos ninguém aparecer, e
nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados
passarão para o domínio do Município ou do Distrito Federal, quando nas
respectivas circunscrições) incorporando dessa forma ao domínio da União,
quando situados em território Federal.
Não precisará passar por todas essas fases da sucessão se for comprovado que a
pessoa ausente, esteja desaparecida a mais de 5 anos e que conta com 80 anos
de idade, poderá ser requerida a sucessão definitiva diretamente.

COMORIÊNCIA

Dois ou mais indivíduos morrem na mesma ocasião sem ser possível precisar quem
morreu primeiro, serão presumidos que morrem ao mesmo tempo (simultaneamente).

O termo ocasião se refere a tempo, então, pessoa que morreram em locais diferentes
também podem ser comorientes se não for possível precisar a ordem de morte.

DIREITOS DA PERSONALIDADE

Tem por objeto os atributos físicos, psíquicos, e morais da pessoa, mas não apenas
individualmente, mas também socialmente. São direitos inatos, ou seja, que nascem com o ser
humano que não podem ser renunciados ou dispensados, são indisponíveis.

O código civil não exauriu todos s direitos da personalidade, a exemplo tem o direito
autoral que não se encontra no código civil.

Os direitos da personalidade são indisponíveis, no entanto esse preceito não é absoluto.


Em alguns casos e possível dispor desse direito, principalmente a parte que se refere ao
patrimônio. Tal disponibilidade não poderá ser eterna e deve respeitar a função social do
contrato.

Quando existir conflito entre o os direitos da personalidade devem-se usar a ponderação


para sanar o conflito.

1. DISPOSIÇÃO DO PRÓPRIO CORPO


Salvo por exigência médica, é defeso (proibido) o ato de disposição do próprio corpo,
quando importar em diminuição PERMANENTE da integridade física, ou contrariar os
bons costumes. O ato de disposição será permitido para fins de transplante, na forma
estabelecida em lei especial.
Importante a questão da transgenitalização, que consiste na remoção do órgão genital
para incorporar a personalidade que acredita possuir.
Essa intervenção no corpo só pode ocorrer com autorização médica, após sessões
com psiquiatras.
O STF recentemente permitiu que os transgêneros pudessem alterar seu NOME e
PRENOME no registro civil, sem realizar a cirurgia e sem autorização judicial. Em
respeito ao direito da personalidade. Foi dado a lei de registros interpretação conforme
a constituição federal.

2. DISPOSIÇÃO DO CORPO PÓS-MORTE


É válida, com objetivo cientifico, ou altruístico (ação que beneficia terceiros), a
disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.
Reflete a doação de órgãos.
É plenamente possível a disposição de órgão para depois da morte, assim como isso
pode ser revogado a qualquer momento, ou seja, permite-se o arrependimento.
QUANDO O DOADOR MANIFESTA SUA VONTADE, DE FORMA EXPRESSA, EM
VIDA, NÃO HÁ QUALQUER DISCUSSÃO SOBRE O TEMA. – Trata-se do princípio do
consentimento afirmativo. Não existe consentimento implícito (tácito).
Quando houver o consentimento expresso em vida, tal vontade se sobrepõe a
vontade dos familiares.
Se não houver consentimento expresso de que é doador de órgãos, a família poderá
decidir. Quem vai decidir nesse caso?
 Cônjuge;
 Parente maior de idade, respeitada a linha sucessória, reta ou colateral até
2º grau.

OBS.: Para pessoas não identificadas, não será permitida a doação de órgãos.

3. TRATAMENTO SEM CONSENTIMENTO


Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento
médico ou a intervenção cirúrgica.
No caso do paciente ser informado do risco previamente, ele tem o direito potestativo
de se negar a realizar o procedimento cirúrgico, sem gerar responsabilidade civil para
o médico. Na mesma linha o STJ entendeu que a internação compulsória do paciente,
ainda que por decisão dos pais, é descabida, configurando constrangimento ilegal.

Em casos graves onde o paciente não consegue expressar sua vontade o médico tem
o dever de realizar o procedimento cirúrgico para tentar salvar a vida do paciente.

CRENÇA RELIGIOSA x DIREITO A VIDA

Nos casos das testemunhas de Jeová, eles não aceitam transfusão de sangue. Se
uma testemunha de jeová CHEGA AO HOSPITAL INCONSCIENTE precisando de
transfusão de sangue o médico vai realizar pois está em exercício regular de um
direito.

Diferente de a testemunha de jeová está consciente e se negar a transfusão por seus


motivos religiosos, caso em que o médico deve acatar a liberdade de crença.

4. NOME
São elementos do nome:
 Prenome: é o primeiro nome, pode ser simples ou composto.
 Sobrenome: identificador familiar.
 Agnome: elemento que identifica, dentro de uma mesma família, pessoas com o
mesmo prenome e sobrenome. Ex.: Filho, Sobrinho, Neto. (João Silva Neto)

O nome é regido pelo princípio da imutabilidade. Esse princípio não é absoluto.

Por exemplo, no caso de adoção é permitido a inclusão dos nomes dos adotantes ao
nome do adotado.

Mas não é permitido adicionar os nomes dos ascendentes do adotante (avós), a


aqueles adotados sob a égide do código civil de 1916. Há vedação expressa no
código de 1916.

O interessado em alterar seu nome pode fazer isso administrativamente no primeiro


ano após atingir a maioridade civil (entre 18-19), pessoalmente ou por procurador,
desde que não prejudique os nomes de família, averbando-se a alteração que será
publicada na impressa.
Após esse prazo só poderá alterar o nome após audiência do MP e autorização do
juiz do local do registo.

A ARPEN (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São


Paulo) entende que em ambos os casos é necessário autorização judicial. O que
diferencia é que no caso do maior de 19 anos ele teria que justificar a alteração. E
quem altera entre 18 e 19 anos não precisaria justificar.

A jurisprudência vem entendendo que a alteração entre 18 e 19 anos é somente


do sobrenome, proibido alteração do prenome. Ainda que altere o sobrenome
tem que manter a identificação familiar. Podendo modificar então a ordem dos
nomes, incluir nome que não foi incluso no momento do registro ou excluir
nome que não se identifique.

A alteração do prenome só seria possível com JUSTO MOTIVO apresentado ao


juiz depois de ouvido o MP.

Permite-se alteração nas seguintes hipóteses:

 Exposição ao ridículo;
 Erro de grafia crasso;
 Adequação de sexo (transgenitalização); (meio administrativo)
 Introdução de alcunha (apelido ou cognome);
 Introdução do nome do cônjuge ou convivente;
 No caso de adoção para colocar nome dos pais;
 Tradução de nome estrangeiro;
 Proteção de testemunhas.

A enteada ou enteado pode incluir nome do padrasto ou madrasta, desde que haja
motivo ponderável e que tenha consentimento expresso destes, sem prejuízo dos
seus apelidos familiares naturais.

STJ: nos casos de abandono afetivo e econômico por parte do genitor (a), o
filho pode requerer a retirada do nome de identificação familiar.

STJ: é possível retificar o registro civil para adicionar o segundo patronímico do


marido ao nome da mulher durante a convivência matrimonial.
Pseudônimo: nome adotado por autor ou responsável por obra artística no lugar de
seu nome civil verdadeiro. Ex.: Matuê, Teto, Orochi.

O pseudônimo quando utilizado para fins lícitos goza da mesma proteção dada ao
nome civil.

O nome da pessoa não pode ser empregado por outras pessoas em situações que a
exponham ao desprezo público, inda que não haja intenção difamatória.

Sem autorização não se pode usar nome alheio em propaganda comercial, do


contrário haverá ocorrência de ato ilícito, passível indenização, material e moral.

5. DIREITO DE IMAGEM
Direito inato. É a forma como a pessoa fisicamente se apresenta (imagem retrato),
bem como o modo que a sociedade a enxerga (imagem atributo).
A imagem da pessoa poderá ser utilizada nos casos de interesse da ordem pública e
de interesse da administração da justiça sem necessidade de autorização.
Fora desses casos a autorização do titular é imprescindível. Caso contrário ele terá
direito de pedir a cessação da utilização da sua imagem pelo simples motivo de não
querer que seja utilizada.
Além disso pode nascer o dever de indenizar, nos casos que a imagem for utilizada
para:
 Atingir a honra, boa fama ou a respeitabilidade; (ônus da prova é do detentor do
direito de imagem)
 Se destinar a fins comerciais. (dano é presumido)

Sum. 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não
autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.”

PESSOAS PÚBLICAS x DIREITO DE IMAGEM

Possuem direito de imagem, no entanto, sofre uma mitigação em razão do interesse


público e do direito à informação. Não haverá violação ao direito de imagem dessas
pessoas desde que a informação seja verossímil, que se preserve os direitos da
personalidade (honra, imagem, privacidade, intimidade), proibida a veiculação critica
jornalística com o intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa.

CAPTAÇÃO DE AMBIENTE x DIREITO DE IMAGEM


A captação de imagem em ambiente público só atinge o direito de imagem
quando contextualizada ou específica, dando a entender que o foco não é o
ambiente e sim a pessoa.

6. VIDA PRIVADA E INTIMIDADE


“A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado,
adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta
norma.”
 Vida privada: núcleo restrito da vida da pessoa que é aberta a um grupo seleto
de pessoas.
 Intimidade: momento íntimo da pessoa, mais restrito que a vida privada.

No campo da proteção ambas são iguais, o que diferencia é quantum indenizatório


que é maior na violação da intimidade.

BIOGRAFIA x PRIVACIDADE E INTIMIDADE

A pessoa biografada não tem que autorizar para que sua vida possa ser contada. As
pessoas coadjuvantes na biografia também não precisam autorizar, bem como quem
já morreu.

Se houver violação da privacidade, intimidade, honra e imagem, deve haver


reparação dos danos.

PUBLICIDADE DE SALÁRIO DE SERVIDOR PÚBLICO x PRIVACIDADE E


INTIMIDADE

A simples publicidade de salário, exposição de descontos da vida pessoal, e sem


falácias, não configura ato ilícito.

Ainda sobre a vida privada e intimidade, a veiculação de matéria jornalística sobre


delito histórico que expõe a vida cotidiana de terceiros, não envolvidos no fato
criminoso, ofende o princípio da transcendência, gerando o dever de indenizar.

7. DIREITO DOS MORTOS


A lesão a direto da personalidade do morto, atinge tanto o morto quanto seus
parentes (dano em ricochete / lesados indiretos). – é uma das hipóteses
excepcionais em que se admite a transmissão de direitos personalíssimos.
“E se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa
proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.”

8. DIREITO DE PERSONALIDADE DAS PESSOAS JURIDICAS


“Aplica-se a pessoa jurídica, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade”.
O dano moral da pessoa jurídica ocorre com a ofensa de sua honra objetiva.
 Honra objetiva: o juízo de terceiros sobre alguém.
 Honra subjetiva: sentimento que a pessoa tem dela mesma.

STJ: a pessoa jurídica de DIREITO PÚBLICO não tem direito a indenização por
danos morais relacionados à violação da honra ou imagem. Na violação do nome
pode haver indenização.

PESSOAS JURÍDICAS

São entidades a que a lei confere personalidade jurídica, capacitando-as a serem


sujeitos de direitos e obrigações.

Teoria da realidade técnica: Uma vez personificada pelo direito, a pessoa jurídica passa
a ter a atuação social na condição de sujeito de direito. – “começa a existência legal das
pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se
no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.”

IMPORTANTE: o direito de anular o ato constitutivo decai em 3 anos, por defeito do ato,
começando do prazo da publicação da inscrição no registro.

Em regra, a pessoa natural é a indicada no ato constitutivo da PJ. Na sua omissão, a


presentação será exercida por seus diretores. No caso de administração coletiva as decisões
são tomadas por maioria dos votos, salvo se no ato constituinte dispuser em contrário.

1. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS


a) Nacional ou Estrangeira: quando for estrangeira precisa de autorização do poder
executivo.
b) Quanto a estrutura interna:
 Corporação: conjunto de pessoas que atuam para um fim. Ex.: lucro.
 Fundação: conjunto de bens, arrecadados para uma finalidade de interesse
social.

c) Quanto a natureza:
 Direito público:
- Interno: quando visar atender interesse público intrínseco. (União,
autarquias, estados etc.)
- Externo: representa o país perante os países estrangeiros.
 Direito privado: instituída pela vontade dos particulares.
- Associações: conjunto de pessoas sem fim lucrativo.
- Sociedade: conjunto de pessoas com fim lucrativo.
- Fundações: conjunto de bens.
- Organizações religiosas
(rol exemplificativo, art. 44, CC)

IMPORTANTE: PJ não se confunde com ente despersonalizados.

Entes despersonalizados: não tem personalidade jurídica. São conjuntos de bens ou de


pessoas que não tem personalidade própria. (família, massa falida, espólio, herança
jacente, sociedades de fato e a irregular, etc...)

2. ASSOCIAÇÕES
União de pessoas que se constituem para fins não econômicos. (ausência de
finalidade lucrativa). – Podem angariar fundos, dinheiro, mas não podem distribuir
dividendos.
Não há entre os associados direitos e obrigações recíprocos, pois não há intuito de
lucro.
Pode haver categorias diferentes de sócios com vantagens, mas não pode haver
diferenciação de sócios da mesma categoria.
A qualidade de associado é intransmissível, salvo se o estatuto dispuser em
contrário.
A exclusão do associado é admissível havendo justa causa, reconhecida em
procedimento que assegure o direito de defesa e recurso, nos termos do estatuto.
(eficácia horizontal dos direitos fundamentais)
Quem não aderiu a associação de moradores não está obrigado ao pagamento de
taxas de manutenção.

Dissolução da associação:
Quando da dissolução, o patrimônio líquido remanescente será destinado a entidades
sem fins econômicos que constarem no estatuto. – Quando omisso, os associados
irão deliberar a esse respeito.
O remanescente poderá ser destina à instituição municipal, estadual ou federal, de fins
idênticos ou semelhantes. – Se não existir essa entidade o patrimônio será devolvido a
fazenda do Estado, Municio, DF ou União.
O associado pode recuperar a cota investida na associação. É ressarcimento e não
obtenção de lucro.

3. FUNDAÇÕES
Conjunto de bens, arrecadados e personificados para uma determinada
finalidade. – Normalmente é um patrimônio destacado que será personificado.
São criadas por ESCRITURA PÚBLICA ou por TESTAMENTO.
Para ser criada pressupõe:
a) Afetação de bens livres
b) Especificação da sua finalidade
c) Previsão de como será administrada
d) Elaboração de um estatuto.

Constituída a fundação, negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a


transferir a propriedade, e outros direitos reais, sobre os bens dotados. Caso não faça,
os bens serão registrados em nome da fundação por mandado judicial.

O MP aprecia o estatuto, cabendo a ele aprovar ou não, e também fiscaliza a


fundação.

Tem hipótese em que o próprio MP vai elaborar o estatuto da fundação. Isso acontece
quando o estatuto não é elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou nos casos
em que não há prazo, será de 180 dias.
Quando o MP elabora o estatuto quem aprova é o juiz.

O MP que fiscaliza é o de onde está situada a fundação. MP estadual, distrital ou


federal.

Para alterar normas do estatuto da fundação, deverá ocorrer a deliberação de pelo


menos 2/3 dos membros competentes para representar a fundação. Nos casos em
que a votação não for unânime, ao submeter as alterações a análise do MP, irão
requerer que seja cientificado os vencidos na deliberação para apresentar impugnação
em 10 dias se assim quiserem.

Extinção:

Quando se tornar ilícita, inútil ou impossível a finalidade visada pela fundação,


bem como o encerramento do prazo de sua existência, o MP ou qualquer
interessado poderá promover a extinção, incorporando o patrimônio, salvo
disposição em contrário do estatuto, ato constitutivo ou juiz designar outra fundação
com fins semelhantes ou iguais.

4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


Autoriza o afastamento da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, para chegar aos
bens particulares dos sócios por dívidas da sociedade.
“Em casos de ABUSO DA PERSONALIDADE JURÍDICA, caracterizado pelo DESVIO
DE FINALIDADE, ou pela CONFUSÃO PATRIMONIAL, pode o juiz decidir, A
REQUERIMENTO da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no
processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam
estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.”
 Confusão patrimonial: os sócios utilizam os proventos da sociedade em
benefício próprio, adquirindo bens em seu nome, e não da pessoa jurídica.
 Desvio de Finalidade: desvirtuamento do fim, desviando-se para lesar
credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.

A desconsideração pode ser decretada ainda que a insolvência não esteja


configurada, bastando apenas a constatação de desvio de finalidade ou confusão
patrimonial, que caracterize abuso de personalidade, somado ao inadimplemento do
título executado. – Teoria maior adotada pelo CC.
O CDC adota a teoria menor, bastando apenas o inadimplemento do título para que
ocorra a desconsideração.

a) DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA


Busca os bens da sociedade por dividas particulares dos sócios, quando estes
transferem todo seu patrimônio para a pessoa jurídica para ficar insolvente e
fraudar cobrança de dívida.
b) DESCONDIDERAÇÃO INDIRETA DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Desconsidera a personalidade jurídica de uma determinada empresa que pertence
à um grupo econômico, para viabilizar a responsabilidade da empresa
controladora, angariando seus bens e ressarcindo o lesado.
Aqui há uma sociedade empresarial de fachada para blindar o patrimônio da
sociedade principal.
OBS.: Para atingir os bens da pessoa jurídica principal do grupo econômico é
preciso comprovar o ABUSO DA PERSONALIDADE JURIDICA. – A simples
existência do grupo econômico não autoriza a desconsideração.

c) DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DE PESSOAS SEM


FINS LUCRATIVOS
Mesmo que sejam pessoas de direito privado que sua principal característica é
ausência de fins lucrativos – Associações – Sofrerão também a desconsideração
da personalidade jurídica nos mesmos moldes de uma sociedade (possui fins
lucrativos).

d) AUTODESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍCA


É possível que a própria pessoa jurídica invoque a desconsideração. – Ocorrerá
por meio de deliberação pela maioria dos sócios, com o objetivo de indicar os bens
de determinado socio que agiu, sem consultar os demais sócios, com abuso da
personalidade jurídica.

DOMICÍLIO

Local onde a pessoa pode ser sujeito de direitos (cobrar) ou deveres (ser cobrada)
na ordem privada.
Domicilio é o local, área da sua residência. O código civil aceita a pluralidade de
domicilio.

O local de trabalho também é considera domicilio da pessoa natural. Também aceita a


pluralidade de domicilio trabalho.

Mudança de domicilio: transferência da residência com a intenção manifesta de mudar


de domicilio. Essa intenção é concretizada por meio das declarações da pessoa à
municipalidade, de onde está saindo como de onde está indo morar. Ex.: alteração do domicilio
eleitoral é exemplo de intenção manifesta de se mudar.

1. CLASSIFICAÇÃO DO DOMICÍLIO
a) VOLUNTÁRIO: (convencional) – Decorre da escolha da pessoa, autonomia
privada.
b) LEGAL OU NECESSÁRIO: (fixado pela lei)
 Domicilio do Incapaz: é o mesmo do seu representante ou assistente.
 Domicilio do Servidor Público: lugar onde exerce permanentemente suas
funções. (admite a pluralidade)
 Domicilio do militar: local onde servir. – Se for marinha ou aeronáutica é a
sede do comando a qual estar imediatamente subordinado.
 Domicilio do marítimo: lugar onde o navio estiver matriculado.
 Domicilio do preso: local onde cumpre a sentença. E o preso preventivo?
Não cabe essa hipótese para ele porque ele não está cumprindo pena.
c) CONTRATUAL: Aquele que consta em Contrato Escrito escolhendo o domicilio
para cumprir uma obrigação. – Não confundir com foro de eleição que é usado
para aspectos processuais escolhendo onde a ação será processada.
d) APARENTE: (pessoas que não tem domicilio) será o local onde forem encontradas.

O domicilio das pessoas jurídicas pode ser estatutário ou aparente.

 Estatutário: local previsto no seu estatuto.


 Aparente: local de funcionamento da diretoria ou administração. – Nos casos de
sede no exterior considerar o local de sua filial aqui no Brasil.

BENS
COISAS: (gênero) – Tudo aquilo que não é humano.

BENS: (espécie) – Coisas materiais ou imateriais que têm valor econômico e/ou jurídico.

PATRIMÔNIO: Conjunto de Bens pertencentes a um particular.

1. CLASSIFICAÇÃO DE BENS
a) BENS CONSIDERADOS EM SI MESMO
Considera-se o bem individualmente, sem necessidade de outro bem atrelado
a ele.
 BENS IMÓVEIS: o solo e tudo que incorporar a ele natural ou
artificialmente.
- Por natureza: tudo que incorpora ao solo naturalmente. Ex.: árvore que
não foi plantada pelo homem.
- Por acessão física: o homem incorpora ao solo de forma permanente. Ex.:
edificações, plantações. OBS.: Não perde a característica de bem imóvel as
edificações que separadas do solo matem sua unidade para serem
colocadas em outro lugar. Bem como os materiais provisoriamente
separados de prédios para depois colocar de volta.
- Por acessão física intelectual: substituído pelas pertenças.
- Por disposição legal: a lei diz que são bens imóveis. Ex.: direito à
sucessão aberta; direitos reais sobre imóveis; hipoteca e penhor agrícola.
 BENS MOVEIS: suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção sem
alteração de sua substância ou destinação econômica.
- Por natureza: podem ser transportados sem danos, por força própria
(semoventes) ou por força alheia.
- Por determinação legal: a lei define. Ex.: energia elétrica.
- Por antecipação: era um bem imóvel, mas foram mobilizados por
atividade humana. Ex.: a colheita de uma plantação.
OBS: Navios e aeronaves são bens moveis.
 BENS IFUNGIVEIS: Não podem ser substituídos por outros da mesma
espécie, qualidade ou quantidade. Ex.: quando pintado por van googh.
 BEM FUNGIVEL: pode ser substituído por outro da mesma espécie,
qualidade ou quantidade.
 BEM CONSUMIVEL: bens móveis cujo uso importa em destruição
imediata da própria substância. Os destinados a alienação também são
bens consumíveis.
 BENS DIVISIVEIS: podem ser fracionados sem alterar a sua substância,
diminuição considerável do seu valor, ou prejuízo do uso a que se
destina. – O código civil não se importa com a divisão da coisa, mas sim a
perda da propriedade, como por exemplo, um diamante é considerado
indivisível pois se for dividido perde o valor no aspecto econômico. – A lei ou
vontade das partes também pode autorizar que bens divisíveis por natureza
seja tratado com indivisível.
 BENS SINGULARES: embora reunidos se consideram por si
independentes dos demais. Ex.: Um livro, um boi, uma ovelha.
 BENS UNIVERSAIS: se encontram agregados a um todo constituído por
várias coisas singulares. Ex.: rebanho, frota de automóveis, massa falida,
herança.

b) BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS


Dependência em relação a outro bem.
 BEM PRINCIPAL: existe de forma autônoma e independente. Não
depende de outro objeto.
 BEM ACESSÓRIO: a existência e finalidade depende de outro bem, o
bem principal. – Principio da gravitação jurídica: o bem acessório segue o
bem principal. (esse princípio não é absoluto)
- Frutos: tem origem no bem principal, mas mantem sua integridade sem
diminuir sua substancia ou quantidade.
- Produtos: tem origem no bem principal, diminuindo a sua quantidade e
substância. Ex.: pepita de ouro retirada de uma mina. Em algum momento o
ouro vai acabar.
 PERTENÇAS: Não constitui parte integrante, mas serve de modo
duradouro, ao uso, serviço ou aformoseamento de outro bem. Ex.: uma
camionete que foi comprada pra ser usada dentro da fazenda. Essa
caminhonete é uma pertença por ser destinada a servir o bem principal.
OBS.: A regra da gravitação jurídica não alcança as pertenças. – Salvo
se a lei obrigar ou as partes acordarem.
 BENFEITORIAS: (bens acessórios) são introduzidas em um bem imóvel
ou móvel com o objetivo de conservar o bem ou melhorar a sua
utilidade.
- Necessárias: tem finalidade de conservar e evitar deterioração do bem.
Ex.: reforma no telhado da casa para evitar que desabe.
- Uteis: aumenta ou facilita o uso da coisa. Ex.: instalar grades na janela da
casa.
- Voluptuárias: benfeitorias para mero deleite. Ex.: fazer uma piscina em
uma casa.

2. BENS PÚBLICOS
Pertencem a pessoas jurídicas de direito público interno.
a) BENS DE USO GERAL: (de uso comum do povo) – São aqueles necessários ao
uso geral do povo, sem necessidade de permissão especial. Ex.: praças e
ruas, ainda que cobre pedágio.
b) BENS DE USO ESPECIAL: são bens ou terrenos utilizados pelo próprio
estado para execução de um serviço público. Há uma destinação do bem
(afetação). Ex.: repartições públicas, carro da polícia.
c) BENS DOMINICAIS: é o patrimônio disponível da pessoa jurídica de direito
público (alienáveis). São bens que não tem uma destinação especifica
(desafetados).

OBS.: Nenhum bem público está sujeito a usucapião.

3. BEM DE FAMÍLIA
É o imóvel utilizado como residência da entidade familiar.
a) BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO (VONTADE DA PESSOA QUE INSTITUI)
A instituição se dá por escritura pública ou testamento. O bem de família
convencional ou voluntário não revoga o bem de família legal podendo os dois
coexistirem.
São inalienáveis, impenhoráveis e isentos de execução por dividas anteriores
a sua instituição.
b) BEM DE FAMÍLIA INVOLUNTÁRIO (A LEI DIZ QUE É BEM DE FAMÍLIA)
Imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e
não responde por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal,
previdenciária ou de outra natureza, contraídas pelos cônjuges ou pelos pais
ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses
previstas em lei.
A vaga de garagem também tem a proteção de bem de família desde que não
tenha matricula própria.
Súm. 449 STJ: “A vaga de garagem que possui matricula própria no registro de
imóveis não constitui bem de família para efeitos de penhora.”
Súm. 486 STJ: “É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja
locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a
subsistência ou a moradia da família”.
Súm. 549 STJ: “É válida a penhora de bem de família pertencente a FIADOR DE
CONTRATO DE LOCAÇÃO”. – Em caso de LOCAÇÃO COMERCIAL o bem de
família do fiador não pode ser penhorado.
Ainda, os bens pertencentes a pessoa jurídica que serve de residência para o seu
sócio não pode ser penhorada por ser considerada bem de família.

FATOS JURÍDICOS

TRICOTOMIA DO NEGOCIO JURÍDICO (ESCADA PONTEANA)


1° DEGRAU: EXISTÊNCIA – (Vontade, agente, objeto e forma)
2º DEGRAU: VALIDADE – (VONTADE: Livre e de boa fé; AGENTE: capaz; OBJETO:
Lícito, possível, determinado ou determinável; FORMA: prescrita ou não defesa em lei)
3º DEGRAU: EFICÁCIA – Elementos acidentais (condição, termo ou encargo)
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